Universidade Federal de Uberlândia
Instituto de Geografia
AS RELAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS INDÚSTRIAS
DE BALAS E CHOCOLATES DE UBERLÂNDIA
Dalton Loiola Ferreira
Uberlândia - MG
2009
DALTON LOIOLA FERREIRA
AS RELAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS INDÚSTRIAS DE BALAS E
CHOCOLATES DE UBERLÂNDIA
Trabalho Final de Graduação apresentado como
parte dos requisitos para obtenção do título de
Bacharel em Geografia pelo Instituto de Geografia
da Universidade Federal de Uberlândia.
Orientador: Prof. Dr. Sylvio Luiz Andreozzi
Uberlândia - MG
2009
DALTON LOIOLA FERREIRA
AS RELAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS INDÚSTRIAS DE BALAS E
CHOCOLATES DE UBERLÂNDIA
Trabalho Final de Graduação (TFG) apresentado
como parte dos requisitos para obtenção do título
de Bacharel em Geografia pelo Instituto de
Geografia da Universidade Federal de Uberlândia.
Orientador: Prof. Dr. Sylvio Luiz Andreozzi
BANCA EXAMINADORA:
__________________________________________________
Prof. Dr. Sylvio Luiz Andreozzi (Orientador)
__________________________________________________
Profa. Dra. Beatriz Ribeiro Soares (IGUFU)
__________________________________________________
Profa. Dra. Ana Paula Macedo de Avelar (IEUFU)
Aprovado em:
14 de dezembro de 2009
À minha Mãe que, com sua
simplicidade e amor aos seus
filhos,
encorajou-me
para
encarar, enfrentar e vencer as
difíceis situações da vida até
aqui apresentadas.
AGRADECIMENTOS
Seja qual for o trabalho a ser realizado é praticamente impensável
desenvolvê-lo sozinho, pois de forma direta ou indireta, pessoas são envolvidas no
processo. Nesta pesquisa que envolveu muito trabalho a campo não foi diferente e
por isto, meu agradecimento especial aos diretores das empresas Chocolates
Imperial, Chocolates Tarumã, Produtos Fokinha, Junco Indústria e Comércio e a
extinta Produtos Princesinha. Todos foram bastante acessíveis com as informações
que deram forma ao trabalho e muito pouco foi trabalhado com relação à Erlan
Produtos Alimentícios visto que, a empresa não disponibilizou dados com relação a
fornecedores e mercado de atuação.
Ao professor Walteno Martins Parreira Junior que, com sua paciência e
presteza, colaborou significativamente nos ajustes finais do trabalho.
Aos colegas Geógrafos Fabiano Alves Borges, Raffaella Fernandes Borges e
Clayton Borges que demonstraram suma competência e pontualidade na confecção
dos mapas.
Agradeço ao Professor Sylvio Luiz Andreozzi que soube orientar as diretrizes
do trabalho de forma precisa, objetiva e clara. Além é claro, de minha família que em
tempo integral deram-me o incentivo necessário para a conclusão deste trabalho.
RESUMO
A busca por mercados consumidores nem sempre é direcionada para determinadas
localidades onde se imagina ser propícia e rentável para o desenvolvimento de um
empreendimento em virtude de ali, possuir as características para tal situação como
renda per capital elevada, maior contingente populacional, maior aglomeração de
empresas e serviços, melhores condições de transporte em termos de segurança,
agilidade e menores taxas de frete ou, por concentrarem as cidades de maior
influência econômica em um cenário nacional. Desta forma, o trabalho atual
caracteriza as circunstâncias que fizeram das indústrias de balas e chocolates de
Uberlândia, direcionar a maior parte de suas vendas às regiões norte e nordeste do
país, que são justamente as áreas menos desenvolvidas em questões de infraestrutura como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos além de populações estarem
inseridas na faixa dos menos favorecidos sócio-econômicamente do Brasil.
Palavras-chave: Indústria, chocolates, balas, região, norte, nordeste.
ABSTRACT
The search for consuming markets nor always is directed for determined localities
where imagines to be propitious and income-producing for the enterprise
development in virtue to possess characteristics for such situation as high income
per capital, higher population contingent, higher agglomeration of companies and
services, better conditions of transport in security terms, agility and law freight taxes
or, to concentrating cities with higher economic influence in a national scene. In such
a way, the current work characterizes the circumstances that made the industries of
candies and chocolates from Uberlandia to direct the most sales to the north and
northeast regions of the country, those are exactly the less developed areas in
infrastructure questions such as highways, railroads, ports and airports beyond
populations to be inserted in the band of the less favored social-economic from
Brazil.
Key-Word: Industry, chocolates, candies, region, north, northeast.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Fotos
FOTO 1 ......................................................................................................................23
FOTO 2 ......................................................................................................................25
FOTO 3 ......................................................................................................................35
FOTO 4 ......................................................................................................................37
FOTO 5 ......................................................................................................................40
FOTO 6 ......................................................................................................................41
Gráficos
GRÁFICO 1 ...............................................................................................................13
Quadros
QUADRO 1 ...............................................................................................................14
QUADRO 2 ...............................................................................................................16
Mapas
MAPA 1......................................................................................................................19
MAPA 2 .....................................................................................................................27
MAPA 3......................................................................................................................50
MAPA 4 .....................................................................................................................55
MAPA 5 .....................................................................................................................57
MAPA 6 .....................................................................................................................60
MAPA 7 .....................................................................................................................64
MAPA 8..................................................................................................................... 66
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABICAB - Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim,
Balas e Derivados
ACIUB – Associação do Comércio e Indústrias de Uberlândia
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
ARCOM – Armazém do Comércio
BDI – (Banco de Dados Integrado)
CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CDHIS-UFU – Centro de Documentação Histórica da Universidade Federal de
Uberlândia
CDIs – Companhia dos Distritos Industriais
CEMIG – Centrais Elétricas de Minas Gerais
CEPES – Centro de Estudos e Pesquisas da Universidade Federal de Uberlândia
CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas
FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
GLP – Gás Liquefeito de Petróleo
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IEUFU – Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
kVA – Quilowatt Indicador usado para medir a tensão em um sistema elétrico
UFU – Universidade Federal de Uberlândia
URV - Unidade Real de Valor
UTI – Unidade de tratamento intensivo
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................11
1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ....................................................................12
1.1. Materiais e técnicas de pesquisa....................................................................17
1.2. Localização.....................................................................................................18
CAPÍTULO 01 ...........................................................................................................20
2. HISTÓRICO ECONÔMICO DA CIDADE...............................................................21
CAPÍTULO 02 ...........................................................................................................32
3. PROCESSOS DE PRODUÇÃO DA BALA ............................................................33
CAPÍTULO 03 ...........................................................................................................38
4. HISTÓRICO DAS EMPRESAS .............................................................................39
4.1 Empresas em atividade ...................................................................................39
4.2 Empresas com atividades encerradas .............................................................45
4.3 Localização Geográfica das Empresas na cidade de Uberlândia....................49
CAPÍTULO 04 ...........................................................................................................51
5. FORNECEDORES E LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO ........................................52
5.1. Chocolates Imperial ........................................................................................52
5.1.1 - Fornecedores Chocolates Imperial .........................................................52
5.1.2 - Mercado Chocolates Imperial..................................................................53
5.2. Produtos Princesinha......................................................................................56
5.2.1 - Fornecedores Produtos Princesinha .......................................................56
5.3. Indústria de Balas Fokinha .............................................................................58
5.3.1 - Fornecedores Indústria de Balas Fokinha...............................................58
5.3.2 Mercado Produtos Fokinha .......................................................................59
5.4. Junco Indústria e Comércio ............................................................................61
5.4.1 - Fornecedores Junco Indústria e Comércio .............................................61
5.4.2 - Mercado Junco Indústria e Comércio......................................................63
5.5. Chocolates Tarumã.........................................................................................65
5.5.1 - Fornecedores Chocolates Tarumã..........................................................65
5.5.2 - Mercado Chocolates Tarumã ..................................................................65
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................68
REFERÊNCIAS.........................................................................................................72
11
INTRODUÇÃO
12
1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
Em muitos eventos que ocorrem em Uberlândia, tais como convenções de
grandes empresas, palestras empresariais, encontros anuais de determinados
setores econômicos como o de transportes, inauguração de empreendimentos que
envolvem a presença de políticos locais ou um noticiário para destacar algo de
importante na cidade, é corriqueiro ouvir que a posição geográfica de Uberlândia é
estratégica e a transformou no grande destaque do cerrado brasileiro. No contexto
atual, considerando sua infra-estrutura, como hospitais, rede hoteleira, indústrias,
comércio e serviços, certa proximidade com grandes mercados consumidores como
a cidade de São Paulo, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte e o eixo de Ribeirão Preto à
Campinas, favorecem para que esta condição tenha grande relevância. Porém,
quando se trata de desenvolvimento industrial e econômico de uma cidade ou
região, outros fatores como os históricos, também assumem importância no
desenvolvimento econômico e industrial de uma localidade.
O caso da Zona Franca de Manaus ilustra a relatividade da localização
geográfica, uma vez que concentra indústrias de diversos segmentos localizando-se
em uma região distante dos grandes centros consumidores do País. Instalada em
1968 na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, conta com um conjunto
de políticas de incentivos fiscais visando o desenvolvimento da Amazônia Ocidental
que envolve todos os estados da região Norte com exceção do Pará e Tocantins.
Outro exemplo, mesmo que em escala menor, é o caso da cidade de Franca
no interior de São Paulo, notoriamente conhecida como a capital nacional do
calçado, possuindo grande parte de sua produção voltada para o mercado externo,
sendo referência nacional e internacional neste tipo de produto. Para que isto
ocorresse, não foi o fator locacional que propiciou a atual característica econômica
da cidade. Franca, desde seus primórdios esteve fortemente ligada às atividades
que envolvem a criação bovina e por conseguinte, a existência farta de couro serviu
como incentivo a fabricação de calçados, atividade que se tornou bem sucedida e
tornando-se o centro da atividade econômica na cidade.
Uberlândia tornou-se referência econômica na região do Triângulo Mineiro e
Alto Paranaíba e de uma forma indireta em regiões relativamente próximas como o
sudoeste Goiano, leste de Mato Grosso do Sul e norte do estado de São Paulo.
13
Contudo, analisando a história da cidade, verifica-se que no início do século XX, a
cidade não tinha nenhuma expressão comercial, sua população era menor que das
cidades de Monte Carmelo, Araguari e Uberaba como pode ser observado no gráfico
1.
Gráfico 1: Comparativo Populacional de Uberlândia no Século XX
700000
600000
500000
Uberlândia
400000
Uberaba
300000
Araguari
200000
Monte Carmelo
100000
0
1920
1940
1950
Fonte: IBGE – Uberlândia 2009.
1960
1970
1980
1991
2000
2007 *
(*) estimativa
Aliás, qualquer uma destas outras três localidades poderia ter se tornado o
portal de entrada ao cerrado brasileiro. Ou seja, ao se estudar as características e
circunstâncias de desenvolvimento de uma cidade, apenas a posição geográfica por
si só, não determina o progresso econômico de uma localidade e sim, a combinação
deste fator com outras ações e questões históricas é que formam uma conjuntura
propícia e favorável à instalação de empresas e consequentemente permitindo o
desenvolvimento da localidade.
Uberlândia tem uma projeção nacional pautada principalmente no forte
comércio atacadista aqui representado por companhias que neste setor, figuram
entre as maiores do país como mostra o quadro 1.
14
Quadro 1: Ranking Nacional de Atacadista/2006
Posição
Razão Social
UF
Faturamento (R$)
1
Martins Com. E Ser. Distr. S/A
MG
2.702.793.870
2
Arcom S/A
MG
1.078.983.000
3
Megafort Dist. Inport Export Ltda
MG
582.688.600
4
Zamboni Comercial S/A
RJ
451.860.763
5
Universe Distribuidora Ltda
MG
367.774.678
6
União Com. Imp. e Exp. Ltda
MG
340.495.453
7
JC Distribuição Logística Exp. S/A
GO
339.283.750
8
Cerealista Maranhão Ltda
SP
196.654.366
9
P. Severini Netto Coml. Ltda
MG
194.955.200
10
Pennacchi e Cia Ltda
PR
194.029.290
Fonte: (Ranking ABAD Edição 2006 – ABAD/ACNielsen do Brasil) apud BDI, 2008
Observa-se que destes dez maiores Atacadistas, seis estão em Minas Gerais
e destes, três são de Uberlândia com um faturamento de quase o dobro de todos os
outros somados e com isto, evidenciando a força econômica que este tipo de
atividade comercial representa para a cidade (BDI, 2008, p. 344).
Contudo, apesar destas empresas atacadistas e holdings serem de grande
importância, existem várias outras atividades econômicas como as empresas de
balas e chocolates que no passado, foram umas das protagonistas do
desenvolvimento industrial da cidade.
Desta forma, a cidade não deve ser caracterizada industrialmente apenas por
algumas grandes empresas e sim, como uma localidade que ao passar dos anos
teve como importante característica seu desenvolvimento atrelado a fatores
históricos e ações movidas no passado por outras empresas que proporcionaram
seu crescimento. Uma das atividades industriais que nos primórdios econômicos da
cidade permitiu esta dinâmica, foram as empresas do ramo de balas e chocolates
até porque, uma delas a Chocolates Imperial é quase octogenária e outra a Erlan
Produtos Alimentícios, já passou dos seus cinqüenta anos de existência e que, em
épocas passadas eram as grandes empresas locais e conseqüentemente, suas
ações eram vistas como pioneiras. Também, é importante destacar o trabalho de
logística desenvolvido nestas empresas desde a busca da matéria-prima até os
15
mercados que atuam com maior força e se estes mercados são a nível local,
regional ou nacional.
Com esta abordagem, identificam-se os motivos ou as situações que fizeram
a cidade de Uberlândia sediar cinco indústrias de balas e chocolates até julho de
2009. Evidenciam-se os principais motivos que levam estas indústrias terem maior
força de atuação mercadológica nas regiões mais ao norte do País e como é
realizado o trabalho de transporte e distribuição dos produtos visto que, as
condições rodoviárias desta parte do País, são bastante precárias em termos de
manutenção e segurança.
Com tais circunstâncias, será possível entender a fraca inserção nos
mercados das regiões mais ao sul do País sendo que, é nesta direção que se
encontra as melhores rodovias (menores custos com frete), os maiores mercados
consumidores e as maiores rendas per capita em âmbito nacional. Indicam-se
também, os fornecedores que estas empresas de candies (balas e chocolates)
adquirem suas matérias-primas e os fatores que determinam esta aquisição, pois em
alguns casos, a localidade do fornecedor é distante da cidade de Uberlândia e
tratando-se de empresas possuidoras de linha de produção, os prazos para a
entrega de matérias-primas, devem ser rigorosamente seguidos para que não haja
atrasos na entrega do produto final ao cliente.
Estas empresas de chocolates e balas têm uma importância bastante
significativa na economia do país. Segundo dados da ABICAB (Associação
Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), o
Brasil figura-se como o quinto maior produtor e consumidor de chocolates e balas do
mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França.
Ainda de acordo com a Associação, no primeiro semestre de 2006 foram vendidas
100,2 mil toneladas de balas, confeitos e chocolates com um faturamento de US$
141,7 milhões sendo que os dez maiores compradores foram Estados Unidos, África
do Sul, Argentina, Paraguai, Bolívia, Chile, Canadá, México, Uruguai e Angola.
Contudo, estes números apresentam-se de forma modesta em virtude do ano
anterior, no qual o setor alcançou um faturamento da ordem de R$ 8,5 bilhões,
divididos em R$ 5,6 bilhões em chocolates e R$ 2,5 bilhões em balas e tinha como
previsão de crescimento a partir de 2007, da ordem de 5% ao ano o que
16
representaria algo em torno de 247 mil toneladas de acordo com dados fornecidos
pela associação que regulamenta o setor.
Dentro deste panorama, o município de Uberlândia figura como um dos
principais geradores de renda para o Estado de Minas Gerais, com um total de 686
empresas divididas em trinta e um ramos de atividades diferentes de acordo com
pesquisa realizada pelo CEPES/IEUFU apud BDI (2008, p. 325) como pode ser
observado no quadro 2.
Quadro 2: Número de Empresas por Ramo de Atividade
Código
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Ramos
Minerais Não Metálicos
Metalúrgica
Mecânica
Material Elétrico e de Comunicações
Material de Transportes
Madeira
Mobiliário
Papel e Papelão
Borracha
Couros, Peles e Produtos Similares
Química
Produtos Farmacêuticos e Veterinários
Perfumaria,Sabões e Velas
Produtos de Materiais Plásticos
Têxtil
Vestuário, Calçados e Artefatos de Tecido
Produtos Alimentares
Bebidas
Fumo
Editorial e Gráfica
Diversas
Construção Civil
Total
Nº de Empresas
18
90
15
09
05
26
41
08
03
10
19
12
09
13
13
88
109
06
01
62
76
53
686
% sobre o total
2,62
13,12
2,19
1,31
0,73
3,79
5,98
1,17
0,44
1,46
2,77
1,75
1,31
1,90
1,90
12,83
15,89
0,87
0,15
9,04
11,08
7,73
100,00
Fonte: Pesquisa Perfil da Indústria no Município de Uberlândia MG - CEPES/IEUFU-2005
Deste total, as indústrias de produtos alimentares somam cento e nove
empresas representando 15,89% do total, assegurando o maior percentual frente as
outras atividades industriais. Neste ramo de produtos alimentares e de acordo com o
CNAE (Sistema de classificação econômica pertencente ao IBGE), balas e
chocolates estão inseridos na categoria C-10-10.9-10.93-7 onde;
C – Indústria de Transformação (seção)
10 – Fabricação de produtos alimentícios (divisão)
10.9 Fabricação de outros produtos alimentícios (grupo)
10.93-7 Fabricação de produtos derivados do cacau, de
chocolates e confeitos (classe)
17
Com esta divisão, a cidade conta com cinco indústrias deste setor que são;
Chocolates Imperial Ltda. figurando-se como a mais antiga e pioneira na cidade
neste segmento industrial, a Erlan Produtos Alimentícios Ltda. configurando-se como
uma empresa cinquentenária e que até 2009 se apresenta como a maior entre as
cinco, a Junco Indústria e Comércio Ltda. que há mais de trinta anos atua no
mercado de balas para aniversário, a Chocolates Tarumã Ltda. um pouco mais
recente e que possui uma história interessante em relação ao seu surgimento e por
fim, a Produtos Fokinha Ltda. sendo a mais recente trabalhando exclusivamente na
fabricação de balas e que erroneamente, muitos pensam ser a continuação da
extinta fábrica de balas, Produtos Princesinha Ltda.
Estas cinco indústrias, com exceção da Junco, além de balas, fabricam
também bombons e outros produtos do gênero. A outra indústria que teve sua
importância no setor enquanto existiu (abriu falência no inicio da década de 1990),
foi a Produtos Princesinha que inclusive, funcionou até 1998 no mesmo local que se
encontra a Produtos Fokinha que por sinal, também encerrou suas atividades
industriais em julho de 2009 ainda na época de desenvolvimento da pesquisa
1.1. Materiais e técnicas de pesquisa
Uma vez que a pesquisa demonstra os motivos pelos quais as empresas de
balas e chocolates de Uberlândia tem boa parte de seus mercados consumidores
voltados para regiões mais ao norte do País e que, depois de pesquisas realizadas à
internet em sites como o da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior), ao Google Acadêmico, a biblioteca da UFU (Universidade
Federal de Uberlândia) nos anuais de economia, à biblioteca da ACIUB (Associação
do Comércio e Indústrias de Uberlândia) e não ter encontrado material que discorra
sobre a atuação destas indústrias neste nicho de mercado, a busca pelas
informações ocorreu em sua maior parte de forma empírica, associada a leitura de
material específico do setor como a revista Doce.
Foi elaborado um roteiro que serviu como orientação nas entrevistas
realizadas com os diretores, gerentes de produção, gerentes comerciais,
supervisores de logística e em alguns casos, com os próprios proprietários das
empresas. Tal roteiro consistiu em evidenciar os fatores determinantes para a
atuação em determinado mercado, quais os possíveis motivos que levaram
18
Uberlândia a ter cinco indústrias de balas e chocolates. O trabalho de logística
empregado para a melhor distribuição dos produtos em cada mercado atuante, quais
os fornecedores com suas respectivas localizações e por fim, quais as principais
razões que acarretam a aquisição de produtos dos fornecedores citados pelos
entrevistados.
Para a obtenção de informações referentes ao setor de candies, foram
pesquisados os sites do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a
obtenção de dados quantitativos deste setor, o site da instituição que regulamenta
este setor alimentício ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates,
Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), além dos sites da Prefeitura Municipal de
Uberlândia e da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais).
Além de entrevistas realizadas com historiadores da cidade, obtendo-se importantes
informações a respeito do desenvolvimento industrial-econômico do município.
1.2. Localização
Uberlândia está localizada na Mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto
Paranaíba no estado de Minas Gerais na região Sudeste do Brasil entre as
coordenadas geográficas 18º 50’ 0,6” e 19º 01’ 2,87” de latitude sul e 48º 09’ 50,62”
e 48º 23’ 39,8” de longitude oeste (BDI 2008, p. 12) conforme o mapa 1.
19
Mapa 1: Localização do Município de Uberlândia
O município possui uma área total de 4.115,822 Km² tendo o setor urbano
219,00 Km² e 3.896,822 Km² a porção rural (BDI, 2008, p.12). O município é dividido
em cinco distritos como Cruzeiro dos Peixotos, Martinézia, Tapuirama, Miraporanga
e Uberlândia sendo o distrito sede. A cidade em seu perímetro urbano é interceptada
por importantes rodovias como a BR-050, BR-365 e BR-452 além da Ferrovia Centro
Atlântica, facilitando a comunicação com os centros urbanos localizados nas regiões
Sudeste e Centro-Oeste (BDI, 2008, p. 12).
20
CAPÍTULO 01
21
2. HISTÓRICO ECONÔMICO DA CIDADE
Praticamente quase todas as circunstâncias que envolvem a ação do homem no
meio em que ele vive, estão invariavelmente ligados a fatores históricos que de uma
forma direta ou indireta, influenciam os destinos de um povo. Se uma cidade ou
região tende a se desenvolver ou não, principalmente em relação aos aspectos
econômicos, faz-se necessário compreender e realizar uma leitura histórica sobre a
dinâmica da localidade, justamente para entender as influências que tais fatores
representam no panorama recente da cidade. Seguindo este preceito, com o
município de Uberlândia não foi diferente até porque, o dinamismo que a cidade
demonstra em certos setores econômicos, o crescimento populacional vertiginoso
verificado ao longo das três últimas décadas do século XX (gráfico 1), e a
significativa influência que exerce sobre as regiões do Triângulo Mineiro e Alto
Paranaíba, estão profundamente ligados as ações pensadas e praticadas por
personagens históricos desde o seu surgimento.
Na história do município, o Tenente-Coronel da Guarda Nacional, José
Theófilo Carneiro, teve importância significativa ao idealizar o processo de
desenvolvimento econômico da cidade por volta do ano de 1885. Um dos seus
grandes trunfos foi ter conseguido prolongar os trilhos da estrada de ferro Mogiana
até São Pedro de Uberabinha, atual Uberlândia. Esta estrada de ferro foi concebida
em 1875 ligando as cidades paulistas de Campinas à Mogi-Mirim, sendo em 1889
inaugurada a estação da Mogiana na cidade de Uberaba-MG com a previsão de no
ano seguinte, ter o seu prolongamento até a cidade de Catalão, no interior de Goiás,
sem passar por São Pedro de Uberabinha. Inconformado com a situação, o Coronel
José Theófilo Carneiro realizou várias viagens em visita ao presidente da
Companhia Mogiana fornecendo argumentos para que a extensão da ferrovia
passasse por São Pedro de Uberabinha e não por Estrela do Sul como era previsto
inicialmente, por ser uma cidade que na época, a atividade mineradora de extração
de diamante era bastante expressiva (PEREIRA, 1983).
Ainda segundo Pereira (1983), convencido então pelos argumentos do
Coronel, o presidente da Companhia ordena ao engenheiro responsável pelo
22
empreendimento, que alterasse o rumo pelos quais os trilhos da ferrovia passariam.
Com isto, no dia 21 de dezembro de 1895 é inaugurada a estação da Mogiana em
Uberlândia onde, ao mesmo tempo em que se tornou importante fator para o
progresso econômico da cidade, foi crucial para que Uberaba perdesse sua
importância comercial e passasse a investir em outras atividades econômicas. Anos
depois, em novas conversas com o presidente da Companhia, o Coronel idealiza
uma ponte sobre o rio Paranaíba no segmento de São Pedro de Uberabinha ligando
Itumbiara no estado de Goiás à Minas Gerais, visando eliminar a concorrência
comercial com Araguari. Isto porque, no projeto inicial a ponte seria construída no
mesmo rio, porém no prolongamento que iria até a cidade de Catalão, o que faria de
Araguari a cidade de entreposto comercial aos produtos oriundos do sudoeste de
Goiás e as manufaturas vindas do estado de São Paulo. Em 15 de setembro de
1909 depois de muitas dificuldades principalmente em relação ao transporte das
peças da obra que eram fabricadas na Inglaterra, a ponte Afonso Pena é inaugurada
consolidando os elos econômicos entre o sudeste Goiano e o Triângulo Mineiro,
transformando São Pedro de Uberabinha em uma importante localidade para o
recebimento e distribuição de mercadorias.
Contudo, o que proporcionou e possibilitou a lançar as bases para o
desenvolvimento industrial e econômico da cidade, foi a obra de outro personagem
histórico, o engenheiro Fernando Vilela que em 28 de agosto de 1912, inaugurou o
primeiro trecho com 72 km, da rodovia que ligaria Uberlândia ao estado de Goiás.
Este primeiro segmento terminava na cidade de Monte Carmelo e na época, foi a
primeira rodovia para automóveis construída no Brasil Central que juntamente com a
estrada de ferro Mogiana e a ponte Afonso Pena na divisa com Goiás, formou o
“tripé” que consolidou a cidade como entreposto comercial entre o Triângulo Mineiro,
o sudoeste goiano, o sul do Mato Grosso e o noroeste paulista. Depois de concluída
a obra, este mesmo percurso seria asfaltado na década de 1950, durante o governo
do presidente Juscelino Kubitschek.
Com a dinâmica desenvolvimentista que a região começou a apresentar,
pessoas de outras partes do País, começaram a migrar para o município começando
daí, o fato de mais de 70% da população local não ser originária da cidade, IBGE
(2000). Até porque, escreve Pereira (1983), por volta de 1920, a região do Triângulo
Mineiro já possuía dezoito municípios ligados à vinte e quatro municípios goianos e
a convergência destas localidades do estado vizinho, eram voltadas para São Pedro
23
de Uberabinha fazendo com que, em 1924 a cidade já possuísse atividades
atacadistas e com isto, despontava uma prevalência comercial que fica mais
evidente em 1930 (ano posterior a mudança de nome da cidade para Uberlândia),
quando a cidade já possuía um grande fundo de reserva de capitais, gerados
principalmente em virtude do superávit que ocorria pela diferença entre as compras
e vendas realizadas pela cidade. O valor de vendas de acordo com Pereira (1983),
era trinta e uma vezes maiores que as compras, pois as mercadorias que aqui
chegavam, eram distribuídas às localidades no entorno de Uberlândia, utilizando
principalmente as estradas da Companhia Mineira de Auto Viação, conciliando o
transporte das mercadorias com a estrada de ferro (Foto 1).
Foto 1 – Estrada da Companhia Mineira de Auto Viação. Fonte: Arquivo Público Municipal (s.d)
Entre as décadas de 1930 e 1940 é importante destacar dois outros fatores
ocorridos que contribuíram ao desenvolvimento da cidade e que, pouca ênfase tem
sido dado pelos historiadores da cidade. O primeiro diz respeito às ações políticas
executadas por João Severiano Rodrigues da Cunha, primeiro prefeito de
Uberlândia, que governou a cidade de 1912 a 1922. Durante este período, João
Severiano deu início à estruturação da cidade como a construção do primeiro grupo
escolar, o primeiro posto de saúde, a primeira rede de esgoto da cidade, organizou o
trânsito, providenciou o calçamento das principais vias da cidade e principalmente,
foi em sua gestão que se iniciou a abertura da estrada empreitada por Fernando
Vilela e como já mencionado, ligando Uberlândia até a fronteira com o estado de
Goiás (PEREIRA, 1983).
24
O segundo fator foram as ações desempenhadas pelos caminhoneiros que,
além de transportarem o que lhe era destinado, realizavam pequenos e grandes
favores para conhecidos ou parentes que residiam na cidade ou em outras partes do
País. Estes pequenos transportes eram os mais variados possíveis, transportando
dinheiro, medicamentos, correspondências e até pessoas doentes que precisavam
ser levados para uma localidade que oferecesse melhores condições de
atendimento médico. Estas ações ficaram enraizadas como os pilares do comércio
atacadista que viria futuramente, obter cada vez mais importância no cenário
nacional.
A tríade ferrovia-estrada-ponte
favoreceu a Uberlândia sobressair-se
comercialmente frente as cidades vizinhas porém, após a segunda Guerra Mundial,
o modal rodoviário passa a ser priorizado pelo Governo Federal frente aos outros
meios de transporte. Com falta de investimentos privados, as ferrovias passam ao
controle do Estado que ao longo dos anos por falta de manutenção e aplicação de
novos recursos para seu desenvolvimento, faz a malha ferroviária tornar-se obsoleta
e vista como um modal defasado como meio de transporte. Em alguns casos, os
trilhos que ajudaram ao progresso para uma determinada localidade, tornaram-se
obstáculos ao desenvolvimento urbanístico de uma cidade à medida que esta
crescia. Assim foi com Uberlândia que em 1970 teve a estação Mogiana transferida
para uma área (bairro Custódio Pereira) distante da região central possibilitando o
reordenamento territorial no espaço urbano ocupado pela antiga estação.
A história da cidade de Uberlândia, desde sua emancipação, foi
pautada na idéia de progresso, modernização e desenvolvimento.
Estas foram as bases que sustentaram e justificaram a
materialização dos discursos, ao mesmo tempo em que condenaram
a demolição tudo o que não se adequava as práticas políticas,
sufocando ou apagando outras possíveis histórias (LOPES, 2002,
p.127).
Na foto 2 pode ser observado como o pátio da antiga estação obstruía a
ligação das principais avenidas da cidade com a Av. João Pinheiro (ao centro da
foto) e a Av. Cipriano Del Fávero vista no extremo direito da foto. Pode ser
observado que a Av. João Pinheiro, é interrompida pelo muro que delimita o pátio da
estação.
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Foto 2 – Antigo pátio da Estação Mogiana em Uberlândia. Fonte: CDHIS-UFU (s.d)
A transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília localizada no
planalto central na década de 1960, fez aumentar o fluxo de mercadorias e pessoas
que passavam pela cidade aumentando as atividades comerciais. Com o advento da
nova capital do País, a abertura de rodovias passou a ser uma prática sistematizada
onde várias delas iniciavam-se em Brasília realizando a ligação com outras capitais
brasileiras, ou a uma importante localidade como a cidade de Santos conectada ao
Distrito Federal através da BR-050 (iniciadas com zero são as rodovias radiais
iniciadas em Brasília) possuindo um trecho que passa pela cidade de Uberlândia e
já nos primeiros anos de funcionamento, possuía um tráfego intenso contribuindo
para fortalecer a característica da cidade como entreposto comercial entre as
regiões centrais e mais ao norte do País.
A construção de outras rodovias (ver mapa 2) como a BR-153 (iniciadas com
um, rodovias longitudinais sentido norte/sul) ligando o Rio Grande do Sul até Belém PA e que passa a apenas 83 km de Uberlândia, a BR-365 (iniciadas com três,
rodovias diagonais) que tem seu início na cidade de Montes Claros – MG e
terminando no canal da represa de São Simão, em Goiás, a rodovia BR-452
26
(iniciadas com quatro, rodovias de ligação) iniciando em Rio Verde – GO terminando
em Araxá – MG e tendo como função ligar Uberlândia e outras cidades próximas a
rodovia BR-262, foram inserindo a cidade cada vez mais nas rotas rodoviárias
principalmente em direção ao Planalto Central. A BR-262 (iniciadas com 2, rodovias
transversais), teve como uma de suas finalidades, fazer a ligação da região sul do
Triângulo Mineiro com a capital mineira Belo Horizonte. Porém, sua importância foi
estabelecer ligação com a BR-452 e com isto, possibilitando uma maior integração
com a porção norte da região e o sudoeste Goiano, área que, desde o princípio do
século XX teve característica de funcionar como um “corredor” por onde transitavam
os produtos oriundos do interior dos estados do Mato Grosso e Goiás em direção ao
grande mercado consumidor paulista (PEREIRA,1983).
A rodovia (BR-262) que liga a capital do Espírito Santo, Vitória, à cidade de
Corumbá no interior do Mato Grosso do Sul, teve sua construção iniciada em 1962 e
finalizada em 1969 e com ela, praticamente encerrando o conjunto de rodovias que
passam por Uberlândia ou em suas proximidades fazendo com que, a cidade viesse
a ter facilidade de acesso a outras regiões do País e com isto, favorecendo a busca
das matérias-primas pelas indústrias aqui instaladas e também, para o escoamento
da produção local ou, para a distribuição de manufaturas para outras áreas do Brasil
como pode ser verificado no mapa 2. Percebe-se que a cidade não ficou prejudicada
quando ao final da década de 1940, o Governo Federal ter priorizado o transporte
rodoviário frente ao ferroviário porque as novas rodovias passam por Uberlândia ou
próximas a ela.
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Mapa 2: Principais rodovias federais próximas à Uberlândia
Autor: BORGES, Clayton (2009)
O final da década de 1960 é o período no qual os grandes atacadistas como
Armazém Martins, Arcom (Armazém do Comércio), Armazém Peixoto e o extinto Alô
Brasil, iniciaram e tiveram suas atividades comerciais expandidas em virtude
principalmente das novas malhas rodoviárias.
Assim, com o crescimento da cidade impulsionada de forma indireta pela
construção da cidade de Brasília e de forma direta pelas rodovias que cortam o
município, indústrias em número cada vez maior e de grande representatividade
nacional e até internacional, como Daiwa do Brasil Têxtil e Souza Cruz, começaram
a se instalar na cidade ainda em meados da década de 1960.
Em setembro de 1965 é inaugurada a Cidade Industrial no setor norte da
cidade, constituído como projeto e posteriormente transformado em lei. Para
impulsionar a vinda de novas indústrias à recém criada cidade industrial, o Governo
28
Municipal promove uma série de incentivos fiscais para que as empresas aqui se
instalassem. Praticamente todas as indústrias ganharam dez anos de isenção de
impostos, o terreno era doado ou, o empresário pagava apenas um valor simbólico.
As escrituras, taxas de construção eram totalmente gratuitas além do que, a
cobertura asfáltica não possuía nenhuma taxa e algumas vezes, estes benefícios
como a isenção de impostos, poderiam até serem renovados ao fim do primeiro
contrato (PEREIRA,1983).
Foi construída uma instituição de ensino técnico (Colégio Estadual Rene
Gianetti) localizado na área central da cidade que, possuía cursos destinados a
formar mão-de-obra qualificada para atender as demandas que naturalmente
surgiriam e mesmo assim, a cidade industrial após cinco anos de sua inauguração
não estava atendendo as expectativas iniciais em virtude do número de empresas ali
instaladas estarem abaixo do esperado. Este panorama começou a mudar quando
em 1971 o governo do estado de Minas Gerais lançou um projeto de lei criando os
CDIs (Companhia dos Distritos Industriais) em que, os setores industriais das
maiores cidades mineiras, não seriam mais vinculados e regulamentados pelo poder
municipal local e sim, subordinados as diretrizes determinadas pela Companhia. O
terreno ainda é doado pelas prefeituras, mas não existe mais as isenções tributárias
verificadas no passado e as empresas passaram a seguir determinações rigorosas
de funcionamento em âmbito arquitetônico e ambiental (PEREIRA, 1983).
Por exemplo, em 1972 um empresário que adquirisse uma área para
construção de seu empreendimento, só podia ter no máximo 50% de área
construída, sendo o restante de uso obrigatório para arborização. Tanto é, que o CDI
de Uberlândia possui uma particularidade frente aos CDIs de outras cidades
mineiras. Ele é dividido em duas partes, onde o primeiro é a área da antiga Cidade
Industrial que não possui a mesma infra-estrutura da segunda, como hidrantes e
boas condições de tráfego.
Desta forma, com novas prerrogativas de funcionamento, o CDI de Uberlândia
pode ser considerado como fator de importante relevância para o crescimento do
município em meados da década de 1960 e início da década de 1970, o que levou a
cidade nesta época a ser uma das maiores arrecadadoras de impostos do Estado
possibilitando inclusive, a ampliação da área industrial ocorrida de 1981 a 1983. Até
porque, em 1967 ocorre uma mudança no Sistema Tributário do Estado onde,
segundo Pereira (1983), 1/5 dos impostos gerados pelos municípios ficaram em
29
suas respectivas sedes e isto, provocou um incremento de divisas para a cidade
que, por diversas vezes, arcou com custos de obras que deveriam ser realizadas
pelo governo estadual. Ao final desta década de 1960 surge ainda a TV Triângulo
(atual Rede Integração) com programação própria tendo importante papel na
divulgação comercial e a fundação da Faculdade de Engenharia de Uberlândia em
29 de abril de 1969 ocorrendo sua federalização uma década depois quando passou
a se denominar UFU. Com todas estas circunstâncias somadas, a cidade passou a
cada vez mais aumentar sua importância comercial tornando rota favorável para
atingir áreas centrais do País.
Todavia, para o funcionamento de uma indústria ou um aglomerado delas, é
necessário que se tenha uma matriz energética no mínimo satisfatória e até início da
década de 1970, a cidade de Uberlândia possuía sérios problemas com o
fornecimento de energia tanto quanto para os usuários comuns, mas principalmente
para as empresas. O problema foi resolvido em 1973 quando a antiga Companhia
Prada foi encampada pela CEMIG que passou a ser a nova fornecedora de energia
ao município.
Escreve Pereira (1983), que para chegar a esta nova realidade que
influenciou de forma direta o crescimento industrial da cidade, houve um longo
caminho a ser percorrido que começou com a idealização de uma usina de energia
ainda em 1905, pelo Tenente-Coronel José Theófilo Carneiro que juntamente com
seu filho Clarimundo Fonseca Carneiro (importante industrial do início do século XX)
trabalhou durante quatro anos para que o projeto da Usina dos Dias se
concretizasse, trazendo inclusive maquinários dos Estados Unidos para a
construção da mesma e já no início de 1909, assinou um contrato de concessão
com a Câmara Municipal por vinte cinco anos e no dia 25 de dezembro deste
mesmo ano, é inaugurada a energia elétrica na cidade. Em 1912 quando a cidade
contava com apenas 10.000 hab., é criada a Companhia de Força e Luz de
Uberabinha. Com instalações e capacidade geradora prevista para atender o
consumo da cidade por cerca de trinta e nove anos ou, até quando a cidade
atingisse 35.000 hab.
Na época, esta importante ação contribuiu para fomentar as bases industriais
da cidade e permitindo que em 1912 uma empresa do ramo de beneficiamento de
arroz, importasse máquinas alemãs que permitiam limpar 200 sacas do produto por
dia. No decorrer dos anos, surgiram outras empresas deste setor que se tornaram
30
atuantes em vários pontos do país, como Arroz Resende e Arroz Cocal
(PEREIRA,1983) .
Em 1929 a Usina dos Dias foi adquirida pela Companhia Prada de
Eletricidade e Clarimundo Carneiro, como industrial da época, dedicou-se ao
desenvolvimento de outras atividades industriais como fábrica de calçados e
derivados de couro. Produzia café, macarrão, promovia refinação de açúcar, instalou
fábrica de sorvetes e picolés, além de ter financiado a construção de um grande
pavilhão servindo para o funcionamento de uma fábrica de cola que também, era de
sua propriedade. Contudo, o fornecimento e distribuição de energia elétrica
gerenciada pela nova Companhia, torna-se precário e ineficiente frente a demanda
de crescimento da cidade e o descaso da empresa em não investir na melhoria e
ampliação de suas instalações para geração de energia, causa vários transtornos
para a cidade e começa a irritar as autoridades locais.
Este desinteresse da Prada ocorreu principalmente pelo fato da mesma ser
constituída de uma sociedade privada e seus lucros na área pública, atingiam
somente 12% frente a uma inflação que até aquele momento, era maior que este
percentual. Ou seja, não era interessante para a Companhia investir neste setor e
com isto, gerando um impasse que durou por quatro décadas sendo somente
solucionado no início da década de 1970 em virtude de uma intensa pressão das
empresas que estavam se instalando no distrito industrial e do próprio poder público
municipal, para que a Companhia Prada fosse encampada pela CEMIG em 1973.
Neste ano, escreve Pereira (1983), a capacidade geradora de energia que era
de 14.000 kVA, passou para 18.000 kVA e dez anos mais tarde, mesma época em
que foi ampliado o distrito industrial da cidade, a capacidade geradora passou para
70.000 kVA e com isto, solucionando a escassez energética e possibilitando que
novas indústrias viessem a se instalar na área ampliada do distrito no início da
década de 1980.
Um fato de relevância ocorrido na cidade por tratar de questões de
espacialidade, foi o deslocamento da estação da estrada de ferro Mogiana para
outra localidade da cidade (bairro Custódio Pereira) que no início da década de
1970, permitiu uma nova dinâmica para a área central de Uberlândia pois, no local
dos trilhos retirados, foram abertas novas avenidas permitindo uma reestruturação
urbana de grande amplitude promovendo a descentralização de alguns setores
como, depósitos de combustíveis e atraindo outros de cunho estritamente comercial.
31
Na década de 30 a posição da estação já era criticada, na de 50,
fico oficialmente declarado. A exposição desta mudança foi forjada
de forma a obter das pessoas dos mais diversos níveis sociais sua
adesão, cuja justificativa tinha como fundamentação o “progresso”.
[...] Podemos observar, principalmente depois de conhecer o
desenho da cidade ideal que estava sendo pensada, que nessa
perspectiva o trânsito urbano ficaria insustentável se a estação
continuasse localizada no centro da cidade, tanto pelo que ela
representava em termos de antiguidade e atraso, quanto pelo fluxo
de veículos que estava sendo programado para transitar pelas
avenidas centrais (LOPES, 2002, p.115).
Fato que fica ainda mais evidente com a ampliação do CDI em 1983 e com
isto, o Poder Público Municipal restringiu consideravelmente a instalação de novas
indústrias nas áreas centrais da cidade.
Estes acontecimentos que propiciaram uma infra-estrutura bem organizada e
sólida, permitiram na década de 1990 à Uberlândia receber empresas com uma
diversificação industrial mais dinâmica como o Pólo Petroquímico, o Pólo Moveleiro,
a telefonia celular que foi a primeira em Minas Gerais, a instalação da Sadia
aproveitando as instalações da extinta Granja Resende sendo ela a maior geradora
de impostos para o município e em 1998 a inauguração do complexo de Call
Centers pertencente ao Grupo ABC Algar considerado como um dos mais modernos
do País.
32
CAPÍTULO 02
33
3. PROCESSOS DE PRODUÇÃO DA BALA
O produto bala ou candies como são conhecidas e comercializadas pelas
indústrias do setor, possuem de um modo geral processos de fabricação
semelhantes para balas diferentes. Porém, é justamente nas sutilezas da linha de
produção que pode vir a determinar o sucesso de aceitação do produto diante do
mercado que estas indústrias atuam. O segredo da produção deste produto (não
divulgado por nenhuma delas) está no tempo e nos percentuais das matérias-primas
colocadas em cozimento no início do processo de fabricação, principalmente com as
balas que possuem cobertura de chocolate. Neste último caso, a calda de chocolate
deve estar na temperatura perfeita para que forme apenas uma “casca” sobre a bala
mastigável já produzida. As balas duras ou duras frias (possuem mentol em sua
composição) envolvem em alguns casos, a mistura de dois tipos de açúcares
enquanto as balas de côco para aniversário, devem obrigatoriamente possuir um
grau de brancura praticamente em 100% para não haver rejeição perante o
consumidor. Com isto, conhecer um pouco sobre a dinâmica que envolve a linha de
produção do produto bala, torna-se um exercício necessário para a posterior
compreensão da dinâmica de distribuição utilizada pelas empresas candies.
Cerca de 90% do peso de uma bala, é constituído de açúcares. Daí vem a
preocupação de todas as indústrias de balas e chocolates, uma atenção em especial
com estas matérias-primas. A glucose (açúcar produzido a partir do milho), por
exemplo, resulta em um melado mais grosso e consistente em comparação ao
açúcar derretido (calda de sacarose) da cana-de-açúcar. Ou seja, uma bala ao ser
produzida tendo um percentual maior de glucose frente à sacarose, resulta em um
produto de melhor qualidade.
Outra característica de se trabalhar com a glucose é que, sendo um isômero
(variação da posição do radical OH na cadeia dos açúcares), e dependendo da
quantidade que foi colocada na fórmula, ela é determinante para caracterizar um
sabor mais suave ou mais acentuado de doçura na bala. A degustação do produto é
bem mais agradável ao paladar, caso a mesma fosse produzida tendo apenas a
sacarose como um dos açúcares.
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A calda de sacarose a 66% (termo técnico do setor alimentício) geralmente é
utilizada pelas indústrias que fabricam as balas de cocos de aniversários. Uma vez
que a principal característica destes tipos de balas é serem bastante brancas, ao
final do seu processo de produção não pode lhe restar nenhum ponto escuro que
seja visível aos olhos do consumidor. Caso isto ocorra e de acordo com Mauro
Pereira de Almeida - um dos Gerentes de Produção entrevistado, o cliente pode
pensar que a bala não foi produzida em um ambiente totalmente anti-séptico. É por
isto, que neste caso, não se utiliza o açúcar cristal que ao ser aquecido até o ponto
de um melado, sobram-lhe pequenos cristais queimados e com isto, tornando
inviável a comercialização da bala de coco.
Definido a combinação dos açúcares que irá se trabalhar, as indústrias
começam a produzir um lote de balas, colocando no tacho água e açúcar-cristal
(exceto as balas de côco) onde são aquecidos por um determinado período até
atingir a consistência de um xarope. Neste xarope, adiciona-se a glucose que é
misturada e aquecida até atingir a consistência de uma massa totalmente
homogênea. Depois de cozida, a calda transforma-se em uma massa que é
transportada para uma mesa de aço inoxidável que possui em seu interior,
serpentinas nas quais passa água fria com a finalidade de promover trocas de calor
entre a superfície da mesa e a massa quente. É preciso haver este resfriamento
para colocar as essências e corantes e em seguida, esta massa segue para a
masseira que tem por objetivo misturar a massa para que os ingredientes finais
adicionados fiquem bastante homogeneizados.
A massa então é conduzida para uma máquina denominada bastonadeira
(Foto 3) constituída de três engrenagens, sendo que duas giram em sentido antihorário e a outra em sentido horário, com a função de puxar a massa e transformá-la
em bastão. Em seguida, o bastão passa por um equipamento acoplado à
bastonadeira denominado trafila tendo por função esticar e afinar o cordão de massa
que sai da bastonadeira e direcioná-lo para a próxima etapa da produção que é a
máquina cortadora de balas.
35
Foto 3 – Máquina Bastonadeira. Fonte: FERREIRA, Dalton (2009)
Essa máquina corta em tamanhos uniformes o cordão de massa e feito isso,
lança as balas em uma câmera de resfriamento onde, em seu interior a temperatura
varia de dois a cinco graus centígrados nas quais as balas passam para serem
resfriadas. Saindo da câmara de resfriamento, as balas são direcionadas para
mesas de controle de qualidade e depois para máquinas envazadoras que
classificam e embalam as balas em diversos formatos de pacotes.
Este processo de produção é praticamente o mesmo para os diversos tipos
de balas com algumas variações em determinado ponto da etapa produtiva
conforme a característica do produto acabado. Se o produto a produzir for a bala de
coco de aniversário, a diferenciação começa na primeira etapa com a utilização da
calda de sacarose a 66% já previamente armazenada em tanques de aço inox. É
despejada em tachos para cozimento até chegar a uma temperatura ideal que
constitui um dos segredos industriais na fabricação das balas. No tacho são
adicionados água, gordura hidrogenada e diferentemente das balas duras e
mastigáveis, os corantes e aromas que se for trabalhar no momento como, por
exemplo, aroma de coco, framboesa, chocolate, morango, tuti-frutti, tangerina, leite
condensado, abacaxi, hortelã, mentolina entre outros.
Após este processo a massa homogeneizada passa pelo mesmo processo de
resfriamento dos outros tipos balas para em seguida e diferentemente da fabricação
36
de outras balas, seguem para o puxador de massa onde ocorre o alongamento dos
cristais de açúcar provocando o clareamento da massa, pois ao sair da etapa de
resfriamento, ainda apresenta uma tonalidade escura independente do corante que
está sendo utilizado no momento. No puxador, a massa deve permanecer entre um
minuto e meio a dois para em seguida ser direcionada para a bastonadeira e seguir
os mesmos processos finais de fabricação frente a outras balas.
Nas balas duras, a mistura que está no tacho ficará mais tempo em cozimento
a uma temperatura maior para evaporar mais água e consequentemente, endurecer.
Além do que, a máquina que corta os filões desta bala não é a mesma que corta as
mastigáveis e toffees justamente por estas duas últimas, serem bem mais macias.
As balas mastigáveis sua composição inicial fica um tempo menor no tacho
de aquecimento e as toffes quando produzidas, além dos ingredientes já citados,
acrescenta-se no tacho doce de leite e depois que as mesmas passam pela
máquina de cortar, são direcionadas para outra máquina denominada cobrideira
onde as balas recebem uma cobertura especial de chocolate que adere facilmente a
superfície das mesmas que em seguida, passam por um túnel de resfriamento para
logo depois serem embaladas.
Algumas das empresas de balas de chocolates da cidade trabalham com a
máquina extrusadora (Foto 4) ao invés da bastonadeira ou com as duas. A primeira
possui a vantagem de deixar a massa mais compactada em um tempo menor
resultando maior produtividade. Com ela, a massa fica com uma liga menor e daí o
fato das balas mastigáveis não serem esticáveis e além do que, as extrusadoras
mais modernas chegam a cortar e embalar 2.200 balas por minuto segundo Carlos
Augusto Ribeiro - Diretor-Executivo da Chocolates Tarumã.
37
Foto 4 – Máquina Extrusora. Fonte: FERREIRA, Dalton (2009)
Como foi descrito no princípio, o tempo e a quantidade de calor que os
ingredientes da bala ficam expostos na primeira etapa, são os fatores principais
(apontado pelos gerentes de produção pesquisados) que determinam a qualidade da
massa de bala. Para isto, é necessário uma caldeira que gere calor constantemente
podendo utilizar como combustível, lenha, óleo BPF, bagaço de cana ou gás GLP. A
lenha que já foi o meio mais utilizado para gerar calor a caldeira, gradativamente
está deixando de ser utilizada para este fim por, exigir grande espaço para
armazenamento, o local de armazenamento é propício a proliferação de insetos
como escorpiões e baratas, quando está verde ou molhada em virtude de chuvas,
difícil para queimar além do que, somente duas horas depois de iniciado a queima
desta matéria-prima, a caldeira estará na temperatura ideal para se iniciar um lote de
produção de balas. Com o óleo BPF (subproduto do processo de destilação do
petróleo) adquirido de companhias petrolíferas não tem nenhum destes problemas
citados. É mais barato, menos trabalhoso para o foguista (operário que na fábrica
acende e controla a temperatura da caldeira) e propicia um aquecimento mais rápido
e constante à caldeira.
38
CAPÍTULO 03
39
4. HISTÓRICO DAS EMPRESAS
A história das indústrias de balas e chocolates de Uberlândia tem início na
década de 1930 e desde então, outras empresas do mesmo setor alimentício foram
fundadas, desenvolveram-se e até 2009 encontram-se em plena atividade industrial.
Contudo, algumas delas encerraram suas operações comerciais, no entanto pela
representatividade que tiveram na inserção do setor no mercado regional e nacional,
foram inclusas neste trabalho.
4.1 Empresas em atividade
A empresa Chocolates Imperial Ltda. caracteriza-se como sendo a mais
antiga fábrica de balas e chocolates da cidade de Uberlândia. Surgiu no ano de 1930
localizada na Rua Silviano Brandão, no limite do bairro Fundinho com o Centro da
cidade entre as Avenidas Nicomedes Alves dos Santos e Floriano Peixoto, próximo
à Praça Clarimundo Carneiro. Após nove anos, seus proprietários transferiram a
fábrica para a esquina da Rua Duque de Caxias com a Avenida Floriano Peixoto em
virtude de naquela época, este local ser o limite das áreas residências da cidade e,
com isto, foi possível construir um novo e maior galpão para atender a crescente
demanda produtiva.
Fato interessante, é que a referida localidade, atualmente é o “coração” do
centro da cidade (Foto 5), com intenso fluxo de veículos e pessoas, diversos tipos de
comércios e serviços e um número expressivo de agências bancárias encontram-se
no entorno desta área. No local do antigo galpão, hoje se encontra um prédio no
qual, em seus primeiros andares estão abrigadas as instalações de uma importante
loja de departamento voltada para a praça central da cidade, a praça Tubal Vilela.
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Foto 5 – Vista Panorâmica do centro de Uberlândia. Fonte: FERREIRA, Dalton (2009)
Neste local a fábrica permaneceu até 1976, quando não havia mais condições
para seu funcionamento naquela área, pelo fato da cidade ter envolvido a fabrica
(Foto 6) em virtude de seu crescimento intenso principalmente naquela década. Com
isto, havia dificuldade para descarregamento dos caminhões com matérias-primas e
também, para escoar a produção. Havia muita reclamação dos vizinhos em função
do funcionamento da caldeira que causava barulho e da fuligem expelida pelas
chaminés e tais protestos ficaram cada vez mais intensos, pois nesta época tinha-se
a notícia de ocorrer muitos acidentes com caldeiras industriais em outras áreas do
País e estar residindo próximo a uma delas, era motivo de bastante preocupação
para a população local.
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Foto 6 – Vista Panorâmica do antigo centro de Uberlândia. Fonte: Arquivo Público Municipal (s.d)
Neste contexto, ainda na década de 1960 já ocorria em Uberlândia
movimentos políticos para a criação do Distrito Industrial que culminou com a
concretização do projeto em 1965. Em 1972 o distrito foi efetivamente fundado pelo
então governador Rondon Pacheco. Em 1969, a Chocolates Imperial adquiriu o
terreno em que, a parte do fundo foi comprada e a da frente foi doada pela Prefeitura
Municipal. Uma vez construída a fábrica à Avenida Comendador Alexandrino Garcia
nº 2245, transferiu-se a unidade produtiva no início do ano de 1976, destacando-se
pela atitude empreendedora, pois na época a localidade era tão distante da área
urbana, que nem mesmo havia linhas circulares de ônibus para conduzir os
funcionários à fábrica. Para sanar tal deficiência por parte do município, a empresa
adquiriu um ônibus para transportar seus funcionários e também importou várias
máquinas e outros equipamentos de origem alemã, holandesa e dinamarquesa para
dinamizar sua produção até porque, com os novos maquinários, o potencial de
produção da fábrica cresceu praticamente cinco vezes mais. Outro fator que foi de
grande relevância para a mudança da indústria para o Distrito Industrial, foi a
pressão exercida pelo poder municipal, que objetivou resolver o problema das
42
reclamações dos munícipes e do tumulto gerado pela presença de uma indústria de
tal porte em pleno centro de Uberlândia.
Uma vez construído o setor industrial ele precisava ser ocupado e já que no
referido período a empresa era uma das vinte maiores arrecadadoras de impostos
para o município, serviu de vitrine para que outras empresas também se
deslocassem para a localidade, haja vista que a Chocolates Imperial foi a quarta
empresa a se instalar no setor industrial. Porém, com o passar do tempo, a empresa
perdeu em competitividade em virtude, entre outras coisas, da grande instabilidade
econômica do País ao final da década de 1970 e início da década de 1980 que, com
o alto índice de inflação que influenciava diretamente nas taxas de juros, fazia com
que, os empréstimos bancários adquiridos por várias empresas, se tornassem
praticamente impagáveis e desta forma, o lucro da empresa que seria utilizado para
a expansão do negócio, era canalizado para pagamento de juros.
Na época, este fator foi determinante para a falência de muitas empresas e no
caso da Chocolates Imperial que havia realizado negócios com empréstimos
bancários, não foi diferente. As elevadas taxas de juros combinada com inflação
mensal na casa dos dois dígitos, praticamente paralisou o crescimento da empresa
por vários anos até que as dividas bancárias fossem encerradas. Em 2009 a
empresa trabalha com a fabricação de bombons e balas duras mastigáveis com uma
capacidade de produção em torno de 1.000 toneladas por mês.
A Erlan Produtos Alimentícios Ltda. Inicia suas atividades indústrias em 12
de junho de 1956 quando os irmãos José Rezende Ribeiro e Mário Rezende Ribeiro
dão início a sociedade que inicialmente situava-se à Avenida Rio Branco nº 1036. A
empresa nasceu com objetivo de industrializar e comercializar balas, caramelos e
massas alimentícias (macarrão).
Em 1963 deixa de fabricar massas e além da comercialização de balas e
caramelos, passa a industrializar bombons. Vinte anos depois, ou seja, em 1983, a
empresa inicia o processo de exportação de seus produtos e após cinco anos, 20%
de sua produção era destinada ao mercado externo. Nesta mesma década de 1980
com a crescente demanda do mercado, os ovos de páscoa passam para o processo
contínuo de produção porém, com o chocolate ainda sendo adquirido de terceiros
para a fabricação de bombons e ovos de páscoa.
43
No ano de 1994 a empresa inaugura sua nova sede no distrito industrial da
cidade possibilitando a abertura de novos mercados uma vez que, a maior e melhor
infra-estrutura da fábrica, possibilitou novas políticas comerciais que consistiu na
venda de seus produtos em toda a América Latina, África e países como Austrália,
Nova Zelândia e Japão.
A Erlan produz e comercializa balas duras e geladas, duras recheadas e
mastigáveis, chocolates, ovos de páscoa e bombom toffee considerado o top de
linha da indústria potencializando sua força de venda em 2004 quando a empresa
investe e instala sua própria fábrica de chocolates para a produção de seus
produtos. Outro fator a se destacar da Erlan em sua localidade atual, é a estação de
tratamento de efluentes líquidos onde toda a água utilizada na empresa é tratada e
devolvida à rede pública sem causar danos à natureza de acordo com as
informações históricas disponíveis no site da empresa.
A indústria de balas Junco Indústria e Comércio Ltda. origina-se em 1978
na cidade de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, quando seu fundador e proprietário
iniciava a empresa embalando condimentos – canela, cravo, pimenta do reino e
outros -, em pequenas porções acondicionadas em saquinhos plásticos. Porém,
somente a partir de junho de 1991, quando a empresa foi transferida de Ituiutaba
para a cidade de Uberlândia, é que tomou a forma de indústria fabricando balas e
pirulitos e também, a fornecer artigos para festas ampliando rapidamente sua gama
de produtos. Até julho de 2004, a empresa estava posicionada entre as três maiores
empresas de artigos para festas do Brasil, reconhecida pela pesquisa da Revista
Top Five (edição especial da revista Supermercado Moderno no mês de julho/2004).
Em 2009, com a industrialização da maioria dos produtos que comercializa,
principalmente balas e pirulitos, a empresa se prepara para abertura de novos
mercados por meio de diversas parcerias.
O fato de a empresa ter se transferido para Uberlândia, segundo o gerente de
produção industrial, deve-se ao fato que na década de 1990, Uberlândia possuir um
centro urbano com estrutura e representação industrial e comercial, mais
significativa do que qualquer outra cidade da região do Triângulo Mineiro, aliada a
sua localização numa área relativamente próxima aos principais centros urbanos do
país, o que tende a facilitar uma atividade industrial. Em média, o município está a
650 km de capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia e Campo
44
Grande, que são cidades onde estão localizados muitos de seus fornecedores e
algumas delas como Goiânia, sendo um importante mercado no processo de
distribuição de balas e pirulitos.
No ano de 2009, a localização da indústria em uma área urbana da cidade, no
caso, bairro Chácaras Tubalina, deve-se ao passado, onde a região era uma área
onde se instalavam algumas fábricas e em 1978, era um bairro distante do centro
urbano de Uberlândia e apesar disto, não se constituía como um bairro voltado a
proliferação de indústrias. Por isto, com o crescimento da cidade, o referido bairro
tornou-se majoritariamente residencial e visando uma melhor adequação de sua
localidade, há o planejamento de que a Junco transfira-se para o atual Distrito
Industrial da cidade, até setembro de 2010 em uma área vizinha à Indústria Itambé.
A Chocolates Tarumã Ltda. foi fundada no ano de 1996 produzindo
inicialmente chocolates em um galpão de 120m² no bairro Roosevelt setor norte da
cidade e permanecendo neste local até 1999 e, surgiu por questões estritamente
familiares. Um dos sócio-fundadores da fábrica de balas Erlan Produtos Alimentício,
vendeu sua parte da empresa em 1986 por não concordar com algumas medidas
estratégicas que estavam sendo adotadas pelo outro sócio. Em seguida, participou
da fundação da Sorvetes Tarumã que anos depois, veio novamente a se desfazer de
sua parte no negócio para então, fundar a Chocolates Tarumã.
No ano de 2000, inicia-se a produção de balas e paralelamente ocorrem
alguns fatores que contribuíram para o crescimento desta nova linha de produção
dentro da fábrica. Neste ano, funcionários antigos da Erlan foram demitidos e alguns
destes, eram fundamentais em determinadas etapas da produção e da operação de
máquinas de fabricação de balas. Então, valendo-se do conhecimento operacional
adquirido ao longo de décadas frente à Erlan, do convite feito e aceito aos antigos
empregados da Erlan, com capital disponível e valendo-se da marca de sorvetes
Tarumã que é uma marca consolidada e conhecida regionalmente, fortifica ainda
mais a presença da empresa no mercado de candies com a produção de diversos
sabores de balas. O outro acontecimento ocorrido naquele mesmo ano e que,
segundo Carlos Augusto Ribeiro Ferreira Braga, diretor da empresa, caracterizou-se
como de fundamental importância para o desenvolvimento da nova atividade dentro
da indústria, foi o encontro de uma estrutura física que atendeu completamente as
necessidades da fábrica.
45
Trata-se de um galpão (alugado com um contrato de trinta anos) localizado na
Rua Ituiutaba nº 593 bairro Aparecida nas proximidades do Estádio de futebol Juca
Ribeiro e de acordo com Carlos Augusto, a empresa nunca teve problemas com a
chegada e saída de mercadorias visto que, em uma primeira análise o local parecer
não favorável ao desenvolvimento de uma atividade industrial. Neste caso, observase que a mudança da localização da empresa atendeu a uma oportunidade
estrutural e não locacional até porque, de acordo com o novo plano de zoneamento
urbano, a empresa está instalada em um local inapropriado para atividades
industriais e há certa pressão por parte da prefeitura, para que a mesma se transfira
para o Distrito Industrial, processo já enfrentado pela Junco Indústria e Comércio
Ltda.
A empresa possui um mix de produtos que são caracterizados como
chocolates finos e balas. Os primeiros são divididos em duas classes que são os
bombons recheados em diversos sabores e os tabletes em vários recheios. As balas
por sua vez, são classificadas como mastigáveis, duras e toffes no sabor doce de
leite com cobertura de chocolate. As balas como um todo e de acordo com o
proprietário da empresa, atingem em média uma produção de 1.500kg/dia e os
chocolates em todas as suas variações, uma média de 200 kg/dia atingindo seus
picos de produção na Páscoa e Natal.
4.2 Empresas com atividades encerradas
A fábrica de balas Produtos Princesinha Ltda. encontra-se com suas
atividades encerradas tendo suas origens em 1947 quando era uma fabriqueta que
se localizava na Avenida Vasconcelos Costas nº 1447, bairro Martins, local que hoje
se encontra a empresa DPaschoal Pneus.
Em 1952 a fábrica encontrava-se em dificuldades financeiras com uma dívida
de (setecentos e cinqüenta mil cruzeiros), e seu proprietário a vendeu para Antônio
Rodrigues por (quinhentos mil cruzeiros). O negócio foi viabilizado em razão do
comprador, à época, ter crédito no mercado (facilitando possíveis empréstimos) e o
fato de possuir dois filhos solteiros, caminhoneiros e formados Técnicos em
Contabilidade, a aquisição do empreendimento tinha uma perspectiva otimista de
crescimento e desenvolvimento.
Sendo então, apenas comunicados pelo patriarca da família a respeito do
novo negócio, os dois irmãos aceitaram a associação preocupando-se inicialmente
46
em sanar as dividas da empresa e com isto, ter um melhor gerenciamento das
finanças o que posteriormente, permitiu o crescimento da empresa.
A fábrica, depois de adquirida pela família Rodrigues, manteve seu nome
original com uma produção de 08 toneladas por mês de balas recheadas, duras e
toffes. Possuía equipamentos de fabricação bastante rudimentares com trinta
funcionários, sendo dez homens na produção e vinte mulheres que embalavam as
balas à mão. Com empréstimos conseguidos por meio de financiamentos para a
compra de novas máquinas, a produção aumentou, e um ano depois, a fábrica foi
transferida para uma área de 1.200 m² localizada no bairro Martins na atual Avenida
Belo Horizonte nº 306 onde o proprietário, possuía dois galpões que até aquele ano
de 1953, encontravam-se alugados para depósito de cereais.
Após dois anos nesta nova localidade, ou seja, em 1955 a fábrica já produzia
25 toneladas por mês e em 1958, já contava com trinta e cinco homens na linha de
produção e noventa mulheres embrulhando balas. No fim daquela década, Haroldo
Rodrigues (primogênito da família), era quem viajava para realizar o comercial da
empresa e seu irmão, era quem na cidade gerenciava a produção e distribuição dos
produtos acabados. Contudo, Haroldo Rodrigues viu-se na obrigação de assumir o
comando da fábrica no início de 1958 em virtude do falecimento de seu irmão
Mesmo com tantas mudanças, ao final deste mesmo ano, a empresa adquiriu
sua primeira máquina de origem italiana para embalar balas e dois anos depois com
a aquisição de mais duas máquinas, chegavam a 100 toneladas por mês de
produção e sempre crescendo através de financiamentos. A fábrica no decorrer dos
anos seguintes continuou progredindo atingindo seu auge de produção em 1994
com nove máquinas de embalar balas chegando a 200 toneladas por mês.
Entretanto, neste mesmo ano em virtude de uma mudança cambial ocorrida na
política econômica do País, que foi a conversão da URV (Unidade Real de Valor)
para o Real, fazendo a moeda brasileira ter uma equiparação com o Dólar
Estadunidense, a fábrica teve uma forte queda em suas vendas e, com isto, não
conseguiu quitar os juros dos financiamentos que por quarenta e sete anos, fizeram
a empresa funcionar e crescer.
Isto ocorreu porque a empresa deixou de possuir uma alta lucratividade nas
vendas que era propiciada pelas altas taxas mensais de inflação. Esta situação
permitia o pagamento ou, o controle dos juros dos empréstimos. Com a equiparação
cambial, a direção da empresa verificou que o montante das dividas superava o
47
valor da própria fábrica. Nos quatro anos seguintes, houve um trabalho intenso para
superar o endividamento e conseguiram de acordo com o ex-proprietário. Porém, em
1998 a empresa não era mais competitiva porque neste período, priorizou-se a
amortização das dividas em detrimento da modernização dos equipamentos e
assim, perdeu-se a competitividade e consequentemente, o mercado. Com isto, a
produção diminuiu pela metade, houve muitas demissões e o custo para manter a
fábrica funcionando, era cada vez maior.
Em 1998 a indústria paralisa suas atividades, mas Haroldo Rodrigues em
2009 aos 80 anos, tem ainda a pretensão de erguer outra fábrica de balas em uma
área de 25.000m² localizada no setor oeste da cidade, bairro Chácaras Tubalina,
Rua Francisco Rodrigues Serralha nº 100 que hoje, encontra-se alugada como
garagem para uma empresa de ônibus de transportes coletivos e por coincidência,
em frente à outra indústria de balas.
Segundo o próprio Haroldo Rodrigues, ele tem este objetivo por dois motivos;
o primeiro por querer deixar uma herança para os filhos e netos e por um valor
sentimental em querer recolocar no mercado a marca de balas Brokinha que ainda
lhe pertence.
A indústria de balas Produtos Fokinha Ltda. também é uma empresa
genuinamente uberlandense e teve o início de suas atividades no ano de 1996
quando se denominava Indústria de Balas e Comércio Meninas Ltda. localizada no
bairro Jardim Patrícia, Rua José Fonseca e Silva nº 989, setor oeste da cidade
produzindo balas da marca Teteca e Fokinha, sendo a primeira, o carro chefe da
produção.
Com a boa aceitação no mercado das duas marcas e o consequente aumento
da produção, em 1999 a empresa transfere suas atividades para um galpão
localizado no bairro Martins, Avenida Belo Horizonte nº 306, setor central da cidade
que era exatamente, o local das antigas instalações da fábrica de balas Produtos
Princesinha, falida no ano anterior.
Até junho de 2009, a empresa enfrenta sérios problemas logísticos por estar
inserida em um bairro residencial, tais como dificuldades com carregamento e
descarregamento de caminhões, a presença da caldeira que em algumas épocas do
ano, tinha seu funcionamento 24hs por dia. Para resolver este problema, existia uma
48
projeção por parte da direção da empresa de que em 2011, a empresa viesse a
transferir a unidade produtiva para o Distrito Industrial da cidade.
A empresa em 1998 muda sua logomarca para a de uma Foca e neste
mesmo ano, lança a marca Kuxixo de cunho estritamente voltado para o mercado
externo. Em 2001, mudam sua razão social para Produtos Fokinha Ltda.
consolidando o símbolo da Foca em seus produtos e elaborando novas metas de
crescimento de mercado. Para isto, em 2003 implementam o maquinário da fábrica
comprando o conjunto de máquinas que compunha a linha de produção de balas
duras da antiga fábrica de balas, Produtos Princesinha.
A partir de 2004 a indústria moderniza o processo de cozimento contínuo das
balas associado à aquisição de máquinas de alta tecnologia utilizadas nas
embalagens. Antes, a fábrica possuía cinco bastonadeiras onde a massa de bala
que entrava por ela e saia na forma de pavil muito quente, só podia ser manipulada
no outro dia para ser embrulhada e depois empacotada.
As três novas máquinas foram adquiridas da empresa uberlandense Remaq
Indústria e Comércio Ltda. e denominadas extrusoras. O mesmo pavil depois de
processado, passa por um túnel de resfriamento, entra em uma máquina na qual já é
embrulhada e duas horas depois, a bala já pode ser empacotada. Além disto, estas
novas máquinas podem embalar 700 balas por minutos enquanto as bastonadeiras,
apenas 400.
É importante ressaltar que neste processo de modernização da linha de
produção, de acordo com Ivone Clemente Souza Reis, Gerente do Financeiro, que
ao contrário do que geralmente ocorre, não houve demissões e sim, novas
contratações para suprir o substancial aumento produtivo gerado pelas máquinas
extrusoras. As balas produzidas por estas máquinas provocaram logo de imediato
uma reação positiva no mercado e consequentemente, aumentando e expandido o
volume de vendas em virtude das mesmas, terem atingido o mesmo nível de
qualidade de suas concorrentes, fazendo com que, a empresa consolidasse sua
posição no mercado de candies que culminou em 2005 com o lançamento das
marcas Fokinha e Megachew, sendo esta última, destinada ao mercado externo.
Porém, em julho de 2008, o sócio majoritário da empresa, Manoel
Domingues, em viagem de férias à Argentina, sofre um grave acidente
49
automobilístico onde quase perde a vida. A recuperação da saúde que envolveu
semanas em UTI hospitalar, severa medicação, fisioterapia e uma série de
adaptações no modo de vida frente a nova condição física, exigiu significativos
gastos financeiras da família e aliado ao desanimo natural que se abateu sobre o
empresário, fizeram-no encerrar as atividades da indústria de balas mantendo
somente a empresa de Contabilidade e Consultoria, Audicon Associados Ltda.
4.3 Localização Geográfica das Empresas na cidade de Uberlândia
Algumas destas empresas ao longo de sua história, sofreram mudanças em
sua localização dentro do perímetro urbano como observado no mapa 3. Os pontos
indicam uma certa oposição no sentido de deslocamento das empresas. Nota-se por
exemplo, que a Chocolates Imperial e Erlan, distanciaram-se das áreas centrais.
Produtos Princesinha, Produtos Fokinha e Chocolates Tarumã, direcionaram-se para
o centro de Uberlândia. A Junco, apesar de estar em projeto a mudança para o
Distrito Industrial, ainda permanece no mesmo local desde quando foi fundada na
cidade. Ou seja, a regra da descentralização industrial de áreas urbanas, não se fez
valer para estas empresas (pelo menos em parte) evidenciando quantas são as
nuances que determinam o local de instalação de uma indústria.
50
Mapa 3: Localização das Indústrias de Balas e Chocolates – Uberlândia/MG
51
CAPÍTULO 04
52
5. FORNECEDORES E LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO
Ao discorrer sobre logística, o primeiro conceito que geralmente vem a mente
das pessoas, é o carregamento, transporte e descarregamento de mercadorias em
um veículo de cargas. É evidente que a logística envolve transporte em suas
diversas modalidades como o rodoviário, ferroviário, aeroviário, aquaviário e
dutoviário. Mas isto, é apenas parte de uma cadeia logística que visa principalmente
a redução de custos em todo o processo, sem afetar a qualidade do produto final.
Com as empresas de chocolates de Uberlândia, percebe-se um gasto de
tempo considerável na tarefa da logística que envolve a negociação com
fornecedores, datas do ano mais propícias a adquirir determinadas matérias-primas
e se as mesmas são passíveis de armazenagem. Controle dos prazos de entrega
das matérias-primas, controle do estoque, controle bactericida de toda a linha de
produção, controle dos percentuais de perda ou sobra dos insumos durante a
produção, supervisão da saída do produto acabado da fábrica até o momento que
este chegue as prateleiras de supermercados, bares, lanchonetes ou padarias.
Nos sub-tópicos Fornecedores de cada indústria, estão inseridos mapas
indicando a origem das matérias-primas e para onde se destina seus produtos
depois de industrializados, seguindo os critérios de logística acima citados.
5.1. Chocolates Imperial
5.1.1 - Fornecedores Chocolates Imperial
A Chocolates Imperial é a indústria de chocolates e seus derivados mais
antiga da cidade e que, de acordo com seu Diretor Executivo até meados da década
de 1980 foi a principal e maior produtora local neste setor, posição que atualmente
pertence à Erlan Produtos Alimentícios. Possui uma maior diversidade de
fornecedores para os produtos que fabrica (bombons e balas toffes), em relação aos
seus concorrentes locais, comprando o açúcar em torno de umas dez usinas do
estado de São Paulo e apenas duas de Minas Gerais, sendo o preço desta matériaprima, o diferencial para sua aquisição. A glucose é adquirida da Cargill Agrícola em
Uberlândia e da Corn Products Brasil Ingredientes Industriais na cidade de Jundiaí –
53
SP. A gordura é adquirida somente da Cargill pelo fato da mesma ter adquirido as
empresas menores e próximas que forneciam esta matéria-prima.
O chocolate utilizado na fabricação de bombons e na cobertura das balas
toffes é proveniente da Chocolates Garoto em Vitória - ES e da Harold Indústria e
Comércio de Alimento localizada em Santana de Parnaíba - SP e que se destacam
segundo a empresa, pela qualidade de seus itens. Já as essências são adquiridas
de oito fornecedores diferentes como a Firmenich Comércio e Indústrias Essências
Sacoman em São Paulo – SP, Grasse Fragrâncias Essências e Aromas em
Diadema - SP, All Flavors, também em Diadema, Robertet do Brasil em Barueri – SP
e Duas Rodas Industrial localizada em Jaraguá do Sul - SC. Esta última é a principal
fornecedora deste insumo por ser a única que possui representante comercial em
Uberlândia possuindo bons preços e produtos de qualidade de acordo com José
Luiz Vilela – Diretor executivo da empresa.
O envoltório das balas e bombons é adquirido da empresa Plastifica Industrial
de Belo Horizonte - MG e Plascort Indústria e Comércio de Embalagem Flexível em
Atibaia - SP, além da caixa externa adquirida da Klabin em Betim - MG. A Klabin
também possui várias unidades no interior de São Paulo fabricantes de caixas de
papelão e vez ou outra, a Chocolates Imperial adquire produtos destas unidades.
5.1.2 - Mercado Chocolates Imperial
Até 2006, esta empresa exportava para vários países como por exemplo,
Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia onde o produto possuía uma maior
rentabilidade em função do alto poder aquisitivo destes países. As exportações
também eram realizadas para Panamá, Paraguai, Coréia do Sul, Rússia, Israel e
Líbano. Curiosamente, para estes dois últimos países, as exportações aumentavam
justamente no período de conflito bélico entre ambos. Segundo informação passada
pelos Traders (representantes comerciais da empresa nestes países), tal fato ocorria
porque sendo a bala ou bombom uma fonte de carboidrato agradável e calórica, ela
aumenta o estado de euforia, dissimula a fome e muito fácil de ser transportada
entre a população civil. A mesma circunstância verificava-se em outro mercado
exterior que a empresa atuava como África do Sul (grande consumidor de balas e
portal de entrada do continente), Angola, Líbia, Tunísia, Gana, Senegal e Marrocos.
Sendo nestes dois últimos, a pobreza como o principal motivo da aquisição e
54
consumo das balas brasileiras principalmente por crianças por ser de preço baixo e
servindo como opção de alimento.
A empresa trabalha com a fabricação das balas duras em vários sabores
sendo a de sabor mentolina, o carro-chefe desta categoria presente no mercado
desde 1930 quando a empresa foi fundada. Fabrica ainda as balas duras recheadas
em vários sabores, as barras mastigáveis em vários aromas e por fim, o bombom
toffe.
O mercado que a empresa atua como demonstra o mapa 4 e não
diferentemente das outras empresas de candies da cidade, está concentrado nas
regiões Norte e Nordeste onde ambas, somam 38,14% do total da distribuição. A
região Centro-Oeste responde por 31,07% sendo que deste montante, 25% são
direcionados somente para o estado de Goiás. A região Sudeste com seus 28,64%
não difere do caso anterior, pois apenas o estado de Minas Gerais possui uma
representatividade de 23,02% do total da região. Por fim, a região Sul com seus
2,15% possui pouca expressividade no mapa de atuação mercadológica da empresa
conforme informa José Luiz Vilela – Diretor Executivo da empresa.
Em 2008 a distribuição da empresa é 100% nacional atuando através do
modal rodoviário com mais ênfase nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia,
Pernambuco, Alagoas, Goiás, Amazonas e Minas Gerais.
Utilizam transportadoras para o escoamento da produção, vendendo para os
estados onde elas são mais atuantes. Nestes estados, estas empresas dispõem de
melhor infra-estrutura, como centros de distribuição e veículos de médio e pequeno
porte, agilizando, pulverizando e capilarizando as entregas e atendendo o mais
rapidamente possível os pequenos clientes. Esta política comercial adotada pela
empresa em priorizar uma clientela com esta característica, deve-se ao fato da
fidelidade para quitarem seus compromissos financeiros uma vez que, a maior parte
das vendas da Chocolates Imperial, ser à prazo.
55
Mapa 4: Mercado consumidor da Chocolates Imperial
A direção da empresa pontuou algumas circunstâncias que fazem com que a
maior parte das vendas serem direcionadas para as regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste do País como; a cidade desenvolveu-se distribuindo todo o tipo de
produto para o oeste e norte e hoje, a combinação de ICMS mais baixo destas
regiões, população de menor poder aquisitivo, dificuldade das empresas locais
atuarem na região Sudeste e Sul e distâncias continentais impedindo as do Sul
atuarem mais ao Norte, favorece a concentração das vendas nestas regiões pelas
empresas de balas de Uberlândia. Neste aspecto, é também importante salientar
que devido ao seu grande dimensionamento territorial, a distribuição no Brasil é
crítica para todos os itens de consumo em virtude de problemas estruturais já
conhecidos como; estradas em péssimas condições, congestionamentos dos portos,
aeroportos em sua maioria arcaicos e com pouquíssimas linhas inter-regionais, além
de o setor ser dominado pelo monopólio de praticamente duas empresas aéreas.
Ferrovias sucateadas e inoperantes, dificuldades de abastecimentos, acidentes,
roubos de carga, etc. Com isto, em quase sua totalidade, o transporte da mercadoria
é realizado por transportadoras e dependendo da distância envolvida, o valor do
frete (pago por quem contrata) é alto.
56
Balas e chocolates como produto final possuem uma margem de lucro muito
pequena e para proporcionar um retorno financeiro satisfatório, necessita ser
produzida em larga escala e ter um mercado que consuma esta produção. Por isto,
as empresas de candies do Sul do Brasil, que são as maiores neste setor, não
atuam nas mesmas regiões em que as indústrias de candies de Uberlândia vendem.
A direção da empresa destacou ainda que, apesar da cidade não ser um pólo
nacional na fabricação de candies, possui uma importante participação neste
mercado a nível regional e estadual. Ressaltou ainda o fato da cidade concentrar
cinco indústrias deste setor alimentício e na análise da mesma, isto ocorre devido a
uma tendência natural de se “repetir o que está dando certo”. Fica mais seguro
investir o capital em uma atividade que já se conhece a viabilidade, onde se
conhecem as fonte de matérias-primas e as peculiaridades do mercado consumidor.
5.2. Produtos Princesinha
5.2.1 - Fornecedores Produtos Princesinha
A Produtos Princesinha, no período de 1952 a 1994 que esteve ativa, adquiria
o açúcar de várias usinas do estado de São Paulo, comprando daqueles que
oferecessem o menor preço. O melado de milho era fornecido pela Cargill Agrícola
de Uberlândia e pelas Refinações de Milho Brasil, situada em Mogi Guaçú - SP. As
essências eram adquiridas das empresas Duas Rodas Industrial em Jaraguá do Sul
- SC, Ferminisch Comércio e Indústrias, Essências Sacoman e das Indústrias
Matarazzo no estado de São Paulo.
Distribuía seus produtos em toda a região do Triângulo Mineiro e para os
estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rondônia, Pará e
Maranhão onde, a marca “Comentada” até 2008 possuía uma forte aceitação nestes
mercados. Na época da falência da Princesinha, esta marca foi comprada pela
empresa terceirizada que distribuía suas balas nestes estados.
Já a marca “Brokinha” que tinha dez sabores diferentes, era mais
comercializada nas regiões mais próximas a Uberlândia e quando as empresas
atacadistas da cidade passaram a ter uma maior abrangência de distribuição no
País, começaram a atuar também nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro onde
57
o transporte era realizado pelo ARCOM que comprava cerca de 30% da produção
de balas da Princesinha.
No mapa 5 pode-se visualizar como era a representatividade destas
distribuições.
Mapa 5: Mercado consumidor da Princesinha
Comercializando praticamente em todos os estados brasileiros, o diretorexecutivo da extinta empresa, destacou a forte atuação que possuíam nos estados
nordestinos em virtude de naquela região, as balas populares serem consumidas em
larga escala por possuírem um valor de aquisição bastante baixo e assim, de fácil
acesso as camadas sociais mais pobres e tendo o papel de importante fonte de
alimento. Tanto é, que chocolates e bombons finos que envolvem uma tecnologia
maior em sua fabricação e consequentemente possuindo um maior valor agregado
resultando em um maior preço ao consumidor final, não possuem uma
comercialização significativa nesta região em comparação aos estados do Sudeste e
Sul do país onde as condições sócio-econômicas da população, é maior do que as
regiões Norte e Nordeste
Além dos armazéns atacadistas, a distribuição também era realizada por
caminhões próprios em um raio de até 500 km e ao todo, chegou a totalizar nove
58
veículos para entrega própria. Seus vendedores que totalizaram quinze, atuaram em
quase todo o território nacional viajando em veículos próprios e nos estados de
Rondônia e Acre nos meses de alta pluviosidade, o transporte era realizado por jipes
e barcos.
No ano que a empresa começou suas atividades sua única concorrente era a
Chocolates Imperial que já possuía vinte e dois anos de atividade priorizando a
qualidade de seus produtos e sendo uma das maiores empresas da cidade e região
daquela época, serviu de incentivo, pois na lógica dos novos proprietários, se havia
um tipo de empreendimento que estava em franco desenvolvimento sem
concorrentes e com um mercado que se expandia cada vez mais, tinha uma grande
chance de obter sucesso. Ou seja, na opinião do antigo proprietário, foi um fator que
na época motivou a família Rodrigues a investir na fabricação de balas.
Ainda em suas considerações, o fato da cidade possuir quatro empresas de
candies, foi a pratica de “copiar” um negócio que estava dando certo e se
expandindo. Em 1994 com a conversão da moeda, a empresa teve uma drástica
redução em suas vendas ficando inviável quitar os empréstimos financeiros e
investir no negócio o mesmo tempo, vindo a decretar processo de falência em 1998.
5.3. Indústria de Balas Fokinha
5.3.1 - Fornecedores Indústria de Balas Fokinha
A Indústria de Balas Fokinha segundo seu Diretor-Comercial, até o início do
ano de 2009, produz cerca de 240 toneladas de balas por mês com produção diária
em torno de 08 toneladas, mas com capacidade instalada para produzir 290
toneladas ao mês o que resultaria em uma capacidade diária de produção em torno
de 9,6 toneladas de balas podendo obter uma capacidade anual produtiva em cerca
de 3.500 toneladas/ano. Possuem um mix de balas duras bastante variáveis nos
aromas de hortelã, café, canela, frutas sortidas além das balas geladas de cereja,
eucalipto e menta.
Com relação as compras, o Diretor-Comercial enfatizou que a empresa
monitora constantemente a qualidade e rapidez na entrega das matérias-primas e
com isto, a glucose e gordura vegetal são adquiridos na unidade da Cargill Agrícola
em Uberlândia. Os corantes e essências são oriundas da indústria Duas Rodas
59
Industrial localizada na cidade de Jaraguá do Sul - SC e neste caso, a qualidade da
matéria-prima é o fator que justifica a compra de um fornecedor tão distante. O ácido
cítrico e lecitina de soja, também utilizados na composição das balas, são adquiridas
da Indústria Química Santo Anastácio localizada na cidade com o mesmo nome no
estado de São Paulo. Neste fornecedor, o baixo custo da matéria-prima, qualidade e
logística rápida e eficiente, são determinantes para a aquisição de seus produtos.
O óleo utilizado para aquecer a caldeira provém da indústria TCA localizada
na cidade de Curitiba - PR pelo fato de não haver outros fornecedores mais
próximos. Já o papel utilizado para embalar as balas é proveniente da indústria Trya
Embalagens localizada na cidade de São Paulo - SP e o baixo custo juntamente
com a facilidade de logística, é o que determina a compra com este fornecedor
assim como, os saquinhos utilizados para ensacar as balas, que são adquiridos da
indústria Flex Paper na cidade Salto de Pirapora – SP que possui como diferencial
no fornecimento de matérias-primas, baixo custo e boa qualidade de seus itens.
5.3.2 Mercado Produtos Fokinha
O escoamento da produção da Indústria, é 100% nacional apesar de no
passado, já ter exportado para outros países como por exemplo, África do Sul e
Angola. Neste contexto, 61,91% da produção são direcionadas para os estados das
regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os outros 38,09%, distribuídos entre as
regiões Sudeste e Sul com esta última possuindo uma representatividade muito
pequena como demonstra o mapa 6.
60
Mapa 6: Mercado consumidor da Fokinha
Alguns fatores influenciam decisivamente para que a empresa concentre suas
vendas nesta porção mais ao norte do Território Nacional como por exemplo; o perfil
de consumo da população destas localidades caracterizados como sendo de baixo
poder aquisitivo e que vêem a bala como uma fonte de alimentação e energia à
baixo custo. Produto saboroso, com alto valor nutritivo e fácil de ser adquirido em
pontos comerciais de qualquer pequena cidade.
O Diretor-Comercial da empresa ainda destaca que, com seu público alvo
definido, é muito relevante e criterioso o trabalho de logística utilizado para realizar a
distribuição de balas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste visto que,
dependendo da localidade, o caminhão chega a percorrer até três mil quilômetros
para realizar uma entrega e com isto, o valor do frete passa a ser uma importante
variável no preço da mercadoria, já que o valor agregado do produto bala é muito
baixo.
A indústria utiliza essencialmente o modal rodoviário para o transporte de
seus produtos e nas regiões Norte e Nordeste, a distribuição é realizada em sua
61
maioria por caminhões de terceiros contratados. Nas regiões Centro-Oeste e
Sudeste onde as cargas são fracionadas, o envio da mercadoria é realizado por
transportadoras por possuírem uma capacidade de capilaridade melhor e com isto,
atingindo um número maior de pontos de vendas. Este procedimento reflete
diretamente no custo do frete, visto que, agrega um nível de serviço mais elaborado
nos volumes fracionados.
Pode-se observar que, as circunstâncias que determinam o mercado onde
uma empresa irá atuar nem sempre são tão visíveis ou fáceis de mensurar. Fatores
como, perfil de consumo, custo com transportes, alíquotas tributárias, saturação de
mercado, situação econômica nacional ou mundial, disponibilidade de recursos da
empresa entre outros, possuem uma relevância bem mais significativa e realista do
que uma posição geográfica dentro de um território. O fato de Uberlândia estar
situada em um ponto que a deixa em média a 600 km dos principais centros
comerciais e industriais do País, deve ser analisado com muita cautela, pois
somente isto, não faz automaticamente a cidade propicia à instalação e
desenvolvimento de qualquer tipo de atividade industrial. A localização geográfica
torna-se fator importante em um determinado cenário quando está associada a
outros fatores que lhe darão subsídios para que a circulação de pessoas e
mercadorias se direcionem ou passem por ela dando a característica de localidade
estratégica.
Aspecto relevante a ser ressaltado é que, apesar de na cidade existirem
outras fábricas de balas e chocolates (Erlan, Chocolates Imperial, Chocolates
Tarumã, e Junco), a capacidade produtiva das cinco está entre as menores no
cenário nacional representando 2,12% da produção total segundo a Revista Doce de
março de 2006.
5.4. Junco Indústria e Comércio
5.4.1 - Fornecedores Junco Indústria e Comércio
A Junco Indústria e Comércio Ltda possui um mix de produtos bastante
variável como copo, pratos, balões, velas e enfeites para festas entre outros.
Contudo, os únicos itens que passam por um completo processo de transformação,
desde as matérias-primas até o produto final, são as balas e pirulitos para
62
aniversário e desta forma, a empresa está inserida no mesmo setor alimentício que
as outras empresas de balas e chocolates da cidade de acordo com a instituição que
rege e regulamenta o setor, ABICAB.
A empresa, segundo Mauro Pereira de Almeida – gerente de produção, segue
um rigoroso padrão de qualidade quando se trata da compra de matérias-primas
frente aos seus fornecedores localizados em diversos pontos do território nacional
sendo alguns deles, os mesmos das outras indústrias de balas e chocolates da
cidade. A Dulcini, empresa localizada na cidade de Pirassununga – SP e
pertencente ao grupo Dedini é um dos seus principais fornecedores. Fornecem a
calda de sacarose a 66% e de acordo com o Gerente de Produção da Junco,
conseguem manter a boa qualidade deste insumo durante todo o ano. Outra
característica marcante deste fornecedor com relação à entrega deste insumo, é que
o compartimento do caminhão utilizado para realizar o transporte é cipado. Ou seja,
é realizado um tratamento antibacteriológico onde é garantindo a isenção de
microorganismo durante o período de transporte até a unidade produtiva da Junco.
Este mesmo processo também é aplicado ao tanque da fábrica que recebe e
armazena a calda de sacarose.
Os aromas, corantes e essências nos sabores coco, abacaxi, morango,
framboesa, tangerina e tutti-fruti, são adquiridos do fornecedor Duas Rodas
Industrial tendo o fator qualidade, preponderante para a aquisição de seus produtos.
O talco alimentício é adquirido da empresa fornecedora Minérios Ouro Branco
localizada no bairro Vila Nova Cachoeirinha em São Paulo - SP e possui como
principal característica, conseguir fornecer um talco com elevado grau de brancura
que torna-se um dos diferencial frente aos concorrentes. As lenhas utilizadas para
manter a caldeira ativa são originadas de lavouras de eucalipto no município de
Uberlândia e aqui, verifica-se ser um processo diferente do utilizado pela Indústria
de balas Fokinha que utiliza o óleo para aquecimento da caldeira.
As balas de aniversário Junco são embaladas em pacotes de 200gr, 400gr e
700gr e a arte que vem impressa nos sacos plásticos como a logomarca da empresa
e outras especificações técnicas como ingredientes, informação nutricional do
produto, que são regulamentados por órgãos federais como ANVISA e INMETRO,
são feitos pela empresa Max Designer situada na cidade de Uberlândia. Já o
plástico em si, é adquirido de dois fornecedores, a Juntiplast localizada em Jundiaí -
63
SP por possuir um polímero de alta qualidade e a Poligynn localizada em Goiânia –
GO.
Conforme o Gerente de Produção, o fato da empresa possuir dois
fornecedores de embalagens plásticas em sentidos opostos de localização
geográfica, se deve a alguns fatores como a menor taxação tributária do estado de
São Paulo e o fato de não ficar dependente de um único fornecedor até porque, a
disponibilidade de polímeros ao longo do ano sofre variações que podem prejudicar
seu fornecimento as fábricas de balas. As caixas de papelão são oriundas do
fornecedor Artpel também na cidade de Goiânia - GO e os produtos químicos
(desinfetantes) utilizados para a higienização de todos os equipamentos da linha de
produção, são adquiridos da Bracol, empresa pertencente ao grupo Bertin localizada
na cidade de Lins - SP.
5.4.2 - Mercado Junco Indústria e Comércio
A empresa, de acordo com seu Gerente de Produção, possui uma produção
mensal de quarenta e quatro toneladas de balas mais quarenta toneladas de
pirulitos sendo que, tal produção aumenta em cerca de 20% no mês de junho em
virtude das festas juninas e nos meses de outubro a dezembro devido às
festividades de final de ano. Em contrapartida, de janeiro a fevereiro são os meses
em que a produção tem uma redução em média de 30% por ser uma época do ano
em que as festividades não são voltadas para o público infantil.
O escoamento da produção da Junco pode ser observado no mapa 7 e
aborda todo o território nacional. A distribuição da empresa é 100% rodoviário
utilizando transportadoras e frota própria que consiste em quatro caminhões que
atendem em um raio de até 1.100 km e um furgão utilizado para entrega local. Fora
deste alcance, a empresa trabalha em regime de contrato de prestação de serviço
com seis grandes transportadoras (Mercuryo, Mira, Rodonaves, Colatinense, Atlas e
Eucatur).
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Mapa 7: Mercado consumidor Junco
Assim que um ou mais caminhões de qualquer uma destas Transportadoras
seja carregado na Junco, os mesmos seguem para a respectiva filial da
transportadora em Uberlândia onde a carga é fracionada para ser distribuída de
acordo com a região que a transportadora melhor atua. Aliás, de acordo com o
Supervisor de Logística da Junco, este é um dos principais motivos para que a
empresa trabalhe com diversas transportadoras. Para todas elas, existe aquela
região em que possuem um poder de atuação mais eficiente. Nesta determinada
região, realiza melhores parcerias com empresas de entregas rápidas que tem por
função, pulverizar a distribuição dos produtos que chegam aos seus grandes
depósitos locais.
Observa-se então, que durante toda esta logística de transporte, as balas
Junco passam por um processo de transbordo inúmeras vezes ficando a mercadoria
sujeita a avarias e por isto, há a existência contratual de prestação de serviços
tornando a Transportadora responsável em custear qualquer dano que venha a
ocorrer com os produtos até sua chegada ao cliente. Por isto, visando reduzir ao
máximo as avarias que possam vir a ocorrer nas mercadorias durante o transporte, a
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empresa há pouco tempo, passou a utilizar caixas de embalagem onde o papelão
possui três camadas e com isto, sendo muito mais resistentes à empilhagem, ao
mau manuseio ou aos solavancos que ocorrem no interior do compartimento de
cargas do caminhão.
5.5. Chocolates Tarumã
5.5.1 - Fornecedores Chocolates Tarumã
A Chocolates Tarumã segue basicamente a mesma linha de fornecedores das
outras fabricantes de candies da cidade e desta forma, o açúcar é adquirido da
Usina Alvorada em Araporã – MG por ter o valor do frete menor, a glucose é
fornecida pela Cargill Agrícola de Uberlândia - MG e a gordura vegetal, comprada
da unidade da Cargill em Itumbiara - GO em função do baixo custo do frete.
Os aromas e essências não diferem da Chocolates Imperial, Fokinha e Junco,
são adquiridos da fornecedora Duas Rodas Industrial tendo como diferencial, a boa
qualidade dos produtos e no caso da Chocolates Tarumã, também pagam o valor do
frete. A embalagem externa é fornecida pela indústria K/Brasil de Uberlândia sendo
a proximidade e rapidez da entrega determinantes em sua aquisição. O papel
interno que envolve as balas e bombons toffes, são adquiridos da fornecedora
Sulprint em Santa Cruz do Sul - RS pelo fato da K/Brasil não fabricar este tipo de
embalagem e principalmente, pela Sulprint arcar com o valor do frete no transporte
da mercadoria até Uberlândia.
5.5.2 - Mercado Chocolates Tarumã
Perante outras indústrias de candies da cidade, a Chocolates Tarumã é a
única que possui seu nicho de mercado concentrado em suas proximidades sendo
50% de sua produção voltada para Uberlândia e nesta localidade tem como seus
principais concorrentes os produtos da Fokinha, Cacau Show e Kopenhagen sendo
as duas do estado de São Paulo.
Tem nos bares, lanchonetes e padarias seus principais clientes e utiliza
pequenos atacadistas para distribuição por possuírem maior agilidade de entrega e
conseguem garantir o abastecimento nos prazos estipulados. Além disto, parte
considerável das vendas locais, são os próprios clientes que buscam o produto à
66
porta da Chocolates Tarumã. Outros 30% são distribuídos nas cidades próximas à
Uberlândia no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em um raio de até 100 km e os
20% restantes são vendidos para distribuidores localizados em Belo Horizonte.
Nesta cidade, 100% das vendas são entregues por transportadoras sendo o
frete um custo considerável neste segmento, pois o produto candies possui um valor
agregado baixíssimo em relação ao seu peso de transporte, sendo esta variável de
custo muito importante na rentabilidade da indústria de candies no Brasil. A empresa
também
possui
um
mercado
de
confiança
formada
principalmente
por
representantes antigos desde a época da Erlan e por isto, ser um mercado que
consegue ter boa atuação evidenciado no mapa 8.
Mapa 8: Mercado Consumidor Chocolates Tarumã 2008
Com sua produção em torno de 30 ton./mês, a direção da empresa não tem a
pretensão de expandir seu mercado para o exterior ou novos mercados de atuação
dentro do País, como as regiões Norte e Nordeste. Mesmo tendo como seus
maiores concorrentes as empresas locais, a Tarumã prefere trabalhar com uma
67
rentabilidade focada em pouca produção e priorizar o mercado que não é atendido
pelos grandes atacadistas.
Na opinião de Carlos Augusto Ribeiro – Diretor da Chocolates Tarumã, a
cidade não é um pólo a nível nacional na fabricação de candies, mas é pioneira
neste setor deste a década de 1930 uma vez que neste período 98% do consumo de
balas e chocolates, era de produtos importados. Em seu entendimento e
compartilhando da mesma opinião que José Luiz Vilela - Diretor da Chocolates
Imperial e Naldo Dornellas - Diretor Comercial da recém extinta Produtos Fokinha, a
cidade desde a sua emancipação política, sempre apresentou ações arrojadas em
empreendimentos privados e públicos. Em 1955 eram três os fabricantes de balas
em uma época que a questão da logística da cidade tão comentada hoje em dia, não
era fator preponderante para o funcionamento e desenvolvimento destas indústrias.
Portanto, um dos fatores para o surgimento deste tipo de indústria na cidade e sua
consequente multiplicação, deveu-se inicialmente à dificuldade de acesso a
determinados produtos que contribuíram para a construção das infra-estruturas
proporcionando o desenvolvimento de outras importantes atividades comerciais
como o Atacado Varejista tornando a cidade referência nacional neste setor, fato
que se deve principalmente por estar inserida em um importante eixo rodo-aéreoferroviário na malha de transporte do Brasil Central.
68
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para uma determinada localidade atingir um grau acentuado de destaque na
região em que está inserida, a localização geográfica por si só, não causa este
efeito. Ao se divulgar em diversos meios de comunicação que uma cidade possui
localização geográfica privilegiada, é necessário antes de tudo refletir e analisar em
relação ao quê e para quem a localidade é estratégica. Se, uma empresa situada em
uma cidade litorânea com uma determinada atividade econômica bastante lucrativa,
talvez não tivesse o mesmo resultado se estivesse onde está hoje Uberlândia.
Muitos, até diriam que dependendo da atividade industrial poderia sim ter o mesmo
nível de desenvolvimento ou até mais. Contudo, o simples fato de se inserir a
palavra “depende” já desmistifica o fato de se dizer com tanta convicção que a
cidade hoje, possui posição geográfica estratégica para qualquer tipo de ramo de
atividade comercial, industrial ou de serviços que venha a se instalar no município.
A relevância econômica apresentada pela cidade foi construída ao longo dos
anos através de ações que capacitaram ao município desenvolver uma melhor infraestrutura em comparação as cidades vizinhas e com isto, atrair indústrias com porte
de giro alto de capital.
Estas ações idealizadas e iniciadas por personagens históricos como Coronel
Theófilo Carneiro, seu filho Clarimundo Carneiro, o engenheiro Fernando Vilela
juntamente com o primeiro prefeito de Uberlândia, contribuíram significativamente
para a cidade possuir considerável destaque na região que está inserida. Caso
contrário, cidades próximas como Araguari, Uberaba, Monte Carmelo e até mesmo
Estrela do Sul, poderiam ser uma delas, a cidade de referência econômica e
comercial da região do Triângulo Mineiro. Até porque, estas cidades estão no
mesmo patamar de distância dos grandes centros urbanos e industriais do País em
comparação à Uberlândia.
Porém, mesmo a cidade possuindo toda uma estrutura que deu importância à
sua localidade em relação as principais cidades da região sudeste, conhecida como
a mais desenvolvida do País, existem empresas aqui instaladas que o maior
montante de suas vendas não são destinadas para esta região como seria pela
lógica. A região sudeste possui melhores condições de transporte e como
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conseqüência, o valor do frete nas cargas transportadas é bastante reduzido
influenciando diretamente no custo final do produto bala por exemplo.
Foram identificados outros motivos que levam as empresas de balas e
chocolates de Uberlândia, possuir seus principais mercados consumidores nas
regiões norte e nordeste que ainda são áreas com sérios problemas de infraestrutura básica e sócio-econômicos, frente ao restante do território nacional. Ou
seja, o industrial não se guia através do senso comum quando se trata da instalação
e da área de atuação mercadológica de sua empresa. Ele sabe enxergar as
situações que podem ser transformadas em oportunidade de negócio e com isto,
atingir lucratividade em mercados que em teoria, são considerados pouco atrativos.
Fato este pode ser constatado no Piauí que, sendo um dos estados com um
dos menores índices sócio-econômicos da União, é um dos maiores consumidores
de balas e seus derivados que constituiu o principal mercado da Produtos Fokinha.
Caso semelhante ocorreu na Chocolates Imperial quando a empresa exportava boa
parte de seus produtos, principalmente para países africanos e justamente aqueles
que enfrentavam algum tipo de conflito bélico. Exportava-se mais, exatamente na
mesma proporção que se aumentavam as guerras e isto ocorria em virtude da falta
de alimentos básicos, o fácil transporte das balas, seu alto teor calórico e no
momento de sua degustação, causa uma certa sensação de prazer. Trazia mesmo
que momentaneamente, um pouco de alívio frente a um cenário de completa
destruição e desolação.
Ou seja, mesmo que o empresário se depare com uma série de situações
locacionais favoráveis ao seu negócio, ele pode se debandar para um único fator
que pode vir a fazer toda a diferença para o sucesso ou insucesso de seu
empreendimento, como ocorreu com a Chocolates Imperial que perdeu sua posição
de destaque neste setor alimentício na cidade, em meados da década de 1980 para
a Erlan Produtos Alimentícios, que soube melhor trabalhar com a crise econômica
desta época. A Chocolates Imperial prima mais pela qualidade de seus produtos por
ser uma concepção desde quando foi criada. Com isto, seu custo de produção
resulta em um produto final com preço maior. Por isto, a distribuição de suas balas e
chocolates está concentrada em uma área intermediária entre as regiões mais ao
norte e sul de Uberlândia.
A
Produtos
Princesinha
cresceu
e
desenvolveu-se
alicerçada
em
empréstimos bancários. Também, em virtude de uma situação econômica ocorrida
70
na década de 1990, vindo a falir pelo fato dos juros terem “estrangulado” a fábrica. A
formação de seu mercado de atuação, teve peso significativo do fato de um dos
sócios fundadores ter sido caminhoneiro e conhecedor das estradas que partiam de
Uberlândia às regiões norte e nordeste do País.
A Produtos Fokinha quando começou a aumentar sua produção, mudou-se
para as instalações que eram da Produtos Princesinha. Isto permitiu que a empresa
potencializasse suas vendas a outros estados pois, praticamente não tiveram gastos
em infra-estrutura com a nova localidade. Seu mercado foi significamente
influenciado pelo vazio mercadológico deixado pela extinta Produtos Princesinha.
Isto inclusive pode ser verifica ao comparar os mapas 5 e 6 onde os percentuais de
distribuição das duas empresas em algumas regiões são bastante próximos. Por
outro lado, a empresa que tinha até mesmo o planejamento da construção de uma
nova sede no Distrito Industrial da cidade, encerra suas atividades comerciais depois
que o sócio majoritário sofre um grave acidente e canaliza os recursos financeiros
para seu tratamento e para o outro negócio que possui há mais de vinte anos.
A Junco Indústria e Comércio é a empresa que apresenta a melhor
distribuição de seus produtos entre as regiões brasileiras e isto se deve porque ela
não vende somente as balas de cocos e sim, uma série de outros produtos para
festas de aniversário tornando mais versátil a política de vendas aos seus clientes.
Já a Chocolates Tarumã possui seu mercado de atuação originário de uma
dissidência de um dos seus concorrentes e completamente diferente das demais
concorrentes locais. Sua atual localização deveu-se também a uma comodidade
estrutural que para a empresa, representou uma condição mais importante do que
qualquer outro fator locacional.
A busca dos insumos para a fabricação de seus produtos, estas empresas de
candies, também não seguem o discurso propagandístico da localidade geográfica
favorável. O açúcar, praticamente em sua totalidade, é adquirido de diversas usinas
paulistas. Isto ocorre, porque as usinas de processamento da cana-de-açúcar, estão
concentradas no interior do estado de São Paulo.
As essências, aromas e corantes são quase todos adquiridos de um único
fornecedor localizado no estado de Santa Catarina sendo os outros, no interior do
estado de São Paulo. Este fornecedor catarinense fundado por imigrantes alemães
há mais de oitenta anos, trabalha com essências e seus derivados mantendo
71
durante todo o ano, a alta qualidade de seus produtos, além de possuir preços e
condições de pagamentos bastante atrativos.
Estas matérias-primas, assim como o chocolate, o ácido cítrico, a lecitina de
soja utilizada como emulsionante em chocolates, a calda de sacarose e o talco
alimentício que exigem uma tecnologia mais apurada para sua fabricação, são
adquiridos de cidades localizadas no interior de São Paulo. Isto ocorre, não pelo fato
de Uberlândia estar a 600Km da capital paulista e sim, porque é neste estado que
está localizado a maior parte dos fornecedores que ofertam os insumos com maior
know how para a fabricação de balas duras, mastigáveis e toffes.
Além destes fatores, observa-se que no meio empresarial até certo ponto, há
uma tendência em “copiar” aquilo que está dando certo e identificado no processo
de formação das cinco empresas de balas e chocolates de Uberlândia. Assim,
mesmo sendo de suma importância ao Geógrafo conhecer as disposições das
teorias locacionais para a instalação de uma determinada atividade industrial, é
necessário ter a sensibilidade de perceber os fatores subjetivos que podem vir a
serem determinantes para o sucesso de uma atividade empresarial.
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REFERÊNCIAS
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em <http://www.uberlandia.mg.gov.br/home_bdi.php>.
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<http://www.erlan.com.br/site/?pagina=a_empresa>. Acesso em: 25 de abril de
2008.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Dados
Populacionais. Uberlândia, 2009. Dados disponibilizados pelo escritório de
Uberlândia.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Cidades
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Estrutura do
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df> acesso em 21 de julho de 2009.
LOPES, V. M. Q. C. Caminhos e Trilhos: Transformações e Apropriações da cidade
de Uberlândia (1950 – 1980). 2002. Dissertação (Mestrado em História) –
Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2002.
PEREIRA, A. ACIUB: 50 anos trabalhando com amor. Uberlândia: ACIUB, 1983.
Download

Dalton Loiola Ferreira