AU TO RA L DI R EI TO UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE LE I DE MARKETING OT EG ID O PE LA MÔNICA DA SILVA MACHADO DOS SANTOS DO CU M EN TO PR PROMOÇÃO DE VENDAS E MERCHANDISING NO VAREJO: UM DIFERENCIAL COMPETITIVO PARA AS PEQUENAS INDÚSTRIAS DO RECÔNCAVO BAIANO Orientador PROFº. CLEBER GONZAGA Salvador 2009 MÔNICA DA SILVA MACHADO DOS SANTOS 1 PROMOÇÃO DE VENDAS E MERCHANDISING NO VAREJO: UM DIFERENCIAL COMPETITIVO PARA AS PEQUENAS INDÚSTRIAS DO RECÔNCAVO BAIANO Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito para obtenção do grau de especialista em Marketing. Por:. Mônica da Silva Machado dos Santos Salvador 2009 2 AGRADECIMENTOS A minha mãe, família e amigos, presentes de Deus. Ao meu esposo Chiquinho, companheiro, que acredita em mim. meu 3 DEDICATÓRIA Dedico este momento à Kiane, amiga de todo sempre, filha, razão da minha vida. 4 RESUMO As ações de promoção de vendas e merchandising no varejo são apresentadas neste trabalho, como diferencial competitivo para as pequenas indústrias do recôncavo baiano, frente ao atual mercado e a concorrência acirrada, para tanto, usou-se como metodologia pesquisas bibliográficas e de campo, visando a busca de referências que norteassem e sustentassem as análises e constatações sobre as significativas e fundamentais estratégias. Baseando-se ainda na observação de que as ações citadas são relevantes no momento decisório da compra do produto desejado pelo consumidor no ponto de venda e, ressaltando o este PDV, como receptivo e extremamente influente no processo das negociações no varejo. Palavras-Chave: Promoção de Vendas, Merchandising, Diferencial, Competitividade. Abstract The actions of sales promotion and merchandising at retail are presented in this work, as a competitive advantage for small industries in northeastern Bahia, compared to the current market and fierce competition for both, used as research methodology and library field, to search for references that guide and sustain the analysis and findings on the significant and fundamental strategies. Based also on the observation that the actions cited are relevant when making the purchase of the product desired by the consumer at the point of sale, noting that the PDV, as receptive and extremely influential in the negotiation process in retail. Word-Key: Sales Promotion, Merchandising, Differential, Competitiveness. 5 METODOLOGIA O presente trabalho será desenvolvido através de pesquisas bibliográficas que fundamentem as análises mercadológicas e a importância das ações de promoção de vendas e merchandising no varejo como diferencial competitivo para as pequenas indústrias do recôncavo baiano, serão realizadas visitas in loco em alguns pontos de venda e pequenas indústrias locais, observando como case uma indústria sediada Município de Cruz das Almas – Maralat Laticínios - que fabrica iogurtes, manteiga e bebida láctea, com intuito analítico. 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 07 CAPÍTULO I 08 1.1 O Varejo 1.2 Promoção de Vendas e suas Ações 1.3 Merchandising 08 09 14 CAPÍTULO II 16 2.1 A Pequena Indústria Brasileira e as Ações Promocionais Hoje 16 2.2 Promoção de vendas e Merchandising no Varejo: um Diferencial Competitivo 19 CAPÍTULO III – Case 23 3.1 Maravilha Laticínios – Maralat: uma típica pequena indústria 23 CONCLUSÃO 24 REFERÊNCIAS 25 ANEXOS 26 1 INTRODUÇÃO 7 A monografia apresentada aborda como tema a promoção de vendas e merchandising no varejo como diferencial competitivo para as pequenas indústrias do recôncavo baiano. A observação central deste trabalho está no atual discernimento das pequenas indústrias quanto aos impactos das estratégias de promoção de vendas e merchandising diante da competitividade do mercado. A análise das estratégias de promoção de vendas e merchandising no varejo como diferencial, focada no posicionamento e na conquista do mercado, se justifica quando se observa nessas estratégias a oportunidade de crescimento, lançamento, experimentação e conhecimento dos produtos, além da aceitação tanto destes, quanto da organização, pelo consumidor alvo. As ações de promoção de vendas e merchandising objetivam a rotatividade do produto e conseqüentemente proporcionam condições para investimentos, e este é um dos pontos relevantes que fundamenta o trabalho, já que essa análise possibilitará às indústrias em questão, uma nova visão mercadológica. Por conseguinte a pesquisa objetiva demonstrar a competitividade proporcionada pelas estratégias de promoção de vendas e merchandising no varejo para as pequenas indústrias em questão e, para tanto, será analisada a atual situação das organizações observadas no mercado, buscando identificar os motivos que levam, ou não, ao investimento em ações promocionais, além do destaque às vantagens e desvantagens de tais ações, que oportunizam a conquista do mercado e do consumidor. As pequenas indústrias se encontram em situação de desvantagem diante da competitividade mercadológica atual, e muitas, resistem ao investimento em ações promocionais e merchandising, supostamente por falta de capital e principalmente por falta de conhecimento sobre os ganhos significativos dessas ações. A pesquisa buscará demonstrar as vantagens competitivas das estratégias de marketing promocional objetivando o share of market e o share of mind. 8 CAPÍTULO I 1.1 O Varejo A necessidade de consumo direciona o consumidor à compra, atitude esta que pode ocorrer de várias formas e em diversos lugares. O varejo lojista, foco desta pesquisa é a “atividade comercial responsável por providenciar mercadorias e serviços desejados pelo consumidor” (SPOHM; ALLEN, 1977 p. 3 apud LAS CASAS, 2006 p. 17). Compreende-se a partir dessa colocação, que o varejo é o local onde o consumidor encontrará os produtos e serviços desejados, que poderão satisfazer ou não suas necessidades, um ponto de negociações. Local onde acontecem as escolhas e as decisões do consumidor em potencial e deve ser observado cuidadosamente, por representar um momento crucial, que além de responsável pela acolhida é responsável também pelo fechamento do negócio. O varejo é um intermediário, ou seja, faz parte do caminho entre o produto vindo da indústria e o cliente e, por ser um ponto de chegada comum a ambos – produto e consumidor – deve estar preparado para recebê-los e atraí-los. Las Casa (2006) aponta como característica do varejo lojista, locais onde ocorrem as negociações com mais de 50% de suas vendas a varejo. Dentre os varejos lojistas, pode-se exemplificar as lojas de departamento, especializadas, de conveniência e supermercados, este último como sendo foco de exploração diante do tema abordado, aparece em relato de Las Casas (2006), surgindo na década de 30 nos Estados Unidos, ressaltando que no Brasil sua aparição se deu na década de 50 com as Lojas Americanas, mais precisamente em 1952 e, o Supermercado Disco em 1953 no Rio de Janeiro, após uma junção de supermercados e lojas de desconto originou-se os hipermercados, caracterizandose por vendas desde alimentos à artigos como eletroeletrônicos. 9 Assim como qualquer outra organização, o varejo precisa administrar para sobreviver, principalmente no que tange às diversas situações ligadas ao ambiente, podendo acarretar dificuldades quanto à produtividade do negócio. O ambiente varejista possui variáveis controláveis e incontroláveis (LAS CASAS, 2006). Quanto às variáveis incontroláveis observam-se análises referentes a fatores tecnológicos, culturais e sociais que permitem, por exemplo, um acompanhamento dos movimentos, das tendências e das mudanças de comportamento do consumidor, conforme relata Las Casas (2006, p. 41): As modificações sociais são também determinantes para a adaptação de programas de sucesso da empresa. A sociedade apresenta diferentes tendências em diferentes épocas. Atualmente, a sociedade volta-se para produtos naturais, permitindo o surgimento de várias farmácias de manipulação e de homeopatia; lojas de produtos naturais juntamente com esoterismo e misticismo são fortes tendências para o novo milênio. Tal colocação nos leva à reflexão de que o consumidor, que vai ao varejo suprir suas necessidades através da compra, ou seja, da escolha do produto que mais se adéqüe à sua realidade e momento, imagina ser recebido conforme suas expectativas e para tanto as indústrias precisam observar fatores macroambientais e segmentar o público, para que a partir daí, tenham reais condições de definir suas estratégias focadas em proporcionarem ao consumidor experiências excelentes, criativas, marcantes e motivadoras no momento da compra no varejo. Ainda intrínseco à administração do varejo e tendendo a acatar e superar as expectativas do consumidor, ressalta-se a importância do cuidado com todo o entorno da venda como: layout atrativo e funcional, localização adequada, atendimento satisfatório, facilidades, benefícios, promoções e o que mais se fizer necessário para satisfação e fidelização do público alvo. 1.2 Promoção de Vendas e suas Ações Promoção de vendas, como a expressão já deixa transparecer, promove a negociação de venda ao consumidor, “é qualquer atividade que atraia consumidores, resultando em vendas lucrativas, gerando fluxo de clientes e 10 formando boa imagem para a loja”, (GILLESPIE; HECHT, 1970, 9 316 apud LAS CASAS, 2006, p. 183). As ações promocionais compreendem-se como estratégias executadas no ponto-de-venda visando atrair o público alvo. Dentre seus objetivos pode-se destacar a visualização da mercadoria a ser comercializada pelo estabelecimento, a circulação de clientes e o aumento do lucro, dessa forma as ações de promoção de vendas devem partir da análise da necessidade do produto para o consumidor, adequando-se o mesmo ao ambiente e a época promocional, possibilitando um destaque além da loja para alguns produtos. Promoção e comunicação devem caminhar paralelamente, (LAS CASAS, 2006 p. 173): Promoção no sentido amplo da palavra significa a comunicação do lojista com seu mercado e ocorre por meio de várias técnicas, como a promoção de mercadorias, programas educacionais, prêmios e concursos, promoções institucionais, entre outras. Diante da colocação constata-se que promover a venda não é uma simples ação como “leve três e pague dois”, quando o lojista expõe o produto com etiqueta com preço mais em conta, é um momento de comunicação e esta possui uma amplitude que ultrapassa a gôndola, que ultrapassa inclusive as portas da loja. Portanto compreende-se que para a promoção acontecer há necessidade de uma preparação da própria loja e da imagem da empresa, pois aos olhos do consumidor o layout, a exposição dos produtos nas gôndolas, vitrinas, displays, enfim, toda a comunicação visual vai atrair e despertar, ou não, o desejo do público de entrar, se encantar, efetivar a compra e retornar. A produtividade excelente que as lojas buscam baseia-se no layout como auxílio essencial para que o arranjo interior dos estabelecimentos atenda convenientemente ao cliente que compra muito mais do que mercadoria (SPOHN; ALLEN, 1977 p. 113 apud LAS CASAS, 2009 p. 174). Frente a essa colocação percebe-se a importância da preparação e adequação do ambiente do PDV com foco nos públicos de interesse, buscando a garantia da presença e da visibilidade dos produtos. 11 Segundo Alvarez (2008, p. 46) “a visão de marketing para solucionar o espaço existente entre os produtos e os consumidores se concentrou em dois aspectos: trazer o consumidor até o produto ou levar o produto até o consumidor”, a colocação reforça a observação de que as ações promocionais são estratégias que tanto levam o produto até o consumidor quando disponibiliza o mesmo no PDV de acordo com suas necessidades, quanto trazem o consumidor até o produto com atratividade e ações que promovam visual e mercadologicamente. Yanaze (2006, p. 341-342) relata que as ações de promoção de vendas são pensadas em três níveis: com estratégias focadas na equipe de vendas da empresa, através de premiações e vantagens condicionadas ao cumprimento e superação das metas; com ações direcionadas aos intermediários a exemplo dos distribuidores e representantes, visando o escoamento dos produtos conforme desejado negociando descontos e campanhas cooperadas entre outros; um terceiro nível, o qual se observa com freqüência no mercado varejista são as ações focadas no consumidor final. Esta última, segundo Kotler (1998) acontece quando o público percebe vantagens como: brindes, concursos, preços temporariamente mais baixos, amostras grátis, degustações, cartões de fidelidade e outros. Segundo definição de De Simone (1997, p. 9): A promoção de vendas defini-se por si própria: é uma técnica de promover vendas. Promover implica fomentar, ser a causa, dar impulso, fazer avançar, provocar, diligenciar, desenvolver, originar, favorecer, etc. Não implica propriamente vender, mas diferenciar, esforçar-se, empenhar-se por meio de qualquer idéia ou ação para que isso aconteça. A promoção de vendas prepara o caminho da execução das vendas dando impulso a elas. A colocação do autor apresenta a promoção de vendas como causa que impulsiona o consumidor à compra, quando o mesmo percebe, tendo seu desejo despertado a ponto de executar a ação de levar o produto, através da preparação e da eficiência do ambiente, trilhando, norteando o movimento do cliente. Decorrente dos objetivos de marketing, as promoções de vendas variam conforme o tipo de público-alvo que, quanto aos vendedores servem de apoio desenvolvendo clientes potenciais e, quanto ao varejo, estimulam a venda, 12 oportunizando ao estabelecimento a aquisição de mais e novos produtos, consolidando sua marca e seu crescimento no mercado (KOTLER, 1998). No que diz respeito ao consumidor, Schmitt (2008) e sua teoria sobre marketing experiencial, apresenta um consumidor baseado em emoções vividas, quando este percebe, senti, pensa, age e relaciona-se, partindo do pressuposto de que baseando-se nas experiências do indivíduo as empresas encontrar-se-ão em vantagem. Pode-se então observar que o consumidor emotivo, curioso, predisposto, e estimulado através de benefícios, que vão além do produto, têm seu movimento condicionado à compra, já que será seduzido por um ambiente propício e encantador, um momento causador de experiências comoventes e consequentemente vantajosas para todos os envolvidos, indústria, varejo e consumidor. Compreende-se, portanto, que as ações de promoção de vendas se mostram como suporte, parceiras, ferramentas decisivas no momento da compra e, a experiência vivida nesse momento, fará toda a diferença para a pequena indústria, já que muitas não possuem verba suficiente para uma mídia em massa mais abrangente. A promoção de vendas se torna então um diferencial competitivo de extrema importância e crucial na decisão final do consumidor, podendo-se constatar a hipótese quando se observa, por exemplo, que 100% dos consumidores pesquisados já participaram de alguma ação promocional em pontos de venda (gráfico 1). Já participou de alguma promoção de vendas? 0% Sim Não 100% Gráfico 1 – Pesquisa – Consumidores no Varejo O destaque fica para as ações de degustação, citadas por 23% dos consumidores abordados como diferencial e comentários que vêm afirmar a importância de uma ação eficiente no momento da escolha do produto, podendo 13 influenciar positivamente a escolha do consumidor, já que oportuniza ao cliente analisar no ato da compra a qualidade ofertada pela indústria. Outras ações também foram citadas como decisórias observando o seguinte: • Amostras grátis – proporcionando ao consumidor uma experimentação mais particular, já que geralmente a utilização acontece em momento pós abordagem, não permitindo argumentação ou explicação por parte de quem oferece; • Brindes – causa uma sensação de “presente”, um cuidado a mais com o consumidor; • Sorteio – uma ação que mexe com ansiedade do indivíduo levando à lembrança do produto e da empresa durante o tempo da promoção; • Concurso – estratégia que mobiliza e desperta o espírito de competição, valorizando aquele que melhor se sair, proporcionando um reconhecimento por parte do fabricante ou varejo. Promoções de vendas que já participaram: Sorteio 19% 1% 21% Amostra grátis Concurso 21% 23% 15% Brinde Degustação Outros Gráfico 2 – Pesquisa – Consumidores no Varejo 1.3 Merchandising 14 A palavra merchandising aparece de uma forma popularizada como a inserção de produtos, marcas e empresas em filmes ou programas da mídia, inclusive citações em livros. De Simone (1997) atribui essa fama do merchandising às emissoras de televisão que usam a expressão “fazer merchandising” para apresentações pagas de produtos e marcas no contexto de programas, para essas estratégias, De Simone (1997) utiliza a expressão Tie-In, que significa arrumar dentro. O conceito de merchandising perpassa por “técnicas, ações ou material promocional usado no ponto-de-venda que proporcione informações e melhor viabilidade a produtos, com objetivo de motivar e influenciar as decisões dos consumidores” (BLESSA, p. 18, 2001). Diante da colocação da autora constata-se a importância das técnicas de merchandising para que indústrias possam destacar-se de forma competitiva frente à concorrência acirrada, em sua última oportunidade de comunicação com o consumidor antes da sua decisão final de compra. Como parte integrante do composto de marketing utilizado por indústrias e varejos, o merchandising apresenta itens a serem considerados por ambos. Yanaze (2006) destaca os seguintes aspectos: § A embalagem como diferencial a partir do momento em que a elaboração da embalagem não se limite à observações técnicas e legais, mas que sejam considerados o público-alvo, o próprio ponto-devenda onde será comercializado; § Proporcionar ao consumidor experimentações e contatos com os produtos que proporcionem experiências reais, como o exemplo de uma livraria que mantenha um espaço adequado e confortável para que o cliente folheie os livros; § Um atendimento adequado, afeituoso, emotivo e respeitoso que remeta ao consumidor satisfação, relacionamento, credibilidade e a tão desejada fidelização do cliente. 15 Indústria e varejo então devem trabalhar em parceria e adequação aos seus públicos-alvo, já que hoje, diante de um cenário competitivo, ágil e com o imperar da informação, os consumidores são abordados a todo instante por estratégias de comunicação institucionais e mercadológicas e, chegam ao varejo, com produtos previamente trabalhados em suas mentes. Pesquisas revelam que 80% das compras (Fonte: Revista Gôndola, 2008) são decididas no ponto-de-venda, portanto diante do exposto percebe-se que mesmo com toda a influência da mídia e da facilidade às informações, é de extrema importância que as pequenas indústrias conheçam e invistam em ações promocionais de venda e de merchandising, que despertem a atenção, desejo e satisfação do consumidor. Ações pensadas e executadas, com base em um conhecimento profundo do público, tornarão as estratégias adequadas, significativas e marcantes, apresentando os produtos de forma diferenciada entre os concorrentes no PDV. CAPÍTULO II 16 2.1 A Pequena Indústria do Recôncavo Baiano e as Ações Promocionais O Recôncavo baiano é uma região localizada no Estado da Bahia em torno da Bahia de Todos os Santos e abrange ainda a Região metropolitana de Salvador. O Recôncavo possui foco na agricultura e pecuária e, é promissor quanto ao crescimento industrial, mas o potencial regional não se limita aí, relatos de empresários de pequenas indústrias, adquiridos durante pesquisa de campo, constataram a diversidade dos empreendimentos, que entre outros, pode-se citar laticínio, geradores de força, cerâmica, calçados, apicultura, massas e biscoitos. Segundo informações cadastradas no site da Federação das Indústrias do Estado da Bahia – FIEB, atualmente cerca de mil setecentos e trinta e duas indústrias se fazem presentes na região, destas cerca de mil são pequenas e micro indústrias, mas estima-se que esses números sejam significativamente maiores, já que os dados são somente de indústrias registradas. No entanto os índices de mortalidade de pequenas empresas, que são preocupantes em todo país não só no estado da Bahia, entre outros aspectos, esbarra com um investimento bastante tímido em marketing por parte das organizações, fato agravante, já que o composto de marketing é essencial para que uma empresa se mantenha no atual mercado competitivo. Destacando-se as estratégias promocionais e merchandising, como sendo de fundamental importância para a divulgação, lançamento, massificação, conhecimento, despertar o desejo do consumidor para produtos e decidir a compra. Com base em pesquisa de campo feita com pequenas indústrias no recôncavo baiano, observou-se que cerca de 70% destas (gráfico 3) não executam nenhuma ação de promoção de vendas e merchandising em varejos, muitas se mostraram conhecedoras de algumas estratégias promocionais, mas além de não se estimularem à investimentos alegando falta de verba, demonstraram não ter consciência dos benefícios de tais ações. 17 Já executou alguma ação de promoção de vendas e merchandising no varejo? 30% Sim 70% Não Gráfico 3 – Pesquisa – Pequenas Indústrias no Recôncavo Baiano Conforme informações da FIEB, algumas indústrias já possuem bastante tempo no mercado, mas não apresentam crescimento considerável, mantendo-se no mesmo patamar. Diante dos dados, pesquisas realizadas buscaram identificar os motivos pelos quais essas indústrias não utilizam estratégias de promoções de venda e merchandising como diferencial competitivo, sendo observado que mesmo 70% das empresas pesquisadas, já terem realizado algum tipo de ação promocional e merchandising no varejo, 38% destas (gráfico 4) relataram não terem tido bons resultados, este último dado faz link com relatos de consumidores que se mostraram motivados à compra após abordagem de promotores excelentes conforme gráfico 3, ou seja, o consumidor exigente espera um atendimento cuidadoso, de qualidade e criativo. Obtenção de resultados satisfatórios? 38% Sim 62% Não Gráfico 4 – Pesquisa – Pequenas Indústrias no Recôncavo Baiano 18 As exigências do consumidor contemporâneo, cobertas pelas facilidades de informações e variedades de produtos à sua disposição, norteiam as estratégias utilizadas pelas empresas na hora de chamar atenção do cliente no PDV, já que o consumidor tem toda essa disponibilidade referente à produtos, caberá à Indústria e ao varejo a criatividade, atratividade e diferencial para “satisfazer as necessidades do consumidor através da entrega de benefícios” (KOTLER e ARMSTRONG, 1999). O que se observa hoje são grandes marcas inseridas no mercado de forma agreciva e dominadora, fazendo links entre mídias e varejo, e o consumidor, exposto a todo esse cerco, termina por render-se àqueles produtos que mais se destacam e oferecem benefícios. Apesar da variedade, o consumidor ainda espera ser surpreendido e beneficiado e, a pequena indústria, ainda tímida diante desse cenário, terá todas as possibilidades para conquistar o mercado de forma igualitária, a partir do momento que realmente passar a conhecer seu público e, no momento decisário da compra usar de inovação e criatividade. A constatação de que o consumidor dá preferência à produtos que lhes proporcionem benefícios extras, a ponto de definirem suas decisões de compra a partir das ações promocionais e de merchandising é de grande valia para a percepção do pequenno industrial quanto às vantagens competitivas no mercado conforme pode-se observar no gráfico 5 e 6 abaixo. Dá preferência à produtos com benefícios extra? 7% Sim Não 93% Gráfico 5 – Pesquisa – Consumidores no Varejo 19 Ações promocionais definem sua decisão de compra? 7% Sim Não 93% Gráfico 6 – Pesquisa – Consumidores no Varejo 2.2 Promoção de vendas e Merchandising no Varejo: um Diferencial Competitivo As ações de promoção de vendas e merchandising, conforme citado anteriormente, vêm contribuir consideravelmente para o desenvolvimento e o crescimento das organizações, a partir do momento que interferem e se apresentam para o consumidor como parte decisória na hora da compra. Atualmente o mercado está saturado de produtos inovadores, variados e em abundância, as oportunidades de compra chegam a ser imensuráveis diante de toda essa miscelânea e, o consumidor deparar-se com essa variedade de produtos nos espaços dos varejos e, nesse momento, o cliente perceberá aquele produto que se destacar amplamente. É certo que a mídia, previamente, levará o produto ao conhecimento do público, mas mesmo os clientes que chegam aos pontos-de-venda com intuito de compra de determinado produto, se mostram seduzidos aos diversos apelos promocionais estratégicos realizados nos varejos no ato da compra. O cliente, meta de qualquer organização e base de conhecimento de todo planejamento, foi pesquisado neste trabalho intencionando observação e análise, referente às suas percepções frente aos produtos nos pontos-de-venda e suas atitudes diante das ações promocionais e de merchandising, visando a constatação dessas ações no momento da compra como diferencial competitivo. 20 Considerando que 87% (gráfico 7) dos consumidores pesquisados se mostraram sensíveis às ações promocionais, percebendo o produto de forma diferenciada, com destaque para estratégias como distribuição de brindes, degustação, amostras grátis, prêmios entre outros. Uma observação interessante ficou por conta da constatação de que 100% dos consumidores abordados já haviam participado de alguma ação promocional e que 93% destes dão preferência à compra por produtos com benefícios extras conforme citado anteriormente, além dos 77% abordados (gráfico 8) relatarem que as ações de comunicação visual influenciam suas escolhas. Gosta de ser abordado(a) por promotores(as) de vendas? 13% Sim Não 87% Gráfico 7 – Pesquisa – Consumidores no Varejo Comunicação visual influencia sua compra? 23% Sim Não 77% Gráfico 8 – Pesquisa – Consumidores no Varejo Diante da pesquisa, identificou-se a satisfação do consumidor quanto às abordagens nos varejos por promotores, porém com ressalva referente à eficiência destes, pois observou-se relatos insatisfatórios quanto a abordagens inadequadas 21 feitas por profissionais despreparados. Outro ponto de extrema relevância foram os comentários quanto à criatividade e não a sofisticação ou glamour das ações, ou seja, ações eficazes não precisam, necessariamente ser dispendiosas, mas atrativas e adequadas às reais expectativas dos consumidores. Segundo Bernd Schmitt (2008) o marketing experiencial tem como base as emoções percebidas e vividas pelo consumidor no momento fundamental da compra e ressalta que felicidade e excitação, são algumas das emoções mais positivas entre as sensações que um produto ou experiência de compra podem provocar, diante disso compreende-se a importância de uma abordagem adequada, por exemplo, quando o promotor de vendas vai vivenciar um momento com o consumidor em seu último minuto de decisão e essa adequação, ou seja, o que o cliente espera somente será descoberta através de pesquisas. Na compra de produtos e serviços, os consumidores esperam benefícios não só experimentais, mas também pessoais, quando o cliente percebe sentimentos satisfatórios no ato da compra, nas propriedades do produto e no seu próprio uso (PETER, J. Paul; A. Gilbert; JR. Churchill, 2000). No que diz respeito ao ato da compra, direciona-se às sensações, satisfações e conhecimento do produto às ações promocionais, as quais proporcionam tanto o conhecimento do produto pelo consumidor, quanto o conhecimento do consumidor pela indústria, o que possibilitará uma análise do público e sua opinião sobre o produto e o fabricante. Constata-se então as ações promocionais como um diferencial competitivo capaz de despertar o interesse e a atitude de compra do consumidor, possíveis às pequenas indústrias diante da potente concorrência, quando soluções criativas e eficientes são adequadas às verbas disponíveis pelas pequenas indústrias, verbas estas comentadas por 56% (gráfico 9) das organizações pesquisadas como causa da não execução de ações promocionais. Diante do exposto compreende-se a falta de verba citada pelas pequenas indústrias como, na verdade, uma não percepção dos reais benefícios das ações promocionais para a efetivação e aumento das vendas, conhecimento, oportunidade de fidelização e conquista do mercado com condições competitivas igualitárias. 22 Caso não qual a causa? Falta de verba 11% 33% 0% Desconhece as vantagens 56% Não acha necessário Nunca cogitou Gráfico 9 – Pesquisa – Pequenas Indústrias no Recôncavo Baiano 23 CAPÍTULO III – Case 3.1 Maravilha Laticínios – Maralat: uma típica pequena indústria O SEBRAE define uma empresa de pequeno porte quando se constata uma quantidade entre dez e quarenta e nove pessoas ocupadas na organização, é o caso da Maravilha Laticínios – Maralat, uma pequena indústria fabricante de iogurtes, manteiga e bebida láctea, sediada no recôncavo baiano no município de Cruz das Almas / BA às margens da BR101, que conta atualmente com vinte e dois profissionais. A empresa possui uma gestão centralizada em um único proprietário, que se apresenta como multifuncional, exercendo, simultaneamente, inúmeras funções na fábrica como atendimento ao cliente, cobrança, retirada de pedidos, supervisão da produção, entre outras. A indústria está a doze anos no mercado e atende cerca de 40 cidades das proximidades segundo relato do proprietário Sr. Orlando Sampaio Passos Filho, e seu produto carro chefe, o iogurte Maravilha possui sabor e qualidade constatados pelos consumidores e garantidos pela indústria, característica de qualidade essa, que o proprietário ressalta não abrir mão e declara como seu grande diferencial. Porém observou-se que a indústria não se faz tão conhecida e ainda não desenvolveu todo seu potencial, apesar do tempo de mercado e diante da qualidade reconhecida do produto, segundo o próprio entrevistado Sr. Orlando, por falta de investimento promocional, alegando falta de verba, falta de verba esta que foi reclamada por 56% das pequenas indústrias entrevistadas durante pesquisa. A direção da Maralat acredita nas ações de promoção de vendas e merchandising como diferencial e ressalta a importância de bons profissionais de promoção, que apresentem abordagens adequadas como parte importante para a eficiência e eficácia das estratégias objetivando a competição, a divulgação do produto e a conquista do consumidor. CONCLUSÃO 24 As ações de promoção de vendas e merchandising no varejo são de fato, conforme constatado durante pesquisas, um grande diferencial diante desse mercado competitivo na busca da conquista e fidelização do consumidor. O exposto apresenta relatos que mostram um consumidor desejoso por inovações e que espera ser surpreendido com criatividade, além de necessitado de uma satisfação através da obtenção dos benefícios e valores agregados aos produtos. Conclui-se que falta conhecimento por parte das pequenas indústrias quanto às reais vantagens competitivas das ações promocionais e em contra partida, há uma grande e sensível receptividade quanto aos consumidores, que participam assiduamente e estão abertos às experiências que realmente venham a agregar e gerar satisfação. As pequenas indústrias em parceria com os varejos têm em suas mãos a faca e o queijo, prontos para serem servidos e, um cliente disposto a experimentar. A escolha do produto por esse público na hora da compra se dará mediante a criatividade e a forma como o queijo lhe será apresentado e oferecido no seu último minuto decisório. 25 REFERÊNCIAS ALVAREZ, Francisco Javier S. Mendizabal. Trade Marketing: a conquista do consumidor no ponto de venda. São Paulo: Saraiva, 2008. BLESSA, Regina. Merchandising no ponto de venda. São Paulo: Atlas, 2001 BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: Políticas e Estratégias. São Paulo: Saraiva, 2009. Cachaça Ganha Novos Consumidores. Revista SEBRAE Conexões Bahia. Salvador, n. 150, p. 7, Abr, 2006. FIEB. Disponível em: www.fieb.org.br. Acesso em: 05/Nov/2009. LIMA, Cláudio. Marketing II: Merchandising. Revista Gôndola. Belo Horizonte, n. 157, p. encarte, Nov, 2008. KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, implementação e controle. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. planejamento, ______. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 1998. LAS CASAS, Alexandre Luzzi.. Marketing de Varejo. - 4. ed. – São Paulo: Atlas, 2006. LIMEIRA, Tânia. Comportamento do Consumidor Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2007. MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Teoria geral da administração. São Paulo, Atlas, 2004. PETER, J. Paul; A. Gilbert; JR. Churchill. Marketing – Criando valores para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2000. ROBBINS, Stephen P. Administração: Mudanças e Perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2000. SCHMITT, Bernd. O cliente é pura emoção. Revista Super Varejo. São Paulo, v. 9, n. 91, p. 18 – 20, abr. 2008. SEBRAE. Disponível em: www.sebrae.com.br. Acesso em: 11/Nov/2009. ______. Disponível em: www.ba.sebrae.com.br. Acesso em: 04/Jan/2010. SIMONE, João de. Promoção de Vendas. São Paulo: Makron, 1997. 26 STEIN, Ademir S. A Arte de Vender Sonhos: como conquistar o cliente. São Paulo: Nobel, 2004. YANAZE, Mitsuru Higuchi. Gestão de Marketing e Comunicação: Avanços e Aplicações. São Paulo: Saraiva, 2006. ANEXOS 27 Índice de anexos Anexo 1 >> Questionários; Anexo 2 >> Graficos; Anexo 3 >> Imagens; 28 ANEXO 1 QUESTIONÁRIOS UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 29 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE Aluna: Mônica da Silva Machado dos Santos Matrícula: 46481 Curso: Especialização em Marketing ....................................................................................................................................... PESQUISA MONOGRÁFICA Dados da Empresa Razão Social da Indústria: _____________________________________________ Nome Fantasia: ______________________________________________________ CNPJ: _______________________ Segmento: __________________________ Nº de funcionários: _______ Município: __________________________ Entrevistado: __________________ Cargo: _____________________________ Questionamentos: 1. Já executou alguma ação de promoção de vendas e merchandising no varejo? ( ) Sim ( ) Não Caso sim: 2. Obtenção de resultados satisfatórios? ( ) Sim ( ) Não 3. O que levou a empresa a executar a estratégia? ( ) Competir com a concorrência ( ) Reativar um produto ( ) Bloquear a penetração da concorrência ( ) Acelerar as vendas ( ) Divulgar um novo produto ( ) Conquistar o consumidor 4. Que estratégia promocional utilizou? ( ) Sorteio ( ) Amostra grátis ( ) Concurso ( ) Brinde ( ) Degustação ( ) Outros Caso não: 5. Qual a causa? ( ) Falta de verba ( ) Desconhece as vantagens ( ) Não acha necessário ( ) Nunca cogitou UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 30 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE Aluna: Mônica da Silva Machado dos Santos Matrícula: 46481 Curso: Especialização em Marketing ....................................................................................................................................... PESQUISA MONOGRÁFICA Consumidor no Varejo Entrevistado(a): ______________________________________________________ Município: __________________________________________________________ Questionamentos: 1. Gosta de ser abordado(a) por promotores(as) de vendas? ( ) Sim ( ) Não 2. Dá preferência à produtos com benefícios extra? ( ) Sim ( ) Não 3. Já participou de alguma promoção de vendas? ( ) Sim ( ) Não 4. Caso sim, qual? ( ) Sorteio ( ) Amostra grátis ( ) Concurso ( ) Brinde ( ) Degustação ( ) Outros 5. Comunicação visual influencia sua compra? ( ) Sim ( ) Não 6. Ações promocionais definem sua decisão de compra? ( ) Sim ( ) Não ANEXO 2 GRÁFICOS 31 PESQUISA - PEQUENAS INDÚSTRIAS DO RECÔNCAVO BAIANO O que levou a empresa a executar a extratégia? 14% Bloquear a penetração da concorrência Reativar um produto 5% 14% 10% Competir com a concorrência Acelerar as vendas 57% 0% Divulgar um novo produto Conquistar o consumidor Gráfico 10 Que estratégia promocional utilizou? Sorteio 10% 0% 10% 14% Brinde Amostra grátis 42% Degustação 24% Concurso Outros Gráfico 11 ANEXO 3 IMAGENS 32 INSDÚSTRIA MARAVILHA LATICÍNIOS – MARALAT / SITE