NATUREZA E ESTRUTURA DO
MATERIAL GENÉTICO
ÁCIDOS NUCLEICOS
INTERVENÇÃO EM MUITAS
REACÇÕES IMPORTANTES
TRANSPORTE DA
INFORMAÇÃO GENÉTICA
DUPLICAÇÃO FIEL
TRANSCRIÇÃO SELECTIVA
VARIABILIDADE
REPLICAÇÃO
DNA
TRANSCRIÇÃO
RNA
TRADUÇÃO
PROTEÍNA
NOMENCLATURA DOS ÁCIDOS NUCLEICOS
BASES RARAS
DNA
RNA
As células também contêm
nucleótidos com o grupo
fosfato noutras posições:
• 2’ monofosfatos
• 3’ monofosfatos
• 2’,3’ monofosfatos cíclicos
Exemplos:
• Adenosina 3’,5’ monofosfato
cíclico (cAMP)
• Guanosina 3’,5’ monofosfato
cíclico (cGMP)
Funções?
Os ácidos nucleicos
formam-se através de
ligações fosfodiéster entre
nucleótidos sucessivos
O esqueleto covalente é
hidrofílico
Os grupos OH dos açúcares
estabelecem ligações de
hidrogénio com a água
Os grupos fosfato encontramse completamente ionizados e
carregados negativamente a
pH=7
OLIGONUCLEÓTIDOS
< 50 nucleótidos
POLINUCLEÓTIDOS
> 50 nucleótidos
As cargas negativas são
neutralizadas por interacções
iónicas com cargas positivas
das proteínas, iões metálicos
e poliaminas
AS PROPRIEDADES DAS BASES AFECTAM A ESTRUTURA
TRIDIMENSIONAL DOS ÁCIDOS NUCLEICOS
¾ Compostos com características
básicas fracas
¾ Moléculas conjugadas; a ressonância
entre os átomos do anel confere às
ligações propriedades de duplas
ligações parciais
¾ Moléculas planares ou quase planares que apresentam
tautomerismo consoante o pH
¾ Moléculas hidrofóbicas e relativamente insolúveis a pH próximo da
neutralidade da célula
¾ Interacções hidrofóbicas entre as bases minimizam o contacto com
a água e estabilizam a estrutura tridimensional dos ácidos
nucleicos
¾ Grupos funcionais (azoto do anel, grupos carbonilo e amino
exocíclicos) estabelecem ligações de hidrogénio entre as bases
EXPERIÊNCIA
DE
GRIFFITH
EXPERIÊNCIA
DE
HERSHEY – CHASE
1953
ESTUDOS DE CHARGAFF
¾ A composição em bases do DNA varia de espécie
para espécie
¾ Os DNA isolados de diferentes tecidos da mesma
espécie apresentam todos igual composição em
bases
¾ A composição em bases do DNA de determinada
espécie não varia em função da idade, do estado
nutricional ou de mudanças do meio ambiente
¾ Em todos os DNA celulares, independentemente
da espécie, o nº de adenosinas é igual ao nº de
timidinas (A = T) e o nº de guanosinas é igual ao
nº de citidinas (G = C)
AS CADEIAS POLINUCLEOTÍDICAS ADOPTAM
ESTRUTURAS EM HÉLICE
A ESTRUTURA EM HÉLICE É DETERMINADA
PELAS PROPRIEDADES DAS BASES
Moléculas conjugadas, planares, hidrofóbicas e praticamente
insolúveis em água
EMPILHAMENTO DAS BASES (stacking)
mantido por interacções hidrofóbicas, van der Waals e dipolo-dipolo
A DUPLA HÉLICE DO DNA
MODELO DE WATSON-CRICK
1953
¾ 2 CADEIAS POLINUCLEOTÍDICAS
¾ COMPLEMENTARES
¾ ANTIPARALELAS (estabilidade)
¾ SULCO MAIOR (ideal para ligação de proteínas) E SULCO MENOR
¾ ESTRUTURA ESTABILIZADA POR:
ligações de hidrogénio
forças de van der waals
interacções dipolo-dipolo
¾ A CONFORMAÇÃO DA DUPLA HÉLICE ESTÁ RELACIONADA
COM A EXPRESSÃO DOS GENES, DADO QUE INFLUENCIA A
LIGAÇÃO DE PROTEÍNAS REGULADORAS
FORMAS TRIDIMENSIONAIS
DIFERENTES DO DNA
A VARIAÇÃO ESTRUTURAL DO DNA REFLECTE
3 PARÂMETROS:
¾ diferentes conformações possíveis da
desoxirribose
¾ rotação nas ligações que constituem o esqueleto
fosfo-desoxirribose
¾ rotação livre na ligação C - 1’- N - glicosídica
Desoxirribose:
• Endo
• Exo
Possibilidade de rotação
livre em 7 ligações
diferentes do esqueleto
de fosfo-desoxirribose
Rotação livre na ligação C - 1’- N - glicosídica
Devido a condicionamentos de ordem estérica
apenas 2 conformações estáveis se observam:
• Syn
• Anti
DIFERENTES FORMAS TRIDIMENSIONAIS
DA MOLÉCULA DE DNA
SOLUÇÕES QUE PROVOCAM
CERTAS SEQUÊNCIAS
DESIDRATAÇÃO DO DNA
INDUZEM FORMA Z
EXISTÊNCIA INCERTA
ZONAS DE REGULAÇÃO
ESTRUTURAS POUCO HABITUAIS
DAS SEQUÊNCIAS DE DNA
ESTRUTURA EM GANCHO
APENAS UMA CADEIA DE
DNA OU RNA
ESTÁ ENVOLVIDA
ESTRUTURA CRUCIFORME
AS DUAS CADEIA DE DNA
ESTÃO ENVOLVIDAS
EMPARELHAMENTO DE HOOGSTEEN
Posições de Hoogsteen → N-7, O6 e N6 das purinas
H - DNA
TAT
CGC
GGC
AAT
TETRAPLEXES DE GUANOSINA
a) anti-paralelos
b) paralelos
Formam-se nos telómeros
que são regiões ricas em guanosinas
SEQUÊNCIA ESPECÍFICA
DE AMINOÁCIDOS NUMA
PROTEÍNA FUNCIONAL
INFORMAÇÃO GENÉTICA
CODIFICADA NO DNA
RNA
ESTRUTURA
¾ Cadeia simples
¾ Conformação helicoidal com rotação
para a direita
¾ Interacção por empilhamento de bases
(mais forte entre purinas)
ESTRUTURAS MAIS COMPLEXAS
DAS MOLÉCULAS DE RNA
PRESENÇA DE SEQUÊNCIAS COMPLEMENTARES
¾ dupla hélice na forma A
¾ nunca se observou a forma B
¾ a forma Z apenas foi observada em laboratório
EMPARELHAMENTO INCORRECTO, OU BASES NÃO
EMPARELHADAS, LEVAM À FORMAÇÃO DE:
¾ Saliências (bulges)
¾ Círculos (loops)
ESTRUTURAS MAIS COMPLEXAS
DAS MOLÉCULAS DE RNA
O RNA PODE EMPARELHAR COM REGIÕES COMPLEMENTARES
DE RNA OU DNA:
¾ Emparelhamento G – C ou A – U (T)
¾ Ligações de hidrogénio que
não seguem a regra de Watson-Crick
¾ Emparelhamento G – U muito comum
¾ Emparelhamento antiparalelo
ESTRUTURAS TRIDIMENSIONAIS ÚNICAS E COMPLEXAS
tRNA da fenilalanina de levedura
Ribozima em cabeça de martelo
Intrão de Tetrahymena thermophila
SUPERCOILING DO DNA
TOPOLOGIA (DO DNA)
¾ ESTUDO DAS PROPRIEDADES DE UM OBJECTO
QUE NÃO SE ALTERAM SOB DEFORMAÇÕES
CONTÍNUAS
¾ AS DEFORMAÇÕES CONTÍNUAS INCLUEM
MUDANÇAS CONFORMACIONAIS DEVIDAS A
MOVIMENTO TÉRMICO OU A INTERACÇÕES COM
PROTEÍNAS OU OUTRAS MOLÉCULAS
¾ AS DEFORMAÇÕES DESCONTÍNUAS ENVOLVEM A
QUEBRA DA CADEIA DE DNA
SUPERCOILING DO DNA
¾ O supercoiling corresponde ao sobre-enrolamento da dupla
hélice de DNA como resultado de uma tensão estrutural
A replicação e a transcrição
do
DNA
requerem
a
separação das cadeias de
modo que afectam e são
afectadas pelo supercoiling
¾ Propriedade intrínseca da estrutura terciária do DNA
¾ Ocorre em todos os DNA celulares e encontra-se altamente
regulado em cada tipo de célula
SUPERCOILING DO DNA
10,5 pares de bases por
cada volta da dupla hélice
¾ Menos voltas da dupla hélice
¾ Maior número de pares de bases por volta
Tensão termodinâmica
¾ Nos DNA circulares isolados a tensão estrutural é
aliviada preferencialmente pelo supercoiling, em vez da
separação das cadeias, porque requer menos energia
que a necessária para a quebra de pontes de hidrogénio
¾ In vivo, contudo, é favorecida a separação de cadeias
dado que permite o acesso à informação nelas contida
Cada célula desenrola activamente o seu DNA com ajuda de processos
enzimáticos de onde resulta um estado de tensão que representa uma
forma de energia armazenada
Estado de desenrolamento:
¾ Facilita a compactação do DNA
¾ Permite o acesso de enzimas necessárias à separação de
cadeias que ocorre em diversas fases do metabolismo do DNA
¾ A MAIORIA DO DNA CELULAR ENCONTRA-SE DESENROLADO
¾ O DESENROLAMENTO PROVOCA TENSÃO TORCIONAL QUE
INDUZ O DNA A DOBRAR-SE SOBRE SI PRÓPRIO
REMOÇÃO DE UMA VOLTA
PROVOCA
TENSÃO ESTRUTURAL
SUPERCOILING DO DNA
¾ Enrolamento da dupla hélice sobre si própria
¾ DNAs circulares fechados
¾ DNAs lineares complexados com proteínas que bloqueiam
as extremidades da dupla hélice
Supercoil negativo
favorecido pelo desenrolamento
da hélice
Supercoil positivo
favorecido pelo sobre-enrolamento
da hélice
NÚMERO DE LIGAÇÃO
Linking number
Nº de voltas completas de uma cadeia sobre a outra
NÚMERO DE LIGAÇÃO
Linking number
Nº de voltas completas de uma cadeia sobre a outra
O DESENROLAMENTO DO DNA PROVOCA
MUDANÇA NO LINKING NUMBER
CÍRCULO RELAXADO
Lk = 20 = Lk0
∆Lk
Lk0
∆Lk== Lk
Lk -- Lk
0
QUEBRA DA CADEIA
∆Lk = - 2
nick
Lk = NÃO DEFINIDO
Lk = 18
A DIFERENÇA ESPECÍFICA DE LINKING
-2
__
= - 0,1
σ=
20
σ=
∆Lk
Lk0
Nº VOLTAS ELIMINADO
Nº VOLTAS NO
DNA RELAXADO
SUPERCOIL NEGATIVO
O GRAU DE DESENROLAMENTO
(σ x 100)
DA MAIORIA DOS DNA CELULARES É 5 - 7%
PROMOÇÃO DE
ESTRUTURAS
CRUCIFORMES PELO
DESENROLAMENTO DO
DNA
SUPERCOILS
NEGATIVOS
E
POSITIVOS
TOPO-ISOMERASES
Enzimas que afectam o supercoiling do DNA
FUNÇÕES
¾ Manter o DNA no estado de supercoiled,
importante para a função de muitas enzimas tal
como a RNA polimerase
¾ Aliviar a tensão induzida pelo desenrolamento da
dupla hélice durante os processos de replicação
e de transcrição
¾ Necessárias
para
a
condensação
e
empacotamento do DNA no mínimo espaço
possível
TOPO-ISOMERASE
¾
Conhecidas
como
enzimas
nicking - closing
Linking number = n
¾
Monoméricas (≈ 100 kD)
¾
Presentes
em
TIPO I
procariotas
e
eucariotas
¾
Formam
um
intermediário
covalente transitório com o DNA
¾
Não
necessitam
de
cofactor
energético para a sua actividade
¾
Removem supercoils negativos →
> Lk
Linking
number = n + 1
TOPO-ISOMERASE
TIPO II
∆ LK = 0
∆ LK = - 2
¾
Introduz supercoils negativos - < LK
¾
Requer a presença de ATP - ATPases
¾
Relaxa supercoils positivos ou negativos
¾
Mecanismo de “inversão de sinal”
¾ Durante todos os processos biológicos em que o
DNA está envolvido (replicação, transcrição, etc),
a dupla hélice separa-se.
¾ As forças que a mantêm unida devem ser
adequadas para manter a sua estabilidade, mas
suficientemente fracas para facilitar a separação
das cadeias quando necessário.
¾ O
estado
dinâmico
da
dupla
hélice
é
caracterizado por um movimento constante das
partes abertas ao longo da cadeia.
TIPOS DE SUPERCOILING DO DNA
PLECTONÉMICO
IN VITRO
SOLENOIDAL
COMPACTAÇÃO DO DNA
IN VIVO
PROPRIEDADES QUÍMICAS DOS ÁCIDOS
NUCLEICOS
DESNATURAÇÃO
Processo correspondente à separação das duas cadeias
da dupla hélice
A desnaturação pode ser provocada por:
¾
¾
¾
¾
aumento de temperatura
compostos alcalinos
forças iónicas baixas
reagentes desnaturantes (compostos que enfraquecem ou
quebram as pontes de hidrogénio)
EFEITO HIPOCRÓMICO
A absorvência de uma solução de DNA é
cerca de 40% inferior à soma das
absorvências das bases individuais
No entanto, quando o DNA se desnatura
completamente o valor da sua
absorvência atinge praticamente o valor
esperado através da soma das
absorvências das bases individuais
RENATURAÇÃO
Processo correspondente ao reemparelhamento das
bases após uma desnaturação
1 PASSO
2 PASSOS
Observa-se novamente um
EFEITO HIPOCRÓMICO
tm - TEMPERATURA DE FUSÃO
DEPENDE:
• pH
• FORÇA IÓNICA
• TAMANHO DO DNA
• SEQUÊNCIA
NUCLEOTÍDICA
A DETERMINAÇÃO DO tm A pH E FORÇA IÓNICA FIXOS
DEPENDE DA COMPOSIÇÃO EM BASES
A SEPARAÇÃO DE CADEIAS
ANTES DA REPLICAÇÃO E
DA TRANSCRIÇÃO DÁ-SE
EM ZONAS RICAS EM PARES
A=T
HIBRIDAÇÃO
Processo correspondente à reassociação de duas
cadeias, com igual ou diferente origem
DNA - DNA
RNA - RNA
DNA - RNA
TRANSFORMAÇÕES NÃO-ENZIMÁTICAS
¾ ALTERAÇÕES
EXPONTÂNEAS
NA
ESTRUTURA
COVALENTE DOS NUCLEÓTIDOS CONSTITUINTES DOS
ÁCIDOS NUCLEICOS
¾ OCORREM MUITO LENTAMENTE, MAS REVESTEM-SE DE
IMPORTÂNCIA FISIOLÓGICA PORQUE A CÉLULA
TOLERA MAL ALTERAÇÕES NA SUA INFORMAÇÃO
GENÉTICA
¾ MUTAÇÕES
ALTERAÇÕES
QUE
PROVOCAM
MUDANÇAS
PERMANENTES
NA
INFORMAÇÃO
GENÉTICA. ENCONTRAM-SE RELACIONADAS COM OS
PROCESSOS DE ENVELHECIMENTO E CARCINOGÉNESE
POR QUE É QUE O DNA
TEM TIMINA
E NÃO URACILO?
DESAMINAÇÃO
DESPURINAÇÃO
RADIAÇÃO ULTRA-VIOLETA
RADIAÇÕES
IONIZANTES
Xeγ
ƒ
ABERTURA DO ANEL
ƒ
FRAGMENTAÇÃO DAS
BASES
ƒ
QUEBRA DO ESQUELETO
COVALENTE DOS ÁCIDOS
NUCLEICOS
PRECURSORES
AGENTES
DO ÁCIDO NITROSO
ALQUILANTES
Provocam desaminação
Provocam a metilação das bases
Usados na alimentação
como conservantes
DMS metila guanina em O6metilguanina que não pode
emparelhar com citosina
DANOS OXIDATIVOS
A fonte mais importante de alterações
mutagénicas no DNA
Durante os processos de irradiação, ou
como produto intermediário do metabolismo
aeróbico, formam-se espécies de oxigénio
super-reactivas (peróxido de hidrogénio,
radicais hidroxilo, radicais superóxido)
A célula dispõe de sistemas de defesa
(catalase, superóxido dismutase) para
destruir estas espécies reactivas,
convertendo-as em produtos inofensivos
A alteração do DNA ocorre devido a um
grande e complexo grupo de reacções que
vão desde a oxidação da desoxirribose e das
bases até a ruptura na cadeia nucleotídica
METILAÇÃO DAS BASES DO DNA
¾ Certas bases são enzimaticamente metiladas
¾ Adenina
e
citosina
são
metiladas
mais
frequentemente que guanina e timina
¾ A
metilação
ocorre
geralmente
em
determinadas sequências e regiões do DNA
¾ A função da metilação é conhecida em certos
casos, enquanto que em outros permanece
por esclarecer
¾ Todas as DNA metilases utilizam a S-adenosilmetionina (SAM) como dador de grupos metilo
FUNÇÕES DA METILAÇÃO EM E.coli
¾ Dois sistemas de metilação:
1. Mecanismo de defesa que auxilia a célula
a distinguir o seu próprio DNA do DNA
estranho (metila o seu DNA e destrói o DNA
estranho que não apresenta grupos metilo)
2.
Mecanismo
de
reparação
de
erros
ocorridos durante a replicação (metila as
adenosinas da sequência GATC em N6metiladenosina)
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Natureza e estrutura do material genético