PROPOSTA DE UM MÉTODO DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA: caminhos para o consumo racional e consciente Aécio Antônio de Oliveira1 Rafael Alves Ribeiro2 Thiago Galliac Rezende3 RESUMO: O artigo aponta a relevância da educação financeira neste início de século XXI, alertando sobre os desafios a serem enfrentados na gestão das finanças pessoais devido às mudanças na política econômica e multiplicação do crédito. Esta pesquisa envolveu o arcabouço teórico relacionado às finanças pessoais e educação financeira na elaboração de um método que foi dividido em cinco etapas: sensibilização, diagnóstico, informação, formação e orientação. Com isso, obteve-se um conjunto de técnicas e processos capazes de despertar no indivíduo o interesse pelo tema das finanças pessoais e desenvolver conhecimentos, bem como habilidades práticas que lhe permitam consumir de forma racional e consciente. PALAVRAS-CHAVE: Educação Financeira. Finanças Pessoais. Sensibilização. Introdução Os principais motivos deste despreparo e da dificuldade Desde a década de 1990, o Brasil passa por um período das pessoas na gestão de suas finanças são: o aumento da de estabilidade macroeconômica, com a inflação, aparente- complexidade do mercado financeiro devido ao aumento da mente, controlada. Nota-se a expansão da renda e do crédito oferta de produtos financeiros e a utilização de meios eletrô- disponível no mercado, do qual as pessoas se utilizam para o nicos na realização das transações; a ausência da educação consumo devido à facilidade na obtenção dos financiamentos. financeira no currículo do ensino médio e o consumo de bens (CONEF, 2011) supérfluos sem a preocupação com a vida futura. (REMUND, Dentre as pessoas alçadas à condição de consumidores 2010; MAINARDES, 2010) há aquelas que têm maiores noções sobre juros, preços e Não obstante, a incerteza quanto ao futuro do sistema de dinheiro e, logo, passaram a buscar as melhores alternativas previdência público aliada ao aumento da expectativa de vida e para investir e gastar. Entretanto, existem também aqueles que à estabilização da economia aumentou a responsabilidade das não dominam tais conhecimentos e assim levam uma vida fi- decisões financeiras do indivíduo e o impacto destas em seu nanceira desequilibrada, comprometendo sua renda com endi- futuro. Logo, educar financeiramente os indivíduos por meio de vidamento excessivo em um país com uma das maiores taxas uma metodologia de educação financeira pessoal apresenta- de juros do mundo. (MEKELBURG, 2010). se como questão de primeira ordem na promoção do bem es- Tal situação fica clara em histórias de pessoas que apesar de possuírem uma renda elevada ostentam um padrão de tar financeiro das famílias e no desenvolvimento dos mercados dentro de uma lógica de consumo sustentável. vida sustentado pelo endividamento excessivo, enquanto, em Em face ao tema, propõe-se neste artigo uma discussão contrapartida, trabalhadores assalariados conseguem manter crítica acerca do problema que consiste em ajudar as pessoas o orçamento familiar em ordem e, até poupar parte de seus a consumir de forma mais racional e consciente por meio de rendimentos para o futuro. um método de educação financeira desenhado para orientação Contudo, o aumento da renda dos trabalhadores e a ofer- das finanças pessoais. ta abundante de crédito são um convite ao consumo que leva Para tal, foi realizada uma pesquisa exploratória devido à cada vez mais pessoas a assumirem uma posição devedora escassez de trabalhos ou informações mais precisas a respeito na balança das trocas intertemporais4. Ficou mais fácil viver o dos temas: finanças pessoais e educação financeira. Isso torna agora para pagar depois, enquanto o incentivo ao consumo o presente estudo exploratório de grande relevância, já que se avança sobre uma população despreparada para dimensionar trata de uma contribuição institucional para futuras pesquisas o volume adequado do comprometimento do seu orçamento. e debates. 96 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 Método de educação financeira pessoal conceitos e riscos, de maneira que, com informação e Um método é composto por um conjunto de técnicas e pro- recomendação claras, possam desenvolver as habilida- cessos que, organizados de forma sistemática e lógica, formam des e a confiança necessárias para tomarem decisões um caminho que permite atingir determinado objetivo (FERREIRA, fundamentadas e com segurança, melhorando o seu 1999). No desenvolvimento do método proposto neste trabalho bem-estar financeiro. (OCDE, 2005 p. 4) parte-se de uma abordagem dedutiva, clarificando primeiro o objetivo a ser atingido pelo método para em sequência determinar Observa-se que na definição dada estão contidos, de uma quais as técnicas e processos mais adequados para este fim. Uma forma geral, os objetivos delineados anteriormente. Tal fato é um vez que a ênfase da metodologia é colocada sobre indivíduo deve- indício de que a adoção deste processo e das técnicas que dele se então adotar técnicas e processos que considerem suas neces- advém pode ser adequada às necessidades da metodologia sidades, possibilidades, interesses e realizações. proposta. Diante do exposto, torna-se necessário aprofundar-se Tendo como base a problemática proposta, infere-se o ob- na temática da educação financeira. jetivo geral com vistas a auxiliar o indivíduo a consumir de forma De acordo com Remund (2010) a definição primária de edu- mais racional e consciente por meio da orientação das finanças cação financeira diz respeito à competência do indivíduo em pessoais. Partindo-se dessa premissa, determina-se então, os gerenciar seu dinheiro. Embora, o termo educação financeira objetivos específicos divididos em cognitivos, afetivos e ativos a não fosse utilizado à época, a ideia data do início do século XX partir da concepção de Sossai (1974, p. 439), de que “o homem quando as primeiras iniciativas e pesquisas sobre a educação primeiramente conhece, depois aceita e por fim age”. do consumidor foram realizadas nos Estados Unidos. De acordo com Sant´Anna et. al., (1998) os objetivos cog- Embasado em revisão bibliográfica de obras publicadas nitivos estão relacionados com os conhecimentos e habilida- nos EUA desde 2000, Remund (2010) afirma que os conceitos des intelectuais do indivíduo, aplicados em relação às finanças de educação financeira podem ser categorizados em cinco áre- pessoais. O objetivo cognitivo desta metodologia de educação as principais de acordo com o enfoque: no conhecimento de financeira consiste em o indivíduo desenvolver conhecimentos e conceitos financeiros; na habilidade em aplicar conceitos finan- habilidades que lhe permitam compreender, relacionar, compa- ceiros; na aptidão em administrar as finanças pessoais; na habi- rar e interpretar informações e dados sobre as finanças pessoais lidade em realizar decisões financeiras adequadas; no planeja- e o mercado financeiro. mento eficaz para as futuras necessidades financeiras. Corrobora Sossai (1974, p. 440), ao acrescentar que “os Ao analisar os cinco grupos citados verifica-se que todos objetivos afetivos referem-se ao grau de aceitação ou de inter- eles remetem a algum dos objetivos propostos neste método. nalização de um conceito, comportamento ou fato” e se tradu- Desta forma é possível afirmar que a educação financeira é ade- zem pelo fato da pessoa perceber a importância de se educar quada aos propósitos desta metodologia, ainda que não exista financeiramente, identificar os riscos do descontrole financeiro consenso quanto à sua definição conforme afirmam Remund para seu futuro e desenvolver condutas duradouras e condizen- (2010) e Huston (2010). Contudo, ainda que a educação financeira possa propor- tes com a aceitação destes conceitos. A última categoria de objetivos específicos são os objetivos cionar a melhoria do bem-estar financeiro pessoal não é pos- ativos, compostos por atividades ou práticas que serão adota- sível afirmar a priori que o indivíduo deseje participar deste das pelo sujeito. No âmbito deste método estas atividades e processo, realizando mudanças em seus hábitos financeiros práticas se resumem em construir o plano financeiro pessoal, e também em seu estilo de vida. utilizar ferramentas de controle e acompanhamento das finanças Consequentemente, o método de educação financeira pessoal deve partir de uma etapa de sensibilização do indivíduo e também consumir de forma consciente. Após a definição dos objetivos parte-se para a seleção dos para a importância do tema. Esta etapa está diretamente rela- processos e técnicas adequados para a consecução destes cionada com o cumprimento dos objetivos afetivos do método, sendo a escolha apropriada das ferramentas uma condição sine pois envolve o grau de aceitação e a internalização dos con- qua non para o sucesso do método. A principal ferramenta que ceitos, comportamentos e fatos relativos à educação financeira. trata das finanças pessoais, bem como a educação financeira, A sensibilização tem como objetivo fazer com que as pesso- 5 as aumentem o nível de interesse sobre certos temas ou ques- pode ser definida como: [...] um processo em que os indivíduos melhoram a tões. Para este fim é necessário que o processo de educação sua compreensão sobre os produtos financeiros, seus financeira tenha significado para o indivíduo, utilizando suas PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 l 97 emoções e desejos e apresentando valores extremamente úteis financeira é possível identificar em qual das cinco fases de mu- e relevantes. […]” (DEWEY 1979, apud COUTO, 2003 p. 3). dança o sujeito se encontra. Estas fases foram descritas por Pro- Deve-se demonstrar para o sujeito que ele está inserido chaska, Diclemente e Norcross (1983) e são denominadas: pré- em uma realidade na qual as decisões financeiras acontecem contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção. a todo o momento e que impactam diretamente sua qualidade Na fase de pré-contemplação o indivíduo possui uma grande de vida e seu futuro. Mais do que despertar questões sobre o resistência em entender, reconhecer ou modificar o problema. É cotidiano financeiro, a sensibilização do indivíduo deve suscitar comumente descrita em indivíduos que gastam seu dinheiro sem neste a consciência de que ao se educar financeiramente torna- controle, que acreditam que não tem nenhum problema ou que se possível a construção de novas realidades rumo à realização podem parar com aquilo a qualquer momento. Uma característica de suas metas e do bem-estar financeiro fundamental dos indivíduos em pré-contemplação é que eles não Para ilustrar a abordagem da sensibilização pode-se partir pretendem mudar seu comportamento em um futuro próximo. de uma situação hipotética na qual objetivo seja modificar hábi- Os indivíduos em fase de contemplação conseguem iden- tos financeiros de uma pessoa, propondo a redução de seu gas- tificar que possuem um problema e até consideram enfrentá-lo. to diário com itens supérfluos. É comum o discurso de que se Entretanto, esse enfrentamento nunca acontece. Devido à falta deve controlar melhor o dinheiro ou guardar dinheiro para pou- de ação nunca conseguem gerenciar ou poupar seu dinheiro da par. Mas essas afirmações de forma isolada dificilmente sensi- forma correta. Prochaska (1983) menciona que é como saber bilizam o ouvinte. Isso porque as duas principais perguntas não para onde quer ir, mas ainda sem estar preparado para ir até lá. foram respondidas: Por que controlar melhor o meu dinheiro? Já na fase de preparação, o indivíduo identifica seu proble- Como faço para conseguir isso? Tais questões podem ser respondidas informando à pessoa ma e tenta modificar seu comportamento para melhorar, mas a tentativa não é bem sucedida ou persistente. que o gasto excessivo do dinheiro está associado à sua escas- Muitas pessoas iniciam a reeducação para controle de suas fi- sez futura. Ao direcionarmos o olhar do indivíduo para o futuro nanças pessoais, mas rapidamente voltam aos hábitos antigos. Da pode-se demonstrar que a ausência de uma reserva financeira mesma forma, sempre se observa pessoas que conseguem juntar pode acarretar problemas financeiros, pois torna o indivíduo vul- um dinheiro por certo tempo, mas rapidamente interrompem o pro- nerável a imprevistos como a perda de emprego, problemas de cesso e gastam em minutos o dinheiro que poupado em um longo saúde e à deterioração do cenário econômico. período. Ou seja, o indivíduo está preparado para a mudança, faz Neste caso foi criada uma relação direta entre conceitos de algumas tentativas, mas não consegue fazê-las de forma efetiva. educação financeira e a realidade do sujeito, vinculando a im- Quando um indivíduo identifica seu problema, considera portância de se poupar no presente para garantir uma situação enfrentá-lo e faz uma tentativa bem sucedida, ou seja, realmente tranquila no futuro. modifica seu comportamento, dizemos que essa pessoa encon- Durante o processo de sensibilização é possível também tra-se em fase de ação. Na fase de ação, tomam-se decisões e determinar qual a melhor forma de comunicação a ser adota- modifica-se o comportamento. Por isso, algumas pessoas con- da. Existem pessoas que preferem ouvir, outras aprendem por seguem facilmente iniciar a aprendizagem financeira pessoal e meios visuais enquanto existem indivíduos que preferem ativida- introduzir em sua vida e nas pessoas que estão em sua volta. de práticas. (KERKMANN, 1998). A adoção da forma adequada A fase de manutenção caracteriza-se pela persistência da de comunicação permite potencializar a interação e o envolvi- mudança e pelo esforço em evitar recaídas. A partir do momen- mento do sujeito com o processo como um todo. to em que as boas práticas em relação às finanças pessoais Entretanto apenas a etapa de sensibilização não é suficiente tornaram-se um hábito cristalizado, dizemos que se chegou à para fazer que o sujeito mude seu comportamento. Cada pessoa fase de manutenção quando a pessoa exibe um padrão de com- possui um diferente nível de sensibilidade que corresponde à “ca- portamento financeiro estável pacidade para responder ao meio ambiente social e cultural e como Em cada uma das fases descritas são exibidas caracte- uma qualidade única e pessoal quanto à percepção, significado e rísticas distintas (QUADRO 1). E, portanto, identificar em qual reação.” (TABA, 1974 apud SANT´ANNA, 1998 p. 94). delas o sujeito se encontra é importante para a compreensão Utilizando-se as informações obtidas pela interação e ob- dos motivos que impedem a mudança para um comportamen- servação do indivíduo durante a sensibilização inicia-se em se- to financeiro adequado. Segundo Higson e Wilson (1995, apud guida a etapa de diagnóstico. De acordo com a sensibilidade MAINARDES et al, 2010, p. 60) “grande parte das pessoas não em relação à relevância das finanças pessoais e da educação consegue elaborar um planejamento financeiro pessoal devido 98 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 a dificuldades no reconhecimento de suas dificuldades e de seus pontos fortes”. Entretanto, as finanças pessoais não englobam apenas cio do método. fatores comportamentais. A gestão das finanças de acordo com Utiliza-se o balanço patrimonial para elaboração de um Assaf Neto (2010, p. 8) envolve uma “realidade operacional prá- demonstrativo que evidencie os ativos e passivos do indivíduo tica da gestão financeira [...]”. Estes aspectos operacionais são sendo possível então determinar o patrimônio líquido que cor- a materialização do comportamento por meio de decisões finan- responde à riqueza líquida, ou seja, quais são realmente os ati- ceiras que influenciam diretamente, o patrimônio e o fluxo de vos após a liquidação de todos os passivos. Não há um balanço caixa da pessoa e assim podem ser observados por meio das patrimonial padrão, pois cada indivíduo possui diferentes contas demonstrações financeiras. de passivos e ativos, o (QUADRO 2) apresenta uma sugestão Desta forma propõe-se a realização do diagnóstico ope- para a elaboração do demonstrativo. (GRÜSSNER, 2007) racional com base no balanço patrimonial e do fluxo de caixa O balanço patrimonial também serve como referência para pessoal. Deve-se contar com participação ativa do indivíduo no verificar a evolução patrimonial ao longo do tempo, sendo re- diagnóstico para que este compreenda como utilizar estes de- comendada a sua elaboração ao menos uma vez ao ano (HAL- monstrativos para o controle e acompanhamento das finanças, FELD, 2006). Uma forma comum de avaliação do balanço é a em linha com os objetivos específicos ativos declarados no iní- utilização de índices. PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 l 99 O índice de liquidez corrente avalia a capacidade de pagamento do indivíduo, sendo considerado adequado quando apre- sentar um valor superior a um, ou seja, quando o ativo circulante for superior ao passivo circulante. A fórmula para cálculo é: Halfeld (2006) propõe o índice de cobertura de despesas sete, representando que os ativos serão suficientes para pagar que representa a capacidade do ativo em financiar as despe- as despesas mensais por sete meses caso a pessoa perca o sas mensais. O autor sugere que este índice deve ser superior a emprego, por exemplo. A fórmula para o cálculo é: O quociente entre passivo exigível e o ativo total denomina-se índi- dívidas. Considerando as altas taxas de juros do país é recomendável ce de endividamento e determina quanto do ativo está financiado por um índice próximo de zero. O índice é calculado da seguinte maneira: turos fluxos de caixa. (ASSAF NETO, 2010; CHING; MARQUES; Almeja-se sempre um patrimônio líquido positivo, ou seja, PRADO, 2010). que os ativos sejam maiores que o passivo e que as relações Gava (2004, apud GRÜSSNER, 2007 p. 33) afirma que “um entre passivo e ativo apresentem os melhores índices possíveis. fluxo de caixa pessoal deve conter três componentes básicos: Caso identifique-se situação contrária deve-se determinar qual renda, consumo e poupança”. É importante a inclusão da pou- o fato gerador e adotar ações para equilibrar ativos e passivos pança, pois a partir deste item é que o indivíduo acumula os re- Neste sentido a elaboração do fluxo de caixa surge como ferramenta que relaciona as entradas e saídas de recursos cursos necessários para atingir seu bem estar financeiro e deixa de depender exclusivamente de sua renda. monetários das finanças em determinado intervalo de tempo e A capacidade de poupança do indivíduo é determinada pela pode auxiliar na identificação do motivo das alterações do pa- diferença entre receitas e despesas. Quanto maior for a diferen- trimônio líquido. Por meio do fluxo de caixa é possível também ça maior será a capacidade de poupança. Se esta relação for avaliar a liquidez ao longo do tempo, a qualidade das decisões negativa significa que se está gastando mais do que se ganha financeiras, a capacidade de pagamento e também prever fu- e, portanto, não é possível formar poupança. É possível calcular o índice de poupança por meio da seguinte fórmula: É importante ressaltar, que ao elaborar o fluxo de caixa sejam As receitas são compostas por todos os rendimentos rece- levadas em consideração todas as despesas, mesmo, as de pe- bidos como salários, aluguéis e dividendos. Normalmente são queno valor, pois valores que individualmente parecem insignifican- provenientes da atividade profissional da pessoa e de itens do tes podem somar significativas quantias ao longo do tempo. ativo como ações e imóveis. Vale analisar também, os componentes do fluxo de caixa Existem duas categorias de despesas. No âmbito das finan- para determinar como os itens classificados para despesa es- ças pessoais as despesas fixas são em geral as contas costu- tão impactando a receita. Um parâmetro que pode ser adotado meiras e necessárias pagas regularmente cujos valores variam é a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo pouco como água, luz e aluguel. As despesas variáveis consis- IBGE que demonstra distribuição das despesas de consumo tem nas demais despesas cujo valor varia mensalmente. das famílias brasileiras (TABELA 1). 100 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 A pesquisa representa uma média de toda população brasi- é preciso sempre considerar que os dados da pesquisa tratam leira e pode ser utilizada como base para detectar despesas que de uma média e desta forma pessoas com renda diferenciada estejam impactando de forma desproporcional o orçamento do podem ter padrões de distribuição distintos sem que isto confi- indivíduo e, portanto, merecem uma atenção especial. Contudo, gure a inadequação das despesas. O fluxo de caixa permite verificar ainda se as despesas são Sugere-se que as informações referentes aos pontos fortes e superiores, iguais ou inferiores as despesas. Caso as despesas fracos sejam retiradas dos diagnósticos financeiro e comportamen- sejam superiores é necessário reduzir os gastos, eliminando os tal realizados na segunda etapa deste método. Os dados referen- supérfluos ou então aumentar as receitas para evitar a redução tes às ameaças e oportunidades podem ser obtidos da análise de da capacidade de pagamento e o endividamento. Estas ações fatores externos relacionados ao mercado e ao ambiente no qual o também devem ser adotadas quando as despesas se igualam indivíduo está inserido como: estrutura familiar; solidez do empre- às receitas até que seja alcançado o equilíbrio financeiro e resta- gador; possibilidades de ascensão profissional; etc. belecida a capacidade de poupança. Deve-se então procurar potencializar as forças, eliminar as Uma vez que as despesas sejam inferiores às despesas será fraquezas, maximizar as oportunidades e minimizar as ameaças. possível utilizar esta diferença para quitar dívidas ou então efetuar Estas ações devem ser a base para a declaração da missão con- aplicações financeiras. Esta decisão pode ser realizada com base tida no planejamento financeiro. Na missão devem estar contidos nos índices de endividamento e de cobertura de despesas. não somente ações, mas também objetivos e princípios que vão Quanto à periodicidade da elaboração do fluxo de caixa servir de guia para a gestão de finanças pessoais. Um exemplo de sugere-se atualizá-lo ao menos uma vez na semana e também declaração de missão seria: controlar a relação entre as receitas e realizar a previsão dos fluxos de caixa dos próximos meses para despesas para aumentar a capacidade de poupança possibilitan- desta forma preparar-se com antecedência, evitando que des- do o investimento em um fundo de previdência. pesas elevadas sejam realizadas em momentos em que a receita não seja suficiente. Outro procedimento importante é determinar uma visão, que representa uma situação futura que se almeja alcançar Realizado o diagnóstico financeiro e o diagnóstico comportamental faz-se então a síntese dos dados obtidos por meio da matriz SWOT pessoal, da qual obteremos subsídios para a to6 mada de decisões e elaboração do plano financeiro pessoal. como, por exemplo: atingir a independência financeira, adquirir a casa própria ou poder dedicar-se à filantropia. Para que o planejamento estratégico pessoal flua naturalmente é preciso discernir e compreender bem a missão e a A escolha da análise SWOT ocorreu por tratar-se de uma visão e transformar tudo isso em ações. usar a missão para ferramenta lógica, simples e eficiente. (REAL, 2006). Sua utili- facilitar a compreensão das necessidades financeiras pesso- zação permite combinar a análise ambiental (oportunidades e ais, descobrindo onde se deve concentrar esforços, fazendo ameaças) e a análise interna (pontos fortes e pontos fracos), com que este novo modelo de educação financeira pessoal identificando as vantagens estratégicas que poderão ser apro- proporcione o alcance da visão declarada. veitadas pelo indivíduo no seu plano financeiro pessoal. Para melhor organizar e refletir sobre quais ações que PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 l 101 serão realizadas no cumprimento da missão pode se uti- para emergências. Em sequência aplicam-se os recursos lizar uma adaptação do modelo proposto por Chieffe e disponíveis para o alcance dos objetivos traçados e por fim Rakes (1999) que adota uma sequência lógica em que pri- pode-se cuidar da transferência e manutenção do patrimô- meiro se cuida do gerenciamento do dinheiro e planeja-se nio construído. Este modelo exemplificado no QUADRO 3 é de simples apli- bem como suas consequências. (CONEF, 2010). cação e engloba todos os aspectos da gestão das finanças pes- Uma vez que o conjunto de informações citado é amplo, soais, podendo ser preenchido pelo indivíduo de acordo com é interessante organizá-lo em áreas de conteúdo para facilitar suas necessidades. sua compreensão. De acordo com Huston (2010) são quatro as Realizado o diagnóstico, a análise SWOT e o plano financeiro pessoal, parte-se para a intervenção com base nos três áreas que devem ser abordadas no processo de educação financeira: níveis de atuação da educação financeira: formação, informação 1)Dinheiro: Conceitos sobre o valor do dinheiro no tempo, e orientação. (Comitê Nacional de Educação Financeira – CO- inflação, conceitos de contabilidade financeira pessoal e a rela- NEF, 2010) ção entre o dinheiro e o ciclo de vida pessoal. Ao formar e informar o indivíduo pretende-se que este ad- 2)Crédito: Conhecimentos sobre as diversas linhas de cré- quira autonomia e independência na tomada de decisões finan- dito disponíveis no mercado e o uso adequado de cada uma ceiras, realizando escolhas conscientes de acordo com os ob- delas. jetivos financeiros pessoais identificados nas etapas anteriores da metodologia. A formação é um processo que objetiva a capacitação do Investimentos: Conhecimento sobre os produtos de investimento disponíveis no mercado, os riscos e taxas inerentes a cada um deles. sujeito, promovendo habilidades e conhecimentos necessários Proteção de Patrimônio: Engloba produtos de seguridade para a compreensão das informações pertinentes ao tema das (vida e patrimônio) e também estratégias de gerenciamento de finanças pessoais. Objetiva-se preencher as lacunas de conhe- risco de aplicações financeiras. Envolve também informações cimento que impedem ou dificultam a compreensão e aplicação sobre direitos do consumidor e do investidor. dos conceitos financeiros como, por exemplo: juros compostos, Em síntese, a etapa de formação e informação oferece tipos de receitas e despesas, utilização da calculadora e planilha ao sujeito o conhecimento do mercado financeiro e das ferra- eletrônica, ferramentas de controle das finanças, etc. mentas existentes que este poderá utilizar para atingir os seus Concluída a etapa de formação é possível então realizar a objetivos pessoais. etapa de informação uma vez o sujeito possuirá os conhecimen- A última etapa é realizada ao prover orientação sobre assun- tos e habilidades adequadas para a compreensão dos temas tos e produtos financeiros, relacionados com a realidade do indiví- abordados. A informação no contexto desta metodologia con- duo, para que este possa utilizar a informação recebida da melhor siste em fornecer ao indivíduo fatos, dados e conhecimentos forma. A necessidade da orientação ocorre, pois existem diversas específicos a respeito de oportunidades e escolhas financeiras, questões subjetivas que afetam a racionalidade do indivíduo ao re- 102 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785 alizar o seu planejamento financeiro como (CONEF, 2010): - limitação quanto à visão de cenário e à quantificação de riscos; - inconsistência das ações correntes e dos objetivos de longo prazo; - influências culturais e psicológicas no comportamento individual. Estas questões quando identificadas, devem ser foco das intervenções de orientação auxiliando o indivíduo a superar suas limitações e atingir seus objetivos financeiros. Considerações finais Ao longo deste trabalho foi desenvolvido um método de educação financeira composto de cinco fases: sensibilização, diagnóstico, informação e formação e orientação. Nestas fases estão contemplados todos os objetivos cognitivos, afetivos e ativos propostos. Por meio do arcabouço teórico consolidou-se um conjun- REPORT 229: National financial literacy strategy. 2011. Disponível em: < http://www.financialliteracy.gov.au/media/218312/national-financialliteracy-strategy.pdf >. Acesso em: 18 ago 2011. BLOCK, Peter / Consultoria: O Desafio da Liberdade 2 ed.São Paulo: 7 Letras, 2004. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 7.397, de 22 de dezembro de 2010. Institui a Estratégia Nacional de Educação Financeira - ENEF, dispõe sobre a sua gestão e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 23 dez. 2010. Disponível em: < http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=7& data=23/12/2010 >. Acesso em: 17 ago. 2011. 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Espera-se então, que esta reflexão seja o ponto de partida para semear a construção de novas atitudes e princípios, em particular, fomentar a educação financeira junto a sociedade e suas estratificações sociais, desde a sensibilização até o estágio de orientação, para que ocorra, em um futuro muito próximo, o consumo consciente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO, Alexandre. Finanças Corporativas e Valor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 760 p. ACCIOLY, Isalva. A prática da educação financeira. 2005. Disponível em: < http://www.conpet.gov.br/artigos/artigo.php?segmento=&id_artigo=10 >. Acesso em: 21 set 2011. ANDER-EGG, Ezequiel. Introducción a las técnicas de investigación social: para trabajadores sociales. 7 ed. Buenos Aires:Humanitas, 1978. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 4 ed. São Paulo: Makron, 1996. COMITÊ NACIONAL DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA – CONEF. Anexo doPlano Diretor da ENEF. 2011. 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E toda vez que se abre mão de alguma coisa no futuro para desfrutar de alguma coisa no presente, assume-se uma posição devedor 5 Sine qua noné uma expressão em Latim que significa: sem o qual não pode ser. Refere-se a uma ação, condição ou algo indispensável e essencial. 6 SWOT – Strengths, Weakness, Opportunities and Threats. Traduzido para o português: É uma matriz que avalia as forças e fraquezas no ambiente interno e as ameaças e oportunidades no ambiente externo a organização. 104 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 1/2012 - EDIÇÃO 5 - ISSN 2176 7785