CARLOS WILLIAM DE CARVALHO
VIRGINIA MARIA PEREIRA DE MELO
Auto-Avaliação da Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e
Humanas - UnUCSEH
Universidade Estadual de Goiás
Goiânia, fevereiro de 2007
1
Carlos William de Carvalho
Virginia Maria Pereira de Melo
Auto-Avaliação da Unidade Universitária de Ciências sócio-Econômicas e
Humanas - UnUCSEH
Trabalho apresentado como parte da Avaliação
Final de Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em
Avaliação Institucional da Universidade Estadual
de Goiás, sob a orientação da Profª Drª Iria
Brzezinski.
Goiânia, fevereiro de 2007.
2
AGRADECIMENTOS
A todos aqueles que contribuíram para
a realização deste trabalho, o nosso
muito obrigado.
3
RESUMO
A pesquisa que resultou neste trabalho integra o projeto de avaliação institucional da
Universidade Estadual de Goiás, coordenado por sua Comissão da Assessoria de Avaliação
Institucional (CAAI), no âmbito central, e pelo Núcleo de Avaliação Institucional (NAI), na
esfera da Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas (UnUCSEH). Tem
por objetivos fundamentais, além de atender a legislação vigente do Sistema Nacional do
Ensino Superior (SINAES), a produção de conhecimento, a melhor qualificação do conjunto
de atividades acadêmicas institucionais, a demonstração da função social da Universidade no
contexto goiano e brasileiro e, especialmente, o desenvolvimento de uma cultura de avaliação
institucional, para o que concorrem todos os segmentos: professores, técnico-administrativos,
acadêmicos, gestores, comunidade local e regional. O presente recorte do projeto matriz
objetiva a auto-avaliação da Unidade, para que identificando seus pontos fortes e fracos, na
visão de seus atores, possa refletir sobre a realidade vivenciada e planejar adequadamente a
qualificação de suas ações. O desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de Curso de
Especialização em Avaliação Institucional, na modalidade relatório monográfico, se sustenta
em diversas razões, entre elas a imersão na pesquisa-ação, a revisão da literatura da área, e a
análise quantitativa e de conteúdo dos dados coletados. O trabalho foi realizado em várias
etapas: na primeira, iluminada por um referencial teórico baseado no materialismo dialético,
construiu-se de forma coletiva instrumentos de coleta de dados, a partir da definição dos
sujeitos da pesquisa e das dimensões a serem contempladas; no segundo momento, realizado
entre novembro de 2005 e março de 2006, foi feita a coleta dos dados por meio de recursos
eletrônicos, on line, passando a seguir à análise qualitativa realizada pelos pesquisadores. Da
análise dos dados resulta o presente relatório de pesquisa, contemplando os objetivos iniciais
propostos.
Palavras-Chaves: Avaliação Institucional; Auto-avaliação; Ensino Superior; SINAES;
Cultura de Avaliação na UEG.
4
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 01
Mapa do Estado de Goiás...................................................................
16
Figura 02
Localização das Unidades da UEG ...................................................
24
Figura 03
Mapa da cidade de Anápolis..............................................................
31
Figura 04
Aspectos parciais da UEG-UnUCSEH Anápolis ............................
84
Quadro 01
Municípios que possuem Unidades da UEG .....................................
24
Quadro 02
Localização dos Pólos Universitários ...............................................
26
Quadro 03
Distribuição do espaço físico – UEG – UnUCSEH no ano de 2005..
85
Quadro 04
Estrutura e organização dos laboratórios de informática .......................
86
Quadro 05
Centro de Idiomas. Responsável: Curso de Letras ................................
86
Quadro 06
Laboratório de Pedagogia (LAPE) ........................................................
86
Quadro 07
Ateliê de Cartografia .............................................................................
87
Quadro 08
Centro de Documentação Histórica ......................................................
87
Quadro 09
Distribuição do acervo da Biblioteca .....................................................
87
Quadro 10
Distribuição de cargos e funções administrativo-pedagógicas – 2005..
90
Quadro 11
Cursos oferecidos pela UEG-UnUCSEH no ano de 2005 .....................
93
Quadro 12
Conceitos obtidos no Provão no período de 1997 a 2003 ......................
93
Quadro 13
Autorização e reconhecimento dos cursos da UEG-UnUCSEH ...........
94
Quadro 14
Projetos de pesquisa da UEG-UnUCSEH em 2005 ...............................
103
Quadro 15
Projetos de extensão da UEG-UnUCSEH .............................................. 109
Quadro 16
Dimensões avaliadas e nº de questões por segmento de respondentes ..
114
Quadro 17
Significado e descrição das siglas usadas em tabelas de dados da AI ..
115
Gráfico 01
Evolução do nº de projetos internos de pesquisa – UEG 2000-2005 ....
27
Gráfico 02
Média da dimensão Condições Físicas e Instrumentais – Aluno ...........
117
Gráfico 03
Média da dimensão Biblioteca – Aluno .................................................
119
Gráfico 04
Média da dimensão Laboratórios de Informática – Aluno .................... 121
Gráfico 05
Média da dimensão Serviços – Aluno .................................................... 123
Gráfico 06
Média da dimensão Pedagógica – Aluno ...............................................
125
Gráfico 07
Média da dimensão Coordenação de Curso – Aluno .............................
126
Gráfico 08
Média da dimensão Avaliação de Caráter Geral – Aluno ......................
128
Gráfico 09
Média da dimensão Corpo Docente – Aluno .........................................
129
Gráfico 10
Média da dimensão Auto-avaliação do aluno – Aluno ..........................
131
5
Gráfico 11
Gráfico da dimensão Direção/Gestão – Aluno ....................................... 132
Gráfico 12
Média dos Cursos – Alunos ..................................................................
134
Gráfico 13
Média da dimensão Condições Físicas e Instrumentais – Professor ......
136
Gráfico 14
Média da dimensão Biblioteca – Professor ............................................
137
Gráfico 15
Média da dimensão Laboratórios de Informática – Professor ................ 139
Gráfico 16
Média da dimensão Serviços – Professor ..............................................
140
Gráfico 17
Média da dimensão Pedagógica – Professor ..........................................
142
Gráfico 18
Média da dimensão Coordenação de Curso – Professor ........................
144
Gráfico 19
Média da dimensão Avaliação de Caráter Geral – Professor ................. 146
Gráfico 20
Média da dimensão Auto-avaliação do professor – Professor ...............
147
Gráfico 21
Média da dimensão Avaliação dos Discentes – Professor .....................
149
Gráfico 22
Média da dimensão Direção/Gestão – Professor ...................................
150
Gráfico 23
Média dos Cursos – Professor ................................................................ 151
Gráfico 24
Média da Unidade – Professor ...............................................................
Gráfico 25
Comparação Professor – Aluno .............................................................. 154
Gráfico 26
Média da Unidade – Servidor ................................................................. 156
Gráfico 27
Média da Unidade – Gestor .................................................................... 157
152
6
LISTA DE TABELAS
01
28
02
Projetos de pesquisa na UEG no período 2000 – 2005, por grande área do
conhecimento – CNPq ..................................................................................
Matrícula inicial por nível e rede de ensino em Anápolis – 2005 ................
03
Nº de professores por nível e rede de ensino em Anápolis – 2005 ..............
32
04
Abandono Escolar no Ensino Fundamental e Médio em Anápolis – 2005 ..
32
05
54
06
Professores e alunos que responderam ao questionário de AI por curso de
graduação - 2005 ........................................................................................
Respondentes do questionário de AI, por segmento avaliado – 2005 ..........
07
Escala Gradiente ...........................................................................................
57
08
91
09
Distribuição dos docentes da UEG-UnUCSEH por formação e vínculo
institucional – 2005 .....................................................................................
Demonstrativo da qualificação do quadro docente por curso – 2005 ..........
92
10
Número de ingressantes e concluintes .........................................................
98
11
Relação de alunos matriculados por série e sexo .........................................
99
12
Distribuição dos alunos por cidade informada na matrícula – 2005 ............
100
13
Demonstrativo da relação de candidatos por vaga nos cursos – 2005 .........
101
14
Relação de alunos desistentes por curso, de 1999 a 2005 ............................
101
15
Cursos de pós-graduação lato sensu com número de matriculados 2004-2005
102
16
Percentual de respondentes por segmento avaliado – 2005 .........................
113
17
Dimensão Condições Físicas e Instrumentais – segmento alunos ...............
116
18
Dimensão Biblioteca – segmento alunos .....................................................
118
19
Dimensão Laboratórios de Informática – segmento alunos .........................
120
20
Dimensão Serviços prestados na comunidade – segmento alunos ...............
122
21
Dimensão Proposta Pedagógica – segmento alunos ....................................
124
22
Dimensão Coordenação de Cursos – segmento alunos ................................
126
23
Dimensão Avaliação de Caráter Geral – segmento alunos ..........................
127
24
Dimensão Corpo Docente – segmento alunos ..............................................
129
32
54
7
25
Dimensão Auto-avaliação – segmento alunos .............................................
130
26
Dimensão Direção/Gestão – segmento alunos ............................................
132
27
Média Geral dos Cursos – segmento alunos ................................................
133
28
Dimensão Condições Físicas e Instrumentais – segmento professores ........
135
29
Dimensão Biblioteca – segmento professores ..............................................
137
30
Dimensão Laboratórios de informática – segmento professores .................
138
31
Dimensão Serviços Prestados na Comunidade – segmento professores ......
139
32
Dimensão Pedagógica – segmento professores ............................................
141
33
Dimensão Coordenação de Cursos – segmento professores ........................
143
34
Dimensão Avaliação de Caráter Geral – segmento professores ..................
145
35
Dimensão Auto-avaliação do professor – segmento professores .................
147
36
Dimensão Avaliação dos Discentes – segmento professores .......................
148
37
Dimensão Direção/Gestão – segmento professores .....................................
150
38
Comparativo das dimensões avaliadas por alunos e professores .................
153
39
Avaliação Geral dos Servidores Técnico-administrativos ...........................
155
40
Avaliação Geral dos Gestores ......................................................................
156
8
LISTA DE SIGLAS
AGM – Associação Goiana de Municípios
CAAI – Comissão de Assessoria de Avaliação Institucional
CEAD – Centro de Educação Aberta, Continuada e à Distância
CEDOC – Centro de Documentação
CEE – Conselho Estadual de Educação
CFE – Conselho Federal de Educação
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CONAES – Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior
CPA – Comissão Própria de Avaliação
CsA – Conselho Acadêmico
CsU – Conselho Universitário
DAIA – Distrito AgroIndustrial de Anápolis
DE – Dedicação Exclusiva
DOE – Diário Oficial do Estado
DOU – Diário Oficial da União
ENADE – Exame Nacional de Cursos
FACEA – Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis
FUEG – Fundação Universidade Estadual de Goiás
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IDH – Índice de Desenvolvimento Humano
IES – Instituição de Ensino Superior
INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
LAPE – Laboratório de Pedagogia
LDB – Lei de Diretrizes e Bases
LPP – Licenciatura Plena Parcelada
9
MEC – Ministério da Educação
NAI – Núcleo de Avaliação Institucional
PAIUB – Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras
PBIC – Programa de Bolsas de Iniciação Científica
PDI – Programa de Desenvolvimento Institucional
PNE – Plano Nacional de Educação
SEE – Secretaria Estadual de Educação
SINAES – Sistema Nacional da Educação Superior
SIVAM – Sistema de Vigilância da Amazônia
TCC – Trabalho de Conclusão de Curso
UCG – Universidade Católica de Goiás
UEG – Universidade Estadual de Goiás
UFG – Universidade Federal de Goiás
UNIANA – Universidade Estadual de Anápolis
UnU – Unidade Universitária
UnUCET – Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas
UnUCSEH – Unidade Universitária de Ciências Sócio Econômicas e Humanas
10
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..................................................................................................
12
CAPÍTULO I: HISTÓRICO E CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE GOIÁS ...................................................................................
1.1 O Estado de Goiás ........................................................................................
16
16
1.2 A criação da Universidade Estadual de Goiás ...........................................
20
1.3 Histórico da cidade de Anápolis .................................................................
29
1.4 A criação da UnUCSEH ..............................................................................
33
CAPÍTULO II: REFERENCIAL TEÓRICO..................................................
CAPÍTULO III: METODOLOGIA .................................................................
3.1 Método ...........................................................................................................
39
49
3.2 Metodologia ..................................................................................................
CAPÍTULO IV: A UnUCSEH NA ATUALIDADE .....................................
4.1 Estrutura física .............................................................................................
84
4.2 Estrutura organizacional e de gestão .........................................................
4.3 Profissionais docentes e profissionais técnico-administrativos ................
4.4 Cursos oferecidos .........................................................................................
4.5 Características discentes ..............................................................................
4.6 Projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos e em desenvolvimento ...
CAPÍTULO V: ANÁLISE DOS DADOS DOS CURSOS REGULARES ....
5.1 Segmento: alunos ..........................................................................................
111
5.2 Segmento: professores .................................................................................
5.3 Comparação entre avaliação dos alunos e dos professores ......................
5.4 Segmento: servidores técnico-administrativos ..........................................
5.5 Segmento: gestores .......................................................................................
5.6 Interface entre as dimensões da pesquisa e as categorias de análise .......
CONSIDERAÇÕES FINAIS – SUGESTÕES ................................................
166
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................
170
11
INTRODUÇÃO
Os objetivos da avaliação institucional da Universidade Estadual de Goiás são, em
especial, promover uma cultura de avaliação e subsidiar decisões a fim de que sejam feitas
mudanças necessárias para qualificar melhor as ações acadêmicas. Na etapa atual desenvolveu
a Auto-Avaliação da UnUCSEH, como parte dos objetivos traçados no Programa de
Avaliação Institucional (2003 – 2006).
Deste relatório de pesquisa fazem parte os resultados da Auto-Avaliação referente
a 2005. O processo de Auto-Avaliação visa também a atender a legislação vigente a respeito
do Sistema Nacional da Educação Superior (SINAES), coordenado pela Comissão Nacional
de Avaliação e ao Ofício Circular n. 00007/2004/MEC/CONAES de 16.11.2004.
Com o propósito de viabilizar os objetivos expostos, compartilha-se a idéia de
Belloni (1996, p. 5) no que diz respeito ao papel da avaliação institucional. Para a autora, a
questão crucial
[...] é buscar compreender como a avaliação institucional pode ser, efetivamente,
um instrumento para que a universidade estabeleça ou solidifique uma ‘ponte’ com
a realidade social, através da qual a instituição se integra e contribui com o
processo de reconstrução social.
Nessa linha interpretativa é necessário também entender a relação entre essa
finalidade da avaliação institucional e a finalidade mais intrínseca à instituição. O que está em
questão é que a avaliação poderá proporcionar abertura de caminhos para qualificar melhor as
funções da Universidade, promovendo o seu auto-conhecimento e a tomada de decisões,
assim como o aperfeiçoamento de sua dinâmica funcional e de seus objetivo nas dimensões
ensino, pesquisa e extensão.
A busca da melhor qualidade, a nosso ver, materializa-se a partir dos resultados da
avaliação em um movimento que se (re) alimenta no próprio proceder, atribuindo significado
à reconstrução como ação principal da instituição envolvida no processo de avaliar:
avaliando-se interna e externamente.
O desenvolvimento de uma cultura de avaliação, consoante nosso entendimento,
depende particularmente de um processo que ultrapasse a tradicional discussão sobre o mérito
da avaliação como um fim em si mesma, mas que possibilite o surgimento de um espaço
12
propositivo de alternativas de realização. É de fundamental importância tal posicionamento,
pois a UEG é uma Universidade em construção, tendo em vista sua recente criação em 16 de
abril de 1999. Suas especificidades, todavia, são muito nítidas, pois tem presença marcante
em todo território goiano, compreendendo, nos dias atuais, 31 Unidades Acadêmicas1 (UnUs)
e 23 Pólos2.
Para a estruturação e consolidação dessa nova cultura de avaliação, a UEG, por
intermédio da Comissão da Assessoria de Avaliação Institucional – CAAI ofereceu o curso de
Especialização Lato Sensu em Avaliação Institucional, com o objetivo de promover a
formação continuada de pesquisadores em avaliação institucional e auto-avaliação. O curso
ancorou-se na convicção de que, à medida que se formam pesquisadores em avaliação
institucional e auto-avaliação, capacitam-se gestores para planejar a avaliação institucional e
se criam e revitalizam os Núcleos de Avaliação Institucional (NAIs) em todas as Unidades
Universitárias.
Fez parte do curso desenvolvido pela CAAI a realização em duas etapas da autoavaliação institucional. Na primeira, sob a luz do referencial teórico, construiu-se de forma
coletiva instrumentos de coleta de dados, a partir da definição dos sujeitos da pesquisa e das
dimensões a serem contempladas. No segundo momento, realizado entre novembro de 2005 e
março de 2006, teve início a coleta dos dados por meio de recursos eletrônicos, on line,
passando a seguir à análise qualitativa realizada pelos pesquisadores. Da análise dos dados
resulta o presente relatório de pesquisa, contemplando os objetivos iniciais propostos.
A publicização dos relatórios da avaliação institucional de forma detalhada e
objetiva é fundamental para que os resultados sejam compreendidos por todos os sujeitos
envolvidos. Tornar públicos os resultados de um Programa de Avaliação Institucional, do
modo mais completo possível, é vetor estimulante da busca do aperfeiçoamento da instituição
em todas as suas dimensões.
A construção dos Relatórios de Avaliação Institucional evidencia a filiação dos
1
Em 2006, a UEG já consta com 38 UnUs, face a criação de oito, quais sejam: UnU Goiânia Laranjeiras, UnU
Palmeiras de Goiás, UnU Jataí, UnU Mineiros, UnU Niquelândia, UnU Edéia, UnU Pirenópolis e UnU Trindade.
2
Pólo é local geográfico que abriga cursos de graduação do Programa Universidade para os Trabalhadores da
Educação ou Licenciaturas Plenas Parceladas (LPP). Trata-se de um espaço universitário que se reveste de
caráter provisório pelo fato de dar suporte físico e institucional temporário ao Programa LPP, que tem prazo
definido para ser concluído diante de sua característica de curso emergencial de formação de professores
leigos.
13
seus autores à dialética materialista, com uma postura crítica quanto à concepção sobre as
relações existentes entre Sociedade, Educação, Universidade e Avaliação.
Nesta pesquisa em avaliação institucional da UEG é necessário enfatizar os
aspectos qualitativos das informações destacadas por seus diferentes participantes no processo
avaliativo. Admite-se que o primeiro momento do processo de sistematização dos dados
quantitativos e qualitativos é que permite o conhecimento e domínio da totalidade das
informações e, ao mesmo tempo, do recorte de conteúdos com a finalidade de propiciar ao
pesquisador as condições necessárias de elaboração das categorias de análise, que emergem
dos dados empíricos interpretados com base no referencial teórico e na trajetória da pesquisa.
Salientamos que, com essa referência, os Relatórios de Avaliação Institucional
devem considerar a historicidade da construção da Universidade Estadual de Goiás, bem
como as especificidades regionais e locais. Dessa forma, a partir da análise da inter-relação
que se estabelece nas relações sociais que se delineiam nas Unidades Universitárias (UnUs)
e refletem a realidade objetiva, será possível identificar as suas principais contradições, a
origem do seu movimento e o seu desenvolvimento sócio-histórico.
Optamos pela pesquisa-ação, por entender que esta modalidade de pesquisa supõe
a intervenção do pesquisador para mudar a realidade-objeto da pesquisa ou, no mínimo, o
pesquisador deve apresentar sugestões/recomendações tendentes à mudança. Para tanto, essa
investigação solicita o envolvimento dos sujeitos, que elaboram projetos e executam as
atividades a serem avaliadas, pois eles possuem a vantagem de dominarem melhor as
informações e de contextualizarem de maneira mais adequada o conhecimento acerca do que
está sendo executado ou sobre o que já foi realizado.
É nesse contexto, dada a abrangência e complexidade do trabalho, que o relatório
apresenta-se com uma estrutura em cinco capítulos, sendo o Capítulo I - Histórico de criação
da Universidade Estadual de Goiás – UEG, dados relativos ao Estado de Goiás, histórico da
região/município, a criação da Unidade; Capítulo II - Referencial teórico: contexto das
políticas públicas educacionais em avaliação, conceito de avaliação, o SINAES, Programa de
Avaliação Institucional da UEG - conceito da avaliação na UEG; Capítulo III - Metodologia;
Capítulo IV - A Unidade Universitária na atualidade, estrutura física, estrutura
organizacional e de gestão, profissionais docentes, profissionais técnicos administrativos,
cursos oferecidos (regulares e de Pós-Graduação), características discentes (gerais, número de
formandos, quadro de controle de evasão), projetos desenvolvidos e em desenvolvimento
14
(ensino, pesquisa e extensão); Capítulo V - Análise de conteúdos (dados). São apresentados
ainda os Resultados Finais, as Referências Bibliográficas e os Anexos pertinentes.
Enfatizamos que o processo de auto-avaliação desenvolvido na UEG fundamentase na concepção quanti-qualitativa de pesquisa e tem por objetivos fundamentais a produção
de conhecimento, a melhor qualificação do conjunto de atividades acadêmicas institucionais,
a demonstração da função social da Universidade no contexto goiano e brasileiro e,
especialmente, o desenvolvimento de uma cultura de avaliação institucional, para o que
concorrem todos os segmentos: professores, técnico-administrativos, acadêmicos, gestores,
comunidade local e regional.
Com o propósito de contextualizar territorial e culturalmente a UnUCSEH, bem
como para recuperar a memória da criação da UEG, na qual esta Unidade está inserida,
passamos a revisitar a história de nossa instituição – a Universidade Estadual de Goiás.
15
CAPÍTULO I
HISTÓRICO E CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
1.1 O Estado de Goiás
Situado no Centro-Oeste brasileiro, o Estado de Goiás (FIG. 1) abrange uma área
de 341.289,5 quilômetros quadrados, representando 3,99% do território nacional e 21,17% da
região. Possui 246 municípios em dezoito microrregiões1 e cinco mesorregiões2, incluindo
áreas de reserva indígena.
FIGURA 1 - Mapa do Estado de Goiás
Fonte: http://www.guianet.com.br/go/index.html.
De acordo com o IBGE3 (2006), a população goiana é de 4.873.181 habitantes,
com densidade demográfica de 14,28 moradores por quilômetro quadrado. A população do
1
. Microrregião: subdivisão de uma região natural.
. Mesorregião: unidade territorial homogênea, em nível maior que a microrregião, porém menor que o estado ou
território, e resultante do agrupamento de microrregiões (Dicionário Eletrônico Aurélio – Século XXI).
3
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
2
16
Estado representa 43,23% de todos os habitantes da região Centro-Oeste e 3,4% do Brasil.
Deste total, 3.956.330 (81,18%) residem na zona urbana e 916.851 (14,28%) na zona rural
(IBGE, 2006).
A composição da economia do Estado baseia-se na produção agrícola e na
pecuária, no comércio e nas indústrias de mineração, alimentos, confecção, mobiliário,
metalúrgica, farmacêutica e madeireira. Essas características do Estado resultam de processos
historicamente construídos e que foram expressões das diferentes forças político-sociais que o
compuseram desde seu início.
Com a descoberta das primeiras minas de ouro pelos bandeirantes vindos de São
Paulo em 1727, começou a colonização de algumas regiões. Desse modo, a instalação dos
primeiros povoados coincide com o Ciclo do Ouro. Do ponto de vista da construção sóciocultural, é possível afirmar que o contato entre índios e negros constituiu fator decisivo na
formação das culturas do Estado.
Goiás pertenceu à Capitania de São Paulo, até 1748, quando então se tornou
Capitania. Em 1824 foi elevada à categoria de Província. No aspecto social, a distinção
fundamental recaía entre homens livres e escravos. A população, em sua maioria, continuou
composta por negros e mulatos.
Brzezinski (2005), com base nas investigações históricas de Palacin e Moraes
(1975) analisa que a conjuntura de pobreza, ignorância e isolamento em Goiás, durante as
primeiras décadas do século XIX, consistiu verdadeiro contraste ao contexto sociocultural,
econômico e educacional de alguns países europeus que tiveram neste século o apogeu do
iluminismo − a Europa vivia o século das luzes. Os mencionados historiadores descobriram
em seus estudos que alguns viajantes europeus aludiam à evidente regressão cultural dos
poucos brancos que viviam na Província de Goiás, haja vista que “[...] assimilavam os
costumes dos selvagens, habitavam choupanas, não usavam o sal, não vestiam roupas, não
circulava moeda” (PALACIN; MORAES, 1975, p.49).
A integração do Estado de Goiás à economia nacional no início do século XX é
possibilitada com a criação de gado bovino, após o longo período de estagnação que sucede o
declínio da atividade mineradora, no final do século XVIII. Outros fatores, no entanto,
contribuíram para o estímulo da integração da região sul de Goiás à economia nacional como
17
produtora de alimentos básicos, tais como: a crise dos preços internacionais do café, entre
1897 e 1910 e a dificuldade de importação de alimentos (CARNEIRO, 1988).
A construção da ferrovia que liga Goiás à Minas Gerais propiciou o escoadouro da
produção local. Na concepção de Brzezinski (2006, p. 6) “A estrada de ferro deve, portanto,
ser considerada como o maior agente urbanizador da década e também como modernizador
das estruturas sócio-econômica e cultural do Estado, considerando que “[...] a primeira estrada
de rodagem foi inaugurada somente em 1921” (PALACIN; MORAES, 1975, p. 93).
Com o Golpe Militar em 1964, as alterações na política agrícola e fundiária
promovem a inversão da tendência de crescimento da população rural que vinha ocorrendo
desde 1920. A intensificação do êxodo rural, particularmente na década de 1970, promove a
concentração da propriedade da terra e da renda. Na atualidade, o Estado de Goiás, mesmo
com uma baixa densidade demográfica, não consegue absorver populações de outras regiões
do País e encontra-se quase todo ocupado por propriedades particulares, com poucas áreas de
terras devolutas (em torno de 4% da área total do Estado).
Em 1975, o Estado de Goiás assumiu como objetivo o aumento da eficiência da
agricultura por meio da modernização desse setor da economia. Para tanto, utiliza-se da
integração entre as Instituições Federais, Estaduais e iniciativa privada para realizar pesquisas
e experimentos agropecuários.
A partir da década de 1980, o Estado apresenta um processo dinâmico de
desenvolvimento. Grande exportador de produção agropecuária, Goiás ganha destaque pelo
rápido processo de industrialização. Inserido no processo de globalização da economia
mundial, aprofunda e diversifica, a cada dia, suas relações comerciais com os grandes centros
de comércio, amparado nas vantagens comparativas apresentadas pela consolidação dos eixos
multimodais de integração (rodovias, hidrovias e ferrovias), priorizados pelos governos do
Estado e Federal.
Em 1999, o Poder Executivo Estadual, promoveu a maior reforma administrativa
já realizada em Goiás desde a década de 60. Pensada com base em estudos técnicos e em
resultados de análises formuladas por consultorias realizadas pela Fundação Getúlio Vargas, a
reforma alterou praticamente toda a estrutura administrativa do Estado, com a extinção de
secretarias e órgãos públicos, autarquias e fundações, criando uma nova estrutura
administrativa.
18
Atualmente, o Estado tem cadeias produtivas consolidadas, uma rede de infraestrutura logística, um setor privado forte, além da disponibilidade de matéria-prima, do clima
agradável, da topografia adequada à produção agropecuária e um grande potencial turístico.
Essa possibilidade de inserção de Goiás de maneira mais expressiva no contexto
econômico nacional e mundial torna necessário que o Estado seja reavaliado em suas
propostas e funções institucionais. Da mesma forma que a conjuntura social e política também
enfatizam seu papel regulador e desencadeador do desenvolvimento, o Estado deve estar apto
a gerir iniciativas e ações em parceria com a sociedade civil, potencializando a força de seus
diversos segmentos, tais como as empresas privadas, as organizações sociais, as entidades
classistas e de modo especial as universidades.
Em relação à educação, Goiás possui mais de três mil estabelecimentos de
Educação Infantil, mais de seis mil de Ensino Fundamental, mais de 600 de Ensino Médio e
cerca de 40 instituições de Ensino Superior, de acordo com a Secretaria Estadual de Educação
(SEE, 2005). Em todo o Estado há um milhão de alunos matriculados apenas na Rede
Estadual de Ensino. Apesar de o número de matrículas ser considerado expressivo, preocupa o
elevado índice de repetência escolar. Dos 630 mil alunos do Ensino Fundamental, 272 mil
estão fora da faixa etária correta por excesso de repetência.
Especificamente sobre o Ensino Superior em Goiás, Dourado (2001) indica que a
consolidação deste nível de ensino se efetiva com a transferência da capital do Estado para
Goiânia. Anterior a isso registra-se a existência de poucas escolas superiores, como a Escola
de Direito de Goyaz, Escola de Pharmácia, a Escola de Odontologia (públicas) e a Escola de
Enfermagem São Vicente de Paulo, a Escola de Arquitetura e Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras (particulares, católicas). A criação da Universidade Católica de Goiás
(UCG), em 1959 e da Universidade Federal de Goiás (UFG) em 1960 foram marcos nesse
processo.
Na década de 1970 o Estado de Goiás registrou pequeno crescimento do Ensino
Superior, movimento contrário ao nacional. Além das duas Universidades citadas
anteriormente o Estado dispunha, em 1979, de nove estabelecimentos isolados de Educação
Superior, sendo cinco privados, três estaduais e um municipal. Na década de 1980 houve uma
expansão significativa com a criação de instituições de Ensino Superior em todo o Estado,
totalizando em 1991 trinta e um estabelecimentos distribuídos de acordo com a seguinte
19
dependência administrativa: três universidades, nove autarquias estaduais, onze faculdades
municipais, nove instituições isoladas de ensino superior privadas. A esse número acrescentase a interiorização da UFG com a implantação dos campi avançados nas cidades de Catalão e
de Jataí e a presença da Universidade Salgado Filho (DOURADO, 2001, p. 66-67).
A interiorização e a expansão do ensino superior nos anos de 1990 são
impulsionadas pelo movimento de luta para criação e implementação da Universidade
Estadual de Goiás (UEG), que se efetivou na anteriormente citada reforma administrativa de
1999 e a cujo respeito versará o próximo item.
1.2 A criação da Universidade Estadual de Goiás
O movimento em favor da criação de uma universidade pública e gratuita em
Goiás existiu desde os anos 40, embora apenas mais recentemente tenha tomado vulto. A
expansão do Ensino Superior, seja pelo setor privado, seja pelo poder público federal,
estadual ou municipal ganhou impulso nas décadas de 1960 e 1970, em decorrência da Lei
5.540 de 02 de novembro de 1968, que implantou a Reforma Universitária.
Dentro do espírito do regime político vigente desde o Golpe Militar de 1964, essa
lei facilitou a fragmentação do Ensino Superior, dando origem, em Goiás, às faculdades
isoladas. À época, várias autarquias de Ensino Superior foram criadas pelo Poder Público
Estadual sob a forma de Faculdades de Educação, Ciências e Letras (NOVAES, 2004). Vale
lembrar que as políticas públicas de educação em Goiás são coerentes com as políticas
desenvolvidas pelo Governo Federal, as quais, por sua vez, são em grande parte orientadas
por organismos internacionais, como o Banco Mundial.
A Constituição Estadual de Goiás, promulgada em 5 de outubro de 1989, enfoca o
Ensino Superior de maneira parcimoniosa, tratando, apenas, da questão da autonomia
universitária e da gratuidade do ensino nas instituições de ensino superior mantidas pelo
Estado (Art. 161). Os requisitos para a Educação Superior, bem como a organização
acadêmica, são contemplados na Lei Estadual Complementar n. 26/96, Capítulo IV.
Mas a mobilização da sociedade, por meio de professores e alunos, pleiteando a
interiorização do Ensino Superior, tornou-se evidente durante os I e II Seminários sobre a
Expansão do Ensino de 3º Grau, organizados em 1986 e 1987 pela Delegacia Regional do
20
Ministério da Educação e Cultura em Goiás (DEMEC). Também a União Estadual dos
Estudantes (UEE), na década de 1980, debateu e lutou pela criação de uma universidade
multicampi. A Lei n. 11.655/91 que criou a Universidade Estadual de Anápolis (UNIANA),
originada na antiga Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis (FACEA), gerou a
expectativa em torno da possibilidade de unificação das faculdades estaduais isoladas criadas
pelos governadores das últimas décadas. Porém, em meados de 1990 não havia ainda um
projeto de desenvolvimento para o Ensino Superior público em Goiás, tendo sido prioritária a
Educação Básica, o que propiciou a expansão do Ensino Superior privado (NOVAES, 2004).
Assim, a criação da UEG respondeu a uma antiga aspiração da sociedade goiana
para, mediante a unificação das unidades de ensino superior já existentes e a implantação de
outras novas, oferecer à juventude acesso ao ensino superior público, em um número
crescente de localidades, amplamente distribuídas no território estadual. O projeto de sua
criação teve em vista, de uma parte, favorecer a permanência das novas gerações em seus
locais de origem e, de outra, a formação, em âmbito sub-regional, de quadros
profissionalmente qualificados para a promoção do desenvolvimento econômico e
modernização sócio-cultural das diferentes sub-regiões do estado de Goiás.
A UEG resulta do processo de transformação da Universidade Estadual de
Anápolis (UNIANA) e da incorporação das Instituições de Ensino Superior (IES) isoladas,
mantidas pelo poder público estadual, por força da Lei Estadual n.13.456 de abril de 1999,
que normatizou a já referida reforma administrativa estadual, e vinculou organicamente a
UEG à Secretaria Estadual de Educação. Posteriormente, por meio do Decreto n. 5.158 de
29/12/1999, a instituição foi vinculada à Secretaria de Ciência e Tecnologia de Goiás, embora
tal jurisdicionamento, na prática, seja apenas formal.
A UEG foi organizada como uma Universidade multicampi, sendo que a sede se
localiza na cidade Anápolis, no Campus situado na BR 153 Km 98, e com várias Unidades
Universitárias em todo o Estado. Unidade Universitária é a designação dada às Unidades
Acadêmicas da Universidade Estadual de Goiás em cada município. A gestão de cada
Unidade é feita por meio de coordenações específicas e de cursos. Essas Unidades são
designadas pela sigla UEG, acrescida da respectiva nomenclatura do município. Em Anápolis,
como existem duas unidades universitárias a denominação é: UEG-UnUCET (Unidade
21
Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas), a outra é UEG-UnUCSEH (Unidade
Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas).
O teor do artigo 2º da mencionada Lei Estadual, ao transformar a UNIANA na
Universidade Estadual de Goiás, procedeu também à transformação da Fundação
Universidade Estadual de Anápolis na Fundação Universidade Estadual de Goiás
(mantenedora da UEG), bem como transformou em unidades administrativas da UEG as 28
autarquias ou instituições de Educação Superior criadas e mantidas pelo Governo estadual.
Dessas 28 autarquias, 12 já se encontravam credenciadas com 39 cursos, dos quais 29
estavam reconhecidos e 10 autorizados pela autoridade competente, sendo acrescidos mais 11
cursos originários da antiga UNIANA, todos reconhecidos. Assim sendo, das 28 instituições
incorporadas à UEG somente 13 encontravam-se em funcionamento pleno e ofertando um
total de 2.260 vagas nos processos seletivos anuais, quais sejam: UNIANA, em Anápolis;
Escola Superior de Educação Física de Goiás (ESEFEGO), em Goiânia; Faculdade de
Filosofia Cora Coralina, na cidade de Goiás; Faculdade de Educação, Ciências e Letras de
Porangatu; Faculdade Estadual Celso Inocêncio de Oliveira, em Pires do Rio; Faculdade de
Educação, Ciências e Letras de Itapuranga; Faculdade de Educação, Ciências e Letras de São
Luiz de Montes Belos; Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Goianésia; Faculdade de
Educação, Ciências e Letras de Quirinópolis; Faculdade de Educação, Ciências e Letras de
Iporá; Faculdade de Educação, Ciências e Letras Ilmosa Saad Fayad, em Formosa; Faculdade
de Educação, Ciências e Letras de Morrinhos; Faculdade de Educação, Ciências e Letras de
Uruaçu.
Atualmente, a Presidência da FUEG coincide com a Reitoria da UEG. A
personalidade jurídica e a gestão financeira dos recursos ficam ao seu encargo. A FUEG
possui um Conselho Curador, composto por integrantes da comunidade regional, para cuidar
principalmente dos assuntos ligados ao patrimônio da instituição.
O órgão máximo da Universidade Estadual de Goiás é o Conselho Universitário,
composto pelos diretores das Unidades Universitárias, Pró-Reitores, diretores de gerências,
representação da comunidade universitária (discentes, docentes e técnicos administrativos),
representação da mantenedora e representação da Secretaria de Ciência e Tecnologia do
Estado de Goiás. Ele trata das macro-diretrizes da instituição, tais como: políticas, formas de
gestão, criação de novos cursos, programas e projetos de maior envergadura.
22
A Universidade possui ainda, ligado ao nível central, o Conselho Acadêmico
como órgão de menor tamanho e maior agilidade do que o Conselho Universitário,
organizado em Câmaras (pesquisa, graduação e extensão), tratando previamente as questões
acadêmicas, tais como: projeto pedagógico de novos cursos, normas para pesquisa e extensão,
análise e regulamentações do cotidiano acadêmico, entre outros.
No primeiro ano de funcionamento, a UEG, buscou estabelecer as diretrizes e
bases para sua atuação no Estado, elaborou seu Estatuto e seu Regimento Geral, por meio de
uma Assembléia Estatuinte, composta por membros de todos os seus segmentos.
A UEG é uma instituição que possui uma característica bastante peculiar em
relação a outras entidades de ensino superior: encontra-se territorialmente descentralizada,
como pode ser visualizado no mapa (FIG. 2) e Quadro 1 abaixo:
FIGURA 2 - Localização das Unidades Universitárias da UEG
Fonte: Comissão de Assessoria de Avaliação Institucional – 2006.
23
QUADRO 1
Municípios que possuem Unidades Universitárias da UEG
Anápolis – CET4
Anápolis - CSEH5
Caldas Novas
Campos Belos
Ceres
Crixás
Formosa
Goianésia
Goiânia
Goiás
Inhumas
Ipameri
Iporá
Itaberaí
Itapuranga
Itumbiara
Jaraguá
Jussara
Luziânia
Minaçu
Morrinhos
Pires do Rio
Porangatu
Posse
Quirinópolis
Sanclerlândia
Santa Helena de Goiás
São Luiz de Montes Belos
São Miguel do Araguaia
Silvânia
Uruaçu
Fonte: PrP – UEG/2005
Na área de graduação contava até 2005 com 23 cursos regulares em
funcionamento, que se replicam regionalmente para atender a vocação local e regional, além
de interesses políticos, atingindo um total de 106. Destes, oito encontravam-se em fase de
extinção, totalizando 4.265 vagas ofertadas anualmente. Dos cursos seqüenciais, também
objeto de auto-avaliação em 2005, constam oito modalidades que se replicam formando um
conjunto de 37 cursos oferecidos em Unidades e Pólos.
A partir de 2006, 39 Unidades Universitárias estarão funcionando em 37 cidades,
oferecendo um total de 128 cursos, sendo 19 cursos superiores em Tecnologia, 77 cursos de
Licenciaturas e 32 de Bacharelados.
Em consonância ao que foi estabelecido na LDB – Lei n. 9.394/96, a UEG vem
desenvolvendo, em parceria com os governos estadual e municipais e com segmentos
representativos da iniciativa privada voltados à educação, o projeto emergencial de
Licenciatura Plena Parcelada (LPP), do Programa Universidade para os Trabalhadores da
Educação. Brzezinski, Carneiro e Brito (2004, p. 250) explicitam que:
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9.394/96 – passou a
intensificar a exigência da formação de professores em nível superior para atuar na
Educação Básica. Essa mesma LDB, em seu Art. 87, § 4º, prescreve que “até o fim
da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível
superior ou formados por treinamento em serviço”.
Diante dessa exigência legal, o grande contingente de professores leigos atuantes no
Sistema de Ensino Público em Goiás deveria ser habilitado, em nível superior, até
2006, ano em que findará a Década da Educação, por força de lei, esse prazo-limite
foi estendido até janeiro de 2007.
Os autores esclarecem ainda que, em 2000, a UEG e a Associação Goiana dos
Municípios (AGM) firmaram convênio e as prefeituras municipais assinaram um termo de
4
5
CET: Ciências Exatas e Tecnológicas
CSEH: Ciências Sócio-Econômicas e Humanas
24
adesão, comprometendo-se com a efetivação da LLP para a formação dos professores
municipais, o que já vinha ocorrendo com os professores da rede estadual, quando do
estabelecimento do primeiro convênio entre a UNIANA e a SEE, em 1998.
A Universidade também está presente com os Pólos Universitários em 19
municípios. Constituem-se ainda como Pólos o de Projetos Especiais, em Goiânia, a
Academia de Polícia Militar e o Primeiro Grupamento de Incêndio do Corpo de Bombeiros,
em Goiânia, como sede de cursos seqüenciais. A localização dos pólos pode ser vista no
Quadro 2:
QUADRO 2
Localizações dos Pólos Universitários
Academia de Polícia Militar
Anápolis – Colégio Auxilium
Aparecida de Goiânia
Aruanã
Catalão
Cristalina
Edéia
1° Grupamento de Incêndio do Corpo de
Bombeiros Goiânia
PPE Goiânia
Goiatuba
Itapaci
Jataí
Mineiros
Niquelândia
Palmeira de Goiás
Piranhas
Pirenópolis
Planaltina de Goiás
Santa Terezinha
Santo Antônio do Descorberto
Trindade
Fonte: LPP/UEG/2005
Consoante o Inciso I do artigo 44, da citada Lei, a UEG vem ofertando cursos
seqüenciais por campo de saber, de formação superior, abertos a candidatos que atendam aos
requisitos exigidos pela instituição, para suprir as necessidades do mercado de trabalho e em
áreas de atuação da Universidade, cujas primeiras turmas já começam a ser certificadas.
Oferece ainda cursos de graduação e extensão a distância pelo Centro de Educação Aberta,
Continuada e a Distância – CEAD.
Conforme levantamento realizado pelas Coordenações de Assuntos Acadêmicos
da Pró-Reitoria de Graduação e Licenciatura Plena Parcelada (LPP), pela Secretaria
Acadêmica dos Cursos Seqüenciais e pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, a UEG,
no período compreendido entre 1999 e outubro de 2005, formou 40 mil e 206 alunos, sendo:
19 mil e 394 alunos da LPP; 13 mil e 99 dos cursos regulares de graduação; 5 mil e 42 alunos
dos seqüenciais, e 2 mil e 671 dos cursos de Pós-Graduação lato sensu. No período de
outubro de 2005 a abril de 2006, mais 7 mil e 366 alunos serão graduados pela UEG, que tem,
atualmente, 32 mil e 853 alunos, de acordo com dados de dezembro de 2005.
25
Os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu oferecidos pela UEG, de acordo com a
Coordenação de Pós-Graduação, surgem da solicitação por meio de projetos em áreas
estratégicas e que atendam os interesses do mercado de trabalho, que exige mão-de-obra
qualificada. De acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2003-2007), entre
2001 e 2003 a maior demanda foi por cursos de pós-graduação na área educacional,
oferecidos com recursos da UEG, por meio de convênios com outros órgãos ou custeados
pelos alunos. A partir de 2001 expandiramm-se as grandes áreas e outros cursos são
realizados em outros campos de conhecimento.
Os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu têm sido desenvolvidos mediante
convênios interinstitucionais enquanto a instituição se estrutura para a criação de seus
próprios cursos. Em 2006 a UEG conta com dois mestrados próprios em funcionamento na
UnUCET, um em Ciências Moleculares e outro em Engenharia Agrícola.
A política para pesquisa, na UEG, tem como prioridade a pesquisa cooperativa,
enfocando o regional, o interdisciplinar e o interinstitucional. O estabelecimento dos núcleos
temáticos baseia-se em dois critérios: pessoal capacitado disponível na instituição e
contribuição para o desenvolvimento sustentado da Região Centro-Oeste. Destacam-se, dentre
as temáticas que orientam a implementação dos projetos de pesquisa: Meio Ambiente,
Ciências Agrárias, Educação, História, Memória Sócio-Econômica e Ciências do Movimento
Humano. Sua evolução é registrada no GRAF. 1:
Evolução do Número de Projetos Internos de Pesquisa UEG
250
200
150
247
238
2004
2005
100
50
0
98
23
28
43
2000
2001
2002
2003
GRÁFICO 1 - Evolução do Número de Projetos Internos de Pesquisa – UEG
Fonte: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PrP)-UEG/2005
26
As atividades de pesquisa são realizadas individualmente ou por equipes compostas
por docentes e discentes da UEG em todas as áreas de conhecimento do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), conforme disposto no Quadro 3:
TABELA 1
Projetos de pesquisa na UEG no período 2000-2005, por grande área do conhecimento – CNPq
Área de Conhecimento
2000
2001
2002
2003
2004
2005
TOTAL
Ciências Agrárias
1
2
2
18
32
40
95
Ciências Biológicas
1
6
13
19
43
39
121
Ciências Exatas e da Terra
8
3
3
10
39
37
100
Ciências Humanas
2
7
11
24
67
65
176
Ciências da Saúde
-
1
4
8
7
8
28
Ciências Sociais e Aplicadas
3
-
2
8
29
19
61
Engenharias
6
8
3
6
18
14
57
Lingüística, Letras e Artes
2
1
5
5
12
16
41
23
28
43
98
247
238
679
TOTAL
Fonte: PrP-UEG/2005
Com a implementação, em 2002, do Programa de Bolsas de Iniciação Científica
(PBIC/UEG) registra-se um salto qualitativo na política de pesquisa da UEG, embora o apoio
oferecido pela instituição se resuma até hoje, na quase totalidade dos projetos, à concessão de
carga horária para os professores pesquisadores. Um agravante é o fato do regime de
dedicação exclusiva (DE) não ter sido efetivamente implementado.
A trajetória percorrida pela UEG nesses primeiros anos de existência mostra as
conquistas e as vicissitudes do projeto, que vem se consolidando com muitos percalços em
função de ingerências políticas, de forma mais marcante nas unidades do interior do Estado.
Essas ingerências são simbolizadas pela abertura de cursos, pólos e unidades sem nenhuma
estrutura física ou acadêmica, apenas para atender interesses particulares, pela resistência à
realização de concurso público para contratação de professores e pelos baixos salários pagos
aos docentes, entre outros.
A UEG obteve seu credenciamento por meio do Decreto n. 5.560 de 01/03/2002,
do Governo Estadual, que homologou a Resolução n. 001 de 28/01/2002, do Conselho
Estadual de Educação (CEE), com efeito retroativo a 16/04/1999. O requerimento de
renovação desse credenciamento, protocolado no CEE em 30/09/2003, anexa o Plano de
Desenvolvimento Institucional – PDI 2001-2004, que traz mudanças para atender às novas
27
exigências feitas pelo Ministério da Educação (MEC), adequando os cursos aos eixos
temáticos essenciais e representa o compromisso da instituição para os próximos cinco anos.
Em 17/11/2005, mais de dois anos transcorridos do pedido de recredenciamento,
foi nomeada a Comissão de Especialistas para avaliar a instituição, com vistas ao andamento
do processo. Esse foi aprovado pelo CEE em 25/8/2006, com vigência até 2011, ano em que
se desencadeará novo processo de recredenciamento.
No final de 2003 a UEG foi classificada pelo MEC, com base em pesquisa
realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP, como a oitava
maior instituição de ensino superior do Brasil e a segunda pública estadual, em relação ao
número de alunos matriculados no ano de 2002, configurando-se em um arranjo espacial que
abrange todo o Estado de Goiás.
Em razão de sua vultosa dimensão, todavia, a UEG vem encontrando dificuldade
em se consolidar conforme o projeto de sua criação, no qual se previa, para o futuro imediato,
um amplo processo de integração e coesão entre suas unidades, buscando-se garantir elevado
padrão de qualidade no ensino, gestão democrática das atividades acadêmicas e competência
na realização de suas funções de ensino, pesquisa e extensão. Parte considerável do problema
da insuficiência de integração e coesão na UEG apresenta-se sob a forma de uma nítida
disparidade quanto aos níveis de formação dos quadros docentes de suas diferentes unidades,
sobretudo entre as já tradicionais, localizadas em Anápolis e Goiânia, e as instaladas em
época mais recente, em municípios do interior do Estado.
Isso posto, no próximo ponto apresentamos um histórico do município de
Anápolis, no qual estão localizadas a Reitoria da UEG e a Unidade em estudo - UnUCSEH.
1.3 Histórico da cidade de Anápolis
A cidade de Anápolis é um exemplo de cidade que surge por meio do comércio,
por encontrar-se em uma localidade estratégica, como afirma Polonial (1995, p. 35): “estando
a meio caminho entre as cidades de Pirenópolis, Goiás e Silvânia, o local serviria de pouso
para tropeiros e nele se desenvolveu um entreposto comercial” .
28
O local era um ponto de referência para tropeiros que faziam transações
comerciais entre áreas mineradoras do interior goiano e o sudeste do país, pois além do
descanso os viajantes também participavam de festas e novenas realizadas a partir da
construção da capela de Sant’Ana. A importância do comércio para o nascimento da cidade,
juntamente com o fator religioso, é reforçada por Silva (1997, p. 15), ao observar que “tudo
nos leva a crer que o povoado surge em função destas festas estimuladas pelo movimento
comercial provocado pelos tropeiros, o que antecede a construção da capela de Sant’Ana”.
Aos poucos a Freguesia de Santana se tornou um local povoado e foi crescendo,
até se emancipar política e territorialmente de Pirenópolis em 31 de julho de 1907, com a
assinatura do Decreto Lei n. 320, pelo então presidente do Estado de Goiás, Miguel da Rocha
Lima, com a denominação de Anápolis. Para isso concorreram os trabalhos de pioneiros como
Gomes de Souza Ramos e José da Silva Batista (POLONIAL, 1995; SILVA, 1997).
O período que vai de 1870 a 1935 representa um dos marcos no processo de
desenvolvimento da cidade, conforme descrito:
Entre 1870 e 1935, a região do município de Anápolis sofreu profundas mudanças.
As poucas moradias existentes, habitadas por escassa população, deram lugar a
uma aglomeração humana complexa. As casas aperfeiçoaram-se com construções
de alvenaria, e a cidade ganhava feições urbanas mais definidas (POLONIAL,
1995, p. 32).
Foram se constituindo centros na cidade a partir das demandas comerciais da
população, até que a chegada da ferrovia, em 1935, formou o terceiro centro da cidade nas
proximidades da estação ferroviária, abrigando inúmeros varejistas e atacadistas. A ferrovia
consolidou a cidade como entreposto comercial e dinamizou seu espaço intra-urbano. Isso fez
de Anápolis “um pólo atrativo na região e terminou por criar uma rede de dependência, no
setor de serviços, entre dezenas de municípios goianos e o município anapolino”
(POLONIAL, 1995, p. 55).
Em 28 de agosto de 1973, em plena Ditadura Militar, Anápolis foi declarada área
de interesse da Segurança Nacional, conforme Decreto Lei n. 1284, para implantação da Base
Aérea, tendo seus prefeitos indicados pelo governador do Estado e nomeados diretamente
pelo presidente da República, situação que perdurou até 1985. Atualmente, a Base Aérea de
Anápolis integra o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam)1.
http://www.militar.com.br/servicomilitar/servmilitaraeronautica.htm
29
Possuindo o terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Anápolis é considerada a
mais avançada cidade industrial do território goiano. Em 1976 foi implantado o Distrito
AgroIndustrial (DAIA), durante o mandato de Irapuan Costa Júnior, no Governo Estadual e
do Presidente do Brasil, Ernesto Geisel. Suas principais indústrias pertencem aos ramos
farmoquímico, de alimentos e indústria de transformação.
A localização geograficamente privilegiada coloca a cidade em vantagem
competitiva para a logística de mercadorias, sendo objeto de um projeto que envolve esforços
dos três níveis de governo e da iniciativa privada, para criação de uma a Plataforma Logística
Multimodal6. Seguindo o modelo francês, ela disponibilizará os recursos modais rodoviário,
ferroviário e aéreo para o transporte de produtos para todas as regiões brasileiras e para o
mercado internacional. Na parte do comércio exterior, a cidade conta ainda com o suporte do
Porto Seco Centro-Oeste, a primeira estação aduaneira em funcionamento na região.
A população total do município de acordo com o Censo Demográfico do IBGE
(2002) era de 297.085 habitantes. Destes, 97,25% era de população urbana e apenas 2,75%
rural. Uma estimativa feita pelo IBGE em 2004 aponta para uma população em 2005 de
313.412 habitantes. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,788 segundo o
Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD (2000).
O município possui 918 km² representando 0,27% da área do Estado e 0,0574%
da Região Centro-Oeste, com uma configuração espacial que estabelece divisas com diversos
municípios, como pode ser visto no mapa abaixo (FIG.3), que a ele recorrem para negócios,
estudos, tratamentos médicos e hospitalares:
Ano de Instalação: 1887
Microrregião: Centro Goiano
Mesorregião: Anápolis
Distância à Capital: 50,6Km
Atual Prefeito Municipal: Pedro Fernando Sahium (Sem
partido).
FIGURA 3 - Mapa da cidade de Anápolis-GO
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD; Associação Goiana dos Municípios, 2005.
No aspecto educacional, Anápolis conta em 2005 com cerca de 64 escolas
municipais, 41 estaduais e 75 particulares, de acordo com a Subsecretaria Regional de
6
A Plataforma Logística Multimodal de Goiás promoverá, pela primeira vez no Brasil o conceito de central de
inteligência logística, combinando multimodalidade, telemática e otimização de fretes.
30
Educação.Aproximadamente 84,6% dos alunos matriculados no ensino médio no ano de
2005 são da rede estadual e 15,4% são da rede particular (TAB. 2) e 71,1% dos professores
que atuam no ensino médio são da rede estadual (TAB. 3). Contudo, apesar da estrutura
educacional ser plenamente suficiente para atender bem todos os alunos, o índice de abandono
escolar é grande, como demonstrado na TAB. 4.
TABELA 2
Matrícula inicial por nível e rede de ensino em Anápolis - 2005
Ensino Fundamental - regular
Rede
Educação Especial
1ª a 4ª série e
5ª a 8ª série e
(Incluídos)
Anos Iniciais
Anos Finais
Ensino Médio - regular
Estadual
146
2.665
14.014
13.378
Municipal
275
18.006
7.460
0
Particular
31
5.821
5.612
2.443
Total
452
26.492
27.086
15.821
Fonte: Adaptado do INEP/2005
TABELA 3
Número de professores por nível e rede de ensino em Anápolis - 2005
REDE
Número de Professores por Nível e Modalidade de Ensino
Ed
Pré - Escola Ens Fund Ens Medio Especial
EJA Profis.
Creche
Estadual
Municipa
l
0
55
31
Particular
26
176
81
207
2498
Total
Fonte: SEE/INEP
0
905
727
0
335
897
0
12
696
292
45
1019
57
Parcial
0
1967
113
0
1108
36
71
1342
484
71
4417
TABELA 4
Abandono escolar no ensino fundamental e médio em Anápolis - 2005
Ensino
Rede
Abandono *
Estadual
1991
Municipal
788
Particular
95
Estadual
2437
Ensino médio
Municipal
0**
Particular
44
Fonte: SEE/GO; * base de dados 2005, referente ao movimento e rendimento de 2004.
** a rede municipal não atende o ensino médio em Anápolis
Ensino fundamental
31
No Ensino Superior a cidade oferece uma grande diversidade de opções. A
Universidade Estadual de Goiás, com suas duas Unidades Universitárias, tem dezesseis
cursos, distribuídos nas três grandes áreas do conhecimento e a UniEvangélica – Centro
Universitário de Anápolis, mantém vinte e dois cursos. Também do sistema privado são a
Faculdade Latino Americana – FLA, a Faculdade do Instituto Brasil – FIBRA, a Raízes e a
UVA – Universidade Vale do Acaraú.
É nesse contexto que está a Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas
e Humanas da UEG, cuja criação e desenvolvimento serão agora descritos.
1.4 A criação da UnU de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas
O embrião da Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas
foi a Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis, criada pela Lei Estadual n. 3.430,
sancionada em cinco de julho de 1961 e implantada oficialmente no dia seis de maio de 1962.
Seu único curso, durante vinte e três anos, foi o de Ciências Econômicas, com quarenta vagas
anuais, autorizado a funcionar pelo Decreto Federal n. 73.149 de 12 de novembro de 1973 e
reconhecido em setembro de 1976.
Em 1984 o Ministério da Educação autorizou o funcionamento, na instituição, dos
cursos de Administração de Empresas e Ciências Contábeis, e em 1986, atendendo
reivindicações da população, foram criados os primeiros cursos de formação de professores
em Geografia, História, Letras e Ciências (Licenciatura Curta), além do curso de Tecnologia
em Processamento de Dados.
Em oito de setembro de 1987, por meio do Decreto n. 2.814, o governador
Henrique Antônio Santillo instituiu uma comissão para coordenar os trabalhos de
transformação da FACEA em Universidade. As finalidades dessa comissão foram expressas
em seu Art. 1º, incisos I ao IV:
III-
III-
Promover os estudos preliminares necessários à criação e implantação da
Universidade Estadual de Anápolis;
Levantar e relacionar, por ordem de prioridade, os atos legais e
administrativos indispensáveis à criação, instalação e ao funcionamento da
Universidade Estadual de Anápolis;
Sugerir ao poder público estadual, com base na legislação federal específica,
os possíveis cursos a serem criados na Faculdade de Ciências Econômicas de
Anápolis, visando atingir o total exigido para composição da estrutura
universitária;
32
IV-
Propor, tendo em vista as possibilidades e os interesses locais, regionais e
da administração pública, a forma de estruturação da Universidade,
buscando a economia de recursos a serem aplicados na execução do
projeto, aliada a um elevado padrão de qualidade da entidade a ser criada.
A história, como relatado no item relativo à criação da UEG, apontava uma
movimentação para criar uma Universidade Estadual em Goiás, que vinha desde a década de
1940, sem resultados concretos, conforme o documento n. 947/93 de 02/09/93, do Conselho
Estadual de Educação:
[...] inúmeras iniciativas legislativas de criação de uma Universidade Estadual
emergiram a partir da década de 40 sem que ultrapassassem os limites formais das
leis que as criaram. Senão vejamos: Lei nº 192, de 20/10/48 – cria a Universidade
do Brasil Central; Lei nº 6.770, de 10/11/67 – cria a Universidade Estadual de
Anápolis; Lei nº 8.613, de 20/04/79 – cria a Universidade Rural do Estado de
Goiás, com campus em 10 cidades do interior goiano; Lei nº 8.772, de 15/01/80
autoriza criar a Universidade do Estado de Goiás, com sede em Anápolis e a Lei nº
10.018, de 22/05/85 – autoriza criar a Universidade Estadual de Anápolis.
Considerando esses antecedentes, a comunidade acadêmica mobilizou-se
intensamente e, em 22 de agosto de 1989, o diretor educacional da FACEA, professor
Ubiratan Cardoso de Souza, designou por meio da portaria n. 33-G/89 uma comissão com a
responsabilidade de elaborar os processos para a criação dos cursos de Engenharia Sanitária e
Pedagogia e para a plenificação do curso de Licenciatura Curta em Ciências, o qual se
transformaria em dois, Licenciatura Plena em Biologia e em Química, objetivando
operacionalizar a implantação da Universidade, com sua agregação aos cursos já existentes.
Os referidos cursos foram autorizados a funcionar em 1990 e, atendidos os demais
trâmites legais, nesse mesmo ano a FACEA foi transformada na Universidade Estadual de
Anápolis (UNIANA), por meio do Decreto Lei n. 3.549. Contando com onze cursos, sendo
sete de formação de professores, a UNIANA foi constituída em três centros: Ciências Exatas e
Tecnológicas, que funcionava no Anexo do Bairro Alexandrina e que posteriormente viria a
ser a Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas – UnUCET, o Centro de
Ciências Humanas e Letras e o Centro de Ciências Sócio-Econômicas, funcionando ambos no
bairro Jundiaí, e que posteriormente viriam a constituir a Unidade de Ciências SócioEconômicas e Humanas. Na mesma data, 23 de março de 1990, foi instalada oficialmente a
Fundação Universidade Estadual de Anápolis, aprovado o Estatuto da Mantenedora,
empossados os membros do novo Conselho Diretor da Instituição e designado como reitor pro
tempore, o economista Vicente Pedatella Neto, que permaneceu à frente da Universidade até o
final de 1998. O Decreto Presidencial que autorizou o funcionamento da UNIANA foi
publicado no Diário Oficial da União apenas em 24 de janeiro de 1994.
33
Em 1991 foi criado o Colégio de Aplicação, denominado “Dr. César Toledo”, para
servir de campo de estágio e pesquisa para os cursos de licenciatura, mas que por questões
operacionais somente começou a funcionar em janeiro de 1993, no Anexo do Bairro
Alexandrina, atendendo desde a alfabetização até o Ensino Médio. O Colégio foi uma
referência no ensino básico na cidade, com várias experiências exitosas, mas foi transferido
para a Secretaria de Educação em 2000, logo após a transformação da UNIANA em
Universidade Estadual de Goiás e agora, no final de 2005, tornou-se Colégio Militar.
Em 1º de outubro de 1992 foi criada a Coordenadoria de Pós-Graduação, que até o
final de 1998 ofereceu dezoito cursos lato sensu, atendendo uma extensa clientela, inclusive
de outros estados. Na atualidade, após a criação da UEG, ela foi vinculada à UnUCSEH,
como coordenadoria adjunta de Pesquisa e Pós-Graduação, tendo sob sua responsabilidade
uma média de 14 cursos oferecidos anualmente. Em 2005 foi incorporada ao Centro de
Estudos Avançados em Humanidades, composto por professores pesquisadores da Unidade e
que tem como objetivo o incremento da pesquisa, da iniciação científica e a melhoria
constante dos cursos de pós-graduação oferecidos.
No ano de 1994 foi publicada a primeira edição da UNICIÊNCIA, a revista
científica da UNIANA, que contava com artigos inéditos de professores desta e de outras
instituições de ensino superior. A proposta era de que fosse semestral, mas até 1998 chegou
apenas ao quinto volume, por questões financeiras, e a partir desse ano foi assumida pela
Universidade Estadual de Goiás. Para preencher a lacuna deixada na Unidade, em 2004 foi
lançada a revista PLURAIS, de periodicidade semestral, com uma diretriz editorial centrada, a
cada número, em eixos temáticos amplos. Está agora em seu terceiro número, com o propósito
de ser um espaço de diálogo aberto à participação de professores e pesquisadores das diversas
instituições de ensino e pesquisa de Goiás e do Centro-Oeste (PLURAIS, 2005).
Dentre os programas de extensão desenvolvidos pela UNIANA, destacaram-se:
a) O Programa “Integração da Universidade com o Ensino Fundamental – 1ª
a 4ª séries – capacitação de recursos humanos”, que partiu de uma
proposta do MEC, sendo desenvolvido pela UNIANA nos anos de 1994 a
1996, atendendo, além de escolas do município de Anápolis, as cidades
de Alexânia, São Francisco de Goiás, Goianésia, Ouro Verde de Goiás,
Piracanjuba, Cromínia, Professor Jamil, Mairipotaba e Hidrolândia.
Coordenado pela professora Elizabeth Damasceno, realizava oficinas
34
com os professores da primeira fase do Ensino Fundamental,
apresentando propostas de trabalho inovadoras, com uma repercussão
positiva nas prefeituras envolvidas.
b) O Programa Alfabetização Solidária, uma parceria entre a UNIANA, a
Fazenda Barreiro, o Governo Federal e a Prefeitura Municipal,
desenvolvido a partir de agosto de 1998, no Setor Industrial Mounir
Calixto, atendendo inicialmente a noventa e seis pessoas, com a
coordenação da professora Eliane Anderi. Depois foi expandido e passou
a trabalhar, dentro da filosofia do programa, com comunidades carentes
de outros estados. Os resultados, apresentados em um encontro nacional
realizado em dezembro de 1998, na cidade de São Paulo, foram
aprovados pela Comissão Executiva Nacional do Programa. E embora
sob a coordenação do professor Élson M. da Silva, tenha sido premiado
nacionalmente, não recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UEG,
sendo por isso desativado na Unidade.
c) O Projeto AABB Comunidade, uma parceria entre o Banco do Brasil, a
UNIANA, o Rotary Clube, a Polícia Militar, a Base Aérea e o Corpo de
Bombeiros, iniciado em setembro de 1998, proporciona atividades sócioculturais e esportivas, além de atendimento médico-odontológico com o
apoio de profissionais da Unimed, a crianças e adolescentes carentes de 9
a 14 anos. Atualmente está sendo coordenado pela professora Maria
Martins, estando consolidado como campo de atuação para os alunos dos
cursos de licenciatura da UnUCSEH, especialmente do curso de
Pedagogia.
Em 1998, considerando as exigências legais para o credenciamento da UNIANA
junto ao MEC, emanadas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9394/96, e do decreto
federal n. 2026, de 10/10/1996, que estabelece procedimentos para o processo de avaliação de
cursos e instituições de ensino superior, a comunidade acadêmica e a sociedade anapolina,
reivindicaram ao Governo da Estado a liberação de recursos para a construção do campus
universitário, em uma área de 27 alqueires já pertencente à Instituição, e para a realização de
concurso público para docentes e funcionários administrativos. No mês de maio do referido
ano o Governo destinou uma verba de R$ 1,5 milhões para atender as solicitações feitas em
relação à compra de equipamentos para os laboratórios, móveis e livros para a Biblioteca,
máquinas para a instalação da gráfica e computadores. Também foi dado início à construção
do campus que hoje abriga a sede da UEG, para a qual foram destinados R$ 4,7 milhões, e aos
35
preparativos para a efetivação do concurso, que ocorreu no final do ano, oferecendo 138
vagas para docentes nas diversas áreas do conhecimento e 24 vagas para técnicos de nível
superior e médio. No início de 1999, tomaram posse os primeiros professores concursados da
Universidade, visto que em 1994 já havia sido realizado um concurso para técnicos de ambos
os níveis. Em 2004 foi realizado o segundo concurso, que ainda não atendeu plenamente as
necessidades da UEG como um todo.
O projeto inicial do Programa Universidade para os Trabalhadores da Educação
(LPP) nasceu nesta Unidade, quando, em 1998, o reitor, professor Vicente Pedatella Neto,
recebeu da secretária estadual de Educação, professora Terezinha Vieira dos Santos, a
incumbência de elaborar um projeto para formação dos professores da rede estadual de ensino
que estavam em atuação sem ter a titulação prevista em lei, englobando neste projeto todas as
treze Instituições de Ensino Superior do Estado. E embora tenha sido também esta Unidade a
que, juntamente com a Eseffego, mais lutou para que o projeto iniciasse suas atividades em
janeiro de 1999, para que não fosse suspenso com a mudança do governo estadual, em 2003,
por questões políticas-administrativas e de espaço, a Congregação optou por não mais
trabalhar com o Programa, quando então foi criado o Pólo de Anápolis, funcionando hoje no
Colégio Auxilium, e para este foram transferidas as turmas remanescentes.
Ainda em 1999, com o Decreto n. 13.456 de 16 de abril, que criou a Universidade
Estadual de Goiás, o Centro de Ciências Humanas e Letras e o Centro de Ciências SócioEconômicas passaram a constituir a Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e
Humanas, funcionando na antiga sede da avenida JK, no Bairro Jundiaí, e o Centro de
Ciências Exatas e Tecnológicas passou a ser a Unidade Universitária de Ciências Exatas e
Tecnológicas, situada inicialmente no Anexo do Bairro Alexandrina e posteriormente no
campus da BR 153.
As instalações físicas da UnUCSEH são constituídas por um conjunto de três
prédios, bastante desgastados pelo uso, dois pátios de estacionamento e uma quadra
poliesportiva coberta, reformada em 2004 com recursos da comunidade. Nessas instalações a
Unidade abriga as atividades acadêmicas de sete cursos regulares – Administração, Ciências
Contábeis e Ciências Econômicas, no turno noturno, Geografia, História, Letras e Pedagogia,
no turno matutino, e os cursos de Pós-Graduação. Também funcionam nesse espaço os cursos
de línguas estrangeiras do Centro de Idiomas, nos três turnos, um projeto de extensão
denominado Universidade Adolescente, com menores em situação de risco social, em parceira
com o Juizado da Infância e Adolescência, no período vespertino, quando têm aulas de
36
reforço escolar, atividades físicas e culturais e cursos do Centro de Formação de Condutores,
aos finais de semana.
Para entender a complexidade do trabalho de avaliar uma instituição de ensino
superior, especialmente com as características da UnUCSEH, o próximo capítulo abordará as
bases teóricas da avaliação institucional.
37
CAPÍTULO II
REFERENCIAL TEÓRICO
As
transformações
que
cotidianamente
ocorrem
o
mundo
globalizado
contemporâneo, principalmente aquelas decorrentes dos avanços tecnológicos, apontam a
Educação como a grande prioridade deste início de século.
A sociedade do século XXI está marcada pela busca do conhecimento, da
informação, o que gera uma intensa demanda de educação superior, especialmente em países
de economia periférica ao processo de globalização, como o Brasil, nos quais o acesso a esse
nível de ensino ainda é restrito e a formação técnica incipiente.
A crescente diversificação das carreiras e a percepção do papel da educação
superior na formação de pesquisadores e profissionais tecnicamente qualificados, evidenciam
a importância da Universidade para o desenvolvimento sócio-cultural e econômico atuais.
Como conseqüência, esses dois pontos originaram uma massificação do ensino superior
privado, e uma forte pressão sobre as instituições públicas, para que mostrem resultados na
expansão da matrícula, na produção científica e na realização de programas sociais do
governo.
A qualidade da educação adquire força nos discursos oficiais como fator
estratégico para o desenvolvimento do fator econômico, haja vista as políticas educacionais
neoliberais adotadas pelo governo brasileiro com maior força a partir de 1995, para adequar o
Brasil à nova ordem mundial.
Está claro, contudo, que há uma correlação real e direta entre o nível de recursos e
a qualidade da educação. Não é possível uma expansão massiva da educação superior sem um
aumento substancial de recursos. Para isso é necessário mobilizar todos os integrantes do
sistema e, reconhecendo a educação superior como um investimento social importante,
designar-lhe recursos públicos adequados; empreender uma busca sistemática de novos
métodos de financiamento, baseados na participação de todos que direta ou indiretamente se
beneficiam dela, incluindo o setor econômico, as comunidades locais e outros. Essa ampliação
de recursos deve ser acompanhada de esforços sistemáticos das próprias instituições de
38
educação superior para aproveitá-los otimamente e aumentar sua eficiência. E a Avaliação
Institucional é um dos elementos que permite rever e interpretar essa realidade para
transformá-la, além de possibilitar a transparência dos processos e ações.
O Brasil, como as demais nações da América Latina e do Caribe, sofre com a
intensificação da ordem mundial vigente em função da precariedade de sua economia e a
conseqüente
dependência
dos
grandes
agentes
internacionais
financiadores
do
desenvolvimento. Esses agentes financiadores, notadamente Banco Mundial e BID, em
sintonia com o Fundo Monetário Internacional, exigem liquidez nos seus aportes financeiros e
por esse motivo interferem na política econômica dos seus financiados, garantindo medidas
que consideram austeras e / ou de saneamento, tais como diminuição das chamadas ações
sociais não essenciais (ENGUITA, 1999; GENTILI, 1999).
Entre as ações entendidas como não essenciais está a manutenção pelo Estado da
educação superior gratuita, forçando a restrição orçamentária destinada a esse fim, o que vêm
piorando suas condições de oferta e gerando uma crise dos sistemas nacionais de educação na
América Latina, em contraposição ao discurso apresentado sobre a importância da educação
no desenvolvimento social (DIAS SOBRINHO, 2000; BIANCHETTI, 1996).
Como medida de sobrevivência para as universidades frente a esse cenário de crise
está a inadiável racionalização de suas atividades, passando por um incremento ou instalação
de políticas mais consistentes e baseadas no planejamento e avaliação institucional, tendo
como referentes a qualidade, a pertinência, a cooperação entre instituições, a eficiência e a
eficácia.
Sendo a Universidade uma instituição social necessária e relevante, a quem a
sociedade atribuiu a função de produzir e socializar conhecimentos, a Avaliação Institucional
é condição essencial para que ela se conheça, atuando como instrumento de fortalecimento de
sua natureza acadêmica e subsidiando as decisões que visem melhorar sua qualidade com as
transformações que se fazem necessárias.
Toda política de avaliação tem estreita relação com a organização do sistema de
ensino e sua dinâmica funcional, buscando os objetivos postos pelo projeto político para a
área da educação que o grupo no poder está implantando (Gomes, 2002). Em uma sociedade
cada vez mais desigual social e economicamente como a brasileira, com a massificação do
ensino pretendida pelo governo,
39
a utopia de realização de um padrão único de qualidade torna-se inexeqüível. Se
esse conceito já é em si problemático em um sistema de elite, que é marcado pela
maior severidade dos critérios dos exames nas disciplinas, a política de
massificação e diversificação faz com que ele tenda a desaparecer da agenda
política da educação superior. Nos sistemas de massa o que se constata, como já
ressalvava Trow (1973, p. 13), é que os padrões de qualidade ”tornam-se variáveis,
diferindo em severidade e caráter em diferentes partes do sistema e instituições, de
tal forma apropriada desde ambos, sistemas e instituições, têm se tornado holding
companies para diferentes tipos de empreendimento” (GOMES, 2002, p. 288).
Dessa forma, os padrões de qualidade serão estabelecidos não somente em função
do projeto acadêmico-institucional, do perfil profissional pretendido ou do curso oferecido,
mas também das políticas avaliativas adotadas.
A qualidade é uma preocupação histórica, intrínseca à Universidade, e que foi
mudando com suas funções e compromissos, à medida que suas atividades internas e impacto
externo tornavam-se cada vez mais complexos. A necessidade de trabalhar com uma gestão
de qualidade supõe a sistematização dos processos de extensão/promoção dessa qualidade,
tornando imperativo, portanto, que haja um consenso acerca de seu significado.
No caso da Universidade, a qualidade está ligada à sua missão, seus princípios e
valores. Mesmo que a educação superior esteja sendo pressionada pelas exigências impostas
pelo mundo globalizado, ela não pode se restringir à sua função informativa e funcional, pois
mais do que nunca, a sociedade humana requer pessoas com mentes abertas e
rigorosamente críticas, com o domínio das teorias integradoras e a compreensão dos
movimentos de transformação nos níveis mundiais e interculturais. Uma atitude
crítica é imprescindível não para recusar a ciência e suas derivações técnicas, o que
seria um inaceitável novo tipo de obscurantismo, porém, como superação de
reducionismos e das explicações simplistas da realidade humana e social que se
constroem a partir de um ângulo qualquer de alguma disciplina especializada e
isolada (DIAS SOBRINHO, 2000, p. 26).
Um processo educativo orientado para a formação crítica deve, então, considerar
diferentes dimensões da qualidade: como valor intrínseco de uma ação, processo ou
instituição; como eficiência de um processo ou de uma organização; como pertinência social
de seus produtos e como valor cultural, político e social.
É preciso ter claro que a educação, embora vital para a economia e o progresso
material, está inerentemente vinculada à formação humana e ao desenvolvimento social, de
acordo com os valores postos pela sociedade onde acontece. Dessa forma, o conceito de
qualidade em educação não prescinde de sentidos e princípios éticos e políticos, ao mesmo
tempo em que não se realiza sem eficiência e competência técnica.
40
Esse entendimento de qualidade não permite que ela fique à mercê de critérios
economicistas, e, portanto que seja avaliada de modo eficientista, como fator de
competitividade e de incremento de produtividade, como tem sido feito até agora pelos
governos neoliberais.
Avaliação, em seu sentido primeiro, significa determinação de valor, apreciação do
merecimento, o reconhecimento, a formulação de juízos sobre alguma coisa ou alguém. É
parte intrínseca e constituinte do complexo fenômeno de construção humana, estando,
portanto presente no dia-a-dia da sociedade, nas mais diversas formas, constituindo uma
categoria imprescindível nesse cotidiano.
A Avaliação Institucional Educativa surgiu pelo fato das instituições educativas
terem uma função formativa de natureza social e pública, ganhando força a partir das
reformas educacionais norte americanas e européias pelo modelo neoliberal, em função da
reestruturação global da economia. No ensino superior, esse fato foi reforçado pelos péssimos
resultados alcançados nas Universidades pelo modelo de financiamento pleno e ilimitado,
chamado de Modelo do Estado Benevolente.
Esse contexto, em meados dos anos oitenta, levou a restrições nas dotações
orçamentárias e ao estabelecimento de expectativas nos aportes de recursos, a partir dos
resultados em alguns critérios de avaliação, exigindo usos racionais cada vez mais criteriosos
das verbas recebidas. A crise no financiamento, juntamente com a exigência da sociedade por
uma educação de melhor qualidade, estão se constituindo em significativos agentes de
mudança e a Universidade já não pode mais ser a mesma, tendo que superar os paradigmas
tradicionais, principalmente no que se refere à avaliação e planejamento.
A participação ativa nas transformações requeridas exige, antes de tudo,
compreender o contexto em que estão ocorrendo, a natureza das mudanças, seus mecanismos
e seu impacto. A Universidade não pode responder mecanicamente às demandas e urgências
postas por seu entorno, mas deve inserir-se nele de forma crítica e atuante, coerente com seus
valores, entendendo que seu compromisso fundamental é com os interesses da sociedade
como um todo.
A Avaliação Institucional vista como um processo que abrange tanto a aferição e a
revisão institucionais quanto os julgamentos avaliativos sobre a adequação e a qualidade do
41
desempenho institucional com base em critérios, gerando recomendações para a tomada de
decisões e implementações das mesmas (PETERSON, 1999), ocupa um lugar de destaque na
ótica acadêmica, pois possibilita à Universidade
Acompanhar metodicamente as ações a fim de verificar se as funções e prioridades
determinadas coletivamente estão sendo realizadas e atendidas (BRASIL / MEC,
1993, p. 2).
Embora seja fácil argumentar sobre a necessidade e a utilidade da Avaliação
Institucional tanto no nível governamental como institucional, a realização de avaliação, em
instituições complexas como as universidades, tem inúmeras dificuldades, tanto no nível
teórico como no prático. Como cada instituição tem uma configuração própria, e cada
avaliação tem que responder a indagações específicas, não há um modelo de avaliação pronto,
que possa ser usado indiscriminadamente por qualquer instituição ou em qualquer situação.
A Avaliação Institucional pode ser abrangente ou enfocar segmentos institucionais
específicos, tais como missão, funções produtivas (ensino, pesquisa e extensão) e
administrativas, adotando modelos conceituais ou abordagens diferenciadas, segundo o que
pretende avaliar.
No Brasil foi criado em 1993 o Programa de Avaliação Institucional das
Universidades Brasileiras, o PAIUB, o qual representou uma resposta organizada das
universidades brasileiras ao desafio de implantar um sistema de avaliação institucional
centrado na graduação. Para ele, o processo de avaliação deveria ser o
contraponto da proposta institucional desenvolvida pela IES, buscando atender a
uma tripla exigência da universidade contemporânea: a) um processo contínuo de
aperfeiçoamento do desempenho acadêmico; b) uma ferramenta para o
planejamento e gestão universitária; c) um processo sistemático de prestação de
contas à sociedade (BRASIL / MEC, 1993, p. 2).
O PAIUB deixou de receber recursos governamentais, sua única fonte, desde
1997, ao mesmo tempo em que o governo priorizou a avaliação de resultados através do
Exame Nacional de Cursos e da Avaliação das Condições de Ensino, colidindo com a
filosofia auto-avaliativa do programa. Mas quando o PAIUB foi desinvestido de recursos,
algumas instituições já estavam em pleno processo avaliativo, e a Avaliação Institucional
passou a integrar o panorama educacional superior brasileiro, ainda que de maneira incipiente.
As políticas educacionais atuais do Ministério da Educação colocam a Avaliação
Institucional como uma exigência legal a ser cumprida por todas as IES. Ela está prevista nos
42
últimos instrumentos do governo a partir da LDB 9394/96, artigos 9 e 46, como a Portaria
MEC n. 639 de 13/05/1997 e o Decreto n. 3.860 de 09/07/2001, artigo 17, que refere-se à
avaliação do Sistema Federal de Ensino, às Instituições de Ensino Superior, à avaliação dos
cursos de graduação e pós-graduação e às condições para credenciamento dos Centros
Universitários e Universidades, e mais recentemente pela Lei n. 10.861 de 14 de abril de
2004. Essa lei criou o SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, o
mais novo instrumento de avaliação superior do MEC/INEP.
O SINAES está estruturado em torno de três componentes: a avaliação das
instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes, devendo avaliar todos os aspectos
inerentes a eles, como o ensino, a pesquisa, a extensão, a responsabilidade social, a gestão da
instituição, o corpo docente, as instalações físicas e outros que considerar pertinentes. Essa
legislação aponta uma diversidade de instrumentos para esse processo, como auto-avaliação,
avaliação externa, o exame nacional de cursos (ENADE), a avaliação das condições de oferta
dos cursos, censo educacional e cadastros das instituições.
A proposta é que as informações obtidas pelo SINAES sejam utilizadas pelas IES
para aprimorar sua eficácia institucional, efetividade acadêmica e social; pelo governo para
direcionar as políticas públicas relacionadas a este nível de ensino e pelos usuários em geral
para nortear suas escolhas.
A Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES) é a
responsável pela coordenação e supervisão dos processos avaliativos implementados pelo
SINAES, e a competência para organizar e executar a avaliação dos cursos e instituições de
ensino superior é do INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, em
cooperação com os sistemas estaduais de educação. Dentro das IES, os processos de autoavaliação, de coleta e sistematização das informações serão responsabilidade das Comissões
Próprias de Avaliação (CPAs).
As novas formas de avaliação implementadas pelo Ministério da Educação ainda
caracterizam um mecanismo de regulação e controle, coletando informações para subsidiar os
procedimentos de reconhecimento, credenciamento e descredenciamento das instituições,
estando voltadas para orientar as políticas de distribuição de recursos orçamentários, em uma
visão eficientista e competitiva. Essa visão não reconhece que
processos avaliativos eticamente apropriados não se aplicam de forma homogênea
às realidades sociais diferentes. É necessário conhecer cada contexto profissional
43
para que a política de avaliação proposta seja útil, viável e, acima de tudo,
coerente com a realidade institucional (PERIM; ZANETTI, 2001, p. 271).
As avaliações governamentais têm, dessa forma, limitado-se a controlar o produto,
e a lógica perversa do mercado faz com que muitas instituições esqueçam sua função social,
aderindo à ideologia da competitividade. Para que isso não ocorra, a avaliação tem que ser
compreendida como um meio de transformação qualitativa da universidade, implementada
por meio de uma prática democrática, em um processo de construção coletiva que resulte em
um desenvolvimento institucional efetivo.
Para Míriam L. Cardoso (1991), o processo de avaliação pode ser um instrumento
importante na melhoria da qualidade do trabalho acadêmico, conduzindo à construção de uma
universidade produtora e crítica, assim como pode tornar muito mais eficaz e eficiente uma
universidade voltada para a reprodução da ordem estabelecida, na ótica do capital. Tudo
depende dos referenciais adotados.
Nos documentos oficiais da Universidade Estadual de Goiás a avaliação
institucional está explicitada no artigo 60, inciso X, do Estatuto homologado pelo decreto n.
5.130 de 03/11/99 e pelo artigo 12, inciso I, do Regimento Geral, homologado em 29/12/00.
A UEG chamou para si a missão de produzir e socializar o conhecimento
científico, a cultura e a formação integral de profissionais capazes de inserirem-se
criticamente na sociedade e promoverem a transformação da realidade sócio-econômica do
Estado de Goiás (PDI, 2001). Como vive um processo de expansão não sustentada, com o
governo estadual determinando o aumento da matrícula nos cursos de graduação antes mesmo
de definir as fontes de recursos ou minimamente prover seu quadro de docentes, em uma
adversidade infra-estrutural muito grande, o reconhecimento da relevância da Avaliação
Institucional presente em todos os documentos da UEG, desde a sua criação, não é suficiente
para superar sua fragilidade institucional, que não permitiu o desenrolar conseqüente de seus
projetos.
A implantação de um Programa de Avaliação Institucional na UEG remonta à
época da Universidade Estadual de Anápolis, quando esta aderiu ao PAIUB, a partir de 1994,
com algumas experiências que não tiveram nenhum resultado efetivo, e que vieram
acompanhando as reformas implantadas pelo governo neoliberal de Fernando Henrique
44
Cardoso, estando mais preocupadas com os aspectos quantitativos do que qualitativos
(MELO, 2003).
Com a criação da UEG foi instalada uma Comissão Permanente de Avaliação
Institucional, que apresentou em julho de 2000 sua primeira proposta, intitulada Avaliação
Institucional: um projeto em construção, que não foi desenvolvida por questões políticas e
operacionais, isto é, pela não-priorização das atividades avaliativas em função do grande
volume de trabalho gerado pela estruturação da nova universidade e sua expansão acelerada,
pela resistência dos envolvidos em serem avaliados, pela ausência de recursos financeiros,
materiais e de modo mais específico pelo pequeno número de pessoas devidamente
qualificadas na área para realizarem o trabalho.
Com uma nova mudança na Pró-Reitoria de Graduação, no final de 2002 foi
formada uma comissão mista, composta por professores pesquisadores internos e consultores
externos, que iniciou a implementação do Programa, visando “[...} desenvolver a cultura da
avaliação na Universidade Estadual de Goiás, promovendo o auto-conhecimento e
formulando subsídios com a finalidade de aprimorar as políticas acadêmicas da Instituição”
(BRZEZINSKI, 2003, p. 24).
O Programa está sendo desenvolvido por meio de um processo de pesquisa
qualitativa, na modalidade de pesquisa-ação. Nesse processo serão avaliadas as seguintes
dimensões: ensino, pesquisa, pós-graduação, extensão, atividades culturais, gestão acadêmica,
corpo docente, corpo discente, gestão administrativa, desenvolvimento profissional de pessoal
docente, desenvolvimento profissional de pessoal técnico-administrativo, infra-estrutura,
impacto da atuação do egresso na comunidade e no mundo do trabalho, impacto das
atividades da instituição no desenvolvimento local e regional, recursos financeiros.
É importante ressaltar que essas diferentes dimensões são indissociáveis na vida
universitária cotidiana, bem como no desenvolvimento da cultura da avaliação, e estão sendo
aqui destacadas separadamente apenas em função da forma como serão pesquisadas, sendo
seus indicadores “definidos de acordo com a caracterização das atividades acadêmicas ou
administrativas e com a abrangência do Programa” (BRZEZINSKI, 2003, p. 29).
Sendo a avaliação um processo que requer a articulação de diferentes etapas e
variados procedimentos, como um processo formal e intencional, ela demanda a definição de
critérios, campos, normas e referências bastante claros, que orientarão a produção de juízos de
45
valor, que por sua vez terão a função instrumental de orientar as tomadas de decisão para a
transformação da realidade avaliada. A avaliação é um ponto de partida para as mudanças
necessárias na instituição, como um "organizador" qualificado que favorece esse pensar.
Com essas considerações, estrutura-se a partir das definições estabelecidas por
Peterson (1999), pelo MEC (1994), pelo PAIUB (1993), por José Dias Sobrinho (1998), pelos
estudos de H. Kells (1997) e principalmente pelo Programa de Avaliação Institucional da
UEG (2003/2005), o seguinte conceito como base desse trabalho: Avaliação Institucional é
um processo contínuo, permanente, coletivo, participativo e sistemático, que integra o ciclo
planejamento-avaliação-melhoria por meio de ações de coleta e análise de dados e
informações para o auto-conhecimento da instituição e base para tomada de decisões em
função dos objetivos, critérios de qualidade e resultados esperados por seu projeto
educacional. Tem ainda como princípios ser global, operativa e estruturante, orientada para a
transformação da realidade, formativa, participativa e negociada, legítima, voluntária e
adaptada ao contexto espaço-temporal.
O processo de auto-avaliação deve ser planejado baseando-se em um prédiagnóstico das condições e necessidades da Instituição. Estando adequadamente projetados e
conduzidos, podem gerar uma participação significativa dos membros da comunidade
acadêmica na identificação de problemas e proposição de soluções. Tendo participado do
processo, as pessoas sentem-se mais comprometidas com sua execução e êxito, diminuindo
efetivamente a distância entre as metas pessoais e as organizacionais. Em um processo
participativo, a auto-avaliação melhora os padrões de comunicação, a confiança, a atenção e
funcionamento dos grupos encarregados de enfrentar e resolver problemas.
Para Kells (1997), se consideramos como um dos principais objetivos da autoavaliação o de desencadear a mudança nas organizações com a melhoria de sua qualidade, ela
se constitui em um processo, resultante das decisões tomadas sobre o que avaliar e dos passos
específicos que contribuem para alcançar seus propósitos.
A auto-regulação proporcionada pela auto-avaliação possibilita à Instituição um
enfrentamento crítico das conseqüências legadas pelas políticas educacionais neoliberais
implantadas nos últimos dez anos. Para Kells (1997, p. 60),
Os processos de auto-avaliação são um meio importante para o desenvolvimento
das pessoas. O potencial gerado pela auto-reflexão pode também estimular a
revisão de políticas descuidadas por longo tempo, de práticas, de procedimentos, de
46
arquivos e pode dar lugar a inovações úteis nos programas e a idéias para captar
recursos, assim como aos documentos básicos pertinentes a este tipo de atividades ¹
(Tradução livre dos autores).
Esse ponto de vista é consistente com os estudos sobre desenvolvimento
organizacional, que colocam que as organizações eficazes regularmente diagnosticam
problemas, buscam soluções e empregam estratégias que introduzem, administram e
sustentam a mudança.
Um benefício correlativo dos processos auto-avaliativos participativos é o aumento
da abertura institucional. A auto-avaliação melhora os padrões de comunicação, confiança,
atenção e funcionamento dos grupos, quanto a enfrentar e resolver problemas, o que é
considerado sinal de saúde organizacional. E a organização saudável tem potencial para ser
flexível e orientar-se para mudanças.
__________________
¹ “Los procesos de auto evaluación son un medio importante para el desarrollo del personal. El potencial que
proveen los auto estudios puede también estimular la revisión de políticas largamente descuidadas, de prácticas,
de procedimientos, de archivos y puede dar lugar a innovaciones útiles en los programas y a ideas para captar
fondos, así como a los documentos básicos pertinentes a este tipo de actividades”(KELLS, 1997, p. 60).
47
CAPÍTULO III
METODOLOGIA
O presente trabalho foi desenvolvido na Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas, no período de julho de 2005 a outubro de 2006, por seu Núcleo de
Avaliação Institucional, sob a coordenação da Comissão da Assessoria de Avaliação
Institucional da Universidade Estadual de Goiás. Este Núcleo é formado por dois professores
nomeados pelo diretor da Unidade, que também são responsáveis pelo Programa de Qualidade
Goiás, e por professores representantes de todos os cursos de graduação, indicados pelos
respectivos colegiados.
Para o grupo de pesquisadores da CAAI/UEG, o processo de avaliação
institucional deve permitir que se instale uma cultura de avaliação na UEG e esse processo
deve ser realizado por meio de projetos de pesquisas que consistem em desdobramentos do
Programa de Avaliação Institucional (UEG, 2003-2006). O atual momento, denominado
quarta etapa da pesquisa, tem por finalidade a auto-avaliação dos cursos de graduação plena e
dos cursos seqüenciais da UEG, conforme já registrado, pelos participantes do Curso de
Especialização em Avaliação Institucional, tanto pelos alunos quanto pelos seus
professores/orientadores/pesquisadores. A pesquisa se desenvolve conforme método,
metodologia e procedimentos que serão descritos a seguir.
3.1
Método
A pesquisa social objetiva contribuir para a compreensão e a busca de soluções de
problemas teóricos e práticos no âmbito das relações sócio-culturais, podendo constituir
também novos campos e objetos de investigação. Neste sentido, uma das dimensões que ela
abrange é a da dinâmica das relações institucionais, particularmente em seus aspectos interpessoais, estruturais e organizacionais.
Quando se trata de uma instituição educacional como a Universidade Estadual de
Goiás – UEG, que vem “[...] desenhando sua identidade, construindo seu projeto de
universidade pública contemporânea” (BRZEZINSKI et al, 2005, p.16) e multicampi, a
pesquisa se reveste de um caráter amplo e complexo, abrangendo aspectos quantitativos e
qualitativos que se complementam.
48
No contexto uegeano, a pesquisa dá suporte à avaliação institucional e compõe-se
das análises das interfaces entre os dados específicos relativos a cada UnU, pelos quais se
poderá conhecer a instituição na sua totalidade. Esse entendimento ancora-se em um dos
princípios do Programa de Avaliação Institucional da UEG: a unidade na diversidade, por
meio do qual se pretende assegurar “[...] a unidade complexa como núcleo articulador da
avaliação global da universidade” (BRZEZINSKI et al, 2005, p.22).
Os pesquisadores da CAAI optaram pelo materialismo histórico dialético como
método para a realização da pesquisa em auto-avaliação institucional da UEG no período
entre 2005-2006. A escolha pela dialética materialista mostra a filiação dos pesquisadores à
postura crítica no que concerne às relações existentes entre sociedade, educação e
universidade.
A dialética é a forma de se pensar as contradições da realidade. Pensar o
movimento do real é pensar a dinâmica interna dos elementos que são negados pelo seu
contrário, que por sua vez, é negado e superado por novos elementos, em uma seqüência de
afirmação, negação e superação.
Segundo Severino (1993, p. 135), trata-se de
[...] uma evolução por contradição: esse é o processo dialético! As coisas vão
evoluindo, vão mudando porque no seu próprio interior elas contêm sua
própria negação, cada coisa sendo, portanto, ao mesmo tempo, igual a si
mesma e ao seu contrário! Por isso, todas elas são atravessadas por um
conflito interno, a luta dos contrários que as obriga a mudar passando sempre
por um momento de afirmação, por um momento de negação e por um
momento de superação, cada um deles se posicionando em relação ao seu
anterior.
A tríade dialética consiste em tese, antítese e síntese. Na tradição dialética, o
princípio básico da compreensão do real e do conhecimento se fundamenta no processo
histórico que, a cada momento, é constituído por múltiplas determinações, no movimento que
decorre das forças contraditórias que constituem a práxis dos homens, a própria realidade.
Marx e Engels lançam as bases do materialismo histórico, que é “[...] a ciência
filosófica do marxismo, que estuda as leis sociológicas, que caracterizam a vida da sociedade,
de sua evolução histórica e da prática social dos homens, e do desenvolvimento da
humanidade” (TRIVIÑOS, 1987, p. 51). Eles buscam os fundamentos das sociedades nas
formações sócio-históricas e na relação das forças produtivas.
49
O materialismo dialético é um método científico que se preocupa com a
interconexão de todos os aspectos de cada fenômeno e que resulta de um processo de
movimento de conexão, interdependência e interação para compreensão do mundo. É nesse
processo de conhecimento do desenvolvimento histórico que leis, categorias e conceitos que
existem objetivamente auxiliam os pesquisadores na compreensão do real.
Para Marx (1859) mencionado por Yamamoto (1994, p. 49) “[...] o momento da
investigação tem que captar com detalhes a matéria, analisar suas formas de evolução, assim
como rastrear sua conexão íntima. Somente nesse momento é que se pode expor
adequadamente o movimento real”.
Desta forma, para captar o movimento real da auto-avaliação da UEG foi
obrigatória a análise da inter-relação que se estabelece nas relações sociais que se delineiam
nas Unidades Universitárias (UnUs) e Pólos pelo fato de que revelam a realidade objetiva
institucional. Foi possível assim, captar detalhes, analisar a evolução e rastrear a “conexão
íntima” de cada UnU na globalidade da UEG o que permitiu identificar as suas principais
contradições, a origem do seu movimento e o seu desenvolvimento sócio-histórico.
A proposta de auto-avaliação da UEG-UnUCSEH insere-se nesse processo,
reconhecendo sua potencialidade para qualificar suas práticas acadêmico-científicas, didáticopedagógicas, político-social, administrativo-financeiras, entre outras.
3.2 Metodologia
O marco metodológico partiu da necessidade de envolver a comunidade
universitária na construção dos dados informacionais e na tomada de decisões, apontando
conseqüentemente para uma abordagem quanti-qualitativa (Brzezinski et al, 2005), tendo a
pesquisa-ação e a análise de conteúdos como modalidades investigativas (BARDIN, 2004;
FRANCO, 2005), garantindo a sua orientação interrogativo-crítica, no sentido de dar ênfase
ao questionamento na formulação das perguntas pelos atores envolvidos no processo e a
criticidade que não se contenta com a explicação baseada no senso comum. O objetivo é de
que o trabalho gere respostas mais completas e complexas, oportunizando a tomada de
decisões mais pertinentes.
50
A realização da auto-avaliação na UnUCSEH seguiu as seguintes etapas: 1)De
início, estudos sobre a avaliação do ensino superior no Curso de Especialização lato sensu
promovido pela UEG com o objetivo qualificação para a realização da tarefa, lembrando que
os representantes de cada Unidade foram indicados por sua respectiva Congregação; 2) Em
seguida, como parte das atividades no referido Curso, o coletivo de alunos e professores
participou das discussões, da definição e elaboração dos instrumentos7 empregados na
obtenção de dados destinado à pesquisa de auto-avaliação institucional e da tomada de
decisão a respeito do método estatístico empregado na leitura e interpretação dos dados
coletados, bem como das dimensões a serem avaliadas. Na pesquisa em avaliação
institucional da UEG, ainda que esta seja quanti-qualitativa, é necessário enfatizar os aspectos
qualitativos, das informações destacadas por seus diferentes participantes no processo
avaliativo. 3) Concluídos os estudos teóricos e a construção do material destinado à coleta dos
dados, passou-se ao levantamento de documentos a respeito da história da instituição, sua
trajetória, estrutura e organização funcional e demais documentos necessários à análise e
discussão da avaliação. Foi necessário também pesquisar sobre a história de Anápolis e do
estado de Goiás como condição para se conhecer com mais propriedade e de forma
contextualizada esta instituição. 4) Concomitante a esta etapa, foi desenvolvido o trabalho de
sensibilização da comunidade universitária: alunos, professores, gestores e servidores com o
objetivo de conseguir suas adesões ao processo avaliativo, superando a inércia inicial e as
tradicionais resistências aos processos avaliativos cultivados ao longo da história da Unidade.
Essa sensibilização garantiu a participação dos sujeitos conforme os padrões estabelecidos nos
pressupostos estatísticos adotados e aos princípios ensejados qualitativamente. 5) Por último,
foi feita a coleta, a organização, a leitura e a análise dos dados apresentados neste relatório. É
necessário ressaltar que essa divisão em etapas distintas é apenas uma opção didática, pois
uma está intrinsecamente ligada à outra.
Admite-se que o processo de sistematização dos dados qualitativos consiste no
conhecimento e domínio da totalidade das informações e, ao mesmo tempo, do recorte de
7
“
Sobre esta etapa as orientações emanadas da CAAI/2006 destacam: Ressalta-se que o
questionário teve uma longa fase de preparação. Para poder captar a realidade da UEG que se expressa na
diversidade de unidades universitárias, o instrumento foi elaborado e proposto para cada segmento avaliado –
profissionais docentes, profissionais técnico-administrativos, gestores e alunos. Para a elaboração coletiva foi
contemplado as dimensões da auto-avaliação registradas no Programa de Avaliação Institucional (2003-2006), as
orientações emanadas das Diretrizes propostas pelo SINAES e as dimensões apresentadas pela CONAES –
Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior, também foram contempladas com bastante expressividade
as especificidades de cada local e das dimensões a serem avaliadas”(DOC. Brzezinski enviado on line no dia,
19/junho/2006).
51
conteúdos com a finalidade de propiciar ao pesquisador as condições necessárias de
elaboração das categorias de análise que emergem dos dados empíricos interpretados à luz do
referencial teórico e da trajetória da pesquisa. Para tanto, tratar-se-á em seguida, dos
procedimentos metodológicos da presente pesquisa.
3.2.1
Universo e amostra
A pesquisa na UEG-UnUCSEH foi realizada nos cursos de graduação:
Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Geografia, História, Letras e
Pedagogia. Os questionários empregados na coleta dos dados foram respondidos por
professores, alunos, gestores e servidores técnicos-administrativos.
De acordo com critérios estabelecidos pela CAAI/UEG, o índice de informantes
deveria atingir, no mínimo 20%, de cada segmento. A seleção dos informantes dos quadros
docente, técnico-administrativo e gestores foi feita por adesão. Quanto aos alunos foi
estabelecido que o percentual de 20% seria para cada curso. De um total de 1260 matriculados
na UEG-UnUCSEH (sendo 1193 freqüentes), 288 estudantes responderam ao questionário
avaliativo, atingindo índice superior aos 20%
propostos. Foi solicitado a todos os
participantes da pesquisa que respondessem ao questionário avaliativo disponível on-line.
Em termos de números, participaram da pesquisa na UEG-UnUCSEH 397
sujeitos, sendo: 288 alunos dos cursos de graduação, 44 professores dos cursos de graduação,
52 servidores técnico-administrativos, dos 72 lotados na Unidade e 13 gestores, dos 14 em
exercício no ano de 2005.
A TAB. 5 apresenta o número de professores e alunos (total e informantes), por
curso, que responderam ao questionário de avaliação. Como o levantamento do número de
professores foi por curso, e alguns professores ministram aula em mais de curso o total dos
docentes na tabela é diferente do total real de professores na Unidade. Os professores em
licença para interesse particular, aprimoramento ou esperando aposentadoria não foram
computados.
52
TABELA 5
Professores e Alunos que responderam ao questionário de avaliação por curso de graduação - UEGUnUCSEH 2005/2
Curso de Graduação
Professores
Alunos
Total por
Informantes
Total por
Informantes
curso1
curso2
Administração
22
06
205
46
Ciências Contábeis
20
04
198
41
Ciências Econômicas
26
10
195
58
Geografia
21
05
147
31
História
18
05
140
34
Letras
21
09
149
37
Pedagogia
22
05
159
41
Fonte: 1Secretaria das Coordenações de Curso, conforme planilha do mês de outubro/2005; 2Secretaria
Acadêmica UEG–UnUCSEH (2005), computados os alunos freqüentes.
Na TAB. 6, o total geral de informantes: professores, alunos, gestores e servidores
técnico-administrativos.
TABELA 6
Professores, Alunos, Gestores e Servidores Técnicos Administrativos que responderam ao
questionário de avaliação UEG-UnUCSEH 2005/2
Identificação
Total1
Informantes
Professores (total na UnUCSEH)
127
44
Alunos
1260
1193²
288
Gestores
14
13
Servidores
72
52
1
Fonte: Secretaria das Coordenações de Curso (2005), Secretaria Acadêmica, Coordenação
Administrativa UEG–UnUCSEH (2005)
² Cômputo dos alunos freqüentes.
3.2.2 Procedimentos Metodológicos
Reconhecendo que os procedimentos, técnicas e instrumentos devem ser coerentes
com o tipo de investigação desenvolvida, o processo de auto-avaliação da UnUCSEH ao
trabalhar com a pesquisa-ação, teve como premissa que os informantes não são meros objetos
de pesquisa, mas sim, são sujeitos dessa pesquisa, pois esta modalidade de investigação se
realiza não “[...] sobre os outros, mas e sempre com os outros” (BARBIER, 2002, p.15).
Como informado anteriormente, as dimensões avaliadas foram discutidas e
selecionadas coletivamente pelos alunos do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em
Avaliação Institucional, sob a coordenação da CAAI, representando assim, outro avanço na
obtenção dos dados. Os aspectos contemplados situam-se em torno dos seguintes eixos:
ensino, pesquisa e extensão, desempenho dos alunos, gestão da instituição, corpo docente e
53
instalações físicas. As questões objetos de análise e da escolha do grupo, foram distribuídas
em um conjunto formado de dez dimensões, a saber:
1.
Condições físicas e instrumentais: condições dos diversos setores para o
desenvolvimento das atividades didático-pedagógicas, recursos materiais;
2.
Biblioteca: espaço físico, informatização, acervo, atendimento;
3.
Laboratório de Informática: quantidade, adequação e manutenção dos computadores,
atendimento, acesso a Internet, informações no portal da UEG;
4.
Serviços: serviços prestados pela fotocopiadora, lanchonete, secretaria acadêmica,
transporte e segurança;
5.
Proposta Pedagógica: divulgação, discussão e participação na elaboração dos projetos
pedagógicos dos cursos, atendimento as necessidades de ensino, pesquisa e extensão,
desenvolvimento e acompanhamento do estágio supervisionado;
6.
Coordenação de Curso: desenvolvimento de trabalho em equipe, disponibilidade de
atendimento e profissionalismo do coordenador;
7.
Caráter Geral: envolvimento da UnU com a comunidade, comunicação, realização de
eventos na UnU;
8.
Corpo Docente: avaliação geral do corpo docente pelos alunos e auto-avaliação dos
docentes;
9.
Corpo Discente: avaliação geral do corpo discente pelos professores e auto-avaliação
dos discentes;
10.
Direção: atuação, participação e transparência na gestão;
Os itens descritos acima formaram a base de todos os questionários avaliativos
distribuídos de acordo com o sujeito da pesquisa seja ele aluno, professor, servidor ou gestor.
Conforme a função exercida pelos informantes, houve necessidade de adequar as questões, a
fim de se conseguir a resposta desejada. O conteúdo, todavia, permaneceu sem alteração.
Para facilitar a coleta das informações, ela foi realizada on-line. Coube à Gerência
de Tecnologia da Informação-Coordenadoria de Desenvolvimento de Sistemas da UEG a
incumbência por este trabalho. Os sujeitos informantes foram orientados a acessaram os
questionários destinados a cada segmento universitário, mediante o uso de senhas. Esse
procedimento foi realizado durante os meses de novembro e dezembro 2005, antes do
encerramento do semestre, no período de matriculas, em janeiro de 2006 e logo no início das
aulas, em março, em decorrência de uma série de problemas técnicos e administrativos,
extrapolando a programação.
54
O questionário avaliativo aplicado na pesquisa seguiu a metodologia da análise
qualitativa e apresenta uma escala com seis conceitos. Para o tratamento dos dados foi
utilizada tanto uma análise quantitativa como a análise de conteúdo
Na parte da pesquisa documental foram analisados documentos como: PDI
(2003), Regimento Geral da UEG, Regimento Interno da UnUCSEH, projetos pedagógicos
dos cursos, relatórios dos diversos setores da UnUCSEH, Manual do Candidato ao Vestibular,
livros de ata da UnUCSEH e da UNIANA, entre outros.
a) Procedimentos de tratamento e análise de informações
A fase posterior à coleta diagnóstica é o tratamento de dados estatísticos, os quais
oferecem extenso e rico material para a análise qualitativa e estão compondo este Relatório
Monográfico.
No processo de análise, o pesquisador poderá compreender melhor a realidade
estudada, se observar sua inserção em um contexto global histórico e espacial. Deverá, ainda,
considerar as dimensões material/objetiva e subjetiva que interferem na realidade pesquisada
e nos sujeitos envolvidos no processo avaliativo, inerentes aos procedimentos da investigação
em ação. As dimensões materiais/objetivas se expressam particularmente na avaliação
quantitativa, pelo tratamento estatístico explicitado no próximo item.
b) Análise quantitativa
Na metodologia quantitativa da auto-avaliação da UEG foi aplicada uma escala
com seis conceitos. Para cada item avaliado, o respondente poderia assinalar uma das
seguintes alternativas: 1. Ótimo; 2. Bom; 3. Regular;
4. Fraco;
5. Inexistente;
6.
Desconheço. Para a análise numérica dos resultados, utilizou-se uma escala gradiente de
pesos, conforme TAB. 7 a seguir. A escala gradiente permite verificar, dentro de uma nota
mínima e máxima, a classificação de cada posição analisada. Para tanto, os intervalos
regulares partem do zero absoluto. Este zero absoluto refere-se à ausência de satisfação. A
alternativa 1 refere-se à satisfação completa, isto é, à nota dez. As demais alternativas, 2, 3 e
4, apresentam-se de acordo com o intervalo adotado (2,5). Optou-se pela escala de zero a dez
(10,0) em razão da familiaridade com estes números na avaliação em geral. A alternativa
“Desconheço” não foi computada, uma vez que o respondente não julgou o item avaliado.
55
TABELA 7
Escala Gradiente
Pesos
Alternativas
(escala gradiente)
1. Ótimo
10,0
2. Bom
7,5
3. Regular
5,0
4. Fraco
2,5
5. Inexistente
0,0
Fonte: Questionário diagnóstico
Os dados brutos foram apresentados por resposta com os seguintes itens:
a) Segmento
b) Curso
c) Dimensão
d) Pergunta
e) Tópico
f) Resposta
Para facilitar a análise dos dados, o resultado foi separado em diversos arquivos de
forma que fosse possível analisar separadamente cada segmento (alunos, professores, técnicos
administrativos e gestores). E para cada segmento foram desenvolvidas planilhas que
totalizam as análises em dimensões, curso (quando existir mais de um) e total da Unidade
Universitária.
c) Análise das dimensões avaliadas
Para totalizar cada dimensão, primeiramente foram agrupadas todas as respostas
por curso e em seguida por dimensão, ou seja, desprezou-se a que pergunta ou tópico a
resposta se referia. Em cada grupo de dimensão foram aplicados todos os conceitos e obtidos
os totais.
Também foram desenvolvidos gráficos visando auxiliar nas análises das
dimensões, sendo apresentado um gráfico para cada dimensão.
d) Análise dos cursos
Para totalizar os resultados de cada curso, as respostas foram agrupadas por curso
desprezando as informações de dimensão, pergunta e tópico a qual resposta se referia.
Em cada grupo de curso foram aplicados todos os conceitos e obtidos os totais.
56
Foi apresentado um gráfico que representa a análise da média de cada curso.
e) Análise da Unidade
Para totalizar os dados da Unidade Universitária, as respostas foram todas
agrupadas desprezando as informações de que curso, dimensão, pergunta e tópico a qual
resposta se referia. Na mesma planilha foram apresentadas as totalizações de dimensões, neste
caso desprezando a qual curso o respondente pertence.Foi apresentado também um gráfico
que representa a média geral da Unidade Universitária em comparação com a média geral de
cada dimensão.
3.2.3 Análise de conteúdos
A escolha dos procedimentos de análise dos dados coletados mantém relação
direta com o método da pesquisa, indicando a filiação do pesquisador às concepções de
mundo, de homem, de sociedade, de educação, de universidade.
No processo de investigação-ação são fundamentais as etapas de recorte de
conteúdos, de constituição de categorias e de análise de conteúdos, pelo fato de que esta
metodologia permite o contato direto e cotidiano do pesquisador com o objeto, o ambiente e
os sujeitos pesquisados, neste caso, os cursos de graduação plena da UnUCSEH.
A finalidade do recorte de conteúdos é, a partir da exploração do material de
pesquisa, agrupar os elementos (dados) em função de sua significação, que está diretamente
relacionado ao referencial teórico orientador da pesquisa. Destaca-se que a tessitura do
referencial fornece suporte e direciona a visualização do conjunto das informações que devem
estar distribuídas em uma matriz analítica, favorecendo o recorte de conteúdos de acordo com
os objetivos e finalidades da pesquisa e do pesquisador.
O recorte dos conteúdos e a escolha das categorias são processos e/ou etapas
concomitantes e completares. Tal processo permite a identificação de unidades de
registro/contexto como uma etapa intermediária de sistematização de dados, consistindo em
uma análise “preliminar” da investigação (LAVILLE e DIONNE, 1999).
A definição de Bardin (2004, p. 33-34) a respeito da análise de conteúdo e da
inferência decorrente desses conteúdos, está assim manifesta:
57
[...] é um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens,
indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às
condições de produção e de recepção (variáveis inferidas ou deduções lógicas)
dessas mensagens.
De forma bastante clara Bardin anuncia que ao realizar a análise de conteúdo, os
pesquisadores se valem com bastante freqüência de índices ou indicadores a fim de
procederem uma análise inferencial e procuram estabelecer de modo consciente ou não “ [...]
uma correspondência entre estruturas semânticas ou lingüísticas e as estruturas psicológicas
ou sociológicas (por exemplo: condutas, ideologias e atitudes) dos enunciados” (BARDIN,
2004, p.36).
Nesta mesma linha estão os postulados de Franco (2005, p. 16-17): “a análise de
conteúdo requer que as descobertas tenham relevância teórica [...] toda análise de conteúdo
implica comparações contextuais” que devem ser organizadas em consonância com a
competência teórica do pesquisador, a intencionalidade da pesquisa e a sensibilidade do
analista de conteúdos.
Importa ainda sinalizar que, para interpretar suas descrições minuciosas, o analista
pode inferir de maneira lógica conhecimentos que ultrapassam as rígidas molduras dos
conteúdos manifestos nos dados/mensagens.
Antes, porém, de interpretar as suas detalhadas descrições, o analista de conteúdo
precisa ter a seu alcance uma visão panorâmica de todos os elementos significativos da
pesquisa decorrentes da revelação dos dados (descrições). Essa visualização geral é
denominada Matriz Analítica, cuja maior expressão está na síntese das descrições e no
registro da freqüência com que os elementos, dados ou mensagens se manifestam.
O agrupamento de elementos significativos da pesquisa, no processo de recorte de
conteúdos, pode ser feito baseando-se na freqüência (número de ocorrências) e/ou na
significação (deduções lógicas, inferências) de uma determinada questão ou dimensão que
está sendo investigada.
A dimensão da unidade de contexto (RICHARDSON, 1999) “[...] pode variar de
uma unidade de registro à outra, como variam também os critérios e modalidades de
determinação delas” (LAVILLE; DIONNE 1999, p. 216). No caso de uma pesquisa em
58
avaliação institucional e, especificamente no processo de auto-avaliação da UnUCSEH, são
citados como exemplos os seguintes elementos e/ou palavras-chaves que emergiram das
unidades de contexto/registro: universidade pública, multicampi e interiorização. Estas três
primeiras palavras, que se referem à função social da UEG, mantêm estreita relação com
outras que remetem à idéia de profissionalização e auto-formação (formação pessoal).
Além de considerar a freqüência, pode-se também sistematizar as unidades de
registro, realizadas a partir do processo de recorte de conteúdos, identificando os elementos
repletos de significados. Estes podem ser expressos em palavras-chaves, idéias-força, frases,
expressões ou períodos que traduzem os sentidos direta ou indiretamente ligados ao objeto de
pesquisa. No entanto, ressalta-se que “[...] a análise de conteúdo não é, todavia, um método
rígido, [...] ela consiste, antes um conjunto de vias possíveis nem sempre claramente
balizadas, para a revelação – alguns diriam – do sentido de um conteúdo” (LAVILLE;
DIONNE, 1999, p. 216).
As observações teórico-práticas e as temáticas que aparecem ao longo do
desenvolvimento da pesquisa compõem o processo de elaboração de categorias de análise. As
categorias de análise vão se delineando a partir das relações sociais estabelecidas nas
Unidades e Pólos, pois refletiram os aspectos universais da realidade objetiva na qual procurase perceber as principais contradições, a origem do seu movimento e seu desenvolvimento
histórico.
Desta forma, as categorias de análise são desdobramentos das dimensões da
Avaliação Institucional, de acordo com as características consideradas mais relevantes nesse
processo, mas também estão relacionadas com o referencial teórico e o tipo de pesquisa em
andamento. Elas servem para organizar, agrupar e articular as referências gerais encontradas
pelo pesquisador, inserindo a informação em um campo de generalidade conceitual ou teórica
e prática de maneira a revelar as condições reais dos cursos avaliados.
A categorização implica organizar de modo sistemático os dados/percepções de tal
maneira que as categorias tornam-se “[...] produto da atividade da matéria de certo modo
organizada – [pelo] cérebro, que permite ao homem representar adequadamente a realidade”
(KOPNIN, 1978, p. 105).
59
É pertinente destacar, então, que categoria deve designar uma realidade objetiva,
não tem número definido, considerando que este depende particularmente:
a) da base epistemológica do pesquisador ou grupo de pesquisadores;
b) dos dados sistematizados em unidades de registro/contextos;
c) da visão panorâmica expressa na matriz analítica;
d) das ocorrências mais freqüentes
e) das deduções lógicas do pesquisador no processo inferencial
Recomendam os autores aqui tomados como referência que a partir de atenta
interpretação das informações organizadas na Matriz Analítica sejam constituídas em menor
número possível de categorias, desde que respeitadas a intensidade das informações e o
recorte dos conteúdos mais significativos.
Propostas essas indicações, o procedimento metodológico seguinte é a constituição
de diferentes categorias de análise. Debruçando-se sobre os estudos conceituais sobre
categorias, Richardson (1999) assevera que elas são os conceitos básicos que refletem os
aspectos essenciais, propriedades e relações dos objetos e fenômenos pesquisados.
O autor ainda assegura que as categorias de análise possuem simultaneamente a
função de intérpretes do real e de indicador de uma estratégia política, admitindo que “[...] as
categorias são o instrumento metodológico da dialética para analisar os fenômenos da
natureza e da sociedade. Portanto, são fundamentais para o conhecimento científico e
indispensáveis nos estudos de qualquer ciência e na vida social” (RICHARDSON, 1999, p.
49).
O autor citado explica que a fonte das categorias constitui-se nos objetos ou
fenômenos e que esses são objetivos, assim se pronunciado: “Cabe destacar que todas as
categorias estão relacionadas umas com as outras. Portanto, a análise de um objeto ou
fenômeno não precisa ser feita com todas, basta escolher uma delas” (RICHARDSON, 1999,
p. 50).
Nessa linha de pensamento, as categorias devem possuir certas qualidades para
que a análise seja significativa. Laville e Dionne (1999) destacam que as categorias devem ser
pertinentes, tão exaustivas quanto possível, pouco numerosas, precisas e mutuamente
exclusivas. Bardin (2004, p. 31), por sua vez, indica que as categorias devem ser homogêneas
(não se misturam alhos com bugalhos), exaustivas (esgotar a totalidade do texto), exclusivas
60
(um mesmo elemento não pode estar classificado em duas ou mais categorias), objetivas
(mesmo codificadas de modo diferente deve chegar a resultados iguais)
e pertinentes
adaptadas ao objeto e objetivo).
Assegurados esses procedimentos de pesquisa, os dados qualitativos obtidos foram
analisados pela metodologia da comparação de respostas semelhantes de Bogdan e Biklen
(1994, p. 51) à luz das categorias de análise que emergiram no processo da análise
“preliminar” (LAVILLE e DIONNE, 1999).
A análise dos conteúdos foi elaborada adotando-se como base interpretativa as
contribuições de Bardin (2004, p.33-34), para a qual, requer o emprego de técnicas e
procedimentos diferenciados que tornam possível a descrição dos conteúdos impressos nas
mensagens e fazer inferências a respeito das condições de elaboração, produção e de
interpretação dessas mensagens. Outras fontes importantes nesta parte foram as apresentadas
por Franco (2005) e pelos integrantes da Coordenação da CAAI.
Para a realização da análise dos resultados foi preciso agrupar estes em categorias
para observar mais claramente o conteúdo discutido. Desta forma foi necessário caracterizar
qual o objetivo de cada resposta dada pelos sujeitos com base nas categorias estabelecidas.
3.2.4 Categorias de Análise
É indispensável apontar que a abordagem dialética, empregada na análise
qualitativa nesta investigação, requer, sobretudo, uma explicação das informações reais, além
de descrevê-las minuciosamente. Esse processo exige, notadamente, compreender a relação
entre as diferentes informações em seus diversos elementos constitutivos, resultando assim o
dado essencial da pesquisa, razão pela qual as dimensões quantitativas e qualitativas são
tomadas, na investigação ação, sob a égide da abordagem dialética, dos princípios do
movimento e da contradição. As dimensões quanti-qualitativas modificam-se, completam-se e
transformam-se mutuamente, podendo ser aplicadas à análise do fenômeno: auto-avaliação
dos cursos de graduação da UEG-UnUCSEH.
No caso da pesquisa em Avaliação Institucional da UEG-UnUCSEH são citados
resultados e dados expressos em números. É essencial, entretanto, a exigência de
contextualizá-los e interpretá-los com base no conhecimento a respeito da dinâmica sóciocultural ampla e local.
61
Desse prisma, os esforços para permitir que se configurem categorias, significam,
em especial, a tentativa de construir novas possibilidades de sínteses explicativas e de
articulação entre os elementos constitutivos da realidade institucional da UEG-UnUCSEH,
sempre referenciados ao conjunto dos seus vários determinantes históricos, sociais e políticos.
Desse contexto, objetivando uma melhor explicação para as respostas dadas pelos
sujeitos, respondentes aos questionários avaliativos aplicados na UEG-UnUCSEH emergiram
as quatro categorias que nortearão as análises dos dados estatísticos: a) interiorização da
universidade pública; b) acesso ao ensino superior público/conquista da cidadania e da
profissionalização; c) qualidade do ensino; d) atividades meio (administrativo-financeiro) X
atividades fim (ensino-pesquisa-extensão).
A recorrência a essas categorias permite avaliar ou procurar determinar o fator
primordial das respostas dadas pelos sujeitos respondentes. Do mesmo modo, ajuda a
visualizar melhor a participação como indicador avaliativo, que se encontra no dia-a-dia do
sujeito respondente.
a) Interiorização da Universidade Pública
A universidade possui, entre as suas especificidades, a reprodução, a construção e
disseminação do conhecimento. Estas finalidades correspondem ao compromisso das
instituições de ensino superior com a solução de problemas e desafios nas diversas dimensões:
social, econômica, profissional, política, cultural, educacional, científica, pedagógica, entre
outras.
Para atender às novas exigências da economia, a sociedade espera que a
universidade crie condições para ampliar as alternativas de acesso do ensino superior,
sobretudo a partir da sua expansão regional e local. Esta necessidade social pode se
concretizar na medida em que as universidades avançarem em seu processo de interiorização,
como forma de combate ao histórico quadro brasileiro de acesso desigual ao ensino superior
das pessoas que vivem nas cidades interioranas.
Conforme o dicionário novo Aurélio (1999, p. 1125) interiorização é a ação ou
efeito de interiorizar, enquanto interiorizar é trazer para dentro de si, incorporar ao seu mundo
interior, introduzir, infundir. Para Carneiro e Brito (s/d, p. 3):
62
Em um sentido mais amplo, o processo de interiorização da UEG constituiu-se, na
práxis, tanto pedagógica como política, um engajamento da sociedade goiana na
luta pelo ensino superior público e gratuito. Convém esclarecer que a luta dos
grupos sociais em relação ao processo de interiorização do ensino superior, em
primeiro lugar, articula-se aos seus interesses profissionais e intelectuais, como
atitude aberta ao desenvolvimento regional/local. Em segundo lugar, porque a
sociedade vem reivindicando do poder público estadual, medidas que visam atender
a crescente valorização do ensino superior como patamar educacional inicial de
profissionalização. Isto significa que os grupos sociais do interior vêm percebendo
claramente que desde a década de 1970, com o advento da Terceira Revolução
Industrial, o foco de exploração da força de trabalho desloca-se do manual párea o
intelectual, exigindo das pessoas novas competências sociais. Estas abrangem os
processos de trabalho integrado e flexível agilidade de comunicação e raciocínio
abstrato. As referidas competências só são passíveis de desenvolvimento no ensino
superior, que se constitui no lócus qualificador da força de trabalho para produção
flexível. É neste sentido que a luta pelo acesso e condições de conclusão do ensino
superior tem se estendido até os mais longínquos municípios goianos.
Nas duas últimas décadas, a criação de novos campi universitários nas cidades do
interior de alguns estados brasileiros, está em consonância com necessidade de se realizar
uma reorganização na distribuição espacial das instituições de ensino superior e, assim,
proceder a necessária descentralização geográfica da oferta do ensino. Se por um lado,
sabemos que durante muito tempo na nossa história, as instituições privadas foram as maiores
responsáveis pelo tímido fluxo direcionado ao interior, por outro, observamos que este
movimento, inicialmente foi marcado por um processo desordenado, tendo como motivos
básicos às facilidades para a autorização de funcionamento de cursos e a criação de um
mercado educacional pautado na lógica do lucro.
A experiência histórica brasileira evidencia que a expansão do ensino superior
privado nem sempre atendeu às necessidades de formação profissional nas regiões mais
distantes e pobres, pois, na lógica das “empresas de educação”, determinadas áreas
geográficas não produzem retornos financeiros que interessam às instituições que visam
exclusivamente o lucro.
O pressuposto de descentralização geográfica da oferta de cursos em nível superior
está assentado na possibilidade de que este processo pode contribuir para romper com o
monopólio do conhecimento exercido principalmente pelos grandes centros metropolitanos e,
em menor escala, também por alguns centros regionais. A realidade, todavia, mostra que
mesmo com as tentativas de interiorização da oferta do ensino superior, as metrópoles
continuam mantendo importantes fatores multiplicadores de atração para as universidades –
como a concentração populacional, a oferta de professores titulados e também a presença de
recursos econômicos e culturais.
63
Em direção oposta à tendência de concentração geográfica do ensino superior, a
UEG, desde a sua criação em 1999, vem criando novos campi nas cidades do interior,
consideradas pólos de abrangência geo-educacional. A expansão geográfica da UEG
nuclearizada pela criação de unidades universitárias (UnU), constituindo-se em universidade
multicampi, visa a fortalecer o processo de interiorização do ensino superior, como estratégia
para atender às demandas sociais e econômicas dos municípios localizados no interior do
Estado de Goiás e fixar a população em regiões de atividades agrícolas e pecuaristas, marca
do Estado.
Em âmbito sócio-econômico, o processo de interiorização da universidade pode
promover condições para um maior desenvolvimento regional e local. Assim, a dinâmica de
interiorização do ensino superior pode estimular políticas de geração de emprego e de renda,
interferindo no padrão de consumo dos trabalhadores, induzindo mudanças sócio-culturais,
científicas e educacionais. E politicamente a estratégia de levar o ensino superior público de
qualidade para o interior consiste em uma ação afirmativa do governo de Goiás com o
objetivo de incluir os grupos sociais menos favorecidos que, historicamente, não tiveram
acesso a este nível de ensino.
O projeto de interiorização da UEG foi articulado para levar ensino superior
público e gratuito a todas mesorregiões e microrregiões distantes da área metropolitana de
Goiânia e de Anápolis, cidade sede da UEG. A contribuição da UEG pretende minimizar os
desníveis sócio-econômicos entre regiões muito desenvolvidas e em desenvolvimento, ou
mesmo a se desenvolveram. Para viabilizar este projeto, porém, a UEG precisa contar com o
apoio das prefeituras municipais quanto à infra-estrutura física.
O desafio da UEG é, enquanto instituição multicampi comprometida com o
desenvolvimento regional/local e com as aspirações intelectuais dos jovens egressos do ensino
médio, se constituir em um espaço privilegiado de democratização do ensino, da produção
científica e da disseminação do conhecimento científico.
O processo de interiorização da UEG constituiu-se, na práxis, tanto pedagógica
como politicamente, em um engajamento da sociedade goiana na luta dos grupos sociais em
relação ao processo de interiorização do ensino superior. Para tanto, em primeiro lugar,
articularam-se os interesses profissionais, intelectuais e econômicos como atitude aberta para
o desenvolvimento regional/local. Em segundo lugar, porque a sociedade vem reivindicando
64
do poder público estadual, medidas que atendam à crescente valorização do ensino superior
como patamar educacional inicial de profissionalização, levando em consideração a
concepção de formação inicial e continuada na Educação Superior, difundida pela Lei n.
9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Tais ações demonstram que os
grupos sociais do interior vêm percebendo claramente que desde a década de 1970, com o
advento da Terceira Revolução Industrial, que o foco de exploração da força de trabalho se
desloca do manual para o intelectual, exigindo das pessoas novas competências cognitivas,
sociais e profissionais. Estas abrangem os processos de trabalho integrado e flexível, agilidade
de comunicação, raciocínio abstrato. As referidas competências só são passíveis de
desenvolvimento no ensino superior, que se constitui no lócus qualificador da força de
trabalho para produção flexível. É neste sentido que a luta pelo acesso e condições de
conclusão do ensino superior tem se estendido a todos os municípios goianos.
A Universidade Estadual de Goiás, instituição pública que se organiza na
modalidade multicampi, elege a interiorização do ensino superior no Estado de Goiás como
prioridade máxima o que possibilita a criação de condições sócio-econômicas e culturais para
promover o desenvolvimento. À luz desta realidade emerge dos dados e das deduções lógicas,
impregnados de significados, a categoria de análise de conteúdo – Interiorização do ensino
superior.
b) Acesso ao Ensino Superior Público, Conquista da Cidadania e da Profissionalização
As mudanças na política educacional no Brasil nos anos 1990 vêm se
consubstanciando, especialmente, por meio das Leis 9.394/96 e 10.172/2001, que tratam das
diretrizes e do Plano Nacional de Educação e de seus desdobramentos.
A LDB/1996, nas disposições transitórias (Art.87, § 1º) estabelece que a União
deveria, no prazo de um ano, encaminhar ao Congresso Nacional proposta de Plano Nacional
de Educação (PNE). Esse plano, porém, só foi concretizado pela Lei 10.172, aprovada em
9/1/2001.
Entre as metas aprovadas para a Educação Superior merecem destaque: a
ampliação da oferta de ensino público, de modo que se assegure uma proporção nunca inferior
a 40% do total das vagas; ênfase à institucionalização de um amplo e diversificado sistema de
avaliação interna e externa que englobe os setores público e privado; diversificação do
65
sistema superior de ensino. O Plano Nacional não apresenta mecanismos concretos de
financiamento para a efetivação das medidas, o que abre margem para a concretização de
novos formatos de privatização desse nível de ensino, respaldado pela interpenetração entre as
esferas pública e privada (DOURADO, 2002).
Como conseqüência, em 2004, o INEP
divulgou dados dos quais constavam 4.163.733 alunos matriculados no ensino superior, sendo
1.178.328 no setor público (28,3%) e 2.985.405 no setor privado (71,7%).
Na contramão da política neoliberal de privatização do ensino superior, a
Universidade Estadual de Goiás expressa no Decreto n. 5.130 de 03 de novembro de 1999,
que homologou o Estatuto da UEG, em seu Art. 6º, os seus compromissos permanentes:
III. a ampliação de oportunidades educacionais, de acesso e de permanência a toda
a população;
IV. a democratização da cultura, da pesquisa científica e tecnológica e a
socialização dos seus benefícios;
V. a valorização dos profissionais da educação de todos os níveis e modalidades de
ensino.
Uma outra finalidade, que vem sendo atendida de modo prioritário pela UEG é :
“Contribuir para a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis e modalidades, por
meio de programas destinados à formação continuada dos profissionais da educação”. Para
atender a esse compromisso está em desenvolvimento o Projeto de Licenciatura Plena
Parcelada ou Universidade dos Trabalhadores da Educação de Goiás que vem contribuindo
para a profissionalização de cerca de 19.000 professores, oferecendo formação inicial em
nível superior para os professores já atuantes nas redes de ensino.
Sobre a formação inicial e a continuada Frigotto (1996) assevera que constituem
desafios a serem enfrentados na formação profissional do educador. Neste sentido, destaca
que:
[...] a tarefa preliminar é a de ressignificar o conjunto de categorias e conceitos do
campo educacional, que são metamorfoseados e apropriados de forma reducionista
pela perspectiva que Singer (1995) denomina de produtivista, em contraposição há
uma perspectiva civil democrática (FRIGOTTO, 1996, p. 91).
Entende o autor que a ressignificação necessita efetivar-se sob uma perspectiva
histórica, ontológica, sócio-cultural e epistemológica. Significa dizer que se trata de uma
tarefa de reorganização dos grupos sociais na luta política dos diferentes movimentos sociais.
O processo de formação e profissionalização se circunscreve ao espaço social de luta
democrática, a começar pelo respeito aos direitos fundamentais de todos os seres humanos, a
sobrevivência, a garantia de emprego, saúde, habitação, educação, segurança e lazer.
66
É necessário reafirmar que na atualidade para se prover a subsistência é preciso
ter acesso aos conhecimentos socialmente construídos imprescindíveis para a formação e a
qualificação profissional. Para Bruno (1996), refere-se à capacidade de realização de tarefas
requeridas pela tecnologia da atualidade e a possibilidade de pensar de modo abstrato. “Em
cada estágio de desenvolvimento social e tecnológico e em cada forma de organização do
trabalho, novos atributos são agregados à qualificação e novas hierarquizações são
estabelecidas entre eles” (BRUNO, 1996, p. 92).
Afirma Gentilli (1996, p. 101) que “os elementos formativos e de qualidade do
educador pressupõem, mas transcendem a competência técnica e científica adquirida em
instituições especializadas e na experiência profissional”. A qualificação para o educador
também implica a capacitação para ser “dirigente” o que requer uma formação bastante
aprofundada nos princípios e fundamentos da gestão educacional.
Nesta perspectiva, a capacitação para a profissionalização docente é construída no
processo e na participação em diferentes organismos coletivos. Os valores que sustentam um
novo projeto de sociedade devem ir além dos valores defendidos na qualidade técnicoadministrativa, difundidos pela ideologia neoliberal. A bem da verdade, esta sociedade deverá
estar centrada na solidariedade e igualdade dos seres humanos que, de acordo com Gentilli
(1996), poderão ser garantidos somente nos espaços públicos e a universidade consiste em um
desses espaços.
Quando se considera, de acordo com o dicionário Novo Aurélio (1999) que acesso
é ingresso, entrada (p. 30); cidadania é a qualidade ou estado de cidadão, que é o indivíduo no
gozo dos “direitos” civis e políticos de um Estado (p.469); profissionalização é
profissionalizar-se para que possa exercer uma função por profissão ou ofício (p. 1644);
público é relativo ou destinado ao povo, à coletividade (p.1664), pode-se perceber que essa
categoria foi apresentada para que se possa avaliar se a premissa de se ofertar o acesso ao
ensino superior público é realmente a conquista da cidadania e se este ensino proporciona ao
cidadão uma profissionalização adequada, e assim uma condição melhor de vida com trabalho
digno.
Com essa perspectiva, o acesso ao ensino superior público configura-se em uma
garantia de profissionalização para todos e as condições necessárias para o exercício pleno da
cidadania. Nesta lógica de pensamento surge, dos estudos realizados, dos dados e das
67
deduções lógicas, a categoria de análise − O Acesso ao Ensino Superior Público e a
Conquista da Cidadania e da Profissionalização.
c) Qualidade da Educação no Ensino Superior
Qualidade é um termo polissêmico, de difícil definição, de acordo com o
Documento Orientador da CAAI (p. 24, s/d),
A qualidade social da educação apresenta-se sob a perspectiva qualitativa, de
captação da realidade dialética, o que leva a pensar em um significado que vai além
do horizonte material quantitativo. Neste sentido, podemos falar também em
concepção
de
qualidade
da
graduação
centrados
no
paradigma
social/humanista/emancipatório. Seus adeptos, aos quais nos filiamos, estão
interessados em formar um novo homem no século XXI, pois representamos as
forças preocupadas com a afetiva emancipação dos trabalhadores e defendemos uma
das formas mais adequadas para a qualificação humana: a qualidade social.
Nas três ultimas décadas, as políticas educacionais caracterizam-se por uma
preocupação crescente com a qualidade. Ocorre que as grandes questões em relação a este
tema parecem ser o significado e o contexto que circunda o emprego do termo. Em primeiro
lugar, observa-se que, em geral, o significado de qualidade no campo da educação é ambíguo
e impreciso. Em segundo lugar, é preciso reconhecer que a forma de agir das instituições de
ensino superior está relacionado com a concepção de qualidade nelas predominantes.
A ambigüidade e imprecisão do termo não são derivadas de questões semânticas.
Elas se originam no campo social, político e econômico da sociedade contemporânea, uma
vez que no processo de mundialização e transnacionalização da economia, dois projetos de
sociedade, educação, políticas educacionais, de escola, de formação de professores, de
avaliação educacional são bastante distintos e excludentes. De um lado, − o projeto capitalista
− que se inscreve na concepção de economia de mercado neoliberal. No lado oposto − o
projeto do trabalho − engendrado nas históricas lutas dos movimentos sociais com base na
concepção crítica e emancipadora do trabalhador. Ambas as concepções reconhecem que a
sociedade é divida em classes e que a sociedade contemporânea está imersa na informação, na
técnica e na tecnologia.
O projeto do capital, sob a ideologia neoliberal, visa à reestruturação do Estado,
transformando-o em Estado Mínimo que submete, especialmente, as políticas sociais (da
educação, da saúde, do emprego, da habitação, do transporte, da segurança, entre outras) e até
68
a satisfação das necessidades elementares do homem a critérios exclusivamente
mercadológicos. Ianni (1992) não reluta em criticar este projeto marcado pela
competitividade, pelo individualismo, pela eficiência e produtividade, para o qual a
mercadoria adquire cidadania muito antes que o próprio homem, tendo em vista que o
mercado sabiamente obedece a lógica da exclusão para os que não são dotados de bens
materiais.
Em contraposição, o projeto do trabalho da defesa do trabalhador visa uma
sociedade mais justa, em que os direitos sociais do homem são respeitados. Tal projeto
assume a luta pela humanização da sociedade da informação e da revolução tecnológica,
buscando a emancipação e é atravessado por muitos avanços e muitas frustrações − fluxo e
refluxo −, características dos movimentos sociais organizados que se manifestam como
resistência ao poder constituído, denominado por Touraine (1994,1998) de contra-movimento
ao Estado.
Como visto, o complexo conceito de qualidade varia de acordo com diferentes
perspectivas teórico-práticas, podendo identificar-se algumas concepções que têm emergido
ao longo dos tempos, nas políticas educacionais e em diferentes instituições. Trata-se de
configurar uma conceitualização de “qualidade” que se aproxima de um conjunto de
elementos que a caracterize com certa precisão. Assim, na perspectiva de qualidade baseada
em resultados essencialmente quantitativos, é possível referir-se à qualidade como
ajustamento a objetivos definidos, como imagem de excelência e como expressão da relação
custo/benefício. Nessa matriz enquadram-se as tendências quantitativas, acríticas, que
pretendem pelo sistema de educação chegar a resultados de produtividade (ou da (re)
produtividade), da efetividade e da eficiência à imagem do sistema produtivo capitalista.
Resultados cultuados pela sociedade ocidental e que levaram à deterioração das condições de
vida do homem e de seu meio ambiente. O interessante é que essa matriz é derivada da noção
de qualidade defendida por Hirata (1991), para quem qualidade significa estar em
conformidade com uma norma padrão ou diversas especificações a serem adotadas pelo
coletivo de trabalho na empresa, independentemente do nível hierárquico dos trabalhadores.
No âmbito da universidade, uma das maiores críticas a essa matriz é feita por
Marilena Chauí (1999) quando esclarece que essas noções de qualidade se confundem com a
concepção de qualidade total “[...] como competência e excelência cujo critério é o
atendimento às necessidades de modernização da economia e desenvolvimento social; e é
medida pela produtividade orientada por três critérios: quanto uma universidade produz, em
69
quanto tempo produz e qual o custo do que produz” (grifos da autora). A filósofa denuncia
que a pergunta que o MEC faz para a produtividade ignora as indagações mais importantes,
que são: “[...] o que se produz, como se produz, para que ou para quem se produz” (CHAUÍ,
1999, p. 217 - grifos nossos). As perguntas que o MEC faz para a universidade provocam uma
inversão, tipicamente ideológica, que opera da qualidade para a quantidade, portanto a
concepção de qualidade das políticas educacionais para a universidade é a das políticas
voltadas para a qualidade total e o controle dos serviços e não para a qualidade social da
educação. Nesta concepção está inserida a visão do Estado em relação às funções do Estado
Avaliador que se pauta muito mais na supervisão e regulação do que na avaliação
institucional, que deve, sob nosso ponto de vista, assentar-se em bases da qualidade social da
educação.
Analisando a concepção de qualidade da educação no ensino superior que
predomina no sistema nacional de educação, constata-se que o modelo eficientista continua
mantendo a sociedade brasileira de costas para o futuro, pois é evidente que a expansão
quantitativa, baseada na falsa democracia de oportunidades proposta pelo neoliberalismo se
baseia na promessa de qualidade, decorrente da lógica mercantil. Conforme Gentili (1998), a
farsa deste discurso reside em promessas não factíveis: a de que existe uma oferta de direitos
sociais e econômicos disponíveis aos cidadãos no mercado educacional. Esta é nada mais do
que uma armadilha do capital com o objetivo de substituir a concepção de cidadania baseada
na conquista de direitos, por uma lógica mercantil que supostamente transforma os cidadãos
em consumidores de produtos e serviços no mercado8.
Está comprovado que o conceito empresarial/eficientista de qualidade apresenta
uma forte inclinação para associar a precariedade dos sistemas educativos apenas aos
resultados da aprendizagem alcançada pelos aprendentes, sustentando inclusive que estes
resultados estão ancorados essencialmente na realização do trabalho docente. Na opinião de
Enguita (1999, p. 98), a qualidade da educação “[...] hoje em dia se identifica antes com os
resultados obtidos pelos escolares, qualquer que seja a forma de medi-los: taxas de retenção,
taxas de promoção, egressos dos cursos superiores, comparações internacionais do
rendimento escolar, etc”.
Essa concepção de qualidade da educação circundada por esquemas préestabelecidos por conceitos empresariais/eficientistas de “adaptabilidade e ajuste ao mercado,
8
Os direitos são substituídos por privilégios.
70
competitividade, produtividade, rentabilidade e mensurabilidade” (GENTILI, 1999, p. 147),
significa que a subjetividade humana está sendo submetida a critérios de mensuração com
ingredientes políticos, sociais e econômicos impostos por interesses externos às instituições
de ensino. De acordo com Chauí (1999, p. 220),
a universidade operacional dos anos 90 [...], é regida por contratos de gestão,
avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível [...], estruturada
por estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pela
particularidade e instabilidade dos meios e dos objetivos.
Sob essa concepção, a qualidade da educação é associada fundamentalmente às
dimensões docente e discente, transferindo-se para esses dois segmentos das instituições
educativas toda a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso dos processos de construção do
conhecimento e de profissionalização. É verdade que, para a construção do conhecimento e o
exercício profissional, é fundamental aos docentes e discentes o domínio de um sólido
conhecimento teórico e uma visão da práxis das profissões para as quais os estudantes se
formam. Contudo, na contramão do desejo da categoria docente, esta vem perdendo, cada vez
mais, o controle do processo do seu trabalho para elementos externos às instituições de
ensino. Deve também ser levado em consideração que as ingerências impostas pelos setores
administrativo e financeiro (internas e externas às instituições), assim como as reais condições
dos estudantes que ingressam no ensino superior, acabam por interferir contraditoriamente na
busca por melhor qualidade na graduação.
Considerando a complexidade de abordagens da categoria de análise “qualidade da
educação no ensino superior”, a posição assumida é a de buscar aquela que se aproxime cada
vez mais da qualidade social, aplicada em uma situação concreta, adequada à
contemporaneidade, ao mundo do trabalho e aos fins da universidade e que respeite as
especificidades de cada instituição, uma concepção de qualidade ancorada na democratização
do direito à educação. Como assinala Gentili (1999, p. 176), a educação de qualidade tem que
ser transformada “[...] em um direito e não em uma mercadoria vendida ao que der a melhor
oferta”. Os profissionais que assumem a concepção de qualidade de educação dentro de uma
abordagem social/humanista/emancipatória defendem a melhor qualificação humana. Esses
profissionais
[...] reconhecem a humanização como ponto de partida e de chegada de toda a ação
pedagógica, seja ela desenvolvida dentro ou fora da universidade. Sendo assim,
entende-se que o humanismo é a matriz teórica fundamental da noção de qualidade
social da educação. Do mesmo modo, é base fundamental da qualidade social da
educação a superação da teoria do neo capital humano que impregna os discursos e
as práticas, principalmente dos homens de negócio, entre os quais estão os bemsucedidos ‘homens e mulheres dos negócios educacionais’ (BRZEZINSKI, 2005,
p.327).
71
A busca pela qualidade da educação, em uma perspectiva dialética humanista, não
pode ignorar a importância que os diferentes sujeitos têm no processo de construção do
conhecimento. Isto significa reconhecer o ser humano, as suas reais condições de vida e, ao
mesmo tempo, o fator trabalho como categoria fundante na produção da subsistência nas
diferentes sociedades.
Com efeito, para se chegar a uma concepção qualitativa e humanista da educação
no ensino superior é necessário definir parâmetros e critérios para as diversas dimensões que
compõem as estruturas administrativa, acadêmica, científica e financeira da instituição
formadora, sem dicotomizar a quantidade e a qualidade.
A concepção de qualidade da educação adotada não pode ser submetida a um
modelo essencialmente quantitativo, baseado no ranqueamento das instituições de ensino
superior resultantes dos testes estandartizados, de grande escala, muito a gosto do sistema
nacional de ensino adepto da teoria do neo-capital humano.
Entre as diversas dimensões que devem ser consideradas na auto-avaliação das
instituições de ensino superior, especialmente na universidade, para a construção de uma
graduação de qualidade social/humanista/emancipatória são fundamentais os seguintes
indicadores de qualidade: planejamento, financiamento e gestão educacionais; planos e
práticas pedagógicas; formação, oportunidades de atualização e condições de trabalho dos
profissionais da educação; continuidade ou rotatividade das equipes docente e técnica;
existência, conservação e adequação do espaço físico (salas de aula, bibliotecas, laboratórios,
auditórios, entre outros), equipamentos e materiais didáticos; assistência pedagógica para dar
suporte ao trabalho docente e atender as necessidades discentes; acesso e permanência dos
alunos no sistema de ensino; organização e adequação dos currículos. Este último indicador
muitas vezes é ignorado nas pesquisas de avaliação da qualidade da educação no ensino
superior. No entanto, o currículo
é o elemento da organização educacional na universidade. Tal conotação permite
reconhecer currículo como um mecanismo de materialização do projeto educativo de
um país. Desafortunadamente, no nosso país o projeto educativo está configurado
com um viés neotecnicista (BRZEZINSKI, 2005, p. 334).
Com base no processo de auto-avaliação desenvolvido na UEG-UnUCSEH, podese afirmar que a qualidade da graduação não se concretiza somente com laboratórios bem
equipados, informatização dos diversos espaços que compõem a instituição, bibliotecas com
72
acervo pertinente e salas de aulas climatizadas, além de pessoas preparadas para atender a
comunidade universitária. Se é certo que esses fatores compõem as condições indispensáveis
para a melhoria da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão universitárias, é certo
também que muitos aspectos que envolvem os sujeitos da ensinagem e a produção do
conhecimento, seguramente devem ser humanizados. Neste sentido, a qualidade social supõe
nos processos educativos a articulação entre a objetividade racionalista e a subjetividade dos
sujeitos no trabalho docente.
A qualidade não pode ser medida avaliando apenas os resultados do nível de
conhecimentos dos alunos concluintes dos cursos de graduação. Sabe-se que a
responsabilidade pela qualidade não é apenas de um ou dois agentes sociais, tampouco pode
ser explicada somente por meio de uma variável ou de um conjunto de variáveis, ou seja, a
realidade é mais complexa. A respeito disso, Brzezinski (2005, p. 8), se manifesta:
A formação universitária, em qualquer área da graduação, não pode ser confundida
com transmissão de informações e técnicas, por mais avançadas que sejam,
tampouco com instrução ou simples busca do domínio dos requisitos de uma
profissão. Esta formação deve levar os acadêmicos a serem capazes de pensar, de
compreender e de recriar a natureza, a sociedade e o próprio homem.
Feitas estas considerações, importa agora tentar desconstruir o modus operandi
que predomina nas instituições de ensino superior, identificando alguns dos fatores que
interferem na qualidade da educação.
O desvelar da realidade brasileira em geral e goiana, em particular, permite ver
como a aplicação do paradigma de qualidade da educação no ensino superior, baseado
essencialmente na produtividade e na eficiência, interfere negativamente nas condições
essenciais para o cumprimento das missões fundamentais das instituições de ensino superior.
Reconhecido isto, torna-se claro que a opção por uma determinada concepção de qualidade
influencia diretamente nas relações entre a universidade e a sociedade, nas funções
acadêmicas e de investigação, nos espaços de participação democrática e de colegialidade, nas
decisões administrativo-financeiras e pedagógico-científicas. Quanto a esses aspectos,
Enguita (1999, p. 107), coloca que, no mundo do ensino, quando se quer ajustar a educação à
igualdade, “a busca da qualidade se refere à passagem das melhorias quantitativas às
qualitativas”.
Esta interpretação implica considerar que, na busca pela qualidade da educação
nas instituições de educação superior, por um lado, os gestores do sistema educacional devem
manter uma atitude coerente entre os valores atribuídos aos fins e aos meios institucionais.
73
Este modelo de qualidade é multifacetado porque considera que as múltiplas dimensões das
instituições de ensino são igualmente importantes e interdependentes, traduzindo-se numa
ampla referência aos juízos qualitativos correspondentes às diversas dimensões nos campos de
atuação da universidade. Por outro lado, é evidente que as dimensões de qualidade da
educação não podem diluir-se umas nas outras. Assim, na definição dos parâmetros e critérios
de qualidade da educação, as instituições de ensino superior não podem privilegiar a
dimensão financeiro-econômica, submetendo a ela a atividade fim universitária que é a
qualidade acadêmico-científica.
Há uma propensão do modelo de gestão em vigor nas diferentes instituições de
ensino para promover a diluição de responsabilidades da área financeiro-administrativa,
transferindo-as para a área acadêmica discente ou docente. É certo que a qualidade da
educação poderá estar relacionada aos índices de (in) sucesso ou abandono/conclusão dos
discentes nos diversos cursos, assim como ao domínio teórico-científico dos docentes nas suas
respectivas áreas do conhecimento e às suas atitudes em termos de formação continuada
visando aperfeiçoamento profissional. Todavia, a qualidade da educação no ensino superior
também é influenciada pela criação (ou não) de condições adequadas de trabalho pedagógico
e qualificações acadêmico-científicas dos docentes (especialização, mestrado e doutorado).
No campo administrativo, é oportuno considerar que o critério de qualidade,
ancorado na concepção humanista de educação, exige que as instituições disponham de
pessoal (professores, técnico-administrativos, gestores, outros) que contribua para a expansão
tanto qualitativa quanto quantitativa do ensino, da pesquisa e da extensão. Não cabe dúvidas
de que as instituições de ensino superior, entre elas a UEG, necessitam de equipes de
professores e técnico-administrativos preparadas, atualizadas e efetivas (ingresso por
concurso) que permitam aos estudantes serem atendidos em seus interesses, os quais devem
voltar-se também para as dimensões social, humamizada e emancipatória do cidadão,
ultrapassando o interesse exclusivamente utilitarista da lógica da sociedade do espetáculo e do
mercado.
Nas
áreas
da
docência
e
da
pesquisa,
o
predomínio
do
conceito
empresarial/eficientista de qualidade na forma de agir das instituições de ensino superior, tem
contribuído para escamotear as reais causas dos problemas educacionais, e ao mesmo tempo,
intensificar a exploração do profissional da educação. Esta realidade pode ser constatada com
a intensificação do processo de precarização do trabalho docente, com extensas jornadas de
trabalho, com a redução dos incentivos à pesquisa e atualização profissional, além do aumento
74
das exigências em termos de produtividade acadêmico-científicas, sem a correspondente
criação de condições efetivas para que o professor possa se adequar a este modelo de trabalho
imposto pelas políticas educacionais.
Como fatores intervenientes e significativos para a melhoria da qualidade da
educação no ensino superior podem ser apontados: o ingresso no sistema das instituições de
ensino superior exclusivamente por concurso público de provas e títulos; o tipo de contrato de
trabalho dos docentes que permita a sua profissionalização; a implementação e respeito à
carreira docente com dignidade salarial, diminuindo a instabilidade funcional, pois esse
recurso é preferido para justificar ações arbitrárias de certos gestores universitários; o
incentivo à formação profissional e o desenvolvimento de condições adequadas para
realização de pesquisas para produzir conhecimento.
É evidente que o Brasil continuará na contramão da história enquanto mantiver
instituições de ensino superior com professores mal-pagos, jornadas de trabalho desajustadas
da realidade, condições inadequadas para o ensino e, ainda, insistir na rotatividade de
professores com baixos salários e contratos precários de trabalho, como estratégias falaciosas
para tentar justificar a redução dos custos financeiros dessas instituições.
Deve-se atentar para o fato de que a pronta disponibilidade de percentuais
suficientes de recursos financeiros é condição fundamental para garantir às instituições de
ensino superior o exercício efetivo da autonomia científica (ensino, pesquisa e extensão). Se
tais condições político-financeiras não são garantidas, é factível a precarização das atividades
de ensino, pesquisa, extensão, qualificação docente, entre tantas outras. É consabido que
muitos dos desastres sociais que são atribuídos às instituições de ensino são, na verdade, de
responsabilidade de outros âmbitos, não o educacional. Nesta direção, compartilhamos o que
é assinalado por Enguita (1999, p. 103): “o sistema educacional desempenha, pois o papel de
vítima propiciatória que permite aos demais expurgar seus pecados; ou melhor, o de bode
expiatório que lhes permite ignorá-los”.
Muitas vezes o discurso da expansão da oferta da rede física de uma instituição de
ensino superior, esconde os reais interesses corporativistas e clientelistas de “políticos”,
gestores e docentes, que irresponsavelmente não prevêem aportes financeiros para assegurar a
qualidade da educação. Assim, é preciso rever os planejamentos para expansão da rede física
e ampliação da oferta de vagas no ensino superior, nos casos em que este processo significar
apenas depósitos de fracassos com baixíssimo retorno para a sociedade. Também devem ser
75
repensados os interesses partidários menores na ocupação de cargos na administração da
Universidade, que normalmente redundam em trabalhos desvinculados dos interesses reais da
sociedade.
No processo de construção e sustentação de uma graduação com qualidade é
preciso criar e manter instituições com estruturas pedagógicas e físicas adequadas às
especificidades de cada curso. Ao mesmo tempo, é relevante a criação de espaços para o
desenvolvimento de experiências democráticas de gestão. A autonomia financeira deve ser
real e constante, de modo que as instituições de ensino não dependam das oscilações das
políticas dos gestores do setor educacional e dos programas demagógicos dos diferentes
governos. Esse é um ponto fundamental, considerando a grande permeabilidade da instituição
aos bafejos da política partidária, que interfere no sequenciamento das atividades acadêmicas
e ocasiona acentuada descontinuidade na implantação de atividades que exigem maior
perenidade das equipes de trabalho.
Destaca-se que para maior qualidade na educação no ensino superior é primordial
a importância da liberdade científico-cultural das instituições e a efetiva participação docente,
em que a colegialidade das decisões acadêmico-administrativas sejam adequadas aos fins da
universidade e à sua efetividade social, são também condições para se construir um ensino de
qualidade na concepção humanista. A existência de colegiados para deliberar é fator básico
para desenvolver e consolidar a prática de co-responsabilidade e a gestão democrática das
instituições de ensino superior.
Caminhando na direção da melhor qualidade da educação no ensino superior é
evidente que os indicadores da qualidade devem estar fundamentados em aspectos
quantitativos e qualitativos inerentes à instituição. Mas os sujeitos diretamente envolvidos no
processo educacional é que devem estabelecer quais são os indicadores ou dimensões de
qualidade, por exemplo, no processo de auto-avaliação. Assim, o desenvolvimento da
educação dentro de uma concepção de qualidade na perspectiva humanista, expressa o
respeito da instituição em relação à subjetividade dos sujeitos que a compõe e, ao mesmo
tempo, contribui para a construção e emancipação de cidadãos, preparando-os para enfrentar
os desafios postos pela contemporaneidade.
A busca por melhor qualidade da educação no ensino superior deve assegurar que
o escopo das decisões acadêmico-científicas ultrapasse agendas de negociações eleitorais,
partidárias e se concentre na agenda das prioridades da sociedade, visando assim, a
76
continuidade dos fins sociais da universidade. Pelos motivos expostos foi escolhida como
uma das categorias de análise de conteúdo na auto-avaliação da UnUCSEH - A Qualidade da
Educação no Ensino Superior.
d) Atividades Meio (administrativo-financeiro) X Atividades Fim (ensino-pesquisaextensão)
A denominação atividade meio refere-se àquelas atividades (e recursos) sem as
quais a Instituição de Ensino Superior ou outras, não conseguiriam desenvolver qualquer
função ou levar adiante qualquer empreendimento. Na Universidade, constituem as condições
de
operacionalização
das
atividades
acadêmico-universitárias
imprescindíveis
no
funcionamento desta. Não constituem, entretanto, a finalidade da Unidade acadêmica.
Na cultura organizacional das instituições educativas, as atividades meio
consistem em um conjunto formado por operações e estruturas organizacionais que devem
oferecer apoio de toda ordem na consecução dos objetivos institucionais. Este conjunto de
ações viabiliza o apoio e a instrumentalidade de todo processo de dinamização das atividades
educativas.
Na prática, esse conjunto de operações consiste em serviços necessários e
simultâneos às atividades principais para cumprir as finalidades que justificam a existência
institucional. Deste modo, na universidade, as atividades meio são aquelas que visam a
propiciar condições para viabilizar, da melhor forma possível, o desenvolvimento qualificado
do ensino, da pós-graduação, da pesquisa, da extensão e das práticas culturais.
Compreendemos que as atividades meio são aquelas que não se constituem, não se completam
e não se concluem por si próprias. Elas se revestem de caráter auxiliar às atividades fim.
Assim, no caso da universidade, as atividades meio não são diretamente representativas para a
sociedade, mas são mecanismos indispensáveis ao cumprimento das finalidades institucionais.
Na Universidade Estadual de Goiás, como nas demais instituições de ensino
superior, conforme Carneiro e Brito (2005), as atividades meio se realizam ou se concretizam
com a execução da gestão administrativa e de pessoal, do plano de desenvolvimento
institucional, do projeto político-pedagógico e atividades acadêmicas e complementares
correlatas, do planejamento estratégico, da sustentabilidade financeira, das políticas internas
voltadas ao sucesso estudantil, da criação e manutenção de condições físico-estruturais e dos
bens materiais e patrimoniais, da comunicação institucional, dos documentos e informações.
77
Como já explicitado, as atividades fim são concernentes aos objetivos principais da
instituição, ou seja, se referem às ações que a UEG desenvolve com o objetivo de dar sentido
à sua existência. São as atividades para as quais a instituição se destina, estando diretamente
relacionadas com os objetivos expressos em seu Estatuto. A função precípua da universidade
é desenvolver as atividades fim que são, fundamentalmente, a socialização do conhecimento
produzido por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, bem como a transmissão do acervo
cultural acumulado pela humanidade. Assim, o objetivo da universidade ao ministrar o ensino
superior (de graduação e de pós-graduação – lato e stricto sensu, seqüenciais, entre outros),
visa à formação de pessoas capacitadas ao exercício da profissão, para o desenvolvimento de
investigações em todas as áreas de conhecimento, à sua qualificação para as atividades
profissionais técnicas e a implementação de atividades de extensão por meio de projetos que
intervenham socialmente para o bem comum.
Tomando por base essas considerações, no Artigo 5o do Estatuto da Universidade
Estadual de Goiás, homologado pelo Decreto n. 5.230 de 03 de novembro de 1999, estão
identificadas como atividades fim desta instituição, as seguintes finalidades:
I - promover o desenvolvimento e a divulgação da ciência, da reflexão e da cultura
em suas várias formas;
II - graduar e pós-graduar profissionais nas diversas áreas, preparando-os para o
mundo do trabalho e para contribuir com o desenvolvimento de Goiás e do Brasil;
III - formar pessoas qualificadas para o exercício da investigação científica e do
magistério, bem como das atividades políticas, sócio-culturais, artísticas e
gerenciais;
IV - promover estudos e pesquisas voltados para a preservação do meio ambiente,
com o propósito de desenvolver e ampliar a consciência ecológica, visando a
convivência harmoniosa do homem com o meio; (UEG, 2006).
Efetivamente há uma interação entre as atividades fins e meio, ou seja, uma
influencia a outra ao mesmo tempo em que sofre sua ação. As atividades fim da universidade
são aquelas que se realizam, se articulam e se completam por si próprias, assim como mantém
dependência e se relacionam com as atividades meio.
Em face desta realidade, Chauí (1999) chama a atenção para o fato de que no
contexto universitário em geral, há uma certa inversão das prioridades do ensino superior
(pela cúpula dos gestores), uma vez os meios têm encontrado fim em si mesmos. Nesta
inversão entre os seus fins e meios, a universidade é “definida e estruturada por normas e
padrões inteiramente alheios ao conhecimento e à formação intelectual, está pulverizada em
micro-organizações que ocupam seus docentes e curvam seus estudantes a exigências
exteriores ao trabalho intelectual” (CHAUÍ, 1999, p. 220-221).
78
Como se pode constatar na realidade, os gestores, de modo geral, utilizam o
discurso da crise de escassez de recursos financeiros, privilegiando os meios em detrimento
dos fins, para tentar justificar a suposta falta de condições para promover a expansão e a
melhoria da qualidade do ensino superior público. Destarte, no processo de interação entre
estas duas faces da realidade: atividades meio e atividades fim, a dimensão – recursos – passa
a constituir o fundamento orientador das possibilidades e/ou das práticas como função
precípua da universidade.
O desafio enfrentado nessas condições adversas carrega duas visões ou enfoques
conflitantes sobre a principal ação cotidiana da universidade. O primeiro enfoque, que na
atualidade é dominante, está subordinado à lógica do mercado, o segundo evoca a concepção
crítica, sócio-histórica de formação, que tem por base o estudo das humanidades. O primeiro
considera a formação e a profissionalização como preparação de indivíduos para atender às
demandas do mercado e, portanto, a qualidade da formação e qualificação fica subordinada à
lógica da produção e da competência. A lógica restrita da produção entende por competência
a “[...] capacidade de mobilização de conhecimentos, saberes, atitudes, tendo, como foco, os
resultados” (FRIGOTTO, 1996, p. 92). Nessa perspectiva, os objetivos voltados às atividades
fim da universidade, são direcionados na busca de padrões de qualidade, na melhoria dos
serviços de atendimento aos alunos e do seu grau de inserção no mundo do trabalho, na
excelência dos grupos e linhas de pesquisa, na consolidação e ampliação de atividades de
extensão.
O segundo enfoque aponta que a formação, a qualificação e a profissionalização
humanas fundamentam-se no desenvolvimento do conhecimento histórico-científico,
biopsíquico, cultural, político e estético. É evidente que a efetivação de tal formação, cujo
sujeito histórico é a prioridade, tem por perspectiva a omnilateralidade, cujas possibilidades e
limites institucionais estão postos no conjunto das relações e das práticas de sociedades
concretas. Então, para se transformar aspirações em prática real de formação/qualidade de
sujeitos histórico-críticos, não são suficientes a legislação e o estatuto das IES, mas muito
mais o aporte de recursos cujas prioridades devem ser definidas de acordo com as atividades
fim e que os meios voltem para o seu devido lugar: as atividades meio devem ser instrumentos
viabilizadores das atividades fim.
Sob a primeira visão, a instância mais importante da instituição passa a ser a
administração financeira. Grosso modo, os gestores se negam a debater sobre as necessidades
79
fundamentais propostas pelos professores, discentes e técnicos administrativos, com relação
aos objetivos da universidade (registradas, contudo, algumas exceções). Os meios passam a
ser instrumentos meticulosamente calculados segundo seu custo e risco. A viabilidade
financeira de toda proposta político-pedagógica sobrevive (ou não) mediante a adequação a
tais instrumentos (os meios), para a qual a prioridade primeira é o seu preço/custo.
O maior significado negativo de a qualidade das atividades fim – ensino, pesquisa
e extensão –, ser dada por valores externos ao processo educacional, é porque estes
normalmente servem a interesses de demandas dominantes dos administradores e
empregadores, que via de regra utilizam como parâmetros as propostas das agências
internacionais, que acabam balizando, moldando e conformando as instituições de educação.
Este processo pode ter as seguintes conseqüências:
-
Interferência nos espaços de autonomia dos professores e no desenvolvimento das
principais; atividades de ensino-pesquisa-extensão;
-
Imposição de uma falsa política de descentralização;
-
Desqualificação dos profissionais formados pela instituição;
-
Rotatividade e desprofissionalização docentes;
-
Expansão de contratos de trabalhos precarizados.
Os dados obtidos na pesquisa apontam a secundarização da produção do
conhecimento – atividades fim – e a priorização das atividades meio que vem se apoiando no
discurso da escassez de recursos financeiros, por parte da administração central da
Universidade Estadual de Goiás. Levando-se em consideração as prioridades sociais das
nações em desenvolvimento, constata-se que a administração pública não realiza os
investimentos financeiros realmente necessários no setor educacional e, na maioria das vezes,
estes não são aplicados adequadamente.
Assim, da realidade concreta revelada pelos dados da pesquisa em avaliação
institucional da UEG, emergiu a categoria de análise: Atividades meio (administrativofinanceiro) X Atividades fim (ensino-pesquisa-extensão).
80
CAPÍTULO IV
A UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS SÓCIO-ECONÔMICAS
E HUMANAS NA ATUALIDADE
Atualmente a UnUCSEH tem sete cursos regulares, diversos cursos de
especialização lato sensu, coordenados pelo Centro de Estudos Avançados em Humanidades,
projetos de pesquisa, além de programas desenvolvidos pela Pró-Reitoria de Extensão e pela
Pró-Reitoria de Cultura e Assuntos Estudantis. Os cursos regulares existentes na unidade, já
mencionados no capítulo II, são: Licenciaturas em Geografia, História, Letras e Pedagogia, os
quais funcionam no período matutino e Administração de Empresas, Ciências Econômicas e
Ciências Contábeis, que funcionam no período noturno. A UnUCSEH em 2005, ano da
presente auto-avaliação, não ministrou cursos seqüenciais, tampouco curso do Programa
Universidade dos Trabalhadores da Educação de Goiás, mais conhecido como Programa de
Licenciatura Plena Parcelada (LPP).
FIGURA 4 - Aspectos parciais da UnUCSEH – Anápolis: auditório, pátio interno superior,
pátio interno inferior, biblioteca.
Fonte: Arquivos fotográficos da UnUCSEH.
81
4.1 Estrutura Física
A Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas de Anápolis
está localizada no centro da cidade, à Avenida JK, nº 146, em um terreno de 6.075,74 m², com
uma área construída de 5.968,95 m², na qual inclui-se o Ginásio de Esportes. No Quadro 3
pode ser observada a descrição do espaço físico.
QUADRO 3
Distribuição do Espaço Físico da UnUCSEH - UEG, no ano de 2005
Espaço físico destinado a
Salas de aula
Descrição
Quantidade
-
17
Secretaria geral, secretaria acadêmica, registro de
diplomas, coordenação de cursos (02), assessoria das
coordenações,
diretoria,
assessoria
da
direção,
coordenação pedagógica, coordenação de extensão,
Salas administrativo-
coordenação de pesquisa e pós – graduação, recepção
pedagógicas
de
professores,
sala
de
professores,
recepção,
21
secretaria do Centro de Idiomas, sala de orientação de
monografia,
visual
(02),
coordenadoria
coordenação
administrativa,
dos
áudio
laboratórios
de
informática.
Informática (02), Pedagógico (LAPE), Centro de
Laboratórios
Documentação Histórica, Ciências Contábeis (fase
final de implantação) e Ciências Econômicas (fase de
06
implantação)
Ateliês
Destinado ao curso de Geografia (Cartografia)
Biblioteca
Acervo com 13.200 títulos e 19500 exemplares,
451 periódicos com 17 assinaturas correntes.
01
01
Alimentação
Lanchonete e cozinha
02
Auditório
320 lugares e saguão para exposição
01
Estoque
Almoxarifado (03) e arquivo (03)
06
Outros
Diretório acadêmico, fotocopiadora, posto bancário,
Empresa Júnior e ginásio de esporte.
Sanitários
Masculino e feminino
05
17
Fonte: Coordenação Administrativa da UEG-UnUCSEH (2005)
82
Os espaços para as atividades acadêmicas práticas são organizados da seguinte
forma:
QUADRO 4
Estrutura e organização dos laboratórios de informática.
Laboratório de
Informática
Finalidade do
laboratório
Ambiente
Área
Laboratório I
Aulas práticas de
informática e pesquisa
via Internet
45 08 bancadas, 32 cadeiras giratórias,
m2 15 computadores e 01 impressora matricial
Laboratório II
Aulas Práticas de
informática e pesquisa
via Internet
45 08 bancadas, 32 cadeiras giratórias,
m2 04 mesas, 20 computadores
Atende: todos Cursos oferecidos pela Unidade, Professores e Servidores
QUADRO 5
Centro de Idiomas. Responsável: Curso de Letras
Centro de Idiomas
Aulas e
estudo
área
Finalidade do
laboratório
Área
Aulas
práticas
de
de
Línguas para alunos e
comunidade
Ambiente
02 salas de aula com 20 cadeiras
cada, sala de estudo e secretaria
com computador, impressora e
mobiliário.
QUADRO 6
Laboratório de Pedagogia (LAPE)
Laboratório de
Pedagogia
Finalidade do laboratório
Arquivo pedagógico; campo de
Área de estudo, pesquisa do curso de Pedagogia,
pesquisa e extensão práticas pedagógicas para alunos
e professores
Área
Ambiente
01 sala com 01 computador, 01
impressora, filmadora, TV,
vídeo cassete, aparelho de
DVD,
retroprojetor
e
mobiliário.
83
QUADRO 7
Ateliê de Cartografia. Responsável: Curso de Geografia
Laboratório de
Geociências
Finalidade do laboratório
Desenvolver
recursos
didáticos
e
metodológicos
Área de estudo,
pesquisa e prática aplicados ao ensino de
Geografia.
curricular
Elaboração cartográfica
Área
Ambiente
104,06
m2
Mesas para uso na Cartografia e
leitura/confecção de mapas e cartas
topográficas, Pranchetas, 01 micro
computador, armário de aço, mesas
e cadeiras para estudo e bancos
específicos para uso das mesas no
laboratório
de
/GeografiaCartografia, Estantes de
madeira com vidros para exposição
de amostras de fragmentos rochosos
e outros minerais.
QUADRO 8
Centro de Documentação Histórica. Responsável: Curso de História
Centro de Documentação
Histórica
Finalidade do laboratório
Equipamentos
Atendimento aos discentes dos
Mesas
para
estudo
e
Área de pesquisa e coleta de cursos da UEG-UnUCSEH,
pesquisa, cadeiras, armários
dados
especialmente, do Curso de
de aço e arquivos.
História
A biblioteca, que está em fase de informatização, tem o seguinte acervo para
atender as atividades acadêmicas e pedagógicas da Unidade:
Títulos
13.200
QUADRO 9
Quantitativo do acervo da biblioteca
Exemplares
Periódicos
19.500
395
Assinaturas de jornais
05
Fonte: Coordenação da Biblioteca (Números aproximados)
4.2 Estrutura organizacional e de gestão
O Estatuto da Universidade Estadual de Goiás e o seu Regimento Geral definem as
atribuições mínimas das Unidades Universitárias. Cada Unidade Universitária conta também
com o seu Regimento Interno aprovado pelo Conselho Universitário da UEG, órgão colegiado
84
superior presidido pelo Reitor e integrado por representantes de todas as UnUs. Essas, por
sua vez, têm a Congregação como órgão máximo, com funções normativas e deliberativas.
A constituição da Congregação da Unidade está estabelecida no Art. 31 do
Regimento Geral, e suas atribuições relacionadas no Art. 36 do Estatuto da Universidade e no
Art. 36 do Regimento Geral da UEG. É composta pelo diretor da Unidade, que a preside,
todos os membros do corpo docente, pelos representantes discentes até 25% dos membros
natos, pelos representantes técnicos administrativos até 10% dos membros natos e três
representantes da comunidade, e reúne-se ordinariamente duas vezes por ano e/ou por
convocação do Diretor, ou ainda por solicitação de uma parcela significativa da Comunidade.
O Conselho Acadêmico da Unidade Universitária é previsto no Art. 37 do Estatuto
da UEG. Tendo natureza administrativa e acadêmica, reporta suas decisões aos órgãos
superiores da Universidade e dá suporte às ações da Diretoria. É um órgão técnico de
supervisão e deliberação para assuntos de pesquisa, pós-graduação, graduação, extensão e
gestão no âmbito da Unidade Universitária, bem como órgão executivo e de assessoria ao
diretor. As atribuições do Conselho Acadêmico da Unidade Universitária são previstas nas
alíneas de “a” a “e” do inciso III do Art. 37 do Estatuto da UEG e nos incisos “I” a “XIX” do
Art. 42 do Regimento Geral da UEG. É composto pelo diretor da Unidade, coordenadores,
representante dos docentes, representante dos técnicos administrativos e representantes
discentes.
A Diretoria da Unidade Universitária é o órgão executivo que administra,
coordena e superintende todas as suas atividades, embora com escassa autonomia didáticoadministrativa, e praticamente nenhuma autonomia financeira. Essa função é exercida pelo
diretor, eleito pela comunidade da Unidade Universitária, conforme a legislação vigente, para
um mandato de dois (2) anos. A primeira eleição para diretor na UEG-UnUCSEH aconteceu
em 2001, sendo eleito o professor Ubiratan Cardoso de Souza, que assumiu a Direção da
Unidade em agosto do mesmo ano. No ano seguinte foram realizadas as primeiras eleições
para coordenadores dos cursos, recuperando uma tradição que já existia na UNIANA.
Para cada curso há uma coordenação eleita pelo corpo docente e discente, com a
incumbência de propor e articular o planejamento pedagógico-curricular, a execução, o
acompanhamento e a avaliação das atividades do curso. As atribuições específicas dos
85
coordenadores constam no Regimento Geral da UEG e no Regimento Interno da Unidade
Universitária.
Observa-se um amadurecimento rumo à gestão participativa e colegiada na
UnUCSEH, em que as decisões envolvem a comunidade desde a problematização até a
proposição das alternativas a serem seguidas, seja Núcleo de Avaliação Institucional, seja na
comissão que elabora o projeto pedagógico institucional, seja no comitê editorial da revista
científica da Unidade Universitária, ou no planejamento estratégico da instituição.
O projeto pedagógico institucional está sendo desenvolvido por uma comissão de
professores representantes de todos os cursos da Unidade, que promove discussões acerca de
elementos integradores dos currículos no que
se refere à interdisciplinaridade,
contextualização dos conteúdos, relação teoria-prática, pertinência, aproximação entre ensino,
pesquisa, extensão e cotidiano acadêmico. Os resultados e formas de implementação ora
aguardados, serão discutidos junto à Congregação.
Os esforços da Direção da UnUCSEH, neste momento, estão orientados
prioritariamente para as metas:
• melhoria da biblioteca (instalações e acervo), e da infra-estrutura física do prédio;
• organização e publicação da produção acadêmica em torno de eixos temáticos de
modo a otimizar as condições para a ocorrência de programas stricto sensu.
Ambas requerem certa autonomia financeira e vinculação das verbas próprias,
notadamente advindas daquelas receitas geradas nos processos seletivos e matrícula
estudantil. Tal mudança está sendo proposta pelos diretores no Conselho Universitário e
encontrando forte resistência pelo nível central.
Cada Unidade, conforme consta no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI,
2003) vem delineando sua estruturação interna de acordo com as particularidades do contexto
em que se encontra inserida. A estruturação organizacional da UEG-UnUCSEH, com a
descrição das funções inerentes a cada cargo estão apresentadas no Quadro 10 .
86
QUADRO 10
Distribuição dos cargos e funções administrativo-pedagógicas² da UEG-UnUCSEH, 2005³
Funções administrativo –
Cargo
pedagógicas
Técnico
administrativo
Técnicoadministrativo
Coordenador
Administrativo
Secretária Acadêmica
Atribuições
Coordena os serviços administrativos não acadêmicos
Organiza e mantém toda a documentação acadêmica da
unidade e dá suporte necessário aos coordenadores de
cursos, docentes, discentes e ao público em geral;
TécnicoSecretária
da Atende a cada coordenador de curso, nas
administrativo
Coordenação de Curso
especificidades de cada curso.
Professor
Coordenação
Orienta os coordenadores de cursos e os docentes
Pedagógica
quanto às atividades pedagógicas
Professor
Coordenação
de Trabalha as avaliações realizadas na Unidade
Avaliação e Qualidade
(avaliação da Unidade, avaliação docente pelos
discentes), Avaliação de Relatórios Docente, Avaliação
Institucional e ainda trabalha o desenvolvimento do
Programa de Qualidade e avaliação do estágio
probatório.
Professor
Coordenação
de Coordena o processo de pesquisa da Unidade, elo entre
Pesquisa
as pesquisas realizadas pelos docentes e discentes da
unidade e a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação;
Professor
Coordenação
de Responsável pelos Projetos e Programas de Extensão
Extensão
dos docentes e discentes da Unidade e a ligação destes
com a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis.
Professor
Coordenação de Pós- Coordena os cursos de pós-graduação oferecidos pela
Graduação
Unidade, sendo responsável pela ligação entre estes e a
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.
Professor
Coordenação de Curso
As atribuições do coordenador de curso estão
detalhadas no Regimento Geral da UEG
²
As atribuições específicas de cada função na Unidade Universitária são regidas pelo Regimento
Geral da Universidade Estadual de Goiás;
³
Para o ano de 2006 a estrutura organizacional sofrerá alteração devido à criação da função de ViceDiretor.
4.3 Profissionais docentes e profissionais técnico-administrativos
A UEG-UnUCSEH conta com o trabalho de 127 profissionais de educação, sendo
que 111 pertencem ao quadro permanente e 16 trabalham em regime de contrato temporário
(TAB. 7). O trabalho de apoio é realizado por 72 funcionários que compõem o quadro técnico
administrativo.
Em seu processo de consolidação, decorrente do fato de ter-se derivado
diretamente da antiga UNIANA, a UnUCSEH vem progressivamente conseguindo reunir
professores com elevado nível de qualificação, tanto mediante o incentivo à formação
continuada de antigos integrantes de seu quadro docente, quanto por meio da realização de
concursos públicos para preenchimento de novas vagas, para professores com formação em
níveis de mestrado e doutorado.
87
TABELA 8
Distribuição dos profissionais de educação da UEG-UnUCSEH, de acordo com a sua formação e
vínculo institucional, no ano de 2005
PósSituação funcional Graduado Especialista
Mestre
Doutores
Total
Doutores
Quadro permanente
0
23
68
20
0
111
Quadro temporário
0
14
02
0
0
16
total
0
37
70
20
0
127
Fonte: Assessoria das coordenações de cursos UEG-UnUCSEH (2005)
Na TAB. 8 observa-se que o corpo docente é formado em sua maioria por
professores do quadro permanente, com formação predominante de mestres, o que atende
plenamente os requisitos legais, ressaltando-se ainda que nove destes professores estão em
processo de qualificação, sendo destes 12% para mestrado e 88% para doutorado. Os
professores do quadro temporário também apresentam qualificação adequada.
A distribuição da qualificação dos professores pelos diferentes cursos da Unidade
está demonstrada no TAB. 8 a seguir.
TABELA 9
Demonstrativo da qualificação do quadro docente da UnUCSEH por curso - 2005
Licença
N.º de prof.
por curso
Titulação
11
47,8%
12
52,17
0
0
0
0
0
23
9
60%
5
33,3
1
6,6
0
0
1
15
9
42,9
12
57,1
0
0
0
0
2
21
Geografia
2
8,7
18
78,3
3
13,0
0
0
2
23
História
3
15,0
10
50,0
7
35,0
0
0
1
20
Letras
6
30,0
9
45,0
5
25,0
0
0
1
20
Pedagogia
5
17,2
20
70,0
4
13,8
0
0
3
29
Curso
Especialista
Quant
Administração
Ciências
Contábeis
Ciências
Econômicas
Mestrado
Doutorado
Pós-doctor
% no
% no
% no
% no
Quant
Quant
Quant
curso
curso
curso
curso
Fonte: Assessoria das coordenações dos cursos – UEG-UnUCSEH 2005.
88
4.4 Cursos oferecidos
Para atender à comunidade a UnUCSEH oferece cursos de bacharelado, de
licenciatura e pós-graduação lato-sensu (QUADRO 11).
No segundo semestre de 2002 iniciou-se na UEG o processo de desenvolvimento
e unificação curricular dos cursos de graduação, desencadeado pelos cursos de licenciatura e
por alguns cursos de bacharelado. Esse processo constitui um marco epistemológico, pois
proporcionou e proporciona uma ampla e profunda revisão dos cursos, possibilitada pelo
estudo sistemático e crítico das Diretrizes Curriculares Nacionais propostas pelo MEC, o que
permitiu a revisão e a integração de novos conhecimentos às disciplinas já existentes. É um
marco acadêmico-institucional, pois dá identidade à UEG ao estabelecer um perfil comum
para os egressos dos cursos, ao mesmo tempo em que atende às peculiaridades de cada
Unidade Acadêmica. Nessa Unidade, UnUCSEH, participaram desse processo todos os cursos
de graduação, que atualmente possuem suas matrizes curriculares integradas aos respectivos
cursos na UEG.
QUADRO 11
Cursos oferecidos pela UEG-UnUCSEH conforme a sua modalidade. Ano 2005.
Modalidade
Bacharelado
Licenciatura
Pós-Graduação Lato-sensu
Cursos
Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Ciências
Econômicas
Geografia, História, Letras, Pedagogia
Movimentos Sociais no Mundo Contemporâneo, Geografia Meio
Ambiente e Turismo, Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem
para o Ensino Fundamental e Médio,Economia de Empresas,
Docência no Ensino de Língua e Literatura, Metodologia do Ensino
Superior, Gestão Pública,Gestão Educacional,Especialização em
Ciência Política, Educação Infantil, Ensino e Aprendizagem de
Língua Inglesa, Análise e Auditoria Contábil, Formação Docente em
História e Cultura Africanas e Afro-Americanas, Marketing
Com relação ao desempenho dos alunos, vale registrar sua participação no Exame
Nacional de Cursos (Provão)9, no período de 1997 a 2003 (QUADRO 12). Em 2004 os alunos
do curso de Geografia, História e Pedagogia participaram do Exame Nacional de Desempenho
9
Ver discussão sobre o Provão no Capítulo II
89
dos Estudantes (ENADE, Lei 10.861/2004)10 e conforme relatório divulgado pelo INEP, os
conceitos dos cursos foram respectivamente 4, 3, 3 e 3. No ano de 2005 o resultado até o
momento ainda não foi divulgado.
QUADRO 12
Conceitos obtidos no Provão no período de 1997 a 2003.
Cursos
1997
1998
1999
Ano
2000
2001
2002
2003
Administração de Empresas
B
*
A
B
A
B
A
Ciências Contábeis
*
*
*
*
*
C
C
Ciências Econômicas
*
*
D
C
C
C
D
Geografia
*
*
*
*
*
*
A
História
*
*
*
*
*
B
C
Letras
*
C
D
C
C
A
A
Pedagogia
*
*
*
*
C
D
C
* Os Cursos não foram avaliados
Fonte: Inep (2005)
Todos os cursos de cursos de graduação oferecidos pela UEG-UnUCSEH estão
regularizados junto ao Conselho Estadual de Educação do Estado de Goiás (Tabela 13).
QUADRO 13
Autorizações e reconhecimentos dos cursos da UEG-UnUCSEH
Curso
Autorização
para
Funcionament
o
Início de
Funcionamento
Reconhecimento do Curso
Prazo de
Validade
Convalidação
Portaria 26 de
08/01/92 DOU – 09/01/92
31/12/2001
Prorrogação – Portaria nº 1.756
de 08/07/03 – DOU de 09/07/03 31/03/2004
Administr
ação
Decreto 91.261
de 22/05/85
20/02/1984
DOU –
23/05/85
Prorrogação – Portaria nº 3.631
de 08/11/04 – DOU de 09/11/04 31/03/2005
(Renovação de
Reconhecimento) Portaria nº
535
31/12/2007
de 11/05/05 – DOE de 12/05/05
Portaria 26 de 08/01/92 DOU
– 09/01/92 Art. 2º Convalidou os estudos dos
alunos que ingressaram em
1984 e 1985
10
Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, ficou “instituído o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
– SINAES, com o objetivo de assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior,
dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus estudantes”. (MEC/INEP, 2004)
90
Ciências
Contábeis
Portaria 1.208
de 13/08/92 DOU – 14/08/92 31/12/2001
Prorrogação – Portaria nº 1.756
de 08/07/03 – DOU de 09/07/03 31/03/2004
Prorrogação – Portaria nº 3.631
de 08/11/04 – DOU de 09/11/04
31/03/2005 Res. CsA nº 28/04 de 21/05/04
Decreto 91.261
Convalidou os estudos dos
(Renovação de
de 22/05/85
20/02/1984
alunos que ingressaram no
Reconhecimento) Portaria nº
DOU –
período de 1984 e 1985
122 de
31/12/2007
23/05/85
24/01/05 – DOE de 27/01/2005
Decreto 78.522 de
30/09/76 DOU – 01/10/76
31/12/2001
Prorrogação – Portaria nº 1.756
de 08/07/03 – DOU de 09/07/03
Ciências
Econômic
as
Geografia
31/03/2004
Decreto 73.149
Prorrogação – Portaria nº 3.631
de 12/11/73
06/05/1962
de 08/11/04 – DOU de 09/11/04
DOU –
31/03/2005
14/11/73
Parecer do CFE nº 2.657/76 –
convalidou os estudos feito
pelos alunos no período de
1962 a 1973.
Portaria 667 de
31/12/2001
12/05/92 DOU – 13/05/92
Prorrogação – Portaria nº 1.756
de 08/07/03 – DOU de 09/07/03 31/03/2004 Portaria 667 de 12/05/92 DOU
– 13/05/92 Art. 2º Convalidou os estudos dos
Decreto 94.209
alunos que ingressaram em
Prorrogação – Portaria nº 3.631
de 10/04/87
24/02/1986 de 08/11/04 – DOU de 09/11/04 31/03/2005 1986 e 1987 e que concluíram
DOU –
com aproveitamento.
13/04/87
* (Renovação de
Reconhecimento) Portaria nº
1.553
31/12/2008
de 08/11/05 – DOE
de 11/11/05
Portaria 272 de
11/02/92 DOU - 12/02/02
31/12/2001
Prorrogação – Portaria nº 1.756
de 08/07/03 – DOU de 09/07/03
31/03/2004
História
Prorrogação-Portaria nº 3.631
Decreto 94.209
de 08/11/04 – DOU de 09/11/04 31/03/2005
de 10/04/87
20/02/1986
Prorrogação – Portaria nº 2.413
Até a
DOU –
de 07/07/05 – DOU de 08/07/05 renovação
13/04/87
do Rec.
*(Renovação de
Reconhecimento) Portaria nº
1.776 de
15/10/2004 – DOE de
20/10/2004
Portaria 313 de
25/02/92 DOU – 26/02/92
Portaria 272 de 11/02/92
DOU – 12/02/92 Art. 2º Convalidou os estudos dos
alunos que ingressaram em
1986 e 1987
31/12/2007
31/12/2001
91
Letras
Português/
Inglês e
respectivas
Literaturas
Prorrogação – Portaria nº 1.756
de 08/07/03 – DOU de 09/07/03 31/03/2004 Portaria 313 de 25/02/92 DOU
– 26/02/92 Art. 2º Decreto 94.209
Convalidou os estudos dos
Prorrogação – Portaria nº 3.631
de 10/04/87
24/02/1986 de 08/11/04 – DOU de 09/11/04 31/03/2005
alunos que ingressaram em
1986
e 1987 e que concluíram
DOU –
Prorrogação – Portaria nº 2.413
Até a
13/04/87
com
aproveitamento
de 07/07/05 – DOU de 08/07/05 renovação
do Rec.
Portaria 1.760 de 09/12/93
31/12/2001
DOU – 13/12/93
Prorrogação – Portaria nº 1.756 31/03/2004
de 09/07/03- DOU de 09/07/03
Pedagogia
Decreto de
28/01/92 DOU
– 29/01/92
Prorrogação – Portaria nº 3.631
de 08/11/04 – DOU de 09/11/04 31/03/2005
05/03/1990
Prorrogação – Portaria nº 2.413
de 07/07/05 – DOU de 08/07/05
Até a
renovação
do rec.
Parecer 462 de 05/08/93
consta que o curso iniciou em
90
*Divergência da Carga Horária da Matriz Curricular com a Portaria de renovação de Reconhecimento do
curso publicada no D.O.E.
Nota: Para os alunos ingressos a partir de 1995 o curso de Administração passou a ser oferecido com
duas habilitações, escolhidas entre sete, conforme Resolução CEE nº 055 de 09/04/2003. Os estudos
realizados nas habilitações: Administração Geral e Administração Comercial no período
compreendido entre 1995 e 2006, foram convalidados pela Resolução CsU nº 058/2005.
No próximo item registra-se a descrição de cada curso, conforme o Guia do
Candidato do Processo Seletivo da UEG (GOIÁS/UEG, 2005 p.29-34).
4.4.1 Cursos de Licenciatura
a) Geografia – Licenciatura
“O curso forma o geógrafo licenciado (sic), com foco principal para o exercício
do magistério no Ensino Fundamental e Médio. O professor de Geografia deve participar
ativamente na organização e gestão da escola, desenvolvendo habilidades de participação
coletiva e de tomada de decisões, seja na elaboração dos projetos educacionais no campo do
ensino, da pesquisa e da extensão em Geografia, seja na gestão educacional ou ambiental,
apresentando predisposição para as atividades acadêmicas, culturais e científicas, para
associar, abordar, dissertar e sintetizar os problemas ligados ao relacionamento da sociedade
com a natureza. Além do magistério, o Licenciado em Geografia tem um promissor campo de
atuação nos diversos organismos que estudam e fiscalizam o meio ambiente.”
92
b) História – Licenciatura
“Forma o historiador licenciado (sic), com o foco principal para o exercício do
magistério no Ensino Fundamental e Médio, de modo a compreender criticamente a História,
sendo capaz de estabelecer relações efetivas entre a realidade histórica e as realidades sóciocultural e econômica, inseridas em um contexto local regional e global. O licenciado em
História deve também ser capaz de atuar ativamente na gestão escolar, na pesquisa histórica e
nas atividades de difusão do conhecimento histórico. Além do exercício do magistério, o
historiador licenciado também pode atuar em Museus Históricos, Institutos de Patrimônio
Histórico ou nos diversos organismos de preservação do patrimônio histórico e cultural.”
c) Letras _Português/Inglês - Licenciatura
“Forma o licenciado em Letras, com o foco no Ensino Fundamental e Médio,
capacitando-o na interpretação correta de textos de diferentes gêneros e registros lingüísticos;
explicando seus processos e argumentos de formação; investigando as questões ligadas ao
ensino da língua materna e língua inglesa, partindo assim de diversas teorias e abordagens. A
concepção da língua como fenômeno sócio-cultural e a compreensão do ensino como uma
realidade social são alguns dos valores despertados nos acadêmicos do curso de Letras, que
visa formar leitores críticos, cientes das diversificadas noções de gramática e conhecedores
das variedades lingüísticas e seus diferentes níveis. Ao término do curso, o licenciado em
Letras terá adquirido uma atitude investigativa que favorecerá ao processo contínuo de
construção do conhecimento na área e estará apto a responder aos desafios que a prática social
e docente apresentam no cotidiano.”
d) Pedagogia - Licenciatura
“Destina-se à habilitação de professores para o exercício do magistério no Ensino
Fundamental e em outras instâncias educacionais. Proporciona ao profissional uma formação
capaz de recriar a teoria para uma ação qualificada no processo educativo, tendo como função
a formação do homem em sua totalidade. O pedagogo é um profissional que atua na
preparação, administração e avaliação de currículo, orçamentos e programas escolares; em
regência da sala de aula; no planejamento e orientações de atividades de ensinoaprendizagem; no diagnóstico de situações educativas; na organização de processos
educativos para além do espaço educativo; na elaboração e execução de projetos na área
educacional e no acompanhamento e elaboração de critérios para o processo de avaliação.”
93
ICAS
4.4.2 Cursos de Bacharelado
a) Administração – Bacharelado
“Prepara o profissional na área de gestão organizacional e administração de
produção. Capacita-o para o trabalho cada vez mais competitivo e complexo dotando-o de
habilidades para desenvolver pesquisas. O mercado de trabalho inclui as organizações em
geral, tais como: empresas, organismos públicos, escolas, instituições sociais, sociedades civis
e outras. O administrador é responsável pelo planejamento e funcionamento de uma empresa,
seja ela pública ou privada, devendo ter habilidades numéricas, que é um dos requisitos
fundamentais para o administrador, assim como liderança, sociabilidade e capacidade de
argumentar e transmitir idéias.”
b) Ciências Contábeis – Bacharelado
“Prepara o profissional para acompanhar, desenvolver e avaliar econômicofinanceiramente as empresas públicas e privadas, e outras instituições com ou sem fins
lucrativos. O contador deve ter domínio instrumental, metodológico e técnico, ser dotado de
discernimento dos fenômenos sociais, políticos e econômicos, capaz de organizar, coordenar,
planejar, elaborar e executar serviços contábeis, fiscais e balanços das empresas e emitir
pareceres e laudos periciais no campo da Contabilidade.”
c) Ciências Econômicas
“Prepara o economista para realizar estudos e pesquisas sobre os fatores
econômicos. Forma o profissional capaz de promover planejamento, projeção, programação e
análise econômico-financeira, orçamentos e estimativas, estudos de viabilidade econômica,
apuração de lucratividade, perícias e avaliações em empresas públicas e privadas, instituições
de pesquisa, mercados financeiros e de capitais e empresas de consultoria e projetos.”
Feita esta exposição acerca dos cursos oferecidos, seguem-se algumas
informações sobre os estudantes desta Unidade Universitária.
4.5 Características discentes
De 1999 até 2005 ingressaram nos cursos da UEG-UnUCSEH 2.170 alunos, sendo
que 1.848 concluíram suas graduações, o que corresponde a 85,2% do total de matricularam.
Os dados podem ser conferidos na TAB. 10.
94
TABELA 10
C
C
I
C
I
C
I
C
I
C
Total
por Ano
Pedagog
ia
Letras
I
C
História
I
Geograf
ia
Ciências
Econôm
icas
I
Ciências
Contábe
is
ANO
Adminis
tração
Número de alunos ingressantes (I) e concluintes (C) nos cursos de graduação, modalidade regular, da
UEG-UnUCSEH, no período de 1999 a 2005.
I
C
1999
50
22
50
42
50
21
50
37
50
34
50
46
50
35
350
237
2000
50
31
50
36
50
36
50
43
50
43
50
45
50
48
350
282
2001
50
29
50
44
50
42
50
37
50
38
50
42
50
47
350
279
2002
40
40
40
55
40
25
40
35
40
27
40
38
40
39
280
286
2003
40
28
40
42
40
41
40
38
40
50
40
35
40
52
280
286
2004
40
40
40
46
40
34
40
39
40
30
40
33
40
42
280
264
2005
40
42
40
34
40
33
40
29
40
12
40
24
40
40
280
214
Total Geral 310 232 310 299 310 232 310 258 310 234 310 263 310 303 2170 1848
Fonte: Secretaria da UnUCSEH, 2006
A UEG-UnUCSEH tem uma longa história na sociedade goiana, e recebe alunos
de todos os municípios do Estado e de outros estados, mostrando um processo crescente de
interiorização do ensino superior. Corroborando essa tendência na UEG-UnUCSEH, pode-se
verificar na TAB. 11 a seguir a quantidade de alunos aqui matriculados que são oriundos de
outras cidades, inclusive de Goiânia e sua região metropolitana.
A evidente afluência de alunos de Goiânia e de Aparecida de Goiânia, da Grande
Região Metropolitana, particularmente para os cursos de bacharelado em Administração e de
Licenciatura em Geografia, ambos com registro de matrículas com mais de 50% de alunos
originários da capital de Goiás, pode ser um fator que venha a contribuir para a
descaracterização da mais significativa missão institucional da UEG, de ser uma Universidade
pública interiorizada. Concorda-se, contudo, que todo cidadão brasileiro deva ser admitido em
uma universidade, desde que comprove atender requisitos para tal.
95
TABELA 11
Distribuição de alunos matriculados na UEG-UnUCSEH por cidade informada no endereço – 2005 em
números absolutos e porcentagem
Curso
Anápolis
Goiânia/Aparecida
Outras cidades
Total
Administração
091 - 46,3
94 - 46,3
18 - 8,9
203
C. Contábeis
106 - 55,5
68 - 35,6
17 - 8,9
191
C. Econômicas
101 - 49,0
88 - 42,7
17 - 8,3
206
Geografia
052 - 34,0
84 - 54,9
17 - 11,1
153
História
048 - 32,0
85 - 54,9
17 - 11,3
150
Letras
071 - 48,6
58 - 39,7
17 - 11,6
146
Pedagogia
083 - 48,8
69 - 40,6
18 - 10,6
170
Total
552 - 45,3
546 - 44,8
121 - 9,9
1219
Fonte: Secretaria Acadêmica da UEG-UnUCSEH
A UEG-UnUCSEH tem uma expressiva concorrência nos processos seletivos,
sendo um dos motivos alegados para essa procura a qualidade dos cursos oferecidos, pode
pode ser observado na TAB. 12 a seguir.
TABELA 12
Demonstrativo do número de candidatos por vaga nos cursos da UEG-UnUCSEH – 2002 - 2006
Cursos
2002
2003
2004
2005
2006
Administração
16,0
21,0
22,7
21,4
17,6
Ciências Contábeis
8,2
9,8
11,6
10,4
9,9
Ciências Econômicas
8,8
11,5
5,7
9,9
5,3
Geografia
5,4
6,2
6,3
4,8
4,2
História
7,2
9,8
9,3
8,6
7,2
Letras
6,6
7,5
7,3
6,2
5,4
Pedagogia
7,8
11,7
9,7
7,7
5,7
Média
8,6
11,7
10,3
9,9
7,9
Fonte: Núcleo de Seleção da UEG.
Quanto ao número de evasões, tem havido uma queda nos últimos anos, com
exceção do curso de Letras, que em 2005 registrou um alto índice de desistência, como mostra
a TAB. 13:
96
TABELA 13
Relação do número de alunos desistentes de 1999 a 2005, por curso.
CURSOS
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Administração
03
09
08
-
-
-
-
Ciências Contábeis
03
-
04
03
-
-
06
Ciências Econômicas
03
01
03
05
-
-
05
Geografia
01
-
14
06
07
-
03
História
02
01
14
16
14
04
07
Letras
05
-
12
19
12
09
14
Pedagogia
01
-
08
07
05
-
-
FONTE: Secretaria da UnUCSEH - 2006
Quanto aos cursos de pós-graduação, nos dois últimos anos (2004 e 2005) foram
oferecidas vagas para 13 cursos: Geografia, Meio Ambiente e Turismo, Metodologia do
Ensino Superior, Gestão Educacional, Gestão Estratégica de Marketing, Ciência Política,
Educação Infantil, Docência no Ensino de Língua e Literatura, Economia de Empresas,
Análise e Auditoria Contábil, Formação Docente em História e Cultura Africanas e AfroAmericanas, Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa, Aquisição e Desenvolvimento da
linguagem para o Ensino Fundamental e Médio, Gestão Pública. Informações acerca do início
e término dos cursos bem como do número de alunos matriculados em cada um deles, estão
na TAB. 14 abaixo:.
TABELA 14
Cursos de pós-graduação lato sensu e quantidade de alunos matriculados – (2004-2005)
Curso (área)
Início
Término
Alunos
Matriculados
46
58
41
38
51
43
Geografia Meio Ambiente e Turismo
2004
2005
Metodologia do Ensino Superior
2004
2005
Gestão Educacional (3ª turma)
2004
2005
Gestão Estratégica de Marketing
2004
2005
Ciência Política
2004
2005
Educação Infantil
2005
2006
Docência no Ensino de Língua e
05/03/2005
05/04/2006
50
Literatura
Economia de Empresas
19/03/2005
19/04/2006
34
Metodologia do Ensino Superior
14/05/05
junho/06
60
Análise e Auditoria Contábil
21/05/05
junho/06
43
Geografia, Meio Ambiente e Turismo
27/08/05
setembro/06
55
Fonte: Centro de Estudos Avançados em Humanidades – Coordenação adjunta de Pós-Graduação.
97
4.6 Projetos de pesquisa desenvolvidos e em desenvolvimento
A busca pelo conhecimento é bem vindo na UEG, e mais ainda na UEGUnUCSEH, a demonstração clara desta procura é apresentada na Tabela 18. Observa-se
uma crescente inclusão de projetos de pesquisa fundamentando uma estrutura sólida de
apoio, ao docente e discente. O futuro desta Unidade em pesquisa é bem promissor, pois a
curva de projetos de pesquisa é crescente.
Os cursos da UEG-UnUCSEH concentram-se nas áreas de Ciências Humanas,
Lingüística e Letras, Ciências Sociais Aplicadas, estando também nessas áreas seus
projetos de pesquisa. No Quadro 15 abaixo estão inclusos dados de 2004 de projetos que
foram concluídos em 2005, e dos que iniciaram em 2005 mas só foram concluídos em
2006.
QUADRO 15
Projetos de Pesquisa da UEG-UnUCSEH de 2004 e 2005.
Andréa Freire Memorando
de Lucena
PrP/CP 121/04
Enos
Pinto
da
Silva
CSEH
Regimes internacionais: uma
análise teórico-metodológica
Estudo de
Memorando
CSEH egressos
PrP/CP 121/04
acadêmicos
Memorando
Homero
1
PrP/CP
Lacerda
121/04
Ana Emília
Soares Ribeiro
Educação
Relações
Internacionais
Abr/2004 Mar/2005
Ataândson Lopes
Abr/2004 da Silva / Simone PBIC/UEG prorrogado
Mar/2005
de Laet Segantine
Andrelisa Santos de
Voçorocas e ravinas
Jesus / Leide Laura
em Anápolis (GO):
Abr/2004 CSEH
Geociências
Francisca da Mota /
Evolução no
Mar/2005
Lidiane Ribeiro dos
período 1965-2004
Santos
PBIC/UEG
Memorando PrP/CP
Implantação de Telemarketing na
Set/2004 CSEH
Administração
386/04
UEG/Uma Pesquisa
Ag/2005
Testes Empíricos de Teorias Alternativas
Memorando
sobre a Determinação da Estrutura de
Set/2004 CSEH
Administração
PrP/CP 386/04
Capital das Empresas Brasileiras
Ag/2005
Localizadas em Anápolis
César Augustus
Análise Comparativa da Formação dos
Memorando
Set/2004 6 Labre Lemos
CSEH Bairros Vale dos Sonhos e Aldeia do
Economia
PrP/CP 386/04
Ag/2005
de Freitas
Vale em Goiânia
Cecílio Elias
5
Daher
98
Cristina
Memorando
Patriota
PrP/CP
de Moura 386/04
Os Condomínios
Horizontais em Goiás
CSEH sob a Ótica dos
Processos Urbanos
Globalizados
Débora
Memorando
Cristina Santos
PrP/CP 386/04
e Silva
Dulce
Portilho
Maciel
Memorando
PrP/CP 386/04
Estela
Najberg
Memorando
PrP/CP 386/04
8
Francine
Basile
Poéticas da
CSEH Modernidade:
Literatura e Artes
Memorando
PrP/CP 386/04
CSEH
Letras
Set/2004 Ag/2005
PBIC/UEG prorrogado
Michele
Ribeiro da
Silva
Análise da Sustentabilidade das Ações
Promovidas pela Agência Ambiental de Goiás
PIBIC/CNPq
História
Geografia
Set/2004 Ag/2005
Set/2004 Ag/2005
Análise dos Indicadores de Formalidade e
Set/2004 CSEH Precariedade do Emprego Feminino no Estado Economia
Ag/2005
de Goiás
Centralidade Polinucleada: Uma análise dos
Out/2004CSEH Subcentros Populares de Goiânia - O Caso do Geografia
Set/2005
Setor Campinas
Gercino
Memorando
Monteiro Filho PrP/CP 455/04
CSEH
15
Juscelino Martins Memorando
Polonial
PrP/CP 386/04
16
Juvair Fernandes Memorando
de Freitas
PrP/CP 386/04
A Sociedade e suas Influências no Uso
Nov/2004Estatísticas
de Drogas na Comunidade Universitária
Out/2005
Os Trabalhadores e a Construção de
Set/2004 História
Anápolis em 100 Anos de História
Ag/2005
O uso da Terra Urbana e a
Set/2004 CSEH Segregação Sócio- Espacial em
Geografia
Ag/2005
Anápolis
CSEH
Análise dos Riscos e
Núbia da
Memorando
Benefícios com a Utilização
Set/2004 - Cunha Simão /
CSEH
Economia
PBIC/UEG
PrP/CP 386/04
de Recursos do PRONAF na
Ag/2005
Rosberg de
Agricultura Familiar
Oliveira
Magda Ivonete Memorando
Montagnini
PrP/CP 386/04
Magda
Ivonete
Montagnini
Kássya
Set/2004 C. dos
Ag/2005
Santos
Estado, Desenvolvimento Econômico e Urbanização
CSEH na Região Centro- Oeste: Fundação Brasil Central Eficácia ou Desperdício de Recursos
Flávia Maria
Memorando
de Assis
PrP/CP 436/04
Paula
Luiz
11 Batista
Alves
Geografia
O Papel do Vínculo Escola/Família no
CSEH Processo de Aprendizagem a partir da
Perspectiva Histórico-Cultural
Indissociabilidade entre
Memorando
CSEH Teoria e Prática: Uma
PrP/CP 386/04
Experiência Psicopedagógica
Educação
Educação
Set/2004 Ag/2005
Ana
Set/2004 Maria S. PBIC/UEG
Ag/2005
e Silva
99
Maria Lúcia
Vannuchi
Tomazini
14
Memorando
PrP/CP 386/04
Maria Raimunda
Gomes
Mario Cesar
18 Gomes de
Castro
21
Memorando PrP/CP
431/04
Mirza
Memorando
26 Seabra PrP/CP
Toschi 386/04
Nildo
Silva
Viana
CSEH
Sociologia
O Índio na Ficção Brasileira:
Herói e Anti-Herói
Set/2004 Ag/2005
Letras
prorrogad
Out/2004Set/2005
O Custo Ambiental da Atividade Mineral
Set/2004 Economia
CSEH de Pequeno Porte: o Caso de
Ag/2005
Pirenópolis
Memorando
PrP/CP 417/04
Mary Anne Memorando
Vieira Silva PrP/CP 386/04
Nasser
Cecílio
Daher
A Mulher na Indústria FarmoQuímica: Trabalho e Gênero na
CSEH
Produção Indústrial de Anápolis
(GO)
Territorialidades Urbanas: Análise da
Set/2004 CSEH Dinâmica de Grupos nas Praças Centrais de Geografia
Ag/2005
Anápolis
Mayara Marce
Museu
Guimarães /
Virtual da
Set/2004
PIBIC/CNPq
CSEH
Educação
Fernanda
prorrogado
Educação
- Ag/2005
e PBIC/UEG
Vasconcelos Silva
em Anápolis
Souza
Benchmarking do Serviço Logístico Oferecido
Memorando
CSEH pela Indústria Alimentícia: A Percepção de
PrP/CP 386/04
Atacadistas e Varejistas de Anápolis e Goiânia
Administração
Set/2004 Ag/2005
Leandro Carvalho D.
Memórias Goianienses
Set/2004 - Neto / Marcelo Vaz de
Memorando
CSEH - Memória Coletiva e
História
PBIC/UEG
Ag/2005
PrP/CP 417/04
Souza / Resigno Barros
História de Goiânia
L. Neto
O Computador na Educação
Regina Maria
Memorando
Fundamental Pública: Mapeando os
de Araújo T.
CSEH
PrP/CP 386/04
Modos de Uso por Professores de
Netto
Anápolis
Regina Maria
de Araújo T.
Netto
Memorando
PrP/CP 386/04
Renata Cristina de
Sousa Nascimento
O Computador na Educação Fundamental
CSEH Pública: Mapeando os Modos de Uso por
Professores de Anápolis
Memorando
PrP/CP 386/04
Sandra Valéria Memorando
Limonta Rosa PrP/CP 417/04
Educação
Set/2004 Ag/2005
prorrogado
Educação
Set/2004 Ag/2005
Cultura e Memória em Goiás: Um Estudo
Set/2004 CSEH da Ação Intelectual de Jarbas Jayme e
História
Ag/2005
Colemar Natal e Silva
CSEH
Os Parâmetros Curriculares Nacionais na
Prática Docente das Séries Iniciais do
Educação
Set/2004 Jun/2005
100
Ensino Fundamental
5
Valmor Diemer
de Oliveira
Memorando PrP/CP
O Comportamento do Consumidor de
Set/2004 Economia
CSEH
Pescados em Anápolis
Ag/2005
386/04
Virgínia
Maria
8
Pereira
de Melo
Frank
Severino
G.
Rodrigues
PBIC/UEG
14
Weder
Morais
Tavares
PBIC/UEG
15
Estudo da Formação de
Set/2004 Memorando
Conceitos em História na
CSEH
Educação
PrP/CP 386/04
2ª Fase do Ensino
Ag/2005
Fundamental
Identidades Sociais e
Representação do
Cristiano Memorando
Mar/2005
Tempo: Uma Análise
P. Alencar PrP/CP
CSEH
História dos Usos Políticos do
Arrais
050/05
Fev/2006
Passado em Goiás
(1930-1945)
Débora Cristina Memorando
Santos e Silva
PrP/CP 086/05
CSEH
Literaturas
Comparadas
Letras
Abr/2005 Mar/2006
Erena - Etnicidade, Região e
Nação: Reconfigurando a
Eliesse dos
Teoria a partir de Saberes
Mar/2005
Memorando
Santos
Locais e Espaços
Ciência
21
PrP/CP
CSEH
Teixeira
Transnacionais: Mobilidade Política
Fev/2006
050/05
Scaramal
Humana em Fronteiras
Transnacionais no Caribe
Antilhano
Eliézer
22 Cardoso de
Oliveira
Euda de
24 Fátima de
Castro
Gláucia
33 Vieira
Cândido
Memorando
PrP/CP 050/05
A Gripe
CSEH Espanhola em
Goiás
História
Aplicabilidade da Leitura
Memorando
CSEH Literária dos livros InfantoPrP/CP 081/05
Juvenis em Sala de Aula
Memorando
PrP/CP
050/05
Análise Descritiva e
Comparativa de
CSEH
Línguas Indígenas da
Família Pano
Assoreamento e
Memorando
Morfogênese Antrópica
CSEH
PrP/CP 050/05
na Área Urbana de
Anápolis (GO)
35
Homero
Lacerda
42
José Santana
da Silva
Mar/2005 Fev/2006
Letras
Roberta
Amaral de
Sousa
PBIC/UEG
Daiane
Aparecida
Tonaco / João
Carlos de Faria PBIC/UEG
Silva / Laianne
Viana da Silva
Souza
Daniella Pereira de
Araújo / Milena
Martins da Silva
Abr/2005 Mar/2006
Vaniulda
Alves de
Oliveira
PBIC/UEG
PBIC/UEG
Graziela de
Mar/2005 - Jesus Gomes /
Linguística
PBIC/UEG
Fev/2006 Lizia de Oliveira
Carvalho
Geociências
Frederico
Mar/2005 Fernandes de PBIC/UEG
Fev/2006
Ávila
Memorando PrP/CP
A CPT Regional Goiás e a Política
CSEH
050/05
Partidária (1976-2002)
História
Mar/2005 Fev/2006
101
48
Loçandra Borges Memorando
de Moraes
PrP/CP 086/05
O Perfil dos Professores de Geografia
Abr/2005 Educação
do Ensino Fundamental em Goiás
Mar/2006
O Bom Professor de
Língua Estrangeira e
CSEH
sua Relação com(s)
Métodos de Ensino
Marcelo
54 da Silva
Pericoli
Memorando
PrP/CP
050/05
Nildo
67 Silva
Viana
Memorando
PrP/CP 050/05
Shirley
85 Eliane R.
Mattos
CSEH
CSEH
Memorando
PrP/CP 050/05
Angela Cristina
de Jesus
Mar/2005 Linguística
Jacitsky / Marília PBIC/UEG
Fev/2006
Moreira de
Souza
História Social do
Naturalismo no Brasil
História
Mar/2005 Fev/2006
Variação Verbal e Referencial com Sujeito
CSEH de Tipo Coletivo Singular em Revistas
Juvenis Brasileiras
Mobilidade e Centralidade: Análise da
Tadeu Pereira
Espacialidade da Oferta da Rede Física
Memorando
91 de Alencar
CSEH
Hospitalar-Ambulatorial na Região
PrP/CP 050/05
Arrais
Metropolitana de Goiânia
21
César
Augustus
Labre Lemos
de Freitas
Memorando
PrP/CP
339/05
CSEH
Dulce
42 Portilho
Maciel
44
Edem
Vaz
Linguística
Mar/2005 Fev/2006
Geografia
O Nordeste goiano na
Setembro
Greyce
dinâmica do
Lara
Economia 2005 /
desenvolvimento regional
Agosto 2006 Pereira
em Goiás
O uso do computador na
Daniela da
educação fundamental pública:
Memorando
33 Costa Britto
CSEH
PrP/CP 339/05
otimizando a formação de
Pereira Lima
professores de Anápolis-GO
Débora
Memorando
36 Cristina
PrP/CP 367/05
Santos e Silva
Renato Dias
PBIC/UEG
de Souza
PBIC/UEG
prorrogado
Leonardo
Agosto 2005
Borges
/ Julho 2006
Mendonça
PIBIC/CNPq
Pedro
Pesquisa científica rumo
Agosto
Memorando
Henrique
CSEH ao Oeste(1933-1963):
História 2005 /
PrP/CP 367/05
Marques
pioneirismo sob vigilância
Julho 2006
Cardoso
PIBIC/CNPq
Memorando
PrP/CP 307/05
O Epicurismo na
CSEH poesia de Alberto
Caeiro
Setembro
Educação 2005 /
Agosto 2006
Mar/2005 Ag/2005
Letras
A metafísica teleológica no pensamento
CSEH filosófico de Aristóteles e Santo Agostinho: a
noção da categoria de tempo
Filosofia
Setembro 2005
/ Agosto 2006
102
45
Edem
Vaz
Memorando
PrP/CP 307/05
53
Eunice de
Oliveira Rios
Semiótica e análise do discurso nas
CSEH histórias em quadrinhos: leitor, autor e
actorialização
Memorando
PrP/CP 339/05
Flávia Maria
Memorando
58 de Assis
PrP/CP 360/05
Paula
70
Homero
Lacerda
Marcelo
96 José
Moreira
"Os caminhos de Goiás" Geografia e
Setembro 2005 /
Geografia
Cartografia aplicadas ao Turismo
Agosto 2006
Centralidade Polinucleada: uma análise dos
Agosto 2005
CSEH subcentros populares de Goiânia - o caso do Geografia
/ Julho 2006
Setor Vila Nova
A situação da classe trabalhadora brasileira no fim
do século XX: a precariedade na inserção dos
Memorando
CSEH jovens no mercado de trabalho brasileiro como
PrP/CP 360/05
resultado de uma disfunção conjuntural ou
tendência?
Memorando
PrP/CP 367/05
Maria Elena
103 Fregonesi
Spínola
Mirza
112 Seabra
Toschi
Robson
128 Mendonça
Pereira
Tadeu
Pereira
Alencar
Arrais
Setembro 2005 /
Agosto 2006
Carta de riscos geológicos da bacia
Agosto
Sandra
Memorando
CSEH do córrego reboleiras
Geociências 2005 /
Sardinha
PrP/CP 367/05
Anápolis(GO), em escala 1:50.000
Julho 2006 Lemes
Márcia
98 Rosa da
Silva
138
CSEH
Linguística
Recursos Didáticos: uma idéia (ação)
CSEH periférica ou nuclear no processo ensinoaprendizagem?
Memorando
PrP/CP 397/05
Agosto
2005 /
Economia
Julho
2006
Educação
Agosto 2005
/ Julho 2006
Diagnóstico do Percurso e
Outubro 2005 /
CSEH Formação de Leitores Entre Alunos Educação
Setembro 2006
do Ensino Médio
O computador na educação
Agosto
Fernanda
fundamental pública: mapeando
Memorando
Educação 2005 /
CSEH
Vasconcelos
PrP/CP 367/05
os modos de uso por professores
Julho 2006 Silva Souza
de Anápolis
O diário íntimo do presidente de Estado
Agosto
Memorando
Altino Arantes(1916-1924): subisídio
2005 /
CSEH
História
PrP/CP 339/05
para história política e administrativa
Julho
da Primeira República
2006
Marcelo
Vaz
Sousa
Modalidade e centralidade:análide da
Agosto
Memorando
CSEH espacialização da oferta de ensino superior na Geografia 2005 /
PrP/CP 367/05
Região Metropolitana de Goiânia e Anápolis
Julho 2006
FONTE: Coordenação de Pesquisa da UEG-UnUCSEH (2005)
103
A UEG é uma instituição da sociedade goiana e que apresenta preocupação
direta com a integração do Estado de Goiás com a sociedade levando em consideração a
união entre a sociedade, discente e docente. Esta Unidade se apresenta como elo crescente
entre o Estado, os docentes e discentes e entre a instituição e a sociedade refletida nas
atividades de extensão desenvolvidas pelos professores e alunos conforme apresentado no
QUADRO 16.
QUADRO 16
Projetos de Extensão da UEG-UnUCSEH de 2005.
PROJETOS 2005
1. Agricultura familiar goiana:
desempenho e inserção
2. Marxismo, economia e
sociedade no século XXI
RESPONSÁVEL
Prof. Dorival Gomes Geraldine
3. Apoio a médicos e
enfermeiros do Hospital das
Clínicas: dados estatísticos
4.Direito dos Servidores
Públicos: Celetistas,
Estatutários e Temporários
5.Produção de texto técnicocientífico para acadêmicos
do curso de Letras da
UnUCSEH e comunidade
6. Laboratório e escritório
modelo de contabilidade do
bacharelado em Ciências
Contábeis
7. Simulação da taxa de
desconto para decisões de
investimento
8. Filosofia no Ensino
Fundamental
9.Curso de orçamento gerencial
nas pequenas empresas
10.Oficina do empreendedor
Prof. Gercino Monteiro Filho
11. A economia solidária como
uma nova perspectiva de
desenvolvimento.
Prof. Marcelo José Moreira
Prof. César Augustus L.L. Freitas
Prof. Vera Lúcia Verschoore Ferreira da Costa
Prof. Maria Elena Fregonesi Spínola
Prof. Angelita Mendes
Prof. João Cândido Barbosa
Prof. Antônio Alves de Carvalho
Prof. Simone Pereira Silva Bastos
Prof. Edson Carareto
104
12. Assessoria e consultoria
econômica para projeto de
implantação da Cooperativa
de Produção Têxtil de
Jaraguá Ltda.
(COOPERTEX)
13. Lições de economia
doméstica: como melhor
administrar seu orçamento
14. História da África e afrodescendentes: pesquisa e
ensino
15. V Semana de História:
História e Documentação
16.Estudo de língua grega e
latina
17. Vivendo economicamente
melhor na terceira idade
18. II Olimpíada da
UEG/Anápolis
19. Direito e defesa do
consumidor
20. A UEG vai à escola
21. Novos paradigmas da
relação professor/aluno
frente aos conflitos da
adolescência
Prof. Adriana Pereira de Sousa
Prof. Francine Basile
Prof. José Santana da Silva
Prof. Dulce Portilho Maciel
Prof. Roseli Tristão Martins
Prof. Maria de Fátima Oliveira
Prof.José Santana da Silva
Prof. Édem Vaz
Prof. Joana D’Arc Bardella
Prof. Denise Cravo
Prof. Fátimo Ribeiro Guimarães
Prof. Giovana Galvão Tavares
Prof. Ellen Muniz Sink Isaac
Fonte: Coordenação de Extensão da UEG-UnUCSEH (2005)
Os dados apresentados mostram como a UEG-UnUCSEH está configurada na
atualidade, sua estrutura física, organizacional e de gestão, traçando o perfil de seus
profissionais docentes técnicos administrativos, discentes, os cursos oferecidos (regulares e
de Pós-Graduação), os projetos desenvolvidos e em desenvolvimento nas áreas do ensino,
da pesquisa e da extensão, que vão nos permitir analisar os dados obtidos com a aplicação
dos questionários de auto-avaliação, o que será feito a seguir.
105
CAPÍTULO V
ANÁLISE DOS DADOS DOS CURSOS REGULARES
A UnUCSEH historicamente desenvolve o processo de avaliação de seus cursos,
tendo em vista que seu Núcleo de Avaliação Institucional(NAI) tem tradicional existência,
pois já tinha uma marcante atuação quando foi instalada a Comissão da Assessoria de
Avaliação Institucional da CAAI/UEG, em outubro de 2002.
Este NAI, embora não comungue com a metodologia e a totalidade dos
princípios do Programa Qualidade do Governo do Estado de Goiás, passou a ser integrado
por um representante desse Programa que tem a coordenação na Diretoria de Planejamento
da UEG e em âmbito estadual está sob a responsabilidade da Secretaria de Planejamento.
O primeiro passo para desenvolver a contento o processo de avaliação
institucional da UEG, objeto deste relatório, foi a oferta do curso Pós-Graduação Lato
Sensu em Avaliação Institucional, planejado, coordenado e desenvolvido pela CAAI. A
coordenadora da do NAI da UnUCSEH, após indicação pela UnU e o representante do
Programa de Qualidade do Governo foram formados especialistas nesse curso. Foi o curso
de Avaliação Institucional que permitiu o reconhecimento pelos avaliadores de que realizar
a auto-avaliação na UEG significa desenvolver pesquisa, com base no Programa de
Avaliação Institucional (2003-2006) e em projetos que respeitem as especificidades das
UnUs, a medida que a diversidade múltipla vai se tornando uma, porquanto concebida
como universidade – a UEG.
Em face das características da pesquisa-ação, metodologia descrita em outro
capítulo deste relatório, o percurso metodológico da presente investigação foi se
construindo em momentos distintos, porém complementares, no próprio curso de pósgraduação lato sensu, de acordo com o detalhamento a seguir.
106
Durante este curso criou-se um espaço para elaboração conjunta do modelo de
questionário de auto-avaliação institucional da UEG, com a participação dos professores do
referido curso e do grupo de avaliadores da UEG (professores e técnicos administrastivos
cursistas). A Coordenação da CAAI propôs que este modelo de questionário fosse discutido
com todos os segmentos participantes da pesquisa em avaliação institucional em cada UnU
ou órgão da Administração Superior da UEG. Nesta etapa, oportunizou-se uma rodada de
sugestões pelos cursistas, que em seguida foram socializadas em Seminários do curso,
contribuindo desta forma para o desenvolvimento de uma versão dos questionários que
fosse comum para todas as UnUs e Pólos da UEG.
Com a disponibilização dos questionários on line pela Coordenação da
Assessoria da Avaliação Institucional(CAAI) no Portal na UEG realizou-se um trabalho de
mobilização com os alunos, professores, gestores e técnico-administrativos para a
participação na pesquisa. O objetivo naquele momento foi explicar a importância da
Avaliação Institucional para a construção e consolidação de uma universidade pública de
qualidade.
Um outro passo da pesquisa se efetivou, entre os dias 16 e 28 de novembro de
2005, a coleta de dados em questionários via on line da auto-avaliação institucional.Tratase, portanto de um avanço neste processo, por ser a primeira vez a UEG pôde fazer uma
coleta de dados diagnósticos simultaneamente nas vinte e nove Unidades que participaram
do processo. É importante considerar que os segmentos respondentes − alunos, professores,
gestores e técnicos-administrativo/agentes-administrativos − dispunham de conhecimento
prévio sobre a Avaliação Institucional constituído por um conjunto de ações desenvolvidas
pelo NAI desta UnU.
Nesta etapa, uma das preocupações da coordenação do NAI na UnUCSEH de
Anápolis, foi garantir o envolvimento de um maior número possível de respondentes de
todos os segmentos e cursos para que o processo de avaliação se legitimasse por meio dos
princípios de participação democrática. Por problemas técnicos, que inviabilizaram o uso
dos computadores em vários momentos, pelo acúmulo de trabalho e inclusive pela
107
realização paralela de outras atividades que exigiam respostas dos segmentos envolvidos, o
percentual desejado não foi alcançado nesse período, o que tornou necessária uma nova
coleta na época da matrícula e início das aulas de 2006. Como resultado deste trabalho,
obteve-se a participação de 397 respondentes, número que alcança o percentual 28,24% do
total de alunos, professores, gestores e técnico-administrativos da UnU.
TABELA 15
Número de respondentes na UnUCSEH de Anápolis
Segmentos
Universo da pesquisa
Amostragem
% de respondentes
Alunos
1193
288
24,14%
Professores
127
44
34,66%
Servidores
72
52
72,22%
Gestores
14
13
92,86%
Total
1406
397
28,24%
Fonte: Coordenação da Avaliação Institucional da UEG – UnUCSEH de março/2006
Após a etapa de coleta dos dados, estes foram organizados, tabulados e em
seguida receberam tratamento estatístico. Ressalta-se que esta fase requereu muito trabalho
e tempo dos pesquisadores e assessores em avaliação institucional, em virtude da
complexidade de se realizar este tipo de pesquisa em uma universidade na qual a cultura em
avaliação institucional encontra-se ainda em fase de construção. Reconhece-se que a
apreensão do objeto da pesquisa e o ato de conhecer os dados da realidade são muito
complexos.
A CAAI, com assessoria especializada, disponibilizou os relatórios estatísticos
em forma de planilhas, organizados por dimensões de acordo com cada segmento da
pesquisa. Ressalta-se que as planilhas foram construídas a partir dos questionários
elaborados coletivamente e que se encontram em anexo para verificação. No processo de
construção das dimensões do Programa de Avaliação Institucional da UEG, respeitando-se
as especificidades desta instituição, procurou-se fazer uma aproximação entre o modelo
proposto pelo SINAES e as solicitações do Conselho Estadual de Educação/Goiás, que é a
instância avaliadora da UEG.
108
Dadas as especificidades do universo de atuação de participantes da pesquisa, as
dimensões não são coincidentes para todos os segmentos de respondentes. Foram agrupadas
da seguinte forma, conforme o Quadro n. 16 demonstra a seguir:
QUADRO 16
Dimensões avaliadas e números de questões por segmento de respondentes
DIMENSÕES PARA OS ALUNOS
Nº de questões
1- Condições físicas e instrumentais da UnU
12
2- Biblioteca
07
3- Laboratório de informática
05
4- Serviços
03
5- Dimensão pedagógica
05
6- Coordenação de Curso
03
7- Avaliação de Caráter Geral da UnU
06
8- Avaliação do corpo docente
06
9- Auto-avaliação do aluno
08
10- Direção/Gestão
03
Total de questões do questionário dos alunos
58
DIMENSÕES PARA OS PROFESSORES
1- Condições físicas e instrumentais da UnU
2- Biblioteca
3- Laboratório de informática
4- Serviços
5- Dimensão pedagógica
6- Coordenação de Curso
7- Avaliação de Caráter Geral da UnU
8- Auto-avaliação dos professores
9- Avaliação dos discentes
10- Direção/Gestão
Total de questões do questionário dos professores
Nº de questões
09
06
14
09
13
03
15
24
02
03
98
DIMENSÕES PARA TÉCNICOS E/OU AGENTES ADMINISTRATIVOS Nº de questões
1- Condições físicas e instrumentais da UnU
03
2- Serviços
06
3- Avaliação de Caráter Geral da UnU
11
4- Auto-avaliação dos técnico e/ou agentes administrativos
06
5- Direção e Gestão da UnU
03
Total de questões do questionário dos servidores administrativos
29
DIMENSÕES PARA GESTORES
1- UEG e a sociedade
2- Condições físicas e instrumentais da UnU
3- Direção e Gestão
4- Avaliação de Caráter Geral de UnU
6- Auto-avaliação do gestor
Nº de questões
04
09
11
23
10
109
7- Serviços
Total de questões do questionário dos gestores
10
67
Fonte: CAAI – Questionários da Avaliação Institucional – UEG/2005
As dimensões acima referidas, fundamentadas no Programa de Avaliação
Institucional da UEG e no referencial teórico desta pesquisa, orientaram a análise
qualitativa em cada segmento dos sujeitos pesquisados.
Nas análises das dimensões desta pesquisa, foram explicitados os resultados
obtidos e, consideradas como “fragilidades” as dimensões avaliadas pelos respondentes
com média inferior a 6.0 e, como “potencialidades” as dimensões avaliadas com médias
iguais ou superiores a 6.0, reforçadas pelos indicadores: percentil 50 (mediana) e
Coeficiente de Variação (CV). A maioria dos dados, neste capítulo, será apresenta em
forma de tabelas e gráficos com as seguintes siglas de indicação de índices, conforme
significação e descrição no QUADRO 17:
QUADRO 17
Significado e descrição das siglas usadas em tabelas de dados da AI
SIGLAS
SIGNIFICADO E DESCRIÇÃO
Número dos sujeitos respondentes
N
Número de sujeitos respondentes que optaram pela alternativa “Desconheço”
D
Média: média aritmética das notas atribuídas. Nesta análise considera-se as médias
ME
iguais ou superior a 6.0 com satisfatórias.
Mínima: nota mínima atribuída na dimensão ou questão
MI
Máxima: nota máxima atribuída na dimensão ou questão
MA
P50 ou Percentil 50 ou Mediana: nota atribuída por 50% ou mais dos sujeitos respondentes.
Mediana
Coeficiente de Variação: mede o grau de variação ou discrepância entre a nota mínima
(MI) e a nota máxima (MA). Nesta análise considera-se como índices ideais de CV os
CV
iguais ou inferiores a 0.35
Fonte: CAAI - Avaliação Institucional da UEG/2006
5.2 Segmento: Alunos
Na UEG-UnUCSEH participaram como respondentes desta pesquisa os alunos dos
cursos regulares de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Geografia,
110
História, Letras e Pedagogia, no total de 288 alunos. Como já informado, nela atualmente
não são ministrados cursos seqüenciais e licenciaturas parceladas.
5.2.1 Condições Físicas
Na dimensão Condições Físicas e Instrumentais da Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas-UnUCSEH foram avaliados os seguintes quesitos:
1) atendimento das necessidades de ensino-aprendizagem, quanto aos aspectos das salas de
aula/laboratórios (ventilação, espaço adequado ao nº de aluno, carteiras adequadas,
acústica); 2) laboratórios para as aulas práticas do curso (disponibilidade, condições físicas,
condições materiais); 3) estruturas físicas e funcionais do auditório; 4) acesso de pessoas
com necessidades especiais (rampa, banheiros, corrimão); 5) distribuição e funcionamento
dos bebedouros; 6) limpeza e conservação dos ambientes (sala de aula, banheiros,
corredores); e 7) quadra poliesportiva e materiais para a prática de esporte.
Em relação às condições físicas e instrumentais os alunos do curso de
Administração, Ciências Econômicas, Geografia, História, Letras e Pedagogia mostram-se
poucos satisfeitos, em vista não atingiram a média mínima 6,0, convencionada para ser um
item reconhecido como potencialidade. Apenas um dos 7 cursos ministrados atribuiu média
acima de 6,0 para as condições físicas, qual seja, Ciências Contábeis (oferecido somente no
noturno).
TABELA 16
Condições Físicas e Instrumentais - alunos
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,22
6,28
4,53
4,96
4,95
4,82
5,77
5,08
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
As condições físicas e instrumentais apresentaram uma média geral de 5,08,
portanto os alunos consideraram esta dimensão com uma avaliação muito fraca, em relação
111
a média 6,0.Essa fragilidade institucional é evidenciada por vários elementos que merecem
atenção: salas de aula com acústica inadequada, construção bastante antiga e imprópria à
educação diante da quantidade de cursos que a UnU possui, auditório sem climatização e
com sistema de som inadequado, falta de acesso ao prédio para pessoas com necessidades
especiais. Em função deste quadro aqui retratado a avaliação fraca evidencia a realidade,
como conseqüência de uma infra-estrutura obsoleta que interfere negativamente no
processo educacional da Unidade de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas da UEG.
A seguir apresenta-se o gráfico gerado a partir da avaliação institucional
realizada pelos alunos, relativo à dimensão Condições Físicas e Instrumentais.
Gráfico n.2 - Média da dimensão Condições físicas e instrumentais da Unidade Universitária (UnU) Aluno - Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas (UnUCSEH)
10
9
8
7
6,28
5,77
Média
6
5
4,96
4,95
4,82
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
4,53
4,22
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.2.2 Biblioteca
Os principais aspectos avaliados na dimensão Biblioteca foram: 1) espaço físico
da biblioteca; 2) informatização; 3) atendimento dos funcionários da biblioteca; 4) acervo
disponível para pesquisas e formação profissional; 5) periódicos científicos e revistas
especializadas em sua área de conhecimento; 6) freqüência na utilização da biblioteca; 7)
horário de funcionamento para atender sua necessidade.
112
Em relação à biblioteca os alunos do curso de Administração apresentaram uma
média de 4,74, os de Ciências Contábeis 6,05, de Ciências Econômicas 5,32, Geografia
5,09, História 4,92, Letras 4,64 e Pedagogia 5,84.
TABELA 17
Dimensão Biblioteca - alunos
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,74
6,05
5,32
5,09
4,92
4,64
5,84
5,20
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Esta avaliação também apresentou um resultado fraco que reflete bem a
realidade da UEG-UnUCSEH. A observação in loco do pequeno espaço físico da
Biblioteca confirma a inadequação para abrigar a grande quantidade de alunos e professores
dos cursos que a UnU possui. O acervo é insuficiente para atender a demanda e
desatualizado, situação esta que também se aplica aos os periódicos científicos. A
Biblioteca não possui qualquer tipo de informatização. Essa realidade impede a criação de
uma cultura de utilização do acervo por parte do aluno, pois a regra preponderante é a
ausência de livros, periódicos, filmes, CD ROMs. Infere-se que a média geral 5,20 atribuída
pelos discentes não foi mais baixa porque o atendimento realizado pelos funcionários,
assim como o horário de atendimento que abrange todos os três períodos (matutino,
vespertino e noturno) receberam conceitos bastante elevados.
O GRAF. 3 gerado a partir da avaliação realizada pelos alunos, relativo à
dimensão Biblioteca, permite uma melhor visualização das médias obtidas em cada curso.
113
Gráfico n.3 - Média da dimensão Biblioteca - Aluno - Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,05
6
5,64
Média
5,32
5,09
4,74
5
4,92
4,64
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Auto-avaliação
5.2.3 Laboratório de informática
Em relação à dimensão Laboratório de Informática foram avaliados os seguintes
itens: atendimento das necessidades das disciplinas quanto a atualização dos programas e
aplicativos; adequação dos computadores, velocidade da conexão com a internet,
quantidade de computadores, manutenção dos equipamentos; horário de funcionamento;
atendimento técnico dos monitores aos usuários; informações atualizadas no portal da UEG
quanto às matrizes curriculares, artigos científicos, projeto pedagógico, divulgação de
eventos
e
programa
das
disciplinas;
comunicação
on
line
intra-institucional;
disponibilidade de equipamentos para a impressão de material didático dos docentes.
A exemplo da dimensão anterior esta também consiste de uma fragilidade,
exceto para os estudantes Ciências Contábeis, que atribuíram média 6,05. Note-se a baixa
média dada pelo alunos do curso de Letras (4,64).
114
TABELA 18
Laboratório de Informática
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,74
6,05
5,32
5,09
4,92
4,64
5,84
5,62
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
A UEG-UnUCSEH possui dois laboratórios de informática para seus 7 cursos,
não atendendo portanto à demanda estudantil. A realidade da Unidade é refletida no
resultado fraco para regular desta dimensão. Tal resultado encontra razões na baixa
capacidade dos equipamentos, sendo que os programas e aplicativos utilizados se resumem
aos softwares básicos existentes (pacote office), impossibilitando os trabalhos com
programas que exijam uma capacidade melhor da máquina, por exemplo para o tratamento
de imagens ou outros fins (corel draw, auto-cad).
Outro problema está vinculado à infra-estrutura técnica do laboratório que
devido aos equipamentos obsoletos não permitem uma conexão com a internet a uma
velocidade satisfatória. A quantidade de equipamentos também não atende às necessidades
devido ao número de cursos já informados neste relatório. Conseqüentemente o número de
monitores para auxílio ao usuário ou pequenas manutenções também é reduzido. Os
horários de atendimento compreendem todos os três turnos, aspecto positivo avaliado pelos
alunos.
Quanto ao site da UEG, a nosso ver, não pode ser considerado um portal. São
poucas as informações disponíveis, e muitas vezes ele não faz link com os sites das UnUs.
A UEG-UnUCSEH possui um site próprio em que disponibiliza algumas informações em
relação aos cursos, suas matrizes curriculares, relação de professores, entre outras. O site da
UEG não faz referência ao da UnUCSEH, o que não facilita sua visitação por falta de maior
divulgação. A UEG não possui uma intranet em que os alunos possam coletar informações
relativas ao seu desempenho acadêmico, efetivar matrículas on line e obter outras
115
informações de interesse dos discentes, aspecto sugerido por alguns alunos. As dificuldades
citadas vêm impedindo o processo de comunicação interna e externa na instituição.
O Graf. 4 facilita a visualização da auto-avaliação institucional realizada pelos
alunos relativa à dimensão Laboratório de Informática.
Gráfico n.4 - Média da dimensão Laboratório de Informática - Aluno - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
6,74
7
Média
6,04
5,8
6
5,49
5,28
5,57
5
4,43
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.2.4 Serviços prestados na universidade
O segmento dos discentes avaliou os seguintes itens da dimensão Serviços
prestados na Universidade: os serviços de fotocopiadora, o atendimento da secretaria e os
serviços de lanchonete/cantina.
Em relação aos Serviços prestados na Universidade os alunos dos 7 cursos
consideraram uma fragilidade com média geral 5,85. Essa média se aproxima da média
mínima para considerar uma potencialidade pela avaliação realizada pelos estudantes de
Ciências Contábeis (6,61), Ciências Econômicas (6,29) e Pedagogia (6,22).
116
TABELA 19
Serviços Prestados na Universidade
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
5,48
6,61
6,29
5,49
5,43
5,43
6,22
5,85
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
A UEG-UnUCSEH possui apenas uma fotocopiadora e também uma
lanchonete, que são terceirizadas. Em relação à fotocopiadora é comum a formação de filas,
pois os alunos tendem a tirar suas cópias nos intervalos, gerando acúmulo, pois são quatro
cursos no período matutino e três no período noturno. A fotocopiadora interna à Unidade
também é utilizada para cópias de provas e outros documentos administrativos da
secretaria, fator este que contribui ainda mais para formação de filas, gerando a insatisfação
evidenciada na avaliação.
No que tange ao atendimento da secretaria, este também não foi bem avaliado,
pois devido ao número de pessoas para serem atendidas e a pouca quantidade de
funcionários a insatisfação é conseqüência natural, embora muitos já reconheçam que
algumas mudanças positivas qualificaram um pouco o atendimento.
O GRAF. 5, gerado a partir da avaliação institucional realizada pelos alunos,
oferece uma boa visualização dos resultados da dimensão Serviços prestados na
Universidade.
117
Gráfico n.5 - Média da dimensão Serviços - Aluno - Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,61
6,29
Média
6
5,48
6,22
5,49
5,43
5,43
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
5.1.5 Proposta Pedagógica
Desta dimensão constavam os itens: disponibilidade e debate sobre o projeto
pedagógico de curso; a relação entre a formação oferecida pelo curso e o perfil profissional
demandado pelo mercado de trabalho; a contribuição das atividades de extensão
(seminários, semana acadêmica, simpósios e outros) para sua formação; o processo de
avaliação da aprendizagem no seu curso e os estímulos que a instituição oferece à iniciação
e à produção científica.
Em relação à Proposta Pedagógica os alunos do curso de Administração
apresentaram uma média de 4,34, os de Ciências Contábeis 5,95, de Ciências Econômicas
4,86, Geografia 5,75, História 5,76, Letras 5,21 e Pedagogia 6,56. Embora o alunado de
Pedagogia tenha atribuído uma média fronteiriça entre regular e bom, uma avaliação geral
permite indicar que o conhecimento da proposta pedagógica dos cursos merece maior
atenção dos coordenadores de curso, ao se levar em conta que os alunos desconhecem
diversos aspectos relevantes dos projetos pedagógicos de seus cursos. Essa dimensão
também consiste de fragilidade na UEG-UnUCSEH.
118
TABELA 20
Proposta Pedagógica
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,34
5,95
4,86
5,75
5,76
5,21
6,56
5,49
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
A dimensão proposta pedagógica também ficou bem aquém em relação à
qualidade esperada. Durante a avaliação alguns alunos expuseram que existe pouca
interação deles na construção dos projetos políticos pedagógicos, que são elaborados pela
coordenação ou pelos professores, e aos quais eles não têm acesso, haja vista o número
elevado de respostas “desconheço”.
A dissonância apresentada pelo curso de Pedagogia tem sua razão na própria
proposta pedagógica e na postura dos professores, que efetivamente trabalharam para o
envolvimento dos alunos na elaboração e divulgação de seu Projeto Político Pedagógico.
Essa participação dos acadêmicos pesou, inclusive, para que o curso fosse semestralizado, o
que é uma antiga reivindicação do corpo discente e somente foi atendida pelos cursos de
Pedagogia e Ciências Contábeis, embora deste último tenha sido feito sem uma
participação mais efetiva do alunado.
Se os professores pouco realizam pesquisas, dificilmente a cultura de
investigações será desenvolvida pelos discentes. A mesma cultura é replicada na extensão,
embora existam diversos projetos em andamento.
Uma observação mais direta permite registrar que uma grande quantidade de
alunos reclama da abordagem de avaliação de alguns professores, considerando-a
conservadora, com pouca importância dada à produção científica. Para muitos alunos
alguns professores não passam de simples repetidores de conteúdos, mensurando neles
apenas a capacidade de memorização.
119
Segue-se o GRAF. 6 que favorece uma visão panorâmica da avaliação da
Proposta Pedagógica, feita pelos alunos em cada curso.
Gráfico n.6 - Média da dimensão Dimensão Pedagógica - Aluno - Unidade Universitária de Ciências
Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,56
5,95
Média
6
5,75
5,76
5,21
4,86
5
4,34
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
5.2.6 Coordenação de Curso
Os alunos, na dimensão Coordenação de Curso, avaliaram a flexibilidade do
coordenador quanto à participação dos alunos no planejamento de atividades; a
disponibilidade de tempo para discutir as questões acadêmicas (individualmente e/ou em
grupo); e a habilidade para solucionar conflitos de forma profissional.
Em relação à Coordenação de Curso os alunos do curso de Administração
apresentaram uma média de 3,76, os de Ciências Contábeis 7,05, de Ciências Econômicas
5,32, Geografia 6,22, História 5,37, Letras 5,48 e Pedagogia 7,29.
120
TABELA 21
Coordenação de Curso
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
3,76
7,05
5,32
6,22
5,37
5,48
7,29
5,78
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Os cursos de Pedagogia (7,29) e Ciências Contábeis (7,05) apresentaram as
melhores médias, fruto, de acordo com relatos dos alunos, de uma coordenação presente e
atuante, disposta ao auxílio na solução dos conflitos apresentados. O curso que apresentou
menor média na avaliação feita pelo alunado foi o de Administração (3,76). Este curso
havia trocado de coordenação, permanecendo uma grande insatisfação com a gestão do
coordenador anterior, todavia também reclamavam da pouca presença do atual e da
questionável prática dos coordenadores de não permitirem o envolvimento dos alunos nos
processos de planejamento de atividades do curso. O Graf. 7 apresenta as médias de cada
curso atribuídas pelos discentes à dimensão Coordenação de Curso.
Gráfico n.7 - Média da dimensão Coordenação do curso - Aluno - Unidade Universitária de Ciências
Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7,29
7,05
7
6,22
6
Média
5,32
5,37
5,48
HISTÓRIA
LETRAS
5
4
3,76
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
PEDAGOGIA
121
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.2.7 Avaliação de Caráter Geral
A dimensão Caráter Geral levou em consideração os seguintes aspectos:
envolvimento/compromisso da UnU com a comunidade em geral; democratização dos
assuntos relacionados à Unidade; comunicação na Unidade; eventos realizados pela/na
UnU; programação de recepção aos calouros; atitude dos professores na indicação de
bibliografias e incentivo à realização de pesquisa.
Em relação à Avaliação de Caráter Geral os alunos do curso de Administração
apresentaram uma média de 4,12, os de Ciências Contábeis 5,92, de Ciências Econômicas
5,08, Geografia 5,44, História 5,46, Letras 5,15 e Pedagogia 6,49.
TABELA 22
Avaliação de Caráter Geral
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,12
5,92
5,08
5,44
5,46
5,15
6,49
5,38
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Esta dimensão também apresentou-se como uma fragilidade na UnU em 6
cursos, não alcançando a média mínima para ser considerada como potencialidade. Os
alunos de Pedagogia, contudo, julgaram estar bem informados no que concerne aos itens de
Caráter Geral. A média 6,49 atribuída pelos estudantes aponta para isso, o que permite duas
inferências: a)a coordenação e os professores do curso de Pedagogia mantêm o corpo
discente bem informado, sem dúvida, contribuindo com a sua qualidade; b) a UEGUnUCSEH possui pouca interação com a comunidade em geral e os seus assuntos ficam
restritos a professores e gestores, dificilmente chegando aos alunos.
122
A observação direta também comprovou a pouca atenção aos calouros, sendo
que muitos cursos não realizam uma semana eficientemente planejada a fim de inseri-los na
ambiência universitária. Em relação à prática de indicação de bibliografias e incentivo à
pesquisa, conforme já foi parcialmente avaliado na proposta pedagógica realizada acima, a
UnU, salvo alguns professores, não estimula a pesquisa ao longo do curso, ficando a
atuação discente restrita aos Trabalhos de Conclusão de Curso.
Segue abaixo o gráfico gerado a partir da avaliação institucional realizada pelos
alunos, relativo à dimensão Avaliação de Caráter Geral.
Gráfico n.8 - Média da dimensão Avaliação de Caráter Geral da UnU - Aluno - Unidade Universitária
de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,49
5,92
Média
6
5,44
5,46
5,15
5,08
5
4,12
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
5.2.8 Corpo Docente
Os alunos avaliaram a dimensão Corpo Docente nos seguintes quesitos: domínio
do conteúdo; planejamento das aulas; uso de diferentes metodologias de ensino: debates,
seminários, estudos de textos, aulas de campo e outras; apresentação e discussão do plano
de curso; relação entre os conteúdos teóricos e a prática profissional pretendida pelo curso e
critérios e instrumentos utilizados no processo de avaliação da aprendizagem.
123
Em relação ao Corpo Docente os alunos dos cursos de Administração e de
Ciências Econômicas avaliaram respectivamente com as médias 4,77 e 5,94. Ambas
indicam fragilidade no corpo docente. Alunos do curso de Administração manifestam sua
insatisfação com a constante falta de alguns professores e descompromisso com o
desenvolvimento dos alunos. Em relação ao curso de Pedagogia, entretanto, os elogios são
claros quanto à capacitação dos professores e o estímulo para sua aprendizagem.
Os outros 5 cursos consideram o corpo docente como potencialidade, mas a
média geral (6,37) desta dimensão é preocupante, considerando que está pouco acima da
média mínima entendida pelos avaliadores como potencialidade, ou seja de desempenho
regular.
TABELA 23
Corpo Docente
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,77
6,69
5,94
6,92
7,04
6,15
7,06
6,37
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
O GRAF. 9 permite visualizar bem essa situação:
124
Gráfico n.9 - Média da dimensão Corpo Docente (Professores) - Aluno - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
Média
7,06
7,04
6,15
5,94
6
5
6,92
6,69
7
4,77
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
5.2.9 Auto-avaliação do aluno
Esta dimensão está relacionada com a auto-avaliação dos alunos nos seguintes
aspectos: assiduidade e participação nas aulas, à participação nas atividades
complementares, (palestras, seminários e outros eventos), conhecimento sobre seus direitos
e deveres contidos no manual do aluno, sua relação com direção, coordenação do curso,
professores, técnico-administrativos; seu envolvimento nas atividades do movimento
estudantil de sua UnU.
Em relação à sua auto-avaliação os estudantes de todos os 7 cursos se
consideraram potencialmente aptos, participativos e comprometidos, pois todos se
avaliaram positivamente. A dimensão atingiu a média 6,85, denotando que conjunto de
alunos da UnUCSEH se colocam em um bom patamar de desenvolvimento.
TABELA 24
Auto-Avaliação do Aluno
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
6,46
7,37
6,74
7,04
6,59
6,57
7,18
125
Média Geral
6,85
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Consideramos a avaliação desta dimensão com certa coerência, pois os discentes
que pior avaliaram os docentes, os coordenadores de curso, as propostas pedagógicas,
enfim as várias dimensões, também se auto-avaliaram a partir das mais baixas médias,
como sendo um resultado dos itens anteriores, embora apresentando sua auto-avaliação
sempre como potencialidade em contraposição às fragilidades das dimensões anteriormente
citadas. O contrário também é verdadeiro, pois os alunos que melhor se avaliaram também
foram os que realizaram as melhores avaliações nas dimensões antes avaliadas. De maneira
geral esta dimensão foi a que apresentou a melhor avaliação, algo já de se esperar diante do
comportamento humano natural de censura à autocrítica. Entretanto, pelas razões acima
citadas, sobretudo em relação ao fator coerência, consideramos o mesmo válido e de
fundamental importância para avaliação. Os alunos, ao emitirem sua opinião durante a
pesquisa, deixaram transparecer que possuem uma boa participação nas atividades de aula e
complementares, todavia relatam que possuem pouco conhecimento dos direitos e deveres
em função da não observância do manual do aluno e no que depende deles relatam ainda
possuir uma boa relação com os agentes que participam da unidade (professores, gestores,
servidores).
.
O GRAF. 10, gerado a partir da avaliação realizada pelos alunos, relativo à
dimensão auto-avaliação mostra a potencialidade dessa dimensão.
126
Gráfico n.10 - Média da dimensão Auto-avaliação do aluno - Aluno - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7,37
7,18
7,04
7
6,74
6,46
6,59
6,57
HISTÓRIA
LETRAS
Média
6
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.2.10 Direção
Nesta pesquisa, outra dimensão avaliada pelos alunos estava relacionada com a
Direção/Gestão. Nela, os alunos observaram os seguintes quesitos: atuação do(a) diretor(a)
na resolução dos problemas; participação do(a) diretor(a) nas atividades acadêmicas;
transparência na gestão (prestação de contas, informes, publicação de portarias,
convocações, divulgação de pautas e acesso a atas de reuniões).
As médias atribuídas pelos alunos ao desempenho da direção/gestão podem ser
comprovadas na TAB. 25 e GRAF. 11.
TABELA 25
Direção/Gestão
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
4,98
6,53
5,67
5,43
5,89
4,34
6,61
127
Média Geral
5,64
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
De uma maneira geral esta dimensão apresenta-se como fragilidade, exceto sob
o julgamento do corpo discente dos cursos de Ciências Contábeis e de Pedagogia. Os
alunos revelam que há falta de informações a respeito da gestão da UnUCSEH, que deveria
ser mais democrática e participativa.
Gráfico n.11 - Média da dimensão Direção/Gestão - Aluno - Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6
Média
6,61
6,53
5,67
5,89
5,43
4,98
5
4,34
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.2.11 Média Geral dos Cursos
Como pode ser observada no gráfico que segue, a média geral da auto-avaliação
dos alunos dos cursos de graduação em Administração, Ciências Contábeis, Ciências
Econômicas, Geografia, História, Letras e Pedagogia em todas as dimensões, apresentou os
seguintes resultados:
128
Em relação à Média Geral dos Cursos, os alunos de Administração apresentaram
uma média de 4,83, os de Ciências Contábeis 6,5, de Ciências Econômicas 5,47, Geografia
5,75, História 5,66, Letras 5,27 e Pedagogia 6,39.
TABELA 26
Média Geral dos Cursos
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,83
6,5
5,47
5,75
5,66
5,27
6,39
5,7
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Os alunos de Ciências Contábeis (6,5) seguidos dos alunos de Pedagogia (6,39)
são os que apresentam melhores médias de avaliação e os alunos de Administração (4,83) e
de Letras (5,27) são os de piores médias de avaliação. Todavia o resultado geral, com
média de 5,7 reflete a insatisfação dos alunos em relação à UEG-UnUCSEH nas suas mais
variadas dimensões, servindo de forte indicador para sugestões de várias melhorias nos
diversos aspectos analisados.
Segue abaixo o gráfico gerado a partir da avaliação institucional realizada pelos
alunos, relativo à Média Geral dos Cursos.
129
Gráfico n.12 - Média dos cursos - Aluno - Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e
Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,5
Média
6
5
6,39
5,47
5,75
5,66
5,27
4,83
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3 Segmento: Professores
Na UnUCSEH de Anápolis, participaram um total de 44 professores,
representando uma amostra de 35%, de seus 127 docentes.Vale ressaltar que esse segmento
é formado em sua maioria de professores efetivos, em número de 111, situação muito
diferente da maioria das Unidades,que mantém um quadro de professores temporários
bastante elevado.
5.3.1 Condições físicas e instrumentais da Unidade Universitária
Os professores avaliaram a dimensão Condições Físicas e Instrumentais da
Unidade Universitária nos seguintes aspectos: condições prediais para desenvolvimento das
atividades de ensino-aprendizagem; condições prediais para pessoas com necessidades
especiais; recursos materiais com relação às necessidades das aulas.
130
TABELA 27
Condições Físicas e Instrumentais
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
3,73
5,08
4,91
4,03
4,87
4,44
5,93
4,71
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Os professores mostraram toda sua insatisfação com a falta de condições físicas
da Unidade. Todos os professores dos 7 cursos concordaram com essa fragilidade
institucional variando as médias entre 3,73 (professores do curso de Administração) 5,97
(professores do curso de Pedagogia). Constatamos empiricamente nos relatos cotidianos
dos professores que já ocorreram situações de falta de material básico, como por exemplo,
giz, para realização das atividades.
O curso de Pedagogia conseguiu “a duras penas” montar o seu próprio
laboratório, com recursos oriundos de cursos de Pós-Graduação, fator que sem dúvida
contribuiu para os resultados mais positivos apontados pelos professores.
Os resultados da avaliação feita por professores e alunos são coincidentes,
ambos segmentos confirmam a urgência na ampliação de espaço físico e adequação das
salas de aula, laboratórios e salas especiais, cujo funcionamento é precário.
Como ilustração segue o GRAF. 13 gerado a partir da avaliação institucional
realizada pelos professores, relativo à dimensão Condições Físicas e Instrumentais.
131
Gráfico n.13 - Média da dimensão Condições físicas e instrumentais da Unidade Universitária (UnU)
- Professor - Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
5,93
Média
6
5,08
5
4,91
4,87
4,44
4,03
4
3,73
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3.2 Biblioteca
A dimensão Biblioteca foi avaliada pelos professores nos seguintes aspectos:
espaço físico; informatização; atendimento dos funcionários; acervo disponível suficiente e
atualizado para pesquisa e atuação profissional; periódicos científicos e revistas
especializadas em sua área de formação; horário de atendimento.
Os professores se queixaram da quase ausência de periódicos, considerando que
a falta de recursos durante 2005 impediu a renovação de assinaturas. Sugere-se
providências urgentes para renovação de assinaturas e de novas assinaturas de periódicos
em todas as áreas de conhecimento dos cursos de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas,
bem como a atualização do acervo de livros.
Os professores e alunos pouco utilizam a biblioteca para a realização de
trabalhos teóricos.As médias atribuídas pelo corpo docente dos 7 cursos à Biblioteca
colocaram essa dimensão inquestionavelmente como fragilidade com a média geral 4,80, o
que referenda avaliação realizada pelos alunos com média geral 5,20.
132
A TAB. 28 e o Graf. 14 permitem verificar as médias atribuídas pelos professores
de cada curso à dimensão Biblioteca.
TABELA 28
Biblioteca
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
5,32
5,11
5,04
4,05
3,83
4,42
5,83
4,8
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Gráfico n.14 - Média da dimensão Biblioteca - Professor - Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
5,83
6
Média
5,32
5,11
5,04
5
4,42
4,05
4
3,83
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3.3 Laboratório de informática
Os professores, assim como os alunos, avaliaram os mesmos aspectos em
relação ao Laboratório de Informática, dimensão avaliada amplamente por meio de 15
itens. As médias alcançadas em cada curso estão dispostas na TAB. 29 e GRAF. 15.
133
TABELA 29
Laboratório de Informática
Administração
3,85
Ciências Contábeis
5,41
Ciências Econômicas
4,53
Geografia
4,04
História
5,4
Letras
5,03
Pedagogia
5,91
Média Geral
4,88
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Os professores do curso de Administração (3,85) e Ciências Econômicas (4,53)
foram os que pior avaliaram esta dimensão e os professores do curso de Pedagogia (5,91) e
Ciências Contábeis (5,41) foram os que melhor avaliaram esta dimensão. A média geral de
avaliação (4,88) demonstra a precariedade dos laboratórios de informática perante a
realidade da UEG-UnUCSEH, contando apenas com dois laboratórios de informática para o
total de sete cursos, sendo que quatro são ministrados no período matutino e três no período
noturno. Muitas aulas que poderiam ser dadas nos laboratórios de informática, para prática
com softwares de apoio não são realizadas, pois são constantemente utilizados pelas
disciplinas que necessitam de sua utilização de forma mais constante (disciplinas ligadas à
informática).
Os docentes confirmam a fragilidade desta dimensão com média 4,88, assim
como os discentes que avaliaram-na com média geral 5,62.
134
Gráfico n.15 - Média da dimensão Laboratório de Informática - Professor - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
5,91
Média
6
5,41
5,4
5,03
5
4
4,53
4,04
3,85
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3.4 Serviços prestados na Universidade
Os serviços prestados ou oferecidos na UnU como fotocopiadora, secretaria,
segurança, lanchonete/cantina, coordenação administrativa, transporte, o horário de
atendimento à comunidade universitária, foram avaliados pelos professores e apresentaram
os resultados indicados na TABELA 30 e GRAF. 16 que seguem.
TABELA 30
Serviços Prestados na Universidade
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
6,42
7,12
6,73
5,95
6,45
6,23
6,88
6,54
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
135
Em relação aos Serviços prestados na Universidade, os professores de
apresentaram certa satisfação como se comprova a potencialidade da dimensão com a
média geral 6,54, apesar de que para os docentes do curso de Geografia ser ainda uma
fragilidade institucional.
Os professores do curso de Ciências Contábeis (7,12) seguido dos professores
do curso de Pedagogia (6,88) foram os que apresentaram melhor avaliação e os professores
dos cursos de Letras (6,23) e Administração (6,42) foram os que apresentaram pior
avaliação respectivamente. Uma das principais queixas apresentadas pelos professores do
período noturno foi em relação ao transporte. Os professores vindos de Goiânia usam uma
empresa terceirizada pela UEG para prestação deste serviço. Todavia os atrasos são
constantes, e embora os gestores da UEG tenham conhecimento nenhuma atitude é tomada,
o que leva os professores a sempre atrasarem em torno de 20 minutos o início da primeira
aula. Mas esse ponto não pesou porque os professores estão cientes de que uma solução
para o caso depende da administração central e não da gestão local. De maneira geral a
dimensão foi avaliada com conceito regular, assegurando os serviços como potencialidade
em contraposição à avaliação dos discentes que atingiu média geral 5,85, colocando a
dimensão com conceito fraco.
136
Gráfico n.16 - Média da dimensão Serviços - Professor - Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7,12
7
6,45
5,95
6
Média
6,88
6,73
6,42
6,23
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3.5 Dimensão Pedagógica
Na Dimensão Pedagógica os professores avaliaram os seguintes aspectos: 1)
conhecimento do plano de desenvolvimento institucional (PDI); 2) divulgação e discussão
sobre a proposta pedagógica do curso (PPC); 3) mecanismos de participação e discussão na
definição e elaboração da proposta pedagógica; 4) currículos e ementas da disciplina; 5)
discussão sobre os critérios da avaliação de aprendizagem propostas em sua unidade
universitária; 6) estímulo à iniciação e produção científica aos professores; 7) atendimento
às necessidades de ensino, pesquisas e extensão pelo (s) laboratório (s) específico do curso;
8) disponibilidade de recursos para a realização de eventos científicos: semana de cursos,
simpósios, seminários e outros; 9) acesso aos relatórios das avaliações de desempenho na
UnU; 10) núcleo de estágios supervisionados (conhecimento da proposta de estágio
supervisionado do curso, contribuição para a proposta de estágio supervisionado,
coordenação de estágio supervisionado).
137
TABELA 31
Dimensão Pedagógica
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
5,33
5,59
4,07
4,78
5,63
6,24
6,6
5,46
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Os professores do curso de Pedagogia atribuíram média 6,6 seguidos dos
professores do curso de Letras 6,24, o que denota uma boa coerência com as finalidades e
objetivos de ambos cursos que formam professores. Causam estranheza os resultados
advindos da avaliação feita por professores dos cursos de licenciatura em Geografia (4,78)
e licenciatura em História 5,63) que também formam professores. Não é admissível o
desconhecimento do projeto pedagógico por professores que formam bacharéis, uma vez
que são professores de uma instituição educacional, o que torna mais preocupante a posição
dos professores que são formadores de professores e pouco valorizam a dimensão
pedagógica.
Uma inferência feita a partir da observação in loco aponta que um parte dos
professores dos referidos cursos – História e Geografia, têm uma grande preocupação com
a pesquisa, com o trabalho dos conteúdos específicos de sua área, desconsiderando a
dimensão pedagógica de seu trabalho, o que se reflete nesse desconhecimento.
Segue abaixo o gráfico gerado a partir da avaliação institucional realizada pelos
professores, relativo à dimensão Proposta Pedagógica.
138
Gráfico n.17 - Média da dimensão Dimensão Pedagógica - Professor - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,6
6,24
6
Média
5,33
5,63
5,59
4,78
5
4,07
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3.6 Coordenação de Cursos
A coordenação de Cursos foi avaliada pelos professores quanto: ao trabalho do
coordenador em conjunto com os professores; à disponibilidade de atendimento do
coordenador; à resolução de problemas de forma profissional. As médias obtidas por cada
curso foram muito altas e podem ser observadas na TAB. 32 e GRAF. 18.
TABELA 32
Coordenação de Cursos
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
8,75
8,54
7,33
7,17
7,00
7,78
9,33
7,99
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
139
Esta dimensão apresentou um resultado extremamente positivo se comparada
com as outras dimensões já avaliadas, consistindo em potencialidade. A maior parte dos
professores que expressaram sua opinião durante a avaliação destacou o comprometimento
dos coordenadores e a vontade de melhorar os respectivos cursos, esbarrando muito mais na
falta de recursos do que nos aspectos pessoais, muitos fazendo inclusive além das
expectativas, através de soluções criativas, como é o caso da coordenação do curso de
Pedagogia.
Preocupa aos avaliadores institucionais a assustadora discrepância entre a
avaliação da coordenação do curso de Administração feita pelos docentes, média geral 8,75
e dos discentes que foi sofrível, com média 3,76, já registrada em outro item neste
relatório.
Gráfico n.18 - Média da dimensão Coordenação de Curso - Professor - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9,33
9
8,75
8,54
7,78
8
7,33
7,17
7
7
Média
6
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
140
5.3.7 Avaliação de Caráter Geral
Os professores consideraram os seguintes aspectos na dimensão “Avaliação de
Caráter Geral da UnU”: qualidade geral da instituição (administrativo, pedagógico);
eventos
realizados
pela
instituição;
comunicação
na
Instituição;
envolvimento/compromisso da UnU ou Pólo com a comunidade em geral; ajuda de custos
(diárias) para professores (efetivos e contratados temporariamente) que residem fora do
município da UnU/Pólo; atividades de recepção aos calouros; veículos de publicação de
artigos/resumos; disponibilidade de recursos financeiros para publicações em periódicos
científicos e participação em congressos; periodicidade das reuniões do Conselho
Acadêmico; processo de planejamento das atividades da UnU ou Pólo; sua participação nas
tomadas de decisões relacionadas à UnU; parceria da UnU com empresas privadas,
Fundações e ONGs; resoluções tomadas pelos Conselhos Acadêmicos e Universitários.
Em relação à avaliação geral os professores de Administração consideraram essa
dimensão como fragilidade, como pode ser conferida nos dados constantes da TAB. 33 e
GRAF. 19. Embora se apresente como fragilidade é possível registrar aspectos destacados
como positivos pelos professores:como a participação nas decisões tomadas pela Unidade
no Conselho Acadêmico e do processo de planejamento das atividades na Unidade.
TABELA 33
Avaliação Geral
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
4,6
5,63
4,61
4,52
5,38
5,58
5,78
5,16
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Pesam negativamente nesta dimensão os parcos recursos que a UEG-UnUCSEH
recebe, dificultando vários aspectos que refletem na qualidade geral da instituição, tais
141
como, publicação em periódicos científicos, participação em congressos, eventos realizados
pela Unidade. Embora a dimensão apresente uma avaliação regular.
Gráfico n.19 - Média da dimensão Avaliação de Caráter Geral da UnU - Professor - Unidade
Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
Média
6
5
5,63
4,6
5,38
4,61
4,52
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
5,58
5,78
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.3.8 Auto-Avaliação dos Professores
Quanto à sua auto-avaliação, os professores consideraram os seguintes aspectos:
seu envolvimento nas reuniões (congregação, de colegiado, de planejamentos e outras); sua
assiduidade, pontualidade às aulas e cumprimento do cronograma; freqüência de
atualização da bibliografia do seu plano de curso; relação entre teoria e prática na sua
disciplina, utilização de diferentes metodologias de ensino na disciplina que leciona;
conhecimento sobre o regimento e o organograma; capacidade de identificar problemas e
propor soluções no setor de trabalho; aproveitamento de seu potencial profissional no
ambiente de trabalho; disponibilidade para atualização profissional (mestrado, doutorado,
pós-doutorado); sua freqüência à biblioteca; seu relacionamento com (direção,
coordenação, professores, alunos, técnico-administrativos); seu envolvimento direto e/ou
indireto na UnU (atividade de extensão
e projeto de pesquisa); uso de diferentes
142
instrumentos de avaliação do aluno (provas escritas e orais, provas com e sem consulta,
auto-avaliação); consideração sobre a realidade dos alunos na elaboração do plano de curso;
relação do plano de curso e de aula com o proposta pedagógica; orientação em atividades
de trabalho final de curso; participação em eventos culturais e científicos; troca de
experiência (entre professores do mesmo curso e com os professores de outros cursos).
Os resultados foram muito positivos. Em todos os cursos os professores se
consideram como bons docentes, elevando essa dimensão a uma potencialidade, o que pode
ser confirmado com os dados TAB. 34 e GRAF. 20, a seguir.
TABELA 34
Auto-Avaliação do Professor
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
7,25
7,76
7,53
7,00
7,42
7,46
7,14
7,37
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
.
143
Gráfico n.20 - Média da dimensão Auto-avaliação do professor - Professor - Unidade Universitária
de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
7,76
8
7,25
7,53
7,42
7,46
HISTÓRIA
LETRAS
7,14
7
7
Média
6
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Com média equivalente a 7,37, os professores ressaltam não ser realizado mais
em função da falta de recursos, não apresentam melhor desempenho por não terem
condições de trabalho adequadas e apoio financeiro.
Outro aspecto que implica pouca qualidade é a necessidade de muitos
professores darem aula em outras instituições como forma de complementação salarial,
impossibilitando assim a dedicação total para com a UnU.
Interessante a semelhança dos resultados da auto-avaliação dos alunos (6,85) e
dos docentes (7,37) que se mostram muito alvissareiras.
5.3.9 Avaliação Discente
Na dimensão Avaliação dos Discentes os professores analisaram os critérios
como: assiduidade e participação dos alunos nas aulas e participação dos alunos nas
atividades complementares, palestras, seminários e outros eventos.
144
TABELA 35
Avaliação dos Discentes
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
6,46
8,13
6,63
7,00
6,25
5,69
6,25
6,63
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Gráfico n.21 - Média da dimensão Avaliação dos discentes - Professor - Unidade Universitária de
Ciências Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8,13
8
7
7
6,63
6,46
6,25
Média
6
6,25
5,69
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
LETRAS
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Os discentes que melhor foram avaliados pelos professores (conforme TAB. 35
e GRAF. 21) foram os do curso de Ciências Contábeis (8,13) e Geografia (7,00) e os que
receberam pior avaliação foram os do curso de Letras (5,69), Pedagogia (6,25) e História
(6,25). Esta dimensão de uma maneira geral apresentou um resultado positivo, com uma
média geral de 6,63, mostrando-se como potencialidade. Os professores informaram que
em função da falta de recursos para realização de eventos mais atraentes, com a presença de
palestrantes de renome nacional, e outros recursos para realização do trabalho no dia-a-dia,
a tendência à desmotivação pelos discente em relação ao seu curso é grande.
145
É interessante ressaltar que os discentes de Ciências Contábeis, que fizeram as
avaliações mais positivas em praticamente todas as dimensões, de forma coerente foram
também os mais bem avaliados pelos professores. E os de Administração, que apresentaram
avaliações fracas para todas as dimensões, inclusive a auto-avaliação, foram bem avaliados
pelos professores, em uma aparente contradição.
5.3.10 Direção/Gestão
Os professores avaliaram a dimensão Direção/Gestão nos seguintes aspectos:
atuação do diretor na resolução dos problemas; participação do diretor nas atividades
acadêmicas; transparência na gestão (prestação de contas, informes, publicação de
portarias, convocações, divulgação de pautas e acesso a atas de reuniões).
As médias por curso podem ser conferidas na TAB. 36 e no GRAF. 22,
apresentados em seguida.
TABELA 36
Direção/Gestão
Administração
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Média Geral
6,91
8,75
8,00
7,86
7,50
8,30
8,17
7,93
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
.
146
Gráfico n.22 - Média da dimensão Direção/Gestão - Professor - Unidade Universitária de Ciências
Sócio-Econômicas e Humanas - UnUCSEH
10
8,75
9
8
8
7
8,17
LETRAS
PEDAGOGIA
7,5
6,91
Tabela 6. Escala Gradiente
6
Média
8,3
7,86
Pesos
(escala gradiente)
1. Ótimo
10,0
2. Bom
7,5
3. Regular
5,0
4. Fraco
2,5
5. Inexistente
0,0
FONTE: Questionário diagnóstico
Alternativas
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
HISTÓRIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Em relação à dimensão Direção/Gestão os professores dos cursos de Ciências
Contábeis (8,75) e Letras (8,30) foram os que apresentaram melhor avaliação, e os
professores dos cursos de Administração (6,91) e História (7,5) foram os que apresentaram
pior avaliação. De uma maneira geral esta dimensão é apontada pelo corpo docente como
potencialidade na UnUCSEH, com o que não concordam os discentes, como é notável nos
dados da TAB. 25 e GRAF.11. Uma possível explicação para essa divergência pode estar
no envolvimento dos Centros Acadêmicos da UnUCSEH com a administração central da
UEG, em discordância com a postura da maioria dos professores e gestores da Unidade.
5.3.11 Média Geral
Como pode ser observado no Gráfico n.23 a seguir, a média geral da autoavaliação dos professores dos cursos de graduação em Administração, Ciências Contábeis,
Ciências Econômicas, Geografia, História, Letras e Pedagogia em todas as dimensões,
apresentou os seguintes resultados:
147
Gráfico n.23 - Média dos cursos - Professor - Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas
e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
6,08
6,14
HISTÓRIA
LETRAS
5,84
5,79
6
Média
6,59
6,55
5,5
5
4
3
2
1
0
ADMINISTRAÇÃO
CIÊNCIAS
CONTÁBEIS
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
GEOGRAFIA
PEDAGOGIA
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
Gráfico n.24 - Média da unidade - Professor - Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas
e Humanas - UnUCSEH
10
9
7,93
7,9
8
7,38
7
6,52
6,51
6,03
Média
6
5,38
4,67
5
5,1
4,86
4,79
4
3
2
1
tã
o
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G
ire
çã
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Di
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.
AD
E
0
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
5.4 Comparação entre resultados da avaliação dos alunos e dos professores
Observando os gráficos que seguem, é possível fazer uma comparação entre a
avaliação feitas por alunos e professores dos diferentes cursos.
148
As avaliações em relação à média geral dos professores (6,03) e dos alunos
(5,67) ficaram muito próximas, demonstrando um descontentamento geral perante a
realidade refletida na avaliação da UnUCSEH..
A unanimidade dos dois segmentos professores e alunos em relação às
potencialidades é sinalizada nas dimensões Auto-avaliação e Avaliação dos docentes pelos
discentes e vice-versa.
A dimensão melhor avaliada pelos alunos foi em relação à sua auto-Avaliação
(6,84). Sob a perspectiva dos professores a maior potencialidade da UEG-UnUCSEH recai
na dimensão Direção/Gestão. Foi justamente nesta dimensão que ocorreu a maior diferença
de avaliação (2,29) comparando-se resultados de professores (7,93) e dos alunos (5,64).
Outra percepção diferente também foi apresentada na dimensão Coordenação de Cursos,
dando uma diferença de 2,20, em que os professores avaliaram com uma média de 7,90 e os
alunos com 5,70. Os demais itens apresentam uma proximidade de avaliação,
demonstrando, conforme supracitado, a insatisfação em relação as mais variadas dimensões
presentes na UEG-UnUCSEH, e de acordo com os comentários emitidos por ambos
(professores e alunos) fruto sobretudo da falta de recursos destinados à Unidade.
A dimensão avaliada com média geral mais baixa, tanto pelos professores (4,67)
quanto pelos alunos (5,03) foi em relação às Condições Físicas e Instrumentais. Sendo
assim esta é a maior fragilidade da UnU, mas é seguida por outras como Biblioteca,
Laboratórios de Informática, Dimensão Pedagógica.
Seguem a tabela e o gráfico comparativo da avaliação dos professores e
alunos.
149
TABELA 37
Comparativo das dimensões avaliadas pelos alunos e professores
Dimensões
Condições Físicas
Biblioteca
Laboratório de Informática
Serviços internos
Dimensão Pedagógica
Coordenação do Curso
Avaliação Geral
Auto-Avaliação
Avaliação do docente/discente
Direção/Gestão
Média Geral
Alunos
5,03
5,21
5,66
5,89
5,42
5,70
5,33
6,84
6,29
5,64
5,67
Professor
4,67
4,79
4,86
6,52
5,38
7,90
5,10
7,38
6,51
7,93
6,03
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
Gráfico n. 25 – Comparação Professor - Aluno
9
8
7,93
7,90
7,38
7
6,52
6,51
Médias
6
6,03
5,38
5
4
4,86
4,79
4,67
5,10
Aluno
Professor
3
2
no
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te
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Di
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en
sã
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Pe
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tó
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di
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Fí
si
ca
s
1
0
Dimensões
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.5 Segmento:servidores
Nesta UnU, do total de 52 servidores (técnico–administrativo/agente–
administrativo) 72,22% participaram como respondentes na pesquisa em avaliação
150
institucional. Conforme pode ser observado no gráfico n.26, os servidores avaliaram as
seguintes dimensões: Condições físicas e instrumentais da UnU, Serviços, Caráter Geral da
UnU, Auto-avaliação dos técnico-administrativos, Direção/Gestão.
Quanto às potencialidades sublinhadas pelos técnicos administrativos, estas
coincidem com os outros segmentos. Com professores e alunos assemelham-se as médias
da auto-avaliação. Ainda outra potencialidade registrada que é coincidente com o segmento
professores, é a da dimensão Direção/Gestão.
Os técnicos-administrativos avaliaram as Condições Físicas e Instrumentais com
uma média equivalente a 5,92, ratificando resultados obtidos entre os alunos e professores,
o que confirma mais uma vez essa grande fragilidade da UnU. Os serviços também foram
considerados como frágeis (5,77) pelos servidores, sobretudo os aspectos em que há
terceirização e seu pouco acompanhamento. A dimensão de Caráter Geral, cujos itens
enfocam forma de admissão e plano de carreira, entre outros, recebeu média geral 4,87,
portanto mais uma fragilidade se revela na instituição.
Essa avaliação reflete ainda a insatisfação dos técnicos-administrativos perante a
realidade da UnU, respaldada pela fraca média geral de avaliação (5,60). Este resultado
também pode ser considerado natural, pois estes são os que prestam os serviços internos da
UnU, sofrendo diretamente as conseqüências das insatisfações geradas pelos usuários
diante da falta de estrutura, tendo portanto uma proximidade maior com a realidade vivida
na UnU.
A avaliação dos técnicos-administrativos em relação à UEG-UnUCSEH
apresentou uma média geral correspondente à 5,60, como se verifica TAB. 38 e GRAF. 25.
151
TABELA 38
Avaliação Geral dos Servidores
Dimensões
Condições Físicas e Instrumentais
Serviços
Caráter Geral
Auto-Avaliação
Direção/Gestão
Total da Unidade
Média Geral
5,92
5,77
4,87
6,45
6,20
5,60
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação.
Gráfico n. 26 – Média da unidade – Servidor – Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e
Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7
Média
6
6,45
5,92
5,68
6,2
5,77
4,87
5
4
3
2
1
0
TOTAL UNIDADE
Cond. Fis. e Instrum.
Serviços
Caráter Geral
Auto-Avaliação
Direção/Gestão
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.6 Segmento: gestores
Nesta UnU, do total de 14 gestores, 92,86 %, ou seja, treze (13) participaram da
pesquisa de auto-avaliação institucional. Fazem parte deste grupo o diretor, os
coordenadores de curso e os avaliadores institucionais. Conforme pode ser observado na
tabela e gráfico que seguem, os gestores avaliaram as seguintes dimensões: UEG e a
Sociedade, Condições Físicas e Materiais da UnU, Direção/Gestão, Avaliação de Caráter
Geral das Pró-Reitorias, Diretorias e UnUs, Auto-Avaliação do Gestor e Serviços.
152
TABELA 39
Avaliação Geral dos Gestores
Dimensões
UEG e Sociedade
Condições Físicas e Instrumentais
Direção/Gestão
Caráter Geral
Auto-Avaliação
Serviços
Total da Unidade
Média Geral
5,12
3,97
6,28
5,71
7,33
6,34
5,88
Fonte: CAAI – Questionário diagnóstico de Avaliação
As dimensões melhor avaliadas pelos gestores foram a Auto-Avaliação (7,33) e
os Serviços (6,34) prestados na UnUCSEH
As dimensões consideradas como maiores fragilidades pelos gestores foram
avaliadas pelos gestores foram Condições Físicas e Instrumentais (3,97) e UEG e
Sociedade (5,12). Em relação às Condições Físicas e Instrumentais os gestores
apresentaram a pior avaliação (3,97) em relação ao demais avaliadores (alunos 5,08;
professores 4,71; servidores 5,92). Observe-se que todos os segmentos apontaram esta
fragilidade com a maior intensidade possível. Urgem providências
A média geral de avaliação (5,88) dos gestores também reflete o
descontentamento destes em relação a realidade vivida na UnU, por demais confirmadas
neste relatório com os resultados do processo de auto-avaliação dos cursos de graduação
ministrados na UnU das várias fragilidades apresentadas por todos os avaliadores.
Segue abaixo o gráfico gerado a partir da avaliação institucional realizada pelos
gestores da UEG-UnUCSEH.
153
Gráfico n. 27 – Média da Unidade – Gestor – Unidade Universitária de Ciências SócioEconômicas e Humanas - UnUCSEH
10
9
8
7,33
7
6,34
6,28
Média
6
5,88
5,71
5,12
5
3,97
4
3
2
1
0
TOTAL UNIDADE
UEG e a Sociedade
Cond. Fis. e
Instrum.
Direção/Gestão
Caráter Geral
Auto-Avaliação
Serviços
Fonte: CAAI – Questionário Diagnóstico de Avaliação
5.7 Interface entre as dimensões da pesquisa e as categorias de análise
5.7.1 Interiorização da universidade pública
Diante da proximidade física com Goiânia, os dados do alunado das UnUs de
Anápolis mostram uma inversão em relação à interiorização, pois grande parte de seus
cursos têm as vagas preenchidas por acadêmicos residentes em Goiânia. O que ocorre,
portanto é uma inversão de interiorização para metropolização.
Esse fato está comprovado na Tabela 11, que mostra a distribuição dos alunos
matriculados na UEG-UnUCSEH por cidade informada no endereço, na matrícula de 2005,
sendo 45,3% de Anápolis, 44,8% de Goiânia e Aparecida de Goiânia e 9,9% de outras
cidades, perfazendo um total de 54,7% de alunos que se deslocam de suas cidades para a
Unidade todos os dias. Vale registrar que dos 45,3% residentes em Anápolis, um número
expressivo é morador temporário, estando aqui somente para concluir seus estudos.
Embora Goiânia e sua região metropolitana tenham um número elevado de
faculdades particulares, a UEG aparece como a única alternativa de Universidade pública
154
além da UFG. Em que pese o pagamento do transporte escolar e as dificuldades do
translado diário, ela ainda é economicamente mais viável, segundo colocação dos alunos.
Mas esse não é o único fator de peso na decisão do aluno que deixa a capital
para estudar em Anápolis. A disputa no processo seletivo faz com que os cursos da cidade
sejam valorizados por aqueles que vêem a possibilidade de ter um diploma emitido por uma
instituição academicamente relevante no contexto educacional do estado, de modo geral,
além de alguns pontos específicos relacionados aos cursos de maior procura por moradores
da capital.
Dos cursos, os de Licenciatura em História e Geografia são os que têm um
maior número de alunos de Goiânia (54,9% em ambos) e o de Ciências Contábeis o de
menor número (35,6%).
A análise do perfil dos alunos das licenciaturas destacadas acima aponta o
grande interesse de uma parcela destes pela política estudantil e de outra parcela pelas
atividades de pesquisa, ambos aspectos que dificilmente são contemplados em instituições
particulares.
O primeiro grupo vê na UEG, em razão da forma como esta foi conduzida até o
momento, um campo fértil para suas pretensões político-partidárias. Na UEG-UnUCSEH
pode-se constatar a existência de “estudantes profissionais”, alunos que fazem o mínimo de
disciplinas permitidas por ano, são sistematicamente reprovados até o limite do
jubilamento, retornam em novos vestibulares, tendo como única preocupação a participação
nos centros acadêmicos e diretórios estudantis. São alunos que até agora pouco
contribuíram para a Unidade, pois não se interessam por questões verdadeiramente
acadêmicas, estão visando somente interesses individuais ou de algum grupo político,
sendo os que apresentam maior rejeição à direção da UnUCSEH, em razão da postura
adotada por seus gestores, que são contrários às ingerências político-partidárias na
Universidade.
155
O segundo grupo vê na qualificação dos professores, quase todos mestres e
doutores, nas atividades de pesquisa e nos grupos de estudo, oportunidade para iniciarem
suas lides acadêmicas. O número de projetos de pesquisa apresentados e aprovados com
bolsistas vem crescendo, tendo hoje a Unidade 17 bolsas do PBIC/UEG e 04 do
PIBIC/CNPq, de acordo com relatório da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Os
bolsistas integram grupos de pesquisa certificados pela UEG e cadastrados no CNPq, na
área de Ciências Humanas – Centro Interdisciplinar de Estudos África-Américas, Núcleo de
Pesquisa Marxista e Formação de Professores; na área de Lingüística, Letras e Artes –
Grupo de Apoio à Pesquisa em Estudos Lingüísticos e Literários e Grupo de Investigação
Científica de Línguas Indígenas (GICLI); na área de Ciências Sociais Aplicadas –
desenvolvimento Regional e Meio Ambiente.
Nos últimos dois anos foram aprovados 10 alunos do curso de Geografia para o
curso de mestrado na UFG, UnB e UFMG, o que representa 13% de seus formandos na
mesma época; o curso de História teve 6 aprovados na UFG, sendo 10,9% de seus
formandos, o que atrai cada vez mais os estudantes. Esse grupo tem maior disponibilidade
para permanecer na UnU em horários em que não estejam em sala de aula e é o que
apresenta maiores críticas à biblioteca, à informatização, ao acesso à Internet, aos espaços
disponíveis para estudos e orientação, ao número de bolsas de pesquisa.
O menor número de discentes oriundos de outras cidades do curso de Ciências
Contábeis também parece estar ligado ao seu perfil. O curso é prioritariamente procurado
por pessoas já trabalhando na área, ou que têm interesse imediato de fazê-lo. Como o
trabalho nos escritórios de contabilidade exige a permanência dos mesmos no ambiente de
trabalho por todo o dia, e como sua condição financeira não permite o uso de carro próprio,
é difícil que as pessoas se desloquem de outras localidades em tempo hábil para o início das
aulas, o que restringe os candidatos àqueles que moram na própria cidade.
É preciso destacar que nossa análise em relação à inversão metropolização x
interiorização não retira o evidente papel social da UEG ao assumir-se multicampi e
interiorizada, tendo em vista que a instituição cumpre sua missão de abrigar, após processo
156
seletivo, cidadãos goianos ou não, constitucionalmente amparados em sua escolha por uma
universidade pública.
O que lamentamos são as distorções das políticas educacionais que não
proporcionam condições de acesso ao ensino superior público a todos os brasileiros que o
desejam.
5.7.2 Acesso ao ensino superior público, conquista da cidadania e da profissionalização
Um dos pontos fortes identificados pelo processo de avaliação institucional
refere-se à possibilidade concreta da população anapolina e das regiões circunvizinhas de
terem acesso ao ensino superior público. Embora todos os cursos de graduação oferecidos
na atualidade pela UEG-UnUCSEH já estivessem em funcionamento desde 1990,
remontando à época da UNIANA, a criação da UEG e sua expansão por todo o Estado os
colocou em evidência, acentuando sua procura.
A exigência profissional referente à formação em nível superior para o
exercício da maioria das profissões e atividades profissionais faz com que a universidade
pública seja valorizada, o que foi expresso na avaliação feita.Também a oferta de cursos de
pós-graduação, mesmo não sendo foco da pesquisa, apareceu em várias observações e
depoimentos como sendo uma referência da UEG-UnUCSEH.
As pesquisas com egressos têm mostrado um alto grau de empregabilidade dos
formandos da UEG-UnUCSEH tanto dos cursos de bacharelado quanto das licenciaturas,
bem como um elevado índice de sua aprovação em concursos. Isso comprova que a
Unidade tem cumprido sua função de oferecer uma formação que possibilita a
profissionalização dos alunos, em nível inicial e continuado, apesar de que o processo de
auto-avaliação dos cursos tenha revelado resultados pouco satisfatórios nas dimensões:
espaço físico e condições instrumentais de trabalho, adequabilidade da biblioteca para dar
apoio acadêmico, científico e pedagógico às funções essenciais da Universidade, a
comunicação e transparência das informações significativas aos alunos, as condições de
157
ingresso e plano de carreira de técnico-administrativos, a absoluta falta de recursos
financeiros, entre outros.
O envolvimento de professores e alunos nos movimentos sindicais, centros
acadêmicos e outras instâncias de luta por seus direitos, mostra que a conquista da
cidadania vem sendo gradativamente feita por eles. O fato de grande parte do quadro
docente ser de professores efetivos da instituição certamente contribui muito para esse
engajamento, ao mesmo tempo que dá respaldo para os que não são ainda do quadro
permanente se manifestem mais livremente. Também a postura da direção local, de não
interferir na livre expressão da comunidade acadêmica, com todo ônus que essa posição
acarreta, sustenta as atitudes mais críticas dos professores.
Por razões de ordem interna, que vão desde a precária estrutura física da UEGUnUCSEH até divergências quanto às diretrizes implementadas pelo Programa dos
Trabalhadores da Educação de Goiás, a Unidade optou por não mais trabalhar com o
Projeto de Licenciatura Plena Parcelada e também por não oferecer nenhum curso
seqüencial. O Conselho Acadêmico da Unidade, referendado por sua Congregação,
deliberou que poderia “contribuir para a melhoria da qualidade do ensino em todos os
níveis e modalidades, por meio de programas destinados à formação continuada dos
profissionais da educação” investindo na oferta de cursos de pós-graduação e ações de
extensão.
O destaque em 2005 ficou com os trabalhos na área de História da África e afrodescendentes, um projeto de pesquisa e ensino que se transformou em um curso de pósgraduação a ser oferecido em 2006 para os professores da UEG e das redes de ensino
básico públicas, atendendo uma determinação legal do MEC para inclusão dessa temática
nos currículos do Ensino Fundamental e Médio. É o primeiro curso referente ao assunto na
região e estará recebendo aportes financeiros externos, do CNPq. Relevantes ainda foram as
oficinas e cursos oferecidos pelo projeto UEG vai à Escola, que pelas contribuições
oferecidas será reformulado para se tornar um Programa que abrangerá toda a UEG,
158
estendendo aos professores de todas as localidades atendidas pela UEG a possibilidade de
atualização e aperfeiçoamento de sua prática docente.
A continuidade do Programa AABB Comunidade foi apontada pelos estudantes
de Pedagogia que nele estagiam como um trunfo do curso, que também tem monitores no
Programa Universidade Adolescente, ministrando aulas de reforço escolar e acompanhando
as diversas atividades oferecidas por ele na Unidade, no período vespertino.
5.7.3 Qualidade da educação no ensino superior
A complexidade do conceito de qualidade, que se torna maior quando referente
ao ensino superior, apareceu com insistência no processo de auto-avaliação da UEGUnUCSEH.
De um lado, os dados obtidos, especialmente os referentes às condições físicas e
instrumentais da UnUCSEH, deixam claro que alguns indicadores da qualidade do trabalho
institucional, como a existência, conservação e manutenção do espaço físico das salas de
aula, biblioteca, laboratórios, auditório,
dos equipamentos e materiais didáticos, a
regularidade e suficiência dos aportes financeiros, não estão atingindo o mínimo necessário
para prover uma educação realmente de qualidade.
Nesse sentido também estão o desconhecimento alegado por parte dos
professores da proposta pedagógica dos cursos nos quais ministram suas aulas, do PDI da
UEG e de grande parte do que acontece na Unidade, como aponta a avaliação feita quanto à
dimensão pedagógica; a intensificação da precarização do trabalho docente; o aumento das
exigências de produtividade acadêmico-científicas sem a criação de condições efetivas para
tal; o alto índice de absenteísmo de alunos, professores e coordenadores. Todos esses
fatores convergem para desqualificar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da
Unidade.
A auto-avaliação, todavia, pôde mostrar que a qualidade pretendida não se
concretiza somente com esses indicadores. Mesmo sendo essenciais para a melhoria da
159
qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão, muitos outros aspectos comprovados pela
pesquisa apontam que essa qualidade em parte existe. Como indicadores quantitativos
temos o número elevado de candidatos inscritos nos processos seletivos para os cursos
oferecidos pela Unidade (TAB. 12), os resultados obtidos pelos alunos no ENADE, o baixo
índice de evasão (TAB. 13), a alta taxa de empregabilidade dos egressos, o número
significativo de graduandos que são aprovados para mestrados em instituições públicas,
dentre outros.
O quadro docente majoritariamente composto por professores do quadro efetivo,
já qualificados como mestres e doutores ou em processo de qualificação, é um dos pontos
fortes da Unidade, sendo seu apoio ao trabalho desenvolvido pela direção importante nesse
processo. A produção científica, marcada pelo número de projetos de pesquisa
desenvolvidos, com o envolvimento de alunos bolsistas, e inclusive com financiamento
externo, também é relevante nesse contexto.
Uma inferência é que, pelo percurso histórico da Unidade, o nível de exigência
de sua comunidade esteja em um patamar bastante elevado, o que faz com as notas
atribuídas às diferentes dimensões avaliadas sejam baixas, o que absolutamente não quer
dizer que os problemas apontados não existam ou não sejam graves.
Um caso singular é o do curso de Administração, considerado a maior
fragilidade da UEG-UnUCSEH ao ser avaliado por seus alunos e professores, mas que tem
excelentes resultados nos exames nacionais, conforme relatórios do Provão e ENADE, nos
quais obteve conceito máximo todas as vezes que participou, tendo seus egressos muito boa
aceitação pelo mercado de trabalho.
5.7.4 Atividades meio (administrativo-financeiro) X atividades fim (ensino-pesquisaextensão)
A auto-avaliação realizada mostra a influência direta das atividades meio
(administrativo-financeiro) nas atividades fins (ensino-pesquisa-extensão).
160
O caráter recente da UEG, seu processo de massificação não sustentado, a
organização multicampi com suas conseqüentes contradições de centralização e
descentralização dos processos de gestão administrativa e acadêmica, a ausência de uma
cultura de planejamento, a forte improvisação nos processos e a pouca ambiência
universitária são aspectos centrais da instituição com reflexo marcante na Unidade.
Embora o discurso oficial do governo estadual apresente a educação como
prioridade, e a UEG como a “menina dos olhos” dessa gestão, a realidade vivida pela
instituição, e evidenciada claramente pela avaliação feita por toda a comunidade da
UnUCSEH de suas precárias condições físicas e instrumentais, tem demonstrado o
contrário. A Universidade não recebe a totalidade dos recursos previstos em lei para sua
manutenção e melhoria da qualidade de suas atividades fim, e seus servidores, professores e
funcionários técnicos-administrativos estão entre os que têm proporcionalmente os salários
mais baixos dentro do funcionalismo público estadual.
Um agravante a essa questão está no fato de a maioria dos cargos da estrutura
central da UEG serem ocupados por pessoas que não fazem parte da comunidade
acadêmica, que não têm formação adequada para exercê-los, não possuindo uma visão da
universidade e das atividades inerentes a ela que sejam compatíveis com sua verdadeira
visão e missão. São pessoas indicadas politicamente, em função de projetos político
partidários particulares, que usam a instituição como plataforma para interesses pessoais ou
como “cabide de empregos”. Por essa razão, esses gestores assumem com facilidade o
discurso da escassez de recursos financeiros, privilegiando os meios em detrimento dos
fins.
Essa situação é agudamente sentida na UnUCSEH, o que explica o fato de todos
os participantes da auto-avaliação (alunos, professores, gestores e técnicos-administrativos)
terem avaliaram de forma fraca ou regular a dimensão Condições Físicas e Instrumentais,
destacando-a como uma fragilidade da Unidade.
161
Esta fragilidade merece um destaque estratégico, pois exerce influência decisiva
nas outras dimensões. As atividades de ensino ficam comprometidas diante da ausência de
infra-estrutura organizacional para realização de atividades pedagógicas que exijam
recursos minimamente diferenciados, as pesquisas inviabilizadas perante a quase ausência
de recursos financeiros para este fim, e a extensão torna-se dependente de parcerias ou da
boa vontade de professores e alunos.
Mesmo que a gestão da UnUCSEH tenha a firme convicção de que as atividades
meio devem ser instrumentos para viabilizar as atividades fim, a precariedade e falta de
regularidade do aporte dos recursos financeiros, impedem que os objetivos postos por ela
sejam alcançados.
162
CONSIDERAÇÕES FINAIS - SUGESTÕES
A Avaliação Institucional é um processo que diz respeito a toda a complexidade
da instituição, pois mais do que um instrumento técnico importa sua ação e significado
político. Ao selecionar, coletar, analisar e divulgar dados para favorecer a tomada de
decisões organizacionais, gerenciais, pedagógicas e acadêmicas da Universidade está
implicitamente elaborando julgamentos de valor e adotando posicionamentos políticos,
muito mais que técnicos.
A qualidade da Avaliação Institucional é julgada segundo a qualidade de sua
contribuição ao debate crítico, pois as questões que suscita é que irão sustentar as
mudanças, o redirecionamento das ações estratégicas, do planejamento da Universidade.
Os dados apresentados pelo processo avaliativo 2005 na UnUCSEH evidenciam
com clareza as intrincadas relações e condições de trabalho na Unidade.
Algumas considerações podem ser feitas quanto àqueles cursos que se mostram
como potencialidades - Pedagogia, Ciências Contábeis,ou fragilidades –Administração.
Nos encaminhamentos feitos, o que apareceu com clareza foi a figura do coordenador. Sua
presença, competência teórica, pedagógica e técnica para resolver os assuntos pertinentes
ao curso, a forma de envolver os alunos e professores nas discussões e decisões foi decisiva
para marcar a avaliação de todas as dimensões propostas. Os dois cursos, que melhor
avaliaram seus coordenadores, também avaliaram de forma mais positiva, ou menos
negativa, todos os outros aspectos, inclusive as condições físicas e instrumentais,
exatamente o oposto do curso de Administração. O que se pode inferir é que o coordenador
tem condições para alterar a auto-avaliação dos alunos e professores, desde que suas ações,
atitudes e posturas, qualifiquem o curso como um todo.
Um ponto que chamou bastante a atenção foi o desconhecimento por
professores e alunos da dimensão pedagógica de seus cursos, o que efetivamente contribui
163
para que se mantenham alheios aos problemas apresentados. Alguns casos podem ser
atribuídos ao excesso de atividades desenvolvidas pelos professores, a uma opção de não
envolvimento com questões da instituição que considerem delicadas ou potencialmente
ameaçadoras para sua permanência nela, ou mesmo a uma visão diferenciada de
Universidade.
Como é o propósito da CAAI, uma sugestão para melhorar essa situação seria
apresentar os resultados dessa avaliação em reuniões dos colegiados, para que sejam
discutidas pelo coletivo dos professores e alunos, fazendo paralelamente um trabalho que
enfatize a importância do envolvimento docente com todos os aspectos de seu curso. Os
resultados da auto-avaliação devem penetrar todos os meandros da UEG-UnUCSEH, pois
caso não se capilarizem até as extremidades institucionais sua inflexão sobre possíveis
mudanças é inócua.
A dimensão em que houve maior divergência na avaliação feita pelos alunos da
feita pelos professores, foi relativa à direção, vista como fragilidade pelos primeiros e como
potencialidade pelos segundos e pelos servidores técnicos-administrativos. Como o atual
diretor foi reeleito com mais de 75% dos votos em todos os segmentos, o que inclui os
alunos, uma possibilidade é que o descontentamento destes esteja sendo gerado pelo
desconhecimento alegado por eles próprios dos processos de gestão, dos limites da atuação
da direção, e por dificuldades de comunicação internas à UnU, fomentadas pelas pessoas
que fazem oposição à atual gestão. Uma outra hipótese é de que tenha havido uma confusão
no preenchimento dos questionários, e tenham avaliado a direção local como sendo a
central. De qualquer forma, é um ponto que requer atenção do NAI e da direção.
Com relação a essa dificuldade de comunicação, e ao desconhecimento dos
processos de gestão, cabe uma sugestão: ser papel do NAI intervir para melhorar a
comunicação, a divulgação dos procedimentos de gestão, e insistir nas mudanças
necessárias.
164
Um item que também poderia melhorar esse aspecto diz respeito às atividades
da coordenação adjunta de Extensão, sendo proposto que ela trabalhe para reorientar a
política estudantil, proporcionando a todos os alunos e em especial aos membros dos
Centros Acadêmicos um maior envolvimento nas atividades de planejamento, reuniões de
colegiado e CsA, questões acadêmicas.
Com fundamento em uma grande potencialidade da UnUCSEH, é preciso
sermos ousados na procura de um investimento maior na pesquisa, com envolvimento dos
alunos.
Alguns aspectos que apareceram, mais nas discussões e encaminhamentos do
que
nos
questionários,
apontam
dimensões
que
necessitam
serem
avaliadas
prioritariamente, de forma qualitativa, na seqüência dos trabalhos, o que é o verdadeiro
objetivo da análise de conteúdo, metodologia de pesquisa articulada à pesquisa-ação nesta
investigação de auto-avaliação da UEG.
A primeira delas é referente ao absenteísmo, docente, discente e das próprias
coordenações de cursos. A segunda é quanto ao Projeto Pedagógico do Curso, para
verificar se sua proposta pedagógica é realmente adequada ao perfil proposto e ao momento
vivido, se esta tem sido efetivamente implementada pelos docentes, tanto em seu plano de
curso como nas atividades realizadas, e se seu registro é feito da maneira determinada. A
terceira dimensão é relativa à participação qualitativa nas atividades extra-classe dos
docentes, discentes e coordenadores de curso. A quarta diz respeito às taxas escolares,
considerando a distorção do número de alunos por disciplina em função de
aprovação/reprovação, se os alunos que não alcançam o rendimento previsto são realmente
reprovados, e se a evasão escolar é significativa. Também foi apontada a necessidade de
avaliar a atuação das coordenações adjuntas de curso, de Trabalho de Conclusão de Curso –
TCC e de Estágio.
A coordenação administrativa da Unidade, assim como seu diretor,
disponibilizaram seu planejamento administrativo, no qual estão detalhados os
165
procedimentos necessários para melhorar a estrutura física e estrutural da UnUCSEH.
Como sua execução não depende apenas deles, visto que os recursos financeiros devem vir
da administração central, a única forma aparentemente viável de encaminhar a questão é a
comunidade engajar-se em um movimento para que ao menos os recursos próprios gerados
pela Unidade permaneçam nela, o que está sendo defendido por vários diretores de
Unidades.
Finalizando, podemos dizer que este trabalho mostrou-nos a riqueza da
Avaliação Institucional, com as dificuldades inerentes a ela. Identificar potencialidades e
fragilidades, desvelando o que está subjacente a elas, não foi tarefa fácil, em razão das
próprias condições estruturais da UEG, do acúmulo de atividades dos pesquisadores, de
todo o contexto que envolveu o curso de Avaliação Institucional. Porém, o crescimento
intelectual e profissional proporcionado por ele tornam essas questões irrelevantes. Mesmo
porque o mais difícil é o que nos propomos a partir de agora: fazer com que a autoavaliação seja suporte para as mudanças necessárias e possíveis, qualificando cada vez mais
o ensino, a pesquisa e a extensão desenvolvidos na UEG-UnUCSEH.
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CARLOS WILLIAM DE CARVALHO VIRGINIA MARIA PEREIRA DE