10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil MOBILE INFORMATION TECHNOLOGY ACCEPTANCE ORGANIZATIONS OF THE PUBLIC TRANSPORTATION SECTOR AND USE IN Camila Mariane Costa Silva (Universidade de São Paulo, São Paulo, Brazil) - [email protected] Edmir Parada Vasques Prado (Universidade de São Paulo, São Paulo, Brazil) - [email protected] The utilization of mobile information technologies (MIT) is growing. For instance, the mobile phones are increasingly accessible to the population. This device allows people to communicate or to exchange data from anywhere at any time. From this context, we checked that two organizations of the public transportation sector of São Paulo State have offered a MIT service, by which users can send SMS messages to denounce irregularities in vehicles and stations. The study started from the problematic: how does the MIT use in the public sector occur, from users’ point of view. So, we questioned: what factors do influence this MIT acceptance? Thus, we analyzed if the service is recognized and what factors influenced more the service acceptance and utilization. We accomplished a case study, with a survey, of both organizations. Finally, we verified that, despite of the service recognition by its users, factors related to effort expectance have affected the service non-utilization. Keywords: Mobile information technology; Technology adoption; Public Sector; M-government; SMS message. ACEITAÇÃO E USO DE TECNOLOGIAS MÓVEIS EM EMPRESAS DO SETOR DE TRANSPORTES PÚBLICOS O uso de tecnologias de informação móvel (TIM) está se intensificando. O celular, por exemplo, é cada vez mais acessível à população. Este dispositivo permite que as pessoas se comuniquem e troquem dados de qualquer lugar e a qualquer tempo. A partir desse contexto, verificou-se que duas empresas de transporte público do Estado de São Paulo oferecem um serviço em TIM, que se trata do envio de mensagens SMS para denunciar irregularidades nos veículos e estações. Partindo da problemática de como ocorre o uso de TIM no setor público, sob a visão de seus usuários, indagouse: quais fatores podem influenciar esta aceitação e utilização. Para tal, foi necessário analisar se esse serviço é reconhecido e quais fatores mais influenciaram a aceitação desta TIM. Foi realizado um estudo de caso, com aplicação de survey, com ambas as empresas. Por fim, viu-se que, apesar de os usuários o reconhecerem, fatores relacionados à expectativa de esforço afetaram a não utilização do serviço. Palavras-chave: Tecnologia de Informação Móvel; Adoção de Tecnologia; Setor Público; Mgovernment; Mensagem SMS. 0511 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil 1 Introdução Vive-se um novo arranjo social, no qual a sociedade está engajada em um ambiente que lhe permite mais flexibilidade na gestão das organizações e a criação de modelos econômicos diferenciados. A sociedade em rede, como é conhecida, promove a disseminação de valores de liberdade de comunicação e liberdade individual (Castells, 2003). Um desses novos arranjos se manifesta com as tecnologias de informação móveis (TIM), que são dispositivos e sistemas providos de portabilidade. Segundo Sorensen (2003) essas tecnologias podem prover comunicação a qualquer tempo e de qualquer lugar, rompendo barreiras. Celulares, smartphones e tablets podem ser considerados TIM, que além de diversas outras funcionalidades, possibilitam o acesso à Internet. O uso de tecnologias móveis tem aumentado entre os usuários individuais. Segundo a TELECO (2012), no Brasil já foram adquiridos 256 milhões de dispositivos, como celulares. Isso representa quase dois celulares por pessoa. Outro aspecto que ressalta o potencial desse fenômeno foi a relação dos equipamentos mais adquiridos por domicílio, em que os dispositivos móveis ficaram em segundo lugar com 87%, enquanto a soma entre computadores de mesa e portáteis ficou em 55%, segundo o Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC, 2011). Geser (2004) ressalta a importância dessa tecnologia na modificação da sociedade, enquanto Goggin (2006) afirma que o uso de celulares já foi incorporado a cultura coletiva. A partir das TIM foi possível surgir o conceito de M-business, ou Negócio Móvel que transformaria ou, ao menos, modificaria a forma como as organizações se estruturam. Essa reestruturação teria como base o E-business, ou Negócio Eletrônico, e poderia ser considerada como uma nova onda tecnológica (Kalakota & Robinson, 2002). Segundo Saccol e Reinhard (2005) ainda há possibilidades de investigação sobre as TIM, em diferentes perspectivas. Entre as lacunas apontadas pelos autores, tem-se a necessidade por pesquisas empíricas e estudo das transformações que essa tecnologia pode causar nas empresas e na sociedade. Outra oportunidade de estudo está relacionada à adoção de TI em organizações que pertencem ou prestam serviços ao setor público, sobretudo em relação à TIM (Saccol, Manica & Elaluf-Calderwood, 2011; Silveira, Behr & Corso, 2012). Observou-se que duas empresas do setor de transporte público do Estado de São Paulo oferecem um serviço de TIM a seus usuários. Foi disponibilizado um canal de comunicação que utiliza a troca de mensagens SMS para receber denúncias de infrações e irregularidades dentro dos veículos e nas estações de parada. Diante desse contexto, partese da seguinte problemática: como se dá a aceitação de TIM no setor público, sob o ponto de vista do usuário dessas empresas? A partir desse direcionamento foi indagada a questão de pesquisa: quais fatores podem influenciar a aceitação e utilização dessa tecnologia? Por fim, definiu-se o objetivo de analisar se o serviço em TIM, oferecido pelas empresas, é reconhecido - se seus usuários sabem que ele existe e qual o seu valor; e, principalmente, quais dos fatores influenciaram mais a aceitação, ou não, da TIM nesse contexto. 2 Fundamentação Teórica Segundo Kalakota e Robinson (2002), M-business pode ser definido como a junção 0512 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil entre Internet, comunicação sem fio e E-business (Negócio Eletrônico). O E-business, por sua vez, refere-se a todas as aplicações tecnológicas e de processos que capacitam uma empresa a fazer uma transação de comércio eletrônico (Kalakota & Robinson, 2002). O Mbusiness, então, integraria a conectividade da Internet, com as redes sem fio, acessáveis por dispositivos providos de portabilidade e com a possibilidade de novos modelos de negócio. Estes modelos visam agregar valor de forma diferenciada, por meio de recursos de tecnologia da informação disponibilizados e utilizados a qualquer tempo e em qualquer lugar. 2.1 Tecnologias de Informação Móveis (TIM) Os diversos dispositivos, sistemas de informação, transações, aplicações e tipo de serviço que se referem às TIM, ainda não recebem um único termo que os referencie (Saccol & Reinhard, 2005). Segundo Kalakota e Robinson (2002), as tecnologias de informação que tenham portabilidade, podem ser consideradas tecnologias móveis. Ainda há o conceito de tecnologias de informação sem fio, que se refere às tecnologias que tem a capacidade de se conectar a redes de transmissão de dados e a outros dispositivos. Não se pode dizer, no entanto, que todas as tecnologias de informação sem fio são móveis, visto que computadores de mesa podem se conectar a redes wireless. (Saccol & Reinhard, 2005; Saccol, 2005; Scornavacca, 2010). Devido às mudanças e avanços nos dispositivos móveis, o conceito de TIM pode ser ampliado para “tecnologias de informação providas de mobilidade e que podem se conectar a redes e a outros dispositivos sem fio” (Kalakota & Robinson, 2002; Saccol & Reinhard, 2005; Saccol, 2005; Scornavacca, 2010). Quase não há aparelhos, como celulares, smartphones e tablets, que atualmente não tenham a capacidade de estabelecer comunicação com redes sem fio. E devido a essa característica, preferiu-se adotar essa definição de TIM para esse trabalho. Há estudos que analisam as implicações das TIM nas organizações e/ou nos indivíduos, alguns deles propondo o desenvolvimento de aplicativos e outros que analisam os processos de adoção, aceitação e difusão dessa tecnologia. Segundo Kalakota e Robinson (2002) há tipos de TIM, incorporados no conceito de M-business, que podem ser aplicados a diferentes finalidades e em conjunto ou separadamente. Entre eles estão: a) M-commerce. Trata-se da promoção de comércio eletrônico, mas provido de mobilidade. A partir do comércio móvel, ainda surgiram algumas aplicações para promover mais serviços nesse contexto, como (Kalakota & Robinson, 2002): − M-ticketing. Tickets para eventos, shows e cinema, passagens aéreas ou outros tipos de ingressos que podem ser obtidos e apresentados, por meio de dispositivos móveis; − M-shopping. Compras personalizadas, que podem ser combinadas com recursos de localização, como GPS. Esse tipo de recurso possibilita a indicação de lojas próximas ao dispositivo móvel, de acordo com os produtos indicados; − M-banking: Movimentação bancária como pagamentos e transferências por meio de um aplicativo que possibilita a manipulação de funcionalidades semelhantes ao Internet Banking; − M-trading. Compra e venda de moedas, ações e títulos em bolsa de valores, por meio de aplicativos ou troca de mensagens. 0513 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil b) M-marketing: trata-se de um novo canal de comunicação, atração e relacionamento entre consumidores e organização. Segundo Las Casas (2009) e Krum (2010), essa tecnologia permite que seja entregue um mix de marketing específico para um grupo de clientes ou mesmo individualizado. Krum (2010) cita ainda, algumas atividades específicas dessa TIM, como: troca de mensagens SMS e MMS, aplicativos que permitam a comunicação com a organização em questão, aplicativos de divulgação de produtos e M-advertising, que é o anúncio de produtos e serviços em sites de outras empresas, acessados por dispositivos móveis. Ainda assim, as estratégias dessa TIM só podem ser plenamente executadas se considerarem a segurança e privacidade dos consumidores; c) M-payment: trata-se da execução de pagamentos com o uso de um dispositivo móvel e um terminal leitor. Essa comunicação pode se dar, por exemplo, por meio da tecnologia Near Field Communication (NFC), um sinal de rádio de baixa frequência. O dispositivo móvel, celulares, smartphones e tablets, funcionariam como smart cards e teriam valores monetários salvos em seus chips (cartão SIM). A cada conexão entre dispositivo e terminal, os valores da transação seriam descontados do montante registrado no chip (Moura, 2005). Os pagamentos também podem ser realizados por meio de troca de mensagens de texto, aplicações e ferramentas específicas, acessos a sites de pagamentos e tramitações por meio da rede GSM (Carr, 2007); d) M-learning: trata-se de uma ferramenta pedagógica para auxiliar no processo de aprendizagem. Ela é composta pela combinação do acesso, por meio de dispositivos móveis, com sistemas de informação que propiciem um ambiente colaborativo de ensino (Lu & Viehland, 2008; Liu, Li & Carlsson, 2010). No entanto, essa tecnologia não se aplica apenas às instituições de ensino, também pode ser utilizado como recurso para treinamento profissional e gestão do conhecimento em organizações (Saccol et al., 2008); e) M-government: trata-se da possibilidade de interação entre governo, sociedade e empresas. Essa tecnologia pode ser utilizada como um canal de comunicação com os órgãos governamentais, para divulgação e compartilhamento de informações, pagamento de tributos, consultas e transparência (Silveira, Behr & Corso, 2012). Nesse trabalho será estudada a tecnologia móvel M-government, pois ela aborda recursos para o cenário de organizações públicas, que é o contexto investigado. 2.2 Adoção de Tecnologias Móveis no Setor Público Apesar do aumento da aquisição de dispositivos móveis no Brasil, ainda há poucos serviços fornecidos pelo governo, que estejam relacionadas às TIM. Algumas empresas do setor privado, no entanto, implementam tecnologias desse tipo, internamente ou como interface com clientes e fornecedores. Em empresas públicas é mais comum observar a disponibilização e utilização de smartphones por funcionários, sobretudo por aqueles que ocupam cargos gerenciais. Mas há, relativamente, poucos recursos destinados ao atendimento da população. O Governo Eletrônico, ou E-government diz respeito ao uso de TI para prover serviços e informação aos cidadãos. Segundo Georgiadis e Stiakakis (2010), as organizações públicas que tem o e-government mais bem consolidado, tem mais chances de aderir ao M-government, pois ele já tem experiências e maturidade em TI. O processo de adaptação seria menos impactante, do que uma organização que não oferece serviços 0514 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil em meio digital. Ainda segundo esses autores, alguns dos modelos e frameworks utilizados em governo eletrônico estão em adaptação para se adequar às TIM. No Brasil foram desenvolvidos estudos sobre a adoção de TIM pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo realizado em 2007 (Saccol, Manica & Elaluf-Calderwood, 2010) e sobre os benefícios provenientes da utilização de SMS em uma concessionária pública fornecedora de energia elétrica (Silveira, Behr & Corso, 2012). Além deles, dois outros estudos realizados no estado do Paraná revelam o histórico do uso de TIM nessa região (Queiroz et al., 2011) e sobre a adoção e uso do SMS como forma de interação com a população (Lanza & Cunha, 2012). Em outros países, no entanto, há mais iniciativas em disponibilizar serviços públicos, a partir de dispositivos móveis. Encontram-se aplicações e estudos sobre esse fenômeno na China (Vogel & Chen, 2010), na Austrália (Singh & Hackney, 2011), no Japão (Madden et al., 2013) e em alguns países da Europa (Trimi & Sheng, 2008). Na África há estudos, como o realizado por Waema e Musyoka (2009), que identificam as potencialidades do uso de M-government e como essa tecnologia poderá beneficiar a sociedade. Neste estudo, é relatado o caso do Kenia, onde a população tem mais acesso aos dispositivos móveis do que a microcomputadores. O M-government é um conceito maior que abarca serviços específicos, propiciados pelas TIM. Alguns dos serviços encontrados na literatura são (Georgiadis & Stiakakis, 2010): a) M-administration. Utilização de tecnologias de informação móvel para gestão interna das organizações públicas; b) M-communication. Canal de comunicação entre organizações públicas com a população e com as empresas; c) M-democracy. Fomentar a democracia, os votos podem ter realizados por meio de dispositivos móveis (M-voting); d) M-development. Dispositivos e sistemas móveis como promotores do desenvolvimento social; e) M-services. Solicitação de serviços às organizações públicas e como forma de pagamento de tributos ou taxas (M-transaction e M-payment); f) M-police. Tecnologias móveis que possibilitam a ação dos policiais, de maneira mais eficaz e como forma da população solicitar atendimento. 2.3 Teoria sobre Aceitação e Adoção de TI Há estudos que propõem modelos ou que utilizam teorias para tentar explicar o fenômeno de adoção e uso de TIM no governo (Nan et al., 2009; Georgiadis & Stiakakis, 2010; Wang et al., 2011). Mas esses mesmos estudos pontuam que ainda não há um modelo consolidado que ajude na compreensão de sua totalidade. Ainda há lacunas de pesquisa para o desenvolvimento de teorias e modelos que discorram sobre sua adoção, sob o ponto de vista da organização provedora, dos usuários finais (cidadãos), de empresas ou instituições parceiras e até mesmo dos funcionários da organização. Mesmo que existam poucos modelos maduros, específicos de TIM ou de Mgovernment, a verificação desse fenômeno pode ser realizada por meio de teorias mais generalistas de adoção, uso e aceitação de TI. Isso porque, elas têm abrangência, não são restritas a um tipo de tecnologia, e foram formuladas com base em construtos que podem ser utilizados em uma exploração. Assim, foi escolhida a teoria UTAUT (Unified Theory of Acceptance and Use of Technology) de Venkatesh et al. (2003). Ela foi selecionada para esse estudo, pois reúne as 0515 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil principais referências em adoção e aceitação de tecnologia, que possuem foco no indivíduo. E porque outros trabalhos, já a utilizaram para avaliar motivação para o uso (Carlsson et al., 2006) e para o não uso (Lai et al., 2009) de dispositivos móveis e Mcommerce, respectivamente, por usuários finais. Apesar de não serem trabalhos específicos de M-government, eles trazem experiências interessantes sobre o uso dessa teoria no contexto das TIM. A UTAUT está ilustrada na Figura 1, onde estão apresentados os construtos que influenciam o comportamento favorável à utilização da tecnologia. Esses construtos são: a) Expectativa de desempenho. Se a tecnologia vai funcionar de acordo com o esperado; b) Expectativa de esforço. Se a tecnologia exigirá conhecimentos avançados para ser manipulada ou se ela é facilmente compreendida; c) Influência social. O quanto as pessoas, que convivem com o usuário em potencial, influenciam na sua aceitação da tecnologia; d) Condições facilitadoras. Se há suporte para essa tecnologia e se ela é compatível com experiências anteriores do usuário em potencial. Figura 1. Teoria UTAUT Fonte: Adaptado de Venkatesh et al. (2003:447). Cada um dos influenciadores é relacionado a um ou mais construtos mediadores, que podem interferir positiva ou negativamente na aceitação da tecnologia. Neste estudo foram considerados todos os construtos dessa teoria, para investigar a questão de pesquisa levantada. 3 Método da Pesquisa Para esse estudo foi realizada uma pesquisa Qualitativa e Exploratória, em relação ao objetivo de pesquisa, pois se buscou aprimorar ideias ou descobrir intuições a partir de uma experiência prática (Selltiz, Wrightman & Cook, 1987). 0516 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil Primeiramente foi realizada uma pesquisa bibliográfica para fundamentar o estudo. Em seguida, um estudo de caso sobre duas empresas do setor de transportes públicos. O estudo de caso é um método propício para o entendimento de fenômenos sociais complexos (Yin, 2010). Essa pesquisa está limitada à análise dos construtos de uma única teoria de adoção de TIM aplicada a uma parcela dos usuários dessas empresas. Foram analisados aspectos sociais e, portanto, não foram explicados detalhes técnicos da TIM estudada. 3.1 Instrumento e Coleta de Dados A coleta de dados foi realizada de duas formas: análise de documentos públicos sobre as organizações pesquisadas, como site próprio, notícias e relatórios anuais (dados secundários) e aplicação de um questionário a um grupo de usuários (dados primários). A análise de documentos públicos teve como objetivo descrever as características das organizações e obter informações sobre a TIM oferecida, bem como dados sobre o uso dela. Após essa etapa de coleta, as informações foram analisadas. O questionário aplicado foi desenvolvido com base nos objetivos da pesquisa e a partir dos construtos influenciadores e mediadores da UTAUT. As questões foram dispostas em um formulário web e disponibilizadas por e-mail e por redes sociais entre os meses de outubro/2012 a dezembro/2012. O formulário, por sua vez, foi dividido em quatro partes: (a) caracterização da população, com perguntas que pudessem descrever os entrevistados; (b) coleta dos construtos mediadores e verificação sobre o conhecimento da TIM; (c) coleta dos construtos influenciadores quando o entrevistado já usou a TIM; e (d) coleta dos construtos influenciadores buscando razões para não utilização da TIM. As questões das etapas (c) e (d) foram desenvolvidas para receberem dados qualitativos pesquisa de opinião. Utilizou-se uma escala do tipo Likert (1-4) na etapa (c). 3.2 Procedimentos para Análise de Dados Os procedimentos realizados para a análise de dados foram elaborados de acordo com o objetivo desse trabalho. Nesse item ele foi separado em duas atividades. a) Conhecimento do serviço. Foi realizada uma comparação entre as informações verificadas nos documentos das organizações e as respostas das questões relativas ao conhecimento sobre a TIM. Com isso, verificou-se se os usuários sabem que essa tecnologia é disponibilizada, se sua importância é percebida e se a empresa atingiu sua meta, de maneira geral, ao oferecer esse serviço. b) Fatores motivadores. Analisaram-se os fatores motivadores que mais influenciaram a utilização, ou não do serviço. A partir das respostas às questões sobre o uso ou não uso, foi possível elencar aquelas que mais foram apontadas como influentes. A fim de realizar essa análise, nos casos selecionados, foram desenvolvidas algumas proposições para orientação. Assim, tem-se: − Os usuários sabem sobre o serviço oferecido, conhecendo-o bem, ou ao menos já tiveram acesso a alguma informação sobre ele. − Daqueles que sabem, ao menos uma parcela já usou, usa ou pretende usar esse serviço. 0517 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil 4 Análise e Discussão dos Resultados Nessa seção serão apresentados os resultados provenientes da coleta de dados na pesquisa de campo. Primeiramente as empresas estudadas foram caracterizadas, bem como o serviço oferecido por elas. Em seguida, são apresentados os dados coletados por meio do questionário disponibilizado a alguns dos usuários dessas empresas. 4.1 Caracterização das Empresas Ambas as empresas, por pertencerem ao setor de transportes públicos estão vinculadas à Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo. a) Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô. Criada em 1968 e teve sua primeira linha em operação em 1972, que ligava o trecho Jabaquara – Saúde. Hoje, a empresa possui cinco linhas em operação, 64 estações e 74,2 quilômetros de rede. Cerca de 4,4 milhões de passageiros utilizam-se dessa malha diariamente. Segundo o relatório administrativo da organização (METRO, 2012) o serviço SMS Denúncia foi oferecido em janeiro de 2011. Até dezembro de 2011 foram recebidas 50.578 mensagens, cerca de 10% das comunicações recebidas referiram-se a sugestões, críticas e elogios, fugindo do objetivo para o qual o canal foi criado, que é propiciar melhor segurança aos seus usuários durante o transporte. Além do novo canal para denúncias, essa empresa ainda ofereceu o serviço chamado Direto do Metrô, que informa as condições das linhas por meio de SMS, possibilitando que o usuário trace outras rotas ou opte por outros meios de transporte. b) Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM. Foi fundada em 1992 e assumiu as linhas férreas operadas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e pela Ferrovia Paulista S/A (FEPASA). Em 1994 as linhas herdadas, após modernização, entraram em operação. Hoje a empresa tem 89 estações operacionais, atende 22 municípios e se apresenta como uma alternativa para atenuar o problema da mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo. São seis linhas operantes e uma média diária de 2,6 milhões de passageiros. Segundo o site oficial da empresa (CPTM, 2012), o serviço de denúncias por SMS é oferecido desde novembro de 2008. Seu principal objetivo foi disponibilizar um canal de comunicação direto com o usuário, para que ele se estimulasse a colaborar com a segurança desse meio de transporte ao denunciar delitos e infrações como: comércio ambulante, pedintes, comportamentos inconvenientes, consumo e porte de entorpecente, vandalismo ao patrimônio público entre outros. A mensagem SMS enviada é recebida pela Central de Monitoramento de Segurança, que acionará os agentes próximos à ocorrência, para tomar as medidas necessárias. Tanto o Metrô quanto a CPTM utilizam um formato parecido de mensagem. Esse formato se refere a dados sobre a ocorrência que devem ser enviados por SMS. Trata-se de informações que descrevam o infrator, sobre a infração, sobre o trajeto e o carro/estação. 4.2 Survey com os Usuários das Empresas 0518 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil Foi elaborado um questionário, apresentado no Apêndice, para verificar a aceitação e uso do SMS Denúncia por possíveis usuários das organizações. As questões foram disponibilizadas num formulário online e distribuídas por meio de e-mail e redes sociais. Os destinatários foram avisados sobre o propósito do estudo. Assim, foram coletados 100 questionários válidos (preenchidos em sua totalidade) e 10 parcialmente preenchidos, que foram descartados da amostra utilizada. A primeira parte do questionário se referiu a coleta de características da amostra e de valores para as variáveis baseadas nos construtos mediadores (Gênero, Idade, Experiência e Voluntariado ao Uso). Verificou-se que 48 dos respondentes são trabalhadores (analistas, técnicos ou assistentes) e 52 são estudantes (de ensino médio, superior ou pós-graduação). Além disso, viu-se que 46 respondentes utilizam apenas o Metrô, nove apenas a CPTM e 45 utilizam ambas. Em relação aos fatores mediadores, verificou-se que: a) Gênero: 62 respondentes “masculinos” e 38 respondentes “femininos”; b) Idade: foi separada em três faixas, na primeira (até 18 anos) totalizaram 38 respondentes, na segunda (entre 19 e 25 anos) totalizaram 34 respondentes e por fim, na terceira (a partir dos 26 anos) totalizaram 27 respondentes. c) Experiência: verificou-se de duas maneiras, pela formação acadêmica e se o respondente usa ou não mensagens SMS. Pela formação, verificou-se que 44 respondentes de nível médio, 32 de nível superior e 24 de pós-graduação. Da amostra de 100 respondentes, 97 deles declararam utilizar mensagens de texto. d) Voluntariado ao uso: esse construto foi verificado pela frequência de uso de mensagens SMS e seu principal propósito de uso. Em relação à frequência de uso, entre os respondentes que utilizam mensagens de texto, 50% afirma usar raramente, 30% poucas vezes, 19% muitas vezes e 1% sempre. Entre os principais usos elencados, 73% utiliza SMS para comunicação com amigos e familiares, 13% recebimento de propagandas voluntárias, 9% para comunicação profissional e 3% solicitação de serviços diversos. Com isso, foi possível identificar alguns vieses nos dados coletados. Vê-se que pouco mais da metade da amostra é constituída por estudantes, sendo aproximadamente 71% de nível médio (faixa de idade entre 15 e 18 anos). O público é masculino em sua maioria e grande parte dos respondentes é usuário do Metrô. Além disso, viu-se que o uso de mensagens SMS é grande, mas a forma de uso que menos ocorre é a solicitação de serviços. Ressalta-se que essas observações somente se aplicam ao contexto estudado. Após a coleta da caracterização da amostra, perguntou-se aos respondentes se eles conheciam ou não o serviço oferecido por essas empresas. Viu-se que 58 pessoas conheciam o serviço, enquanto 42 não conheciam. Apenas aqueles que tinham conhecimento sobre o SMS Denúncia que avançaram às questões sobre os construtos de motivação para aceitação (ou não). Por fim, ressalta-se que os três respondentes que alegaram não utilizar mensagens SMS corresponderam-se às mesmas três pessoas que afirmaram não conhecer o serviço prestado pelas empresas. 4.3 Fatores Motivadores de Aceitação Os dados da amostra sugerem que há menos uso do serviço, ainda que os usuários das empresas saibam sobre ele e sua função. Assim, dos 58 respondentes mencionados, aproximadamente 93% não utilizou o SMS Denúncia. Entre eles, 56% pretende utilizá-la quando tiver oportunidade. Assim, ainda há uma perspectiva de uso desta TIM. 0519 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil Apenas quatro respondentes indicaram que já utilizaram ou utilizam o serviço. Dentre eles, dois são estudantes (um de nível universitário e um de pós-graduação) e dois trabalhadores (também um de nível universitário e um de pós-graduação). Todos têm idades entre 19 e 25 anos e são do gênero masculino. Três deles são usuários de ambas as empresas, enquanto um utiliza apenas os serviços do Metrô. Como a quantidade de usuários adotantes foi muito baixa, em relação à amostra, e ao contexto exploratório, não foi possível generalizar os resultados encontrados. No entanto, viu-se que variáveis de alguns construtos foram unanimidades ou quase unanimidades (apenas um deles escolheu outra opção), entre os respondentes (Tabela 1). Construto Expectativa de esforço Expectativa de desempenho Influência social Condições facilitadoras Tabela 1. Fatores influenciadores para os usuários adotantes Variável Resposta (Likert) [1] Quantidade de dados na mensagem SMS Adequada [2] Feedback da empresa quando não há procedimentos em relação a denúncia [3] Não se afeta negativamente os demais usuários [4] Disposição de funcionários em ajudar em relação ao serviço [5] Capacidade de mandar o SMS facilmente Nunca [6] Há sinal de celular no transporte Frequentemente Afeto pouco Poucas vezes Frequentemente Observação Quase unanimidade Unanimidade Quase unanimidade Unanimidade Quase unanimidade Quase unanimidade Fonte: Próprio autor Por meio dos valores obtidos nas variáveis é possível notar que não somente surgiram influências positivas. Vê-se que as variáveis [2] e [4], ambas unânimes entre os respondentes, apresentam valores negativos em relação ao serviço, que podem afetar sua utilização numa próxima oportunidade. Verificou-se que todos os construtos apareceram nesse caso, mas entre eles se destaca condições facilitadoras, pois todas as variáveis estipuladas para ele apresentaram valores com maior concordância entre os respondentes. Assim, pode-se dizer que nesse contexto e sob o viés encontrado, esse construto pode influenciar (positiva ou negativamente) a aceitação e uso da TIM em questão. Ainda vê-se que expectativa de esforço [1] pode estimular o uso do serviço, devido ao baixo nível de conhecimentos necessários à manipulação dos recursos envolvidos e que influência social [3] interfere pouco, negativamente, à aceitação desta TIM, segundo os respondentes. 4.4 Fatores Motivadores de Não Aceitação A seção do questionário, que abordou a não aceitação da TIM oferecida pelas empresas estudadas, foi organizada em itens. Cada um deles foi baseado nos conceitos de um dos construtos. O respondente poderia escolher um ou mais itens para justificar a não utilização do serviço. A Tabela 2 ilustra os construtos e seus correspondentes itens, bem como o total de citações para cada um deles. 0520 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil Construto Expectativa de desempenho Condições facilitadoras Expectativa de esforço Influência social Influência social Condições facilitadoras Expectativa de desempenho Influência social Expectativa de esforço Expectativa de esforço Tabela 2. Construtos e itens relativos a não aceitação Variável [7] O serviço não parece solucionar o problema de irregularidades nos trens e estações Total* 12 [8] O serviço não é gratuito e quero economizar meus créditos 9 [9] O formato da mensagem dificulta o envio da denúncia 13 [10] Não conheço alguém que tenha utilizado o serviço, então não uso 14 [11] Ouvi falar que não resolve o problema ou que não vale a pena usar [12] As empresas não dão condições que favoreçam o uso do SMS Denúncia, como sinal no celular 1 12 [13] Não confio no serviço e no anonimato da denúncia 6 [14] Sinto-me inibido a usar o serviço, pois ele me expõe [15] As empresas deveriam realizar o serviço de segurança sem a necessidade de denúncias 5 [16] Não sei como usar o serviço 11 6 Legenda: (*) valor absoluto. As repetições, decorrentes da múltipla escolha, não foram desconsideradas. Fonte: Próprio autor Os valores destacados na Tabela 2 ressaltam as variáveis que receberam mais do que dez citações. Comparando-as, vê-se que um dos itens de influência social [10] foi o mais citado, até mesmo em relação aos demais totais. Em segundo lugar está uma variável de expectativa de esforço [9]. Em seguida, as variáveis [7] e [12] recebem o mesmo total; respectivamente elas se referem aos construtos de expectativa de desempenho e condições facilitadoras. Por fim, a variável [16] de expectativa de esforço aparece em último. Em relação a todos os totais, viu-se que a variável [11] apresentou apenas uma citação. Como se trata de um item relacionado ao construto influência social percebe-se que ele se apresenta como maior e também como o menor fator motivador para não aceitação e uso da TIM estudada, quando verificados apenas a contagem de citações. A Tabela 3 contêm os elementos moderadores relacionados aos elementos motivadores de não aceitação (nesse caso). Para cada elemento mediador foi calculada a frequência dos seus motivadores. Da amostra de 54 respondentes, que informaram não utilizar o serviço, apenas um não apontou um motivador predominante. Como a distribuição de frequências se deu pela predominância do elemento para cada respondente, ele não foi contabilizado. Ressalta-se também que os itens para verificação da não utilização não foram distribuídos uniformemente entre os construtos. Pela Tabela 3, verifica-se que para CF e ED há dois itens, enquanto EE e IS têm três. Assim, durante a análise essa característica foi considerada. Assim, a partir dos dados obtidos, de maneira exploratória e dos vieses encontrados, sugere-se que: a) A população feminina relacionou EE como seu principal elemento para não aceitação desse serviço, o que pode significar que esse público ainda não acha que a forma como ele se dá seja tão simples e prática. A população masculina concorda com a anterior, em relação à EE, mas aponta ED como um dos 0521 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil elementos mais influenciadores, o que pode significar que esse público ainda não confia plenamente no desempenho do serviço. Mediadores Tabela 3. Elementos Motivadores em relação aos Mediadores Valores Motivadores (%) Gênero Idade Experiência Voluntariedade – principal finalidade de uso CF ED EE IS Feminino 21 16 42 21 Masculino* 18 26 35 2 Faixa 1 8 3 38 23 Faixa 2 26 17 3 22 Faixa 3 16 22 44 16 Médio* 21 26 32 16 Superior 14 27 32 27 Pós-graduação 23 8 54 15 Pessoal 21 15 44 21 Profissional 17 50 17 17 0 0 67 33 Propagandas* 17 50 0 17 Raramente 14 28 38 17 Poucas vezes 20 20 47 13 Muitas vezes 33 0 22 44 0 100 0 0 Serviços Voluntariedade – frequência de uso Sempre Legenda: CF = Condições Facilitadoras; ED = Expectativa de Desempenho; EE = Expectativa de Esforço; IS = Influência Social. *Observação: para cada valor destacado, um dos seus respondentes não indicou predominância em qualquer um dos motivadores. Assim, nesses casos, o percentual total é de aproximadamente 97%. Fonte: Próprio autor b) Vê-se que na primeira faixa etária predomina-se EE. Na segunda faixa é CF o elemento de maior frequência, o que pode significar que os jovens não acreditam que a empresa oferece tantas condições que permitem o adequado uso do serviço. Já na terceira faixa, EE é um elemento de destaque. Ressalta-se também que IS é o segundo elemento com maior frequência para a primeira e a segunda faixa, o que pode representar que os mais jovens podem ser mais influenciados por outras pessoas na aceitação de utilização de TIMs, nesse contexto. c) Tanto os respondentes de nível médio, quanto os de nível superior mostraram certa uniformidade na frequência dos elementos motivadores e em ambos EE se destacou. No entanto, os respondentes de pós-graduação apresentaram uma alta frequência. d) Entre as principais finalidades para uso de mensagens SMS, para os respondentes que as utilizam para comunicação pessoal ou para solicitar serviços, o elemento EE se destaca. Para aqueles que as utilizam para comunicação profissional ou para solicitar propagandas voluntariamente, o elemento ED é mais influente. e) Em relação à frequência de uso de mensagens SMS, os respondentes que utilizam raramente ou poucas vezes apontaram EE como o maior motivo para não utilização do serviço. Isso pode confirmar um comportamento esperado, pois aqueles que não estão tão habituados em enviar SMS podem sentir mais 0522 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil dificuldade em seguir o formato detalhado da denúncia ou de escrever o texto antes que o delito termine. Para aqueles que usam muitas vezes, o elemento IS foi mais influente. Enquanto para o único respondente que utiliza sempre, ED foi o que o influenciou. Essa análise, no entanto, considera as pessoas que não pretendem usar o serviço e aquelas que ainda o utilizarão, apesar de não ter utilizado até o momento. Os respondentes que pretendem não usar, são do gênero masculino em sua maior parte, estão na segunda faixa etária e tem o ensino médio ou o ensino superior. O elemento ED é a principal razão de não aceitação dessa população, contudo, ainda não é possível afirmar com certeza que esse também é o motivo para não queiram utilizá-lo. Os respondentes que ainda tem perspectiva em utilizar o serviço, compõem uma população com predominância do gênero masculino, apesar de apresentar mais respondentes femininos do que a população anterior; de pessoas nas segunda e terceira faixas etárias e de pessoas de nível superior ou de pós-graduação. Nesse caso, o elemento EE é o que mais se destaca, seguido por CF e IS. Com isso, percebe-se que o público mais jovem e com menos experiência pode demonstrar menos interesse em utilizar o serviço e teriam menos confiança no desempenho do serviço prestado pelas empresas. Já o público mais velho e mais experiente ainda vê a possibilidade de utilizar essa TIM, mesmo porque o elemento ED não se apresentou com mais destaque. O elemento EE foi aquele que mais atrapalhou a sua utilização. Talvez, se o esforço fosse reduzido (o serviço mais simplificado) essa população poderia tê-lo utilizado. 5 Conclusão Esse estudo teve como objetivo analisar se o serviço em TIM é reconhecido e quais dos fatores influenciaram mais a aceitação, ou não, por usuários de empresas do setor de transportes públicos. Dentro desse contexto foram analisados: o conhecimento dos usuários sobre o serviço e os fatores motivadores para adotá-lo (e para não adotá-lo). a) Conhecimento do serviço. Com a amostra coletada, de 100 usuários dessas empresas, viu-se que mais da metade sabia sobre o SMS Denúncia. Apesar da perspectiva positiva, sobre o reconhecimento do serviço, 42 usuários não o conheciam. Ainda parece alarmante que apesar dos esforços das empresas, ainda boa parte de seus usuários não reconhece a TIM oferecida. Entre os usuários que sabiam sobre ele, 36.2% soube pelos anúncios nos televisores dos vagões e outros 36.2% pelas placas informativas sobre o serviço. b) Fatores motivadores. Apenas quatro respondentes afirmaram já ter utilizado ou que utilizam o serviço, desse modo, não é possível verificar quais motivadores propiciaram sua aceitação e uso. Mas a partir das respostas, sugere-se que fatores relacionados a condições facilitadoras tiveram influência positiva nesse processo. Outra verificação interessante, é que mesmo após a adoção do serviço, alguns fatores demonstraram ter avaliações baixas por unanimidade. A partir daí, foi possível analisar com mais informações, características da não aceitação da TIM. Após a comparação entre os valores obtidos nos elementos mediadores e motivadores, pode-se sugerir que fatores relacionados à expectativa de esforço são aqueles que mais influenciaram a não utilização do serviço, seguido por expectativa de desempenho, condições facilitadoras e influência social. Ressalta-se que apesar de uma das variáveis, baseadas em IS, ter apresentado contagem de citações maior entre as demais, ela não demonstrou ser a mais influenciadora. 0523 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil Retomando os itens disponibilizados aos respondentes, sugere-se que para EE o formato da mensagem e pouco esclarecimento sobre os procedimentos do serviço foram fatores que possivelmente impediram a utilização desta TIM, num primeiro momento – considerando os respondentes que esperam outra oportunidade para usar o serviço. Que para o item referente à ED foi a falta de confiança de que serviço poderia solucionar o problema de infrações; que o item referente a CF está relacionado ao pouco suporte tecnológico, como infraestrutura para que o sinal dos dispositivos móveis estivesse sempre disponível; e que o item baseado em IS reporta que o fato de um usuário não conhecer ou não ter ouvido falar de outras pessoas que já utilizaram o serviço, poderia inibir sua utilização. Verificou-se que o mediador voluntariado de uso mostrou alguns resultados esperados, sobretudo em relação à influência da frequência de uso de SMS na aceitação do serviço, a partir do elemento EE. No entanto, neste contexto, esse mediador pode estar mais relacionado à postura do usuário na sociedade e como ele vê o uso do SMS Denúncia perante si e os demais. O estudo ficou limitado, devido ao tamanho da amostra (total e parcial) e dos vieses. Além disso, os itens elaborados com base nos construtos da teoria UTAUT podem não os representar adequadamente, pois seria necessária uma pesquisa mais aprofundada e que se valesse de testes de confiabilidade que garantissem sua pertinência. Contudo foi possível observar, sob essa teoria, alguns dos fatores que influenciaram a não utilização da TIM ligada à denúncia de irregularidades no setor de transportes públicos. Como se tratou de um estudo de caso exploratório, os resultados obtidos não podem ser generalizados, mesmo internamente, pois os dados ainda não estão consolidados – seria necessário angariam uma amostra maior. Este foi apenas um ponto de partida para a elaboração de hipóteses formais para outros trabalhos que promovam o conhecimento sobre relações inibidoras e promotoras tanto da aceitação e uso, como da rejeição de TIM em organizações do setor público. Por fim, como sugestões de estudos futuros, vê-se a possibilidade de pesquisas que avaliam o uso de TIM em outras modalidades de M-government. Esse trabalho abordou a relação G2C (government to citizens). Podem ser verificados outros modelos e teorias de aceitação de TI nesse mesmo tema. Essa pesquisa, por sua vez, será continuada e ampliada, a fim de obter informações que possam ser mais representativas nesse contexto. Referências Carlsson, C., J., Carlsson, K., Hyvönen, J., Puhakainen, & Walden, P. (2006) Adoption of Mobile Devices/Services: Searching for Answers with the UTAUT. Proceedings of the 39th Annual Hawaii International Conference on System Sciences (HICSS'06), Track 6: 1-10. Carr, M. Mobile Payment Systems and Services: an introduction. (2007) Venture Woods [online]. Disponível em: < http://venturewoods.org/wpcontent/uploads/2008/06/mobile-payment-systems-and-services.pdf >. Acesso em: 23 set. 2012. Castells, M. A. 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Profissão * 2. Idade * 3. Gênero * 4. Formação / Educação * 5. Você costuma usar mensagens SMS ou MMS de seu celular/smartphone? * 6. Se sim, com que frequência você manda mensagens? 7. Se não, por quê? 8. Elenque os serviços SMS/MMS que você mais utiliza. Atribua 1 para o que mais usa e 4 para o que menos usa. 9. Caso existam outros usos, especifique. 10. Quais dos serviços em transporte público você utiliza ou já utilizou? * 11. Você conhece o serviço de comunicação SMS Denúncia do Metrô e da CPTM? * Informações sobre o serviço 12. Como você soube sobre o SMS Denúncia? 13. Você usa ou já usou o SMS Denúncia? * Motivação para não uso do SMS Denúncia 14. Pretende utilizar futuramente? * 15. Se sim, por quê? 16. Escolha os motivos que o fizeram não utilizar o SMS Denúncia * Motivação para uso do SMS Denúncia 17. As informações a respeito do serviço são claras e amplamente disponíveis * 18. Sei que informações devo fornecer para realizar uma denúncia * 19. A quantidade de dados, solicitada na mensagem, parece adequada * 20. É possível perceber as ações tomadas pelas empresas em relação às denúncias * 21. Sei o que aconteceu ou sou informado, quando nenhuma ação é tomada em relação às minhas denúncias * 22. Sinto que cumpro um papel importante ao realizar uma denúncia * 23. Estou colaborando com a comunidade e demais usuários ao realizar uma denúncia * 24. Não afeto negativamente outras pessoas ao realizar uma denúncia * 25. Eu pararia de usar o serviço caso notasse que outras pessoas consideram-no prejudicial, de alguma forma * 26. Posso contar com um funcionário dessas empresas caso eu tenha dúvidas sobre o SMS Denúncia * 27. Consigo enviar uma denúncia facilmente * 28. Há sinal no meu celular quando quero realizar uma denúncia * 29. Já utilizou ou utiliza aplicativos para celulares/tablets para realizar uma denúncia? Se sim, especifique. 0527 10th International Conference on Information Systems and Technology Management – CONTECSI June, 12 to 14, 2013 - São Paulo, Brazil 30. Como você avalia o serviço do SMS Denúncia? * 0528