I Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação do Câmpus Rio Verde do IFGoiano. 06 e 07 de novembro de 2012. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁGUA LIMITE PARA A CRIOPRESERVAÇÃO DE AQUÊNIOS DE CAJU-DE-ÁRVORE-DOCERRADO (Anacardium othonianum RIZZ) – ANACARDIACEAE FERREIRA, Pedro Henrique Castro Magalhães Ferreira (Estudante IC)1; SALES, Juliana de Fátima(Orientadora)1; SILVA, Lilian Abadia da (Mestranda PPGCA)1; FRANÇA, Sabrina Cabral (Estudante IC)1, FREITAS, Bethânia Silva Moraes de (Estudante IC)1. 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde – GO [email protected] RESUMO: Objetivou-se com este trabalho determinar o teor de água limite para a criopreservação de aquênios de caju-de-árvore-do-cerrado (Anacardium othonianum Rizz) e avaliar o efeito do método de descongelamento no vigor destes. Os aquênios foram submetidos à secagem em sílica gel até alcançarem teores de água de 14, 12, 8 e 4% b.u. e em seguida foram armazenados em nitrogênio líquido (-196°C) por um período de 20 dias e submetidos ao descongelamento lento, rápido e em microondas. Após o descongelamento, os aquênios foram submetidos a avaliações fisiológicas e testes de vigor. Uma melhor qualidade fisiológica e de vigor foi verificada para os aquênios com teores de água de 14 e 12%, e o os menores valores foram encontrados nos aquênios secos a 4% de umidade. O descongelamento em microondas não foi eficiente principalmente para o teor de água de 8%. Palavras-chave adicionais: Conservação. Dessecação. Criogenia. Nitrogênio líquido. INTRODUÇÃO O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira com uma área original de dois milhões de hectares. A intensa pressão de ocupação agropecuária e as ações de extrativismo no Cerrado têm colocado em risco muitas espécies de importância ecológica, social e econômica (COSTA, 2009). O caju-de-árvore-do-cerrado é uma espécie típica bastante conhecida e apreciada nessa região. É uma planta arbórea, com 3 a 4 metros de altura por 3 a 4 metros de diâmetro de copa, com propagação predominante via sementes. Para a conservação de sementes ortodoxas, como é o caso do caju-de-árvore-docerrado, ambientes com umidade relativa e temperaturas mais baixas tem se mostrado mais adequados, para preservar o seu poder germinativo (MARCOS FILHO, 2005). Portanto, a técnica de criopreservação é eficaz para armazenar recursos genéticos a longo prazo. Porém, o teor de água das sementes no momento da imersão em nitrogênio líquido deve ser considerado como o fator mais crítico na criopreservação. Este teor deve ser reduzido para um ponto capaz de evitar a formação de cristais de gelo intracelulares durante o congelamento ultrarápido, e preservar a integridade dos tecidos da semente (LAMBARDI et. al., 2004). Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi determinar o teor de água limite para a criopreservação e avaliar o efeito do método de descongelamento no desempenho fisiológico dos aquênios de caju-de-árvore-do-Cerrado (A. othonianum Rizz). MATERIAL E MÉTODOS Os frutos foram coletados na Fazenda Gameleira, em Montes Claros de Goiás (16º 06’ 20’’ S – 51º 17’ 11’’ W, altitude de 592 m). O experimento foi realizado no Laboratório de Sementes do Instituto Federal Goiano - Câmpus Rio Verde-GO. Os aquênios foram extraídos manualmente, beneficiados e tratados com fungicida Vitavax-Thiram®. O teor de água inicial 1 I Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação do Câmpus Rio Verde do IFGoiano. 06 e 07 de novembro de 2012. foi determinado conforme as Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 2009). Após, foram submetidos ao processo de secagem até alcançarem os teores de água estabelecidos (14, 12, 8 e 4% b.u). Para secagem, as amostras foram dispostas em bandejas com sílica gel azul e pesadas até alcancem os teores de água desejados. Os aquênios foram embalados em papel alumínio, acondicionados em canisters e armazenados em botijões criogênicos em contato direto com o nitrogênio por 20 dias. Em seguida foram descongelados por meio dos seguintes métodos: Descongelamento lento, a 25°C por 2 horas; Rápido, em banho maria, a 37°C por 5 minutos; Em microondas, a uma potência de 150 W por 2 minutos. Os aquênios foram lavados com água destilada e o excesso de água eliminado. Após o descongelamento, a qualidade fisiológica e o vigor dos aquênios foram avaliados por meio do índice de velocidade de germinação (IVG); índice de velocidade de emergência (IVE); envelhecimento acelerado (%), condutividade elétrica, diâmetro na altura do colo; comprimento da parte aérea e raiz e massa seca da folha, caule e raiz. No teste de germinação, foram utilizadas três repetições de 25 aquênios, em papel “germitest”, umedecido com água destilada equivalente a 2,5 vezes o peso do substrato seco. Os rolos foram mantidos em câmaras de germinação “Mangesldorf” à temperatura de 25°C. No teste de envelhecimento acelerado foram utilizadas três repetições de 25 aquênios e foi adotado o método proposto por Valentini e Piña-Rodrigues (1995). Foram utilizadas caixas acrílicas tipo gerbox contendo 40 mL de água em seu interior, mantidas em câmara germinadora a 40°C por 72 horas. Após o envelhecimento, os aquênios foram submetidos ao teste de germinação. O teste de condutividade elétrica foi realizado em três subamostras de 10 aquênios. As amostras foram pesadas e em seguida, colocadas em copos plásticos contendo 75 mL de água deionizada e mantidas em uma câmara de germinação a temperatura de 25 ºC, durante 24 horas. Após esse período, efetuou-se a leitura da condutividade elétrica por meio de condutivímetro digital Technal, modelo TEC-4MP, e os resultados foram expressos em µScm-1 g-1. O teste de emergência foi conduzido em casa de vegetação com temperatura média de 24,9±4ºC e umidade relativa de 76±14,5%. Foram utilizadas três repetições de 25 aquênios e a semeadura foi realizada em areia a 3 cm de profundidade. O substrato foi umedecido até 70% de sua capacidade de campo e irrigado, por aspersão, três vezes ao dia. Foram realizadas contagens diárias, a fim de determinar o índice de velocidade de emergência de plântulas (IVE), de acordo com Maguire (1962). Decorridos 30 dias após a semeadura, a porcentagem de emergência correspondeu à de plântulas normais. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 4x3 sendo quatro teores de água e três tipos de descongelamento, empregando-se três repetições. A análise de variância e as comparações das médias pelo teste de Tukey a 5% de significância. Os dados expressos em porcentagem foram transformados em arcoseno de √x/100. RESULTADO E DISCUSSÃO Os maiores valores para a germinação e para o índice de velocidade de germinação foram obtidos em aquênios com os teores de água de 12 e 14% respectivamente, ocorrendo decréscimo à medida que se diminuiu o teor de água dos mesmos. Para o envelhecimento acelerado os aquênios com teor de água 14% alcançaram maiores valores de germinação, no entanto, à medida que se reduziu o teor de água dos aquênios, quando os mesmos foram crioconservados, ocorreu decréscimo na porcentagem de germinação. Os maiores valores para a condutividade elétrica foram obtidos para aquênios com 12% b.u., ocorrendo redução à medida que o teor de água dos mesmos foi diminuído. Com isso, verificamos que a secagem não prejudica a integridade das membranas pelo baixo valor de lixiviados. Os maiores valores para emergência e índice de velocidade de emergência foram obtidos para os aquênios criopreservados com teor de água de 12%, ocorrendo queda nos valores à medida que se diminuiu o teor de água. Resultado semelhante foi encontrado para sementes de pinhão-manso (Jatropha curcas L.), em que a dessecação a 6,4% de umidade, associada a períodos prolongados de exposição ao nitrogênio líquido, causou anormalidade de plântulas, danos 2 I Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação do Câmpus Rio Verde do IFGoiano. 06 e 07 de novembro de 2012. às células e aos tecidos das folhas, e afetou negativamente a germinação (SILVA et al., 2011). O teor de água das sementes e o método de descongelamento não exerceram influência na porcentagem de germinação e no índice de velocidade de germinação, exceto em aquênios criopreservados com 8% de teor de água e descongelados em microondas. Para o teste de envelhecimento acelerado e condutividade elétrica, as sementes com teor de água de 8% e descongeladas em microondas, apresentaram os menores valores, diferindo dos demais métodos de descongelamento. O método de descongelamento mais eficaz está diretamente relacionado com o teor de água das sementes. No descongelamento rápido, as sementes com teor de água de 14% b.u. obtiveram o maior valor para o teste de envelhecimento acelerado e o menor para a condutividade elétrica. Para o descongelamento em microondas os maiores valores foram obtidos para as sementes com 14% b.u e os menores para 8% b.u. CONCLUSÃO O teor de água limite para a criopreservação das sementes de Anacardium othonianum Rizz está situado entre 14 e 12% de b.u. Teores de água abaixo de 12% causaram redução na qualidade fisiológica e no vigor das sementes. Para os aquênios com teor de água elevado, como 14% e 12%, o descongelamento em microondas foi mais eficiente, ao passo que, sementes com baixo teor como 4% respondem melhor ao descongelamento lento. COSTA, C. J. Armazenamento e conservação de sementes de espécies do Cerrado. Embrapa Cerrados, Planaltina – DF, 2009. LAMBARDI, M.; DE CARLO, A.; BIRICOLTI, S.; PUGLIA, A.M.; LOMBARDO, G.; SIRAGUSA, M.; DE PASQUALE, F. Zigotic and nucellar embryo survival following dehydration/cryopreservation of Citrus intact seeds. CryoLetters, v. 25, p.81–90, 2004. MAGUIRE, J.D. Speed of germination aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, v.2, p.176177, 1962. MARCOS FILHO, J. Deterioração de sementes. In: MARCOS FILHO, J. (Ed.). Fisiologia de sementes de plantas cultivadas. Piracicaba: FEALQ, p. 291-348. 2005. SILVA, R.C.; CAMILLO, J.; LUIS, Z.G.; SCHERWINSKI-PEREIRA, J.E. Potencial germinativo e morfoanatomia foliar de plântulas de pinhão-manso originadas de germoplasma criopreservado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.46, n.8, p. 836-845, 2011. VALENTINI, S.R.T.; PIÑARODRIGUES, F.C.M. Aplicações do teste de vigor em sementes. In: SILVA, A.; PIÑARODRIGUES, F.C.M.; FIGLIOLIA, M.B. Manual técnico de sementes florestais. P. 75-84. 1995. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília, DF: Mapa/ACS, 2009. 395p.Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2006. 320 p. 3