DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA
DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES
LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE
Dissertação apresentada ao Centro de Ciência e
Tecnologia da Universidade Estadual do Norte
Fluminense,
como
parte
das
exigências
para
obtenção do título de Mestre em Ciências de
Engenharia, na área de Engenharia de Produção.
Orientador: Prof. Assed Naked Haddad., D. Sc.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE – UENF
CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ
JUNHO - 2004
DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO
MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES
LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE
Dissertação apresentada ao Centro de Ciência
e
Tecnologia da Universidade Estadual do Norte
Fluminense,
como
parte
das
exigências
para
obtenção do título de Mestre em Ciências de
Engenharia, na área de Engenharia de Produção.
Aprovada em _14__ de ___junho___ de 2004.
Comissão Examinadora:
________________________________________________________
Prof. Renato de Campos, D. Sc. - UENF
_______________________________________________________
Prof. José Ramon Arica Chavez, D. Sc. - UENF
________________________________________________________
Prof. Romeu e Silva Neto, D. Sc. - UENF
Prof. Assed Naked Haddad., D. Sc. – UFRJ – Orientador
III
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar a DEUS, pela presença constante em minha vida.
À Valéria, minha esposa, pela compreensão e presença incentivadora nos
momentos difíceis durante esta caminhada.
À Bárbara, Vitor e Camila, meus filhos, pelo incentivo e razão de tudo isto.
Ao meu orientador Assed Naked Haddad, que tão bem soube me incentivar e cobrar
para que este trabalho fosse realizado.
Aos professores do LEPROD, que nos capacitaram para este trabalho.
Aos meus amigos João e Carlos, que dividiram comigo os sonhos e incertezas deste
tempo.
Aos meus amigos e colegas de trabalho no CEFET Campos, que me incentivaram e
dividiram parte do trabalho de minha obrigação.
Aos ceramistas do Município de Campos dos Goytacazes, pela confiança e apoio
durante a realização deste trabalho, em especial ao amigo José Joaquim Linhares
Neto, proprietário da Cerâmica Santander.
IV
SUMÁRIO
1. Introdução
2
1.1. Objetivo
3
1.2. Justificativa
4
1.3. Metodologia
5
1.4. Estrutura do trabalho
5
2. Fundamentação teórica
8
2.1. Desenvolvimento regional
8
2.2. Aplicação de clusters
21
2.3. Qualidade e competitividade na industria cerâmica
34
3. Diagnóstico do aglomerado industrial da indústria cerâmica do município de
Campos dos Goytacazes
3.1. Premissas básicas
40
40
3.2. Tabulação dos resultados do questionário
43
3.3. Critérios utilizados
53
3,4. Descrição do processo produtivo
55
4. Proposta de central de massa para o setor de cerâmica vermelha de
Campos dos Goytacazes.
4.1. Central de Massa
67
67
4..2. Localização
67
4.3. Proposta.
81
5. Conclusões
85
5.1. Considerações Finais
87
5.2. Recomendações
88
Referências Bibliográficas
90
Anexo I
96
Anexo II
100
V
Resumo de dissertação apresentado ao CCT/UENF como parte das exigências
necessárias para obter o grau de mestre (M.Sc.) em Ciências de Engenharia(Área
de Concentração: Engenharia de Produção).
DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA DO
MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES
LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE
Orientador: Prof. ASSED NAKED HADDAD
Junho de 2004
Este trabalho trata do estudo relativo ao aglomerado industrial do setor
Cerâmico de Campos dos Goytacazes. É feito um diagnóstico de seu estágio
atual
de
aplicação
desenvolvimento
de
um
através
questionário,
de
entrevistas
que
procura
semi-estruturadas
identificar
o
e
grau
a
de
interatividade e sinergia entre os atores diversos envolvidos, analisando a
dotação de recursos naturais, capacidade laboral instalada, utilização de
tecnologias
disponíveis
e
da
capacidade
empresarial.
E
baseado
neste
diagnóstico que se propõe a construção de uma central de massa, que visa
modificar o desenho da cadeia produtiva, atualmente fechada e verticalizada,
no que diz respeito a obtenção de matéria-prima, analisando inicialmente o
processo produtivo. Identifica-se seus pontos mais críticos, como forma de
contribuir para o desenvolvimento e formação de uma cooperação horizontal,
desenvolvendo assim a confiança entre os atores e um novo modelo de redes de
comunicação
e
proximidade
organizacional,
propiciando
qualidade através da diminuição da variabilidade deste insumo."
VI
uma
melhoria
da
Thesis abstract presented to CCT/UENF as part of the requirements necessary for
obtaining the master’s degree (M. Sc.) in engineering Sciences (Production
Engineering área).
THE CAMPOS DOS GOYTACAZES CERAMICS INDUSTRIAL SECTOR
AGGLOMERATE DIAGNOSIS
LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE
Advisor: Prof. ASSED NAKED HADDAD
June, 2004
This study deals with the Campos dos Goytacazes Ceramics Industrial Sector
Agglomerate. It’s present situation and state of development is analyzed and a
diagnosis is made, though the application of a questionnaire and semi-structured
interviews witch seek to identify synergy and interaction levels among all participants
involved on the research carried. The study analyzes the existence and dimension of
natural resources, labor capacity installed available technology and enterprise
capabilities usage. Based on this diagnosis the development of an Operations Unit
(Mass Central) is proposed to modify productive chain design, witch is nowadays
vertical and closed, relatively to raw materials acquisition, on a first analysis of the
productive process. Critical points are identified as a contribution to the development
and set of a horizontal cooperation, improving confidence among participants and the
raise of a new model of communication and organizational proximity network,
allowing quality improvement through the lowering of this material variability.
Key words: Ceramics Industrial; Operations Unit (Mass Central); Industrial Sector
Agglomerate; clusters.
VII
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
UENF 2004
2
INTRODUÇÃO
1. INTRODUÇÃO
Segundo Santos (1998), o ambiente da gestão de negócios nos últimos
tempos tem enfrentado uma série de implicações decorrentes de um conjunto de
transformações políticas, econômicas e sociais, tais como:
•
Um aumento da taxa de mudança e da complexidade do ambiente;
•
Incremento e utilização efetiva de novas tecnologias, acelerando a obsolescência
técnica e econômica de equipamentos, processos e produtos;
•
Surgimento de novos concorrentes; gerando o acirramento da concorrência e o
excesso de oferta;
•
Novas exigências políticas e sociais, por exemplo, a participação do governo
numa perspectiva macroeconômica; as novas exigências dos clientes por melhor
qualidade dos produtos/serviços e concomitantemente menores preços, as novas
dinâmicas da força de trabalho;
•
As crescentes flutuações nos mercados; a diluição das fronteiras e o aumento
das condições de incerteza e de risco no processo de tomada de decisões.
Para Porter (1999) a competição se intensificou de forma drástica ao longo
das duas últimas décadas, em praticamente todas as partes do mundo. Poucos são
os setores remanescentes em que a competição ainda não interferiu na estabilidade
e dominação dos mercados. Nenhuma empresa ou país tem condições de ignorar a
necessidade de competir. Todas as empresas devem procurar compreender e
exercer com maestria a competição.
Neste contexto surgem novas formas de abordagens, tipologias, modelos e
arquiteturas organizacionais que têm como objetivo a adequação e contextualização
às novas características do ambiente e a necessidade de serem mais competitivas,
condições estas imprescindíveis para que as organizações adquiram as devidas
condições para a sua sobrevivência e desenvolvimento.
Uma destas novas abordagens organizacionais é a formação de Redes
interempresariais baseadas na parceria, na colaboração, na associação e
complementaridade entre as organizações partindo do princípio de que no atual
ambiente de negócios, nenhuma empresa, seja ela pequena, ou grande, não é
independente e auto-suficiente. Para Lipnack & Stamps(1994) atualmente nenhuma
UENF 2004
3
INTRODUÇÃO
empresa pode isoladamente fazer tudo o tempo todo, seria demasiadamente
complicado e dispendioso para empresas de qualquer tamanho realizar todos os
trabalhos isoladamente durante todo o tempo. Hoje em dia, trabalhar unilateralmente
significa perder oportunidades. E amanhã estará significando o encerramento das
atividades da empresa.
Este novo modelo de organização tem uma série de formatos específicos tais
como alianças, fusões, formação de consórcios, jointventures e aglomerados. Neste
trabalho, iremos tratar especificamente do aglomerado industrial composto pelas
Pequenas e Médias Empresas (PME's), que compõem o setor ceramista de Campos
dos Goytacazes, mostrando o papel e a importância deste segmento empresarial
para o desenvolvimento regional, ao mesmo tempo em que, identifica quais as
implicações decorrentes do surgimento dos novos modelos organizacionais para as
PME’s, dentre eles os aglomerados denominados “Clusters”. Explicitando quando,
como e porquê surgem os aglomerados e, como isto se constitui num mecanismo
para superação dos diversos problemas enfrentados pelas PME’s. A partir daí, são
identificados os conceitos, as experiências passadas e mais atuais de aglomerados
industriais no Brasil e no exterior, enfatizando um conjunto de fatores que precisam
ser observados no seu processo de formação, desenvolvimento e manutenção.
Neste sentido, e como conseqüência desta pesquisa, é feito um diagnóstico
do aglomerado em estudo, identificando seu grau de desenvolvimento, e propõe-se
a construção de uma central de massa, como forma de desenvolvimento de
cooperação horizontal, capaz de estimular a criação dos três conceitos
fundamentais, necessários à evolução do aglomerado de empresas existentes na
região: (i) construção da confiança; (ii) criação de bases concretas capazes de
permitir a montagem de redes de comunicação e (iii) proximidade organizacional
(este como resultado da combinação dos outros dois elementos).
1.1
OBJETIVO
O objetivo desta pesquisa é fazer um diagnóstico do setor ceramista de
Campos dos Goytacazes, quanto ao estágio atual em que se encontra a
UENF 2004
4
INTRODUÇÃO
aglomeração industrial formada a partir de uma dotação de recursos naturais, da
capacidade laboral instalada, capacidade tecnológica, capacidade empresarial local,
e da afinidade setorial de seus produtos.
A partir deste diagnóstico, onde é identificado o real estágio de
desenvolvimento do aglomerado industrial, propor uma ação que possa contribuir
para o desenvolvimento deste aglomerado de empresas, buscando a interação e a
sinergia decorrentes da atuação articulada, proporcionando ao conjunto de
empresas vantagens competitivas que vão se refletir em um desempenho
diferenciado superior em relação à atuação isolada de cada empresa.
1.2
JUSTIFICATIVA
O surgimento de um agrupamento industrial e sua transformação em
agrupamento avançado é um processo freqüentemente espontâneo, ocorrendo sem
a interveniência de ações indutoras. Porém, a experiência ensina que este processo
natural pode avançar de forma muito lenta, interromper-se e mesmo sofrer
retrocesso.
Por este motivo, se justifica este trabalho de pesquisa, onde faz um
diagnóstico do aglomerado industrial do setor ceramista do município de Campos
dos Goytacazes, identificando suas características e seu grau de desenvolvimento, e
a partir daí formulando uma proposta de construção de uma central de massa como
estratégia de mobilização dos agentes locais, públicos e/ou privados, desenvolvendo
uma cooperação horizontal, para que esta transformação ocorra de maneira mais
rápida e sustentada, minimizando os riscos de estagnação e retrocesso.
Por outro lado, a construção de uma central de massa, além de contribuir
para o desenvolvimento sustentado do agrupamento, propicia a utilização de novas
tecnologias na obtenção da matéria prima, onde foram identificadas as maiores
perdas da atividade industrial.
UENF 2004
1.3
5
INTRODUÇÃO
METODOLOGIA
A estruturação do trabalho seguiu a seguinte seqüência:
a)
Pesquisa Bibliográfica;
b)
Pesquisa de Campo;
c)
Coleta e tabulação dos dados;
d)
Modelagem Teórica;
e)
Apresentação e discussão dos resultados.
A pesquisa bibliográfica foi concentrada em autores estrangeiros mesmo
tendo sido utilizado literatura nacional em virtude da importância desses autores. A
metodologia do trabalho concentrou-se nas novas teorias de desenvolvimento
regional e em novos conceitos e estratégias que representam o novo paradigma de
desenvolvimento regional endógeno com foco específico no agrupamento industrial
(clusters).
A pesquisa de campo foi elaborada através de entrevistas semi-
estruturadas e aplicação de questionários, realizados através de visitas as empresas
do setor cerâmico de Campos dos Goytacazes. A coleta e tabulação dos dados para
a modelagem teórica do diagnóstico e da proposta da ação,
teve por objetivo
identificar e definir requisitos básicos dos processos de negócios e de produção do
setor cerâmico local. Os resultados alcançados neste trabalho provenientes da
pesquisa de campo foram apresentados em bloco preservando as empresas
visitadas.
1.4
ESTRUTURA DO TRABALHO
O presente trabalho tem seu foco voltado para um tema regional,
extremamente atual, mas que faz parte das discussões teóricas a nível nacional e
internacional, pelos maiores pensadores de nosso tempo.
O presente capítulo é uma apresentação do trabalho, com uma pequena
introdução ao tema, seguida do objetivo e justificativa, explicando qual a
metodologia utilizada.
UENF 2004
6
INTRODUÇÃO
O segundo capítulo é uma revisão da literatura pesquisada, dos diversos
temas necessários para a fundamentação teórica do trabalho.No terceiro capítulo
está apresentado o diagnóstico feito do setor em estudo, onde são apresentados os
resultados objeto desta pesquisa, no quarto capítulo é apresentada uma proposta de
ação estratégica para desenvolvimento do aglomerado industrial em estudo, e no
quinto capítulo, as conclusões e considerações finais com recomendações para
futuros trabalhos, terminando com às referências bibliográficas e os anexos I e II,
onde se encontram o questionário aplicado e os mapas de localização das industrias
do setor na região, respectivamente.
CAPÍTULO 2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
UENF 2004
8
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O que diferencia umas regiões de outras é o fato de que umas se conformam com os
“fatores dados” e outras procuram “processar fatores e atividades” (Kaldor, 1970),
2.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Nesse
capítulo é feita uma revisão da literatura pesquisada sobre
Desenvolvimento Regional, e aplicação de Clusters
nas diversas experiências
nacionais e internacionais que usam a estruturação de aglomerados industriais,
Qualidade e Competitividade na Indústria Cerâmica e sobre o Conceito de Central
de Massa, que são importantes para o entendimento do diagnóstico do setor
cerâmico de Campos dos Goytacazes e da proposta de ação estratégica contida
neste trabalho.
2.1 – DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Em seu estudo sobre a evolução histórica da idéia de desenvolvimento, Arndt
(1987) mostra que a partir da década de 60, questões relativas às necessidades
básicas da população, ao desemprego e, especialmente, à desigualdade passaram
a ser incorporadas a esta idéia. Recentemente, as preocupações ambientais
também começaram a fazer parte das discussões sobre desenvolvimento,
principalmente quanto a possibilidade de sustentação no tempo dos padrões de
consumo, introduzindo no debate variáveis pertencentes às ciências naturais e
novas reflexões de natureza ética.
Tradicionalmente, o debate sobre políticas de desenvolvimento concentrou-se
em entender quais seriam os papéis do Estado e dos mercados neste processo,
tomando os países como unidade geográfica de análise. Com a evolução da
integração econômica internacional e frente às experiências regionais vividas por
alguns países, a dimensão espacial da economia vem ganhando mais força nos
meios acadêmicos e tem despertado o interesse de órgãos de governo e agências
internacionais sobre as formas de atuação de organizações não governamentais e
sociedade civil.
A partir da década de 70, o mundo iniciou um processo de grande mudança
tecnológica associado à informática e às telecomunicações, com grande
repercussão nos custos de produção e nas formas de organização da atividade
UENF 2004
9
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
econômica. Como conseqüência, a produção em massa de bens e serviços
baseada nas grandes linhas de montagem também passou a ser questionada,
abrindo espaço para formas mais flexíveis de produção, capazes de realizar o
trabalho com mais agilidade e diferenciação qualitativa.
A partir do final da década de 80 observa-se, que ao mesmo tempo em que
ocorre um movimento de extroversão por parte das empresas (subcontratações,
alianças e fusões) e dos países (abertura comercial e aumento do volume do capital
em circulação no mundo) as regiões no interior dos países vêm mostrando um
movimento de endogeneização, tanto nas decisões relacionadas ao seu destino
quanto ao uso dos meios e recursos utilizados no processo econômico. Isso mostra
que a organização territorial deixou de ter um papel passivo para ter um papel ativo
diante da organização industrial.
Quase todas as novas teorias que trabalham com a questão regional
apresentam como ponto comum a tentativa de incorporar o processo geral de
reestruturação produtiva e de acelerada divisão internacional do trabalho com a
utilização de modelos que dão suporte às estratégias de localização das firmas e às
estratégias de desenvolvimento regional. Pode-se ressaltar alguns pontos comuns
nos anos recentes:
1. As localidades e as instituições assumem um papel de grande importância no
desenvolvimento econômico;
2. Os aspectos interdisciplinares passam a fazer parte das análises sobre o
desenvolvimento econômico regional ou local;
3. As externalidades reassumem um papel de destaque nas análises, e Marshall
transforma-se numa referência quase unânime;
4. A inovação tecnológica e o aprendizado, numa clara referência ao pensamento
de Schumpeter, assumem um papel de destaque na tentativa de compreensão
do desenvolvimento regional;
5. As relações não comerciais das aglomerações, levando em conta aspectos de
organização industrial e dos custos de transação, são explicitadas;
6. A formação e o acumulo de um capital social localizado passam a ser paradigma
de sucesso no novo ambiente competitivo.
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
10
Do ponto de vista regional o conceito de desenvolvimento endógeno,
segundo Amaral Filho (1999), pode ser entendido como um processo de crescimento
econômico implicando em uma contínua ampliação da capacidade de agregação de
valor sobre a produção bem como da capacidade de absorção da região, cujo
desdobramento é a retenção do excedente econômico gerado na economia local
e/ou a atração de excedentes provenientes de outras regiões. Este processo tem
como resultado a ampliação do emprego, do produto e da renda do local ou da
região.
Segundo Carvalho et al (2003), o conceito de desenvolvimento endógeno está
associado ao surgimento da teoria do crescimento endógeno, a qual vem romper
radicalmente com a teoria tradicional do crescimento. O ponto central dessa ruptura
está no fato de se substituir, no plano macroeconômico, o axioma dos rendimentos
constantes em benefício dos rendimentos crescentes.
Fatores antes considerados exógenos na determinação do crescimento (como
capital humano, conhecimento, informação, pesquisa e desenvolvimento, etc)
passam a ser encarados como endógenos, dividindo com os fatores tradicionais
(capital e força de trabalho) a composição da função de produção agregada. Do
ponto de vista regional, abre-se um amplo leque de opções de ação voltadas para a
promoção do desenvolvimento.
Segundo Marshall (1920), em sua análise sobre a produção e a organização
industrial,
o
conhecimento
incorporado
nas
faculdades
humanas
assume
fundamental importância na compreensão do desempenho econômico de firmas e
nações. É ressaltada que tais faculdades, constituem meios de produção tão
importantes quanto qualquer outra espécie de capital. Por isso, medidas que
favorecessem o aumento do conhecimento dos trabalhadores estariam contribuindo
diretamente para o crescimento da riqueza material de um país, estado ou região.
O que de mais importante essa teoria nos traz é a idéia de que um país,
região ou local que consiga desenvolver esses fatores pode aumentar mais
facilmente o valor agregado à produção, a produtividade do sistema produtivo,
acelerar o crescimento, aumentar a produção e melhorar a distribuição da renda.
Este modelo alternativo pode ser definido como um modelo endógeno
construído de “baixo para cima”, ou seja, partindo das potencialidades sócioeconômicas originais do local no lugar de um modelo de desenvolvimento “de cima
para baixo”, isto é, partindo do planejamento e intervenção conduzidos pelo Estado.
UENF 2004
11
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Esta última modalidade pode ser associada àqueles casos de implantação de
grandes projetos estruturantes que procuram satisfazer a coerência de uma matriz
de insumo produto.
Um outro aspecto desse modelo está associado ao perfil e à estrutura do
sistema produtivo local, ou seja, um sistema com coerência interna, aderência ao
local e sintonia com o movimento mundial dos fatores. Segundo Garofoli (1992),
entre os modelos de desenvolvimento endógeno os casos mais interessantes e
paradigmáticos são aqueles constituídos de pequenas empresas ou pequenos
empreendimentos circunscritos a um território. Tratam-se de sistemas que produzem
“intensificações localizadas” de economias externas, que determinam intensas
aglomerações de empresas, fabricando o mesmo produto ou gravitando em torno de
uma produção “típica”.
Para se entender este modelo, é necessário responder às duas perguntas
clássicas da economia espacial: i) Por que a atividade econômica se concentra em
determinadas localizações, em vez de se distribuir uniformemente por todo o
território?; e ii) que fatores determinam os locais em que a atividade produtiva se
aglomera?
Krugman (1991) desenvolve duas linhas de argumentação para tentar
responder a estas questões. A primeira afirma que, no comércio e na especialização,
os rendimentos crescentes, as economias de escala e a competição imperfeita são
muito mais importantes que os rendimentos decrescentes, a competição perfeita e a
vantagem comparativa; e a segunda afirma que as economias externas por tamanho
do mercado e por inovação tecnológica, que caracterizam os rendimentos
crescentes, não são de alcance internacional e nem sequer nacional, mas sim
surgem de um processo de aglomeração de natureza regional ou local.
A contribuição de Krugman pode ser sintetizada em duas idéias: i) em um
mundo onde tanto os rendimentos crescentes como os custos de transporte são
importantes, os encadeamentos para trás e para frente podem gerar uma lógica
circular de aglomeração; e ii) a imobilidade de alguns recursos como a terra, e em
alguns casos a força de trabalho atuam como uma força centrífuga que se opõe à
força centrípeta da aglomeração. A tensão entre estas duas forças molda a evolução
da estrutura espacial da economia (Fujita et al, 1999 apud Jiménez, 2001).
Esses fatores entretanto, ainda não conseguem explicar o velho problema da
aglomeração originária (por que a especialização e a concentração se produzem em
UENF 2004
12
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
uma determinada localidade e não em outra?). Para solucionar essa questão,
Krugman recorre à noção de acidente da história, ou seja, a localização de uma
aglomeração seria, em boa medida, fruto do azar e, portanto, não sujeita a
determinismos previsíveis. Uma vez iniciado o processo, as forças centrípetas e
centrífugas, então, entrariam a operar.
Por outro lado, o novo papel do Estado no desenvolvimento local/regional tem
se balizado em um “modo de intervenção pragmático” o qual não valoriza em
absoluto o princípio neoliberal nem o princípio do dirigismo estatal. Quanto ao
primeiro, não se aceita a crença cega de que o mercado e os preços são os únicos
mecanismos de coordenação das ações dos agentes. Quanto ao segundo, não se
aceita o dirigismo generalista que leva à burocracia pesada, à hierarquia rígida e ao
desperdício financeiro. Segundo Sabel (1996), o Estado não deve funcionar como
uma máquina, mas como um sistema aberto; mais atento às nuanças de seu
ambiente, mais interativo com seus parceiros, mais sensível à informação que ele
recebe como retorno dos utilizadores dos bens e serviços.
Questões como a descentralização administrativa-fiscal-financeira entre as
instâncias de governo, a descentralização produtiva-organizacional ocorrida no setor
privado e o acirramento da concorrência devido ao ambiente econômico aberto, têm
criado forte necessidade de se promover em nível regional ou local um processo de
aprendizagem sempre contínua e interativa entre os trabalhadores, entre estes e as
empresas e entre os dois conjuntos e as instituições públicas e privadas. Neste
caso, nem as forças do mercado nem o dirigismo estatal têm condições de
proporcionar uma coordenação eficiente desse processo.
A política de investimento em capital físico ou mais precisamente em infraestrutura é importante para uma região ou economia dado que ela cria condições
favoráveis para a formação de aglomerações de atividades mercantis e além de
externalidades para o capital privado (redução dos custos de transação, de
produção e de transporte; acesso a mercados, etc.). Mas ela em si não é suficiente
para criar um processo dinâmico de endogeneização do excedente econômico local
e atrair excedentes de outras regiões, provocando assim ampliação das atividades
econômicas, do emprego, renda, etc.
Para que produza efeitos multiplicadores crescentes e virtuosos sobre o
produto e a renda, a referida política deve estar contida no contexto de uma
estratégia global de desenvolvimento da região, cujos mecanismos estejam,
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
13
administrativa, econômica e politicamente fundamentados, com o objetivo de
evitar a formação de "enclaves" ou a aglomeração de indústrias desprovidas de
coerência interna nas suas interconexões.
Os conceitos tradicionais, em especial o de “pólo de crescimento”, além da
referida fragilidade em termos de formalização, considerada importante por
Krugman, estão muito associados ao planejamento centralizado, “de cima para
baixo”, à grande firma Fordista assim como à lógica introvertida e verticalizada de
funcionamento dos aglomerados industriais que é de “baixo para cima”. Como se
sabe, esses elementos foram, em grande parte, responsáveis pelo declínio de
muitas regiões com tradições industriais, exatamente porque tiveram dificuldades de
se adaptar com a rapidez suficiente aos novos paradigmas produtivos e
organizacionais.
Vários são os conceitos, ou estratégias, que reivindicam a representatividade
do novo paradigma de desenvolvimento regional endógeno. Entre eles podem-se
identificar claramente três: (1) “distrito industrial”, (2) “milieu innovateur” (ambiente
inovador) e (3) “cluster”. Apesar das teorias de KRUGMAN e ARTHUR poderem
encarnar qualquer política de desenvolvimento regional parece que os autores não
reivindicam a transformação dessas teorias em modelos de desenvolvimento.
Segundo Amaral Filho (1999) - As diferenças entre aquelas três estratégias
são muito sutis, fato que torna difícil a tarefa de distinguí-las, já que foram
desenvolvidas praticamente na mesma época e de maneira não muito concorrente
no
tocante
aos
pressupostos.
Todavia,
é
possível
encontrar
algumas
particularidades nas mesmas.
Qualquer definição de “distrito industrial” não estará livre de controvérsia.
No entanto, diversos autores definem essa estratégia como sendo um sistema
produtivo local, caracterizado por um grande número de firmas que são envolvidas
em vários estágios, e em várias vias, na produção de um produto homogêneo. Um
forte traço desse sistema é que uma grande parcela das empresas envolvidas é de
pequeno ou muito pequeno porte. Muitos desses “distritos” foram encontrados no
Norte e no Nordeste da Itália, na chamada Terceira Itália, com especializações em
diferentes produtos: Sassuolo, na Emilia Romagna, especializado em cerâmica;
Prato na Toscana, em têxtil; Montegranaro, na Marche, em sapatos; móveis de
madeira no Veneto; etc.
UENF 2004
14
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Uma característica importante do “distrito industrial” é a sua concepção
como um conjunto econômico e social. Pode-se falar que há uma estreita relação
entre as diferentes esferas social, política e econômica, com o funcionamento de
uma dessas esferas moldado pelo funcionamento e organização de outras. O
sucesso dos “distritos” repousa não exatamente no econômico mas largamente no
social e no institucional.
Ainda, segundo os autores citados, alguns emblemas desse sistema são a
adaptabilidade e a capacidade de inovação, combinados à capacidade de satisfazer
rapidamente a demanda, isto com base numa força de trabalho e redes de produção
flexíveis. No lugar de estruturas verticais tem-se um tecido de relações horizontais
onde se processa a aprendizagem coletiva e o desenvolvimento de novos
conhecimentos, através da combinação entre concorrência e cooperação. A
interdependência “orgânica” entre as empresas forma uma coletividade de pequenas
empresas que se credencia à obtenção de economias de escala, só permitidas por
grandes corporações.
Ela é uma estratégia que representa os principais rivais dos modelos
tradicionais baseados no modo de organização fordista, porque supõe um
aglomerado de pequenas e médias empresas funcionando de maneira flexível e
estreitamente integrada entre elas e ao ambiente social e cultural, alimentando-se de
intensas “economias externas” formais e informais (Piore & Sabel, 1984).
A estratégia Milieu Innovateur (ambiente inovador) foi bastante trabalhada
por uma rede de pesquisadores europeus (Aydalot; Perrin; Camagni; Maillat;
Crevoisier; entre outros) que se agregaram em torno do Groupe de Recherche
Europeen (GREMI); vários dos pesquisadores que participaram da identificação e
revelação dos distritos industriais italianos também participam da Agenda de
pesquisa do GREMI.
Entende-se que essa estratégia foi elaborada como parte de uma
preocupação cujo objetivo era fornecer elementos que contribuíssem para a
sobrevivência dos distritos industriais e para que outras regiões e locais
concebessem seus próprios projetos de desenvolvimento de maneira sólida. O
“milieu inovateur” destaca-se do “distrito industrial” porque enquanto este privilegia a
visão do “bloco social” aquele confere às inovações tecnológicas uma certa
autonomia e um papel determinante.
UENF 2004
15
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Sabendo que a desintegração vertical permite que a empresa separe o
núcleo estratégico (pesquisa & desenvolvimento e marketing) das partes de
produção e/ou montagem, a empresa pode simplesmente conservar o seu núcleo
estratégico no lugar de origem e deslocar para outras regiões aquelas partes de
simples montagem do produto; neste caso a empresa exige da região receptora
apenas vantagens em termos de mão-de-obra barata. Portanto, as janelas de
oportunidades abertas pela desintegração da produção fordista, para que uma
região periférica passe a crescer, pode ser apenas uma bolha passageira sem a
capacidade de realizar a união entre território e indústria. O “milieu inovateur”
fornece subsídios importantes para se tentar evitar a formação de uma
industrialização vazia e por natureza nômade.
O GREMI parte da constatação de que um milieu (ou ambiente) é mais ou
menos conservador ou mais ou menos inovador segundo as práticas e os elementos
que os regulam. Isto quer dizer que estes últimos podem estar sendo orientados
tanto para as “vantagens adquiridas” quanto para a renovação ou a criação de novos
recursos (Maillat, 1995). É fácil deduzir que aqueles locais e regiões que optam
pelas “vantagens adquiridas”, ou “dadas”, estarão se candidatando ao declínio
econômico enquanto aquelas que optam pelas conquistas de novas vantagens
estarão mais próximas do sucesso ou da sobrevivência. A chave portanto, segundo
Maillat (1995), encontra-se certamente na capacidade dos atores de um determinado
milieu, ou região, compreender as transformações que estão ocorrendo em sua
volta, no ambiente tecnológico e no mercado, para que eles façam evoluir e
transformar o seu ambiente.
Além dessa fase de percepção, os atores devem passar para a segunda fase,
aquela de construir a capacidade de resposta, e essa fase consiste concretamente
na mobilização do conhecimento e dos recursos para colocar em prática, projetos de
reorganização do aparelho produtivo. Nesta fase, é muito importante a presença de
fatores como “capacidade de interação” entre os atores, segundo as regras de
cooperação/concorrência e dinâmica de aprendizagem, mas sempre trabalhando
com o estoque de experiências acumuladas. Para os pesquisadores do GREMI,
essas duas fases estão estreitamente relacionadas com o ciclo de vida do espaço e
com a capacidade de fazer face às transformações constatadas no ambiente externo
que cerca a região ou o local.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
16
Dentre as abordagens que enfatizam a importância das regiões destaca-se
a noção de sistema regional de inovação. De uma maneira geral, este enfoque tende
a enfatizar o papel das aglomerações setoriais que prosperam devido ao
estabelecimento de vínculos entre as empresas e demais instituições de apoio, e a
importância da infra-estrutura institucional e das políticas locais e regionais na
constituição de vantagens competitivas.
Surgido na segunda metade dos anos 80, como uma questão centrada na
relação entre o avanço econômico dos países e suas participações nos mercados
internacionais, o conceito de competitividade tem sido invocado de forma
generalizada pelo mundo com múltiplos efeitos na teoria e na prática do
desenvolvimento econômico contemporâneo.
Segundo Jiménez (2002), apesar da variedade de definições e metodologias
de medição da competitividade, para os autores que procuram destacar a questão
da
competitividade,
dois
determinantes
estão
inevitavelmente
presentes:
produtividade e progresso técnico.
Dois modelos chamam a atenção neste enfoque, em termos regionais: O
Diamante de Porter e o modelo de Competitividade Sistêmica.
O Diamante de Porter, foi desenvolvido a partir de uma exaustiva investigação
empírica em 10 países de alto dinamismo no comércio internacional e com um
marco interdisciplinar. Como base a este estudo, Porter formulou o modelo do
diamante, no qual interagem quatro grandes determinantes: i) estratégia, estrutura e
rivalidade da empresa; ii) condições dos fatores, iii) setores conexos e de apoio, iv)
condições da demanda. Das duas contribuições, esta é aquela que tem menos
compromisso com a questão territorial ou regional, no sentido de uma fração
espacial de um país.
Da interação dinâmica destes quatro elementos do diamante, Porter deriva o
modelo de vantagens competitivas, resultantes do esforço deliberado no nível das
firmas para inovar no sentido mais amplo.
Deste conceito Porter avançou nos
conceitos de Cluster e de vantagens competitivas de regiões e cidades. Com relação
ao conceito de clusters Porter os define como concentrações geográficas de
empresas e instituições interconectadas numa área de atuação particular. O autor
toma, como eixo de análise as vantagens advindas das relações horizontais entre
firmas (clientes comuns, tecnologia, serviços de apoio etc) localizadas em uma
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
cidade ou região, deduzindo daí diversas possibilidades de se adquirirem
vantagens competitivas locacionais.
Outro enfoque, que também se vale da idéia de polígono de interações é o de
competitividade sistêmica, apresentado pelo Instituto Alemão de Desenvolvimento.
Os .vértices. desta vertente da competitividade são: i) o nível da meta; estruturas
básicas de organização jurídica, política e econômica; capacidade social de
organização e integração; e capacidade dos atores de interagirem estrategicamente;
ii) o nível macro; mercados eficientes de fatores, bens e capitais; iii) o nível meso;
políticas de apoio específico, formação de estruturas e articulação de processos de
aprendizagem na sociedade; e iv) o nível micro; as empresas que buscam
simultaneamente a eficiência, qualidade, flexibilidade e rapidez de reação, em redes
de colaboração mútua.
Dentre estes quatro fatores merece especial atenção a instância meso, pois
trata-se, antes de tudo, de um problema de organização e gestão, proporcionando
complementaridade das ações do Estado e do setor privado. Recomenda-se a
descentralização do setor público visando uma maior autonomia das regiões.
O “cluster” (agrupamento, cacho), de origem anglo-saxônica, pretende
funcionar como uma espécie de síntese das estratégias anteriores. Ele se coloca
mais abrangente, não só porque incorpora vários aspectos das duas estratégias
precedentes mas porque não fica restrito às pequenas e médias empresas.
Segundo Rosenfeld (1996), um grupo de especialistas americanos deu em
1995 a definição seguinte para “cluster”: “uma aglomeração de empresas (cluster) é
uma concentração sobre um território geográfico delimitado de empresas
interdependentes, ligadas por meios ativos de transações comerciais, de diálogo e
de comunicações que se beneficiam das mesmas oportunidades e enfrentam os
mesmos problemas”. Michael Porter (1990) parece ter sido o autor de maior
influência na composição estrutural do conceito “cluster”, contudo curiosamente este
nome não aparecia nos títulos dos incontáveis artigos do autor, até 1998. Parece
não haver dúvida de que a estrutura de um “cluster” como é veiculado, sobretudo
pelas empresas internacionais de consultoria, guarda íntima relação com o
“diamante” de Porter.
Ao que parece o conceito de “cluster” procura recuperar alguns conceitos
tradicionais, como “pólo de crescimento” e “efeitos concatenados”, de Perroux e
Hirschman respectivamente, notado principalmente na idéia da indústria-chave ou
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
indústria-motriz, conjugada com uma cadeia de produção adicionando o máximo
de valor possível. Não é mera coincidência encontrar na bibliografia de The
Competitive of Nations (1990) de Porter dois autores clássicos do desenvolvimento
econômico regional, A. Hirschman [The Strategy of Economic Development (1958)] e
F. Perroux [“L’effet d’entraînement: de l’analyse au repérage quantitatif”, Economie
appliquée (1973)].
Essa recuperação é processada através da incorporação de vários elementos
que aparecem naqueles exemplos exitosos de desenvolvimento endógeno e que
estavam ausentes naqueles conceitos e estratégias tradicionais, que, aliás, serviram
para estes como pontos críticos, quais sejam, (i) articulação sistêmica da indústria
com ela mesma, com o ambiente externo macroeconômico e infra-estrutural e com
as instituições públicas e privadas, tais como Universidades, Institutos de Pesquisa,
etc. --a fim de maximizar a absorção de externalidades, principalmente tecnológicas.
(ii) plasticidade na ação conseguida através de uma forte associação entre a
indústria e os atores e agentes locais, que permita processos rápidos de adaptações
face às transformações do mercado e (iii) forte vocação externa, sempre buscando o
objetivo da competitividade exterior. A idéia central é de formar uma indústria-chave
ou indústrias-chave numa determinada região, transformá-las em líderes do seu
mercado, se possível internacionalmente, e fazer dessas indústrias a ponta de lança
do desenvolvimento dessa região, objetivo esse conseguido através de uma
mobilização integrada e total entre os agentes dessa região.
A estratégia, aparentemente hegemônica, de “cluster” está muito mais
próxima da grande produção flexível do que propriamente da pequena produção
flexível sem demonstrar, no entanto algum tipo de discriminação pela pequena e
média empresa. Oportuno registrar que uma corrente marshalliana muito forte utiliza
também o conceito cluster para tratar aglomerações de pequenas e médias
empresas, tal como fazem os adeptos do distrito industrial. Assim, a abordagem
associada a “cluster” consegue se diferenciar tanto da visão Fordista tradicional,
identificada com a grande indústria de produção de massa, quanto da visão
distritalista identificada com a pequena produção flexível. Além disso, o “cluster” está
mais próximo da idéia de um “modelo” propriamente, dado que ele assume um
caráter mais normativo, enquanto aqueles são mais intuitivos. O indicador claro
deste aspecto é o fato de se encontrar com freqüência na literatura sobre “cluster” a
solução do “diamante” proposto por Porter, uma solução forte e até certo ponto
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
19
convincente. Deste modo, o “cluster” tem a vantagem de assumir uma forma
menos difusa do que outros conceitos e estratégias de desenvolvimento regional.
Segundo Amaral Filho (1999), é importante remarcar que todos essas três
abordagens ou estratégias partem minimamente da noção de “economias externas
marshallianas”, que têm na aglomeração industrial sua fonte principal. A. Marshall já
alertava para a vantagem da concentração geográfica de empresas concorrentes,
vantagem esta advinda da concentração convergente de atividades produtivas, de
um fluxo de informações, da notoriedade e reputação alcançadas pelo local ou
região, pela
localização
concentrada
de
fornecedores
e
clientes,
pela
circulação
do
conhecimento científico e tecnológico, etc. Para completar esse raciocínio é
interessante notar que, como diz Porter (1990), o agrupamento ou a aglomeração de
empresas, indústrias ou setores rivais sobre uma determinada região gera condições
propícias para a criação e multiplicação de fatores, além daqueles tradicionais.
É certo que a noção de “economias de aglomeração” também faz parte dos
modelos tradicionais de desenvolvimento regional, no entanto o aspecto que vai
contribuir para a diferenciação entre esses modelos e os novos é o fato de que,
nestes últimos, as “economias externas” não só são dinâmicas como também são
provocadas conscientemente por uma ação conjunta da coletividade local (Schmitz,
1997). E, ainda, segundo este autor, essa “ação conjunta” pode ser de dois tipos:
cooperação entre firmas individuais e reunião de grupos em forma de associações
(produção em consórcio, etc). Essa divisão pode ser vista através de um corte em
que divide “cooperação horizontal” (entre competidores) e “cooperação vertical”
(entre empresa cabeça e empresa sub-contratada).
Ao contrário dos modelos tradicionais de desenvolvimento regional, os novos
modelos estão identificados com as ações descentralizadas das empresas e das
instituições públicas, implicando num forte processo de reciprocidade entre os
mesmos, numa relação de concorrência e cooperação entre as empresas, e com
uma lógica de funcionamento extrovertida embora com raízes mais profundas com o
território que acolhe tal aglomeração. Na realidade, não se trata mais de um
aglomerado passivo de empresas, mas sim de um coletivo ativo de agentes públicos
e privados atuando com um mesmo interesse, o de manter a dinâmica e a
sustentabilidade
do
sistema
produtivo
local.
Nessa
nova
concepção
de
UENF 2004
20
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
desenvolvimento regional, observa-se que a interação entre os agentes assume
posição de destaque, contudo essa interação só é possível na
presença de três elementos: (i) construção da confiança; (ii) criação de bases
concretas capazes de permitir a montagem de redes de comunicação e (iii)
proximidade organizacional (este como resultado da combinação dos outros dois
elementos).
Uma estratégia de desenvolvimento com base nos novos paradigmas tem por
objetivo munir um determinado local ou região de fatores locacionais sistêmicos
capazes de criar um pólo dinâmico de crescimento com variados efeitos
multiplicadores que se auto-reforçam e que se propagam de maneira cumulativa,
transformando a região num atrator de fatores e novas atividades econômicas. Para
isso, recomenda-se a implantação ou o desenvolvimento de projetos econômicos de
caráter estruturante envolvendo uma cadeia de atividades interligadas.
Os projetos de desenvolvimento podem estar ligados a algum tipo de vocação
da região, como a existência de atividades típicas ou históricas, ou alguma atividade
econômica criada pelo planejamento em função da vontade política das lideranças
locais ou regionais. Não há receita pronta para esse tipo de desenvolvimento. Muitas
vezes um “trivial acidente histórico” (Krugman) ou “pequenos acidentes” (Arthur),
ambos explicados pela força da história, podem alavancar o desenvolvimento de
uma região.
Se, de um lado, a concentração geográfica de atividades econômicas,
concorrentes, mas afins, é importante para construir um pólo econômico atrator, de
outro, essa concentração deve também ser suficientemente importante para formar
um sistema produtivo e transformar as empresas, indústrias ou setores ali
localizados, ou atraídos, em estruturas competitivas, nacional e internacionalmente.
Queremos dizer com isso que não basta uma estratégia de desenvolvimento local
buscar a criação de fatores locacionais e com isso provocar uma aglomeração de
empresas; é preciso mais, ou seja, é preciso que se crie um sistema produtivo
sustentável no tempo, neste caso muitas das empresas desse sistema devem se
colocar como líderes em seus setores, tanto em nível nacional quanto internacional.
A assimilação das normas de consumo e de produção internacionais, por empresas
locais, ao mesmo tempo que mantém a reprodução ampliada do sistema produtivo
local provoca um processo endógeno de contaminação dinâmica sobre inúmeros
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21
segmentos (concorrentes, parceiros,
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
fornecedores etc.) do próprio espaço
geográfico.
A questão da competitividade, aliás, pouco relevante na teoria econômica
regional tradicional, é hoje um ponto estratégico de máxima importância para a
sustentabilidade do desenvolvimento endógeno. Ela deixou de pertencer apenas ao
mundo das empresas para pertencer também ao mundo das regiões. Na verdade, as
teorias e políticas de desenvolvimento regional requerem, hoje, uma síntese (Perrin,
1986) integrando dois componentes, a organização econômica associada à
organização setorial (principalmente o sistema industrial) e a organização territorial
(principalmente o sistema regional).
O ponto central do casamento entre economia espacial ou territorial e
economia industrial está exatamente na questão de os fatores componentes da
escala da produção de uma empresa não se encontrarem necessariamente dentro
da própria empresa mas fora dela, isto é, dentro de outras empresas -cooperadas ou
subcontratadas- dentro de outras instituições e organizações e dentro do próprio
ambiente territorial. Pelo novo paradigma industrial marcado pela descentralização
organizacional e produtiva fica difícil imaginar que o manejo da escala de produção e
da divisão de trabalho de uma empresa continue sendo exclusividade dessa mesma
empresa individualmente.
O que diferencia umas regiões de outras é o fato de que umas se conformam
com os “fatores dados” e outras procuram “processar fatores e atividades” (Kaldor,
1970), e mesmo essas regiões não estão livres do declínio econômico porque os
rendimentos decrescentes estão “inexoravelmente ligados à natureza das coisas”
(Young, 1928) e por essa razão os atores e protagonistas locais devem procurar
continuamente novos fatores e novas combinações para a produção (Schumpeter,
1982). Neste caso, é importante que governo local (nível macro), Instituições
intermediárias (nível meso) e setor produtivo privado (nível micro) passem a
trabalhar juntos com o objetivo de criar e recriar fatores locacionais dinamicamente
competitivos.
2.2 – APLICAÇÃO DE CLUSTERS
Conceitua-se um agrupamento (cluster), numa referência geográfica, a
aglomeração de empresas ali localizadas que desenvolvem suas atividades de
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
forma articulada e com uma lógica econômica comum, a partir, por exemplo, de
uma dada dotação de recursos naturais, da existência de capacidade laboral,
tecnológica ou empresarial local, e da afinidade setorial dos seus produtos. A
interação e a sinergia, decorrentes da atuação articulada, proporcionam ao conjunto
de empresas vantagens competitivas que se refletem em um desempenho
diferenciado superior em relação à atuação isolada de cada empresa.
O desempenho diferenciado de um agrupamento ou de um agrupamento
avançado se reflete em indicadores como a taxa de crescimento do produto ou das
exportações da localidade, do número de empregados e do nível de remuneração
dos empregados na indústria, do valor adicionado agregado pelo grupo de
indústrias, do fluxo migratório para a região etc. A clusterização das empresas
implica vantagens competitivas (sintetizadas na expressão “economias de
aglomeração”), dentre outras as derivadas de menores custos de transporte, de
transação e de difusão de informação. O transporte de matérias-primas e do produto
acabado ao mercado consumidor se beneficia de economias de escala, uma vez
que atende a um grupo de empresas e não apenas a uma delas isoladamente. O
custo de transporte interempresas localizadas no agrupamento, muito baixo devido à
proximidade, favorece a especialização produtiva e tecnológica. Os custos de
transação e de difusão de informações também são menores devido ao contato
direto e freqüente entre os empresários que a proximidade propicia. A difusão de
informações tecnológicas, comerciais e outras também é facilitada pela proximidade
ou similaridade, pois a comunicação pode ocorrer praticamente de pessoa a pessoa,
em ambientes profissionais ou sociais. Como resultado destas economias próprias
da aglomeração tende-se a verificar a especialização, o adensamento e o
desdobramento (extensão a montante e a jusante) da cadeia produtiva no
agrupamento, aumentando sua vantagem competitiva.
O adensamento da cadeia produtiva ocorre porque o suprimento de itens
intermediários da cadeia produtiva visa a ser realizado por fornecedores locais. O
desdobramento da cadeia produtiva tende a alcançar até os serviços de
comercialização do produto, o fornecimento de insumos e serviços produtivos e a
produção de bens de capital. A tendência do processo de inovação tecnológica é
intensificar-se, vinculado tanto ao adensamento quanto ao desdobramento da cadeia
produtiva.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
As fortes externalidades positivas existentes no local compensam a falta
de escala das empresas de pequeno porte, reforçando a competitividade da
indústria local e desencadeando um círculo virtuoso de investimento e crescimento.
A exploração conjunta das vantagens competitivas (menores custos de transporte,
transação e difusão de informações) estabelecerá um ambiente (ou clima) de
cooperação entre as empresas, que, no entanto, continuarão concorrentes entre si.
Esta combinação de cooperação e competição entre as empresas na localidade se
auto-estimula e poderá gerar sinergias que serão um poderoso fator de inovação,
crescimento e expansão da atividade local.
Este processo, ao se desenvolver baseado nas externalidades positivas do
local, levará à existência de forte sinergia não somente entre as empresas, mas
entre estas e o “cotidiano da vida local”, incluídas aí as dimensões sócioinstitucionais presentes na localidade, como os poderes públicos e as entidades da
sociedade civil, particularmente as vinculadas às atividades econômicas, como as
associações empresariais. Esta sinergia poderá resultar, por exemplo, na instituição
de centros de serviços voltados para o controle da qualidade, monitoramento das
tendências tecnológicas e do design a nível mundial, promoção comercial, formação
de recursos humanos, articulação institucional etc., constituindo assim os chamados
fatores de “eficiência coletiva”, e levando a uma mobilização de esforços que
extrapola muito o âmbito das empresas individualmente, e coloca a indústria em um
patamar mais elevado de competitividade.
Quanto a sua morfologia, o agrupamento pode ser constituído por grandes,
médias ou pequenas empresas com o relacionamento entre si estruturado de
diversas formas, por exemplo, a partir de grandes empreendimentos que agrupam
“radialmente” em torno de si médias e pequenas empresas sub-fornecedoras ou
prestadoras de serviços. Ou pode ser estruturado na forma de uma “rede” de médias
e pequenas empresas articuladas entre si através de vínculos produtivos ou
comerciais.
A diferenciação entre os estágios de agrupamento e de agrupamento
avançado é fundamental para a estratégia de industrialização a ser adotada:
A partir de um determinado grau de amadurecimento do agrupamento, em
que a sinergia da articulação das empresas entre si e com os agentes locais tenha
atingido um grau suficientemente intenso para determinar um processo de expansão
autodeterminado
ou
endógeno
do
agrupamento,
este
terá
sofrido
uma
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24
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
transformação essencial na sua dinâmica de crescimento e passará a ser
considerado um agrupamento avançado (com maior grau de evolução).
No agrupamento avançado a interação, relativamente mais intensa entre as
empresas do agrupamento, leva ao aprofundamento da especialização tecnológica,
reforçando as tendências de adensamento da cadeia produtiva e aumentando o
valor adicionado local, dando um impulso decisivo no processo de inovação
tecnológica da indústria local e intensificando o relacionamento e a sinergia entre os
agentes.
Em um agrupamento avançado está presente, de forma ainda mais
acentuada, a “eficiência coletiva”, levando o agrupamento de empresas da
localidade a apresentar um desempenho competitivo muito superior ao que teria se
cada uma delas atuasse isoladamente. A intensa interação entre os agentes locais é
alicerçada no elevado grau de confiança existente entre eles, o que constitui um
fator de grande redução dos custos de transação e contratação.
Comparativamente, pode-se dizer que as vantagens competitivas presentes
no agrupamento são de caráter predominantemente estático (por exemplo, as
economias de escala obtidas em compras conjuntas de insumos ou transporte de
insumos e produtos acabados), enquanto que no agrupamento avançado estas
vantagens são dinâmicas, porque envolvem inovações tecnológicas de produto e de
processo e mudanças na própria estrutura da oferta. Neste sentido se diz que em
um agrupamento avançado o crescimento é endógeno, autodeterminado.
O maior grau de interação entre as empresas no agrupamento
avançado acarreta maior redução de custos em processos a jusante na cadeia
produtiva, como na comercialização e na atividade de marketing. Pode resultar, por
exemplo, na criação e consolidação de uma marca local reconhecida no mercado
regional, nacional ou até internacional. À montante na cadeia produtiva, o
suprimento de insumos ou serviços para um grupo de empresas, realizado de
maneira coordenada (mesmo entre empresas concorrentes e inclusive ao longo da
cadeia produtiva), propicia ganhos com a escala de compras e com a otimização dos
estoques.
A articulação entre empresas se desdobra em interação entre elas e as
instituições do poder público e entidades da sociedade local, gerando capacidade de
mobilização, inclusive política. Um dos melhores resultados que pode produzir esta
articulação é a inserção dos produtores locais no sistema nacional de inovação,
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25
através de parcerias com universidades e centros de pesquisas tecnológicas
orientadas para o aproveitamento das potencialidades locais, sejam estas com base
em recursos naturais, ou a tradição laboral da população local em um setor produtivo
ou uma técnica etc. A atuação das entidades locais representativas das diversas
categorias de atores intervenientes no processo é importante também na medida em
que contribui para dirimir conflitos de interesse que possam surgir.
A sinergia entre as empresas e o ambiente sócio-institucional local atinge um
nível intenso no agrupamento avançado, levando as instituições locais também a
que se fortaleçam a partir da mobilização dos agentes públicos e privados e do
crescimento da renda gerada localmente, tornando-se propensos a promover ações
como as de capacitação profissional. Neste caso, a mobilização não se limita, por
exemplo, ao levantamento de fundos financeiros para a construção de escolas
técnicas, mas envolve a participação na sua própria gestão, assegurando o
atendimento das necessidades da indústria local.
Um agrupamento pode ou não evoluir para um agrupamento avançado, onde
a sinergia entre os agentes locais é mais intensa. Deve-se ressaltar, porém, que um
agrupamento
avançado
não
se
origina
necessariamente
sempre
de
um
agrupamento, uma vez que outros sistemas produtivos, como por exemplo, os que
envolvem grandes empresas e sua rede de médios e pequenos fornecedores,
também dão origem a agrupamentos avançados.
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Tabela 2.1 – Características (Agrupamentos x Agrupamentos Avançados)
AGRUPAMENTOS
Características
AGRUPAMENTOS AVANÇADOS
Características
Aglomeração de empresas industriais e
Aglomeração de empresas com
de serviços com alto grau de
determinado grau de articulação e que
interatividade e com cadeia produtiva
apresentam afinidade setorial ou temática
adensada e verticalizada (bens de
capital, serviços produtivos, etc..)
Morfologia
Morfologia
Em forma de rede ou radial
Em forma de rede ou radial
Eficiência coletiva baseada em
Eficiência coletiva baseada em
Vantagem competitiva estática (escala de
Vantagens competitivas dinâmicas
comercialização de insumos, tranporte de
(inovação tecnológica de produtos e de
produtos, etc..)
processos)
Confiança
Confiança
Fundamentada na tradição e pouco
Consolidada e exercitada cotidianamente
exercitada
nas transações locais e até internacionais
Interatividade
Interatividade
Pouco freqüente, dos agentes
Freqüente, dos agentes econômicos
econômicos entre si e com o sistema
entre si e com o sistema nacional de
nacional de inovação
inovação
O agrupamento avançado (Tabela 2.1)(ou distrito industrial articulado) difere
radicalmente dos distritos industriais clássicos que tiveram sua fase mais intensa de
implantação no Brasil na década de 70. Vigorava então o paradigma “Fordista” de
modo de produção, segundo o qual a escala de produção associada à
especialização e à verticalização era o fato econômico primordial na competitividade
de um empreendimento.
O distrito industrial de alguns anos atrás, criado muitas vezes por iniciativas
estaduais ou das municipalidades, tinha por base a expectativa de que a
sustentabilidade
econômica
do
empreendimento
estaria
fundamentalmente
assegurada pelo suporte proporcionado pelos incentivos oferecidos (isenções de
taxas e impostos, terreno gratuito ou subsidiado, serviços de infra-estrutura e
outros). Em certos casos havia uma concepção estruturante na base destas
iniciativas. Isto ocorria quando existia uma definição setorial (pólo petroquímico, por
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
exemplo) de um bloco de investimentos, o que permitia a implantação de um
conjunto de outras atividades ancilares, desde fornecedores a prestadores de
serviços especializados.
Embora não se tenha uma avaliação abrangente destas experiências de
industrialização com base no distrito industrial tradicional no Brasil, de maneira geral
foram poucos os casos de criação de sinergias importantes que resultassem em
desempenhos significativos, medidos, por exemplo, pela taxa de crescimento da
produção ou do emprego ou pelas exportações.
O agrupamento avançado (ou distrito industrial articulado) está situado em um
contexto totalmente modificado e determinado pelo novo paradigma de sistema
produtivo denominado “especialização flexível”. A “especialização flexível” refere-se
a uma nova concepção de organização do processo produtivo e de sua relação com
o consumidor. No paradigma “Fordista” a redução de custos baseada na escala de
produção “criava a demanda” para os produtos. No paradigma da “especialização
flexível” a demanda impõe a necessidade da permanente diferenciação do produto e
substituição dos tipos e modelos. O consumidor deve ser “conquistado” pela
diferenciação, que envolve variedade de modelos, serviços de pós-venda, e
velocidade de substituição ou de customização, além de preço competitivo.
Diferentemente do paradigma “Fordista”, em que a base tecnológica dos
sistemas produtivos era a linha de produção, no paradigma do modo de produção da
“especialização flexível” a base tecnológica dos sistemas produtivos, nas grandes
empresas, é dada por novos arranjos como as ilhas e células de produção. O
emprego do microprocessador e da tecnologia da informação no processo produtivo
permite a automação mesmo na produção de séries limitadas.
No paradigma da “especialização flexível”, pequenas unidades produtivas
independentes atuando cooperativamente, articuladas em rede, adquirem grande
flexibilidade produtiva e conseguem ser extremamente ágeis no atendimento dos
cambiantes interesses dos consumidores, crescentemente valorizadores da
diferenciação, mantendo a competitividade em termos de custos e preços. Este novo
modelo produtivo, fundamentado na capacidade de articulação entre pequenos,
médios e grandes produtores, é que está na base do conceito do agrupamento
avançado.
No agrupamento avançado as economias externas provêm muito mais da
interação entre as empresas, em atividades que vão desde a aquisição coletiva de
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
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matérias-primas e insumos em maior quantidade e a preços menores, do rateio
dos custos de promoção comercial, até a sinergia tecnológica que se estabelece das
empresas entre si e delas com instituições locais. A mão-de-obra possui capacitação
técnica geralmente desenvolvida localmente e, embora exista alguma rotatividade,
tende a permanecer no local e pode ser aproveitada em outra empresa,
possivelmente uma concorrente, o que é muito benéfico para a difusão de
tecnologia.
A interatividade entre agentes existente no agrupamento avançado pode ser
direta, como no caso em que um grupo de empresas que se reúnem para adquirir
matérias-primas e insumos em lotes econômicos, ou indireta, por compartilharem um
contingente de mão-de-obra preparada provavelmente nas próprias empresas ou
escolas técnicas e centros de treinamento local.
Outro tipo de interatividade indireta (“horizontal”, porque estende a cadeia
produtiva a jusante ou a montante) ocorre quando em função da concentração de
empresas em um setor ou tipo de indústria surgem serviços de manutenção ou
fabricação de bens de capital especializados. Através dos bens de capital se dá a
difusão
de
tecnologia
Posteriormente,
o
entre
as
agrupamento
empresas
avançado
locais,
pode
numa
tornar-se
primeira
etapa.
competitivo
no
fornecimento de bens de capital e tecnologia a outras regiões, inclusive para o
exterior.
Um fator de competitividade fundamental de um agrupamento avançado, no
contexto do modo de produção da “especialização flexível”, está na agilidade do
relacionamento entre as empresas que o integram. Esta agilidade é baseada num
estreito conhecimento mútuo das capacidades produtivas e técnicas disponíveis e
num elevado grau de confiança entre os empresários. O resultado é que se obtém
grande rapidez no processo decisório nas empresas, fundamental quando se trata
de aproveitar oportunidades de mercado, e em reduzidos custos de transação e
contratação entre as empresas produtoras e suas fornecedoras.
A compra de um insumo, um componente ou serviço produtivo, entre
empresas, antecipada por um telefonema, é tão segura para comprador e fornecedor
quanto uma realizada através de troca de papéis, porém mais rápida e, portanto,
incorre em menores custos de contratação, quando subsiste o elemento confiança e
cooperação entre os agentes contratantes.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
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Na base do sucesso de um agrupamento avançado pode estar uma fonte
de matéria prima ou recurso natural, o suporte científico e tecnológico de um grande
centro universitário, a “vocação” empresarial e da força de trabalho local em um
setor de atividade, ou área tecnológica, ou um grande empreendimento industrial,
agrícola ou de serviços (turismo, por exemplo).
O agrupamento de empresas existentes na localidade constituir-se-á em um
agrupamento
avançado
(ou
distrito
industrial
articulado)
dependendo
fundamentalmente da intensidade das relações que tenham estabelecido entre si.
Um segundo traço definidor de um agrupamento avançado é a natureza do
seu relacionamento com o meio social e institucional em que se situa, especialmente
com as instituições públicas e entidades da sociedade local, isto é, com o chamado
cotidiano da vida local. O poder público local possivelmente tem um papel muito
mais importante para um agrupamento avançado do que o nível governamental
estadual ou federal. Entidades locais como as associações industriais e comerciais
podem desempenhar um
papel decisivo na aproximação, estreitamento de relações e construção da base de
confiança mútua e difusão de informações entre empreendedores locais. Localmente
se conhece melhor as vocações e os fatores disponíveis e mobilizáveis, e portanto
há maior probabilidade de se fazerem as escolhas certas.
Estas relações privilegiadas das empresas entre si e entre as empresas e o
meio
sócio-institucional local estão na base da constituição de externalidades positivas
existentes em um agrupamento avançado. Fatores econômicos, sociais, culturais e
institucionais se combinam criando “eficiência coletiva”, tornando um processo de
industrialização local suficientemente competitivo para apresentar um desempenho
superior à média do país e com êxito mesmo em comparações internacionais.
O agrupamento avançado apresenta elevado desempenho em qualidade,
design, velocidade de inovação e velocidade de resposta aos estímulos do mercado
consumidor. É essencial a presença dos fatores de “eficiência coletiva”, como base
do sucesso e sustentabilidade de um processo de industrialização local. É, portanto,
um conceito radicalmente diferente do que esteve presente na experiência brasileira
com os distritos industriais tradicionais.
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
30
Na maioria das experiências existentes de surgimento, consolidação,
amadurecimento (e eventualmente decadência) de agrupamentos e agrupamentos
avançados, o seu aparecimento e desenvolvimento ocorre “espontaneamente”, isto
é, sem que haja uma ação indutora governamental. Há, portanto, relativamente
pouca
literatura
sobre
como
fomentar
sua
origem
através
de
políticas
governamentais.
Uma forma de interveniência do poder público para induzir sua implantação é
através das compras governamentais, que podem ser oferecidas a um conjunto de
empresas. A implantação de centros de serviços e de capacitação da força de
trabalho pode ser realizada com o apoio do poder público, e representará um forte
estímulo a sua constituição. Porém, este suporte do poder público deve ser
considerado como transitório, principalmente com relação ao nível federal, o qual
deve ser gradualmente substituído pela iniciativa dos agentes locais.
A crise fiscal do Estado e as políticas de estabilização macroeconômica em
muitos países também vêm estreitando as possibilidades de implementar políticas
industriais baseadas em incentivos fiscais e tributários. Prevalece o entendimento de
que o apoio de governo ao desenvolvimento industrial deve ater-se basicamente às
políticas horizontais, principalmente a educação, como requisito e prioridade número
um do desenvolvimento socioeconômico em geral e industrial em particular.
A análise da experiência da América Latina, região em que as políticas de
estabilização macroeconômica deslocaram uma certa tradição de práticas de política
industrial, como aquelas do período de substituição de importações, leva à
constatação de três tendências importantes. Em primeiro lugar, os países da
América Latina não abandonaram a prática de ter um documento de política
industrial, embora a efetividade de sua implementação deixe muito a desejar. Em
segundo lugar, o número de programas de promoção da industrialização de caráter
local está aumentando. E, em terceiro lugar, parece que está se generalizando um
clima de renovado interesse pela política industrial à medida que a questão do
emprego vai se tornando mais grave e vai-se percebendo a necessidade de
complementar a política de abertura comercial com ações voltadas para solucionar
esta questão, assim como a dos desequilíbrios regionais e do comércio externo.
O surgimento de um agrupamento e sua transformação em agrupamento
avançado é, na experiência concreta no Brasil e em outros países, um processo
freqüentemente espontâneo, isto é, ocorre sem a interveniência de ações de
UENF 2004
31
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
políticas indutoras ao nível nacional. Esta experiência ensina, porém, que este
processo, naturalmente, pode avançar em velocidade muito lenta, interromper-se e
mesmo sofrer retrocesso, e que estratégias e ações voltadas para sua promoção
possivelmente seriam bem sucedidas.
As avaliações que são feitas da experiência brasileira e internacional em
políticas
industriais, com o foco do interesse nos processos de industrialização local, levam
necessariamente a uma proposta de estratégia significativamente distinta das que
foram praticadas até agora. A diferença básica está no fato de que o agente principal
do processo não será mais o governo central, mas sim os agentes locais, públicos
ou privados, apoiados diretamente pelas instâncias estaduais, também as públicas e
as privadas, e apenas indiretamente pelos agentes do governo central.
Os agentes privados de âmbito nacional, estadual ou local devem ter uma
interveniência direta no processo. Nesta perspectiva, as associações empresariais
locais, Federações Estaduais de Indústrias, Sistema SEBRAE e até mesmo uma
grande empresa possuem um papel proativo a executar tão ou mais importante que
qualquer instância governamental federal ou estadual. As associações empresariais,
de âmbito estadual ou local, têm uma função-chave de desempenhar na mobilização
do setor empresarial e na sua articulação junto aos governos nacional e estadual.
Deve-se incluir também entidades associativas não diretamente vinculadas a
atividades econômicas. Entidades ambientalistas, por exemplo, teriam o importante
papel de participar no desenvolvimento de projetos de desenvolvimento sustentados,
preservando o meio ambiente, além de fiscalizar a execução desses projetos.
2.2.1- O Desenho da Estratégia
Segundo Barbosa (1998), a estratégia para o desenvolvimento dos
agrupamentos deve ser a potencialização dos fatores determinantes da sua
transformação em um agrupamento avançado,com a mobilização dos agentes
locais, para que esta mudança ocorra de maneira mais rápida e sustentada e
minimizando riscos de estagnação e retrocesso.
A estratégia deve contemplar também localidades que possuam potencial
para ter um agrupamento, em razão da presença de fatores como: a localização em
UENF 2004
32
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
relação a mercados consumidores e fontes de matérias-primas, a tradição e
cultura tecnológica local em um ramo industrial, a existência de um centro
tecnológico ou universidade, a presença de um grande empreendimento industrial
ou de serviços etc.
Em resumo, a estratégia de desenvolvimento de agrupamentos consiste em
promover a elevação de uma ocorrência (real ou potencial) de industrialização local
ao estágio superior de crescimento, rumo ao desenvolvimento de agrupamentos
avançado (ou distrito industrial articulado).
Um agrupamento pode ser organizado “radialmente”, quando um grande
empreendimento polariza as atividades de um conjunto de pequenas e médias
empresas, por exemplo enquanto sub-fornecedoras de partes, peças, componentes,
serviços etc, ou “em rede”, quando o agrupamento se organiza a partir de diversos
produtores do mesmo bem final, os quais concorrem entre si, por exemplo em
termos de qualidade e design, mas cooperam entre si na aquisição de matériasprimas, promoção comercial etc, e com outras empresas locais provedoras de itens
e serviços. Nos dois casos existe a cooperação com o ambiente institucional local,
que procura mobilizar meios em apoio à competitividade da produção local.
No caso do agrupamento “em rede” será necessário um empenho redobrado,
através de assistência técnica, para incutir nos empresários a percepção dos
benefícios que poderão alcançar com a ação coordenada. O esforço requerido de
“mudança cultural” provavelmente será maior neste caso que no agrupamento
“radial”.
2.2.2O Papel dos Agentes
•
Os agentes locais, privados ou governamentais, deverão ser os condutores e
executores das ações de viabilização do agrupamento e do desenvolvimento do
agrupamento avançado;
•
As entidades nacionais (Sistemas CNI e SEBRAE) deverão atuar como
estimuladoras das iniciativas locais, através, por exemplo, da divulgação de
casos de sucesso, prestação de assistência técnica e difusão de metodologias
em auxílio à identificação dos potenciais agrupamentos e agrupamentos
avançados no território nacional. Estas atividades demandam interação com os
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
33
três níveis de governo. No caso da CNI, a interação, principalmente com o
nível federal, visa a adoção de medidas facilitadoras da industrialização local;
•
Os agentes estaduais privados e públicos prestarão apoio direto às iniciativas
dos agentes locais, principalmente na provisão da infra-estrutura econômica e
tecnológica e de promoção comercial, nos mercados nacional e internacional,
desenvolvimento e difusão de metodologias e critérios para a promoção da
industrialização;
•
O nível federal de governo prestará apoio indireto, através de medidas de caráter
geral (por exemplo, de desregulamentação e desburocratização), realização de
estudos e pesquisas e desenvolvimento de metodologias, adaptação e criação
de instrumentos de política em auxílio à estratégia de industrialização local.
Na verdade, é muito grande a quantidade de instrumentos e mecanismos em
vigor, e com tendência à ampliação quando se considera a variedade das práticas
internacionais e mesmo nacionais que acabarão se multiplicando à medida que se
difundam o conhecimento e o interesse a respeito do tema.
Na perspectiva da estratégia para o desenvolvimento, o fundamental é que os
instrumentos de política sejam adaptados e orientados para favorecerem e
promoverem o desenvolvimento dos agrupamentos em agrupamentos avançados.
Para isto os procedimentos e critérios de avaliação de projetos terão de ser revistos,
abrindo espaço para o apoio às iniciativas comunitárias mais conformadas à
estratégia proposta. A mobilização de todos estes agentes e a adaptação dos
instrumentos de base serão gradativas, realizando-se à medida que for sendo
difundido o conhecimento das vantagens de apoiar-se as iniciativas de caráter local
e associativa.
Segundo
Barbosa
(1998),
o
objetivo
da
estratégia
é
promover
o
desenvolvimento do agrupamento de modo a transformá-lo em um agrupamento
avançado e promover a consolidação deste, tornando seu crescimento um processo
auto-sustentado.
UENF 2004
34
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Quadro 2.1 - Elementos de um agrupamento
Elementos a Analisar na Caracterização de um Agrupamento
• grau/natureza da concentração/aglomeração de empresas no local
• dinamismo econômico (produção, investimentos)
• intensidade do relacionamento entre as empresas
• densidade da cadeia produtiva (insumos, bens de capital, serviços)
• mercado (dinamismo, nicho)
• recursos humanos (tradição laboral, formação profissional)
• ambiente institucional
• ambiente psicossocial/confiança
Fonte: Barbosa (1998)
Identificado e caracterizado um agrupamento,(Quadro 2.1), deve-se estruturar
um plano de ação objetivando elevá-lo à condição de agrupamento avançado, para
o que necessariamente ter-se-á de contar com a colaboração das próprias empresas
do agrupamento e das entidades locais, como a prefeitura e entidades privadas.
Entre os elementos a analisar na caracterização do agrupamento em estudo,
o dinamismo econômico e a densidade da cadeia produtiva, estão diretamente
ligados a indústria propriamente dita, isto é, ao processo industrial utilizado no
agrupamento, sendo responsáveis pelo desenvolvimento dos produtos e da
qualidade destes produtos. Para que estes elementos possam contribuir para o
desenvolvimento do agrupamento é necessária uma melhoria na qualidade e
competitividade dos processos utilizados no agrupamento.
2.3.
QUALIDADE E COMPETITIVIDADE NA INDUSTRIA CERÂMICA
Segundo Tomaz (2002), um dos pilares de sustentação da indústria cerâmica
é a qualidade das matérias-primas. Ao ser analisada a qualidade, depara-se com a
qualidade intrínseca da matéria-prima, tais como suas propriedades químicas,
mineralógicas e cerâmicas e, não menos importante, a variabilidade do seu
fornecimento ao longo do processo produtivo.
Bons técnicos formulam massas, engobes e esmaltes através de matérias
primas de qualidade mediana. Porém, estes mesmos técnicos, têm sérias limitações
UENF 2004
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
35
para manter uma fábrica estável e produtiva, com matérias-primas de alta
qualidade intrínseca, porém com variações ao longo do fornecimento.
O modelo industrial brasileiro até o início da década passada era totalmente
fechado e verticalizado, fazendo com que as indústrias consumidoras de minerais
industriais tivessem matérias-primas próprias e isto era feito através de grandes
investimentos
em
mineração,
desde
a
prospecção
geológica
até
na
operacionalização de suas minas. Este modelo fortaleceu as grandes indústrias que
tinham recursos para tal fim, porém inibiu o investimento em empresas de mineração
de minerais industriais voltadas para clientes diversos, por dois motivos:
•
Este mercado deixou de ser interessante para os mineradores, uma vez que os
clientes potenciais (indústria cerâmica) já eram detentores de matérias primas
próprias;
•
As melhores jazidas já estavam sob a posse destas grandes empresas que
tinham a preocupação com o seu abastecimento e em raras ocasiões,
disponibilizavam suas matérias-primas para o mercado.
Instituído este modelo, pouco restou para mineradoras voltadas a um
mercado pulverizado que, por sua vez, reduziu a oferta de minerais industriais de
qualidade para o mercado de cerâmica e afins. A escassez destes produtos inibe o
surgimento de novas indústrias cerâmicas e afins ou eleva o investimento inicial,
incluindo também o investimento na busca de novas fontes de matérias-primas.
A qualidade de uma matéria-prima é definida como o conjunto de suas
propriedades que atendam uma especificação previamente definida, mas podem
admitir variações determinadas. A partir de então, deverão ser definidos os
seguintes termos:
•
Variabilidade;
•
Especificação/ Tolerância;
•
Amostragem;
•
Análise;
•
Tratamento de Dados;
•
Aprovação/Reprovação.
UENF 2004
36
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.3.1- Variabilidade
Haverá variação nas propriedades das matérias-primas ao longo do
fornecimento. Esta variação deverá estar sob controle, com limites mínimos e/ou
máximos previamente definidos e ser registradas ao longo do tempo. O controle
desta variabilidade trará um histórico desta matéria-prima que poderá ser associada
à possíveis variações do produto. É uma condição básica para a rastreabilidade do
processo.
2.3.2- Especificação/Tolerância
Estabelecer uma especificação a partir de fornecimentos históricos é
relativamente simples. Toma-se os últimos fornecimentos (meses, lotes, etc), utilizase a média para as propriedades a serem medidas, e estabelecem-se as tolerâncias
através do desvio padrão encontrado. Este procedimento pode solucionar a questão.
Porém, estas especificações históricas trazem dois sérios riscos, a saber:
•
Excesso de rigor: o fornecedor impõe mais controle de qualidade na produção de
uma determinada matéria-prima, sem que na verdade fosse necessário tal rigor.
O que acontece de fato, é que o consumidor, na dúvida, foi excessivamente
rigoroso com a qualidade e terá de pagar a mais pelo excesso de zelo. A
conseqüência é o custo mais elevado;
•
Falta de rigor: No caso de uma determinada matéria prima , mesmo que esteja
em consumo há anos dentro das especificações, seu desempenho pode causar
perdas de qualidade no produto final, ou limitar de alguma forma o processo
trazendo limitações na produção (produtividade e qualidade) como um todo. Esta
é a situação bastante comum, em que tudo está sob controle, mas alguma coisa
sai errado. Na verdade, errada está a especificação e/ou tolerâncias.
Diante destas proposições, percebe-se que especificar não é uma tarefa
simples e demanda estudos estatísticos e ensaios diversos.
UENF 2004
37
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.3.3 - Amostragem
Entende-se por uma boa amostragem aquela que represente bem o lote em
questão. O critério de amostragem é substancialmente mais importante que o
volume individual de amostra ou a quantidade de amostras no mesmo lote. Não há
como definir, de antemão, o critério, o número mínimo de amostras por lote e o peso
da amostra. Pode-se dizer que o número de amostras menor que 3 é insuficiente,
que não permite avaliar a variação entre os resultados. Desconhecendo a variação
entre os resultados, nada se pode afirmar sobre sua homogeneidade. Este trabalho
se limitará aos critérios aprovação de minerais industriais brutos, divididos em dois
grupos, rocha dura (feldspato, filito, argilito, etc) e argila.
•
Argila: Operação de amostragem no lote é fácil, com auxílio de trado manual,
operado por duas pessoas para coletar a amostra. A plasticidade da argila facilita
a coleta das amostras, bem como a adição de água nos furos poderá melhorar a
penetração e aderência da argila ao trado. Este equipamento coletará amostra do
topo à base do lote, compondo amostras em toda sua extensão vertical. O
número de amostras a serem enviadas para análise deverá ser no mínimo de
três, sendo desejável a formação de malhas regulares de sondagem para a
coleta de amostras. É fundamental a identificação dos pontos de coleta de
amostra, o que possibilitará uma melhor homogeneização do lote ou a
reprovação parcial do lote;
•
Rocha “Dura” (Filito, argilito, quarzito, feldspato): A amostragem destes lotes,
cuja formação teve critérios definidos ou não, é bastante complexa. O trado não
penetra no lote com a mesma facilidade com que é feito nas argilas. Quando
penetra, não é eficaz na coleta das amostras. Partindo do princípio de que lote
não é homogêneo, o material de superfície pode não ser o mesmo do seu
interior. Por mais criteriosa que seja a amostragem de superfície, coletando-se de
forma aleatória ou em malhas regulares, não representará seu interior. Uma
movimentação deste lote com pás carregadeiras ou tratores nem sempre é
possível e, quando possível, é uma operação de elevado custo. Portanto, uma
vez formado o lote de “rocha dura”, sua amostragem é precária.
Diante do exposto, o estabelecimento de condições de aprovação de lotes,
demandam procedimentos bem elaborados e a sua execução na íntegra. O
UENF 2004
38
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
estabelecimento de especificações inadequadas, causa prejuízo, sejam pelo
comprometem qualidade e produtividade.
excesso de zelo, acarretando custos elevados, ou por critério muito aberto, que
CAPÍTULO 3
DIAGNÓSTICO DO AGLOMERADO INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA
DO MUNICÍPIO DE CAMPOS
DOS GOYTACAZES
UENF 2004
3.
DIAGNÓSTICO
DIAGNÓSTICO
40
DO
AGLOMERADO
INDUSTRIAL
DA
INDÚSTRIA
CERÂMICA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES
O parque cerâmico fluminense é constituído por mais de 300 empresas
(predominantemente micro e pequenas) espalhadas por todo estado com destaque
para os municípios de Itaboraí e Rio Bonito (região Metropolitana), passando por
Três Rios e Paraíba do Sul (região do Médio Paraíba) e chegando até Campos dos
Goytacazes (região Norte).
O principal pólo produtor está em Campos dos Goytacazes, com cerca de
110 cerâmicas produzindo quatro milhões de tijolos/dia, gerando cinco mil empregos
diretos e quinze mil indiretos (estimativa do Sindicato dos Ceramistas). Hoje oferece
um material de qualidade ainda inferior, estando sendo desenvolvidas uma série de
ações integradas para apoiar o desenvolvimento do setor, principalmente no que diz
respeito à tecnologia de extração e beneficiamento, visando melhoria de qualidade,
novos produtos e busca de novos mercados, agregando valor ao produto.
A distribuição geográfica destas cerâmicas pode ser vista no mapa da figura
3.1, indicando claramente uma concentração industrial na região conhecida como
“Baixada Campista”, localizada entre a cidade e o litoral, ao longo da rodovia que
liga Campos dos Goytacazes à Praia de Farol de São Tomé, sendo esta a região de
maior disponibilidade de matéria prima e de mão de obra.
3.1 – PREMISSAS BÁSICAS.
Na pesquisa realizada procurou-se considerar o Quociente Locacional (QL),
como forma de caracterizar este agrupamento de empresas, segundo o grau e a
natureza da concentração, utilizando os dados encontrados na literatura
e
confirmada pelos estudos setoriais dos agentes oficiais (RAIS – CAGED). O cálculo
do QL é feito segundo a seguinte fórmula:
UENF 2004
41
DIAGNÓSTICO
Figura 3.1 – Mapa da localização das indústrias que compõem o pólo
cerâmico da Região de Campos dos Goytacazes
UENF 2004
42
DIAGNÓSTICO
nº EMPsetori
5000 / 45000
0,11
n º EMPmunicpío
QL =
=
=
= 15,7
n º totalEMPsetori
300000 / 41000000
0,007
n º EMPpaís
De acordo com este resultado, observa-se que existe uma grande
concentração de empresas deste setor no município, visto que a condição QL > 1 já
caracteriza um aglomerado industrial, mas essa é uma informação simples, ao
identificar uma aglomeração industrial. Deve-se considerar que a existência de uma
grande “densidade” de firmas e atividades é um pré-requisito para a caracterização
de um arranjo produtivo, mas não é um critério suficiente para caracterizá-lo como
um cluster.
Deve-se, nesse sentido, incorporar à análise elementos que possam
caracterizar a complexidade estrutural desse aglomerado, relacionando as
atividades que a ele se integram e se são complementares. Uma primeira alternativa
procura avaliar se existem firmas atuantes em setores industriais que possam ser
classificadas como fornecedoras. Outro critério seria a existência de firmas
produtoras de equipamentos utilizados no aglomerado, e ainda se existe atividades
que a ele se integram, e qual a heterogeneidade dessas atividades.
Uma análise baseada em superposição, procura identificar elementos
combinados,
que apontam para a existência de um cluster , que podem ser
verticais ou horizontais. A caracterização dos clusters horizontais se dá pela
presença de um conjunto de indústrias do mesmo setor, complementares ou não,
compartilhando recursos comuns (mão de obra qualificada, por exemplo), que
favorece a consolidação de relações diretas e indiretas entre elas, e que dão
organicidade ao cluster.
A tabulação dos resultados do questionário aplicado a uma amostra das
empresas do setor é listada a seguir, como forma de identificar as condições reais
do aglomerado industrial em estudo.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
43
3.2 - TABULAÇÃO DOS RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO
1- Matéria Prima.
Extração
o Terra própria
o Terra Arrendada
o Fornecedores
EXTRAÇÃO
0,8
0,75
0,6
0,5
0,4
0,2
0
0
Terra Própria
Terra Arrendada
Fornecedores
Maquinário
o Próprio
Valor R$ __________
o Alugado
Preço R$ __________
o Outros ___________________________
MAQUINÁRIO
1
0,875
0,8
0,6
0,4
0,2
0,125
0,125
Alugado
Outros
0
Próprio
Tecnologia Empregada
o
o
o
o
o
Pesquisa geológica
Estabelecimento de composições
Lavra, beneficiamento e estoque
Extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura;
Execução rígida da composição da argila;
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
44
o Controle na recepção.
TECNOLOGIA EMPREGADA
62,5
12,5
Não
Respondeu
25
Controle
Recepção
Composiçã
o Argila
12,5
Ext.Separa
do
12,5
Lavra,
Benef.Estoq
ue
12,5
Est.
Composiçõ
es
37,5
Pesquisa
Geológica
80
60
40
20
0
A primeira parte do questionário aplicado é dedicada à matéria prima utilizada
no conjunto de
indústrias em estudo. De acordo com os resultados, 75% dos
entrevistados obtêm a matéria prima de terras próprias e 50% em terras
arrendadadas a terceiros especificamente para este fim sendo que 25% utilizam
tanto terras próprias quanto terras arrendadas e nenhum dos entrevistados compra
de fornecedores, o que indica que não existem firmas mineradoras de argila na
região estudada.
Quanto ao maquinário utilizado na extração de argila, 75% é próprio, 12,5%
alugado e 12,5% outro tipo de contratação, resultado que reforça a indicação de
verticalização do processo.
Quanto a tecnologia empregada, apenas 12,5% faz pesquisa geológica,
apenas 12,5% estabelece composições ideais para a matéria prima utilizada, 37,5%
responderam que o processo consta de extração beneficiamento e estoque, 62.5%
responderam que fazem a extração em separado e os mantém assim até a mistura
no inicio do processo industrial, 12,5% fazem a mistura dentro de composições
rígidas, e apenas 25% fazem algum tipo de controle na recepção da matéria prima,
12,5% não responderam a pergunta.
2- Energia
o Lenha
o Óleo
o Gás
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
45
ENERGIA
100
87,5
75
80
60
40
20
0
0
Lenha
Óleo
Gás
A segunda pergunta é relacionada ao tipo de energia utilizada no processo de
queima nos fornos das indústrias. A lenha é o combustível mais utilizado (87,5%)
sendo que existe instalação para utilização do gás natural em 75% das indústrias
pesquisadas, mas apenas 12,5% estavam efetivamente usando este combustível no
momento desta pesquisa. Nenhuma indústria estava usando o óleo combustível.
3- Tecnologia de produção
o
o
o
o
Mais moderna
Moderna, mas existem mais modernas
Um pouco obsoletas
Completamente Obsoletas
TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO
87,5
100
80
60
40
20
12,5
0
0
0
Muito
Moderna
Moderna
Obsoleta
Muito
Obsoleta
No quesito Tecnologia empregada na produção, 87,5% respondeu que
utilizavam tecnologia moderna mais que não era a mais moderna e apenas 12,5%
considerou a tecnologia de produção obsoleta.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
46
4- Mão de Obra
o
o
o
o
o
o
o
o
o
o
Número de funcionários
N=___________
Analfabetos
N=___________
Fundamental - Incompleto N= ___________
Fundamental Completo
N= ___________
Ensino Médio Imcompleto N= ___________
Ensino Médio Completo
N= ___________
Ensino Técnico Incompleto N =___________
Ensino Técnico Completo N= ___________
Ensino Superior Incompleto N =___________
Ensino Superior Completo N= ___________
MÃO DE OBRA
0,38
0
0,13
Ens.Sup.Inc
0
Ens.Téc.Inc.
Funcionários
Fund.Inc
Ens.Mé Inc.
60,00 52,75
50,00
40,00
20,00
30,00
20,00
5,88 0,88 2,63
4,13
10,00
0,00
Ens.Sup.Co
mp.
Ens.Tec.Co
mp.
Ens.Médio
Comp.
Fund.Comp.
51,47
60,00
50,00
40,00
30,00 10,62
15,12
20,00
2,25 6,76 0,00 0,97 0,00 0,32
10,00
0,00
Analf
Percentual (%)
ESCOLARIDADE
Na análise da mão de obra empregada no conjunto de indústrias
pesquisadas, o resultado médio está representado no primeiro gráfico, tendo como
média de funcionários por empresa 52,4 funcionários.A escolaridade em valores
percentuais está representada no segundo gráfico com 10,62% de analfabetos,
51,47% com o fundamental incompleto (antigo primário), 15,12% fundamental
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
47
completo, 2,25% ensino médio incompleto, 6,78% ensino médio completo, 0,97%
ensino técnico completo e 0,32% de ensino superior completo, normalmente os
proprietários.
5- Manutenção
o Corretiva
o Preventiva
o Preditiva
MANUTENÇÃO
75
80
75
60
40
25
20
0
0
Corretiva
Preventiva
Preditiva
Não
Repondeu
A sistema de manutenção praticada é 75% corretiva e 75% preventiva sendo
que 25% não responderam, indicando que as indústrias utilizam os dois siatemas de
manutenção.
6- Produtos
o
o
o
o
o
o
1_________
2_________
3_________
4_________
5_________
6_________
PRODUTOS
87,5
100
80
62,5
50
60
40
25
20
0
Telhas
Lajotas
Blocos
Laje
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
48
Quanto aos produtos fabricados, apenas 12,5% das industrias trabalham
com um só produto, sendo que 87,5% trabalham com lajotas, 25% com telhas, 50%
com blocos e 62,5% com blocos para laje.
7- Controle de Qualidade
o
o
o
o
Faz freqüentemente
Faz esporadicamente
Não faz
Certificação
CONTROLE DE QUALIDADE
0
0
Não Faz
Certificação
50
Esporádica
mente
50
Frequentem
ente
60
50
40
30
20
10
0
Todas as empresas pesquisadas fazem algum controle de qualidade, sendo
que 50% fazem freqüentemente e 50% fazem esporadicamente, e nenhuma delas
tem algum tipo de certificação do produto fabricado.
8- Fatores que motivaram a implantação da indústria
o Fatores locacionais (mercado, matéria prima, pólo tecnológico, outras
industrias)
o Tradição local
o Presença de Centro Tecnológico
o Mão de obra disponível
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
49
Fatores que Motivaram a Implantação
75
80
60
40
20
0
37,5
25
12,5
Oportunidad
e
Mão de
Obra
Centro
Tecnlógico
Locacionais
Tradição
0
Os fatores locacionais foram os mais importantes com 75% das respostas dos
entrevistados para a
motivação da implantação da indústria, seguido pela
disponibilidade de mão de obra com 37,5% e pela tradição com 25%. A
oportunidade de entrar neste ramo de atividade foi respondida por 12,5% dos
entrevistados e representa a oportunidade de compra da empresa.
9- Existe alguma experiência de cooperação entre os diversos agentes
produtivos locais?
%
EXPERIÊNCIA DE COOPERAÇÃO
60
50
40
30
20
10
0
50
25
12,5
12,5
Tecnológica MercadoPreço
Nenhuma
Não
Repondeu
Das empresas consultadas 50% não indicou nenhuma experiência de
cooperação entre os diversos agentes envolvidos na atividade, 25% indicaram
cooperação de mercado através do preço estimulada pelo sindicato, 12,5%
cooperação Tecnológica com a Universidade e 12,5% não responderam
10- Qual o nível de interatividade entre os agentes produtivos e o centro
tecnológico local?
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
50
INTERATIVIDADE ENTRE AGENTES
62,5
70
60
50
40
30
20
10
0
25
12,5
Pequena
Em grupo
Nenhuma
Das empresas consultadas, 62,5% responderam que a interatividade com o centro
tecnológico é pequena, 25% responderam que não tem e 12,5% que acontece
através do grupo.
11- Existe algum nicho de mercado que pode ser almejado?
37,5
37,5
25
Outros
Grandes
Construtores
12,5
Sistema
Habitacional
40
30
20
10
0
Tijolos
Estruturais
Percentual
NICHO DE MERCADO
De acordo com o resultado da pesquisa, 37,5% responderam que o sistema
habitacional é o nicho de mercado a ser conquistado, 37,5% responderam ser as
grandes construtoras, 25% responderam que os tijolos estruturais e 12,5% citaram
outros nichos de mercado.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
51
12- Existe mobilização dos agentes produtivos locais para a definição de um
plano de ação na construção das condições de atração de investimentos para
o agrupamento, visando o desenvolvimento do mesmo?
MOBILIZAÇÃO DOS AGENTES
75
80
60
40
25
20
0
Sim
Não
Nesta pergunta 25% reponderam que sim, que existe mobilização dos
agentes, e 75% responderam quem não.
13- Em caso afirmativo, quais os agentes envolvidos e qual a estratégia de ação?
AGENTE ENVOLVIDOS
60
50
40
30
20
10
0
50
50
37,5
25
Sebrae
Sindicato
Não
Respondeu
Outros
Apesar de 75% responderem não na pergunta anterior , apenas 37,5% não
responderam a esta pergunta. O Sindicato e o Sebrae são indicados por 50% dos
entrevistados, e 25% responderam outros agentes como Poder Municipal e Poder
Estadual.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
52
14- A confiança exerce uma importância crescente nas análises econômicas e
dos processos de ganho de competitividade.Qual o grau de confiança
existente entre os diversos agentes produtivos locais?
GRAU DE CONFIANÇA ENTRE OS ATORES
60
50
40
30
20
10
0
50
37,5
12,5
0
Alto
Médio
Baixo
Não
Repondeu
O grau de confiança entre os atores é considerado baixo por 50% dos
entrevistados e médio por 37,5% sendo que 12,5% não responderam a pergunta.
15- Como você construiria o cenário atual da atividade ceramista no município de
Campos dos Goytacazes?
CENÁRIO ATUAL DA ATIVIDADE
70
60
50
40
30
20
10
0
62,5
12,5
12,5
Otimista
Realista
12,5
Pessimista
Não
Repondeu
A maioria dos entrevistados constrói um cenário pessimista para a atividade
ceramista com 62.5% dos entrevistados, 12,5% se posicionam como realista e
12,5% como otimista, e 12,5% não emitiram opinião.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
53
3.3 – CRITÉRIOS UTILIZADOS.
Tabela 3.1 – Critérios Considerados na Identificação do Aglomerado Industrial
de Campos dos Goytacazes
Critério 4
Critério 2
Atividade
Superposição
Densidade
Critério 1
Relevância
Nº Est>50
Nº Estab>10
Especialização
QL>1
QL>1
Nº
Prod.Maqui≥1
Nº Ativid>10
Part>0,1%
Nº Forn.≥ 1
Nº Estab= 140
Industria de
QL=15,7
Nº Estab= 140
Part=1,66%
Nº Est.Ativ.>10
Nº Prod.Maq.=
Cerâmica
Vermelha
QL= 15,7
0
Nº Forn. = 0
Analisando o quadro acima, observa-se que
quanto ao critério 1,
especialização, o QL = 15,7 mostra uma concentração muito grande de empresas
no município, indicando um aglomerado industrial significativo, e que se confirma no
critério 2, Relevância, visto que a participação do município no contexto nacional é
de 1,66% muito acima do exigido para caracterização de um cluster.
Quanto ao critério 3, Densidade, observa-se que apesar de não existirem
dados estatísticos sistematizados pelos índices oficiais, no que diz respeito ao
número de estabelecimentos em atividades associadas, a pesquisa feita através da
entrevista
semi-estruturada,
indicou
um
número
muito
acima
de
dez
estabelecimentos, nas diversas atividades associadas ao processo industrial em
estudo.
Já quanto ao critério 4, Superposição, não é encontrado nenhum
estabelecimento industrial produtor de máquinas para a atividade nem nenhum
fornecedor da cadeia produtiva instalado no município, o que indica que o
aglomerado apesar de ser significativo quanto à especialização, relevância e
densidade, não atende ao quesito da superposição, para configurar a existência de
um cluster.
UENF 2004
54
DIAGNÓSTICO
Baseado nesta análise, constata-se que é necessário o desenho de uma
estratégia para que o aglomerado existente possa se transformar em um
aglomerado avançado, utilizando-se das potencialidades existentes, através da
mobilização dos agentes locais para que essa mudança ocorra de maneira mais
rápida e sustentada, afastando o risco de declínio desta atividade econômica no
município.
O aglomerado industrial em estudo se organiza a partir de diversas empresas
produtoras do mesmo produto final, os quais concorrem entre si, necessitando por
este motivo avançarem no seu desenvolvimento, possibilitando uma cooperação na
aquisição de matérias primas, promoção comercial, em termos de qualidade e
design, e outras empresas fornecedoras de bens e serviços.
Este tipo de aglomerado “em rede” necessita de um empenho redobrado,
através de assistência técnica, para incutir nos empresários a percepção dos
benefícios que poderão alcançar com a ação coordenada, sendo que o esforço
deverá ser no sentido de “mudança cultural” .
Atualmente a cadeia produtiva da Cerâmica Vermelha no município de
Campos dos Goytacazes, é totalmente fechada e verticalizada (Fig.3.2), fazendo
com que a atividade mineradora seja feita pelas empresas consumidoras, como
pode ser visto na figura abaixo, desde a prospecção geológica até a
operacionalização de suas minas. Este modelo inibe a utilização de tecnologias
mais avançadas existente na atividade mineradora, como também o investimento de
empresas de mineração voltadas para clientes diversos nesta atividade industrial.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
55
Indústria
Metal-
Mecânica
Extração de
Argila
Óleo
Combustível
Extrativa
Vegetal
(Lenha)
Cerâmicas
Indústria da
Construção
Civil
Gás Natural
Figura 3.2 - Cadeia produtiva da cerâmica vermelha
Fonte- SILVESTRE, BRUNO DOS SANTOS. (2001)
3.4 – DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO
No fluxograma da figura 3.3 está representada a fabricação de produtos
cerâmicos, o qual compreende cinco fases básicas, como descrito a seguir:
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
56
Jazida
Extração
Sazonamento ou
Meteorização
Desintegração/
Trituração
Composição
Ímã
Queima
Secagem
Extrusão
Mistura
Deaeração
(Vácuo)
Secagem
Mistura
(Umedecimento)
Pisos
Pastilhas
Azulejos
Peças
Sanitárias
Telhas
Queima
Peneiramento
Prensagem
Modelagem
Prensagem
Secagem
Secagem
Esmaltação
Embalagem
C. Qualidade
Queima
Queima
Esmaltação
Esmaltação
Queima
Queima
Figura 3.3 – Fluxograma de produção da Industria Cerâmica.
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
57
1. Extração
2. Preparo da Matéria Prima
3. Conformação
4. Secagem
5. Queima
3.4.1 - Extração: A exploração de uma jazida de argila deve ser feita tendo
em vista um estudo completo das características do material, do volume que poderá
ser retirado e das próprias características da jazida.
Na região de maior disponibilidade de matéria prima e conseqüentemente
de maior concentração de indústrias, as jazidas
são de pouca profundidade,
variando de 1,5 a 4,0 metros, acarretando com a exploração grandes depressões,
que após certo tempo são abandonadas, exigindo um tratamento especializado,
com projetos de revitalização da área degradada de acordo com normas da FEEMA
(Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente).
Nesta fase do processo é necessária uma pesquisa geológica para
caracterização das argilas, definindo tipos de minérios com características
tecnológicas específicas, que possam ser individualizados na extração. O resultado
da pesquisa irá indicar os lugares que apresentam características homogêneas, e
sua posição na jazida, permitindo um planejamento de mineração, que possibilite a
extração em separado de cada tipo definido pela pesquisa.
3.4.2 - Sazonamento: Esta operação consiste na exposição da matéria prima
às intempéries, onde a ação combinada do sol, da chuva e de certos
microorganismos provoca a lavagem de sais solúveis, a desagregação de torrões e
a oxidação de piritas. Após a estocagem do material ao ar livre durante um período
que varia de 6 meses a 2 anos, há condições técnicas mais propícias
para
preparação da massa cerâmica.
Esta fase do processo de produção não é observada pelas indústrias da
região, em seus períodos recomendados,
sendo que muitas indústrias usam a
matéria prima assim que chega da jazida, sem nenhum período de meteorização,
sendo que o período máximo encontrado entre as firmas pesquisadas, foi de um
mês.
UENF 2004
58
DIAGNÓSTICO
Figura 3.4 - Argila em processo de Sazonamento (meteorização)
3.4.3 - Composição: A partir das características especificas encontradas na
pesquisa geológica deve-se realizar experiências com diferentes formulações entre
os diversos tipos de argila disponíveis, até encontrar-se a melhor composição. Na
região em estudo utiliza-se um processo onde existem dois caixões alimentadores,
onde tem início todo o processo industrial. As quantidades adicionadas obedecem a
um método empírico, baseado normalmente na experiência do chefe de produção.
UENF 2004
59
DIAGNÓSTICO
Fig.3.5 – Vista do caminhão depositando argila em um dos caixões alimentadores.
3.4.4.- Desintegração e Trituração: Quanto mais fino e homogêneo for o material,
melhores são as condições de preparação da massa cerâmica produzida, por isso
nesta fase do processo o material extraído é levado a um moinho de martelo ou um
desintegrador de rolos (figura 3.6), para ser processado, e facilitar a fase seguinte.
Figura 3.6 – Desintegrador de Rolos
UENF 2004
60
DIAGNÓSTICO
3.4.5 - Na fase de conformação o processo é específico para cada produto
fabricado, sendo que nas empresas pesquisadas a fabricação principal é o bloco
cerâmico, com variações quanto as dimensões do bloco. Por esse motivo, veremos
a seguir os processos de fabricação desse produto.
3.4.6 -Amassamento e Mistura: Esta é uma fase importante do processo
industrial, onde é necessária uma homogeneização bem feita, garantindo menor
porosidade e conseqüentemente maior resistência. Durante o processo de
amassamento e mistura, onde são usados misturadores horizontais, é adicionada
água a argila para atingir um grau de umidade que venha propiciar a
homogeneidade desejada.
Figura 3.7 – Misturador horizontal – Observa-se adição de água para melhorar
as condições de homogeneização
Nesta fase pode ser adicionado um equipamento denominado “LaminadorRefinador” , com a função de desintegrar o máximo possível a argila, antes de ser
levada à fase de moldagem.
3.4.7 - Moldagem: Principal fase no processo de conformação dos produtos
cerâmicos, tem grande relação com o fator de umidade empregado na argila para
seu amassamento, sendo que maiores índices de umidade tornam mais fácil sua
moldagem, com menor consumo de energia nesta fase, porém prejudica as fases
UENF 2004
DIAGNÓSTICO
61
seguintes do processo de fabricação, pois diminuem a resistência da massa verde,
e aumentam o tempo de secagem e queima, podendo ocorrer fissuras no produto
final.
Nas
empresas
visitadas
o
percentual
de
umidade
é
determinado
empiricamente e seu controle fica a cargo do operador, que regula a entrada de
maior ou menor quantidade de água conforme o estado da argila.
Figura 3.8 – Detalhe do processo de moldagem. Vê-se em primeiro plano as perdas
nesta fase do processo.
3.4.8 - Secagem: Em seguida a moldagem, os produtos cerâmicos passam
por um período de secagem, para retirar a maior quantidade possível de umidade
adicionada na fase anterior do processo de fabricação.
Em nossa região existem duas maneiras de efetuar a secagem: (i) ao ar
livre e (ii) Em estufas com insuflamento de ar quente – secagem forçada.
No caso de secagem ao ar livre (mais usado)
o material após a
conformação é levado a um pátio que pode ser ao ar livre ou coberto. Quando ao ar
livre, as peças são cobertas por telhas ou pedaços de tambores metálicos, por um
tempo necessário para eliminação do excesso de umidade,(aproximadamente 72
UENF 2004
62
DIAGNÓSTICO
horas), tempo que depende das condições climáticas, não sendo raro
perdas
consideráveis, devido a chuvas e outras intempéries. Quando o pátio é coberto,
existe um acréscimo de tempo para secagem, normalmente três vezes maior. Este
processo ocorre na maioria das empresas visitadas, e é um processo ainda muito
primitivo, demonstrando o baixo nível tecnológico empregado no setor.
No processo de secagem em estufas, o material após a conformação é
levado por meio de correia transportadora até um equipamento que o coloca
empilhado em carros sobre trilhos que percorre a estufa túnel, cujo percurso tem a
duração de dez horas, período suficiente para eliminação de grande parte da
umidade, antes da queima.
3.4.9 -Queima: Após a secagem o material está pronto para a fase final do
processo industrial que é a queima, podendo ser feita em três tipos de fornos: (i)
fornos contínuos ou forno túnel; (ii) fornos Hoffmann; e (iii) caieiras.
Fornos Túneis – Tem como principal característica, o deslocamento lento
do material através do túnel, por um período de 27 horas, em vagonetes especiais.
À medida que o produto vai se aproximando do centro do forno, a temperatura vai
aumentando podendo atingir 1000 ºC na zona de queima. A partir daí começa o
processo de resfriamento, com a temperatura diminuindo progressivamente até a
saída do forno. Neste tipo de forno o combustível utilizado é o gás natural.
Figura 3.9- Esquema de funcionamento de um forno tipo túnel.
UENF 2004
63
DIAGNÓSTICO
Forno Hoffmann – São fornos construídos por câmaras contíguas, que tem
como característica principal a queima sucessiva nas câmaras adjacentes. Neste
forno o fogo é que anda.
Figura 3.10 – Planta baixa esquemática de um forno tipo Hoffmann
Caieiras – São fornos mais antigos. O principio de funcionamento é simples.
A lenha é colocada na parte inferior, e o material a ser queimado mais acima deste
ponto. A medida que a temperatura vai diminuindo, é colocada mais lenha, para
garantir a temperatura ideal de queima.
UENF 2004
64
DIAGNÓSTICO
Figura 3.11 – Entrada da fornalha de uma caieira.
O processo industrial de obtenção de blocos cerâmicos termina quando a
fase de queima é concluída, cabendo a ela a parte mais importante de todo o
processo, visto que uma queima mal feita pode causar baixa qualidade em toda a
produção, bastando para isso ser feita abaixo ou acima da temperatura
recomendada, o que não é difícil de acontecer visto o baixo grau de utilização de
equipamentos de instrumentação técnica.
UENF 2004
65
DIAGNÓSTICO
Como se pode constatar no fluxograma da figura 3.3 , o processo industrial
para obtenção de blocos cerâmicos (tijolo), é o mais simples dos produtos que
podem ser obtidos por este setor industrial, sendo obtido com baixo emprego de
tecnologia, resultando um menor valor agregado.
CAPÍTULO 4
PROPOSTA DE CENTRAL DE MASSA PARA O SETOR DE
CERÂMICA VERMELHA DE CAMPOS DOS GOYTACAZES.
UENF
67
4.
PROPOSTA
PROPOSTA DE CENTRAL DE MASSA PARA O SETOR
DE CERÂMICA VERMELHA DE CAMPOS DOS GOYTACAZES.
4.1 - CENTRAL DE MASSA
A exigência da melhoria da qualidade e eficiência produtiva impõe à indústria
cerâmica a procura de novos métodos produtivos, o desenvolvimento daqueles que,
de
fato, proporcionem maior rentabilidade na produção e na qualidade dos produtos
fabricados, ainda que impliquem maior custo para a sua implantação. A uniformidade
e estabilidade das características tecnológicas da matéria-prima permitem a
otimização do procedimento industrial sem a necessidade de ajustes freqüentes,
tornando-se importante fator de eficiência industrial. A partir disso fica facilitada a
obtenção de níveis
de qualidade constantes e controlados.
Para a padronização da matéria prima mineral utilizada na massa é
necessário o estabelecimento de procedimentos que envolvam a pesquisa
geológica, a lavra, a homogeneização e o estoque dessa matéria-prima através de
controles simplificados, que possibilitem sua implementação, na maioria das vezes,
por pequenas minerações fornecedoras das indústrias de revestimentos cerâmicos.
4.1.1 Metodologia
A utilização da mesma sistemática de controle utilizada desde a recepção de
matérias-primas pela indústria, em todas as fases da produção de argilas, até a
definição do detalhamento da pesquisa geológica, facilita seu entendimento pelos
vários setores envolvidos, tornando a fiscalização interna mais eficiente. O Instituto
de Tecnologia Cerâmica, da Espanha, estabelece medidas de controle de matériasprimas argilosas para a indústria de revestimentos cerâmicos que, se devidamente
estendido às demais fases do processo, representam o primeiro passo na
estabilização das qualidades tecnológicas das argilas.
Aquele instituto determina critérios para o nível de inspeção a ser realizado
nas matérias-primas argilosas. A partir da relação existente entre o valor médio de
UENF
68
PROPOSTA
um parâmetro tecnológico de qualidade M, seu desvio padrão S, os limites de
tolerância LT e os limites de controle estatístico LC, é possível estabelecer-se
controles.
Os valores M e S obtém-se a partir das equações:
M =
∑X
n
i
; S=
( Xi − M ) 2
n −1
(A)
onde Xi são os valores da característica tecnológica considerada, e n a quantidade
de amostras analisadas. Os limites de tolerância são os valores máximos e mínimos
além dos quais a matéria-prima é considerada imprópria para utilização.
Os limites de controle estatístico superior (LCs) e inferior (LCi) são calculados
a partir das equações:
LCs = M + 3 S ; LCi = M – 3 S
(B)
Para o estabelecimento do nível de controle são propostos os seguintes
parâmetros de controle, indicando o nível de verificação exigido em função da
variabilidade dos resultados em relação aos limites de tolerância e à média dos
resultados:
M – [3S]/2 ≤ LT ≤ M + [3S]/2
indica a possibilidade de controle reduzido (simplificado);
M – 3S ≥ LT ≥ M + 3S
recomenda a intensificação do controle ou rigoroso;
Os resultados intermediários indicam controle normal .
Para a caracterização de materiais argilosos existem vários parâmetros
tecnológicos que podem ser controlados, devendo-se escolher um que seja
UENF
PROPOSTA
69
determinante no processo industrial e/ou para o mercado e de fácil determinação.
Dessa forma, pode-se fixar a cor de queima em padrão determinado e medir
característica específica como a variação da retração linear de queima ou a
determinação química de alguns elementos.
A
utilização
sistemática
dessas
fórmulas
deve
ser
aplicada
no
desenvolvimento das etapas abaixo e representadas na Figura 1:
4.1.2 - Pesquisa geológica
Caracterização das argilas.
Na pesquisa detalhada da jazida, deve-se definir tipos de minérios com
características tecnológicas específicas, passíveis de serem individualizados na
extração. O custo de extração impõe que pequenos leitos ou impurezas
disseminadas no material, de difícil separação na lavra, sejam considerados parte
integrante de um tipo de minério. (Figura 1).
O espaçamento entre os furos de sondagem será determinado pelo
conhecimento prévio da geologia da jazida e servindo-se da fórmula. O mapeamento
detalhado possibilita a correlação com minas da mesma formação geológica,
permitindo a fixação da malha de sondagem inicial. Quando os resultados dos
ensaios realizados nas amostras da sondagem se enquadrarem na faixa de
inspeção rigorosa, a malha deve ser adensada. Ao contrário, se os resultados dos
ensaios estiverem na faixa classificada como reduzida, o espaçamento entre os
furos de sondagem pode ser aumentado. A malha ideal é aquela em que os
resultados apresentem variância dentro da faixa que indica a necessidade de
controle normal.
Como resultado dessa pesquisa, serão estabelecidos blocos de minério que
apresentem características homogêneas, com posição definida na jazida, permitindo
estabelecer suas respectivas relações de mineração, ou seja, a relação do custo de
extração do minério com o custo de extração do estéril.
UENF
PROPOSTA
70
4.1.3 - Estabelecimento de composições
A partir da definição desses blocos de características específicas, deve-se
realizar experiências com diferentes formulações. A composição entre os tipos de
minério
existentes
na
jazida
deve
levar
em
consideração
as
reservas
individualizadas, a relação de mineração de cada um e a configuração final da cava
(pit final de lavra) com vistas à recuperação ambiental da área lavrada.
4.1.4 - Lavra, beneficiamento e estoque
A definição da mina fornecida pelo mapeamento, sondagem e pelos ensaios
cerâmicos individuais e de composição realizados, permite então a proposição de
método de lavra que possibilite a extração em separado dos tipos definidos
podendo-se propor:
•
Extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura;
•
Execução rígida da composição de argilas;
•
Essa composição deve ser feita na passagem por britadores ou na disposição em
pátios para secagem;
•
Estabelecimento
de
“pátios”
de
homogeneização/secagem
de
tamanho
constante;
•
Empilhamento em camadas inclinadas em todas as fases do processo. Esse
empilhamento, é realizado facilmente pela própria máquina escavadeira2 (Figura
2).
Os ensaios para determinação da característica tecnológica obedecem à
mesma sistemática adotada na pesquisa, ou seja, inicialmente amostras são
coletadas a cada 5 toneladas produzidas, estabelecendo-se, com a aplicação da
fórmula, a freqüência necessária de amostragem e o tamanho dos lotes de estoque.
Essas medidas permitem o controle imediato, bem como reduções das variações
das argilas fornecidas à cerâmica.
UENF
PROPOSTA
71
Essas
medidas
passam
pela
definição
precisa
de
métodos
de
homogeneização adequados, métodos de estoque/ empilhamento tanto dos tipos a
serem compostos, como da massa já misturada e estabelecimento de nível de
estoque seguro para evitar possíveis variações dos tipos e da composição.
4.1.5 - Controle na recepção
Com o mesmo detalhamento proposto, a indústria consumidora deve controlar
a chegada do material ao seu estoque e, quando for o caso, ao box de alimentação
dos silos dosadores. Inicialmente, controla-se a matéria-prima a cada caminhão e,
dependendo dos resultados obtidos, atendo-se à mesma fórmula utilizada até então,
reduzem-se ou intensificam-se as amostragens.
UENF
72
PROPOSTA
Figura 4.1- Fluxogramas das etapas que devem ser desenvolvidas nas argilas utilizadas em
um pólo cerâmico.
Figura 4.2 – Empilhamento em camadas inclinadas
UENF
PROPOSTA
73
A realização do controle de características cerâmicas permite a simplificação
do procedimento industrial, reduzindo-se perdas devido a ajustes que, de outro
modo, se fariam necessários e freqüentes.
Por outro lado a proposta de criação de uma CENTRAL DE MASSA
possibilita que a atividade de Extração de Argila saia do campo do processo
industrial, tomando seu verdadeiro lugar como input ao processo, e horizontalizando
a cadeia produtiva, criando maior interação ao aglomerado industrial, além de
incorporar melhoria da qualidade dos produtos existentes e possibilidade de novos
produtos de maior valor agregado.
No novo modelo de cadeia produtiva da cerâmica vermelha de Campos dos
Goytacazes, a atividade mineradora estaria em nova posição, como fornecedora de
matéria prima da atividade industrial, como pode ser observado na fig 4.3 abaixo.
Indústria
MetalMecânica
Extração de
Argila
Óleo
Combustível
Extrativa
Vegetal
(Lenha)
Cerâmicas
Indústria da
Construção
Civil
Gás Natural
Figura 4.3 - Cadeia produtiva da cerâmica vermelha modificada
Na realidade, o maior grau de interação entre as empresas no agrupamento,
propiciam ganhos de escala e otimização dos processos, sejam a montante ou a
jusante da cadeia produtiva. Esta ação proposta seria o primeiro passo nesta
direção, sendo que muitos outros poderão vir. A jusante do processo, como na
comercialização e da atividade de marketing e a montante, o suprimento de matéria
UENF
74
PROPOSTA
prima e insumos em geral, atividades de controle de qualidade de insumos e do
próprio produto final das empresas, coordenação de compras, etc..
No fluxograma da figura 4.4(repetida) está representada a fabricação de
produtos cerâmicos, como descrito no Capítulo 3, sendo destacada a primeira fase
do processo, que compreende a extração, meteorização e composição da matéria
prima utilizada no processo, e que seria o objeto da atual proposta.
UENF
PROPOSTA
75
Jazida
Extração
Sazonamento ou
Meteorização
Desintegração/
Trituração
Composição
Ímã
Queima
Secagem
Extrusão
Mistura
Deaeração
(Vácuo)
Secagem
Mistura
(Umedecimento)
Pisos
Pastilhas
Azulejos
Peças
Sanitárias
Telhas
Queima
Peneiramento
Prensagem
Modelagem
Prensagem
Secagem
Secagem
Esmaltação
Embalagem
C. Qualidade
Queima
Queima
Esmaltação
Esmaltação
Queima
Queima
Figura 4.4 – Fluxograma de produção da Industria Cerâmica.
UENF
PROPOSTA
76
Extração: A exploração de uma jazida de argila deve ser feita tendo em vista
um estudo completo das características do material, do volume que poderá ser
retirado e das próprias características da jazida.
Na região de maior disponibilidade de matéria prima e conseqüentemente
de maior concentração de indústrias, as jazidas
são de pouca profundidade,
variando de 1,5 a 4,0 metros, acarretando com a exploração grandes depressões,
que após certo tempo são abandonadas, exigindo um tratamento especializado,
com projetos de revitalização da área degradada de acordo com normas da FEEMA
(Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente).
Nesta fase do processo é necessária uma pesquisa geológica para
caracterização das argilas, definindo tipos de minérios com características
tecnológicas específicas, que possam ser individualizados na extração. O resultado
da pesquisa irá indicar os lugares que apresentam características homogêneas, e
sua posição na jazida, permitindo um planejamento de mineração, que possibilite a
extração em separado de cada tipo definido pela pesquisa.
Sazonamento: Esta operação consiste na exposição da matéria prima às
intempéries, onde a ação combinada do sol, da chuva e de certos microorganismos
provoca a lavagem de sais solúveis, a desagregação de torrões e a oxidação de
piritas. Após a estocagem do material ao ar livre durante um período que varia de 6
meses a 2 anos, há condições técnicas mais propícias para preparação da massa
cerâmica.
UENF
77
PROPOSTA
Figura 4.3 - Argila em processo de Sazonamento (meteorização)
Composição: A partir das características especificas encontradas na
pesquisa geológica deve-se realizar experiências com diferentes formulações entre
os diversos tipos de argila disponíveis, até encontrar-se a melhor composição para
cada tipo de utilização, variando de produto a produto.
4.2 –LOCALIZAÇÃO.
Dois níveis de problemas devem ser considerados quando se estuda a
localização de uma planta industrial. São eles: (i) a seleção de uma região e (ii) a
seleção da comunidade do local da planta industrial. Embora alguns fatores
locacionais que serão discutidos depois, se apliquem a ambos os níveis, existem
certas considerações que se aplicam a região e outras a comunidade do local da
planta industrial.
UENF
PROPOSTA
78
4.2.1 - Seleção da Região.
Quando se faz a seleção da região, deve-se procurar informações de
natureza mais geral, que podem ser obtidas através dos seguintes recursos:
•
Níveis
de
Governo-
Municipal,
Estadual
desenvolvimento.
•
Agências Estatais;
•
Câmaras de Comércio;
•
Serviços de Eletricidade;
•
Serviços de Gás;
•
Disponibilidade de Combustíveis;
•
Ferrovias;
•
Rodovias;
•
Construtoras, engenheiros e Arquitetos;
•
Consultores;
•
Universidades - Centros de Pesquisa.
e
Federal.
Políticas
de
UENF
79
PROPOSTA
4.2.2 - Seleção da Comunidade e do Local.
As escolhas alternativas podem ser classificadas como: (1) cidades (2) locais
suburbanos e (3) rurais
1. Condições que sugerem locais urbanos:
•
Grande necessidade de mão de obra qualificada.
•
Processos fortemente dependentes de utilidades urbanas.
•
Construções Verticais.
•
Contato freqüente com fornecedores.
•
Transporte público rápido disponível.
2. Condições que sugerem locais suburbanos:
•
Grande necessidade de mão de obra semiqualificada ou mão de
obra feminina.
•
Evitar pesados impostos urbanos e seguros desejados
•
Força de trabalho residindo perto da planta.
•
Expansão industrial mais fácil do que na cidade
•
Comunidade perto, mas não em um grande centro.
3. Condições que sugerem locais rurais:
•
Necessidade de grandes áreas para demanda presente
ou futura.
•
Impostos mais baixos.
•
Grande necessidade de mão de obra desqualificada.
•
Menores salários.
•
Processo industrial perigoso
UENF
PROPOSTA
80
Quadro 4.1 Resumo dos fatores de localização que devem ser considerados
para selecionar uma região e fatores que devem ser considerados ao
selecionar um local e comunidade.
Seleção
Fatores de local
de
Território
.
Seleção de
local e
comunidade
Mercado
*
Matéria Prima
*
Transporte
*
*
Energia Elétrica
*
*
Clima e combustível
*
Trabalho e salários
*
*
Legislação e Impostos
*
*
Serviços comunitários e
Atitude
Água e desperdício
*
*
No caso em estudo, onde é utilizada uma única matéria-prima, sem perda
de peso, deve-se localizar a planta próximo à fonte de matéria-prima.
UENF
PROPOSTA
81
4.3 - A PROPOSTA
Os processos de negócios envolvem decisões, as quais necessitam de
informações para apoio a esses processos. Para o desenvolvimento de um
consistente modelo é necessário definir todos os requisitos para esse sistema. Para
identificar e definir esses requisitos, é necessário analisar os processos de negócios
da empresa os quais o modelo vai apoiar.
Para modelar a Central de Massa proposta neste trabalho, é necessário
desenvolver o processo de modelagem, onde a partir de um Plano Diretor, é feita a
Modelagem da Definição de Requisitos que é a base do projeto do sistema
Modelagem da Especificação do Projeto que define o sistema operacional. A
Implementação
do
sistema
operacional
–
Modelagem
da
Descrição
da
Implementação.
4.3.1 - Modelagem da Definição de Requisitos.
Este modelo expressa todas as necessidades de negócios relativas a
funções, informações, recursos e organização, que devem ser implementadas no
sistema da Central de Massa. Este modelo define “O QUE” tem que ser feito, sem
considerar restrições de implementação.
4.3.2.- Estabelecimento de Domínios.
A área de negócio da Central de Massa é a comercialização de matéria
prima para a indústria cerâmica do município de Campos dos Goytacazes, a partir
da obtenção da argila por um processo de mineração utilizando processos
tecnologicamente
desenvolvidos
e
baseado
em
uma
pesquisa
geológica
consistente.
4.3.3 - Analise do Comportamento.
Para que o objetivo da Central de Massa seja alcançado, é necessário
estruturar os processos de negócios e atividades da nova empresa. Define-se na
primeira etapa o tamanho do mercado que deverá ser atendido pela empresa, e sua
UENF
82
PROPOSTA
localização no aglomerado, a segunda etapa será a obtenção da área de
mineração, efetuando a pesquisa geológica para definir tipos de minério e as suas
características, que são necessárias para definição do método de lavra que será
efetuada, como também a disponibilidade quantitativa de material a ser
explorado.Na terceira etapa define-se o tipo de planta industrial e de que tamanho.
Na quarta etapa o tipo de transporte e suas etapas, recepção e entrega.
4.3.4 - Análise Operacional.
Nesta parte do processo de modelagem faz-se a descrição detalhada das
atividades da Central de Massa.
1-
Extração - A exploração de uma jazida deve ser feita baseada
na pesquisa geológica , que determina as características da argila
existente, fazendo a extração de cada tipo em separado e mantido
apartado até a mistura.
2-
Transporte – O transporte será feito em caminhões basculantes
da jazida até a central de massa.
3-
Depuração – A argila proveniente da jazida passa por um
processo de eliminação de impurezas, como grãos duros, raízes,
nódulos de cal, pedras, etc.
4-
Trituração – A argila passa pelo processo de trituração,
eliminando os torrões, e homogeneizando a granulometria do material.
5-
Sazonamento ou Meteorização – A argila é estocada ao ar livre
por um período de tempo necessário para as transformações físico
químicas ocorram.
6-
Mistura –
Nesta fase do processo industrial é feita a
composição da massa que será utilizada como matéria prima pelo
cliente,
podendo ter várias formulações de acordo com tipo de
produto a que se destina.
7-
Expedição – Encerrando o processo, está a entrega do pedido
ao cliente, que poderá ser feito CIF ou FOB.
UENF
83
PROPOSTA
4.3.5 - Analise de recursos.
A necessidade dos diversos recursos necessários a cada uma das etapas de
produção, está condicionada a previsão de demanda, e no caso especifico em
estudo, será feito um estudo baseado na demanda total do setor, baseado na
produção estimada (não existem dados oficiais) .
Produção estimada:Blocos Cerâmicos – 4.000.000 peças /dia
Necessidade de massa/1000 peças = 2,4 ton
Demanda de massa/ dia = 9.600 ton/dia
Demanda de massa/mês= 211.200 ton/mês
Tempo para meteorização= 4 a 6 meses (ideal)
Estoque necessário = 211.200 x 4 = 844.800 ton
Baseado nestes dados, nota-se que a demanda de matéria prima
no
aglomerado industrial do setor cerâmico de Campos dos Goytacazes atinge grandes
volumes,
CAPÍTULO 5
CONCLUSÕES
UENF 2004
CONCLUSÕES
85
5.- CONCLUSÕES
O aglomerado industrial em estudo pode ser definido como
uma
aglomeração de empresas com pequeno grau de articulação mas que apresenta
afinidade setorial , é disposto em forma de rede e aproveita muito pouco as
vantagens estáticas do aglomerado, como forma de comercialização de insumos,
transporte de produtos e marketing da atividade. A confiança entre os atores é
muito pequena e se restringe a pequenos grupos
o que ajuda a diminuir esta
confiança e a interatividade entre os diversos atores e agentes econômicos
envolvidos na atividade.
Analisando o resultado da pesquisa podemos constatar claramente que a
atividade de exploração de argila é totalmente desenvolvida pelas próprias
indústrias, o que impossibilita a criação de firmas mineradoras na região, fato que
inibe
a
utilização
de
tecnologias
mais
avançadas
nesta
atividade
e
conseqüentemente a produção com maior valor agregado.
Produto de menor valor leva também a utilização de combustíveis mais
baratos
e
menos
eficientes
no
quesito
qualidades
finais,
aumentando
significativamente a variabilidade do processo o que causa maiores perdas.
Apesar de muitas empresas já utilizarem uma tecnologia moderna, apenas
algumas conseguem traduzir isso em melhoria da qualidade do produto final, visto
que existe uma concorrência interna no aglomerado em termos de preço, o que
torna a concorrência predatória ao conjunto.
Isto se reflete no conjunto de empresas do aglomerado quando analisamos a
mão de obra empregada, onde mais de 60% da força de trabalho não completou o
ensino fundamental ou é analfabeta, mas mesmo assim não foi identificado nenhum
programa de capacitação de recurso humano. Segundo Marshall (1920), em sua
análise sobre a produção e a organização industrial, o conhecimento incorporado
nas faculdades humanas assume fundamental importância na compreensão do
desempenho econômico de firmas e nações. É ressaltada que tais faculdades,
constituem meios de produção tão importantes quanto qualquer outra espécie de
capital. Por isso, medidas que favorecessem o aumento do conhecimento dos
trabalhadores estariam contribuindo diretamente para o crescimento da riqueza
material de um país, estado ou região.
Quanto ao tipo de produto predominante no aglomerado, é clara a produção
de lajotas 18x18, fabricado por 87,5% do total de empresas. Este produto é o de
UENF 2004
86
CONCLUSÕES
menor valor agregado, pois seu processo de produção é o mais simples de todos
os produtos fabricados no aglomerado, o que explica em parte a pequena
importância do controle de qualidade no sistema produtivo que apesar de ser feito
por todas as empresas, não existe uma política clara no setor,sendo feito
isoladamente por algumas empresas, com pouca participação das instituições de
pesquisa e extensão, com baixa utilização de inovações tecnológicas de produtos e
processos.
Isso pode ser constatado claramente no resultado da pergunta sobre os
fatores que motivaram a implantação da indústria , onde nenhum dos entrevistados
citou o centro tecnológico isoladamente como fator motivador da implantação, e o
mais citado com 75% foram os aspectos locacionais.
Outro ponto pesquisado e que indica pouco desenvolvimento do aglomerado
diz respeito à cooperação entre os agentes produtivos, onde 50% das empresas
consultadas não indicou nenhuma experiência de cooperação, e 62,5% acham
pequena a interatividade entre os agentes.
A resposta à pergunta sobre nicho de mercado, o sistema habitacional e as
grandes construtoras representam o mercado almejado, por 75% das empresas
consultadas, indicando claramente o desejo de sair do mercado de varejo.
Apesar de existir uma boa estrutura organizacional ao setor, existindo um
sindicato, tradição regional e uma concentração muito grande de empresas do setor
a resposta sobre mobilização dos agentes, 75% responderam negativamente e
apenas 25% disseram que existe. Mesmo assim 50% reconhecem o sindicato e o
Sebrae como agentes atuantes. O grau de confiança entre os atores é considerado
baixo por 50% dos entrevistados e médios por 37,5% , não tendo nenhum
entrevistado considerado alto este quesito. Quanto ao cenário da atividade 62,5% o
considera pessimista enquanto apenas 12,5% o considera otimista, pelas condições
existentes na região.
Fica claro que o aglomerado em estudo foi construído de “baixo para cima”,
ou seja, partindo das potencialidades sócio-econômicas originais do local, no lugar
de um modelo de desenvolvimento “de cima para baixo”, isto é, partindo do
planejamento e intervenção conduzidos pelo Estado.
É fácil deduzir que os locais e regiões que optam por utilizar apenas as
“vantagens adquiridas”, ou “dadas”, estarão se candidatando ao declínio econômico
UENF 2004
87
CONCLUSÕES
enquanto aquelas que optam pelas conquistas de novas vantagens estarão mais
próximas do sucesso ou da sobrevivência.
A chave portanto, segundo Maillat (1995), encontra-se certamente na
capacidade dos atores de uma determinada região, compreender as transformações
que estão ocorrendo em sua volta, no ambiente tecnológico e no mercado, para que
eles façam evoluir e transformar o seu ambiente. Para que o aglomerado em estudo
possa avançar em seu desenvolvimento, se utilizando das enormes potencialidades
de que dispões será necessário:
(i) articulação sistêmica da indústria com ela mesma, com o ambiente externo
macroeconômico e infra-estrutural e com as instituições públicas e privadas, tais
como Universidades, Institutos de Pesquisa, etc. --a fim de maximizar a absorção
de externalidades, principalmente tecnológicas. (ii) plasticidade na ação conseguida
através de uma forte associação entre a indústria e os atores e agentes locais, que
permita processos rápidos de adaptações face às transformações do mercado e (iii)
forte vocação externa, sempre buscando o objetivo da competitividade exterior.
Por todos estes motivos,
ficou claro que esta atividade econômica no
município de Campos dos Goytacazes passa por sérias dificuldades, principalmente
se levarmos em consideração o cenário nacional para o setor consumidor de seus
produtos que é a construção civil, onde apesar do imenso déficit habitacional de
nosso país, não temos uma política definida para o setor.
5.1 – Considerações Finais
Inicialmente, a grande quantidade de perdas industriais, localizadas na fase
industrial de obtenção da matéria prima, parecia ser o objetivo principal deste
trabalho. No entanto no decorrer da pesquisa, as características encontradas no
aglomerado industrial da região, mudaram o foco do trabalho, indicando que
qualquer tentativa no sentido de melhorias tecnológicas esbarraria na cultura
empresarial existente na região.
Em sua palestra proferida em novembro de 2003, em São Paulo, Porter diz
que: “Claramente, o aumento de produtividade tem relação com a capacidade de
inovação. Quanto mais avançada é a economia, mais as empresas precisam fazer
UENF 2004
88
CONCLUSÕES
produtos únicos, usando processos de produção únicos, o mais avançado possível.
Basicamente, a importância da produtividade é que ela sustenta o aumento do
padrão de vida. Não se consegue ficar mais rico a não ser incrementando a
produtividade... Sabemos que a produtividade é função de duas grandes condições:
primeira, a conjuntura econômica, política, jurídica e social. ... e segunda, fazer
progressos na base, ou seja, na microeconomia. Neste ponto o Brasil não tem uma
estratégia .... Para ser produtiva, a empresa precisa de um Cluster. Precisa de
fornecedores que possam trabalhar com ela todos os dias, precisa de prestadores
de serviço, precisa de escolas que treinem pessoas para seu negócio. ... É preciso
uma massa crítica que forme um Cluster”.
O estudo sobre o aglomerado industrial do setor cerâmico do município de
Campos dos Goytacazes, indica um aglomerado industrial significativo em termos
quantitativo, porém que não evoluiu em suas relações interativas, tendo uma
sinergia muito baixa entre seus atores, praticando uma concorrência predatória,
baseada em preços baixos, e como conseqüência, baixa qualidade de seus
produtos.
A falta de assistência técnica especializada na região, indica claramente um
baixo nível de utilização de modernas tecnologias, que aliada a falta de confiança
entre os empresários, levaram a uma cadeia produtiva fechada e verticalizada,
impedindo a formação de empresas fornecedoras dentro da cadeia produtiva.
Ao se propor a construção da Central de Massa, como forma indutora de
desenvolvimento do aglomerado industrial, pretende-se atacar dois pontos críticos
do aglomerado industrial, que são: (i) a falta de confiança entre os empresários; e
(ii) a grande quantidade de perdas industriais devido a falta do emprego de
modernas tecnologias na extração e preparo da matéria prima.
5.2 – Recomendações.
Na realidade, o maior grau de interação entre as empresas no agrupamento,
propiciam ganhos de escala e otimização dos processos, sejam a montante ou a
jusante da cadeia produtiva. Esta ação proposta seria o primeiro passo nesta
direção, sendo que muitos outros poderão vir. A jusante do processo, como na
comercialização e na atividade de marketing e a montante, o suprimento de matéria
prima e insumos em geral, atividades de controle de qualidade de insumos e do
UENF 2004
89
CONCLUSÕES
próprio produto final das empresas, coordenação de compras, etc., como também a
capacitação dos recursos humanos envolvidos tanto no processo industrial quanto
nos processos de apoio como manutenção, controle de qualidade, etc..
Pode-se afirmar que muitas são as ações possíveis para que esse
aglomerado industrial evolua, passando a ser um aglomerado avançado, trazendo
assim uma maior geração de renda e conseqüentemente maior qualidade de vida
para todos os atores envolvidos. É necessário portanto que o primeiro passo seja
dado nesta direção, envolvendo o maior número possível de agentes , sejam
públicos ou privados.
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UENF
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ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO
UENF
97
ANEXO 1
- QUESTIONÁRIO APLICADO
QUESTIONÁRIO DE TESE:
Esforço inicial de identificação de agrupamento (CLUSTERS) industrial.
Nome da Empresa: _______________________________________________
Endereço: ______________________________________________________
Proprietário: ____________________________________________________
CNPJ: _______________________ Ano de Fundação: __________________
1- Matéria Prima.
Extração
o Terra própria
o Terra Arrendada
o Fornecedores
Maquinário
o Próprio
Valor R$ __________
o Alugado
Preço R$ __________
o Outros ___________________________
Tecnologia Empregada
o
o
o
o
o
o
Pesquisa geológica
Estabelecimento de composições
Lavra, beneficiamento e estoque
Extração de cada tipo em separado e mantido apartado até a mistura;
Execução rígida da composição da argila;
Controle na recepção.
2- Energia
o Lenha
o Óleo
o Gás
UENF
98
ANEXO 1
3- Tecnologia de produção
o
o
o
o
Mais moderna
Moderna, mas existem mais modernas
Um pouco obsoletas
Completamente Obsoletas
4- Mão de Obra
o
o
o
o
o
o
o
o
o
o
Número de funcionários
N=___________
Analfabetos
N=___________
Fundamental - Incompleto N= ___________
Fundamental Completo
N= ___________
Ensino Médio Imcompleto N= ___________
Ensino Médio Completo
N= ___________
Ensino Técnico Incompleto N =___________
Ensino Técnico Completo N= ___________
Ensino Superior Incompleto N =___________
Ensino Superior Completo N= ___________
5- Manutenção
o Corretiva
o Preventiva
o Preditiva
6- Produtos
o
o
o
o
o
o
1_________
2_________
3_________
4_________
5_________
6_________
7- Controle de Qualidade
o
o
o
o
Faz freqüentemente
Faz esporadicamente
Não faz
Certificação
8- Fatores que motivaram a implantação da indústria
o Fatores locacionais (mercado, matéria prima, pólo tecnológico, outras
industrias)
o Tradição local
o Presença de Centro Tecnológico
o Mão de obra disponível
UENF
99
ANEXO 1
9- Existe alguma experiência de cooperação entre os diversos agentes
produtivos locais?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________
10- Qual o nível de interatividade entre os agentes produtivos e o centro
tecnológico local?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________
11- Existe algum nicho de mercado que pode ser almejado?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
__________
12- Existe mobilização dos agentes produtivos locais para a definição de um
plano de ação na construção das condições de atração de investimentos para
o agrupamento, visando o desenvolvimento do mesmo?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________
13- Em caso afirmativo, quais os agentes envolvidos e qual a estratégia de ação?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
__________
14- A confiança exerce uma importância crescente nas análises econômicas e
dos processos de ganho de competitividade.Qual o grau de confiança
existente entre os diversos agentes produtivos locais?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________
15- Como você construiria o cenário atual da atividade ceramista no município de
Campos dos Goytacazes?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_________________________
ANEXO II
MAPAS
101
UENF 2004
ANEXO II
102
UENF 2004
ANEXO II
103
UENF 2004
ANEXO II
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LUIZ ALBERTO DE ABREU PUPE Orientador: Prof. Assed