UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO PROJETO EXPERIMENTAL EM PROPAGANDA - MONOGRAFIA Eureka em cinco lições: um estudo sobre os cinco pontos de criação de Roberto Pintaúde Eduardo Luiz Cardoso 0926/93-8 Orientador: Hélio Leonhardt Trabalho de conclusão para graduação no curso de Comunicação Social - ênfase em Publicidade e Propaganda, apresentado ao Departamento de Comunicação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. Porto Alegre 1997 2 “Eureka, eureka!” Arquimedes 3 Obrigado, ao Roberto Pintaúde, pela entrevista concedida, fundamental para a elaboração e enriquecimento deste trabalho; ao Professor Hélio Leonhardt, pela orientação do trabalho. 4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................... p. 06 2 A CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA ............................................................. 10 3 O QUE É CRIATIVIDADE? ................................................................. 12 3.1 As Ferramentas da Criatividade ........................................................ 12 3.1.1 Memória .............................................................................................. 14 3.1.2 Associações ......................................................................................... 15 3.1.3 Potencial Criador ................................................................................ 17 3.1.4 Tensão Psíquica .................................................................................. 17 3.2 Ampliando o Poder Criativo ............................................................... 20 3.3 Intuição e Inspiração ........................................................................... 22 3.4 Resumindo ............................................................................................ 26 4 TEORIAS SOBRE A CRIATIVIDADE ............................................... 27 4.1 Teorias dos Tempos Antigos ............................................................... 28 4.2 Teorias Filosóficas Modernas ............................................................. 29 4.3 Teorias Psicológicas ............................................................................. 30 4.3.1 Teoria da Associação .......................................................................... 30 4.3.2 Teoria da Gestalt ................................................................................. 31 4.3.3 Psicanálise ........................................................................................... 32 4.3.4 Neofreudianos ..................................................................................... 33 4.3.5 Reação ao Freudianismo ..................................................................... 34 4.3.6 Análise Fatorial ................................................................................... 35 5 5 PROCESSO CRIATIVO DE ALGUNS PUBLICITÁRIOS .............. 39 5.1 A Análise Transacional de Menna Barreto ....................................... 45 5.1.1 Dentro da Agência .............................................................................. 47 5.1.2 No Mercado ........................................................................................ 48 5.1.3 Na Pessoa Criativa .............................................................................. 48 6 OS CINCO PONTOS DE CRIAÇÃO DE ROBERTO PINTAÚDE . 51 6.1 Informação ........................................................................................... 52 6.2 Detalhes ................................................................................................. 54 6.3 Descondicionamento ............................................................................ 58 6.4 Subversão .............................................................................................. 59 6.5 Postura .................................................................................................. 60 7 CONCLUSÃO ......................................................................................... 63 BIBLIOGRAFIA CITADA ....................................................................... 67 6 1 INTRODUÇÃO Os métodos de criatividade em propaganda, assunto do presente trabalho, foram pesquisados com o intuito de avaliar e melhor compreender os cinco pontos de criação do publicitário gaúcho Roberto Pintaúde. Estes cinco pontos de criação tomados como objeto de estudo funcionam como um aparato criativo para o criador e, além de guiarem o raciocínio pelo caminho da criatividade, facilitam o processo de criação de soluções publicitárias. É muito difícil conseguir criar um caminho próprio de raciocínio pelo qual se crie tranqüilamente alternativas rápidas para se chegar às soluções precisas em propaganda. São necessários anos de prática em criatividade até se encontrar os atalhos para se ter uma boa idéia ou solução. Aquela velha expressão: “-Puxa, de onde você tirou essa idéia?” agora já pode ter uma resposta mais convincente. A criatividade será pesquisada para descobrir o processo do raciocínio criativo. Serão detalhadas as etapas pelas quais o criador tem que obrigatoriamente passar para chegar à solução, além das ferramentas que ele usa para criar. A pesquisa inclui também os mecanismos de formação de idéias e a maneira com que a personalidade responde a isso. 7 O importante é botar no papel todos os passos que um bom publicitário executa, seja ele redator ou diretor de arte, desde a captação de informações até a saída de idéias para descobrir qual é a origem do raciocínio criativo. A metodologia do trabalho consiste em duas intâncias: a entrevista e a comparação. A primeira é a entrevista com o publicitário Roberto Pintaúde, diretor de criação da Nova Forma Propaganda e Mercadologia. A segunda é a análise comparativa com outros publicitários que expuseram seus métodos de criação em alguma bibliografia. Do cruzamento dessas informações é que surgem os resultados do trabalho. A escolha do entrevistado foi feita por ele ter, além de um currículo invejável como profissional de criação, um domínio claro da criatividade e por transformá-la em uma “regrinha” de cinco pontos de forma didática. A criatividade necessita de informação. No primeiro capítulo, serão vistas as formas de como a informação chega até o seu criador. Além disso, mostra como a criação publicitária está situada dentro do ambiente da agência e como é explorado o seu funcionamento e sua importância para o estudo da criatividade. 8 O capítulo seguinte é um estudo aprofundado sobre a origem do processo criativo. Serão tratados os acontecimentos psicológicos do criador, bem como as etapas pelas quais uma idéia tem que necessariamente passar até se tornar solução. São detalhes fundamentais para a compreensão do trabalho. O embasamento teórico é fornecido por Fayga Ostrower por esta ter exatamente descrito o processo criativo de acordo com as exigências do objetivo deste trabalho. Sendo Fayga Ostrower a referência principal, não significa que apenas essa referência empobreça o trabalho. Acontece que a criatividade só funciona de uma maneira. O que variam são os modos de como acelerar esse processo. Nessa ocasião, serão vistos, além das ferramentas de criação, formas de ampliação do poder criativo que a criatividade oferece a quem a utiliza. A exploração bibliográfica também analisa a personalidade e a delimita dentro do processo criativo. As teorias são enumeradas para traçar um painel sobre como o pensamento humano tratou a criatividade desde o início dos tempos. Neste capítulo sobre teorias, que não tem a intenção de esgotar o assunto, elas ilustram o trabalho e acrescentam argumentos à evolução do pensamento teórico sobre criatividade. 9 O capítulo seguinte trata dos processos criativos de alguns publicitários. Apresenta uma pesquisa bibliográfica sobre a maneira ou o “modus operandi” de cada publicitário para solucionar os seus problemas de trabalho que exigem o uso da criatividade. Ou seja, é uma coletânea de várias fórmulas de criação de alguns publicitários famosos bem como seus depoimentos sobre o processo criativo. No último capítulo, Pintaúde explica minuciosamente os seus cinco pontos de criação, a saber: informação, detalhe, descondicionamento, subversão e postura, bem como a origem destes cinco pontos. É uma amostra de que a experiência da profissão o levou a criar esses cinco pontos e, a partir deles, ajuda “a botar a mecânica do raciocínio na linha da criatividade.” Como última observação é importante ressaltar que criação e criatividade, neste trabalho, serão entendidos sempre como criação publicitária e criatividade em propaganda, embora algumas vezes, esses conceitos (de criação e criatividade) possam ser abertos a outras áreas de criação artística. 10 2 A CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA A agência de propaganda é o único tipo de empresa que possui um departamento especializado que utiliza a criatividade como ferramenta de trabalho: a criação. O departamento de criação possui profissionais que tentam resolver o problema de comunicação do cliente usando, para tanto, o seu poder criativo. A criação trabalha com dois tipos de informações: a informação em geral, que se encontra em jornais, revistas, na televisão, enfim, a que todo mundo tem acesso; e a informação específica sobre o problema do cliente, que são as pesquisas de mercado, a opinião pública ou os detalhes do produto do cliente. A informação em geral é recebida e reciclada para que este tipo de informação possa se tornar matéria-prima de algumas criações. A informação específica deve ser seguida à risca, sob pena de fracasso total da campanha. Esses dois tipos de informações abastecem o departamento de criação e fazem com que ele as processe, usando a sua criatividade e resulte numa mensagem dirigida ao consumidor, persuadindo-o e aumentando a eficácia do produto do cliente. Mas o ponto de discussão que resultou neste trabalho é intermediário à chegada da informação e à saída da mensagem publicitária, 11 que se situa, mais precisamente, no raciocínio do criador. É neste raciocínio que se encontra a parte mágica e mais maravilhosa da propaganda. A criatividade é o ponto de discussão do trabalho, e é a partir dela que o trabalho inicia. 12 3 O QUE É CRIATIVIDADE? Criar, segundo FERREIRA (1986), vem do latim “creare” e significa dar forma; produzir, transformar alguma coisa. O ato de criar ou de usar a criatividade a seu favor é inerente e exclusivo ao homem. Desde que desceu das árvores há um milhão de anos, o homem se utiliza da criatividade para evoluir. Foi com a criatividade que o homem do período Paleolítico descobriu que atritando um graveto seco em outro conseguiria extrair fogo deles. Assim, o homem das cavernas foi promovido ao período Mesolítico. Com a descoberta da roda, o homem passou do Mesolítico para o Neolítico. E com o desenvolver de formas de escrita, a humanidade ingressou no período dos metais e assim por diante. Ou seja, a criatividade sempre apareceu em momentos em que o homem tinha um problema a ser resolvido. Como diria Barreto (1982, p.69), “Criatividade é sinônimo de SOLUÇÃO DE PROBLEMA. Ela só existe, ela só se exprime, face a um problema real, como aplicação para um problema real.” 3.1 As Ferramentas da Criatividade Mas como fazer para resolver estes problemas? Em primeiro lugar, a coisa mais importante é descobrir qual é o problema. Sem ele é impossível se usar a criatividade para um fim determinado. Mas pode acontecer o contrário. Barreto (1982, p.70) diz que é imprescindível ter o 13 problema para se usar a criatividade. Se pode partir do problema para chegar à solução e também se pode partir da solução para se chegar ao problema. Ele enfatiza a “. . . fundamental presença do PROBLEMA no fenômeno completo da criatividade.” Em segundo lugar, o homem que se defronta com o problema deve ter um potencial criativo. Conforme Ostrower (1977), o comportamento criativo do homem se baseia na integração do consciente, do sensível e do cultural. Note-se que as duas primeiras são qualidades inatas e internas do homem que podem ser aperfeiçoadas durante a vida. Já a última, a cultural, é externa e serve como referência para o homem. Quando o ser sensível definido por Ostrower se defronta com o problema, surgem em sua mente respostas do consciente e do inconsciente. Do inconsciente afloram sensações externas e reações involuntárias próprias de cada ser humano. Estas informações chegam de forma desorganizada. Do consciente chegam de forma bem organizada a percepção ou compreensão. O ser cultural é um arquivo de informações que ora guarda, ora espalha essas informações. Cada ser humano possui seu arquivo no qual guarda “. . . formas materiais e espirituais com que os indivíduos de um grupo convivem, nas quais atuam e se comunicam e cuja experiência coletiva pode ser transmitida através de vias simbólicas para a geração seguinte.” (OSTROWER, 1977, p.13) O ser consciente tem a capacidade de interpretar os fenômenos, como ser que se percebe e se interroga. Dentro do consciente do homem, a autora destaca quatro pontos de 14 presença e eficiência fundamentais para a criatividade que serão vistos a seguir. 3.1.1 Memória Como afirma OSTROWER (1977), a memória é responsável por interligar o passado com o presente. Dos acontecimentos, a memória pode reter certos fatos e pode guardá-los para utilizá-lo em um futuro. O homem pode absorver experiências passadas ou resultados obtidos e utilizá-los no futuro como fonte de orientação para o cotidiano. A memória funciona ativando conteúdos afetivos (alegria, tristeza, medo) que aparecem em determinada situação da vida do indivíduo. Os fatos e as ligações entre eles se dão à medida que o indivíduo ganha experiência. Quando surgem circunstâncias novas, essas situações imediatamente ligam-se a um conteúdo anterior (arquivado na memória) se houver certas analogias ao da situação original. Na verdade, ocorre uma seleção de fatos na memória para se encontrar qual dos fatos arquivados mais se liga ao da situação concorrente. Tal qual a percepção, a memória encarrega-se de organizar tudo o que lembramos, pensamos, imaginamos e a infinidade de situações que acontecem todos os dias. Não havendo esse tipo de funcionamento ordenado, os fatos (lembranças, pensamentos, imaginações) chegariam constantemente à tona e 15 tornaria impossível o ato de pensar ou qualquer outro tipo de relacionamento. A memória perderia suas características. Ao contrário, os fatos chegados à mente são arquivados e imediatamente a memória se amplia. A conseqüência disso é a renovação dos conteúdos arquivados e a posterior utilização em uma determinada situação. Assim, cada vez que o mesmo conteúdo é apresentado, a memória o desperta e o modifica transformando-o em um novo fato arquivado. 3.1.2 Associações Conforme OSTROWER (1977), as associações são as responsáveis pela fertilidade da imaginação. Agindo de forma inconsciente, as associações são correspondências ou semelhanças de duas fontes paralelas do saber. Elas ligam duas idéias que tenham algum vínculo uma com a outra, sendo essas idéias ambas externas, ambas internas ou uma externa e outra interna à consciência. Destaque-se que as associações funcionam de modo inconsciente, sem o controle do homem, mas seus resultados são sentidos a nível de consciência. Além de velozes, são coerentes e espontâneas: “As associações nos levam para o mundo da fantasia (não necessariamente a ser identificado com devaneios ou com o fantástico). Geram nosso mundo de imaginação. Geram um mundo experimental, de um pensar e agir em hipóteses - do que seria possível, se nem sempre provável. O que dá amplitude à imaginação 16 é essa nossa capacidade de perfazer uma série de atuações, associar objetos e eventos, poder manipulálos, tudo mentalmente, sem precisar de sua presença física.” (OSTROWER, 1977, p.20) Ou seja, são as prioridades interiores ao homem que influem diretamente naquilo que queremos fazer ou criar. O dom da fala funciona pelo mecanismo da associação, conforme enfatiza OSTROWER (1977, p.20): “Grande parte das associações liga-se à fala, nela submerge e com ela se funde, pois muito do que imaginamos é verbal, ou torna-se verbal, traduz-se em nosso consciente por meio de palavras. Pensamos através da fala silenciosa.” O pensamento só se transforma em idéia concreta através de palavras. Pensa-se falando, por meio de palavras. Mas, dependendo de cada língua em que uma fala é determinada, a palavra chega carregada de valores externos ao significado puro que ela possui. A palavra, conforme cita OSTROWER (1977, p.21) “. . . evoca o objeto por intermédio de sua noção.” O ato de falar transforma-se em uma maneira de representar as coisas com suas bagagens valorativas e significativas, assim vistas pelo ponto de vista do emissor da mensagem. O receptor além de possuir essas características da fala deve também possuir um avaliar dessas unidades de significação que são as palavras. 17 3.1.3 Potencial Criador Para OSTROWER (1977), o potencial criativo do homem é o poder de excluir possibilidades e, ao se fazer isso, concretizam-se. Esse é o processo do criar. Tudo o que num determinado momento se ordena, se concretiza como a solução, ou a melhor solução, excluir, naquele dado momento, todas as outras possibilidades que possam acontecer. O que parece aparentemente limitador no potencial criativo é o que o torna mais dinâmico. A cada etapa fechada, ou com já uma solução, se dá uma nova abertura, novas alternativas. Da definição que ocorreu surgem possibilidades de diversificação. Retomando o que foi anteriormente escrito, o potencial criador que se estrutura em níveis de sensibilidade, cultura e consciência, é o combustível da criatividade. O homem como potência criativa se refaz sempre e cria novos obstáculos. Se não fosse dado ao homem essa reprodução de possibilidades perante os problemas concluídos, a produtividade e criatividade do homem se esgotaria. Acontecendo o contrário, o homem, conforme a quantidade de problemas à sua frente, produz cada vez mais soluções e, conseqüentemente, gera mais questionamentos. 3.1.4 Tensão Psíquica OSTROWER (1977) indica que qualquer ação humana necessita de um acúmulo energético para que aconteça, tanto para o exercício físico 18 quanto para o mental. A presença de uma tensão é fundamental aos acontecimentos. Se para nos exercitarmos é preciso de um acúmulo de energia, para pensar necessitaríamos de uma reserva de energia que pudesse ser ampliada. Ou, como OSTROWER (1977) explica a psicologia, que diz que a agressividade é a mola propulsora dos processos criativos: segundo a psicanálise, a agressividade representaria um potencial energético presente nos impulsos instintivos. Seria inata ao homem e faria com que o homem dispusesse de uma energia dirigida para fora a fim de poder reagir ao meio ambiente. Essa energia, quando canalizada e elaborada para fins construtivos, através de processos de sublimação, forneceria o potencial criador. Quando frustrada, a energia se converteria em violência, isto é, em destruição. Então, a tensão psíquica se transforma em tensão física, impelindo o homem à ação, ao fazer. Nos processos criativos, o essencial é concentrar-se e manter a tensão psíquica e não apenas descarregá-la. O criar significa poder recuperar a tensão psíquica, renová-la de forma que ela seja suficiente para garantir a duração da própria ação de criar. No ato criador, na hora que surge a idéia, há uma descarga de energia, uma descarga emocional que é necessária para manter a estabilidade do processo criativo. Essa descarga é fundamental e gratificante para o criador que sente enriquecer a sua produtividade, sente uma maior amplitude do seu ser. É com esse tipo de sensações, de descargas de emoções, de tensões que trabalham as terapias ligadas à arte. 19 Há que se discutir que a tensão psíquica também pode ser vista como conflito emocional. Na verdade, um conflito emocional possui uma tensão psíquica em maior ou menor grau que a tensão psíquica do processo criativo. E um conflito sempre é condição de crescimento. Pode acontecer que o conflito emocional seja parte fundamental da tensão psíquica e que estes conflitos assumam tamanhos enormes que a própria existência física da pessoa seja comprometida. Existem vários artistas em que a criatividade se desenvolveu junto com os conflitos emocionais. Proust, Kafka, Van Gogh são alguns exemplos. Mas, como citou anteriormente OSTROWER (1977), o processo criativo se baseia no ser consciente, no ser cultural e no ser sensível. O que acontece é que o conflito emocional se dá justamente no ser consciente, deixando os outros dois com a responsabilidade de criar. Em resumo, sempre que há dentro de um criador um determinado potencial surge a necessidade interior de exercer esse potencial de forma criativa. Se conseguir realizá-lo, o criador se realiza tornando sua vida mais rica e significativa. Já sabendo que para ser criativo é preciso detectar onde estão os problemas e saber usar o potencial criativo, resta agora saber como ampliar as qualidades criativas para poder criar cada vez mais. 20 3.2 Ampliando o Poder Criativo Através de situações cotidianas do trabalho que exigem soluções criativas é que o homem amplia e treina o seu potencial criativo. O pensamento criativo é um pensamento específico. Ou seja, um músico deve ter o conhecimento total do instrumento, deve saber qual é o limite que o instrumento proporciona e qual é a sua função dentro da orquestra. Assim as possibilidades que ele, músico, elabora para o seu instrumento não funcionam para outro instrumento. Para um fazer concreto, termo usado por OSTROWER (1977) para significar solução pronta, acabada, é necessário conhecer as particularidades em cada campo de trabalho de acordo com o caráter da matéria. Cada uma dessas matérias oferece certas possibilidades de ação e outras impossibilidades. É necessário o criador admitir e respeitar os determinantes da matéria com que lida para poder resolver os problemas e criar melhor. Assim há uma imaginação específica para cada campo de trabalho. Mas nem toda construção de um pensamento criativo é feito através das palavras, a não ser que compreenda formas verbais de tradução como a literatura e a poesia. O pensamento criativo pode ser articulado pelo inconsciente e o consciente é quem se encarrega de traduzi-lo na maneira mais clara para a situação. Um pintor, por exemplo, não imagina o seu trabalho em formas de palavras ou signos, nem imagens. Ele parte de idéias, de emoções, 21 de atos inconscientes e transforma tudo isso em cores, luzes, texturas e volumes. Ou seja, o criador lida com sua própria linguagem. Albert Einstein explicita muito bem essa sensação do criador em trabalhar com sua própria linguagem. “As palavras ou a língua, escrita ou falada, parecem não ter função alguma no mecanismo do meu pensamento. As entidades psíquicas servindo como elementos no meu pensamento, são certos signos e imagens mais ou menos claros, que podem ser reproduzidos e combinados intencionalmente. Naturalmente, há certa conexão entre esses elementos e conceitos lógicos relevantes. É claro, também, o desejo de alcançar conceitos logicamente interligados constitui a base emocional desse jogo bastante livre com os elementos acima mencionados.” (EINSTEIN apud OSTROWER, 1977, p.34)1 É claro que as entidades psíquicas de que Einstein fala não se pode imaginar o que sejam, tamanha a subjetividade de seu pensamento. Mas é certo que todo homem possui uma, bastando apenas achá-la. Einstein prossegue: “Contudo, do ponto de vista psicológico, esses jogos combinatórios parecem constituir o aspecto essencial do pensamento produtivo - antes que surja alguma ligação com construções lógicas verbais, ou outra espécie de signos que possam ser comunicados a outros.” (EINSTEIN apud OSTROWER, 1977, p. 34)2 1 EINSTEIN, Albert. apud BREWSTER, Ghiselin. The Criative Process. New York, Mentor Books, 1952. p.43 apud OSTROWER, Fayga. 1977, p.34. 2 Ibidem. 22 A imaginação criativa nasce do interesse, do entusiasmo de um indivíduo pelas possibilidades maiores de algumas realidades. Quanto maior for o questionamento sobre uma realidade, maior será o seu relacionamento afetivo entre o homem e o fenômeno. Ou seja, para ser criativa, a imaginação precisa identificar-se com a realidade, para assim, criar afinidade e empatia com ela. 3.3 Intuição e Inspiração Em certas ocasiões, a nossa criatividade parece estar à flor da pele e flui com uma facilidade enorme. São circunstâncias em que nos sentimos mais produtivos, mais criativos. Esse impulso de criar vem de regiões que talvez o homem jamais perceba. Os conteúdos psíquicos e as ações que levam o homem a agir são parte integrante de regiões inconscientes do ser humano. Mas, além dos impulsos inconscientes, entram no processo criativo todo conhecimento de um indivíduo, suas propostas, suas dúvidas, tudo o que pensa e imagina. As regiões conscientes do homem estão sempre trabalhando na mente criadora do homem. Ela nunca se desliga do processo criativo. Uma das características conscientes do ser criador é a intuição. A intuição, “. . . permite que, instantaneamente, visualize e internalize a ocorrência dos fenômenos, julgue e compreenda algo a seu respeito. Permite- 23 lhe agir espontaneamente.” (OSTROWER, 1977, p.56) A intuição funciona como se fosse um ato reflexo, embora não seja um; ela é uma reação da personalidade humana e, conforme escreve OSTROWER (1977), mais do que uma reação, ela é uma ação. E segue dizendo que a intuição está na base dos processos de criação. A qualidade da intuição no ser criador depende da percepção que ele possui. Mas a ligação entre a intuição e a percepção passa por caminhos inconscientes até serem descarregados na mente. A percepção desenvolve uma maneira de conhecer, de ver o mundo externo com o mundo interno, comparando-os e posteriormente, interpretando-os. Essa compreensão dos fatos não precisa necessariamente se dar por meio de palavras, basta apenas um significado que aumenta a experiência de vida do homem. Uma característica e um fator decisivo para a percepção e intuição nos processos criativos é a imagem. A imagem traduz para o nosso inconsciente uma situação vivenciada pelo indivíduo. E, a partir da visualização, a imagem passa a ser norma e qualifica todas as outras imagens que já foram visualizadas e as que posteriormente serão presenciadas. As imagens referenciais filtram os acontecimentos e deles tiram uma avaliação. É claro que tudo o que cerca o homem é tomado como imagem referencial, mas nem tudo é passível de seleção. Perceber o que acontece é 24 saber o que o interior quer perceber. Ou seja, o princípio da seletividade interior, conforme coloca OSTROWER (1977), é o que se quer perceber. É o que o inconsciente percebeu e quis reter. Se os acontecimentos que cercam o homem fossem todavia insólitos ou que não se relacionassem entre si, provavelmente o homem não teria como se ajustar por não ter um fato para toma-lo como o correto. Então, a criatividade cresce na razão direta da capacidade de selecionar os fenômenos extraindo delas a coerência do fato e encaixando-as em novas situações em que sejam coerentes. No processo criativo ocorrem o relacionamento e a seleção de idéias entre as várias opções que o consciente processa. Nesse processo, algumas idéias são descartadas e outras são aproveitadas pela coerência com o que se pretende atingir. Assim, quando a tensão psíquica é descarregada e dela surge uma idéia a chamamos de insight. O insight é uma confirmação exata de um questionamento prévio a que se fora submetido. Além de provocar um sentimento de alívio, sentimos que o insight preenche perfeitamente o problema anterior e o soluciona de modo intuitivo. Tem-se a impressão que esta (o insight) era a resposta correta. Somente essa resposta poderia se encaixar nos padrões que o problema levantou. O conhecimento a que se chega quando se tem um insight é imenso. O processo é enorme pois mexe com todas as possibilidades de pensamento do indivíduo, todo o sentir é afetado, noções interiores e exteriores são processadas além de toda carga afetiva que a personalidade do indivíduo carrega consigo mais a tensão 25 psíquica que mantém o processo. Tudo isso ao mesmo tempo. O insight é todo esse processo, só que renova o ser criador e o projeta para um degrau mais alto na escala do conhecer-se. Depois de concluídas todas as etapas acima descritas, o processo criativo defronta-se com a elaboração do produto final da criação. É aqui que se encaixa o conceito de inspiração. A inspiração ocorre vinculada a um processo já em andamento: o processo criativo. A idéia de que o criador espera de braços cruzados a inspiração chegar é equivocada pois o processo de criação é que a determina e, sendo assim, todo o processo, desde o seu início, também é inspiração. Mas, não é a inspiração que desencadeia o processo criativo. A inspiração é o produto deste, mas fica com os méritos por ser a última fase do processo. Todo processo de criação é formado de conceitos, idéias e fatores que são manejados pelo criador da maneira que este julgar a melhor. Mas, a solução que o criador tanto procura só se torna real, concreta, quando esta for aplicada. É a criação exigindo do indivíduo criador que a concretize, que a torne realidade. A parte final do processo será a produção do resultado que exige que o homem atue. Depois de pronto, então, o trabalho poderá ser avaliado e julgado. Ou seja, “. . . a atividade criativa consiste em transpor certas possibilidades latentes para o real.” (OSTROWER, 1977, p.71) 26 3.4 Resumindo Ao se deparar com o problema, o criador reflete sobre o seu estado mental e afetivo, cria uma tensão dirigida ao assunto e a fricciona. É a personalidade do criador que define o caminho a seguir; sua seletividade julga se esse caminho é o certo ou é o errado. O criador sabe que tem que chegar a um objetivo, mas não sabe como. O caminho trilhado pelo criador é composto de experiências passadas, que guiam cada passo dado por ele. Os dados reais serão manejados de forma a projetá-lo mais próximo do objetivo. E quando chegar ao objetivo, terá plena consciência de que era isso mesmo que ele procurava. 27 4 TEORIAS SOBRE A CRIATIVIDADE As seguintes teorias que versam sobre criatividade não têm a pretensão de esgotar o assunto. Nem de encerrar a discussão sobre qual é o método criativo que realmente funciona. Pelo contrário, cada uma delas tenta ser diferente uma da outra. Nesta tentativa de diferenciação, entram em cena várias hipóteses que, analisadas isoladamente, se baseiam em algo mais genérico do que a dimensão exclusiva da criatividade. Apresentando um alto grau de originalidade e de criatividade, essas teorias têm a função de ilustrar o presente trabalho e acrescentar argumentos à evolução do pensamento teórico sobre criatividade. Que não sirvam de base para nenhum leitor ou criador em propaganda mais desavisado, já que, como diz OSTROWER (1977, p.10): “Os processos de criação ocorrem no âmbito da intuição.” Essa preocupação em seguir ou não seguir normas para o processo criativo é muito comum entre os criadores. Quando se fala em criadores, aqui, não se refere somente a publicitários. A expressão é usada em seu sentido mais amplo. A referência vale para profissionais de outras áreas valendo tanto para escultores como para pensadores, e até para os atos mais banais do cotidiano que necessitam de criatividade, mesmo que mínima. Ainda assim, sempre existem criadores que gostam de saber como tudo começou e, para eles, as opiniões de vários pensadores sobre criatividade têm valor. Para esse público interessado em teorias, MENNA BARRETO (1982, p.83) tem a 28 seguinte saída: “...a melhor maneira de lidar com teorias é cumprimentar quando apresentados, e esquecê-las”. Mas há os que não podem nem querem ver teorias na sua frente. Para esses, o autor também ilustra esse quadro ambíguo: “Para o homem criativo prático, tais formulações são geralmente esterilizantes, quando não mistificadoras. Realmente, não conheço nenhuma outra matéria em que doutrinas e hipóteses sirvam tão pouco à pratica como no campo da criatividade.” (BARRETO, 1982, p.83) A seguir, serão feitas as conexões necessárias entre que foi dito até aqui, com as teorias. 4.1 Teorias dos Tempos Antigos As teorias de criatividade dos tempos antigos remontam a um passado distante e, como sempre, a fé e o poder divino têm participação. A teoria da criatividade como origem divina, assinada por Platão, diz que no momento do insight, do estalo, o artista perde o controle sobre si mesmo por encontrar-se “. . . agente de um poder superior. . .” (BARRETO, 1982, p. 84) Já a teoria da criatividade como loucura, como o próprio nome diz, afirma que a espontaneidade e a irracionalidade da idéia são frutos de um acesso de loucura. Platão também foi o autor dessa teoria. Anos mais tarde, 29 essa teoria surge com outra roupa: a Teoria da Loucura, colocando loucos e gênios no mesmo patamar, alega que a fonte da criatividade tem uma explicação patológica. Jung e Freud foram dois defensores dessa teoria. 4.2 Teorias Filosóficas Modernas Essas teorias defendem a idéia de que a criatividade é parte da natureza humana. Sem se deterem no funcionamento interno do processo criativo, elas dão uma visão ampla e filosófica, concebidas pelo autor. No momento em que se depara com o problema, o criador intui imediatamente a solução; solução esta que pessoas normais só conseguiriam um longo tempo depois. Esta teoria, a da criatividade como gênio intuitivo, diz que a criatividade não se ensina porque é imprevisível, não racional e restrita a algumas pessoas. Foi aplicada esta teoria a Leonardo da Vinci e, portanto, chamado de gênio. É também desta teoria que surgiu a velha expressão de Kant de que criatividade não pode ser ensinada. A teoria da criatividade como força vital que é uma conseqüência da Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin, faz uma analogia entre criatividade e a evolução das espécies, sendo aquela natural do ser humano e essa como capacidade criadora da natureza: 30 “A vida é criativa porque se organiza e regula a si mesma e porque está continuamente originando novidades. Na natureza: transformação da genética e modificações do meio. No homem: capacidade de encontrar ordem e sentido num amontoado de particulares, impor padrões, etc.” (BARRETO, 1982, p.85) A terceira teoria, intitulada criatividade como força cósmica, explica que a criatividade está ligada a tudo o que existe no universo e dela extrai a sua origem. A criatividade renova tudo o que existe para que as coisas possam continuar a existir. Além de criar novos entes, formas e situações novas, a criatividade também mantém o que já existe. Uma associação à educação da criança, do desenvolvimento da imaginação, do convite à descoberta que ela mesma, no futuro, irá recombinar da sua própria maneira. 4.3 Teorias Psicológicas A criatividade passou a ser tratada com maior rigor da ciência e, sendo uma tarefa indiscutivelmente mental, passou a ser estudada pelos psicólogos. Com o passar do tempo, houve uma certa “tendência” que leva o estudo da criatividade mais próxima ao real local do seu habitat. 4.3.1 Teoria da Associação É a combinação de idéias. Quanto mais uma idéia for recente na mente do criador, mais chance ela tem de acompanhar a próxima idéia (que 31 pode ser o problema). Ou seja, as duas idéias mais próximas tendem a se unir formando uma solução. Caso não funcione na primeira tentativa, uma segunda idéia, de secundária importância, toma o lugar da primeira. E assim, a mente prossegue num processo de tentativa e erro até chegar a uma combinação que resolva o problema. Então, parte do princípio de que quanto maior for o agrupamento de informações e quanto maior for a capacidade de memorizar todas essas informações, além de um potencial associativo, maior quantidade de idéias o criador terá a sua disposição. Sabe-se que, realmente, não é isto o que ocorre. Conforme OSTROWER (1977), o maior potencial criativo está ligado ao fato de excluir as combinações logicamente estabelecidas e procurar vínculos cada vez mais inusitados. Combinações do tipo associacionista produzem como resposta lugares-comuns e chavões e não idéias originais. 4.3.2 Teoria da Gestalt A Teoria da Gestalt fala que a criatividade é uma reconstrução de Gestalts, isto é, configurações que estejam com a estrutura deficiente. O homem criativo se depara com o problema que está incompleto. O criador percebe o problema como um todo. Agindo de determinada maneira, ele chega à solução e restaura a harmonia do todo. Segundo Wertheimer: 32 “O processo todo é uma linha consistente de pensamento - e não uma adição de operações díspares, agregadas. Nenhum passo é arbitrário, de função conhecida. Pelo contrário, cada um deles é dado com visão de toda a situação.” (WERTHEIMER, Max. apud BARRETO, 1982, p.87) Essa teoria funciona quando o pensador se depara com uma situação problemática, mas não consegue explicar como o problema se estrutura. Então surge uma Gestalt imaginada na qual ele passa a se guiar. Sem explicar de onde surgiu essa Gestalt imaginada. 4.3.3 Psicanálise A mais importante de todas as teorias, encabeçada por Freud. Segundo BARRETO (1982), Freud achava que a criatividade tem origem num conflito (apresentação do problema) dentro do inconsciente (id). Com o tempo, o inconsciente descobre um meio de solucionar o problema. Se a solução corresponde às exigências do ego, então houve ali o comportamento criador. Caso não corresponda ao ego, a solução será reprimida e criará uma neurose. Logicamente, a neurose e a criatividade partem de um mesmo ponto: o inconsciente. Criador é o indivíduo que deixa as idéias fluírem livres no seu inconsciente. Deixa o ego relaxar o controle sobre o id para que a solução, que o insight chegue naturalmente. Mas há os indivíduos que Dados do autor citado não fornecido na obra de BARRETO (1982). 33 possuem um ego muito resistente que impede que as idéias apareçam no inconsciente, mesmo a pessoa possuindo potencial criativo. Já o caso dos doentes mentais que possuem um ego tão fraco que não consegue controlar os impulsos do id e surgem alucinações sem contato com a realidade. O humor também nasce do afrouxamento do ego sobre o id, só que de forma proposital. Conforme BARRETO (1982), Freud explica que o criador busca muitas referências na sua infância por possuir, nesta fase, o id superior ao ego. A criatividade é uma expressão de sanidade. Ao criar, o indivíduo sente dignidade, autoconfiança, amor e bem-estar emocional. No ato de criar, o criador deixa o intelecto em harmonia com os seus sentimentos; ou seja, é um meio de bem-estar emocional. Caso o ego não seja aprovado, acarretará em dano para sua personalidade. É a pressão que o ego recebe do mundo exterior (superego). Muitas pessoas podem se conformar com o papel que lhe dão na sociedade menosprezando suas próprias idéias. E ele próprio esquece a única coisa que podia fazer dele uma pessoa diferente na sociedade: a criatividade. 4.3.4 Neofreudianos Os neofreudianos afirmam que a criatividade não é produto do inconsciente, nem do ego, mas de um ente intermediário: o pré-consciente. Eles afirmam que o inconsciente é contaminado por conflitos e impulsos em 34 número superior ao consciente e que, para que haja pensamento criativo é necessário uma libertação temporária da união destes dois pólos. A criatividade é uma regressão permitida pelo ego em seu interesse, de forma que a pessoa criativa é aquela que consegue recorrer ao seu pré-consciente de maneira mais livre do que as outras. 4.3.5 Reação ao Freudianismo Nas teorias freudianas, a criatividade é vista como um processo natural de escape emocional no qual o eqüilíbrio somente é restaurado com a solução do problema por meio do impulso, do conflito. Agora, contrariando essa onda freudiana, estão dois pensadores que pensam em justificar a criatividade por meio dela mesma. Ei-los: Schachtel (apud BARRETO, 1982, p.90)* sustenta que a criatividade é originada pela disposição do criador em permanecer aberto à realidade exterior recebendo, dessa forma, maior número de experiências. O criador enfoca a percepção alocêntrica (centrada no objeto) em detrimento a percepção subjetiva (centrada em si próprio). Para Carl R. Rogers (apud BARRETO, 1982, p.91) ** , a criatividade tem dois sentidos, um estrito e outro amplo. No sentido amplo, a * Dados do autor citado não fornecidos na obra de BARRETO (1982). Idem. ** 35 criatividade é uma tendência a auto-realização, ou seja, uma pessoa criativa é aquela que conseguiu realizar suas potencialidades como ser humano. Já no sentido restrito, a criatividade é uma espécie de comportamento na qual se destacam a espontaneidade e a intuição. 4.3.6 Análise Fatorial BARRETO (1982, p.91) diz que J. P. Guilford* divide a mente em duas classes principais: a capacidade de memória e a capacidade de pensamento. A capacidade de pensamento se divide em capacidades cognitivas (reconhecimento de informação), capacidades produtivas (geradoras de novas informações) e capacidades avaliativas (julgadora da informação). A capacidade produtiva pode ser convergente ou divergente. A convergente ocorre onde o problema e o método de solução é apresentado ao desafiante. Aqui a solução se resume a uma única. A capacidade divergente de pensamento acontece quando o problema está escondido, está para ser detectado, e não existe meio aparente de solução, mas que possui várias alternativas de resolução. Dentro do pensamento divergente, Guilford inclui alguns fatores diversos responsáveis pela criatividade: * Dados do autor citado não fornecidos na obra de BARRETO (1982). 36 a) fluência vocabular; b) fluência ideativa (capacidade de ter idéias em quantidade e não em qualidade); c) flexibilidade semântica espontânea (capacidade de ter idéias relacionadas a um fim); d) flexibilidade figurada espontânea (capacidade de perceber diferenças mínimas em uma situação ou objeto); e) fluência palavras associativa dentro (capacidade de de uma restrita produzir área de significado); f) fluência expressionista (capacidade de abandonar uma linha de pensamento e seguir outra); g) fexibilidade simbólica adaptativa (reetruturar um problema ou uma situação quando necessário); h) originalidade (capacidade de produzir resposta raras e distantemente associadas); i) elaboração (capacidade de fornecer detalhes para completar uma situação). Além destes fatores, Guilford (apud, BARRETO, 1982, p.91) inclui outras duas capacidades, sendo ambas pertencentes ao pensamento convergente. São elas: 37 a) redefinição simbólica (capacidade de reorganizar determinadas unidades simbólicas dando novos usos aos elementos); b) redefinição semântica (capacidade de alterar a função de um objeto usando-o de maneira diferente). Outro pensador desta área, Arthur Koestler (apud BARRETO, 1982, p.94), afirma que o ato da criação tem origem na fusão de duas linhas de pensamento aparentemente desprovidas de relação. Esse padrão de criatividade é chamado de bissociação que consiste na ligação de níveis de experiência ou sistemas de referência. Koestler explica o funcionamento do processo: primeiro há uma colisão entre as duas idéias sem relação provocando o humor; depois há uma fusão que ocasiona uma síntese intelectual, e por último há uma confrontação, que se resume na arte de criar. Descritas algumas teorias sobre a criatividade através dos tempos encontramos as mais variadas possibilidades de explicações sobre o funcionamento desse tal sistema. Lendo com maior atenção, pode-se perceber que a criatividade tem um princípio que rege quase todas as teorias. Uma intersecção de idéias, de referências que unidas formam uma solução criativa para um determinado problema. Assim, a criatividade tem resolvido os 38 problemas do homem desde os de necessidade fisiológica até os mais complexos problemas de manipulação do seu meio em função do lucro. 39 5 PROCESSO CRIATIVO DE ALGUNS PUBLICITÁRIOS A mensagem publicitária, como todas as outras formas de criatividade, como a música, literatura, pintura, escultura, possui objetivos programados. A grande maioria dessas formas de expressão que tem um fim comercial precisa cumprir uma série de fatores previamente encomendados para que atinjam um fim específico. É claro, desde que não façam parte de um “hobby”. Mas entre todas as formas de mensagens, a mensagem publicitária é a única que precisa gerar certezas e não dúvidas. Para que se consiga gerar uma mensagem publicitária eficiente há um deserto a ser percorrido. O criador sabe que a mensagem ideal é aquela que consegue obter atenção, captar interesse, despertar desejo e conseguir ação do consumidor, a velha fórmula AIDA (Atenção, Interesse, Desejo, Ação). Mas, se de um lado estão todos os dados que o briefing dispõe junto com o objetivo a ser alcançado, do outro está o talento do criador em usar todas as armas disponíveis para que o objetivo seja alcançado. Esse conjunto de armas que os criadores possuem são os mais variados possíveis. Cada qual possui uma maneira ou um “modus operandi” que julga melhor para ter suas idéias. O processo da criatividade já foi descrito neste trabalho, mas a maneira com que o criador faz para que esse processo aconteça será visto agora. 40 Numa analogia entre a criação de uma mensagem e uma jaula de animais (sic), Julieta de Godoy Ladeira, escritora e publicitária, descreve como carcereiros do processo de criação: o briefing, o prazo de entrega, as pesquisas, o perfil do consumidor e os objetivos de comunicação. Julieta, que já trabalhou em agências como J. Walter Thompson e McCann, cria uma associação entre espaço e poder criativo onde o melhor uso do espaço de uma jaula é que determina o maior poder criativo: “Você ( criador ) tem que se mover dentro dessa jaula. Mas nessa jaula existe sempre algum espaço para se inventar passos diferentes, alguma coreografia interessante. A primeira coisa talvez seja sentir-se, ali dentro, mais tigre que macaco, mais macaco que larva.” (LADEIRA, 1987, p.14) E, caracterizando os diferentes tipos de criadores pelo seu potencial, Julieta continua: “Uma larva crê que não será capaz de fazer nada, e que não dará tempo. Um macaco pensará rápido em tudo o que pode imitar, disfarçando aqui e ali com uma outra novidade. Um tigre encolhe as garras, depois solta-as se preparando para o grande salto. Há de apanhar o que estiver mais alto, o que os outros passarão sem enxergar.” (LADEIRA, 1987, p.14) Além dessa opinião motivadora de processo criativo há inúmeras outras formas de criação. A idéia que o criador em propaganda sempre foi de 41 um “sujeito maluco” parte desse tipo de trabalho: o de criar coisas malucas da forma mais diferente possível. “Durante anos, os profissionais de criação (publicitária) foram considerados malucos, irresponsáveis e excêntricos. Conseguiam ficar com seus empregos porque eram considerados originais, inventivos e inovadores. Isso trazia resultados para a agência, garantia seus salários, mas não autorizava proximidade com o cliente. Os criativos foram, por décadas, mantidos a conveniente distância dos clientes e do poder, porque eram considerados imprevisíveis, inquietos e, alguns, mordiam.” (DO PORRA-LOUCA. . ., 1996, p.14) Essa loucura do criativo, atualmente, perdeu força. O profissional de hoje deve estar sempre bem informado, ter currículos invejáveis e acima de tudo ter responsabilidade e liderança. Mas isso é outra história. Voltemos ao criativo maluco. Muitas vezes, o criativo deve buscar informações em várias fontes impressas. Mas, com o volume de informações crescendo a cada segundo, deve-se saber selecionar alguns livros, jornais, revistas e periódicos que sejam determinantes para cada área. Assim nos ensina Francesc Petit, diretor de criação da DPZ: “Entre todas as publicações, e são muitas, as que acho indispensáveis são: Art Directors Anual de NY e The British Designers Art Directors. Em matéria de revistas do setor, a única que vale a pena é Archive, publicada na Alemanha. Existem dúzias de livros de grande 42 qualidade que abordam todas as especializações da propaganda, foto, tipografia, ilustração, embalagem, design, promoção, papéis de carta, menus, cinema comercial, vídeo, efeitos especiais. . . dá vontade de comprar todos.” (PETIT, 1991, p.59) A propaganda também vive de conselhos. Mas, da mesma maneira que Petit recomenda que se atualize e se enriqueça o poder criativo, ele também coloca a forma como ele faz para criar. Referindo-se a Shakespeare, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe, Umberto Eco e Albert Camus, ele comenta que: “Quando busco uma idéia, um título de anúncio, um visual, qualquer coisa que não está muito clara, procuro passar meu pensamento por gente assim, ou leio algumas páginas de livros diversos, contos, biografias, poesia, olho livros de todo o tipo, a fim de acelerar, de engraxar o meu processo criativo, anoto tudo rápida e desordenadamente, penso em cinema, histórias e diretores famosos, relembro peças de teatro, até o lixo da cultura, tudo o que estiver escrito ou impresso.” (PETIT, 1991, p.58) Mas note-se que ele recomenda para quem está começando não se basear em alguém ou tentar imitar no sentido de plágio: “É preciso entender que o criador é produto de um grupo, de uma cultura de um movimento. Pablo Picasso dizia que o artista não tem um pai, “pai no sentido de um ídolo”, é um filho da puta, ou seja, um filho de ninguém. A criação nasceu de observar como criavam os outros, os mais sábios e mais experimentados.” (PETIT, 1991, p. 57) 43 Mauro Matos, diretor de criação da Contemporânea, é outro criador que prefere se afogar no meio das informações. Sua disciplina é a seguinte: “A minha fórmula é um processo de absorção de tudo que está à minha volta. Procuro me informar o máximo possível e, em seguida, fico aberto para recepção das minhas próprias mensagens. Porque tudo se mescla com as minhas vivências pessoais: toda aquela informação que temos sobre o produto ou serviços, sobre os objetivos, sobre o consumidor. Então costumo deixar que aquilo flutue um pouco para que, da maneira mais livre possível, se misture - sob forma das mais variadas combinações na cabeça.” (MATOS, 1991, p.92) O “modus operandi” de cada criador não é elaborado no primeiro dia de trabalho. Só depois de alguns anos de trabalho intensivo, sempre usando táticas diferentes até encontrar alguma que o satisfaça, é que o criador descobre um caminho pelo qual facilite e agilize seu trabalho. Ainda mais hoje em dia que o publicitário tem uma fila de espera de trabalhos enorme. A agilidade e rapidez são fundamentais. Mas, nem sempre é assim: “Eu, por exemplo, quando tenho que fazer algum texto, escrevo umas 20, 30, 50 vezes, se for preciso. Nem que tenha, às vezes, que voltar à forma inicial. Sempre fui assim.” (MATOS, 1991, p.93) Por sorte do destino Mauro Matos é dono da própria agência. Mesmo que para ele seja difícil escrever, pelo menos ele acredita no insight: 44 “Também é preciso estar aberto ao insight - algo que não identificamos bem, mas que é uma força que existe, um talento que se manifesta. E aí vem o momento essencial, o momento mais prático, que é o de colocar no papel. Isso é uma ginástica, um processo de trabalho, um exercício. Quanto mais nos exercitamos, melhor criamos. Não conheço outra maneira de produzir, a não ser produzindo. E acredito que os grandes criadores do Brasil são os profissionais que mais produzem.” (MATOS, 1991, p.92) Fábio Fernandes, diretor de criação da F/Nazca, ao contrário de Mauro Matos, não tem fórmulas. Ele acredita em princípios: “Acredito, primeiro, em originalidade. Depois, em criatividade. Você precisa ser original antes e usar seus recursos criativos depois, para expressar a idéia. Costumo dizer lá na agência que os criativos da F/Nazca podem ser mandados embora porque não erraram. Mas jamais serão mandados embora porque erraram. Estimulo o erro, porque só dele nasce a originalidade.” (FERNANDES, 1996, p.18) Corroborando com este aspecto de originalidade, Magy Imoberdorf, diretora de criação da Lage/Magy, diz que “. . . o criador não deve ter preconceitos nem regras fixas, porque a história da propaganda, (. . .) já mostrou que o que vale hoje pode não valer amanhã.” (LIVRO, ano, p.112) Assim, criatividade e originalidade andam juntas dentro da propaganda. 45 5.1 A Análise Transacional de Menna Barreto A definição de Análise Transacional da propaganda por Roberto Menna Barreto requer um capítulo à parte. Além do seu caráter esclarecedor, a Análise Transacional sobre a propaganda é, além de análise e comportamento, outro método de criação. Ele parte do princípio de que toda mensagem publicitária é constituída por estímulos que partem da cabeça do publicitário e vão em direção às massas. Porém as mensagens das peças não se dirigem à coletividade: “Cada anúncio, cada comercial, cada cartaz fala diretamente a uma única pessoa: VOCÊ!” (BARRETO, 1981, p.27) Essa projeção à individualidade do receptor é a essência da Análise Transacional. E é desse princípio que parte todo o raciocínio criativo sob o ponto de vista da Análise Transacional. Então, a primeira conclusão a que deve chegar o persuasor é: em qual Estado do Eu está a pessoa a ser persuadida? Para tanto, é preciso determinar qual o papel da Análise Transacional nesta etapa. A Análise Transacional diz que o indivíduo comporta três Estados do Eu que formam a personalidade: o Estado do Eu Pai, o Estado do Eu Adulto e o Estado do Eu Criança. Conforme explica, Roberto Menna Barreto: 46 “Dizemos que a pessoa está no Estado do Eu Pai, quando fala ou pensa como o fizeram seus pais, ou outras figuras importantes de sua influência. O Pai contém e transmite os elementos culturais, as pautas sociais, morais e religiosas, as regras de convivência; determina o que se deve fazer: um conceito aprendido de vida.” (BARRETO, 1981, p.25-26) Sobre o Eu Adulto, Menna Barreto explica que: “Dizemos que uma pessoa está no Adulto quando funciona computando a realidade, processando-a e atuando em conseqüência. Corresponde aos juízos de realidade, ao raciocínio lógico, ao pensamento abstrato e racional. Conclui o que convém fazer: um conceito pensado de vida.” (BARRETO, 1981, p.26) E conforme o Eu Criança, Menna Barreto fala sobre: “Dizemos que uma pessoa está na Criança, quando pensa, sente e atua como em sua infância. Na Criança residem as emoções, a intuição, a criatividade e a espontaneidade, a pulsão biológica, o pensamento mágico. “O pior e o melhor de cada um de nós”. Expressa o que se gosta de fazer: um conceito sentido de vida.” (BARRETO, 1981, p.26) É nessa instância que surge o primeiro vestígio do processo criativo, ou seja, qual é o Estado do Eu do publicitário que emite a mensagem e qual é o Estado do Eu que a pessoa a ser persuadida recebe? 47 A Análise Transacional de Roberto Menna Barreto com sua fórmula de PAC ( Pai, Adulto, Criança ) pode ser encaixada em várias etapas do processo criativo. Pode ser observada dentro da agência, entre os seus departamentos. Pode ser vista atuando no mercado. Pode ser vista na pessoa criativa, dentro da cabeça do criador. 5.1.1 Dentro da Agência Dentro de sua operacionalidade principal, a agência pode ser dividida em três núcleos: a Liderança, o Grupo de Relações Externas e a Criação. A fórmula PAC se encaixa dentro dela. A Liderança é fundamental em uma agência de propaganda. Ela é que faz o papel do Eu Pai. Conforme BARRETO (1981, p.26), ela “. . . determina o que se deve fazer: um conceito aprendido de vida.” O Grupo de Relações Externas, formado pelos atendimentos e contatos de propaganda, mídia, pesquisa, produção, etc., faz o papel do Eu Adulto. Segundo Roberto Menna Barreto, o Grupo de Relações Externas “. . . conclui o que convém fazer: um conceito pensado de vida.” (BARRETO, 1981, p.26). Afinal, é ele que representa o cliente e deve fazê-lo de modo racional. Já a Criação, composta por redatores e diretores de arte, desempenha o papel do Eu Criança. Com a função de “bolar” os anúncios são 48 eles que, conforme BARRETO (1981, p.26), “. . . expressam o que gostam de fazer: um conceito sentido de vida.” 5.1.2 No Mercado A fórmula PAC também atua dentro do mercado e funciona descobrindo qual o Estado do Eu do receptor melhor se encaixa com determinada linha de produto. O receptor possui os três Estados do Eu. No Estado do EuCriança “. . . está o alvo de 99% de toda a propaganda: o consumidor de tudo o que promete prazer - seja chocolate, charutos, viagem, moda, sexo, aceitação, amor ou sucesso.” (BARRETO, 1981, p.51) Já no Estado do Eu Adulto, o receptor é um “consumidor de investimentos” (BARRETO, 1981, p.52). O assunto trata de dinheiro, e o Adulto aceita apenas dados e não emoções. No Estado do Eu Pai, encontra-se um consumidor aberto a mensagens de proteção à família, que não pensa tanto em si, ou no bem da comunidade, aberto a idéias patrióticas, religiosas, etc. 5.1.3 Na Pessoa Criativa A fórmula PAC aplica-se também ao processo criativo. O processo que acontece dentro da cabeça do criador, mexendo com aspectos 49 conscientes e inconscientes, pode ser enquadrado em etapas de Pai, Adulto e Criança. Tudo começa quando o criador recebe o problema de criação ou o pedido de trabalho. Após descobrir qual é o problema a ser solucionado, uma quantidade de informações são processadas pelo Estado do Eu Adulto. Sendo responsável por ter um raciocínio lógico e racional, o Adulto equaciona o problema e o envia para o Estado do Eu Criança. Este, responsável pela intuição, pela emoção e pela criatividade, cria um esforço ( correspondente à tensão psíquica ) para encontrar uma solução. Então surge uma idéia. Essa idéia que ainda não é solução é enviada ao Estado do Eu Pai que confere se não há nada que possa infringir alguma regra moral ou de convivência. Em caso de aprovação, o Eu Pai reconhece a solução como criativa e ela funciona para determinado fim. Aí, então, essa informação é repassada para o Adulto que faz a “última revisão”, a mais racional sobre a solução. Em caso de reprovação pelo Estado do Eu Pai, o processo recomeça a partir da tensão psíquica no Estado do Eu Criança. O processo criativo através da PAC funciona como um sistema de resultados garantidos em que se sabe, por teste prévios, se o receptor está disposto a receber certa mensagem. Além disso, a PAC também pode ser considerada um processo criativo por que serve como uma base para o criador orientar a sua idéia. 50 De todos os modos de criação vistos anteriormente, nenhum é o mais indicado ou recomendado. Cada um deles pertence a uma personalidade diferente que elaborou uma maneira prática ou mais sólida de lidar com o processo criativo. São exemplos de gente que, estando no mercado há anos, conhecem muito mais de criatividade prática que a maioria dos leitores deste trabalho. Sendo assim, deve-se usufruir dessas informações que, com certeza, levaram mais de décadas somadas de experiências para serem promulgadas. 51 6 OS CINCO PONTOS DE CRAIÇÃO DE ROBERTO PINTAÚDE Como análise mais profunda desse trabalho que escreve sobre criatividade, o capítulo de maior importância talvez seja este, pois enfoca diretamente a questão do como ser criativo ou como criar funciona na prática. A idéia é de centrar o trabalho em cima de um assunto concreto de criatividade que fosse usado para propaganda. Partindo então da criatividade como o centro do trabalho, faltava apenas encontrar um esquema ou uma fórmula que se ajustasse ao processo criativo de uma forma consistente e dinâmica. E Roberto PINTAÚDE (1997), diretor de criação da Nova Forma Propaganda e Mercadologia, possui um esquema muito eficaz e didático neste sentido. São cinco tópicos que foram criados com finalidade publicitária mas que podem ser usados para outros fins; servem para observar de outra maneira os fenômenos que ocorrem a nossa volta no cotidiano. E foi partindo da observação do comportamento de clientes da agência, do comportamento das pessoas a sua volta que Roberto Pintaúde criou, a partir de anotações, alguns tópicos que ele achou que se repetiam em várias situações: “ Mas como é que você faz para a sua cabeça funcionar e tirar o título? Para tirar o anúncio? De onde vem o talento do diretor de arte e do redator? (. . .) Esses itens eu comecei a construir para tentar passar para as 52 pessoas uma forma de raciocinar criativamente. Ajuda a botar a mecânica do raciocínio na linha da criatividade.” (PINTAÚDE, 1997) Ou seja, esses cinco itens servem de base para quem começa a se aventurar no negócio da criação em propaganda e auxilia quem precisa de agilidade na criação de determinadas peças. Note-se a versatilidade desses cinco pontos: ganha-se tempo em utilizá-los e evita que se fique perdendo tempo com divagações de brainstorming que muitas vezes não levam a nada. É, para quem usa, uma arma muito potente na criação. Mas, quais são esses cinco pontos? Roberto Pintaúde diz que “. . . criação é tentar organizar o raciocínio das pessoas para despertar o espírito criativo e de que forma se organizam esses raciocínios.” Sendo assim, os cinco itens que lhe ajudam a encontrar são a informação, o detalhe, o descondicionamento, a subversão e a postura. Veremos cada um desses pontos detalhadamente e o seu funcionamento. 6.1 Informação “Se você não está informado sobre o que você vai falar, você não pode falar. Se você não tem informação geral do contexto, também não.” diz PINTAÚDE (1997), enfocando a idéia de que a informação é o ponto mais precioso para se começar a falar sobre qualquer assunto. Nem só no campo da 53 propaganda isso acontece. Em outras profissões e outras atividades em geral, a informação é fundamental para a evolução do entendimento entre as pessoas e os sistemas. Já vimos anteriormente como o criador processa a informação. Veremos agora como ele a recolhe. LADEIRA (1987, p.15) diz que além da cultura geral, o criador deve-se nutrir de informações específicas sobre o produto ou o objeto de estudo para depois criar “associações de idéias” para que se resolva o problema: “Como num iceberg, a menor parte do conhecimento adquirido aparece, mas o que dá solidez a essa parte é o que não se vê. Aquilo que fica dentro do mar. Essa parte submersa se refere justamente ao conjunto de referências que se precisou conseguir e assimilar para a conquista da sintetização.” São as boas referências que enriquecem o criador de alternativas de associações. Com referências demais há o perigo da dispersão das idéias, segundo Julieta. Por isso um dos pontos discutidos é a informação. Mas de onde se pode tirar essas referências para um melhor desempenho de criação? Roberto Pintaúde responde a essa dúvida. “A melhor coisa pra alguém aprender a trabalhar com propaganda é estudar história, porque ela se repete, em qualquer aspecto, guerras desde Napoleão, Idade Média, as cruzadas, a essência do porquê existiu aquela guerra é parecido com qualquer uma outra; muda o cenário, muda a época, mudam as armas, e, além disso, 54 a história passa pela economia, pela sociologia e isso é informação básica, depois vem a específica sobre propaganda.” (PINTAÚDE, 1997) Em se tratando de informações em propaganda, a maioria dos publicitários citam-nas como um item indispensável na formação da personalidade na resolução de problemas da criação. Francesc Petit também ressalta esse ponto: “Ser criativo e atualizado depende de um processo lento, demorado. Uma coisa esá ligada à outra. Se não se é atualizado, a criatividade de nada vale; se estiver atualizado mas não for criativo, dá na mesma, não vale um tostão. Para ser atualizado, é preciso ser viciado em informação de todo tipo e espécie, formal e informal, em grande quantidade, semdar muita importância à qualidade, mas tendo clara consciência da validade de cada uma. Um criativo sem esse ingrediente é como um computador sem disquete.” (PETIT, 1991, p.56) Isso vai de encontro com o que a JULIETA (op. cit.) falou anteriormente. Mas voltemos à informação. PINTAÚDE (1997) encerra dizendo que a informação “. . . é coisa básica que o criador precisa.” Ouviram? 6.2 Detalhes Muitos publicitários não se dão conta de que é nos detalhes que se encontra a maioria das preocupações de uma agência. Na criação não é 55 diferente. O detalhe na criação é saber escolher qual o item do briefing que se deve seguir como o mais forte para o produto, ou então o detalhe pode estar em esquecer o briefing e fazer algo totalmente diferente. Já dizia Aristóteles que, “para entender uma coisa, observai os começos do seu desenvolvimento.” Como diria Roberto Pintaúde sobre os detalhes: “A propaganda é uma costura de detalhe. Pega-se um detalhe que o cliente disse hoje, que disse depois e depois, aí você tem uma leitura do cérebro dele, a mecânica, como é que ele se expressa. Um dos maiores problemas é o anunciante dizer com clareza o que ele quer. Aí se criou aquele folclore de que o cliente quer assim! Em 50% das vezes que o cliente diz o que ele quer ou ele não sabe o que ele quer ou ele está se expressando mal. Aí então, vai uma pessoa buscar informação que faz a sua leitura e traz para dentro da agência já perde um pouco mais da informação. Aí se percebe como funciona essa coisa dos detalhes, como vão se costurando, como vão funcionando.” (PINTAÚDE, 1997) Os detalhes estão presentes em todos os momentos em uma agência e não apenas na hora da criação. Desde o atendimento a um cliente até a finalização do anúncio ou outra peça qualquer, os detalhes estão presentes e precisam ser detectados com eficiência. Em alguns detalhes durante todo o processo pode estar desde a solução dos problemas de criação até a perda do cliente. Ou todos os detalhes passarem despercebidos: 56 “Já me perguntaram o que eu prefiro quando eu vou receber uma informação para fazer um trabalho: conhecer o produto, a distribuição ou todas essas variáveis? Digo que nenhuma delas. O que eu preciso é saber como é a mecânica do cérebro do cliente, como é que ele enxerga a propaganda, como é que ele quer que a propaganda funcione.” (PINTAÚDE, 1997) Detalhes são fundamentais no relacionamento com o cliente. Mais fundamentais ainda no relacionamento com o consumidor. Este relacionamento talvez seja o mais rico de detalhes: “A propaganda tem que deixar quem compra feliz. Convença uma pessoa (consumidor) com determinado trabalho com a melhor justificativa técnica; se ele não gostou daquilo, aquilo não vai ter 100% de sucesso.” (PINTAÚDE, 1997) Há uma série de fatores envolvendo os detalhes: os clientes, os consumidores. Os criadores estão cercados por eles e é nos detalhes que a batalha pode ser ganha. Pintaúde diz que: “Em situações em que as pessoas são mais cruas, mais toscas, se percebe isso direitinho, bota um anúncio, sem se importar com a qualidade dele na mão de uma equipe de corretores, se os caras comprarem a tua idéia eles fazem o anúncio funcionar, e se não comprarem, pode ser o melhor anúncio, eles não deixam a propaganda funcionar. Por gosto pessoal, por um monte de interferências, por veleidades. Porque uma pessoa não tão simples ela elabora um pouco mais. As vezes é difícil pegar onde ele anda, eu sempre tento conhecer a cabeça do sujeito, como é que funciona aquela mecânica pra a partir daí fazer alguma coisa criativa. E em cima disso é o que mais surge detalhes.” (PINTAÚDE, 1997) 57 O cliente não liga pra detalhes. Quem tem que se preocupar com eles são os publicitários. O cliente quer resultados. Mesmo sem se importar com a beleza da peça ou o seu argumento. Segundo Pintaúde: “O cliente quer uma coisa que funcione muitas vezes sem se importar com a criatividade do comercial. A dimensão ou a idéia do que é criatividade pra quem trabalha com propaganda, pra quem vende ou pra quem compra tem uma enorme distância, e isso entra no emaranhado dos detalhes.” (PINTAÚDE, 1997) Os detalhes circundam todo o processo publicitário. Outras profissões também possuem detalhe a serem descobertos. Mas talvez a propaganda seja o único sistema em que a percepção ou a não-percepção dos detalhes pode ser fatal no sentido da perda do cliente. A experiência de Pintaúde comprova isso: “Você nunca perde cliente por um grande erro, porque num grande erro se consegue detectar quem é que errou. Já nos detalhes é que você perde o cliente porque você não consegue detectar onde está o erro. Um te disse isso, outro aquilo, não mas não foi bem isso que eu disse.” (PINTAÚDE, 1997) 58 6.3 Descondicionamento Descondicionamento é uma forma de negação do que normalmente vem sendo feito. O descondicionamento em propaganda não é criar algo que a agência quer ou que a criação ache certo e o cliente que procure outra agência. O descondicionamento deveria ser uma característica básica de toda agência de propaganda. Segundo Pintaúde: “O homem é criado pra dizer “não”, não pra dizer “sim”. E isso é em tudo. O homem precisa se libertar dos grilhões que a família, o meio, que o colégio lhe enfiou na cabeça. Pode ver que todas as pessoas que inventaram algo pra humanidade foram as pessoas que disseram não ao não.” (PINTAÚDE, 1997) Uma das coisas mais difíceis para o homem é conseguir se desvencilhar do “não” que recebe desde a infância. Em propaganda, o cliente é o vilão. O cliente é o carrasco que diz “não” e pronto. Conforme Pintaúde: “Lair Ribeiro diz que dos 0 aos 8 anos de idade o ser humano recebe em média 10 mil “nãos”. E o que mais se percebe em propaganda, já com pessoas adultas, nessa relação com o cliente é: o cliente não quer, não pode! Como não pode? Se deve mostrar ao cliente um novo caminho. Quando você recebe uma “ordem” do cliente, você tem que parar e pensar: será que eu não posso ir por outro caminho? Vou fazer o que ele quer mas vou tentar outro.” (PINTAÚDE, 1997) 59 Muitos publicitários também têm conhecimento dessa forma de descondicionamento. Com quase a mesma idéia, Mauro Matos coloca o “não” da seguinte maneira: “A meu ver, a criação tem que ser parecida com o comportamento: acima de tudo, é preciso um enorme respeito pelo próprio processo. Além disso, devemos evitar o “não”, tentando, como na cultura japonesa, dizer sempre “sim” - uma forma de se manter permanentemente aberto ao mundo. É necessário sempre cultivar a dúvida. Ou seja, questionar, mas ao mesmo tempo, solidificar.” (MATOS, 1991, p.92) É uma outra abordagem, inversa à do Pintaúde. Ela evita o não enquanto Pintaúde estimula o “não” como forma de procurar uma saída nova para uma idéia criativa. Segundo Pintaúde: “Dá pra seduzir o cliente com aquilo que ele não queria mas de uma maneira criativa que resolva o problema e seja pertinente. A desobediência ao cliente inclui necessariamente e é claro, que você atenda aquilo que ele está pedindo. E sempre se percebe que, em propaganda, quem um dia mudou alguma coisa foi quem quebrou com o que foi ensinado.” (PINTAÚDE, 1997) 6.4 Subversão “A subversão é um parente próximo do descondicionamento.” Pintaúde diz que a subversão é o que todo publicitário deveria fazer com o seu trabalho, ou seja, sempre que possível, subverter a ordem estabelecida: 60 “É a loucura do publicitário: subverter a ordem estabelecida. É você brigar contra o mundo. Em alguns casos se pode fazer e ajuda um pouco. Todo mundo faz móveis de madeira. Alguém faz um de metal e todo mundo gosta; - pronto, subverteu a ordem estabelecida.” (PINTAÚDE, 1997) É a velha idéia de que o publicitário deve procurar sempre um caminho diferente para, pelo menos, inovar nas idéias. É claro que não se pode usar sempre esse quesito. Mas o publicitário deve ficar atento para as oportunidades que surgirem: “O descondicionamento é genérico e a subversão é mais específica pra se trabalhar em propaganda. Ela é mais delicada e complicada. Não se acham tantas soluções assim. Mas é uma maneira de a pessoa que trabalha com criação se botar vigilante.” (PINTAÚDE, 1997) A subversão compreende tudo aquilo que foi visto no capítulo sobre criatividade. A subversão é a qualidade de procurar associações cada vez mais distantes dos fatos lógicos. 6.5 Postura Postura é uma maneira de trabalhar, hoje em dia, um tanto escassa. É quase uma filosofia de trabalho que possibilita facilitar e tornar o 61 trabalho menos “estressante”, ou melhor, “mais prazeiroso possível” entre os componentes do jogo. “A postura é a coisa mais estática, é aquela coisa de regular o teu comportamento eticamente em todos os sentidos dentro do mercado, pegando todas as nuances, o fornecedor, o cliente, o profissional. É criar condições de ambiente, de salário, pra essa pessoa ser minimamente remunerada pra poder exercer com alguma alegria aquele trabalho.” (PINTAÚDE, 1997) Um ambiente de trabalho agradável deve ser buscado dentro das agências para que se possam eliminar barreiras na hora da criação agir. O publicitário é o responsável pelo trabalho que o cliente exige e deve faze-lo da melhor maneira possível: “Às vezes, o cliente quer que tu faça determinada coisa, claro, tem um limite pra aceitar toda a imposição dele: uma hora quando bater numa coisa ética, peraí um pouquinho . . .” (PINTAÚDE, 1997) A experiência proporciona ao profissional várias maneiras de agilizar o seu trabalho. Estes cinco pontos que Roberto Pintaúde criou são polivalentes, valendo não só para o criador na hora de criar como durante todo o processo da propaganda. Mas seu valor vai além da propaganda. Eles pode ser usado em qualquer outra profissão e levará ao usuário os mesmos resultados da propaganda. E até pode ser adaptado para nossas relações 62 humanas do cotidiano. Porém o objetivo, como diria Pintaúde, é o de botar a mecânica do raciocínio na linha da criatividade. 63 7 CONCLUSÃO A criatividade provém da forma com que se lida com certas realidades. A maneira pela qual são tratados os fundamentos da criatividade é que determinam a excelência ou o fracasso da criação. Criatividade não é um produto que se encontra no mercado a que se tem livre acesso por um preço justo. Ela é formada por vários fundamentos como a memória, as associações, a tensão psíquica e o potencial criador. Toda pessoa possui esses fundamentos em maior ou menor grau. O criador em propaganda deve tê-los no seu grau máximo. Mas não são apenas esses conteúdos que são necessários. Existem os que têm origem na personalidade que são a intuição e a inspiração. Esses dois quesitos não se encontram em todas as pessoas. E é aqui que reside a diferença entre o bom criador e o que cria apenas lugares-comuns. Como são partes de uma esfera consciente, a inspiração e a intuição, é sinal que podem ser treinados em pessoas que não tenham esses fundamentos desenvolvidos para que atinjam um grau mais alto na criação. Resumindo, o bom criador é o que tem os lados conscientes e inconscientes bem treinados nos fundamentos da criatividade. 64 Os métodos de criatividade em propaganda, assunto do trabalho, são uma etapa posterior àquelas vistas anteriormente. E delas partem inúmeras “lendas” que tratam dos métodos de como os publicitários tinham determinadas idéias. Nos lugares mais incomuns e menos esperados, das formas mais diversas, lá estavam eles contando as fórmulas maravilhosas pelas quais haviam conseguido certas idéias. Houve um tempo em que isso garantia os seus empregos. Atualmente, se consegue ter idéias tão boas quanto ou até melhores com menos tempo e maior agilidade. Culpa do mercado que exigiu um maior número de trabalhos em menos tempo e o obrigou, conseqüentemente, o criador a trabalhar mais seriamente. A partir de quadros como esse é que surgem fórmulas, tópicos, pontos como os cinco do Pintaúde para acelerar o processo de criação. Quando Pintaúde diz que esses cinco pontos ajudam a botar a mecânica do raciocínio na linha da criatividade, as entrelinhas dizem que o criador não precisa perder tempo com divagações que partem do zero. Ou seja, os cinco pontos guiam o criador a um caminho que pode não levar a lugar nenhum mas que fazem o criador raciocinar corretamente em criação publicitária. A metodologia do trabalho, que consiste em duas instâncias: a entrevistas e a comparação, mostrou-se plenamente satisfatória e os objetivos por ela propostos foram alcançados. A primeira instância, a entrevista, extrapolou as expectativas quanto ao conteúdo apresentado pelo caráter 65 inédito da fórmula. De toda a pesquisa feita para este trabalho, nenhum outro publicitário teve uma “regrinha” ou pontos a seguir. A maioria olha para a folha branca e começa a raciocinar. Já o Pintaúde raciocina antes e só depois é que pega o papel. Por não obedecer as dimensões do trabalho proposto, não foram feitas entrevistas com diretores de criação das grandes agências do centro do país para uma comparação de métodos de criação. Por outro lado, o presente trabalho oferece argumentos para estudos neste sentido que também pode se tornar interessante. Na segunda instância, a comparação mostra que não há métodos parecidos de criação com o do entrevistado, mas ilustra o trabalho com outras formas que, de outras maneiras, funcionam. Serviu também para demonstrar que o criador moderno tem as suas fórmulas próprias para a criação e que sempre há uma nova maneira de se criar que possa ser inventada que mais se simpatize com o criador. As teorias que ilustraram o trabalho tem a intenção de mostrar uma diversificação de idéias sobre criatividade. O objetivo de detalhar sobre cada teoria funciona como um catálogo de possibilidades de criação à disposição do criador para que a partir delas, o criador tire suas próprias conclusões. Dessa forma ilustrativa, a explanação sobre as teorias mostrou-se satisfatória. 66 Sobre os publicitários e seus métodos, que foram passados a limpo, revelam formas diferentes de trabalhar com a criatividade. Os métodos, além de enriquecerem o trabalho, demonstraram que o criador publicitário não segue uma tendência ou qualquer outro aspecto no que diz respeito à criação. Cada uma tem a sua fórmula. Por extrapolar os objetivos do estudo, as peças publicitárias, resultantes diretas da criatividade, não foram analisadas ou sequer citadas. Também nesse caso, fica a sugestão de estudos nesse tipo de assunto em que o presente trabalho serve como base teórica e prática. Finalmente, é necessário ressaltar que criatividade é como o carisma: algumas pessoas têm, outras não e algumas conseguem desenvolvê-lo com sucesso. 67 BIBLIOGRAFIA CITADA 1 BARRETO, Roberto Menna. Análise Transacional da Propaganda. 4ª ed. São Paulo, Sumus, 1981. 2 BARRETO, Roberto Menna. Criatividade em Propaganda. 8ª ed. São Paulo, Summus, 1982. 3 DO PORRA-LOUCA AO PODEROSO. Revista da Criação, São Paulo, v.2, n.15, p.14, maio, 1996. 4 FERNANDES, Fábio. Os reis do Pedaço dão as Cartas. Revista da Criação, São Paulo, v.2, n.18, p.16-19, ago. 1996. 5 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1975. 6 IMOBERDORF, Magy. A Criação. In: RIBEIRO, Júlio; ALDRIGHI, Vera; IMOBERDORF, Magy. Tudo o que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar. São Paulo, Atlas, 1986, p.111-174. 7 LADEIRA, Julieta de Godoy. Contato Imediato com Criação de Propaganda. 2ª ed. São Paulo, Global, 1987. 8 MATOS, Mauro. Criatividade e Paixão. In: FALCÃO, Angela (org). Publicidade ao Vivo. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p.87-103. 9 OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. 8ª ed. Petrópolis, Vozes, 1987. 10 PETIT, Francesc. Propaganda Ilimitada. 5ª ed. São Paulo, Siciliano, 1991. 11 PINTAÚDE, Roberto. Eureka em cinco lições: um estudo sobre os cinco pontos de criação de Roberto Pintaúde. Porto Alegre, Agência Nova Forma Propaganda e Mercadologia, 1997. Entrevista concedida a Eduardo Luiz Cardoso.