economia VERDE Redução da Pobreza Visão geral A continuação do modelo das práticas atuais não é uma opção em um mundo onde a escassez ambiental está aumentando, a incerteza e a desigualdade econômica é crescente e com a existência continuada de pobreza generalizada. O Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de diminuir a pobreza extrema pela metade ainda está longe de ser alcançado, apesar de décadas de crescimento econômico e de esforços para a erradicação da pobreza. As recentes crises de alimentos, financeira e econômica trouxeram novos empecilhos na luta contra a pobreza. Embora as causas dessas crises variem, em um nível fundamental, todas elas possuem uma característica comum: a alocação inadequada de capital em setores e atividades econômicas, conduzindo ao esgotamento acelerado dos recursos naturais e dos ecossistemas dos quais os pobres dependem, entre outras coisas, para seus negócios e oportunidades de geração de riqueza. As iniciativas que visam ao esverdeamento da economia em diferentes partes do mundo têm demonstrado que causam uma melhora no crescimento do PIB, principalmente o PIB dos pobres, da qualidade e quantidade de empregos, e dos estoques e fluxos de capital natural. Uma pesquisa do PNUMA sugere que um cenário de investimento com a alocação de 2% do PIB global para o esverdeamento dos setores econômicos produzirá um PIB global mais alto, em comparação com o cenário do modelo das práticas atuais dentro de apenas 10 anos. Um pacote de investimentos verdes acompanhado por reformas políticas com o objetivo de tornar o crescimento social inclusivo oferece opções economicamente viáveis para reduzir a pobreza e a fome, e enfrenta os desafios das mudanças climáticas e da degradação dos recursos naturais, enquanto oferece, simultaneamente, caminhos novos e sustentáveis para o desenvolvimento econômico e a prosperidade. A participação dos pobres no PIB global é marginal e é reduzida com a erosão do capital natural. A tão conhecida taça de champanhe do PIB global (Figura 1) mostra que a participação de 40% da população na parte inferior em relação à riqueza global é de menos de 5%.1 É este segmento da humanidade que vive predominantemente em pequenas propriedades rurais, zonas costeiras e próximo a florestas, e que depende do capital natural para sua subsistência, nutrição, saúde, emprego, renda, oportunidades de geração de riqueza, bem como de uma rede de segurança social. A degradação dos recursos naturais cria uma armadilha Figura 1. Distribuição da renda global. População mundial organizada pela renda Ma rico is s Relatório Síntese Distribuição da renda* Distribution of income Cada faixa horizontal representa um quinto igual de pessoas no mundo População mundial Mais ricos Segundo Terceiro Quarto Mais pobres 20% 20% 20% 20% 20% *Renda mundial 82,7% 11,7% 2,3% 1,9% 1,4% Ma pobis res PNUMA 1 Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD. Global Dimensions of Human Development. O PNUMA define a economia verde como aquela que resulta na melhoria do bem-estar humano e igualdade social, e, ao mesmo tempo, reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica. de pobreza, que leva a um loop de reforço de mais degradação, além de piorar a pobreza. O capital natural é essencial para o desenvolvimento econômico sustentável e é responsável por um quarto da riqueza gerada nos países de baixa renda2 (Figura 2). Qualquer redução no estoque de capital natural e no fluxo de serviços ambientais afeta negativamente o bem-estar dos pobres de maneira desproporcional e leva a crescentes desigualdades. The share of the poor in global GDP is marginal and is reduced with the erosion of natural capital. O padrão de consumo dominante das sociedades afluentes significa uma grande pressão sobre Oportunidades para a redução da pobreza e o crescimento econômico com as economias verdes Redução da pobreza competitiva e retornos do crescimento econômico derivados de investimentos em economia verde. As melhorias ambientais são consistentes com a geração de riqueza e o crescimento do PIB. O Relatório sobre Economia Verde do PNUMA estima que o crescimento projetado do PIB será maior em um cenário de investimento verde do que em um cenário do modelo das práticas atuais (Figura 3). Os exemplos Figura 2. A participação do capital natural na riqueza total de países de baixa renda Capital intangível 58% AP 6% Capital produzido 16% RFNM* 2% Capital natural 26% Recurso madeireiro 6% Ativos de subsolo 17% Pastagens 10% Terras cultivadas 59% *Recursos Florestais Não-Madereiros Fonte: Relatório sobre Economia Verde, PNUMA 2011. os recursos naturais. Conforme um relatório do Desperdício Zero Europa, o mundo atualmente extrai 50% a mais de matéria-prima do que em 1980; e, ainda, 80% disso é consumido por 20% da população mais rica.3 Entretanto, outros relatórios estimam que as 3.000 maiores empresas do mundo são responsáveis por 2,2 trilhões de dólares em externalidades ambientais negativas por ano, gerando impacto nos pobres que, desproporcionalmente, arcam com os custos dessa degradação ambiental (www.trucost.com; PRI e PNUMA IF, 2011; TEEB, A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade, 2012). 2 Relatório do Banco Mundial, 2006. Where is the Wealth of Nations? 3 Desperdício Zero Europe, 2009. Overconsumption? Our use of the world’s natural resources. setoriais a seguir demonstram esta relação de benefícios recíprocos. O esverdeamento da agricultura reduz a pobreza e a fome e, ao mesmo tempo, gera estoques de capital natural. O esverdeamento de pequenas propriedades rurais por meio de práticas agrícolas sustentáveis pode ser a maneira mais eficaz de aumentar a disponibilidade de alimentos, reduzir a pobreza, aumentar o sequestro de carbono e a eficiência da água e, ao mesmo tempo, integrar os agricultores marginalizados às cadeias de suprimento internacionais. Com base em uma ampla revisão de dados da África e Ásia, (Pretty et al., 2006, Agroecological Approaches to Agricultural Development), demonstrou-se que o uso de métodos agrícolas verdes (como o manejo integrado de pragas, o manejo integrado de nutrientes, lavoura mínima, agrossilvicultura, aquacultura, captação de água, integração pecuária, culturas de fixação biológica de nitrogênio, etc.) resultaram em O PNUMA lançou sua Iniciativa Economia Verde em 2008 e, atualmente, oferece apoio a mais de 20 países em todo o mundo em sua transição rumo a uma economia verde. aumentos da produtividade de 59% a 179%. Os estudos estimaram que para cada aumento de 10% nos rendimentos agrícolas, houve uma redução de 7% da pobreza na África; e mais de 5% na Ásia. As redes de segurança social elaboradas com esmero geram recursos naturais e reduzem a pobreza. Um bom exemplo é o da Lei Nacional de Garantia do Emprego Rural da Índia, de 2006, que consiste em uma proteção social e um esquema de segurança para a subsistência destinado à população pobre das zonas rurais que investe na preservação e restauração do capital natural. Tem a forma de um programa de trabalho público, garantindo pelo menos 100 dias de trabalho pago por ano para cada família que oferecer um voluntário adulto. O investimento em 2012 atingiu mais de 8 bilhões de dólares, criando 3 bilhões de dias de trabalho e beneficiando 59 milhões de famílias. Destes investimentos, 84% foi investido em conservação de água, irrigação e desenvolvimento do solo, criando oportunidades de subsistência a longo prazo para os agricultores. O investimento no fornecimento de água potável e nos serviços de saneamento traz benefícios aos pobres. A falta de água potável e de saneamento tem altos custos socioeconômicos e ambientais. O tempo e os recursos gastos na compra ou no transporte de água e as condições anti-higiênicas são as principais causas de enfermidades e doenças, principalmente para os pobres. Os dias de trabalho perdidos e os gastos de saúde decorrentes dessas doenças aumentam a carga econômica. O investimento em água e saneamento é uma necessidade básica para manter uma vida saudável e economicamente ativa, e é uma pré-condição necessária para o progresso e a prosperidade. O investimento em energia renovável é uma opção de custo eficaz para reduzir a pobreza energética. O sistema energético atual é insustentável e altamente injusto, deixando 2,7 bilhões de pessoas dependentes da biomassa tradicional para cozinhar. As soluções de energia renovável e as políticas energéticas de apoio prometem dar uma contribuição significativa para melhorar os padrões de vida e da saúde em áreas de baixa renda, principalmente nas áreas rurais. Algumas das abordagens que são soluções de baixo custo incluem as formas modernas de biomassa e os sistemas isolados de energia solar fotovoltaica, com custos operacionais baixos e opções de implantação em pequena escala. Foram desenvolvidos modelos de sucesso, inclusive nos Países Menos Desenvolvidos, para cobrir os custos iniciais de investimento. O esverdeamento do turismo pode apoiar a economia local e ajudar a reduzir a pobreza. O envolvimento das comunidades locais na indústria de viagens e turismo tem o potencial de estimular o crescimento a favor dos pobres. A extensão dos benefícios para as comunidades locais e a redução da pobreza dependem, em grande parte, da porcentagem das necessidades de turismo que são oferecidas no local, como produtos, trabalho, serviços de turismo e, cada vez mais, dos serviços verdes na gestão de energia, eficiência da água e gestão de resíduos. O turismo faz o uso intensivo dos recursos humanos, empregando 8% da mão de obra global. Espera-se que o esverdeamento deste setor reforce o seu potencial de empregabilidade, proteja os estoques naturais e, ao mesmo tempo, incentive o crescimento verde e a redução da pobreza. O caminho para o futuro É necessária uma transformação econômica e ecológica rápida se o mundo quiser servir melhor a população pobre e faminta, enfrentar os desafios do aquecimento global e da perda de ecossistemas e de biodiversidade, e alcançar um desenvolvimento econômico sustentável e equitativo, evitando o que poderia ser uma bancarrota do capital natural global. Uma mudança rumo a uma economia de baixo carbono, eficiente em termos de recursos e socialmente inclusiva traz claros benefícios às comunidades locais e para a redução da pobreza. Entretanto, uma transição longe do modelo das práticas atuais requer políticas e investimentos direcionados, incluindo mudanças de comportamento, tendências de políticas e investimento para catalisar a mudança em direção a uma distribuição mais progressiva de benefícios. Algumas áreas importantes de ação são: reforma fiscal ambiental para a redução da pobreza; suporte para recursos naturais baseado em pequenas e médias propriedades rurais e empresas; alinhamento dos esforços para formar o capital natural com o capital produzido e intangível; melhora do acesso às microfinanças e aos microseguros, promoção de investimentos verdes; correção das falhas de mercado; melhor acesso aos mercados nacionais e internacionais para os pobres; inovações institucionais e organizacionais; e aumento da conscientização em relação aos benefícios que o esverdeamento traz para o alívio da pobreza. O que o PNUMA está fazendo O PNUMA está desempenhando um papel fundamental e apoiando a agenda política sobre a economia verde e a redução da pobreza, além O Relatório sobre Economia Verde, publicado pelo PNUMA em 2011, consiste em um convincente estudo econômico e social para o investimento de 2% do PIB global para tornar verde os 10 principais setores da economia. Figura 3. Tendências projetadas na taxa de crescimento anual do PIB. (Fonte: Copyright © Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 2012 Relatório sobre Modelos da Economia Verde, PNUMA, 2011) de prestar assistência técnica e consultoria aos países. O Relatório Economia Verde do PNUMA identificou uma série de condições capacitadoras e de investimentos direcionados ao capital natural e aos serviços ambientais que poderiam estimular os fluxos de renda, melhorar a subsistência e o bemestar dos pobres e, ao mesmo tempo, estimular um maior crescimento econômico, a eficiência dos recursos e a geração de empregos. Atualmente, o PNUMA está tomando várias iniciativas para promover o conhecimento e a compreensão das relações entre a transformação da economia verde e a redução da pobreza. Estas incluem: • Uma iniciativa conjunta do PNUMA-FIDA que visa a contribuir para a geração de novos conhecimentos e o entendimento analítico da Conferência Rio+20 na interface entre os pequenos proprietários rurais, a segurança alimentar e o ambiente. • Um relatório conjunto do PNUMA-PNUD sobre a redução da pobreza na economia verde, que informará os processos de formulação de políticas nacionais sobre as soluções e oportunidades oferecidas pela transformação da economia verde. • • • • • Um relatório realizado pela Parceira PobrezaMeio Ambiente (PEP, na sigla em inglês), da qual o PNUMA é membro, sobre as oportunidades e desafios das políticas para relacionar a redução da pobreza e a economia verde, será lançado na Conferência Rio+20. Um Relatório do PNUMA sobre Como Evitar a Fome no Futuro: Reforçando a base ecológica da segurança alimentar através de sistemas alimentares sustentáveis, também será lançado na Rio+20. Contribuições para o trabalho da Rede do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento do OCDE sobre o Ambiente e Desenvolvimento (EnviroNet) e sua Equipe de Tarefas para o Crescimento Verde e a Redução da Pobreza. Informações para o trabalho relacionado à pobreza da Plataforma de Conhecimento Verde para o Crescimento (GGKP, na sigla em inglês). Assistência técnica através dos Serviços de Consultoria em Economia Verde do PNUMA em mais de 20 países, dos quais, a maioria tem uma proporção significativa da população vivendo abaixo da linha da pobreza. Para obter informações: UNEP-DTIE Divisão de Comércio e Economia do PNUMA 11-13, chemin des Anémones 1219 Châtelaine / Genebra Suíça T: +41 (0)22 917 82 43 F:+41 (0)22 917 80 76 E: [email protected] www.unep.org/greeneconomy