A m a i o r m í d i a d a c o m u n i d a d e í t a l o - b r a s i l e i r a www.comunitaitaliana.com Ano XIV – Nº 119 ISSN 1676-3220 R$ 10,90 Rio de Janeiro, maio de 2008 O retorno Pela terceira vez, Silvio Berlusconi assume como primeiro-ministro. A esquerda foi abatida. No Brasil, há expectativas de mais investimentos ao contrário do que aconteceu em seu último mandato Designers brasileiros fazem sucesso em Milão Fotos: Divulgação 18 CAPA Silvio Berlusconi (ao lado de Gianfranco Fini, novo presidente da Câmara dos Deputados) volta ao poder político, na Itália. Dessa vez, com ainda mais força. Agora, ele tem uma rara maioria no Parlamento, graças à nova força adquirida pela Liga Norte, partido xenófobo e direitista, aliado do PDL. Editorial Luz Amarela...................................................................................06 Cose Nostre Atualidade Casos de violência contra a mulher, maioria praticada no próprio lar, é alvo de campanha na Itália....................................34 Os 60 anos da Constituição Italiana serão lembrados na Festa da República que o consulado do Rio de Janeiro promove nos dias 30 e 31 de maio e 1º de junho............................07 Perfil Economia Gastronomia Umberto Vattani aposta no incremento das relações comerciais entre Brasil e Itália������������������������������������������������� 14 Negócios E-Motion, distribuidora italiana do ramo de mobilidade, usa o Brasil como sede de expansão de suas atividades fora da Europa....... 17 32 Entrevista No Parlamento O ítalo-brasileiro Fabio Porta fala sobre seus planos para a Câmara dos deputados 4 De menina de rua no Rio de Janeiro à fotógrafa em Roma, Rosa Neves ganha a vida na Itália e conquista seu chão no Brasil ...........35 Região do Vêneto patrocina escola de gastronomia e hotelaria no Piauí e garante oportunidade de capacitação a dezenas de jovens do estado do nordeste brasileiro������������������ 56 Café O gaúcho Everton Penning Peter é o melhor barista do Brasil...........59 41 42 Beleza Miss Itália Turismo Verona Baiana disputará pelo Brasil título de ítalo-descendente mais bonita do mundo ComunitàItaliana / Maio 2008 Às vésperas dos Dias dos Namorados, cidade de Romeu e Julieta inspira romance 52 Vinho Fraudes Denúncias envolvendo produtores famosos sacodem a 42ª edição da Vinitaly COSE NOSTRE Julio Vanni FUNDADA EM MARÇO DE 1994 Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) Festança O Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. Tiragem: 30.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 02/05/2008 às 17:30h S ilvio Berlusconi volta a se sentar na cadeira de primeiro-ministro italiano. Pela terceira vez. Sua vitória, nas últimas eleições, não foi, de fato, uma grande surpresa. Desde o início da campanha, as pesquisas de intenção de votos apontavam para este resultado. O que as pesquisas não detectaram é que ele voltaria com uma força que nunca teve. Afinal, vai governar com maioria no Parlamento e sem as pressões tradicionalmente exercidas pelos partidos de esquerda como o comunista, o socialista ou o verde, que não conseguiram espaço na nova legislatura. Isso, sim, uma surpresa. Em nossa reportagem de capa os analistas se mostram cautelosos. Observam que o Berlusconi de hoje está um pouco diferente e não apenas na aparência, após fazer um implante capilar. Durante a campanha, pouco prometeu. Agora, dá sinais de que pode dividir seu mandato, na prática, com a grande força que emergiu das urnas: Umberto Bossi, líder da Liga Norte. Graças à expressiva votação do partido que representa o rico norte da Itália, Berlusconi obteve sua confortável vitória. O problema é que a Liga é declaradamente xenófoba. Odeia imigrantes. Também acha uma bobagem o voto do italiano no exterior, uma conquista recente. Nas últimas vezes em que foi primeiroministro, Berlusconi deu pouquíssima importância para o Brasil. Agora, como será? Nesta edição, temos uma entrevista com o presidente do ICE, embaixador Umberto Vattani, que se mostrou otimista em relação ao futuro do intercâmbio comercial e cultural entre os dois países. Durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, acompanhei seu encontro com o governador Sérgio Cabral que expressou para ele as mesmas preocupações. É bom lembrar que Cabral iniciou, no ano passado, uma série de negócios entre o Rio e várias cidades O governador Sérgio Cabral italianas e não quer ver isso interrompido. e o editor Pietro Petraglia No que depender das promessas do único representante do Brasil eleito para o Parlamento italiano, Fábio Porta, a tendência é melhorar. Em entrevista para Comunità, ele afirmou que vai se empenhar para mostrar, na Itália, que os milhões de italianos no exterior não representam um problema, mas uma solução. Mas, segundo ele, trata-se de uma “riqueza” que tem passada desapercebida pelos governantes de lá. No Parlamento, Porta terá a companhia de quatro argentinos, eleitos pela América Meridional: Esteban Juan Caselli e Mirella Giai, no Senado, Ricardo Merlo e Giuseppe Angeli, na Câmara. Nesta edição, você poderá conhecê-los melhor. Se a possibilidade de viver em um país que tende para a direita agrada os italianos, uma coisa, porém, não tem deixado a população satisfeita: as várias e constantes denúncias a respeito de fraudes em produtos “sagrados” do made in Italy como o vinho, o azeite e a mozzarella. Algumas dessas denúncias estouraram em pleno Vinitaly, a grande feira italiana dedicada à enologia, e causou indigestão, como mostra uma das nossas reportagens. Nem tudo são flores, mas a revista não deixou de lado as boas coisas da vida. Como um bom romance. Nossa sugestão de turismo, este mês, é Verona, a cidade de Romeu e Julieta, onde casais gostam de curtir o dia dos namorados. Também mostramos as novidades da feira de móveis de Milão e apresentamos o melhor barista do Brasil, o gaúcho Everton Penning Peter, e a bela miss Itália-Brasil, a baiana Renata Marzolla. Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2719-1468 e-mail: [email protected] SUBEDItora: Sônia Apolinário [email protected] Redação: Daniele Mengacci; Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Paula Máiran; Sarah Castro; Sílvia Souza; Tatiana Buff; Valquíria Rey REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho [email protected] CAPA: Divulgação Colaboradores: Giorgio della Seta; Braz Maiolino; Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Franco Urani; Fernanda Maranesi; Adroaldo Garani; Giuseppe Fusco; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta CorrespondenteS: Guilherme Aquino (Milão); Lisomar Silva (Roma); Valquíria Rey (Roma); Publicidade: Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-0181 [email protected] RepresentanteS: Brasília - Cláudia Thereza C3 Comunicação & Marketing Tel: (61) 3347-5981 / (61) 8414-9346 [email protected] ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista. La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. Boa leitura! ISSN 1676-3220 6 ComunitàItaliana editorial Sigilo quebrado D esde 1º de maio, não é mais “segredo de Estado” qualquer documento oficial italiano que tenha recebido esse título há mais de 30 anos. A lei de reforma dos serviços de inteligência estabelece que o período máximo de vigência do segredo de Estado será de 15 anos, e que, em certas circunstâncias, poderá ser prorrogado apenas por um prazo igual. O poder de classificar como segredo de Estado os documentos caberá ao presidente do Conselho de Ministros, que poderá decretá-lo quando for necessário para a “salvaguarda de interesses supremos e imprescindíveis” do país. Lavazza ataca em SP Coen abrem Veneza A Lavazza, líder no setor de café na Itália e a sexta maior torrefadora do mundo, acaba de colocar os pés em São Paulo. A italiana consolidou a compra da Café Terra Brasil, especializada em café expresso. Com 48 milhões de dólares para investir até 2010, a empresa não descarta a compra de novas empresas em outras praças e define, ainda neste ano, os detalhes finais da fábrica - a primeira fora da Itália - que montará no Brasil. No início do ano, a empresa já havia comprado a Café Grão Nobre Ltda., com atuação no Rio de Janeiro. A marca processa 2,2 milhões de sacas de café por ano na Itália, dos quais um milhão sai do Brasil. O Ansa Diretor: Julio Cezar Vanni s 60 anos da constituição italiana prometem parar o centro da cidade do Rio. Com direito a exposição, shows com grandes nomes da música, apresentações de grupos folclóricos e muita gastronomia, a comemoração tem como mote a região da Calábria. Além da TIM e da Vale, novos patrocinadores como a Petrobrás e estandes das prefeituras de Angra dos Reis e Barra do Piraí se farão presentes no evento que conta com a participação da Comunità. Dias 30 e 31 de maio e 1º de junho, na Praça Virgílio de Melo Franco. H á aproximadamente três meses do início das Olimpíadas de Pequim, na China, os protestos contra o domínio do país sobre o Tibet se intensificam ao redor do mundo. Na Itália, também houve protestos. Cerca de 300 manifestantes ocuparam a Praça de San Marco, em Roma, em favor da liberdade da província. Com faixas contendo frases como “Tibet livre” e “Vida longa ao Dalai Lama”, os ativistas defenderam o boicote aos Jogos Olímpicos. Futebolísticos M ilan Junior Camp, a colônia de férias oficial e temática do AC Milan, abriu as inscrições para a temporada 2008 em São Paulo e no Rio de Janeiro. O evento será realizado entre 20 e 26 de julho, podendo participar meninos e meninas entre 8 e 13 anos. Treinadores das categorias de base do AC Milan vêm ao Brasil e acompanhados de treinadores brasileiros, coordenam cinco horas diárias de aula. Proibido mendigar O prefeito da cidade onde nasceu e morreu São Francisco de Assis, proibiu a mendicância. Cláudio Ricci, do Forza Italia, assinou um decreto que proíbe pedir esmolas “a menos de 500 metros de igrejas, lugares de culto, monumentos, praças e edifícios públicos”. O prefeito também proibiu os visitantes da Como um Google P ara quem está em busca das origens da família, ou de outras informações que facilitem a busca de documentos para pedido de dupla cidadania, o Governo de Minas, através do Arquivo Público Mineiro, colocou na Internet o registro de imigrantes que chegaram a Minas Gerais. São documentos que preservam os registros da imigração no Estado e permitem uma busca detalhada sobre as famílias. Mais informações em www.siaapm. cultura.mg.gov.br cidade de “tombarem ou sentarem no chão, perto de locais de culto, edifícios públicos e sob pórticos”, como fazem muitos turistas. Para garantir o cumprimento da medida, já em vigor, foi instalado um circuito com 60 câmeras, enquanto voluntários (muitos deles ex-militares) controlam o território. filme Burn After Readin, produzido e dirigido pelos irmãos cineastas Joel e Ethan Coen, vai abrir a 65ª Mostra Internacional de Cinema, a ser realizada entre 27 de agosto a 6 de setembro, na Bienal de Veneza. Com a participação de astros como George Clooney, John Malkovich e Brad Pitt, o longa será apresentado em pré-estréia mundial durante a cerimônia de abertura da mostra italiana. Na comédia dark, Malkovich interpreta o papel de um ex-agente da CIA cuja memória acaba nas mãos de dois instrutores de uma academia em Washington. Rapidinhas ● Falcão, meninos do tráfico, de MV Bill e Celso Athayde, ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival de Milão. ● Os cantores Gilberto Gil e Ivan Lins, o violonista Yamandu Costa e o jazzista Stefano Bollani são alguns dos artistas convidados do 20º Veneto Jazz Festival. De 30 de julho a 2 de agosto. ● A Itália pode enfrentar o Brasil em um amistoso no dia 11 de fevereiro de 2009, em Londres (Inglaterra). A informação é da Federação Italiana de Futebol (FIGC). ● A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) celebrou o centenário de nascimento de Luigi Bogliolo, italiano, ex-professor do departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal. O mestre foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Patologia, que presidiu entre 1960 e 1962. Entretenimento com cultura e informação / Maio 2008 Maio 2008 / ComunitàItaliana 7 opinião serviço agenda frases Você considera positivo o resultado das eleições italianas? Sim – 66.7% “Vir ao país de vocês e ter comprado uma casa no lago de Como, foi a melhor coisa que já fiz em minha vida. Cada vez que pouso aqui fico feliz. Estou tendo aulas de italiano três vezes por semana”, George Clooney, ator americano. Não – 33.3% Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 16 a 19 de abril. Você acha que Ronaldinho será mesmo contratado pelo Milan? Não – 62.5% “Meu desejo é de que a atenção da Itália à América Latina não seja só um fato conjuntural ou casual, mas a linha e uma das prioridades da política exterior italiana”, Sim – 37.5% Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 11 a 15 de abril. Donato di Santo, vice-chanceler italiano, ao participar de um simpósio sobre microfinanças no Equador. “É uma derrota clara, de proporções imprevistas: agora deve começar uma discussão entre todos os componentes que constituem a esquerda italiana”, Fausto Bertinotti, candidato a premier pela Esquerda Arco-Íris “Na minha mente não me dei conta dos 70 anos, porque tenho muita energia, mas o tempo passa para todos”, Claudia Cardinale, atriz italiana que completou 70 anos no dia 15 de abril e receberá uma homenagem durante o Festival de Cannes, devido aos seus 50 anos de carreira. Xylexpo-Sasmil 2008 (Milão) De 27 a 31 de maio, a cidade do norte da Itália torna-se sede da segunda mais importante feira mundial de máquinas, equipamentos, acessórios, componentes e matérias primas para a indústria de madeira e do mobiliário. Informações através do email [email protected] 18ª Expobento (Bento Gonçalves) A Feira da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves é realizada no Parque de Eventos da cidade gaúcha, em uma área de 50 mil m². Terá a participação de 1.050 expositores e são espe- rados 150 mil visitantes, vindos de diversos pontos do Rio Grande do Sul e de estados como Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Atrações: Città de la Moda, desfiles, espaço para apresentação de empresas e entidades, Espaço Cultural, Espaço Variedades, Indústria, Comércio e Serviços, Piazza Del Vino, Piazza Per Mangiare, Salão Automotivo, shows e a exibição da IX Motoserra. Acontece de 5 a 15 de junho. De segunda a sexta-feira, das 18h às 22h30min, sábados e feriados, das 10h às 22h30min, domingos, das 10h às 21h. Outras na estante O ser e a vida. A obra de Oscar Niemeyer, em portuguêsespanhol, reflete acerca da importância da literatura na formação humana e na construção de um país mais justo. O arquiteto centenário nos fala de como a leitura foi relevante em sua vida pessoal e profissional. Ele destaca a importância de obras clássicas de escritores como Lima Barreto, Mário de Andrade, Eça de Queiroz, Machado de Assis e Voltaire, além de colegas contemporâneos como Jorge Amado, “velho e querido camarada”, e Graciliano Ramos, companheiro da época de militância no PCB. Esses dois, destaca Niemeyer, foram os principais responsáveis pelo conhecimento que adquiriu a respeito de vários problemas e assuntos. O livro contém, ainda, uma carta especialmente enviada por Fidel Castro, citado pelo autor como exemplo heróico para a juventude. Editora Revan, 48 páginas, 34 reais. Uma Vida com Karol. O livro traz a público as memórias do secretário particular de João Paulo II, o cardeal Stanislaw Dziwisz, que revela segredos como a trama da KGB para matar o Papa. Com a experiência de quem acompanhou João Paulo II durante quarenta anos, o cardeal fala das opiniões, as esperanças e os medos do Papa. São histórias sobre os bastidores do Vaticano, relatadas em parceria com o jornalista Gian Franco Svidercoschi. Editora Objetiva, 264 páginas, 34,90 reais. cartas “E stou muito satisfeita por ser assinante da Comunità e gostaria de sugerir que em suas páginas pudéssemos ler mais sobre regiões históricas da Itália, suas curiosidades. Inspirada por uma matéria da Comunità, eu visitei a cidade que tem o meu nome, alguns anos atrás. Estudo italiano e se esse tipo de matéria sobre regiões e curiosidades não saíssem em português seria mais um estímulo à leitura” click do leitor “A cabei de chegar da Itália e Nápoles foi a última cidade que visitei e a que mais me impressionou pela alegria dos habitantes e pelo colorido da cidade. O passeio pela orla napolitana e Posilipo foi encantador e inesquecível. Não poderia deixar de tirar esta foto com a Baía de Nápoles e o Vesúvio como cenário. Na próxima vez, a viagem começa por lá. Luiz de Aquino, Rio de Janeiro - RJ Mande sua foto comentada para esta coluna pelo e-mail: [email protected] “C ome avevo previsto, la Destra Italiana ha vinto con larga margine. Solo quelli di sinistra, più accanitti, ripetevano agli elettori, ma inutilmente, che la distanza tra i due schieramenti già non esisteva più, anzi che la loro vittoria era certa. Grandi illusi. Hanno usato tutte le armi, anche le più subdole, per convincere gli elettori, ma questi adesso capiscono, tra gesti falsi e parole bugiarde, dove sta la veritá. Saluti cordiali!” Alba Vivacqua, Rio de Janeiro, RJ, por e-mail 8 ComunitàItaliana / Maio 2008 informações: (54) 2105-1966 ou [email protected] IX Filó Italiano (Garibaldi) Município distante 105 km de Porto Alegre (RS), Garibaldi foi colonizado, principalmente, por imigrantes italianos. O evento, promovido pelo Clube de Mães Descobrindo o Bem Viver e pela Emater/Ascar, terá culto religioso em italiano e latim, culinária típica e baile. Local: Capela e Salão Comunitário de Linha Araújo e Souza. Horário: 19h. Informações: (54) 3462-1602. E-mail: emgbaldi@ emater.tche.br Arquivo pessoal enquete Pietro Fontana, Guarapari, ES, por carta Maio 2008 / ComunitàItaliana 9 Opinione Opinione Ezio Maranesi Uragano politico- Sta cambiando religioso in Paraguay il vento? Il Vescovo Cattolico Fernando Lugo eletto Presidente della Repubblica I n Europa, dove mi trovo in questo periodo, credo che pochi abbiano nozione delle problematiche e forse perfino dell’esistenza del Paraguay. Ma in questi giorni i giornali ne hanno diffusamente parlato per la straordinaria vicenda del Vescovo Cattolico Lugo, che ha spezzato il 20.4.2008 oltre 60 anni di egemonia del partito conservatore Colorado, eleggendosi Presidente della Repubblica per ampio margine (il 40% dei voti, contro il 30% del Partito Colorado, prevalendo in Paraguay il Partito di maggioranza, anche se relativa). In Brasile, il Paraguay è noto per la gigantesca idroelettrica binazionale Itaipu sul fiume Paraná di ben 12.600 MW, realizzata dal Governo militare brasiliano negli anni ’70, con la clausola che il Paraguay avrebbe ceduto al costo l’eccedenza dei suoi modesti fabbisogni energetici. Inoltre, è attraverso il Paraguay, le cui importazioni sono del tutto liberalizzate, che vengono contrabbandati in Brasile (ponte da Amizade dell’Iguaçu) ingenti quantitativi di merci, specie cinesi; è in Paraguay – membro del Mercosud – la destinazione di molti veicoli rubati in Brasile, e non pochi coltivatori brasiliani si sono installati nelle zone più fertili del Paese, prima per l’allevamento del bestiame, poi – e con notevoli profitti – per piantarvi la soia, il cui prezzo internazionale ha avuto recentemente notevoli aumenti, in gran parte esportata negli USA dai porti di Paranaguà e Santos. 10 Il Paraguay è relativamente piccolo, circa 400.000 Km² e poco abitato, un 6 milioni di abitanti, di cui circa l’80% meticci in gran parte di origine Guaranì, la cui lingua è correntemente parlata; reddito pro-capite di appena dollari 1.500 distribuiti molto male, con le solite 500/1.000 famiglie dominanti ed il resto proletariato contadino per oltre il 40% ed urbano, assenza di industrie di rilievo, quasi 90% i cattolici. E dire che il Paraguay, conquistata nel 1811 l’indipendenza dalla Spagna, era diventato 50 anni dopo una potenza militare legata soprattutto all’allora Prussia (Germania), con mire espansionistiche sugli Stati vicini (Brasile, Argentina e Uruguay) che costituirono una triplice alleanza: ne seguì un conflitto durissimo iniziato nel 1865 e concluso solo nel 1870 con l’occupazione del Paraguay, che subì ingenti perdite umane e territoriali. In un Sudamerica che ha avuto negli ultimi tempi una decisa sterzata a sinistra, con regimi radicali populisti in Venezuela, Bolivia, Equador e Argentina e di centrosinistra in Brasile, Cile, Uruguay e Peru, rimanevano due eccezioni: la Colombia ingaggiata, con l’aiuto USA, in un’interminabile guerra contro i narcos delle FARC che occupano buona parte del Paese ed il Paraguay in cui il partito conservatore Colorado prevaleva puntualmente ogni 5 anni in elezioni formali (con una lunga parentesi dittatoriale del Generale Stroessner, pure Colorado, deposto nel 1989). ComunitàItaliana / Maio 2008 Ma qualcosa si è mosso nel 1992 in una zona tra le più povere del Paese, la città di San Pedro, il cui giovanissimo vescovo cattolico, che aveva allora 40 anni, Fernando Lugo, si era clamorosamente rifiutato di partecipare all’inaugurazione fatta dal Presidente della Repubblica di un moderno aeroporto militare costato 5 milioni di dollari, considerandolo una cattedrale nel deserto (la previsione si è puntualmente avverata) ed un insulto alla popolazione povera locale che mancava di strade, scuole, ospedali, fognature, infrastrutture. Il vescovo Lugo, con notevole ritardo, si era avvicinato alla teologia della liberazione nata in Brasile verso gli anni ‘70 con il francescano Leonardo Boff, animatore di movimenti sociali e riscatto dei poveri che avevano avuto ampi consensi in Brasile, poi osteggiati dagli anni ‘80 e rapidamente emarginati nel papato di Giovanni Paolo II, che si avvalse dell’azione intransigente dell’allora cardinale Ratzinger, responsabile vaticano del Santo Uffizio ed attuale papa Benedetto XVI. Comunque, da quanto riportano i giornali internazionali, il movimento progressista di Lugo sarebbe rimasto circoscritto e poco conosciuto fino al 2006, quando questi maturò l’idea di costituire un movimento nazionale di cittadinanza denominato “tekojoja” che, in lingua guaranì, significa “uguaglianza”, rivolto a contadini, indigeni, senza terra, studenti universitari e cioè a tutto il proletariato paraguayano. Lugo - mettendosi a capo del movimento - infrangeva le leggi del diritto canonico, non potendo un vescovo – la cui nomina è irrevocabile - ritornare allo stato laicale ed abbracciare la politica e veniva sospeso “a divinis” dalla Santa Sede da vescovo emerito di San Pedro, dopo 30 anni di fattivo sacerdozio. E cioè Lugo veniva sospeso dal sacerdozio, restando tuttavia vescovo. Ora che è stato eletto inaspettatamente addirittura presidente della Repubblica, spetta al papa il giudizio finale e cioè se stabilire una deroga al regolamento sia pure pro-tempore, o ribadire una posizione intransigente, nel qual caso occorre vedere quale sarà la reazione di Lugo e dei suoi seguaci. Da quanto riportano alcuni giornali, la stessa Costituzione del Paraguay vieterebbe ai religiosi l’impegno politico e quindi, se Lugo non ottenesse la dispensa papale, i Colorados potrebbero forse ricorrere per annullare l’elezione dopo l’incredibile batosta. Anche il Brasile ha grossi interessi in ballo, in quanto una delle rivendicazioni del Partito Tekojoja è la revisione degli accordi contrattuali sull’idroelettrica di Itaipu, dai quali il Paraguay riceverebbe dal Brasile circa 300 milioni di dollari all’anno, ritenuti del tutto inadeguati dati i recenti vertiginosi aumenti di prezzo dell’energia elettrica. Quindi il presidente Lula ha reagito all’elezione del vescovo Lugo con preoccupata cautela, affermando – dopo le felicitazioni di prassi - che gli accordi contrattuali comunque non si toccano. Qualche sprazzo di sereno, dopo tanta nebbia C i siamo talmente abituati a vedere l’Italia impantanata, incapace di rivolte orgogliose, che accettiamo come un ovvio e atteso karma il nostro declino economico, il deterioramento dei nostri migliori valori, l’appannamento dei nostri splendori culturali. Fattori oggettivi sfavorevoli possono aver contribuito a farci assimilare la nostra rassegnazione: nuovi assetti geopolitici, nuovi e degradati modelli sociali, nuova diffusa cultura da supermercato. Dovremmo avere dei leader capaci di navigare in questo difficile mare. Non li abbiamo avuti e non li abbiamo. Prodi disse un giorno: la classe politica è l’espressione della società che la elegge. Spero che Prodi, una volta in più, si sia sbagliato. La società italiana non può essere inetta come hanno mostrato di essere i suoi dirigenti. E allora guardiamo avanti. Nelle ultime settimane alcuni eventi hanno indicato che qualcosa sta cambiando. Nel bene o nel male, a seconda dei gusti. Ma svegliarsi dal letargo è già comunque un buon segnale. Berlusconi ha vinto le elezioni. Berlusconi può piacere o non piacere, ma è una buona notizia sapere che, Lega permettendo, avremo cinque anni di governo stabile. Berlusconi è un imprenditore e sa pensare in grande. Ha dimostrato di essere capace di fare. E l’Italia di oggi ha bisogno di qualcuno che faccia. Il politico teorizza, parla; l’imprenditore produce. Uno Stato ovviamente non va gestito come una impresa, ma certi principi che l’impresa adotta, per esempio efficienza e meritocrazia, sono universalmente validi. La Lega Nord ha ottenuto un clamoroso successo. Considerata spesso un fenomeno folkloristico locale, ha saputo interpretare i sentimenti di gran parte della popolazione del Nord Italia. Ha parlato con la gente in modo semplice, diretto, facile da capire, a volte rozzo e pittoresco. La gente ha capito e le ha dato il suo voto. Non credo che la Lega voglia ricostituire uno Stato Lombardo-Veneto. Essa vuole che sia data autonomia e responsabilita amministrativa alle Regioni, che ciascuna Regione costruisca il suo proprio destino. Le nostre Regioni hanno stupende peculiarità, naturali, artistiche e umane. In un mondo sempre più uniforme, valorizzare le proprie specifiche attitudini può essere la chiave del successo. Sono convinto che un Sud autonomo avrebbe gestito la “questione meridionale” meglio di quanto ha fatto negli anni il governo centrale. Dal quadro politico sono sparite le forze estremiste, di destra e di sinistra. A destra, il fascismo è sparito da un pezzo e solo la retorica sulla Resistenza continua ad ammonirci sui pericoli che corre la democrazia. Ora la destra non ha più rappresentanti in Parlamento. L’eclisse totale della sinistra è clamoroso, ma non dovrebbe sorprendere. La gente è stanca di una classe dirigente comunista che si ritiene depositaria dei veri valori morali, culturali e intellettuali, di una gauche caviar in cachemire che non sa indicare cammini pratici e concreti per affrontare i problemi italiani. È mio desiderio che l’adozione di un modello di società socialista crei una “città del sole”; sarebbe bello, ma qui sulla terra il modello ha fallito, dovunque. E allora l’operaio, il pensionato, il lavoratore precario, il bottegaio, hanno preferito la concretezza alla ideologia, e hanno votato Lega. Ho citato tre fatti recenti che possono essere svolte epocali nel- la storia del nostro Paese ma, al momento, possiamo solo avere fede e speranza. Un fatto concreto, meno importante di quelli citati ma molto significativo, mi ha fatto gioire: Milano è stata scelta come sede della Esposizione Universale del 2015. Pochi anni fa Trieste, candidata italiana alla Expo 2008, era stata battuta da Saragozza. Pochi mesi dopo Napoli, candidata ad ospitare l’American Cup, era stata battuta da Valencia. L’Expo Universale significa miliardi di investimenti per Milano e per il Nord, decine di milioni di visitatori provenienti da tutto il mondo che per sei mesi visiteranno la città e l’Italia, e potrà essere l’occasione per mostrare al mondo che l’Italia c’è, è viva e ha ancora molto da dire. Chissà che la scelta di una città italiana ad ospitare l’Expo sia il segnale che sta iniziando un nuovo ciclo; chissà che gli italiani siano capaci di cogliere l’ottima opportunità. Grupo Keystone Franco Urani Opinione articolo / notizie Fabio Porta Addetto agricolo Una risposta polemica a chi – in Italia e fuori – continua ad attaccare il diritto di voto degli italiani nel mondo. Dietro al facile moralismo torna ad affacciarsi un vecchio e mai spento pregiudizio… S econdo qualcuno sarò un deputato “inutile e costoso”; anzi, saremo, visto che l’affermazione è relativa a tutti i 18 parlamentari eletti all’estero. Può darsi, visto che tutte le opinioni sono legittime e – fino a prova contraria – accettabili anche se discutibili. Ovviamente permettetemi di non condividere tale parere, non solo perché, come sosterrò più avanti, sono convinto che sia il frutto di un vecchio e ancora radicato pregiudizio italiano verso tutto ciò che l’emigrazione e l’Altra Italia rappresentano, ma anche perché mi sembra totalmente infondato e ingiusto. Inizio proprio da questa ultima considerazione. Si sostiene che i parlamentari eletti all’estero sarebbero costosi; esiste in Italia un forte dibattito sugli alti costi della politica e sugli sprechi relativi a quella che viene definita (a volte con ragione) una vera e propria “casta”. Personalmente sono favorevole alla riduzione tanto del numero di deputati (630) e senatori (315) quanto dello stipendio dei parlamentari italiani, mediamente superiore di circa 20% a quello dei nostri colleghi europei. Detto questo, e tornando al punto in questione (il costo e l’utilità dei 18 eletti all’estero), mi sembra corretto fornire alcune informazioni utili alla formazione di un giudizio sull’argomento. Parliamo della Camera dei Deputati (ma il ragionamento po- 12 trebbe valere anche per il Senato): i circa 48 milioni di elettori residenti in Italia eleggono (se si escludono i 12 eletti all’estero) 618 deputati: una media di circa 1 deputato ogni 77.700 elettori; in Sudamerica abbiamo eletto 3 deputati, ciascuno dei quali corrisponde ad un numero di circa 333.000 elettori. In poche parole: in proporzione i parlamentari eletti all’estero sono meno, mentre hanno le stesse funzioni e responsabilità dei loro colleghi eletti in Italia; un rapporto di oltre 1 a 4. Se la Camera dei Deputati italiana mantenesse lo stesso rapporto tra il numero degli elettori e i parlamentari diminuirebbe in un colpo solo di oltre la metà il numero dei seggi e – conseguentemente – buona parte dei suoi costi generali. Quella che ho appena fatto non è assolutamente una riflessione di carattere istituzionale; non si tratta di una proposta di riforma del sistema bicamerale né una valutazione di carattere politico. Ci sono altre sedi ufficiali ma anche di dibattito pubblico che affronteranno il problema nei modi e nei tempi dovuti. La mia è, in questo caso, una semplice provocazione che – ancora una volta – vuole aprire gli occhi a qualche ingenuo che (in buona fede?) pretende addossare agli italiani all’estero colpe, responsabilità e addirittura costi che non credo proprio ci possano essere addebitati. ComunitàItaliana / Maio 2008 Veniamo adesso all’altro punto in questione, l’utilità. Anche qui vorrei domandare al mio critico interlocutore: “Sei proprio sicuro che l’utilità e – aggiungerei – la ‘produttività’ di questi 18 parlamentari sia inferiore a quella dei loro 925 (!) colleghi eletti in Italia?”. Lasciatemi dissentire, o quantomeno dubitare fortemente a riguardo. Quello che sostengo, evidentemente, è che la “utilità e il costo” della politica e dei suoi rappresentanti può (e forse “deve”) essere un interessante tema oggetto di discussione e approfondimento, magari tra tesi e argomenti contrapposti; non posso condividere, invece, la maniera subdola e fuorviante con la quale si lega questo tema ad una delle più importanti conquiste democratiche del nostro Paese: il diritto per chi risiede all’estero di partecipare alla vita democratica italiana potendo eleggere direttamente i propri rappresentanti. La storia dell’Italia ed il suo sviluppo sono state segnate, fin dalla nascita dello Stato unitario, dalle fortissime spinte migratorie verso l’estero e – successivamente – dall’apporto degli stessi emigrati e delle loro famiglie all’economia del Paese; questi italiani di prima e poi di seconda e terza generazione, hanno costruito con orgoglio e sacrificio intere nazioni senza mai dimenticare l’attaccamento agli ideali ed ai valori della loro terra di origine. Oggi il voto e la straordinaria possibili- tà di avere dei nostri parlamentari eletti all’estero può significare l’avvio di una nuova fase nel rapporto dell’Italia con i propri connazionali e discendenti nel mondo; una fase dove probabilmente (e ancora una volta) il saldo sarà positivo proprio per il nostro Paese, come più volte ho provato a spiegare ed argomentare. Alla facile retorica di chi ridicolizza e banalizza il voto all’estero e gli eletti fuori dall’Italia rispondo, con altrettanto spirito provocatorio, che c’è senza dubbio più spirito patriottico tra questi ultimi che tra i parlamentari di un partito, la Lega Nord, che ha fatto in questi anni della derisione e a volte dell’offesa al sentimento nazionale una propria bandiera politica e programmatica. Il 29 aprile ho partecipato alla seduta inaugurale del Parlamento italiano con questo spirito e con un motivato sentimento di orgoglio; non per avere raggiunto un importante traguardo personale, ma per la consapevolezza di rappresentare in quel momento tutti gli italiani, quelli che vivono nella nostra bellissima e amatissima Italia ma anche – direi soprattutto – quelli che vivono all’estero. E, tra questi, le centinaia di migliaia di cittadini residenti e i 31 milioni di nostri discendenti in Brasile, che in quel momento (unico tra i 18 parlamentari eletti all’estero) rappresentavo, onorando il mio mandato di deputato eletto nella Circoscrizione America Meridionale. tto ambasciate brasiliane all’estero passeranno ad avere un addetto agricolo. Secondo il quotidiano Folha de S.Paulo, chi occuperà l’incarico avrà il compito di sondare mercati e facilitare negoziati su temi sanitari. Le ambasciate scelte sono quelle in Argentina, Cina, Giappone, Russia, Stati Uniti, Africa del Sud, a Bruxelles – perché è la capitale dell’Unione Europea – e a Ginevra, dove rimane la sede delle Nazioni Unite in Europa. I futuri addetti agricoli dovranno essere impiegati regolarmente ammessi con concorso fatto presso il Ministério da Agricultura – veterinari o ingegneri agronomi. Dopo essere stati scelti, affronteranno un addestramento presso l’Instituto Rio Branco per sei mesi prima di assumere le loro funzioni. Questa misura ha per meta evitare problemi come quello del recente episodio che ha causato il divieto all’esportazione della carne brasiliana da parte della UE. Petrobras sale L a rivista nordamericana Forbes, punto di riferimento in economia, il mese scorso ha pubblicato un ranking con le duemila maggiori imprese del mondo. Il Brasile è risultato con 34 istituzioni, 19 in più rispetto al ranking anteriore, pubblicato nel 2004. L’impresa brasiliana che presenta la miglior posizione continua ad essere la Petrobras, che è salita dal 51° al 19° posto e si è lasciata dietro giganti come la Telefonica (34°) e la Deutsche Bank (32°). La seconda maggior impresa tra quelle brasiliane è stata la Vale, che è al 76° posto. La banca britannica HSBC è al primo posto nella classifica. Acervo da ABL - Richam Samir Primi appunti di un parlamentare… “inutile e costoso” (?!) La finestra O Centenario dell’ABI L’ Associação Brasileira de Imprensa ha compiuto 100 anni ed è stata festeggiata dall’ Academia Brasileira de Letras, il mese scorso, a Rio. I legami che uniscono le istituzioni rimontano alla fine del XIX secolo. Fondatori della ABL come Rui Barbosa, Olavo Bilac e Machado de Assis usavano i giornali dell’epoca per esternare critiche sociali, e nomi come quello di Barbosa Lima Sobrinho e Roberto Marinho sono presenti negli annali delle due istituzioni. Per omaggiare i professionisti dell’informazione, il presidente della ABL, Cícero Sandroni, anche lui giornalista, ha presieduto una Sessione Solenne in cui ha parlato di Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho. Responsabile diretto della richiesta di apertura di impeachment dell’ex presidente Fernando Collor de Mello, e primo oratore iscritto per difendere il processo, Sobrinho è stato presidente dell’Academia e dell’ Associação.. — Per me il Dottor Barbosa era una persona con cui il dialogo era sempre ricchissimo. Aveva la capacità di ascoltare e anche di convincere quelli che non erano d’accordo con lui senza perdere le staffe — ha messo in risalto Sandroni. Daniele Mengacci [email protected] È andata come previsto, per Berlusconi ancor meglio, il PDL è stato beneficiato dal premio di maggioranza, compenso elettorale per essersi “sacrificato” una terza volta proponendosi alla guida del Paese. È andata come previsto anche per il PD di Veltroni, che ha raggiunto l’obiettivo di essere l’unico partito di opposizione senza una vera identità che lo distingua dal PDL, perdipiù essendosi sbarazzato dei petulanti partitini arcobaleno. L’elettorato ha dato a questi ultimi, e ai socialisti, un messaggio chiarissimo: non servite più al Paese. La loro uscita dalla scena parlamentare ha marcato non solo la fine della Prima Repubblica, ma la fine di un’epoca storica, iniziata nel XVIII secolo, del modo di fare politica in Italia, dominato dalle ideologie, tanto di destra come di sinistra. Lo stesso messaggio è andato a quell’insieme di media e spettacolo rappresentato dal Corriere della Sera e Beppe Grillo, vocianti esponenti della protesta qualunquista. Gli elettori che pensano che la politica si fa con la morale e le manette hanno preferito votare l ‘Italia dei Valori dell’ex questurino Di Pietro, ritenuto più affidabile per aver già mostrato di cosa è capace. Tutte le rose hanno le spine, e cosí quella del PD ha appunto quelle dell´IdV, partitino che, se il Cavaliere non fosse il leader del PDL, certamente si sentirebbe più a suo agio nella nuova maggioranza; e quella del PDL si chiama Lega Nord, con le sue tendenze neofasciste e xenofobe, in buona parte giustificate, e molto apprezzate da una certa borghesia nordica, così come da un elettorato operaio a confronto con gli immigrati. Maio 2008 / La fine di un’epoca Il nuovo panorama parlamentare comprende anche la dubbiosa vittoria della UDC di Pierferdinando Casini, che non ha avuto consensi più ampi. Di fatto, la sua idea di essere la vera novità, proponendo il ritorno di un grande centro, non ha sedotto. Lo schema politico parlamentare italiano si avvicina molto a quello statunitense, con due grandi partiti al potere in alternanza e dove il modello economico, il capitalismo, non è posto in discussione. I problemi politico economici presenti sullo scenario internazionale sono tali da far tremare i polsi a chiunque, si pensi solo alla crescita continua del costo energetico ed alla preoccupante crescita del costo mondiale degli alimenti. L’Italia soffre di una crisi economica scatenata dagli errori del governo precedente e dalla mancanza di un chiaro ruolo sullo scenario internazionale, ma anche da questioni etiche come quelle poste dalle nuove biotecnologie e da pressioni indebite della Chiesa Cattolica per la revisione, se non l’abolizione, della libertà di aborto. L’Italia ha urgente bisogno di ritrovare se stessa, per non scivolare nell’oblio della storia. A tanto sono chiamati non solo il nuovo Governo, ma anche le più alte Istituzioni nazionali. Silvio Berlusconi, che gode di una ampia maggioranza alle Camere, ha l’opportunità di dimostrare che ha la stoffa dello statista, capace di posporre gli interessi di partito e personali a quelli del Paese, o che invece è solo un uomo di potere come tanti altri, capace solo di tirare avanti la cigolante carretta Italia. ComunitàItaliana 13 De passagem pelo Brasil, o presidente do ICE, embaixador Umberto Vattani afirma estar otimista em relação a um fortalecimento ainda maior das parcerias comerciais entre Itália e Brasil 14 externos do Brasil. É nesta direção que os negócios com o país devem se expandir, como parte de uma estratégia de avanço no mercado globalizado. — Sob este ponto de vista, trabalhamos no fortalecimento de estruturas, ampliação das iniciativas promocionais e pesquisa de prioridades — explica Vattani, que está à frente do ICE desde julho de 2005. O comércio bilateral movimentou 7,8 bilhões de dólares em 2007, segundo o Ministério das Relações Exteriores. A Itália é o 13º investidor estrangeiro no Brasil em várias áreas, entre as quais, construção civil, indústrias têxtil, de calçados, automotiva, de autopeças, alimentícia, máquinas e equipamentos, arquitetura e design. As importações cresceram 27%, passando de 2,6 bilhões de dólares, em 2006, a 3,3 bilhões de dólares, no ano passado. As exportações brasileiras chegaram a 4,5 bilhões de ComunitàItaliana / Maio 2008 Divulgação “S empre mais Itália no Brasil e mais Brasil na Itália” é a meta do Instituto de Comércio Exterior da Itália (ICE), nas palavras de seu presidente, Embaixador Umberto Vattani. Ele esteve no Brasil para a cerimônia de entrega do Prêmio Especial Leonardo 2008, destinado a personalidades que tenham se sobressaído na promoção da Itália. Realizado em São Paulo, no mês passado, o evento também comemorou o aniversário de 15 anos da distinção do governo italiano e de 508 anos do Descobrimento do Brasil. Segundo Vattani, as exportações italianas aumentaram 49,4%, nos três primeiros meses de 2008, em relação ao mesmo período de 2006. Além disso, informa o embaixador, este ano a “graduatoria” – posto no ranking – italiana já passou do décimo lugar para o nono, superando o Chile na lista dos fornecedores Tatiana Buff e Nayra Garofle Premiado pelo empenho no fomento às relações entre Brasil e Itália, o oriundo e ex-ministro Furlan observa o embaixador Vattani e a atriz Bruna Lombardi dólares, com aumento de 16% em comparação ao ano anterior. — Estes números têm condições de crescer — afirma o presidente do ICE — Trata-se de dar continuidade às missões iniciadas em 2005 e 2006, na Itália, pelo presidente Lula e pelo exministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan e correspondidas por iniciativas seqüenciais do instituto. Há cerca de 250 empresas italianas no país. Para Vattani, é possível ampliar esse número “organizando encontros de operadores italianos com brasileiros”. Até porque, como observa, “não há um setor no Brasil sem interesse correspondente na Itália”. — A Itália possui uma extensa rede de feiras especializadas e, com a Alemanha, organiza o maior número de eventos Brasil para investimentos internacionais, devido à estabilidade econômica. Encontros como este dão consistência às relações econômicas e permitem bons negócios — afirma o subsecretário de Estado Coordenador de Relações Internacionais, embaixador Ernesto Rubarth. Na prática, isso significa, por exemplo, a abertura de uma fábrica de helicópteros no estado, além de uma possível participação de empresas do país no projeto de instalação do trem de alta velocidade, que visa ligar o Rio de Janeiro a São Paulo. Segundo o cônsul da Itália no Rio de Janeiro, Massimo Bellelli, que estava presente na reunião, Cabral demonstrou preocupação com a continuidade das relações comerciais entre Brasil e Itália, por conta da eleição de Berlusconi. — O governador, que também representou o presidente Lula na reunião, demonstrou profundo interesse em saber como ficarão as relações comerciais entre os dois países a partir do novo governo italiano — diz Bellelli. Na reunião com Cabral, Vattani não deixou de transmitir um recado do presidente da região do La- Em reunião no Palácio Guanabara, Vattani é acompanhado pelo diretor do ICE no Brasil, Giovanni Sacchi e o diretor-presidente da Comunità, Pietro Petraglia. Cordialidade e expectativas de interação comercial marcaram a visita zio, Piero Marazzo, que tem interesse em firmar um acordo de cooperação com o estado fluminense. Tanto o Rio de Janeiro quanto o Lazio têm, segundo Rubarth, perfis econômicos bem semelhantes, pois ambos contam com investimentos na nova economia, com forte pendor para os setores siderúrgico e audiovisual. João Carnavos Vattani no Rio Após o evento em São Paulo, Vattani foi ao Rio de Janeiro, onde se encontrou com o governador Sérgio Cabral. A relação do estado com a Itália vem se fortalecendo, desde setembro do ano passado, quando, em visita oficial, Cabral foi a Roma. Para dar prosseguimento às possibilidades de parcerias internacionais. — Basicamente, o encontro colocou em voga possibilidades de investimentos italianos em diversos setores da nossa economia. O governador destacou o bom momento pelo qual passa o A premiação D esfile de modas com as principais grifes italianas que estão presentes no Brasil. Apresentação do pianista brasileiro Arthur Moreira Lima. Cerca de 300 pessoas em traje de gala, no Museu da Casa Brasileira. Assim foi a cerimônia de entrega do Prêmio Leonardo ao ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ele foi o primeiro brasileiro agraciado com a honraria. Os italianos Giovanni Agnelli, Luca Cordero di Montezemolo e Giorgio Armani já receberam o prêmio. Divulgação João Carnavos Bons acordos à vista na Europa, visando favorecer o intercâmbio de informações e maior fluxo comercial. O ICE tem incrementado suas atividades para a internacionalização do Made in Italy no Brasil e, nesse contexto, abriu recentemente escritórios no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, em acréscimo à representação de São Paulo. Agora, soma uma rede de 115 escritórios em 86 países. Os investimentos previstos em ações promocionais são da ordem de 120 milhões de euros. João Carnavos economia O evento destacou também o Grupo Marcegaglia na contribuição ao desenvolvimento do país. O diretor da empresa no Brasil, Antônio Carlos Dias de Oliveira, recebeu o Prêmio Internacional do Ministério do Comércio Internacional pelo Instituto de Comércio Exterior da Itália em nome de Steno Marcegaglia, fundador da empresa, em 1959. O grupo é líder na Europa em processamento de aço. Com investimento inicial de 30 milhões de dólares, a Marcegaglia chegou ao Brasil em 1999 e instalou na cidade de Garuva, Participação do Grupo Marcegaglia no desenvilvimento do Brasil foi destacada por Vattani Santa Catarina, uma fábrica que empregava 85 pessoas. Hoje, o complexo industrial opera com 550 funcionários e produz anualmente 8 milhões de produtos siderúrgicos. A empresa está na terceira fase de ampliação, a ser concluída em dois anos, quando deverá empregar mais de mil trabalhadores e fundar uma pequena cidade com infra-estrutura para dez mil moradores. Na opinião do ex-ministro Furlan, está para se iniciar “um reflorescimento das relações entre Brasil e Itália”. O embaixador italiano Michele Valensise faz coro com ele: — O novo governo da Itália deve não só continuar, mas fortalecer o relacionamento com o Brasil — afirma — A postura de abertura do governo brasileiro no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) garante à Itália uma participação no conjunto de medidas e iniciativas em curso. Na cerimônia, conduzida pela atriz Bruna Lombardi, o Maio 2008 / ex-ministro Furlan comentou o “bombardeio mundial” contra os biocombustíveis, responsabilizados pelo aumento dos preços dos alimentos, argumentando que a elevação é conseqüência da alta do consumo de chineses e indianos, beneficiados pelo crescimento econômico de seus países. Furlan destacou os incentivos do ICE às pequenas e médias empresas brasileiras e italianas que, a seu ver, operam de forma similar. O representante do Comitê Leonardo, Cavaliere del Lavoro e senador Alfredo Diana, ressaltou que o prêmio já chegou aos Estados Unidos, China, Polônia e Argentina. No Brasil, afirma, “o Made in Italy se evidencia há mais de cem anos, pelo trabalho e cultura de milhões de italianos imigrantes”. Diana lembrou a história da família Furlan e especialmente do pai do ex-ministro, Attilio Fontana, fundador da Sadia, “patrícios que contribuíram para o crescimento do Brasil”. ComunitàItaliana 15 fortalecimento da área internacional da federação. — Queremos abrir outros mercados, como o italiano, que tem grandes chances de se tornar um parceiro comercial ainda mais forte — explica. Negócios de mão dupla Empresas brasileiras e italianas estreitam contatos de negócios em encontros realizados no sul do Brasil s estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul serviram de cenário para várias rodadas de negócios entre empresários brasileiros e italianos. Os setores têxtil e de calçados foram o centro do interesse. Como resultado, “contratos de milhões de reais devem ser fechados futuramente”, segundo o diretor executivo da Câmara Italiana e Indústria de Santa Catarina, Antônio Muratore. Em Florianópolis (SC), cinco empresas italianas da delegação do Consorzio Bimbo, da região da Toscana, e 19 empresas catarinenses tiveram como foco os negócios no setor têxtil. Atualmente, esse segmento soma 16% no valor da transformação industrial de Santa Catarina. Os setores têxtil e de vestuário são os dois mais importantes na indústria do Estado, empregando 124 mil trabalhadores em 6,4 mil estabelecimentos. Santa Catarina responde por 16% das exportações brasileiras do segmento, 16 com embarques de 351 milhões de dólares em 2005, praticamente o mesmo resultado do ano anterior (354 milhões de dólares). Estados Unidos e Argentina são os dois principais destinos. — Nossa função era colocar frente a frente esses empresários do setor têxtil e daqui para frente eles se entenderão conformes as afinidades comerciais. Posso dizer que o interesse dos empresários italianos é de 101% — afirma Muratore que contou com o apoio da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina para a realização do evento. A Itália é o quarto país que mais importa produtos têxteis e confeccionados de Santa Catarina. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), o estado já vendeu 2,086 milhões de reais somente nos dois primeiros meses de 2008. Segundo a empresária italiana Lucia Fanfani, as empresas catarinenses têm grande potencial na realização de negócios com a Itália. ComunitàItaliana / Maio 2008 Fotos: Divulgação O Sarah Castro Empresários acertam detalhes e compras de produtos — Vemos perspectivas de grandes negócios — avalia. O empresário João Guedes, de Chapecó, que faz parte do Núcleo das Indústrias do Vestuário do Oeste Catarinense (Nivoc), achou o encontro positivo porque permitiu conhecer a necessidades das empresas italianas. O presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), Luiz Carlos Furtado Neves, explica que esta ação faz parte do projeto de Produtos O Brasil importa da Itália, em primeiro lugar, fio de Nilton (54 milhões de dólares), seguidos por materiais têxteis de uso técnico (4,3 milhões de dólares), meias de algodão (3,9 milhões de dólares), fio elastométrico ( 3,7 milhões de dólares e vários tecidos sintéticos e artificiais (3,1 milhões de dólares). O principal produto exportado para Itália é o algodão (cerca de 7 milhões de dólares), assim como nos seus produtos finais, entre eles, camisetas (9 milhões de dólares), toalhas e produtos para cozinha (1,7 milhões de dólares), calças e calcinhas (1,6 milhões de dólares) e malhas femininas (1,4 milhões de dólares). O segundo produto mais exportado é o fio de seda (cerca de 2 milhões de dólares), seguido por sungas e biquínis em tecidos sintético (1,8 milhões de dólares). No Rio Grande do Sul Com o mesmo objetivo de promover acordos comerciais entre Brasil e Itália, o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) realizou em Novo Hamburgo a 32ª FIMEC – Feira Internacional de Couros, Químicos, Componentes e Acessórios, Equipamentos e Máquinas para Calçados e Curtumes. Cinco fabricantes italianos participaram do evento para apresentar seus produtos para pequenos e médios empresários gaúchos. A Itália participa na produção interna de diversos produtos no Brasil por ser a primeira no ranking dos fornecedores de máquinas para a indústria do calçado e de couro. De 2006 para 2007 foi registrado um crescimento das vendas de 12,8 milhões de dólares para 13,9 milhões de dólares. A Itália fabrica mais de 50% do total de máquinas, em todo o mundo, o que a torna líder no setor. Em 2007, registrou um volume total de negócios de 500 milhões de euros, dos quais mais de 350 milhões foram provenientes de exportações para 120 países. Novas rotas Empresa italiana de distribuição de aparelhos voltados para a mobilidade usa o Brasil como porta de entrada para a América do Sul T rês produtos lançados em menos de seis meses de atuação no Brasil. Foi dessa forma que a empresa italiana E-Motion iniciou a expansão das suas atividades para fora da Europa. Uma das principais distribuidoras, na Itália, de produtos eletrônicos para mobilidade - como navegadores portáteis, smartphones e iPods, a empresa inaugurou uma sede, em São Paulo, no final do ano passado. Será a partir do Brasil que o grupo pretende alcançar toda a América do Sul. Criada há 10 anos, em Turim, a E-Motion é uma empresa de médio porte que começou vendendo produtos da Palm, ampliou seu catálogo com os navegadores Tom Tom, depois com equipamentos da Apple e recentemente, passou a comercializar o smartphone da HTC. No ano passado, faturou 175 milhões de euros. Essa cifra representa um crescimento de 60%, em relação a 2006, segundo informou o diretor-executivo da E-Motion Brasil, Emanuele Farini Quartara. E pensar que, em 2001, o faturamento da empresa foi de “apenas” 1,7 milhão de euros. — O motivo do sucesso foi o fato de desenvolvermos um trabalho que vai além da mera distribuição de produtos. Nós fazemos um trabalho de co-marketing para cada item que selecionamos para vender — explica Quartara. Sônia Apolinário Ele cita como exemplo desse trabalho a decisão de mudar as vozes dos navegadores vendidos para os veículos italianos. Nem a própria empresa poderia prever o sucesso do navegador que recebeu a voz de Marco Ranzani. Trata-se, na verdade, de um personagem criado pelo DJ Albertino, popular no rádio. Marco é um típico italiano do norte da Itália, muito bem de vida. Suas instruções dadas aos motoristas, seguidos de seus comentários, agradaram em cheio. Mas ele não foi o único. Há vozes para todos os gostos, não só na Itália como em toda a Europa. Graças a isso, o navegador holandês Tom Tom, vendido pela E-Motion abocanhou 50% de todo o mercado europeu e 60% do mercado de navegadores, na Itália. Atualmente, já é possível comprar navegadores associados a guias, como os que indicam onde encontrar restaurantes adeptos do Slow Food, o movimento internacional que protege identidades culturais ligadas a tradições gastronômicas. Foi justamente o Tom Tom o produto escolhido pela empresa para iniciar suas atividades no Emanuele Quartara, diretor-executivo da E-Motion Brasil. Mas por que a empresa só chegou por aqui no ano passado? — Até 2007, a qualidade dos mapas disponíveis, no Brasil, era ruim. E sem os mapas, não existem navegadores. Agora, a qualidade está bem melhor, apesar de ainda não estar como os padrões dos mapas europeus — explica Quartara, executivo italiano destacado para comandar a empresa no Brasil. Por enquanto, os navegadores vendidos aqui não têm vozes especiais, voltadas especificamente para o mercado brasileiro. Segundo ele, a empresa “ainda está se posicionando no mercado e vozes podem vir a ser importantes”. Quartara acredita que os navegadores tendem a se tornar negócios tão populares, no Brasil, como já são na Europa. Foram 20 milhões de aparelhos vendidos, no Velho Mundo, somente no ano passado. No Brasil, em apenas seis meses, a E-Motion vendeu 50 mil aparelhos. O número é bom, segundo o executivo italiano, pelo pouco tempo em que a empresa opera no país. Mas ainda é pequeno diante da frota de 30 milhões de veículos brasileiros. A expectativa da empresa é, em três anos, o mercado atingir a marca de 1 milhão de aparelhos vendidos, por ano. — O brasileiro adota tecnologias novas mais rapidamente do que o europeu, por isso, é um mercado tão promissor. A respeito dos navegadores, se discute a questão do poder de compra do brasileiro. Um aparelho custa entre 1 mil e 2 mil reais. Ao mesmo tempo, o carro mais barato custa entre 25 mil e 30 mil reais, o que significa cerca de 10 mil euros. Na Itália, um carro popular sai por 8 mil euros — compara Quartara. Vir para o Brasil significou para a E-Motion um investimento de cinco milhões de euros. Para obter essa quantia, a empresa abriu seu capital e vendeu 50% das suas ações para o Synergo, um fundo italiano de investimento. O restante das ações continua nas mãos do presidente da empresa, Felippo Bellotti e seu sócio Wladimiro Mazzotti. No Brasil, Quartara se tornou um dos sócios do negócio. — O mercado brasileiro é fantástico, mas a burocracia é demais. Muito mais do que na Itália, principalmente para quem trabalha com importação. A questão fiscal é muito complexa. Levamos quase seis meses para conseguir começar a operar. A burocracia atrasou nossa atividade em três meses. Isso é algo difícil para explicar para investidores estrangeiros — afirma Quartara. Fotos: Divulgação negócios Maio 2008 / ComunitàItaliana 17 capa Il Cavaliere, parte 3 Valquíria Rey Correspondente • Roma Por duas vezes primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi foi eleito pela terceira vez para o cargo. O resultado da última eleição do país surpreendeu a todos, não pela volta ao centro do poder político do terceiro homem mais rico e polêmico do país. Mas pela derrota acachapante da esquerda. Pela primeira vez, socialistas, comunistas e verdes ficarão de fora do Parlamento. A vitória de Berlusconi lançou novas luzes para a xenófoba Liga Norte, de Umberto Bossi, que promete ser a verdadeira sombra de Berlusconi no poder. Em Roma, o novo prefeito é Gianni Alemanno, também do PDL. Para ocupar as 18 vagas reservadas para os votos do exterior, dez parlamentares se reelegeram. Na América do Sul, os eleitos para o senado foram Esteban Juan Caselli (PDL) e Mirella Giai (Maie). Os deputados eleitos foram Ricardo Merlo (Maie), Fabio Porta (PD) e Giuseppe Angeli (PDL). Porta é o único radicado no Brasil. Os outros são todos da Argentina. Esse “placar” de 4 X 1 foi o mesmo obtido, entre os dois países, em 2006. C om implantes capilares e operações estéticas sob medida, aparentemente Silvio Berlusconi, de 71 anos, não mudou muito desde a sua primeira campanha eleitoral em 1994. No entanto, depois de ser eleito para governar a Itália pela terceira vez em 14 anos, ele disse não ser o mesmo homem de 2001, quando assumiu o segundo mandato como primeiro-ministro (2001-2006). Agora, disse estar diferente porque, “conhece a máquina do Estado”. 18 C on i capelli impiantati e operazioni estetiche fatte su misura, Silvio Berlusconi, 71 anni, apparentemente non è cambiato molto dalla sua prima campagna elettorale del 1994. Comunque, dopo essere stato eletto per governare l’Italia per la terza volta in 14 anni, dice di non essere lo stesso uomo del 2001, quando assunse il secondo mandato come primo ministro (2001-2006). Ora dice di essere diverso perché “conosce la macchina dello Stato”. ComunitàItaliana / Maio 2008 Fotos: Ansa Due volte primo ministro in Italia, Silvio Berlusconi è stato eletto per la terza volta per quest’incarico. Il risultato delle ultime elezioni italiane ha sorpreso tutti, non per il ritorno al centro del potere politico del terzo uomo più ricco e polemico d’Italia, ma per l’indiscutibile sconfitta della sinistra. Per la prima volta, socialisti, comunisti e verdi rimarrano fuori dal Parlamento. La vittoria di Berlusconi ha messo in luce la xenofoba Lega Nord, di Umberto Bossi, che promette di essere una vera e propria ombra di Berlusconi al potere. A Roma, il nuovo sindaco è Gianni Alemanno, anche lui del PDL. Per occupare i 18 incarichi destinati agli eletti con i voti all’estero, sono stati rieletti dieci parlamentari. In Sudamerica, gli eletti per il senato sono Juan Esteban Caselli (PDL) e Mirella Giai (Maie). I deputati eletti sono Ricardo Merlo (Maie), Fabio Porta (PD) e Giuseppe Angeli (PDL). Porta è l’unico a vivere in Brasile. Gli altri sono tutti in Argentina. Questo risultato tra i due paesi di 4 X 1 è stato lo stesso avutosi nel 2006. Na avaliação de Franco Pavoncello, professor de Ciências Políticas da John Cabot University, em Roma, o líder do Partido do Povo da Liberdade (PDL) está mais seguro e maduro. Dessa vez, as promessas de campanha podem ser cumpridas, diferente do que ocorreu em 94, quando ele prometeu criar um milhão de novos postos de trabalho e, em 2001, quando sua bandeira foi “menos impostos para todos”. — Será um governo com muito mais capacidade de fazer. Muito mais efetivo — avalia Pavoncello. — Ele aprendeu a lição do início do governo de 2001, quando não teve coragem de fazer coisas importantes como diminuir a despesa pública, liberalizar o mercado do trabalho, aumentar a competitividade e tornar o país mais atraente para o mercado externo. Em suas primeiras declarações após a vitória, Berlusconi anunciou que realizará uma reforma institucional que dará mais poderes ao primeiro-ministro, ou seja, a ele mesmo. Prometeu organizar o país com uma só Câmara legislativa e reduzir o número de parlamentares e conselheiros. Mas a maior expectativa era saber se rezaria, de fato, na cartilha da Liga Norte, que lhe deu não só a vitória como uma rara maioria no Parlamento. Parece que sim. Berlusconi já declarou que pretende reformar a economia para criar um federalismo fiscal no país e fechar as fronteiras para os imigrantes ilegais ou, como chamou, “exército do mal” – as duas grandes bandeiras do grupo liderado por Umberto Bossi. — Nós precisamos de mais polícia local, constituindo um ‘exército do bem’ nas praças e nas ruas para estar entre a população italiana e o ‘exército do mal’ — prega Berlusconi em sua primeira entrevista depois de eleito. Em seu último período no governo (2001-2006), Berlusconi, que gosta de dizer que é “amado por todos”, pouco fez em termos de reformas econômicas e o país viveu um período de índice zero de crescimento. Cifras altas Berlusconi é conhecido como Il Cavaliere, depois de ser nomeado em 1977 Cavaliere del Lavoro (Cavaleiro do Trabalho). Esse título Berlusconi in uno dei suoi molti discorsi rato che vuole riformare l’economia per creare un federalismo fiscale in Italia e chiudere le frontiere agli immigranti illegali o, come li ha chiamati, lo “esercito del male” – le due grandi bandiere del gruppo guidato da Umberto Bossi. — Abbiamo bisogno di più polizia locale che costituisca un “esercito del bene” nelle piazze e nelle vie per stare tra la popolazione italiana e lo “esercito del male” — ha dichiarato Berlusconi nella sua prima intervista dopo essere stato eletto. Nel suo ultimo periodo al governo (2001-2006) Berlusconi, a cui piace dire che “è amato da tutti”, ha fatto poco in termini di riforme economiche e il paese ha vissuto un periodo di indice zero di crescita. Secondo Franco Pavoncello, professore di Scienze Politiche della John Cabot University, a Roma, il leader del partito Popolo della Libertà è più sicuro e maturo. Stavolta, le promesse di campagna potranno essere realizzate, diversamente da ciò che avvenne nel ’94, quando promise di creare un milione di nuovi posti di lavoro e, nel 2001, quando la sua bandiera era stata “meno tasse per tutti”. — Sarà un governo con molta più capacità di fare. Molto più effettivo — valuta Pavoncello. — Berlusconi ha imparato la lezione dall’inizio del governo del 2001, quando non ha avuto il coraggio di fare cose importanti, come diminuire le spese pubbliche, liberalizzare il mercato del lavoro, aumentare la competitività e far diventare più attraente il paese per il mercato estero. Nelle sue prime dichiarazioni dopo la vittoria, Berlusconi ha annunciato che metterà in pratica una riforma istituzionale che darà più poteri al primo ministro, ossia a lui stesso. Ha promesso di organizzare il paese con una sola Camera legislativa e di ridurre il numero di parlamentari e consiglieri. Ma la maggior aspettativa riguardava se avrebbe veramente seguito le indicazioni della Lega Nord, che gli ha dato non solo la vittoria, ma anche una rara maggioranza in Parlamento. Sembra di sì. Berlusconi ha già dichia- Alte cifre Berlusconi è conosciuto come il Cavaliere, dopo essere stato nominato nel 1977 Cavaliere del Lavoro. Questo titolo è ostentato da centinaia di imprenditori italiani, ma per qualche motivo, lui lo ha monopolizzato. Figlio di un impiegato di banca di classe media, è il terzo uomo più ricco d’Italia. Secondo la rivista Forbes, la sua fortuna si aggira sui 9,4 miliardi di euro. Presidente del Milan, ha perso la posizione di uomo più ricco d’Italia l’anno scorso per Michele Ferrero, il “Signor Nutella”. Berlusconi è proprietario dei tre principali canali di TV d’Italia, di tre quotidiani nazionali, di un settimanale e della principale casa editrice italiana, la Mondadori. Il suo impero familiare, la Fininvest, valutata in quasi 12 miliardi di dollari, impiega 20mila lavoratori ed è presente in ampi settori dell’economia. Ex cantante di crociere turistiche, è già stato accusato più di dieci volte di attività criminali. Nel suo secondo mandato, ha passato la maggior parte del tempo ad accusare il potere giudiziario per evitare la prigione. Attualmente risponde a processo presso il Tribunale di Milano per frode fiscale e corruzione giudiziaria, a Napoli, per corruzione e, a Roma, per istigazione alla corruzione di alcuni senatori del centrosinistra perché passassero all’ala del centrodestra. Berlusconi em um de seus muitos discursos é ostentado por centenas de empresários italianos, mas, por algum motivo, ele o monopolizou. Filho de um banqueiro de classe média, é o terceiro homem mais rico da Itália. Segundo a revista Forbes sua fortuna é de 9,4 bilhões de euros. Presidente do Milan, ele perdeu a posição de homem mais rico do país, ano passado, para Michele Ferrero, “o Senhor Nutella”. Berlusconi é dono dos três principais canais de TV da Itália, três jornais diários nacionais, um semanário e da principal editora italiana, a Mondadori. Seu império familiar, o Fininvest, avaliado em quase 12 bilhões de dólares, emprega 20 mil trabalhadores e está presente em amplos setores da economia. Ex-cantor em cruzeiros turísticos, já foi acusado mais de dez vezes por atividades criminosas. Em seu segundo mandato, passou a maior parte do tempo atacando o Judiciário, para evitar sua prisão. Atualmente, responde a processo no Tribunal de Milão por fraude fiscal e corrupção judiciária, em Nápoles, por corrupção e, em Roma, por instigação à corrupção de alguns senadores da centro-esquerda para que passassem para a ala de centro-direita. Maio 2008 / ComunitàItaliana 19 capa Eminência parda Leader occulto Sem papas na língua, Bossi não teve a menor cerimônia para se indicar como ministro das Reformas, cargo que já ocupou em 2003. Também escalou Roberto Maroni para o ministério do Interior (mesmo cargo que ocupou em 1994), Luca Zaia para a Agricultura, Roberto Calderoli para viceprimeiro-ministro e Roberto Castelli para vice-ministro de Infraestruturas. Detalhe: ele definiu o time mal terminou a apuração dos votos e antes que o próprio Berlusconi lançasse qualquer nome para vir a integrar seu governo. O primeiro ministro vai apresentar seus indicados para o presidente Napolitano em maio. O presidente tem o poder de vetar nomes. Mas parece que Berlusconi não se importou. Ao contrário. Dias depois, ao ser interrogado na TV sobre quem seria o seu ministro das Relações Exteriores, Berlusconi pediu um segundo para consultar Bossi antes de dar o nome do indicado: Franco Frattini, atual comissário europeu de Justiça, Segurança e Liberdades. — Reformas, segurança e defesa da agricultura. Essas foram as razões pelas quais as pessoas votaram em nós — repete Bossi, a todo instante. E pensar que, antes da contagem dos votos, Berlusconi chegou a dizer que o imprevisível Bossi não faria parte do seu governo. Alegou problemas de saúde do líder de direita. Isso porque, antes das eleições, diante de uma denúncia de Berlusconi de que as cédulas eleitorais eram confusas, Bossi ameaçou “tomar os fuzis contra os ladrões romanos”. Até o Cavaliere achou demais. Fortalecido pela expressiva votação recebida pelo seu partido, a Liga Norte, Umberto Bossi tem nas mãos o novo governo de Berlusconi Rafforzato dalla grande votazione ricevuta dal suo partito, la Lega Nord, Umberto Bossi ha nelle mani il nuovo governo di Berlusconi Valquíria Rey Correspondente • Roma N 20 I n Italia nessuno dubita del fatto che, dopo Silvio Berlusconi, il grande vincitore delle ultime elezioni politiche è stato Umberto Bossi, 67 anni. Fino a poco tempo fa, si diceva che il leader della Lega Nord – gruppo xenofobo e separatista del nord – stava per abbandonare la politica dovuto ad un grave problema cardiaco, le cui conseguenze sono ancora oggi visibili e gli impediscono di parlare normalmente. Invece l’8 e oltre per cento dei voti che il suo partito ha conquistato alla Camera e al Senato sono stati fondamentali per la vittoria di Berlusconi. La Lega Nord ha raggiunto un risultato all’altezza del suo periodo dorato, negli anni ’90. Nel 2001, avevano ottenuto solo il 3,9% dei voti; nel 2006, il 4,6%. Irrobustiti dal processo elettorale dell’aprile scorso, Bossi e il suo partito hanno eletto 60 deputati e 25 senatori. Senza di loro, Berlusconi non avrebbe la maggioranza in nessuna delle due case che formano il Parlamento italiano. ComunitàItaliana / Maio 2008 Fotos: Ansa a Itália, ninguém tem dúvida que, depois de Silvio Berlusconi, o grande vencedor das últimas eleições políticas foi Umberto Bossi, de 67 anos. Até há pouco tempo, dizia-se que o líder da Liga Norte – grupo xenófobo e separatista do norte do país – estava em vias de abandonar a política em função de um grave problema cardíaco cujas conseqüências ainda hoje são visíveis e o impedem de falar normalmente. No entanto, os mais de 8% dos votos que seu partido conquistou na Câmara e no Senado foram fundamentais para a vitória de Berlusconi. A Liga Norte alcançou um resultado à altura de seu período de ouro, nos anos 90. Em 2001, foram apenas 3,9% dos votos; em 2006, 4,6%. Fortalecidos com o processo eleitoral do último abril, Bossi e seu partido elegeram 60 deputados e 25 senadores. Sem eles, Berlusconi não teria maioria em nenhuma das casas que formam o Parlamento italiano. — Berlusconi voltou ao poder, mas a duração de seu governo dependerá de Bossi. Ele será o semáforo dessa legislatura — prevê o jornalista Ugo Magri, do La Stampa. Voltando o filme É importante recordar que foi o líder da Liga Norte quem precipitou a queda do primeiro governo de Berlusconi, em 1994, ao abandonar a coligação que governou o país por pouco mais de sete meses. Como agora, naquela ocasião, Bossi sabia que os seus votos eram essenciais para a manutenção do Executivo e ele não hesitou em pressionar Berlusconi com todo o tipo de exigências. No último mês de 94, o primeiro-ministro já era investigado formalmente por corrupção e seu governo estava cada vez mais frágil. Bossi não vacilou e entendeu que era a hora certa para puxar che diceva che le schede elettorali erano confuse, Bossi aveva minacciato di “imbracciare i fucili contro i ladri romani”. Perfino il Cavaliere l’aveva considerato troppo. Roberto Maroni (à esquerda) indicado por Bossi Roberto Maroni (a sinistra) indicato da Bossi o tapete debaixo dos pés de Berlusconi com o anúncio de que um membro de seu partido deveria sucedê-lo na chefia do Executivo. O confronto entre os dois ‘aliados’ foi o último ato do governo. Walter Veltroni, ex-prefeito de Roma e candidato do PD derrotado nas últimas eleições, disse que Berlusconi vai ficar “refém” de Bossi. Padânia Bossi sonha com uma Itália reduzida apenas à Padânia – as regiões do norte do país: Piemonte, Lombardia, Vêneto e Emília Romagna – e livre dos “vagabundos” do sul e de Roma. Ele é conhecido por suas atitudes racistas e contrárias aos imigrantes que chegam à Itália. Os estrangeiros que vivem no país não esquecem que, há alguns anos, Bossi criou a Guarda Nacional da Padânia, formada por 300 “camisas-verdes”, encarregados do serviço de ordem e limpeza das cidades do norte. A sujeira, porém, eram os imigrantes, as prostitutas, os dependentes de drogas e os homossexuais. Há alguns anos, ele defendeu publicamente o uso de metralhadoras e até de um canhão contra os barcos de imigrantes africanos que costumam desembarcar com certa freqüência na ilha de Lampedusa, no sul da Itália. — Bossi é considerado um mito para os jovens que no último verão invadiram as festas do nosso partido — afirma Federico Bricolo, líder da Liga Norte na região do Vêneto. — Berlusconi è tornato al governo, ma la durata del mandato dipenderà da Bossi. Lui sarà il semaforo di questa legislatura — prevede il giornalista Ugo Magri, di La Stampa. Senza peli sulla lingua, Bossi non ci ha pensato due volte ad indicarsi per il ministero delle Riforme, incarico già occupato da lui nel 2003. Ha anche indicato Roberto Maroni per il ministero degli Interni (stesso incarico che occupava nel 1994), Luca Zaia per l’Agricoltura, Roberto Calderoli come vice primo ministro e Roberto Castelli come vice ministro delle Infrastrutture. Dettaglio: ha definito il team appena finito lo spoglio dei voti e prima che lo stesso Berlusconi lanciasse un qualsiasi nome per integrare il suo governo. Il primo ministro presenterà le sue indicazioni al presidente Napolitano in maggio. Il presidente ha il potere di porre il veto a questi nomi. Ma sembra che a Berlusconi non sia dispiaciuto. Al contrario. Giorni dopo, in un’intervista rilasciata in TV in cui parlava di chi sarebbe stato il suo ministro degli Affari Esteri, Berlusconi ha chiesto un secondo per consultare Bossi prima di dare il nome dell’indicato: Franco Frattini, attuale commissario europeo di Giustizia, Libertà e Sicurezza. — Riforme, sicurezza e difesa dell’agricoltura. Queste le ragioni per cui le persone ci hanno votato — ripete Bossi ad ogni istante. E pensare che, prima del conteggio dei voti, Berlusconi aveva persino detto che l’imprevisibile Bossi non avrebbe fatto parte del suo governo. Come scusa, i problemi di salute del leader di destra. Questo si è dovuto al fatto che, prima delle elezioni, di fronte ad una minaccia di denuncia di Berlusconi Maio 2008 / Riavvolgendo il rullo È importante ricordare che è stato il leader della Lega Nord ad aver fatto cadere il primo governo Berlusconi nel 1994, quando ha abbandonato l’alleanza che governava il paese da poco più di sette mesi. Come adesso, allora Bossi sapeva che i suoi voti erano essenziali alla manutenzione dell’Esecutivo e non esitò a fare pressione su Berlusconi facendogli varie esigenze. Nell’ultimo mese del ’94, il primo ministro era già indagato formalmente per corruzione e il suo governo era sempre più fragile. Bossi non ha tentennato ed ha capito che era il momento giusto per fare le scarpe a Berlusconi annunciando che un membro del suo partito avrebbe dovuto succedergli a capo dell’Esecutivo. Il confronto tra i due ‘alleati’ fu l’ultimo atto del governo. Walter Veltroni, ex sindaco di Roma e candidato del PD sconfitto nelle ultime elezioni, ha detto che Berlusconi sarà un “ostaggio” di Bossi. Padania Bossi sogna un’Italia ridotta appena alla Padania – le regioni del nord del paese: Piemonte, Lombardia, Veneto e Emilia Romagna – e libera dai “vagabondi” del sud e di Roma. Bossi è conosciuto dovuto ai suoi atteggiamenti razzisti e contrari agli immigranti che arrivano in Italia. Gli stranieri che ci vivono non si dimenticano che, qualche anno fa, Bossi creò la Guardia Nazionale della Padania, formata da 300 “camicie verdi”, incaricate del servizio di ordine e pulizia delle città del nord. La sporcizia erano, però, gli immigranti, le prostitute, i tossicodipendenti e gli omosessuali. Qualche anno fa, ha difeso pubblicamente l’uso di mitragliatrici e perfino di un cannone contro le barche di immigranti africani che di solito sbarcano sull’isola di Lampedusa, al sud dell’Italia. — Bossi è considerato un mito dai giovani che l’estate scorsa hanno invaso le feste del nostro partito — Federico Bricolo, leader della Lega Nord del Veneto. ComunitàItaliana 21 capa Veltroni Veltroni na cruz sulla croce A palavra ‘esquerda’ desapareceu do Congresso italiano. Na nova legislatura, nenhum senador esquerdista estará no Palácio Madama, nem mesmo um deputado em Montecitorio. A esmagadora vitória da centro-direita e a decisão dos italianos em referendar o bipolarismo de Walter Veltroni (PD) e Silvio Berlusconi (PDL) afastou do Parlamento comunistas, socialistas, feministas, verdes e defensores de direitos humanos. — O assassino da esquerda tem nome e sobrenome: Walter Veltroni 22 — diz Oliviero Diliberto, líder do Partido dos Comunistas Italianos. — Ele destruiu a esquerda e entregou o país ao nosso inimigo. Diliberto reconhece que a esquerda errou na maneira em que fez a campanha eleitoral, competindo separadamente. Além disso, o tradicional jornal dos comunistas, Il Manifesto, fez campanha pela abstenção e 3% do eleitorado da esquerda não votou. Outros 2% votaram no PD e 1,5% na Liga Norte, por serem contra os imigrantes. A conseqüência: 3,8 milhões de votos em 2006 e apenas 1,2 milhão em abril último. Enrico Boselli, líder dos socialistas que concorreu como candidato a premiê pelo PS, também é da opinião que o ex-prefeito de Roma tem culpa no afastamento da esquerda do Congresso. Já o ex-presidente da Câmara dos Deputados, líder do Partido da Refundação Comunista e candidato pela coligação Esquerda Arco-Íris, Fausto Bertinotti, diz que Veltroni e o PD não são os únicos culpados. — Fomos traídos pelos trabalhadores que, por sua vez, foram traídos pelo governo Prodi — lamenta Bertinotti que se demitiu ComunitàItaliana / Maio 2008 Sinistra indica l’ex sindaco di Roma come responsabile della maggior sconfitta già subita in elezioni dalla II Guerra Mondiale L a parola ‘sinistra’ è sparita dal Congresso italiano. Nella nuova legislatura, nessun senatore di sinistra sarà a Palazzo Madama, e neanche un deputato a Montecitorio. La schiacciante vittoria del centrodestra e la decisione degli italiani di approvare il bipolarismo di Walter Veltroni (PD) e Silvio Berlusconi (PDL), ha allontanato dal Parlamento comunisti, socialisti, femministe, verdi e difensori dei diritti umani. — L’assassino della sinistra ha nome e cognome: Walter Veltroni — dice Oliviero Diliberto, leader dei Comunisti Italiani. — Valquíria Rey Correspondente • Roma Fotos: Ansa Esquerda aponta o ex-prefeito de Roma como responsável pela maior derrota já sofrida em eleições, desde a II Guerra Mundial da liderança da Esquerda Arco-Íris para atuar “apenas como mais um militante” daqui para frente. Já Livia Turco, ministra da Saúde no governo de Prodi, culpa os próprios comunistas pelo resultado obtido. Segundo ela, “não se pode estar no governo e fazer oposição ao mesmo tempo”. Veltroni não aceita ser crucificado porque não se considera culpado pela derrota da esquerda: — A esquerda que ficou fora do Parlamento fará falta à democracia italiana. Mas eu não sou o culpado. Pelo contrário, foram eles (os outros partidos de esquerda) que acabaram criando problemas para nós. Na opinião do jornalista Filippo Facci, do Il Giornale, três razões justificam o vertiginoso fracasso da esquerda: o bipolarismo entre Veltroni e Berlusconi, a abstenção e o racismo. — Há três legislaturas, os operários do Norte, que tradicionalmente eram ligados à esquerda, começaram a votar na Liga Norte. Nas últimas eleições, até mesmo aqueles mais ligados com a extrema esquerda votaram no partido de Umberto Bossi — comenta. Resta agora aos quatro partidos da Esquerda Arco-Íris (Refundação Comunista, Verdes, Comunistas Italianos e Esquerda Democrática) decidirem se continuam unidos ou se procuram reforçar seus partidos de origem, cada um no seu canto. Afinal, é preciso se preparar para as eleições administrativas e as européias de 2009. Oliviero Diliberto já anunciou que seu partido fará um “retorno aos velhos tempos”, com direito à retomada da imagem da foice e do martelo, tradicional símbolo comunista. Na avaliação dele, a Arco-Íris “já faz parte do passado”. Veltroni rejeita culpa por derrota Veltroni ripudia colpa per sconfitta O Partido da Refundação Comunista marcou para julho a realização de um congresso extraordinário. Muita roupa suja deve ser lavada durante o evento. Gabriele Polo, editor do Il Manifesto, é da opinião que a esquerda precisa se reagrupar num “movimento anti-capitalista, não necessariamente em torno de um partido”: — Nós precisamos criar um laço político, construir um processo confiável, baseado em quatro valores: trabalho, direitos humanos, paz e meio-ambiente. Ha distrutto la sinistra e consegnato il paese al nostro nemico. Diliberto riconosce anche che la sinistra ha sbagliato il modo in cui ha condotto la campagna elettorale, correndo in separato. Inoltre, il tradizionale giornale dei comunisti, Il Manifesto, ha fatto campagna per l’astensione e il 3% dell’elettorato di sinistra non ha votato. Altri 2% hanno votato PD e l’1,5% ha aderito alle proposte della Lega Nord perché sono contro gli immigranti. La conseguenza: 3,8 milioni di voti nel 2006 e soltanto 1,2 milioni nell’aprile scorso. Anche Enrico Boselli, leader dei socialisti che si era candidato a premier per il PS, pensa che l’ex sindaco di Roma sia colpevole dell’allontanamento della sinistra dal Congresso. Invece l’ex presidente della Camera dei Deputati, leader di Rifondazione Comunista e candidato con la coalizione Sinistra Arcobaleno, Fausto Bertinotti, dice che Veltroni e il PD non sono gli unici colpevoli. — Siamo stati traditi dai lavoratori che, a sua volta, sono stati traditi dal governo Prodi — si dispiace Bertinotti, che si è dimesso dalla leadership della Sinistra Arcobaleno per lavorare, d’ora in avanti, come “semplice militante” . Deputado negro J ean Leonard Touadi, um congolês de 49 anos eleito na circunscrição do Lazio 1, se tornou o primeiro deputado negro da história italiana. Touadi, ex-assessor de Política e Juventude da Comune de Roma, foi eleito deputado pelo IDV, partido do ex-procurador anticorrupção Antonio Di Pietro. O novo parlamentar vive na Itália desde 1979, é professor universitário, jornalista e trabalha na TV. Sobre sua eleição, declarou: — Estou honrado de poder assumir este compromisso pelo país no qual passei a maior parte de minha vida, onde nasceram e estão crescendo meus filhos. Deputato nero J ean Leonard Touadi, un congolese eletto nel collegio Lazio 1, è diventato il primo deputato nero della storia italiana. Touadi, ex assessore alla Sicurezza e alle Politiche giovanili del Comune di Roma, è stato eletto deputato per l’IdV, partito dell’ex procuratore anticorruzione Antonio Di Pietro. Il nuovo parlamentare vive in Italia dal 1979, è professore universitario, giornalista e lavora in TV. Parlando della sua elezione ha detto: — È un onore poter assumere questo impegno per il paese nel quale ho passato la maggior parte della mia vita, dove sono nati e stanno crescendo i miei figli. Maio 2008 / Invece Livia Turco, ministro della Sanità del governo Prodi, colpevolizza proprio i comunisti dei risultati ottenuti. Secondo lei, “non si può stare al governo e fare opposizione allo stesso tempo”. Veltroni non accetta di essere crocifisso perché non si considera colpevole della sconfitta della sinistra: — La sinistra rimasta al di fuori del Parlamento mancherà alla democrazia italiana. Ma non ne sono io il colpevole. Al contrario, sono stati loro [gli altri partiti di sinistra] che alla fine ci hanno creato problemi. Secondo il giornalista Filippo Facci, di Il Giornale, tre motivi giustificano il vertiginoso fracasso della sinistra: il bipolarismo tra Veltroni e Berlusconi, le astensioni e il razzismo. — Tre legislature fa, gli operai del Nord, che per tradizione erano legati alla sinistra, cominciarono a votare Lega Nord. Nelle ultime elezioni, perfino quelli più vicini all’estrema sinistra hanno votato il partito di Umberto Bossi — commenta. Resta ora ai quattro partiti della Sinistra Arcobaleno (Rifondazione Comunista, Verdi, Comunisti Italiani e Sinistra Democratica) di decidere se continuano uniti o se cercano di rafforzare i loro partiti di origine, ognuno nel suo angoletto. Anche perché bisogna prepararsi per le elezioni amministrative e per le europee del 2009. Oliviero Diliberto ha già annunciato che il suo partito farà un “ritorno ai vecchi tempi”, con diritto anche al ripristino dell’immagine di falce e martello, tradizionale simbolo comunista. Secondo lui, l’Arcobaleno “fa già parte del passato”. Rifondazione Comunista ha fissato per luglio la realizzazione di un congresso straordinario. Durante l’evento saranno messe in ballo molte questioni. Gabriele Polo, editore di Il Manifesto, pensa che la sinistra abbia bisogno di riaggrupparsi in un “movimento anticapitalista, non necessariamente intorno ad un partito: — Abbiamo bisogno di creare un legame politico, di costruire un processo di fiducia, basato su quattro valori: lavoro, diritti umani, pace e ambiente. ComunitàItaliana 23 capa Goleada argentina Nel Parlamento italiano, ci saranno quattro argentini e un brasiliano come difensori degli interessi degli oriundi sudamericani. L’ex senatore Edoardo Pollastri colpevolizza il suo partito della sconfitta alle urne No parlamento italiano, haverá quatro argentinos e um brasileiro no papel de defensores dos interesses dos oriundi sul-americanos. O ex-senador Edoardo Pollastri culpa o próprio partido por sua derrota nas urnas O tango voltou a soar mais forte que o samba nas últimas eleições. Como em 2006, a Argentina obteve maioria dos acentos destinados à América Meridional, no Parlamento italiano. Não por acaso, a Argentina tem mais cidadãos aptos a votar do que o Brasil – por aqui, 500 mil ainda estão na fila da cidadania. Também não por acaso, na Argentina, o clima eleitoral foi muito mais vibrante e disputado do que no Brasil, com direito até a propaganda de políticos em busdoor e outdoors espalhados pela capital. I l tango ha ricominciato a suonare più alto del samba nelle ultime elezioni. Come nel 2006, l’Argentina ha ottenuto la maggioranza delle poltrone destinate all’America Meridionale nel Parlamento italiano. Non a caso, l’Argentina ha più cittadini che possono votare Sônia Apolinário del Brasile – qui da noi sono in 500mila ancora nella coda della cittadinanza. Ancora non a caso, in Argentina il clima elettorale è stato molto più vibrante e disputato che in Brasile, con diritto perfino a campagna politica con pubblicità su autobus e su cartelloni sparsi per la capitale. Giuseppe Angeli e Mirella Giai 24 ComunitàItaliana / Maio 2008 Ricardo Merlo O ítalo-argentino Ricardo Antonio Merlo se reelegeu deputado pelo MAIE - Movimento Associativo dos Italianos no Exterior - com o maior número de votos dentre todos os candidatos do exterior. Aos 45 anos, obteve 50.999 votos, um aumento significativo em comparação à eleição anterior, de 2006, quando foi escolhido por cerca de 43 mil eleitores. Nascido em Buenos Aires, é sociólogo de formação, especializado em Direito e Economia Política da Comunidade Européia na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Pádua. Horas após conhecer o resultado que lhe assegurou um novo mandato no Parlamento italiano, o deputado afirmou à Comunità estar satisfeito com o “nascimento de um movimento latino-americano entre as novas gerações”. Ricardo Merlo agradeceu o apoio recebido dos companheiros do Brasil, Uruguai e Argentina, que concorreram pelo próprio MAIE, entre eles a senadora eleita e também ítalo-argentina Mirella Giai (22.254 votos). Segundo ele, o partido tem à frente “um trabalho de construção para reunir as forças latino-americanas de origem italiana”. Merlo informou que a prioridade do seu segundo mandato será a reforma da rede consular na América do Sul, “principalmente no Brasil, Argentina e Uruguai”. Nos planos do parlamentar está ainda a distribuição do assegno di solidarietà, espécie de pensão mensal de assistência aos italianos com mais de 65 anos em situação desfavorável no exterior, incluindo aqueles que não tenham contribuído com a Previdência. De acordo com ele, seria “a vigência no exterior dos mesmos benefícios a que têm direito os italianos que vivem na Itália”. Ele disse que também pretende promover a língua e a cultura italiana. O deputado reeleito pretende manter uma “boa relação com todos os países” e que sua posição, no Parlamento, será de independência em relação ao governo. (TB) Ricardo Merlo L’ italo-argentino Ricardo Antonio Merlo si è rieletto deputato con il MAIE – Movimento Associativo dos Italianos no Exterior – con il maggior numero di voti tra tutti i candidati dell’America Meridionale. A 45 anni, ha ottenuto 50.999 voti, un significativo aumento in confronto all’anteriore elezione, nel 2006, quando è stato scelto da circa 43mila elettori. Nato a Buenos Aires, è laureato in Sociologia, specializzato in Diritto e Economia Politica della Comunità Europea presso la Facoltà di Scienze Politiche dell’Università di Padova. Poche ore dopo aver saputo il risultato che gli ha assicurato il nuovo mandato al Parlamento italiano, il deputato ha detto a Comunità di essere soddisfatto per la “nascita di un movimento latino-americano tra le nuove generazioni”. Ricardo Merlo ha ringraziato l’appoggio ricevuto dai colleghi in Brasile, Uruguay e Argentina, anche loro candidati nel MAIE, tra cui la senatrice eletta e anche lei italoargentina Mirella Giai (con 22.254 voti). Secondo lui, il partito ha davanti a sé un “lavoro di construzione per riunire le forze latinoamericane di origini italiane”. Merlo ha detto che la priorità del suo secondo mandato sarà la riforma della rete consolare in Sudamerica, “specialmente in Brasile, Argentina e Uruguay”. Nei piani del parlamentare c’è inoltre la distribuzione dell’assegno di solidarietà, una specie di pensione mensile di assistenza agli italiani di più di 65 anni in situazione sfavorevole all’estero, tra cui coloro che non hanno contribuito alla Previdenza. Secondo lui, sarebbe “l’effettivazione all’estero degli stessi benefici di cui godono il diritto gli italiani che vivono in Italia”. Ha detto che vuole anche promuovere la lingua e la cultura italiana. Il deputato rieletto vuole mantenere un “buon rapporto con tutti i paesi” e che la sua posizione, in Parlamento, sarà di indipendenza in confronto al governo. (TB) Maio 2008 / Divulgação Goleada argentina Nos dois países, houve um aumento no número de votantes, em relação a 2006. Na Argentina, votaram 273 mil pessoas, 63% a mais do que na eleição anterior. No Brasil, votaram 90 mil neste ano diante dos 75 mil de dois anos atrás. Esse aumento, porém, seguiu na contramão dos números relacionados com as eleições no exterior. Segundo dados do ministério de Relações Exteriores, houve uma pequena queda de 0,6% no total de votantes. Isso significa que dos 2.924.202 italianos com direito a voto, somente 1.204.720 foram às urnas. Foram eleitos para o Senado Esteban Juan Caselli (PDL) e Mirella Giai (MAIE). Para a Câmara foram reeleitos Ricardo Merlo (MAIE) e Giuseppe Angeli (PDL). A última vaga de deputado ficou para Fábio Porta (PD), o representante do Brasil. Tanto lá como cá, partidos tradicionais dos dois países se envolveram na campanha dos italianos no exterior. No Brasil, PT e PPS militaram em prol do Partido Democrático encabeçado por Walter Veltroni. O então único representante do Brasil no Parlamento italiano, o ex-senador Edoardo Pollastri responsabilizou justamente o PD, seu partido, pela sua derrota. Em carta divulgada pela internet, afirma que “os conchavos políticos entre alguns partidos e a postura inadequada de muitos candidatos influenciaram fortemente os resultados finais”. Também na carta, Pollastri, reeleito como presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de São Paulo, chama a atenção para o que chama de “um fator agravante”: “Muitos candidatos ao Senado residentes no Brasil, mesmo não tendo a possibilidade de serem eleitos como demonstrado nos resultados, apoiaram listas de candidatos argentinos, prejudicando seriamente a possibilidade de haver um representante do Brasil no Parlamento Italiano. Com que finalidade?”. Ricardo Merlo Nei due paesi, c’è stato un aumento del numero di votanti in confronto al 2006. In Argentina, hanno votato 273mila persone, il 63% in più dell’elezione anteriore. In Brasile, quest’anno hanno votato 90mila in confronto ai 75mila di due anni fa. Ma questo aumento non corrisponde ai numeri relativi alle elezioni all’estero. Secondo dati del Ministero degli Esteri, c’è stata una piccola riduzione dello 0,6% nel totale di votanti. Ciò significa che dei 2.924.202 italiani con diritto a voto, solo 1.204.720 si sono recati alle urne. Sono stati eletti per il Senato Esteban Juan Caselli (PDL) e Mirella Giai (MAIE). Per la Camera sono stati rieletti Ricardo Merlo (MAIE) e Giuseppe Agneli (PDL). E l’ultimo posto come deputato è andato a Fabio Porta (PD), il rappresentante brasiliano. Sia qui che là, partiti tradizionali dei due paesi hanno partecipato alla campagna degli italiani all’estero. In Brasile, PT e PPS hanno militato a favore del Partito Democratico guidato da Walter Veltroni. Fino a ieri unico rappresentante del Brasile al Parlamento italiano, l’ex senatore Edoardo Pollastri, ha colpevolizzato proprio il PD, il suo partito, per la sua sconfitta. In lettera pubblicata in internet, afferma che “gli inciuci politici tra alcuni partiti e l’atteggiamento inadeguato di molti candidati hanno fortemente influenzato i risultati finali”. Sempre nella lettera, Pollastri, rieletto come presidente della Câmara ÍtaloBrasileira de Comércio e Indú- ComunitàItaliana 25 capa Cuidado com a xenofobia Na avaliação do cientista social Rudá Ricci, o principal desafio para os novos deputados e senadores italianos eleitos pela América Latina será o combate à xenofobia. Para ele, o peso desses políticos, no Parlamento italiano, “já era minúsculo e, agora, será ainda mais”. — As eleições de latinos para o parlamento italiano são sempre positivas e inovadoras. Mas o resultado foi desalentador. Foram muitos candidatos pela esquerda ou centro-esquerda. No Brasil, elegemos apenas um deputado e perdemos o senador que tínhamos. A campanha do deputado eleito deixou algumas marcas negativas em várias regiões do país, como no relacionamento com a Unione de Minas Gerais. Enfim, uma campanha que me pareceu desastrosa, despolitizada, excessivamente personalizada. E, como sabemos, este não é o habitat das forças de esquerda e centro-esquerda. De alguma maneira, as eleições no continente acompanharam as eleições na própria Itália — avalia Ricci. Segundo ele, na comparação com a América Latina, as eleições italianas “parecem estar na contramão”: — Com a vitória de Fernando Lugo, no Paraguai, a situação parece ainda mais estranha. Um mega empresário de tendências xenófobas é algo realmente que parece girar a roda da história para trás. E se a Liga Norte conseguir seu pleito, a agressividade e fragmentação do país por regiões (como o caso do aprofundamento da política fiscal descentralizada) serão a tônica do novo governo. 26 Um país com aumento de desigualdade, apatia dos cidadãos e crise de auto-estima nacional é um prato cheio para lideranças carismáticas de todos os tipos. Ricci está certo de que o que aconteceu na Itália foi a “eleição da reação, da confusão e descaso”. — Reação ao aumento da desigualdade social e à confusão ocorrida no Senado, que desestabilizou por muito tempo o gabinete Prodi. Confusão porque todas análises pós-eleitorais revelam que o os programas político-partidários estão muito parecidos. Em marketing político, Centro e Nord America Camera Gino Bucchino (Pd) Amato Berardi (Pdl) Senato Basilio Giordano (Pdl) a diferenciação de candidatos é fundamental e chama-se posicionamento. Como os dois principais candidatos tentaram acolher o espectro ideológico denominado centro, as diferenças programáticas se dissiparam. O descaso teve a ver com certa arrogância do candidato do PD, incluindo a maneira como ocorreram as eleições no Brasil e América do Sul, com Sud America Camera Ricardo Merlo (Maie) Fabio Porta (Pd) Giuseppe Angeli (Pdl) Senato Esteban Juan Caselli (Pdl) Mirella Giai (Maie) alijamento de muitos apoios e indicações de candidatos sem grande participação dos próprios militantes do PD, como é o caso de Minas Gerais. O aumento da desigualdade social na Itália (disputando a liderança com Portugal) fez com que a Liga Norte aumentasse seu poder — analisa. ComunitàItaliana (colaborou Paula Máiran) / Maio 2008 stria di São Paulo, fa notare ciò che definisce “un fattore aggravante”: “Molti candidati al Senato residenti in Brasile, anche non avendo possibilità di essere eletti com’è stato dimostrato dai risultati, hanno appoggiato liste di candidati argentini, compromettendo seriamente la possibilità di avere un rappresentante brasiliano al Parlamento italiano. A che scopo?” La nuova senatrice, Mirella Giai, avrebbe già potuto essere al senato italiano nel 2006. Ha perso il posto proprio per Pollastri, nel ricontaggio dei voti, che ha dato la vittoria al brasiliano per una differenza di 70 voti. Ora, ha ottenuto 10mila voti più di Pollastri. Tra le sconfitte, ha sorpreso quella dell’ex senatore e imprenditore italo-argentino Luigi Pallaro, che nel 2006 ebbe un’espressiva votazione, quanto quella di Ricardo Merlo. Anche essendoci stata una frattura politica fra i due, ciò non ha attinto il disimpegno di Merlo, che nella sua lista ha eletto anche Mirella. Attenzione alla xenofobia Da una valutazione dello scienziato sociale Rudá Ricci, la sfida principale per i nuovi deputati e senatori italiani eletti dall’America Latina sarà la lotta alla xenofobia. Secondo lui, il peso di questi politici, al Parlamento italiano, “già era minuscolo e, ora, lo sarà ancor di più”. — Le elezioni di latini al parlamento italiano sono sempre positive e innovatrici. Ma il risultato è stato scoraggiante. Erano molti candidati di sinistra o centrosinistra. In Brasile, abbiamo eletto solo un deputato e abbiamo perso il senatore che avevamo. La campagna del deputato eletto ha lasciato dei segni negativi in varie regioni del paese, come nel rapporto con l’Unione di Minas Gerais. Insomma, una campagna che mi è parsa disastrosa, spoliticizzata, eccessivamente personalizzata. E, come sappiamo, questo non è l’habitat delle forze di sinistra e centrosinistra. In qualche modo, le elezioni nel continente hanno accompagnato le elezioni nella stessa Italia — valuta Ricci. Secondo lui, in confronto all’America Latina, le elezioni italiane “sembra che vadano controcorrente”: Europa Camera Laura Garavini (Pd) Franco Narducci (Pd) Gianni, Farina (Pd) Aldo Di Biagio (Pdl) Guglielmo Picchi (Pdl) Antonio Razzi (Idv) Senato Claudio Micheloni (Pd) Nicola Paolo Di Girolamo (Pdl) Resultado eleitoral UDC + Rosa 5,67% PD + IDV 37,86% SA 3,11% PDL + Lega + MPA 47,2% Última atualização: 15/04/2008 — Seções eleitorais: 61062 a 61062 Esteban Juan Caselli A os 65 anos de idade, o ítalo-argentino Esteban Juan Caselli conquista, pela primeira vez, um lugar no senado italiano. Representando o Il Popolo della Libertà, pela repartição da América Meridional, o político recebeu 48.128 votos, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Interior da Itália. Descendente das regiões de Piemonte e Molise, Caselli, conhecido como “Cacho” na Argentina, nasceu em Buenos Aires, onde mora atualmente. Ao longo de sua vida, acumulou diversos cargos públicos e em 1999, durante o governo de Carlos Menem, foi nomeado Embaixador da República Argentina na Santa Sé, Vaticano, contrariando a opinião da Igreja Católica de seu país. O mais novo senador é acusado, na Argentina, de ser uma das principais figuras da máfia portenha, vinculada ao empresário Alfredo Yabrán. Segundo a agência de notícias italiana Ansa, seu principal acusador é o ex-ministro da Economia du- rante o governo Menem, Domingo Cavallo. Em uma reportagem da revista brasileira Veja, feita em 1997, por conta da eleição de Menem, Cavallo afirma que o secretário da Presidência, Alberto Kohan, se envolveu na venda ilegal de armas em troca de comissões. Caselli entra na história como suposto parceiro de Kohan. Segundo a revista, ele teria servido de intermediário na doação de 4 milhões de dólares à campanha de Menem, feita por Yabrán, a quem Cavallo acusa de chefão das “máfias do governo”. As denúncias não param por aí. Ainda segundo a Ansa, novas acusações, desta vez, feitas por Luigi Pallaro, eleito representante da América do Sul para o Senado italiano, em 2006, apontam para uma suposta fraude dos votos na Argentina. — Fui informado que em uma mesa (eleitoral) foram contados 960 votos para Caselli, todos com a mesma caligrafia — disse Pallaro à Ansa, antes da divulgação do resultado oficial das eleições. Divulgação A nova senadora, Mirella Giai, já poderia ter estreado no senado italiano, em 2006. Perdeu a vaga justamente para Pollastri, em uma recontagem de votos, que deu a vitória ao brasileiro por uma diferença de 70 votos. Agora, ela obteve cerca de 6 mil votos a mais que Pollastri. Entre as derrotas, surpreendeu a do ex-senador e empresário ítalo-argentino Luigi Pallaro, que em 2006 teve votação tão expressiva quanto a de Ricardo Merlo. Houve o rompimento político entre os dois, mas isso em nada afetou o desempenho de Merlo, que sob sua legenda ainda elegeu Mirella. Esteban Juan Caselli Segundo a agência de notícias News Italia Press, Caselli afirma que o próprio Berlusconi o teria indicado para se candidatar pelo PDL. O senador prometeu aos eleitores, durante a sua campanha, melhorar as relações entre a Itália e os países da América do Sul onde os italianos vivem. Entre as propostas de campanha está o desenvolvimento de fundos específicos destinados a promoção e ao ensino da língua italiana, criação de bolsas de estudo e investimentos na educação. A valorização e o suporte de ensino dos idiomas espanhol e português na Itália também constam em suas promessas. (NG) Esteban Juan Caselli A 65 anni, l’italo-argentino Esteban Juan Caselli conquista per la prima volta un posto al Senato italiano. Rappresentando il Popolo della Libertà, per la regione America Meridionale, il politico ha ottenuto 48.128 voti, secondo informazioni rese note dal Ministero degli Interni italiano. Discendente delle regioni Piemonte e Molise, Caselli, conosciuto come “Cacho” in Argentina, è nato a Buenos Aires, dove ancora abita. Durante la sua vita, ha accumulato vari incarichi pubblici e, nel 1999, durante il governo di Carlos Menem, è stato nominato Ambasciatore della Repubblica Argentina presso la Santa Sede, in Vaticano, contrariando l’opinione pubblica della Chiesa cattolica del suo paese. Il più recente senatore è accusato, in Argentina, di essere una delle principali pedine della mafia di là, legata all’imprenditore Alfredo Yabrán. Secondo l’agenzia di notizie italiana Ansa, il suo principale accusatore è l’ex ministro dell’Economia durante il governo Menem, Domingo Cavallo. In un servizio della rivista brasiliana Veja, scritta nel 1997, dovuto all’elezione di Menem, Cavallo dice che il segretario della Presidenza, Alberto Kohan, è rimasto coinvolto nella vendita illegale di armi in cambio di commissioni. Caselli entra in questa storia come partner di Kohan. Secondo la rivista, Caselli sarebbe stato l’intermediario nel donativo di 4 milioni di dollari alla campagna di Menem, fatta da Yabrán, che Cavallo accusa di essere il capo delle “mafie del governo”. Le denunce non finiscono qui. Ancora secondo l’Ansa, nuove accuse, stavolta fatte da Luigi Pallaro, eletto rappresentante dell’America del Sud per il Senato italiano nel 2006, indicano una supposta frode di voti in Argentina. — Sono stato informato che in un tavolo (elettorale) sono stati scrutinati 960 voti per Caselli, tutti con la stessa calligrafia — ha detto Pallaro all’Ansa prima della divulgazione del risultato ufficiale delle elezioni. Secondo l’agenzia di notizie News Italian Press, Caselli afferma che lo stesso Berlusconi l’avrebbe indicato per la candidatura con il PDL. Il senatore ha promesso agli elettori, durante la sua campagna, di migliorare i rapporti tra l’Italia e i paesi dell’America del Sud dove vivono gli italiani. Tra le proposte di campagna c’è lo stanziamento di fondi specifici destinati alla promozione e all’insegnamento della lingua italiana, creazione di borse di studio e investimenti in educazione. Anche la valorizzazione e il supporto dell’insegnamento dello spagnolo e del portoghese in Italia risultano nelle sue promesse. (NG) Maio 2008 / — Con la vittoria di Fernando Lugo, in Paraguay, la situazione sembra ancora più strana. Un mega imprenditore dalle tendenze xenofobe è un qualcosa che sembra far girare al contrario la ruota del tempo. E se la Lega Nord otterrà il suo accordo, l’aggressività e la frammentazione del paese in regioni (come il caso dell’approfondimento della politica fiscale decentralizzata) saranno il leitmotiv del nuovo governo. Un paese con aumento di disuguaglianza, apatia dei cittadini e crisi di autostima nazionale è una festa per le leadership carismatiche di qualsiasi tipo. Ricci è sicuro del fatto che ciò che è successo in Italia è stato la “elezione della reazione, della confusione e del discredito”. — Reazione all’aumento della disuguaglianza sociale e alla confusione avuta al Senato, che ha destabilizzato per molto tempo il gabinetto Prodi. Confusione perché tutte le analisi post elettorali hanno rivelato che i programmi politici di partito erano molto simili. Nel marketing politico, le differenze tra i candidati sono fondamentali e si chiamano posizionamento. Visto che i due principali candidati hanno tentato di accogliere la gamma ideologica denominata centro, le differenze programmatiche si sono dissipate. Il discredito si è dovuto ad una certa arroganza del candidato del PD, vista anche da come si sono avute le elezioni in Brasile e Sudamerica, con l’allontanamento Africa, Asia e Oceania Camera Marco Fedi (Pd) Senato Nino Randazzo (Pd) di molti appoggi e indicazioni di candidati senza grande partecipazione degli stessi militanti del PD, com’è il caso di Minas Gerais. L’aumento di disuguaglianza sociale in Italia (che disputa il primo posto con il Portogallo) ha fatto sì che la Lega Nord aumentasse il suo potere — analizza. (colaborou Paula Máiran) ComunitàItaliana 27 capa Por um novo sistema eleitoral Per un nuovo sistema elettorale Denunce di frode in Argentina e Venezuela causano polemiche sul modello di votazione italiano per i cittadini residenti all’estero Denúncias de fraude na Argentina e na Venezuela geram polêmica em torno do modelo de votação italiano para cidadãos no exterior R esultados políticos à parte, o próprio processo eleitoral italiano se encontra na berlinda após o último pleito. Em debate apartidário, questiona-se, no momento, vantagens e desvantagens do atual sistema de votação no exterior, por correspondência. Este deu margem para o surgimento de denúncias de fraude na Argentina e na Venezuela, por exemplo. Tais queixas obrigam o governo italiano a promover uma revisão dos votos nesses países. — As queixas recebidas não se referem ao trabalho dos consulados, mas a circunstâncias relacionadas às características do próprio sistema de votação. Eleição por correio sempre pode abrir margem para suspeição. Quanto maior a possibilidade de votação, mais risco de problemas. Conquista-se, no entanto, por esse sistema, um universo maior de eleitores — explica o cônsul geral da Itália no Rio de Janeiro Massimo Bellelli. R isultati politici a parte, il processo elettorale italiano in sé si trova alla berlina dopo le ultime elezioni. In un dibattito apartitico, si mettono in discussione, in questo momento, vantaggi e svantaggi dell’attuale sistema di votazione all’estero, per corrispondenza, che ha fatto nascere denunce di frode in Argentina e Venezuela, per esempio. Queste accuse obbligano il governo italiano a promuovere un controllo del processo elettorale in questi paesi. Paula Máiran — Le denunce ricevute non si riferiscono al lavoro dei consolati, ma a circostanze legate alle caratteristiche dello stesso sistema di votazione. Un’elezione per corrispondenza può sempre destare sospetti. Quanto maggiore è la possibilità di votazione, più ci sono rischi di aver problemi. Ma con questo sistema si ottiene un maggior numero di elettori — spiega il console generale d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli. Il consule stimola i cittadini italiani all’estero a realizzare un sondaggio di opinione sul modello del sistema elettorale. O cônsul incentiva os cidadãos italianos no exterior a realizar uma pesquisa de opinião sobre o modelo de sistema eleitoral. — Seria bom se houvesse uma pesquisa organizada pela própria comunidade italiana. Melhorar o sistema é sempre bom — defende Bellelli. A revisão dos votos nos países vizinhos ao Brasil, segundo o diplomata, não deverá afetar o resultado da eleição no país de língua portuguesa. — O Brasil tem resultado já fechado e o processo correu de modo bastante positivo. O candidato eleito pode comemorar porque não há mais risco de não haver representante brasileiro no parlamento italiano ao final dessa revisão. A vantagem em votos garante isso, por ser muito grande. De acordo com Bellelli, a despeito de eventuais alterações no sistema eleitoral no exterior, o fato é que o voto dos cidadãos residentes além das fronteiras da Itália representa uma conquista consolidada pela Constituição italiana. Quanto à qualidade da assistência desses cidadãos pelos consulados, o cônsul explica: — O importante é que o Ministério das Relações Exteriores deve continuar as atividades que vem desenvolvendo. Quanto maiores os meios, mais será possível fazer nos consulados pelos cidadãos italianos no exterior, mas ainda é cedo para se dizer até que ponto haverá investimento nos meios. Entre otimismo e cautela Os efeitos sobre o Brasil e a América do Sul da vitória de Silvio Berlusconi não passam ainda de uma incógnita. Sob a liderança do novo premier – historicamente avesso ao investimento italiano em terras estrangeiras – há quem tema por um retrocesso no ritmo de aproximação entre a Itália e os países latino-americanos. Mas há também quem aposte que as coisas possam mudar até para melhor em sua nova gestão. Logo após as eleições de abril, em reunião no Palácio Guanabara com o governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, o presidente do Instituto de Comércio Exterior da Itália, Umberto Vattani, manifestou o seu otimismo. — Acredito que as coisas, dessa vez, vão ser diferentes — diz ele em resposta a um apelo preocupado de Cabral. O governador fez, durante o encontro, uma cobrança ao representante do governo italiano: — Em seu primeiro governo, Berlusconi não deu ao Brasil a atenção que o país merece. Ele precisa mudar isso. Também o presidente da Federação Nacional das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, acredita no progressivo estreitamento das relações entre o Rio de Janeiro e a Itália. — Sarebbe un bene se ci fosse un sondaggio organizzato dalla stessa comunità italiana. Migliorare il sistema fa sempre bene — difende Bellelli. Il controllo del processo elettorale nei paesi vicini al Brasile, secondo il diplomatico, non dovrà intaccare il risultato dell’elezione nel paese di lingua portoghese. — Il Brasile ha già un risultato conclusivo e il processo si è svolto in modo molto positivo. Il candidato eletto può festeggiare perché non ci sono più rischi di non avere un rappresentante brasiliano nel parlamento italiano alla fine di questi controlli. Il vantaggio dei voti lo garantisce perché è molto ampio. Secondo Bellelli, malgrado eventuali alterazioni nel sistema elettorale all’estero, il fatto è che il voto dei cittadini residenti al di là delle frontiere italiane rappresenta una conquista consolidata dalla Costituzione italiana. Per ciò che riguarda la qualità dell’assistenza data a questi cittadini dai consolati, il console spiega: — L’importante è che il Ministero degli Affari Esteri continui a portare avanti le attività che sta realizzando. Quanto maggiori saranno gli strumenti, più sarà possibile adoperarsi nei consolati per i cittadini italiani all’estero, ma è ancora presto per dire fino a che punto ci saranno investimenti negli strumenti. Tra ottimismo e cautela Gli effetti della vittoria di Silvio Berlusconi in Brasile e Sudamerica sono ancora pressoché un’incognita. Con la leadership del nuovo premier – storicamente contrario agli investimenti italiani in terre straniere – c’è chi tema un retrocesso nei ritmi di avvicinamento tra l’Italia e i paesi latinoamericani. Ma c’è anche chi scommette che le cose potranno cambiere persino in meglio nella sua nuova gestione. Subito dopo le elezioni di aprile, in una riunione al Palácio Guanabara con il governatore Sérgio Cabral, di Rio de Janeiro, il presidente dell’Istituto del Commercio Estero d’Italia, Umberto Vattani, ha manifestato il suo ottimismo. — Credo che stavolta le cose saranno differenti — dice in risposta ad un appello preoccupato di Cabral. Il governatore ha fatto una richiesta al rappresentante del governo italiano: — Nel suo primo governo, Berlusconi non ha dato al Brasile le attenzioni che il paese merita. Questo dovrà cambiare. Anche il presidente della Federação Nacional das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, crede al progressivo aumento dei rapporti tra Rio de Janeiro e l’Italia. — Le aspettative della Firjan sono di mantenere i progressi dei Parlamentares italianos no mundo Senado Câmara Europa Laura Garavini - Partito Democratico - 25.070 Franco Addolorato Giacinto Narducci Partito Democratico - 21.496 Giovanni Farina - Partito Democratico - 21.228 Aldo Di Biagio - Il Popolo della Libertà - 13.624 Guglielmo Picchi - Il Popolo della Libertà - 13.014 Antonio Razzi - l’Italia dei Valori - 3.436 Pasquale Vittorio - l’Italia dei Valori - 3.307 América Meridional Esteban Juan Caselli Il Popolo Della Libertà - 48.128 Mirella Giai Movimento Associativo Italiani all’Estero - 22.254 América Meridional Ricardo Merlo Movimento Associativo Italiani all’Estero - 50.599 Fabio Porta - Partito Democratico - 15.932 Giuseppe Angeli - Il Popolo della Libertà - 14.166 Franco Tirelli - Il Popolo della Libertà - 13.719 América Setentrional e Central Giordano Basílio Il Popolo Della Libertà - 13.083 Renato Guerino Turano Partido Democratico - 15.223 Gino Bucchino - Partito Democratico - 14.762 América Setentrional Amato Berardi – Il Popolo della Libertà - 11.166 e Central Vincenzo Arcobelli - Il Popolo della Libertà - 10.665 África, Ásia, Oceania e Antártida Antonino Randazzo Partito Democratico - 11.237 África, Ásia, Oceania e Antártida Europa Claudio Micheloni Partido Democratico - 36.445 Nicola Paolo Di Girolamo Popolo della Libertà - 24.500 Marco Fedi - Partito Democratico - 12.409 Fonte: site www.interno.it 28 ComunitàItaliana / Maio 2008 Maio 2008 / ComunitàItaliana 29 30 Confira o número de votos por candidato no Brasil: Senado Edoardo Pollastri - Partito Democratico - 16.066 Sandro Benedetti Isidori - Pse - 3.857 Itamar Benedet - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 7.981 Carlos Henrique Iotti - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 13.920 Odilon de Barros Pinto - La Sinistra L’Arcobaleno - 1.968 Antonio Aldo Chianello - Il Popolo della Libertà - 7.920 Piero Stefanon Ruzzenenti - La Destra - Fiamma Tricolore - 626 Walter Petruzziello - Associazioni Italiane in Sud America - 7.638 Adriano Bonaspetti - Associazioni Italiane in Sud America - 13.890 Congresso Claudia Antonini - Partito Democratico - 9.749 Fabio Porta - Partito Democratico - 15.932 Francesco Agoglia – Pse - 1.208 Luciana Barroso de Souza - Pse - 1.743 Paolo Scappaticci - Pse - 309 Guilherme Fausto Longo - Pse - 1.337 Gianni Boscolo - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 5.112 Luis Molossi - Movimento Associativo Italiani all’Estero - 6.240 Arduino Monti - La Sinistra L’Arcobaleno - 399 Andrea Ruggeri - Il Popolo della Libertà - 7.087 Piero Geraci - La Destra – Fiamma Tricolore - 405 Stefano Calcara - La Destra – Fiamma Tricolore - 432 Pierluigi Serra - La Destra – Fiamma Tricolore - 388 Stefano Andrini - Associazioni Italiane in Sud America - 16.827 Claudio Pieroni - Associazioni Italiane in Sud America - 9.566 to intransigentes e demonstram indiferença. É uma visão egoísta, como se dissessem: “o mundo que se vire”. Gianetti, declaradamente orgulhoso de poder votar como todo cidadão italiano, propõe ao governo de sua segunda pátria investir no Brasil até mesmo como medida preventiva contra a imigração de mão-de-obra para a Itália. — Se não querem a mão-deobra brasileira, seria melhor investir no nosso desenvolvimento econômico, criar empregos aqui. Brasileiros imigram em busca de melhores condições de vida, como os próprios italianos vieram para o Brasil no passado para escapar da fome. ComunitàItaliana / Maio 2008 rapporti commerciali avutisi lo scorso anno. La missione governativa e imprenditoriale a Roma e Milano che abbiamo realizzato insieme al Governo do Estado, in settembre, ha aumentato gli interessi mutui e sono sicuro che renderanno nuovi accordi e affari. Non è la prima volta che Berlusconi assume il governo, e perciò credo non si saranno sorprese né motivi per temori. Secondo Eduardo Eugênio, ci sono possibilità perfino di espansione del commercio bilaterale, che è già passato per migliori momenti in passato: — Speriamo che il prossimo governo fornisca tutte le condizioni affinché questa relazione di aggiornamento tra lo Stato di Fonte: site www.interno.it — A expectativa da Firjan é manter os avanços nas relações comerciais que aconteceram no último ano. A missão governamental e empresarial a Roma e Milão, que fizemos em parceria com o Governo do Estado, em setembro, aumentou o interesse mútuo e tenho certeza de que irá render novas parcerias e negócios. Não é a primeira vez que Berlusconi assume o governo e, por isso, creio que não haja surpresas nem motivos para temores. Na opinião de Eduardo Eugênio, há a possibilidade até de expansão do comércio bilateral, que já experimentou momentos melhores no passado: — Esperamos que o próximo governo dê todas as condições para que essa relação de aggiornamento entre o Estado do Rio e a Itália venha a se aprofundar. Temos certeza de que é possível aumentar não só o comércio bilateral, já que hoje as compras e vendas do Brasil para a Itália giram em torno de 2,8% do nosso total, contra 5% há 10 anos, como também os investimentos diretos. Já São Paulo reage com cautela à volta de Berlusconi ao poder político. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) manifesta clara preocupação. — O futuro no campo econômico não é claro. Mas é claro que a eleição de Berlusconi cria novas expectativas, ainda mais num momento em que se discute as relações internas na União Européia e há um cenário de crise no mundo — diz o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Gianetti, brasileiro “com 75% de sangue italiano”, como gosta de afirmar ele, que tem dupla cidadania. De acordo com Gianetti, o tratamento dispensado pela Itália ao Brasil nunca foi mesmo proporcional à importância econômica do país sul-americano. Para o diretor da Fiesp, o país europeu precisa “ser mais flexível e menos protecionista”: — Tem a ver com o protecionismo europeu. Na questão dos subsídios no setor agrícola, por exemplo, deveria haver uma atitude de mais parceria da Itália em relação ao Brasil. Hoje, prevalece a crítica. Na última rodada de negociações em Doha, isso ficou claro. Os europeus são mui- capa Rio e l’Italia possa approfondirsi. Siamo sicuri che è possibile aumentare non solo il commercio bilaterale, visto che oggi le compravendite del Brasile verso l’Italia si aggirano sul 2,8% del nostro totale, contro il 5% di 10 anni fa, come anche gli investimenti diretti. Invece São Paulo reagisce con cautela al ritorno di Berlusconi al potere politico. La Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) manifesta chiara preoccupazione. — Il futuro in campo economico non è chiaro. Ma è chiaro che l’elezione di Berlusconi crea nuove aspettative, ancor di più in un momento in cui si discutono le relazioni interne all’Unione Europea e c’è uno scenario di crisi nel mondo — dice il direttore del Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior della Fiesp, Roberto Gianetti, brasiliano col 75% di sangue italiano, con doppia cittadinanza. Secondo Gianetti, il trattamento dato dall’Italia al Brasile non è mai stato esattamente proporzionale all’importanza economica del paese sudamericano. Per il direttore della Fiesp, il paese europeo ha bisogno di “essere più flessibile e meno protezionista”. — Riguarda il protezionismo europeo. Nella questione dei sussidi nel settore agricolo, per esempio, dovrebbe esserci un atteggiamento di più interesse dell’Italia per ciò che riguarda il Brasile. Oggi, prevalgono le critiche. Nell’ultimo tavolo di negoziati a Doha, questo è stato ben chiaro. Gli europei sono molto intransigenti e dimostrano indifferenza. È una visione egoista, come se dicessero: “il mondo, che si arrangi”. Gianetti, apertamente orgoglioso di poter votare come tutti i cittadini italiani, propone al governo della sua seconda patria di investire in Brasile perfino come misura preventiva contro l’immigrazione di manodopera in Italia. — Se non vogliono manodopera brasiliana, sarebbe meglio investire nel nostro sviluppo economico, creare qui degli impieghi. I brasiliani emigrano alla ricerca di migliori condizioni di vita, come gli stessi italiani venuti in Brasile in passato per fuggire dalla fame. Reprodução capa La terza repubblica La società, gli uomini e la politica sono in costante cambiamento Q uattordici aprile duemilaotto. Ore diciotto: arrivano i primi risultati delle elezioni politiche. Le prime indiscrezioni, le prime supposizioni. Opinionisti che cominciano ad invadere radio e televisioni. Passata qualche ora gli esiti elettorali prendono corpo e i conti parlano chiaro, non solo per la sconfitta della sinistra e il ritorno della destra, ma anche e soprattutto per il cambiamento epocale che queste consultazioni hanno prodotto nel palcoscenico della politica italiana. Si tratta di una vera e propria rivoluzione mai verificatasi nel dopo fascismo. Si può parlare di Giordano Iapalucci Correspondente • Firenze “terza repubblica”? Forse qualcuno non si ricorda quali siano state le altre due. In realtà non esiste nessun elemento istituzionale che definisca l’inizio o la fine delle prime due. È solo un “viaggio” giornalistico che ci porta a fare supposizioni e creare nuove definizioni della situazione politica. La Repubblica Italiana nasce il 2 giugno 1946 e la prima arriva fino al terremoto politico che investe l’Italia dal 1992 al 1994 a causa di quello che è stato chiamato “Tangentopoli”, ossia la scomparsa dei partiti tradizionali che avevano dominato politicamente l’Italia fino a quel momento: Democra- zia Cristiana, Partito Comunista e Partito Socialista. La seconda arriva, appunto, fino ai giorni nostri. E ora cos’è successo per arrivare a dire che siamo entrati nella terza fase della Repubblica? La sinistra ne esce sconfitta e questo non fa notizia, ma ciò che emerge è la scomparsa delle due ali estreme della destra e della sinistra. Per molti in realtà è proprio l’uscita della vera sinistra dalla scena politica italiana, visto che Veltroni ha scelto più la via del centro. In Parlamento siederanno soltanto 5 partiti e già questo di per sè è un fatto storico. L’Italia è sempre stata per eccellenza il paese di- Maio 2008 / viso in decine e decine di fazioni politiche. Ad oggi i due principali partiti (PdL e PD) convogliano su se stessi più del 70% dei consensi. Che piaccia o no, l’Italia si sta allineando anche politicamente a quelli che sono gli standard europei. In Francia, in Germania, in Gran Bretagna e in Spagna esistono due partiti principali che si dividono tra il 70 e l’80% dei voti. Se da un lato questa rivoluzione politica ha portato ad una possibile maggior governabilità, dall’altro Berlusconi si è ritrovato nella difficile condizione di “padrone e schiavo” nei confronti della Lega Nord e del suo condottiero Bossi, che in alcuni comuni della Lombardia e del Veneto è arrivato ad avere anche oltre il 40% delle adesioni. Anche se il numero ristretto di colori rappresentati al Parlamento fa pensare ad una forte durata del governo, nel gruppo politico del Popolo della Libertà non sono da dimenticare i due elementi contranstanti per antonomasia, che sono appunto la Lega – portatrice dell’idea federalista in cui si delegano i poteri alle Regioni – e quella di Allenza Nazionale che, in base all’ideologia storica che la sorregge, dovrebbe propendere verso un’unità nazionale centrale forte. Chissà se potranno convivere tranquillamente, ora che il primo ha conquistato quasi il 10% dei voti a livello nazionale? E pensare che tra questa percentuale rientrano molti voti degli operai venuti meno alla sinistra radicale. Mi son domandato come fosse stato possibile un tale cambiamento di rotta. Semplicissimo: si son dimenticati di loro. Un manovale poco dopo le elezioni domandò a Bertinotti perchè nel 2006 avessero messo in Parlamento tra le fila del Partito della Rifondazione Comunista il trans Luxuria e non un operaio. Ripeto: si son dimenticati di loro. Seconda questione: tradizionalmente chi ha sempre sventolato gli aspetti sociali come la bandiera più alta da difendere sono stati i partiti più estremi delle ali del Parlamento, sicuramente più liberi da vincoli di governabilità e molto più allenati nel ruolo di oppositore. Ad oggi non ne esiste più nemmeno uno di questi. Sapranno nascere degli “anticorpi sociali” nei partiti presenti nella “sala dei bottoni”? ComunitàItaliana 31 entrevista O Brasil no Parlamento italiano Tatiana Buff Correspondente • São Paulo Fotos: Divulgação Eleito deputado pela América do Sul pelo Partido Democrático, o sociólogo Fabio Porta, de 44 anos, será o único “brasileiro” no Parlamento italiano. Ele obteve 15.932 votos. Em 2006, quando concorreu pela primeira vez a um cargo legislativo, conquistou 14.693 votos o que lhe garantiu uma vaga de primeiro suplente. Nascido em Caltagirone, na Sicília, casado com uma brasileira e pai de duas meninas, Porta mora em São Paulo há mais de dez anos. Veio ao Brasil pela primeira vez em 1995 para coordenar projetos do governo italiano de cooperação e formação entre Brasil, Argentina e Uruguai. É vice-presidente do Comitê dos Italianos no Exterior e dirige a União dos Italianos no Mundo (UIM). Em entrevista à Comunità, Porta assinala que suas prioridades são a aplicação dos recursos destinados a agilizar o atendimento consular, ampliar as parcerias entre as micro e pequenas empresas sulamericanas e italianas e clarear a visão dos italianos sobre a “outra Itália”. — Não temos petróleo, energia atômica, dimensões enormes como têm China, Rússia, Índia. Temos esse patrimônio que ninguém tem: 31 milhões de italianos no Brasil, 15 milhões na Argentina. E essa riqueza está um tanto adormecida por falta de atenção e entendimento político do potencial destes “países” que vivem fora da Itália — afirma Porta. 32 ComunitàItaliana / Maio 2008 C omunitàItaliana - Como avalia o resultado das eleições para o Partido Democrático? Fábio Porta – Para o PD no exterior é muito positivo porque se afirma como primeiro dos italianos no mundo e aqui no Brasil. Na Itália, apesar da vitória do Berlusconi, o resultado do PD não é negativo, considerando que é novo, com menos de um ano. Veltroni é nosso líder há pouco tempo. É o começo de uma trajetória. Houve uma simplificação do quadro político. Hoje temos o Parlamento com quatro, cinco partidos, enquanto há dois anos havia duas dezenas. Isto também enfraqueceu o governo Prodi. Agora, o Parlamento está numa situação melhor definida. CI – Como encara o sucesso da Liga Norte? FP - A responsabilidade de governar é do Berlusconi, mas temos de ressaltar que a vitória dele se deve principalmente ao sucesso da Liga Norte, o que para nós não é uma boa notícia. Este partido é xenófobo, intolerante, não somente em relação aos estrangeiros na Itália, mas também em relação aos italianos no exterior. Espero que o Berlusconi saiba amenizar a pressão porque senão seria perigoso. Os expoentes da Liga Norte já declararam ser contra o voto dos italianos no exterior. CI - Quais as surpresas dessas eleições? FP - Acreditava que o PD elegesse, além de um deputado, um senador. Certamente o Pollastri poderia ter sido reeleito e o agradeço porque meu resultado se deve também ao seu trabalho. A outra surpresa é o PDL na América do Sul. Existe uma investigação da magistratura na eleição do Senado porque há suspeitas de ter acontecido algo não muito claro na Argentina e na Venezuela. Cabe à magistratura indagar. Se houve fraude, espero que haja conseqüências. Para preservar o voto no exterior temos que fazer de maneira que nenhuma suspeita seja ligada à nossa participação, uma vez que esta conquista poderia ser eliminada. Uma das responsabilidades do novo Parlamento será introduzir mecanismos de melhoria para que o voto seja mais seguro, transparente e controlado. CI - Quais serão suas prioridades no Parlamento? FP - A primeira é colocar em prática o que já foi decidido e deliberado pelo governo Prodi. Temos uma lei orçamentária de 2008 já aprovada pelo Parlamento italiano que prevê recursos para a rede consular da Itália na América do Sul e diria, em primeiro lugar, para o Brasil. No caso do Brasil, são problemas muito grandes, como o da demora dos pedidos de cidadania. Espero aplicar esses recursos o quanto antes e realizar a força-tarefa que pode ajudar a resolver rapidamente, ou pelo menos em alguns anos, este atraso da fila da cidadania. Para isso, espero ter apoio e colaboração de todos os parlamentares, não só do meu partido. Há um segundo ponto importante que é o próprio atendimento con- sular que tem que ser qualificado e estruturado. Outra prioridade foi um pouco o foco da minha campanha: investir e incentivar programas voltados às jovens gerações italianas no exterior. O futuro das relações da Itália e com a própria comunidade no exterior passa pelos descendentes. Temos de aperfeiçoar os projetos existentes, trazer recursos públicos, privados, de fundações bancárias e da União Européia para aumentar a oferta de cursos de língua italiana e bolsas de estudos, além de programas específicos para a criação de parcerias, joint-ventures para micro e pequenas empresas da Itália e do Brasil. Também é preciso mudar a visão que existe na Itália acerca dos italianos fora do país. Infelizmente, nestes dois anos tivemos uma superexposição do senador Pallaro, que mostrou uma imagem do parlamentar da América do Sul que estava lá para pedir favores e chantagear. É preciso mostrar o potencial que estamos transferindo à Itália, que esta presença política no exterior é uma oportunidade de crescimento cultural, político, econômico e comercial. CI - Como equilibrar a defesa dos interesses dos italianos residentes no exterior com os daqueles que vivem na Itália? FP - Não é e não será fácil, porque este é um trabalho de médio e longo prazos. Deve-se investir na educação e informação. Os italianos não têm uma visão completa do que representa esta “outra Itália” fora da Itália. Temos que começar com as crianças, na escola pública, e explicar que a imigração não é apenas uma história do passado, com choradeira, malas de papelão. Passa-se aos jovens a imagem da imigração como algo negativo. Devemos explicar que existiu a imigração e que hoje os filhos dos imigrantes são empre- Maio 2008 / sários, jornalistas, políticos, cientistas, pessoas que para nós são importantes porque podem ajudar a criar um novo sistema de desenvolvimento que beneficia tanto a Itália quanto esses países. É preciso entender que essa presença forte no exterior é um de nossos poucos recursos reais. Não temos petróleo, energia atômica, dimensões enormes como têm China, Rússia, Índia. Temos esse patrimônio que ninguém tem: 31 milhões de italianos no Brasil, 15 milhões na Argentina. E essa riqueza está um tanto adormecida por falta de atenção e entendimento político do potencial destes “países” que vivem fora da Itália. CI - Com relação à Argentina, como pretende unir as forças que o elegeram na América no Sul e neutralizar uma eventual disputa com o Brasil? FP - Não existe problema de relacionamento entre Brasil e Argentina, entre os italianos que vivem aqui e lá. Trabalho há anos e nessa campanha mantive contato com amigos da Argentina. Foi um dos países onde estive mais presente e tive mais votos. Há um problema de números. Temos cinco parlamentares eleitos na América do Sul, que representarão na Itália toda a América Meridional. Não é justo que os cinco parlamentares sejam a expressão de um país só. A Argentina é importante, lá vive metade da população com cidadania italiana, mas existem outros países, como Venezuela, Uruguai, Peru, Chile e o Brasil, em primeiro lugar, como dimensão e número de descendentes. O problema será resolvido quando aumentarmos o número de cidadãos com direito a voto no Brasil. Aí cessará de existir a rivalidade eleitoral. O Brasil é o maior país da América do Sul, tem maior número de descendentes de italianos fora da Itália. CI - Como analisa a descrença de parte da população italiana nas eleições? FP - É um problema. Existe uma grande decepção, principalmente dos jovens. Elegemos na Europa uma candidata jovem, a primeira dos deputados eleitos do PD, Laura Garavini, que inclusive faz parte da UIM na Alemanha, com 42 anos. Na América do Sul, a minha eleição também representa, de alguma forma, um sinal de renovação na classe dirigente dos representantes dos italianos no exterior. ComunitàItaliana 33 Basta! Campanha na Itália alerta para o grande número de casos de violência contra a mulher, a maior parte deles, cometidos dentro de casa, pelos parceiros É Valquíria Rey Correspondente • Roma comum os jornais darem grandes manchetes para os casos em que as italianas são abusadas por estrangeiros em situação irregular no país. Mas não divulgam com o mesmo estardalhaço que quase 70% dos estupros ocorridos na Itália são praticados pelos próprios parceiros. Segundo números do Instituto de Estatística (Istat), 31,9% das mulheres italianas sofrem ao menos um episódio de violência física ou sexual entre os 16 e os 70 anos. Dessas, 93% não têm coragem de denunciar, por medo ou vergonha, quando o agressor é o próprio parceiro. Em função disso, apenas um homem a cada cem é condenado. O mesmo órgão governamental aponta que 690 mil mães italianas são violentadas repetidas vezes todos os anos pelos parceiros na presença dos filhos. “Basta de estupros, socos, tapas e humilhações”. Assim, Donna Moderna, uma revista feminina de grande circulação na Itália, lançou uma campanha para chamar a atenção da violência contra a mulher no país. Tendo em consideração também dados do Istat a publicação informa, por exemplo, que a cada três dias uma mulher é morta pelo marido, namorado ou ex-parceiro. Campanha da Donna Moderna é de autoria de Oliviero Toscani 34 ComunitàItaliana / Maio 2008 — Não podemos mais ficar em silêncio diante desses dados. Por isso, Donna Moderna decidiu dizer basta — afirma a diretora da publicação Cipriana Dall’Orto. — Grande parte dos atos violentos sofridos pelas mulheres ocorrem dentro do próprio seio familiar. Muitas mães acabam defendendo os filhos violentos e os jornais classificam os agressores como depressivos ou desempregados para justificar a violência. O polêmico fotógrafo Oliviero Toscani – conhecido pelas controversas fotos para a Benneton e, mais recentemente, pela campanha “No Anorexia” – é o responsável pela criação do material publicitário da campanha de Donna Moderna. Na imagem de Toscani, são mostradas duas crianças. Abaixo do menino está escrito ‘agressor’ e da menina ‘vítima’, sendo que no corpo dela aparece uma tarja preta com a inscrição ‘não à violência contra as mulheres’. Segundo Toscani, “as crianças encarnam a pureza, depois é que os valores são transmitidos, de acordo com a educação dos pais”. Segundo o fotógrafo, há uma relação muito precisa entre crescer em uma família desestruturada e se tornar um homem violento: os dados dizem que 30% dos parceiros violentos tiveram um pai que batia na mãe. — Os inúmeros casos de abusos contra as mulheres ocorridos nos últimos anos demonstram que esse tipo de violência não é exclusividade dos mais desfavorecidas, de pessoas com distúrbios psicológicos ou de famílias problemáticas — informa a socióloga Loredana Forti. — Mais que uma doença, é um fenômeno que pertence à ‘normalidade’, incluindo homens e mulheres de todas as esferas sociais. Uma praga que atravessa todo o país, sem distinção econômica. De acordo com ela, as agressões, sobretudo no interior da esfera doméstica, são geralmente subestimadas ou de difícil quantificação. Conforme a socióloga, isso ocorre devido ao escasso número de denúncias. — O pior é que ainda hoje se encontra resistência em considerar os abusos contra as mulheres como um grave delito — observa Loredana. — Isso é devido a heranças culturais que têm relegado a mulher a ter um papel de subordinação em relação ao homem. Na Itália, três leis de âmbito nacional procuram proteger as mulheres. A lei 66/96 classifica como delito contra a pessoa o ato de violência sexual, mudando assim a qualificação da normativa precedente que o definia somente como “crime contra a moral”. Já a 269/98 contém normas contra o uso da prostituição, da pornografia e do turismo sexual em prejuízo de menores, que costumam ser do sexo feminino. A terceira lei é a 154/01, que abriu uma nova perspectiva de proteção para a pessoa que sofre abusos por parte do próprio parceiro. A normativa reconhece a aplicação de medidas cautelares como o afastamento de casa daquele que cometeu a violência. Além disso, nos últimos anos, diversas regiões aprovaram normativas para garantir maior proteção às mulheres vítimas de violência. Há também outras iniciativas não-governamentais, como o Telefono Rosa, um centro de atendimento por telefone, que fornece apoio legal, financeiro, psicológico e de acompanhamento familiar para as vítimas de violência. D e menina de rua no Brasil à empresária bem sucedida na Itália, a carioca Rosa Neves considera-se uma das poucas brasileiras que se deu bem na cidade eterna sem precisar recorrer à prostituição. Aos 38 anos – 23 dos quais vividos em Roma – ela não sente qualquer falta do tempo em que precisava trabalhar na praia de Copacabana vendendo cerveja, refrigerante e sanduíche natural para ajudar na renda familiar. Com uma vida estável e tranqüila, ela também não tem saudades do período em que morava nas ruas do Rio de Janeiro. — Eu me formei em fotografia na Itália e há anos vivo disso. Tenho meu estúdio no centro histórico da cidade, trabalho com uma agência matrimonial e também como consultora de estilo — conta a carioca, que investe tudo o que ganha no Brasil. — Comprei terras em Itajaí, em Santa Catarina, uma casa na Bahia e estou finalizando a compra de mais outra e de três terrenos. Quando era criança, a vida era muito mais complicada para ela. Depois de um dia cheio de trabalho em Copacabana, para evitar de voltar a Niterói, onde vivia sua família, dormia em qualquer lugar: na praia, ou na casa de amigos, que conhecia nas ruas e moravam nas favelas. — Costumava também fazer amizade com os porteiros dos prédios residenciais e pedia a eles para dormir em qualquer cantinho — relembra. A vida dela começou a mudar aos 11 anos, quando conheceu uma família italiana em frente a um luxuoso hotel. — Eles se interessaram por mim, começamos a conversar e ficamos amigos. Mais que tudo, eles não entendiam como uma criança poderia estar ali na praia trabalhando sozinha sem ter um adulto por perto para acompanhá-la. Queriam saber como eu vivia, se eu estudava e se mostraram dispostos a me ajudar — lembra. Da amizade surgiu, um ano depois, o convite para trabalhar como mensageira na agência de turismo deles, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, aos 15 anos, ela viajou com essa família para a Itália, onde retomou os estudos e começou a trabalhar como babá. Com quase 16, co- vi, venci Ex-menina de rua, no Brasil, fotógrafa se firma como empresária em Roma, com direito a escritório no disputado centro histórico da cidade Valquíria Rey Correspondente • Roma Divulgação Grupo Keystone atualidade Maio 2008 / perfil nheceu o ex-marido e casou com ele quando completou 18 anos. Ela conta ter se acostumado com a vida italiana, principalmente “da segurança que o país proporciona”. Mas é só isso. — Estou na Itália por causa do meu trabalho. Não tenho afinidades com os italianos — admite Rosa — Meu sonho é voltar para o Brasil o mais rápido possível, montar uma parceria com um fotógrafo e vir para cá de vez em quando. A fotógrafa afirma que não gosta de muita coisa na Itália. Reclama, por exemplo, do tipo de tempero na comida e que os italianos não sabem se divertir, namorar, conquistar uma mulher. Disse que, quando chegou, os italianos não tinham preconceito contra estrangeiros. Mas tudo começou a mudar com a chegada dos travestis e das mulheres na prostituição. — Em relação aos demais estrangeiros, os italianos gostam dos brasileiros — conta. — Antigamente, éramos tratados como novidade na Itália, porque éramos poucos e discretos. Hoje, é diferente. Quando eles encontram uma brasileira, automaticamente, pensam que está aqui para se prostituir, que é pobre, mulher fácil. Rosa lembra que começou a trabalhar com fotografia em 1996, depois que seu casamento chegou ao fim, e nunca mais parou. Primeiro, como ambulante e funcionária de uma agência, até que, em 2002, abriu seu primeiro estúdio. Além do trabalho, ela faz voluntariado todos os domingos, em um instituição de caridade, há mais de sete anos. Ela ajuda pessoas com deficiência física a comer. — Certa vez, em 2004, o papa João Paulo 2º esteve lá. Nunca esqueço. Ele falou em português ‘eu gosto muito do Brasil, terra maravilhosa’ e eu complementei: ‘você sabia que Deus é brasileiro?’ Ele só riu e não falou mais nada — conta ela que chegou a tirar uma foto ao lado do papa. — Eu estava empurrando uma cadeira de rodas e quase pisei no pé dele. Passados 23 anos na Itália, Rosa não sabe como seria sua vida se não tivesse saído do Brasil. Acredita, no entanto, que não seria muito diferente, porque está certa que teria “batalhado por algo” da mesma forma. Em qualquer lugar do mundo. ComunitàItaliana 35 meio ambiente Sempre più spesso, rifiuti e attenzioni alla conservazione ambientale diventano fonti di nuovi affari I o Stato di Rio de Janeiro è stato il primo a contare su una Borsa di Rifiuti, dove le imprese dicono cosa decidono, vendono, comprano, scambiano e dove persino donano i loro passivi ambientali. Fondata nel 2000 grazie ad un partenariato con la Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) e la Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), la borsa in questo momento conta su 370 imprese registrate. Vengono negoziate 300 tonnellate di rifiuiti, il che risulta in un movimento di capitali stimato in 200mila reali all’anno. Secondo il coordinatore della Borsa, Ivan Mello e Silva, i materiali di maggior movimento sono plastica, metalli ferrosi e carta. Per partecipare alla Borsa l’impresa interessata deve soltanto entrare nel sito della Firjan (www.firjan.org.br) e riempire un modulo di registrazione. Sílvia Souza primi a capire che i rifiuti potevano rappresentare un buon affare sono stati i raccoglitori. Ogni lattina, ogni pezzo di cartone in più li ha resi pionieri di un giro di affari che cresce sempre di più in tutto il mondo. In Brasile, solo l’industria del riciclaggio di rifiuti è un settore dell’economia che muove tre miliardi di dollari all’anno. Ma questa è solo una parte della storia. Nel vacuo della coscienza ambientale sorgono ad ogni minuto opportunità di affari. Il Brasile e l’Italia, per esempio, hanno già siglato una partenariato nell’area di commercializzazione di credito di carbono. La Câmara ÍtaloBrasileira de Comércio e Indústria di São Paulo porta avanti, dalla fine dell’anno scorso, il progetto Carbontrade. Con due uffici di riferimento, uno a São Paulo e l’altro a Milano, il lavoro mira 36 L Divulgação Marca Ambiental Alternative imprenditoriali Borsa di Rifiuti a mediare il contatto tra imprese e istituzioni italiane e brasiliane per gestire contratti di credito di carbono e individuare aspetti positivi e negativi della legislazione vigente. L’avvicinamento tra i due paesi, questa nicchia affaristica, alla ComunitàItaliana / Maio 2008 fine ha aiutato un’impresa carioca. L’impresa di consulenza ambientale Logan C ha fatto parte della comitiva del governatore Sérgio Cabral, che ha partecipato ad una missione imprenditoriale in Italia, l’anno scorso. È ritornato portandosi dietro molto lavoro da fare in valigia. — Quando siamo partiti non abbiamo messo insieme al nostro materiale l’offerta di questi crediti, sono venuti fuori dovuto alla domanda dei paesi europei. Stiamo mettendo su la matrice di questo affare. In realtà non sono stati venduti i crediti. Perché esistano, sarà necessaria una loro fase anteriore di certificazione, e solo allora le imprese coinvolte ne avranno il diritto. In questo momento, stiamo studiando il costo approssimativo di questa operazione per le imprese italiane — spiega il direttore della Logan C, Sérgio Lopes. Secondo lui, è probabile che affari di questo tipo si aggirino su 1 euro per credito di carbono contro i perfino 20 dollari per tonnellata di rifiuti nel mercato di borsa di valori. Prima di lavorare in questo settore, l’impresa si occupava di consulenza per imprese che volevano impiantare miglioramenti nel loro rapporto con l’ambiente. In qualche caso, impianta i progetti. Lopes racconta che, ogni anno che passa, il suo volume di lavoro aumenta circa il 10 %. La Logan C è stata fondata nel 1999 da impiegati in licenza della Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), organo responsabile del controllo e emissione di licenze ambientali nello stato di Rio de Janeiro. In questo momento l’impresa lavora per settori come quello del trasporto pubblico, garagem di autobus, shopping center, Metro, Barcas S/A (che fa il trasporto marittimo tra Rio e Niterói), società concessionarie di veicoli e industrie. Esperienza paulista Lavorando a São Paulo dal 1999, un altro gruppo in luce nel settore degli affari ambientali è la Empresa de Engenharia Ambiental, a EEA. La ditta, che si occupa specialmente nel trattamento fognario, ha già lavorato per l’impresa edile Norberto Odebrechdt e per Nestlé, Brastemp, LG, Infraero, Petrobras, comuni, discoteche, alberghi, scuole, ospedali e residenze in generale. Secondo il direttore dell’impresa, l’ingegnere Emerson Marçal Junior, il segreto è di non catalogare i clienti secondo una scala di importanza: — Abbiamo già lavorato in Brasile, Argentina e Venezuela. Nella fabbrica di buste della Marca Ambiental (sopra), in Espírito Santo, i rifiuti diventano materia prima per altri prodotti. Sotto e accanto, attrezzature per trattamento di residui della Empresa de Engenharia Ambiental, a São Paulo, provano che le imprese brasiliane cominciano ad investire in sostenibilità Per la nostra impresa, tutti i clienti sono molto importanti, visto che l’inquinamento è molto diffuso e mille case possono inquinare quanto una grande fabbrica — spiega. Junior segnala che la preoccupazione con i problemi ambientali sono aumentati, ma il processo, oltre ad essere recente, è una nullità in confronto alla coscienza ecologica generale che richiederebbe. — Gli imprenditori sono più preoccupati, ma i soldi sono ancora più importanti dell’ambiente — afferma Junior. Esperienza capixaba Con la creazione della prima discarica privata a Espírito Santo, nel 1995, la Marca Ambiental concentra le sue attività nel comune Cos’è un credito di carbono? C hiamato anche Riduzione Certificata di Emissioni (RCE), è un certificato rilasciato quando si ha la riduzione di emissione di gas causatori dell’effetto serra (GEE). Per convenzione, una tonnellata di diossido di carbono (CO2) corrisponde ad un credito di carbono. I crediti di carbono, in pratica, hanno creato un valore monetatio per l’inquinamento. Questa commercializzazione è iniziata nel 1997, unendo gli sforzi alla firma del Protocollo di Kyoto. Funziona con il coordinamento delle agenzie regolatrici di protezione ambientale che, come prima cosa, selezionano le industrie che inquinano di più e, partendo da questo, stabiliscono mete per la riduzione delle loro emissioni. Le imprese, a loro volta, ricevono bonus negoziabili, a seconda dei loro risultati legati all’inquinamento dell’ambiente. Chi non raggiunge le mete deve comprare certificati delle imprese di più successo. Secondo gli specialisti, il sistema offre il vantaggio di permettere che ogni impresa stabilisca il suo ritmo di adeguazione alle leggi ambientali. Però le nazioni conquistano il diritto di inquinare, negoziando contratti di acquisto e vendita di questi certificati. Solo commercio U n evento affaristico realizzato specialmente per professionisti che lavorano con rottamazione in scala industriale verrà realizzato in ottobre, a São Paulo. Si tratta della Expo Sucata, che ha luogo tra il 7 e il 9 presso il Centro de Convenções Imigrantes. Gli organizzatori sono stati chiarissimi ad informare, nel sito dell’evento, gli obiettivi della fiera: “Non è un evento ambientale o sociale, ma un evento mirato esclusivamente al lato commerciale ed industriale della rottamazione di grandi volumi di rottami”. di Cariacica. L’impresa produce biogas risultante da rifiuti solidi. Inoltre organizza, nel suo parco tecnologico di eco affari, gruppi di lavoro che si occupano di officine di riciclaggio di carta, scope in PET, tegole, vernice, buste di plastica e tegole ecologiche. In questo momento, il lavoro è rivolto alla creazione di luoghi di riuso del biodiesel fatto con l’olio di frittura usato (BioMarca). Senza parlare delle attività e programmi già esistenti che includono il separatore di acqua e olio derivati dal petrolio, concime organico, laboratorio di analisi dell’acqua, riciclaggio di elettroelettronici, servizi di raccolta e trasporto e una termoelettrica. È solo l’inizio Secondo il professor Francisco Casanova, della Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) dell’Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “in generale gli imprenditori brasiliani hanno bisogno di un incentivo (di solito una legge) perché si preoccupino di qualsiasi tema che non significhi un guadagno finanziario immediato”. Maio 2008 / — Ho cominciato a lavorare alla questione ambientale nel 1977, quando ho presentato alla FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) una proposta di studio sull’uso di residui industriali e minerali per la pavimentazione autostradale, forse l’area dal maggior potenziale di consumo di residui. Allora la società si preoccupava poco con l’ambiente, per non dire per niente. Per averne un’idea, è stato necessario aspettare fino al 1986 perché il progetto fosse approvato. — informa il professore che aggiunge: — Oggi constato che il mercato si sta adattando sempre più rapidamente, perché i residui sono ormai visti come materia prima di valore. ComunitàItaliana 37 aluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSalut Epidemia A ‘mediterrânea’ sempre C a Rio La dengue, che ha già ucciso più di 80 persone a Rio de Janeiro, allontana turisti italiani dalla città. Il consolato consiglia i viaggiatori sul da farsi per evitare la malattia A lla fine dell’anno scorso, in Brasile la grande preoccupazione nel campo della salute era la febbre gialla. Ora, non ne parla più nessuno. La malattia del momento è la dengue, e Rio de Janeiro è lo Stato che si trova nell’occhio del ciclone. Fino ad aprile sono stati registrati 95 decessi in tutto il territorio della provincia. Solo nei primi mesi dell’anno, il totale dei casi legati alla malattia ha già superato quello registrato durante tutto l’anno scorso: 93mila, contro 66.553 nel 2007. L’industria turistica ha sentito ‘la puntura’. Prima sono state le ambasciate degli Stati Uniti e del Portogallo ad avvisare i loro paesi dell’epidemia. Dopo è stata la volta del Consolato Italiano di Rio de Janeiro, attraverso il Ministero degli Affari Esteri italiano, che ha suggerito raccomandazioni ai turisti nel sito www.viaggiaresicuri. it, nel link ‘sicurezza sanitaria’. — È stata la maniera trovata per avvisare i turisti, ma non suggeriamo assolutamente che non Principali sintomi della dengue: Mal di testa e agli occhi, sensibili alla luce; Febbre alta; Dolore muscolare e alle articolazioni; Macchie rosse sparse sul corpo; Mancanza di appetito; Debolezza; In alcuni casi, sanguinamento di gengiva e naso 38 Idratazione nella lotta alla dengue visitino Rio — garantisce il console Massimo Bellelli, aggiungendo che il consolato ha ricevuto molte telefonate di persone che vogliono informarsi meglio della reale situazione della città. — Alcuni dei nostri impiegati abitano in zone piene di vegetazione e hanno preso la dengue anche loro — conclude Bellelli. Di fronte a questo quadro, il Ministério do Turismo è stato obbligato a divulgare all’estero misure di lotta all’epidemia. — Non possiamo fingere che non è grave, perché il problema lo è. Il Ministério do Turismo ha inoltrato ai suoi dipartimenti all’estero un dato di realtà. Anche perché giornali italiani, portoghesi e spagnoli hanno pubblicato notizie dell’epidemia in modo molto forte e questo causa una ripercussione — afferma la ministra del Turismo, Marta Suplicy. Secondo lei, la dengue a Rio de Janeiro sta allontanando i turisti stranieri dalla città. Ma non ha saputo dire i numeri legati a questa diminuzione di movimento. ComunitàItaliana / Maio 2008 Avviso ai viaggiatori L’infettologo Bernardo Gaia coordinatore del Centro Brasileiro de Medicina do Viajante, avvisa i turisti che vogliono visitare Rio de Janeiro in questo momento epidemico: — Attualmente, la maniera più sicura di evitare punture di insetti è l’uso di repellenti, ma che presentino una sufficientemente alta concentrazione di DEET o di icaridina, due sostanze sicure e molto efficaci nella loro azione repellente. Aiuta anche l’uso di un abbigliamento adeguato (maniche e pantaloni lunghi) — informa il medico, mettendo in risalto che rimanere in luoghi con l’aria condizionata, così come l’uso di candele di ‘andiroba’ o citronella, in piccoli spazi, contribuiscono nella prevenzione della malattia perché allontanano l’Aedes Aegypti, la zanzara portatrice della dengue che, “per caso”, è anche portatrice della febbre gialla urbana. Visto che i sintomi della dengue sono molto simili a quelli di altre malattie come l’influenza, la rosolia e perfino l’infezione acuta dell’HIV, Gaia mette in risalto l’importanza di cercare un medico fin dai primi segnali della supposta malattia. — Le analisi per la quantificazione di piastrine, richieste dal medico, vengono decise a seconda del caso, visto che si ha bisogno non solo di una valutazione clinica di ogni paziente, ma anche di una valutazione evolutiva. Ciò dipende non soltanto da come il paziente arriva a cercare il medico, ma anche da come va il suo stato di salute — chiarisce mettendo in risalto l’importanza dell’idratazione come maniera di curare la malattia. Ci sono quattro tipi di virus della dengue. Ma uno stesso virus può provocare diversi sintomi della malattia, a seconda della persona. Tutto dipende tanto da quante volte si è avuta la malattia, quanto dall’anteriore stato di salute del paziente. Inoltre, una persona che non ha mai avuto la malattia può prendere la forma emorragica, la più grave, anche se questo di solito succede di più a chi ha già avuto la dengue una o più volte. E la febbre gialla? L a febbre gialla è una malattia trasmessa dal virus appartenente allo stesso genere di quello della dengue (Flavivirus). È una malattia endemica in Brasile e aumenta sempre di più. Rio de Janeiro non fa ancora parte di quest’area endemica, ma viene considerata un’area ricettrice, visto che presenta la zanzara che trasmette la malattia. Secondo l’infettologo Bernardo Gaia, la febbre gialla è più facile da controllare della dengue, visto che esiste un vaccino che “oltre ad essere molto efficace, è sicuro”. — Credo abbiano smesso di parlare della malattia perché il popolo brasiliano è immediatista ed ha una memoria corta. In termini di catastrofe, la dengue ha rubato la scena alla febbre gialla, ma potete essere sicuri che essa è qui, e sempre più vicina — afferma Gaia. Diabetes tipo 2 U ma pesquisa publicada na revista Nature Genetics revela a existência de seis novos genes ligados à diabetes tipo 2. O estudo foi realizado por mais de 90 pesquisadores de mais de 40 centros europeus e americanos. Geralmente associada à obesidade, a diabetes tipo 2 se desenvolve porque a insulina produzida pelo organismo é insuficiente ou trabalha de forma inadequada. A descoberta dos genes indica que eles podem afetar o número de células no pâncreas que produzem a insulina, que controla a glicose no sangue. Outra mentira? V ocê sempre ouviu falar que deveria beber, no mínimo, oito copos de água por dia porque faz bem à saúde? Pois um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia sugere que a constante ingestão de água ao longo do dia, ao contrário do que se pensa, não traz grandes benefícios à saúde. Os especialistas disseram que apesar de a água ajudar o corpo a se manter hidratado, não há provas de que a ingestão suplementar de água - quando não se tem sede - previne o organismo contra a desidratação. “Não se sabe de onde essa recomendação surgiu”, disse o porta-voz dos cientistas Dan Negoianu e Staley Goldfarb. Grupo Keystone Nayra Garofle Carlos Gustavo Curado inco porções de frutas e verduras por dia, pães e massas, de preferência integrais, iogurte, azeite extra-virgem, peixe e legumes, água em abundância, pouca gordura animal, pouca carne vermelha e atenção com o álcool. A luta contra doenças digestivas começa também pela adoção de uma alimentação saudável e equilibrada, ou seja, em duas palavras: “dieta mediterrânea”. “Mais de 40% das doenças digestivas são ligadas à alimentação, vida sedentária e abuso de álcool”, explica o professor de Gastroenterologia da Universidade de Bologna. Perigo antes dos 35 B ronzeamento artificial faz mal, sim. Na GrãBretanha, uma pesquisa encomendada pela ONG Cancer Research UK revela que 82% das pessoas que fazem ou já fizeram bronzeamento pela primeira vez tinham menos de 35 anos. Pesquisas anteriores já haviam constatado que a prática antes desta idade aumenta os riscos de câncer de pele em 75%. Para tentar descobrir quantas pessoas faziam parte desse grupo de risco, a Cancer Research fez uma enquete com quatro mil pessoas. Destas, 40% afirmaram que já haviam feito o bronzeamento artificial - e, desse grupo, 82% revelaram que o fizeram antes dos 35. “Cada vez que uma pessoa faz bronzeamento artificial está prejudicando a pele e aumentando as chances de contrair câncer de pele”, disse Rebecca Russell, diretora da campanha SunSmart, que pretende alertar os jovens sobre os perigos do bronzeamento artificial. Prato mais verde A ervilha, rica em proteínas, contém outras propriedades importantes como as vitaminas A, do complexo B e C e de sais minerais como manganês e ferro. De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Warley Marcos Nascimento, há diversos grupos da leguminosa no mercado: as industrializadas, os grãos verdes debulhados, a vagem comestível e a ervilha forrageira. “Sem dúvida, a ervilha seca reidratada é a mais consumida, com um custo mais baixo para o consumidor brasileiro.” Maio 2008 Superantibiótico U ma pesquisa realizada nos Estados Unidos descobriu que há, no sangue de crocodilos, proteínas que podem ajudar na criação de antibióticos para combater vírus e bactérias. “Há uma possibilidade real de que um dia nós venhamos a ser tratados com um remédio feito com sangue de crocodilo”, disse o bioquímico Mark Merchant, da McNeese State University, na Louisiana. Os crocodilos, segundo os cientistas, têm um sistema imunológico forte que combate microorganismos mesmo sem ter tido um contato prévio com eles. Com isso, os pesquisadores estudam a possibilidade de desenvolver tratamentos contra o HIV, já que células brancas dos répteis destruíram o vírus em amostras de laboratórios. / ComunitàItaliana 39 Roma beleza Bella e baiana Valquíria Rey Nico Vascellari P Renata Marzolla, de 18 anos, é a oriundi mais bonita do Brasil e vai representar o país no Miss Italia Nel Mondo, em junho Na catacumba O inverno dá adeus e os romanos retomam o tradicional pic-nic nos parques da cidade. Um ótimo local para fazer esse tipo de programa, relaxar e também conferir um pouco de cultura é ir até a catacumba de São Calixto, uma das mais visitadas em todo o mundo. Além de aproveitar a grande área verde – cerca de 15 hectares – para beber um vinho tranqüilamente, é possível ver os maravilhosos afrescos do local. Construída no final do século 2, acredita-se que mais de 20 mil pessoas estejam enterradas lá. A catacum- Juan Miró U m pouco da Espanha pode ser apreciada na capital italiana. Trata-se de uma mostra com 26 telas e quatro esculturas em bronze de grandes dimensões do artista espanhol Juan Miró (1893/1983). As obras foram realizados entre 1969 e 1978 e são da Fundação Juan Miró de Barcelona. A regra do artista é sempre a mesma: deixar-se guiar pela imaginação. Para os admiradores, basta fechar os olhos e escutar a alma para apreciar as criaturas misteriosas que animam a mostra Antirretratos. Fora dos esquemas, os desenhos e pinturas se confundem. Ele trabalha contra as regras dos retratos. Mais que a fisionomia, o artista catalão procura mostrar o personagem com toda a sua ambigüidade. Assim, Miró nunca perde seu desejo incendiário de experimentar. Os trabalhos podem ser conferidos na Real Academia de Espanha, na praça San Pietro in Montorio, 3. ba romana ocupa cerca de cinco andares abaixo da terra e conta com mais de 20 quilômetros de corredores que levam aos diversos túmulos, onde descansam os corpos de pessoas que viviam na Roma antiga, quando era costume enterrar os mortos fora dos muros da cidade. Está localizada na Via Appia Antiga –estrada que começou a ser construída em 312 A.C. e foi concluída 120 anos depois. É conhecida pelos túmulos de diversas épocas, vários monumentos e pontos de interesse espalhados em seus 90 quilômetros de extensão. Luna Park U Pelo Tiber R omântico e divertido, um passeio de barco pelo rio Tiber é uma boa dica para conhecer um pouco de Roma. Com saídas a cada 20 minutos, o barco possibilita que sejam observados numerosos pontos históricos da Cidade Eterna. O serviço foi inaugurado em 2003 pela Prefeitura de Roma e muitos dos itinerários podem ser feitos ao preço de um bilhete de ônibus. A navegação no Rio Tiber passa pela Ponte Duca d’Aosta, que liga o bairro Flamínio ao Fórum Itálico, até a pitoresca Ilha Tiberina. O Tiber também pode ser percorrido a partir da Ponte Marconi, que une os bairros Trastevere e Eur a Ostia. m programa divertido para toda a família em Roma é o LunEur, um parque de diversões com mais de 70 atrações para todos os gostos e idades. Localizado na Via delle Tre Fontane, o parque foi construído em 1953 como parte de um evento agricultural e, em 1962, ganhou seu atual formato. É um dos maiores e mais antigos do país, carinhosamente chamado pelos italianos como Luna Park. O bilhete de ingresso dá direito a usufruir de 18 atrações por quantas vezes você desejar. As demais devem ser pagas uma a uma. Entre as opções, o Imperator, Jungle River e o Draghetto Nessie. Nos dias de calor, eventos, festas e concertos são programados. É de Salvador a campeã da etapa nacional do concurso que reúne as beldades de ascendência italiana no Brasil. Renata Marzolla, de 18 anos, a única nordestina entre as 20 candidatas, já começa a se preparar para a grande final, em junho, em Veneza, na Itália. A final do concurso, que teve etapas em diversas cidades, foi realizada em Votorantim, a 102 quilômetros de São Paulo. Modelo profissional há oito anos, a baiana já havia participado de outros concursos até chegar ao Miss Itália Brasil. Com 1,75 m de altura e 59 kg, Renata conta que o resultado não era esperado. — Fui Miss Bahia 2007 e, conseqüentemente, participei do Miss Brasil ano passado. Cheguei ao oitavo lugar. Não esperava vencer, agora, o Miss Itália Brasil porque todas as concorrentes eram muito bonitas — diz a vencedora que já conta os dias para a etapa internacional — Nunca viajei para a Itália e este é o meu sonho — completa. Há 18 anos o Brasil realiza o concurso que exige da candidata a comprovação da descendência italiana até a quinta geração. Como prêmio, a vencedora ganha um contrato com uma agência de modelos e a chance de ir para a Itália para participar do concurso mundial. Nayra Garofle Renata tem a origem italiana herdada dos tataravós maternos, das cidades de Ferrara e Rovigo, região da Emilia-Romagna. Não fala italiano, mas vai entrar num curso intensivo para se comunicar melhor na viagem que, aliás, será toda financiada pelos organizadores do Miss Italia Nel Mondo. — Agora é pensar na grande final. Tenho que cuidar do corpo e estudar ao máximo a língua italiana — conta a representante brasileira que já vive o glamour do concurso, dando entrevistas para programas de TV e rádio, além de fazer ensaios fotográficos para revistas. Rumo à Itália, o objetivo de Renata é trazer para o Brasil um resultado, de preferência, melhor que o de Taisy Dalla Libera, vencedora do concurso nacional do ano passado. A jovem de 19 anos da cidade Medianeira, no Paraná, conquistou o terceiro lugar no Miss Italia Nel Mondo. — O que eu mais queria, no mínimo, era conseguir ficar entre as 25 meninas e acabei conquistando o terceiro lugar. Foi surpreendente e muito inesperado! — revela a paranaense, com origem do Vêneto, que aproveitou o concurso para conhecer a terra de seus antepassados — Foi uma experiência maravilhosa poder voltar às origens e conhecer de perto a cultura italiana. Fotos: Divulgação Fotos: Reprodução resença de destaque entre os jovens artistas na última Bienal de Artes Plásticas de Veneza, Nico Vascellari apresenta uma inusitada instalação no Spazio Loto Arte, na Via Civinini, 41, em Roma. Vascellari é considerado atualmente um dos artistas italianos mais interessantes da cena internacional. É famoso por suas performances envolventes e, por conta disso, tem espaço confirmado na próxima quadrienal romana e na Manifesta’08. No Spazio Loto Arte, ele mostra um trabalho feito com recortes de revistas conectado com uma instalação sonora, tendo como resultado uma confusão de palavras, música e sons. Cristiane Pizan, Renata Marzolla e Catiane Fredez rumo ao Miss Italia nel Mondo 40 ComunitàItaliana / Maio 2008 Ao passar a faixa para Renata, Taisy aproveitou para dar algumas dicas para a nova representante ítalo-brasileira. — Ela tem que ser ela mesma, tem que ter carisma e personalidade acima de tudo — aconselha. Três grandes chances Pelo grande número de candidatas no Brasil, de acordo com Kadu Lopes, coordenador do evento nacional, a Itália permite somente a este país sul-americano enviar mais de uma representante. Renata Marzolla e mais duas brasileiras disputarão o título de Miss Italia nel Mondo com outras representantes estrangeiras. Catiane Fredez, de 19 anos, do Rio Grande do Sul, recebeu o título de Miss Itália Amazônia. Já Cristiane Pizan, de 17 anos, do Paraná, foi escolhida Miss Itália Sul América. Serão elas que viajarão com Renata para representar o Brasil no campeonato de beleza mundial. Em 2006, a brasileira Karina Michelin conquistou o primeiro lugar na etapa internacional. A paulista de Botucatu, concorreu como Miss Itália Amazônia e derrotou a Miss L ie c ht e ns tein, Dahlia Ferrazzo. Com o título no currículo que ajuda a alavancar a carreira, a brasileira, hoje, mora na Itália. Maio 2008 / ComunitàItaliana 41 turismo Longa vida a Romeu e Julieta Cenário da clássica obra de William Shakespeare, Verona é o destino certo para apaixonados de todas as idades e uma boa sugestão para se curtir a dois o dia dos namorados que, no Brasil, é celebrado em 12 de junho Lisomar Silva L Correspondente • Roma ivre, intenso, eterno, em Verona o amor está sempre no ar. A relação entre a cidade e esse estado de espírito é fruto de uma obra de ficção que as autoridades municipais se esmeram em tornar realidade, a cada momento. Foi lá que Romeu e Julieta viveram seu intenso e trágico romance, idealizado pelo dramaturgo britânico William Shakespeare. A obra foi escrita no século 16 e ambientada em Verona, como cenário medieval do início do século 14. Na cidade italiana - hoje um grande centro comercial e, depois de Veneza, a segunda maior da região do Vêneto - Romeu e Julieta não são personagens, mas habitantes ilustres cujas residências podem ser visitadas, respectivamente, na Via Arche Scaligere e na Via Cappello. E é a perspectiva de “conhecer” os jovens amantes que leva milhares de casais, italianos e estrangeiros, a percorrer as ruelas da cidade. Até mais. É em Verona que muitos desses casais realizam o próprio matrimônio, em uma cerimônia 42 A Piazze delle Erbe é point para compras. O Túmulo de Julieta é local de culto e a amada de Romeu ainda recebe muitos recados romântica, no cenário que circunda a legendária tumba de Julieta. Quem vai para Verona em busca de romance, se depara com uma cidade que preserva inúmeros vestígios do período medieval e renascentista em um centro histórico repleto de ruínas de beleza superável somente por Roma. A cidade se enriquece com magníficos palácios construídos pelos governantes na época da Idade Média, decorados com o rosso di Verona – calcário rosa local – e circundados por praças e ruas nas quais é fácil imaginar as ações dos personagens que fazem parte da clássica tragédia de amor. Aliás, a combinação entre a beleza da obra literária e a imaginação popular, fizeram com ComunitàItaliana / Maio 2008 Castelvecchio, na Vila delle Arché Scaligere (acima). Varanda e estátua de Julieta atraem turistas que alguns dos edifícios históricos de Verona compusessem o cenário principal da vida e morte dos jovens amantes, como as casas de Julieta e Romeu, além da tumba de Julieta. A prefeitura local decidiu restaurar algumas das construções históricas em estilo medieval genuíno, principalmente depois do grande sucesso alcançado com a obra-prima do cineasta norte-americano George Cukor, em 1936. Nem tudo é ficção Os indícios encontrados nos arquivos históricos de Verona dão por certo que a família Montecchio, de Romeu, era muito potente e rica. Morava em uma zona correspondente à casa medieval situada em Via delle Arche Scali- gere 2/4. A residência – aberta à visitação pública somente de junho a setembro – é uma das mais típicas casas da Idade Média veronesa, uma das poucas relativamente bem conservadas. A construção, na parte principal, tem janelas em estilo gótico, românico e renascentista e é circundada por um jardim interno e altos muros. A Casa de Julieta é um edifício do século 13 e cenário imaginado do baile de máscaras e do primeiro encontro entre os dois amantes. É lá que se encontra o quarto em que viveram sua única noite de amor. O portão da entrada, em ferro, e o corredor que leva ao pátio trazem as marcas das modernas declarações de amor de seus visitantes: cadeados coloridos pendurados nas grades, grafites e mensagens escritas nas paredes. Desde o início do século 19, a casa foi reconhecida como habitação da família Cappello, originária de Brescia e, por sua vez, identificada como eventual parte da dinastia Capuleto. Do pátio interno, onde se encontra a es- tátua de bronze de Julieta, pode-se admirar o balcão onde, na ficção, se dá o diálogo amoroso entre os jovens amantes, a parte externa da construção em tijolos vermelhos, com janelas e portais em estilo gótico. Nos salões internos existem afrescos narrando a legendária história de amor. Julieta conta também com uma importante equipe de secretárias para manter em dia uma intensa correspondência com seus apaixonados leitores. Respondem, anualmente, cerca de quatro mil cartas, mensagens telefônicas e de correio eletrônico, vindas de todas as partes do mundo. É musa inspiradora de milhões de jovens que se sentem capturados pelo amor e escrevem para a personagem em busca de conselhos, colocando no envelope simplesmente “Julieta Capuleto – Verona – Itália”. Essa tradição, iniciada em 1911, após o recebimento das primeiras cartas endereçadas a Julieta, hoje prevê também um concurso com prêmios para as mais belas cartas de amor selecionadas no Dia de São Valentim (14 de fevereiro), patrono dos apaixonados na Europa e nos Estados Unidos. Os mais belos ro- mances escritos também são escolhidos e premiados no dia 16 de setembro, quando se festeja o aniversário de Julieta. Já a tumba dedicada à jovem se encontra em Via del Pontiere. O sarcófago, transformado em símbolo da eterna união dos amantes, data, na realidade, do Império Romano e se localiza na cripta do Mosteiro de San Francesco al Corso, um conjunto monástico do século 13, também sede do Museu dos Afrescos. Desde o século 16, o antigo convento foi indicado como o lugar da sepultura de Julieta, tornando-se meca do turismo internacional. Mas nem tudo gira em torno de Shakespeare, quem vai a Verona não pode deixar de ver a Arena, um monumental anfiteatro do Império Romano atualmente destinado a grandes manifestações culturais como óperas e concertos de música contemporânea ao ar livre. Vale a pena visitar também o Palazzo Castelvecchio, construído em 1354, com a forma arquitetônica de uma fortaleza pela família Scaligeri, às margens do Rio Adige. Um dos prazeres imperdíveis do passeio é comprar aromas e especiarias na Piazza delle Erbe ou tomar um café na Piazza dei Signori, um conjunto de edifícios históricos construídos entre os séculos 12 e 15. Também são imperdíveis, uma visita à Basílica de San Zeno Maggiore e um passeio no jardim renascentista Giusti, criado na segunda metade do século 16. Romeu e Julieta ontem e hoje A primeira obra sobre a tragédia de amor de Romeu e Julieta foi escrita por Luigi da Porto de Vicenza, em 1530, transpondo o enredo de Siena para Verona. O célebre poeta e escritor toscano Dante Alighieri, ao escrever A Divina Comédia, no século 14, já citava os nomes das famílias Montecchio e Capuleto no sexto Canto do Purgatório (verso n° 105). Após diversas elaborações, a obra em prosa chega à França e à Grã-Bretanha, onde William Shakespeare transforma a então crítica ao amor físico na paixão intensa e arrebatadora que envolve os dois protagonistas, reforçando o arquétipo do amor contrastado pela guerra entre famílias rivais. O drama passa para a história da literatura e O inglês William se torna popular, com poucas alterações do Shakespeare enredo original e limitadas, sobretudo, à sua dimensão temporal. Enquanto na obra de Luigi da Porto, a trama durava nove meses, na de Shakespeare foi reduzida para quatro dias: começa no mês de julho, em uma manhã de domingo, e se conclui na quinta-feira seguinte. Desde segunda metade do século 16, o drama dos dois protagonistas apaixonados torna-se conhecido em toda a Europa. É retomado como fonte inspiradora para uma vasta produção cultural na pintura artística, em dramas teatrais, na dança clássica e moderna, na música erudita, no rock, no cinema e nas histórias em quadrinhos. Em termos de cinema, vale a pena recordar a primeira versão do cineasta americano George Cukor em 1936, seguida da ítalo-britânica de Renato Castellanio (1954) e da inglesa de Peter Ustinov (1961). Naquele ano, os cineastas Robert Wise e Jerome Robbins dirigem West Side History, filme musical ambientado em Manhattan com trilha sonora de Leornad Bernstein. Em 1968, Franco Zeffirelli dirige o filme de produção ítalo-britânica com Leonard Whiting e Olivia Hussey, para chegar à mais recente versão urbana de Baz Luhrmann (1996) com Claire Danes e Leonardo Di Caprio. Importantes também são as obras de Pëtr Il’ic Ciajkovskij, Sergei Prokofiev, Hector Berlioz na música erudita e no balé clássico, sem esquecer os grupos musicais Dire Straits e Radiohead no campo da música jovem. No Brasil, o desenhista Maurício de Sousa, já colocou Mônica no papel de Julieta e Cebolinha como Romeu, mas para uma história com final feliz. Maio 2008 / ComunitàItaliana 43 design DIvulgação design DIvulgação Designer carioca faz sucesso em Milão Made in Campana Tapete que vira chaise-longue de Ricardo Antonio foi a grande atração da badalada zona Tortona, durante o Salão Internacional do Móvel D Guilherme Aquino Correspondente • Milão urante cinco dias, 348 mil pessoas, em Milão, circularam entre camas, cadeiras, sofás, mesas, cozinhas e objetos de decoração. Esse foi o saldo da 47ª edição do Salão Internacional do Móvel que agitou a cidade italiana no mês de abril. Este ano, o evento atraiu 2.450 exibidores e 5 mil jornalistas internacionais em busca das novas tendências para a “moda casa”. O Brasil há tempos marca (boa) presença no Salão. Os irmãos Campana, por exemplo, já são celebridades freneticamente aguardadas. Este ano, porém, eles dividiram atenções e holofotes com outro desing brasileiro que começa a despontar no cenário internacional: o carioca Ricardo Antonio. Para encontrá-lo foi preciso ir até o badalado hotel Nhow, que fica no epicentro do design alternativo, a zona Tortona, ex-área industrial de Milão atualmente revigorada pela presença do teatro Armani e de outros vizinhos ilustres. O hotel é considerado uma das principais vitrines do 44 design mundial. Sua decoração é feita somente com móveis e objetos que escreveram a história do desenho industrial. Dentro do Nhow, Ricardo Antonio, de 44 anos, estendeu um tapete vermelho que se transforma numa confortável e elegante chaise-longue, batizada de Surface Two. Quem caminhou por ele e se deitou quis levar o móvel para casa. A representante da rede de hotéis Hyatt já encomendou duas peças para colocar no hall de entrada das suas unidades de Chicago e San Francisco, nos Estados Unidos. O Nhow, é claro, já tem a sua. ComunitàItaliana Ricardo Antonio desponta como novo “queridinho” do design / Maio 2008 Arquiteto e jornalista, Ricardo Antonio contou que a idéia da chaise-longue surgiu durante uma pesquisa sobre volumes e superfícies. O tapete esparramado no chão se eleva como uma serpentina. Ele recorta o espaço ao redor. De forte impacto visual a Surface Two precisa apenas de uma sala de estar à altura e rouba a cena de qualquer ambiente. — O tapete sobe e vira a própria chaise. A idéia é usar tapetes de produção artesanal. Estou brincando com esta possibilidade de levantar as coisas do chão e traçar linhas suaves e esculturais — explica o design à Comunità. Se ele fosse árabe, seria dito que a sua obra é um tapete voador pousado no chão em forma de uma espreguiçadeira para facilitar o vôo. Mas sendo carioca da gema, se nota a influência de um grande mito da arquitetura mundial, Oscar Niemeyer. E não é por acaso. Ricardo Antonio colaborou com o centenário mestre por anos a fio. O carioca não é marinheiro de primeira viagem em Milão. Es- te ano, porém, fez sua primeira participação como designer independente. Na sua carteira de peças de sucesso está a cadeira Ravello, realizada para a empresa italiana Poltrona Frau, em 2002/03, premiada no próprio Salão. Agora, é a vez da Surface Two ficar em evidência. — Tivemos muitos pedidos. As pessoas gostaram muito. Um fabricante quer discutir a produção dela aqui na Itália. Mas prezo muito o fato da chaise ter sido concebida e inteiramente feita com uma empresa de São Paulo. Estamos tentando dar vida a esta sinergia entre o artesanato e a indústria, como é costume fazer aqui na Itália — conta. A empresa paulista é a Villa Design, de Santa Bárbara do Oeste, pequena na capacidade de produção, mas grande em tecnologia e na vontade de entrar no mercado internacional. Ricardo Antonio quis realizar um sonho e fazer o caminho inverso do que é normalmente percorrido pelos brasileiros. — Este é um projeto brasileiro made in Brasil e não um projeto brasileiro made in Italy. Esta é uma primeira tentativa de trazer o design desenvolvido por pequenas empresas brasileiras para cá — explica. Em Milão, os brasileiros irmãos Campana já são de casa. E mesmo com tanta intimidade com a capital mundial do design eles nunca passam desapercebidos. Dez anos depois de terem sido catapultados pela empresa Edra para o cosmos das estrelas do design eles continuam a reger o passo do sucesso. Não se rendem aos aplausos, não se acomodam. Ao contrário, trabalham duro. Durante o Salão Internacional do Móvel o lançamento da nova cadeira da dupla, a Aguapé, ganhou uma noite especial no showroom da Edra, no bairro de Brera, no centro de Milão. Os convidados, fina flor do mundo do design, empresários, jornalistas e gente do jet-set italiano, faziam fila para experimentar a peça. Entre uma sessão de fotografia aqui e uma entrevista para a televisão ali, Fernando e Humberto conversaram com a Comunità. Eles falaram sobre o novo desafio que os espera: criar um projeto paisagístico em um parque degradado de Turim. C omunitàItaliana - O que vocês farão em Turim? Humberto - O projeto é o Geodesign. Em junho, Turim vai ser a capital do design italiano e eles convidaram vários arquitetos e designer para fazer interferências na cidade. Optamos em trabalhar na periferia e não no centro. Encontramos uma comunidade carente e fizemos um workshop com estudantes de uma escolar primária. Queríamos saber o que faltava no bairro deles. Existe um parque abandonado que está sendo recuperado e Guilherme Aquino Correspondente • Milão que era ocupado por dependentes de drogas. Fernando - Os moradores não estavam contentes com a freqüência do parque e as crianças nos deram as indicações do que elas queriam para ter uma vida melhor, uma área de lazer melhor. Elas queriam mais verde, mais segurança e um playground. CI - Como vocês irão compor este projeto? F - Vamos fazer reciclagem. Dá para brincar com isso. Eles terão estantes com pequenos vasos onde cada um vai ter a sua planta para cuidar. Isso fará com que cultivem um amor maior pela área. H - Eu sempre quis fazer um jardim e agora surgiu esta chance em uma grande escala. Eu tenho uma origem do interior de São Paulo, meu pai era agrônomo. Vamos ver o que vai sair. Trabalhamos junto com outras pessoas, vai ser algo muito orgânico. A idéia é que as pessoas do local tragam as plantas de casa. Vai ser um conjunto e as plantas podem não ter nada a ver uma com uma outra. Isso vai ser Maio 2008 / muito legal, vai ser um acaso. Nosso trabalho tem muito a ver com o acaso, com a construção do acaso. CI - E a cadeira Aguapé? Como chegaram a ela? F - Esta idéia veio de uma pesquisa para colocar várias camadas de couro juntas e que elas pudessem se auto-estruturar e compor todo o corpo de uma cadeira. A idéia, para ser mais evoluída, tinha que contemplar a ausência de qualquer estrutura metálica externa ou interna. Tudo tinha que ser de um couro enrijecido para que ela pudesse ficar montada como se fosse uma sela de cavalo. H - Aguapé é uma planta aquática usada no Brasil para despoluir o esgoto doméstico. As suas raízes nas lagos comem as bactérias da água que seguem limpas para os rios. Este ano estamos celebrando dez anos de parceria com a Edra e ela veio para celebrar isso. CI - Qual explicação vocês podem dar para este percurso de sucesso internacional? F - É difícil explicar. Acho que vai da sorte à boa apresentação de um produto final. Acho que o segredo é trabalhar sempre, não se acomodar com fórmulas fáceis, com o sucesso, com o aplauso. É bom ter aplauso, mas você tem que continuar fazer por merecêlo e isso vem do trabalho. H - A gente deve se preocupar com a nossa cultura. A partir do momento que você traduz o seu país, atrai atenções. Existe uma curiosidade a respeito do que é feito no Brasil porque é um país que ainda não foi tocado pela globalização em muitos aspectos. Nosso olhar foca estes cantos escondidos que o Brasil tem muito porque temos uma dimensão continental. CI – Como conseguiram não se contaminar pela globalização? F - Acho que isso vem do Brasil. A forma do Brasil de improvisar situações, o jeitinho brasileiro, mas é um improviso eficiente. H - Eu sempre digo que temos que ter um olhar como a Lina Bo Bardi teve. Pelo olhar distante de estrangeira ela conseguiu traduzir o Brasil com elegância, com modernidade. Eu sempre que vou criar me inspiro neste olhar, sem a vergonha das nossas raízes, dos nossos caipiras. ComunitàItaliana 45 Milão italian style Guilherme Aquino Café chic Tudo laranja E squeça aquele cafezinho do pé sujo da esquina. Em Milão a estória é outra. Degustar com prazer o conteúdo de uma xícara é quase um ritual religioso. Na cidade, existem pelo menos 20 cafeterias badaladas e famosas pelas suas criações, decorações e variedades. Panna de altíssima qualidade, aromas raros, grãos e pó perfumados garantem um cafezinho para lá de chique e inesquecível. Um local aberto recentemente é o Botega, na badalada corso Garibaldi, 12. A especialidade da casa é o café com nocciola e amaretto. Fotos: Divulgação A marca Bugati apresenta este liquidificador Vela, importado da Itália, 500 w de potência, 3 velocidades e função Pulse com copo em vidro temperado de 1,5 litros, perfeito para pessoas destras ou canhotas pois trabalha com 8 posições diferentes. A Lâmina em inox é facilmente removível para lavar e o cabo de força pode ser guardado embutido dentro da base, além das cores disponíveis, cromado, preto e vermelho, agora tem a opção laranja. R$ 894,00 Hora com luxo A Università degli Studi di Milano, bem no centro da cidade, na via del Perdono 7, abriu os seus portais que dão acesso ao pátio interno para visitantes curiosos em conhecer as novas tecnologias de energia renovável. Estão lá, espalhados pelo belíssimo cortile, o poste de iluminação pública que funciona à base Pechincha com estilo Peter Greenaway A A vida em Milão custa caro. Mas com paciência e boas indicações você consegue levar para casa objetos de grife sem pagar os olhos da cara. Os outlets estão aí para isso mesmo. O mais novo e requintado deles foi aberto recentemente. O Galbiati La Maison, fica na via Crema, 16. No primeiro andar estão objetos de marcas famosos já fora da linha de produção. Os preços são de 20 a 50% mais baratos. Lá podem ser encontradas peças das grifes Sambonet, Villeroy & Boch, Gironi, Galbiati. E para o guarda-roupa, você pode dar um pulo na Scarpe&Borse, na via Vitruvio, 35. Até o fim de maio, poderão ser encontrados sapatos para homens e mulheres ao preço de 29,90 euros, das mais variadas marcas e tamanhos, e bolsas bacanas e originais em couro a 49,90 euros. Uma pechincha perto do que ser vê por aí, fora das liqüidações. Última Ceia, de Leonardo Da Vinci, ganhou vida em Milão, graças ao cineasta inglês Peter Greenaway. Ele montou no Palazzo Reale, no centro da cidade, uma reprodução do refeitório da igreja de Santa Maria delle Grazie, aonde está o mural pintado pelo gênio italiano. A obra prima de ambos os autores, ainda que separados por quase 600 anos, se completam. Um jogo de luz e sombra anima os personagens pintados por Leonardo Da Vinci. Expressões, gestos e paisagens ganham vida graças à projeções de luzes cinematográficas e pela música clássica. A prefeitura de Milão quer manter a instalação de Greenaway de forma permanente na cidade e, para isso, está em busca de um local. 46 ComunitàItaliana / Maio 2008 de energia solar e a pá eólica de Philippe Starck, famoso designer francês. O pequeno moinho de pexiglass é capaz de produzir energia elétrica para ligar uma televisão ou acionar o aparelho de irrigação do jardim de uma casa ou apartamento. A engenhoca estará no mercado até o fim do ano. O preço ainda não foi decidido. Floresta no ar A chegada da primavera serve de incentivo para os projetos mais ousados. Um deles foi o de “plantar” um jardim suspenso em pleno centro da cidade. O café Trussardi, debruçado sobre a Piazza Ferrari, bem ao lado do teatro La Scala, viu brotar do dia para a noite orquídeas e samambaias. O muro vegetal tem cem metros quadrados de área. Ele explora uma das últimas fronteiras do paisagismo: o da cultivação hidropônica capaz de fazer crescer e desenvolver as espécies da flora em paredes verticais sem terra. É a tecnologia à serviço do meio ambiente. Estilo Gucci Fundamental para as mulheres, a bolsa é um adereço capaz de revelar sua personalidade. Essa, da Gucci tem acabamento em couro feito à mão, bolso Interior com Zíper, Anéis e adorno em metal dourado e tecido com iniciais da marca. $901 www.raffaello.network.com Direto da Itália O design italiano, tão conhecido mundialmente, também conquistou a Tok&Stok. A cadeira e a poltrona ao lado têm a assinatura de Harry Bertoia. A poltrona Diamante, de 1952, mantém a categoria de ícone entre os melhores desenhos do móvel moderno. Bertoia acreditava que a peça formada por arames de aço polidos e cromados se comporta como escultura que corta o espaço. A cadeira, com revestimento em couro sintético e forro em TNT custa R$ 343. Já a poltrona, com almofada em espuma de poliuretano injetada. R$ 755,00 Fotos: Divulgação Design Ecológico A PZero Tempo oferece este relógio com fivela borboleta, calendário na posição das 3 horas, à prova de água até 100 m e com cristal safira anti-reflexivo. $849 www.raffaello.network.com Os produtos acima mencionados estão disponíveis nos mercados italiano e brasileiro. Maio 2008 / ComunitàItaliana 47 lírico Dois caminhos para um sonho lírico Na Itália, a brasileira Chiara Santoro aprimora seus estudos, iniciados no Brasil, país sem tradição no canto lírico. No Brasil, Chiara Bonzagni brilha em apresentação promovida pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Comunità reuniu as duas. Pouco antes da sua estréia brasileira, Bonzagni conversou com a repórter Tatiana Buff. De Roma, Santoro falou, por e-mail, com a repórter Nayra Garofle. Uma é ainda promessa. A outra, começa a subir a escada da fama. Em comum, a dedicação e a paixão pelo canto. O 48 ComunitàItaliana tem tradição nesse estilo musical. A solução encontrada por Chiara foi partir para Roma, em busca de especialização. Há dois anos, ela vive na capital italiana. Em 2005, a Chiara italiana foi finalista do concurso internacional de canto Gaetano Fraschini, em Pavia. No ano seguinte, iniciou sua carreira internacional no papel de Abigail, em Nabucco, de Verdi. No ano passado, atuou como Lady Macbeth em Macbeth, de Verdi, Santuzza na Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni, e Floria Tosca em Tosca, de Giacomo Puccini. Fazem parte de seu repertório sacro e sinfônico o Stabat Mater, de Pergolesi e La Parafrasi del Christus, de Gaetano Donizetti e obras de Brahms e Fauré. No Brasil, Chiara Bonzagni se apresentou em São Paulo, no papel de Violetta Valéry, em La Traviata, de Giuseppe Verdi. Com o tenor Mario Leonardi, no papel de Alfredo Germont, foi convidada pelo Instituto Italiano de Cultura a encenar o melodrama em quatro atos (com libreto de Francesco Maria Piave) adaptado do romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho. As récitas foram aplaudidas de pé, os ingressos do Teatro São Pedro esgotaram-se dias antes das apresentações e Chiara foi bem recebida pela crítica especializada. Soprano lírico spinto, ela, na Itália, já é reconhecida. Na “escala de divas”, pode-se dizer que Chiara Bonzagni está no inter- mezzo do caminho. Ela, mesma, porém, considera-se ainda uma “aprendiz” do palco cênico. Em Roma, Chiara Santoro termina, este ano, seus estudos no Conservatório Santa Cecília. Ela integra um trio formado somente por mulheres (piano, contrabaixo acústico e voz) e pesquisa compositores da primeira metade do século 20. Apesar de estar há pouco tempo na Itália, ela já pisou nos palcos italianos. Como conclusão do master class de um mês que fez com Renata Scotto, participou de um concerto no Auditorium Parco della Musica. Além disso, fez pequenos concertos em cidadezinhas fora de Roma, e participou de uma montagem da ópera La Serva Padrona de Pergolesi em um castelo em Vignanello. — Eu criei a minha oportunidade. Depois de muito me informar sobre bolsas de estudos e ter sempre respostas negativas, vim para a Itália por conta própria. Como tenho dupla cidadania, sabia que poderia arrumar um emprego regular para ajudar a me manter — conta a Chiara brasileira cujos avós maternos são de origem calabresa, de Fuscaldo. Ao optar pela Itália, Chiara Santoro deixou para trás uma intensa atividade profissional. Por aqui, ela dava aulas particulares de canto lírico e popular. Fazia preparação vocal de grupos, peças teatrais e programas de TV. Em estúdio, gravava jingles e tri- Fotos: DIvulgação ano, 2006. Enquanto a brasileira Chiara Santoro partia para a Itália em busca de aperfeiçoamento, a italiana Chiara Bonzagni chegava à Polônia para dar início à sua carreira internacional. Mais do que o nome, as duas têm em comum a paixão pelo canto lírico e o sonho do estrelato nos palcos. Chiara Bonzagni, de 29 anos, está bem próximo da realização desse sonho. Suas atuações são cada vez mais elogiadas pela crítica especializada. Mês passado, ela se apresentou no Brasil e teve sua atuação comparada a de grandes divas. Enquanto isso, Chiara Santoro, de 24 anos, começa a saborear, agora, os primeiros aplausos da exigente platéia italiana, habituada a óperas parece que desde sempre. Enquanto a italiana administra com cuidado sua carreira, a brasileira ainda se desdobra na batalha pela sobrevivência. São estágios diferentes de um mesmo percurso que exige muita dedicação e es- tudo. Estudo que, no caso de ambas, e como na maioria dos grandes cantores, começou bem cedo, quando ainda eram meninas. Chiara Bonzagni iniciou sua formação musical pelo violino, aos oito anos de idade, com o maestro Ernesto Doimo, em Treviso, sua cidade natal. — A paixão pela música cresceu sob a influência de meu tio, que tocava em Nápoles — conta ela que completou os estudos de canto – seis anos - no conceituado Conservatório Benedetto Marcello, de Veneza. Chiara Santoro começou ainda mais cedo. Aos três anos, por escolha de seus pais, a menina passou a freqüentar aulas de canto e, desde então, não parou mais. A ítalo-brasileira estudou no curso de musicalização Agnes Moço, em Niterói, onde nasceu. Foi a professora que percebeu, de imediato, que aquela menininha tinha um talento natural para o canto lírico. E foi em canto lírico que Chiara se formou, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Ao contrário da Itália, o Brasil não Participação de Chiara Santoro na ópera “O rapto do serralho”, de Mozart, no Teatro Carlos Gomes, em novembro de 2005, no Rio de Janeiro / Abril 2008 De Chiara Santoro para Chiara Bonzagni C hiara Santoro - Qual a sua trajetória de estudos e o quanto isso foi importante para sua carreira? Chiara Bonzagni - O percurso de estudos que atingi foi o clássico diploma de conservatório. Mas considero que não exista um professor de canto perfeito. Muito se aprende sobre o palco. Isto é fundamental para mim e é um contínuo crescimento CS - O que faz um cantor ser bem sucedido? CB - O trabalho sério e o sacrifício. CS - Que conselhos daria para uma cantora ao início da carreira? CB - Ser sempre objetivo consigo mesmo. lhas sonoras para a TV e atuava como backing vocal para vários artistas. Mas o que mais gostava era de atuar em peças musicais, trabalho que começou a fazer aos 13 anos de idade. Chiara ainda integrava três grupos musicais: a banda GAZ, o grupo de percussão Zabatê e a banda MachinaMundi, sem contar os vários shows que costumava fazer com o pianista Marvio Ciribelli. Três anos antes de partir, a cantora fez diversos concertos de música clássica, com piano e orquestra, participou de montagens de óperas, entre elas uma estréia mundial do Pagador de Promessas, ópera brasileira de Eduardo Escalante, no papel feminino principal, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Apesar da sua paixão pela música clássica, Chiara Santoro, uma soprano lírico leggero, tem participado, na Itália, de shows de bossa-nova e concertos de música brasileira. Sem preconceitos. Para ela, o que vale é a “experiência de palco” que o trabalho representa. Trabalho esse que a ajuda a se manter na Itália, mas não é o suficiente. Durante todo o ano passado, ela conciliou sua agenda de shows com o expediente, seis vezes por semana, em uma enoteca e loja de gastronomia. — Quase todos os dias, vou ao conservatório estudar ou estudo em casa por pelos menos quatro horas. Às vezes, trabalho à noite em algum evento de música e vou a concertos — conta ela sobre sua rotina italiana. Pelo menos por enquanto, Chiara Santoro não vê problemas em conciliar canto lírico e popular. A popularização do lírico é, inclusive, uma tendência que vem sendo adotada, cada vez mais, por Maio 2008 / divas modernas como Katia Ricciarelli, a partir de um caminho aberto por nomes consagrados como o próprio Luciano Pavarotti. Esse caminho, porém, não é o que Chiara Bonzagni pretende seguir. Ela acredita que não se deve ultrapassar certos limites artísticos: — Amo muito a pureza da lírica, tenho muito a aprender, mas não critico nem julgo quem transita entre essas esferas — diz ela. Enquanto Chiara Santoro se prepara para começar a participar de concursos de canto e fazer mais audições, sua “colega italiana” se mantém bastante alerta para não ser picada pela mosca azul do “divismo”. — É preciso buscar um equilíbrio, sobretudo, não perder o contato com a realidade. Acredito que estrelismo é algo pertencente a uma mentalidade e um tempo que não mais existem. Hoje, o público não tolera arrogância, caprichos, nem sequer entre as mais afinadas vozes da ópera. Quer menos aparência e mais substância — afirma ela que diz ser “muito severa e autocrítica”. Chiara Bonzagni conta que está sempre atenta à possibilidade de aprender com todos ao seu redor. Até porque, segundo ela, “no palco cai toda a altivez” por ser o local onde o artista está “totalmente exposto”. Que conselhos ela daria para sua “colega brasileira”? Mais do que conselho, ela deixa uma advertência: — Essa nossa profissão é uma paixão e como toda paixão, arrebatadora. É preciso estar atento porque paixões são armas de duplo fio. Podem te dar muito e também te tirar outro tanto. ComunitàItaliana 49 Firenze il lettore racconta Giordano Iapalucci Pitti uomo Q Fotos: Reprodução uattro giorni all’insegna della moda maschile italiana. Dal 18 al 21 giugno la Fortezza da Basso a Firenze propone le collezioni di abbigliamento e accessori maschili per l’autunno-inverno 2008. Si tratta della 74ª fiera di Pitti Immagine Uomo. Con circa 800 espositori e più di 8.000 acquirenti esteri, si conferma come uno degli appuntamenti leader tra quelli dedicati al mondo della moda, sia sul panorama italiano, come anche su quello internazionale al quale saranno presenti i più importanti stilisti. Info: www.pittimmagine.com. De Chirico I I grandi bronzi del Battistero È stata presentata al Museo Nazionale del Bargello a Firenze la prima mostra monografica dedicata allo scultore Vincenzo Danti, che lavorò per lungo tempo a servizio della Famiglia Medici. Un artista non troppo conosciuto all’estero, che non fu mai allievo, ma seguace di Michelangelo. Questo ha fatto sì che la sua tecnica magistrale portasse con sé tratti del “michelangiolismo”, ma allo stesso tempo diversa da quella dei discepoli fiorentini dello stesso Michelangelo. L’esposizione prende corpo grazie al restauro delle tre grandi figure in bronzo del Battistero di Firenze e, oltre a queste tre opere, raggruppa anche quelle già presenti al Bargello. Fino al 7 settembre. Dalle 8.15 alle 18.00. Ingresso 7 euro. 50 ComunitàItaliana / l Museo Piaggio di Pontedera propone un’interessante esposizione di circa quaranta opere dell’artista contemporaneo Giorgio De Chirico in occasione del trentennale dalla sua morte. Un percorso che si snoda tra paesaggi, nature morte, Venezia e la Metafisica. Quest’ultima è sicuramente la caratteristica che più ricor- re nei suoi lavori. Forme essenziali in prospettive non realistiche collocate in ambienti misteriosi dove la presenza umana scompare. Fino al 28 giugno nell’ambito della rassegna “L’enigma nella pittura”. Aperto dal mercoledì al sabato con orario 10.00-18.00. Ingresso gratuito. Info www. museopiaggio.it O século 20 ainda engatinhava quando começou a história da minha família, Gagliano, que veio da Sicília para se estabelecer no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro. Grande parte da Europa passava por dificuldades financeiras às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Este foi o período escolhido pelo meu tataravô Giuseppe para buscar condições melhores para a sua família. Já por aqui, Giuseppe ensinou a seu filho Angelo o trabalho de alfaiate, função que o jovem abraçou com muita vontade e com a qual sustentou a sua família até o fim da vida. Durante a viagem para o Brasil, o pequeno Angelo não sabia que o destino trazia, no mesmo navio, aquela que seria, tempos depois, a sua esposa. Com 20 anos de idade, Angelo conheceu Teresa e ao conversarem descobriram o acaso da vida. E mais: ela era sua vizinha na Sicília. O enlace do jovem casal ocorreu antes mesmo do fim da Primeira Guerra, Safari Tour T orna Lorenzo Cherubini, in arte Jovanotti, in concerto a Firenze. Il 12 maggio prossimo si esibirà al Mandela Forum dove presenterà il suo nuovo album “Safari Tour” anticipato in queste ultime settimane dal singolo “Fango”. Il cantautore romano, classe 1966, è tra i più famosi musicisti dell’era contemporanea per ciò che riguarda pop e rap italiano. Passato dagli anni Novanta, in cui la sua musica era indirizzata al pubblico degli under 18, lavora a tutt’oggi con motivi molto legati e impegnati sul lato sociale. Inizio ore 21.00. Prezzi da 32 a 43 euro. Maio 2008 lo Ange da nal Festa io ic d a r t A a omemorad c , a n a i l a República It des do proximida s a n o h n em ju o, de Janeir io R o n Consulado, liano theus Gag a M z fa e sempr de sua história a r a r b m rele o italianos, e d o t e n is família. B a o contar a a n io c o em jovem se os. ntepassad a s u e s e ad trajetóri je, ter mília, ho fa a d r a Apes seus ultura de c a d o c u po a que a alm a m r i af le em 1916. No ano seguinte, nasceu bisavós, e ando, o primeiro filho deles: Oswaldo. O vez em qu e d , a n a i menino recebeu como sobrenome ital voltar. Ciculo, em homenagem à cidade insiste em natal de seus pais. Logo, vieram os outros dois filhos de Angelo e Teresa: Nina e Afonso. Angelo fez um grande esforço para fazer de Oswaldo um engenheiro, numa época em que ter um nível superior era privilégio de pouquíssimas pessoas no Brasil. Oswaldo se apaixonou por Maria José, mais conhecida pelo apelido de Betty, pela sua semelhança com a atriz Betty Davis, do cinema norte-americano. O casamento dos dois foi em 1941. Dois anos depois, nasceu o primeiro filho do casal, Angelo Neto. Infelizmente o convívio entre Angelo Neto e seu avô durou pouco: o imigrante italiano faleceu quando Angelo Neto tinha ainda poucos meses de vida. Nos anos seguintes, até 1959, nasceram os outros sete filhos de Oswaldo e Betty. Como reza a tradição italiana, cada um tinha um apelido: Angelo Neto passou a se chamar Furli. Minha mãe, Maria José, passou a se chamar Titã. Um fato marcante da minha família era a festa de Natal. Meu avô fazia questão de nos dar um Natal sempre g “ ordo”, com presentes para os netos, filhos, noras, genros e afilhados. Algo que ele mesmo não pôde ter quando era criança. Meu avô exigia a presença de todos. Ele tomava conta da cozinha e preparava pratos e mais pratos, com sua máquina de fazer macarrão caseiro. Havia de tudo: canelone, ravioli, lasanha, calzone, salames para todos os gostos, queijos e mais queijos. Claro, durante o preparo dos pratos não faltava o vinho tinto que meu avô saboreava enquanto ouvia na vitrola seus artistas preferidos: En- Maio 2008 repórter Depoimento à rofle Nayra Ga rico Caruso e Mario Lanza. Nunca me esqueço do piano que meu avô costumava tocar na sala cantando O Sole Mio. O Natal nunca terminava antes da sua performance. Em 1987, meu avô faleceu após internação no Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro. Os Natais nunca mais foram os mesmos após sua partida. Também nunca mais senti a alma da Itália pulsar em minha família, como antes. Em junho de 2006, algo mudou e voltei a sentir o sangue italiano nas veias. Foi quando passei pelo centro do Rio de Janeiro. Neste dia, nas proximidades do Consulado, estava sendo comemorada a festa da República Italiana. Não tive outra reação senão sentir-me em casa: as barracas tinham comidas típicas, todas aquelas que meu avô preparava com prazer. Sim, lembrei-me, no mesmo instante, do Natal com ele. Hoje, a família pouco tem das raízes italianas. Mas de vez em quando, a alma italiana insiste em voltar. Em junho, estarei de braços abertos para recebêla, na festa da República. Matheus Gagliano, 28 anos, Niterói, Rio de Janeiro Mande sua história com material fotográfico para: [email protected] / ComunitàItaliana 51 vinho Dados sobre a redução do consumo de vinho na Europa e a denúncia de que fabricantes italianos famosos estavam produzindo a bebida fora dos padrões estabelecidos gerou mal estar na última edição da Vinitaly Lisomar Silva P Correspondente • Roma reocupação e constrangimentos. Esse foi o clima por detrás da festa da 42ª edição da Vinitaly, a principal feira de enologia da Itália e uma das principais do mundo, que tomou conta da cidade de Verona, em abril. A preocupação ficou por conta dos últimos números divulgados referentes ao consumo de vinho na Europa. Tradicional bebedor, o velho continente está abrindo menos garrafas do que o de costume. Já os constrangimentos ficaram por conta de uma denúncia feita pela respeitada revista semanal L’Espresso de que vinhos italianos estavam sendo alterados. Dentre eles, o famoso e caríssimo toscano Brunello di Montalcino, da vindima de 2003. A edição com a denúncia circulou exatamente no período de abertura do evento e caiu feito uma bomba. Fora esses “inconvenientes”, a feira manteve seu sucesso de público. Foram 150 mil visitantes, dos quais 40 mil compradores originários de mais de cem países, que puderam avaliar o nível de qualidade dos vinhos italianos e estrangeiros apresentados por 4.300 expositores. Dados do relatório anual da Organization Internationale de la Vigne e Du Vin (OIV), divulgados na feira, indicam que a Itália – segundo maior produtor de vinho, depois da França – se encontra entre os países mais penalizados, com a redução do consumo da bebida, equivalente a 12% , caindo para 43,5 milhões de hectolitros em 2007 (um nível inferior ao período das vindimas de 2002 e 2003). A produção vinícola mundial é estimada, atualmente, em cerca de 275 milhões de hectolitros (hl), dos quais mais de 70% concentrados na Europa. 52 A França, por sua vez, sofreu uma redução de 11% , diminuindo sua produção para 46,2 milhões de hl. Em termos gerais, após o ápice alcançado em 2004, a produção global caiu para níveis inferiores aos registrados em 1997 e em 2002. Isso significa que o consumo interno diminuiu justamente nos países europeus de maior tradição vinícola. A expectativa é que o mercado produza cerca de 241 milhões de hl em 2008, como acontecia há cerca de 20 anos. A tendência é haver uma migração do local de produção de vinhos, como já acontece com vários produtos tidos como made in Italy, como sapatos, atualmente feitos, de fato, na China. Fatores como as flutuações do mercado monetário internacional, a margem de lucros seguros para novos investimentos no exterior, as mudanças climáticas, o baixo custo da mão-de-obra, além da possibilidade de se conhecer o resultado de novas culturas e tipologias alternativas de uvas, contribuem para que um número cada vez maior de vinícolas européias se apressem, em expandir suas atividades, sobretudo nos países da Ásia e da América Latina. Os produtos típicos do setor agroalimentar italiano represen- ComunitàItaliana / Maio 2008 Cave da fábrica do Brunello di Montalcino tam o segundo ítem mais importante na balança de exportações, equivalente a 24 bilhões de euros por ano, sendo superado somente pelo segmento de bens e equipamentos mecânicos. Desde o ano passado, a direção de Veronafiere e Instituto para o Comercio Exterior (ICE) realizam atividades para encorajar os pequenos e médios produtores a apresentar seus produtos, no exterior. Atualmente, em um universo de 770 mil empresas do setor com um giro de capital na ordem de 9 bilhões de euros, somente 1.200 vinícolas se colocam como exportadoras, gerando cerca de 3 bilhões de euros. Brasil como alvo Em 2009, as atenções dos exportadores se voltarão para o Brasil, décimo mercado consumidor mundial cujo perfil de mercado é considerado propício ao aumento do consumo de vinhos italianos. Afinal, no país vivem 31 milhões de descendentes de italianos. No mercado brasileiro, os vinhos italianos concorrem diretamente com os franceses, portugueses, argentinos e, sobretudo, os chilenos, que detém o menor custo final para o consumidor. Segundo o ICE, a Itália foi o terceiro fornecedor de vinhos para o Brasil em 2007 – depois do Chile e da Argentina – com 15.9% do total em termos de volume e 14% em termos de valor (6,06 milhões de litros). Esse crescimento representa a cerca de 29,4% das exportações italianas. O Lambrusco, vinho produzido na região da Emília-Romagna, foi a grande revelação em termos de consumo, totalizando 73% das exportações italianas. Mas outros também fazem sucesso junto aos consumidores brasileiros, como Valpolicella, Montepulciano d’Abruzzo, Chianti, Frascati, Corvo e Bardolino. Giovanni Mantovani, diretor geral de Veronafiere, pensa que as tradições culturais e o estilo de vida dos brasileiros são muito mais parecidos com os dos italianos que em outros países: — Hoje, podemos pensar também que existem condições econômicas favoráveis e ideais para uma demanda importante de vinhos italianos — diz — O importante é fazer com que o brasileiro conheça melhor o mundo dos vinhos e cultive o hábito de consumi-los como parte da alimentação, durante todo o ano, sem se limitar somente ao período das festas. Genuinidade italiana “de araque”? Segundo a revista L’Espresso, vinhos toscanos de respeitáveis produtores tradicionais como Argiano, Frecobaldi, Antinori e Banfi, teriam sido produzidos adicionando o mosto de uvas francesas à tradicional tipologia Sangiovese, única autorizada por lei. Também de acordo com a publicação, Exemplar do Brunello di Montalcino: sob suspeita resolveram controlar também as vindimas de 2004 a 2007. Os recentes episódios de contaminação, manipulação e contrafação denunciados pela imprensa na Itália – como a dioxina na mozzarella bufalina, a falsificação do óleo de sementes mascarado com clorofila e betacarotene para reproduzir a cor e o sabor do óleo de oliva extra-virgem, além da violação de O normas sobre a produção vinícola – fizeram com que as associações italianas defensoras dos consumidores pedissem, há tempos, os nomes dos autores dessas irregularidades. Mas os ministérios italianos para a Política Agrícola e a Saúde, responsáveis por toda a documentação relativa aos casos de violações das normas de produção, até agora omitem as informações a respeito de marcas e produtores pensando que assim defendem a genuinidade dos produtos típicos italianos. Os destaques brasileiros s vinhos brasileiros conquistam a atenção cada vez maior do mercado internacional, com medalhas e menções honrosas recebidas em rigorosos concursos enológicos internacionais. Na última edição do concurso internacional realizado em Verona pela Associação Enólogica Italiana, as vinícolas Salton, Miolo, Garibaldi e Monte Lemos tiveram suas produções reconhecidas entre as melhores do panorama mundial para seus vinhos brancos, tintos e espumantes. As menções honrosas foram destinadas ao Desejo 2005, Maio 2008 / um fino seco realizado com uvas Merlot (Salton); ao Vale dos Vinhedos Cuvée Giuseppe 2004, que inclui as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot (Miolo); ao Talento 2004 (Salton), um bom tinto seco; ao Prosecco Espumante Natural Brut 2007 (Garibaldi) e ao Espumante Natural Brut Faria Lemos Dal Pizzol (Monte Lemos). ComunitàItaliana 53 Conceito.com Azedou estaria havendo uma total manipulação de vinhos baratos com açúcar de beterraba, água e perigosas dosagens de ácido clorídrico, sulfórico e fosfórico, além de metanol. Este último caso de alteração foi identificado em oito regiões italianas no início do ano, pela Polícia Florestal e o Núcleo contra Sofisticações da Polícia. Francesco Marone Cinzano, presidente do Consorzio di Tutela del Brunello di Montalcino, se mostrava sereno quanto ao inquérito aberto junto à Magistratura de Siena sobre a questão. Segundo ele, os resultados das investigações não poderiam danificar a imagem do Brunello di Montalcino, que hoje vale 200 milhões de euros no mercado internacional, com 250 produtores que representam a ponta de diamante para uma produção anual média de 6,5 milhões de garrafas. Por via das dúvidas, os investigadores gastronomia notas Brazil Design Week D O nze mil visitantes em três dias de evento. Esse foi o saldo do Spazio Italia, dentro da Restaubar Show 2008, evento de negócios do setor de bares e restaurantes, realizado mês passado, em São Paulo. O espaço, organizado pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria, ofereceu uma seleção “top” da gastronomia da Bota aos visitantes que tiveram a oportunidade de degustar pratos preparados por alguns dos melhores chefs italianos radicados no Brasil. Vários deles foram homenageados com o título Maestro della Cucina Italiana in Brasile. Dentre os pioneiros, Antonio Buonerba, Benedetto Perrella, Fabbrizio Guzzoni, Giancarlo Bolla, Giovanna Paternò, Giovanni Bruno, Lamberto Percussi, Mario Tatini, Massimo Ferrari e Vincenzo Venitucci foram os homenageados. Já Alessandro Segato, Bruno Stippe, Giancarlo Marcheggiani, Giuseppe La Rosa, Luciano Boseggia, Paula Lazzarini, Roberto Strongoli, Silvana Borella Piran, Tullio Grandi e Volmar Zocche foram os chefs contemporâneos destacados pela divulgação da gastronomia italiana no país. Italiano recebe medalha Tiradentes O Roberth Trindade siciliano Elio Rocca é o mais novo italiano agraciado com a Medalha Tiradentes. A honraria, concedida a pessoas que tenham prestado relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro, foi entregue ao marechal como reconhecimento pelos esforços empregados na construção de laços entre a Itália e o Estado, principalmente nos municípios de Barra do Piraí, Petrópolis, Nova Friburgo e Angra dos Reis. No grupo de Carabinieri desde 1980, Rocca exerceu as funções de vice-comandante da Central dos Carabinieri de Castelgandolfo (residência de verão do Papa), comandante do Núcleo de Operações dos Carabinieri na cidade de Paola e responsável pela Segurança de Pessoal junto ao Ministério das Relações Exteriores da Itália em Roma. No Brasil, já havia recebido a Medalha ao Mérito, em fevereiro de 2004, e a Medalha Sangue dos Heróis, em 2005 e ainda, o título de cidadão honorário de Barra do Piraí. — Sinto-me muito honrado em receber mais essa homenagem, visto que tenho muitos amigos no Brasil e um carinho especial pelas cidades onde passei. Sei que ainda há muita coisa a ser feita no âmbito de união entre os países, mas a Calábria e o Rio de Janeiro já promoveram muitos avanços — declara Elio Rocca, que recebeu a medalha do deputado Edson Albertassi. ComunitàItaliana / Maio 2008 H á 17 anos, o pintor Israel Pedrosa, que foi aluno de Portinari, pinta réplicas de quadros de mestres da pintura. Atualmente, trabalha numa obra de Leonardo da Vinci, chamada Batalha de Anghiari, um mural inacabado que foi recoberto por argamassa de 16 cm de espessura. Na primeira semana de junho, Pedrosa embarca para a Itália. Seu destino é Florença, onde pretende encontrar estudiosos das obras de Leonardo da Vinci e ver, de perto, as obras italianas. Desde setembro do ano passado, Pedrosa trabalha na Batalha de Anghiari e pretende terminar o quadro quando retornar de viagem, em julho. Formado pela Escola Superior de Belas Artes de Paris, Pedrosa é responsável pela criação da disciplina História da Arte, da Universidade Federal Fluminense. Aos 82 anos de idade, prepara um livro intitulado Dez aulas magistrais, no qual faz um estudo sobre a arte ocidental dos últimos 500 anos. Ronaldo e os travestis N o Rio de Janeiro, ao tentar se divertir, o Fenômeno parou na delegacia. Ao se envolver com três travestis, o jogador do Milan foi acusado por um deles de ter usado drogas e ter se recusado a pagar pelo programa. No fim de abril, depois de assistir um jogo no Maracanã, Ronaldo partiu para uma boate. Ao deixar o local, contratou os serviços de uma garota de programa chamada Andréa, mas que na verdade era o travesti André Luiz Ribeiro Albertino. Segundo o delegado Carlos Nogueira, da 16ª DP, os dois foram para um motel e André chamou duas amigas, também travestis. Porém, Ronaldo afirma que só percebeu o engano quando todos estavam no quarto e, ao afirmar que não gostava de travestis, ofereceu 1 mil reais para que todos fossem embora. Andréa não aceitou e teria exigido 50 mil reais para que o caso não fosse parar na imprensa. Ele não eceitou e o travesti chamou a polícia, mas saiu correndo da delegacia ao ser questionado sobre extorsão. Tudo no Youtube P ara comprovar a identidade do jogador, Andréa publicou um vídeo no site Youtube. De posse de um documento de carro em nome de Ronaldo - que teria sido deixado com ele como garantia de pagamento, o travesti poderá ser indiciado por extorsão e furto se for confirmado que o mesmo foi pego escondido. O comunicado oficial do Milan diz que “Militante de causas sociais, Ronaldo jamais foi usuário de drogas, sendo sempre idolatrado e admirado por crianças e adolescentes do Brasil e do mundo. Os indícios apontam para uma tentativa de extorsão, onde o atacante é a única vítima e, se necessário, tomará as atitudes cabíveis”. Tem wasabi na pasta De volta ao Rio de Janeiro, chef italiano mistura os sabores da Itália e da Ásia e dá um toque especial a um novo restaurante em Ipanema M isturas culturais têm feito sucesso em muitas cozinhas, pelo mundo. É a tal moda fusion. De uma maneira geral, a tradicional gastronomia italiana não é dada a muitas dessas inovações, por conta do sucesso que sempre fez. No Rio de Janeiro, porém, um chef italiano ousou. Para o novo restaurante Boox, em Ipanema, Roberto Della Corte criou um cardápio que junta os sabores da Itália com os da Ásia. Fettuccini con ragù di vitello (massa fresca com picadinho de vitela no prosecco ao molho teriyaki), Salmone in crosta (salmão grelhado em crosta de wasabi e papoula acompanhado por risoto de mascarpone e limão) ou Carpaccio di Robalo (finas fatias de robalo fresco, burrata, chutney de gengibre ao molho oriental e balsâmico) são algumas das opções criadas por Della Corte. — Podem chamar de fusion, mas eu não gosto. É um cardápio fruto da globalização — resume Della Corte, de 42 anos, que gosta, particularmente, do belo visual dos pratos orientais. Foi para atender o jeito “doisem-um” do estabelecimento que Sônia Apolinário ele chegou a essa mistura inusitada. O sofisticado Boox é, ao mesmo tempo, restaurante (primeiro andar) e lounge (segundo andar). O cardápio deveria ter refeições e lanches ligeiros. Della corte admite que o sucesso que o sushi faz, em todo o mundo e também no Rio de Janeiro, foi a primeira coisa em que pensou para o lounge. Precisaria, então, conciliar esse fenômeno internacional com a querida cozinha italiana, que seria a base do cardápio do Boox. Mas com um toque moderno. Vide o mix de cogumelos frescos sobre suave polenta com queijo fundido ao perfume de trutas ou o paillard de filet mignon com fettuccini ao molho triplo burro ou risoto de limão. Della Corte sabe bem como agradar os cariocas. Ele foi o responsável pelo sucesso do Clube Chocolate, um inesperado bistrô dentro de uma loja de roupas sofisticada. O restaurante, ainda em funcionamento, se tornou uma referência gastronômica na cidade graças, principalmente, aos impecáveis risotos do chef. Os últimos dois anos, porém, Della Corte passou na sua Itália. Nascido em Belluno, cidade da Fotos: Roberth Trindade Israel Pedrosa Fartura 54 Roberth Trindade esign não diz respeito somente à estética, mas a negócios – e de alto calibre. E é para fomentar negócios nesse segmento que a Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign) promove, entre 3 e 8 de junho, o 1º Brazil Design Week. O evento será realizado no Museu de Arte Moderna, no Rio, e será o primeiro do gênero no país. O objetivo é colocar, frente a frente, executivos e empresários brasileiros e estrangeiros com designers brasileiros. “A indústria brasileira não sabe como articular design com inovação de produtos porque não encara o design como gestão de negócios”, afirma Luciano Deos, vice-presidente da Abedesign, instituição criada há quatro anos, em São Paulo, que reúne 70 escritórios de design. Além de rodadas de negócios, o evento terá seminários setoriais. Della Corte no Boox: diferencial região do Vêneto, ele conta ter ficado com saudades do Brasil e resolveu voltar. — Aqui, tenho uma qualidade de vida invejável. Eu moro e trabalho em Ipanema, ou seja, faço tudo a pé. Nem lembro que existe carro. O clima daqui é maravilhoso. Eu adoro praia. Sempre vou para o Arpoador surfar. Além disso, o Brasil é um país com grande potencial para crescer. A Itália não tem mais isso. Lá não tem crescimento e os salários estão baixos — conta. Maio 2008 / Foi na sua própria cidade natal que, aos 14 anos, Della Corte iniciou no que seria sua futura profissão. Em Belluno funciona uma famosa escola de gastronomia. Por que ele resolveu aprender a cozinhar? Ele diz não saber muito bem, mas afirma que não foi por influência da família. Acha que foi pela própria tradição da escola, que sempre atraiu alunos de várias partes da Itália. Belluno é uma cidade de montanha, perto de Veneza. Della Corte tinha, então, “à disposição”, os atrativos da praia e do sky, amplamente explorados pela indústria turística italiana. Isso fez com que o então jovem aprendiz de cozinheiro sempre conseguisse arrumar trabalho, tanto no inverno, quanto no verão. Aos 32 anos, conta Della Corte, ele se sentia pronto para assumir maiores desafios como chef, mas achava que estava “faltando algo” na sua formação. Decidiu passar um tempo nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles, para aprender o que os americanos fazem melhor em uma cozinha: gestão empresarial. — Fazer um prato é fácil. Difícil é fazer um restaurante dar certo — admite. Quando estava para voltar para a Itália, ele “deu a sorte” de ser chamado por um grande amigo para desenvolver com ele um projeto, no Brasil. Era o Clube Chocolate, ainda uma idéia em algumas cabeças. Assim, em 2001, Della Corte veio para fazer uma experiência de quatro meses para ajudar a montar o cardápio do restaurante. Ficou cinco anos e acabou trazendo toda a família para cá. Agora, veio sozinho. As filhas de 18 e 16 anos preferiram ficar na Itália. Della Corte “sentiu o baque”. Mas, para amenizar a solidão, já comprou um cachorro. O maior problema de morar sozinho, segundo ele, é a falta de companhia, na hora das refeições: — Em casa, só como comida italiana. Nada como uma massa feita na manteiga e azeite com queijo parmesão por cima. Mas não tem graça comer sozinho. Comer é um ato de agregação. Quando estou na Itália e estou sozinho, vou comer na casa da minha mãe. Aqui, prefiro nem comer. ComunitàItaliana 55 gastronomia Brasil terá sua segunda escola de gastronomia patrocinada por governos regionais da Itália Q Sílvia Souza Maffioli. Será inaugurada, no ano que vem, e vai ocupar a casa onde, atualmente, funciona a Escola de Turismo Petrônio Portela. Localizado na cidade de Castelfranco, na província de Treviso, o IPSSAR é uma das mais respeitadas faculdades no setor de hotelaria e gastronomia, de toda a Europa. O primeiro passo para a implantação do projeto será a reforma da Escola de Turismo Petrônio Portela para ficar de acordo com dos padrões de qualidade exi- gidos pelo instituto italiano. As obras estão para começar. O convênio entre o estado do Piauí e a instituição do Vêneto foi firmado pelo governador Wellington Dias e o reitor Beiamino Faoro após uma viagem feita, em março, pelo governador, à Itália. — Se os piauienses já são reconhecidos como os mais nu- Editoria de arte uatro anos depois da criação da Escola de Gastronomia de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, o estado do Piauí ganhará uma outra escola especializada em gastronomia, nos mesmos moldes da primeira. Enquanto no sul do Brasil é a região italiana do Piemonte que coordena o trabalho, no nordeste será a vez do Vêneto se fazer presente no país. A cidade de Parnaíba, no norte do Piauí, foi a escolhida para sediar uma unidade do Instituto Profissional do Estado para o Serviço de Hotelaria e Gastronomia (IPSSAR) Giuseppe merosos e competentes trabalhadores de gastronomia no Brasil, agora terão mais uma oportunidade de enriquecerem suas qualificações — afirma o governador Wellington Dias. O atual acordo é conseqüência das relações de amizade e cooperação entre a Região do Vêneto e o Piauí e tem como peçachave o padre italiano Umberto Pietrogrande. Através de suas iniciativas, a administração regional já mantém uma série de atividades no Estado. As negociações para a abertura da filial brasileira da escola italiana começaram em 2003. O cartão de visitas do Piauí foi o trabalho feito pela Escola Família Turismo de Teresina, um projeto desenvolvido pela Fundação Padre Antonio Dante Civiero (Funaci). Para conhecê-lo, o professor Bruno Brunello, que atua junto às escolas de turismo na Itália visitou o estado nordestino, a convite do presidente da Funaci, o padre Umberto Pietrogrande. A idéia era discutir a viabilidade de um intercâmbio para aplicar a experiência das escolas de turismo existentes na Itália nos Estados do Piauí e Espírito Santo. O que ocorreu com uma experiência piloto em 2005. ceira com a região italiana do Piemonte. A unidade tem o apoio do Italian Culinary Institut for Foreigners, entidade criada há 14 anos por um grupo de chefs de cozinha e proprietários de restaurantes italianos, com o intuito de difundir a cultura gastronômica italiana. Com o objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico de toda a serra gaúcha, a instituição foi aberta ao público no dia 10 de agosto, dia de São Lourenço, o padroeiro dos chefs. A unidade de Flores da Cunha foi a primeira aposta da instituição italiana fora da Itália. A segunda Fotos: Divulgação Funaci Sabores do Piauí com tempero do Vêneto Logo após a chegada de Brunello ao Piauí, agências do governo do Estado e do município, como também, representantes sindicais do segmento de bares, restaurantes e similares, além de representantes do setor turístico se reuniram para dar prosseguimento à proposta. O professor planejou o curso de formação de monitores da Escola Família de Turismo e realizou a seleção desses agentes. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ficou com o papel de articulador junto aos sindicatos de hotéis, bares, restaurante e similares. Para a nova escola, o técnico da atividade hoteleira do IPSSAR, o professor Giancarlo Saretta, já esteve no Piauí para aprimorar as negociações com o Governo do Estado e visitar a escola escolhida como sede. A escola de gastronomia e hotelaria parnaibana vai incluir parcerias com os ministérios de Relações Exteriores de ambos os países, ministérios da Educação, Turismo, Embratur, além da participação das secretarias estaduais do Turismo e Educação. — A escola é simples. O diferencial desse projeto é que nós não estamos importando a cultura da Itália, nós mantemos a cultura local, porém com o gerenciamento e a qualidade do ensino europeu — explica o gerente de Projetos Estratégicos do Governo do Estado do Piauí, Jorge Lopes. — A iniciativa de implantação da Escola Família Turismo na cidade de Teresina, se deve à Fundação Padre Antonio Dante Civiero que elaborou um projeto exeqüível, sustentável e, profundamente, inovador, do ponto de vista da iniciativa da sociedade civil organizada. Segundo Lopes, esta iniciativa revela o compromisso tanto da sociedade civil, quanto do poder público e do setor produtivo “em criar mais e melhores condições educacionais e profissionalizantes para os jovens em busca de uma formação e inserção profissional e de trabalhadores já inseridos no mercado que desejam melhorar sua formação técnico-profissional”. O “embaixador” O padre Umberto Pietrogrande é o grande embaixador do Piauí, no Vêneto. Quem faz a comparação é o gerente de Projetos Estratégicos do Governo do Estado, Jorge Lopes. É graças ao “embaixador” que aquela região italiana está presente em vários projetos, no estado nordestino. Um dos mais importantes é o hortifruticultura hidropônica para áreas carentes de Teresina, com técnicas produzidas pela Universidade de Pádua. Há também um hospital no Bairro Pedra Mole e várias escolas agrícolas localizadas na comunidade rural teresinense do Soinho e nos municípios de Miguel Alves e São Pedro do Piauí que têm um “dedo” do Vêneto. Padre Pietrogrande, que já havia iniciado seu trabalho no Espírito Santo, ainda contribuiu com a formação dos Amigos dos Estados do Espírito Santo e do Piauí. A entidade é formada por empresários e técnicos cujo objetivo é a elaboração de projetos cooperativos formatados dentro dos padrões de aceitação para os parlamentos da Itália e do Brasil. foi inaugurada recentemente, em Xangai, na China. A escola gaúcha está localizada no Pavilhão 1 do Parque da Vindima e tem capacidade para 75 alunos, por turno. É vinculada à Universidade de Caxias do Sul (UCS) e conta com um laboratório de 1,6 mil metros quadrados para aulas práticas, enoteca, cozinha industrial, além de um auditório e um restaurante para Na escola de gastronomia e turismo, alunos aprendem a fazer a mesa, cozinhar e servir. De 2005 a 2007, turmas-pilotos comprovaram o desenvolvimento do programa e levaram dois monitores à Itália A experiência do Piemonte Inaugurada em agosto de 2004, a Escola de Gastronomia de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul também é fruto de uma par- 56 ComunitàItaliana / Maio 2008 Maio 2008 / 70 pessoas, onde são servidos os pratos elaborados pelos alunos. Com seus cursos normais de 600 horas, a escola já teve nove turmas, o que significa a formatura de cerca de mil alunos, entre someliers, enólogos e chefs. No momento, se estuda a viabilidade de implantação de cursos rápidos, com duração aproximada de um mês. Além da formação de chefs e cozinheiros, o empreendimento em Flores da Cunha atua em subseções como agroindústria, em um programa de trabalho do Núcleo de Extensão da UCS, voltado à gastronomia. Nele, é prestada consultoria ao agricultor para estudo de aumento de lucratividade. Dessa atividade faz parte a troca de informações para que o empresário agregue valor aos produtos primários, recebendo tecnologia para o cultivo de tomates, temperos e especiarias, que serão utilizados na Escola. A iniciativa também dá um grande impulso ao turismo, já que proprietários de agências de viagens da região foram assessorados para a montagem de roteiros turísticos relacionados com gastronomia. As novidades incluem cursos rápidos de degustação de vinhos, licores e espumantes nos passeios de turistas que visitam a serra gaúcha. Eles podem participar também de workshops de gastronomia temática, bem como visitar vinícolas e estabelecimentos agroindustriais da região – um tipo de turismo bastante explorado na Itália. ComunitàItaliana 57 café C Roberth Trindade inque ristoranti italiani e solo uno brasiliano sono tra i 50 migliori del mondo. Il ranking viene fatto annualmente dalla rivista inglese Restaurant ed è stato reso noto il mese scorso. Tra gli italiani, il più meritevole è stato il Gambero Rosso (San Vincenzo, Livorno), arrivato al 12º posto. Gli altri sono: Dal Pescatore (Canneto sull’Oglio, Mantova), 23° posto; Enoteca Pinchiorri (Firenze), 32º; Le Calandre (Sarmeola di Rubano, Padova), 36º; Cracco Peck (Milão), 43º. Il brasiliano che fa parte della lista è il D.O.M (São Paulo), che è arrivato al 40° posto. Per il terzo anno di seguito, il El Bulli, dello spagnolo Ferran Adrià, è stato considerato il miglior ristorante del mondo. Alla bolognese L’ Divulgação Emilia Romagna è una delle regioni più note quando si parla di gastronomia. Chi non ha mai sentito parlare del sugo alla bologhese, per esempio? Bologna è la città natale della pasta fresca fatta con farina, uova e aperta a mano. È stato grazie a questa fama che la regione Emilia Romagna, l’Università di Bologna e il Ministério da Política-Agrícola hanno promosso un corso di tre giorni presso il ristorante Artigiano, a Rio de Janeiro, in aprile. Una cena è stata offerta nello stesso ristorante di specialità di questa regione e il console d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli, ha consegnato un certificato agli allievi. Circa 10 persone, membri dell’Associação da Emilia-Romagna do Rio de Janeiro hanno partecipato al corso, che ha avuto come professore lo chef italiano Renzo Lossi. Osteria L a marca gastronomica Da Carmine, di Niterói, è aumentata. In aprile, i fratelli Bruno e Carmine Marasco hanno inaugurato il Bar Italia, a Charitas. Il luogo riproduce il clima informale delle osterie italiane, con molti stuzzichini e piatti abbondanti. Nella lista, leccornie italo-brasiliane come gli arancini (bolinho de arroz siciliano), cosciotto di maiale con cipolle (pernil acebolado) e l’imbattibile panino con la mortadella. Café apimentado Gaúcho leva o título de melhor barista do Brasil com uma receita de inspiração tailandesa Tatiana Buff Correspondente • São Paulo U m drink feito com café e pimenta dedo-de-moça consagrou o gaúcho Everton Penning Peter, de apenas 23 anos, como o melhor barista do Brasil. Agora, ele vai representar o país no World Barista Championship – WBC, o campeonato mundial dos profissionais do café, a ser realizado entre os dias 19 e 22 de junho, em Copenhagen, capital da Dinamarca. O torneio brasileiro é organizado anualmente pela Associação Campeonato Brasileiro de Baristas (ACBB). Está na sua sétima edição. Ex-garçon e barista somente há três anos, Peter criou para a competição o drink Plang Nagan – energia de festa na língua tailandesa. A disputa final foi em março, no Mercado Municipal de São Paulo. Os concorrentes foram os vencedores das cinco disputas regionais realizadas ao longo do ano passado. Peter se diz um apaixonado pelo café “desde sempre” e, quando descobriu que existia um profissional específico para o seu preparo foi “amor à primeira vista” pela atividade. Agora, trabalha oito horas por dia preparando espressos e outras bebidas à base de café. Para aprender mais sobre o grão, já passou uma temporada em uma fazenda de café para conhecer todo o processo. Segundo Peter, a categoria tem um modelo nacional de referência e qualidade: Silvia Magalhães, tricampeã brasileira. Ele acredita que a maioria dos baristas brasileiros segue a linha de trabalho dela. Silvia foi a sexta colocada no último WBC, no Japão, em agosto de 2007. — O mercado mais disputado para baristas ainda é São Paulo e, no mundo, a Europa, principalmente os países nórdicos — informa o atual campeão. Na competição, o desempenho dos baristas é julgado em um palco durante 15 minutos, Com sabor e criatividade, Everton Peter domina o preparo do café Fotos: Divulgação Migliori del mondo Experimente um Plang Nagan Ingredientes: 80 ml de leite de coco; 80 ml de leite condensado corante natural vermelho em pó; 4 expressos com 30ml ou 120ml de café bem forte; 2 cravos; 4 lascas de gengibre; 4 colheres de cafezinho de calda de pimenta dedo-de-moça; 4 colheres de sopa de creme de leite; 4 pimentas dedo-de-moça higienizadas para decorar e servirem como colheres para mexer a bebida. Calda de pimenta dedo-de-moça: 300 ml de água; 8 colheres de sopa de açúcar; 4 pimentas dedo-de-moça abertas ao meio com semente. Colocar os ingredientes em fogo baixo até reduzir 20% da água e começar a ficar como uma calda. Deixar esfriar antes de usar. Modo de preparo: Colocar os cravos e o gengibre num recipiente com o café quente e deixar em banho-maria por 10 minutos. Misturar o leite condensado, o corante e o leite de coco até ficarem uniformes e com uma cor vermelho-pimenta. Distribuir uniformemente no fundo das quatro taças a mistura de leite de coco e leite condensado. Acrescentar nas taças a infusão do café com o cravo e o gengibre já coada. Misturar e emulsionar bem a calda de pimenta e o creme de leite para que adquira leveza. Cobrir cada taça com uma colher de sopa da emulsão do creme de pimenta. Servir com a pimenta dentro e mexer bem com a própria pimenta antes de beber. Maio 2008 / com direito a platéia. Quatro juízes sensoriais avaliam a destreza e a qualidade das bebidas servidas. Outros dois juízes observam o aspecto técnico do preparo dos cafés, cappuccinos e uma bebida original, “de assinatura”, à base de café. O juiz principal avalia a competência geral de cada um. Este ano, a tarefa coube ao mexicano José Cleofas Aréola. Peter explicou que a idéia de criar um drink tailandês surgiu da vontade de unir os sabores da pimenta vermelha e do café. Ele, que perdeu a conta de quantos cafés bebe por dia — “mais de dez, com certeza” — afirma que seus clientes preferem o expresso ao tradicional café de coador, “embora o brasileiro em geral mantenha o hábito do uso do coador”. — O espresso de qualidade ainda não é encontrado com facilidade no Brasil. Ao conhecer um espresso com café 100% arábica, com um blend (mistura de cafés de qualidade ou gourmets de origens diversas) elaborado cuidadosamente e preparado por um barista capacitado, o cliente passa a entender o que é um espresso — afirma. Para ele, o cappuccino conquistou o paladar dos brasileiros “com um leve toque de chocolate entre o espresso e o leite vaporizado”, das típicas cafeteiras italianas: — O espresso alla brasilana é quase um carioca, aquele café leve, ao qual acrescenta-se um pouco de água quente da própria máquina. Um brasileiro pedir um ristretto, o espresso curto entre 20 e 30 ml, ainda é uma raridade. Segundo Peter, a torra usada no grão para espresso, aqui no Brasil, é um pouco mais clara. Mesmo assim, observa, o nosso paladar tende a ser mais italiano que americano, o que, na sua opinião, “já é positivo”. De acordo com o barista, o grão brasileiro de melhor qualidade é o 100% arábica, preferencialmente da região de Mogiana, no interior de São Paulo. ComunitàItaliana 59 Sapori d’Italia La gente, Claudia Monteiro de Castro Sílvia Souza S 60 Fotos: Divulgação Ao gosto do presidente Como diz Lula, perna de cabrito do Montechiaro é capaz de convencer “que nunca antes na história desse país” uma iguaria foi tão bem feita e ficou tão saborosa ão Paulo - Famoso ponto irradiador da culinária italiana, o restaurante Gigeto, em São Paulo, disseminou os bons pratos e o gosto pelas especialidades da Bota entre paulistanos. Pontapé inicial para muitos chefs, com Raimundo Franco não foi diferente. Cria da casa, o descendente de napolitanos reencontrou suas raízes no tradicional estabelecimento, mas partiu para o seu próprio negócio. O resultado é a Cantina Montechiaro, no bairro mais italiano de São Paulo, o Bixiga. E foi lá que o então candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, experimentou uma perna de cabrito daquelas receitas que passam de pai para filho. Suculenta e ao mesmo tempo suave, a refeição combina molho madeira e alecrim. — O cabrito é nosso diferencial e o presidente, assim como toda a turma do Partido dos Trabalhadores (PT), costumava vir bastante aqui durante a campanha — comenta Daniel Rodrigo Canete, herdeiro de Franco e atual administrador do restaurante. Antes de abrir a Montechiaro, Franco permaneceu cinco anos no Gigeto e de lá tirou base para seu cardápio. Apesar de ter transferido o comando da casa para o filho Daniel, todas as noites, Franco, que tem 64 anos, vai ao restaurante. Ele faz questão de receber os clientes e conversar com os amigos e também dar uma espiadela na cozinha. Afinal, como diz o ditado, é o olho do dono que engorda o gado. Fundada em julho de 1974, a Montechiaro mantém no cardápio cerca de 300 pratos. A decoração recria um lar italiano com dois salões amplos em formato de arco. São 150 lugares disponíveis, em meio a objetos tipicamente italianos e produtos expostos como calabresa, queijo provolone, salame, bruscheta e mortadela. — Essa inspiração italiana é evidente para nós. A família do meu pai é de Nápoles, sul da Itália. Ele mesmo nasceu em Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, uma cidade com uma colonização forte por parte dos italianos e vocação para a rede de hotelaria e atividades ligadas ao turismo. Então, essa escolha pelos serviços, caindo para a culinária acabou sendo quase que um caminho natural — conta Canete. Além da perna de cabrito, outra característica do Montechiaro que encanta seus freqüentadores é o uso de massas fabricadas no local para consumo próprio. Canete, responsável pelo restaurante há 11 anos, é o Lula provou e aprovou o cabrito da Montechiaro chef da casa. ComunitàItaliana / Maio 2008 il posto Perna de cabrito Ingredientes: 1 perna de cordeiro traseira; 300 ml de molho rôti (molho madeira); 2 dentes de alho picados e amassados; 2 folhas de louro; 1 galho de alecrim; ½ cebola picada bem pequena; 4 batatas; 1 brócolis; sal a gosto. Modo de preparo: Colocar a perna na travessa junto com todos os ingredientes. Assar em fogo baixo durante 3 horas. Depois desse tempo, tirar a perna de cordeiro. Reduzir e engrossar o molho que sobra para ser colocado por cima do assado. Acompanhamento: Coloque batatas no forno utilizando o mesmo tempero do cabrito. Retire quando estiverem coradas. Cozinhar o brócolis al dente, ou seja, sem deixar desmanchar. Depois, é só montar o prato e servir. — A perna de cabrito é especial, mas outro prato que sai muito e é tipicamente italiano é o fusilli ao molho de tomate e calabresa. Meu pai também faz um talharim à parisiense adaptado. No cardápio temos também o tradicional, que é feito com creme de leite, mas o do meu pai é feito com os mesmos ingredientes, porém, com tomate fresco — relata o empresário, confessando estar de olho no mercado carioca — Há um tempo atrás, sondei o Leblon, mas o metro quadrado é muito caro. Amigos me indicaram a Barra da Tijuca, mas achei longe. Vou retomar esse projeto assim que me formar em gastronomia, em julho de 2009. Temos uma clientela fiel do Rio de Janeiro e eles sempre perguntam quando vamos abrir um restaurante por lá — conta ele, que cursa formação técnica nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Serviço: Cantina Montechiaro – Rua Santo Antônio, 844, Bixiga – SP – Fone: (11) 3257-4032. R Êxtase de Santa Teresa oma é cheia de esculturas belíssimas espalhadas por seus museus, fontes e igrejas. Uma das mais impressionantes e mais escondidas é a Êxtase de Santa Teresa d’Avila, localizada na igreja de Santa Maria della Vittoria, na capela Cornaro. É uma das obras principais do grande escultor do século 17, Gian Lorenzo Bernini. Realizada em mármore e bronze, é um perfeito exemplo de arte barroca, com muita teatralidade. Muitos consideram a escultura uma das mais sensuais de Roma. Santa Teresa é retratada sobre uma nuvem que a transporta até o céu. Seu vestido vaporoso, cheio de dobras desordenadas, uma inovação para a C época, é realizado com tamanha perfeição que até parece tecido de verdade. O ponto alto da escultura é o rosto de Santa Teresa, em êxtase, com os olhos voltados ao céu, os lábios entreabertos. A escultura foi inspirada em um dos textos da santa que descreve sua experiência mística, quando um anjo de grande beleza aparece a ela com uma lança na mão. Ela descreve sua sensação: sentia como se a lança atingisse seu coração diversas vezes e ela gemia de dor, mas era uma “dor doce”. Na opinião de muitos, a escultura é carregada de erotismo e de ambigüidade. Qualquer que seja a interpretação, vale a pena fazer um desvio dos tradicionais caminhos turísticos e conferir essa obra-prima. Superstições ada país tem suas manias. E suas superstições. E se tem um povo supersticioso, esse é o italiano. Diz um de seus ditados: Di Venere e di Marte, né ci si sposa né si parte. Ou seja, de sexta ou terça-feira uma pessoa não deve se casar, nem partir para uma viagem pois pode dar azar. De sexta, porque foi o dia em que morreu Jesus. De terça, pois martedì, terça-feira em italiano, deriva da Marte, o deus da guerra, que nunca foi portador de boas novas. Quanto aos números, na Itália, para muita gente, o 13 dá sorte. O número azarado é o 17. A origem é sabida e data da Antiga Roma: os numerais romanos XVII formam o anagrama VIXI, que significa “eu vivi”, e conseqüentemente, que a pessoa foi dessa para melhor. Outra coisa que porta sfiga, ou seja, dá azar, tanto na Itália quanto em várias partes do mundo, é o gato preto. Mas na Itália assume proporções gigantescas para algumas pessoas. Se alguém está dirigindo e passa um gato preto, a pessoa é capaz de ficar vários minutos esperando que um outro carro passe antes, transferindo assim a má sorte para o pobre coitado. Tem gente que até dá marcha à ré para fugir do azar. Coisa de louco. Das diversas regiões italianas, o napolitano é o mais supersticioso, ou como eles dizem, scaramantico. O objeto mais potente para proteger contra mau olhado, olho gordo, inveja, praga e qualquer perigo é o corno, um objeto vermelho, de coral ou de plástico, que tem a forma de uma pimentinha. No carro, na bicicleta, no chaveiro, o corno impera pela Itália inteira, principalmente no sul. Na falta de corno, é possível também fazer o gesto do corno com a mão, quando alguém toca em assuntos delicados, como doenças e outros males. Outro modo de espantar o azar é falar a fórmula magica: occhio, malocchio, prezzemolo e finocchio. Para garantir boa sorte, prosperidade e riqueza, a melhor coisa, segundo os napolitanos, é fazer cafuné nas costas de um corcunda. Mas em questão de superstição, Roma não fica atrás. Os romanos ficam preocupados ao ver passar um grupo de freiras. Para contrabalançar o efeito da má sorte que elas possam causar, eles tocam suas partes íntimas. Dá para acreditar? Tem quem seja menos ou mais supersticioso, mas uma coisa é certa: carregar um “corno” ou qualquer amuleto na bolsa, mal não faz. Maio 2008 / ComunitàItaliana 61