UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
CURSO DE NUTRIÇÃO
BÁRBARA FAVARO
ATENDIMENTO NUTRICIONAL A PRATICANTES DE EXERCÍCIOS
FÍSICOS E ATLETAS:
Avaliação dos Indicadores de Adiposidade Corpórea em
Praticantes de Exercícios Físicos
CRICIÚMA , JULHO DE 2010
BÁRBARA FAVARO
ATENDIMENTO NUTRICIONAL A PRATICANTES DE EXERCÍCIOS
FÍSICOS E ATLETAS:
Avaliação dos Indicadores de Adiposidade Corpórea em
Praticantes de Exercícios Físicos
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado
para obtenção do grau de Bacharel no curso de
Nutrição da Universidade do Extremo Sul
Catarinense, UNESC.
Orientadora: Prof. ª MSc. Adriana Soares Lobo
CRICIÚMA, JULHO DE 2010
2
3
DEDICATÓRIA
Com imenso amor, dedico este trabalho que
representa meu esforço e dedicação na
busca pelo conhecimento, AOS MEUS PAIS,
que muito fizeram e fazem para que eu me
torne cada dia mais realizada e feliz.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus que iluminou o meu caminho e me deu
forças para chegar ao final dessa jornada, não somente nesses anos como
universitária mais em toda a minha vida. A você meu DEUS, muito obrigada, meu
maior mestre.
Aos meus pais Moacir Favaro e Maria Cladir Dal Pont Favaro, por
acreditarem em mim. Vocês são responsáveis por todo sucesso obtido e cada
degrau avançado em minha vida. Durante todos esses anos vocês foram pra mim
um grande exemplo de força, coragem, perseverança e energia infinita para nunca
desistir diante do primeiro obstáculo encontrado. Vocês são o meu maior porto
seguro aqui embaixo, meu maior exemplo de vitória, meus heróis e simplesmente
aqueles que mais amo. Obrigada por estarem sempre comigo e me ajudar durante
essa caminhada a construir os alicerces de um futuro que começa agora.
Obrigada Mãe por me fazer entender que o futuro é feito a partir da
constante dedicação no presente. Obrigada pelos sacrifícios que você fez em razão
da minha educação nos quais eu sei que não foram poucos, mas saiba que a tua
história
de
superação
me
deu
força
e
motivação
para
que
hoje
nós
comemorássemos essa vitória. Obrigada novamente mãe, essa conquista é sua
também!
Agradeço a minha irmã Gabriela, pelo carinho e apoio. Pelos momentos
compartilhados, tanto os bons quanto os ruins. Por me alegrar nos momentos de
tristeza e simplesmente por existir.
A orientadora professora Adriana Soares Lobo, pela paciência e dedicação
na construção deste trabalho.
Agradeço a todos os professores, por contribuirem ao longo do curso para
minha formação acadêmica, aos quais, sem nomear, terão meu eterno
agradecimento.
A todos os colegas e amigos, que tive o prazer de conhecer, destacando
minha amiga de infância Rafaela Angeloni pelo companheirismo, amizade, carinho e
a todos que de alguma maneira me ajudaram a escrever esta pequena parte de
minha história.
A todos o meu MUITO OBRIGADA!
5
“Que os vossos esforços desafiem as
impossibilidades, lembrai-vos de que as
grandes
coisas
do
homem
foram
conquistadas do que parecia impossível. ”
Charles Chaplin
6
RESUMO
Diante da influência da quantidade de gordura corporal no estado de saúde e no
desempenho esportivo dos praticantes de exercícios físicos é de suma importância a
avaliação da composição corporal juntamente da classificação dos indicadores de
adiposidade corpórea. Este estudo teve como objetivo avaliar indicadores de
adiposidade corporal em praticantes de exercício físico atendidos por um projeto de
extensão. O projeto de extensão denominado “Atendimento nutricional a praticantes
de exercícios físicos e atletas” tem por finalidade prestar atendimento nutricional
individual e em grupos a praticantes de exercícios físicos e atletas de diferentes
modalidades e faixas etárias de Criciúma e região. Participaram do estudo 44
indivíduos adultos de ambos os sexos (23 homens e 21 mulheres com idades entre
18 e 60 anos) atendidos entre os períodos de outubro de 2008 a outubro de 2009.
Para coleta dos dados utilizou-se uma ficha de anamnese com dados pessoais,
antropométricos (peso, estatura, circunferência da cintura (CC)), percentual de
gordura corporal (%GC) , recordatório alimentar de 24 horas, dentre outros. Para
análise dos dados foram realizados procedimentos de estatística descritiva (média,
desvio padrão, valores máximos e mínimos), seguidos de teste de comparação de
médias (teste T de Student para amostras independentes) e de associação (QuiQuadrado), adotando-se como significância o valor de p<0,05. As modalidades mais
praticadas foram musculação e atividades de academia (ginástica). Os dados foram
tabulados em planilha do programa Excel. Para análise dos dados utilizou-se o
pacote estatístico Statistical Package of Social Science - SPSS for Windows, versão
17.0. Foram adotados procedimentos de estatística descritiva e realizados o teste T
de Student (para comparação das variáveis entre os sexos) e o de Qui-quadrado (χ2)
e de Exato de Fisher (para verificar associação entre variáveis qualitativas). Adotouse como significância estatística o valor de p<0,05. Os indivíduos do sexo masculino
apresentaram valores médios de peso, estatura, IMC e CC significativamente
superiores aos encontrados no sexo feminino. Por sua vez, os valores médios de
%GC mostram-se significativamente superiores no sexo feminino. A maioria dos
avaliados (72,7%) encontra-se eutrófica quando avaliada pelo IMC. A maior parte
dos praticantes de exercício físico (54,5%) apresentou %GC abaixo da média,
quando se consideram os valores médios de 15% e 23% como ponto de corte para
homens e mulheres. Também se observou que a maior parte da amostra (75%) foi
classificada como tendo valores de CC adequados. Mais da metade da amostra
(59,1%) dos avaliados apresentaram pelo menos um indicador de adiposidade
corpórea elevado, sendo que o indicador mais frequente foi o %GC que se mostrou
elevado em 45,5% dos avaliados, seguido do IMC que se apresentou elevado em
27,3% da amostra. Alguns apresentaram a combinação de dois ou mais indicadores
elevados, sendo mais prevalente a combinação do IMC com %GC (22,7%).
Observou-se uma associação estatisticamente significativa (p=0,006) entre IMC e
%GC e entre IMC e CC (p=0,045).Apesar de serem praticantes de exercícios físicos,
os indivíduos avaliados apresentaram indicadores de adiposidade corporal elevados.
Palavras-chave: Adiposidade corporal. Composição corporal. Exercício físico
7
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Pontos de corte e classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) para
adultos........................................................................................................................22
Tabela 2 - Classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) para adultos
....................................................................................................................................25
Tabela 3 - Classificação dos valores de Circunferência da Cintura (CC) para
adultos........................................................................................................................26
Tabela 4 - Valores médios, de desvio padrão, mínimo e máximo da variável idade
dos
praticantes
de
exercício
físico
de
Criciúma-
SC...............................................................................................................................33
Tabela 5 - Modalidades esportivas praticadas pelos praticantes de exercício físico de
Criciúma-SC...............................................................................................................33
Tabela 6 - Valores médios, de desvio padrão, mínimo e máximo das variáveis
antropométricas dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC........................34
Tabela 7 - Classificação do Índice de Massa Corporal dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.................................................................................................35
Tabela 8 - Classificação do Percentual de Gordura Corporal dos praticantes de
exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................36
Tabela 9 - Classificação da Circunferência da Cintura dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.................................................................................................38
Tabela 10 - Associação entre os indicadores IMC e %GC dos praticantes de
exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................41
Tabela 11 - Associação entre os indicadores IMC e CC dos praticantes de exercícios
físico de Criciúma-SC.................................................................................................41
Tabela 12 - Associação entre os indicadores %GC e CC dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.................................................................................................42
8
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................10
1.1 PROBLEMA ........................................................................................................10
1.2 OBJETIVOS ........................................................................................................12
1.2.1 Objetivo Geral.................................................................................................12
1.2.2 Objetivos Específicos ....................................................................................12
1.3 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................13
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................14
2.1 EXERCÍCIO FÍSICO............................................................................................14
2.2 COMPOSIÇÃO CORPORAL...............................................................................16
2.2.1 Avaliação da Composição Corporal .............................................................19
2.2.3 Indicadores de Adiposidade Corporal..........................................................22
2.2.3.1 Indice de Massa Corporal (IMC)...................................................................22
2.2.3.2 Percentual de Gordura Corporal (%GC)........................................................23
2.2.3.3 Circunferência da Cintura (CC) .....................................................................25
2.2.3.4 Projeto “Programa de Atendimento a Praticantes de Exercícios Físicos e
Atletas” ......................................................................................................................26
3 ASPÉCTOS METODOLÓGICOS ..........................................................................28
3.1 ÂMBITO DO ESTUDO ........................................................................................28
3.2 TIPO DO ESTUDO..............................................................................................28
3.3 SUJEITOS .......................................................................................................................29
3.4 ASPECTOS ÉTICOS............................................................................................29
3.5 MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................30
3.5.1 Instrumentos de coleta de dados .................................................................30
3.5.2 Indicadores de adiposidade corpórea...........................................................30
3.5.2.1 Índice de Massa Corporal (IMC).....................................................................30
3.5.2.2 Percentual de Gordura Corporal (%GC)........................................................31
3.5.2.3 Circunferência da Cintura (CC)......................................................................31
3.6 COLETA DE DADOS...........................................................................................32
3.7 TRATAMENTO ESTATÍSTICO............................................................................32
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO..............................................................................33
5 CONCLUSÃO.........................................................................................................43
9
REFERÊNCIAS..........................................................................................................44
ANEXOS....................................................................................................................50
10
1 INTRODUÇÃO
1.1 PROBLEMA
A determinação da composição corporal tem grande importância na
prática clínica e na avaliação de populações devido, principalmente, à associação da
gordura corporal com diversas alterações metabólicas (REZENDE, 2006). Essa
relação entre os diferentes componentes corporais com o estado de saúde das
pessoas tem sido uma constante para profissionais de diversas áreas (HEYWARD;
STOLARCZYK, 2000).
Vários estudos demonstram que a quantidade de tecido adiposo e sua
distribuição estão associadas a elevados valores de pressão arterial, dislipidemias,
com concentrações elevadas de triglicerídeos e reduzidas de colesterol de alta
densidade (HDL), intolerância à glicose e resistência insulínica, os quais contribuem
para a elevação do risco cardiovascular (REZENDE, 2000).
A monitorização da quantidade de gordura corporal e da prática da
atividade física tem recebido grande notoriedade em aspectos relacionados à
promoção da saúde, não apenas por suas ações isoladas na prevenção e no
controle das doenças cardiovasculares, mas também, por induzirem alterações
desejáveis em outros fatores de risco (GUEDES; GUEDES, 2006).
Além disso, na pratica esportiva sabe-se que uma composição corporal
favorável relaciona-se com o desempenho do atleta contribuindo para uma ótima
performance, afetando na força, na agilidade e na aparência dos mesmos
(AMERICAN COLLEGE OD SPORTS MEDICINE, 2000 apud CANDIA, 2007). Os
níveis de gordura corporal ótimos variam de acordo com o esporte e até mesmo com
a posição ou eventos específicos no mesmo esporte (MAUGHAN; BURKE, 2004).
A avaliação da composição corporal e da quantidade de gordura pode ser
realizada por meio de métodos diretos, indiretos e duplamente indiretos. O método
direto é o único que mede as quantidades dos componentes corporais, e só é
possível a partir da dissecação de cadáveres. Os métodos indiretos utilizam-se de
princípios físicos ou químicos para a estimativa de um ou mais componentes
corporais (COSTA, 2002).
11
Os métodos duplamente indiretos são os mais utilizados devido à maior
acessibilidade para o dia-a-dia dos profissionais. Dentro desse podem ser citados a
Antropometria (utilizando-se de medidas antropométricas) e a Impedância Bioelétrica
(BIA) (utilizando-se da condutividade elétrica) (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000).
Dentro da Antropométricos pode-se citar o Índice de Massa Corporal
(IMC), é um índice simples que relaciona peso e estatura e é amplamente utilizado
para classificação do estado nutricional por de fácil acesso. O IMC analisa apenas a
quantidade de massa corporal e não seus constituintes, por isso indivíduos com
grande quantidade de massa muscular, comum em atletas, podem apresentam IMC
acima da faixa de normalidade. Entretanto, estudos demonstram que excesso de
massa corporal para determinada estatura associa-se com excesso de gordura
corporal. Portanto, não se pode diagnosticar o estado nutricional e mensurar a
quantidade de gordura corporal apenas pelo IMC (FONTANIVE; PAULA; PERES,
2007).
O percentual de gordura corporal (%GC) representa a adiposidade
corporal e deve ser sempre avaliado em uma avaliação do estado nutricional
(NACIF; VIEBIG, 2008). Um dos métodos utilizados para a análise do %GC é a BIA
que se trata de um método rápido e não invasivo (FONTANIVE; PAULA; PERES,
2007).
A circunferência da cintura (CC) permite avaliar a distribuição central da
gordura corporal, sendo uma medida qualitativa e não quantitativa. Atualmente, esta
medida tem recebido importante atenção na avaliação do risco cardiovascular
pelo fato de ser forte preditora da quantidade de gordura visceral, a principal
responsável
pelo
aparecimento
de
alterações metabólicas
e
de
doenças
cardiovasculares (REZENDE, 2006).
Sabendo da importância de bons indicadores de adiposidade corpórea
para o desempenho físico e a saúde dos atletas, o curso de Nutrição da UNESC,
que faz parte da Unidade Acadêmica da Saúde (UNASAU), desenvolveu de outubro
de 2008 a dezembro de 2009 o projeto de extensão denominado “Atendimento
nutricional a praticantes de exercícios físicos e atletas”. O projeto teve por objetivo
prestar atendimento nutricional individual e em grupos à praticantes de exercícios
físicos e atletas de diferentes modalidades e faixas etárias de Criciúma e de regiões
vizinhas. As atividades do programa eram desenvolvidas no ambulatório de nutrição
12
da UNESC, contando com a participação de três bolsistas, dois voluntários e um
professor do curso de Nutrição da instituição.
A consulta ambulatorial incluía a aplicação de anamnese, avaliação do
consumo alimentar e de suplementos alimentares, avaliação da composição
corporal, orientação nutricional e prescrição nutricional com base nos objetivos dos
praticantes de exercício físico.
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo Geral
Avaliar indicadores de adiposidade corporal em praticantes de exercício
físico do projeto de extensão “Atendimento nutricional a praticantes de exercícios
físicos e atletas”.
1.2.2 Objetivos Específicos
•
Avaliar valores de Índice de Massa Corporal, percentual de gordura
corporal e circunferência da cintura dos praticantes de exercício físico atendidos no
projeto de extensão;
•
Verificar a prevalência de indicadores de adiposidade corpórea elevados e
verificar a associação com o sexo;
•
Verificar se há associação entre os indicadores.
13
1.3 JUSTIFICATIVA
É notável o interesse dos atletas em saber o tamanho, os constituintes
corporais ideais e o que devem fazer para alcançar esse modelo, principalmente em
esportes nos quais o peso corporal, a massa muscular e o nível de gordura corporal
do atleta exercem efeito sobre o desempenho. Outros atletas estão motivados em
melhorar a aparência, perdendo gordura corporal, ganhando massa muscular ou até
mesmo preocupando-se com sua saúde (MAUGHAN; BURKE, 2004).
Indicadores de adiposidade corporal como IMC, %GC, CC são importantes
na avaliação da composição corporal de um indivíduo. O excesso de adiposidade é
um indicador prejudicial e associa-se a uma maior suscetibilidade de uma variedade
de disfunções crônico-degenerativas sendo que níveis elevados de gordura corporal
associam-se
fortemente
com
aumento
do
risco
de
desenvolver
doenças
cardiovasculares, diabetes mellitos, entre outras (GUEDES; GUEDES, 2003a).
A avaliação da quantidade de gordura é valiosa também para a
monitoração das características que promovem uma boa performance em
determinados esportes (FONTANIVE; PAULA; PERES, 2007), sendo que algumas
modalidades esportivas exigem percentuais de gordura relativamente baixos para
potencializar o desempenho dos mesmos (GUEDES; GUEDES, 2006b). Entretanto,
cabe ressaltar que níveis abaixo do limite de gordura corporal estão relacionados a
distúrbios hormonais e metabólicos (NACIF; VIEBIG, 2008).
A massa corporal total isolada não é um bom indicador do estado
nutricional, principalmente para atletas, visto que o exercício físico proporciona
modificações na composição corporal. Ao classificar um praticante de exercício físico
apenas com a quantidade de massa corporal este pode ser classificado de forma
errônea como tendo sobrepeso devido à grande quantidade de músculo (PEDROSA
et al., 2005).
Assim, constata-se a necessidade de associação entre os indicadores de
adiposidade corporal em praticantes de exercícios físicos. Vale ressaltar a
importância da quantificação e a manutenção dos constituintes que compõem a
massa corporal, para que se possa identificar o verdadeiro estado nutricional desta
população (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000; PEDROSA et al., 2005).
14
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 EXERCÍCIO FÍSICO
Com o desenvolvimento científico e tecnológico advindo da revolução
industrial e da revolução tecnológica nos deparamos com um elevado nível de
estresse, ansiedade e principalmente o sedentarismo que compromete boa parte da
população. Em função disso, o exercício físico passou a ser uma necessidade
absoluta para o homem (MELLO et al., 2006).
Mesmo apresentando alguns elementos em comum, a expressão
exercício físico não deve ser utilizada com conotação idêntica a atividade física.
Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pela musculatura
esquelética, que resulte em um gasto energético maior do que os níveis de repouso,
enquanto que exercício físico é toda atividade física planejada, estruturada e
repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção da aptidão física, sendo
considerado uma subcategoria da atividade física. Não obstante, em determinadas
situações outras categorias da atividade física de nosso cotidiano podem,
eventualmente, provocar adaptações positivas nos índices de aptidão física. No
entanto, mesmo assim não devem se constituir como exercício físico. É o caso de
algumas ocupações profissionais, de tarefas domésticas específicas ou outras
atividades do dia a dia (DOMINGUES; ARAÚJO; GIGANTE, 2004).
Conforme Maughan e Burke (2004), o programa de prescrição de
exercício físico contempla três importantes componentes; intensidade, duração e
freqüência. Este programa de deve possuir pelo menos três componentes; aeróbio,
sobrecarga muscular e flexibilidade, a parte aeróbia do exercício deve ser feita, se
possível, todos os dias, com duração mínima de 30 a 40 minutos, exercícios de
sobrecarga muscular e flexibilidade devem ser realizados pelo menos duas a três
vezes por semana, contemplando os principais grupos musculares e articulações,
sendo que, se deve conciliar um máximo de benefício comum mínimo de risco de
lesões ou complicações (CARVALHO et al., 1996).
A saúde e a qualidade de vida podem ser aprimoradas e preservadas
pela prática regular de atividade física. O sedentarismo é uma condição indesejável
e representa alto risco para a saúde. A prática de exercício físico apresenta
15
interessantíssima relação custo/benefício onde os malefícios do sedentarismo
superam em muito as eventuais complicações decorrentes da prática de exercício
físico (CARVALHO et al., 1996).
Atualmente muito se sabe sobre os benefícios do exercício físico, mas
ainda existem muitas razões que levam à inatividade física, um dos possíveis fatores
é o desconhecimento sobre as finalidades de cada exercício, como se exercitar,
limitações de alguns grupos populacionais e percepções distorcidas ou insuficientes
em relação aos benefícios do movimento (DOMINGUES; ARAÚJO; GIGANTE,
2004).
Segundo Domingues, Araújo e Gigante (2004), o exercício físico pode
ser um fator protetor para uma série de males, dentre os quais pode ser citado como
principal a obesidade, onde a perda de peso se da em maior quantidade quando
associada ao exercício físico. A inatividade física da vida moderna parece ser o
maior fator etiológico do crescimento dessa doença nas sociedades industrializadas,
afirmam Ciolac e Guimarães (2004).
Estudos transversais e de intervenção têm demonstrado relação direta
entre atividade física e sensibilidade à insulina, apontando que atletas possuem
menores níveis de insulina e maior sensibilidade à insulina quando comparados aos
seus congêneres sedentários (CIOLAC; GUIMARÃES, 2004).
A prática regular de atividade física tem demonstrado eficácia para a
prevenção e controle do diabetes tipo 2, assim como diminuição da incidência de
diabetes tipo 2 em indivíduos com intolerância à glicose. Programas de exercício
físico têm demonstrado ser eficientes no controle glicêmico de diabéticos,
melhorando a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose e diminuindo a glicemia
sanguínea desses indivíduos (MANSON, 1999).
A realização de exercícios físicos diários tem demonstrado efeitos
benéficos sobre a pressão arterial em indivíduos de todas as idades, estudos
revelam que praticantes de exercício físico apontam menores níveis de pressão
arterial em repouso (CIOLAC; GUIMARÃES, 2004).
Conforme Leandro (2002), o exercício físico provoca algumas alterações
no sistema imune. Estudos têm evidenciado mudanças na concentração e na função
de alguns componentes do sistema, evidências disponíveis demonstram que o
exercício físico tem efeitos importantes na modulação sobre as células imunes e sua
função.
16
Há evidências científicas consistentes nas quais comprovam que a prática
regular de exercício físico traz amplos benefícios para a saúde física e mental.
Apesar do reconhecimento dos benefícios da prática de exercício físico estar cada
vez maior, um dos motivos que mais leva a pratica é o fato de que este pode
influenciar de maneira positiva na composição corporal por meio de vários
mecanismos, promovendo o aumento do gasto energético total, equilíbrio na
oxidação dos macronutrientes e preservação da massa magra (MONTEIRO;
RIETHER; BURINI, 2004).
A associação entre exercícios físicos e redução do peso corporal é clara,
afirmam Guedes e Guedes (2003c). Exercícios físicos regulares constituem-se no
componente central dos programas de redução de peso corporal, induzindo
adaptações favoráveis no controle de peso, uma vez que reduz a quantidade de
gordura corporal e preserva a massa isenta de gordura. O grau de alteração da
composição corporal depende do tipo de exercício, freqüência intensidade e duração
do treinamento (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000a).
Dados de Fiatore (1998 apud Ferreira et al, 2003) apontam que sujeitos
que se classificam como mais ativos apresentam valores mais baixos de índice de
massa corporal, percentual de gordura e relação cintura/quadril que indivíduos
sedentários pertencentes à mesma faixa etária. Estudos indicam que indivíduos
fisicamente ativos têm também maior conteúdo mineral ósseo, massa muscular
esquelética e densidade óssea comparados com seus correspondentes sedentários
(HEYWARD; STOLARCZYK, 2000d).
Segundo Kamel e Kamel (2003), os exercícios físicos exercem uma
atuação global no organismo, principalmente ao nível metabólico, cardiovascular e
psicológico.
2.2 COMPOSIÇÃO CORPORAL
De acordo com Guedes e Guedes (2006b), a composição corporal referese ao fracionamento de peso corporal em seus diferentes componentes. Estes
podem oferecer valiosas informações sobre o comportamento de indicadores
17
associados aos programas de controle de peso corporal e ao crescimento físico
mediante intervenções de prática de exercícios físicos e dietéticas. Portanto, existe a
necessidade de fracionar o peso corporal e seus diferentes componentes a fim de
analisar, em detalhes, as adaptações ocorridas nas constituições de cada um deles.
Considerando que os valores como um todo dependem de um
aglomerado de componentes como ossos, músculos, gorduras, água e outros
tecidos e elementos bioquímicos que, dependendo do tipo de atividade física e/ou da
dieta alimentar desenvolvida, sofrem diferentes variações em suas constituições que
não podem ser mensuradas unicamente através da medida de peso corporal
(MONTEIRO; FILHO, 2002).
Heyward e Stolarczyk (2000d) apontam que o uso de normas de pesoaltura pode levar a uma conclusão equivocada sobre os componentes corporais de
um indivíduo, pois nesses casos pode ser que altos valores de peso corporal sejam
resultantes de maior desenvolvimento muscular associados a uma sólida
consistência óssea e não relacionado à excessiva quantidade de gordura. Em
contrapartida nem sempre pode ser que um peso corporal ‘’adequado’’ esteja sendo
compensado por excessiva quantidade de gordura.
Todavia, estudos evidenciam uma forte correlação entre o IMC e
indicadores de quantidade de gordura corporal em indivíduos não-obesos, em
indivíduos com quantidade consideravelmente maior de gordura o IMC é uma
informação altamente associada à gordura corporal. Em vista disso, na falta de
indicadores que indiquem a quantidade de gordura corporal, apesar de suas
limitações metodológicas e conceituais, muitos profissionais têm preferência à
utilizar o índice de massa corporal no diagnóstico e tratamento da obesidade
(GUEDES; GUEDES, 2003a).
A importância das medidas relacionadas à composição corporal acentuase ainda mais ao se levar em conta a significativa interação analisada entre a
proporção de cada um dos componentes do peso corporal e a relação suprimentodemanda energética. Por isso, tanto em avaliados na fase adulta como na fase de
crescimento físico e de maturação biológica, os métodos de avaliação mais recentes
tendem a desconsiderar as medidas de peso corpóreo tratado de forma isolada,
recorrendo-se invariavelmente às informações provenientes da composição corporal
(GUEDES; GUEDES, 2006a).
18
Avaliar a composição corporal possui inúmeras utilidades, segundo
Heyward e Stolarczyk (2000a). Com o conhecimento dos constituintes da
composição corporal de um indivíduo podem ser identificados riscos à saúde
associados a níveis altos ou baixos de gordura corporal, ao acúmulo de gordura
intra-abdominal, monitorar mudanças na composição corporal associadas ao
crescimento, desenvolvimento, maturação, idade e certas doenças, avaliar a
eficiência de intervenções nutricionais e de exercícios físicos na alteração da
composição corporal, estimar o peso corporal de atletas e não atletas, formular
recomendações dietéticas e prescrição de exercícios físicos, entre outras.
Desse modo, acredita-se que estudos sobre a composição corporal vão
mais além do que simplesmente satisfazer a curiosidade de profissionais e
pacientes, tornando-se um procedimento de enorme utilidade na avaliação e
acompanhamento dos programas de atividade física, no aconselhamento dietético e
nutricional, e também no diagnóstico dos índices de obesidade de um indivíduo
(GUEDES; GUEDES, 2006b).
Com objetivo de oferecer maior precisão à análise e interpretação dos
diferentes componentes e suas implicações, considera-se a composição corporal
sob um sistema de dois componentes: componente isento gordura (massa gorda) e
componente isento de gordura (massa magra) ou massa livre de gordura (GUEDES;
GUEDES, 2003b).
O conceito relacionado à massa gorda consiste em todos os lipídeos
corporais que possam ser extraídos do organismo, são representados pela gordura
na qual está estocada no tecido adiposo, mais precisamente nos adipócitos na maior
parte sob forma de triglicerídeos. (NACIF; VIEBIG, 2008a). Outras formas de lipídeos
compreendem menos de 10% de toda a gordura corporal existente, entre elas os
fosfolipídeos, esteróis e o colesterol (GUEDES; GUEDES, 2003a).
Considerando a quantidade de lipídeos corporais entre homens e
mulheres, observa-se que, nas mulheres adultas a quantidade de lipídeos aparece
em maior proporção, aproximadamente quatro vezes maior em relação aos homens,
em razão da necessidade de uma quantidade adicional de gordura caracterizada
pelo próprio sexo feminino que vem a ser de grande importância biológica no
processo de gestação e de outras funções hormonais típicas do sexo feminino
(GUEDES; GUEDES, 2003a).
19
Conforme Nacif e Viebig (2008a), a massa livre de gordura é a parte do
peso corporal formado pelos músculos, ossos, água, órgãos, e todos os tecidos não
gordurosos, refere-se ao peso corporal, extraindo-se todo o seu conteúdo lipídico,
inclusive os lipídeos essenciais. Sendo que a massa magra constitui-se por água,
minerais e matéria orgânica, incluindo-se os lipídeos essenciais, ao se referir ao
componente isento de gordura tudo indica que a massa magra seja a mais indicada.
A quantidade de gordura corporal está associada à diversas alterações
metabólicas, sendo confirmada a importância da determinação da composição
corporal na parte clínica e na avaliação de populações. Vários estudos demonstram
que a quantidade de tecido adiposo e sua distribuição estão associadas a elevados
valores de pressão arterial, dislipidemias, triglicerídeos, valores reduzidos de
colesterol de alta densidade (HDL), intolerância à glicose e resistência à insulina, os
quais contribuem para a elevação do risco cardiovascular (REZENDE et al., 2006).
2.2.1 Avaliação da Composição Corporal
Diante da importância da avaliação da composição corporal e da
influência da quantidade de gordura corporal no estado de saúde dos indivíduos, são
necessários métodos capazes de avaliar de forma precisa e confiável a composição
corpórea e a quantidade de gordura corporal em relação à massa total. Além disso,
é de extrema importância a capacidade do avaliador de reproduzir as medidas, a
padronização das técnicas e a utilização de instrumentos calibrados e precisos são
fatores determinantes para a obtenção de dados confiáveis (REZENDE et al., 2006).
Atualmente estão disponíveis variadas técnicas e métodos para a análise
da composição corpórea, com diferentes níveis de precisão, custo e dificuldade de
aplicação. Podem se empregar técnicas com procedimentos de determinação direta,
indireta e duplamente indireta (GUEDES; GUEDES, 2006b).
Os métodos diretos são considerados os mais precisos para a
identificação dos componentes corporais, por avaliar tanto sua estrutura química
(água, lipídeos, minerais, proteínas), quanto sua estrutura anatômica (tecido
adiposo, massa muscular, ossos). Os métodos diretos envolvem a dissecação de
cadáveres ou extração lipídica. Apesar da elevada precisão, a aplicação desse tipo
20
de método é completamente inviável, pois implica em incisões no corpo o que limita
sua aplicação em laboratórios e cadáveres de humanos (NACIF; VIEBIG, 2008a).
Conforme Guedes e Guedes (2006b), os métodos diretos são importantes
por oferecerem suporte às demais técnicas de medida, mas são os procedimentos
indiretos e duplamente indiretos que possibilitam analisar os componentes de
gordura e de massa isenta de gordura.
Os métodos indiretos são bastante empregados em estudos científicos
envolvendo a análise da composição corporal e a validação de outros métodos. Os
procedimentos indiretos são rigorosos e precisos, nestes são obtidas informações
sobre as variáveis de domínio físico e químico, após essas análises desenvolvem-se
estimativas dos componentes de gordura e de massa magra. Os recursos indiretos,
embora mais rigorosos e precisos, apresentam limitações que impedem que sejam
utilizados rotineiramente pelos profissionais que avaliam a composição corporal
devido ao elevado custo dos equipamentos, bem como sua limitada aplicação
prática (NACIF; VIEBIG, 2008b).
As técnicas duplamente indiretas são as que apresentam maior aplicação
prática devido à maior facilidade e viabilidade, por sua vez são menos rigorosas e
precisas. Apesar da menor rigorosidade os métodos duplamente indiretos
apresentam elevada relação com os recursos indiretos e quando levados em
consideração determinados cuidados, produzem erros de estimativa em proporções
aceitáveis (GUEDES; GUEDES, 2003b).
Os métodos duplamente indiretos compreendem a antropometria e a
impedância bioelétrica e são considerados os mais utilizados para a estimiativa dos
componentes corporais (NACIF; VIEBIG, 2008b).
A antropometria é um dos métodos de avaliação da composição corporal
mais utilizado em estudos epidemiológicos, principalmente por ser uma técnica não
invasiva, de fácil aplicação, baixo custo e aceitação universal (NAGAHAMA et al.
apud NASCIMENTO; ALENCAR, 2007).
Ela avalia a medida de tamanho e proporção do corpo humano, utilizando
medidas
de
estatura,
massa
corpórea,
espessura
de
dobras
cutâneas,
circunferências, largura dos ossos e comprimento de segmentos. Para avaliar o
tamanho e as proporções do corpo a antropometria utiliza circunferências, espessura
de dobras cutâneas, diâmetros ósseos além de avaliar a composição corporal total e
regional de um indivíduo (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000c).
21
Os índices antropométricos como Índice de Massa Corporal (IMC) e a
relação entre a circunferência da cintura e do quadril, assim como a medida da
circunferência
abdominal,
podem
ser
utilizados
para
identificar
indivíduos
susceptíveis a doenças que envolvem a composição corporal (HEYWARD;
STOLARCZYK, 2000c).
Dentre as medidas descritas anteriormente, a espessura de dobras
cutâneas é a mais utilizada principalmente quando o objetivo é mensurar a
densidade corporal e o percentual de gordura corpórea, por meio de fórmulas
preditivas. (COSTA, 2002; GUEDES; GUEDES, 2000).
A análise da composição corporal pelo método de impedância bioelétrica
(BIA) baseia-se no princípio de que o tecido magro contém grande quantidade de
água, em torno de 73% e eletrólitos, sendo assim, um bom condutor de corrente
elétrica. A gordura, que possui pequena quantidade de água é um mal condutor
(COSTA, 2002). Portanto, indivíduos com grande quantidade de tecido magro têm
menos resistência ao fluxo de corrente elétrica em comparação aos que têm maior
quantidade de gordura, confirmam Heyward e Stolarczyk (2000b).
Dessa forma, um sistema tetrapolar que utiliza dois eletrodos, destes, dois
na região dorsal da mão direita e dois na região dorsal do pé direito do avaliado
farão com que uma corrente elétrica passe pelo corpo do indivíduo identificando os
níveis de resistência à passagem da corrente. Com os valores obtidos é possível por
meio de equações de regressão, estimar a quantidade de água corporal total e, por
sua vez identificar a quantidade de gordura corporal do avaliado (COSTA, 2002).
As equações utilizadas para predição de BIA são selecionadas baseadas
em indicadores como: idade, sexo, nível de atividade física e nível de gordura
corporal do avaliado (COSTA, 2002).
A BIA é um método rápido, não invasivo, seguro e relativamente barato
utilizado para avaliar a composição corporal em situações de campo e clínicas,
sendo que o método de BIA pode ser mais adequado para mensurar a composição
corporal em obesos do que o método de dobras cutâneas (COSTA, 2002;
HEYWARD; STOLARCZYK, 2000b).
22
2.2.2 Indicadores de adiposidade corporal
2.2.2.1 Índice de Massa Corporal (IMC)
O IMC é um dos indicadores antropométricos mais utilizados na
identificação de indivíduos em risco nutricional. Isso ocorre devido ao seu baixo
custo, pequena variação intermedidor e em virtude da sua facilidade de aplicação
(SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005).
O IMC é uma estratégia proposta no século XIX por Quetelet para
relacionar, matematicamente, o peso e a altura de um indivíduo. Para a obtenção
deste índice, divide-se o peso corporal pela estatura em metros ao quadrado, em
que o resultado é expresso em quilos por metro quadrado, ou seja, dá um indicativo
da distribuição da massa corporal por área (RICARDO; ARAÚJO, 2002 apud SILVA;
AÑEZ, 2006). A classificação do IMC é apresentada na Tabela 1.
Tabela 1: Pontos de corte e classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) para
adultos.
IMC
Classificação
Até 18,5
Baixo peso
18,5 – 24,9
Eutrofia
25 - 29,9
Sobrepeso
30 – 34,9
Obesidade Grau I
35 – 39,9
Obesidade Grau II
40 ou mais
Obesidade Grau III
Fonte: World Health Organization – OMS (1997)
É de extrema importância a diferenciação entre os termos sobrepeso e
obesidade, embora relacionados, são termos distintos. Sobrepeso é considerado o
aumento excessivo do peso corporal total, no qual pode ocorrer em conseqüência de
modificações em seus constituintes (gordura, músculo, osso e água). A Obesidade
refere-se especialmente ao aumento na quantidade de gordura em relação ao peso
corporal, associado a elevados riscos à saúde (GUEDES; GUEDES, 2003a).
Como o IMC não mede a composição corporal, conseqüentemente não
expressa a quantidade de gordura corporal, fator importante na determinação de
23
risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e acidentes vasculares
cerebrais. De qualquer forma, a relação entre o risco relativo de mortalidade total e o
IMC tem sido identificada como uma curva em "U", assimétrico, sendo que o menor
risco (a parte horizontal do U) fica aproximadamente no intervalo de IMC de 20 a 30
kg/m². Ou seja, os dois extremos de IMC estão associados com maior risco de
morbidade e mortalidade (ANJOS, 1992).
Vasconcelos (2007) ressalta a importância de se relacionar valores de
IMC com outras medidas independentes de composição corporal, como a massa de
gordura corporal (MGC) ou o percentual de gordura corporal (% GC). O IMC parece
válido como indicador do estado nutricional em grupos de indivíduos, exceto os
extremos da magreza e excesso de corpulência, observados em alguns seguimentos
da população (atletas e/ou trabalhadores que desenvolvem grande massa muscular)
que não podem considerá-lo como indicador do estado nutricional.
Portanto, a utilização do IMC como forma de avaliar o estado nutricional e
a composição corporal de praticantes de exercício físico deve ser feita de forma
criteriosa, pois um atleta pode ser classificado de forma errônea como obeso, já que
o IMC não considera separadamente o peso de ossos, músculos que estão
aumentados em indivíduos treinados, por isso é importante que o IMC seja
combinado com outros índices de medidas nos quais expressam as proporções dos
componentes corporais (NACIF; VIEBIG, 2008c).
Segundo Anjos (1992), apesar de não indicar a composição corporal, a
facilidade de sua mensuração e a grande disponibilidade de dados de massa
corporal e estatura, além da sua relação com morbi-mortalidade, são motivos
suficientes para a utilização do como indicador do estado nutricional.
2.2.2.2 Percentual de gordura corporal - %GC
A identificação da quantidade de gordura corporal é importante por
diversos motivos, pode-se citar sua importância para identificar os riscos de saúde
associados com o excesso ou falta de gordura corporal, com a quantidade de
gordura corporal é possível analisar as mudanças na composição corporal
associadas ao efeito de uma intervenção nutricional e de um programa de exercícios
24
físicos, estimar o peso ideal, acompanhar o crescimento, desenvolvimento,
maturação e idade relacionando com mudanças na composição corporal assim
como formular recomendações dietéticas e prescrição de exercícios (PETROSKI,
2007).
A determinação da quantidade de gordura corporal, conforme descrita
anteriormente, pode ser feita de diversas maneiras, destacando-se os métodos
duplamente indiretos de antropometria e bioimpedância.
Para a estimativa do %GC em adultos podem ser utilizadas diversas
equações e fórmulas, essas generalizadas e constituídas a partir da somatória de
dobras cutâneas (NACIF; VIEBIG, 2008b).
O acúmulo excessivo de gordura corporal para determinada massa é
considerado um fator de risco para diversas patologias como, diabetes, hipertensão
e doença coronariana (RODRIGUES et al., 2001).
Segundo Nacif e Viebig (2008b), mulheres apresentam maiores depósitos
de gordura intramuscular e intermuscular e nos órgãos internos quando comparadas
aos homens. Indivíduos de mais idade apresentam menores quantidades de gordura
subcutânea em relação aos mais jovens. A mensuração de dobras cutâneas não é
indicada para indivíduos obesos devido à dificuldade de aferição de medidas
precisas e confiáveis.
A gordura corporal, segundo Heyward e Stolarczyk (2000a), pode ser
classificada no organismo humano sob duas formas. Primeiro: "gordura essencial",
que consiste na gordura armazenada internamente nos principais órgãos, intestinos,
músculos e nos tecidos ricos em lipídeos presentes no sistema nervoso central. Este
tipo de gordura é indispensável para o funcionamento fisiológico satisfatório do
organismo. Segundo: "gordura armazenada", a qual consiste na gordura estocada
no tecido adiposo, internamente revestindo vários órgãos e em grande volume na
camada de gordura subcutânea.
Considera-se risco para a saúde homens e mulheres com percentual de
gordura corporal igual ou acima da média recomendável. A gordura corporal tem
papel importante na manutenção da saúde, por isso, valores abaixo do que é
considerado mínimo também trazem riscos para a saúde do indivíduo, considerando
particularmente que alguns atletas pelas exigências específicas e alto desempenho
normalmente têm percentuais de gordura abaixo das recomendações da população
em geral (homens: 5 a 13%; mulheres: 12 a 22%) (NAHAS, 2003).
25
A classificação dos valores de %GC foi feita segundo Lohman (1992 apud
HEYWARD; STOLARCZYK, 2000d) é apresentada na Tabela 2:
Tabela 2: Classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) para adultos.
Classificação
Risco¹
Abaixo da Média
Média
Acima da média
Risco²
Homens
<_5%
6-14%
15%
16-24%
>_25%
Mulheres
<_ 8%
9-22%
23%
24-31%
>_32%
¹ Risco de doenças e desordens associadas à desnutrição.
² Risco de doenças e associadas à obesidade.
Fonte: Lohman (1992 apud HEYWARD; STOLARCZYK, 2000)
A monitorização da quantidade de gordura corporal e da prática de
exercícios físicos tem recebido grande notoriedade quando relacionados a aspectos
de promoção à saúde, não apenas por suas ações isoladas na prevenção e controle
de doenças cardiovasculares, mas também por participarem na alteração de outros
fatores de risco assim como nos níveis de lipídeos plasmáticos e de pressão arterial
(GUEDES; GUEDES, 1998).
2.2.2.3 Circunferência da Cintura (CC)
Medidas de circunferência corporal têm sido bastante utilizadas na
antropometria de indivíduos. A partir dessas medidas é possível classificar os
indivíduos de acordo com padrões populacionais, dentro de grupos etários e de
gêneros além de servirem para mensurar a distribuição de gordura corporal (NACIF;
VIEBIG, 2008b).
Uma das circunferências ou perímetros mais avaliada é a circunferência
da cintura, na qual serve como importante indicador de adiposidade subcutânea e
visceral. A relação dessa circunferência com o perímetro do quadril trás importantes
resultados, nos quais podem ser fortemente relacionados com predisposição
individual a doenças como diabetes e doenças cardiovasculares (PETROSKI, 2007).
26
Segundo Petroski (2007), o propósito para a medição da circunferência da
cintura (CC) é fornecer parâmetros para a indústria da moda e acompanhar
variações na distribuição da gordura corporal em programas de treinamento.
Para medir a CC, é necessário o emprego de uma fita antropométrica
flexível que permita aplicar pressão constante sobre a superfície da pele durante
toda a medição (GUEDES; GUEDES, 2003b).
A reprodução das medidas da circunferência da cintura, em qualquer sitio,
depende
da
habilidade
do
avaliador. Uma
fonte
bastante
errônea
é
o
posicionamento incorreto da fita antropométrica no corpo do avaliado, podendo
superestimar a medida (MARTINS 2008). Contudo, a medição deve ser determinada
paralelamente ao eixo longitudinal do corpo, aproximadamente dois cm acima da
cicatriz umbilical (DUARTE, 2007). A classificação da circunferência da cintura
segundo a OMS (1997) é apresentada na Tabela 3:
Tabela 3: Classificação dos valores de Circunferência da Cintura (CC) para adultos.
Circunferência da cintura
Risco moderado
Alto risco
Homens
94cm
102cm
Mulheres
80cm
88cm
Fonte: OMS, 1997
2.3
PROJETO
“PROGRAMA
DE
ATENDIMENTO
A
PRATICANTES
DE
EXERCÍCIOS FÍSICOS E ATLETAS”
O projeto “Programa de Atendimento a Praticantes de Exercícios físicos e
Atletas” pertence à UNESC - Universidade do Extremo Sul Catarinense. O mesmo
surgiu como uma proposta referente ao oferecimento de atendimento nutricional a
praticantes de exercícios físicos e atletas da região de Criciúma (SC). A divulgação
do mesmo começou a ser realizada no mês de setembro de 2008, através de
panfletos informativos, da mídia e do rádio (PEREIRA, 2009).
Em outubro de 2008, o projeto começou a funcionar, neste ano
participaram do programa uma média de 25 pessoas, em sua maioria homens
(desde adolescente até adultos). As consultas do projeto eram contínuas, ou seja,
27
ilimitadas, quem tivesse interesse em participar só precisava agendar a consulta.
Em fevereiro de 2009, o projeto retomou suas atividades atendendo novos
participantes e algumas equipes de diferentes modalidades, entre elas: futebol,
natação e futsal (PEREIRA, 2009).
Conforme Pereira (209), o programa funcionava durante um dia da
semana no período matutino, com algumas exceções atendendo no período noturno,
onde os participantes tiveram a oportunidade de realizar consultas no ambulatório de
nutrição, os quais eram atendidos por acadêmicos da própria universidade, as
consultas eram realizadas da seguinte forma:
Primeira consulta: era realizada uma anamnese com o paciente, onde eram
obtidos dados de identificação, dados antropométricos, alguns dados sobre
consumo alimentar, história pessoal e história familiar de doenças, e também
realizado um inquérito alimentar. Por fim, o paciente recebia algumas
orientações conforme os erros alimentares citados no inquérito e algumas
dicas de alimentação saudável. O retorno era marcado para uma semana
após a primeira consulta para a entrega da proposta de plano alimentar;
Primeiro Retorno: nesta consulta o paciente recebia seu plano alimentar e
orientações específicas da atividade física praticada. Neste primeiro retorno
apenas peso e altura eram mensurados. E era marcada junto ao paciente a
data do seu segundo retorno após um mês;
Segundo Retorno: neste dia o paciente era novamente pesado, eram
coletadas todas as suas medidas antropométricas e realizado um recordatório
alimentar com o objetivo de saber se o mesmo estava ou não seguindo a
dieta. Também eram reforçadas algumas orientações alimentares junto ao
paciente, que poderia continuar com a dieta prescrita ou retornar ao
ambulatório para receber uma nova dieta.
28
3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
3.1 ÂMBITO DO ESTUDO
O estudo faz parte das atividades do Projeto de Extensão intitulado
“Atendimento Nutricional á Praticantes de Exercícios Físicos e Atletas”, que tem por
objetivo prestar atendimento nutricional individual e em grupos à praticantes de
exercícios físicos e atletas de diferentes modalidades e faixas etárias de Criciúma e
região.
No presente estudo são apresentados dados referentes aos indicadores
de adiposidade de participantes engajados em programas de exercícios físicos. Os
dados foram levantados das anamneses e avaliações realizadas durante os
atendimentos ambulatoriais pelos estagiários do último ano do curso de Nutrição,
com supervisão do professor (nutricionista).
3.2 TIPO DE ESTUDO
O estudo caracterizou-se por ser do tipo descritivo documental, de corte
transversal e abordagem quantitativa.
Em uma pesquisa descritiva, os fatos são observados, registrados,
analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles
(ANDRADE, 2007). Portanto, o estudo descritivo pretende escrever com exatidão os
fatos ou fenômenos de determinada realidade e exige do pesquisador uma série de
informações sobre o que se deseja estudar (SANTOS, 1999 apud LEOPARDI,
2002).
Quanto ao período de tempo, a pesquisa classifica-se como transversal,
por possuir uma grande vantagem o tempo de realização ser extremamente curto,
embora os dados coletados não apresentem o mesmo grau de fidedignidade da
pesquisa longitudinal (APPOLINARIO, 2006).
29
A pesquisa preponderantemente quantitativa pressupõe a mensuração de
variáveis predeterminadas, buscando verificar a explicar sua influência sobre outras
variáveis. Centraliza sua busca em dados calculáveis, não se preocupando com
exceções, mas com generalizações (APPOLINARIO, 2006).
3.3 SUJEITOS
Para realização do estudo foram analisadas as fichas de anamnese dos
68 indivíduos adultos atendidos entre os períodos de outubro de 2008 a outubro de
2009.
Como critérios de inclusão para participação na pesquisa foram
considerados: idade entre 18 e 60 anos; não ser atleta competitivo e apresentar
valores de IMC, CC e %GC na anamnese. Até outubro de 2009, havia participado do
programa 68 indivíduos, dos quais 44 se enquadravam nos critérios de inclusão
estabelecidos.
3.4 ASPECTOS ÉTICOS
O projeto de extensão foi devidamente submetido ao Comitê de Ética em
Pesquisa dessa Universidade, e incluía a realização de estudos com os dados
levantados. A carta de aprovação se encontra em anexo (Anexo 2).
30
3.5 MATERIAIS E MÉTODOS
3.5.1 Instrumento de coleta de dados
Para coleta de dados foi utilizado uma ficha de anamnese (Anexo 1)
aplicada pelo estagiário de nutrição, onde havia espaço para preenchimento de
dados pessoais, história pessoal e familiar de doenças, dados antropométricos,
preferências alimentares, aversões e intolerâncias aos alimentos, consumo de
alimentos específicos (diet/light, frituras, doces...), consumo de suplementos,
consumo de líquidos, local das refeições, exames bioquímicos e também havia
espaço para preenchimento de um recordatório de 24 horas.
3.5.2 Indicadores de adiposidade corpórea
3.5.2.1 Índice de Massa Corporal (IMC)
Para obtenção do IMC todos os indivíduos participantes no projeto foram
pesados e medidos.
Na coleta do peso corporal foi utilizada uma balança antropométrica
mecânica da marca “Techline” com capacidade de 180 kg, precisão de 100g. Os
avaliados estavam sem calçados, apenas com roupas leves no corpo, sem adereços
como: relógio, bolsa, casacos, chaves, carteiras entre outros acessórios. Na balança
os pés se mantiveram dentro de toda área da balança, não podendo ter nenhuma
parte para fora. Os avaliados encontravam-se em pé, na posição ereta, com os pés
afastados à largura do quadril, com o peso dividido em ambos os pés, ombros
descontraídos e braços soltos lateralmente.
Quanto à estatura, a mesma foi aferida em metros, com auxílio de um
estadiômetro da marca “Sanny”. Os praticantes de exercícios físicos estavam
descalços, em posição ortostática, com as costas e a parte posterior dos joelhos
encostados a parede e olhando para frente, o peso distribuído entre os dois pés e
31
com os braços soltos do lado do corpo, as mãos ficavam voltadas para a coxa. Os
calcanhares estavam juntos tocando a haste vertical do estadiômetro.
Para o cálculo do IMC dos praticantes de exercício físico foi considerado o
peso em quilogramas e a estatura convertida de centímetros para metros (cm/100).
O IMC foi calculado dividindo-se a massa corporal (peso) pela estatura ao quadrado.
De posse dos valores de IMC, o mesmo foi classificado de acordo com a
OMS (1997).
3.5.2.2 Percentual de Gordura Corporal (%GC)
O %GC dos indivíduos foi avaliado pelo método de bioimpedância, no
mesmo dia dos dados antropométricos. Para tal, utilizou-se o aparelho de
impedância bioelétrica Maltron®, modelo BF900, para a quantificação do percentual
d0 %GC de cada atleta.
Cada participante do projeto foi instruído a seguir o protocolo para a
realização da bioimpedância, a saber: não comer ou beber a menos de quatro horas
do teste; não fazer exercícios a menos de doze horas do teste; urinar a menos de
trinta minutos do teste; não consumir álcool a menos de 48 horas do teste; não
tomar medicamentos diuréticos a menos de sete dias do teste; no caso das
mulheres, não realizar o teste se perceberem retenção hídrica durante o período
menstrual (HEYWARD; STOLARCZYK, 2002).
3.5.2.3 Circunferência da Cintura (CC)
A CC foi medida em centímetros, com auxílio de uma fita antropométrica
flexível. Os avaliados estavam em posição ortostática, sem nenhuma roupa cobrindo
a cintura, certificando que a fita esteja justa, mas não a ponto de comprimir sua pele,
e esteja paralela ao solo. O ponto medido foi entre a ultima costela e a borda da
crista ilíaca.
32
A classificação da circunferência da cintura foi feita de acordo com os
valores propostos pela OMS (1997), que indica para homens valores inferiores a 94
cm (adequado), maior ou igual a 94 cm (risco moderado) e maior ou igual a 102 cm
(alto risco). Sendo que para mulheres os valores abaixo de 80 cm (adequado), maior
ou igual a 80 cm (risco moderado) e maior ou igual a 88 cm (alto risco).
3.6 COLETA DE DADOS
A consulta nutricional incluía aplicação de anamnese e coleta de dados
antropométricos. A pesquisadora, durante dois dias, foi até o ambulatório de nutrição
e anotou os dados de interesse presentes nas anamnese.
3.7 TRATAMENTO ESTATÍSTICO
Os dados foram tabulados em planilha do programa Excel. Para análise
dos dados utilizou-se o pacote estatístico Statistical Package of Social Science SPSS for Windows, versão 17.0.
Primeiramente foram adotados procedimentos de estatística descritiva
(médias, desvio-padrão, valores mínimos e máximos, frequências absoluta e
relativa). Em seguida, aplicou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a
normalidade das variáveis quantitativas, seguido do teste T de Student para
comparação das variáveis entre os sexos. Por fim, foram realizados testes de
associação para verificar a associação entre sexo e indicadores de adiposidade,
bem como entre os indicadores de adiposidade: Utilizou-se o teste Qui-quadrado (χ2)
quando houvesse menos que 25 % de valores esperados menor que 5, acima deste
valor foi utilizado o teste Exato de Fisher’s. Vale ressaltar que tais testes são
utilizados para comparar variáveis qualitativas baseadas na diferença da freqüência
observada
e
a
freqüência
esperada
na
suposição
das
variáveis
independentes. Adotou-se como significância estatística o valor de p<0,05.
Os resultados foram apresentados em tabelas e gráficos.
serem
33
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Participaram da amostra 44 indivíduos, dos quais 23 eram homens
(52,3%) e 21 eram mulheres (47,7%). A Tabela 4 apresenta os valores médios, de
desvio-padrão, mínimo e máximo de idade da amostra estudada.
Tabela 4: Valores médios, de desvio-padrão, mínimo e máximo da variável idade
dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.
Sexo
Idade (anos)
Feminino
Masculino
Geral
Média
DP
Mín
Máx
Média
DP
Mín
Máx
Média
27,6
9,7
18,0
46,2
28,5
9,9
18,4
54,9
28,0
DP
Mín
Máx
9,6
18,0
54,9
DP= desvio-padrão; Min= valor mínimo; Max= valor máximo.
Como pose-se observar na Tabela 4, a idade média dos participantes é de
aproximadamente 28,0 anos, sendo que a idade entre as mulheres varia de 18 a
46,2 anos e de 18,4 a 54,9 entre os homens. A média de menor idade está entre as
mulheres e a de maior idade entre o sexo masculino.
As modalidades esportivas praticadas pelos participantes da amostra são
apresentadas na Tabela 5.
Tabela 5: Modalidades esportivas praticadas pelos praticantes de exercício físico de
Criciúma-SC.
Sexo
Modalidade
Musculação
Ativ. Academia
Ciclismo
Atletistmo
Futebol
Triatlo
Natação
Lutas
Caminhada
Feminino
f
8
6
1
1
3
0
0
1
1
Masculino
f
10
2
5
3
1
1
1
0
0
Geral
F
18
8
6
4
4
1
1
1
1
34
Observando os dados da Tabela 5, percebe-se que as modalidades mais
praticadas pela amostra foram musculação, praticada por 18 dos indivíduos
avaliados e atividades de academia, praticada por oito indivíduos. Na amostra
feminina a maior parte das avaliadas (oito) praticava musculação, a prática de
atividades de academia (tais como ginástica localizada, aeróbica, step, etc.) aparece
em segundo lugar, sendo esta, praticada por seis das 21 mulheres avaliadas. Na
amostra masculina a maior parte dos homens (10) praticava musculação, e em
segundo lugar a modalidade mais praticada foi o ciclismo, com um total de cinco
indivíduos.
A Tabela 6 apresenta os valores médios, de desvio-padrão, mínimos e
máximos das variáveis massa corporal, estatura, Índice de Massa Corporal (IMC),
circunferência da cintura (CC) e percentual de gordura corporal (%GC).
Tabela 6: Valores médios, de desvio-padrão, mínimo e máximo das variáveis
antropométricas dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.
Sexo
Variáveis
Peso (Kg)
Estatura (m)
IMC (Kg/m2)
CC (cm)
% GC (%)
Feminino
Masculino
Média
DP
Mín
Máx
Média
DP
Mín
Máx
59,5
1,63
22,47
77,1
23,2
6,5
0,07
2,78
10,7
6,7
48,0
1,46
18,60
61,0
12,9
73,3
1,81
30,92
102,0
41,3
81,3
1,80
24,99
85,0
17,1
11,3
0,08
2,48
9,0
4,6
58,4
1,62
20,44
65,0
7,9
103,0
1,95
29,26
102,5
24,0
p
<0,000
<0,000
0,003
0,001
0,012
DP= desvio-padrão; Min= valor mínimo; Max= valor máximo.
Como se pode observar na Tabela 6, indivíduos do sexo masculino
apresentaram valores médios de peso, estatura, IMC e CC significativamente
superiores aos encontrados no sexo feminino. O valor médio de IMC classifica o
sexo feminino como eutrófico (22,47+2,8), e o sexo masculino como sobrepeso
(24,99+2,5). Em relação à circunferência da cintura, os valores médios encontrados
entre homens e mulheres estão adequados (abaixo de 80 cm para mulheres e de
94cm para homens), representando baixo risco para doenças cardiovasculares
(DCV) e Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), doenças características da gordura
centralizada. Cabe ressaltar que mais adiante serão avaliados o IMC e a CC
individualmente.
35
Por sua vez, os valores médios de %GC mostram-se significativamente
superiores no sexo feminino (23,2+6,7%). Valores ideais ficam entre 23%. Já para o
sexo masculino a média de %GC fica em 17,1+4,6% classificado como acima da
média, que é 15% conforme cita Lohman (1992, apud HEYWARD; STOLACZYK,
2000).
Segundo Guedes e Guedes (2003), comparando-se a quantidade de
gordura corporal em ambos os sexos, observa-se que, nas mulheres adultas a
quantidade de gordura corporal é superiror em razão da necessidade de uma
quantidade adicional de gordura importante para algumas funções biológicas como o
processo de gestação e outras funções hormonais típicas do sexo.
A Tabela 7 apresenta a classificação do estado nutricional pelo IMC,
segundo a OMS (2007).
Tabela 7: Classificação do Índice de Massa Corporal dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.
Sexo
Estado Nutricional
Eutrofia
Sobrepeso
Obesidade Grau I
Feminino
F
f%
19
90,5%
1
4,8%
1
4,8%
Masculino
F
f%
13
56,5%
10
43,5%
0
0,0%
Geral
f
32
11
1
f%
72,7%
25,0%
2,3%
f= freqüência absoluta; f%= freqüência relativa.
2
p= 0,029 (Teste X ). As freqüências de “Sobrepeso” e “Obesidade” foram agrupados para execução
do teste.
Na Tabela 7 percebe-se que a maior parte da amostra (72,7%) encontrase eutrófica quando avaliada pelo IMC. Nota-se que não foram encontrados
indivíduos com baixo peso ou desnutrição. O sexo associou-se significativamente
com o IMC (p=0,029), sendo que a prevalência de sobrepeso foi maior entre os
homens (43,5%) do que entre as mulheres (4,8%). Apenas uma mulher apresentou
obesidade Grau I.
No estudo de Amer, Sanches e Moraes (2001), realizado com 73
indivíduos fisicamente ativos foram encontrados valores de IMC condizentes com o
do presente estudo, mostrando que quando avaliados pelo IMC, 51% dos homens e
27% das mulheres apresentaram sobrepeso, prevalecendo essa classificação entre
36
os homens. Quanto à classificação de Obesidade Grau I foram encontrados 13,5%
entre as mulheres e 7,1% entre os homens.
Silva e colaboradores (2007) observaram em seu estudo a prevalência de
excesso de peso (classificada pelo IMC) em 30,5% de sua amostra, sendo que essa
classificação foi maior no sexo masculino (39,4%) do que no feminino (23,3%).
Sabe-se que o excesso de peso está relacionado com várias doenças,
como
dificuldades
respiratórias,
problemas
músculo-esquelético
crônicos,
infertilidade e doenças que causam risco aumentado de morte prematura, entre elas
as doenças cardiovasculares, condições associadas à resistência à insulina e alguns
tipos de câncer (SILVA, 2008).
Todavia, apesar de ser o método mais utilizado na prática clínica para
avaliar o estado nutricional, devido sua fácil aplicabilidade, é importante lembrar que
o IMC em praticantes de exercícios físicos e de atletas deve ser analisado com
cautela, pois a massa muscular pode superestimar os valores (NASCIMENTO;
ALENCAR, 2007). O IMC não é considerado um bom indicador de obesidade em
atletas, por esses possuírem uma grande quantidade de massa magra característica
nesse público (MAUGHAN; BURKE, 2004).
Atletas de diversas modalidades apresentam uma maior quantidade de
massa muscular quando comparados a indivíduos sedentários, refletindo um maior
peso corpóreo. Desta forma, o estado nutricional de um atleta pode ser classificado
unicamente como sobrepeso ou obesidade pelo método do IMC, já que este analisa
somente a proporção entre massa corporal e estatura (NASCIMENTO; ALENCAR,
2007).
O IMC deve ser utilizado paralelamente a outro método de avaliação da
composição corporal, como por exemplo, a bioimpedância, para que possam ser
quantificados os constituintes da massa corporal e, desta forma, avaliar o verdadeiro
estado nutricional, pois o %GC interfere diretamente no seu desempenho e saúde
(NASCIMENTO; ALENCAR, 2007).
A Tabela 8 apresenta a classificação do percentual de gordura corporal
(%GC) dos praticantes de exercício físico avaliados.
37
Tabela 8: Classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) dos praticantes
de exercício físico de Criciúma-SC.
Sexo
Classificação
Abaixo da média
Acima da média
Risco
Feminino
f
F%
14
66,6%
6
28,5%
1
4,7%
Masculino
F
f%
10
43,4%
13
56,6%
0
0%
Geral
f
24
19
1
f%
54,5%
43,2%
2,3%
f= freqüência absoluta; f%= freqüência relativa.
2
p= 0,215 (Teste X ). As freqüências de “acima da média” e “risco” foram agrupadas para execução
do teste.
Como pode ser observado na Tabela 8, a maior parte dos praticantes de
exercício físico (54,5%) apresentou %GC abaixo da média, quando consideram-se
os valores médios de 15% e 23% como ponto de corte para homens e mulheres,
respectivamente (LOHMAN, 1992 apud, HEYWARD; STOLARCZYK, 2000). No sexo
masculino, a prevalência maior foi de %GC acima da média (56,6%), enquanto que
no sexo feminino prevaleceu a classificação de %GC abaixo da média (66,6%). Uma
avaliada do sexo feminino foi classificada como Risco por possuir valores elevados
de %GC. Não foram observadas associações significativas entre sexo e %GC
(p=0,215).
Nota-se na Tabela 8 que a prevalência quanto à quantidade de gordura
corporal dos avaliados foi abaixo da média, cabe ressaltar neste caso, que na
literatura está bem descrito que praticantes de exercício físico, mais precisamente
atletas, necessitam de um % de GC mais baixo comparado à população geral que
esta relacionado a um melhor desempenho esportivo (CANDIA, 2007).
Segundo American College of Sports Medicine (2000, apud CANDIA
2007), o nível mínimo de gordura corporal compatível com a saúde para atletas
masculinos fica entre 5% e para atletas femininas entre 12%. Entretanto o percentual
ótimo para um atleta pode ser muito mais alto que estes mínimos e deve ser
estabelecido com base nas características individuais de cada atleta.
Diversos estudos apontam que a estatura e a composição corporal são as
variáveis de maior importância para o desempenho esportivo em diferentes
modalidades, visto a grande interferência causada pela gordura corporal sobre o
desempenho humano (CYRINO et al., 2002). Maughan e Burke (2204) explicam que,
38
o tamanho corporal pequeno influencia em aspectos físicos e mecânicos, assim
como a relação ‘potência x peso’ ou simplesmente pela redução de ‘peso morto’ que
o atleta movimenta.
Estudos de Carneiro e colaboradores (2003) confirmam a relação entre
altas quantidades de gordura corporal e o aparecimento de hipertensão arterial.
Destacam também a associação da adiposidade corporal elevada com o aumento da
prevalência de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, como
dislipidemias e intolerância à glicose.
Desta forma, é necessário que se adeque o percentual de gordura
corporal a cada modalidade praticada, pois apesar da literatura trazer a importância
de um baixo % de GC para atletas, deve-se analisar até que ponto isto não trará
prejuízos à saúde dos desportistas.
A Tabela 9 apresenta a classificação da circunferência da cintura segundo
a OMS (1997), dos indivíduos avaliados no projeto.
Tabela 9: Classificação da circunferência da cintura dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.
Sexo
Classificação CC
Adequado
Risco Moderado
Alto Risco
Feminino
f
14
4
3
f%
66,7%
19,0%
14,3%
Geral
Masculino
F
19
3
1
f%
82,6%
13,0%
4,3%
f
33
17
4
F%
75,0%
38,6%
9,1%
f= freqüência absoluta; f%= freqüência relativa.
p= 0,384 (Teste X2). As freqüências de “risco moderado” e “alto risco risco” foram agrupadas para
execução do teste.
De acordo com a Tabela 9, a maior parte da amostra (75%) foi classificada
como tendo valores de CC adequados. Apesar da prevalência de inadequação ter
sido maior entre as mulheres (33,3%), não foi observada associação significativa
entre sexo e CC (p=0,384).
Sugere-se a análise das medidas de perímetro da cintura em duas
situações; quando o avaliado apresentar quantidade de gordura corporal
excessivamente elevada, o que faz a espessura de dobras cutâneas ultrapassarem
o limite recomendável que possa assegurar medidas de boa qualidade (> 40 mm);
39
e/ou quando o objetivo é reunir informações direcionadas ao padrão de distribuição
regional de gordura corporal (GUEDES, 2006).
Segundo Heyward e Stolarczyk (2000a), a influência da distribuição
regional de gordura na saúde relaciona-se à quantidade de gordura visceral na
cavidade abdominal.
A quantidade de gordura visceral, separado da gordura corporal total, é
um fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes mellitos (POULIOT;
COLS, 1994 apud DUARTE, 2007), isso acontece porque o adipócito visceral é
maior, tem menos receptores de insulina, é mais lipolítico e mais próximo do sistema
portal (DUARTE, 2007).
Nesse caso apontam Guedes e Guedes (2006) que,
dimensões do perímetro da cintura maiores que 102 cm e 88 cm para homens e
mulheres, respectivamente, tendem a aumentar a incidência de disfunções crônicodegenerativas.
Valores elevados de CC apresentam risco metabólico e desenvolvimento
de DCV, que correspondem aproximadamente 33% das causas de mortes no Brasil
(ALVES et al., 2005 apud PESSENDA, 2007).
Segundo Oliveira e Silva (1999 apud AMER; SANCHES; MORAES, 2001),
a
gordura
depositada
no
abdome
é
metabolicamente
muito
ativa,
está
constantemente transformando-se em ácidos graxos livres (AGL), transportados
diretamente
via
circulação portal até o fígado,
onde
são
transformados
principalmente em triglicerídeos, VLDL e LDL, propiciando o desenvolvimento de
aterosclerose. Dessa forma, como conseqüência da obesidade central, existe maior
propensão para hipertensão arterial e hiperlipidemia, resultando em maior
probabilidade de doença arterial coronária e acidente vascular encefálico.
Apesar de se tratar de indivíduos fisicamente ativos, alguns deles
apresentaram um ou mais indicadores de adiposidade elevados, tais como
apresentado na Figura 1.
40
50,0
45,5
40,9
40,0
27,3
30,0
25,0
22,7
20,0
13,6
15,9
13,6
10,0
0,0
Nenhum
IMC
%GC
CC
IMC +
%GC
IMC + CC %GC + CC
Todos
Figura 1: Prevalência de indicadores de adiposidade elevados dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.
Como se pode notar na Figura 1, mais da metade da amostra (59,1%) dos
avaliados apresentaram pelo menos um indicador de adiposidade corpórea elevado,
sendo que o indicador mais frequente foi o %GC que se mostrou elevado em 45,5%
dos avaliados, seguido do IMC que se apresentou elevado em 27,3% da amostra.
Cabe ressaltar que boa parte dos avaliados (40,9%) não apresentou nenhum
indicador de adiposidade corpórea elevado. Alguns apresentaram a combinação de
dois ou mais indicadores elevados, sendo mais prevalente a combinação do IMC
com %GC (22,7%).
Conforme Maughan e Burke (2004), dentre os serviços fornecidos por
profissionais de nutrição para redução dos níveis de gordura corporal em praticantes
de exercícios físicos podem ser citadas algumas orientações para uma perda de
gordura segura e eficaz: monitoração e aconselhamento individual dos praticantes
de exercício físico; triagem dos praticantes que correm grande risco de desenvolver
distúrbios alimentares; desenvolvimento de programas para incorporação de práticas
nutritivas saudáveis nos planejamentos de grupos, times ou clubes esportivos; entre
outros.
A associação entre os indicadores de adiposidade corpórea IMC e %GC
dos indivíduos avaliados são apresentados na Tabela10.
41
Tabela 10: Associação entre os indicadores IMC e %GC dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.
%GC
IMC
IMC inferior a 25 cm/m² (n=32)
Igual ou superior a 25 cm/m² (n=12)
Abaixo da média
(n=24)
68,8%
16,7%
Acima da média
(n=20)
31,2%
83,3%
p= 0,006 (Teste X2)
Conforme apresenta a Tabela 10, há uma associação estatisticamente
significativa (p=0,006) entre IMC e %GC. Dos 32 indivíduos com IMC adequado, a
maior parte (68,8%) apresentou também %GC adequado, enquanto que, dentre os
indivíduos com sobrepeso (n=12), mais de 4/5 (83,3%) dos avaliados com
sobrepeso apresentaram %GC acima da média.
A Tabela 11 apresenta a associação entre os indicadores de adiposidade
corpórea IMC e CC dos praticantes de exercício físico avaliados.
Tabela 11: Associação entre os indicadores IMC e CC dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.
CC
IMC
IMC inferior a 25 cm/m² (n=32)
Igual ou superior a 25 cm/m² (n=12)
Adequada (n=33)
84,4%
50,0%
Elevada (n=11)
15,6%
50,0%
P=0,045 (exato)
Na Tabela 11 nota-se uma associação significativa (p=0,045) entre IMC e
CC. Dos 32 indivíduos com IMC adequado, a maior parte (84,4%) apresentou
também CC adequado, enquanto que, dentre os indivíduos com sobrepeso (n=12),
metade (50,0%) apresentaram CC acima da média.
Estudos de Sampaio e Figueiredo (2005) mostram uma forte associação
entre IMC e CC no sexo masculino (p<0,001) e feminino (p<0,001) quando avaliaram
319 indivíduos de 20 a 59 anos.
Zomboni et al. (1998 apud SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005) avaliando
indivíduos de 27 a 78 anos, observaram que, nos homens e nas mulheres, a
associação do IMC com a CC foi de (p<0,001).
42
A associação entre os indicadores de adiposidade corpórea %GC e CC
dos indivíduos avaliados é apresentada na Tabela 12.
Tabela 12: Associação entre os indicadores %GC e CC dos praticantes de exercício
físico de Criciúma-SC.
CC
%GC
Abaixo da média (n=24)
Acima da média (n=20)
Adequada (n=33)
83,3
65,0
Elevada (n=11)
16,7
35,0
p=0,294 (x)
Apesar de prevalecer entre os indivíduos com %GC acima da média (n=
20) a situação de CC adequada (83,3%), não foi observada associação significativa
entre %GC e CC (p=0,294). A Tabela 12 também apresenta que dos indivíduos com
%GC acima da média (n=20), apenas 35% apresentam CC classificada como
elevada.
43
5 CONCLUSÃO
No estudo foi verificado que a maior parte dos praticantes de exercício
físico encontrava-se eutróficos. Alguns avaliados classificaram-se com sobrepeso, e
apenas uma avaliada apresentou obesidade grau I, segundo o Índice de Massa
Corporal (IMC).
Para a classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) mais da
metade dos avaliados apresentaram valores abaixo da média, boa parte dos
avaliados apresentou %GC acima da média especialmente entre os homens. Na
classificação da Circunferência da Cintura dos praticantes de exercício físico
prevaleceu a classificação de adequado, apesar de alguns avaliados terem
apresentado risco moderado e alto risco.
Apesar de a maioria dos avaliados apresentarem valores de IMC, %GC,
CC adequados observou-se que mais da metade da amostra apresentou pelo
menos um indicador de adiposidade elevado, sendo considerado o indicador mais
freqüente o %GC. Alguns avaliados apresentaram ainda a combinação de dois ou
mais indicadores elevados, IMC com %GC foi a combinação mais prevalente.
Verificou-se que houve uma associação estatisticamente significante na
combinação entre IMC e %GC e IMC e CC. Por outro lado, não foi observada
associação significativa do %GC com CC.
No estudo pode ser verificado que apesar de tratar-se de praticantes de
exercícios físicos, foi possível notar uma grande quantidade de gordura corporal
associada à maioria dos avaliados, pois pelo menos a metade da amostra
apresentou pelo menos um indicador de adiposidade corporal acima da média.
O papel do profissional de Nutrição se faz de grande importância na
conscientização sobre os benefícios de uma composição corporal adequada e níveis
adequados de gordura corporal para a potencialização do desempenho esportivo e
prevenção de doenças ocasionadas pelo nível elevado de gordura corporal.
44
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