Universidade Federal de Uberlândia Instituto de Geografia AS RELAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS INDÚSTRIAS DE BALAS E CHOCOLATES DE UBERLÂNDIA Dalton Loiola Ferreira Uberlândia - MG 2009 DALTON LOIOLA FERREIRA AS RELAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS INDÚSTRIAS DE BALAS E CHOCOLATES DE UBERLÂNDIA Trabalho Final de Graduação apresentado como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Geografia pelo Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia. Orientador: Prof. Dr. Sylvio Luiz Andreozzi Uberlândia - MG 2009 DALTON LOIOLA FERREIRA AS RELAÇÕES GEOGRÁFICAS DAS INDÚSTRIAS DE BALAS E CHOCOLATES DE UBERLÂNDIA Trabalho Final de Graduação (TFG) apresentado como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Geografia pelo Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia. Orientador: Prof. Dr. Sylvio Luiz Andreozzi BANCA EXAMINADORA: __________________________________________________ Prof. Dr. Sylvio Luiz Andreozzi (Orientador) __________________________________________________ Profa. Dra. Beatriz Ribeiro Soares (IGUFU) __________________________________________________ Profa. Dra. Ana Paula Macedo de Avelar (IEUFU) Aprovado em: 14 de dezembro de 2009 À minha Mãe que, com sua simplicidade e amor aos seus filhos, encorajou-me para encarar, enfrentar e vencer as difíceis situações da vida até aqui apresentadas. AGRADECIMENTOS Seja qual for o trabalho a ser realizado é praticamente impensável desenvolvê-lo sozinho, pois de forma direta ou indireta, pessoas são envolvidas no processo. Nesta pesquisa que envolveu muito trabalho a campo não foi diferente e por isto, meu agradecimento especial aos diretores das empresas Chocolates Imperial, Chocolates Tarumã, Produtos Fokinha, Junco Indústria e Comércio e a extinta Produtos Princesinha. Todos foram bastante acessíveis com as informações que deram forma ao trabalho e muito pouco foi trabalhado com relação à Erlan Produtos Alimentícios visto que, a empresa não disponibilizou dados com relação a fornecedores e mercado de atuação. Ao professor Walteno Martins Parreira Junior que, com sua paciência e presteza, colaborou significativamente nos ajustes finais do trabalho. Aos colegas Geógrafos Fabiano Alves Borges, Raffaella Fernandes Borges e Clayton Borges que demonstraram suma competência e pontualidade na confecção dos mapas. Agradeço ao Professor Sylvio Luiz Andreozzi que soube orientar as diretrizes do trabalho de forma precisa, objetiva e clara. Além é claro, de minha família que em tempo integral deram-me o incentivo necessário para a conclusão deste trabalho. RESUMO A busca por mercados consumidores nem sempre é direcionada para determinadas localidades onde se imagina ser propícia e rentável para o desenvolvimento de um empreendimento em virtude de ali, possuir as características para tal situação como renda per capital elevada, maior contingente populacional, maior aglomeração de empresas e serviços, melhores condições de transporte em termos de segurança, agilidade e menores taxas de frete ou, por concentrarem as cidades de maior influência econômica em um cenário nacional. Desta forma, o trabalho atual caracteriza as circunstâncias que fizeram das indústrias de balas e chocolates de Uberlândia, direcionar a maior parte de suas vendas às regiões norte e nordeste do país, que são justamente as áreas menos desenvolvidas em questões de infraestrutura como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos além de populações estarem inseridas na faixa dos menos favorecidos sócio-econômicamente do Brasil. Palavras-chave: Indústria, chocolates, balas, região, norte, nordeste. ABSTRACT The search for consuming markets nor always is directed for determined localities where imagines to be propitious and income-producing for the enterprise development in virtue to possess characteristics for such situation as high income per capital, higher population contingent, higher agglomeration of companies and services, better conditions of transport in security terms, agility and law freight taxes or, to concentrating cities with higher economic influence in a national scene. In such a way, the current work characterizes the circumstances that made the industries of candies and chocolates from Uberlandia to direct the most sales to the north and northeast regions of the country, those are exactly the less developed areas in infrastructure questions such as highways, railroads, ports and airports beyond populations to be inserted in the band of the less favored social-economic from Brazil. Key-Word: Industry, chocolates, candies, region, north, northeast. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Fotos FOTO 1 ......................................................................................................................23 FOTO 2 ......................................................................................................................25 FOTO 3 ......................................................................................................................35 FOTO 4 ......................................................................................................................37 FOTO 5 ......................................................................................................................40 FOTO 6 ......................................................................................................................41 Gráficos GRÁFICO 1 ...............................................................................................................13 Quadros QUADRO 1 ...............................................................................................................14 QUADRO 2 ...............................................................................................................16 Mapas MAPA 1......................................................................................................................19 MAPA 2 .....................................................................................................................27 MAPA 3......................................................................................................................50 MAPA 4 .....................................................................................................................55 MAPA 5 .....................................................................................................................57 MAPA 6 .....................................................................................................................60 MAPA 7 .....................................................................................................................64 MAPA 8..................................................................................................................... 66 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABICAB - Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados ACIUB – Associação do Comércio e Indústrias de Uberlândia ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária ARCOM – Armazém do Comércio BDI – (Banco de Dados Integrado) CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CDHIS-UFU – Centro de Documentação Histórica da Universidade Federal de Uberlândia CDIs – Companhia dos Distritos Industriais CEMIG – Centrais Elétricas de Minas Gerais CEPES – Centro de Estudos e Pesquisas da Universidade Federal de Uberlândia CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais GLP – Gás Liquefeito de Petróleo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IEUFU – Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial kVA – Quilowatt Indicador usado para medir a tensão em um sistema elétrico UFU – Universidade Federal de Uberlândia URV - Unidade Real de Valor UTI – Unidade de tratamento intensivo SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................11 1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ....................................................................12 1.1. Materiais e técnicas de pesquisa....................................................................17 1.2. Localização.....................................................................................................18 CAPÍTULO 01 ...........................................................................................................20 2. HISTÓRICO ECONÔMICO DA CIDADE...............................................................21 CAPÍTULO 02 ...........................................................................................................32 3. PROCESSOS DE PRODUÇÃO DA BALA ............................................................33 CAPÍTULO 03 ...........................................................................................................38 4. HISTÓRICO DAS EMPRESAS .............................................................................39 4.1 Empresas em atividade ...................................................................................39 4.2 Empresas com atividades encerradas .............................................................45 4.3 Localização Geográfica das Empresas na cidade de Uberlândia....................49 CAPÍTULO 04 ...........................................................................................................51 5. FORNECEDORES E LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO ........................................52 5.1. Chocolates Imperial ........................................................................................52 5.1.1 - Fornecedores Chocolates Imperial .........................................................52 5.1.2 - Mercado Chocolates Imperial..................................................................53 5.2. Produtos Princesinha......................................................................................56 5.2.1 - Fornecedores Produtos Princesinha .......................................................56 5.3. Indústria de Balas Fokinha .............................................................................58 5.3.1 - Fornecedores Indústria de Balas Fokinha...............................................58 5.3.2 Mercado Produtos Fokinha .......................................................................59 5.4. Junco Indústria e Comércio ............................................................................61 5.4.1 - Fornecedores Junco Indústria e Comércio .............................................61 5.4.2 - Mercado Junco Indústria e Comércio......................................................63 5.5. Chocolates Tarumã.........................................................................................65 5.5.1 - Fornecedores Chocolates Tarumã..........................................................65 5.5.2 - Mercado Chocolates Tarumã ..................................................................65 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................68 REFERÊNCIAS.........................................................................................................72 11 INTRODUÇÃO 12 1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Em muitos eventos que ocorrem em Uberlândia, tais como convenções de grandes empresas, palestras empresariais, encontros anuais de determinados setores econômicos como o de transportes, inauguração de empreendimentos que envolvem a presença de políticos locais ou um noticiário para destacar algo de importante na cidade, é corriqueiro ouvir que a posição geográfica de Uberlândia é estratégica e a transformou no grande destaque do cerrado brasileiro. No contexto atual, considerando sua infra-estrutura, como hospitais, rede hoteleira, indústrias, comércio e serviços, certa proximidade com grandes mercados consumidores como a cidade de São Paulo, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte e o eixo de Ribeirão Preto à Campinas, favorecem para que esta condição tenha grande relevância. Porém, quando se trata de desenvolvimento industrial e econômico de uma cidade ou região, outros fatores como os históricos, também assumem importância no desenvolvimento econômico e industrial de uma localidade. O caso da Zona Franca de Manaus ilustra a relatividade da localização geográfica, uma vez que concentra indústrias de diversos segmentos localizando-se em uma região distante dos grandes centros consumidores do País. Instalada em 1968 na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, conta com um conjunto de políticas de incentivos fiscais visando o desenvolvimento da Amazônia Ocidental que envolve todos os estados da região Norte com exceção do Pará e Tocantins. Outro exemplo, mesmo que em escala menor, é o caso da cidade de Franca no interior de São Paulo, notoriamente conhecida como a capital nacional do calçado, possuindo grande parte de sua produção voltada para o mercado externo, sendo referência nacional e internacional neste tipo de produto. Para que isto ocorresse, não foi o fator locacional que propiciou a atual característica econômica da cidade. Franca, desde seus primórdios esteve fortemente ligada às atividades que envolvem a criação bovina e por conseguinte, a existência farta de couro serviu como incentivo a fabricação de calçados, atividade que se tornou bem sucedida e tornando-se o centro da atividade econômica na cidade. Uberlândia tornou-se referência econômica na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e de uma forma indireta em regiões relativamente próximas como o sudoeste Goiano, leste de Mato Grosso do Sul e norte do estado de São Paulo. 13 Contudo, analisando a história da cidade, verifica-se que no início do século XX, a cidade não tinha nenhuma expressão comercial, sua população era menor que das cidades de Monte Carmelo, Araguari e Uberaba como pode ser observado no gráfico 1. Gráfico 1: Comparativo Populacional de Uberlândia no Século XX 700000 600000 500000 Uberlândia 400000 Uberaba 300000 Araguari 200000 Monte Carmelo 100000 0 1920 1940 1950 Fonte: IBGE – Uberlândia 2009. 1960 1970 1980 1991 2000 2007 * (*) estimativa Aliás, qualquer uma destas outras três localidades poderia ter se tornado o portal de entrada ao cerrado brasileiro. Ou seja, ao se estudar as características e circunstâncias de desenvolvimento de uma cidade, apenas a posição geográfica por si só, não determina o progresso econômico de uma localidade e sim, a combinação deste fator com outras ações e questões históricas é que formam uma conjuntura propícia e favorável à instalação de empresas e consequentemente permitindo o desenvolvimento da localidade. Uberlândia tem uma projeção nacional pautada principalmente no forte comércio atacadista aqui representado por companhias que neste setor, figuram entre as maiores do país como mostra o quadro 1. 14 Quadro 1: Ranking Nacional de Atacadista/2006 Posição Razão Social UF Faturamento (R$) 1 Martins Com. E Ser. Distr. S/A MG 2.702.793.870 2 Arcom S/A MG 1.078.983.000 3 Megafort Dist. Inport Export Ltda MG 582.688.600 4 Zamboni Comercial S/A RJ 451.860.763 5 Universe Distribuidora Ltda MG 367.774.678 6 União Com. Imp. e Exp. Ltda MG 340.495.453 7 JC Distribuição Logística Exp. S/A GO 339.283.750 8 Cerealista Maranhão Ltda SP 196.654.366 9 P. Severini Netto Coml. Ltda MG 194.955.200 10 Pennacchi e Cia Ltda PR 194.029.290 Fonte: (Ranking ABAD Edição 2006 – ABAD/ACNielsen do Brasil) apud BDI, 2008 Observa-se que destes dez maiores Atacadistas, seis estão em Minas Gerais e destes, três são de Uberlândia com um faturamento de quase o dobro de todos os outros somados e com isto, evidenciando a força econômica que este tipo de atividade comercial representa para a cidade (BDI, 2008, p. 344). Contudo, apesar destas empresas atacadistas e holdings serem de grande importância, existem várias outras atividades econômicas como as empresas de balas e chocolates que no passado, foram umas das protagonistas do desenvolvimento industrial da cidade. Desta forma, a cidade não deve ser caracterizada industrialmente apenas por algumas grandes empresas e sim, como uma localidade que ao passar dos anos teve como importante característica seu desenvolvimento atrelado a fatores históricos e ações movidas no passado por outras empresas que proporcionaram seu crescimento. Uma das atividades industriais que nos primórdios econômicos da cidade permitiu esta dinâmica, foram as empresas do ramo de balas e chocolates até porque, uma delas a Chocolates Imperial é quase octogenária e outra a Erlan Produtos Alimentícios, já passou dos seus cinqüenta anos de existência e que, em épocas passadas eram as grandes empresas locais e conseqüentemente, suas ações eram vistas como pioneiras. Também, é importante destacar o trabalho de logística desenvolvido nestas empresas desde a busca da matéria-prima até os 15 mercados que atuam com maior força e se estes mercados são a nível local, regional ou nacional. Com esta abordagem, identificam-se os motivos ou as situações que fizeram a cidade de Uberlândia sediar cinco indústrias de balas e chocolates até julho de 2009. Evidenciam-se os principais motivos que levam estas indústrias terem maior força de atuação mercadológica nas regiões mais ao norte do País e como é realizado o trabalho de transporte e distribuição dos produtos visto que, as condições rodoviárias desta parte do País, são bastante precárias em termos de manutenção e segurança. Com tais circunstâncias, será possível entender a fraca inserção nos mercados das regiões mais ao sul do País sendo que, é nesta direção que se encontra as melhores rodovias (menores custos com frete), os maiores mercados consumidores e as maiores rendas per capita em âmbito nacional. Indicam-se também, os fornecedores que estas empresas de candies (balas e chocolates) adquirem suas matérias-primas e os fatores que determinam esta aquisição, pois em alguns casos, a localidade do fornecedor é distante da cidade de Uberlândia e tratando-se de empresas possuidoras de linha de produção, os prazos para a entrega de matérias-primas, devem ser rigorosamente seguidos para que não haja atrasos na entrega do produto final ao cliente. Estas empresas de chocolates e balas têm uma importância bastante significativa na economia do país. Segundo dados da ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), o Brasil figura-se como o quinto maior produtor e consumidor de chocolates e balas do mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França. Ainda de acordo com a Associação, no primeiro semestre de 2006 foram vendidas 100,2 mil toneladas de balas, confeitos e chocolates com um faturamento de US$ 141,7 milhões sendo que os dez maiores compradores foram Estados Unidos, África do Sul, Argentina, Paraguai, Bolívia, Chile, Canadá, México, Uruguai e Angola. Contudo, estes números apresentam-se de forma modesta em virtude do ano anterior, no qual o setor alcançou um faturamento da ordem de R$ 8,5 bilhões, divididos em R$ 5,6 bilhões em chocolates e R$ 2,5 bilhões em balas e tinha como previsão de crescimento a partir de 2007, da ordem de 5% ao ano o que 16 representaria algo em torno de 247 mil toneladas de acordo com dados fornecidos pela associação que regulamenta o setor. Dentro deste panorama, o município de Uberlândia figura como um dos principais geradores de renda para o Estado de Minas Gerais, com um total de 686 empresas divididas em trinta e um ramos de atividades diferentes de acordo com pesquisa realizada pelo CEPES/IEUFU apud BDI (2008, p. 325) como pode ser observado no quadro 2. Quadro 2: Número de Empresas por Ramo de Atividade Código 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Ramos Minerais Não Metálicos Metalúrgica Mecânica Material Elétrico e de Comunicações Material de Transportes Madeira Mobiliário Papel e Papelão Borracha Couros, Peles e Produtos Similares Química Produtos Farmacêuticos e Veterinários Perfumaria,Sabões e Velas Produtos de Materiais Plásticos Têxtil Vestuário, Calçados e Artefatos de Tecido Produtos Alimentares Bebidas Fumo Editorial e Gráfica Diversas Construção Civil Total Nº de Empresas 18 90 15 09 05 26 41 08 03 10 19 12 09 13 13 88 109 06 01 62 76 53 686 % sobre o total 2,62 13,12 2,19 1,31 0,73 3,79 5,98 1,17 0,44 1,46 2,77 1,75 1,31 1,90 1,90 12,83 15,89 0,87 0,15 9,04 11,08 7,73 100,00 Fonte: Pesquisa Perfil da Indústria no Município de Uberlândia MG - CEPES/IEUFU-2005 Deste total, as indústrias de produtos alimentares somam cento e nove empresas representando 15,89% do total, assegurando o maior percentual frente as outras atividades industriais. Neste ramo de produtos alimentares e de acordo com o CNAE (Sistema de classificação econômica pertencente ao IBGE), balas e chocolates estão inseridos na categoria C-10-10.9-10.93-7 onde; C – Indústria de Transformação (seção) 10 – Fabricação de produtos alimentícios (divisão) 10.9 Fabricação de outros produtos alimentícios (grupo) 10.93-7 Fabricação de produtos derivados do cacau, de chocolates e confeitos (classe) 17 Com esta divisão, a cidade conta com cinco indústrias deste setor que são; Chocolates Imperial Ltda. figurando-se como a mais antiga e pioneira na cidade neste segmento industrial, a Erlan Produtos Alimentícios Ltda. configurando-se como uma empresa cinquentenária e que até 2009 se apresenta como a maior entre as cinco, a Junco Indústria e Comércio Ltda. que há mais de trinta anos atua no mercado de balas para aniversário, a Chocolates Tarumã Ltda. um pouco mais recente e que possui uma história interessante em relação ao seu surgimento e por fim, a Produtos Fokinha Ltda. sendo a mais recente trabalhando exclusivamente na fabricação de balas e que erroneamente, muitos pensam ser a continuação da extinta fábrica de balas, Produtos Princesinha Ltda. Estas cinco indústrias, com exceção da Junco, além de balas, fabricam também bombons e outros produtos do gênero. A outra indústria que teve sua importância no setor enquanto existiu (abriu falência no inicio da década de 1990), foi a Produtos Princesinha que inclusive, funcionou até 1998 no mesmo local que se encontra a Produtos Fokinha que por sinal, também encerrou suas atividades industriais em julho de 2009 ainda na época de desenvolvimento da pesquisa 1.1. Materiais e técnicas de pesquisa Uma vez que a pesquisa demonstra os motivos pelos quais as empresas de balas e chocolates de Uberlândia tem boa parte de seus mercados consumidores voltados para regiões mais ao norte do País e que, depois de pesquisas realizadas à internet em sites como o da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ao Google Acadêmico, a biblioteca da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) nos anuais de economia, à biblioteca da ACIUB (Associação do Comércio e Indústrias de Uberlândia) e não ter encontrado material que discorra sobre a atuação destas indústrias neste nicho de mercado, a busca pelas informações ocorreu em sua maior parte de forma empírica, associada a leitura de material específico do setor como a revista Doce. Foi elaborado um roteiro que serviu como orientação nas entrevistas realizadas com os diretores, gerentes de produção, gerentes comerciais, supervisores de logística e em alguns casos, com os próprios proprietários das empresas. Tal roteiro consistiu em evidenciar os fatores determinantes para a atuação em determinado mercado, quais os possíveis motivos que levaram 18 Uberlândia a ter cinco indústrias de balas e chocolates. O trabalho de logística empregado para a melhor distribuição dos produtos em cada mercado atuante, quais os fornecedores com suas respectivas localizações e por fim, quais as principais razões que acarretam a aquisição de produtos dos fornecedores citados pelos entrevistados. Para a obtenção de informações referentes ao setor de candies, foram pesquisados os sites do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a obtenção de dados quantitativos deste setor, o site da instituição que regulamenta este setor alimentício ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), além dos sites da Prefeitura Municipal de Uberlândia e da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). Além de entrevistas realizadas com historiadores da cidade, obtendo-se importantes informações a respeito do desenvolvimento industrial-econômico do município. 1.2. Localização Uberlândia está localizada na Mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba no estado de Minas Gerais na região Sudeste do Brasil entre as coordenadas geográficas 18º 50’ 0,6” e 19º 01’ 2,87” de latitude sul e 48º 09’ 50,62” e 48º 23’ 39,8” de longitude oeste (BDI 2008, p. 12) conforme o mapa 1. 19 Mapa 1: Localização do Município de Uberlândia O município possui uma área total de 4.115,822 Km² tendo o setor urbano 219,00 Km² e 3.896,822 Km² a porção rural (BDI, 2008, p.12). O município é dividido em cinco distritos como Cruzeiro dos Peixotos, Martinézia, Tapuirama, Miraporanga e Uberlândia sendo o distrito sede. A cidade em seu perímetro urbano é interceptada por importantes rodovias como a BR-050, BR-365 e BR-452 além da Ferrovia Centro Atlântica, facilitando a comunicação com os centros urbanos localizados nas regiões Sudeste e Centro-Oeste (BDI, 2008, p. 12). 20 CAPÍTULO 01 21 2. HISTÓRICO ECONÔMICO DA CIDADE Praticamente quase todas as circunstâncias que envolvem a ação do homem no meio em que ele vive, estão invariavelmente ligados a fatores históricos que de uma forma direta ou indireta, influenciam os destinos de um povo. Se uma cidade ou região tende a se desenvolver ou não, principalmente em relação aos aspectos econômicos, faz-se necessário compreender e realizar uma leitura histórica sobre a dinâmica da localidade, justamente para entender as influências que tais fatores representam no panorama recente da cidade. Seguindo este preceito, com o município de Uberlândia não foi diferente até porque, o dinamismo que a cidade demonstra em certos setores econômicos, o crescimento populacional vertiginoso verificado ao longo das três últimas décadas do século XX (gráfico 1), e a significativa influência que exerce sobre as regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, estão profundamente ligados as ações pensadas e praticadas por personagens históricos desde o seu surgimento. Na história do município, o Tenente-Coronel da Guarda Nacional, José Theófilo Carneiro, teve importância significativa ao idealizar o processo de desenvolvimento econômico da cidade por volta do ano de 1885. Um dos seus grandes trunfos foi ter conseguido prolongar os trilhos da estrada de ferro Mogiana até São Pedro de Uberabinha, atual Uberlândia. Esta estrada de ferro foi concebida em 1875 ligando as cidades paulistas de Campinas à Mogi-Mirim, sendo em 1889 inaugurada a estação da Mogiana na cidade de Uberaba-MG com a previsão de no ano seguinte, ter o seu prolongamento até a cidade de Catalão, no interior de Goiás, sem passar por São Pedro de Uberabinha. Inconformado com a situação, o Coronel José Theófilo Carneiro realizou várias viagens em visita ao presidente da Companhia Mogiana fornecendo argumentos para que a extensão da ferrovia passasse por São Pedro de Uberabinha e não por Estrela do Sul como era previsto inicialmente, por ser uma cidade que na época, a atividade mineradora de extração de diamante era bastante expressiva (PEREIRA, 1983). Ainda segundo Pereira (1983), convencido então pelos argumentos do Coronel, o presidente da Companhia ordena ao engenheiro responsável pelo 22 empreendimento, que alterasse o rumo pelos quais os trilhos da ferrovia passariam. Com isto, no dia 21 de dezembro de 1895 é inaugurada a estação da Mogiana em Uberlândia onde, ao mesmo tempo em que se tornou importante fator para o progresso econômico da cidade, foi crucial para que Uberaba perdesse sua importância comercial e passasse a investir em outras atividades econômicas. Anos depois, em novas conversas com o presidente da Companhia, o Coronel idealiza uma ponte sobre o rio Paranaíba no segmento de São Pedro de Uberabinha ligando Itumbiara no estado de Goiás à Minas Gerais, visando eliminar a concorrência comercial com Araguari. Isto porque, no projeto inicial a ponte seria construída no mesmo rio, porém no prolongamento que iria até a cidade de Catalão, o que faria de Araguari a cidade de entreposto comercial aos produtos oriundos do sudoeste de Goiás e as manufaturas vindas do estado de São Paulo. Em 15 de setembro de 1909 depois de muitas dificuldades principalmente em relação ao transporte das peças da obra que eram fabricadas na Inglaterra, a ponte Afonso Pena é inaugurada consolidando os elos econômicos entre o sudeste Goiano e o Triângulo Mineiro, transformando São Pedro de Uberabinha em uma importante localidade para o recebimento e distribuição de mercadorias. Contudo, o que proporcionou e possibilitou a lançar as bases para o desenvolvimento industrial e econômico da cidade, foi a obra de outro personagem histórico, o engenheiro Fernando Vilela que em 28 de agosto de 1912, inaugurou o primeiro trecho com 72 km, da rodovia que ligaria Uberlândia ao estado de Goiás. Este primeiro segmento terminava na cidade de Monte Carmelo e na época, foi a primeira rodovia para automóveis construída no Brasil Central que juntamente com a estrada de ferro Mogiana e a ponte Afonso Pena na divisa com Goiás, formou o “tripé” que consolidou a cidade como entreposto comercial entre o Triângulo Mineiro, o sudoeste goiano, o sul do Mato Grosso e o noroeste paulista. Depois de concluída a obra, este mesmo percurso seria asfaltado na década de 1950, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek. Com a dinâmica desenvolvimentista que a região começou a apresentar, pessoas de outras partes do País, começaram a migrar para o município começando daí, o fato de mais de 70% da população local não ser originária da cidade, IBGE (2000). Até porque, escreve Pereira (1983), por volta de 1920, a região do Triângulo Mineiro já possuía dezoito municípios ligados à vinte e quatro municípios goianos e a convergência destas localidades do estado vizinho, eram voltadas para São Pedro 23 de Uberabinha fazendo com que, em 1924 a cidade já possuísse atividades atacadistas e com isto, despontava uma prevalência comercial que fica mais evidente em 1930 (ano posterior a mudança de nome da cidade para Uberlândia), quando a cidade já possuía um grande fundo de reserva de capitais, gerados principalmente em virtude do superávit que ocorria pela diferença entre as compras e vendas realizadas pela cidade. O valor de vendas de acordo com Pereira (1983), era trinta e uma vezes maiores que as compras, pois as mercadorias que aqui chegavam, eram distribuídas às localidades no entorno de Uberlândia, utilizando principalmente as estradas da Companhia Mineira de Auto Viação, conciliando o transporte das mercadorias com a estrada de ferro (Foto 1). Foto 1 – Estrada da Companhia Mineira de Auto Viação. Fonte: Arquivo Público Municipal (s.d) Entre as décadas de 1930 e 1940 é importante destacar dois outros fatores ocorridos que contribuíram ao desenvolvimento da cidade e que, pouca ênfase tem sido dado pelos historiadores da cidade. O primeiro diz respeito às ações políticas executadas por João Severiano Rodrigues da Cunha, primeiro prefeito de Uberlândia, que governou a cidade de 1912 a 1922. Durante este período, João Severiano deu início à estruturação da cidade como a construção do primeiro grupo escolar, o primeiro posto de saúde, a primeira rede de esgoto da cidade, organizou o trânsito, providenciou o calçamento das principais vias da cidade e principalmente, foi em sua gestão que se iniciou a abertura da estrada empreitada por Fernando Vilela e como já mencionado, ligando Uberlândia até a fronteira com o estado de Goiás (PEREIRA, 1983). 24 O segundo fator foram as ações desempenhadas pelos caminhoneiros que, além de transportarem o que lhe era destinado, realizavam pequenos e grandes favores para conhecidos ou parentes que residiam na cidade ou em outras partes do País. Estes pequenos transportes eram os mais variados possíveis, transportando dinheiro, medicamentos, correspondências e até pessoas doentes que precisavam ser levados para uma localidade que oferecesse melhores condições de atendimento médico. Estas ações ficaram enraizadas como os pilares do comércio atacadista que viria futuramente, obter cada vez mais importância no cenário nacional. A tríade ferrovia-estrada-ponte favoreceu a Uberlândia sobressair-se comercialmente frente as cidades vizinhas porém, após a segunda Guerra Mundial, o modal rodoviário passa a ser priorizado pelo Governo Federal frente aos outros meios de transporte. Com falta de investimentos privados, as ferrovias passam ao controle do Estado que ao longo dos anos por falta de manutenção e aplicação de novos recursos para seu desenvolvimento, faz a malha ferroviária tornar-se obsoleta e vista como um modal defasado como meio de transporte. Em alguns casos, os trilhos que ajudaram ao progresso para uma determinada localidade, tornaram-se obstáculos ao desenvolvimento urbanístico de uma cidade à medida que esta crescia. Assim foi com Uberlândia que em 1970 teve a estação Mogiana transferida para uma área (bairro Custódio Pereira) distante da região central possibilitando o reordenamento territorial no espaço urbano ocupado pela antiga estação. A história da cidade de Uberlândia, desde sua emancipação, foi pautada na idéia de progresso, modernização e desenvolvimento. Estas foram as bases que sustentaram e justificaram a materialização dos discursos, ao mesmo tempo em que condenaram a demolição tudo o que não se adequava as práticas políticas, sufocando ou apagando outras possíveis histórias (LOPES, 2002, p.127). Na foto 2 pode ser observado como o pátio da antiga estação obstruía a ligação das principais avenidas da cidade com a Av. João Pinheiro (ao centro da foto) e a Av. Cipriano Del Fávero vista no extremo direito da foto. Pode ser observado que a Av. João Pinheiro, é interrompida pelo muro que delimita o pátio da estação. 25 Foto 2 – Antigo pátio da Estação Mogiana em Uberlândia. Fonte: CDHIS-UFU (s.d) A transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília localizada no planalto central na década de 1960, fez aumentar o fluxo de mercadorias e pessoas que passavam pela cidade aumentando as atividades comerciais. Com o advento da nova capital do País, a abertura de rodovias passou a ser uma prática sistematizada onde várias delas iniciavam-se em Brasília realizando a ligação com outras capitais brasileiras, ou a uma importante localidade como a cidade de Santos conectada ao Distrito Federal através da BR-050 (iniciadas com zero são as rodovias radiais iniciadas em Brasília) possuindo um trecho que passa pela cidade de Uberlândia e já nos primeiros anos de funcionamento, possuía um tráfego intenso contribuindo para fortalecer a característica da cidade como entreposto comercial entre as regiões centrais e mais ao norte do País. A construção de outras rodovias (ver mapa 2) como a BR-153 (iniciadas com um, rodovias longitudinais sentido norte/sul) ligando o Rio Grande do Sul até Belém PA e que passa a apenas 83 km de Uberlândia, a BR-365 (iniciadas com três, rodovias diagonais) que tem seu início na cidade de Montes Claros – MG e terminando no canal da represa de São Simão, em Goiás, a rodovia BR-452 26 (iniciadas com quatro, rodovias de ligação) iniciando em Rio Verde – GO terminando em Araxá – MG e tendo como função ligar Uberlândia e outras cidades próximas a rodovia BR-262, foram inserindo a cidade cada vez mais nas rotas rodoviárias principalmente em direção ao Planalto Central. A BR-262 (iniciadas com 2, rodovias transversais), teve como uma de suas finalidades, fazer a ligação da região sul do Triângulo Mineiro com a capital mineira Belo Horizonte. Porém, sua importância foi estabelecer ligação com a BR-452 e com isto, possibilitando uma maior integração com a porção norte da região e o sudoeste Goiano, área que, desde o princípio do século XX teve característica de funcionar como um “corredor” por onde transitavam os produtos oriundos do interior dos estados do Mato Grosso e Goiás em direção ao grande mercado consumidor paulista (PEREIRA,1983). A rodovia (BR-262) que liga a capital do Espírito Santo, Vitória, à cidade de Corumbá no interior do Mato Grosso do Sul, teve sua construção iniciada em 1962 e finalizada em 1969 e com ela, praticamente encerrando o conjunto de rodovias que passam por Uberlândia ou em suas proximidades fazendo com que, a cidade viesse a ter facilidade de acesso a outras regiões do País e com isto, favorecendo a busca das matérias-primas pelas indústrias aqui instaladas e também, para o escoamento da produção local ou, para a distribuição de manufaturas para outras áreas do Brasil como pode ser verificado no mapa 2. Percebe-se que a cidade não ficou prejudicada quando ao final da década de 1940, o Governo Federal ter priorizado o transporte rodoviário frente ao ferroviário porque as novas rodovias passam por Uberlândia ou próximas a ela. 27 Mapa 2: Principais rodovias federais próximas à Uberlândia Autor: BORGES, Clayton (2009) O final da década de 1960 é o período no qual os grandes atacadistas como Armazém Martins, Arcom (Armazém do Comércio), Armazém Peixoto e o extinto Alô Brasil, iniciaram e tiveram suas atividades comerciais expandidas em virtude principalmente das novas malhas rodoviárias. Assim, com o crescimento da cidade impulsionada de forma indireta pela construção da cidade de Brasília e de forma direta pelas rodovias que cortam o município, indústrias em número cada vez maior e de grande representatividade nacional e até internacional, como Daiwa do Brasil Têxtil e Souza Cruz, começaram a se instalar na cidade ainda em meados da década de 1960. Em setembro de 1965 é inaugurada a Cidade Industrial no setor norte da cidade, constituído como projeto e posteriormente transformado em lei. Para impulsionar a vinda de novas indústrias à recém criada cidade industrial, o Governo 28 Municipal promove uma série de incentivos fiscais para que as empresas aqui se instalassem. Praticamente todas as indústrias ganharam dez anos de isenção de impostos, o terreno era doado ou, o empresário pagava apenas um valor simbólico. As escrituras, taxas de construção eram totalmente gratuitas além do que, a cobertura asfáltica não possuía nenhuma taxa e algumas vezes, estes benefícios como a isenção de impostos, poderiam até serem renovados ao fim do primeiro contrato (PEREIRA,1983). Foi construída uma instituição de ensino técnico (Colégio Estadual Rene Gianetti) localizado na área central da cidade que, possuía cursos destinados a formar mão-de-obra qualificada para atender as demandas que naturalmente surgiriam e mesmo assim, a cidade industrial após cinco anos de sua inauguração não estava atendendo as expectativas iniciais em virtude do número de empresas ali instaladas estarem abaixo do esperado. Este panorama começou a mudar quando em 1971 o governo do estado de Minas Gerais lançou um projeto de lei criando os CDIs (Companhia dos Distritos Industriais) em que, os setores industriais das maiores cidades mineiras, não seriam mais vinculados e regulamentados pelo poder municipal local e sim, subordinados as diretrizes determinadas pela Companhia. O terreno ainda é doado pelas prefeituras, mas não existe mais as isenções tributárias verificadas no passado e as empresas passaram a seguir determinações rigorosas de funcionamento em âmbito arquitetônico e ambiental (PEREIRA, 1983). Por exemplo, em 1972 um empresário que adquirisse uma área para construção de seu empreendimento, só podia ter no máximo 50% de área construída, sendo o restante de uso obrigatório para arborização. Tanto é, que o CDI de Uberlândia possui uma particularidade frente aos CDIs de outras cidades mineiras. Ele é dividido em duas partes, onde o primeiro é a área da antiga Cidade Industrial que não possui a mesma infra-estrutura da segunda, como hidrantes e boas condições de tráfego. Desta forma, com novas prerrogativas de funcionamento, o CDI de Uberlândia pode ser considerado como fator de importante relevância para o crescimento do município em meados da década de 1960 e início da década de 1970, o que levou a cidade nesta época a ser uma das maiores arrecadadoras de impostos do Estado possibilitando inclusive, a ampliação da área industrial ocorrida de 1981 a 1983. Até porque, em 1967 ocorre uma mudança no Sistema Tributário do Estado onde, segundo Pereira (1983), 1/5 dos impostos gerados pelos municípios ficaram em 29 suas respectivas sedes e isto, provocou um incremento de divisas para a cidade que, por diversas vezes, arcou com custos de obras que deveriam ser realizadas pelo governo estadual. Ao final desta década de 1960 surge ainda a TV Triângulo (atual Rede Integração) com programação própria tendo importante papel na divulgação comercial e a fundação da Faculdade de Engenharia de Uberlândia em 29 de abril de 1969 ocorrendo sua federalização uma década depois quando passou a se denominar UFU. Com todas estas circunstâncias somadas, a cidade passou a cada vez mais aumentar sua importância comercial tornando rota favorável para atingir áreas centrais do País. Todavia, para o funcionamento de uma indústria ou um aglomerado delas, é necessário que se tenha uma matriz energética no mínimo satisfatória e até início da década de 1970, a cidade de Uberlândia possuía sérios problemas com o fornecimento de energia tanto quanto para os usuários comuns, mas principalmente para as empresas. O problema foi resolvido em 1973 quando a antiga Companhia Prada foi encampada pela CEMIG que passou a ser a nova fornecedora de energia ao município. Escreve Pereira (1983), que para chegar a esta nova realidade que influenciou de forma direta o crescimento industrial da cidade, houve um longo caminho a ser percorrido que começou com a idealização de uma usina de energia ainda em 1905, pelo Tenente-Coronel José Theófilo Carneiro que juntamente com seu filho Clarimundo Fonseca Carneiro (importante industrial do início do século XX) trabalhou durante quatro anos para que o projeto da Usina dos Dias se concretizasse, trazendo inclusive maquinários dos Estados Unidos para a construção da mesma e já no início de 1909, assinou um contrato de concessão com a Câmara Municipal por vinte cinco anos e no dia 25 de dezembro deste mesmo ano, é inaugurada a energia elétrica na cidade. Em 1912 quando a cidade contava com apenas 10.000 hab., é criada a Companhia de Força e Luz de Uberabinha. Com instalações e capacidade geradora prevista para atender o consumo da cidade por cerca de trinta e nove anos ou, até quando a cidade atingisse 35.000 hab. Na época, esta importante ação contribuiu para fomentar as bases industriais da cidade e permitindo que em 1912 uma empresa do ramo de beneficiamento de arroz, importasse máquinas alemãs que permitiam limpar 200 sacas do produto por dia. No decorrer dos anos, surgiram outras empresas deste setor que se tornaram 30 atuantes em vários pontos do país, como Arroz Resende e Arroz Cocal (PEREIRA,1983) . Em 1929 a Usina dos Dias foi adquirida pela Companhia Prada de Eletricidade e Clarimundo Carneiro, como industrial da época, dedicou-se ao desenvolvimento de outras atividades industriais como fábrica de calçados e derivados de couro. Produzia café, macarrão, promovia refinação de açúcar, instalou fábrica de sorvetes e picolés, além de ter financiado a construção de um grande pavilhão servindo para o funcionamento de uma fábrica de cola que também, era de sua propriedade. Contudo, o fornecimento e distribuição de energia elétrica gerenciada pela nova Companhia, torna-se precário e ineficiente frente a demanda de crescimento da cidade e o descaso da empresa em não investir na melhoria e ampliação de suas instalações para geração de energia, causa vários transtornos para a cidade e começa a irritar as autoridades locais. Este desinteresse da Prada ocorreu principalmente pelo fato da mesma ser constituída de uma sociedade privada e seus lucros na área pública, atingiam somente 12% frente a uma inflação que até aquele momento, era maior que este percentual. Ou seja, não era interessante para a Companhia investir neste setor e com isto, gerando um impasse que durou por quatro décadas sendo somente solucionado no início da década de 1970 em virtude de uma intensa pressão das empresas que estavam se instalando no distrito industrial e do próprio poder público municipal, para que a Companhia Prada fosse encampada pela CEMIG em 1973. Neste ano, escreve Pereira (1983), a capacidade geradora de energia que era de 14.000 kVA, passou para 18.000 kVA e dez anos mais tarde, mesma época em que foi ampliado o distrito industrial da cidade, a capacidade geradora passou para 70.000 kVA e com isto, solucionando a escassez energética e possibilitando que novas indústrias viessem a se instalar na área ampliada do distrito no início da década de 1980. Um fato de relevância ocorrido na cidade por tratar de questões de espacialidade, foi o deslocamento da estação da estrada de ferro Mogiana para outra localidade da cidade (bairro Custódio Pereira) que no início da década de 1970, permitiu uma nova dinâmica para a área central de Uberlândia pois, no local dos trilhos retirados, foram abertas novas avenidas permitindo uma reestruturação urbana de grande amplitude promovendo a descentralização de alguns setores como, depósitos de combustíveis e atraindo outros de cunho estritamente comercial. 31 Na década de 30 a posição da estação já era criticada, na de 50, fico oficialmente declarado. A exposição desta mudança foi forjada de forma a obter das pessoas dos mais diversos níveis sociais sua adesão, cuja justificativa tinha como fundamentação o “progresso”. [...] Podemos observar, principalmente depois de conhecer o desenho da cidade ideal que estava sendo pensada, que nessa perspectiva o trânsito urbano ficaria insustentável se a estação continuasse localizada no centro da cidade, tanto pelo que ela representava em termos de antiguidade e atraso, quanto pelo fluxo de veículos que estava sendo programado para transitar pelas avenidas centrais (LOPES, 2002, p.115). Fato que fica ainda mais evidente com a ampliação do CDI em 1983 e com isto, o Poder Público Municipal restringiu consideravelmente a instalação de novas indústrias nas áreas centrais da cidade. Estes acontecimentos que propiciaram uma infra-estrutura bem organizada e sólida, permitiram na década de 1990 à Uberlândia receber empresas com uma diversificação industrial mais dinâmica como o Pólo Petroquímico, o Pólo Moveleiro, a telefonia celular que foi a primeira em Minas Gerais, a instalação da Sadia aproveitando as instalações da extinta Granja Resende sendo ela a maior geradora de impostos para o município e em 1998 a inauguração do complexo de Call Centers pertencente ao Grupo ABC Algar considerado como um dos mais modernos do País. 32 CAPÍTULO 02 33 3. PROCESSOS DE PRODUÇÃO DA BALA O produto bala ou candies como são conhecidas e comercializadas pelas indústrias do setor, possuem de um modo geral processos de fabricação semelhantes para balas diferentes. Porém, é justamente nas sutilezas da linha de produção que pode vir a determinar o sucesso de aceitação do produto diante do mercado que estas indústrias atuam. O segredo da produção deste produto (não divulgado por nenhuma delas) está no tempo e nos percentuais das matérias-primas colocadas em cozimento no início do processo de fabricação, principalmente com as balas que possuem cobertura de chocolate. Neste último caso, a calda de chocolate deve estar na temperatura perfeita para que forme apenas uma “casca” sobre a bala mastigável já produzida. As balas duras ou duras frias (possuem mentol em sua composição) envolvem em alguns casos, a mistura de dois tipos de açúcares enquanto as balas de côco para aniversário, devem obrigatoriamente possuir um grau de brancura praticamente em 100% para não haver rejeição perante o consumidor. Com isto, conhecer um pouco sobre a dinâmica que envolve a linha de produção do produto bala, torna-se um exercício necessário para a posterior compreensão da dinâmica de distribuição utilizada pelas empresas candies. Cerca de 90% do peso de uma bala, é constituído de açúcares. Daí vem a preocupação de todas as indústrias de balas e chocolates, uma atenção em especial com estas matérias-primas. A glucose (açúcar produzido a partir do milho), por exemplo, resulta em um melado mais grosso e consistente em comparação ao açúcar derretido (calda de sacarose) da cana-de-açúcar. Ou seja, uma bala ao ser produzida tendo um percentual maior de glucose frente à sacarose, resulta em um produto de melhor qualidade. Outra característica de se trabalhar com a glucose é que, sendo um isômero (variação da posição do radical OH na cadeia dos açúcares), e dependendo da quantidade que foi colocada na fórmula, ela é determinante para caracterizar um sabor mais suave ou mais acentuado de doçura na bala. A degustação do produto é bem mais agradável ao paladar, caso a mesma fosse produzida tendo apenas a sacarose como um dos açúcares. 34 A calda de sacarose a 66% (termo técnico do setor alimentício) geralmente é utilizada pelas indústrias que fabricam as balas de cocos de aniversários. Uma vez que a principal característica destes tipos de balas é serem bastante brancas, ao final do seu processo de produção não pode lhe restar nenhum ponto escuro que seja visível aos olhos do consumidor. Caso isto ocorra e de acordo com Mauro Pereira de Almeida - um dos Gerentes de Produção entrevistado, o cliente pode pensar que a bala não foi produzida em um ambiente totalmente anti-séptico. É por isto, que neste caso, não se utiliza o açúcar cristal que ao ser aquecido até o ponto de um melado, sobram-lhe pequenos cristais queimados e com isto, tornando inviável a comercialização da bala de coco. Definido a combinação dos açúcares que irá se trabalhar, as indústrias começam a produzir um lote de balas, colocando no tacho água e açúcar-cristal (exceto as balas de côco) onde são aquecidos por um determinado período até atingir a consistência de um xarope. Neste xarope, adiciona-se a glucose que é misturada e aquecida até atingir a consistência de uma massa totalmente homogênea. Depois de cozida, a calda transforma-se em uma massa que é transportada para uma mesa de aço inoxidável que possui em seu interior, serpentinas nas quais passa água fria com a finalidade de promover trocas de calor entre a superfície da mesa e a massa quente. É preciso haver este resfriamento para colocar as essências e corantes e em seguida, esta massa segue para a masseira que tem por objetivo misturar a massa para que os ingredientes finais adicionados fiquem bastante homogeneizados. A massa então é conduzida para uma máquina denominada bastonadeira (Foto 3) constituída de três engrenagens, sendo que duas giram em sentido antihorário e a outra em sentido horário, com a função de puxar a massa e transformá-la em bastão. Em seguida, o bastão passa por um equipamento acoplado à bastonadeira denominado trafila tendo por função esticar e afinar o cordão de massa que sai da bastonadeira e direcioná-lo para a próxima etapa da produção que é a máquina cortadora de balas. 35 Foto 3 – Máquina Bastonadeira. Fonte: FERREIRA, Dalton (2009) Essa máquina corta em tamanhos uniformes o cordão de massa e feito isso, lança as balas em uma câmera de resfriamento onde, em seu interior a temperatura varia de dois a cinco graus centígrados nas quais as balas passam para serem resfriadas. Saindo da câmara de resfriamento, as balas são direcionadas para mesas de controle de qualidade e depois para máquinas envazadoras que classificam e embalam as balas em diversos formatos de pacotes. Este processo de produção é praticamente o mesmo para os diversos tipos de balas com algumas variações em determinado ponto da etapa produtiva conforme a característica do produto acabado. Se o produto a produzir for a bala de coco de aniversário, a diferenciação começa na primeira etapa com a utilização da calda de sacarose a 66% já previamente armazenada em tanques de aço inox. É despejada em tachos para cozimento até chegar a uma temperatura ideal que constitui um dos segredos industriais na fabricação das balas. No tacho são adicionados água, gordura hidrogenada e diferentemente das balas duras e mastigáveis, os corantes e aromas que se for trabalhar no momento como, por exemplo, aroma de coco, framboesa, chocolate, morango, tuti-frutti, tangerina, leite condensado, abacaxi, hortelã, mentolina entre outros. Após este processo a massa homogeneizada passa pelo mesmo processo de resfriamento dos outros tipos balas para em seguida e diferentemente da fabricação 36 de outras balas, seguem para o puxador de massa onde ocorre o alongamento dos cristais de açúcar provocando o clareamento da massa, pois ao sair da etapa de resfriamento, ainda apresenta uma tonalidade escura independente do corante que está sendo utilizado no momento. No puxador, a massa deve permanecer entre um minuto e meio a dois para em seguida ser direcionada para a bastonadeira e seguir os mesmos processos finais de fabricação frente a outras balas. Nas balas duras, a mistura que está no tacho ficará mais tempo em cozimento a uma temperatura maior para evaporar mais água e consequentemente, endurecer. Além do que, a máquina que corta os filões desta bala não é a mesma que corta as mastigáveis e toffees justamente por estas duas últimas, serem bem mais macias. As balas mastigáveis sua composição inicial fica um tempo menor no tacho de aquecimento e as toffes quando produzidas, além dos ingredientes já citados, acrescenta-se no tacho doce de leite e depois que as mesmas passam pela máquina de cortar, são direcionadas para outra máquina denominada cobrideira onde as balas recebem uma cobertura especial de chocolate que adere facilmente a superfície das mesmas que em seguida, passam por um túnel de resfriamento para logo depois serem embaladas. Algumas das empresas de balas de chocolates da cidade trabalham com a máquina extrusadora (Foto 4) ao invés da bastonadeira ou com as duas. A primeira possui a vantagem de deixar a massa mais compactada em um tempo menor resultando maior produtividade. Com ela, a massa fica com uma liga menor e daí o fato das balas mastigáveis não serem esticáveis e além do que, as extrusadoras mais modernas chegam a cortar e embalar 2.200 balas por minuto segundo Carlos Augusto Ribeiro - Diretor-Executivo da Chocolates Tarumã. 37 Foto 4 – Máquina Extrusora. Fonte: FERREIRA, Dalton (2009) Como foi descrito no princípio, o tempo e a quantidade de calor que os ingredientes da bala ficam expostos na primeira etapa, são os fatores principais (apontado pelos gerentes de produção pesquisados) que determinam a qualidade da massa de bala. Para isto, é necessário uma caldeira que gere calor constantemente podendo utilizar como combustível, lenha, óleo BPF, bagaço de cana ou gás GLP. A lenha que já foi o meio mais utilizado para gerar calor a caldeira, gradativamente está deixando de ser utilizada para este fim por, exigir grande espaço para armazenamento, o local de armazenamento é propício a proliferação de insetos como escorpiões e baratas, quando está verde ou molhada em virtude de chuvas, difícil para queimar além do que, somente duas horas depois de iniciado a queima desta matéria-prima, a caldeira estará na temperatura ideal para se iniciar um lote de produção de balas. Com o óleo BPF (subproduto do processo de destilação do petróleo) adquirido de companhias petrolíferas não tem nenhum destes problemas citados. É mais barato, menos trabalhoso para o foguista (operário que na fábrica acende e controla a temperatura da caldeira) e propicia um aquecimento mais rápido e constante à caldeira. 38 CAPÍTULO 03 39 4. HISTÓRICO DAS EMPRESAS A história das indústrias de balas e chocolates de Uberlândia tem início na década de 1930 e desde então, outras empresas do mesmo setor alimentício foram fundadas, desenvolveram-se e até 2009 encontram-se em plena atividade industrial. Contudo, algumas delas encerraram suas operações comerciais, no entanto pela representatividade que tiveram na inserção do setor no mercado regional e nacional, foram inclusas neste trabalho. 4.1 Empresas em atividade A empresa Chocolates Imperial Ltda. caracteriza-se como sendo a mais antiga fábrica de balas e chocolates da cidade de Uberlândia. Surgiu no ano de 1930 localizada na Rua Silviano Brandão, no limite do bairro Fundinho com o Centro da cidade entre as Avenidas Nicomedes Alves dos Santos e Floriano Peixoto, próximo à Praça Clarimundo Carneiro. Após nove anos, seus proprietários transferiram a fábrica para a esquina da Rua Duque de Caxias com a Avenida Floriano Peixoto em virtude de naquela época, este local ser o limite das áreas residências da cidade e, com isto, foi possível construir um novo e maior galpão para atender a crescente demanda produtiva. Fato interessante, é que a referida localidade, atualmente é o “coração” do centro da cidade (Foto 5), com intenso fluxo de veículos e pessoas, diversos tipos de comércios e serviços e um número expressivo de agências bancárias encontram-se no entorno desta área. No local do antigo galpão, hoje se encontra um prédio no qual, em seus primeiros andares estão abrigadas as instalações de uma importante loja de departamento voltada para a praça central da cidade, a praça Tubal Vilela. 40 Foto 5 – Vista Panorâmica do centro de Uberlândia. Fonte: FERREIRA, Dalton (2009) Neste local a fábrica permaneceu até 1976, quando não havia mais condições para seu funcionamento naquela área, pelo fato da cidade ter envolvido a fabrica (Foto 6) em virtude de seu crescimento intenso principalmente naquela década. Com isto, havia dificuldade para descarregamento dos caminhões com matérias-primas e também, para escoar a produção. Havia muita reclamação dos vizinhos em função do funcionamento da caldeira que causava barulho e da fuligem expelida pelas chaminés e tais protestos ficaram cada vez mais intensos, pois nesta época tinha-se a notícia de ocorrer muitos acidentes com caldeiras industriais em outras áreas do País e estar residindo próximo a uma delas, era motivo de bastante preocupação para a população local. 41 Foto 6 – Vista Panorâmica do antigo centro de Uberlândia. Fonte: Arquivo Público Municipal (s.d) Neste contexto, ainda na década de 1960 já ocorria em Uberlândia movimentos políticos para a criação do Distrito Industrial que culminou com a concretização do projeto em 1965. Em 1972 o distrito foi efetivamente fundado pelo então governador Rondon Pacheco. Em 1969, a Chocolates Imperial adquiriu o terreno em que, a parte do fundo foi comprada e a da frente foi doada pela Prefeitura Municipal. Uma vez construída a fábrica à Avenida Comendador Alexandrino Garcia nº 2245, transferiu-se a unidade produtiva no início do ano de 1976, destacando-se pela atitude empreendedora, pois na época a localidade era tão distante da área urbana, que nem mesmo havia linhas circulares de ônibus para conduzir os funcionários à fábrica. Para sanar tal deficiência por parte do município, a empresa adquiriu um ônibus para transportar seus funcionários e também importou várias máquinas e outros equipamentos de origem alemã, holandesa e dinamarquesa para dinamizar sua produção até porque, com os novos maquinários, o potencial de produção da fábrica cresceu praticamente cinco vezes mais. Outro fator que foi de grande relevância para a mudança da indústria para o Distrito Industrial, foi a pressão exercida pelo poder municipal, que objetivou resolver o problema das 42 reclamações dos munícipes e do tumulto gerado pela presença de uma indústria de tal porte em pleno centro de Uberlândia. Uma vez construído o setor industrial ele precisava ser ocupado e já que no referido período a empresa era uma das vinte maiores arrecadadoras de impostos para o município, serviu de vitrine para que outras empresas também se deslocassem para a localidade, haja vista que a Chocolates Imperial foi a quarta empresa a se instalar no setor industrial. Porém, com o passar do tempo, a empresa perdeu em competitividade em virtude, entre outras coisas, da grande instabilidade econômica do País ao final da década de 1970 e início da década de 1980 que, com o alto índice de inflação que influenciava diretamente nas taxas de juros, fazia com que, os empréstimos bancários adquiridos por várias empresas, se tornassem praticamente impagáveis e desta forma, o lucro da empresa que seria utilizado para a expansão do negócio, era canalizado para pagamento de juros. Na época, este fator foi determinante para a falência de muitas empresas e no caso da Chocolates Imperial que havia realizado negócios com empréstimos bancários, não foi diferente. As elevadas taxas de juros combinada com inflação mensal na casa dos dois dígitos, praticamente paralisou o crescimento da empresa por vários anos até que as dividas bancárias fossem encerradas. Em 2009 a empresa trabalha com a fabricação de bombons e balas duras mastigáveis com uma capacidade de produção em torno de 1.000 toneladas por mês. A Erlan Produtos Alimentícios Ltda. Inicia suas atividades indústrias em 12 de junho de 1956 quando os irmãos José Rezende Ribeiro e Mário Rezende Ribeiro dão início a sociedade que inicialmente situava-se à Avenida Rio Branco nº 1036. A empresa nasceu com objetivo de industrializar e comercializar balas, caramelos e massas alimentícias (macarrão). Em 1963 deixa de fabricar massas e além da comercialização de balas e caramelos, passa a industrializar bombons. Vinte anos depois, ou seja, em 1983, a empresa inicia o processo de exportação de seus produtos e após cinco anos, 20% de sua produção era destinada ao mercado externo. Nesta mesma década de 1980 com a crescente demanda do mercado, os ovos de páscoa passam para o processo contínuo de produção porém, com o chocolate ainda sendo adquirido de terceiros para a fabricação de bombons e ovos de páscoa. 43 No ano de 1994 a empresa inaugura sua nova sede no distrito industrial da cidade possibilitando a abertura de novos mercados uma vez que, a maior e melhor infra-estrutura da fábrica, possibilitou novas políticas comerciais que consistiu na venda de seus produtos em toda a América Latina, África e países como Austrália, Nova Zelândia e Japão. A Erlan produz e comercializa balas duras e geladas, duras recheadas e mastigáveis, chocolates, ovos de páscoa e bombom toffee considerado o top de linha da indústria potencializando sua força de venda em 2004 quando a empresa investe e instala sua própria fábrica de chocolates para a produção de seus produtos. Outro fator a se destacar da Erlan em sua localidade atual, é a estação de tratamento de efluentes líquidos onde toda a água utilizada na empresa é tratada e devolvida à rede pública sem causar danos à natureza de acordo com as informações históricas disponíveis no site da empresa. A indústria de balas Junco Indústria e Comércio Ltda. origina-se em 1978 na cidade de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, quando seu fundador e proprietário iniciava a empresa embalando condimentos – canela, cravo, pimenta do reino e outros -, em pequenas porções acondicionadas em saquinhos plásticos. Porém, somente a partir de junho de 1991, quando a empresa foi transferida de Ituiutaba para a cidade de Uberlândia, é que tomou a forma de indústria fabricando balas e pirulitos e também, a fornecer artigos para festas ampliando rapidamente sua gama de produtos. Até julho de 2004, a empresa estava posicionada entre as três maiores empresas de artigos para festas do Brasil, reconhecida pela pesquisa da Revista Top Five (edição especial da revista Supermercado Moderno no mês de julho/2004). Em 2009, com a industrialização da maioria dos produtos que comercializa, principalmente balas e pirulitos, a empresa se prepara para abertura de novos mercados por meio de diversas parcerias. O fato de a empresa ter se transferido para Uberlândia, segundo o gerente de produção industrial, deve-se ao fato que na década de 1990, Uberlândia possuir um centro urbano com estrutura e representação industrial e comercial, mais significativa do que qualquer outra cidade da região do Triângulo Mineiro, aliada a sua localização numa área relativamente próxima aos principais centros urbanos do país, o que tende a facilitar uma atividade industrial. Em média, o município está a 650 km de capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia e Campo 44 Grande, que são cidades onde estão localizados muitos de seus fornecedores e algumas delas como Goiânia, sendo um importante mercado no processo de distribuição de balas e pirulitos. No ano de 2009, a localização da indústria em uma área urbana da cidade, no caso, bairro Chácaras Tubalina, deve-se ao passado, onde a região era uma área onde se instalavam algumas fábricas e em 1978, era um bairro distante do centro urbano de Uberlândia e apesar disto, não se constituía como um bairro voltado a proliferação de indústrias. Por isto, com o crescimento da cidade, o referido bairro tornou-se majoritariamente residencial e visando uma melhor adequação de sua localidade, há o planejamento de que a Junco transfira-se para o atual Distrito Industrial da cidade, até setembro de 2010 em uma área vizinha à Indústria Itambé. A Chocolates Tarumã Ltda. foi fundada no ano de 1996 produzindo inicialmente chocolates em um galpão de 120m² no bairro Roosevelt setor norte da cidade e permanecendo neste local até 1999 e, surgiu por questões estritamente familiares. Um dos sócio-fundadores da fábrica de balas Erlan Produtos Alimentício, vendeu sua parte da empresa em 1986 por não concordar com algumas medidas estratégicas que estavam sendo adotadas pelo outro sócio. Em seguida, participou da fundação da Sorvetes Tarumã que anos depois, veio novamente a se desfazer de sua parte no negócio para então, fundar a Chocolates Tarumã. No ano de 2000, inicia-se a produção de balas e paralelamente ocorrem alguns fatores que contribuíram para o crescimento desta nova linha de produção dentro da fábrica. Neste ano, funcionários antigos da Erlan foram demitidos e alguns destes, eram fundamentais em determinadas etapas da produção e da operação de máquinas de fabricação de balas. Então, valendo-se do conhecimento operacional adquirido ao longo de décadas frente à Erlan, do convite feito e aceito aos antigos empregados da Erlan, com capital disponível e valendo-se da marca de sorvetes Tarumã que é uma marca consolidada e conhecida regionalmente, fortifica ainda mais a presença da empresa no mercado de candies com a produção de diversos sabores de balas. O outro acontecimento ocorrido naquele mesmo ano e que, segundo Carlos Augusto Ribeiro Ferreira Braga, diretor da empresa, caracterizou-se como de fundamental importância para o desenvolvimento da nova atividade dentro da indústria, foi o encontro de uma estrutura física que atendeu completamente as necessidades da fábrica. 45 Trata-se de um galpão (alugado com um contrato de trinta anos) localizado na Rua Ituiutaba nº 593 bairro Aparecida nas proximidades do Estádio de futebol Juca Ribeiro e de acordo com Carlos Augusto, a empresa nunca teve problemas com a chegada e saída de mercadorias visto que, em uma primeira análise o local parecer não favorável ao desenvolvimento de uma atividade industrial. Neste caso, observase que a mudança da localização da empresa atendeu a uma oportunidade estrutural e não locacional até porque, de acordo com o novo plano de zoneamento urbano, a empresa está instalada em um local inapropriado para atividades industriais e há certa pressão por parte da prefeitura, para que a mesma se transfira para o Distrito Industrial, processo já enfrentado pela Junco Indústria e Comércio Ltda. A empresa possui um mix de produtos que são caracterizados como chocolates finos e balas. Os primeiros são divididos em duas classes que são os bombons recheados em diversos sabores e os tabletes em vários recheios. As balas por sua vez, são classificadas como mastigáveis, duras e toffes no sabor doce de leite com cobertura de chocolate. As balas como um todo e de acordo com o proprietário da empresa, atingem em média uma produção de 1.500kg/dia e os chocolates em todas as suas variações, uma média de 200 kg/dia atingindo seus picos de produção na Páscoa e Natal. 4.2 Empresas com atividades encerradas A fábrica de balas Produtos Princesinha Ltda. encontra-se com suas atividades encerradas tendo suas origens em 1947 quando era uma fabriqueta que se localizava na Avenida Vasconcelos Costas nº 1447, bairro Martins, local que hoje se encontra a empresa DPaschoal Pneus. Em 1952 a fábrica encontrava-se em dificuldades financeiras com uma dívida de (setecentos e cinqüenta mil cruzeiros), e seu proprietário a vendeu para Antônio Rodrigues por (quinhentos mil cruzeiros). O negócio foi viabilizado em razão do comprador, à época, ter crédito no mercado (facilitando possíveis empréstimos) e o fato de possuir dois filhos solteiros, caminhoneiros e formados Técnicos em Contabilidade, a aquisição do empreendimento tinha uma perspectiva otimista de crescimento e desenvolvimento. Sendo então, apenas comunicados pelo patriarca da família a respeito do novo negócio, os dois irmãos aceitaram a associação preocupando-se inicialmente 46 em sanar as dividas da empresa e com isto, ter um melhor gerenciamento das finanças o que posteriormente, permitiu o crescimento da empresa. A fábrica, depois de adquirida pela família Rodrigues, manteve seu nome original com uma produção de 08 toneladas por mês de balas recheadas, duras e toffes. Possuía equipamentos de fabricação bastante rudimentares com trinta funcionários, sendo dez homens na produção e vinte mulheres que embalavam as balas à mão. Com empréstimos conseguidos por meio de financiamentos para a compra de novas máquinas, a produção aumentou, e um ano depois, a fábrica foi transferida para uma área de 1.200 m² localizada no bairro Martins na atual Avenida Belo Horizonte nº 306 onde o proprietário, possuía dois galpões que até aquele ano de 1953, encontravam-se alugados para depósito de cereais. Após dois anos nesta nova localidade, ou seja, em 1955 a fábrica já produzia 25 toneladas por mês e em 1958, já contava com trinta e cinco homens na linha de produção e noventa mulheres embrulhando balas. No fim daquela década, Haroldo Rodrigues (primogênito da família), era quem viajava para realizar o comercial da empresa e seu irmão, era quem na cidade gerenciava a produção e distribuição dos produtos acabados. Contudo, Haroldo Rodrigues viu-se na obrigação de assumir o comando da fábrica no início de 1958 em virtude do falecimento de seu irmão Mesmo com tantas mudanças, ao final deste mesmo ano, a empresa adquiriu sua primeira máquina de origem italiana para embalar balas e dois anos depois com a aquisição de mais duas máquinas, chegavam a 100 toneladas por mês de produção e sempre crescendo através de financiamentos. A fábrica no decorrer dos anos seguintes continuou progredindo atingindo seu auge de produção em 1994 com nove máquinas de embalar balas chegando a 200 toneladas por mês. Entretanto, neste mesmo ano em virtude de uma mudança cambial ocorrida na política econômica do País, que foi a conversão da URV (Unidade Real de Valor) para o Real, fazendo a moeda brasileira ter uma equiparação com o Dólar Estadunidense, a fábrica teve uma forte queda em suas vendas e, com isto, não conseguiu quitar os juros dos financiamentos que por quarenta e sete anos, fizeram a empresa funcionar e crescer. Isto ocorreu porque a empresa deixou de possuir uma alta lucratividade nas vendas que era propiciada pelas altas taxas mensais de inflação. Esta situação permitia o pagamento ou, o controle dos juros dos empréstimos. Com a equiparação cambial, a direção da empresa verificou que o montante das dividas superava o 47 valor da própria fábrica. Nos quatro anos seguintes, houve um trabalho intenso para superar o endividamento e conseguiram de acordo com o ex-proprietário. Porém, em 1998 a empresa não era mais competitiva porque neste período, priorizou-se a amortização das dividas em detrimento da modernização dos equipamentos e assim, perdeu-se a competitividade e consequentemente, o mercado. Com isto, a produção diminuiu pela metade, houve muitas demissões e o custo para manter a fábrica funcionando, era cada vez maior. Em 1998 a indústria paralisa suas atividades, mas Haroldo Rodrigues em 2009 aos 80 anos, tem ainda a pretensão de erguer outra fábrica de balas em uma área de 25.000m² localizada no setor oeste da cidade, bairro Chácaras Tubalina, Rua Francisco Rodrigues Serralha nº 100 que hoje, encontra-se alugada como garagem para uma empresa de ônibus de transportes coletivos e por coincidência, em frente à outra indústria de balas. Segundo o próprio Haroldo Rodrigues, ele tem este objetivo por dois motivos; o primeiro por querer deixar uma herança para os filhos e netos e por um valor sentimental em querer recolocar no mercado a marca de balas Brokinha que ainda lhe pertence. A indústria de balas Produtos Fokinha Ltda. também é uma empresa genuinamente uberlandense e teve o início de suas atividades no ano de 1996 quando se denominava Indústria de Balas e Comércio Meninas Ltda. localizada no bairro Jardim Patrícia, Rua José Fonseca e Silva nº 989, setor oeste da cidade produzindo balas da marca Teteca e Fokinha, sendo a primeira, o carro chefe da produção. Com a boa aceitação no mercado das duas marcas e o consequente aumento da produção, em 1999 a empresa transfere suas atividades para um galpão localizado no bairro Martins, Avenida Belo Horizonte nº 306, setor central da cidade que era exatamente, o local das antigas instalações da fábrica de balas Produtos Princesinha, falida no ano anterior. Até junho de 2009, a empresa enfrenta sérios problemas logísticos por estar inserida em um bairro residencial, tais como dificuldades com carregamento e descarregamento de caminhões, a presença da caldeira que em algumas épocas do ano, tinha seu funcionamento 24hs por dia. Para resolver este problema, existia uma 48 projeção por parte da direção da empresa de que em 2011, a empresa viesse a transferir a unidade produtiva para o Distrito Industrial da cidade. A empresa em 1998 muda sua logomarca para a de uma Foca e neste mesmo ano, lança a marca Kuxixo de cunho estritamente voltado para o mercado externo. Em 2001, mudam sua razão social para Produtos Fokinha Ltda. consolidando o símbolo da Foca em seus produtos e elaborando novas metas de crescimento de mercado. Para isto, em 2003 implementam o maquinário da fábrica comprando o conjunto de máquinas que compunha a linha de produção de balas duras da antiga fábrica de balas, Produtos Princesinha. A partir de 2004 a indústria moderniza o processo de cozimento contínuo das balas associado à aquisição de máquinas de alta tecnologia utilizadas nas embalagens. Antes, a fábrica possuía cinco bastonadeiras onde a massa de bala que entrava por ela e saia na forma de pavil muito quente, só podia ser manipulada no outro dia para ser embrulhada e depois empacotada. As três novas máquinas foram adquiridas da empresa uberlandense Remaq Indústria e Comércio Ltda. e denominadas extrusoras. O mesmo pavil depois de processado, passa por um túnel de resfriamento, entra em uma máquina na qual já é embrulhada e duas horas depois, a bala já pode ser empacotada. Além disto, estas novas máquinas podem embalar 700 balas por minutos enquanto as bastonadeiras, apenas 400. É importante ressaltar que neste processo de modernização da linha de produção, de acordo com Ivone Clemente Souza Reis, Gerente do Financeiro, que ao contrário do que geralmente ocorre, não houve demissões e sim, novas contratações para suprir o substancial aumento produtivo gerado pelas máquinas extrusoras. As balas produzidas por estas máquinas provocaram logo de imediato uma reação positiva no mercado e consequentemente, aumentando e expandido o volume de vendas em virtude das mesmas, terem atingido o mesmo nível de qualidade de suas concorrentes, fazendo com que, a empresa consolidasse sua posição no mercado de candies que culminou em 2005 com o lançamento das marcas Fokinha e Megachew, sendo esta última, destinada ao mercado externo. Porém, em julho de 2008, o sócio majoritário da empresa, Manoel Domingues, em viagem de férias à Argentina, sofre um grave acidente 49 automobilístico onde quase perde a vida. A recuperação da saúde que envolveu semanas em UTI hospitalar, severa medicação, fisioterapia e uma série de adaptações no modo de vida frente a nova condição física, exigiu significativos gastos financeiras da família e aliado ao desanimo natural que se abateu sobre o empresário, fizeram-no encerrar as atividades da indústria de balas mantendo somente a empresa de Contabilidade e Consultoria, Audicon Associados Ltda. 4.3 Localização Geográfica das Empresas na cidade de Uberlândia Algumas destas empresas ao longo de sua história, sofreram mudanças em sua localização dentro do perímetro urbano como observado no mapa 3. Os pontos indicam uma certa oposição no sentido de deslocamento das empresas. Nota-se por exemplo, que a Chocolates Imperial e Erlan, distanciaram-se das áreas centrais. Produtos Princesinha, Produtos Fokinha e Chocolates Tarumã, direcionaram-se para o centro de Uberlândia. A Junco, apesar de estar em projeto a mudança para o Distrito Industrial, ainda permanece no mesmo local desde quando foi fundada na cidade. Ou seja, a regra da descentralização industrial de áreas urbanas, não se fez valer para estas empresas (pelo menos em parte) evidenciando quantas são as nuances que determinam o local de instalação de uma indústria. 50 Mapa 3: Localização das Indústrias de Balas e Chocolates – Uberlândia/MG 51 CAPÍTULO 04 52 5. FORNECEDORES E LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO Ao discorrer sobre logística, o primeiro conceito que geralmente vem a mente das pessoas, é o carregamento, transporte e descarregamento de mercadorias em um veículo de cargas. É evidente que a logística envolve transporte em suas diversas modalidades como o rodoviário, ferroviário, aeroviário, aquaviário e dutoviário. Mas isto, é apenas parte de uma cadeia logística que visa principalmente a redução de custos em todo o processo, sem afetar a qualidade do produto final. Com as empresas de chocolates de Uberlândia, percebe-se um gasto de tempo considerável na tarefa da logística que envolve a negociação com fornecedores, datas do ano mais propícias a adquirir determinadas matérias-primas e se as mesmas são passíveis de armazenagem. Controle dos prazos de entrega das matérias-primas, controle do estoque, controle bactericida de toda a linha de produção, controle dos percentuais de perda ou sobra dos insumos durante a produção, supervisão da saída do produto acabado da fábrica até o momento que este chegue as prateleiras de supermercados, bares, lanchonetes ou padarias. Nos sub-tópicos Fornecedores de cada indústria, estão inseridos mapas indicando a origem das matérias-primas e para onde se destina seus produtos depois de industrializados, seguindo os critérios de logística acima citados. 5.1. Chocolates Imperial 5.1.1 - Fornecedores Chocolates Imperial A Chocolates Imperial é a indústria de chocolates e seus derivados mais antiga da cidade e que, de acordo com seu Diretor Executivo até meados da década de 1980 foi a principal e maior produtora local neste setor, posição que atualmente pertence à Erlan Produtos Alimentícios. Possui uma maior diversidade de fornecedores para os produtos que fabrica (bombons e balas toffes), em relação aos seus concorrentes locais, comprando o açúcar em torno de umas dez usinas do estado de São Paulo e apenas duas de Minas Gerais, sendo o preço desta matériaprima, o diferencial para sua aquisição. A glucose é adquirida da Cargill Agrícola em Uberlândia e da Corn Products Brasil Ingredientes Industriais na cidade de Jundiaí – 53 SP. A gordura é adquirida somente da Cargill pelo fato da mesma ter adquirido as empresas menores e próximas que forneciam esta matéria-prima. O chocolate utilizado na fabricação de bombons e na cobertura das balas toffes é proveniente da Chocolates Garoto em Vitória - ES e da Harold Indústria e Comércio de Alimento localizada em Santana de Parnaíba - SP e que se destacam segundo a empresa, pela qualidade de seus itens. Já as essências são adquiridas de oito fornecedores diferentes como a Firmenich Comércio e Indústrias Essências Sacoman em São Paulo – SP, Grasse Fragrâncias Essências e Aromas em Diadema - SP, All Flavors, também em Diadema, Robertet do Brasil em Barueri – SP e Duas Rodas Industrial localizada em Jaraguá do Sul - SC. Esta última é a principal fornecedora deste insumo por ser a única que possui representante comercial em Uberlândia possuindo bons preços e produtos de qualidade de acordo com José Luiz Vilela – Diretor executivo da empresa. O envoltório das balas e bombons é adquirido da empresa Plastifica Industrial de Belo Horizonte - MG e Plascort Indústria e Comércio de Embalagem Flexível em Atibaia - SP, além da caixa externa adquirida da Klabin em Betim - MG. A Klabin também possui várias unidades no interior de São Paulo fabricantes de caixas de papelão e vez ou outra, a Chocolates Imperial adquire produtos destas unidades. 5.1.2 - Mercado Chocolates Imperial Até 2006, esta empresa exportava para vários países como por exemplo, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia onde o produto possuía uma maior rentabilidade em função do alto poder aquisitivo destes países. As exportações também eram realizadas para Panamá, Paraguai, Coréia do Sul, Rússia, Israel e Líbano. Curiosamente, para estes dois últimos países, as exportações aumentavam justamente no período de conflito bélico entre ambos. Segundo informação passada pelos Traders (representantes comerciais da empresa nestes países), tal fato ocorria porque sendo a bala ou bombom uma fonte de carboidrato agradável e calórica, ela aumenta o estado de euforia, dissimula a fome e muito fácil de ser transportada entre a população civil. A mesma circunstância verificava-se em outro mercado exterior que a empresa atuava como África do Sul (grande consumidor de balas e portal de entrada do continente), Angola, Líbia, Tunísia, Gana, Senegal e Marrocos. Sendo nestes dois últimos, a pobreza como o principal motivo da aquisição e 54 consumo das balas brasileiras principalmente por crianças por ser de preço baixo e servindo como opção de alimento. A empresa trabalha com a fabricação das balas duras em vários sabores sendo a de sabor mentolina, o carro-chefe desta categoria presente no mercado desde 1930 quando a empresa foi fundada. Fabrica ainda as balas duras recheadas em vários sabores, as barras mastigáveis em vários aromas e por fim, o bombom toffe. O mercado que a empresa atua como demonstra o mapa 4 e não diferentemente das outras empresas de candies da cidade, está concentrado nas regiões Norte e Nordeste onde ambas, somam 38,14% do total da distribuição. A região Centro-Oeste responde por 31,07% sendo que deste montante, 25% são direcionados somente para o estado de Goiás. A região Sudeste com seus 28,64% não difere do caso anterior, pois apenas o estado de Minas Gerais possui uma representatividade de 23,02% do total da região. Por fim, a região Sul com seus 2,15% possui pouca expressividade no mapa de atuação mercadológica da empresa conforme informa José Luiz Vilela – Diretor Executivo da empresa. Em 2008 a distribuição da empresa é 100% nacional atuando através do modal rodoviário com mais ênfase nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Goiás, Amazonas e Minas Gerais. Utilizam transportadoras para o escoamento da produção, vendendo para os estados onde elas são mais atuantes. Nestes estados, estas empresas dispõem de melhor infra-estrutura, como centros de distribuição e veículos de médio e pequeno porte, agilizando, pulverizando e capilarizando as entregas e atendendo o mais rapidamente possível os pequenos clientes. Esta política comercial adotada pela empresa em priorizar uma clientela com esta característica, deve-se ao fato da fidelidade para quitarem seus compromissos financeiros uma vez que, a maior parte das vendas da Chocolates Imperial, ser à prazo. 55 Mapa 4: Mercado consumidor da Chocolates Imperial A direção da empresa pontuou algumas circunstâncias que fazem com que a maior parte das vendas serem direcionadas para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País como; a cidade desenvolveu-se distribuindo todo o tipo de produto para o oeste e norte e hoje, a combinação de ICMS mais baixo destas regiões, população de menor poder aquisitivo, dificuldade das empresas locais atuarem na região Sudeste e Sul e distâncias continentais impedindo as do Sul atuarem mais ao Norte, favorece a concentração das vendas nestas regiões pelas empresas de balas de Uberlândia. Neste aspecto, é também importante salientar que devido ao seu grande dimensionamento territorial, a distribuição no Brasil é crítica para todos os itens de consumo em virtude de problemas estruturais já conhecidos como; estradas em péssimas condições, congestionamentos dos portos, aeroportos em sua maioria arcaicos e com pouquíssimas linhas inter-regionais, além de o setor ser dominado pelo monopólio de praticamente duas empresas aéreas. Ferrovias sucateadas e inoperantes, dificuldades de abastecimentos, acidentes, roubos de carga, etc. Com isto, em quase sua totalidade, o transporte da mercadoria é realizado por transportadoras e dependendo da distância envolvida, o valor do frete (pago por quem contrata) é alto. 56 Balas e chocolates como produto final possuem uma margem de lucro muito pequena e para proporcionar um retorno financeiro satisfatório, necessita ser produzida em larga escala e ter um mercado que consuma esta produção. Por isto, as empresas de candies do Sul do Brasil, que são as maiores neste setor, não atuam nas mesmas regiões em que as indústrias de candies de Uberlândia vendem. A direção da empresa destacou ainda que, apesar da cidade não ser um pólo nacional na fabricação de candies, possui uma importante participação neste mercado a nível regional e estadual. Ressaltou ainda o fato da cidade concentrar cinco indústrias deste setor alimentício e na análise da mesma, isto ocorre devido a uma tendência natural de se “repetir o que está dando certo”. Fica mais seguro investir o capital em uma atividade que já se conhece a viabilidade, onde se conhecem as fonte de matérias-primas e as peculiaridades do mercado consumidor. 5.2. Produtos Princesinha 5.2.1 - Fornecedores Produtos Princesinha A Produtos Princesinha, no período de 1952 a 1994 que esteve ativa, adquiria o açúcar de várias usinas do estado de São Paulo, comprando daqueles que oferecessem o menor preço. O melado de milho era fornecido pela Cargill Agrícola de Uberlândia e pelas Refinações de Milho Brasil, situada em Mogi Guaçú - SP. As essências eram adquiridas das empresas Duas Rodas Industrial em Jaraguá do Sul - SC, Ferminisch Comércio e Indústrias, Essências Sacoman e das Indústrias Matarazzo no estado de São Paulo. Distribuía seus produtos em toda a região do Triângulo Mineiro e para os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rondônia, Pará e Maranhão onde, a marca “Comentada” até 2008 possuía uma forte aceitação nestes mercados. Na época da falência da Princesinha, esta marca foi comprada pela empresa terceirizada que distribuía suas balas nestes estados. Já a marca “Brokinha” que tinha dez sabores diferentes, era mais comercializada nas regiões mais próximas a Uberlândia e quando as empresas atacadistas da cidade passaram a ter uma maior abrangência de distribuição no País, começaram a atuar também nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro onde 57 o transporte era realizado pelo ARCOM que comprava cerca de 30% da produção de balas da Princesinha. No mapa 5 pode-se visualizar como era a representatividade destas distribuições. Mapa 5: Mercado consumidor da Princesinha Comercializando praticamente em todos os estados brasileiros, o diretorexecutivo da extinta empresa, destacou a forte atuação que possuíam nos estados nordestinos em virtude de naquela região, as balas populares serem consumidas em larga escala por possuírem um valor de aquisição bastante baixo e assim, de fácil acesso as camadas sociais mais pobres e tendo o papel de importante fonte de alimento. Tanto é, que chocolates e bombons finos que envolvem uma tecnologia maior em sua fabricação e consequentemente possuindo um maior valor agregado resultando em um maior preço ao consumidor final, não possuem uma comercialização significativa nesta região em comparação aos estados do Sudeste e Sul do país onde as condições sócio-econômicas da população, é maior do que as regiões Norte e Nordeste Além dos armazéns atacadistas, a distribuição também era realizada por caminhões próprios em um raio de até 500 km e ao todo, chegou a totalizar nove 58 veículos para entrega própria. Seus vendedores que totalizaram quinze, atuaram em quase todo o território nacional viajando em veículos próprios e nos estados de Rondônia e Acre nos meses de alta pluviosidade, o transporte era realizado por jipes e barcos. No ano que a empresa começou suas atividades sua única concorrente era a Chocolates Imperial que já possuía vinte e dois anos de atividade priorizando a qualidade de seus produtos e sendo uma das maiores empresas da cidade e região daquela época, serviu de incentivo, pois na lógica dos novos proprietários, se havia um tipo de empreendimento que estava em franco desenvolvimento sem concorrentes e com um mercado que se expandia cada vez mais, tinha uma grande chance de obter sucesso. Ou seja, na opinião do antigo proprietário, foi um fator que na época motivou a família Rodrigues a investir na fabricação de balas. Ainda em suas considerações, o fato da cidade possuir quatro empresas de candies, foi a pratica de “copiar” um negócio que estava dando certo e se expandindo. Em 1994 com a conversão da moeda, a empresa teve uma drástica redução em suas vendas ficando inviável quitar os empréstimos financeiros e investir no negócio o mesmo tempo, vindo a decretar processo de falência em 1998. 5.3. Indústria de Balas Fokinha 5.3.1 - Fornecedores Indústria de Balas Fokinha A Indústria de Balas Fokinha segundo seu Diretor-Comercial, até o início do ano de 2009, produz cerca de 240 toneladas de balas por mês com produção diária em torno de 08 toneladas, mas com capacidade instalada para produzir 290 toneladas ao mês o que resultaria em uma capacidade diária de produção em torno de 9,6 toneladas de balas podendo obter uma capacidade anual produtiva em cerca de 3.500 toneladas/ano. Possuem um mix de balas duras bastante variáveis nos aromas de hortelã, café, canela, frutas sortidas além das balas geladas de cereja, eucalipto e menta. Com relação as compras, o Diretor-Comercial enfatizou que a empresa monitora constantemente a qualidade e rapidez na entrega das matérias-primas e com isto, a glucose e gordura vegetal são adquiridos na unidade da Cargill Agrícola em Uberlândia. Os corantes e essências são oriundas da indústria Duas Rodas 59 Industrial localizada na cidade de Jaraguá do Sul - SC e neste caso, a qualidade da matéria-prima é o fator que justifica a compra de um fornecedor tão distante. O ácido cítrico e lecitina de soja, também utilizados na composição das balas, são adquiridas da Indústria Química Santo Anastácio localizada na cidade com o mesmo nome no estado de São Paulo. Neste fornecedor, o baixo custo da matéria-prima, qualidade e logística rápida e eficiente, são determinantes para a aquisição de seus produtos. O óleo utilizado para aquecer a caldeira provém da indústria TCA localizada na cidade de Curitiba - PR pelo fato de não haver outros fornecedores mais próximos. Já o papel utilizado para embalar as balas é proveniente da indústria Trya Embalagens localizada na cidade de São Paulo - SP e o baixo custo juntamente com a facilidade de logística, é o que determina a compra com este fornecedor assim como, os saquinhos utilizados para ensacar as balas, que são adquiridos da indústria Flex Paper na cidade Salto de Pirapora – SP que possui como diferencial no fornecimento de matérias-primas, baixo custo e boa qualidade de seus itens. 5.3.2 Mercado Produtos Fokinha O escoamento da produção da Indústria, é 100% nacional apesar de no passado, já ter exportado para outros países como por exemplo, África do Sul e Angola. Neste contexto, 61,91% da produção são direcionadas para os estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os outros 38,09%, distribuídos entre as regiões Sudeste e Sul com esta última possuindo uma representatividade muito pequena como demonstra o mapa 6. 60 Mapa 6: Mercado consumidor da Fokinha Alguns fatores influenciam decisivamente para que a empresa concentre suas vendas nesta porção mais ao norte do Território Nacional como por exemplo; o perfil de consumo da população destas localidades caracterizados como sendo de baixo poder aquisitivo e que vêem a bala como uma fonte de alimentação e energia à baixo custo. Produto saboroso, com alto valor nutritivo e fácil de ser adquirido em pontos comerciais de qualquer pequena cidade. O Diretor-Comercial da empresa ainda destaca que, com seu público alvo definido, é muito relevante e criterioso o trabalho de logística utilizado para realizar a distribuição de balas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste visto que, dependendo da localidade, o caminhão chega a percorrer até três mil quilômetros para realizar uma entrega e com isto, o valor do frete passa a ser uma importante variável no preço da mercadoria, já que o valor agregado do produto bala é muito baixo. A indústria utiliza essencialmente o modal rodoviário para o transporte de seus produtos e nas regiões Norte e Nordeste, a distribuição é realizada em sua 61 maioria por caminhões de terceiros contratados. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste onde as cargas são fracionadas, o envio da mercadoria é realizado por transportadoras por possuírem uma capacidade de capilaridade melhor e com isto, atingindo um número maior de pontos de vendas. Este procedimento reflete diretamente no custo do frete, visto que, agrega um nível de serviço mais elaborado nos volumes fracionados. Pode-se observar que, as circunstâncias que determinam o mercado onde uma empresa irá atuar nem sempre são tão visíveis ou fáceis de mensurar. Fatores como, perfil de consumo, custo com transportes, alíquotas tributárias, saturação de mercado, situação econômica nacional ou mundial, disponibilidade de recursos da empresa entre outros, possuem uma relevância bem mais significativa e realista do que uma posição geográfica dentro de um território. O fato de Uberlândia estar situada em um ponto que a deixa em média a 600 km dos principais centros comerciais e industriais do País, deve ser analisado com muita cautela, pois somente isto, não faz automaticamente a cidade propicia à instalação e desenvolvimento de qualquer tipo de atividade industrial. A localização geográfica torna-se fator importante em um determinado cenário quando está associada a outros fatores que lhe darão subsídios para que a circulação de pessoas e mercadorias se direcionem ou passem por ela dando a característica de localidade estratégica. Aspecto relevante a ser ressaltado é que, apesar de na cidade existirem outras fábricas de balas e chocolates (Erlan, Chocolates Imperial, Chocolates Tarumã, e Junco), a capacidade produtiva das cinco está entre as menores no cenário nacional representando 2,12% da produção total segundo a Revista Doce de março de 2006. 5.4. Junco Indústria e Comércio 5.4.1 - Fornecedores Junco Indústria e Comércio A Junco Indústria e Comércio Ltda possui um mix de produtos bastante variável como copo, pratos, balões, velas e enfeites para festas entre outros. Contudo, os únicos itens que passam por um completo processo de transformação, desde as matérias-primas até o produto final, são as balas e pirulitos para 62 aniversário e desta forma, a empresa está inserida no mesmo setor alimentício que as outras empresas de balas e chocolates da cidade de acordo com a instituição que rege e regulamenta o setor, ABICAB. A empresa, segundo Mauro Pereira de Almeida – gerente de produção, segue um rigoroso padrão de qualidade quando se trata da compra de matérias-primas frente aos seus fornecedores localizados em diversos pontos do território nacional sendo alguns deles, os mesmos das outras indústrias de balas e chocolates da cidade. A Dulcini, empresa localizada na cidade de Pirassununga – SP e pertencente ao grupo Dedini é um dos seus principais fornecedores. Fornecem a calda de sacarose a 66% e de acordo com o Gerente de Produção da Junco, conseguem manter a boa qualidade deste insumo durante todo o ano. Outra característica marcante deste fornecedor com relação à entrega deste insumo, é que o compartimento do caminhão utilizado para realizar o transporte é cipado. Ou seja, é realizado um tratamento antibacteriológico onde é garantindo a isenção de microorganismo durante o período de transporte até a unidade produtiva da Junco. Este mesmo processo também é aplicado ao tanque da fábrica que recebe e armazena a calda de sacarose. Os aromas, corantes e essências nos sabores coco, abacaxi, morango, framboesa, tangerina e tutti-fruti, são adquiridos do fornecedor Duas Rodas Industrial tendo o fator qualidade, preponderante para a aquisição de seus produtos. O talco alimentício é adquirido da empresa fornecedora Minérios Ouro Branco localizada no bairro Vila Nova Cachoeirinha em São Paulo - SP e possui como principal característica, conseguir fornecer um talco com elevado grau de brancura que torna-se um dos diferencial frente aos concorrentes. As lenhas utilizadas para manter a caldeira ativa são originadas de lavouras de eucalipto no município de Uberlândia e aqui, verifica-se ser um processo diferente do utilizado pela Indústria de balas Fokinha que utiliza o óleo para aquecimento da caldeira. As balas de aniversário Junco são embaladas em pacotes de 200gr, 400gr e 700gr e a arte que vem impressa nos sacos plásticos como a logomarca da empresa e outras especificações técnicas como ingredientes, informação nutricional do produto, que são regulamentados por órgãos federais como ANVISA e INMETRO, são feitos pela empresa Max Designer situada na cidade de Uberlândia. Já o plástico em si, é adquirido de dois fornecedores, a Juntiplast localizada em Jundiaí - 63 SP por possuir um polímero de alta qualidade e a Poligynn localizada em Goiânia – GO. Conforme o Gerente de Produção, o fato da empresa possuir dois fornecedores de embalagens plásticas em sentidos opostos de localização geográfica, se deve a alguns fatores como a menor taxação tributária do estado de São Paulo e o fato de não ficar dependente de um único fornecedor até porque, a disponibilidade de polímeros ao longo do ano sofre variações que podem prejudicar seu fornecimento as fábricas de balas. As caixas de papelão são oriundas do fornecedor Artpel também na cidade de Goiânia - GO e os produtos químicos (desinfetantes) utilizados para a higienização de todos os equipamentos da linha de produção, são adquiridos da Bracol, empresa pertencente ao grupo Bertin localizada na cidade de Lins - SP. 5.4.2 - Mercado Junco Indústria e Comércio A empresa, de acordo com seu Gerente de Produção, possui uma produção mensal de quarenta e quatro toneladas de balas mais quarenta toneladas de pirulitos sendo que, tal produção aumenta em cerca de 20% no mês de junho em virtude das festas juninas e nos meses de outubro a dezembro devido às festividades de final de ano. Em contrapartida, de janeiro a fevereiro são os meses em que a produção tem uma redução em média de 30% por ser uma época do ano em que as festividades não são voltadas para o público infantil. O escoamento da produção da Junco pode ser observado no mapa 7 e aborda todo o território nacional. A distribuição da empresa é 100% rodoviário utilizando transportadoras e frota própria que consiste em quatro caminhões que atendem em um raio de até 1.100 km e um furgão utilizado para entrega local. Fora deste alcance, a empresa trabalha em regime de contrato de prestação de serviço com seis grandes transportadoras (Mercuryo, Mira, Rodonaves, Colatinense, Atlas e Eucatur). 64 Mapa 7: Mercado consumidor Junco Assim que um ou mais caminhões de qualquer uma destas Transportadoras seja carregado na Junco, os mesmos seguem para a respectiva filial da transportadora em Uberlândia onde a carga é fracionada para ser distribuída de acordo com a região que a transportadora melhor atua. Aliás, de acordo com o Supervisor de Logística da Junco, este é um dos principais motivos para que a empresa trabalhe com diversas transportadoras. Para todas elas, existe aquela região em que possuem um poder de atuação mais eficiente. Nesta determinada região, realiza melhores parcerias com empresas de entregas rápidas que tem por função, pulverizar a distribuição dos produtos que chegam aos seus grandes depósitos locais. Observa-se então, que durante toda esta logística de transporte, as balas Junco passam por um processo de transbordo inúmeras vezes ficando a mercadoria sujeita a avarias e por isto, há a existência contratual de prestação de serviços tornando a Transportadora responsável em custear qualquer dano que venha a ocorrer com os produtos até sua chegada ao cliente. Por isto, visando reduzir ao máximo as avarias que possam vir a ocorrer nas mercadorias durante o transporte, a 65 empresa há pouco tempo, passou a utilizar caixas de embalagem onde o papelão possui três camadas e com isto, sendo muito mais resistentes à empilhagem, ao mau manuseio ou aos solavancos que ocorrem no interior do compartimento de cargas do caminhão. 5.5. Chocolates Tarumã 5.5.1 - Fornecedores Chocolates Tarumã A Chocolates Tarumã segue basicamente a mesma linha de fornecedores das outras fabricantes de candies da cidade e desta forma, o açúcar é adquirido da Usina Alvorada em Araporã – MG por ter o valor do frete menor, a glucose é fornecida pela Cargill Agrícola de Uberlândia - MG e a gordura vegetal, comprada da unidade da Cargill em Itumbiara - GO em função do baixo custo do frete. Os aromas e essências não diferem da Chocolates Imperial, Fokinha e Junco, são adquiridos da fornecedora Duas Rodas Industrial tendo como diferencial, a boa qualidade dos produtos e no caso da Chocolates Tarumã, também pagam o valor do frete. A embalagem externa é fornecida pela indústria K/Brasil de Uberlândia sendo a proximidade e rapidez da entrega determinantes em sua aquisição. O papel interno que envolve as balas e bombons toffes, são adquiridos da fornecedora Sulprint em Santa Cruz do Sul - RS pelo fato da K/Brasil não fabricar este tipo de embalagem e principalmente, pela Sulprint arcar com o valor do frete no transporte da mercadoria até Uberlândia. 5.5.2 - Mercado Chocolates Tarumã Perante outras indústrias de candies da cidade, a Chocolates Tarumã é a única que possui seu nicho de mercado concentrado em suas proximidades sendo 50% de sua produção voltada para Uberlândia e nesta localidade tem como seus principais concorrentes os produtos da Fokinha, Cacau Show e Kopenhagen sendo as duas do estado de São Paulo. Tem nos bares, lanchonetes e padarias seus principais clientes e utiliza pequenos atacadistas para distribuição por possuírem maior agilidade de entrega e conseguem garantir o abastecimento nos prazos estipulados. Além disto, parte considerável das vendas locais, são os próprios clientes que buscam o produto à 66 porta da Chocolates Tarumã. Outros 30% são distribuídos nas cidades próximas à Uberlândia no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em um raio de até 100 km e os 20% restantes são vendidos para distribuidores localizados em Belo Horizonte. Nesta cidade, 100% das vendas são entregues por transportadoras sendo o frete um custo considerável neste segmento, pois o produto candies possui um valor agregado baixíssimo em relação ao seu peso de transporte, sendo esta variável de custo muito importante na rentabilidade da indústria de candies no Brasil. A empresa também possui um mercado de confiança formada principalmente por representantes antigos desde a época da Erlan e por isto, ser um mercado que consegue ter boa atuação evidenciado no mapa 8. Mapa 8: Mercado Consumidor Chocolates Tarumã 2008 Com sua produção em torno de 30 ton./mês, a direção da empresa não tem a pretensão de expandir seu mercado para o exterior ou novos mercados de atuação dentro do País, como as regiões Norte e Nordeste. Mesmo tendo como seus maiores concorrentes as empresas locais, a Tarumã prefere trabalhar com uma 67 rentabilidade focada em pouca produção e priorizar o mercado que não é atendido pelos grandes atacadistas. Na opinião de Carlos Augusto Ribeiro – Diretor da Chocolates Tarumã, a cidade não é um pólo a nível nacional na fabricação de candies, mas é pioneira neste setor deste a década de 1930 uma vez que neste período 98% do consumo de balas e chocolates, era de produtos importados. Em seu entendimento e compartilhando da mesma opinião que José Luiz Vilela - Diretor da Chocolates Imperial e Naldo Dornellas - Diretor Comercial da recém extinta Produtos Fokinha, a cidade desde a sua emancipação política, sempre apresentou ações arrojadas em empreendimentos privados e públicos. Em 1955 eram três os fabricantes de balas em uma época que a questão da logística da cidade tão comentada hoje em dia, não era fator preponderante para o funcionamento e desenvolvimento destas indústrias. Portanto, um dos fatores para o surgimento deste tipo de indústria na cidade e sua consequente multiplicação, deveu-se inicialmente à dificuldade de acesso a determinados produtos que contribuíram para a construção das infra-estruturas proporcionando o desenvolvimento de outras importantes atividades comerciais como o Atacado Varejista tornando a cidade referência nacional neste setor, fato que se deve principalmente por estar inserida em um importante eixo rodo-aéreoferroviário na malha de transporte do Brasil Central. 68 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para uma determinada localidade atingir um grau acentuado de destaque na região em que está inserida, a localização geográfica por si só, não causa este efeito. Ao se divulgar em diversos meios de comunicação que uma cidade possui localização geográfica privilegiada, é necessário antes de tudo refletir e analisar em relação ao quê e para quem a localidade é estratégica. Se, uma empresa situada em uma cidade litorânea com uma determinada atividade econômica bastante lucrativa, talvez não tivesse o mesmo resultado se estivesse onde está hoje Uberlândia. Muitos, até diriam que dependendo da atividade industrial poderia sim ter o mesmo nível de desenvolvimento ou até mais. Contudo, o simples fato de se inserir a palavra “depende” já desmistifica o fato de se dizer com tanta convicção que a cidade hoje, possui posição geográfica estratégica para qualquer tipo de ramo de atividade comercial, industrial ou de serviços que venha a se instalar no município. A relevância econômica apresentada pela cidade foi construída ao longo dos anos através de ações que capacitaram ao município desenvolver uma melhor infraestrutura em comparação as cidades vizinhas e com isto, atrair indústrias com porte de giro alto de capital. Estas ações idealizadas e iniciadas por personagens históricos como Coronel Theófilo Carneiro, seu filho Clarimundo Carneiro, o engenheiro Fernando Vilela juntamente com o primeiro prefeito de Uberlândia, contribuíram significativamente para a cidade possuir considerável destaque na região que está inserida. Caso contrário, cidades próximas como Araguari, Uberaba, Monte Carmelo e até mesmo Estrela do Sul, poderiam ser uma delas, a cidade de referência econômica e comercial da região do Triângulo Mineiro. Até porque, estas cidades estão no mesmo patamar de distância dos grandes centros urbanos e industriais do País em comparação à Uberlândia. Porém, mesmo a cidade possuindo toda uma estrutura que deu importância à sua localidade em relação as principais cidades da região sudeste, conhecida como a mais desenvolvida do País, existem empresas aqui instaladas que o maior montante de suas vendas não são destinadas para esta região como seria pela lógica. A região sudeste possui melhores condições de transporte e como 69 conseqüência, o valor do frete nas cargas transportadas é bastante reduzido influenciando diretamente no custo final do produto bala por exemplo. Foram identificados outros motivos que levam as empresas de balas e chocolates de Uberlândia, possuir seus principais mercados consumidores nas regiões norte e nordeste que ainda são áreas com sérios problemas de infraestrutura básica e sócio-econômicos, frente ao restante do território nacional. Ou seja, o industrial não se guia através do senso comum quando se trata da instalação e da área de atuação mercadológica de sua empresa. Ele sabe enxergar as situações que podem ser transformadas em oportunidade de negócio e com isto, atingir lucratividade em mercados que em teoria, são considerados pouco atrativos. Fato este pode ser constatado no Piauí que, sendo um dos estados com um dos menores índices sócio-econômicos da União, é um dos maiores consumidores de balas e seus derivados que constituiu o principal mercado da Produtos Fokinha. Caso semelhante ocorreu na Chocolates Imperial quando a empresa exportava boa parte de seus produtos, principalmente para países africanos e justamente aqueles que enfrentavam algum tipo de conflito bélico. Exportava-se mais, exatamente na mesma proporção que se aumentavam as guerras e isto ocorria em virtude da falta de alimentos básicos, o fácil transporte das balas, seu alto teor calórico e no momento de sua degustação, causa uma certa sensação de prazer. Trazia mesmo que momentaneamente, um pouco de alívio frente a um cenário de completa destruição e desolação. Ou seja, mesmo que o empresário se depare com uma série de situações locacionais favoráveis ao seu negócio, ele pode se debandar para um único fator que pode vir a fazer toda a diferença para o sucesso ou insucesso de seu empreendimento, como ocorreu com a Chocolates Imperial que perdeu sua posição de destaque neste setor alimentício na cidade, em meados da década de 1980 para a Erlan Produtos Alimentícios, que soube melhor trabalhar com a crise econômica desta época. A Chocolates Imperial prima mais pela qualidade de seus produtos por ser uma concepção desde quando foi criada. Com isto, seu custo de produção resulta em um produto final com preço maior. Por isto, a distribuição de suas balas e chocolates está concentrada em uma área intermediária entre as regiões mais ao norte e sul de Uberlândia. A Produtos Princesinha cresceu e desenvolveu-se alicerçada em empréstimos bancários. Também, em virtude de uma situação econômica ocorrida 70 na década de 1990, vindo a falir pelo fato dos juros terem “estrangulado” a fábrica. A formação de seu mercado de atuação, teve peso significativo do fato de um dos sócios fundadores ter sido caminhoneiro e conhecedor das estradas que partiam de Uberlândia às regiões norte e nordeste do País. A Produtos Fokinha quando começou a aumentar sua produção, mudou-se para as instalações que eram da Produtos Princesinha. Isto permitiu que a empresa potencializasse suas vendas a outros estados pois, praticamente não tiveram gastos em infra-estrutura com a nova localidade. Seu mercado foi significamente influenciado pelo vazio mercadológico deixado pela extinta Produtos Princesinha. Isto inclusive pode ser verifica ao comparar os mapas 5 e 6 onde os percentuais de distribuição das duas empresas em algumas regiões são bastante próximos. Por outro lado, a empresa que tinha até mesmo o planejamento da construção de uma nova sede no Distrito Industrial da cidade, encerra suas atividades comerciais depois que o sócio majoritário sofre um grave acidente e canaliza os recursos financeiros para seu tratamento e para o outro negócio que possui há mais de vinte anos. A Junco Indústria e Comércio é a empresa que apresenta a melhor distribuição de seus produtos entre as regiões brasileiras e isto se deve porque ela não vende somente as balas de cocos e sim, uma série de outros produtos para festas de aniversário tornando mais versátil a política de vendas aos seus clientes. Já a Chocolates Tarumã possui seu mercado de atuação originário de uma dissidência de um dos seus concorrentes e completamente diferente das demais concorrentes locais. Sua atual localização deveu-se também a uma comodidade estrutural que para a empresa, representou uma condição mais importante do que qualquer outro fator locacional. A busca dos insumos para a fabricação de seus produtos, estas empresas de candies, também não seguem o discurso propagandístico da localidade geográfica favorável. O açúcar, praticamente em sua totalidade, é adquirido de diversas usinas paulistas. Isto ocorre, porque as usinas de processamento da cana-de-açúcar, estão concentradas no interior do estado de São Paulo. As essências, aromas e corantes são quase todos adquiridos de um único fornecedor localizado no estado de Santa Catarina sendo os outros, no interior do estado de São Paulo. Este fornecedor catarinense fundado por imigrantes alemães há mais de oitenta anos, trabalha com essências e seus derivados mantendo 71 durante todo o ano, a alta qualidade de seus produtos, além de possuir preços e condições de pagamentos bastante atrativos. Estas matérias-primas, assim como o chocolate, o ácido cítrico, a lecitina de soja utilizada como emulsionante em chocolates, a calda de sacarose e o talco alimentício que exigem uma tecnologia mais apurada para sua fabricação, são adquiridos de cidades localizadas no interior de São Paulo. Isto ocorre, não pelo fato de Uberlândia estar a 600Km da capital paulista e sim, porque é neste estado que está localizado a maior parte dos fornecedores que ofertam os insumos com maior know how para a fabricação de balas duras, mastigáveis e toffes. Além destes fatores, observa-se que no meio empresarial até certo ponto, há uma tendência em “copiar” aquilo que está dando certo e identificado no processo de formação das cinco empresas de balas e chocolates de Uberlândia. Assim, mesmo sendo de suma importância ao Geógrafo conhecer as disposições das teorias locacionais para a instalação de uma determinada atividade industrial, é necessário ter a sensibilidade de perceber os fatores subjetivos que podem vir a serem determinantes para o sucesso de uma atividade empresarial. 72 REFERÊNCIAS UBERLÂNDIA (município). BDI – Banco de Dados Integrados. Uberlândia: Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, 2008. Disponível em <http://www.uberlandia.mg.gov.br/home_bdi.php>. ERLAN. A empresa. Disponível em: <http://www.erlan.com.br/site/?pagina=a_empresa>. Acesso em: 25 de abril de 2008. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Dados Populacionais. Uberlândia, 2009. Dados disponibilizados pelo escritório de Uberlândia. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Cidades Dados quantitativos de indústrias de Uberlândia. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php>. Acesso em 17 de abril de 2008. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Estrutura do CNAE de chocolates. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/classificacoes/cnae2.0/cnae2.0.p df> acesso em 21 de julho de 2009. LOPES, V. M. Q. C. Caminhos e Trilhos: Transformações e Apropriações da cidade de Uberlândia (1950 – 1980). 2002. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2002. PEREIRA, A. ACIUB: 50 anos trabalhando com amor. Uberlândia: ACIUB, 1983.