EXPORTAÇÕES MINEIRAS: A PARTICIPAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (MPE) MINEIRAS NO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO EXPORT MINING: THE PARTICIPATION OF MICRO AND SMALL ENTERPRISES (SMEs) IN THE PROCESS OF MINING INTERNATIONALIZATION Francisca Daniela de Lima Ferreira SOUSA¹ Ítalo Brener de CARVALHO² Faculdade de Minas – Faminas BH, graduanda em administração; E-mail: [email protected]¹ Faculdade de Minas - Faminas BH, Professor orientador M.SC² E-mail: [email protected] Resumo O aumento da globalização e o avanço dos meios de comunicação e transporte contribuíram para a quebra das barreiras existentes entre países e pessoas. O aumento da interdependência entre os mercados mundiais é algo concreto. Diante deste novo cenário, algumas empresas ignoram a existência de oportunidades que estão do outro lado de suas fronteiras. Este artigo tem como proposta a identificação da participação das Micro e Pequenas Empresas - MPEs mineiras no processo de internacionalização. Demonstra que a participação no mercado internacional pode ser uma estratégia de crescimento. O Brasil encontra-se entre os países que mais se desenvolveu nos últimos anos, alcançando resultados que o colocou a frente de outras economias. Diante de uma realidade econômica favorável, as Empresas Brasileiras se deparam com inúmeras possibilidades de internacionalizar seus negócios. Alguns microempresários veem a realização de negócios no exterior como uma estratégia adotada apenas nas grandes empresas. Enxergam o processo como algo complicado, oneroso e que exige uma capacidade produtiva longe da sua realidade. Visualizando o aumento do consumo interno como suficiente para a expansão de seus negócios. É importante ressaltar que para obter sucesso no mercado internacional é fundamental o aprimoramento da visão gerencial e investimento em mercados estrangeiros. Este artigo através da realização de pesquisa descritiva e bibliográfica irá identificar os fatores que levam a participação ou a não participação das MPEs mineiras no processo de internacionalização. Palavras chaves: Exportações mineiras. MPE. Internacionalização. Clusters Summary Increased globalization and the advancement of media and transport contributed to the breakdown of barriers between countries and people. The increased interdependence among world markets is something concrete. In front this new scenario, some companies ignore the existence of opportunities that are on the other side of its borders. This article aims to identify the participation of Micro and Small Enterprises - MSEs mining in the internationalization process. Demonstrates that participation in the international market can be a growth strategy. Brazil is among the countries that have developed in recent years, achieving results that put him ahead of other economies. Facing a favorable economic reality, the Brazilian companies are faced with numerous opportunities to internationalize their business. Some micro entrepreneurs see doing business abroad as a strategy adopted only in large companies, they see the process as something complicated, costly and requires a production capacity away from your reality. Viewing the increase in domestic consumption as sufficient for the expansion of their business. Importantly for success in the international market is the fundamental improvement of the managerial vision and investment in overseas markets. This article by conducting research and descriptive literature will identify the factors that lead to participation or non-participation of MSEs in the mining process of internationalization. Keywords: Mining exports. MPE. Internationalization. Clusters. 2 1. Introdução O mundo esta passando por grandes mudanças, no cenário econômico, os efeitos da globalização podem ser sentidos pelas Grandes, Médias, Pequenas e Micro Empresas. È possível perceber os impactos deste processo gradualmente ao longo dos últimos anos. Percebe-se, como uma das consequências geradas pela globalização, a presença de produtos importados em praticamente todos os segmentos de mercado. As empresas de médio e pequeno porte não podem ignorar a existência de oportunidades que estão do outro lado da fronteira. Torna-se evidente que a adequação de empresas a uma diversificação de mercados quando se direcionam para a exportação. A necessidade de uma estrutura organizacional capaz de alcançar bons níveis de competitividade onde a concorrência é cada vez mais voraz. Observa-se que o mercado exportador brasileiro é dominado por grandes empresas, que independentes dos seus tamanhos sofrem desde 2008 com as crises internacionais. Independentemente do seu tamanho uma empresa precisa conseguir visualizar as oportunidades e as ameaças ao planejar suas ações, em especial as Micro e Pequenas Empresas – MPEs. Ao se verificar a contribuição para o enriquecimento do Brasil, verifica-se que as Micro e Pequenas Empresas possuem um papel significativo tanto na economia Nacional, Estadual e Municipal, por gerarem resultados importantes nestas três esferas. Este estudo visa identificar a participação das MPEs mineiras no processo de internacionalização, na tentativa de compreender quais os desafios e oportunidades encontrados no decorrer deste processo. Os resultados desta pesquisa basear-se-á em uma reflexão das condições necessárias para uma empresa participe do Comércio Exterior Brasileiro, assumindo um posicionamento que a faça aproveitar as oportunidades de crescimento no mercado mundial. Desta forma, apontar-se-á a viabilidade da participação de empresas de menor porte no mercado internacional, avaliando os aspectos como, competitividade, capacidades de internacionalização e exportadora e as ações que tornam este negócio sustentável. 2 Metodologia A pesquisa será estruturada a partir da contextualização de fatores ligados a economia globalizada que veem contribuindo para o surgimento de mudanças na economia global, favorecendo a participação das micro e pequenas empresas no processo de internacionalização. Em seguida pretende-se identificar as MPEs Mineiras Exportadoras, os 3 clusters que as MPEs estão inseridas no Estado. Para confrontar os fatores globalizantes e a participação das MPEs questionar-se-á as motivações ou desmotivações destas empresas no processo de internacionalização. Este contexto é ilustrado pela figura 1. Figura 1: Contexto Ilustrado MPEs mineiras que exportam 1. Introdução: benefícios da globalização para o Comex Brasileiro 2.exportam Internacionalização como estratégia para a competitividade 3. MPEs mineiras exportadoras 4.Clusters, principais produtos exportados 5.Conclusão Processo de internacionalização Fonte: Elaborado pelo autor: Sousa (2012) A pesquisa possui caráter descritivo de fatores que demonstram a importância da participação das MPEs mineiras no processo de internacionalização. Exploratório, por se tratar de uma pesquisa voltada para a compreensão da participação de Micro e Pequenas Empresas no mercado internacional, assunto que ainda não foi vastamente explorado. Quanto aos meios a pesquisa será bibliográfica, utilizando livros, boletins informativos e publicações em sites de Órgãos Estaduais e Federais ligados à área de estudo. Para compreender melhor a participação das MPEs mineiras no processo de internacionalização e os desafios enfrentados por estas, será utilizado como instrumento de pesquisa uma entrevista, que segundo Silva, (2003, p.69) é uma comunicação verbal entre duas pessoas, com um grau de estruturação previamente definido. 3. Os benefícios da globalização para o Comércio Exterior Brasileiro A globalização é um processo de integração importante para as sociedades capitalistas, isto porque permite uma maior interação entre as economias mundiais. A primeira fase da globalização se deu por volta de 1830 e atingiu o seu ápice na década de 80 (CAVUSGIL; KNIGHT E RIESENBERGER, 2010). Este processo só foi se aperfeiçoando com o passar do tempo e com as mudanças no cenário mundial. Atualmente a sociedade globalizada, utiliza produtos de diversas partes do mundo. Ao observar o cotidiano da sociedade atual, é possível perceber a grande quantidade de produtos de diversos países presente no dia-a-dia dos brasileiros, o que há alguns anos seria restrito a algumas pessoas tendo em vista a menor quantidade de oferta e os custos elevados, torna-se disponível e a custos mais baixos. 4 Neste sentido, Keddi (2007, p. 46) enfatiza “que a globalização não é um processo novo, mas muito antigo e que, assim como o homem e tudo o que o cerca, apenas evolui com o passar do tempo.” O que mostra que este é um processo que tende a se aperfeiçoar, levando a economia a estágios de integração cada vez mais intensos, favorecendo assim o crescimento da economia mundial. Na atual realidade social o acompanhamento da velocidade do fluxo de informação e dos acontecimentos que ocorrem dentro da sociedade globalizada, é fundamental que as empresas estejam preparadas para aproveitar os benefícios do processo de globalização. Vasconcelos; Lima e Silber (2006, p. 17) apontam que: Com o processo da globalização, as decisões de produção e comércio internacional ficaram intimamente interligadas: a transformação de empresas espalhou-se pelo mundo e a maior parte dos novos produtos que chegam ao mercado é transacionável internacionalmente (trade goods1) ou dependem pesadamente de componentes transacionáveis. Enquanto a produção mundial cresceu seis vezes nos últimos 40 anos, os fluxos comerciais cresceram 12 vezes mais. Fica evidente que a maior facilidade de acesso a produtos de outros países contribui de forma significativa para o aumento do giro da economia global, favorecendo o aumento das exportações, o que demonstra a importância da ocorrência do processo de internacionalização das empresas independentemente do seu porte Cavusgil; Knight e Riesenberger (2010). As relações comerciais entre os países são um aspecto importante para o desenvolvimento da economia mundial. No gráfico 1 é demonstrado o desenvolvimento das exportações em relação ao PIB mundial, como se pode observar o volume de exportações se mantém sempre superior ao do PIB. Gráfico 1 - Volume das exportações mundiais de mercadorias e PIB 1950 – 20102 16 14 12 10 8 6 4 2 0 -2 -4 -6 -8 -10 -12 -14 1950-60 1960-70 1970-80 1980-90 1990-00 2000-10 2001 2002 2003 Exportaciones 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 PIB Fonte: Organização Mundial do Comércio – OMC De acordo com Dicken (2010), a interdependências das economias globais é um fenômeno que não pode ser ignorado, é possível observar que a cada dia as relações comerciais entre os países estão cada vez mais fáceis. O avanço da tecnologia e dos meios de comunicação contribuíram de forma significativa para este fenômeno. Por esta razão, a globalização é um termo que gera muitas discussões em relação aos seus benéficos, que 1 2 Bens de comércio. Traduzido pelo autor. 5 mesmo sendo um processo que gera uma competição selvagem, possui um número de vencedores bem maior que o de fracassados. O crescimento da interdependência gerada pela globalização entre as economias gera benéficos para muitos, inclusive para o Comércio Exterior Brasileiro, é um contexto dicotômico de interdependência e integração de realidades econômicas internacionais. Esta nova realidade traz exigência para empresas e indivíduos, que para se manter conectado ao mundo, necessitam de aprimoramentos constantes. É necessário se envolver e desenvolver ferramentas que possibilitem o aproveitamento das oportunidades. As empresas não podem simplesmente se manter indiferente em relação à nova ordem mundial que esta se formando. Por exemplo, todas as mudanças, econômicas e políticas geram impactos diretos sobre os negócios. Mesmo que do outro lado do globo, as relações de proximidade provocadas pela globalização quebrem as barreiras da distância, das fronteiras e da inércia de organizações e gestores. Desta forma, para alcançar a competitividade e longevidade no mercado empresas brasileiras de diversos segmentos e portes, se deparam com um mercado ávido por se beneficiar dos impactos desta economia globalizada equidistante, mas cheio de oportunidade para quem estiver disposto a não ficar para trás. Utilizar-se de ferramentas de gestão para se beneficiar dos impactos de uma economia globalizada, onde as distâncias geográficas já não são obstáculos tão grandes assim, é o que muitas empresas tem feito. 3.1 Internacionalização como estratégia para a competitividade Conforme Cavusgil; Knight e Riesenberger (2010, p. 4) “a internacionalização empresarial concerne à tendência das empresas de ampliar de forma sistemática a dimensão internacional de suas atividades comerciais”. Como mencionado anteriormente à interdependência entre as economias globais, Torna necessária a atenção das empresas aos ambientes externos e internos, mantendo-se de forma estratégica competitivas no mercado. Neste sentido os autores Lopez e Gama (2007, p. 26) afirmam que: È fundamental, para o processo de internacionalização, que as empresas concentrem a máxima atenção em todos esses fatores, para que possam adequar os produtos às novas necessidades do mercado ou mesmo propor a criação de novos produtos, com base na demanda detectada junto ao público consumidor. As ações estratégicas inerentes à participação partem de uma analise em um primeiro momento, em ações planejadas. Conforme pode ser observado na matriz desenvolvida por Ansoff, a atuação das empresas partem da decisão estratégica primária que envolvem produtos e mercados. 6 Quadro 2 - Matriz produto X Mercado Produto / Mercado Atual Novo Atual II Penetração de mercado I Desenvolvimento de produto Novo III Desenvolvimento de mercado IV Diversificarão Fonte: (ANSOFF, 1979) adaptada pela autora. Alinhadas com as estratégias propostas de inserção internacional, configurando cenários onde o empresariado decide, inclusive, se cria novos produtos adaptados aos novos mercados. Não é possível se aventurar em um mercado desconhecido, com hábitos de consumos diferentes dos encontrados no mercado interno, cultura distinta do que já é conhecido pelo empreendedor, sem o planejamento adequado. E a realização de uma pesquisa de mercado avalia qual a melhor viabilidade de entrar com um produto em um mercado que ainda não foi explorado. Ao realizar uma pesquisa desta natureza, o empresário diminui os riscos de direcionar de forma incorreta seus investimentos. Planejar cada ação é fundamental para o sucesso de operações, como a de internacionalizar um negócio. Para que o processo de internacionalização seja eficaz e para que os objetivos sejam alcançados é necessária à realização de uma pesquisa de mercado, direcionada ao potencial mercado consumidor para que seja possível traçar uma estratégia mais apropriada. Diante disto, Segre (2006, p. 16) ressalta que: Para obter sucesso no mercado externo, antes de iniciar suas atividades, uma empresa deve fazer uma pesquisa de mercado. Com a pesquisa, as empresas buscam identificar as oportunidades que se apresentam, bem como clientes em potencial de um determinado mercado e, posteriormente, estabelecer o planejamento estratégico das exportações. A exportação é uma ferramenta importante para o crescimento das empresas, contribuindo de forma significativa para a ampliação do mercado consumidor. Isto porque quando a empresa exporta, há uma diversificação de mercados e a empresa aumenta seu portfólio de compradores por participar do comercio exterior Keedi (2008). A exportação é uma das mais importantes formas de atuação no mercado internacional, por possuir uma grande relevância para a economia de um país, Lopez e Gama (2007). Por estar razão a participação das MPEs nas exportações pode contribuir de maneira positiva para o Comercio Exterior Brasileiro, tendo em vista que empresas deste porte ainda são a maioria no país, girando em torno de 130 mil (SEBRAE 2012). O Brasil tem alcançado bons resultados no mercado externo, somente nos primeiros dois meses deste ano de 2012 as exportações já superaram o mesmo período de 2011, como é possível observar no gráfico 2. 7 Gráfico 23: Exportações brasileiras 2011 / 2012 E X P OR T AÇÃO BR AS I LE I R A - 2 0 1 1 / 2 0 1 2 30000 25000 20000 15000 10000 5000 0 JA N FEV M AR ABR M AI JUN 2011 JUL A GO SET OUT NOV DEZ 2012 Fonte: Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comercio – MDIC (2012) Entre os fatores que contribuem para uma maior participação brasileira no mercado internacional está o crescimento da economia. O Brasil está presente em previsões importantes relacionados ao crescimento da economia mundial, como o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), grupo de países com potencialidades de crescimento maior que grandes potências econômicas. Este posicionamento justifica-se, a exemplo, por vantagens comparativas como a sua vasta extensão territorial, contanto com fatores de produção importantes como a terra. O Brasil esta crescendo, de acordo com o Ministério da Fazenda (2010) o PIB per capta no período de 1995 – 2002 praticamente ficou estagnado, enquanto no período de 2003 - 2010 o crescimento foi de 24%. Em 2011 o PIB cresceu 2,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Para o ano de 2012 a projeção do Ministério da Fazenda (2012) é que a Economia Brasileira continue apresentando números positivos, sendo uma das economias mundiais a apresentar uma expansão em relação a 2011. Diante disto às empresas brasileiras se deparam com um cenário econômico favorável ao crescimento e com inúmeras oportunidades, entre elas a expansão de seus negócios para o mercado internacional. Este crescimento também pode ser observado por regiões ao logo de todo território nacional. O Estado de Minas Gerais também tem alcançado bons resultados nas exportações, de acordo com o Exportaminas, em fevereiro de 2012 Minas Gerais foi responsável por 14,6% do total exportado pelo Brasil, totalizando U$$ 4,98 bilhões assumindo a segunda posição entre os Estados brasileiros, conforme pode ser observado no gráfico 3. Gráfico 3: Exportações dos principais estados brasileiros exportadores 3 FOB – Free on board – Livre a bordo (modalidade de frete, em que o exportador assume o risco somente até o embarque no navio com destino ao exportador) 8 Fonte: Exportaminas - Panorama comex, (2012) - adaptado pelo autor. Conforme observado no gráfico, Minas Gerais é um Estado que contribui de maneira significativa para o Comercio Exterior Brasileiro, o que pode ser visto com uma oportunidade para as empresas presentes no estado que desejam ingressar no mercado internacional. O estado mineiro não só é o segundo estado exportador do Brasil como também assume uma posição de destaque quando o volume exportado por ele é comparado ao de países. Conforme é possível observar no gráfico 4, Minas está à frente de países com Colômbia e Peru e o Brasil está à frente da Suíça. Este é um fator que demonstra o sucesso dos esforços direcionados pelas instituições envolvidas na realização das operações de exportação. Gráfico 04: Brasil e Minas Gerais no ranking mundial Fonte: Exportaminas - Panorama comex (2012) – adaptado pelo autor. As empresas para alcançar bons resultados no mercado internacional precisam ter atitudes inovadoras, o que se considera uma vantagem comparativa para as micro e pequenas empresas mineiras. Nesse sentido Cavusgil; Knight e Riesenberger (2010, p 12) afirmam que, “as empresas de menor porte costumam ser mais inovadoras, adaptáveis e rápidas no tempo de resposta quando se trata de implantar novas ideias e satisfazer as necessidades dos clientes”. Diante disto à proposta de internacionalização das MPES se mostra uma estratégia de oportunidade a ser analisada. A decisão de internacionalizar o negócio deve ser gerenciada para que as ações obtenham resultados positivos. 9 Os desafios da internacionalização são grandes, mas existem muitos fatores de motivação, como o desejo de crescer e buscar novas oportunidades; marcar presença no mercado global, colocando-se próxima aos clientes; buscar economia de escala para reduzir custos; e a necessidade de competir e de estar entre os líderes do mercado. (STAL, 2010, p. 122). Desta forma quando uma MPE mineira decide se internacionalizar é importante que ela ampare a estratégia como inovadora, que priorizará excelência e qualidade. Mesmo com a necessidade de aprimoramento da visão gerencial as MPEs possuem algumas características particulares, atendendo, por exemplo, nichos de mercados que as grandes empresas encontram dificuldades de atender ou não se interessam. Outra facilidade da pequena empresa é que o processo de internacionalização exige muito menos tempo se comparado a uma grande empresa, devido a sua menor estrutura e complexidade o que pode ser visto como uma vantagem. No entanto, é importante ressaltar que mesmo com uma estrutura menos complexa se comparada a uma grande empresa ou atendendo lacunas de nichos, o processo de internacionalização deve ser visto como um investimento a logo prazo, ou seja, o processo exige um tempo adequado para acontecer não é do dia para noite. A empresa precisa se estruturar primeiro, através do aprimoramento do seu processo produtivo, investimento em programas de controle de qualidade, capacitação do pessoal, realização de uma pesquisa de mercado, entre outros fatores que possam contribuir para tornar o seu produto mais competitivo no mercado internacional. 4. MPEs mineiras exportadoras De acordo com o Exportaminas - Panorama do Comércio Exterior (2012) o número de micro e pequenas empresas mineiras com participação no mercado internacional ainda é pouco relevante se comparado à quantidade destes empreendimentos no Estado, que segundo o SEBRAE Minas (2012) gira em torno de 130 mil. Em 2011, foi registrado que 1.604 empresas realizaram operações de exportações, conforme pode ser observado no gráfico 04. Este número e 3,6 % menor que 2010. Ainda de acordo com a instituição, ao analisar a participação da MPEs no valor exportado por Minas em relação ao número de empresas deste porte é possível visualizar um grande contraste. Isto porque em participação as MPEs representam quase 50% das empresas exportadoras do estado. Em contra partida em valor exportado representam apenas 0,55% do valor total. Gráfico 4 - Número de MPEs participantes das exportações mineiras 2009 / 2010 10 Fonte: Exportaminas - Panorama comex4 (2012) Diante destes números é possível identificar que existe um grande número de MPEs mineiras envolvidas na realização de negócios internacionais. Mas, a contribuição em termos de valores ainda é pouco relevante, o que pode ser explicado possivelmente pelo despreparo ou pré-disposição destas empresas em lidar com o Comercio Internacional. De acordo com o Exportaminas a participação de empresas deste porte gira em torno dos 30%, o que pode ser visto como positivo. Diante da nova realidade mundial o que se espera é que os micros e pequenos empresários se interessem cada vez mais pelo processo de internacionalização. Os dados apresentados demonstram que é possível a participação de empresas no mercado internacional, mas também mostra a necessidade de uma reestruturação destas empresas, para que desde seu início, sejam implementadas ações que identifiquem as tanto estruturas como os segmentos em que atua. As ferramentas de pesquisa auxiliam nas peculiaridades das MPEs mineiras, que atuam em setores com maior e outros com menor valor agregado, com maior ou menor disponibilidade de desenvolvimento interno de acordo com seu clustering5 de inserção. 5. Clusters, principais produtos exportados. Sobre os clusters, é importante citar dois tipos, os generalizados, onde reflete o fato de que as atividades tendem a se aglomerar, em áreas urbanas que geralmente são chamadas de economias de urbanização. O segundo tipo é classificado como cluster especializado que mostra a tendência das empresas dos mesmos setores ou setores selecionados a se localizarem nos mesmos locais (DICKEN, 2010). Com bases nas informações cedidas pelo Central Exportaminas, em Minas Gerais não é possível à identificação de clusters exportadores especializados, mas existem as 4 5 Comércio Exterior Clustering - agrupamentos setoriais de produtos e ou serviços industriais. 11 predominâncias de produtos exportados por determinas regiões, como por exemplo, o café no Triângulo Mineiro e minérios metalúrgicos, metais e pedras preciosas na Região Central de Minas. Estas regiões se destacam em volume de exportações de acordo com os produtos que sua estrutura física ou climática favorece a produção. Com estes dois exemplos é possível observar as relações de um lado das grandes e de outro lado à participação das pequenas. O setor minerador dominado por grandes corporações e os de café, que mesmo tendo a participação de grandes produtores e beneficiadores possuem a significativa participação de MPEs. Neste aspecto, onde as grandes geram oportunidades para as micros e pequenas empresas é possível observar que estas regiões acabam por se especializarem na produção de determinados produtos, se tornam geradoras de oportunidades para todos os envolvidos na cadeia produtiva. As grandes multinacionais que atuam nestas regiões demandam insumos e serviços que geralmente são fornecidos por outras empresas envolvidas na cadeia produtiva, onde se encontram muitas MPEs. No gráfico 5 é possível observar as regiões mineiras com o maior volume de exportações. Como já mencionado a região central, destaca-se com 62,5 de produtos exportados. A região do Sul de Minas também contribui de forma significativa para as exportações. Gráfico 5 - Exportações por regiões e municípios Fonte: Exportaminas - Panorama comex (2012) – Adaptado pelo autor Conforme dados publicados pelo Exportaminas (2012) os principais produtos da pauta de exportação de Minas Gerais são os commodities minerais e agrícolas. O grande destaque da pauta no ano de 2011 foram os minérios metalúrgicos as exportações destes grupos de produtos superaram as realizadas no ano anterior. Eles foram responsáveis por 47,4 % das 12 exportações em segundo lugar vêm os produtos metalúrgicos com 14,7% e em terceiro aparece o café e seus derivados com 14,0 %. Conforme pode ser observado no gráfico 6. Gráfico 6 - Principais subgrupos de produtos exportados jan - mar / 2012 Fonte: Exportaminas - Panorama comex (2012) - adaptado pelo autor. De acordo com o Exportaminas - Panorama do comex (mar/2012), as exportações mineiras totalizaram US$ 40,68 bilhões nos últimos 12 meses, tendo expansão de 17,7% em relação ao período de abril de 2010 a março de 2011, a participação do estado nas exportações sobre o valor nacional ficou em 15,7%. Diante disto é possível observar a relevância das exportações mineiras, assim como a importância da participação das empresas mineiras neste processo. 6. Conclusão Os dados apresentados e analisados corroboram para a identificação dos fatores que levam a participação ou a não participação das MPEs mineiras no processo de internacionalização, apresentando este processo como algo relevante diante das mudanças que vem ocorrendo no cenário econômico mundial. Apesar das grandes empresas estarem entre as principais participantes dos negócios internacionais, é importante ressaltar que existe espaço para as empresas de pequeno porte. E conforme é observado no gráfico 05 que demonstra a participação das MPEs mineiras é relevante quanto ao número. Porém, para se ter sucesso no mercado internacional é necessário à busca pela qualificação e aprimoramento da visão gerencial do negócio, para que a capacidade exportadora das Micro e Pequenas Empresas seja sustentável. Não basta querer exportar, é necessário que as empresas se adequem as novas exigências advindas da decisão de atender 13 clientes em outro país ou continente. Mesmo diante de desafios, a participação de empresas de menor porte no mercado internacional é algo relevante para o desenvolvimento econômico, exigindo uma reflexão sobre o assunto. Conforme já mencionado é possível observar uma grande controvérsia na participação das MPEs nas exportações mineiras, possuem um número expressivo em participação, mas contribuem pouco para o valor total das exportações, isto se dá pela presença de grandes multinacionais que exportam uma grande quantidade. No entanto, as oportunidades advindas do processo de internacionalização não foram vastamente exploradas pelas micro e pequenas empresas. As MPEs enfrentam alguns desafios quando tomam a decisão de internacionalizar seus negócios, entre eles está a capacidade gerencial pouco aprimorada. Este é o primeiro ponto a ser sinalizado, os empresários destas empresas desconhecem ferramentas básicas do processo de gestão que necessitam ser implementadas para que o processo de internacionalização aconteça da forma correta. A empresa que decide atender ao mercado internacional necessita adequar-se para ofertar produtos com um padrão de qualidade diferenciado. Afinal quando alguém pensa em uma empresa que exporta o posicionamento gerado é que os produtos ofertados são de qualidade. Isto não acontece por acaso, existem padrões de qualidade e procedência que a empresa necessita atender para conseguir exportar. Cada país tem suas exigências de acordo com as características de seu mercado consumidor e cultura. Por esta razão, é tão importante que o empreendedor procure conhecer bem o seu importador, para identificar suas características culturais e econômicas. Conforme demonstrado no tópico à internacionalização como estratégia para a competitividade. O processo de internacionalização exige da empresa tempo, para se qualificar, para se preparar, demanda investimentos em aprimoramento do processo produtivo e em capacitação de pessoas. É além de tudo é um investimento com retorno em longo prazo, a Central Exportaminas estima que o prazo médio de retorno da participação no comercio exterior é de três anos e o máximo de seis. Estes aspectos contribuem para que o micro e pequenos empresários desistam de realizar o processo de internacionalizar o seu negócio da maneira correta ou nem o realize. Alguns dos empresários de empresas deste porte, devido o processo ser muito complicado, caro, burocrático eles acabam desistindo no meio do caminho ou tentando fazer as coisas a sua maneira, o que acaba contribuindo para que esta empresa não obtenha os resultados esperados. 14 Outro ponto crítico para que este processo ocorra da maneira esperada, gerando bons resultados para a empresa e a falta de mão de obra qualificada. A escassez de profissionais comprometidos e qualificados é um ponto crucial que hoje tem comprometido a competitividade das empresas que estão inseridos ou que desejam entrar no mercado internacional. E no caso de algumas MPEs o empresário até passou por alguma formação ou qualificação, mas não tem o interesse de implementar as ferramentas, em outros casos o profissional não atende ao perfil que a empresas necessita ou não tem o desejo de iniciar o processo do zero. Diante destas questões é possível concluir que a participação das MPEs nas exportações mineiras é relevante em número, mas ainda pouco expressiva na contribuição em valor. O que demonstra que ainda há muito para ser explorado por estas empresas. Desde que haja investimento em qualidade, qualificação e na otimização dos processos realizados por elas. Umas parcelas significativas dos micro e pequenos empresários mineiros resistem ao processo de internacionalizações por considerá-lo oneroso, complicado ou simplesmente por não ter visão gerencial do negócio. O próprio mercado interno fomentado pelo investimento das grandes podem abrir oportunidades dentro da cadeia produtiva. Como é o caso dos pequenos cafeicultores fornecendo para grandes beneficiadoras. Ou no caso da mineralogia que gera micro empreendimentos ao seu redor. Desta forma é possível identificar que a não participação de muitas MPEs no processo de internacionalização se dá por muitos fatores entre eles o desconhecimento ou a falta de interesse e visão de negócio ampliada do empresário. Muitos microempresários acreditam que a participação no comercio internacional de forma direta é apenas para as grandes empresas, e que as MPES não possuirão uma participação relevante. Existe uma visão de que as vendas realizadas para outros países necessitam exclusivamente ser em grande volume e que sua capacidade produtiva não consegue atender, acham que o processo fica caro, que a legislação é muito complicada e existe muita burocracia. Os micros e pequenos empresários precisam compreender melhor o processo de internacionalização para avaliar de forma menos subjetiva as vantagens de sua participação neste processo. Mas de acordo com a bibliografia estudada e informações obtidas junto a órgãos ligados à área de estudo, a participação da MPEs no mercado externo é possível, desde que o seu processo de internacionalização seja bem planejado, que se se visualize as peculiaridades dos clusters, e a ampliação de visão estratégica das empresas. 15 Esta pesquisa limitou-se ao estudo de fatores que contribuem para a participação ou a não participação das MPEs mineiras no processo de internacionalização. Os objetivos de pesquisa propostos foram alcançados de forma satisfatória uma vez que, foi apresentada a importância da globalização para o processo de internacionalização, descrição deste processo e sua importância para as MPEs, identificação de Clusters e as razões da participação ou não participação destas empresas no mercado internacional. Diante das limitações desta pesquisa, é importante que outras pesquisas referentes ao tema sejam desenvolvidas, a fim de agregar ainda mais aos estudos voltados para as exportações mineiras. Desta forma, será possível trazer ainda mais esclarecimentos quanto às vantagens e desafios da realização de negócios no mercado internacional. REFERÊNCIAS CAVUSGIL, S. Tamer; KNIGHT, Gary; RIESENBERGER, John R. Negócios Internacionais: estratégia, gestão e novas realidades. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. DICKEN, Peter. Mudança Global: mapeando as novas fronteiras da economia mundial. . 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. 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