I Congresso Internacional de Pesquisa em Letras no Contexto Latino-Americano e
X Seminário Nacional de Literatura, História e Memória
21 a 23 de Setembro de 2011
UNIOESTE – Cascavel/PR
Gênero Masculino X Gênero Feminino:
um conflito entre ideais da sociedade tradicional e da sociedade pós-moderna
GRZESZEZESZYN, Claudineya A. (UNIOESTE)
RESUMO: Em decorrência da transformação que a sociedade passou ao longo da história,
homens e mulheres vêm desempenhando papéis diferentes daqueles considerados tradicionais.
Ou seja, homens e mulheres hoje, já não têm papéis sociais bem definidos, como era na
sociedade tradicional. Neste sentido, procuramos mostrar a partir do artigo de opinião
“Generosidade masculina”, de Stephen Kanitz, publicado na revista Veja (22/11/2006), como
a relação entre o gênero masculino e feminino é representada sob o ponto de vista do sujeito
homem. Dessa forma, seguimos o aporte teórico da Análise do Discurso, Michael Pêcheux
(1969), articulando os principais conceitos da teoria, como discurso, condições de produção,
formação discursiva, imaginária e ideológica, de modo a identificar no discurso, marcas
linguísticas que revelam o posicionamento do sujeito (homem - autor do artigo), a respeito do
comportamento masculino e feminino sob a ótica tradicional e pós-moderna. Também
mobilizamos teorias sociológicas, que enfocam para o desenvolvimento da sociedade, fator
que é relevante para a compreensão das modificações comportamentais e ideológicas entre os
sujeitos homens e mulheres na sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: discurso; sujeito; formação discursiva; pós-modernidade
ABSTRACT: Face to the transformation of the society have had throughout history, men and
women have plaued different roles from those considered traditional. That is, men and women
today are no longer well-defined social roles, as it was in traditional society. In this sense, we
sought to show from the opnion paper Male Generosity de Stephen Kanitz, published in Veja
magazine, how the relationship bet ween male and female genders is represented in the point
of view of the subject man. Thus, we follow the theoretical basis, Michael Pêcheux (1969),
discourse analysis, articulating the main concepts of the theory, such as speech, production
conditions, discursive formation, ideological and imaginary. We searched to indentify within
the speech, language marks that reveal the positioning of the subject (man – author of the
paper), about male and female behavior from the point of view traditional and postmodern.
This paper mobilized sociological theories, which focus on the development of society, a
factor that is relevant for understanding the behavioral and ideological changes among the
men and women in society.
KEY-WORDS: discourse; subject; post-modernity; discursive formation
INTRODUÇÃO:
Ao olharmos para a história da sociedade, mesmo por um âmbito geral, vemos
nitidamente as transformações ocorridas, tanto em termos de desenvolvimento industrial,
econômico e cultural quanto a questões voltadas ao modo de vida e relação entre os sujeitos
homens e mulheres, bem como a relação de (inter)dependência entre eles.
Neste sentido, a representação social de homens e mulheres na pós-modernidade ou
na modernidade líquida (HALL, 2003) não é uma questão recente. Na verdade ela influencia
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de modo relevante a construção da identidade de ambos os gêneros, que nessa pesquisa,
identificamos por meio da linguagem. Desse modo, considerando os pressupostos teóricos da
Análise do Discurso pecheuatiana, observamos o funcionamento da linguagem, enquanto
constituição de sentidos entre os sujeitos, a história e a ideologia da/ na sociedade.
Situando os sujeitos na história, compreendemos que os discursos são decorrentes de
condições de produção específicas a um determinado momento sócio-histórico e ideológico.
Desse modo, é possível identificarmos que os sujeitos homens e mulheres formulam o dizer e
significam a partir de uma conjuntura socioeconômica e cultural dada, esta que
automaticamente afeta os comportamentos de ambos os gêneros na sociedade.
Tendo em vista as transformações sociais ocorridas ao longo da história, podemos
situar os sujeitos em dois momentos histórico-sociais distintos, como, na sociedade
tradicional e, na sociedade pós-moderna. Entendemos dessa forma, a primeira como a
sociedade que mantinha papéis sociais de homens e mulheres bem definidos, ou seja,
delimitando suas funções e comportamentos, nesta, há a presença do homem provedor e da
mulher submissa. Em contrapartida, a segunda compreendemos como sendo a sociedade
atual, a que sofreu transformações, a que se desenvolveu e a que, em consequência disso,
provocou também a mudança de comportamento entre homens e mulheres.
Ou seja, na sociedade pós-moderna, os sujeitos homens e mulheres já não têm mais
seus lugares sociais bem definidos como eram na sociedade tradicional, o homem nem sempre
é o provedor do lar, e a mulher conquistou seu espaço na sociedade, deixando de ser
submissa, de ser dependente do homem, e este, por sua vez, está mais atento aos cuidados
com a aparência e seu bem-estar individual. No entanto, alguns preconceitos, estigmas ou
críticas ainda predominam com relação ao comportamento da nova mulher que emergiu
socialmente, seja no campo profissional seja na vida afetiva.
Assim, seguindo o respaldo da Análise do Discurso de linha francesa, proposta por
Michael Pêcheux (1960), elegemos como corpus de análise dessa pesquisa, o artigo de
opinião “Generosidade masculina”, de Stepen Kanitz, publicado na revista Veja (22/11/2006),
buscando identificar as marcas linguísticas que revelam a formação discursiva do sujeitoenunciador, bem como, as críticas realizadas por ele (sujeito homem) no decorrer do discurso,
com relação ao comportamento masculino e feminino sob a ótica tradicional e pós-moderna.
A ANÁLISE DO DISCURSO E OS SUJEITOS SOCIAIS:
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A Análise do Discurso (doravante AD) foi fundada por Michel Pêcheux na França, e
tem como objeto de estudo o discurso, etimologicamente definido como “percurso”, como
“movimento”, sendo a partir desse movimento entre as condições, sócio-histórica e ideológica
de produção do discurso que os sentidos são constituídos. Desta forma, entendemos que a AD
é um dispositivo teórico de interpretação que se propõe a estudar a prática da linguagem, a
observar o homem falando e produzindo sentidos.
Para tanto, a AD propõe a ruptura com os estudos estruturalistas da linguagem, que
consideram a materialidade linguística do texto como um produto pronto e acabado, passando
a trabalhar na confluência de três áreas do conhecimento: a Linguística, o Marxismo
(Materialismo Histórico) e a Psicanálise. Desse modo, para a AD pecheutiana:
a. A língua em sua ordem própria mas só é relativamente autônoma
(distinguindo-se da Linguística, ela introduz a noção de sujeito e de situação
na análise da linguagem); b. a história tem seu real afetado pelo simbólico
(os fatos reclamam sentidos); c. o sujeito de linguagem é descentrado pois é
afetado pelo real da língua e também pelo real da história, não tendo o
controle sobre o modo como elas o afetam. Isso redunda em dizer que o
sujeito discursivo funciona pelo inconsciente e pela ideologia (ORLANDI,
2007, p. 19-20).
Dessa forma, na perspectiva discursiva dos estudos da linguagem todo discurso é
formulado a partir das condições de produção nas quais o sujeito está inserido, e é atravessado
por outros dizeres, por “já-ditos”, um “[...] conjunto de formulações feitas e já esquecidas que
determinam o que dizemos” (ORLANDI, 2007, p.33), e que retornam no fio do discurso,
produzindo o mesmo ou instaurando o que parece “novo”.
As condições produção a partir das quais o discurso é produzido, são identificadas
sob duas formas: em sentido estrito, que é o “contexto imediato”, que leva em conta os
sujeitos e a situação específica, e em sentido amplo, que inclui o “contexto sócio-histórico,
ideológico” a que pertence o sujeito (ORLANDI, 2007, p. 30). Neste sentido, “[...] Todo
dizer, na realidade, se encontra na confluência de dois eixos: o da memória (constituição) e o
da atualidade (formulação). E é desse jogo que tiram seus sentidos” (ibid, p. 33). Assim,
temos respectivamente, o interdiscurso, eixo da historicidade e da constituição dos sentidos,
dos já-ditos, e o intradiscurso, eixo da formulação, da linearização dos sentidos, eixo em que
se realiza a materialidade linguística do discurso.
Partindo desse pressuposto, Pêcheux (2010, p. 176 – 177, grifos do autor), afirma
que o sujeito produz seu discurso a partir de dois “esquecimentos”, o nº1 e o nº 2. Para o
autor, o esquecimento nº 2 se caracteriza pelos “processos de enunciação”, responsável pelo
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“funcionamento do tipo pré-consciente/consciente” do sujeito, na medida em que este “se
corrige para explicitar a si próprio o que disse, para aprofundar ‘o que pensa’ e formulá-lo
mais adequadamente”. Ou seja, refere-se ao modo pelo qual o sujeito acredita que o que ele
disse só pode ser dito daquela maneira e não de outra, o que produz um efeito de “realidade de
pensamento”.
Por outro lado, temos o esquecimento nº 1, que introduz a noção de interpelação, de
assujeitamento ideológico do sujeito falante, que para Pêcheux (2010b), é “inacessível ao
sujeito, precisamente por esta razão aparece como constitutivo da subjetividade na língua”, o
que revela a presença do interdiscurso no dizer do enunciador. Ou seja, ao mesmo tempo em
que o sujeito adere à ideologia, ele resiste a ela, “é de natureza inconsciente, no sentido em
que a ideologia é constitutivamente ‘inconsciente’ dela mesma”. O caráter comum das
estruturas, funcionamentos, ideologias e inconsciente é o de dissimular sua própria existência
mesmo no interior de seu funcionamento, entretanto, produz um tecido de evidências
“subjetivas” que constituem o sujeito.
Dessa forma, a AD não entende o indivíduo como um organismo biológico, mas
como um sujeito que é interpelado pela ideologia, afetado pela memória, e inscrito em dada
formação discursiva que regula o seu discurso, um sujeito que é assujeitado ideologicamente
por discursos reproduzidos ao longo da história.
Assim, na produção do discurso, os
enunciados não têm sentido único, literal, mas mudam de acordo com as posições-sujeito
assumidas por aqueles que os empregam. Neste sentido, Pêcheux e Fuchs (2010, p.162)
afirmam que “o assujeitamento do sujeito como sujeito ideológico, de tal modo que cada um
seja conduzido, sem se dar conta, e tendo a impressão de estar exercendo sua livre vontade
[...]” (grifos do autor). Assim, o sujeito tem a ilusão de que é dono do seu dizer, quando, na
verdade, não o é.
Desse modo, de acordo com os autores, os discursos produzidos adquirem sentido a
partir da formação discursiva dos sujeitos, ou seja, ocorre a interpelação dos indivíduos em
sujeitos pela ideologia. Podemos dizer então, que o sujeito ao produzir “seu” discurso está
inserido numa formação ideológica, bem como numa formação discursiva dada, esta que é
definida, como aquilo que determina, “o que pode e deve ser dito” por um sujeito a partir da
posição que ele ocupa em dada formação social. Isto é, “os sentidos não assim prédeterminados por propriedades da língua. Dependem de relações constituídas nas/pelas
formações discursivas” (ORLANDI, 2007, p. 44), compreendendo a partir dessa abordagem a
relação entre linguagem e ideologia.
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Ao falarmos de formação discursiva, concomitantemente nos referimos à formação
ideológica, esta que “[...] constitui um conjunto complexo de atitudes e de representações que
não são nem ‘individuais’ nem ‘universais’ mas se relacionam mais ou menos diretamente a
posições de classes em conflito umas com as outras” (PÊCHEUX, FUCHS, p.163, grifos do
autor). Diante do exposto, compreendemos que é no discurso e sua relação com a linguagem,
bem como com o materialismo histórico (história + ideologia), constituído pelos “aparelhos
ideológicos” (escola, família, igreja, mídia, etc) que as ideologias adquirem forma material,
uma vez que elas “têm uma história própria e concreta” (PÊCHEUX, 2010b, p. 147). Por esse
viés, os aparelhos ideológicos do Estado é o palco de uma significante luta de classes, e,
constituem, simultânea e contraditoriamente, o lugar e as condições ideológicas da
transformação das relações de produção na sociedade.
Consideramos ainda, que na produção do discurso, o sujeito projeta imagens do
sujeito interlocutor, por meio de regras de projeção, que permitem identificar a sua posição
discursiva e a do seu interlocutor. De acordo com Orlandi (2007), é esse mecanismo
imaginário que permite produzir imagens dos sujeitos, bem como do objeto do discurso, para
que este cause o efeito de sentido esperado no seu interlocutor.
Para o fundador da teoria materialista do discurso “[...] o que funciona nos processos
discursivos é uma série de formações imaginárias que designam o lugar que A e B se
atribuem cada um a si e ao outro, a imagem que eles se fazem do seu próprio lugar e do lugar
do outro” (PÊCHEUX 2010a, p.81). Isto porque, segundo ele, em qualquer formação social
há regras de projeção que permitem ao sujeito passar da situação empírica, objetivamente
definível para a posição discursiva, ou seja, para as representações dessas situações. Por
conseguinte, o sujeito enunciador, utilizando-se do mecanismo da antecipação, coloca-se “[...]
no lugar em que seu interlocutor ‘ouve’ suas palavras, ele antecipa-se assim a seu interlocutor
quanto ao sentido que suas palavras produzem” (ORLANDI, 2007, p. 39).
Neste sentido, o discurso, sobre o qual trata essa pesquisa, constitui um meio de
veiculação de opinião sobre a relação entre os sujeitos dos gêneros, masculino e feminino,
uma vez que, o aspecto linguístico retoma discursos pré-construídos, situando os sujeitos,
objetos do discurso em condições de produção, formação discursiva e ideológica dada. Ou
seja, dentro da sociedade tradicional e pós-moderna, sendo estes, momentos diferentes de
formulação e constituição de sentidos. Esses discursos, por sua vez, retornam pelo
interdiscurso ou memória discursiva, sendo passíveis de serem observados pelo intradiscurso,
eixo da formulação (atualização/materialização linguística) do discurso, por meio de
processos parafrásticos e polissêmicos.
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Conforme Orlandi (2007), os processos parafrásticos são aqueles pelos quais há algo
que se mantém no discurso, isto é, a memória, o interdiscurso, e, os processos polissêmicos
que acontecem de modo a causar uma ruptura de processos de significação, há um
deslocamento do sentido, em que a linguagem joga com o equívoco. Assim, os discursos
funcionam na tensão entre esses dois processos. Conforme a autora, “é nesse jogo entre
paráfrase e polissemia, entre o mesmo e o diferente, entre o já dito e o a se dizer que os
sujeitos se movimentam, fazem seus percursos, (se) significam” (ORLANDI, 2007, p.36) e
(re) significam.
Portanto, a AD todo enunciado é passível de tornar-se “outro”. “Esse lugar do outro
enunciado é o lugar da interpretação, manifestação do inconsciente e da ideologia”
(ORLANDI, 2007, p. 59). Assim, uma mesma palavra pode significar diferentemente, uma
vez, que depende do lugar social e da “inscrição do que diz em uma ou outra formação
discursiva” (ibid, p. 60), por isso, para a AD o sujeito é o resultado de um processo
discursivo, suscetível à “exploração” a partir de certas características da língua, isto é, pela
discursividade – funcionamento da língua na sua articulação com a história e a ideologia.
A SOCIEDADE E A RELAÇÃO ENTRE OS GÊNEROS MASCULINO E FEMININO:
Conforme mencionamos acima, a sociedade passou transformações significativas ao
longo da história. A estrutura social que vemos hoje é fruto de um desenvolvimento
econômico, cultural e intelectual que afetou o modo de pensar e agir dos sujeitos sociais.
Uma das formas marcantes de mudança social ocorreu na relação entre os gêneros,
masculino e feminino. É possível perceber que, principalmente, na sociedade ocidental os
papéis ou funções sociais destes sujeitos se modificaram ao longo do tempo, “evoluíram”.
Entretanto, é incoerente afirmar que homens e mulheres são extremamente diferentes, tanto
em comportamentos quanto em maneiras de pensar as situações.
De acordo com as informações trazidas pela jornalista Maysa Rodrigues, em sua
reportagem publicada na revista Sociologia (nº 33, 2011), podemos afirmar que desde as
sociedades primitivas, homens e mulheres tinham suas funções bem demarcadas socialmente,
mesmo sem terem noção da “relação de poder” existente. No entanto, em algumas culturas
como a dos Guaiaquis, por exemplo, embora ambos os gêneros tivessem suas funções
delimitadas, é interessante ressaltar que, nessa sociedade, impera a poliandria, ou seja, a
mulher pode ter mais de um marido, o que revela certa autonomia pessoal e sexual do gênero
feminino.
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Em outras sociedades, porém, como em Nova Guiné, são considerados os padrões
em que o comportamento feminino seria caracterizado como dócil, maternal, cooperativo, não
agressivo e atento a ajudar o outro. Já o comportamento masculino, pode ser visto como o
oposto das mulheres. Em contrapartida, a tribo Tchambulli é caracterizada por uma
diferenciação invertida com relação ao comportamento de homens e mulheres que,
comumente, temos. Nela, a mulher dirige, domina e é impessoal, o homem, por sua vez, é
pessoa menos responsável e revela dependência emocional.
Diante do exposto, convém pensarmos que as diferenças comportamentais entre
homens e mulheres são delimitadas socialmente em função de suas características ligadas às
diferenças físicas/ biológicas. Entretanto, contrapondo a perspectiva biológica de diferença
entre os gêneros, a Antropologia busca elucidar o que realmente acontece na sociedade, com
relação a essa diferença. Segundo Heloísa Buarque de Almeida (antropóloga), por muito
tempo houve a crença de que as mulheres tinham menos poder ou que eram restritas à esfera
doméstica devido à reprodução, ou seja, devido a elementos relacionados ao próprio corpo.
Neste ponto, a Teoria de Gênero, defendida pela Antropologia, procura evidenciar
que nem todas as sociedades tratam a mulher partindo desse pressuposto. Seguindo este
raciocínio, podemos afirmar que, nascemos “ser humano” e a sociedade nos torna “homens”
ou “mulheres”. Dessa forma, nossas atitudes devem e/ou precisam corresponder às
expectativas impostas sócio-historicamente, isto é, a identidade de gênero, masculina ou
feminina, foi construída ao longo do tempo, como resultado das vivências do sujeito na vida
familiar e social, explica Magdalena Nigro (psicanalista), citada por Maysa Rodrigues.
Em consonância, Judith Butler, afirma que gênero é uma performance, e, esta
performance é regulada por uma matriz que pressupõem coerência entre o sexo biológico, as
atuações de gênero, o desejo e a prática sexual. Neste sentido, Butler acredita que, embora
haja uma luta imensa em busca da “igualdade” de direitos entre os gêneros masculino e
feminino, também há uma guerra para a plena aceitação dessa suposta “igualdade”. A autora
aponta para uma dificuldade em nos desvencilharmos das categorias de gênero, que seriam
ordenadoras do nosso pensamento, dessa forma, ao mesmo tempo em que a sociedade muda,
continua reiterando as barreiras entre homens e mulheres.
Para tanto, Castells (2005, p. 40) afirma que:
[...] Apesar de todas as dificuldades do processo de transformação da
condição feminina, o patriarcalismo foi atacado e enfraquecido em várias
sociedades. Desse modo, os relacionamentos entre os sexos tornaram-se, na
maior parte do mundo, um domínio de disputas, em vez de uma esfera de
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reprodução cultural. Houve uma redefinição fundamental de relações entre
mulheres, homens, crianças, e, conseqüentemente, da família, sexualidade e
personalidade.
É sob este aspecto que realizamos a análise das marcas linguísticas presentes no
artigo de opinião Generosidade Masculina, de Sthepen Kanitz, contrapondo características da
sociedade chamada tradicional e da pós-moderna, no que diz respeito à relação entre homens
e mulheres. Assim, identificando as características de ambos os “modelos” sociais, bem como
as vantagens ou desvantagens em termos de relação social entre os sujeitos da sociedade
tradicional ou patriarcal e os da sociedade pós-moderna, procuramos à luz da AD evidenciar o
posicionamento ideológico do sujeito-autor, considerando-o inscrito em determinada
formação discursiva e social.
A LINGUAGEM REVELANDO O SUJEITO:
Ao escolher como corpus de análise dessa pesquisa o artigo de opinião,
Generosidade masculina, de Sthepen kanitz, veiculado na revista Veja (22/11/2006),
objetivamos compreender como o sujeito articula a linguagem de modo a produzir sentido
dentro de uma conjuntura social dada. Vale ressaltar, que abordaremos tanto as condições de
produção do discurso, bem como, a formação discursiva do sujeito-enunciador para a
constituição dos sentidos, estes que, por sua vez revelam o posicionamento do sujeito-autor
sobre o novo comportamento feminino na pós-modernidade.
Desse modo, na AD entendemos o texto, como “a unidade de análise afetada pelas
condições de produção e é também o lugar da relação com a linguagem [...], lugar de jogo de
sentidos de trabalho da linguagem e de funcionamento da discursividade”, esta que envolve o
sujeito. Neste sentido, o autor é o lugar em que se constrói a unidade do sujeito. “Como o
lugar de unidade é o texto, o sujeito se constitui como autor ao constituir o texto em sua
unidade, com sua coerência e completude” (ORLANDI, 2007, p. 73), é o autor que organiza a
superfície linguística, para que seja tomada simultaneamente como uma função específica do
sujeito. Neste sentido, segue o texto para leitura e acompanhamento da análise, verificando o
posicionamento ideológico veiculado pelo sujeito-autor Stephen Kanitz sobre a relação de
gêneros na sociedade tradicional e pós-moderna.
O corpus de análise:
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GENEROSIDADE MASCULINA
É tão generalizada a visão de que os homens na maior parte são egoístas, gananciosos
e só pensam em sim que fico até constrangido em tentar mostrar alguns fatos e dados que
colocam essas generalizações ofensivas em xeque. Antigamente, um dos critérios que as
mulheres usavam para escolher seus pares era justamente a generosidade masculina. Elas
ficavam muito atentas para detectar homens generosos, aqueles que pagavam a conta num
jantar (dele e dela). Aqueles que as levavam a lugares caros, um teatro ou concerto, os que
davam flores todos os dias, jóias e presentes caríssimos. Elas sabidamente procuravam um par
que estivesse ganhando muito mais do que precisava para viver sozinho. Que tivesse
excedentes quando solteiro e, por conseguinte, dinheiro de sobra para cuidar de mais pessoas
no futuro. Portanto, casavam-se com homens que não iriam se sentir mais pobres depois da
lua-de-mel e que não reclamariam todos os dias dos gastos da mulher. Casavam-se com
homens acostumados a gastar mais com os outros do que consigo.
Não é coincidência que “generosidade” advenha do próprio termo “gênero”. Pode-se
argumentar que a generosidade masculina é uma conseqüência da ação feminina, que não é
mérito dos homens. Mas afirmar que os homens são todos canalhas e egoístas como
encontramos em alguns textos acadêmicos não confere com os fatos. Infelizmente, esse
método de seleção passou a ser considerado politicamente incorreto. A generosidade
masculina passou a ser considerada mais uma forma de opressão machista ou uma forma de
suborno para obter algo em troca. Ativistas defenderam o direito de igualdade recíproca, ou
altruísmo recíproco, que seria a causa mais correta. Hoje, a maioria das mulheres trabalha, e o
critério agora vale para os homens também. Certamente, eles estão atentos àquelas que gastam
bem menos do que ganham, que dão presentes caríssimos ao namorado, que pagam o jantar
para ambos, em vez de simplesmente dividir a conta.
As mulheres de hoje foram induzidas a se casar com homens menos generosos,
egoístas, de fato, e o resultado está aí. O número de casamentos fracassados e divórcios não
parou de subir nos últimos trinta anos. A briga de casal por causa do dinheiro é uma das três
principais razões para a separação. Mas há uma segunda conseqüência mais nefasta. Os
homens passaram a gastar não mais com as mulheres por quem se apaixonam, mas consigo.
Passaram a comprar canetas Montblanc, sapatos e roupas de grife, em vez de rosas e
presentes caros para elas. Continuaram tentando mostrar às mulheres que eles ganham muito
mais do que precisam para viver, razão pela qual as mulheres os adoram mesmo assim.
Continuam usando o mesmo critério de seleção, mas de uma forma equivocada.
Em nome de uma ideologia, transformaram o homem generoso de antigamente no
homem narcizista de hoje. Toda essa ostentação e esse consumo supérfluo não são fruto do
“capitalismo neoliberal” nem do “mercado de consumo”, mas de uma visão equivocada do
que é “politicamente correto” nas relações de gênero. A generosidade masculina deixou de ser
o critério de seleção que era. Em suma, deu-se um tiro no pé. A nova geração de mulheres
saiu perdendo, pois uma vez casadas, descobrem que terão enormes dificuldades em
convencer seus mauricinhos a trocar aquele Audi A4 por um carrinho de bebê quando a
paternidade chegar. Se você pretende se casar com um homem inteligente, competente e
generoso e que não vai controlar seus gastos, procure os homens sob a ótica antiga. Aqueles
que ganham mais do que precisam para viver, os que são extremamente generosos com
relação ao dinheiro. Hoje, o mesmo critério se aplica a uma mulher. Você terá um marido ou
esposa inteligente, um pai carinhoso e uma mãe precavida, uma vida financeira sem sustos e,
o mais importante, sem dívidas para infernizá-los.
(Stephen Kanitz, Revista Veja / Ponto de Vista – 26 de novembro de 2006.)
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A partir da leitura do texto, observamos que o sujeito-autor, Stephen Kanitz, pertence
à Formação Discursiva (doravante FD) masculina, e, por conseguinte, seu discurso é
proveniente da Formação Ideológica (doravante FI) do “homem provedor”. Desse modo,
identificamos tal característica ideológica como pertencente à sociedade tradicional, em que a
mulher depende do homem no relacionamento, sendo este, responsável pelas despesas da
casa/da família.
No primeiro parágrafo do artigo, Kanitz revela outra característica de sua FD que,
além de masculina e enfocar para a importância do homem provedor, é também proveniente
de uma FI advinda da sociedade capitalista. Neste ponto, ressaltamos que o sujeito-autor do
artigo é consultor de empresas e conferencista, vem realizando seminários em grandes
empresas no Brasil e no exterior, é Mestre em Administração de Empresas pela Harvard
University, foi professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo, e, é articulista da revista Veja. Dessa forma, compreendemos
que seu discurso voltado à ideologia consumista, de valor aos bens materiais e de homem
provedor faz sentido, porque advém de condições de produção e formação discursiva
específicas de tal realidade.
Ainda no primeiro parágrafo, temos marcas discursivas como “um dos critérios que
as mulheres usavam para escolher seus pares era justamente a generosidade masculina”, nesse
discurso, o sujeito-enunciador apresenta a forma de tratamento do homem provedor, aquele
que mantém o poder financeiro e que, por isso, pode oferecer regalias, como jantares em
locais caros, levar em concertos, teatros, que dão flores e presentes caros à mulher, como
“generosidade masculina”.
Em seguida, Kanitz continua, dizendo “Elas ficavam muito atentas para detectar
homens generosos [...] Elas sabidamente procuravam um homem que estivesse ganhando
muito mais do que precisava [...]”. Desse modo, verificamos que com o uso do advérbio de
modo “sabidamente”, do adjetivo “atentas” antecedido do advérbio de intensidade “muito, dos
verbos “procurar” e “precisar” conjugados no passado, e ainda do verbo “detectar” são
importantes para a constituição do sentido, uma vez que remete à ideia de que as mulheres da
sociedade tradicional eram mais “espertas”, que as da sociedade pós-moderna.
No entanto, o discurso nos possibilita outra leitura, revelando a imagem de uma
possível “mulher interesseira”, uma informação que está silenciada no discurso “ficavam
muito atentas para detectar [...] e “[...] procuravam um homem que estivesse ganhando muito
mais do que precisava”. Vale dizer ainda que, o verbo “procurar” poderia ser substituído pelo
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verbo “escolher”, ou seja, que entre um homem com condição econômica alta, estável e um
homem assalariado, o escolhido ou o mais procurado ou ainda o “detectado” é o primeiro.
No parágrafo seguinte o autor faz menção à etimologia da palavra “generosidade”,
esta que tem origem da palavra latina “generosus” que por sua vez, provém da palavra
“genus” que significa “raça”. A partir dessa recapitulação etimológica temos o sentido de
“homem generoso”, que significa “de bom nascimento, de família nobre”, ficando o sentido
popularmente conhecido como “aquele que reparte com largueza”. Dessa forma, Kanitz
estabelece relação de sentido entre o significado da palavra com o comportamento dos
gêneros, que conforme seu ponto de vista, deve ser baseado na “generosidade” por amos os
sujeitos (homem e mulher).
Continua no segundo parágrafo criticando ou questionando o modo como a
“generosidade masculina” passou a ser vista com o passar do tempo, pelas mulheres como
algo “politicamente incorreto”, “forma de opressão machista” ou “forma de suborno”. Neste
ponto, Kanitz, dentro de sua formação discursiva, faz alusão às lutas e conquistas feministas
que contrariam o fato de que a mulher seja dependente do homem, por isso, o jogo com a
linguagem, revelando a ironia no discurso, e, ao mesmo tempo silenciando o lado “ingrato” do
gênero feminino, já que, ter generosidade ou ser generoso, é ter disposição para a bondade, e,
neste caso, segundo ponto de vista do autor, essa generosidade masculina foi e continua sendo
rejeitada pelos sujeitos mulheres na sociedade.
Ao dizer “ativistas defenderam o direito de igualdade na hora de pagar as contas, em
vez de defender a generosidade recíproca, ou o altruísmo recíproco [...]”, o sujeito-autor
silencia o ponto de vista acerca das mulheres, evidenciando de certa forma que a mulher não é
generosa, mas o homem o é, visto que, segundo ele, a mulher não propõe a igualdade em
termos de “generosidade”. É sob este aspecto que a AD trabalha o silenciamento na
linguagem. Conforme Orlandi (2007, p.12), “há uma dimensão do silêncio que remete ao
caráter de incompletude da linguagem: todo dizer é uma relação com o não-dizer. Essa
dimensão nos leva a apreciar a errância dos sentidos [...]”, tornando-se possível perceber o
equívoco, a “incompletude” da linguagem em funcionamento.
No terceiro parágrafo, o sujeito-autor do discurso começa a mostrar as desvantagens
da mulher da sociedade atual em relação à mulher da sociedade tradicional, dizendo que “as
mulheres de hoje foram induzidas a se casar com homens menos generosos, egoístas de fato, e
o resultado está aí. O número de casamentos fracassados e divórcios não parou de subir nos
últimos trinta anos”. Desse modo, ele, sujeito-homem, atribui à mulher e a suas conquistas a
responsabilidade pelos casamentos fracassados, denomina os homens da sociedade pósISSN 2175-943X
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moderna como “menos generosos” e “egoístas”, como eles se tornaram de fato, de acordo
com seu ponto devista, uma vez que Kanitz deixa clara a “culpa” das mulheres pela
transformação cultural no que diz respeito à relação de gêneros.
Por conseguinte, o que o sujeito-enunciador aponta a partir disso, é que da mesma
forma como as mulheres escolhiam seus maridos na sociedade tradicional, valorizando a
questão financeira, presentes caros, da mesma forma o homem pós-moderno o faz para com a
escolha da esposa na sociedade pós-moderna. Ou seja, ele também procura uma mulher
independente financeiramente, que lhe dá presentes caros e que divide a conta no restaurante,
a esse homem com novos comportamentos sociais, e, porque não dizer, mais independente
também, Shtephen kanitz chama ironicamente de “homem menos generoso”.
Neste ponto, podemos afirmar que enquanto a mulher conquistou um espaço na
pós-modernidade, que na sociedade tradicional lhe era negado, o homem, por sua vez também
se “libertou” de certos paradigmas na sociedade pós-moderna. Conforme o autor nos coloca
no final deste parágrafo, a causa mais danosa, “nefasta” dos fracassos dos relacionamentos, é
que “eles passaram gastar menos com as mulheres por quem se apaixonam, mas consigo”,
passando a dar mais importância a seu bem-estar, saúde, aparência física, comprando produtos
de grife para uso pessoal.
Entretanto, ao abordar esse novo comportamento masculino, revela também um
pensamento um tanto autossuficiente, e convencimento, ao dizer que os homens “continuam
tentando mostrar às mulheres que eles ganham muito mais do que precisam para viver, razão
pela qual as mulheres os adoram mesmo assim”. Ou seja, o efeito de sentido veiculado é de
que os homens continuam “acima” das mulheres, que a relação de poder entre eles vai
continuar existindo.
No último parágrafo, Kanitz atribui outros adjetivos ao homem da sociedade pósmoderna, alegando que “em nome de uma ideologia” as mulheres transformaram o homem
generoso, “homem narcizista” de hoje, ou seja, em um homem que olha somente para si e
para seus interesses. Vale observar a ironia no discurso do sujeito-autor ao mencionar a
ideologia, que ideologia é essa? Desvalorizando assim, as lutas feministas em busca de
direitos iguais. E continua, reafirmando a desvantagem dessas conquistas, pois, para ele, as
mulheres deram um tiro no pé, causaram “mal” a si mesmas, dizendo que “a nova geração de
mulheres saiu perdendo”, uma vez que, segundo o autor, os “mauricinhos” da pósmodernidade, aqueles homens com corpo sarado, e carro de valor agregado, dificilmente
trocarão um “Audi A4 por um carrinho de bebê quando a paternidade chegar”, fazendo valer,
neste caso, a ideia de “homem narcizista” que dá extremo valor aos bens materiais.
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Stephen Kanitz termina seu texto fazendo um apelo às mulheres pós-modernas,
dizendo que se elas querem encontrar um homem “inteligente, competente, generoso, que não
vai controlar eternamente seus gastos”, devem procurar homens pela “ótica antiga”, ou seja,
devem procurar um homem provedor, um homem abastado financeiramente. Contudo, ele
finaliza apontando a vantagem dessa nova regra valer também para o homem escolher sua
esposa, neste caso, afirma o autor “você terá um marido ou uma esposa inteligente, um pai
carinhoso e uma mãe precavida, uma vida financeira sem sustos e, o mais importante, sem
dívidas para infernizá-los”, retomando o discurso anterior em que menciona a possível
igualdade em termos de generosidade.
Concluindo a análise, levamos em consideração que o sujeito, autor do texto tem 65
anos de idade, logo, compreendemos que, sua “educação” para o relacionamento se deu
dentro de um contexto em que realmente, o homem era o provedor do lar, e que, a mulher era
dependente do homem, dedicando-se às atividades domésticas e cuidados com os filhos. Além
disso, a FD à que o autor se inscreve, justifica seu posicionamento ideológico contrário ao
comportamento pós-moderno dos gêneros masculino e feminino. Seu discurso provém de um
sujeito, que pertence à classe alta da sociedade, e, cuja formação e atuação profissional, sua
base de formação ideológica, que legitima seu discurso ao defender a sociedade tradicional
no que diz respeito à relação entre os gêneros.
Assim, o sujeito, autor do texto, formula seu discurso a partir de condições de
produção específicas, ou seja, ele é um sujeito estabilizado financeiramente, o que, por
conseguinte lhe dá as condições necessárias para agir com “generosidade” num
relacionamento. Outra questão a ser observada, é o fato de o artigo de opinião ser veiculado
na revista Veja, coluna “Ponto de vista”. Sabemos que o público da revista, é um público
elitizado, logo, o ponto de interesse que impera está voltado aos ideais da sociedade
capitalista, uma vez que a revista apresenta um discurso que representa ideologicamente as
classes sociais dominantes.
Portanto, os discursos midiáticos funcionam a partir da construção de “realidades”,
estas que a partir do discurso midiático seja jornalístico ou publicitário, constituem a
identidade dos sujeitos sociais, partindo de determinadas conjunturas sócio-histórica, e
ideológica, no caso do artigo em questão, configurando o posicionamento ideológico do
sujeito que elaborou o discurso, sendo este o autor do texto.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A partir do estudo realizado percebemos que a relação de poder existente entre os
sujeitos homens e mulheres é marcada historicamente. No entanto, nem sempre a mulher foi
totalmente submissa aos homens, pois, assim como a sociedade evoluiu, os sujeitos sociais
também evoluíram, o que podemos perceber pelos novos comportamentos dos gêneros
presentes na pós-modernidade.
Desse modo, num diálogo constante entre história, sujeito, linguagem e ideologia, e,
tendo estas, como partes fundamentais da constituição da sociedade, buscamos compreender
por meio do discurso de Stephen Kanitz, os efeitos de sentido veiculados, evidenciando um
ponto de vista negativo com relação às novas identidades que estão emergindo socialmente.
Sendo assim, entendemos que “[...] a informação, as imagens e as ideias tornadas
disponíveis pelos media podem, para a maioria das pessoas, ser a fonte principal da
consciência de um passado (história) e da sua localização social actual” (MCQUAIL, 2003, p.
67), uma vez que, percebemos essas mudanças e/ou transformações como partes de um
processo sócio-histórico e ideológico. Ou seja, o sujeito faz parte de um processo e, é dentro
desse processo de transformações e inovações que ele formula seu discurso, se constituindo
como sujeito social, e se posicionando ideologicamente, por meio de sua formação ideológica
e discursiva.
REFERÊNCIAS:
CASTELLS, M. A sociedade em rede. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
KANITZ, S. Generosidade masculina. Revista Veja: 26/11/2010.
MCQUAIL. D. Teoria da comunicação de massas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,
2003.
ORLANDI, E. P. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2007.
PÊCHEUX, M. Análise Automática do Discurso. In: GADET, F. e Hak, T. (Orgs). Por uma
Análise Automática do Discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas/SP:
Unicamp, 2010a.
______; FUCHS, C. A propósito da análise automática do discurso: atualização e
perspectivas (1975). In: GADET, F. e HAK, T. (Orgs). Por uma Análise Automática do
Discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas/SP: Unicamp, 2010a.
RODRIGUES, M. O sexo inventado. Revista Sociologia. Nº 33, ISSN: 1980-8747.
______. Semântica e Discurso: Uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas: Unicamp,
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Gênero Masculino X Gênero Feminino: um conflito entre ideais da