COLEÇÃO DE CALÇADOS INSPIRADOS NO ESPETÁCULO “OVO” SHOES COLLECTION Marina Santos Viecelli1 Taiza Kalinowski Anselmo2 Resumo O presente artigo tem como objetivo apresentar as etapas referentes às pesquisas que resultaram no desenvolvimento de uma coleção de calçados, para mulheres contemporâneas, a partir da temática “OVO”, espetáculo comemorativo de 25 anos do Cirque du Soleil, aliado as inspirações das macrotendências destinada ao verão 2010/2011. Para alcançar os objetivos, foram realizadas pesquisas bibliográficas no sentido de conhecer a história da mulher na sociedade, pesquisas de campo para investigar as tendências de comportamento e de mercado. Os instrumentos utilizados foram entrevistas dirigidas, através de um conjunto de perguntas préformuladas e padronizadas. Todo o contexto da pesquisa fundamentou a criação da coleção. Palavras Chave: mulher contemporânea; calçado; Cirque du Soleil. Abstract ThThis article aims to present the steps for the research that resulted in the development of a footwear collection for contemporary women, from the theme "OVO", a show commemorating 25 years of Cirque du Soleil, for the 2010/2011 summer. To achieve the objectives, literature searches were performed to recover the history of women in society. Was also conducted field research to investigate behavioral tendencies and market trends by using directed interviews through a set of questions pre-formulated and standardized and a questionnaire with objective questions. The whole context of the research justified the creation of the collection. Keywords: contemporary woman, shoes, Cirque du Soleil. 1 INTRODUÇÃO Historicamente os primeiros calçados surgiram do aproveitamento da pele e couro dos animais os quais os homens primitivos abatiam, os materiais envolviam os pés tendo como função a proteção dos mesmos. Com o tempo a técnica foi sendo aprimorada, já no século XIV o trabalho com o couro era uma atividade de classes humildes, considerada inferior pela 1 Graduanda em Design com habilitação em Design de Moda – Universidade do Vale do Itajaí. E.mail: [email protected] 2 Orientadora. Pós Graduada em Comunicação e Marketing de Moda – Anhembi Morumbi. E.mail: [email protected]. nobreza. Porem seu uso era restrito apenas a alguns, distinguindo as classes sociais inclusive com os modelos e cores. A evolução era continua em todos os âmbitos, o calçado feminino inicialmente seguia o mesmo formato do masculino, com a diferença de serem peças unicamente utilitárias e não serem vistas, sempre abafados e escondidos pelo grande volume de saias e mantos compridos. (MOTTA, 2005) A história da mulher é marcada por um longo período de submissão e é a partir da revolução industrial que inicia sua luta por um lugar na sociedade, pois em épocas passadas, sucedeu-se o fato de que a mulher haveria de nascer, viver e crescer submetida à discriminação e ao poder em suas diferentes instâncias sociais. As práticas educativas e de poder que sempre se desenvolviam nas sociedades, lhes dava direito apenas a aprender sem restrições, prendas do lar, para por fim, procriar. (MURARO, 1993) Com o passar dos tempos a divisão do trabalho por sexo atribuiu a mulher qualidades, habilidades e autonomia, para dirigir, ser independente e tomar iniciativas próprias que lhe determinariam seu novo comportamento. E como repercussão sua importância no cenário de consumo vem se acentuando ao longo das últimas décadas. Afinal, as mulheres em suas vidas atribuladas necessitam ser gratificada pela denominada “tripla jornada de trabalho” – trabalho dentro e fora de casa, além de uma exigência estética social, incluído os gastos em tempo e energia na esfera dos cuidados em torno da beleza. Apesar de todo este contexto, a mulher não deixou de ser "bela", e são essas mesmas mulheres contemporâneas que contemplam o público-alvo desse projeto. Esse público costuma buscar nos produtos beleza estética e autenticidade ligada às tendências de moda. Sendo assim o presente artigo abordará os seguintes assuntos: o comportamento da mulher em diferentes aspectos, a relação entre arte e moda como base para a temática da coleção e uma pesquisa de mercado. Tópicos que darão embasamento para o desenvolvimento de uma coleção de calçados femininos para o verão 2010/11, a qual estimule o desejo de compra das mulheres contemporâneas, além de proporcionar conforto, satisfação e bem estar às mesmas, e dessa forma ser competitiva comercialmente. Partindo dessa perspectiva é necessário que a coleção esteja embasada a uma temática, a qual ira auxiliar no processo criativo e proporcionar a autenticidade desejada. A temática trabalhada na coleção será o novo espetáculo do Cirque du Soleil 3, com mais de 25 anos de estrada, a companhia é internacionalmente conhecida por ter revolucionado a linguagem dos espetáculos circenses. Denominado “OVO”, com o intuito de simbolizar a vida, a história se passa numa comunidade de insetos, mostrando o dia-a-dia desses bichinhos. É importante ressaltar que este foi o primeiro espetáculo dirigido por uma mulher. Deborah Colker, uma coreografa brasileira, foi responsável pelo roteiro, direção e coreografia do mesmo. A brasilidade esta presente também nas músicas produzidas pelo brasileiro Berna Ceppas, e nos cenários criados pelo designer e cenógrafo Gringo Cárdia. 2 METODOLOGIA A metodologia tem como finalidade proporcionar suporte consistente ao longo do projeto. Dispõe ao designer o auxílio necessário para que sejam efetivadas as etapas fundamentais do processo, ajudando na organização das tarefas, tornando-as mais claras e precisas. Conforme Munari (1998), o método projetual não consiste apenas em um conjunto de operações necessárias, dispostas em uma ordem lógica, evidenciada pela experiência. Seu objetivo é alcançar o melhor resultado com menor esforço. O método projetual não é incontestável, pode ser modificado caso encontre outros valores objetivos que melhorem o processo. No campo do design tampouco é correto projetar sem método, pensar de forma artística buscando uma idéia sem fazer previamente um estudo para documentar-se sobre o que já foi realizado no campo do que se vai projetar, sem saber com que materiais construir a coisa, sem precisar bem sua exata função (MUNARI, 1998, p. 18) Tendo em vista o conceito de metodologia e a sua relevância para o desenvolvimento de um projeto de qualidade, optou-se pela metodologia MD3E4, de Santos (2005), a qual tem início na etapa central de definição do problema (necessidade humana), em seguida passa para três etapas básicas, pré-concepção, concepção e pós-concepção. Conforme Santos (2005), na pré-concepção são definidas todas as tarefas necessárias antes da geração de alternativas e na pós-concepção todas as tarefas a serem desenvolvidas após a 3 4 Cirque du Soleil – companhia de circo de origem canadense. Método de Desenvolvimento em 3 Etapas definição da melhor solução para o projeto. A figura 01 ilustra o fluxograma da metodologia de projeto adotada com suas etapas e especificações. OPORTUNIDADE PRÉ-CONCEPÇÃO CONCEPÇÃO Planejamento do projeto Cronograma Caminhos Criativos Análise do problema Pesquisa Geração de alternativas público temática estado design concorrentes Funcionais Atributos do produto Estético-Formais PÓS-CONCEPÇÃO Scrapbook Protótipo Processos produtivos Tecnológica funcional Seleção e adequação Produção fotográfica Memorial descritivo Ergonômica Estético-formal Mercado Venda/ Pós-venda cores formas estilo Simbólicos Figura 01: Fluxograma metodológico MD3E. Fonte: Adaptado de Santos, 2005. Neste artigo serão apresentadas as informações referentes à pré-concepção, tendo início com a etapa de planejamento de projeto, na qual foi elaborado um cronograma. Seguindo com a análise do problema, onde foi efetuada a pesquisa bibliográfica do tipo exploratória, a qual é caracterizada por proporcionar maior familiaridade com o problema, sendo o objetivo principal o aprimoramento de idéias. (GIL, 1996, p.45) Os assuntos abordados na pesquisa começam com uma contextualização da perspectiva histórica da mudança do papel da mulher na sociedade até os dias atuais, a relação entre a jornada de trabalho feminino e o cuidado pessoal. Seguindo com o consumo de moda como gratificação por seus esforços e sobrecargas diárias, focada no público feminino adulto e seu comportamento, o qual é ilustrado com um painel semântico. Prosseguindo é abordada a relação entre as duas vertentes arte e moda, partindo para a apresentação da temática escolhida, Cirque du Soleil junto às macrotendências e sua importância na coleção de moda. Finalizando a etapa de análise do problema entra a pesquisa de mercado, onde é feito um levantamento de dados analisando o mercado calçadista atual, seguindo com o estado do design e algumas das marcas concorrentes utilizando a ferramenta PFFOA análise dos pontos fracos, pontos fortes, oportunidades e ameaças. Para auxiliar na etapa de definição dos atributos do produto (funcionais, estético-formais e simbólicos), será realizada a pesquisa de campo com duas abordagens – uma qualitativa, através de entrevistas com proprietários de lojas de sapatos e alguns funcionários, instrumento construído pela própria pesquisadora, cuja meta será obter informações do mercado; a outra abordagem será quantitativa, através de um questionário com o púbico alvo, instrumento também elaborado pela pesquisadora objetivando ampliar os conhecimentos e preferências das consumidoras, quanto aos modelos, marcas e formas de uso. Na seqüência será apresentada a parte da concepção, a qual tem inicio com os caminhos criativos com o auxilio da técnica da biônica. Passando para a etapa da geração das alternativas e finalizada com a seleção e adequação, quanto a tecnologia e funcionalidade, ergonomia e a parte estética e formal do produto, englobando cores, formas e estio. A última etapa do projeto se da pela pós-concepção, a qual envolve o mercado (venda e pós venda) e os processos produtivos, o modelo volumétrico, o protótipo do produto, a produção fotográfica e o fim o memorial descritivo. 3 DESENVOLVIMENTO É de suma importância a utilização de um referencial teórico abrangendo itens de pesquisa coerentes ao tema, tais como a mudança do papel da mulher na sociedade, sua relação entre a jornada de trabalho e o cuidado pessoal, e o comportamento da mulher como consumidora de moda. Sendo assim a seguir pode ser visto o desenvolvimento desses itens. 3.1 A mudança do papel da mulher na sociedade. Visando mostrar a mudança do papel da mulher na sociedade são apresentadas reflexões históricas enfatizando a sociedade contemporânea. Entre lutas e conquistas, foi alcançando um novo lugar de reconhecimento, agora não é mais vista apenas como mãe e esposa, é uma mulher que trabalha adquirindo uma independência financeira e então passa a ser dona de suas opiniões. Desde o inicio da Revolução Francesa, no século XVIII, é possível identificar mulheres na luta pelo seu direito à cidadania, pois eram exploradas, trabalhavam mais que os homens, ganhavam menos e durante as refeições eram as ultimas a receber comida e em quantidade menor. As mais intelectualizadas e insatisfeitas por sua condição de submissão, rompiam com os papeis para elas estabelecidos e se colocavam no mundo publico na defesa de novos direitos e reivindicações femininas (PINTO, 2003). É com o desenvolvimento da sociedade capitalista que surge a família moderna, conforme Muraro (1993), pelo fato de o capitalismo ter fabricado mais máquinas do que “machos”, as mulheres invadem o mundo masculino, desafiam a dicotomia entre público e privado e conquistam direitos, como cidadãs. Dessa forma o homem se vê obrigado a ajudar a companheira nos cuidados com os filhos e a casa, deixando para trás a cultura patriarcal. Assim o perfil da trabalhadora inserida no mercado de trabalho sofre grandes transformações, agora as mulheres, possuem níveis mais altos de escolaridade e dedicam-se a maior numero de horas destinada ao trabalho remunerado. Assim, amplia-se o contingente das mulheres chefes de família e aumenta a permanência das trabalhadoras no mercado de trabalho na faixa etária de 25 a 40 anos, casadas ou não, tendo ou não filhos. O laço matrimonial também sofre transformações, passa a ser fundado no amor e na livre escolha. Muraro, Puppin (2001) afirma, porem a manutenção do casamento e a estabilidade familiar estão sempre sujeitos a dissolução, pois a relação depende da satisfação emocional. A noção de eternidade das relações e dos sentimentos foi abalada, casamentos e famílias passaram a desfazer-se e refazer-se continuamente. Muraro, Puppin (2001) comenta, a efemeridade, a instabilidade contemporânea tornou-se uma característica atravessando a cultura e a identidade agora seria mais centrada em torno do lazer, na aparência, na imagem e no consumo. “A fragmentação do sujeito e os limites dados pela individualidade são cada vez mais parte da condição de indivíduos pertencentes a diferentes grupos incorporados a sua visão de mundo.” (MURARO, PUPPIN 2001) Atualmente, à medida que as fronteiras entre papeis tornam-se muito mais fluidas, a identidade de homens e mulheres também se tornou mais aberta à mudança. Assim, a transformação da família em unidade de consumo e da mulher em agente consumidor permitiu que a mulher que anteriormente saía de casa para abastecer o lar e suprir as necessidades básicas da família, hoje se alia ao lazer e a individualidade feminina. A individualidade é um bem precioso, que ninguém quer, e não deve abrir mão. (MURARO, PUPPIN 2001) O mundo mudou e os homens não são mais protetores ou provedores, a relação tem que ser cooperativa e ambos, por meio de negociações, decidem o que será feito em conjunto. A independência sexual, emocional e financeira das mulheres vai interferir muito nas prioridades das suas necessidades. Entretanto, as mulheres em suas vidas atribuladas precisam dar conta de muitas necessidades: da saúde, bem estar, beleza, trabalho, vida familiar, gravidez e filhos. Com todas essas funções no seu cotidiano, é importante destacar a relação da mulher entre o trabalho e os cuidados pessoais. 3.2 A jornada de trabalho X o cuidado pessoal Com o ritmo acelerado de trabalho associado à falta de tempo é difícil manter a saúde e a boa forma. Contreras (2007), comenta que é fundamental reservar um espaço na agenda diária para tomar café-da-manhã e almoçar, de preferência no mesmo horário, além de programar um intervalo para um lanche no meio da tarde. O cotidiano das mulheres está a cada dia mais atarefado, pois, além de ótimas profissionais, excelentes na organização da casa, queridas entre os amigos, presentes na família, ainda precisam ter pique para serem assíduas na academia, e não podem esquecer os atributos sensuais que toda mulher precisa ter. (SANCHES, 2007). Sanches (2007) ainda afirma que, “estressadas pela pressão, nossas mães também eram. O desafio delas foi conseguir um emprego e assumir duas jornadas de trabalho, dentro e fora de casa. Hoje, no entanto, nós queremos mais. Queremos e precisamos de sucesso.” Esse relato mostra o quanto às mulheres são sonhadoras e batalham por seus ideais, porem sua busca por novas conquistas é constante. A atualidade produziu um modelo de vida cotidiana para as mulheres, onde a interface entre a inserção no mercado e os afazeres da vida doméstica é beneficiada pelas tecnologias de uso doméstico, dando-lhes várias utilidades, inclusive a de “liberar tempo” para viver a dupla jornada e ainda dar conta do convívio familiar e do cuidado pessoal. Entretanto essas oportunidades criadas seletivamente pelo mercado necessitam ser compradas. Desta forma o relacionamento da mulher com o consumo se modificou, agora ela é uma cidadã, com direitos, deveres, sua responsabilidade social aumentou e as compras do lar já não são mais uma válvula de escape. A era moderna faz com que estas procurem gratificações por seus esforços e sobrecargas diárias. 3.3 Mulher consumidora de moda Em decorrência da inserção da mulher no mercado de trabalho, sua importância no cenário de consumo vem se acentuando ao longo das ultimas décadas. Feghali (2008) acrescenta que, atualmente houve um aumento do poder de compra, e assim os consumidores passaram a adquirir artigos de moda com muita freqüência, os motivos são distintos, vão desde estar na moda até a necessidade de ser aceito por um determinado grupo. Cobra (2007) complementa com a afirmação que “quando o desejável vira necessário, esquece-se do que é preciso de fato”. Ao consumir moda a mulher procura também satisfação pessoal, dessa forma o seu comportamento não é lógico ou racional, mas afetivo-emotivo. Por isso os calçados são grandes aliados, com um belo par de sapatos se sentem lindas e sedutoras, mesmo não tendo um corpo dentro dos padrões estéticos. Cobra (2007), acrescenta que, é essa necessidade de aceitação social nas “tribos” que faz do ser humano um consumista. A marca além de informar e sensibilizar, é responsável por produzir significados, os quais são caracterizados em quatro níveis: os atributos físicos do produto, suas funções e desempenho; os benefícios que sua aquisição oferece o status, o prestigio e outras recompensas emocionais, além de projetar a personalidade do consumidor. (COBRA, 2007) Assim são os calçados, capazes de transformar uma mulher e seu look, um pretinho básico fica descontraído com uma sapatilha, o mesmo fica sexy com uma sandália, elegante com uma bota e sofisticado com um escarpin. A cor, a textura e o estilo são os elementos mais visíveis nos artigos de moda e por isso são responsáveis por atrair a atenção do consumidor. Porém no ato da compra, existem as considerações de ordem prática como o preço, prova adequação, marca desempenho, explica Feghali (2008). Quando se fala em consumo é fundamental destacar o papel de importância da comunicação, pois hoje é responsável pela influencia de muitos dos artigos de moda consumidos no mundo, a moda é um produto que se integra a todo tipo de mídia. Afinal não basta a sedução exercida por um belo salto alto, são necessários outros atributos, como conceito, design, fascínio, apelo social, todos defendidos e negociados a partir da publicidade. Pois “uma comunicação eficaz torna-se imprescindível para que o público-alvo esteja bem informado”. (FEGHALI, 2008) Os efeitos da informação de moda interferem no gosto, na escolha e no ato da compra de um produto de moda, bem como na atitude e no comportamento do individuo. Sendo assim são essas mulheres adeptas as influencias e ao status proporcionados pela moda que será abordado abaixo. 3.4 Público - Alvo Cobra (2007) afirma, no Brasil a participação da mulher no mercado de trabalho tem aumentado, sendo algumas delas provedoras do domicilio. Conforme o mesmo autor de acordo com dados referente ao Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), em 1991, 18,10% dos domicílios eram administrados por mulheres; em 2000 esse percentual havia subido para 24,90% e não para de crescer. Esses dados representam uma diminuição no tempo livre das mulheres e mudanças no foco de consumo, agora estas possuem poder aquisitivo para investir tanto na infra-estrutura familiar como para suprir outras necessidades - produtos como vestuário, calçados, perfumes, bolsas entre outros complementos indispensáveis. São essas mulheres independentes e contemporâneas, ligadas na moda e sempre atentas aos mínimos detalhes, que este projeto pretende atingir. Apostando em modelos adequados para as mulheres que buscam conforto, qualidade, versatilidade e beleza, trazendo referencias da moda, arte e cultura contemporânea. Figura 02: Painel Semântico Público-alvo. Fonte: Compilação de imagens elaborados pelo autor. Tendo em vista o público do projeto, outros valores pertinentes são as pesquisas relacionadas à temática, sendo assim na sequencia será comentado sobre a relação entre as diferentes formas de arte e a moda. 3.5 Arte e Moda A arte é uma forma de expressão que pode ser classificada em vários tipos, sendo assim a moda é uma linguagem que se traduz em termos artísticos, relacionada à criação, a cultura e a tecnologia, além dos aspectos históricos, políticos e econômicos. Moura (2008) diz, que tanto arte quanto a moda existem em razão da atividade humana; da interferência do conhecimento humano sobre a matéria que, somada ao universo do sensível e da estética, dá forma ao objeto. Boal (2002) acrescenta que “o teatro é a primeira invenção humana e é aquela que possibilita e promove todas as outras invenções e todas as outras descobertas”. Outra analogia é a semelhança marcante dos elementos básicos trabalhados na composição visual, como: formas, cores, volumes e texturas. Moura (2004) complementa, a moda é capaz de expressar uma série de significados, uma linguagem em que tecidos, rendas, bordados, cetins, veludos e modelagens se relacionam uns com os outros em composições de cores, formas e texturas. A moda é uma importante área de produção e expressão da cultura contemporânea – “Como qualquer artista o criador de modas inscreve-se dentro do mundo das formas. E por tanto, dentro da arte”. (SOUZA, 2005). Atualmente, os desfiles de moda são verdadeiros espetáculos, shows; são preparados com todos os mais recentes recursos artísticos e tecnológicos, e para um bom resultado final, todos os detalhes são fundamentais – luz, música, cena, looks (MOURA, 2004). No mundo das artes os profissionais que nela atuam precisam de fontes de inspiração para suas criações, geralmente suas obras são classificadas por fases, onde cada uma tem um tema, uma fonte de referências e influencias. No meio da moda não é diferente, usar e abusar das temáticas é de suma importância na elaboração das coleções. 3.6 A temática na coleção de moda Segundo Treptow (2007, p. 87) a temática é uma fonte de inspiração na coleção, é a historia, o argumento. A cada nova coleção é necessário um tema diferente e para isso o designer precisa usar sua sensibilidade, manter os olhos e ouvidos abertos, estar atento a todos os tipos de influencia. Jones (2005, p. 170) salienta que na busca por inspiração é interessante freqüentar lojas, clubes, bares, cafés, shopping, assistir shows e filmes, ler revistas, jornais e livros, ouvir músicas, e principalmente observar as pessoas, percebendo as sutis mudanças estéticas e de comportamento que acontecem na sociedade. Depois de escolhida a temática o designer precisa pesquisar muito sobre a mesma, buscando elementos de inspiração que possam ser transportados para as criações. Dessa forma todos os artigos da coleção estarão imersos ao tema. Para facilitar esse trabalho é interessante contextualizar a temática com as tendências de moda, explica Treptow (2007, p. 88, 89). Seguindo esta afirmação serão apresentadas a seguir informações sobre as tendências e temática que serão usadas para auxiliar no processo de inspiração da coleção. 3.6.1 Macrotendências verão 2010/2011 Tendo em vista a importância da temática na coleção de moda, seguem referencias relacionadas ao comportamento do consumidor, ou seja, as macrotendências para o verão de 2010/2011, as quais irão auxiliar na busca por inspiração e proporcionar autenticidade á coleção. Nesse projeto serão trabalhados dois dos conceitos-chave propostos no site Use Fashion (2009), o bem estar e o natural, de forma direcionada ao público. O bem estar, associado à idéia do culto a natureza e a qualidade de vida, é caracterizado pela busca do equilíbrio entre corpo e mente. Uma junção entre a tecnologia e a tudo o que proporciona a sensação de uma vida saudável com equilíbrio. A descoberta do outro, suas experiências e cultura, tudo passa a ter valor. Tanto o que é simples quanto o que é particular e singular passou a ser super valorizado. A figura 03 ilustra o conceito do bem estar, projetos que associam preocupações ambientais com qualidade de vida particular e familiar, e alguns materiais e efeitos que são sugeridos para explorar ao máximo o universo do meio ambiente. Figura 03: Painel macrotendências. Fonte: Compilação de imagens elaborada pelo autor, com base no site Usefashion. Natural é a busca por uma relação táctil e estética com o planeta, visando uma união entre homem e natureza a partir de novas formas de agir e pensar. Orgânico, sintético e reciclado se combinam em produtos que buscam inspiração nas imperfeições, texturas, volumes e aspectos da natureza, alem de usá-la de modelo para futuras tecnologias. A figura 04 tem como inspiração conceitos verdes, produtos e estilos de vida com novos níveis de apelo sensorial, a partir da natureza. Essa inspiração esta presente em varias formas de expressão artística, na arquitetura, no mobiliário, na moda em outros meios. Figura 04: Painel macrotendências. Fonte: Compilação de imagens elaborada pelo autor, com base no site Usefashion. Junto a essas referências abordadas será associado um espetáculo do Cirque du Soleil, “OVO” o qual engloba as mesmas questões ambientais, pois o espetáculo se passa numa comunidade e insetos. 3.6.2 Cirque Du Soleil Fundado em 1984 por um grupo de artistas de rua no Quebec - Canadá, sob a direção de Guy Laliberté. O Cirque du Soleil tem mais de 25 anos de estrada, a companhia é internacionalmente conhecida por ter revolucionado a linguagem dos espetáculos circenses. Ao todo são 25 espetáculos que fizeram sucesso em todo o mundo, alguns são itinerantes e percorrem vários países, outros possuem uma estrutura fixa, como é o caso dos espetáculos: La Nouba (1998), ZUMANITY (2003), The Beatles LOVE (2006), entre outros, informações obtidas do site da companhia. Alguns elementos estão sempre presentes nos espetáculos do cirque, figurinos e maquiagens sempre muito elaborados e harmônicos, se misturam de tal forma que não se sabe se aquele detalhe faz parte da maquiagem ou já é o adereço de cabeça. Quanto à parte de cenografia é algo fantástico, exploram o palco ao máximo, durante a apresentação é impossível acompanhar todos os movimentos, pois trabalham muito a presença de palco, é difícil o momento que fique um único personagem. Tudo isso junto a uma composição musical perfeita, faz das apresentações um momento mágico. O mundo dos insetos é a grande inspiração do novo espetáculo do circo, denominado OVO simbolizando o ciclo dos insetos, a vida acaba para começar de novo. Uma produção de R$ 88 milhões que levou dois anos para sair do papel e chegar ao picadeiro. Estreou oficialmente dia 8 de maio no Canadá. Esse é o primeiro espetáculo da companhia dirigido por uma mulher, a coreógrafa brasileira Deborah Colker. (MARTINS, 2009) Débora é responsável pela concepção do roteiro, direção e coreografia do espetáculo, tornando a apresentação um show de dança, interpretação e acrobacias. Junto a ela trabalharam mais dois brasileiros, o designer e cenógrafo Gringo Cárdia que criou uma composição com casas e ovos de insetos, alem de uma parede de escalada com uma estrutura de camas elásticas embaixo, na qual os acrobatas saltam e escalam. E não menos importante o músico e produtor Berna Ceppas que fez a trilha sonora, um ritmo super animado, deixando a cara de um Brasil contemporâneo. (MARTINS, 2009) OVO é baseado na vida dos insetos e o mundo em que vivem. No início do show, um enorme e misterioso ovo aparece no meio da natureza em que vivem criando uma inquietação e curiosidade entre os habitantes do lugar. OVO fala de um ecossistema colorido e cheio de vida, onde os insetos trabalham, comem, jogam, lutam e procuram o amor em um motim incessante de energia e movimento. O lar dos insetos é um mundo de biodiversidade e beleza, cheio de ação barulhenta e momentos de calma emoção (cirque du soleil, 2009). Liz Vandal designer de fantasias, explica no site da companhia como foi seu processo criativo, “a solução foi me conectar com o sentimento de estar cara a cara com uma aranha, uma barata ou uma borboleta”. Dentro disso, ela fez desenhos detalhados que interpretava a morfologia de cada inseto, o resultado foi fantástico, a composição entre figurino e maquiagem somada à interpretação dos bailarinos fez com que parecessem verdadeiros insetos. Figura 05: Painel Semântico Temática. Fonte: Compilação de dados elaborados pelo autor. Tendo definido as temáticas que serão utilizadas é importante destacar como essas referências irão aparecer na coleção, quanto ao espetáculo “OVO”, serão exploradas as cores vibrantes em suas combinações inusitadas presentes no figurino junto as texturas. Sobre as macrotendências foram escolhidas duas fontes para auxiliarem na inspiração, são elas: o Studio Rainer Mutch e a Feira Internacional de Móveis de Milão de 2009. A partir dessas fontes serão exploradas as formas, os volumes, as texturas e a relação com o meio ambiente presente em algumas das obras. A seguir será dissertado quanto à pesquisa de mercado. 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DA PESQUISA Finalizada a etapa da revisão bibliográfica e demais pesquisas no âmbito do comportamento, esse item contempla as análises referentes à pesquisa de mercado efetuada a partir de conteúdos disponíveis em sites de marcas importantes no segmento além da análise dos resultados obtidos através da pesquisa de campo realizada com o público-alvo. Ao final desta seção serão mostrados os resultados da coleção. 4.1 Pesquisa de mercado De acordo com informações da Abicalçados (2009) o Brasil nas últimas quatro décadas, tem representado um importante papel na história do calçado. Sendo o maior país da América Latina, esta em terceiro lugar no ranking mundial dos maiores produtores de manufaturados de couro, alem de ter importante participação na fatia de calçados que aliam qualidade e design a preços competitivos. “Segundo estimativas do IEMI5, a produção brasileira de calçados atingiu 808 milhões de pares em 2007, destacando o Brasil como um dos maiores produtores mundiais”. 4.1.1 Estado do Design Dentro do segmento de mercado proposto nesse projeto, foi realizada uma pesquisa inicialmente em revistas, seguindo com um aprofundamento das marcas pertinentes em sites, e então foi verificado que as marcas Sergio Rossi, Charlotte Olympia, Glória Coelho, Dior, Christian Louboutin, Versace, Prada, além dos objetos e móveis do Studio Rainer Mutch e da Feira Internacional de Móveis de Milão, possuem propostas que tem características comuns com as que serão usadas na execução desse trabalho. A pesquisa foi dividida em duas vertentes, uma relacionada às cores, formas e volumes, e outra referente aos modelos de saltos diferenciados presentes no mercado calçadista atual. No painel a seguir podem ser verificados as informações referentes às cores formas e volumes. Os objetos do Studio Rainer Mutch apresentam formas retas e multifacetadas, tendo suas inspirações relacionadas à natureza. Outra característica interessante presente em algumas das imagens é o colorido, uma forte mistura entre as cores, característica bastante marcante da estilista Charlotte Olympia, a qual tem sua marca registrada nas combinações com oncinha e tons vibrantes. Quanto aos estilista Christian Louboutin e Sérgio Rossi são os detalhes volumosos feitos com tecido que dão um charme especial aos modelos. 5 Instituto de Estudos e Marketing Industrial Figura 06: Painel cores, formas e volumes. Fonte: compilação de dados elaborados pelo autor. Abaixo estão as imagens ilustrando as formas variadas de saltos. Novamente é verificado o design da marca Charlotte Olympia, exposto no scarpin com o detalhe da meia pata altíssima e dourada. No quesito saltos extravagantes a Dior caprichou com os modelos ilustrados em azul e o outro em dourado e detalhes também na meia-pata. O sapato Versace apresenta um salto com pedrarias, acabamento luxuoso. Finalizando é importante ressaltar que os brasileiros não estão de fora, tendo em vista o modelo Glória Coelho, o qual está extremamente ousado e elegante. Figura 07: Painel saltos diferenciados. Fonte: compilação de dados elaborados pelo autor. Ampliando o conhecimento em relação ao que o mercado atual oferece em termos de design diferenciado, esse estudo possibilitou o conhecimento de variados tipos de formas, texturas e volumes, informações as quais auxiliaram no processo de criação dos modelos. Além da análise das marcas nacionais a partir da qual possível identificar os possíveis concorrentes, destacando os pontos positivos e negativos de cada um. 4.1.2 Concorrentes São consideradas como concorrentes todas as empresas que visam o mesmo mercado e satisfazem as mesmas necessidades, podendo acontecer de maneira indireta, competindo com produtos de outro segmento. As comparações com os concorrentes não podem parar com a revelação das diferenças em competências e custos. As empresas devem pesquisar constantemente quais as atividades que seus concorrentes conseguem fazer melhor (TREPTOW, 2007, p.81). Como concorrentes foram escolhidas marcas nacionais e que trabalham com um público semelhante, destacam-se três empresas de grande porte, sendo elas a Schutz e Arezzo ambas pertencentes à companhia Arezzo S/A, e a Via Uno. A análise das mesmas será feita através da ferramenta PFFOA, que se refere aos pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. a) Schutz De acordo com a home page da marca (2009), a empresa foi fundada em 1995. Hoje a Schutz mantém o conceito de inovação conectado ao design, a qualidade, a moda e a liberdade de expressão, investindo significativamente em pesquisas de tendências, desenvolvimento de materiais e tecnologias. Atendendo ao público de mulheres modernas e antenadas na moda. Atualmente os setores de administração, criação e produção da empresa encontram-se em Campo Bom /RS. São 130 mil pares produzidos por mês. Os calçados são distribuídos por todas as regiões do país, entre multimarcas e lojas próprias. Além de ser encontrado no exterior na América do Sul, América Central, Leste Europeu, Ásia, África e Oceania. b) Arezzo A história da Arezzo, conforme sua home page (2009), tem inicio em 1972 fundada pelos irmãos Anderson e Jefferson Birman, e em 2007 nasce a Arezzo S/A, companhia resultante da união da Arezzo com a Schutz. São quatro os focos da Arezzo: tecnologia de ponta, pesquisa, design e satisfação do consumidor. A produção da marca é inteiramente terceirizada nas melhores fábricas do Brasil. Esta entre as principais grifes lançadoras de tendências do setor no Brasil, além de estar sempre presente nos editoriais das mais prestigiadas revistas, jornais e sites do país. A marca esta a venda em todo território nacional com lojas fraqueadas e também esta presente em solo internacional com lojas em alguns países e em outros através de distribuidores. A grife possui um vasto mix de produtos femininos, calçados, bolsas, bijouterias e outros acessórios. c) Via Uno Segundo o site da Via Uno (2009), a marca foi criada em 1991 em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Ao longo nos anos ganhou espaço e transformou-se rapidamente em uma das maiores indústrias de calçados do Brasil. O sucesso da marca se estendeu para outros países, expandindo-se aos cinco continentes. Para o crescimento da Via Uno continuar a empresa investe constantemente em desenvolvimento de produto e construção de marca. Evoluindo em design de produtos e marcando presença nos circuitos de moda, sempre em sintonia com as novas tendências. O mix de produtos inclui calçados, bolsas, bijouterias, cintos entre outros acessórios, de forma que incremente a amplitude de contato com suas consumidoras. A figura 07 representa um painel ilustrativo com alguns modelos de calçados das marcas citadas anteriormente. Figura 08: Painel marcas concorrentes. Fonte: compilação de dados elaborados pelo autor. O quadro a seguir detalha a aplicação da ferramenta PFFOA, sendo as marcas Schutz, Arezzo e Via Uno representadas pelas cores rosa, verde e laranja, respectivamente. Figura 09: Análise do PFFOA. Fonte: Arquivo do Autor. Tendo como foco atingir o mercado calçadista nacional, se faz necessário uma mescla entre qualidade nos materiais usados e um bom preço, proporcionando competitividade de mercado. Outro fator importante é um design diferenciado aliado ao marketing, auxiliando no processo de visibilidade da marca. 4.2 Pesquisa de campo A pesquisa de campo se dá pela coleta de dados sobre determinado assunto junto à pessoas diretamente relacionadas a ele ou integrantes do público o qual o produto pretende atingir. Filho e Santos (2003) acrescentam que essa pesquisa de dados tem como objetivo observar os fatos tal como eles ocorrem. Para entrar diretamente em contato com o público desejado, utilizou-se a técnica de pesquisa questionário. Foram aplicados nas cidades de Balneário Camboriú, Pomerode e Curitiba, entre 75 mulheres sendo a maioria na faixa etária de 20 a 50 anos, e poucas de 50 a 60 anos. O questionário foi estruturado com dez perguntas abertas e fechadas. As respostas mais relevantes foram quanto à escolaridade, das 75 mulheres 40 possuem ensino superior completo ou em andamento e 28 já completaram pelo menos uma pósgraduação. Além disso, 38 delas trabalham e 20 trabalham e estudam. Esses dados mostram um fator sócio cultural diferenciado, a valorização do estudo e uma dedicação ao trabalho remunerado, tornando-as independentes, concordando com as mudanças do comportamento feminino citadas anteriormente na pesquisa bibliografia. Sobre os hábitos de consumo 47 mulheres afirmaram comprar por satisfação pessoal e a maioria delas diz valorizar marcas. Porem foram citados mais de vinte nomes diferentes, sendo Arezzo, Shutz, Ana Paula, Botero e Luz da lua os que mais apareceram. Esses números mostram que não há uma fidelidade as marcas e sim uma busca por qualidade e conforto. A pesquisa de campo proporcionou consistência ao projeto, reafirmando os itens explorados anteriormente através dos dados obtidos. A mesma auxiliou no processo de definição do conceito da coleção junto às referencias de inspiração, sendo caracterizado por três palavras, são elas: feminino, casual e diferenciado. Abaixo segue o painel ilustrando o conceito. Figura 10: Análise do PFFOA. Fonte: Arquivo do Autor. Tendo em vista o conceito da coleção, a seguir serão mostrados os resultados da mesma, através de texto e imagens. 4.3 Resultado da coleção Cores fortes e vibrantes, volumes e texturas, além de saltos altíssimos em modelos diferenciados, caracterizam a coleção de calçados destinada às mulheres contemporâneas. Consumidoras exigentes e atentas a tudo o que há de novo no mundo fashion, valorizando um artigo de moda aos mínimos detalhes. Os calçados Marina Viecelli apostam em modelos que garantem o conforto aliado à qualidade e estética, através de referências da moda, arte e cultura, contempladas no conceito e tema proposto para a coleção. A partir das referencias de inspiração junto às pesquisas relacionadas ao público-alvo em questão se chegou a três palavras para a definição do conceito. São elas: feminino, casual e diferenciado. Os saltos altos tornam o caminhar movimentos de extrema elegância, ressaltando a feminilidade existente nas mulheres. Quando aliado à meia-pata, ou no caso da anabela, proporcionam maior conforto aos pés, possibilitando casualidade no uso. O diferencial esta presente nos modelos ousados dos saltos, nas texturas dos materiais, formas e volumes, além das combinações de cores fortes. Abaixo podem ser vistas as ilustrações dos calçados que foram escolhidos para serem confeccionados. Figura 11: Painel alternativas escolhidas. Fonte: Arquivo do autor. Ao todo coleção é formada por quinze calçados divididos em três linhas, sendo cinco modelos em cada uma. As sandálias produzidas pertencem cada uma a uma linha diferente. Os demais parâmetros da coleção estão presentes no memorial descritivo, material que contempla todas as informações da coleção. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os objetivos propostos inicialmente foram alcançados com êxito, através da pesquisa elaborada a partir da fundamentação teórica sobre o comportamento da mulher em diferentes aspectos, a relação entre arte e moda como base para as temáticas da coleção, além da pesquisa de mercado. Outra ferramenta que auxiliou o processo criativo foi a elaboração de um scrapbook, os outros itens utilizados para a criação da mesma foram registrados no memorial descritivo que foi desenvolvido em paralelo ao artigo. A soma desses elementos proporcionou a coleção o resultado desejado, saltos cuidadosamente elaborados priorizando o bom acabamento em cada detalhe do produto. Durante o processo de criação e execução do projeto, foram enfrentadas algumas dificuldades e limitações, em função da ousadia da coleção na criação dos saltos diferenciados, foi necessária a confecção de cada um deles, sendo inviável a produção dos mesmos em fábricas especializadas por ser um serviço de alto custo para ser feito em pequena escala. Os calçados são destinados para o uso em ocasiões informais, trabalho, bares e baladas, passeios a shopping, galerias, teatros e cinemas. A mini coleção de calçados femininos, expressa o conceito da marca alem da elegância da temática “OVO”. O mix de produtos é composto por três linhas de calçados, diferenciados pelos modelos de saltos. A união da temática as macrotendências proporcionou ousadia aos produtos. A marca Marina Viecelli lança sua primeira coleção visando atingir o mercado nacional, pretendendo competir no mercado calçadista, que no momento esta em expansão. Seu diferencial competitivo esta presente no conceito criativo da marca junto a boa qualidade dos produtos, atributos potenciais perante a concorrência. 6 REFERÊNCIAS AREZZO. Dados sobre a marca. Disponível em <http://www.arezzo.com.br> Acesso em: 2 de set. 2009. BONADIO, M. C. Moda e sociabilidade: mulheres e consumo na São Paulo dos anos 1920. São Paulo: Editora SENAC, 2007. COBRA, M. Marketing e moda. São Paulo: Editora SENAC, 2007. CONTRERAS. E. O trabalho está engordando você. Disponível em: <http://boaforma.abril.com.br/edicoes/242/fechado/viva_melhor/conteudo_643.shtml?pagin= 2> Acessado em: 5 de ago. 2009. FEGHALI, M. K. O ciclo da moda. São Paulo: Editora Senac, 2008. GIL, A. C. Projetos de pesquisa. 3 ed. São Paulo: Editora ATLAS S.A., 1996. JONES, S. J. Fashion design: manual do estilista. 2. Ed. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2005. MARTINS, M. OVO, de Deborah Colker, deixa o Brasil impresso no Cirque du Soleil . Disponível em <http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/05/07/ovo-de-deborah-colkerdeixa-brasil-impresso-no-cirque-du-soleil-755747152.asp>. Acesso em 11 ago. 2009. MOURA, M. A moda entre a arte e o design. In.PIRES, D. B. (org.) Design de Moda – Olhares Diversos.São Paulo: Editora Estação das Letras,2008. Organizado por um autor. MOURA, R. Sob signos da moda e arte. In. UDESC. (org.) Moda Palavra 3. Florianópolis: Editora Insular LTDA, 2004. MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo: Editora Livraria Martins Fontes. LTDA; 1998. MURARO, R. M. A mulher no terceiro milênio.3. ed. Rio de Janeiro: Editora ROSA DOS TEMPOS, 1993. MURARO, R.M.; PUPPIN, A.B. Mulher, Gênero e Sociedade. Rio de Janeiro: Relume Dumará: FAPERJ, 2001. PINTO, C. R. J. Uma história do feminismo no Brasil. 1. ed. São Paulo: Editora FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO, 2003. SANCHES. D. Mulher maravilha? To fora. Disponível <http://boaforma.abril.com.br/edicoes/236/fechado/viva_melhor/conteudo_567.shtm> Acessado em: 5 de ago. 2009. em: SCHTUZ. Dados sobre a marca. Disponível em <http://www.schutz.com.br> Acesso em: 2 de set. 2009. SOUZA, G. D. M. E. O espírito das roupas: A moda no século dezenove. São Paulo: Editora Companhia Das Letras, 2005. TREPTOW, D. Inventando moda: Planejamento de coleção. 4. ed. Brusque: Editora SENAC, 2007. VIA UNO. Dados sobre a marca. Disponível em <http://www.viauno.com.br> Acesso em: 2 de set. 2009.