INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PRÓ-SABER NORMAL SUPERIOR MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE O ESPAÇO E O BRINCAR: EXPERIÊNCIA DE UMA EDUCADORA Rio de Janeiro 2011 MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE O ESPAÇO E O BRINCAR: EXPERIÊNCIA DE UMA EDUCADORA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Superior de Educação Pró-Saber como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado em Normal Superior, com habilitação em Magistério da Educação Infantil. ORIENTADORA: Profa. Esp. Maria Delcina Feitosa Rio de Janeiro 2011 A566e Andrade, Maria das Graças Mesquita de O espaço e o brincar: a experiência de uma educadora / Maria das Graças Mesquita de Andrade. – Rio de Janeiro: ISEPS, 2011.– 51 p. il.: fotografias. Orientador: Profa. Esp. Maria Delcina Feitosa Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Superior de Educação Pró-Saber, 2011 1. Educação. 2. Normal Superior. 3. Educação Infantil. 4. Creche. 5. Espaço. 6. Brincar. I. Título. II. Orientador. III. ISEPS. IV. Instituto Superior de Educação Pró-Saber. CDD 372 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do Pró-Saber MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE O ESPAÇO E O BRINCAR: EXPERIÊNCIA DE UMA EDUCADORA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Superior de Educação Pró-Saber como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado em Normal Superior, com habilitação em Educação Infantil. Defendido e aprovado em novembro de 2011. BANCA EXAMINADORA Profa. Esp. Maria Delcina Feitosa Orientadora Profa. Dra. Cristina Laclette Porto Magistério da LICENÇAS Autorizo a publicação deste trabalho na página da Biblioteca do PróSaber, tornando lícita sua cópia total ou parcial somente para fins de estudo e/ou pesquisa. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons, maiores informações http://creativecommons.org/licenses/by‐nc‐sa/3.0/. Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 2011. MARIA DAS GRAÇAS MESQUITA DE ANDRADE Dedico este trabalho a todos os meus alunos, minha grande inspiração. Especialmente a meu filho Lucas Henrique e esposo Alciro Henrique, que suportaram a minha ausência neste período. A minha querida mãe Delfina Rodrigues, que sempre me inspirou e ao meu querido pai Raimundo Benómias, in memorian. Aos meus irmãos, Antônio Marcos, Erivaldo, José do Egito, Manoel Raimundo e minhas irmãs Maria Izabel, Maria de Fátima, Maria Luiza e Mariana Regina. Aos meus queridos sobrinhos Antônio Luan, José Lenilson, Antônia Laiane, Guilherme, Gleiton, Gleyson, Izabele, Gustavo, Marcelo Augusto, Marcia Valéria, Rebeca, Bruno, Ana Julia, Pedro Paulo e Manuele. As minhas queridas tias e tios Marta, Francisa Leoniza, Ana, Maria e Sunzão. Agradeço ao Pró-Saber, por me oferecer a oportunidade de conhecer um novo caminho através das disciplinas como um todo, num espaço amplo, maravilhoso e envolvente, rico de aprendizagem, por me possibilitar sair do ordinário por meio de um novo e extraordinário olhar. Agradeço aos meus queridos professores e equipe do Pró-Saber pela sua paciência, dedicação, carisma, ensino e disposição comigo, durante todo esse período do meu aprendizado. Especialmente ao Prof. Tómas, por ter sido um grande amigo e professor e por não me deixar desistir do meu objetivo. Para a querida professora Lacombe pela sua força e coragem, que me inspiram a caminhar nesse novo caminho de luta e dasafio, portando um mundo mágico que irei trilhar. Para minha professora e orientadora Maria Delcina Feitosa, pelo apoio, paciência, carinho e dedicação comigo, além dos pequenos puxões de orelha necessários no processo de construção desta monografia. “Brincar é o último reduto de espontaneidade que a humanidade tem” Lydia Hortélio RESUMO Trata do relato da experiência da educadora Maria das Graças Mesquita de Andrade, narrando a relação do espaço e do brincar na Creche Aspa, onde trabalha, construído a partir de suas leituras da literatura da área e depoimento fotográfico onde relata as principais atividades da rotina das crianças. As fotografias foram a chave para a o relato e são o retrato das experiências vividas no cotidiano das crianças, em seus momentos ricos em aprendizagem. PALAVRAS-CHAVE: Educação. Normal Superior. Educação Infantil. Creche. Espaço. Brincar. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÂO 11 2 A PESQUISA 13 3 O ESPAÇO E O BRINCAR 14 3.1 Pequeno resgate da minha infância e do meu brincar 14 3.2 A Creche Aspa 15 3.3 O Espaço 17 3.4 O Brincar 20 3.5 Testemunho Fotográfico 22 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 46 BIBLIOGRAFIA 49 11 1 INTRODUÇÃO Em 2005 fui desafiada a trabalhar com crianças de 0 a 3 anos na Educação Infantil, sem ter conhecimento em educação, pelo simples fato de ter paciência com as crianças e carinho por elas. Tomei gosto pelo trabalho com as crianças por que vi o amor que tinha por elas crescer a cada dia. Foi por intermédio da coodenadora Cristina Martins, que me matriculei no ISEPS, o que veio a ampliar o meu prazer de trabalhar na Educação Infantil. Fundamentada e impregnada do que aprendi no Pró-Saber, passei a desenvolver meu trabalho na creche de outra maneira. A origem do interesse sobre o tema surgiu do trabalho que faço na Creche Ação Social Padre Achieta (ASPA). A partir da observação, em sala de aula e durante as brincadeiras, chamou minha atenção o costume e a preferência das crianças por ficarem embaixo da mesa. Certa vez, brincando com as crianças, observei que lá havia três pregos. Retirei as crianças do local, amassei os pregos e avisei à diretora sobre o fato ocorrido. Ela providenciou a retirada dos pregos e o fechamento do espaço, deixando as crianças sem o seu cantinho, pois, segundo ela, as crianças poderiam machucar a cabeça durante o brincar. Fiquei triste, pois, na época, era o espaço que as crianças mais gostavam de explorar! Este fato me fez refletir sobre o espaço e o brincar em meu trabalho, fiquei pensando: que consequências isso traria para as crianças? Esta inquietação me motivou a observar esta questão em minha monografia. Fig. 1 Mesa de madeira antiga servia para colocar os objetos pessoais das crianças, as caixas com roupas, fraldas e materiais pedagógicos Fonte: Acervo da Autora 12 Meu objetivo é relatar o trabalho na Creche ASPA e mostrar sua relação com o espaço e o brincar. Esta monografia está estruturada em três capítulos e considerações finais, sendo o primeiro capítulo esta Introdução. No segundo capítulo, A pesquisa, trto do caminho que percorri para escrever este trabalho. No terceiro capítulo, O espaço e o brincar, resgato um pouco do meu brincar e, por meio do testemunho fotográfico, trago o espaço e o brincar na Creche ASPA. Nas Considerações finais analiso a questão, a partir de minha prática. 13 2 A PESQUISA A pesquisa foi baseada na leitura da literatura da área, observações e exame do registro fotográfico de minha prática.Na busca pelos teóricos, encontrei alguns que ampliaram o meu olhar em relação a minha aprendizagem como professora da Educação Infantil, entre eles, Fröebel, Freinet, Porto, Melis, Corsino, Whitaker, Nunes, Borba, Abramowicz, Madalena e Paulo Freire. O estudo do livro ‘’Espaços em educação infantil’’ de Vera Melis ajudou-me a refletir sobre a questão do espaço e sua relação com o brincarCom Melis (2007) aprendi a valorizar o espaço na educação infantil, uma luz para a construção do meu tema. O livro chamado“Freinet”, de Rosa Maria Whitaker Sampaio, também marcou a minha compreensão quando exemplificou os cantões externos e internos. Whitaker (2007) possibilitou a reflexão sobre os cantos da Creche em que trabalho. Patrícia Corsino, Cristina Laclette Porto e Angela Borba me ajudaram a enxergar a criança como um ser social, inserido em um contexto social, pois como diria Borba (2009) a “cultura lúdica torna a brincadeira possível, mas é no próprio espaço social do brincar que ela também emerge e é enriquecida” (p .17)Com apoio do livro ‘’Pedagogia da autonomia’’ de Paulo Freire, vi como é importante o ser humano ser sujeito de sua autonomia, com liberdade de escolha, mas respeitando seus limites e o próximo. Nas aulas das disciplinas da Professora Cristina Laclette Porto, O Brincar e Sua Importância na Educação Infantil I e II, ela ofereceu textos que me ajudaram na construção da monografia, com principal relevância para seu próprio texto ‘’O brinquedo como objeto de cultura’’, e também o texto intitulado. “A brincadeira como encontro de todas as artes’’ de Maria Teresa Jaguaribe de Moura, que me possibilitou ver que a criança, ao criar e recriar, aprende e se expressa nas mais diversas linguagens. E, para fechar as referências que mais me marcaram, não posso deixar de citar Madalena Freire, minha professora, em seu livro “Educador”, que me possibilitou entender que “Ninguém aprende sem modelo” (Freire, 2008, p.191). 3. O ESPAÇO E O BRINCAR A partir do relato do meu próprio brincar e do estudo do espaço e do brincar 14 ofereço o testemunho fotográfico desta temática realizado nas minhas atividades na Creche ASPA. 3.1 Pequeno resgate da minha infância e do meu brincar Quando criança, aos meus sete anos de idade, costumava brincar com meus irmãos e com os meus primos.As brincadeiras, nos espaços externo e interno, aconteciam na casa dos meus avós maternos. Fig 2 Graça com 12 anos Fonte: Acervo da Autora Lembro como se fosse hoje, das brincadeiras realizadas por mim embaixo das árvores, próximo à casa dos meus avós.Era lá que eu brincava no meu mundo de faz de conta, com as panelinhas de barro feitas por mim mesma. Trazia o barro da beira do rio, quando eu ajudava minha tia Ana lavar as suas roupas. Os pratinhos eram feitos de cabaça, as colheres eram de verdade, as comidinhas eram: arroz branco, farinha de mandioca, carne seca ou carne de porco, que eu pegava no varal da cozinha, sem que minha avó visse. Eu que cuidava e fazia a comidinha, os outros faziam a limpeza do espaço e ficavam quietos, sentados, esperando que eu chamasse para comer. 15 Além disto, brincamos de roda, pique – pega, pique – esconde, passa o anel e outras mais.Minha infância foi de muitas brincadeiras, num espaço lúdico e rico em aprendizagem. Talvez venha desse passado meu amor pelo trabalho na Creche. 3.2 A Creche ASPA Trabalho na creche Ação Social Padre Anchieta, fundada em 1967, há mais de oito anos. A creche passou por vários momentos, bons e ruins.Ao longo dos anos, tivemos muitas mudanças nos quadros de funcionários. A creche passou por grandes obras, com a construção de novas sala de aulas com banheiro, uma recpeção para atender as famílias, funcionários e qualquer pessoa da comunidade. Foram também reformadas outras salas, cozinha e o pátio, ampliando os espaços da creche como um todo. Tudo para o bem estar das crianças, famílias e funcionários. Essa obra é financiada pelo novo presidente Paulo projeto de reforma. Fig 3 Sala da Creche Aspa Fonte: Acervo da Autora com um belo 16 Fig. 4 Fachada da Creche ASPA Fonte: Acervo da Autora Fig. 5 Refeitório da Creche ASPA Fonte: Acervo da Autora Quando vim trabalhar na creche como cozinheira, a vaga era para auxiliar de serviço geral.Aceitei ficar até surgir a de cozinheira, onde permaneci na função por oito meses. Limpar as salas, os banheiros, corredores e o pátio, fazia parte da linha 17 função. O sobe e desce das escadas, o entra e sai das salas e do pátio, facilitava a observação das brincadeiras das crianças em grupo ou individualmente. Aproveitava para brincar elas, quando as educadoras pediam para ficar na sala, no almoço, ou quando saiam para ir ao banheiro. Suas brincadeiras preferidas eram nos cantos e embaixo da mesa. As bonecas, potes e alguns pratinhos serviam para por comidinhas; no chão, tinha um pequeno buraco que as crianças cavavam todos os dias e retiravam potinhos de areia, levavam para baixo da mesa e fingiam que era comida. No pátio, as crianças gostavam de brincar no escorrega, na casinha, de amarelinha e de pique pega. Depois, trabalhei na cozinha por três anos, fiquei feliz por cozinhar para os pequenos e todos os funcionários da creche.Gostava de ajudar as educadoras nas refeições, nos banhos e nas arrumações das crianças. No almoço, observava que tinham crianças que não queriam comer e, com carinho e paciência, incentivava-as, respeitando seu limite, ao contrário de algumas educadoras. Em 2006, a creche precisava de uma educadora para o berçário II, quando a diretora se lembrou do carinho que eu sentia pelas crianças. Ela me chamou e ofereceu a vaga de educadora. Como precisei responder no ato, fiquei muito feliz e com medo de não dar conta, mas aceitei. No mesmo dia teve uma reunião com as educadoras para me apresentar como a nova educadora da creche. Algumas gostaram e outras não, mas, confiando em mim, a diretora Cristina me entregou a chave do berçário, que permanece comigo até hoje. Para atender melhor as crianças, procurei buscar conhecimentos nos conteúdos e metodologia ensinados pelos professores do Pró-Saber. 3.3 O espaço Quando falamos de espaço na creche para crianças de 0 a 3 anos, na Educação Infantil pensamos, como deve ser esse espaço? Acredito que deve ser um espaço organizado, limpo e agradável onde as crianças e as famílias sintam-se acolhidas no ambiente, onde o cuidar e o ensino devem andar juntos. Para que este espaço seja um espaço adequado para as crianças explorarem 18 é preciso que seja rico em possibillidades de aprendizagem, onde possam estar em contato com o mundo em sua volta, descobrindo que são capazes como sujeitos que encontram e enfrentam desafios e obstáculos. As crianças vão somando experiências no ambiente da creche, no individual e no grupo. É no espaço que as crianças aprendem e socializam-se umas com as outras, seja na sala, no pátio, enfim em todos os espaços e cantos temáticos da instituição. “O espaço interno e também algumas áreas do espaço externo de uma classe são divididos em cantos de trabalho, que comportam um número limitado de alunos” (SAMPAIO, 2007, p. 187). Fig.6 Cantos da Creche ASPA Fonte: Acervo da Autora É no espaço que a criança conhece o mundo e vai vivenciando, pelo contato com os objetos, os conceitos de grande ou pequeno, duro, mole, liso, áspero, cores, cheiros, sons.Também é no espaço que se dá o contato com a natureza como um todo. Um espaço rico oferece oportunidades de aprendizado e as crianças podem descobrir que são capazes de criar, recriar, construir e fantasiar por meio das brincadeiras e possibilidades que o ambiente lhe oferece. Portanto, o papel do professor é de mediador, aquele que cuida e educa. Os espaços disponíveis para as atividades precisam, sobretudo, ser compreendidos como espaços sociais onde o educador tem um papel decisivo, não só na organização e na disposição dos recursos, mas também na sua postura, na forma de interagir com as crianças, de favorecer e mediar as relaçõoes, de ouvi-las e de instigá-las na busca de conhecimentos. São os educadores que dão o tom ao trabalho, que reforçam ou não a capacidade crítica e a curiosidade das crianças, que as aproximam dos objetos e das situações, que acreditam ou não nas suas possibilidades, que buscam entender produções e dão espaço para a fala, a expressão, a autonomia e a autoria. (NUNES E CORSINO, 2009, p. 9) 19 A criança se constitui sujeito, quando o adulto escuta o que ela fala, o que sente, o que questiona. Esta também é uma oportunidade para ampliar seu vocabulario, pois a creche é um dos espaços em que as crianças desenvolvem a linguagem ouvindo músicas e histórias. Para isto, o educador deverá oferecer um espaço que estimule a criatividade. Por exemplo: quando o educador leva as crianças para o pátio, com o objetivo de brincar com a presença dos brinquedos ou do outro, é importante que as escadas ou a rampa de acesso sejam de uma altura que a criança possa subir e descer, diminuindo o risco de cair. O mesmo deve se pensado para os brinquedos que devem estar localizados de acordo com o desenvolvimento de cada turma, como exemplo, temos o escorrega que deve ser adequado à altura das turmas. Também é interessante ter uma casinha para as meninas brincarem de faz-de-conta, com fogão de bocas grandes, com panelinha, pratos, colheres e as comidinhas para a construção das refeições no mundo do fazde-conta.Seria bom ter uma árvore no pátio para fazer um balanço, usando pneus de moto, por ser mais fino, para as brincadeiras das crianças serem mais divertidas. Seria importante ter no canto um espaço feito de cimento, na altura das crianças, cheio deareia para que elas pudesssem construir, criar e inventar seus bolinhos de aniversario, castelos, montanhas, enfim, acompanhadas de baldes de água, para facilitar as brincadeiras. Construir um jardim com ajuda das crianças é muito importante, para ampliar a coordenação motora fina e ao mesmo tempo favorecer que aprendam, deste cedo, a valorizar, respeitar, preservar e ter cuidado com a natureza, no espaço em que elas se inserem. 20 3.4 O brincar No texto ''A Brincadeira Como Experiência de Cultura'', Angela Meyer Borba (2009), apresenta o poema de ''Manoel de Barros'', que fala de sua infância, relacionando ''os universos da criança, da brincadeira e da arte''. Seus brinquedos fizeram parte do seu mundo infantil como de muitas outras crianças, de lugares e tempos diferentes. Nesse texto, Borba (2009) fala da importância do brincar e da brincadeira no mundo infantil, pois o brincarmostra para a criança múltiplas janelas de interpretação, aventuras, fantasias e muito mais.Ela aprende a conhecer o outro, expressar e comunicar suas experiências consigo e com o grupo. Fig. 7 Crianças brincando Fonte: Acervo da Autora O brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança de 0 a 3 anos, na Educação Infantil. A criança pequena brinca com seu próprio corpo e mais tarde passa a imitar os gestos dos pais, educadores e dos colegas, no ambiente famíliar e também da creche. A criança de dois anos, quando brinca, tem o prazer de construir e depois destruir o que criou, só para ouvir o barulho. É no brincar que ela imita e entra no mundo do faz-de-conta aproveitando a presença do objeto ou do outro. Quandopega o brinquedo nas mãos e finge que este brinquedo é outra coisa, dá um novo sentido, 21 localizando-o naquele espaço específico. As brincadeiras feitas pelas crianças fazem parte do cotidiano da creche, quando brincam em grupo e estabelecem suas próprias regras. O outro pode aceitar ou não, isto possibilita a contrução de sua autonomia. A brincadeira é uma forma privilegiada de aprendizagem. Na medida em que vão crescendo, as crianças trazem para suas brincadeiras o que vêem, escutam, observam e experimentam. Estas ficam ainda mais interessantes quando os diversos conhecimentos a que tiveram acesso podem ser combinados. Nessas combinações, muitas vezes inusitadas aos olhos dos adultos, as crianças revelam suas visões de mundo, suas descobertas. (PORTO, 2008, p. 4) Muitas vezes, as crianças vem carregadas de sentimentos de raiva, ciúme e birrra, que trazem de sua vivência famíliar, no entando, precisam passar por esses sentimentos para crescerem como sujeitos no meio social e cutural.As brincadeiras trazem a chance da criança se expressar de forma lúdica. Durante as brincadeiras, o educador precisa estar atento ao comportamento de cada uma, prestar muito atenção nas necessidades que são apontadas, através do contato, da fala, dos gestos e até mesmo do silêncio.Com um olhar mediador, o educador saberá das dificuldades do educando, das suas demandas. Fig. 8 Crianças brincando Fonte: Acervo da Autora A partir deste retorno, o educador pode planejar suas atividades adequandoas a uma rotina flexível, acolhendo a criança em todos os aspectos, cognitivo, afetivo, motor, social e cultural.“O educador lida com a arte de educar. O instrumento de sua arte é a pedagogia, ciência da educação e do ensinar.” (FREIRE, 2008, p. 22 63). O brincar prazeroso para as crianças e para os educadores, é aquele que propõe um momento lúdico, único e mágico, carregado de aprendizagem. 3.5 Testemunho Fotográfico A opção pelo relato fotográfico se deve ao fato de que “de todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório.” (CARTIER-BRESSON, 1971, p. 21).ou,segundo Sontag (1981) “fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. É envolver-se em uma certa relação com o mundo que se assemelha com o conhecimento” (p. 04). A partir do brincar na Creche Aspa, as crianças têm contato com brinquedos e educadoras, mas, principalmente, se relacionam com o espaço que lhes é oferecido. O brincar abre para a criança múltiplas janelas de interpretação, compreensão e ação sobre a realidade. Nele, as coisas podem ser outras, o mundo vira do avesso, de ponta-cabeça, permitindo a criança descolar-se da realidade imediata e transitar por outros tempos e lugares, inventar e realizar sonhos/inventar e realizar ações e interações com ajuda de gestos, expressões e palavras, ser autora de suas histórias, e ser outros, muitos outros (BORBA, 2009, P.70). 23 Fig. 9 Crianças brincando Fonte: Acervo da Autora Durante as brincadeiras das crianças observei que C1 brincava com o celular de brinquedo: – Tá bom! Tá bom, C31 observava a conversa do colega e C7 empilhava os objetos arredondados. C6 brincava de encaixar os seus dedinhos, nos pequenos buracos do objeto arredondado e girava em torno de si, tentando equilibrar para não cair. Nessa fase as crianças estão no estágio – sensório motor e, pelas brincadeiras, percebem o corpo físico de um objeto. Como professora, tive o privilegio de observar e proporcionar a exploração de espaço na brincadeira, o que se demonstra pela rotina diária das crianças, que apresento abaixo: A rotina diária é a realização do planejamento. É através dela que se põe em prática o previsto. A rotina orienta a ação da criança, assegura a ela o dia a dia, possibilitando que perceba e se situe na relação tempo e espaço, permitindo modificações, sem necessariamente cair na mesmicie, sempre repetir sempre o mesmo. (ABRAMOWICZ E WAJSKOP, 2004, p. n.p) 1 O nome das crianças foi codificado visando proteger suas identidades. 24 ATIVIDES DA ROTINA DIÁRIA MANHÃ O acolhimento das crianças “Quero tempo para perder tempo E ter todo tempo a meu dispor para me ver me achar me perder me ter” (FREIRE, 2008, p. 39) Fig. 10 Acolhimento Fonte: Acervo da Autora Ao receber as crianças, costumo fico na porta esperando sua chegada. Ao entrar, recebo cada criança com carinho, elogiando seus objetos pessoais e a própria criança. Converso com o responsável sobre o final de semana ou o dia anterior. Quando a criança entra chorando, abaixo e abraço, passando segurança e confiança para ela emostrando à família, que a criança está bem acolhida no cotidiano. O café da manhã das crianças 25 Fig. 11 Café da Manhã Fonte: Acervo da Autora No Café da Manhã, temos leite com biscoitos, pães, bolos e mingau. A troca de roupas A autonomia (...) é fruto da criação de condições privilegiadas para que as crianças experimentem desde bem pequenas, em situações relacionadas ao controle do próprio corpo (comer, vestirse, etc) e também às atividades motoras e lúdicas. (NUNES e CORSINO, 2009, p.29) Fig. 12 Troca de roupas Fonte: Acervo da Autora Após o café, as crianças trocam de roupa.A maioria já sabe retirar suas roupas, algumas estão aprendendo a se vestir, importante o estmúlo para a autonomia. A paciência é fundamental, quando incentivamos as crianças, assim, elas conquistarão sua independência. Atividade com chamada Sentar junto e conversar sobre o dia é o primeiro momento do encontro na sala. Esta conversa, mediada pelo adulto, organiza o dia, as atividades que envolvem escolhas e apresenta o plano de atividades. Neste momento é que acontece também a retomada de conceitos já apresentados 26 e/ou descobertos pelas crianças. (MELIS, 2007, p. 20) Fig. 13 Chamada Fonte: Acervo da Autora A chamada faz parte da rotina no cotidiano da creche. No espaço da sala, as crianças se socializam, o que é fundamental para conhecer o seu próprio nome e o nome do colega. A chamada é feita, tendo como estratégia, chamar o nome através dos desenhos de cada criança, música e cartões com fotos. Atividade com música A música é uma ferramenta que contribui para formação integral do ser humano. Por meio dela a criança entra em contato com o mundo letrado e lúdico. Ensinar utilizando-se da música, ajuda a criança a valorizar uma peça musical, teatral, concertos, pois, dando a oportunidade do conhecimento dos vários gêneros musicais ela tem a oportunidade de construir sua autonomia, criatividade, aquisição de novos conhecimentos e criticidade. (GONÇALVES, 2009, p. 2). Fig.14 Atividade com música Fonte: Acervo da Autora Na sala de aula, todos os dias, as crianças ouvem diferentes tipos músicas infantis, pois o rádio fica na cadeira ou no gancho das mochilas, ao seu alcance, para que possam retirar e colocar a fita ou CD. 27 A música faz parte da rotina, as crianças gostam de dançar, pular e imitar. Quando ouvem a música “Atirei o Pau no Gato” ficam contentes e felizes, principalmente quando chega o momento do MIAU! Pensando no desenvolvimento individual e do grupo, coloquei duas caixas de papelão no meio da sala, uma grande e outra pequena, que suportassem o peso das crianças e observei o que elas poderiam fazer. C10 e C9 subiram e dançaram, as outras crianças as imitaram. A música é fundamental para resgatar a memória das pessoas, pois, através da música, podemos lembrar o local onde estávamos e com quem estávamos, além de cores ou cheiros de objetos, enfim ela enriquece a nossa imaginação. Momento do desfralde e higiênização Fig. 15 Higienização Fonte: Acervo da Autora O desfralde é um momento muito importante na vida da criança e deve ser feito com paciência, respeitando o seu desenvlvimento. No banheiro, as crianças usam os penicos e o vaso. Eu procuro incentivá-las a sentar no vaso, mas respeito o momento daquelas que ainda não estão preparadas. 28 Atividade no pátio com brinquedos e movimentos com o corpo Os nossos pequenos cientistas começam a viver uma nova atitude quando determinam que vão explorar o mundo que os rodeia: utilizam a observação para coletar informações e descobrir funcionamentos.” (MELLIS, 2007, p.31). Fig. 16 Atividade no pátio Fonte: Acervo da Autora As brincadeiras que ocorrem no pátio são variadas, estimulam e ampliam o desenvolvimento das crianças. Tenho a preocupação de planejar atividades que estejam adequadas a minha turma. A bola faz parte do aprendizado, pois, além de estimular a coordenação motora grossa, a criança descobre diferentes formas de brincar, correr e chutar. Os tapetes de encaixar ampliam a coordenação motora fina. 29 Encaixar, empilhar, montar, desmontar proporciona conhecerem as cores, formas e tamanho. As crianças aproveitam o grande espaço do pátio brincando do seu jeito. Os cantos são prioridade para brincar com os brinquedos, para pegar pequenas pedrinhas ou qualquer coisa que lhes chama a atenção. Isto faz parte da curiosidade dos pequenos. Hora da higiene (...) Uma mão Lava a outra Lava uma Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira Antes de comer, beber, lamber, pegar na mamadeira Lava uma (mão), lava outra (mão) Lava uma, lava outra (mão) Lava uma (...) (ANTUNES, 1995, p.1) Fig. 17 Higiene Fonte: Acervo da Autora Antes e depois do pátio, é importante estimular as crianças a lavarem as mãos, já que ensinar desde cedo as noções de higiene é fundamental para a saúde. Quando elas tem o contado com a água fazem festa! 30 Hora do almoço “Eu me acostumo neste mundo por meio das rotinas estáveis. Mesmo sem saber as horas meu corpo perde comida” (MELIS, 2007, p. 92). Fig. 18 Mobiliário do Almoço Fonte: Acervo da Autora O espaço do refeitório é amplo, arejado, limpo e organizado; as mesas e as cadeiras estão adequadas à altura das crianças; as cores são vibrantes, o que alegra o ambiente. As mesas e os bancos foram feitos pensando na altura das crianças. Fig. 19 Almoço Fonte: Acervo da Autora Na hora do almoço, as crianças precisam estar bem alimentadas. Os alimentos são bem selecionados e feitos especialmente para elas. Nesse momento, há crianças que precisam ser estimuladas, minha colega de trabalho e eu as incentivamos a comer. 31 Higiene – escovaçâo dos dentes Fig. 20 Escovação Fonte: Acervo da Autora Após as refeições é importante que as crianças façam escovação, para adquirirem o prazer do hábito de escovar os dentes. TARDE Espaço organizado para o sono Fig. 21 Espaço do sono Fonte: Acervo da Autora Após o almoço, coloco as crianças para dormir. O sono é fundamental, nesse momento, para repor energia. O ambiente é limpo e organizado antes das crianças dormirem; os brinquedos são arrumados de preferência por elas, pois é importante que aprendam a cuidar dos brinquedos pessoais e também dos brinquedos da creche. 32 Colação Explorando as frutas Fig. 22 Colação Fonte: Acervo da Autora Certa vez, antes da colação, apresentei as frutas para as crianças pegarem, observarem o tamanho, a textura e para sentirem o cheiro. Após a socialização com os colegas, passando de mão em mão, ofereci pequenos pedaços para sentirem os sabores.Quando ofereci as frutas, pensei em arrumar uma bandeja com a forma de um rosto, para que elas apreciassem com os olhos para que depois pudessem degustá-las. 33 Narração com livros de histórias / fantoches / poemas / parlendas e rimas Ler com as crianças pode ser um bom começo, constituindo-se em um momento de grande prazer e troca afetiva. (PROJETO, 2004, p. 34) Fig. 23 Narrações Fonte: Acervo da Autora Ao contar histórias para as crianças, seleciono livros adequados a idade de minha turma, com imagens grandes, linguagem curta e simples para melhor compreensão.Na hora da história, eu as chamo para fazer a roda. Mostro o livro, título e nome do autor, elas ficam atentas observando as imagens e ouvindo minha voz e percebendo os gestos. Quando contei o poema ‘’Canção’’, notei que as crianças ficaram dispersas. Recriei a história, então, com as imagens retiradas do poema, elas adoraram e perguntaram: “Graça é o barco? É o nenê?” Fantoches, poemas, rimas e parlendas também fazem parte do cotidiano da Creche. 34 Pátio e jacaré “Olha o jacaré Olha o jacaré Se não tiver cuidado Eu vou comer seu pé” Fig. 24 Jacaré Fonte: Acervo da Autora Levamos as crianças para o pátio. Na sacola, alguns brinquedos, uma bola, bonecas e um jacaré grande, feito de pano, que permite colocar as mãos dentro. As crianças adoram brincar no pátio e o jacaré entrou em cena, porque tinha criança que não conseguia acompanhar as outras com a bola. Peguei o jacaré e coloquei o braço dentro, as crianças quando viram, gritaram é o ''bicho'' e correram; corri atrás delas, então, cantei a música do jacaré. Quando sai atrás, elas correram. De vez em quando parava nos cantos, esperando pelas retardatárias. Observei que C1 e C8 estavam com medo; parei de correr e sentei. Todos vieram e pegaram o brinquedo e colocaram a mão na boca do jacaré. Chamei C1 e C8, mostrei os colegas passando as mãos e conversei, dizendo que o jacaré era amigo e que não mordia. À tarde, depois do lanche, sentei com o jacaré no chão. As crianças vinham, passavam as mãos, fingiam que levantavam para pegar, era uma festa. C1 e C8 ficaram perto, queriam pegar, mas ainda demostravam um pouco de medo. Aos poucos, conversando e brincado com os colegas, tocaram com a ponta dos dedos no jacaré. Não fiz movimento brusco para não assustar, respeitando seu tempo e 35 limite. Um dia sim, outro não, o jacaré entra em ação. Hoje eles não têm mais medo! Brincado e aprendento com Lego “Os brinquedos orientam a brincadeira, trazem-lhe matéria.” (PORTO, 2008, p. 31) Fig. 25 Lego Fonte: Acervo da Autora Meu objetivo era trabalhar os conteúdos da matemática através das cores, formas, conceitos de dentro e fora. A estratégia foi oferecer diferentes brinquedos: Lego, bonecas, uma caixa vazia e o urso José, nosso mascote da sala. C4 brinca e, espontaneamente, faz classificação do Lego.Como é possível ver nas imagens, le colocou a cabeça do urso, chamado José da Silva, para observar sua obra. Depois, afastou a cabeça do urso e percebeu os atributos de cores na forma que tinha criado.Bateu palmas e eu perguntei: C4 o que você fez? Ele respondeu: O trem! 36 O urso José da Silva “O recado é: leveza! Nada de agressão ao próprio ritmo e limite! Leveza.” (FREIRE, 2008, p. 30) Fig. 26 José e as crianças Fonte: Acervo da Autora A atividade com o urso José da Silva surgiu de uma necessidade que observei na minha turma. Três crianças da sala faltavam muito.Quando chegavam, pegavam os brinquedos e jogavam para o alto; espalhavam no chão e corriam pela sala; batiam nas cabeças dos colegas. A partir de um dado momento, algumas crianças as estavam imitando. Elas estavam sem limites.Manter a sala organizada era impossível; a rotina deles não fazia sentido naquele momento e cuidar dos brinquedos estava fora de contexto. Então, pensei nos brinquedos que minha professora Beatriz, do Pró-Saber, tinha doado para as crianças da minha sala, entre eles, estava o urso de encaixar. Chamei as crianças para a roda, conversei com a turma e disse que os brinquedos eram para brincar, cuidar e que elas não podiam quebrar e nem bater nos colegas. Mostrei o urso e disse: - Crianças, esse urso vai ser o nosso novo amigo! Ele precisa de um nome, quem vai me ajudar? As crianças responderam: - Eu! - Vamos escolher um nome para ele? Responderam: -Sim! 37 -Qual? Diante da discussão das crianças, que queriam colocar seus próprios nomes, resolvi sugerir José da Silva! As crianças balançaram as cabecinhas concordando com o nome, depois pedi para que fizessem carinho e beijassem o urso José. Perguntei: - Pode bater no José? Elas responderam: - Não! - Então, vamos cuidar dele!? - Sim! - Pode bater no colega? - Não! Agora, toda vez que o comportamento dos faltosos se repete, utilizo o José para trazer a paz. As caixas “A observação utilizada pela criança vai desde experimentar e saber se é bom ou não, se gosta ou não até este momento: o que tem aí dentro.” (MELIS, 2007, p . 20) Fig. 27 Caixas Fonte: Acervo da Autora 38 Fig. 28 Caixas trabalhadas Fonte: Acervo da Autora As caixas que levo para minha sala são do sacolão ou do supermercado e servem para as crianças brincarem, guardarem sapatos, roupas, brinquedos e materiais pedagógicos. Cubro com papel branco para decorarem, pintarem ou colarem imagens de revistas escolhidas por elas. Construção do túnel com sucatas e tintas (...) enquanto se refrear a necessidade de expressão da criança, enquanto não se satisfizer sua paixão pelo desenho e pela pintura, não se terá feito educação no sentido mais profundo do termo (DARCHE, apud FREINET apud WHITAKER, 2007, p. 53) Fig. 29 Tunel 1 Fonte: Acervo da Autora 39 Fig. 30 Tunel2 Fonte: Acervo da Autora Observando as crianças brincando debaixo da mesa, observei a necessidade de construir um túnel. Ao construir o nosso túnel, foi preciso ter os seguintes materiais: duas caixas de papelão grandes, barbante, tesoura, estilete, caneta e tintas guache de cor: vermelha, azul, amarela e lilás. Durante nossa pintura, cada criança tinha sua vez, cada momento era único, para a construção da sua autonomia, empolgadas e felizes, se divertiam com os movimentos que eram rápidos durante a pintura. Depois de pronto o nosso trabalho, deixei nosso túnel secar ao sol. De tarde, levei para a sala e todas as crianças ficaram envoltas esperando o que ia acontecer. Quando pedi ao C5 que entrasse no túnel, ele ficou com medo; respeitei seu momento e pedi à C7 que entrasse. E cada criança foi repetindo e as carinhas eram de alegria e curiosidade. Na construção do túnel, fiz questão de fazer janelas arredondadas. Minha ideia era que elas observassem tanto do lado de dentro, como do lado de fora. As crianças faziam festa, foram momentos mágicos. Elas adoraram cada momento; algumas colocavam as mãos dentro dos espaços vazios, enquanto outras brincavam dentro do túnel 40 Atividade diversificada A brincadeira favorece a interação, a construção da identidade e da auteridade, contribui para a apropriação de modelos, para o aumento autoestima, para a construção da subjetividade, para a compreensão e o conhecimento do mundo, das pessoas, dos sentimentos, etc. A brincadeira pode congregar mútiplas linguagens, inclusive as artísticas. (MOURA, 2009, p. 81) Fig. 31 Atividade diversificada Fonte: Acervo da Autora Para introduzir a pintura no espaço da sala, fiz o convite primeiro ao C4, ao C5 e a C7. Entreguei os brinquedos de encaixar para as outras crianças, elas construíram o que desejaram, enquanto esperavam sua vez. Fig. 32 Atividade diversificada 2 Fonte: Acervo da Autora Cada pintura era feita com movimentos suaves ou fortes; as cores das tintas eram vermelho, azul, amarelo e lilás. Depois que produziram suas “obras de arte”, mostrei-as para a turma. Como de costume, pedi para me mostrarem o seu desenho e cada criança mostrava sua 41 marca com muito orgulho e ganhava parabéns de mim e da educadora Adriana, companheira de sala. Fig. 33 Atividade diversificada 3 Fonte: Acervo da Autora Hora da sopa Fig. 34 Sopa Fonte: Acervo da Autora Na hora do jantar das crianças, a sopa é fundamental, pois contribui para seu desenvolvimento saudável. Quando a criança recusa o alimento, meu papel é incentivá-la a comer, mas se ela insiste e rejeita constantemente, respeito seu desejo e informo à diretoria da Creche e aos pais da criança. É um momento prazeroso e tranquilo. 42 Brincar de rolar no chão “Educar, por sua vez complementa esse olhar, dando a criança oportunidades de aprender sobre o mundo que a rodeia por meio de brincadeiras (...)” (MELIS, 2007, p. 79) Fig.35 Rolar Fonte: Acervo da Autora Todos os dias, após a sopa, há um momento relaxante, no chão. Essa cena já faz parte do nosso cotidiano da sala. É importante que as crianças se sintam seguras, confiantes e felizes. Gosto de participar das atividades com elas, estimulando uma a uma a rolar no chão, respeitando o seu tempo e limite. 43 Hora do banho e arrumação Fig. 36 Banho Fonte: Acervo da Autora Quando chega a hora do banho, incentivo as crianças a guardar as roupas nas mochilas, para se prepararem para ir para casa. Enquanto a educadora ajuda no banho das crianças, as outras sentam em cima do colchão e cantamos músicas de roda para manter o grupo calmo. Hora de ir para casa Fig. 37 Despedida Fonte: Acervo da Autora 44 Fig. 38 Despedida 2 Fonte: Acervo da Autora Para esperar os pais ou responsáveis, oferecemos livros de história e revistas para as crianças manipularem. Quando entrego os livros, combino que me devolvam na saída. Futuro canteiro “Olhar o céu, as núvens, cuidar de uma flor comer um tomatinho e perceber as diferenças de cores cheiros e texturas de frutas é uma atividade rica em sensações de aprendizagem” (MELIS, 2007, p.52) Fig. 39 Canteiro Fonte: Acervo da Autora Em frente às salas do berçário, existe um pequeno pátio, pouco explorado pelas crianças, já queas atividades são, em geral, ministradas no pátio maior. No ano passado, tínhamos árvores que foram eliminadas: Um pinheiro que servia como enfeite de natal, por causa da obra foi retirado, para ampliar o espaço do pátio; Um coqueiro maravilhoso de onde retirávamos coco verde. Podíamos tocá-lo, sentir a textura lisa ou grossa, observávamos o tamanho alto ou baixo, se 45 tinha folhas ou galhos, comparávamos com o pinheiro e com a arvore que dá frutos vermelhos. Foi retirado também com a justificativa de que os cocos secos poderiam cair e machucar as crianças, entristeci, mas entendi o motivo. Conversando com a diretora, fiz a proposta de reconstruirmos um canteiro com a ajuda das crianças, ela achou boa a idéia que, no entanto, ficará para o próximo ano. Um dia, passando para o pátio, observei que havia um matinho nascendo.Não podia deixar de mostrar às crianças, a oportunidade que a natureza nos oferecia. Elas ficaram encantadas e admiradas, quando pegaram nas plantinhas, nas pedrinhas e na terra. C10 mostrou uma plantinha que tinha uma flor amarela. Fiquei maravilhada! A festa estava estampada em seu rostinho e todos queriam pegar. Pedi para que ficássemos olhando e aproveitei o que tinha acontecido para falar que tínhamos que cuidar da plantinha e não poderiamos arrancar, afirmei com a pergunta: “Pode arrancar?” Responderam: “- não!” A criança que tem o contado com a natureza aprende a valorizar, a respeitar e a cuidar das plantas deste cedo. 46 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O espaço da creche é muito importante para ampliar e desenvolver o aprendizado das crianças de 0 a 3 anos. É nesse espaço que elas aprendem e descobrem o mundo que está a sua volta. Se puderem explorar os espaços da creche como o pátio, terão a oportunidade de aprender individualmente e no grupo, por meio das brincadeiras livres ou dirigidas. Terão também a oportunidade de desenvolver uma boa coordenação motora, cognitiva, afetiva, social e cultural. Ao oferecermos às crianças e as suas famílias um espaço que seja acolhedor, limpo, organizado, prazeroso, alegre e colorido, estaremos proporcionando um ambiente agradável e seguro. Pensando nos espaços dos berçarios onde as crianças são muito pequenas: (...) a criança apreende o mundo através de esquemas perceptivos (olhar, ouvir) e de esquemas motores (chupar, egarrar, derrubar, rolar, etc) (...) O estágio sensorio pode se dividir em seis subestágios. Nos quatro primeiros subestágios, a criança usa os objetos para ''alimentar'' seus próprios esquemas, sem ainda se preocupar em explorar as características de cada objeto (ver exemplo do lápis). A partir dos 5º e 6º subestágios, a criança não usa os objetos apenas para exercer sobre eles os esquemas que já possui (sacudir-pegar-puxar, etc.): passa a se deter nos atributos de cada objeto, descobrindo novas maneiras de manuseá-los através de combinações de esquemas. Nesse momento, passa também a criar ''experiências para ver'', acomodando seus esquemas aos objetos, buscando novos efeitos, com grande interesse nos resultados obtidos. Aparece, então, claramente, a intencionalidade da ação e a distinção entre esquemas-meio e esquemasfim, indicadores de um funcionamento inteligente. (LACOMBE,1998, p. 6) É necessario que as crianças tenham mais atenção e cuidados saberem apenas engatinhar e não andarem ainda. Segundo Freire, (2008, p. 68) “a função do educador neste movimento [...] é dar apoio e instrumentos para que enfrente as dificuldades no exercício de sua vontade.” Pela ação do adulto, como mediador, as crianças são estimuladas a explorar os objetos e os espaços externos e internos da creche, o que, aliado ao brincar, possibilita-lhes um mundo de descobertas. Se elas tiverem contato direto com a natureza levarão estas experiências em sua memória, e poderão tornar-se sujeitos em harmonia com o ambiente. Neste contexto, nós educadores, entramos nessa historia propiciando que as crianças sejam autoras de suas histórias. Quando forem realizar atividades, tais 47 como as atividades artísticas, precisamos nos observar para não cederrmos ao impulso de intervir. Importante deixarmos as crianças criarem seus próprios desenhos, jogos e brincadeiras, pois é ali que elas fazem sua construção. Se tivermos um espaço adequado onde possam explorar, brincar, serão benificiadas no seu processo de aprendizagem, pois é nos espaços que aprendem a conhecer o mundo. É no espaço da sala que realizamos as atividades dirigidas ou livres, dentro de um planejamento flexível, sem deixar de seguir as regras e normas colocadas pela creche. Para que as crianças tenham uma boa aprendizagem, acredito que devemos lhes oferecer oportunidades para descobrirem que são capazes de agir como sujeitos que pensam, vivem e interagem no meio social e cultural. Para que isto ocorra é impescindível que explorem os espaços da creche, adequados a sua faixaétaria para que possam aproveitar e se desenvolver. Para Vera Melis (2007), o espaço se constitui no terceiro educador, pois o [...] cuidado para com esta organização diária complementa os objetivos didáticos de todo educador. Portanto todo o espaço precisa ser não somente seguro e útil ao desenvolvimento da proposta pedagógica, mas deve ser também, agradável, bonito, colorido e acolhedor, onde as crianças sintam-se protagonistas. Isto implica em refletirmos sobre as oportunidades das crianças aprenderem umas com as outras e socializarem-se por meio da interação grupal. (MELIS, 2007, p.24) Vejo os espaços da creche como uma das ferramentas principais para as crianças descobrirem que são capazes de criar, recriar, construir, produzir inventar e fantasiar. Ao fechar este relato, revendo todos as imagens selecionadas para dialogar com a teoria, fico com a certeza de ter levado para a minha sala de aula, os conteúdos aprendidos no Pró-Saber. . 48 BIBLIOGRAFIA ABRAMOWICZ, A.; WAJSKOP, G. Educação infantil: creches: atividades para crianças de zero a seis anos. São Paulo: Moderna, 2004. ANTUNES, A. Lavar as mãos. [S.l: S.n], 1995. Disponível em: <http://www.arnaldoantunes.com.br/sec_discografia_obra.php?id=171>. Acesso em 18.11.2011. BORBA, A.. A brincadeira como experiência de cultura na educação infantil. In: BRASIL/MEC. O cotidiano na Educação Infantil. bol. 23, Programa Salto para o futuro, TVE, Rio de janeiro, Nov., 2006. CARTIER-BRESSON, H. O momento decisivo. In: BACELAR, M. C. (Org.). Fotografia e Jornalismo. São Paulo: ECA, 1971. CONSELHOS para lidar com o desfralde. In: Folha de informação. [S.l.: Sn.], 2009. Disponível em: <http://www.slideshare.net/mcarvalhinha/desfralde>. Acesso em: 18.11.2011. FREIRE, Madalena. Educador. 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