ARISTIDES PEREIRA INTRA E INTER-RELACIONAMENTO PESSOAL NO ÂMBITO DA PSICOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES E DO TRABALHO Criciúma, junho de 2005. ARISTIDES PEREIRA INTRA E INTER-RELACIONAMENTO PESSOAL NO ÂMBITO DA PSICOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES E DO TRABALHO Monografia apresentada à Diretoria de PósGraduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, para a obtenção do título de especialista em Cuidar do Ser: Formação do Terapeuta com abordagem Transdisciplinar e holística. Orientador: Professora Alcionéia Nahir de Almeida Scremin Criciúma, junho de 2005. S eja por bus camos emocional que o f or , nós não des envolviment o com a mes ma int ens idade com que bus camos o des envolviment o int elect ual. pois o pleno emocional gr au Is s o de f ís ico é e lament ável, des envolviment o pr opor ciona o maior alavancagem des envolver mos t odo pot encial. (William O’B r ien) o par a nos s o Dedicat ór ia Dedi co es t e tr abal ho es pos a Mar t a, aos à mi nha meus fi l hos Al ex , J anai na e Cami l a, ao meu Genr o Maur i ci o, à mi nha nor a E vel ai ne e aos meus net os I ago e Amál i a, pel a compr eens ão de t odos quant o a mi nha obs t i nação, quas e t ei mos i a, concl ui r es t e detr i ment o da em quer er cur s o, mi nha em pr es ença j unt o del es , mui to es peci al mente j unt o ao I ago. Agr adeciment os Na minha caminhada, muit os f or am os que cont r ibuír am par a que eu alcanças s e meus objet ivos . Muit os mer ecem meu mais s incer o agr adeciment o. Em pr imeir ís s imo lugar ao meu Deus que s empr e me pr oveu de t odas neces s idades . Aos meus f amiliar es : pais de cor ação Guilher me e P er pét ua, aos ir mãos Get úl io e B oni, ao pai biológico Ger aldo (t odos in memor ian). À minha mãe biológica B r andina, aos ir mãos Ant enor e Geni e às cunhadas S is s i , F ilha e es pecialment e a T er ezinha. A t odos (as ) pr of es s or es (as ) e es pecialment e à pr of es s or a e ps icóloga Alcionéia Nahir de Almeida S cr emin, or ient ador a des t e t r abalho que s empr e es t eve at ent a às dif iculdades por mim encont r adas nes t a caminhada, dedicando paciência, pr es ença, s eus conheciment os e s ua s abedor ia. Ao meu colega R égio e a t odas minhas colegas de t ur ma que muit o me incent ivar am e me encor ajar am par a chegar at é aqui. A t odos e a t odas , muit o obr igado! RESUMO Este trabalho teve como seu principal objetivo conhecer, reconhecer e mostrar a importância e os efeitos do intra e do inter-relacionamento pessoal (ou simplesmente Inteligência ou Competência Emocional) do homem trabalhador no seio das organizações; especificamente nas organizações empresariais. Na realização do trabalho utilizou-se de uma pesquisa de campo exploratória intencional através de questionário com perguntas fechadas, que forneceu subsídios para a elaboração dos gráficos deste trabalho e também um questionário com perguntas abertas e estruturadas, buscando compreender a importância que as empresas e seus dirigentes dão aos seus funcionários-colaboradores tanto na sua objetividade quanto na sua subjetividade. A investigação procedeu-se segundo os critérios da metodologia quantiqualitativa para a contextualização do foco de pesquisa com 29 (vinte e nove) funcionárioscolaboradores de uma empresa comercial e prestadora de serviços da cidade de Araranguá (SC), através da técnica de análise de conteúdo. A análise e discussão dos resultados permitiram estabelecer um parâmetro diferencial entre as pessoas trabalhadas com a aprendizagem e o aprimoramento de suas faculdades subjetivas conhecidas aqui como Inteligência Emocional e o conseqüente resultado positivo de suas habilidades objetivas. Comprovou-se com os resultados que o aprendizado e o aprimoramento do intra e do interrelacionamento pessoal, ou Inteligência Emocional, é benéfico tanto para o funcionáriocolaborador proporcionando-lhe equilíbrio, tranqüilidade, cooperação, satisfação e o conseqüente crescimento pessoal e profissional, enquanto ser humano, tanto quanto para a empresa que proporcionou e ganhou um ambiente de tranqüilidade, cooperação, satisfação, comprometimento, desempenho e a esperada produtividade. Os resultados permitiram a constatação de que os funcionários-colaboradores desta empresa obtiveram e estão obtendo um ganho extraordinário em seus conceitos, crenças e convicções objetivas e subjetivas, passando por uma verdadeira transformação, ampliando seus níveis de compreensão de si mesmos, de seus colegas, e, abrindo fronteiras e atingindo beneficamente seus familiares e todo o meio social em que estão inseridos. Palavras-chaves: intrapessoal, interpessoal, emoção, inteligência, organização. LISTA DE QUADROS • Quadro 1 – Idade.................................................................................................68 • Quadro 2 – Sexo. ................................................................................................69 • Quadro 3 – Escolaridade.....................................................................................70 • Quadro 4 – Tempo de serviço.............................................................................70 • Quadro 5 – Função.............................................................................................71 LISTA DE GRÁFICOS • Gráfico 1 – Mantenho bom relacionamento com meus colegas........................................82 • Gráfico 2 – Tenho bom relacionamento com meu chefe imediato....................................83 • Gráfico 3 – Sinto-me à vontade para procurar o diretor....................................................84 • Gráfico 4 – Trabalhando-se sempre em equipe existe a cooperação.................................85 • Gráfico 5 – Meus colegas me ajudam sempre que tenho dificuldades..............................87 • Gráfico 6 – A minha empresa tem um bom ambiente de trabalho.....................................88 • Gráfico 7 – Recebo informações freqüentes sobre meu desempenho................................90 • Gráfico 8 – Sempre tenho contato com as pessoas de outros setores................................91 • Gráfico 9 – Há um local na empresa onde são feitas as comunicações.............................92 • Gráfico 10 – Informações importantes são passadas adequadamente...............................93 • Gráfico 11 – Minha opinião é ouvida pelos superiores.....................................................94 • Gráfico 12 – Objetivos de minha empresa são de meu conhecimento..............................95 • Gráfico 13 – A empresa oferece boas condições de trabalho..........................................100 • Gráfico 14 – Gosto de trabalhar nesta empresa...............................................................101 • Gráfico 15 – Minha empresa oferece treinamento adequado..........................................102 • Gráfico 16 – Meu trabalho é reconhecido pela empresa.................................................104 • Gráfico 17 – Minha empresa se preocupa com o crescimento pessoal e profissional.....105 • Gráfico 18 – Recebo elogios quando realizo bem o meu trabalho..................................106 • Gráfico 19 – Eu me sinto responsável pelo meu trabalho...............................................110 • Gráfico 20 – Gosto do trabalho que realizo.....................................................................111 • Gráfico 21 – Eu sei o que a empresa espera de mim.......................................................113 • Gráfico 22 – Dou sugestões para melhorar a qualidade de trabalho...............................114 • Gráfico 23 – Meu trabalho é importante para empresa como um todo...........................115 • Gráfico 24 – Conservo o local de trabalho e instrumentos limpos e organizados..........117 SUMÁRIO Resumo......................................................................................................................................5 Lista de quadros.........................................................................................................................6 Lista de gráficos.........................................................................................................................7 1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................10 1.1 Problemática..................................................................................................10 1.2 Problema........................................................................................................12 1.3 Objetivos........................................................................................................12 1.3.1 Objetivo geral.........................................................................................12 1.3.2 Objetivos específicos.............................................................................12 1.4 Justificativa....................................................................................................13 1.5 Hipóteses .......................................................................................................16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................................17 2.1 Retrospectiva histórica do homem através do tempo.................................17 2.1.1 Teorias da Evolução............................................................................17 2.1.2 Influência das Teorias da Evolução na Psicologia............................25 2.1.3 O homem e o trabalho.........................................................................27 2.1.4 O homem e as organizações ...............................................................33 2.2 Inteligência.....................................................................................................35 2.2.1 Definição...............................................................................................35 2.2.2 Inteligência e contemporaneidade......................................................37 2.2.3 Inteligência e trabalho........................................................................39 2.2.4 Inteligência e organização ..................................................................41 2.3 Emoção............................................................................................................44 2.3.1 Definição...............................................................................................44 2.3.2 O que são e para que servem as emoções?........................................45 2.3.3 A emoção e o homem...........................................................................48 2.4 Inteligência Emocional ...................................................................................50 2.4.1 As bases da Inteligência Emocional....................................................50 2.4.2 Habilidades que constituem a Inteligência Emocional......................52 2.4.3 Inteligência emocional nas organizações de trabalho........................54 2.4.4 Inteligência interpessoal no mercado de trabalho.............................57 2.4.5 Inteligência Emocional (intra e inter-relacionamento pessoal).......59 2.4.6 Motivação..............................................................................................60 3 METODOLOGIA......................................................................................................63 3.1 Foco de pesquisa............................................................................................63 3.2 Debate teórico................................................................................................63 3.3 Procedimentos ..............................................................................................65 3.4 Instrumentos..................................................................................................65 3.5 Delineamento.................................................................................................65 3.6 Amostra.........................................................................................................66 3.7 Coleta de dados.............................................................................................66 3.8 Análise de dados...........................................................................................66 4 EXPOSIÇÃO E ANÁLISE DE DADOS..................................................................68 4.1 Caracterização da amostra...........................................................................68 4.2 Análise das questões de estudo.....................................................................71 4.2.1 Questão trabalhada: Relacionamento...............................................79 4.2.2 Questão trabalhada: Comunicação ..................................................89 4.2.3 Questão trabalhada: Satisfação/motivação.......................................96 4.2.4 Questão trabalhada: Comprometimento........................................108 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................119 6 REFERÊNCIAS.......................................................................................................125 7 REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES..............................................................128 8 APÊNDICE................................................................................................................130 9 APÊNDICE A............................................................................................................131 10 APÊNDICE B............................................................................................................132 11 APÊNDICE C............................................................................................................135 1 INTRODUÇÃO 1.1 Problemática Este trabalho se propõe a estudar o intra e inter-relacionamento pessoal no âmbito da Psicologia das Organizações e do Trabalho, ou simplesmente, Competência ou Inteligência Emocional. Tem-se observado e se tem escrito que nem sempre o indivíduo que tem um alto Quociente de Inteligência (QI), não necessariamente é bem sucedido nos negócios ou em qualquer outra atividade dentro de uma organização. Segundo Goleman (2001), A inteligência acadêmica pouco tem a ver com a vida emocional. As pessoas mais brilhantes podem se afogar nos recifes de paixões e dos impulsos desenfreados; pessoas com alto nível de QI podem ser pilotos incompetentes de sua vida particular (GOLEMAN, 2001, p. 46). Não raro, o indivíduo com mediano nível de QI, e alto quociente de Inteligência Emocional (IE), são mais bem sucedidos e isto se tem observado desde o surgimento das rudimentares sociedades e organizações que se estuda e se vê o homem inserido no campo da produção. As lentas e cautelosas forças da evolução que moldaram nossas emoções têm cumprido sua tarefa ao longo de um milhão de anos. Os últimos 10.000 anos – apesar de terem assistido ao rápido surgimento da civilização humana e à explosão demográfica de cinco milhões para cinco bilhões de habitantes sobre a Terra – quase nada imprimiram de novo em nossos gabaritos biológicos para a vida emocional (GOLEMAN, 2001, p.19). Com a chegada do período da tecnologia onde a criatividade e as idéias novas foram e vêm sendo muito valorizadas, as técnicas estão colocadas em primeiro plano e teve-se um salto com relação à evolução tecnológica enquanto, o homem foi e continua sendo descartado e abandonado como uma máquina obsoleta que já não serve para os objetivos do Capital. O aperfeiçoamento, a automação, a informatização, a robotização e os meios de emprego dessa tecnologia foram um dos primeiros passos para dar origem ao controle de qualidade total. Com as vantagens da adoção da qualidade total, alguns acreditavam que havia iniciado então o processo de valorização do ser humano. Não obstante, as organizações direcionaram os critérios da qualidade total para aparelhamento e a uniformização do processo produtivo e não melhor qualidade de vida dos homens que compunham organização. Continuava sendo o homem valorizado pela sua capacidade intelectiva e produtiva, em detrimento do seu bem estar, de seus sentimentos e de suas emoções (LUZ, 1996, p. 1). Tem-se aplicado somas vultosas no aperfeiçoamento e no aprimoramento das máquinas e na tecnologia em geral, culminando nos dias de hoje com os mais sofisticados computadores e a predominância da robótica nas grandes indústrias, em substituição do homem que, marginalizado e acuado, desempregado, sobrevive nas mais miseráveis e humilhantes condições de vida (MOSCOVICI, 2003, p. 9). Paradoxalmente, todos estes sofisticados equipamentos do complexo industrial contemporâneo não funcionam sem o monitoramento competente e inteligente do próprio homem. Observa-se, até então, que somente algumas poucas corporações beneficiam-se dos serviços prestados por profissionais da área da Psicologia, quase que especificamente nos Departamentos de Recursos Humanos, para seleção de funcionários e pouco ainda no incentivo de levar o conhecimento através de treinamentos e aperfeiçoamento do trabalhador dentro da Organização. Nesse movimento histórico e com o avanço da ciência da psicologia começou-se a pensar o homem não como máquina, mas como sujeito psíquico, o que fez com que se tivesse um novo olhar para o ser humano, levando-se em conta o fato de que o homem não possui somente uma aptidão intelectual e motriz, mas também uma habilidade emocional. 1.2 Problema É possível aumentar a produtividade de uma Organização investindo-se no aprimoramento intra e inter-relacionamento pessoal de seus colaboradores para que todos desenvolvam a inteligência emocional? 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Compreender o desempenho intra e inter-relacionamento pessoal do homemtrabalhador inserido nas Organizações. 1.3.2 Objetivos específicos 1. Analisar o desempenho do homem-trabalhador no convívio com os demais colegas no ambiente de trabalho. 2. Identificar os motivos que interferem no(s) desempenho(s) intra e interrelacionamento pessoal no recinto de trabalho. 3. Reconhecer que o homem-trabalhador equilibrado emocionalmente é mais produtivo para si próprio e para o conjunto da organização. 4. Pesquisar a situação em que se encontra o relacionamento intra e inter pessoal e a Inteligência Emocional das Organizações. 5. Investigar a maneira que se poderia trabalhar para proporcionar um ambiente de trabalho equilibrado, cooperativo, harmônico e produtivo, sempre visando o indivíduo em primeiro lugar na organização como um todo. 1.4 Justificativa Desde o início da revolução industrial e o conseqüente surgimento e aprimoramento do capitalismo, o pensamento positivista tomou a liderança e impôs a sua ideologia corroborada pelo pensamento mecanicista de Descartes. As máquinas foram sendo aperfeiçoadas sempre com o objetivo único de aprimorar a produtividade e o conseqüente lucro, em prejuízo da preservação dos bens naturais e da valorização da espécie humana. Os bens de capital foram e continuam sendo, com muito mais ênfase, o objetivo primordial dos desejos do homem. Inicialmente, no período eminentemente agrícola, depois com os rudimentares instrumentos auxiliares na lavoura e nas lidas domésticas e, a seguir, no período dos produtos manufaturados (artefatos), o homem era o meio de produção direto e dava-se, por imposição do próprio meio social, um alto valor à propriedade (terra), à família e ao próprio ser humano. Com o surgimento da indústria, o meio de produção direto tornou-se a máquina, e o homem, um manipulador dessa máquina. Inicia aí a valorização do capital em detrimento do homem. Com o advento da legislação trabalhista e dos conseqüentes direitos dos empregados das indústrias, esses voltaram a serem vistos novamente como peças diretas do processo de produção, porquanto, ainda existam alguns outros segmentos que continuam à margem do processo. Destarte, urge a quem de direito (ou de dever?), que se dê continuidade aos debates e às discussões aos vários níveis de inteligência do homem, sobremaneira que a humanidade venha a se beneficiar com suas inteligências. Embora este tema seja por demais conhecido empiricamente, é justo reconhecer que Howard Gardner com suas ‘Inteligências Múltiplas’ e depois Daniel Goleman com sua ‘Inteligência Emocional’ foram os primeiros estudiosos que realizaram pesquisas científicas e elaboraram teoria sobre a Inteligência Emocional, dando-lhe um cunho e uma nomenclatura aceita pela sociedade científica. Trata-se de um conhecimento tão antigo quanto o homem, mas só agora se preocupa em formular uma nova teoria, não obstante ser bastante divulgada e as empresas já se utilizarem deste novo conceito. Essa teoria mostra que o indivíduo que possui Inteligência Emocional além de Quociente Intelectual, terá maior probabilidade de chegar ao sucesso em seu trabalho, ou seja, alcançar seu objetivo, obter resultados que lhe tragam prazer e crescimento pessoal. É necessário, e já chegou o momento, de se procurar compreender o homem sob um novo enfoque, encarando-o como um ser inteligente, mas que tem outros importantes qualificativos e competências (inteligências) que precisam ser cientificamente explorados e estudados, dentre eles a Inteligência Emocional. É necessariamente urgente que a Psicologia se adentre a este ‘emocionante’ assunto e procure desvendar todos os mistérios do ser humano e, o mais importante, que procure alternativas para que isto seja colocado em prática, pois, enquanto o meio acadêmico do ramo da psicologia foge ou finge que não vê, outras pessoas e outros segmentos de formação profissional, sem nenhum ou no máximo com muito pouco preparo, ocupam os lugares dos profissionais psicólogos com palestras, workshops, seminários, cursos e outras variantes, nos mais variados segmentos das organizações, inclusive nas governamentais. Frente a isso, e ante o contexto, é mister que se avance e que se vislumbre uma perspectiva que possibilite e que se resgate o equilíbrio das emoções e se dê valor ao bem estar do trabalhador, e que se veja nele, o trabalhador, não uma peça ajustada às estruturas organizacionais, mas um ser humano que pensa e sente os mais variados sentimentos. Como se trata de um tema vibrante e de muita pesquisa ainda a ser realizada, limitar-se-á, neste trabalho, a dar enfoque ao intra e inter-relacionamento pessoal, no âmbito da Psicologia das Organizações e do Trabalho, que se está firmando com o nome de Competência Emocional ou Inteligência Emocional. A Inteligência Emocional pode oportunizar os mais variados benefícios. Trata-se de uma idéia relativamente nova, mas já amplamente estudada, porém não sistematizada. A aptidão emocional mostra que se deve priorizar o seu desenvolvimento no plano das habilidades empresariais e organizacionais em geral. Há pessoas que estão tão atreladas à sua condição de vida, que não se dão conta do nível de adaptação e aptidão que são capazes em detrimento do seu nível de aspiração, crescimento e realização pessoal. Esse polêmico tema é uma disciplina de conhecimento que tem sua ascendência nas ciências psicológicas. Com essa assimilação acalorada pelas organizações, nada mais lícito que o profissional em psicologia, mesmo que intempestivamente, mesmo que depois das organizações, venha compreender essa prática, esse novo fato que se mostra para as ciências e para as organizações. 1.5 Hipóteses H 1 – A Inteligência Emocional proporciona ao trabalhador maior equilíbrio, comprometimento e produtividade. H 2 – A situação dos funcionários-colaboradores na empresa é de tranqüilidade, harmonia, cooperação e satisfação. H 3 – A empresa proporciona a seus funcionários-colaboradores informações necessárias para o seu desempenho. H 4 – A empresa tem proporcionado aos seus funcionários-colaboradores um aprendizado de intra e inter-relacionamento pessoal. H 5 – O desempenho do trabalhador no seu ambiente de trabalho está sendo reconhecido pela empresa. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Retrospectiva histórica do homem através do tempo 2.1.1 Teorias da Evolução Nas ciências modernas, no que diz respeito ao estudo do homem, é mister que nos aproximemos às teorias evolucionistas. O Conjunto de Teorias da Evolução é uma conjectura biológica segundo a qual os seres vivos, que se ajuntam em espécies, adquiriram os caracteres fisiológicos e morfológicos que os distinguem através da ação de diversos fatores, como por exemplo, o ambiente, conforme Lamarck1, a seleção natural, segundo Darwin2 (SCHULTZ & SCHULTZ, 2001, p.125) ou segundo a teoria do impulso vital ou a teoria da Evolução Criadora de Henri Bergson3 (1979) de melhoramento orgânico. Averiguando o histórico da teoria, nota-se que, até o século XVIII, a concepção geral que imperava nos meios científicos, no que diz respeito à história natural, era a de que as espécies eram fixas, tendo sido criadas no princípio do mundo tal como são hoje, definidas e acabadas, cada qual servindo a um propósito certo, embora nem sempre conhecido do homem (BRACE, 1979, p. 57). A idéia de evolução das espécies surgiu e já era debatida pelos filósofos jônicos, 1 Jean Baptiste Pierre Antoine de Lamarck, naturalista francês (1744-1829). Charles Robert Darwin, naturalista inglês (1809-1882) 3 Henri Bergson, filósofo francês (1859-1941) 2 entre os quais se pode citar, Anaximandro4, Empédocles5, ou ainda Heráclito6, considerado o pai da idéia da evolução, antes mesmo de ser revestida dos caracteres modernos, quando foi definida como um conjunto de indivíduos derivados de parentes comuns e possuindo os mesmos caracteres específicos constantes e bem determinados (MINHAN, 1961, p.84). Ampliando a idéia, Linné7 (ou Lineu) fundou o sistema moderno de classificação e nomenclatura dos seres vivos, vegetais e animais, agrupando-os por gêneros, famílias, ordens e classes, e empregando, pela primeira vez, a denominação cientifica binominal, isto é, antepondo ao nome específico latino o gênero respectivo, também em latim: homo (gênero) sapiens (espécie), que passou a ser denominação científica do homem, tal como o conhecemos (GADAMER & VOGLER, 1977, p. 261). Apesar do grande progresso que o sistema classificador de Lineu representou para as ciências naturais, os naturalistas, e o próprio Lineu, continuavam apegados ao ponto de vista fixista das espécies, a qual resultava, através dos ensinamentos de filósofos e cientistas, de uma interpretação demasiado literal da doutrina religiosa e se baseava nas antigas obras aristotélicas (GADAMER & VOGLER, 1977, p. 260). Contudo, ainda nesse mesmo século XVIII, Erasmus Darwin8 e, sobretudo Lamarck, começaram a insistir numa nova compreensão – o transformismo (SCHULTZ & SCHULTZ, 2001, p. 125). Depois no século XIX, foi desenvolvido, em estilo de grande esquema, com farta cópia de enriquecimento original e cabal re-interpretação do material de observação, por Alfred Russel Wallace9 e, simultaneamente, por Charles Darwin, cuja doutrina biológica, o darwinismo, marcou época no pensamento científico moderno e atual (GADAMER & VOGLER, 1977, p. 147). 4 Anaximandro, filósofo grego de Mileto (611-547 a.C), discípulo de Tales. Empédocles, filósofo grego (século V a.C), apontado por Aristóteles como fundador da arte oratória. 6 Heráclito, filósofo grego (nasceu no século VI a.C e morreu nos meados do século V), o obscuro. 7 Carl Von Linné (Lineu) (1707-1778), naturalista e médico sueco. 8 Erasmus Darwin (1731-1802), médico e poeta inglês, avô do naturalista Charles Robert Darwin. 9 Alfred Russel Wallace (1823-1913), explorador e naturalista inglês 5 Desses primórdios tomou corpo, pouco a pouco, a moderna Teoria da Evolução. Mas não sem batalha e contenda. A discussão científica entre biólogos dividiu-os brevemente em dois grupos: os neolamarquistas10 e os neodarwinistas11 (MUSSOLINI, 1978, p. 51). Os primeiros acentuando a importância dos fatores externos da evolução e proclamando a hereditariedade dos caracteres adquiridos; os últimos, invocando preferencialmente os fatores internos. Várias hipóteses e experiências científicas seguiram-se, cada qual carreando uma contribuição especial para a constituição da teoria em seu conjunto; a obra de Haeckel12, que dá enfoque à teoria da recapitulação ontogenética13 da filogênese14, e Weissmann15 chamou de linha germinativa contínua e De Vries16 propôs a teoria das mutações, mutacionismo (GADAMER & VOGLER, 1977, p. 224). Segundo Mussolini (1978, p. 46), surgiram as teorias ecléticas, como a da seleção orgânica e das variações coincidentes (Baldwin17, Morgan18, Osborn), e a teoria tetra-cinética de Osborn19, que subordina todo o processo evolutivo a quatro complexos de energia físicoquímica; o meio orgânico, o meio vivo, o organismo individual em evolução e o germe ou cromatina hereditária. A aristogênese20 de Osborn, em nada diferia da enteléquia21 dos vitalistas: um princípio misterioso que forma e adapta os novos biomecanismos. A escola paleontológica americana criou o conceito de irradiação adaptativa: “chegado a uma fase morfogenética22 intensa, um grupo vivo explora em redor de si todas as 10 Neolamarquistas: Seguidores da Teoria de Jean Baptiste Lamarck Neodarwinistas: Seguidores da Teoria de Charles Darwin. 12 Ernest Heinrich Haeckel (1834-1919), naturalista alemão. 13 Ontogénetica: Relativo a ontogênese, série de transformações sofridas pelo ser vivo desde a fecundação do ovo até o ser completo e perfeito. 14 Filogênese: o mesmo que filogenia, evolução pela qual as formas vivas inferiores se vão modificando através dos tempos, para produzirem outras, cada vez mais elevadas; evolucionismo; transformismo. 15 August Weismann (1834-1914), zoólogo e biologista alemão. 16 Hugo De Vries (1848-1935), botânico holandês. 17 James Mark Baldwin (1861-1934), filósofo e psicólogo norte-americano. 18 Thomas Hunt Morgan (1866-1945), embriologista norte-americano. 19 Henry Fairfield Osborn (1857-1935), Paleontólogo norte-americano. 20 Aristogênese: o mesmo que princípio vital, prana dos budistas, mana dos kaunas, 21 Enteléquia: Do grego entelekheia; Aristóteles designa como tal a alma, enquanto natureza perfeita ou princípio do movimento. O mesmo que a perfeição de uma coisa. O mesmo que princípio vital. 22 Morfogenética: Forma original de alguns seres vivos geneticamente modificados. 11 possibilidades de adaptação” (MUSSOLINI, 1978, p. 52). Daniel Rosa plasmou sua célebre teoria hologênese e a sua lei da variabilidade progressivamente reduzida: a evolução marcha no sentido de uma diferenciação progressista, opondo-se assim à opinião de Lamarck e Darwin, segundo os quais a evolução marcha em sentidos múltiplos, indetermináveis e inteiramente casuais. Para Brace (1979, p. 65), por fim, pela teoria da ortogênese ou da evolução determinada, sustenta-se que as variações dos organismos vegetais ou animais não se realizam ao puro acaso, mas sim que seguem linhas ou direções definidas, seja sob o controle de um princípio interno de aperfeiçoamento ou das leis do crescimento. Estas técnicas são independentes da seleção natural e podem continuar a melhorar a raça, ainda que esses melhoramentos não encontrem aplicação prática. Modernamente a corrente da evolução moderada (Bergson, Le Roy23, Padre Teilhard de Chardin) não exclui a possibilidade do criacionismo e da orientação da evolução por uma remota finalidade. Ao modelo atual da Teoria da Evolução podem ser opostas algumas objeções, embora todas de caráter provisório, de vez que descobertas posteriores podem fazê-las cair por terra. A dúvida principal que até hoje obscurece a teoria diz respeito às fases exatas do longo processo evolutivo que teria levado o primitivo protoplasma físico-químico, origem da vida, a transmudar-se gradualmente nas formas inferiores de vida vegetal, nos zoófitos, nos primeiros animais aquáticos, depois nos peixes, depois nos anfíbios e répteis, nas aves e por fim, nos mamíferos. Também jamais se conseguiu reproduzir o processo pelo qual a matéria inorgânica teria se combinado para fazer aparecer uma unidade de vida, e certamente faltam vários elos na cadeia explicativa da gênese e transmutação universal das formas. Por outro lado, não se apagou ainda a discussão científica em torno da natureza e da maior ou menor importância 23 Edouard Le Roy (1870-1954): matemático e filósofo francês. Foi discípulo de Henri Poincaré e principalmente de Bergson. dos vários fatores que contribuíram para forçar, ao longo dos milênios, o gigantesco processo da evolução. Entretanto, a teoria firma-se cada vez mais nos domínios da biologia, uma vez depurada de certas afirmações menos científicas em terreno não biológico. Os principais argumentos a favor do esquema da evolução são os seguintes: I) Os dados modernos da genética: a genética moderna provou que as mudanças nos cromossomos podem determinar o aparecimento de novas espécies, tanto de animais como de plantas. Essas mudanças podem consistir em intercâmbios ou perdas de partes dos cromossomos, ou em inversões, rupturas ou duplicações dos mesmos. E que, ademais, produzem-se mudanças nos próprios genes, chamadas tecnicamente de mutações. Uma acumulação de mudanças e duplicações nos cromossomos pode produzir um novo indivíduo, que passa, com o tempo, a formar uma nova espécie. Nesse sentido foram exaustivamente estudadas pelos geneticistas (principalmente Thomas Hunt Morgan) as variações do inseto díptero24 drosófila25 (PAULINO, 2000, p. 129). Também foi realizado o cruzamento experimental do rabanete (raphanus) com a couve (brassica). Cada gameta dessas plantas tendo nove cromossomos, o zigoto tem, naturalmente, dezoito. Vários híbridos dessa cruza se revelaram estéreis; outros, entretanto, manifestaram a capacidade de cruzar-se entre si. O produto dessa segunda cruza apresentaram células com 36 cromossomos (18 X 2). Esses, por sua vez, foram submetidos a uma terceira cruza, e o resultado apresentou híbridos de tipo perfeitamente definido, representando esses tetraplóides26, uma verdadeira mescla morfológica, com folhas de rabanete e raízes de couve; uma nova espécie, chamada Raphanobrassica27 para indicar a sua origem. Paulino (2000, p.148) explica o mecanismo de formação de novas espécies de flora ou fauna através de indivíduos morfológica e fisiologicamente diversificados, mas não a 24 Díptero: Ordem de insetos que possuem duas asas, cujos principais representantes são as moscas e mosquitos. Drosófila: Gênero de insetos dípteros da família dos drosofilídeos, subordem dos braquíceros. 26 Tetraplóides: plantas com 4 séries de cromossomos. As plantas tetraplóides foram identificadas através da contagem de cloroplastos por estômato foliar e pela avaliação morfológica de suas progênies. 27 Raphanobrassica: Tetraplóide oriundo do cruzamento da couve com o rabanete. 25 sua persistência como espécies distintas, pois como é óbvio, estando os novos indivíduos circundados de outros, ainda sem esses caracteres recentes, o processo de cruzamentos sucessivos em breve estenderia tais caracteres novos a todos, e as mudanças se dariam no âmbito de toda uma espécie, em vez de se darem no âmbito de alguns indivíduos apenas, para formar uma nova espécie. A seleção natural de Darwin demonstrou-se incapaz de dar conta do problema. Mas a moderna Teoria da Evolução entende poder explicá-lo através de um fator novo, o isolamento, seja simplesmente geográfico ou fisiológico. II) Os dados da anatomia comparada: a existência de órgãos atrofiados ou inúteis em muitas espécies animais e mesmo no homem (por exemplo, o prolongamento coccígeo ou cauda rudimentária; os vestígios de músculos para mover as orelhas, etc). Tais órgãos atrofiados ou inúteis correspondem a outros, que são úteis e desenvolvidos em espécies diversas; ora, não se explicaria a existência de tais rudimentos de órgãos se cada espécie (inclusive humana ou proto-humana) tivesse sido objeto de criação especial e já perfeita. III) Os dados da paleontologia: o descobrimento de fósseis com peculiaridades que os relacionam com grupos e famílias biológicas ainda viventes, ou portadores de elementos morfológicos tais que permitem classificá-los como intermediários entre formas atuais, antes consideradas completamente distintas e independentes em sua origem; também a extraordinária correspondência que existe entre a ordem em que esses fósseis estão nas diversas camadas geológicas e a ordem lógica admissível em que, segundo os dados de outras ciências, como a embriologia, a anatomia comparada, as espécies correspondentes devem ter aparecido sobre o Planeta Terra. IV) As informações da embriologia: abalizados principalmente nos estudos da célebre Lei Biogenética ou Lei da recapitulação de Ernest Haeckel, desenvolvida e comprovada pelos biólogos modernos. Isso significa que o desenvolvimento embrionário de um indivíduo (ontogênese) recapitula os estágios evolutivos pelos quais os seus ancestrais passaram (filogênese). V) Os dados obtidos por meio de testes sanguíneos: realizados por meio de reações de precipitinas28, os testes de sangue do cão e do de um lobo apresentam o mesmo grau de precipitação, indicando assim um parentesco próximo. Não só na estrutura externa, mas também na constituição química dos organismos colhe-se a aproximação dos grupos derivados de ancestrais comuns: o sangue das aves assemelha-se muito mais ao dos crocodilos do que aos de qualquer mamíferos: as aves, segundo a teoria da evolução, derivam dos répteis. Os testes de precipitina aplicam-se também ao reino vegetal, demonstrando-se dessa forma o estreito parentesco de fetos e musgos, por exemplo. Por seu turno, o sangue humano aproxima-se extraordinariamente do sangue dos símios antropóides. VI) Os dados fornecidos pelo estudo da distribuição de plantas e animais em todo o planeta, solvendo problemas que a climatologia não resolve: o clima da Austrália é muito semelhante ao da África, e, no entanto as espécies respectivas são inteiramente diversas. O ponto em que a Teoria da Evolução mais se viu atacada, desde o tempo de Darwin, é o que diz respeito à evolução do homem. Muitos, embora admitindo a evolução nos reinos vegetal e animal, não queriam admitir em relação ao homem, travando-se, em conseqüência, grandes e rumorosas polêmicas na Europa, e, sobretudo entre os darwinistas e os representantes das igrejas cristãs, entre as quais se destacou a Católica Romana. Entendiam esses representantes que a descendência animal diminuía a dignidade humana. Havia o preconceito de que se declarava que o homem descendia em linha reta do macaco, o que, em verdade e justiça, jamais foi afirmado por Darwin ou por qualquer outro biólogo digno de tal nome. Afirmou-se, sim, que há muitos milhares de anos deve ter existido um grupo de animais, morfologicamente simiesco, que constituiu a espécie-tronco da qual depois se diversificaram, por via de evolução, de um lado os atuais macacos antropóides e de outro o homem, hoje homo sapiens. Muitas das fases dessa gigantesca transição puderam ser 28 Precipitinas: o mesmo que anticorpo (o resultado de uma precipitação centrifuga, em química). reconstituídas, graças às inúmeras descobertas de restos de esqueletos proto-humanos: o Pithecanthropus erectus ou homem de Java (1891); o Eoanthropus (LINTON, 1987, p. 22) ou homem de Piltdown (1912) (O homem de Piltdown, segundo Minhan é uma farsa, pilhéria), o Sinanthropus ou homem de Pequim (1927), o homem de Neanderthal, o de Cro-Magnon (BRACE, 1979, p. 29). Também, como já se viu, além das descobertas paleontológicas, há fortes argumentos a favor dessa evolução, obtida através de experiências e estudos embriológicos, anatômicos e laboratoriais. Em virtude do que precede, hoje em dia os mais esclarecidos representantes da fé cristã não rejeitam totalmente a exposição darwinística da origem animal do homem, enquanto corpo. Não a julgam, é verdade, suficientemente provada para autorizar a sua aceitação sem reservas. Mas não a expulsam do terreno das possibilidades, e, mesmo, das probabilidades (MINHAN, 1961, p. 219). Essas respostas básicas definiram o que pode passar pela “vida emocional” – mais apropriadamente a “vida dos instintos” – dessa espécie. Mais importantes em termos de evolução são as decisões cruciais para a sobrevivência; os animais que podiam tomá-las bem, ou suficientemente bem, sobreviviam para passar adiante seus genes. Nesses tempos primordiais, a vida mental era abrutalhada: os sentidos e um repertório simples de reações aos estímulos que recebiam pegavam um lagarto, rã, pássaro ou peixe – e, talvez, um brontossauro – durante o dia. Mas esse cérebro anão ainda não permitia o que nós concebemos como emoção (GOLEMAN, 2001, p. 328). O Gênesis da Bíblia passou a ser compreendido em seus devidos termos, isto é, simbolicamente, e ademais, se considera que o homem, enquanto realidade física e biológica, pode ter muito bem emergido de uma forma animal, para, em certo momento de sua evolução, receber a infusão do espírito (só então se tornando homem na acepção integral da palavra), não se compreende em que possa ficar a dignidade humana diminuída por essa explicação científica. Assim se tem expressado o pensamento cristão mais avançado e moderno: as referências bíblicas parecem indicar a criação direta do homem, embora pudessem sustentar outra interpretação se a ciência apresentasse provas da evolução corporal. Seria afirmado então que, quando um corpo animal estava preparado para isso, Deus criava uma alma espiritual infundindo-a nele, e assim aparecia o homem. Pareceria necessário um ato criador para elevar o corpo ao nível humano. Num ponto, evidentemente, tem absoluta razão os que se opõem à evolução humana por motivos de ordem religiosa: o que não se pode admitir, do ponto de vista éticoreligioso, e mesmo do ponto de vista puramente intelectual, resta provar, é que o espírito do homem, que o distingue irrefutavelmente dos outros animais, seja mera derivação de um processo evolutivo biológico. Ora, tal derivação – embora afirmada por muitos darwinistas e evolucionistas – até hoje carece de prova definitiva. Assim sendo, enquanto a Teoria da Evolução não se confundir com a filosofia evolucionista, enquanto a ciência não se confundir com a opinião do senso comum, e permanecer em seu terreno peculiar, que no caso é o biológico, não há motivo algum para supor-se a existência de uma oposição entre a religião e a verdadeira ciência, bem como também não se pode demarcar e medir com rigidez científica os sentimentos emocionais do homem. 2.1.2 Influência da Teoria da Evolução na Psicologia. A(s) Teoria(s) da Evolução, muito embora não seja reconhecida como comprovação cientifica, foi um avanço significativo para a ciência que deixou de se apegar nas histórias da Bíblia (Gênesis); abandonou os preconceitos místicos e religiosos, para se dedicar ao assunto da visão de homem, abrindo para a investigação científica nas mais variadas tendências da ciência. Muitas outras teorias sobre a evolução das espécies foram elaboradas pelos mais diversos pesquisadores e cientistas. Dentre os cientistas e pesquisadores destacam-se o francês Jean Baptiste Lamarck que “formulou uma teoria comportamental da evolução que acentuava a modificação da forma corporal de um animal através dos seus esforços de adaptação ao ambiente”. É o exemplo da girafa, que teria o pescoço alongado por forçar sua estrutura para alcançar as frutas nas árvores muito altas (SCHULTZ & SCHULTZ, 2001, p. 125). Henri Bergson também movimentou o meio acadêmico de sua época com sua teoria do impulso universal e interno de melhoramento orgânico ou simplesmente Evolução Criadora (ROHDEN, 1991, p.183). Cita-se ainda o padre francês Teilhard de Chardin, com a teoria da evolução do universo, que também é bastante discutida nos dias de hoje (ARCHANJO, 1997, p. 24). Ainda teriam outros pesquisadores e cientistas como o visto na primeira parte deste trabalho. Entretanto, deu-se ênfase ao estudo comparativo das mudanças que estavam acontecendo com o ser humano a nível subjetivo e sua transformação durante a revolução industrial e tecnológica daquela época, com o reconhecimento da elite científica com a Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin e que é fortemente predominante na atualidade, embora tenha sido enxertada com idéias de outros cientistas e pensadores. Quanto a Ciência da Psicologia, Darwin teve também forte influência, pois com a teoria da evolução das espécies, surgiu uma outra visão de estudo do homem enquanto consciência, em decorrência, a Psicologia Funcional. Com o surgimento da teoria de Darwin começou-se também a olhar o ser humano com outro enfoque. Se o homem chegou ao estado atual de forma evolutiva fisicamente, deduziu-se ou ao menos se supunha, que o homem, enquanto mente, também chegou ao estado atual de desenvolvimento da consciência, por processos evolutivos. Iniciou-se um comparativo entre o homem e os animais inferiores. Freud, tempos depois, que era leitor assíduo de Darwin, também corroborou com esta idéia quando ensinou que [...] assim como na natureza física que nos cerca, nada acontece por acaso ou de modo fortuito. Cada evento psíquico é determinado por aqueles que o precederam” (BRENNER, 1987, p. 18), o que veio confirmar também a ‘teoria da evolução’ de nossa mente, que é o enfoque principal das ciências psicológicas. Verificou-se através de provas tangíveis, impressionantes e irrefutáveis que o homem poderia ser estudado com métodos e técnicas de observação e experimentação laboratoriais cientificas e não pura e simplesmente com a introspecção como se supunha. Foi aberto um campo muito vasto e vislumbraram-se novos avanços científicos para o estudo da consciência. Abandonou-se por completo o paradigma da dicotomia corpoalma. “Não há diferença fundamental entre o homem e os mamíferos superiores em termos de faculdades mentais”, afirmou Darwin. Esta, entende -se, foi a maior influência da Teoria da Evolução na Psicologia Moderna. A partir de pesquisas de laboratórios com animais (experimentos de Skinner e Pavlov, por exemplo), pode-se tirar novas conclusões com respeito ao homem, ao seu comportamento, enquanto ser pensante e com consciência. As Teorias da Escola de Wundt aplicavam os métodos provenientes da fisiologia com ênfase às abordagens psicofísicas, isto é, não se preocupavam de como se poderia mudar o pensamento e por conseqüência o comportamento do homem, que, aliás, foi também o início dos estudos da psicanálise de Freud. 2.1.3 O homem e o trabalho Segundo Aranha (1993), a concepção de trabalho durante muito tempo esteve predominantemente ligada a uma visão negativa. Na concepção bíblica, Adão e Eva vivem felizes até que o pecado provoca sua expulsão do Paraíso e a condenação ao trabalho com o ‘suor do seu rosto’. À Eva coube também o ‘trabalho’ do parto (ARA NHA, 1993, p. 9). Para Soares (1991), o homem é um ser essencialmente histórico porque produz seus próprios meios de vida, através dos tempos, e, portanto, é um ser em constante transformação; e social porque em busca coletiva de satisfazer suas necessidades e interesses produz sua existência material e junto dela a própria organização em que vive. Essas transformações de que a autora fala, que se dá através da história do homem e por ele mesmo, se realizam a partir do e no processo do trabalho humano (SOARES, 1991, p.26). Conforme Aranha (1993), o trabalho humano é a ação dirigida por finalidades conscientes, à resposta aos desafios da natureza na luta pela sobrevivência. Ao reproduzir técnicas que outros homens já usaram e ao inventar outras novas, a ação humana se torna fonte de idéias e ao mesmo tempo uma experiência propriamente dita (ARANHA, 1993, p. 5). O espaço é produzido historicamente por meio da produção material guiada por relações sociais. Dito de outra maneira, o espaço é formado a partir das relações homem-meio e homem-homem e a distribuição e a configuração territorial são determinadas pelo conflito no interior da sociedade capitalista. Assim, “[...] o ‘chão’ é capital e a formação espacial tem sua estrutura e movimentos determinados pelo choque entre as classes que compõe este modo de produção” (MOREIRA, 1982, p. 205). É através da divisão social e territorial do trabalho que a malha societal se concretiza empírica e ideologicamente. Partindo disso, assevera-se que o trabalho é a protoforma da existência humana, pois é sua realização que diferencia o homem dos outros seres, porque consiste em ir além da competição biológica no ambiente. Assim, a interação homem-meio se dá via mediação do processo laborativo. Dito isto, a relação homem-natureza é entendida como relação social que constrói um quadro de vida, condição de reprodução da própria sociedade. Isto porque o animal se torna homem através do trabalho por dar respostas às necessidades que as exigem. Portanto, apenas quando trabalha sobre o mundo objetivo é que o homem se realiza como um ente genérico. Essa produção é sua vida genérica ativa. Através dela a natureza se evidencia como obra sua, do homem, e como sua realidade. O objeto do trabalho, por conseguinte, é a objetivação da vida genérica do homem; e isso porque ele se duplica não só intelectualmente, como se dá na consciência, mas também ativamente, realmente, e, portanto vê a si mesmo num mundo feito por ele. (KARL MARX, apud LUKÁCS, 1979, p. 142). O trabalho, por sua realização, possibilita o desenvolvimento tanto seu quanto dos homens que o realizam. Não obstante, cada transformação da sociedade ocorre de maneira consciente e ativa, pois é esta consciência que movimenta o processo produtivo e guia a atividade laborativa. O resultado é o trabalho não simplesmente como uma expressão da atividade do ser social, mas uma determinação do modelo do próprio homem. Quer dizer com isto que as ações humanas são guiadas socialmente, ou seja, de necessidades sociais engendradas sobre o indivíduo. Os homens são impelidos pela conjuntura a agirem de determinado modo sob pena de se arruinarem, mesmo que sua atuação seja contrária a sua essência. Contudo, mesmo com a qualificação do trabalhador, sua capacitação se limita a conhecer uma parte mínima das circunstâncias em que está inserido. A necessidade urge e o trabalho promete satisfazê-lo, mas este acaba por se tornar exterior ao indivíduo, este não desenvolve a ação para si, mas para outro. O ser estranho a quem pertencem o trabalho e o produto deste, a quem o trabalho é devotado, e para cuja fruição se destina o produto do trabalho, só pode ser o próprio homem. Se o produto do trabalho não pertence ao trabalhador, mas o enfrenta como força estranha, isso só pode acontecer porque pertence a um outro homem que não o trabalhador. Se sua atividade é para ele um tormento, ela deve ser uma fonte de satisfação e prazer para outro. Não os deuses nem a natureza, mas só o próprio homem pode ser essa força estranha acima dos homens (FROMM, 1983, p. 98). Segundo Aranha (1993, p.5), o trabalho, ao mesmo tempo em que transforma a natureza, adaptando-a as necessidades humanas, altera o próprio homem, desenvolvendo suas faculdades. Isto significa que, pelo trabalho, o homem se autoproduz. Para Beanton (1967), O trabalho é toda atividade consciente e social, onde o homem transforma o meio em que vive, conforme suas necessidades, com o objetivo de melhorar as condições de sua existência. Inicialmente, essas transformações se deram lentamente e quase que imperceptível, porém depois que dominou técnicas mais avançadas, tornou-se muito rápido tais transformações e de maneira bastante visível (BEANTON, 1967, p 23). A etimologia da palavra trabalho vem do vocábulo latino tripaliare, do substantivo tripalium, aparelho de tortura formado por três paus, ao qual eram atados os condenados, e que também servia para manter presos os animais difíceis de ferrar. Daí a associação do trabalho com tortura, sofrimento e pena. Na antiguidade grega todo trabalho manual é desvalorizado por ser feito por escravos, enquanto a atividade teórica, considerada a mais digna do homem, representa a essência fundamental de todo ser racional. Na Idade Média, Santo Tomás de Aquino procura reabilitar o trabalho manual, dizendo que todos os trabalhos se equivalem, mas, na verdade, a própria construção teórica de seu pensamento, calcada na visão grega, tende a valorizar a atividade contemplativa. Na língua portuguesa, a palavra trabalho pode ser a realização de uma obra prazerosa que deixa o ser humano socialmente reconhecido e com possibilidade de que fique para a posteridade, ou, como um esforço cansativo cujo fim é somente a sobrevivência. Soares (1991, p. 25) diz que, foi com o aparecimento e desenvolvimento do trabalho que se deu o processo de criação da espécie humana e juntamente com ele o uso da linguagem, essencial na troca de experiências que do trabalho emanam, com isso surgem as sociedades, onde o homem não satisfaz suas necessidades isoladamente, mas pela vida em sociedade. Afirma ainda Soares (1991), que o homem é síntese da sua produção, do que ou como produz. Através do seu modo de produzir, percebe-se a sua realidade no desenvolvimento das novas forças produtivas, onde está sempre em busca de novos materiais e instrumentos capazes de aumentar a produção, gerando com isso novas necessidades sociais e alterando sua realidade inicial. Já Bressam (1986) coloca que os homens, por uma necessidade de sobrevivência, foram obrigados a unir-se, uma vez que os instrumentos de trabalho eram bastante rudimentares, o que dificultavam a produção de excedentes, ocorrendo à sobrevivência em forma de colaboração entre eles. Ainda de acordo com esse autor, esta relação estabelecida pelo homem entre si é denominada de relação de produção, ou seja, a posição ocupada pelo homem na sociedade está diretamente ligada à posição que o mesmo ocupa no processo de produção, englobando, com isto as formas de propriedades e seus meios de produção e as formas de como são distribuídos e consumidos os bens produzidos. De acordo com Marx e Engels (apud SOARES, 1991, p. 24), “[...], ou seja, cada uma das fases da divisão do trabalho determina também as relações dos indivíduos entre si, no que respeita ao material, ao instrumental e ao produto”. Para entender o modo de produção, como se deu ao longo da história, se faz necessário que se caracterize cada período histórico, e de acordo com Soares (1991), no período medieval toda produção era baseada, a princípio, para o consumo, sendo a propriedade da terra o elemento principal da divisão do trabalho, cabendo estas às classes aristocráticas, porém, o papel dos que não eram proprietários nessa divisão era apenas de servos, que tinham como função trabalhar a terra, para os aristocráticos. Tanto os servos como também os instrumentos, a terra e os animais eram tidos como “naturais” para que ocorresse a produção, a qual gerava uma realidade desigual, sendo tal desigualdade aceita com naturalidade pelo fato de que o domínio das terras estava nas mãos de poucos, que com isso detinham o poder. Em relação à propriedade, Ferretti (1996) diz que: Na antiguidade, tanto grega como romana, ocorre a propriedade privada da terra: temos então a classe dos proprietários e a classe dos não proprietários. O fato de uma parte dos homens de apropriar privadamente da terra, dá a eles a condição de poder sobreviver sem trabalhar. Com efeito, os não proprietários que trabalham a terra assumem o encargo de manter a si próprios e os senhores. Nesse sentido surge uma classe ociosa, ou seja, uma classe que não precisa trabalhar para viver, ela vive do trabalho de outros (FERRETTI, 1996, p. 152). Essa ociosidade da qual o autor trata, vem através do aparecimento da divisão de classe, onde uma maioria trabalha para sobreviver e a outra não precisa trabalhar, onde surge uma educação diferenciada. Surge aí a escola, que para a sociedade grega significa o lugar do ócio, e só tinham acesso a ela aqueles que vivem no ócio, onde era constituída pelos proprietários, enquanto a educação geral para a maioria da outra classe era o trabalho, onde através dele se instruíam, educavam-se através da lida com a realidade, agindo sobre a matéria e transformando-a. Ainda de acordo com Ferretti (1996), na sociedade antiga ainda persistem algumas características na idade média, como o modo de produção feudal, onde o meio de produção era a terra e a forma econômica, a agricultura, onde a maioria dos homens vivia no campo e através dele, e mantinham a classe dominante com o trabalho desenvolvido nos arredores dela, que era, na época, somente agrícola. Passando o tempo e o acelerado desenvolvimento devido aos meios de produção na Idade Média, surge o modo de produção feudal, onde os que viviam na cidade dependiam do campo. Esta atividade veio crescendo e cresceu muito, onde se deu origem ao capital. Essa transformação transferiu o processo produtivo do campo para a cidade, da agricultura para a indústria, formando assim um novo modo de produção, aonde veio a ser designado como capitalismo, que perdura até os dias de hoje. Aranha (1993, p.10) mostra tal transformação: [...] outro setor se desenvolve, como o metalúrgico; também no campo se processa a revolução agrícola”. Através dessas transformações que ocorreram no capitalismo fez com que surgisse a mais valia; onde o trabalho é visto como mercadoria que produz valor, e para que isso ocorra, a condição necessária é que o trabalhador seja livre, destituído de todo meio de produção, sendo que para sua sobrevivência venda sua força de trabalho a quem quiser, aqui, ao capitalista, pois este é quem possui esses meios, e a força de trabalho é regulada por um contrato, onde mediante ao capitalista, o trabalhador despende energia para a produção, e em troca de remuneração pelo seu trabalho, recebe um salário. Ocorre a conseqüência de que a mercadoria produzida se humaniza e o homem se desumaniza, pois se torna uma mercadoria, uma vez que sua força de trabalho tem um preço. O homem aliena-se não só em si mesmo como também no modo de produção, no consumo, no lazer, na relação social, como afirma Aranha (1993), onde essa alienação na produção gera uma dicotomia de concepção-execução do trabalho justamente ao processo pelo qual um pequeno grupo concebe, cria, inventa o que vai ser produzido e o outro grupo é obrigado à simples execução do trabalho, sempre parcelado, pois a cada um cabe parte do processo. A divisão do trabalho intensificou-se mais, quando Henry Ford introduziu o sistema de linha de montagem na indústria automobilística, baseado na teoria de Taylor, que estabelece os parâmetros do método de racionalização da produção conhecido como Taylorismo que visa o aumento da produtividade com a economia de tempo, a eliminação de gestos e comportamentos desnecessários no interior do processo produtivo. Aranha (1993, p. 31) afirma que para Taylor tudo é detalhadamente pensado, planejado para reduzir tempo e aumentar a produtividade, como a devida colocação do corpo, dos pés, das mãos, assim também como a divisão e o parcelamento do trabalho. Quando o homem se torna passivo diante aos critérios de produtividade e desempenho no mundo competitivo, está ele permitindo que lhe seja retirado todo prazer em sua atividade produtora, onde passa a ser regido por princípios racionais, levando-o a sua alienação. Continuando seu pensamento Aranha (1993) diz que: enquanto prevalecerem as funções divididas do homem que pensa e do homem que executa, será impossível evitar a dominação, pois sempre existirá a idéia de que alguns sabem e são competentes e, portanto decidem; a maioria que nada sabe é incompetente e obedece. Ainda usando a fala da autora, a questão fundamental, hoje, é a da necessidade de reflexão moral sobre os fins a que a técnica atende, observando se ela está a serviço do homem ou de sua exploração (ARANHA, 1993, p. 32). 2.1.4 O homem e as organizações As organizações, os grupos e as pessoas são classes de sistemas abertos que interagem permanentemente com os seus respectivos ambientes. Recordemos que o conceito de sistemas abertos tem origem na biologia, no estudo dos seres vivos e da sua dependência e adaptabilidade ao ambiente, tendo-se alargado a outras áreas científicas como a Psicologia e a Sociologia até chegar à Gestão. O Sistema Aberto descreve as ações e as interações de um organismo vivo dentro do ambiente que o rodeiam. Por conseguinte, utiliza-se o conceito de Sistema porque permite compreender, de uma forma mais ampla e real, a complexidade das organizações. Na verdade, as organizações surgem devido ao fato dos indivíduos terem objetivos que só podem ser alcançados mediante as atividades organizadas, sendo o elemento básico as pessoas, cujas interações dão forma à organização. Dado que a interação das pessoas é condição necessária para a existência duma organização, o êxito ou o fracasso destas está determinado pela qualidade das interações dos seus membros: interações individuais, indivíduo e organização, organização e outras organizações, e a organização e o seu ambiente total. A relação indivíduo-organização não é sempre cooperativa e satisfatória. Muitas vezes, é tensa e conflituosa. A organização tende a criar nos indivíduos um profundo sentimento de frustração, de conflito, de perda e uma curta perspectiva temporal de permanência no cargo, na medida em que é formal e rígida. Assim, e segundo Schein (1982), a maior parte da responsabilidade quanto à integração entre os objetivos da organização e os objetivos dos indivíduos recai sobre a alta gestão. Enquanto que o indivíduo fornece habilidades, conhecimentos, capacidades e destrezas em conjunto com as suas aptidões para aprender e um indeterminado grau de desempenho, por sua vez a organização deve impor ao indivíduo responsabilidades, definidas e indefinidas, algumas dentro da sua capacidade presente, e outras enquadradas no âmbito de uma aprendizagem a médio ou longo-prazo, mas sempre com desafio. Em síntese, a interação entre pessoas e organizações é completa e dinâmica. Segundo Schein (1982, p.16) uma organização é a coordenação planejada das atividades de uma série de pessoas para a consecução de algum propósito ou objetivo comum, explicito, através da divisão de trabalho e função e através de uma hierarquia de autoridade e responsabilidade. As organizações são conjuntos ordenados de atividades humanas, mas só passam a funcionar depois que as pessoas foram recrutadas para ocuparem determinados papéis e executar determinadas atividades. O principal problema humano de qualquer organização é o modo como se fará o recrutamento dos funcionários, como selecioná-los, treiná-los e socializá-los e como destiná-los às funções para que se obtenha o rendimento mais eficaz. As interações indivíduo-organização encontram-se em constante e dinâmica mudança (SCHEIN, 1982, p. 16). Comenta ainda o autor que, as políticas e as práticas que asseguram a eficiência organizacional podem deixar insatisfeitas as necessidades individuais, ou, o que é pior, podem criar problemas além daqueles com que as pessoas ingressam na empresa, os empregados podem tornar-se alienados, inseguros e ressentidos, se a organização deixa de atender às necessidades mínimas de segurança, manutenção da auto-estima e oportunidade de crescer e evoluir. 2.2 Inteligência 2.2.1 Definição Inteligência é a faculdade ou capacidade de entender, de compreender. Em sentido amplo designa o conjunto de todas as funções que tem por objeto o conhecimento (sensação, percepção, razão, etc.). Nessa acepção, opõe-se aos fatos afetivos e aos volitivos, pois só diz respeito ao domínio intelectual da vida psíquica. Em sentido estrito, significa a faculdade ou o ato de compreender. É a capacidade de resolver problemas novos por meio do pensamento, ou a faculdade geral do indivíduo para adaptar conscientemente seu pensamento a novas exigências ou ainda, a aptidão de modificar a conduta conforme as circunstâncias. São essas algumas definições já clássicas na ciência psicológica contemporânea. Consiste assim em compreender uma situação, descobrir os meios adaptados a um fim, escolher a melhor solução ao fim desejado, dirigir e organizar o comportamento (CABRAL & NICK, 2001, p. 161). A palavra inteligência tem sua origem da junção de outras duas palavras latinas, a palavra inter (entre) mais a palavra legere (eleger ou escolher). Adaptando-se a origem desse termo ao conceito atual de inteligência chega-se à idéia de que a inteligência é a escolha (melhor) entre duas ou mais situações. Assim, é inteligente quem escolhe a melhor saída ou a melhor resposta, e esse conceito indica a capacidade de que dispomos para, através da seleção, penetrar na compreensão das coisas. Quando você afirma que o Rafa é um cara tremendamente inteligente, está dizendo que ele tem a propriedade de selecionar a maneira melhor de compreender as coisas, a melhor saída para resolver problemas (ANTUNES, 2003, p. 16). Dá-se o nome de inteligência à capacidade da atividade mental de pesquisa que compreende três fases ou operações: (1ª) questão (capacidade de resolver problemas novos); (2ª) formulação de hipóteses (capacidade de aprender), e (3ª) verificação (capacidade de pensar abstratamente) – tudo posto a serviço de uma adaptação consciente a situações novas. É o oposto à sensação e à intuição por ser um conhecimento discursivo e conceitual. De modo geral, é considerado lícito o uso do termo inteligência relativamente aos animais, desde que não se confunda inteligência com razão. Esta é característica do homem e é a capacidade que lhe permite o encadeamento lógico de idéias e julgamentos. No animal a inteligência é uma qualidade do instinto que permite apenas o uso de uma linguagem afetiva, dominada pelos fatos que se apresentam às situações do momento. A razão permite a liberdade perante os dados fornecidos pelos sentidos, a utilização de imagens livres e a substituição de uma tendência por outra. Na ciência pedagógica a inteligência é tomada em sentido geral, isto é, como o conjunto das faculdades cognoscitivas. São de extrema utilidade educacional a medição e verificação do tipo de inteligência. Conseguem-se esses resultados por intermédio da aplicação de testes. Deve-se notar que uma concepção filosófica sobre a natureza da inteligência influencia a elaboração dos testes. Ressaltar-se, igualmente, que um bom teste deve atender às diversas manifestações da inteligência e não ser exclusivista, tratando-a sob um único aspecto (BRAGHIROLLI, 2001, p. 136). 2.2.2 Inteligência e Contemporaneidade De acordo com o artigo escrito por Miranda (2001), a inteligência é um dos conceitos mais estudados e discutidos do final do século XX e início deste milênio. Foi temática fundamental no período de emergência e consolidação da psicologia moderna, uma vez que, a partir das últimas décadas do século passado, a questão do conhecimento deixaria de ser um problema específico da filosofia, para se converter em um objeto dessa novíssima ciência chamada a dizer como se dão os processos individuais de aquisição do conhecimento. O eixo da questão se deslocava da compreensão do sujeito coletivo no processo de conhecimento para o ser particularizado, o indivíduo empírico que aprende. Ficou posta em causa, portanto, a explicação da cognição do indivíduo empírico, a sua inteligência. O que era ser inteligente para a nascente psicologia? A inteligência era, em primeiro lugar, uma competência cognitiva e individual. Numa sociedade regida pela ótica liberal, ser mais ou menos dotado dessa competência passava a ser determinante para a vida do indivíduo. Grande parte das oportunidades de inclusão e ascensão social seria regida pela disponibilidade da capacidade intelectual em cada uma das pessoas. Como tais oportunidades não se destinavam a todos, mas a alguns, os mecanismos de seleção e exclusão sociais eram justificados pela concepção evolutiva da existência de sujeitos mais ou menos aptos para que determinadas pessoas devessem ter sucesso e outras não. A rigor, essa idéia nascente de inteligência, é tributária da noção de diferença entre os indivíduos, o que é uma condição fundamental numa proposta de igualdade. Como essa igualdade nunca se realizou inteiramente, a idéia corrente de coletividade se efetiva reiteradamente como negação de cada individuo, na medida em que desconsidera suas diferenças em nome de uma igualdade abstrata. A constatação das diferenças entre os indivíduos, portanto, em lugar de fomentar a igualdade, terminou por legitimar a desigualdade ao quantificar e cristalizar as diferenças entre as pessoas. A condição ontológica da diferença se traduz historicamente em condição de desigualdade. Para Miranda (2001), a urgente tarefa de mensurar capacidade cognitiva com a finalidade de adequar soldados e trabalhadores às suas funções no início do século, a psicologia construiria uma solução que se mostraria vigorosa e poderosa ao longo do século, pelo menos do ponto de vista de alguns interesses sociais e econômicos que estavam em jogo. Diferenciadas explicações sobre os processos de aquisição de capacidades intelectuais apresentadas pelas teorias da aprendizagem dão noção do que é ser inteligente no mundo contemporâneo, quase exclusivamente no registro da externalidade do sujeito. Do início do século XX até a poucos anos atrás, a discussão da concepção de inteligência foi direcionada, dominantemente, pelos estudos psicométricos. Tais estudos enfatizaram, sobretudo, as medidas de quociente intelectual: apresenta-se ao indivíduo um conjunto de problemas, geralmente de caráter lógico-matemático ou lingüístico, e mede-se comparativamente seu desempenho. Para a psicometria, a inteligência seria uma habilidade inata, mas a cultura e a educação determinariam o grau de realização desse potencial. Identificada ao potencial inato e às experiências a ela agregada através da experiência, a inteligência seria uma competência individual para desempenhar bem atividades relacionadas à expressão verbal, à acumulação e à memorização de conhecimentos gerais e ao raciocínio lógico-matemático (STERNBERG, 2000, p. 414). A concepção psicométrica de inteligência foi amplamente difundida e igualmente criticada, havendo hoje um reconhecimento de seus limites pela maioria dos psicólogos. Segundo Gardner (1995, p. 21): Uma inteligência implica na capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. A capacidade de resolver problemas permite à pessoa abordar uma situação em que um objetivo deve ser atingido e localizar a rota adequada para esse objetivo. O confronto mais vigoroso à noção de inteligência mediada pela psicometria foi feito por Jean Piaget, que, como se sabe, iniciou suas investigações trabalhando no Laboratório de Binet em Paris, testando provas de inteligência. A teoria piagetiana concebeu uma inteligência processual, funcional, operativa, valorizando como uma ação adaptativa diante de uma situação-problema, e não pela apresentação de resultados ou respostas corretas. A genial intuição de Piaget diante dos erros semelhantes realizados por grupos de crianças ao serem confrontadas com uma mesma prova o conduziu à investigação do aparente erro como manifestação do desenvolvimento cognitivo da criança naquela determinada etapa (STERNBERG, 2000, p. 374). A inteligência foi concebida por Piaget como um processo adaptativo. Essa é uma concepção fundamental de sua teoria que procurou desvendar, tanto do ponto de vista filogenético, quanto ontogenético, o processo de constituição dessa inteligência adaptativa, consoante à tendência da época em explicar os fenômenos sociais a partir de uma interpretação evolucionista (MIRANDA, 2001, internet). A noção de inteligência de Piaget contrariava a visão psicométrica, ao valorizar, sobretudo a ação que tem por objetivo o real. 2.2.3 Inteligência e Trabalho Antes de tudo, é preciso que se discuta por que o conceito de inteligência se tornou particularmente importante no final do século XX. Em parte, pelos mesmos motivos porque foi importante no início do século XX, ou seja, continua sendo uma capacidade exigida para as demais qualificações de funções no mercado de trabalho e, assim, fundamenta um poderoso mecanismo de legitimação da exclusão social ao permitir que se estabeleçam diferenças entre quem possui qualificação intelectual para o trabalho. A atual fase do capitalismo configura, segundo Frigotto (1997), Um revolucionamento da base científico-técnico do processo produtivo no contexto que a literatura denomina de terceira revolução industrial, definida pela microeletrônica associada à informática, à engenharia genética e às novas fontes de energia. O que estamos presenciando não é apenas uma mudança qualitativa da relação do ser humano com a realidade. Enquanto a primeira e a segunda revolução significaram uma potenciação fantástica da força física humana, a terceira amplia a capacidade mental e intelectual (FRIGOTTO, 1997, p. 144). Verifica-se, em decorrência, uma concentração crescente “do capital, da riqueza e do conhecimento” cujas conseqüências se delineiam nos termos do que s endo denominado de sociedade dos três terços, “um terço integrado ao trabalho e ao consumo, um terço precarizado no trabalho e no consumo e um terço excluído” (FRIGOTTO, 1997, p. 144). O desemprego precário é conseqüência, em âmbito mundial, dessa concentração extremada. E, isso implica, que sejam acionados novos e mais poderosos mecanismos ideológicos de legitimação da exclusão, da exploração do trabalho e de contenção dos bolsões de pobreza, em especial em economias periféricas como a do Brasil. Nesse sentido, a seleção e a conseqüente exclusão social fundamentada em fatores definidos a priori como puramente individuais – como a inteligência – continuam sendo mecanismos fundamentais. De outra parte, é também verdade que a moderna sociedade capitalista requer novas habilidades cognitivas (e também de outra ordem) necessárias ao desempenho em um universo de trabalho automatizado, informatizado e robotizado e, também, à vida social em geral, especialmente aquelas relacionadas ao consumo. São conhecidos os estudos que traçam esse novo perfil do trabalhador, que deverá ser capaz de transferir conhecimentos e experiências, relacionar as partes e o todo no processo produtivo, dominar linguagens apropriadas e procedimentos técnico-científicos, possuir capacidades de elevada abstração, flexibilidade, criatividade, interatividade. Empregado ou desempregado, ele deverá utilizar e consumir recursos cada vez mais transformados pela parafernália das novas tecnologias disponíveis e em estonteante transformação. Verifica-se, portanto, uma tendência à intelectualização do processo produtivo. O que supõe uma supervalorização da capacidade intelectual humana. 2.2.4 Inteligência e organização Analisar o cotidiano para construir uma inteligência profissional, compreender seu pensamento, suas práticas e os sentimentos que nele habitam, percebendo contradições e mediações, é bem mais complexo do que se manter bem informado ou extremamente motivado para o trabalho: é também construir uma memória organizacional viva, constantemente enriquecida e enriquecedora pelo diálogo com diferentes áreas do conhecimento e com os contextos externos e internos em sua multidimensionalidade. Sendo assim é preciso conceber a organização como fenômeno complexo, o que significa compreender que a complexidade é realimentada constantemente, sendo tecidas na teia que se tece diariamente nas interações entre acontecimentos, sentimentos e ações – constituintes heterogêneos inseparavelmente associados entre si e associados à confusão, à ambigüidade, ao inexplicável, ao rotineiro, ao óbvio. O entendimento de uma inteligência profissional na organização pressupõe escolha e definição de valores que a sustentarão, pois o êxito também depende da capacidade em movimentar-se neste ambiente complexo e de criar estratégias para a solução de problemas práticos através da integração inteligente e criativos do conhecimento e da técnica (GÓMEZ, 1992, p. 98). De acordo com Morin (1996), a inteligência profissional pode ser considerada uma complexidade viva: o conhecimento sobre a própria organização depende da inteligência que, por sua vez, depende dos conhecimentos de que pode dispor na memória organizacional. Assim, a [...] inteligência produz conhecimentos, alimenta-se e se fortalece com conhecimentos, e ao mesmo tempo é apta para se dispensar de certos conhecimentos” (MORIN, 1996, p. 170). Uma concepção desta natureza exige a capacidade para a invenção e a criação: a inventividade tem conotação de engenhosidade (arte estratégica) e a criação tem conotação de poder organizativo sintético (arte da concepção). Assim, o desenvolvimento da inteligência profissional está associado ao desenvolvimento do pensamento e da consciência organizacional (MORIN, 1996, p.170). Não é possível, entretanto, ignorar que há uma grande diversidade de estilos de inteligência e de pensamento, permeando o ambiente organizacional. Também não é possível ignorar que, nesta diversidade, se tece uma rede que dá unidade, que dá o diferencial. A partir disto, surge a necessidade do desenvolvimento de uma inteligência profissional que propicie trabalhar numa visão de inserção do particular (partes) e suas interdependências nos conjuntos e nas configurações globais. Uma inteligência profissional se caracteriza também pela improvisação conjunta em que a comunidade organizacional utiliza uma reflexão na ação fluente e integrada. Neste contexto, é importante que o profissional de Relações Públicas, como qualquer outro profissional da organização, desenvolva qualidades inteligentes, que auxiliem a melhor se movimentar no mundo, que propiciem a consciência de que é preciso autorizar o outro a assumir seu próprio lugar, a [...] fazer-se a si mesmo. Apenas o outro tem o poder de tomar o lugar que eu posso apenas lhe reservar por um momento... E a reserva aqui [...] é esse esforço para criar um espaço que o outro possa ocupar, essa obstinação em tomar esse espaço livre e acessível, bem como em oferecer as ferramentas que permitam apropriar-se dele e desenvolver-se para ir ao encontro dos outros [...] Significa dizer que esta é uma ação que requer e torna possível, simultaneamente, a coragem de começar (MEIRIEU, 2002, p. 289). Assim, é preciso restaurar a unidade numa intencionalidade que associe uma decisão ética, uma correspondência entre memória institucional e as demandas das situações com consciência da incerteza, gerada no entendimento da impossibilidade de que as coisas aconteçam exatamente como foram projetadas, [...] arriscando-se a fazer algo que permita ao outro fazer aquilo que só ele sabe fazer (MEIRIEU, 2002, p. 284). A consideração à inteligência profissional como complexo componente de um sistema complexo, formado por subsistemas complexos, implica considerar suas complexas inter-relações com a motivação, a aprendizagem, a reflexão, a memória organizacional, a consciência, a concepção e o pensamento. Para Pimenta (2004, p. 119), um novo cenário, conseqüentemente, proporcionará o estabelecimento de novas perspectivas para a compreensão e a intervenção, objetivando a produção de processos ativos na ação organizacional, por meio de análise das questões de mudança, através de um ponto de vista comprometido com a criação de alternativas que auxiliem, enfim, na gestão, intervenção para a solução de conflitos. Para tanto, isto exigirá uma reflexão sobre dimensões humanas que precisam ser consideradas – emoções, atitudes, valores – nas relações de trabalho e na estrutura organizacional, a partir de um processo comunicacional, que produza integração e um verdadeiro espírito de trabalho interativo. Neste contexto, a inteligência profissional é uma capacidade estratégica que pressupõe competência, iniciativa e inventividade, transformando-se em arte combinatória de qualidades inteligentes diversas, preconizadas por Morin (2002), como: a) Reconhecimento do novo – análise das novas informações e tendências em relação à memória organizacional, aos imprevistos para o enriquecimento de estratégias; b) Escolha inteligente – seleção de meios inteligentes a partir de competências anteriores, com a compreensão dos recursos entre fins e meios e da necessidade de estabelecer o que é relevante, eliminando o não pertinente ou o inútil; discernindo o impossível do possível, associando o inevitável ao desejável; c) Elaboração de cenários – reconstrução de configurações globais, considerando indícios fragmentários a partir de consideração de diferentes tendências, considerando as incertezas e o surgimento de impossibilidades. d) Reconsideração das próprias concepções – reorganização crítica do próprio conhecimento. Nesta perspectiva, a inteligência profissional é: Uma mestiça que mistura em si qualidades muito diversas [...]. É aberta e polimórfica, construtiva e destrutiva (crítica), combinatória (articulando as qualidades inteligentes) e eventualmente rotativa (sabendo fazer sucederem-se estas qualidades segundo os acontecimentos e as modificações da situação). A arte da inteligência é também saber escolher inteligentemente os meios inteligentes para tratar especificamente uma dada situação (MORIN, 1996, p. 169). Pensar sobre uma inteligência profissional significa conceber a inteligência como a aptidão organizacional para pensar e criar estratégias em situações de complexidade (com multiplicidade de informações e incertezas), a partir da reflexão sobre a realidade organizacional e da sua coerência com a proposta filosófica e os indícios das tendências contextuais. Entretanto, esta inteligência não é só arte estratégica individual, pois assume uma dimensão coletiva, comportando a ousadia, a iniciativa, a capacidade organizacional de reaprender a aprender, de reconhecer as forças com potencial determinista e os próprios erros e as ilusões (MORIN, 2002, p. 221). Na atualidade, a realidade organizacional é percebida pela inexistência de um ‘porto seguro’. Há uma busca i ncessante em descobrir certezas e verdades, num contexto caracterizado pela incerteza e por verdades provisórias. 2.3 Emoção 2.3.1 Definição Emoção, em sentido amplo, significa qualquer estado afetivo. Em sentido menos amplo, significa a manifestação complexa e organizada da vida afetiva (medo, cólera, emoção estética, etc.). Na acepção estrita, choque brusco, subitâneo, muita vez, violento e intenso, passageiro (medo, cólera, susto, alegria intensa, etc.). Distinguem-se: emoção-choque, que corresponde ao sentido estrito, e emoção-sentimento, menos violenta e, por isso, mais duradoura e que envolve o sentido menos amplo, correspondendo, assim, ao que também se denomina, com maior propriedade, sentimento. Goleman (2001) afirma que as emoções são, em essência, impulsos para agir, planos instantâneos para lidar com a vida que a evolução nos infundiu. Logo a própria raiz da palavra emoção transmite isso. Emoção é movere (mover), mais o prefixo “e”, para denotar “afastar -se”, indicando que uma tendência a agir está implícita em toda emoção (GOLEMAN, 2001, p. 20). Pires (1997), define emoções: “são reações físicas a determinados pensamentos que nos comovem, ‘mexem’ com a gente (emotio – latim: moção, movimento)”. E cita que as emoções básicas são: medo, raiva, amor, tristeza e alegria. Todas as emoções (sentimentos) brotam dos pensamentos. Assim: penso em coisas alegres... sinto alegria, penso em coisas tristes... sinto tristeza, penso em coisas irritantes... sinto raiva. Quando deixamos de pensar, as emoções simplesmente desaparecem. Se soubermos conduzir os pensamentos, poderemos escolher nossas emoções (PIRES, 1997, p. 60). 2.3.2 O que são e para que Servem as Emoções? Goleman (2001, p. 17) conta que antigamente criavam-se mitos de quem obtinha um alto QI, teria garantia do sucesso. No mundo empresarial, o QI (quociente de inteligência) alto conseguiria um bom emprego, mas a partir de agora iremos ver que na verdade podemos até obter uma inteligência acadêmica exemplar, mas se não soubermos controlar a inteligência emocional, iremos atrapalhar toda a nossa vida. Para obtermos respostas sobre esse assunto, devemos estudar profundamente a emoção que é um fator principal da inteligência humana, pois podemos defini-la como qualquer agitação ou excitação dos sentimentos e pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos; e entre si várias tendências para agir. Hoje a ciência diz que as emoções ocupam nossas vidas, para moldar nossas decisões e ações, cujas vezes, o valor e a importância são puramente racionais, e acabamos deixando de lado a medição do QI. Mas quando a emoção começa a dominar, o intelecto poderá nos conduzir a lugar nenhum, causado pela emoção e não pela lógica racional. A forma de avaliarmos situações complicadas conforme deparamos no nosso diaa-dia e nossa maneira de opinar a elas, é reformulada não apenas pelo nosso julgamento racional ou nossa opinião, mas também por nosso passado, onde nos leva a provocar tragédias. Outra característica que o medo pode nos apresentar, seria agir impulsivamente, por exemplo, a ansiedade leva pensar antes de agir no meio de uma situação, depois ela vira o medo e impulsivamente ele faz cometer um gesto. Mas todas as emoções são, em essência, impulsos, legados pela evolução, para uma ação imediata, para planejamentos instantâneos que visam lidar com a vida. A emoção pode dominar o ser humano, ela também pode deixá-lo em perfeita indecisão, ou até mesmo obter duas mentes: a racional e emocional, onde em uma situação se podem obter duas opiniões, uma racional e outra emocional. Na verdade, temos duas mentes - a que raciocina e a que sente. Essas duas mentes, a emocional e a racional, na maior parte do tempo operam em estreita harmonia, entrelaçando seus modos de conhecimento para que se oriente no mundo. Em muitos ou na maioria dos momentos, essas mentes se coordenam de forma bela e dedicada; os sentimentos são essenciais para o pensamento e vice-versa. Mas quando surgem as paixões, esse equilíbrio se desfaz: e a mente emocional que assume o comando, inundando a mente racional. Esses dois modos fundamentalmente diferentes de conhecimento interagem na construção de nossa vida mental. Um, a mente racional é o modo de compreensão de que, em geral, temos consciência: é mais destacado na consciência, mas atento e capaz de ponderar e refletir. Mas, além deste, há um outro sistema de conhecimento que é impulsivo e poderoso, embora às vezes ilógico, a mente emocional. Entre estes dois conceitos completamente diferentes, emocional e racional, a definição aproximada seria feita entre "coração” e “cabeça”, quando em determinado assunto é mais acentuada a proporção entre o controle racional e emocional da mente, quanto mais intensos o sentimento, mais dominante é a mente emocional e mais inoperante, a racional. A mente emocional é muito mais rápida que a racional, onde o homem tem que obter uma resposta rápida para agir, sem que ele consiga parar para pensar. Esta rapidez retira a reflexão deliberada, que caracteriza a mente racional, cujas ações liberadas pela mente emocional carregam uma forte sensação de certeza que é um subproduto de um tipo de comportamento bastante simplificado, que para a mente racional são intrigantes de uma maneira que quando acontece determinada coisa, quando a poeira abaixa, logo nos perguntamos: "porque fiz isso?" - isto é o sinal de que a mente percebeu o que aconteceu, mas não com a agilidade da mente emocional. As emoções têm uma mente própria; que pode ter opiniões bastante diversas das que tem a mente racional. A amígdala pode assumir o controle daquilo que se faz enquanto o cérebro pensante, o neocórtex, está ainda a procurar chegar a uma decisão. Visto que o funcionamento da amígdala e as suas interações com o neocórtex estão no cerne da Inteligência e Psicologia Emocional. A amígdala localiza-se no sistema límbico. Ela exerce a função de sentinela emocional. Os sinais sensoriais do olho ou ouvido vão primeiro e de modo direto a amígdala. Só então, via tálamo, é emitido um segundo sinal endereçado ao neocórtex, isto é ao cérebro pensante. Logo, a amígdala dá uma resposta ainda antes que o córtex tenha percebido o estímulo e elaborado uma resposta mais detalhada, isto é, mais consciente. A razão intervém só depois que o neocórtex teve mais tempo e informações para ‘pensar’. Esta ligação n eural ajuda o organismo a tomar em consideração tudo o que precisa ser considerado; ela guarda, também, a memória de tudo o que precisa ser evitado ou procurado, por causar perigo, dor/ prazer, saciedade/fome, sede, etc. Num certo sentido, temos dois cérebros, duas mentes e dois tipos diferentes de inteligência: racional e emocional, nosso desempenho na vida é determinado pelas duas. O intelecto não pode dar o melhor de si sem a Inteligência Emocional. Em geral, a complementaridade de sistema límbico e neocórtex, amígdala e lobos pré-frontais significam que cada um é parceiro integral na vida mental. Quando esses parceiros interagem bem, a Inteligência Emocional aumenta e também a capacidade mental. 2.3.3 A emoção e o homem A emoção faz parte da realidade humana. Nos momentos mais corriqueiros, importantes, críticos ou especiais verificam esse tipo especial de relação do homem com os outros, com as coisas, consigo, com o tempo. A relação homem/mundo só é possível se houver estes dois seres irredutíveis os quais formam uma unidade sintética dentro de um horizonte de compreensão. A emoção não fica fora disso, pois ela só ocorre quando há um sujeito emocionado e um objeto emocionador. Quando estamos tristes, estamos tristes frente a alguma coisa. Não há como identificar a emoção sem identificar juntamente o objeto frente ao qual o sujeito está emocionando-se. Então temos aí um principio: para a emoção ocorrer é preciso um sujeito emocionado e um objeto emocionador. É evidente, na verdade, que o homem que tem medo tem medo de alguma coisa. Mesmo que se trate de uma daquelas angústias indefinidas que sentimos no escuro, numa rua sinistra e deserta, etc., é ainda de certos aspectos da noite, do mundo, que se tem medo. (SARTRE apud BERTOLINO, 1998, p. 113). Sendo assim, a emoção não é um acontecimento provocado inicialmente pelo objeto para posteriormente penetrar-se e encerrar-se no sujeito, como as células vivas fazem penetrar na sua interioridade as substâncias que lhes são úteis. Para emocionar-se é preciso ter presente o objeto emocionador e é deste objeto que a emoção se nutre. A partir do momento em que não houver o objeto emocionador, o sujeito deixa se emocionar. Às vezes o objeto, em sua realidade, não está mais diante do sujeito e ele continua emocionado. Por exemplo, uma pessoa que se depara com um cachorro bravo pode começar a correr, e mesmo obtendo sucesso na fuga, mesmo o cachorro não estando mais presente poderá posteriormente ter suas pernas amolecidas, seu coração agitado. É que apesar do cachorro não estar presente fisicamente está presente como objeto de consciência para o sujeito que ao retomá-lo tem como objeto emocionador, experimentando como ameaça. A emoção é um fenômeno psicofísico que diz respeito ao ser de uma pessoa no mundo, e, é por ser humano que se é capaz de se emocionar. A emoção é um fenômeno que deve ser encarado com seriedade e não como algo secundário, como uma comédia humana, um fingimento, uma fraqueza, um capricho, etc. A emoção assume uma autonomia sobre o Ego, ela não começa e termina quando se quer, ela acontece irrefletidamente e toma nosso ser de cheio tendo origem na relação de degradação de um sujeito frente ao mundo. Na emoção, o sujeito emocionado está voltado para os objetos, por isso só vê a mudança ocorrida no mundo: é o mundo que se tornou sombrio ou iluminado, horrível ou maravilhoso, o sujeito emocionado não localiza que houve uma degradação de seu ser também. É preciso recordar esse caráter duplo do corpo, o qual é por um lado, um objeto no mundo, e, por outro, a vivência imediata da consciência [...] a emoção é um fenômeno de crença. A consciência não se limita a projetar significações afetivas sobre o mundo que a rodeia: a consciência vive o mundo novo que acaba de constituir. [...] Quando todas as vias se encontram barradas, a consciência precipitase no mundo mágico da emoção. (SARTRE apud BERTOLINO, 1998, p. 142). O que se encontra em todas as emoções, é a relação mágica estabelecida entre o sujeito e os objetos, entre o homem e o mundo. Ao conhecer as próprias emoções, o indivíduo passa saber melhor o que é raiva, tristeza, inveja, amor e carinho. Todos têm sentimentos, mas poucos sabem classificá-los. Conhecendo suas emoções, as pessoas também aprendem a diferenciar o momento certo de demonstrar cada uma dessas emoções. Para que se possa conviver com tudo isso, deve-se utilizar a inteligência emocional, onde se permite conhecer e compreender as emoções e como se lidar com elas. 2.4 Inteligência Emocional 2.4.1 As Bases da Inteligência Emocional A expressão ‘Inteligência emocional’ foi cunhada pelos psicólogos Peter Salovey e John Mayer. Em seu livro Inteligência Emocional, Goleman (2001, p. 60) analisou profundamente essa poderosa aptidão. Todos possuem algumas habilidades emocionais. Certas pessoas têm um desempenho excelente nessa área, enquanto outras não se dão tão bem. A prática ajuda a ascender na escala da inteligência emocional, que consiste em: 1) Conhecer os Próprios Sentimentos – Um grande número de pessoas não consegue definir sentimentos de amor, vergonha ou orgulho, nem a razão para o surgimento dessas sensações indefinidas. As mesmas pessoas mostram-se freqüentemente incapazes sequer de informar a intensidade de suas emoções, mesmo quando lhes pedem para classificá-las como sutis, intensas ou esmagadoras. Se não for capaz de avaliar a potência de seus sentimentos, não poderá definir até que ponto esses sentimentos o estão influenciando, e àqueles que o cercam. 2) Ser dotado de Empatia – Empatia é a capacidade de sentir os sentimentos de outras pessoas, de sentir as emoções de outros como sente as próprias. Quando se tem empatia, as emoções alheias ressoam dentro da gente. Percebem-se intuitivamente quais são esses sentimentos, sua intensidade e suas causas. 3) Aprender a Controlar as próprias Emoções – Conhecer as próprias emoções e as emoções dos outros não basta para alcançar a inteligência emocional. Precisa-se saber quando expressar as emoções e quando contê-las. Precisa-se saber quando e como a expressão emocional, ou sua ausência, influi outras pessoas. 4) Remediar Danos Emocionais – na qualidade de seres humanos, todos cometem deslizes emocionais e magoam-se pessoas. Contudo, deve-se aprender a reconhecer e a reparar aquilo que se faz. Para tal, tem que se assumir responsabilidades, pedir perdão e buscar reparação. O que pode significar uma transformação de atitudes, se esta magoar alguém. Não é tarefa fácil, mas, se não se procura colocá-la em prática, os erros envenenarão permanentemente todos relacionamentos. 5) Integração de Tudo – À medida que se ascende na escala da Inteligência Emocional, se desenvolve uma aptidão chamada ‘interatividade emocional’. Significa a capacidade de estar em sintonia com os sentimentos daqueles que nos cercam, sentir seus estados emocionais e interagir eficazmente com eles. Para Goleman (2001, p. 48), “a vida emocional é um campo com o qual se pode lidar, certamente como matemática ou leitura, com maior ou menor habilidade, e exige seu conjunto especial de aptidões”. A inteligência emocional é uma metacapacidade qu e determina até onde se podem usar bem quaisquer outras aptidões que se tenha. 2.4.2 Habilidades que Constituem a Inteligência Emocional A Inteligência Emocional está relacionada às habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns, além é claro, do intra e inter-relacionamento pessoal. Daniel Goleman (2001, p.56), em seu livro Inteligência Emocional, mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades: 1. Autoconhecimento Emocional – reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre. 2. Controle Emocional – habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequandoos para a situação. 3. Automotivação – dirigir emoções a serviço de um objetivo é essencial para manter-se caminhando sempre em busca. 4. Reconhecimento de emoções em outras pessoas. 5. Habilidade em relacionamentos interpessoais. As três primeiras acima se referem à Inteligência Intra-Pessoal. As duas últimas, à Interpessoal. Inteligência Interpessoal, segundo Goleman (2001, p.131), é a habilidade de entender outras pessoas: o que as motiva, como trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas. 1. Organizar Grupos: é a capacidade essencial do líder, que envolve iniciativa e coordenação de um grupo, habilidade de obter do grupo o reconhecimento da liderança, a cooperação com a liderança, a cooperação espontânea. 2. Negociar soluções: o papel do mediador, prevenindo e resolvendo conflitos. 3. Ligação pessoal (Empatia) – harmonia Pessoal: é a capacidade de identificando e entendendo os desejos e sentimentos das pessoas, responder de forma apropriada de forma a canalizá-los ao interesse comum. 4. Análise Social (conhecer as outras pessoas): é a capacidade de detectar e identificar sentimentos e motivos das pessoas. Para Gardner (apud GOLEMAN, 2001, p. 52), A inteligência interpessoal é a capacidade de compreender as outras pessoas: o que é que as motiva, como trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas. As pessoas que trabalham em vendas, políticos, professores, clínicos e líderes religiosos bem sucedidos provavelmente são todos indivíduos com alto grau de inteligência interpessoal. A inteligência intrapessoal [...] é uma capacidade correlativa, voltada para dentro. É uma capacidade de formar um modelo preciso, verídico, de si mesmo e poder usá-lo para agir eficazmente na vida. A visão de Gardner a respeito destas inteligências põe a tônica na cognição, isto é, a compreensão de nós mesmos e dos outros em termos de motivos, de hábitos de trabalho e na interiorização desse conhecimento na condução da nossa vida e das relações que se tem com os outros. No seu trabalho Gardner concentra-se mais na cognição dos sentimentos, do que no papel das sensações nessas inteligências. Contudo, Gardner sabe bem a importância que as capacidades emocionais e de relacionamento têm nos altos e baixos da vida. Estas características da inteligência pessoal vêm a constituir-se, afinal, como a essência em si do conceito de Inteligência Emocional tal como originalmente o definem Saloney e Mayer: “capacidade de reconhecer as emoções e os sentimentos pess oais e dos outros, de os discriminar e de usar esta informação para orientar o seu modo de pensar e agir” (SALONEY E MAYER apud VERÍSSIMO, 2000, p. 30). Inteligência Intrapessoal, conforme Goleman (2001, p. 48), é a mesma habilidade, só que voltada para si mesmo. É a capacidade de formar um modelo verdadeiro e preciso de si mesmo e usá-lo de forma efetiva e construtiva. Quem tem habilidades emocionais desenvolvidas procura entrar nos grupos de trabalho respeitando as etapas necessárias de aceitação. São pessoas que passam algum tempo observando os aspectos psicológicos do grupo e dos componentes para entender a dinâmica interna que prevalece. O conhecimento das próprias emoções traz alguns benefícios que são percebidos a curto e em médio prazo. A habilidade em negociar soluções é um deles. A pessoa passa a ser mediadora, evitando e resolvendo conflitos. Essa é uma habilidade excelente, pois proporciona capacidade de pensar sobre as melhores soluções a serem tomadas diante de problemas reais ou aparentes. O resultado é economia de tempo, de dinheiro e um posicionamento de liderança diante da vida e das pessoas. 2.4.3 A Inteligência Emocional nas Organizações de Trabalho Em um mundo globalizado como o atual, as organizações deparam-se constantemente com dificuldade em lidar com técnicas oriundas de novos modelos implantados no contexto gerencial e operacional em mercados mais desenvolvidos, dificultando a penetração e manutenção das mesmas com nichos estabelecidos. Na esteira da competitividade desenfreada, várias empresas buscaram estratégias milagrosas no intuito de sair na frente do concorrente. Com o passar do tempo estas idéias foram descartadas devido a sua comprovada ineficiência. A partir de 1990, com Salovey e Mayer, que deram início à idéia de inteligência emocional e posteriormente a difusão dos livros de Daniel Goleman, as organizações procuraram valorizar as emoções, criando-se assim, um novo método de avaliação de potencial. Estabeleceu-se então, uma estreita relação entre produtividade e o bem estar dos colaboradores. Durante anos o destino do indivíduo tanto pessoal, como nas organizações e na vida profissional foi determinado pelos testes de QI. Assim, determinava-se se aquele indivíduo poderia exercer certas atividades com sua capacidade intelectual determinada por um parâmetro lógico ou se estaria excluído do mercado. Na prática, com o passar dos anos, foi sendo verificado que alguns daqueles considerados prodígios, nem sempre atendiam as expectativas depositadas neles. Estes indivíduos muitas vezes mostravam excelente conhecimento profissional, mas, não conseguiam desenvolver profissionalmente atividades que estivessem diretamente ligadas ao relacionamento pessoal. Por outro lado, alguns indivíduos considerados de baixo QI, conseguiam, após treinamento intensivo exercer atividades consideradas complexas para a sua inteligência. E mais, ainda possuíam grande capacidade de manter relacionamentos no seu grupo de atividades e/ou nas organizações. Segundo Goleman (1999), Inteligência Emocional refere-se à capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e dos outros, de motivar a nós mesmos e de gerenciar bem as emoções dentro de nós e em nossos relacionamentos (GOLEMAN, 1999, p. 337). As organizações constituem parte integrante da vida das pessoas. O indivíduo desde que nasce e durante a sua existência depara-se com um vasto contingente de organizações (GOLEMAN, 2001, p. 54). O homem é um ser social que necessita do seu semelhante para completar-se e satisfazer suas necessidades. Isto só é possível mediante uma interação de pessoas que buscam alcançar resultados pela conjugação de esforços. Inúmeros estudos sobre a administração de empresas têm ressaltado a importância do intra e inter-relacionamento pessoal ou Inteligência Emocional no trabalho. Desenvolver o coeficiente emocional de seu pessoal além do intelectual, é cada vez mais importante para o sucesso e sobrevivência das organizações. As pesquisas neste campo demonstram que emoções, adequadamente manejadas, são capazes de gerar mais lealdade e compromisso com o trabalho, levando a um ganho em produtividade, envolvimento e inovação. As lideranças pelo mundo afora estão descobrindo a cada dia como a atenção para os aspectos emocionais das pessoas no trabalho tem se mostrado capaz de poupar tempo, expandir oportunidades e focalizar a energia para melhores resultados. Atualmente a tendência é a valorização e o investimento nos recursos humanos através da aprendizagem corporativa, priorizando talentos e um rol de competências, a fim de atingir a cultura organizacional. Não basta mais dominar técnicas e acumular saberes, mais do que conhecimento, é preciso saber acessá-lo. Comunicar, inovar, saber coordenar, planejar, são pré-requisitos necessário para uma atuação de qualidade, cada vez mais almejado pelos ambientes sociais. Demo nos diz que: [...] o conceito de oportunidade coloca à luz a face política do desenvolvimento, apontando para a possibilidade de ser feito, conquistado, planejado [...] tratando-se de fazer e fazer-se oportunidade, parece claro que o componente mais próximo seria a educação, pois esta pode gestar mais diretamente a competência humana (DEMO, 2000, p. 15). Em busca de adaptação às novas tendências mundiais, as organizações optaram pela redução dos seus quadros de funcionários e saíram em busca de colaboradores que possuíssem equilíbrio emocional. Como resultado destas buscas foram criados diversos programas com a finalidade de administrar um treinamento capaz de desenvolver a inteligência emocional. Através deste processo, tanto executivos como funcionários em geral podem identificar suas fraquezas e potencialidades desenvolvendo novas estratégias para incrementar sua performance global através de um melhor uso de suas capacidades emocionais. A Inteligência Emocional ou intra e inter-relacionamento pessoal pode ser desenvolvida em praticamente qualquer idade, sendo possível realizar um aprendizado que compense as deficiências de formação emocional básica. Como se passa a maior parte do dia no trabalho acaba criando um vinculo emocional com ele. Este garante a sobrevivência e satisfaz as necessidades físicas, psicológicas garantindo ao homem equilíbrio. Entretanto, o ambiente em que se vive é marcado por tensões e conflitos e estes acabam provocando sentimentos como: angústia, ansiedade, depressão, estresse, nervosismo, irritação e infelicidade. Assim, o humor varia o tempo todo. A Inteligência Emocional tem importância fundamental no trabalho, e dela depende muito o sucesso e a sobrevivência de uma organização. As emoções adequadamente controladas permitem uma boa produtividade, relacionamento e bem-estar. 2.4.4 Inteligência interpessoal no mercado de trabalho Diniz (2000) em seu artigo “Inteligência Interpessoal no Mercado de Trabalho: um produto valioso”, diz q ue muitas pessoas se questionam sobre o por quê, que, em determinada fase da vida, suas aptidões técnicas não são suficientes para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. Além dos altos índices de desemprego, a resposta também pode estar na maneira, às vezes ruim, como se relacionam com outras pessoas. O que acontece é que até determinado momento da vida são testados apenas os conhecimentos adquiridos na escola e nos livros. Na fase adulta aparecem os jogos emocionais que, quando mal feitos, derrubam qualquer currículo invejável e podem, inclusive, condenar o indivíduo a uma solidão profissional. O que se observa é que um bom currículo ou um bom conhecimento técnico é aproveitado se a pessoa que os possuir tiver conhecimento das próprias emoções, das emoções das outras pessoas e souber se relacionar a partir dos que percebe. As pessoas se expressam por meio de gestos, sinais, falas e atitudes, e a maneira como o fazem constitui-se numa forma de atuação social importante para cada um. Existem regras de exibição para cada sentimento e pensamento, mas nem todos sabem o momento e a maneira correta de expressá-los. A inteligência interpessoal promove o conhecimento das próprias emoções e a habilidade de selecionar a melhor maneira de expressá-las, para a pessoa certa e na hora certa. Isso traz benefícios no dia-a-dia de trabalho, facilitando-o. Ao conhecer as próprias emoções, o indivíduo passa a compreender melhor o que é a raiva, a tristeza, a inveja, o amor e o carinho. Todos têm esses sentimentos, mas poucos sabem classificá-los. Conhecendo suas emoções, as pessoas também aprendem a diferenciar o momento certo de demonstrar cada uma dessas emoções. Muitos diminuem o que sentem, ou tentam mostrar o oposto do que estão sentindo, outros exageram na maneira de se expressar, aumentando o que sentem e também existem aqueles que substituem um sentimento por outro. Ter consciência do que se sente e de como expressar isso faz parte da inteligência interpessoal. Assim o individuo poderá refletir sobre os seus próprios sentimentos em relação ao colega de trabalho e modificar a formas como o trata. Outro aspecto positivo proporcionado pelo desenvolvimento da inteligência interpessoal é o aperfeiçoamento da capacidade de organizar grupos. Essa habilidade possibilita a pessoa a iniciar e coordenar esforços grupais, bem como identificar projetos e trabalhos que serão mais bem desenvolvidos se feitos em conjunto. Pessoas com essas características têm a iniciativa de criar movimentos em prol de uma causa comum, seja ela pequena ou grande. O aspecto grupal é especialmente importante, e deve ser relevado seriamente. É complexo, pois a maneira como um grupo pensa e sente pode determinar muita coisa, inclusive o sucesso ou fracasso profissional. Somente após terem adquirido o status de pertencer ao grupo é que manifestam opiniões a favor ou contra determinado tema. No final, essas opiniões são bem aceitas e passam a ser integrantes definitivas. Quando o indivíduo não segue essas etapas, pode ser rejeitado. Isso acontece se tenta ser líder sem ter sido escolhido, se dá opiniões abruptas ou se discorda de fatos e situações do grupo que ainda não conhece muito bem. Essas pessoas acabam sendo ignoradas ou rejeitadas, e suas aptidões profissionais podem não ser observada. Todos precisam da capacidade de trabalhar com outras pessoas, da capacidade de discernir aspectos do ambiente no qual estão inseridos. Concluindo o ponto, Sternberg (1992, p. 78), fala de si próprio. “Supostamente agora estou no pedestal da torre de marf im, mas sem usar minha capacidade prática não permanecerei aqui por muito tempo mais”, e finaliza dizendo que, para ele, algo se torna parte da inteligência se este algo for necessário à adaptação. Para que isso aconteça é necessária uma intuição sobre os sentimentos e os motivos de preocupação do outro. Enfim, a pessoa acaba desenvolvendo um senso responsável de relação com si própria e com o outro. A inteligência interpessoal tem como característica básica a democracia. Todos podem desenvolvê-la, independentes do grau de instrução, situação financeira, sexo, idade ou atividade profissional. Somente num aspecto ela é antidemocrática: quem não a desenvolve, está fadado a uma carreira solo, sem arestas de apoio e sem a cumplicidade dos colegas (DINIZ, 2000, Internet). 2.4.5 Inteligência Emocional (intra e inter-relacionamento pessoal) A inteligência interpessoal está relacionada ao convício humano, às relações interpessoais e à comunicação. A inteligência interpessoal está naquelas pessoas que são hábeis em compreender as outras pessoas e trabalhar com as diferenças destas pessoas. São aquelas que tem a capacidade de unir os contrários, de articular situações para um fim em comum. Esta inteligência está voltada para fora, para os outros indivíduos. Segundo Gardner (1994, p. 185), “A capacidade central aqui é a capacidade de observar e fazer distinções entre outros indivíduos e, em particular, entre seus humores, temperamentos, motivações e intenções”. Esta não é uma habilidade apenas de con tato exterior com o outro, mas, sobretudo, de trabalho cognitivo árduo, de planejamento, de definições de estratégias e de execuções. Envolve o trabalho cooperativo com outros grupos e a habilidade de comunicação verbal e não-verbal, distinguindo alterações de humor, temperamentos, motivações e intenções. Seu perfil aponta para a criação e manutenção de sinergia, trabalho cooperativo e percepção dos diferentes estados emocionais. São pessoas que: aprendem cooperativamente; gostam de estar com as pessoas; são amigáveis; gostam de jogos em grupo; atuam como mediadores; aprendem melhor através de relatos e de ajudar pessoas; compreendem os sentimentos dos outros. Está presente em aconselhadores, professores, terapeuta, políticos e líderes religiosos. Diferente da inteligência interpessoal, a inteligência intrapessoal se relaciona com os estados interiores do ser, com a auto-reflexão, com a sensibilidade diante das realidades espirituais. É o conhecimento dos sentimentos, da intensidade das respostas emocionais, um senso de intuição avançado. A inteligência intrapessoal possibilita a compreensão de si mesmo, auxiliando distinguir um sentimento de prazer de uma dor, e com base nestas escolhas tornar-se mais envolvido ou saber retirar-se de uma situação. Explora a capacidade de perceber com clareza os próprios limites e o entendimento do que é possível fazer, como fazer e porque fazer. O autoconhecimento é a característica forte desta inteligência encontrada nos terapeutas, nos lideres ou em pessoas que, apesar das dificuldades da vida conseguem ver o seu lado positivo. O perfil indica concentração total da mente, preocupação, percepção e expressão de diferentes sentimentos, senso de autoconhecimento, capacidade de abstração e de raciocínio. São pessoas sensíveis, conscientes de suas emoções, forças e fraquezas; que demonstram força de vontade; possuem opinião definida sobre os assuntos; gostam de seu mundo privado; possuem autoconfiança, são motivadas. 2.4.6 Motivação Durante muito tempo, os filósofos identificaram nos desejos e necessidades do homem os elementos fundamentais da personalidade. Foi, porém, a aplicação das teorias de Charles Darwin que fez progredir o estudo da motivação. Está se vivendo a época das maiores transformações da humanidade, sem dúvida alguma; nunca o ser humano passou por um período de tantas transformações a ponto de às vezes ter dificuldade em se adaptar às circunstâncias. A verdade é que não se consegue se quer prever o que poderá ainda ocorrer de progresso científico e tecnológico de hoje até o fim desta década. O passo de mudança é tão violento e rápido que muitos começam a sentir verdadeira ansiedade ao acompanhar tudo o que vem ocorrendo. Aí começam a sentir um certo desânimo e uma sensação de obsolescência e mesmo de fossilização. É preciso vencer essas sensações com um poder muito grande de automotivação. É preciso reencontrar os motivos para viver, para vencer, para desafiar as mudanças, para querer manter-se atualizado. Para Weisinger (1997, p. 75), “a motiv ação é aquilo que leva a despender energia numa direção específica com um propósito especifico; no contexto da inteligência emocional, motivar-se significa usar o sistema emocional para catalisar todo esse processo e mantê-lo em andamento”. Às vezes se pre cisa enfrentar situações muito dramáticas, um projeto cancelado, a perda de um emprego, que provocam um grande estrago na nossa motivação, portanto devese aprender a enfrentar os retrocessos e criar-se retomada. A maneira de se utilizar essas fontes de motivação e se lidar com os retrocessos pode deferir de um indivíduo para outro, mas os elementos da motivação são comuns a todos: confiança, otimismo, tenacidade, entusiasmo e resistência. É a confiança que permite crer que se tem a capacidade de executar uma tarefa, é o otimismo que dá a esperança de que o desfecho será a solução positiva, é a tenacidade que se mantém concentrado na tarefa, é o entusiasmo que permite começar tudo de novo. Weisinger (1997, p. 76) continua dizendo que, “ver -se desmotivado pode ser angustiante: sente-se isolado, frustrado, temeroso, deprimido, ansioso; sua auto-estima provavelmente vai para o fundo do poço”. Mas, o homem é a força da motivação, mais poderoso, porque é no homem que tudo começa. Pensar positivamente é o recurso interior mais importante de que o homem dispõe para se automotivar: os pensamentos são a locomotiva de todas ações. Os pensamentos positivos são um tônico para a motivação, ao passo que os pensamentos negativos são um veneno. 3 METODOLOGIA 3.1 Foco de Pesquisa Esta pesquisa tem como objetivo a investigação do relacionamento intra e interpessoal dos funcionários-colaboradores de uma empresa comercial e de prestação de serviços da cidade de Araranguá. Este Trabalho de Investigação Psicológica é de estilo exploratório e realizou-se em dois lances: inicialmente fez-se uma pesquisa teórica que pudesse apoiar e fundamentar a investigação e, posteriormente, uma pesquisa de campo, realizada através de questionários e de observação da realidade direta do intra e do inter-relacionamento dos trabalhadores dentro da organização. Trata-se, portanto, de uma pesquisa com metodologia quanti-qualitativa de coleta e análise de dados. 3.2 Debate Teórico Os estudos exploratórios têm como objetivo a formulação de um problema para efeito de uma pesquisa mais precisa ou para a elaboração de hipóteses, possibilitando ao pesquisador fazer um levantamento provisório do fenômeno que deseja estudar de forma detalhada e estruturada acerca de um determinado assunto (Oliveira 1999, p. 134) Para Rauen (1999), investigação de campo exploratória visa adequar maior intimidade com o problema e tem como alvo tornar um problema complexo o mais explicito possível ou pelo menos construir hipótese adequada, envolve o levantamento e fundamentação bibliográfica, as entrevistas com pessoas envolvidas e as análises dos dados recolhidos (RAUEN, 1999, p. 25). De acordo com Martins (1992), a pesquisa exploratória tem pouco conhecimento do assunto. É adotada para maiores informações sobre determinado assunto de estudo. Possui um planejamento flexível para possibilitar a consideração dos mais diversos aspectos de um problema (MARTINS, 1992, p. 124). Se o pesquisador executa o seu trabalho se valendo de questionário ao objeto de seu estudo, com a finalidade de coletar dados que lhe permitem responder ao problema, a pesquisa é denominada de ‘pesquisa de campo (FILHO, 2000, p. 18). O questionário constitui uma das mais importantes técnicas para aquisição de dados nas investigações sociais. Não obstante aparece, às vezes, revestido de imprecisões; por isso é comum falar-se em entrevistas com sentido próprio ao de questionário (GIL, 1994, p.124). Segundo Ruiz (1996), a pesquisa de campo consiste na observação dos fatos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados e no registro de variáveis supostamente relevantes para posterior análise (RUIZ, 1996, p. 50). Segundo Lakatos (1991), a pesquisa de campo não deve ser confundida com a simples coleta de dados. É algo mais que isso, pois exige contar com controles adequados e com objetivos preestabelecidos que discriminam suficientemente o que deve ser coletado, uma vez que ela é utilizada com o objetivo de conseguir informações e conhecimentos acerca de um problema para o qual se procura resposta ou de uma hipótese que se queira comprovar ou mesmo descobrir novos fenômenos ou relação entre eles (LAKATOS, 1991, p. 134). 3.3 Procedimentos Por perceber que não existe estudo direcionado para o intra e inter-relacionamento pessoal no âmbito da Psicologia das Organizações e do Trabalho, resolveu-se fazer esta pesquisa. Após todos os procedimentos iniciais exigidos para uma pesquisa científica como consulta de bibliografia, elaboração do projeto, questionários, teste piloto, passou-se para a investigação propriamente dita. Após aplicar-se o teste piloto e verificar-se de que não apresentava dúvidas quanto às questões, a não ser a dificuldade em responder, escolheu-se aleatoriamente os funcionárioscolaboradores de uma empresa comercial e prestadora de serviços da cidade de Araranguá, para fazerem parte da pesquisa. Houve boa vontade por parte dos proprietários da empresa, e os funcionários foram reunidos no refeitório e lhes foi aplicado o questionário, que foram respondidos de boa vontade. Apesar das diferenças cultural, intelectual, racial e da faixa etária, pôde-se colher os dados que se almejava. 3.4 Instrumento A presente pesquisa se efetivou através de questionários com perguntas abertas, fechadas e com múltipla escolha. 3.5 Delineamento A composição da pesquisa foi delimitada exclusivamente aos funcionárioscolaboradores de uma empresa comercial e prestadora de serviços do município de Araranguá. Escolheu-se esta empresa: (1º) por haver boa vontade de seus proprietários e (2º) esta empresa já ter feito um trabalho com seus funcionários-colaboradores no que diz respeito ao intra e inter-relacionamento pessoal no âmbito da Psicologia Organizacional e do Trabalho. 3.6 Amostra Os indivíduos pesquisados foram os funcionários-colaboradores de uma empresa comercial e prestadora de serviços, na faixa etária de 20 (vinte) a 60 (sessenta) anos de idade, todos residentes em Araranguá, escolhidos de forma aleatória. 3.7 Coleta de Dados A pesquisa de campo realizou-se em uma empresa comercial e de prestação de serviços, estabelecida no município de Araranguá, estado de Santa Catarina, cujo quadro pessoal perfaz o total de 31 (trinta e um) integrantes, sendo dois deles os proprietários. Alguns critérios foram estabelecidos com referência à escolha da amostra a ser pesquisada; o principal foi com relação ao tempo de serviço na empresa. Para participar da pesquisa o funcionário colaborador deveria ter mais de 5 (cinco) anos de serviços na empresa. Participaram 16 (dezesseis) pessoas, sendo que 15 (quinze) fazem parte do quadro de funcionários e 1 (uma) é proprietária. A pesquisa ocorreu após se entrar em contato com os indivíduos e entregando-lhes o questionário, o qual se recolheu na medida em que iam terminando de responder. 3.8 Análise de Dados A análise dos conteúdos procedeu-se de maneira quanti-qualitativa. As respostas obtidas foram analisadas a partir do referencial teórico, construído através de gráficos, quadros, por categoria e pelos próprios relatos dos entrevistados. Para a análise dos dados utilizou-se como referencial os aspectos que caracterizam o intra e o inter-relacionamento pessoal dos funcionários-colaboradores e do proprietário, com afinidade ao corpo funcional como um todo, em relação aos clientes, seus objetivos pessoais e, os objetivos da empresa. 4 EXPOSIÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Nesta etapa do presente trabalho preocupa-se com a caracterização da amostra, à exposição e à análise de dados coletados durante a realização da pesquisa, assim como a interpretação dos resultados apresentados, adquiridos através dos questionários aplicados aos funcionários-colaboradores de uma empresa comercial e prestadora de serviços do município de Araranguá (SC). Para a realização deste trabalho foram abordados vinte e nove funcionárioscolaboradores. Com base nas respostas coletadas, a caracterização dos indivíduos, as questões, bem como as tabelas e os gráficos serão expostos a seguir: 4.1 Caracterização da amostra Quadro 1 – Idade Idade Nº de Funcionários-colaboradores 20 a 30 13 30 a 40 10 40 a 50 05 50 a 60 01 Fonte: Dados do pesquisador Observa-se que 23 (vinte e três) pessoas da amostra possuem entre 20 (vinte) e 40 (quarenta) anos e apenas 6 (seis) pessoas possuem mais de 40 (quarenta) anos. Desta forma, conclui-se que a maioria das respostas foi dada por pessoas mais jovens. Goleman (2002) diz: Uma vez que os próprios empregadores estão em busca de tais capacidades naqueles que contratam, as faculdades e escolas profissionalizantes – sobretudo os cursos de administração – deveriam incluir os princípios básicos da inteligência emocional nos conjuntos de competências que oferecem. Como nos lembra Erasmo, o grande pensador renascentista: ‘As maiores esperanças de uma nação depositam-se na educação adequada da juventude’ (GOLEMAN, 2002, p. XV). Esta empresa, pela faixa etária de seus funcionários-colaboradores, espelha esta tendência dita por Goleman (2002), pois seus membros são quase que na totalidade jovens. Goleman vai além: Esperamos que os educadores mais criativos reconheçam a importância da inteligência emocional no ensino superior e ajudem seus alunos a se tornarem lideres, em vez de meros gerentes. Os homens de negócios mais avançados devem estimular e oferecer seu apoio a essa formação para negócios, visando não só a uma liderança mais forte em suas próprias empresas, mas à vitalidade da economia como um todo. Os benefícios se acumularão não só para uma nova geração de lideres, mas para nossas famílias, comunidades e sociedade de modo geral (GOLEMAN, 2002, p. XV). Quadro 2 – Sexo Sexo Nº de Funcionários-colaboradores Masculino 25 Feminino 04 Fonte: Dados do pesquisador Verifica-se através do quadro, que a maioria das pessoas questionadas, 25 (vinte e cinco) delas, são do sexo masculino e que apenas 4 (quatro) são do sexo feminino, predominando assim, respostas dadas mais por homens do que por mulheres na presente pesquisa. Esclareça-se que estes são apenas dados didáticos e ilustrativos que não interferem nos resultados da pesquisa. Quadro 3 – Escolaridade Escolaridade Nº de Funcionários-colaboradores 1º grau incompleto 06 1º grau completo 03 2º grau incompleto 04 2º grau completo 06 Superior incompleto 09 Superior completo 01 Fonte: Dados do pesquisador O nível de escolaridade dos funcionários-colaboradores desta empresa é muito bom, pois apenas 6 (seis) funcionários não têm o primeiro grau completo e 3 (três) tem completo. Seis (6) tem o segundo grau completo e 4 (quatro) tem incompleto e 9 (nove) tem curso superior incompleto e 1 (um) tem curso superior completo. Quadro 4 – Tempo de Serviço Tempo de serviço Nº de Funcionários-colaboradores Menos de 06 meses 01 06 a 12 meses 05 01 a 03 anos 04 03 a 05 anos 03 05 a 07 anos 03 07 a 09 anos 07 09 a 11 anos 03 11 anos acima 03 Fonte: Dados do pesquisador Observa-se que a rotatividade de funcionários-colaboradores desta empresa é bastante baixa. A maioria deles, 19 (dezenove), tem mais de 3 (três) anos de casa, o que se leva a concluir a positividade da fala de um deles que afirmou: Sim, porque o convívio diário faz com que as pessoas conheçam melhores seus colegas, e aprendam a respeitá-los. Quadro 5 – Função Função Nº de Funcionários-colaboradores Auxiliar administrativo 01 Auxiliar de Escritório 05 Gerente de Vendas 01 Gerente de Oficina 01 Vendedor 09 Mecânico 08 Motorista 02 Lavador de peças 02 Proprietários 02 (não estão inclusos como funcionários) Fonte: Dados do pesquisador A empresa é composta pelos seus proprietários (2) que também ocupam os cargos de Direção da Empresa e 2 (dois) gerentes (um de vendas e outro de oficina), que são as pessoas que realmente têm o poder decisório. Além destes, conta-se com a colaboração de 6 (seis) funcionários que são os encarregados de darem suporte e andamento aos assuntos administrativos e burocráticos. Os demais, 21 (vinte e um) ao todo: vendedores, mecânicos, motoristas e lavadores de peças são aqueles que efetuam os trabalhos objetivamente aos clientes (vendas de mercadorias e prestação de serviços). 4.2 Análise das questões de estudo A apreciação que segue está baseada conforme a estratégia de entrevista que foi construída e aplicada com todos os funcionários-colaboradores pesquisados. Cursa rigorosamente a seqüência das questões da entrevista, tendo em vista que estas foram organizadas já com a intenção de chegar ao objetivo proposto no trabalho bem como a corroboração ou refutação das hipóteses. Perguntados sobre o juízo que possuem a respeito do entendimento de intra e inter-relacionamento pessoal (Inteligência Emocional), os funcionários-colaboradores pesquisados descrevem predominantemente que intra e inter-relacionamento pessoal se referem a uma capacidade que extrapola as titulações exclusivamente técnicas, para o trabalho. É a aptidão que o indivíduo tem de controlar suas emoções e seus impulsos. O jeito como se lida com as dificuldades, os problemas, definem Intra e inter-relacionamento pessoal (Inteligência Emocional) como uma estabilidade emocional, ou seja, a maneira de como se enfrenta as dificuldades que a vida apresenta. Pode-se observar o que diz um dos entrevistados e que ilustra esse conceito. O nosso relacionamento interpessoal depende do nosso intrapessoal, por isso devemos ter sempre plena consciência de nosso modo de agir, pensar e se portar com o interpessoal. Exemplo: ter bom relacionamento, capacidade de liderança, controle, segurança, etc, tudo isso reflete no nosso interpessoal. Intra e inter-relacionamento pessoal (Inteligência Emocional) estão diretamente relacionados às atitudes do indivíduo. Conforme Goleman (2001), são capacidades que se ampliam no decorrer da vida. Inteligência Emocional é a capacidade de criar motivações para si próprio e de persistir num objetivo apesar dos percalços; de controlar impulsos e saber aguardar pela satisfação de seus desejos; de se manter em bom estado de espírito e de impedir que a ansiedade interfira na capacidade de raciocinar; de ser empático e autoconfiante (GOLEMAN, 2001, p. 121). Quanto ao emprego do conceito de intra e inter-relacionamento pessoal (Inteligência Emocional) na organização, os relatos foram comuns: as habilidades emocionais do ser humano vêm sendo discutidas e acredita-se que esse processo possa estar embutido culturalmente, ou seja, esses valores, mesmo que de forma embrionária, já fazem parte da cultura da organização. Está apenas reformulando, aperfeiçoando e adaptando seu modelo de ação com esse conceito. A partir disso, é possível que esse conceito torne-se efetivo na organização. Pode-se observar essa diretriz a partir de algumas declarações. Muita coisa melhorou no ambiente de trabalho, mas muita ainda a melhorar; uma das coisas que poderia citar seria o reconhecimento por parte dos colegas. Acho que o que levou a empresa a utilizar esse método foi o fato de o proprietário ter uma visão futurista que a empresa só crescerá se todos crescerem juntos. Acompanhando o raciocínio, outro depoimento poderá elucidar bem melhor este conceito: Capacidade de reflexão, isto é, ouvir mais, analisar tanto nossas atitudes como de nossos colegas, acredito que melhorou muito mais a união da equipe, aumento de tolerância, capacidade de reconhecimento. Salienta-se que os funcionários-colaboradores entrevistados possuem uma definição comum, isto é, a empresa realmente vem se utilizando desse conceito, dessa nova proposta de trabalho. Percebe-se, com isso, que os valores e premissas da empresa estão preponderantemente relacionados com as desenvolturas e capacidades do indivíduo. Os motivos considerados que levaram a organização a se utilizar desse conceito, foram pela importância que esta deposita em conhecer processos novos e modernos que possam ser aplicados e desenvolvidos em seu aprimoramento. A organização sempre foi uma empresa de ponta, pioneira no uso de conceitos que venham ao encontro do aperfeiçoamento dos seus funcionários-colaboradores e por conseqüência o aprimoramento da empresa, mostrando que essa é uma empresa de vanguarda, para os parâmetros dessa região. O fato de estar relativamente à frente, é que faz surgir a preocupação constante com a modernização da empresa e como se está falando aqui de valores humanos, quer se deixar claro que essa busca também envolve aspectos que valorizem o lado sentimental das pessoas. Mais um motivo que fez com que esta empresa buscasse desenvolver essa prática foi, que esse foi ao encontro dos anseios da empresa que busca, principalmente o desenvolvimento de seus funcionários-colaboradores e uma boa inter-relação entre os mesmos, para isso tenta-se dilatar anseios de coleguismo, colaboração, conivência, convivência, respeito e companheirismo. Um dos funcionários-colaboradores entrevistado descreve sua percepção, que possivelmente elucidará ainda mais o que foi comentado. Os efeitos foram positivos; na vida pessoal aprendi a ter calma, aprendi a não me preocupar com coisas insignificantes, aprendi a escutar os outros e dei força aos meus pensamentos positivos. Na vida familiar, dei mais atenção aos meus pais, escutei mais eles e também ajudei mais. O questionamento sobre a maneira como esse conceito foi implantado nesta empresa pode-se observar que oficialmente essa prática ainda não foi implantada definitivamente na empresa, mas as idéias já começam a fazer raiz na estrutura desta empresa, como vimos nas respostas dos entrevistados. Veja-se o que um dos entrevistados relata: Estudos e a prática nos mostra que este é o caminho. Somos pessoas de qualidades e defeitos, que precisamos conviver, se é possível melhorar, começamos pelo lado humano, o restante é conseqüência. O conceito não foi ainda oficialmente implantado na empresa. Segundo a análise das entrevistas e estudos feitos em relação à intra e interrelacionamento pessoal (Inteligência Emocional) não é um conceito definitivo e acabado, mas existem programas para seu desenvolvimento. É uma decisão individual de cada empresa. O intra e o inter-relacionamento pessoal (Inteligência Emocional) em comparação ao quociente de inteligência (QI) é uma criança recém-nascida comparada com seu velho avô e por esse motivo ainda não se tem instrumento de consenso para mensurar a Inteligência Emocional, mas meios e práticas para provar sua completa eficiência na empresa. A ênfase na estabilização emocional já atingiu todas as organizações. A própria linguagem consagrou uma visão perversa dos homens e mulheres que se esgotaram na linha de trabalho. A empresa mudou, embora essa mudança esteja ainda se estruturando, podemos dizer que o conceito de Inteligência Emocional vem para confirmar e efetivar essa mudança, no sentido de que busca o desenvolvimento do ser humano alçando-o cada vez mais próximo ao sucesso. Dentre os profissionais que desenvolveram trabalhos a partir do conceito de intra e inter-relacionamento pessoal (Inteligência Emocional) na organização pesquisada, verificase que são profissionais da área de recursos humanos e consultorias. Não tem vínculo empregatício com a empresa. Além dessas pessoas, existe na organização, por parte de outros profissionais, um interesse visível em relação à compreensão e aplicação desse conceito, existindo assim, uma troca de conhecimento entre pessoas que fazem parte da equipe de trabalho da empresa. Pode-se observar essa postura descrevendo relatos de alguns entrevistados: Sim, a empresa já é um clima de amizade, pessoas maravilhosas e o diretor se preocupa conosco como ser humano, pessoa, não alguma coisa que produz para ele, e a rotatividade de funcionário é pequena com isto convivem bastante tempo juntos, ajudando a crescer a amizade. Pelos dados coletados foi possível detectar que os profissionais estão trabalhando a questão da Inteligência Emocional de modo integrado, visando crescimento e desenvolvimento de suas habilidades emocionais para uma boa inter-relação da equipe de trabalho. Logo se pode observar que esta postura, segundo Goleman (2001), é fundamental para buscar o sucesso no trabalho. O trabalho em equipe, a existência de canais abertos de comunicação, a cooperação, o saber escutar e dizer o que se pensa, levam a um melhor funcionamento da equipe de trabalho e conseqüentemente a um aumento de seu rendimento e produtividade. O conceito de Inteligência Emocional nesta organização não está sendo desenvolvido especificamente nos processos de seleção e treinamento, mas desenvolvido no dia-a-dia da empresa. Observa-se essas posições a partir de algumas declarações: O clima é como estar em casa rodeado da família ou de pessoas que gostem da gente, que torcem pelo nosso sucesso, ou outro, Sim, porque o convívio diário faz com que as pessoas conheçam melhor seus colegas, e aprendam a respeitá-los. Observa-se que a empresa, como um todo, está preponderantemente envolvida e interessada em desenvolver cada vez mais esse conceito, visando um crescimento da organização e dos elementos que a compõe. Para tanto, percebe-se a importância de estar desenvolvendo o conceito de Inteligência Emocional não só nos processos de seleção e treinamento, pois segundo os entrevistados é estimulando as pessoas em desenvolver suas habilidades emocionais e selecionando outras não somente com alto nível de inteligência intelectual, mas também com aspectos emocionais equilibrados, que estarão em busca de realmente serem pessoas inteligentes emocionalmente dentro da empresa. Mas em relação à entrevista, o que a empresa busca saber desse candidato é, por exemplo, como ele reage nas diversas situações conflitantes. Como se relacionam com colegas, família, filhos e etc. Até que ponto assume seus erros e busca melhorá-los. Até que ponto busca alcançar seus objetivos, é confiável, confia em si mesmo? Segundo alguns relatos esses fatores são considerados importantíssimos e acreditam que para detectar tais valores, o processo de entrevistas, por enquanto é o melhor meio. É importante salientar que existem programas desenvolvidos na empresa que visam desenvolver e estimular o aproveitamento do conceito de Inteligência Emocional. Ilustrando, vê-se a seguinte citação: As qualidades pessoais foram aquelas que já comentei, a percepção de que com um desenvolvimento (da Inteligência Emocional) nem sempre eu tenho razão, ou outro, Houve mais companheirismo, confiança, amizade, reconhecimento entre os colegas, ou ainda, Conscientização de muitas coisas, primeiramente entender mais os colegas e nós mesmos; acho que a tolerância aumentou e também a relação, ou melhor, melhorou o relacionamento entre funcionários X funcionários, Diretor X funcionários. Técnica de um relacionamento pessoal. Também o relacionamento (intra) na pessoa, aprendi a ser mais paciente, diminui muito minha ansiedade tendo melhora, muita melhora na minha saúde, ótimos resultados. Enfim muitas outras, que não lembro citar, porém eu como pessoa cresci muito. Esse programa foi também elaborado a partir de conhecimentos que a empresa possuía sobre o conceito de Inteligência Emocional, por isso o objetivo deste é permitir aos funcionários uma forma de participarem e se manifestarem na organização em todos os sentidos, visando assim, um trabalho em equipe entre todos os colaboradores da empresa onde possam expor seus conhecimentos em busca da resolução. [...] eu confio na equipe, ou, Como o clima da empresa é bom, por si só se resolve (o trabalho em equipe), pois é mais momentâneo (Lê-se imediato). E também é conversado ou ainda, Sim são saudáveis, temos dificuldades com um funcionário, mas depois que foi implantado o sistema já melhorou bastante, e acredito que no decorrer deste ano vai melhorar mais ainda, de repente até se solucionar por inteiro. Os programas que estão sendo desenvolvidos na empresa, pode-se dizer, visam uma mudança de postura, de atitudes, de comportamento; para que possam ter, possivelmente, uma empresa criativa, competitiva, e, a competitividade não está na máquina e sim na pessoa. Quando indagado se o conceito de Inteligência Emocional se estende para todos os funcionários, os profissionais relatam que sim, para todos, sem exceção. Esse conceito prega uma união entre as pessoas para que os resultados saiam com maior eficiência, ou seja, ele fala exatamente do sentido de equipe que deve ser para todos os funcionários-colaboradores, pois, se esse conceito fosse restringido apenas a um grupo específico, o sentido de equipe não estaria prevalecendo. "A união do grupo de trabalho, a harmonia que se estabelece nesse grupo é aspecto fundamental para uma melhor produtividade, tornando o grupo especialmente talentoso" (GOLEMAN, 2001, p. 164). Sempre que as pessoas se reúnem para chegarem a um consenso, seja numa reunião ou em uma equipe de trabalho, para chegar a um produto partilhado, têm um sentido muito concreto; a soma total de seus talentos e aptidões é que apontará o resultado final. Sendo assim, voltando à questão, todos os funcionários-colaboradores da empresa, perpassam por processos, técnicas e programas que buscam desenvolver o valor da equipe, da união, bem como, o conceito de Inteligência Emocional. A Inteligência Emocional é um conceito muito subjetivo e muito instável, ao sabor de variáveis imponderáveis como: o candidato brigou com a mãe antes de se submeter ao teste? Pegou um trânsito horrível? Foi assaltado a caminho? Imaginem como ficaria o estado emocional, com fatos como estes em sua vida. Aí está o drama principal da maioria dos testes desse tipo: são genéricos e podem dar resultados diferentes para a mesma pessoa, devido a situações que podem afetar seu lado emocional. Quanto aos benefícios que a utilização do conceito de inteligência emocional traz para a empresa, a maior parte dos entrevistados relataram que, pelo fato desse conceito ainda ser muito novo na empresa, as vantagens ainda estão se estruturando tal qual a efetivação desse conceito. Um dos questionados ressalta que aspectos como confiança e segurança são pontos essenciais e existentes na empresa contribuindo para o comprometimento e integração dos colaboradores com a empresa. Como vimos, a aplicação desse conceito na empresa ainda está caminhando em busca de uma implantação concreta, mas independente disso, já podemos detectar a vantagem que esta utilização está trazendo, ou seja, a empresa atualmente está olhando seus funcionários-colaboradores a partir de valores subjetivos onde terão a possibilidade de visualizar essa pessoa como um todo, e não somente uma parte dela. Com isso a chance de admitir e ter pessoas certas, isto é, pessoas que sejam não somente inteligentes no âmbito intelectual, como principalmente, pessoas inteligentes no âmbito emocional, é preponderantemente muito maior. Percebe-se que a partir da compreensão adquirida das habilidades emocionais, que Goleman (2001) defende para conceituar Inteligência Emocional, os funcionárioscolaboradores estão em busca de um espírito de equipe, que para eles é fundamental para alcançar o sucesso tanto para a empresa de modo geral, como também o sucesso pessoal. Essa linha de pensamento, não é diferente do que Goleman (2001) ressalta, pois para ele, Inteligência Emocional nas empresas está ligado diretamente com essa visão de grupo, já que acredita que somente a partir de estratégias é que chegarão a um resultado verdadeiramente positivo. 4.2.1 Questão trabalhada: Relacionamento O relacionamento é, em grande parte, a capacidade de compreender os sentimentos de outras pessoas. Equilíbrio é o alicerce de sustentação de simpatia, liderança e eficácia interpessoal. Indivíduos com esta aptidão são mais eficazes em tudo que é elaborado na influência mútua entre pessoas. Segundo Goleman (2001, p. 126), esforçar-se para assimilar ou dominar sentimentos de outras pessoas é o artifício de relacionar-se com os outros, exige o desenvolvimento de duas capacidades emocionais: autocontrole e empatia. Percebe-se então a importância de se amadurecer essas aptidões, pois são elas consideradas as principais para as pessoas se tornarem inteligentes. São competências sociais eficazes na relação com os outros; aqui, as deficiências conduzem à inépcia no mundo social ou repetidos desastres. Na verdade, é precisamente a falta dessas aptidões que pode fazer com que, mesmo aqueles que são considerados brilhantes do ponto de vista intelectual, naufraguem em seus relacionamentos, pareçam arrogantes, nocivos ou insensíveis. Essas aptidões sociais nos permitem moldar um relacionamento, mobilizar e inspirar os outros, vicejar em relações íntimas, convencer e influenciar, deixar os outros à vontade (GOLEMAN, 2001, p. 126). Existem várias maneiras de se expressar emoções, como já se viu. Paul Ekman, (apud GOLEMAN, 2001), aplica o termo “regras de exibição” para indicar a aceitação entre quais emoções e, em que momentos, podem ser evidenciados de forma adequada. Existem algumas (três) formas básicas de regras de exibição: 1. Minimizar a expressão da emoção, isto é, esconder o sentimento que naquele momento está sentindo e expressar-se de maneira contrária. 2. Exagerar o que se sente, exacerbando a expressão emocional. É simular sentimentos, gestos exagerados mais intensos, para uma tentativa de convencer o outro. 3. Substituir um sentimento por outro. Expressar o que não se está sentindo naquele momento, como por exemplo: ensina-se a uma criança não demonstrar decepção, mas, ao contrário, sorrir e agradecer quando o vovô lhe dá um presente horrível, mas bemintencionado. "A habilidade no manejo dessas estratégicas e a escolha do momento adequado para utilizá-lo é um fator de inteligência emocional" (GOLEMAN, 2001, p.127). Desde muito cedo aprendemos essas regras de exibição, muitas vezes, por imitação de outras pessoas, e aos poucos vamos aperfeiçoando e reeducando nossa maneira de expressar esses sentimentos. Ao estarmos interagindo com outra pessoa, enviamos sinais emocionais, que afetarão aqueles com quem estamos nos relacionando. Quanto maior for nossa habilidade nas relações que mantemos com o outro, melhor controle se tem em relação aos sinais que se envia. A Inteligência Emocional inclui o controle desse intercâmbio. É possível que se imite a emoção que se vê expressa por outras pessoas, através de gestos, expressões faciais, tom de voz e outros indicadores não-verbais de emoção, recriando em si o estado de espírito da outra. Segundo Goleman (2001), quando duas pessoas interatuam, a permuta do estado de espírito se dá da mais expressiva para a menos expressiva. Existem, porém, certas pessoas que são movidas pelos sentimentos dos outros, por exemplo: uma conversa com um amigo que está triste pode-lhe provocar lágrimas, mas um rápido convite, logo em seguida, para uma festa, de uma pessoa eufórica, as anima. Não se precisa viver a partir do estado de espírito do outro, mas sim, tentar manter a relação em sincronia. Esta indica a intensidade da relação estabelecida entre as pessoas, a profundidade do engajamento entre pessoas; se estiver extremamente engajado, os estados de espírito começam a entrelaçar-se positivamente ou negativamente. Claramente, as pessoas possuem habilidades diferentes para lidar com cada uma dessas cinco áreas, mas desenvolver a Inteligência Emocional depende das atitudes e, principalmente, da disposição em se estar sempre se aprimorando. Com base nos dados levantados pela pesquisa verifica-se que os funcionárioscolaboradores responderam os questionários conforme espelham os gráficos a seguir, acrescentados de alguns comentários e algumas fundamentações. Procurou-se fundamentar por teorias e experiências de psicólogos e não por profissionais de outras áreas que desenvolvem suas atividades nos Departamentos de Recursos Humanos tais como administradores, economistas e outras habilitações que na maioria das vezes não tem nenhum preparo para desenvolver atividades pertinentes às ciências do campo da Psicologia. GRÁFICO 1- Mantenho bom relacionamento com meus colegas. 15% 0% Sim Não Em Parte 85% Fonte: Dados do pesquisador. Verificou-se que o bom relacionamento pessoal (amizades, inter-relacionamento) constituídos na organização são considerados verdadeiros por 85% dos funcionárioscolaboradores, enquanto que para 15% dos funcionários-colaboradores este relacionamento está bom em parte. Nenhum funcionário-colaborador afirmou categoricamente que não havia um bom relacionamento. Segundo Goleman (2001, p. 56), “A arte de se relacionar é, em grande parte, a aptidão de lidar com as emoções dos outros”. Ora, isto veio frontalmente ao encontro com o apurado no resultado desta pesquisa e especificamente com este gráfico. Compreende-se, ainda, facilmente, que o intra e o inter-relacionamento pessoal é uma especificidade natural de cada pessoa, e que pode ser melhorada e aprimorada indefinidamente, conforme os dados levantados e relatados neste trabalho. Goleman (2001) dá muita ênfase a este quesito, que, aliás, é em torno dele, o quesito relacionamento inter e intrapessoal, que gira todo este trabalho, quando ele diz, referindo-se ao lidar com relacionamentos: São as aptidões que reforçam a popularidade, a liderança e a eficiência interpessoal. As pessoas excelentes nessas aptidões se dão bem em qualquer coisa que dependa de interagir tranqüilamente com os outros; são estrelas sociais (GOLEMAN, 2001, p. 56). Ouça-se o que os funcionários-colaboradores disseram a respeito: a) – Sim, porque o convívio diário faz com que a pessoa conheça melhor seus colegas e aprendam a respeitá-los. b) – Sim, porque já temos um espírito de amizade que parte do nosso diretor. c) – Porque existe um relacionamento interpessoal maior, afinidade maior. d) – Sim, estão sempre ajudando para que as amizades cresçam, com encontros, churrascos [...]. e) – Sim, porque temos livre acesso entre os colegas. GRÁFICO 2 – Tenho bom relacionamento com meu chefe imediato. 11% 0% Sim Não Em Parte 89% Fonte: Dados do pesquisador. Neste gráfico ficou retratado que os funcionários-colaboradores desta organização tem um bom relacionamento com seus chefes imediatos. Dos entrevistados, 89% tiveram uma afirmação positiva, apenas 11% responderam que este bom relacionamento era em parte e nenhum disse que não havia um bom relacionamento (Inter-relacionamento). Pode-se verificar, segundo Weil (2002), que pelas respostas colhidas neste gráfico, os funcionários-colaboradores desta empresa estão em sintonia com seus chefes e patrões, aprimorando e facilitando o que se compreende por intra e inter-relacionamento pessoal (Inteligência ou Competência Emocional) no âmbito desta empresa comercial e prestadora de serviço. Não basta somente ser ciente da função de cada uma das pessoas da empresa, é indispensável conhecer-se o temperamento de seu chefe. Existem chefes de toda natureza, uns se revelam meigos, pacientes, compreensivos, humanos; outros, no entanto, nervosos, irascíveis, coléricos e impacientes, mas, em muitos casos, boas pessoas; outros chefes são extremamente reservados, não se dirigindo com freqüência aos seus auxiliares, exceto quando se refere às necessidades que o trabalho requer (WEIL, 2002, p.48). GRÁFICO 3 – Sinto-me à vontade para procurar o diretor. 15% 0% Sim Não Em Parte 85% Fonte: Dados do pesquisador. Neste quesito, este gráfico veio confirmar o anterior, no que diz respeito ao bom relacionamento ‘vertical’ entre os funcionários -colaboradores desta organização. Dos entrevistados, 85% afirmaram que se sentem à vontade em procurar o diretor da organização; 15% em parte e nenhum afirmou que não se sentia à vontade em procurar o diretor da empresa. Weil (2002) descreve um exemplo, no subtítulo “Co nheça a sua empresa”, que vem fortalecer a idéia no que diz respeito a importância deste quesito: Certa vez um operário perdeu o emprego, porque foi surpreendido fazendo suas refeições, em pleno laboratório na hora do almoço, o que era contra o regulamento da Casa, cujos dirigentes consideravam perigosa a presença de pessoas, no mesmo, sem a necessária vigilância junto de produtos inflamáveis; regulamento este, que o empregado desconhecia por completo. Todavia, se no momento da admissão o tivessem lido, tal fato não ocorreria. Este exemplo nos mostra como é importante conhecer o regimento interno da organização na qual se trabalha. Muitos casos desagradáveis podem ser evitados quando, além do regulamento, se conheçam, também, as funções exercidas por cada uma das pessoas. Eis, por exemplo, uma situação muito freqüente: um empregado, em determinada firma, recebe ordem de alguém, que só conhece de vista, para executar um trabalho e responde que não o poderá atender, porquanto desconhece que o mesmo tenha autoridade para tanto. A outra pessoa, indignada, manda-o suspender por quinze dias: era o superintendente da companhia! (WEIL, 2002, p. 47). GRÁFICO 4 – Trabalhando-se sempre em equipe existe a cooperação. 41% 59% 0% Fonte: Dados do pesquisador. Sim Não Em Parte Neste quesito verifica-se que a maioria dos funcionários-colaboradores desta empresa confirma a necessidade de se trabalhar em equipe, afirmando positivamente 41% dos entrevistados e 59% dizem que em parte e nenhum se manifestou contra a cooperação. Trabalhando-se em equipe e existindo a cooperação de todos naqueles objetivos e naquelas metas que a empresa se propôs concretizar em um determinado espaço de tempo, seja um dia, seja uma semana, seja um mês ou seja um ano. Assim sendo, é sumamente importante que se compreenda que, ao se desenvolver os atributos da intra e inter-relacionamento pessoal de um indivíduo, subtende-se que outras qualidades aflorarão. Atente-se para o que eles, os entrevistados, disseram sobre cooperação: As qualidades pessoais se resumem em uma palavra: autoconfiança e as coletivas foram amizade entre mim e meus colegas e como conseqüência desta, uma cooperação entre o grupo. A disposição revela-se particularmente importante no caso das equipes. A equipe que tem capacidade de criar no grupo um clima de entusiasmo e cooperação pode determinar seu sucesso. Por outro lado, sempre que conflitos emocionais em um grupo desviarem atenção e energia das tarefas comuns, o desempenho coletivo sofrerá. Goleman, Boyatzis & Mckee (2002) dizem que: Os líderes que trabalham bem em grupo produzem uma atmosfera de solidariedade amistosa e constituem, eles mesmos, modelos de respeito, prestimosidade e cooperação. Inspiram nos demais um compromisso ativo e entusiástico com o esforço coletivo, e promovem a fidelidade e a identificação. Dedicam seu tempo ao desenvolvimento e fortalecimento de relações íntimas entre meros colegas de trabalho (GOLEMAN, BOYATZIS & McKEE, 2002, p. 254). Nem sempre é fácil identificar as necessidades das outras pessoas e poder cooperar com elas. Naturalmente, a vantagem de consegui-lo é ficar sabendo o que precisa fazer para ajudá-la a suprir essas necessidades. Aí se vai ao encontro daquilo que foi dito acima, que as afinidades deixam de ser apenas de colegas para se desenvolver e fortalecer uma relação interpessoal entre humanos. GRÁFICO 5 – Meus colegas me ajudam sempre que tenho dificuldades. 19% 0% Sim Não Em Parte 81% Fonte: Dados do pesquisador. Este quesito é de extrema importância para o bom caminhar de uma empresa ou qualquer tipo de organização. Dos entrevistados, 81% responderam sim, que é um número bastante expressivo, quando os funcionários-colaboradores afirmam que seus colegas o ajudam sempre que tem alguma dificuldade; apenas 19% diz que em parte é ajudado e nenhum diz que não é ajudado nas horas de dificuldades no que diz respeito ao seu trabalho. Isto é bastante significativo e vem ao encontro com os objetivos que nos levou a levantar este tema. Weisinger (1997, p. 185), diz: Uma organização de trabalho é uma entidade holística, um sistema integrado que se baseia na interação dos indivíduos que dele fazem parte: o desempenho de cada um afeta toda a empresa. Por isso é tão importante para o sucesso da companhia que os funcionários não apenas tenham o melhor desempenho possível, mas também ajudem os outros a fazer o mesmo. No contexto da inteligência emocional isso significa ajudar ou outros a controlar as emoções, comunicar-se eficazmente, solucionar seus problemas, resolver seus conflitos e permanecer motivados. Na teia da vida nada e ninguém vive isolado. GRÁFICO 6 – A minha empresa tem um bom ambiente de trabalho. 7% 0% Sim Não Em Parte 93% Fonte: Dados do pesquisador. Nesta empresa pesquisada, o resultado deste quesito é realmente impressionante. Fornece ao pesquisador muita segurança para afirmar que a Inteligência ou Competência Emocional é um parâmetro importantíssimo que deve sempre ser ensinado e aprimorado, pois 93% dos entrevistados responderam que a empresa tem um bom ambiente de trabalho; 7% respondeu que tinha um bom ambiente de trabalho em parte e nenhum respondeu que o ambiente era ruim. Isto significa dizer que o trabalho de intra e inter-relacionamento desenvolvido na empresa foi e está sendo de muito proveito tanto para o indivíduo como para a empresa. Segundo Weisinger (1997): Em tal ambiente de trabalho todos os empregados têm a responsabilidade de expandir sua própria inteligência emocional ampliando sua autoconsciência, controlando suas emoções e adquirindo motivação. Cada um deles tem a responsabilidade de usar sua inteligência emocional no relacionamento com os outros, desenvolvendo técnicas de comunicação eficazes e destreza interpessoal, e ajudando os outros a se ajudarem. E todos têm a responsabilidade de usar sua inteligência emocional para aplicar tudo isso à organização como um todo. (WEISINGER, 1997, p. 211). 4.2.2 Questão trabalhada: Comunicação Boas habilidades de comunicação são fundamentais para todos os relacionamentos e são a chave para o sucesso nos negócios e em todas as atividades da vida. A forma como se comunica os pensamentos e os sentimentos aos demais e como se gerencia as diferenças revela a qualidade de seus relacionamentos em casa, no escritório, na fábrica ou qualquer lugar que se encontre, em qualquer meio social. Quando as pessoas não falam claramente, não escutam bem ou não se autoafirmam de forma eficaz, alcançam um resultado reduzido, acontece uma diminuição da autoestima e baixo moral no seu meio ambiente. As pessoas precisam ser capazes de recorrer a um conjunto de aprendizagem de habilidades interpessoais para alcançar suas metas de comunicação e para ajudar a si mesmo e aos outros. Weisinger (1997), em seu trabalho diz: O sucesso do funcionamento de uma equipe, um departamento ou um grupo tem relação direta com a eficácia da comunicação entre seus membros nas situações de grupo. Todos nós já participamos de reuniões que pareciam mágicas – quase se podia sentir um fluxo de energia enquanto as pessoas compartilhavam idéias, reviam sugestões, incentivavam-se mutuamente com o seu entusiasmo, ofereciam soluções úteis e criativas – e de onde saímos sentindo que o departamento era maravilhoso e cada membro da equipe era precioso (WEISINGER, 1997, p. 150). O sucesso de uma organização depende das habilidades de comunicação de seus funcionários-colaboradores. Pessoas com habilidades refinadas de comunicação escrita e oral ou através de gestos e de mímicas, avançam mais rapidamente e contribuem de forma mais completa para suas organizações. Weil (2002) ensina que: Nas Relações Humanas estamos a todo instante falando, gesticulando ou fazendo mímica para o nosso interlocutor; em suma, estamos estabelecendo Comunicações. Antigamente pensava-se que para se comunicar com alguém bastava lhe falar ou escrever ou ainda dar uma ordem para que esta fosse entendida, compreendida e executada; os estudos da Psicologia Social mais recentes têm demonstrado que, na realidade, as Comunicações são sujeitas a distorções, deformações que fazem com que raramente uma mensagem seja recebida tal qual foi emitida; quantas vezes convocamos pessoas para uma reunião na quarta-feira e um ou outro membro comparece na quinta-feira! (WEIL, 2002, p. 95). O mais importante disto tudo, que esta habilidade de comunicar-se pode ser aprendida, compreendida e aplicada. Goleman, Boyatzis & Mckee (2002) dizem: Já foi provado que é possível aprimorar as habilidades de apresentação e comunicação de um indivíduo. Um estudo de gerentes de vendas revelou uma melhoria de 37% na capacidade de comunicação eficaz uma semana após o treinamento (GOLEMAN, BOYATZIS & McKEE, 2002, p. 99). A partir dos dados levantados os gráficos demonstram que: GRÁFICO 7 – Recebo informações freqüentes sobre meu desempenho. 26% 37% Sim Não Em Parte 37% Fonte: Dados do pesquisador. Tendo em vista os quesitos até aqui apreciados, pode-se dizer que esta empresa não está bem quanto à comunicação entre seus funcionários-colaboradores. É importante que se frise com muita ênfase que sem uma boa comunicação é quase que impossível ter um bom relacionamento interpessoal. Mas, é importante dizer que 26% de sim e 37% afirmando que em parte recebe informações freqüentes sobre o seu desempenho, já nos oferece uma linha de raciocínio, nos permitindo concluir que este tema está sendo trabalhado. Mas que deve ser levado mais a sério e com mais afinco com o objetivo de colher melhores resultados. O desempenho é fruto da cooperação. Quando as pessoas sentem-se bem, dão o máximo de si. As sensações positivas estimulam a eficiência mental, melhorando a capacidade das pessoas a compreender informações e aplicar as regras de decisão a julgamentos complexos, além de aumentar a flexibilidade de seu pensamento. Por outro lado, conforme Goleman, Boyatzis & Mckee (2002, p. 93), Quando se trata de fornecer um retorno útil para os líderes a respeito de seu próprio desempenho, o problema se agrava. Pode ser preciso um pequeno ato de coragem para confrontar o chefe com más notícias sobre a empresa, mas é preciso ser ainda mais valente para dizer-lhe que ele não tem idéia de como seus subordinados se sentem ou que suas pregações ‘inspiradoras’ não tem efeito algum. Naturalmente, muitos são os que reclamam de receber muito pouco feedback proveitoso sobre seu desempenho – não só os líderes. GRÁFICO 8 – Sempre tenho contato com as pessoas de outros setores. 15% 0% Sim Não Em Parte 85% Fonte: Dados do pesquisador. Este quesito reflete quase que a unanimidade dos entrevistados, pois 85% deles responderam que sim, 15% responderam que em parte e nenhum deles disse que não mantinha contato com as pessoas de outros setores da empresa. Somente isto já nos dá uma certeza de que os funcionários desta empresa se relacionam muito bem. Weil (2002) diz que: Não bastam boas relações entre as pessoas e entre os lideres e seus grupos para o empreendimento ser levado ao êxito: é imprescindível, ainda, os grupos se entenderem entre si, e isto é tanto mais verdade quanto a empresa é maior e que as equipes, seções, divisões, setores são mais numerosos. Boas relações entre grupos não se improvisam, mas dependem de inúmeros fatores, que iremos analisar em primeiro lugar; digamos ‘em primeiro lugar’ porque, se dentro das empresas é importante cuidar deste aspecto, temos de pensar também na empresa ou organização como uma coletividade, como um grupo maior que também tem as suas relações com outros grupos e outras coletividades (WEIL, 2002, p. 77). GRÁFICO 9 – Há um local na empresa onde são feitas as comunicações. 11% 11% Sim Não Em Parte 78% Fonte: Dados do pesquisador. Dos entrevistados, 11% responderam que não havia um local (físico) de comunicação na empresa. Acredita-se que estes não entenderam a pergunta, pois como se trata de em espaço ou um local físico, 78% responderam que sim e 11% responderam que em parte. Os 11% que responderam que não havia um local e os 11% que responderam em parte, tenham compreendido que talvez seja no sentido subjetivo, isto é, que não se tratava de um local físico, mas sim algo abstrato. São simples conjecturas. Weil (2002, p. 104) relata o seguinte sobre o local de comunicação: Nas grandes organizações, em virtude da divisão do trabalho, costumam existir Departamentos, Divisões, Seções, equipes; cada um destes órgãos tem o seu chefe; como já vimos, isto cria uma ‘distância social’ entre o chefe e o subordinado do terceiro escalão da hierarquia; entre ele e o subordinado há dois ou três chefes intermediários. As relações e comunicações na organização dependem do seu ‘organograma’ que constitui, hoje, uma verdadeira torre de Babel . GRÁFICO 10 – Informações importantes são passadas adequadamente. 30% 63% Sim Não Em Parte 7% Fonte: Dados do pesquisador. Embora apenas 7% dos entrevistados terem afirmado que as informações não são passadas adequadamente, este quesito também espelha um pouco de preocupação. Dos entrevistados, 63% responderam que recebiam as informações importantes, em parte. Uma informação é recebida ou não é recebida. Como diz Weil (quesito anterior), vira Torre de Babel. Tem-se consciência de que se trata de um item importantíssimo no aprimoramento interpessoal. Weisinger (1997, p. 170) contribui dizendo: O vínculo é muito importante nos relacionamentos, porque dá profundidade, sentido e valor ao relacionamento. O que contribui para estabelecer o vínculo é a comunicação, e é o vínculo que facilita a comunicação. As duas coisas são favorecidas pelas técnicas da inteligência emocional tais como a auto-revelação, a crítica, a escuta dinâmica, a consciência e a afirmação. E continua Wesinger (1997), como se quisesse explicar o gráfico deste quesito: O objetivo da destreza interpessoal é levar a comunicação com outra pessoa ao seu nível culminante, no qual os dois envolvidos estão em perfeita sincronia, inteiramente afinados e totalmente vinculados. Sentem-se perfeitamente a vontade compartilhando pensamentos, sentimentos e idéias, e sabem que são ouvidos com atenção. Por sentirem um nível tao alto de receptividade, os indivíduos conseguem ser mais criativos em seus trabalhos e mais incentivados a revelar seus sentimentos. Não é preciso dizer que poucas pessoas conseguem esse nível de comunicação, seja no trabalho ou nos relacionamentos pessoais; no entanto, trata-se de uma meta que vale a pena esforçar-se para atingir (WEISINGER, 1997, p. 171). GRÁFICO 11 – Minha opinião é ouvida pelos superiores. 48% 48% Sim Não Em Parte 4% Fonte: Dados do pesquisador. Neste quesito se observa uma divisão exata entre os que responderam que sim e os que responderam que em parte. Apenas 4% dos entrevistados responderam que suas opiniões não eram ouvidas pelos seus superiores. Entende-se então que a comunicação vertical (chefe x subordinado) nesta empresa funciona de forma muito boa. A análise deste gráfico faz com que se fique menos preocupado com relação ao item comunicação entre funcionários-colaboradores na forma horizontal e também na forma vertical o que vem compensar ou corrigir o quesito anterior. Segundo Goleman, Boyatzis & Mckee (2002, p. 74), “entre outras habilidades que costumam faltar às pessoas e principalmente aos líderes, figuram as capacidades de elaborar ou comunicar-se de forma eficiente”. Mas, entretanto, os mesmos Goleman, Boyatzis & Mckee (2002) dizem que é possível aprimorar e aperfeiçoar estas habilidades de apresentação e comunicação de uma pessoa. GRÁFICO 12 – Objetivos de minha empresa são de meu conhecimento. 37% 56% Sim Não Em Parte 7% Fonte: Dados do pesquisador. Mais um item que se mostra por si mesmo, que o resultado dos trabalhos de intra e inter-relacionamento pessoal desta empresa pesquisada foi bastante eficiente. Acima da média expectativa. Apenas 7% dos funcionários-colaboradores entrevistados disseram que não tinham conhecimento dos objetivos da empresa; 56% disseram que sim e 37% disseram que em parte os objetivos da empresa são de seu conhecimento. Macedo (1997) nos ensina que para haver uma forte colaboração interpessoal no intuito de se vencer uma crise ou que se atinja uma meta de produção ou um outro objetivo qualquer, é necessário que um clima de colaboração se intensifique. O marketing interno é baseado nos valores da organização. Os valores e os objetivos da organização são agora totalmente conhecidos, absorvidos e vivenciados por todas as pessoas que compõem o quadro funcional. Com esta credibilidade interna, em que todos conhecem os alvos da empresa, os resultados superam as expectativas de desempenho. Entende-se marketing interno como um papel da organização; todos que estão nela devem ter responsabilidade por esse papel. Os recursos humanos da organização precisam estar motivados, engajados, orientados e conscientes da importância do marketing, para garantir a maior competividade da empresa e sua conseqüente sobrevivência e expansão. A empresa precisa adotar ações especificas para este público interno, os quais se denomina marketing interno ou, neste caso, conhecimento de objetivos (MACEDO, 1997, p. 39). 4.2.3 Questão trabalhada: Satisfação/motivação No pretérito os dirigentes consideravam que os funcionários-colaboradores necessitavam basicamente do clássico aumento de salário, promoção e segurança no trabalho. Atualmente tudo isso está alterando. Benefícios aditivos e dinheiro fazem efeito no estágio de recrutamento, para atrair bons pretendentes para a organização, mas eles não funcionam a longo prazo como motivadores. Salários, benefícios, promoções, condições de trabalho e políticas da organização são satisfações básicas do trabalho. Mantêm os funcionários-colaboradores contentes com seus empregos, mas não causam a outros tipos de empenhos. Funcionários-colaboradores são motivados não somente por ter suas necessidades principais satisfeitas, mas também por seu crescimento pessoal, social e espiritualmente. O que os funcionários-colaboradores verdadeiramente almejam nos empregos é: 1) – Serem tratados como pessoas e com consideração. 2) – Oportunidade de crescimento como pessoa. 3) – Oportunidade de expressar seu potencial no trabalho e na vida. 4) – Aprovação de suas necessidades e preferências pessoais. 5) – Ambiente de trabalho positivo, onde os funcionários-colaboradores sejam valorizados como seres humanos. 6) – Estarem informados das políticas e decisões da organização (WEISINGER, 1997, p. 75). Davidoff (2001), no Capítulo que discorre sobre Motivação, diz que esses desejos têm grandes afinidades com a Hierarquia das Necessidades definida pelo psicólogo Abraham Maslow em sua obra Motivação e Personalidade. Maslow (apud DAVIDOFF 2001) argumenta que as pessoas são motivadas por diferentes níveis de necessidades e que os níveis de necessidades mais baixos devem ser atendidos antes que os níveis mais altos. A Hierarquia de Maslow identifica cinco níveis de necessidades, os quais estão listados a seguir: 1. Necessidades biológicas ou físicas. Essas necessidades incluem: fome, sede, sono. O lugar de trabalho não é o lugar onde essas necessidades são atendidas. Porém, a remuneração é a forma pela qual os funcionários têm assegurado seu alimento e sua moradia. 2. Necessidades de segurança e proteção. Funcionários-colaboradores devem ter absoluta segurança e proteção quando trabalham em um ambiente baseado em honestidade, estabilidade no emprego, proteção no trabalho e seguros. 3. Pertencer a um grupo e ter atividades sociais. O homem é uma criatura. Faz parte de seu desenvolvimento social encontrar satisfação em pertencer ao grupo e ser aceito por ele. Freqüentemente, esse grupo consiste nos seus colegas de trabalho. Em vez de desencorajar a socialização no trabalho, gerentes devem capitalizar esta necessidade e utilizá-la para construir equipes fortes. 4. Conquistar estima e status. O desejo por status, consideração, respeito e reconhecimento de suas realizações são necessidades fortes para muitos funcionários. Uma vez que adquirem uma certa experiência e fazem uma contribuição significativa, eles necessitam ser recompensado. Gerentes astutos buscam formas de reconhecer as contribuições desses funcionários. 5. Auto-realização. Este último conjunto de necessidades é o mais negligenciado por funcionários e gerentes. As pessoas freqüentemente menosprezam a busca de autorealização, porque estão muito ocupadas satisfazendo necessidades sociais e status. Bons gerentes entendem seus funcionários e sabem o que devem fazer para ajudá-los a conquistar a realização pessoal (DAVIDOFF, 2001, p.328). Antigamente, os chefes podiam utilizar o medo e a coerção como motivadores. O chefe gritava e o funcionário fazia. Havia explícita ou implicitamente sempre a ameaça de o funcionário perder o emprego. Os gerentes de hoje descobriram que a verdadeira motivação está longe de ser uma cenoura suspensa em uma vara, na frente de seus funcionários, ou apenas recompensar financeiramente ou penalizar os erros. Hoje eles atingem grande sucesso assim: 1. Assegurando a satisfação das necessidades básicas (pagamento, benefícios, segurança no trabalho). 2. Criando um ambiente de trabalho onde os funcionários têm a oportunidade de satisfazer suas necessidades de nível mais alto (sociabilização, estima, auto-satisfação) e, conseqüentemente, trabalhar com disposição e entusiasmo o máximo que podem. Não importa o quanto isso possa parecer comum ou repetitivo, funcionários querem que seu trabalho seja desafiador, eles querem dar um significado pessoal para seu trabalho. Eles precisam saber que suas habilidades estão sendo utilizadas para fazer um bom trabalho, que é genuinamente importante. É importante que cada um em sua respectiva função de gerência observe os funcionários-colaboradores (normalmente subalternos) e pergunte a si mesmo se o trabalho que fazem incorpora os seguintes critérios de satisfação: 1. O trabalho não é monótono para os funcionários, eles podem alterar o ritmo mediante a variação de suas tarefas? 2. O trabalho não desperdiça tempo e esforços dos funcionários. A gerência planeja o trabalho de forma que não gaste energia desnecessariamente? 3. Os funcionários se sentem livres para planejar o próprio trabalho e as formas como podem executá-lo mais eficientemente? 4. Os funcionários sentem que tem um certo grau de autoridade e de autonomia sobre seu trabalho? 5. Os funcionários podem corrigir seus próprios erros e melhorar suas próprias técnicas? 6. Os funcionários não se sentem excessivamente supervisionados, instruídos demais ou rigidamente controlados pela gerência? 7. Os funcionários vêem seus trabalhos como uma parte integrada no total da empresa. Cada funcionário é valorizado como um indivíduo, não como uma engrenagem a mais da máquina? 8. Observações da parte dos supervisores não embaraçam os funcionários? Se elogiosas são feitas publicamente? Se críticas, são feitas em particular? As respostas dos funcionários-colaboradores pesquisados demonstram que: GRÁFICO 13 – Gosto de trabalhar nesta empresa. 0% 0% Sim Não Em Parte 100% Fonte: Dados do pesquisador. É um índice extraordinariamente bom. Dos entrevistados, 100% responderam que gostam de trabalhar nesta empresa que ora se faz esta pesquisa. Isto responde que realmente o trabalho que vem sendo feito no que diz respeito ao intra e inter-relacionamento pessoal, ou Inteligência Emocional, está correspondendo à expectativa. É um trabalho que proporciona crescimento de tudo e de todos. O que os entrevistados disseram sobre isto: a) – Trabalho em equipe, confiança nos colegas de trabalho, respeito mais os colegas, comunicar-se mais e melhor. b) – Ótimo, depois que tudo se resolveu no pessoal e no profissional. c) – Gosto e acredito que está bem, mas sempre tem algo a ser melhorado. d) – Gosto, muito dos problemas se resolveram, e todos tem capacidade para isto, e muito ainda pode ser melhorado. O indivíduo passa a maior parte do tempo trabalhando. Se não gosta do que faz ou das pessoas com quem trabalha, logo ficará insatisfeito e infeliz com sua vida de modo geral. Então, para se gostar de trabalhar em uma empresa, a maioria das pessoas provavelmente listará algumas das alternativas a seguir: (a) bom salário, (b) ambiente agradável, (c) possibilidades de tomar decisões, (d) um chefe cooperativo, encorajador, (e) bons benefícios e (f) trabalho desafiador e responsabilidades importantes. São todos pré-requisitos para deixar um trabalhador motivado e gostando do seu trabalho, do seu local de trabalho, do seu ambiente de trabalho e fazendo aflorar e dinamizando outras energias conforme nos ensina Weisinger (1997): É a confiança que nos permite crer que temos a capacidade de executar uma tarefa, é o otimismo que nos dá esperança de que o desfecho será uma solução positiva, é a tenacidade que nos mantém concentrados na tarefa, é o entusiasmo que nos permite ter prazer no trabalho e é a resistência que nos permite começar tudo de novo (WEISINGER, 1997, p. 76). GRÁFICO 14 – A empresa oferece boas condições de trabalho. 4% 0% Sim Não Em Parte 96% Fonte: Dados do pesquisador. Neste quesito pode-se verificar que a direção desta empresa não só almeja que seus funcionários-colaboradores tenham um crescimento como ser humano, como proporciona este ambiente e, com muito empenho, facilita para que estes objetivos sejam colocados em práticas e que sejam colhidos os frutos objetivamente por todos: o homem, o trabalho e a organização. Dos entrevistados, 96% responderam que gostam de trabalhar na empresa, somente 4% responderam que gostam em parte e nenhum funcionário-colaborador respondeu que não gostava de trabalhar nesta empresa. Conforme Moscovici (2003, p. 10) ensina, nesta empresa o homem é mais valorizado que as máquinas modernas, computadores e outros instrumentos tecnológicos. Procura-se ver o homem como homem e não como uma simples peça de uma máquina. GRÁFICO 15 – Minha empresa oferece treinamento adequado. 4% 7% Sim Não Em Parte 89% Fonte: Dados do pesquisador. Apenas 4% dos entrevistados disseram que não tinham treinamento adequado; 89% dos entrevistados responderam que sim e 7% responderam que em parte. São números bastante expressivos para o que se está querendo mostrar neste trabalho. Mas o que os funcionários-colaboradores entrevistados disseram também é interessante ver e analisar sobre o enfoque que se está dando a este trabalho: a) – É fornecido cursos e treinamentos para pessoa. b) – A empresa sempre oferece oportunidade de crescimento pessoal e profissional. c) – Neste aspecto, por ser uma concessionária, está sempre aprimorando seu quadro. d) – A empresa não quer ficar para traz, os funcionários estão sempre em dia. e) – Se eu me especializar, sei que vou ser mais útil para a empresa e eu vou ganhar melhor, o que vai ser melhor para minha auto-estima e para a minha família, porque vou ter condições de oferecer uma vida melhor para meus filhos. Este assunto é de suma importância para o indivíduo, enquanto realização pessoal, bem como para a organização como um todo, Goleman, Boyatzis & Mckee (2002) ensinam: O ciclo dá-se mais ou menos assim: o sujeito sai do programa entusiasmado e decidido a melhorar. Ao retornar para o escritório, porém, há uma pilha de e-mails, cartas e telefonemas à sua espera. O chefe e um subordinado seu telefonaram com uma emergência, e ele se vê arrastado pelo rodamoinho de demandas. Tudo o que acaba de aprender vai lhe escapando por entre os dedos, enquanto as antigas respostas automáticas assumem o controle. Logo ele volta a agir como sempre – não da maneira nova que se sentia tao comprometido ao fim do treinamento. A lua-demel é vilmente interrompida (GOLEMAN, BOYATZIS & McKEE, 2002, p. 98). Weil (2002), mais otimista, com relação ao treinamento instrui que: Com o progresso de nossos dias, qualquer assunto, qualquer atividade profissional, já foi estudada por milhares de especialistas. Existem, atualmente, livros sobre as técnicas de quase todas as profissões. O estudo destes livros capacita-nos ao rendimento pessoal melhor, e, muitas vezes, traz para a empresa novas idéias ou iniciativas inéditas, de tal ordem que provocam a admiração dos superiores pelo empregado estudioso. Quando e empregado possui este espírito empreendedor, certamente se evidenciará mais nas reuniões de sua equipe de trabalho (WEIL 2002, p. 55). O treinamento pode consistir em qualquer coisa que vise o aperfeiçoamento dos funcionários-colaboradores; desde treinamentos altamente estruturados que duram meses ou anos (curso superior, por exemplo), à lenta construção de conhecimento e habilidade até pequenos cursos de aquisição de habilidades especiais de curtíssima duração de dias ou poucas semanas. O propósito do treinamento não é só informar ao funcionário suas responsabilidades, mas também ensinar: a) as políticas e procedimentos da empresa, b) a cultura e as expectativas da empresa e c) os procedimentos de segurança. GRÁFICO 16 – Meu trabalho é reconhecido pela empresa. 27% 43% Sim Não Em Parte 30% Fonte: Dados do pesquisador. Observa-se que neste item 30% dos funcionários-colaboradores entrevistados responderam que não tinham os seus trabalhos reconhecidos pela empresa. Numa primeira análise dir-se-ia que alguma coisa está faltando com respeito ao reconhecimento e à valorização dos funcionários-colaboradores, embora 43% tenham respondido que eram reconhecidos e 27% disseram que eram reconhecidos em parte. É lícito considerar, no entanto, outras variáveis de cunho psicológico que podem influenciar de maneira determinante na alteração de leitura deste quesito. Cita-se apenas um exemplo para ilustração: qualquer problema doméstico pode desencadear uma transferência inconsciente dos objetivos que se deseja alcançar [...] pelo abandono de ideais e valores pessoais (MOSCOVICI, 2003, p. 7). No entanto, confirma-se que a empresa está se empenhando para os objetivos propostos. GRÁFICO 17 – Minha empresa se preocupa com o crescimento pessoal e profissional. 15% 0% Sim Não Em Parte 85% Fonte: Dados do pesquisador. Este quesito é um reforço de confirmação do que se analisou em gráficos anteriores. Nenhum dos funcionários-colaboradores entrevistados respondeu que a empresa não se preocupa com seu crescimento pessoal e profissional; 85% responderam que sim e 15% responderam que em parte. São números bastante significativos que se pode colher e confirmar de que a cultura da Inteligência Emocional é importante para todos. Os dias de gerenciamento por intimidação acabaram. A época em que se extraia tudo o que se queria dos funcionários e depois os descartava quando não precisava mais deles já se foi. O que mantém os melhores hoje em dia é uma cultura de trabalho voltada para o crescimento. Crescimento pessoal crescimento intelectual, crescimento em termos de habilidade e crescimento organizacional. As organizações que mantém os melhores serão aquelas cujos gerentes e administradores se concentrem em crescimento, que sabem como nutrir e desenvolver pessoas e que aprendem com os erros. A administração com crescimento começa com a aceitação de que as pessoas são construtores ativos, não apenas operários dentro do local de trabalho. As pessoas possuem uma motivação inata para criar algo maior do que elas mesmas, para serem parte de uma organização que prospera. As pessoas são naturalmente motivadas e aparelhadas para serem bem-sucedidas. Dentro deste raciocínio, veja-se o que diz Weisinger (1997). Uma organização de trabalho é uma entidade holística, um sistema integrado que se baseia na interação dos indivíduos que dele fazem parte: o desempenho de cada um afeta toda a empresa. Por isso é tao importante para o sucesso da companhia que os funcionários não apenas tenham o melhor desempenho possível, mas também ajudem os outros a fazer o mesmo. No contexto da Inteligência Emocional isso significa ajudar os outros a controlar as emoções, comunicar-se eficazmente, solucionar seus problemas, resolver seus conflitos e permanecer motivados (WEISINGER, 1997, p. 185). GRÁFICO 18 – Recebo elogios quando realizo bem o meu trabalho. 33% 37% Sim Não Em Parte 30% Fonte: Dados do pesquisador. Há de se reconhecer que a nossa cultura como um todo, ainda é muito relutante em dar um elogio; o que não é diferente nesta empresa que fazemos este trabalho que espelha este lado negativo de nossa cultura e de nossa sociedade. Mesmo assim, os resultados recolhidos neste quesito não são de todo desanimador, pois 37% dos funcionárioscolaboradores responderam que recebiam elogios, em parte, quando realizavam bem os seus trabalhos, 33% responderam que sim e 30% (quase um terço) responderam que não recebiam elogios. É importante também que se reconheça que este trabalho de aperfeiçoamento das habilidades da intra e do inter-relacionamento pessoal ou Inteligência Emocional, também seja feito com os funcionários-colaboradores que ocupam cargos de chefia, de gerência, de direção da empresa e até mesmo os seus proprietários. Só para ilustração, normalmente, as pessoas que ocupam estes cargos são as mais inflexíveis para a mudança. Algumas se acham as todas poderosas e ‘acham que sabem tudo’. Diz-se isto, porque a estas pessoas, quase sempre cabe a função de elogiar ou criticar. E o elogio, como já foi dito, não é muito corriqueiro em nossa cultura; e quando feito, muitas vezes, ainda pode ter um objetivo contrário; com picantes pitadas de sarcasmo. Goleman (2001), recomenda que se: Faça a crítica pessoalmente. As críticas, como os elogios, são mais efetivas cara a cara e em particular. As pessoas que não se sentem à vontade para fazer críticas – ou elogios – provavelmente devem querer fazê-lo à distância através de um memorando, por exemplo. Mas esta é uma forma de comunicação muito impessoal e rouba da pessoa que a recebe a oportunidade de responder ou prestar esclarecimentos. Seja sensível. Este é um apelo pela empatia, para estar sintonizado com o impacto que você provoca com o que diz e como o diz sobre a pessoa a quem você se dirige. Observa que os administradores que tem pouca empatia são mais inclinados a dar feedback de uma maneira que machuca, com o arrepiante sarcasmo. Feita desta forma, a crítica é destrutiva; em vez de abrir caminho para uma correção, cria um revide emocional de ressentimento, raiva, defensividade e distanciamento (GOLEMAN, 2001, p. 168). Observe o que foi dito com relação ao quesito elogio pelos funcionárioscolaboradores desta empresa: a) – Estou bem melhor em relação ao ano passado, mas preciso aprender e melhorar. b) – Procuro melhorar mais isso, pelo fato de tratar as pessoas como elas me tratam, Isto é, se sou elogiado, elogio, se sou criticado prefiro ficar quieto para não gerar atrito. c) – Quando merece eu elogio. d) – Nunca tive muita dificuldade de elogiar quando percebo algo bom na atitude das pessoas, mas, com certeza melhorou muito e estou melhorando. Porque elogio faz um bem maravilhoso no ego da pessoa. e) – Infelizmente nisto eu não estou muito bem porque eu não sou de cuidar e observar muito meus colegas porque eu tento me concentrar na minha função. 4.2.4 Questão trabalhada: Comprometimento Segundo Carnegie (2000), o comprometimento ou a responsabilidade é a parte competente a cada membro de uma organização. É o dever que cada funcionário-colaborador tem de responder por seus atos, de assumir as suas conseqüências e a satisfação dos compromissos deles resultantes. Daí resulta a responsabilidade moral que é uma decorrência da liberdade, da consciência, da inteligência. O determinismo, a ordem ditatorial, exclui a responsabilidade. Por outro lado, ela, a responsabilidade, supõe um valor ou um poder acima do homem, capaz de lhe impor legitimamente uma obrigação; e ainda mais: um ato pelo qual se responda. A responsabilidade é o que consistem na obrigação de colher os resultados provenientes do cargo, da função e da ocupação de cada um dos membros de uma organização. Prima-se que estes resultados sejam sempre positivos, mas, se o comprometimento não for assumido com toda a desenvoltura, pode-se colher resultados frustrantes e negativos. Ter responsabilidade ou estar comprometido ou ser responsável é o dever de assumir por seus atos e compromissos individuais dentro do contexto coletivo. Cada um se compromete com sua parte para que o todo seja otimizado e perfeito. Quando se deseja comprometimento, buscam-se todas os recursos disponíveis para se colocar a pessoa certa no lugar certo, isto é, colocar o funcionário-colaborador no cargo ou função que melhor se coadune com o seu perfil profissional e seu preparo emocional. É interessante e necessário que se converse com os outros que conhecem o cargo, ouvir e observar bastante o provável ocupante do cargo e: 1) Converse com o empregado que atualmente está naquele cargo ou com pessoas que tenham o mesmo tipo de trabalho ou um trabalho semelhante na organização. 2) Fale com aqueles que interagem com a pessoa nesse cargo. Esses indivíduos normalmente sabem o que o trabalho envolve e têm algumas idéias bem especificas sobre o que é necessário para ser bem sucedido naquela posição em particular. 3) Revise a descrição do cargo existente. 4) Uma vez escolhido o funcionário-colaborador, acredite e confie. No entanto, o maior formador de comprometimento é o reconhecimento. Atente-se para o que ensinou o grande estadista e presidente norte-americano Abraão Lincoln ao redigir uma enérgica carta ao irrequieto e insubordinado General Hooker, durante o mais negro período da Guerra Civil. Eu o coloquei na chefia do Exército do Potomac. Naturalmente tomei tal deliberação por motivos que me parecem suficientes; entretanto, penso que é melhor levar ao seu conhecimento que existem algumas coisas sobre as quais não estou inteiramente satisfeito com o senhor. Julgo-o um soldado capaz e bravo, e que, naturalmente, admiro. Acredito também que não alia a política à sua profissão, no que procede com muito acerto. Tem confiança em si mesmo, o que constitui uma valiosa, senão indispensável qualidade. É ambicioso, o que, dentro dos limites do razoável, traz mais bem do que mal. Penso, porém, que durante o comando do general Burnside o senhor se aconselhou com a sua ambição e o atrapalhou quanto pode, no que incidiu num grande erro para com o país e para com um dos mais notáveis e honrados irmãos de armas. Ouvi, de tal maneira que acreditei, que recentemente o senhor dissera que tanto o exército como o governo necessitavam de um ditador. Por certo, não foi por isso, mas apesar disso, que lhe dei o comando. Apenas os generais que obtém sucessos podem tornar-se ditadores. O que agora estou exigindo do senhor são vitórias militares e então arriscarei a ditadura. O governo o apoiará até o extremo de suas possibilidades, o que, aliás, não é nada mais nem menos do que tem feito com todos os comandantes. Tenho muito receio de que o espírito que o senhor procurou infundir no seio do exército – criticar o comandante e retirar-lhe a confiança, se vire agora contra o senhor. Eu o apoiarei, tanto quanto possível, para eliminar esse espírito. Nem o senhor nem Napoleão, se ainda vivesse, poderiam obter qualquer coisa de bom de um exército enquanto nele prevalecesse tal espírito. Agora, acautele-se com as precipitações. Acautele-se com as precipitações, mas, com a energia e cuidado absoluto, vá para diante, dê-nos vitórias (apud CARNEGIE, 2000, p. 261). Uma lição de transmissão de crítica, elogio, confiança e reconhecimento, o que infalivelmente gera o comprometimento e a responsabilidade. As informações recebidas através dos funcionários-colaboradores pesquisados mostram que GRÁFICO 19 – Eu me sinto responsável pelo meu trabalho. 0% 0% Sim Não Em Parte 100% Fonte: Dados do pesquisador. Esse tipo de informação proporciona um entendimento equilibrado do cargo de cada um dos entrevistados. Sabe-se que é impossível identificar cada um dos funcionários, mas neste quesito, pela uniformidade das respostas, entende-se que todos se sentem responsáveis por seus comprometimentos; 100% dos entrevistados responderam que sim. Em se tratando de uma empresa que trabalha a Inteligência Emocional, isto é muito bom. GRÁFICO 20 – Gosto do trabalho que realizo. 0% 0% Sim Não Em Parte 100% Fonte: Dados do pesquisador. Este gráfico mostra claramente os efeitos benéficos causados por este trabalho desenvolvido nesta empresa, ou seja, a implantação de uma cultura de intra e do interrelacionamento pessoal ou simplesmente Inteligência Emocional. Dos funcionários-colaboradores entrevistados 100% responderam que gostam do trabalho que realizam. É um índice animador e encorajador. Veja o que alguns dos entrevistados responderam com relação a este quesito a) – O que melhorou neste trabalho foi o nosso relacionamento interpessoal que estava bastante comprometido, e também o conhecimento dos problemas pessoais que cada um também passa. b) – Organização mais diálogo e amizade. c) – O que melhorou no nosso ambiente de trabalho foi a comunicação, a alto confiança, auto-estima, a motivação entre os colegas, pouco mais melhorou, o espírito de equipe, a saudação entre os colegas, ou seja, bom dia, boa tarde, etc... Segundo Weil (2002, p 27), pelas experiências realizadas no estrangeiro e aqui no Brasil publicadas por revistas especializadas, ficou comprovado que até 50% dos empregados estão sendo renovados no espaço de um ano. Com a ajuda da psicologia na orientação e classificação da mão-de-obra, esses números baixam para 20% e até 10%. Enfatiza dizendo que se deve procurar colocar o homem certo no lugar certo ou como diz “cada macaco no seu galho”. Outro aspecto importante é o aproveitamento de seus funcionários-colaboradores “prata da casa” em cargos mais elevados dentro da organização. Muitas vezes estes são preteridos em favor de pessoas de fora, que não raro são menos capazes. Isto é um desestímulo para o preterido e todos os funcionários-colaboradores que almejam uma promoção. “É um balde de água fria no entusiasmo” dos “prata da casa”. O autor continua dizendo que: [...] a promoção e o aperfeiçoamento do pessoal em exercício constituem excelente estímulo para todos que queiram progredir na vida. Se a classificação e a orientação psicológica, a formação e o treinamento de pessoal constituem parte essencial da adaptação e o treinamento de pessoal constituem parte essencial da adaptação do homem ao trabalho, existe ainda um outro aspecto [...] permite dar mais felicidade ao homem, aumentando sua produtividade (WEIL, 2002, p. 28). Este é um quesito que envolve muitas variáveis para se ter uma compreensão final. No entanto, a melhor maneira de tirar o máximo de proveito possível do trabalho é encontrar todos os aspectos positivos de sua atividade e focar neles: salário, ambiente de trabalho e social entre outros parâmetros importantes. GRÁFICO 21 – Eu sei o que a empresa espera de mim. 11% 7% Sim Não Em Parte 82% Fonte: Dados do pesquisador. É um resultado animador. Dos funcionários-colaboradores entrevistados 82% responderam que sabem o que a empresa espera de deles, 11% responderam que em parte e apenas 7% responderam que não sabiam. A consciência de saber de sua função e da sua importância no contexto social é busca de todos os homens e todas as mulheres. É o fato da pessoa se sentir reconhecida e importante junto aos demais. É também muito importante para as pessoas que ocupam os cargos de chefia, de gerência e de direção e para os próprios proprietários que sabem comunicar seus objetivos. O preparo e saber técnico, nas mais diversificadas áreas de profissionalização é muitíssimo importante do funcionário-colaborador, mas não podemos esquecer da sua capacidade de intra e inter-relacionamento pessoal. Weisinger (1997) diz, [...] constatei que a falta de inteligência emocional prejudica o progresso e o sucesso, tanto do indivíduo quanto da empresa, e, inversamente, que o uso da inteligência emocional leva a resultados produtivos, tanto no que diz respeito ao indivíduo quanto à organização. Constatei também que, quando os empregados usam sua inteligência emocional, ajudam a construir uma organização emocionalmente inteligente, na qual cada um se responsabiliza pelo crescimento da sua própria inteligência emocional, pela aplicação da sua inteligência emocional no relacionamento com as outras pessoas e pela aplicação das aptidões da sua inteligência emocional na organização como um todo (WEISINGER, 1997, p. 16). GRÁFICO 22 – Dou sugestões para melhorar a qualidade de trabalho. 26% Sim Não Em Parte 4% 70% Fonte: Dados do pesquisador. O comprometimento e a responsabilidade são dois qualificativos sinônimos, mas que apresentam uma pequena variação no seu significado. A responsabilidade de dar uma sugestão para melhorar a qualidade de um determinado trabalho é importantíssimo, mas a compreensão do comprometimento para este mesmo objetivo requer algo subjetivamente maior. Requer o teu empenho, requer a tua dedicação, requer a tua inteireza na obtenção deste intento com máximo de qualidade e perfeição. Para que isto aconteça o funcionáriocolaborador deve estar cônscio de seu comprometimento, mas também deve estar respaldado pela compreensão, o apoio e a confiança daqueles que encaminham os trabalhos. Neste quesito, apenas 4% dos entrevistados responderam que não davam sugestões para melhorar a qualidade de trabalho; 26% responderam que em parte e 70% responderam que sim. Isto dá uma convicção de que nesta empresa a maioria absoluta de seus funcionários-colaboradores está em sintonia com seus superiores hierárquicos quanto ao comprometimento de suas funções. Veja o que nos diz Weil (2002 p. 31): Reuniões periódicas dos dirigentes e do pessoal nos diferentes graus de hierarquia, nas quais se debatem os problemas da empresa com franqueza e sem “panos quentes”, aliadas a um sistema justo de promoção e de remuneração, feito a céu aberto e não às escondidas, cria ambiente de confiança e de cordialidade. Quero lembrar aqui o apelo lançado por um psicólogo americano que dizia: “Você pode comprar o tempo de um homem; Você pode comprar a presença física de um homem em determinado lugar; Você pode igualmente comprar certa atividade muscular, pagando-a por hora ou por dia; mas Você não pode comprar entusiasmo; Você não pode comprar iniciativa; Você não pode comprar lealdade; Você não pode comprar devoção de corações, de espíritos, de almas; essas virtudes Você deve conquistá-las”. GRÁFICO 23 – Meu trabalho é importante para empresa como um todo. 0% 0% Sim Não Em Parte 100% Fonte: Dados do pesquisador. Dos funcionários-colaboradores entrevistados 100% responderam que seus trabalhos eram importantes para a empresa como um todo. É um número bastante expressivo e que merece algumas reflexões e ponderações sobre alguns parâmetros sobre este assunto. Já se aprendeu que a definição de objetivos (metas) eficazes depende de um senso claro de identidade e valores. Porém, objetivo (meta) algum é alcançado sem envolvimento pessoal e comprometimento. Sentir-se-á motivado a alcançar os objetivos, desde que eles representem aquilo que se deseja. A motivação vem do envolvimento ativo. Portanto, é hora de conscientizar-se que as pessoas que executam o trabalho sabem mais sobre os problemas da empresa e suas necessidades que qualquer um. O envolvimento em uma organização não é mais um caminho de mão única. No passado, a administração de “cima para baixo” era a regra. Funcionários simplesmente seguiam ordens. Hoje, os funcionários esperam participar do planejamento. Eles têm uma formação melhor e tem boas idéias que esperam expor. Todos têm um trabalho importante para o conjunto da empresa. Krausz (1999, p. 65) ensina que: O ambiente tenderá a ser saudável quando as transações complementares envolverem todos os estados de Ego nas centenas de intercâmbios que acontecem no dia-a-dia das empresas, promovendo a plena utilização do potencial humano, incentivando o pensar, aprender e reaprender das pessoas, estimulando o crescimento, o empoderamento (empowerment), a cooperação, a iniciativa, o trabalho em equipe, a co-responsabilidade e a trabalhabilidade das pessoas. O retorno (ou feedback) não é algo oferecido somente por gerentes, supervisores, diretores e patrões. Um espírito de equipe pode ser construído quando funcionárioscolaboradores aprendem a motivar uns aos outros por meio de comentários positivos. Para que o comentário surta efeito, ele deve ser feito de forma sincera e apropriada. Se as habilidades de intra e inter-relacionamento pessoal forem suficientemente desenvolvidas por alguém, uma crítica pode motivar o crescimento pessoal e profissional se oferecida e recebida de forma consciente, no sentido de ajudar. Sempre que possível se elogia ou se critica sabiamente os funcionárioscolaboradores ou colegas, dizendo-lhes, por exemplo, da importância que o trabalho do funcionário-colaborador tem para os colegas em particular e para a empresa como um todo. 24 – Conservo o local de trabalho e instrumento sempre limpos e organizados. 22% Sim Não Em Parte 0% 78% Fonte: Dados do pesquisador. O nível de comprometimento dos funcionários-colaboradores desta empresa é muito bom. Como se pode observar, 78% dos entrevistados disseram que conservam o local e seus instrumentos de trabalho sempre limpos e organizados; 22% responderam que em parte e nenhum disse que não. Vê-se, através da resposta correspondente a este quesito, que como dito, o nível de consciência e de comprometimento dos funcionários é espetacular. Não se pode conceber que uma empresa ‘vá pra frente’ se seus funcionários não cuidam de seu ambiente de trabalho. Entende-se que este quesito é primordial nos avanços tecnológicos do ‘chão de fábrica’, bem como e acima de tudo com relação ao homem. A propósito, escreve Werner J. Schweiger (apud DE MASI, 2000, p. 188), autor de uma preciosa monografia: “A higiene está na base da evidente beleza; luz, limpeza e boa ventilação constituem os elementos principais”. E continua De Masi (2000, p. 188), Mas não era apenas a instalação dos ambientes de trabalho que provocavam a alegria de trabalhar; para isso contribuíam também os comportamentos regidos por regras precisas [...]. Além disso, “cada superior mantinha com seus dependentes um relacionamento pessoal, além de profissional, de trabalho. Por isso tudo fluía bem, com simplicidade e sem desacordos”. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os sentimentos e as emoções que se adquiri ao longo da vida (consciente ou inconscientemente) é o que distingue os indivíduos. É um dos parâmetros referencial que faz com que todos sejam diferentes. Ninguém é igual a ninguém. As emoções têm papel importantíssimo na vida de todo ser humano. Dir-se-ia até que é o assunto de maior importância em todo esse movimento que culmina na formação de cada homem, e especificamente, em cada homem-trabalhador. Os pensamentos, as crenças ou as cognições que geraram os sentimentos emotivos são na verdade, a matéria prima da formação da personalidade. Esta personalidade seria o corolário que impulsiona a novos pensamentos, a novas formas de agir e a novas formas do indivíduo se comportar no seio social. Com a intervenção sábia, empática, humana e compreensiva, é possível mudar os pensamentos, as crenças e as cognições, e com isso as emoções, e, conseqüentemente, proporcionar um ambiente de trabalho onde haja intra e inter-relacionamento pessoal ou simplesmente Inteligência Emocional nos ambientes de trabalho das pequenas e grandes organizações de trabalho, otimizando em todos os aspectos e ângulos de visão do comportamento humano e da produção. Num ambiente saudável, e as muitas literaturas usadas nas fundamentações deste trabalho já diz, e aqui corroborado, aumenta em muito a produtividade das empresas e a qualidade de vida de seus membros. A vida da maioria das pessoas é regida por técnicas que assumiram a função dos antigos sacerdotes. Perdeu-se a nobre noção contida na raiz da palavra tecnologia. A ênfase excessiva nos procedimentos metodológicos e na tecnologia pode determinar um obstáculo ao êxito, quando se trata da arte de facilitar o desenvolvimento pessoal. Quando necessário, entretanto, diante do rio turvo da inexperiência e da imaturidade, utilizar o instrumental metodológico-técnico é sinal de prudência e sabedoria. Para Crema (1995, p. 46), quando se ascende da visão mecanicista e fragmentada do racionalismo para a dimensão humana, penetra-se nas entranhas de um universo-útero, cálido e sem barreiras, onde a totalidade é vislumbrada em cada ponto, em cada partícula. O paradigma cartesiano-newtoniano foi o grande impulsionador de imensos benefícios para a humanidade. Entretanto, legou-se também o lado sombrio e mesmo aterrador de um racionalismo científico caracterizado por seu aspecto mecanicista e reducionista. O paradigma de enfoque ao homem surge como resposta criativa a essa crise global. É uma abordagem inclusiva que integra o adequado e positivo do antigo paradigma, transcendendo na direção de uma visão integrativa que leva em conta a dinâmica do todo e as partes, e, principalmente o homem. Para que o ser humano descubra a razão de ser e de existir, deve incentivar um viver pleno e consciente, para evitar o reducionismo, a fragmentação, o totalitarismo, o consumismo exacerbado, a destruição ambiental e a perda dos valores éticos, a fim de garantir ao Ser Humano o conhecimento e a chance da paz interior, social e planetária, para que retomemos o caminho do conhecimento, da vida, da saúde e da plenitude. Observa-se com este trabalho de investigação cientifica, que o tema é fascinante não obstante sua complexidade e a falta de material objetivo para se desenvolvê-lo dentro de parâmetros pré-estabelecidos. Partiu-se da premissa que o indivíduo está inserido em seu meio ambiente onde deste recebe informações, estímulos e experiências para a sua formação. A lógica e o conhecimento prévio sobre psicologia diz que isto é um caminho de mão dupla, isto é, que o indivíduo também faz o ambiente. Baseado neste raciocínio lógico-matemático elaborou-se as hipóteses e comprovou-se através desta pesquisa sua veracidade. Constatou-se que os resultados apresentados nesta pesquisa contribuíram para elucidar e justificar a necessidade da educação e do treinamento do intra e do interrelacionamento pessoal no homem trabalhador e também se afirmar da influência positiva gerada pelo desenvolvimento da Inteligência Emocional das pessoas no âmbito das organizações e especificamente desta empresa pesquisada. Evidenciou-se que as pessoas que procuram desenvolver sua Inteligência Emocional vão também adquirindo autocontrole, equilíbrio, comprometimento, serenidade, harmonia, satisfação ao mesmo tempo em que seu espírito de cooperação empática vai ficando mais aflorado e humano. Verificou-se que a empresa proporciona em parte aos seus funcionárioscolaboradores as informações necessárias para o bom desempenho profissional, bem como o reconhecimento das atividades desenvolvidas por eles, refutando assim a hipótese levantada. Comprovou-se com os dados que para a empresa os resultados foram e são excelentes, pois além de se ter criado um ambiente amistoso de solidariedade, compreensão, cooperação, harmonia, satisfação e comprometimento, seu índice de produtividade cresceu bastante. As questões trabalhadas: relacionamento, comunicação, satisfação/motivação e comprometimento, também corroborou com um índice bastante alto. A Inteligência Emocional é um somatório de velhas considerações analisadas como fundamentais para a satisfação do ser humano, que vem agora entrar no domínio das organizações; nas organizações do mundo moderno, com a firme determinação de ser um incentivador e encorajador de instrumento causal das realizações e da felicidade das pessoas. Estas potencialidades e suas aplicações, uma vez compreendidas, poderão ser o diferencial de muitos resultados positivos no clima das organizações, sejam elas públicas, comerciais, industriais ou prestadoras de serviços. Seja uma pequena empresa com dez funcionários ou uma grande empresa com mais de um mil funcionários. O que se quer considerar aqui é o trabalhador-colaborador enquanto ser humano, em qualquer lugar e em qualquer circunstância. Com relação ao processo de treinamento das habilidades da Inteligência Emocional, conclui-se que os profissionais (que normalmente são pessoas de outra área profissional e não psicólogos) envolvidos estão empregando meios para que exista uma compreensão e desenvolvimento das habilidades emocionais que envolvam todos, se não, pelo menos, a maioria dos funcionários-colaboradores da empresa. O processo de treinamento é a maneira mais convincente e conveniente de se estruturar efetivamente e acrescentar à vida o conceito e a prática de Inteligência Emocional, e, é através do treinamento que vamos mostrar às pessoas a importância de desenvolverem-se e crescerem emocionalmente e não só tecnicamente. Esta empresa que ora se trabalha, desde tempos atrás vem se envolvendo com, por exemplo, programas que visam a valorização humana e, atualmente, está se aprimorando e se aperfeiçoando de acordo com o conceito de Inteligência Emocional. O essencial é refletir que agora se abre um novo momento aceitável de se aprender e levar inteligência às emoções, sem extingui-las ou recusá-las, com aplicação prática no aprimoramento de todas as pessoas em todos os momentos e especificamente a todos colaboradores de uma organização. É um truísmo dizer que a riqueza da experiência humana é uma mescla de sentimentos e emoções. A maioria das pessoas dirá que lhes parece ser mais real ou válido são seus sentimentos ou emoções. Sem o jogo livre das emoções não haveria qualquer excitação com as descobertas, qualquer diversão em situações humorísticas, qualquer entusiasmo ao ver uma pessoa amada. Os seres humanos operariam em um nível puramente ‘cerebral’, destituído das nuances de sentime ntos que tornam suas vidas vibrantes em lugar de mecânicas (AARON BECK). Crê-se que, com o que foi dito, por si só se expressa toda a compreensão com respeito às inteligências e às emoções. Ao profissional psicólogo cabe promover uma profunda reflexão e visualização do homem no seu local de trabalho e estudar, experimentar e aplicar os novos conceitos e novas teorias no que diz respeito ao intra e os inter-relacionamentos pessoais, que por si só desencadeará outras faculdades do homem, que se está chamando de Inteligência Emocional, que facilitarão a sua vida enquanto ser social. Ao profissional psicólogo cabe ainda o dever de ocupar o seu espaço no mercado de trabalho nesta área de atividade e no aprimoramento das faculdades e habilidades subjetivas do homem trabalhador, por que só ele tem credencias e preparo técnico para este objetivo. Se o profissional psicólogo não tomar uma decisão e ocupar o seu lugar, outros ocuparão, outros farão, bem ou mal, o seu trabalho. Conclui-se, finalmente, que para aqueles que se dedicarem às ciências psicológicas têm um longo, fascinante, atraente e áspero caminho a percorrer. Sim, paradoxalmente sim. Querer estudar o homem em todas as suas nuances e em todos os seus aspetos é bastante difícil, para não dizer impossível. Mas, o espaço para o trabalho está aí. É amplo. Neste trabalho ateve-se ao enfoque do relacionamento intra e interpessoal nas organizações, no trabalho e principalmente ao homem-trabalhador vinculado às organizações e mais especificamente ainda às empresas. O que se precisa é assumir e fazer. E para esse fazer é necessário ter determinação, objetividade, coragem, responsabilidade e acima de tudo conscientização, que inclui aí a ética, por ser intrínseca. Deve-se se estar consciente que nem sempre os meios técnicos e científicos estão preparados e são suficientes para efetuarmos uma intervenção de cunho psicológico. Dir-se-ia até, que neste campo especifico do que se está falando é quase zero o material científico que se tem para trabalhar. O laboratório é o próprio campo de trabalho. Entretanto, as organizações estão aí, os trabalhadores estão aí, as seqüelas estão aí; sabe-se que se pode trabalhar e melhorar o padrão de vida destas pessoas e também da organização, pois a organização por si só não existe; o que existe são as pessoas. Porém, deixa-se de trabalhar por absoluto desconhecimento dos resultados alcançados na implantação da conscientização dos valores subjetivos do homem, ou, quem sabe, falta de compreensão do homem como um todo e/ou quem sabe falta de motivação. Neste trabalho, especificamente, fez se mostrar que coração (Inteligência Emocional de Goleman (2001)) e cérebro (Inteligência Analítica, racional, entre outros) devem trabalhar em uníssono, juntamente com outras faculdades ou outras inteligências conforme ensinam Gardner (1995) em suas Inteligências Múltiplas e Sternberg & Grigorenko (2003) em sua Inteligência Plena. REFERÊNCIAS • ANTUNES, Celso. A Inteligência Emocional na Construção do Novo Eu. 11 ed. Petrópolis, Editora Vozes, 2003. 84 p. • ALMEIDA, L. Teorias da inteligência. Porto Alegre: Edições Jornal da Psicologia, 1988. • ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo, Moderna, 1993. • BEANTON, Willian. Enciclopédia Barsa. São Paulo: Cia. Melhoramentos, 1967. • BERTOLINO, Pedro. et al. As Independentes, 1998. 165 p. 84 p. emoções. Florianópolis: NUCA Edições • BRACE, Loring C. Os Estágios da Evolução Humana: A origem do homem e da cultura. 3 ed. 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Gostaria de convidá-lo (a) através desta, a participar de minha pesquisa que tem como objetivo verificar o intra e o inter-relacionamento pessoal no âmbito das organizações e do trabalho, para isso peço que preencha este questionário anexo. Esta pesquisa caracteriza como quantitativa apresentada em forma de questionário. A condição de ética e sigilo será considerada na utilização da coleta dos dados, desse modo, solicito autorização para divulgação cientifica dos dados obtidos. Esta pesquisa é de caráter voluntário, não tendo a obrigatoriedade de sua participação. Gostaria de enfatizar que não é necessária identificação pessoal, apenas tempo de atuação na empresa, sexo, estado civil, idade e escolaridade. Agradeço, desde já sua valiosa atenção. Aristides Pereira Acadêmico Estando ciente dos procedimentos da pesquisa, concordo em participar da mesma preenchendo o questionário em anexo. ________________________ Pesquisador ________________________ Pesquisado (a) APÊNDICE B QUESTIONÁRIO Como formando do curso de psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul – e cumprindo as exigências estabelecidas para colação de grau daquela instituição, peço sua colaboração para efetivação desta pesquisa que tem como objetivo apresentar uma nova visão sobre o intra e inter-relacionamento pessoal dos funcionários-colaboradores desta empresa. Parte I – Dados Pessoais Idade: __________________________________________ Sexo: __________________________________________ Escolaridade: ____________________________________ Estado civil: _____________________________________ Tempo de serviço prestado à empresa: ________________ Relacionamento 1 Mantenho bom relacionamento com meus colegas. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 2 Tenho bom relacionamento com meu chefe imediato. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 3 Me sinto a vontade para procurar o diretor da empresa, sempre que necessário. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 4 Trabalhamos sempre em equipe e existe a cooperação de todos. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 5 Meus colegas me ajudam sempre que tenho dificuldades. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 6 A minha empresa tem um bom ambiente de trabalho. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte Comunicação 1 recebo informações freqüentemente sobre meu desempenho. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 2 Sempre tenho contato com as pessoas de outros setores. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 3 Existe um local informativo na empresa onde são feitas as comunicações. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 4 As informações importantes são sempre passadas de forma clara e detalhada. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 5 minha opinião é ouvida pelos superiores. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 6 Os objetivos de minha empresa são de meu conhecimento. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte Satisfação/Motivação 1 Gosto de trabalhar nesta empresa. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 2 A empresa oferece boas condições de trabalho. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 3 Minha empresa oferece treinamento para melhorar o desempenho dos funcionários. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 4 Meu trabalho é reconhecido pela empresa ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 5 Minha empresa se preocupa com o crescimento pessoal e profissional dos funcionários. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 6 Recebo elogios quando realizo bem meu trabalho. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte Comprometimento 1 Eu me sinto responsável pelo meu trabalho. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 2 Gosto do trabalho que realizo. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 3 Eu sei o que a empresa espera de mim ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 4 Dou sugestões para melhorar a qualidade do meu trabalho. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 5 Meu trabalho é importante para empresa como um todo. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte 6 Mantenho meu local e instrumentos de trabalho sempre bem limpos e organizados. ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte APÊNDICE C Idade: __________________________________________ Sexo: __________________________________________ Escolaridade: ____________________________________ Estado civil: _____________________________________ Tempo de serviço prestado à empresa: ________________ QUESTIONÁRIO 1. O que você entende por inteligência emocional? 2. O conceito de inteligência emocional está sendo utilizado nesta empresa? 3. Há quanto tempo à empresa utiliza o conceito de inteligência emocional? 4. O que levou a empresa à utilização deste novo conceito? 5. Como foi implantado o conceito de inteligência emocional na empresa? 6. Quais os profissionais que desenvolvem o trabalho, a partir desse conceito aqui na empresa? 7. Em que processo este conceito está sendo desenvolvido? Como está sendo aplicado? 8. Quais as técnicas que estão sendo aplicadas neste processo? 9. A utilização desse conceito se estende para todos os funcionários? 10. Em relação ao quociente de inteligência, que pode ser medido, existe um instrumento para medir quociente emocional? 11. Quais os benefícios que a utilização desse conceito está fazendo a empresa.