ANÁLISE CONJUNTURAL DA MINERAÇÃO BRASILEIRA NO ÚLTIMO QUARTIL DO SÉCULO XX. (Base para o século XXI). Luiz Felipe Quaresma. Economista M.Sc. [email protected] RESUMO. O Valor da Produção Mineral no Brasil, entre 1975 e 2005, apresentou índice decrescimento anual, a uma ta anual próxima de 7% em termos nominais de dólares(taxa anual de 2,3% em termos constante). O crescimento expressivo da economia chinesa nos últimos anos, com forte aumento pela demanda de be minerais de produção própria e de importados, tem favorecido também o crescimento da produção no Bra Esta série histórica das estatísticas minerais, permitiram que fosse elaborado um estudo, aqui resumido, sobre comportamento do setor mineral brasileiro, sob o aspecto da sua “ instabilidade.O lançamento dos outr parâmetros da mineração escolhido neste trabalho mostra que a instabilidade do PIB, foi seguida pelo o Valor da Produção Mineral (VPM) , pelo do imposto recolhido e pelo do comércio exterior. PALAVRAS-CHAVES: ; mineração; estatísticas; evolução; instabilidade. ABSTRACT. The Value of Mineral Production in Brazil, between 1975 and 2005, presented annual growth at an annual ra of approximately 7% in nominal terms of dollars (annual percentage rate of 2.3% constant). The explosi growth of the Chinese economy in recent years, with strong growth in demand for goods mineral producti itself and imported, also the growth in production in Brazil This historic mineral statistics series, allowed study summarized here, on the behaviour of brazilian mineral sector, under the aspect of its “instability”. The launch of other mining parameters chosen this work shows that instability of GDP, was followed by t Value of Mineral Production (VPM), by the tax collected and by international trade. KEYWORDS: mining; statistics; evolution; instability 1 INTRODUÇÃO. As estatísticas brasileiras do setor mineral tornaram-se regulares e sistemáticas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) a partir dos anos setenta com a publicação anual do Anuário Mineral Brasileiro. (DNPM, AMB, 1972-2006). O conjunto desses dados no último quartil do século XX (1975-2000) permite, quando agrupados, formar uma série histórica, seja dos dados totalizados como o Valor de Produção Mineral (VPM) , Investimentos, Imposto, Mão-de-Obra e Comércio Exterior, seja individualmente para cada uma das 60 (sessenta) substâncias minerais listadas no Anuário Mineral Brasileiro. Tais dados, neste trabalho, usados de forma agrupada para o período 1975 até 2000 sustentam a elaboração de um estudo de mercado e análise do setor mineral em comparação com o Produto Interno Bruto ( PIB), mostrando a evolução dos parâmetros escolhidos como: Valor da Produção Mineral (VPM); Investimentos; Arrecadação de Impostos (ICMS) e da Compensação Financeira sobre a Exploração Mineral(CFEM), assim como para evolução do comércio exterior dos bens minerais e da mão-de-obra empregada no setor mineral brasileiro. Ao período histórico 1975-2000, foram incorporadas informações para o primeiro qüinqüênio do século XXI (2001-2005) avaliando a continuidade da atividade de mineração registrando a evolução positiva do setor no País e em Minas Gerais seu principal estado minerador. A análise da instabilidade do setor em relação ao PIB, foi feita para os dados do século passado abrangendo o período de 1975 a 2000. Mostrando como estes parâmetros foram mais ou menos instável em relação ao PIB. ANÁLISE CONJUNTURAL. A conjuntura mineral revelada pela série histórica dos dados destacados nas tabelas apresentadas, tiveram os valores transformados em dólares americanos(US$) deflacionado pelo índice de preço consumidor( IPC-EUA) tendo como base o ano de 2007, evitando-se as significativas alterações ocorridas no padrão monetário brasileiro que de 1975 até 2010 tiveram pelo menos seis alterações : Cruzeiro (Cr$ 1975-1985), Cruzado (Cz$ 1986-1988), Novo Cruzado (NCz$ 1989), Cruzeiro (Cr$ 1990-1992), Cruzeiro Real CR$ 1993); e Real (R$) a partir da meados de 1994. A Tabela 1, mostra além da evolução do PIB brasileiro, que representa o somatório dos produtos e serviços produzidos a cada ano, outros parâmetros da atividade mineral no País. A referência do PIB com outros parâmetros como valor da produção, investimentos , arrecadação, comércio exterior, serve como uma referência de comportamento, onde a comparação mostra como os dados escolhidos se comportaram diante do PIB. 2 TABELA 1 - PRODUTO INTERNO BRUTO ( PIB ) E PARÂMETROS DA MINERAÇÃO BRASILEIRA 1975-2008. ANO PIB BRASIL IPC EUA PIB BRASIL VALOR PRODUÇÃO INVESTIMENTO IMPOSTO EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO CORRENTE 2007 =100 CONSTANTE MINERAL MINERAL MINERAL MINERAL MINERAL (Base 2007) (Base 2007) (Base 2007) (Base 2007) (Base 2007) (Base 2007) US$ MILHÃO CFEM MÃO DE OBRA MINERAL (Base 2007) Mil 1975 129.891 25,9 501.510 7.237 710 268 4.054 1.750 55 1976 153.959 27,5 559.851 7.887 909 320 3.993 1.740 60 1977 177.247 29,2 607.010 8.486 1.848 368 3.405 1.878 65 1978 201.204 31,5 638.743 8.825 898 395 3.612 1.804 70 1979 223.477 35,0 638.506 8.698 854 415 4.104 2.305 76 1980 237.772 39,7 598.922 9.671 943 384 4.535 2.407 82 1981 258.553 43,9 588.959 8.587 1.081 335 4.649 1.297 82 1982 271.252 46,5 583.338 8.823 1.277 316 4.342 1.110 84 1983 189.459 48,0 394.706 8.188 641 317 3.651 1.249 86 1984 189.744 50,1 378.731 7.890 1.076 398 3.768 1.659 88 1985 211.892 51,9 408.270 7.893 818 372 3.646 1.667 1986 257.812 52,9 487.357 8.238 896 453 3.554 1.763 99 1987 282.357 54,8 515.250 8.853 1.462 353 4.714 1.947 100 1988 305.707 57,0 536.328 9.728 782 379 3.959 2.285 104 1989 415.916 59,8 695.512 13.599 1.440 540 4.431 2.458 109 1990 469.318 63,0 744.949 11.555 710 673 4.556 2.323 1991 405.679 65,7 617.472 9.296 305 505 4.644 2.230 65 89 1992 387.295 67,7 572.075 11.005 550 470 4.044 2.306 64 86 1993 429.685 69,7 616.478 10.754 2.104 503 3.947 2.400 82 81 1994 543.087 71,5 759.562 11.729 715 560 4.128 2.169 82 80 1995 770.350 73,5 1.048.095 11.654 740 477 4.683 2.447 88 82 1996 840.268 75,6 1.111.466 10.290 517 472 4.993 2.380 97 76 1997 871.274 77,4 1.125.677 10.112 880 424 5.052 2.636 82 98 1998 843.985 78,6 1.073.772 9.584 965 344 5.355 2.316 91 95 1999 586.777 80,3 730.731 7.807 385 281 4.555 2.147 72 99 2000 644.984 83,0 777.089 8.796 598 178 4.906 2.424 91 108 7.377 640 4.089 2.041 80 112 534 4.161 2.074 68 114 98 98 2001 553.771 85,4 648.444 2002 504.359 86,7 581.729 2003 553.603 88,7 624.130 8.794 1.280 4.629 2.414 107 119 2004 663.783 91,1 728.631 9.440 1.201 6.403 3.744 117 135 2005 882.439 94,2 936.772 14.225 1.651 9.530 3.875 160 2006 1.088.910 97,2 1.120.278 16.580 ND ND ND ND 203 ND 1.333.820 100,0 1.333.820 19.790 ND ND ND ND 282 ND 2007 2008 ND Fonte 1 (e) Nota (1) 6.343 (e) 560 1.573.320 103,8 1.515.723 ND ND ND ND ND 452 Não Disponível DNPM (Anuário Mineral Brasileiro 1976-2006)- Ajustado DNPM (Anuário Mineral Brasileiro 2007-2008)- preliminar. Ajuste no Estado do Pará, acrescentado o valor do minério de ferro para 2002, não incluído no AMB de 2003(produção 51,0 Mt e US$ 17,19/t,Sumário Mineral do DNPM 2003) Estimado Ajustado Valor da Produção de pedra britada e de revestimento Excluido produção de pedras preciosas 128 ND Macroeconomia Mineral. A macroeconomia mineral mundial mostra que países tradicionalmente importantes na produção mineral têm, neste setor da economia (indústria extrativa mineral), participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB). Assim, países como Austrália, Estados Unidos, Canadá, entre os classificados como desenvolvidos, e, como emergentes, a China, África do Sul, Rússia, Brasil e Índia, estão listados como os mais importantes no ranking mundial dos produtores minerais, excluído a produção de petróleo e gás. Países com atividade de mineração (PIB-Mineral), reconhecidamente desenvolvida e diversificada, apresentam, além de significativo “Valor da Produção Mineral” (VPM), índice per capita de produção e consumo, assim como por unidade de superfície (VPM/km²), bastante superiores aos outros países. Por outro lado, também, países que mostram uma elevada taxa de participação do PIB-Mineral na sua macroeconomia, demonstram que estão bastante dependentes da atividade mineral, tais como Zaire, Indonésia, Mauritânia, entre outros (SEME, Perfil 1999). Portanto, comparações isoladas, tomando por base só o PIB-Mineral, devem ser avaliadas com cautela. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda a Intensidade de Uso (IU) 3 como importante indicador de desenvolvimento sustentável, relacionando o consumo de bens minerais ao PIB (IU definido como o volume de matéria-prima consumida em função do PIB Kg/US$ 100). (DNPM, Mineralnegócios, 2006). O Valor da Produção Mineral no Brasil, entre 1975 e 2005, apresentou índice de crescimento anual, a uma taxa anual próxima de 7% em termos nominais de dólares (taxa anual de 2,3% em termos constante). O crescimento é justificado em função da implantação e expansão de projetos minerais ocorridos nesses anos, tais como: Carajás no Pará (1986), pelotização no Espírito Santo (VALE, Samarco), fertilizantes em Sergipe (VALE) e em Minas Gerais (Fosfertil), e o boom da bauxita e da cassiterita entre outros, e que são reflexos dos investimentos realizados em mineração no período. Em 2005, com um Valor da Produção Mineral de US$ 14,3 bilhões (preço de 2007), o Brasil registra um crescimento a taxa média 2,3% ao ano entre 1975 e 2005 (valor constante). Duas fases se destacam neste 30 anos, entre 1975 e 1990 com taxa média de 3,2% e entre 1990 e 2005 com taxa anual de 1,4%. Caracterizando o primeiro período de forte crescimento da mineração nacional, somente superado pela taxa anual registrada entre 2000 e 2005 que atinge a 10%. O crescimento expressivo da economia chinesa nos últimos anos, com forte aumento pela demanda de bens minerais de produção própria e de importados, tem favorecido também o crescimento da produção no Brasil. Entre 2000 e 2005, as exportações brasileiras de produtos de origem mineral para a China passaram de US$ 371,5 milhões (US$ 447,6 milhões, em dólares constante de 2007) para US$ 2.574,0 milhões de dólares (US$ 2.732,5 a preço de 2007) representando crescimento de 593 % em valores correntes ou 510 % em valores constantes. Entre 1990 e 2005, a menor taxa de crescimento de 1,4 % a.a. (comparada com a taxa de 3,2% entre 1975 e 1990) revela uma acomodação na produção de bens minerais, mas refletem dois cenários distintos do período. O primeiro, entre 1990 e 2000, com o Valor da Produção Mineral (VPM) brasileiro estacionado em torno de US$ 10,0 bilhões, e um segundo cenário, quando o VPM sai do patamar de US$ 10,0 bilhões em 2000 e atinge a US$ 14,3 bilhões em 2005, com um crescimento a uma taxa anual de 10%. Assim, enquanto o primeiro cenário mostra uma a taxa anual negativa em valor constante, o segundo cenário apresenta taxa surpreendente de 10% ao ano. Este segundo cenário foi favorecido pela estabilidade da taxa cambial e pelo aumento expressivo da produção de minério de ferro, que em 2000 produzira 212,5 milhões de toneladas e atinge, em 2005, a 283 milhões de toneladas, com crescimento físico de 33%, mas com um crescimento em valor de 170% em termos nominal de dólares (134% em constante), justificado pelo preço médio (situ in mina) por tonelada, passando de US$ 11,50/t em 2000 para US$ 23,40/t em 2005, revelando crescimento nominal de 103%, ou de 80% quando deflacionado. (DNPM, Sumário Mineral.) Vale destacar que, em 2000, a China absorvia 10% (3ª posição) da exportação brasileira de minério de ferro e atinge a primeira posição com 24% do total exportado pelo Brasil em 2005. A mineração (excluído o petróleo e o gás) está distribuída por todos os países do mundo; entretanto, os produtos minerais, quando padronizados e comercializados no mercado 4 transoceânico como uma commodity, têm, via de regra, a característica da concentração da produção em alguns poucos países. A concentração na produção das commodities pode ser observada, quando se verifica que, normalmente, não mais do que 5 (cinco) países detêm mais de 80% da produção, como informado pelo DNPM, na publicação “ Sumário Mineral”, edição de 2006. Pode-se constatar que dentre as 44 substâncias minerais com produção destacada no mundo, o Brasil participa com esta importância relativa em 13 delas, sendo o principal produtor mundial de pirocloro (nióbio) e minério de ferro e destacado especialmente em bauxita ,manganês, grafita, amianto, cromita, cassiterita, magnesita, pedra de revestimento, tantalita, vermiculita, zircônio. (DMPM, Sumário Mineral, 2006). No Contexto Nacional Segundo o DNPM, que considera que o setor mineral “por transversalizar todos os setores – Primário (pesquisa e mineração), Secundário (transformação mineral: metalurgia, siderurgia, química, etc) e Terciário (mercado)” (sic), (Sumário Mineral 2006), o Valor da Produção Mineral (VPM) mostrou um desempenho notável, no período 2000-2005, com Valor da Produção Mineral (VPM) de US$ 8,7 bilhões, em 2000, e que atinge a US$ 14,2 bilhões em 2005. Se incluindo o setor energético (petróleo e gás) , observa-se um crescimento, mais expressivo, passando de US$ 16,0 bilhões para 38,2 bilhões. (taxa anual de 19,5% a preço de 2007). Analisadas as informações disponibilizadas pelo DNPM, nas edições do Anuário Mineral Brasileiro (AMB - 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006), verificou-se que a queda do Valor da Produção Mineral (VPM), em 2002, decorreu, por um equívoco na apuração das estatísticas do AMB, de não ter sido computado a produção do minério de ferro do estado do Pará. Tal exclusão causa a descontinuidade crescente no Valor da Produção Mineral (VPM) no período, com queda em 2002 .(O VPM de 2002 foi ajustado neste trabalho com informação do Sumário Mineral do Ferro, DNPM 2003). O subsetor “Extrativa Mineral”, pertencente ao setor industrial (secundário) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que inclui a produção de petróleo e gás, tem contribuído expressivamente para o aumento do valor do “produto” (valor agregado), em função dos preços do petróleo. Quando comparado o VPM por Unidades da Federação, a Tabela 2, mostra que Minas Gerais é o estado detentor da parcela de produção mais significativa. Para o ano de 2005, o VPM do estado de Minas Gerais representa mais do que a soma dos sete outros estados da federação colocados na seqüência de importância na produção mineral. Esta importância relativa aumentou, nesses últimos anos, em função, principalmente, do minério de ferro que tem tido, no período, uma valorização nos preços, que justifica esta alavancagem no VPM do estado de Minas Gerais. 5 TABELA 2 - Participação no Valor da Produção Mineral – Brasil (1990-2005) ESTADOS 1990 2000 MINAS GERAIS 35 35 PARÁ 14 18 SÃO PAULO 14 11 BAHIA 9 4 GOIÁS 5 7 SANTA CATARINA 2 3 RIO GRANDE DO SUL 3 2 MATO GROSSO DO SUL 1 1 OUTRAS UF 17 14 TOTAL 100 100 FONTE: DNPM - ANUÁRIO MINERAL BRASILEIRO 1990 Média dos anos noventa 2005 44 20 7 3 8 2 1 1 14 100 Comércio Exterior Quando acompanhada a balança comercial brasileira de produtos de origem mineral, divididos por grupos dos bens primários, dos produtos manufaturados (semimanufaturados) e de composto químico, o Brasil mostra superávit em termos globais a partir de 1985. Quando destacados os bens minerais primários, esse segmento sempre contribuiu de forma positiva; os manufaturados de origem mineral passaram a superar as importações a partir de meados da década de 80 e o grupo de composto químico ainda apresenta déficit. Minas Gerais participa com cerca de 32% das exportações setor mineral brasileiro. Os bens minerais primários, que até 1980 superavam os produtos manufaturados, foram a partir deste período substituídos pelos produtos manufaturados. Isto indica que o país passou de exportador de produtos primários para exportador de produtos minerais manufaturados que, após serem transformados internamente, passaram a competir no mercado internacional, demonstrado no crescimento das exportações deste grupo (manufaturados). (Tabela 3) TABELA 3 - COMÉRCIO EXTERIOR MINERAL - BRASIL (1975/1980/1985/1990/1995/2000/2005) UNIDADE : US$ Milhão constante de 2007 ANO EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO PRIMÁRIO MANUFATURADO COMPOSTO TOTAL PRIMÁRIO MANUFATURADO COMPOSTO TOTAL BALANÇA QUÍMICO QUÍMICO COMERCIAL 1975 4.120 1.328 62 5.510 1.054 6.961 1.900 9.915 (4.405) 1980 4.534 3.378 121 8.033 2.040 4.496 2.438 8.975 (942) 1985 3.657 5.902 146 9.705 1.717 2.983 412 5.112 4.593 1990 4.521 10.071 262 14.854 2.186 2.276 954 5.416 9.438 1995 4.195 10.212 374 14.781 2.422 2.541 1.144 6.107 8.673 2000 4.384 8.688 296 13.369 2.178 2.965 1.298 6.441 6.928 2001 4.089 7.251 324 11.664 2.041 2.882 1.364 6.287 5.377 2002 4.161 8.381 433 12.975 2.074 2.248 1.236 5.558 7.416 2003 4.629 10.121 450 15.200 2.414 2.419 1.529 6.362 8.838 2004 6.403 13.631 581 20.615 3.744 3.357 2.040 9.141 11.474 2005 9.530 15.796 585 25.911 3.875 4.205 1.865 9.945 15.966 Fonte : DNPM - ANUÁRIO MINERAL BRASILEIRO BASE : IPC-USA 2007 (Conjuntura Econômica - Fundação Getúlio Vargas) Em 2005, a pauta de exportação brasileira dos bens minerais primários apresentou o minério de ferro como produto mais significativo, seguido das rochas ornamentais, do minério de cobre, da bauxita e do caulim, produtos que superaram a cifra de duzentos milhões de dólares. Na pauta dos manufaturados (incluídos os semimanufaturados) foram os produtos de ferro, os refratários (de areia e argila) e os metais como o alumínio seguido de ouro, nióbio, cobre e níquel. Entre os compostos químicos, o destaque foram os produtos a base de fosfato (fertilizantes). 6 Na pauta de importação o Brasil ainda é importador significativo de minério de potássio, e carvão mineral, e entre os manufaturados os produtos de ferro, de cobre e de alumínio, e dentre os compostos químicos o destaque foi para os fosfatados, e os da base de sal e de titânio. Vale notar que as importações dos produtos de base mineral manufaturados (incluso os semimanufaturado) são aqueles as quais o Brasil é produtor de minérios, tais como: ferro, cobre, bauxita e dos compostos como fosfato, sal e titânio. Resulta, então, a expectativa de substituição desses produtos na pauta de importação em futuro próximo. (Cf. Anuário Mineral Brasileiro, DNPM, 2006). O que comprova a validade de transformar a matéria-prima mineral dentro das fronteiras estaduais, sem, contudo, abrir mão das exportações dos bens minerais na forma de produtos primários, aproveitando as vantagens comparativas da geologia favorável e a rigidez locacional das jazidas. Entre a opção de exportar minérios ou manufaturados está a capacidade tecnológica e os investimentos necessários para a transformação desses minérios, além da demanda internacional por minérios. O Brasil, no âmbito mundial, é um participante (player) de destaque tanto pela diversidade de seu bens minerais, quando pelo volume de suas reservas e pela significativa produção de substâncias minerais. Em conseqüência Minas Gerais como o principal estado produtor registra esta importância que pode ser observada, especialmente, quando o destaque diz respeito à produção mineira em relação aos outros países no mundo. Na produção, o destaque, do estado de Minas Gerais em relação ao Brasil, é visível para minério de ferro, minério de chumbo, zinco, bauxita, fosfato, grafita, lítio, manganês, ouro, pirocloro, além de diversos outros minerais industriais (não-metálicos) e rochas ornamentais. Essa importância na produção de bens minerais no Estado reflete também, quando comparado mundialmente e especialmente, na produção de minério de ferro, pirocloro (nióbio), grafita, e bauxita. É certo que o Estado, berço da mineração no Brasil, teve ao longo dos séculos, desde o ciclo do ouro e do diamante, como uma das principais conseqüências, a exportação de conhecimento na arte da mineração para os demais estados. Assim, Minas Gerais foi palco da primeira escola de mineração no Brasil, fundada em 1876, a Escola de Minas de Ouro Preto. A partir de então, praticamente, toda atividade de mineração no Brasil iniciou-se com o conhecimento gerado em Minas Gerais. Historicamente, com participação média acima dos 30% no período de 1975 até 2000, assume a partir de 2002 um patamar que supera os 40% de participação. Na Tabela 2, comprova-se que o Estado sempre teve participação destacada na produção brasileira. Investimentos na Mineração. Os investimentos nas concessões de lavra são os recursos despendidos nas áreas concedidas para mineração pelo DNPM. Basicamente, são aqueles realizados em pesquisas geológicas adicionais em áreas já pesquisadas (reavaliação de jazidas), em desenvolvimento, implantação 7 e expansão das minas e nas usinas de beneficiamento e em proteção ambiental em todo o entorno dessas atividades. Os investimentos informados para a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) são aqueles em geologia básica, realizados em convênio com o DNPM e organismo estatais, sendo que, a partir de 2001, informam-se as dotações orçamentárias destinadas a esta empresa pública. Os investimentos do Banco Central são aqueles registrados no Balanço Anual do banco, cujo destino indica a indústria extrativa mineral.. Os investimentos por cada um dos setores estão informados na Tabela 4. TABELA 4 - INVESTIMENTOS NO SETOR MINERAL - BRASIL E MINAS GERAIS (1975/1980/1990/1995/200-2005) US$ Milhão constante (2007) PERÍODO CONCESSÃO MINERAL (1) CPRM (2) EXTERNO (3) ALVARÁ(4) BRASIL MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS BRASIL BRASIL 1975-1979 5.168 2.869 1.195 48 4.570 ND 1980-1984 4.726 1.346 390 2 6.513 ND 1985-1989 5.409 1.765 333 5 8.429 861 1990-1994 4.474 1.276 138 4 7.627 ND 1995-1999 3.838 1.531 39 8 ND ND SUBTOTAL 23.614 8.787 2.094 67 27.139 861 2000 660 222 76 ND 284 164 2001 640 374 77 ND 313 115 2002 534 173 47 ND 183 ND 2003 1.280 365 ND ND 1.090 ND 2004 1.201 519 69 ND 797 ND 2005 1.651 628 86 ND 1.075 ND SUBTOTAL 5.965 2.280 355 ND 3.743 279 TOTAL 29.579 11.068 2.450 67 30.882 1.140 BASE : IPC-USA /2007 (Conjuntura Econômica - Fundação Getúlio Vargas) ND- Não Disponível FONTES ANUÁRIO MINERAL BRASILEIRO (AMB/DNPM) SEME (PERFIL,1999) 1975-1997 1 Investimentos em Concessões de Lavra e Licenciamentos (AMB / DNPM) 2 Dotações orçamentárias da CPRM (2001-2005) - Relatório Anual CPRM 3 Investimentos estrangeiros no setor mineral, segundo o Banco Central 4 Investimentos em Alvará de Pesquisa (AMB/DNPM) No âmbito dos investimentos nas concessões de lavra, o Estado de Minas Gerais absorveu, em média, cerca de 40% dos investimentos totais do país. Plenamente justificados, especialmente, na indústria do minério de ferro, quando da implantação e expansão das minas da VALE, MBR, Samarco, Ferteco, Samitri, CSN, além de investimentos representativos em: ouro (AngloGold, São Bento Mineração, Rio Paracatu Mineração S.A.), fosfato (VALE-Arafertil , Serrana, Fosfertil) e níquel (Mineração Serra da Fortaleza, atual Votorantim Metais Níquel S.A.). A totalização destes investimentos considerando o período 1975 a 2005, registraram quase 30,0 bilhões , sendo que, no período de 2000 a 2005, a participação representa cerca de 20% do total. A média, nestes últimos seis anos, atingiu US$ 1,0 bilhão, pouco acima da média anual do período 1975-1999 que registara média de US$ 945,0 milhões. Os investimentos em Alvará de Pesquisa no país, não têm informações divulgadas regularmente, exceto no período de 1985 a 1989 cuja média anual registrou cerca de US$ 180,0 milhões em valor constante. Em 2000 e 2001 estes investimentos foram respectivamente de US$ 164,0 e de US$ 115,0,0 milhões , sendo possível avaliar que os investimentos em pesquisa mineral em áreas de alvará registram valores acima de US$ 100,0 milhões anuais. 8 Arrecadação de Impostos e Royalty (CFEM). Na arrecadação dos impostos incidentes sobre a atividade comercial de mineração existem duas fases: a primeira com a incidência do Imposto Único Sobre Minerais (IUM), de competência federal, criado em 1964, que teve vigência até 1989, quando extinto pela Constituição de 1988. E,, a segunda, quando os produtos minerais passaram para o campo de incidência do Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS) de competência estadual (Tabela 5). TABELA 5 - ARRECADAÇÃO IMPOSTOS E ROYALTY(CFEM) - BRASIL E MINAS GERAIS (1975-2005) US$ MILHÃO DE 2007 ANO IMPOSTO (1) ROYALTY (CFEM) BRASIL MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS 1975 (IUM) 388 174 1980 (IUM) 490 219 1985 (IUM) 384 185 1990 656 202 1995 477 161 85 37 2000 149 40 90 39 2001 ND 68 80 34 2002 ND 23 57 23 2003 ND 65 97 60 2004 ND 75 135 63 2005 ND 170 184 93 Fonte: DNPM (Anuário Mineral Brasileiro) BASE : IPC-USA (Conjuntura Econômica - Fundação Getúlio Vargas) As diferenças são baseadas na própria essência de cada um dos impostos, enquanto o IUM incidia na comercialização ao mercado interno e externo com alíquotas diferenciadas; o ICMS incide, a partir da Lei Kandir, só sobre a comercialização ao mercado interno, isento na exportação, além do deferimento quando o mineral é transformado dentro do estado. O que se percebe é que a média da arrecadação do IUM girava em torno de US$ 420,0 milhões anuais se avaliado ao dólar constante, e o ICMS manteve este média de arrecadação anual até a decisão de isenção de ICMS na exportação em 1997 (Lei Kandir). A partir daí, a arrecadação passa para uma média de US$ 150,0 milhões em 2000. (dados disponível só para Minas Gerais da SEFaz.,2006, com média de US$ 193,0 para o IUM e de US$ 180,0 para o ICMS sem isenção e de US$ 73,0 a partir da isenção nas exportações) Quanto à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), definida como um royalty incidente sobre a comercialização dos produtos minerais primários, antes da industrialização, com alíquotas firmadas tanto para o mercado interno quanto na exportação, tem tido uma arrecadação média de US$ 78,0 milhões, em termos constantes de dólares até 2002. Em 2003 aproxima-se dos US$ 100,0 milhões com uma tendência crescente na arrecadação, já tendo superado a barreira dos US$ 400,0 milhões em 2006 e 2007. Esse resultado é fruto da maior fiscalização exercida em comum pelo DNPM, Estado e Municípios, além da valorização dos bens minerais, em especial do minério de ferro que contribuiu com cerca de 60% da arrecadação .Vale destacar que Minas Gerais é o estado que tem a maior participação na arrecadação, contribuindo com cerca de 50% do total da CFEM arrecadada no país. A arrecadação, quando informada para os municípios, mostra que, dentre os 30 maiores municípios brasileiros em arrecadação, a metade está localizada no estado de Minas Gerais. (Cf. DNPM Sumário Mineral, 2006) 9 Mão-de-Obra A mão-de-obra empregada diretamente na indústria extrativa mineral, informada pelo DNPM, indica os empregos efetivos nas áreas de concessões de lavra, inclusive nas áreas de licenciamentos, e incluiu também, a partir de 2001, os empregos terceirizados nas minas e usinas de beneficiamento. Contabiliza os empregos de nível superior, nível médio, pessoal administrativo e operários. Em Minas Gerais a mão-de-obra empregada tem um efetivo médio de 33 mil postos de trabalho nos últimos seis anos e representa cerca de 30% do registrado para o Brasil. Informações colhidas, ainda na década de oitenta, mostram que o rateio entre o pessoal ocupado na indústria de transformação mineral e o pessoal ocupado na indústria extrativa mineral era de 5 para 1, ou seja, existe um efeito multiplicador, em que a transformação mineral dentro das fronteiras estaduais gera 5 outros empregos para cada exercido na indústria extrativa. (Tabela 6). TABELA 6 - MÃO DE OBRA NO SETOR MINERAL - BRASIL E MINAS GERAIS (1975-2005) ANO MÃO-DE-OBRA MÃO-DE-OBRA SETOR MINERAL TRANSFORMAÇÃO MINERAL BRASIL MINAS GERAIS MINAS GERAIS 1 1975 55.600 22.546 112.849 5,0 1980 83.211 29.274 161.275 5,5 1985 98.447 31.663 133.678 4,2 1990 97.902 36.802 NA 1995 82.461 28.845 NA 2000 110.294 33.210 NA 2001 111.942 34.597 NA 2002 113.979 30.562 NA 2002 118.883 28.997 NA 2004 134.767 38.107 NA 2005 128.131 34.045 NA FONTES DNPM / AMB (Setor Mineral) SEME, 1999 : Transformação Mineral 1975/80/85 1 Rateio Mão-de-Obra na transformação mineral e Mão-de-Obra na extrativa mineral NA Não Avaliado No Brasil, porções per capita equivaleriam, em 2001, a US$ 80,0 mil (VPM 8.800/110 mil empregos) e, em 20205 a US$ 110 mil, bastante inferiores à produtividade média obtida pelo trabalhador mineiro do setor mineral em 2005 de 176 mil (US$ 6,0 Bilhões / 34 mil empregos) Compreensível, já que o minério de ferro, bem mineral que teve uma valorização elevada no período 2001 a 2005, é o maior contribuinte para a composição do valor da produção e que apresenta o maior contingente de empregos no Estado. Direitos Minerários Quando a análise dos direitos minerários compara o número de requerimento de pesquisa mineral para qualquer atividade de mineração no Brasil e no estado de Minas Gerais nesses últimos 30 anos, comprova-se a importância que o Estado desperta nos empreendedores minerais para o início das atividades de mineração. Convencidos das possibilidades geológicas da região, bem como do potencial de consumo, numa posição geográfica que se situa no centro de maior desenvolvimento econômico do país. Com quase 19 mil requerimentos solicitados de 2000 até 2005, representando 20% de todos os requerimentos 10 protocolados no país, o estado de Minas Gerais tem também, como conseqüência, um total de 3.645 áreas de mineração em 2005 (incluso Licenciamento), ou seja, o maior número de minas registradas no Brasil. Assim, têm-se 20% de todas as minas brasileiras (“mina” que é a jazida em lavra, ainda que suspensa representada por uma concessão). O Perfil da Economia Mineral do Estado de Minas Gerais destacava : “para cada 2,7 pedidos de pesquisa foi concedido um Alvará de Pesquisa; a probabilidade de um pedido de pesquisa vir a se transformar em uma mina foi de 2,5%; e a probabilidade de um Alvará de Pesquisa vir a se configurar como uma mina foi de 7%.”(SEME, 1999) A evolução dos requerimentos solicitados no Brasil informados na Tabela 7, registrou cerca de 29 mil solicitações em 1995, ocorrendo uma redução bastante significativa de solicitações a partir do ano 1997, quando foi instituído o pagamento da Taxa Anual por Hectare (TAH). Essa taxa obriga o titular de Alvará de Pesquisa ao pagamento de um valor correspondente à área, em hectares, autorizada para pesquisa. Com essa iniciativa houve uma queda do número de requerimentos protocolados, e resultou, já para o ano de 2000, um número de 10 mil requerimentos, evoluindo para 19.360 em 2005. Entretanto, como está incluído também nesse registro o número de requerimento de Licenciamento (isento de pagamento da TAH), confirma-se a redução do número de requerimentos após a instituição da TAH. TABELA 7 - DIREITOS MINERÁRIOS BRASIL E MINAS GERAIS (1975-2005) ANO REQUERIMENTOS ALVARÁ CONCESSÃO LAVRA CONCESSÃO LAVRA LICENCIAMENTO PESQUISA (1) PESQUISA (2) OUTORGADAS (3) EXISTENTES (4) EXISTENTES (5) BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG 1975 12.954 2.554 1.576 162 82 17 2.949 1.190 ND ND 1980 10.462 1.514 7.347 969 455 118 3.468 1.317 813 171 1985 12.059 2.337 8.097 1.216 364 95 4.563 1.445 2.392 336 1990 8.483 2.030 2.282 626 85 28 4.491 1.246 3.078 343 1995 28.603 5.468 3.251 1.543 124 29 4.026 1.171 3.182 296 2000 10.045 2.145 21.426 5.293 302 45 4.709 1.371 5.174 895 2001 12.945 2.921 11.125 2.661 309 39 5.018 1.410 6.663 1.200 2002 14.245 3.133 9.309 2.249 362 42 5.380 1.452 7.936 1.342 2003 16.235 3.491 11.066 2.546 303 84 5.683 1.536 9.319 1.500 2004 16.633 3.850 10.925 2.783 335 58 6.018 1.594 10.630 1.675 2005 19.360 3.282 14.451 2.581 389 38 6.407 1.632 12.358 2.013 FONTE DNPM / Anuário Mineral Brasileiro SEME,1999 NOTAS ND Não Disponível 1 Requerimentos solicitados no ano (Pesquisa, Licenciamento , Lavra Garimpeira, Extração Mineral) 2 Alvarás de Pesquisa publicados no ano 3 Concessões de Lavra outorgadas no ano 4 Concessões de Lavra existentes no ano (inclusive Manifesto de Mina e Grupamento Mineiro) 5 Licenciamentos existentes no ano (não indicado os Licenciamentos cancelados de 2001-2005) O Licenciamento, título municipal registrado no DNPM, para lavra de material de emprego imediato na construção civil (brita, areia, argila para cerâmica vermelha) ou calcário para corretivo do solo, é opcional pelo regime Licenciamento ou de Autorização (concessão de lavra). Em Minas Gerais o número deste tipo de mina (Licenciamento) aumentou significativamente, ultrapassando a quantidade de concessões existentes no estado a partir de 2003, fruto da maior demanda por produto de utilização na construção civil (agregados) Vale informar que, pela primeira vez na evolução dos requerimentos protocolados, o DNPM registrou, no estado da Bahia, um número superior ao ocorrido em Minas Gerais em 2005, 11 assim como também para o número de Alvarás de Pesquisa publicados nesse ano, o estado da Bahia superou o do estado de Minas Gerais. (Cf. DNPM) Quanto ao porte das minas existentes no país, considerando aquelas em lavra (atividade) em 2005 e com produção bruta acima de 10.000 t/ano, o DNPM registrou 2.455 minas (AMB 2006). Como existem no país 18.765 processos de mineração no DNPM e para cada um deles corresponde uma mina (incluso licenciamento), somente 13% das minas brasileiras registraram produção acima de 10.000t/ano, ou seja, cerca de 87% das minas do país são micro minas (abaixo de 1.000t/m) ou estão paralisadas. Esta relação pode ser modificada quando se sabe que uma “mina” pode agrupar mais de um processo do DNPM; entretanto, de modo geral, cada processo foi aprovado para ser uma mina (o título minerário Grupamento Mineiro, que reúne diversos processos, é computado como um título individual na estatística do DNPM). Quando consultado os dados do DNPM para 2007, verifica-se a existência de 22.430 processos de mineração ativos no estado que se estendem por 13,8 milhões de hectares. Contudo tendo em vista as fase de cada processo, as áreas concedidas para lavra distribuídas por Concessões de Lavra (1.692 títulos) com 646 mil hectares, Licenciamento (1.967 títulos) com 49 mil hectares, Lavra Garimpeira (32 títulos) com 2,7 mil hectares e Registro de Extração (35 títulos) com 147 hectares, totalizam 697,8 mil hectares bloqueados em relação à poligonal concedida, que sem necessariamente estar toda a poligonal em trabalho de lavra e com parte da área ocupada por instalações industriais e áreas de recuperação ocupam menos do que 2% da superfície do estado de Minas Gerais (588.384 Km²). INSTABILIDADE. Esta série histórica das estatísticas minerais, permitiram que fosse elaborado um estudo, aqui resumido, sobre o comportamento do setor mineral brasileiro, sob o aspecto da sua “ instabilidade “. A instabilidade, calculada sob a forma de um índice que reflete o desvio absoluto médio em relação a uma média móvel de 5(cinco) anos, foi desenvolvida por Louise POWERS no trabalho “ Instability in the Copper, Aluminium, tin, and Iron and Stee Markets” preparado para o U.S.Department of Interior e publicado por John TILTON, e Willian VOGELY, editores do Departamento de Economia Mineral da Universidade Estadual da Pensilvânia. Ao utilizar a fórmula desenvolvida pela especialista americana, podemos verificar que, a instabilidade no setor mineral brasileiro teve o seguinte comportamento quando confrontado com o do PIB/Brasil nos últimos 26 anos do século passado: Na Tabela 8 e no Gráfico 1, estão demonstrado o índice de instabilidade do PIB no Brasil no período 1975-2008, para os parâmetros escolhidos para a mineração os dados analisados compreendem o período1975-2005 referente ao espaço de tempo que engloba o último quartil do século XX, e o primeiro qüinqüênio deste século, objeto de estudo neste trabalho como base para o século XXI. 12 TABELA 8 - INSTABILIDADE DO MERCADO ( cálculo do índice de instabilidade para o PIB) ANO 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 PIB BRASIL CORRENTE US$ MILHÃO 129.891 153.959 177.247 201.204 223.477 237.772 258.553 271.252 189.459 189.744 211.892 257.812 282.357 305.707 415.916 469.318 405.679 387.295 429.685 543.087 770.350 840.268 871.274 843.985 586.777 644.984 553.771 504.359 553.603 663.783 882.439 1.088.910 1.333.820 1.573.320 IPC EUA 2007 =100 PIB BRASIL CONSTANTE (2007) US$ MILHÃO 25,9 501.510 27,5 559.851 29,2 607.010 31,5 638.743 35,0 638.506 39,7 598.922 43,9 588.959 46,5 583.338 48,0 394.706 50,1 378.731 51,9 408.270 52,9 487.357 54,8 515.250 57,0 536.328 59,8 695.512 63,0 744.949 65,7 617.472 67,7 572.075 69,7 616.478 71,5 759.562 73,5 1.048.095 75,6 1.111.466 77,4 1.125.677 78,6 1.073.772 80,3 730.731 83,0 777.089 85,4 648.444 86,7 581.729 88,7 624.130 91,1 728.631 94,2 936.772 97,2 1.120.278 100,0 1.333.820 103,8 1.515.723 MÉDIA MOVEL 5 ANOS 589.124 608.606 614.428 609.693 560.886 508.931 470.801 450.480 436.863 465.187 528.543 595.879 621.902 633.267 649.297 662.107 722.736 821.535 932.256 1.023.714 1.017.948 963.747 871.143 762.353 672.425 672.005 703.941 798.308 948.726 1.127.045 ÍNDICE 1,0304 1,0495 1,0392 0,9823 1,0501 1,1462 0,8384 0,8407 0,9345 1,0477 0,9748 0,9001 1,1184 1,1764 0,9510 0,8640 0,8530 0,9246 1,1243 1,0857 1,1058 1,1142 0,8388 1,0193 0,9643 0,8657 0,8866 0,9127 0,9874 0,9940 INSTABILIDADE 0,0304 0,0495 0,0392 (0,0177) 0,0501 0,1462 (0,1616) (0,1593) (0,0655) 0,0477 (0,0252) (0,0999) 0,1184 0,1764 (0,0490) (0,1360) (0,1470) (0,0754) 0,1243 0,0857 0,1058 0,1142 (0,1612) 0,0193 (0,0357) (0,1343) (0,1134) (0,0873) (0,0126) (0,0060) 13 1,4000 1,2000 1,0000 0,8000 0,6000 ÍNDICE 0,4000 0,2000 0,0000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 INSTABILIDADAE 0,2000 0,1000 (0,1000) (0,2000) GRÁFICO 1 - INSTABILIDADE DO PIB - BRASIL Na Tabela 9, refletida no Gráfico 2, o lançamento dos outros parâmetros da mineração escolhido neste trabalho mostra que a instabilidade do PIB, foi seguida pelo o do Valor da Produção Mineral (VPM) , pelo do imposto recolhido e pelo do comércio exterior (exportação e importação). INTERVALO ANOS 1975-1980 1980-1985 1985-1990 1990-1995 1995-2000 2000-2005 2005-2008 TABELA 9 - TAXA DE CRESCIMENTO ANUAL DO PIB E PARÂMETROS DE MINERAÇÃO - BRASIL (1975-2008) PIB VPM INVESTIMENTO IMPOSTO EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO CFEM 3,6 -7,4 12,8 7,1 -5,8 3,8 17,4 6,0 -4,0 7,9 0,2 -5,5 10,1 ND 5,8 -2,8 -2,8 0,8 -4,2 22,5 7,5 -0,7 12,6 -6,7 -17,9 2,3 -4,3 4,6 0,6 0,9 14,2 6,6 -7,1 6,9 1 -0,2 9,8 0,8 11,8 41,4 MÃO DE OBRA 8,3 3,6 0 -3,5 5,7 3,5 14 ÍNDICE DE INSTABILIDADE 1975-2000 40,0 INVESTIMENTO 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 PIB IMPOSTO VPM IMP EXP M.OBRA A GRÁFICO 2 - ÍNDICE DE INSTABILIDADE NO PIB E PARÂMETROS DA MINERAÇÃO - BRASIL (1975-2000) O parâmetro investimento, mostra um índice de instabilidade bastante alto em relação aos outros parâmetros. Tal fato, pode ser justificado em razão de sua grande sensibilidade a qualquer mudança ocorrida nos outros setores, mineral ou não , refletindo mais intensamente na inibição ou no incentivo de investimentos das empresas de mineração. Quanto, à mão-de-obra empregada nas empresas de mineração, essa, teve um índice menor que o dos outros parâmetros demonstrando, que, a instabilidade do emprego formal no setor mineral , sofre com menos intensidade com as variações ocorridas. Na Tabela 9, quando se compara o índice de instabilidade do PIB com o do VPM, fica evidente, que, a instabilidade do valor da produção (VPM) foi menor do que o ocorrido com o do PIB , exceto nos período de 1985-1989 e 1990-1995, quando o VPM mostrou uma instabilidade maior, em função das mudanças ocorridas na Constituição de 1988, que abalaram de forma mais intensa o setor mineral (tributação, definição de empresa nacional) e que podem ter contribuído para a instabilidade do setor. CONCLUSÃO. A Tabela 9, mostra a relação de causa e efeito entre o PIB e os parâmetros da mineração. Como o PIB é o somatório de todas as atividades desenvolvidas no ano, o seu crescimento deve ser o reflexo de todos os setores da economia, assim como o seu crescimento é também justificativa para alavancar o setor da indústria extrativa mineral constituída de insumos demandados pelas atividades fins da economia e pela demanda externa. Assim, verifica-se que no período de taxas negativa do PIB, todos os parâmetros tiveram taxas negativas de desempenho, exceto na mão de obra, que como verificado no Gráfico 2, é o parâmetro que mostra o menor valor de instabilidade, sendo o parâmetro do qual as empresas não alteram com mais rapidez, por dificuldade de substituição e por neste período as maiores empregadoras do setor mineral eram empresas estatais(VALE, CSN, Fosfertil). 15 Outra conclusão a ser observada, mostra que o crescimento do VPM foi sempre superior ao crescimento do PIB , ou seja a busca por matéria prima mineral é reflexo do crescimento da economia. Nos períodos em que as taxas de crescimento do VPM foram menores do que as taxas do PIB, foram períodos de grande sensibilidade para o setor mineral, a Constituição Federal de 1988 que altera significativamente o setor mineral , com mudança no sistema tributário (IUM x ICMS), conceito de empresa nacional que dificultava pesquisa mineral por empresa brasileiras que não transformassem o produto da lavra em território nacional (art. 44 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, posteriormente revogados) e criação da Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais (CFEM). Todos estes dispositivos constitucionais foram impactante para o setor mineral, com menor taxas do VPM frente as taxas do PIB, e em especial nos investimentos e mão de obra. O gráfico 3, mostra a variação das taxas de evolução para o PIB e o VPM no período 1975-2005. 15 PERCENTUAL 10 5 PIB VPM 0 1975-1980 1980-1985 1985-1990 1990-1995 1995-2000 2000-2005 -5 -10 TAXA GRÁFICO 3 - TAXA DE CRESCIMENTO PIB E VPM REFERÊNCIAS. DNPM, Anuário Mineral Brasileiro. Brasília , diversas edições.1976-2006. DNPM, Mineralnegócios; Guia do Investidor no Brasil , Brasília, 2006) DNPM, Sumário Mineral , Brasília, diversas edições). POWERS, Louise . Instability in the Copper, Aluminium, tin, and Iron and Stee Markets” . U.S.Department of Interior publicado por John TILTON, e Willian VOGELY, editores do Departamento de Economia Mineral da Universidade Estadual da Pensilvânia, 1980. SEME, Perfil da Economia Mineral do Estado de Minas Gerais. Secretaria de Estado de Minas e Energia (SEME). Belo Horizonte. 1999. 16