RESSIGNIFICANDO O PROCESSO NA FORMAÇÃO INICIAL DO/DA PROFESSOR(A) DE GEOGRAFIA Janete Regina de Oliveira [email protected] Universidade Federal de Viçosa Resumo Esse texto apresenta reflexões iniciais acerca do processo de formação docente gestado a partir do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência em Geografia, na Universidade Federal de Viçosa. Uma das angústias que cercam os estudantes de licenciatura refere-se ao como transmitir todos os conhecimentos apreendidos, durante o curso, numa linguagem que seja acessível aos educandos da escola básica, sem perder o caráter e rigor científico originais. Diante dessa questão, o Pibid de Geografia da UFV procurou atuar de forma a problematizar a relação entre o conhecimento instituído e a instituição escolar – ambiente no qual o protagonismo dos jovens precisa ser levado em consideração ao se estabelecer formas de ensinar e de aprender os conteúdos da disciplina Geografia. Tendo como referência essa problematização, os licenciandos foram estimulados, no processo de preparação e execução de atividades didáticas, a refletirem sobre o sentido de ensinar e aprender Geografia. O trabalho, no momento da feitura do texto encontrava-se em curso, e o resultado mais sensível, observado, foi o reconhecimento, por parte dos licenciandos, de que os conhecimentos adquiridos durante a graduação são basilares para a atuação na escola, porém, outros conhecimentos precisam ser mobilizados. PALAVRAS-CHAVES: Ensino de Geografia- Escola Básica- Formação Inicial de Professores. Resumén Este artículo presenta reflexiones iniciales sobre el proceso de formación del profesorado gestado desde el Programa de Bolsa de la Iniciación a la Docencia Institucional Geografía de la Universidad Federal de Viçosa . Uno de los problemas que rodean a los estudiantes de pregrado se refiere como transmitir todos los conocimientos adquiridos durante el curso , en un lenguaje que sea accesible a los estudiantes de la escuela primaria, sin perder el carácter original y el rigor científico . Ante esta pregunta, la Pibid de Geografía de la UFV buscó acto de problematizar la relación entre el conocimiento y la institución educativa establecida - el entorno en el que el papel de los jóvenes hay que tener en ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2098 cuenta para establecer formas de enseñar y aprender los contenidos de la disciplina Geografía . Con referencia a este cuestionamiento , se alentó a los titulares de licencias , en la preparación y ejecución del proceso de las actividades educativas , para reflexionar sobre el significado de la enseñanza y el aprendizaje de la Geografía. El trabajo en el momento de hacer que el texto que estaba en marcha, y el resultado más sensible observado fue el reconocimiento por parte de los estudiantes , que los conocimientos adquiridos durante los estudios de pregrado son básicas a la escuela de actuación , sin embargo , otra es necesario movilizar el conocimiento. PALABRAS CLAVE: Enseñanza de la Geografía- Enseñanza Básica - La formación inicial del professorado. Introdução Ao longo de vários anos, a experiência profissional como docente, na Educação Básica e no Ensino Superior, tem nos colocado frente a alguns questionamentos sobre o fazer cotidiano. Um deles pode ser associado ao desafio de conseguir mostrar, aos educandos, o sentido da escola e de uma disciplina compreendida, por muitos, como apenas um enumerado de informações sobre o mundo. Apesar dos inegáveis avanços na reflexão sobre o ensino de Geografia, com importantes repercussões sobre a Educação Básica, esse desafio parece persistir, assumindo singular importância no processo de formação docente, no nível de graduação. Não raramente, ao questionar estudantes de Geografia, em fim de curso, sobre o sentido dessa disciplina na educação básica, constatamos que esses sempre ficam, via de regra, confusos e sem saber o que responder. Essa situação tem gerado um grande incômodo, pois, como um(a) futuro(a) professora), a poucos meses da diplomação, não reconhece a importância do seu fazer? Diante desse incômodo, três hipóteses foram tecidas. A primeira é a de que o curso não preparou de maneira adequada seus profissionais. Uma segunda possibilidade era a de que os estudantes não se empenharam durante o curso. A terceira hipótese era a de que faltava um espaço, na implementação do currículo, para que fossem estabelecidas as conexões entre o conhecimento considerado academicamente relevante e o futuro exercício da docência. Sem menosprezar o efeito explicativo das duas primeiras hipóteses (que tomadas em conjunto, ou mesmo isoladamente, podem revelar questões conjunturais ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2099 relevantes), a terceira hipótese foi a que nos pareceu mais próxima de uma explicação. Afinal de contas, não há como ignorar o efeito abrangente da forma como ocorre a implementação do currículo de um curso, tendo em vista as escolhas epistemológicas que afetam essa prática. Esse fato, inclusive, pôde ser corroborado, em situações profissionais diversas, por ocasião da orientação de estágios supervisionados nos quais os estudantes eram levados a preparar atividades tendo como referência a importância do conhecimento geográfico. Ao se buscar a efetivação das atividades do Pibid-Geografia/2012, da UFV, as preocupações aqui esboçadas informaram tanto as estratégias de formação do grupo de licenciandos bolsistas quanto, também, a orientação da intervenção dos mesmos no ambiente escolar. Dessa forma, o trabalho com o grupo teve como premissa caracterizálo como exercício de prática docente, para que pudéssemos, a partir da disciplinaridade, assentar as bases para a construção de sentidos para a identidade profissional que importa: a identidade profissional docente. O projeto O papel da universidade, sob nossa perspectiva, consiste em formar professores que atuarão na busca por uma sociedade melhor, com maior equidade e menores desigualdades; que pratiquem a tolerância e o respeito à diversidade, mas que, também, valorizem a produção de saberes. Dessa forma, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação á Docência (PIBID)- Geografia, da Universidade Federal de Viçosa, é um subprojeto que trabalha com a formação de professores a partir da concepção proposta por vários autores, como Tardif e Nóvoa, que defendem a valorização da experiência, como importante dimensão no processo de construção dos saberes docentes. Além disso, pontuamos a concepção produzida por David Ausubel acerca da aprendizagem significativa, como caminho que viabiliza a construção do conhecimento, tanto de licenciandos, como dos estudantes da Educação Básica. Assim sendo, uma das dimensões abordadas consiste na compreensão do papel hodierno da escola (lócus privilegiado da ação docente) como um contexto complexo onde interagem as diversas dimensões da vida em sociedade (política, social, econômica e histórica). Dessa forma, a escola é aqui concebida como uma instituição que, prenhe de vida e criatividade, é composta por diferentes sujeitos portadores de cultura cujos interesses e valores podem, eventualmente, ser conflitantes. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2100 O Pibid-Geografia/2012-UFV busca, assim, estreitar os laços entre a Educação Básica e a Universidade através da formação de professores que possam contribuir para o desenvolvimento dos educandos, tendo como pressupostos o compromisso, a criticidade e a criatividade. Destarte, as ações desenvolvidas no Pibid-Geografia/2012UFV estão ancoradas na articulação do grupo de estudos Propostas TeóricoMetodológicas para o Ensino de Geografia, onde são realizadas reflexões teóricas que visam proporcionar o desenvolvimento do olhar crítico e atento, voltado para a compreensão da realidade e dos desafios relacionados ao trabalho docente. Os temas abordados no grupo de estudos citado foram: currículo; tempos, espaços e sujeitos escolares; e estratégias didáticas. Esses encontros envolvem toda a equipe, licenciandos, supervisores e coordenação de área, servindo de referencial para as ações na escola, que serão pontuadas mais a frente. De modo geral o Pibid-Geografia/2012-UFV pode ser sintetizado no mapa conceitual que segue. Dessa forma, Pibid-Geografia/2012-UFV objetiva desenvolver atividades, junto aos educandos, na Escola Básica, que busquem atingir os seguintes objetivos: a) ampliar o diálogo entre a universidade e a escola; b) possibilitar aos licenciandos experiências significativas, relativas ao saber docente; c) incorporar, ao processo formativo do futuro docente, a perspectiva da pesquisa, de forma a superar a dicotomia entre teoria e prática; d) valorizar os conhecimentos cotidianos, a fim de que os educandos possam perceber a Geografia como prática social necessária à compreensão do mundo; e) oportunizar a construção de uma ética profissional baseada no trabalho coletivo. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2101 O programa continua em curso, mas as atividades aqui referidas foram desenvolvidas entre agosto e dezembro de 2012, em três escolas públicas localizadas no município de Viçosa (Estado de Minas Gerais), a saber: a) Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima; b) Escola Municipal Coronel Antônio da Silva Bernardes; c) Escola Estadual Doutor Raimundo Alves Torres. Nessas escolas atuam cinco licenciandos, sob a supervisão de docentes da educação básica. Essas escolas (que possuem características diversas) foram selecionadas para que os licenciandos pudessem experimentar, ao longo de sua permanência no projeto, diferentes possibilidades socioespaçoculturais escolares. Isso porque, após um ano, os mesmos serão transferidos para outra escola. A Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima encontra-se em bairro periférico da cidade e recebe estudantes tanto da zona rural como da zona urbana do município. Atende 480 alunos distribuídos em dois turnos, em turmas de educação infantil e ensino fundamental (primeiro e segundo segmentos). Os bolsistas do PIBID atuam junto ao segundo segmento do ensino fundamental, em turmas do sexto ao nono ano, sendo o PIBID-Geografia/2012-UFV, o único subprojeto do programa PIBID-UFV a atuar nesse estabelecimento de ensino. A Escola Municipal Coronel Antônio da Silva Bernardes, apesar de estar situada na área central da cidade, atende 821 estudantes, oriundos de diferentes bairros (rurais e urbanos) do município, em turmas do segundo ao nono ano do ensino fundamental, e de Educação de Jovens e Adultos (oferecidas, exclusivamente, no turno da noite). Aí também, os licenciandos atuam em turmas de ensino fundamental do segundo segmento. Nela atuam dois outros subprojetos do programa PIBID-UFV, de Inglês e Matemática. Para o ano de 2013 estão previstas atividades interdisciplinares dessas três áreas de ensino. A Escola Estadual Doutor Raimundo Alves Torres (ESEDRAT), que atende 1249 estudantes dos níveis fundamental (segundo segmento) e médio. As atividades desenvolvidas pelo PIBID-Geografia/2012-UFV foram voltadas para turmas dos dois níveis de ensino, num total de 342 estudantes. Uma particularidade dessa escola reside no fato de que, por ser a maior do município, está articulada com vários projetos institucionais da Universidade Federal de Viçosa (seja através dos estágios supervisionados, atividades de extensão e pesquisa, bem como de vários subprojetos do PIBID-UFV). Seu público é constituído por estudantes oriundos de vários bairros do município, sendo alguns residentes em municípios vizinhos. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2102 O grupo de licenciandos de Geografia é composto por 15 estudantes de licenciatura, distribuídos em momentos distintos do curso, a partir do 3º período, quando fazem a opção pela modalidade. São originários de Viçosa, municípios vizinhos e de outros estados da federação (Rio de Janeiro e São Paulo). Os supervisores são docentes da rede de educação básica. Os três possuem experiência profissional acima de dez anos na Educação Básica. As atvidades. 2103 Como apontado anteriormente, o projeto encontra-se em desenvolvimento, sendo que o conjunto das atividades desenvolvidas aqui descritas refere-se ao período de agosto a dezembro de 2012. Inicialmente organizamos o grupo (coordenação, supervisores, licenciandos) em torno de discussões temáticas que pudessem subsidiar a atuação junto às escolas. A partir daí, os bolsistas foram orientados a realizar um diagnóstico sobre o espaço escolar, que tiveram como consequência dois produtos: a) A caracterização socioespacial das escolas. O principal objetivo foi identificar o contexto (social, político, cultural e espacial) na qual cada uma das escolas está inserida, bem como compreender a forma de atuação dos diferentes níveis institucionais (municipal, estadual, federal), seja através das políticas públicas curriculares, de avaliação ou de aplicação de recursos. Foram estimulados ainda, a entender a relação do estabelecimento de ensino com a cidade. Essa atividade foi pautada na perspectiva de que compreender a escola como espaço de formação, de construção e reprodução do conhecimento, mas, também como instituição social, que está prenhe de cultura e sujeita aos movimentos dessa mesma sociedade. Isso significa dizer que não se pode desconectar as vivências escolares do contexto social mais amplo, pois, como nos aponta Santos (2004), não se pode conceber uma sociedade que não seja espacial. Além disso, essa caracterização deveria servir de ponto de partida para a organização das propostas, uma vez que nosso desejo era o de realizar atividades que estivessem em consonância com a realidade dos educandos. b) Compreensão dos sujeitos da escola. Nesse momento, após a realização de leituras e discussões sobre a temática, os grupos foram orientados a investigar as pessoas que estão presentes no espaço escolar, quais sejam: funcionários, professores e estudantes. Com relação aos últimos procuramos ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 focalizar a juventude, pois eles e elas serão o foco de trabalho dos futuros docentes. Este exercício de observação constituiu importante etapa no processo de inserção no ambiente escolar, uma vez que vários licenciandos bolsistas ainda não haviam realizado estágios em escolas. Esta atividade, portanto, permitiu nivelar o grupo de licenciandos em relação aos conhecimentos específicos sobre o ambiente escolar. A partir da problematização apresentada por Juarez Dayrell (1996), segundo o qual as/os profissionais da escola não se atentam para a heterogeneidade dos jovens educandos, que possuem uma cultura própria (manifestada pela estética, gostos musicais, dentre outros aspectos) os licenciandos foram estimulados a considerar as especificidades de cada grupo, no interior de cada escola e as relações estabelecidas entre esses três segmentos. c) Aprender e ensinar Geografia: qual o sentido? Ao realizar entrevistas com os jovens nas escolas, os bolsistas se deparam com o desinteresse pela disciplina Geografia em várias turmas. Em princípio, a explicação parece simples o suficiente para conduzir à conclusão que as relações familiares são as responsáveis por essa situação, por não valorizarem, adequadamente, o processo de escolarização. Contudo, buscamos nos referenciar em vários autores, como Callai (ano), Cavalcanti (2002) e Kaecher (2010), que chamam a atenção para outro aspecto de significativa importância: a dificuldade, que alguns professores apresentam em sala de aula, em compreender a razão de ser da própria disciplina escolar que ministra, no âmbito da educação básica. Durante os encontros coletivos, as discussões sobre os fatores que interferem no aprender e no ensinar Geografia eram sempre acaloradas, com a apresentação de várias inquietações. Esse momento nos permitiu também visualizar aspectos cruciais na formação inicial, que devem ser enfrentados pelos cursos de graduação em Geografia, que conferem o grau de Licenciado. Ressaltamos, em todos os momentos, que o referencial teórico e metodológico da ciência geográfica é determinante para a configuração do trabalho na educação básica. Finalizada essa etapa, os bolsistas começaram a elaborar propostas de intervenção nas escolas. d) Situação problematizadora- a partir de leituras e discussões realizadas, os bolsistas foram incumbidos de propor uma atividade para cada turma em que atuavam, onde deveriam estimular os estudantes a resolver uma ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2104 situação problema, ligada ao conteúdo que estava sendo trabalhado pelos docentes. Um dos aspectos ressaltados na literatura de referência (ALMEIDA & PASSINI, 1994; CAVALCANTI, 2002) se refere à pouca exigência intelectual que são demandadas dos educandos na escola básica. Dessa forma, a proposta vislumbrou mobilizar diferentes conhecimentos tanto dos licenciandos, como também dos supervisores e estudantes. e) Desafios geográficos- como decorrência da atividade anterior, essa foi uma proposta para as atividades cotidianas. Semanalmente os bolsistas deveriam propor desafios em sala de aula, relativos aos assuntos aí trabalhados. Essa foi uma forma de instigá-los a relacionar diferentes conteúdos e reforçar aspectos relevantes de cada temática. f) Alfabetização Cartográfica: Como decorrência, ainda, das discussões em torno do livro Geografia: Ensino e Representação, citado anteriormente, o grupo recebeu como tarefa propor uma atividade em que o destaque era a alfabetização cartográfica, no interior dos conteúdos que estavam sendo abordados em sala de aula. Essa foi mais uma atividade em que o objetivo era o exercício, em sala de aula, das orientações teóricas que norteiam as práticas de ensino de Geografia, para a educação básica. Nesse momento, os licenciandos são levados a refletir sobre o currículo, propriamente dito, quais são as influências que aparecem nos recortes realizados, as opções seguidas, bem como a importância de se trabalhar a leitura e as representações gráficas, no interior dos conteúdos. g) Pesquisa individualizada: Desde as primeiras incursões no espaço escolar, os licenciandos bolsistas realizaram observações em relação às dificuldades apresentadas pelos estudantes. Essas primeiras observações serviram como base para que pudessem esboçar um percurso de pesquisa. No grupo de estudos, então, passamos a abordar o tema pesquisa, realizando leituras e discussões que pudessem embasar essa atividade, que ficou assim configurada: definição de tema de interesse, elaboração de projeto de pesquisa, realização de leituras específicas e desenvolvimento da pesquisa. Essa, necessariamente deverá culminar com um produto (metodologia, procedimento, recurso didático), a ser disponibilizado para a escola. Ressaltamos que essa pesquisa ocorre ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2105 concomitante às demais atividades, sendo o seu término previsto para junho de 2013. Os Desafios da Formação Inicial As críticas tecidas à qualidade da educação, via de regra recaem sobre a figura do/da professor(a). Sob esse aspecto António Nóvoa é enfático ao afirmar que esses profissionais precisam posicionar-se contrariamente a essa premissa, que tira da sociedade a responsabilidade sobre os processos educativos. Apesar de todas as ponderações, não podemos nos furtar ao compromisso e responsabilidade que os cursos de licenciatura devem assumir, com relação ao contexto escolar, marcado pela complexidade. Isso nos motiva a tentar configurar, através do Pibid-Geografia, uma proposta que caminhe na tentativa de transformar a Geografia, numa disciplina que tenha significado e sentido para os/as estudantes da Educação Básica. Para tal é necessário, também, levar em consideração que, durante a formação, esse(a) futuro(a) profissional necessita experienciar situações reais do seu campo de atuaçãoprofissional. Para Pimenta (1995), se a instituição objetiva formar um educador, é adequado que se tenha preocupação com a prática. O entendimento dessa prática é de desenvolvimento de habilidades instrumentais necessárias ao desempenho da ação docente. Callai (2010) ao discorrer sobre as tensões e convergências sobre a formação docente em Geografia pondera que Elas se expressam através da relação: - professor-aluno, nos cursos de formação docente caracterizado pelo que se quer ensinar e aquilo que o graduando aprende; - conteúdo e didática, trabalhados nos cursos superiores - expresso através da necessidade de selecionar o conteúdo e fazer o tratamento didático do mesmo de acordo com os referenciais adotados e com o contexto do lugar; - teoria e prática – referida ao que e a escola em suas praticas e ao que se diz a respeito dela e, também ao que seja a geografia trabalhada na universidade e aquela da escola; ao local e global, expressos através das políticas publicas, da normatização da escolaridade, do regramento curricular e das características do contexto e da cultura escolar. (P.414-415). Assim sendo, Um dos grandes desafios para a formação de professores é o de superar a dicotomia entre a prática e a teoria. Tanto nas práticas de ensino como nos estágios supervisionados – observados em várias turmas de diferentes instituições – é o que fazer no momento da aula, como selecionar conteúdos e como atender à demanda ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2106 dos educandos, sem contudo, abrir mão do rigor científico, que mobiliza a atenção dos(as) licenciandos(as). Acredita-se que a melhor forma de resolver essa questão é fornecendo instrumentos teóricos para que os futuros professores possam sentir-se mais seguros ao atuarem após a formatura – enfatizando sempre a necessidade de continuar seu processo de formação. Ao abordar as concepções que subjazem a formação inicial de professores, 2107 Wilson (2011, p.53) afirma que essas: [...] se baseiam num conjunto de princípios de formação inicial ou continuada que abrange a prática, entendida como estudo e análise do ato de ensinar, como o eixo central do currículo; a negação da dicotomia teoria/prática; o entendimento da prática como ato criativo e investigativo; a importância de uma boa relação entre instituição formativa/escola; formadores eficientes. Nesse sentido, foi perguntado aos licenciandos “Você acha que as atividades desenvolvidas no âmbito do Pibid, tem contribuído para sua formação”? As respostas foram as seguintes: Saberes pedagógicos Saberes da Criatividade Sab experiência Autonomia eres da Segurança ciência Desenvoltura O desenvolvimento Certamente, Pois a das partir das O ensino além experiências de ser uma paixão Sim, é as nossas que atividades nos mostra vividas no espaço escolar e também uma arte, isso reuniões o quanto é necessário nas discussões entre os porque temos que lidar grupo o planejamento para a grupos é que estou moldando com diferentes turmas e tem concretização satisfatória geografia, atividades, considerar propostas todos os aspectos do como modelo ambiente escolar para dessas. obter resultados sempre do realmente Enfim assim ele tem que usar a varias algumas criatividade para conseguir os a está prática prender atenção lógicamente dos que ampliadas. A nos uma sala de aula esta sendo superada, me sinto a cada dia mais capaz não ampliam nosso cada escola apresenta uma melhor que os outros, mas campo ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 minhas seminários ao me imaginar assumindo esse decisões. Quero ser um apresentando profissional, programa coisas, insegurança que apresentava nos estudantes. Pilares esses bolsistas processo é continuo, pois bom meu que geografia e cotidiano escolar preparando para o ambiente que tem me fortalecido nas estamos escolar, do alguma concepções sobre ensino de adquirindo do docente atuar, ou seja, da para abstrair foram didáticas, depois do envolvimento nas atividades minha concepção de ensino cada uma tem uma forma atividade das de Sim, posso dizer de realidade diferente, entretanto um bom profissional fiel a elaboração de é necessário ter um ponto de sua profissão. aulas partida e o Pibid te sido um atividades, ótimo ponto para a inserção também a sua no campo da docência. forma de dirigir o ou grupo, vezes cobra demais até as acho que não 2108 vou dar conta de fazer, mais eu sei também que a cobrança ajuda no meu desenvolviment o e a gente tem que se acostumar com isso As atividades Acredito que sim. O PIBID possibilita desenvolvidas bolsista uma ao autonomia no PIBID tem maior no âmbito da sala de sim e muito aula. contribuido com Diferentemente estágio, o PIBID do pode minha trabalhar com uma infinidade formação docente, de didáticas e metodologias sinto que abre um leque que a cada dia processo ensino- tenho crescido aprendizagem, mais um sempre pouco, no as envolvidas, ganhando três Professor partes (em principalmente formação) - Aluno (escola) com a atuação professor (escola). na escola, pelas leituras de grandes autores e pela pesquisa ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 Sim... atividades e as intervenções propostas pelo Pibid estão me proporcionando uma maior relação/observação/atuação no âmbito comparado escolar ao supervisionado. se estágio No Pibid 2109 tenho mais autonomia para pensar e propor intervenções juntamente com meus companheiros. Sem duvidas esta sendo uma experiência de grande importância para minha formação, pois desde já, estou em contato com o ambiente escolar, e creio que isso me proporcionará uma maior segurança depois de formado, pois os primeiros contatos e o processo de adaptação ao ambiente de trabalho feitos. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 já estão sendo Os depoimentos revelam alguns aspectos importantes, quando consideramos a formação de professores, tais como: i) os saberes da pedagógicos que aparecem tanto nas metodologias a serem adotadas como também nas relações com os sujeitos de aprendizagem; ii) os saberes da ciência, como definidores da identidade nas ações; iii) os saberes da experiência que manifestam-se na troca com as/os professora(e)s contribuindo para a aprendizagem do que seja sala de aula; iii) a criatividade possibilitada pelo contato cotidiano e os desafios enfrentados; iv) a autonomia, desenvoltura e segurança, que são viabilizados pela frequência das intervenções. Considerações finais A formação inicial de professores deve considerar os saberes portados pelos estudantes, os conhecimentos da dimensão pedagógica, os conhecimentos específicos da ciência geográfica, como também o contexto no qual os processos de escolarização ocorrem. O PibidGeografia com o apoio da CAPES, tem atuado junto ás escolas da rede pública de Viçosa, de forma a promover a formação inicial de professores contextualizada na prática cotidiana da escola. As atividades desenvolvidas buscam produzir materiais e procedimentos para serem utilizados pelos professores e professoras de educação básica ao mesmo tempo em que visualizamos a formação dos futuros docentes baseada na compreensão crítica da realidade e, preocupados com seu contínuo processo de formação. Referências bibliográficas CALLAI, Helena Copetti. A educação geográfica na formação docente: convergências e tensões. In: Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. Belo Horizonte: ENDIPE, 2010. p. 412-433. NÓVOA, António (org.). Vidas de Professores. Porto- Portugal: Porto Editora, 1992. ALMEIDA, Rosângela D. de e PASSINI, Elza Y. O espaço geográfico: ensino e representação. São Paulo: Contexto, 1994. CAVALCANTI, Lana. Geografias e prática de Ensino. Goiânia: Alternativa, 2002. WILSON, Tania Cristina Pereira. Representações sociais sobre diversidade cultural na formação inicial de professores. Faculdade de Educação (tese de doutorado) –UFRJ 2011 Rio de Janeiro. ISBN: 978-85-99907-05-4 I Simpósio Mineiro de Geografia – Alfenas 26 a 30 de maio de 2014 2110