DICAS DO ENEM
ATUALIDADES
TEMA 3:
Saúde
AUTORA:
Lidiane Mariana Da Silva Gomes
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você ir mais longe.
Atualidades
Índice
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ENEM.2014
3.4. Vacina contra o vírus HPV
3.3. Saúde Pública
3.2. A polêmica do Projeto “Cura gay”
3.1. Bullyng
3. Saúde
4. Ambiente
4.1. Falta d’ água
4.2. Usina de Belo Monte
2.3. Manifestações
2.2. 50 anos do golpe militar
2.1. História das Eleições no Brasil
2. Política
1.2. Olimpíadas 2016
1.1. Copa do Mundo 2014
1. Grandes Eventos
5. Legislação
5.1. Redução da Maioridade penal
6. Internacional
6.1. Primavera Árabe
6.2. O programa nuclear iraniano
6.3. Espionagem americana
6.4. Extração de gás e petróleo de xisto
TEMA 3:
Saúde
Autora: Lidiane Mariana Da Silva Gomes
GOMES, Lidiane M. da Silva. Atualidades: Saúde. Valinhos, 2014.
TEXTO E CONTEXTO
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GLOSSÁRIO
Pag. 15
VOCÊ ESTÁ PRONTO? Pag. 16
REFERÊNCIAS
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GABARITO
Pag. 20
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qualquer outro idioma.
TEXTO E CONTEXTO
3.1. Bullying: como surgiu?
Foto: Wikimedia Commons
Há alguns anos a palavra bullying entrou definitivamente no vocabulário de jovens e de adolescentes. O ambiente em
que o ato mais aparece é na escola, onde grupos de estudantes agridem e são agredidos pelos seus pares.
A palavra Bullying, que se tornou um conceito, uma ideia, é um termo proveniente da língua inglesa, bully, que quer
dizer “valentão”. Aos valentões atuais são computadas todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas,
intencionais e/ou repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente. Essas atitudes podem ser cometidas individualmente
ou coletivamente, ou seja, podem ser cometidas por um ou mais indivíduos.
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TEXTO E CONTEXTO
Bullying: características da ação.
Foto: Free images e Wikimedia Commons
A principal característica do bullying é causar dor e/ou angústia ao intimidar ou agredir outra pessoa que não tem a
possibilidade ou capacidade de se defender. Sem a existência de uma relação desigual de forças ou poder, não há
bullying (CAMARGO, s/d).
Para os estudiosos do assunto, é possível dividir o bullying em duas categorias. No bullying direto, os agressores são,
na maioria das vezes, do gênero masculino. E no bullying indireto as agressões costumam ocorrer entre mulheres e
crianças. Nesse caso, o isolamento social da vítima é uma das graves consequências, às vezes irreversíveis.
As vítimas, em geral, sofrem porque temem os agressores, que incessantemente ameaçam ou realizam a violência,
física ou sexual, ou mesmo a perda de bens permanentes ou de consumo, como, por exemplo, alimentos durante o
recreio, dinheiro que a vítima é obrigada a entregar, etc.
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TEXTO E CONTEXTO
Bullying: onde ocorre?
O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam.
Outro ambiente muito propício são as universidades, que também favorecem o surgimento de valentões, mas ainda é
possível que ocorra no ambiente familiar, de trabalho ou mesmo entre vizinhos.
A ação se tornou um problema tão grande que muitas das violências, até mesmo as cometidas por adolescentes, tais
como chacinas nas escolas, têm como histórico o assassino ter sofrido bullying pelos colegas. Esse foi o caso que
ocorreu no Rio de Janeiro, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em 2011. Nessa ocasião, o jovem de 23 anos Wellinton
Menezes de Oliveira disparou e matou 12 adolescentes. Em suas anotações foram encontradas passagens nas quais
ele sofreu inúmeras agressões de seus colegas da época. Problemas psicológicos certamente se acumularam durante
sua adolescência.
Bullying: consequências para a vítima.
Como o caso citado existem muitos outros, pois, as crianças ou
adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com
sentimentos negativos e baixa autoestima. Podem adquirir
problemas de relacionamento e ainda ter comportamento
agressivo, chegando a matar ou cometer suicídio.
Este assunto ainda é um problema porque é difícil
estabelecer os limites da agressão momentânea e da
prática do bullying. As escolas e os demais ambientes
e os profissionais que neles trabalham não estão
preparados para distinguir com clareza os limites entre
as duas situações.
Por outro lado, há uma tendência das escolas
não admitirem ou não saberem da ocorrência
do bullying entre seus alunos. Como saber se o
Foto: Free images
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TEXTO E CONTEXTO
bullying está ocorrendo e como agir a partir da descoberta: negá-lo, enfrentá-lo ou combatê-lo?
Esse tipo de agressão geralmente “ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou
inexistente” (CAMARGO, s/d). O bullying é caracterizado pelos apelidos pejorativos usados para humilhar os colegas.
As pessoas que testemunham, que vivem ou que realizam o bullying, normalmente convivem com a violência e silenciamse em razão de temerem tornarem-se as próximas a serem agredidas. Quando não ocorre uma intervenção efetiva
contra o bullying, o ambiente fica contaminado e todos os alunos são afetados por sentimentos de medo e ansiedade.
Bullying: consequências para o agressor.
Os atos de bullying ferem princípios constitucionais, ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause
dano a outrem gera o dever de indenizar e, mais importante, fere os direitos humanos de convivência e respeito.
Por esses motivos, praticar bullying se tornou crime e o responsável pelo ato pode também ser enquadrado no Código
de Defesa do Consumidor (quando realizado em escolas, o que indica a responsabilidade das autoridades escolares
em relação ao bullying).
3.2. A polêmica do Projeto “Cura gay” - O que é o Projeto de Lei “Cura Gay”?
Muitas pesquisas tentam compreender a origem da homossexualidade. O grande problema é que a resposta sempre
dependeu muito do posicionamento pessoal de quem a buscava. Portanto, a grande pergunta do século XX foi: a
homossexualidade é uma doença? Essa parece ser uma pergunta retrógrada para o século XXI, o século da liberdade.
Ao mesmo tempo, sentimos que preconceitos de todas as formas ainda estão tão fortes quanto nos séculos passados.
Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se posicionou contra essa questão. A OMS entendeu que a
homossexualidade é uma variação natural da sexualidade humana e que não poderia ser considerada como condição
patológica (RAMOS, 2013). Seguindo essa tendência, uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), de
1999, proibiu os profissionais de participarem de terapia para alterar a orientação sexual. Ou seja, os profissionais foram
proibidos de tratar a homossexualidade como passível de ser modificada como se fosse um problema psíquico.
Porém, em 2011, o deputado federal João Campos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Goiás,
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TEXTO E CONTEXTO
protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de Decreto Legislativo para derrubar a resolução do Conselho Federal
de Psicologia (CFP). O deputado, em seu projeto parlamentar PDC 234/11, “[...] sustava a aplicação do parágrafo único
do art. 3º e o art. 4º, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual”
(RAMOS, 2013). Depois de algumas tentativas de votação, o projeto foi aprovado em junho de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos
e Minorias da Câmara. O projeto tem como objetivo principal dar atendimento psicológico a homossexuais no intuito de
“curá-los” e torná-los heterossexuais. Ao ser votada, a proposta recebeu apenas um voto contrário, que foi do deputado
Simplício Araújo do Partido Popular Socialista (PPS-MA). Em seu discurso, o deputado foi contrário ao projeto e declarou
que recorreria à Presidência da Câmara para anular a medida (FOREQUE; FALCÃO, 2013).
Um mês depois, no dia 2 de julho, o deputado João Campos, do PSDB-GO, apresentou à Mesa da Câmara um requerimento
em que pedia a retirada de tramitação da sua proposta na Casa, alegando que seu partido não era condescendente com
a proposta do político. Por meio de nota pública o partido declarou que “inviabilizou, sumariamente, a possibilidade de
sua aprovação” (FOREQUE; FALCÃO, 2013). O pedido foi atendido e todos votaram pelo arquivamento do projeto no
mesmo dia. Todos os partidos, com exceção do PSOL, encaminharam favoravelmente à aprovação do requerimento.
“O partido do deputado Jean Wyllys queria que fosse votado o mérito da proposição para que ela fosse rejeitada e não
pudesse ser reapresentada nesta legislatura, que acaba no início de 2015”. (RAMOS, 2013).
Mesmo com a desaprovação do partido, um novo projeto que previa a revogação de dispositivos de resolução do
Conselho Federal de Psicologia foi entregue à Mesa da Câmara dois dias após o arquivamento do projeto antigo. Mas o
presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), indeferiu a proposta. Legalmente, não é possível,
pelo Regimento Interno da Câmara, que um projeto que foi retirado de tramitação seja reapresentado quando do mesmo
teor na mesma sessão legislativa, ou seja, no mesmo ano da retirada da proposição (RAMOS, 2013). “Cura Gay”: repercussão civil
A reação da sociedade civil contrária ao projeto foi imediata. Segundo divulgação da Polícia Militar, no dia 21 de maio
de 2014, em torno de 1.000 pessoas iniciaram uma passeata na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Outro
movimento, dias depois, recebeu aproximadamente 300 pessoas na Avenida Paulista.
A reação dos grupos civis favoráveis ao projeto também ocorreu na mesma velocidade, principalmente partindo dos
grupos religiosos. As igrejas e seus representantes são contrários à homossexualidade por causa de suas crenças.
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TEXTO E CONTEXTO
Quando o projeto foi levado à votação, houve uma comoção daqueles que
acreditam que a homossexualidade pode ser curada.
Alguns políticos alegam que o projeto foi divulgado de forma preconceituosa
fazendo a população se voltar contra o deputado que o criou. Segundo
João Carlos Barreto:
A repercussão que está dando na sociedade sobre o Projeto de “cura gay”
do deputado federal João Campos está tendo o foco principal desviado. A
questão maior não é se o homossexual vai ser curado com a psicologia ou
não, o problema é o Conselho de Psicologia proibir a busca dos gays para
uma possível cura na psicologia.
[...]
Em questão de tratamento, a porta deve estar aberta para quem busca
e não ser sumaria e ditatorialmente proibido por qualquer categoria. A
pessoa, gay ou não,
tem o direito de buscar tratamento. Não cabendo a A, B ou C, dizer
que sim ou não; pode ou não pode. Essa opção deve ser do paciente.
O que o deputado João Campos fez foi colocar a opção na busca da
cura do homossexualismo em lei [...]. (MARTINS, 2012).
Essa argumentação vai de encontro ao ponto de vista mais aceito
mundialmente: a homossexualidade não é uma doença e também
é uma sexualidade normal. Logo, se não é doença, não tem
como existir cura. O preconceito e a pressão de famílias e igrejas
muitas vezes fazem com que pessoas homossexuais se sintam
erradas e busquem essa pseudocura para serem aceitas,
isso quando não acabam ocorrendo a quebra das relações
familiares, a depressão e o suicídio. Seria mais saudável
para todos buscar uma sociedade que aceite a diversidade
de seus cidadãos, sem deixar que religiões e convicções de
Foto: Wikimedia Commons
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TEXTO E CONTEXTO
foro íntimo interfiram na vida de pessoas que pensam e
sentem de formas diferentes.
3.3. Saúde Pública
Os problemas estruturais relativos à saúde também
fizeram parte das manifestações que assolaram o país
nos últimos dois anos. Situações agravantes de falta de
atendimento ou de falta de material para o atendimento
criaram tensões entre o povo e o poder público. Segundo
o jornal O Estadão, a cidade de São Gonçalo do Rio Baixo,
em Minas Gerais, que é muito próspera economicamente,
sofre com a falta de hospitais. Seus habitantes precisam
viajar para cidades mais próximas para obter atendimento
médico. Essa cidade possui a mais importante mina de
ferro da Vale do Rio Doce, mas não tem hospital.
Muitos municípios menores estão sem atendimento, ou por
falta de médicos, ou por falta de hospitais. Quando a mídia
expõe tais situações, a explicação das prefeituras está
sempre na má administração dos governos anteriores. O
problema é que os pacientes não estão preocupados com
essas desculpa, já que pagam e pagaram seus impostos
a todos eles.
Uma pesquisa divulgada pela agência de notícias
Bloomberg em 19 de agosto, publicada pelo jornal virtual
R7 Notícias, colocou o Brasil na última posição entre
os sistemas de saúde do mundo inteiro. Essa pesquisa
considerou nações que possuem população maior que 5
milhões de habitantes, que possuem Produto Interno Bruto
(PIB) per capita superior a 5.000 dólares e que apresentam
expectativa de vida maior que 70 anos. Dos 48 países que
foram classificados nos critérios acima, o Brasil ficou na
última posição da lista, atrás de países como Romênia,
Peru e República Dominicana. Hong Kong, Cingapura,
Japão e Israel são, respectivamente, os quatro primeiros
colocados (R7 NOTÍCIAS, 2013).
Muitos noticiários televisivos e a mídia impressa e virtual
levantam informações necessárias para compreender por
qual razão estamos vivendo essa situação caótica, já que
somos o país que tem a mais alta arrecadação tributária
do mundo. Uma das razões é que famílias brasileiras, e
não o governo, financiam a maior parte das despesas de
saúde no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), os 128 bilhões de reais
gastos em 2007 vieram dos bolsos dos cidadãos enquanto
93 bilhões de reais vieram do setor público (VEJA, 2010).
A grande questão aqui não são apenas os custos da saúde
no Brasil. É o quanto ela é ruim tanto para o setor público
quanto para o privado. De acordo com levantamento
realizado junto a secretarias de saúde de sete capitais
(São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Fortaleza,
Belo Horizonte e Curitiba), ao menos 171.600 pessoas
estão na fila para fazer cirurgias que não possuem caráter
emergencial (VEJA, 2010). Por isso, as pessoas podem
ficar em lista de espera por mais de 5 anos.
Se o atendimento quanto à demanda é ruim, a qualidade
dos profissionais também é afetada. Os médicos que
trabalham para o Sistema Único de Saúde (SUS) sofrem
problemas de abastecimento de materiais e até mesmo
com falta de profissionais. Por isso, alguns deles passam a
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TEXTO E CONTEXTO
trabalhar muitas horas a mais, diminuindo sua capacidade
de tomadas de decisões quanto a diagnósticos.
Os noticiários demonstram a quantidade de óbitos que
acontecem por causa de diagnósticos equivocados e
como os profissionais da saúde estão despreparados para
as questões do dia a dia. Outro problema está relacionado
à remuneração. De acordo com o Instituto Brasileiro
para Estudo e Desenvolvimento do Setor de Saúde, a
remuneração dos profissionais da área pública é metade da
paga pelo setor privado. Uma equipe de seis profissionais
recebe R$ 940 do SUS por cirurgia, enquanto receberia
até R$ 13.500 dos planos de saúde (VEJA, 2010).
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já tentou
negociar uma regulação mais estável dos preços dos
planos, sem grandes resultados, pois as operadoras de
saúde são empresas que realizam investimentos e também
contraem despesas, precisando honrar suas contas a cada
final de mês. O valor de seus serviços considera o custo
de cada um e os preços de mercado.
Saúde e protestos sociais de 2013 e 2014
Blogs, sites e redes sociais não cansam de denunciar
descasos com a saúde. Esta foi uma das pautas das
manifestações, mas, depois da Copa, o movimento
perdeu força. Na cidade de Campinas, os grupos sociais
autônomos convidaram as pessoas a participar de uma
manifestação no dia 1º de agosto de 2014, no centro da
cidade, mas não houve muita adesão.
Programa Mais Médicos
Foto: Rondon Vellozo – ASCOM/MS
Uma das ações do governo federal foi a criação do
Programa Mais Médicos, lançado em julho de 2013, ou
seja, durante as primeiras manifestações. O objetivo do
governo Dilma Rousseff foi suprir a carência de médicos
e, portanto, aumentar a qualidade do atendimento nos
municípios do interior e nas periferias das grandes cidades.
Em seu edital, o programa intenciona levar 15 mil médicos
para as áreas onde faltam profissionais. Quando o formato
do Programa foi lançado, o que incluiu a contratação de
médicos de outros países para trabalhar no sistema público
de saúde brasileiro, não teve grande apoio (MORAES,
2014). A mídia mostrava como os médicos que já atuavam
na rede se manifestavam contra a ação governamental
com receio de perder sues cargos e vagas de emprego. A
sociedade civil e o Ministério do Trabalho lançaram duras
críticas.
O Programa apresenta dois momentos: o primeiro é
contratar médicos, brasileiros ou estrangeiros, na rede
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TEXTO E CONTEXTO
Foto: Rondon Vellozo – ASCOM/MS
pública de saúde de municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. Depois, o governo pretende estender
o curso de medicina já existente em mais dois anos. Ambos os momentos têm como objetivo principal melhorar a
qualificação dos profissionais e garantir que profissionais já capacitados permaneçam na rede, pois, como vimos, um
dos principais concorrentes da rede pública é o bom salário pago aos profissionais da rede particular.
A primeira fase foi destinada à inscrição de médicos formados no Brasil ou que já têm autorização para atuar no país, para
trabalharem nos locais onde há poucos profissionais. Apenas 6% das vagas foram preenchidas por médicos brasileiros,
mesmo após toda a reclamação inicial e de todos os protestos realizados ainda em 2013. Por isso, foram abertas as
inscrições para médicos que atuam no exterior (FOLHA, 2013). Os médicos estrangeiros passaram três semanas sob avaliação de uma universidade antes de trabalhar e o governo
custeou a passagem dos selecionados para o Brasil. O programa tem validade de três anos, sendo prorrogável por mais
três, e a jornada de trabalho é de 40 horas semanais. Para esse sistema de trabalho, os médicos têm direito a uma
bolsa de R$ 10 mil, paga pelo Ministério da Saúde (FOLHA, 2013). Além disso, os profissionais têm ajuda de custo para
moradia e alimentação, de responsabilidade dos municípios, o que não vale para todas as nacionalidades. Enquanto os
profissionais cubanos fazem parte de um regime de contratação diferenciado, os portugueses, argentinos e espanhóis se
inscreveram voluntariamente no programa. Os cubanos atuam como prestadores de serviço de um pacote vendido pelo
governo de Cuba ao Ministério da Saúde sob intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização
Mundial da Saúde (OPAS/OMS) (MORAES, 2013). O salário recebido por eles era inicialmente de US$ 1 mil (dólares)
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TEXTO E CONTEXTO
e era repassado ao governo de Cuba, que, por sua vez,
repassava apenas 40% desse valor, ou seja, US$ 400 aos
médicos, o que suscitou críticas de associações médicas
e da oposição.
No início de 2014, após abertura de uma investigação
pelo Ministério Público do Trabalho, o Governo Federal
anunciou que os médicos cubanos passariam a receber
US$ 1245 (cerca de R$ 2900), além da ajuda de custo
(MORAES, 2013). Desde março de 2014, os profissionais
cubanos passaram a ter direito a US$ 845, sendo que os
US$ 400 restantes serão repassados ao governo cubano.
O ministro da saúde Arthur Chioro divulgou que o aumento
não representou gasto a mais para o Brasil: “Não tem
nenhum centavo a mais do governo brasileiro, é o
mesmo recurso que agora passa a ser transferido [para
o profissional] pelo governo cubano. O que houve foi uma
negociação da presidenta Dilma com o governo cubano”
(CALGARO, 2014).
Mesmo com todas as críticas e também progressos, o
Programa foi lançado e implantado conforme cronograma
inicial. Os médicos cubanos já estão espalhados por todos
os postos de saúde do interior. Pode ser que esse programa
de melhoria do Sistema Público de Saúde no Brasil (SUS)
tenha, de certa forma, recuperado a popularidade do
Governo Dilma, tão desgastado pelos movimentos sociais
dos últimos anos.
3.4. O que é Vírus HPV?
O vírus HPV recebeu o nome de vírus do papiloma humano.
O vírus é um condiloma acuminado, ou seja, uma verruga
genital. Outros nomes popularmente usados são crista de
galo, figueira ou cavalo de crista. Um grande problema
é que o vírus é sexualmente transmissível. Portanto, faz
parte das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)
tão faladas nos meios escolares e no âmbito da saúde.
Atualmente existem mais de 100 tipos de HPV, segundo
a Agência Nacional de Saúde (ANS), e muitos deles
podem ser agentes causadores de câncer, principlamente
na região do útero e do ânus. Por outro lado, em muitos
casos pode ocorrer a infecção pelo HPV sem que haja a
ocorrência do câncer.
Forma de transmissão:
- A principal forma de transmissão do vírus do HPV é
pela via sexual. O contágio ocorre mesmo se a pessoa
infectada não apresentar os sintomas. Visível ou não,
a contaminação acontece, porém, quando a verruga é
visível, o risco de transmissão é muito maior.
Prevenção:
- O uso da camisinha durante a relação sexual geralmente
impede a transmissão do HPV. Uma vez contaminadas,
mulheres transmitem o vírus para o bebê durante o parto.
Um exame de prevenção de câncer ginecológico, o
papanicolau, pode sinalizar alterações no colo do útero e
deve ser feito rotineiramente por todas as mulheres. Quando
a doença é diagnosticada precocemente, aumentam as
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TEXTO E CONTEXTO
chances de cura. No caso do HPV não é possível saber quanto tempo uma pessoa pode permanecer sem sintomas e
também não se sabe quais motivos geram lesões. Por isso, a consulta médica é imprescindível.
- Aconselha-se também evitar o tabagismo e o uso de drogas que podem interferir negativamente no sistema imunológico.
Quanto mais frágil o sistema imunológico está, mais fácil ocorre a infecção por HPV.
Tratamento:
- Os tratamentos são diversos, mas como cada caso é específico, o mais indicado é procurar o ginecologista para iniciar
o tratamento. Para a eliminação das verrugas, geralmente é usado o método da cauterização química ou elétrica e, em
outras situações, pode ser recomendado o uso de cremes e medicamentos via oral com ação imunológica.
Vacina contra HPV
A vacina contra HPV tem eficácia comprovada para proteger mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso,
não tiveram nenhum contato com o vírus. Hoje, ela é utilizada como estratégia de saúde pública em 51 países, por meio
de programas nacionais de imunização que já combatem há mais tempo essa doença (PORTAL BRASIL, 2014). Essa é
uma medida necessária para um país que vem cada vez mais apresentando casos de câncer no colo do útero por causa
dos tipos de HPV. As estimativas não são boas.
O Dr. Dráuzio Varela estima que cerca de 30% das mulheres está atualmente contaminada por um dos tipos de vírus
HPV. Mesmo assim, apenas 4% delas desenvolvem câncer de colo de útero. O especialista explica também que, na
maioria dos casos, as lesões causadas são transitórias e combatidas espontaneamente pelo sistema imune sem maiores
danos ao organismo.
Diante dessa informação, neste ano ocorreu uma campanha de vacinação de adolescentes de 11 a 13 anos em todo
o Brasil. A vacina deve ser distribuída em três doses: uma no primeiro, outra no segundo semestre e a terceira dose
ocorrerá depois de cinco anos. Por isso, o Ministério da Saúde passou a ofertar a vacina no Sistema Único de Saúde
(SUS), em 10 de março para a primeira dose.
No primeiro semestre, 4,3 milhões de meninas nessa faixa-etária foram vacinadas, atingindo 87,3% do público-alvo –
uma das maiores coberturas para essa vacina em todo o mundo (PORTAL BRASIL, 2014). As escolas e os postos de
saúde fizeram parcerias para atingir a faixa estaria com eficiência maior. E no segundo semestre ocorreu o mesmo no
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TEXTO E CONTEXTO
mês de agosto de 2014. A vacina está disponível ainda para as meninas que não receberam a primeira dose e para
receber a segunda é só levar a carteirinha de vacinação que comprova a primeira dose. A terceira dose está prevista
para fevereiro de 2015. Em 2014, serão vacinadas as adolescentes do grupo de 11 a 13 anos. Mas, em 2015, a vacina
passará a ser oferecida para as crianças de 9 a 11 anos. Portanto, tomar a vacina na adolescência é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a
prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. No entanto, ela não substitui a realização do exame preventivo e nem
o uso do preservativo nas relações sexuais.
GLOSSÁRIO
Cauterização: processo de cauterizar. Normalmente, envolve o procedimento de queimar a área que deve ser cauterizada.
Tabagismo: relacionado ao abuso do tabaco. Ato de fumar cigarro.
Indeferiu: ato de não atender, de demonstrar posicionamento contrário, nesse caso, a uma nova proposta.
15
VOCÊ ESTÁ PRONTO?
Instruções
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla
escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.
Questão 1
É muito difícil medir e caracterizar os limites da violência pontual e o ato de bullying. Analise quais são as principais
dificuldades nessa avaliação.
Questão 2
Por que as escolas, local onde há mais incidência de bullying, não conseguem trabalhar tais questões com seus estudantes
e diminuir esses casos?
Questão 3
A discussão em torno do projeto “cura gay” ainda está longe de acabar. Discuta por quais razões algumas partes da
sociedade não aceitam tal imposição.
Questão 4
Sobre as manifestações relacionadas à saúde no Brasil, muitos pontos podem ser levantados. Elabore um texto que
possa abarcar alguns pontos relevantes para a compreensão desse momento.
16
VOCÊ ESTÁ PRONTO?
Questão 5
Aponte quais soluções podem ser sugeridas para a resolução do problema ou parte do problema.
Questão 6
Qual é o real impacto dos protestos sobre a saúde nos dias atuais?
Questão 7
Em relação ao Programa Mais Médicos, discuta seus benefícios e problemas, e como podemos classificá-lo nos dias
atuais.
Questão 8
Podemos perceber que quando alguns problemas se tornam emergenciais, o governo federal sanciona leis e abre editais
que possam resolvê-los. A grande máquina governamental é movimentada com tanta rapidez que é difícil entender
como outras questões demoram tanto para serem resolvidas. Pensando nisso, indique alguns motivos que agilizaram a
máquina federal neste caso.
Questão 9
Quais as prinicpais preocupações da sociedade médica e civil com o vírus HPV?
Questão 10
Por que as escolas podem ser as principais aliadas na luta contra a disseminação do vírus?
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde amplia faixa etária da vacina contra o HPV. s/d. Disponível em:
<https://ams.petrobras.com.br/portal/ams/beneficiario/ministerio-da-saude-amplia-faixa-etaria-da-vacina-contra-hpv.
htm>. Acesso em: 28 set. 2014.
CALGARO, Fernanda. Governo anuncia aumento no salário repassado aos médicos cubanos. 28 fev. 2014. Disponível
em: <http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/02/28/governo-anuncia-aumento-no-salariorepassado-a-medicos-cubanos.htm>. Acesso em: 28 set. 2014.
CAMARGO, Orson. Bullyng: o que é?. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/sociologia/bullying.htm>. Acesso
em: 27 set. 2014.
FOLHA. Aumenta a aprovação à contratação de médicos estrangeiros no Brasil. 12 ago. 2013. <http://www1.folha.
uol.com.br/cotidiano/2013/08/1324760-aumenta-aprovacao-a-contratacao-de-medicos-estrangeiros-no-pais.shtml>.
Acesso em: 28 set. 2014.
FOREQUE, Flavia. FALCÃO, Marcio. Proposta sobre ‘cura gay’ é aprovada em Comissão presidida por Feliciano. In.
Folha de São Paulo. 08/06/2013. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1297075-propostasobre-cura-gay-e-aprovada-em-comissao-presidida-por-feliciano.shtml>. Acesso em: 28 set. 2014
INFOESCOLA. O que é bullying?. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/sociologia/bullying.htm>. Acesso em:
27 set. 2014.
MARTINS, Dan. Cura Gay: projeto de Lei que fala de tratamento psicológico para homossexuais teria sido
propositadamente mal interpretado. 2012. Disponível em: <http://noticias.gospelmais.com.br/cura-gay-projeto-leipropositalmente-mal-interpretado-31173.html>. Acesso em: 28 set. 2014.
MORAES, Maurício. Dúvidas sobre chegada de médicos cubanos alimentam debate jurídico. BBC Brasil.
2 set. 2013. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130902_mais_medicos_
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O ESTADÃO. Senão falta profissional, falta hospital pelo Brasil. Julho 2013. Disponível em: <http://sao-paulo.estadao.
com.br/noticias/geral,se-nao-falta-profissional-falta-hospital-pelo-brasil-imp-,1053233>. Acesso em: 28 set. 2014.
18
REFERÊNCIAS
PORTAL BRASIL. Vacina contra HPV deve imunizar 4,9 milhões de meninas no país. 2 set. 2014. Disponível em:
<http://www.brasil.gov.br/saude/2014/09/vacina-contra-hpv-deve-imunizar-4-9-milhoes-de-meninas-no-pais>. Acesso
em: 28 set. 2014.
PROJETO HPV. Disponível em: <http://www.hu.ufsc.br/projeto_hpv/hpv_e_cancer_do_colo_uterino.html>. Acesso em:
28 set. 2014.
R7 NOTÍCIAS. Sistema de saúde brasileiro fica em último lugar no ranking mundial. Agosto 2013. Disponível em:
<http://noticias.r7.com/saude/sistema-de-saude-brasileiro-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-mundialnbsp-31082013>.
Acesso em: 28 set. 2014.
RAMOS, Bruna. Entenda o projeto de “cura gay”. EBC, 2013. Disponível em: <http://www.ebc.com.br/
cidadania/2013/06/entenda-o-projeto-de-cura-gay>. Acesso em: 28 set. 2014
VARELA, Dráuzio. HPV (papiloma vírus humano). s/d. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/mulher-2/hpvpapilomavirus-humano/>. Acesso em: 28 set. 2014.
VEJA. Como curar o sistema púbico de saúde? Agosto 2010. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/
como-curar-o-sistema-publico-de-saude>. Acesso em: 28 set. 2014.
VEJA. Evangélicos: veja como ocorre a suposta “cura gay” em templos em São Paulo. <http://veja.abril.com.br/blog/
ricardo-setti/politica-cia/vejam-como-se-da-a-suposta-cura-gay-em-igrejas-evangelicas/>. Acesso em: 28 set. 2014
19
GABARITO
Questão 1
Resposta: Olá Aluno, para resolver esta questão você deve ter lido com atenção este material e perceber que o assunto
é complexo. Após a leitura, você deverá ter a habilidade de comparar as opiniões e desenvolver um texto dissertativo,
ou seja, com a inferência de opinião.
Questão 2
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve a ter a habilidade de retirar informações do texto e inferir
opinião.
Questão 3
Resposta: Olá Aluno, para resolver esta questão você deve ter lido com atenção este material e perceber que o assunto
é complexo. Após a leitura você deverá ter a habilidade de comparar as opiniões e desenvolver um texto dissertativo, ou
seja, com a inferência de opinião.
Questão 4
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter um conhecimento prévio das principais características
dos movimentos relacionados à saúde. Por isso, a leitura deste texto é importante e indispensável.
Questão 5
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter as habilidades de ler, interpretar, relacionar e comparar
elementos e informações contidas no texto. Assim, você conseguirá criar um texto original, que é o que se pede.
Questão 6
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter a habilidade de conhecer, comparar, separar informações,
selecionar quais usar e organizar um texto.
Questão 7
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter um conhecimento prévio do assunto tratado e inferir
opinião.
20
GABARITO
Questão 8
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter a habilidade de comparar informações e inferir opinião.
Questão 9
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve ter lido com atenção este material. Após a leitura você
deverá ter a habilidade de reconhecer informações em um texto.
Questão 10
Resposta: Olá Aluno, para resolver essa questão você deve a ter a habilidade de retirar informações do texto e inferir
opinião.
21
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você ir mais longe.
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TEMA 3: Saúde AUTORA: Lidiane Mariana Da Silva Gomes