Nitrate bioremediation of groundwater impacted with gasoline and ethanol Artigo Técnico Biorremediação de águas subterrâneas impactadas por gasolina e etanol com o uso de nitrato Ana Hilda Romero Costa Bacharel em Química pela Universidade Federal do Ceará (UFCE). Doutora em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Cristina Cardoso Nunes Engenheira Química pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Doutora em Engenharia Ambiental pela UFSC Henry Xavier Corseuil Doutor em Engenharia Ambiental pela Universidade de Michigan. Professor-associado do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSC Resumo Neste estudo, avaliou-se, durante 32 meses e por meio de um experimento de campo, a utilização da biorremediação com injeção de nitrato na recuperação de águas subterrâneas impactadas por gasolina com 25% de etanol. Por meio da análise da massa e da distribuição espacial dos compostos dissolvidos, verificou-se que a bioestimulação influenciou positivamente na biodegradação do etanol e dos BTEX, evitou a formação de zonas altamente redutoras (90% dos valores foram superiores a +100 mV) e impediu o avanço das plumas de BTEX e etanol na área monitorada. Os resultados indicam que a bioestimulação com nitrato é uma alternativa altamente eficiente para se remediarem águas subterrâneas impactadas por gasolina contendo etanol. Palavras-chave: biorremediação; gasolina; etanol, nitrato, BTEX; águas subterrâneas. Abstract In this study, nitrate bioremediation in groundwater impacted with gasoline containing 25% ethanol was evaluated during 32 months in a field experiment. By means of mass and spatial distribution analysis of the dissolved compounds, biostimulation was found to have a positive influence on ethanol and BTEX biodegradation, and prevented the formation of highly reducing zones (90% of values were higher than + 100 mV) and BTEX and ethanol plume migration in the monitoring area. Results indicate that nitrate biostimulation is a highly efficient alternative in remediating groundwater impacted by gasohol. Keywords: bioremediation; gasoline; ethanol; nitrate; BTEX; groundwater. Introdução hidrocarboneto monoaromático que, geralmente, mais avança nas plumas dissolvidas de contaminação. No ambiente subsuperfícial Em casos de derramamento de combustíveis automotivos, como contaminado por gasolina contendo etanol, o etanol, por sua alta a gasolina em águas subterrâneas, os compostos monoaromáticos solubilidade, estará presente na água subterrânea em concentrações do grupo BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos) são os muito superiores às dos BTEX. Dessa forma, o etanol e seus subpro- de maior interesse devido à sua toxicidade e mobilidade na sub- dutos de transformação, como o acetato e o metano, podem causar superfície. De acordo com a Resolução Conama 396/2008, o ben- uma grande demanda de receptores de elétrons que poderiam ser zeno é considerado o mais tóxico dentre os BTEX, com padrão de utilizados na degradação dos compostos aromáticos mais tóxicos. potabilidade de 5 µg.L-1. O tolueno, etilbenzeno e os xilenos são No caso da presença simultânea de etanol e compostos BTEX em compostos regulados com concentração máxima permitida, em águas subterrânea, estudos demonstram que o etanol é o substra- águas subterrâneas, de 170, 200 e 300 µg.L-1, respectivamente. to preferencial dos micro-organismos tanto em condições aeróbias O benzeno, dentre os compostos BTEX, é o mais solúvel em água como anaeróbias (CORSEUIL; HUNT; SANTOS, 1998; ALVAREZ; (1780 mg.L- 1), apresenta lenta degradação em condições anaeró- HUNT, 2002). Os principais problemas da presença do etanol são: bias (HUTCHINS, 1991; CUNNINGHAM et al, 2001), sendo o o aumento da concentração aquosa dos hidrocarbonetos na água Endereço para correspondência: Henry Xavier Corseuil – Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental – Laboratório REMAS, Campus Universitário, Caixa Postal 476 – Trindade – 88040-970 – Florianópolis (SC), Brasil – Tel.: (48) 3721-7569 – E-mail: [email protected] Recebido: 7/7/08 – Aceito: 14/11/08 – Reg. ABES: 112/08 Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 265 Costa, A.H.R.; Nunes, C.C.; Corseuil, H.X. subterrânea pelo efeito de co-solvência e a limitação da biodegrada- degradação, como o acetato, levam vantagem sobre os BTEX na com- ção dos compostos BTEX. petição pelos receptores de elétrons disponíveis. Diversas tecnologias têm sido utilizadas na remediação de solos Neste estudo, dadas as especificidades da gasolina comercial bra- e águas subterrâneas impactadas com hidrocarbonetos de petróleo. sileira e a necessidade da busca por tecnologias que minimizem os Quando os processos naturais de atenuação são limitados pela dis- impactos ambientais causados pelos vazamentos de combustíveis, fo- ponibilidade de nutrientes e receptores de elétrons, tecnologias de ram avaliadas as vantagens que a biorremediação com nitrato pode- remediação ativas são utilizadas. Em função da baixa solubilidade ria trazer para a recuperação de águas subterrâneas impactadas com do oxigênio, de seu rápido consumo pelos micro-organismos aeró- gasolina. Avaliaram-se também as limitações da injeção de nitrato bios e das dificuldades associadas à sua transferência para ambien- considerando-se que a legislação ambiental estabelece o limite de 10 te subsuperficial, a bioestimulação anaeróbia tem sido considerada mg.L-1N, equivalente a 45 mg.L‑1NO3- (CONAMA, 2008). O estudo uma alternativa atrativa na biorremediação de locais contaminados apresentado foi realizado em campo, ou seja, permitiu uma avaliação com hidrocarbonetos de petróleo (HUTCHINS; MILLER; THOMAS, da influência das condições dinâmicas nos processos de transporte e 1998; SCHREIBER; BAHR, 2002). Dentre os receptores de elétrons transformação dos contaminantes e subprodutos metabólicos em um que favorecem a biodegradação anaeróbia, o nitrato é termodinami- ambiente natural. camente o mais favorável. O nitrato pode ser utilizado por alguns micro-organismos através de duas diferentes rotas metabólicas: (1) como fonte de nutrientes Material e métodos (metabolismo assimilativo), que inclui a retirada de nutrientes do solo, O experimento de biorremediação com nitrato em campo foi ini- transporte desses nutrientes para o interior da célula e subsequente ciado na área experimental da Fazenda da Ressacada (Florianópolis, utilização dos mesmos na biossíntese de macromoléculas; (2) como SC) em 2004. A velocidade da água subterrânea na região do experi- receptor de elétrons na produção de energia por meio da desnitrifica- mento é de aproximadamente 6 m/ano e o nível médio do lençol va- ção (metabolismo dissimilativo). ria entre 0,7 a 2,0 m. Os resultados das análises da água subterrânea A injeção de receptores de elétrons anaeróbios (nitrato, sulfato etc.) pode diminuir a demanda causada pela degradação do etanol, coletadas antes do início do experimento nas profundidades de 2,3; 2,8; 3,8; 4,8 e 5,8 m estão apresentados na Tabela 1. evitando a formação de zonas altamente redutoras, as quais reduzem a A direção do fluxo da água subterrânea na área experimental foi taxa de degradação dos hidrocarbonetos de petróleo. Assim, a bioesti- determinada a partir do monitoramento das flutuações dos níveis mulação com nitrato possibilita a degradação do etanol em potenciais de poços piezométricos locados ao redor da área experimental e da de oxi-redução ainda positivos, característicos de processos desnitri- construção de mapas potenciométricos, utilizando-se o modelo ma- ficantes, e permite que os receptores de elétrons naturais presentes temático bidimensional Solução Corretiva Baseada no Risco (SCBR) na água subterrânea fiquem disponíveis para a biodegradação dos (CORSEUIL et al, 2006). O experimento ocupa uma área de 390 m2, compostos BTEX. Experimentos em microcosmos com BTEX e etanol com 30 m de comprimento e 13 m de largura, onde foram instalados, indicaram que o nitrato tem grande potencial para remover os impac- na direção do fluxo da água subterrânea, 50 poços de monitoramen- tos negativos do etanol na biorremediação dos BTEX Observou-se, to multiníveis e seis poços para a injeção do receptor de elétrons e ainda, que condições combinadas de receptores de elétrons (nitrato nutrientes. Os poços de monitoramento e injeção estão localizados a e ferro) favoreceram uma maior degradação do etanol e diminuição profundidades de 2,3; 2,8; 3,8; 4,8 e 5,8 m em relação à cota do ter- na produção de metano (SILVA; RUIZ-AGUILAR; ALVAREZ, 2005; reno. A distribuição dos poços e a distância entre as linhas de poços CHEN; BARKER; GUI, 2008). No entanto, os resultados também de monitoramento em relação à fonte de contaminação (X = 743408, evidenciaram que não somente o etanol, mas os subprodutos de sua 208; Y = 6935831, 067) são apresentadas na Figura 1. Tabela 1 – Caracterização da água subterrânea antes da bioestimulação Parâmetros Valores medidos Parâmetros Valores medidos Temperatura 24 oC Sulfeto 0 mg.L-1 4,2 Ferro (II) < 0,1 mg.L-1 + 520 mV Fosfato < 0,01 mg.L-1 3 – 5 mg.L-1 Metano < 0,01 mg.L-1 Nitrato 1 mg.L-1 Acidez 10 mgCaCO3.L-1 Sulfato 4 mg.L Condutividade 50 μS.cm-1 pH Potencial de oxidação-redução Oxigênio dissolvido 266 Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 -1 Biorremediação de gasolina e etanol Em dezembro de 2004, foram liberados, no nível do lençol freático, 100 L de gasolina contendo 25% de etanol em área de 1 m2 e de benzeno era aproximadamente de 0,3 kg e a de etanol de 19,8 kg. O íon brometo foi utilizado como traçador devido ao seu caráter conservativo. A injeção de nitrato ocorreu de fevereiro a novembro de 2005, três vezes por semana. A solução injetada foi preparada com nitrato de sódio (NaNO3) e fosfato de potássio monobásico (KH2PO4). Em projetos de remediação, quantidades significativas de dois nutrientes, nitrogênio (N) e fósforo (P), são necessárias para o metabolismo de biodegradação pelos micro-organismos. A solução era saturada com gás nitrogênio para retirada de oxigênio. A injeção diária de 5 L por poço foi realizada por meio de bombas peristálticas multiníveis simultaneamente nos cinco níveis de cada poço. A concentração da solução de nitrato injetada, nesse período, variou entre 4 e 29g.L-1. A quantidade de nutriente adicionado seguiu a relação de C:N:P (em mols) de 100:10:1 (KWOK; LOH, 2003) Norte profundidade de 1 m da superfície. Na fonte, inicialmente, a massa 2 Poços de monitoramento m m 4 6A m 6 Fonte 11A m 8 m 16A 10 Poços de injeção 6 1 21A 11 5 26A m 10 16 4 16 15 21 9 3 8 14 20 26 2 m 31A 22 7 13 19 25 24 12 18 31 m 17 23 36A 28 30 22 29 36 28 41A 35 27 34 41 33 40 32 39 38 37 Leste Figura 1 – Distribuição dos poços de monitoramento e de injeção e distância entre as linhas de poços de monitoramento relativamente à fonte de contaminação na área experimental II Durante a bioestimulação, foram utilizados 38,7 kg de nitrato, sendo que a maior massa foi injetada nas profundidades 2,3 e 2,8 modelo ICS-1000), equipado com detector de condutividade iônica, m (9,7 kg em cada profundidade). No nível 3,8 m, foram injetados conectado a um computador com o Software Chromeleon PN 6.40. A 7,9 kg de nitrato e nos demais níveis (4,8 e 5,8 m), foram injetados coluna utilizada foi a AS4A-SC. Como fases móveis, foram utilizadas 5,7 kg de nitrato por profundidade. A quantidade de nitrato injetada as soluções de carbonato e bicarbonato de sódio com vazão de 1 em cada profundidade foi definida com base na massa de BTEX e de mL/min. Os padrões utilizados foram todos da marca J.T.BAKER e o etanol presentes na fonte de contaminação, na relação estequiométri- método empregado foi o chromatography with chemical suppression of ca entre esses compostos e o receptor de elétrons, e na avaliação do eluent condutivity, do Standard Methods (APHA/AWWA/WEF, 1992). fluxo de massa na região da fonte de contaminação. Na análise por cromatografia de íons, foram utilizados 5 mL da amos- De dezembro de 2004 a setembro de 2007, foram realizadas coletas tra, injetada utilizando-se amostrador automático. 1, 4, 6, 10, 13, 17, 21, 25 e 32 meses após o início do experimento. As O limite de detecção do CG utilizado nas condições de análise para amostras foram analisadas em um cromatógrafo a gás da HP (modelo os compostos BTEX, o etanol e o metano foi, respectivamente, 1 µg.L-1, 6890, série II) com Headspace Auto Sampler HP estático (modelo 7694) 1 mg.L-1 e 1 µg.L-1. A precisão dos dados obtidos no CG foi testada de equipado com detector por ionização em chama (FID), conectado a acordo com a porcentagem de recuperação do ‘fortificado’, segundo um computador com o Software ChemStation Plus. O gás de arraste em- normas descritas pela EPA/8015A. A porcentagem de recuperação para pregado foi o hélio, com velocidade de 2,0 ml/min em todas as análi- os compostos BTEX variou entre 118,8 e 86% e para o etanol, entre ses. Utilizou-se coluna capilar de sílica fundida: HP 1 (metil siloxano) 107,1 e 95,8%. A porcentagem de exatidão da análise para os compos- n 19095z-123 (HP, USA) com 0,53 mm de diâmetro interno, com 30 tos BTEX variou entre 131 e 81%; para o etanol, entre 117 e 83%. -1 o m de comprimento e espessura do filme de 2,65 µm. As temperaturas O monitoramento de áreas impactadas, necessário para a avaliação do injetor e detector foram mantidas, respectivamente, a 260 C e 280 dos riscos potenciais de contaminação, inclui tanto a quantificação de C, para os BTEX e o etanol, e a 190 oC e 250 oC, para o metano. Para massa como a distribuição espacial dos contaminantes e subprodutos os BTEX e etanol foi usada temperatura programada de 70 C a 120 C metabólicos envolvidos nos processos de biodegradação. Interpoladores a 5 C/min e 120 C a 210 C a 30 C/min. Para o metano, a temperatura espaciais (determinísticos e estocásticos) vêm sendo utilizados com es- foi programada de 40 C a 250 C a 30 C/min. Os padrões utilizados sas finalidades, tanto para a estimativa de massa (COOPER; STOK, foram: UST Modified Gasoline Range Organics da Supelco para os BTEX 1988), como para a análise da distribuição espacial de contaminan- e o etanol da indústria MERCK, com 99,9% de pureza. Para o metano, tes (CATTLE; McBRATNEY; MINASNY, 2002; ALMEIDA et al, 2007). a solução-padrão foi preparada a partir de uma mistura-padrão de 65% Para o tratamento dos dados de campo, utilizou-se a interpolação es- de metano e 25% de dióxido de carbono. Para a análise em cromató- pacial krigagem indicativa. A krigagem indicativa é uma técnica de es- grafo gasoso, utilizou-se uma alíquota de 10 mL da amostra, acondicio- timação aplicada sobre os valores transformados do atributo segundo nada em um vial e submetida à extração por headspace. um mapeamento não-linear denominado codificação por indicação. A o o o o o o o o o o o Os compostos nitrato, nitrito e brometo foram analisados por meio de cromatografia líquida, em cromatógrafo iônico (Dionex, transformação indicadora da função aleatória Z, utilizada neste trabalho, para um valor de corte fixo vc é definida por: Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 267 Costa, A.H.R.; Nunes, C.C.; Corseuil, H.X. I(x ;vc) = { 1 se z(x) ≥ vc Equação 1 0 se z(x) < vc Resultados e discussão z(x): valor observado. Optou-se por considerar os valores superiores ao valor de corte (valores orientadores em casos de contaminação) como 1 e os inferiores, como zero. O semivariograma dos valores transformados é estimado pela Equação 2: 1 2Nh rosidade efetiva (ηε) igual a 0,20 e a espessura das plumas de 0,75 m para os níveis 2,3 e 2,8 m, e 1 m para os níveis 3,8 a 5,8 m. onde: γI (h,vc) = (NUNES; CORSEUIL, 2007). Para esse cálculo, foi considerada a po- Avaliação da massa dissolvida A redução de massa dos compostos BTEX pode ocorrer por processos microbianos, biodegradação, e por processos abióticos, como volatilização. Chiang et al (1989) demonstraram que menos de 5% da massa de BTEX dissolvida é perdida para a fase gasosa do solo N(h) ∑ [I (x1 ; vc) - I (xi + h, vc)]2 Equação 2 i=1 na zona saturada. Por causa disso, o impacto da volatilização na redução do contaminante dissolvido pode ser geralmente desprezado onde: (WIEDEMEIER et al, 1999). Neste trabalho, a perda de massa por h: passo (lag) básico entre os locais x e x+h; volatilização não foi considerada. As massas de BTEX e etanol, ao longo do tempo, são influen- vc: valor de corte; ciadas pela taxa de transferência de massa da fonte para a água N: número de pares para x e x + h. subterrânea e pela taxa de biodegradação desses compostos. Como O resultado final são mapas de distribuição espacial dos contami- o etanol é o substrato preferencial, a biodegradação dos BTEX irá nantes que apontam a probabilidade (0 a 1) de sua concentração ser ocorrer somente após a degradação do etanol (CORSEUIL; HUNT; superior ao nível de corte escolhido na área monitorada (LANDIM, SANTOS, 1998; NUNES; CORSEUIL, 2007). A Figura 2 apresenta 2003). a variação da massa dissolvida de etanol e de BTEX na área experi- Na elaboração dos mapas de distribuição espaciais, os valores de mental. Durante o período de bioestimulação com nitrato não hou- corte (VC) escolhidos foram baseados nos padrões de potabilidade ve biodegradação dos BTEX devido à grande quantidade de etanol estabelecidos (CONAMA, 2008) para os compostos BTEX, benzeno dissolvido biodisponível para ser degradado. A massa dissolvida de e o nitrato. O VC considerado para o benzeno foi de 5 µg.L-1, en- etanol quantificada diminuiu de 15 kg para 1 kg, entre 5 e 32 meses, quanto para o nitrato, o VC foi de 45 mg.L NO3 (10 mg.L N). O o que representou uma redução de 94% da quantidade máxima de nível de corte escolhido para os compostos BTEX foi de 100 µg.L-1. etanol. A maior massa dissolvida estimada de BTEX foi obtida aos 17 Para o brometo, o VC foi definido de acordo com o valor da mediana meses (280 g). Aos 32 meses de monitoramento, com a diminuição (0,05 mg.L-1) e teve como objetivo o acompanhamento do transporte significativa da massa de etanol, a massa de BTEX foi reduzida em conservativo na água subterrânea. Para o etanol, o VC escolhido foi mais de 40% (161 g). -1 268 - -1 de 10 mg.L-1, que representaria o esgotamento do etanol no meio A evidência da degradação de etanol em condições desnitrifican- monitorado. Para o oxigênio dissolvido, foi considerado o VC de 3 tes pode ser demonstrada pelo balanço de massa da relação entre mg.L-1 como o limite entre a zona aeróbia e anaeróbia (SCHREIBER; nitrato consumido e etanol biodegradado (Figura 3). Durante os 32 BAHR, 2002). Neste trabalho, considerou-se que, quanto mais próxi- meses de monitoramento, foram degradados 18,7 kg de etanol, fican- mo de 1, maior a probabilidade da concentração observada no meio do remanescente na área apenas 1,1 kg. No mesmo período, dos 38,7 estar acima do VC definido para as variáveis analisadas, e quanto kg de nitrato injetados, 28,7 kg foram consumidos, 7,8 kg estavam mais próximo de zero, menor a probabilidade de ocorrência de va- ainda presentes na área e 2,2 kg de nitrato haviam saída da área ex- lores superiores ao valor de corte. Além disso, a probabilidade 0,5 perimental. Essa massa de nitrato não utilizada (6% da massa total (50%) foi destacada com uma linha branca tracejada em todos os injetada), que saiu do meio monitorado, foi calculada por meio do mapas, significando que, no interior dessa área, a probabilidade de fluxo de massa (AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE, 2003) para ocorrência dos eventos é superior a 50%. Na confecção dos mapas a última linha de poços de monitoramento. Dessa forma, a relação probabilísticos, foram utilizados os programas GEOEAS, Variowin 2.2 entre a quantidade de nitrato consumido e etanol degradado medida e Surfer 8.0 (LANDIM; USHIZIMA, 2003). experimentalmente foi de 1,53 kg de NO3-/kg de EtOH. A estimativa da massa dissolvida dos doadores de elétrons (BTEX A relação nitrato/etanol obtida experimentalmente pode ser com- e etanol) e do receptor de elétrons (NO3-) foi realizada por meio de in- parada com a relação estequiométrica de equilíbrio com crescimento terpoladores espaciais de acordo com a metodologia apresentada por celular obtida através do modelo bioenergético de Rittmann e McCarty Cooper e Istok (1988), adaptada para o método da mínima curvatura (2001). Essa relação é dada pela Equação 3 (COSTA, 2008): Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 Biorremediação de gasolina e etanol Etanol BTEX Início e final do período de injeção 20 5 10 15 Massa (kg) 20 25 30 35 40 300 250 200 10 150 100 5 50 0 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 7,8 28,7 Nitrato 2,2 Compostos 15 BTEX (g) Etanol (kg) 0 Etanol 18,7 1,1 0 33 Massa consumida (kg) Massa aos 32 meses (kg) Massa que saiu do meio monitorado (kg) Tempo (meses) Figura 2 – Variação da massa dissolvida dos BTEX e etanol com a bioestimulação com nitrato Figura 3 – Balanço de massa do nitrato e do etanol após 32 meses de monitoramento C2H6O + 1,06NO-3 + 1,06H+ → 0,289C5H7O2N + 0,554CO2 + 0,385N2 + 2,518H2O nos mapas é dado para as concentrações superiores ao nível de corte Equação 3 Nesta equação, para cada mol de etanol degradado, são consu- escolhido. Em todos os mapas, as áreas com probabilidade igual ou superior a 50% nas quais os valores de corte tenham sido superados são enfatizadas por uma linha tracejada branca. O comprimento das midos 1,06 mols de nitrato, o que corresponde a 1,43 kg de NO3-/ plumas é definido pelas áreas com probabilidade igual ou superior a kg de EtOH. Esse valor difere em menos de 10% da relação obtida 50% nas quais as concentrações em questão superam o nível de corte experimentalmente (1,53 kg de NO3-/kg de EtOH). Dessa forma, escolhido. Como o brometo é um composto conservativo, pode-se os resultados indicam que a redução da massa de etanol está direta- observar o seu espalhamento e sua saída do meio monitorado a partir mente associada ao consumo de nitrato, o que evidencia a ocorrên- dos 17 meses para as duas profundidades analisadas. Por outro lado, cia do processo de desnitrificação como principal responsável pela as plumas de etanol e BTEX que inicialmente avançam no meio mo- degradação no etanol na área experimental. Quanto ao nitrito, 90% nitorado, recuam para a região próxima à fonte devido ao processo dos poços e níveis monitorados apresentaram concentração de nitrito de biodegradação. menor que 1 mg.L-1. Avaliação da distribuição espacial por profundidade Na profundidade 2,3 m (Figura 4), a pluma de BTEX (VC = 100 µg.L-1) praticamente não avançou até os 32 meses de monitoramento. As plumas de etanol (VC = 10 mg.L-1) e benzeno (VC = 5 µg.L-1) atingiram o comprimento máximo aos 17 e 25 meses, respectivamente. Aos 32 meses de monitoramento, a pluma de benzeno retrocedeu A análise da distribuição espacial dos compostos químicos envol- para próximo da fonte (4 m) e o etanol foi completamente degradado. vidos na bioestimulação com nitrato permite a avaliação do compor- A exaustão do oxigênio (VC = 3 mg.L-1), ocasionada pela degradação tamento do avanço das plumas de contaminação, sua relação entre do etanol, pode ser observada na Figura 4, aos 17 meses, onde a área o processo de injeção de nitrato e a dissolução dos contaminantes clara indica que as concentrações de OD (Oxigênio Dissolvido) são da fonte, bem como a inter-relação entre consumo de nitrato e bio- inferiores a 3 mg.L-1. No entanto, nos outros monitoramentos, o OD degradação de etanol e compostos BTEX. Para esta análise, foram no nível 2,3 m está acima de 3 mg.L-1 em praticamente toda a área utilizadas as campanhas de monitoramento de 10, 17, 25 e 32 meses experimental. A recuperação da concentração de oxigênio nesse nível após o início do experimento e as profundidades de 2,3 e 5,8 m. As está associada à proximidade da zona não-saturada e a degradação do massas de nitrato injetados nos níveis 2,3 e 5,8 m foram de 9,7 e 5,7 etanol em condições desnitrificantes. Quanto ao nitrato, o seu consu- kg, respectivamente. A escolha desses dois níveis permite avaliar o mo na fonte foi constatado durante todos os períodos monitorados, comportamento do avanço das plumas em função da quantidade de já que a sua concentração na fonte foi sempre inferior a 45 mg.L-1 nitrato injetada e também a influência de uma menor disponibilidade NO3-. O pequeno avanço da pluma dos compostos BTEX no nível de oxigênio no nível mais profundo. 2,3 m pode ser explicado pela presença concomitante de oxigênio e A análise da distribuição espacial das plumas é apresentada para nitrato no ambiente, já que os BTEX podem ser biodegradados tanto o traçador brometo, compostos BTEX totais, etanol, benzeno, oxigê- em condições aeróbicas como em condições desnitrificantes (princi- nio e nitrato (Figura 4 e 5). Os mapas de distribuição espacial des- palmente os TEX) (WILSON; D’ADAMO, BOWER, 1997). tacam a probabilidade (entre 0 e 1) do respectivo composto estar Na profundidade de 5,8 m, o comportamento das plumas de em concentrações superiores ao nível de corte escolhido. O destaque BTEX, etanol e nitrato foi completamente diferente do observado na Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 269 Costa, A.H.R.; Nunes, C.C.; Corseuil, H.X. profundidade 2,3 m (Figura 5). Na região mais profunda, houve um nitrato no nível 2,3 m possibilitou a degradação total do etanol e avanço contínuo das plumas de BTEX e etanol até 22 m da região um menor avanço nas plumas de BTEX. No entanto, uma parcela da fonte e uma menor concentração de OD e nitrato em toda a área do nitrato injetado não foi utilizada na degradação dos compostos monitorada. As explicações para essas diferenças estão associadas à orgânicos presentes e avançou para fora dos limites da área monito- injeção de uma massa de nitrato 40% inferior à injetada no nível 2,3 rada. Para se avaliarem as concentrações de nitrato que saíram da área m e a menor difusão de oxigênio que ocorre no nível mais afasta- experimental, foi realizada uma análise comparativa das concentra- do da zona não-saturada. A presença concomitante dos compostos ções medianas, mínimas e máximas nas duas últimas campanhas de BTEX e etanol nas regiões, nas quais oxigênio e nitrato estão ausen- monitoramento, na seção transversal formada pela última fileira de tes, demonstra o efeito negativo do etanol de impedir a degradação poços de monitoramento multiníveis do experimento de bioestimu- dos BTEX. lação (Figura 7). Essa seção está localizada 28 m à jusante da fonte de A presença da pluma de etanol aos 32 meses de monitoramento contaminação e é formada pelos poços multiníveis P37 a P41 (Figura pode ser atribuída à menor injeção de nitrato aplicada no nível 5,8 m 1). Aos 25 e 32 meses após o início do experimento, observou-se a e a ausência de condições redutoras mais negativas que permitissem a saída de nitrato com concentrações pontuais superiores ao padrão de degradação do etanol com outros receptores de elétrons anaeróbicos. potabilidade (45 mg.L-1 NO3-), conforme foi observado nas Figuras 4 Nesse nível, observa-se ainda o fenômeno de separação das plumas e 5, pelas regiões destacadas por uma linha tracejada branca próxima de BTEX que pode ocorrer quando a pluma de etanol se afasta da ao extremo da área monitorada. No entanto, a mediana, calculada região da fonte de contaminação. Um resumo do avanço e retardo das com base na concentração em 25 pontos, nunca superou o padrão de plumas de benzeno, etanol e compostos BTEX para os níveis 2,3 m potabilidade e, aos 32 meses, 75% dos pontos amostrados atendiam e 5,8 m é apresentado na Figura 6, onde se observa o efeito positivo às exigências ambientais. Esses resultados mostram que as concen- da bioestimulação com nitrato principalmente no nível 2,3 m. Para trações de nitrato em excesso na área diminuíram continuamente ao a determinação do comprimento das plumas, não foi considerada a longo do tempo, não caracterizando risco a receptores localizados à sua separação. jusante da área experimental. O conceito de sequência de potenciais de oxidação-redução auxilia a delimitação de zonas de oxidação-redução nas águas subterrâneas. Edmund, Miles e Cook (1984) propuseram uma sequência de quatro intervalos: (1) oxigênio-nitrogênio, (2) ferro, (3) sulfato e A bioestimulação com nitrato influenciou positivamente a bio- (4) metanogênese. Os potenciais correspondentes a esses intervalos degradação do etanol e dos compostos BTEX na área experimental. eram respectivamente: (+) 250 mV a (+) 100 mV, (+) 100 mV a zero A redução de mais de 90% da massa de etanol da área monitorada mV, zero a (–) 200 mV e abaixo de (–) 200 mV. A análise dos dados foi atribuída ao processo de desnitrificação, uma vez que mais de de campo do experimento de biorremediação (1474 amostras) re- 27 kg de nitrato foram consumidos durante os 32 meses de mo- velou que a mediana do potencial de oxidação-redução para todos nitoramento. Dessa forma, a adição de nitrato atendeu à grande os níveis monitorados durante 32 meses foi sempre superior a +230 demanda de receptores de elétrons ocasionada pela degradação do mV. Além disso, 90% dos valores observados (1.376 amostras) nes- etanol, e evitou a formação de zonas altamente redutoras que difi- se período tiveram potenciais de oxidação superiores a +100 mV. A cultam a degradação dos BTEX. A rápida recuperação das condi- partir dos valores de potenciais positivos durante todo monitora- ções aeróbicas ocorridas após a degradação do etanol no nível 2,3 mento e da análise comparativa com resultado obtido por Edmund, m, onde nitrato foi adicionado em maior quantidade, possibilitou a Miles e Cook (1984), pôde-se concluir que os processos dominan- degradação dos BTEX, cuja pluma ficou restrita à região onde estava tes ocorreram em condições aeróbias e desnitrificantes. Além dos presente a fase pura de gasolina. No nível mais profundo, onde se valores de potenciais de oxidação-redução, a variação do pH e da injetou uma menor massa de nitrato, o etanol não foi completamen- concentração de OD podem ser considerados como indicativo da te degradado. A presença de etanol nessa profundidade impediu a ocorrência da desnitrificação. No experimento da bioestimulação, degradação dos compostos monoaromáticos e possibilitou o avanço o pH inicial foi de 4,2 e a variação nos dois níveis (2,3 e 5,8 m) das plumas de BTEX. situou-se entre 4,12 e 4,56, não sendo possível verificar uma tendência na variação do pH. 270 Conclusões Este estudo indica que o foco principal de uma remediação de águas subterrâneas impactadas com gasolina e etanol deve ser a rá- A análise da distribuição espacial do nitrato na área experimental pida degradação do etanol. A eficácia da degradação do etanol em é importante tanto para a avaliação da eficiência do processo de des- condições desnitrificantes indica que a bioestimulação com injeção nitrificação, como para avaliação de sua saída do meio monitorado, de nitrato é uma alternativa viável na remediação de áreas impactadas já que o nitrato é um composto com limite máximo estipulado pela com gasolina e etanol. Ante a preocupação associada à injeção do Portaria Federal MS 518/2004. A injeção de uma massa maior de nitrato em sistemas de biorremediação, o monitoramento das últimas Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 Biorremediação de gasolina e etanol 10 meses 17 meses 25 meses 6A 6A 6A 11A 30 11 FONTE5 8 20 24 18 30 22 24 18 35 27 33 37 11 5 25 FONTE 4 8 BTEX 7 31 23 17 30 22 30 22 29 15 5 30 11 5 25 FONTE 4 Etanol 25 19 13 7 20 23 17 30 22 30 22 36 28 Y (Norte) metros 41 8 25 19 13 7 20 8 2 31 23 17 15 36 35 27 33 37 37 11A 11 5 25 FONTE 4 8 Oxigênio 31A 25 36A 30 22 30 22 29 15 35 27 11 25 8 Nitrato 20 8 30 22 4 30 36 28 40 36 31 23 36 36 28 41A 35 27 40 32 34 41 33 40 32 39 41 33 40 32 39 39 38 38 38 37 41A 35 27 34 39 36A 30 22 28 41A 31A 24 18 29 41 33 38 37 26 25 19 17 36A 30 21 20 14 13 12 31 23 34 32 VC = 45 mg/L 24 18 8 7 16 15 9 3 2 31A 11 10 29 35 27 41 4 25 22 28 41A 35 33 FONTE5 26 20 19 16A 21A 26A 6 1 21 15 17 29 34 5 36A 16 14 13 12 31 22 27 8 2 7 29 11A 16A 21A 26A 11 10 9 3 31A 25 23 17 36A 37 6A 6 5 FONTE 24 18 12 31 15 10 37 1 26 20 19 39 38 11A 21 15 40 32 6A 26A 16 14 13 7 24 11 10 9 3 2 31A 23 17 4 25 19 18 12 FONTE5 26 20 14 13 7 40 39 11A 16A 21A 6 1 21 15 9 3 2 16 10 4 41 33 38 37 16A 21A 26A 6 5 FONTE 34 41 32 6A 11A 1 40 39 41A 35 27 34 33 38 6A 30 36 28 41A 35 27 32 39 38 37 36A 30 29 41 33 40 32 31 23 22 36 28 41A 34 41 VC = 3 mg/L 5 30 31A 24 18 17 36A 26 25 19 13 12 31 21 20 14 29 35 27 34 33 10 24 22 36 28 41A 8 7 23 17 29 36 28 36A 25 15 9 3 2 31A 16 10 4 19 11 5 FONTE 26 11A 16A 21A 26A 6 1 21 20 18 12 31 16 14 13 7 23 17 8 2 24 18 12 31 23 17 13 7 31A 25 15 9 3 26 20 19 10 4 FONTE 21 15 14 11 5 26A 16 10 8 2 24 11 9 3 26 20 19 18 12 4 21 15 14 13 7 20 16 10 9 3 2 FONTE5 26A 6A 11A 16A 21A 26A 6 1 0 37 6A 16A 21A 6 1 40 39 38 37 11A 16A 21A 41 33 32 39 38 6A 6 1 41 40 32 39 38 6A 0.1 34 33 40 32 38 41A 35 27 34 33 40 36 28 41A 35 27 41 39 VC = 5 ug/L 30 35 36 28 41A 36A 30 29 34 41 32 5 36 27 34 31 23 22 29 28 41A 24 17 36A 30 22 0.3 31A 25 19 18 12 31 23 17 36A 30 29 28 10 12 31 23 26 20 14 13 7 24 26A 21 15 8 2 31A 16 10 9 3 25 19 18 11 5 FONTE 26 20 16A 21A 6 1 21 14 13 7 22 29 8 2 24 17 36A 30 22 25 19 18 12 31A 11A 4 15 9 3 26 20 16 10 4 21 14 13 7 24 18 12 31A 11 5 FONTE 0.5 6A 16A 21A 26A 6 1 26A 15 39 38 37 11A 16 10 9 3 26 20 14 11 5 FONTE 4 21 15 39 6A 6 1 26A 40 32 38 16A 21A 0.7 41 33 40 37 11A 16 10 9 3 2 Benzeno 11 5 41 33 32 6A 6 FONTE 4 41A 35 27 39 16A 21A 36 28 34 37 11A 1 25 29 38 38 36A 30 22 41 37 6A 23 41A 35 40 32 39 VC = 10 mg/L 31 34 33 40 24 18 17 36 28 27 34 33 30 30 0.9 31A 25 19 13 12 36A 26 20 14 29 34 5 23 41A 35 27 32 8 7 31 22 36 28 41A 35 27 10 25 26A 21 15 9 3 2 16 10 4 29 29 15 FONTE 31A 24 17 36A 26A 19 18 12 11 5 26 20 14 13 7 31 23 17 36A 25 24 18 12 31 8 16A 21A 6 1 21 15 9 3 2 31A 16 10 4 19 13 7 24 18 12 FONTE 26A 1 11A 16A 21A 11 5 26 20 14 37 6A 6 1 21 15 9 8 2 31A 16 10 4 3 26 20 14 FONTE 21 15 8 11 5 26A 16 10 9 3 2 37 11A 16A 21A 6 1 39 38 6A 11A 16A 21A 6 1 40 32 39 6A 11A 41 38 37 37 6A 34 33 40 32 39 38 41A 35 27 41 33 40 32 39 38 36 28 41A 34 41 33 40 32 VC = 100 ug/L 29 35 27 34 41 36A 30 22 36 28 41A 35 27 34 33 31 23 17 29 36 28 41A 35 27 10 30 22 29 36 28 31A 24 18 36A 26 25 19 13 12 31 21 20 14 7 23 17 36A 16 15 9 8 2 24 18 12 31 23 17 36A 13 7 31A 25 19 10 4 3 26 20 14 11 FONTE5 21 15 8 11A 16A 21A 26A 6 1 26A 16 10 9 3 2 24 18 12 FONTE 4 31A 25 19 11 5 26 20 14 13 1 6A 11A 16A 21A 6 21 15 9 8 2 24 18 12 31A 25 16 10 4 3 26 20 19 11 5 FONTE 21 15 14 13 7 20 16 10 9 3 2 1 26A 6A 11A 16A 21A 26A 6 39 38 37 37 6A 16A 21A 40 32 39 38 37 11A 6 1 41 33 40 32 39 38 6A 30 34 41 33 40 32 41A 35 27 34 38 VC = 0,05 mg/L 36 28 41A 35 27 41 39 5 29 34 40 36A 30 22 36 28 41A 35 27 41 32 31 23 29 34 33 31A 24 18 17 36A 30 22 36 28 41A 26 25 19 12 31 23 29 36 28 10 36A 30 22 29 15 24 18 17 20 14 13 7 21 15 8 2 31A 16 10 9 3 26 25 16A 21A 26A 11 4 20 19 12 31 23 17 36A FONTE5 21 15 14 13 7 11A 6 1 26A 16 10 8 2 31A 11 9 3 26 25 19 12 31 23 17 21 20 14 13 7 FONTE5 4 15 8 2 31A 6A 11A 16A 21A 6 1 26A 16 10 9 3 26 25 19 12 11 4 20 14 13 7 FONTE5 21 15 9 3 2 11A 16A 21A 6 1 26A 16 10 4 25 Brometo 16A 21A 6 1 32 meses 37 37 X (Leste) metros VC: valor de corte; linha tracejada: probabilidade de 50%. Figura 4 – Distribuição espacial de brometo, etanol, benzeno, nitrato e oxigênio dissolvido na profundidade de 2,3 m Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 271 Costa, A.H.R.; Nunes, C.C.; Corseuil, H.X. 17 meses 10 meses 1 11 5 25 FONTE 4 8 31A 25 8 2 31A 31 23 41 41 11 5 25 FONTE 8 36A 30 22 24 30 22 28 25 8 Etanol 20 31 23 17 30 22 31 30 22 29 15 34 VC = 10 mg/L 38 11 5 25 FONTE 8 2 31A 25 19 8 2 31A 31 40 32 25 4 8 4 4 23 30 35 35 27 34 40 32 11 5 25 FONTE 4 8 Nitrato 20 4 24 35 VC = 45 mg/L 35 27 40 41 33 40 32 39 37 34 41 33 40 32 39 40 39 38 38 37 VC: valor de corte; linha tracejada: probabilidade de 50%. Figura 5 – Distribuição espacial de brometo, etanol, benzeno, nitrato e oxigênio dissolvido na profundidade de 5,8 m Eng Sanit Ambient | v.14 n.2 | abr/jun 2009 | 265-274 41 33 32 39 38 37 41A 35 27 X (Leste) metros 272 36 28 41A 34 38 36A 30 29 34 33 31A 31 22 36 28 41A 35 27 41 32 26 25 23 17 36A 30 21 24 29 34 5 23 22 36 28 41A 11A 16A 21A 26A 20 19 18 12 31 29 36 28 27 10 18 17 36A 30 22 24 15 14 13 7 16 10 9 8 2 31A 25 19 13 4 3 26 20 11 5 FONTE 21 15 6 1 26A 16 10 14 12 31 29 15 6A 16A 21A 11 9 8 7 23 17 36A 30 22 4 3 2 31A 24 18 12 31 FONTE5 26A 26 25 19 39 38 37 11A 6 1 21 20 40 32 6A 16 15 14 13 7 23 17 8 2 10 9 3 31A 25 19 18 12 5 FONTE 26 20 33 40 37 11A 16A 21A 11 41 39 6A 6 1 34 38 37 21 15 14 13 7 16 10 9 3 2 33 32 41A 35 27 39 11A 16A 21A 26A 36 41 38 6A 6 1 36A 30 29 28 41A 35 40 32 39 38 37 31 23 17 34 41 33 31A 25 24 22 36 27 34 41 33 VC = 3mg/L 30 28 41A 26 20 19 18 29 36 21 15 14 12 36A 16 10 13 7 22 29 28 41A 8 2 31 16A 21A 26A 11 9 3 31A 25 24 23 17 36A 4 26 20 19 18 12 31 FONTE 5 21 15 14 11A 6 1 26A 16 10 13 7 22 36 27 30 8 2 11 9 3 31A 25 24 29 28 10 FONTE5 0 37 6A 11A 16A 21A 6 1 26 20 19 18 17 36A 30 22 15 5 37 21 15 14 12 31 16 10 13 7 23 17 8 2 31A 25 24 11 9 3 26 20 19 18 12 FONTE5 39 38 6A 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 14 13 7 20 16 10 9 3 2 Oxigênio 16A 21A 26A 11 40 32 39 38 6A 6 1 FONTE 5 41 33 40 32 39 38 11A 0.1 34 41 37 41A 35 27 34 33 40 32 36 28 41A 35 27 39 38 37 6A 30 41A 36A 29 41 33 31 30 22 36 28 34 41 24 23 17 36A 30 0.3 31A 25 19 18 29 35 27 34 33 VC = 5 ug/L 31 23 17 26 20 14 12 21 15 13 7 26A 16 10 9 8 2 24 22 36 28 41A 35 27 5 36A 29 36 31A 25 19 18 12 30 22 14 13 7 29 28 10 8 2 24 4 3 26 20 11 5 FONTE 21 15 11A 16A 21A 6 1 26A 16 10 9 3 23 17 36A 30 22 15 FONTE 4 26 25 19 11 5 26A 21 20 16A 21A 6 1 0.5 6A 11A 16 15 14 18 12 31 23 17 11 10 13 7 24 18 12 9 3 FONTE 26 20 13 7 20 FONTE 4 21 15 14 5 26A 16 10 4 9 3 FONTE 38 37 6A 16A 21A 6 1 39 39 38 11A 16A 21A 40 32 37 6A 11A 41 33 40 37 6A 6 1 41 38 37 0.7 34 32 39 41A 35 27 33 40 32 39 36 28 41A 34 41 33 40 32 30 Benzeno Y (Norte) metros 41 33 10 36A 30 29 36 35 27 34 0.9 31 23 22 28 41A 35 27 31A 25 24 18 29 36 28 41A 35 30 22 26 20 19 17 36A 21 15 14 13 12 31 23 17 29 36 28 27 5 36A 8 7 16 10 9 3 2 31A 25 24 18 12 4 26 20 19 11 5 FONTE 1 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 14 13 7 23 17 36A 8 2 16 10 9 3 31A 25 24 18 12 11 5 FONTE 4 26 20 19 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 14 13 7 24 18 12 8 2 31A 25 19 16 10 9 3 26 20 14 13 7 11 5 FONTE 4 37 6A 6A 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 9 3 2 16 10 39 38 37 6A 11 5 40 32 39 38 37 37 41 33 40 32 39 38 11A 16A 21A 26A 6 1 FONTE 4 34 41 33 40 32 39 41A 35 27 34 38 6A 30 36 28 41A 35 27 41 33 40 32 VC = 100 ug/L 29 34 41 36A 30 22 36 28 41A 35 27 34 33 31A 31 23 29 36 28 41A 35 27 10 5 30 22 29 36 26 25 24 17 36A 21 20 19 18 12 31 23 16 15 14 13 7 24 17 36A 8 2 31A 10 9 3 25 19 18 12 31 23 17 14 11 5 FONTE 4 26 20 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 13 7 29 15 8 2 31A 16 10 9 3 25 19 18 12 31 20 14 11 5 FONTE 4 26 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 13 7 23 17 8 2 24 18 12 31A 16 10 9 3 25 19 13 7 20 14 4 26 20 11 5 FONTE 37 6A 6A 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 9 3 26A 16 10 4 2 BTEX 16A 21A 6 1 40 39 38 37 37 6A 11A 41 33 32 39 38 38 37 6A 30 41 40 32 39 38 41A 35 27 34 33 40 32 39 VC = 0,05 mg/L 36 34 33 40 32 36A 30 28 41A 35 27 34 33 10 31 23 22 29 36 28 41A 35 27 34 24 17 36A 31A 25 19 29 36 28 41A 35 27 5 31 30 22 26 20 18 12 26A 21 15 14 13 7 23 17 36A 30 31A 24 29 36 28 8 2 16 10 9 3 25 19 18 12 4 26 20 14 13 7 22 29 8 11 5 FONTE 21 15 9 3 2 16A 21A 6 1 26A 16 10 4 24 17 36A 30 22 11 5 FONTE 25 19 11A 16A 21A 6 1 26 20 18 6A 11A 21 15 14 12 31 23 17 15 16 13 7 24 11 10 9 3 26 19 18 12 FONTE5 4 20 11A 16A 21A 26A 6 1 21 15 14 13 7 20 16 10 9 3 2 Brometo 16A 21A 26A 6 32 meses 6A 11A 30 25 meses 6A 6A 37 Biorremediação de gasolina e etanol Comprimento da pluma (metros) + 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 180 Benzeno 165 150 Etanol Concentração (mg/L) Profundidade 5,8 metros 2,3 metros 0 BT EX Benzeno Etanol BT EX Comprimento máximo da pluma 135 120 105 90 75 60 45 Comprimento final da pluma (32 meses) 30 Retração da pluma 15 Figura 6 – Resumo do avanço e retração das plumas dos compostos BTEX e etanol com a profundidade até 32 meses após derramamento controlado de gasolina 0 180 mediana de nitrato foi sempre inferior aos padrões exigidos pela le- 165 gislação. No entanto, cuidados devem ser tomados para que se tenha 150 um monitoramento frequente e em poços multiníveis do avanço das plumas de BTEX, etanol e nitrato. O avanço da pluma de etanol nas regiões onde a quantidade de nitrato adicionado não foi suficiente demonstrou a possibilidade de separação das plumas de BTEX. Essa configuração de pluma implica dificuldades maiores para a definição da extensão da área atingida pela contaminação durante uma investigação. Agradecimentos Concentração (mg/L) fileiras de poços da área experimental indicou que a concentração 25 meses Mediana = 26,85 25-75% = (13,60, 57,85) Min-Max = (1,51, 136,78) 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 32 meses Mediana= 32,27 25-75% = (14,91, 45,42) Min-Max = (1,63, 84,13) Este trabalho foi financiado pela Petrobras e, através de bolsa de doutorado, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Figura 7 – Avaliação do transporte do nitrato à jusante da área experimental aos 25 e 32 meses de monitoramentos Referências ALMEIDA, R. et al. Método geoestatístico para modelagem ambiental de poluentes em sistemas lacustres: Amazônia ocidental. In: XIII SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, Anais..., Florianópolis: p. 2247-2253, 2007. ALVAREZ, P.J.J.; HUNT, C.S. The effect of fuel alcohol on monoaromatic hydrocarbon biodegradation and natural attenuation. Revista Latinoamericana de Microbiologia, v. 44, n. 2, p. 83-104, 2002. AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE. Groundwater remediation strategies tool. Regulatory Analysis and Scientific Affairs Department, n. 4730, EUA, Dec. 2003. APHA/AWWA/WEF. Standard methods for the examination of water and wastewater. 18. ed. Washington, DC: APHA, 1992. CATTLE, J.A.; MCBRATNEY, A.B.; MINASNY, B. Kriging method evaluation for assessment the spatial distribution of urban soil lead contamination. 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