UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE NUTRIÇÃO BÁRBARA FAVARO ATENDIMENTO NUTRICIONAL A PRATICANTES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS E ATLETAS: Avaliação dos Indicadores de Adiposidade Corpórea em Praticantes de Exercícios Físicos CRICIÚMA , JULHO DE 2010 BÁRBARA FAVARO ATENDIMENTO NUTRICIONAL A PRATICANTES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS E ATLETAS: Avaliação dos Indicadores de Adiposidade Corpórea em Praticantes de Exercícios Físicos Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Nutrição da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientadora: Prof. ª MSc. Adriana Soares Lobo CRICIÚMA, JULHO DE 2010 2 3 DEDICATÓRIA Com imenso amor, dedico este trabalho que representa meu esforço e dedicação na busca pelo conhecimento, AOS MEUS PAIS, que muito fizeram e fazem para que eu me torne cada dia mais realizada e feliz. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus que iluminou o meu caminho e me deu forças para chegar ao final dessa jornada, não somente nesses anos como universitária mais em toda a minha vida. A você meu DEUS, muito obrigada, meu maior mestre. Aos meus pais Moacir Favaro e Maria Cladir Dal Pont Favaro, por acreditarem em mim. Vocês são responsáveis por todo sucesso obtido e cada degrau avançado em minha vida. Durante todos esses anos vocês foram pra mim um grande exemplo de força, coragem, perseverança e energia infinita para nunca desistir diante do primeiro obstáculo encontrado. Vocês são o meu maior porto seguro aqui embaixo, meu maior exemplo de vitória, meus heróis e simplesmente aqueles que mais amo. Obrigada por estarem sempre comigo e me ajudar durante essa caminhada a construir os alicerces de um futuro que começa agora. Obrigada Mãe por me fazer entender que o futuro é feito a partir da constante dedicação no presente. Obrigada pelos sacrifícios que você fez em razão da minha educação nos quais eu sei que não foram poucos, mas saiba que a tua história de superação me deu força e motivação para que hoje nós comemorássemos essa vitória. Obrigada novamente mãe, essa conquista é sua também! Agradeço a minha irmã Gabriela, pelo carinho e apoio. Pelos momentos compartilhados, tanto os bons quanto os ruins. Por me alegrar nos momentos de tristeza e simplesmente por existir. A orientadora professora Adriana Soares Lobo, pela paciência e dedicação na construção deste trabalho. Agradeço a todos os professores, por contribuirem ao longo do curso para minha formação acadêmica, aos quais, sem nomear, terão meu eterno agradecimento. A todos os colegas e amigos, que tive o prazer de conhecer, destacando minha amiga de infância Rafaela Angeloni pelo companheirismo, amizade, carinho e a todos que de alguma maneira me ajudaram a escrever esta pequena parte de minha história. A todos o meu MUITO OBRIGADA! 5 “Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível. ” Charles Chaplin 6 RESUMO Diante da influência da quantidade de gordura corporal no estado de saúde e no desempenho esportivo dos praticantes de exercícios físicos é de suma importância a avaliação da composição corporal juntamente da classificação dos indicadores de adiposidade corpórea. Este estudo teve como objetivo avaliar indicadores de adiposidade corporal em praticantes de exercício físico atendidos por um projeto de extensão. O projeto de extensão denominado “Atendimento nutricional a praticantes de exercícios físicos e atletas” tem por finalidade prestar atendimento nutricional individual e em grupos a praticantes de exercícios físicos e atletas de diferentes modalidades e faixas etárias de Criciúma e região. Participaram do estudo 44 indivíduos adultos de ambos os sexos (23 homens e 21 mulheres com idades entre 18 e 60 anos) atendidos entre os períodos de outubro de 2008 a outubro de 2009. Para coleta dos dados utilizou-se uma ficha de anamnese com dados pessoais, antropométricos (peso, estatura, circunferência da cintura (CC)), percentual de gordura corporal (%GC) , recordatório alimentar de 24 horas, dentre outros. Para análise dos dados foram realizados procedimentos de estatística descritiva (média, desvio padrão, valores máximos e mínimos), seguidos de teste de comparação de médias (teste T de Student para amostras independentes) e de associação (QuiQuadrado), adotando-se como significância o valor de p<0,05. As modalidades mais praticadas foram musculação e atividades de academia (ginástica). Os dados foram tabulados em planilha do programa Excel. Para análise dos dados utilizou-se o pacote estatístico Statistical Package of Social Science - SPSS for Windows, versão 17.0. Foram adotados procedimentos de estatística descritiva e realizados o teste T de Student (para comparação das variáveis entre os sexos) e o de Qui-quadrado (χ2) e de Exato de Fisher (para verificar associação entre variáveis qualitativas). Adotouse como significância estatística o valor de p<0,05. Os indivíduos do sexo masculino apresentaram valores médios de peso, estatura, IMC e CC significativamente superiores aos encontrados no sexo feminino. Por sua vez, os valores médios de %GC mostram-se significativamente superiores no sexo feminino. A maioria dos avaliados (72,7%) encontra-se eutrófica quando avaliada pelo IMC. A maior parte dos praticantes de exercício físico (54,5%) apresentou %GC abaixo da média, quando se consideram os valores médios de 15% e 23% como ponto de corte para homens e mulheres. Também se observou que a maior parte da amostra (75%) foi classificada como tendo valores de CC adequados. Mais da metade da amostra (59,1%) dos avaliados apresentaram pelo menos um indicador de adiposidade corpórea elevado, sendo que o indicador mais frequente foi o %GC que se mostrou elevado em 45,5% dos avaliados, seguido do IMC que se apresentou elevado em 27,3% da amostra. Alguns apresentaram a combinação de dois ou mais indicadores elevados, sendo mais prevalente a combinação do IMC com %GC (22,7%). Observou-se uma associação estatisticamente significativa (p=0,006) entre IMC e %GC e entre IMC e CC (p=0,045).Apesar de serem praticantes de exercícios físicos, os indivíduos avaliados apresentaram indicadores de adiposidade corporal elevados. Palavras-chave: Adiposidade corporal. Composição corporal. Exercício físico 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Pontos de corte e classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) para adultos........................................................................................................................22 Tabela 2 - Classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) para adultos ....................................................................................................................................25 Tabela 3 - Classificação dos valores de Circunferência da Cintura (CC) para adultos........................................................................................................................26 Tabela 4 - Valores médios, de desvio padrão, mínimo e máximo da variável idade dos praticantes de exercício físico de Criciúma- SC...............................................................................................................................33 Tabela 5 - Modalidades esportivas praticadas pelos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC...............................................................................................................33 Tabela 6 - Valores médios, de desvio padrão, mínimo e máximo das variáveis antropométricas dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC........................34 Tabela 7 - Classificação do Índice de Massa Corporal dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................................35 Tabela 8 - Classificação do Percentual de Gordura Corporal dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................36 Tabela 9 - Classificação da Circunferência da Cintura dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................................38 Tabela 10 - Associação entre os indicadores IMC e %GC dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................41 Tabela 11 - Associação entre os indicadores IMC e CC dos praticantes de exercícios físico de Criciúma-SC.................................................................................................41 Tabela 12 - Associação entre os indicadores %GC e CC dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC.................................................................................................42 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................10 1.1 PROBLEMA ........................................................................................................10 1.2 OBJETIVOS ........................................................................................................12 1.2.1 Objetivo Geral.................................................................................................12 1.2.2 Objetivos Específicos ....................................................................................12 1.3 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................14 2.1 EXERCÍCIO FÍSICO............................................................................................14 2.2 COMPOSIÇÃO CORPORAL...............................................................................16 2.2.1 Avaliação da Composição Corporal .............................................................19 2.2.3 Indicadores de Adiposidade Corporal..........................................................22 2.2.3.1 Indice de Massa Corporal (IMC)...................................................................22 2.2.3.2 Percentual de Gordura Corporal (%GC)........................................................23 2.2.3.3 Circunferência da Cintura (CC) .....................................................................25 2.2.3.4 Projeto “Programa de Atendimento a Praticantes de Exercícios Físicos e Atletas” ......................................................................................................................26 3 ASPÉCTOS METODOLÓGICOS ..........................................................................28 3.1 ÂMBITO DO ESTUDO ........................................................................................28 3.2 TIPO DO ESTUDO..............................................................................................28 3.3 SUJEITOS .......................................................................................................................29 3.4 ASPECTOS ÉTICOS............................................................................................29 3.5 MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................30 3.5.1 Instrumentos de coleta de dados .................................................................30 3.5.2 Indicadores de adiposidade corpórea...........................................................30 3.5.2.1 Índice de Massa Corporal (IMC).....................................................................30 3.5.2.2 Percentual de Gordura Corporal (%GC)........................................................31 3.5.2.3 Circunferência da Cintura (CC)......................................................................31 3.6 COLETA DE DADOS...........................................................................................32 3.7 TRATAMENTO ESTATÍSTICO............................................................................32 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO..............................................................................33 5 CONCLUSÃO.........................................................................................................43 9 REFERÊNCIAS..........................................................................................................44 ANEXOS....................................................................................................................50 10 1 INTRODUÇÃO 1.1 PROBLEMA A determinação da composição corporal tem grande importância na prática clínica e na avaliação de populações devido, principalmente, à associação da gordura corporal com diversas alterações metabólicas (REZENDE, 2006). Essa relação entre os diferentes componentes corporais com o estado de saúde das pessoas tem sido uma constante para profissionais de diversas áreas (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000). Vários estudos demonstram que a quantidade de tecido adiposo e sua distribuição estão associadas a elevados valores de pressão arterial, dislipidemias, com concentrações elevadas de triglicerídeos e reduzidas de colesterol de alta densidade (HDL), intolerância à glicose e resistência insulínica, os quais contribuem para a elevação do risco cardiovascular (REZENDE, 2000). A monitorização da quantidade de gordura corporal e da prática da atividade física tem recebido grande notoriedade em aspectos relacionados à promoção da saúde, não apenas por suas ações isoladas na prevenção e no controle das doenças cardiovasculares, mas também, por induzirem alterações desejáveis em outros fatores de risco (GUEDES; GUEDES, 2006). Além disso, na pratica esportiva sabe-se que uma composição corporal favorável relaciona-se com o desempenho do atleta contribuindo para uma ótima performance, afetando na força, na agilidade e na aparência dos mesmos (AMERICAN COLLEGE OD SPORTS MEDICINE, 2000 apud CANDIA, 2007). Os níveis de gordura corporal ótimos variam de acordo com o esporte e até mesmo com a posição ou eventos específicos no mesmo esporte (MAUGHAN; BURKE, 2004). A avaliação da composição corporal e da quantidade de gordura pode ser realizada por meio de métodos diretos, indiretos e duplamente indiretos. O método direto é o único que mede as quantidades dos componentes corporais, e só é possível a partir da dissecação de cadáveres. Os métodos indiretos utilizam-se de princípios físicos ou químicos para a estimativa de um ou mais componentes corporais (COSTA, 2002). 11 Os métodos duplamente indiretos são os mais utilizados devido à maior acessibilidade para o dia-a-dia dos profissionais. Dentro desse podem ser citados a Antropometria (utilizando-se de medidas antropométricas) e a Impedância Bioelétrica (BIA) (utilizando-se da condutividade elétrica) (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000). Dentro da Antropométricos pode-se citar o Índice de Massa Corporal (IMC), é um índice simples que relaciona peso e estatura e é amplamente utilizado para classificação do estado nutricional por de fácil acesso. O IMC analisa apenas a quantidade de massa corporal e não seus constituintes, por isso indivíduos com grande quantidade de massa muscular, comum em atletas, podem apresentam IMC acima da faixa de normalidade. Entretanto, estudos demonstram que excesso de massa corporal para determinada estatura associa-se com excesso de gordura corporal. Portanto, não se pode diagnosticar o estado nutricional e mensurar a quantidade de gordura corporal apenas pelo IMC (FONTANIVE; PAULA; PERES, 2007). O percentual de gordura corporal (%GC) representa a adiposidade corporal e deve ser sempre avaliado em uma avaliação do estado nutricional (NACIF; VIEBIG, 2008). Um dos métodos utilizados para a análise do %GC é a BIA que se trata de um método rápido e não invasivo (FONTANIVE; PAULA; PERES, 2007). A circunferência da cintura (CC) permite avaliar a distribuição central da gordura corporal, sendo uma medida qualitativa e não quantitativa. Atualmente, esta medida tem recebido importante atenção na avaliação do risco cardiovascular pelo fato de ser forte preditora da quantidade de gordura visceral, a principal responsável pelo aparecimento de alterações metabólicas e de doenças cardiovasculares (REZENDE, 2006). Sabendo da importância de bons indicadores de adiposidade corpórea para o desempenho físico e a saúde dos atletas, o curso de Nutrição da UNESC, que faz parte da Unidade Acadêmica da Saúde (UNASAU), desenvolveu de outubro de 2008 a dezembro de 2009 o projeto de extensão denominado “Atendimento nutricional a praticantes de exercícios físicos e atletas”. O projeto teve por objetivo prestar atendimento nutricional individual e em grupos à praticantes de exercícios físicos e atletas de diferentes modalidades e faixas etárias de Criciúma e de regiões vizinhas. As atividades do programa eram desenvolvidas no ambulatório de nutrição 12 da UNESC, contando com a participação de três bolsistas, dois voluntários e um professor do curso de Nutrição da instituição. A consulta ambulatorial incluía a aplicação de anamnese, avaliação do consumo alimentar e de suplementos alimentares, avaliação da composição corporal, orientação nutricional e prescrição nutricional com base nos objetivos dos praticantes de exercício físico. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Avaliar indicadores de adiposidade corporal em praticantes de exercício físico do projeto de extensão “Atendimento nutricional a praticantes de exercícios físicos e atletas”. 1.2.2 Objetivos Específicos • Avaliar valores de Índice de Massa Corporal, percentual de gordura corporal e circunferência da cintura dos praticantes de exercício físico atendidos no projeto de extensão; • Verificar a prevalência de indicadores de adiposidade corpórea elevados e verificar a associação com o sexo; • Verificar se há associação entre os indicadores. 13 1.3 JUSTIFICATIVA É notável o interesse dos atletas em saber o tamanho, os constituintes corporais ideais e o que devem fazer para alcançar esse modelo, principalmente em esportes nos quais o peso corporal, a massa muscular e o nível de gordura corporal do atleta exercem efeito sobre o desempenho. Outros atletas estão motivados em melhorar a aparência, perdendo gordura corporal, ganhando massa muscular ou até mesmo preocupando-se com sua saúde (MAUGHAN; BURKE, 2004). Indicadores de adiposidade corporal como IMC, %GC, CC são importantes na avaliação da composição corporal de um indivíduo. O excesso de adiposidade é um indicador prejudicial e associa-se a uma maior suscetibilidade de uma variedade de disfunções crônico-degenerativas sendo que níveis elevados de gordura corporal associam-se fortemente com aumento do risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes mellitos, entre outras (GUEDES; GUEDES, 2003a). A avaliação da quantidade de gordura é valiosa também para a monitoração das características que promovem uma boa performance em determinados esportes (FONTANIVE; PAULA; PERES, 2007), sendo que algumas modalidades esportivas exigem percentuais de gordura relativamente baixos para potencializar o desempenho dos mesmos (GUEDES; GUEDES, 2006b). Entretanto, cabe ressaltar que níveis abaixo do limite de gordura corporal estão relacionados a distúrbios hormonais e metabólicos (NACIF; VIEBIG, 2008). A massa corporal total isolada não é um bom indicador do estado nutricional, principalmente para atletas, visto que o exercício físico proporciona modificações na composição corporal. Ao classificar um praticante de exercício físico apenas com a quantidade de massa corporal este pode ser classificado de forma errônea como tendo sobrepeso devido à grande quantidade de músculo (PEDROSA et al., 2005). Assim, constata-se a necessidade de associação entre os indicadores de adiposidade corporal em praticantes de exercícios físicos. Vale ressaltar a importância da quantificação e a manutenção dos constituintes que compõem a massa corporal, para que se possa identificar o verdadeiro estado nutricional desta população (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000; PEDROSA et al., 2005). 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 EXERCÍCIO FÍSICO Com o desenvolvimento científico e tecnológico advindo da revolução industrial e da revolução tecnológica nos deparamos com um elevado nível de estresse, ansiedade e principalmente o sedentarismo que compromete boa parte da população. Em função disso, o exercício físico passou a ser uma necessidade absoluta para o homem (MELLO et al., 2006). Mesmo apresentando alguns elementos em comum, a expressão exercício físico não deve ser utilizada com conotação idêntica a atividade física. Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética, que resulte em um gasto energético maior do que os níveis de repouso, enquanto que exercício físico é toda atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção da aptidão física, sendo considerado uma subcategoria da atividade física. Não obstante, em determinadas situações outras categorias da atividade física de nosso cotidiano podem, eventualmente, provocar adaptações positivas nos índices de aptidão física. No entanto, mesmo assim não devem se constituir como exercício físico. É o caso de algumas ocupações profissionais, de tarefas domésticas específicas ou outras atividades do dia a dia (DOMINGUES; ARAÚJO; GIGANTE, 2004). Conforme Maughan e Burke (2004), o programa de prescrição de exercício físico contempla três importantes componentes; intensidade, duração e freqüência. Este programa de deve possuir pelo menos três componentes; aeróbio, sobrecarga muscular e flexibilidade, a parte aeróbia do exercício deve ser feita, se possível, todos os dias, com duração mínima de 30 a 40 minutos, exercícios de sobrecarga muscular e flexibilidade devem ser realizados pelo menos duas a três vezes por semana, contemplando os principais grupos musculares e articulações, sendo que, se deve conciliar um máximo de benefício comum mínimo de risco de lesões ou complicações (CARVALHO et al., 1996). A saúde e a qualidade de vida podem ser aprimoradas e preservadas pela prática regular de atividade física. O sedentarismo é uma condição indesejável e representa alto risco para a saúde. A prática de exercício físico apresenta 15 interessantíssima relação custo/benefício onde os malefícios do sedentarismo superam em muito as eventuais complicações decorrentes da prática de exercício físico (CARVALHO et al., 1996). Atualmente muito se sabe sobre os benefícios do exercício físico, mas ainda existem muitas razões que levam à inatividade física, um dos possíveis fatores é o desconhecimento sobre as finalidades de cada exercício, como se exercitar, limitações de alguns grupos populacionais e percepções distorcidas ou insuficientes em relação aos benefícios do movimento (DOMINGUES; ARAÚJO; GIGANTE, 2004). Segundo Domingues, Araújo e Gigante (2004), o exercício físico pode ser um fator protetor para uma série de males, dentre os quais pode ser citado como principal a obesidade, onde a perda de peso se da em maior quantidade quando associada ao exercício físico. A inatividade física da vida moderna parece ser o maior fator etiológico do crescimento dessa doença nas sociedades industrializadas, afirmam Ciolac e Guimarães (2004). Estudos transversais e de intervenção têm demonstrado relação direta entre atividade física e sensibilidade à insulina, apontando que atletas possuem menores níveis de insulina e maior sensibilidade à insulina quando comparados aos seus congêneres sedentários (CIOLAC; GUIMARÃES, 2004). A prática regular de atividade física tem demonstrado eficácia para a prevenção e controle do diabetes tipo 2, assim como diminuição da incidência de diabetes tipo 2 em indivíduos com intolerância à glicose. Programas de exercício físico têm demonstrado ser eficientes no controle glicêmico de diabéticos, melhorando a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose e diminuindo a glicemia sanguínea desses indivíduos (MANSON, 1999). A realização de exercícios físicos diários tem demonstrado efeitos benéficos sobre a pressão arterial em indivíduos de todas as idades, estudos revelam que praticantes de exercício físico apontam menores níveis de pressão arterial em repouso (CIOLAC; GUIMARÃES, 2004). Conforme Leandro (2002), o exercício físico provoca algumas alterações no sistema imune. Estudos têm evidenciado mudanças na concentração e na função de alguns componentes do sistema, evidências disponíveis demonstram que o exercício físico tem efeitos importantes na modulação sobre as células imunes e sua função. 16 Há evidências científicas consistentes nas quais comprovam que a prática regular de exercício físico traz amplos benefícios para a saúde física e mental. Apesar do reconhecimento dos benefícios da prática de exercício físico estar cada vez maior, um dos motivos que mais leva a pratica é o fato de que este pode influenciar de maneira positiva na composição corporal por meio de vários mecanismos, promovendo o aumento do gasto energético total, equilíbrio na oxidação dos macronutrientes e preservação da massa magra (MONTEIRO; RIETHER; BURINI, 2004). A associação entre exercícios físicos e redução do peso corporal é clara, afirmam Guedes e Guedes (2003c). Exercícios físicos regulares constituem-se no componente central dos programas de redução de peso corporal, induzindo adaptações favoráveis no controle de peso, uma vez que reduz a quantidade de gordura corporal e preserva a massa isenta de gordura. O grau de alteração da composição corporal depende do tipo de exercício, freqüência intensidade e duração do treinamento (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000a). Dados de Fiatore (1998 apud Ferreira et al, 2003) apontam que sujeitos que se classificam como mais ativos apresentam valores mais baixos de índice de massa corporal, percentual de gordura e relação cintura/quadril que indivíduos sedentários pertencentes à mesma faixa etária. Estudos indicam que indivíduos fisicamente ativos têm também maior conteúdo mineral ósseo, massa muscular esquelética e densidade óssea comparados com seus correspondentes sedentários (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000d). Segundo Kamel e Kamel (2003), os exercícios físicos exercem uma atuação global no organismo, principalmente ao nível metabólico, cardiovascular e psicológico. 2.2 COMPOSIÇÃO CORPORAL De acordo com Guedes e Guedes (2006b), a composição corporal referese ao fracionamento de peso corporal em seus diferentes componentes. Estes podem oferecer valiosas informações sobre o comportamento de indicadores 17 associados aos programas de controle de peso corporal e ao crescimento físico mediante intervenções de prática de exercícios físicos e dietéticas. Portanto, existe a necessidade de fracionar o peso corporal e seus diferentes componentes a fim de analisar, em detalhes, as adaptações ocorridas nas constituições de cada um deles. Considerando que os valores como um todo dependem de um aglomerado de componentes como ossos, músculos, gorduras, água e outros tecidos e elementos bioquímicos que, dependendo do tipo de atividade física e/ou da dieta alimentar desenvolvida, sofrem diferentes variações em suas constituições que não podem ser mensuradas unicamente através da medida de peso corporal (MONTEIRO; FILHO, 2002). Heyward e Stolarczyk (2000d) apontam que o uso de normas de pesoaltura pode levar a uma conclusão equivocada sobre os componentes corporais de um indivíduo, pois nesses casos pode ser que altos valores de peso corporal sejam resultantes de maior desenvolvimento muscular associados a uma sólida consistência óssea e não relacionado à excessiva quantidade de gordura. Em contrapartida nem sempre pode ser que um peso corporal ‘’adequado’’ esteja sendo compensado por excessiva quantidade de gordura. Todavia, estudos evidenciam uma forte correlação entre o IMC e indicadores de quantidade de gordura corporal em indivíduos não-obesos, em indivíduos com quantidade consideravelmente maior de gordura o IMC é uma informação altamente associada à gordura corporal. Em vista disso, na falta de indicadores que indiquem a quantidade de gordura corporal, apesar de suas limitações metodológicas e conceituais, muitos profissionais têm preferência à utilizar o índice de massa corporal no diagnóstico e tratamento da obesidade (GUEDES; GUEDES, 2003a). A importância das medidas relacionadas à composição corporal acentuase ainda mais ao se levar em conta a significativa interação analisada entre a proporção de cada um dos componentes do peso corporal e a relação suprimentodemanda energética. Por isso, tanto em avaliados na fase adulta como na fase de crescimento físico e de maturação biológica, os métodos de avaliação mais recentes tendem a desconsiderar as medidas de peso corpóreo tratado de forma isolada, recorrendo-se invariavelmente às informações provenientes da composição corporal (GUEDES; GUEDES, 2006a). 18 Avaliar a composição corporal possui inúmeras utilidades, segundo Heyward e Stolarczyk (2000a). Com o conhecimento dos constituintes da composição corporal de um indivíduo podem ser identificados riscos à saúde associados a níveis altos ou baixos de gordura corporal, ao acúmulo de gordura intra-abdominal, monitorar mudanças na composição corporal associadas ao crescimento, desenvolvimento, maturação, idade e certas doenças, avaliar a eficiência de intervenções nutricionais e de exercícios físicos na alteração da composição corporal, estimar o peso corporal de atletas e não atletas, formular recomendações dietéticas e prescrição de exercícios físicos, entre outras. Desse modo, acredita-se que estudos sobre a composição corporal vão mais além do que simplesmente satisfazer a curiosidade de profissionais e pacientes, tornando-se um procedimento de enorme utilidade na avaliação e acompanhamento dos programas de atividade física, no aconselhamento dietético e nutricional, e também no diagnóstico dos índices de obesidade de um indivíduo (GUEDES; GUEDES, 2006b). Com objetivo de oferecer maior precisão à análise e interpretação dos diferentes componentes e suas implicações, considera-se a composição corporal sob um sistema de dois componentes: componente isento gordura (massa gorda) e componente isento de gordura (massa magra) ou massa livre de gordura (GUEDES; GUEDES, 2003b). O conceito relacionado à massa gorda consiste em todos os lipídeos corporais que possam ser extraídos do organismo, são representados pela gordura na qual está estocada no tecido adiposo, mais precisamente nos adipócitos na maior parte sob forma de triglicerídeos. (NACIF; VIEBIG, 2008a). Outras formas de lipídeos compreendem menos de 10% de toda a gordura corporal existente, entre elas os fosfolipídeos, esteróis e o colesterol (GUEDES; GUEDES, 2003a). Considerando a quantidade de lipídeos corporais entre homens e mulheres, observa-se que, nas mulheres adultas a quantidade de lipídeos aparece em maior proporção, aproximadamente quatro vezes maior em relação aos homens, em razão da necessidade de uma quantidade adicional de gordura caracterizada pelo próprio sexo feminino que vem a ser de grande importância biológica no processo de gestação e de outras funções hormonais típicas do sexo feminino (GUEDES; GUEDES, 2003a). 19 Conforme Nacif e Viebig (2008a), a massa livre de gordura é a parte do peso corporal formado pelos músculos, ossos, água, órgãos, e todos os tecidos não gordurosos, refere-se ao peso corporal, extraindo-se todo o seu conteúdo lipídico, inclusive os lipídeos essenciais. Sendo que a massa magra constitui-se por água, minerais e matéria orgânica, incluindo-se os lipídeos essenciais, ao se referir ao componente isento de gordura tudo indica que a massa magra seja a mais indicada. A quantidade de gordura corporal está associada à diversas alterações metabólicas, sendo confirmada a importância da determinação da composição corporal na parte clínica e na avaliação de populações. Vários estudos demonstram que a quantidade de tecido adiposo e sua distribuição estão associadas a elevados valores de pressão arterial, dislipidemias, triglicerídeos, valores reduzidos de colesterol de alta densidade (HDL), intolerância à glicose e resistência à insulina, os quais contribuem para a elevação do risco cardiovascular (REZENDE et al., 2006). 2.2.1 Avaliação da Composição Corporal Diante da importância da avaliação da composição corporal e da influência da quantidade de gordura corporal no estado de saúde dos indivíduos, são necessários métodos capazes de avaliar de forma precisa e confiável a composição corpórea e a quantidade de gordura corporal em relação à massa total. Além disso, é de extrema importância a capacidade do avaliador de reproduzir as medidas, a padronização das técnicas e a utilização de instrumentos calibrados e precisos são fatores determinantes para a obtenção de dados confiáveis (REZENDE et al., 2006). Atualmente estão disponíveis variadas técnicas e métodos para a análise da composição corpórea, com diferentes níveis de precisão, custo e dificuldade de aplicação. Podem se empregar técnicas com procedimentos de determinação direta, indireta e duplamente indireta (GUEDES; GUEDES, 2006b). Os métodos diretos são considerados os mais precisos para a identificação dos componentes corporais, por avaliar tanto sua estrutura química (água, lipídeos, minerais, proteínas), quanto sua estrutura anatômica (tecido adiposo, massa muscular, ossos). Os métodos diretos envolvem a dissecação de cadáveres ou extração lipídica. Apesar da elevada precisão, a aplicação desse tipo 20 de método é completamente inviável, pois implica em incisões no corpo o que limita sua aplicação em laboratórios e cadáveres de humanos (NACIF; VIEBIG, 2008a). Conforme Guedes e Guedes (2006b), os métodos diretos são importantes por oferecerem suporte às demais técnicas de medida, mas são os procedimentos indiretos e duplamente indiretos que possibilitam analisar os componentes de gordura e de massa isenta de gordura. Os métodos indiretos são bastante empregados em estudos científicos envolvendo a análise da composição corporal e a validação de outros métodos. Os procedimentos indiretos são rigorosos e precisos, nestes são obtidas informações sobre as variáveis de domínio físico e químico, após essas análises desenvolvem-se estimativas dos componentes de gordura e de massa magra. Os recursos indiretos, embora mais rigorosos e precisos, apresentam limitações que impedem que sejam utilizados rotineiramente pelos profissionais que avaliam a composição corporal devido ao elevado custo dos equipamentos, bem como sua limitada aplicação prática (NACIF; VIEBIG, 2008b). As técnicas duplamente indiretas são as que apresentam maior aplicação prática devido à maior facilidade e viabilidade, por sua vez são menos rigorosas e precisas. Apesar da menor rigorosidade os métodos duplamente indiretos apresentam elevada relação com os recursos indiretos e quando levados em consideração determinados cuidados, produzem erros de estimativa em proporções aceitáveis (GUEDES; GUEDES, 2003b). Os métodos duplamente indiretos compreendem a antropometria e a impedância bioelétrica e são considerados os mais utilizados para a estimiativa dos componentes corporais (NACIF; VIEBIG, 2008b). A antropometria é um dos métodos de avaliação da composição corporal mais utilizado em estudos epidemiológicos, principalmente por ser uma técnica não invasiva, de fácil aplicação, baixo custo e aceitação universal (NAGAHAMA et al. apud NASCIMENTO; ALENCAR, 2007). Ela avalia a medida de tamanho e proporção do corpo humano, utilizando medidas de estatura, massa corpórea, espessura de dobras cutâneas, circunferências, largura dos ossos e comprimento de segmentos. Para avaliar o tamanho e as proporções do corpo a antropometria utiliza circunferências, espessura de dobras cutâneas, diâmetros ósseos além de avaliar a composição corporal total e regional de um indivíduo (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000c). 21 Os índices antropométricos como Índice de Massa Corporal (IMC) e a relação entre a circunferência da cintura e do quadril, assim como a medida da circunferência abdominal, podem ser utilizados para identificar indivíduos susceptíveis a doenças que envolvem a composição corporal (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000c). Dentre as medidas descritas anteriormente, a espessura de dobras cutâneas é a mais utilizada principalmente quando o objetivo é mensurar a densidade corporal e o percentual de gordura corpórea, por meio de fórmulas preditivas. (COSTA, 2002; GUEDES; GUEDES, 2000). A análise da composição corporal pelo método de impedância bioelétrica (BIA) baseia-se no princípio de que o tecido magro contém grande quantidade de água, em torno de 73% e eletrólitos, sendo assim, um bom condutor de corrente elétrica. A gordura, que possui pequena quantidade de água é um mal condutor (COSTA, 2002). Portanto, indivíduos com grande quantidade de tecido magro têm menos resistência ao fluxo de corrente elétrica em comparação aos que têm maior quantidade de gordura, confirmam Heyward e Stolarczyk (2000b). Dessa forma, um sistema tetrapolar que utiliza dois eletrodos, destes, dois na região dorsal da mão direita e dois na região dorsal do pé direito do avaliado farão com que uma corrente elétrica passe pelo corpo do indivíduo identificando os níveis de resistência à passagem da corrente. Com os valores obtidos é possível por meio de equações de regressão, estimar a quantidade de água corporal total e, por sua vez identificar a quantidade de gordura corporal do avaliado (COSTA, 2002). As equações utilizadas para predição de BIA são selecionadas baseadas em indicadores como: idade, sexo, nível de atividade física e nível de gordura corporal do avaliado (COSTA, 2002). A BIA é um método rápido, não invasivo, seguro e relativamente barato utilizado para avaliar a composição corporal em situações de campo e clínicas, sendo que o método de BIA pode ser mais adequado para mensurar a composição corporal em obesos do que o método de dobras cutâneas (COSTA, 2002; HEYWARD; STOLARCZYK, 2000b). 22 2.2.2 Indicadores de adiposidade corporal 2.2.2.1 Índice de Massa Corporal (IMC) O IMC é um dos indicadores antropométricos mais utilizados na identificação de indivíduos em risco nutricional. Isso ocorre devido ao seu baixo custo, pequena variação intermedidor e em virtude da sua facilidade de aplicação (SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005). O IMC é uma estratégia proposta no século XIX por Quetelet para relacionar, matematicamente, o peso e a altura de um indivíduo. Para a obtenção deste índice, divide-se o peso corporal pela estatura em metros ao quadrado, em que o resultado é expresso em quilos por metro quadrado, ou seja, dá um indicativo da distribuição da massa corporal por área (RICARDO; ARAÚJO, 2002 apud SILVA; AÑEZ, 2006). A classificação do IMC é apresentada na Tabela 1. Tabela 1: Pontos de corte e classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) para adultos. IMC Classificação Até 18,5 Baixo peso 18,5 – 24,9 Eutrofia 25 - 29,9 Sobrepeso 30 – 34,9 Obesidade Grau I 35 – 39,9 Obesidade Grau II 40 ou mais Obesidade Grau III Fonte: World Health Organization – OMS (1997) É de extrema importância a diferenciação entre os termos sobrepeso e obesidade, embora relacionados, são termos distintos. Sobrepeso é considerado o aumento excessivo do peso corporal total, no qual pode ocorrer em conseqüência de modificações em seus constituintes (gordura, músculo, osso e água). A Obesidade refere-se especialmente ao aumento na quantidade de gordura em relação ao peso corporal, associado a elevados riscos à saúde (GUEDES; GUEDES, 2003a). Como o IMC não mede a composição corporal, conseqüentemente não expressa a quantidade de gordura corporal, fator importante na determinação de 23 risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e acidentes vasculares cerebrais. De qualquer forma, a relação entre o risco relativo de mortalidade total e o IMC tem sido identificada como uma curva em "U", assimétrico, sendo que o menor risco (a parte horizontal do U) fica aproximadamente no intervalo de IMC de 20 a 30 kg/m². Ou seja, os dois extremos de IMC estão associados com maior risco de morbidade e mortalidade (ANJOS, 1992). Vasconcelos (2007) ressalta a importância de se relacionar valores de IMC com outras medidas independentes de composição corporal, como a massa de gordura corporal (MGC) ou o percentual de gordura corporal (% GC). O IMC parece válido como indicador do estado nutricional em grupos de indivíduos, exceto os extremos da magreza e excesso de corpulência, observados em alguns seguimentos da população (atletas e/ou trabalhadores que desenvolvem grande massa muscular) que não podem considerá-lo como indicador do estado nutricional. Portanto, a utilização do IMC como forma de avaliar o estado nutricional e a composição corporal de praticantes de exercício físico deve ser feita de forma criteriosa, pois um atleta pode ser classificado de forma errônea como obeso, já que o IMC não considera separadamente o peso de ossos, músculos que estão aumentados em indivíduos treinados, por isso é importante que o IMC seja combinado com outros índices de medidas nos quais expressam as proporções dos componentes corporais (NACIF; VIEBIG, 2008c). Segundo Anjos (1992), apesar de não indicar a composição corporal, a facilidade de sua mensuração e a grande disponibilidade de dados de massa corporal e estatura, além da sua relação com morbi-mortalidade, são motivos suficientes para a utilização do como indicador do estado nutricional. 2.2.2.2 Percentual de gordura corporal - %GC A identificação da quantidade de gordura corporal é importante por diversos motivos, pode-se citar sua importância para identificar os riscos de saúde associados com o excesso ou falta de gordura corporal, com a quantidade de gordura corporal é possível analisar as mudanças na composição corporal associadas ao efeito de uma intervenção nutricional e de um programa de exercícios 24 físicos, estimar o peso ideal, acompanhar o crescimento, desenvolvimento, maturação e idade relacionando com mudanças na composição corporal assim como formular recomendações dietéticas e prescrição de exercícios (PETROSKI, 2007). A determinação da quantidade de gordura corporal, conforme descrita anteriormente, pode ser feita de diversas maneiras, destacando-se os métodos duplamente indiretos de antropometria e bioimpedância. Para a estimativa do %GC em adultos podem ser utilizadas diversas equações e fórmulas, essas generalizadas e constituídas a partir da somatória de dobras cutâneas (NACIF; VIEBIG, 2008b). O acúmulo excessivo de gordura corporal para determinada massa é considerado um fator de risco para diversas patologias como, diabetes, hipertensão e doença coronariana (RODRIGUES et al., 2001). Segundo Nacif e Viebig (2008b), mulheres apresentam maiores depósitos de gordura intramuscular e intermuscular e nos órgãos internos quando comparadas aos homens. Indivíduos de mais idade apresentam menores quantidades de gordura subcutânea em relação aos mais jovens. A mensuração de dobras cutâneas não é indicada para indivíduos obesos devido à dificuldade de aferição de medidas precisas e confiáveis. A gordura corporal, segundo Heyward e Stolarczyk (2000a), pode ser classificada no organismo humano sob duas formas. Primeiro: "gordura essencial", que consiste na gordura armazenada internamente nos principais órgãos, intestinos, músculos e nos tecidos ricos em lipídeos presentes no sistema nervoso central. Este tipo de gordura é indispensável para o funcionamento fisiológico satisfatório do organismo. Segundo: "gordura armazenada", a qual consiste na gordura estocada no tecido adiposo, internamente revestindo vários órgãos e em grande volume na camada de gordura subcutânea. Considera-se risco para a saúde homens e mulheres com percentual de gordura corporal igual ou acima da média recomendável. A gordura corporal tem papel importante na manutenção da saúde, por isso, valores abaixo do que é considerado mínimo também trazem riscos para a saúde do indivíduo, considerando particularmente que alguns atletas pelas exigências específicas e alto desempenho normalmente têm percentuais de gordura abaixo das recomendações da população em geral (homens: 5 a 13%; mulheres: 12 a 22%) (NAHAS, 2003). 25 A classificação dos valores de %GC foi feita segundo Lohman (1992 apud HEYWARD; STOLARCZYK, 2000d) é apresentada na Tabela 2: Tabela 2: Classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) para adultos. Classificação Risco¹ Abaixo da Média Média Acima da média Risco² Homens <_5% 6-14% 15% 16-24% >_25% Mulheres <_ 8% 9-22% 23% 24-31% >_32% ¹ Risco de doenças e desordens associadas à desnutrição. ² Risco de doenças e associadas à obesidade. Fonte: Lohman (1992 apud HEYWARD; STOLARCZYK, 2000) A monitorização da quantidade de gordura corporal e da prática de exercícios físicos tem recebido grande notoriedade quando relacionados a aspectos de promoção à saúde, não apenas por suas ações isoladas na prevenção e controle de doenças cardiovasculares, mas também por participarem na alteração de outros fatores de risco assim como nos níveis de lipídeos plasmáticos e de pressão arterial (GUEDES; GUEDES, 1998). 2.2.2.3 Circunferência da Cintura (CC) Medidas de circunferência corporal têm sido bastante utilizadas na antropometria de indivíduos. A partir dessas medidas é possível classificar os indivíduos de acordo com padrões populacionais, dentro de grupos etários e de gêneros além de servirem para mensurar a distribuição de gordura corporal (NACIF; VIEBIG, 2008b). Uma das circunferências ou perímetros mais avaliada é a circunferência da cintura, na qual serve como importante indicador de adiposidade subcutânea e visceral. A relação dessa circunferência com o perímetro do quadril trás importantes resultados, nos quais podem ser fortemente relacionados com predisposição individual a doenças como diabetes e doenças cardiovasculares (PETROSKI, 2007). 26 Segundo Petroski (2007), o propósito para a medição da circunferência da cintura (CC) é fornecer parâmetros para a indústria da moda e acompanhar variações na distribuição da gordura corporal em programas de treinamento. Para medir a CC, é necessário o emprego de uma fita antropométrica flexível que permita aplicar pressão constante sobre a superfície da pele durante toda a medição (GUEDES; GUEDES, 2003b). A reprodução das medidas da circunferência da cintura, em qualquer sitio, depende da habilidade do avaliador. Uma fonte bastante errônea é o posicionamento incorreto da fita antropométrica no corpo do avaliado, podendo superestimar a medida (MARTINS 2008). Contudo, a medição deve ser determinada paralelamente ao eixo longitudinal do corpo, aproximadamente dois cm acima da cicatriz umbilical (DUARTE, 2007). A classificação da circunferência da cintura segundo a OMS (1997) é apresentada na Tabela 3: Tabela 3: Classificação dos valores de Circunferência da Cintura (CC) para adultos. Circunferência da cintura Risco moderado Alto risco Homens 94cm 102cm Mulheres 80cm 88cm Fonte: OMS, 1997 2.3 PROJETO “PROGRAMA DE ATENDIMENTO A PRATICANTES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS E ATLETAS” O projeto “Programa de Atendimento a Praticantes de Exercícios físicos e Atletas” pertence à UNESC - Universidade do Extremo Sul Catarinense. O mesmo surgiu como uma proposta referente ao oferecimento de atendimento nutricional a praticantes de exercícios físicos e atletas da região de Criciúma (SC). A divulgação do mesmo começou a ser realizada no mês de setembro de 2008, através de panfletos informativos, da mídia e do rádio (PEREIRA, 2009). Em outubro de 2008, o projeto começou a funcionar, neste ano participaram do programa uma média de 25 pessoas, em sua maioria homens (desde adolescente até adultos). As consultas do projeto eram contínuas, ou seja, 27 ilimitadas, quem tivesse interesse em participar só precisava agendar a consulta. Em fevereiro de 2009, o projeto retomou suas atividades atendendo novos participantes e algumas equipes de diferentes modalidades, entre elas: futebol, natação e futsal (PEREIRA, 2009). Conforme Pereira (209), o programa funcionava durante um dia da semana no período matutino, com algumas exceções atendendo no período noturno, onde os participantes tiveram a oportunidade de realizar consultas no ambulatório de nutrição, os quais eram atendidos por acadêmicos da própria universidade, as consultas eram realizadas da seguinte forma: Primeira consulta: era realizada uma anamnese com o paciente, onde eram obtidos dados de identificação, dados antropométricos, alguns dados sobre consumo alimentar, história pessoal e história familiar de doenças, e também realizado um inquérito alimentar. Por fim, o paciente recebia algumas orientações conforme os erros alimentares citados no inquérito e algumas dicas de alimentação saudável. O retorno era marcado para uma semana após a primeira consulta para a entrega da proposta de plano alimentar; Primeiro Retorno: nesta consulta o paciente recebia seu plano alimentar e orientações específicas da atividade física praticada. Neste primeiro retorno apenas peso e altura eram mensurados. E era marcada junto ao paciente a data do seu segundo retorno após um mês; Segundo Retorno: neste dia o paciente era novamente pesado, eram coletadas todas as suas medidas antropométricas e realizado um recordatório alimentar com o objetivo de saber se o mesmo estava ou não seguindo a dieta. Também eram reforçadas algumas orientações alimentares junto ao paciente, que poderia continuar com a dieta prescrita ou retornar ao ambulatório para receber uma nova dieta. 28 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS 3.1 ÂMBITO DO ESTUDO O estudo faz parte das atividades do Projeto de Extensão intitulado “Atendimento Nutricional á Praticantes de Exercícios Físicos e Atletas”, que tem por objetivo prestar atendimento nutricional individual e em grupos à praticantes de exercícios físicos e atletas de diferentes modalidades e faixas etárias de Criciúma e região. No presente estudo são apresentados dados referentes aos indicadores de adiposidade de participantes engajados em programas de exercícios físicos. Os dados foram levantados das anamneses e avaliações realizadas durante os atendimentos ambulatoriais pelos estagiários do último ano do curso de Nutrição, com supervisão do professor (nutricionista). 3.2 TIPO DE ESTUDO O estudo caracterizou-se por ser do tipo descritivo documental, de corte transversal e abordagem quantitativa. Em uma pesquisa descritiva, os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles (ANDRADE, 2007). Portanto, o estudo descritivo pretende escrever com exatidão os fatos ou fenômenos de determinada realidade e exige do pesquisador uma série de informações sobre o que se deseja estudar (SANTOS, 1999 apud LEOPARDI, 2002). Quanto ao período de tempo, a pesquisa classifica-se como transversal, por possuir uma grande vantagem o tempo de realização ser extremamente curto, embora os dados coletados não apresentem o mesmo grau de fidedignidade da pesquisa longitudinal (APPOLINARIO, 2006). 29 A pesquisa preponderantemente quantitativa pressupõe a mensuração de variáveis predeterminadas, buscando verificar a explicar sua influência sobre outras variáveis. Centraliza sua busca em dados calculáveis, não se preocupando com exceções, mas com generalizações (APPOLINARIO, 2006). 3.3 SUJEITOS Para realização do estudo foram analisadas as fichas de anamnese dos 68 indivíduos adultos atendidos entre os períodos de outubro de 2008 a outubro de 2009. Como critérios de inclusão para participação na pesquisa foram considerados: idade entre 18 e 60 anos; não ser atleta competitivo e apresentar valores de IMC, CC e %GC na anamnese. Até outubro de 2009, havia participado do programa 68 indivíduos, dos quais 44 se enquadravam nos critérios de inclusão estabelecidos. 3.4 ASPECTOS ÉTICOS O projeto de extensão foi devidamente submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa dessa Universidade, e incluía a realização de estudos com os dados levantados. A carta de aprovação se encontra em anexo (Anexo 2). 30 3.5 MATERIAIS E MÉTODOS 3.5.1 Instrumento de coleta de dados Para coleta de dados foi utilizado uma ficha de anamnese (Anexo 1) aplicada pelo estagiário de nutrição, onde havia espaço para preenchimento de dados pessoais, história pessoal e familiar de doenças, dados antropométricos, preferências alimentares, aversões e intolerâncias aos alimentos, consumo de alimentos específicos (diet/light, frituras, doces...), consumo de suplementos, consumo de líquidos, local das refeições, exames bioquímicos e também havia espaço para preenchimento de um recordatório de 24 horas. 3.5.2 Indicadores de adiposidade corpórea 3.5.2.1 Índice de Massa Corporal (IMC) Para obtenção do IMC todos os indivíduos participantes no projeto foram pesados e medidos. Na coleta do peso corporal foi utilizada uma balança antropométrica mecânica da marca “Techline” com capacidade de 180 kg, precisão de 100g. Os avaliados estavam sem calçados, apenas com roupas leves no corpo, sem adereços como: relógio, bolsa, casacos, chaves, carteiras entre outros acessórios. Na balança os pés se mantiveram dentro de toda área da balança, não podendo ter nenhuma parte para fora. Os avaliados encontravam-se em pé, na posição ereta, com os pés afastados à largura do quadril, com o peso dividido em ambos os pés, ombros descontraídos e braços soltos lateralmente. Quanto à estatura, a mesma foi aferida em metros, com auxílio de um estadiômetro da marca “Sanny”. Os praticantes de exercícios físicos estavam descalços, em posição ortostática, com as costas e a parte posterior dos joelhos encostados a parede e olhando para frente, o peso distribuído entre os dois pés e 31 com os braços soltos do lado do corpo, as mãos ficavam voltadas para a coxa. Os calcanhares estavam juntos tocando a haste vertical do estadiômetro. Para o cálculo do IMC dos praticantes de exercício físico foi considerado o peso em quilogramas e a estatura convertida de centímetros para metros (cm/100). O IMC foi calculado dividindo-se a massa corporal (peso) pela estatura ao quadrado. De posse dos valores de IMC, o mesmo foi classificado de acordo com a OMS (1997). 3.5.2.2 Percentual de Gordura Corporal (%GC) O %GC dos indivíduos foi avaliado pelo método de bioimpedância, no mesmo dia dos dados antropométricos. Para tal, utilizou-se o aparelho de impedância bioelétrica Maltron®, modelo BF900, para a quantificação do percentual d0 %GC de cada atleta. Cada participante do projeto foi instruído a seguir o protocolo para a realização da bioimpedância, a saber: não comer ou beber a menos de quatro horas do teste; não fazer exercícios a menos de doze horas do teste; urinar a menos de trinta minutos do teste; não consumir álcool a menos de 48 horas do teste; não tomar medicamentos diuréticos a menos de sete dias do teste; no caso das mulheres, não realizar o teste se perceberem retenção hídrica durante o período menstrual (HEYWARD; STOLARCZYK, 2002). 3.5.2.3 Circunferência da Cintura (CC) A CC foi medida em centímetros, com auxílio de uma fita antropométrica flexível. Os avaliados estavam em posição ortostática, sem nenhuma roupa cobrindo a cintura, certificando que a fita esteja justa, mas não a ponto de comprimir sua pele, e esteja paralela ao solo. O ponto medido foi entre a ultima costela e a borda da crista ilíaca. 32 A classificação da circunferência da cintura foi feita de acordo com os valores propostos pela OMS (1997), que indica para homens valores inferiores a 94 cm (adequado), maior ou igual a 94 cm (risco moderado) e maior ou igual a 102 cm (alto risco). Sendo que para mulheres os valores abaixo de 80 cm (adequado), maior ou igual a 80 cm (risco moderado) e maior ou igual a 88 cm (alto risco). 3.6 COLETA DE DADOS A consulta nutricional incluía aplicação de anamnese e coleta de dados antropométricos. A pesquisadora, durante dois dias, foi até o ambulatório de nutrição e anotou os dados de interesse presentes nas anamnese. 3.7 TRATAMENTO ESTATÍSTICO Os dados foram tabulados em planilha do programa Excel. Para análise dos dados utilizou-se o pacote estatístico Statistical Package of Social Science SPSS for Windows, versão 17.0. Primeiramente foram adotados procedimentos de estatística descritiva (médias, desvio-padrão, valores mínimos e máximos, frequências absoluta e relativa). Em seguida, aplicou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a normalidade das variáveis quantitativas, seguido do teste T de Student para comparação das variáveis entre os sexos. Por fim, foram realizados testes de associação para verificar a associação entre sexo e indicadores de adiposidade, bem como entre os indicadores de adiposidade: Utilizou-se o teste Qui-quadrado (χ2) quando houvesse menos que 25 % de valores esperados menor que 5, acima deste valor foi utilizado o teste Exato de Fisher’s. Vale ressaltar que tais testes são utilizados para comparar variáveis qualitativas baseadas na diferença da freqüência observada e a freqüência esperada na suposição das variáveis independentes. Adotou-se como significância estatística o valor de p<0,05. Os resultados foram apresentados em tabelas e gráficos. serem 33 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Participaram da amostra 44 indivíduos, dos quais 23 eram homens (52,3%) e 21 eram mulheres (47,7%). A Tabela 4 apresenta os valores médios, de desvio-padrão, mínimo e máximo de idade da amostra estudada. Tabela 4: Valores médios, de desvio-padrão, mínimo e máximo da variável idade dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Sexo Idade (anos) Feminino Masculino Geral Média DP Mín Máx Média DP Mín Máx Média 27,6 9,7 18,0 46,2 28,5 9,9 18,4 54,9 28,0 DP Mín Máx 9,6 18,0 54,9 DP= desvio-padrão; Min= valor mínimo; Max= valor máximo. Como pose-se observar na Tabela 4, a idade média dos participantes é de aproximadamente 28,0 anos, sendo que a idade entre as mulheres varia de 18 a 46,2 anos e de 18,4 a 54,9 entre os homens. A média de menor idade está entre as mulheres e a de maior idade entre o sexo masculino. As modalidades esportivas praticadas pelos participantes da amostra são apresentadas na Tabela 5. Tabela 5: Modalidades esportivas praticadas pelos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Sexo Modalidade Musculação Ativ. Academia Ciclismo Atletistmo Futebol Triatlo Natação Lutas Caminhada Feminino f 8 6 1 1 3 0 0 1 1 Masculino f 10 2 5 3 1 1 1 0 0 Geral F 18 8 6 4 4 1 1 1 1 34 Observando os dados da Tabela 5, percebe-se que as modalidades mais praticadas pela amostra foram musculação, praticada por 18 dos indivíduos avaliados e atividades de academia, praticada por oito indivíduos. Na amostra feminina a maior parte das avaliadas (oito) praticava musculação, a prática de atividades de academia (tais como ginástica localizada, aeróbica, step, etc.) aparece em segundo lugar, sendo esta, praticada por seis das 21 mulheres avaliadas. Na amostra masculina a maior parte dos homens (10) praticava musculação, e em segundo lugar a modalidade mais praticada foi o ciclismo, com um total de cinco indivíduos. A Tabela 6 apresenta os valores médios, de desvio-padrão, mínimos e máximos das variáveis massa corporal, estatura, Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência da cintura (CC) e percentual de gordura corporal (%GC). Tabela 6: Valores médios, de desvio-padrão, mínimo e máximo das variáveis antropométricas dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Sexo Variáveis Peso (Kg) Estatura (m) IMC (Kg/m2) CC (cm) % GC (%) Feminino Masculino Média DP Mín Máx Média DP Mín Máx 59,5 1,63 22,47 77,1 23,2 6,5 0,07 2,78 10,7 6,7 48,0 1,46 18,60 61,0 12,9 73,3 1,81 30,92 102,0 41,3 81,3 1,80 24,99 85,0 17,1 11,3 0,08 2,48 9,0 4,6 58,4 1,62 20,44 65,0 7,9 103,0 1,95 29,26 102,5 24,0 p <0,000 <0,000 0,003 0,001 0,012 DP= desvio-padrão; Min= valor mínimo; Max= valor máximo. Como se pode observar na Tabela 6, indivíduos do sexo masculino apresentaram valores médios de peso, estatura, IMC e CC significativamente superiores aos encontrados no sexo feminino. O valor médio de IMC classifica o sexo feminino como eutrófico (22,47+2,8), e o sexo masculino como sobrepeso (24,99+2,5). Em relação à circunferência da cintura, os valores médios encontrados entre homens e mulheres estão adequados (abaixo de 80 cm para mulheres e de 94cm para homens), representando baixo risco para doenças cardiovasculares (DCV) e Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), doenças características da gordura centralizada. Cabe ressaltar que mais adiante serão avaliados o IMC e a CC individualmente. 35 Por sua vez, os valores médios de %GC mostram-se significativamente superiores no sexo feminino (23,2+6,7%). Valores ideais ficam entre 23%. Já para o sexo masculino a média de %GC fica em 17,1+4,6% classificado como acima da média, que é 15% conforme cita Lohman (1992, apud HEYWARD; STOLACZYK, 2000). Segundo Guedes e Guedes (2003), comparando-se a quantidade de gordura corporal em ambos os sexos, observa-se que, nas mulheres adultas a quantidade de gordura corporal é superiror em razão da necessidade de uma quantidade adicional de gordura importante para algumas funções biológicas como o processo de gestação e outras funções hormonais típicas do sexo. A Tabela 7 apresenta a classificação do estado nutricional pelo IMC, segundo a OMS (2007). Tabela 7: Classificação do Índice de Massa Corporal dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Sexo Estado Nutricional Eutrofia Sobrepeso Obesidade Grau I Feminino F f% 19 90,5% 1 4,8% 1 4,8% Masculino F f% 13 56,5% 10 43,5% 0 0,0% Geral f 32 11 1 f% 72,7% 25,0% 2,3% f= freqüência absoluta; f%= freqüência relativa. 2 p= 0,029 (Teste X ). As freqüências de “Sobrepeso” e “Obesidade” foram agrupados para execução do teste. Na Tabela 7 percebe-se que a maior parte da amostra (72,7%) encontrase eutrófica quando avaliada pelo IMC. Nota-se que não foram encontrados indivíduos com baixo peso ou desnutrição. O sexo associou-se significativamente com o IMC (p=0,029), sendo que a prevalência de sobrepeso foi maior entre os homens (43,5%) do que entre as mulheres (4,8%). Apenas uma mulher apresentou obesidade Grau I. No estudo de Amer, Sanches e Moraes (2001), realizado com 73 indivíduos fisicamente ativos foram encontrados valores de IMC condizentes com o do presente estudo, mostrando que quando avaliados pelo IMC, 51% dos homens e 27% das mulheres apresentaram sobrepeso, prevalecendo essa classificação entre 36 os homens. Quanto à classificação de Obesidade Grau I foram encontrados 13,5% entre as mulheres e 7,1% entre os homens. Silva e colaboradores (2007) observaram em seu estudo a prevalência de excesso de peso (classificada pelo IMC) em 30,5% de sua amostra, sendo que essa classificação foi maior no sexo masculino (39,4%) do que no feminino (23,3%). Sabe-se que o excesso de peso está relacionado com várias doenças, como dificuldades respiratórias, problemas músculo-esquelético crônicos, infertilidade e doenças que causam risco aumentado de morte prematura, entre elas as doenças cardiovasculares, condições associadas à resistência à insulina e alguns tipos de câncer (SILVA, 2008). Todavia, apesar de ser o método mais utilizado na prática clínica para avaliar o estado nutricional, devido sua fácil aplicabilidade, é importante lembrar que o IMC em praticantes de exercícios físicos e de atletas deve ser analisado com cautela, pois a massa muscular pode superestimar os valores (NASCIMENTO; ALENCAR, 2007). O IMC não é considerado um bom indicador de obesidade em atletas, por esses possuírem uma grande quantidade de massa magra característica nesse público (MAUGHAN; BURKE, 2004). Atletas de diversas modalidades apresentam uma maior quantidade de massa muscular quando comparados a indivíduos sedentários, refletindo um maior peso corpóreo. Desta forma, o estado nutricional de um atleta pode ser classificado unicamente como sobrepeso ou obesidade pelo método do IMC, já que este analisa somente a proporção entre massa corporal e estatura (NASCIMENTO; ALENCAR, 2007). O IMC deve ser utilizado paralelamente a outro método de avaliação da composição corporal, como por exemplo, a bioimpedância, para que possam ser quantificados os constituintes da massa corporal e, desta forma, avaliar o verdadeiro estado nutricional, pois o %GC interfere diretamente no seu desempenho e saúde (NASCIMENTO; ALENCAR, 2007). A Tabela 8 apresenta a classificação do percentual de gordura corporal (%GC) dos praticantes de exercício físico avaliados. 37 Tabela 8: Classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Sexo Classificação Abaixo da média Acima da média Risco Feminino f F% 14 66,6% 6 28,5% 1 4,7% Masculino F f% 10 43,4% 13 56,6% 0 0% Geral f 24 19 1 f% 54,5% 43,2% 2,3% f= freqüência absoluta; f%= freqüência relativa. 2 p= 0,215 (Teste X ). As freqüências de “acima da média” e “risco” foram agrupadas para execução do teste. Como pode ser observado na Tabela 8, a maior parte dos praticantes de exercício físico (54,5%) apresentou %GC abaixo da média, quando consideram-se os valores médios de 15% e 23% como ponto de corte para homens e mulheres, respectivamente (LOHMAN, 1992 apud, HEYWARD; STOLARCZYK, 2000). No sexo masculino, a prevalência maior foi de %GC acima da média (56,6%), enquanto que no sexo feminino prevaleceu a classificação de %GC abaixo da média (66,6%). Uma avaliada do sexo feminino foi classificada como Risco por possuir valores elevados de %GC. Não foram observadas associações significativas entre sexo e %GC (p=0,215). Nota-se na Tabela 8 que a prevalência quanto à quantidade de gordura corporal dos avaliados foi abaixo da média, cabe ressaltar neste caso, que na literatura está bem descrito que praticantes de exercício físico, mais precisamente atletas, necessitam de um % de GC mais baixo comparado à população geral que esta relacionado a um melhor desempenho esportivo (CANDIA, 2007). Segundo American College of Sports Medicine (2000, apud CANDIA 2007), o nível mínimo de gordura corporal compatível com a saúde para atletas masculinos fica entre 5% e para atletas femininas entre 12%. Entretanto o percentual ótimo para um atleta pode ser muito mais alto que estes mínimos e deve ser estabelecido com base nas características individuais de cada atleta. Diversos estudos apontam que a estatura e a composição corporal são as variáveis de maior importância para o desempenho esportivo em diferentes modalidades, visto a grande interferência causada pela gordura corporal sobre o desempenho humano (CYRINO et al., 2002). Maughan e Burke (2204) explicam que, 38 o tamanho corporal pequeno influencia em aspectos físicos e mecânicos, assim como a relação ‘potência x peso’ ou simplesmente pela redução de ‘peso morto’ que o atleta movimenta. Estudos de Carneiro e colaboradores (2003) confirmam a relação entre altas quantidades de gordura corporal e o aparecimento de hipertensão arterial. Destacam também a associação da adiposidade corporal elevada com o aumento da prevalência de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, como dislipidemias e intolerância à glicose. Desta forma, é necessário que se adeque o percentual de gordura corporal a cada modalidade praticada, pois apesar da literatura trazer a importância de um baixo % de GC para atletas, deve-se analisar até que ponto isto não trará prejuízos à saúde dos desportistas. A Tabela 9 apresenta a classificação da circunferência da cintura segundo a OMS (1997), dos indivíduos avaliados no projeto. Tabela 9: Classificação da circunferência da cintura dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Sexo Classificação CC Adequado Risco Moderado Alto Risco Feminino f 14 4 3 f% 66,7% 19,0% 14,3% Geral Masculino F 19 3 1 f% 82,6% 13,0% 4,3% f 33 17 4 F% 75,0% 38,6% 9,1% f= freqüência absoluta; f%= freqüência relativa. p= 0,384 (Teste X2). As freqüências de “risco moderado” e “alto risco risco” foram agrupadas para execução do teste. De acordo com a Tabela 9, a maior parte da amostra (75%) foi classificada como tendo valores de CC adequados. Apesar da prevalência de inadequação ter sido maior entre as mulheres (33,3%), não foi observada associação significativa entre sexo e CC (p=0,384). Sugere-se a análise das medidas de perímetro da cintura em duas situações; quando o avaliado apresentar quantidade de gordura corporal excessivamente elevada, o que faz a espessura de dobras cutâneas ultrapassarem o limite recomendável que possa assegurar medidas de boa qualidade (> 40 mm); 39 e/ou quando o objetivo é reunir informações direcionadas ao padrão de distribuição regional de gordura corporal (GUEDES, 2006). Segundo Heyward e Stolarczyk (2000a), a influência da distribuição regional de gordura na saúde relaciona-se à quantidade de gordura visceral na cavidade abdominal. A quantidade de gordura visceral, separado da gordura corporal total, é um fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes mellitos (POULIOT; COLS, 1994 apud DUARTE, 2007), isso acontece porque o adipócito visceral é maior, tem menos receptores de insulina, é mais lipolítico e mais próximo do sistema portal (DUARTE, 2007). Nesse caso apontam Guedes e Guedes (2006) que, dimensões do perímetro da cintura maiores que 102 cm e 88 cm para homens e mulheres, respectivamente, tendem a aumentar a incidência de disfunções crônicodegenerativas. Valores elevados de CC apresentam risco metabólico e desenvolvimento de DCV, que correspondem aproximadamente 33% das causas de mortes no Brasil (ALVES et al., 2005 apud PESSENDA, 2007). Segundo Oliveira e Silva (1999 apud AMER; SANCHES; MORAES, 2001), a gordura depositada no abdome é metabolicamente muito ativa, está constantemente transformando-se em ácidos graxos livres (AGL), transportados diretamente via circulação portal até o fígado, onde são transformados principalmente em triglicerídeos, VLDL e LDL, propiciando o desenvolvimento de aterosclerose. Dessa forma, como conseqüência da obesidade central, existe maior propensão para hipertensão arterial e hiperlipidemia, resultando em maior probabilidade de doença arterial coronária e acidente vascular encefálico. Apesar de se tratar de indivíduos fisicamente ativos, alguns deles apresentaram um ou mais indicadores de adiposidade elevados, tais como apresentado na Figura 1. 40 50,0 45,5 40,9 40,0 27,3 30,0 25,0 22,7 20,0 13,6 15,9 13,6 10,0 0,0 Nenhum IMC %GC CC IMC + %GC IMC + CC %GC + CC Todos Figura 1: Prevalência de indicadores de adiposidade elevados dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. Como se pode notar na Figura 1, mais da metade da amostra (59,1%) dos avaliados apresentaram pelo menos um indicador de adiposidade corpórea elevado, sendo que o indicador mais frequente foi o %GC que se mostrou elevado em 45,5% dos avaliados, seguido do IMC que se apresentou elevado em 27,3% da amostra. Cabe ressaltar que boa parte dos avaliados (40,9%) não apresentou nenhum indicador de adiposidade corpórea elevado. Alguns apresentaram a combinação de dois ou mais indicadores elevados, sendo mais prevalente a combinação do IMC com %GC (22,7%). Conforme Maughan e Burke (2004), dentre os serviços fornecidos por profissionais de nutrição para redução dos níveis de gordura corporal em praticantes de exercícios físicos podem ser citadas algumas orientações para uma perda de gordura segura e eficaz: monitoração e aconselhamento individual dos praticantes de exercício físico; triagem dos praticantes que correm grande risco de desenvolver distúrbios alimentares; desenvolvimento de programas para incorporação de práticas nutritivas saudáveis nos planejamentos de grupos, times ou clubes esportivos; entre outros. A associação entre os indicadores de adiposidade corpórea IMC e %GC dos indivíduos avaliados são apresentados na Tabela10. 41 Tabela 10: Associação entre os indicadores IMC e %GC dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. %GC IMC IMC inferior a 25 cm/m² (n=32) Igual ou superior a 25 cm/m² (n=12) Abaixo da média (n=24) 68,8% 16,7% Acima da média (n=20) 31,2% 83,3% p= 0,006 (Teste X2) Conforme apresenta a Tabela 10, há uma associação estatisticamente significativa (p=0,006) entre IMC e %GC. Dos 32 indivíduos com IMC adequado, a maior parte (68,8%) apresentou também %GC adequado, enquanto que, dentre os indivíduos com sobrepeso (n=12), mais de 4/5 (83,3%) dos avaliados com sobrepeso apresentaram %GC acima da média. A Tabela 11 apresenta a associação entre os indicadores de adiposidade corpórea IMC e CC dos praticantes de exercício físico avaliados. Tabela 11: Associação entre os indicadores IMC e CC dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. CC IMC IMC inferior a 25 cm/m² (n=32) Igual ou superior a 25 cm/m² (n=12) Adequada (n=33) 84,4% 50,0% Elevada (n=11) 15,6% 50,0% P=0,045 (exato) Na Tabela 11 nota-se uma associação significativa (p=0,045) entre IMC e CC. Dos 32 indivíduos com IMC adequado, a maior parte (84,4%) apresentou também CC adequado, enquanto que, dentre os indivíduos com sobrepeso (n=12), metade (50,0%) apresentaram CC acima da média. Estudos de Sampaio e Figueiredo (2005) mostram uma forte associação entre IMC e CC no sexo masculino (p<0,001) e feminino (p<0,001) quando avaliaram 319 indivíduos de 20 a 59 anos. Zomboni et al. (1998 apud SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005) avaliando indivíduos de 27 a 78 anos, observaram que, nos homens e nas mulheres, a associação do IMC com a CC foi de (p<0,001). 42 A associação entre os indicadores de adiposidade corpórea %GC e CC dos indivíduos avaliados é apresentada na Tabela 12. Tabela 12: Associação entre os indicadores %GC e CC dos praticantes de exercício físico de Criciúma-SC. CC %GC Abaixo da média (n=24) Acima da média (n=20) Adequada (n=33) 83,3 65,0 Elevada (n=11) 16,7 35,0 p=0,294 (x) Apesar de prevalecer entre os indivíduos com %GC acima da média (n= 20) a situação de CC adequada (83,3%), não foi observada associação significativa entre %GC e CC (p=0,294). A Tabela 12 também apresenta que dos indivíduos com %GC acima da média (n=20), apenas 35% apresentam CC classificada como elevada. 43 5 CONCLUSÃO No estudo foi verificado que a maior parte dos praticantes de exercício físico encontrava-se eutróficos. Alguns avaliados classificaram-se com sobrepeso, e apenas uma avaliada apresentou obesidade grau I, segundo o Índice de Massa Corporal (IMC). Para a classificação do Percentual de Gordura Corporal (%GC) mais da metade dos avaliados apresentaram valores abaixo da média, boa parte dos avaliados apresentou %GC acima da média especialmente entre os homens. Na classificação da Circunferência da Cintura dos praticantes de exercício físico prevaleceu a classificação de adequado, apesar de alguns avaliados terem apresentado risco moderado e alto risco. Apesar de a maioria dos avaliados apresentarem valores de IMC, %GC, CC adequados observou-se que mais da metade da amostra apresentou pelo menos um indicador de adiposidade elevado, sendo considerado o indicador mais freqüente o %GC. Alguns avaliados apresentaram ainda a combinação de dois ou mais indicadores elevados, IMC com %GC foi a combinação mais prevalente. Verificou-se que houve uma associação estatisticamente significante na combinação entre IMC e %GC e IMC e CC. Por outro lado, não foi observada associação significativa do %GC com CC. No estudo pode ser verificado que apesar de tratar-se de praticantes de exercícios físicos, foi possível notar uma grande quantidade de gordura corporal associada à maioria dos avaliados, pois pelo menos a metade da amostra apresentou pelo menos um indicador de adiposidade corporal acima da média. O papel do profissional de Nutrição se faz de grande importância na conscientização sobre os benefícios de uma composição corporal adequada e níveis adequados de gordura corporal para a potencialização do desempenho esportivo e prevenção de doenças ocasionadas pelo nível elevado de gordura corporal. 44 REFERÊNCIAS AMER, N. M.; SANCHES, D.; MORAES, S. M. F. Índice de massa corporal e razão cintura/quadril de praticantes de atividade aeróbica moderada. Revista de Educação Física/UEM. Maringá, v.12, n.2, p.97-103, 2001. ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho cientifico. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. ANJOS, L. A. 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