UNISEB COC TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO BACHARELADO EM ENGENHARIA AMBIENTAL PROSPECÇÃO DE FUNGOS FILAMENTOSOS PRODUTORES DE XILANASES E/OU CELULASES PARA REALIZAÇÃO DE HIDRÓLISE ENZIMÁTICA DE BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR André Luiz Gianeti Cardoso Orientador: Dr(a). Simone de Carvalho Peixoto-Nogueira RIBEIRÃO PRETO 2011 ANDRÉ LUIZ GIANETI CARDOSO PROSPECÇÃO DE FUNGOS FILAMENTOSOS PRODUTORES DE XILANASES E/OU CELULASES PARA REALIZAÇÃO DE HIDRÓLISE ENZIMÁTICA DE BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR Trabalho de conclusão de curso apresentado às Faculdades COC de Ribeirão Preto, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Ambiental. Orientador: Dr(a). Simone de Carvalho Peixoto-Nogueira RIBEIRÃO PRETO 2011 C266p Cardoso, André Luiz Gianeti. Prospecção de fungos filamentosos produtores de xilanases e/ou celulases para hidrólise enzimática do bagaço de cana-deaçúcar. André Luiz Gianeti Cardoso. - Ribeirão Preto, 2011. 49 f. Orientadora: Profª. Drª. Simone de Carvalho PeixotoNogueira. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNISEB de Ribeirão Preto, como parte dos requisitos para obtenção do Grau de Bacharel em Engenharia Ambiental sob a orientação da Profª. Drª. Simone de Carvalho Peixoto-Nogueira.. 1. Engenharia ambiental. 2. Microbiologia. 3. fungos filamentosos. 4. Etanol. I. Título. II. PeixotoNogueira, Simone de Carvalho. CDD 628.15 ii TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Aluno: André Luiz Gianeti Cardoso Código: 5455 Curso: Engenharia Ambiental Semestre/Ano: 10º/2011 Tema: Prospecção de fungos filamentosos produtores de xilanases e/ou celulases para realização de hidrólise enzimática de bagaço de cana-de-açúcar. Objetivos pretendidos: Obter, a partir dos fungos selecionados, enzimas capazes de fazer a hidrólise enzimática do bagaço de cana-de-açúcar e aperfeiçoar as condições de cultivo desses mesmos fungos. _____/_____/________ ______________________________ Prof.ª Simone de C. Peixoto-Nogueira Professor(a) Orientador(a) _____/_____/________ _____________________________ André L. Gianeti Cardoso Aluno _____/_____/________ _____________________________ Prof. Osmar Sinelli Coordenador do Curso _____/_____/________ _____________________________ Prof. Reginaldo Arthus Vice-Reitor iii TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO – FATCC Tema do trabalho: Prospecção de fungos filamentosos produtores de xilanases e/ou celulases para realização de hidrólise enzimática de bagaço de cana-de-açúcar. Data da apresentação: _____/_____/________ Horário: ____________ Local: _________________________________ Comissão Julgadora: 1) Professor Orientador: ________________________________________________ 2) Professor da Área: __________________________________________________ 3) Professor Convidado: ________________________________________________ iv FOLHA DE PONTUAÇÃO Fatores de Avaliação Pontuação (0.0 a 2.0) 1. Atualidade e relevância do tema proposto. 2. Linguagem técnica utilizada em relação ao tema e aos objetivos, e competência lingüística. 3. Aspectos metodológicos e formais da editoração do trabalho escrito - seqüência lógica e coerência interna. 4. Revisão Bibliográfica realizada em relação ao tema pesquisado. 5. Apresentação oral – segurança e coerência em relação ao trabalho escrito. Média: ____________ (__________________________________________________) Assinaturas dos membros da Comissão Julgadora: 1) _____/_____/________ _______________________________________________ 2) _____/_____/________ _______________________________________________ 3) _____/_____/________ _______________________________________________ v À minha querida mãe Divalda Gianeti, dedico este trabalho, todo o meu amor e reconhecimento por seu esforço em procurar, desde cedo, proporcionar-me um futuro e uma vida digna. Por sua influência direta cheguei até aqui, sendo ela uma fiel amiga. vi AGRADECIMENTOS A minha orientadora, Dr(a). Simone de Carvalho Peixoto-Nogueira pela dedicação e contribuição, para a concretização deste trabalho. A minha namorada Fernanda, pelo apoio e incentivo. À Uniseb - COC e aos professores que proporcionaram todo conhecimento e aprendizado necessário para minha formação acadêmica, profissional e pessoal. A todos meus amigos de classe que lutaram ao meu lado para conquistar este objetivo, em especial Murilo de Paula Peterson Luque, Otávio Loss, Irineu Côrrea Neto e Renan Carneiro de Castro. Ao meu querido Pai Evandro Luiz Cardoso, agradeço e também dedico este trabalho. Muito obrigado Pai pelo amor e carinho. A minha irmã que muitas coisas me ensinou e muito amor me dedicou. Aos meus Tios Ademir e Denizete, que não medem esforços em me ajudar todas as vezes que preciso. vii “É melhor que fale por nós a nossa vida, que as nossas palavras”. Mahatma Gandhi viii RESUMO O trabalho iniciou-se com a coleta e prospecção de fungos filamentosos produtores de xilanases e/ou celulases. As áreas para coleta e prospecção foram escolhidas de acordo com a possibilidade de se encontrar fungos produtores de xilanases e/ou celulases, uma vez que nessas áreas encontra-se material rico em xilana e celulose, assim, foi estabelecida como prioridade a escolha de áreas com grande quantidade de matéria vegetal em decomposição. As áreas de coleta foram: mata estadual de Batatais - SP, Bosque municipal de Ribeirão Preto – SP e usina São Martinho S/A. Foram isoladas dezesseis espécies as quais foram submetidos a um screening. As cepas denominadas AG7, AG11 e AG12 produziram mais xilanases e/ou celulases em comparação às demais linhagens testadas. Com o intuito de obter melhores condições de cultivo, o fungo AG7 foi cultivado com diferentes fontes de carbono, as quais foram encubadas por 72 horas. Após esse experimento, escolheu-se o melhor tempo de cultivo (72 horas) e fonte de carbono (farelo de trigo), para a realização dos experimentos posteriores. ix ABSTRACT The work began with the collection and bioprospection of filamentous fungi producing xylanases and / or cellulases. Areas for collecting and prospecting were chosen according to the possibility of finding fungi that produce xylanases and / or cellulases, since these areas is a material rich in cellulose and xylan was thus established as the choice of priority areas with lots of mulch. The collection areas were state forest of Batatais - SP, municipal woodland of Ribeirão Preto - SP and Factory São Martinho S/A. Sixteen species were isolated which were subjected to a screening. Strains called AG7, AG11 and AG12 produced more xylanase and / or cellulase in comparison to other strains tested. In order to better growing conditions, AG7 the fungus was grown with different carbon sources, which were incubated for 72 hours. After this experiment, we chose the best cultivation time (72 hours) and a carbon source (wheat bran), for the experiments later. x SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................. 1 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................................................... 2 2.1 FUNGOS ......................................................................................................................................................... 2 2.2 FUNGOS FILAMENTOSOS ................................................................................................................................ 2 2.3 O REINO FUNGI .............................................................................................................................................. 3 2.4 COMPOSIÇÃO DA PAREDE CELULAR VEGETAL ................................................................................................ 4 2.5 OS SISTEMAS ENZIMÁTICOS EM ESTUDO ........................................................................................................ 8 2.5.1 A xilana e o sistema xilanolítico ........................................................................................................... 8 2.5.2 A celulose e o sistema celulolítico ...................................................................................................... 10 3. OBJETIVOS .................................................................................................................................................... 12 4. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................................................ 13 4.1 COLETA E ISOLAMENTO DE FUNGOS FILAMENTOSOS.................................................................................... 13 4.1.2 Isolamento dos microrganismos coletados......................................................................................... 13 4.2 MANUTENÇÃO DAS CEPAS ........................................................................................................................... 13 4.3 CONDIÇÕES DE CULTIVO EM FERMENTAÇÃO SUBMERSA .............................................................................. 14 4.4 DOSAGENS ENZIMÁTICAS ............................................................................................................................ 15 4.4.1 Xilanase .............................................................................................................................................. 15 4.4.2 Celulase .............................................................................................................................................. 15 4.5 DOSAGEM PROTÉICA .................................................................................................................................... 15 5. RESULTADOS ................................................................................................................................................ 16 5.1 COLETA E ISOLAMENTO DE FUNGOS FILAMENTOSOS.................................................................................... 16 5.2 SCREENING ................................................................................................................................................... 22 5.2.1 Screening - Xilanases ......................................................................................................................... 22 5.2.2 Screening – Celulases ........................................................................................................................ 23 5.3 EFEITO DE FONTE DE CARBONO NA PRODUÇÃO ENZIMÁTICA ....................................................................... 24 6. DISCUSSÃO .................................................................................................................................................... 26 7. CONCLUSÃO ................................................................................................................................................. 28 8. POSSIBILIDADE PARA EXPERIMENTOS FUTUROS........................................................................... 29 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................................... 30 xi LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AG: André Gianeti M: Lamela Média P: Parede Primária S1: Parede Secundária 1 S2: Parede Secundária 2 S3: Parede Secundária 3 L: Lúmen Nº: Numeração CMC: CM-celulose U: Unidades mg: Miligramas Prot: Proteínas µg = microgramas mL = mililitros C-2 = Carbono 2 C-3 = Carbono 3 O = Oxigênio xii LISTA DE SÍMBOLOS OH = É um radical e íon negativo, OH (hidroxila ou hidróxido) CH2O = Formaldeído COOH = ácidos carboxílicos H2O = Água DNS = Ácido 3,5 dinitrosalicílico pH = Ponte de Hidrogênio BSA = Albumina de soro bovino nm = Nanômetro MgSO4.7H2O = Sulfato de magnésio heptaidratado KH2PO4 = Fosfato de Potássico Monobásico NH4H2PO4 = Fosfato de Amônio Monobásico p/v = Peso/volume xiii LISTA DE QUADROS Quadro 1- Divisão do Reino Fungi...........................................................................................4 xiv LISTA DE ILUSTRAÇÕES Tabela 1 – Composição química (%) da parede celular de uma fibra de madeira......................7 Tabela 2 – Composição química de quatro espécies de madeira mole e madeira dura..............8 Tabela 3 – Coordenadas dos pontos de coleta referentes as imagens da figura 7............... .....19 Tabela 4 – Fungos Isolados.......................................................................................................22 Tabela 5 – Dados obtidos para o screening das xilanases.........................................................23 Tabela 6 – Dados obtidos para o screening das celulases.........................................................24 Tabela 7 – Efeito de diferentes fontes de carbono na produção celulolítica do fungo AG7.....25 1 1. Introdução O interesse nos estudos de enzimas está na sua possibilidade de aplicação em diversos setores industriais melhorando procedimentos e produtos já existentes, bem como no estabelecimento de novos processos. As principais aplicações de xilanases são para o biobranqueamento da polpa de celulose na indústria de papel e celulose (BHAT, 2000; WHITMIRE & MAITI, 2002; TECHAPUN et al., 2003; SANDRIM et al., 2005; BETINI et al., 2008; PEIXOTO-NOGUEIRA et al., 2009), assim como na indústria de rações (TRICARICO et al., 2005; JURKOVICH et al., 2006; PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009). Os produtos da hidrólise de xilana, como a xilose, podem ser convertidos em combustíveis líquidos como etanol (SHAPACK et al., 1987; CHEN et al., 2007; PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009), solventes, e adoçantes artificiais de baixa caloria (xilitol) (PARAJÓ et al., 1998; ARISTIDOU & PENTILLÄ, 2000; LIAVOGA et al., 2007; PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009). Outra categoria envolve o uso do complexo xilanolítico no processamento de fibras vegetais como o cânhamo ou o linho na indústria têxtil (CSISZÁR et al., 2006; PEIXOTONOGUEIRA, 2009). As celulases que são enzimas que constituem um complexo capaz de atuar sobre materiais celulósicos, promovendo sua hidrólise, por serem enzimas que são biocatalisadores altamente específicas que atuam em sinergia para a liberação de açúcares, dos quais glicose é o que desperta maior interesse industrial, devido à possibilidade de sua conversão em etanol. 2 2. Revisão Bibliográfica 2.1 Fungos Os organismos conhecidos como fungos possuem peculiaridades, e isto lhes confere a exclusividade de um reino aparte, conhecido como reino Fungi. Com uma extensa variedade de organismos, estes são cosmopolitas, de formas microscópicas, apresentando-se também em formas macroscópicas. Esses microscópicos seres coexistem conosco vivendo em diferentes hábitats: água, ar, plantas, solo, animais e até mesmo no próprio homem. Estes organismos vivem em relações onde podem proporcionar tanto benefícios quanto malefícios ao meio onde existe, bem como a outros organismos na natureza. Os fungos desempenham papel de grande importância no equilíbrio do ambiente. São os fungos importantes aliados do processo de decomposição, em especial a decomposição de vegetais (GHIZELINI et al., 2006). Tal atividade é exercida, principalmente, por suas enzimas extracelulares, como as celulases e pectinases que fazem a degradação das estruturas rígidas de plantas, que não são digeridas por outros animais (STAMFORD et al., 1998). Os fungos se associam a outros seres, e auxiliam no desenvolvimento de espécies. Um exemplo são as micorrizas, simbiose entre plantas e fungos, que ajuda a planta a absorver minerais e água do solo (PEREIRA et al., 1996). Os fungos são explorados de diversas formas, principalmente nas indústrias farmacêuticas, de alimentos, cosmética e têxtil, que utilizam o seu potencial de produção de ácidos cítricos, fumárico e gálico para fabricação de seus produtos. 2.2 Fungos Filamentosos Os fungos filamentosos são formados e constituídos a partir de estruturas de frutificação que germinam dando origem a tubos germinativos que crescem, formando as hifas ou filamentos. (TORTORA et al., 2002). As hifas podem ser septadas ou não, sendo essa última denominada hifa cenocítica. O septo serve para promover a individualização das células que compõem as hifas. Desse modo, no segmento intermediário de dois septos têm-se uma célula e, consequentemente, um núcleo. Apesar de o septo estar presente a individualização não ocorre completamente, pois os septos apresentam poros interligando o citoplasma de uma célula com outra. Em se tratando de hifas 3 cenocíticas, essas são visualizadas como uma estrutura contínua composta de vários núcleos. O crescimento da hifa ocorre por alongamento de suas extremidades. Em condições ideais as hifas proliferam formando uma massa fibrosa denominada micélio (TORTORA et al., 2002). A organização em hifas apresenta funções importantes para o crescimento da colônia. A hifa denominada vegetativa desempenha o papel de obtenção de nutrientes, enquanto que os esporos têm função reprodutiva. O estudo dos esporos assexuais e sexuais produzidos pelos fungos filamentosos é necessário para a sua correta identificação. Devido à complexidade da organização estrutural dos fungos filamentosos eles se desenvolvem mais lentamente em relação às leveduras (TORTORA et al., 2002). 2.3 O Reino Fungi A identidade dos seres vivos é determinada pela composição e sequência do material genético. A utilização de técnicas moleculares, através da análise de DNA, possui a vantagem de ser um processo rápido e altamente sensível. Essas técnicas não estão sujeitas a variações fenotípicas, à ação do ambiente, ao estágio de desenvolvimento do fungo e a outros fatores que possam alterar a morfologia do organismo (MANSO & TENENTE, 1984). As diferenças genéticas entre populações de uma espécie constituem o primeiro estágio da divergência evolutiva. Essa diferenciação resulta, na maioria dos casos, da ação de diferentes ambientes a que cada população está sujeita sobre a variabilidade preexistente na espécie (MARQUES, 2003). As técnicas conhecidas de diagnóstico molecular baseiam-se na análise direta ou indireta da composição ou na sequência dos ácidos nucléicos para identificação e caracterização de organismos (MARQUES et al., 2002). Os fungos são classificados em quatro filos: fungos imperfeitos, Zigomicota, Ascomicota e Basiodiomicota. Esta classificação é dada pela presença de reprodução sexual e o tipo de estrutura que gera os esporos sexuais (TORTORA et al., 2002). Sendo importância médica: Zygomycota, Ascomycota, Basidiomycota e Deuteromycota. 4 Quadro 1: Divisão do Reino Fungi CLASSES ZYGOMYCETES ASCOMYCETES BASIDIOMYCETES TIPOS COMUNS BOLOR PRETO DO PÃO. REPR. ASSEXUADA ESPOROS NÃOMÓVEIS LEVEDURAS, FUNGOS EM CONÍDIOS FORMA DE TAÇA, DESPRENDEMSE DOS TRUFAS. CONIDIÓFOROS COGUMELOS, FUNGOS DA FERRUGEM E DO CARVÃO. DEUTEROMYCETES CANDIDA ALBICANS, REPR. SEXUADA ZIGÓSPOROS ASCÓSPOROS INCOMUM BASIDIÓSPOROS CONÍDIOS ESTÁGIO SEXUAL DESCONHECIDO ALGUMAS ESPÉCIES DE PENICILLIUM. Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho. 2.4 Composição da parede celular vegetal Em uma planta existem vários tipos de células, sendo que cada uma possui paredes celulares distintas em sua estrutura e composição. As paredes celulares são compostas de microfibrilas de celulose embebidas em lignina, hemicelulose e pectina (BEGUIN & AUBERT, 1994). Na Figura 1 observar-se a estrutura de uma parede celular de planta que consiste de paredes primárias e secundárias. A primária (P) é formada por uma rede composta principalmente por lignina e pectina, e ocupa de 7 a 14% da parede celular. A parede secundária se divide em três camadas distintas S1, S2 e S3, classificadas segundo a orientação das fibras de celulose, sendo que a camada S1 representa 5 –11% da parede celular; a S2, 74 – 84%; e a S3, 3 – 4%. Na lamela média, cuja função e aderir uma célula a outra formando um tecido, a substância predominante e a lignina (MITCHELL et al., 1992), polímero de estrutura não uniforme e massa molecular elevada, composto basicamente de unidades de fenil propano. 5 A composição química de cada camada da parede celular de madeiras esta apresentada na Tabela 1, nota-se que a P e composta em sua maioria de lignina, já em S, com exceção de S1, os compostos que predominam são celulose e hemicelulose (ALMEIDA, 1981). As hemiceluloses podem ser definidas como um grupo de heteropolissacarídeos da parede celular, com exceção da celulose e pectina. Elas possuem baixa massa molecular (70 a 200 monossacarídeos) e podem ser facilmente extraídos por deslignificação do material (TIMELL, 1967; REVISTO POR FERREIRA-FILHO, 1994). Alem disso, esses polissacarídeos tem propriedades que permitem sua adesão, mediada por interações covalentes com lignina e não-covalentes com celulose que são fundamentalmente essenciais para manter a integridade da parede celular (ESAÚ, 1993). Somando-se a isto, as hemiceluloses são subcomponentes da biomassa, sendo responsável por 1/3 de todo o carbono orgânico renovável na Terra. Biomassa é o único recurso natural alternativo às substâncias químicas, com um ciclo pequeno de reposição, capaz de sustentar a demanda no mercado mundial de produtos químicos, bioquímicos e combustíveis (PRADE, 1995). Nas plantas terrestres, as hemiceluloses podem ser compostas por uma variedade de monossacarídeos como: D-xilose, D-manose, D-galactose, D-glicose, L-arabinofuranose, ácido 4-O-metil-D-glucurônico resíduos de abocares e ácido galacturônico, sendo classificadas geralmente com base nos que as compõem, como: glucuronoxilanas, glucomananas, galactoglucomananas, entre outras (VIIKARI et al., 1994). Entre as hemiceluloses, a xilana é o componente mais abundante. A estrutura básica da xilana é composta de uma cadeia principal linear de resíduos ƒÀ-D-xilopiranosil unidos por ligações glicosídicas ƒÀ-1,4 (HALTRICH et al., 1996). Normalmente, esses resíduos tem ramificações contendo principalmente grupos acetil, acido 4-O-metil-D-glucuronico e L-arabinose (PULS & POUTANEN, 1989). As hemiceluloses que estão presentes em gimnospermas (madeira mole) e angiospermas (madeira dura) possuem composições distintas (SAKA, 2001). Em madeiras moles (Figura 2), a hemicelulose predominante é a o-acetilgalactoglucomananas (±18%), seguida pela arabino-4-O-metilglucoronoxilana (±10%), constituída de resíduos de xilose unidos por ligação β-1,4 e grupos arabinofuranosídeos e ácidos metilglucurônicos ligados no C-3 e C-2 da xilose respectivamente (SUNNA & ANTRANIKIAN, 1997). Em madeiras duras, a hemicelulose predominante é a O-acetil-4-Ometilglucuronoxilana (Figura 3) responsável por 20 – 35% das hemiceluloses nesse tipo de madeira. Além dos resíduos de xilose, esse tipo de hemicelulose contém o ácido metilglucurônico no C-2 e grupos acetil 6 principalmente no C-3 da xilose. Devido à presença desses grupos permite a maior solubilidade das hemiceluloses (SUNNA & ANTRANIKIAN, 1997). Na Tabela 2 está apresentada à composição química de quatro espécies de madeira mole e madeira dura, onde pode-se observar algumas variáveis entre as espécies e o tipo de madeira. Figura 1: Estrutura esquemática da parede celular de uma fibra de madeira com suas respectivas camadas (Legenda: M - Lamela média; P - Parede primária; S1, S2 e S3 - Parede Secundária 1, 2 e 3, respectivamente; L - Lúmen). Fonte: ALMEIDA, 1981. Figura 2: Estrutura da arabino-4-O-metilglucuronoxilana de madeira mole Fonte: Adaptado de SUNNA & ANTRANIKIAN, 1997. 7 Figura 3 – O-acetil-4-O-metilglucuronoxilana de madeira dura Fonte: Adaptado de SUNNA & ANTRANIKIAN, 1997. Tabela 1: Composição química (%) da parede celular de uma fibra de madeira Fonte: Adaptada de ALMEIDA, 1981. 8 Tabela 2: Composição química de quatro espécies de madeira mole e madeira dura Fonte: Adaptado de SAKA, 2001. 2.5 Os sistemas enzimáticos em estudo 2.5.1 A xilana e o sistema xilanolítico A xilana é a principal hemicelulose de madeiras provenientes de angiospermas (1530% do peso seco total), sendo menos abundante em madeiras de gimnospermas (7-12%). Em madeiras duras (angiospermas), a xilana é composta por pelo menos 70 resíduos de βxilopiranosil (figura 4). Cada décimo resíduo de xilose carrega um ácido α-4-Ometilglucurônico. Além disso, estas xilanas são altamente acetiladas (70%). A acetilação pode ocorrer tanto no C2, quanto no C3, conferindo à xilana sua parcial solubilidade em água (PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009). Por estas razões são denominadas O-acetil-4-O-metilglucuronoxilana. Já em madeira mole (gimnospermas) a xilana é formada por arabino-4-O-metilglucuronoxilana, apresentando um conteúdo maior em ácido 4-O-metilglucurônico do que as madeiras duras (figura 4). Porém, as xilanas de madeira mole não são acetiladas, e no lugar do grupo acetil apresentam um grupo α-L-arabinofuranosil unidos ao C3 da xilose por ligações glicosídicas α-1,3. 9 (FERREIRA-FILHO, 1994; SUNNA & ANTRANIKIAN, 1997; POLIZELI et al., 2005; PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009). Devido a sua heterogeneidade estrutural, a degradação da xilana requer a ação de várias enzimas, ou seja, de um sistema enzimático que pode ser encontrado presente em fungos e bactérias. As enzimas pertencentes ao sistema xilanolítico são: β-1,4-endoxilanase (1,4-β-D-xilana xilohidrolase; EC 3.2.1.8): cliva ligações glicosídicas internas da cadeia principal da xilana, acarretando diminuição do grau de polimerização do substrato. Essa clivagem não ocorre ao acaso, uma vez que as ligações a serem hidrolisadas dependem da natureza do substrato, isto é, do comprimento, do grau de ramificação e da presença de substituintes (LI et al., 2000; POLIZELI et al., 2005; PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009). No começo, os principais produtos formados são os xilooligossacarídeos (CHÁVEZ et al., 2006). Muitas classificações são atribuídas para as endoxilanases sendo que (WONG et al., 1988) dividem as endoxilanases em não desramificadoras, as quais não catalisam a hidrólise nos pontos de ramificação 1,3-α-1-arabinofuranosil de arabinoxilanas, em adição à hidrólise das ligações da cadeia principal e, portanto, não liberam arabinose; e desramificadoras, as quais hidrolisam os pontos de ramificação, liberando arabinose. A presença de cada forma individual foi constatada em diversos fungos. No entanto, há aqueles que são capazes de produzir ambas as formas de xilanases, o que resulta em maior eficácia na hidrólise de xilana (PEIXOTO-NOGUEIRA, 2009). 10 Figura 4: Representação esquemática de uma molécula de xilana e das enzimas do sistema xilanolítico. Fonte: POLIZELI, 2008. 2.5.2 A celulose e o sistema celulolítico A estrutura da celulose é representada por um homopolímero de até 15000 unidades de β-D–glicose unidas por ligações β-1,4. Essas estruturas são denominadas fibrilas e, quando dispostas paralelamente, formam uma estrutura cristalina (Figura 5). Na natureza, a celulose apresenta-se em duas formas estruturais: a amorfa, que constitui uma forma menos organizada, e a forma cristalina, que se caracteriza por apresentarse altamente organizada e complexa e, portanto, menos susceptível à atuação das enzimas, como é o caso da celulose do algodão, do bagaço da cana-de-açúcar e das palhadas. 11 Figura 5. Estrutura da celulose. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010040422006000400031&script=sci_arttext&tlng=e Fonte: Internet. 12 3. Objetivos O objetivo foi coletar material em decomposição em diferentes regiões para isolar fungos filamentosos. A partir dos fungos isolados, seguiu-se com a prospecção de xilanases e celulases. Objetivou-se também aperfeiçoar a condição de cultivo do fungo selecionado (AG7) para produção de celulases. 13 4. Material e métodos 4.1 Coleta e isolamento de fungos filamentosos A coleta foi realizada em 05/05/2010 na área da usina São Martinho S/A Pradópolis – SP, Mata Estadual de Batatais - SP e no Bosque Municipal de Ribeirão Preto - SP. Os microrganismos foram coletados a partir de substratos em decomposição incubados em meio de farinha de aveia Quaker® (EMERSON, 1941) a 30ºC. Para um rigoroso controle e identificação do local de coleta utilizou-se georeferenciamento por GPS - “Global Positioning Systems” para determinação da latitude, longitude e altitude. 4.1.2 Isolamento dos microrganismos coletados Para isolar os fungos filamentosos, inicialmente, o material em decomposição foi espalhado sobre placa de Petri contendo meio sólido de aveia. A este inóculo foram adicionados 5mL de pentabiótico veterinário (50 mg/mL) para impedir crescimento bacteriano. Decorridos sete dias de incubação, diferentes fungos se desenvolveram nas placas. Seguiu-se, então, o isolamento dos espécimes através de inóculo em estrias, utilizando-se alça de platina. Este procedimento foi realizado até se obterem culturas homogêneas. 4.2 Manutenções das cepas As cepas foram mantidas, em laboratório, utilizando-se meio complexo de aveia, composto por 4% de farinha de aveia Quaker® e 2% de ágar bacteriológico (EMERSON, 1941). Os meios foram autoclavados (1,5 atm, 120°C, por 15 minutos) em tubos de ensaio e posteriormente inclinados. Os repiques foram realizados periodicamente, com auxílio de uma alça de platina, e mantidos a 30ºC durante 5 a 7 dias. Posteriormente, estes foram vedados e guardados em geladeira, à temperatura de 4ºC. 14 4.3 Condições de cultivo em fermentação submersa (FSbm) Em fermentação submersa determinou-se o meio de cultivo mais adequado para a produção de xilanase por Aspergillus niveus e Aspergillus fumigatus. Os esporos, obtidos a partir de culturas estoques (neste caso o estoque citado refere-se aos fungos isolados das áreas), foram raspados com alça de platina e suspensos em 10 mL de água destilada estéril. Um volume de 1 mL da suspensão de esporos foi inoculado em frascos Erlenmeyer de 125 mL, contendo 25 mL de meio líquido e incubados a 40ºC, por 72 horas, em estufa bacteriológica. Os meios testados e suas composições estão descritos a seguir: Meio SR (RIZZATTI et al., 2001) Solução de sais SR [20x].-------------------------------------------------------------------------------------------------- 5,0 mL Peptona------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 0,02 g Extrato de levedura---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 0,45 g Xilana Birchwood---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------1,0 g Água destilada q.s.p------------------------------------------------------------------------------------------------------------100 mL Solução de sais SR [20X] MgSO4.7H2O-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------0,24 g KH2PO4-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------0,3 g NH4H2PO4--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------1,0 g Água destilada q.s.p ------------------------------------------------------------------------------------------------------------100 mL 15 4.4 Dosagens enzimáticas 4.4.1 Xilanase A atividade xilanolítica foi detectada pela formação de açúcares redutores (xilooligossacarídeos) a partir da xilana Birchwood (Sigma) utilizando-se ácido 3´,5´dinitrosalicílico, DNS (MILLER, 1959). A mistura da reação foi composta de 0,2 mL de solução de substrato 1% (p/v) em tampão McIlvaine, pH 5,5 e 0,2 mL do extrato enzimático. A reação foi realizada a 50°C e alíquotas de 0,1 mL foram retiradas em diferentes tempos e adicionadas a 0,1 mL de DNS. Para cada reação enzimática foi determinado um branco que correspondeu ao tempo 0 de reação. Posteriormente, os tubos foram fervidos por 5 minutos e depois de resfriados, 1 mL de água destilada foi adicionado. As leituras espectrofotométricas foram realizadas a 540nm, utilizando-se uma curva padrão de xilose (0 – 1 mg/mL). A unidade de atividade xilanásica foi definida como sendo a quantidade de enzima capaz de liberar 1µmol de xilooligossacarídeo por minuto. A atividade específica foi expressa em unidade de atividade total por mg de proteínas totais (U/mg prot.). 4.4.2 Celulase Para a determinação da atividade enzimática da celulase, a metodologia empregada foi a mesma da xilanase. No entanto, ao invés de se usar a xilana birchwood como substrato, utilizou-se CM-celulose ou avicel 1% (p/v) em tampão acetato de amônio, pH 5, e curva padrão de glicose (0 - 1 mg/mL). 4.5 Dosagem protéica A quantificação de proteínas foi estimada pelo método de LOWRY et al., (1951) que utiliza albumina de soro bovino (BSA) como padrão na concentração de 200 µg/mL. A unidade foi definida como mg de proteína por mL. 16 5. Resultados 5.1 Coleta e isolamento de fungos filamentosos Determinou-se três áreas para coleta de matérias em decomposição e posteriormente, seguiu-se com o isolamento de fungos filamentosos. As regiões foram: usina São Martinho S/A (Figura 6 A), Mata Estadual de Batatais – SP (Figura 6 B) e o Bosque Municipal de Ribeirão Preto – SP (Figura 6 C). Foram realizadas coletas de material em decomposição, outras matérias vegetais e solo (Figura 7); e prospecção de xilanases e celulases. Do material coletado foram obtidos 16 fungos. O padrão para nomeação dos fungos foi feito da seguinte forma: AG + nº como representado na Figura 8. A B C Figura 6: Imagens das áreas de coleta. (A) Usina São Martinho S/A, http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=8306; (B) Mata Estadual de Batatais-SP, http://www.panoramio.com/photo/39012867; (C)Bosque Municipal Ribeirão Preto-SP, http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=816128; Fonte: Internet. 17 A B C D E F G H I J K L M N O Figura 7: Imagens dos pontos de coleta; (A - G) Mata Estadual de Batatais; (H - L) Bosque Municipal de Ribeirão Preto; (M - O) Usina São Martinho. Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 18 Tabela 3: Coordenadas dos pontos de coleta referentes às imagens da figura 7 Coordenadas Imagens Local 20° 56’ 13.17" de latitude sul e 47° 37’ 53.19" de longitude oeste A Batatais 20° 56’ 12.20" de latitude sul e 47° 37’ 53.73" de longitude oeste B Batatais 20° 56’ 13.06" de latitude sul e 47° 37’ 54.16" de longitude oeste C Batatais 20° 56’ 12.01" de latitude sul e 47° 37’ 55.09" de longitude oeste D Batatais 20° 56’ 12.66" de latitude sul e 47° 37’ 54.86" de longitude oeste E Batatais 20° 56’ 12.35" de latitude sul e 47° 37’ 55.98" de longitude oeste F Batatais 20° 56’ 11.55" de latitude sul e 47° 37’ 56.15" de longitude oeste G Batatais 21° 10’ 16.2" de latitude sul e 47° 48’ 5.6" de longitude oeste H Bosque RP 21° 10’ 13.9" de latitude sul e 47° 48’ 6.9" de longitude oeste I Bosque RP 21° 10’ 16.9" de latitude sul e 47° 48’ 2.9" de longitude oeste J Bosque RP 21° 10’ 16.4" de latitude sul e 47° 48’ 3.0" de longitude oeste K Bosque RP 21° 10’ 13.5" de latitude sul e 47° 48’ 3.3" de longitude oeste L Bosque RP 25° 55’ 0.73" de latitude sul e 47° 37’ 20.12" de longitude oeste M Usina 25° 55’ 0.73" de latitude sul e 47° 37’ 20.12" de longitude oeste N Usina 25° 55’ 0.73" de latitude sul e 47° 37’ 20.12" de longitude oeste O Usina Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 19 AG1 AG2 AG3 AG4 AG5 AG6 AG7 AG8 20 AG9 AG10 AG11 AG12 AG13 AG14 AG15 AG16 Figura 8: Imagens dos fungos isolados com a respectiva nomeação. Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 21 Depois de obtidos os isolamentos e padronizados sua nomeação identificou-se cada fungo com sua região de origem como exemplificado na tabela 2, também foi relacionado à temperatura de crescimento durante o processo de isolamento dos fungos. Tabela 4: Fungos Isolados Fungos Temperatura de isolamento AG1 AG2 AG3 AG4 AG5 AG6 AG7 AG8 AG9 AG10 AG11 AG12 AG13 AG14 AG15 AG16 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC 30ºC Local Usina Bosque RP Usina Usina Usina Usina Usina Usina Batatais Usina Usina Usina Bosque RP Batatais Bosque RP Usina Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 5.2 Screening Com o objetivo de selecionar fungos com potencial enzimático para produção de xilanases e celulases foi realizado um screening em fermentação submersa utilizando-se meio SR suplementado com farelo de trigo como fonte de carbono. Para dosar xilanases utilizou-se a Xilana Birchwood como substrato, já para dosar celulases foi usado CMC como substrato. 5.2.1 Screening - Xilanases Analisando os resultados para produção de xilanases apresentados na tabela 3 pode-se concluir que entre todos os fungos utilizados no experimento, o AG11 e AG12 foram os que 22 apresentaram as maiores atividades, sendo que, para a atividade especifica o AG11 foi melhor que AG12, porém para a atividade total, o fungo AG11 foi menor que o AG12. Tabela 5: Dados obtidos para o screening das xilanases. Os valores destacados em vermelho apresentaram maior atividade enzimática Amostras Fungos AG1 AG2 AG3 AG4 AG5 AG6 AG7 AG8 AG9 AG10 AG11 AG12 AG13 AG14 AG15 AG16 Ativ Extra (U Totais) 276,0417 279,1667 196,875 707,2917 483,3333 164,5833 1436,458 1848,958 1694,792 505,2083 2072,917 2407,292 1134,375 1025 282,2917 787,5 Proteína ( U Totais) 0,959158 2,011139 1,57797 1,429455 3,02599 1,231436 2,060644 1,47896 1,373762 2,964109 0,767327 0,971535 1,064356 1,924505 1,095297 1,831683 Ativ Esp.(U/mg Prot) 287,7957 138,8103 124,7647 494,798 159,7273 133,6516 697,0921 1250,174 1233,686 170,4419 2701,478 2477,824 1065,785 532,6045 257,7307 429,9324 Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 5.2.2 Screening – Celulases Analisando-se os valores de atividade celulásica verificou-se que os fungos AG7 e AG11 tiveram melhor desempenho em relação ao outros fungos testados, tendo o fungo AG11 maior atividade especifica que o AG7. Assim o fungo AG11 é potencialmente xilanolítico e celulolítico (Tabela 6). 23 Tabela 6: Dados obtidos para o screening das celulases. Os valores destacados em vermelho apresentaram maior atividade enzimática Amostras Fungos AG1 AG2 AG3 AG4 AG5 AG6 AG7 AG8 AG9 AG10 AG11 AG12 AG13 AG14 AG15 AG16 Ativ Extra (U Totais) 65,47619 57,14286 32,14286 15,47619 46,42857 2,38095 89,28571 10,71429 19,04762 7,142857 66,66667 32,14286 32,14286 25 27,38095 36,90476 Proteína ( U Totais) 0,959158 2,011139 1,57797 1,429455 3,02599 1,231436 2,060644 1,47896 1,373762 2,964109 0,767327 0,971535 1,064356 1,924505 1,095297 1,831683 Ativ Esp.(U/mg Prot) 68,26421 28,41319 20,36975 10,82663 15,34327 1,93348 43,32904 7,244471 13,86529 2,409782 86,88172 33,08462 30,19934 12,99035 24,99865 20,14801 Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 5.3 Efeitos de fonte de carbono na produção enzimática Para otimizar as condições de cultivo do visando aumentar a produção das enzimas de interesse (xilanases e celulases) inicialmente o efeito da fonte de carbono do fungo AG7. Foram testadas as fontes de carbono avicel, xilose, farinha de centeio, flocos de cevada, bagaço de cana-de-açúcar sem tratamento, flocos de centeio, sabugo de milho, flocos de aveia, bagaço de cana-de-açúcar explodido, bagaço de cana-de-açúcar lavado, soja moída, glicose, serragem, flocos de milho e farelo de trigo. O tempo de cultivo foi de 72 horas, a 40°C em condições estáticas. Analisando-se os dados apresentados na tabela 5 verificou-se que dentre as fontes de carbono testadas a melhor foi o farelo de trigo uma vez que induziu os maiores níveis de celulose (334,5 Utotais). 24 Tabela 7: Efeito de diferentes fontes de carbono na produção celulolítica do fungo AG7. Fontes de Carbono Avicel Xilose Farinha de Centeio Flocos de Cevada Bagaço de cana s/ tratam. Flocos de Centeio Sabugo Milho Flocos Aveia Bagaço de cana Explodido Bagaço de cana Lavado Soja Moída Glucose Serragem Flocos de Milho Farelo de Trigo Ativ Extra (U Totais) 125 91,66667 140,4762 110,7143 148,8095 59,52381 178,5714 127,381 236,9048 194,0476 129,7619 105,9524 138,0952 111,9048 334,5238 Proteína ( U Ativ Esp.(U/mg Totais) Prot) 0,977723 127,8481 0,19797 698,497 2,320545 60,53587 2,035891 54,38124 0,136139 1093,074 0,532178 111,8494 0,618812 288,5714 0,884901 143,9494 0,37748 627,603 0,625 310,476 1,868812 69,43551 0,148515 713,4127 0,18564 -743,873 0,253713 441,0685 1,042079 321,0157 Fonte: Elaboração própria do autor deste trabalho (pesquisa de campo). 25 6. Discussão Os fungos apresentam filamentos conhecido como hifas, com paredes ricas em quitina, sendo este o mesmo material que reveste insetos. Os fungos têm características heterotróficas, isto é, não possuem clorofila e, portanto, necessitam de material orgânico para viver, sendo sua nutrição feita por absorção de nutrientes graças à presença de enzimas que são por eles produzidas e que degradam produtos como, por exemplo, celulose, amido, etc. Sabendo-se que os fungos sintetizam e secretam enzimas para o meio extracelular para, assim, realizar a digestão da matéria orgânica, pode-se utilizar esses microrganismos para degradar resíduos agroindustriais colocando-os na vanguarda dos estudos ecologicamente responsáveis. O bagaço de cana-de-açucar é um resíduo agroindustrial gerado em enormes quantidades na região de Ribeirão Preto - SP. Entretanto sabe-se que grande parte não é queimado para gerar energia, há, portanto, excedente deste resíduo que pode ser reaproveitado para gerar etanol de segunda geração a partir de sua hidrólise enzimática. As enzimas aqui estudadas foram as xilanases e celulases, as quais podem ser utilizadas para realizar a degradação de material celulósico e hemicelulósico presente no bagaço da cana gerando o etanol de segunda geração. Assim, a bioprospecção se justifica pela necessidade de descobrir novos fungos bons produtores dessas enzimas, para que assim se possa reaprovetitar o bagaço excedente, aumentando ainda seu valor agregado através da produção de combustível. Submetendo os fungos isolados ao screening para determinar os melhores produtores de xilanases e celulases verificou-se que os fungos AG11 e AG12 são bons xilanolíticos, enquanto que AG7 e AG11 são bons celulolíticos. Valores semelhantes de atividades xilánasica foram verificados para o fungo Aspergillus niveus (PEIXOTO-NOGUEIRA et al., 2009), enquanto a atividade celulolítica foi semelhante ao fungo Trichoderma sp, comumente descrito na literatura, como um conhecido gênero de fungos celulolíticos (DE SANTO et al., 2002; GHIZELINI et al., 2006). Na fase seguinte analisou-se o efeito de diferentes fontes de carbono para o fungo AG7, sendo que em farelo de trigo foram obtidos os maiores valores de atividade celulolítica. Resíduos agroindustriais também foram descritos como excelentes indutores celulolíticos para o fungo Trichoderma reesei QM9414 (BASSO et AL., 2010). A utilização de resíduos agroindustriais é uma alternativa barata para a produção de enzimas, assim encontrar microorganismos capazes de produzir e secretar enzimas utilizando farelo de trigo como fonte de carbono, trata-se de uma alternativa interessante do ponto de 26 vista biotecnológico, uma vez que barateia o custo de produção e, consequentemente, o produto final é também menos oneroso. 27 7. Conclusão • Os fungos AG11 e AG12 são bons produtores de xilanases; • Os fungos AG7 e AG11 são bons produtores de celulases; • O fungo AG11 se destacou por apresentar bom desempenho na produção das duas enzimas; • O fungo AG7 teve como melhor fonte de carbono farelo de trigo durante um período de cultivo de 72 horas a 40 ºC em condições estáticas; • A utilização de resíduos agroindustriais como o farelo de trigo, trata-se de uma alternativa barata para a produção de enzimas e, portanto, interessante do ponto de vista biotecnológico. 28 8. Possibilidade para experimentos futuros Para os próximos experimentos pode-se determinar qual a melhor fonte de carbono para os fungos AG11 e AG12, melhor meio de cultivo, melhor temperatura e tempo de encubação e, finalmente, tratar enzimaticamente o bagaço de cana-de-açúcar para formação de açúcares fermentescíveis. Na etapa seguinte deve-se definir qual fungo seguirá nos experimentos de acordo com a melhor atividade apresentada, posteriormente definir temperatura ótima e pH ótimo de reação. Por fim verificar as condições de degradação de resíduos agroindustriais com as enzimas. 29 9. Referências Bibliográficas ALMEIDA, M. L. O. Composição química da madeira. In: Celulose e Papel –Tecnologia da fabricação da pasta de celulose. SENAI, São Paulo, 1981. ARISTIDOU, A. & PENTILLÄ, M. Metabolic engineering applications to renewable resource utilization. Curr Opinion Biotechnol, 2000. BASSO, T. P., GALLO, C. R., BASSO, L. C. Atividade celulolítica de fungos isolados de bagaço de cana-de-açúcar e madeira em decomposição. Pesq. agropec. bras., Brasília, 2010. BEGUIN, P. & AUBERT, J-P. The biological degradation of cellulose. FEMS Microbiol. Rev, 1994. BETINI, J.H.A.; MICHELIN, M.; PEIXOTO-NOGUEIRA, S.C.; JORGE, J.A.; TERENZI, H.F.; POLIZELI, M.L.T.M. Xylanases from Aspergillus niger, Aspergillus niveus and Aspergillus ochraceus produced by solid state fermentation and its application on cellulose pulp bleaching, 2008. BHAT, M.K. Cellulases and related enzymes in biotechnology. Biotechnol. Advances, 2000. CHÁVEZ, R.; BULL, P.; EYZAGUIRRE, J. The xylanolitic enzyme system from the genus Penicillium. J Biotechnol, 2006. CHEN, Y.; SHARMA-SHIVAPPA, R.R.; CHEN, C. Ensiling agricultural residues for bioethanol production. Appl Biochem Biotechnol, 2007. CSISZÁR, E.; LOSONCZI, A.; KOCZAKA, B.; SZAKÁCS, G.; POMLÉNYI, A. Degradation of lignin-containing materials by xylanase in biopreparation of cotton. Biotechnol Lett, 2006. DE SANTO, A. V.; RUTIGLIANO, F. A.; BERG, B.; FIORETTO, A.; PUPPI, G.; ALFANI, A. Fungal mycelium and decomposition of needle litter in three contrasting coniferous forests. Acta Oecologica, Paris, 2002. 30 EMERSON, R. An experimental study of the life cycles and taxonomy of Allomyces. Lloydia, 1941. ESAÚ, K. Anatomia das Plantas com Sementes. Editora Edgard Blücher Ltda, São Paulo, 1993. FERREIRA-FILHO, E.X. The xylan-degrading enzyme system. Braz. J Med Biol Res, 1994. GHIZELINI, A. M., AUER, C. G., PIMENTEL, I. C. Fungos presentes em acículas de Pinus taeda em estágios iniciais de decomposição no campo. Bol. Pesq, 2006. HALTRICH, D.; NIDETZKY, B.; KULBE, K.D.; STEINER, W.; ZUPANCIC, S. Production of fungal xylanases. Biores. Technol, 1996. JURKOVICH, V.; KUTSAI, J.; FÉBEL, H.; REICZIGEL, J.; BRYDL, E.; KÖNYVES, L.; RAFAI, P. Rumen fermentation response to a direct-fed xylanase enzyme preparation from Thermomyces lanuginosus in sheep. Acta Vet Hung, 2006. LI, K.; AZADI, P.; COLLINS, R.; TOLAN, J.; KIM, J.S.; ERIKSSON KARL-ERIK, L. Relationships between activities of xylanases and xylan structures. Enz Microb Technol, 2000. LIAVOGA, A.B.; BIAN, Y.; SEIB, P.A. Release of D-xylose from wheat straw by acid and xylanase hydrolysis and purification of xylitol. J Agric Food Chem, 2007. LOWRY, O.H.; ROSEBROUGH, N.J.; FARR, A.L.; RANDALL, R.J. Protein measurement with the folin phenol reagent. J Biol Chem, 1951. MANSO, S.B.G.; TENENTE, R.C.V. Nematóides (Heterodera glycines Ichinohe) formador do cisto da soja. Brasília: Embrapa. 5p. (Comunicado Técnico), 1984. MARQUES, E.K. Diagnóstico genético molecular. Canoas: ULBRA. 370p, 2003. 31 MILLER, G. L. Use of dinitrosalicylic acid reagent for determination of reducing sugar. Anal. Chem, 1959. MITCHELL, A. D.; DOELLE, H. W.; ROLS, C. E. Solid Substrate Cultivation. Ed. Elsevier Applied Science, London e New York, 1992. PARAJÓ, J.C.; DOMÍNGUES, H.; DOMÍNGUES, J.M. Biotechnological production of xylitol. Part 1: Interest of xylitol and fundamentals of its biosynthesis. Biores. Technol, 1998. PEIXOTO-NOGUEIRA, S.C.; MICHELIN, M.; BETINI, J.H.A.; JORGE, J.A.; TERENZI, H.F.; POLIZELI, M.L.T.M. Production of xylanase by Aspergilli using alternative carbon sources: application of the crude extract on cellulose pulp Biobleaching. J Ind Microbiol Biotechnol, 2009. PEIXOTO-NOGUEIRA, S. C. Produção, propriedades bioquímicas e funcionais do sistema xilanolítico de Aspergilli e aplicação biotecnológica no branqueamento da polpa de celulose e em ração animal. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de PósGraduação em Bioquímica - FMRP - USP, Ribeirão Preto, 2009. PEREIRA, E. G., SIQUEIRA, J. O., CURI, N., MOREIRA, F. M. S., PURCINO, A. A. C. Efeitos da micorriza e do suprimento de fósforo na atividade enzimática e na resposta de espécies arbóreas ao nitrogênio. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, 1996. POLIZELI, M.L.T.M.; RIZZATTI, A.C.S.; MONTI, R.; TERENZI, H.F.; JORGE, J.A.; AMORIM, D.S. Xylanases from fungi: properties and industrial applications - Review. Appl Microbiol Biotechnol, 2005. POLIZELI, M.L.T.M. Properties and commercial applications of xylanases from fungi. In: Mycotechnology: current trends and future prospects, RAI, M.K. (editor), I.K. International Publisher, New Delhi, chapter, 2008. PRADE, R.A. Xylanases: From biology to biotechnology. Biotechnol. Gen. Eng. Rev, 1995. 32 PULS, J. & POUTANEN, K. Mechanisms of enzymatic hydrolysis of hemicelluloses (xylans) and procedures for determination of the enzyme activities involved. In: Ericksson, K.E.E. & Ander, P. (Eds), Proc. 3rd Int. Conf. Biotechnology in the Pulp and Paper Industry. STFI, Stockholm, 1989. RIZZATTI, A.C.S.; JORGE, J.A.; TERENZI, H.F.; RECHIA, C.G.V.; POLIZELI, M.L.T.M. Purification and properties of a thermostable extracellular β-D-xylosidase produced by a thermotolerant Aspergillus phoenicis. J Ind Microbiol Biotechnol, 2001. SAKA, S. Chemical composition and distribution. In: Wood and Cellulosic Chemistry (David N, -S. Hon & Nobrio Shiraishi, Eds.). New York, Marcel Dekker, 2001. SANDRIM, V.C.; RIZZATTI, A.C.S.; TERENZI, H.F.; JORGE, J.A.; MILAGRES, A.M.F.; POLIZELI, M.L.T.M. Purification and biochemical characterization of two xylanases produced by Aspergillus caespitosus and their potential for kraft pulp bleaching. Process Biochem, 2005. SHAPACK, G.E.; RUSSEL, I.; STEWART, G.G. Thermophilic microbes in ethanol production. Library Congr Card Number, 95-9597, CRC Press, Inc, 1987. STAMFORD, T. L. M., ARAUJO, J. M., STAMFORD, N. P. Atividade enzimática de microorganismos isolados do Jacatupé (Pachyrhizus erosus L. Urban). Ciências e Tecnologia de Alimentos, 1998. SUNNA, A. & ANTRANIKIAN, G. Xylanolytic enzymes from fungi and bacteria. Crit. Rev. Biotechnol, 1997. TECHAPUN, C.; POOSARAN, N.; WATANABE, M.; SASAKI, K. Thermostable and alkaline-tolerant microbial cellulose-free xylanases produced from agricultural wastes and the properties required for use in TIMELL, T. E. Recent progress in the chemistry of wood hemicellulose. Wood Sc. Technol, 2003. 33 TORTORA, G. J., FUNKE, B. R., CASE, C. L. Microbiologia. 6a Ed. Editora Artmed, Rio de Janeiro, 2002. TRICARICO, J.M.; DAWSON, K.A. Influence of supplemental endoglucanase or xylanase on volatile fatty acid production from ruminant feed by ruminal in vitro cultures. Arch Anim Nutr, 2005. VIIKARI, L.; KANTELINEN, A.; SUNDQUIST, J; LINKO, M. Xylanases in bleaching: From an idea to the industry. FEMS Microbiol. Rev, 1994. WHITMIRE, D.; MITI, B. Xylanase effects on pulp delignification. Chem. Eng. Comm, 2002. WONG, K.K.Y.; TAN, L.U.L.; SADDLER, J.N. Multiplicity of β-1,4-xylanase in Microorganisms: Functions and Applications. Microbiol Rev, 1988. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010040422006000400031&script=sci_arttext&tlng=e (Figura 5. Estrutura da celulose, Acesso em 15/02/2011) http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=8306 (figura 6 A, Usina São Martinho S/A, Acesso em 02/12/2010) http://www.panoramio.com/photo/39012867 ( figura 6 B, Mata Estadual de Batatais - SP, Acesso em 02/12/2010) http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/fungos/fungos-1.php ( Acesso em 12/02/2011)