Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO, CONTABILIDADE E ECONOMIA PÓS-GRADUAÇÃO TEXTO PARA DISCUSSÃO Nº03/2007 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO BRASIL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DA DESIGUALDADE DE RENDA PER CAPITA DOS NÍVEIS EDUCACIONAIS Cilane da Rosa Vieira Carla Estefania Albert Izete Pengo Bagolin Porto Alegre 2007 Campus Central Av. Ipiranga, 6681 – P. 50 – CEP: 90619-900 Fone: (51) 3320-3688 – Fax (51) 3320-3624 E-mail: [email protected] www.pucrs.br 1 Crescimento e Desenvolvimento Econômico do Brasil: Uma análise comparativa da desigualdade de renda per capita dos níveis educacionais Cilane da Rosa Vieira* Carla Estefania Albert** Dra. Izete Pengo Bagolin*** Resumo Este trabalho analisa, através de um painel de dados, a influência dos diferentes níveis educacionais no crescimento econômico. Busca-se ainda, entender as diferenças regionais desta relação. Inicialmente, é feito um breve histórico da desigualdade brasileira e, consequentemente do crescimento e desenvolvimento econômico do Brasil e nas suas regiões. O modelo estimado tem o crescimento econômico como variável dependente e duas variáveis explicativas, que são os anos de estudo nos indivíduos com idade de 25 anos ou mais e a população ocupada. Os resultados encontrados apresentam os sinais esperados, corroborando a teoria de que a educação é uma variável importante para explicar o crescimento regional, seguida da criação de emprego. Outro fato observado se refere à relação entre educação e PIB apresentando taxas decrescentes. Isso indica que após o país ter atingido um determinado grau de desenvolvimento, a influência do acúmulo de capital humano sobre o crescimento econômico é cada vez menos significativa. Cabe destacar, ainda, que embora a educação apresente relevância para o desenvolvimento de um país, o seu efeito é de médio a longo prazo, o que dificulta a captação dos efeitos quando se usa um período curto de tempo. Palavras-Chaves: Crescimento econômico, capital humano, desigualdades regionais. Abstract This paper analyzes the influence of different educational levels in economic growth using a panel dataset. The research also attempts to explain the differences in this relation across regions. Initially, it is proposed a review of Brazilian historical inequality and, consequently, of the respective regional growth and development. The estimated model includes economic growth as the dependent variable and two regressors, which are the average years of schooling (for individuals over the age of 25 years-old) and the employed population. The results obtained present the expected signs, supporting the theory that education is an important variable for the explanation of regional growth, followed by the employment generation. Another observed aspect refers to the relation between education and GDP, which presents decreasing rates. This indicates that when a country has reached a certain level of development, the influence of human capital accumulation on the economic growth is less significant. Although education plays a relevant role in the development of a country, its effect appears in the medium or long term, which makes it difficult to capture this effects when using a short period of time. ____________________ *Mestranda em Economia do Desenvolvimento do PPGE/PUCRS. ** Mestranda em Economia do Desenvolvimento do PPGE/PUCRS. ***Doutora pelo PPGE/UFRGS. Professora do PPGE/PUCRS. 2 INTRODUÇÃO O nível de inserção dos países na economia global e dependente dos índices de crescimento econômico e tecnológico, que, por sua vez, dependem dos investimentos em capital humano. O grupo dos chamados países emergentes engloba as economias nacionais que estão em franca expansão de seus mercados nos últimos anos. O Brasil está inserido nesse grupo por apresentar altos índices de exportação e uma parcela crescente no mercado mundial. Apesar disso, não acompanha as principais características que envolvem os países em desenvolvimento. Internamente, o país continua a se debater com as desigualdades, com baixos investimentos, com insuficiente acumulação de capital humano, dentre outros. O Brasil, nos últimos anos, deu grandes passos no que diz respeito à universalização educacional no nível primário, atingindo em torno de 97% das crianças em idade escolar. No entanto, apesar dos avanços, muito ainda resta a ser feito. Além disso, as desigualdades ainda são imensas: enquanto alguns municípios exibem indicadores de primeiro mundo, em algumas regiões o país ainda acumula atrasos significativos. O governo brasileiro apresenta um tratamento histórico das questões econômicas e educacionais como funções distintas. Porém educação e desenvolvimento estão intrinsecamente associados no que concerne à formação de profissionais qualificados e, consequentemente, aumento do nível da produção de um país. Segundo os dados do IBGE, mais de 16 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão atualmente na escola. O avanço mais importante foi no ensino médio, onde houve um crescimento de três milhões de matrículas. No ensino superior, onde a expansão se deu pela iniciativa privada, as matrículas cresceram quase 90%. Embora o quadro geral tenha apresentado melhorias expressivas, a situação das regiões brasileiras ainda apresenta enorme diversidade: enquanto muitas acompanharam o avanço do país como um todo, outras ficaram estagnadas. Com base nisso, este artigo busca verificar se os diferentes níveis educacionais contribuem igualmente para a promoção do crescimento econômico nas regiões brasileiras. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Muitas vezes se confundem os termos crescimento e desenvolvimento econômico ou tratam como se fossem sinônimos. No entanto, cabe destacar essa distinção entre ambos os conceitos. Segundo Siedenberg (2006), crescimento é um processo de mudanças de caráter predominantemente quantitativo, significando aumento em dimensão, volume e/ou quantidade. Nessa mesma linha de raciocínio, considera-se o crescimento econômico como o aumento da capacidade produtiva e da produção de uma economia, em determinado período de tempo. Normalmente é medido pela variação do PNB (Produto Nacional Bruto: soma de todos os bens produzidos e serviços realizados enquanto atividades produtivas de uma nação, independente do território onde foram produzidos) ou do PIB (Produto Interno Bruto: valor agregado de todos os bens e serviços finais produzidos dentro de um país, independente da nacionalidade das unidades produtivas). Em suma, de acordo com Vasconcellos (2000), crescimento econômico é o crescimento contínuo da renda per capita ao longo do tempo. Cabe salientar, que nem todo crescimento econômico é benéfico à economia como um todo, pois pode estar ocorrendo transferência de excedentes para outros países ou o excedente produzido pode estar sendo apropriado apenas por poucas pessoas ou grupos sociais. Quando o crescimento econômico é relacionado com a população de 3 determinado país ou região, é necessário que a variação do crescimento econômico seja superior à variação do crescimento demográfico. Porém, se o crescimento econômico é resultado das mudanças de estruturas e melhoria de indicadores econômicos e sociais, é tratado como desenvolvimento econômico.Siedenberg (2006). Desenvolvimento econômico, conforme conceituado por Siedenberg (2006), é um processo de mudanças sociais e econômicas que ocorrem numa determinada região. Considerando que a abrangência dessas mudanças envolve uma séria de inter-relações com outros elementos e estruturas presentes nessa região, configurando um complexo sistema de interações e abordagens. Para Vasconcellos (2000), é um conceito mais qualitativo, incluindo as alterações da composição do produto e a alocação dos recursos pelos diferentes setores da economia, de forma a melhorar os indicadores de bem-estar econômico e social (pobreza, desemprego, desigualdade, condições de saúde, nutrição, moradia e educação). Os dados internacionais mostram as diferenças de renda entre os países em desenvolvimento. Na América Latina, os níveis de renda médios são semelhantes aos níveis de renda dos americanos do século passado. E nos países da Ásia e da África, as rendas per capita são ainda menores. Além disso, existem enormes disparidades na distribuição de renda internamente nesses países, com uma pequena parcela da população vivendo realmente muito bem, e a maioria com rendas bem abaixo do nível de renda médio. Vasconcellos (2000) apresenta uma classificação das fontes de crescimento para analisar as diferenças de desenvolvimento econômico a partir dos elementos que constituem a função de produção agregada do país. Desse modo, o crescimento da produção e da renda decorre de variações na quantidade e na qualidade de dois insumos básicos: capital e mão-de-obra. As fontes de crescimento são: a) aumento na força de trabalho, derivado do crescimento demográfico e da imigração; b) aumento do estoque de capital, ou da capacidade produtiva; c) melhoria na qualidade da mão-de-obra, por meio de programas de educação, treinamento e especialização; d) melhoria tecnológica, que aumenta a eficiência na utilização do estoque de capital; e) eficiência organizacional referente à interação dos insumos. De um modo geral, o desenvolvimento é um fenômeno de efeitos amplos na sociedade, que atinge a estrutura social, política e econômica, que estuda estratégias que permitam a elevação do padrão de vida da coletividade. Esse trabalho irá se deter mais no item “c” que trata do desenvolvimento Capital Humano através do ensino educacional, o qual constantemente não é dado muita ênfase como fontes de crescimento. O foco será mostrar o desempenho da Região Sul em comparação com as demais regiões brasileiras e sua contribuição para o desenvolvimento do Brasil. Jones (2000) destaca que o crescimento econômico é tido como a quantidade de trabalho e de capital disponível em um determinado país ou região supondo os recursos naturais como dados (fixos) incorporando também um componente chamado taxa de progresso tecnológico. De acordo com Vasconcellos (2000), o capital humano é o valor do ganho de renda potencial incorporado nos indivíduos, incluindo a habilidade inerente à pessoa e o talento, assim como a educação e as habilidades adquiridas. O trabalhador médio em países industrializados, em geral, é muito mais produtivo do que o trabalhador médio em países em desenvolvimento, em virtude daquele possuir mais qualificação que esse. Nesse sentido, constata-se que o capital humano é adquirido por meio da educação formal e do treinamento informal e pela experiência na profissão. No entanto, o problema para os países em desenvolvimento consiste na dificuldade de acumular capital humano, dado os baixos níveis de renda. Pois o que sobra da renda, após a provisão da subsistência, não permite investir 4 adequadamente em educação. Nos países pobres, as famílias têm que fazer a dura escolha entre deixar a criança na escola ou inseri-la no mercado de trabalho precocemente, a fim de ajudar no sustento da casa. Além disso, o governo desses países, na maioria das vezes, possui escassos recursos para aplicação na área educacional, com o intuito de oferecer ensino público e de qualidade para a maior parte da população. Outro fato ligado à educação, diz respeito ao seu efeito ser sentido somente a médio e longo prazo, ou seja, para que se eleve o nível de educação e qualificação de um país demanda um tempo relativamente longo. Portanto, os países não podem mudar de nível de renda para outro mais alto abruptamente. O crescimento está limitado ao tempo que os fatores de produção exigem para se acumularem: por sua vez, a educação é um fator de crescimento lento, mas é também um dos mais poderosos para se atingir níveis de melhor qualidade de vida (bem-estar) para a população. A partir da década de 1960 os trabalhos de Schultz (1961), Romer (1986) e Lucas (1988) apud Ferreira (2000) difundem a importância do capital humano no conceito de crescimento econômico. Segundo esses autores, o capital humano gera externalidades positivas por meio do acúmulo de habilidades, conhecimentos e treinamentos (educação), além de destacar a pesquisa voltada ao progresso tecnológico como importante para o crescimento de um país. Um exemplo claro, são os tigres asiáticos (Coréia, Taiwan, Hong Kong e Cingapura), os quais cresceram rapidamente nas duas últimas décadas, com base no incremento das exportações de produtos manufaturados. No entanto, ao contrário dos países latino-americanos, esses países não iniciaram pela liberalização das importações, mas por um período de proteção aos produtores domésticos, a fim de se fortalecerem, para então permitir importações com o objetivo de testar a competitividade dos produtos domésticos. Contudo, não foi somente a abertura comercial responsável pelo crescimento econômico, houve a implantação de políticas fiscais bem planejadas, com o orçamento do governo permanecendo relativamente pequeno em relação ao PIB, evitando elevações indevidas de preços; além de taxas de poupança extremamente elevadas e investimento em educação realizado durante muitas décadas. Um dos fatores que mais emperram o desenvolvimento de países pobres são as elevadas taxas de crescimento populacional. Para obter aumentos na renda per capita deve haver investimentos suficientes em capital físico e humano, a fim de prover cada novo trabalhador com o instrumental necessário para que ele ganhe um nível mais alto de renda. Sendo assim, uma taxa de crescimento populacional acelerada exige mais recursos para alimentar e educar os mais jovens, além de políticas governamentais que limitam esse crescimento. No entanto, é muito difícil reduzir a taxa de crescimento populacional nas camadas mais pobres da sociedade, em razão da cultura intrínseca de que um grande número de filhos representa uma renda familiar maior. A HISTÓRIA DA DESIGUALDADE NO BRASIL A má distribuição de renda é uma marca registrada da sociedade brasileira. Dados históricos mostram que o índice de Gini do Brasil mantém estável e garantindo a posição do Brasil entre as sociedades mais desiguais do planeta. Apesar de ter apresentado uma pequena queda nos últimos anos, dados do IPEA mostram que em 2005 o índice de Gini era de 0,57. Comparando com a América Latina, é o país que lidera em termos de desigualdade. Segundo Ferreira (2000), a evolução temporal da desigualdade brasileira mostra o cenário propício que essa situação se desenvolveu. Retrocedendo ao período colonial, observa-se que a economia baseou-se em dois pilares: concentração da propriedade fundiária e elevada mão-de-obra escrava importada. Nas décadas de 1960 e 1970, o 5 índice de Gini obteve considerável crescimento até os anos de 1980 quando se apresentou estável – com pequenas reduções em 1984 e 1986 – porém com a hiperinflação, o coeficiente de Gini voltou a piorar, atingindo seu pico (0,62) em 1989, com o fracasso do Plano Cruzado. A partir de 1992, há uma redução na desigualdade, devido à estabilização da economia com o Plano Real, permanecendo em um patamar ao nível do início da década anterior, no entanto, muito elevado em comparação com os demais países. A pobreza é um dos piores males de uma economia. E a maneira de eliminá-la é através do crescimento econômico. Conforme Ferreira (2000), a maioria dos economistas sugere uma relação causal negativa entre desigualdade e crescimento econômico. Para tanto, baseiam-se em dois argumentos. O principal argumento seria de que a desigualdade reduz o crescimento, pois com mercados imperfeitos de capital e sob assimetrias de informação, a desigualdade e a pobreza implicariam na existência de um grupo de agentes sem acesso ao crédito que os impossibilitariam de desenvolver seus projetos, fato que resultaria em ineficiência econômica. O segundo argumento teórico enfatiza que as políticas econômicas não são formuladas por um “ditador benevolente”, mas o resultado de um complexo processo político de tomada de decisões, que poderá perder eficiência à medida que a sociedade se torna mais desigual. Ainda, de acordo com Ferreira (2000), a distribuição desigual de renda, de modo geral, é em função de cinco causas. A primeira causa é referente às características natas que diferem os indivíduos entre si, tais como, raça, gênero, inteligência, e pode-se também considerar nesse grupo, a riqueza inicial; a segunda refere-se às características adquiridas pelos indivíduos ao longo de suas vidas, cabe destacar, educação e experiência profissional; a terceira causa diz respeito ao mercado de trabalho, pois esse é o condutor das diferentes características individuais de renda, e encontra-se muito relacionada com as duas primeiras causas. Esse tipo de causa possui três canais responsáveis pelas diferenças nas rendas das pessoas. São eles: por discriminação (conforme descrito na primeira causa); por segmentação (setores formais e informais do mercado de trabalho); e por projeção (ocorre de acordo com as características observadas em cada trabalhador, mais relacionadas à segunda causa). A quarta causa é referente aos mercados de capital, ou seja, as imperfeições nos mercados de crédito e de seguros inibem a ocupação do indivíduo nas áreas produtivas, afetando a geração de renda e, portanto, a sua distribuição. A quinta causa é verificada nos aspectos demográficos, isto é, são as decisões dos indivíduos quanto ao estilo de vida. Pode-se citar a criação de domicílio, fertilidade, o relacionamento entre ricos e pobres. A interação dessas cinco causas de distribuição desigual de renda apresenta intensidade distinta durante as diferentes fases da vida do ser humano. Embora tenha havido diversos debates sobre os fatores da desigualdade no Brasil, vários estudos corroboram a afirmação de que a distribuição de renda depende do entrelaçamento da educação e das políticas públicas sobre as funções do mercado de trabalho. Cabe salientar, que as diferenças educacionais são as que apresentam maior poder explicativo, sendo determinante da renda familiar per capita do brasileiro. O resultado do trabalho de Ferreira (2000) sugere que o equilíbrio inferior no qual se encontra o Brasil é caracterizado por um círculo vicioso entre a distribuição de educação, distribuição de riqueza e distribuição de poder público. Em que a enorme heterogeneidade educacional conduz a uma desigualdade de riqueza, que se transforma em diferenças de poder político e assim, sucessivamente. Renda per Capita Em economia, PIB per capita é o indicador que tem sido convencionalmente utilizado para medir o grau de desenvolvimento de um país, obtido a partir da divisão 6 do fluxo de produção anual pelo total da população. Este índice, embora útil, oferece algumas desvantagens, pois, tratando-se de uma média, esconde as disparidades na distribuição da renda. Assim, um país pode ter uma renda per capita elevada, mas uma distribuição muito desigual dessa renda. Ou ao contrário, pode ter uma renda per capita baixa, mas, tendo uma distribuição de renda que registra pouca disparidade, não registrando grandes diferenças entre ricos e pobres. No aspecto macroeconômico, o PIB per capita brasileiro vem mantendo-se constante, como mostra a tabela abaixo, expressando valores da renda média per capita em USD: Tabela 1: Renda Média per Capita Ano Renda em USD 1999 4054,37 2000 4168,74 2001 4161,58 2002 4180,12 2003 4141,98 2004 4284,19 Fonte: PIB per capita - US$ de 2005 - IPEA Renda per Capita Domiciliar por Regiões No Brasil, as disparidades de renda nas 5 regiões analisadas são marcantes, conforme pode ser verificado na Figura 1. As regiões Sul e Sudeste concentram as melhores médias de renda per capita do país, em contraste com as regiões Norte e Nordeste, onde concentram os piores resultados. A renda per capita domiciliar pode ser expressa como a razão entre o somatório da renda per capita de todos os indivíduos e o número total desses indivíduos. Cabe ressalvar a questão inflacionária como fator direto de saltos de renda domiciliar ao longo do período, como ocorre claramente no ano de 1986, além de outras variáveis de ajustes macroeconômicos que oscilaram violentamente ao longo do período estudado. Fato interessante são os resultados apresentados pela Região Sul (Figura 3) em relação à Região Sudeste (Figura 2) desde 1990. A partir daquele ano, a renda média domiciliar no Sul supera a média domiciliar da região Sudeste. Sabidamente, a região Sudeste concentra grande parte da riqueza nacional, distribuída em capital fixo, indústrias, etc. Figura 1: Renda Domiciliar per Capita no Período de 1981 a 2004 Região Centro-Oeste Região Norte Região Nordeste Região Sul Região Sudeste Renda Domiciliar em R$ 600,00 500,00 400,00 300,00 200,00 100,00 0,00 1981 Fonte:Ipeadata 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1992 Anos 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 Figura 2: Renda Domiciliar per Capita da Região Sudeste – 1981 a 2004 Sudeste 600,00 500,00 400,00 300,00 Sudeste 200,00 100,00 0,00 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 Fonte:Ipeadata A região Sudeste apresenta queda constante na renda domiciliar per capita, no período de 1982 a 1986, com o salto positivo naquele último ano do período. Até o ano de 1995, a renda domiciliar das famílias da região sudeste apresenta constantes variações. No intervalo de 1995 a 2002, há uma estabilização do valor médio, no patamar de R$ 400,00, e em 2003 apresenta uma leve queda. A região Sul, no tocante a renda domiciliar per capita, apresenta oscilação intensa no período de 1981 a 1996, conseqüência das já mencionadas questões macro, com a relevante situação de liderar o índice a partir de 1996. Esta melhora significativa da renda pode ser explicada pelo aumento do parque industrial paranaense, recordes de safras de grãos direcionados à exportação, melhorias da infra-estrutura e, no âmbito deste trabalho, manutenção constante das condições educacionais da população. Figura 3: Renda Domiciliar per Capita da Região Sul – 1981 a 2004 Sul 600,00 500,00 400,00 Sul 300,00 200,00 100,00 0,00 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 Fonte:Ipeadata Em ambas as regiões analisadas – Sudeste e Sul - há o fator histórico da imigração como ponto pertinente à explicação do desenvolvimento dessas. Certamente, o Capital Social apresentado por esses imigrantes, teve influência na vocação produtiva das regiões, proporcionando crescimento econômico, desenvolvimento e dando condições para o alcance dos patamares acima da média nacional em vários indicadores. Figura 4: Renda Domiciliar per Capita da Região Centro-Oeste – 1981 a 2004 Centro-oeste 600,00 400,00 Centro-oeste 200,00 0,00 1981 1983 1985 1987 1989 1992 1995 1997 1999 2002 2004 Fonte:Ipeadata A Região Centro-Oeste (Figura 4) apresenta oscilações constantes mesmo após o ano de 1996, diferentemente das outras regiões até o momento analisadas que tendem a estabilizarem esse indicativo a partir daquele ano. Fatores de extrema importância da região são pertinentes. Primeiramente, a densidade populacional tem aumentado nessa região, devido, em grande parte, às plantações de grãos, aumento da estrutura de serviços pertinentes ao agronegócio e conseqüente investimento – mesmo que ainda deficitário – para dar suporte à indústria. Com o aumento populacional, também cresceu a necessidade de mão de obra treinada, oriunda das Regiões Sul e Sudeste. De fato, o patamar da renda verificado em 1993 e 2004, supera o nível médio de renda da Região Sudeste e, em 2002, encontra-se extremamente próximo aos patamares sulinos. Figura 5: Renda Domiciliar per Capita da Região Nordeste – 1981 a 2004 Nordeste 300,00 250,00 200,00 150,00 100,00 50,00 0,00 Nordeste 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 Fonte: Ipeadata Figura 6: Renda Domiciliar per Capita da Região Norte – 1981 a 2004 Norte 500,00 400,00 300,00 Norte 200,00 100,00 0,00 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 Fonte:Ipeadata A região Nordeste (Figura 5) no tocante a renda domiciliar ao longo do período estudado, apresenta os piores índices. A região Norte (Figura 6) vem logo em seguida nesse aspecto. A renda apresentada pela região Nordeste oscila proporcionalmente a 47% (menor diferença) e 54% a menos se comparada com a renda da região Sudeste – destino visado dos imigrantes nordestinos. Em média, a cada biênio com aumento da renda domiciliar, no ano seguinte a renda apresenta uma diminuição, inclusive, piorando em relação ao início desse biênio, como segue: ANÁLISE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL Considerando o conceito de educação adotado no Brasil, verifica-se que o ensino de nível médio é mais importante para o trabalho profissional do indivíduo do que a educação das séries fundamentais. Cabe destacar, o conceito declarado pelo INEP para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio. “O Ensino Fundamental tem por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (1) o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita, e do cálculo; (2) a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; (3) o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; (4) o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.” “O Ensino Médio consiste na etapa final da educação básica. Tem por finalidades: (1) a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; (2) a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de adaptar-se com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; (3) o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; (4) a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.” Conforme se pode observar, o ensino médio é a preparação inicial para o mercado de trabalho, o que gera um diferencial para os indivíduos que possuem apenas o ensino básico. De acordo com os quadros apresentados abaixo, verifica-se que a Taxa de Aprovação (Quadro 1) nas séries fundamentais no Brasil, apesar de ter oscilado durante o período de 1999 a 2004, permaneceu, nesse último ano (78,7), praticamente no mesmo patamar de 1999 (78,3), um aumento de apenas 0,51%. Enquanto que para as séries de nível médio (Quadro 2), a situação foi ainda mais crítica, no âmbito nacional houve um decréscimo de 4,0 pontos percentuais para o mesmo período. No entanto, a Taxa de Reprovação apresentou elevação em ambos os níveis educacionais em torno de 25% para o nível básico e 48,6% para o nível médio, comparando o desempenho de 2004 com o de 1999. E a Taxa de Abandono mostrou redução em 26,5% para o ensino fundamental e em 2,4% para o ensino médio. Quadro 1: Taxas de Rendimento no Brasil - Série Fundamental Ano Taxa de Aprovação 1999 78,3 2000 77,3 -1,28 10,7 2,88 12 6,19 100% 2001 79,4 2,72 11 2,80 9,6 -20,00 100% 2003 79,6 0,25 12,1 10,00 8,3 -13,54 100% 2004 78,7 -1,13 13 7,44 8,3 0,00 100% % Taxa de Reprovação % 10,4 Taxa de Abandono % 11,3 Total % 100% Fonte: MEC/INEP Quadro 2: Taxas de Rendimento no Brasil - Ensino Médio Ano Taxa de Aprovação 1999 76,4 2000 75,9 -0,65 7,5 4,17 16,6 1,22 100% 2001 77 1,45 8 6,67 15 -9,64 100% 2003 75,2 -2,34 10,1 26,25 14,7 -2,00 100% 2004 73,3 -2,53 10,7 5,94 16 8,84 100% Fonte: MEC/INEP % Taxa de Reprovação % 7,2 Taxa de Abandono Total % % 16,4 100% Figura 7: Taxas de Rendimentos no Brasil - Ensino Fundamental Figura 8: Taxas de Rendimentos no Brasil - Ensino Médio Taxas do Ensino Médio no Brasil Taxas do Ensino Fundamental no Brasil 90 90 80 80 70 70 60 60 50 50 40 40 30 30 20 20 10 10 0 0 1999 2000 Aprovação 2001 Reprovação 2003 Abandono 2004 1999 2000 Aprovação 2001 Reprovação 2003 2004 Abandono Ao analisar as figuras 7 e 8 acima expostas, verifica-se que a Taxa de Aprovação do Ensino Fundamental apresentou pequena elevação, mantendo-se, praticamente, estagnada, enquanto que no Ensino Médio essa taxa vem obtendo quedas gradativamente desde o início da década atual, exceto o ano de 2001, o qual apresentou um pequeno aumento em 1,4%. Esse fato pode ser visualizado melhor através da Taxa de Reprovação, mostrada nas duas figuras, em que essa taxa cresce muito mais acentuadamente nas séries de nível médio do que nas de ensino fundamental, no entanto, o maior crescimento ocorreu no período de 2001 a 2003 para ambos os níveis, permanecendo praticamente constante no ano seguinte. Todavia, conforme se pode observar, a Taxa de Abandono não apresentou crescimento, pelo contrário, nos dois níveis de ensino essa taxa mostrou-se decrescente, com maior inclinação para as séries fundamentais. Nesse sentido constata-se que, embora a Taxa de Reprovação tenha crescido de forma acelerada durante o período analisado, não ocorreu elevação da Taxa de Abandono como se poderia prever dado ao desestímulo de continuar nos estudos. Essa situação não é plenamente satisfatória, visto que as Taxas de Abandono continuam elevadas, sendo que, no ensino médio essa taxa apresenta-se o dobro da taxa do ensino fundamental, além de ser também 60% maior que a Taxa de Reprovação. Nesse ponto, constata-se que no ensino médio mesmo sem reprovação muitos alunos desistem da escola ao atingir a idade mínima para entrar no mercado de trabalho, sem considerarem a falta de qualificação para exercer uma profissão que os possibilite obter um ganho salarial, pelo menos, razoável. ANÁLISE DA EDUCAÇÃO NAS REGIÕES BRASILEIRAS Para fazer essa análise utilizou-se as informações obtidas no Inep, através dos indicadores do censo escolar da educação básica (ensino fundamental e médio), os quais são: Taxa de Aprovação que significa a proporção de alunos da matrícula total na série k, no ano t, que são aprovados; Taxa de Reprovação que se refere à proporção de alunos da matrícula total na série k, no ano t, que são reprovados e Taxa de Abandono que mostra a proporção de alunos da matrícula total na série k, no ano t, que abandonaram a escola. Considerou-se, também, a Taxa de Escolarização Líquida, divulgada pelo IBGE, que trata de um indicador que identifica o percentual da população em determinada faixa etária matriculada no nível de ensino adequado a essa faixa etária. Esse trabalho não considerou a taxa de analfabetismo, em função de seu foco ser o de analisar o rendimento escolar bem como à proporção que atinge cada nível de ensino. Ou seja, tem como objetivo mostrar o quanto o grau de escolarização influencia na carreira profissional de uma pessoa e no desenvolvimento de um país. Conforme se pode observar nos quadros e figuras abaixo, a Taxa de Aprovação do ensino fundamental (Quadro 3) manteve-se constante ao longo do período entre 1999 a 2004 em todas as regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste). No entanto, o nível em que essa taxa se situa em cada região é bem diversificado. A média da Taxa de Aprovação no Brasil encontra-se em torno de 78,66%, sendo que apenas as regiões Sudeste e Sul apresentam-se acima da média do país, 87,30% e 83,98%, respectivamente. A menor Taxa de Aprovação é verificado na região Nordeste, além de ter sido a única região que em 2004 apresentou um índice menor (69,7%) do que foi atingido em 1999 (70,7%). Ao analisarmos a figura (Figura 10) referente ao ensino médio, observa-se uma situação bem diferente se comparada ao ensino básico. Em todas as regiões houve queda na Taxa de Aprovação de 2004 em relação a 1999, o que reduziu a média nacional em 3,1 %, sendo a maior queda verificada na região Nordeste com 4,8%. Apenas a região Sudeste situou-se acima da média, e a região Centro-Oeste foi a que menos aprovou ao longo desse período. Ao comparar os quadros 3 e 4 e ao visualizar o desempenho da Taxa de Aprovação nas figuras 9 e 10, observa-se que a Região Sul vem mantendo o seu segundo lugar, logo atrás da Região Sudeste, em termos de aprovação nos Ensinos Fundamental e Médio. Verifica-se, porém, uma queda para a terceira posição em favor da Região Nordeste, em 2001, recuperando sua posição em 2003. Quadro 3: Taxas de Aprovação no Ensino Fundamental nas Regiões Brasileiras Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1999 69,9 70,7 86,6 83,1 75,1 78,3 2000 68,7 68,4 86,9 83,3 73,7 77,3 2001 71,8 71,2 88,2 84,4 76,5 79,4 2003 73,4 71,1 87,7 85,2 77,7 79,6 2004 71,5 69,7 87,1 83,9 77,9 78,7 Fonte: MEC/INEP Quadro 4: Taxas de Aprovação no Ensino Médio nas Regiões Brasileiras Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1999 73,1 75,7 77,8 75,6 73,2 76,4 2000 73,1 73,6 78,7 73,6 70,4 75,9 2001 73,1 76,0 79,5 73,7 73,3 77,0 2003 72,7 72,7 78,1 73,8 71,2 75,2 2004 69,6 70,9 76,4 72,7 69,9 73,3 Fonte: MEC/INEP Figura 9:Taxas de Aprovação no Ensino Figura 10: Taxas de Aprovação no Fundamental nas Regiões do Brasil Ensino Médio nas Regiões do Brasil Taxa de Aprovação - Fundamental Taxa de Aprovação - Médio 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 82 80 78 76 74 72 70 68 66 64 1.999 2000 Norte Nordeste 2.001 Sudeste 2.003 Sul 2.004 Centro_Oeste Brasil 1.999 Norte 2000 Nordeste 2.001 Sudeste 2.003 Sul 2.004 Centro_Oeste Brasil Ao analisar a Taxa de Reprovação, verifica-se que tanto no ensino fundamental (Quadro 5) quanto no ensino médio (Quadro 6) houve elevação no nível dessa taxa, no decorrer do período de 1999 a 2004. No ensino fundamental observa-se que as regiões obtiveram um resultado inverso em relação à Taxa de Abandono e à Taxa de Aprovação. Ou seja, nas regiões onde a Taxa de Aprovação foi alta, a Taxa de Abandono se situou em um patamar baixo. O mesmo não ocorreu para o ensino médio (Quadro 6), com destaque para a região Sudeste que foi a que apresentou uma Taxa de Aprovação acima da média do país e obteve também uma Taxa de Reprovação acima da média do Brasil. Inversamente similar, as regiões Nordeste e Norte apresentaram as Taxas de Aprovação e a de Reprovação abaixo da média brasileira. Ao comparar a Região Sul com o ensino nacional constata-se que essa região foi a que obteve a taxa mais elevada em reprovação no Ensino Médio no decorrer dos cinco períodos observados. Quadro 5: Taxas de Reprovação no Ensino Fundamental nas Regiões Brasileiras Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1999 13,6 13,7 6,2 11,2 10,4 10,4 2000 13,6 14,0 6,6 10,8 11,2 10,7 2001 14,5 14,3 6,9 11,2 10,9 11,0 2003 15,1 15,5 8,2 11,8 11,8 12,1 2004 16,2 16,7 8,9 13,2 12,2 13,0 Fonte: MEC/INEP Quadro 6: Taxas de Reprovação no Ensino Médio nas Regiões Brasileiras Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1999 6,0 6,8 6,4 10,7 8,7 7,2 2000 5,6 6,5 7,4 10,7 8,3 7,5 2001 6,4 6,6 8,0 11,4 8,7 8,0 2003 7,7 8,4 10,8 13,3 10,7 10,1 2004 8,8 8,2 11,8 13,4 11,1 10,7 Fonte: MEC/INEP Conforme demonstrado nas figuras abaixo (Figuras 11 e 12), o ensino fundamental obteve uma elevação gradativa ao longo do período, porém o ensino médio apresentou uma taxa constante nos anos 2003 e 2004. Figura 11: Taxas de Reprovação Ensino Fundamental nas Regiões Figura 12: Taxas de Reprovação Ensino Médio nas Regiões Taxa de Reprovação - Fundamental Taxa de Reprovação - Médio 18 16 16 14 14 12 10 10 8 6 6 12 8 4 4 2 2 0 0 1,999 Norte 2000 Nordeste 2,001 2,003 Sudeste Sul 2,004 Centro_Oeste 1,999 Brasil Norte 2000 Nordeste 2,001 Sudeste 2,003 Sul 2,004 Centro_Oeste Brasil No que diz respeito à Taxa de Abandono praticamente em ambos os ensinos – fundamental (Quadro 7) e médio (Quadro 8) - a classificação das regiões em relação à média do Brasil foi a mesma. Encontram-se com taxas elevadas as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, as quais também são as que menos aprovam, conforme analisado anteriormente. Contudo as regiões Sul e Sudeste são as que apresentam baixa evasão escolar, em relação às demais reigiões, e de acordo com o que foi analisado, são as que possuem Taxa de Aprovação mais elevada no país. Uma distinção entre essas duas regiões diz respeito ao tipo de abandono, ou seja, enquanto a Região Sul apresenta a menor taxa de abandono do país ao longo dos períodos para o Ensino Fundamental, a Região Sudeste apresenta desde 2000 a menor taxa de abandono para o Ensino Médio. Fato que gera uma vantagem para essa região, visto que, o Ensino Médio é o que mais causa impacto no cenário econômico do país. Ao visualizar as figuras 13 e 14 abaixo, nota-se que a Taxa de Abandono apresentou queda acentuada no ensino fundamental para todas as regiões brasileiras, enquanto que no ensino médio obteve pouca oscilação, mantendo-se em torno do mesmo patamar durante o período analisado. Ao comparar 2004 com 1999, observa-se que no ensino médio somente na região Sudeste ocorreu queda na Taxa de Abandono, reduzindo em 4%, em contraste com a região Nordeste que apresentou o maior aumento, em torno de 3,4%. Quadro 7: Taxas de Abandono no Ensino Fundamental nas Regiões Brasileiras Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1999 16,5 15,6 7,2 5,7 14,5 11,3 2000 17,7 17,6 6,5 5,9 15,1 12,0 2001 13,7 14,5 4,9 4,4 12,6 9,6 2003 11,5 13,4 4,1 3,0 10,5 8,3 2004 12,3 13,6 4,0 2,9 9,9 8,3 Fonte: MEC/INEP Quadro 8: Taxas de Abandono no Ensino Médio nas Regiões Brasileiras Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1999 20,9 17,5 15,8 13,7 18,1 16,4 2000 21,3 19,9 13,9 15,7 21,3 16,6 2001 20,5 17,4 12,5 14,9 18,0 15,0 2003 19,6 18,9 11,1 12,9 18,1 14,7 2004 21,6 20,9 11,8 13,9 19,0 16,0 Fonte: MEC/INEP Figura 13: Taxas de Abandono no Ensino Fundamental nas Regiões Figura 14: Taxas de Abandono no Ensino Médio nas Regiões Taxa de Abandono - Médio Taxa de Abandono - Fundamental 25 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 20 15 10 5 0 1,999 Norte 2000 Nordeste 2,001 Sudeste 2,003 Sul Centro_Oeste 2,004 Brasil 1,999 Norte 2000 Nordeste 2,001 Sudeste 2,003 Sul Centro_Oeste 2,004 Brasil Conforme se pode verificar nos quadros 9 e 10 abaixo, o ensino fundamental apresenta a partir de 1998 uma Taxa de Escolarização Líquida (indicador que compara o total de matrículas de um determinado nível de ensino com a população na faixa etária adequada a esse nível de ensino) na faixa de 90% em todas as regiões brasileiras, elevando a taxa do país de 80% em 1980 para 94% em 2000. As regiões, Sudeste, Sul e Centro-Oeste encontram-se acima da média do Brasil. No entanto, a distância entre as regiões que se situam acima e as que estão abaixo da média nacional reduziu consideravelmente da década de 1980 para a de 2000. O que antes era de 20 pontos percentuais, hoje essa distância gira em torno de 2% a 6%. Todavia, o ensino médio (Quadro 10) não apresenta níveis elevados de escolarização, embora tenha ocorrido significativa melhoria nesse indicador. As médias das regiões Sul e Sudeste situaram-se bem acima da média do país, entre 14% e 12%, respectivamente. A região Centro-Oeste foi a que mais cresceu no decorrer do período de 1980 a 2000, com um incremento de 220% aproximando-se da média brasileira. Apesar de todo o aumento obtido, ainda é muito baixo o nível de escolarização no ensino médio. Mesmo as regiões Sul e Sudeste que são as que possuem as taxas de escolarização mais elevadas no país, não atingem nem 50% da população com faixa etária adequada ao ensino médio. Quadro 9: Taxa de Escolarização Líquida do Ensino Fundamental Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1980 69,9 69,1 89,2 84,3 80,1 80,1 1991 75,8 72,0 91,3 92,1 90,6 83,8 1994 81,5 77,3 94,4 93,8 92,0 87,5 1998 90,4 90,0 97,4 96,2 93,9 95,3 1999 93,2 92,8 97,6 96,6 95,6 95,4 2000 90,4 92,8 96,1 95,6 94,1 94,3 Fonte: MEC/INEP Quadro 10: Taxa de Escolarização Líquida do Ensino Médio Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil 1980 6,5 6,5 20,3 17,8 10,3 14,3 1991 8,5 8,4 24,8 24,0 17,9 17,6 1994 10,8 10,3 27,7 30,5 21,9 20,8 1998 15,2 14,5 42,5 44,8 31,0 30,8 1999 16,3 15,7 45,0 47,7 31,7 32,6 2000 17,0 16,7 45,6 47,1 33,0 33,3 Fonte: MEC/INEP METODOLOGIA E ANÁLISE DO PAINEL DE DADOS Para esse trabalho que se propõe a analisar o impacto da educação sobre o crescimento econômico e comparar o desempenho da Região Sul com as demais regiões do país, estimou-se duas equações. Na primeira equação a variável dependente é o Produto Interno Bruto (PIB) - R$ de 2000(mil) - Deflacionado pelo Deflator Implícito do PIB nacional de cada região, a qual se denominou de “PIB”, a fim de verificar qual o impacto da educação sobre o crescimento do PIB. Neste modelo foram testadas três variáveis explicativas conforme segue. Média de Anos de Estudo das pessoas 25 anos e mais, denominada de “Anos_Estudo”; O mesmo indicador de anos de estudo ao quadrado declarada como “Anos_Estudo2”, com o intuito de verificar a existência da curva de Kuznets, na relação entre educação e crescimento econômico, a taxas decrescentes; e a população ocupada definida como “Ocup”, a fim de relacionar o emprego com o PIB. Todas as variáveis foram obtidas através do Banco de Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipeadata,e referem-se às regiões brasileiras. No segundo modelo estimado, substituiu-se apenas a variável dependente. Sendo a variável dependente, neste painel, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita - R$ de 2000(mil) - Deflacionado pelo Deflator Implícito do PIB nacional, denominada de “PIB_pc”, o qual também foi obtido no Banco de Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipeadata e em dados regionais. Nessa regressão foram considerados os seguintes períodos: 1999; 2001; 2002; 2003 e 2004, em função da obtenção de todos os dados para o mesmo período. O ano 2000 foi suprimido devido que em anos censitários não é calculada a população ocupada. A análise realizada neste trabalho foi através da regressão de um Painel de Dados de Efeitos Fixos. Determinou-se o modelo de efeitos fixos, em razão da possibilidade de captarem as características não observadas de cada região brasileira, pelos distintos interceptos, em conseqüência das heterogeneidades existentes no país, mas que não variam com o tempo. A equação geral estimada nos Modelos de Efeitos Fixos é a seguinte: Yit = αi + βXit + εi (1) Desse modo, a equação estimada para o PIB foi determinada por: lnPIBit = αi + βAnos_Estudot + βAnos_Estudo2it + βlnOcupit + εi (2) E para a estimação do PIB_pc, a equação determinada será: lnPIB_pcit = αi + βAnos_Estudot + βAnos_Estudo2it + βlnOcupit + εi (3) Onde: PIB = PIB regional em valores monetários (Real); PIB_pc = PIB per capita regional em valores monetários (Real); Anos_Estudo = Média de anos de estudo de pessoas com 25 anos ou mais; Anos_Estudo2 = forma quadrática da variável Anos_Estudo; Ocup = população ocupada; .i = Refere-se a cada Região Brasileira; .t = Os cinco anos analisados: 1999, 2001, 2002, 2003 e 2004; αi = as características de cada Região, que são constantes no tempo. Destaca-se que a utilização da forma quadrática na variável “Anos_Estudo2” tem sido abordada por outros autores para explicar a relação entre capital humano e crescimento econômico, tais como: Dias, Dias Ambrósio e Lima (2005); Nakabashi e Figueiredo (2005); e Kroth e Dias (2006). Pode-se citar também a utilização da variável educação quadrática por Bagolim e Porto (2003) para verificar a relação negativa entre educação e o índice de Gini, ao invés, de PIB. Os dados a seguir são os resultados das duas estimações de Painel de Dados, conforme descrito acima. Em ambas as estimativas, foram efetuadas o teste de White para Covariância Consistente (White Heteroskedasticity Consistent Covariance) de forma a minimizar os problemas de heterocedasticidade. lnPIBit = αi + 0.611626Anos_Estudot – 0.037492Anos_Estudo2it + 0.384451lnOcupit + εi (2) lnPIB_pcit=αi+0.536187Anos_Estudot–0.037484Anos_Estudo2it+0.235412lnOcupit+εi (3) Tabela 2: Variável Dependente: LOG(PIB) DesvioPadrão 0.132745 0.011729 0.021432 Variáveis ANOS_ESTUDO ANOS_ESTUDO² LOG(OCUP) β 0.611626 -0.037492 0.384451 Efeitos Fixos Coef. Centro-Oeste Coef. Norte Coef. Nordeste Coef. Sul Coef. Sudeste C F Statistic 9.875414 2642,624 9.658219 10.341220 10.448320 11.190060 t-statistic (4.607520) (-3.196590) (17.937980) Prob(F-Stat) 0,000000 Prob. 0.0003 0.0053 0.0000 DW 1.500439 Tabela 3: Variável Dependente: LOG PIB_pc Variáveis ANOS_ESTUDO ANOS_ESTUDO² LOG(OCUP) Efeitos Fixos Coef. Centro-Oeste Coef. Norte: Coef. Nordeste: Coef. Sul Coef. Sudeste β 0.536187 -0.037484 0.235412 DesvioPadrão 0.126203 0.011054 0.013801 C F Statistic -3.651232 711,7621 -4.051563 -4.507663 -3.693448 -3.848815 t-statistic (4.248607) (-3,391075) (17.057810) Prob(F-Stat) 0,000000 Prob. 0.0005 0.0035 0.0000 DW 1.621276 Os resultados dos modelos estimados mostram que as variáveis explicativas apresentam os sinais esperados para a relação entre crescimento econômico e educação. Porém, cabe ressaltar, que estas não são as únicas variáveis que contribuem para explicar a variação do PIB. Outro ponto a destacar se refere ao curto período em que o Painel de Dados foi estimado. Devido à preocupação com a uniformização dos dados para a análise, foram utilizados somente cinco períodos (1999, 2001, 2002, 2003 e 2004). No que diz respeito ao PIB, esse indicador não apresentou expressiva variação durante o período analisado, o que poderia prejudicar os resultados obtidos. Observa-se que as estatísticas “t” foram todas significativas, assim como, a estatística F que é significativa para os efeitos conjuntos dessas variáveis sobre a variável explicada. Nota-se, também, que o teste Durbin-Watson, para o nível de significância de 1%, não rejeita a hipótese nula, indicando que há forte probabilidade de não haver presença de autocorrelação entre os resíduos. Os sinais resultantes em cada variável são os que se esperavam, ou seja, as variáveis “Anos_Estudo” e “Ocup” tendem a apresentarem uma relação positiva com o crescimento econômico. Pois à medida que os anos de estudo e o número de pessoas empregadas se elevam, o PIB tende a crescer, dado que se espera que a produção aumente com a maior quantidade de mão-de-obra empregada, bem como a melhor qualificação do trabalhador, obtida através do maior tempo de estudo, permite um melhor desempenho em suas funções. Em conjunto, geram uma dinamicidade e qualidade superior nos setores econômicos. Quanto a variável “Anos_Estudo” na forma quadrática, verifica-se a corroboração da curva de Kuznets, ao afirmar que a relação entre a educação e o PIB segue a forma de “U” invertido. Conforme a explicação de Kuznets, a educação influencia positivamente o desempenho do Produto Interno Bruto até um limite, a partir de um determinado ponto o acúmulo de capital humano não mais afetaria o PIB. Esse fato foi comprovado por muitos autores para alguns países da Europa, os quais ao atingirem um elevado grau de desenvolvimento, o incremento no capital humano não acarretou um maior crescimento econômico. Em suma, o país alcançou o ponto máximo da curva no formato de “U” invertido, dado a tendência de crescimento a taxas decrescentes. Cabe destacar, ainda, que as regiões brasileiras apresentaram em seus termos constantes, um coeficiente com valores entre 9 e 11, o que indica que se tratam das características próprias de cada região que não são captadas pelo seu coeficiente conjunto. A Região Sudeste foi a que apresentou uma constante mais elevada, no valor de 11,19, enquanto que a Região Norte foi a que obteve o menor coeficiente, igual a 9,65. Observa-se que quanto mais pobre a região, menor é o termo constante, o que permite considerar que nestas regiões existe menor incidência de particularidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho visou mostrar a importância da educação para o desenvolvimento de uma região. Contudo, mantendo seu foco no desempenho da Região Sul em comparação com as demais regiões brasileiras. Inicialmente foi definida, em termos econômicos, a diferença entre crescimento e desenvolvimento, sendo o primeiro tratarse de um crescimento quantitativo, enquanto que o segundo associa o crescimento quantitativo com o qualitativo. Para um país passar para a condição de desenvolvido, busca-se a segunda forma de crescimento, ou seja, o crescimento econômico deve trazer melhores níveis de bem-estar da coletividade, também denominado de crescimento sustentável. Geralmente, em países em desenvolvimento, não é dada a devida importância ao desenvolvimento do Capital Humano, o qual ocorre através do ensino educacional, do treinamento e da experiência profissional. E a maior dificuldade desses países é o de acumular Capital Humano, em função dos baixos níveis salariais. No Brasil, constata-se uma visão distorcida quanto à qualificação profissional da população. O trabalhador é visto como um executor braçal e que tem obrigação de gerar alta produtividade, a fim de se manter no emprego. Os detentores do capital, por sua vez, ainda não assimilaram que uma pessoa adequadamente qualificada para desempenhar a sua função, gera uma produção maior e com qualidade, dado que o consumidor atual está mais exigente com os produtos e serviços ofertados no mercado. Em contrapartida, um trabalhador com um nível de renda mais elevado, é um trabalhador melhor preparado profissionalmente e com maior condição de atuar no mercado consumidor, o que faz girar toda a economia, fato que pode ser constatado nas regiões Sudeste e Sul, onde se encontram os maiores níveis de renda per capita e de desenvolvimento do país. A educação básica compreende dois níveis de educação: ensino fundamental e o médio. Embora, nos últimos anos, o Brasil tenha atendido em torno de 97% das crianças em idade escolar no nível primário, as desigualdades ainda são enormes entre os municípios. Enquanto, há cidades que podem ser comparadas com as de primeiro mundo, outras se mostram muito atrasadas, com índices semelhantes ao do século passado nos países desenvolvidos. Entre 1999 a 2004, a Taxa de Aprovação no Brasil não apresentou variação positiva e a Taxa de Reprovação indicou aumento nesse índice, contudo a Taxa de Abandono reduziu no mesmo período. Dessa forma, educação e desenvolvimento estão intrinsecamente associados à formação de profissionais qualificados e, conseqüentemente, aumento do nível da produção de um país. Em virtude das estatísticas considerarem apenas as crianças em idade adequada para aquele nível escolar, há distorções quanto à escolaridade dos brasileiros. Visto que, a maioria já passou da idade escolar, e ainda continua analfabeto, por nunca ter freqüentado a escola; semi-analfabeto por ter cursado apenas as séries iniciais; ou sem qualificação profissional, por não terem completado o ensino médio. Isso pode estar sugerindo que apesar da importância que a educação fundamental possui, atualmente, cursar apenas o ensino fundamental não é suficiente para ingressar no mercado de trabalho. As exigências hoje são cada vez maiores. A educação fundamental permite o ingresso no ensino médio, o qual se mostra como variável positiva para o crescimento do país. E, conforme os dados anteriormente divulgados nesse trabalho, um indivíduo com um nível educacional mais elevado possibilita uma maior produção, menor desperdício e melhor aproveitamento de sua capacidade profissional, resultando em um crescimento sustentável da economia do país. Em relação à análise regional, a região Sudeste é onde se verifica o maior nível de aprovação tanto no ensino fundamental como no ensino médio. Sendo uma das que apresentam a menor Taxa de Abandono em ambos os níveis de ensino e a menor Taxa de Reprovação no ensino fundamental, enquanto que para o ensino médio situa-se ao redor da mediana do Brasil. Enquanto que a Região Nordeste apresenta uma situação justamente ao inverso da Sudeste, e conforme se pode observar, essa qualificação e acúmulo de conhecimento proporcionam à Região Sudeste um nível de renda mais elevado e, conseqüentemente, uma melhor qualidade de vida, dado à maior capacitação do trabalhador dessa região. Em síntese, observa-se que se a Taxa de Aprovação decresce, a Taxa de Reprovação tende a elevar-se e, nesse sentido, a Taxa de Abandono também poderá aumentar. Visto que, a reprovação desestimula os alunos a permanecerem na escola e, portanto, acabam desistindo de estudar. Dessa forma, se não houver políticas públicas que os façam persistir nos estudos, partem para o mercado de trabalho sem qualificação, o que o faz obter níveis baixos de ganhos de renda. E assim, o país apresenta baixa renda per capita, afetando a poupança e o investimento do país, tão importante para se desenvolver e permitir que a população melhore seu bem-estar. Embora a Região Sudeste se destaque, a Região Sul vem logo a seguir na classificação nacional, apresentando um desempenho semelhante ao da Região Sudeste. Observa-se que apesar da Região Sul ser responsável por alguns setores industriais, ainda é menor a sua escala de industrialização em relação à Região Sudeste, além de apresentar um setor agrícola mais forte. E, conforme evidências estatísticas, a indústria é a que mais exige capacitação da mão-de-obra e, em função disso, constitui, também, o segundo setor que oferece salários melhores, abaixo apenas do Setor Público. Outro fato ligado à educação, diz respeito ao seu efeito ser sentido somente a médio e longo prazo, ou seja, para que se eleve o nível de educação e qualificação de um país, demanda um tempo relativamente longo. Portanto, os países não podem mudar de nível de renda para outro mais alto abruptamente. O crescimento está limitado ao tempo que os fatores de produção exigem para se acumularem: por sua vez, a educação é um fator de crescimento lento, mas é também um dos mais poderosos para se atingir níveis de melhor qualidade de vida para a população. O Brasil é o país mais desigual na distribuição de renda da América Latina pelo índice de Gini. A pobreza é um dos piores males de uma economia, e o crescimento econômico seria o modo de eliminá-la. A partir de 1992, houve leve redução na desigualdade brasileira, devido à estabilização da economia. Embora tenha havido diversos debates sobre os fatores da desigualdade no Brasil, vários estudos corroboram a afirmação de que a distribuição de renda depende do entrelaçamento da educação e das políticas públicas sobre as funções do mercado de trabalho. Cabe salientar, que as diferenças educacionais são as que apresentam maior poder explicativo, sendo determinante da renda familiar per capita do brasileiro. 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