O ESTÁGIO SUPERVISIONADO E A CONSTRUÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE EM GEOGRAFIA: UMA RELAÇÃO DIALÓGICA Isabela Santos Albuquerque Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia- Campus Salvador. Mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia. Pesquisadora do GEOPRAXIS/IFBA/CNPq. [email protected] Anízia Conceição Cabral de Assunção Oliveira Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia- Campus Salvador. Doutora em Geografia pelo Núcleo de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe. Pesquisadora do GEOPRAXIS/IFBA/CNPq e do Grupo de Pesquisa em Geoecologia e Planejamento Territorial/GEOPLAN/UFS/CNPq. [email protected] Este trabalho é fruto de uma proposta articulada no contexto das disciplinas Estágio Supervisionado I e II, integrantes do currículo do Curso de Licenciatura em Geografia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Campus Salvador, com o objetivo de desenvolver um projeto capaz de favorecer uma relação de parceria entre o ambiente acadêmico e a escola básica, através do estágio. A articulação teoria-prática, a reflexão da condução do processo de formação do profissionalprofessor, o planejamento de intervenções criativas e a dimensão de trabalho colaborativo são aspectos necessários à realização de estágios como campo formativo. O desafio é, portanto, estabelecer maior proximidade e intercâmbio, entre os licenciandos, a equipe pedagógica das instituições-campo (escolas) e os docentes do Instituto, à luz da pesquisa colaborativa. Essa relação prevê uma mudança de postura frente à concepção e planejamento da ação, por meio de uma prática dialógica. A ação do estágio pode transcender o viés puramente didático, sendo planejada conjuntamente, de acordo com as expectativas e realidade de cada escola e do contexto socioeconômico, cultural e político, tendo nos professores regentes das classes, sujeitos ativos e não somente espectadores. Acredita-se, dessa forma, ser possível passar da visão de estágio como mero componente para consolidar-se enquanto espaço de vivência e análise fundamental na construção da prática docente. A metodologia prevê: levantamento bibliográfico, acompanhamento in loco, planejamento, realização e avaliação dos estágios a partir da interação dos sujeitos envolvidos. Passini (2007); Pimenta e Lima (2011); Freire (1987; 2011); Cavalcanti (2012) são referenciais utilizados no trabalho. A proposta constitui-se numa perspectiva significativa para o citado Curso, em fase de consolidação, por corroborar para a construção da identidade docente. Palavras-chave: Estágio Supervisionado, Prática docente, Geografia. 1. Formação de professores e formação de professores de Geografia: em busca de reflexões Esse trabalho visa apresentar as reflexões de uma proposta em construção para o componente curricular Estágio Supervisionado no Curso de Licenciatura em Geografia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Campus Salvador. O elemento motivador para a mesma foi o anseio da equipe docente em 2 planejar e desenvolver uma ação que conseguisse ultrapassar o estágio enquanto caráter puramente didático, configurando-se num processo dialógico e colaborativo. Para tanto, parte-se da perspectiva do estágio enquanto espaço de vivência e campo formativo. A docência é uma ação complexa e requer algumas considerações. O artigo 13 da Lei 9.394/96 infere que cabe aos professores: [...] participar da elaboração do projeto político pedagógico; elaborar e cumprir o plano de trabalho; zelar pela aprendizagem dos alunos; estabelecer estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento; ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos; participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional. Logo, diante de tantos desafios, (e muitos outros!), a docência exige formação adequada para o seu exercício. Veiga (2009, p.25) sugere que a formação de professores, “implica compreender a importância do papel da docência, propiciando uma profundidade científico-pedagógica que os capacite a enfrentar questões fundamentais da escola como instituição social, uma prática social que pressupõe as ideias de formação, reflexão e crítica”. Lima (2012) aborda a necessidade de se conhecer e compreender as nuances da escola atual, relacionada tanto a órgãos normativos que designarão orientações para a condução da ação educativa quanto a questões mais amplas do mundo globalizado. Guimarães (2010) diz ser essencial que o docente desenvolva novas competências sociais, tornando-se sujeito ativo, capaz de lidar com: o grande acúmulo de conhecimentos; as tecnologias da informação e comunicação; os bens culturais da sociedade; os projetos desenvolvidos na escola; o trabalho em equipe e o contínuo movimento de capacitação profissional. Ao caracterizar o cenário da formação do professor, Almeida (2008) destaca como aspectos preocupantes a justaposição dos conhecimentos específicos aos conhecimentos pedagógicos, em cursos de licenciatura, o que dificulta a formação qualificada dos professores no contexto em que atuam ou vão atuar, bem como a desvinculação existente entre as próprias disciplinas pedagógicas e as atividades de estágio, o que não favorece a apropriação da formação docente e solidez nas observações e reflexão das práticas em que o estagiário participou na escola de ensino fundamental e médio, o que pode resultar em deficiência na interação entre a teoria e a prática pela fragmentação processada no ensino superior. No tocante à formação de professores de Geografia, tem-se que, frente à complexidade do mundo atual, em acelerado processo de mudança, cabe pensar sobre o 3 novo papel da escola, ou seja, sobre as novas exigências que se colocam diante da sociedade, buscando romper com a postura tradicional que muitas vezes ainda é ensejada na disciplina geográfica e na prática pedagógica. Vesentini (2009) em Repensando a Geografia Escolar para o Século XXI aponta que a sociedade contemporânea demanda por uma escola bastante diferente daquela do século XX. Uma escola voltada não tanto para ensinar conteúdos e sim para desenvolver competências, inteligências múltiplas, habilidades e atitudes. Uma escola para o mundo globalizado, para um novo mercado de trabalho, para sociedades multiétnicas e multiculturais. Guimarães (2010) tratando da formação de professores de Geografia a partir de uma reflexão sobre os consensos produzidos pela mídia, expõe a necessidade de se tomar a escola como o lócus para a formação docente e considerar a docência como produtora de conhecimentos. Segundo a autora, (p. 439), “tanto a escola como os professores estão convivendo com um contexto marcado por mudanças e incertezas e estas mudanças em curso no campo da educação e os novos desafios que se apresentam a profissão docente estão integrados as mudanças no contexto social mais amplo”. Assim, o professor de Geografia deve refletir sobre suas concepções de educação, de escola, de prática docente, bem como, a qualificação de seus saberes numa dimensão que valorize a implementação de um ensino crítico, coerente entre o pensar e o fazer, aliado aos princípios epistemológicos da ciência geográfica e ao processo didático-pedagógico do ensino. Diante disso é que se impõe a discussão sobre que modelo de formação torna-se mais conectado a um contexto de mudanças educacionais, o que repercute pensar sobre o papel dos cursos de licenciatura enquanto espaços voltados à construção de saberes e à constituição da profissionalidade docente. Os cursos de licenciatura que seguem um modelo de formação alicerçado na integração entre conhecimentos teóricos e práticos podem contribuir para o desenvolvimento de um fazer docente autônomo, crítico e inovador. Para isso, devem ser estruturados a partir de componentes curriculares que articulem a dimensão teórica à prática reflexiva. Callai (2010) ao tratar da realidade da educação e formação do docente em Geografia, considera que para os alunos do ensino superior é uma tensão latente durante todo o processo de formação a busca pelo como fazer. Cita que este aprender a ensinar, 4 em geral, dispensando a perspectiva social e pedagógica para se assentar somente na questão técnica. Nesse sentido, a autora defende a necessária interligação entre as propostas teóricas e metodológicas da Geografia e sua dimensão pedagógica no fazer Geografia, a educação geográfica. Contudo, dilemas são postos quando refletimos sobre a qualidade da formação. Cavalcanti (2012) ressalta como preocupação a pouca discussão nos cursos de licenciatura sobre as perspectivas de formação de professores para atuar no ensino fundamental e médio. Para a autora, ainda é incipiente, entre o conjunto de professores especialistas, a discussão pedagógica voltada à análise de projetos de formação para a profissionalização docente, o que acaba repercutindo na desvalorização da modalidade licenciatura como eixo integrador do curso. Considerando as questões ora colocadas, ressalta-se a importância de se estabelecer continuamente uma análise frente ao processo e compromisso de se formar professores. Então, essa proposta (a da construção do estágio enquanto espaço de vivência e campo formativo, através de uma ação colaborativa e dialógica), adquire relevância e deve ser (re)construída pelas docentes e discentes envolvidos. Reportandose à realidade em questão, torna-se essencial realizar uma constante reflexão quanto às especificidades da formação de professores de Geografia. 2. Saberes acadêmicos e saberes escolares: uma aproximação necessária A relação mais direta entre os saberes acadêmicos e saberes escolares vem sendo debatida por vários pesquisadores que se ocupam da reflexão sobre a formação docente. A proposta em questão corrobora com tal aspecto na medida em que tende a estimular a docência, ao aproximar os estagiários, professores em formação, da escola, um dos futuros ambientes de trabalho, favorecendo a problematização das situações vivenciadas à luz dos saberes aprendidos no ambiente acadêmico. Cavalcanti (2006), André (2001), Melo (2001), dentre outros, estabelecem uma análise sobre a formação de professores, apoiada na ação-reflexão-ação, defendendo o vínculo entre produção dos saberes (acadêmico e escolar), a fim de tentar romper com o distanciamento que ainda existe entre a academia e a escola. Cavalcanti (2006, p.7), sugere que “não se pode mais pensar na formação do professor nos moldes tradicionalmente aceitos, que separa [...] os processos de ensinar e 5 produzir conhecimentos, os processos de pensar o conhecimento e os de levá-los à prática”. Essa foi uma das premissas que apoiou a construção da proposta de estágio feita pela equipe docente que ministra as disciplinas pedagógicas do Curso de Licenciatura em Geografia do IFBA, Campus Salvador. Acredita-se, portanto, como já exposto, que a mesma poderá configura-se numa efetiva oportunidade para os licenciandos, pelo contato direto com a escola, experienciando o cotidiano da docência, colocando em prática os conhecimentos estudados e aprendidos na academia, dando verdadeiro sentido aos mesmos. A Lei nº. 9.394/96 – Diretrizes e Bases da Educação Nacional também refere a “associação entre teorias e práticas” como ponto essencial à formação docente. Sendo assim, pensar a formação docente na sociedade atual, marcada por intensas transformações, requer uma reflexão sobre o contexto do professor e dos estudantes. A escola precisa ter sentido para os sujeitos! Tal questão é corroborada por Freire (2011) ao destacar que ensinar não é só passar conhecimentos para o outro, pois o ato de ensinar fragmentado da realidade não é capaz de aflorar transformações. Melo destaca que, ninguém facilita o desenvolvimento daquilo que não teve oportunidade de desenvolver em si mesmo. Ninguém promove a aprendizagem de conteúdos que não domina nem a constituição de significados que não possui ou a autonomia que não teve oportunidade de construir. É, portanto imprescindível que o professor que se prepara para lecionar na educação básica demonstre ter desenvolvido ou tenha a oportunidade de desenvolver, de modo sólido e pleno, as competências previstas para os egressos da educação básica, tais como as estabelecidas [...] na LDB e nas diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Isto é condição mínima indispensável para qualificá-lo como capaz de lecionar na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio (2001, grifo nosso). A relação entre formação de professores e prática de pesquisa, fundamental para a construção de uma prática docente mais autônoma, crítica e reflexiva, bem como para a correlação entre teorias e práticas é defendida por André (2001) ao abordar que, a articulação entre ensino e pesquisa na formação docente [...] pode desenvolver habilidades e atitudes de investigação nos futuros professores. Pode, além disso, traduzir-se no uso da pesquisa como mediação, ou seja, que as disciplinas e atividades do curso incluam a análise de pesquisas que retratem o cotidiano escolar, visando aproximar os futuros docentes da realidade das escolas, levando-os a refazer o processo da pesquisa e a discutir sua metodologia e seus resultados (ANDRÉ, 2001, p.61). 6 Tal autor (p.59, grifo nosso) sugere ainda ser “extremamente importante que o professor em formação aprenda a observar, a formular questões e hipóteses e a selecionar instrumentos e dados que o ajude a elucidar seus problemas e a encontrar caminhos alternativos na sua prática docente”. O viés articulado nessa experiência foi o da pesquisa colaborativa por proporcionar maior interação e troca entre os sujeitos envolvidos, resultando na produção coletiva do conhecimento, após momentos de reflexão do grupo envolvido. A investigação embora direcionada pelo professor-pesquisador busca a parceria do professor-colaborador, considerando informações, estudos e processos escolares sempre no confronto com a prática educativa. Reportando-se ao Curso de Licenciatura em Geografia do IFBA, Campus Salvador, vale dizer que a aproximação entre os processos de pensar e praticar o conhecimento é um desafio que vem sendo trabalhado gradativamente pela equipe docente. Inicialmente, o planejamento proposto nas disciplinas pedagógicas busca abarcar tal questão, porém há muito que fazer. Metas essenciais nessa trajetória são: • Estabelecer uma reflexão efetiva sobre o papel e importância do professor; • Discutir possibilidades para a construção de uma formação docente crítico-reflexiva; • Analisar as especificidades da prática docente em Geografia; • Aproximar as discussões realizadas no bojo das disciplinas específicas e pedagógicas, de modo a imbricar e enriquecer a discussão sobre o conhecimento geográfico; • Contribuir, através de um efetivo trabalho pedagógico, para que os licenciandos - professores em formação - desenvolvam uma postura autônoma; • Estabelecer parcerias entre o ambiente acadêmico e escolas da Educação Básica, inserindo gradativamente os licenciandos em contato com o ambiente escolar; • Refletir sobre a importância do desenvolvimento da pesquisa na ação docente. 7 3. O Estágio Supervisionado enquanto espaço de vivência e campo formativo: compartilhando a experiência O Estágio promove ao futuro professor oportunidades para o desenvolvimento de um processo de autoconhecimento e construção de uma identidade docente, fundamental para a constituição de posicionamentos, atitudes profissionais e convicções sobre, por exemplo, que Geografia vai ensinar. Nesse contexto, Cavancanti (2012, p. 97) enfatiza que para ir de encontro a uma cultura predominante em que a escola é apenas o lugar da prática e os estágios são momentos de aplicação de modelos de professor e de prática docente definidos teoricamente, urgem novas relações. Para a autora o que se busca atualmente são: relações de intercâmbio e de parceria efetiva para a realização de estágio como campo formativo, em que haja envolvimento de ambas as partes na definição de projetos, com base no entendimento do estágio como momento teórico-prático de realizar intervenções criativas ou pesquisas baseadas em situações-problema, num trabalho mais colaborativo entre equipes formadoras por professores formadores de licenciaturas, professores de educação básica e estagiários. No tocante ao processo de ensino, o Estágio também permite a experimentação de ações de planejamento relacionadas a um saber-fazer atrelado à proposição de objetivos, à seleção e abordagem de conteúdos, à definição de procedimentos de ensino adequados a diferentes grupos e realidades, à escolha de recursos didáticos, bem como, à elaboração de projetos de ensino interdisciplinares. Considerando a importância de colocar os professores em formação em contato com a realidade escolar surgiu uma inquietação: Como desenvolver uma experiência nos estágios de modo a favorecer maior aproximação entre os sujeitos envolvidos, rompendo com a visão do estágio enquanto componente puramente obrigatório e didático, configurando-o, portanto, em espaço de vivência e campo formativo, através de uma ação dialógica e colaborativa? A partir de tal questão, a equipe pedagógica envolvida, iniciou uma pesquisa bibliográfica que fundamentasse seu processo de planejamento, tendo alicerce em ideias de autores que trabalham temas relevantes para a construção da docência, a formação de professores em Geografia, como também relacionados ao Estágio Supervisionado. Após a fase de pesquisa e estudo bibliográfico, foi necessário entrar em contato com a escola que acolheria os futuros estagiários para fazer o planejamento da ação. 8 Vale ressaltar que embora as docentes das disciplinas de Estágio tenham feito uma estruturação prévia, os estudantes e demais envolvidos no processo tiveram liberdade para opinar, o que acabou mobilizando, muitas vezes, o replanejamento das ações. Essa flexibilidade foi essencial tendo em vista o desejo de construir uma proposta colaborativa, na qual todos os sujeitos pudessem e devessem discutir, opinar e conceber, além de dialógica, a fim de estabelecer um debate efetivo sobre as possibilidades para o estágio supervisionado. Prosseguindo, os estagiários foram a campo, na Escola de 1º Grau Getúlio Vargas, situada próximo ao IFBA, no bairro do Barbalho, Salvador/BA, para realizarem as atividades que haviam sido concebidas e discutidas. A realização dessa fase foi possível a partir da receptividade da equipe escolar que, embora em alguns momentos estivesse em meio às dificuldades cotidianas, aceitou desenvolver o acompanhamento do grupo. A adequação do planejado à realidade escolar foi feita sempre que necessário, afinal era fundamental ter o olhar e escuta sensíveis ao que o grupo, formado pela equipes docente e gestora, professores supervisores e estagiários, sinalizava durante o processo. Ao concluírem as observações e participações propostas, os estudantes de cada grupo (Estágio I e Estágio II) procederam trocas necessárias para que fosse possível elaborar o Relatório de Estágio, instrumento que deve apresentar uma reflexão crítica sobre a vivência em foco. A conclusão da fase de campo favoreceu dados para que as docentes responsáveis pudessem verificar falhas e (re)planejar a ação (Ver Esquema 1 em anexo). 4. A guisa de conclusão: avaliando a experiência A ação foi finalizada e favoreceu o diagnóstico de que, embora represente um verdadeiro desafio, é possível desenvolver uma experiência significativa no estágio supervisionado. Outros aspectos considerados foram à reflexão acerca da docência em Geografia na Educação Básica, bem como dos principais entraves que interferem nos processos de ensino e aprendizagem na referida área do conhecimento. Os Relatórios de Estágio, cujas fases contemplaram as observações do ambiente escolar e do espaço da sala de aula, o planejamento, a execução e a avaliação crítica, foram importantes dados apresentados pelos alunos. Os relatos de professores regentes 9 e demais funcionários da Escola-campo também se configuraram em significativa fonte de informações. Assim, o Estágio Supervisionado destaca-se como significativo componente curricular preparatório para a docência. A sua importância como campo de vivência e espaço formativo advém da possibilidade de oportunizar experiências e reflexões a partir de práticas sustentadas em estratégias didático-pedagógicas voltadas ao tratamento das referências teóricas e metodológicas para a Geografia escolar. Em suma, convém abordar que como caminho para uma formação docente de qualidade considera-se necessária a constituição de parcerias entre instituições de ensino superior e os sistemas de ensino básico, tendo em vista a possibilidade de haver, por meio da indissociabilidade entre teoria e prática, o desenvolvimento da investigação sobre a educação geográfica e sobre as soluções para os problemas a serem enfrentados numa perspectiva de rede colaborativa. Assim é que o Estágio Supervisionado nos cursos de formação de professores traduz-se em espaços que oportunizam a formação inicial dos alunos estagiários e a formação continuada para os professores regentes, por mobilizar um (re)pensar baseado em novos trajetos e possibilidades de revisões, de reinvenções e reconstruções do percurso profissional. Referências ALMEIDA, Maria Isabel. Ensino com pesquisa na licenciatura com base na formação docente. In: XIV ENDIPE, Livro 2: Porto Alegre, 2008. p. 473- 487. ANDRÉ, Marli (Org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas, SP: Papirus, 2001. BRASIL. Ministério de Educação e Desportos. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº 9.394/96). Brasília: MEC, 1997. CALLAI, Helena Copetti. A educação geográfica na formação docente: convergências e tensões. In: Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente / organização de Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos. 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Formação inicial de professores para a educação básica: uma (re)visão radical. In: Revisto Ibero Americana de Educação. N. 25, jan. abril 2001. Disponível em: http://www.rieoei.org/rie25a06.htm>. Acesso em: 20/05/2006. PASSINI, Elza Yasuko. Prática de ensino de geografia e estágio supervisionado. São Paulo, Contexto, 2007. PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. 6ª Ed. Editora: Cortez, 2011. VEIGA, Ilma Passos Alencastro. A aventura de formar professores. Campinas, SP: Papirus, 2009. VESENTINI, José Willian. Repensando a Geografia Escolar para o Século XXI. São Paulo: Plêiade, 2009. 11 ANEXO: Esquema 1: Proposta metodológica O Estágio Supervisionado e a construção da prática docente em Geografia: Uma relação dialógica Reunião Institucional para pensar a proposta Reunião Institucional para elaborar a proposta Apresentação da proposta para as escolas Reunião para apresentação da proposta aos estagiários envolvidos no processo Pesquisa bibliográfica sobre o tema Estudo bibliográfico sobre o tema Planejamento coletivo da fase de campo Diagnóstico da realidade escolar Pesquisa documental no ambiente escolar Entrevistas no ambiente escolar Re-orientação dos estagiários Troca de experiências entre os estagiários Registro das experiências pelos estagiários Análise das experiências pelos docentes do IFBA Troca de experiências entre os docentes do IFBA Socialização do trabalho junto às escolas envolvidas Avaliação coletiva da proposta pelos sujeitos envolvidos no processo (Re)orientação da proposta Elaboração: as autoras, 2014.