Teste Formativo 2 Enunciado 1. Determine o erro absoluto, erro relativo e percentagem de erro das aproximações seguintes: √ 1.1. 1.77245 ≈ π. 1.2. 1.42857 ≈ 10 . 7 1 1.3. 1.64872 ≈ e 2 . 2. Considere a equação e−x − x2 = 0. 2.1. Por recurso ao teorema do valor intermédio, verifique que a equação dada tem uma raiz localizada no intervalo [0, 1]. 2.2. Sendo f a função com derivadas contı́nuas até à segunda ordem em [0, 1], f (x) = e−x − x2 , verifique que f 0 (x) 6= 0, ∀ x ∈ [0, 1] . 2.3. Aplique o método de Newton para calcular a raiz da equação. Estime o erro do resultado obtido. 2.4. Pelo método da bissecção, quantos intervalos seriam necessários calcular para se obter uma aproximação para a raiz com cinco algarismos significativos? 3. Considere a matriz 1 2 1 A = 2 5 4 . 1 4 6 3.1. Determine a decomposição LU de A. 3.2. Utilizando a decomposição obtida, calcule o determinante da matriz A. 3.3. Determine de modo eficiente a solução de cada um dos sistemas seguintes: Ax1 = ( 1 0 0 )T , Ax2 = ( 0 1 0 )T , Ax3 = ( 0 0 1 )T . 1 3.4. Verifique que A−1 = (x1 x2 x3 ). 4. Considere a função ( s(x) = cx3 + dx + 1/9, 0 ≤ x ≤ 1/3 bxk + ax2 , 1/3 ≤ x ≤ 1. Determine os valores de k, a, b, c e d para os quais a função s é uma função spline cúbica natural. 5. Considere o integral 1.4 Z 1 1 dt. 1+t 5.1. Calcule o seu valor utilizando: 5.1.1. A regra do trapézio simples. Estime o erro do resultado. 5.1.2. A regra de Simpson simples. Estime o erro do resultado. 5.2. Calcule o valor exacto do integral e confronte os resultados obtidos. 6. Calcule os integrais seguintes: 6.1. Z 0 1 cos x √ dx. x Sugestão: Com o objectivo de aplicar a regra de Simpson, comece por efectuar uma mudança de variável conveniente. 6.2. +∞ Z 1 2 cos x dx. x4 Teste Formativo 2 Exemplo de resolução 1. 1.1. Considerando a aproximação 1.77245 ≈ √ π, tem-se que o erro absoluto é dado por √ = | π − 1.77245| = |1.772453851... − 1.77245| = 0.000003851... ≈ 0.39 10−5 , o erro relativo por 0.39 10−5 √ r= √ ≈ ≈ 0.22 10−5 , | π| π e a percentagem de erro por 100r ≈ 0.22 10−3 %. √ Em conclusão, 1.77245 aproxima π com erro absoluto estimado em 0.39 10−5 , com erro relativo estimado em 0.22 10−5 , e com percentagem de erro estimada em 0.22 10−3 %. 1.2. De modo análogo, o erro absoluto da aproximação 1.42857 ≈ 10 7 obtém-se por 10 = 7 − 1.42857 = |1.428571429... − 1.42857| = 0.000001429... ≈ 0.14 10−5 , 3 o erro relativo por r= | 10 | 7 0.14 10−5 ≈ 10 7 ≈ 0.98 10−6 , e a percentagem de erro por 100r ≈ 0.98 10−4 %. com erro absoluto estimado Conclui-se assim que 1.42857 aproxima 10 7 −5 em 0.14 10 , com erro relativo estimado em 0.98 10−6 , e com percentagem de erro estimada em 0.98 10−4 %. 1.3. Por último, o erro absoluto da aproximação 1 1.64872 ≈ e 2 é dado por 1 = |e 2 − 1.64872| = |1.648721271... − 1.64872| = 0.000001271... ≈ 0.13 10−5 , o erro relativo por r= 1 2 |e | ≈ 0.13 10−5 e 1 2 ≈ 0.8 10−6 , e a percentagem de erro por 100r ≈ 0.8 10−4 %; 1 o que permite concluir que 1.64872 aproxima e 2 com erro absoluto estimado em 0.13 10−5 , com erro relativo estimado em 0.8 10−6 , e com percentagem de erro estimada em 0.8 10−4 %. 2. 2.1. Designemos por f a função real contı́nua definida por, f (x) = e−x − x2 , x ∈ IR. Como f (1) = −0.63212... < 0, f (0) = 1 > 0, tem-se f (0)f (1) < 0. Da continuidade da função f em [0, 1] resulta, por aplicação do teorema do valor intermédio, que f tem pelo menos uma raiz real r em [0, 1]. 4 2.2. Consideremos a função derivada da função f , f 0 (x) = −e−x − 2x, x ∈ IR. Por a função x 7→ e−x ser estritamente positiva em IR, tem-se que (5.1) −f 0 (x) = e−x + 2x ≥ 0, ∀ x ∈ [0, 1] . No entanto a desigualdade anterior é mesmo estrita. Com efeito, se para um certo x0 ∈ [0, 1] f 0 (x0 ) fosse igual a zero, de (5.1) viria que e−x0 = −2x0 ; o que é impossı́vel, pois por x0 ∈ [0, 1] o valor −2x0 é negativo ou igual a zero e e−x0 é um valor estritamente positivo. Conclusão: −f 0 (x) = e−x + 2x > 0, ∀ x ∈ [0, 1] , o que implica que f 0 (x) 6= 0, ∀ x ∈ [0, 1] , como se pretendia. 2.3. Tendo em conta o que vimos nas alı́neas anteriores, temos garantida a convergência da sucessão xk , k = 1, 2, · · ·, gerada pelo método de Newton, e−xk − x2k f (xk ) = xk + −x , xk+1 = xk − 0 f (xk ) e k + 2xk para a raiz r, desde que a aproximação inicial x0 ∈ [0, 1] esteja suficientemente próxima de r. Escolhamos x0 = 0.65, por exemplo. Obtém-se e−x0 − x20 e−x0 + 2x0 e−0.65 − (0.65)2 = 0.65 + −0.65 = 0.704634, e + 2 × 0.65 x1 = x0 + x2 = 0.704634 + e−704634 − (0.704634)2 = 0.703468, e−0.704634 + 2 × 0.704634 x3 = 0.703467, x4 = 0.703467. Assim, 0.703467 é uma aproximação para a raiz r com erro estimado em 10−6 : |r − x3 | ≈ |x4 − x3 | < 10−6 (x3 e x4 coincidem nos seus seis primeiros dı́gitos). 5 2.4. O ponto médio xk do intervalo Ik gerado pelo método da bissecção é uma aproximação para a raiz da equação com erro absoluto k tal que k < wk 1−0 1 = k+1 = k+1 , 2 2 2 onde wk denota a amplitude do intervalo Ik . Assim, e uma vez que a raiz se situa no intervalo [0, 1], para se obter uma aproximação da raiz com cinco algarismos significativos deverá ter-se k < 0.5 10−5 . De 1 2k+1 < 0.5 10−5 , vem 2k > 105 , ou seja, k ln 2 > 5 ln 10, o que é equivalente a ln 10 = 16.6096 · · · . ln 2 k >5· Conclusão, partindo do intervalo inicial [0, 1] terão de ser calculados pelo método da bissecção 17 intervalos. 3. 3.1. Comecemos por obter a primeira linha da matriz U . Tem-se u11 = a11 = 1, u12 = a12 = 2, u13 = a13 = 1. Calculemos agora a primeira coluna da matriz L: l21 = l31 = a21 u11 a31 u11 = 2, = 1. Determinemos de seguida a segunda linha da matriz U . Tem-se u22 = a22 − l21 u12 = 1, u23 = a23 − l21 u13 = 2. Para a segunda coluna da matriz L obtém-se: l32 = a32 − l31 u12 = 2. u22 6 Finalmente, para a última linha da matriz U tem-se, u33 = a33 − 2 X l3k uk3 k=1 = a33 − l31 u13 − l32 u23 = 1. Donde, 1 0 0 L = 2 1 0 1 2 1 e 1 2 1 U = 0 1 2. 0 0 1 3.2. Sendo o determinante da matriz produto LU (= A) igual ao produto dos determinantes das matrizes L e U , tem-se det A = det L · det U = 1 × 1 = 1, em que o determinante da matriz triangular inferior L (respectivamente, da matriz triangular superior U ) é igual ao produto dos elementos da diagonal de L (respectivamente, U ). 3.3. Seja o sistema (2.1) Ax1 = ( 1 0 0 )T . Considerando a decomposição LU encontrada na alı́nea 2.1 e substituindo-a em (2.1) obtém-se, LU x1 = ( 1 0 0 )T . Assim, escrevendo (2.2) U x1 = y1 , tem-se que (2.3) Ly1 = ( 1 0 0 )T ; ou seja, para calcular a solução do sistema (2.1) basta resolver o sistema (2.3) por substituição directa para determinar y1 , e depois resolver (2.2) por substituição inversa para obter x1 . É o que faremos de seguida. 7 Reescrevendo o sistema (2.3), y11 1 1 0 0 2 1 0 y21 = 0 , y31 0 1 2 1 onde y11 y1 = y21 , y31 por substituição directa obtém-se y11 = 1, y21 = −2, y31 = 3. Com o vector coluna y1 assim determinado estamos em condições de passar à resolução do segundo sistema. Sendo ele, 1 2 1 1 0 1 2 x1 = −2 , 0 0 1 3 e designando o vector coluna x1 por x11 x1 = x21 , x31 por substituição inversa obtém-se, x31 = 3 x21 = −8 x11 = 14. Fica assim concluida a resolução do primeiro sistema dado. Relativamente aos outros dois, o raciocı́nio a seguir é exactamente igual. Obter-se-á no final, −8 3 x2 = 5 , x3 = −2 . −2 1 3.4 Para provar que a matriz 14 −8 3 (x1 x2 x3 ) = 5 −2 −8 3 −2 1 8 é a matriz inversa da matriz A, basta verificar que o produto desta matriz pela matriz A é a matriz identidade de ordem 3: 14 −8 3 1 2 1 1 0 0 5 −2 2 5 4 = 0 1 0 −8 . 3 −2 1 1 4 6 0 0 1 Este exercı́cio 3 ilustra como se pode obter de um modo eficiente o determinante e a inversa de uma matriz invertı́vel a partir da sua decomposição LU . 4. Para que a função ( s(x) = cx3 + dx + 1/9, 0 ≤ x ≤ 1/3 bxk + ax2 , 1/3 ≤ x ≤ 1 seja uma spline cúbica natural tem que se ter, antes de mais, k = 3. Sendo s um polinómio de grau três em cada intervalo [0, 1/3], [1/3, 1], s, s0 e s00 são funções contı́nuas em [0, 1/3) e (1/3, 1]. Para garantir a continuidade de s, s0 , s00 em todo o intervalo [0, 1], há então que garantir que (4.1) s 1 − 3 (4.2) s0 (4.3) 00 s =s 1 − 3 1 − 3 1 =s 3 = s0 =s 1 + 3 1 + 00 3 , 1 + 3 , , o que se traduz, respectivamente, por (4.10 ) (4.20 ) (4.30 ) c 1 3 + 3 3c 1 2 3 1 3 d 1 1 + =b + a( )2 , 3 9 3 3 + d = 3b 6c · 1 2 3 1 + 2a · , 3 1 1 = 6b · + 2a. 3 3 Para que a função s seja uma spline cúbica natural, há que verificar ainda s00 (0) = 0, s00 (1) = 0, 9 ou seja, s00 (0) = s00 (0+ ) = (6cx)x=0 = 0, e (4.4) 0 = s00 (1) = s00 (1− ) = (6bx + 2a)x=1 = 6b + 2a. Combinando (4.10 ), (4.20 ), (4.30 ) e (4.4), resta então resolver o sistema de quatro equações a quatro incógnitas: 2 2 2 3 1 9 6 2 1 3 1 27 0 −2 − 13 1 − 27 0 0 −1 − 13 0 a 0 b = . 0 c 1 d 9 Obtém-se pelo método de eliminação de Gauss, a = −3, b = 1, c = −2, d = −1. Conclusão, para os valores k = 3, a = −3, b = 1, c = −2, d = −1, a função s dada define uma spline cúbica natural. 5. 5.1. Designemos por f a função integranda do integral dado, f (t) = 1 , t ∈ [1, 1.4] . 1+t 5.1.1. Utilizando a regra do trapézio simples tem-se Z 1 1.4 1 (1.4 − 1) h 1 1 i dt ≈ + = 0.1833333, 1+t 2 1 + 1 1 + 1.4 em que o erro de truncatura gerado no cálculo desta aproximação é dado por ET = − (1.4 − 1)3 00 f (η), η ∈ (1, 1.4) . 12 Como não se conhece o valor de η, determinemos um limite superior para o valor absoluto do erro ET : (0.4)3 2 (0.4)3 2 |ET | ≤ max = × ≈ 1.333 10−3 . 3 t∈[1,1.4] 12 (1 + t) 12 8 10 5.1.2. Aplicando agora a regra de Simpson simples, tem-se 1.4 Z 1 1 (1.4 − 1) h 1 4 1 i dt ≈ + + 1+t 6 1 + 1 1 + 1.2 1 + 1.4 = 0.1823232, sendo o erro de truncatura gerado no cálculo desta aproximação, ES = − (0.2)5 (4) f (η), η ∈ (1, 1.4) . 90 Mais uma vez, e pela mesma razão apontada na alı́nea anterior, calculemos um limite superior para o valor absoluto do erro ES . Obtém-se |ES | ≤ 24 (0.2)5 (0.2)5 24 max = × 5 ≈ 2.666 10−6 . 90 t∈[1,1.4] (1 + t)5 90 2 5.2. Calculando o valor exacto do integral tem-se que Z 1.4 1 1 dt = ln(1 + 1.4) − ln(1 + 1) = 0.1823216, 1+t o que confirma a maior precisão da aproximação obtida pela regra de Simpson em relação à obtida pela regra do trapézio. 6. 6.1. Atendendo a que a função integranda, cos x f (x) = √ , x não está definida para x = 0, tendo-se lim f (x) = +∞, x→0+ para aplicar a regra de Simpson há necessidade de previamente se efectuar uma mudança de variável conveniente (observe a fórmula da regra de Simpson simples ou composta). Efectuando a mudança de variável definida por x = t2 , obtém-se Z 0 1 Z 1 Z 1 cos x cos(t2 ) √ dx = 2t dt = 2 cos(t2 ) dt, x t 0 0 onde a nova função integranda, h(t) = cos(t2 ), 11 além de estar definida para t = 0, tem derivadas contı́nuas até à quarta ordem em [0, 1]. É esta regularidade que nos garante que os resultados obtidos por aplicação da regra de Simpson no cálculo do integral Z 1 h(t) dt = 0 Z 1 cos(t2 ) dt 0 têm a precisão desejada. Tomemos na regra de Simpson composta h = 0.25, por exemplo. Tem-se, Z 1 0.25 [h(0) + 4(h(0.25) + h(0.75)) + 2h(0.5) + h(1)] 3 0.25 = [cos 0 + 4(cos(0.252 ) + cos(0.752 )) 3 cos(t2 ) dt ≈ 0 +2 cos(0.52 ) + cos 1] = 0.0833333[1 + 4(0.9980475 + 0.8459245) +2 × 0.9689124 + 0.5403023] = 0.9045009. Para estimar o erro desta aproximação usaremos o resultado, |ES (0.25)| ≈ 1 |S(0.25) − S(2 × 0.25)|. 15 Tendo em conta que 0.5 [cos 0 + 4 cos(0.52 ) + cos 1] 3 0.5 = [1 + 4 × 0.9689124 + 0.5403023] 3 = 0.9026587, S(0.5) = tem-se então |ES (0.25)| ≈ 1 |0.9045009 − 0.9026587| = 1.228 10−4 . 15 Conclusão, Z 0 1 Z 1 cos x √ dx = 2 cos(t2 ) dt ≈ 2 × 0.9045009 = 1.8090018, x 0 com o erro estimado por 2 × 1.228 10−4 = 2.456 10−4 . 12 6.2. +∞ Z 1 em que Z k Z +∞ cos x cos x cos x dx = dx + dx, k > 1, 4 4 x x x4 1 k Z +∞ Z +∞ 1 cos x 1 cos x dx ≤ dx ≤ dx = 3 . 4 4 4 x x x 3k k k k Por exemplo, para k = 5 tem-se Z +∞ 1 1 dx = < 2.7 10−3 . 4 3 x 3×5 5 Considerando Z +∞ Z 5 cos x cos x dx ≈ dx, 4 x x4 1 1 calculemos o integral Z 5 cos x dx. x4 1 Para tal, iremos recorrer à regra de Simpson composta com h = 1, por exemplo. Note-se que por a função integranda cos x f (x) = 4 x ter derivadas contı́nuas até à quarta ordem em [1, 5], os resultados obtidos por aplicação da regra de Simpson terão a precisão desejada. Obtém-se assim, Z 5 cos 2 1h cos 4 cos 3 cos 5 i cos x dx ≈ cos 1 + 4 + + 4 + 2 × x4 3 24 44 34 5 1 1 = [0.5403023 + 4 × (−0.0260092 − 0.0025533) 3 +2 × (−0.0122221) + 0.0004539] Z +∞ = 0.1340207, com erro estimado por 1 |ES (1)| ≈ |S(1) − S(2)| 15 1 = |0.1340207 − 0.3279119| = 1.29 10−2 ; 15 ! h 2 cos 3 cos 5 i cos 1 + 4 × 4 + 4 = 0.3279119 . S(2) = 3 3 5 Conclusão, +∞ Z 5 cos x cos x dx ≈ dx ≈ 0.1340207, 4 x x4 1 1 com erro estimado em 2.7 10−3 + 1.29 10−2 = 1.56 10−2 . Z 13