INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PRÓ-SABER
NORMAL SUPERIOR
MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE
O ESPAÇO E O BRINCAR: EXPERIÊNCIA DE UMA EDUCADORA
Rio de Janeiro
2011
MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE
O ESPAÇO E O BRINCAR: EXPERIÊNCIA DE UMA EDUCADORA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Instituto Superior de
Educação Pró-Saber como requisito
parcial para a obtenção do grau de
Licenciado em Normal Superior, com
habilitação
em
Magistério
da
Educação Infantil.
ORIENTADORA: Profa. Esp. Maria
Delcina Feitosa
Rio de Janeiro
2011
A566e
Andrade, Maria das Graças Mesquita de
O espaço e o brincar: a experiência de uma educadora / Maria das Graças
Mesquita de Andrade. – Rio de Janeiro: ISEPS, 2011.–
51 p. il.: fotografias.
Orientador: Profa. Esp. Maria Delcina Feitosa
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Superior de
Educação Pró-Saber, 2011
1. Educação. 2. Normal Superior. 3. Educação Infantil. 4. Creche.
5. Espaço. 6. Brincar. I. Título. II. Orientador. III. ISEPS. IV. Instituto Superior de
Educação Pró-Saber.
CDD 372
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do Pró-Saber
MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE
O ESPAÇO E O BRINCAR: EXPERIÊNCIA DE UMA EDUCADORA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Instituto Superior de
Educação Pró-Saber como requisito
parcial para a obtenção do grau de
Licenciado em Normal Superior, com
habilitação
em
Educação Infantil.
Defendido e aprovado em novembro de 2011.
BANCA EXAMINADORA
Profa. Esp. Maria Delcina Feitosa
Orientadora
Profa. Dra. Cristina Laclette Porto
Magistério
da
LICENÇAS
Autorizo a publicação deste trabalho na página da Biblioteca do PróSaber, tornando lícita sua cópia total ou parcial somente para fins de estudo
e/ou pesquisa.
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons,
maiores informações http://creativecommons.org/licenses/by‐nc‐sa/3.0/.
Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 2011.
MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE
Dedico este trabalho a todos os meus alunos, minha
grande inspiração.
Especialmente a meu filho Lucas Henrique e esposo
Alciro Henrique, que suportaram a minha ausência neste
período.
A minha querida mãe Delfina Rodrigues, que sempre me
inspirou e ao meu querido pai Raimundo Benómias, in
memorian.
Aos meus irmãos, Antônio Marcos, Erivaldo, José do
Egito, Manoel Raimundo e minhas irmãs Maria Izabel,
Maria de Fátima, Maria Luiza e Mariana Regina.
Aos meus queridos sobrinhos Antônio Luan, José
Lenilson, Antônia Laiane, Guilherme, Gleiton, Gleyson,
Izabele, Gustavo, Marcelo Augusto, Marcia Valéria,
Rebeca, Bruno, Ana Julia, Pedro Paulo e Manuele.
As minhas queridas tias e tios Marta, Francisa Leoniza,
Ana, Maria e Sunzão.
Agradeço
ao
Pró-Saber,
por
me
oferecer a oportunidade de conhecer
um
novo
caminho
através
das
disciplinas como um todo, num espaço
amplo, maravilhoso e envolvente, rico
de aprendizagem, por me possibilitar
sair do ordinário por meio de um novo e
extraordinário olhar.
Agradeço
aos
meus
queridos
professores e equipe do Pró-Saber
pela
sua
paciência,
dedicação,
carisma, ensino e disposição comigo,
durante todo esse período do meu
aprendizado.
Especialmente ao Prof. Tómas, por ter
sido um grande amigo e professor e
por não me deixar desistir do meu
objetivo.
Para a querida professora Lacombe
pela sua força e coragem, que me
inspiram
a
caminhar
nesse
novo
caminho de luta e dasafio, portando um
mundo mágico que irei trilhar.
Para minha professora e orientadora
Maria Delcina Feitosa, pelo apoio,
paciência, carinho e dedicação comigo,
além dos pequenos puxões de orelha
necessários no processo de construção
desta monografia.
“Brincar é o último reduto de
espontaneidade que a
humanidade tem”
Lydia Hortélio
RESUMO
Trata do relato da experiência da educadora Maria das Graças Mesquita de Andrade, narrando
a relação do espaço e do brincar na Creche Aspa, onde trabalha, construído a partir de suas
leituras da literatura da área e depoimento fotográfico onde relata as principais atividades da
rotina das crianças. As fotografias foram a chave para a o relato e são o retrato das
experiências vividas no cotidiano das crianças, em seus momentos ricos em aprendizagem.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Normal Superior. Educação Infantil. Creche. Espaço. Brincar.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÂO
11
2 A PESQUISA
13
3 O ESPAÇO E O BRINCAR
14
3.1 Pequeno resgate da minha infância e do meu brincar
14
3.2 A Creche Aspa
15
3.3 O Espaço
17
3.4 O Brincar
20
3.5 Testemunho Fotográfico
22
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
46
BIBLIOGRAFIA
49
11
1 INTRODUÇÃO
Em 2005 fui desafiada a trabalhar com crianças de 0 a 3 anos na Educação
Infantil, sem ter conhecimento em educação, pelo simples fato de ter paciência com
as crianças e carinho por elas.
Tomei gosto pelo trabalho com as crianças por que vi o amor que tinha por
elas crescer a cada dia. Foi por intermédio da coodenadora Cristina Martins, que me
matriculei no ISEPS, o que veio a ampliar o meu prazer de trabalhar na Educação
Infantil. Fundamentada e impregnada do que aprendi no Pró-Saber, passei a
desenvolver meu trabalho na creche de outra maneira.
A origem do interesse sobre o tema surgiu do trabalho que faço na Creche
Ação Social Padre Achieta (ASPA). A partir da observação, em sala de aula e
durante as brincadeiras, chamou minha atenção o costume e a preferência das
crianças por ficarem embaixo da mesa. Certa vez, brincando com as crianças,
observei que lá havia três pregos. Retirei as crianças do local, amassei os pregos e
avisei à diretora sobre o fato ocorrido. Ela providenciou a retirada dos pregos e o
fechamento do espaço, deixando as crianças sem o seu cantinho, pois, segundo ela,
as crianças poderiam machucar a cabeça durante o brincar.
Fiquei triste, pois, na época, era o espaço que as crianças mais gostavam de
explorar! Este fato me fez refletir sobre o espaço e o brincar em meu trabalho, fiquei
pensando: que consequências isso traria para as crianças? Esta inquietação me
motivou a observar esta questão em minha monografia.
Fig. 1 Mesa de madeira antiga servia para colocar os objetos pessoais das crianças, as
caixas com roupas, fraldas e materiais pedagógicos
Fonte: Acervo da Autora
12
Meu objetivo é relatar o trabalho na Creche ASPA e mostrar sua relação com
o espaço e o brincar.
Esta monografia está estruturada em três capítulos e considerações finais,
sendo o primeiro capítulo esta Introdução. No segundo capítulo, A pesquisa, trto
do caminho que percorri para escrever este trabalho. No terceiro capítulo, O espaço
e o brincar, resgato um pouco do meu brincar e, por meio do testemunho
fotográfico, trago o espaço e o brincar na Creche ASPA. Nas Considerações finais
analiso a questão, a partir de minha prática.
13
2 A PESQUISA
A pesquisa foi baseada na leitura da literatura da área, observações e exame
do registro fotográfico de minha prática.Na busca pelos teóricos, encontrei alguns
que ampliaram o meu olhar em relação a minha aprendizagem como professora da
Educação Infantil, entre eles, Fröebel, Freinet, Porto, Melis, Corsino, Whitaker,
Nunes, Borba, Abramowicz, Madalena e Paulo Freire.
O estudo do livro ‘’Espaços em educação infantil’’ de Vera Melis ajudou-me a
refletir sobre a questão do espaço e sua relação com o brincarCom Melis (2007)
aprendi a valorizar o espaço na educação infantil, uma luz para a construção do meu
tema.
O livro chamado“Freinet”, de Rosa Maria Whitaker Sampaio, também marcou
a minha compreensão quando exemplificou os cantões externos e internos. Whitaker
(2007) possibilitou a reflexão sobre os cantos da Creche em que trabalho.
Patrícia Corsino, Cristina Laclette Porto e Angela Borba me ajudaram a
enxergar a criança como um ser social, inserido em um contexto social, pois como
diria Borba (2009) a “cultura lúdica torna a brincadeira possível, mas é no próprio
espaço social do brincar que ela também emerge e é enriquecida” (p .17)Com apoio
do livro ‘’Pedagogia da autonomia’’ de Paulo Freire, vi como é importante o ser
humano ser sujeito de sua autonomia, com liberdade de escolha, mas respeitando
seus limites e o próximo.
Nas aulas das disciplinas da Professora Cristina Laclette Porto, O Brincar e
Sua Importância na Educação Infantil I e II, ela ofereceu textos que me ajudaram na
construção da monografia, com principal relevância para seu próprio texto ‘’O
brinquedo como objeto de cultura’’, e também o texto intitulado. “A brincadeira como
encontro de todas as artes’’ de Maria Teresa Jaguaribe de Moura, que me
possibilitou ver que a criança, ao criar e recriar, aprende e se expressa nas mais
diversas linguagens.
E, para fechar as referências que mais me marcaram, não posso deixar de
citar Madalena Freire, minha professora, em seu livro “Educador”, que me
possibilitou entender que “Ninguém aprende sem modelo” (Freire, 2008, p.191).
3. O ESPAÇO E O BRINCAR
A partir do relato do meu próprio brincar e do estudo do espaço e do brincar
14
ofereço o testemunho fotográfico desta temática realizado nas minhas atividades na
Creche ASPA.
3.1 Pequeno resgate da minha infância e do meu brincar
Quando criança, aos meus sete anos de idade, costumava brincar com meus
irmãos e com os meus primos.As brincadeiras, nos espaços externo e interno,
aconteciam na casa dos meus avós maternos.
Fig 2 Graça com 12 anos
Fonte: Acervo da Autora
Lembro como se fosse hoje, das brincadeiras realizadas por mim embaixo
das árvores, próximo à casa dos meus avós.Era lá que eu brincava no meu mundo
de faz de conta, com as panelinhas de barro feitas por mim mesma. Trazia o barro
da beira do rio, quando eu ajudava minha tia Ana lavar as suas roupas.
Os pratinhos eram feitos de cabaça, as colheres eram de verdade, as
comidinhas eram: arroz branco, farinha de mandioca, carne seca ou carne de porco,
que eu pegava no varal da cozinha, sem que minha avó visse. Eu que cuidava e
fazia a comidinha, os outros faziam a limpeza do espaço e ficavam quietos,
sentados, esperando que eu chamasse para comer.
15
Além disto, brincamos de roda, pique – pega, pique – esconde, passa o anel e
outras mais.Minha infância foi de muitas brincadeiras, num espaço lúdico e rico em
aprendizagem. Talvez venha desse passado meu amor pelo trabalho na Creche.
3.2 A Creche ASPA
Trabalho na creche Ação Social Padre Anchieta, fundada em 1967, há mais
de oito anos. A creche passou por vários momentos, bons e ruins.Ao longo dos
anos, tivemos muitas mudanças nos quadros de funcionários. A creche passou por
grandes obras, com a construção de novas sala de aulas com banheiro, uma
recpeção para atender as famílias, funcionários e qualquer pessoa da comunidade.
Foram também reformadas outras salas, cozinha e o pátio, ampliando os espaços
da creche como um todo. Tudo para o bem estar das crianças, famílias e
funcionários. Essa obra é financiada pelo novo presidente Paulo
projeto de reforma.
Fig 3 Sala da Creche Aspa
Fonte: Acervo da Autora
com um belo
16
Fig. 4 Fachada da Creche ASPA
Fonte: Acervo da Autora
Fig. 5 Refeitório da Creche ASPA Fonte: Acervo da Autora
Quando vim trabalhar na creche como cozinheira, a vaga era para auxiliar de
serviço geral.Aceitei ficar até surgir a de cozinheira, onde permaneci na função por
oito meses. Limpar as salas, os banheiros, corredores e o pátio, fazia parte da linha
17
função.
O sobe e desce das escadas, o entra e sai das salas e do pátio, facilitava a
observação das brincadeiras das crianças em grupo ou individualmente. Aproveitava
para brincar elas, quando as educadoras pediam para ficar na sala, no almoço,
ou quando saiam para ir ao banheiro.
Suas brincadeiras preferidas eram nos cantos e embaixo da mesa. As
bonecas, potes e alguns pratinhos serviam para por comidinhas; no chão, tinha um
pequeno buraco que as crianças cavavam todos os dias e retiravam potinhos de
areia, levavam para baixo da mesa e fingiam que era comida. No pátio, as crianças
gostavam de brincar no escorrega, na casinha, de amarelinha e de pique pega.
Depois, trabalhei na cozinha por três anos, fiquei feliz por cozinhar
para os pequenos e todos os funcionários da creche.Gostava de ajudar as
educadoras nas refeições, nos banhos e nas arrumações das crianças. No almoço,
observava
que
tinham
crianças
que
não
queriam
comer
e,
com
carinho e paciência, incentivava-as, respeitando seu limite, ao contrário de
algumas educadoras.
Em 2006, a creche precisava de uma educadora para o
berçário II, quando a diretora se lembrou do carinho que eu sentia pelas crianças.
Ela me chamou e ofereceu a vaga de educadora. Como precisei responder no ato,
fiquei
muito
feliz
e
com
medo
de
não dar conta, mas aceitei. No mesmo dia teve uma reunião com as educadoras
para me apresentar como a nova educadora da creche. Algumas gostaram e outras
não,
mas,
confiando
em
mim,
a
diretora
Cristina
me
entregou
a
chave do berçário, que permanece comigo até hoje.
Para atender melhor as crianças, procurei buscar conhecimentos nos
conteúdos
e
metodologia
ensinados
pelos
professores
do
Pró-Saber.
3.3 O espaço
Quando falamos de espaço na creche para crianças de 0 a 3 anos, na
Educação Infantil pensamos, como deve ser esse espaço? Acredito que deve ser
um espaço organizado, limpo e agradável onde as crianças e as famílias sintam-se
acolhidas no ambiente, onde o cuidar e o ensino devem andar juntos.
Para que este espaço seja um espaço adequado para as crianças explorarem
18
é preciso que seja rico em possibillidades de aprendizagem, onde possam estar em
contato com o mundo em sua volta, descobrindo que são capazes como sujeitos que
encontram e enfrentam desafios e obstáculos.
As crianças vão somando experiências no ambiente da creche, no individual e
no grupo. É no espaço que as crianças aprendem e socializam-se umas com as
outras, seja na sala, no pátio, enfim em todos os espaços e cantos temáticos da
instituição. “O espaço interno e também algumas áreas do espaço externo de uma
classe são divididos em cantos de trabalho, que comportam um número limitado de
alunos” (SAMPAIO, 2007, p. 187).
Fig.6 Cantos da Creche ASPA Fonte: Acervo da Autora
É no espaço que a criança conhece o mundo e vai vivenciando, pelo contato
com os objetos, os conceitos de grande ou pequeno, duro, mole, liso, áspero, cores,
cheiros, sons.Também é no espaço que se dá o contato com a natureza como um
todo. Um espaço rico oferece oportunidades de aprendizado e as crianças podem
descobrir que são capazes de criar, recriar, construir e fantasiar por meio das
brincadeiras e possibilidades que o ambiente lhe oferece. Portanto, o papel do
professor é de mediador, aquele que cuida e educa.
Os espaços disponíveis para as atividades precisam, sobretudo, ser
compreendidos como espaços sociais onde o educador tem um papel
decisivo, não só na organização e na disposição dos recursos, mas também
na sua postura, na forma de interagir com as crianças, de favorecer e
mediar as relaçõoes, de ouvi-las e de instigá-las na busca de
conhecimentos. São os educadores que dão o tom ao trabalho, que
reforçam ou não a capacidade crítica e a curiosidade das crianças, que as
aproximam dos objetos e das situações, que acreditam ou não nas suas
possibilidades, que buscam entender produções e dão espaço para a fala, a
expressão, a autonomia e a autoria. (NUNES E CORSINO, 2009, p. 9)
19
A criança se constitui sujeito, quando o adulto escuta o que ela fala, o que
sente, o que questiona. Esta também é uma oportunidade para ampliar seu
vocabulario, pois a creche é um dos espaços em que as crianças desenvolvem a
linguagem ouvindo músicas e histórias. Para isto, o educador deverá oferecer um
espaço que estimule a criatividade. Por exemplo: quando o educador leva as
crianças para o pátio, com o objetivo de brincar com a presença dos brinquedos ou
do outro, é importante que as escadas ou a rampa de acesso sejam de uma altura
que a criança possa subir e descer, diminuindo o risco de cair. O mesmo deve se
pensado para os brinquedos que devem estar localizados de acordo com o
desenvolvimento de cada turma, como exemplo, temos o escorrega que deve ser
adequado à altura das turmas. Também é interessante ter uma casinha para as
meninas brincarem de faz-de-conta, com fogão de bocas grandes, com panelinha,
pratos, colheres e as comidinhas para a construção das refeições no mundo do fazde-conta.Seria bom ter uma árvore no pátio para fazer um balanço, usando pneus
de moto, por ser mais fino, para as brincadeiras das crianças serem mais divertidas.
Seria importante ter no canto um espaço feito de cimento, na altura das crianças,
cheio deareia para que elas pudesssem construir, criar e inventar seus bolinhos de
aniversario, castelos, montanhas, enfim, acompanhadas de baldes de água, para
facilitar as brincadeiras.
Construir um jardim com ajuda das crianças é muito importante, para ampliar
a coordenação motora fina e ao mesmo tempo favorecer que aprendam, deste cedo,
a valorizar, respeitar, preservar e ter cuidado com a natureza, no espaço em que
elas se inserem.
20
3.4 O brincar
No texto ''A Brincadeira Como Experiência de Cultura'', Angela Meyer Borba
(2009), apresenta o poema de ''Manoel de Barros'', que fala de sua infância,
relacionando ''os universos da criança, da brincadeira e da arte''. Seus brinquedos
fizeram parte do seu mundo infantil como de muitas outras crianças, de lugares e
tempos diferentes. Nesse texto, Borba (2009) fala da importância do brincar e da
brincadeira no mundo infantil, pois o brincarmostra para a criança múltiplas janelas
de interpretação, aventuras, fantasias e muito mais.Ela aprende a conhecer o outro,
expressar e comunicar suas experiências consigo e com o grupo.
Fig. 7 Crianças brincando
Fonte: Acervo da Autora
O brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança de 0 a 3 anos, na
Educação Infantil. A criança pequena brinca com seu próprio corpo e mais tarde
passa a imitar os gestos dos pais, educadores e dos colegas, no ambiente famíliar e
também da creche.
A criança de dois anos, quando brinca, tem o prazer de construir e depois
destruir o que criou, só para ouvir o barulho. É no brincar que ela imita e entra no
mundo do faz-de-conta aproveitando a presença do objeto ou do outro. Quandopega
o brinquedo nas mãos e finge que este brinquedo é outra coisa, dá um novo sentido,
21
localizando-o naquele espaço específico.
As brincadeiras feitas pelas crianças fazem parte do cotidiano da creche,
quando brincam em grupo e estabelecem suas próprias regras. O outro pode aceitar
ou não, isto possibilita a contrução de sua autonomia.
A brincadeira é uma forma privilegiada de aprendizagem. Na medida em
que vão crescendo, as crianças trazem para suas brincadeiras o que vêem,
escutam, observam e experimentam. Estas ficam ainda mais interessantes
quando os diversos conhecimentos a que tiveram acesso podem ser
combinados. Nessas combinações, muitas vezes inusitadas aos olhos dos
adultos, as crianças revelam suas visões de mundo, suas descobertas.
(PORTO, 2008, p. 4)
Muitas vezes, as crianças vem carregadas de sentimentos de raiva, ciúme e
birrra, que trazem de sua vivência famíliar, no entando, precisam passar por esses
sentimentos para crescerem como sujeitos no meio social e cutural.As brincadeiras
trazem a chance da criança se expressar de forma lúdica.
Durante as brincadeiras, o educador precisa estar atento ao comportamento
de cada uma, prestar muito atenção nas necessidades que são apontadas, através
do contato, da fala, dos gestos e até mesmo do silêncio.Com um olhar mediador, o
educador saberá das dificuldades do educando, das suas demandas.
Fig. 8 Crianças brincando
Fonte: Acervo da Autora
A partir deste retorno, o educador pode planejar suas atividades adequandoas a uma rotina flexível, acolhendo a criança em todos os aspectos, cognitivo,
afetivo, motor, social e cultural.“O educador lida com a arte de educar. O instrumento
de sua arte é a pedagogia, ciência da educação e do ensinar.” (FREIRE, 2008, p.
22
63).
O brincar prazeroso para as crianças e para os educadores, é aquele que
propõe um momento lúdico, único e mágico, carregado de aprendizagem.
3.5 Testemunho Fotográfico
A opção pelo relato fotográfico se deve ao fato de que “de todos os meios de
expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e
transitório.” (CARTIER-BRESSON, 1971, p. 21).ou,segundo Sontag (1981)
“fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. É envolver-se em uma certa relação
com o mundo que se assemelha com o conhecimento” (p. 04).
A partir do brincar na Creche Aspa, as crianças têm contato com brinquedos e
educadoras, mas, principalmente, se relacionam com o espaço que lhes é oferecido.
O brincar abre para a criança múltiplas janelas de interpretação,
compreensão e ação sobre a realidade. Nele, as coisas podem ser outras, o
mundo vira do avesso, de ponta-cabeça, permitindo a criança descolar-se
da realidade imediata e transitar por outros tempos e lugares, inventar e
realizar sonhos/inventar e realizar ações e interações com ajuda de gestos,
expressões e palavras, ser autora de suas histórias, e ser outros, muitos
outros (BORBA, 2009, P.70).
23
Fig. 9 Crianças brincando
Fonte: Acervo da Autora
Durante as brincadeiras das crianças observei que C1 brincava com o celular
de brinquedo: – Tá bom! Tá bom, C31 observava a conversa do colega e C7
empilhava os objetos arredondados.
C6 brincava de encaixar os seus dedinhos, nos pequenos buracos do objeto
arredondado e girava em torno de si, tentando equilibrar para não cair.
Nessa fase as crianças estão no estágio – sensório motor e, pelas
brincadeiras,
percebem o corpo físico de um objeto. Como professora, tive o
privilegio de observar e proporcionar a exploração de espaço na brincadeira, o que
se demonstra pela rotina diária das crianças, que apresento abaixo:
A rotina diária é a realização do planejamento. É através dela que se põe
em prática o previsto. A rotina orienta a ação da criança, assegura a ela o
dia a dia, possibilitando que perceba e se situe na relação tempo e espaço,
permitindo modificações, sem necessariamente cair na mesmicie, sempre
repetir sempre o mesmo. (ABRAMOWICZ E WAJSKOP, 2004, p. n.p)
1
O nome das crianças foi codificado visando proteger suas identidades. 24
ATIVIDES DA ROTINA DIÁRIA
MANHÃ
O acolhimento das crianças
“Quero tempo para perder tempo
E ter todo tempo
a meu dispor para
me ver
me achar
me perder
me ter” (FREIRE, 2008, p. 39)
Fig. 10 Acolhimento
Fonte: Acervo da Autora
Ao receber as crianças, costumo fico na porta esperando sua chegada. Ao
entrar, recebo cada criança com carinho, elogiando seus objetos pessoais e a
própria criança. Converso com o responsável sobre o final de semana ou o dia
anterior. Quando a criança entra chorando, abaixo e abraço, passando segurança e
confiança para ela emostrando à família, que a criança está bem acolhida no
cotidiano.
O café da manhã das crianças
25
Fig. 11 Café da Manhã
Fonte: Acervo da Autora
No Café da Manhã, temos leite com biscoitos, pães, bolos e mingau.
A troca de roupas
A autonomia (...) é fruto da criação de
condições privilegiadas para que as
crianças experimentem desde bem
pequenas, em situações relacionadas ao
controle do próprio corpo (comer, vestirse, etc) e também às atividades motoras e
lúdicas. (NUNES e CORSINO, 2009,
p.29)
Fig. 12 Troca de roupas
Fonte: Acervo da Autora
Após o café, as crianças trocam de roupa.A maioria já sabe retirar suas
roupas, algumas estão aprendendo a se vestir, importante o estmúlo para a
autonomia. A paciência é fundamental, quando incentivamos as crianças, assim,
elas conquistarão sua independência.
Atividade com chamada
Sentar junto e conversar sobre o dia é o primeiro
momento do encontro na sala. Esta conversa,
mediada pelo adulto, organiza o dia, as atividades
que envolvem escolhas e apresenta o plano de
atividades. Neste momento é que acontece
também a retomada de conceitos já apresentados
26
e/ou descobertos pelas crianças. (MELIS, 2007, p.
20)
Fig. 13 Chamada
Fonte: Acervo da Autora
A chamada faz parte da rotina no cotidiano da creche. No espaço da sala, as
crianças se socializam, o que é fundamental para conhecer o seu próprio nome e o
nome do colega. A chamada é feita, tendo como estratégia, chamar o nome através
dos desenhos de cada criança, música e cartões com fotos.
Atividade com música
A música é uma ferramenta que contribui para
formação integral do ser humano. Por meio dela a
criança entra em contato com o mundo letrado e
lúdico. Ensinar utilizando-se da música, ajuda a
criança a valorizar uma peça musical, teatral,
concertos, pois, dando a oportunidade do
conhecimento dos vários gêneros musicais ela
tem a oportunidade de construir sua autonomia,
criatividade, aquisição de novos conhecimentos e
criticidade. (GONÇALVES, 2009, p. 2).
Fig.14 Atividade com música
Fonte: Acervo da Autora
Na sala de aula, todos os dias, as crianças ouvem diferentes tipos músicas
infantis, pois o rádio fica na cadeira ou no gancho das mochilas, ao seu alcance,
para que possam retirar e colocar a fita ou CD.
27
A música faz parte da rotina, as crianças gostam de dançar, pular e imitar.
Quando ouvem a música “Atirei o Pau no Gato” ficam contentes e felizes,
principalmente quando chega o momento do MIAU!
Pensando no desenvolvimento individual e do grupo, coloquei duas caixas de
papelão no meio da sala, uma grande e outra pequena, que suportassem o peso das
crianças e observei o que elas poderiam fazer. C10 e C9 subiram e dançaram, as
outras crianças as imitaram. A música é fundamental para resgatar a memória das
pessoas, pois, através da música, podemos lembrar o local onde estávamos e com
quem estávamos, além de cores ou cheiros de objetos, enfim ela enriquece a nossa
imaginação.
Momento do desfralde e higiênização
Fig. 15 Higienização
Fonte: Acervo da Autora
O desfralde é um momento muito importante na vida da criança e deve ser
feito com paciência, respeitando o seu desenvlvimento. No banheiro, as crianças
usam os penicos e o vaso. Eu procuro incentivá-las a sentar no vaso, mas respeito o
momento daquelas que ainda não estão preparadas.
28
Atividade no pátio com brinquedos e movimentos com o corpo
Os nossos pequenos cientistas começam a viver
uma nova atitude quando determinam que vão
explorar o mundo que os rodeia: utilizam a
observação para coletar informações e descobrir
funcionamentos.” (MELLIS, 2007, p.31).
Fig. 16 Atividade no pátio
Fonte: Acervo da Autora
As brincadeiras que ocorrem no pátio são variadas, estimulam e ampliam o
desenvolvimento das crianças. Tenho a preocupação de planejar atividades que
estejam adequadas a minha turma. A bola faz parte do aprendizado, pois, além de
estimular a coordenação motora grossa, a criança descobre diferentes formas de
brincar, correr e chutar. Os tapetes de encaixar ampliam a coordenação motora fina.
29
Encaixar, empilhar, montar, desmontar proporciona conhecerem as cores, formas e
tamanho.
As crianças aproveitam o grande espaço do pátio brincando do seu jeito. Os
cantos são prioridade para brincar com os brinquedos, para pegar pequenas
pedrinhas ou qualquer coisa que lhes chama a atenção. Isto faz parte da curiosidade
dos pequenos.
Hora da higiene
(...)
Uma mão
Lava a outra
Lava uma
Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira
Antes de comer, beber, lamber, pegar na
mamadeira
Lava uma (mão), lava outra (mão)
Lava uma, lava outra (mão)
Lava uma (...) (ANTUNES, 1995, p.1)
Fig. 17 Higiene
Fonte: Acervo da Autora
Antes e depois do pátio, é importante estimular as crianças a lavarem as
mãos, já que ensinar desde cedo as noções de higiene é fundamental para a saúde.
Quando elas tem o contado com a água fazem festa!
30
Hora do almoço
“Eu me acostumo neste mundo por meio
das rotinas estáveis. Mesmo sem saber
as horas meu corpo perde comida”
(MELIS, 2007, p. 92).
Fig. 18 Mobiliário do Almoço
Fonte: Acervo da Autora
O espaço do refeitório é amplo, arejado, limpo e organizado; as mesas e as
cadeiras estão adequadas à altura das crianças; as cores são vibrantes, o que
alegra o ambiente. As mesas e os bancos foram feitos pensando na altura das
crianças.
Fig. 19 Almoço
Fonte: Acervo da Autora
Na hora do almoço, as crianças precisam estar bem alimentadas. Os
alimentos são bem selecionados e feitos especialmente para elas. Nesse momento,
há crianças que precisam ser estimuladas, minha colega de trabalho e eu as
incentivamos a comer.
31
Higiene – escovaçâo dos dentes
Fig. 20 Escovação
Fonte: Acervo da Autora
Após as refeições é importante que as crianças façam escovação, para
adquirirem o prazer do hábito de escovar os dentes.
TARDE
Espaço organizado para o sono
Fig. 21 Espaço do sono
Fonte: Acervo da Autora
Após o almoço, coloco as crianças para dormir. O sono é fundamental, nesse
momento, para repor energia. O ambiente é limpo e organizado antes das crianças
dormirem; os brinquedos são arrumados de preferência por elas, pois é importante
que aprendam a cuidar dos brinquedos pessoais e também dos brinquedos da
creche.
32
Colação Explorando as frutas
Fig. 22 Colação
Fonte: Acervo da Autora
Certa vez, antes da colação, apresentei as frutas para as crianças pegarem,
observarem o tamanho, a textura e para sentirem o cheiro. Após a socialização com
os colegas, passando de mão em mão, ofereci pequenos pedaços para sentirem os
sabores.Quando ofereci as frutas, pensei em arrumar uma bandeja com a forma de
um rosto, para que elas apreciassem com os olhos para que depois pudessem
degustá-las.
33
Narração com livros de histórias / fantoches / poemas / parlendas e rimas
Ler com as crianças pode ser um bom começo,
constituindo-se em um momento de grande prazer
e troca afetiva. (PROJETO, 2004, p. 34)
Fig. 23 Narrações
Fonte: Acervo da Autora
Ao contar histórias para as crianças, seleciono livros adequados a idade de
minha turma, com imagens grandes, linguagem curta e simples para melhor
compreensão.Na hora da história, eu as chamo para fazer a roda. Mostro o livro,
título e nome do autor, elas ficam atentas observando as imagens e ouvindo minha
voz e percebendo os gestos. Quando contei o poema ‘’Canção’’, notei que as
crianças ficaram dispersas. Recriei a história, então, com as imagens retiradas do
poema, elas adoraram e perguntaram: “Graça é o barco? É o nenê?” Fantoches,
poemas, rimas e parlendas também fazem parte do cotidiano da Creche.
34
Pátio e jacaré
“Olha o jacaré
Olha o jacaré
Se não tiver cuidado
Eu vou comer seu pé”
Fig. 24 Jacaré
Fonte: Acervo da Autora
Levamos as crianças para o pátio. Na sacola, alguns brinquedos, uma bola,
bonecas e um jacaré grande, feito de pano, que permite colocar as mãos dentro. As
crianças adoram brincar no pátio e o jacaré entrou em cena, porque tinha
criança que não conseguia acompanhar as outras com a bola. Peguei o jacaré e
coloquei o braço dentro, as crianças quando viram, gritaram é o ''bicho'' e correram;
corri atrás delas, então, cantei a música do jacaré. Quando sai atrás, elas correram.
De vez em quando parava nos cantos, esperando pelas retardatárias. Observei que
C1 e C8 estavam com medo; parei de correr e sentei. Todos vieram e pegaram o
brinquedo e colocaram a mão na boca do jacaré. Chamei C1 e C8, mostrei os
colegas passando as mãos e conversei, dizendo que o jacaré era amigo e que não
mordia. À tarde, depois do lanche, sentei com o jacaré no chão. As crianças vinham,
passavam as mãos, fingiam que levantavam para pegar, era uma festa. C1 e C8
ficaram perto, queriam pegar, mas ainda demostravam um pouco de medo. Aos
poucos, conversando e brincado com os colegas, tocaram com a ponta dos dedos
no jacaré. Não fiz movimento brusco para não assustar, respeitando seu tempo e
35
limite. Um dia sim, outro não, o jacaré entra em ação. Hoje eles não têm mais
medo!
Brincado e aprendento com Lego
“Os brinquedos orientam a brincadeira, trazem-lhe
matéria.” (PORTO, 2008, p. 31)
Fig. 25 Lego
Fonte: Acervo da Autora
Meu objetivo era trabalhar os conteúdos da matemática através das cores,
formas, conceitos de dentro e fora. A estratégia foi oferecer diferentes brinquedos:
Lego, bonecas, uma caixa vazia e o urso José, nosso mascote da sala. C4 brinca e,
espontaneamente, faz classificação do Lego.Como é possível ver nas imagens, le
colocou a cabeça do urso, chamado José da Silva, para observar sua obra. Depois,
afastou a cabeça do urso e percebeu os atributos de cores na forma que tinha
criado.Bateu palmas e eu perguntei: C4 o que você fez? Ele respondeu: O trem!
36
O urso José da Silva
“O recado é: leveza!
Nada de agressão ao próprio ritmo e limite!
Leveza.” (FREIRE, 2008, p. 30)
Fig. 26 José e as crianças
Fonte: Acervo da Autora
A atividade com o urso José da Silva surgiu de uma necessidade que
observei na minha turma. Três crianças da sala faltavam muito.Quando chegavam,
pegavam os brinquedos e jogavam para o alto; espalhavam no chão e corriam pela
sala; batiam nas cabeças dos colegas. A partir de um dado momento, algumas
crianças as estavam imitando. Elas estavam sem limites.Manter a sala organizada
era impossível; a rotina deles não fazia sentido naquele momento e cuidar dos
brinquedos estava fora de contexto. Então, pensei nos brinquedos que minha
professora Beatriz, do Pró-Saber, tinha doado para as crianças da minha sala, entre
eles, estava o urso de encaixar. Chamei as crianças para a roda, conversei com a
turma e disse que os brinquedos eram para brincar, cuidar e que elas não podiam
quebrar e nem bater nos colegas.
Mostrei o urso e disse:
- Crianças, esse urso vai ser o nosso novo amigo! Ele precisa de um nome,
quem vai me ajudar?
As crianças responderam:
- Eu!
- Vamos escolher um nome para ele?
Responderam:
-Sim!
37
-Qual?
Diante da discussão das crianças, que queriam colocar seus próprios nomes,
resolvi sugerir José da Silva!
As crianças balançaram as cabecinhas concordando com o nome, depois
pedi para que fizessem carinho e beijassem o urso José. Perguntei:
- Pode bater no José?
Elas responderam:
- Não!
- Então, vamos cuidar dele!?
- Sim!
- Pode bater no colega?
- Não!
Agora, toda vez que o comportamento dos faltosos se repete, utilizo o José
para trazer a paz.
As caixas
“A observação utilizada pela criança vai desde
experimentar e saber se é bom ou não, se gosta
ou não até este momento: o que tem aí dentro.”
(MELIS, 2007, p . 20)
Fig. 27 Caixas
Fonte: Acervo da Autora
38
Fig. 28 Caixas trabalhadas
Fonte: Acervo da Autora
As caixas que levo para minha sala são do sacolão ou do supermercado e
servem para as crianças brincarem, guardarem sapatos, roupas, brinquedos e
materiais pedagógicos. Cubro com papel branco para decorarem, pintarem ou
colarem imagens de revistas escolhidas por elas.
Construção do túnel com sucatas e tintas
(...) enquanto se refrear a necessidade de
expressão da criança, enquanto não se satisfizer
sua paixão pelo desenho e pela pintura, não se
terá feito educação no sentido mais profundo do
termo
(DARCHE,
apud
FREINET
apud
WHITAKER, 2007, p. 53)
Fig. 29 Tunel 1
Fonte: Acervo da Autora
39
Fig. 30 Tunel2
Fonte: Acervo da Autora
Observando as crianças brincando debaixo da mesa, observei a necessidade
de construir um túnel. Ao construir o nosso túnel, foi preciso ter os seguintes
materiais: duas caixas de papelão grandes, barbante, tesoura, estilete, caneta e
tintas guache de cor: vermelha, azul, amarela e lilás.
Durante nossa pintura, cada criança tinha sua vez, cada momento era único,
para a construção da sua autonomia, empolgadas e felizes, se divertiam com os
movimentos que eram rápidos durante a pintura.
Depois de pronto o nosso trabalho, deixei nosso túnel secar ao sol. De tarde,
levei para a sala e todas as crianças ficaram envoltas esperando o que ia acontecer.
Quando pedi ao C5 que entrasse no túnel, ele ficou com medo; respeitei seu
momento e pedi à C7 que entrasse. E cada criança foi repetindo e as carinhas eram
de alegria e curiosidade.
Na construção do túnel, fiz questão de fazer janelas arredondadas. Minha
ideia era que elas observassem tanto do lado de dentro, como do lado de fora. As
crianças faziam festa, foram momentos mágicos. Elas adoraram cada momento;
algumas colocavam as mãos dentro dos espaços vazios, enquanto outras brincavam
dentro do túnel
40
Atividade diversificada
A brincadeira favorece a interação, a construção
da identidade e da auteridade, contribui para a
apropriação de modelos, para o aumento
autoestima, para a construção da subjetividade,
para a compreensão e o conhecimento do mundo,
das pessoas, dos sentimentos, etc. A brincadeira
pode congregar mútiplas linguagens, inclusive as
artísticas. (MOURA, 2009, p. 81)
Fig. 31 Atividade diversificada
Fonte: Acervo da Autora
Para introduzir a pintura no espaço da sala, fiz o convite primeiro ao C4, ao
C5 e a C7. Entreguei os brinquedos de encaixar para as outras crianças, elas
construíram o que desejaram, enquanto esperavam sua vez.
Fig. 32 Atividade diversificada 2
Fonte: Acervo da Autora
Cada pintura era feita com movimentos suaves ou fortes; as cores das tintas
eram vermelho, azul, amarelo e lilás.
Depois que produziram suas “obras de arte”, mostrei-as para a turma. Como
de costume, pedi para me mostrarem o seu desenho e cada criança mostrava sua
41
marca com muito orgulho e ganhava parabéns de mim e da educadora Adriana,
companheira de sala.
Fig. 33 Atividade diversificada 3
Fonte: Acervo da Autora
Hora da sopa
Fig. 34 Sopa
Fonte: Acervo da Autora
Na hora do jantar das crianças, a sopa é fundamental, pois contribui para seu
desenvolvimento saudável.
Quando a criança recusa o alimento, meu papel é incentivá-la a comer, mas
se ela insiste e rejeita constantemente, respeito seu desejo e informo à diretoria da
Creche e aos pais da criança. É um momento prazeroso e tranquilo. 42
Brincar de rolar no chão
“Educar, por sua vez complementa esse olhar,
dando a criança oportunidades de aprender sobre
o mundo que a rodeia por meio de brincadeiras
(...)” (MELIS, 2007, p. 79)
Fig.35 Rolar
Fonte: Acervo da Autora
Todos os dias, após a sopa, há um momento relaxante, no chão. Essa cena já
faz parte do nosso cotidiano da sala. É importante que as crianças se sintam
seguras, confiantes e felizes. Gosto de participar das atividades com elas,
estimulando uma a uma a rolar no chão, respeitando o seu tempo e limite.
43
Hora do banho e arrumação
Fig. 36 Banho
Fonte: Acervo da Autora
Quando chega a hora do banho, incentivo as crianças a guardar as roupas
nas mochilas, para se prepararem para ir para casa. Enquanto a educadora ajuda no
banho das crianças, as outras sentam em cima do colchão e cantamos músicas de
roda para manter o grupo calmo.
Hora de ir para casa
Fig. 37 Despedida
Fonte: Acervo da Autora
44
Fig. 38 Despedida 2
Fonte: Acervo da Autora
Para esperar os pais ou responsáveis, oferecemos livros de história e revistas
para as crianças manipularem. Quando entrego os livros, combino que me devolvam
na saída.
Futuro canteiro
“Olhar o céu, as núvens, cuidar de uma flor comer
um tomatinho e perceber as diferenças de cores
cheiros e texturas de frutas é uma atividade rica
em sensações de aprendizagem” (MELIS, 2007,
p.52)
Fig. 39 Canteiro
Fonte: Acervo da Autora
Em frente às salas do berçário, existe um pequeno pátio, pouco explorado pelas
crianças, já queas atividades são, em geral, ministradas no pátio maior. No ano
passado, tínhamos árvores que foram eliminadas:
 Um pinheiro que servia como enfeite de natal, por causa da obra foi retirado,
para ampliar o espaço do pátio;
 Um coqueiro maravilhoso de onde retirávamos coco verde. Podíamos tocá-lo,
sentir a textura lisa ou grossa, observávamos o tamanho alto ou baixo, se
45
tinha folhas ou galhos, comparávamos com o pinheiro e com a arvore que dá
frutos vermelhos. Foi retirado também com a justificativa de que os cocos
secos poderiam cair e machucar as crianças, entristeci, mas entendi o motivo.
Conversando com a diretora, fiz a proposta de reconstruirmos um canteiro com a
ajuda das crianças, ela achou boa a idéia que, no entanto, ficará para o próximo
ano.
Um dia, passando para o pátio, observei que havia um matinho nascendo.Não
podia deixar de mostrar às crianças, a oportunidade que a natureza nos oferecia.
Elas ficaram encantadas e admiradas, quando pegaram nas plantinhas, nas
pedrinhas e na terra. C10 mostrou uma plantinha que tinha uma flor amarela. Fiquei
maravilhada! A festa estava estampada em seu rostinho e todos queriam pegar.
Pedi para que ficássemos olhando e aproveitei o que tinha acontecido para falar que
tínhamos que cuidar da plantinha e não poderiamos arrancar, afirmei com a
pergunta: “Pode arrancar?” Responderam: “- não!”
A criança que tem o contado com a natureza aprende a valorizar, a respeitar
e a cuidar das plantas deste cedo.
46
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O espaço da creche é muito importante para ampliar e desenvolver o
aprendizado das crianças de 0 a 3 anos. É nesse espaço que elas aprendem e
descobrem o mundo que está a sua volta. Se puderem explorar os espaços da
creche como o pátio, terão a oportunidade de aprender individualmente e no grupo,
por meio das brincadeiras livres ou dirigidas. Terão também a oportunidade de
desenvolver uma boa coordenação motora, cognitiva, afetiva, social e cultural.
Ao oferecermos às crianças e as suas famílias um espaço que seja
acolhedor,
limpo,
organizado,
prazeroso,
alegre
e
colorido,
estaremos
proporcionando um ambiente agradável e seguro. Pensando nos espaços dos
berçarios
onde
as
crianças
são
muito
pequenas:
(...) a criança apreende o mundo através de esquemas perceptivos (olhar,
ouvir) e de esquemas motores (chupar, egarrar, derrubar, rolar, etc) (...) O
estágio sensorio pode se dividir em seis subestágios. Nos quatro primeiros
subestágios, a criança usa os objetos para ''alimentar'' seus próprios
esquemas, sem ainda se preocupar em explorar as características de cada
objeto (ver exemplo do lápis). A partir dos 5º e 6º subestágios, a criança não
usa os objetos apenas para exercer sobre eles os esquemas que já possui
(sacudir-pegar-puxar, etc.): passa a se deter nos atributos de cada objeto,
descobrindo novas maneiras de manuseá-los através de combinações de
esquemas. Nesse momento, passa também a criar ''experiências para ver'',
acomodando seus esquemas aos objetos, buscando novos efeitos, com
grande interesse nos resultados obtidos. Aparece, então, claramente, a
intencionalidade da ação e a distinção entre esquemas-meio e esquemasfim, indicadores de um funcionamento inteligente. (LACOMBE,1998, p. 6)
É necessario que as crianças tenham mais atenção e cuidados saberem
apenas engatinhar e não andarem ainda. Segundo Freire, (2008, p. 68) “a função do
educador neste movimento [...] é dar apoio e instrumentos para que enfrente as
dificuldades no exercício de sua vontade.”
Pela ação do adulto, como mediador, as crianças são estimuladas a explorar
os objetos e os espaços externos e internos da creche, o que, aliado ao brincar,
possibilita-lhes um mundo de descobertas. Se elas tiverem contato direto com a
natureza levarão estas experiências em sua memória, e poderão tornar-se sujeitos
em harmonia com o ambiente.
Neste contexto, nós educadores, entramos nessa historia propiciando que as
crianças sejam autoras de suas histórias. Quando forem realizar atividades, tais
47
como as atividades artísticas, precisamos nos observar para não cederrmos ao
impulso de intervir. Importante deixarmos as crianças criarem seus próprios
desenhos, jogos e brincadeiras, pois é ali que elas fazem sua construção. Se
tivermos um espaço adequado onde possam explorar, brincar, serão benificiadas no
seu processo de aprendizagem, pois é nos espaços que aprendem a conhecer o
mundo.
É no espaço da sala que realizamos as atividades dirigidas ou livres, dentro
de um planejamento flexível, sem deixar de seguir as regras e normas colocadas
pela creche.
Para que as crianças tenham uma boa aprendizagem, acredito que devemos
lhes oferecer oportunidades para descobrirem que são capazes de agir como
sujeitos que pensam, vivem e interagem no meio social e cultural. Para que isto
ocorra é impescindível que explorem os espaços da creche, adequados a sua faixaétaria para que possam aproveitar e se desenvolver.
Para Vera Melis (2007), o espaço se constitui no terceiro educador, pois o
[...] cuidado para com esta organização diária complementa os objetivos
didáticos de todo educador. Portanto todo o espaço precisa ser não
somente seguro e útil ao desenvolvimento da proposta pedagógica, mas
deve ser também, agradável, bonito, colorido e acolhedor, onde as crianças
sintam-se protagonistas. Isto implica em refletirmos sobre as oportunidades
das crianças aprenderem umas com as outras e socializarem-se por meio
da interação grupal. (MELIS, 2007, p.24)
Vejo os espaços da creche como uma das ferramentas principais para as
crianças descobrirem que são capazes de criar, recriar, construir, produzir inventar e
fantasiar.
Ao fechar este relato, revendo todos as imagens selecionadas para dialogar
com a teoria, fico com a certeza de ter levado para a minha sala de aula, os
conteúdos aprendidos no Pró-Saber.
.
48
BIBLIOGRAFIA
ABRAMOWICZ, A.; WAJSKOP, G. Educação infantil: creches: atividades para crianças de zero a
seis anos. São Paulo: Moderna, 2004.
ANTUNES, A. Lavar as mãos. [S.l: S.n], 1995. Disponível em:
<http://www.arnaldoantunes.com.br/sec_discografia_obra.php?id=171>. Acesso em 18.11.2011.
BORBA, A.. A brincadeira como experiência de cultura na educação infantil. In: BRASIL/MEC. O
cotidiano na Educação Infantil. bol. 23, Programa Salto para o futuro, TVE, Rio de janeiro, Nov.,
2006.
CARTIER-BRESSON, H. O momento decisivo. In: BACELAR, M. C. (Org.). Fotografia e
Jornalismo. São Paulo: ECA, 1971.
CONSELHOS para lidar com o desfralde. In: Folha de informação. [S.l.: Sn.], 2009. Disponível em:
<http://www.slideshare.net/mcarvalhinha/desfralde>. Acesso em: 18.11.2011.
FREIRE, Madalena. Educador. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.
GONÇALVES, A. R. A importância da música na educação infantil: com crianças de 5 anos.
Trabalho de Conclusão de Curso. Lins, SP: UNESP, 2009.
GUIMARÃES, D. Educação infantil: espaços e experiências. In: CORSINO, P. Educação infantil:
cotidiano e políticas. Campinas, SP: Autores Associados, 2009.
LACOMBE, A. M. Conceitos básicos da teoria Piagetiana. Rio de Janeiro: [S. n.], 2010.
MELIS, V. Espaços em educação infantil. São Paulo: Scortecci, 2007.
MOURA, M. T. J. de. A brincadeira como encontro de todas as artes. In: CORSINO, P. Educação
infantil: cotidiano e políticas. Campinas, SP: Autores Associados, 2009.
NUNES, M. F. N.; CORSINO, P. A institucionalização da infância: antigas questões e novos desafios.
In: CORSINO, P. Educação infantil: cotidiano e políticas. Campinas, SP: Autores Associados, 2009.
PORTO, C. O brinquedo como objeto de cultura. In. BRASIL/MEC. Jogos e brincadeiras: desafios e
descobertas. Programa Salto para o futuro, TVE, Rio de janeiro, Abr., 2008. 2ª edição.
PROJETO CENTOPÉIA. Ler para descobrir, experimentar e criar. In: Pátio: revista pedagógica. Ano
VII, n. 30, maio/jun. 2004.
SONTAG, S. Ensaios sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Arbor, 1981.
WHITAKER, R. M. S. Freinet: evolução histórica e atualidades. São Paulo: Scipione, 2007.
Download

Maria das Graças Mesquita de Andrade - Pró