NA ÁGUA DO TEMPO E DE PROFUNDIS, VALSA LENTA: PACTO ENTRE ESCRITA E
MEMÓRIA
Maria de Lourdes Ferrari Horta
PUCRS
O presente estudo pretende analisar os textos Na água do tempo, de
Luísa Dacosta, e De profundis, valsa lenta, de José Cardoso Pires,
buscando, através do relato do narrador, as impressões de sua memória.
Para tanto serão observadas a construção, a verossimilhança narrativa na
ficção, com suas recordações mais significativas e o tempo da memória
como jogo sutil entre passado e presente recriado pelas experiências e
percepções do narrador.
O laço indissociável entre a experiência e sua reelaboração em
qualquer texto narrativo, enquanto abertura para revivificar e ao mesmo
tempo recriar o vivido, é central para análise de textos autobiográficos.
Neles, o que está em jogo é a existência narrada, tensão permanente entre
as forças organizadoras da ordem e da concordância e as forças da
discordância, do caos, da surpresa, do inesperado do destino. A identidade
narrativa constitutiva do sujeito permite apreendê-lo na mudança, incluindo a
mutabilidade da coesão de uma vida. A noção de identidade narrativa supõe
um processo estrutural formador do que Paul Ricoeur1 denomina ipseidade,
compreendida como a identidade de um si mesmo relacional e, portanto,
marcado pela abertura de um ser afetado pelo mundo, em contraste com
uma identidade fixa do mesmo.
A articulação identitária no sentido da ipseidade se daria de modo
privilegiado a partir de narrativas pessoais ou históricas, dando conta dos
processos de mútua constituição entre o sujeito e suas relações no mundo.
Nos
textos
biográficos,
inscrevem-se
os
diversos
recursos
e
abordagens para a análise de autobiografias, diários e trajetórias de vida.
2
Esses relatos narrativos deixam de ser produções individuais e factuais e
evidenciam a interpenetração entre sujeito e história, bem como entre os
acontecimentos e sua reconfiguração na construção de vidas narradas.
Então, segundo Pierre Bordieu2, não está em foco uma recuperação de
dados biográficos de cunho individualista e psicológico, mas, sim, a
reconstrução, através dos relatos, da história e cultura de determinado grupo,
ou, ainda, das forças que constituem um campo social.
O sujeito da autobiografia, ao narrar sobre si mesmo, localiza-se em
relação a outras narrativas, participando de um diálogo mais amplo com
outros campos ou contextos sociais. Ele destaca suas experiências de vida
no contexto de sua produção pela interação social, e enfatiza o modo como
elas são interpretadas e sedimentadas no curso dessa interação. O relato
biográfico como ato narrativo, proporciona ao sujeito sempre uma nova
oportunidade de se apresentar, recontar e reposicionar-se, tecendo sua
história, sob os limites da discordância do destino, do tempo e do
desconhecimento de si mesmo. A auto-invenção desse sujeito traz consigo a
invenção do Outro, das relações de alteridade e, portanto, da identidade
narrativa de um campo intersubjetivo e cultural determinado.
De profundis, valsa lenta tem como prefácio uma carta de João Lobo
Antunes onde declara ter recebido os escritos de José Cardoso Pires sobre o
novo livro que iria publicar. Nessa introdução, Lobo Antunes, que é
neurocirurgião, explica o mecanismo clínico do acontecido, um acidente
vascular grave, que, em geral, deixa os doentes com seqüelas para o resto
da vida, desde disfunções nos órgãos externos (face, mãos e pés) até à
perda da visão, da fala e da memória. Sobre ele, Lobo Antunes3 afirma:
Livro inclassificável este: não é romance, não é novela, não é
conto, não é ensaio, não é documento, não é testemunho, não é
relato: é tudo isso não é nada disso, uma escrita a pulso firme no puro
gume, no limite da técnica, jogo de pôquer aberto ganho contra o leitor
com todas as cartas à mostra, seqüência de bilhar às três tabelas
numa exata, fascinante geometria de palavras.
1
RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro. São Paulo: Papirus, 1991, p. 14.
BORDIEU, Pierre. Razões práticas sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 1996, p. 139-140.
3
ANTUNES, Antonio Lobo. Da morte com humor. O espanto oferecido. In: Revista Visão, Lisboa, 15 de
maio, 1997, p. 102.
2
3
Para ele, quando pensamos em um narrador pensamos em alguém
capaz de prever o passado e lembrar-se do futuro. Essas são as duas
premissas essenciais do trabalho do escritor, o segredo da ficção. No
entanto, o que José Cardoso Pires faz aqui é um revelador hibridismo de
gêneros, que torna difícil a classificação.
O texto é sobre a escrita do eu, que se reveste de um duplo fascínio: o
da percepção desse eu, enigmático e o desvendamento de uma escrita por
ele produzida. O uso do pronome em primeira pessoa legitima a
possibilidade de uma escolha, mas o sujeito não existe sem o mundo, em
virtude da índole construtiva do existir. Trata-se, antes de tudo, de um ato de
consciência, um exercício espiritual que, recapitulando o espaço e tempo do
ser, recapitula o espaço e o tempo da humanidade, contribuindo para a
elaboração de uma história individual e coletiva.
De Profundis, valsa lenta poderia caber no gênero memorialíastico, já
que o estrato semântico se sobrepõe ao técnico-compositivo e os
acontecimentos evocados são presentificados pelo recurso à lembrança,
logo, à memória. O eu que narra mantém com o eu narrado, que é também
um outro, uma relação de tal forma próxima que a narração, naturalmente
ulterior, não aparenta distanciamento. O exercício de concentração na
narração do eu é levado ao extremo que se dilui na experiência desse eu, o
que confere à obra um caráter excepcional tanto em termos de construção
narrativa quanto em termos de conteúdo.
O narrador relata uma experiência vivida pelo eu narrado que, por sua
vez, sentiu-se desdobrado no eu e no outro que eram, afinal, um só, sendo,
desse modo, recorrente o uso quer da primeira, quer da terceira pessoa do
singular. Então, podemos dizer que é um caso de ipseidade, ou seja, uma
não–identidade. Três entidades concomitantemente ficcionais e reais que,
aparentemente, se desdobram para, posteriormente, convergirem na
construção de uma entidade única, consciente perante si própria das
ocorrências vivenciadas, porque, segundo o autor, tudo o que narra é
verdade.
4
A história tem início em uma manhã de janeiro de 1995, uma quintafeira. Na mesa do café da manhã o protagonista sente-se mal e é
diagnosticado um acidente vascular cerebral grave. Ele perde a memória, a
noção de tempo e espaço e não sabe quem é.
A mulher, Edite, chama uma ambulância e José Cardoso Pires é levado
para o hospital. Lá acontecem fenômenos estranhos. O discurso do doente,
como se estivesse em normal conversação, ninguém entendia. Numa
primeira fase, nomeava todos os objetos por simosos. Noutra fase lia no
corredor do hospital BANHOS com as letras ao contrário, como se lesse
através de um espelho. Essa é uma recordação que não lhe sai da mente.
Trocou o nome da filha Rita por Rua, dizia gilete por óculos e cachimbo por
chinelos. Acabou por pentear os cabelos com a escova de dentes. O seu
próprio nome José e o nome do neto Rui ele diz serem feios. Por outro lado,
tem a impressão de que a “visão é auditiva” (p.48).
A conversa entre os dois companheiros de quarto, o empreiteiro
Ramires e o empresário Martinho, dono de um bar de snookers, dão a
impressão de que conversam “diálogos de vultos” (p.50). Para ele, o tempo
em que estava sem memória é um tempo nulo, passivo, cego (p.60). Em
determinado momento de lucidez, ele consegue dar-se conta do que havia
acontecido e reflete4: “Num golpe repentino tinha perdido a inteireza da fala,
no mesmo golpe tinha perdido os valores da grafia e ficara analfabeto de
mim e da vida.”
Após dois anos de luta contra a morte branca, como o próprio autor
denomina o seu estado durante a doença, a memória é retomada. Ele, então,
volta a escrever em frente a uma folha de papel em branco, como ele mesmo
e não como o outro que havia desaparecido. Ali naquela folha de papel em
branco encontra-se uma ausência em desesperada procura de uma
presença: a escrita. Resolve fazer o relato da sua viagem até as portas da
casa da morte e uma reconstituição de seu lento regresso à vida. Consegue
um processo inventivo e transgressor lado a lado com o processo inventor
4
PIRES, José Cardoso. De Profundis, valsa lenta.. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,1998, p.65.
5
como forma madura de reciclar a sua presença escrita perante uma nova
página em branco. Ele precisa utilizar outras palavras e dizer outras coisas
para produzir o novo. E a consciência disso o conduz a uma crise de
criação5:
Num golpe repentino tinha perdido a inteireza da fala, no
mesmo golpe tinha perdido os valores da grafia e ficara analfabeto de
mim e da vida. Subitamente também, retomara tudo isso mas foi
preciso algum tempo para recomeçar a ter consciência de tamanha
felicidade.
O autor descobre que a longa passagem pelo hospital ficou para trás,
após dois anos de luta contra a viagem à desmemória, como ele mesmo diz,
através do desnudamento da fragmentação do sujeito. E nas entrelinhas
duma memória escreve sobre como a experiência sofrida da perda da
identidade de um homem comum fez com que esse desabafasse sobre tais
acontecimentos, apenas com a intenção de contar as circunstâncias
passadas durante sua permanência no hospital e a gratidão de todos que o
ajudaram a sair da situação da alienação causada pela perda de memória .
O autor fala de uma quase morte, de um estado de não-existência, de um
caos, do nascimento de uma alteridade levando-o a praticar a estratégia de a
si-mesmo se referir como sendo o Outro.
No outro texto analisado, Na água do tempo, Luísa Dacosta nos
apresenta, como todos os diários, fragmentos datados que revelam o
percurso de sua vida quanto à natureza meditativa e sensorial por ela
guardados sobre os eventos e o tempo. Conforme vamos lendo, penetramos
em seu relato existencial, que liberta e às vezes escraviza os momentos
descritos, inquirindo sobre si mesma através do tempo, do espaço e das
personagens das quais nos fala utilizando-se da própria experiência
biográfica para relatá-las no plano fictício onde a imaginação e a memória se
encontram. A autora e as personagens são anti-heróis que não buscam
feitos de grandeza, mas a identificação dos acontecimentos presenciados e
utiliza a imaginação para recordá-los e relatá-los. Assim, a autora escreve
5
Idem, p. 65.
6
sobre a sua juventude até a maturidade, entre os anos de 1948 a 1987. E
isto ela faz descrevendo ambientes ao ar livre em comunhão com a natureza
e o cotidiano.
Luísa Dacosta conta não apenas aquilo que vê, sente ou sabe, também
intui o que está aquém e o que está para além do que vê, a partir daquilo
mesmo que vê, sem mistério e sem magia. Sua escrita evolui em
transformação,
explorando
revelações,
virtualidades
insuspeitáveis,
tornando-se um veículo de incomensuráveis possibilidades, as quais nos
remetem aos mais diversos sentimentos.
Água e tempo, neste contexto, não são apenas a metáfora do fluir da
existência, o mergulho existencial na cronologia do vivido, a memória
fragmentária duma grande ou pequena história, mas, igualmente, um despir,
um aperfeiçoamento da existência em sua mais pura precariedade, como
podemos ler já no prefácio de seu diário6:
Ninguém prevenira. A vida era um longo adeus. Os acenos da
chegada comportavam já os adeuses da partida. E não lhe era mais
possível regressar àquele quarto (o seu de menina) cercado por toda
uma corte celestial e um oratório, onde o Menino Jesus de Praga,
ataviado como um principezinho das histórias, lhe sorria.
A marcação do tempo raramente nos é apresentada com datas de dias
cronologicamente definidos, mas pelos meses e estações do ano. No início
do diário ela está com vinte e um anos e nos diz em primeira pessoa sobre a
sua paixão por Virgínia Woolf. Suas lembranças passam pela infância e
lugares que marcaram esta época de menina, as viagens de trem e os vários
lugares por onde passou em Portugal. Na narrativa existe sempre a presença
da água, da chuva, do mar que podemos considerar como uma personagem
marcante para a escritora, já que a água é um símbolo bastante feminino.
Por outro lado, o mundo feminino foi importante na infância da escritora,
sempre recolhida e aprendendo, principalmente, com a tia, irmã de seu pai
de quem foi grande companheira.
6
Idem, p. 15.
7
Importante salientar também a narrativa testemunhal que a autora faz
sobre o interior de Timor, na missão de professora que partiu, em agosto de
1975, para uma reciclagem de professores locais. Nessa parte do livro existe
uma crítica severa ao povo português, colonizador e explorador da gente
humilde que lá reside. Nessas páginas, encontramos descrições de grande
autenticidade sobre a ilha que sofreu na mão dos colonizadores, de um
tempo remoto português mergulhado na ausência, na solidão e na
lembrança. Contando, Luísa Dacosta registra a fugacidade das coisas e o
seu desaparecimento material de forma secreta (memória) e dolorosa.
Da mesma forma, lembra os que morreram e que muito amou,
procurando, com isso, abolir tal lembrança da memória e tentar instituir um
tempo que não passe. Isso ela faz com seus amigos da infância e com
escritores que nunca conheceu pessoalmente, mas que têm grande
afinidade: Tchekov, Virgínia Woolf, Garcia Lorca, Dostoievski, Lanza Del
Vasto, Nemésio, Pessoa, entre outros.
As diversas figuras reais que aparecem durante a narrativa permitem
que possamos compor um quadro da época, ao mesmo tempo proporciona
uma maior veracidade aos fatos narrados, como forma de anular a ausência
de algumas dessas personagens e instituir na memória do leitor uma
permanência das mesmas. Luísa consegue construir um mundo imaginário
em que não se pensa na morte e nem na ausência, descrevendo-o de forma
poética e fragmentária como é a lembrança.
No diário, Luísa Dacosta, ao procurar, nas rasuras do tempo, nos
porões da memória, resgatar nostalgicamente as pessoas que com ela
conviveram, as coisas de que gosta, acaba falando muito é de si mesma, da
sua infância, da sua adolescência ou da adulta já madura. O tecido narrativo
vai sendo construído a partir de pequenas crônicas, passagens líricas, ou
misteriosas, selecionadas pela memória da autora. Os gêneros alternam-se,
o texto, portanto, nos seduz também pelo seu grau de oralidade. Há, antes,
uma semelhança da ficção com a história da vida cotidiana, das pessoas
comuns, dos papéis familiares.
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O que encontramos, então, é a voz feminina a falar de sua própria
condição enquanto sujeito da escrita e de uma história em que pode intervir.
Por outro lado, a autora busca sua identidade na afirmação da consciência
da mulher com respeito a sua verdadeira posição no meio histórico e cultural.
Sendo objeto de toda espécie de condicionamento perante o meio cultural, o
meio familiar e a sua própria condição de mulher, assumir-se como sujeito do
discurso é poder refletir a consciência inquieta do potencial feminino,
enquanto força criadora.
Para Luísa Dacosta, só há uma possibilidade de existência da escrita:
situá-la no perecível, fixando instantes súbitos vividos com a máxima
intensidade. A volatilidade das imagens e sua projeção caleidoscópica, a
existência de fios frágeis atando as coisas, o ritmo descontínuo, os instintos
de vida e morte a impulsionar o sujeito, enfim, toda expressão de linguagem
transforma a narrativa da autora numa prática subversiva e epifânica, ou
seja, em descobertas permanentes no tocante à palavra, num jogo feito de
tensão e risco de forma fragmentada.
Para o sujeito feminino que desponta em sua escrita, a experiência com
a
linguagem
significa
enfrentar
obstáculos
para
a
afirmação
das
necessidades essenciais enquanto ser do mundo. Afirmar-se pela palavra é
buscar a reapropriação da linguagem, resgatando-a da condição de silêncio,
estagnação e cumplicidade para viver.
No caso de José Cardoso Pires, o que ele apresenta em sua narrativa é
recorrer à lembrança de um período de dois anos de sua vida, em que o
viveu em um corpo que não conhecia, não sabia quem era e o “eu” individual
vai reconstituir-se em um “outro eu” em uma experiência individual sem
recurso a documentos nem a referência a acontecimentos histórico-políticos,
como seria de se esperar em um gênero autobiográfico. O que o texto
apresenta é um documento pessoal, uma busca de identidade perdida.
José Cardoso Pires quis, em seu texto, apresentar ao leitor da forma
mais simples possível o que passa um ser humano quando se sente
despersonalizado e destituído de seu “eu”, de sua identidade, de memória e
9
de passado, sem se reconhecer e só se encontrar em um outro também sem
nome e sem memória, mas com um corpo físico. Também a falta de memória
viabiliza a serenidade como se deixa conduzir para a morte cerebral, aquela
brancura por onde o “outro”, apaticamente, deambula, ora se confundindo,
ora se distanciando, ora se aproximando do “eu”, sempre numa situação de
incomunicabilidade com o mundo.
O que o autor faz durante a narrativa é montar um quebra-cabeças de
si mesmo para sair do vazio, da falta de afeto, fugir das palavras que não
têm sentido para ele, são objetos vagos, tudo, enfim, sem sentido e sem
perspectiva. O depoimento é comovente, coloca o leitor bem a par do
acontecido: ao quase nada da linguagem e a um estado de não-existência.
Nos dois textos destaca-se a busca da identidade quando seus autores
se entregam aos movimentos imprevisíveis da escrita de forma a criarem a
própria história através da linguagem. Logo, são sujeitos que asseguram
através da estratégia como operam sua permanente reinvenção pela (e da)
linguagem. A dramatização ficcional criada pelo eu narrador é tão forte como
linguagem que a luta contra o mundo transforma-se numa intensa leitura que
o eu faz de si mesmo, preso à perspectivação de busca para apreender-se.
Livre dos constrangimentos e relações insatisfatórias com o mundo, o eu cai
nas malhas de uma linguagem criada também com seus constrangimentos
para o sujeito: as forças geradoras da trama instituída pela escrita.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, Antonio Lobo. Da morte com humor. O espanto oferecido. In: Revista
Visão. Lisboa, 15 de maio, 1997.
BERGSON, Henri. Matéria e memória. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
BORDIEU, Pierre. Razões práticas sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus,
1996.
10
BRUNER, Jerome e WEISSER, Sussan. A invenção do ser: a autobiografia e suas
teorias. In: OLSON, R. David e TORRANCE, Nancy. Cultura escrita e
oralidade.São Paulo: Ática, 1995.
DACOSTA, Luíza. Na água do tempo. Lisboa: Quimera, 1992.
PIRES, José Cardos. De Profundis, valsa lenta. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,
1998.
RICOEUR, Pierre. O si-mesmo como um outro. São Paulo: Papirus, 1991.
VIEGAS, Francisco José. Última valsa (entrevista). Diário de Notícias. Lisboa,
1998.
VIEIRA, Maria do Carmo. Luísa Dacosta: ao correr. Jornal de Letras. Lisboa, 1992.
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Maria de Lourdes Ferrari Horta