Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 389 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO INFLUÊNCIA DA CULTURA NAS ESPECIFICIDADES LINGUÍSTICAS FONÉTICO/FONOLÓGICAS E LEXICAIS NA CIDADE DE MONTE DO CARMO (TO) Maria Cícera Fernandes Celedonio (PIBIB/ UnirG) [email protected] RESUMO: Este trabalho é o projeto de doutoramento em Ciências da Linguagem, cujo tema é: O Falar de Monte do Carmo TO: A Influência da Cultura nas Especificidades Linguísticas Fonético/Fonológicas e Lexicais. Propomos analisar a Linguagem e a Cultura dos falantes dessa cidade dada à existência de um processo multicultural de diversas origens remotas impregnadas nos falantes, resultante da interação de uma miscigenação multicultural com o ambiente físico-social a fim de obtermos um corpus elaborado cientificamente para os estudiosos da língua, visto que não há registros que nos possibilite o entendimento dos fatores históricos, linguísticos e culturais desta cidade. Este Projeto terá como base teórica os princípios, métodos e técnicas da Dialetologia / Geolinguística, por ir trabalhar com um corpus de falares regionais, da Sociolinguística, por terem os informantes às características linguísticas de variantes sociais; da Etnolinguística, uma vez que as formas linguísticas por eles utilizadas estão diretamente relacionadas à sua cultura local e regional. A escolha do tema desta pesquisa provém de uma necessidade de analisar e de refletir intensamente sobre este vasto campo, no sentido de questionar até que ponto a cultura influencia no domínio lexical do indivíduo. Quanto à distinção entre dialeto ou subdialeto e falar local, optamos pela designação dialeto ou subdialeto e iremos tentar observar se a linguagem dos falantes da cidade de Monte do Carmo e por extensão ao Estado do Tocantins ou parte dele, corresponderá a um subdialeto do dialeto baiano ou outros aspectos dialetais da zona indefinida. Palavras chave: Cultura. Linguagem. Fonético/Fonológicas. Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 390 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO INTRODUÇÃO A Linguagem e a Cultura podem identificar os falantes, ou uma comunidade com uma personalidade linguística própria e a partir dela definem-se grupos sociais pertencentes a uma cultura particular. Com esta percepção, propomos a elaboração deste projeto de investigação no âmbito do Doutoramento em Ciências da Linguagem. Elegemos como tema: O Falar de Monte do Carmo TO: A Influência da Cultura nas Especificidades Linguísticas Fonético/Fonológicas e Lexicais, haja vista a forte produção material que norteia a identidade histórica, demonstrando que há conhecimentos sedimentados nas memórias dos membros dos grupos que experienciam, em forma de discursos, a transposição da linguagem e da cultura de uma geração para a próxima. Assim a cultura é praticada a cada dia e compartilhada pela história e tradição. Esses conhecimentos sedimentados precisam ser registrados, analisados e divulgados para que os habitantes de Monte do Carmo-TO conheçam um pouco de sua identidade. Quanto à distinção entre dialeto ou subdialeto e falar local, optamos pela designação dialeto ou subdialeto e iremos tentar observar se a linguagem dos falantes da cidade de Monte do Carmo e por extensão ao Estado do Tocantins ou parte dele, corresponderá a um subdialeto do dialeto baiano ou outros aspectos dialetais da zona indefinida. Dada a existência de um processo multicultural de diversas origens remotas impregnadas nos falantes, resultante da interação de uma miscigenação multicultural com o ambiente físico-social, colocamos na formulação do problema, qual a influência dessas diversidades multiculturais, se proveem nomeadamente de origem portuguesa, indígena e africana, com matização dialetal dos falantes de Monte do Carmo-TO, sobretudo no estatuto sociocultural dos falantes >54 anos, e se originam no fenômeno de diglossia em diferentes Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 391 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO níveis linguísticos, a ponto de colocar o falar de Monte do Carmo mais extensivo a outras regiões numa dimensão já de dialeto ou subdialeto? Iremos também referir, de forma muito sucinta, alguns aspectos geográficos, históricos e culturais de Monte do Carmo, para se ter uma ideia a priori da situação geográfica e da relação entre linguagem e cultura. Linguisticamente é relevante analisar a Linguagem e a Cultura de Monte do CarmoTO a fim de obtermos um corpus elaborado cientificamente para os estudiosos da língua, visto que não há registros que nos possibilite o entendimento dos fatores históricos, linguísticos e culturais desta cidade. DESENVOLVIMENTO A língua é um elemento cultural próprio de uma sociedade. Como a sociedade, que compreende todos os tipos de pessoas, diferentes entre si, com suas particularidades e singularidades, a língua é heterogênea, varia constantemente, nunca é igual e estagnada. Se assim fosse, não representaria a veracidade social. Conforme Tarallo (2003, p.19), “a língua falada está totalmente inserida e interligada à sociedade. Não há sociedade sem língua e nem língua sem uma sociedade para que esta se manifeste”. Nessa perspectiva, a língua é instrumento social e assim é que deve ser pesquisada. Assim ocorre no Brasil: apesar de ter um único sistema linguístico, apresenta significativas diferenças regionais, que singularizam e particularizam a linguagem do falante ou da região, “dividindo” o país em vários “países”. A comunidade de Monte do Carmo procura preservar a cultura milenar realizando todos os anos, no mês de julho, os festejos nos quais os romeiros e fiéis celebram suas Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 392 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO tradições, demonstradas tanto pelos ricos, pobres, negros e brancos que unidos conseguem contagiar a todos os visitantes e festeiros, os quais são atraídos pelo batuque do tambor e pelo espírito festivo dessa gente humilde, mas devota de uma tradição secular, tal como a dança dos Congos, a qual representa suas origens. Em termos linguísticos, consideraremos os fatores extralinguísticos ou socioculturais que vão condicionar a linguagem seja quanto a aspectos fonético/fonológicos seja a nível lexical. Essas visões são reforçadas com outras instituições e, outros tipos de socialização acontecem. Atitudes comuns, crenças e valores são refletidos no caminho dos membros dos grupos que usam a linguagem, o que eles escolhem dizer ou não dizer e como eles dizem isso. Nesse sentido, na trajetória dessa investigação, pretendemos evidenciar, neste estudo, centrando nossa atenção na cultura e na influência desta no léxico e nos aspectos fonético/ fonológico na fala, com a máxima objetividade possível, como esforço para trazer um contributo e uma melhor clarificação nos domínios dialetais e etnolinguísticos ainda não estudados. Este Projeto terá como base teórica os princípios, métodos e técnicas da Dialetologia / Geolinguística, por ir trabalhar com um corpus de falares regionais, da Sociolinguística, por terem os informantes às características linguísticas de variantes sociais; da Etnolinguística, uma vez que as formas linguísticas por eles utilizadas estão diretamente relacionadas à sua cultura local e regional. Tendo em atenção que o falar da cidade de Monte do Carmo situada na zona mais central do Estado do Tocantins, ele mesmo também localizado no centro do Brasil, apresenta uma personalidade linguística própria com maior incidência nos falantes de primeira geração; isto é, com estatuto sociocultural > 54 anos, profissão no setor primário, escolaridade baixa, considerados analfabetos, incluindo homens e mulheres. Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 393 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO De acordo com esta perspectiva, o propósito da investigação sobre “Linguagem e Cultura em Monte do Carmo” é registrar um corpus linguístico por meio de entrevistas, com gravação de fala, para analisá-lo dentro do âmbito linguístico-cultural, com incidência nos níveis fonético/fonológico e lexical. Na linha de pensamento aqui referido, tendo em atenção o tema de investigação, acreditamos adquirir um conhecimento aprofundado de modo que, o nosso estudo, ao ser realizado com as propostas aqui planejadas, limitando rigorosamente os seus contornos, recorrendo a leituras bibliográficas necessárias e adequadas e, no sentido de que sua utilidade possa vir a influenciar todos os trabalhos futuros nesta área, a respeito das diversidades multiculturais que influenciam a matização dialetal dos falantes em Monte do Carmo-TO. Quanto à formulação do problema, levamos em atenção a sua clareza, para que não seja ambígua, recorrendo a formalizações e especificações para contrastes. A significação do problema e a sua resolução interessarão a maior parte dos especialistas. A documentação, sobretudo com o contributo das recolhas do trabalho de campo, mostrará detalhadamente a evolução do problema de investigações anteriores, quase inexistentes, no enfoque dialetal, etnolinguísticos e da relação linguagem e cultura, dando um contributo mais significativo para a clarificação da vasta e imensa diversidade variacional brasileira. Neste contexto, tendo como pano de fundo as manifestações culturais e religiosas, os aspectos verbais e não verbais representados pela linguagem, as crenças populares, pontos de vista, o presente projeto tem como finalidade alcançar os seguintes objetivos: 1. Adquirir novos conhecimentos sobre linguagem e cultura em Monte do Carmo. 2. Distinguir os registros fonético-fonológicos e lexicais da fala, em situação informal, através da interação com as camadas estratificadas, ou com recurso a textos marcadamente culturais: escritos ou orais. Se forem orais faremos uma transcrição gráfica (tal como o falante se expressa) e fonética. Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 394 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO 3. Proceder à análise dos dados fonético/fonológicos e lexicais, segundo princípios da linguística funcional, e suas regras, elaborando um corpus de trabalho, no âmbito da variação linguística diatópica, diastrática. 4. Aplicar os dados recolhidos, fonético/fonológicos e lexicais organizados numa amostra representativa de falantes, com incidências na primeira geração > 54 anos, recorrendo a regras para isolar os fonemas dialetais e variantes geográficas mais características, no âmbito da coexistência dos sistemas, tentando isolar a variante linguística local. 5. Aplicar os dados lexicais recolhidos em discursos dos falantes em situações de comunicação, nas diversas zonas de Monte do Carmo, como operação de contraste, tendo em atenção o conservantismo linguístico e a personalidade linguística e cultural próprias desta comunidade, tendo em linha de conta a origem e identidade. 6. Elaborar um trabalho de síntese nos níveis fonético/fonológico e lexical, da variante linguística local, com sistematizações e tratamento dos dados, incluindo a elaboração de um glossário do falar local. METODOLOGIA Os aspectos metodológicos de nossa investigação, para além da abordagem histórico-cultural sobre a pesquisa em Monte do Carmo, caracterizam-se por ser sincrônica com incursões diacrônicas. Contudo, a metodologia definida como ponto de partida, não exclui a hipótese de a própria investigação condicionar novos aspectos teóricos. Parece-nos relevante começar por situar o objeto de estudo nos domínios da geolinguística ou dialetal segundo investigadores brasileiros que nos precederam, mas que especificamente não abordaram, especificamente, esta comunidade linguística do Estado do Tocantins, pois segundo Coseriu (1982, p.79), a Geolinguística, Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 395 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO [...] pressupõe o registro em mapas especiais de um numero relativamente elevado de formas linguísticas (fônicas, lexicais ou gramaticais) comprovadas mediante pesquisa direta e unitária numa rede de pontos de um determinado território, ou que, pelo menos, tem em conta a distribuição das formas no espaço geográfico correspondente a língua, as línguas, aos dialetos ou aos falares estudado. Precisamente o objeto do nosso estudo, aspectos do falar do Monte do Carmo no Estado do Tocantins situa-se, segundo Antenor Nascentes no extremo oeste do dialeto baiano, na zona divisória e reflete traços dos dialetos do grupo do Norte (do nordestino e amazônico) e o do grupo do Sul (o baiano e o território incaracterístico). Estamos em crer que a nossa investigação será um contributo para clarificar estas diversas interferências dialetais e defini-las com mais rigor e precisão, sobretudo o território indefinido, ainda não estudado. Considerando que os sons da fala variam de falante para falante, a análise dos fenômenos fonético-fonológicos da fala da comunidade em Monte do Carmo-TO, torna-se fundamental para justificar algumas atualizações linguísticas encontradas na região. Os métodos da observação e análise incidirão sobre aspectos fonético/fonológicos e lexicais, cuja pesquisa e observação contemplam em primeiro lugar como observação documental fontes documentais como documentos diretos e indiretos embora não sejam muitos e não existam em nosso entender, a priori de modo significativo. Análise dos documentos seguirá métodos tradicionais internos e externos no âmbito da linguística descritiva e funcional. Em segundo lugar procederemos a uma observação direta extensiva-sondagem com recurso a uma amostragem e técnica de questionário com a elaboração e aplicação, não esquecendo a apresentação dos resultados com sistematizações. Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 396 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO Procederemos também entrevistas, nas quais teremos a participação de quatro acadêmicos do Curso de Letras que integram o Programa de Iniciação a Docência ( PIBIB) do Centro Universitário UnirG, e a construção de uma ama estratificada de falantes incidindo na primeira geração > 54 anos de acordo com técnicas adequadas de amostragem (Morales, 1994, pp. 41-56). Os sujeitos da amostra serão em número de 100 (cem) considerados representativos e adequados muito superior a 25 sujeitos por cada 100.000 (Labov, 1966, pp. 170-174), em conformidade com os dados demográficos e sociais, sobretudo quanto à escolaridade e setor de atividade primário e sexo dos falantes como variáveis de algumas hipóteses formuladas tentado descobrirem a maior incidência. Como segundo grande aspecto metodológico procederemos à comparação aplicando métodos comparativos clássicos e, depois da sistematização e métodos gráficos, matemático com recursos gráficos e também não matemáticos, sobretudo mapas geográficos e geolinguísticos ou figuras imaginadas, sobretudo na apresentação dos resultados, após o tratamento dos dados. Quanto aos aspectos lexicais procederemos, sobretudo a recolha do léxico da variante local tentando elaborar e apresentar um glossário do falar de Monte do Carmo. Consideraremos a variação linguística, sobretudo diatópica e diastrática (Coseriu, 1981, pp.302-304) e a relação entre os aspectos linguísticos e extralinguísticos ou socioculturais, em primer lugar El plano del saber histórico no contiene sólo hechos linguísticos, sino también otras tradiciones, relativas, éstas, a las “coisas”, al mundo extralinguístico. Para identificar el saber propiamente linguístico y estabelecer qué há de ser la descripción uma língua debemos por conseguiente , hacer una primera distición entre conocimento de las cosas y saber idiomático. (COSERIU, 1981, pp 288-289). Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 397 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO De fato, a nossa investigação leva sempre em atenção à relação linguagem e cultura considerando diversas perspectivas (Velarde, 1988, pp.11-12) considerando a amplitude da variação diatópica e constituição de sistemas nós ultrapassamos o conceito saussuriano de língua como um sistema (Saussure, 1932, p.37) posteriormente desenvolvido como um sistema de sistemas ou diassistema (Coseriu, 1981, p. 306) dada à abrangência dialetal e perspectiva de uma língua como “um conjunto mais ou menos de dialectos”, “niveles” e estilos de língua (Coseriu, 1981, p. 306). Adotamos o conceito de dialeto já antigo na tradição linguística portuguesa que remonta mesmo ao Vocabulário Português e Latino (Bluteau, 1712-1719, p. 205). Regras da Língua Portuguesa, Espelho da Língua Latina (Argote, 1725, pp. 291-301) até se fixar em José Leite de Vasconcelos (1887-1899), sobretudo Carta Dialectológica do Dialeto Português Vasconcelos, (1893) documento introdutor da dialetologia em Portugal. Por isso entendemos que o falar de Monte do Carmo se integra no Dialeto Baiano como parte da arquitetura linguística dialetal brasileira. Poderá corresponder um subdialeto do dialeto baiano se tiver uma extensão que abranja uma área maior do Estado do Tocantins. Em nosso entender a designação dialeto ou subdialeto é mais geral e abrangente e poderá conter dentro de si pequenas comunidades linguísticas próprias que consideramos falares. A variação diatópica (Coseriu, 1981, p.306) adota a designação dialetos, que nós seguimos e aplicamos, concebendo mesmo a existência de subdialetos, ou dialetos como subdivisões de uma língua particular ou dialetos urbanos (Chambers e Trudgill, 1994, pp. 1920, 82,84). Poderá ser o caso dos falantes de Monte do Carmo mais extensivo a uma região maior. Na perspectiva lexical ou lexicográfica já aludimos à elaboração de um glossário característico de Monte do Carmo elaborado conforme as regras tradicionais da lexicografia Realização Apoio Anais do I Simpósio de Linguística, Literatura e Ensino do Tocantins ISBN: 978-85-63526-36-6 398 11 a 13 de Novembro de 2013 – UFT/Araguaína –TO quanto às entradas lexicais, indicando eventuais variantes diferentes do significado de cada entrada. Atendendo a relação Linguagem e Cultura tentaremos fazer uma breve incursão na lexicologia na tentativa de ilustrar os campos lexicais mais evidentes considerando que “el campo léxico es una estructura primaria del lexico; más aún: es, em este domínio, la estructura paradigmática por excelencia” ( Coseriu, 1977, p. 210). CONSIDERAÇÕES Estamos em crer que o uso por parte da comunidade linguística de duas variantes da mesma língua em que uma delas está subordinada a outra; ou seja, variante “baixa” ou local reservada para uso familiar e variante “alta” para usos públicos, fenômeno linguístico designado por diglossia por vezes integrado como uma espécie de bilinguismo (Martinet, 1966, p. 144), mais claramente adotado com a designação de diglossia (Ferguson, 1959, pp.325-340) existe no falar de Monte Carmo, como teremos oportunidade de comprovar no trabalho de campo. 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