DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE Dissertação apresentada ao Centro de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, como parte das exigências para obtenção do título de Mestre em Ciências de Engenharia, na área de Engenharia de Produção. Orientador: Prof. Assed Naked Haddad., D. Sc. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE – UENF CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ JUNHO - 2004 DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE Dissertação apresentada ao Centro de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, como parte das exigências para obtenção do título de Mestre em Ciências de Engenharia, na área de Engenharia de Produção. Aprovada em _14__ de ___junho___ de 2004. Comissão Examinadora: ________________________________________________________ Prof. Renato de Campos, D. Sc. - UENF _______________________________________________________ Prof. José Ramon Arica Chavez, D. Sc. - UENF ________________________________________________________ Prof. Romeu e Silva Neto, D. Sc. - UENF Prof. Assed Naked Haddad., D. Sc. – UFRJ – Orientador III AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a DEUS, pela presença constante em minha vida. À Valéria, minha esposa, pela compreensão e presença incentivadora nos momentos difíceis durante esta caminhada. À Bárbara, Vitor e Camila, meus filhos, pelo incentivo e razão de tudo isto. Ao meu orientador Assed Naked Haddad, que tão bem soube me incentivar e cobrar para que este trabalho fosse realizado. Aos professores do LEPROD, que nos capacitaram para este trabalho. Aos meus amigos João e Carlos, que dividiram comigo os sonhos e incertezas deste tempo. Aos meus amigos e colegas de trabalho no CEFET Campos, que me incentivaram e dividiram parte do trabalho de minha obrigação. Aos ceramistas do Município de Campos dos Goytacazes, pela confiança e apoio durante a realização deste trabalho, em especial ao amigo José Joaquim Linhares Neto, proprietário da Cerâmica Santander. IV SUMÁRIO 1. Introdução 2 1.1. Objetivo 3 1.2. Justificativa 4 1.3. Metodologia 5 1.4. Estrutura do trabalho 5 2. Fundamentação teórica 8 2.1. Desenvolvimento regional 8 2.2. Aplicação de clusters 21 2.3. Qualidade e competitividade na industria cerâmica 34 3. Diagnóstico do aglomerado industrial da indústria cerâmica do município de Campos dos Goytacazes 3.1. Premissas básicas 40 40 3.2. Tabulação dos resultados do questionário 43 3.3. Critérios utilizados 53 3,4. Descrição do processo produtivo 55 4. Proposta de central de massa para o setor de cerâmica vermelha de Campos dos Goytacazes. 4.1. Central de Massa 67 67 4..2. Localização 67 4.3. Proposta. 81 5. Conclusões 85 5.1. Considerações Finais 87 5.2. Recomendações 88 Referências Bibliográficas 90 Anexo I 96 Anexo II 100 V Resumo de dissertação apresentado ao CCT/UENF como parte das exigências necessárias para obter o grau de mestre (M.Sc.) em Ciências de Engenharia(Área de Concentração: Engenharia de Produção). DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE Orientador: Prof. ASSED NAKED HADDAD Junho de 2004 Este trabalho trata do estudo relativo ao aglomerado industrial do setor Cerâmico de Campos dos Goytacazes. É feito um diagnóstico de seu estágio atual de aplicação desenvolvimento de um através questionário, de entrevistas que procura semi-estruturadas identificar o e grau a de interatividade e sinergia entre os atores diversos envolvidos, analisando a dotação de recursos naturais, capacidade laboral instalada, utilização de tecnologias disponíveis e da capacidade empresarial. E baseado neste diagnóstico que se propõe a construção de uma central de massa, que visa modificar o desenho da cadeia produtiva, atualmente fechada e verticalizada, no que diz respeito a obtenção de matéria-prima, analisando inicialmente o processo produtivo. Identifica-se seus pontos mais críticos, como forma de contribuir para o desenvolvimento e formação de uma cooperação horizontal, desenvolvendo assim a confiança entre os atores e um novo modelo de redes de comunicação e proximidade organizacional, propiciando qualidade através da diminuição da variabilidade deste insumo." VI uma melhoria da Thesis abstract presented to CCT/UENF as part of the requirements necessary for obtaining the master’s degree (M. Sc.) in engineering Sciences (Production Engineering área). THE CAMPOS DOS GOYTACAZES CERAMICS INDUSTRIAL SECTOR AGGLOMERATE DIAGNOSIS LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE Advisor: Prof. ASSED NAKED HADDAD June, 2004 This study deals with the Campos dos Goytacazes Ceramics Industrial Sector Agglomerate. It’s present situation and state of development is analyzed and a diagnosis is made, though the application of a questionnaire and semi-structured interviews witch seek to identify synergy and interaction levels among all participants involved on the research carried. The study analyzes the existence and dimension of natural resources, labor capacity installed available technology and enterprise capabilities usage. Based on this diagnosis the development of an Operations Unit (Mass Central) is proposed to modify productive chain design, witch is nowadays vertical and closed, relatively to raw materials acquisition, on a first analysis of the productive process. Critical points are identified as a contribution to the development and set of a horizontal cooperation, improving confidence among participants and the raise of a new model of communication and organizational proximity network, allowing quality improvement through the lowering of this material variability. Key words: Ceramics Industrial; Operations Unit (Mass Central); Industrial Sector Agglomerate; clusters. VII CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO UENF 2004 2 INTRODUÇÃO 1. INTRODUÇÃO Segundo Santos (1998), o ambiente da gestão de negócios nos últimos tempos tem enfrentado uma série de implicações decorrentes de um conjunto de transformações políticas, econômicas e sociais, tais como: • Um aumento da taxa de mudança e da complexidade do ambiente; • Incremento e utilização efetiva de novas tecnologias, acelerando a obsolescência técnica e econômica de equipamentos, processos e produtos; • Surgimento de novos concorrentes; gerando o acirramento da concorrência e o excesso de oferta; • Novas exigências políticas e sociais, por exemplo, a participação do governo numa perspectiva macroeconômica; as novas exigências dos clientes por melhor qualidade dos produtos/serviços e concomitantemente menores preços, as novas dinâmicas da força de trabalho; • As crescentes flutuações nos mercados; a diluição das fronteiras e o aumento das condições de incerteza e de risco no processo de tomada de decisões. Para Porter (1999) a competição se intensificou de forma drástica ao longo das duas últimas décadas, em praticamente todas as partes do mundo. Poucos são os setores remanescentes em que a competição ainda não interferiu na estabilidade e dominação dos mercados. Nenhuma empresa ou país tem condições de ignorar a necessidade de competir. Todas as empresas devem procurar compreender e exercer com maestria a competição. Neste contexto surgem novas formas de abordagens, tipologias, modelos e arquiteturas organizacionais que têm como objetivo a adequação e contextualização às novas características do ambiente e a necessidade de serem mais competitivas, condições estas imprescindíveis para que as organizações adquiram as devidas condições para a sua sobrevivência e desenvolvimento. Uma destas novas abordagens organizacionais é a formação de Redes interempresariais baseadas na parceria, na colaboração, na associação e complementaridade entre as organizações partindo do princípio de que no atual ambiente de negócios, nenhuma empresa, seja ela pequena, ou grande, não é independente e auto-suficiente. Para Lipnack & Stamps(1994) atualmente nenhuma UENF 2004 3 INTRODUÇÃO empresa pode isoladamente fazer tudo o tempo todo, seria demasiadamente complicado e dispendioso para empresas de qualquer tamanho realizar todos os trabalhos isoladamente durante todo o tempo. Hoje em dia, trabalhar unilateralmente significa perder oportunidades. E amanhã estará significando o encerramento das atividades da empresa. Este novo modelo de organização tem uma série de formatos específicos tais como alianças, fusões, formação de consórcios, jointventures e aglomerados. Neste trabalho, iremos tratar especificamente do aglomerado industrial composto pelas Pequenas e Médias Empresas (PME's), que compõem o setor ceramista de Campos dos Goytacazes, mostrando o papel e a importância deste segmento empresarial para o desenvolvimento regional, ao mesmo tempo em que, identifica quais as implicações decorrentes do surgimento dos novos modelos organizacionais para as PME’s, dentre eles os aglomerados denominados “Clusters”. Explicitando quando, como e porquê surgem os aglomerados e, como isto se constitui num mecanismo para superação dos diversos problemas enfrentados pelas PME’s. A partir daí, são identificados os conceitos, as experiências passadas e mais atuais de aglomerados industriais no Brasil e no exterior, enfatizando um conjunto de fatores que precisam ser observados no seu processo de formação, desenvolvimento e manutenção. Neste sentido, e como conseqüência desta pesquisa, é feito um diagnóstico do aglomerado em estudo, identificando seu grau de desenvolvimento, e propõe-se a construção de uma central de massa, como forma de desenvolvimento de cooperação horizontal, capaz de estimular a criação dos três conceitos fundamentais, necessários à evolução do aglomerado de empresas existentes na região: (i) construção da confiança; (ii) criação de bases concretas capazes de permitir a montagem de redes de comunicação e (iii) proximidade organizacional (este como resultado da combinação dos outros dois elementos). 1.1 OBJETIVO O objetivo desta pesquisa é fazer um diagnóstico do setor ceramista de Campos dos Goytacazes, quanto ao estágio atual em que se encontra a UENF 2004 4 INTRODUÇÃO aglomeração industrial formada a partir de uma dotação de recursos naturais, da capacidade laboral instalada, capacidade tecnológica, capacidade empresarial local, e da afinidade setorial de seus produtos. A partir deste diagnóstico, onde é identificado o real estágio de desenvolvimento do aglomerado industrial, propor uma ação que possa contribuir para o desenvolvimento deste aglomerado de empresas, buscando a interação e a sinergia decorrentes da atuação articulada, proporcionando ao conjunto de empresas vantagens competitivas que vão se refletir em um desempenho diferenciado superior em relação à atuação isolada de cada empresa. 1.2 JUSTIFICATIVA O surgimento de um agrupamento industrial e sua transformação em agrupamento avançado é um processo freqüentemente espontâneo, ocorrendo sem a interveniência de ações indutoras. Porém, a experiência ensina que este processo natural pode avançar de forma muito lenta, interromper-se e mesmo sofrer retrocesso. Por este motivo, se justifica este trabalho de pesquisa, onde faz um diagnóstico do aglomerado industrial do setor ceramista do município de Campos dos Goytacazes, identificando suas características e seu grau de desenvolvimento, e a partir daí formulando uma proposta de construção de uma central de massa como estratégia de mobilização dos agentes locais, públicos e/ou privados, desenvolvendo uma cooperação horizontal, para que esta transformação ocorra de maneira mais rápida e sustentada, minimizando os riscos de estagnação e retrocesso. Por outro lado, a construção de uma central de massa, além de contribuir para o desenvolvimento sustentado do agrupamento, propicia a utilização de novas tecnologias na obtenção da matéria prima, onde foram identificadas as maiores perdas da atividade industrial. UENF 2004 1.3 5 INTRODUÇÃO METODOLOGIA A estruturação do trabalho seguiu a seguinte seqüência: a) Pesquisa Bibliográfica; b) Pesquisa de Campo; c) Coleta e tabulação dos dados; d) Modelagem Teórica; e) Apresentação e discussão dos resultados. A pesquisa bibliográfica foi concentrada em autores estrangeiros mesmo tendo sido utilizado literatura nacional em virtude da importância desses autores. A metodologia do trabalho concentrou-se nas novas teorias de desenvolvimento regional e em novos conceitos e estratégias que representam o novo paradigma de desenvolvimento regional endógeno com foco específico no agrupamento industrial (clusters). A pesquisa de campo foi elaborada através de entrevistas semi- estruturadas e aplicação de questionários, realizados através de visitas as empresas do setor cerâmico de Campos dos Goytacazes. A coleta e tabulação dos dados para a modelagem teórica do diagnóstico e da proposta da ação, teve por objetivo identificar e definir requisitos básicos dos processos de negócios e de produção do setor cerâmico local. Os resultados alcançados neste trabalho provenientes da pesquisa de campo foram apresentados em bloco preservando as empresas visitadas. 1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO O presente trabalho tem seu foco voltado para um tema regional, extremamente atual, mas que faz parte das discussões teóricas a nível nacional e internacional, pelos maiores pensadores de nosso tempo. O presente capítulo é uma apresentação do trabalho, com uma pequena introdução ao tema, seguida do objetivo e justificativa, explicando qual a metodologia utilizada. UENF 2004 6 INTRODUÇÃO O segundo capítulo é uma revisão da literatura pesquisada, dos diversos temas necessários para a fundamentação teórica do trabalho.No terceiro capítulo está apresentado o diagnóstico feito do setor em estudo, onde são apresentados os resultados objeto desta pesquisa, no quarto capítulo é apresentada uma proposta de ação estratégica para desenvolvimento do aglomerado industrial em estudo, e no quinto capítulo, as conclusões e considerações finais com recomendações para futuros trabalhos, terminando com às referências bibliográficas e os anexos I e II, onde se encontram o questionário aplicado e os mapas de localização das industrias do setor na região, respectivamente. CAPÍTULO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA UENF 2004 8 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O que diferencia umas regiões de outras é o fato de que umas se conformam com os “fatores dados” e outras procuram “processar fatores e atividades” (Kaldor, 1970), 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Nesse capítulo é feita uma revisão da literatura pesquisada sobre Desenvolvimento Regional, e aplicação de Clusters nas diversas experiências nacionais e internacionais que usam a estruturação de aglomerados industriais, Qualidade e Competitividade na Indústria Cerâmica e sobre o Conceito de Central de Massa, que são importantes para o entendimento do diagnóstico do setor cerâmico de Campos dos Goytacazes e da proposta de ação estratégica contida neste trabalho. 2.1 – DESENVOLVIMENTO REGIONAL Em seu estudo sobre a evolução histórica da idéia de desenvolvimento, Arndt (1987) mostra que a partir da década de 60, questões relativas às necessidades básicas da população, ao desemprego e, especialmente, à desigualdade passaram a ser incorporadas a esta idéia. Recentemente, as preocupações ambientais também começaram a fazer parte das discussões sobre desenvolvimento, principalmente quanto a possibilidade de sustentação no tempo dos padrões de consumo, introduzindo no debate variáveis pertencentes às ciências naturais e novas reflexões de natureza ética. Tradicionalmente, o debate sobre políticas de desenvolvimento concentrou-se em entender quais seriam os papéis do Estado e dos mercados neste processo, tomando os países como unidade geográfica de análise. Com a evolução da integração econômica internacional e frente às experiências regionais vividas por alguns países, a dimensão espacial da economia vem ganhando mais força nos meios acadêmicos e tem despertado o interesse de órgãos de governo e agências internacionais sobre as formas de atuação de organizações não governamentais e sociedade civil. A partir da década de 70, o mundo iniciou um processo de grande mudança tecnológica associado à informática e às telecomunicações, com grande repercussão nos custos de produção e nas formas de organização da atividade UENF 2004 9 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA econômica. Como conseqüência, a produção em massa de bens e serviços baseada nas grandes linhas de montagem também passou a ser questionada, abrindo espaço para formas mais flexíveis de produção, capazes de realizar o trabalho com mais agilidade e diferenciação qualitativa. A partir do final da década de 80 observa-se, que ao mesmo tempo em que ocorre um movimento de extroversão por parte das empresas (subcontratações, alianças e fusões) e dos países (abertura comercial e aumento do volume do capital em circulação no mundo) as regiões no interior dos países vêm mostrando um movimento de endogeneização, tanto nas decisões relacionadas ao seu destino quanto ao uso dos meios e recursos utilizados no processo econômico. Isso mostra que a organização territorial deixou de ter um papel passivo para ter um papel ativo diante da organização industrial. Quase todas as novas teorias que trabalham com a questão regional apresentam como ponto comum a tentativa de incorporar o processo geral de reestruturação produtiva e de acelerada divisão internacional do trabalho com a utilização de modelos que dão suporte às estratégias de localização das firmas e às estratégias de desenvolvimento regional. Pode-se ressaltar alguns pontos comuns nos anos recentes: 1. As localidades e as instituições assumem um papel de grande importância no desenvolvimento econômico; 2. Os aspectos interdisciplinares passam a fazer parte das análises sobre o desenvolvimento econômico regional ou local; 3. As externalidades reassumem um papel de destaque nas análises, e Marshall transforma-se numa referência quase unânime; 4. A inovação tecnológica e o aprendizado, numa clara referência ao pensamento de Schumpeter, assumem um papel de destaque na tentativa de compreensão do desenvolvimento regional; 5. As relações não comerciais das aglomerações, levando em conta aspectos de organização industrial e dos custos de transação, são explicitadas; 6. A formação e o acumulo de um capital social localizado passam a ser paradigma de sucesso no novo ambiente competitivo. UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 10 Do ponto de vista regional o conceito de desenvolvimento endógeno, segundo Amaral Filho (1999), pode ser entendido como um processo de crescimento econômico implicando em uma contínua ampliação da capacidade de agregação de valor sobre a produção bem como da capacidade de absorção da região, cujo desdobramento é a retenção do excedente econômico gerado na economia local e/ou a atração de excedentes provenientes de outras regiões. Este processo tem como resultado a ampliação do emprego, do produto e da renda do local ou da região. Segundo Carvalho et al (2003), o conceito de desenvolvimento endógeno está associado ao surgimento da teoria do crescimento endógeno, a qual vem romper radicalmente com a teoria tradicional do crescimento. O ponto central dessa ruptura está no fato de se substituir, no plano macroeconômico, o axioma dos rendimentos constantes em benefício dos rendimentos crescentes. Fatores antes considerados exógenos na determinação do crescimento (como capital humano, conhecimento, informação, pesquisa e desenvolvimento, etc) passam a ser encarados como endógenos, dividindo com os fatores tradicionais (capital e força de trabalho) a composição da função de produção agregada. Do ponto de vista regional, abre-se um amplo leque de opções de ação voltadas para a promoção do desenvolvimento. Segundo Marshall (1920), em sua análise sobre a produção e a organização industrial, o conhecimento incorporado nas faculdades humanas assume fundamental importância na compreensão do desempenho econômico de firmas e nações. É ressaltada que tais faculdades, constituem meios de produção tão importantes quanto qualquer outra espécie de capital. Por isso, medidas que favorecessem o aumento do conhecimento dos trabalhadores estariam contribuindo diretamente para o crescimento da riqueza material de um país, estado ou região. O que de mais importante essa teoria nos traz é a idéia de que um país, região ou local que consiga desenvolver esses fatores pode aumentar mais facilmente o valor agregado à produção, a produtividade do sistema produtivo, acelerar o crescimento, aumentar a produção e melhorar a distribuição da renda. Este modelo alternativo pode ser definido como um modelo endógeno construído de “baixo para cima”, ou seja, partindo das potencialidades sócioeconômicas originais do local no lugar de um modelo de desenvolvimento “de cima para baixo”, isto é, partindo do planejamento e intervenção conduzidos pelo Estado. UENF 2004 11 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esta última modalidade pode ser associada àqueles casos de implantação de grandes projetos estruturantes que procuram satisfazer a coerência de uma matriz de insumo produto. Um outro aspecto desse modelo está associado ao perfil e à estrutura do sistema produtivo local, ou seja, um sistema com coerência interna, aderência ao local e sintonia com o movimento mundial dos fatores. Segundo Garofoli (1992), entre os modelos de desenvolvimento endógeno os casos mais interessantes e paradigmáticos são aqueles constituídos de pequenas empresas ou pequenos empreendimentos circunscritos a um território. Tratam-se de sistemas que produzem “intensificações localizadas” de economias externas, que determinam intensas aglomerações de empresas, fabricando o mesmo produto ou gravitando em torno de uma produção “típica”. Para se entender este modelo, é necessário responder às duas perguntas clássicas da economia espacial: i) Por que a atividade econômica se concentra em determinadas localizações, em vez de se distribuir uniformemente por todo o território?; e ii) que fatores determinam os locais em que a atividade produtiva se aglomera? Krugman (1991) desenvolve duas linhas de argumentação para tentar responder a estas questões. A primeira afirma que, no comércio e na especialização, os rendimentos crescentes, as economias de escala e a competição imperfeita são muito mais importantes que os rendimentos decrescentes, a competição perfeita e a vantagem comparativa; e a segunda afirma que as economias externas por tamanho do mercado e por inovação tecnológica, que caracterizam os rendimentos crescentes, não são de alcance internacional e nem sequer nacional, mas sim surgem de um processo de aglomeração de natureza regional ou local. A contribuição de Krugman pode ser sintetizada em duas idéias: i) em um mundo onde tanto os rendimentos crescentes como os custos de transporte são importantes, os encadeamentos para trás e para frente podem gerar uma lógica circular de aglomeração; e ii) a imobilidade de alguns recursos como a terra, e em alguns casos a força de trabalho atuam como uma força centrífuga que se opõe à força centrípeta da aglomeração. A tensão entre estas duas forças molda a evolução da estrutura espacial da economia (Fujita et al, 1999 apud Jiménez, 2001). Esses fatores entretanto, ainda não conseguem explicar o velho problema da aglomeração originária (por que a especialização e a concentração se produzem em UENF 2004 12 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA uma determinada localidade e não em outra?). Para solucionar essa questão, Krugman recorre à noção de acidente da história, ou seja, a localização de uma aglomeração seria, em boa medida, fruto do azar e, portanto, não sujeita a determinismos previsíveis. Uma vez iniciado o processo, as forças centrípetas e centrífugas, então, entrariam a operar. Por outro lado, o novo papel do Estado no desenvolvimento local/regional tem se balizado em um “modo de intervenção pragmático” o qual não valoriza em absoluto o princípio neoliberal nem o princípio do dirigismo estatal. Quanto ao primeiro, não se aceita a crença cega de que o mercado e os preços são os únicos mecanismos de coordenação das ações dos agentes. Quanto ao segundo, não se aceita o dirigismo generalista que leva à burocracia pesada, à hierarquia rígida e ao desperdício financeiro. Segundo Sabel (1996), o Estado não deve funcionar como uma máquina, mas como um sistema aberto; mais atento às nuanças de seu ambiente, mais interativo com seus parceiros, mais sensível à informação que ele recebe como retorno dos utilizadores dos bens e serviços. Questões como a descentralização administrativa-fiscal-financeira entre as instâncias de governo, a descentralização produtiva-organizacional ocorrida no setor privado e o acirramento da concorrência devido ao ambiente econômico aberto, têm criado forte necessidade de se promover em nível regional ou local um processo de aprendizagem sempre contínua e interativa entre os trabalhadores, entre estes e as empresas e entre os dois conjuntos e as instituições públicas e privadas. Neste caso, nem as forças do mercado nem o dirigismo estatal têm condições de proporcionar uma coordenação eficiente desse processo. A política de investimento em capital físico ou mais precisamente em infraestrutura é importante para uma região ou economia dado que ela cria condições favoráveis para a formação de aglomerações de atividades mercantis e além de externalidades para o capital privado (redução dos custos de transação, de produção e de transporte; acesso a mercados, etc.). Mas ela em si não é suficiente para criar um processo dinâmico de endogeneização do excedente econômico local e atrair excedentes de outras regiões, provocando assim ampliação das atividades econômicas, do emprego, renda, etc. Para que produza efeitos multiplicadores crescentes e virtuosos sobre o produto e a renda, a referida política deve estar contida no contexto de uma estratégia global de desenvolvimento da região, cujos mecanismos estejam, UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 13 administrativa, econômica e politicamente fundamentados, com o objetivo de evitar a formação de "enclaves" ou a aglomeração de indústrias desprovidas de coerência interna nas suas interconexões. Os conceitos tradicionais, em especial o de “pólo de crescimento”, além da referida fragilidade em termos de formalização, considerada importante por Krugman, estão muito associados ao planejamento centralizado, “de cima para baixo”, à grande firma Fordista assim como à lógica introvertida e verticalizada de funcionamento dos aglomerados industriais que é de “baixo para cima”. Como se sabe, esses elementos foram, em grande parte, responsáveis pelo declínio de muitas regiões com tradições industriais, exatamente porque tiveram dificuldades de se adaptar com a rapidez suficiente aos novos paradigmas produtivos e organizacionais. Vários são os conceitos, ou estratégias, que reivindicam a representatividade do novo paradigma de desenvolvimento regional endógeno. Entre eles podem-se identificar claramente três: (1) “distrito industrial”, (2) “milieu innovateur” (ambiente inovador) e (3) “cluster”. Apesar das teorias de KRUGMAN e ARTHUR poderem encarnar qualquer política de desenvolvimento regional parece que os autores não reivindicam a transformação dessas teorias em modelos de desenvolvimento. Segundo Amaral Filho (1999) - As diferenças entre aquelas três estratégias são muito sutis, fato que torna difícil a tarefa de distinguí-las, já que foram desenvolvidas praticamente na mesma época e de maneira não muito concorrente no tocante aos pressupostos. Todavia, é possível encontrar algumas particularidades nas mesmas. Qualquer definição de “distrito industrial” não estará livre de controvérsia. No entanto, diversos autores definem essa estratégia como sendo um sistema produtivo local, caracterizado por um grande número de firmas que são envolvidas em vários estágios, e em várias vias, na produção de um produto homogêneo. Um forte traço desse sistema é que uma grande parcela das empresas envolvidas é de pequeno ou muito pequeno porte. Muitos desses “distritos” foram encontrados no Norte e no Nordeste da Itália, na chamada Terceira Itália, com especializações em diferentes produtos: Sassuolo, na Emilia Romagna, especializado em cerâmica; Prato na Toscana, em têxtil; Montegranaro, na Marche, em sapatos; móveis de madeira no Veneto; etc. UENF 2004 14 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Uma característica importante do “distrito industrial” é a sua concepção como um conjunto econômico e social. Pode-se falar que há uma estreita relação entre as diferentes esferas social, política e econômica, com o funcionamento de uma dessas esferas moldado pelo funcionamento e organização de outras. O sucesso dos “distritos” repousa não exatamente no econômico mas largamente no social e no institucional. Ainda, segundo os autores citados, alguns emblemas desse sistema são a adaptabilidade e a capacidade de inovação, combinados à capacidade de satisfazer rapidamente a demanda, isto com base numa força de trabalho e redes de produção flexíveis. No lugar de estruturas verticais tem-se um tecido de relações horizontais onde se processa a aprendizagem coletiva e o desenvolvimento de novos conhecimentos, através da combinação entre concorrência e cooperação. A interdependência “orgânica” entre as empresas forma uma coletividade de pequenas empresas que se credencia à obtenção de economias de escala, só permitidas por grandes corporações. Ela é uma estratégia que representa os principais rivais dos modelos tradicionais baseados no modo de organização fordista, porque supõe um aglomerado de pequenas e médias empresas funcionando de maneira flexível e estreitamente integrada entre elas e ao ambiente social e cultural, alimentando-se de intensas “economias externas” formais e informais (Piore & Sabel, 1984). A estratégia Milieu Innovateur (ambiente inovador) foi bastante trabalhada por uma rede de pesquisadores europeus (Aydalot; Perrin; Camagni; Maillat; Crevoisier; entre outros) que se agregaram em torno do Groupe de Recherche Europeen (GREMI); vários dos pesquisadores que participaram da identificação e revelação dos distritos industriais italianos também participam da Agenda de pesquisa do GREMI. Entende-se que essa estratégia foi elaborada como parte de uma preocupação cujo objetivo era fornecer elementos que contribuíssem para a sobrevivência dos distritos industriais e para que outras regiões e locais concebessem seus próprios projetos de desenvolvimento de maneira sólida. O “milieu inovateur” destaca-se do “distrito industrial” porque enquanto este privilegia a visão do “bloco social” aquele confere às inovações tecnológicas uma certa autonomia e um papel determinante. UENF 2004 15 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Sabendo que a desintegração vertical permite que a empresa separe o núcleo estratégico (pesquisa & desenvolvimento e marketing) das partes de produção e/ou montagem, a empresa pode simplesmente conservar o seu núcleo estratégico no lugar de origem e deslocar para outras regiões aquelas partes de simples montagem do produto; neste caso a empresa exige da região receptora apenas vantagens em termos de mão-de-obra barata. Portanto, as janelas de oportunidades abertas pela desintegração da produção fordista, para que uma região periférica passe a crescer, pode ser apenas uma bolha passageira sem a capacidade de realizar a união entre território e indústria. O “milieu inovateur” fornece subsídios importantes para se tentar evitar a formação de uma industrialização vazia e por natureza nômade. O GREMI parte da constatação de que um milieu (ou ambiente) é mais ou menos conservador ou mais ou menos inovador segundo as práticas e os elementos que os regulam. Isto quer dizer que estes últimos podem estar sendo orientados tanto para as “vantagens adquiridas” quanto para a renovação ou a criação de novos recursos (Maillat, 1995). É fácil deduzir que aqueles locais e regiões que optam pelas “vantagens adquiridas”, ou “dadas”, estarão se candidatando ao declínio econômico enquanto aquelas que optam pelas conquistas de novas vantagens estarão mais próximas do sucesso ou da sobrevivência. A chave portanto, segundo Maillat (1995), encontra-se certamente na capacidade dos atores de um determinado milieu, ou região, compreender as transformações que estão ocorrendo em sua volta, no ambiente tecnológico e no mercado, para que eles façam evoluir e transformar o seu ambiente. Além dessa fase de percepção, os atores devem passar para a segunda fase, aquela de construir a capacidade de resposta, e essa fase consiste concretamente na mobilização do conhecimento e dos recursos para colocar em prática, projetos de reorganização do aparelho produtivo. Nesta fase, é muito importante a presença de fatores como “capacidade de interação” entre os atores, segundo as regras de cooperação/concorrência e dinâmica de aprendizagem, mas sempre trabalhando com o estoque de experiências acumuladas. Para os pesquisadores do GREMI, essas duas fases estão estreitamente relacionadas com o ciclo de vida do espaço e com a capacidade de fazer face às transformações constatadas no ambiente externo que cerca a região ou o local. UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 16 Dentre as abordagens que enfatizam a importância das regiões destaca-se a noção de sistema regional de inovação. De uma maneira geral, este enfoque tende a enfatizar o papel das aglomerações setoriais que prosperam devido ao estabelecimento de vínculos entre as empresas e demais instituições de apoio, e a importância da infra-estrutura institucional e das políticas locais e regionais na constituição de vantagens competitivas. Surgido na segunda metade dos anos 80, como uma questão centrada na relação entre o avanço econômico dos países e suas participações nos mercados internacionais, o conceito de competitividade tem sido invocado de forma generalizada pelo mundo com múltiplos efeitos na teoria e na prática do desenvolvimento econômico contemporâneo. Segundo Jiménez (2002), apesar da variedade de definições e metodologias de medição da competitividade, para os autores que procuram destacar a questão da competitividade, dois determinantes estão inevitavelmente presentes: produtividade e progresso técnico. Dois modelos chamam a atenção neste enfoque, em termos regionais: O Diamante de Porter e o modelo de Competitividade Sistêmica. O Diamante de Porter, foi desenvolvido a partir de uma exaustiva investigação empírica em 10 países de alto dinamismo no comércio internacional e com um marco interdisciplinar. Como base a este estudo, Porter formulou o modelo do diamante, no qual interagem quatro grandes determinantes: i) estratégia, estrutura e rivalidade da empresa; ii) condições dos fatores, iii) setores conexos e de apoio, iv) condições da demanda. Das duas contribuições, esta é aquela que tem menos compromisso com a questão territorial ou regional, no sentido de uma fração espacial de um país. Da interação dinâmica destes quatro elementos do diamante, Porter deriva o modelo de vantagens competitivas, resultantes do esforço deliberado no nível das firmas para inovar no sentido mais amplo. Deste conceito Porter avançou nos conceitos de Cluster e de vantagens competitivas de regiões e cidades. Com relação ao conceito de clusters Porter os define como concentrações geográficas de empresas e instituições interconectadas numa área de atuação particular. O autor toma, como eixo de análise as vantagens advindas das relações horizontais entre firmas (clientes comuns, tecnologia, serviços de apoio etc) localizadas em uma UENF 2004 17 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA cidade ou região, deduzindo daí diversas possibilidades de se adquirirem vantagens competitivas locacionais. Outro enfoque, que também se vale da idéia de polígono de interações é o de competitividade sistêmica, apresentado pelo Instituto Alemão de Desenvolvimento. Os .vértices. desta vertente da competitividade são: i) o nível da meta; estruturas básicas de organização jurídica, política e econômica; capacidade social de organização e integração; e capacidade dos atores de interagirem estrategicamente; ii) o nível macro; mercados eficientes de fatores, bens e capitais; iii) o nível meso; políticas de apoio específico, formação de estruturas e articulação de processos de aprendizagem na sociedade; e iv) o nível micro; as empresas que buscam simultaneamente a eficiência, qualidade, flexibilidade e rapidez de reação, em redes de colaboração mútua. Dentre estes quatro fatores merece especial atenção a instância meso, pois trata-se, antes de tudo, de um problema de organização e gestão, proporcionando complementaridade das ações do Estado e do setor privado. Recomenda-se a descentralização do setor público visando uma maior autonomia das regiões. O “cluster” (agrupamento, cacho), de origem anglo-saxônica, pretende funcionar como uma espécie de síntese das estratégias anteriores. Ele se coloca mais abrangente, não só porque incorpora vários aspectos das duas estratégias precedentes mas porque não fica restrito às pequenas e médias empresas. Segundo Rosenfeld (1996), um grupo de especialistas americanos deu em 1995 a definição seguinte para “cluster”: “uma aglomeração de empresas (cluster) é uma concentração sobre um território geográfico delimitado de empresas interdependentes, ligadas por meios ativos de transações comerciais, de diálogo e de comunicações que se beneficiam das mesmas oportunidades e enfrentam os mesmos problemas”. Michael Porter (1990) parece ter sido o autor de maior influência na composição estrutural do conceito “cluster”, contudo curiosamente este nome não aparecia nos títulos dos incontáveis artigos do autor, até 1998. Parece não haver dúvida de que a estrutura de um “cluster” como é veiculado, sobretudo pelas empresas internacionais de consultoria, guarda íntima relação com o “diamante” de Porter. Ao que parece o conceito de “cluster” procura recuperar alguns conceitos tradicionais, como “pólo de crescimento” e “efeitos concatenados”, de Perroux e Hirschman respectivamente, notado principalmente na idéia da indústria-chave ou UENF 2004 18 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA indústria-motriz, conjugada com uma cadeia de produção adicionando o máximo de valor possível. Não é mera coincidência encontrar na bibliografia de The Competitive of Nations (1990) de Porter dois autores clássicos do desenvolvimento econômico regional, A. Hirschman [The Strategy of Economic Development (1958)] e F. Perroux [“L’effet d’entraînement: de l’analyse au repérage quantitatif”, Economie appliquée (1973)]. Essa recuperação é processada através da incorporação de vários elementos que aparecem naqueles exemplos exitosos de desenvolvimento endógeno e que estavam ausentes naqueles conceitos e estratégias tradicionais, que, aliás, serviram para estes como pontos críticos, quais sejam, (i) articulação sistêmica da indústria com ela mesma, com o ambiente externo macroeconômico e infra-estrutural e com as instituições públicas e privadas, tais como Universidades, Institutos de Pesquisa, etc. --a fim de maximizar a absorção de externalidades, principalmente tecnológicas. (ii) plasticidade na ação conseguida através de uma forte associação entre a indústria e os atores e agentes locais, que permita processos rápidos de adaptações face às transformações do mercado e (iii) forte vocação externa, sempre buscando o objetivo da competitividade exterior. A idéia central é de formar uma indústria-chave ou indústrias-chave numa determinada região, transformá-las em líderes do seu mercado, se possível internacionalmente, e fazer dessas indústrias a ponta de lança do desenvolvimento dessa região, objetivo esse conseguido através de uma mobilização integrada e total entre os agentes dessa região. A estratégia, aparentemente hegemônica, de “cluster” está muito mais próxima da grande produção flexível do que propriamente da pequena produção flexível sem demonstrar, no entanto algum tipo de discriminação pela pequena e média empresa. Oportuno registrar que uma corrente marshalliana muito forte utiliza também o conceito cluster para tratar aglomerações de pequenas e médias empresas, tal como fazem os adeptos do distrito industrial. Assim, a abordagem associada a “cluster” consegue se diferenciar tanto da visão Fordista tradicional, identificada com a grande indústria de produção de massa, quanto da visão distritalista identificada com a pequena produção flexível. Além disso, o “cluster” está mais próximo da idéia de um “modelo” propriamente, dado que ele assume um caráter mais normativo, enquanto aqueles são mais intuitivos. O indicador claro deste aspecto é o fato de se encontrar com freqüência na literatura sobre “cluster” a solução do “diamante” proposto por Porter, uma solução forte e até certo ponto UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 19 convincente. Deste modo, o “cluster” tem a vantagem de assumir uma forma menos difusa do que outros conceitos e estratégias de desenvolvimento regional. Segundo Amaral Filho (1999), é importante remarcar que todos essas três abordagens ou estratégias partem minimamente da noção de “economias externas marshallianas”, que têm na aglomeração industrial sua fonte principal. A. Marshall já alertava para a vantagem da concentração geográfica de empresas concorrentes, vantagem esta advinda da concentração convergente de atividades produtivas, de um fluxo de informações, da notoriedade e reputação alcançadas pelo local ou região, pela localização concentrada de fornecedores e clientes, pela circulação do conhecimento científico e tecnológico, etc. Para completar esse raciocínio é interessante notar que, como diz Porter (1990), o agrupamento ou a aglomeração de empresas, indústrias ou setores rivais sobre uma determinada região gera condições propícias para a criação e multiplicação de fatores, além daqueles tradicionais. É certo que a noção de “economias de aglomeração” também faz parte dos modelos tradicionais de desenvolvimento regional, no entanto o aspecto que vai contribuir para a diferenciação entre esses modelos e os novos é o fato de que, nestes últimos, as “economias externas” não só são dinâmicas como também são provocadas conscientemente por uma ação conjunta da coletividade local (Schmitz, 1997). E, ainda, segundo este autor, essa “ação conjunta” pode ser de dois tipos: cooperação entre firmas individuais e reunião de grupos em forma de associações (produção em consórcio, etc). Essa divisão pode ser vista através de um corte em que divide “cooperação horizontal” (entre competidores) e “cooperação vertical” (entre empresa cabeça e empresa sub-contratada). Ao contrário dos modelos tradicionais de desenvolvimento regional, os novos modelos estão identificados com as ações descentralizadas das empresas e das instituições públicas, implicando num forte processo de reciprocidade entre os mesmos, numa relação de concorrência e cooperação entre as empresas, e com uma lógica de funcionamento extrovertida embora com raízes mais profundas com o território que acolhe tal aglomeração. Na realidade, não se trata mais de um aglomerado passivo de empresas, mas sim de um coletivo ativo de agentes públicos e privados atuando com um mesmo interesse, o de manter a dinâmica e a sustentabilidade do sistema produtivo local. Nessa nova concepção de UENF 2004 20 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA desenvolvimento regional, observa-se que a interação entre os agentes assume posição de destaque, contudo essa interação só é possível na presença de três elementos: (i) construção da confiança; (ii) criação de bases concretas capazes de permitir a montagem de redes de comunicação e (iii) proximidade organizacional (este como resultado da combinação dos outros dois elementos). Uma estratégia de desenvolvimento com base nos novos paradigmas tem por objetivo munir um determinado local ou região de fatores locacionais sistêmicos capazes de criar um pólo dinâmico de crescimento com variados efeitos multiplicadores que se auto-reforçam e que se propagam de maneira cumulativa, transformando a região num atrator de fatores e novas atividades econômicas. Para isso, recomenda-se a implantação ou o desenvolvimento de projetos econômicos de caráter estruturante envolvendo uma cadeia de atividades interligadas. Os projetos de desenvolvimento podem estar ligados a algum tipo de vocação da região, como a existência de atividades típicas ou históricas, ou alguma atividade econômica criada pelo planejamento em função da vontade política das lideranças locais ou regionais. Não há receita pronta para esse tipo de desenvolvimento. Muitas vezes um “trivial acidente histórico” (Krugman) ou “pequenos acidentes” (Arthur), ambos explicados pela força da história, podem alavancar o desenvolvimento de uma região. Se, de um lado, a concentração geográfica de atividades econômicas, concorrentes, mas afins, é importante para construir um pólo econômico atrator, de outro, essa concentração deve também ser suficientemente importante para formar um sistema produtivo e transformar as empresas, indústrias ou setores ali localizados, ou atraídos, em estruturas competitivas, nacional e internacionalmente. Queremos dizer com isso que não basta uma estratégia de desenvolvimento local buscar a criação de fatores locacionais e com isso provocar uma aglomeração de empresas; é preciso mais, ou seja, é preciso que se crie um sistema produtivo sustentável no tempo, neste caso muitas das empresas desse sistema devem se colocar como líderes em seus setores, tanto em nível nacional quanto internacional. A assimilação das normas de consumo e de produção internacionais, por empresas locais, ao mesmo tempo que mantém a reprodução ampliada do sistema produtivo local provoca um processo endógeno de contaminação dinâmica sobre inúmeros UENF 2004 21 segmentos (concorrentes, parceiros, FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA fornecedores etc.) do próprio espaço geográfico. A questão da competitividade, aliás, pouco relevante na teoria econômica regional tradicional, é hoje um ponto estratégico de máxima importância para a sustentabilidade do desenvolvimento endógeno. Ela deixou de pertencer apenas ao mundo das empresas para pertencer também ao mundo das regiões. Na verdade, as teorias e políticas de desenvolvimento regional requerem, hoje, uma síntese (Perrin, 1986) integrando dois componentes, a organização econômica associada à organização setorial (principalmente o sistema industrial) e a organização territorial (principalmente o sistema regional). O ponto central do casamento entre economia espacial ou territorial e economia industrial está exatamente na questão de os fatores componentes da escala da produção de uma empresa não se encontrarem necessariamente dentro da própria empresa mas fora dela, isto é, dentro de outras empresas -cooperadas ou subcontratadas- dentro de outras instituições e organizações e dentro do próprio ambiente territorial. Pelo novo paradigma industrial marcado pela descentralização organizacional e produtiva fica difícil imaginar que o manejo da escala de produção e da divisão de trabalho de uma empresa continue sendo exclusividade dessa mesma empresa individualmente. O que diferencia umas regiões de outras é o fato de que umas se conformam com os “fatores dados” e outras procuram “processar fatores e atividades” (Kaldor, 1970), e mesmo essas regiões não estão livres do declínio econômico porque os rendimentos decrescentes estão “inexoravelmente ligados à natureza das coisas” (Young, 1928) e por essa razão os atores e protagonistas locais devem procurar continuamente novos fatores e novas combinações para a produção (Schumpeter, 1982). Neste caso, é importante que governo local (nível macro), Instituições intermediárias (nível meso) e setor produtivo privado (nível micro) passem a trabalhar juntos com o objetivo de criar e recriar fatores locacionais dinamicamente competitivos. 2.2 – APLICAÇÃO DE CLUSTERS Conceitua-se um agrupamento (cluster), numa referência geográfica, a aglomeração de empresas ali localizadas que desenvolvem suas atividades de UENF 2004 22 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA forma articulada e com uma lógica econômica comum, a partir, por exemplo, de uma dada dotação de recursos naturais, da existência de capacidade laboral, tecnológica ou empresarial local, e da afinidade setorial dos seus produtos. A interação e a sinergia, decorrentes da atuação articulada, proporcionam ao conjunto de empresas vantagens competitivas que se refletem em um desempenho diferenciado superior em relação à atuação isolada de cada empresa. O desempenho diferenciado de um agrupamento ou de um agrupamento avançado se reflete em indicadores como a taxa de crescimento do produto ou das exportações da localidade, do número de empregados e do nível de remuneração dos empregados na indústria, do valor adicionado agregado pelo grupo de indústrias, do fluxo migratório para a região etc. A clusterização das empresas implica vantagens competitivas (sintetizadas na expressão “economias de aglomeração”), dentre outras as derivadas de menores custos de transporte, de transação e de difusão de informação. O transporte de matérias-primas e do produto acabado ao mercado consumidor se beneficia de economias de escala, uma vez que atende a um grupo de empresas e não apenas a uma delas isoladamente. O custo de transporte interempresas localizadas no agrupamento, muito baixo devido à proximidade, favorece a especialização produtiva e tecnológica. Os custos de transação e de difusão de informações também são menores devido ao contato direto e freqüente entre os empresários que a proximidade propicia. A difusão de informações tecnológicas, comerciais e outras também é facilitada pela proximidade ou similaridade, pois a comunicação pode ocorrer praticamente de pessoa a pessoa, em ambientes profissionais ou sociais. Como resultado destas economias próprias da aglomeração tende-se a verificar a especialização, o adensamento e o desdobramento (extensão a montante e a jusante) da cadeia produtiva no agrupamento, aumentando sua vantagem competitiva. O adensamento da cadeia produtiva ocorre porque o suprimento de itens intermediários da cadeia produtiva visa a ser realizado por fornecedores locais. O desdobramento da cadeia produtiva tende a alcançar até os serviços de comercialização do produto, o fornecimento de insumos e serviços produtivos e a produção de bens de capital. A tendência do processo de inovação tecnológica é intensificar-se, vinculado tanto ao adensamento quanto ao desdobramento da cadeia produtiva. UENF 2004 23 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As fortes externalidades positivas existentes no local compensam a falta de escala das empresas de pequeno porte, reforçando a competitividade da indústria local e desencadeando um círculo virtuoso de investimento e crescimento. A exploração conjunta das vantagens competitivas (menores custos de transporte, transação e difusão de informações) estabelecerá um ambiente (ou clima) de cooperação entre as empresas, que, no entanto, continuarão concorrentes entre si. Esta combinação de cooperação e competição entre as empresas na localidade se auto-estimula e poderá gerar sinergias que serão um poderoso fator de inovação, crescimento e expansão da atividade local. Este processo, ao se desenvolver baseado nas externalidades positivas do local, levará à existência de forte sinergia não somente entre as empresas, mas entre estas e o “cotidiano da vida local”, incluídas aí as dimensões sócioinstitucionais presentes na localidade, como os poderes públicos e as entidades da sociedade civil, particularmente as vinculadas às atividades econômicas, como as associações empresariais. Esta sinergia poderá resultar, por exemplo, na instituição de centros de serviços voltados para o controle da qualidade, monitoramento das tendências tecnológicas e do design a nível mundial, promoção comercial, formação de recursos humanos, articulação institucional etc., constituindo assim os chamados fatores de “eficiência coletiva”, e levando a uma mobilização de esforços que extrapola muito o âmbito das empresas individualmente, e coloca a indústria em um patamar mais elevado de competitividade. Quanto a sua morfologia, o agrupamento pode ser constituído por grandes, médias ou pequenas empresas com o relacionamento entre si estruturado de diversas formas, por exemplo, a partir de grandes empreendimentos que agrupam “radialmente” em torno de si médias e pequenas empresas sub-fornecedoras ou prestadoras de serviços. Ou pode ser estruturado na forma de uma “rede” de médias e pequenas empresas articuladas entre si através de vínculos produtivos ou comerciais. A diferenciação entre os estágios de agrupamento e de agrupamento avançado é fundamental para a estratégia de industrialização a ser adotada: A partir de um determinado grau de amadurecimento do agrupamento, em que a sinergia da articulação das empresas entre si e com os agentes locais tenha atingido um grau suficientemente intenso para determinar um processo de expansão autodeterminado ou endógeno do agrupamento, este terá sofrido uma UENF 2004 24 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA transformação essencial na sua dinâmica de crescimento e passará a ser considerado um agrupamento avançado (com maior grau de evolução). No agrupamento avançado a interação, relativamente mais intensa entre as empresas do agrupamento, leva ao aprofundamento da especialização tecnológica, reforçando as tendências de adensamento da cadeia produtiva e aumentando o valor adicionado local, dando um impulso decisivo no processo de inovação tecnológica da indústria local e intensificando o relacionamento e a sinergia entre os agentes. Em um agrupamento avançado está presente, de forma ainda mais acentuada, a “eficiência coletiva”, levando o agrupamento de empresas da localidade a apresentar um desempenho competitivo muito superior ao que teria se cada uma delas atuasse isoladamente. A intensa interação entre os agentes locais é alicerçada no elevado grau de confiança existente entre eles, o que constitui um fator de grande redução dos custos de transação e contratação. Comparativamente, pode-se dizer que as vantagens competitivas presentes no agrupamento são de caráter predominantemente estático (por exemplo, as economias de escala obtidas em compras conjuntas de insumos ou transporte de insumos e produtos acabados), enquanto que no agrupamento avançado estas vantagens são dinâmicas, porque envolvem inovações tecnológicas de produto e de processo e mudanças na própria estrutura da oferta. Neste sentido se diz que em um agrupamento avançado o crescimento é endógeno, autodeterminado. O maior grau de interação entre as empresas no agrupamento avançado acarreta maior redução de custos em processos a jusante na cadeia produtiva, como na comercialização e na atividade de marketing. Pode resultar, por exemplo, na criação e consolidação de uma marca local reconhecida no mercado regional, nacional ou até internacional. À montante na cadeia produtiva, o suprimento de insumos ou serviços para um grupo de empresas, realizado de maneira coordenada (mesmo entre empresas concorrentes e inclusive ao longo da cadeia produtiva), propicia ganhos com a escala de compras e com a otimização dos estoques. A articulação entre empresas se desdobra em interação entre elas e as instituições do poder público e entidades da sociedade local, gerando capacidade de mobilização, inclusive política. Um dos melhores resultados que pode produzir esta articulação é a inserção dos produtores locais no sistema nacional de inovação, UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 25 através de parcerias com universidades e centros de pesquisas tecnológicas orientadas para o aproveitamento das potencialidades locais, sejam estas com base em recursos naturais, ou a tradição laboral da população local em um setor produtivo ou uma técnica etc. A atuação das entidades locais representativas das diversas categorias de atores intervenientes no processo é importante também na medida em que contribui para dirimir conflitos de interesse que possam surgir. A sinergia entre as empresas e o ambiente sócio-institucional local atinge um nível intenso no agrupamento avançado, levando as instituições locais também a que se fortaleçam a partir da mobilização dos agentes públicos e privados e do crescimento da renda gerada localmente, tornando-se propensos a promover ações como as de capacitação profissional. Neste caso, a mobilização não se limita, por exemplo, ao levantamento de fundos financeiros para a construção de escolas técnicas, mas envolve a participação na sua própria gestão, assegurando o atendimento das necessidades da indústria local. Um agrupamento pode ou não evoluir para um agrupamento avançado, onde a sinergia entre os agentes locais é mais intensa. Deve-se ressaltar, porém, que um agrupamento avançado não se origina necessariamente sempre de um agrupamento, uma vez que outros sistemas produtivos, como por exemplo, os que envolvem grandes empresas e sua rede de médios e pequenos fornecedores, também dão origem a agrupamentos avançados. UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 26 Tabela 2.1 – Características (Agrupamentos x Agrupamentos Avançados) AGRUPAMENTOS Características AGRUPAMENTOS AVANÇADOS Características Aglomeração de empresas industriais e Aglomeração de empresas com de serviços com alto grau de determinado grau de articulação e que interatividade e com cadeia produtiva apresentam afinidade setorial ou temática adensada e verticalizada (bens de capital, serviços produtivos, etc..) Morfologia Morfologia Em forma de rede ou radial Em forma de rede ou radial Eficiência coletiva baseada em Eficiência coletiva baseada em Vantagem competitiva estática (escala de Vantagens competitivas dinâmicas comercialização de insumos, tranporte de (inovação tecnológica de produtos e de produtos, etc..) processos) Confiança Confiança Fundamentada na tradição e pouco Consolidada e exercitada cotidianamente exercitada nas transações locais e até internacionais Interatividade Interatividade Pouco freqüente, dos agentes Freqüente, dos agentes econômicos econômicos entre si e com o sistema entre si e com o sistema nacional de nacional de inovação inovação O agrupamento avançado (Tabela 2.1)(ou distrito industrial articulado) difere radicalmente dos distritos industriais clássicos que tiveram sua fase mais intensa de implantação no Brasil na década de 70. Vigorava então o paradigma “Fordista” de modo de produção, segundo o qual a escala de produção associada à especialização e à verticalização era o fato econômico primordial na competitividade de um empreendimento. O distrito industrial de alguns anos atrás, criado muitas vezes por iniciativas estaduais ou das municipalidades, tinha por base a expectativa de que a sustentabilidade econômica do empreendimento estaria fundamentalmente assegurada pelo suporte proporcionado pelos incentivos oferecidos (isenções de taxas e impostos, terreno gratuito ou subsidiado, serviços de infra-estrutura e outros). Em certos casos havia uma concepção estruturante na base destas iniciativas. Isto ocorria quando existia uma definição setorial (pólo petroquímico, por UENF 2004 27 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA exemplo) de um bloco de investimentos, o que permitia a implantação de um conjunto de outras atividades ancilares, desde fornecedores a prestadores de serviços especializados. Embora não se tenha uma avaliação abrangente destas experiências de industrialização com base no distrito industrial tradicional no Brasil, de maneira geral foram poucos os casos de criação de sinergias importantes que resultassem em desempenhos significativos, medidos, por exemplo, pela taxa de crescimento da produção ou do emprego ou pelas exportações. O agrupamento avançado (ou distrito industrial articulado) está situado em um contexto totalmente modificado e determinado pelo novo paradigma de sistema produtivo denominado “especialização flexível”. A “especialização flexível” refere-se a uma nova concepção de organização do processo produtivo e de sua relação com o consumidor. No paradigma “Fordista” a redução de custos baseada na escala de produção “criava a demanda” para os produtos. No paradigma da “especialização flexível” a demanda impõe a necessidade da permanente diferenciação do produto e substituição dos tipos e modelos. O consumidor deve ser “conquistado” pela diferenciação, que envolve variedade de modelos, serviços de pós-venda, e velocidade de substituição ou de customização, além de preço competitivo. Diferentemente do paradigma “Fordista”, em que a base tecnológica dos sistemas produtivos era a linha de produção, no paradigma do modo de produção da “especialização flexível” a base tecnológica dos sistemas produtivos, nas grandes empresas, é dada por novos arranjos como as ilhas e células de produção. O emprego do microprocessador e da tecnologia da informação no processo produtivo permite a automação mesmo na produção de séries limitadas. No paradigma da “especialização flexível”, pequenas unidades produtivas independentes atuando cooperativamente, articuladas em rede, adquirem grande flexibilidade produtiva e conseguem ser extremamente ágeis no atendimento dos cambiantes interesses dos consumidores, crescentemente valorizadores da diferenciação, mantendo a competitividade em termos de custos e preços. Este novo modelo produtivo, fundamentado na capacidade de articulação entre pequenos, médios e grandes produtores, é que está na base do conceito do agrupamento avançado. No agrupamento avançado as economias externas provêm muito mais da interação entre as empresas, em atividades que vão desde a aquisição coletiva de UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 28 matérias-primas e insumos em maior quantidade e a preços menores, do rateio dos custos de promoção comercial, até a sinergia tecnológica que se estabelece das empresas entre si e delas com instituições locais. A mão-de-obra possui capacitação técnica geralmente desenvolvida localmente e, embora exista alguma rotatividade, tende a permanecer no local e pode ser aproveitada em outra empresa, possivelmente uma concorrente, o que é muito benéfico para a difusão de tecnologia. A interatividade entre agentes existente no agrupamento avançado pode ser direta, como no caso em que um grupo de empresas que se reúnem para adquirir matérias-primas e insumos em lotes econômicos, ou indireta, por compartilharem um contingente de mão-de-obra preparada provavelmente nas próprias empresas ou escolas técnicas e centros de treinamento local. Outro tipo de interatividade indireta (“horizontal”, porque estende a cadeia produtiva a jusante ou a montante) ocorre quando em função da concentração de empresas em um setor ou tipo de indústria surgem serviços de manutenção ou fabricação de bens de capital especializados. Através dos bens de capital se dá a difusão de tecnologia Posteriormente, o entre as agrupamento empresas avançado locais, pode numa tornar-se primeira etapa. competitivo no fornecimento de bens de capital e tecnologia a outras regiões, inclusive para o exterior. Um fator de competitividade fundamental de um agrupamento avançado, no contexto do modo de produção da “especialização flexível”, está na agilidade do relacionamento entre as empresas que o integram. Esta agilidade é baseada num estreito conhecimento mútuo das capacidades produtivas e técnicas disponíveis e num elevado grau de confiança entre os empresários. O resultado é que se obtém grande rapidez no processo decisório nas empresas, fundamental quando se trata de aproveitar oportunidades de mercado, e em reduzidos custos de transação e contratação entre as empresas produtoras e suas fornecedoras. A compra de um insumo, um componente ou serviço produtivo, entre empresas, antecipada por um telefonema, é tão segura para comprador e fornecedor quanto uma realizada através de troca de papéis, porém mais rápida e, portanto, incorre em menores custos de contratação, quando subsiste o elemento confiança e cooperação entre os agentes contratantes. UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 29 Na base do sucesso de um agrupamento avançado pode estar uma fonte de matéria prima ou recurso natural, o suporte científico e tecnológico de um grande centro universitário, a “vocação” empresarial e da força de trabalho local em um setor de atividade, ou área tecnológica, ou um grande empreendimento industrial, agrícola ou de serviços (turismo, por exemplo). O agrupamento de empresas existentes na localidade constituir-se-á em um agrupamento avançado (ou distrito industrial articulado) dependendo fundamentalmente da intensidade das relações que tenham estabelecido entre si. Um segundo traço definidor de um agrupamento avançado é a natureza do seu relacionamento com o meio social e institucional em que se situa, especialmente com as instituições públicas e entidades da sociedade local, isto é, com o chamado cotidiano da vida local. O poder público local possivelmente tem um papel muito mais importante para um agrupamento avançado do que o nível governamental estadual ou federal. Entidades locais como as associações industriais e comerciais podem desempenhar um papel decisivo na aproximação, estreitamento de relações e construção da base de confiança mútua e difusão de informações entre empreendedores locais. Localmente se conhece melhor as vocações e os fatores disponíveis e mobilizáveis, e portanto há maior probabilidade de se fazerem as escolhas certas. Estas relações privilegiadas das empresas entre si e entre as empresas e o meio sócio-institucional local estão na base da constituição de externalidades positivas existentes em um agrupamento avançado. Fatores econômicos, sociais, culturais e institucionais se combinam criando “eficiência coletiva”, tornando um processo de industrialização local suficientemente competitivo para apresentar um desempenho superior à média do país e com êxito mesmo em comparações internacionais. O agrupamento avançado apresenta elevado desempenho em qualidade, design, velocidade de inovação e velocidade de resposta aos estímulos do mercado consumidor. É essencial a presença dos fatores de “eficiência coletiva”, como base do sucesso e sustentabilidade de um processo de industrialização local. É, portanto, um conceito radicalmente diferente do que esteve presente na experiência brasileira com os distritos industriais tradicionais. UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 30 Na maioria das experiências existentes de surgimento, consolidação, amadurecimento (e eventualmente decadência) de agrupamentos e agrupamentos avançados, o seu aparecimento e desenvolvimento ocorre “espontaneamente”, isto é, sem que haja uma ação indutora governamental. Há, portanto, relativamente pouca literatura sobre como fomentar sua origem através de políticas governamentais. Uma forma de interveniência do poder público para induzir sua implantação é através das compras governamentais, que podem ser oferecidas a um conjunto de empresas. A implantação de centros de serviços e de capacitação da força de trabalho pode ser realizada com o apoio do poder público, e representará um forte estímulo a sua constituição. Porém, este suporte do poder público deve ser considerado como transitório, principalmente com relação ao nível federal, o qual deve ser gradualmente substituído pela iniciativa dos agentes locais. A crise fiscal do Estado e as políticas de estabilização macroeconômica em muitos países também vêm estreitando as possibilidades de implementar políticas industriais baseadas em incentivos fiscais e tributários. Prevalece o entendimento de que o apoio de governo ao desenvolvimento industrial deve ater-se basicamente às políticas horizontais, principalmente a educação, como requisito e prioridade número um do desenvolvimento socioeconômico em geral e industrial em particular. A análise da experiência da América Latina, região em que as políticas de estabilização macroeconômica deslocaram uma certa tradição de práticas de política industrial, como aquelas do período de substituição de importações, leva à constatação de três tendências importantes. Em primeiro lugar, os países da América Latina não abandonaram a prática de ter um documento de política industrial, embora a efetividade de sua implementação deixe muito a desejar. Em segundo lugar, o número de programas de promoção da industrialização de caráter local está aumentando. E, em terceiro lugar, parece que está se generalizando um clima de renovado interesse pela política industrial à medida que a questão do emprego vai se tornando mais grave e vai-se percebendo a necessidade de complementar a política de abertura comercial com ações voltadas para solucionar esta questão, assim como a dos desequilíbrios regionais e do comércio externo. O surgimento de um agrupamento e sua transformação em agrupamento avançado é, na experiência concreta no Brasil e em outros países, um processo freqüentemente espontâneo, isto é, ocorre sem a interveniência de ações de UENF 2004 31 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA políticas indutoras ao nível nacional. Esta experiência ensina, porém, que este processo, naturalmente, pode avançar em velocidade muito lenta, interromper-se e mesmo sofrer retrocesso, e que estratégias e ações voltadas para sua promoção possivelmente seriam bem sucedidas. As avaliações que são feitas da experiência brasileira e internacional em políticas industriais, com o foco do interesse nos processos de industrialização local, levam necessariamente a uma proposta de estratégia significativamente distinta das que foram praticadas até agora. A diferença básica está no fato de que o agente principal do processo não será mais o governo central, mas sim os agentes locais, públicos ou privados, apoiados diretamente pelas instâncias estaduais, também as públicas e as privadas, e apenas indiretamente pelos agentes do governo central. Os agentes privados de âmbito nacional, estadual ou local devem ter uma interveniência direta no processo. Nesta perspectiva, as associações empresariais locais, Federações Estaduais de Indústrias, Sistema SEBRAE e até mesmo uma grande empresa possuem um papel proativo a executar tão ou mais importante que qualquer instância governamental federal ou estadual. As associações empresariais, de âmbito estadual ou local, têm uma função-chave de desempenhar na mobilização do setor empresarial e na sua articulação junto aos governos nacional e estadual. Deve-se incluir também entidades associativas não diretamente vinculadas a atividades econômicas. Entidades ambientalistas, por exemplo, teriam o importante papel de participar no desenvolvimento de projetos de desenvolvimento sustentados, preservando o meio ambiente, além de fiscalizar a execução desses projetos. 2.2.1- O Desenho da Estratégia Segundo Barbosa (1998), a estratégia para o desenvolvimento dos agrupamentos deve ser a potencialização dos fatores determinantes da sua transformação em um agrupamento avançado,com a mobilização dos agentes locais, para que esta mudança ocorra de maneira mais rápida e sustentada e minimizando riscos de estagnação e retrocesso. A estratégia deve contemplar também localidades que possuam potencial para ter um agrupamento, em razão da presença de fatores como: a localização em UENF 2004 32 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA relação a mercados consumidores e fontes de matérias-primas, a tradição e cultura tecnológica local em um ramo industrial, a existência de um centro tecnológico ou universidade, a presença de um grande empreendimento industrial ou de serviços etc. Em resumo, a estratégia de desenvolvimento de agrupamentos consiste em promover a elevação de uma ocorrência (real ou potencial) de industrialização local ao estágio superior de crescimento, rumo ao desenvolvimento de agrupamentos avançado (ou distrito industrial articulado). Um agrupamento pode ser organizado “radialmente”, quando um grande empreendimento polariza as atividades de um conjunto de pequenas e médias empresas, por exemplo enquanto sub-fornecedoras de partes, peças, componentes, serviços etc, ou “em rede”, quando o agrupamento se organiza a partir de diversos produtores do mesmo bem final, os quais concorrem entre si, por exemplo em termos de qualidade e design, mas cooperam entre si na aquisição de matériasprimas, promoção comercial etc, e com outras empresas locais provedoras de itens e serviços. Nos dois casos existe a cooperação com o ambiente institucional local, que procura mobilizar meios em apoio à competitividade da produção local. No caso do agrupamento “em rede” será necessário um empenho redobrado, através de assistência técnica, para incutir nos empresários a percepção dos benefícios que poderão alcançar com a ação coordenada. O esforço requerido de “mudança cultural” provavelmente será maior neste caso que no agrupamento “radial”. 2.2.2O Papel dos Agentes • Os agentes locais, privados ou governamentais, deverão ser os condutores e executores das ações de viabilização do agrupamento e do desenvolvimento do agrupamento avançado; • As entidades nacionais (Sistemas CNI e SEBRAE) deverão atuar como estimuladoras das iniciativas locais, através, por exemplo, da divulgação de casos de sucesso, prestação de assistência técnica e difusão de metodologias em auxílio à identificação dos potenciais agrupamentos e agrupamentos avançados no território nacional. Estas atividades demandam interação com os UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 33 três níveis de governo. No caso da CNI, a interação, principalmente com o nível federal, visa a adoção de medidas facilitadoras da industrialização local; • Os agentes estaduais privados e públicos prestarão apoio direto às iniciativas dos agentes locais, principalmente na provisão da infra-estrutura econômica e tecnológica e de promoção comercial, nos mercados nacional e internacional, desenvolvimento e difusão de metodologias e critérios para a promoção da industrialização; • O nível federal de governo prestará apoio indireto, através de medidas de caráter geral (por exemplo, de desregulamentação e desburocratização), realização de estudos e pesquisas e desenvolvimento de metodologias, adaptação e criação de instrumentos de política em auxílio à estratégia de industrialização local. Na verdade, é muito grande a quantidade de instrumentos e mecanismos em vigor, e com tendência à ampliação quando se considera a variedade das práticas internacionais e mesmo nacionais que acabarão se multiplicando à medida que se difundam o conhecimento e o interesse a respeito do tema. Na perspectiva da estratégia para o desenvolvimento, o fundamental é que os instrumentos de política sejam adaptados e orientados para favorecerem e promoverem o desenvolvimento dos agrupamentos em agrupamentos avançados. Para isto os procedimentos e critérios de avaliação de projetos terão de ser revistos, abrindo espaço para o apoio às iniciativas comunitárias mais conformadas à estratégia proposta. A mobilização de todos estes agentes e a adaptação dos instrumentos de base serão gradativas, realizando-se à medida que for sendo difundido o conhecimento das vantagens de apoiar-se as iniciativas de caráter local e associativa. Segundo Barbosa (1998), o objetivo da estratégia é promover o desenvolvimento do agrupamento de modo a transformá-lo em um agrupamento avançado e promover a consolidação deste, tornando seu crescimento um processo auto-sustentado. UENF 2004 34 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Quadro 2.1 - Elementos de um agrupamento Elementos a Analisar na Caracterização de um Agrupamento • grau/natureza da concentração/aglomeração de empresas no local • dinamismo econômico (produção, investimentos) • intensidade do relacionamento entre as empresas • densidade da cadeia produtiva (insumos, bens de capital, serviços) • mercado (dinamismo, nicho) • recursos humanos (tradição laboral, formação profissional) • ambiente institucional • ambiente psicossocial/confiança Fonte: Barbosa (1998) Identificado e caracterizado um agrupamento,(Quadro 2.1), deve-se estruturar um plano de ação objetivando elevá-lo à condição de agrupamento avançado, para o que necessariamente ter-se-á de contar com a colaboração das próprias empresas do agrupamento e das entidades locais, como a prefeitura e entidades privadas. Entre os elementos a analisar na caracterização do agrupamento em estudo, o dinamismo econômico e a densidade da cadeia produtiva, estão diretamente ligados a indústria propriamente dita, isto é, ao processo industrial utilizado no agrupamento, sendo responsáveis pelo desenvolvimento dos produtos e da qualidade destes produtos. Para que estes elementos possam contribuir para o desenvolvimento do agrupamento é necessária uma melhoria na qualidade e competitividade dos processos utilizados no agrupamento. 2.3. QUALIDADE E COMPETITIVIDADE NA INDUSTRIA CERÂMICA Segundo Tomaz (2002), um dos pilares de sustentação da indústria cerâmica é a qualidade das matérias-primas. Ao ser analisada a qualidade, depara-se com a qualidade intrínseca da matéria-prima, tais como suas propriedades químicas, mineralógicas e cerâmicas e, não menos importante, a variabilidade do seu fornecimento ao longo do processo produtivo. Bons técnicos formulam massas, engobes e esmaltes através de matérias primas de qualidade mediana. Porém, estes mesmos técnicos, têm sérias limitações UENF 2004 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 35 para manter uma fábrica estável e produtiva, com matérias-primas de alta qualidade intrínseca, porém com variações ao longo do fornecimento. O modelo industrial brasileiro até o início da década passada era totalmente fechado e verticalizado, fazendo com que as indústrias consumidoras de minerais industriais tivessem matérias-primas próprias e isto era feito através de grandes investimentos em mineração, desde a prospecção geológica até na operacionalização de suas minas. Este modelo fortaleceu as grandes indústrias que tinham recursos para tal fim, porém inibiu o investimento em empresas de mineração de minerais industriais voltadas para clientes diversos, por dois motivos: • Este mercado deixou de ser interessante para os mineradores, uma vez que os clientes potenciais (indústria cerâmica) já eram detentores de matérias primas próprias; • As melhores jazidas já estavam sob a posse destas grandes empresas que tinham a preocupação com o seu abastecimento e em raras ocasiões, disponibilizavam suas matérias-primas para o mercado. Instituído este modelo, pouco restou para mineradoras voltadas a um mercado pulverizado que, por sua vez, reduziu a oferta de minerais industriais de qualidade para o mercado de cerâmica e afins. A escassez destes produtos inibe o surgimento de novas indústrias cerâmicas e afins ou eleva o investimento inicial, incluindo também o investimento na busca de novas fontes de matérias-primas. A qualidade de uma matéria-prima é definida como o conjunto de suas propriedades que atendam uma especificação previamente definida, mas podem admitir variações determinadas. A partir de então, deverão ser definidos os seguintes termos: • Variabilidade; • Especificação/ Tolerância; • Amostragem; • Análise; • Tratamento de Dados; • Aprovação/Reprovação. UENF 2004 36 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.3.1- Variabilidade Haverá variação nas propriedades das matérias-primas ao longo do fornecimento. Esta variação deverá estar sob controle, com limites mínimos e/ou máximos previamente definidos e ser registradas ao longo do tempo. O controle desta variabilidade trará um histórico desta matéria-prima que poderá ser associada à possíveis variações do produto. É uma condição básica para a rastreabilidade do processo. 2.3.2- Especificação/Tolerância Estabelecer uma especificação a partir de fornecimentos históricos é relativamente simples. Toma-se os últimos fornecimentos (meses, lotes, etc), utilizase a média para as propriedades a serem medidas, e estabelecem-se as tolerâncias através do desvio padrão encontrado. Este procedimento pode solucionar a questão. Porém, estas especificações históricas trazem dois sérios riscos, a saber: • Excesso de rigor: o fornecedor impõe mais controle de qualidade na produção de uma determinada matéria-prima, sem que na verdade fosse necessário tal rigor. O que acontece de fato, é que o consumidor, na dúvida, foi excessivamente rigoroso com a qualidade e terá de pagar a mais pelo excesso de zelo. A conseqüência é o custo mais elevado; • Falta de rigor: No caso de uma determinada matéria prima , mesmo que esteja em consumo há anos dentro das especificações, seu desempenho pode causar perdas de qualidade no produto final, ou limitar de alguma forma o processo trazendo limitações na produção (produtividade e qualidade) como um todo. Esta é a situação bastante comum, em que tudo está sob controle, mas alguma coisa sai errado. Na verdade, errada está a especificação e/ou tolerâncias. Diante destas proposições, percebe-se que especificar não é uma tarefa simples e demanda estudos estatísticos e ensaios diversos. UENF 2004 37 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.3.3 - Amostragem Entende-se por uma boa amostragem aquela que represente bem o lote em questão. O critério de amostragem é substancialmente mais importante que o volume individual de amostra ou a quantidade de amostras no mesmo lote. Não há como definir, de antemão, o critério, o número mínimo de amostras por lote e o peso da amostra. Pode-se dizer que o número de amostras menor que 3 é insuficiente, que não permite avaliar a variação entre os resultados. Desconhecendo a variação entre os resultados, nada se pode afirmar sobre sua homogeneidade. Este trabalho se limitará aos critérios aprovação de minerais industriais brutos, divididos em dois grupos, rocha dura (feldspato, filito, argilito, etc) e argila. • Argila: Operação de amostragem no lote é fácil, com auxílio de trado manual, operado por duas pessoas para coletar a amostra. A plasticidade da argila facilita a coleta das amostras, bem como a adição de água nos furos poderá melhorar a penetração e aderência da argila ao trado. Este equipamento coletará amostra do topo à base do lote, compondo amostras em toda sua extensão vertical. O número de amostras a serem enviadas para análise deverá ser no mínimo de três, sendo desejável a formação de malhas regulares de sondagem para a coleta de amostras. É fundamental a identificação dos pontos de coleta de amostra, o que possibilitará uma melhor homogeneização do lote ou a reprovação parcial do lote; • Rocha “Dura” (Filito, argilito, quarzito, feldspato): A amostragem destes lotes, cuja formação teve critérios definidos ou não, é bastante complexa. O trado não penetra no lote com a mesma facilidade com que é feito nas argilas. Quando penetra, não é eficaz na coleta das amostras. Partindo do princípio de que lote não é homogêneo, o material de superfície pode não ser o mesmo do seu interior. Por mais criteriosa que seja a amostragem de superfície, coletando-se de forma aleatória ou em malhas regulares, não representará seu interior. Uma movimentação deste lote com pás carregadeiras ou tratores nem sempre é possível e, quando possível, é uma operação de elevado custo. Portanto, uma vez formado o lote de “rocha dura”, sua amostragem é precária. Diante do exposto, o estabelecimento de condições de aprovação de lotes, demandam procedimentos bem elaborados e a sua execução na íntegra. O UENF 2004 38 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA estabelecimento de especificações inadequadas, causa prejuízo, sejam pelo comprometem qualidade e produtividade. excesso de zelo, acarretando custos elevados, ou por critério muito aberto, que CAPÍTULO 3 DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES UENF 2004 3. DIAGNÓSTICO DIAGNÓSTICO 40 DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES O parque cerâmico fluminense é constituído por mais de 300 empresas (predominantemente micro e pequenas) espalhadas por todo estado com destaque para os municípios de Itaboraí e Rio Bonito (região Metropolitana), passando por Três Rios e Paraíba do Sul (região do Médio Paraíba) e chegando até Campos dos Goytacazes (região Norte). O principal pólo produtor está em Campos dos Goytacazes, com cerca de 110 cerâmicas produzindo quatro milhões de tijolos/dia, gerando cinco mil empregos diretos e quinze mil indiretos (estimativa do Sindicato dos Ceramistas). Hoje oferece um material de qualidade ainda inferior, estando sendo desenvolvidas uma série de ações integradas para apoiar o desenvolvimento do setor, principalmente no que diz respeito à tecnologia de extração e beneficiamento, visando melhoria de qualidade, novos produtos e busca de novos mercados, agregando valor ao produto. A distribuição geográfica destas cerâmicas pode ser vista no mapa da figura 3.1, indicando claramente uma concentração industrial na região conhecida como “Baixada Campista”, localizada entre a cidade e o litoral, ao longo da rodovia que liga Campos dos Goytacazes à Praia de Farol de São Tomé, sendo esta a região de maior disponibilidade de matéria prima e de mão de obra. 3.1 – PREMISSAS BÁSICAS. Na pesquisa realizada procurou-se considerar o Quociente Locacional (QL), como forma de caracterizar este agrupamento de empresas, segundo o grau e a natureza da concentração, utilizando os dados encontrados na literatura e confirmada pelos estudos setoriais dos agentes oficiais (RAIS – CAGED). O cálculo do QL é feito segundo a seguinte fórmula: UENF 2004 41 DIAGNÓSTICO Figura 3.1 – Mapa da localização das indústrias que compõem o pólo cerâmico da Região de Campos dos Goytacazes UENF 2004 42 DIAGNÓSTICO nº EMPsetori 5000 / 45000 0,11 n º EMPmunicpío QL = = = = 15,7 n º totalEMPsetori 300000 / 41000000 0,007 n º EMPpaís De acordo com este resultado, observa-se que existe uma grande concentração de empresas deste setor no município, visto que a condição QL > 1 já caracteriza um aglomerado industrial, mas essa é uma informação simples, ao identificar uma aglomeração industrial. Deve-se considerar que a existência de uma grande “densidade” de firmas e atividades é um pré-requisito para a caracterização de um arranjo produtivo, mas não é um critério suficiente para caracterizá-lo como um cluster. Deve-se, nesse sentido, incorporar à análise elementos que possam caracterizar a complexidade estrutural desse aglomerado, relacionando as atividades que a ele se integram e se são complementares. Uma primeira alternativa procura avaliar se existem firmas atuantes em setores industriais que possam ser classificadas como fornecedoras. Outro critério seria a existência de firmas produtoras de equipamentos utilizados no aglomerado, e ainda se existe atividades que a ele se integram, e qual a heterogeneidade dessas atividades. Uma análise baseada em superposição, procura identificar elementos combinados, que apontam para a existência de um cluster , que podem ser verticais ou horizontais. A caracterização dos clusters horizontais se dá pela presença de um conjunto de indústrias do mesmo setor, complementares ou não, compartilhando recursos comuns (mão de obra qualificada, por exemplo), que favorece a consolidação de relações diretas e indiretas entre elas, e que dão organicidade ao cluster. A tabulação dos resultados do questionário aplicado a uma amostra das empresas do setor é listada a seguir, como forma de identificar as condições reais do aglomerado industrial em estudo. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 43 3.2 - TABULAÇÃO DOS RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO 1- Matéria Prima. Extração o Terra própria o Terra Arrendada o Fornecedores EXTRAÇÃO 0,8 0,75 0,6 0,5 0,4 0,2 0 0 Terra Própria Terra Arrendada Fornecedores Maquinário o Próprio Valor R$ __________ o Alugado Preço R$ __________ o Outros ___________________________ MAQUINÁRIO 1 0,875 0,8 0,6 0,4 0,2 0,125 0,125 Alugado Outros 0 Próprio Tecnologia Empregada o o o o o Pesquisa geológica Estabelecimento de composições Lavra, beneficiamento e estoque Extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura; Execução rígida da composição da argila; UENF 2004 DIAGNÓSTICO 44 o Controle na recepção. TECNOLOGIA EMPREGADA 62,5 12,5 Não Respondeu 25 Controle Recepção Composiçã o Argila 12,5 Ext.Separa do 12,5 Lavra, Benef.Estoq ue 12,5 Est. Composiçõ es 37,5 Pesquisa Geológica 80 60 40 20 0 A primeira parte do questionário aplicado é dedicada à matéria prima utilizada no conjunto de indústrias em estudo. De acordo com os resultados, 75% dos entrevistados obtêm a matéria prima de terras próprias e 50% em terras arrendadadas a terceiros especificamente para este fim sendo que 25% utilizam tanto terras próprias quanto terras arrendadas e nenhum dos entrevistados compra de fornecedores, o que indica que não existem firmas mineradoras de argila na região estudada. Quanto ao maquinário utilizado na extração de argila, 75% é próprio, 12,5% alugado e 12,5% outro tipo de contratação, resultado que reforça a indicação de verticalização do processo. Quanto a tecnologia empregada, apenas 12,5% faz pesquisa geológica, apenas 12,5% estabelece composições ideais para a matéria prima utilizada, 37,5% responderam que o processo consta de extração beneficiamento e estoque, 62.5% responderam que fazem a extração em separado e os mantém assim até a mistura no inicio do processo industrial, 12,5% fazem a mistura dentro de composições rígidas, e apenas 25% fazem algum tipo de controle na recepção da matéria prima, 12,5% não responderam a pergunta. 2- Energia o Lenha o Óleo o Gás UENF 2004 DIAGNÓSTICO 45 ENERGIA 100 87,5 75 80 60 40 20 0 0 Lenha Óleo Gás A segunda pergunta é relacionada ao tipo de energia utilizada no processo de queima nos fornos das indústrias. A lenha é o combustível mais utilizado (87,5%) sendo que existe instalação para utilização do gás natural em 75% das indústrias pesquisadas, mas apenas 12,5% estavam efetivamente usando este combustível no momento desta pesquisa. Nenhuma indústria estava usando o óleo combustível. 3- Tecnologia de produção o o o o Mais moderna Moderna, mas existem mais modernas Um pouco obsoletas Completamente Obsoletas TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO 87,5 100 80 60 40 20 12,5 0 0 0 Muito Moderna Moderna Obsoleta Muito Obsoleta No quesito Tecnologia empregada na produção, 87,5% respondeu que utilizavam tecnologia moderna mais que não era a mais moderna e apenas 12,5% considerou a tecnologia de produção obsoleta. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 46 4- Mão de Obra o o o o o o o o o o Número de funcionários N=___________ Analfabetos N=___________ Fundamental - Incompleto N= ___________ Fundamental Completo N= ___________ Ensino Médio Imcompleto N= ___________ Ensino Médio Completo N= ___________ Ensino Técnico Incompleto N =___________ Ensino Técnico Completo N= ___________ Ensino Superior Incompleto N =___________ Ensino Superior Completo N= ___________ MÃO DE OBRA 0,38 0 0,13 Ens.Sup.Inc 0 Ens.Téc.Inc. Funcionários Fund.Inc Ens.Mé Inc. 60,00 52,75 50,00 40,00 20,00 30,00 20,00 5,88 0,88 2,63 4,13 10,00 0,00 Ens.Sup.Co mp. Ens.Tec.Co mp. Ens.Médio Comp. Fund.Comp. 51,47 60,00 50,00 40,00 30,00 10,62 15,12 20,00 2,25 6,76 0,00 0,97 0,00 0,32 10,00 0,00 Analf Percentual (%) ESCOLARIDADE Na análise da mão de obra empregada no conjunto de indústrias pesquisadas, o resultado médio está representado no primeiro gráfico, tendo como média de funcionários por empresa 52,4 funcionários.A escolaridade em valores percentuais está representada no segundo gráfico com 10,62% de analfabetos, 51,47% com o fundamental incompleto (antigo primário), 15,12% fundamental UENF 2004 DIAGNÓSTICO 47 completo, 2,25% ensino médio incompleto, 6,78% ensino médio completo, 0,97% ensino técnico completo e 0,32% de ensino superior completo, normalmente os proprietários. 5- Manutenção o Corretiva o Preventiva o Preditiva MANUTENÇÃO 75 80 75 60 40 25 20 0 0 Corretiva Preventiva Preditiva Não Repondeu A sistema de manutenção praticada é 75% corretiva e 75% preventiva sendo que 25% não responderam, indicando que as indústrias utilizam os dois siatemas de manutenção. 6- Produtos o o o o o o 1_________ 2_________ 3_________ 4_________ 5_________ 6_________ PRODUTOS 87,5 100 80 62,5 50 60 40 25 20 0 Telhas Lajotas Blocos Laje UENF 2004 DIAGNÓSTICO 48 Quanto aos produtos fabricados, apenas 12,5% das industrias trabalham com um só produto, sendo que 87,5% trabalham com lajotas, 25% com telhas, 50% com blocos e 62,5% com blocos para laje. 7- Controle de Qualidade o o o o Faz freqüentemente Faz esporadicamente Não faz Certificação CONTROLE DE QUALIDADE 0 0 Não Faz Certificação 50 Esporádica mente 50 Frequentem ente 60 50 40 30 20 10 0 Todas as empresas pesquisadas fazem algum controle de qualidade, sendo que 50% fazem freqüentemente e 50% fazem esporadicamente, e nenhuma delas tem algum tipo de certificação do produto fabricado. 8- Fatores que motivaram a implantação da indústria o Fatores locacionais (mercado, matéria prima, pólo tecnológico, outras industrias) o Tradição local o Presença de Centro Tecnológico o Mão de obra disponível UENF 2004 DIAGNÓSTICO 49 Fatores que Motivaram a Implantação 75 80 60 40 20 0 37,5 25 12,5 Oportunidad e Mão de Obra Centro Tecnlógico Locacionais Tradição 0 Os fatores locacionais foram os mais importantes com 75% das respostas dos entrevistados para a motivação da implantação da indústria, seguido pela disponibilidade de mão de obra com 37,5% e pela tradição com 25%. A oportunidade de entrar neste ramo de atividade foi respondida por 12,5% dos entrevistados e representa a oportunidade de compra da empresa. 9- Existe alguma experiência de cooperação entre os diversos agentes produtivos locais? % EXPERIÊNCIA DE COOPERAÇÃO 60 50 40 30 20 10 0 50 25 12,5 12,5 Tecnológica MercadoPreço Nenhuma Não Repondeu Das empresas consultadas 50% não indicou nenhuma experiência de cooperação entre os diversos agentes envolvidos na atividade, 25% indicaram cooperação de mercado através do preço estimulada pelo sindicato, 12,5% cooperação Tecnológica com a Universidade e 12,5% não responderam 10- Qual o nível de interatividade entre os agentes produtivos e o centro tecnológico local? UENF 2004 DIAGNÓSTICO 50 INTERATIVIDADE ENTRE AGENTES 62,5 70 60 50 40 30 20 10 0 25 12,5 Pequena Em grupo Nenhuma Das empresas consultadas, 62,5% responderam que a interatividade com o centro tecnológico é pequena, 25% responderam que não tem e 12,5% que acontece através do grupo. 11- Existe algum nicho de mercado que pode ser almejado? 37,5 37,5 25 Outros Grandes Construtores 12,5 Sistema Habitacional 40 30 20 10 0 Tijolos Estruturais Percentual NICHO DE MERCADO De acordo com o resultado da pesquisa, 37,5% responderam que o sistema habitacional é o nicho de mercado a ser conquistado, 37,5% responderam ser as grandes construtoras, 25% responderam que os tijolos estruturais e 12,5% citaram outros nichos de mercado. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 51 12- Existe mobilização dos agentes produtivos locais para a definição de um plano de ação na construção das condições de atração de investimentos para o agrupamento, visando o desenvolvimento do mesmo? MOBILIZAÇÃO DOS AGENTES 75 80 60 40 25 20 0 Sim Não Nesta pergunta 25% reponderam que sim, que existe mobilização dos agentes, e 75% responderam quem não. 13- Em caso afirmativo, quais os agentes envolvidos e qual a estratégia de ação? AGENTE ENVOLVIDOS 60 50 40 30 20 10 0 50 50 37,5 25 Sebrae Sindicato Não Respondeu Outros Apesar de 75% responderem não na pergunta anterior , apenas 37,5% não responderam a esta pergunta. O Sindicato e o Sebrae são indicados por 50% dos entrevistados, e 25% responderam outros agentes como Poder Municipal e Poder Estadual. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 52 14- A confiança exerce uma importância crescente nas análises econômicas e dos processos de ganho de competitividade.Qual o grau de confiança existente entre os diversos agentes produtivos locais? GRAU DE CONFIANÇA ENTRE OS ATORES 60 50 40 30 20 10 0 50 37,5 12,5 0 Alto Médio Baixo Não Repondeu O grau de confiança entre os atores é considerado baixo por 50% dos entrevistados e médio por 37,5% sendo que 12,5% não responderam a pergunta. 15- Como você construiria o cenário atual da atividade ceramista no município de Campos dos Goytacazes? CENÁRIO ATUAL DA ATIVIDADE 70 60 50 40 30 20 10 0 62,5 12,5 12,5 Otimista Realista 12,5 Pessimista Não Repondeu A maioria dos entrevistados constrói um cenário pessimista para a atividade ceramista com 62.5% dos entrevistados, 12,5% se posicionam como realista e 12,5% como otimista, e 12,5% não emitiram opinião. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 53 3.3 – CRITÉRIOS UTILIZADOS. Tabela 3.1 – Critérios Considerados na Identificação do Aglomerado Industrial de Campos dos Goytacazes Critério 4 Critério 2 Atividade Superposição Densidade Critério 1 Relevância Nº Est>50 Nº Estab>10 Especialização QL>1 QL>1 Nº Prod.Maqui≥1 Nº Ativid>10 Part>0,1% Nº Forn.≥ 1 Nº Estab= 140 Industria de QL=15,7 Nº Estab= 140 Part=1,66% Nº Est.Ativ.>10 Nº Prod.Maq.= Cerâmica Vermelha QL= 15,7 0 Nº Forn. = 0 Analisando o quadro acima, observa-se que quanto ao critério 1, especialização, o QL = 15,7 mostra uma concentração muito grande de empresas no município, indicando um aglomerado industrial significativo, e que se confirma no critério 2, Relevância, visto que a participação do município no contexto nacional é de 1,66% muito acima do exigido para caracterização de um cluster. Quanto ao critério 3, Densidade, observa-se que apesar de não existirem dados estatísticos sistematizados pelos índices oficiais, no que diz respeito ao número de estabelecimentos em atividades associadas, a pesquisa feita através da entrevista semi-estruturada, indicou um número muito acima de dez estabelecimentos, nas diversas atividades associadas ao processo industrial em estudo. Já quanto ao critério 4, Superposição, não é encontrado nenhum estabelecimento industrial produtor de máquinas para a atividade nem nenhum fornecedor da cadeia produtiva instalado no município, o que indica que o aglomerado apesar de ser significativo quanto à especialização, relevância e densidade, não atende ao quesito da superposição, para configurar a existência de um cluster. UENF 2004 54 DIAGNÓSTICO Baseado nesta análise, constata-se que é necessário o desenho de uma estratégia para que o aglomerado existente possa se transformar em um aglomerado avançado, utilizando-se das potencialidades existentes, através da mobilização dos agentes locais para que essa mudança ocorra de maneira mais rápida e sustentada, afastando o risco de declínio desta atividade econômica no município. O aglomerado industrial em estudo se organiza a partir de diversas empresas produtoras do mesmo produto final, os quais concorrem entre si, necessitando por este motivo avançarem no seu desenvolvimento, possibilitando uma cooperação na aquisição de matérias primas, promoção comercial, em termos de qualidade e design, e outras empresas fornecedoras de bens e serviços. Este tipo de aglomerado “em rede” necessita de um empenho redobrado, através de assistência técnica, para incutir nos empresários a percepção dos benefícios que poderão alcançar com a ação coordenada, sendo que o esforço deverá ser no sentido de “mudança cultural” . Atualmente a cadeia produtiva da Cerâmica Vermelha no município de Campos dos Goytacazes, é totalmente fechada e verticalizada (Fig.3.2), fazendo com que a atividade mineradora seja feita pelas empresas consumidoras, como pode ser visto na figura abaixo, desde a prospecção geológica até a operacionalização de suas minas. Este modelo inibe a utilização de tecnologias mais avançadas existente na atividade mineradora, como também o investimento de empresas de mineração voltadas para clientes diversos nesta atividade industrial. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 55 Indústria Metal- Mecânica Extração de Argila Óleo Combustível Extrativa Vegetal (Lenha) Cerâmicas Indústria da Construção Civil Gás Natural Figura 3.2 - Cadeia produtiva da cerâmica vermelha Fonte- SILVESTRE, BRUNO DOS SANTOS. (2001) 3.4 – DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO No fluxograma da figura 3.3 está representada a fabricação de produtos cerâmicos, o qual compreende cinco fases básicas, como descrito a seguir: UENF 2004 DIAGNÓSTICO 56 Jazida Extração Sazonamento ou Meteorização Desintegração/ Trituração Composição Ímã Queima Secagem Extrusão Mistura Deaeração (Vácuo) Secagem Mistura (Umedecimento) Pisos Pastilhas Azulejos Peças Sanitárias Telhas Queima Peneiramento Prensagem Modelagem Prensagem Secagem Secagem Esmaltação Embalagem C. Qualidade Queima Queima Esmaltação Esmaltação Queima Queima Figura 3.3 – Fluxograma de produção da Industria Cerâmica. UENF 2004 DIAGNÓSTICO 57 1. Extração 2. Preparo da Matéria Prima 3. Conformação 4. Secagem 5. Queima 3.4.1 - Extração: A exploração de uma jazida de argila deve ser feita tendo em vista um estudo completo das características do material, do volume que poderá ser retirado e das próprias características da jazida. Na região de maior disponibilidade de matéria prima e conseqüentemente de maior concentração de indústrias, as jazidas são de pouca profundidade, variando de 1,5 a 4,0 metros, acarretando com a exploração grandes depressões, que após certo tempo são abandonadas, exigindo um tratamento especializado, com projetos de revitalização da área degradada de acordo com normas da FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente). Nesta fase do processo é necessária uma pesquisa geológica para caracterização das argilas, definindo tipos de minérios com características tecnológicas específicas, que possam ser individualizados na extração. O resultado da pesquisa irá indicar os lugares que apresentam características homogêneas, e sua posição na jazida, permitindo um planejamento de mineração, que possibilite a extração em separado de cada tipo definido pela pesquisa. 3.4.2 - Sazonamento: Esta operação consiste na exposição da matéria prima às intempéries, onde a ação combinada do sol, da chuva e de certos microorganismos provoca a lavagem de sais solúveis, a desagregação de torrões e a oxidação de piritas. Após a estocagem do material ao ar livre durante um período que varia de 6 meses a 2 anos, há condições técnicas mais propícias para preparação da massa cerâmica. Esta fase do processo de produção não é observada pelas indústrias da região, em seus períodos recomendados, sendo que muitas indústrias usam a matéria prima assim que chega da jazida, sem nenhum período de meteorização, sendo que o período máximo encontrado entre as firmas pesquisadas, foi de um mês. UENF 2004 58 DIAGNÓSTICO Figura 3.4 - Argila em processo de Sazonamento (meteorização) 3.4.3 - Composição: A partir das características especificas encontradas na pesquisa geológica deve-se realizar experiências com diferentes formulações entre os diversos tipos de argila disponíveis, até encontrar-se a melhor composição. Na região em estudo utiliza-se um processo onde existem dois caixões alimentadores, onde tem início todo o processo industrial. As quantidades adicionadas obedecem a um método empírico, baseado normalmente na experiência do chefe de produção. UENF 2004 59 DIAGNÓSTICO Fig.3.5 – Vista do caminhão depositando argila em um dos caixões alimentadores. 3.4.4.- Desintegração e Trituração: Quanto mais fino e homogêneo for o material, melhores são as condições de preparação da massa cerâmica produzida, por isso nesta fase do processo o material extraído é levado a um moinho de martelo ou um desintegrador de rolos (figura 3.6), para ser processado, e facilitar a fase seguinte. Figura 3.6 – Desintegrador de Rolos UENF 2004 60 DIAGNÓSTICO 3.4.5 - Na fase de conformação o processo é específico para cada produto fabricado, sendo que nas empresas pesquisadas a fabricação principal é o bloco cerâmico, com variações quanto as dimensões do bloco. Por esse motivo, veremos a seguir os processos de fabricação desse produto. 3.4.6 -Amassamento e Mistura: Esta é uma fase importante do processo industrial, onde é necessária uma homogeneização bem feita, garantindo menor porosidade e conseqüentemente maior resistência. Durante o processo de amassamento e mistura, onde são usados misturadores horizontais, é adicionada água a argila para atingir um grau de umidade que venha propiciar a homogeneidade desejada. Figura 3.7 – Misturador horizontal – Observa-se adição de água para melhorar as condições de homogeneização Nesta fase pode ser adicionado um equipamento denominado “LaminadorRefinador” , com a função de desintegrar o máximo possível a argila, antes de ser levada à fase de moldagem. 3.4.7 - Moldagem: Principal fase no processo de conformação dos produtos cerâmicos, tem grande relação com o fator de umidade empregado na argila para seu amassamento, sendo que maiores índices de umidade tornam mais fácil sua moldagem, com menor consumo de energia nesta fase, porém prejudica as fases UENF 2004 DIAGNÓSTICO 61 seguintes do processo de fabricação, pois diminuem a resistência da massa verde, e aumentam o tempo de secagem e queima, podendo ocorrer fissuras no produto final. Nas empresas visitadas o percentual de umidade é determinado empiricamente e seu controle fica a cargo do operador, que regula a entrada de maior ou menor quantidade de água conforme o estado da argila. Figura 3.8 – Detalhe do processo de moldagem. Vê-se em primeiro plano as perdas nesta fase do processo. 3.4.8 - Secagem: Em seguida a moldagem, os produtos cerâmicos passam por um período de secagem, para retirar a maior quantidade possível de umidade adicionada na fase anterior do processo de fabricação. Em nossa região existem duas maneiras de efetuar a secagem: (i) ao ar livre e (ii) Em estufas com insuflamento de ar quente – secagem forçada. No caso de secagem ao ar livre (mais usado) o material após a conformação é levado a um pátio que pode ser ao ar livre ou coberto. Quando ao ar livre, as peças são cobertas por telhas ou pedaços de tambores metálicos, por um tempo necessário para eliminação do excesso de umidade,(aproximadamente 72 UENF 2004 62 DIAGNÓSTICO horas), tempo que depende das condições climáticas, não sendo raro perdas consideráveis, devido a chuvas e outras intempéries. Quando o pátio é coberto, existe um acréscimo de tempo para secagem, normalmente três vezes maior. Este processo ocorre na maioria das empresas visitadas, e é um processo ainda muito primitivo, demonstrando o baixo nível tecnológico empregado no setor. No processo de secagem em estufas, o material após a conformação é levado por meio de correia transportadora até um equipamento que o coloca empilhado em carros sobre trilhos que percorre a estufa túnel, cujo percurso tem a duração de dez horas, período suficiente para eliminação de grande parte da umidade, antes da queima. 3.4.9 -Queima: Após a secagem o material está pronto para a fase final do processo industrial que é a queima, podendo ser feita em três tipos de fornos: (i) fornos contínuos ou forno túnel; (ii) fornos Hoffmann; e (iii) caieiras. Fornos Túneis – Tem como principal característica, o deslocamento lento do material através do túnel, por um período de 27 horas, em vagonetes especiais. À medida que o produto vai se aproximando do centro do forno, a temperatura vai aumentando podendo atingir 1000 ºC na zona de queima. A partir daí começa o processo de resfriamento, com a temperatura diminuindo progressivamente até a saída do forno. Neste tipo de forno o combustível utilizado é o gás natural. Figura 3.9- Esquema de funcionamento de um forno tipo túnel. UENF 2004 63 DIAGNÓSTICO Forno Hoffmann – São fornos construídos por câmaras contíguas, que tem como característica principal a queima sucessiva nas câmaras adjacentes. Neste forno o fogo é que anda. Figura 3.10 – Planta baixa esquemática de um forno tipo Hoffmann Caieiras – São fornos mais antigos. O principio de funcionamento é simples. A lenha é colocada na parte inferior, e o material a ser queimado mais acima deste ponto. A medida que a temperatura vai diminuindo, é colocada mais lenha, para garantir a temperatura ideal de queima. UENF 2004 64 DIAGNÓSTICO Figura 3.11 – Entrada da fornalha de uma caieira. O processo industrial de obtenção de blocos cerâmicos termina quando a fase de queima é concluída, cabendo a ela a parte mais importante de todo o processo, visto que uma queima mal feita pode causar baixa qualidade em toda a produção, bastando para isso ser feita abaixo ou acima da temperatura recomendada, o que não é difícil de acontecer visto o baixo grau de utilização de equipamentos de instrumentação técnica. UENF 2004 65 DIAGNÓSTICO Como se pode constatar no fluxograma da figura 3.3 , o processo industrial para obtenção de blocos cerâmicos (tijolo), é o mais simples dos produtos que podem ser obtidos por este setor industrial, sendo obtido com baixo emprego de tecnologia, resultando um menor valor agregado. CAPÍTULO 4 PROPOSTA DE CENTRAL DE MASSA PARA O SETOR DE CERÂMICA VERMELHA DE CAMPOS DOS GOYTACAZES. UENF 67 4. PROPOSTA PROPOSTA DE CENTRAL DE MASSA PARA O SETOR DE CERÂMICA VERMELHA DE CAMPOS DOS GOYTACAZES. 4.1 - CENTRAL DE MASSA A exigência da melhoria da qualidade e eficiência produtiva impõe à indústria cerâmica a procura de novos métodos produtivos, o desenvolvimento daqueles que, de fato, proporcionem maior rentabilidade na produção e na qualidade dos produtos fabricados, ainda que impliquem maior custo para a sua implantação. A uniformidade e estabilidade das características tecnológicas da matéria-prima permitem a otimização do procedimento industrial sem a necessidade de ajustes freqüentes, tornando-se importante fator de eficiência industrial. A partir disso fica facilitada a obtenção de níveis de qualidade constantes e controlados. Para a padronização da matéria prima mineral utilizada na massa é necessário o estabelecimento de procedimentos que envolvam a pesquisa geológica, a lavra, a homogeneização e o estoque dessa matéria-prima através de controles simplificados, que possibilitem sua implementação, na maioria das vezes, por pequenas minerações fornecedoras das indústrias de revestimentos cerâmicos. 4.1.1 Metodologia A utilização da mesma sistemática de controle utilizada desde a recepção de matérias-primas pela indústria, em todas as fases da produção de argilas, até a definição do detalhamento da pesquisa geológica, facilita seu entendimento pelos vários setores envolvidos, tornando a fiscalização interna mais eficiente. O Instituto de Tecnologia Cerâmica, da Espanha, estabelece medidas de controle de matériasprimas argilosas para a indústria de revestimentos cerâmicos que, se devidamente estendido às demais fases do processo, representam o primeiro passo na estabilização das qualidades tecnológicas das argilas. Aquele instituto determina critérios para o nível de inspeção a ser realizado nas matérias-primas argilosas. A partir da relação existente entre o valor médio de UENF 68 PROPOSTA um parâmetro tecnológico de qualidade M, seu desvio padrão S, os limites de tolerância LT e os limites de controle estatístico LC, é possível estabelecer-se controles. Os valores M e S obtém-se a partir das equações: M = ∑X n i ; S= ( Xi − M ) 2 n −1 (A) onde Xi são os valores da característica tecnológica considerada, e n a quantidade de amostras analisadas. Os limites de tolerância são os valores máximos e mínimos além dos quais a matéria-prima é considerada imprópria para utilização. Os limites de controle estatístico superior (LCs) e inferior (LCi) são calculados a partir das equações: LCs = M + 3 S ; LCi = M – 3 S (B) Para o estabelecimento do nível de controle são propostos os seguintes parâmetros de controle, indicando o nível de verificação exigido em função da variabilidade dos resultados em relação aos limites de tolerância e à média dos resultados: M – [3S]/2 ≤ LT ≤ M + [3S]/2 indica a possibilidade de controle reduzido (simplificado); M – 3S ≥ LT ≥ M + 3S recomenda a intensificação do controle ou rigoroso; Os resultados intermediários indicam controle normal . Para a caracterização de materiais argilosos existem vários parâmetros tecnológicos que podem ser controlados, devendo-se escolher um que seja UENF PROPOSTA 69 determinante no processo industrial e/ou para o mercado e de fácil determinação. Dessa forma, pode-se fixar a cor de queima em padrão determinado e medir característica específica como a variação da retração linear de queima ou a determinação química de alguns elementos. A utilização sistemática dessas fórmulas deve ser aplicada no desenvolvimento das etapas abaixo e representadas na Figura 1: 4.1.2 - Pesquisa geológica Caracterização das argilas. Na pesquisa detalhada da jazida, deve-se definir tipos de minérios com características tecnológicas específicas, passíveis de serem individualizados na extração. O custo de extração impõe que pequenos leitos ou impurezas disseminadas no material, de difícil separação na lavra, sejam considerados parte integrante de um tipo de minério. (Figura 1). O espaçamento entre os furos de sondagem será determinado pelo conhecimento prévio da geologia da jazida e servindo-se da fórmula. O mapeamento detalhado possibilita a correlação com minas da mesma formação geológica, permitindo a fixação da malha de sondagem inicial. Quando os resultados dos ensaios realizados nas amostras da sondagem se enquadrarem na faixa de inspeção rigorosa, a malha deve ser adensada. Ao contrário, se os resultados dos ensaios estiverem na faixa classificada como reduzida, o espaçamento entre os furos de sondagem pode ser aumentado. A malha ideal é aquela em que os resultados apresentem variância dentro da faixa que indica a necessidade de controle normal. Como resultado dessa pesquisa, serão estabelecidos blocos de minério que apresentem características homogêneas, com posição definida na jazida, permitindo estabelecer suas respectivas relações de mineração, ou seja, a relação do custo de extração do minério com o custo de extração do estéril. UENF PROPOSTA 70 4.1.3 - Estabelecimento de composições A partir da definição desses blocos de características específicas, deve-se realizar experiências com diferentes formulações. A composição entre os tipos de minério existentes na jazida deve levar em consideração as reservas individualizadas, a relação de mineração de cada um e a configuração final da cava (pit final de lavra) com vistas à recuperação ambiental da área lavrada. 4.1.4 - Lavra, beneficiamento e estoque A definição da mina fornecida pelo mapeamento, sondagem e pelos ensaios cerâmicos individuais e de composição realizados, permite então a proposição de método de lavra que possibilite a extração em separado dos tipos definidos podendo-se propor: • Extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura; • Execução rígida da composição de argilas; • Essa composição deve ser feita na passagem por britadores ou na disposição em pátios para secagem; • Estabelecimento de “pátios” de homogeneização/secagem de tamanho constante; • Empilhamento em camadas inclinadas em todas as fases do processo. Esse empilhamento, é realizado facilmente pela própria máquina escavadeira2 (Figura 2). Os ensaios para determinação da característica tecnológica obedecem à mesma sistemática adotada na pesquisa, ou seja, inicialmente amostras são coletadas a cada 5 toneladas produzidas, estabelecendo-se, com a aplicação da fórmula, a freqüência necessária de amostragem e o tamanho dos lotes de estoque. Essas medidas permitem o controle imediato, bem como reduções das variações das argilas fornecidas à cerâmica. UENF PROPOSTA 71 Essas medidas passam pela definição precisa de métodos de homogeneização adequados, métodos de estoque/ empilhamento tanto dos tipos a serem compostos, como da massa já misturada e estabelecimento de nível de estoque seguro para evitar possíveis variações dos tipos e da composição. 4.1.5 - Controle na recepção Com o mesmo detalhamento proposto, a indústria consumidora deve controlar a chegada do material ao seu estoque e, quando for o caso, ao box de alimentação dos silos dosadores. Inicialmente, controla-se a matéria-prima a cada caminhão e, dependendo dos resultados obtidos, atendo-se à mesma fórmula utilizada até então, reduzem-se ou intensificam-se as amostragens. UENF 72 PROPOSTA Figura 4.1- Fluxogramas das etapas que devem ser desenvolvidas nas argilas utilizadas em um pólo cerâmico. Figura 4.2 – Empilhamento em camadas inclinadas UENF PROPOSTA 73 A realização do controle de características cerâmicas permite a simplificação do procedimento industrial, reduzindo-se perdas devido a ajustes que, de outro modo, se fariam necessários e freqüentes. Por outro lado a proposta de criação de uma CENTRAL DE MASSA possibilita que a atividade de Extração de Argila saia do campo do processo industrial, tomando seu verdadeiro lugar como input ao processo, e horizontalizando a cadeia produtiva, criando maior interação ao aglomerado industrial, além de incorporar melhoria da qualidade dos produtos existentes e possibilidade de novos produtos de maior valor agregado. No novo modelo de cadeia produtiva da cerâmica vermelha de Campos dos Goytacazes, a atividade mineradora estaria em nova posição, como fornecedora de matéria prima da atividade industrial, como pode ser observado na fig 4.3 abaixo. Indústria MetalMecânica Extração de Argila Óleo Combustível Extrativa Vegetal (Lenha) Cerâmicas Indústria da Construção Civil Gás Natural Figura 4.3 - Cadeia produtiva da cerâmica vermelha modificada Na realidade, o maior grau de interação entre as empresas no agrupamento, propiciam ganhos de escala e otimização dos processos, sejam a montante ou a jusante da cadeia produtiva. Esta ação proposta seria o primeiro passo nesta direção, sendo que muitos outros poderão vir. A jusante do processo, como na comercialização e da atividade de marketing e a montante, o suprimento de matéria UENF 74 PROPOSTA prima e insumos em geral, atividades de controle de qualidade de insumos e do próprio produto final das empresas, coordenação de compras, etc.. No fluxograma da figura 4.4(repetida) está representada a fabricação de produtos cerâmicos, como descrito no Capítulo 3, sendo destacada a primeira fase do processo, que compreende a extração, meteorização e composição da matéria prima utilizada no processo, e que seria o objeto da atual proposta. UENF PROPOSTA 75 Jazida Extração Sazonamento ou Meteorização Desintegração/ Trituração Composição Ímã Queima Secagem Extrusão Mistura Deaeração (Vácuo) Secagem Mistura (Umedecimento) Pisos Pastilhas Azulejos Peças Sanitárias Telhas Queima Peneiramento Prensagem Modelagem Prensagem Secagem Secagem Esmaltação Embalagem C. Qualidade Queima Queima Esmaltação Esmaltação Queima Queima Figura 4.4 – Fluxograma de produção da Industria Cerâmica. UENF PROPOSTA 76 Extração: A exploração de uma jazida de argila deve ser feita tendo em vista um estudo completo das características do material, do volume que poderá ser retirado e das próprias características da jazida. Na região de maior disponibilidade de matéria prima e conseqüentemente de maior concentração de indústrias, as jazidas são de pouca profundidade, variando de 1,5 a 4,0 metros, acarretando com a exploração grandes depressões, que após certo tempo são abandonadas, exigindo um tratamento especializado, com projetos de revitalização da área degradada de acordo com normas da FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente). Nesta fase do processo é necessária uma pesquisa geológica para caracterização das argilas, definindo tipos de minérios com características tecnológicas específicas, que possam ser individualizados na extração. O resultado da pesquisa irá indicar os lugares que apresentam características homogêneas, e sua posição na jazida, permitindo um planejamento de mineração, que possibilite a extração em separado de cada tipo definido pela pesquisa. Sazonamento: Esta operação consiste na exposição da matéria prima às intempéries, onde a ação combinada do sol, da chuva e de certos microorganismos provoca a lavagem de sais solúveis, a desagregação de torrões e a oxidação de piritas. Após a estocagem do material ao ar livre durante um período que varia de 6 meses a 2 anos, há condições técnicas mais propícias para preparação da massa cerâmica. UENF 77 PROPOSTA Figura 4.3 - Argila em processo de Sazonamento (meteorização) Composição: A partir das características especificas encontradas na pesquisa geológica deve-se realizar experiências com diferentes formulações entre os diversos tipos de argila disponíveis, até encontrar-se a melhor composição para cada tipo de utilização, variando de produto a produto. 4.2 –LOCALIZAÇÃO. Dois níveis de problemas devem ser considerados quando se estuda a localização de uma planta industrial. São eles: (i) a seleção de uma região e (ii) a seleção da comunidade do local da planta industrial. Embora alguns fatores locacionais que serão discutidos depois, se apliquem a ambos os níveis, existem certas considerações que se aplicam a região e outras a comunidade do local da planta industrial. UENF PROPOSTA 78 4.2.1 - Seleção da Região. Quando se faz a seleção da região, deve-se procurar informações de natureza mais geral, que podem ser obtidas através dos seguintes recursos: • Níveis de Governo- Municipal, Estadual desenvolvimento. • Agências Estatais; • Câmaras de Comércio; • Serviços de Eletricidade; • Serviços de Gás; • Disponibilidade de Combustíveis; • Ferrovias; • Rodovias; • Construtoras, engenheiros e Arquitetos; • Consultores; • Universidades - Centros de Pesquisa. e Federal. Políticas de UENF 79 PROPOSTA 4.2.2 - Seleção da Comunidade e do Local. As escolhas alternativas podem ser classificadas como: (1) cidades (2) locais suburbanos e (3) rurais 1. Condições que sugerem locais urbanos: • Grande necessidade de mão de obra qualificada. • Processos fortemente dependentes de utilidades urbanas. • Construções Verticais. • Contato freqüente com fornecedores. • Transporte público rápido disponível. 2. Condições que sugerem locais suburbanos: • Grande necessidade de mão de obra semiqualificada ou mão de obra feminina. • Evitar pesados impostos urbanos e seguros desejados • Força de trabalho residindo perto da planta. • Expansão industrial mais fácil do que na cidade • Comunidade perto, mas não em um grande centro. 3. Condições que sugerem locais rurais: • Necessidade de grandes áreas para demanda presente ou futura. • Impostos mais baixos. • Grande necessidade de mão de obra desqualificada. • Menores salários. • Processo industrial perigoso UENF PROPOSTA 80 Quadro 4.1 Resumo dos fatores de localização que devem ser considerados para selecionar uma região e fatores que devem ser considerados ao selecionar um local e comunidade. Seleção Fatores de local de Território . Seleção de local e comunidade Mercado * Matéria Prima * Transporte * * Energia Elétrica * * Clima e combustível * Trabalho e salários * * Legislação e Impostos * * Serviços comunitários e Atitude Água e desperdício * * No caso em estudo, onde é utilizada uma única matéria-prima, sem perda de peso, deve-se localizar a planta próximo à fonte de matéria-prima. UENF PROPOSTA 81 4.3 - A PROPOSTA Os processos de negócios envolvem decisões, as quais necessitam de informações para apoio a esses processos. Para o desenvolvimento de um consistente modelo é necessário definir todos os requisitos para esse sistema. Para identificar e definir esses requisitos, é necessário analisar os processos de negócios da empresa os quais o modelo vai apoiar. Para modelar a Central de Massa proposta neste trabalho, é necessário desenvolver o processo de modelagem, onde a partir de um Plano Diretor, é feita a Modelagem da Definição de Requisitos que é a base do projeto do sistema Modelagem da Especificação do Projeto que define o sistema operacional. A Implementação do sistema operacional – Modelagem da Descrição da Implementação. 4.3.1 - Modelagem da Definição de Requisitos. Este modelo expressa todas as necessidades de negócios relativas a funções, informações, recursos e organização, que devem ser implementadas no sistema da Central de Massa. Este modelo define “O QUE” tem que ser feito, sem considerar restrições de implementação. 4.3.2.- Estabelecimento de Domínios. A área de negócio da Central de Massa é a comercialização de matéria prima para a indústria cerâmica do município de Campos dos Goytacazes, a partir da obtenção da argila por um processo de mineração utilizando processos tecnologicamente desenvolvidos e baseado em uma pesquisa geológica consistente. 4.3.3 - Analise do Comportamento. Para que o objetivo da Central de Massa seja alcançado, é necessário estruturar os processos de negócios e atividades da nova empresa. Define-se na primeira etapa o tamanho do mercado que deverá ser atendido pela empresa, e sua UENF 82 PROPOSTA localização no aglomerado, a segunda etapa será a obtenção da área de mineração, efetuando a pesquisa geológica para definir tipos de minério e as suas características, que são necessárias para definição do método de lavra que será efetuada, como também a disponibilidade quantitativa de material a ser explorado.Na terceira etapa define-se o tipo de planta industrial e de que tamanho. Na quarta etapa o tipo de transporte e suas etapas, recepção e entrega. 4.3.4 - Análise Operacional. Nesta parte do processo de modelagem faz-se a descrição detalhada das atividades da Central de Massa. 1- Extração - A exploração de uma jazida deve ser feita baseada na pesquisa geológica , que determina as características da argila existente, fazendo a extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura. 2- Transporte – O transporte será feito em caminhões basculantes da jazida até a central de massa. 3- Depuração – A argila proveniente da jazida passa por um processo de eliminação de impurezas, como grãos duros, raízes, nódulos de cal, pedras, etc. 4- Trituração – A argila passa pelo processo de trituração, eliminando os torrões, e homogeneizando a granulometria do material. 5- Sazonamento ou Meteorização – A argila é estocada ao ar livre por um período de tempo necessário para as transformações físico químicas ocorram. 6- Mistura – Nesta fase do processo industrial é feita a composição da massa que será utilizada como matéria prima pelo cliente, podendo ter várias formulações de acordo com tipo de produto a que se destina. 7- Expedição – Encerrando o processo, está a entrega do pedido ao cliente, que poderá ser feito CIF ou FOB. UENF 83 PROPOSTA 4.3.5 - Analise de recursos. A necessidade dos diversos recursos necessários a cada uma das etapas de produção, está condicionada a previsão de demanda, e no caso especifico em estudo, será feito um estudo baseado na demanda total do setor, baseado na produção estimada (não existem dados oficiais) . Produção estimada:Blocos Cerâmicos – 4.000.000 peças /dia Necessidade de massa/1000 peças = 2,4 ton Demanda de massa/ dia = 9.600 ton/dia Demanda de massa/mês= 211.200 ton/mês Tempo para meteorização= 4 a 6 meses (ideal) Estoque necessário = 211.200 x 4 = 844.800 ton Baseado nestes dados, nota-se que a demanda de matéria prima no aglomerado industrial do setor cerâmico de Campos dos Goytacazes atinge grandes volumes, CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES UENF 2004 CONCLUSÕES 85 5.- CONCLUSÕES O aglomerado industrial em estudo pode ser definido como uma aglomeração de empresas com pequeno grau de articulação mas que apresenta afinidade setorial , é disposto em forma de rede e aproveita muito pouco as vantagens estáticas do aglomerado, como forma de comercialização de insumos, transporte de produtos e marketing da atividade. A confiança entre os atores é muito pequena e se restringe a pequenos grupos o que ajuda a diminuir esta confiança e a interatividade entre os diversos atores e agentes econômicos envolvidos na atividade. Analisando o resultado da pesquisa podemos constatar claramente que a atividade de exploração de argila é totalmente desenvolvida pelas próprias indústrias, o que impossibilita a criação de firmas mineradoras na região, fato que inibe a utilização de tecnologias mais avançadas nesta atividade e conseqüentemente a produção com maior valor agregado. Produto de menor valor leva também a utilização de combustíveis mais baratos e menos eficientes no quesito qualidades finais, aumentando significativamente a variabilidade do processo o que causa maiores perdas. Apesar de muitas empresas já utilizarem uma tecnologia moderna, apenas algumas conseguem traduzir isso em melhoria da qualidade do produto final, visto que existe uma concorrência interna no aglomerado em termos de preço, o que torna a concorrência predatória ao conjunto. Isto se reflete no conjunto de empresas do aglomerado quando analisamos a mão de obra empregada, onde mais de 60% da força de trabalho não completou o ensino fundamental ou é analfabeta, mas mesmo assim não foi identificado nenhum programa de capacitação de recurso humano. Segundo Marshall (1920), em sua análise sobre a produção e a organização industrial, o conhecimento incorporado nas faculdades humanas assume fundamental importância na compreensão do desempenho econômico de firmas e nações. É ressaltada que tais faculdades, constituem meios de produção tão importantes quanto qualquer outra espécie de capital. Por isso, medidas que favorecessem o aumento do conhecimento dos trabalhadores estariam contribuindo diretamente para o crescimento da riqueza material de um país, estado ou região. Quanto ao tipo de produto predominante no aglomerado, é clara a produção de lajotas 18x18, fabricado por 87,5% do total de empresas. Este produto é o de UENF 2004 86 CONCLUSÕES menor valor agregado, pois seu processo de produção é o mais simples de todos os produtos fabricados no aglomerado, o que explica em parte a pequena importância do controle de qualidade no sistema produtivo que apesar de ser feito por todas as empresas, não existe uma política clara no setor,sendo feito isoladamente por algumas empresas, com pouca participação das instituições de pesquisa e extensão, com baixa utilização de inovações tecnológicas de produtos e processos. Isso pode ser constatado claramente no resultado da pergunta sobre os fatores que motivaram a implantação da indústria , onde nenhum dos entrevistados citou o centro tecnológico isoladamente como fator motivador da implantação, e o mais citado com 75% foram os aspectos locacionais. Outro ponto pesquisado e que indica pouco desenvolvimento do aglomerado diz respeito à cooperação entre os agentes produtivos, onde 50% das empresas consultadas não indicou nenhuma experiência de cooperação, e 62,5% acham pequena a interatividade entre os agentes. A resposta à pergunta sobre nicho de mercado, o sistema habitacional e as grandes construtoras representam o mercado almejado, por 75% das empresas consultadas, indicando claramente o desejo de sair do mercado de varejo. Apesar de existir uma boa estrutura organizacional ao setor, existindo um sindicato, tradição regional e uma concentração muito grande de empresas do setor a resposta sobre mobilização dos agentes, 75% responderam negativamente e apenas 25% disseram que existe. Mesmo assim 50% reconhecem o sindicato e o Sebrae como agentes atuantes. O grau de confiança entre os atores é considerado baixo por 50% dos entrevistados e médios por 37,5% , não tendo nenhum entrevistado considerado alto este quesito. Quanto ao cenário da atividade 62,5% o considera pessimista enquanto apenas 12,5% o considera otimista, pelas condições existentes na região. Fica claro que o aglomerado em estudo foi construído de “baixo para cima”, ou seja, partindo das potencialidades sócio-econômicas originais do local, no lugar de um modelo de desenvolvimento “de cima para baixo”, isto é, partindo do planejamento e intervenção conduzidos pelo Estado. É fácil deduzir que os locais e regiões que optam por utilizar apenas as “vantagens adquiridas”, ou “dadas”, estarão se candidatando ao declínio econômico UENF 2004 87 CONCLUSÕES enquanto aquelas que optam pelas conquistas de novas vantagens estarão mais próximas do sucesso ou da sobrevivência. A chave portanto, segundo Maillat (1995), encontra-se certamente na capacidade dos atores de uma determinada região, compreender as transformações que estão ocorrendo em sua volta, no ambiente tecnológico e no mercado, para que eles façam evoluir e transformar o seu ambiente. Para que o aglomerado em estudo possa avançar em seu desenvolvimento, se utilizando das enormes potencialidades de que dispões será necessário: (i) articulação sistêmica da indústria com ela mesma, com o ambiente externo macroeconômico e infra-estrutural e com as instituições públicas e privadas, tais como Universidades, Institutos de Pesquisa, etc. --a fim de maximizar a absorção de externalidades, principalmente tecnológicas. (ii) plasticidade na ação conseguida através de uma forte associação entre a indústria e os atores e agentes locais, que permita processos rápidos de adaptações face às transformações do mercado e (iii) forte vocação externa, sempre buscando o objetivo da competitividade exterior. Por todos estes motivos, ficou claro que esta atividade econômica no município de Campos dos Goytacazes passa por sérias dificuldades, principalmente se levarmos em consideração o cenário nacional para o setor consumidor de seus produtos que é a construção civil, onde apesar do imenso déficit habitacional de nosso país, não temos uma política definida para o setor. 5.1 – Considerações Finais Inicialmente, a grande quantidade de perdas industriais, localizadas na fase industrial de obtenção da matéria prima, parecia ser o objetivo principal deste trabalho. No entanto no decorrer da pesquisa, as características encontradas no aglomerado industrial da região, mudaram o foco do trabalho, indicando que qualquer tentativa no sentido de melhorias tecnológicas esbarraria na cultura empresarial existente na região. Em sua palestra proferida em novembro de 2003, em São Paulo, Porter diz que: “Claramente, o aumento de produtividade tem relação com a capacidade de inovação. Quanto mais avançada é a economia, mais as empresas precisam fazer UENF 2004 88 CONCLUSÕES produtos únicos, usando processos de produção únicos, o mais avançado possível. Basicamente, a importância da produtividade é que ela sustenta o aumento do padrão de vida. Não se consegue ficar mais rico a não ser incrementando a produtividade... Sabemos que a produtividade é função de duas grandes condições: primeira, a conjuntura econômica, política, jurídica e social. ... e segunda, fazer progressos na base, ou seja, na microeconomia. Neste ponto o Brasil não tem uma estratégia .... Para ser produtiva, a empresa precisa de um Cluster. Precisa de fornecedores que possam trabalhar com ela todos os dias, precisa de prestadores de serviço, precisa de escolas que treinem pessoas para seu negócio. ... É preciso uma massa crítica que forme um Cluster”. O estudo sobre o aglomerado industrial do setor cerâmico do município de Campos dos Goytacazes, indica um aglomerado industrial significativo em termos quantitativo, porém que não evoluiu em suas relações interativas, tendo uma sinergia muito baixa entre seus atores, praticando uma concorrência predatória, baseada em preços baixos, e como conseqüência, baixa qualidade de seus produtos. A falta de assistência técnica especializada na região, indica claramente um baixo nível de utilização de modernas tecnologias, que aliada a falta de confiança entre os empresários, levaram a uma cadeia produtiva fechada e verticalizada, impedindo a formação de empresas fornecedoras dentro da cadeia produtiva. Ao se propor a construção da Central de Massa, como forma indutora de desenvolvimento do aglomerado industrial, pretende-se atacar dois pontos críticos do aglomerado industrial, que são: (i) a falta de confiança entre os empresários; e (ii) a grande quantidade de perdas industriais devido a falta do emprego de modernas tecnologias na extração e preparo da matéria prima. 5.2 – Recomendações. Na realidade, o maior grau de interação entre as empresas no agrupamento, propiciam ganhos de escala e otimização dos processos, sejam a montante ou a jusante da cadeia produtiva. Esta ação proposta seria o primeiro passo nesta direção, sendo que muitos outros poderão vir. A jusante do processo, como na comercialização e na atividade de marketing e a montante, o suprimento de matéria prima e insumos em geral, atividades de controle de qualidade de insumos e do UENF 2004 89 CONCLUSÕES próprio produto final das empresas, coordenação de compras, etc., como também a capacitação dos recursos humanos envolvidos tanto no processo industrial quanto nos processos de apoio como manutenção, controle de qualidade, etc.. Pode-se afirmar que muitas são as ações possíveis para que esse aglomerado industrial evolua, passando a ser um aglomerado avançado, trazendo assim uma maior geração de renda e conseqüentemente maior qualidade de vida para todos os atores envolvidos. É necessário portanto que o primeiro passo seja dado nesta direção, envolvendo o maior número possível de agentes , sejam públicos ou privados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UENF 91 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A. Hirschman (1958). The Strategy of Economic Development . 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Tese submetida ao corpo docente da Coordenação dos Programas de PósGraduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Doutor em Ciências em Engenharia de Produção.- Rio de Janeiro – Brasil. MAILLAT, (1995) “Milieux Innovateurs et Dynamique Territoriale”. In:RALLET, A.; TORRE, A. Économie Industrielle et Économie Spatiale. Paris: Economica, 1995. MARSHALL, A (1920). Principios de Economia. Trad. Ottolmy Strauch, 8ª ed.,vol.I, São Paulo: Nova Cultural, 1985 MUTHER, RICHARD. (1978). Planejamento do Layout: Sistema SLP. São Paulo: Editora Edgar Blucher Ltda. PERRIN, J.C. (1986). Un Bilan Théorique et Methologique, Technologie Nouvelle et Ruptures regionales, organizado por J,Federwish e H.G.Zoller, Ed. Economica, Paris. PIORE, M.J. & SABEL. C.F. (1984), The second industrial divide: possibilities for prosperity, Basic Books, New York. PORTER, MICHEL E. (1991). 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Nome da Empresa: _______________________________________________ Endereço: ______________________________________________________ Proprietário: ____________________________________________________ CNPJ: _______________________ Ano de Fundação: __________________ 1- Matéria Prima. Extração o Terra própria o Terra Arrendada o Fornecedores Maquinário o Próprio Valor R$ __________ o Alugado Preço R$ __________ o Outros ___________________________ Tecnologia Empregada o o o o o o Pesquisa geológica Estabelecimento de composições Lavra, beneficiamento e estoque Extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura; Execução rígida da composição da argila; Controle na recepção. 2- Energia o Lenha o Óleo o Gás UENF 98 ANEXO 1 3- Tecnologia de produção o o o o Mais moderna Moderna, mas existem mais modernas Um pouco obsoletas Completamente Obsoletas 4- Mão de Obra o o o o o o o o o o Número de funcionários N=___________ Analfabetos N=___________ Fundamental - Incompleto N= ___________ Fundamental Completo N= ___________ Ensino Médio Imcompleto N= ___________ Ensino Médio Completo N= ___________ Ensino Técnico Incompleto N =___________ Ensino Técnico Completo N= ___________ Ensino Superior Incompleto N =___________ Ensino Superior Completo N= ___________ 5- Manutenção o Corretiva o Preventiva o Preditiva 6- Produtos o o o o o o 1_________ 2_________ 3_________ 4_________ 5_________ 6_________ 7- Controle de Qualidade o o o o Faz freqüentemente Faz esporadicamente Não faz Certificação 8- Fatores que motivaram a implantação da indústria o Fatores locacionais (mercado, matéria prima, pólo tecnológico, outras industrias) o Tradição local o Presença de Centro Tecnológico o Mão de obra disponível UENF 99 ANEXO 1 9- Existe alguma experiência de cooperação entre os diversos agentes produtivos locais? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _______________ 10- Qual o nível de interatividade entre os agentes produtivos e o centro tecnológico local? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _______________ 11- Existe algum nicho de mercado que pode ser almejado? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ __________ 12- Existe mobilização dos agentes produtivos locais para a definição de um plano de ação na construção das condições de atração de investimentos para o agrupamento, visando o desenvolvimento do mesmo? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _______________ 13- Em caso afirmativo, quais os agentes envolvidos e qual a estratégia de ação? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ __________ 14- A confiança exerce uma importância crescente nas análises econômicas e dos processos de ganho de competitividade.Qual o grau de confiança existente entre os diversos agentes produtivos locais? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _______________ 15- Como você construiria o cenário atual da atividade ceramista no município de Campos dos Goytacazes? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________ ANEXO II MAPAS 101 UENF 2004 ANEXO II 102 UENF 2004 ANEXO II 103 UENF 2004 ANEXO II 104 UENF 2004 ANEXO II 105 UENF 2004 ANEXO II 106 UENF 2004 ANEXO II 107 UENF 2004 ANEXO II 108 UENF 2004 ANEXO II 109 UENF 2004 ANEXO II 110 UENF 2004 ANEXO II 111 UENF 2004 ANEXO II 112 UENF 2004 ANEXO II 113 UENF 2004 ANEXO II 114 UENF 2004 ANEXO II 115 UENF 2004 ANEXO II 116 UENF 2004 ANEXO II 117 UENF 2004 ANEXO II 118 UENF 2004 ANEXO II 119 UENF 2004 ANEXO II