4
Economia internacional
A economia mundial continua apresentando ritmo
de crescimento sustentado e superior ao registrado
historicamente, não obstante as diferentes intensidades
observadas nos distintos blocos econômicos. Essa trajetória
expansionista vem traduzindo condições financeiras
favoráveis e a evolução positiva do setor corporativo em
diversas economias.
O ciclo econômico global permanece favorável às
economias emergentes. A conjunção de fatores como
comércio mundial em expansão, quadro benigno nos preços
das commodities e liquidez global elevada, somada aos ajustes
macroeconômicos efetuados nessas economias nos últimos
anos, proporciona um cenário menos vulnerável a choques.
Persistem, entretanto, vulnerabilidades importantes
na economia mundial, representadas pelos déficits em
transações correntes e fiscal nos Estados Unidos, com
desdobramentos sobre a condução da política monetária
naquele país, e pelo preço alto e volátil do petróleo. Embora
esses fatores exerçam influência negativa sobre as
perspectivas de manutenção do ritmo de crescimento
mundial, o conjunto de condicionantes da evolução da
economia global sugere a obtenção, em 2005, de significativa
taxa de crescimento econômico.
4.1 Atividade econômica
O PIB mundial cresceu 5% em 2004, de acordo
com estimativas dos principais organismos internacionais,
após ter registrado avanço de 3,9% em 2003. Consolidouse a expansão da economia norte-americana, cujo PIB
aumentou 4,4% no ano, ante 3% em 2003. A China, que
seguiu impulsionando o ritmo de crescimento econômico
mundial por meio da absorção de volume crescente de
exportações de outros países asiáticos e do resto do mundo,
registrou o expressivo aumento de 9,5% do PIB, a despeito
Março 2005
|
Relatório de Inflação
| 63
EUA, Japão e China – PIB1/
%
20
15
10
5
0
-5
II
2002
III
IV
I
2003
EUA
II
III
IV
I
2004
Japão
II
III
IV
China
Fontes: Bureau of Economic Analysis , Economic and Social
Research Institute, JP Morgan
1/ Variações trimestrais anualizadas e dessazonalizadas.
de medidas administrativas adotadas em meados do ano
visando evitar o superaquecimento da economia. No Japão,
embora fossem registradas retrações no PIB do segundo
ao quarto trimestres, a forte expansão ocorrida nos três
primeiros meses do ano proporcionou elevação do PIB anual
de 2,7% em 2004, o melhor desempenho desde 1996. Na
Área do Euro, embora o ritmo de crescimento permaneça
aquém do observado em outras regiões, a recuperação do
PIB foi significativa, alcançando 2% no ano,
comparativamente a 0,5% em 2003.
A América Latina cresceu 5,5% em 2004, segundo
estimativa da Comissão Econômica para América Latina e
Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU),
beneficiando-se do aquecimento da economia mundial e, em
particular, da evolução favorável dos termos de troca, com
desdobramentos favoráveis sobre a taxa de desemprego da
região, que recuou de 10,7%, em 2003, para 10%.
Área do Euro – PIB1/
%
4
3
2
1
0
-1
-2
II
2002
III
IV
I
2003
Alemanha
II
III
IV
França
I
2004
II
III
Itália
IV
Área do Euro
Fonte: Eurostat
1/ Variações trimestrais anualizadas e dessazonalizadas.
As perspectivas para a economia mundial em 2005
são favoráveis, embora se estime arrefecimento do ritmo de
crescimento nas principais regiões. O PIB mundial deverá
crescer em torno de 3,5%, impulsionado por expansões de
8,5% na China e de 3,5% nos Estados Unidos. Japão e Área
do Euro deverão registrar avanços inferiores a 2%, enquanto
a taxa de crescimento prevista para a América Latina deverá
atingir 4%. Continuam contribuindo positivamente para o
crescimento da economia mundial o patamar ainda reduzido
das taxas de juros reais e a elevada lucratividade das empresas.
Os principais fatores de risco ao desempenho da
economia mundial são a instabilidade inerente aos déficits
fiscal e em transações correntes da economia norteamericana, cujos efeitos imediatos devem ser discretos e
concentrados na esfera dos mercados financeiros; a
desaceleração da economia chinesa, o que, de acordo com
a evolução recente de indicadores macroeconômicos, não
deverá acontecer em 2005; e o processo de elevação
acentuada dos preços do petróleo, cuja sustentação
permanece incerta, e cujos impactos em 2004 foram
superados com relativa tranqüilidade.
EUA – Produtividade1/
%
10
8
6
4
2
0
-2
II
2000
IV
II
2001
IV
II
2002
IV
II
2003
Fonte: Bureau of Labor Statistics
1/ Setor não agrícola. Variações trimestrais anualizadas e
dessazonalizadas
64 |
Relatório de Inflação
|
Março 2005
IV
II
2004
IV
Nesse contexto, ganha destaque o risco de que
venha a ocorrer arrefecimento importante na economia
norte-americana, em razão do possível esgotamento do ciclo
recente de crescimento de sua produtividade, conforme
sinalizado pelos resultados registrados nos dois últimos
trimestres de 2004. A indagação relevante é se tal movimento
significa redução substantiva no patamar de crescimento, o
que poderia ocasionar pressões inflacionárias, caso a
demanda agregada permaneça aquecida. O Federal
Reserve (Fed), porém, estima que os ganhos de produtividade
retornarão a níveis próximos aos observados recentemente,
mas ressalta que o acompanhamento desse indicador será
de vital importância para a condução da política monetária
nos próximos meses.
Inflação ao consumidor
Variação anual
%
4
3
2
1
0
-1
-2
Jan
2003
Mai
Set
Jan
2004
Mai
EUA
Japão
Set
Jan
2005
Área do Euro
Reino Unido
Fonte: Bureau of Labor Statistics, Eurostat e Bloomberg
4.2 Política monetária e inflação
A inflação desacelerou-se nas principais economias
neste início de ano. Esse movimento reflete os efeitos
defasados da menor pressão dos preços do petróleo e a alta
das taxas de juros, notadamente nos Estados Unidos.
Assinale-se, entretanto, que a alta recente dos preços do
petróleo, mesmo não ameaçando gravemente a estabilidade
de preços, poderá eliminar, nos próximos meses, parte desse
ganho inflacionário.
Taxas de juros oficiais
Taxas anuais
%
5
4
3
2
1
0
Fev
2003
Jun
Out
EUA
Fev
2004
Jun
Área do Euro
Out
Fev
2005
Reino Unido
Fonte: Federal Reserve , BCE e Banco da Inglaterra
Inflação ao consumidor – Área do Euro
Variação anual
%
3
2
1
Jan
2003
Mai
Set
Jan
2004
Mai
IPCH – núcleo
Set
Jan
2005
IPCH
Fonte: Eurostat
Inflação ao consumidor – Reino Unido
Variação anual
%
4
3
2
1
0
Jan
2003
Mai
Set
RPIX
Jan
2004
Mai
Set
Jan
2005
Nos Estados Unidos, a manutenção do ritmo de
crescimento econômico, a redução constante do hiato do
produto e o nível corrente da inflação sinalizam que o Fed
deverá dar continuidade ao processo de alta gradual da taxa
de juros iniciado em junho de 2003. A taxa de juros oficial nos
Estados Unidos em fevereiro, de 2,5% a.a., é superior à da
Área do Euro, o que não se observava desde março de 2001.
Na Área do Euro, a inflação em janeiro situou-se
abaixo da meta oficial de 2% pela primeira vez desde abril
do ano passado, ao mesmo tempo em que o núcleo da
inflação diminuiu seu ritmo de expansão anual para 1,6%.
Não obstante essa desaceleração, espera-se que o Banco
Central Europeu (BCE) mantenha inalterada a condução da
política monetária nos próximos meses, pois, embora o cenário
de curto prazo sinalize a continuidade da depreciação do dólar,
a elevação dos juros nos Estados Unidos tende a contribuir
para a redução da apreciação do euro em relação ao dólar.
O Banco da Inglaterra manteve a taxa repo oficial
em 4,75% a.a. pelo quinto mês consecutivo. Embora tenha
registrado alta nos últimos meses, a inflação anual ao
consumidor encontra-se no nível confortável de 1,6%, abaixo
da meta de 2% fixada para a estabilidade de preços. As
evidências são de que a contração da política monetária
tem sido bem sucedida no controle da demanda agregada e
na correção dos desequilíbrios financeiros, como atestam a
moderação das despesas de consumo e o menor ritmo do
mercado imobiliário.
IPC
Fonte: Bloomberg
Março 2005
|
Relatório de Inflação
| 65
Inflação ao consumidor – Japão
Variação anual
%
1,0
0,5
0,0
-0,5
-1,0
-1,5
Jan
2003
Mai
Set
Jan
2004
Mai
IPC
Set
Jan
2005
IPC – Núcleo
Os preços no Japão voltaram a apresentar retração
em janeiro, e o núcleo da inflação permanece negativo. No
mesmo sentido, a alta do índice de preços por atacado
desacelerou-se neste início de ano, o que pode acarretar a
diminuição do potencial de transmissão para os bens de
consumo no futuro próximo. Nesse contexto, não existe
previsão de alteração da postura da política monetária do
Banco do Japão (BoJ), caracterizada pela política de juro
zero e pela ampliação gradual do intervalo da meta oficial
para as reservas do sistema bancário.
Fonte: Bloomberg
Apesar do crescimento econômico acima do
previsto, a inflação na China apresentou forte recuo nos
últimos cinco meses, afastando, ao menos temporariamente,
os temores quanto aos riscos inflacionários decorrentes do
sobreaquecimento industrial. A inflação ao consumidor,
acumulada em doze meses, recuou de 5,3%, em agosto,
para 1,9% em janeiro.
Inflação ao consumidor – China
Variação anual
%
6
5
4
3
2
1
0
Jan
2003
Mai
Set
Jan
2004
Mai
Set
Jan
2005
Fonte: Bloomberg
4.3 Mercados financeiros
internacionais
Dois fenômenos merecem destaque na análise
recente da evolução dos mercados financeiros: a
continuidade do cenário de ampla liquidez internacional e
de menor aversão ao risco e a sustentação das taxas de
juros de longo prazo em patamar reduzido nos Estados
Unidos. A busca por retornos mais elevados tem implicado
melhoria continuada nas condições de financiamento para
as economias emergentes, para o segmento de high yields
e até mesmo para tomadores com baixa classificação de
crédito (soberanos e privados). Esse movimento tem
beneficiado inclusive os mercados acionários, especialmente
nas economias emergentes.
Retorno sobre títulos governamentais1/
% a.a.
5
4
3
2
1
0
Fev Abr
2003
Jun
Ago
Out
Dez
EUA
Fev Abr
2004
Jun
Alemanha
Ago
Out
Japão
Fonte: Bloomberg
1/ Média mensal dos rendimentos nominais dos títulos de 10 anos.
66 |
Relatório de Inflação
|
Março 2005
Dez
Fev
2005
Nos Estados Unidos, as taxas de menor prazo têm
se mostrado mais sensíveis a alterações nas perspectivas
para a evolução da política monetária em 2005 e em 2006,
diretamente influenciadas pela divulgação de indicadores
econômicos e pela interpretação dada às comunicações do
Fed. A elevação gradativa da taxa de juros básica anual e
a sinalização recorrente de continuidade da contração
monetária por parte do Fed estão exercendo impacto
relativamente moderado sobre a trajetória dos rendimentos
dos títulos de longo prazo, o que tem favorecido a
horizontalização da estrutura a termo das taxas de juros.
No trimestre encerrado em fevereiro, o rendimento anual
dos títulos de dois anos elevou-se, convergindo de forma
consistente do patamar de 3% para 3,6%. No mesmo
período, o rendimento dos títulos de dez anos apresentou
comportamento diverso, declinando de 4,4% para 4%. A
partir da segunda semana de fevereiro, o rendimento do
papel de dez anos registrou elevações sucessivas,
retornando ao patamar de 4,4% no fim desse mês.
Os rendimentos dos títulos de dez anos do Japão e
das economias européias têm apresentado comportamento
alinhado com a evolução de títulos norte-americanos
similares. A persistência das taxas de juros mais longas em
patamares reduzidos reflete, também, o ceticismo quanto
ao vigor da recuperação dessas economias, enfraquecendo
as expectativas de elevação de suas taxas de juros básicas.
Bolsas de valores – EUA
4.1.2002=100
110
105
100
95
90
85
10.12 20.1 26.2
2004
2.4 11.5 16.6 22.7 27.8 5.10 10.11 16.12 21.1 28.2
2005
DJIA
Fonte: Bloomberg
S&P 500
Nasdaq
Bolsas de valores – Europa e Japão
4.1.2002=100
115
105
95
85
75
65
10.12 20.1 26.2
2004
2.4
11.5 16.6 22.7 27.8 5.10 10.11 16.12 21.1 28.2
2005
FTSE 100
Fonte: Bloomberg
DAX
4.1.2002=100
240
210
180
150
120
2.4
11.5 16.6 22.7 27.8 5.10 10.11 16.12 21.1 28.2
2005
Coréia do Sul
Fonte: Bloomberg
Brasil
Nesse contexto, no trimestre encerrado em fevereiro,
os índices Dow Jones, Standard & Poor´s 500 e Nasdaq,
dos Estados Unidos, variaram 3,2%, 2,4% e -2,4%,
respectivamente, enquanto o Nikkei japonês aumentou
7,7%. Na Europa, os índices da Alemanha (DAX), da
Inglaterra (FTSE 100), e da França (CAC) elevaram-se
5,4%, 5,6% e 7,3%, nessa ordem. Nas economias
emergentes, destacam-se o aumento das cotações das bolsas
de valores da Coréia (Kospi), 15,2%; do México (IPC),
13,8%; da Rússia (RTS), 12,2%; do Brasil (Ibovespa), 11%;
e da Argentina (Merval), 31,7%.
Nikkey 225
Bolsas de valores – Mercados emergentes
90
10.12 20.1 26.2
2004
A evolução dos mercados acionários, especialmente
nos Estados Unidos, permanece muito sensível aos impactos
da evolução dos preços do petróleo sobre o ritmo da
recuperação da economia global. Os efeitos negativos dos
elevados e voláteis preços do petróleo sobre a confiança,
entretanto, têm sido parcialmente contrabalançados pelo
movimento de migração de recursos para ativos mais
rentáveis, impulsionando em particular as bolsas de valores
das economias emergentes.
México
Uma conjunção de fatores favoráveis tem provocado
o estreitamento sustentado dos spreads mensurados pelo
Emerging Markets Bond Index Plus (Embi+): os reduzidos
rendimentos nominais e reais dos ativos de renda fixa nas
economias industriais, a gradual recuperação da economia
global, a receptividade dos mercados à elevação da
exposição ao risco e a consolidação dos fundamentos na
maioria das economias emergentes. Nesse cenário, o Embi+
atingiu 341 pontos em 28 de fevereiro de 2005, o menor
valor observado nos últimos cinco anos, enquanto os Embi+
da Rússia, Turquia, Brasil e Venezuela situaram-se em 179
pontos, 237 pontos, 391 pontos e 437 pontos, nessa ordem.
Em comparação ao pico observado em 10 de maio de 2004,
Março 2005
|
Relatório de Inflação
| 67
os prêmios de risco desses países declinaram 50%, 57%,
52% e 43%, respectivamente. Correções eventuais na
trajetória dos prêmios, motivadas por realização de lucros,
não estão descartadas, mas, excluindo-se a hipótese de
choques relevantes nos mercados financeiros centrais, não
há motivo para esperar, no médio prazo, uma reversão do
cenário favorável vigente no mercado da dívida de
economias emergentes.
Emerging Markets Bond Index Plus (Embi+)
p. b.
600
550
500
450
400
350
300
15.8
6.10 25.11 16.1
2004
8.3
28.4
17.6
9.8
28.9 17.11
7.1 28.2
2005
Fonte: Bloomberg
Fluxos de capitais privados para países emergentes
US$ bilhões
2003
2004
2005
1/
2/
1/
1/
Out/04 Jan/05 Out/04 Jan/05
Conta-corrente
120,8
113,8
159,9
77,6
127,5
Capitais privados líquidos
210,7
225,9
279,1
229,4
275,9
122,5
137,6
165,3
142,7
176,6
Investimento direto
90,6
113,7
129,5
117,4
142,8
Portfólio
31,8
23,9
35,8
25,3
33,8
Ações
Credores privados
88,2
88,3
113,8
86,7
99,3
Bancos comerciais
26,4
32,8
49,2
37,0
42,2
Não bancários
61,8
55,5
64,6
49,7
57,1
Fonte: IIF
1/ Previsão
2/ Estimativa
Moedas – América Latina e Rússia
19.9.2003=100
120
110
100
90
80
5.9 24.10 12.12 30.1 19.3 10.5 28.6 16.8 4.10 22.11 10.1 28.2
2003
2004
2005
Rublo/Dolar
Real/Dólar
Peso mexicano/Dólar
Fonte: Bloomberg
Nesse sentido, o ambiente de ampla liquidez
internacional também tem se traduzido na absorção de
volumes crescentes de novas emissões de economias
emergentes – soberanas e privadas – com maturidades cada
vez maiores. O aumento do volume de captações e a
extensão dos prazos têm sido observados em todas as regiões
e setores, mas convém destacar as colocações bem
sucedidas de papéis de trinta anos por economias latinoamericanas, que implicaram a elevação da maturidade média
das emissões governamentais da região de 12,1 anos, em
2003, para 16,5 anos, nos três primeiros trimestres de 20043.
Projeções divulgadas em janeiro pelo Institute of
International Finance (IIF) indicam que os fluxos de
capitais privados para economias emergentes em 2005
deverão experimentar redução de 1,1%, quando comparados
aos fluxos de 2004, a despeito da previsão de crescimento
de 6,8% dos investimentos estrangeiros diretos (IED) em
2005. Segundo o IIF, os fluxos relativos a investimentos em
ações, a empréstimos bancários e a outros créditos privados
deverão experimentar reduções de, respectivamente, 5,6%,
14,2% e 11,6%.
Embora o comportamento esperado para os fluxos
de capital em 2005 pareça contraditório, tanto em relação à
evolução dos fluxos de capitais privados no ano anterior,
quanto em relação ao quadro geral favorável descrito
anteriormente, deve-se considerar que a estimativa referente
a 2004 incorpora forte movimento de capitais especulativos
para a China e para a Rússia no último trimestre daquele
ano, em função de expectativas de apreciação das suas
moedas frente ao dólar.
As boas condições de oferta cambial e o otimismo
prevalecente em relação a 2005 têm favorecido a
continuidade, nos primeiros meses do ano, da tendência de
apreciação de diversas moedas de países emergentes frente
ao dólar norte-americano, inclusive de países asiáticos cujos
3/ BIS – Quarterly Review, dezembro de 2004, p.37.
68 |
Relatório de Inflação
|
Março 2005
regimes cambiais vinham reiteradamente sustentando as
cotações de suas moedas frente ao dólar.
Moedas de países emergentes asiáticos
19.9.2003=100
120
110
100
90
80
5.9 24.10 12.12 30.1 19.3 10.5 28.6 16.8 4.10 22.11 10.1 28.2
2003
2004
2005
Won/Dólar
D. Taiwan/Dólar
Baht/Dólar
RNB/Dólar
Fonte: Bloomberg
Cotações do dólar
120
110
100
90
80
5.9 24.10 12.12 30.1 19.3 10.5 28.6 16.8 4.10 22.11 10.1 28.2
2003
2004
2005
Iene/Dólar
Euro/Dólar
A redução do déficit do governo federal dos Estados
Unidos nos primeiros meses do ano fiscal iniciado em outubro
passado, a apresentação ao congresso de projeto de
orçamento que propõe restrição de despesas no ano fiscal
de 2006 e os primeiros movimentos políticos em relação à
reforma do sistema previdenciário norte-americano
favoreceram a apreciação do dólar frente às principais
moedas de pagamento internacional. Esse movimento foi
interrompido a partir de 11 de fevereiro, pela divulgação do
elevado déficit comercial americano para dezembro.
Nesse contexto, considera-se reduzido o risco de
depreciação desordenada do dólar, na medida em que o
aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e o seu
crescente diferencial em relação às taxas prevalecentes na
maior parte dos demais mercados financeiros de países
desenvolvidos favorecem a sustentação do dólar no decorrer
de 2005.
Libra Esterlina/Dólar
Fonte: Bloomberg
4.4 Comércio mundial
EUA – Déficit comercial bilateral
1/
US$ bilhões
50
45
40
35
30
25
20
15
10
Jun
2002
Set
Dez
Mar
2003
Jun
Set
UE
Dez
Mar
2004
Jun
China
Set
Japão
Fonte: Bloomberg
1/ Média móvel trimestral.
EUA – Déficit comercial por países e
áreas selecionadas – 2004
Demais
15%
Opep
11%
1/
América
Central/Sul
2%
Am. Norte
17%
União
Européia
17%
Japão
11%
China
23%
Coréia
3%
Fonte: U.S. Department of Commerce/Bureau of Economic Analysis
1/ A Venezuela está incluída somente na Opep.
Dez
Os fluxos de comércio internacional se
desaceleraram no último trimestre de 2004, registrando-se
deterioração do saldo comercial nos países da Área do Euro
e no Japão. Essa tendência foi mais evidente nos Estados
Unidos, cujo déficit comercial elevou-se a patamares
históricos em outubro e em novembro. Na China, o comércio
exterior seguiu tendência oposta, e as exportações se
elevaram vigorosamente no trimestre, ante o arrefecimento
da demanda doméstica por importações, refletindo as
medidas de desaquecimento econômico adotadas nos meses
precedentes. Além do recuo da demanda global, a
apreciação do euro contribuiu para a redução no ritmo de
crescimento das exportações dos países do bloco. A
moderação nos preços das commodities, especialmente
agrícolas, e a recuperação das economias locais foram
responsáveis pela tendência declinante do superávit
comercial em alguns dos principais países latino-americanos.
As perspectivas são de que os fluxos de comércio
mundial cresçam vigorosamente em 2005, porém a taxas
inferiores às de 2004, de forma consistente com a redução
prevista para o ritmo de expansão da atividade econômica
global. Nesse sentido, o Banco Mundial estimou em 8,4% o
crescimento do volume de comércio mundial em 2005, ante
10,2% em 2004. A estimativa do Fundo Monetário
Março 2005
|
Relatório de Inflação
| 69
1/
Internacional (FMI) para 2005
comparativamente a 8,8% em 2004.
China – Saldo comercial bilateral
US$ bilhões
55
atinge
7,2%,
40
25
4.4.1
10
Commodities
-5
-20
-35
Jun
2002
Set
Dez
Mar
2003
Ásia
Jun
Set
Dez
UE
Mar
2004
Jun
EUA
Set
Dez
Japão
Fonte: Bloomberg
1/ Média móvel trimestral.
Indice de preço de commodities em DES
1995 = 100
130
As commodities metálicas mantiveram, no primeiro
bimestre de 2005, o alto patamar de preços alcançado em
2003 e em 2004. A demanda chinesa permanece como o
principal fator de pressão sobre esses preços, que deverão
superar, em 2005, o patamar registrado no ano anterior. Essa
perspectiva reflete o aumento de 3% no preço do cobre nos
dois primeiros meses de 2005, atingindo a maior cotação
nos últimos dezesseis anos, assim como o reajuste recente
do minério de ferro que, em alguns contratos, atingiu 71,5%.
120
110
100
90
80
70
Jul
2002
Out
Jan
2003
Abr
Jul
Out
Jan
2004
Alimentos agrícolas
Abr
Jul
Out
Jan
2005
Metais
Fonte: Fundo Monetário Internacional
Após registrar forte recuo ao longo do segundo
semestre de 2004 e atingir, em janeiro deste ano, a menor
cotação desde junho de 2002, as cotações da soja em grão
elevaram-se 20% em fevereiro, refletindo a quebra de safra
na América do Sul, decorrente da longa estiagem. As
previsões do mercado, no entanto, são de que as cotações
da commodity não aumentem muito, dada a previsão de
safra favorável nos Estados Unidos.
O preço do café manteve trajetória ascendente nos
dois primeiros meses do ano, acumulando alta de 15,5% no
mercado futuro, diante da expectativa de oferta reduzida
em 2005 e em 2006. O suco de laranja também poderá
registrar forte valorização neste ano, devido à quebra de
safra na Flórida. A cotação do açúcar, apesar de ter
apresentado leve recuo em fevereiro, deve manter a
tendência de alta iniciada em 2004, pois os estoques mundiais
permanecem baixos e a demanda por álcool segue aquecida.
4.4.1.1 Petróleo
O preço do barril de petróleo segue pressionado no
primeiro bimestre do ano. A expectativa de uma demanda
global maior que a previamente estimada, a depreciação do
dólar, as reduções consecutivas do nível de produção mensal
russa e o inverno rigoroso nos Estados Unidos, Europa e
Ásia têm impedido o recuo das cotações da commodity.
Petróleo – Mercado à vista
US$ por barril
56
52
48
44
40
36
32
28
30.3 28.4 28.5 29.6 28.7 26.8 24.9 25.10 23.11 22.12 25.1 23.2
2004
2005
Brent
WTI
Fonte: Bloomberg
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Relatório de Inflação
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Março 2005
Como a oferta e a demanda seguem ajustadas, nem
mesmo fatores positivos, como a redução de 24% nas
importações chinesas de petróleo em janeiro, ante as
efetuadas no mesmo mês de 2004, ou a recuperação dos
estoques mundiais de gasolina e óleo cru, têm sido suficientes
para trazer maior tranqüilidade ao mercado. Assim, a
cotação média do petróleo nos dois primeiros meses deste
ano superou em aproximadamente 34% a registrada no
primeiro trimestre do ano passado e, ainda, as cotações do
petróleo no mercado futuro sinalizam a manutenção de
preços elevados.
Petróleo tipo Brent – Mercado futuro
US$ por barril
52
50
48
46
44
42
40
Abr
2005
Jun
14.1.2004
Fonte: Bloomberg
Ago
Out
15.2.2004
Dez
Fev
2006
4.5 Conclusão
1.3.2004
Os indicadores econômicos mais recentes,
principalmente dos Estados Unidos e China, vêm
confirmando que a atividade econômica mundial mantém o
ritmo de expansão verificado no último trimestre de 2004,
com impactos positivos na trajetória de crescimento
sustentado da economia mundial no corrente ano. No
entanto, persistem as incertezas quanto à ocorrência de
alguns fatores de risco a esse crescimento, principalmente
as relativas aos desequilíbrios estruturais nas principais
economias mundiais, em especial nos Estados Unidos, cujos
ajustes poderão limitar a expansão econômica global, e o
comportamento volátil do preço do petróleo.
No curto prazo, porém, persiste um cenário
favorável para a evolução das taxas de juros internacionais,
para o crescimento da economia dos Estados Unidos e do
comércio internacional e para o dinamismo das economias
emergentes. Essa perspectiva fundamenta-se na estabilidade
das expectativas inflacionárias nas mais importantes áreas
econômicas, o que propicia a evolução das políticas
monetárias em padrão similar ao observado em 2004, de
redução gradual de estímulos monetários.
Março 2005
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