Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados. Mais uma vez, uma vez mais, incansavelmente estarei aqui nesta tribuna para clamar pelos servidores e militares dos ex-Territórios e por todos que recorrerem a este Parlamentar. Venho não para estimular aqueles que desejam ampliar a crise política que se abate nesta Casa, mas para insistir como a Voz do Parlamento - que por não ser ouvida, por não encontrar eco no Palácio do Planalto fica vendo as coisas chegarem ao ponto em que estamos -. Já não sei quantas vezes subi nesta tribuna para alertar sobre a questão da segurança pública no país, bem como sobre as medidas práticas e necessárias para iniciarmos um processo de mudança, mas parece que os tecnocratas e políticos meramente ideológicos prevalecem e conseguem convencer o Presidente para adoção de medidas muito mais filosóficas do que realistas, que não surtem nenhum efeito hoje e nem surtirão no futuro. E o que mais me preocupa é que não temos nenhuma sinalização de mudança, mesmo com os erros grosseiros e prejuízos assinalados. Outro aspecto que tenho alertado é sobre a questão do serviço público, em particular da peça mais importante dessa engrenagem que é o servidor. Já 2 denunciei, já fiz proposições, já vim a esta tribuna, já participei de inúmeras audiências e infelizmente, até agora, em nada resultou. Então o que me resta é utilizar de novo este instrumento sagrado do Parlamentar que é a palavra em plenário. Senhor Presidente, eu tenho consciência da responsabilidade fiscal e orçamentária que devemos observar, mas não podemos assistir aos militares e servidores passando por um quadro de tamanha humilhação, cada vez mais endividados em cheque especial, financiamentos, descontos em folha, dentre outras formas, cada vez mais reféns do sistema financeiro que é muito cruel com seus juros criminosos. Temos que dar um basta nesta situação, isso tem que ter um fim, tem que acabar. Há que ser apresentada uma proposta concreta de revisão e reajuste do salário associado a um plano de carreira. Eu tenho vivido no seio dos servidores e militares e não encontro uma carreira que esteja satisfeita. Assim, algo está errado, tem alguém equivocado assessorando o nosso Presidente. Fico vendo, por exemplo, a insatisfação aqui nesta Casa com o Veto injusto ao aumento dos servidores do Legislativo e do Tribunal de Contas da União; o não- 3 -atendimento da reivindicação de aumento de 23% para os militares; e a rejeição de aumento de salário dos deputados e senadores, logo que o Deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) assumiu a Câmara, em fevereiro passado, que poderão levar o Congresso Nacional a também arquivar o aumento de salário pretendido pelo Judiciário, ampliando a crise com mais um Poder. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), advertiu que vai trabalhar pela derrubada do veto presidencial ao aumento do Legislativo. “O Executivo tem o direito a veto, mas o Legislativo tem o direito a voto”, disse o Senador que deve decidir se submete o veto à apreciação do Senado e da Câmara. Mas já adiantou que considera a decisão do Planalto “um ato de hostilidade ao Legislativo”. O líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), foi o relator do projeto que concedeu o reajuste aos funcionários do Senado e da Câmara, aprovado por unanimidade. “Acordo feito é acordo para ser cumprido”, ponderou. O acordo foi desfeito e a autoridade do líder foi menosprezada pelo governo. Outra situação que me angustia é a dos servidores e militares dos ex-Territórios Federais do Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e antigo Distrito Federal. 4 Tenho a obrigação de denunciar da tribuna desta Casa as injustiças e discriminações que vêm sofrendo. Não há dúvida de que, desde a transformação dos Territórios em Estados, a autonomia dessas Unidades Federadas melhorou, porque ficou mais ágil a atuação dos Governos locais, mas, seguramente, a vida dos servidores federais dos ex-Territórios Federais, daqueles que fizeram e continuam a fazer a história desses, hoje, Estados ficou muito pior. Ficou pior porque o Governo Federal os abandonou e hoje os trata como servidores de segunda categoria. Os benefícios criados para os servidores federais não são estendidos aos servidores dos exTerritórios. Estes estão sempre correndo atrás do prejuízo, em ações político-administrativas ou no Judiciário, sempre buscando corrigir as injustiças cometidas pelo Governo Federal. Da maneira como são tratados pelo Governo, parece até que trabalham em outro País, que não são filhos desta Terra, que não têm a mesma identidade de cargos com os demais servidores federais, quer seja do ensino, da segurança pública ou demais áreas administrativas, é 5 inaceitável o tratamento injusto e essa discriminação é vergonhosa. E o que é pior, quando tem alguma notícia é no sentido de diminuir os poucos ganhos adquiridos ao longo de décadas de luta. Os militares trilharam árduas batalhas para a justa isonomia com os seus pares do Distrito Federal, que também são organizados e mantidos pela União e conseguiram a edição de uma lei remuneratória única, que é a Lei nº 10.486/2002, mas que infelizmente já está também sendo descumprida, pois a cada ano o Governo manda para o Congresso uma nova lei criando gratificações e vantagens discriminando os militares dos ex-Territórios e do antigo Distrito Federal. Tentando mais uma vez contribuir para uma solução, no dia 27 de abril de 2005, foi criada por iniciativa deste Parlamentar com a adesão de outros pares do Senado e da Câmara, a Frente Parlamentar em defesa dos servidores e militares dos ex-Territórios Federais e do antigo Distrito Federal, como mais um instrumento do canal político para a solução da situação desses pioneiros que, ao invés de serem tratados de maneira exemplar de um quadro em extinção digno, estão sendo vistos como um 6 malefício, um peso, um verdadeiro quadro de extermínio, isso não é justo, não é honesto, não é legal para as gerações passadas, nem para as presente, e nem para as futuras. Assim, sugiro as seguintes medidas: 1. a criação de um grupo de trabalho para analisar toda a situação funcional e jurídica desses servidores e militares, já prometidas por dois ministros do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – Guido Mantega e Paulo Bernardo -, para mim e para Vossa Excelência, Presidente Severino, mas não cumprida -; 2. a definição de uma política salarial única para os servidores da União, na seguinte conformidade: * militares da União, integrados pelos militares das Forças Armadas, pelos militares do Distrito Federal, pelos militares dos ex-Territórios e pelos militares do exDistrito Federal; * servidores da União, integrados pelos federais e pelos servidores dos ex-Territórios, * policiais da União, integrados pela Policia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícia Civil do Distrito Federal e Policiais Civis dos ex-Territórios. 7 3. o estabelecimento de dois índices de reajuste anual, um para os militares e outro para os servidores; 4. o estabelecimento de uma política urgente de resgate financeiro para os servidores e militares que estão endividados junto aos bancos oficiais, que estão confiscando os salários dos servidores. Estabelecendo-se uma equipe com economista, assistente social e um servidor para orientação e reequilíbrio com juros anuais de até 4% ao ano para o pagamento das dívidas passadas; 5. a regularização da situação funcional de todos os servidores dos ex-Territórios; 6. A manutenção do sistema de cadastramento dos militares, sejam federais ou dos ex-Territórios em cadastros diversos dos servidores públicos, em função de suas peculiaridades. Visando alcançar os objetivos supracitados, no dia 22 de junho, foi aprovado, por unanimidade, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Requerimento de minha autoria solicitando Audiência Pública para debater o Projeto de Lei 4835/2005. De autoria do Poder Executivo, que institui a Gratificação De Condição Especial De Função Militar – GCEF - aos militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar 8 dos ex-Territórios Federais do Amapá, Rondônia e Roraima e do antigo Distrito Federal. Essa audiência é oportuna e deve fornecer subsídios para aqueles que irão apreciar e votar tão importante Projeto. Tomei essa decisão de chamar as Associações e representantes dos militares e da Polícia Civil para o debate porque o Relator desse Projeto não acatou nenhuma das Emendas apresentadas ao PL 4835/05, e ser necessária a manifestação dessas entidades para convencimento dos demais parlamentares e mudança do Parecer. Dentre as entidades convidadas, destacam-se Associações de Policiais Militares, Bombeiros Militares e Sindicatos dos Policiais Civis (ASPOMETERFA/AP, dos ex-Territórios ASPOMETRON/RO, ASSPM/ETFRR/RR, SINPOL/AP, SINSEPOL/RO, entre outras) Espero, com isso, que este Projeto seja aprovado atendendo aos anseios e necessidades de todos esses profissionais que, por questão de justiça, merecem alcançar melhores salários e tratamento digno. No dia 30 de junho, acompanhado de Parlamentares da FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DOS SERVIDORES E MILITARES DOS EX- 9 TERRITÓRIOS FEDERAIS DO RONDÔNIA RORAIMA, E E ACRE, ANTIGO AMAPÁ, DISTRITO FEDERAL, e de representantes de associações dessas categorias, estive, mais uma vez, em audiência com o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, PAULO BERNARDO, que acolheu a reiteração dos pedidos da Frente Parlamentar, principalmente a agilização da criação do Grupo de Trabalho que dará ao Governo os subsídios necessários para que tome as medidas cabíveis no sentido de manter os direitos adquiridos por esses profissionais, bem como o avanço das conquistas por justas gratificações e demais vantagens que têm sido dadas aos demais servidores e militares regidos pela União, como prescrevem os diplomas legais vigentes – Lei 10.484, de julho de 2002 e a Constituição Federal. Como resultado deste encontro, o Ministro Paulo Bernardo comprometeu-se a editar Portaria Ministerial, nesta primeira semana de julho, criando o tão esperado e prometido Grupo de Trabalho. Recebi expediente na sexta-feira, 08 de julho, que foi criado o Grupo de Trabalho no Ministério do Planejamento, esperamos que este seja o início das soluções esperadas pelos Ex-Territórios. Recebi, também, cópia de Nota Técnica exarada pela Coordenação Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação de Normas do 10 Ministério do Planejamento, versando sobre a aplicação da Lei 10.486/2002, no que se refere aos direitos dos militares pertencentes aos quadros dos extintos Territórios Federais, quanto ao pagamento das gratificações de função de natureza especial e serviço militar; à indenização de transporte, disposto no artigo 3º, inciso X; à ajuda de custo; ao auxílio-fardamento e às vantagens pecuniárias. A Frente Parlamentar estará acompanhando e colocando-se à disposição do Grupo de Estudos e das autoridades competentes para contribuir no que for necessário, visando acelerar a reparação de injustiças e a garantir suas vantagens e direitos. Inclusive, convida-os para participarem da audiência pública a ser realizada na Comissão de Segurança Pública, no dia 03 de agosto de 2005, quando estaremos reunidos para discutir e aperfeiçoar as propostas do Projeto de Lei 4835/2005, Institui a Gratificação de Condição Especial de Função Militar – GCEF, devida aos militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar dos ex-Territórios Federais do Amapá, Rondônia e Roraima e do antigo Distrito Federal. Outra situação que ainda desejo abordar é a dos Taifeiros do Exército, tendo em vista o total descaso que estão dispensando a esses militares, pois, após anos de luta, tiveram a edição da lei 10.951 de 22 de setembro de 11 2004, lei esta que viria reorganizar o quadro de terceiro sargento do Exército incluindo nesta os taifeiros-mor. Ocorre que a esperança de carreira está sendo desfeita com a portaria de n° 711, de 19 de outubro de 2004, combinado com a portaria de n° 106-EME , de 21 de outubro de 2004 , que contraria o texto legal no seu Art. 2° ao ir além da lei, exigindo como requisito para as promoções de Cabos e Taifeiros-mor, no seu Art. 5° ,§ 2º, inciso IV, possuir 3 (três) anos graduação, na data da promoção; enquanto a lei estabelece que para a promoção a 3° sargento o Taifeiro-Mor tem que ter 15 anos de efetivo serviço. Acrescenta-se que quando o militar é promovido a Taifeiro-Mor já está com mais de 23 anos de serviço, por isso não há necessidade de se colocar mais 03 (três) anos. Tenho a certeza que o nosso Ministro da Defesa e o Comandante do Exército irão solucionar essa injustiça. Com essas sugestões estamos cumprindo com o nosso papel de fiscalizar e ouvir os anseios da sociedade servindo como uma voz do nosso povo que chega até o Governo, que com certeza irá nos responder. Concluo, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, meus pares, pedindo que este Parlamento, irmanado, exerça o seu papel diante dos votos de credibilidade, dos votos de confiança, dos votos de 12 esperança que em nós foram depositados pelo que de melhor há no Brasil, pelo nosso povo brasileiro, concordo com essa máxima e a estendo aos nossos ex-Territórios, pois lá estão o que temos de melhor, o povo que construiu e que continua a construir cada um desses, hoje, Estados, e a grande Nação Brasileira. Vamos dar um retorno, vamos dar uma resposta, vamos construir também nós, a exemplo do nosso povo, um Parlamento digno, vamos dar-lhe a certeza de que ao nos confiarem seus votos e esperanças, assinaram uma procuração para representantes fiéis e comprometidos em levar cada fração dessa grande Nação e todo o Brasil a sério. Muito obrigado, solicito a divulgação deste discurso no programa a Voz do Brasil e nos demais meios de comunicação da Casa. Sala das Sessões, em de Deputado Coronel Alves PL-AP de 2005