PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - Promover o Crescimento Pró-pobres Protecção Social PARTE I Declaração Política sobre o Emprego e a Protecção Social e Nota de Orientação Política sobre a Protecção Social 1 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - A edição original desta obra foi publicada pela OCDE em inglês com o título: PART I: Policy Statment and Policy Guidance Note, Promoting Pro-Poor Growth. Social Protection 2009 OCDE O documento original encontra-se disponível através do link: http://www.oecd.org/dac/poverty A qualidade da tradução portuguesa e a sua coerência com a edição original é da responsabilidade do Projecto STEP Portugal do Bureau Internacional do Trabalho (BIT). Lista de acrónimos CAD Comité de Apoio ao Desenvolvimento (OCDE) DECT Transferências de Dinheiro de Emergência de DOWA DFID Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional GTZ Agência Alemã para a Cooperação Técnica OECD Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Económico OIT Organização Internacional do Trabalho OMS Organização Mundial de Saúde POVNET Rede CAD sobre Redução da Pobreza UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância UNRISD Instituto de Investigação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social 2 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - Tornar o Crescimento Económico Mais Pró-Pobres: O Papel do Emprego e da Protecção Social* O crescimento económico sustentável, no qual as mulheres e os homens pobres participam directamente, como agentes e beneficiários, é essencial para reduzir a pobreza. As crises recorrentes expõem a vulnerabilidade dos indivíduos e das famílias pobres, bem como dos seus postos de trabalho e dos seus sustentos. A crise económica actual e os desafios contínuos do crescimento populacional, da volatilidade dos preços, da insegurança alimentar e das alterações climáticas salientam a necessidade de medidas públicas mais eficazes de resposta às reais oportunidades e limitações enfrentadas pelas mulheres e homens pobres. O emprego e a protecção social, dois caminhos críticos para alcançar o crescimento pró-pobres e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), não têm recebido a devida atenção no processo de formulação das políticas públicas: • O emprego produtivo e o trabalho digno constituem as principais vias para sair da pobreza. O bom funcionamento dos mercados de trabalho e um ambiente que permita o empreendedorismo local são essenciais para aumentar as oportunidades de emprego para os pobres. As políticas que reconhecem e melhoram as condições da economia informal, onde a maioria das mulheres e dos homens pobres ganham o seu sustento, são fundamentais para a redução da pobreza. Aumentar a empregabilidade dos pobres, principalmente das mulheres e dos jovens, desbloqueia o seu potencial de contribuir para o crescimento. • A protecção social reduz a pobreza directamente, ajudando a que o crescimento seja mais direccionado em benefício dos pobres. Estimula o envolvimento das mulheres e dos homens pobres no crescimento económico, protege os mais pobres e os mais vulneráveis de uma recessão e contribui para a estabilidade e coesão social. Ajuda a construir o capital humano, a gerir riscos, a promover o investimento e o empreendedorismo e melhora a participação nos mercados de trabalho. Os programas de protecção social podem ser acessíveis, inclusive para os países mais pobres, representando uma boa valorização do dinheiro. As medidas tomadas nestas duas áreas reforçam-se mutuamente, promovendo o crescimento pró-pobres. Os postos de trabalho melhores e mais produtivos aumentam os rendimentos, permitem a despesa social por parte dos trabalhadores pobres e ajudam a financiar a protecção social. A protecção social melhora a produtividade e a empregabilidade dos pobres, equilibrando e aumentando os seus rendimentos, ligando as estratégias de recuperação a curto prazo com as estratégias de melhoria do crescimento a longo prazo e de redução da pobreza. As medidas tomadas relativas ao emprego e à protecção social constituirão um elemento crítico e contra-ciclo da resposta dos países em desenvolvimento à recessão económica global actual. As medidas tomadas nestas áreas ajudarão a proteger o progresso alcançado durante a última década na realização do ODM 1, tendo em conta a recessão global e a volatilidade dos mercados internacionais. As combinações das medidas de promoção da protecção social (por exemplo, as transferências monetárias) e o emprego (por exemplo, as prestações sociais condicionadasNT) ajudarão a proteger os mais vulneráveis, promovendo ao mesmo tempo a recuperação a longo prazo. * Esta Declaração Política foi Subscrita na Reunião de Elevado Nível do CAD (Comité de Ajuda ao Desenvolvimento), realizada entre 27 e 28 de Maio de 2009. NT Tradução em português do conceito Workfare 3 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - Os países em desenvolvimento vão necessitar de um apoio considerável por parte dos doadores, no sentido de construírem as bases para a recuperação económica. Necessitam igualmente de receber apoio no que concerne às medidas de protecção social, com vista à construção de resistência à recessão e a combater as reais dificuldades económicas que as pessoas pobres enfrentam. Apesar de tal ser obviamente difícil quando os orçamentos se encontram sob pressão e o espaço fiscal é limitado, actualmente, é ainda mais importante criar as condições e os incentivos com vista ao crescimento pró-pobres, que reduzirão a pobreza, construindo meios de subsistência suficientemente sólidos para enfrentar as tempestades do clima económico global. Protecção social A protecção social refere-se às políticas e medidas que aumentam a capacidade das pessoas pobres e vulneráveis de escapar da pobreza, permitindo-lhes uma gestão mais eficaz dos riscos e dos choques. As medidas de protecção social incluem o seguro social, as transferências sociais e as normas mínimas do trabalho. A protecção social reduz a pobreza directamente, estimula o envolvimento das mulheres e dos homens pobres na economia e contribui para a coesão e estabilidade social. A protecção social reduz directamente a pobreza, através de melhores resultados na saúde, no aumento da frequência escolar, na redução da fome e na promoção dos meios de subsistência. Ajuda a reduzir as disparidades de género nos resultados de desenvolvimento humano. Pode fornecer um apoio essencial aos membros vulneráveis da sociedade que não têm capacidade para trabalhar. A protecção social torna o crescimento mais benéfico para os pobres, permitindo o investimento das famílias em actividades produtivas e em capital humano, aumentando a produtividade e os rendimentos. Ajuda as mulheres e os homens pobres a gerirem os equilíbrios de forças entre satisfazer as necessidades imediatas e assegurar os meios de subsistência futuros. A protecção social ajuda as famílias pobres e vulneráveis a salvaguardarem os seus bens e a adoptarem estratégias de enfrentamento eficazes, para afrontarem os desafios resultantes de catástrofes naturais e provocados pelo homem, de crises económicas e de alterações climáticas. Esta permite igualmente que as famílias invistam em estratégias de sustento mais produtivas, embora muitas vezes mais arriscadas. Ao fortalecer a empregabilidade das mulheres e dos homens pobres e permitindo-lhes procurar e obter trabalho mais adequado e mais bem remunerado, a protecção social promove a sua participação na força de trabalho. Por conseguinte, a protecção social constrói a auto-suficiência e não a dependência. A protecção social reforça o contrato social que pode ajudar a legitimar e a fortalecer o Estado, o que é particularmente importante em contextos de fragilidade. Os programas de protecção social bem concebidos podem ser acessíveis, incluindo para os países mais pobres, representando uma boa valorização do dinheiro e exigindo um forte compromisso político Os custos das medidas de protecção social podem ser mantidos a um nível relativamente reduzido e controlável, começando baixo, podendo ser progressivamente desenvolvido ao longo de vários anos. Os contextos específicos da identificação de destinatários e da concessão de prestações constituem questões fundamentais em termos de concepção e de capacidade, que produzem um impacto nos custos e na capacidade de alcançar os pobres, atingindo resultados desejáveis. As evidências revelam que, inclusivamente os programas mais pequenos produzem benefícios, o que é sustentado por 4 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - evidências provenientes, por exemplo, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da África do Sul. As políticas de protecção social devem ser direccionadas para a economia informal, a fim de maximizarem o seu alcance e resultados. Como a protecção social é geralmente encarada como estando essencialmente ligada a ambientes de trabalho formais, os trabalhadores da economia informal têm tendência a ser invisíveis para os decisores políticos. O Estado tem o papel principal de providenciar o enquadramento para a provisão da protecção social. Por conseguinte, os sistemas de protecção social exigem um forte e sustentável compromisso político, a fim de proporcionarem benefícios duradouros, devendo ser integrados em Quadros Nacionais de Políticas Sociais. O investimento em sistemas de implementação, supervisão e avaliação, bem como em mecanismos de gestão do risco fiduciário e de responsabilização são importantes para a prestação eficaz e sustentável da protecção social. Emprego e mercados de trabalho O ODM 1 direccionado ao trabalho produtivo e ao trabalho digno para todos salienta a importância do emprego para a redução da pobreza. A grande maioria das pessoas pobres trabalha, contudo, as condições de trabalho são frequentemente deficientes, a produtividade é reduzida e os rendimentos são inadequados. As políticas que reconhecem e melhoram as condições na economia informal, onde a maioria das mulheres e dos homens pobres ganham o seu sustento, são fundamentais para a redução da pobreza A maioria das pessoas pobres e, particularmente, as mulheres, ganham o seu sustento através da economia informal, que não diminui necessariamente com o crescimento económico. As políticas destinadas ao crescimento do emprego e à redução da pobreza serão tanto mais eficazes, quanto tiverem em consideração a economia informal. Isso significa que medidas, como o desenvolvimento de competências, a promoção do empreendedorismo e a melhoria das condições de trabalho, devem ser concebidas no intuito de fornecer e produzir impactos na economia informal. As medidas que facilitam o processo de formalização de empresas e do trabalho devem produzir emprego mais produtivo e trabalho digno, melhorar a protecção social e reduzir a pobreza. As políticas necessitam reduzir as barreiras e criar incentivos à formalização, combatendo as forças que conduzem à informalidade. O aumento da empregabilidade dos pobres, principalmente das mulheres e dos jovens, desbloqueia o seu potencial de contribuir para o crescimento. Promover o emprego das mulheres faz sentido em termos económicos, sociais e políticos, sendo ainda mais importante em recessões económicas, as quais produzem um impacto severo sobre as mulheres. Os jovens e as mulheres enfrentam determinadas barreiras e preconceitos no que concerne ao seu acesso e participação no crescimento económico, resultando numa subutilização do potencial de crescimento e redução da pobreza. A sua empregabilidade pode ser promovida através de medidas que abordem especificamente as suas respectivas limitações e potenciais, conferindo igualmente particular atenção às actividades onde tenham forte participação no mercado de trabalho. A produtividade e a empregabilidade das mulheres e dos homens pobres podem ser igualmente aumentadas através de formação profissional adequada e reconhecida, fundamentada na educação básica e nas competências de vida. Estes programas devem ser orientados pela procura, aplicando-se igualmente à economia informal e tornando-se parte integrante de estratégias educativas e de emprego. 5 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - Mercados de trabalho em bom funcionamento e um ambiente que permita o empreendedorismo local são essenciais para aumentar as oportunidades de emprego para os pobres Um sólido conhecimento sobre como se estruturam e funcionam os mercados de trabalho é essencial para a formulação de políticas. Os doadores devem apoiar os esforços dos países em desenvolvimento que melhoram os conhecimentos e as estatísticas desagregadas por sexo, a fim de fortalecerem a formulação de políticas com base em evidências, envolvendo outros stakeholders nesse processo. Uma abordagem de multi-stakeholdersNT, apoiando um diálogo alargado, é crucial para estabelecer práticas de emprego socialmente responsáveis e regulamentar os mercados de trabalho, de forma a alcançar os objectivos do Estado, do empregador e do trabalhador. As migrações internacionais resultantes dos desequilíbrios do mercado de trabalho devem ser geridas de forma mais eficaz, através de uma parceria mais sólida entre os países de origem e de destino, bem como de abordagens mais coerentes para a promoção de resultados em termos de desenvolvimento, minimizando os efeitos negativos. Aproveitar o melhor das migrações exige que os países: (i) realizem mais pesquisas e partilhem as boas práticas, incluindo como gerir o impacto da fuga de cérebros; (ii) estimulem a entrada de cérebros, através da migração circular ou de retorno; (iii) reduzam o custo da transferência e melhorem a segurança das remessas; e (iv) fortaleçam a cooperação com as comunidades da diáspora. As remessas constituem um fluxo de recursos importante para os países em desenvolvimento e já estão a ser adversamente afectadas pela recessão global, o que adiciona-se à vulnerabilidade dos países em desenvolvimento e dos seus cidadãos. O emprego contribui para a estabilidade e para a recuperação económica de situações de fragilidade. A criação de emprego a curto prazo constitui um componente essencial de estratégias pós-conflito, juntamente com investimentos a longo prazo no ambiente propício para o sector privado. Implicações para os doadores Existe uma demanda crescente nos países parceiros e de instituições regionais, como a União Africana, no sentido de uma maior actuação pública focada na protecção social e no emprego. Diversos países incorporam estratégias e objectivos destas áreas nos seus programas de desenvolvimento nacional e de redução da pobreza. Como financiadores, devemos responder de forma positiva a esta demanda e apoiar estas iniciativas políticas de desenvolvimento do país. O apoio por parte dos financiadores destinado aos programas de protecção social deve prestar assistência financeira adequada e previsível a longo prazo, no sentido de apoiar os governos parceiros a implementarem programas de protecção social sensíveis ao género e criando as condições para a sua sustentabilidade em termos políticos e financeiros. Isto é especialmente importante na situação actual da redução de espaço fiscal e do declínio dos fluxos financeiros. Esse apoio deve ser prestado através de mecanismos financeiros coordenados e harmoniosos de suporte às estratégias e programas definidos a nível nacional. Isso exige: NT • O apoio aos esforços por parte dos países em desenvolvimento no sentido de reunir o empenho político e os processos políticos necessários para desenvolver e implementar sistemas de protecção social. • O comprometimento com uma parceria a longo prazo, incluindo apoio técnico e financeiro, a fim de servir de base aos esforços dos países em desenvolvimento na construção de sistemas de protecção social. Stakeholders – Pode ser traduzido para português como partes interessadas. 6 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - • O investimento nas iniciativas dos países em desenvolvimento para desenvolver e partilhar conhecimentos sobre a eficaz concepção e implementação de sistemas de protecção social. O emprego produtivo e o trabalho digno devem constituir o principal objectivo da cooperação para o desenvolvimento, que exige o seguinte: • Tomar medidas específicas para melhorar o emprego, a produtividade e as condições de trabalho da economia informal, facilitar a formalização, estimular o empreendedorismo e promover emprego mais produtivo e digno na economia formal. • Aumentar a participação das mulheres e dos jovens no mercado de trabalho, combatendo a discriminação, os limites e as barreiras que enfrentam, fortalecendo medidas para melhorar o acesso à formação profissional orientada pela procura. • Apoiar os esforços dos países em desenvolvimento, com vista à melhoria dos conhecimentos e das estatísticas desagregadas por sexo, a fim de reforçar a formulação de políticas com base em evidências, envolvendo outros stakeholders nesse processo. As nossas acções nestas áreas devem ser adequadas e harmonizadas com a política nacional, em linha com a Declaração de Paris Sobre a Eficácia da Ajuda ao Desenvolvimento e a Agenda para a Acção de Accra. Devemos empenhar-nos no desenvolvimento de processos de formulação de políticas no país, bem como nos seus resultados. Devemos igualmente ajudar os governos a fortalecerem a sua capacidade de implementação, estimulando o comprometimento efectivo dos stakeholders e facilitando o empoderamentoNT das pessoas pobres nos processos de formulação de políticas nacionais. NT Empowerment – traduzido para português por empoderamento 7 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - 8 Protecção Social, Redução da Pobreza e Crescimento em Benefício dos Pobres Principais Mensagens Políticas • A protecção social é um investimento essencial que contribui para o crescimento económico, tornando o crescimento mais pró-pobres ao passo que reduz directamente a pobreza. • A protecção social pode ser sustentável, inclusive para os países de baixo rendimento, combatendo a pobreza de forma eficaz. • Os doadores podem desempenhar um papel fundamental no seu apoio a iniciativas nacionais de protecção social, particularmente através da capacitação e de um financiamento previsível destinado a alavancar as finanças públicas sustentáveis a longo prazo. Porquê a protecção social? Sendo há muito tempo uma ferramenta vital dos países industrializados, a protecção social tem sido cada vez mais reconhecida como um instrumento essencial para a redução da pobreza nas nações de baixo e médio rendimento. As Directrizes do CAD sobre a Redução da Pobreza (OCDE, 2001) reconhecem que as elevadas taxas de crescimento são necessárias, mas não são suficientes para eliminar definitivamente a pobreza e a vulnerabilidade, salientando a importância da sustentabilidade, da composição e da qualidade equitativa do crescimento económico. Uma base de evidências crescente dos países em desenvolvimento tem documentado o papel da protecção social na eliminação da pobreza, apoiando o crescimento económico e melhorando a eficácia das estratégias de crescimento com vista a reduzir a pobreza. A redução da pobreza depende do crescimento amplo e sustentável, o que por sua vez exige iniciativas complementares, que partilhem os benefícios económicos e que promovam melhores resultados em termos de desenvolvimento para os pobres e para os grupos excluídos. As experiências do passado demonstram igualmente a importância vital da protecção dos mais pobres numa recessão económica. Existem diferentes dimensões da protecção social, que muitas vezes se reforçam entre si, como por exemplo, a promoção dos direitos, o desenvolvimento humano, o crescimento económico, a democracia e a segurança. O Instituto de Investigação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social (UNRISD) identifica a protecção social universal e a igualdade como um dos objectivos centrais da política social (UNRISD, 2006; Wiman et al., 2007). A protecção social refere-se às políticas e às medidas que melhoram a capacidade dos grupos pobres e vulneráveis, de escapar da pobreza, permitindo-lhes realizar uma gestão mais eficaz dos riscos e dos choques. Esta engloba os instrumentos que limitam a pobreza e a vulnerabilidade crónica e aquelas induzidas pelo choque (Sabates-Wheeler e Haddad, 2005). A protecção social pode ajudar a promover o empoderamento e a segurança, melhorando a gestão do risco e facilitando um maior retorno de investimento por parte dos mais pobres. Apoia o desenvolvimento de capital humano, expandindo as capacidades dos indivíduos pobres e vulneráveis e ajudando a quebrar a transmissão da pobreza intergeracional. Os governos e os doadores nacionais reconhecem cada vez mais a importância das iniciativas de protecção social em assegurar progressos na consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. A protecção social não só combate a pobreza de rendimentos, mas também providencia um apoio eficaz para os objectivos de PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA - desenvolvimento mais alargados, incluindo melhores resultados em termos de nutrição, de saúde e de educação. Nos países onde os principais beneficiários das intervenções são as mulheres, as medidas de protecção podem promover o empoderamento e um maior equilíbrio nas relações entre homens e mulheres. Os programas de protecção social têm sido cada vez mais direccionados para aqueles que se encontram afectados pelo VIH e pela SIDA, incluindo os órfãos e as crianças vulneráveis. As intervenções da protecção social oferecem vias promissoras para a operacionalização da Declaração de Paris Sobre a Eficácia da Ajuda ao Desenvolvimento (OCDE, 2005) mediante formas que promovam o crescimento pró-pobres e estratégias de desenvolvimento nacional e regional, lideradas pelos países. Os múltiplos stakeholders, incluindo o governo, os financiadores e as organizações da sociedade civil, desempenham papéis complementares vitais no fornecimento da protecção social, de modo a que esta chegue às pessoas mais pobres. Em estados e situações humanitárias de grande fragilidade, a protecção social pode permitir que as pessoas lidem de forma mais eficaz com o risco e a vulnerabilidade. Pode contribuir para a coesão social de forma a fortalecer o “contrato” entre os/as cidadãos/ãs e o Estado, promovendo a inclusão social, a integração e uma maior responsabilidade. Ao contribuir para a construção da nação e para a solidariedade social, pode providenciar uma base de equilíbrio político e social necessária no crescimento económico. A protecção social constitui uma forma de investimento para o crescimento pró-pobres que é sustentável inclusive para os países de baixo rendimento. No clima económico actual, é cada vez mais reconhecido que a protecção social pode conferir aos governos e doadores uma ferramenta poderosa para que estes reforcem as suas respostas aos desafios globais emergentes e aos choques agregados, incluindo as recentes crises alimentares, petrolíferas e económicas. Tais choques e crises provocam um impacto mais severo sobre aqueles que têm menos capacidades para os enfrentar. A protecção social não só ajuda os grupos pobres e vulneráveis a enfrentarem com eficácia, mas também facilita a realização de ajustamentos para suavizar ou limitar os seus impactos nos meios de subsistência. Outras ameaças são o VIH, a SIDA e as alterações climáticas. Em diversos países em desenvolvimento, o VIH e a SIDA têm desgastado os habituais mecanismos de protecção social, ao mesmo tempo que aumentam o encargo com os cuidados, fazendo com que os governos implementem respostas de alargamento da protecção social de reforço às redes tradicionais. As alterações climáticas aumentam os riscos em relação aos meios de subsistência, particularmente na agricultura, ameaçando a segurança da saúde, através da alteração dos padrões de doenças. Os governos e os doadores têm respondido cada vez mais a estes choques e tendências, através da ampliação de transferências monetárias capazes de recuperar os sustentos e a segurança alimentar, salvaguardando ao mesmo tempo os resultados a nível do desenvolvimento. Através do trabalho da sua Rede sobre a Redução da Pobreza (POVNET), o Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE, desenvolveu esta orientação política destinada aos financiadores, no sentido de apoiar e melhorar a eficácia do apoio financeiro à protecção social. Esta nota de orientação fornece o pano de fundo sobre o porquê da protecção social dever constituir-se como um tema central nas agendas de desenvolvimento e oferece uma perspectiva geral de como fornecer uma protecção social mais eficaz, a fim de realizar os diferentes objectivos políticos. Este guia baseia-se em evidências recentes provenientes de países em desenvolvimento e das lições obtidas a partir das boas práticas, que resultaram numa série de notas de apoio sobre as boas práticas e em documentos de política relativamente aos seguintes tópicos: (i) as transferências sociais e o crescimento nos países pobres, (ii) a protecção social e a vulnerabilidade ao longo do ciclo da vida, (iii) a protecção social e o empoderamento no contexto do VIH e da SIDA, (iv) a saúde e a protecção social, (v) as transferências sociais monetárias, (vi) género e a protecção social, (vii) a economia informal, a protecção social e o empoderamento, (vii) a protecção social nos Estados fragilizados, (ix) a sustentabilidade da protecção social, e (ix) as alterações climáticas, a redução do risco de catástrofes e a protecção social. Esta orientação política possui ligações conceptuais e práticas com o trabalho sobre o empoderamento levado a cabo pelo CAD POVNET entre 2009 e 2010. A protecção social é 9 PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -10 um instrumento que pode promover um maior empoderamento, o qual por sua vez, permite que os cidadãos reclamem os seus direitos humanos, incluindo os seus direitos à protecção social, bem como uma vasta gama de oportunidades, no sentido de participarem totalmente na vida social, política e económica. O que é a protecção social? Diferentes agências e instituições definem a protecção social de diversas formas – reflectindo diferentes objectivos e abordagens. A protecção social engloba “um subconjunto de medidas públicas, realizadas pelo Estado ou de forma privada, que abordam o risco, a vulnerabilidade e a pobreza crónica” (DFID, 2005). O CAD descreve a protecção social como as medidas públicas que “melhoram a capacidade dos mais pobres de participar contribuir e beneficiar da vida económica, social e política das suas comunidades e sociedades” (OCDE, 2007). Algumas definições concentram-se nos objectivos, enquanto outras salientam os principais instrumentos. Em termos gerais, os objectivos incluem a eliminação da pobreza, do risco e da vulnerabilidade. No entanto, é vastamente reconhecido que uma definição consensual ajudaria a contribuir para a harmonização de políticas e de dados, particularmente no que se refere à medição da despesa bilateral. Tabela 1. Componentes da protecção social Medidas públicas Medidas privadas Transferências sociais Remessas Seguro social Seguro privado Normas mínimas Normas voluntárias Serviços sociais Serviços privados Outras políticas públicas … A Tabela 1 ilustra as iniciativas públicas e privadas que podem constituir os componentes dos sistemas de protecção social. Ainda que os elementos essenciais variem significativamente segundo os diferentes enquadramentos da protecção social, a assistência social, o seguro social e as normas mínimas de trabalho constituem algumas das categorias de instrumentos mais habitualmente abrangidas por agências, tais como a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A assistência social (incluindo as transferências sociais não contributivas tanto em dinheiro como em género) faz cada vez mais parte das iniciativas públicas populares de combate à pobreza extrema, reforçando ao mesmo tempo as respostas privadas. Os mecanismos dos seguros sociais podem ajudar a corrigir as deficiências de mercado e alargar de modo mais eficaz o acesso para a inclusão dos mais pobres. Os governos legislam igualmente normas mínimas de trabalho no local de trabalho (e mais alargadas) para reduzir os desequilíbrios do poder económico. Por vezes, os empregadores do sector privado adoptam voluntariamente normas que oferecem uma protecção social ainda maior. As definições mais alargadas de protecção social podem incluir os serviços sociais e os serviços privados, principalmente aqueles que constroem capital humano, como a educação, a saúde, o saneamento e o desenvolvimento comunitário. Além disso, alguns enquadramentos consideram uma variedade ainda mais ampla de políticas públicas – incluindo as políticas macroeconómicas – como componentes da protecção social. A protecção social encontra-se frequentemente incorporada num enquadramento político e PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -11 social mais abrangente, o qual engloba uma vasta gama de intervenções que ajudam a incluir e a integrar os pobres e os vulneráveis na sociedade. Um exemplo recente deste tipo de abordagem é o Quadro de Políticas Sociais da União Africana de 2008. Tendo em conta as diversas crises, as transferências sociais em dinheiro ou em género podem ajudar a enfrentar o risco social, reduzindo a vulnerabilidade económica por parte das famílias pobres. As transferências sociais monetárias (Samson, 2009) têm surgido em diversos países em desenvolvimento como um instrumento fundamental de protecção social, com vista a limitar a pobreza e a vulnerabilidade. As transferências sociais monetárias podem ser definidas como pagamentos regulares em dinheiro, não contributivos, concedidos aos indivíduos ou às famílias por parte de organizações governamentais ou não governamentais, com o objectivo de diminuir a pobreza crónica ou induzida pelo choque. Estas podem incluir pensões, abonos de família, subsídios por invalidez e redes de segurança. Cada vez mais evidências sugerem que as transferências de renda podem contribuir para o crescimento em benefício dos pobres a longo prazo, constituindo uma ferramenta eficaz de gestão do risco, que apoia o desenvolvimento de capital humano e o empoderamento das famílias pobres para saírem da pobreza (Scott, 2009). Os instrumentos de protecção social não contributivos constituem os tipos de intervenções mais importantes para apoiar os trabalhadores vulneráveis do sector informal. A protecção social na área da saúde promove igualmente uma maior igualdade através de instrumentos que têm como objectivo remover as barreiras financeiras que impedem o acesso das pessoas aos serviços de saúde, protegendo-as igualmente dos efeitos empobrecedores resultantes das despesas médicas. Os mecanismos de seguro social de saúde permitem uma melhor “partilha dos riscos e centralização dos riscos dos recursos financeiros por parte de uma sociedade, aumentando assim o montante do pré-pagamento e reduzindo a dependência dos pagamentos directos.” (Hormansdörfer, 2009). Em contextos de Estados fragilizados e no sentido de limitar os desafios das alterações climáticas e de reduzir o risco de catástrofes, existe uma necessidade ainda maior de flexibilidade na concepção dos diferentes tipos de instrumentos de protecção social, como os seguros relacionados com o clima, as transferências monetárias indirectas (por exemplo, vales e senhas de refeição) e transferências de activos (Davies, Oswald e Mitchell, 2009). Reduzir a pobreza e a vulnerabilidade A CAD-POVNET concentra-se nas múltiplas dimensões da pobreza, sendo a vulnerabilidade um dos seus aspectos principais (OCDE, 2001). A vulnerabilidade reflecte a exposição de uma pessoa pobre a choques (ou a “eventos adversos”), que ameaçam o seu bem-estar, acima e para além da sua capacidade de enfrentar e gerir a desvantagem do risco. Uma pessoa com poucas capacidades ou recursos pode ser altamente vulnerável, mesmo perante uma situação de risco moderado, enquanto um indivíduo munido dos recursos adequados pode enfrentar riscos substanciais sem uma vulnerabilidade significativa. Principais conceitos desta declaração política • • • • Os eventos adversos constituem possíveis situações que podem afectar de forma adversa o bemestar das pessoas. O risco é a probabilidade ou a possibilidade de um evento adverso vir a ocorrer. O choque refere-se ao impacto produzido nas pessoas perante a ocorrência de um evento adverso. A vulnerabilidade é uma medida de exposição aos choques perante os quais as pessoas possuem poucas capacidades para gerir os impactos negativos resultantes. Fonte: Sabates-Wheeler e Haddad (2005); Krech (2007) PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -12 O risco e a vulnerabilidade contribuem para a pobreza e o fracasso do crescimento. Os choques, como as catástrofes naturais, a recessão económica, o VIH e a SIDA, os conflitos militares e as tragédias pessoais podem destruir o sustento das pessoas e interromper a provisão de alimentos, a educação e os cuidados de saúde de que as crianças necessitam para evitar uma vida de pobreza crónica (Krech et al., 2007; Voipio, 2007; Samson, 2007; Orero et al., 2006). Além disso, não é só o impacto directo dos choques que prejudica o bem-estar das pessoas pobres e vulneráveis. A possibilidade da existência de choques gera os riscos - e os homens e as mulheres pobres têm de adquirir mecanismos de enfrentamento para poderem sobreviver. Sem uma protecção social eficaz, as pessoas mais pobres desenvolvem muitas vezes estratégias de sobrevivência negativas, perpetuando a sua condição de pobreza. Por exemplo, as famílias mais pobres em que o principal sustento da família é afectado pelo VIH e pela SIDA têm maior probabilidade de recorrer a estratégias de recuperação irreversíveis, incluindo a venda de propriedades ou de animais, ou a retirada das crianças da escola. No intuito de reduzir a sua vulnerabilidade aos riscos incontroláveis, muitas vezes as famílias pobres integram-se em actividades económicas de baixa produtividade e rendimento, apenas porque são menos arriscadas do que as alternativas de maior produtividade/rentabilidade. Por exemplo, os agricultores pobres podem adoptar variedades de colheitas mais seguras e menos produtivas, ajudando a prevenir um resvalamento para uma miséria absoluta, mas deixando escapar igualmente oportunidades promissoras de poderem sair da pobreza (Krech et al., 2007; Voipio, 2007; Samson, 2007; Dercon, 2005a; Dercon et al., 2005b). Como resultado, a vulnerabilidade à pobreza constitui um grande travão ao desenvolvimento humano e económico. Em particular, a falta de mecanismos rigorosos de gestão do risco constitui uma grande barreira às contribuições por parte dos pobres para o processo de crescimento. A vulnerabilidade é uma causa, um sintoma e parte integrante da pobreza crónica (Prowse, 2003). Os riscos e os choques podem descapitalizar os pobres, aprisionado-os em posições empobrecidas, das quais não conseguem fugir (Carter et al., 2004). O risco pode aumentar a persistência da pobreza, criando inclusivamente armadilhas de pobreza (Dercon, 2004). Nos países em desenvolvimento, a doença constitui uma das causas mais frequentes da pobreza. Por sua vez, a pobreza é um dos maiores riscos para a saúde. Combater os riscos e a vulnerabilidade Reduzir a pobreza e a vulnerabilidade é essencial para o crescimento em benefício dos pobres, principalmente nas sociedades onde a maioria das pessoas é pobre. A protecção social não é apenas um custo; é um investimento que as sociedades não se podem dar ao luxo de não realizar. O retorno económico e social da protecção social é bastante elevado não só em termos de política e de igualdade social, mas também em temos de crescimento e de redução multidimensional da pobreza. A protecção social ajuda as pessoas pobres a manterem e a acumularem bens e a adaptarem-se às alterações das circunstâncias. Em particular, as reduções do risco resultantes ajudam a estimular o crescimento, encorajando as pessoas a integrarem-se em actividades mais arriscadas/lucrativas. A redução e a gestão do risco permitem igualmente que as pessoas evitem recair em estratégias de enfrentamento que possam vir a empobrecê-las de forma irreversível. A participação de milhões de pessoas pobres no processo de crescimento como agentes activos é benéfica para essas pessoas, para a economia nacional; e as medidas de protecção social promovem este objectivo. A protecção social é um investimento essencial que torna o crescimento mais benéfico para os pobres. O crescimento em benefício dos pobres melhora a capacidade das mulheres e dos homens pobres de participarem, contribuírem e beneficiarem do crescimento. O crescimento em benefício dos pobres expande igualmente a capacidade do Estado no fornecimento de serviços e transferências financiadas pelos impostos, incluindo a protecção social (Voipio, 2006; van Ginneken, 2005; OCDE, 2004). PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -13 Protecção social – caminhos em direcção ao crescimento pró-pobres Uma crescente base de evidências demonstra que a protecção social apoia o crescimento em benefício dos pobres. Os políticos não enfrentam necessariamente um dilema entre a protecção social e os objectivos de crescimento – em vez disso, têm a oportunidade de construir um ciclo virtuoso em que o aumento de igualdade promove o crescimento, apoiando assim novas melhorias em termos de igualdade. Existem pelo menos cinco vias através das quais a protecção social promove o crescimento em benefício dos pobres. A maioria delas funciona através do aumento da eficácia económica global – através de políticas e estratégias mais eficientes, de uma melhor distribuição de recursos e de um aproveitamento mais eficaz da capacidade económica. As vias podem ser agrupadas nas cinco categorias seguintes: (a) investimento em capital humano, (b) gestão do risco, (c) empoderamento e meios de subsistência, (d) estratégia macroeconómica em benefício dos pobres e (e) coesão social e consolidação da nação. Investimento em capital humano A protecção social aumenta o acesso aos serviços públicos e o investimento no capital humano, particularmente na saúde e na educação, ajuda a aumentar a produtividade e apoia a participação dos pobres nos mercados de trabalho. Estudos realizados na África do Sul e na América Latina documentam repetidamente melhorias significativas nos resultados da saúde e da educação, particularmente como resposta aos programas de transferências monetárias condicionadas e incondicionadas e às iniciativas sociais de saúde (Adato, 2007; Samson et al., 2006a; Samson et al., 2004). Os abonos de família (particularmente as transferências monetárias) e os pacotes de assistência escolar melhoram a assiduidade escolar, sendo que a educação constitui o bem de prevenção mais eficaz contra o VIH (OCDE, 2009e). As transferências monetárias iniciadas em países com elevada prevalência de VIH (Zâmbia e Malawi) reduziram de forma bem sucedida a pobreza nas famílias afectadas pelo VIH e pela SIDA (UNICEF ESARO, 2007; Schubert et al., 2007). O Subsídio de Apoio à Criança da África do Sul promove a sustentabilidade, melhora a nutrição e facilita o acesso à educação. (Aguero et al., 2006; Samson et al., 2004; Samson, 2007). A protecção social pode impedir algumas das piores consequências da pobreza – a transmissão da pobreza ao longo da vida para as crianças. A protecção social melhora directamente a situação de saúde das pessoas, contribuindo por sua vez para a promoção do crescimento económico (Sachs, 2002; Gyimah-Brempong and Wilson, 2004; Bloom et al., 2004). Um aumento de dez por cento na esperança de vida adiciona aproximadamente entre 0,3 e 0,4 pontos percentuais às taxas de crescimento anuais de rendimento per capita (OMS, 2001). Estes resultados de capital humano constituem a base para um crescimento a longo prazo em benefício dos pobres. Gestão do risco A protecção social permite que as pessoas pobres protejam a si próprias e os seus bens contra situações de choque, permitindo-lhes defenderem o seu potencial de geração de rendimentos a longo prazo e realizarem novos investimentos. As secas na Etiópia reduziram significativamente o rendimento das famílias durante 15 anos (Dercon, 2004). A protecção social permite que as famílias resistam a medidas desesperadas, reduzindo a vulnerabilidade futura. O risco associado às empobrecedoras despesas de saúde na China rural afectou de forma adversa a migração laboral e as decisões de inscrição escolar das famílias (Jalan e Ravallion, 2001). A protecção social na área da saúde previne o empobrecimento resultante de despesas de saúde catastróficas, protegendo consequentemente os bens produtivos (Hormansdörfer, 2009). Se forem realizadas transferências monetárias adequadas que protejam a subsistência imediata dos agricultores, estes terão menos probabilidades de vender os animais dos quais depende a sua futura prosperidade. Os agricultores protegidos pelo Programa de Garantia de Emprego de Maharashtra, na Índia, investem em maiores variedades produtivas do que os PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -14 agricultores dos estados vizinhos. A melhoria da gestão do risco apoia o crescimento a longo prazo em benefício dos pobres. Empoderamento e meios de subsistência Os programas de protecção social combatem a discriminação e desbloqueiam o potencial económico. No Bangladesh, no Brasil e na África do Sul, as transferências concedidas às mulheres produziram um impacto positivo na frequência escolar, principalmente por parte das raparigas (Samson et al., 2004; 2006b). Aumentar os recursos nas mãos das mulheres melhora o seu empoderamento, a sobrevivência das crianças, a sua condição nutricional, bem como a sua frequência escolar (UNICEF, 2007). ― “Quando as mulheres são saudáveis, educadas e livres de aproveitarem as oportunidades da vida, as crianças prosperam igualmente. Nas famílias em que as mulheres são as principais decisoras, a proporção dos recursos prestados às crianças é muito maior do que naquelas onde as mulheres têm um papel menos decisivo. (HelpAge International, 2006) Consequentemente, a pessoa que controla as transferências monetárias a nível familiar é crucial em termos de atenuação da SIDA e da pobreza, de sobrevivência infantil e de empoderamento das mulheres e das crianças.” (Nolan, 2009). A protecção social apoia a participação dos pobres nos mercados de trabalho, contribuindo para objectivos mais vastos em termos de emprego e de empoderamento. Muitas vezes, a procura de trabalho é dispendiosa e arriscada. Na África do Sul, os trabalhadores de famílias que recebem transferências sociais esforçam-se mais por encontrar trabalho, comparativamente àqueles de famílias que não recebem – como resultado, são mais bem sucedidos em encontrar um emprego. O impacto das transferências monetárias sobre a actividade das mulheres no mercado de trabalho é cerca do dobro em relação à dos homens. (Samson et al., 2004; Samson e Williams, 2007). A protecção social na saúde aumenta a produtividade no trabalho, melhorando a situação de saúde das pessoas e substituindo mecanismos ineficazes para lidar com o risco, promovendo por sua vez o crescimento económico e do trabalho (Hormansdörfer, 2009). Existe uma necessidade de compreender melhor em que medida é que uma protecção social mais eficaz para os trabalhadores da economia informal pode promover o acesso a um trabalho digno e sustentável (Lund, 2007). Uma crescente base de evidências demonstra em que medida as intervenções de protecção social apoiam as actividades de emprego e de empreendedorismo. Os participantes no projecto-piloto financeiro da Zâmbia utilizam uma percentagem significativa dos benefícios para contratar trabalhadores, por exemplo, para cultivar os terrenos em volta das suas casas, multiplicando consequentemente o valor das transferências sociais, criando ao mesmo tempo postos de trabalho para a juventude local (Tembo et al., 2008). O programa de transferências sociais Oportunidades (antigamente denominado Progresa) do México está associado aos impactos económicos locais que melhoram o consumo, a acumulação de bens e o emprego de forma alargada no seio das comunidades — tanto para participantes no programa como para os não participantes (Barrientos e Sabates-Wheeler, 2006). Os participantes no Oportunidades investem uma percentagem das suas transferências sociais em bens produtivos, tendo maiores probabilidades de se integrarem em actividades empreendedoras, melhorando o seu potencial de auto-suficiência sustentável (Gertler et al., 2005). As evidências dos programas de protecção social bem concebidos revelam que estes minimizam o potencial de risco moral. A combinação de políticas de protecção social e de mercado de trabalho pode produzir um ciclo virtuoso: as medidas de protecção social ajudam a aumentar a empregabilidade dos pobres e os mercados de trabalho mais abertos aos pobres aumentam a sua participação e remuneração. As evidências revelam que a protecção social promove o desenvolvimento e não a dependência. A protecção social expande directamente os bens e as capacidades das pessoas pobres, melhorando de forma mais abrangente o seu bem-estar e as suas actividades económicas. A protecção social permite que as mulheres e os homens pobres e vulneráveis mobilizem recursos de forma a munirem melhor as instituições públicas, no sentido de facilitarem a PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -15 sua inclusão mais igualitária na sociedade e na economia (Banco Mundial, 2002). Os trabalhadores informais da África do Sul conseguiram organizar-se em torno da protecção social – com resultados mistos, mas demonstrando o potencial de empoderamento entre os trabalhadores, inclusivamente daqueles que trabalham na economia informal (Lund, 2007). A protecção social promove o empoderamento e o crescimento, melhorando o poder de negociação dos trabalhadores, dos pequenos agricultores e dos micro-empresários no mercado de trabalho. Os trabalhadores que possuem uma melhor posição quando desempregados (conferida pela protecção social) podem procurar um emprego que beneficie mais eficazmente das suas capacidades, em vez de aceitarem o primeiro trabalho que aparece. Proceder desta forma aumenta a eficácia do mercado de trabalho – ajustando os trabalhadores de forma mais eficaz à posições de maior produtividade e que aufiram salários mais elevados, reduzindo por conseguinte o sub-emprego. Os produtores em pequena escala com acesso aos benefícios de protecção social são menos forçados a vender produtos com prejuízo para poderem sobreviver – como em épocas de colheita em que as saturações temporárias dos mercados alimentares podem deprimir severamente os preços. Os participantes de um dos programas de transferências sociais do Malawi foram potencializados pelos recursos a investirem nas suas próprias terras durante a época de plantação, em vez de dependerem do trabalho sazonal para a sua sobrevivência imediata (Cromwell e Harnett, 2000). A protecção social permite que os pobres se integrem no sistema de mercado em maior nível de igualdade, melhorando a sua eficiência e legitimidade. Estratégia macroeconómica pró-pobres A protecção social pode gerar benefícios para aqueles grupos que poderiam ser prejudicados por elementos específicos de uma estratégia de crescimento pró pobres, providenciando uma função de equilíbrio que pode aliciar o apoio dos stakeholders para as reformas necessárias para sustentar o crescimento a longo prazo. Por exemplo, os sindicatos do Nepal identificaram a protecção social eficaz como um pré-requisito para as reformas necessárias do mercado de trabalho, cuja combinação melhoraria a igualdade e o crescimento. As iniciativas de transferências monetárias compensaram os pobres pelos subsídios de preços reduzidos no México e na Indonésia. A Bolívia implementou um sistema de pensão social que utiliza as receitas provenientes da privatização de empresas públicas (Birdsall e Nellis, 2002). Normalmente, a protecção social aumenta o impacto positivo do crescimento na redução da pobreza. A protecção social estimula a procura de bens e serviços locais, fomentando resultados de crescimento a curto prazo. Na Zâmbia, 80% das transferências sociais são dispendidas em bens adquiridos localmente, apoiando as empresas das zonas rurais. Na África do Sul, a redistribuição do poder de compra dos grupos de elevados rendimentos para os grupos de baixos rendimentos transfere a composição da despesa nacional das importações para os bens de consumo local, aumentando as poupanças (ao melhorar a balança comercial) e apoiando o crescimento económico (Samson et al., 2004). Uma análise matricial realizada às contas sociais do programa de Transferências Monetárias de Emergência de Dowa (DECT), no Malawi, descobriu impactos multiplicadores dos pagamentos, que geram benefícios alargados a toda a comunidade (Davies e Davis, 2007; Davies et al., 2007; Davies, 2007). Na Namíbia, o poder de compra fiável criado pelas pensões sociais apoia o desenvolvimento dos mercados locais e revitaliza a actividade económica local (Cichon e Knop, 2003). No entanto, o impacto macroeconómico para um determinado país dependerá dos padrões de procura existentes entre os grupos de rendimentos e da forma como as transferências sociais são financiadas. Coesão social e consolidação da nação A protecção social ajuda a criar um Estado eficaz e seguro, promovendo o crescimento através do aumento de coesão social e de um sentido de cidadania, bem como da redução PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -16 de conflitos (Samson et al., 2002; Bourguignon et al., 2004; DFID, 2005). Por exemplo, a pensão social nas Maurícias contribuiu para a coesão social necessária para apoiar a transição de uma economia vulnerável do tipo mono-colheita, com elevadas taxas de pobreza, para um país de elevado crescimento, com as taxas de pobreza mais reduzidas da África (Roy e Arvind, 2001). Da mesma forma, a pensão social do Botsuana proporciona o mecanismo mais eficaz do governo para a eliminação da pobreza, apoiando a estabilidade social que estimula as elevadas taxas de investimento necessárias para conduzir o mais rápido crescimento económico de África das últimas três décadas. Um ambiente seguro e previsível é essencial para estimular os indivíduos a trabalharem e investirem, incluindo os investidores estrangeiros. Como fornecer protecção social Cabe ao Estado o principal papel de providenciar um enquadramento que permita fornecer protecção social, reforçando assim um contrato social que o legitima e fortalece. A natureza pública das intervenções da protecção social contribui para os objectivos de consolidação estatal, fortalecendo o contrato entre o Estado e o cidadão e estimulando a coesão social. Em Estados fragilizados, a protecção social pode ajudar a fortalecer a legitimidade do Estado ao permitir que este partilhe as responsabilidades de garantir a sobrevivência básica dos seus cidadãos, contribuindo assim para reduzir a fragilidade política (Harvey, 2009). No Nepal, a protecção social encontra-se na agenda para ajudar a consolidar o processo de paz, como a primeira etapa da consolidação estatal. As transferências monetárias provêem um dividendo da paz visível e imediato que alcança de forma flexível os mais pobres, permitindo-lhes arriscar numa economia que apoia a coesão social e política, equilibrando ao mesmo tempo os custos das reformas económicas necessárias. No entanto, existe uma necessidade de ser pragmático ao trabalhar com uma série de actores intervenientes. Em diversos países, o Estado estabelece um enquadramento para definir a integração eficaz de actores não estatais – particularmente de organizações não governamentais e do sector privado – para executar acções essenciais em termos de protecção social. Por exemplo, as parcerias com o sector privado e com a sociedade civil do Quénia têm aumentado a capacidade de execução do governo, melhorando ao mesmo tempo a sua responsabilização. A protecção social pode ser acessível, incluindo para os países de baixo rendimento, e combate a pobreza de forma eficaz. O financiamento constitui um dos principais desafios para a execução de sistemas de protecção social, particularmente nos países com baixos rendimentos. A despesa real com os sistemas de protecção social varia significativamente entre os países. A vontade política, a disponibilização de recursos e a prioritização política influenciam o montante dispendido nas iniciativas associadas à área. A sustentabilidade é largamente uma questão de prioritização política – a qual depende da vontade política para realizar as necessárias compensações (Hagemejer e Behrendt, 2009). As recentes evidências revelam que mesmo os países de baixo rendimento podem se proporcionar pelo menos os pacotes básicos de protecção social (Hagemejer e Behrendt, 2009). A OIT tem realizado um exercício de custos que quantifica os custos de um pacote básico de protecção social sob uma série de cenários alternativos (Hagemejer e Behrendt, 2009). O cenário de base inclui uma modesta pensão social universal, subsídios para pessoas com deficiência e abonos de família. A OIT documentou a sustentabilidade deste pacote, inclusivamente para países de baixo rendimento (Pal et al., 2005; van Ginneken, 2005). Os custos podem ser controlados, começando por um programa limitado e ampliando-o à medida que o impacto é demonstrado e que os recursos disponíveis vão aumentando. Globalmente, a análise das dimensões da sustentabilidade alargada e do espaço fiscal para a protecção social nos países de baixo rendimento precisa ser reforçada, PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -17 incluindo a avaliação da despesa actual com a protecção social e as fontes de financiamento existentes. Numa situação ideal, diferentes mecanismos de financiamento devem complementarse entre si, como por exemplo, o micro-seguro de saúde pode servir aos trabalhadores pobres e informais, mas normalmente, os mais pobres exigem abordagens sociais na área da saúde financiadas pelos impostos. A protecção social deve basear-se nos direitos e concentrar-se no empoderamento e no combate às desigualdades sociais ao longo do ciclo de vida. Uma abordagem baseada nos direitos e na transformação da protecção social reforça o empoderamento, garantindo que os grupos vulneráveis possuam a capacidade para beneficiarem e contribuírem para o crescimento, participando totalmente na sociedade. Em diversos países, os principais beneficiários são as mulheres, contribuindo para reduzir as disparidades de género e promovendo o empoderamento e melhores resultados em termos de desenvolvimento humano para as raparigas (Thakur, Arnold e Johnson, 2009). As abordagens de protecção social baseadas nos direitos que combatem as desigualdades sociais reforçam os compromissos de não discriminação e apoiam os esforços humanitários nos Estados fragilizados (Harvey, 2009). Um pacote integrado de instrumentos de protecção social, desenvolvido para reflectir os diversos tipos de vulnerabilidades relacionadas com as diferentes idades e outras etapas da vida podem contribuir de forma significativa para quebrar a transmissão intergeracional da pobreza (Baldwin, Orero et al., 2006). As estratégias nacionais devem adoptar uma “abordagem do ciclo de vida”, desde o planeamento até à implementação, identificando oportunidades em diferentes etapas da vida, produzindo resultados em cascata, à medida que as intervenções subsequentes reforçam os impactos das anteriores iniciativas de protecção social. As estratégias que combatem a vulnerabilidade ao longo do ciclo da vida e que têm como objectivo quebrar a transmissão intergeracional da pobreza podem maximizar o potencial transformador da protecção social (Walker, 2009). A desigualdade das relações de poder na sociedade pode fomentar instituições estatais que falham ao fornecerem aos pobres igualdade de protecção e de benefícios. Uma abordagem de protecção social com base nos direitos reforça o empoderamento, garantindo que os pobres possuam as capacidades básicas necessárias para beneficiarem e contribuírem para o crescimento económico, bem como para a participação completa na sociedade. O empoderamento das instituições da sociedade civil é uma forma de fortalecer a voz dos pobres, motiva os governos a introduzirem mecanismos de protecção social e torna as instituições estatais mais responsabilizadas pela provisão de protecção e de benefícios justos. Sistemas de protecção social eficazes exigem um planeamento a longo prazo, bem como estratégias e um compromisso político devidamente estabelecidos no quadro legislativo e/ou constitucional do país. O compromisso político a longo prazo e a boa governação são essenciais para a eficácia dos sistemas de protecção social, no sentido de eliminarem a vulnerabilidade e a exclusão de forma sustentável ao longo do ciclo de vida. Muitas vezes, as iniciativas bem sucedidas de protecção social dependem de políticas empenhadas ao mais elevado nível. Construir a vontade e comprometimento políticos necessários constitui um desafio para os países em desenvolvimento que possuem pouca experiência em termos de protecção social. O empoderamento das instituições da sociedade civil, tais como as organizações de mulheres, de trabalhadores, de agricultores ou de pequenas empresas pode amplificar a voz das pessoas pobres, motivando o desenvolvimento de políticas e de reformas. A mobilização da sociedade civil constituiu uma força fundamental para apoiar a triplicação das despesas com a protecção social na África do Sul entre 2001 e 2007 (Samson et al., 2007). A escolha adequada das intervenções pode igualmente suscitar um maior PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -18 apoio político. O aumento de programas de benefícios universais pode aliar as classes médias às mulheres e homens pobres, gerando o apoio político necessário. Pequenos projectos-piloto combinados com a adequada supervisão e avaliação podem igualmente produzir as necessárias bases de evidências de que os políticos e os eleitores necessitam para justificarem o seu apoio político aos programas nacionais integrados. Processos políticos mais transparentes e baseados nas evidências que incluam o alargamento do diálogo social e uma maior participação local podem tornar o Estado mais responsável perante as mulheres e os homens pobres. A concepção e a implementação devem reflectir o contexto social e político do país. Não existe um projecto geral para intervenções de protecção social bem sucedidas. Uma política de protecção social eficaz deve ser enraizada num contexto específico de uma sociedade, tendo em conta factores, como a dinâmica da pobreza, as características demográficas, a situação económica prevalecente, a estrutura do mercado de trabalho, o grau de urbanização, os valores culturais e o consenso societário (Hormansdörfer, 2009). Características de concepção que funcionam bem em determinado país ou região podem não ser adequadas em outro local. O sucesso depende ainda mais de em que medida os sistemas se encontram devidamente implementados, o que por sua vez depende substancialmente da capacidade administrativa de um país. Para promover a sustentabilidade e a eficácia, é importante conceber e implementar programas que se possam ajustar com flexibilidade às alterações demográficas e económicas, bem como a outro tipo de choques e pressões. Por exemplo, existe uma crescente necessidade de melhorar o conhecimento sobre o papel da protecção social no combate à vulnerabilidade das pessoas pobres, em contexto de recessão económica, de volatilidade dos preços mundiais dos alimentos e dos combustíveis e de alterações climáticas (Davies, Oswald e Mitchell, 2009). A concepção de características flexíveis permite uma melhor adaptação aos choques inesperados e à alteração da dinâmica da pobreza, bem como à antecipação ou à má interpretação das características do país. Em particular, a concepção adequada de intervenções formais deve ter em atenção o papel das instituições informais, a fim de fortalecer a protecção social, em vez de questionar os mecanismos tradicionais. Uma protecção social eficaz exige uma combinação abrangente de instrumentos que abordem de forma adequada a cobertura e a identificação de destinatários. Um dos principais desafios e determinantes do sucesso dos programas de protecção social consiste na distribuição eficaz dos benefícios sociais, que, por sua vez, exige um abrangente conjunto de instrumentos que aborde de modo adequado a cobertura e a identificação de destinatários. É necessária uma combinação abrangente de instrumentos de protecção social para se abordar de forma eficaz a vulnerabilidade ao longo do ciclo de vida. Um grupo nuclear de instrumentos presta apoio em etapas críticas do ciclo de vida, incluindo os abonos de família, as pensões sociais e as transferências para as pessoas com deficiência. Um segundo conjunto de intervenções é vital para quebrar a transmissão intergeracional da pobreza, particularmente através do desenvolvimento de capital humano. Embora estes instrumentos possam sobrepor-se ao primeiro grupo, incluem igualmente as isenções de taxas, o seguro social de saúde e os serviços sociais. Um terceiro conjunto de intervenções tem como objectivo prevenir que as famílias vulneráveis se afundem ainda mais na pobreza, sempre que enfrentam choques relacionados com mudanças do ciclo de vida. Os instrumentos incluem o seguro de desemprego e outros regimes contributivos, os trabalhos públicos, bem como algumas das medidas dos dois primeiros grupos (Walker, 2009). Muitas das pesquisas que têm sido realizadas sobre o impacto da protecção social concentraram-se nos beneficiários, embora se possua muito menos conhecimentos sobre PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -19 aqueles que permanecem excluídos. Estes podem incluir os mais vulneráveis, que muitas vezes se encontram geograficamente ou socialmente isolados, como aqueles que estão em zonas remotas, ou as crianças que não possuem acesso a profissionais de saúde (Walker, 2009). Determinados tipos de instrumentos podem excluir os mais pobres através da sua concepção. Os programas condicionados podem excluir aqueles que vivem em zonas remotas e que não têm acesso aos serviços necessários para cumprir as exigências do programa (Samson, 2009). O micro-seguro de saúde pode servir aos trabalhadores pobres e informais, mas normalmente, os mais pobres exigem abordagens sociais de saúde financiadas pelos impostos. Diferentes mecanismos devem complementar-se entre si, a fim de proporcionar a cobertura mais abrangente possível (Hormansdörfer, 2009). A identificação de destinatários ou focalização constitui o meio de identificação dos membros da sociedade que devem receber um determinado bem ou benefício, como as transferências sociais (por exemplo, um abono de família ou uma pensão social). Por exemplo, as transferências podem ser direccionadas com base na área geográfica, no sexo, na idade, na incapacidade, na dimensão familiar ou noutros indicadores semelhantes de pobreza. As transferências não direccionadas podem ser concedidas através do mercado (por exemplo, os subsídios), ou como transferências incondicionais. A escolha do sistema de identificação de destinatários tem um impacto sobre o grau de redução da pobreza e da desigualdade (por exemplo, a desigualdade de género) num país e em que medida é que os recursos são utilizados de forma eficaz e eficiente em termos de custos. Os programas focados em um grupo de destinatários específico têm o efeito de limitar o número de beneficiários e reduzir os custos, embora possam igualmente receber menos apoio político, pois podem ser mais facilmente encarados como um subsídio para poucos, em vez de um investimento social que possa vir a beneficiar muitos. (Walker, 2009). Os programas universais têm maior probabilidade de ser encarados como um direito em que os benefícios são sentidos nos diferentes sectores da sociedade, tendo como consequência o facto de serem menos vulneráveis às alterações políticas ou aos choques económicos que podem conduzir à erosão dos programas baseados em avaliação de recursos dirigidos a uma minoria excluída em termos políticos (Cornia and Steward, 1993).1 Os programas focados na vulnerabilidade são mais propensos à corrupção do que os programas de focados em um grupo de destinatários específico , nos quais os critérios de elegibilidade (como por exemplo, a idade) são mais transparentes e mais facilmente verificáveis do que num programa baseado na avaliação de recursos (Walker, 2009). Em países muito pobres, onde a informação sobre os beneficiários é de confiança e de cobertura limitadas, e em que a capacidade administrativa para implementar mecanismos de focalização, muitas vezes complexos, pode ser limitada, as dificuldades no processo de identificação de destinatários podem ser particularmente significativas. Os erros na identificação de destinatários podem pôr em causa a eficácia e a credibilidade e aumentar o custo dos programas de protecção social. É necessário um melhor entendimento sobre os potenciais benefícios da focalização (por exemplo, os abonos de família universais e as pensões sociais universais) que, quando comparados com a focalização segundo o grau de pobreza, a comunidade ou por zona geográfica, podem ser menos dispendiosos de administrar, mais aceitáveis em termos políticos e mais eficazes em termos de alcance dos homens e mulheres muito pobres. Ao mesmo tempo, a tomada de decisão sobre as diversas opções de focalização é muitas vezes influenciada por complexos factores políticos e técnicos. Os programas de benefícios com uma base mais ampla podem unir as classes médias aos pobres. Os programas universais têm maior probabilidade de ser encarados como um direito em que os benefícios são sentidos ao longo de diferentes sectores da sociedade, tendo como consequência a sua menor vulnerabilidade às alterações políticas ou aos choques económicos. No entanto, em alguns países, a focalização tem-se tornado um ponto de venda político, demonstrando aos contribuintes que o programa é eficaz em termos de custos. Os mecanismos de focalização têm como objectivo minimizar o custo dos programas, concentrando os recursos de protecção social nas famílias mais pobres, embora por vezes, a focalização tenha o efeito contrário ao desejado. Num estudo realizado pelo Banco PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -20 Mundial sobre a focalização, mais de 25% dos programas avaliados tiveram resultados regressivos - uma abordagem universal teria distribuído uma maior percentagem de benefícios aos pobres (Coady et al., 2004). Além disso, a focalização impõe custos ao governo e aos participantes do programa. Os custos mais directos são administrativos – custos burocráticos para avaliar os recursos dos candidatos ao programa, bem como custos para reavaliar os participantes numa base contínua. Para além deste custo governamental, existem custos privados nos quais os candidatos incorrem quanto se candidatam aos benefícios – custos em termos de tempo e de transporte para deslocação até aos respectivos gabinetes governamentais, as filas de espera e as taxas (e por vezes os subornos) necessárias para a documentação exigida.2 O estudo do Banco Mundial encontrou provas de que as questões relacionadas com a implementação eram mais determinantes para o sucesso dos resultados do que os factores de concepção.3 A base de evidências sobre abordagens de focalização adequadas continua a evoluir, sendo que os elementos eficazes de concepção dependem fundamentalmente do contexto social e político de um país. Uma capacidade de governação reduzida, elevadas taxas de pobreza e grandes sectores informais tendem a indicar abordagens mais universais ou, pelo menos, baseadas em categorias – tendo em conta que os custos de uma focalização pesada serão provavelmente elevados e os benefícios reduzidos. Os factores políticos são frequentemente importantes para a decisão de focalização. A mobilização de sólidas evidências pode apoiar a adequada concepção e implementação. Da mesma forma, os governos e os doadores reconhecem cada vez mais a importância da evidência para informar questões fundamentais relacionadas com a concepção, tais como a decisão de condicionar as transferências sociais ao cumprimento dos requisitos comportamentais – como exigir que os participantes no programa assegurem a frequência escolar por parte das crianças da família ou que as submetam ao plano de vacinação. Embora um vasto conjunto de estudos de avaliação documentem o forte impacto dos programas das transferências sociais que exigem que estas condicionalidades (muitas vezes denominadas “transferências monetárias condicionadas”), poucas evidências demonstram que os próprios condicionalismos – e as penalizações associadas – tenham qualquer impacto sobre os resultados positivos observados (Banco Mundial, 2006). Tendo em conta que os condicionalismos podem ser dispendiosos e potencialmente colocar em causa os objectivos da protecção social, é fundamental construir uma base de evidências mais adequada, que se concentre de forma assertiva nas questões centrais relacionadas com os programas das transferências monetárias condicionadas. As transferências monetárias têm um impacto significativo de atenuação da SIDA, podendo ser defendidas e apoiadas no âmbito da sua capacidade de remover barreiras ao acesso à saúde e à educação, prevenindo ao mesmo tempo a adopção de mecanismos irreversíveis de recuperação entre as famílias mais vulneráveis afectadas pelo VIH e pela SIDA (Nolan, 2009). Nos Estados mais fragilizados, os instrumentos de protecção social têm sido frequentemente limitados à ajuda humanitária. Muitas vezes, estes países exigem de facto toda a variedade de potenciais intervenções e alternativas mais imaginativas. Por exemplo, no Zimbabué, um diversificado conjunto de instrumentos que provêem protecção social, apoio às famílias e segurança alimentar, tem sido comprovadamente bem sucedido (Samson e MacQuene, 2006). A capacidade institucional e a coordenação são importantes para o fornecimento eficaz da protecção social. O fornecimento eficaz da protecção social exige concentrar-se na construção de capacidade institucional em termos de planeamento, coordenação e da efectiva entrega de dinheiro, alimentos, materiais e outros bens ou serviços às pessoas. Em diversos países em desenvolvimento, a protecção social representa um novo conjunto de intervenções, sendo que poucos governos têm desenvolvido uma capacitação extensiva com vista à implementação deste tipo de programas. Uma capacidade e coordenação institucional limitadas restringem o sucesso da implementação e aobtenção de impactos a todos os PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -21 níveis. Os investimentos para a construção de capacidade de execução não só apoiam a implementação da protecção social, mas também outros serviços complementares fornecidos por estas agências. Tendo em conta os longos prazos exigidos para a execução de programas de formação eficazes, a necessidade de um longo prazo para a capacitação deve ser considerada em qualquer fase piloto. A capacitação melhora a absorção da ajuda e da eficácia dos recursos dos parceiros de desenvolvimento. O apoio contínuo para o reforço das capacidades nacionais provavelmente produzirá retornos substanciais em termos da promoção da sustentabilidade a longo prazo. As intervenções da protecção social não são projectéis mágicos destinados a erradicar a pobreza, mas normalmente produzem os seus impactos, ao melhorarem a eficácia dos investimentos em instituições complementares. Por exemplo, as iniciativas de protecção social podem melhorar o acesso das pessoas pobres à saúde e à educação, ligando-as a programas complementares, resultando na melhoria dos resultados em termos de desenvolvimento humano – mas apenas se as clínicas, escolas e outras instituições necessárias puderem prestar os serviços solicitados. As iniciativas de protecção social na América Latina, em África e na Ásia, documentaram a melhoria de resultados em termos da saúde, do aumento das taxas da frequência escolar, na redução da fome e no alargamento dos meios de subsistência e do emprego (Samson et al., 2007). No entanto, estes impactos dependem tanto do enquadramento institucional complementar como das próprias intervenções. Por exemplo, um programa de transferências monetárias realizado nas Honduras, fracassou na produção dos resultados esperados em termos de capital humano – principalmente porque o programa negligenciou o investimento necessário em escolas e outras instituições (Samson et al., 2006b; Adato e Bassett, 2008). O Brasil multiplica o impacto do seu eficaz programa de transferências monetárias Bolsa Família, através de um sistema abrangente e integrado de programas complementares, que fazem a ligação entre as famílias pobres e as instituições de desenvolvimento. A aprendizagem e o intercâmbio Sul-Sul, entre países de médio e baixo rendimento, bem como com os órgãos regionais, provêem uma abordagem inovadora para a capacitação dos governos parceiros. Uma recente reunião da União Africana solicitou a uma rede de peritos Africanos que partilhassem conhecimentos e experiências em todo o continente, servindo como recurso para os países que estão a iniciar a implementação das iniciativas de protecção social.4 Os doadores apoiam viagens de estudo, que ligam cursos de formação na África, Ásia, América Latina e cursos de formação Sul-Sul, que aumentaram eficazmente a capacitação e que contribuíram para a partilha inter-regional das lições de experiência nacionais.5 Tendo em conta a natureza de longo termo das necessidades da protecção social nos países em desenvolvimento, os investimentos no reforço das capacidades nacionais e locais são suscetíveis de produzir retornos muito elevados. Para que as abordagens nacionais sejam bem sucedidas, é necessário um enquadramento estratégico coordenado. A coordenação melhora a eficácia em termos de custos, ao melhorar as economias de escala dos sistemas administrativos, garantindo uma adequada distribuição de recursos. Os países que não possuem abordagens coordenadas sofrem de ineficácia em termos de excesso de cobertura em algumas áreas e sectores, enquanto outras sofrem de elevadas taxas de exclusão de protecção social. Instituições administrativas eficazes, munidas de uma ampla capacidade e de sistemas adequados de gestão de informação a nível nacional e local, são essenciais para uma coordenação eficaz. Um maior fortalecimento dos sistemas de registo civil é importante para facilitar o acesso das pessoas aos benefícios de protecção social, bem como aos sistemas de saúde e de educação, numa base de cidadania, direitos e prerrogativas (Nolan, 2009). Uma abordagem menos eficaz para a protecção social dos trabalhadores informais tem sido a criação de sistemas e programas especiais fora das instituições convencionais. Uma abordagem sustentável deveria reunir as intervenções para os trabalhadores informais nas estruturas institucionais existentes (Lund, 2007). Os investimentos em sistemas de monitorização e de avaliação e na produção de evidências são fundamentais. PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -22 Sistemas eficazes de monitorização e avaliação (M&E) são essenciais para demonstrar o impacto do programa, desenvolver uma base de dados global, comunicar lições operacionais e construir a base de apoio que promova a sustentabilidade a longo prazo. Como as intervenções de protecção social são inovações relativamente recentes, diversos governos e stakeholders dos países em desenvolvimento estão agora a começar a desenvolver uma compreensão sobre aquilo que funciona melhor em determinados contextos sociais e políticos. Os M&E podem mobilizar uma aprendizagem essencial e as evidências para ligar o desempenho do programa às melhorias contínuas que melhor se adaptem à situação específica de um país. Sistemas de M&E independentes e credíveis ajudam a colmatar a falta de evidências que poderia pôr em causa uma concepção adequada e uma implementação eficaz. As avaliações positivas podem ajudar a mobilizar o apoio político e a expandir os recursos disponíveis no sentido de ampliarem o seu âmbito e cobertura. Os M&E podem identificar problemas e propor soluções, fornecendo informações, com vista a uma aprendizagem mais abrangente. A natureza de bem público dos M&E eficazes e do seu papel útil na gestão do risco fiduciário oferece oportunidades férteis para os doadores apoiarem este tipo de intervenções. A base de evidências global sobre a protecção social melhorou significativamente durante a última década. Os países que adoptam novas intervenções podem beneficiar de uma curva de aprendizagem global em rápida expansão e de oportunidades para a aprendizagem Sul-Sul. No entanto, continua a haver lacunas importantes. Embora existam evidências persuasivas no que concerne aos impactos em termos de redução da pobreza e da promoção de resultados sociais, é necessário um indício mais convincente sobre as ligações directas entre a protecção social e o crescimento económico – particularmente no contexto dos países de baixo rendimento. Em termos operacionais, melhores evidências em termos de uma focalização adequada, de mecanismos de pagamento, de arranjos institucionais e do papel e desenho de condicionalidades melhorarão a concepção e a execução de programas. Os governos e os doadores devem prestar particular atenção aos riscos fiduciários para proteger o sucesso dos programas e garantir a sua sustentabilidade. As intervenções de protecção social exigem um adequado controlo de gestão do risco fiduciário, a fim de garantir uma eficaz distribuição de recursos e a continuidade do apoio público. Uma série de países desenvolveram sistemas para promover a transparência e minimizar a fraude e a corrupção. As boas práticas existem e devem ser promovidas. O ‘‘Cadastro Único’’ de participantes dos programas sociais do Brasil tornou-se um modelo global. O Quénia está a iniciar uma abordagem inovadora, que estabelece prestadores de serviços independentes para os principais componentes do programa, garantindo as verificações e os equilíbrios. Os doadores podem desempenhar um papel fundamental no processo de capacitação, ao partilharem estas lições de experiência internacional sobre responsabilização mútua. O apoio e a coordenação dos doadores desempenham um papel essencial no apoio às iniciativas nacionais de protecção social. Os doadores possuem um papel importante no apoio e na participação do desenvolvimento de quadros nacionais de protecção social. O que implicará apoiar a capacidade do governo e da sociedade civil de desenvolvimento de políticas de protecção social e de planeamento, financiamento, execução e monitorização dos programas para implementá-los. Implicará igualmente o afastamento do fornecimento de protecção social, através de financiamentos específicos de doadores e fornecendo mecanismos para o financiamento de programas nacionais, através de instrumentos de co-financiamento. Os doadores podem desempenhar um papel fundamental na prestação de assistência técnica e no financiamento do apoio do progresso no sentido da implementação de estratégias de protecção social financeiramente sustentáveis a nível nacional. Os governos PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -23 dos países em desenvolvimento exigem frequentemente dos doadores compromissos de financiamento harmonizados e previsíveis a longo prazo para assumirem o risco político no interior do país de garantir a fiabilidade dos programas de protecção social. O recente compromisso de dez anos do DFID com a estratégia de protecção social do Quénia constitui um exemplo de apoio por parte dos financiadores destinado a um programa nacional de longo prazo. O Programa de Redes de Segurança Produtiva da Etiópia constitui outro exemplo de alteração da relação custo-eficácia passando de recursos anuais para financiamentos plurianuais, multi-financiados e previsíveis. A importância de um financiamento mais previsível, harmonizado e a longo prazo é particularmente evidente em Estados fragilizados (Harvey, 2009). Os doadores devem harmonizar e alinhar o seu apoio com os quadros de desenvolvimento nacional e com as estratégias nacionais de protecção social emergentes, de acordo com a Declaração de Paris Sobre a Eficácia da Ajuda ao Desenvolvimento. A coerência do doador é fundamental para o desenvolvimento de políticas baseadas em evidências, bem como para o fortalecimento da capacidade de enfrentar os principais desafios em termos de concepção e de implementação (incluindo a gestão do risco fiduciário, os sistemas de pagamento, a progressão e as ligações com as políticas complementares, a sustentabilidade e o financiamento). Os doadores podem ajudar a fundamentar as opções políticas, oferecendo apoio a investigações mais aprofundadas sobre a concepção e a implementação de políticas e programas de protecção social adequados em diferentes contextos. Os projectos-piloto podem ajudar a realizar este objectivo, mas os doadores devem ter como meta integrar este apoio e o fortalecimento dos quadros nacionais de protecção social. Observações 1 2 3 4 5 Descobriram que a mudança de uma abordagem universal para uma abordagem segmentada em 8 sistemas conduziu a uma redução no valor real do subsídio ao longo do tempo. Por vezes, os futuros trabalhadores do Sistema de Garantia de Emprego de Maharashtra necessitam de realizar pagamentos monetários para obter e preencher os formulários adequados, submetendo-os aos funcionários correctos e procurando obter a atenção do comité dos serviços sociais (Pellisery, 2005). “80% da variabilidade do desempenho da focalização deveu-se a diferenças dentro dos métodos de focalização, e só 20% se deveram a diferenças entre métodos.” (Coady, Grosh e Hoddinott, 2004, p. 84). “Resolução de Dakar sobre a protecção social”, reunião da União Africana organizada pela HelpAge, Junho de 2008. Por exemplo, a DFID apoiou a assistência técnica Brasileira aos países Africanos, realizando viagens de estudo à África do Sul e ao Brasil, bem como diversos programas de formação mundiais, situados nos países em desenvolvimento. O GTZ e outros doadores apoiam importantes iniciativas de capacitação levadas a cabo nos países em desenvolvimento. PARTE I: DECLARAÇÃO POLÍTICA E NOTA DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA -24 Referências Adato, M. (2007), ‘‘Combining Survey and Ethnographic Methods to Evaluate Conditional Cash Transfer Programs’’, documento apresentado na conferência Q-Squared in Practice, 7-8 July, Hanói 2007. Adato, M. and L. Bassett (2008), ‘‘What is the Potential of Cash Transfers to Strengthen Families Affected by HIV and AIDS?’’, A Review of the Evidence on Impacts and Key Policy Debates, 31 August 2008, Food Consumption and Nutrition Division, International Food Policy Research Institute (IFPRI), Washington, D.C. Agűero, J.M. et al. 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