PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUC-SP) MARIA AUXILIADORA PEREIRA DA SILVA Proasf e Paif: A Gestão do Trabalho Social com Famílias no Município de Suzano do Estado de São Paulo MESTRADO EM SERVIÇO SOCIAL SÃO PAULO 2012 MARIA AUXILIADORA PEREIRA DA SILVA Proasf e Paif: A Gestão do Trabalho Social com Famílias no Município de Suzano do Estado de São Paulo MESTRADO EM SERVIÇO SOCIAL Dissertação apresentada à banca examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Serviço Social, sob a orientação da professora doutora Aldaíza de Oliveira Sposati. SÃO PAULO 2012 Página 12 14 36 66 87 125 Onde se Lê Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPCD) Seds – Secretaria de Desenvolvimento Social Leia-se Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) Seds – Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPCD) O objetivo era atender 14 mil famílias residentes nos oito distritos considerados bolsões de extrema pobreza da cidade de São Paulo, de acordo com o mapa da Figura 1 Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) O objetivo era atender 14 mil famílias residentes nos oito distritos considerados bolsões de extrema pobreza da cidade de São Paulo, de acordo com o mapa da Exclusão e Inclusão. A maioria ingressou em 2008, o penúltimo concurso realizado 16- Uma das atribuições da equipe do Cras é articular e acompanhar a rede socioassistencial. Enquanto técnico(a) do Cras, você acha que a equipe do Cras conseguiu acompanhar a entidade que executava o Proasf A maioria ingressou em 2008, o último concurso realizado 16- Uma das atribuições da equipe do Cras é articular e acompanhar a rede socioassistencial. Enquanto coordenador(a) do Cras, você acha que a equipe do Cras conseguiu acompanhar a entidade que executava o Proasf Banca Examinadora ____________________________ ____________________________ ____________________________ AGRADECIMENTOS À minha família, em especial a meus pais, que, com seu exemplo, me ensinaram a lutar e não desistir dos meus ideais. Ao Vitor, meu companheiro, pelo apoio e incentivo incondicional em todos os momentos difíceis do mestrado. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo incentivo financeiro necessário à realização da pesquisa. À professora doutora Aldaíza Sposati, com quem aprendi muito por meio de sua experiência e conhecimento, desde as aulas até o processo de orientação individual. Aos professores do Programa de Estudos Pós-graduados em Serviço Social da PUCSP pois, a cada aula, aprendia sempre mais sobre as especificidades da nossa profissão. À banca de qualificação, composta pela professora doutora Dirce Koga e professora doutora Maria Carmelita Yazbek, que deu um norte à pesquisa. Às companheiras de profissão, Maria Conceição Lindo e Neiri Bruno Chiachio, pelo incentivo aos estudos. Aos amigos de sala de aula, em especial, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Seguridade e Assistência Social (Nepsas/PUC-SP), com quem pude trocar experiência. Aos alunos representantes dos discentes, com quem aprendi que a representação estudantil é importante para a nossa formação. Aos colegas de trabalho do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Palmeiras de São Paulo e dos outros Cras, do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas), do Setor de Gestão da Informação, dos diretores e gestor que, mesmo com as atividades do dia a dia, muito contribuíram com a pesquisa e entrevista. Aos profissionais da entidade Instituto Assistencial e Educacional Espírita Sal da Terra, que também colaboraram na pesquisa. Aos profissionais que não trabalham mais na Prefeitura de Suzano, mas que contribuíram para o resgate da história da Assistência Social no município. À assistente social Rosemary, que dedicou um pouco do seu tempo e contribuiu para a realização desta pesquisa. Aos amigos que me deram força e incentivo durante essa caminhada do mestrado, o meu muito obrigado. O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. Cora Coralina RESUMO SILVA, Maria Auxiliadora Pereira da. Proasf e Paif: a gestão do trabalho social com famílias no município de Suzano do Estado de São Paulo. (Mestrado em Serviço Social)- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). São Paulo, 2012. Neste estudo, apresenta-se o trabalho social com famílias a partir da existência de um programa municipal, na cidade de Suzano, denominado Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf) e o Programa de Atenção Integral à Família (Paif), sob o ponto de vista da gestão local. No percurso da pesquisa, apresentam-se os aspectos históricos, econômicos, sociais e demográficos de Suzano, em especial, a trajetória e a gestão da assistência social no município. Para a análise dos respectivos programas, faz-se o resgate histórico de experiências mais relevantes, no trabalho social com famílias, que aconteceram nos âmbitos federal, estadual e municipal, constatando o que tais experiências tinham de comum e de diferente. Como o trabalho social com famílias é realizado por profissionais de entidade conveniada com a Prefeitura de Suzano, sob a supervisão dos profissionais do Poder Público, são analisadas as relações entre Estado e sociedade civil, e apresentadas as fragilidades e potencialidades dessa parceria. A Prefeitura de Suzano, ao mesmo tempo em que cria o Proasf, gera um paralelismo de ações no trabalho social com famílias utilizando recursos do Paif sem, contudo, informar as famílias sobre a existência do programa federal, levando a tensões na relação entre as esferas de governo. Palavras-Chave: Cidade de Suzano. Proteção social básica. Trabalho social com famílias. Gestão municipal. Rede socioassistencial. ABSTRACT SILVA, Maria Auxiliadora Pereira da. Proasf e Paif: a gestão do trabalho social com famílias no município de Suzano do Estado de São Paulo. (Mestrado em Serviço Social)- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). São Paulo, 2012. This study sought to present the social work with families from a program in the city of Suzano called PROASF - Social-Family Guidance and Support Network Program, and PAIF - Program of Comprehensive Care to Family, from the point of view of municipal management. In the course of the research it was presented the historical, economic, social and demographic aspects of Suzano, in particular, the trajectory and the management of social care in the municipality. For the analysis of such programs it was made a historical rescue of most relevant experiments in social work with families, which happened at the federal, state and municipal scope, noting similarities and differences between these experiments. As the implementation of the social work with families was performed by professionals of an entity contracted with the city of Suzano, under the supervision of professionals from government, it was analyzed the relationship between State and Civil Society, presenting the weaknesses and strengths of this partnership. The city of Suzano, while establishing the PROASF, creates a parallelism of actions in social work, with families using resources of the PAIF, without, however, informing families about the existence of the federal program, leading to tensions in the relationship between levels of government. Key-Words: City of Suzano, Basic Social Protection, Social Work with Families, Municipal Management, Social Assistance Network. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Mapa do Município de Suzano e o IVS de seus setores censitários 25 Figura 2 - Gráfico da evolução da população do Município de Suzano 28 Figura 3 - Pirâmide etária da população de Suzano 29 Figura 4 - Estrutura administrativa da Prefeitura de Suzano 30 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Tipos de benefícios operados na Prefeitura de Suzano (jan./mar. 2012) 39 Tabela 2 – Famílias Beneficiárias do Programa Bolsa Família de 2006 a 2012 no Município de Suzano 44 Tabela 3 - Situações registradas no Cras Boa Vista Paulista no primeiro trimestre de 2012, 51 Tabela 4 - Situações registradas no Cras Casa Branca no primeiro trimestre de 2012, 51 Tabela 5 - Situações registradas no Cras Centro no primeiro trimestre de 2012, 52 Tabela 6 - Total de atividades internas e externas da equipe do Creas no primeiro trimestre de 2012 53 Tabela 7 - Atendimentos no Creas, por sexo e faixa etária, no primeiro trimestre de 2012 54 Tabela 8- Atendimentos da proteção social básica e de outras políticas setoriais 55 Tabela 9 - Famílias beneficiárias do Programa Renda Cidadã, de 2006 a 2012, no Cras Palmeiras de São Paulo 92 Tabela 10 - Situações registradas no Cras Palmeiras de São Paulo, no primeiro trimestre de 2012, 95 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - A trajetória da assistência social em Suzano 37 Quadro 2 - Serviços da rede socioassistencial da cidade de Suzano 56 Quadro 3 - Quadro de Pessoal do Cras Palmeiras de São Paulo 87 LISTA DE FOTOS Foto 1- Fachada Foto 2 – Sala de espera Foto 3 – Serviços e benefícios existentes no Cras Foto 4 – Entrada da recepção Foto 5 – Sala de recepção Foto 6 – Sala dos técnicos 86 LISTA DE SIGLAS APE – Associação Porto da Esperança BE – Benefícios Eventuais BPC – Benefício de Prestação Continuada CadÚnico – Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal Casa – Coordenadoria de Assistência Social Caica – Centro de Atenção Integral à Criança Ceap – Centro de Aprendizagem Pré-profissionalizante CIT – Comissão Intergestora Tripartite CLT – Consolidação das Leis do Trabalho CMDM – Conselho Municipal dos Direitos da Mulher CMDCA - Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo CMPCD – Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência Comas – Conselho Municipal de Assistência Social Comdicas – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Suzano Comid – Conselho Municipal do Idoso CNAS- Conselho Nacional de Assistência Social Cras – Centro de Referência de Assistência Social Creas - Centro de Referência Especializado da Assistência Social DSE- Diretoria de Saúde, Educação e Promoção Social Datasus – Banco de Dados do Sistema Único de Saúde ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente Febem – Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor FMAS – Fundo Municipal de Assistência Social FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas Funabem – Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor Fumca – Fundo Municipal para Criança e Adolescente Fuss – Fundo Social de Solidariedade de Suzano Iades – Instituto de Análise sobre o Desenvolvimento Econômico e Social IAEEST – Instituto Assistencial e Educacional Espírita Sal da Terra Ibeac – Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IEE – Instituto de Ensino e Extensão IES – Instituição de Ensino Superior IGD – Índice Geral de Desenvolvimento INSS – Instituto Nacional do Seguro Social IPVS – Índice Paulista de Vulnerabilidade Social IDH – Índice de Desenvolvimento Humano Iafam – Instituto de Assuntos da Família ITF – Instituto de Terapia Familiar LA – Liberdade Assistida Loas – Lei Orgânica de Assistência Social MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MEC – Ministério da Educação e Cultura MGI – Master Global Informática MP – Ministério Público MS – Ministério da Saúde NAF – Núcleo de Apoio à Família NOB-RH/Suas – Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social NOB/Suas - Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social OAB –Organização dos Advogados do Brasil ONG – Organização Não Governamental OI INSS/Dirben – Orientação Interna do Instituto Nacional do Seguro Social/Divisão Regional de Benefícios PIA – Plano Individual de Acompanhamento Paif – Programa de Atenção Integral à Família PBF – Programa Bolsa-Família PFF – Programa Fortalecendo a Família PIA – Plano Individual de Acompanhamento PIB – Produto Interno Bruto PJ – Poder Judiciário PNAS - Política Nacional de Assistência Social PRC – Programa Renda Cidadã Proasf – Programa de Assistência às Famílias Proasf – Programa de Orientação e Apoio Sociofamiliar Proasf – Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar PSB – Proteção Social Básica PSC – Prestação de Serviço à Comunidade PSE – Proteção Social Especial PTR – Programa de Transferência de Renda PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica da São Paulo RMV – Renda Mensal Vitalícia SAS – Secretaria de Assistência Social Seade – Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Seds – Secretaria de Desenvolvimento Social Sesi – Serviço Social da Indústria Sesana – Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional SGI – Setor de Gestão da Informação Sicon – Sistema de Gestão das Condicionalidades SMAS – Secretaria Municipal de Assistência Social SMPCIS – Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social SMS – Secretaria Municipal de Saúde SMPU – Secretaria Municipal de Políticas Urbanas SNAS – Secretaria Nacional de Assistência Social SPDS – Serviço de Promoção e Desenvolvimento Social Suas – Sistema Único de Assistência Social SUS – Sistema Único de Saúde UBS – Unidade Básica de Saúde UBSF – Unidade Básica de Saúde da Família Unesp – Universidade Estadual Paulista Unicsul – Universidade Cruzeiro do Sul Unisa – Universidade Santo Amaro SUMÁRIO INTRODUÇÃO 18 CAPÍTULO 1 A Gestão da Assistência Social na Cidade de Suzano 25 1.1 O Município de Suzano 25 1.2 A Trajetória: O Lugar da Assistência Social na Gestão de Suzano de 1968 a 2012 29 1.3 Serviços e Benefícios Existentes na Gestão da Assistência Social em Suzano 1.4 Serviços Existentes na Gestão da Assistência Social 38 56 1,4,1 Proteção Social Básica 56 1,4,2 Proteção Social de Especial de Média Complexidade 57 1,4,3 Proteção Social de Especial de Alta Complexidade 57 CAPÍTULO 2 Trabalho Social com Famílias e o Proasf de Suzano 59 2.1 Serviço de Colocação Familiar 59 2.2 Instituto de Assuntos da Família (Iafam) 61 2.3 Programa de Orientação e Apoio Sociofamiliar do CMDCA 62 2.4 Programa Fortalecendo a Família (PFF) da Secretaria do Estado/ Programa de Assistência Social às Famílias (Proasf) da Cidade de São Paulo 65 2.5 Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf) de Suzano 70 2.6 Programa de Atenção Integral à Família (Paif) 74 CAPÍTULO 3 Proteção Social Básica no Cras Palmeiras de São Paulo 84 3.1 O Lócus da Pesquisa: Cras Palmeiras de São Paulo 84 3.2 Dinâmica de Trabalho no Cras Palmeiras de São Paulo 87 3.3 Benefícios e Serviços ofertados no Cras Palmeiras de São Paulo 94 3..3.1 Benefícios eventuais 91 3.4 O Proasf no Cras Palmeiras de São Paulo 96 CONSIDERAÇÕES FINAIS 99 REFERÊNCIAS 103 ANEXOS 108 18 INTRODUÇÃO Este estudo tem por objetos o Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf), que é municipal e realizado no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) na cidade de Suzano, e o Programa de Atenção Integral à Família (Paif), federal, visto a partir da gestão local, observando quais são os aspectos em comum e diferentes entre cada programa; indagando se o município implantou o Paif ou meramente o nominou de Proasf. O lócus da pesquisa foi o Cras Palmeiras de São Paulo, um dos quatro da cidade de Suzano. Para realizá-lo, partiu-se das “pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo” (SEVERINO, 2007, p. 122), de modalidades qualitativa e quantitativa. Realizou-se, ainda, entrevistas com o gestor municipal, os diretores, coordenadores do Cras e de entidade, e técnicos do Cras e do Instituto Assistencial e Educacional Espírita Sal da Terra (IAEEST), entidade responsável em acompanhar as famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda pertencentes ao Proasf. As entrevistas continham perguntas abertas e fechadas, sem um formato rígido, o que enriqueceu a pesquisa, pois trouxe informações que melhor qualificaram o objeto de estudo. Também se preservou a identidade dos entrevistados, principalmente do coordenador e técnico da entidade, por estarem próximos de seus locais de trabalho ou de residência. Cabe ressaltar que, durante o percurso da pesquisa até sua finalização, ocorreram muitos problemas, a saber: - Pouco material escrito quanto à trajetória da Assistência Social em Suzano, por isso, foi necessário realizar entrevistas com pessoas que acompanharam essa trajetória na cidade, e que nem sempre trabalhavam ou residiam no município, tornando mais custoso desenvolver esse resgate histórico; - Poucos documentos que tratam do Proasf em Suzano. O acesso ocorreu por processo de garimpagem, em relatórios, das atividades desenvolvidas pelas entidades 19 conveniadas com a secretaria. Muitos desses relatórios já tinham ido para o arquivo morto. Como a pesquisadora estava de licença sem vencimento, ficava na dependência dos funcionários do setor administrativo da secretaria para ter acesso a esse material, e, esses acumulavam às suas responsabilidades a localização dos documentos uma vez que tinham atividades a serem cumpridas e localizar os relatórios ou processos demandava tempo. Além desses aspectos, a Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social esteve com o cargo de secretário em vacância de janeiro até o início de abril de 2012, e embora os diretores tivessem a disponibilidade de colaborar com a pesquisa, estavam com sobrecarga pelo fato de assumirem algumas atividades inerentes ao cargo de secretário. Mesmo assim, não houve obstáculos ou empecilhos, por parte da direção da secretaria, da coordenação e da equipe técnica dos Cras e Creas, do Setor de Gestão da Informação e dos profissionais do IAEEST, entidade gerenciadora do Proasf no Cras Palmeiras de São Paulo, no sentido de colaborar com a pesquisa, e disponibilizar as informações. Ressalta-se que o Proasf de Suzano é formado por famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda Bolsa-Família e Renda Cidadã, que são acompanhados por técnicos da entidade conveniada com a Prefeitura de Suzano. Um dos passos adotados foi o resgate das várias modalidades do trabalho social com famílias, iniciando-se pelo programa do estado de São Paulo denominado Serviço de Colocação Familiar, de 1949, como parte do Juizado de Menores, seguido do programa estadual denominado Instituto de Assistência às Famílias (Iafam), de 1985; o programa da cidade de São Paulo denominado Programa de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA); o também programa da cidade de São Paulo denominado Programa de Assistência às Famílias (Proasf), de 2002; o programa federal denominado Paif, de 2004, e, por fim, o programa de Suzano, chamado Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf), de 2006. 20 É importante frisar alguns aspectos sobre a história da Assistência Social em Suzano, a começar pela descontinuidade de forma do órgão responsável, que fluiu entre setor e secretaria, e com a forte presença do primeiro-damismo. O texto apresenta dados quantitativos e qualitativos dos serviços e benefícios executados nos Cras e Creas, em especial do Cras Palmeiras de São Paulo. O que se pode constatar, nos serviços e benefícios da Proteção Social Básica, é que não existe regulamentação dos Benefícios Eventuais (BE), o que leva ao não atendimento continuado dos serviços. Ainda, o maior número de atendimentos registra-se em programas do governo federal. A análise feita parte do olhar da gestão municipal, dos profissionais do Cras Palmeiras de São Paulo, local da pesquisa e onde a autora trabalhava, e dos profissionais da entidade que fazia o acompanhamento das famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda pertencentes ao Proasf, o IAEEST. Nesse sentido, o Capítulo 1 apresenta os aspectos históricos, econômicos e sociais do município, como foi a sua trajetória na Assistência Social, quais são os serviços e benefícios existentes na Proteção Social Básica e na Proteção Social Especial de Média e de Alta Complexidade, qual é o número de atendimentos, e qual é a dinâmica de trabalho. O Capítulo 2 traz as várias modalidades do trabalho social com famílias; o público a ser atendido, qual foi o período e as metodologias utilizadas, incluindo o que esses programas tinham em comum e diferente. O Capítulo 3 apresenta o Cras Palmeiras de São Paulo, observando como se apresenta o seu quadro de recursos humanos, qual é a dinâmica de trabalho e o número de atendimentos. Por fim, nas Considerações Finais apresenta-se o resultado da pesquisa e as conclusões da autora. Como se discute, aqui, o Sistema de Proteção Social por meio dos dois programas mencionados, é pertinente discorrer sobre a sua história para compreender 21 o motivo de se apresentar sob determinadas formas, relacionando-o ao contexto de cada época. O Capítulo 2 ocupa-se exaustivamente dessa discussão. A inserção da Política de Assistência Social no conjunto das políticas sociais ocorre na medida em que a primeira é resposta estatal com o objetivo imediato de atender às necessidades dos segmentos mais pauperizados da força de trabalho, segmento esse composto pelas camadas mais mal pagas do exército de trabalho ativo e do exército de reserva, composta por aqueles que ocupam posições marginalizadas no processo de produção social, por exercerem funções de baixa ou precária qualificação. Ressalta-se que a implantação do Sistema de Proteção Social, no Brasil, inicia-se nos anos 1930, sob a ditadura do Estado Novo – a Era Vargas (1930-1945) e num cenário de pleno desenvolvimento industrial, que interessava às economias nacional e internacional, pois a economia cafeeira já se encontrava em decadência.(RIBEIRO, 2010, p. 17). Ainda conforme a autora O movimento dos trabalhadores se organizava lutando por maiores garantias e mais segurança no trabalho. A “ordem social” estava ameaçada. A instituição de algumas garantias para o trabalhador, como a criação da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, a formalização do vínculo patrãoempregado com a carteira de trabalho, a previdência social, o salário - mínimo nacional, a limitação da jornada de trabalho, férias remuneradas, entre outros, serviam também como estratégia para desmobilizar e enfraquecer o movimento dos trabalhadores e não propriamente como uma ação governamental comprometida com os direitos sociais. Só acessava tais garantias o trabalhador com carteira assinada, que contribuía com a Previdência Social. Portanto, a proteção social era contributiva, não universal e associada à legislação do trabalho. (Ibid, p. 17). O Sistema de Seguridade Social, no Brasil, estrutura-se a partir do seguro previdenciário. Somente os trabalhadores formais tinham acesso. Para a Assistência Social, ficou a responsabilidade de ação voltada para os desamparados, não existindo o seu reconhecimento como política pública e de direito, pois o pobre não contribuía financeiramente para a previdência social. Esses serviços eram realizados por primeiras-damas e entidades sociais. 22 As entidades sociais, em sua maioria, recebiam subvenções estatais para manter programas e projetos assistencialistas e de benevolência em relação aos pobres. Apesar de o Estado utilizar verba pública, nas ações sociais desenvolvidas por entidades, contraditoriamente, não reconhecia essa ação como de sua responsabilidade. Na década de 1980, acentuam-se os movimentos sociais em defesa da política social pública, universal e gratuita, como os da saúde, educação, habitação, dentre outras, que se tornam reivindicações incluídas na Constituição Federal (CF) de 1988. No caso específico da Assistência Social, é incluída no âmbito da Seguridade Social e passa a fazer parte juntamente com a saúde e a previdência. Têm como aspectos em comum serem um direito de todos e dever do Estado, e como aspectos específicos: Saúde: “o acesso é universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. (CF, 1988, p. 206). Essas ações e serviços são oferecidos em todos os níveis de atenção. Previdência: “será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial”. (Ibid, p. 210). É a proteção ao trabalhador/contribuinte em forma de seguro social nos casos de doenças, acidentes, incapacidades ou idade avançada. Assistência Social: “será prestada a quem dela necessitar, independente de contribuição à seguridade social”. (Ibid, p. 215). É a proteção às famílias ou aos indivíduos em situação de vulnerabilidade social, decorrente de privações advindas da condição de pobreza, ruptura de vínculos familiares, violências intra e extrafamiliar, fragilidades por ciclo de vida, situações de discriminação e apartação social por condição de raça, etnia, identidade de gênero, deficiência, etc. Em decorrência da Seguridade Social ser tratada como um direito de todos e dever do Estado, são aprovadas leis federais que regulamentam o Sistema Único de Saúde (SUS), em 1990, e a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), em 1993. 23 A CF de 1988, ao instituir a Assistência Social enquanto política pública de responsabilidade do Estado, inaugura um status de reconhecimento e trato que assim a qualifica e não mais como ação benevolente de ajuda aos pobres e miseráveis. A Loas, promulgada em 7/12/1993, regulamenta e orienta o estatuto da política pública de Assistência Social quando estabelece os princípios e a organização para seu modo de gestão. “As devidas competências dos entes federados (União, estados, municípios e Distrito Federal), os programas, benefícios, serviços e projetos, o financiamento e os órgãos de controle social são detalhados nessa legislação”. (BOVOLENTA, 2010, p. 16). Em 2005, é implantado o Sistema Único da Assistência Social (Suas), somente regulamentado em 6/7/2011, pela Lei federal 12.435. Esse sistema, “cujo modelo de gestão é descentralizado e participativo; constitui-se na regulação e organização em todo o território nacional das ações socioassistenciais” (PNAS, 2004, p. 39) e representa um avanço, pois a Assistência Social, no Brasil, não possuía normatização dos padrões nos serviços, na qualidade do atendimento, nos indicadores de avaliação e resultado, na nomenclatura dos serviços e na rede socioassistencial. Essa padronização dos serviços é enfatizada quando, em 11/11/2009 é aprovada a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, pela Resolução 109, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Com base na CF de 1988 e orientada pela Loas, o Suas propõe a articulação entre serviços, programas, projetos e benefícios – nas três esferas de governo –, de modo a organizar a gestão da política de Assistência Social, cuja finalidade é garantir proteção social aos cidadãos brasileiros dentro do campo da Seguridade Social. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), por meio do Suas, prevê que o atendimento às vulnerabilidades sociais far-se-á por meio de serviços, programas, projetos e benefícios. É importante mencionar que, dentre os serviços, será discutido o Proasf (típico da cidade de Suzano), e o Paif, na Proteção Social Básica, a partir de alguns princípios contidos na PNAS, e que são a Matricialidade Sociofamiliar, a Descentralização Político-Administrativa e Territorialização e as novas bases para a relação entre Estado 24 e sociedade civil. Portanto, ao apresentar as várias modalidades do trabalho social com famílias, pretende-se apreender como esses princípios se concretizaram ou se concretizam na prática. 25 CAPÍTULO 1 A Gestão da Assistência Social na Cidade de Suzano Neste capítulo, são apresentados os aspectos históricos, sociais, demográficos e econômicos, a estrutura administrativa da Prefeitura de Suzano e da gestão da Assistência Social, com o objetivo de caracterizar o local de realização desta pesquisa. 1.1 O Município de Suzano Suzano pertence à Região Metropolitana da capital (mais precisamente na zona leste), localizado na microrregião de Mogi das Cruzes do Estado de São Paulo. Limitase, a oeste, com Ferraz de Vasconcelos; ao norte, com Itaquaquecetuba; a leste/nordeste, com Mogi das Cruzes; a noroeste, com Poá; a Sudoeste, com Ribeirão Pires; a sudeste, com Rio Grande da Serra; e, ao sul, com Santo André. Figura 1 - Mapa sobreposto do município de Suzano e o IVS de seus setores censitários Fonte: Disponível em: <www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/mapa> Acesso em 2012 Existem algumas versões da história de Suzano, no entanto, a que explica melhor a história da cidade é a da Câmara Municipal. 26 Segundo a versão da Câmara Municipal 1 , embora Suzano seja uma cidade criada já na época da república brasileira (1908), seus primórdios estão na monarquia e no trabalho de catequese dos jesuítas. O fundador do povoado que viria a se transformar no Município de Suzano foi o padre jesuíta Francisco Baruel, que tinha por missão a catequese dos indígenas. Os primeiros registros históricos datam dos primórdios da década de 1870, quando são implantados os trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Rio de Janeiro. Alguns anos mais tarde, em 1879, estabelece-se na região Antônio Marques Figueira, feitor da Estrada de Ferro. Portanto, a criação de Suzano coloca-se na esteira das cidades criadas ao longo do caminho São Paulo-Rio de Janeiro, em período da monarquia. Em 1885, chega à região seu irmão, Tomé Marques Figueira, que muito contribui para o povoado. Em 1890, os dois irmãos mandam elaborar a planta da cidade, trabalho executado pelo conde Romariz. A primeira denominação da localidade é Vila da Concórdia, nomeada posteriormente de Vila da Piedade. Com a encampação da ferrovia pela Companhia Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1891, já sob a república, consolida-se o vilarejo. Em janeiro de 1897, é realizada a primeira missa, na nova igreja construída pelos irmãos Marques Figueira, passando a vila a ser conhecida por São Sebastião do Guaió. Nessa época, a Estrada de Ferro Central do Brasil passa a contar com nova administração, tendo à sua frente o engenheiro Joaquim Augusto Suzano Brandão. Quando é construída uma estação na localidade, a vila, em 11 de dezembro de 1908, passa a ser chamada oficialmente pelo nome de Suzano, denominação que é mantida até hoje. A partir daí, o povoado experimenta constante crescimento, com aumento expressivo de sua população, o que justifica sua elevação à categoria de Distrito, anexo ao Município de Mogi das Cruzes, por meio da Lei estadual 1.705, de 27 de dezembro de 1919, promulgada pelo então presidente do Estado de São Paulo, Altino Arantes. Também fica registrado, na história do município, o dia 8 de dezembro de 1940, data da 1 Disponível em: <www.camarasuzano.sp.gov.br/suzano/historico>. Acesso em: 2012 27 sua elevação à condição de paróquia, quando o então arcebispo de São Paulo, d. José Gaspar d'Afonseca e Silva, assim o proclama, motivado pela importância do Distrito no contexto regional. Após oito anos, em 8 de dezembro de 1948, Suzano atinge a condição de município, com sua emancipação de Mogi das Cruzes, por meio de lei sancionada pelo então governador do Estado de São Paulo, Ademar Pereira de Barros. Ainda conforme a versão da Câmara Municipal de Suzano as eleições para os primeiros vereadores e Prefeito Municipal foi realizada em 13 de março de 1949 e a sua posse no dia 02 de abril de 1949, tornando-se a data de comemoração do aniversário da cidade. Em 14 de abril de 1958, foi criada por lei estadual a Comarca de Suzano, cuja instalação ocorreu em 26 de maio de 1962. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,775. Sua população, apesar de ser uma cidade jovem, pelo censo de 2010, atinge 262.480 habitantes, em uma área de 207 quilômetros quadrados, o que resulta numa densidade demográfica de 1.270,38 hab./km². Desses dados populacionais, 25,53% corresponde à população com menos de 15 anos de idade; 7,83%, com mais de 60 anos de idade; e 7,99% são mães adolescentes (SEADE, 2010). Conforme a classificação da PNAS/04 e de acordo com o IBGE, no Censo de 2010, o município caracteriza-se, dentre os municípios brasileiros, como de grande porte, por contar com mais de 200 mil habitantes (IBGE 2010 e PNAS 2004). Destaca-se por ser um polo industrial, especialmente do setor químico; pela produção agrícola, de flores; e por meio do esporte. Sua população registra a influência da cultura japonesa, pois recebeu várias famílias do Japão no movimento migratório do começo do século XX. Essas famílias fazem parte da economia e da política de Suzano. O município registra, ao longo das muitas décadas, uma explosão populacional. Apesar de ter o Produto Interno Bruto (PIB) mais elevado do Alto Tietê, região na qual está o Município de Salesópolis e a nascente do Rio Tietê, Suzano é o quarto município mais pobre e o décimo sexto do Estado em termos de PIB per capita, pois a riqueza 28 produzida na cidade fica concentrada com pequena parte da população. O setor industrial emprega 17.681 pessoas, o comércio 6.806 e os serviços 9.674 (SEADE, 2010). De acordo com dados obtidos na Fundação Seade, em 2010, 18,8% da população vivia em situação de vulnerabilidade social, demandando a intervenção pública por meio de políticas sociais. A Figura 2 demonstra como está a evolução populacional do município. Figura 2 - Gráfico da evolução da população do Município de Suzano Fonte: Disponível em: <www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=355250# > Base Censo 2010. Acesso em: 2012. Percebe-se que a população de Suzano, no intervalo de 1991 a 2007, aumentou em quase 112 mil habitantes, isto é, cerca de 71%, em 16 anos, ou mais de 4% ao ano. Já a Figura 3 mostra a pirâmide etária da população de Suzano e evidencia a concentração de uma população jovem. Em torno de 40% de sua população tem menos 29 de 18 anos, o que indica a forte presença de crianças ou dependentes de proteção social dos adultos. Figura 3 – Pirâmide etária da população de Suzano Fonte: Disponível em: <www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=355250#> Base Censo 2010. Acesso em: 2012. 1.2 A Trajetória: O Lugar da Assistência Social na Gestão de Suzano de 1968 a 2012 A organização atual da Prefeitura de Suzano é formada por 19 secretarias, das quais seis têm a responsabilidade de responder às necessidades de desenvolvimento social da população. Conforme disponível em 2012 na página da Internet da prefeitura, a estrutura administrativa se assemelha à Figura 4. 30 Prefeito – Vice-prefeito Fundo Social de Solidariedade Secretarias Administração Joel de Barros Bittencourt Comunicação Social Silmara Helena Pereira de Paula Cultura Rita Paiva Defesa Social e Prevenção à Violência Élio Polidoro dos Santos Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Negócios e Turismo Mauro Rodrigues Vaz Educação Sônia Maria Portella Kruppa Esporte, Lazer e Recreação Fausto Pizzolato Finanças Silmara Grilo Brito Manutenção e Serviços Urbanos Samuel de Oliveira Meio Ambiente Michele de Sá Vieira Negócios Jurídicos Marco Aurélio Pereira Tanoeiro Participação e Descentralização Lúcio Ferreira de Melo Planejamento e Gestão João Adolfo do Carmo Política Urbana Miguel Reis Afonso Promoção da Cidadania e Inclusão Social José Márcio de Souza Cândido Saúde Célia Cristina Pereira Bortoletto Segurança Alimentar e Nutricional e de Agricultura e Abastecimento Jesus Paulo Rita Infraestrutura e Obras Cláudio Scalli Transporte, Sistema Viário, Trânsito e Mobilidade Urbana Lúcia dos Santos Montibeller Figura 4 - Estrutura administrativa da Prefeitura de Suzano em 2012 Fonte: Disponível em: <www.suzano.sp.gov.br/CN04/secretarias.asp> 31 A prefeitura mantém o Fundo Social de Solidariedade (Fuss), órgão dirigido pela primeira-dama - herança de uma estrutura passada que permanece no presente apesar da diretriz do comando único da política pública de Assistência Social e do necessário reordenamento de sua gestão e das prestações sociais, de modo a evitar o paralelismo e a fragmentação das ações. Os serviços de atenção do campo assistencial, em Suzano, tiveram início na década de 1960, na Diretoria de Saúde, Educação e Promoção Social (DSE), criada pela Lei municipal 1.038, de 21/10/1968, e estavam subordinados ao Departamento de Promoção Social. Ressalta-se que esse setor era gerenciado por um diretor subordinado diretamente ao prefeito, Paulo Portela, cujas esferas administrativas se encontravam denominadas como: a) Seção de Serviço Social; b) Seção de Assistência Social aos Servidores . Percebe-se, aqui, que sua atribuição era mais voltada ou confundida com o Serviço Social, como profissão, do que ações voltadas a uma política setorial, mas que, possivelmente, tenha marcado a presença do profissional nessa prefeitura, bem como um aporte similar ao Serviço Social de empresa, ao vincular o trabalho aos servidores municipais. Tratava-se, portanto, mais de uma ação interna na prefeitura do que externa para a cidade. Encontra-se, na lei municipal de 30/12/1977, o primeiro diploma legal que cria uma estrutura com status de secretaria municipal. Trata-se da Lei 1.643, que dispõe sobre a criação da Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, e que estabelece, em seu Art. 2o : terá um Presidente e um Vice-Presidente, que exercerão suas funções sem qualquer remuneração, sendo para isso, nomeados pelo Prefeito Municipal, prioritária e respectivamente, nas pessoas das esposas deste e do VicePrefeito. Na falta ou na impossibilidade destas, as nomeações serão livres, em 2 pessoas de confiança do Chefe do Executivo. 2 Disponível em : <http://leis.camarasuzano.sp.gov.br/szn/legislacao/?doc=http://leis.camarasuzano.sp.gov.br/szn/legislaca o/leis/1977/L1643.htm>. 32 Identifica-se, no órgão gestor de 1977, a fusão entre o caráter público e privado que caracteriza essa política até os dias de hoje. Trata-se da presença da primeiradama vinculada às ações assistenciais, além de não se caracterizar, então, como uma estrutura administrativa responsável por determinada política pública. Esse componente, no campo da Assistência Social, é analisado pela autora Ribeiro (2011) quando aponta que: Na maioria das vezes, essas situações denunciam que o patrimonialismo ainda é bastante presente na atuação política, como uma espécie de naturalização institucional de que a Assistência Social está para a primeira-dama como se fosse uma relação intrínseca à gestão pública. (p. 80). Outro traço que denuncia essa tendência é o fato de a função do dirigente do órgão não ser remunerada, apesar da Lei 1.643, em seu Art. 3o, afirmar que: A Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social contaria com quatro setores, a saber: I. Setor de Expediente e Serviços Gerais; II. Setor de Serviço Social; III. Setor de Promoções, Cursos e Campanhas; IV. Centro de Participação Comunitária próprios a serem aprovados por decreto. Entretanto, percebe-se que a secretaria mantém um setor de Serviço Social, um setor com características campanhistas, próprias e usuais das ações realizadas por esposas de governantes, e um Centro de Participação Comunitária, com atribuições não nitidamente perceptíveis. Nesse sentido, suas funções assemelham-se ao atual Fundo Social de Solidariedade. Por meio de Lei municipal 2.306, de 31/1/1989, a então denominada Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social é extinta, por ser incompatível o fato de a primeira-dama exercer o cargo de secretária sem, contudo, receber salário, conforme depoimento de servidor que lá trabalhou na época. Em 1989, cria-se a Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) e à sua frente estava a figura de um secretário. Em suas responsabilidades, evidenciam-se a “assistência à população carente” [...] “pronunciar-se sobre pedidos de auxílios, subvenções ou contribuições” a entidades de assistência social ou filantrópicas, além de suas atribuições relativas às campanhas. Por meio de depoimento de servidor, constata-se que as ações então desenvolvidas nessa área consistiam na realização de campanhas (do agasalho) e da Boa Visão, que no início do primeiro mandato do prefeito Marcelo Cândido, em 2005, 33 deixou de ser uma campanha para transformar-se em programa social sob o mesmo título - executado pelo Cras -, cujos objetivos se encontram melhor delineados neste capítulo quando são descritos os serviços e benefícios da Proteção Básica. É desse período, inclusive, a concessão de auxílios como: cesta básica, órtese e prótese e a manutenção das creches municipais. Além disso, o texto da lei insere a atribuição municipal de pronunciar-se sobre a subvenção a entidades filantrópicas. Após a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), Lei Federal 8.742, de 1993, cria-se, por Lei municipal 3.056, de 15/8/1996, o Conselho Municipal de Assistência Social (Comas) e o Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS). O primeiro Plano Municipal de Assistência Social foi elaborado em 1998, depois da criação do fundo. A destinação dos recursos do Fundo está assim descrita na lei: Art. 24. Os recursos do Fundo Municipal de Assistência Social - FMAS serão aplicados em: I. financiamento total ou parcial de programas, projetos e serviços de Assistência Social desenvolvidos pelo órgão da Administração Pública Municipal responsável pela execução da Política de Assistência Social ou por órgãos conveniados; II. pagamento pela prestação de serviços a entidade conveniada de direito público e privado para execução de programas e projetos específicos do setor de assistência social; III. aquisição de material permanente e de consumo e de outros insumos necessários ao desenvolvimento dos programas; IV. construção, reforma, ampliação, aquisição ou locação de imóveis para prestação de serviços de assistência social; V. desenvolvimento e aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão, planejamento, administração e controle das ações de assistência social; VI. desenvolvimento de programas de capacitação e aperfeiçoa-mento de recursos humanos na área de assistência social; VII. pagamento dos benefícios eventuais, conforme o disposto no inciso I do artigo 15 da Lei Orgânica da Assistência Social. Os recursos do FMAS, portanto, são destinados ao pagamento dos BE, o que está de acordo com a Loas. Entretanto, não prevê o pagamento do auxílio-natalidade que também consta na Loas entre as competências dos municípios. Os subitens do artigo serão objeto de breve análise. Na previsão dos recursos do FMAS, consta seu emprego no financiamento total ou parcial de programas, projetos e serviços de Assistência Social desenvolvidos pelo 34 órgão da Administração Pública municipal responsável pela execução da Política de Assistência Social ou por entidades e organizações de assistência social conveniadas; ou no desenvolvimento de programas de capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos na área. Destaca-se aqui a importância de plano de aplicação destinado ao aprimoramento da gestão, dos serviços, dos programas e dos projetos de assistência social. O item que dispõe sobre a construção e locação de imóveis para a prestação de serviços de assistência social, indica ser possível, pelos termos da lei, mas não deixa claro se é permitida a sua utilização pelo órgão governamental ou não governamental. Em 2001, pela Lei municipal 3.544, de 30/1, é criado o Serviço de Promoção e Desenvolvimento Social, com um diretor e organização administrativa composta pelos mesmos setores da lei de 1989, cuja atribuição consistia na prestação de “benefícios e serviços nos âmbitos municipal, estadual e federal”. Conforme relato de funcionários que acompanharam o período, os serviços e benefícios, desde o início dos anos 80, e mesmo após sete anos decorridos da publicação da Loas, consistiam, além da concessão dos BE (que incluíam órteses e próteses, além de cestas básicas), na elaboração, por técnicos, de critérios de ingresso em programas municipais de alimentação, denominados Alimenta Suzano e Nutridoso, de iniciativa do prefeito Estevam Galvão de Oliveira, por meio das Leis municipais 3.871, de 13/5/2004, e 3.873, de 20/5/2004, respectivamente. Tais programas foram extintos. Iniciado em 2001, o Programa Integração Sociofamiliar, de transferência de renda, foi instituído pela Lei municipal 3.551, de 23/4, de autoria do Executivo municipal, e visava incentivar a geração de renda. Cada beneficiário recebia o teto máximo de R$ 300,00 por mês e o acompanhamento social das famílias, por meio de oficinas de geração de renda e reuniões socioeducativas. Os técnicos elaboraram os critérios de acesso a esse programa de transferência de renda no âmbito municipal que permaneceu em atividade até 2004. É do mesmo período a instalação de programa estadual de transferência de renda, o Renda Cidadã, acoplado, na época, ao Programa Fortalecendo a Família (PFF), também estadual, voltado para o trabalho social com as famílias beneficiárias e viabilizado no município por meio de parceria com o Centro de Aprendizagem Pré- 35 profissionalizante (Ceap), pertencente ao órgão municipal do trabalho. De âmbito federal, implantou-se também o Programa Bolsa-Escola, atual Programa Bolsa-Família (PBF). Desde 2001, de forma oficiosa, os técnicos da gestão municipal realizavam parceria com a agência previdenciária para acompanhamento social e orientação aos munícipes sobre o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). Posteriormente, essa parceria foi formalizada, conforme será citado mais adiante. Em 2005, o serviço, que era dirigido pelo diretor, Alceu Ribeiro, é extinto e criado em seu lugar, pela Lei municipal 3.953, de 30/1/2005, a Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, retomando a mesma denominação de 1977, tendo como secretária Ana Medeiros dos Santos, que permanece no cargo até novembro de 2006 e é substituída por João de Deus do Nascimento, que assume o cargo interinamente até 28/2/2007. Em 1o/3/2007, assume Teresinha Ferreira, que permanece no cargo até 21/1/2009, sendo substituída por Valdicir Stuani, que permanece até dezembro de 2011. Cabe ressaltar que, por questões políticas, a secretaria ficou em vacância no cargo de secretário de janeiro até o início de abril de 2012 e, durante esse período, o secretário da Administração, Joel de Barros Bittencourt, assume interinamente a pasta. No início de abril de 2012, assume o secretário José Márcio de Souza Cândido. A mudança de setor para secretaria é motivada pela implantação do Sistema Único de Assistência Social (Suas). 3 A partir de então, a secretaria passa a ter dotação orçamentária própria, fato que facilita a liberação dos recursos para o financiamento e execução dos programas municipais. O responsável pela pasta é um secretário, sendolhe permitido receber salário pelo respectivo cargo. As atribuições e competências dessa secretaria, permanecem até a atualidade, com algumas adequações citadas mais adiante: 3 A Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) apresentada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), expressa o conteúdo da Assistência Social como um pilar do Sistema de Proteção Social brasileiro. É aprovada pela Resolução 145, de 15/10/2004 (DOU, 28/10/2004), do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). A Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social (NOB/Suas-2005) é aprovada por Resolução 130, de 15/7/2005, do CNAS, e institui o Suas, conforme deliberado pela IV Conferência Nacional de Assistência Social (dez./2003). 36 I. planejar, organizar e implementar a Política Municipal de Assistência Social, englobando as ações, atividades e projetos e tendo como diretrizes básicas o processo de descentralização e participação da área de assistência social; II. elaborar, anualmente, o Plano Municipal de Assistência Social, com a respectiva programação e orçamentação das atividades e projetos nele inseridos; III. cumprir e fazer cumprir as disposições constantes da Loas e do ECA, no âmbito do município; IV. gerir o Fundo Municipal de Assistência Social, executando sua programação orçamentária e financeira, na forma da lei; coordenar a execução da aplicação dos recursos do Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente, conforme deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; V. buscar, junto a outras esferas de governo, os entendimentos e meios necessários à aplicação da política de Assistência Social no município; VI. dar suporte administrativo e facilitar aos conselhos da área de assistência social o cumprimento de suas finalidades e atribuições; VII. promover políticas voltadas ao bem-estar social de toda a população do município, visando a garantia do acesso aos direitos, bem como o combate à exclusão social, por meio de ações diretas ou em parceria com outras secretarias e demais segmentos do governo e da sociedade. (LEI MUNICIPAL N. 3.953, 2005, p. 4). No Brasil, a partir de movimentos por direitos sociais e pela reconstrução democrática, conquistam-se e expandem-se direitos, por fim, na Constituição Federal de 1988, ao mesmo tempo em que se ampliam os ideais neoliberais que propõem a restrição a esses direitos e a redução das responsabilidades do Estado. A estrutura da então SMPCIS é constituída pelas Diretorias de Política Social, de Promoção Social, de Cadastro Social, do Centro de Atenção Integral à Criança (Caica) órgão que foi extinto-, da Equipe de Supervisão Técnica às Entidades (atual Setor de Gestão da Informação), do Cras, Creas e, ainda, dos conselhos de direitos, entre os quais, o Conselho Municipal de Assistência Social (Comas), Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdicas) de Suzano, Conselho Municipal do Idoso (Comid) e Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPCD). É importante mencionar que não foi possível obter informações acerca dos gestores, da referida secretaria, nas gestões anteriores (de 1968 a 2000). Protocolada a solicitação, entretanto, a resposta foi negativa, tanto dos funcionários da Secretaria 37 Municipal de Administração como da Câmara Municipal, sob a alegação de que não existem documentos com tais informações. O Quadro 1 sintetiza a trajetória da Assistência Social em Suzano, segundo as leis que constituíram o órgão gestor. Lei n./ano 1.038/68 Órgão Criação da Diretoria de Saúde, Educação e Promoção Social Estrutura Departamento de Promoção Social 1. Seção de Serviço Social 2. Seção de Assistência aos Servidores 1.643/77 Criação da Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social Criação da Secretaria Municipal de Assistência Social Extinção da Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social e criação do Setor de Assistência Social Criação do Serviço de Promoção e Desenvolvimento Social Setor de Expediente e Serviços Gerais; Setor de Serviço Social; Setor de Promoção, Cursos e Campanhas; e o Centro de Participação Comunitária Departamento, Divisão, Seção, Setor 2.165/87 2.306/89 3.544/01 Setor de Expediente e Serviços Gerais; Setor de Serviço Social; Setor de Promoção, Cursos e Campanhas; Centro de Participação Comunitária Setor de Expediente e Serviços Gerais; Setor de Serviço Social; Setor de Promoção, Cursos e Campanhas; Centro de Participação Comunitária 3.953/05 Criação da Diretoria de Política Social; Secretaria Diretoria de Promoção Municipal de Social; Cadastro Social; Promoção da Equipe de Supervisão Cidadania e Técnica às Entidades; Inclusão Social Centro de Atenção Integral à Criança (Caica); Cras; Creas; conselhos de direitos Quadro 1 - A trajetória da assistência social em Suzano Finalidade do Órgão A função principal, sob a supervisão do prefeito, que é responsável, dirigir, coordenar e fiscalizar e executar o Programa de Governo por meio dos Departamentos de Saúde, Educação e Promoção Social e em colaboração com as Comissões Municipais de Esportes e Educação; As funções específicas são definidas em Regulamento baixado pelo Executivo Municipal e também fazer o acompanhamento dos servidores. Textualmente, a lei não especifica as finalidades, mas, em relatos, foi observado que o órgão é responsável por realizar cursos e campanhas. Textualmente, a lei não especifica as finalidades. Prestar assistência à população carente do município; pronunciar-se sobre pedidos de auxílios, subvenções, ou contribuições a serem concedidos pela municipalidade às entidades de assistência social ou filantrópicas. Responsável pelas campanhas do Agasalho e Boa Visão, concessão de auxílios e PTR estadual. Responsável pelos benefícios e serviços nos âmbitos municipal, estadual e federal. 1234- Elaborar, anualmente, o Plano Municipal de Assistência Social; Planejar, organizar e implementar a Política Municipal de Assistência Social; Gerir o Fundo Municipal de Assistência Social; Promover políticas voltadas ao bem-estar social de toda a população do município. Fonte: Disponível em: <www.suzano.sp.gov.br>. Acesso em: maio 2012. (Elaboração própria.) 38 Dentre os setores recentemente organizados, está o da Gestão da Informação, que tem seguido as orientações da Resolução 04, de 24/5/2011, da Comissão Intergestora Tripartite (CIT), e que consiste no registro e armazena-mento dos dados relativos aos serviços ofertados nos Cras e Creas visando à implementação de uma estrutura destinada a cumprir a função da Assistência Social de Vigilância Social, cujos dados são encaminhados mensalmente para o MDS. Essa resolução passa a ser cumprida pelos Cras e Creas, a partir de agosto de 2011, e, pelos órgãos gestores, desde setembro de 2011. O município aderiu ao Suas em 5/8/2005 e estruturou os serviços socioassistenciais por nível de Proteção Básica e Especial, de Média e Alta Complexidade. Na proteção básica, pela Lei municipal 3.971, de 27/6/2005, foram criados quatro Cras, dos quais três implantados no ano de 2005 (Boa Vista Paulista, Centro e Palmeiras de São Paulo) e o último, o Cras Casa Branca, implantado em 2006. Cabe ressaltar que todos receberam o nome correspondente ao bairro em que foram instalados. A cada Cras foi estipulada uma área de abrangência, correspondente às quatro microrregiões, seguindo o plano de zoneamento do município, feito pelas Secretarias de Políticas Urbanas e de Administração. Essa divisão partiu da decisão do secretário e dos diretores das Proteções Básica e Especial, de modo a facilitar o acompanhamento das famílias. 1.3 Serviços e Benefícios Existentes na Gestão da Assistência Social em Suzano É importante mencionar que os números pertencentes ao Programa BolsaFamília (18.467), referem-se ao total de famílias cadastradas no programa; não dizem respeito ao número de beneficiários do programa que, em 2012, totalizam 13.476, conforme dados da Tabela 2. 39 Benefícios Programas Federais Bolsa Família BPC Pessoa com deficiência Idosos Isenção interestadual Programas Estaduais Renda Cidadã Ação Jovem Benefícios Eventuais 2º via de certidões (nascimento, casamento e óbito) Cesta básica Auxilio funeral Programa boa visão Passagem para outro Estado Número de Benficiários CRAS CRAS Boa Vista Casa Branca 7994 43% CRAS Centro CRAS Palmeiras 1795 10% 3823 21% Total 4855 26% 18467 1430 630 8% 3% 126 6% 355 20% 1 3% 409 20% 771 43% 21 70% 42 2% 39 2% 8 27% 2007 1795 30 427 38 2% 0% 574 40% 31 23% 427 30% 30 23% 6 0% 33 25% 1434 132 2 0% 35 55% 93 49% 1 2% 119 64% 64 189 43 185 10 100% 10 3 5% 24 96 42 66 38% 51% 98% 36% Tabela 1 - Tipos de benefícios operados na Prefeitura de Suzano (jan./mar. 2012) Fonte: Dados fornecidos pelo Setor de Informação da SMPCIS em maio de 2012. Elaboração própria. Os BE ofertados no município, com recursos próprios, caracterizam-se pelas seguintes modalidades: • Cesta Básica – concedida nas situações de calamidade pública, emergência e quando o cidadão não está integrado em nenhum PTR. • Passagem para outros estados – concedida no caso de pessoas que não possuem referência familiar no município, com renda per capita de ½ saláriomínimo e com a intenção de retornar à cidade de origem. Como procedimento para a concessão, é feito o contato com os familiares e o Cras de destino do requerente, para que possa dar continuidade ao acompanhamento. • Programa Boa Visão – atende adultos, crianças e adolescentes residentes no município que não frequentam a rede pública escolar (municipal). Mediante a apresentação da receita oftalmológica da área da Saúde, o Cras fornece óculos. Esse trabalho tem interface com as Secretarias Municipais de Educação, Saúde e Promoção da Cidadania e Inclusão Social. 40 • Certidão de Nascimento, de Casamento e Óbito, segunda via – a equipe do Cras, na pessoa do coordenador, apenas media a solicitação da segunda via dos documentos anteriormente mencionados, pelo diálogo e encaminhamento à Corregedoria do Estado, com a assinatura do requerente, solicitando os documentos e recebendo o protocolo de que aquele órgão recebeu o ofício, bem como o ofício de que o juiz encaminhou para o cartório de onde será feita a solicitação. Posteriormente, a equipe do Cras recebe pelos Correios o documento solicitado ou a resposta negativa do cartório, e é feito o contato com o requerente. • Serviço Social de Luto – também denominado, pela Loas, como auxílio-funeral, é concedido à pessoa com renda familiar per capita de até meio salário-mínimo vigente no território nacional. O serviço é realizado por funerárias autorizadas pela prefeitura e consiste em: I. fornecimento de urnas funerárias e flores; II. organização, montagem e manutenção de velórios nas capelas mortuárias. III. transporte de corpos e restos mortais somente para crianças; IV. atividades de preparo de corpos para sepultamento. O trabalho é de responsabilidade da SMPCIS, que elabora o relatório social e encaminha à funerária para atendimento. Pela determinação da Loas, os BE devem ser regulamentados por lei municipal, o que ainda não ocorreu no Município de Suzano. Cabe ressaltar que esses benefícios foram reconhecidos pela Resolução federal 212, de 19/10/2006, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e do Decreto federal 6.307, de 14/12/2007. A autora Gisele BOVOLENTA (2010) considera essa regulamentação norteadora e que auxilia os municípios a regulamentar sua situação na execução e concessão de auxílios e benefícios, em geral operacionalizados ao acaso por meio dos 41 plantões sociais. Ao que parece, o Governo Federal foi até onde a legislação permitia, uma vez que, por se tratar de benefícios oriundos das esferas municipais, estaduais e do Distrito Federal, a União não poderia regulamentálos, apenas orientá-los. Isto é posto na própria Loas quando no artigo 22 diz ser responsabilidade municipal, estadual e distrital sua gestão e execução. (p. 80). Pereira (2010), por sua vez, aponta que a Loas, em seu artigo 22, prevê três tipos de BE: os compulsórios, que são o auxílio-natalidade e o auxílio-funeral, destinados às famílias com renda per capita de até ¼ do salário-mínimo; os de caráter facultativo, instituídos conforme as necessidades oriundas das situações de vulnerabilidade social e calamidade pública; e os benefícios subsidiários, descritos no § terceiro do artigo 22, como provisão às crianças de até 6 anos de idade. Destes, a autora aponta que, somente os benefícios subsidiários não deveriam compor o campo de atenção por parte dos BE, pois entendia a criança em processo contínuo de desenvolvimento. (BOVOLENTA apud PEREIRA, 2010). Tanto o Decreto 6.307/2007 como a Resolução 2012/2006 já nasceram no contexto do SUAS, em que a provisão deste benefício contribui no sentido de instituir uma política pública de caráter universal operacionalizada de modo coerente, sintonizado e preciso, dentro dos princípios e diretrizes construídas pelo SUAS. (BOVOLENTA, 2010, p. 85). No Decreto 6.307/2007, coube à União caracterizar os possíveis BE. Nesse sentido, o artigo 1o estabelece que se trata de “[...] provisões suplementares e provisórias prestadas aos cidadãos e às famílias em virtude de nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e de calamidade pública”. Sendo assim, esses benefícios integram as seguranças no Suas. Portanto, os BE atendem a situações momentâneas e temporárias em face das emergências eventuais. Por todos esses motivos, o Serviço Social de Luto não deveria ter critério de renda para ser concedido. Outro aspecto a considerar é que o Programa Boa Visão, que deveria pertencer à política de saúde, ainda permanece na Assistência Social. Quanto a isso, o Decreto 6.307 traz que “As provisões relativas a programas, projetos, serviços e benefícios diretamente vinculados ao campo da saúde, educação, integração nacional e das demandas políticas setoriais não se incluem na modalidade de benefícios eventuais da 42 assistência social”. (Art.9º, Decreto 6.307/2007). Esse dispositivo delimita área, competências e responsabilidades. Os benefícios estaduais ofertados no município caracterizam-se pelas seguintes modalidades: Renda Cidadã – foi criado em 2001 com o propósito de implementar as políticas públicas de apoio à família, estabelecidas pelo governo do estado de São Paulo, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds). Trata-se de um benefício social de concessão temporária, para famílias com renda familiar mensal per capita de até meio salário-mínimo nacional, integradas com ações socioeducativas e de geração de renda. Este programa de transferência de renda surge com o propósito de enfrentar o processo de empobrecimento de uma parcela significativa da população, que tem alterado profundamente a estrutura da família, seu sistema de relações e os papéis desempenhados. Um grande número de famílias vivencia processo de vulnerabilidade em decorrência do desemprego ou subemprego, falta de moradia ou moradias precárias, falta de saneamento básico, violência, dependência química, separações e perdas na família, migração, assentamentos e reassentamentos. 4 O valor do benefício é de R$ 80,00 mensais, e a família pode permanecer por três anos. e anualmente é feita uma avaliação das condições e dos critérios para essa permanência . O objetivo do programa é promover ações complementares e conceder apoio financeiro temporário direto, visando à autossustentação e a melhoria da qualidade de vida da família beneficiária. Embora o município execute o Programa Renda Cidadã (PRC) desde 2001, somente foram apresentados os dados a partir de 2006, quando é criado o Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar, (Proasf) que é municipal e reúne beneficiários dos programas Renda Cidadã e Bolsa-Família, objetos de pesquisa desta dissertação. 4 Disponível em: < www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/portal.php/rendacidada>. Acesso em: 2012 43 O município sempre teve uma meta fixa, no período de 2006 até o presente momento, de 1.406 vagas por ano para o PRC, embora, no ano de 2012, tenha registrado 1.434 famílias participando do programa 5 conforme a Tabela 1, portanto, com uma cobertura, em relação à população total do município, de 0,53%. Ressalta-se que não existe CadÚnico para o PRC, mas sim um sistema de informações denominado Pró-Social, que possibilita a consulta por família ou a geração de relatórios com informações de todos os beneficiários do município. Ação Jovem – programa estadual criado em 2004 com o objetivo de estimular a conclusão da educação básica e preparar o adolescente e jovem para o mercado de trabalho. O público-alvo são adolescentes e jovens com idades de 15 a 24 anos, que estejam estudando e pertençam a famílias com renda per capita de até ½ saláriomínimo. O valor do benefício é de R$ 80,00, e o adolescente ou jovem pode permanecer por três anos, sendo que, anualmente, é feito a avaliação das condições e dos critérios para permanência no programa. As condicionalidades são: – Frequentar a escola; – Ter aprovação escolar; – Participar das ações complementares do programa. Os adolescentes e jovens são acompanhados pela equipe do Cras (educadores e técnicos) e participam das reuniões socioeducativas. Nessas reuniões, abordam-se diversos temas de interesse do público-alvo, como mercado de trabalho, saúde, meio ambiente, cidadania, entre outros. Também é viabilizada a inclusão dos beneficiários em cursos profissionalizantes e oficinas de cultura e esportes oferecidos pela rede. Quanto aos benefícios federais ofertados no município, existem reuniões de orientação sobre os programas do governo federal e, durante a semana ou nos sábados, os cadastros são preenchidos manualmente por funcionários dos Cras e Creas. Posteriormente, esses cadastros são encaminhados para o CadÚnico para serem digitados. Esses benefícios caracterizam-se pelas seguintes modalidades: 5 Dados do Setor da Gestão da Informação, maio de 2012. 44 Bolsa-Família – foi instituído no dia 9 de janeiro de 2004, pela Lei federal 10.836 e regulamentado pelo Decreto 5.209, de 17 de setembro de 2004. Conforme a autora Maria de Jesus de Assis Ribeiro (2011): É um programa de abrangência nacional, e a sua coordenação está sob a responsabilidade do MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome que prevê ações integradas e pactuadas em conjunto com os Ministérios da Saúde e da Educação. (p. 94). Desde novembro de 2011, foi implantado o Benefício Variável Gestante para quem recebe o Programa Bolsa-Família. O público-alvo é composto de gestantes com idades entre 14 e 44 anos. No Município de Suzano registrou-se um número de 490 gestantes. 6 Ainda há o Benefício Variável Nutriz, destinado também a quem recebe o Programa Bolsa-Família e tem criança de 0 a 6 meses. São 52 famílias que receberam esse benefício, no Município de Suzano, no período de janeiro a abril de 2012. 7 Por fim, o Benefício Variável Jovem, (BVJ), é para o beneficiário do Programa Bolsa-Família que possui adolescentes com idades entre 15 e 17 anos. No Município de Suzano, registram-se os dados do Programa Bolsa Família contidos na Tabela 2. 8 Ano Famílias Beneficiárias 2006 10.699 2007 10.536 2008 12.159 2009 12.862 2010 13.139 2011 13.782 2012 13.476 Tabela 2 - Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família de 2006 a 2012, no Município de Suzano Fonte: Dados fornecidos pelo CadÚnico, maio de 2012. (Elaboração própria.) 6 Portal do Bolsa-Família na Saúde – Datasus, 1º semestre de 2012. Dados do CadÙnico. Caderno Único para Programas do Governo Federal, abril de 2012. 8 Dados do Índice Geral de Desenvolvimento (IGD), setembro de 2011. 7 45 Ressalta-se que, até maio de 2012, registram-se 13.476 beneficiários do Programa Bolsa-Família cuja cobertura é de 5,13% do total da população do Município de Suzano. 9 Na Tabela 1, os valores do Programa Bolsa-Família dos Cras Boa Vista, Casa Branca, Centro e Palmeiras, correspondem ao número de famílias cadastradas no programa, e não ao número de famílias beneficiárias. É pertinente informar que, desde novembro de 2010, os técnicos dos Cras estão realizando o trabalho com famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda PBF em vias de ter seus benefícios suspensos ou cancelados por descumprimento de condicionalidades da educação e da saúde. Cabe ressaltar que o CadÚnico e as equipes dos Cras tem acesso à lista do MDS com os nomes e endereços dos beneficiários que estão em descumprimento de condicionalidades. As equipes dos Cras trabalham preventivamente para que o benefício não seja cancelado e a equipe do CadÚnico trabalha com os casos que foram cancelados somente para entrar com recurso solicitando que a família consiga novamente o benefício. De posse da lista, as equipes dos Cras enviam correspondências para os beneficiários solicitando o seu comparecimento no órgão. O atendimento é feito a grupos, nos casos de advertência, bloqueio, primeira suspensão e segunda suspensão. Quando a situação é de cancelamento, o atendimento é individualizado, visando obter informações de quais são as causas para o descumprimento das condicionalidades e trabalhando junto com a família sobre como resolver a situação. É importante enfatizar que esse trabalho não funciona de forma preventiva, uma vez que as listas encaminhadas estão desatualizadas, e as famílias, ao participarem das reuniões, já estão com seus benefícios cancelados ou já resolveram as pendências, bem como não conseguem realizar um trabalho com as Secretarias de Saúde e de Educação visando a garantia desses direitos. Esta desatualização resulta do formato nacional da gestão do PBF e não da gestão municipal de Suzano. No ano de 2012, até o mês de abril, o município apresentava 1.017 beneficiários em descumprimento de condicionalidades, na sua maioria, a sanção da advertência, o 9 Dados do CadÙnico. Caderno Único para Programas do Governo Federal, maio de 2012. 46 que corresponde a 5,51% do total de beneficiários do PBF no município. 10 Desses, 158 famílias foram suspensas por descumprimento da condicionalidade da saúde. Cabe informar que é realizada visita domiciliar, quando o beneficiário não comparece. Ainda, o registro do descumprimento das condicionalidades é feito no prontuário do beneficiário. Ressalta-se que o envio da lista, pelo MDS, para o CadÚnico e para as equipes dos Cras, é bimestral. – Benefício de Prestação Continuada (BPC) – tem como público-alvo: - Pessoa idosa com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família; - pessoa com deficiência incapacitada para a vida independente e para o trabalho, em razão de anomalias ou lesões irreversíveis, de natureza hereditária, congênita ou adquirida, superior a dois anos, conforme a portaria conjunta MDS/INSS 01, de 24/5/2011; - Renda per capita da família inferior a ¼ do salário-mínimo; 11 - Ser residente em Suzano e morar nas mediações dos Cras; - Não fazer parte de nenhum outro regime previdenciário. (LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA O SERVIÇO SOCIAL, 2007, p.143). O serviço Paif deve dar atenção especial às famílias das crianças e adolescentes beneficiários do BPC que estão fora da escola. A fim de ampliar o acesso e a permanência na escola, o convívio familiar e comunitário e os demais direitos a esse segmento populacional, foi criado o Programa BPC na Escola, para atender crianças e 10 Consiste no primeiro descumprimento das condicionalidades, por parte da família, porém não afeta ou altera o recebimento do benefício. 11 Entende-se como família as pessoas elencadas no artigo 16 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, e que consiste em: o(a) cônjuge; o(a) companheiro(a); o(a) filho(a), de qualquer condição, menor de 21 anos ou “inválido(a)”, incluindo o(a) enteado(a) e o menor tutelado(a); os pais;o(a) irmão(ã) de qualquer condição, menor de 21 anos ou “inválido(a)”. Com a aprovação da Lei 12.470, de 31/8/2011, houve a inclusão da renda dos filhos ou irmãos do requerente, maiores de 21 anos, no cálculo da renda per capita alterando os arts. 20 e 21 e acrescentando o art. 21-A à Lei 8.742, de 7/12/1993. 47 adolescentes com idades até 18 anos. 12 No Município de Suzano, foi aplicado um questionário, em dezembro de 2009, por profissionais das áreas de assistência social, saúde e educação, para saber como está a inserção desses beneficiários na escola. Enfatiza-se que foi passada uma lista do MDS, com 341 endereços a serem visitados e aplicado esse questionário, obtendo-se o seguinte resultado: foram preenchidos somente 219 questionários, por vários motivos, a saber: alguns endereços não foram encontrados; houve mudança de endereço sem ter sido atualizado; o beneficiário havia falecido, dentre outros. Dos beneficiários que frequentavam a escola, foram relatadas as seguintes dificuldades: falta de profissionais de apoio; falta de profissionais de comunicação; dificuldade de locomoção nas vias públicas; dificuldade de locomoção nas calçadas; mobiliário inadequado; material didático inadequado; dificuldades no transporte; sinalização inadequada nas vias públicas; dificuldade de acesso à sala de aula, ao banheiro, ao pátio, à biblioteca, ao refeitório e ao ginásio. Quanto às dificuldades relatadas por beneficiários que não frequentavam a escola, além dos motivos apresentados por quem frequentava a escola, acrescentamse a falta de iniciativa dos pais ou responsáveis; saúde debilitada e recomendação da escola para procurar outra escola. O resultado da pesquisa foi repassado para as Secretarias municipais de saúde e educação, porém, nada foi feito para mudar essa situação, até o presente momento, embora recentemente a gestão da SMPCIS tenha informado que pretende novamente aplicar a pesquisa e tomar as providências necessárias. Por outro lado, no Município de Suzano, constata-se que houve avanço no trabalho de parceria da prefeitura e a agência do INSS da cidade, pois essa parceria acontecia de forma não oficializada desde 1998, e foi oficialmente reconhecida em 2005, pela Lei municipal 3.970/2005, cujo trabalho consiste em informar e dar entrada no requerimento do BPC, e fazer o acompanhamento das famílias. Ressalta-se que o 12 O programa foi criado pela Portaria Interministerial 18, de 24 de abril de 2007, e consiste em uma ação interministerial que envolve os Ministérios da Educação, da Saúde, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, além da Secretaria Especial de Direitos Humanos. 48 município de Suzano tem somente uma agência previdenciária que também atende aos municípios de Ferraz de Vasconcelos e Poá. A dinâmica de trabalho da equipe do Cras, em relação aos que requerem o benefício, consiste em: − Reuniões semanais realizadas pelo técnico do Cras com o objetivo de explicar o que é o benefício, qual é o valor, quem pode solicitá-lo, qual o prazo de recebimento e qual a documentação necessária; − Preenchimento semanal do requerimento do benefício; − Agendamento semanal da perícia social, que é realizado pelo assistente social do INSS, conforme estabelece a Portaria Conjunta MDS/INSS 1, de 24/5/11, art. 2º, inciso I; − Entrega semanal do requerimento do benefício à agência do INSS. A entrega do protocolo do INSS, ao requerente, deveria, em tese, ser entregue semanalmente, mas varia de acordo com a demanda da agência. Cabe ressaltar que o número de idosos e pessoas com deficiência que receberam o benefício e foram cadastrados no CadÚnico no Município de Suzano somou 2.007 pessoas com deficiência e 1.795 idosos, cuja cobertura em relação à população de Suzano é de 1,45%. 13 O município ainda tem 109 pessoas com deficiência e 61 idosos recebendo a RMV – Renda Mensal Vitalícia. (RMV), cuja cobertura, em relação à população de Suzano, é de de 0,06%. 14 13 Dados do CadÚnico – Cadastro Único para programas do governo federal, abril de 2012. A RMV foi criada pela Lei 6.179/1974, como benefício previdenciário destinado a pessoas maiores de 70 anos de idade ou inválidos, definitivamente incapacitados para o trabalho, que, em um ou outro caso, não exercem atividades remuneradas e não auferem rendimento superior a 60% do valor do saláriomínimo. Além disso, não poderiam ser mantidos por pessoas de quem dependiam, bem como não poderiam ter outro meio de prover o próprio sustento. Com a promulgação da CF/1988, foi definida em seu art. 203, inciso V, a garantia de um benefício mensal no valor de um salário-mínimo à pessoa com deficiência e ao idoso, independentemnte de contribuição à Previdência Social, que não possuam meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Assim, enquanto o artigo 203 (fundamento legal do BPC) não era regulamentado, continuava em vigência a Lei 6.179/1974. 14 49 Em Suzano, a partir de janeiro de 2012, quando o requerente se torna beneficiário do BPC, recebe um comunicado da agência previdenciária do INSS para procurar o CadÚnico para fazer o seu cadastro, entretanto, o preenchimento do cadastro dá-se pelos funcionários dos Cras, devido à grande quantidade de atendimentos do setor, que, posteriormente, os envia para inserção no sistema. Como mencionado anteriormente, a agência previdenciária de Suzano atende a mais dois municípios, que são Ferraz de Vasconcelos e Poá. Portanto, o CadÚnico começou a lançar este ano, no seu sistema, os dados dos beneficiários do BPC. Em relação aos idosos e pessoas com deficiência que já eram beneficiários do BPC, o INSS não disponibiliza a lista para a secretaria alegando que se encontra no Sistema Suas. Entretanto, somente o gestor tem a senha de acesso ao sistema, e os dados, muitas vezes, estão desatualizados. Também o acompanhamento dos idosos e das pessoas com deficiência dá-se pelos Serviços de Convivência realizado pelas entidades conveniadas com a Prefeitura de Suzano.É pertinente informar que os técnicos do Cras Centro, recentemente (julho de 2012), conseguiram montar grupos com os idosos, pessoas com deficiência e de seu núcleo familiar e as reuniões estão acontecendo no próprio Cras, entretanto, a participação ainda é pequena. Isenção em Transporte Interestadual – mensalmente, os funcionários dos Cras preenchem o cadastro de idosos, visando à isenção de transporte interestadual, direito adquirido com o Estatuto do Idoso, o qual diz: Artigo 40 – No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á, nos termos da legislação específica: I. a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículos para idosos com renda igual ou superior a 2 (dois) salários mínimos; Em 24 de junho de 1991 foi publicada a Lei 8.213, dispondo sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social. Essa lei trazia, em seu art. 139, disposição no sentido de que a RMV continuaria integrando o elenco de benefícios da Previdência Social, até que fosse regulamentado o inciso V do art. 203 da Constituição Federal, o que ocorreu em 7 de dezembro de 1993, com a aprovação da Loas que originou o BPC . Assim, a RMV, criada no âmbito da previdência social, foi extinta a partir de 1o de janeiro de 1996, quando entrou em vigor a concessão do BPC. A permanência dessa ação orçamentária ocorre para que o pressuposto no artigo 40, da Lei 8.742/1993 (Loas), se cumpra e não haja dissolução de continuidade no atendimento à população anteriormente contemplada com o benefício previdenciário (RMV) que está em extinção, sendo mantido apenas para aqueles que já eram beneficiários, com base no pressuposto do direito adquirido. A partir da LOA de 2004, os recursos para pagamento da RMV e despesas operacionais foram alocados no orçamento do FNAS. 50 II. II. desconto de 50% (cinquenta por cento), no mínimo, no valor das passagens, para os idosos que excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos. (LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA O SERVIÇO SOCIAL, 2007, p.308). Cabe ressaltar que o idoso que preenche o cadastro para obter a isenção do transporte interestadual (é o mesmo caderno do Programa Bolsa-Família), no Cras não é aposentado, pensionista ou beneficiário do BPC, ou seja, não tem como comprovar renda fixa e certa. Quando o idoso pode comprovar a renda, basta levar o comprovante do último pagamento do benefício e o documento de identificação e apresentá-los no guichê da empresa que faz a linha para o estado de destino do idoso, comprovando o critério da idade e renda. Quando o idoso que é atendido no Cras tem perfil para o BPC, é feito o requerimento desse benefício. Esse mesmo funcionário também faz o cadastro para isenção da taxa em concurso público federal, isenção do pagamento da tarifa social de energia elétrica, preenchimento do cadastro para inserção no Programa Bolsa-Família, dentre outros. Por fim, a partir de novembro de 2011 passa a fazer parte do Cadastro Único o benefício facultativo da Previdência Social, que são os que não tem renda própria, se dedicam ao trabalho doméstico em sua residência (donas e donos de casa) e são famílias de baixa renda. Com a contribuição de 5% do salário mínimo equivalentes a R$ 31,10 em valores atuais. Isso foi possível devido a aprovação da Lei 12.470 de 31/08/11. (BOLSA-FAMÍLIA INFORMA, outubro de 2011). É pertinente mencionar que os benefícios variáveis Nutriz e Gestante, isenção da taxa em concurso público federal, isenção do pagamento da tarifa social de energia elétrica, e o benefício facultativo da Previdência Social, são decorrentes do Plano Brasil sem Miséria. 15 Percebe-se, pela descrição dos benefícios existentes no Cras, que prevalecem os programas do governo federal. Outrossim, a maior quantidade de beneficiários, com exceção da isenção interestadual, pertence ao Cras Boa Vista, e essa estatística se justifica, pois é o Cras que concentra o maior número de habitantes, com um total de 82.811 pessoas. Em seguida, vem a região Central, que tem 155.804 habitantes e engloba os Cras do Centro e Casa Branca e, por último, o Cras Palmeiras, que tem 15 O Plano Brasil Sem Miséria é direcionado aos brasileiros que vivem em lares cuja renda familiar é de até R$ 70 por pessoa. De acordo com o Censo 2010, do IBGE, estão nessa situação 16,2 milhões de brasileiros. 51 população de 23.865 habitantes, conforme dados da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. 16 Atendimentos Novas famílias inseridas no acompanhamento do Paif, durante o mês de referência Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família, em situação de descumprimento de condicionalidades Famílias com membros beneficiários do BPC Famílias encaminhadas para inclusão no CadÚnico Famílias encaminhadas para atualização cadastral no CadÚnico Pessoas encaminhadas para acesso ao BPC Famílias encaminhadas para o Creas Famílias participando regularmente de grupos no âmbito do Paif Pessoas que participaram de palestras, oficinas e outras atividades coletivas de caráter não continuado Pessoas com deficiência, participando dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos ou dos grupos do Paif Total No 22 15 % 2,81 1,91 4 0,51 5 222 51 35 6 100 0,64 28,32 6,51 4,46 0,77 12,75 322 41,07 2 0,25 784 100 Tabela 3 - Situações registradas no Cras Boa Vista Paulista no primeiro trimestre de 2012, com 784 atendimentos Fonte: Dados fornecidos pelo setor de informação da SMPCIS em maio/2012. (Elaboração própria.) Atendimentos Novas famílias inseridas no acompanhamento do Paif, durante os meses de referência Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família, em situação de descumprimento de condicionalidades Famílias encaminhadas para inclusão no CadÚnico Famílias encaminhadas para atualização cadastral no CadÚnico Pessoas encaminhadas para acesso ao BPC Famílias encaminhadas para o Creas Famílias participando regularmente de grupos no âmbito do Paif Pessoas que participaram de palestras, oficinas e outras atividades coletivas de caráter não continuado Total No 10 2 % 3,86 0,77 7 2,70 51 35 7 1 61 19,69 13,51 2,70 0,39 23,55 85 32,82 259 100 Tabela 4: Situações registradas no Cras Casa Branca no primeiro trimestre de 2012, com 259 atendimentos Fonte: Dados fornecidos pelo setor de informação da SMPCIS em maio/2012. (Elaboração própria.) 16 O IBGE dividiu o Município de Suzano em apenas três macrorregiões, denominadas de Boa Vista Paulista, Suzano (que é a região central) e Palmeiras de São Paulo. No entanto, a gestão da Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social (SMPCIS) seguindo o plano de zoneamento do município feito pelas Secretarias Municipais de Políticas Urbanas e Administração, decidiu dividir a região central em dois territórios, os quais correspondem às regiões do Cras Centro e Cras Casa Branca, para que as famílias pudessem ter mais facilidade no acesso aos serviços e benefícios da Assistência Social. 52 Pelos dados apresentados nos atendimentos do Cras Casa Branca, percebe-se que se repete a situação do Cras Boa Vista Paulista, ou seja, a maior quantidade de atendimentos destina-se à inclusão no CadÚnico e para a realização de reuniões socioeducativas. No entanto, no total de atendimentos, é a menor quantidade em relação aos demais Cras. Diante desse fato, não se pode deduzir que esse valor esteja relacionado ao total da população da região do Cras Casa Branca, uma vez que a sua população está junto com a população do Cras Centro, pois o IBGE dividiu o Município de Suzano em três macrorregiões, conforme citado anteriormente. (Tabela 4). Atendimentos Novas famílias inseridas no acompanhamento do Paif, durante os meses de referência No % 13 3,05 5 1,17 Famílias encaminhadas para inclusão no CadÚnico 77 18,08 Famílias encaminhadas para atualização cadastral no CadÚnico 72 16,90 Pessoas encaminhadas para acesso ao BPC 39 9,15 Famílias encaminhadas para o Creas 15 3,52 Famílias participando regularmente de grupos no âmbito do Paif 70 16,43 133 31,22 2 0,47 426 100 Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família Pessoas que participaram de palestras, oficinas e outras atividades coletivas de caráter não continuado Pessoas com deficiência, participando dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos ou dos grupos do Paif Total Tabela 5 - Situações registradas no Cras Centro no primeiro trimestre de 2012, com 426 atendimentos Fonte: Dados fornecidos pelo setor de informação da SMPCIS, em maio/2012. (Elaboração própria) Na análise dos atendimentos, percebe-se que a situação do Cras Casa Branca e do Centro são semelhantes à do Cras Boa Vista Paulista, ou seja, há um número significativo da famílias encaminhadas para inclusão no CadÚnico e pessoas que participaram de reuniões socioeducativas. (Tabela 5). Outro aspecto percebido diz respeito aos atendimentos dos BEs, programas em que, no Cras Centro, se concentra a maioria dos atendimentos. O motivo deve-se ao fato do Cras realizar atendimentos pertencentes ao território dos outros três Cras, como é o caso do auxílio-funeral (denominado, na cidade, de Serviço Social de Luto), visto que todas as funerárias e hospitais se concentram no centro da cidade, o que facilita o acesso a esse benefício. 53 Os registros ofertados pelo Setor da Gestão da Informação da SMPCIS remetem a Resolução da CIT e, em termos de dados quantitativos, permitem uma aproximação quanto a ordem de grandeza das famílias atendidas. Percebe-se uma demanda significativa de cadastramento no CadÚnico e a realização de atividades socioeducativas A Tabela 6 apresenta as atividades internas e externas realizadas pela equipe do Creas. Atividades Divulgação dos Serviços do Creas em eventos Recâmbio (encaminhamento da pessoa para o município de origem) Monitoramento e avaliação de projetos (está relacionado à rede socioassistencial) Observação de campo (relaciona-se ao território e é executada por educa-dores que observam se há novas pessoas em locais de grande circulação) Participação em eventos/capacitações Reunião com atores da rede/articulação Audiências Concentradas (realizadas pelo Poder Judiciário com profissionais do Creas e dos serviços de acolhimento). Encaminhamentos Família de origem Ministério Público Poder Judiciário Outros Municípios Rede Socioassistencial Saúde Segurança Pública Conselho Tutelar Defensoria Pública/Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Esporte, Lazer, Cultura Habitação Desenvolvimento Econômico Serviço de Acolhimento Institucional Subtotal Encaminhamentos aos Cras Centro Casa Branca Palmeiras Boa Vista Subtotal Total: No 3 11 13 54 % 0,61 2,24 2,64 10,98 6 137 2 1,22 27,85 0,41 4 2 9 87 5 33 7 12 6 1 1 3 96 492 0,81 0,41 1,83 17,68 1,02 6,71 1,42 2,44 1,22 0,20 0,20 0,61 19,51 100 119 63 17 50 249 741 47,79 25,30 6,83 20,08 100 100 Tabela 6: Total de atividades Internas e externas da equipe do Creas no primeiro trimestre de 2012. Fonte: Relatórios técnicos de execução de maio/2012. (Elaboração própria.) Na proteção especial de média e de alta complexidade há um Creas implantado em 2008 que funciona no Centro da cidade, atendendo a toda a demanda do município. 54 Constata-se, pela quantidade das atividades da equipe do Creas que sobressai a articulação com a rede, e esse aspecto é muito importante e positivo, pois, além de estar previsto na Resolução 109, que trata da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, não é possível executar esse tipo de serviço sem a articulação com a Proteção Social Básica (PSB), as outras políticas, a sociedade civil organizada e os demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos. No tocante aos encaminhamentos, os dados demonstram que a maioria destinou-se para o Serviço de Acolhimento Institucional, o que era previsto, pois o Creas está responsável por esse serviço. A Tabela 7 apresenta os dados relativos ao atendimento do Creas, segundo sexo e faixa etária. Atendimentos /Atividades Abordagem de rua Articulação com a rede para discussão de casos Atendimento a indivíduo ou família Construção do Plano Individual de Acompanhamento (PIA) Verificação de denúncia/Registro de denúncia (procedente) Visita domiciliar Suporte e acompanhamento familiar e judicial Atendimento a adolescente em Liberdade Assistida (LA) Atendimento a adolescente em Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) Total Sexo M 0 a 12 1 Faixa Etária 13 a 18 a 17 59 2 9 60 ou + - Total por Sexo 12 14 2,37 148 25,08 264 44,74 1 0,19 6 35 47 27 33 - 14 2,37 82 13,90 60 10,17 2 0,34 - 5 590 0,84 100 F M F M F M F M 2 1 7 2 0 3 2 7 6 1 0 0 2 93 33 144 53 6 8 6 22 23 2 2 106 42 180 84 1 0 8 F M F M F M F M 0 7 4 4 0 - 0 6 8 1 3 2 0 4 0 12 21 11 17 - 6 10 14 11 13 - F - 1 - - Tabela 7 - Atendimentos no Creas, por sexo e faixa etária, no primeiro trimestre de 2012 Fonte: Relatórios técnicos de execução de maio/2012. (Elaboração própria.) % No 55 Este quadro refere-se ao atendimento do profissional. Percebe-se, pela descrição dos serviços do Creas, que algumas características repetem-se mais do que outras, a saber: – Abordagem de rua - o público mais presente são homens com idades entre 18 e 59 anos. – Articulação com a rede para discussão de casos – idem. – Atendimento a indivíduo ou família – predominam homens com idade entre 18 e 59 anos, e idosos com demanda igual para homens e mulheres. – Construção do PIA - há maior presença de meninos. – Verificação de denúncia/registro de denúncia procedente – há maior presença das mulheres e, na sua maioria, idosas. – Visita domiciliar - percebe-se maior presença de idosos, tanto de homens como de mulheres. – Suporte e acompanhamento familiar e judicial – nota-se que há maior presença de mulheres na faixa etária de 18 a 59 anos. – Atendimento a adolescente em LA – percebe-se maior presença de meninos, com um total de dois atendimentos nos respectivos meses. Ressalta-se que foram registrados, no Creas, outros atendimentos que dizem respeito à Proteção Social Básica ou a outras políticas sociais (Tabela 8): Atendimentos de outras políticas setoriais ou outros setores da Assistência da Social Quantidade % Drogadição 1 3,57 Atualização do CadÚnico 7 25 Benefícios Eventuais 20 71,43 Total 28 100 Tabela 8 - Atendimentos da proteção social básica e de outras políticas setoriais Fonte: Relatórios técnicos de execução em maio/2012. (Elaboração própria.) Percebe-se pelo número de atendimentos, que existe mais a presença dos BE e encaminhamentos do Creas para o CadÚnico. 56 Proteção Social Básica Proteção Social de Média Complexidade Proteção Social de Alta Complexidade Serviço para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa – LA e PSC Serviço de acolhimento institucional para idosos Serviço de convivência para idosos --- Serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes Serviço de convivência para pessoa com deficiência --- Serviço de acolhimento institucional para mulheres vítimas de violência --- Serviço de acolhimento institucional para adultos e famílias. Quadro 2 - Serviços da rede socioassistencial da cidade de Suzano Fonte: Relatórios técnicos de execução de maio/2012. (Elaboração própria.) 1.4 Serviços Existentes na Gestão da Assistência Social 1.4.1 Proteção Social Básica – Serviço para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos – denominado de socioeducativo em meio aberto, tem atendido, aproximadamente, 320 crianças e adolescentes, cuja verba, repassada pela Prefeitura de Suzano à entidade conveniada, é de R$ 150,00 per capita/mês. – Serviço de convivência para Idosos – atende, aproximadamente, 100 idosos, cuja verba, repassada pela Prefeitura de Suzano à entidade conveniada, é de R$ 120,00 per capita/mês. – Serviço de convivência para pessoa com deficiência – esse serviço atende, aproximadamente, 50 pessoas, cuja verba, repassada pela Prefeitura de Suzano à entidade conveniada, é de R$ 120,00 per capita/mês. Os técnicos da entidade preenchem a ficha de pré-inscrição dos interessados nos serviços, encaminhando-a para os Cras, e o técnico do Cras faz a avaliação dessa ficha, dando o parecer baseado nos critérios de inclusão nos serviços. Os técnicos do 57 Cras, por sua vez, também encaminham fichas de pré-inscrição para os serviços das entidades, observando a oferta de vagas. 1.4.2 Proteção Social Especial de Média Complexidade – Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa – são as medidas de LA e de PSC. A Tabela 6 apresenta os atendimentos realizados pela equipe técnica do Creas. 1.4.3 Proteção Social Especial de Alta Complexidade Algumas entidades inscritas no Comas prestam serviços, indistintamente, para os quatro Cras e Creas, portanto, inclui o atendimento do Cras Palmeiras. Esses serviços são: – Serviço de acolhimento institucional para idosos – a meta é atender 60 pessoas e a verba repassada é de R$ 1.mil per capita/mês. – Serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes – a meta é atender 20 crianças e/ou adolescentes, cuja verba repassada é de R$ 2.350,00 per capita/mês. – Serviço de acolhimento institucional para mulheres vítimas de violência – a meta é atender 30 mulheres e a verba repassada é de R$ 450,00 per capita/mês. – Serviço de acolhimento institucional para adultos e famílias – a meta é atender 30 famílias e a verba repassada é de R$ 704,99 per capita/mês. Percebe-se, pela descrição dos serviços do Cras e baseado no trabalho social com famílias descrito no Paif, o fato de não existirem serviços de Proteção Social Básica (PSB) no domicílio para pessoas com deficiência e idosas, e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para adolescentes de 15 a 17 anos. Outrossim, na Proteção Social de Alta Complexidade (PSE), não existem os serviços de Acolhimento em República e com Família Acolhedora. 58 A explanação sobre os aspectos históricos, econômicos e sociais do Município de Suzano, em especial da gestão da assistência social, evidencia alguns aspectos: - A presença do primeiro-damismo na gestão leva a ações benemerentes, desconsiderando a política de assistência social como uma política de direitos, que deve ser garantida pelo Estado; - A falta de regulamentação dos BEs dificulta a sua oferta; - A utilização de instrumental que remete à Resolução da CIT para registro dos serviços ofertados pela SMPCIS e que diz respeito às famílias do Paif; - A presença significativa dos benefícios do governo federal (CadÚnico) e atividades socioeducativas nos atendimentos dos Cras; - O trabalho de referência e contrarreferência entre os Cras e Creas também previstos no Paif, objeto de discussão do Capítulo 3. Como a pesquisadora está discutindo o Proasf de Suzano e o Paif, serão apresentadas, no Capítulo 2, as modalidades de trabalho social com famílias. 59 CAPÍTULO 2 Trabalho Social com Famílias e o Proasf de Suzano Quando, nesta dissertação, se coloca em questão um programa de trabalho social com famílias, entende-se que é importante resgatar as experiências mais relevantes desse tipo de trabalho, salientando: – Serviço de Colocação Familiar do Juizado de Menores; – Iafam; – Proasf – CMDCA; – PFF da Secretaria do Estado; – Proasf da Prefeitura de São Paulo; – Proasf da Prefeitura de Suzano; – Paif. Através de visitas e entrevistas, esses programas são resgatados, com destaque para o Proasf de Suzano. A preocupação do trabalho social com famílias, na assistência social, já se apresentou de diferentes formas, todas acompanhadas por vários programas, em diferentes épocas. Este capítulo tem como objeto apresentar essas iniciativas do trabalho social com famílias que foram anteriores, concomitantes ou posteriores ao Paif. 2.1 Serviço de Colocação Familiar Inicialmente, em 1949, o Juizado de Menores já desenvolvia o Serviço de Colocação Familiar, com o qual apoiava social e financeiramente as famílias. Segundo a autora Eunice Terezinha Fávero (1996), A Lei de Colocação Familiar, cujos fundamentos foram debatidos na I Semana de Estudos, teve seu projeto redigido por um grupo organizado na II Semana, e foi promulgada sob o número 560, em 27 de dezembro de 1949, no governo Adhemar de Barros, criando assim o Serviço de Colocação Familiar junto aos Juízos de Menores do Estado de São Paulo, com a finalidade de proporcionar 60 “aos menores necessitados, ambiente favorável ao seu desenvolvimento”. (p. 65). A Colocação Familiar surgia como alternativa para intervir mais amplamente e de maneira considerada segura e eficaz contra a internação e o abandono de menores, e a Escola de Serviço Social participou da elaboração e regulamentação dessa proposta. A autora ainda acrescenta que o Serviço de Colocação Familiar foi: Uma “proposta de assistência ao menor com até 14 anos de idade, proveniente de família pobre, colocando-o de forma provisória e remunerada em um lar substituto, até que a família de origem reajustasse ao que se considerava condições normais de vida, evitando-se, dessa forma, a solução pela internação” ( FÁVERO, 1996, p. 63). Até então, a internação em entidades filantrópicas e em órgãos oficiais era uma medida habitual utilizada quando se tratava de problemas de abandono e delinquência de menores. A colocação familiar, em São Paulo, teve como modelo experiências e princípios básicos das denominadas Placement em Foyers Nourriceries, dos franceses, e Foster Home Care, dos ingleses e americanos. De acordo com diretrizes adotadas pelos países desenvolvidos, em que esses programas eram executados, o lar substituto deveria proporcionar, ao “menor”, segurança, vida familiar, alimentação nutritiva, abrigo adequado, vestuário confortável, hábitos sadios, recreação, vida em comunidade e aprendizado moral e religioso. (FÁVERO, in CORREA, 1955, p.7/9). Embora a prioridade da lei tenha sido a colocação em lar substituto, o artigo 13 dava margem ao atendimento do menor na própria família. Eunice Fávero (1996) afirma que Não havendo, na comarca, instituição que se incumba de assistência à família, o Juiz poderá excepcionalmente, estender os benefícios [...] à própria família do menor necessitado, “desde que a mesma preenchesse os requisitos exigidos quanto à família substituta, dentre eles: provas de idoneidade moral, emprego, certidão de casamento – quando casado-, registro de nascimento dos filhos, prova de residência, de qualidades pessoais e de aptidão para o desempenho das funções familiares. (p. 67). 61 2.2 Instituto de Assuntos da Família (iafam) Após o Serviço de Colocação Familiar, em 1o de julho de 1985, por meio do Decreto 23.625, o governador do estado de São Paulo, Franco Montoro, cria o Iafam e no artigo 4o dessa mesma lei, apresenta a sua estrutura, que consistia em: 17 I – Gabinete do Coordenador, com: a) Equipe de Assistência Técnica; b) Seção de Expediente; II – Conselho Consultivo; III – Grupo de Ação Técnica da Grande São Paulo; IV – Grupo de Ação Técnica do Interior; V – Grupo Técnico de Estudos e Pesquisas. O Iafam além da atribuição precípua de proporcionar aos menores necessitados condições favoráveis ao seu pleno desenvolvimento, que lhe é conferida pelo artigo 2o da Lei 4.467, de 19 de dezembro de 1984, tinha também as seguintes competências: I. sensibilizar a comunidade para a problemática da guarda, tutela, adoção e institucionalização de menores; II. promover o fortalecimento das relações familiares no âmbito das relações sociais; III. promover a realização de estudos e pesquisas sobre o grupo familiar e suas relações sociais, sistematizando dados e fornecendo informes sobre suas características; IV. desenvolver trabalhos para subsidiar o planejamento, o acompanhamento e a avaliação das atividades da Secretaria da Promoção Social relacionadas com sua área de atuação. Ressaltam-se, também, as atribuições dos grupos de ação técnica, que consistiam em: 17 I. prestar orientação técnica e auxílio financeiro à família, de origem ou substituta, de menores necessitados; II. prestar orientação sobre a colocação em lar substituto; Disponível em: <www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/1985/decreto%20n.23.625,%20de%2001.07.1985.htm>. Acesso em: 2012. 62 III. participar da definição de critérios de elegibilidade para atendimento às famílias; IV. selecionar famílias de acordo com os critérios de elegibilidade estabelecidos; V. indicar, em cada caso, o valor do “per capita” a ser atribuído por menor; VI. informar a comunidade sobre a problemática do menor abandonado; VII. colaborar técnica e financeiramente para a desinternação de menores que possuam grupo familiar de referência; VIII. elaborar programas e projetos, em conjunto com representantes dos diversos segmentos sociais da comunidade, que venham a atender suas necessidades específicas no que se refere à problemática familiar; IX. articular instituições públicas e privadas com a finalidade de celebrar convênios para execução de programas que atuem com o grupo familiar. Quanto aos grupos de Estudos e Pesquisas, eram responsáveis por: I. promover a realização de estudos sobre o grupo familiar e suas necessidades; II. fornecer informações sobre as características do grupo familiar; III. elaborar conteúdos programáticos necessários à implementação das atividades do IAFAM; IV. manter intercâmbio com instituições de pesquisas. Percebe-se, pela descrição do Serviço de Colocação Familiar e do Iafam, que existem alguns pontos em comum, pois ambos trabalhavam com a filosofia do Código de Menores, enquanto que o Serviço de Colocação Familiar trabalhava com o Código de Menores de 1927 e o Iafam com o Código de Menores de 1979, portanto, utilizando termos como “menores”, “delinquentes”, dentre outros. Além disso os dois programas preocupavam-se com a colocação da criança ou do adolescente em família substituta, e não em trabalhar o retorno à sua família de origem ou colocá-los em instituições, caso a família não tivesse a possibilidade da acolhê-los. 2.3. Programa de Orientação e Apoio Sociofamiliar do CMDCA Após o Iafam, vem o Programa de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf). Conforme informações de Rosemary Ferreira de Souza Pereira, assistente social que trabalhou na Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), esse programa foi uma proposta elaborada em novembro de 1994 por solicitação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), da cidade de São Paulo, ao 63 Instituto de Análise sobre o Desenvolvimento Econômico e Social (Iades), uma organização não governamental, da qual Rosemary e mais 11 profissionais das diferentes áreas (serviço social, pedagogia, sociologia, educador, historiador) faziam parte. Esses profissionais elaboraram “uma metodologia de atuação pedagógica, capaz de assegurar a visão de totalidade no processo educativo de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social e em especial daqueles que fazem da rua seu espaço de sobrevivência”. (RELATÓRIO. Módulo II. Crianças e Adolescentes em Situação de Rua e na Rua no Município de São Paulo, 1996, p. 6). Segundo Rosemary, era uma proposta de trabalho relacionada a uma atenção integrada às crianças e adolescentes em situação de rua, ou seja, que “estava na rua” e era “de rua”, crianças que desenvolviam alguma atividade laboral e as que viviam na rua. Era o início da mobilização pelo combate ao trabalho infantil. Aceita essa proposta, o trabalho foi dividido em cinco especificações: 1- Análise de programas/projetos e referencial bibliográfico com relação às crianças e adolescentes de rua e na rua; 2- Referenciais bibliográficos sobre metodologia pedagógica de atuação com relação às crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social; 3- Reforço às ações/atuação/comunicação dos Conselhos Tutelares; 4- Interface de trabalho multidisciplinar das esferas governamentais (federal, estadual e municipal) e integração intersecretarial do município e ONG; 5- Levantamento de dados e indicadores - equipamentos sociais e áreas geográficas. Enfatiza-se que, até 1994, a Secretaria Municipal de Bem-Estar Social não oferecia atendimento específico para esse público. O Município de São Paulo não tinha assumido o atendimento de criança e adolescente em situação de risco. Fazendo um comparativo com os dias de hoje, a Proteção Social Especial de Média e de Alta Complexidade, para esse público, seria uma responsabilidade do governo do estado, e ofertada pela Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). 64 Na Prefeitura de São Paulo, a política voltada para o segmento de criança e adolescente era executada pela Coordenadoria de Assistência Social (CAS), sob a responsabilidade da primeira-dama Nilcea Pitta, esposa do então prefeito Celso Pitta. Foi a CAS que estabeleceu contrato com o Iades, cujo processo foi coordenado pelo CMDCA, viabilizando para que a proposta fosse idealizada e parcialmente implantada, pois eram previstos alguns programas e ações. Um dos programas, implantado em 2002, referia-se à educação em meio aberto. De 1996 a 1998 são implantadas, basicamente, as Casas de Passagem e convivência, que hoje correspondem aos abrigos, que são conveniados com a Prefeitura de São Paulo. As 20 Casas de Passagem não deram conta do trabalho, que foi realizado com as casas abertas, pela Secretaria do Menor. Não era a casa de passagem em que a criança ou o adolescente chega e já é transferido para outro lugar, mas sim casas de acolhida. Uma proposta em que se tem um espaço entre a rua, uma casa e o abrigo; e o retorno para casa, ou a rua; ou uma casa e o retorno à família. Nesse momento, se começa a trabalhar mais a questão da família, pois essas crianças e esses adolescentes tinham familiares, e a proposta do Proasf propunha o retorno a partir de cinco programas: 1- Educação em meio aberto – apoio, orientação, acompanhamento da criança e do adolescente na rua em situação de risco; 2- Casa de passagem/de convivência (abrigo) – de entidades e “casas”, locais em que as crianças e adolescentes se reúnem e estabelecem as primeiras relações do processo educativo. Modalidades de acolhimento que na cidade de São Paulo correspondem aos abrigos. Na época em que Rosemary trabalhava, havia 20 abrigos que correspondiam a 20 Casas de Passagem. Essas casas de passagem, entretanto, não deram conta do que faziam as casas abertas; 3- A família como eixo básico de trabalho – família–comunidade e reintegração à família de origem, a partir de um plano de atuação comunitária, e à dinâmica familiar (condições socioeconômicas, psicológicas, e sociais da família); 65 4- Inserção da criança e do adolescente nos equipamentos sociais da sociedade civil (ONG) e do estado – OGS (municipal, estadual e federal) instituídos para atender às necessidades sociais básicas da população nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Lazer, Esporte, Recreação, Trabalho, dentre outras; 5- Orientação ocupacional e/ou formação profissional, conforme a faixa etária, aptidões e habilidades da criança e adolescente. Pela descrição do Proasf e fazendo um comparativo com os programas anteriores, esse apresenta algumas diferenças, dentre elas, o fato de trabalhar com a filosofia do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, preocupava-se com o retorno das crianças e dos adolescentes, que estavam em situação de rua ou em trabalho infantil, para suas famílias de origem, não os institucionalizando ou colocando em famílias substitutas. 2.4 Programa Fortalecendo a Família (PFF) da Secretaria do Estado/ Programa de Assistência Social às Famílias (Proasf) da Cidade de São Paulo Após esse programa, foi criado outro, com a mesma sigla, mas com significado diferente, chamado Programa de Assistência Social às Famílias da cidade de São Paulo (Proasf) e operado na Secretaria de Assistência Social (SAS) da Prefeitura Municipal de São Paulo, no período de fevereiro de 2004 a fevereiro de 2005. Conforme a autora Maria Helena Cariaga Silva (2005), O Proasf foi pensado e implantado primeiramente em continuidade ao Programa Fortalecendo a Família – PFF – o qual foi operacionalizado no período de outubro de 2002 a dezembro de 2003. A população alvo destes dois eram as famílias residentes em regiões de alta e altíssima vulnerabilidade social e de completa precariedade de serviços, de acordo com o Mapa da Exclusão e Inclusão. 18 (p. 31). 18 “Mapa construído como um instrumento para gestão, a partir da metodologia elaborada pelo CEM – Cebrap para a Secretaria Municipal de Assistência Social – SAS. Identificou-se, a partir dos 13.120 setores censitários da cidade de São Paulo (IBGE) 3.313 setores de alta/altíssima vulnerabilidade, as quais correspondem a 25% do total dos setores ou 29% da população da cidade vivendo em situação de alta vulnerabilidade social.” (KOGA, 2004, p. 63). 66 O PFF foi fruto de parceria entre a SAS e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Nessa parceria, coube à PUC-SP realizar acordos com outras universidades - Universidade Santo Amaro (Unisa) e Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) – e com outras entidades. O objetivo do PFF era atender 14 mil famílias residentes nos oito distritos considerados bolsões de extrema pobreza da cidade de São Paulo, de acordo com o mapa da Figura 1. Em entrevista, a assistente social Neiri Bruno Chiachio, que foi uma das coordenadoras, relatou que o Proasf da Secretaria de Assistência Social (SAS) enfatizava o trabalho com as famílias no território da assistência social, que considerava o conjunto de necessidades da população. Surgiu a partir de um financiamento estadual vinculado ao PTR Renda Cidadã, com recursos municipais e, posteriormente, recursos federais, por meio do hoje denominado Paif. A proposta foi instalar, no primeiro momento, o programa estadual realizado com a PUC-SP, e, no segundo momento, trabalhar com cinco instituições capacitadoras entre universidades ou institutos de pesquisa. Foi firmada parceria em que havia, em cada grande território, uma universidade e uma entidade social local, que mantinha convênio com a prefeitura, e estava inscrita no Comas. A proposta era que a organização, com o poder público e a universidade pudesse realizar uma experiência metodológica no trabalho com famílias. A ideia de ter a universidade junto era obter auxílo em uma metodologia de intervenção, e que, ao mesmo tempo, pudesse capacitar os profissionais participantes, tornando-se um campo de estágio. O Proasf foi implantado em áreas mapeadas a partir de um estudo territorial como as áreas de maior incidência de vulnerabilidade. Essas áreas eram mapeadas em aglomerados de distritos da cidade, em que se reuniam dois ou três distritos correspondentes a uma ou duas subprefeituras e implantava essa organização. Não se dividia em grupos muito pequenos. Havia uma meta de 2 mil famílias para cada entidade ou faculdade. Outra inovação foi o estabelecimento de um comitê central e comitês regionais de discussão, acompanhamento e avaliação da implantação do programa. Do Comitê 67 Central de Acompanhamento participavam coordenadores do programa e técnicos da prefeitura, para discutir em conjunto a implantação do programa. Como o programa era distritalizado, cada grupo de organização incluía mais de um distrito. Esse comitê trabalhava com as regiões que hoje correspondem aos Cras, mas na época existiam 31 supervisões de assistência social. No Comitê Central discutiam a sua cobertura, como estava o desenvolvimento das metodologias, as dificuldades quanto à localização das famílias (pois havia um cadastro para identificar as famílias que possuíam algum benefício) e a própria participação das famílias que, no início, não aderiram rapidamente. O programa tinha uma metodologia experimental para grupos desenvolvida, na fase anterior, pela PUC-SP. Essa metodologia não tinha uma relação direta com a inserção profissional das pessoas. O objetivo era o fortalecimento de famílias, de grupo de famílias, para obter a autonomia, cidadania e participação. O primeiro passo era fazer com que a população se reconhecesse como uma população e não como um indivíduo que tem problemas. Esse reconhecimento abrangia o reconhecimento do território, da população, e das necessidades coletivas. Trabalhava-se o plano coletivo daquela população, e depois a existência dos direitos sociais e o acesso ao direito; como recorrer ao direito; e depois os projetos daquele grupo. Se um projeto era laboral, seria, de fato, de inserção no trabalho. A linha adotada trabalhava o reconhecimento da questão social, a maneira como acessar o direito e, depois, os projetos daquele grupo. Era um projeto de desenvolvimento de talentos pois o programa não dava conta de capacitar profissionalmente e nem era esse o objetivo. Então, se as pessoas tivessem talentos e quisessem ensinar, trocar, isso era feito. Na Capela do Socorro, por exemplo, havia 2 mil famílias, que eram subdivididas em subgrupos com 30 famílias, representadas, no geral, por mulheres chefes de família. Não era significativa a participação do pai, representante da figura masculina. As famílias cadastradas no benefício eram acompanhadas por duplas formadas por um profissional assistente social ou psicólogo, junto com o estagiário de Serviço Social ou de Psicologia. 68 A abordagem das vulnerabilidades, da conquista da autonomia, dava-se sempre de forma coletiva. A estratégia de abordagem grupal favorecia, em alguns casos, identificações; construções coletivas; criação de eventos; de exposição dos trabalhos das pessoas, mas não era para comercialização, pois o foco na realidade era o desenvolvimento humano; a autonomia; a sociabilidade; o reconhecimento de uma questão que era coletiva e não de cada indivíduo. Tratava-se um tema como prioridade a partir do conhecimento prévio da realidade social e era construído um conhecimento junto com as universidades. Como parte do Proasf, a PUC-SP produziu um documento feito pelo Instituto de Ensino e Extensão (IEE), em dois volumes. No início, a PUC-SP era a única conveniada, mas o Proasf dividiu o trabalho com cinco universidades, desconcentrando as metas e o universo a ser atendido. Na época, a gestão considerou não desconcentrar muito, dando uma meta de 100 famílias para cada universidade, pois não conseguiria agregar e também porque eram poucas universidades. As universidades eram a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Universidade Santo Amaro (Unisa), Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac), organização de pesquisa comunitária de Capela do Socorro, e o Instituto de Terapia Familiar. Ao final, o Ibeac, a Unisa e o Instituto de Terapia Familiar fizeram uma publicação, enquanto a Unicsul preparou um relatório. A intenção da gestão era colocar instituições com experiências diferentes, para realizar o debate. Outra estratégia, eram as reuniões e os seminários periódicos de avaliação, que o comitê central fazia, reunindo todas as equipes para um momento de troca. A dinâmica era intensa porque tornou-se marca para os estudantes da época, em uma experiência importante em relação às que vieram depois, pois as prefeituras descentralizavam, para as entidades sociais, as responsabilidades, sem estarem juntos, sem construir a partir daquelas experiências. Essa fase do programa, ainda denominado pelo estado de Fortalecendo a Família, e depois Proasf, tem publicações, registro, estudos, CD-ROM e depoimentos das famílias. O modelo do Paif, do governo 69 federal, assim como a remuneração, também possui contribuição da experiência de São Paulo. O comitê central trabalhava com as coordenações técnicas das entidades, das universidades e com a coordenação técnica da SAS. Primeiramente, era feito o planejamento da implantação, que partia do cadastro; discutia-se como seria feita a chamada das famílias; como seria a inserção no território (pois não existiam os Cras), como não tem ainda hoje Cras totalmente descentralizados. Nesse sentido, a orientação era que os profissionais se aproximassem das bases da comunidade local, das igrejas e até casas de famílias, porém não deu certo, pois houve problemas com o tráfico. A gestão decidiu fazer um contrato para que tivesse viaturas monitoradas. Houve um deslocamento real para os territórios de alta vulnerabilidade e um planejamento do reconhecimento do território, da identificação das famílias a partir do cadastro, como seria a chamada das famílias. Na realidade, avaliavam a implementação desse processo, que tinha muitas dificuldades: de localizar as famílias; das famílias saberem como utilizar o cartão do benefício (inclusive, foi feito um vídeo sobre como utilizá-lo). Então, se trabalhavam as dificuldades que eram comuns a todas as Incubadoras Sociais 19 , tanto a central como as regionais. Cada incubadora ficava com dois a seis distritos e teriam que acompanhar 2 mil famílias. A incubadora central apresentava um planejamento, que era discutido coletivamente, pois os objetivos e os critérios de avaliação eram gerais. As incubadoras regionais tinham especificidades que eram trabalhadas no planejamento. É o caso da incubadora de Capela do Socorro, em que a maioria era composta de homens, desenvolvendo abordagem especial para esse grupo; ou que, entre seus participantes, havia muitas pessoas que moravam em áreas de mananciais, então a temática sobre os mananciais emergia com mais ênfase, mas não era um planejamento totalmente 19 Núcleos formados por instituições responsáveis pela implantação e execução do Proasf, para a construção e desenvolvimento de inovações na área da intervenção social e de aprimoramento de metodologias que possam atender maior número de famílias nos territórios. (SILVA, 2005, p. 30). 70 aberto, pois os objetivos, o processo de monitoramento e a avaliação haviam sido discutidos coletivamente, para permitir juntar os critérios. O programa trabalhava com as categorias Autonomia e Cidadania, mas não autonomia de rendimento e sim a relacionada à condição inicial, que motivou as pessoas a virem ao grupo e o que elas adquiriram ao longo do tempo; o que as pessoas enfrentaram e superaram do ponto de vista familiar e individual; e “cidadania” no sentido de que o programa gerou a participação cidadã, o protagonismo, a noção dos direitos. É evidente que, como os grupos construíam seus próprios projetos, muitos optaram por aqueles com atividades que possibilitassem adquirir rendimentos, por isso, houve a exposição e a venda de trabalhos, mas eram objetivos secundários e não os do programa. Os grupos apontavam a necessidade de integração com as demais políticas, para obter renda. Assim, houve um trabalho de integração com a Secretaria Municipal de Trabalho e Emancipação, como também a preocupação, por parte da SAS, de pensar em um investimento para constituir uma rede territorial. Como o Proasf foi mais descentralizado, pois em 2003 não existiam os Cras, uma das incubadoras teve inserção territorial local, com o programa utilizando como estratégias a participação em fóruns regionais de assistência social, da criança e do adolescente e sociedade amigos de bairro. Foi interessante, pois a população participante passou a reivindicar seus direitos, em um movimento coletivo pela cidadania, como foi o caso das mulheres que solicitaram uma unidade básica de saúde para realização de exames preventivos, dentre outras reivindicações. 2.5 Programa em Rede de Orientação e Apoio Sociofamiliar (Proasf) de Suzano O Proasf, em Suzano, foi criado tendo como um dos seus mentores João de Deus do Nascimento, gestor da Assistência Social, tendo como propósito descentralizar e potencializar o atendimento social às famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda Bolsa-Família e Renda Cidadã capacitando-as para o mundo do 71 trabalho; fortalecer a relação com a rede conveniada; e realizar um trabalho intersetorial. Foi lançado em quatro núcleos, em caráter experimental, em maio de 2006, no governo do prefeito Marcelo de Souza Cândido, e ampliado para 16 novos núcleos, no segundo semestre do mesmo ano. Os locais de início da execução das atividades foram os bairros Jardim Monte Cristo, Jardim Revista, Jardim Portugália, Recreio Bela Vista, Parque Buenos Aires e Rincão das Lendas. Todos escolhidos a partir do georreferenciamento das famílias do município. Foi desenvolvido oficialmente de 2007 até dezembro de 2011. Conforme reportagem sobre seu lançamento, em 21/3/2007, o programa envolvia 4 mil famílias atendidas em todo o município, com orçamento previsto de R$ 80 mil. O prefeito afirmava, na época do seu lançamento, que: Não basta apenas promover a transferência de renda para pessoas em situação de pobreza. Por isso, o governo lançou este programa de política municipal [...]. As ações relacionadas às políticas sociais – com o desenvolvimento de oficinas para a geração de renda e reuniões temáticas – em parcerias com entidades não governamentais e a comunidade, tem como objetivo garantir que os investimentos promovam, de fato, a cidadania. (GUIA DAS INDÚSTRIAS, Suzano, maio de 2007, p. 38) O Proasf define como conceitos básicos o trabalho em rede socioassistencial e o apoio sociofamiliar. Para o desenvolvimento da rede, propõe-se um trabalho intersetorial por meio das Secretarias Municipais de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações. 20 Em relação aos Cras, as entidades que acompanharam o Proasf, no último convênio de 2010 e 2011, foram: MGI - Master Global Informática, que acompanhou 700 famílias no Cras Centro; Comunidade Kolping, do Jardim Revista, que acompanhou 800 famílias no Cras Boa Vista Paulista; Associação Porto da Esperança (APE), que acompanhou 400 famílias no Cras Casa Branca; e a IAEEST, que acompanharia 600 famílias no Cras Palmeiras de São Paulo. Todas as entidades acompanharam as 20 Publicação Proasf. Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, Suzano: Produção Secretaria Municipal de Comunicação Social, 2006, 10 p. 72 famílias até dezembro de 2011, exceto a APE, que acompanhou até dezembro de 2010. As atividades consistiam em reuniões socioeducativas e oficinas de geração de renda, para famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda BolsaFamília e Renda Cidadã. Os elaboradores do programa afirmavam que o Proasf foi criado como complementação ao Paif e avaliaram como pontos positivos ser uma vinculação das famílias com as entidades referenciadas no território, pois, anteriormente a esse trabalho, as entidades desconheciam quais famílias estavam referenciadas no território e vice-versa. Entretanto, ficou a desejar o trabalho intersetorial previsto em sua definição, pois a ênfase era tratar determinado tema não somente pertencente a determinada secretaria, mas como uma política de governo que envolvesse ações de várias secretarias, a preparação das famílias para o mundo do trabalho, com ações de empreendedorismo, pequenas cooperativas e escoamento desses produtos e também a falta de capacitação dos profissionais das entidades para o trabalho social com famílias. Entretanto, houve uma capacitação técnico-operacional em 2007, realizada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), de Rio Claro/SP, para capacitar os profissionais do poder público e da rede conveniada, cujo professor responsável vinha mensalmente a Suzano para ministrá-la. O problema que surgiu deveu-se à capacitação ter sido feita no período diurno, impossibilitando os profissionais do poder público de participar pela dificuldade de liberação, mas os profissionais das entidades participaram. Não foi possível obter mais informações sobre quem ministrou e qual foi o tema e a carga horária do curso, devido aos profissionais do poder público não terem participado dessa capacitação e os profissionais das entidades não estarem mais atuando nos serviços conveniados, por causa da rotatividade. Essa demanda foi discutida na VIII Conferência Nacional de Assistência Social, em dezembro de 2011, em Brasília/DF, cujo lema foi Consolidar o Suas e Valorizar seus Trabalhadores, tendo a gestão do trabalho como um dos aspectos a ser abordado. 73 Outrossim, é importante informar que, no ano de 2011, houve capacitação para os profissionais da SMPCIS, inclusive não somente para os profissionais de nível superior, mas ampliado para as demais profissões de nível médio, como os educadores, e para o setor administrativo (escriturário, motorista, ajudante geral), entendendo que todos devem se apropriar das legislações que compõem a política de assistência social. Essa capacitação iniciou-se em fevereiro e foi concluída em dezembro de 2011, com carga horária de 8 horas por mês. Foi perguntado aos responsáveis pela gestão, à direção, ao coordenador e técnicos do Cras se essa capacitação promovida pela secretaria atingira os seus objetivos. O gestor, Valdicir Stuani (que acompanhou o último convênio do Proasf), afirma que sim, pois a intenção era que todos os funcionários, principalmente os motoristas, administrativos e ajudante geral, tivessem ciência do que era a assistência social; os diretores responderam que foi importante a capacitação, entretanto, a metodologia deveria ser mais direcionada para cada segmento profissional e que o município deve ter o seu plano de capacitação. Ainda afirmam que a gestão do município deve garantir a capacitação tanto para os profissionais do Poder Público como para os das Organizações Não Governamentais (ONGs), pois essas realizam o trabalho de assistência social em parceria com o Estado. O coordenador e os técnicos do Cras relatam que foi importante ter acontecido a capacitação, porém, para os profissionais de nível superior, deveria ter aprofundado mais nos temas voltados aos segmentos populacionais com que trabalham como família, criança e adolescente, idoso, dentre outros. Ainda concluem que é responsabilidade do Poder Público garantir tais capacitações para os profissionais das entidades, e que esses não devem esperar somente pelo Poder Público, mas devem também organizar suas capacitações. É pertinente informar que, devido à Conferência Nacional de Assistência Social de 2011, a Comissão Intergestora Tripartite (CIT) autorizou a liberação de recursos do MDS, destinados ao plano nacional de capacitação dos trabalhadores do Suas, previsto para ser iniciado em agosto de 2012. Também há a contrapartida do estado e 74 município, que poderão fazer convênio com as IES para garantir as capacitações, modelar os cursos de especialização, etc. 2.6 Programa de Atenção Integral à Família (Paif) Em âmbito federal, nasceu o Paif, programa que não é recente; não foi inaugurado com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (Resolução 109, de 11/11/2009) como também com a PNAS/2004 e a NOB-Suas/2005. “Esse serviço tem suas raízes no início dos anos 2000, passando por modificações e aprimoramentos, inclusive de nomenclatura, retratando sua ressignificação no âmbito do Suas.” (ORIENTAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O PAIF, v. 1, 2012, p. 8). A experiência de trabalho com famílias iniciou-se em 2001, com um projetopiloto, o Programa Núcleo de Apoio à Família (NAF). Visando à expansão e qualificação dessa experiência, em 2003, foi lançado o Paif. Em 2004, o Plano foi aprimorado e adequado às diretrizes da Política Nacional de Assistência Social, instituindo-se o “Programa de Atenção Integral à Família” (Portaria n. 78 de 08/04/2004), que se tornou a principal referência para o usuário do Suas. Por meio do Decreto n. 5.085 de 19/05/2004, o Paif tornou-se ação continuada da assistência social, sendo sua oferta obrigatória e exclusiva nos CRAS. (ibid, p. 08). A PNAS de 2004 prevê dois eixos estruturantes do Suas: a matricialidade sociofamiliar e a territorialização. Sendo assim, o Paif passou a ser organizado de forma a responder à garantia de fortalecimento da convivência familiar e comunitária, na proteção básica. Ao abordar a família como um todo em suas necessidades, disponibilizar sua oferta em locais próximos da moradia dos usuários, tem o desafio de romper com a lógica da fragmentação. O Paif possui como público famílias em situação de vulnerabilidade social. São prioritários no atendimento os beneficiários que correspondem aos critérios de participação em programas de transferência de renda e benefícios assistenciais, bem 75 como pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de fragilidade. 21 A partir da Resolução 109, de 11/11/2009, que trata sobre a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, o Paif é considerado um Serviço de proteção e atendimento integral à família e consiste no trabalho social, de caráter continuado, com a finalidade de fortalecer a função protetiva das famílias, prevenir a ruptura dos seus vínculos, promover seu acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida. Prevê o desenvolvimento de potencialidades e aquisições das famílias e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, por meio de ações de caráter preventivo, protetivo e proativo. (Resolução Nº 109, 2009, p. 6). Essa mudança de nomenclatura de programa para serviço confirma o conceito de ação continuada, estabelecida pela Loas. Tal denominação foi reafirmada no artigo 24-A, da Lei 12.435, de 6/7/2011, que institui o Suas. Essa lei também institui a obrigatoriedade da oferta desse serviço no Cras, unidade pública de base territorial, localizada em áreas de maiores índices de vulnerabilidade e risco social, destinada à articulação dos serviços socioassistenciais no seu território de abrangência e à prestação de serviços, programas e projetos socioassistenciais de proteção social básica às famílias. Ressalta-se que a decisão de preservar a sigla Paif no serviço foi motivada pela necessidade de resguardar a historicidade das ações desse serviço, conhecidas e legitimadas por gestores, técnicos e usuários da política de assistência social dos municípios, DF e estados brasileiros. Como o Paif tem como finalidade “fortalecer a função protetiva das famílias, prevenir a ruptura dos seus vínculos, promover seu acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida” (TIPIFICAÇÃO NACIONAL DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS, 2009, p. 6), atua de forma preventiva, protetiva e proativa, reconhecendo a importância de responder às necessidades humanas de 21 Lei de criação, Portaria 78, de 18/4/2004, do MDS. 76 forma integral, e não somente a atenção a situações emergenciais, centradas exclusivamente nas situações de risco social. Seguem os conceitos de cada uma das formas de ação e atuação: a) A ação preventiva - “tem por escopo prevenir ocorrências que interfiram no exercício dos direitos de cidadania”. O caráter preventivo requer intervenções orientadas a evitar a ocorrência ou o agravamento de situações de vulnerabilidade e risco social, que impedem o acesso da população aos seus direitos. b) A atuação protetiva - “significa centrar esforços em intervenções que visam amparar, apoiar, auxiliar, resguardar, defender o acesso das famílias e de seus membros aos seus direitos”. c) A atuação proativa – está ligada ao reconhecimento, à tomada de responsabilidade e à intervenção frente a situações-problema que obstaculizam o acesso da população aos seus direitos, mas que ainda não foram apresentadas como tal. A proatividade é o contrário de reatividade, que é a propriedade de reagir aos estímulos externos. (ORIENTAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O PAIF, v. 1, 2012, p. 10). O Paif tem papel central na consolidação da rede de proteção social básica nos territórios, pois todos os serviços da PSB devem ser a eles articulados, o que garante, no território, a matricialidade sociofamiliar nesse nível de proteção. Além disso, cumprese outra diretriz da política de assistência social, que é a primazia da responsabilidade do Estado. Entretanto, a PSB não se esgota na oferta do Paif. O serviço de convivência e fortalecimento de vínculos é essencial para a proteção das pessoas mais vulnerabilizadas, que poderá ser ofertado no Cras, em outras unidades públicas ou em entidades de assistência social. As entidades, sempre que ofertem serviços públicos, deverão integrar a rede local, sob a responsabilidade do coordenador do Cras (com a orientação da Secretaria Municipal de Assistência Social) e a ele referenciadas. 22 22 Estar referenciado ao Cras significa receber orientações emanadas do Poder Público, alinhadas às normativas do Suas; estabelecer compromissos e relações; participar da definição de fluxos e procedimentos que reconheçam a centralidade do trabalho com famílias no território; e contribuir para a 77 Como é um serviço de responsabilidade estatal e compõe o Suas, deve possuir a mesma nomenclatura, em todo o País e significado semelhante para a população, em qualquer território da federação. A compreensão das especificidades dos territórios – a partir do olhar técnico sobre o território se dá o desenho do trabalho social a ser desenvolvido com as famílias. Esse trabalho com famílias deve apreender as origens, os significados atribuídos e as possibilidades de enfrentamento das situações de vulnerabilidade vivenciadas, contribuindo para sua proteção de forma integral. Para isso, devem ser utilizadas também ações na área cultural, para o cumprimento de seus objetivos, de modo a ampliar o universo informacional e proporcionar novas vivências às famílias usuárias do serviço. As ações culturais devem reafirmar e valorizar as identidades das famílias de seus territórios. O escopo da ação do PAIF – para delimitar a ação do Paif, a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais enfatiza que não devem ter práticas psicoterapêuticas, psicodiagnósticas e/ou psicopedagógicas, como também atendimentos jurídicos, como disponibilização de advogados ou outros profissionais para aconselhamentos jurídicos ou representação de causas no Cras. Ambas as demandas devem ser encaminhadas para órgãos competentes. No caso de atendimento jurídico, é encaminhado à Organização dos Advogados do Brasil (OAB), ao Tribunal de Justiça, dentre outros. Os objetivos do Serviço – a Tipificação estabelece, para cada serviço socioassistencial, seu respectivo objetivo, compreendido como os “propósitos do serviço e os resultados que dele se esperam”. (Ibid., p. 43). alimentação dos sistemas da Rede Suas (e outros). (ORIENTAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O PAIF, v. 1, 2012, p. 23). 78 A função do Paif, portanto, é fortalecer a função protetiva da família, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida. Fortalecer a função protetiva da família é reconhecê-la, conforme preconiza a PNAS (2004), como espaço privilegiado e insubstituível de socialização primária, provedora de cuidados aos seus membros, mas que precisa também ser cuidada e protegida. O Paif busca fortalecer a função protetiva de cada um dos membros da família, e fortalecer a função protetiva significa não responsabilizar as famílias pela resposta às vulnerabilidades vivenciadas, ao contrário, é reconhecer que as famílias, para exercer a função protetiva, demandam responsabilidade estatal. Outro foco importante de atuação do Paif é a prevenção da ruptura de vínculos familiares e comunitários, que também está relacionado ao fortalecimento da função protetiva da família. Nesse sentido, o PAIF deve ter atividades que fortaleçam o sentimento de pertencer a uma família, a uma cultura do diálogo, dentre outras. É preciso também apoiar as famílias nas situações de insuficiência ou nulo acesso à renda, para que a falta de renda não imponha às famílias estratégias de sobrevivência desagregadoras, encaminhando-as para a inclusão em PTRs ou BEs. Outra estratégia que o Paif também utiliza para prevenir a ruptura de vínculos, é a formação e o fortalecimento de “redes sociais de apoio” das famílias, que consiste nas relações de amizade, vizinhança, entre outros tipos de vínculos de caráter simbólico e afetivo, que pressupõem relações de cuidado estabelecidas por acordos espontâneos. Enfatiza-se que o estímulo à formação de redes sociais de apoio não desobriga a ação estatal na sua função de prevenir a ruptura de vínculos familiares e comunitários. Acrescenta-se, ainda, como objetivos, promover aquisições sociais e materiais às famílias, potencializando o seu protagonismo e autonomia, como também das comunidades; promover acesso aos demais serviços setoriais, contribuindo para o usufruto do direito, pois não cabe ao Cras atender às demandas que não pertencem à rede socioassistencial. Por fim, o Paif tem como objetivo apoiar famílias que possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de cuidados, por meio da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de vivências familiares. 79 O usuário dos serviços - “para que a ação do Paif seja preventiva, protetiva e proativa devem ser estabelecidas intencionalidades de atendimento a segmentos populacionais com vivências de vulnerabilidades mais graves”. (Ibid, p. 27). Segundo a Tipificação, o Paif visa a atender, em especial, famílias: – beneficiárias de programa de transferência de renda e dos benefícios assistenciais; – que atendem aos critérios dos programas de transferência de renda e benefícios assistenciais, mas que ainda não foram contempladas; – em situação de vulnerabilidade decorrente de dificuldades vivenciadas por algum de seus membros; – com pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social. O documento acrescenta que deve ser dada atenção especial às famílias em situação de descumprimento de condicionalidades. O adequado monitoramento das condicionalidades torna-se fundamental para localizar as famílias, bem como para identificar a necessidade da oferta de serviços. Também permite identificar os riscos e vulnerabilidades que dificultam o acesso das famílias beneficiárias aos serviços sociais a que tem direito. Conclui que esse monitoramento não visa a Castigar ou controlar as famílias, mas responsabilizar, de forma conjunta, os beneficiários e o Poder Público. Cabe a este último identificar os motivos do não cumprimento das condicionalidades da saúde e educação, de modo a: Promover o acompanhamento dessas famílias, realizando uma reflexão sobre os direitos das crianças e adolescentes à saúde (vacinação, acompanhamento nutricional) e à educação (freqüên-cia escolar); as responsabilidades das famílias em garantir tais direitos, identificando quais os obstáculos para cumprimento de tais responsabilidades e traçando estratégias para sua superação; e Implementar políticas públicas garantidoras de direitos das crianças e adolescentes e, consequentemente, de suas famílias. (Ibid, p. 30). 80 O acompanhamento das famílias que estão em descumprimento das condicionalidades dá-se através do Sistema de Condicionalidades (Sicon) 23 . Para ter acesso ao sistema, é necessário possuir uma senha, que deverá ser fornecida pelo gestor municipal do PBF para os técnicos da SAS e para o coordenador e os técnicos do Cras. Acrescenta-se que a saúde também tem o seu sistema de condicionalidades, denominado Datasus, e a educação tem o seu sistema, o Projeto Presença. Ambos os sistemas geram listas que são encaminhadas para o MDS verificar se as condicionalidades da saúde e educação estão sendo cumpridas. Em ambas as situações de acompanhamento das famílias por parte dos técnicos da entidade e do Poder Público, como também dos procedimentos por parte do Protocolo de Gestão Integrada, a preocupação é com o cumprimento de condicionalidades. Entretanto, não se pode fazer um trabalho social com famílias somente pela via do cumprimento de condicionalidades, mas pela via da garantia de direitos, pois corre-se o risco de penalizar cada vez mais as famílias em detrimento das responsabilidades do Poder Público em garantir os direitos à saúde, à educação, dentre outros. Além do mais, deveria estar em discussão não somente o direito à alfabetização, ao ensino fundamental e médio, mas também a outros direitos como, por exemplo, a creche. O Paif deve desenvolver ações com foco no “cuidar de quem cuida”, promovendo troca de informações e vivências sobre possibilidades e desafios de convívio e proteção das pessoas com deficiência e das pessoas idosas, para evitar o isolamento do cuidador e controlar os desgastes físico e emocional inerentes ao processo de cuidar. Também deve dar atenção especial às famílias das crianças e adolescentes beneficiários do BPC que estão fora do sistema de ensino. A fim de ampliar o acesso e a permanência na escola, o convívio familiar e comunitário e os demais direitos a esse 23 É o módulo de acompanhamento familiar do Sistema de Gestão de Condicionalidades do Programa Bolsa-Família criado e desenvolvido pelo MDS. 81 segmento populacional, foi criado o Programa BPC na Escola, para atender a crianças e adolescentes até 18 anos, já mencionado no Capítulo 1 desta dissertação. Conforme as Orientações Técnicas sobre o Paif (2012) As famílias dos beneficiários do BPC também devem ter acesso prioritário no Paif, visando ampliar as formas de proteção social do Suas a essas famílias, não somente do acesso ao benefício, “mas a sua efetiva superação requer também a inserção dos beneficiários nos serviços socioassistenciais e/ou em outras políticas setoriais, de modo a proporcionar o fortalecimento dos laços familiares e comunitários, bem como o acesso das famílias a outros direitos. (p. 33). Condições e formas de acesso - para ter acesso ao Paif, a condição é que as famílias estejam territorialmente referenciadas ao Cras. Quanto às formas de acesso, podem ser por procura espontânea, busca ativa, por encaminhamento da rede socioassistencial e por encaminhamento das demais políticas públicas. Dentre essas formas, destaca-se a busca ativa pois é por meio dela que o Paif consegue operacionalizar de modo mais efetivo a sua função protetiva e preventiva nos territórios, visto que é capaz de antecipar a ocorrência de situações de vulnerabilidade e risco social e não somente reagir passivamente às demandas apresentadas pelas famílias. (Ibid, p. 61). A equipe de referência do Cras, ao priorizar a busca ativa como meio de acesso das famílias ao Paif, deve ser orientada pelo diagnóstico de vulnerabilidades, riscos e potencialidades sociais do território, ou seja, pelas vivências e demandas das famílias. Também constitui uma das ações de gestão territorial do Cras, disponibiliza informações sobre o território, essenciais para o planejamento local e para a ação preventiva da PSB, pois permite compreender melhor a realidade social para nela atuar. Articulação em Rede – consiste nos serviços socioassistenciais de PSB; nos serviços públicos locais de educação, saúde, trabalho, cultura, esporte, segurança pública e outros, conforme necessidades; nos conselhos de políticas públicas e de defesa de direitos de segmentos específicos; nas instituições de ensino e pesquisa; nos serviços de enfrentamento à pobreza; nos programas e projetos de preparação para o trabalho e de inclusão produtiva e nas redes sociais locais que são as associações de moradores, ONG, dentre outros. 82 Aspectos comuns entre o Paif e o Proasf de 2002 são o trabalho com famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda, bem como a metodologia de trabalho com famílias. Em comparação com os programas anteriores, são poucos os pontos em comum: Famílias beneficiárias de programas de transferência de renda – aspecto comum com o Proasf de 2002 e o Paif. Trabalho em rede – aspecto comum com o Paif, porém, em Suzano, não conseguiu concretizar-se. Verba do Proasf de Suzano – é a mesma verba do Paif. Cumprimento das condicionalidades do Programa Bolsa-Família –havia a preocupação tanto por parte dos técnicos do Cras como da IAEEST para com o cumprimento das condicionalidades de saúde e educação do Programa Bolsa-Família, o que também faz parte do trabalho do Paif. A abrangência dos programas – o Paif é mais abrangente do que os demais programas, que tinham atuação em âmbito municipal ou estadual. O Paif tem abrangência nacional, além de não estar restrito a famílias beneficiárias de programas de transferência de renda. Aspecto diferente entre o Proasf e Paif de Suzano é a metodologia do trabalho com famílias e todos, com exceção de um técnico do Cras, foram unânimes em confirmar. Esse técnico respondeu que o aspecto diferente é a forma de conveniamento, pois o Paif é executado pelo Poder Público e o Proasf é viabilizado por entidade conveniada com a Prefeitura de Suzano. Divulgação do Paif - ao serem questionados se nas atividades do Proasf os técnicos da entidade falavam sobre a existência do Paif, a gestão e a direção afirmaram que não. O coordenador e os técnicos do Cras e a entidade, afirmaram que sim, mesmo de forma sucinta, pois não utilizavam a terminologia “Paif”, mas a terminologia dos serviços do Cras. O coordenador da entidade não soube responder, pois não acompanhava as atividades. 83 Parceria entre a entidade executora do Proasf e o Poder Público - a gestão, a coordenação e um técnico do Cras avaliaram como insatisfatória, pois faltaram recursos humanos e materiais, a falta de conhecimento dos técnicos da entidade para as ações propostas; a não continuidade das atividades em algumas microrregiões; a rotatividade dos profissionais que tinham contratos precarizados (eram prestadores de serviços). Os demais avaliaram como satisfatória, embora o técnico e coordenador da entidade relataram que a verba era insuficiente, e que os técnicos do Poder Público não fizeram o devido acompanhamento no que se refere à formação, orientação e monitoramento do trabalho. É pertinente mencionar que, embora existam os problemas acima descritos, todos foram unânimes em afirmar que o convênio entre a entidade conveniada e o prefeitura deve continuar, porque fortaleceu a relação entre ambos; entre as famílias, a entidade e o Poder Público. Entretanto, devem ser resolvidos os problemas apontados no último convênio: as atividades centradas no cooperativismo, empreendedorismo e comercialização dos produtos produzidos pelas famílias; maior repasse de recursos financeiros; realização de contratos de trabalho menos precarizados, com a garantia de direitos trabalhistas e previdenciários, e acompanhamento e formação dos técnicos das entidades por parte do Poder Público. O Capítulo 3 apresentará o Cras Palmeiras de São Paulo unidade onde se deu a experiência profissional da pesquisadora. 84 CAPÍTULO 3 Proteção Social Básica no Cras Palmeiras de São Paulo O Cras Palmeiras de São Paulo está instalado no Município de Suzano. É a partir desse Cras que a reflexão desta dissertação, sobre a proteção social básica, nessa cidade, tem seu ponto de partida empírico. Neste capítulo, está caracterizada a sua territorialização como também o conjunto de ações que desenvolve apara a população. 3.1 O Lócus da Pesquisa: Cras Palmeiras de São Paulo O Cras em questão foi inaugurado em 1o/05/2005 e devidamente identificado com a placa padrão, conforme determinam as orientações técnicas nacionais. Está situado no bairro Vila Real, com horário de funcionamento de 2a a 6a-feira, das 8 às 12 e das 13 às 17 horas. Trata-se de um imóvel alugado com 387 metros quadrados e foi escolhido por estar situado no centro da área de abrangência do referido Cras e por atender às dimensões dos ambientes e acomodações que apresentam possibilidade de adaptações. Entretanto, é importante destacar que tal local ainda não dispõe de acessibilidade e de sala para atendimento individualizado, pois foi substituída por uma sala multiuso. Dessa forma, encontra-se em desacordo com as seguintes orientações técnicas: o imóvel do Cras, seja alugado, cedido ou público, deve assegurar a acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos. Constitui fator relevante para a escolha do imóvel a possibilidade de adaptação de forma a garantir o acesso a todos os seus usuários. (MDS/SNAS, 2009, p. 48). Esse Cras é responsável por um distrito com população em torno de 23.865 habitantes, o que perfaz um total de quase 6 mil famílias, sendo 11.954 homens e 85 11.901 mulheres. Desses, 18.426 (4.600 famílias) moram na área urbana e 5.439 (1.360 famílias) na área rural 24 . As quatro microrregiões do Cras Palmeiras de São Paulo estão subdivididas da seguinte maneira: 25 MICRO 1: 27 bairros – Baruel, Chácara Anunciação Fontes, Chácara Ceres, Chácara Sete Cruzes, Estância Paulista I, Estância Paulista II, Goiabeira, Jardim do Bosque, Jardim Heliópolis, Jardim Leblon, Jardim Lígia, Jardim Nova América, Jardim Petrópolis, Jardim Pompeia, Jardim Primavera, Jardim Silvestre, Jardim Sol Nascente, Jardim Tabamarajoara, Jardim Vienenze, Parque Alvorada, Parque Samambaia, Parque Umuarama, Miraporanga, Morro Grande, Vale do Sol, Vila Helena, Vila Suzana. MICRO 2: 31 bairros - Chácara Nossa Senhora Aparecida II, Chácara Nossa Senhora Aparecida III, Chácara Duchen, Duchen, Estância dos Pinheirais, Jardim Alto da Boa Vista, Jardim Amazonas, Jardim Belém, Jardim Dora, Jardim dos Eucaliptos, Jardim Esperança, Jardim Itamaracá, Jardim Mimosa, Jardim Novo Horizonte, Nova Ipelândia, Palmeiras (Centro), Parque Palmeiras, Recanto Feliz, Recreio das Palmas, Recreio Internacional, Recreio Santa Rita I, Terra Preta, Vila Amazonas, Vila Cunha, Vila Ipelândia, Vila Júlia, Vila Real, Vila Real Santista, Vila Rica, Vila Voegels. MICRO 3: 30 bairros - Caulim, Chácara Casemiro, Chácara das Hortências, Chácara dos Moraes, Chácara Monte Carlo, Chácara Nossa Senhora Aparecida I, Chácara São Carlos, Chácara São Luiz, Estância Americana, Estância Angelina, Estância São Luiz, Goiabeira Velha, Jardim das Lavras I, Jardim das Lavras II, Jardim das Lavras Mirim, Jardim Ikeda, Jardim Petrópolis, Jardim Planalto, Jardim Restinga, Jardim São Paulo, Jardim Três Américas, Pau- a-Pique, Parque Buenos Aires, Parque Cerejeira, Parque das lavras, Recanto Maria de Jesus, Sítio Santa Gema, Vila Fátima, Vila Nova das Lavras, Vila Varpa. MICRO 4: 39 bairros - Quinta Divisão, Chácara Boa Vista, Chácara Bonanza, 24 Dados da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010. Disponível na Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social de Suzano (SMPCIS), setembro de 2011. 25 86 Chácara Mística, Chácara Ouro Verde, Chácara Santa Inês, Chácara São Judas Tadeu, Chácara São Marcos, Chácara Virgínia, Clube dos Oficiais, Estrada Paiol Flora São Lucas, Estância Paraiso, Estância Piratininga, Estância Tijuco Preto, Fazenda Rio Claro, Jardim Ana Rosa, Jardim Brasil, Jardim do Lago, Jardim Etan, Jardim Guatambu, Jardim Maria Emília, Jardim Regina,Jardim Santa Inez, Jardim Santa Luzia, Jardim Santa Maria, Jardim Santa Rita de Cássia, Jardim São Luiz, Jardim São Marcos, Jardim São Paulo, Parque Astúria, Parque Heroísmo, Recanto Ouro Fino, Recanto São José, Recreio Bela Vista, Recreio Rio Bonito, Rincão das Lendas, Sítio Santa Gema, Vale da Serra. Para ilustrar, as Fotos de 1 a 6, do Cras Palmeiras de São Paulo, permitem observar suas instalações. Cras Palmeiras de São Paulo Foto 1 - Fachada Foto 2 -Sala de espera Foto 3 -Serviços e benefícios existentes no Cras Foto 4 - Entrada da recepção Foto 5 - Sala da recepção Fotos 6 e 7 - Sala dos técnicos Fonte: Organizadas pela autora. A equipe do Cras Palmeiras de São Paulo, recentemente, teve seu quadro de Recursos Humanos completado, mais precisamente, em junho de 2012, pois a Norma 87 Operacional Básica de Recursos Humanos do Suas (NOB-RH/Suas, 2006), determina que a equipe de referência seja constituída de “um coordenador de nível superior, quatro técnicos de nível médio e quatro técnicos de nível superior, sendo dois assistentes sociais, um psicólogo e um profissional que compõe o Suas “ (p. 61). Todos os profissionais do Cras são concursados, trabalhando sob regime estatutário e com carga horária de 40 horas semanais, exceto o motorista, que é regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A maioria ingressou em 2008, o último concurso realizado. O Quadro 3 apresenta a distribuição do pessoal do Cras, segundo a função que desempenham, o tempo de formação e a remuneração. Função Tempo de Formado Salário (Em R$) Coordenador Dezembro/2006 3.858,39 Assistente Social Dezembro/2006 3.858,39 Assistente Social Desde 1997 3.858,39 Psicólogo Dezembro/2000 3.858,39 Psicólogo Desde 1990 3.858,39 Educador Dezembro /2005 (Ensino Superior Incompleto) 1.275,27 Educador Dezembro/2008 (Ensino Superior Completo) 1.275,27 Administrativo Maio/2008 1.144,23 Motorista Dezembro/1980 (Ensino Fundamental Incompleto) 1.275,09 Ajudante Geral Ensino superior incompleto 982,88 Ajudante Geral Ensino Médio Completo 982,88 Quadro 3 – Quadro de Pessoal do Cras Palmeiras de São Paulo Fonte: Informações da equipe do Cras em julho de 2012. Elaboração própria. Outro fator a ser destacado é que pela descrição dos cargos, percebe-se que o profissional de Serviço Social não está trabalhando 30 horas semanais, conforme preconiza a Lei federal 12.317, de 26/8/2010. 3.2 Dinâmica de Trabalho no CRAS Palmeiras de São Paulo Consiste no atendimento individualizado e reuniões com grupos dos usuários dos serviços, que acontecem no Cras e em locais definidos nos bairros pertencentes às 88 quatro microrregiões, com o objetivo de facilitar o acesso das famílias aos serviços e benefícios, e pela compreensão da grande extensão de sua área de abrangência. A intervenção dos profissionais objetiva apresentar as atribuições do Cras, bem como esclarecer os usuários sobre os serviços e benefícios existentes. Ao término do encontro, o usuário preenche uma ficha de triagem, colocando sua solicitação26. Além disso, e conforme informações dos profissionais do Cras, existe o trabalho social com famílias, desde a implantação do equipamento, em 2005, porém, vem sendo aperfeiçoado, de acordo com as melhorias de estrutura, quadro mínimo de RH, conforme prevê a NOB-RH/Suas, melhor apropriação da equipe técnica sobre as ações a serem desenvolvidas, pois alguns profissionais tinham experiência nas políticas de saúde e educação. Acrescenta-se que, desde novembro de 2010, vem sendo realizado um trabalho com famílias em descumprimento das condicionalidades da educação e da saúde do Programa Bolsa-Família, as quais tiveram o benefício bloqueado ou suspenso; ou que estão em vias de ter seus benefícios suspensos ou cancelados. Para isso, são realizadas visitas domiciliares e atendimentos individuais às famílias que tiveram o benefício cancelado. A região de Palmeiras de São Paulo registra 302 famílias em descumprimento de condicionalidades, sendo que, dessas, 123 referem-se à condicionalidade de advertência. 26 O motivo de ter um número significativo de advertência, deve-se ao descumprimento da condicionalidade da educação, pois os profissionais das escolas deixam de justificar a ausência dos alunos na sala de aula por motivo de doença, mesmo esses entregando o atestado. Por causa desse fato, nas reuniões de orientação sobre o descumprimento de condicionalidades, os técnicos do Cras orientam a família para que sempre guarde a cópia do atestado médico, pois, caso a escola extravie ou não justifique a ausência do aluno, tem como comprovar o motivo da ausência da criança ou do adolescente em sala de aula. Outro motivo é que, na advertência, ainda não há a suspensão do 26 Dados do CadÚnico. Acesso em: abr. 2012. 89 pagamento do benefício e a família, muitas vezes, não observa, no comprovante de pagamento do benefício que consta o aviso sobre o descumprimento de condicionalidade da saúde e/ou educação. O acompanhamento dos beneficiários do BPC e de suas famílias, da região do Cras, é realizado pelos Serviços de Convivência por meio das entidades conveniadas com a Prefeitura de Suzano, que são a Associação de Moradores do Parque Umuarama e Fundação Orsa. Os técnicos do Cras, por sua vez, não conseguiram montar grupos com os idosos e pessoas com deficiência pois o Cras fica distante da residência deles, enquanto que o endereço dos Serviços de Convivência está mais próximo. Assim, preferem frequentar os espaços das entidades a participar das atividades no Cras, sem contar as dificuldades de se locomover até esse, pois tem as questões do transporte, da acessibilidade, dentre outras. Por fim, ressalta-se que, a partir de março de 2012, a equipe do Cras recomeçou o trabalho social com as famílias de maneira geral e não somente com aquelas provenientes do PTR, embora, desde janeiro de 2012, estejam acontecendo as reuniões socioeducativas com famílias participantes do programa Renda Cidadã. O trabalho social com famílias realiza-se em duas etapas: a primeira, consiste de reunião de acolhimento, que ocorre em espaços de entidades conveniadas com a Prefeitura de Suzano que atendam criança, adolescente, idoso, pessoa com deficiência, para apresentar os benefícios e serviços do Cras. A segunda etapa consiste em um convite para as famílias participarem de reuniões mensais no espaço do Cras. O escopo desse trabalho consiste na discussão de temas de interesse das famílias e é elaborado um planejamento das reuniões para o semestre. O desenvolvimento dos temas e a dinâmica das reuniões são adaptados de acordo com as demandas de cada grupo. Ao se constatar, durante as reuniões, a necessidade de algum atendimento psicoterapêutico, a família é encaminhada para a Unidade Básica de Saúde (UBS), para os grupos de vítimas de violência ou de dependência química. Como estratégia de mapeamento do território de abrangência do Cras, por iniciativa da equipe, alguns dados das famílias, como nome, endereço, RG, se é 90 beneficiária de algum programa social, entre outros, estão sendo informatizados para identificar quais famílias pertencem efetivamente ao território de abrangência e, assim, realizar o seu acompanhamento. A iniciativa demonstra que a equipe está buscando algum nível de organização e a territorialização da demanda e das ações realizadas, além dos técnicos estarem “saindo” do Cras, divulgando suas ações e realizando o acompanhamento social de famílias, ou seja, estão organizando o seu trabalho referenciando-se nos princípios da Proteção Social contidos em normas nacionais, quais sejam, a matricialidade sociofamiliar, a descentralização político-administrativa e a territorialização. (PNAS/2004 e NOB/Suas/2005). O Cras Palmeiras de São Paulo representa a mais extensa área física do município, considerando a divisão territorial dos demais Cras, possuidora de maior densidade rural do que urbana, desprovida de infra-estrutura e de serviços públicos. Portanto, o uso do território pelos sujeitos que nele habitam, compatível com as necessidades existentes, remete à expansão de políticas públicas, que levasse em consideração as suas peculiaridades, não perdendo de vista o município como um todo. No que cabe à Assistência Social, compreende-se que deveria ser instalado pelo menos mais um Cras, naquela localidade, ou, pelo menos, uma equipe volante incorporada à equipe de referência “responsável pelo deslocamento dos serviços” (MDS/SNAS, 2009, p. 35). Essa indicação refere-se não somente à quantidade de habitantes (23.865, ou aproximadamente 6 mil famílias referenciadas), mas à sua grande extensão e dispersão populacional. 27 Cabe informar que, no âmbito da gestão, o Município de Suzano tem realizado discussões para instituir um sistema de informação acerca de famílias que utilizam os serviços das políticas de Assistência Social, Saúde e Educação, medida importante como condição de proporcionar a intersetorialidade, dentre outras possibilidades de gestão e avaliação desses serviços. 27 “Considera-se ‘família referenciada’ aquela que vive em áreas caracterizadas como de vulnerabilidade, até alcançar a todos os que dela necessitarem, em territórios sujeitados a vulnerabilidade social.” (NOB/SUAS, 2005, p. 95). 91 A equipe técnica e a da gestão preocupam-se com a Vigilância Social, que, ao lado da Proteção Social e Defesa Social e Institucional, compõe as funções da Assistência Social. No entanto, a constituição de um setor de informação ainda é embrionária, o que foi constatado na dificuldade de obter-se dados informatizados e padronizados sobre a execução de programas e serviços socioassistenciais e que estão revelados no corpo deste trabalho, a partir da forma em que estão organizados. 3.3 Benefícios e Serviços Ofertados no CRAS Palmeiras de São Paulo O Cras objeto deste estudo organiza o seu trabalho pela oferta de benefícios e serviços socioassistenciais. Os BEs, estaduais e federais, ofertados no Cras, estão apresentados no Capítulo 1, com sua tipologia e o órgão federativo responsável por seu financiamento e desenho programático. Neste capítulo, explicita-se apenas a quantidade de atendimento desses benefícios. 3.3.1 Benefícios eventuais • Cesta Básica - de janeiro a março de 2012, registram-se 93 atendimentos, com uma média de 30 por mês, em concessão de cesta básica, com um percentual de cobertura, em relação à população do Cras, de 0,39%. • Passagem para outros estados - em 2011, houve 13 atendimentos e, em 2012, até abril, dez, portanto uma cobertura de 0,10% de sua população. • Programa Boa Visão - de janeiro a abril de 2012, foram concedidos 119 óculos, com uma cobertura, em relação à sua população, de 0,50%. • Segundas vias de Certidão de Nascimento, Casamento e Óbito -foram encaminhadas 105 solicitações de certidão de nascimento, casamento e óbito, porém atendidas somente 35, com uma cobertura, em relação à população do Cras Palmeiras de São Paulo, de 0,15%. • Serviço Social de Luto - no ano de 2011, foram cinco atendimentos e no ano de 2012, até o mês de abril, houve um atendimento, com cobertura, em relação à sua população, de 0,03%. Os benefícios estaduais apresentaram os seguintes dados: 92 Renda Cidadã - no Cras em estudo registram-se 170 beneficiários, em 2011, no Programa Renda Cidadã e apenas seis, em 2012. Desde o início, em 2006, com sete beneficiários, chegou-se, em cinco anos, a 170 beneficiários, e quase retornando à situação inicial, com os atuais seis beneficiários, visto que, no período de seis anos, o crescimento não foi linear, mas representado por uma curva com altos e baixos. (Tabela 9). Ano Famílias Beneficiárias 2006 7 2007 69 2008 258 2009 61 2010 111 2011 170 2012 6 Tabela 9- Famílias beneficiárias do Programa Renda Cidadã de 2006 a 2012, no Cras Palmeiras de São Paulo 28 Fonte: Relatórios técnicos de execução em maio/2012. Elaboração própria. Como mencionado no Capítulo 1, o Município de Suzano sempre teve uma meta fixa, no período de 2006 até o presente momento, de 1.406 vagas por ano, para o PRC. Com os dados de 2012, da região do Cras Palmeiras de São Paulo, a cobertura do programa, quanto à população de Suzano, foi de 0,002%. Em relação à população do referido Cras, a cobertura foi de 0,02%. Outro aspecto observado é que, entre os anos de 2008 e 2009, houve redução significativa de famílias beneficiárias (a menos de ¼ do número de vagas) e, entre os anos de 2011 e 2012, uma redução bem maior (ou 28 vezes menor, em relação a 2011), devido ao fato de a equipe do Cras não ter preenchido o número de vagas disponíveis para a região de Palmeiras, pois, conforme mencionado no Capítulo 1, o município dispõe de 1.406 vagas e Palmeiras de São Paulo ficaria com ¼ dessas vagas (ou 351 vagas). Portanto, em 2011, preencheu menos de 50% da meta prevista. 28 Disponível na SMPCIS. Acesso em: dez. 2011. 93 No ano de 2012, não houve oferta de vagas, mas sim preenchimento de vagas de famílias que completaram o tempo de permanência no programa, e foram substituídas por aquelas encaminhadas pelo Conselho Tutelar, pelo Poder Judiciário, e prioritárias no atendimento. • Ação Jovem – o programa tem, atualmente, 33 participantes, portanto, a cobertura em relação à população desse Cras é de 0,14%. 29 A informação sobre os benefícios federais e o seu preenchimento dá-se nas reuniões de orientação, que ocorrem nas microrregiões, quando o técnico detalha cada programa, e, no final, o usuário preenche uma ficha de pré-triagem solicitando o benefício. Em seguida, é agendado o preenchimento do benefício no Cras, durante três dias da semana, ou no segundo sábado de cada mês. O Cras Palmeiras de São Paulo apresenta os seguintes dados dessa modalidade: • Bolsa-Família - O número de famílias cadastradas nesse programa, na região de abrangência do Cras Palmeiras de São Paulo, é de 4.855, o que corresponde a 20,34% de sua população. 30 Os dados demonstram que a cobertura do programa na região de Palmeiras (4.855), em relação ao número de beneficiários do município (13.476) é de apenas 36,03% do total. Ainda, os 4.855 beneficiários correspondem a 1,85% da população total de Suzano. • BPC – tem como público-alvo: Pessoa idosa com 65 anos ou mais, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família; pessoa com deficiência incapacitada para a vida independente e para o trabalho, em razão de anomalias ou lesões irreversíveis de natureza hereditária, congênita ou adquirida, superior a dois anos, conforme a Portaria conjunta MDS/INSS 01, de 24/5/2011. 29 Disponível na SMPCIS. Acesso em: 2012. 30 Dados do Índice Geral de Desenvolvimento (IGD), set. 2011. 94 renda per capita da família inferior a ¼ do salário-mínimo; 31 ser residente em Suzano e morar nas mediações dos Cras; não fazer parte de nenhum outro regime previdenciário (LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA O SERVIÇO SOCIAL, 2007, P 143) Na região do Cras, há 42 pessoas com deficiência e 39 idosos, totalizando 81 beneficiários, o que corresponde a 0,34% da população da região de Palmeiras. • Isenção em Transporte Interestadual – em Palmeiras registrou-se de janeiro a abril de 2012 oito casos com uma cobertura de 0,03% de sua população. 32 Não foi possível obter os dados quantitativos dos outros programas federais da região do Cras Palmeiras de São Paulo, como o Benefício Variável Nutriz ou o Benefício Variável Gestante, pois os dados são gerados online, e conforme informações dos funcionários que trabalham no CadÚnico ou na Secretaria Municipal de Saúde, não é possível gerar dados de determinados bairros separadamente, o que impede a geração de dados de determinados bairros separadamente, mas somente do Município de Suzano, os quais constam no Capítulo 1. Percebe-se, pela descrição dos benefícios existentes no Cras, que prevalecem os programas do governo federal. 33 Como mencionado anteriormente, desde agosto de 2011, os técnicos têm seguido as orientações da Resolução 04, de 24/5/2011, da CIT, visando ao registro e 31 Entende-se como família as pessoas elencadas no artigo 16 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, e que consiste em: cônjuge; companheiro(a); filho, de qualquer condição, menor de 21 anos ou “inválido”, incluindo o enteado e o menor tutelado; pais; irmão de qualquer condição, menor de 21 anos ou “inválido”. Com a aprovação da Lei 12.470, de 31/8/2011 foi incluída a renda dos filhos ou irmãos do requerente maiores de 21 anos no cálculo da renda per capita, alterando os arts. 20 e 21 e acrescenta o art. 21-A à Lei 8.742, de 7/12/1993. 32 Dados do CadÚnico para programas do governo federal, abril de 2012. Não será possível fazer a projeção da cobertura dos programas federais no Cras Palmeiras de São Paulo, pois não se obteve o número de beneficiários de alguns desses programas. 33 95 armazenamento relativos aos serviços ofertados nos Cras. Sendo assim, o Cras Palmeiras de São Paulo registra, no primeiro trimestre, 789 atendimentos. A Tabela 10 evidencia que a maioria dos atendimentos refere-se a famílias encaminhadas para inclusão no CadÚnico, e participando de reuniões socioeducativas, situação semelhante aos demais Cras. Atendimentos Novas famílias inseridas no acompanhamento do PAIF, durante os meses de referência Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família Famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família, em situação de descumprimento de condicionalidades Famílias encaminhadas para inclusão no CadÚnico Famílias encaminhadas para atualização cadastral no CadÚnico Pessoas encaminhadas para acesso ao BPC Famílias encaminhadas para o Creas Famílias participando regularmente de grupos no âmbito do Paif Pessoas que participaram de palestras, oficinas e outras atividades coletivas de caráter não continuado Média de Famílias (jan./mar. 2012) % 61 4,76 66 34 5,23 0,71 193 186 15,23 14,76 53 22 49 4,04 1,66 2,85 125 7,38 Tabela 10 - Situações registradas no Cras Palmeiras de São Paulo, no primeiro trimestre de 2012, com 789 atendimentos Fonte: Dados fornecidos pelo setor de informação da SMPCIS, em maio/2012. Elaboração própria. No Cras de Palmeiras de São Paulo, existe o trabalho entre as equipes do Cras e Creas, em especial, nos casos de crianças e/ou adolescentes em serviço de acolhimento. O trabalho ocorre nas audiências concentradas que, em Palmeiras de São Paulo, tiveram início em julho de 2010 e, até o presente momento, são 18 famílias nessa situação. 34 Cabe ressaltar que os Programas Renda Cidadã e Bolsa-Família fazem parte do Proasf municipal, embora a PNAS/2004 e a NOB/2005 tenham instituído o Paif. 34 As audiências foram denominadas “concentradas” porque se trata de um esforço conjunto e concentrado de magistrados, promotores de justiça, defensores públicos, equipes técnicas das Varas da Infância e Juventude e dos abrigos, no sentido de garantir a convivência familiar e comunitária de cada criança que se encontra em programa de acolhimento institucional, pois o ideal é o acolhimento em família, quer de origem, quer substituta. As audiências concentradas acontecem em cumprimento ao artigo 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente com a nova redação dada pela Lei de Adoção 12.010/2009. 96 3.4 O Proasf no Cras Palmeiras de São Paulo Na região do Cras Palmeiras de São Paulo, o Proasf foi lançado oficialmente em 17/3/2007. Em conformidade com um dos eixos da política social de assistência social, em Suzano, os projetos e programas sociais (de forma direta ou indireta) podem ser executados em parceria com entidades sociais. O trabalho social com as famílias, portanto, é executado pelos técnicos de entidades conveniadas com a prefeitura, em sua sede e nos espaços cedidos por seus parceiros, pagando a esses o consumo de água e luz, quando utilizadas. Esse trabalho é supervisionado pelos técnicos do Cras . As entidades encarregadas do acompanhamento das famílias no início do Proasf no referido Cras foram a Associação de Moradores do Parque Buenos Aires (microrregião 3), Cáritas Palmeiras (microrregião 2), IAEEST (microrregião 2) e Fundação Orsa (microrregião 4), cujo convênio foi até dezembro de 2009. Cabe ressaltar que na microrregião 1 não houve entidade que assumisse o Proasf. Em 2010, houve mudança na configuração das parcerias de convênio, em função do resultado da avaliação conjunta entre gestor, diretores e equipes técnicas dos quatro Cras e conselheiros do Comas. Essa avaliação teve como referência a NOB/Suas, NOB/RH e as NOB municipais que normatizavam os serviços prestados pelas entidades. Um dos aspectos avaliado refere-se ao repasse do convênio para as entidades que executavam o Proasf. Segundo os profissionais das entidades, esse repasse era insuficiente para o desempenho das atividades, e, a partir dessa avaliação, a direção da secretaria decidiu que somente uma entidade assumiria o Proasf em cada Cras, pois assim otimizariam os recursos financeiros. Após ter se submetido ao processo seletivo, que consistia na apresentação do projeto, na proposta metodológica, nos locais para a execução das atividades, a entidade IAEEST ganhou a proposta de execução do Proasf, cujo convênio foi firmado para dois anos (2010/2011) com a meta de atender 600 famílias beneficiárias. O IAEEST existe desde fevereiro de 1997, quando iniciou um trabalho com crianças e adolescentes em situação de drogadição e abandono familiar, entretanto, fez 97 convênio com a Prefeitura de Suzano somente em 2000, quando teve a centralidade de sua ação na atenção socioeducativa às crianças. Para o acompanhamento das 600 famílias, a instituição recebeu verba federal proveniente do Serviço Paif no valor de R$ 20,00 por família atendida, totalizando R$ 12 mil por mês. Na ocasião, um dos núcleos perdeu o espaço cedido pela instituição parceira onde aconteciam as atividades com as famílias, reduzindo o atendimento para 450 famílias. Além disso, embora o IAEEST tenha feito a melhor proposta metodológica durante o processo seletivo (que consistiu na apresentação do projeto, na entrevista e na visita aos espaços de realização das atividades do Proasf), na prática, não foi o que aconteceu, pois não cumpriu com a programação prevista; utilizou uma única metodologia para grupos heterogêneos; a falta de recursos humanos, devido à alta rotatividade dos profissionais, constitui-se em motivo para o não êxito do programa, conforme relatórios dos técnicos do Poder Público que acompanham a entidade (RELATÓRIO DE ATIVIDADES, 2011). Outro problema relatado no Capítulo 1 é a falta de capacitação dos profissionais das entidades para o trabalho com famílias, e no IAEEST não foi diferente, embora o técnico da entidade tenha informado que estava previsto no seu projeto a capacitação para os profissionais, e que acontecia a cada 15 dias, pelo período de quatro horas, ministrada pelo gestor da entidade (e que já tinha sido técnico do projeto). Os temas discutidos variavam de acordo com as demandas das famílias. O técnico do projeto também considerava como capacitação para a equipe quando os profissionais da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesana) e do Cras vinham falar sobre os serviços e benefícios existentes em cada setor. As atividades desenvolvidas no Proasf consistiam em reuniões socioeducativas e oficinas de geração de renda, realizadas pelos profissionais do IAEEST. Enfatiza-se que os técnicos da entidade faziam o acompanhamento das famílias para que cumprissem as condicionalidades da educação e saúde, solicitando que apresentassem a carteira de vacinação, bem como era solicitado das escolas a frequência escolar. Os objetivos do Proasf no Cras Palmeiras de São Paulo foram: 98 1- Acompanhar as famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família e do Programa Renda Cidadã, com técnicos da entidade conveniada, cujo convênio foi até dezembro de 2011. 2- Fazer o acompanhamento das famílias, permitindo a discussão de alternativas de geração de emprego e renda, promovendo cidadania e melhoria do acesso às políticas públicas. 3- Construir formas de organização para o aproveitamento dos recursos públicos transferidos, de forma a tornar percebido esse investimento na localidade e na cidade de forma geral. 4- Diagnosticar, juntamente com as famílias, os problemas e as formas de resolvê-los. 5- Estabelecer novas formas de acompanhamento dos recursos provenientes de transferência direta para Assistência Social. 6- Promover acompanhamento mensal das famílias para orientação social básica. 7- Identificar, nas comunidades de origem, espaços de convivência comunitária para promoção das famílias. 35 35 Publicação Proasf . Secretaria Municipal de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, Suzano: Produção Secretaria Municipal de Comunicação Social, 2006. 10 p. 99 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta dissertação tem como objeto de estudo a gestão da política municipal de assistência social da cidade de Suzano, e, em particular, o Proasf, programa municipal, e suas relações com o Paif, constatando que aquele programa avança em relação ao Paif, bem como apresentar os aspectos comuns e diferentes entre ambos; como se dá o trabalho social e quais são as modalidades oferecidas às famílias Para subsidiar a reflexão sobre as modalidades do trabalho social com famílias, estão apresentados os objetivos, o público-alvo e a metodologia de cada programa. Constatou-se que, embora os programas tenham siglas iguais (especialmente os Proasf), seus alcances e objetivos se diferenciam. Contudo, destaca-se como ponto comum que o Proasf de Suzano usa recursos do Paif; diferentemente do Proasf da cidade de São Paulo. Para realizar a pesquisa, foram entrevistados o gestor da SMPCIS, que acompanha o Proasf; os diretores; os coordenadores e técnicos da entidade e do Cras, tendo os seguintes resultados: Um dos Objetivos do Proasf de Suzano foi trabalhar com a rede, e isso não se concretizou, principalmente no âmbito da gestão, conforme relatado pelo gestor e diretores da SMPCIS. O gestor revela que a falta de recursos e de pessoal foram obstáculos para a consecução do trabalho em rede. Quanto aos diretores, esses afirmam que os gestores das outras políticas não vêem a assistência social como política de direitos; que chegou a acontecer o trabalho intersetorial com os técnicos, em reuniões socioeducativas para tratar de questões relativa à saúde e educação, mas longe do ideal. A opinião foi compartilhada pelos técnicos do Cras, da entidade e coordenadores do CRAS e entidade. Percebe-se que o trabalho intersetorial ainda é um desafio para a política de assistência social. No caso de Suzano, a proposta de trabalho intersetorial 100 deveria ter partido da gestão municipal; o prefeito Marcelo de Souza Cândido deveria ter trazido para si essa responsabilidade e não deixar a cargo do secretário ou dos diretores da SMPCIS. Conforme afirma Aldaíza Sposati (2006): “Existem princípios de gestão que precisam ser combinados para desenvolver uma estratégia da intersetorialidade democrática que consolide direitos”. ( p.139). Proasf de Suzano e Paif: Aspectos comuns entre os programas: Além de alguns aspectos que foram abordados como público-alvo ser beneficiário de Programa de Transferência de Renda, o gestor da SMPCIS, Valdicir Stuani, acrescentou que a ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar é um ponto comum. Os técnicos do Cras informam que o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários são objetivo comum dos programas. Quanto ao técnico e coordenador da entidade, houve um desconhecimento do que era o Paif, portanto não souberam responder a essa questão. Mudanças trazidas pelo Proasf: conforme relatos do gestor e diretores da SMPCIS, do coordenador e técnicos do Cras e do técnico e coordenador da entidade IAEEST, o Proasf trouxe mudanças, pois as famílias beneficiárias de programas de transferência de renda tem mais apropriação dos seus direitos, e, em decorrência, mais participação política. Facilitou o acesso e divulgação das políticas públicas em vários locais e encaminhou os usuários ao Cras. Em relação ao Paif, está também prevista, em seus objetivos, a articulação em rede, contudo, o programa corre o risco de ter os mesmos problemas do Proasf, devido à dificuldade no município, independentemente da área de abrangência dos programas. Diante das mudanças apontadas pela gestão e direção da secretaria, o coordenador e técnicos do Cras, e o coordenador e técnico da entidade, foram 101 unânimes em afirmar que deve ser celebrado novo convênio, entre as entidades e a Prefeitura de Suzano, para a execução do Proasf, porém, com ações centradas na inserção no mundo do trabalho; com cursos profissionalizantes que visem a comercialização dos produtos produzido pelas famílias. Para isso, o trabalho em rede deve acontecer. Outro aspecto é que os profissionais da entidade necessitam ter contratos de trabalho com vínculo trabalhista, carga horária compatível e salário digno. Verifica-se, pelo exposto, que a secretaria tem a intenção de continuar com o Proasf. Como se sabe, existe, no âmbito federal, o serviço Paif, responsável por acompanhar as famílias que precisam dos serviços da Proteção Básica. Ao mesmo tempo, a equipe do Cras Palmeiras deve fazer o acompanhamento das famílias do Paif, que são as mesmas famílias que estão no Proasf. Como fica esse acompanhamento? Não se torna, dessa maneira, sobreposição de papéis, ou essas famílias terão dois acompanhamentos realizados pela equipe técnica da entidade e do Cras? Considera-se que o acompanhamento das famílias, em especial de PTR, deve ser realizada de forma direta pelos técnicos do Cras, pois, além de ser responsabilidade do Poder Público (previsto na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais), torna-se mais fácil acompanhar as ações, pois o técnico do Cras participa desde o planejamento, a execução até a avaliação das atividades. Caso contrário, quando realizado pelo técnico da entidade, fica mais difícil fazer o monitoramento e a avaliação. Como citado anteriormente, a equipe do Cras Palmeiras de São Paulo somente ficou completa em junho de 2012, pois houve rotatividade de alguns profissionais, enquanto outros estavam de licença, e de fato, torna-se mais difícil acompanhar as famílias com uma equipe reduzida. Aqui não está em questão a parceria que ocorre entre a entidade e o Poder Público, parceria prevista na Loas e em outros instrumentos legais. Reconhece-se a contribuição que as entidades tem a oferecer. O que está em questão é que o trabalho social com famílias deve ser realizado pelos profissionais do Poder Público, através do Paif, e não pelas entidades sociais; é a primazia pela 102 qualidade dos serviços prestados pelas entidades, que, com poucos recursos, contratos precarizados, dentre outros problemas, tem que “fazer milagres” e executar o serviço. Além disso, o município utiliza a verba do Paif nas atividades do Proasf, e há um desconhecimento a respeito do que é o Paif, por parte do profissionais da entidade e das famílias. Para as famílias, existe somente o Proasf. É o velho ditado: “Fazer cortesia com o chapéu alheio” que assim se concretiza.. Esta discussão não se encerra aqui, e não é a pretensão deste trabalho, mas sim trazer elementos que possam contribuir para a reflexão que considere o papel do Estado enquanto responsável na condução da Política de Assistência Social nos âmbitos federal, estadual e municipal 103 REFERÊNCIAS BOVOLENTA, Gisele Aparecida. Os benefícios eventuais e a gestão municipal. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), São Paulo, 2010. BRASIL. Comissão Intergestora Tripartite. Protocolo de gestão integrada de serviços, benefícios e transferência de renda no âmbito do sistema único de assistência social – Suas. Brasília, 2010. ______. 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( ) Influência do Proasf de São Paulo ( ) Um programa que executasse as ações do Paif no âmbito municipal ( ) Um programa que fosse referência no acompanhamento das famílias ( ) Um programa que fortalecesse a relação da rede conveniada e a gestão municipal ( ) Outro. Quais__________________________________________________________ ( ) Desconhece 2- Quais foram os critérios e/ou instrumentos utilizados para definição dos primeiros bairros para a implantação do Proasf? ( ) Sistema de georreferenciamento das famílias no município ( ) Banco de dados municipal ( ) Prévio conhecimento dos gestores sobre a situação de pobreza dos bairros ( ) Local de atuação das entidades executoras do programa ( ) Outro. Quais __________________________________________________________ ( ) Desconhece 3- Considerando que o Proasf tem como objetivos trabalhar em rede pública e privada através das secretarias municipais de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações, seus objetivos foram alcançados? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos:___________________________________________________ 4- Qual é a sua opinião sobre o Proasf? ( ) É um programa com características próprias e que representa as necessidades do município ( ) É a versão do Paif no âmbito municipal ( ) É um programa que avançou em relação ao Paif ( ) É um programa que regrediu em relação ao Paif 110 ( ) É um programa que conseguiu articular a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual?________________________________________________________________ 5- Na sua opinião, o que é o Paif? R- ___________________________________________________________________________ 6- Qual a sua compreensão sobre a relação no âmbito da gestão entre Proasf e Paif? R- ___________________________________________________________________________ 7- A verba do Proasf é a mesma do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Nesse caso, de onde vem a verba?________________________________________ 8- O que tem de aspecto comum entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) A articulação com a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual ?__________________________________________________________ 9- O que tem de aspecto diferente entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) A articulação com a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual ?________________________________________________________________ 10- Quanto à metodologia de trabalho do Paif e Proasf ( ) É igual ( ) É diferente ( ) É melhor ( ) É pior 111 ( ) Outro. Qual?__________________________________________________________ ( ) Desconhece 11- Ao trabalhar com as famílias do Proasf, o senhor sabe informar se o técnico da entidade menciona a existência do Paif? ( ) Sim ( ) Não ( ) Desconhece 12- Foi criado algum instrumento regulamentador da parceria entre a entidade executora do Proasf e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim.Quais?_________________________________________________________________ ( ) Não 13- O senhor avalia a parceria realizada pela Prefeitura de Suzano e a entidade executora do Proasf? ( ) Satisfatório ( ) Insatisfatório. Nesse caso, quais são os motivos____________________________________ 14- Como avalia o monitoramento realizado pelo poder público à entidade executora do Proasf? ( ) Satisfatório ( ) Insatisfatório. Nesse caso, quais são os motivos____________________________________ 15- O senhor acha que a implantação do Proasf ( ) Não provocou nenhuma mudança ( ) Sim, houve mudanças. Quais?__________________________________________________ 16- O convênio do Proasf entre a entidade executora e Prefeitura de Suzano foi até dezembro de 2011. O senhor acha que o convênio deve continuar? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 17- Em caso afirmativo, deve ser da mesma forma do convênio anterior ? ( ) Sim ( ) Não. Porquê? _______________________________________________________ 18- Na compreensão do Serviço Paif, existe o trabalho social com famílias que consiste em um conjunto de procedimentos implementados por profissionais, a partir de pressupostos éticos, 112 conhecimento teórico-metodológico e técnico-operativo. Os profissionais do Cras realizam esse trabalho social com as famílias? ( ) Sim ( ) Não.Por quê?_________________________________________________________________ 19- Em caso afirmativo, de que forma? R-_____________________________________________________________________________ 20- Em caso afirmativo, desde quando é realizado o trabalho social com famílias? R- ___________________________________________________________________________ 21- Você acha importante que o técnico do Cras execute esse trabalho social com famílias ou ficaria sob a responsabilidade do técnico da entidade? ( ) Sim. Por quê? ______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 22- No ano de 2011, aconteceu a VIII Conferência Nacional de Assistência Social, cujo lema era Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores”. Dentre suas propostas, existe o Plano Nacional de Capacitação. No Município de Suzano já houve capacitação para os técnicos das entidades e do poder público. O senhor acha que o município deveria continuar executando essa proposta? ( ) Sim. Por quê?______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_____________________________________________________________ 23- Ainda em relação à capacitação para os profissionais, o senhor acha que a mesma alcançou seus objetivos? ( ) Sim. Por quê? ______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 24- O Senhor acha que a capacitação que teve para os técnicos do poder público deve ser ampliada para os técnicos das entidades? ( ) Sim. Por quê?_______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 113 ROTEIRO DE PERGUNTAS PARA O DIRETOR DA SMPCIS NOME: ______________________________________________________ CARGO: _____________________________________________________ 1- Por que surgiu a ideia de criar o Proasf? ( ) Influência do Proasf de São Paulo ( ) Um programa que executasse as ações do Paif no âmbito municipal ( ) Um programa que fosse referência no acompanhamento das famílias ( ) Um programa que fortalecesse a relação da rede conveniada e a gestão municipal ( ) Outro. Quais__________________________________________________________ ( ) Desconhece 2- Quais foram os critérios e/ou instrumentos utilizados para definição dos primeiros bairros para a implantação do Proasf? ( ) Sistema de georreferenciamento das famílias no município ( ) Banco de dados municipal ( ) Prévio conhecimento dos gestores sobre a situação de pobreza dos bairros ( ) Local de atuação das entidades executoras do programa ( ) Outro.Quais __________________________________________________________ ( ) Desconhece 3- Considerando que o Proasf tem como objetivos trabalhar em rede pública e privada através das secretarias municipais de Promoção da Cidadania e Inclusão Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações seus objetivos foram alcançados? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos?___________________________________________________ 4- Qual é a sua opinião sobre o Proasf? ( ) É um programa com características próprias e que representa as necessidades do município ( ) É a versão do Paif no âmbito municipal ( ) É um programa que avançou em relação ao Paif ( ) É um programa que regrediu em relação ao Paif 114 ( ) É um programa que conseguiu articular a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual?_______________________________________________________________ 5- Na sua opinião, o que é o Paif? R- ___________________________________________________________________________ 6- A verba do Proasf é a mesma do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Nesse caso, de onde vem a verba?_________________________________________ 7 - Foi criado algum instrumento regulamentador da parceria entre a entidade executora do Proasf e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim. Quais?________________________________________________________________ ( ) Não ( ) Desconhece 8- Como você avalia a parceria realizada pela Prefeitura de Suzano e a entidade executora do Proasf? ( ) Satisfatório ( ) Insatisfatório. Nesse caso, quais são os motivos____________________________________ 9- Como você avalia o monitoramento realizado pelo poder público à entidade executora do Proasf? ( ) Satisfatório ( ) Insatisfatório. Nesse caso, quais são os motivos?___________________________________ 10- Quanto à metodologia de trabalho do Paif e Proasf ( ) É igual ( ) É diferente ( ) É melhor ( ) É pior ( ) Outro. Qual?__________________________________________________________ ( ) Desconhece Justifique sua resposta:_____________________________________________________ 115 11- O que tem de aspecto comum entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) A articulação com a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual ?_____________________________________________________________ 12- O que tem de aspecto diferente entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) A articulação com a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual ?________________________________________________________________ 13- Ao trabalhar com as famílias do Proasf, você sabe informar se o técnico da entidade menciona a existência do Paif? ( ) Sim ( ) Não ( ) Desconhece 14- A seu ver, as famílias que participaram do Proasf devem ser informadas da existência do Paif? ( ) Sim. Por quê?______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_____________________________________________________________ 15- Você acha que a implantação do Proasf ( ) Não provocou nenhuma mudança ( ) Sim, houve mudanças. Quais?_________________________________________________ 16- O convênio do Proasf entre a entidade executora e Prefeitura de Suzano foi até dezembro de 2011. Você acha que o convênio deve continuar? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 116 17- Em caso afirmativo, deve ser da mesma forma do convênio anterior ? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 18- A seu ver, o Proasf deve ter como referencial a ser seguido o Paif? ( ) Sim. Por quê?______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 19- No ano de 2011, aconteceu a VIII Conferência Nacional de Assistência Social, cujo lema era “Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores”. Dentre suas propostas existe o Plano Nacional de Capacitação. No Município de Suzano já houve capacitação para os técnicos das entidades e do poder público. Você acha que o município deveria continuar executando essa proposta? ( ) Sim. Por quê?______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_____________________________________________________________ 20- Você participou da capacitação? ( ) Sim. ( ) Não. Por quê? 21- Em caso afirmativo, qual é a sua opinão? ( ) Satisfatória. Por quê?_________________________________________________________ ( ) Insatisfatória. Por quê?_______________________________________________________ ( ) Razoável. Por quê?___________________________________________________________ 22- Na compreensão do Serviço Paif, existe o trabalho social com famílias, que consiste em um conjunto de procedimentos implementados por profissionais, a partir de pressupostos éticos, conhecimento teórico-metodológico e técnico-operativo. Os profissionais do Cras realizam esse trabalho social com as famílias? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 23- Em caso afirmativo, de que forma? R-_____________________________________________________________________________ 24- Em caso afirmativo, desde quando é realizado o trabalho social com famílias? R- __________________________________________________________________________ 25- Enquanto diretor, você acha importante que o técnico do Cras execute esse trabalho social com famílias ou ficaria sob a responsabilidade do técnico da entidade? 117 ( ) Sim. Por quê?_______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 26- Como o Proasf acompanhava famílias beneficiárias dos Programas Bolsa-Família e Renda Cidadã, havia um trabalho social por parte da equipe dos técnicos do Cras em específico para as famílias desses programas? ( ) Sim. Qual?_______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?____________________________________________________________ 27- Em caso afirmativo, de que forma e desde quando é realizado esse trabalho? R- _____________________________________________________________________________ 118 ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O COORDENADOR DO CRAS NOME: ___________________________________________ CARGO: __________________________________________ 1- Qual é a sua opinião sobre o Proasf? ( ) É um programa com características próprias e que representa as necessidades do município ( ) É a versão do Paif no âmbito municipal ( ) É um programa que avançou em relação ao Paif ( ) É um programa que regrediu em relação ao Paif ( ) É um programa que conseguiu articular a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual? 2- O que você sabe sobre o Serviço Paif? 3- Trabalhando com as famílias beneficiárias de programa de transferência de renda no PROASF na região do Cras, a entidade conseguiu? ( ) Concretizar o princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) Concretizar o princípio da Descentralização político-administrativa e Territorialização ( ) Concretizar a articulação com a rede socioassistencial ( ) Concretizar a política de direitos socioassistenciais ( ) Outro. Qual? 4- Considerando que o Proasf tem como objetivos trabalhar em rede socioassistencial através das secretarias de Promoção Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações. Enquanto coordenador(a) do Cras, foi possível trabalhar com os outros coordenadores de equipamentos das outras políticas que estão no território de abrangência do Cras? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos? ___________________________________________ 5- Quanto à metodologia de trabalho do Paif e Proasf ( ) É igual ( ) É diferente ( ) É melhor ( ) É pior 119 ( ) Outro. Qual?__________________________________________________________ ( ) Desconhece Justifique sua resposta:_____________________________________________________ 6- Você acha que a implantação do Proasf? ( ) Não provocou nenhuma mudança ( ) Sim, houve mudanças. Quais? 7- É passado para as famílias pertencentes ao Proasf sobre a existência do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Quais motivos? ( ) Desconhece 8- Em caso negativo,você acha que no trabalho com as famílias do Proasf deveria ser falado sobre a existência do Paif? ( ) Sim. Por quê?_______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 9- A verba do Proasf é a mesma do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Nesse caso, de onde vem a verba? ( ) Desconhece 10 - O que tem de aspecto comum entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual? ________________________________________________________________ 11 - O que tem de aspecto diferente entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda 120 ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual ?_______________________________________________________________ 12- Considerando que a execução direta é realizada por técnico de entidade, você avalia que essa forma de execução é? ( ) Satisfatória ( ) Insatisfatória. Nesse caso, quais são os motivos? 13- Foi criado algum documento que regulamentasse a parceria entre a entidade executora do Proasf e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim. Quais? ( ) Não ( ) Desconhece 14- O Proasf conseguiu fortalecer a parceria entre a entidade executora e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 15- Uma das atribuições da equipe do Cras é articular e acompanhar a rede socioassistencial. Enquanto coordenador(a) do Cras, você acha que a equipe do Cras conseguiu acompanhar a entidade que executava o Proasf? ( ) Sim ( ) Não. Por quê? ______________________________________________________________ 16- O convênio do Proasf entre a entidade executora e Prefeitura de Suzano foi até dezembro de 2011. Você acha que o convênio deve continuar? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 17- Em caso afirmativo, deve ser da mesma forma do convênio anterior? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 18 - No ano de 2011, houve a Conferência Nacional de Assistência Social cujo lema é “Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores”. Entre suas propostas há a preocupação com a capacitação dos trabalhadores do Suas. Uma das dificuldades que interferiu no êxito no início do Proasf em 2007 foi a falta de capacitação dos técnicos da entidade em trabalhar com famílias visando, principalmente, o aspecto de geração e renda. Você acha que é responsabilidade do poder público implantar uma política de capacitação para os profissionais da rede conveniada ou é responsabilidade da entidade conveniada com a Prefeitura de Suzano? 121 ( ) Sim. Por quê? ( ) Não. Por quê? ______________________________________________________________ 19- É sabido que no ano de 2011 houve uma capacitação para os profissionais da SMPCIS sobre a Assistência Social. ( ) Foi satisfatória? Por quê? ( ) Foi insatisfatória? Por quê?____________________________________________________ ( ) Foi razoável? Por quê?________________________________________________________ 20- Na compreensão do Serviço Paif existe o trabalho social com famílias que consiste em um conjunto de procedimentos implementados por profissionais, a partir de pressupostos éticos, conhecimento teórico-metodológico e técnico-operativo. Enquanto coordenador(a) da equipe dos profissionais do Cras, foi realizado esse trabalho social com as famílias? ( ) Sim. ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 21- Em caso afirmativo, de que forma?_______________________________________________ 22- Em caso afirmativo, desde quando é realizado o trabalho social com famílias?____________ 23- Segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais aprovada em 11/11/2009, o Paif visa a atender a alguns públicos-alvo. Dentre os usuários dos serviços, assinale aqueles que os técnicos do Cras fazem o acompanhamento social com as famílias: ( ) Famílias beneficiárias de programa de transferência de renda e dos benefícios assistenciais; ( ) Famílias que atendem aos critérios dos programas de transferência de renda e benefícios assistenciais, mas que ainda não foram contempladas; ( ) Famílias em situação de vulnerabilidade em decorrência de dificuldades vivenciadas por algum de seus membros; ( ) Famílias com pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social; ( ) Nenhuma das situações acima mencionadas. 24- Ainda em relação ao trabalho social com famílias, assinale os públicos-alvo que são acompanhados por técnicos de entidades conveniadas com a Prefeitura de Suzano: ( ) Famílias beneficiárias de programa de transferência de renda e dos benefícios assistenciais; ( ) Famílias que atendem aos critérios dos programas de transferência de renda e benefícios assistenciais, mas que ainda não foram contempladas; ( ) Famílias em situação de vulnerabilidade em decorrência de dificuldades vivenciadas por algum de seus membros; 122 ( ) Famílias com pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social; ( ) Nenhuma das situações acima mencionadas. 25- Como o Proasf acompanhava famílias beneficiárias dos Programas Bolsa-Família e Renda Cidadã, havia um trabalho social por parte da equipe dos técnicos do Cras em específico para as famílias desses programas? ( ) Sim ( ) Não.Por quê?________________________________________________________________ 26- Em caso afirmativo, de que forma e desde quando é realizado esse trabalho?______________ 123 ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O TÉCNICO DO CRAS NOME: ___________________________________________ CARGO: __________________________________________ 1- Qual é a sua opinião sobre o Proasf? ( ) É um programa com características próprias e que representa as necessidades do município ( ) É a versão do PAIF no âmbito municipal ( ) É um programa que avançou em relação ao Paif ( ) É um programa que regrediu em relação ao Paif ( ) É um programa que conseguiu articular a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual?_______________________________________________________________ 2- O que você sabe sobre o Serviço Paif?____________________________________________ 3- Trabalhando com as famílias beneficiárias de programa de transferência de renda no Proasf na região do Cras, a entidade conseguiu? ( ) Concretizar o princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) Concretizar o princípio da Descentralização político-administrativa e Territorialização ( ) Concretizar a articulação com a rede socioassistencial ( ) Concretizar a política de direitos socioassistenciais ( ) Outro. Qual?________________________________________________________________ 4- Considerando que o Proasf tem como objetivos trabalhar em rede socioassistencial através das secretarias de Promoção Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações. Enquanto técnico(a) do Cras, foi possível trabalhar com os outrostécnicos de equipamentos das outras políticas que estão no território de abrangência do Cras? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos? ___________________________________________________ 5- Quanto à metodologia de trabalho do Paif e Proasf: ( ) É igual ( ) É diferente ( ) É melhor 124 ( ) É pior ( ) Outro. Qual?________________________________________________________________ ( ) Desconhece Justifique sua resposta:____________________________________________________________ 6- Você acha que a implantação do Proasf? ( ) Não provocou nenhuma mudança ( ) Sim, houve mudanças. Quais?__________________________________________________ 7- É passado para as famílias pertencentes ao Proasf sobre a existência do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Quais motivos?__________________________________________________________ ( ) Desconhece 8- Em caso negativo,você acha que no trabalho com as famílias do Proasf deveria ser falado sobre a existência do Paif? ( ) Sim. Por quê?_______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 9- A verba do Proasf é a mesma do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Nesse caso, de onde vem a verba?_________________________________________ ( ) Desconhece 10 - O que tem de aspecto comum entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual?________________________________________________________________ 11 - O que tem de aspecto diferente entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares 125 ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual ?_______________________________________________________________ 13 - Considerando que a execução direta é realizada por técnico de entidade, você avalia que essa forma de execução é? ( ) Satisfatória ( ) Insatisfatória. Nesse caso, quais são os motivos? 14- Foi criado algum documento que regulamentasse a parceria entre a entidade executora do Proasf e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim. Quais?_________________________________________________________________ ( ) Não ( ) Desconhece 15- O Proasf conseguiu fortalecer a parceria entre a entidade executora e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 16- Uma das atribuições da equipe do Cras é articular e acompanhar a rede socioassistencial. Enquanto coordenador(a) do Cras, você acha que a equipe do Cras conseguiu acompanhar a entidade que executava o Proasf? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 17– O convênio do Proasf entre a entidade executora e Prefeitura de Suzano foi até dezembro de 2011. Você acha que o convênio deve continuar? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 18– Em caso afirmativo, deve ser da mesma forma do convênio anterior? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 19 - No ano de 2011 houve a Conferência Nacional de Assistência Social cujo lema é “Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores”. Entre suas propostas há a preocupação com a capacitação dos trabalhadores do Suas. Uma das dificuldades que interferiu no êxito no início do Proasf em 2007 foi a falta de capacitação dos técnicos da entidade em trabalhar com famílias visando, principalmente, o aspecto de geração e renda. Você acha que é responsabilidade do poder público 126 implantar uma política de capacitação para os profissionais da rede conveniada ou é responsabilidade da entidade conveniada com a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim. Por quê?______________________________________________________________ ( ) Não. Por quê? ______________________________________________________________ 20- É sabido que no ano de 2011 houve uma capacitação para os profissionais da SMPCIS sobre a Assistência Social. ( ) Foi satisfatória? Por quê?_____________________________________________________ ( ) Foi insatisfatória? Por que?_____________________________________________________ ( ) Foi razoável? Por que?________________________________________________________ 21- Na compreensão do Serviço Paif existe o trabalho social com famílias que consiste em um conjunto de procedimentos implementados por profissionais, a partir de pressupostos éticos, conhecimento teórico-metodológico e técnico-operativo. Enquanto técnico da equipe do Cras, foi realizado esse trabalho social com as famílias? ( ) Sim. ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 22- Em caso afirmativo, de que forma? R- ____________________________________________________________________________ 23- Em caso afirmativo, desde quando é realizado o trabalho social com famílias? R- ____________________________________________________________________________ 24- Segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais aprovada em 11/11/2009, o Paif visa atender a alguns públicos-alvo. Dentre os usuários dos serviços, assinale aqueles que os técnicos do Cras fazem o acompanhamento social com as famílias: ( ) Famílias beneficiárias de programa de transferência de renda e dos benefícios assistenciais; ( ) Famílias que atendem os critérios dos programas de transferência de renda e benefícios assistenciais, mas que ainda não foram contempladas; ( ) Famílias em situação de vulnerabilidade em decorrência de dificuldades vivenciadas por algum de seus membros; ( ) Famílias com pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social; ( ) Nenhuma das situações acima mencionadas. 25- Ainda em relação ao trabalho social com famílias, assinale os públicos-alvo que são acompanhados por técnicos de entidades conveniadas com a Prefeitura de Suzano: ( ) Famílias beneficiárias de programa de transferência de renda e dos benefícios assistenciais; 127 ( ) Famílias que atendem os critérios dos programas de transferência de renda e benefícios assistenciais, mas que ainda não foram contempladas; ( ) Famílias em situação de vulnerabilidade em decorrência de dificuldades vivenciadas por algum de seus membros; ( ) Famílias com pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social; ( ) Nenhuma das situações acima mencionadas. 26- Como o Proasf acompanhava famílias beneficiárias dos Programas Bolsa-Família e Renda Cidadã, havia um trabalho social por parte da equipe dos técnicos do Cras em específico para as famílias desses programas? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 27- Em caso afirmativo, de que forma e desde quando é realizado esse trabalho?______________ 128 QUESTIONÁRIO PARA O COORDENADOR DA ENTIDADE NOME: _____________________________________________________ CARGO: ____________________________________________________ 1- Qual é a sua opinião sobre o Proasf? ( ) É um programa com características próprias e que representa as necessidades do município ( ) É a versão do PAIF no âmbito municipal ( ) É um programa que avançou em relação ao Paif ( ) É um programa que regrediu em relação ao Paif ( ) É um programa que conseguiu articular a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual?________________________________________________________________ 2- Trabalhando com as famílias beneficiárias de programa de transferência de renda no Proasf na região do Cras, a entidade conseguiu: ( ) Concretizar o princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) Concretizar o princípio da Descentralização político-administrativa e Territorialização ( ) Concretizar a articulação com a rede socioassistencial ( ) Concretizar a política de direitos socioassistenciais ( ) Outro. Qual?____________________________________________________________ Para você o que é o Paif? ________________________________________________________ 4- Quanto à metodologia de trabalho do Paif e Proasf? ( ) É igual ( ) É diferente ( ) É melhor ( ) É pior ( ) Outro. Qual? ________________________________________________________________ Justifique sua resposta:____________________________________________________________ 6- Ao trabalhar com as famílias do Proasf, o técnico da entidade fala sobre o Paif? ( ) Sim ( ) Não 129 Em Caso negativo quais são os motivos? ______________________________________ 7- Considerando que o Proasf tem como objetivos trabalhar em rede pública e privada através das secretarias de Promoção Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações. Enquanto coordenador do projeto,você conseguiu trabalhar em rede? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos?___________________________________________________ 7- Você acha que a implantação do Proasf? ( ) Não provocou nenhuma mudança ( ) Sim, houve mudanças. Quais?__________________________________________________ 8- A verba do Proasf é a mesma do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Nesse caso, de onde vem a verba?__________________________________________ ( ) Desconhece 9- O que tem de ponto comum entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual ?________________________________________________________________ 10- O que tem de ponto diferente entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual ?_______________________________________________________________ 11- Considerando que a execução direta é realizada por técnico de entidade, você avalia que essa forma de execução é? ( ) Satisfatória ( ) Insatisfatória. Nesse caso, quais são os motivos?__________________________________ 12- Foi criado algum documento que regulamentasse a parceria entre a entidade executora do Proasf e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim. Quais?________________________________________________________________ 130 ( ) Não ( ) Desconhece 13- O Proasf conseguiu fortalecer a parceria entre a entidade executora e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 14- É responsabilidade dos técnicos do Poder Público fazer o monitoramento do trabalho executado pelas entidades. No caso do acompanhamento das atividades do Proasf, esse trabalho foi satisfatório? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 15 – O convênio do Proasf entre a entidade executora e Prefeitura de Suzano foi até dezembro de 2011. Você acha que o convênio deve continuar? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 16 – Em caso afirmativo, deve ser da mesma forma do convênio anterior? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 17- No ano de 2011 houve a Conferência Nacional de Assistência Social cujo lema é “Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores”. Entre suas propostas há a preocupação com a capacitação dos trabalhadores do Suas. Você participou de alguma capacitação? ( ) Sim ( ) Não. 18- Em caso afirmativo, quais foram os temas discutidos, quem ministrou, qual foi a periodicidade? R- _____________________________________________________________________________ 131 QUESTIONÁRIO PARA O TÉCNICO DA ENTIDADE NOME: ________________________________________________________ CARGO:_______________________________________________________ 1- Qual é a sua opinião sobre o Proasf? ( ) É um programa com características próprias e que representa as necessidades do município ( ) É a versão do Paif no âmbito municipal ( ) É um programa que avançou em relação ao Paif ( ) É um programa que regrediu em relação ao Paif ( ) É um programa que conseguiu articular a rede socioassistencial ( ) Outro. Qual?__________________________________________________________ 2- Trabalhando com as famílias beneficiárias de programa de transferência de renda no Proasf na região do Cras, a entidade conseguiu? ( ) Concretizar o princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) Concretizar o princípio da Descentralização político-administrativa e Territorialização ( ) Concretizar a articulação com a rede socioassistencial ( ) Concretizar a política de direitos socioassistenciais ( ) Outro. Qual?_____________________________________________________________ 3- Para você o que é o PAIF? R- ___________________________________________________________________________ 4- Ao trabalhar com as famílias do Proasf, foi falado sobre o que é o Paif? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos?___________________________________________________ 5- Quanto à metodologia de trabalho do Paif e Proasf: ( ) É igual ( ) É diferente ( ) É melhor ( ) É pior Justifique sua resposta:__________________________________________________________ 132 ( ) Outro. Qual? ________________________________________________________________ 6- Quanto ao convênio firmado com a Prefeitura de Suzano no segmento sociofamiliar, foi satisfatório? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos?___________________________________________________ 7- Considerando que o Proasf tem como objetivos trabalhar em rede pública e privada através das secretarias de Promoção Social, Saúde, Educação, Habitação e outras organizações. Enquanto técnico do projeto, você conseguiu trabalhar em rede? ( ) Sim ( ) Não. Quais foram os motivos?___________________________________________________ 8- Você acha que a implantação do Proasf? ( ) Não provocou nenhuma mudança ( ) Sim, houve mudanças. Quais?__________________________________________________ 9- A verba do Proasf é a mesma do Paif? ( ) Sim ( ) Não. Nesse caso, de onde vem a verba?__________________________________________ ( ) Desconhece 10- O que tem de ponto comum entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual ?________________________________________________________________ 11- O que tem de ponto diferente entre o Proasf e o Paif? ( ) A ênfase no princípio da Matricialidade Sociofamiliar ( ) O fortalecimento de vínculos familiares ( ) A família ser beneficiária de programa de transferência de renda ( ) A metodologia de trabalho ( ) Outro. Qual ?____________________________________________________________ 133 12 - Considerando que a execução direta é realizada por técnico de entidade, você avalia que essa forma de execução é? ( ) Satisfatória ( ) Insatisfatória. Nesse caso, quais são os motivos?__________________________________ 13 - Foi criado algum documento que regulamentasse a parceria entre a entidade executora do PROASF e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim. Quais?_______________________________________________________________ ( ) Não ( ) Desconhece 14 - O Proasf conseguiu fortalecer a parceria entre a entidade executora e a Prefeitura de Suzano? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?______________________________________________________________ 15- É responsabilidade dos técnicos do Poder Público fazer o monitoramento do trabalho executado pelas entidades. No caso do acompanhamento das atividades do Proasf, esse trabalho foi satisfatório? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_______________________________________________________________ 16- O convênio do Proasf entre a entidade executora e Prefeitura de Suzano foi até dezembro de 2011. Você acha que o convênio deve continuar? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_____________________________________________________________ 16 – Em caso afirmativo, deve ser da mesma forma do convênio anterior? ( ) Sim ( ) Não. Por quê?_____________________________________________________________ 17- No ano de 2011 houve a Conferência Nacional de Assistência Social cujo lema é “Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores”. Entre suas propostas há a preocupação com a capacitação dos trabalhadores do Suas. Você participou de alguma capacitação ministrada pelo Poder Público? ( ) Sim ( ) Não. 18- Em caso afirmativo, quais foram os temas discutidos, quem ministrou, qual foi a periodicidade? R- ____________________________________________________________________________