Resolução de situações-problema
Situação-problema
Organizar um portfólio com biografias de personalidades relevantes na História de Portugal
durante a primeira metade do século XIX.
Saber
Saber-fazer
– Conhecer a conjuntura que motivou a Revolução de 1820
– Pesquisar informação
– Explicar as dificuldades de implantação do Liberalismo em
Portugal
– Analisar documentos
– Distinguir vintismo, cartismo, setembrismo, cabralismo e
miguelismo
– Elaborar e comunicar sínteses, com correção linguística e
de forma criativa
– Identificar a relevância da ação de indivíduos relativamente a
fenómenos históricos circunscritos no tempo e no espaço
Documentação
doc
A
Regras a seguir na elaboração de uma biografia
Selecionar a personalidade histórica a biografar:
Optar por elaborar uma biografia cronológica ou temática:
– Preferência dos alunos
– No primeiro caso seguir a vida e obra ao longo do tempo
– Sugestão do professor
– No segundo, debruçar-se sobre um ou mais aspetos relevantes da ação do(a) biografado(a)
Pesquisar elementos sobre o(a) biografado(a) (no manual, em
livros de História, nomeadamente outras biografias, em
memórias, discursos, enciclopédias, CD-ROM, videogramas e
na Internet)
Construir uma cronologia:
– Factos da vida e obra da personalidade em causa
Colocar questões orientadoras. Exemplos:
– Como qualificar a personalidade do(a) biografado(a)? Que teve
ele(a) de interessante ou de menos digno?
Redigir a biografia. Dela deve constar:
– Apresentação da figura histórica (data e local de nascimento
e morte; origem familiar; estudos; profissão; vida afetiva)
– Análise, mais ou menos desenvolvida, da sua vida e obra
(carácter, episódios relevantes da vida; fatores que os
condicionaram)
– Conclusão (importância histórica da pessoa biografada)
N. B.
– Que acontecimentos moldaram o seu carácter, a sua ideologia
e a sua ação?
Evitar desenvolver a época em que viveu a figura biografada.
Esta é que constitui o assunto central do trabalho
– Com que obstáculos se defrontou essa pessoa na vida? Como
os ultrapassou?
Procurar ser objetivo, sem que o trabalho se resuma a um suceder de factos. A sua leitura deve resultar o mais agradável possível
– Que efeitos teve o(a) biografado(a) a nível local, regional,
nacional ou mundial? O mundo ficaria melhor ou pior se ele(a)
não tivesse vivido? Como e porquê?
Recorrer a ilustração, se entender necessário
Em O Tempo da História, História A, 10.° ano, 3.° Parte, Porto, Porto Editora, 2007
TEHA11-P2 © Porto Editora
Saberes a mobilizar
Resolução de situações-problema
doc
B
Porquê a biografia?
Pessoalmente, acho que a história deve ser escrita, tanto quanto possível, do ponto de vista dos contemporâneos. Quer dizer: não devemos ser anacrónicos. Temos de ser capazes de compreender as ações e
os acontecimentos vividos pelos nossos antepassados em função dos condicionalismos em que se moviam e
do entendimento que eles próprios tinham dessas ações e acontecimentos – em função da sua visão do
5 mundo, ou das suas visões do mundo. […] Ora a biografia parece precisamente o veículo ideal para transmitir a visão do mundo que alguém de uma época passada tinha do mundo em que viveu. Só assim o historiador poderá, se não recriar um mundo tal qual ele existiu – o que é sem dúvida impossível – ao menos
abrir uma janela sobre esse mundo. […]
Gosto de biografias: são as que mais satisfazem a minha curiosidade histórica e humana. Se escrever
10 uma, terei oportunidade de pôr à prova a minha própria definição de história enquanto tentativa de
recriação de um mundo humano passado, povoado por homens de carne e osso que não devem ser tratados unicamente como sintomas de uma época, não apenas porque contribuíram para a moldar mas também porque as suas vidas possuem um valor intrínseco que deve ser apreciado por si mesmo.
Maria de Fátima Bonifácio, 2007 – Estudos de História Contemporânea de Portugal, Lisboa, ICS
doc
C
TEHA11-P2 © Porto Editora
D. João VI
Em 26 de abril de 1821, o rei D. João VI partia do porto do Rio de Janeiro, preparando-se para cruzar
pela segunda vez o Atlântico – viagem que nenhum outro soberano europeu tivera jamais de enfrentar – e
regressar a Lisboa, deixando para trás treze anos em que permanecera no Brasil. Será porventura ocioso
tentar imaginar as suas cogitações íntimas nesse momento. Mas, sendo impossível conhecê-las, poderá
5 contudo supor-se que a ocasião fosse propícia para que refletisse sobre as atribulações da sua vida e procurasse antecipar as que decerto lhe reservava o futuro.
A pouco mais de duas semanas de completar 54 anos de idade, aclamado rei apenas quatro anos
antes, mas dirigindo a monarquia há quase trinta, desde 1792, e formalmente como regente a partir de
1799, D. João voltava ao reino da mesma forma que dele havia partido: contrafeito, forçado pelas circuns10 tâncias e empurrado pelos pareceres de ministros e conselheiros, após longos meses de hesitações,
durante os quais se chegara a admitir que seria mais conveniente que o mais velho dos filhos varões,
D. Pedro de Alcântara, futuro rei de Portugal e primeiro imperador do Brasil, viajasse em seu lugar.
Se, nessa ocasião, como poderia dizer-se do comum do seus súbditos, tivesse deitado contas à vida,
D. João teria inúmeras razões para concluir que a sorte não lhe fora favorável. Poucos reis absolutos – ao
15 menos em tese – terão tido de suportar tantas contrariedades, de decidir tantas vezes contra vontade,
poucos terão visto também o pequeno mundo em que habitavam tão profundamente abalado. O tempo foi
de intensas convulsões.
[…]
Jorge Pedreira e Fernando Dores Costa, 2006 – D. João VI,
Lisboa, Círculo de Leitores e Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa
Reis e pretendentes
ao trono de Saxe
Luís Filipe
1887-1908
Eugénio
1853
Afonso
1996-
Maria Francisca Dinis
19971999-
Duarte
Miguel
19451946pretendente ao trono
∞
(1995)
Henrique
1949-
Maria Francisca (1942) Duarte Nuno
∞
1914-1968
1907-1976
Pedro (1908) Elizabeth
1875-1940 ∞ 1875-1951
Grãos-duques
do
Luxemburgo
Maria
Maria
Mafalda
Antónia
Adelaide
1898-1918
1903-1973
Maria Ana
Filipa 1912Maria Benedita
1899-1971
19051896-1970
Isabel
1894-1969
Maria Antónia
1862-1959
Duques de Loulé
(1827)
Ana de Jesus ∞ Nuno de Moura
Maria
Barreto
1806-1857
1804-1875
Duque de Loulé
(1893)
Maria Ana ∞ Guilherme
1861-1942
1862-1912
Grão-duque
do Luxemburgo
1905-1912
Maria Teresa
Aldegundes
1855-1944
1858-1946
Maria José
1857-1943
Francisco Maria
José
Teresa
Miguel
1878-1923 1879-1919 1881-1945
(1864)
∞
Gastão
Isabel
D’Orléans
1846-1921
1842-1922
Conde de Eu
Isabel de Herédia
1966-
Maria
1851
Maria das Neves
1852-1941
(1851)
D. Miguel
∞ Adelaide de Löwenstein-Wetheim-Rosenberg
1802-(1828-1834)-1866
1821-1909
Maria da Assunção
1805-1834
(1877)
(1893)
(1843)
Isabel ∞ Miguel ∞ Maria Teresa
1870-1935
1860-1881 1853-1927
Francisca ∞ Francisco
Pretendente
de
1824-1898
ao trono
Orléans
1818-1900
Principe de
(1843)
Joinville
Pedro II ∞ Teresa de
1825-1891 Bourbon
1822-1889
Paula
1823-1833
Januária ∞
1822-1897
Isabel Maria
1801-1876
Em J. Pedreira e F. D. Costa, ob. cit., baseado em A. H. de Oliveira Marques, História de Portugal
(1886)
(1917)
Afonso ∞ Nevada Stood Hayes
Amélia ∞ D. Carlos
1885-1941
de Orléans 1863-1889-1908 1865-1920
duque do Porto
1865-1951
Maria Ana
(1913)
1887
Augusta Vitória de
D. Manuel II
∞
Hohenzollern-Sigmaringen 1889-(1908-1910)-1932
1890-1965
Maria Teresa∞ Guilherme
1864-1927
de Bourbon
Principe de
1867-1909
Hohenzollern-Sigmaringen
Luís Filipe
1838-1894
Conde de Paris
Leopoldo
1849
Augusto
1847-1889
João 1801-1873
Rei de Saxe 1854-1873
Fernando
1846-1861
(1859)
Maria Ana ∞ Frederico Augusto Jorge
1832-1904
1843-1884
Rei de Saxe 1902-1904
João
1842-1861
Duque de Beja
Maria
1840
Fernando Miguel João Carlos
1785-1851 1820 1821-1822
(1836)
(1869)
∞ Fernando (II) de ∞ Elisa
Hensler
Saxe-Coburgo1836-1929
-Gotha
Condessa
1816-1885
de Edla
Regente
1853-1855
Maria Amélia
1831-1853
(1835)
Augusto ∞ D. Maria II
1810-1835 1819-1834-1853
Duque de
Leuchtenberg
Vítor Manuel II
1820-1878
Rei de Piemonte
1849-1860
Rei de Itália
1860-1878
Francisco II
1768-1835
Imp. da Alemanha
e Áustria
(1829)
(1817)
Maria Amélia ∞ D. Pedro IV ∞ Maria Leopoldina
de Beauharnais
1798-(1826-1828)
1797-1826
Leuchtenberg
-1834
1812-1873
(1858)
(1860)
(1862)
Estefânia ∞ D. Pedro V
Antónia ∞ Leopoldo
∞
D. Luis
de
1835-1905
1837-1853- Maria Pia
1845-1913
1847-1911
1839-1861-1889
Principe de Hohenzollern- -1861
Hohenzollern- -Sigmaringen
-Sigmaringen 1837-1859
Carlos António
1811-1885
Principe de Hohenzollern-Sigmaringen
Linha carlista
de pretendentes ao
trono de Espanha
Maria Luísa
1817
(1810)
(1816)
Pedro Carlos ∞ Maria Teresa Carlos (V) ∞
Maria Francisca
1786-1812
1793-1874 1788-1855
1800-1834
Pretendente
ao trono de
Espanha
1833-1848
António Eugénio de Beauharnais
1795-1801
1781-1824
Carlota Joaquina
1755-1830
Genealogia da IV dinastia, a partir de D. João VI
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(1816)
Fernando VII ∞ Maria Isabel
1784-1833
1797-1818
Rei de Espanha
1808; 1813-1833
∞
(1785)
doc
D
D. João VI
1767-1816-1826
Resolução de situações-problema
Resolução de situações-problema
Atividades
1. Analise, com os colegas de grupo, as regras a seguir na elaboração de uma bibliografia (doc.A).
2. Retire frases do texto do doc. B reveladoras de que:
– o indivíduo é produto de uma época;
– o indivíduo age sobre a época;
– o indivíduo é singular.
3. Que resposta dá a historiadora Maria de Fátima Bonifácio à pergunta do título do doc. B?
4. O texto do doc. C pertence à Introdução de uma obra biográfica sobre D. João VI. Leia-o atentamente.
4.1. Reflete o texto as considerações tecidas no doc. B? Justifique devidamente a sua resposta.
5. D. João VI encontra-se entre as personalidades relevantes do século XIX que o seu grupo de trabalho
poderá biografar.
5.1. Consulte a genealogia do doc. D que fornece informações para a elaboração de biografias sobre
monarcas, rainhas, príncipes ou princesas de Portugal durante a primeira metade do século XIX.
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6. Claro que as personalidades relevantes da História de Portugal não passam necessariamente pela Casa
Real. Há outros estadistas (ministros, deputados, legisladores, diplomatas), bem como militares, eclesiásticos, escritores, intelectuais, artistas.
6.1. Participe na seleção das personalidades a biografar e cumpra as tarefas combinadas em grupo.
N. B.:
• Organize o portfólio com criatividade, mas sem negligenciar a coerência. Para a ordenação das personalidades adote um critério: idade; ordem alfabética; categoria profissional; outro.
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