Rev. bras. fisioter. Vol. 8, No. 1 (2004), 39-43 ©Associação Brasileira de Fisioterapia CORRELAÇÃO ENTRE A DOR ANTERIOR DO JOELHO E A MEDIDA DO ÂNGULO "Q" POR INTERMÉDIO DA FOTOMETRIA COMPUTADORIZADA Melo de Paula, G., 1 Molinero de Paula, V. R., 1 Almeida, G. J. M., 2 Machado, V. E. I} Baraúna, M. A. 3 e Bevilaqua-Grosso, D. 4 1 2 3 Departamento de Fisioterapia da FESURV (Universidade de Rio Verde), Rio Verde, GO Departamento de Fisioterapia da UNIFESP (Escola Paulista de Medicina), São Paulo, SP Departamento de Fisioterapia da UNIT (Centro Universitário do Triângulo), Uberlândia, MG 4 Departamento de Fisioterapia da USP (Universidade de São Paulo), Ribeirão Preto, SP Correspondência para: Gustavo Melo de Paula, rua Avelino Faria, 477, ap. 904, Centro, Rio Verde, GO, e-mail: [email protected] Recebido: 5/5/2003- Aceito: 18/2/2004 RESUMO A dor anterior do joelho (DAJ) se caracteriza por uma dor em geral não específica presente de forma difusa, com possibilidade de irradiação para a região poplítea. Seu início geralmente é insidioso, podendo aumentar ao subir e descer escadas, durante a prática de atividade física, na manutenção por prolongado período de flexão do joelho ("sinal do cinema") e posição de agachamento, podendo também ser acompanhada de pseudobloqueios. Vários autores correlacionam a DAJ com o aumentp do ângulo "Q". No entanto, esse fator etiológico tem sido questionado, principalmente por essa medida ser estática. Assim, o objetivo deste trabalho foi correlacionar a dor anterior do joelho com o ângulo "Q" por intermédio da fotometria computadorizada. Foram estudados 58 joelhos de 29 indivíduos, com faixa etária compreendida entre 15 e 34 anos (x = 22,11, sd = 4,1), divididos em dois grupos: g.rupo A, composto por 11 indivíduos (22joelhos) que apresentavam episódios de dor bilateral, e grupo B, composto por 18 indivíduos (36 joelhos) sem nenhum episódio de dor. Para a correlação entre os índices de dor e a medida do ângulo "Q" nos joelhos dos indivíduos sintomáticos, foi aplicada a prova do Coeficiente de Correlação por Postos de Spearman, a qual verificou como resultado, dentro das condições experimentais utilizadas, correlação direta negativa entre o aumento dos valores do ângulo "Q" e a presença da dor anterior no joelho. Dessa forma, quando analisado de maneira isolada, o aumento do ângulo "Q" não deve ser considerado fator etiológico da DAJ. Palavras-chave: fotometria computadorizada, ângulo "Q", dor anterior do joelho. ABSTRACT Knee anterior pain (KAP) is characterized by an unspecified pain most of the time acting in a diffuse way, with the possibility of being irradiated to poplite area. Its beginning is generally insidious and it can increase when climbing up and down stairs, during physical activity, maintaining knee flexing for a Iong time ("theater sign") and crouching position, and it can also be followed by pseudo blockages. Many authors have correlated KAP with the increase of "Q" angle. However, this ethologic factor has been questioned, mainly because this is a static measurement. Thus, the aim of this paper was to correlate the knee anterior pain with the "Q" angle through computerized photometry. Fifty-eight knees o f 29 subjects were studied with the mean age o f I 5 and 34 years (x = 22.1 I, sd = 4.1), divided in to two groups: group A, composed o f 11 subjects (22 knees) that presented episodes o f bilateral pain and group B, composed of 18 subjects (36 knees) without any episode of pain. For correlation between pain index and "Q" angle measure on symptomatic subjects' knees, the Spearman 's Post Correlation Coefficient was applied, which verified as a result, inside the experimental conditions used, a direct negative correlation between the increase of "Q" angle values and the presence of knee anterior pain. Therefore, when analyzed in an isolated manner, the increase of "Q" angle, must not be considered an ethologic factor of KAP. Key words: computerized photometry, "Q" angle, knee anterior pain. Rei'. bras . .fisioler Melo de Paula, G. et ai. 40 INTRODUÇÃO Não há consenso na literatura sobre a terminologia para a dor anterior do joelho (DAJ), podendo ser chamada também de artralgia femuropatelar, condromalácea, dor anterior no joelho, dentre outras. 1•2 A DAJ acomete preferencialmente mulheres, adolescentes e adultos jovens3 e se caractetiza por uma dor geralmente não específica presente de forma difusa na região anterior do joelho, com possibilidade de irradiação para a região poplítea. Seu início geralmente é insidioso e a dor se torna exacerbada ao subir e descer escadas, durante a prática de atividade física, na manutenção por prolongado período de flexão do joelho (sinal de cinema) e posição de agachamento, podendo ser acompanhada de pseudobloqueios. 4·5 A dor e a debilidade são comumente associadas a patologias da articulação femoro-patelar. 6 •7 A DAJ é de etiologia incerta e há numerosas teorias propostas, incluindo a excessiva pronação subtalar, as tensões musculares, a patela alta, a insuficiência ou fraqueza do músculo vasto mediai oblíquo e o mal alinhamento da articulação femoro-patelar (aumento do ângulo "Q").3.4. 8 Dentre as teorias propostas, o mal alinhamento da articulação femoro-patelar é comumente analisado por meio da verificação dos valores do ângulo do quadríceps ou quadriciptal (ângulo Q). 9· 10 Insall et al., 11 definiram o ângulo "Q" como um ângulo agudo formado a partir da intersecção entre duas retas; a primeira partindo da espinha ilíaca ântero-superior (ElAS) e se estendendo até o centro da patela (CP); a segunda tem início na tuberosidade anterior da tíbia (TAT) e se estende passando também pelo CP. Um aumento do ângulo "Q" pode estar associado ao aumento da anteversão femoral, torção tibial e pronação subtalar, aumentando-se a tendência de lateralização da patela. 4· 12 Poucos estudos apresentam descrições detalhadas dos métodos de medida do ângulo "Q" e do posicionamento dos pacientes, o que diminui a confiabilidade e a reprodutibilidade. Alguns pesquisadores fizeram a mensuração desse ângulo a partir de linhas desenhadas na pele do paciente, calculando os valores angulares pelo uso do goniômetro manual. 9 • 11 O aumento do ângulo "Q" tem sido considerado na literatura um possível fator etiológico da DAJ. Moss et al., 10 estudando um grupo de atletas universitários com e sem DAJ, encontraram valores significativamente aumentados do ângulo "Q" naqueles com DAJ, concluindo que aumentos 13 nos valores desse ângulo podem gerar a DAJ. Minns et al. avaliaram a força de compressão patelar em cadáveres e in vivo, confirmando que os valores aumentados do ângulo "Q" propiciam maior força compressiva, a ponto de gerar alterações patológicas; convém ressaltar que não foi mencionado o método de mensuração do ângulo "Q". Da mesma forma, Insall et al. 14 observaram por meio de estudo radiológico que anormalidades no trajeto da patela eram a principal causa de DAJ. Huberti & Hayes 1' analisaram a pressão de contato na articulação femoro-patelar de cadáveres, verificando que maiores pressões estavam relacionadas a valores tanto abaixo quanto acima dos valores normais do ângulo "Q". Concluíram, portanto, que valores aumentados ou diminuídos do ângulo "Q" podem constituir causas potenciais de condromalácia. 15 Por outro lado, alguns autores consideram não haver correlação entre o ângulo "Q" e a DAJ. Caylor er o/. 16 não encontraram diferenças estatisticamente significativas nos valores do ângulo "Q" entre gmpos com e sem DAJ. Thomee et al. 17 realizaram um estudo tomográfico e não observaram diferença no alinhamento patelar em indivíduos mais sintomáticos ou menos sintomáticos. Medidas de alinhamento normalmente são mensuradas em posição estática.' Entretanto, em um recente estudo realizado com tomografia computadorizada, foi observado translação patelar lateral com deslocamento em 8 dos 20 joelhos estudados com DAJ, durante as atividades de tlexão e extensão do joelho. 18 De acordo com Caylor et al., 16 não há aceitação universal de valores normais ou anormais do ângulo "Q", em função da falta de coeficiente de confiabilidade e dos diferentes métodos de medidas desse ângulo. Horton & Hall 19 encontraram, em média, valores do ângulo "Q" de 15.8" para mulheres e 11,12° para homens, em um trabalho com 50 homens e 50 mulheres. Percy & Strother20 consideravam 14° e 17° valores normais do ângulo "Q" para homens e mulheres, respectivamente. Valores abaixo de 15° em homens e 20" em mulheres foram propostos como valores normais desse ângulo. 1 Kolowich et al. 21 relataram que I oo é considerado normal para todos os sujeitos, por outro lado, Insall et ol. 11 relataram valor médio do ângulo "Q" de 14° para 50 sujeitos pesquisados, independente do sexo. Portanto, o objetivo do presente estudo foi quantificar a medida do ângulo "Q" e verificar se há correlação entre esses valores nos indivíduos com e sem DAJ. MATERIAL E MÉTODO Foram analisados no Serviço de Fisioterapia TraumatoOttopédica da Clínica Escola de Fisioterapia da Unit- Centro Universitário do Triângulo em Uberlândia, MG, 58 joelhos de 29 indivíduos (19 mulheres e 10 homens), com idade entre 15 e 34 anos (x = 22,11 ± 4,1) divididos em dois grupos: grupo A (sintomático), composto por 22 joelhos ( 10 mulheres e 4 homens), e grupo B (assintomútico), composto por 36 joelhos (9 mulheres e 9 homens). Vol. 8 No.l, 2004 ' Correlação entre a dor anterior do joelho e o ângulo "Q" 41 Os critérios de inclusão para o grupo A foram: valores da dor na escala visual analógica superiores a zero, ressaltando que os valores-limite da escala vão de zero a dez, e teste de compressão patelar positivo. Para o grupo B foram: valores da dor na escala visual analógica iguais a zero e teste de compressão patelar negativo. Para o cálculo do ângulo "Q", utilizou-se a fotometria computadorizada. O paciente foi posicionado em vista anterior, analisando-se desde a cintura pélvica até a TAT, por meio de uma filmadora Sony 8 mm posicionada sobre um tripé a uma altura de 81 ,5 em do solo e à distância de 282 em dos indivíduos (Figura I). Figura 2. Demarcação com tinta branca da espinha ilíaca ântero superior, centro da patela e tuberosidade anterior da tíbia. Figura 1. Posicionamento dos indivíduos para a filmagem da região a ser traçada o ângulo "Q". Os indivíduos permaneceram descalços em posição ortostática, em traje de banho e com os pés paralelos. Foram demarcadas, com tinta branca, as seguintes estruturas: ElAS, CP e TAT, a fim de realizar o cálculo do ângulo "Q" (Figura 2). A imagem foi gravada e analisada por meio de uma placa de RTV, Pixelview, em um computador Pentium 133 Mhz e, posteriormente, por intermédio da digitalização dos pontos demarcados com tinta vermelha, no software Alcimage®, foram calculados os valores do ângulo "Q", seguindo o protocolo proposto por Insall et al. 11 (Figura 3). Foi determinado um valor-padrão de 14° para o ângulo "Q", para ambos os sexos, de acordo com o proposto por Messier et al., 9 uma vez que Caylor et al. 16 afirmam que não há aceitação universal de valores normais e anormais do ângulo "Q", em função da falta de coeficiente de confiabilidade relatada e dos diferentes métodos de medidas desse ângulo. Figura 3. Determinação dos valores do ângulo "Q" no software Alcimage®. Para a correlação entre os índices de dor e a medida do ângulo "Q" nos joelhos dos indivíduos sintomáticos, foi aplicada a prova do Coeficiente de Correlação por Postos de Spearman, 22 a fim de determinar o grau de associação entre duas variáveis. Esse coeficiente utiliza a seguinte equação para determinar o coeficiente de correlação de postos: Rev. bras . .flsioleJ: Melo de Paula, G. et ai. 42 Segundo a prova do Coeficiente de Correlação por Postos de Spearman. não h ou ve correlação estatisticame nte significativa (p < 0,05) entre a DAJ e o aumento do ângulo "Q" (Tabela 2). -6I,D 2 Rs=---N(N2 -1) em que: Rs = coeficiente de correlação de postos; D =diferença entre postos (relativa ao mesmo sujeito em ambas as variáveis); N = número de respondente s (isto é, tamanho da amostra). Todos os indivíduos participantes do estudo assinaram um termo de consentimen to informado segundo resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. DISCUSSÃ O Os indivíduos foram posicionados em ortostatismo, com os joelhos em extensão, uma vez que diversos autores afirmaram que seus valores tendem a diminuir com a flexão do joelho. Hehne 23 demonstrou, por meio da análise vetorial, que o valor do ângulo "Q" tende a zero em posição de tlexão 24 do joelho. Hungerford & Barry verificaram que, quando o joelho começa a tletir, a tíbia roda internamente e os valores do ângulo "Q" diminuem. Portanto, a literatura sugere o posicioname nto do indivíduo com o membro inferior em extensão para que ocorra medição correta do ângulo "Q". Em função da diversidade dos valores do ângulo "Q" 4 11 11 19 10 11 encontrados e relatados por vários autores, · · · · não há aceitação universal de valores normais desse ângulo. Neste estudo foi considerado o vai o r de 14 o como normal para 11 ambos os sexos, tendo por base o proposto por Insall et o!., que analisaram 50 sujeitos, encontrando um valor médio de 14°, e por esse valor ser intermediári o entre vários outros relatados na literatura. RESULTAD OS A idade no grupo A (DAJ) variou de 18 a 34 anos (x = 23,6, sd = 3,9) e, no grupo B, de 15 a 29 anos (x = 22,30, sd = 4,3), não sendo objetivo deste trabalho verificar diferenças significativa s existentes entre idade e dor. Os valores do ângulo "Q" (Tabela 1) no grupo A (sintomático) variaram de 4,16° a 17,82° (x = 10,99° ± 2,62°), para as mulheres, e de 0,39° a 12,86° (x = 7,27° ± 5,62°), para os homens. No grupo B (assintomáti co), variaram de 2,13° a 27,89° (x = 17,60° ± 2,38°), para as mulheres, e de 2,69° a 18,06° (x = 7,06° ± 4,01 °), para os homens. ). Tabela 1. Valores médios e desvio-padrão do ângulo "Q'' em homens e mulheres dos grupos A (sintomático) e B (assintomático Grupo A (n =14) Grupo B (n 17,60° ± 2,38" Mulheres Homens = 18) 7,27° ± 7,60° ± 4,01 o 5,62° direito c esquerdo dos Tabela 2. Valores da análise de correlação efetuada sobre os índices de dor e as medidas do ângulo ''Q", dos joelhos sujeitos do grupo sintomático (n = 22). Ângulo "Q" DAJ -grupo sintomático rs encontrados rs críticos Direito (n = 11) 0,073 0,564 Esquerdo (n = 11) -0,386 0,564 Vol. 8 No. I, 2004 CotTelação entre a dor anterior do joelho e o ângulo "Q" A utilização da fotometria computadorizada no presente estudo mostrou-se um método preciso de medição angular em comparação com outros métodos citados pela literatura. Insall et al., 11 Messier et al. 9 e O'Donoghue 25 realizaram a mensuração desse ângulo a partir de linhas desenhadas na pele do paciente e obtiveram os valores angulares por meio do uso do goniômetro manual. Horton & Hal1 19 utilizaram o goniômetro manual para mensuração desse ângulo a partir de uma reta entre a ElAS e o CP para assegurar o braço proximal do goniômetro. A DAJ é um problema multifatorial, não estando relacionada unicamente a valores aumentados do ângulo "Q", embora alguns autores 4·8.1o tivessem encontrado uma relação entre a DAJ e o aumento do ângulo "Q". Huberti & Hays 15 verificaram aumento da pressão patelo-femoral em cadáveres que apresentavam valores aumentados e também diminuídos do ângulo "Q" e Caylor et al. 16 encontraram valores reduzidos desse ângulo em indivíduos com DAJ em comparação com outros indivíduos assintomáticos que apresentaram maiores valores, como os resultados apresentados neste trabalho. No entanto, pode-se concluir que a avaliação do ângulo "Q" de forma isolada parece não ser indicativo de DAJ e que a intensidade da dor não está relacionada a valores aumentados desse ângulo, uma vez que sua medida foi realizada em posição estática, e que, provavelmente, se o indivíduo apresentar valores normais do ângulo "Q" durante posição estática, dinamicamente os fatores biomecânicos podem ocasionar aumento dessa medida. Outros fatores também predisponentes da DAJ, propostos pela literatura, como: pronação subtalar excessiva, alteração na atividade do músculo VMO (vasto mediai oblíquo), retrações musculares e altura patelar, deverão ser avaliados juntamente com o ângulo "Q" em futuros estudos para maiores esclarecimentos a respeito dessa temática. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS I. GRA YSON, T. H., 1990, Oisorders of the patellofemoral joint. 2" ed. Baltimore (MD): Williams & Wilkins. 2. REID, O. C., 1993, The myth, mystic and frustration of anterior Knee pain. Clin. J. Sport. 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