RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL NA GESTÃO PÚBLICA Kléberson Martins de Carvalho Raimunda Lúcia Costa Hidd Duse Maria Rebelo Lages da Silveira II Congresso Consad de Gestão Pública – Painel 56: Gestão do meio ambiente II RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL NA GESTÃO PÚBLICA Kléberson Martins de Carvalho Raimunda Lúcia Costa Hidd Duse Maria Rebelo Lages da Silveira RESUMO A adoção de uma política ambiental voltada à conservação dos recursos naturais tem se constituído numa das premissas básicas da administração da Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA, empresa de saneamento básico do Estado do Piauí. Essa nova visão administrativa está alicerçada no desenvolvimento de programas ambientais focados para o público interno e externo da empresa. Pois entendemos que o investimento em ações educativas seguido da introdução de novas práticas ambientalmente corretas no processo administrativo e operacional são ferramentas importantes para construção de um modelo administrativo centrado na minimização de custos com maximização de resultados sem perder o foco com a temática da preservação ambiental. Nesse sentido, temos atuado em três segmentos: 1) coleta de óleo comestível usado, junto aos grandes consumidores e clientes residenciais para transformação em biodiesel a ser utilizado na frota de veículos da empresa; 2) coleta seletiva do lixo administrativo nas unidades da empresa, e 3) promoção da educação ambiental sobre o uso racional da água e utilização do esgoto sanitário como elementos importantes para preservação ambiental dos mananciais. No desenvolvimento dessas ações se pretende observar respectivamente, relacionados à coleta do óleo – redução das obstruções nas redes coletoras de esgotos, provocadas pela acumulação de óleo usado na tubulação; melhor eficiência das lagoas no tratamento do esgoto e redução dos níveis de óleos e graxas nas amostras de água coletadas nos rios Poti e Parnaíba; redução do consumo de óleo diesel para atender a frota de veículos; reduzir as emissões de CO2 para atmosfera e redução do efeito estufa, e ainda no âmbito interno, antecipar e aumentar a meta de adição prevista por Lei para tornar-se obrigatório em 2013 de 5% de biodiesel ao diesel para 50% frente ao atual consumo na empresa. Relacionados à coleta seletiva do lixo – redução do volume de material descartado para o meio ambiente, promovendo a reutilização e reciclagem do papel, plástico, alumínio, ferro etc., contribuindo para preservação e redução da exploração de novas reservas naturais e desenvolvimento de uma política de logística reversa. Relacionados à educação ambiental – mudança de comportamento tanto nos empregados como clientes, através da incorporação de novos valores e hábitos, refletidos na redução do desperdício de água, percebidos na relação produção e consumo, bem como ainda na operacionalização do sistema de coleta e tratamento de esgotos. Para isso, a Diretoria reformulou o organograma criando uma Superintendência de Meio Ambiente, seguidas de Gerências e Coordenações para garantir a melhor gestão dos processos, além de investimentos em pessoal e equipamentos. 3 RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL NA GESTÃO PÚBLICA O século em que vivemos está caracterizado pela redução do ciclo de vida dos bens e obsolescência precoce, causada pela febre do lançamento de novos produtos que contribuem sensivelmente para o aumento dos rejeitos gerados pela sociedade. Conviver com o desenvolvimento das atividades humanas, o crescimento das cidades e o aumento do consumo de recursos naturais não-renováveis, serão sem sombra de dúvida um dos maiores desafios para humanidade no século XXI. Desde que o homem passou a produzir peças para promover seu conforto como: vasilhames de cerâmica, instrumentos para o plantio, roupas mais apropriadas. Começou também a desenvolver hábitos como construção de moradias, criação de animais, cultivo de alimentos, além de se fixar de forma permanente em um local. A produção de lixo consequentemente foi aumentando, mas ainda não havia se constituído em um problema mundial. Naturalmente, esse desenvolvimento foi se acentuando com o passar dos anos. A população humana foi aumentando e, com o advento da Revolução Industrial – que possibilitou um salto na produção em série de bens de consumo – a problemática da geração e descarte de lixo teve um grande impulso. Porém, esse fato não causou nenhuma preocupação maior: o que estava em alta era o desenvolvimento e não suas conseqüências. Entretanto, a partir da segunda metade do século XX iniciou-se uma reviravolta. A humanidade passou a preocupar-se com o planeta onde vive. Mas não foi por acaso: fatos como o buraco na camada de ozônio e o aquecimento global da Terra despertaram a população mundial sobre o que estava acontecendo com o meio ambiente. Nesse "despertar", a questão da geração e destinação final do lixo foi percebida mas, infelizmente, até hoje não vem sendo encarada com a urgência necessária. O lado trágico dessa história é que o lixo é um indicador curioso de desenvolvimento de uma nação. Quanto mais pujante for a economia, mais sujeira o país irá produzir. Ë o sinal de que o país está crescendo, de que as pessoas estão consumindo mais. O problema está ganhando uma dimensão perigosa por causa da mudança no perfil do lixo. Na metade do século, a composição do lixo era predominantemente de matéria orgânica, de restos de comida. Com o avanço da 4 tecnologia, materiais como plásticos, isopores, pilhas, baterias de celular e lâmpadas são presença cada vez mais constante na coleta. A solução defendida por muitos especialistas, porém, envolve a redução do volume de lixo produzido. Isso exigiria tanto uma mudança nos padrões de produção e consumo, quanto a implantação de programas de coleta seletiva de lixo. Nesse caso, os diversos materiais recicláveis devem ser separados antes da coleta, com a colaboração da comunidade. As principais causas da poluição do solo são: o acúmulo de lixo sólido, como embalagens de plástico, papel e metal, e de produtos químicos, como fertilizantes, pesticidas e herbicidas. O material sólido do lixo demora muito tempo para desaparecer no ambiente. O vidro, por exemplo, leva cerca de 5 mil anos para se decompor, enquanto certos tipos de plástico nunca se desintegram, pois são impermeáveis ao processo de biodegradação promovido pelos microorganismos. A poluição além de afetar o solo e dificulta seu cultivo. Nas grandes aglomerações urbanas, o principal foco de poluição do solo são os resíduos industriais e domésticos. O lixo das cidades brasileiras, por exemplo, contém de setenta e a oitenta por cento de matéria orgânica em decomposição e constitui uma permanente ameaça de surtos epidêmicos. O esgoto tem sido usado em alguns países para mineralizar a matéria orgânica e irrigar o solo, mas esse processo apresenta o inconveniente de veicular microrganismos patogênicos. Excrementos humanos podem provocar a contaminação de poços e mananciais de superfície. Os resíduos radioativos, juntamente com nutrientes, são absorvidos pelas plantas. Os fertilizantes e pesticidas sintéticos são suscetíveis de incorporar-se à cadeia alimentar. Fator principal de poluição do solo é o desmatamento, causa de desequilíbrios hidrogeológicos, pois em conseqüência de tal prática a terra deixa de reter as águas pluviais. Calcula-se que no Brasil sejam abatidos anualmente trinta mil quilômetros quadrados de florestas, com o objetivo de obter madeira ou áreas para cultivo. Outra grande ameaça à agricultura é o fenômeno conhecido como chuva ácida. Trata-se de gases tóxicos em suspensão na atmosfera que são arrastados para a terra pelas precipitações. A chuva ácida afeta regiões com elevado índice de industrialização e exerce uma ação nefasta sobre as áreas cultivadas e os campos em geral. 5 As soluções usadas para reduzir o acúmulo de lixo, como a incineração e a deposição em aterros, também têm efeito poluidor, pois emitem fumaça tóxica, no primeiro caso, ou produzem fluidos tóxicos que se infiltram no solo e contaminam os lençóis de água. A melhor forma de amenizar o problema, na opinião de especialistas, é reduzir a quantidade de lixo produzida, por meio da reciclagem e do uso de materiais biodegradáveis ou não descartáveis. O aterro sanitário é o modo mais barato de eliminar resíduos, mas depende da existência de locais adequados. Esse método consiste em armazenar os resíduos, dispostos em camadas, em locais escavados. Cada camada é prensada por máquinas, até alcançar uma altura de 3 metros. Em seguida, é coberta por uma camada de terra e volta a ser comprimida. É fundamental escolher o terreno adequado, para que não haja contaminação nem na superfície, nem nos lençóis subterrâneos. Além disso, o vazadouro deve ter boa ventilação. Os incineradores convencionais são fornos, nos quais se queimam os resíduos. Além de calor, a incineração gera dióxido de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio, dioxinas e outros contaminantes gasosos, cinzas voláteis e resíduos sólidos que não se queimam. É possível controlar a emissão de poluentes mediante processos adequados de limpeza dos gases. O homem já percebeu que a utilização indiscriminada ou inadequada dos recursos naturais poderá provocar o esgotamento das reservas com o passar dos anos, e ainda à destruição da vida no planeta não só pela exploração, mas também pela forma como tem tratado o destino final dos resíduos sólidos repugnados pela sociedade. Portanto, o desenvolvimento de uma sociedade sustentável alicerçado no equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação do meio ambiente consista na solução para que o homem volte a viver em harmonia com o planeta. Atualmente, a questão ambiental assume uma grande relevância estando relacionada a problemas como o aquecimento global, a utilização de recursos naturais não renováveis, a ocupação inadequada e a degradação dos solos agricultáveis, escassez, mau uso e poluição das águas dentre outros. A responsabilidade ambiental surge na tentativa de ajudar na busca por novos paradigmas de produção e consumo por meio de ferramentas que possibilitem a implementação de um sistema de gestão ambiental eficaz. Com o objetivo de conscientizar esta geração para que não se repitam os erros do passado quanto à degradação do meio ambiente é preciso buscar 6 alternativas que possam manter o equilíbrio do planeta. Uma das alternativas para alcançar essa estabilização pode ser através do desenvolvimento de uma consciência ambiental, fundamentada nos princípios da educação ambiental. A Educação Ambiental representa um instrumento essencial para superar os atuais impasses da nossa sociedade. A relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se tornam cada vez mais complexos e riscos ambientais que se intensificam. A educação ambiental desenvolvida no país é bastante diversificada e deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária. No entanto, é ainda muito restrita à presença dos órgãos governamentais, como articuladores, coordenadores e promotores de ações ambientais. O grande salto de qualidade tem sido dado pelas ONG e organizações comunitárias, que têm desenvolvido ações não-formais centradas principalmente em ações com a população infantil e juvenil. A lista de ações é interminável, e essas referências são indicativas de práticas inovadoras centradas na preocupação de incrementar a co- responsabilidade das pessoas em todas as faixas etárias e grupos sociais quanto à importância de formar cidadãos cada vez mais comprometidos com a defesa da vida. A administração dos riscos sócio-ambientais coloca cada vez mais a necessidade de ampliar o envolvimento público (sociedade e instituições públicas e privadas), através de iniciativas que possibilitem um aumento do nível de consciência ambiental, garantindo a informação e a consolidação institucional de canais abertos para a participação numa perspectiva pluralista, enfatizando os problemas ambientais que decorrem da desordem e degradação nas cidades, partindo da possibilidade de cada pessoa ser ator co-responsável pela defesa da qualidade de vida. Nesta ótica, observa-se que dentre as diversas formas de degradação nas cidades, que as mais impactantes têm sido os lançamentos “in natura” de resíduos líquidos e sólidos gerados das diversas atividades humanas nos ambientes aquático e terrestre. 7 Dentre os resíduos líquidos queremos dar ênfase aos óleos. Uma vez lançado diretamente nos mananciais de superfície, por ser mais leve que a água, este fica retido na superfície, criando uma barreira que dificulta a entrada de luz e a oxigenação da água (um litro de óleo contamina cerca de um milhão de litros de água (MOURA, 2006)), comprometendo assim, a base da cadeia alimentar aquática. Ademais, quando atinge o solo, o óleo tem a capacidade de impermeabilizá-lo, dificultando a penetração da água da chuva no mesmo, ou seja, facilitando a formação de grandes enchentes. O lançamento de resíduos orgânicos nos leitos de rios e lagos provoca à proliferação de microorganismos que contribuem para reduzir à quantidade de oxigênio na água causando a morte de peixes e de outros organismos aquáticos, muitas vezes culminando com a morte do próprio rio ou lago. Esse tipo de dano ambiental vem provocando a contaminação da água e de toda biota aquática, com sérios riscos para a saúde humana. Quando óleos e gorduras aparecem na rede de esgoto, além de gerar graves problemas de higiene e mau cheiro, causa o entupimento da mesma, bem como o mau funcionamento das estações de tratamento, acarretando elevação dos custos com a operacionalização do sistema e problemas ambientais. Procurando minimizar o impacto do descarte de óleo comestível usado, no meio ambiente e na saúde humana, algumas cidades brasileiras (Rio de Janeiro, Porto Alegre, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasília etc.) já vêm usando o óleo de cozinha para fabricar, sabões, vernizes, colas, tintas, ração para animais e na produção de biodiesel. No entanto, é oportuno ressaltar que, usar o óleo de cozinha para fabricar vernizes, cola e/ou tintas seria apenas uma maneira de retardar a chegada de alguns produtos derivados do mesmo ao meio ambiente. Usar o óleo de cozinha pós-uso na ração animal também não é recomendado, pois alguns produtos presentes no óleo saturado podem ser extremamente tóxicos, o que poderia causar sérios problemas aos animais e por conseqüência ao homem. Desta forma, a melhor maneira de aproveitar o óleo de cozinha usado é na produção de biodiesel, pois além de evitar uma série de problemas ambientais provocados pelo uso inadequado do mesmo, o biodiesel ao substituir o diesel reduz emissões de enxofre e de material particulado (responsáveis por chuvas ácidas e doenças respiratórias, respectivamente); de hidrocarbonetos e aromáticos 8 (cancerígeno); além de dióxido de carbono (CO2, gás do efeito estufa). No que concerne à redução da poluição decorrente de seu lançamento no ralo, evita metano (gás do efeito estufa, mais potente que o CO2). Além de tudo isso, a transformação do óleo de cozinha em biodiesel ainda é viavel economicamente, pois o biodiesel produzido a partir do óleo de cozinha (um litro de óleo saturado gera de 700 a 900 mL de biodiesel) sai em média 40 % mais barato, quando comparado com aquele produzido a partir do óleo de algumas oleaginosas (FERNANDES, 2008). Não fugindo do quadro da realidade das cidades brasileira, Teresina também enfrenta inúmeros problemas de poluição, inclusive da água. Por ser banhada por dois rios – o Parnaíba e o Poti – esta cidade vem contabilizando um passivo ambiental de saneamento básico ao longo de sua história, que de certa forma vem comprometendo o equilíbrio ambiental destes rios e a qualidade de vida de sua população, sobretudo, a ribeirinha. Somando-se a isso, muitos estabelecimentos comerciais (restaurantes, bares, lanchonetes, hotéis etc.) e residências lançam o óleo comestível (de cozinha) usado diretamente no ralo da pia, por conseguinte, é conduzido diretamente para os rios ou rede coletora de esgotos. Seguindo essa tendência, um novo tipo de empresa tem surgido no cenário internacional. Socialmente responsável e preocupada com as questões ambientais, estas organizações incluem em seus planejamentos estratégicos questões muito mais abrangentes do que as tradicionais metas econômicofinanceiras. Com o objetivo de mudar esse cenário ambiental local, a adoção de uma política ambiental voltada à conservação dos recursos naturais, tem se constituído numa das premissas básicas da administração da Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA, empresa de saneamento básico do Estado do Piauí, que de forma incessante, tem nos últimos anos assumido um papel muito importante na sociedade piauiense como também mundial, junto às questões relacionadas à preservação do meio ambiente e, sobretudo, dos recursos naturais renováveis. Considerando que o produto final produzido e distribuído “a água”, advém dos mananciais de superfícies e subterrâneos. Para tanto, uma nova visão administrativa foi implantada, tendo como alicerce o desenvolvimento de programas ambientais focados para o público interno e externo da empresa. 9 Investimentos em ações educativas seguido da introdução de novas práticas ambientalmente corretas no processo administrativo e operacional se tornaram ferramentas importantes para construção de um modelo administrativo centrado na minimização de custos com maximização de resultados sem perder o foco com a temática da preservação ambiental uma vez que a preservação dos recursos naturais assegurará a existência das futuras gerações. Nesse sentido, como parte do desenvolvimento da política ambiental a empresa criou o Programa Água Pura, que consiste na reunião de vários projetos de natureza ambiental, de iniciativa dos seus empregados voltado à preservação dos recursos naturais e em especial da água. A idéia é promover simultaneamente a educação da sociedade com a introdução de novos hábitos; apoio ao surgimento de tecnologias limpas, conservação dos recursos naturais e reaproveitamento dos resíduos, fomentando a logística reversa de materiais. Entre esses, queremos destacar neste trabalho as experiências da coleta do óleo comestível usado, titulado como projeto “Não jogue óleo no ralo”, o projeto de coleta seletiva do lixo e o projeto de educação ambiental nas escolas e comunidades. Entendendo que a busca por alternativas ecologicamente corretas e socialmente justas, como o reaproveitamento do óleo de cozinha usado, podem possibilitar o resgate da qualidade ambiental, sobretudo dos rios Parnaíba e Poti, a AGESPISA vem realizando o recolhimento desse óleo para transformação em biodiesel. Para estimular a participação da sociedade, a empresa criou o “Vale Água”, que se constitui num desconto na fatura de água do mês subseqüente, no valor de R$ 0,30 (trinta centavos) por cada litro de óleo coletado. A metodologia do trabalho realizado inicia-se com o cadastramento dos fornecedores (bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis, pastelarias, supermercados etc.) e entrega do tambor com capacidade de 43 litros, no estabelecimento cadastrado. Quando cheio, o proprietário ou responsável solicita o recolhimento do material através do serviço telefônico 08000 ou e-mail à Coordenação do projeto para inclusão do estabelecimento no roteiro de coleta no dia seguinte, que é realizado em veículo próprio destinado para atender somente aos grandes fornecedores. Durante a coleta junto ao fornecedor, é feito à medição do volume coletado e emitido um recibo no valor correspondente (0,30 x qtd. de litros coletado). 10 No final do serviço de coleta o material e transportado para o depósito da usina onde vai ser purificado e transformado em biodiesel para atender a frota de veículos da empresa. E os dados da coleta são repassados para Coordenação do projeto para implantar o desconto. A coleta do óleo também e realizada nos Postos de Atendimento da empresa espalhados na cidade, que atuam na recepção do óleo coletado pela população em geral. Daí por diante, o procedimento é o mesmo, efetua-se o desconto e quando acumulado um volume significativo de óleo junto ao Posto de Atendimento, o responsável contacta com a Coordenação para efetuar a coleta. Esse projeto além de realizar o recolhimento e transformação do óleo em biodiesel, promove o desenvolvimento de outras atividades sócio-educativas junto às comunidades, uma vez que no processo de transformação é gerado um subproduto chamado glicerina líquida. A Glicerina é a matéria-prima utilizada na produção de sabonete e sabões. Com isso, é possível se trabalhar a realização de oficinas de capacitação com integrantes de associações organizadas com o intuito de fomentar a geração de emprego e renda nas famílias carentes, promovendo sua inclusão social. Desde sua implantação em maio/08, o projeto já conta com a participação de mais de 200 pontos cadastrados, e já forma coletados mais de 43.000 litros de óleo. Até o final do mês de julho/08 está prevista a inauguração da Usina. A AGESPISA também por meio da implantação do Gerenciamento dos Resíduos Sólidos procura contribuir para redução da exploração dos recursos naturais, poluição do solo, da água e do ar, gastos com limpeza urbana, e ainda gerar oportunidades de fortalecer organizações que reciclam os resíduos sólidos oriundos da coleta seletiva, assim como prolongar a vida útil do aterro sanitário municipal de Teresina. Tecnicamente, a reciclagem pode ser definida como uma forma de tratamento dos resíduos que contribui para a minimização dos impactos causados pela sua disposição final no ambiente. Por este método, diversos materiais que seriam enterrados retornam ao ciclo de vida como matéria-prima de outro produto. De acordo com Ogata (1999), entre os principais benefícios desta atitude estão: (1) a diminuição de áreas reservadas ao destino final, aterros e lixões; (2) a redução da exaustão dos recursos não renováveis; (3) economia de energia e água ao poupar matéria-prima virgem. 11 Para tanto, a empresa vem implantando um Sistema de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em suas unidades administrativas, tendo iniciado pelo edifício sede e já expandido para outros distritos. Esse sistema segue uma linha de planejamento que se inicia no acondicionamento dos resíduos em contêineres temporários distribuídos nos cinco andares da empresa. São três contêineres discriminados em três cores, em que cada um representa um tipo de resíduo diferente. O azul para papel, o vermelho para plástico e o marrom para lixo orgânico. Além dos contêineres temporários, existem também os contêineres de armazenamento externo que estão localizados no pátio da empresa, esses quando cheios são coletados e translocados para “Casa de Lixo”, uma área hermética, onde ficam contidos os resíduos sólidos. Esses contêineres totalizam quinze unidades, e estão divididos em três grupos. Cada grupo contendo cinco contêineres de cores diferentes onde cada um representa um tipo de resíduo. Em razão do edifício sede possuir três blocos, na área do pátio cada bloco tem um conjunto de cinco contêineres. A cor azul para papel, o vermelho para plástico, o marrom para lixo orgânico, o verde para vidro e o amarelo para metal. Quando satura-se a capacidade da “Casa do Lixo” os resíduos são coletados e transportados por um caminhão da empresa, até o local de destino final dos resíduos onde são vendidos. Esses locais são empresas de pequeno porte que comercializam produtos recicláveis revendendo para outros estados que beneficiam a matéria. O acompanhamento desse Sistema de Gerenciamento de Resíduos Sólidos é feito pela Gerência de Gestão Ambiental que dentre suas diversas atribuições têm a incumbência de operacionalizar esse Sistema. No total participam desse projeto 07 empregados lotados no edifício sede, 03 no Morro do São João, 02 no Distrito do Parque Piauí e 01 na Estação de Tratamento de Água. A venda dos resíduos conta com a participação na venda de um Tecnólogo em Gestão Ambiental e três empregados da limpeza que participam diretamente do Projeto. Vale ressaltar, que a empresa possui uma tabela de rodízio que indica qual funcionário vai participar da venda. O Tecnólogo Ambiental é o responsável pela contabilização da venda dos resíduos e prestação de contas com a Gerência, após o retorno à empresa. 12 Após comercialização a AGESPISA não possui mais nenhum vínculo com os resíduos vendidos, e fica a critério do comprador da um destino final aos resíduos adquiridos. Os compradores são empresas que pesam os resíduos e pagam um valor correspondente para cada tipo de material, logo em seguida os resíduos são prensados em prensas hidráulicas e vendidos a empresas recicladoras instaladas em Fortaleza-CE e São Luís-MA dentre outras. No fim de cada ano o dinheiro arrecadado com a venda dos Resíduos Sólidos é dividido entre os empregados diretamente ligados ao Sistema de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos da empresa. A Gerente juntamente com o Superintendente de Meio Ambiente fazem a entrega do dinheiro, numa reunião onde na oportunidade são apresentados os dados relativos a atividade realizada no decorrer do ano. Com isso, a empresa procura estimular e fortalecer a participação dos empregados que atuam no projeto de gerenciamento dos resíduos sólidos. Os dados são tabulados e arquivados para compor os relatórios anuais, onde é computado o tipo de material vendido, a quantidade e o valor de venda. Nesse processo foi possível identificar os materiais mais descartados, tendo ocupado em primeiro lugar o papel branco e o papelão, seguido do plástico. O trabalho da coleta seletiva ao longo dos anos de 2005 a 2007 apresentou uma crescente evolução, com significativa queda no ano de 2008, supostamente atribuído à redução do consumo e reutilização de alguns materiais como o papel branco. QUANTIDADE (KG) DE RESÍDUOS SÓLIDOS VENDIDOS DE 2005 A 2008 7.000 5.894,75 QUANTIDADE (KG) 6.000 5.000 4.000 2.718,75 3.000 2.000 2.176,65 1.469 1.000 0 2005 2006 2007 ANO Fonte: GESPISA 2008 13 VALOR (R$) VALORES ARRECADADOS COM A VENDA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DE 2005 A 2008 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 860,17 263,65 292,86 2005 2006 351,05 2007 2008 ANO Fonte: GESPISA Associado ao desenvolvimento dessas ações pontuais a AGESPISA procura ainda, através da Gerência de Serviço Social e Educação Ambiental executar um projeto de educação ambiental nas escolas e comunidades, voltado para sensibilização da população dos efeitos negativos que uma má gestão das águas pode trazer ao meio ambiente e a sociedade. Neste contexto a empresa vem desde 2005, desenvolvendo um projeto continuado em parcerias com escolas, organizações comunitárias e instituições em geral para realização de palestras educativas. Com isso a empresa espera contribuir para incorporação de novos valores na sociedade. A metodologia adotada consiste na distribuição de material informativo, promoção de concurso de cartazes e redação, utilizando temas ambientais da atualidade a fim de estimular a comunidade infanto-juvenil a construir um pensamento pautado principalmente, na preservação dos recursos naturais. Somando-se a isso, também são utilizados teatro de bonecos em atividades temáticas nas escolas de um modo geral, além de visitações às Estações de Tratamento de Água – ETA e Estações de Tratamento de Esgotos – ETE. No período de 2005 a 2008 foram realizadas 310 palestras contemplando um público de cerca de 61.000 pessoas na capital e interior do Estado. Dessa forma, a AGESPISA tem procurado por meio da execução dos projetos elencados neste trabalho, desenvolver uma melhor integração na gestão dos recursos naturais, economia, tecnologia, sociedade e política, associados à 14 incorporação de novos valores na sociedade, que servirão de alicerce para a formação de uma sociedade caracterizada pela responsabilidade sócio-ambiental. Neste sentido, a adoção de uma política ambiental que promova simultaneamente: a educação da população, incorporação de novos hábitos; apoio ao surgimento de tecnologias limpas, conservação dos recursos naturais e reaproveitamento dos resíduos, através de uma logística reversa, somada as iniciativas individuais de natureza pública e privada, tem sido o melhor caminho para equacionar o crescimento desenfreado da sociedade de consumo frente às limitações do planeta. ___________________________________________________________________ AUTORIA Kléberson Martins de Carvalho – Geógrafo, especializado em Ciências Ambientais e funcionário da empresa de Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA, há 17 anos; responde atualmente pela Superintendente de Meio Ambiente, coordenando o desenvolvimento de vários projetos na área ambiental. Filiação Institucional: Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA. Endereço eletrônico: [email protected] Raimunda Lúcia Costa Hidd – Bióloga, especializada em Ciências Ambientais e funcionária da empresa de Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA, há 24 anos; ocupou vários cargos de Gerência na área do Controle de Qualidade da Água, atuou como Superintendente de Meio Ambiente. É membro do Núcleo Estadual do Programa Água Doce no Estado do Piauí. Filiação Institucional: Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA. Endereço eletrônico: [email protected] Duse Maria Rebelo Lages da Silveira – Assistente Social, especializada em Gestão Empresarial pela FGV. É funcionária da empresa de Águas e Esgotos do Piauí S/A, há 21 anos, já ocupou o cargo de Gerente Administrativo e atualmente é Gerente de Serviço Social e Educação Ambiental, onde coordena a execução de projetos técnicos-socioambientais. Filiação Institucional: Águas e Esgotos do Piauí S/A – AGESPISA. Endereço eletrônico: [email protected]