DICAS DO ENEM ATUALIDADES TEMA 3: Saúde AUTORA: Lidiane Mariana Da Silva Gomes Mais próxima, para você ir mais longe. Atualidades Índice Este tema está localizado aqui! ENEM.2014 3.4. Vacina contra o vírus HPV 3.3. Saúde Pública 3.2. A polêmica do Projeto “Cura gay” 3.1. Bullyng 3. Saúde 4. Ambiente 4.1. Falta d’ água 4.2. Usina de Belo Monte 2.3. Manifestações 2.2. 50 anos do golpe militar 2.1. História das Eleições no Brasil 2. Política 1.2. Olimpíadas 2016 1.1. Copa do Mundo 2014 1. Grandes Eventos 5. Legislação 5.1. Redução da Maioridade penal 6. Internacional 6.1. Primavera Árabe 6.2. O programa nuclear iraniano 6.3. Espionagem americana 6.4. Extração de gás e petróleo de xisto TEMA 3: Saúde Autora: Lidiane Mariana Da Silva Gomes GOMES, Lidiane M. da Silva. Atualidades: Saúde. Valinhos, 2014. TEXTO E CONTEXTO Pag. 04 GLOSSÁRIO Pag. 15 VOCÊ ESTÁ PRONTO? Pag. 16 REFERÊNCIAS Pag. 18 GABARITO Pag. 20 © 2014 Kroton Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. TEXTO E CONTEXTO 3.1. Bullying: como surgiu? Foto: Wikimedia Commons Há alguns anos a palavra bullying entrou definitivamente no vocabulário de jovens e de adolescentes. O ambiente em que o ato mais aparece é na escola, onde grupos de estudantes agridem e são agredidos pelos seus pares. A palavra Bullying, que se tornou um conceito, uma ideia, é um termo proveniente da língua inglesa, bully, que quer dizer “valentão”. Aos valentões atuais são computadas todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e/ou repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente. Essas atitudes podem ser cometidas individualmente ou coletivamente, ou seja, podem ser cometidas por um ou mais indivíduos. 4 TEXTO E CONTEXTO Bullying: características da ação. Foto: Free images e Wikimedia Commons A principal característica do bullying é causar dor e/ou angústia ao intimidar ou agredir outra pessoa que não tem a possibilidade ou capacidade de se defender. Sem a existência de uma relação desigual de forças ou poder, não há bullying (CAMARGO, s/d). Para os estudiosos do assunto, é possível dividir o bullying em duas categorias. No bullying direto, os agressores são, na maioria das vezes, do gênero masculino. E no bullying indireto as agressões costumam ocorrer entre mulheres e crianças. Nesse caso, o isolamento social da vítima é uma das graves consequências, às vezes irreversíveis. As vítimas, em geral, sofrem porque temem os agressores, que incessantemente ameaçam ou realizam a violência, física ou sexual, ou mesmo a perda de bens permanentes ou de consumo, como, por exemplo, alimentos durante o recreio, dinheiro que a vítima é obrigada a entregar, etc. 5 TEXTO E CONTEXTO Bullying: onde ocorre? O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam. Outro ambiente muito propício são as universidades, que também favorecem o surgimento de valentões, mas ainda é possível que ocorra no ambiente familiar, de trabalho ou mesmo entre vizinhos. A ação se tornou um problema tão grande que muitas das violências, até mesmo as cometidas por adolescentes, tais como chacinas nas escolas, têm como histórico o assassino ter sofrido bullying pelos colegas. Esse foi o caso que ocorreu no Rio de Janeiro, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em 2011. Nessa ocasião, o jovem de 23 anos Wellinton Menezes de Oliveira disparou e matou 12 adolescentes. Em suas anotações foram encontradas passagens nas quais ele sofreu inúmeras agressões de seus colegas da época. Problemas psicológicos certamente se acumularam durante sua adolescência. Bullying: consequências para a vítima. Como o caso citado existem muitos outros, pois, as crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima. Podem adquirir problemas de relacionamento e ainda ter comportamento agressivo, chegando a matar ou cometer suicídio. Este assunto ainda é um problema porque é difícil estabelecer os limites da agressão momentânea e da prática do bullying. As escolas e os demais ambientes e os profissionais que neles trabalham não estão preparados para distinguir com clareza os limites entre as duas situações. Por outro lado, há uma tendência das escolas não admitirem ou não saberem da ocorrência do bullying entre seus alunos. Como saber se o Foto: Free images 6 TEXTO E CONTEXTO bullying está ocorrendo e como agir a partir da descoberta: negá-lo, enfrentá-lo ou combatê-lo? Esse tipo de agressão geralmente “ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente” (CAMARGO, s/d). O bullying é caracterizado pelos apelidos pejorativos usados para humilhar os colegas. As pessoas que testemunham, que vivem ou que realizam o bullying, normalmente convivem com a violência e silenciamse em razão de temerem tornarem-se as próximas a serem agredidas. Quando não ocorre uma intervenção efetiva contra o bullying, o ambiente fica contaminado e todos os alunos são afetados por sentimentos de medo e ansiedade. Bullying: consequências para o agressor. Os atos de bullying ferem princípios constitucionais, ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar e, mais importante, fere os direitos humanos de convivência e respeito. Por esses motivos, praticar bullying se tornou crime e o responsável pelo ato pode também ser enquadrado no Código de Defesa do Consumidor (quando realizado em escolas, o que indica a responsabilidade das autoridades escolares em relação ao bullying). 3.2. A polêmica do Projeto “Cura gay” - O que é o Projeto de Lei “Cura Gay”? Muitas pesquisas tentam compreender a origem da homossexualidade. O grande problema é que a resposta sempre dependeu muito do posicionamento pessoal de quem a buscava. Portanto, a grande pergunta do século XX foi: a homossexualidade é uma doença? Essa parece ser uma pergunta retrógrada para o século XXI, o século da liberdade. Ao mesmo tempo, sentimos que preconceitos de todas as formas ainda estão tão fortes quanto nos séculos passados. Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se posicionou contra essa questão. A OMS entendeu que a homossexualidade é uma variação natural da sexualidade humana e que não poderia ser considerada como condição patológica (RAMOS, 2013). Seguindo essa tendência, uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), de 1999, proibiu os profissionais de participarem de terapia para alterar a orientação sexual. Ou seja, os profissionais foram proibidos de tratar a homossexualidade como passível de ser modificada como se fosse um problema psíquico. Porém, em 2011, o deputado federal João Campos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Goiás, 7 TEXTO E CONTEXTO protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de Decreto Legislativo para derrubar a resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP). O deputado, em seu projeto parlamentar PDC 234/11, “[...] sustava a aplicação do parágrafo único do art. 3º e o art. 4º, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual” (RAMOS, 2013). Depois de algumas tentativas de votação, o projeto foi aprovado em junho de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O projeto tem como objetivo principal dar atendimento psicológico a homossexuais no intuito de “curá-los” e torná-los heterossexuais. Ao ser votada, a proposta recebeu apenas um voto contrário, que foi do deputado Simplício Araújo do Partido Popular Socialista (PPS-MA). Em seu discurso, o deputado foi contrário ao projeto e declarou que recorreria à Presidência da Câmara para anular a medida (FOREQUE; FALCÃO, 2013). Um mês depois, no dia 2 de julho, o deputado João Campos, do PSDB-GO, apresentou à Mesa da Câmara um requerimento em que pedia a retirada de tramitação da sua proposta na Casa, alegando que seu partido não era condescendente com a proposta do político. Por meio de nota pública o partido declarou que “inviabilizou, sumariamente, a possibilidade de sua aprovação” (FOREQUE; FALCÃO, 2013). O pedido foi atendido e todos votaram pelo arquivamento do projeto no mesmo dia. Todos os partidos, com exceção do PSOL, encaminharam favoravelmente à aprovação do requerimento. “O partido do deputado Jean Wyllys queria que fosse votado o mérito da proposição para que ela fosse rejeitada e não pudesse ser reapresentada nesta legislatura, que acaba no início de 2015”. (RAMOS, 2013). Mesmo com a desaprovação do partido, um novo projeto que previa a revogação de dispositivos de resolução do Conselho Federal de Psicologia foi entregue à Mesa da Câmara dois dias após o arquivamento do projeto antigo. Mas o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), indeferiu a proposta. Legalmente, não é possível, pelo Regimento Interno da Câmara, que um projeto que foi retirado de tramitação seja reapresentado quando do mesmo teor na mesma sessão legislativa, ou seja, no mesmo ano da retirada da proposição (RAMOS, 2013). “Cura Gay”: repercussão civil A reação da sociedade civil contrária ao projeto foi imediata. Segundo divulgação da Polícia Militar, no dia 21 de maio de 2014, em torno de 1.000 pessoas iniciaram uma passeata na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Outro movimento, dias depois, recebeu aproximadamente 300 pessoas na Avenida Paulista. A reação dos grupos civis favoráveis ao projeto também ocorreu na mesma velocidade, principalmente partindo dos grupos religiosos. As igrejas e seus representantes são contrários à homossexualidade por causa de suas crenças. 8 TEXTO E CONTEXTO Quando o projeto foi levado à votação, houve uma comoção daqueles que acreditam que a homossexualidade pode ser curada. Alguns políticos alegam que o projeto foi divulgado de forma preconceituosa fazendo a população se voltar contra o deputado que o criou. Segundo João Carlos Barreto: A repercussão que está dando na sociedade sobre o Projeto de “cura gay” do deputado federal João Campos está tendo o foco principal desviado. A questão maior não é se o homossexual vai ser curado com a psicologia ou não, o problema é o Conselho de Psicologia proibir a busca dos gays para uma possível cura na psicologia. [...] Em questão de tratamento, a porta deve estar aberta para quem busca e não ser sumaria e ditatorialmente proibido por qualquer categoria. A pessoa, gay ou não, tem o direito de buscar tratamento. Não cabendo a A, B ou C, dizer que sim ou não; pode ou não pode. Essa opção deve ser do paciente. O que o deputado João Campos fez foi colocar a opção na busca da cura do homossexualismo em lei [...]. (MARTINS, 2012). Essa argumentação vai de encontro ao ponto de vista mais aceito mundialmente: a homossexualidade não é uma doença e também é uma sexualidade normal. Logo, se não é doença, não tem como existir cura. O preconceito e a pressão de famílias e igrejas muitas vezes fazem com que pessoas homossexuais se sintam erradas e busquem essa pseudocura para serem aceitas, isso quando não acabam ocorrendo a quebra das relações familiares, a depressão e o suicídio. Seria mais saudável para todos buscar uma sociedade que aceite a diversidade de seus cidadãos, sem deixar que religiões e convicções de Foto: Wikimedia Commons 9 TEXTO E CONTEXTO foro íntimo interfiram na vida de pessoas que pensam e sentem de formas diferentes. 3.3. Saúde Pública Os problemas estruturais relativos à saúde também fizeram parte das manifestações que assolaram o país nos últimos dois anos. Situações agravantes de falta de atendimento ou de falta de material para o atendimento criaram tensões entre o povo e o poder público. Segundo o jornal O Estadão, a cidade de São Gonçalo do Rio Baixo, em Minas Gerais, que é muito próspera economicamente, sofre com a falta de hospitais. Seus habitantes precisam viajar para cidades mais próximas para obter atendimento médico. Essa cidade possui a mais importante mina de ferro da Vale do Rio Doce, mas não tem hospital. Muitos municípios menores estão sem atendimento, ou por falta de médicos, ou por falta de hospitais. Quando a mídia expõe tais situações, a explicação das prefeituras está sempre na má administração dos governos anteriores. O problema é que os pacientes não estão preocupados com essas desculpa, já que pagam e pagaram seus impostos a todos eles. Uma pesquisa divulgada pela agência de notícias Bloomberg em 19 de agosto, publicada pelo jornal virtual R7 Notícias, colocou o Brasil na última posição entre os sistemas de saúde do mundo inteiro. Essa pesquisa considerou nações que possuem população maior que 5 milhões de habitantes, que possuem Produto Interno Bruto (PIB) per capita superior a 5.000 dólares e que apresentam expectativa de vida maior que 70 anos. Dos 48 países que foram classificados nos critérios acima, o Brasil ficou na última posição da lista, atrás de países como Romênia, Peru e República Dominicana. Hong Kong, Cingapura, Japão e Israel são, respectivamente, os quatro primeiros colocados (R7 NOTÍCIAS, 2013). Muitos noticiários televisivos e a mídia impressa e virtual levantam informações necessárias para compreender por qual razão estamos vivendo essa situação caótica, já que somos o país que tem a mais alta arrecadação tributária do mundo. Uma das razões é que famílias brasileiras, e não o governo, financiam a maior parte das despesas de saúde no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 128 bilhões de reais gastos em 2007 vieram dos bolsos dos cidadãos enquanto 93 bilhões de reais vieram do setor público (VEJA, 2010). A grande questão aqui não são apenas os custos da saúde no Brasil. É o quanto ela é ruim tanto para o setor público quanto para o privado. De acordo com levantamento realizado junto a secretarias de saúde de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte e Curitiba), ao menos 171.600 pessoas estão na fila para fazer cirurgias que não possuem caráter emergencial (VEJA, 2010). Por isso, as pessoas podem ficar em lista de espera por mais de 5 anos. Se o atendimento quanto à demanda é ruim, a qualidade dos profissionais também é afetada. Os médicos que trabalham para o Sistema Único de Saúde (SUS) sofrem problemas de abastecimento de materiais e até mesmo com falta de profissionais. Por isso, alguns deles passam a 10 TEXTO E CONTEXTO trabalhar muitas horas a mais, diminuindo sua capacidade de tomadas de decisões quanto a diagnósticos. Os noticiários demonstram a quantidade de óbitos que acontecem por causa de diagnósticos equivocados e como os profissionais da saúde estão despreparados para as questões do dia a dia. Outro problema está relacionado à remuneração. De acordo com o Instituto Brasileiro para Estudo e Desenvolvimento do Setor de Saúde, a remuneração dos profissionais da área pública é metade da paga pelo setor privado. Uma equipe de seis profissionais recebe R$ 940 do SUS por cirurgia, enquanto receberia até R$ 13.500 dos planos de saúde (VEJA, 2010). A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já tentou negociar uma regulação mais estável dos preços dos planos, sem grandes resultados, pois as operadoras de saúde são empresas que realizam investimentos e também contraem despesas, precisando honrar suas contas a cada final de mês. O valor de seus serviços considera o custo de cada um e os preços de mercado. Saúde e protestos sociais de 2013 e 2014 Blogs, sites e redes sociais não cansam de denunciar descasos com a saúde. Esta foi uma das pautas das manifestações, mas, depois da Copa, o movimento perdeu força. Na cidade de Campinas, os grupos sociais autônomos convidaram as pessoas a participar de uma manifestação no dia 1º de agosto de 2014, no centro da cidade, mas não houve muita adesão. Programa Mais Médicos Foto: Rondon Vellozo – ASCOM/MS Uma das ações do governo federal foi a criação do Programa Mais Médicos, lançado em julho de 2013, ou seja, durante as primeiras manifestações. O objetivo do governo Dilma Rousseff foi suprir a carência de médicos e, portanto, aumentar a qualidade do atendimento nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. Em seu edital, o programa intenciona levar 15 mil médicos para as áreas onde faltam profissionais. Quando o formato do Programa foi lançado, o que incluiu a contratação de médicos de outros países para trabalhar no sistema público de saúde brasileiro, não teve grande apoio (MORAES, 2014). A mídia mostrava como os médicos que já atuavam na rede se manifestavam contra a ação governamental com receio de perder sues cargos e vagas de emprego. A sociedade civil e o Ministério do Trabalho lançaram duras críticas. O Programa apresenta dois momentos: o primeiro é contratar médicos, brasileiros ou estrangeiros, na rede 11 TEXTO E CONTEXTO Foto: Rondon Vellozo – ASCOM/MS pública de saúde de municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. Depois, o governo pretende estender o curso de medicina já existente em mais dois anos. Ambos os momentos têm como objetivo principal melhorar a qualificação dos profissionais e garantir que profissionais já capacitados permaneçam na rede, pois, como vimos, um dos principais concorrentes da rede pública é o bom salário pago aos profissionais da rede particular. A primeira fase foi destinada à inscrição de médicos formados no Brasil ou que já têm autorização para atuar no país, para trabalharem nos locais onde há poucos profissionais. Apenas 6% das vagas foram preenchidas por médicos brasileiros, mesmo após toda a reclamação inicial e de todos os protestos realizados ainda em 2013. Por isso, foram abertas as inscrições para médicos que atuam no exterior (FOLHA, 2013). Os médicos estrangeiros passaram três semanas sob avaliação de uma universidade antes de trabalhar e o governo custeou a passagem dos selecionados para o Brasil. O programa tem validade de três anos, sendo prorrogável por mais três, e a jornada de trabalho é de 40 horas semanais. Para esse sistema de trabalho, os médicos têm direito a uma bolsa de R$ 10 mil, paga pelo Ministério da Saúde (FOLHA, 2013). Além disso, os profissionais têm ajuda de custo para moradia e alimentação, de responsabilidade dos municípios, o que não vale para todas as nacionalidades. Enquanto os profissionais cubanos fazem parte de um regime de contratação diferenciado, os portugueses, argentinos e espanhóis se inscreveram voluntariamente no programa. Os cubanos atuam como prestadores de serviço de um pacote vendido pelo governo de Cuba ao Ministério da Saúde sob intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) (MORAES, 2013). O salário recebido por eles era inicialmente de US$ 1 mil (dólares) 12 TEXTO E CONTEXTO e era repassado ao governo de Cuba, que, por sua vez, repassava apenas 40% desse valor, ou seja, US$ 400 aos médicos, o que suscitou críticas de associações médicas e da oposição. No início de 2014, após abertura de uma investigação pelo Ministério Público do Trabalho, o Governo Federal anunciou que os médicos cubanos passariam a receber US$ 1245 (cerca de R$ 2900), além da ajuda de custo (MORAES, 2013). Desde março de 2014, os profissionais cubanos passaram a ter direito a US$ 845, sendo que os US$ 400 restantes serão repassados ao governo cubano. O ministro da saúde Arthur Chioro divulgou que o aumento não representou gasto a mais para o Brasil: “Não tem nenhum centavo a mais do governo brasileiro, é o mesmo recurso que agora passa a ser transferido [para o profissional] pelo governo cubano. O que houve foi uma negociação da presidenta Dilma com o governo cubano” (CALGARO, 2014). Mesmo com todas as críticas e também progressos, o Programa foi lançado e implantado conforme cronograma inicial. Os médicos cubanos já estão espalhados por todos os postos de saúde do interior. Pode ser que esse programa de melhoria do Sistema Público de Saúde no Brasil (SUS) tenha, de certa forma, recuperado a popularidade do Governo Dilma, tão desgastado pelos movimentos sociais dos últimos anos. 3.4. O que é Vírus HPV? O vírus HPV recebeu o nome de vírus do papiloma humano. O vírus é um condiloma acuminado, ou seja, uma verruga genital. Outros nomes popularmente usados são crista de galo, figueira ou cavalo de crista. Um grande problema é que o vírus é sexualmente transmissível. Portanto, faz parte das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) tão faladas nos meios escolares e no âmbito da saúde. Atualmente existem mais de 100 tipos de HPV, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), e muitos deles podem ser agentes causadores de câncer, principlamente na região do útero e do ânus. Por outro lado, em muitos casos pode ocorrer a infecção pelo HPV sem que haja a ocorrência do câncer. Forma de transmissão: - A principal forma de transmissão do vírus do HPV é pela via sexual. O contágio ocorre mesmo se a pessoa infectada não apresentar os sintomas. Visível ou não, a contaminação acontece, porém, quando a verruga é visível, o risco de transmissão é muito maior. Prevenção: - O uso da camisinha durante a relação sexual geralmente impede a transmissão do HPV. Uma vez contaminadas, mulheres transmitem o vírus para o bebê durante o parto. Um exame de prevenção de câncer ginecológico, o papanicolau, pode sinalizar alterações no colo do útero e deve ser feito rotineiramente por todas as mulheres. Quando a doença é diagnosticada precocemente, aumentam as 13 TEXTO E CONTEXTO chances de cura. No caso do HPV não é possível saber quanto tempo uma pessoa pode permanecer sem sintomas e também não se sabe quais motivos geram lesões. Por isso, a consulta médica é imprescindível. - Aconselha-se também evitar o tabagismo e o uso de drogas que podem interferir negativamente no sistema imunológico. Quanto mais frágil o sistema imunológico está, mais fácil ocorre a infecção por HPV. Tratamento: - Os tratamentos são diversos, mas como cada caso é específico, o mais indicado é procurar o ginecologista para iniciar o tratamento. Para a eliminação das verrugas, geralmente é usado o método da cauterização química ou elétrica e, em outras situações, pode ser recomendado o uso de cremes e medicamentos via oral com ação imunológica. Vacina contra HPV A vacina contra HPV tem eficácia comprovada para proteger mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus. Hoje, ela é utilizada como estratégia de saúde pública em 51 países, por meio de programas nacionais de imunização que já combatem há mais tempo essa doença (PORTAL BRASIL, 2014). Essa é uma medida necessária para um país que vem cada vez mais apresentando casos de câncer no colo do útero por causa dos tipos de HPV. As estimativas não são boas. O Dr. Dráuzio Varela estima que cerca de 30% das mulheres está atualmente contaminada por um dos tipos de vírus HPV. Mesmo assim, apenas 4% delas desenvolvem câncer de colo de útero. O especialista explica também que, na maioria dos casos, as lesões causadas são transitórias e combatidas espontaneamente pelo sistema imune sem maiores danos ao organismo. Diante dessa informação, neste ano ocorreu uma campanha de vacinação de adolescentes de 11 a 13 anos em todo o Brasil. A vacina deve ser distribuída em três doses: uma no primeiro, outra no segundo semestre e a terceira dose ocorrerá depois de cinco anos. Por isso, o Ministério da Saúde passou a ofertar a vacina no Sistema Único de Saúde (SUS), em 10 de março para a primeira dose. No primeiro semestre, 4,3 milhões de meninas nessa faixa-etária foram vacinadas, atingindo 87,3% do público-alvo – uma das maiores coberturas para essa vacina em todo o mundo (PORTAL BRASIL, 2014). As escolas e os postos de saúde fizeram parcerias para atingir a faixa estaria com eficiência maior. E no segundo semestre ocorreu o mesmo no 14 TEXTO E CONTEXTO mês de agosto de 2014. A vacina está disponível ainda para as meninas que não receberam a primeira dose e para receber a segunda é só levar a carteirinha de vacinação que comprova a primeira dose. A terceira dose está prevista para fevereiro de 2015. Em 2014, serão vacinadas as adolescentes do grupo de 11 a 13 anos. Mas, em 2015, a vacina passará a ser oferecida para as crianças de 9 a 11 anos. Portanto, tomar a vacina na adolescência é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. No entanto, ela não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais. GLOSSÁRIO Cauterização: processo de cauterizar. Normalmente, envolve o procedimento de queimar a área que deve ser cauterizada. Tabagismo: relacionado ao abuso do tabaco. Ato de fumar cigarro. Indeferiu: ato de não atender, de demonstrar posicionamento contrário, nesse caso, a uma nova proposta. 15 VOCÊ ESTÁ PRONTO? Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 É muito difícil medir e caracterizar os limites da violência pontual e o ato de bullying. Analise quais são as principais dificuldades nessa avaliação. Questão 2 Por que as escolas, local onde há mais incidência de bullying, não conseguem trabalhar tais questões com seus estudantes e diminuir esses casos? Questão 3 A discussão em torno do projeto “cura gay” ainda está longe de acabar. Discuta por quais razões algumas partes da sociedade não aceitam tal imposição. Questão 4 Sobre as manifestações relacionadas à saúde no Brasil, muitos pontos podem ser levantados. Elabore um texto que possa abarcar alguns pontos relevantes para a compreensão desse momento. 16 VOCÊ ESTÁ PRONTO? Questão 5 Aponte quais soluções podem ser sugeridas para a resolução do problema ou parte do problema. Questão 6 Qual é o real impacto dos protestos sobre a saúde nos dias atuais? Questão 7 Em relação ao Programa Mais Médicos, discuta seus benefícios e problemas, e como podemos classificá-lo nos dias atuais. Questão 8 Podemos perceber que quando alguns problemas se tornam emergenciais, o governo federal sanciona leis e abre editais que possam resolvê-los. A grande máquina governamental é movimentada com tanta rapidez que é difícil entender como outras questões demoram tanto para serem resolvidas. Pensando nisso, indique alguns motivos que agilizaram a máquina federal neste caso. Questão 9 Quais as prinicpais preocupações da sociedade médica e civil com o vírus HPV? Questão 10 Por que as escolas podem ser as principais aliadas na luta contra a disseminação do vírus? 17 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde amplia faixa etária da vacina contra o HPV. s/d. Disponível em: <https://ams.petrobras.com.br/portal/ams/beneficiario/ministerio-da-saude-amplia-faixa-etaria-da-vacina-contra-hpv. htm>. Acesso em: 28 set. 2014. CALGARO, Fernanda. Governo anuncia aumento no salário repassado aos médicos cubanos. 28 fev. 2014. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/02/28/governo-anuncia-aumento-no-salariorepassado-a-medicos-cubanos.htm>. Acesso em: 28 set. 2014. CAMARGO, Orson. Bullyng: o que é?. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/sociologia/bullying.htm>. Acesso em: 27 set. 2014. FOLHA. Aumenta a aprovação à contratação de médicos estrangeiros no Brasil. 12 ago. 2013. <http://www1.folha. uol.com.br/cotidiano/2013/08/1324760-aumenta-aprovacao-a-contratacao-de-medicos-estrangeiros-no-pais.shtml>. Acesso em: 28 set. 2014. FOREQUE, Flavia. FALCÃO, Marcio. Proposta sobre ‘cura gay’ é aprovada em Comissão presidida por Feliciano. In. Folha de São Paulo. 08/06/2013. 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Disponível em: <http://sao-paulo.estadao. com.br/noticias/geral,se-nao-falta-profissional-falta-hospital-pelo-brasil-imp-,1053233>. Acesso em: 28 set. 2014. 18 REFERÊNCIAS PORTAL BRASIL. Vacina contra HPV deve imunizar 4,9 milhões de meninas no país. 2 set. 2014. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/saude/2014/09/vacina-contra-hpv-deve-imunizar-4-9-milhoes-de-meninas-no-pais>. Acesso em: 28 set. 2014. PROJETO HPV. Disponível em: <http://www.hu.ufsc.br/projeto_hpv/hpv_e_cancer_do_colo_uterino.html>. Acesso em: 28 set. 2014. R7 NOTÍCIAS. Sistema de saúde brasileiro fica em último lugar no ranking mundial. Agosto 2013. Disponível em: <http://noticias.r7.com/saude/sistema-de-saude-brasileiro-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-mundialnbsp-31082013>. Acesso em: 28 set. 2014. RAMOS, Bruna. Entenda o projeto de “cura gay”. EBC, 2013. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/ cidadania/2013/06/entenda-o-projeto-de-cura-gay>. Acesso em: 28 set. 2014 VARELA, Dráuzio. HPV (papiloma vírus humano). s/d. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/mulher-2/hpvpapilomavirus-humano/>. Acesso em: 28 set. 2014. VEJA. Como curar o sistema púbico de saúde? Agosto 2010. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/ como-curar-o-sistema-publico-de-saude>. Acesso em: 28 set. 2014. VEJA. Evangélicos: veja como ocorre a suposta “cura gay” em templos em São Paulo. <http://veja.abril.com.br/blog/ ricardo-setti/politica-cia/vejam-como-se-da-a-suposta-cura-gay-em-igrejas-evangelicas/>. Acesso em: 28 set. 2014 19 GABARITO Questão 1 Resposta: Olá Aluno, para resolver esta questão você deve ter lido com atenção este material e perceber que o assunto é complexo. Após a leitura, você deverá ter a habilidade de comparar as opiniões e desenvolver um texto dissertativo, ou seja, com a inferência de opinião. Questão 2 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve a ter a habilidade de retirar informações do texto e inferir opinião. Questão 3 Resposta: Olá Aluno, para resolver esta questão você deve ter lido com atenção este material e perceber que o assunto é complexo. Após a leitura você deverá ter a habilidade de comparar as opiniões e desenvolver um texto dissertativo, ou seja, com a inferência de opinião. Questão 4 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter um conhecimento prévio das principais características dos movimentos relacionados à saúde. Por isso, a leitura deste texto é importante e indispensável. Questão 5 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter as habilidades de ler, interpretar, relacionar e comparar elementos e informações contidas no texto. Assim, você conseguirá criar um texto original, que é o que se pede. Questão 6 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter a habilidade de conhecer, comparar, separar informações, selecionar quais usar e organizar um texto. Questão 7 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter um conhecimento prévio do assunto tratado e inferir opinião. 20 GABARITO Questão 8 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter a habilidade de comparar informações e inferir opinião. Questão 9 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter lido com atenção este material. Após a leitura você deverá ter a habilidade de reconhecer informações em um texto. Questão 10 Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve a ter a habilidade de retirar informações do texto e inferir opinião. 21 Mais próxima, para você ir mais longe. unopar.br