IV Encontro Nacional da Ulepicc-Brasil – Rio de Janeiro/RJ – 9 a 11/10/2012
Grupo Abril: ontem e hoje – estratégias de internacionalização de um grupo
atípico no Brasil 1
Eula Dantas Taveira Cabral2
Resumo
O artigo analisa as estratégias de internacionalização de um grupo atípico no Brasil: o
Grupo Abril, um dos maiores grupos midiáticos da América Latina que tem como focos
principais de atuação as mídias: impressa, audiovisual e interativa. A partir de uma
pesquisa qualitativa, baseando-se em Estudo de Caso descritivo, investigando desde seu
surgimento em 1950 até suas estratégias em 2012, verificou-se: a internacionalização é
foco do Grupo; a abertura de 30% para o capital estrangeiro não influenciou sua linha
editorial; parceiros e sócios estrangeiros em suas empresas são considerados
estratégicos; porém, a presença do Grupo em outros países é ainda tímida.
Palavras-chave: Internacionalização da mídia brasileira, grupos de mídia, Grupo Abril,
políticas de comunicação, estratégias midiáticas.
Abstract
The paper analyzes the internationalization strategies of an atypical group in Brazil:
the Abril Group, one of the largest media groups in Latin America that has as main
focuses of action media: print, audiovisual and interactive. From a qualitative
research, with bases on a descriptive case study, investigating since its beginning in
1950 until its strategies in 2012, it was verified: internationalization is a focus of the
group: opening of 30% for foreign capital did not influence its publish orientation;
national and foreign partners in their companies are considered strategic, but the
Group presence in other countries is still shy.
Keywords: brazilian media iinternationalization, media groups, Abril group,
communication policies, media strategies.
1
2
Trabalho apresentado no GT1 – Políticas de Comunicação, IV Encontro Nacional da ULEPICC-Br.
Pesquisadora do IBICT e responsável pela área de Comunicação da COEP/IBICT. Pesquisadora dos
Grupos de Pesquisa: EMERGE (UFF) e Ética e Política da Informação (IBICT). Doutora e Mestre em
Comunicação Social pela UMESP. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1180749525319069. Email: [email protected].
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Para se falar em internacionalização da mídia brasileira é preciso levar em
consideração o conceito trabalhado por Joseph Man Chan (1994), que definiu a
internacionalização como o processo pelo qual a propriedade, estrutura, produção,
distribuição ou o conteúdo da mídia de um país é influenciado por interesses, cultura e
mercados da mídia estrangeira. Examina-se tanto da perspectiva do país que importa
quanto do que exporta, enfatizando que é diferente do imperialismo da mídia, uma vez
que este é apenas uma forma de internacionalização.
Nesta pesquisa são analisadas as estratégias de internacionalização de um grupo
atípico no Brasil: o Grupo Abril, um dos maiores grupos midiáticos da América Latina
que tem como focos principais de atuação as mídias: impressa, audiovisual e interativa.
Verifica-se desde seu surgimento, em 1950, até suas estratégias em 2012.
A escolha do Grupo Abril justifica-se porque é o único grupo midiático
brasileiro que surge com características internacionais, com conteúdos e proprietários
estrangeiros, diferenciando-se assim dos demais. É o primeiro grupo a criar uma
empresa de mídia no exterior e o primeiro a receber capital estrangeiro.
Internacionalização da mídia brasileira
O conceito de internacionalização se pauta dentro da área de comunicação
internacional, definida por Robert Fortner (1993) como “comunicação transnacional
com fluxos de informações entre fronteiras”. Ou seja, verifica-se que vai-se além dos
limites territoriais entre os países, onde os mais desenvolvidos podem enviar
informações para os que estão em desenvolvimento (fluxos) ou vice versa (contrafluxos). Seu objetivo, conforme Marcial Murciano (1992), visa conhecer as múltiplas
funções dos meios de comunicação de massa: políticas, econômicas e culturais no
marco internacional.
O fluxo internacional de informação é o movimento de mensagens por limites
nacionais entre dois ou mais sistemas nacionais e culturais. Para Hamid Mowlana
(1986), deve combinar a dimensão nacional com a internacional, pois é um termo usado
para descrever um campo de investigação e pesquisa que consiste na transferência de
mensagens na forma de informação e dados por indivíduos, grupos, governos e
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tecnologias, como também o estudo das instituições responsáveis pela promoção e
inibição de tais mensagens entre nações, povos e culturas.
O estudo dos fluxos comunicacionais requer uma análise dos canais e
instituições de comunicação, sendo que o mais importante é que deve envolver o exame
de significados mutuamente compartilhados que tornam a comunicação possível. Além
disso, incluir tanto o conteúdo, volume e direção de informação como também os
fatores econômicos, políticos, culturais, jurídicos e tecnológicos responsáveis por sua
implementação e difusão.
No Brasil, trabalha-se bastante a questão dos contra-fluxos, ou seja, o envio de
produções de um país em desenvolvimento para os desenvolvidos. Exemplo disso são as
telenovelas da Rede Globo. Pois, é fato que a mídia latino-americana passou a dominar
seu terreno, enviando produções próprias para os países desenvolvidos que por muito
tempo dominaram os países em desenvolvimento.
Anamaria Fadul (1998b) verificou que, com o desenvolvimento das novas
tecnologias de informação, radiodifusão e telecomunicação, os estudos dos fluxos
comunicacionais internacionais levaram em consideração os efeitos e tendências da
Organização Mundial do Comércio. Assim, os principais problemas estão relacionados
com os fluxos de notícias e programas e o seu aceleramento com as novas tecnologias
de informação que vão além das fronteiras de cada país. Além disso, com o processo de
desregulamentação e privatização dos meios de comunicação de “massa” e das
telecomunicações e “as mudanças na economia mundial, nas relações internacionais e
nas tecnologias de informação, radiodifusão e telecomunicação.” (FADUL, 1998b,
p.79).
No caso dos grupos de mídia, para entender suas tendências e transformações
ocorridas nos anos 90, do século passado, é preciso levar em consideração como eles
surgiram e se desenvolveram, como analisou John Thompson (1995), levando em
consideração
os
processos
de
concentração,
diversificação,
globalização
e
desregulamentação.
Assim, a partir da análise do poderio dos grupos e as transformações ocorridas
na mídia, verificou-se que o processo de internacionalização passou a ser visto
estrategicamente pelos conglomerados de comunicação. No caso do Brasil, de acordo
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com os estudos de Anamaria Fadul (1998a), o grupo Diários e Emissoras Associadas, de
Assis Chateaubriand, foi o primeiro a tentar entrar em outros países. Porém, somente na
década de 70, com a Rede Globo vendendo telenovelas para a América Latina, Europa e
depois para o restante do mundo, é que se tem a mais clara estratégia de
internacionalização.
Dessa forma, percebeu-se que, a partir de estratégias globais, os grupos
midiáticos passaram a dominar políticas e povos em todos os lugares, atingindo, com
uma diversidade de conteúdos, uma grande audiência. Além disso, verificou-se que hoje
dificilmente se defrontam diante de obstáculos que possam impedir sua expansão e
conquista de novos territórios.
O Grupo Abril e a entrada do capital estrangeiro
O Grupo Abril é considerado um dos maiores grupos de mídia da América
Latina. Seus focos principais de atuação são: mídia impressa, audiovisual e interativa. O
Grupo Abril iniciou suas atividades em 1950 com a revista em quadrinhos O Pato
Donald, recebendo informações estrangeiras, o que pode ser chamado também de
processo de internacionalização “de fora para dentro” e em 1980 começou a levar,
oficialmente, sua produção, no idioma local do país, como ocorreu em Portugal,
iniciando assim o processo de internacionalização “de dentro para fora”.
É importante ressaltar que 1982, já com um império montado no Brasil, há um
impasse entre Roberto e Richard Civita, herdeiros de Victor Civita, levando à divisão do
conglomerado. Na divisão dos bens de Victor Civita, as revistas foram dadas a Roberto
e os fascículos e livros, além da parte não-editorial do grupo, como hotéis e frigoríficos
ao filho mais novo, Richard. O Grupo Abril – tal como se conhece atualmente – é
formado pelas empresas de Roberto Civita, o herdeiro mais velho, que diversificou as
atividades do Grupo.
O Grupo Abril é considerado um dos maiores grupos de mídia da América
Latina. Com mais de seis mil funcionários, o nome Abril foi escolhido por que nesse
mês é primavera na Europa, usando o símbolo de uma árvore que simboliza fertilidade,
esperança e otimismo. Em 2012 registra que sua missão é “contribuir para a difusão de
informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação, a melhoria da
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qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e o fortalecimento das
instituições democráticas do país”3.
O Grupo Abril pode ser considerado um grupo atípico, pois, começou suas
atividades a partir do processo de internacionalização “de fora para dentro” e entrou nos
dois sentidos possíveis do processo de internacionalização. Algo que não aconteceu que
nenhum outro conglomerado de comunicação. Nem o Diários e Emissoras Associadas,
de Assis Chateaubriand, mesmo tendo iniciado suas atividades em 1924 e tendo levado
a revista O Cruzeiro para a América do Sul, nem a Rede Globo, nem a Record, nem
nenhum outro conglomerado iniciou suas atividades internacionalizadas. Só entraram no
processo de internacionalização quando se viam estruturados no Brasil e em condições
de assumir o desafio de sair ou de receber informações.
Em 2012, de acordo com os registros no Portal do Grupo Abril 4, passou a ser
classificado como Abrilpar, holding da família Civita 5, que controla a Abril S.A. - que
tem um Conselho de Administração formado pela família Civita e pelo grupo de mídia
sul-africano Naspers. O Presidente Executivo da Abril S.A. se reporta ao conselho e
dirige os negócios de Mídia, Gráfica, Distribuição e Serviços do Grupo. A Abrilpar
também detém o controle do capital da Abril Educação S.A.6.
A Abril S.A. reúne a Abril Mídia7, composta da Editora Abril, MTV, Abril
Mídia Digital, Alphabase e Elemidia; a Abril Gráfica, considerada a maior gráfica de
revistas da América Latina em volume de produção; a DGB, holding de logística e
distribuição formada pela Dinap, FC Comercial, Magazine Express, Treelog, Entrega
Fácil e Total Express, e Abrilser, criada para dar suporte de serviços aos negócios do
Grupo.
Já a Abril Educação, reúne as editoras Ática e Scipione, os sistemas de ensino
Anglo, Ser e Maxi, o Curso e Colégio pH, do Rio de Janeiro, o GrupoETB (Escolas
3
Institucional – Grupo Abril. Disponível em http://www.grupoabril.com.br/institucional/sobre-abril.shtml
. Acesso em 15 ago.2012.
4
Estrutura corporativa - http://www.grupoabril.com.br/estrutura/estrutura-10.shtml
5
O Grupo Abril tem, ainda, a Fundação Victor Civita com um Conselho Curador formado por sócios da
família Civita e outros membros independentes, além de uma diretoria executiva que coordena as
atividades.
6
Estrutura Corporativa - http://www.grupoabril.com.br/estrutura/estrutura-10.shtml
7
Institucional – Abril Mídia - http://www.grupoabril.com.br/institucional/editora-abril.shtml
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Técnicas do Brasil), de São Paulo, a SIGA, curso preparatório para concursos e a
Livemocha, comunidade online de ensino de inglês.
As mudanças nos negócios do Grupo Abril se dão a partir de julho de 2004
quando envolvida em muitas dívidas, com a abertura do capital estrangeiro para os
conglomerados de mídia no Brasil, conseguiu a entrada de um grupo internacional
conhecido por ser bem-sucedido na área financeira, os fundos de investimento em
empresas de capital privado (private equity) da Capital International, Inc., que comprou
13,8% do capital do Grupo Abril. Mas, não se pode ignorar que a negociação entre o
Grupo Abril e o Capital International, Inc. vinha sendo feita desde 2003, pois, com as
reestruturações feitas no Grupo e com a constituição da holding Abril S.A., em 2001,
controladora das participações societárias do Grupo Abril, foi possível organizar as
contas.
Outro fato importante que deve se ressaltar é que a entrada de capital estrangeiro
na mídia brasileira foi permitida pela Emenda Constitucional nº36 de 2002,
regulamentada em 20 de dezembro de 2002 pelo Presidente da República, Fernando
Henrique Cardoso, que decretou e sancionou a Lei 10.610, liberando a entrada de 30%
de capital estrangeiro. Nela, criou, também, obrigações para as empresas de
radiodifusão, como o dever de apresentar aos órgãos de registro civil e comercial, até o
último dia útil de cada ano, declaração de seu capital social, sendo que o Poder
Executivo será o responsável para requisitar das empresas e dos órgãos registradores as
informações e documentos necessários para a verificação do atendimento às regras de
participação societária.
Diante da possibilidade de vender uma parte de seus negócios para se recuperar
financeiramente, em 2004 faz negócios com a Capital International, Inc. e em maio de
2006, o grupo de mídia sul-africano Naspers compra por 422 milhões de dólares 30% da
Abril S.A.8, incluindo nesta negociação a parte que estava com a Capital International.
Essa negociação possibilitou ao Grupo Abril amortizar suas dívidas e voltar a investir
na internacionalização de seus produtos.
8
SIQUEIRA, Juliana. Abril vende fatia a Naspers e suspende oferta de ações. Notícias UOL. SP
(Reuters), 05/05/2006. Disponível em
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/2006/05/05/ult29u47704.jhtm . Acesso em 01 set.2012.
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As estratégias de internacionalização de um grupo de mídia atípico
O primeiro motivo que levou o Grupo Abril a ser um caso atípico da mídia
brasileira foi a visão internacional de seu fundador, um ítalo-americano que se naturalizou
no país em 1960. O fundador do Grupo Abril, Victor Civita, era um homem
internacionalizado. Era filho de italianos bem-sucedidos que tinham uma visão moderna
em relação aos herdeiros: deviam ter bons estudos e aprender a lidar com negócios, novas
culturas e costumes.
Com um bom conhecimento dos mercados e das culturas européia e dos Estados
Unidos, sua visão não se limitava. Observando a realidade brasileira e o futuro
promissor que lhe aguardava, resolveu investir no país. Apesar de a Constituição de
1946 proibir a propriedade de empresas de comunicação por estrangeiros, Victor Civita
se associou a brasileiros que compraram as ações de quatro amigos de seu irmão César
que haviam aberto e registrado na Junta Comercial de São Paulo, em 1947, a Editora
Abril.
Porém, como a Constituição não registrava nenhum artigo sobre as gráficas,
Victor Civita, como era estrangeiro, junto com outros sócios, três meses depois do
lançamento da revista O Pato Donald, abriu uma gráfica na Junta Comercial de São
Paulo. Assim, começou a criar o maior império editorial do Brasil e da América Latina.
Porém, é importante verificar a estratégia adotada: Não se registra como acionista da
editora, mas investe e dirige o negócio.
Assim, são licenciados os quadrinhos da Walt Disney para o Brasil e no dia 12
de julho de 1950 lançada a revista O Pato Donald no formato-padrão internacional. A
escolha do Pato também não foi aleatória. Foi um dos personagens do filme “Alô,
amigos!”, exibido em 1942 no Brasil, onde “Zé Carioca” mostrava ao convidado o país
tropical. Época em que a Walt Disney passou a visitar alguns países da América Latina,
reforçando a política de boa vizinhança do governo norte-americano.
A ousadia do empresário em investir, primeiramente, no lançamento de uma
revista estrangeira para o público infanto-juvenil foi o passo inicial do processo de
internacionalização que estava traçado na empresa editorial que vinha aparecendo no
cenário paulista. Ele traz para o país um sucesso infanto-juvenil internacional,
oferecendo ao público brasileiro uma revista com personagens e histórias que
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encantavam pessoas do mundo inteiro. Depois, como não foi bem sucedido com revistas
voltadas para outros públicos e com uma fórmula mais nacional, pois, ainda não
conhecia bem a cultura e a gente brasileira, buscou um modelo que vinha dando certo
em outros países e o lança no mercado brasileiro: fotonovelas para o público feminino.
Com o escândalo da Time-Life com a Rede Globo, na década de 60, o Grupo
Abril também entrou na lista de suspeitos e passou a ser investigado, porém, conseguiu
provar que não teve capital de estrangeiros. Nessa época, seu fundador, Victor Civita, já
era naturalizado e um dos sócios da Editora Abril.
O processo de internacionalização “de fora para dentro” ainda era claro na
cabeça da família Civita que reconhecia a qualidade dos produtos internacionais e a
importância de trazê-los para o Brasil. Mas, ao mesmo tempo, via que devia investir,
também, na cultura local.
Na década de 80, do século passado, com sua consolidação no país, o Grupo
Abril passou a investir no processo de internacionalização nos dois sentidos: “de fora
para dentro” e “de dentro para fora”. Pois, como já havia conquistado o mercado
editorial e feito os primeiros investimentos nas áreas eletrônica e interativa, achava que
já era hora de ir mais longe. É importante ressaltar que antes de o Grupo Abril entrar no
processo de “dentro para fora”, oficialmente, distribuía e vendia revistas e fascículos na
América Latina, Estados Unidos e na Europa. Com isso, achava que já estava preparado
para levar seus produtos além das fronteiras. Porém, nem tudo deu certo.
No processo de internacionalização “de dentro para fora” fez quatro tentativas
(Portugal, Espanha, Argentina e Colômbia), sendo que apenas uma deu certo, mas foi
encerrada por causa das dívidas do Grupo que cresceram a partir da crise do cabo e de
1999 que ocorreram no Brasil, atingindo todos os conglomerados de comunicação.
A ida oficial do Grupo Abril para o exterior se deu em 1980 quando foi fundada
a primeira sucursal do Grupo: Abril Morumbi, em Portugal. A entrada oficial em
Portugal acabou sendo bem aceita pelo mercado local, levando o Grupo Abril a investir
em revistas para públicos diversificados. Porém, como exigia um conhecimento mais
apurado da realidade do país, em 1988, se associou a um grupo local, o Controljornal,
criando uma nova editora, passando a editar a revista Exame. Parceria essa que deu
certo e levou o Grupo Abril, em 1996, a associar todos os negócios da área editorial,
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que tinha em Portugal, ao Controljornal e, juntos, se tornaram a maior editora de
Portugal com revistas em vários segmentos.
Em 1999, o novo grupo midiático é procurado pelo grupo suíço Edipresse que
também se torna um dos parceiros, resultando em 1/3 de ações para cada sócio. Essa
parceria foi interessante para o Grupo Abril, pois, lhe ajudou a pagar algumas dívidas no
Brasil. Porém, com a crise no mercado português, em 2001, e com os prejuízos que
vinham sendo causados pela TV por assinatura no Brasil e com a desvalorização do
Real, em 2002 vendeu sua parte no negócio, se retirando de Portugal e licenciando seus
títulos.
O segundo passo oficial dado pelo Grupo Abril foi a criação da Editorial
Primavera na Espanha, com base na aposta em sua experiência com revistas em
quadrinhos. Chegou no lugar, publicou revistas Disney, mas, não obteve aceitação do
público. O erro foi descoberto mais tarde: as crianças espanholas não gostavam do tipo
de publicação que estava sendo colocada no mercado. Ou seja, não levaram em
consideração a cultura do país e não tinham um sócio local que pudesse lhe dar as
diretrizes corretas, baseadas na realidade espanhola. Assim, três anos depois, em 1992,
teve que sair do país, evitando mais prejuízos, pois, no Brasil, os negócios também não
estavam bem financeiramente.
Um ano antes de sair da Espanha, em 1991, mesmo com problemas, passou a
investir na Argentina. Mas, os investimentos não deram certo. Em 2000 teve que sair do
país por que a máfia de distribuidores não aceitava que fossem vendidas assinaturas no
país. Com mais um erro cometido por não conhecer as estratégias comerciais do país, a
Abril vendeu a Editorial Primavera para o Grupo Perfil que se tornou seu sócio na
Editora Caras do Brasil.
No período de 1990 a 1996 passou a atuar na Colômbia através da Editorial
Cinco que era de Carlos Civita, primo de Roberto. Apesar de o presidente do Grupo
Abril, Roberto Civita (2005), afirmar que seus negócios eram apenas de licenciamentos
dos títulos que têm no Brasil, conforme o site da Associação Nacional de Meios de
Comunicação, a Editorial Cinco foi criada pela Editora Abril com operações em toda a
América Latina. Dessa forma, de acordo com os dados fornecidos pelo setor jurídico do
Grupo e enviados pela Diretoria de Relações Institucionais, em 2005, as atividades com
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a Editorial Cinco foram encerradas em 1996. Porém, mesmo com esta informação, é
fato que foram registrados em 2005 publicações e venda de títulos da Editora Abril,
como Boa Forma, conhecida como En Forma em espanhol.
A atividade feita na Colômbia, apesar de não ter sido bem explicada por Roberto
Civita, e nem pelo consultor editorial do Grupo, Thomaz Corrêa, mostra que a estratégia
feita no país vizinho não pretendia seguir a terceira tendência das transformações da
mídia: globalização da comunicação, pois, não é bem explicada e nem bem
acompanhada pelo principal interessado: o Grupo Abril. Dessa forma, percebeu-se que
no processo de internacionalização “de dentro para fora” do Grupo não incluía esse
investimento.
Em 2005, o processo de internacionalização era visto pelo Grupo num único
sentido: “de fora para dentro”, pois, estavam pagando dívidas e não tinham interesse em
sair e abrir novos mercados. Na época, o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita,
ressaltou que o processo de internacionalização do Grupo foi basicamente em trazer o
mundo para dentro do Brasil e não de saírem. Para Civita (2005), eles trouxeram o
mundo para dentro do Brasil, adaptando os produtos ao mercado e à cultura brasileira. A
saída não representou muito, pois, só foram bem sucedidos em Portugal. Tentaram a
Argentina e Espanha, mas não conseguiram êxito.
O Grupo Abril hoje
Como pôde se verificar, o Grupo Abril 9 é reconhecido como Abrilpar, holding da
família Civita10, controlando a Abril S.A. - que reúne a Abril Mídia 11, composta da
Editora Abril, MTV, Abril Mídia Digital, Alphabase e Elemidia; a Abril Gráfica,
considerada a maior gráfica de revistas da América Latina em volume de produção; a
DGB, holding de logística e distribuição formada pela Dinap, FC Comercial, Magazine
Express, Treelog, Entrega Fácil e Total Express; e Abrilser 12, criada para dar suporte de
9
Estrutura corporativa - http://www.grupoabril.com.br/estrutura/estrutura-10.shtml
O Grupo Abril tem, ainda, a Fundação Victor Civita com um Conselho Curador formado por sócios da
família Civita e outros membros independentes, além de uma diretoria executiva que coordena as
atividades.
11
Institucional – Abril Mídia - http://www.grupoabril.com.br/institucional/editora-abril.shtml
12
A AbrilSer é um centro de serviços que faz parte do Grupo e que é focado na gestão de qualidade dos
serviços e na melhoria dos processos.
10
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serviços aos negócios do Grupo. Além disso, controla o capital da Abril Educação
S.A.13 que reúne as editoras Ática e Scipione, os sistemas de ensino Anglo, Ser e Maxi,
o Curso e Colégio pH, do Rio de Janeiro, o GrupoETB (Escolas Técnicas do Brasil), de
São Paulo, a SIGA, curso preparatório para concursos e a Livemocha, comunidade
online de ensino de inglês.
A Abril Mídia14, composta da Editora Abril, MTV, Abril Mídia Digital,
Alphabase e Elemidia, é considerada pelo Grupo a maior empresa de comunicação
segmentada do Brasil, unindo “a qualidade e a credibilidade do conteúdo Abril, a força
das revistas mais importantes do país, a vibração do maior canal jovem de TV e a
velocidade das mídias digitais”.
O Grupo Abril registra que com a Abril Mídia Digital 15 “produz conteúdo para
os mais diferentes segmentos, de portais de notícias a sites de e-commerce e conteúdos
para tablets e smartphones”. Tem mais de 50 sites e equipes exclusivas com conteúdos
para os mais diferentes segmentos. Exemplo disso é o M de Mulher, considerado o
maior portal feminino do Brasil; Capricho, classificado como o maior portal teen do
mundo; Veja como a primeira revista brasileira com conteúdo para tablets. Além disso,
registram que o aplicativo Comer&Beber é recordista na AppStore.
Em relação aos parceiros e sócios16, registram que as parcerias são estratégicas
para o Grupo, pois garantem o sucesso de suas empresas. Exemplo disso são os as
parcerias como os maiores conglomerados de mídia, como Time Warner, Walt Disney,
News Corporations, Vivendi Universal, Viacom e Bertelsmann.
Na Abril S.A. é sócia do grupo sul-africano Naspers Limited. Na Editora Abril
registram-se:
Revista
Caras
Elle
Estilo
National Geographic Brasil
Nova
Playboy
13
Parceiro
Editorial Perfil
Hachette Filipacchi Presse
Time Inc
National Geographic Society
The Hearst Corporation
Playboy Enterprises International
Estrutura Corporativa - http://www.grupoabril.com.br/estrutura/estrutura-10.shtml
Institucional – Abril Mídia - http://www.grupoabril.com.br/institucional/editora-abril.shtml
15
Institucional – Abril Mídia - http://www.grupoabril.com.br/institucional/editora-abril.shtml
16
Estrutura corporativa – Disponível em http://www.grupoabril.com.br/estrutura/parceiros.shtml
14
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Revistas infanto-juvenis
Disney
Runner's World, Men's Health e Women's Health Rodale Inc
Superinteressante
GyJ España Ediciones (empresa do
Grupo alemão Gruner+Jahr)
É interessante ressaltar que a parceria com o conglomerado Walt Disney iniciou
em 1950, com a revista O Pato Donald. Em 1988, fez parceria com um dos maiores grupos
midiáticos do mundo, o francês Lagardère, a partir da revista Elle. Já com a Time Warner,
iniciou em 2002 com o lançamento da revista Estilo, versão da norte-americana InStyle.
Já em relação ao grupo alemão Bertelsmann, através da empresa Gruner und Jahr, desde
1987, a parceria se dá com a revista Superinteressante. E a parceria com o grupo
argentino, Perfil Editorial, se deu em 1993, associando-se à revista Caras.
Não se pode ignorar que a Editora Abril é uma das maiores da América Latina.
Conforme informações disponibilizadas em 2012, no ano de 2011 registravam-se 52
títulos; líder em 22 dos 26 segmentos; circulação de 192 milhões de exemplares em
2011; 28 milhões de leitores; e 4,4 milhões de assinaturas. Além disso, que, dentre as 10
revistas mais lidas no país, sete são da Abril, registrando a Veja como a terceira maior
revista semanal de informação do mundo e a maior fora dos Estados Unidos.
Na área televisiva, destaca-se a parceria da MTV Brasil com o grupo Viacom. É
importante ressaltar que a MTV Brasil foi lançada em 1990. De acordo com registros do
Grupo, sua cobertura atinge 23 milhões de lares em 157 cidades brasileiras, sendo 95%
do conteúdo produzido localmente. Tem mais de 1 milhão de internautas cadastrados
em seus sites.
No caso da Alphabase17, trabalha com soluções de marketing interativo,
oferecendo produtos e serviços “para se comunicar de forma integrada nos diversos
canais, utilizando a audiência Abril e de empresas parceiras” através das “melhores
ferramentas de disparo de e-mail marketing do mundo”.
Já a Elemídia, conforme registros do Grupo Abril, desde setembro de 2010 a
Abril já possuía 70% do negócio, em julho de 2012, adquiriu os 30% da Elemidia que
estavam em poder de sócios minoritários18. Com a compra, a Abril passou a deter 100%
17
Alphabase. Disponível em http://www.alphabase.com.br/ . Acesso em 30 ago.2012.
Abril S.A. compra participação dos minoritários na Elemidia e assume 100% do negócio. São Paulo, 2
de julho de 2012. Disponível em http://www.grupoabril.com.br/noticias/noticias-site_401159.shtml .
Acesso em 15 ago.2012.
18
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da Elemidia, considerada líder brasileira em mídia digital out of home, com crescente
presença no Brasil e América Latina através de sua rede de franquias. Está em 55
cidades brasileiras, além de Buenos Aires (Argentina), considerando-se a maior
operadora de mídia digital out of home da América Latina com mais de 7 mil monitores
de alta definição em operação, transmitindo programação segmentada ponto a ponto, em
tempo real, podendo impactar 15 milhões de pessoas diferentes por semana. Está nos
elevadores de edifícios corporativos, shopping centers, supermercados, hotéis,
universidades e academias19. Através do sistema de Checking Online, conforme
destacam no site da Elemidia, mensuram em tempo real a veiculação de mídia prevista e
realizada.
Quanto à Abril Gráfica, é considerada a maior gráfica de revistas da América
Latina em volume de produção, produzindo anualmente 594 milhões de exemplares
impressos, entre revistas, suplementos, edições especiais, catálogos e tablóides 20. É
especializada na prestação de serviços gráficos. Foi inaugurada em 1950 e chamava-se
SAIB, Sociedade Anônima Impressora Brasileira.
O diferencial da Editora Abril, em relação aos concorrentes, é que ela produz,
imprime e entrega seus produtos na mão do leitor. Seu parque gráfico é considerado o
maior e mais moderno da América Latina. A distribuição é feita pela Distribuidora
Nacional de Publicações. Esse investimento do Grupo é considerado um dos mais
importantes, pois as revistas representam mais de 70% das atividades do conglomerado.
No que tange às áreas de logística e distribuição, o Grupo Abril registra a DGB,
holding de logística e distribuição formada pela Dinap, FC Comercial, Magazine
Express, Treelog, Entrega Fácil e Total Express, e Abrilser, criada para dar suporte de
serviços aos negócios do Grupo21.
Registra-se no portal do Grupo Abril22 que a DGB vem investindo em sua
expansão. Em novembro de 2011, adquiriu a Total Express, empresa com 19 anos de
atuação e voltada para os segmentos de pequenas cargas e de entrega de e-commerce e
19
Elemidia. Disponível em http://www.elemidia.com.br. Acesso em 10 set.2012.
Abril Gráfica. Disponível em http://grafica.abril.com.br/abril_grafica.php . Acesso em 30 ago.2012.
21
Institucional – Distribuição e Logística. Disponível em
http://www.grupoabril.com.br/institucional/distribuidora-logistica.shtml . Acesso em 30 ago.2012.
22
DGB, holding de logística e distribuição do Grupo Abril, anuncia nova expansão. São Paulo,
14/08/2012. Disponível em http://www.grupoabril.com.br/noticias/noticias-site_401258.shtml . Acesso
em 15 ago.2012.
20
IV Encontro Nacional da Ulepicc-Brasil – Rio de Janeiro/RJ – 9 a 11/10/2012
que está com um novo modelo de gestão dos seus negócios que têm como meta
quintuplicar a capacidade diária de entregas da Total Express, ou seja de 50 mil
unidades para 250 mil em janeiro de 2013.
Além disso, desde março de 2012, A DGB inaugurou sua nova sede na cidade de
Osasco (SP), reunindo cinco das seis empresas que formam o Grupo: Dinap, FC
Comercial, Magazine Express, Treelog e Entrega Fácil. Com os investimentos, a DGB
pretende fechar 2012 com a receita líquida de cerca de R$ 560 milhões, dos quais R$
410 milhões dentro do mercado de publicações.
A DGB (Distribuição Geográfica do Brasil) foi criada em 2008, reunindo seis
empresas: três ligadas à distribuição de publicações (Dinap, que atende mais de 80
editoras, inclusive a Editora Abril; FC Comercial, que atende 190 editoras, em mais de
2 mil cidades brasileiras e 28 mil pontos de vendas; e Magazine Express - especializada
no mercado editorial internacional, importa e comercializa em todo o país as principais
publicações em circulação no mundo, como francesas, americanas, dentre outras), uma,
a Treelog – utiliza uma rede de 350 distribuidores regionais e 29 filiais, atingindo 2,2
mil municípios - que representa o braço logístico do Grupo Abril; além da Entrega
Fácil, com foco no mercado de pequenas cargas; e a Total Express, comprada em
novembro de 2011, voltada para pequenas cargas e e-commerce, presente em mais de
800 cidades brasileiras. Conforme registro em seu site, hoje conta com 2.500
colaboradores e possui 197 distribuidores, além de nove filiais da Treelog e outras 17 da
Total Express.
Em relação à Abril Educação S.A23, foi criada em 2007, porém, desde 2010, vem
atuando separadamente da Abril S.A. por meio de uma reorganização societária. Ou
seja, como empresa de capital aberto, é dirigida por um Conselho de Administração, um
presidente executivo e quatro diretorias que o apoiam na gestão das Editoras, Sistemas
de Ensino, Colégios, Cursos Preparatórios e Ensino de Idiomas. Sua estrutura acionária
está dividida entre a família Civita com 75,30% da participação e a BR Investimentos,
com 24,70%.
De acordo com informações do Portal do Grupo Abril, a Abril Educação reúne
as editoras Ática e Scipione, os sistemas de ensino Anglo, Ser e Maxi, o Curso e
23
Institucional – Abril Educação - http://www.grupoabril.com.br/institucional/abril-educacao.shtml
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Colégio pH, do Rio de Janeiro, o GrupoETB (Escolas Técnicas do Brasil), de São
Paulo, a SIGA, curso preparatório para concursos e a Livemocha, comunidade online de
ensino de inglês.
No caso, das editoras Ática e Scipione, foram adquiridas em 1999, em parceria
com o grupo francês Vivendi Universal Publishing, sendo líderes do mercado de ensino
brasileiro, oferecendo livros didáticos e paradidáticos, coleções e obras complementares
dos principais autores do Brasil. De acordo com os registros da Abril Educação, em
2010 venderam mais de 50 milhões de livros, tendo em seu catálogo 3.500 autores.
No caso do Sistema de Ensino Ser, criado em 2007, e o Anglo, adquirido em
2010, registram 387 mil alunos em mais de mil escolas brasileiras. Já o Curso e Colégio
pH, do Rio de Janeiro, têm 6.600 alunos. E o Grupo ETB, voltado para o ensino técnico,
2.400 alunos nas unidades em Jundiaí, Osasco, Piracicaba e Sorocaba. Destaca-se,
ainda, a compra de participação no site de ensino de idiomas Livemocha, considerada a
maior comunidade online de ensino de inglês no mundo, com 2,2 milhões de usuários
no Brasil.
O Grupo Abril destaca, ainda, que em 2011 a Abril S.A. passou a deter 100% da
CASA COR, reconhecida como o maior evento de arquitetura e decoração das
Américas, e o segundo maior do mundo, com 22 franquias, sendo 18 nacionais
(Amazonas, Bahia, Brasília, Campinas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro,
Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e quatro internacionais:
Chile, Panamá, Peru e Punta del Este.
Concluindo...
Diante do exposto, verifica-se que o Grupo Abril, desde sua fundação em 1950
no Brasil, faz parcerias internacionais. A primeira delas foi (e continua até hoje) com o
conglomerado Walt Disney. No caso, as parcerias que o Grupo Abril faz são resultados
de contratos específicos, sendo a maioria licenciamentos, tendo cada um suas
peculiaridades. Conforme o fundador da Redibra e ex-presidente da Walt Disney no
Brasil, Elcan Diesendruck (2000, p.12), o licenciamento “é o mecanismo
legal/comercial pelo qual o detentor, criador ou autor de uma marca, patente ou obra de
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arte, autoriza ou cede o direito de sua utilização, reprodução e exploração, comercial ou
não, através de condições e licenças específicas”.
De acordo com o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita (2005), foram feitas
licenças com as grandes editoras por que a Abril não tinha know how nem gente
treinada para fazer coisas novas na empresa. É fato que o Grupo Abril investiu nas
licenças por que considerava a possibilidade de seus funcionários aprenderem a
trabalhar com a mesma eficiência de seus parceiros na produção e venda das revistas.
Mas, mesmo adquirindo know how, observa-se que o licenciamento continua tão
importante quanto no início. Na área eletrônica, não é diferente. Destacam que seus
parceiros possibilitam também o know how, além de programações diferenciadas como
é o caso da MTV que é vista pela empresa como um modelo de negócios bem-sucedido,
voltado para um público jovem.
Assim, como se pôde observar, na estratégia do Grupo a sua internacionalização
vem se mantendo tímida desde 2005. Ao mesmo tempo, observa-se que vem investindo
na diversificação de suas atividades, principalmente, na área educacional. Porém, como
tem grandes empresas e atividades diversificadas, com reconhecimento na América
Latina, pode voltar a investir em outros mercados, mas, isso não em curto prazo. Pois,
desde 2005, sua meta é dobrar o negócio internamente. Sua presença em outros países é
muito acanhada. Exemplo disso é a presença do Grupo Abril no exterior através das
assinaturas internacionais em mais de 70 países, sendo que as revistas são editadas no
idioma português (do Brasil).
Assim, embora o Grupo Abril tenha começado suas atividades, em 1950,
partindo do processo de internacionalização de “fora para dentro” e três décadas depois,
1980, ingressando no processo de internacionalização de “dentro para fora”, não é
possível fazer previsões sobre suas estratégias no campo internacional. No momento,
percebe-se que está se organizando financeiramente para se estabilizar e duplicar seus
rendimentos no Brasil. Dessa forma, é provável que dê continuidade à sua trajetória e
mantenha-se como o maior grupo editorial da América Latina.
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Grupo Abril: ontem e hoje – estratégias de internacionalização de