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m a i o r
m í d i a
d a
c o m u n i d a d e
í t a l o - b r a s i l e i r a
www.comunitaitaliana.com
Ano XIV – Nº 119
ISSN 1676-3220
R$ 10,90
Rio de Janeiro, maio de 2008
O retorno
Pela terceira vez, Silvio Berlusconi assume como
primeiro-ministro. A esquerda foi abatida. No
Brasil, há expectativas de mais investimentos ao
contrário do que aconteceu em seu último mandato
Designers brasileiros fazem sucesso em Milão
Fotos: Divulgação
18
CAPA
Silvio Berlusconi (ao lado de Gianfranco Fini, novo presidente da Câmara dos Deputados) volta ao
poder político, na Itália. Dessa vez, com ainda mais força. Agora, ele tem uma rara maioria no Parlamento, graças à nova força adquirida pela Liga Norte, partido xenófobo e direitista, aliado do PDL.
Editorial
Luz Amarela...................................................................................06
Cose Nostre
Atualidade
Casos de violência contra a mulher, maioria praticada
no próprio lar, é alvo de campanha na Itália....................................34
Os 60 anos da Constituição Italiana serão lembrados
na Festa da República que o consulado do Rio de Janeiro
promove nos dias 30 e 31 de maio e 1º de junho............................07
Perfil
Economia
Gastronomia
Umberto Vattani aposta no incremento das
relações comerciais entre Brasil e Itália������������������������������������������������� 14
Negócios
E-Motion, distribuidora italiana do ramo de mobilidade, usa o
Brasil como sede de expansão de suas atividades fora da Europa....... 17
32
Entrevista
No Parlamento
O ítalo-brasileiro Fabio Porta
fala sobre seus planos para a
Câmara dos deputados
4
De menina de rua no Rio de Janeiro à fotógrafa em Roma, Rosa
Neves ganha a vida na Itália e conquista seu chão no Brasil ...........35
Região do Vêneto patrocina escola de gastronomia e
hotelaria no Piauí e garante oportunidade de capacitação
a dezenas de jovens do estado do nordeste brasileiro������������������ 56
Café
O gaúcho Everton Penning Peter é o melhor barista do Brasil...........59
41
42
Beleza
Miss Itália
Turismo
Verona
Baiana disputará pelo Brasil
título de ítalo-descendente
mais bonita do mundo
ComunitàItaliana
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Maio 2008
Às vésperas dos Dias dos
Namorados, cidade de Romeu e
Julieta inspira romance
52
Vinho
Fraudes
Denúncias envolvendo
produtores famosos sacodem
a 42ª edição da Vinitaly
COSE NOSTRE
Julio Vanni
FUNDADA EM MARÇO DE 1994
Diretor-Presidente / Editor:
Pietro Domenico Petraglia
(RJ23820JP)
Festança
O
Publicação Mensal e Produção:
Editora Comunità Ltda.
Tiragem: 30.000 exemplares
Esta edição foi concluída em:
02/05/2008 às 17:30h
S
ilvio Berlusconi volta a se sentar na cadeira de primeiro-ministro italiano. Pela terceira vez. Sua vitória, nas últimas eleições, não foi, de fato, uma grande surpresa.
Desde o início da campanha, as pesquisas de intenção de votos apontavam para
este resultado. O que as pesquisas não detectaram é que ele voltaria com uma força que
nunca teve. Afinal, vai governar com maioria no Parlamento e sem as pressões tradicionalmente exercidas pelos partidos de esquerda como o comunista, o socialista ou o verde, que não conseguiram espaço na nova legislatura. Isso, sim, uma surpresa.
Em nossa reportagem de capa os analistas se mostram cautelosos. Observam que
o Berlusconi de hoje está um pouco diferente e não apenas na aparência, após fazer um
implante capilar. Durante a campanha, pouco prometeu. Agora, dá sinais de que pode
dividir seu mandato, na prática, com a grande força que emergiu das urnas: Umberto
Bossi, líder da Liga Norte.
Graças à expressiva votação do partido que representa o rico norte da Itália,
Berlusconi obteve sua confortável vitória. O problema é que a Liga é declaradamente
xenófoba. Odeia imigrantes. Também acha uma
bobagem o voto do italiano no exterior, uma
conquista recente.
Nas últimas vezes em que foi primeiroministro, Berlusconi deu pouquíssima importância
para o Brasil. Agora, como será? Nesta edição,
temos uma entrevista com o presidente do ICE,
embaixador Umberto Vattani, que se mostrou
otimista em relação ao futuro do intercâmbio
comercial e cultural entre os dois países. Durante
sua passagem pelo Rio de Janeiro, acompanhei
seu encontro com o governador Sérgio Cabral que
expressou para ele as mesmas preocupações. É
bom lembrar que Cabral iniciou, no ano passado,
uma série de negócios entre o Rio e várias cidades
O governador Sérgio Cabral
italianas e não quer ver isso interrompido.
e o editor Pietro Petraglia
No que depender das promessas do único
representante do Brasil eleito para o Parlamento italiano, Fábio Porta, a tendência é
melhorar. Em entrevista para Comunità, ele afirmou que vai se empenhar para mostrar,
na Itália, que os milhões de italianos no exterior não representam um problema, mas uma
solução. Mas, segundo ele, trata-se de uma “riqueza” que tem passada desapercebida
pelos governantes de lá. No Parlamento, Porta terá a companhia de quatro argentinos,
eleitos pela América Meridional: Esteban Juan Caselli e Mirella Giai, no Senado, Ricardo
Merlo e Giuseppe Angeli, na Câmara. Nesta edição, você poderá conhecê-los melhor.
Se a possibilidade de viver em um país que tende para a direita agrada os italianos,
uma coisa, porém, não tem deixado a população satisfeita: as várias e constantes
denúncias a respeito de fraudes em produtos “sagrados” do made in Italy como o vinho,
o azeite e a mozzarella. Algumas dessas denúncias estouraram em pleno Vinitaly, a
grande feira italiana dedicada à enologia, e causou indigestão, como mostra uma das
nossas reportagens.
Nem tudo são flores, mas a revista não deixou de lado as boas coisas da vida.
Como um bom romance. Nossa sugestão de turismo, este mês, é Verona, a cidade de
Romeu e Julieta, onde casais gostam de curtir o dia dos namorados. Também mostramos
as novidades da feira de móveis de Milão e apresentamos o melhor barista do Brasil, o
gaúcho Everton Penning Peter, e a bela miss Itália-Brasil, a baiana Renata Marzolla.
Distribuição: Brasil e Itália
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Boa leitura!
ISSN 1676-3220
6
ComunitàItaliana
editorial
Sigilo quebrado
D
esde 1º de maio, não é mais “segredo de Estado” qualquer documento oficial italiano que tenha recebido esse título há mais
de 30 anos. A lei de reforma dos serviços de inteligência estabelece
que o período máximo de vigência do segredo de Estado será de 15
anos, e que, em certas circunstâncias, poderá ser prorrogado apenas
por um prazo igual. O poder de classificar como segredo de Estado os
documentos caberá ao presidente do Conselho de Ministros, que poderá decretá-lo quando for necessário para a “salvaguarda de interesses
supremos e imprescindíveis” do país.
Lavazza
ataca em SP
Coen abrem
Veneza
A
Lavazza, líder no setor
de café na Itália e a sexta maior torrefadora do mundo,
acaba de colocar os pés em São
Paulo. A italiana consolidou a
compra da Café Terra Brasil, especializada em café expresso.
Com 48 milhões de dólares para
investir até 2010, a empresa não
descarta a compra de novas empresas em outras praças e define,
ainda neste ano, os detalhes finais da fábrica - a primeira fora
da Itália - que montará no Brasil. No início do ano, a empresa já havia comprado a Café Grão
Nobre Ltda., com atuação no Rio
de Janeiro. A marca processa 2,2
milhões de sacas de café por ano
na Itália, dos quais um milhão
sai do Brasil.
O
Ansa
Diretor: Julio Cezar Vanni
s 60 anos da constituição italiana prometem parar o centro da
cidade do Rio. Com direito a exposição, shows com grandes nomes da música, apresentações de grupos folclóricos e muita gastronomia, a comemoração tem como mote a região da Calábria. Além
da TIM e da Vale, novos patrocinadores como a Petrobrás e estandes
das prefeituras de Angra dos Reis e Barra do Piraí se farão presentes
no evento que conta com a participação da Comunità. Dias 30 e 31
de maio e 1º de junho, na Praça Virgílio de Melo Franco.
H
á aproximadamente três meses do início das Olimpíadas de
Pequim, na China, os protestos contra o domínio do país sobre o Tibet se intensificam ao redor do mundo. Na Itália, também
houve protestos. Cerca de 300 manifestantes ocuparam a Praça
de San Marco, em Roma, em favor da liberdade da província. Com
faixas contendo frases como “Tibet livre” e “Vida longa ao Dalai
Lama”, os ativistas defenderam o boicote aos Jogos Olímpicos.
Futebolísticos
M
ilan Junior Camp, a colônia de férias oficial e temática do AC Milan,
abriu as inscrições para a temporada 2008
em São Paulo e no Rio de Janeiro. O evento será realizado entre 20 e 26 de julho,
podendo participar meninos e meninas
entre 8 e 13 anos. Treinadores das categorias de base do AC Milan vêm ao Brasil e
acompanhados de treinadores brasileiros,
coordenam cinco horas diárias de aula.
Proibido mendigar
O
prefeito da cidade onde nasceu e morreu
São Francisco de Assis, proibiu a mendicância. Cláudio Ricci, do Forza Italia, assinou
um decreto que proíbe pedir esmolas “a menos de 500 metros de igrejas, lugares de culto, monumentos, praças e edifícios públicos”.
O prefeito também proibiu os visitantes da
Como um Google
P
ara quem está em busca das origens da
família, ou de outras informações que
facilitem a busca de documentos para pedido de dupla cidadania, o Governo de Minas,
através do Arquivo Público Mineiro, colocou
na Internet o registro de imigrantes que chegaram a Minas Gerais. São documentos que
preservam os registros da imigração no Estado e permitem uma busca detalhada sobre as
famílias. Mais informações em www.siaapm.
cultura.mg.gov.br
cidade de “tombarem ou sentarem no chão,
perto de locais de culto, edifícios públicos e
sob pórticos”, como fazem muitos turistas.
Para garantir o cumprimento da medida, já
em vigor, foi instalado um circuito com 60
câmeras, enquanto voluntários (muitos deles
ex-militares) controlam o território.
filme Burn After Readin, produzido e dirigido pelos irmãos cineastas
Joel e Ethan Coen, vai abrir a
65ª Mostra Internacional de
Cinema, a ser realizada entre
27 de agosto a 6 de setembro,
na Bienal de Veneza. Com a
participação de astros como
George Clooney, John Malkovich e Brad Pitt, o longa será
apresentado em pré-estréia
mundial durante a cerimônia
de abertura da mostra italiana. Na comédia dark, Malkovich interpreta o papel de um
ex-agente da CIA cuja memória acaba nas mãos de dois
instrutores de uma academia
em Washington.
Rapidinhas
● Falcão, meninos do tráfico, de MV Bill e
Celso Athayde, ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival de Milão.
● Os cantores Gilberto Gil e Ivan Lins,
o violonista Yamandu Costa e o jazzista
Stefano Bollani são alguns dos artistas
convidados do 20º Veneto Jazz Festival.
De 30 de julho a 2 de agosto.
● A Itália pode enfrentar o Brasil em um
amistoso no dia 11 de fevereiro de 2009,
em Londres (Inglaterra). A informação é
da Federação Italiana de Futebol (FIGC).
● A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
celebrou o centenário de nascimento
de Luigi Bogliolo, italiano, ex-professor do departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal. O mestre foi
um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Patologia, que presidiu entre
1960 e 1962.
Entretenimento com cultura e informação
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Maio 2008
Maio 2008
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ComunitàItaliana
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opinião
serviço
agenda
frases
Você considera positivo o resultado
das eleições italianas?
Sim – 66.7%
“Vir ao país de vocês e ter comprado uma
casa no lago de Como, foi a melhor coisa
que já fiz em minha vida. Cada vez que
pouso aqui fico feliz. Estou tendo aulas de
italiano três vezes por semana”,
George Clooney, ator americano.
Não – 33.3%
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 16 a 19 de abril.
Você acha que Ronaldinho será mesmo
contratado pelo Milan?
Não – 62.5%
“Meu desejo é de que a atenção da Itália
à América Latina não seja só um fato
conjuntural ou casual, mas a linha e uma das
prioridades da política exterior italiana”,
Sim – 37.5%
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 11 a 15 de abril.
Donato di Santo, vice-chanceler italiano,
ao participar de um simpósio sobre
microfinanças no Equador.
“É uma derrota clara, de proporções
imprevistas: agora deve começar
uma discussão entre todos os
componentes que constituem a
esquerda italiana”,
Fausto Bertinotti,
candidato a premier
pela Esquerda
Arco-Íris
“Na minha mente não me dei conta dos
70 anos, porque tenho muita energia,
mas o tempo passa para todos”,
Claudia Cardinale, atriz italiana que
completou 70 anos no dia 15 de abril
e receberá uma homenagem durante o
Festival de Cannes, devido aos seus 50
anos de carreira.
Xylexpo-Sasmil 2008 (Milão)
De 27 a 31 de maio, a cidade do
norte da Itália torna-se sede da
segunda mais importante feira mundial de máquinas, equipamentos, acessórios, componentes e matérias primas para a
indústria de madeira e do mobiliário. Informações através do email [email protected]
18ª Expobento (Bento Gonçalves)
A Feira da Indústria, Comércio e
Serviços de Bento Gonçalves é
realizada no Parque de Eventos
da cidade gaúcha, em uma área
de 50 mil m². Terá a participação
de 1.050 expositores e são espe-
rados 150 mil visitantes, vindos
de diversos pontos do Rio Grande
do Sul e de estados como Santa
Catarina, Paraná e São Paulo.
Atrações: Città de la Moda, desfiles, espaço para apresentação
de empresas e entidades, Espaço Cultural, Espaço Variedades,
Indústria, Comércio e Serviços,
Piazza Del Vino, Piazza Per Mangiare, Salão Automotivo, shows
e a exibição da IX Motoserra.
Acontece de 5 a 15 de junho. De
segunda a sexta-feira, das 18h
às 22h30min, sábados e feriados, das 10h às 22h30min, domingos, das 10h às 21h. Outras
na estante
O ser e a vida. A obra de Oscar Niemeyer, em portuguêsespanhol, reflete acerca da importância da literatura na
formação humana e na construção de um país mais justo. O
arquiteto centenário nos fala de como a leitura foi relevante
em sua vida pessoal e profissional. Ele destaca a importância
de obras clássicas de escritores como Lima Barreto, Mário de
Andrade, Eça de Queiroz, Machado de Assis e Voltaire, além de
colegas contemporâneos como Jorge Amado, “velho e querido
camarada”, e Graciliano Ramos, companheiro da época de
militância no PCB. Esses dois, destaca Niemeyer, foram os
principais responsáveis
pelo conhecimento que
adquiriu a respeito de vários problemas e assuntos. O
livro contém, ainda, uma carta especialmente enviada
por Fidel Castro, citado pelo autor como exemplo heróico
para a juventude. Editora Revan, 48 páginas, 34 reais.
Uma Vida com Karol. O livro traz a público as memórias do secretário particular de João Paulo II, o cardeal
Stanislaw Dziwisz, que revela segredos como a trama
da KGB para matar o Papa. Com a experiência de quem
acompanhou João Paulo II durante quarenta anos, o
cardeal fala das opiniões, as esperanças e os medos do
Papa. São histórias sobre os bastidores do Vaticano,
relatadas em parceria com o jornalista Gian Franco Svidercoschi. Editora Objetiva, 264 páginas, 34,90 reais.
cartas
“E
stou muito satisfeita por ser assinante da Comunità e gostaria de sugerir que em suas páginas pudéssemos ler mais
sobre regiões históricas da Itália, suas curiosidades. Inspirada por
uma matéria da Comunità, eu visitei a cidade que tem o meu nome, alguns anos atrás. Estudo italiano e se esse tipo de matéria
sobre regiões e curiosidades não saíssem em português seria mais
um estímulo à leitura”
click do leitor
“A
cabei de chegar da Itália e Nápoles foi a última cidade que visitei e a que mais me impressionou pela
alegria dos habitantes e pelo colorido
da cidade. O passeio pela orla napolitana e Posilipo foi encantador e inesquecível. Não poderia deixar de tirar esta
foto com a Baía de Nápoles e o Vesúvio
como cenário. Na próxima vez, a viagem
começa por lá.
Luiz de Aquino, Rio de Janeiro - RJ
Mande sua foto comentada para esta coluna
pelo e-mail: [email protected]
“C
ome avevo previsto, la Destra Italiana ha vinto con larga
margine. Solo quelli di sinistra, più accanitti, ripetevano
agli elettori, ma inutilmente, che la distanza tra i due schieramenti già non esisteva più, anzi che la loro vittoria era certa. Grandi
illusi. Hanno usato tutte le armi, anche le più subdole, per convincere gli elettori, ma questi adesso capiscono, tra gesti falsi e
parole bugiarde, dove sta la veritá. Saluti cordiali!”
Alba Vivacqua,
Rio de Janeiro, RJ, por e-mail
8
ComunitàItaliana
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Maio 2008
informações: (54) 2105-1966 ou
[email protected]
IX Filó Italiano (Garibaldi)
Município distante 105 km de
Porto Alegre (RS), Garibaldi
foi colonizado, principalmente, por imigrantes italianos. O
evento, promovido pelo Clube de Mães Descobrindo o Bem
Viver e pela Emater/Ascar, terá culto religioso em italiano e
latim, culinária típica e baile.
Local: Capela e Salão Comunitário de Linha Araújo e Souza.
Horário: 19h. Informações: (54)
3462-1602. E-mail: emgbaldi@
emater.tche.br
Arquivo pessoal
enquete
Pietro Fontana,
Guarapari, ES, por carta
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ComunitàItaliana
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Opinione
Opinione
Ezio Maranesi
Uragano politico- Sta cambiando
religioso in Paraguay il vento?
Il Vescovo Cattolico Fernando Lugo eletto Presidente della Repubblica
I
n Europa, dove mi trovo in
questo periodo, credo che
pochi abbiano nozione delle
problematiche e forse perfino dell’esistenza del Paraguay.
Ma in questi giorni i giornali
ne hanno diffusamente parlato
per la straordinaria vicenda del
Vescovo Cattolico Lugo, che ha
spezzato il 20.4.2008 oltre 60
anni di egemonia del partito
conservatore Colorado, eleggendosi Presidente della Repubblica
per ampio margine (il 40% dei
voti, contro il 30% del Partito
Colorado, prevalendo in Paraguay il Partito di maggioranza,
anche se relativa).
In Brasile, il Paraguay è noto per la gigantesca idroelettrica
binazionale Itaipu sul fiume Paraná di ben 12.600 MW, realizzata dal Governo militare brasiliano negli anni ’70, con la clausola
che il Paraguay avrebbe ceduto
al costo l’eccedenza dei suoi modesti fabbisogni energetici. Inoltre, è attraverso il Paraguay, le
cui importazioni sono del tutto
liberalizzate, che vengono contrabbandati in Brasile (ponte
da Amizade dell’Iguaçu) ingenti quantitativi di merci, specie
cinesi; è in Paraguay – membro
del Mercosud – la destinazione di
molti veicoli rubati in Brasile, e
non pochi coltivatori brasiliani
si sono installati nelle zone più
fertili del Paese, prima per l’allevamento del bestiame, poi – e
con notevoli profitti – per piantarvi la soia, il cui prezzo internazionale ha avuto recentemente
notevoli aumenti, in gran parte
esportata negli USA dai porti di
Paranaguà e Santos.
10
Il Paraguay è relativamente
piccolo, circa 400.000 Km² e poco abitato, un 6 milioni di abitanti, di cui circa l’80% meticci
in gran parte di origine Guaranì, la cui lingua è correntemente parlata; reddito pro-capite
di appena dollari 1.500 distribuiti molto male, con le solite
500/1.000 famiglie dominanti
ed il resto proletariato contadino per oltre il 40% ed urbano,
assenza di industrie di rilievo,
quasi 90% i cattolici.
E dire che il Paraguay, conquistata nel 1811 l’indipendenza
dalla Spagna, era diventato 50
anni dopo una potenza militare
legata soprattutto all’allora Prussia (Germania), con mire espansionistiche sugli Stati vicini (Brasile, Argentina e Uruguay) che
costituirono una triplice alleanza: ne seguì un conflitto durissimo iniziato nel 1865 e concluso
solo nel 1870 con l’occupazione
del Paraguay, che subì ingenti
perdite umane e territoriali.
In un Sudamerica che ha avuto negli ultimi tempi una decisa sterzata a sinistra, con regimi
radicali populisti in Venezuela,
Bolivia, Equador e Argentina e
di centrosinistra in Brasile, Cile,
Uruguay e Peru, rimanevano due
eccezioni: la Colombia ingaggiata, con l’aiuto USA, in un’interminabile guerra contro i narcos
delle FARC che occupano buona
parte del Paese ed il Paraguay in
cui il partito conservatore Colorado prevaleva puntualmente ogni
5 anni in elezioni formali (con
una lunga parentesi dittatoriale
del Generale Stroessner, pure Colorado, deposto nel 1989).
ComunitàItaliana
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Maio 2008
Ma qualcosa si è mosso nel
1992 in una zona tra le più povere del Paese, la città di San Pedro,
il cui giovanissimo vescovo cattolico, che aveva allora 40 anni,
Fernando Lugo, si era clamorosamente rifiutato di partecipare
all’inaugurazione fatta dal Presidente della Repubblica di un moderno aeroporto militare costato
5 milioni di dollari, considerandolo una cattedrale nel deserto
(la previsione si è puntualmente
avverata) ed un insulto alla popolazione povera locale che mancava di strade, scuole, ospedali,
fognature, infrastrutture.
Il vescovo Lugo, con notevole ritardo, si era avvicinato
alla teologia della liberazione
nata in Brasile verso gli anni
‘70 con il francescano Leonardo
Boff, animatore di movimenti
sociali e riscatto dei poveri che
avevano avuto ampi consensi in
Brasile, poi osteggiati dagli anni ‘80 e rapidamente emarginati nel papato di Giovanni Paolo
II, che si avvalse dell’azione intransigente dell’allora cardinale
Ratzinger, responsabile vaticano
del Santo Uffizio ed attuale papa Benedetto XVI.
Comunque, da quanto riportano i giornali internazionali, il
movimento progressista di Lugo sarebbe rimasto circoscritto
e poco conosciuto fino al 2006,
quando questi maturò l’idea di
costituire un movimento nazionale di cittadinanza denominato
“tekojoja” che, in lingua guaranì,
significa “uguaglianza”, rivolto a
contadini, indigeni, senza terra,
studenti universitari e cioè a tutto il proletariato paraguayano.
Lugo - mettendosi a capo del
movimento - infrangeva le leggi
del diritto canonico, non potendo un vescovo – la cui nomina è
irrevocabile - ritornare allo stato
laicale ed abbracciare la politica
e veniva sospeso “a divinis” dalla
Santa Sede da vescovo emerito di
San Pedro, dopo 30 anni di fattivo sacerdozio. E cioè Lugo veniva
sospeso dal sacerdozio, restando
tuttavia vescovo.
Ora che è stato eletto inaspettatamente addirittura presidente
della Repubblica, spetta al papa
il giudizio finale e cioè se stabilire una deroga al regolamento sia
pure pro-tempore, o ribadire una
posizione intransigente, nel qual
caso occorre vedere quale sarà la
reazione di Lugo e dei suoi seguaci. Da quanto riportano alcuni giornali, la stessa Costituzione
del Paraguay vieterebbe ai religiosi l’impegno politico e quindi,
se Lugo non ottenesse la dispensa papale, i Colorados potrebbero
forse ricorrere per annullare l’elezione dopo l’incredibile batosta.
Anche il Brasile ha grossi interessi in ballo, in quanto una
delle rivendicazioni del Partito
Tekojoja è la revisione degli accordi contrattuali sull’idroelettrica di Itaipu, dai quali il Paraguay
riceverebbe dal Brasile circa 300
milioni di dollari all’anno, ritenuti del tutto inadeguati dati i recenti vertiginosi aumenti di prezzo dell’energia elettrica. Quindi il
presidente Lula ha reagito all’elezione del vescovo Lugo con preoccupata cautela, affermando
– dopo le felicitazioni di prassi
- che gli accordi contrattuali comunque non si toccano.
Qualche sprazzo di sereno, dopo tanta nebbia
C
i siamo talmente abituati
a vedere l’Italia impantanata, incapace di rivolte
orgogliose, che accettiamo come un ovvio e atteso karma il nostro declino economico, il
deterioramento dei nostri migliori
valori, l’appannamento dei nostri
splendori culturali. Fattori oggettivi sfavorevoli possono aver contribuito a farci assimilare la nostra rassegnazione: nuovi assetti
geopolitici, nuovi e degradati modelli sociali, nuova diffusa cultura
da supermercato. Dovremmo avere dei leader capaci di navigare in
questo difficile mare. Non li abbiamo avuti e non li abbiamo. Prodi
disse un giorno: la classe politica
è l’espressione della società che la
elegge. Spero che Prodi, una volta
in più, si sia sbagliato. La società italiana non può essere inetta
come hanno mostrato di essere i
suoi dirigenti. E allora guardiamo
avanti. Nelle ultime settimane alcuni eventi hanno indicato che
qualcosa sta cambiando. Nel bene
o nel male, a seconda dei gusti.
Ma svegliarsi dal letargo è già comunque un buon segnale.
Berlusconi ha vinto le elezioni.
Berlusconi può piacere o non piacere, ma è una buona notizia sapere che, Lega permettendo, avremo cinque anni di governo stabile.
Berlusconi è un imprenditore e sa
pensare in grande. Ha dimostrato
di essere capace di fare. E l’Italia di oggi ha bisogno di qualcuno che faccia. Il politico teorizza,
parla; l’imprenditore produce. Uno
Stato ovviamente non va gestito
come una impresa, ma certi principi che l’impresa adotta, per esempio efficienza e meritocrazia, sono
universalmente validi.
La Lega Nord ha ottenuto un
clamoroso successo. Considerata
spesso un fenomeno folkloristico locale, ha saputo interpretare i
sentimenti di gran parte della popolazione del Nord Italia. Ha parlato con la gente in modo semplice, diretto, facile da capire, a volte
rozzo e pittoresco. La gente ha capito e le ha dato il suo voto. Non
credo che la Lega voglia ricostituire uno Stato Lombardo-Veneto.
Essa vuole che sia data autonomia
e responsabilita amministrativa alle Regioni, che ciascuna Regione
costruisca il suo proprio destino.
Le nostre Regioni hanno stupende peculiarità, naturali, artistiche
e umane. In un mondo sempre più
uniforme, valorizzare le proprie
specifiche attitudini può essere la
chiave del successo. Sono convinto che un Sud autonomo avrebbe
gestito la “questione meridionale” meglio di quanto ha fatto negli
anni il governo centrale.
Dal quadro politico sono sparite le forze estremiste, di destra
e di sinistra. A destra, il fascismo
è sparito da un pezzo e solo la
retorica sulla Resistenza continua ad ammonirci sui pericoli che
corre la democrazia. Ora la destra
non ha più rappresentanti in Parlamento. L’eclisse totale della sinistra è clamoroso, ma non dovrebbe sorprendere. La gente è
stanca di una classe dirigente comunista che si ritiene depositaria
dei veri valori morali, culturali e
intellettuali, di una gauche caviar in cachemire che non sa indicare cammini pratici e concreti
per affrontare i problemi italiani.
È mio desiderio che l’adozione di
un modello di società socialista
crei una “città del sole”; sarebbe
bello, ma qui sulla terra il modello ha fallito, dovunque. E allora
l’operaio, il pensionato, il lavoratore precario, il bottegaio, hanno
preferito la concretezza alla ideologia, e hanno votato Lega.
Ho citato tre fatti recenti che
possono essere svolte epocali nel-
la storia del nostro Paese ma, al
momento, possiamo solo avere
fede e speranza. Un fatto concreto, meno importante di quelli citati ma molto significativo, mi ha
fatto gioire: Milano è stata scelta come sede della Esposizione
Universale del 2015. Pochi anni
fa Trieste, candidata italiana alla
Expo 2008, era stata battuta da
Saragozza. Pochi mesi dopo Napoli, candidata ad ospitare l’American Cup, era stata battuta da Valencia. L’Expo Universale significa
miliardi di investimenti per Milano
e per il Nord, decine di milioni di
visitatori provenienti da tutto il
mondo che per sei mesi visiteranno la città e l’Italia, e potrà essere
l’occasione per mostrare al mondo
che l’Italia c’è, è viva e ha ancora
molto da dire. Chissà che la scelta di una città italiana ad ospitare
l’Expo sia il segnale che sta iniziando un nuovo ciclo; chissà che
gli italiani siano capaci di cogliere
l’ottima opportunità.
Grupo Keystone
Franco Urani
Opinione
articolo / notizie
Fabio Porta
Addetto agricolo
Una risposta polemica a chi – in Italia e fuori – continua ad attaccare il diritto di voto degli italiani nel
mondo. Dietro al facile moralismo torna ad affacciarsi un vecchio e mai spento pregiudizio…
S
econdo qualcuno sarò un deputato “inutile e costoso”;
anzi, saremo, visto che l’affermazione è relativa a tutti
i 18 parlamentari eletti all’estero.
Può darsi, visto che tutte le
opinioni sono legittime e – fino a
prova contraria – accettabili anche se discutibili.
Ovviamente permettetemi di
non condividere tale parere, non
solo perché, come sosterrò più
avanti, sono convinto che sia il
frutto di un vecchio e ancora radicato pregiudizio italiano verso
tutto ciò che l’emigrazione e l’Altra Italia rappresentano, ma anche perché mi sembra totalmente
infondato e ingiusto.
Inizio proprio da questa ultima considerazione.
Si sostiene che i parlamentari
eletti all’estero sarebbero costosi;
esiste in Italia un forte dibattito sugli alti costi della politica e
sugli sprechi relativi a quella che
viene definita (a volte con ragione) una vera e propria “casta”.
Personalmente sono favorevole
alla riduzione tanto del numero di
deputati (630) e senatori (315)
quanto dello stipendio dei parlamentari italiani, mediamente superiore di circa 20% a quello dei
nostri colleghi europei.
Detto questo, e tornando al
punto in questione (il costo e
l’utilità dei 18 eletti all’estero),
mi sembra corretto fornire alcune
informazioni utili alla formazione
di un giudizio sull’argomento.
Parliamo della Camera dei Deputati (ma il ragionamento po-
12
trebbe valere anche per il Senato): i circa 48 milioni di elettori
residenti in Italia eleggono (se si
escludono i 12 eletti all’estero)
618 deputati: una media di circa
1 deputato ogni 77.700 elettori;
in Sudamerica abbiamo eletto 3
deputati, ciascuno dei quali corrisponde ad un numero di circa
333.000 elettori.
In poche parole: in proporzione i parlamentari eletti all’estero
sono meno, mentre hanno le stesse funzioni e responsabilità dei
loro colleghi eletti in Italia; un
rapporto di oltre 1 a 4.
Se la Camera dei Deputati italiana mantenesse lo stesso rapporto tra il numero degli elettori
e i parlamentari diminuirebbe in
un colpo solo di oltre la metà il
numero dei seggi e – conseguentemente – buona parte dei suoi
costi generali.
Quella che ho appena fatto
non è assolutamente una riflessione di carattere istituzionale;
non si tratta di una proposta di
riforma del sistema bicamerale
né una valutazione di carattere
politico. Ci sono altre sedi ufficiali ma anche di dibattito pubblico che affronteranno il problema nei modi e nei tempi dovuti.
La mia è, in questo caso, una
semplice provocazione che – ancora una volta – vuole aprire gli
occhi a qualche ingenuo che (in
buona fede?) pretende addossare
agli italiani all’estero colpe, responsabilità e addirittura costi
che non credo proprio ci possano
essere addebitati.
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Veniamo adesso all’altro punto in questione, l’utilità.
Anche qui vorrei domandare
al mio critico interlocutore: “Sei
proprio sicuro che l’utilità e – aggiungerei – la ‘produttività’ di
questi 18 parlamentari sia inferiore a quella dei loro 925 (!) colleghi eletti in Italia?”. Lasciatemi
dissentire, o quantomeno dubitare fortemente a riguardo.
Quello che sostengo, evidentemente, è che la “utilità e il costo” della politica e dei suoi rappresentanti può (e forse “deve”)
essere un interessante tema oggetto di discussione e approfondimento, magari tra tesi e argomenti contrapposti; non posso
condividere, invece, la maniera
subdola e fuorviante con la quale
si lega questo tema ad una delle
più importanti conquiste democratiche del nostro Paese: il diritto per chi risiede all’estero di
partecipare alla vita democratica
italiana potendo eleggere direttamente i propri rappresentanti.
La storia dell’Italia ed il suo
sviluppo sono state segnate, fin
dalla nascita dello Stato unitario,
dalle fortissime spinte migratorie
verso l’estero e – successivamente – dall’apporto degli stessi emigrati e delle loro famiglie all’economia del Paese; questi italiani
di prima e poi di seconda e terza
generazione, hanno costruito con
orgoglio e sacrificio intere nazioni senza mai dimenticare l’attaccamento agli ideali ed ai valori
della loro terra di origine. Oggi il
voto e la straordinaria possibili-
tà di avere dei nostri parlamentari eletti all’estero può significare
l’avvio di una nuova fase nel rapporto dell’Italia con i propri connazionali e discendenti nel mondo; una fase dove probabilmente
(e ancora una volta) il saldo sarà
positivo proprio per il nostro Paese, come più volte ho provato a
spiegare ed argomentare.
Alla facile retorica di chi ridicolizza e banalizza il voto all’estero e gli eletti fuori dall’Italia rispondo, con altrettanto spirito
provocatorio, che c’è senza dubbio più spirito patriottico tra questi ultimi che tra i parlamentari di
un partito, la Lega Nord, che ha
fatto in questi anni della derisione e a volte dell’offesa al sentimento nazionale una propria bandiera politica e programmatica.
Il 29 aprile ho partecipato
alla seduta inaugurale del Parlamento italiano con questo spirito
e con un motivato sentimento di
orgoglio; non per avere raggiunto un importante traguardo personale, ma per la consapevolezza
di rappresentare in quel momento
tutti gli italiani, quelli che vivono
nella nostra bellissima e amatissima Italia ma anche – direi soprattutto – quelli che vivono all’estero. E, tra questi, le centinaia di
migliaia di cittadini residenti e i
31 milioni di nostri discendenti
in Brasile, che in quel momento
(unico tra i 18 parlamentari eletti all’estero) rappresentavo, onorando il mio mandato di deputato
eletto nella Circoscrizione America Meridionale.
tto ambasciate brasiliane all’estero passeranno ad avere un
addetto agricolo. Secondo il quotidiano Folha de S.Paulo,
chi occuperà l’incarico avrà il compito di sondare mercati e facilitare negoziati su temi sanitari. Le ambasciate scelte sono
quelle in Argentina, Cina, Giappone, Russia, Stati Uniti, Africa
del Sud, a Bruxelles – perché è la capitale dell’Unione Europea –
e a Ginevra, dove rimane la sede delle Nazioni Unite in Europa.
I futuri addetti agricoli dovranno essere impiegati regolarmente
ammessi con concorso fatto presso il Ministério da Agricultura
– veterinari o ingegneri agronomi. Dopo essere stati scelti, affronteranno un addestramento presso l’Instituto Rio Branco per
sei mesi prima di assumere le loro funzioni. Questa misura ha
per meta evitare problemi come quello del recente episodio che
ha causato il divieto all’esportazione della carne brasiliana da
parte della UE.
Petrobras sale
L
a rivista nordamericana Forbes, punto di riferimento in economia, il mese scorso ha pubblicato un ranking con le duemila maggiori imprese del mondo. Il Brasile è risultato con 34
istituzioni, 19 in più rispetto al ranking anteriore, pubblicato nel
2004. L’impresa brasiliana che presenta la miglior posizione continua ad essere la Petrobras, che è salita dal 51° al 19° posto e
si è lasciata dietro giganti come la Telefonica (34°) e la Deutsche
Bank (32°). La seconda maggior impresa tra quelle brasiliane è
stata la Vale, che è al 76° posto. La banca britannica HSBC è al
primo posto nella classifica.
Acervo da ABL - Richam Samir
Primi appunti di
un parlamentare…
“inutile e costoso” (?!)
La finestra
O
Centenario dell’ABI
L’
Associação Brasileira de Imprensa ha compiuto 100 anni
ed è stata festeggiata dall’ Academia Brasileira de Letras,
il mese scorso, a Rio. I legami che uniscono le istituzioni rimontano alla fine del XIX secolo. Fondatori della ABL come Rui Barbosa, Olavo Bilac e Machado de Assis usavano i giornali dell’epoca per esternare critiche sociali, e nomi come quello di Barbosa
Lima Sobrinho e Roberto Marinho sono presenti negli annali delle due istituzioni.
Per omaggiare i professionisti dell’informazione, il presidente
della ABL, Cícero Sandroni, anche lui giornalista, ha presieduto
una Sessione Solenne in cui ha parlato di Alexandre José Barbosa
Lima Sobrinho. Responsabile diretto della richiesta di apertura di
impeachment dell’ex presidente Fernando Collor de Mello, e primo
oratore iscritto per difendere il processo, Sobrinho è stato presidente dell’Academia e dell’ Associação..
— Per me il Dottor Barbosa era una persona con cui il dialogo
era sempre ricchissimo. Aveva la capacità di ascoltare e anche di
convincere quelli che non erano d’accordo con lui senza perdere
le staffe — ha messo in risalto Sandroni.
Daniele Mengacci
[email protected]
È
andata come previsto, per
Berlusconi ancor meglio, il
PDL è stato beneficiato dal premio di maggioranza, compenso
elettorale per essersi “sacrificato” una terza volta proponendosi
alla guida del Paese.
È andata come previsto anche per il PD di Veltroni, che ha
raggiunto l’obiettivo di essere
l’unico partito di opposizione
senza una vera identità che lo
distingua dal PDL, perdipiù essendosi sbarazzato dei petulanti
partitini arcobaleno.
L’elettorato ha dato a questi
ultimi, e ai socialisti, un messaggio chiarissimo: non servite più
al Paese.
La loro uscita dalla scena
parlamentare ha marcato non solo la fine della Prima Repubblica,
ma la fine di un’epoca storica,
iniziata nel XVIII secolo, del modo di fare politica in Italia, dominato dalle ideologie, tanto di
destra come di sinistra.
Lo stesso messaggio è andato a quell’insieme di media e spettacolo rappresentato
dal Corriere della Sera e Beppe
Grillo, vocianti esponenti della
protesta qualunquista. Gli elettori che pensano che la politica
si fa con la morale e le manette
hanno preferito votare l ‘Italia
dei Valori dell’ex questurino Di
Pietro, ritenuto più affidabile
per aver già mostrato di cosa
è capace.
Tutte le rose hanno le spine,
e cosí quella del PD ha appunto quelle dell´IdV, partitino che,
se il Cavaliere non fosse il leader del PDL, certamente si sentirebbe più a suo agio nella nuova maggioranza; e quella del PDL
si chiama Lega Nord, con le sue
tendenze neofasciste e xenofobe, in buona parte giustificate,
e molto apprezzate da una certa
borghesia nordica, così come da
un elettorato operaio a confronto con gli immigrati.
Maio 2008
/
La fine di
un’epoca
Il nuovo panorama parlamentare comprende anche la
dubbiosa vittoria della UDC di
Pierferdinando Casini, che non
ha avuto consensi più ampi. Di
fatto, la sua idea di essere la
vera novità, proponendo il ritorno di un grande centro, non
ha sedotto.
Lo schema politico parlamentare italiano si avvicina molto
a quello statunitense, con due
grandi partiti al potere in alternanza e dove il modello economico, il capitalismo, non è posto
in discussione.
I problemi politico economici presenti sullo scenario internazionale sono tali da far tremare i polsi a chiunque, si pensi
solo alla crescita continua del
costo energetico ed alla preoccupante crescita del costo mondiale degli alimenti.
L’Italia soffre di una crisi
economica scatenata dagli errori del governo precedente e
dalla mancanza di un chiaro
ruolo sullo scenario internazionale, ma anche da questioni etiche come quelle poste
dalle nuove biotecnologie e da
pressioni indebite della Chiesa
Cattolica per la revisione, se
non l’abolizione, della libertà
di aborto.
L’Italia ha urgente bisogno di
ritrovare se stessa, per non scivolare nell’oblio della storia. A
tanto sono chiamati non solo il
nuovo Governo, ma anche le più
alte Istituzioni nazionali.
Silvio Berlusconi, che gode di
una ampia maggioranza alle Camere, ha l’opportunità di dimostrare che ha la stoffa dello statista, capace di posporre gli interessi di partito e personali a quelli del Paese, o che invece è solo
un uomo di potere come tanti altri, capace solo di tirare avanti la
cigolante carretta Italia.
ComunitàItaliana
13
De passagem pelo Brasil, o presidente do ICE, embaixador Umberto Vattani afirma estar
otimista em relação a um fortalecimento ainda maior das parcerias comerciais entre Itália e Brasil
14
externos do Brasil. É nesta direção que os negócios com o país
devem se expandir, como parte
de uma estratégia de avanço no
mercado globalizado.
— Sob este ponto de vista,
trabalhamos no fortalecimento
de estruturas, ampliação das iniciativas promocionais e pesquisa
de prioridades — explica Vattani, que está à frente do ICE desde
julho de 2005.
O comércio bilateral movimentou 7,8 bilhões de dólares
em 2007, segundo o Ministério
das Relações Exteriores. A Itália é o 13º investidor estrangeiro
no Brasil em várias áreas, entre
as quais, construção civil, indústrias têxtil, de calçados, automotiva, de autopeças, alimentícia,
máquinas e equipamentos, arquitetura e design. As importações
cresceram 27%, passando de 2,6
bilhões de dólares, em 2006, a
3,3 bilhões de dólares, no ano
passado. As exportações brasileiras chegaram a 4,5 bilhões de
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Divulgação
“S
empre mais Itália no
Brasil e mais Brasil
na Itália” é a meta
do Instituto de Comércio Exterior da Itália (ICE),
nas palavras de seu presidente,
Embaixador Umberto Vattani. Ele
esteve no Brasil para a cerimônia de entrega do Prêmio Especial Leonardo 2008, destinado
a personalidades que tenham se
sobressaído na promoção da Itália. Realizado em São Paulo, no
mês passado, o evento também
comemorou o aniversário de 15
anos da distinção do governo
italiano e de 508 anos do Descobrimento do Brasil.
Segundo Vattani, as exportações italianas aumentaram
49,4%, nos três primeiros meses
de 2008, em relação ao mesmo
período de 2006. Além disso, informa o embaixador, este ano a
“graduatoria” – posto no ranking
– italiana já passou do décimo
lugar para o nono, superando o
Chile na lista dos fornecedores
Tatiana Buff e Nayra Garofle
Premiado pelo empenho no fomento às relações entre Brasil e Itália, o oriundo
e ex-ministro Furlan observa o embaixador Vattani e a atriz Bruna Lombardi
dólares, com aumento de 16%
em comparação ao ano anterior.
— Estes números têm condições de crescer — afirma o presidente do ICE — Trata-se de dar
continuidade às missões iniciadas em 2005 e 2006, na Itália,
pelo presidente Lula e pelo exministro de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior,
Luiz Fernando Furlan e correspondidas por iniciativas seqüenciais do instituto.
Há cerca de 250 empresas
italianas no país. Para Vattani,
é possível ampliar esse número “organizando encontros de
operadores italianos com brasileiros”. Até porque, como observa, “não há um setor no Brasil
sem interesse correspondente
na Itália”.
— A Itália possui uma extensa rede de feiras especializadas e, com a Alemanha, organiza o maior número de eventos
Brasil para investimentos internacionais, devido à estabilidade
econômica. Encontros como este
dão consistência às relações econômicas e permitem bons negócios — afirma o subsecretário de
Estado Coordenador de Relações
Internacionais, embaixador Ernesto Rubarth.
Na prática, isso significa, por
exemplo, a abertura de uma fábrica de helicópteros no estado, além de uma possível participação de empresas do país no
projeto de instalação do trem de
alta velocidade, que visa ligar o
Rio de Janeiro a São Paulo.
Segundo o cônsul da Itália no
Rio de Janeiro, Massimo Bellelli,
que estava presente na reunião,
Cabral demonstrou preocupação
com a continuidade das relações
comerciais entre Brasil e Itália, por
conta da eleição de Berlusconi.
— O governador, que também
representou o presidente Lula na
reunião, demonstrou profundo
interesse em saber como ficarão
as relações comerciais entre os
dois países a partir do novo governo italiano — diz Bellelli.
Na reunião com Cabral, Vattani
não deixou de transmitir um recado do presidente da região do La-
Em reunião no Palácio Guanabara,
Vattani é acompanhado pelo diretor
do ICE no Brasil, Giovanni Sacchi e
o diretor-presidente da Comunità,
Pietro Petraglia. Cordialidade e
expectativas de interação
comercial marcaram a visita
zio, Piero Marazzo, que tem interesse em firmar um acordo de cooperação com o estado fluminense.
Tanto o Rio de Janeiro quanto o
Lazio têm, segundo Rubarth, perfis econômicos bem semelhantes,
pois ambos contam com investimentos na nova economia, com
forte pendor para os setores siderúrgico e audiovisual.
João Carnavos
Vattani no Rio
Após o evento em São Paulo,
Vattani foi ao Rio de Janeiro, onde se encontrou com o governador Sérgio Cabral. A relação do
estado com a Itália vem se fortalecendo, desde setembro do ano
passado, quando, em visita oficial, Cabral foi a Roma. Para dar
prosseguimento às possibilidades
de parcerias internacionais.
— Basicamente, o encontro
colocou em voga possibilidades
de investimentos italianos em
diversos setores da nossa economia. O governador destacou o
bom momento pelo qual passa o
A premiação
D
esfile de modas com as
principais grifes italianas
que estão presentes no Brasil.
Apresentação do pianista brasileiro Arthur Moreira Lima. Cerca de 300 pessoas em traje de
gala, no Museu da Casa Brasileira. Assim foi a cerimônia de
entrega do Prêmio Leonardo ao
ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ele
foi o primeiro brasileiro agraciado com a honraria. Os italianos
Giovanni Agnelli, Luca Cordero
di Montezemolo e Giorgio Armani já receberam o prêmio.
Divulgação
João Carnavos
Bons
acordos
à vista
na Europa, visando favorecer o
intercâmbio de informações e
maior fluxo comercial.
O ICE tem incrementado suas atividades para a internacionalização do Made in Italy no
Brasil e, nesse contexto, abriu
recentemente escritórios no Rio
de Janeiro, Porto Alegre e Belo
Horizonte, em acréscimo à representação de São Paulo. Agora, soma uma rede de 115 escritórios em 86 países. Os investimentos previstos em ações promocionais são da ordem de 120
milhões de euros.
João Carnavos
economia
O evento destacou também
o Grupo Marcegaglia na contribuição ao desenvolvimento do
país. O diretor da empresa no
Brasil, Antônio Carlos Dias de
Oliveira, recebeu o Prêmio Internacional do Ministério do Comércio Internacional pelo Instituto de Comércio Exterior da
Itália em nome de Steno Marcegaglia, fundador da empresa, em
1959. O grupo é líder na Europa
em processamento de aço.
Com investimento inicial de
30 milhões de dólares, a Marcegaglia chegou ao Brasil em 1999
e instalou na cidade de Garuva,
Participação
do Grupo
Marcegaglia no
desenvilvimento
do Brasil foi
destacada por
Vattani
Santa Catarina, uma fábrica que
empregava 85 pessoas. Hoje, o
complexo industrial opera com
550 funcionários e produz anualmente 8 milhões de produtos
siderúrgicos. A empresa está na
terceira fase de ampliação, a ser
concluída em dois anos, quando
deverá empregar mais de mil trabalhadores e fundar uma pequena cidade com infra-estrutura
para dez mil moradores.
Na opinião do ex-ministro
Furlan, está para se iniciar “um
reflorescimento das relações entre Brasil e Itália”. O embaixador italiano Michele Valensise
faz coro com ele:
— O novo governo da Itália
deve não só continuar, mas fortalecer o relacionamento com o
Brasil — afirma — A postura de
abertura do governo brasileiro no
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) garante à Itália
uma participação no conjunto de
medidas e iniciativas em curso.
Na cerimônia, conduzida
pela atriz Bruna Lombardi, o
Maio 2008
/
ex-ministro Furlan comentou o
“bombardeio mundial” contra os
biocombustíveis, responsabilizados pelo aumento dos preços
dos alimentos, argumentando
que a elevação é conseqüência
da alta do consumo de chineses
e indianos, beneficiados pelo
crescimento econômico de seus
países. Furlan destacou os incentivos do ICE às pequenas e
médias empresas brasileiras e
italianas que, a seu ver, operam
de forma similar.
O representante do Comitê
Leonardo, Cavaliere del Lavoro
e senador Alfredo Diana, ressaltou que o prêmio já chegou aos
Estados Unidos, China, Polônia
e Argentina. No Brasil, afirma,
“o Made in Italy se evidencia há
mais de cem anos, pelo trabalho
e cultura de milhões de italianos imigrantes”. Diana lembrou a
história da família Furlan e especialmente do pai do ex-ministro,
Attilio Fontana, fundador da Sadia, “patrícios que contribuíram
para o crescimento do Brasil”.
ComunitàItaliana
15
fortalecimento da área internacional da federação.
— Queremos abrir outros
mercados, como o italiano, que
tem grandes chances de se tornar
um parceiro comercial ainda mais
forte — explica.
Negócios de
mão dupla
Empresas brasileiras e italianas estreitam contatos de
negócios em encontros realizados no sul do Brasil
s estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul
serviram de cenário para
várias rodadas de negócios entre empresários brasileiros
e italianos. Os setores têxtil e de
calçados foram o centro do interesse. Como resultado, “contratos
de milhões de reais devem ser fechados futuramente”, segundo o
diretor executivo da Câmara Italiana e Indústria de Santa Catarina, Antônio Muratore.
Em Florianópolis (SC), cinco
empresas italianas da delegação do Consorzio Bimbo, da região da Toscana, e 19 empresas
catarinenses tiveram como foco
os negócios no setor têxtil. Atualmente, esse segmento soma
16% no valor da transformação
industrial de Santa Catarina. Os
setores têxtil e de vestuário são
os dois mais importantes na indústria do Estado, empregando
124 mil trabalhadores em 6,4 mil
estabelecimentos. Santa Catarina responde por 16% das exportações brasileiras do segmento,
16
com embarques de 351 milhões
de dólares em 2005, praticamente o mesmo resultado do ano anterior (354 milhões de dólares).
Estados Unidos e Argentina são
os dois principais destinos.
— Nossa função era colocar
frente a frente esses empresários
do setor têxtil e daqui para frente
eles se entenderão conformes as
afinidades comerciais. Posso dizer que o interesse dos empresários italianos é de 101% — afirma Muratore que contou com o
apoio da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina para a realização do evento.
A Itália é o quarto país que
mais importa produtos têxteis e
confeccionados de Santa Catarina.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), o estado já vendeu
2,086 milhões de reais somente
nos dois primeiros meses de 2008.
Segundo a empresária italiana
Lucia Fanfani, as empresas catarinenses têm grande potencial na realização de negócios com a Itália.
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Fotos: Divulgação
O
Sarah Castro
Empresários acertam detalhes e
compras de produtos
— Vemos perspectivas de
grandes negócios — avalia.
O empresário João Guedes, de
Chapecó, que faz parte do Núcleo
das Indústrias do Vestuário do
Oeste Catarinense (Nivoc), achou
o encontro positivo porque permitiu conhecer a necessidades
das empresas italianas.
O presidente da Federação
das Associações Empresariais de
Santa Catarina (FACISC), Luiz
Carlos Furtado Neves, explica que
esta ação faz parte do projeto de
Produtos
O Brasil importa da Itália, em primeiro lugar, fio de Nilton (54 milhões de dólares), seguidos por
materiais têxteis de uso técnico
(4,3 milhões de dólares), meias
de algodão (3,9 milhões de dólares), fio elastométrico ( 3,7 milhões de dólares e vários tecidos
sintéticos e artificiais (3,1 milhões de dólares).
O principal produto exportado
para Itália é o algodão (cerca de
7 milhões de dólares), assim como nos seus produtos finais, entre eles, camisetas (9 milhões de
dólares), toalhas e produtos para
cozinha (1,7 milhões de dólares),
calças e calcinhas (1,6 milhões
de dólares) e malhas femininas
(1,4 milhões de dólares). O segundo produto mais exportado é
o fio de seda (cerca de 2 milhões
de dólares), seguido por sungas e
biquínis em tecidos sintético (1,8
milhões de dólares). No Rio Grande do Sul
Com o mesmo objetivo de promover acordos comerciais entre Brasil e Itália, o Instituto Italiano
para o Comércio Exterior (ICE) realizou em Novo Hamburgo a 32ª
FIMEC – Feira Internacional de
Couros, Químicos, Componentes e
Acessórios, Equipamentos e Máquinas para Calçados e Curtumes.
Cinco fabricantes italianos participaram do evento para apresentar seus produtos para pequenos
e médios empresários gaúchos.
A Itália participa na produção interna de diversos produtos no Brasil por ser a primeira
no ranking dos fornecedores de
máquinas para a indústria do calçado e de couro. De 2006 para
2007 foi registrado um crescimento das vendas de 12,8 milhões de dólares para 13,9 milhões de dólares. A Itália fabrica
mais de 50% do total de máquinas, em todo o mundo, o que a
torna líder no setor. Em 2007, registrou um volume total de negócios de 500 milhões de euros,
dos quais mais de 350 milhões
foram provenientes de exportações para 120 países.
Novas rotas
Empresa italiana de distribuição de aparelhos voltados para a
mobilidade usa o Brasil como porta de entrada para a América do Sul
T
rês produtos lançados em
menos de seis meses de
atuação no Brasil. Foi dessa forma que a empresa
italiana E-Motion iniciou a expansão das suas atividades para
fora da Europa. Uma das principais distribuidoras, na Itália, de
produtos eletrônicos para mobilidade - como navegadores portáteis, smartphones e iPods, a
empresa inaugurou uma sede, em
São Paulo, no final do ano passado. Será a partir do Brasil que o
grupo pretende alcançar toda a
América do Sul.
Criada há 10 anos, em Turim,
a E-Motion é uma empresa de médio porte que começou vendendo produtos da Palm, ampliou
seu catálogo com os navegadores Tom Tom, depois com equipamentos da Apple e recentemente,
passou a comercializar o smartphone da HTC. No ano passado,
faturou 175 milhões de euros.
Essa cifra representa um crescimento de 60%, em relação a
2006, segundo informou o diretor-executivo da E-Motion Brasil,
Emanuele Farini Quartara. E pensar que, em 2001, o faturamento
da empresa foi de “apenas” 1,7
milhão de euros.
— O motivo do sucesso foi o
fato de desenvolvermos um trabalho que vai além da mera distribuição de produtos. Nós fazemos um trabalho de co-marketing
para cada item que selecionamos
para vender — explica Quartara.
Sônia Apolinário
Ele cita como exemplo desse
trabalho a decisão de mudar as
vozes dos navegadores vendidos
para os veículos italianos. Nem
a própria empresa poderia prever o sucesso do navegador que
recebeu a voz de Marco Ranzani. Trata-se, na verdade, de um
personagem criado pelo DJ Albertino, popular no rádio. Marco
é um típico italiano do norte da
Itália, muito bem de vida. Suas
instruções dadas aos motoristas,
seguidos de seus comentários,
agradaram em cheio. Mas ele não
foi o único.
Há vozes para todos os gostos, não só na Itália como em toda a Europa. Graças a isso, o navegador holandês Tom Tom, vendido pela E-Motion abocanhou
50% de todo o mercado europeu
e 60% do mercado de navegadores, na Itália. Atualmente, já é
possível comprar navegadores associados a guias, como os que indicam onde encontrar restaurantes adeptos do Slow Food, o movimento internacional que protege identidades culturais ligadas a
tradições gastronômicas.
Foi justamente o Tom Tom o
produto escolhido pela empresa para iniciar suas atividades no
Emanuele Quartara,
diretor-executivo da E-Motion
Brasil. Mas por que a empresa só
chegou por aqui no ano passado?
— Até 2007, a qualidade dos
mapas disponíveis, no Brasil, era
ruim. E sem os mapas, não existem navegadores. Agora, a qualidade está bem melhor, apesar de
ainda não estar como os padrões
dos mapas europeus — explica
Quartara, executivo italiano destacado para comandar a empresa
no Brasil.
Por enquanto, os navegadores
vendidos aqui não têm vozes especiais, voltadas especificamente
para o mercado brasileiro. Segundo ele, a empresa “ainda está se
posicionando no mercado e vozes
podem vir a ser importantes”.
Quartara acredita que os navegadores tendem a se tornar
negócios
tão populares, no Brasil, como já
são na Europa. Foram 20 milhões
de aparelhos vendidos, no Velho
Mundo, somente no ano passado.
No Brasil, em apenas seis meses,
a E-Motion vendeu 50 mil aparelhos. O número é bom, segundo
o executivo italiano, pelo pouco
tempo em que a empresa opera no
país. Mas ainda é pequeno diante
da frota de 30 milhões de veículos
brasileiros. A expectativa da empresa é, em três anos, o mercado atingir a marca de 1 milhão de
aparelhos vendidos, por ano.
— O brasileiro adota tecnologias novas mais rapidamente
do que o europeu, por isso, é um
mercado tão promissor. A respeito dos navegadores, se discute a
questão do poder de compra do
brasileiro. Um aparelho custa entre 1 mil e 2 mil reais. Ao mesmo
tempo, o carro mais barato custa
entre 25 mil e 30 mil reais, o que
significa cerca de 10 mil euros. Na
Itália, um carro popular sai por 8
mil euros — compara Quartara.
Vir para o Brasil significou
para a E-Motion um investimento de cinco milhões de euros. Para obter essa quantia, a empresa
abriu seu capital e vendeu 50%
das suas ações para o Synergo,
um fundo italiano de investimento. O restante das ações continua
nas mãos do presidente da empresa, Felippo Bellotti e seu sócio Wladimiro Mazzotti. No Brasil, Quartara se tornou um dos
sócios do negócio.
— O mercado brasileiro é fantástico, mas a burocracia é demais. Muito mais do que na Itália,
principalmente para quem trabalha com importação. A questão
fiscal é muito complexa. Levamos
quase seis meses para conseguir
começar a operar. A burocracia
atrasou nossa atividade em três
meses. Isso é algo difícil para explicar para investidores estrangeiros — afirma Quartara.
Fotos: Divulgação
negócios
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ComunitàItaliana
17
capa
Il Cavaliere,
parte 3
Valquíria Rey
Correspondente • Roma
Por duas vezes primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi foi eleito pela terceira
vez para o cargo. O resultado da última eleição do país surpreendeu a todos, não
pela volta ao centro do poder político do terceiro homem mais rico e polêmico do
país. Mas pela derrota acachapante da esquerda. Pela primeira vez, socialistas,
comunistas e verdes ficarão de fora do Parlamento. A vitória de Berlusconi lançou
novas luzes para a xenófoba Liga Norte, de Umberto Bossi, que promete ser a
verdadeira sombra de Berlusconi no poder. Em Roma, o novo prefeito é Gianni
Alemanno, também do PDL.
Para ocupar as 18 vagas reservadas para os votos do exterior, dez
parlamentares se reelegeram. Na América do Sul, os eleitos para o senado foram
Esteban Juan Caselli (PDL) e Mirella Giai (Maie). Os deputados eleitos foram
Ricardo Merlo (Maie), Fabio Porta (PD) e Giuseppe Angeli (PDL). Porta é o único
radicado no Brasil. Os outros são todos da Argentina. Esse “placar” de 4 X 1 foi o
mesmo obtido, entre os dois países, em 2006.
C
om implantes capilares e
operações estéticas sob
medida, aparentemente
Silvio Berlusconi, de 71
anos, não mudou muito desde a
sua primeira campanha eleitoral
em 1994. No entanto, depois de
ser eleito para governar a Itália
pela terceira vez em 14 anos, ele
disse não ser o mesmo homem de
2001, quando assumiu o segundo
mandato como primeiro-ministro
(2001-2006). Agora, disse estar
diferente porque, “conhece a máquina do Estado”.
18
C
on i capelli impiantati e
operazioni estetiche fatte su misura, Silvio Berlusconi, 71 anni, apparentemente non è cambiato molto
dalla sua prima campagna elettorale del 1994. Comunque, dopo
essere stato eletto per governare l’Italia per la terza volta in 14
anni, dice di non essere lo stesso
uomo del 2001, quando assunse
il secondo mandato come primo
ministro (2001-2006). Ora dice di
essere diverso perché “conosce la
macchina dello Stato”.
ComunitàItaliana
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Maio 2008
Fotos: Ansa
Due volte primo ministro in Italia, Silvio Berlusconi è stato eletto per la terza
volta per quest’incarico. Il risultato delle ultime elezioni italiane ha sorpreso tutti,
non per il ritorno al centro del potere politico del terzo uomo più ricco e polemico
d’Italia, ma per l’indiscutibile sconfitta della sinistra. Per la prima volta, socialisti,
comunisti e verdi rimarrano fuori dal Parlamento. La vittoria di Berlusconi ha
messo in luce la xenofoba Lega Nord, di Umberto Bossi, che promette di essere
una vera e propria ombra di Berlusconi al potere. A Roma, il nuovo sindaco è
Gianni Alemanno, anche lui del PDL.
Per occupare i 18 incarichi destinati agli eletti con i voti all’estero, sono
stati rieletti dieci parlamentari. In Sudamerica, gli eletti per il senato sono Juan
Esteban Caselli (PDL) e Mirella Giai (Maie). I deputati eletti sono Ricardo Merlo
(Maie), Fabio Porta (PD) e Giuseppe Angeli (PDL). Porta è l’unico a vivere in
Brasile. Gli altri sono tutti in Argentina. Questo risultato tra i due paesi di 4 X 1
è stato lo stesso avutosi nel 2006.
Na avaliação de Franco Pavoncello, professor de Ciências
Políticas da John Cabot University, em Roma, o líder do Partido
do Povo da Liberdade (PDL) está mais seguro e maduro. Dessa
vez, as promessas de campanha
podem ser cumpridas, diferente
do que ocorreu em 94, quando
ele prometeu criar um milhão de
novos postos de trabalho e, em
2001, quando sua bandeira foi
“menos impostos para todos”.
— Será um governo com
muito mais capacidade de fazer. Muito mais efetivo — avalia Pavoncello. — Ele aprendeu
a lição do início do governo de
2001, quando não teve coragem
de fazer coisas importantes como diminuir a despesa pública,
liberalizar o mercado do trabalho, aumentar a competitividade
e tornar o país mais atraente para o mercado externo.
Em suas primeiras declarações após a vitória, Berlusconi
anunciou que realizará uma reforma institucional que dará mais
poderes ao primeiro-ministro, ou
seja, a ele mesmo. Prometeu organizar o país com uma só Câmara legislativa e reduzir o número
de parlamentares e conselheiros.
Mas a maior expectativa era
saber se rezaria, de fato, na cartilha da Liga Norte, que lhe deu
não só a vitória como uma rara
maioria no Parlamento. Parece
que sim. Berlusconi já declarou
que pretende reformar a economia para criar um federalismo fiscal no país e fechar as fronteiras
para os imigrantes ilegais ou, como chamou, “exército do mal” –
as duas grandes bandeiras do grupo liderado por Umberto Bossi.
— Nós precisamos de mais
polícia local, constituindo um
‘exército do bem’ nas praças e nas
ruas para estar entre a população
italiana e o ‘exército do mal’ —
prega Berlusconi em sua primeira
entrevista depois de eleito.
Em seu último período no governo (2001-2006), Berlusconi,
que gosta de dizer que é “amado
por todos”, pouco fez em termos
de reformas econômicas e o país
viveu um período de índice zero
de crescimento.
Cifras altas
Berlusconi é conhecido como Il
Cavaliere, depois de ser nomeado
em 1977 Cavaliere del Lavoro (Cavaleiro do Trabalho). Esse título
Berlusconi in uno dei suoi
molti discorsi
rato che vuole riformare l’economia per creare un federalismo
fiscale in Italia e chiudere le
frontiere agli immigranti illegali
o, come li ha chiamati, lo “esercito del male” – le due grandi
bandiere del gruppo guidato da
Umberto Bossi.
— Abbiamo bisogno di più
polizia locale che costituisca un
“esercito del bene” nelle piazze e
nelle vie per stare tra la popolazione italiana e lo “esercito del
male” — ha dichiarato Berlusconi nella sua prima intervista dopo essere stato eletto.
Nel suo ultimo periodo al governo (2001-2006) Berlusconi, a
cui piace dire che “è amato da
tutti”, ha fatto poco in termini
di riforme economiche e il paese
ha vissuto un periodo di indice
zero di crescita.
Secondo Franco Pavoncello, professore di Scienze Politiche della John Cabot University,
a Roma, il leader del partito Popolo della Libertà è più sicuro e
maturo. Stavolta, le promesse di
campagna potranno essere realizzate, diversamente da ciò che
avvenne nel ’94, quando promise
di creare un milione di nuovi posti di lavoro e, nel 2001, quando
la sua bandiera era stata “meno
tasse per tutti”.
— Sarà un governo con molta più capacità di fare. Molto
più effettivo — valuta Pavoncello. — Berlusconi ha imparato
la lezione dall’inizio del governo
del 2001, quando non ha avuto
il coraggio di fare cose importanti, come diminuire le spese
pubbliche, liberalizzare il mercato del lavoro, aumentare la
competitività e far diventare più
attraente il paese per il mercato estero.
Nelle sue prime dichiarazioni dopo la vittoria, Berlusconi
ha annunciato che metterà in
pratica una riforma istituzionale che darà più poteri al primo
ministro, ossia a lui stesso. Ha
promesso di organizzare il paese
con una sola Camera legislativa
e di ridurre il numero di parlamentari e consiglieri.
Ma la maggior aspettativa riguardava se avrebbe veramente
seguito le indicazioni della Lega
Nord, che gli ha dato non solo la
vittoria, ma anche una rara maggioranza in Parlamento. Sembra
di sì. Berlusconi ha già dichia-
Alte cifre
Berlusconi è conosciuto come il
Cavaliere, dopo essere stato nominato nel 1977 Cavaliere del
Lavoro. Questo titolo è ostentato da centinaia di imprenditori
italiani, ma per qualche motivo,
lui lo ha monopolizzato.
Figlio di un impiegato di
banca di classe media, è il terzo
uomo più ricco d’Italia. Secondo
la rivista Forbes, la sua fortuna
si aggira sui 9,4 miliardi di euro. Presidente del Milan, ha perso la posizione di uomo più ricco
d’Italia l’anno scorso per Michele
Ferrero, il “Signor Nutella”.
Berlusconi è proprietario
dei tre principali canali di TV
d’Italia, di tre quotidiani nazionali, di un settimanale e della
principale casa editrice italiana, la Mondadori. Il suo impero
familiare, la Fininvest, valutata in quasi 12 miliardi di dollari, impiega 20mila lavoratori
ed è presente in ampi settori
dell’economia.
Ex cantante di crociere turistiche, è già stato accusato più
di dieci volte di attività criminali. Nel suo secondo mandato,
ha passato la maggior parte del
tempo ad accusare il potere giudiziario per evitare la prigione.
Attualmente risponde a processo
presso il Tribunale di Milano per
frode fiscale e corruzione giudiziaria, a Napoli, per corruzione
e, a Roma, per istigazione alla
corruzione di alcuni senatori del
centrosinistra perché passassero
all’ala del centrodestra.
Berlusconi em um de seus
muitos discursos
é ostentado por centenas de empresários italianos, mas, por algum motivo, ele o monopolizou.
Filho de um banqueiro de
classe média, é o terceiro homem
mais rico da Itália. Segundo a revista Forbes sua fortuna é de 9,4
bilhões de euros. Presidente do
Milan, ele perdeu a posição de
homem mais rico do país, ano
passado, para Michele Ferrero, “o
Senhor Nutella”.
Berlusconi é dono dos três
principais canais de TV da Itália,
três jornais diários nacionais, um
semanário e da principal editora
italiana, a Mondadori. Seu império familiar, o Fininvest, avaliado
em quase 12 bilhões de dólares,
emprega 20 mil trabalhadores e
está presente em amplos setores
da economia.
Ex-cantor em cruzeiros turísticos, já foi acusado mais de dez vezes por atividades criminosas. Em
seu segundo mandato, passou a
maior parte do tempo atacando o
Judiciário, para evitar sua prisão.
Atualmente, responde a processo no Tribunal de Milão por fraude fiscal e corrupção judiciária,
em Nápoles, por corrupção e, em
Roma, por instigação à corrupção
de alguns senadores da centro-esquerda para que passassem para a
ala de centro-direita.
Maio 2008
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ComunitàItaliana
19
capa
Eminência
parda Leader occulto
Sem papas na língua, Bossi
não teve a menor cerimônia para
se indicar como ministro das Reformas, cargo que já ocupou em
2003. Também escalou Roberto
Maroni para o ministério do Interior (mesmo cargo que ocupou em
1994), Luca Zaia para a Agricultura, Roberto Calderoli para viceprimeiro-ministro e Roberto Castelli para vice-ministro de Infraestruturas. Detalhe: ele definiu o
time mal terminou a apuração dos
votos e antes que o próprio Berlusconi lançasse qualquer nome
para vir a integrar seu governo. O
primeiro ministro vai apresentar
seus indicados para o presidente
Napolitano em maio. O presidente
tem o poder de vetar nomes.
Mas parece que Berlusconi
não se importou. Ao contrário.
Dias depois, ao ser interrogado
na TV sobre quem seria o seu ministro das Relações Exteriores,
Berlusconi pediu um segundo
para consultar Bossi antes de dar
o nome do indicado: Franco Frattini, atual comissário europeu de
Justiça, Segurança e Liberdades.
— Reformas, segurança e defesa da agricultura. Essas foram
as razões pelas quais as pessoas
votaram em nós — repete Bossi,
a todo instante.
E pensar que, antes da contagem dos votos, Berlusconi chegou
a dizer que o imprevisível Bossi
não faria parte do seu governo.
Alegou problemas de saúde do líder de direita. Isso porque, antes
das eleições, diante de uma denúncia de Berlusconi de que as
cédulas eleitorais eram confusas,
Bossi ameaçou “tomar os fuzis
contra os ladrões romanos”. Até o
Cavaliere achou demais.
Fortalecido pela expressiva votação recebida pelo
seu partido, a Liga Norte, Umberto Bossi tem
nas mãos o novo governo de Berlusconi
Rafforzato dalla grande votazione ricevuta dal
suo partito, la Lega Nord, Umberto Bossi ha
nelle mani il nuovo governo di Berlusconi
Valquíria Rey
Correspondente • Roma
N
20
I
n Italia nessuno dubita del fatto che,
dopo Silvio Berlusconi, il grande vincitore delle ultime elezioni politiche è
stato Umberto Bossi, 67 anni. Fino a
poco tempo fa, si diceva che il leader della
Lega Nord – gruppo xenofobo e separatista
del nord – stava per abbandonare la politica
dovuto ad un grave problema cardiaco, le
cui conseguenze sono ancora oggi visibili e
gli impediscono di parlare normalmente.
Invece l’8 e oltre per cento dei voti che
il suo partito ha conquistato alla Camera e al
Senato sono stati fondamentali per la vittoria di Berlusconi. La Lega Nord ha raggiunto
un risultato all’altezza del suo periodo dorato, negli anni ’90. Nel 2001, avevano ottenuto solo il 3,9% dei voti; nel 2006, il 4,6%.
Irrobustiti dal processo elettorale
dell’aprile scorso, Bossi e il suo partito
hanno eletto 60 deputati e 25 senatori.
Senza di loro, Berlusconi non avrebbe la
maggioranza in nessuna delle due case che
formano il Parlamento italiano.
ComunitàItaliana
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Fotos: Ansa
a Itália, ninguém tem dúvida que, depois de Silvio
Berlusconi, o grande vencedor das últimas eleições políticas foi Umberto Bossi,
de 67 anos. Até há pouco tempo,
dizia-se que o líder da Liga Norte
– grupo xenófobo e separatista
do norte do país – estava em vias de abandonar a política em função de um grave problema cardíaco cujas
conseqüências ainda
hoje são visíveis e o
impedem de falar normalmente.
No entanto, os mais
de 8% dos votos que seu partido
conquistou na Câmara e no Senado foram fundamentais para a vitória de Berlusconi. A Liga Norte
alcançou um resultado à altura
de seu período de ouro, nos anos
90. Em 2001, foram apenas 3,9%
dos votos; em 2006, 4,6%.
Fortalecidos com o processo
eleitoral do último abril, Bossi e
seu partido elegeram 60 deputados e 25 senadores. Sem eles,
Berlusconi não teria maioria em
nenhuma das casas que formam
o Parlamento italiano.
— Berlusconi voltou ao poder, mas a duração de seu governo dependerá de Bossi. Ele será
o semáforo dessa legislatura —
prevê o jornalista Ugo Magri, do
La Stampa.
Voltando o filme
É importante recordar que foi o
líder da Liga Norte quem precipitou a queda do primeiro governo de Berlusconi, em 1994, ao
abandonar a coligação que governou o país por pouco mais de
sete meses. Como agora, naquela
ocasião, Bossi sabia que os seus
votos eram essenciais para a manutenção do Executivo e ele não
hesitou em pressionar Berlusconi
com todo o tipo de exigências.
No último mês de 94, o primeiro-ministro já era investigado
formalmente por corrupção e seu
governo estava cada vez mais frágil. Bossi não vacilou e entendeu
que era a hora certa para puxar
che diceva che le schede elettorali
erano confuse, Bossi aveva minacciato di “imbracciare i fucili contro
i ladri romani”. Perfino il Cavaliere
l’aveva considerato troppo.
Roberto Maroni (à esquerda)
indicado por Bossi
Roberto Maroni (a sinistra)
indicato da Bossi
o tapete debaixo dos pés de Berlusconi com o anúncio de que um
membro de seu partido deveria
sucedê-lo na chefia do Executivo.
O confronto entre os dois ‘aliados’
foi o último ato do governo.
Walter Veltroni, ex-prefeito
de Roma e candidato do PD derrotado nas últimas eleições, disse que Berlusconi vai ficar “refém” de Bossi.
Padânia
Bossi sonha com uma Itália reduzida apenas à Padânia – as regiões do norte do país: Piemonte,
Lombardia, Vêneto e Emília Romagna – e livre dos “vagabundos” do sul e de Roma. Ele é conhecido por suas atitudes racistas e contrárias aos imigrantes
que chegam à Itália.
Os estrangeiros que vivem no
país não esquecem que, há alguns anos, Bossi criou a Guarda
Nacional da Padânia, formada por
300 “camisas-verdes”, encarregados do serviço de ordem e limpeza das cidades do norte. A sujeira, porém, eram os imigrantes,
as prostitutas, os dependentes
de drogas e os homossexuais.
Há alguns anos, ele defendeu
publicamente o uso de metralhadoras e até de um canhão contra
os barcos de imigrantes africanos
que costumam desembarcar com
certa freqüência na ilha de Lampedusa, no sul da Itália.
— Bossi é considerado um
mito para os jovens que no último verão invadiram as festas do
nosso partido — afirma Federico
Bricolo, líder da Liga Norte na região do Vêneto.
— Berlusconi è tornato al
governo, ma la durata del mandato dipenderà da Bossi. Lui sarà
il semaforo di questa legislatura
— prevede il giornalista Ugo Magri, di La Stampa.
Senza peli sulla lingua, Bossi non ci ha pensato due volte ad
indicarsi per il ministero delle Riforme, incarico già occupato da lui
nel 2003. Ha anche indicato Roberto Maroni per il ministero degli Interni (stesso incarico che occupava
nel 1994), Luca Zaia per l’Agricoltura, Roberto Calderoli come vice
primo ministro e Roberto Castelli come vice ministro delle Infrastrutture. Dettaglio: ha definito il
team appena finito lo spoglio dei
voti e prima che lo stesso Berlusconi lanciasse un qualsiasi nome
per integrare il suo governo. Il primo ministro presenterà le sue indicazioni al presidente Napolitano in
maggio. Il presidente ha il potere
di porre il veto a questi nomi.
Ma sembra che a Berlusconi
non sia dispiaciuto. Al contrario.
Giorni dopo, in un’intervista rilasciata in TV in cui parlava di
chi sarebbe stato il suo ministro
degli Affari Esteri, Berlusconi ha
chiesto un secondo per consultare Bossi prima di dare il nome
dell’indicato: Franco Frattini, attuale commissario europeo di
Giustizia, Libertà e Sicurezza.
— Riforme, sicurezza e difesa
dell’agricoltura. Queste le ragioni
per cui le persone ci hanno votato
— ripete Bossi ad ogni istante.
E pensare che, prima del conteggio dei voti, Berlusconi aveva
persino detto che l’imprevisibile
Bossi non avrebbe fatto parte del
suo governo. Come scusa, i problemi di salute del leader di destra.
Questo si è dovuto al fatto che, prima delle elezioni, di fronte ad una
minaccia di denuncia di Berlusconi
Maio 2008
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Riavvolgendo il rullo
È importante ricordare che è stato il leader della Lega Nord ad aver
fatto cadere il primo governo Berlusconi nel 1994, quando ha abbandonato l’alleanza che governava il
paese da poco più di sette mesi.
Come adesso, allora Bossi sapeva
che i suoi voti erano essenziali alla
manutenzione dell’Esecutivo e non
esitò a fare pressione su Berlusconi
facendogli varie esigenze.
Nell’ultimo mese del ’94, il
primo ministro era già indagato
formalmente per corruzione e il
suo governo era sempre più fragile. Bossi non ha tentennato ed
ha capito che era il momento giusto per fare le scarpe a Berlusconi
annunciando che un membro del
suo partito avrebbe dovuto succedergli a capo dell’Esecutivo. Il
confronto tra i due ‘alleati’ fu l’ultimo atto del governo.
Walter Veltroni, ex sindaco di
Roma e candidato del PD sconfitto nelle ultime elezioni, ha detto
che Berlusconi sarà un “ostaggio” di Bossi.
Padania
Bossi sogna un’Italia ridotta appena alla Padania – le regioni del
nord del paese: Piemonte, Lombardia, Veneto e Emilia Romagna
– e libera dai “vagabondi” del
sud e di Roma. Bossi è conosciuto dovuto ai suoi atteggiamenti
razzisti e contrari agli immigranti che arrivano in Italia.
Gli stranieri che ci vivono non
si dimenticano che, qualche anno
fa, Bossi creò la Guardia Nazionale della Padania, formata da 300
“camicie verdi”, incaricate del servizio di ordine e pulizia delle città
del nord. La sporcizia erano, però,
gli immigranti, le prostitute, i tossicodipendenti e gli omosessuali.
Qualche anno fa, ha difeso
pubblicamente l’uso di mitragliatrici e perfino di un cannone contro le barche di immigranti africani che di solito sbarcano
sull’isola di Lampedusa, al sud
dell’Italia.
— Bossi è considerato un mito dai giovani che l’estate scorsa
hanno invaso le feste del nostro
partito — Federico Bricolo, leader
della Lega Nord del Veneto.
ComunitàItaliana
21
capa
Veltroni Veltroni
na cruz sulla croce
A
palavra ‘esquerda’ desapareceu do Congresso italiano. Na nova legislatura,
nenhum senador esquerdista estará no Palácio Madama,
nem mesmo um deputado em
Montecitorio. A esmagadora vitória da centro-direita e a decisão
dos italianos em referendar o bipolarismo de Walter Veltroni (PD)
e Silvio Berlusconi (PDL) afastou
do Parlamento comunistas, socialistas, feministas, verdes e defensores de direitos humanos.
— O assassino da esquerda tem
nome e sobrenome: Walter Veltroni
22
— diz Oliviero Diliberto, líder do
Partido dos Comunistas Italianos.
— Ele destruiu a esquerda e entregou o país ao nosso inimigo.
Diliberto reconhece que a esquerda errou na maneira em que
fez a campanha eleitoral, competindo separadamente. Além disso,
o tradicional jornal dos comunistas, Il Manifesto, fez campanha
pela abstenção e 3% do eleitorado da esquerda não votou. Outros
2% votaram no PD e 1,5% na Liga Norte, por serem contra os imigrantes. A conseqüência: 3,8 milhões de votos em 2006 e apenas
1,2 milhão em abril último.
Enrico Boselli, líder dos socialistas que concorreu como candidato a premiê pelo PS, também é
da opinião que o ex-prefeito de
Roma tem culpa no afastamento
da esquerda do Congresso. Já o
ex-presidente da Câmara dos Deputados, líder do Partido da Refundação Comunista e candidato pela
coligação Esquerda Arco-Íris, Fausto Bertinotti, diz que Veltroni e o
PD não são os únicos culpados.
— Fomos traídos pelos trabalhadores que, por sua vez, foram traídos pelo governo
Prodi — lamenta Bertinotti que se demitiu
ComunitàItaliana
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Maio 2008
Sinistra indica l’ex sindaco di Roma come
responsabile della maggior sconfitta già subita in
elezioni dalla II Guerra Mondiale
L
a parola ‘sinistra’ è sparita
dal Congresso italiano. Nella nuova legislatura, nessun
senatore di sinistra sarà
a Palazzo Madama, e neanche un deputato a Montecitorio. La schiacciante vittoria del centrodestra e la decisione degli
italiani di approvare il
bipolarismo di Walter
Veltroni (PD) e Silvio
Berlusconi (PDL), ha
allontanato dal Parlamento
comunisti,
socialisti, femministe,
verdi e difensori dei diritti umani.
— L’assassino della sinistra ha nome e cognome:
Walter Veltroni — dice Oliviero Diliberto, leader dei Comunisti Italiani. —
Valquíria Rey
Correspondente • Roma
Fotos: Ansa
Esquerda aponta o ex-prefeito de Roma como
responsável pela maior derrota já sofrida em
eleições, desde a II Guerra Mundial
da liderança da Esquerda Arco-Íris
para atuar “apenas como mais um
militante” daqui para frente.
Já Livia Turco, ministra da
Saúde no governo de Prodi, culpa
os próprios comunistas pelo resultado obtido. Segundo ela, “não
se pode estar no governo e fazer
oposição ao mesmo tempo”.
Veltroni não aceita ser crucificado porque não se considera culpado pela derrota da esquerda:
— A esquerda que ficou fora do Parlamento fará falta à democracia italiana. Mas eu não sou
o culpado. Pelo contrário, foram
eles (os outros partidos de esquerda) que acabaram criando
problemas para nós.
Na opinião do jornalista Filippo Facci, do Il Giornale, três
razões justificam o vertiginoso
fracasso da esquerda: o bipolarismo entre Veltroni e Berlusconi, a abstenção e o racismo.
— Há três legislaturas, os
operários do Norte, que tradicionalmente eram ligados à esquerda,
começaram a votar na Liga Norte.
Nas últimas eleições, até mesmo
aqueles mais ligados com a extrema esquerda votaram no partido
de Umberto Bossi — comenta.
Resta agora aos quatro partidos da Esquerda Arco-Íris (Refundação Comunista, Verdes, Comunistas Italianos e Esquerda Democrática) decidirem se continuam
unidos ou se procuram reforçar
seus partidos de origem, cada um
no seu canto. Afinal, é preciso se
preparar para as eleições administrativas e as européias de 2009.
Oliviero Diliberto já anunciou
que seu partido fará um “retorno
aos velhos tempos”, com direito à
retomada da imagem da foice e do
martelo, tradicional símbolo comunista. Na avaliação dele, a Arco-Íris “já faz parte do passado”.
Veltroni rejeita culpa por derrota
Veltroni ripudia colpa per sconfitta
O Partido da Refundação Comunista marcou para julho a realização de um congresso extraordinário. Muita roupa suja deve
ser lavada durante o evento.
Gabriele Polo, editor do Il
Manifesto, é da opinião que a
esquerda precisa se reagrupar
num “movimento anti-capitalista, não necessariamente em torno de um partido”:
— Nós precisamos criar um
laço político, construir um processo confiável, baseado em quatro valores: trabalho, direitos humanos, paz e meio-ambiente.
Ha distrutto la sinistra e consegnato il paese al nostro nemico.
Diliberto riconosce anche che
la sinistra ha sbagliato il modo
in cui ha condotto la campagna
elettorale, correndo in separato.
Inoltre, il tradizionale giornale
dei comunisti, Il Manifesto, ha
fatto campagna per l’astensione
e il 3% dell’elettorato di sinistra
non ha votato. Altri 2% hanno
votato PD e l’1,5% ha aderito alle proposte della Lega Nord perché sono contro gli immigranti.
La conseguenza: 3,8 milioni di
voti nel 2006 e soltanto 1,2 milioni nell’aprile scorso.
Anche Enrico Boselli, leader
dei socialisti che si era candidato
a premier per il PS, pensa che l’ex
sindaco di Roma sia colpevole
dell’allontanamento della sinistra
dal Congresso. Invece l’ex presidente della Camera dei Deputati,
leader di Rifondazione Comunista e candidato con la coalizione
Sinistra Arcobaleno, Fausto Bertinotti, dice che Veltroni e il PD
non sono gli unici colpevoli.
— Siamo stati traditi dai lavoratori che, a sua volta, sono stati
traditi dal governo Prodi — si dispiace Bertinotti, che si è dimesso
dalla leadership della Sinistra Arcobaleno per lavorare, d’ora in avanti, come “semplice militante” .
Deputado negro
J
ean Leonard Touadi, um congolês de
49 anos eleito na circunscrição do Lazio 1, se tornou o primeiro deputado negro
da história italiana. Touadi, ex-assessor de
Política e Juventude da Comune de Roma,
foi eleito deputado pelo IDV, partido do
ex-procurador anticorrupção Antonio Di
Pietro. O novo parlamentar vive na Itália
desde 1979, é professor universitário, jornalista e trabalha na TV.
Sobre sua eleição, declarou:
— Estou honrado de poder assumir este compromisso pelo
país no qual passei a maior parte de minha vida, onde nasceram
e estão crescendo meus filhos.
Deputato nero
J
ean Leonard Touadi, un congolese eletto nel collegio Lazio 1,
è diventato il primo deputato nero della storia italiana. Touadi, ex assessore alla Sicurezza e alle Politiche giovanili del Comune di Roma, è stato eletto deputato per l’IdV, partito dell’ex procuratore anticorruzione Antonio Di Pietro. Il nuovo parlamentare
vive in Italia dal 1979, è professore universitario, giornalista e
lavora in TV. Parlando della sua elezione ha detto:
— È un onore poter assumere questo impegno per il paese nel
quale ho passato la maggior parte della mia vita, dove sono nati
e stanno crescendo i miei figli.
Maio 2008
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Invece Livia Turco, ministro
della Sanità del governo Prodi,
colpevolizza proprio i comunisti
dei risultati ottenuti. Secondo
lei, “non si può stare al governo e fare opposizione allo stesso tempo”.
Veltroni non accetta di essere
crocifisso perché non si considera colpevole della sconfitta della
sinistra:
— La sinistra rimasta al di
fuori del Parlamento mancherà
alla democrazia italiana. Ma non
ne sono io il colpevole. Al contrario, sono stati loro [gli altri
partiti di sinistra] che alla fine
ci hanno creato problemi.
Secondo il giornalista Filippo
Facci, di Il Giornale, tre motivi
giustificano il vertiginoso fracasso della sinistra: il bipolarismo tra Veltroni e Berlusconi, le
astensioni e il razzismo.
— Tre legislature fa, gli operai del Nord, che per tradizione
erano legati alla sinistra, cominciarono a votare Lega Nord. Nelle
ultime elezioni, perfino quelli più
vicini all’estrema sinistra hanno
votato il partito di Umberto Bossi — commenta.
Resta ora ai quattro partiti
della Sinistra Arcobaleno (Rifondazione Comunista, Verdi, Comunisti Italiani e Sinistra Democratica) di decidere se continuano
uniti o se cercano di rafforzare
i loro partiti di origine, ognuno
nel suo angoletto. Anche perché
bisogna prepararsi per le elezioni
amministrative e per le europee
del 2009.
Oliviero Diliberto ha già annunciato che il suo partito farà un “ritorno ai vecchi tempi”,
con diritto anche al ripristino
dell’immagine di falce e martello, tradizionale simbolo comunista. Secondo lui, l’Arcobaleno “fa
già parte del passato”.
Rifondazione Comunista ha
fissato per luglio la realizzazione di un congresso straordinario.
Durante l’evento saranno messe
in ballo molte questioni.
Gabriele Polo, editore di Il
Manifesto, pensa che la sinistra
abbia bisogno di riaggrupparsi in
un “movimento anticapitalista,
non necessariamente intorno ad
un partito:
— Abbiamo bisogno di creare un legame politico, di costruire un processo di fiducia, basato
su quattro valori: lavoro, diritti
umani, pace e ambiente.
ComunitàItaliana
23
capa
Goleada argentina
Nel Parlamento italiano, ci saranno quattro
argentini e un brasiliano come difensori degli
interessi degli oriundi sudamericani.
L’ex senatore Edoardo Pollastri colpevolizza
il suo partito della sconfitta alle urne
No parlamento italiano, haverá quatro
argentinos e um brasileiro no papel de defensores
dos interesses dos oriundi sul-americanos.
O ex-senador Edoardo Pollastri culpa o
próprio partido por sua derrota nas urnas
O
tango voltou a soar mais
forte que o samba nas
últimas eleições. Como em 2006, a Argentina obteve maioria dos acentos destinados à América Meridional, no Parlamento italiano.
Não por acaso, a Argentina tem
mais cidadãos aptos a votar do
que o Brasil – por aqui, 500 mil
ainda estão na fila da cidadania. Também não por acaso, na
Argentina, o clima eleitoral foi
muito mais vibrante e disputado do que no Brasil, com direito
até a propaganda de políticos
em busdoor e outdoors espalhados pela capital.
I
l tango ha ricominciato a
suonare più alto del samba nelle ultime elezioni.
Come nel 2006, l’Argentina
ha ottenuto la maggioranza delle poltrone destinate all’America
Meridionale nel Parlamento italiano. Non a caso, l’Argentina ha
più cittadini che possono votare
Sônia Apolinário
del Brasile – qui da noi sono in
500mila ancora nella coda della
cittadinanza. Ancora non a caso,
in Argentina il clima elettorale è
stato molto più vibrante e disputato che in Brasile, con diritto
perfino a campagna politica con
pubblicità su autobus e su cartelloni sparsi per la capitale.
Giuseppe Angeli e Mirella Giai
24
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Ricardo Merlo
O
ítalo-argentino Ricardo Antonio Merlo se reelegeu deputado
pelo MAIE - Movimento Associativo dos Italianos no Exterior - com o maior número de votos dentre todos os candidatos
do exterior. Aos 45 anos, obteve 50.999 votos, um aumento significativo em comparação à eleição anterior, de 2006, quando foi
escolhido por cerca de 43 mil eleitores.
Nascido em Buenos Aires, é sociólogo de formação, especializado em Direito e Economia Política da Comunidade Européia na
Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Pádua. Horas
após conhecer o resultado que lhe assegurou um novo mandato
no Parlamento italiano, o deputado afirmou à Comunità estar satisfeito com o “nascimento de um movimento latino-americano
entre as novas gerações”. Ricardo Merlo agradeceu o apoio recebido dos companheiros do Brasil, Uruguai e Argentina, que concorreram pelo próprio MAIE, entre eles a senadora eleita e também
ítalo-argentina Mirella Giai (22.254 votos). Segundo ele, o partido tem à frente “um trabalho de construção para reunir as forças
latino-americanas de origem italiana”.
Merlo informou que a prioridade do seu segundo mandato será
a reforma da rede consular na América do Sul, “principalmente no
Brasil, Argentina e Uruguai”. Nos planos do parlamentar está ainda
a distribuição do assegno di solidarietà, espécie de pensão mensal de assistência aos italianos com mais de 65 anos em situação
desfavorável no exterior, incluindo aqueles que não tenham contribuído com a Previdência. De acordo com ele, seria “a vigência
no exterior dos mesmos benefícios a que têm direito os italianos
que vivem na Itália”. Ele disse que também pretende promover a
língua e a cultura italiana. O deputado reeleito pretende manter
uma “boa relação com todos os países” e que sua posição, no Parlamento, será de independência em relação ao governo. (TB)
Ricardo Merlo
L’
italo-argentino Ricardo Antonio Merlo si è rieletto deputato con il MAIE – Movimento Associativo dos Italianos
no Exterior – con il maggior numero di voti tra tutti i candidati dell’America Meridionale. A 45 anni, ha ottenuto 50.999 voti,
un significativo aumento in confronto all’anteriore elezione, nel
2006, quando è stato scelto da circa 43mila elettori.
Nato a Buenos Aires, è laureato in Sociologia, specializzato in
Diritto e Economia Politica della Comunità Europea presso la Facoltà di Scienze Politiche dell’Università di Padova. Poche ore dopo aver saputo il risultato che gli ha assicurato il nuovo mandato
al Parlamento italiano, il deputato ha detto a Comunità di essere
soddisfatto per la “nascita di un movimento latino-americano tra
le nuove generazioni”. Ricardo Merlo ha ringraziato l’appoggio ricevuto dai colleghi in Brasile, Uruguay e Argentina, anche loro
candidati nel MAIE, tra cui la senatrice eletta e anche lei italoargentina Mirella Giai (con 22.254 voti). Secondo lui, il partito ha
davanti a sé un “lavoro di construzione per riunire le forze latinoamericane di origini italiane”.
Merlo ha detto che la priorità del suo secondo mandato sarà la
riforma della rete consolare in Sudamerica, “specialmente in Brasile, Argentina e Uruguay”. Nei piani del parlamentare c’è inoltre
la distribuzione dell’assegno di solidarietà, una specie di pensione mensile di assistenza agli italiani di più di 65 anni in situazione sfavorevole all’estero, tra cui coloro che non hanno contribuito
alla Previdenza. Secondo lui, sarebbe “l’effettivazione all’estero
degli stessi benefici di cui godono il diritto gli italiani che vivono in Italia”. Ha detto che vuole anche promuovere la lingua e la
cultura italiana. Il deputato rieletto vuole mantenere un “buon
rapporto con tutti i paesi” e che la sua posizione, in Parlamento,
sarà di indipendenza in confronto al governo. (TB)
Maio 2008
/
Divulgação
Goleada
argentina
Nos dois países, houve um
aumento no número de votantes,
em relação a 2006. Na Argentina,
votaram 273 mil pessoas, 63% a
mais do que na eleição anterior.
No Brasil, votaram 90 mil neste ano diante dos 75 mil de dois
anos atrás. Esse aumento, porém,
seguiu na contramão dos números relacionados com as eleições
no exterior. Segundo dados do
ministério de Relações Exteriores, houve uma pequena queda de
0,6% no total de votantes. Isso
significa que dos 2.924.202 italianos com direito a voto, somente 1.204.720 foram às urnas.
Foram eleitos para o Senado ­­­Esteban Juan Caselli (PDL) e
Mirella Giai (MAIE). Para a Câmara foram reeleitos Ricardo Merlo
(MAIE) e Giuseppe Angeli (PDL).
A última vaga de deputado ficou
para Fábio Porta (PD), o representante do Brasil.
Tanto lá como cá, partidos
tradicionais dos dois países se
envolveram na campanha dos
italianos no exterior. No Brasil,
PT e PPS militaram em prol do
Partido Democrático encabeçado
por Walter Veltroni.
O então único representante
do Brasil no Parlamento italiano,
o ex-senador Edoardo Pollastri responsabilizou justamente o PD, seu
partido, pela sua derrota. Em carta divulgada pela internet, afirma
que “os conchavos políticos entre
alguns partidos e a postura inadequada de muitos candidatos influenciaram fortemente os resultados finais”. Também na carta,
Pollastri, reeleito como presidente
da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de São Paulo,
chama a atenção para o que chama de “um fator agravante”:
“Muitos candidatos ao Senado residentes no Brasil, mesmo não tendo a possibilidade de
serem eleitos como demonstrado
nos resultados, apoiaram listas
de candidatos argentinos, prejudicando seriamente a possibilidade de haver um representante
do Brasil no Parlamento Italiano.
Com que finalidade?”.
Ricardo Merlo
Nei due paesi, c’è stato un
aumento del numero di votanti
in confronto al 2006. In Argentina, hanno votato 273mila persone, il 63% in più dell’elezione
anteriore. In Brasile, quest’anno
hanno votato 90mila in confronto ai 75mila di due anni fa. Ma
questo aumento non corrisponde ai numeri relativi alle elezioni all’estero. Secondo dati del
Ministero degli Esteri, c’è stata
una piccola riduzione dello 0,6%
nel totale di votanti. Ciò significa che dei 2.924.202 italiani con
diritto a voto, solo 1.204.720 si
sono recati alle urne.
Sono stati eletti per il Senato
­­­Esteban Juan Caselli (PDL) e Mirella Giai (MAIE). Per la Camera
sono stati rieletti Ricardo Merlo
(MAIE) e Giuseppe Agneli (PDL).
E l’ultimo posto come deputato
è andato a Fabio Porta (PD), il
rappresentante brasiliano.
Sia qui che là, partiti tradizionali dei due paesi hanno
partecipato alla campagna degli
italiani all’estero. In Brasile, PT
e PPS hanno militato a favore
del Partito Democratico guidato
da Walter Veltroni.
Fino a ieri unico rappresentante del Brasile al Parlamento italiano, l’ex senatore Edoardo Pollastri, ha colpevolizzato proprio il PD, il suo partito,
per la sua sconfitta. In lettera
pubblicata in internet, afferma
che “gli inciuci politici tra alcuni partiti e l’atteggiamento
inadeguato di molti candidati
hanno fortemente influenzato
i risultati finali”. Sempre nella
lettera, Pollastri, rieletto come
presidente della Câmara ÍtaloBrasileira de Comércio e Indú-
ComunitàItaliana
25
capa
Cuidado com a xenofobia
Na avaliação do cientista social
Rudá Ricci, o principal desafio para os novos deputados e senadores
italianos eleitos pela América Latina será o combate à xenofobia. Para ele, o peso desses políticos, no
Parlamento italiano, “já era minúsculo e, agora, será ainda mais”.
— As eleições de latinos para
o parlamento italiano são sempre
positivas e inovadoras. Mas o resultado foi desalentador. Foram
muitos candidatos pela esquerda ou centro-esquerda. No Brasil,
elegemos apenas um deputado e
perdemos o senador que tínhamos. A campanha do deputado
eleito deixou algumas marcas negativas em várias regiões do país, como no relacionamento com
a Unione de Minas Gerais. Enfim, uma campanha que me pareceu desastrosa, despolitizada,
excessivamente personalizada.
E, como sabemos, este não é o
habitat das forças de esquerda e
centro-esquerda. De alguma maneira, as eleições no continente acompanharam as eleições na
própria Itália — avalia Ricci.
Segundo ele, na comparação
com a América Latina, as eleições italianas “parecem estar na
contramão”:
— Com a vitória de Fernando Lugo, no Paraguai, a situação
parece ainda mais estranha. Um
mega empresário de tendências
xenófobas é algo realmente que
parece girar a roda da história para trás. E se a Liga Norte conseguir seu pleito, a agressividade e
fragmentação do país por regiões
(como o caso do aprofundamento
da política fiscal descentralizada)
serão a tônica do novo governo.
26
Um país com aumento de desigualdade, apatia dos cidadãos e
crise de auto-estima nacional é
um prato cheio para lideranças
carismáticas de todos os tipos.
Ricci está certo de que o que
aconteceu na Itália foi a “eleição
da reação, da confusão e descaso”.
— Reação ao aumento da desigualdade social e à confusão
ocorrida no Senado, que desestabilizou por muito tempo o gabinete Prodi. Confusão porque
todas análises pós-eleitorais revelam que o os programas político-partidários estão muito parecidos. Em marketing político,
Centro e
Nord America
Camera
Gino Bucchino (Pd)
Amato Berardi (Pdl)
Senato
Basilio Giordano (Pdl)
a diferenciação de candidatos é
fundamental e chama-se posicionamento. Como os dois principais
candidatos tentaram acolher o
espectro ideológico denominado
centro, as diferenças programáticas se dissiparam. O descaso teve a ver com certa arrogância do
candidato do PD, incluindo a maneira como ocorreram as eleições
no Brasil e América do Sul, com
Sud America
Camera
Ricardo Merlo (Maie)
Fabio Porta (Pd)
Giuseppe Angeli (Pdl)
Senato
Esteban Juan Caselli (Pdl)
Mirella Giai (Maie)
alijamento de muitos apoios e indicações de candidatos sem grande participação dos próprios militantes do PD, como é o caso de
Minas Gerais. O aumento da desigualdade social na Itália (disputando a liderança com Portugal)
fez com que a Liga Norte aumentasse seu poder — analisa.
ComunitàItaliana
(colaborou Paula Máiran)
/
Maio 2008
stria di São Paulo, fa notare
ciò che definisce “un fattore
aggravante”:
“Molti candidati al Senato residenti in Brasile, anche
non avendo possibilità di essere eletti com’è stato dimostrato
dai risultati, hanno appoggiato liste di candidati argentini,
compromettendo seriamente la
possibilità di avere un rappresentante brasiliano al Parlamento italiano. A che scopo?”
La nuova senatrice, Mirella
Giai, avrebbe già potuto essere
al senato italiano nel 2006. Ha
perso il posto proprio per Pollastri, nel ricontaggio dei voti,
che ha dato la vittoria al brasiliano per una differenza di 70
voti. Ora, ha ottenuto 10mila
voti più di Pollastri.
Tra le sconfitte, ha sorpreso
quella dell’ex senatore e imprenditore italo-argentino Luigi Pallaro, che nel 2006 ebbe un’espressiva votazione, quanto quella di
Ricardo Merlo. Anche essendoci
stata una frattura politica fra i
due, ciò non ha attinto il disimpegno di Merlo, che nella sua lista ha eletto anche Mirella.
Attenzione alla xenofobia
Da una valutazione dello scienziato sociale Rudá Ricci, la sfida
principale per i nuovi deputati e
senatori italiani eletti dall’America Latina sarà la lotta alla xenofobia. Secondo lui, il peso di
questi politici, al Parlamento italiano, “già era minuscolo e, ora,
lo sarà ancor di più”.
— Le elezioni di latini al
parlamento italiano sono sempre positive e innovatrici. Ma il
risultato è stato scoraggiante.
Erano molti candidati di sinistra o centrosinistra. In Brasile,
abbiamo eletto solo un deputato e abbiamo perso il senatore
che avevamo. La campagna del
deputato eletto ha lasciato dei
segni negativi in varie regioni
del paese, come nel rapporto
con l’Unione di Minas Gerais.
Insomma, una campagna che mi
è parsa disastrosa, spoliticizzata, eccessivamente personalizzata. E, come sappiamo, questo non è l’habitat delle forze
di sinistra e centrosinistra. In
qualche modo, le elezioni nel
continente hanno accompagnato le elezioni nella stessa Italia
— valuta Ricci.
Secondo lui, in confronto all’America Latina, le elezioni italiane “sembra che vadano
controcorrente”:
Europa
Camera
Laura Garavini (Pd)
Franco Narducci (Pd)
Gianni, Farina (Pd)
Aldo Di Biagio (Pdl)
Guglielmo Picchi (Pdl)
Antonio Razzi (Idv)
Senato
Claudio Micheloni (Pd)
Nicola Paolo Di Girolamo (Pdl)
Resultado eleitoral
UDC + Rosa
5,67%
PD + IDV
37,86%
SA
3,11%
PDL + Lega + MPA
47,2%
Última atualização: 15/04/2008 — Seções eleitorais: 61062 a 61062
Esteban Juan Caselli
A
os 65 anos de idade, o ítalo-argentino Esteban Juan
Caselli conquista, pela primeira
vez, um lugar no senado italiano. Representando o Il Popolo
della Libertà, pela repartição da
América Meridional, o político
recebeu 48.128 votos, segundo informações divulgadas pelo
Ministério do Interior da Itália.
Descendente das regiões
de Piemonte e Molise, Caselli,
conhecido como “Cacho” na
Argentina, nasceu em Buenos
Aires, onde mora atualmente.
Ao longo de sua vida, acumulou diversos cargos públicos e
em 1999, durante o governo de
Carlos Menem, foi nomeado Embaixador da República Argentina na Santa Sé, Vaticano, contrariando a opinião da Igreja
Católica de seu país.
O mais novo senador é acusado, na Argentina, de ser uma
das principais figuras da máfia
portenha, vinculada ao empresário Alfredo Yabrán. Segundo
a agência de notícias italiana
Ansa, seu principal acusador é
o ex-ministro da Economia du-
rante o governo Menem, Domingo Cavallo. Em uma reportagem
da revista brasileira Veja, feita
em 1997, por conta da eleição
de Menem, Cavallo afirma que o
secretário da Presidência, Alberto Kohan, se envolveu na venda ilegal de armas em troca de
comissões. Caselli entra na história como suposto parceiro de
Kohan. Segundo a revista, ele
teria servido de intermediário na
doação de 4 milhões de dólares
à campanha de Menem, feita por
Yabrán, a quem Cavallo acusa de
chefão das “máfias do governo”.
As denúncias não param por
aí. Ainda segundo a Ansa, novas acusações, desta vez, feitas
por Luigi Pallaro, eleito representante da América do Sul para o Senado italiano, em 2006,
apontam para uma suposta
fraude dos votos na Argentina.
— Fui informado que em
uma mesa (eleitoral) foram
contados 960 votos para Caselli, todos com a mesma caligrafia — disse Pallaro à Ansa,
antes da divulgação do resultado oficial das eleições.
Divulgação
A nova senadora, Mirella Giai,
já poderia ter estreado no senado italiano, em 2006. Perdeu a
vaga justamente para Pollastri,
em uma recontagem de votos,
que deu a vitória ao brasileiro
por uma diferença de 70 votos.
Agora, ela obteve cerca de 6 mil
votos a mais que Pollastri.
Entre as derrotas, surpreendeu a do ex-senador e empresário ítalo-argentino Luigi Pallaro,
que em 2006 teve votação tão
expressiva quanto a de Ricardo
Merlo. Houve o rompimento político entre os dois, mas isso em
nada afetou o desempenho de
Merlo, que sob sua legenda ainda
elegeu Mirella.
Esteban Juan Caselli
Segundo a agência de notícias News Italia Press, Caselli
afirma que o próprio Berlusconi
o teria indicado para se candidatar pelo PDL.
O senador prometeu aos eleitores, durante a sua campanha,
melhorar as relações entre a Itália e os países da América do Sul
onde os italianos vivem. Entre
as propostas de campanha está o desenvolvimento de fundos
específicos destinados a promoção e ao ensino da língua italiana, criação de bolsas de estudo
e investimentos na educação. A
valorização e o suporte de ensino dos idiomas espanhol e português na Itália também constam em suas promessas. (NG)
Esteban Juan Caselli
A
65 anni, l’italo-argentino
Esteban Juan Caselli conquista per la prima volta un
posto al Senato italiano. Rappresentando il Popolo della Libertà, per la regione America
Meridionale, il politico ha ottenuto 48.128 voti, secondo informazioni rese note dal Ministero degli Interni italiano.
Discendente delle regioni
Piemonte e Molise, Caselli, conosciuto come “Cacho” in Argentina, è nato a Buenos Aires, dove ancora abita. Durante
la sua vita, ha accumulato vari
incarichi pubblici e, nel 1999,
durante il governo di Carlos
Menem, è stato nominato Ambasciatore della Repubblica Argentina presso la Santa Sede, in
Vaticano, contrariando l’opinione pubblica della Chiesa cattolica del suo paese.
Il più recente senatore è accusato, in Argentina, di essere
una delle principali pedine della mafia di là, legata all’imprenditore Alfredo Yabrán. Secondo
l’agenzia di notizie italiana Ansa, il suo principale accusatore è l’ex ministro dell’Economia durante il governo Menem,
Domingo Cavallo. In un servizio della rivista brasiliana Veja,
scritta nel 1997, dovuto all’elezione di Menem, Cavallo dice
che il segretario della Presidenza, Alberto Kohan, è rimasto
coinvolto nella vendita illegale
di armi in cambio di commissioni. Caselli entra in questa
storia come partner di Kohan.
Secondo la rivista, Caselli sarebbe stato l’intermediario nel
donativo di 4 milioni di dollari
alla campagna di Menem, fatta
da Yabrán, che Cavallo accusa
di essere il capo delle “mafie
del governo”.
Le denunce non finiscono qui. Ancora secondo l’Ansa,
nuove accuse, stavolta fatte da
Luigi Pallaro, eletto rappresentante dell’America del Sud per il
Senato italiano nel 2006, indicano una supposta frode di voti
in Argentina.
— Sono stato informato
che in un tavolo (elettorale)
sono stati scrutinati 960 voti
per Caselli, tutti con la stessa
calligrafia — ha detto Pallaro all’Ansa prima della divulgazione del risultato ufficiale
delle elezioni.
Secondo l’agenzia di notizie
News Italian Press, Caselli afferma che lo stesso Berlusconi
l’avrebbe indicato per la candidatura con il PDL.
Il senatore ha promesso agli
elettori, durante la sua campagna, di migliorare i rapporti tra
l’Italia e i paesi dell’America del
Sud dove vivono gli italiani. Tra
le proposte di campagna c’è lo
stanziamento di fondi specifici destinati alla promozione e
all’insegnamento della lingua
italiana, creazione di borse di
studio e investimenti in educazione. Anche la valorizzazione
e il supporto dell’insegnamento
dello spagnolo e del portoghese in Italia risultano nelle sue
promesse. (NG)
Maio 2008
/
— Con la vittoria di Fernando
Lugo, in Paraguay, la situazione
sembra ancora più strana. Un mega imprenditore dalle tendenze
xenofobe è un qualcosa che sembra far girare al contrario la ruota
del tempo. E se la Lega Nord otterrà il suo accordo, l’aggressività e la frammentazione del paese
in regioni (come il caso dell’approfondimento della politica fiscale decentralizzata) saranno il
leitmotiv del nuovo governo. Un
paese con aumento di disuguaglianza, apatia dei cittadini e crisi di autostima nazionale è una
festa per le leadership carismatiche di qualsiasi tipo.
Ricci è sicuro del fatto che ciò
che è successo in Italia è stato
la “elezione della reazione, della
confusione e del discredito”.
— Reazione all’aumento della
disuguaglianza sociale e alla confusione avuta al Senato, che ha
destabilizzato per molto tempo il
gabinetto Prodi. Confusione perché tutte le analisi post elettorali hanno rivelato che i programmi politici di partito erano molto simili. Nel marketing politico,
le differenze tra i candidati sono
fondamentali e si chiamano posizionamento. Visto che i due principali candidati hanno tentato di
accogliere la gamma ideologica
denominata centro, le differenze
programmatiche si sono dissipate.
Il discredito si è dovuto ad una
certa arroganza del candidato del
PD, vista anche da come si sono
avute le elezioni in Brasile e Sudamerica, con l’allontanamento
Africa, Asia
e Oceania
Camera
Marco Fedi (Pd)
Senato
Nino Randazzo (Pd)
di molti appoggi e indicazioni di
candidati senza grande partecipazione degli stessi militanti del PD,
com’è il caso di Minas Gerais. L’aumento di disuguaglianza sociale in Italia (che disputa il primo
posto con il Portogallo) ha fatto
sì che la Lega Nord aumentasse il
suo potere — analizza.
(colaborou Paula Máiran)
ComunitàItaliana
27
capa
Por um novo
sistema eleitoral
Per un nuovo sistema elettorale
Denunce di frode in Argentina e Venezuela
causano polemiche sul modello di votazione
italiano per i cittadini residenti all’estero
Denúncias de fraude na Argentina e na
Venezuela geram polêmica em torno do modelo
de votação italiano para cidadãos no exterior
R
esultados políticos à parte, o próprio processo
eleitoral italiano se encontra na berlinda após o
último pleito. Em debate apartidário, questiona-se, no momento, vantagens e desvantagens do
atual sistema de votação no exterior, por correspondência. Este
deu margem para o surgimento de
denúncias de fraude na Argentina
e na Venezuela, por exemplo. Tais
queixas obrigam o governo italiano a promover uma revisão dos
votos nesses países.
— As queixas recebidas não se referem
ao trabalho dos
consulados, mas a circunstâncias
relacionadas às características do
próprio sistema de votação. Eleição por correio sempre pode abrir
margem para suspeição. Quanto maior a possibilidade de votação, mais risco de problemas.
Conquista-se, no entanto, por
esse sistema, um universo maior
de eleitores — explica o cônsul
geral da Itália no Rio de Janeiro
Massimo Bellelli.
R
isultati politici a parte,
il processo elettorale
italiano in sé si trova alla berlina dopo le ultime
elezioni. In un dibattito apartitico, si mettono in discussione,
in questo momento, vantaggi e
svantaggi dell’attuale sistema di
votazione all’estero, per corrispondenza, che ha fatto nascere
denunce di frode in Argentina e
Venezuela, per esempio. Queste
accuse obbligano il governo italiano a promuovere un controllo
del processo elettorale in questi paesi.
Paula Máiran
— Le denunce ricevute non
si riferiscono al lavoro dei consolati, ma a circostanze legate alle
caratteristiche dello stesso sistema di votazione. Un’elezione per
corrispondenza può sempre destare sospetti. Quanto maggiore
è la possibilità di votazione, più
ci sono rischi di aver problemi.
Ma con questo sistema si ottiene un maggior numero di elettori — spiega il console generale
d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli.
Il consule stimola i cittadini
italiani all’estero a realizzare un
sondaggio di opinione sul modello del sistema elettorale.
O cônsul incentiva os cidadãos italianos no exterior a realizar uma pesquisa de opinião sobre
o modelo de sistema eleitoral.
— Seria bom se houvesse
uma pesquisa organizada pela
própria comunidade italiana. Melhorar o sistema é sempre bom
— defende Bellelli.
A revisão dos votos nos países vizinhos ao Brasil, segundo
o diplomata, não deverá afetar o
resultado da eleição no país de
língua portuguesa.
— O Brasil tem resultado já
fechado e o processo correu de
modo bastante positivo. O candidato eleito pode comemorar
porque não há mais risco de não
haver representante brasileiro no
parlamento italiano ao final dessa
revisão. A vantagem em votos garante isso, por ser muito grande.
De acordo com Bellelli, a despeito de eventuais alterações no
sistema eleitoral no exterior, o
fato é que o voto dos cidadãos
residentes além das fronteiras da
Itália representa uma conquista consolidada pela Constituição
italiana. Quanto à qualidade da
assistência desses cidadãos pelos
consulados, o cônsul explica:
— O importante é que o Ministério das Relações Exteriores deve continuar as atividades
que vem desenvolvendo. Quanto
maiores os meios, mais será possível fazer nos consulados pelos
cidadãos italianos no exterior,
mas ainda é cedo para se dizer
até que ponto haverá investimento nos meios.
Entre otimismo e cautela
Os efeitos sobre o Brasil e a América do Sul da vitória de Silvio
Berlusconi não passam ainda de
uma incógnita. Sob a liderança
do novo premier – historicamente avesso ao investimento italiano em terras estrangeiras – há
quem tema por um retrocesso no
ritmo de aproximação entre a Itália e os países latino-americanos.
Mas há também quem aposte que
as coisas possam mudar até para
melhor em sua nova gestão.
Logo após as eleições de
abril, em reunião no Palácio Guanabara com o governador Sérgio
Cabral, do Rio de Janeiro, o presidente do Instituto de Comércio
Exterior da Itália, Umberto Vattani, manifestou o seu otimismo.
— Acredito que as coisas,
dessa vez, vão ser diferentes —
diz ele em resposta a um apelo
preocupado de Cabral.
O governador fez, durante o
encontro, uma cobrança ao representante do governo italiano:
— Em seu primeiro governo,
Berlusconi não deu ao Brasil a
atenção que o país merece. Ele
precisa mudar isso.
Também o presidente da Federação Nacional das Indústrias do Rio
de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, acredita no progressivo estreitamento das relações
entre o Rio de Janeiro e a Itália.
— Sarebbe un bene se ci
fosse un sondaggio organizzato
dalla stessa comunità italiana.
Migliorare il sistema fa sempre
bene — difende Bellelli.
Il controllo del processo elettorale nei paesi vicini al Brasile,
secondo il diplomatico, non dovrà
intaccare il risultato dell’elezione
nel paese di lingua portoghese.
— Il Brasile ha già un risultato conclusivo e il processo si è
svolto in modo molto positivo. Il
candidato eletto può festeggiare perché non ci sono più rischi
di non avere un rappresentante
brasiliano nel parlamento italiano alla fine di questi controlli. Il
vantaggio dei voti lo garantisce
perché è molto ampio.
Secondo Bellelli, malgrado
eventuali alterazioni nel sistema elettorale all’estero, il fatto
è che il voto dei cittadini residenti al di là delle frontiere italiane rappresenta una conquista
consolidata dalla Costituzione
italiana. Per ciò che riguarda
la qualità dell’assistenza data a
questi cittadini dai consolati, il
console spiega:
— L’importante è che il Ministero degli Affari Esteri continui
a portare avanti le attività che
sta realizzando. Quanto maggiori saranno gli strumenti, più sarà
possibile adoperarsi nei consolati per i cittadini italiani all’estero, ma è ancora presto per dire
fino a che punto ci saranno investimenti negli strumenti.
Tra ottimismo e cautela
Gli effetti della vittoria di Silvio
Berlusconi in Brasile e Sudamerica sono ancora pressoché un’incognita. Con la leadership del
nuovo premier – storicamente
contrario agli investimenti italiani in terre straniere – c’è chi tema un retrocesso nei ritmi di avvicinamento tra l’Italia e i paesi
latinoamericani. Ma c’è anche chi
scommette che le cose potranno
cambiere persino in meglio nella
sua nuova gestione.
Subito dopo le elezioni di
aprile, in una riunione al Palácio
Guanabara con il governatore
Sérgio Cabral, di Rio de Janeiro, il presidente dell’Istituto del
Commercio Estero d’Italia, Umberto Vattani, ha manifestato il
suo ottimismo.
— Credo che stavolta le cose saranno differenti — dice in
risposta ad un appello preoccupato di Cabral.
Il governatore ha fatto una
richiesta al rappresentante del
governo italiano:
— Nel suo primo governo,
Berlusconi non ha dato al Brasile
le attenzioni che il paese merita.
Questo dovrà cambiare.
Anche il presidente della Federação Nacional das Indústrias
do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, crede
al progressivo aumento dei rapporti tra Rio de Janeiro e l’Italia.
— Le aspettative della Firjan
sono di mantenere i progressi dei
Parlamentares italianos no mundo
Senado
Câmara
Europa
Laura Garavini - Partito Democratico - 25.070
Franco Addolorato Giacinto Narducci
Partito Democratico - 21.496
Giovanni Farina - Partito Democratico - 21.228
Aldo Di Biagio - Il Popolo della Libertà - 13.624
Guglielmo Picchi - Il Popolo della Libertà - 13.014
Antonio Razzi - l’Italia dei Valori - 3.436
Pasquale Vittorio - l’Italia dei Valori - 3.307
América Meridional
Esteban Juan Caselli
Il Popolo Della Libertà - 48.128
Mirella Giai
Movimento Associativo Italiani
all’Estero - 22.254
América Meridional
Ricardo Merlo
Movimento Associativo Italiani all’Estero - 50.599
Fabio Porta - Partito Democratico - 15.932
Giuseppe Angeli - Il Popolo della Libertà - 14.166
Franco Tirelli - Il Popolo della Libertà - 13.719
América Setentrional
e Central
Giordano Basílio
Il Popolo Della Libertà - 13.083
Renato Guerino Turano
Partido Democratico - 15.223
Gino Bucchino - Partito Democratico - 14.762
América Setentrional
Amato Berardi – Il Popolo della Libertà - 11.166
e Central
Vincenzo Arcobelli - Il Popolo della Libertà - 10.665
África, Ásia,
Oceania e Antártida
Antonino Randazzo
Partito Democratico - 11.237
África, Ásia,
Oceania e Antártida
Europa
Claudio Micheloni
Partido Democratico - 36.445
Nicola Paolo Di Girolamo
Popolo della Libertà - 24.500
Marco Fedi - Partito Democratico - 12.409
Fonte: site www.interno.it
28
ComunitàItaliana
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Maio 2008
Maio 2008
/
ComunitàItaliana
29
30
Confira o número de votos
por candidato no Brasil:
Senado
Edoardo Pollastri - Partito Democratico - 16.066
Sandro Benedetti Isidori - Pse - 3.857
Itamar Benedet - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 7.981
Carlos Henrique Iotti - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 13.920
Odilon de Barros Pinto - La Sinistra L’Arcobaleno - 1.968
Antonio Aldo Chianello - Il Popolo della Libertà - 7.920
Piero Stefanon Ruzzenenti - La Destra - Fiamma Tricolore - 626
Walter Petruzziello - Associazioni Italiane in Sud America - 7.638
Adriano Bonaspetti - Associazioni Italiane in Sud America - 13.890
Congresso
Claudia Antonini - Partito Democratico - 9.749
Fabio Porta - Partito Democratico - 15.932
Francesco Agoglia – Pse - 1.208
Luciana Barroso de Souza - Pse - 1.743
Paolo Scappaticci - Pse - 309
Guilherme Fausto Longo - Pse - 1.337
Gianni Boscolo - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 5.112
Luis Molossi - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 6.240
Arduino Monti - La Sinistra L’Arcobaleno - 399
Andrea Ruggeri - Il Popolo della Libertà - 7.087
Piero Geraci - La Destra – Fiamma Tricolore - 405
Stefano Calcara - La Destra – Fiamma Tricolore - 432
Pierluigi Serra - La Destra – Fiamma Tricolore - 388
Stefano Andrini - Associazioni Italiane in Sud America - 16.827
Claudio Pieroni - Associazioni Italiane in Sud America - 9.566
to intransigentes e demonstram
indiferença. É uma visão egoísta, como se dissessem: “o mundo
que se vire”.
Gianetti, declaradamente orgulhoso de poder votar como todo cidadão italiano, propõe ao
governo de sua segunda pátria
investir no Brasil até mesmo como medida preventiva contra a
imigração de mão-de-obra para
a Itália.
— Se não querem a mão-deobra brasileira, seria melhor investir no nosso desenvolvimento
econômico, criar empregos aqui.
Brasileiros imigram em busca de
melhores condições de vida, como os próprios italianos vieram
para o Brasil no passado para escapar da fome.
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
rapporti commerciali avutisi lo
scorso anno. La missione governativa e imprenditoriale a Roma
e Milano che abbiamo realizzato
insieme al Governo do Estado, in
settembre, ha aumentato gli interessi mutui e sono sicuro che
renderanno nuovi accordi e affari. Non è la prima volta che Berlusconi assume il governo, e perciò credo non si saranno sorprese
né motivi per temori.
Secondo Eduardo Eugênio, ci
sono possibilità perfino di espansione del commercio bilaterale,
che è già passato per migliori
momenti in passato:
— Speriamo che il prossimo
governo fornisca tutte le condizioni affinché questa relazione
di aggiornamento tra lo Stato di
Fonte: site www.interno.it
— A expectativa da Firjan é
manter os avanços nas relações
comerciais que aconteceram no
último ano. A missão governamental e empresarial a Roma e Milão, que fizemos em parceria com
o Governo do Estado, em setembro, aumentou o interesse mútuo
e tenho certeza de que irá render
novas parcerias e negócios. Não é
a primeira vez que Berlusconi assume o governo e, por isso, creio
que não haja surpresas nem motivos para temores.
Na opinião de Eduardo Eugênio, há a possibilidade até de
expansão do comércio bilateral,
que já experimentou momentos
melhores no passado:
— Esperamos que o próximo
governo dê todas as condições
para que essa relação de aggiornamento entre o Estado do Rio e
a Itália venha a se aprofundar. Temos certeza de que é possível aumentar não só o comércio bilateral, já que hoje as compras e vendas do Brasil para a Itália giram
em torno de 2,8% do nosso total,
contra 5% há 10 anos, como também os investimentos diretos.
Já São Paulo reage com cautela à volta de Berlusconi ao poder político. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) manifesta clara preocupação.
— O futuro no campo econômico não é claro. Mas é claro
que a eleição de Berlusconi cria
novas expectativas, ainda mais
num momento em que se discute as relações internas na União
Européia e há um cenário de crise no mundo — diz o diretor do
Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da
Fiesp, Roberto Gianetti, brasileiro “com 75% de sangue italiano”, como gosta de afirmar ele,
que tem dupla cidadania.
De acordo com Gianetti, o
tratamento dispensado pela Itália ao Brasil nunca foi mesmo
proporcional à importância econômica do país sul-americano.
Para o diretor da Fiesp, o país europeu precisa “ser mais flexível e
menos protecionista”:
— Tem a ver com o protecionismo europeu. Na questão dos
subsídios no setor agrícola, por
exemplo, deveria haver uma atitude de mais parceria da Itália
em relação ao Brasil. Hoje, prevalece a crítica. Na última rodada de negociações em Doha, isso
ficou claro. Os europeus são mui-
capa
Rio e l’Italia possa approfondirsi. Siamo sicuri che è possibile
aumentare non solo il commercio bilaterale, visto che oggi le
compravendite del Brasile verso
l’Italia si aggirano sul 2,8% del
nostro totale, contro il 5% di 10
anni fa, come anche gli investimenti diretti.
Invece São Paulo reagisce
con cautela al ritorno di Berlusconi al potere politico. La Federação das Indústrias de São
Paulo (Fiesp) manifesta chiara
preoccupazione.
— Il futuro in campo economico non è chiaro. Ma è chiaro
che l’elezione di Berlusconi crea
nuove aspettative, ancor di più
in un momento in cui si discutono le relazioni interne all’Unione
Europea e c’è uno scenario di crisi nel mondo — dice il direttore del Departamento de Relações
Internacionais e Comércio Exterior della Fiesp, Roberto Gianetti,
brasiliano col 75% di sangue italiano, con doppia cittadinanza.
Secondo Gianetti, il trattamento
dato dall’Italia al Brasile non è
mai stato esattamente proporzionale all’importanza economica del paese sudamericano. Per il
direttore della Fiesp, il paese europeo ha bisogno di “essere più
flessibile e meno protezionista”.
— Riguarda il protezionismo europeo. Nella questione
dei sussidi nel settore agricolo,
per esempio, dovrebbe esserci
un atteggiamento di più interesse dell’Italia per ciò che riguarda il Brasile. Oggi, prevalgono
le critiche. Nell’ultimo tavolo di
negoziati a Doha, questo è stato ben chiaro. Gli europei sono
molto intransigenti e dimostrano
indifferenza. È una visione egoista, come se dicessero: “il mondo, che si arrangi”.
Gianetti, apertamente orgoglioso di poter votare come
tutti i cittadini italiani, propone al governo della sua seconda patria di investire in Brasile
perfino come misura preventiva
contro l’immigrazione di manodopera in Italia.
— Se non vogliono manodopera brasiliana, sarebbe meglio investire nel nostro sviluppo
economico, creare qui degli impieghi. I brasiliani emigrano alla ricerca di migliori condizioni
di vita, come gli stessi italiani
venuti in Brasile in passato per
fuggire dalla fame.
Reprodução
capa
La terza
repubblica
La società, gli uomini e la politica sono in costante cambiamento
Q
uattordici aprile duemilaotto. Ore diciotto: arrivano
i primi risultati delle elezioni politiche. Le prime
indiscrezioni, le prime supposizioni. Opinionisti che cominciano ad
invadere radio e televisioni. Passata qualche ora gli esiti elettorali
prendono corpo e i conti parlano
chiaro, non solo per la sconfitta
della sinistra e il ritorno della destra, ma anche e soprattutto per il
cambiamento epocale che queste
consultazioni hanno prodotto nel
palcoscenico della politica italiana. Si tratta di una vera e propria
rivoluzione mai verificatasi nel
dopo fascismo. Si può parlare di
Giordano Iapalucci
Correspondente • Firenze
“terza repubblica”? Forse qualcuno non si ricorda quali siano state le altre due. In realtà non esiste nessun elemento istituzionale
che definisca l’inizio o la fine delle prime due. È solo un “viaggio”
giornalistico che ci porta a fare
supposizioni e creare nuove definizioni della situazione politica.
La Repubblica Italiana nasce il 2
giugno 1946 e la prima arriva fino
al terremoto politico che investe
l’Italia dal 1992 al 1994 a causa di
quello che è stato chiamato “Tangentopoli”, ossia la scomparsa dei
partiti tradizionali che avevano
dominato politicamente l’Italia
fino a quel momento: Democra-
zia Cristiana, Partito Comunista e
Partito Socialista. La seconda arriva, appunto, fino ai giorni nostri.
E ora cos’è successo per arrivare a
dire che siamo entrati nella terza
fase della Repubblica? La sinistra
ne esce sconfitta e questo non fa
notizia, ma ciò che emerge è la
scomparsa delle due ali estreme
della destra e della sinistra. Per
molti in realtà è proprio l’uscita della vera sinistra dalla scena
politica italiana, visto che Veltroni ha scelto più la via del centro.
In Parlamento siederanno soltanto
5 partiti e già questo di per sè è
un fatto storico. L’Italia è sempre
stata per eccellenza il paese di-
Maio 2008
/
viso in decine e decine di fazioni
politiche. Ad oggi i due principali partiti (PdL e PD) convogliano
su se stessi più del 70% dei consensi. Che piaccia o no, l’Italia si
sta allineando anche politicamente a quelli che sono gli standard
europei. In Francia, in Germania,
in Gran Bretagna e in Spagna esistono due partiti principali che
si dividono tra il 70 e l’80% dei
voti. Se da un lato questa rivoluzione politica ha portato ad una
possibile maggior governabilità,
dall’altro Berlusconi si è ritrovato
nella difficile condizione di “padrone e schiavo” nei confronti
della Lega Nord e del suo condottiero Bossi, che in alcuni comuni
della Lombardia e del Veneto è arrivato ad avere anche oltre il 40%
delle adesioni.
Anche se il numero ristretto di
colori rappresentati al Parlamento fa pensare ad una forte durata
del governo, nel gruppo politico
del Popolo della Libertà non sono da dimenticare i due elementi contranstanti per antonomasia,
che sono appunto la Lega – portatrice dell’idea federalista in cui
si delegano i poteri alle Regioni
– e quella di Allenza Nazionale
che, in base all’ideologia storica
che la sorregge, dovrebbe propendere verso un’unità nazionale
centrale forte. Chissà se potranno convivere tranquillamente, ora
che il primo ha conquistato quasi il 10% dei voti a livello nazionale? E pensare che tra questa
percentuale rientrano molti voti
degli operai venuti meno alla sinistra radicale. Mi son domandato
come fosse stato possibile un tale
cambiamento di rotta. Semplicissimo: si son dimenticati di loro.
Un manovale poco dopo le elezioni domandò a Bertinotti perchè nel 2006 avessero messo in
Parlamento tra le fila del Partito
della Rifondazione Comunista il
trans Luxuria e non un operaio.
Ripeto: si son dimenticati di loro.
Seconda questione: tradizionalmente chi ha sempre sventolato
gli aspetti sociali come la bandiera più alta da difendere sono
stati i partiti più estremi delle ali
del Parlamento, sicuramente più
liberi da vincoli di governabilità
e molto più allenati nel ruolo di
oppositore. Ad oggi non ne esiste più nemmeno uno di questi.
Sapranno nascere degli “anticorpi
sociali” nei partiti presenti nella
“sala dei bottoni”?
ComunitàItaliana
31
entrevista
O Brasil no
Parlamento
italiano
Tatiana Buff
Correspondente • São Paulo
Fotos: Divulgação
Eleito deputado pela América do Sul pelo
Partido Democrático, o sociólogo Fabio Porta,
de 44 anos, será o único “brasileiro” no
Parlamento italiano. Ele obteve 15.932 votos.
Em 2006, quando concorreu pela primeira
vez a um cargo legislativo, conquistou
14.693 votos o que lhe garantiu uma vaga de
primeiro suplente. Nascido em Caltagirone,
na Sicília, casado com uma brasileira e
pai de duas meninas, Porta mora em São
Paulo há mais de dez anos. Veio ao Brasil
pela primeira vez em 1995 para coordenar
projetos do governo italiano de cooperação e
formação entre Brasil, Argentina e Uruguai.
É vice-presidente do Comitê dos Italianos no
Exterior e dirige a União dos Italianos no
Mundo (UIM). Em entrevista à Comunità,
Porta assinala que suas prioridades são a
aplicação dos recursos destinados a agilizar o
atendimento consular, ampliar as parcerias
entre as micro e pequenas empresas sulamericanas e italianas e clarear a visão dos
italianos sobre a “outra Itália”.
— Não temos petróleo, energia atômica,
dimensões enormes como têm China,
Rússia, Índia. Temos esse patrimônio que
ninguém tem: 31 milhões de italianos no
Brasil, 15 milhões na Argentina. E essa
riqueza está um tanto adormecida por
falta de atenção e entendimento político do
potencial destes “países” que vivem fora da
Itália — afirma Porta.
32
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
C
omunitàItaliana - Como
avalia o resultado das
eleições para o Partido
Democrático?
Fábio Porta – Para o PD no exterior é muito positivo porque se
afirma como primeiro dos italianos no mundo e aqui no Brasil. Na
Itália, apesar da vitória do Berlusconi, o resultado do PD não é negativo, considerando que é novo,
com menos de um ano. Veltroni é
nosso líder há pouco tempo. É o
começo de uma trajetória. Houve
uma simplificação do quadro político. Hoje temos o Parlamento com
quatro, cinco partidos, enquanto
há dois anos havia duas dezenas.
Isto também enfraqueceu o governo Prodi. Agora, o Parlamento está
numa situação melhor definida.
CI – Como encara o sucesso da
Liga Norte?
FP - A responsabilidade de governar é do Berlusconi, mas temos de
ressaltar que a vitória dele se deve
principalmente ao sucesso da Liga
Norte, o que para nós não é uma
boa notícia. Este partido é xenófobo, intolerante, não somente
em relação aos estrangeiros na
Itália, mas também em relação
aos italianos no exterior. Espero
que o Berlusconi saiba amenizar
a pressão porque senão seria perigoso. Os expoentes da Liga Norte já declararam ser contra o voto
dos italianos no exterior.
CI - Quais as surpresas dessas
eleições?
FP - Acreditava que o PD elegesse,
além de um deputado, um senador.
Certamente o Pollastri poderia ter
sido reeleito e o agradeço porque
meu resultado se deve também ao
seu trabalho. A outra surpresa é o
PDL na América do Sul. Existe uma
investigação da magistratura na
eleição do Senado porque há suspeitas de ter acontecido algo não
muito claro na Argentina e na Venezuela. Cabe à magistratura indagar. Se houve fraude, espero que
haja conseqüências. Para preservar
o voto no exterior temos que fazer
de maneira que nenhuma suspeita
seja ligada à nossa participação,
uma vez que esta conquista poderia ser eliminada. Uma das responsabilidades do novo Parlamento será introduzir mecanismos de
melhoria para que o voto seja mais
seguro, transparente e controlado.
CI - Quais serão suas prioridades no Parlamento?
FP - A primeira é colocar em prática
o que já foi decidido e deliberado
pelo governo Prodi. Temos uma lei
orçamentária de 2008 já aprovada
pelo Parlamento italiano que prevê recursos para a rede consular
da Itália na América do Sul e diria,
em primeiro lugar, para o Brasil.
No caso do Brasil, são problemas
muito grandes, como o da demora dos pedidos de cidadania. Espero aplicar esses recursos o quanto antes e realizar a força-tarefa
que pode ajudar a resolver rapidamente, ou pelo menos em alguns
anos, este atraso da fila da cidadania. Para isso, espero ter apoio
e colaboração de todos os parlamentares, não só do meu partido.
Há um segundo ponto importante
que é o próprio atendimento con-
sular que tem que ser qualificado
e estruturado. Outra prioridade foi
um pouco o foco da minha campanha: investir e incentivar programas voltados às jovens gerações
italianas no exterior. O futuro das
relações da Itália e com a própria
comunidade no exterior passa pelos descendentes. Temos de aperfeiçoar os projetos existentes, trazer recursos públicos, privados, de
fundações bancárias e da União
Européia para aumentar a oferta
de cursos de língua italiana e bolsas de estudos, além de programas
específicos para a criação de parcerias, joint-ventures para micro e
pequenas empresas da Itália e do
Brasil. Também é preciso mudar a
visão que existe na Itália acerca
dos italianos fora do país. Infelizmente, nestes dois anos tivemos
uma superexposição do senador
Pallaro, que mostrou uma imagem
do parlamentar da América do Sul
que estava lá para pedir favores
e chantagear. É preciso mostrar
o potencial que estamos transferindo à Itália, que esta presença
política no exterior é uma oportunidade de crescimento cultural,
político, econômico e comercial.
CI - Como equilibrar a defesa
dos interesses dos italianos residentes no exterior com os daqueles que vivem na Itália?
FP - Não é e não será fácil, porque
este é um trabalho de médio e
longo prazos. Deve-se investir na
educação e informação. Os italianos não têm uma visão completa
do que representa esta “outra Itália” fora da Itália. Temos que começar com as crianças, na escola
pública, e explicar que a imigração não é apenas uma história do
passado, com choradeira, malas
de papelão. Passa-se aos jovens a
imagem da imigração como algo
negativo. Devemos explicar que
existiu a imigração e que hoje os
filhos dos imigrantes são empre-
Maio 2008
/
sários, jornalistas, políticos, cientistas, pessoas que para nós são
importantes porque podem ajudar
a criar um novo sistema de desenvolvimento que beneficia tanto a
Itália quanto esses países. É preciso entender que essa presença
forte no exterior é um de nossos
poucos recursos reais. Não temos
petróleo, energia atômica, dimensões enormes como têm China,
Rússia, Índia. Temos esse patrimônio que ninguém tem: 31 milhões
de italianos no Brasil, 15 milhões
na Argentina. E essa riqueza está
um tanto adormecida por falta de
atenção e entendimento político
do potencial destes “países” que
vivem fora da Itália.
CI - Com relação à Argentina, como pretende unir as forças que
o elegeram na América no Sul e
neutralizar uma eventual disputa com o Brasil?
FP - Não existe problema de relacionamento entre Brasil e Argentina, entre os italianos que vivem
aqui e lá. Trabalho há anos e nessa
campanha mantive contato com
amigos da Argentina. Foi um dos
países onde estive mais presente
e tive mais votos. Há um problema de números. Temos cinco parlamentares eleitos na América do
Sul, que representarão na Itália
toda a América Meridional. Não é
justo que os cinco parlamentares
sejam a expressão de um país só.
A Argentina é importante, lá vive
metade da população com cidadania italiana, mas existem outros
países, como Venezuela, Uruguai,
Peru, Chile e o Brasil, em primeiro lugar, como dimensão e número
de descendentes. O problema será
resolvido quando aumentarmos o
número de cidadãos com direito a
voto no Brasil. Aí cessará de existir a rivalidade eleitoral. O Brasil
é o maior país da América do Sul,
tem maior número de descendentes de italianos fora da Itália.
CI - Como analisa a descrença
de parte da população italiana
nas eleições?
FP - É um problema. Existe uma
grande decepção, principalmente
dos jovens. Elegemos na Europa
uma candidata jovem, a primeira
dos deputados eleitos do PD, Laura
Garavini, que inclusive faz parte da
UIM na Alemanha, com 42 anos.
Na América do Sul, a minha eleição também representa, de alguma
forma, um sinal de renovação na
classe dirigente dos representantes dos italianos no exterior.
ComunitàItaliana
33
Basta!
Campanha na Itália alerta para o grande número
de casos de violência contra a mulher, a maior parte
deles, cometidos dentro de casa, pelos parceiros
É
Valquíria Rey
Correspondente • Roma
comum os jornais darem
grandes manchetes para os
casos em que as italianas
são abusadas por estrangeiros em situação irregular no
país. Mas não divulgam com o
mesmo estardalhaço que quase
70% dos estupros ocorridos na
Itália são praticados pelos próprios parceiros.
Segundo números do Instituto de Estatística (Istat), 31,9%
das mulheres italianas sofrem ao
menos um episódio de violência
física ou sexual entre os 16 e os
70 anos. Dessas, 93% não têm
coragem de denunciar, por medo
ou vergonha, quando o agressor
é o próprio parceiro. Em função
disso, apenas um homem a cada
cem é condenado.
O mesmo órgão governamental aponta que 690 mil mães italianas são violentadas repetidas
vezes todos os anos pelos parceiros na presença dos filhos.
“Basta de estupros, socos,
tapas e humilhações”. Assim,
Donna Moderna, uma revista feminina de grande circulação na
Itália, lançou uma campanha para chamar a atenção da violência
contra a mulher no país.
Tendo em consideração também dados do Istat a publicação
informa, por exemplo, que a cada
três dias uma mulher é morta pelo
marido, namorado ou ex-parceiro.
Campanha da Donna Moderna é de autoria de Oliviero Toscani
34
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
— Não podemos mais ficar
em silêncio diante desses dados.
Por isso, Donna Moderna decidiu
dizer basta — afirma a diretora
da publicação Cipriana Dall’Orto.
— Grande parte dos atos violentos sofridos pelas mulheres ocorrem dentro do próprio seio familiar. Muitas mães acabam defendendo os filhos violentos e os
jornais classificam os agressores
como depressivos ou desempregados para justificar a violência.
O polêmico fotógrafo Oliviero
Toscani – conhecido pelas controversas fotos para a Benneton
e, mais recentemente, pela campanha “No Anorexia” – é o responsável pela criação do material publicitário da campanha de
Donna Moderna.
Na imagem de Toscani, são
mostradas duas crianças. Abaixo
do menino está escrito ‘agressor’
e da menina ‘vítima’, sendo que
no corpo dela aparece uma tarja
preta com a inscrição ‘não à violência contra as mulheres’. Segundo Toscani, “as crianças encarnam
a pureza, depois é que os valores
são transmitidos, de acordo com a
educação dos pais”.
Segundo o fotógrafo, há uma
relação muito precisa entre crescer em uma família desestruturada e se tornar um homem violento: os dados dizem que 30% dos
parceiros violentos tiveram um
pai que batia na mãe.
— Os inúmeros casos de abusos contra as mulheres ocorridos
nos últimos anos demonstram que
esse tipo de violência não é exclusividade dos mais desfavorecidas,
de pessoas com distúrbios psicológicos ou de famílias problemáticas
— informa a socióloga Loredana
Forti. — Mais que uma doença, é
um fenômeno que pertence à ‘normalidade’, incluindo homens e mulheres de todas as esferas sociais.
Uma praga que atravessa todo o
país, sem distinção econômica.
De acordo com ela, as agressões, sobretudo no interior da
esfera doméstica, são geralmente
subestimadas ou de difícil quantificação. Conforme a socióloga,
isso ocorre devido ao escasso número de denúncias.
— O pior é que ainda hoje se
encontra resistência em considerar os abusos contra as mulheres
como um grave delito — observa
Loredana. — Isso é devido a heranças culturais que têm relegado
a mulher a ter um papel de subordinação em relação ao homem.
Na Itália, três leis de âmbito nacional procuram proteger
as mulheres. A lei 66/96 classifica como delito contra a pessoa o
ato de violência sexual, mudando
assim a qualificação da normativa
precedente que o definia somente
como “crime contra a moral”.
Já a 269/98 contém normas
contra o uso da prostituição, da
pornografia e do turismo sexual
em prejuízo de menores, que costumam ser do sexo feminino.
A terceira lei é a 154/01, que
abriu uma nova perspectiva de
proteção para a pessoa que sofre abusos por parte do próprio
parceiro. A normativa reconhece
a aplicação de medidas cautelares como o afastamento de casa
daquele que cometeu a violência.
Além disso, nos últimos anos, diversas regiões aprovaram normativas para garantir maior proteção
às mulheres vítimas de violência.
Há também outras iniciativas
não-governamentais, como o Telefono Rosa, um centro de atendimento por telefone, que fornece
apoio legal, financeiro, psicológico e de acompanhamento familiar
para as vítimas de violência.
D
e menina de rua no Brasil
à empresária bem sucedida na Itália, a carioca
Rosa Neves considera-se
uma das poucas brasileiras que
se deu bem na cidade eterna sem
precisar recorrer à prostituição.
Aos 38 anos – 23 dos quais
vividos em Roma – ela não sente
qualquer falta do tempo em que
precisava trabalhar na praia de
Copacabana vendendo cerveja,
refrigerante e sanduíche natural
para ajudar na renda familiar.
Com uma vida estável e tranqüila, ela também não tem saudades do período em que morava
nas ruas do Rio de Janeiro.
— Eu me formei em fotografia na Itália e há anos vivo disso. Tenho meu estúdio no centro
histórico da cidade, trabalho com
uma agência matrimonial e também como consultora de estilo —
conta a carioca, que investe tudo
o que ganha no Brasil. — Comprei terras em Itajaí, em Santa
Catarina, uma casa na Bahia e estou finalizando a compra de mais
outra e de três terrenos.
Quando era criança, a vida era
muito mais complicada para ela.
Depois de um dia cheio de trabalho em Copacabana, para evitar de voltar a Niterói, onde vivia
sua família, dormia em qualquer
lugar: na praia, ou na casa de
amigos, que conhecia nas ruas e
moravam nas favelas.
— Costumava também fazer amizade com os porteiros
dos prédios residenciais e pedia
a eles para dormir em qualquer
cantinho — relembra.
A vida dela começou a mudar
aos 11 anos, quando conheceu
uma família italiana em frente a
um luxuoso hotel.
— Eles se interessaram por
mim, começamos a conversar e ficamos amigos. Mais que tudo, eles
não entendiam como uma criança
poderia estar ali na praia trabalhando sozinha sem ter um adulto por perto para acompanhá-la.
Queriam saber como eu vivia, se
eu estudava e se mostraram dispostos a me ajudar — lembra.
Da amizade surgiu, um ano
depois, o convite para trabalhar
como mensageira na agência de
turismo deles, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, aos 15
anos, ela viajou com essa família para a Itália, onde retomou os
estudos e começou a trabalhar
como babá. Com quase 16, co-
vi,
venci
Ex-menina de rua, no Brasil, fotógrafa se
firma como empresária em Roma, com direito a
escritório no disputado centro histórico da cidade
Valquíria Rey
Correspondente • Roma
Divulgação
Grupo Keystone
atualidade
Maio 2008
/
perfil
nheceu o ex-marido e casou com
ele quando completou 18 anos.
Ela conta ter se acostumado
com a vida italiana, principalmente “da segurança que o país
proporciona”. Mas é só isso.
— Estou na Itália por causa
do meu trabalho. Não tenho afinidades com os italianos — admite
Rosa — Meu sonho é voltar para o
Brasil o mais rápido possível, montar uma parceria com um fotógrafo
e vir para cá de vez em quando.
A fotógrafa afirma que não
gosta de muita coisa na Itália.
Reclama, por exemplo, do tipo
de tempero na comida e que os
italianos não sabem se divertir,
namorar, conquistar uma mulher.
Disse que, quando chegou, os
italianos não tinham preconceito contra estrangeiros. Mas tudo
começou a mudar com a chegada
dos travestis e das mulheres na
prostituição.
— Em relação aos demais estrangeiros, os italianos gostam
dos brasileiros — conta. — Antigamente, éramos tratados como
novidade na Itália, porque éramos
poucos e discretos. Hoje, é diferente. Quando eles encontram uma
brasileira, automaticamente, pensam que está aqui para se prostituir, que é pobre, mulher fácil.
Rosa lembra que começou a
trabalhar com fotografia em 1996,
depois que seu casamento chegou
ao fim, e nunca mais parou. Primeiro, como ambulante e funcionária de uma agência, até que, em
2002, abriu seu primeiro estúdio.
Além do trabalho, ela faz voluntariado todos os domingos, em
um instituição de caridade, há mais
de sete anos. Ela ajuda pessoas
com deficiência física a comer.
— Certa vez, em 2004, o papa João Paulo 2º esteve lá. Nunca esqueço. Ele falou em português ‘eu gosto muito do Brasil,
terra maravilhosa’ e eu complementei: ‘você sabia que Deus é
brasileiro?’ Ele só riu e não falou
mais nada — conta ela que chegou a tirar uma foto ao lado do
papa. — Eu estava empurrando
uma cadeira de rodas e quase pisei no pé dele.
Passados 23 anos na Itália,
Rosa não sabe como seria sua vida se não tivesse saído do Brasil. Acredita, no entanto, que não
seria muito diferente, porque está
certa que teria “batalhado por algo” da mesma forma. Em qualquer
lugar do mundo.
ComunitàItaliana
35
meio ambiente
Sempre più spesso, rifiuti e attenzioni alla conservazione ambientale diventano fonti di nuovi affari
I
o Stato di Rio de Janeiro è stato il primo a contare su una
Borsa di Rifiuti, dove le imprese dicono cosa decidono, vendono, comprano, scambiano e dove persino donano i loro passivi
ambientali. Fondata nel 2000 grazie ad un partenariato con la
Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) e la
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), la
borsa in questo momento conta su 370 imprese registrate. Vengono negoziate 300 tonnellate di rifiuiti, il che risulta in un movimento di capitali stimato in 200mila reali all’anno.
Secondo il coordinatore della Borsa, Ivan Mello e Silva, i materiali di maggior movimento sono plastica, metalli ferrosi e carta. Per partecipare alla Borsa l’impresa interessata deve soltanto
entrare nel sito della Firjan (www.firjan.org.br) e riempire un modulo di registrazione.
Sílvia Souza
primi a capire che i rifiuti
potevano rappresentare un
buon affare sono stati i raccoglitori. Ogni lattina, ogni
pezzo di cartone in più li ha resi
pionieri di un giro di affari che
cresce sempre di più in tutto il
mondo. In Brasile, solo l’industria del riciclaggio di rifiuti è un
settore dell’economia che muove tre miliardi di dollari
all’anno.
Ma questa è solo
una parte
della storia. Nel vacuo
della coscienza ambientale sorgono ad ogni minuto
opportunità di affari. Il Brasile e
l’Italia, per esempio, hanno già
siglato una partenariato nell’area
di commercializzazione di credito di carbono. La Câmara ÍtaloBrasileira de Comércio e Indústria di São Paulo porta avanti,
dalla fine dell’anno scorso, il progetto Carbontrade. Con due uffici
di riferimento, uno a São Paulo
e l’altro a Milano, il lavoro mira
36
L
Divulgação Marca Ambiental
Alternative
imprenditoriali
Borsa di Rifiuti
a mediare il contatto tra imprese
e istituzioni italiane e brasiliane
per gestire contratti di credito di
carbono e individuare aspetti positivi e negativi della legislazione vigente.
L’avvicinamento tra i due
paesi, questa nicchia
affaristica, alla
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
fine ha aiutato un’impresa carioca. L’impresa di consulenza ambientale Logan C ha fatto parte
della comitiva del governatore
Sérgio Cabral, che ha partecipato
ad una missione imprenditoriale
in Italia, l’anno scorso. È
ritornato portandosi dietro molto lavoro da fare in
valigia.
— Quando
siamo
partiti non
abbiamo messo
insieme al nostro
materiale l’offerta di questi crediti, sono venuti fuori
dovuto alla domanda dei paesi europei. Stiamo mettendo su
la matrice di questo affare. In
realtà non sono stati venduti
i crediti. Perché esistano, sarà necessaria una loro fase anteriore di certificazione, e solo
allora le imprese coinvolte ne
avranno il diritto. In questo
momento, stiamo studiando il
costo approssimativo di questa
operazione per le imprese italiane — spiega il direttore della Logan C, Sérgio Lopes.
Secondo lui, è probabile che
affari di questo tipo si aggirino
su 1 euro per credito di carbono contro i perfino 20 dollari per
tonnellata di rifiuti nel mercato
di borsa di valori. Prima di lavorare in questo settore, l’impresa
si occupava di consulenza per
imprese che volevano impiantare
miglioramenti nel loro rapporto
con l’ambiente. In qualche caso,
impianta i progetti. Lopes racconta che, ogni anno che passa,
il suo volume di lavoro aumenta
circa il 10 %.
La Logan C è stata fondata
nel 1999 da impiegati in licenza
della Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), organo responsabile del
controllo e emissione di licenze ambientali nello stato di Rio
de Janeiro. In questo momento
l’impresa lavora per settori come quello del trasporto pubblico,
garagem di autobus, shopping
center, Metro, Barcas S/A (che fa
il trasporto marittimo tra Rio e
Niterói), società concessionarie
di veicoli e industrie.
Esperienza paulista
Lavorando a São Paulo dal 1999,
un altro gruppo in luce nel settore degli affari ambientali è la
Empresa de Engenharia Ambiental, a EEA. La ditta, che si occupa specialmente nel trattamento fognario, ha già lavorato per
l’impresa edile Norberto Odebrechdt e per Nestlé, Brastemp, LG,
Infraero, Petrobras, comuni, discoteche, alberghi, scuole, ospedali e residenze in generale. Secondo il direttore dell’impresa,
l’ingegnere Emerson Marçal Junior, il segreto è di non catalogare i clienti secondo una scala
di importanza:
— Abbiamo già lavorato in
Brasile, Argentina e Venezuela.
Nella fabbrica di buste della Marca
Ambiental (sopra), in Espírito Santo,
i rifiuti diventano materia prima
per altri prodotti. Sotto e accanto,
attrezzature per trattamento di
residui della Empresa de Engenharia
Ambiental, a São Paulo, provano
che le imprese brasiliane cominciano
ad investire in sostenibilità
Per la nostra impresa, tutti i
clienti sono molto importanti,
visto che l’inquinamento è molto
diffuso e mille case possono inquinare quanto una grande fabbrica — spiega.
Junior segnala che la preoccupazione con i problemi ambientali sono aumentati, ma il
processo, oltre ad essere recente, è una nullità in confronto alla
coscienza ecologica generale che
richiederebbe.
— Gli imprenditori sono più
preoccupati, ma i soldi sono ancora più importanti dell’ambiente — afferma Junior.
Esperienza capixaba
Con la creazione della prima discarica privata a Espírito Santo,
nel 1995, la Marca Ambiental concentra le sue attività nel comune
Cos’è un credito di carbono?
C
hiamato anche Riduzione Certificata di Emissioni (RCE), è
un certificato rilasciato quando si ha la riduzione di emissione di gas causatori dell’effetto serra (GEE). Per convenzione, una tonnellata di diossido di carbono (CO2)
corrisponde ad un credito di carbono. I crediti
di carbono, in pratica, hanno creato un valore
monetatio per l’inquinamento.
Questa commercializzazione è iniziata
nel 1997, unendo gli sforzi alla firma del
Protocollo di Kyoto. Funziona con il coordinamento delle agenzie regolatrici di protezione ambientale che, come prima cosa,
selezionano le industrie che inquinano di
più e, partendo da questo, stabiliscono mete per la riduzione delle loro emissioni. Le imprese, a loro volta, ricevono bonus negoziabili, a
seconda dei loro risultati legati all’inquinamento dell’ambiente.
Chi non raggiunge le mete deve comprare certificati delle imprese di più successo. Secondo gli specialisti, il sistema offre il
vantaggio di permettere che ogni impresa stabilisca il suo ritmo
di adeguazione alle leggi ambientali. Però le nazioni conquistano il diritto di inquinare, negoziando contratti di acquisto e
vendita di questi certificati.
Solo commercio
U
n evento affaristico realizzato specialmente per professionisti che lavorano con rottamazione in scala industriale verrà
realizzato in ottobre, a São Paulo. Si tratta della Expo Sucata, che
ha luogo tra il 7 e il 9 presso il Centro de Convenções Imigrantes. Gli organizzatori sono stati chiarissimi ad informare, nel sito
dell’evento, gli obiettivi della fiera: “Non è un evento ambientale
o sociale, ma un evento mirato esclusivamente al lato commerciale ed industriale della rottamazione di grandi volumi di rottami”.
di Cariacica. L’impresa produce
biogas risultante da rifiuti solidi.
Inoltre organizza, nel suo parco
tecnologico di eco affari, gruppi
di lavoro che si occupano di officine di riciclaggio di carta, scope
in PET, tegole, vernice, buste di
plastica e tegole ecologiche.
In questo momento, il lavoro
è rivolto alla creazione di luoghi
di riuso del biodiesel fatto con
l’olio di frittura usato (BioMarca). Senza parlare delle attività
e programmi già esistenti che includono il separatore di acqua e
olio derivati dal petrolio, concime organico, laboratorio di analisi dell’acqua, riciclaggio di
elettroelettronici, servizi
di raccolta e trasporto e
una termoelettrica.
È solo l’inizio
Secondo il professor
Francisco
Casanova,
della Coordenação dos
Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) dell’Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ), “in generale gli imprenditori brasiliani hanno bisogno di un incentivo (di solito una legge) perché
si preoccupino di qualsiasi tema
che non significhi un guadagno
finanziario immediato”.
Maio 2008
/
— Ho cominciato a lavorare alla questione ambientale nel
1977, quando ho presentato alla
FINEP (Financiadora de Estudos e
Projetos) una proposta di studio
sull’uso di residui industriali e minerali per la pavimentazione autostradale, forse l’area dal maggior
potenziale di consumo di residui.
Allora la società si preoccupava
poco con l’ambiente, per non dire
per niente. Per averne un’idea, è
stato necessario aspettare fino al
1986 perché il progetto fosse approvato. — informa il professore
che aggiunge: — Oggi constato
che il mercato si sta adattando
sempre più rapidamente, perché i
residui sono ormai visti come materia prima di valore.
ComunitàItaliana
37
aluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSalut
Epidemia
A ‘mediterrânea’
sempre
C
a Rio
La dengue, che ha già ucciso più di 80 persone a Rio de
Janeiro, allontana turisti italiani dalla città. Il consolato
consiglia i viaggiatori sul da farsi per evitare la malattia
A
lla fine dell’anno scorso,
in Brasile la grande preoccupazione nel campo
della salute era la febbre
gialla. Ora, non ne parla più nessuno. La malattia del momento è
la dengue, e Rio de Janeiro è lo
Stato che si trova nell’occhio del
ciclone. Fino ad aprile sono stati registrati 95 decessi in tutto
il territorio della provincia. Solo nei primi mesi dell’anno, il totale dei casi legati alla malattia
ha già superato quello registrato durante tutto l’anno scorso:
93mila, contro 66.553 nel 2007.
L’industria turistica ha sentito ‘la puntura’. Prima sono state le
ambasciate degli Stati Uniti e del
Portogallo ad avvisare i loro paesi dell’epidemia. Dopo è stata la
volta del Consolato Italiano di Rio
de Janeiro, attraverso il Ministero
degli Affari Esteri italiano, che ha
suggerito raccomandazioni ai turisti nel sito www.viaggiaresicuri.
it, nel link ‘sicurezza sanitaria’.
— È stata la maniera trovata
per avvisare i turisti, ma non suggeriamo assolutamente che non
Principali
sintomi della
dengue:
Mal di testa e agli occhi,
sensibili alla luce;
Febbre alta;
Dolore muscolare e alle
articolazioni;
Macchie rosse sparse sul corpo;
Mancanza di appetito;
Debolezza;
In alcuni casi, sanguinamento
di gengiva e naso
38
Idratazione nella lotta alla dengue
visitino Rio — garantisce il console Massimo Bellelli, aggiungendo che il consolato ha ricevuto
molte telefonate di persone che
vogliono informarsi meglio della
reale situazione della città. —
Alcuni dei nostri impiegati abitano in zone piene di vegetazione e
hanno preso la dengue anche loro
­— conclude Bellelli.
Di fronte a questo quadro, il
Ministério do Turismo è stato obbligato a divulgare all’estero misure di lotta all’epidemia.
— Non possiamo fingere che
non è grave, perché il problema
lo è. Il Ministério do Turismo
ha inoltrato ai suoi dipartimenti all’estero un dato di realtà.
Anche perché giornali italiani,
portoghesi e spagnoli hanno
pubblicato notizie dell’epidemia
in modo molto forte e questo
causa una ripercussione — afferma la ministra del Turismo,
Marta Suplicy.
Secondo lei, la dengue a Rio
de Janeiro sta allontanando i turisti stranieri dalla città. Ma non ha
saputo dire i numeri legati a questa diminuzione di movimento.
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Avviso ai viaggiatori
L’infettologo Bernardo Gaia coordinatore del Centro Brasileiro de Medicina do Viajante, avvisa i turisti
che vogliono visitare Rio de Janeiro in questo momento epidemico:
— Attualmente, la maniera
più sicura di evitare punture di insetti è l’uso di repellenti, ma che
presentino una sufficientemente alta concentrazione di DEET o
di icaridina, due sostanze sicure
e molto efficaci nella loro azione
repellente. Aiuta anche l’uso di un
abbigliamento adeguato (maniche
e pantaloni lunghi) — informa il
medico, mettendo in risalto che
rimanere in luoghi con l’aria condizionata, così come l’uso di candele di ‘andiroba’ o citronella, in
piccoli spazi, contribuiscono nella prevenzione della malattia perché allontanano l’Aedes Aegypti,
la zanzara portatrice della dengue
che, “per caso”, è anche portatrice della febbre gialla urbana.
Visto che i sintomi della dengue sono molto simili a quelli di
altre malattie come l’influenza,
la rosolia e perfino l’infezione
acuta dell’HIV, Gaia mette in risalto l’importanza di cercare un
medico fin dai primi segnali della
supposta malattia.
— Le analisi per la quantificazione di piastrine, richieste dal
medico, vengono decise a seconda
del caso, visto che si ha bisogno
non solo di una valutazione clinica
di ogni paziente, ma anche di una
valutazione evolutiva. Ciò dipende
non soltanto da come il paziente
arriva a cercare il medico, ma anche da come va il suo stato di salute — chiarisce mettendo in risalto
l’importanza dell’idratazione come
maniera di curare la malattia.
Ci sono quattro tipi di virus
della dengue. Ma uno stesso virus
può provocare diversi sintomi della malattia, a seconda della persona. Tutto dipende tanto da quante
volte si è avuta la malattia, quanto dall’anteriore stato di salute del
paziente. Inoltre, una persona che
non ha mai avuto la malattia può
prendere la forma emorragica, la
più grave, anche se questo di solito succede di più a chi ha già avuto la dengue una o più volte.
E la febbre gialla?
L
a febbre gialla è una malattia trasmessa dal virus appartenente allo stesso genere di quello della dengue (Flavivirus).
È una malattia endemica in Brasile e aumenta sempre di più. Rio
de Janeiro non fa ancora parte di quest’area endemica, ma viene considerata un’area ricettrice, visto che presenta la zanzara
che trasmette la malattia. Secondo l’infettologo Bernardo Gaia,
la febbre gialla è più facile da controllare della dengue, visto che
esiste un vaccino che “oltre ad essere molto efficace, è sicuro”.
— Credo abbiano smesso di parlare della malattia perché il
popolo brasiliano è immediatista ed ha una memoria corta. In
termini di catastrofe, la dengue ha rubato la scena alla febbre
gialla, ma potete essere sicuri che essa è qui, e sempre più vicina — afferma Gaia.
Diabetes tipo 2
U
ma pesquisa publicada na revista Nature Genetics revela a existência de seis
novos genes ligados à diabetes tipo 2. O estudo foi realizado por mais de 90 pesquisadores de mais de 40 centros europeus e
americanos. Geralmente associada à obesidade, a diabetes tipo 2 se desenvolve porque a insulina produzida pelo organismo é
insuficiente ou trabalha de forma inadequada. A descoberta dos genes indica que eles
podem afetar o número de células no pâncreas que produzem a insulina, que controla
a glicose no sangue.
Outra mentira?
V
ocê sempre ouviu falar que deveria beber, no mínimo, oito copos
de água por dia porque faz bem à saúde? Pois um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia sugere que a constante ingestão de
água ao longo do dia, ao contrário do
que se pensa, não traz grandes benefícios à saúde. Os especialistas disseram
que apesar de a água ajudar o corpo a se
manter hidratado, não há provas de que
a ingestão suplementar de água - quando não se tem sede - previne o organismo contra a desidratação. “Não se sabe de onde essa recomendação surgiu”,
disse o porta-voz dos cientistas Dan Negoianu e Staley Goldfarb.
Grupo Keystone
Nayra Garofle
Carlos Gustavo Curado
inco porções de frutas e verduras por
dia, pães e massas, de preferência integrais, iogurte, azeite extra-virgem, peixe e
legumes, água em abundância, pouca gordura animal, pouca carne vermelha e atenção
com o álcool. A luta contra doenças digestivas começa também pela adoção de uma
alimentação saudável e equilibrada, ou seja, em duas palavras: “dieta mediterrânea”.
“Mais de 40% das doenças digestivas são ligadas à alimentação, vida sedentária e abuso
de álcool”, explica o professor de Gastroenterologia da Universidade de Bologna.
Perigo antes dos 35
B
ronzeamento artificial faz mal, sim. Na GrãBretanha, uma pesquisa encomendada pela ONG Cancer Research UK revela que 82% das
pessoas que fazem ou já fizeram bronzeamento pela primeira vez tinham menos de 35 anos.
Pesquisas anteriores já haviam constatado que
a prática antes desta idade aumenta os riscos
de câncer de pele em 75%. Para tentar descobrir quantas pessoas faziam parte desse grupo
de risco, a Cancer Research fez uma enquete com
quatro mil pessoas. Destas, 40% afirmaram que
já haviam feito o bronzeamento artificial - e,
desse grupo, 82% revelaram que o fizeram antes dos 35. “Cada vez que uma pessoa faz bronzeamento artificial está prejudicando a pele e
aumentando as chances de contrair câncer de
pele”, disse Rebecca Russell, diretora da campanha SunSmart, que pretende alertar os jovens
sobre os perigos do bronzeamento artificial.
Prato mais verde
A
ervilha, rica em proteínas, contém
outras propriedades importantes como as vitaminas A, do complexo B e C e
de sais minerais como manganês e ferro.
De acordo com o pesquisador da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Warley Marcos Nascimento, há diversos grupos da leguminosa no mercado:
as industrializadas, os grãos verdes debulhados, a vagem comestível e a ervilha forrageira. “Sem dúvida, a ervilha seca reidratada é a mais consumida, com um custo
mais baixo para o consumidor brasileiro.”
Maio 2008
Superantibiótico
U
ma pesquisa realizada nos Estados Unidos descobriu que há, no sangue de
crocodilos, proteínas que podem ajudar na
criação de antibióticos para combater vírus e bactérias. “Há uma possibilidade real
de que um dia nós venhamos a ser tratados
com um remédio feito com sangue de crocodilo”, disse o bioquímico Mark Merchant,
da McNeese State University, na Louisiana.
Os crocodilos, segundo os cientistas, têm
um sistema imunológico forte que combate microorganismos mesmo sem ter tido um
contato prévio com eles. Com isso, os pesquisadores estudam a possibilidade de desenvolver tratamentos contra o HIV, já que
células brancas dos répteis destruíram o vírus em amostras de laboratórios.
/
ComunitàItaliana
39
Roma
beleza
Bella e baiana
Valquíria Rey
Nico Vascellari
P
Renata Marzolla, de 18 anos, é a oriundi mais bonita do Brasil
e vai representar o país no Miss Italia Nel Mondo, em junho
Na catacumba
O
inverno dá adeus e os romanos
retomam o tradicional pic-nic nos
parques da cidade. Um ótimo local para fazer esse tipo de programa, relaxar e também conferir um pouco de cultura
é ir até a catacumba de São Calixto, uma
das mais visitadas em todo o mundo. Além
de aproveitar a grande área verde – cerca
de 15 hectares – para beber um vinho tranqüilamente, é possível ver os maravilhosos
afrescos do local. Construída no final do
século 2, acredita-se que mais de 20 mil
pessoas estejam enterradas lá. A catacum-
Juan Miró
U
m pouco da Espanha pode ser apreciada na capital italiana. Trata-se de
uma mostra com 26 telas e quatro esculturas em bronze de grandes dimensões do artista espanhol Juan Miró (1893/1983). As
obras foram realizados entre 1969 e 1978
e são da Fundação Juan Miró de Barcelona. A regra do artista é sempre a mesma:
deixar-se guiar pela imaginação. Para os
admiradores, basta fechar os olhos e escutar a alma para apreciar as criaturas misteriosas que animam a mostra Antirretratos.
Fora dos esquemas, os desenhos e pinturas
se confundem. Ele trabalha contra as regras dos retratos. Mais que a fisionomia, o
artista catalão procura mostrar o personagem com toda a sua ambigüidade. Assim,
Miró nunca perde seu desejo incendiário
de experimentar. Os trabalhos podem ser
conferidos na Real Academia de Espanha,
na praça San Pietro in Montorio, 3.
ba romana ocupa cerca de cinco andares
abaixo da terra e conta com mais de 20
quilômetros de corredores que levam aos
diversos túmulos, onde descansam os corpos de pessoas que viviam na Roma antiga,
quando era costume enterrar os mortos fora dos muros da cidade. Está localizada na
Via Appia Antiga –estrada que começou a
ser construída em 312 A.C. e foi concluída
120 anos depois. É conhecida pelos túmulos de diversas épocas, vários monumentos
e pontos de interesse espalhados em seus
90 quilômetros de extensão.
Luna Park
U
Pelo Tiber
R
omântico e divertido, um passeio de barco
pelo rio Tiber é uma boa dica para conhecer
um pouco de Roma. Com saídas a cada 20 minutos, o barco possibilita que sejam observados
numerosos pontos históricos da Cidade Eterna. O
serviço foi inaugurado em 2003 pela Prefeitura
de Roma e muitos dos itinerários podem ser feitos ao preço de um bilhete de ônibus. A navegação no Rio Tiber passa pela Ponte Duca d’Aosta,
que liga o bairro Flamínio ao Fórum Itálico, até
a pitoresca Ilha Tiberina. O Tiber também pode ser percorrido a partir da Ponte Marconi, que
une os bairros Trastevere e Eur a Ostia.
m programa divertido para toda a família em Roma é o LunEur, um parque de
diversões com mais de 70 atrações para todos os gostos e idades. Localizado na Via delle
Tre Fontane, o parque foi construído em 1953
como parte de um evento agricultural e, em
1962, ganhou seu atual formato. É um dos
maiores e mais antigos do país, carinhosamente chamado pelos italianos como Luna Park.
O bilhete de ingresso dá direito
a usufruir de 18 atrações por
quantas vezes você desejar. As
demais devem ser pagas
uma a uma. Entre as
opções, o Imperator,
Jungle River e o Draghetto Nessie. Nos
dias de calor, eventos, festas e concertos são programados.
É
de Salvador a campeã da etapa nacional do concurso que
reúne as beldades de ascendência italiana no Brasil. Renata Marzolla, de 18 anos, a única
nordestina entre as 20 candidatas, já começa a se preparar para a
grande final, em junho, em Veneza, na Itália. A final do concurso,
que teve etapas em diversas cidades, foi realizada em Votorantim, a
102 quilômetros de São Paulo.
Modelo profissional há oito anos, a baiana já havia participado de outros concursos
até chegar ao Miss Itália Brasil.
Com 1,75 m de altura e 59 kg,
Renata conta que o resultado
não era esperado.
— Fui Miss Bahia 2007 e,
conseqüentemente, participei do
Miss Brasil ano passado. Cheguei
ao oitavo lugar. Não esperava
vencer, agora, o Miss Itália Brasil porque todas as concorrentes
eram muito bonitas — diz a vencedora que já conta os dias para
a etapa internacional — Nunca
viajei para a Itália e este é o meu
sonho — completa.
Há 18 anos o Brasil realiza o
concurso que exige da candidata a comprovação da descendência italiana até a quinta geração.
Como prêmio, a vencedora ganha
um contrato com uma agência de
modelos e a chance de ir para a
Itália para participar do concurso mundial.
Nayra Garofle
Renata tem a origem italiana
herdada dos tataravós maternos,
das cidades de Ferrara e Rovigo,
região da Emilia-Romagna. Não
fala italiano, mas vai entrar num
curso intensivo para se comunicar
melhor na viagem que, aliás, será
toda financiada pelos organizadores do Miss Italia Nel Mondo.
— Agora é pensar na grande
final. Tenho que cuidar do corpo e estudar ao máximo a língua
italiana — conta a representante
brasileira que já vive o glamour
do concurso, dando entrevistas
para programas de TV e rádio,
além de fazer ensaios fotográficos para revistas.
Rumo à Itália, o objetivo de
Renata é trazer para o Brasil um
resultado, de preferência, melhor
que o de Taisy Dalla Libera, vencedora do concurso nacional do
ano passado. A jovem de 19 anos
da cidade Medianeira, no Paraná,
conquistou o terceiro lugar no
Miss Italia Nel Mondo.
— O que eu mais queria, no
mínimo, era conseguir ficar entre
as 25 meninas e acabei conquistando o terceiro lugar. Foi surpreendente e muito inesperado!
— revela a paranaense, com origem do Vêneto, que aproveitou
o concurso para conhecer a terra
de seus antepassados — Foi uma
experiência maravilhosa poder
voltar às origens e conhecer de
perto a cultura italiana.
Fotos: Divulgação
Fotos: Reprodução
resença de destaque entre os jovens artistas na última Bienal de Artes Plásticas
de Veneza, Nico Vascellari apresenta uma inusitada instalação no Spazio Loto Arte, na Via
Civinini, 41, em Roma. Vascellari é considerado atualmente um dos artistas italianos mais
interessantes da cena internacional. É famoso por suas performances envolventes e, por
conta disso, tem espaço confirmado na próxima quadrienal romana e na Manifesta’08. No
Spazio Loto Arte, ele mostra um trabalho feito com recortes de revistas conectado com
uma instalação sonora, tendo como resultado
uma confusão de palavras, música e sons.
Cristiane Pizan, Renata Marzolla e Catiane Fredez rumo ao Miss Italia nel Mondo
40
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Ao passar a faixa para Renata, Taisy aproveitou para dar algumas dicas para a nova representante ítalo-brasileira.
— Ela tem que ser ela mesma,
tem que ter carisma e personalidade acima de tudo — aconselha.
Três grandes chances
Pelo grande número de candidatas no Brasil, de acordo
com Kadu Lopes, coordenador
do evento nacional, a Itália
permite somente a este país
sul-americano enviar mais
de uma representante. Renata Marzolla e mais duas brasileiras disputarão
o título de Miss Italia
nel Mondo com outras representantes estrangeiras. Catiane Fredez, de
19 anos, do Rio Grande
do Sul, recebeu o título
de Miss Itália Amazônia.
Já Cristiane Pizan, de 17
anos, do Paraná, foi escolhida Miss Itália Sul América. Serão elas que viajarão
com Renata para representar
o Brasil no campeonato
de beleza mundial.
Em 2006, a
brasileira Karina
Michelin conquistou o primeiro lugar na
etapa internacional. A paulista de Botucatu, concorreu como Miss
Itália Amazônia e derrotou a Miss
L ie c ht e ns tein, Dahlia
Ferrazzo.
Com o título
no currículo que ajuda
a alavancar a
carreira, a brasileira, hoje, mora na
Itália.
Maio 2008
/
ComunitàItaliana
41
turismo
Longa vida a
Romeu e Julieta
Cenário da clássica obra de William Shakespeare, Verona é o destino certo para apaixonados de todas as idades
e uma boa sugestão para se curtir a dois o dia dos namorados que, no Brasil, é celebrado em 12 de junho
Lisomar Silva
L
Correspondente • Roma
ivre, intenso, eterno, em
Verona o amor está sempre no ar. A relação entre
a cidade e esse estado de
espírito é fruto de uma obra de
ficção que as autoridades municipais se esmeram em tornar realidade, a cada momento. Foi lá
que Romeu e Julieta viveram seu
intenso e trágico romance, idealizado pelo dramaturgo britânico
William Shakespeare.
A obra foi escrita no século 16
e ambientada em Verona, como
cenário medieval do início do século 14. Na cidade italiana - hoje
um grande centro comercial e, depois de Veneza, a segunda maior
da região do Vêneto - Romeu e
Julieta não são personagens, mas
habitantes ilustres cujas residências podem ser visitadas, respectivamente, na Via Arche Scaligere
e na Via Cappello.
E é a perspectiva de “conhecer” os jovens amantes que leva
milhares de casais, italianos e estrangeiros, a percorrer as ruelas da
cidade. Até mais. É em Verona
que muitos desses casais realizam o próprio matrimônio, em uma cerimônia
42
A Piazze delle Erbe é point para
compras. O Túmulo de Julieta é
local de culto e a amada de Romeu
ainda recebe muitos recados
romântica, no cenário que circunda a legendária tumba de Julieta.
Quem vai para Verona em
busca de romance, se depara com
uma cidade que preserva inúmeros vestígios do período medieval
e renascentista em um centro histórico repleto de ruínas de beleza superável somente por Roma.
A cidade se enriquece com magníficos palácios construídos pelos
governantes na época da Idade
Média, decorados com o rosso di
Verona – calcário rosa local – e
circundados por praças e ruas nas
quais é fácil imaginar as ações
dos personagens que fazem parte
da clássica tragédia de amor.
Aliás, a combinação entre a
beleza da obra literária e a imaginação popular, fizeram com
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Castelvecchio, na Vila delle Arché
Scaligere (acima). Varanda e
estátua de Julieta atraem turistas
que alguns dos edifícios históricos de Verona compusessem o
cenário principal da vida e morte dos jovens amantes, como as
casas de Julieta e Romeu, além
da tumba de Julieta. A prefeitura local decidiu restaurar algumas
das construções históricas em estilo medieval genuíno, principalmente depois do grande sucesso
alcançado com a obra-prima do
cineasta norte-americano George
Cukor, em 1936.
Nem tudo é ficção
Os indícios encontrados nos arquivos históricos de Verona dão
por certo que a família Montecchio, de Romeu, era muito potente e rica. Morava em uma zona
correspondente à casa medieval
situada em Via delle Arche Scali-
gere 2/4. A residência – aberta à
visitação pública somente de junho a setembro – é uma das mais
típicas casas da Idade Média veronesa, uma das poucas relativamente bem conservadas. A construção, na parte principal, tem janelas em estilo gótico, românico
e renascentista e é circundada por
um jardim interno e altos muros.
A Casa de Julieta é um edifício
do século 13 e cenário imaginado
do baile de máscaras e do primeiro encontro entre os dois amantes. É lá que se encontra o quarto
em que viveram sua única noite de
amor. O portão da entrada, em ferro, e o corredor que leva ao pátio
trazem as marcas das modernas
declarações de amor de seus visitantes: cadeados coloridos pendurados nas grades, grafites e mensagens escritas nas paredes.
Desde o início do século 19,
a casa foi reconhecida como habitação da família Cappello, originária de Brescia e, por sua vez,
identificada como eventual parte da dinastia Capuleto. Do pátio
interno, onde se encontra a es-
tátua de bronze de Julieta, pode-se admirar o balcão onde, na
ficção, se dá o diálogo amoroso
entre os jovens amantes, a parte
externa da construção em tijolos
vermelhos, com janelas e portais
em estilo gótico. Nos salões internos existem afrescos narrando
a legendária história de amor.
Julieta conta também com
uma importante equipe de secretárias para manter em dia uma intensa correspondência com seus
apaixonados leitores. Respondem,
anualmente, cerca de quatro mil
cartas, mensagens telefônicas e de
correio eletrônico, vindas de todas
as partes do mundo. É musa inspiradora de milhões de jovens que
se sentem capturados pelo amor e
escrevem para a personagem em
busca de conselhos, colocando no
envelope simplesmente “Julieta
Capuleto – Verona – Itália”.
Essa tradição, iniciada em
1911, após o recebimento das
primeiras cartas endereçadas a
Julieta, hoje prevê também um
concurso com prêmios para as
mais belas cartas de amor selecionadas no Dia de São Valentim
(14 de fevereiro), patrono dos
apaixonados na Europa e nos Estados Unidos. Os mais belos ro-
mances escritos também são escolhidos e premiados no dia 16
de setembro, quando se festeja o
aniversário de Julieta.
Já a tumba dedicada à jovem
se encontra em Via del Pontiere. O
sarcófago, transformado em símbolo da eterna união dos amantes, data, na realidade, do Império Romano e se localiza na cripta
do Mosteiro de San Francesco al
Corso, um conjunto monástico do
século 13, também sede do Museu dos Afrescos. Desde o século
16, o antigo convento foi indicado como o lugar da sepultura de
Julieta, tornando-se meca do turismo internacional.
Mas nem tudo gira em torno
de Shakespeare, quem vai a Verona não pode deixar de ver a Arena,
um monumental anfiteatro do Império Romano atualmente destinado a grandes manifestações culturais como óperas e concertos de
música contemporânea ao ar livre.
Vale a pena visitar também o Palazzo Castelvecchio, construído em
1354, com a forma arquitetônica
de uma fortaleza pela família Scaligeri, às margens do Rio Adige.
Um dos prazeres imperdíveis do
passeio é comprar aromas e especiarias na Piazza delle Erbe ou tomar um café na Piazza dei Signori,
um conjunto de edifícios históricos construídos entre os séculos
12 e 15. Também são imperdíveis,
uma visita à Basílica de San Zeno
Maggiore e um passeio no jardim
renascentista Giusti, criado na segunda metade do século 16.
Romeu e Julieta ontem e hoje
A
primeira obra sobre a tragédia de amor de Romeu e Julieta foi escrita por Luigi da Porto de Vicenza, em 1530,
transpondo o enredo de Siena para Verona. O célebre poeta e
escritor toscano Dante Alighieri, ao escrever A Divina Comédia,
no século 14, já citava os nomes das famílias Montecchio e Capuleto no sexto Canto do Purgatório (verso
n° 105). Após diversas elaborações, a obra
em prosa chega à França e à Grã-Bretanha,
onde William Shakespeare transforma a então crítica ao amor físico na paixão intensa
e arrebatadora que envolve os dois protagonistas, reforçando o arquétipo do amor contrastado pela guerra entre famílias rivais. O
drama passa para a história da literatura e
O inglês William
se torna popular, com poucas alterações do
Shakespeare
enredo original e limitadas, sobretudo, à sua
dimensão temporal. Enquanto na obra de Luigi da Porto, a trama
durava nove meses, na de Shakespeare foi reduzida para quatro
dias: começa no mês de julho, em uma manhã de domingo, e se
conclui na quinta-feira seguinte.
Desde segunda metade do século 16, o drama dos dois protagonistas apaixonados torna-se conhecido em toda a Europa. É retomado como fonte inspiradora para uma vasta produção cultural
na pintura artística, em dramas teatrais, na dança clássica e moderna, na música erudita, no rock, no cinema e nas histórias em
quadrinhos. Em termos de cinema, vale a pena recordar a primeira
versão do cineasta americano George Cukor em 1936, seguida da
ítalo-britânica de Renato Castellanio (1954) e da inglesa de Peter
Ustinov (1961). Naquele ano, os cineastas Robert Wise e Jerome
Robbins dirigem West Side History, filme musical ambientado em
Manhattan com trilha sonora de Leornad Bernstein. Em 1968,
Franco Zeffirelli dirige o filme de produção ítalo-britânica com Leonard Whiting e Olivia Hussey, para chegar à mais recente versão
urbana de Baz Luhrmann (1996) com Claire Danes e
Leonardo Di Caprio. Importantes também são as
obras de Pëtr Il’ic Ciajkovskij, Sergei Prokofiev,
Hector Berlioz na música erudita e no balé clássico, sem esquecer os grupos musicais Dire Straits
e Radiohead no campo da música jovem. No
Brasil, o desenhista Maurício de Sousa, já colocou Mônica no papel de Julieta e Cebolinha como
Romeu, mas para uma história com final feliz.
Maio 2008
/
ComunitàItaliana
43
design
DIvulgação
design
DIvulgação
Designer
carioca faz
sucesso em Milão Made in
Campana
Tapete que vira chaise-longue de Ricardo Antonio foi a grande atração
da badalada zona Tortona, durante o Salão Internacional do Móvel
D
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
urante cinco dias, 348 mil
pessoas, em Milão, circularam entre camas, cadeiras, sofás, mesas, cozinhas
e objetos de decoração. Esse foi o
saldo da 47ª edição do Salão Internacional do Móvel que agitou
a cidade italiana no mês de abril.
Este ano, o evento atraiu 2.450
exibidores e 5 mil jornalistas internacionais em busca das novas
tendências para a “moda casa”.
O Brasil há tempos marca (boa)
presença no Salão. Os irmãos Campana, por exemplo, já são celebridades freneticamente aguardadas.
Este ano, porém, eles dividiram
atenções e holofotes com outro
desing brasileiro que começa a
despontar no cenário internacional: o carioca Ricardo Antonio.
Para encontrá-lo foi preciso ir
até o badalado hotel Nhow, que
fica no epicentro do design alternativo, a zona Tortona, ex-área
industrial de Milão atualmente
revigorada pela presença do teatro Armani e de outros vizinhos
ilustres. O hotel é considerado
uma das principais vitrines do
44
design mundial. Sua decoração é
feita somente com móveis e objetos que escreveram a história
do desenho industrial.
Dentro do Nhow, Ricardo Antonio, de 44 anos, estendeu um
tapete vermelho que se transforma numa confortável e elegante
chaise-longue, batizada de Surface Two. Quem caminhou por ele e
se deitou quis levar o móvel para casa. A representante da rede
de hotéis Hyatt já encomendou
duas peças para colocar no hall
de entrada das suas unidades de
Chicago e San Francisco, nos Estados Unidos. O Nhow, é claro, já
tem a sua.
ComunitàItaliana
Ricardo Antonio desponta como
novo “queridinho” do design
/
Maio 2008
Arquiteto e jornalista, Ricardo Antonio contou que a idéia
da chaise-longue surgiu durante
uma pesquisa sobre volumes e
superfícies. O tapete esparramado no chão se eleva como uma
serpentina. Ele recorta o espaço
ao redor. De forte impacto visual
a Surface Two precisa apenas de
uma sala de estar à altura e rouba a cena de qualquer ambiente.
— O tapete sobe e vira a própria chaise. A idéia é usar tapetes de produção artesanal. Estou
brincando com esta possibilidade
de levantar as coisas do chão e
traçar linhas suaves e esculturais
— explica o design à Comunità.
Se ele fosse árabe, seria dito
que a sua obra é um tapete voador pousado no chão em forma de
uma espreguiçadeira para facilitar
o vôo. Mas sendo carioca da gema,
se nota a influência de um grande
mito da arquitetura mundial, Oscar
Niemeyer. E não é por acaso. Ricardo Antonio colaborou com o centenário mestre por anos a fio.
O carioca não é marinheiro
de primeira viagem em Milão. Es-
te ano, porém, fez sua primeira
participação como designer independente. Na sua carteira de
peças de sucesso está a cadeira Ravello, realizada para a empresa italiana Poltrona Frau, em
2002/03, premiada no próprio
Salão. Agora, é a vez da Surface
Two ficar em evidência.
— Tivemos muitos pedidos.
As pessoas gostaram muito. Um
fabricante quer discutir a produção dela aqui na Itália. Mas prezo muito o fato da chaise ter sido
concebida e inteiramente feita
com uma empresa de São Paulo.
Estamos tentando dar vida a esta
sinergia entre o artesanato e a
indústria, como é costume fazer
aqui na Itália — conta.
A empresa paulista é a Villa
Design, de Santa Bárbara do Oeste, pequena na capacidade de produção, mas grande em tecnologia
e na vontade de entrar no mercado internacional. Ricardo Antonio
quis realizar um sonho e fazer o
caminho inverso do que é normalmente percorrido pelos brasileiros.
— Este é um projeto brasileiro made in Brasil e não um projeto brasileiro made in Italy. Esta é
uma primeira tentativa de trazer
o design desenvolvido por pequenas empresas brasileiras para
cá — explica.
Em Milão, os brasileiros irmãos Campana já são de casa. E mesmo com tanta intimidade com a capital
mundial do design eles nunca passam desapercebidos. Dez anos depois de terem sido catapultados
pela empresa Edra para o cosmos das estrelas do design eles continuam a reger o passo do sucesso.
Não se rendem aos aplausos, não se acomodam. Ao contrário, trabalham duro. Durante o Salão
Internacional do Móvel o lançamento da nova cadeira da dupla, a Aguapé, ganhou uma noite especial
no showroom da Edra, no bairro de Brera, no centro de Milão. Os convidados, fina flor do mundo
do design, empresários, jornalistas e gente do jet-set italiano, faziam fila para experimentar a peça.
Entre uma sessão de fotografia aqui e uma entrevista para a televisão ali, Fernando e Humberto
conversaram com a Comunità. Eles falaram sobre o novo desafio que os espera: criar um projeto
paisagístico em um parque degradado de Turim.
C
omunitàItaliana - O que
vocês farão em Turim?
Humberto - O projeto é
o Geodesign. Em junho,
Turim vai ser a capital do design
italiano e eles convidaram vários
arquitetos e designer para fazer
interferências na cidade. Optamos em trabalhar na periferia e
não no centro. Encontramos uma
comunidade carente e fizemos
um workshop com estudantes de
uma escolar primária. Queríamos
saber o que faltava no bairro deles. Existe um parque abandonado que está sendo recuperado e
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
que era ocupado por dependentes de drogas.
Fernando - Os moradores não estavam contentes com a freqüência do parque e as crianças nos
deram as indicações do que elas
queriam para ter uma vida melhor, uma área de lazer melhor.
Elas queriam mais verde, mais segurança e um playground.
CI - Como vocês irão compor este projeto?
F - Vamos fazer reciclagem. Dá
para brincar com isso. Eles terão estantes com pequenos vasos onde cada um vai ter a sua
planta para cuidar. Isso fará com
que cultivem um amor maior pela área.
H - Eu sempre quis fazer um jardim e agora surgiu esta chance
em uma grande escala. Eu tenho
uma origem do interior de São
Paulo, meu pai era agrônomo.
Vamos ver o que vai sair. Trabalhamos junto com outras pessoas, vai ser algo muito orgânico.
A idéia é que as pessoas do local tragam as plantas de casa.
Vai ser um conjunto e as plantas podem não ter nada a ver
uma com uma outra. Isso vai ser
Maio 2008
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muito legal, vai ser um acaso.
Nosso trabalho tem muito a ver
com o acaso, com a construção
do acaso.
CI - E a cadeira Aguapé? Como
chegaram a ela?
F - Esta idéia veio de uma pesquisa para colocar várias camadas de couro juntas e que elas
pudessem se auto-estruturar e
compor todo o corpo de uma
cadeira. A idéia, para ser mais
evoluída, tinha que contemplar
a ausência de qualquer estrutura metálica externa ou interna.
Tudo tinha que ser de um couro
enrijecido para que ela pudesse ficar montada como se fosse
uma sela de cavalo.
H - Aguapé é uma planta aquática usada no Brasil para despoluir
o esgoto doméstico. As suas raízes nas lagos comem as bactérias da água que seguem limpas
para os rios. Este ano estamos
celebrando dez anos de parceria
com a Edra e ela veio para celebrar isso.
CI - Qual explicação vocês podem dar para este percurso de
sucesso internacional?
F - É difícil explicar. Acho que vai
da sorte à boa apresentação de
um produto final. Acho que o segredo é trabalhar sempre, não se
acomodar com fórmulas fáceis,
com o sucesso, com o aplauso.
É bom ter aplauso, mas você tem
que continuar fazer por merecêlo e isso vem do trabalho.
H - A gente deve se preocupar
com a nossa cultura. A partir do
momento que você traduz o seu
país, atrai atenções. Existe uma
curiosidade a respeito do que é
feito no Brasil porque é um país que ainda não foi tocado pela
globalização em muitos aspectos. Nosso olhar foca estes cantos escondidos que o Brasil tem
muito porque temos uma dimensão continental.
CI – Como conseguiram não se
contaminar pela globalização?
F - Acho que isso vem do Brasil.
A forma do Brasil de improvisar
situações, o jeitinho brasileiro,
mas é um improviso eficiente.
H - Eu sempre digo que temos que
ter um olhar como a Lina Bo Bardi teve. Pelo olhar distante de
estrangeira ela conseguiu traduzir o Brasil com elegância, com
modernidade. Eu sempre que vou
criar me inspiro neste olhar, sem
a vergonha das nossas raízes, dos
nossos caipiras.
ComunitàItaliana
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Milão
italian style
Guilherme Aquino
Café chic
Tudo laranja
E
squeça aquele cafezinho do pé sujo da
esquina. Em Milão a estória é outra. Degustar com prazer o conteúdo de uma xícara é
quase um ritual religioso. Na cidade, existem
pelo menos 20 cafeterias badaladas e famosas pelas suas criações, decorações e variedades. Panna de altíssima qualidade, aromas
raros, grãos e pó perfumados garantem um
cafezinho para lá de chique e inesquecível.
Um local aberto recentemente é o Botega, na
badalada corso Garibaldi, 12. A especialidade
da casa é o café com nocciola e amaretto.
Fotos: Divulgação
A marca Bugati apresenta este
liquidificador Vela, importado
da Itália, 500 w de potência, 3
velocidades e função Pulse com
copo em vidro temperado de 1,5
litros, perfeito para pessoas destras
ou canhotas pois trabalha com
8 posições diferentes. A Lâmina
em inox é facilmente removível
para lavar e o cabo de força pode
ser guardado embutido dentro da
base, além das cores disponíveis,
cromado, preto e vermelho, agora
tem a opção laranja. R$ 894,00
Hora com luxo
A
Università degli Studi di Milano,
bem no centro da cidade, na via
del Perdono 7, abriu os seus portais que dão acesso ao pátio interno para
visitantes curiosos em conhecer as novas
tecnologias de energia renovável. Estão lá,
espalhados pelo belíssimo cortile, o poste
de iluminação pública que funciona à base
Pechincha com estilo
Peter Greenaway
A
A
vida em Milão custa caro. Mas com paciência e boas indicações você consegue
levar para casa objetos de grife sem pagar os
olhos da cara. Os outlets estão aí para isso
mesmo. O mais novo e requintado deles foi
aberto recentemente. O Galbiati La Maison, fica na via Crema, 16. No primeiro andar estão
objetos de marcas famosos já fora da linha de
produção. Os preços são de 20 a 50% mais
baratos. Lá podem ser encontradas peças das
grifes Sambonet, Villeroy & Boch, Gironi, Galbiati. E para o guarda-roupa, você pode dar
um pulo na Scarpe&Borse, na via Vitruvio, 35.
Até o fim de maio, poderão ser encontrados
sapatos para homens e mulheres ao preço de
29,90 euros, das mais variadas marcas e tamanhos, e bolsas bacanas e originais em couro a 49,90 euros. Uma pechincha perto do
que ser vê por aí, fora das liqüidações.
Última Ceia, de Leonardo Da Vinci, ganhou vida em Milão, graças
ao cineasta inglês Peter Greenaway. Ele
montou no Palazzo Reale, no centro da
cidade, uma reprodução do refeitório da
igreja de Santa Maria delle Grazie, aonde está o mural pintado pelo gênio italiano. A obra prima de ambos os autores, ainda que separados por quase 600
anos, se completam. Um jogo de luz e
sombra anima os personagens pintados
por Leonardo Da Vinci. Expressões, gestos e paisagens ganham vida graças à
projeções de luzes cinematográficas e
pela música clássica. A prefeitura de Milão quer manter a instalação de Greenaway de forma permanente na cidade e,
para isso, está em busca de um local.
46
ComunitàItaliana
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Maio 2008
de energia solar e a pá eólica de Philippe
Starck, famoso designer francês. O pequeno moinho de pexiglass é capaz de produzir
energia elétrica para ligar uma televisão ou
acionar o aparelho de irrigação do jardim
de uma casa ou apartamento. A engenhoca
estará no mercado até o fim do ano. O preço ainda não foi decidido.
Floresta no ar
A
chegada da primavera serve de incentivo para os projetos mais ousados. Um
deles foi o de “plantar” um jardim suspenso em pleno centro da cidade. O café Trussardi, debruçado sobre a Piazza Ferrari, bem
ao lado do teatro
La Scala, viu brotar do dia para a
noite orquídeas
e samambaias. O
muro vegetal tem
cem metros quadrados de área.
Ele explora uma
das últimas fronteiras do paisagismo: o da
cultivação hidropônica capaz de fazer crescer
e desenvolver as espécies da flora em paredes
verticais sem terra. É a tecnologia à serviço
do meio ambiente.
Estilo Gucci
Fundamental para as mulheres, a bolsa é um
adereço capaz de revelar sua personalidade. Essa,
da Gucci tem acabamento em couro feito à mão,
bolso Interior com Zíper, Anéis e adorno em metal
dourado e tecido com iniciais da marca. $901
www.raffaello.network.com
Direto da Itália
O design italiano, tão conhecido
mundialmente, também conquistou a
Tok&Stok. A cadeira e a poltrona ao
lado têm a assinatura de Harry Bertoia.
A poltrona Diamante, de 1952, mantém
a categoria de ícone entre os melhores
desenhos do móvel moderno. Bertoia
acreditava que a peça formada por
arames de aço polidos e cromados se
comporta como escultura que corta o
espaço. A cadeira, com revestimento
em couro sintético e forro em TNT
custa R$ 343. Já a poltrona, com
almofada em espuma de poliuretano
injetada. R$ 755,00
Fotos: Divulgação
Design Ecológico
A PZero Tempo oferece este
relógio com fivela borboleta,
calendário na posição das 3
horas, à prova de água até
100 m e com cristal safira
anti-reflexivo. $849
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Os produtos acima mencionados estão
disponíveis nos mercados italiano e brasileiro.
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ComunitàItaliana
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lírico
Dois caminhos
para um
sonho lírico
Na Itália, a brasileira Chiara Santoro aprimora seus estudos, iniciados no
Brasil, país sem tradição no canto lírico. No Brasil, Chiara Bonzagni brilha
em apresentação promovida pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.
Comunità reuniu as duas. Pouco antes da sua estréia brasileira, Bonzagni
conversou com a repórter Tatiana Buff. De Roma, Santoro falou, por e-mail,
com a repórter Nayra Garofle. Uma é ainda promessa. A outra, começa a
subir a escada da fama. Em comum, a dedicação e a paixão pelo canto.
O
48
ComunitàItaliana
tem tradição nesse estilo musical.
A solução encontrada por Chiara
foi partir para Roma, em busca de
especialização. Há dois anos, ela
vive na capital italiana.
Em 2005, a Chiara italiana foi
finalista do concurso internacional de canto Gaetano Fraschini,
em Pavia. No ano seguinte, iniciou sua carreira internacional no
papel de Abigail, em Nabucco, de
Verdi. No ano passado, atuou como Lady Macbeth em Macbeth, de
Verdi, Santuzza na Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni, e Floria
Tosca em Tosca, de Giacomo Puccini. Fazem parte de seu repertório sacro e sinfônico o Stabat Mater, de Pergolesi e La Parafrasi del
Christus, de Gaetano Donizetti e
obras de Brahms e Fauré.
No Brasil, Chiara Bonzagni
se apresentou em São Paulo, no
papel de Violetta Valéry, em La
Traviata, de Giuseppe Verdi. Com
o tenor Mario Leonardi, no papel
de Alfredo Germont, foi convidada pelo Instituto Italiano de Cultura a encenar o melodrama em
quatro atos (com libreto de Francesco Maria Piave) adaptado do
romance A Dama das Camélias,
de Alexandre Dumas Filho. As récitas foram aplaudidas de pé, os
ingressos do Teatro São Pedro esgotaram-se dias antes das apresentações e Chiara foi bem recebida pela crítica especializada.
Soprano lírico spinto, ela, na
Itália, já é reconhecida. Na “escala de divas”, pode-se dizer que
Chiara Bonzagni está no inter-
mezzo do caminho. Ela, mesma,
porém, considera-se ainda uma
“aprendiz” do palco cênico.
Em Roma, Chiara Santoro termina, este ano, seus estudos no
Conservatório Santa Cecília. Ela
integra um trio formado somente
por mulheres (piano, contrabaixo
acústico e voz) e pesquisa compositores da primeira metade do
século 20.
Apesar de estar há pouco tempo na Itália, ela já pisou nos palcos italianos. Como conclusão do
master class de um mês que fez
com Renata Scotto, participou de
um concerto no Auditorium Parco della Musica. Além disso, fez
pequenos concertos em cidadezinhas fora de Roma, e participou de uma montagem da ópera
La Serva Padrona de Pergolesi em
um castelo em Vignanello.
— Eu criei a minha oportunidade. Depois de muito me informar sobre bolsas de estudos e ter
sempre respostas negativas, vim
para a Itália por conta própria.
Como tenho dupla cidadania, sabia que poderia arrumar um emprego regular para ajudar a me
manter — conta a Chiara brasileira cujos avós maternos são de
origem calabresa, de Fuscaldo.
Ao optar pela Itália, Chiara
Santoro deixou para trás uma intensa atividade profissional. Por
aqui, ela dava aulas particulares
de canto lírico e popular. Fazia
preparação vocal de grupos, peças teatrais e programas de TV.
Em estúdio, gravava jingles e tri-
Fotos: DIvulgação
ano, 2006. Enquanto a
brasileira Chiara Santoro partia para a Itália em
busca de aperfeiçoamento, a italiana Chiara Bonzagni
chegava à Polônia para dar início
à sua carreira internacional.
Mais do que o nome, as duas têm em comum a paixão
pelo canto lírico e o sonho
do estrelato nos palcos.
Chiara Bonzagni, de
29 anos, está bem próximo
da realização desse sonho. Suas atuações são cada vez mais
elogiadas pela crítica especializada. Mês passado, ela
se apresentou no Brasil e teve sua atuação comparada a
de grandes divas. Enquanto
isso, Chiara Santoro, de 24
anos, começa a saborear,
agora, os primeiros aplausos da exigente platéia italiana, habituada a óperas
parece que desde sempre.
Enquanto a italiana
administra com cuidado sua carreira, a brasileira ainda se desdobra
na batalha pela sobrevivência. São estágios
diferentes de um mesmo percurso que exige
muita dedicação e es-
tudo. Estudo que, no caso de ambas, e como na maioria dos grandes cantores, começou bem cedo,
quando ainda eram meninas.
Chiara Bonzagni iniciou sua
formação musical pelo violino,
aos oito anos de idade, com o
maestro Ernesto Doimo, em Treviso, sua cidade natal.
— A paixão pela música cresceu sob a influência de meu tio,
que tocava em Nápoles — conta
ela que completou os estudos de
canto – seis anos - no conceituado Conservatório Benedetto Marcello, de Veneza.
Chiara Santoro começou ainda
mais cedo. Aos três anos, por escolha de seus pais, a menina passou a freqüentar aulas de canto e,
desde então, não parou mais. A
ítalo-brasileira estudou no curso
de musicalização Agnes Moço, em
Niterói, onde nasceu. Foi a professora que percebeu, de imediato,
que aquela menininha tinha um
talento natural para o canto lírico.
E foi em canto lírico que Chiara se
formou, pela Universidade Federal
do Estado do Rio de Janeiro. Ao
contrário da Itália, o Brasil não
Participação de Chiara Santoro na ópera “O rapto do serralho”, de Mozart,
no Teatro Carlos Gomes, em novembro de 2005, no Rio de Janeiro
/
Abril 2008
De Chiara Santoro
para Chiara Bonzagni
C
hiara Santoro - Qual a sua trajetória de estudos e o quanto
isso foi importante para sua carreira?
Chiara Bonzagni - O percurso de estudos que atingi foi o clássico
diploma de conservatório. Mas considero que não exista um professor de canto perfeito. Muito se aprende sobre o palco. Isto é
fundamental para mim e é um contínuo crescimento
CS - O que faz um cantor ser bem sucedido?
CB - O trabalho sério e o sacrifício.
CS - Que conselhos daria para uma cantora ao início da carreira?
CB - Ser sempre objetivo consigo mesmo.
lhas sonoras para a TV e atuava
como backing vocal para vários
artistas. Mas o que mais gostava
era de atuar em peças musicais,
trabalho que começou a fazer aos
13 anos de idade. Chiara ainda
integrava três grupos musicais: a
banda GAZ, o grupo de percussão
Zabatê e a banda MachinaMundi,
sem contar os vários shows que
costumava fazer com o pianista
Marvio Ciribelli.
Três anos antes de partir, a
cantora fez diversos concertos
de música clássica, com piano e
orquestra, participou de montagens de óperas, entre elas uma
estréia mundial do Pagador de
Promessas, ópera brasileira de
Eduardo Escalante, no papel feminino principal, no teatro João
Caetano, no Rio de Janeiro.
Apesar da sua paixão pela música clássica, Chiara Santoro, uma
soprano lírico leggero, tem participado, na Itália, de shows de
bossa-nova e concertos de música
brasileira. Sem preconceitos. Para
ela, o que vale é a “experiência
de palco” que o trabalho representa. Trabalho esse que a ajuda
a se manter na Itália, mas não é
o suficiente. Durante todo o ano
passado, ela conciliou sua agenda
de shows com o expediente, seis
vezes por semana, em uma enoteca e loja de gastronomia.
— Quase todos os dias, vou
ao conservatório estudar ou estudo em casa por pelos menos
quatro horas. Às vezes, trabalho
à noite em algum evento de música e vou a concertos — conta
ela sobre sua rotina italiana.
Pelo menos por enquanto,
Chiara Santoro não vê problemas
em conciliar canto lírico e popular. A popularização do lírico é,
inclusive, uma tendência que vem
sendo adotada, cada vez mais, por
Maio 2008
/
divas modernas como Katia Ricciarelli, a partir de um caminho aberto por nomes consagrados como o
próprio Luciano Pavarotti.
Esse caminho, porém, não é
o que Chiara Bonzagni pretende
seguir. Ela acredita que não se
deve ultrapassar certos limites
artísticos:
— Amo muito a pureza da
lírica, tenho muito a aprender,
mas não critico nem julgo quem
transita entre essas esferas —
diz ela.
Enquanto Chiara Santoro se
prepara para começar a participar de concursos de canto e fazer
mais audições, sua “colega italiana” se mantém bastante alerta
para não ser picada pela mosca
azul do “divismo”.
— É preciso buscar um equilíbrio, sobretudo, não perder o
contato com a realidade. Acredito que estrelismo é algo pertencente a uma mentalidade e um
tempo que não mais existem. Hoje, o público não tolera arrogância, caprichos, nem sequer entre
as mais afinadas vozes da ópera. Quer menos aparência e mais
substância — afirma ela que diz
ser “muito severa e autocrítica”.
Chiara Bonzagni conta que
está sempre atenta à possibilidade de aprender com todos ao
seu redor. Até porque, segundo
ela, “no palco cai toda a altivez”
por ser o local onde o artista está
“totalmente exposto”.
Que conselhos ela daria para
sua “colega brasileira”? Mais do
que conselho, ela deixa uma advertência:
— Essa nossa profissão é uma
paixão e como toda paixão, arrebatadora. É preciso estar atento
porque paixões são armas de duplo fio. Podem te dar muito e também te tirar outro tanto.
ComunitàItaliana
49
Firenze
il lettore racconta
Giordano Iapalucci
Pitti uomo
Q
Fotos: Reprodução
uattro giorni all’insegna della moda maschile italiana. Dal 18 al 21 giugno la Fortezza da Basso a Firenze propone le collezioni
di abbigliamento e accessori maschili per l’autunno-inverno 2008. Si tratta della 74ª fiera di
Pitti Immagine Uomo. Con circa 800 espositori
e più di 8.000 acquirenti esteri, si conferma
come uno degli appuntamenti leader tra quelli
dedicati al mondo della moda, sia sul panorama
italiano, come anche su quello internazionale
al quale saranno presenti i più importanti stilisti. Info: www.pittimmagine.com.
De Chirico
I
I grandi bronzi del
Battistero
È
stata presentata al Museo Nazionale del Bargello a Firenze la prima
mostra monografica dedicata allo scultore Vincenzo Danti, che lavorò per lungo tempo a servizio della Famiglia Medici. Un artista non troppo conosciuto
all’estero, che non fu mai allievo, ma seguace di Michelangelo. Questo ha fatto
sì che la sua tecnica magistrale portasse
con sé tratti del “michelangiolismo”, ma
allo stesso tempo diversa da quella dei
discepoli fiorentini dello stesso Michelangelo. L’esposizione prende corpo grazie al
restauro delle tre grandi figure in bronzo
del Battistero di Firenze e, oltre a queste tre opere, raggruppa anche quelle già
presenti al Bargello. Fino al 7 settembre.
Dalle 8.15 alle 18.00. Ingresso 7 euro.
50
ComunitàItaliana
/
l Museo Piaggio di Pontedera propone un’interessante esposizione di circa
quaranta opere dell’artista contemporaneo Giorgio De Chirico in occasione del
trentennale dalla sua morte. Un percorso
che si snoda tra paesaggi, nature morte,
Venezia e la Metafisica. Quest’ultima è sicuramente la caratteristica che più ricor-
re nei suoi lavori. Forme essenziali in prospettive non realistiche collocate in ambienti misteriosi dove la presenza umana
scompare. Fino al 28 giugno nell’ambito
della rassegna “L’enigma nella pittura”.
Aperto dal mercoledì al sabato con orario
10.00-18.00. Ingresso gratuito. Info www.
museopiaggio.it
O
século 20 ainda engatinhava
quando começou a história da
minha família, Gagliano,
que veio da Sicília para se
estabelecer no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro. Grande parte da Europa passava por dificuldades financeiras às vésperas
da Primeira Guerra Mundial. Este foi o período escolhido pelo meu
tataravô Giuseppe para buscar condições melhores para a sua família.
Já por aqui, Giuseppe ensinou a
seu filho Angelo o trabalho de alfaiate, função que o jovem abraçou
com muita vontade e com a qual
sustentou a sua família até o fim
da vida. Durante a viagem para o
Brasil, o pequeno Angelo não sabia
que o destino trazia, no mesmo navio, aquela que seria, tempos depois,
a sua esposa.
Com 20 anos de idade, Angelo
conheceu Teresa e ao conversarem
descobriram o acaso da vida. E mais:
ela era sua vizinha na Sicília. O
enlace do jovem casal ocorreu antes
mesmo do fim da Primeira Guerra,
Safari Tour
T
orna Lorenzo Cherubini, in arte Jovanotti, in concerto a Firenze. Il 12 maggio
prossimo si esibirà al Mandela Forum dove
presenterà il suo nuovo album “Safari Tour”
anticipato in queste ultime settimane dal
singolo “Fango”. Il cantautore romano, classe 1966, è tra i più famosi musicisti dell’era
contemporanea per ciò che riguarda pop e rap
italiano. Passato dagli anni Novanta, in cui la
sua musica era indirizzata al pubblico degli
under 18, lavora a tutt’oggi con motivi molto
legati e impegnati sul lato sociale. Inizio ore
21.00. Prezzi da 32 a 43 euro.
Maio 2008
lo
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em 1916. No ano seguinte, nasceu
bisavós, e
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o primeiro filho deles: Oswaldo. O
vez em qu
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menino recebeu como sobrenome
ital
voltar.
Ciculo, em homenagem à cidade
insiste em
natal de seus pais. Logo, vieram os
outros dois filhos de Angelo e Teresa: Nina e Afonso.
Angelo fez um grande esforço para fazer de Oswaldo um engenheiro, numa época em que ter
um nível superior era privilégio de
pouquíssimas pessoas no Brasil. Oswaldo se apaixonou por Maria José, mais
conhecida pelo apelido de Betty,
pela sua semelhança com a atriz
Betty Davis, do cinema norte-americano. O casamento dos dois foi em
1941. Dois anos depois, nasceu o primeiro filho do casal, Angelo Neto. Infelizmente o convívio entre
Angelo Neto e seu avô durou pouco:
o imigrante italiano faleceu quando Angelo Neto tinha ainda poucos
meses de vida. Nos anos seguintes,
até 1959, nasceram os outros sete filhos de Oswaldo e Betty. Como reza
a tradição italiana, cada um tinha
um apelido: Angelo Neto passou a se
chamar Furli. Minha mãe, Maria
José, passou a se chamar Titã.
Um fato marcante da minha
família era a festa de Natal. Meu
avô fazia questão de nos dar um Natal sempre g
“ ordo”, com presentes
para os netos, filhos, noras, genros
e afilhados. Algo que ele mesmo não
pôde ter quando era criança. Meu
avô exigia a presença de todos. Ele
tomava conta da cozinha e preparava pratos e mais pratos, com sua
máquina de fazer macarrão caseiro. Havia de tudo: canelone, ravioli,
lasanha, calzone, salames para todos
os gostos, queijos e mais queijos. Claro, durante o preparo dos pratos
não faltava o vinho tinto que meu
avô saboreava enquanto ouvia na vitrola seus artistas preferidos: En-
Maio 2008
repórter
Depoimento à rofle
Nayra Ga
rico Caruso e Mario Lanza. Nunca me esqueço do piano que meu avô
costumava tocar na sala cantando O
Sole Mio. O Natal nunca terminava antes da sua performance.
Em 1987, meu avô faleceu após
internação no Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro. Os Natais
nunca mais foram os mesmos após
sua partida. Também nunca mais
senti a alma da Itália pulsar em
minha família, como antes.
Em junho de 2006, algo mudou e voltei a sentir o sangue italiano nas veias. Foi quando passei
pelo centro do Rio de Janeiro.
Neste dia, nas proximidades do
Consulado, estava sendo comemorada
a festa da República Italiana. Não
tive outra reação senão sentir-me
em casa: as barracas tinham comidas típicas, todas aquelas que meu
avô preparava com prazer. Sim,
lembrei-me, no mesmo instante,
do Natal com ele. Hoje, a família
pouco tem das raízes italianas. Mas
de vez em quando, a alma italiana
insiste em voltar. Em junho, estarei de braços abertos para recebêla, na festa da República.
Matheus Gagliano,
28 anos, Niterói,
Rio de Janeiro
Mande sua história com material fotográfico para:
[email protected]
/
ComunitàItaliana
51
vinho
Dados sobre a redução do consumo de vinho na Europa e a denúncia de que
fabricantes italianos famosos estavam produzindo a bebida fora dos padrões
estabelecidos gerou mal estar na última edição da Vinitaly
Lisomar Silva
P
Correspondente • Roma
reocupação e constrangimentos. Esse foi o clima
por detrás da festa da 42ª
edição da Vinitaly, a principal feira de enologia da Itália
e uma das principais do mundo, que tomou conta da cidade
de Verona, em abril. A preocupação ficou por conta dos últimos
números divulgados referentes
ao consumo de vinho na Europa. Tradicional bebedor, o velho
continente está abrindo menos
garrafas do que o de costume.
Já os constrangimentos ficaram
por conta de uma denúncia feita
pela respeitada revista semanal
L’Espresso de que vinhos italianos
estavam sendo alterados. Dentre
eles, o famoso e caríssimo toscano Brunello di Montalcino, da
vindima de 2003. A edição com a
denúncia circulou exatamente no
período de abertura do evento e
caiu feito uma bomba.
Fora esses “inconvenientes”,
a feira manteve seu sucesso de
público. Foram 150 mil visitantes, dos quais 40 mil compradores originários de mais de cem
países, que puderam avaliar o nível de qualidade dos vinhos italianos e estrangeiros apresentados por 4.300 expositores.
Dados do relatório anual da
Organization Internationale de la
Vigne e Du Vin (OIV), divulgados
na feira, indicam que a Itália –
segundo maior produtor de vinho,
depois da França – se encontra
entre os países mais penalizados,
com a redução do consumo da bebida, equivalente a 12% , caindo
para 43,5 milhões de hectolitros
em 2007 (um nível inferior ao
período das vindimas de 2002 e
2003). A produção vinícola mundial é estimada, atualmente, em
cerca de 275 milhões de hectolitros (hl), dos quais mais de 70%
concentrados na Europa. 52
A França, por sua vez, sofreu
uma redução de 11% , diminuindo sua produção para 46,2 milhões de hl. Em termos gerais,
após o ápice alcançado em 2004,
a produção global caiu para níveis inferiores aos registrados em
1997 e em 2002. Isso significa
que o consumo interno diminuiu
justamente nos países europeus
de maior tradição vinícola.
A expectativa é que o mercado produza cerca de 241 milhões
de hl em 2008, como acontecia
há cerca de 20 anos. A tendência é haver uma migração do local
de produção de vinhos, como já
acontece com vários produtos tidos como made in Italy, como sapatos, atualmente feitos, de fato,
na China. Fatores como as flutuações do mercado monetário internacional, a margem de lucros seguros para novos investimentos no
exterior, as mudanças climáticas, o
baixo custo da mão-de-obra, além
da possibilidade de se conhecer o
resultado de novas culturas e tipologias alternativas de uvas, contribuem para que um número cada
vez maior de vinícolas européias
se apressem, em expandir suas atividades, sobretudo nos países da
Ásia e da América Latina.
Os produtos típicos do setor
agroalimentar italiano represen-
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
Cave da fábrica do
Brunello di Montalcino
tam o segundo ítem mais importante na balança de exportações,
equivalente a 24 bilhões de euros por ano, sendo superado somente pelo segmento de bens e
equipamentos mecânicos. Desde
o ano passado, a direção de Veronafiere e Instituto para o Comercio Exterior (ICE) realizam atividades para encorajar os pequenos e médios produtores a apresentar seus produtos, no exterior. Atualmente, em um universo de 770 mil empresas do setor
com um giro de capital na ordem
de 9 bilhões de euros, somente
1.200 vinícolas se colocam como
exportadoras, gerando cerca de 3
bilhões de euros.
Brasil como alvo
Em 2009, as atenções dos exportadores se voltarão para o Brasil, décimo mercado consumidor
mundial cujo perfil de mercado é
considerado propício ao aumento
do consumo de vinhos italianos.
Afinal, no país vivem 31 milhões
de descendentes de italianos.
No mercado brasileiro, os vinhos italianos concorrem diretamente com os franceses, portugueses, argentinos e, sobretudo,
os chilenos, que detém o menor custo final para o consumidor.
Segundo o ICE, a Itália
foi o terceiro fornecedor
de vinhos para o Brasil em
2007 – depois do Chile e da
Argentina – com 15.9% do total em termos de volume e 14%
em termos de valor (6,06 milhões de litros). Esse crescimento representa a cerca de 29,4%
das exportações italianas.
O Lambrusco, vinho produzido na região da Emília-Romagna,
foi a grande revelação em termos
de consumo, totalizando 73%
das exportações italianas. Mas
outros também fazem sucesso
junto aos consumidores brasileiros, como Valpolicella, Montepulciano d’Abruzzo, Chianti, Frascati, Corvo e Bardolino.
Giovanni Mantovani, diretor
geral de Veronafiere, pensa que
as tradições culturais e o estilo
de vida dos brasileiros são muito
mais parecidos com os dos italianos que em outros países:
— Hoje, podemos pensar também que existem condições econômicas favoráveis e ideais para
uma demanda importante de vinhos italianos — diz — O importante é fazer com que o brasileiro
conheça melhor o mundo dos vinhos e cultive o hábito de consumi-los como parte da alimentação,
durante todo o ano, sem se limitar
somente ao período das festas.
Genuinidade italiana “de araque”?
Segundo a revista L’Espresso, vinhos toscanos de respeitáveis
produtores tradicionais como Argiano, Frecobaldi, Antinori e Banfi, teriam sido produzidos adicionando o mosto de uvas francesas
à tradicional tipologia Sangiovese, única autorizada por lei. Também de acordo com a publicação,
Exemplar do Brunello di
Montalcino: sob suspeita
resolveram controlar também as
vindimas de 2004 a 2007.
Os recentes episódios de contaminação, manipulação e contrafação denunciados pela imprensa na Itália – como a dioxina
na mozzarella bufalina, a falsificação do óleo de sementes mascarado com clorofila e betacarotene para reproduzir a cor e
o sabor do óleo de oliva
extra-virgem, além
da violação de
O
normas sobre a produção vinícola
– fizeram com que as associações
italianas defensoras dos consumidores pedissem, há tempos, os
nomes dos autores dessas irregularidades. Mas os ministérios italianos para a Política Agrícola e
a Saúde, responsáveis por toda a
documentação relativa aos casos
de violações das normas de produção, até agora omitem as informações a respeito de marcas
e produtores pensando que assim defendem a genuinidade dos produtos típicos
italianos.
Os destaques brasileiros
s vinhos brasileiros conquistam a atenção cada
vez maior do mercado
internacional, com medalhas e menções honrosas recebidas em rigorosos
concursos enológicos internacionais. Na última edição
do concurso internacional realizado em Verona pela Associação Enólogica Italiana, as
vinícolas Salton, Miolo, Garibaldi e Monte Lemos tiveram
suas produções reconhecidas
entre as melhores do panorama mundial para seus vinhos
brancos, tintos e espumantes.
As menções honrosas foram
destinadas ao Desejo 2005,
Maio 2008
/
um fino seco realizado com
uvas Merlot (Salton);
ao Vale dos Vinhedos Cuvée Giuseppe
2004, que inclui as
uvas Cabernet Sauvignon e Merlot
(Miolo); ao Talento
2004 (Salton), um
bom tinto seco;
ao Prosecco Espumante Natural Brut 2007
(Garibaldi) e
ao Espumante
Natural Brut
Faria
Lemos Dal Pizzol (Monte
Lemos).
ComunitàItaliana
53
Conceito.com
Azedou
estaria havendo uma total manipulação de vinhos baratos com
açúcar de beterraba, água e perigosas dosagens de ácido clorídrico, sulfórico e fosfórico, além
de metanol. Este último caso de
alteração foi identificado em oito regiões italianas no início do
ano, pela Polícia Florestal e o
Núcleo contra Sofisticações
da Polícia.
Francesco Marone Cinzano, presidente do Consorzio di Tutela del Brunello di Montalcino, se
mostrava sereno quanto
ao inquérito aberto junto à Magistratura de Siena sobre a questão. Segundo ele, os resultados das
investigações não poderiam
danificar a imagem do Brunello di Montalcino, que hoje vale 200 milhões de euros no mercado internacional,
com 250 produtores que representam a ponta de diamante para uma produção anual média de
6,5 milhões de garrafas.
Por via das dúvidas,
os investigadores
gastronomia
notas
Brazil Design Week
D
O
nze mil visitantes em três dias de evento. Esse foi o saldo
do Spazio Italia, dentro da Restaubar Show 2008, evento de
negócios do setor de bares e restaurantes, realizado mês passado,
em São Paulo. O espaço, organizado pela Câmara Ítalo-Brasileira
de Comércio e Indústria, ofereceu uma seleção “top” da gastronomia da Bota aos visitantes que tiveram a oportunidade de degustar pratos preparados por alguns dos melhores chefs italianos radicados no Brasil. Vários deles foram homenageados com o título
Maestro della Cucina Italiana in Brasile. Dentre os pioneiros, Antonio Buonerba, Benedetto Perrella, Fabbrizio Guzzoni, Giancarlo Bolla, Giovanna Paternò, Giovanni Bruno, Lamberto Percussi,
Mario Tatini, Massimo Ferrari e Vincenzo Venitucci foram os homenageados. Já Alessandro Segato, Bruno Stippe, Giancarlo Marcheggiani, Giuseppe La Rosa, Luciano Boseggia, Paula Lazzarini,
Roberto Strongoli, Silvana Borella Piran, Tullio Grandi e Volmar
Zocche foram os chefs contemporâneos destacados pela divulgação da gastronomia italiana no país.
Italiano recebe
medalha Tiradentes
O
Roberth Trindade
siciliano Elio Rocca é o mais novo italiano agraciado com a Medalha Tiradentes. A honraria, concedida a pessoas que tenham
prestado relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro, foi entregue ao marechal como reconhecimento pelos esforços empregados na construção de laços entre a Itália e o Estado, principalmente nos
municípios de Barra do Piraí, Petrópolis,
Nova Friburgo e Angra dos Reis. No grupo
de Carabinieri desde 1980, Rocca exerceu
as funções de vice-comandante da Central
dos Carabinieri de Castelgandolfo (residência de verão do Papa), comandante do Núcleo de Operações dos Carabinieri na cidade de Paola e responsável pela Segurança
de Pessoal junto ao Ministério das Relações
Exteriores da Itália em Roma. No Brasil, já havia recebido a Medalha
ao Mérito, em fevereiro de 2004, e a Medalha Sangue dos Heróis, em
2005 e ainda, o título de cidadão honorário de Barra do Piraí.
— Sinto-me muito honrado em receber mais essa homenagem,
visto que tenho muitos amigos no Brasil e um carinho especial pelas cidades onde passei. Sei que ainda há muita coisa a ser feita no
âmbito de união entre os países, mas a Calábria e o Rio de Janeiro
já promoveram muitos avanços — declara Elio Rocca, que recebeu
a medalha do deputado Edson Albertassi.
ComunitàItaliana
/
Maio 2008
H
á 17 anos, o pintor Israel Pedrosa, que foi aluno de Portinari,
pinta réplicas de quadros de mestres da pintura. Atualmente, trabalha numa obra de Leonardo da Vinci, chamada Batalha de
Anghiari, um mural inacabado que foi recoberto por argamassa de
16 cm de espessura. Na primeira semana de junho, Pedrosa embarca para a Itália. Seu destino é Florença, onde pretende encontrar estudiosos das obras de Leonardo da Vinci e ver, de perto, as
obras italianas. Desde setembro do ano passado, Pedrosa trabalha
na Batalha de Anghiari e pretende terminar o quadro quando retornar de viagem, em julho. Formado pela Escola Superior de Belas Artes de Paris, Pedrosa é responsável pela criação da disciplina
História da Arte, da Universidade Federal Fluminense. Aos 82 anos
de idade, prepara um livro intitulado Dez aulas magistrais, no qual
faz um estudo sobre a arte ocidental dos últimos 500 anos.
Ronaldo e os travestis
N
o Rio de Janeiro, ao tentar se divertir, o Fenômeno parou na
delegacia. Ao se envolver com três travestis, o jogador do Milan foi acusado por um deles de ter usado drogas e ter se recusado
a pagar pelo programa. No fim de abril, depois de assistir um jogo
no Maracanã, Ronaldo partiu para uma boate. Ao deixar o local,
contratou os serviços de uma garota de programa chamada Andréa, mas que na verdade era o travesti André Luiz Ribeiro Albertino. Segundo o delegado Carlos Nogueira, da 16ª DP, os dois foram
para um motel e André chamou duas amigas, também travestis.
Porém, Ronaldo afirma que só percebeu o engano quando todos
estavam no quarto e, ao afirmar que não gostava de travestis, ofereceu 1 mil reais para que todos fossem embora. Andréa não aceitou e teria exigido 50 mil reais para que o caso não fosse parar na
imprensa. Ele não eceitou e o travesti chamou a polícia, mas saiu
correndo da delegacia ao ser questionado sobre extorsão.
Tudo no Youtube
P
ara comprovar a identidade do jogador, Andréa publicou um vídeo no site Youtube. De posse de um documento de carro em
nome de Ronaldo - que teria sido deixado com ele como garantia de
pagamento, o travesti poderá ser indiciado por extorsão e furto se
for confirmado que o mesmo foi pego escondido. O comunicado oficial do Milan diz que “Militante de causas sociais, Ronaldo jamais foi
usuário de drogas, sendo sempre idolatrado e admirado por crianças
e adolescentes do Brasil e do mundo. Os indícios apontam para uma
tentativa de extorsão, onde o atacante é a única vítima e, se necessário, tomará as atitudes cabíveis”.
Tem wasabi
na pasta
De volta ao Rio de Janeiro, chef italiano mistura os sabores da Itália
e da Ásia e dá um toque especial a um novo restaurante em Ipanema
M
isturas culturais têm
feito sucesso em muitas cozinhas, pelo mundo. É a tal moda fusion.
De uma maneira geral, a tradicional gastronomia italiana não é
dada a muitas dessas inovações,
por conta do sucesso que sempre
fez. No Rio de Janeiro, porém,
um chef italiano ousou. Para o
novo restaurante Boox, em Ipanema, Roberto Della Corte criou
um cardápio que junta os sabores
da Itália com os da Ásia.
Fettuccini con ragù di vitello
(massa fresca com picadinho de
vitela no prosecco ao molho teriyaki), Salmone in crosta (salmão grelhado em crosta de wasabi e papoula acompanhado por
risoto de mascarpone e limão) ou
Carpaccio di Robalo (finas fatias
de robalo fresco, burrata, chutney de gengibre ao molho oriental e balsâmico) são algumas das
opções criadas por Della Corte.
— Podem chamar de fusion,
mas eu não gosto. É um cardápio
fruto da globalização — resume
Della Corte, de 42 anos, que gosta, particularmente, do belo visual dos pratos orientais.
Foi para atender o jeito “doisem-um” do estabelecimento que
Sônia Apolinário
ele chegou a essa mistura inusitada. O sofisticado Boox é, ao mesmo tempo, restaurante (primeiro
andar) e lounge (segundo andar).
O cardápio deveria ter refeições e
lanches ligeiros. Della corte admite que o sucesso que o sushi
faz, em todo o mundo e também
no Rio de Janeiro, foi a primeira
coisa em que pensou para o lounge. Precisaria, então, conciliar
esse fenômeno internacional com
a querida cozinha italiana, que
seria a base do cardápio do Boox.
Mas com um toque moderno. Vide
o mix de cogumelos frescos sobre
suave polenta com queijo fundido ao perfume de trutas ou o
paillard de filet mignon com fettuccini ao molho triplo burro ou
risoto de limão.
Della Corte sabe bem como
agradar os cariocas. Ele foi o responsável pelo sucesso do Clube
Chocolate, um inesperado bistrô
dentro de uma loja de roupas sofisticada. O restaurante, ainda
em funcionamento, se tornou
uma referência gastronômica na
cidade graças, principalmente,
aos impecáveis risotos do chef.
Os últimos dois anos, porém,
Della Corte passou na sua Itália.
Nascido em Belluno, cidade da
Fotos: Roberth Trindade
Israel Pedrosa
Fartura
54
Roberth Trindade
esign não diz respeito somente à estética, mas a negócios
– e de alto calibre. E é para fomentar negócios nesse segmento que a Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign) promove, entre 3 e 8 de junho, o 1º Brazil Design Week.
O evento será realizado no Museu de Arte Moderna, no Rio, e será
o primeiro do gênero no país. O objetivo é colocar, frente a frente, executivos e empresários brasileiros e estrangeiros com designers brasileiros. “A indústria brasileira não sabe como articular design com inovação de produtos porque não encara o design
como gestão de negócios”, afirma Luciano Deos, vice-presidente
da Abedesign, instituição criada há quatro anos, em São Paulo,
que reúne 70 escritórios de design. Além de rodadas de negócios,
o evento terá seminários setoriais.
Della Corte no Boox: diferencial
região do Vêneto, ele conta ter
ficado com saudades do Brasil e
resolveu voltar.
— Aqui, tenho uma qualidade de vida invejável. Eu moro e
trabalho em Ipanema, ou seja,
faço tudo a pé. Nem lembro que
existe carro. O clima daqui é maravilhoso. Eu adoro praia. Sempre
vou para o Arpoador surfar. Além
disso, o Brasil é um país com
grande potencial para crescer. A
Itália não tem mais isso. Lá não
tem crescimento e os salários estão baixos — conta.
Maio 2008
/
Foi na sua própria cidade natal que, aos 14 anos, Della Corte iniciou no que seria sua futura
profissão. Em Belluno funciona
uma famosa escola de gastronomia. Por que ele resolveu aprender a cozinhar? Ele diz não saber muito bem, mas afirma que
não foi por influência da família.
Acha que foi pela própria tradição da escola, que sempre atraiu
alunos de várias partes da Itália.
Belluno é uma cidade de montanha, perto de Veneza. Della Corte tinha, então, “à disposição”,
os atrativos da praia e do sky,
amplamente explorados pela indústria turística italiana. Isso fez
com que o então jovem aprendiz
de cozinheiro sempre conseguisse arrumar trabalho, tanto no inverno, quanto no verão.
Aos 32 anos, conta Della
Corte, ele se sentia pronto para assumir maiores desafios como chef, mas achava que estava
“faltando algo” na sua formação. Decidiu passar um tempo
nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles, para aprender o que os americanos
fazem melhor em uma cozinha:
gestão empresarial.
— Fazer um prato é fácil. Difícil é fazer um restaurante dar
certo — admite.
Quando estava para voltar
para a Itália, ele “deu a sorte”
de ser chamado por um grande
amigo para desenvolver com ele
um projeto, no Brasil. Era o Clube Chocolate, ainda uma idéia
em algumas cabeças.
Assim, em 2001, Della Corte veio para fazer uma experiência de quatro meses para ajudar
a montar o cardápio do restaurante. Ficou cinco anos e acabou
trazendo toda a família para cá.
Agora, veio sozinho. As filhas de
18 e 16 anos preferiram ficar na
Itália. Della Corte “sentiu o baque”. Mas, para amenizar a solidão, já comprou um cachorro.
O maior problema de morar
sozinho, segundo ele, é a falta
de companhia, na hora das refeições:
— Em casa, só como comida
italiana. Nada como uma massa
feita na manteiga e azeite com
queijo parmesão por cima. Mas
não tem graça comer sozinho. Comer é um ato de agregação. Quando estou na Itália e estou sozinho,
vou comer na casa da minha mãe.
Aqui, prefiro nem comer.
ComunitàItaliana
55
gastronomia
Brasil terá sua segunda escola de gastronomia
patrocinada por governos regionais da Itália
Q
Sílvia Souza
Maffioli. Será inaugurada, no ano
que vem, e vai ocupar a casa onde, atualmente, funciona a Escola
de Turismo Petrônio Portela.
Localizado na cidade de Castelfranco, na província de Treviso, o IPSSAR é uma das mais
respeitadas faculdades no setor de hotelaria e gastronomia, de toda a Europa.
O primeiro passo para a
implantação do projeto
será a reforma da Escola de Turismo Petrônio Portela para
ficar de acordo com
dos padrões de
qualidade exi-
gidos pelo instituto italiano. As
obras estão para começar.
O convênio entre o estado do
Piauí e a instituição do Vêneto foi
firmado pelo governador Wellington Dias e o reitor Beiamino Faoro
após uma viagem feita, em março, pelo governador, à Itália.
— Se os piauienses já são
reconhecidos como os mais nu-
Editoria de arte
uatro anos depois da criação da Escola de Gastronomia de Flores da Cunha,
no Rio Grande do Sul, o
estado do Piauí ganhará uma outra escola especializada em gastronomia, nos mesmos moldes
da primeira. Enquanto no sul
do Brasil é a região italiana do
Piemonte que coordena o trabalho, no nordeste será a vez
do Vêneto se fazer presente
no país. A cidade de Parnaíba, no norte do Piauí, foi
a escolhida para sediar uma
unidade do Instituto Profissional do Estado para o Serviço de Hotelaria e Gastronomia (IPSSAR) Giuseppe
merosos e competentes trabalhadores de gastronomia no Brasil,
agora terão mais uma oportunidade de enriquecerem suas qualificações — afirma o governador
Wellington Dias.
O atual acordo é conseqüência das relações de amizade e cooperação entre a Região do Vêneto e o Piauí e tem como peçachave o padre italiano Umberto
Pietrogrande. Através de suas
iniciativas, a administração regional já mantém uma série de
atividades no Estado.
As negociações para a abertura da filial brasileira da escola
italiana começaram em 2003. O
cartão de visitas do Piauí foi o
trabalho feito pela Escola Família
Turismo de Teresina, um projeto
desenvolvido pela Fundação Padre Antonio Dante Civiero (Funaci). Para conhecê-lo, o professor
Bruno Brunello, que atua junto
às escolas de turismo na Itália
visitou o estado nordestino, a
convite do presidente da Funaci,
o padre Umberto Pietrogrande.
A idéia era discutir a viabilidade
de um intercâmbio para aplicar a
experiência das escolas de turismo existentes na Itália nos Estados do Piauí e Espírito Santo. O
que ocorreu com uma experiência
piloto em 2005.
ceira com a região italiana do
Piemonte. A unidade tem o apoio
do Italian Culinary Institut for
Foreigners, entidade criada há 14
anos por um grupo de chefs de
cozinha e proprietários de restaurantes italianos, com o intuito de difundir a cultura gastronômica italiana.
Com o objetivo de fomentar
o desenvolvimento econômico
de toda a serra gaúcha, a instituição foi aberta ao público no
dia 10 de agosto, dia de São Lourenço, o padroeiro dos chefs. A
unidade de Flores da Cunha foi
a primeira aposta da instituição
italiana fora da Itália. A segunda
Fotos: Divulgação Funaci
Sabores do Piauí
com tempero
do Vêneto
Logo após a chegada de Brunello ao Piauí, agências do governo do Estado e do município,
como também, representantes
sindicais do segmento de bares,
restaurantes e similares, além de
representantes do setor turístico
se reuniram para dar prosseguimento à proposta.
O professor planejou o curso
de formação de monitores da Escola Família de Turismo e realizou
a seleção desses agentes. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro
e Pequenas Empresas (Sebrae) ficou com o papel de articulador
junto aos sindicatos de hotéis,
bares, restaurante e similares.
Para a nova escola, o técnico
da atividade hoteleira do IPSSAR,
o professor Giancarlo Saretta, já
esteve no Piauí para aprimorar as
negociações com o Governo do
Estado e visitar a escola escolhida
como sede. A escola de gastronomia e hotelaria parnaibana vai incluir parcerias com os ministérios
de Relações Exteriores de ambos
os países, ministérios da Educação, Turismo, Embratur, além da
participação das secretarias estaduais do Turismo e Educação.
— A escola é simples. O diferencial desse projeto é que nós
não estamos importando a cultura da Itália, nós mantemos a cultura local, porém com o gerenciamento e a qualidade do ensino europeu — explica o gerente
de Projetos Estratégicos do Governo do Estado do Piauí, Jorge
Lopes. — A iniciativa de implantação da Escola Família Turismo
na cidade de Teresina, se deve à
Fundação Padre Antonio Dante
Civiero que elaborou um projeto
exeqüível, sustentável e, profundamente, inovador, do ponto de
vista da iniciativa da sociedade
civil organizada.
Segundo Lopes, esta iniciativa revela o compromisso tanto da
sociedade civil, quanto do poder
público e do setor produtivo “em
criar mais e melhores condições
educacionais e profissionalizantes
para os jovens em busca de uma
formação e inserção profissional
e de trabalhadores já inseridos no
mercado que desejam melhorar sua
formação técnico-profissional”.
O “embaixador”
O
padre Umberto Pietrogrande é o grande embaixador do Piauí,
no Vêneto. Quem faz a comparação é o gerente de Projetos Estratégicos do Governo do Estado, Jorge Lopes. É graças ao
“embaixador” que aquela região italiana está presente em vários
projetos, no estado nordestino.
Um dos mais importantes é o hortifruticultura hidropônica para áreas carentes
de Teresina, com técnicas produzidas pela
Universidade de Pádua. Há também um hospital no Bairro Pedra Mole e várias escolas
agrícolas localizadas na comunidade rural
teresinense do Soinho e nos municípios de
Miguel Alves e São Pedro do Piauí que têm um “dedo” do Vêneto.
Padre Pietrogrande, que já havia iniciado seu trabalho no
Espírito Santo, ainda contribuiu com a formação dos Amigos dos
Estados do Espírito Santo e do Piauí. A entidade é formada por
empresários e técnicos cujo objetivo é a elaboração de projetos
cooperativos formatados dentro dos padrões de aceitação para os
parlamentos da Itália e do Brasil.
foi inaugurada recentemente, em
Xangai, na China.
A escola gaúcha está localizada no Pavilhão 1 do Parque da
Vindima e tem capacidade para
75 alunos, por turno. É vinculada à Universidade de Caxias do
Sul (UCS) e conta com um laboratório de 1,6 mil metros quadrados para aulas práticas, enoteca,
cozinha industrial, além de um
auditório e um restaurante para
Na escola de gastronomia e
turismo, alunos aprendem a fazer a
mesa, cozinhar e servir. De 2005 a
2007, turmas-pilotos comprovaram
o desenvolvimento do programa e
levaram dois monitores à Itália
A experiência do Piemonte
Inaugurada em agosto de 2004,
a Escola de Gastronomia de Flores da Cunha, no Rio Grande do
Sul também é fruto de uma par-
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ComunitàItaliana
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Maio 2008
Maio 2008
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70 pessoas, onde são servidos os
pratos elaborados pelos alunos.
Com seus cursos normais de
600 horas, a escola já teve nove
turmas, o que significa a formatura
de cerca de mil alunos, entre someliers, enólogos e chefs. No momento, se estuda a viabilidade de implantação de cursos rápidos, com
duração aproximada de um mês.
Além da formação de chefs e
cozinheiros, o empreendimento
em Flores da Cunha atua em subseções como agroindústria, em
um programa de trabalho do Núcleo de Extensão da UCS, voltado
à gastronomia. Nele, é prestada
consultoria ao agricultor para estudo de aumento de lucratividade. Dessa atividade faz parte a
troca de informações para que
o empresário agregue valor aos
produtos primários, recebendo
tecnologia para o cultivo de tomates, temperos e especiarias,
que serão utilizados na Escola.
A iniciativa também dá um
grande impulso ao turismo, já que
proprietários de agências de viagens da região foram assessorados para a montagem de roteiros
turísticos relacionados com gastronomia. As novidades incluem
cursos rápidos de degustação de
vinhos, licores e espumantes nos
passeios de turistas que visitam
a serra gaúcha. Eles podem participar também de workshops de
gastronomia temática, bem como visitar vinícolas e estabelecimentos agroindustriais da região
– um tipo de turismo bastante
explorado na Itália.
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café
C
Roberth Trindade
inque ristoranti italiani e solo uno brasiliano sono tra i 50
migliori del mondo. Il ranking viene fatto annualmente dalla
rivista inglese Restaurant ed è stato reso noto il mese scorso. Tra
gli italiani, il più meritevole è stato il Gambero Rosso (San Vincenzo, Livorno), arrivato al 12º posto. Gli altri sono: Dal Pescatore (Canneto sull’Oglio, Mantova), 23° posto; Enoteca Pinchiorri
(Firenze), 32º; Le Calandre (Sarmeola di Rubano, Padova), 36º;
Cracco Peck (Milão), 43º. Il brasiliano che fa parte della lista è il
D.O.M (São Paulo), che è arrivato al 40° posto. Per il terzo anno
di seguito, il El Bulli, dello spagnolo Ferran Adrià, è stato considerato il miglior ristorante del mondo.
Alla bolognese
L’
Divulgação
Emilia Romagna è una delle regioni più note quando si parla di gastronomia. Chi non ha mai sentito parlare del sugo
alla bologhese, per esempio? Bologna è la città natale della pasta fresca fatta con farina, uova e aperta a mano. È stato grazie
a questa fama che la regione Emilia Romagna, l’Università di Bologna e il Ministério da Política-Agrícola hanno promosso un corso di tre giorni presso il ristorante Artigiano, a Rio de Janeiro, in
aprile. Una cena è stata offerta nello stesso ristorante di specialità di questa regione e il console d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo
Bellelli, ha consegnato un certificato agli allievi. Circa 10 persone, membri dell’Associação da Emilia-Romagna do Rio de Janeiro
hanno partecipato al corso, che ha avuto come professore lo chef
italiano Renzo Lossi.
Osteria
L
a marca gastronomica Da Carmine, di Niterói, è aumentata.
In aprile, i fratelli Bruno e Carmine Marasco hanno inaugurato il Bar Italia, a Charitas. Il luogo riproduce il clima informale
delle osterie italiane, con molti stuzzichini e piatti abbondanti.
Nella lista, leccornie italo-brasiliane come gli arancini (bolinho
de arroz siciliano), cosciotto di maiale con cipolle (pernil acebolado) e l’imbattibile panino con la mortadella.
Café apimentado
Gaúcho leva o título de melhor barista do Brasil com uma receita de inspiração tailandesa
Tatiana Buff
Correspondente • São Paulo
U
m drink feito com café e
pimenta
dedo-de-moça
consagrou o gaúcho Everton Penning Peter, de apenas 23 anos, como o melhor barista do Brasil. Agora, ele vai representar o país no World Barista
Championship – WBC, o campeonato mundial dos profissionais do
café, a ser realizado entre os dias
19 e 22 de junho, em Copenhagen, capital da Dinamarca. O torneio brasileiro é organizado anualmente pela Associação Campeonato Brasileiro de Baristas (ACBB).
Está na sua sétima edição.
Ex-garçon e barista somente
há três anos, Peter criou para a
competição o drink Plang Nagan
– energia de festa na língua tailandesa. A disputa final foi em
março, no Mercado Municipal de
São Paulo. Os concorrentes foram
os vencedores das cinco disputas
regionais realizadas ao longo do
ano passado.
Peter se diz um apaixonado pelo café “desde sempre” e,
quando descobriu que existia um
profissional específico para o seu
preparo foi “amor à primeira vista” pela atividade. Agora, trabalha oito horas por dia preparando
espressos e outras bebidas à base
de café. Para aprender mais sobre
o grão, já passou uma temporada
em uma fazenda de café para conhecer todo o processo.
Segundo Peter, a categoria
tem um modelo nacional de referência e qualidade: Silvia Magalhães, tricampeã brasileira. Ele
acredita que a maioria dos baristas brasileiros segue a linha de
trabalho dela. Silvia foi a sexta
colocada no último WBC, no Japão, em agosto de 2007.
— O mercado mais disputado
para baristas ainda é São Paulo
e, no mundo, a Europa, principalmente os países nórdicos — informa o atual campeão.
Na competição, o desempenho dos baristas é julgado em
um palco durante 15 minutos,
Com sabor e criatividade,
Everton Peter domina o
preparo do café
Fotos: Divulgação
Migliori del mondo
Experimente um Plang Nagan
Ingredientes: 80 ml de leite de coco; 80 ml de leite condensado
corante natural vermelho em pó; 4 expressos com 30ml ou 120ml
de café bem forte; 2 cravos; 4 lascas de gengibre; 4 colheres de
cafezinho de calda de pimenta dedo-de-moça; 4 colheres de sopa
de creme de leite; 4 pimentas dedo-de-moça higienizadas para
decorar e servirem como colheres para mexer a bebida.
Calda de pimenta dedo-de-moça: 300 ml de água; 8 colheres de sopa
de açúcar; 4 pimentas dedo-de-moça abertas ao meio com semente.
Colocar os ingredientes em fogo baixo até reduzir 20% da água e
começar a ficar como uma calda. Deixar esfriar antes de usar.
Modo de preparo: Colocar os cravos e o gengibre num recipiente
com o café quente e deixar em banho-maria por 10 minutos. Misturar o leite condensado, o corante e o leite de coco até ficarem uniformes e com uma cor vermelho-pimenta. Distribuir uniformemente
no fundo das quatro taças a mistura de leite de coco e leite condensado. Acrescentar nas taças a infusão do café com o cravo e o
gengibre já coada. Misturar e emulsionar bem a calda de pimenta e
o creme de leite para que adquira leveza. Cobrir cada taça com uma
colher de sopa da emulsão do creme de pimenta. Servir com a pimenta dentro e mexer bem com a própria pimenta antes de beber.
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com direito a platéia. Quatro juízes sensoriais avaliam a destreza
e a qualidade das bebidas servidas. Outros dois juízes observam
o aspecto técnico do preparo dos
cafés, cappuccinos e uma bebida
original, “de assinatura”, à base
de café. O juiz principal avalia a
competência geral de cada um.
Este ano, a tarefa coube ao mexicano José Cleofas Aréola.
Peter explicou que a idéia de
criar um drink tailandês surgiu da
vontade de unir os sabores da pimenta vermelha e do café. Ele,
que perdeu a conta de quantos cafés bebe por dia — “mais de dez,
com certeza” — afirma que seus
clientes preferem o expresso ao
tradicional café de coador, “embora o brasileiro em geral mantenha
o hábito do uso do coador”.
— O espresso de qualidade ainda não é encontrado com facilidade no Brasil. Ao conhecer um espresso com café 100% arábica, com
um blend (mistura de cafés de qualidade ou gourmets de origens diversas) elaborado cuidadosamente
e preparado por um barista capacitado, o cliente passa a entender o
que é um espresso — afirma.
Para ele, o cappuccino conquistou o paladar dos brasileiros “com
um leve toque de chocolate entre
o espresso e o leite vaporizado”,
das típicas cafeteiras italianas:
— O espresso alla brasilana é
quase um carioca, aquele café leve, ao qual acrescenta-se um pouco de água quente da própria máquina. Um brasileiro pedir um ristretto, o espresso curto entre 20 e
30 ml, ainda é uma raridade.
Segundo Peter, a torra usada
no grão para espresso, aqui no Brasil, é um pouco mais clara. Mesmo
assim, observa, o nosso paladar
tende a ser mais italiano que americano, o que, na sua opinião, “já é
positivo”. De acordo com o barista,
o grão brasileiro de melhor qualidade é o 100% arábica, preferencialmente da região de Mogiana,
no interior de São Paulo.
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Sapori d’Italia
La gente,
Claudia Monteiro de Castro
Sílvia Souza
S
60
Fotos: Divulgação
Ao gosto do
presidente
Como diz Lula, perna de cabrito do
Montechiaro é capaz de convencer “que
nunca antes na história desse país” uma
iguaria foi tão bem feita e ficou tão saborosa
ão Paulo - Famoso ponto irradiador da culinária italiana, o restaurante Gigeto, em São Paulo, disseminou os bons pratos e o gosto pelas especialidades da Bota entre paulistanos. Pontapé inicial
para muitos chefs, com Raimundo Franco não foi diferente. Cria da
casa, o descendente de napolitanos reencontrou suas raízes no tradicional
estabelecimento, mas partiu para o seu próprio negócio. O resultado é a
Cantina Montechiaro, no bairro mais italiano de São Paulo, o Bixiga.
E foi lá que o então candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, experimentou uma perna de cabrito daquelas receitas
que passam de pai para filho. Suculenta e ao mesmo tempo suave, a
refeição combina molho madeira e alecrim.
— O cabrito é nosso diferencial e o presidente, assim como toda a
turma do Partido dos Trabalhadores (PT), costumava vir bastante aqui
durante a campanha — comenta Daniel Rodrigo Canete, herdeiro de
Franco e atual administrador do restaurante.
Antes de abrir a Montechiaro, Franco permaneceu cinco anos no
Gigeto e de lá tirou base para seu cardápio. Apesar de ter transferido
o comando da casa para o filho Daniel, todas as noites, Franco, que
tem 64 anos, vai ao restaurante. Ele faz questão de receber os clientes
e conversar com os amigos e também dar uma espiadela na cozinha.
Afinal, como diz o ditado, é o olho do dono que engorda o gado.
Fundada em julho de 1974, a Montechiaro mantém no cardápio
cerca de 300 pratos. A decoração recria um lar italiano com dois salões amplos em formato de arco. São 150 lugares disponíveis, em meio
a objetos tipicamente italianos e produtos expostos como calabresa,
queijo provolone, salame, bruscheta e mortadela.
— Essa inspiração italiana é evidente para nós. A família do meu pai
é de Nápoles, sul da Itália. Ele mesmo nasceu em Águas de Lindóia, no
interior de São Paulo, uma cidade
com uma colonização forte por parte dos italianos e vocação para a rede de hotelaria e atividades ligadas
ao turismo. Então, essa escolha pelos serviços, caindo para a culinária
acabou sendo quase que um caminho natural — conta Canete.
Além da perna de cabrito, outra
característica do Montechiaro que
encanta seus freqüentadores é o uso
de massas fabricadas no local para
consumo próprio. Canete, responsável pelo restaurante há 11 anos, é o
Lula provou e aprovou
o cabrito da Montechiaro
chef da casa.
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il posto
Perna de cabrito
Ingredientes: 1 perna de cordeiro traseira; 300 ml de molho rôti
(molho madeira); 2 dentes de alho picados e amassados; 2 folhas de
louro; 1 galho de alecrim; ½ cebola picada bem pequena; 4 batatas;
1 brócolis; sal a gosto.
Modo de preparo: Colocar a perna na travessa junto com todos os
ingredientes. Assar em fogo baixo durante 3 horas. Depois desse
tempo, tirar a perna de cordeiro. Reduzir e engrossar o molho que
sobra para ser colocado por cima do assado. Acompanhamento: Coloque batatas no forno utilizando o mesmo tempero do cabrito. Retire quando estiverem coradas. Cozinhar o brócolis al dente, ou seja,
sem deixar desmanchar. Depois, é só montar o prato e servir.
— A perna de cabrito é especial, mas outro prato que sai muito e
é tipicamente italiano é o fusilli ao molho de tomate e calabresa. Meu
pai também faz um talharim à parisiense adaptado. No cardápio temos
também o tradicional, que é feito com creme de leite, mas o do meu
pai é feito com os mesmos ingredientes, porém, com tomate fresco —
relata o empresário, confessando estar de olho no mercado carioca —
Há um tempo atrás, sondei o Leblon, mas o metro quadrado é muito
caro. Amigos me indicaram a Barra da Tijuca, mas achei longe. Vou retomar esse projeto assim que me formar em gastronomia, em julho de
2009. Temos uma clientela fiel do Rio de Janeiro e eles sempre perguntam quando vamos abrir um restaurante por lá — conta ele, que cursa
formação técnica nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).
Serviço: Cantina Montechiaro – Rua Santo Antônio, 844,
Bixiga – SP – Fone: (11) 3257-4032.
R
Êxtase de Santa Teresa
oma é cheia de esculturas belíssimas espalhadas por seus museus,
fontes e igrejas. Uma das mais impressionantes e mais escondidas é a Êxtase
de Santa Teresa d’Avila, localizada na igreja de Santa Maria della Vittoria, na capela Cornaro. É uma das obras principais do
grande escultor do século 17, Gian Lorenzo
Bernini. Realizada em mármore e bronze, é
um perfeito exemplo de arte barroca, com
muita teatralidade.
Muitos consideram a escultura uma das
mais sensuais de Roma. Santa Teresa é retratada sobre uma nuvem que a transporta
até o céu. Seu vestido vaporoso, cheio de
dobras desordenadas, uma inovação para a
C
época, é realizado com tamanha perfeição
que até parece tecido de verdade.
O ponto alto da escultura é o rosto de
Santa Teresa, em êxtase, com os olhos voltados ao céu, os lábios entreabertos. A escultura
foi inspirada em um dos textos da santa que
descreve sua experiência mística, quando um
anjo de grande beleza aparece a ela com uma
lança na mão. Ela descreve sua sensação: sentia como se a lança atingisse seu coração diversas vezes e ela gemia de dor, mas era uma
“dor doce”. Na opinião de muitos, a escultura é carregada de erotismo e de ambigüidade.
Qualquer que seja a interpretação, vale a pena fazer um desvio dos tradicionais caminhos
turísticos e conferir essa obra-prima.
Superstições
ada país tem suas manias. E suas superstições. E se tem um
povo supersticioso, esse é o italiano. Diz um de seus ditados:
Di Venere e di Marte, né ci si sposa né si parte. Ou seja, de sexta ou terça-feira uma pessoa não deve se casar, nem partir para uma
viagem pois pode dar azar. De sexta, porque foi o dia em que morreu
Jesus. De terça, pois martedì, terça-feira em italiano, deriva da Marte,
o deus da guerra, que nunca foi portador de boas novas.
Quanto aos números, na Itália, para muita gente, o 13 dá sorte.
O número azarado é o 17. A origem é sabida e data da Antiga Roma:
os numerais romanos XVII formam o anagrama VIXI, que significa “eu
vivi”, e conseqüentemente,
que a pessoa foi dessa
para melhor.
Outra coisa que
porta sfiga, ou seja,
dá azar, tanto na Itália
quanto em várias partes
do mundo, é o gato preto.
Mas na Itália assume proporções
gigantescas para algumas pessoas. Se alguém está dirigindo e passa um gato preto, a pessoa
é capaz de ficar vários
minutos esperando
que um outro carro
passe antes, transferindo assim a má
sorte para o pobre coitado. Tem gente que até
dá marcha à ré para fugir
do azar. Coisa de louco.
Das diversas regiões italianas, o
napolitano é o mais supersticioso, ou como eles dizem, scaramantico. O objeto mais potente para proteger contra mau olhado, olho
gordo, inveja, praga e qualquer perigo é o corno, um objeto vermelho, de coral ou de plástico, que tem a forma de uma pimentinha.
No carro, na bicicleta, no chaveiro, o corno impera pela Itália inteira, principalmente no sul. Na falta de corno, é possível também
fazer o gesto do corno com a mão, quando alguém toca em assuntos
delicados, como doenças e outros males. Outro modo de espantar
o azar é falar a fórmula magica: occhio, malocchio, prezzemolo e finocchio. Para garantir boa sorte, prosperidade e riqueza, a melhor
coisa, segundo os napolitanos, é fazer cafuné nas costas de um
corcunda.
Mas em questão de superstição,
Roma não fica atrás. Os romanos
ficam preocupados ao ver passar um grupo de freiras. Para
contrabalançar o efeito da má
sorte que elas possam causar,
eles tocam suas partes íntimas. Dá para acreditar?
Tem quem seja menos ou
mais supersticioso, mas
uma coisa
é certa: carregar um
“corno” ou
qualquer
amuleto
na bolsa,
mal não
faz.
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Pela terceira vez, Silvio Berlusconi assume