UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” O PROFESSOR FRENTE À EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO DIDÁTICO DE ENSINO Maria Angélica Ferreira Dantas Guimarães Prof. Orientador Antônio Fernando Vieira Ney Salvador – Bahia Novembro – 2008 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” O PROFESSOR FRENTE À EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO DIDÁTICO DE ENSINO Trabalho monográfico apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Docência do Ensino Superior, pela autora Maria Angélica Ferreira Dantas Guimarães, sob a Orientação do Professor Antônio Fernando Vieira Ney. Salvador – Bahia Novembro – 2008 3 AGRADECIMENTOS A Deus por ter me dado força, perseverança e coragem durante o caminhar deste trabalho. Ao meu orientador Antônio Fernando Vieira Ney por estar sempre presente quando solicitado indicando o caminho mais adequado a seguir, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento e finalização deste trabalho, solucionando dúvidas, injetando ânimo, permitindo assim torná-lo real. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha família, pelo incentivo e colaboração nos momentos mais difíceis dando-me forças para levá-lo a sua finalização. Também em especial a Talita minha filha, que durante o processo da elaboração foi a minha consultora permanente tornando o percurso mais leve e menos solitário. 5 RESUMO As tecnologias de informação e comunicação com o seu processo de aceleração de desenvolvimento tem proporcionado novas perspectivas na área educacional, principalmente na Educação à Distância. Isto ocorre através de ambientes digitais, facilitando o processo ensino aprendizagem e a qualificação profissional. Desta forma são criados novos espaços de produção do saber em salas de aula interativas, tendo como metodologia a videoconferência, Internet, vídeo, onde o professor assume o papel de mediador e o aluno o produtor do seu próprio saber. Neste contexto o ciberespaço desfaz a idéia de tempo determinado para a capacitação profissional e vira sala de aula. O conhecimento está na rede permitindo o acesso aos novos sistemas educacionais, encurtando as distâncias geográficas, rompendo paradigmas, conectando pessoas e interligando culturas. Diante deste cenário, o presente trabalho tem o objetivo de fazer uma breve reflexão sobre os desafios do professor no processo de adesão da videoconferência como tecnologia utilizada nos cursos de Pós-Graduação do Ensino Superior, visando o levantamento de questões que contribuam para a explanação deste tema, tendo em vista sua importância para o desenvolvimento satisfatório do processo educativo no ambiente virtual. 6 METODOLOGIA Trata-se de um estudo de revisão sistemática, cujo caráter retrospectivo e secundário, destaca-se no seu modelo desenhado e conduzido após publicação de muitos estudos sobre um tema. Neste projeto serão utilizadas bases de dados virtuais e documentos publicados para coleta do maior número de informações possíveis a cerca do objeto. Um estudo desta natureza serve para nortear o desenvolvimento de projetos, indicando novos rumos para futuras investigações e identificando questões de interesse ainda não esclarecidas. Este tipo de pesquisa, geralmente descritiva, inicia-se com um estudo de base exploratória, tentando conseguir o máximo de informações sobre o objeto analisado, para, ao final conseguir construir hipóteses. Dessa forma, uma revisão sistemática depende da qualidade da fonte primária. Para tanto na revisão bibliográfica utilizou-se como critério de inclusão a definição dos termos: Educação à Distância, Videoconferência, Professor, PósGraduação. Centralizando na temática da videoconferência como método de ensino, visto que a principal questão a ser respondida neste projeto diz respeito ao posicionamento do professor frente a este método. A busca se limitou aos artigos escritos em Língua Portuguesa. As fontes utilizadas incluem artigos de sites de busca virtual e fontes documentais extraídas de livros, jornais e revistas que abordaram o tema nos últimos dez anos. A busca em base de dados eletrônica e em outras fontes é uma habilidade importante no processo de realização de uma revisão sistemática, considerando que sondagens eficientes maximizam a possibilidade de se encontrarem artigos relevantes em um tempo reduzido, conforme afirma Sampaio & Mancini (2007). A partir da seleção dos artigos realizou-se uma leitura analítica a fim de caracterizar cada estudo selecionado, avaliar a qualidade deles, identificar conceitos importantes, comparar as análises estatísticas apresentadas e 7 concluir sobre o que a literatura informa em relação à determinada intervenção, apontando ainda problemas e/ou questões que necessitam de novos estudos e comparando exemplos ou situações semelhantes para compreensão dos fatos estudados. Ao final da sistematização serão apresentadas reflexões e hipóteses que possam contribuir para orientar o desenvolvimento de novas estratégias, neste campo de atuação do professor, dando suporte para propostas de um programa direcionado a melhoria das condições de trabalho e de educação no ambiente virtual. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPITULO I ESTUDO, PESQUISA E REFLEXÃO 13 CAPÍTULO II A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO DIDÁTICO DE ENSINO 17 CAPÍTULO III 31 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E AS NOVAS TECNOLOGIAS CONCLUSÃO 40 BIBLIOGRAFIA 41 9 INTRODUÇÃO O mundo contemporâneo é o mundo do desenvolvimento crescente das tecnologias de comunicação e como tal de grande relevância na educação, especificamente a Educação à Distância (EAD), levando em consideração a dimensão continental existente no Brasil, as dificuldades de locomoção das pessoas de locais longínquos dos centros universitários e universidades. As telecomunicações têm revolucionado as formas de se produzir o conhecimento, com os sistemas de rede conectados aos computadores e internet. O conhecimento antes dado em sala de aula tradicional num mundo acadêmico fechado, hoje passa por um novo panorama de sistemas de rede, determinantes para diminuir as desigualdades regionais existentes no território brasileiro, possibilitando oportunidade de estudo, pesquisa, capacitação e aprimoramento profissional. Nesse cenário de constante transformação, é questão de sobrevivência aprender o tempo todo, para não ficar ultrapassado. Se não acompanharem as mudanças, os indivíduos, mesmo recém saídos das instituições educacionais, simplesmente não estarão preparados para o mercado de trabalho. As organizações modernas são capazes de conectar o local e o global de forma que seriam impensáveis em sociedades mais tradicionais, e assim fazendo, afetam rotineiramente a vida de milhões de pessoas (GIDDENS, 1991). O mundo globalizado exige um novo perfil do trabalhador criando novas exigências para a Universidade em termos de formação de mão de obra. Grandes empresas estão criando Universidades Corporativas para formar, treinar e requalificar seus funcionários. Universidades e centros de formação se preparam para oferecer cursos de todos os níveis para estudantes de qualquer lugar do mundo. No Brasil, parcerias, convênios, acordos e redes de 10 cooperação entre instituições educacionais, começaram a se formar no final dos anos 90, para oferecer cursos à distância (CRUZ & BARCIA, 2000). A oferta de educação a distância vem sendo possível pelo barateamento dos equipamentos de informática e da infra-estrutura telefônica e de transmissão de dados. Através da internet, por exemplo, ferramentas potentes, bancos de dados e espaços de aprendizagem colaborativa e individual podem ser acessados em instituições educacionais espalhadas pelo mundo. Com isso, novos modos de aprender começaram a ser criados a partir de relacionamentos virtuais dentro dos ambientes informatizados, pois a Internet possibilita o acesso ao conhecimento individual ou grupal, tornando a educação mais democrática e menos excludente. O fim da distinção entre o que é ensino presencial e a distância, parece estar começando a acontecer, já que o uso das redes de telecomunicações e dos suportes multimídia interativos vêm sendo progressivamente integrados às formas mais clássicas de ensino. Essa é uma tendência em universidades nos países mais ricos onde, em paralelo à oferta de cursos à distância, os professores começam a incorporar às disciplinas presenciais as ferramentas da Internet: correio eletrônico para comunicação extraclasse, páginas na Web para disponibilizar os conteúdos. No Brasil, a criação dos cursos à distância nas universidades, começa a exigir que sejam desenvolvidas novas competências dos professores. Dentre as habilidades necessárias estão àquelas voltadas a questões de estética dos materiais didáticos, de formulação e cumprimento de objetivos pedagógicos que incorporem as condições da distância física, de transformações do conteúdo aos formatos das novas mídias, de aspectos relacionados a novas rotinas de trabalho e de comunicação com os alunos. Essas exigências fazem com que os professores tenham que buscar conhecimentos de outras áreas para dar conta das mudanças nos processos de produção das aulas à distância. A prioridade na área das telecomunicações é formar profissionais para a produção de educação à distância, pesquisadores e produtores de 11 multimídia, hipermídia, realidade virtual, entre tantas outras aplicações das novas mídias digitais. Diante deste contexto, será exigida uma transformação estrutural no sistema educacional superior criando novos paradigmas, ampliando e flexibilizando o conhecimento acadêmico dentro da nova ordem social do mundo globalizado que exige cada vez mais preparo e eficiência dos profissionais de educação no uso das novas tecnologias como forma de superação do velho sistema ainda vigente. O presente trabalho justifica-se pela característica de inovação que possui o objeto de estudo, dada a expansão dos cursos oferecidos à distância através de tecnologias interativas, sugerindo a necessidade de pesquisa na área para fundamentar a inserção desses novos processos, contribuindo com sua proposta interdisciplinar ao incluir as questões pedagógicas relacionadas ao uso de novas mídias como pauta de questões a serem estudadas. Tem-se como objetivo a realização de uma breve reflexão sobre os desafios do professor no processo de adesão da videoconferência como tecnologia utilizada nos cursos de Pós-Graduação à Distância do Ensino Superior, visando o levantamento de questões que contribuam para a explanação deste tema, tendo em vista sua importância para o desenvolvimento satisfatório do processo educativo no ambiente virtual. A importância desta pesquisa torna-se relevante pelo fato de que os cursos de Pós-Graduação à distância por videoconferência das Universidades são os únicos oferecidos regularmente no Brasil. O trabalho está distribuído em três capítulos. No capítulo I, Estudo pesquisa e reflexão, abordam-se sobre o EAD no Brasil e a sua legislação. No capítulo II, A videoconferência como método didático de ensino, aponta as vantagens e desvantagens, significado e classificação, a sala de aula virtual, o professor midiático e seus desafios. O capítulo III discorre sobre a formação do professor frente as novas tecnologias, suas dificuldades e desafios. E por fim as considerações finais em que se expressa a necessidade de criar um 12 programa para a formação do professor midiático e as novas funções do docente na sala de aula virtual. 13 CAPÍTULO I – ESTUDO PESQUISA E REFLEXÃO 1.1 - EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NO BRASIL E LEGISLAÇÃO Segundo MORAM, Educação a Distância (EAD) é o processo ensinoaprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. A maior parte das instituições que oferecem cursos à distância também o fazem no ensino presencial. Esse é o modelo atual predominante no Brasil. MORAM, ainda afirma que a EAD não é um fast food em que o aluno se serve de algo pronto. É uma prática que permite um equilíbrio entre as necessidades e habilidades individuais e as do grupo de forma presencial e virtual. Nessa perspectiva, é possível avançar rapidamente, trocar experiências, esclarecer dúvidas e inferir resultados. No final do Século XX iniciou-se a EAD no Brasil com a utilização de material impresso distribuído pelo sistema de postagem ou em modelos acompanhando jornais. Esse tipo de EAD era unidirecional e logo se detectou problemas de comunicação entre alunos e professores. Com o passar do tempo houve avanços nas tecnologias e com isto formou-se uma educação a distancia em que professores e alunos passaram a ter mais contato e qualidade nos estudos via comunicação bidirecional. FREITAS (1999), afirma que no Brasil as experiências em EAD ainda são escassas e localizadas em algumas Universidades ou em Escolas particulares. Encontram-se espalhados pelo país cursos via correspondência, rádio, televisão, vídeo e, mais recentemente Internet e videoconferência, contudo os projetos enfrentam dificuldades. Os fatores limitantes relacionam-se principalmente com a escassez de tecnologia própria no campo da transmissão e da industrialização do produto cultural. 14 Segundo Roberto Fragele Filho, a regulamentação da Educação a Distância encontra-se expressa no Plano Nacional de Educação – PNE, (Lei 10.172, de 09.01.2001), e pela própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Os dispositivos inseridos na LDB no texto legislativo, ainda que sem lhe dedicar um capítulo ou uma seção específica é portadora de um forte simbolismo, pois ela retira a EAD do mundo das sombras e expressa um imediato reconhecimento e importância para o processo educacional. Aponta as inúmeras possibilidades de contribuição da EAD para a universalização democratização do ensino, assim como para o surgimento de mudanças significativas na instituição escolar, em virtude do seu impacto nas tradicionais concepções educacionais de tempo e espaço, o PNE indica claramente, que a EAD não pode mais ser tratada como uma modalidade supletiva ou complementar ao ensino presencial. Os impactos descritos pelo PNE apontam para um modelo cooperativo de enriquecimento mútuo entre os sistemas presenciais e não-presenciais a partir de duas grandes diretrizes: 1) a ampliação do conceito de EAD a fim de poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação; 2) o incentivo a multiplicação de iniciativas, embora sujeitas a padrões de qualidades elaborados por meio de um sistema de auto-regulamentação e, quando se tratar de cursos regulares, que concedam direito a certificados ou diplomas pelo Poder Público. Ainda, segundo FRAGALE, é no Decreto 2.494/98 que se encontra a definição legal da EAD, especificamente no Art. 1º, que estabelece como uma forma de ensino que possibilita auto-aprendizagem, apresentados em diferentes suportes de informação utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação. O Art. 80 da LDB indica quem pode oferecer os cursos à distância, bem como a forma como deve ser os mecanismos de controle. O mesmo artigo diz que o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de 15 programas de EAD, em todos os níveis e modalidades de ensino, e estipula que compete a União: a) realizar o ato de credenciamento das instituições que poderão oferecê-la com abertura e regime especiais em sua organização; b) regulamentar os requisitos para a realização de exames de registros de diplomas. A competência para promulgação de normas relativas a produção, controle avaliação de programas de EAD e a autorização para sua implementação é estabelecida de forma concorrencial entre os respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. Verifica-se, que a LDB preocupou-se com dois momentos distintos: o credenciamento de instituições que ficou a cargo da União, e a autorização de programas, produção, controle e avaliação. A Lei explicitou, de forma inequívoca as Unidades Federativas competentes por cada um desses atos. Há, ainda dois outros dispositivos na LDB que trata da EAD: O Parágrafo 4º do Art. 80 e o Inciso III do Parágrafo 3º Art. 87. O primeiro assegura a EAD “tratamento diferenciado que incluirá: 1) custo de transmissão reduzidos em canais comercias de radio difusão sonora e de som e imagem; 2) concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; 3) reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais”. O segundo determina que “cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação à distância”. Constata-se aqui que a primeira norma visa à universalização e democratização do ensino quando os serviços de radio difusão são colocados de maneira mais acessível à educação dando segurança ao acesso sem ônus do Poder Público aos canais comerciais e a segunda, busca viabilizar o desenvolvimento de programas de capacitação e atualização realmente universais a todos. 16 Sobre a regulamentação do EAD no Brasil, há quem afirme que vários problemas da EAD no Brasil decorrem ou decorriam da ausência de regulamentação e que essa demora ilustra a dificuldade de chegar a consensos num processo inovador (BENAKOUSHE, 2000). O processo de regulamentação envolve discussões e interesses vários, o que é plenamente natural. O que não pode prevalecer é a existência de cursos de má qualidade tendo como finalidade o lucro fácil. A realidade do Brasil hoje não é de total desregulamentação. Os fundamentos legais que autorizam a implementação e a aplicação da EAD no Brasil estão na Lei Federal 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), cujos regulamentos estão disciplinados nos Decs. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, 2.561, de 27 de abril de 1998 e na Portaria Ministerial 301, de 07 de abril de 1998. Visando especialmente ao ensino de graduação nas universidades, entrou em vigor, em outubro de 2001, a Portaria 2.253. Desta forma as modalidades de EAD estão regulamentadas da seguinte forma: educação à distância fundamental, médio e técnico Decreto 2.494/98, de ensino superior de graduação e educação profissional em nível tecnológico e finalmente Portaria Ministerial 301 de 1998, de pós-graduação Resolução CNE/CES 1/2001. Para cada curso que se pretenda oferecer deve haver o devido credenciamento e autorização para o seu funcionamento. Outros critérios estão ai definidos, inclusive a exigência de provas presenciais e defesa presencial de trabalho de conclusão de curso. 17 CAPÍTULO II – A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO DIDÁTICO DE ENSINO 2.1. VIDEOCONFERÊNCIA – SIGNIFICADO, CLASSIFICAÇÃO, VANTAGENS E DESVANTAGENS O ensino a distância refere-se à aplicação de um conjunto de métodos, técnicas e recursos, postos à disposição de populações estudantis para que, em regime de auto-aprendizagem, seja possível adquirir conhecimentos ou qualificações de diferentes níveis; que, sejam fornecidas as totalidades dos elementos didáticos associados ao ensino de uma dada disciplina (HENRIQUES, 1997). Segundo CRUZ & BARCIA (2000) Educação à Distância é a comunicação realizada em duas vias entre professor e aluno separados por uma distância geográfica durante a maior parte do processo de aprendizagem, utilizando algum tipo de tecnologia para facilitar e apoiar o processo educacional, bem como permitir a distribuição do conteúdo do curso. No ensino presencial ou tradicional, o professor e os alunos estão presentes em um mesmo local, ao mesmo tempo. Os alunos têm a oportunidade de interpelar o professor durante a aula. E o professor, tem inclusive condições de responder e de incentivar saudáveis discussões entre os alunos. No ensino à distância, o professor está em um local e os alunos em outro. A distância geográfica é a característica fundamental deste sistema de ensino. Por esta razão, faz-se obrigatório o emprego de um meio de comunicação eficiente. Atualmente, a comunicação mais usada entre os mesmos é feita através de vários tipos de tecnologias (rádio, televisão, vídeos, cd rom, Internet, videoconferência, comunicação mediada por computador). 18 Destas tecnologias utilizadas no ensino à distância acima citadas, a videoconferência é a que mais se aproxima de uma situação convencional da sala de aula, já que, possibilita a comunicação em duas vias entre professor e aluno, permitindo que o processo de ensino/aprendizagem ocorra em tempo real (on line) e possa ser interativo, entre pessoas que podem se ver e ouvir simultaneamente (CRUZ & BARCIA, 2000). Defini-se videoconferência, como uma tecnologia que permite que grupos distantes, situada em dois ou mais lugares geograficamente diferentes, comuniquem-se "face a face", através de sinais de áudio e vídeo, recriando, a distância, as condições de um encontro entre pessoas. A transmissão pode acontecer tanto por satélite, como pelo envio dos sinais comprimidos de áudio e vídeo, através de linhas telefônicas. Dos equipamentos em uso atualmente, pode-se classificar a videoconferência basicamente em dois formatos: desktop ou sala (CRUZ & BARCIA, 2000). O desktop refere-se à comunicação através de uma pequena câmera e um microfone acoplados a um computador. Neste caso, as pessoas se comunicam pela Internet através de softwares, muitos deles disponíveis gratuitamente na própria rede, como é o exemplo do caso do Cu-SeeMe. As salas de videoconferência podem ser utilizadas em três formatos: tele-reunião, teleducação e sala de geração, onde atua apenas o professor. A sala de tele-reunião, mais usada pelo meio empresarial, pode utilizar uma mesa de formato oval ou trapezoidal, ocupando a parte central da sala, permitindo a interação entre pessoas de uma mesma sala com as de uma sala remota. A sala de teleducação pode ter um formato semelhante ao de uma sala de aula tradicional ou ser construída como um local apenas de transmissão para o professor a distância. No primeiro caso, as cadeiras são dispostas em colunas voltadas para a frente da sala. Ali, em geral, fica a mesa com os periféricos e os monitores. Se a sala tem função de recepção, ou seja, apenas alunos participam das sessões, pode-se ter apenas uma câmera 19 colocada acima do monitor de TV e voltada para os estudantes. Se a sala tem a função de transmitir aulas a distância, mas conta com a presença no local de professores e alunos, é necessária a instalação de duas câmeras. Uma das câmeras, voltada para os alunos, é colocada sobre os monitores de TV. A outra câmera, que acompanha o professor, deve ser colocada no lado oposto, de frente para ele. Recomenda-se que as salas sejam estruturadas de forma flexível (possibilitando mudanças, por exemplo, para reuniões de grupo, apresentação de seminários, etc.). Para garantir qualidade de interação e de aprendizagem é preferível manter um limite máximo de 30 alunos (CRUZ & BARCIA, 2000). No caso da sala voltada apenas para a transmissão, o equipamento de videoconferência e os periféricos são colocados de frente para um monitor de TV, que tem, acima dele, a câmera da sala. O objetivo é permitir que o professor ou palestrante tenha todos os recursos audiovisuais a sua disposição sem que tenha que se mover para isso. Este formato de sala é desenhado para instituições que gerem cursos exclusivamente para alunos a distância. É preciso ter um cuidado especial com o cenário que envolve o professor. Para que seja eficiente, deve ser esteticamente agradável, de desenho limpo e simples, de modo a não distrair a atenção da audiência. Nas três categorias de salas, a iluminação deve ser do tipo difusa e uniforme, de modo a clarear sem ofuscar. As paredes e a mobília devem evitar cores muito escuras ou muito claras. É importante eliminar ao máximo o ruído vindo do exterior, através de um isolamento acústico das paredes. O ar condicionado deve ser o mais silencioso possível. CRUZ & MORAES (1998) sugerem que o uso da videoconferência na educação à distância, tendo em vista o atual panorama tecnológico apresenta os seguintes prós e contras: Vantagens: • Permite uma transição mais gradual dos métodos presenciais 20 • Permite espaço colaborativo para socialização e aprendizado colaborativo em grupo • Possibilita escolher e planejar cursos mais interativos para classes pequenas ou menos interativo para grandes audiências • Podem-se escolher os meios de transmissão conforme a possibilidade, disponibilidade e demanda. Desvantagens • Baixa qualidade de som e imagem • Dificuldade de se adaptar a sala de videoconferência a situação didática • Altos custos de implementação, instalação e manutenção comparados com um baixo uso na fase inicial • Altos custos de transmissão das linhas telefônicas • Desconhecimento - não utilizar todo o potencial didático do meio, reduzindo-o a mera reprodução de palestras, com pouca interação entre os participantes. As experiências de ensino a distância mostram que o uso da videoconferência motiva positivamente alunos e professores. A utilização de novas tecnologias no processo ensino-aprendizagem traz, ao mesmo tempo, curiosidade e apreensão pela possibilidade de experimentar uma nova forma de metodologia educacional. Representa principalmente um desafio para o professor, que precisa adaptar sua maneira de ensinar à nova dinâmica da aula. 2.2. REQUISITOS OPERACIONAIS IMPORTANTES PARA O PROFESSOR VIDEOCONFERENCISTA O Conhecimento teórico e prático do uso do equipamento geral compreende câmera principal, câmera de documentos, microfone, computador e videocassete. A utilização das câmeras requer o conhecimento prévio de 21 planos de imagem (aberta, fechada e close). A função do zoom é adequar os aspectos físicos do professor (altura e peso) ao espaço visual do monitor e dos documentos. O microfone controla o volume de voz. O treinamento no computador é desenvolvido para o uso de recursos (Power Point, Internet), e para as operações de conexão entre as salas. O videocassete é utilizado para exibir imagens gravadas. A partir destes recursos básicos têm-se as seguintes especificidades: ► Controle de Imagem e Som – Algumas videoconferências são feitas com o uso de console de tela (touchscreen), localizadas diretamente em frente à cadeira do professor. Com ele é possível variar o ângulo e a mudança de câmera, o zoom e outros. Também é possível selecionar a fonte de imagem enviada a outros sites (câmera, computador, câmera de documentos ou monitores). Outra forma é utilizar um controle remoto que tem as mesmas funções já citadas no console de sala. O professor pode com poucas teclas fazer o chaveamento entre imagem próxima e distante, entradas de câmera, áudio mudo e vídeo sem imagem. Por meio de um dispositivo os sinais infravermelhos são enviados do topo do controle remoto e capturados por um receptor sem fio que deve estar localizado alguns metros de distância. Há ainda as condições de uso do teclado e do receptor sem fio. Considerado componente na relação de equipamentos, o teclado é um periférico útil para compartilhar os dados. Ele envia sinais para o receptor e oferece as mesmas condições de uso no controle remoto. ► Uso da câmera – Para familiarizar-se com a câmera não é necessário muito tempo. Recomenda-se que o videoconferencista dedique pelo menos duas horas ao treinamento de todas as funções. Uma câmera de videoconferência funciona tanto no sistema NTSC quanto no sistema DAL e inclui um receptor para sinais infravermelhos da unidade de controle remoto. Em média o zoom pode ser usado para aproximar a imagem até doze vezes com captação de imagens num raio de até 200 graus. 22 As operações básicas que um videoconferencista deve fazer são poucas e simples. O uso fundamental é o movimento horizontal para a esquerda, centro ou direita; movimento vertical, para cima, centro ou para baixo; e aproximação ou afastamento por meio do recurso zoom. As imagens da câmera de videoconferência têm características específicas que levam em consideração o espaço físico da sala geradora e salas remotas. Os planos e o enquadramento são baseados no sistema usado pelo cinema e televisão. O plano ou campo destaca a importância da matéria em relação aos elementos presentes a imagem. A câmera principal reduz os elementos visuais a figura do professor na sala geradora. Significa que o espaço físico para trabalhar a câmera é pequeno, o que leva a utilização de planos menores (detalhe, close, americano). O espaço é maior (18 a 50 metros) o que leva a utilização de planos menores e médios. Os planos influenciam no tempo de interpretação da imagem e exercem efeitos psicológicos sobre o observador. Também a câmera de documentos pode trabalhar livremente com diversos planos possíveis em lentes do tipo grande angular. Os planos que podem ser utilizados na videoconferência são: 1)plano médio – tem uso freqüente e caracteriza o ambiente, o valor é ainda descritivo , mas a imagem passa a ser mais expressiva. O tempo de interpretação da imagem é entre médio e longo (ex: uma sala de aula de videoconferência remota onde aparecem os alunos); 2) plano americano – é a tomada parcial do assunto em seu meio (ex: imagem típica da aula de videoconferência que mostra a imagem do professor um pouco acima da cintura até sua cabeça); 3) primeiro plano - é a imagem que apresenta uma parte essencial do assunto, que por si só é suficiente para lembrá-lo por inteiro (ex: um sorriso que ocupa a maior parte da tela); 4) plano de detalhe – mostra um detalhe do assunto que freqüentemente não é suficiente para conduzir-nos ao próprio argumento (ex: o olho, a mão contra a luz, a chama de um palito de fósforo). 23 Os planos mais usados em videoconferência são o plano médio para mostrar salas de aula, o plano americano para mostrar o professor dando aula e o primeiro plano e o plano de detalhe para a câmera de documentos. O uso adequado de um plano tem o poder de ajudar em certas situações. É o caso de um videoconferencista de baixa estatura. Se ele souber usar de forma apropriada o plano de câmera, escolherá uma condição extremamente favorável, que dê a impressão visual de uma estatura maior. ► O uso do microfone - para o professor de videoconferência o uso do microfone é uma tarefa muito simples, sendo praticamente esquecido durante a transmissão. Geralmente ele é previamente ajustado após a instalação dos equipamentos. Neste caso o professor só faz as operações de bloqueio de áudio, aumento ou diminuição de volume. Para bloquear o áudio basta prestar atenção a imagem icônica de um microfone no controle da tela, ou no display da tela do computador. Quando o som do microfone é bloqueado, bloqueia-se o áudio para as salas remotas. Esta operação é necessária quando o professor passa alguma atividade para os alunos e quer impedir que o som saia da sala geradora. A distância recomendada do microfone é de 15 a 30 centímetros, variando conforme a capacidade de cobertura do equipamento. Os microfones de videoconferência tem, em média, uma área de cobertura de 6 metros e alcance de 180 graus. 2.2.1 PROCEDIMENTOS BÁSICOS Os procedimentos básicos para a execução de uma videoconferência variam tanto quanto o uso de equipamentos, cujo número de fabricantes aumentou de forma significativa nos últimos anos. Qualquer videoconferencista que for dedicar parte de seu trabalho a aulas de videoconferência deve conhecer primeiro o tipo de equipamento com o qual vai trabalhar. Isto não é difícil e é indispensável para a correta utilização das ferramentas. 24 Geralmente, quando o professor videoconferencista senta-se em sua cadeira, já foram tomadas uma série de providências relacionadas ao volume do microfone, posição da câmera, teste de conexões. Neste caso, o trabalho é apenas uma rotina básica com poucas operações. 2.2.2. PREPARAÇÃO EM NÍVEL COMUNICACIONAL A comunicação refere-se ao modo como o professor transmite suas mensagens aos alunos. A videoconferência é uma grande mídia audiovisual que trabalha com várias outras mídias audiovisuais. Isto quer dizer que deve haver variação de estímulos audiovisuais para os alunos. Nenhum professor por mais experiente e talentoso que seja, consegue permanecer na frente de uma câmera durante duas, três ou quatro horas, sem usar outros recursos de imagem. Entre os meios audiovisuais existentes, estão os slides, material impresso, cartazes, fotografias, desenhos, para ser utilizado na câmera de documentos, e as imagens de apresentação em softwares de computador, como o Power Point, além de fitas de vídeo e efeitos sonoros (músicas, gravações de vozes, entre outros). Para usar estes recursos é preciso adotar a linguagem videoconferencial para que a mensagem seja facilmente compreendida pelo aluno. 2.2.3. ELABORAÇÃO DE MATERIAL PARA APRESENTAÇÕES Antes de preparar qualquer material para exibição no software de apresentação tipo Power Point, ou na câmera de documentos o professor videoconferencista precisa estar familiarizado com os equipamentos e com os recursos. Para tanto é necessário: Planejar as matrizes, os títulos em tamanho e proporção adequadas; desenhar ilustrações, diagramas figuras, etc.; colorir para destacar os detalhes, dar ênfase e tornar atrativa as ilustrações; escolher letras para títulos, indicações, textos, e outros que satisfaçam as condições de 25 legibilidade e composição; montar fotografias, lâminas, mapas, entre outros, para facilitar o seu uso e melhorar a apresentação; reproduzir materiais em papel para distribuí-los, se for conveniente, buscando o método mais adequado entre os que são possíveis. Na videoconferência deve-se considerar que as imagens estejam no formato convencional de um monitor de TV, diferente da forma encontrada nas folhas de papel (21 x 29,7 cm). Assim, ao utilizar o Power Point ou câmera de documentos, ele deve avaliar como estes recursos podem ser trabalhados (SILVEIRA, 2002). Na câmera de documentos a possibilidade de zoom facilita obter efeitos de imagem adequada. Sempre que estiver produzindo um material o professor precisa pensar em uma base de encaixe proporcional a razão 4 x 3 cm, para não se afastar do formato do monitor de TV (SILVEIRA, 2002). É necessário usar a diversidade de estímulos visuais de forma coerente. Um menor número de elementos na tela é mais agradável e atraente, reduzir uma longa informação facilita a interpretação do aluno. O texto deve ser com letras de bom tamanho, com fontes simples e informações com marcadores. Não deve ser utilizada mais que 25 palavras por tela. A centralização deve ser evitada a não ser para escrever títulos. Tudo o que for colocado no quadro deve seguir uma base de equilíbrio que pode ser formal ou informal. O central tem o eixo central imaginário ao redor do qual se colocam outros elementos. O informal é assimétrico e os elementos criam o equilíbrio por seu dinamismo. O formal é utilizado para escrever títulos e para balancear qualquer texto. O uso de linhas pode ser positivo, pois alinha permite conectar elementos visuais ou dirigir o aluno para uma seqüência determinada, ao observar os elementos. Os espaços abertos entre os elementos visuais e os textos evitam a sensação de amontoamento. Uma boa distribuição dos espaços torna efetivo os princípios do desenho. 26 As cores a serem utilizadas, devem ser testadas antes para dar uma idéia de como ficará no vídeo. As ilustrações de revistas, folhetos e outras fontes semelhantes podem ser úteis, desde que bem escolhidas e distribuídas no quadro a ser apresentado. Ao exibir o material o professor deve conceder um tempo determinado para cada ilustração e permitir tempo suficiente para que os alunos vejam os gráficos e/ou apresentações. Não é recomendável permanecer com a mesma imagem por muito tempo. Antes e depois de cada ilustração ser apresentada na tela do Power Point ou na câmera de documentos, a imagem que deve aparecer é a imagem do professor videoconferencista. Uma forma recomendável é que o professor, pelo menos a cada três quadros apresentados, mostre a sua imagem enquanto faz comentários. O professor pode usar o computador ou na câmera de documentos, o recurso para escrever, ao usar este tipo de atividade na câmera de documentos, como ilustração da sua sala de aula. Ele precisa escolher bem os lápis ou canetas coloridas, que não devem ter ponta muito grossa, se a finalidade for reproduzir a escrita comum (SILVEIRA, 2002). 2.2.4. CRITÉRIOS PARA EXIBIÇÃO DE VÍDEOS As fitas de vídeo podem ser apresentadas através da fonte auxiliar do videocassete. Todavia, o seu uso deve considerar aspectos da velocidade de transmissão da imagem e do tempo de duração da exibição. Quando um vídeo é exibido durante muito tempo, dispersa a atenção do aluno e afasta a possibilidade de aprendizagem. Isto só não ocorre em momentos especiais, como uma avaliação acadêmica ou em casos em que as imagens são aguardadas com grande expectativa pelos alunos. O tempo recomendável de uso é de três a oito minutos (SILVEIRA, 2002). Uma apresentação com fita de vídeo tem movimento, descreve um processo, ensina habilidades, mostra inter-relações conceituais, e pode 27 modificar atitudes. Seu uso está associado a determinados temas de escolha. O seu aspecto mais favorável de uma fita é o fato de representar a integração de todos os meios audiovisuais que compreendem não só o tratamento de temas que requerem movimentos como também as facilidades para apresentar seqüências de imagens fixas com ou sem demarcação e a contribuição de ambos. Seu uso é bem recebido quando se destina a trabalhos de conceito único, que pode ensinar um procedimento, apresentar informação essencial sobre aspectos específicos de um tema entre outro. 2.2.5. A COMUNICAÇÃO DO PROFESSOR Antes de sentar-se à mesa o professor já planejou de forma cuidadosa o modo como vai agir. Este preparo abrange procedimentos relacionados a como desenvolver a interação, quais os objetivos a serem atingidos, quais os métodos e atividades a serem adotadas, materiais audiovisuais que poderão ser utilizados, qual o tempo destinado a estas atividades e quais os equipamentos necessários. A preparação começa com a roupa. O professor deve preferir cores que permitam o contraste. Cores escuras e neutras facilitam o foco. É necessário lembrar que há diferenças entre a imagem que se vê em uma videoconferência e a que se vê na televisão. As imagens da videoconferência estão sujeitas a velocidade de transmissão. Isto significa que se a velocidade for baixa os tons das cores ficarão ainda mais comprometidos. É o caso do vermelho, que pode provocar vazamento de cor e dar a impressão de indefinição dos limites da roupa. Roupas de algodão ou muito vistosas encobrem demasiadamente o formato do corpo, dos ombros e braços, causando uma sensação visual desconfortável ao aluno que não tem noção gestáltica da figura. Também se deve ter cuidado com os decotes. Dependendo do posicionamento da câmera, um decote natural num ambiente comum é realçado na videoconferência (SILVEIRA, 2002). 28 É oportuno lembrar que cabelos muito longos e desalinhados influenciam negativamente a reação do aluno. Cortes e penteados extravagantes precisam ser evitados, pois tendem a descriar o foco da atenção. Franjas muito longas podem desfigurar a imagem do professor. A maquiagem tem que ser discreta para evitar que a imagem do rosto torne-se artificial o que também prejudica o professor. O professor videoconferencista começa a se comunicar quando a sua imagem aparece na tela do monitor de TV das salas remotas. Regras básicas para o uso do equipamento (SILVEIRA, 2002): Sentido horizontal - fornece um ângulo de visão que mostra os braços dobrados a uma certa distância um do outro sobre a mesa e junto ao corpo de forma completa. Sentido vertical - fornece um ângulo de visão que mostra os cotovelos quando os braços estão tocando a base da mesa, e ao mesmo tempo a cabeça, que deve estar próxima do topo do monitor, o suficiente para não dar a sensação de corte nas pontas dos cabelos ou da testa durante o movimento. Durante a aula a mesa não deve ser mostrada, mas o aluno precisa ter noção de que há uma base de apoio para as mãos. Quando o professor acompanha apenas uma atividade dos alunos é aconselhável usar um plano mais aberto para mostrar melhor o cenário. Ao sentar-se, é preciso observar se o corpo não está inclinado para frente nem para trás, já que isto afeta a respiração e o cansaço além de comprometer a estética. É necessário que o corpo (troco e cabeça) esteja equilibrado alinhado com a coluna reta; o professor deve sentir o encosto da cadeira. Recomenda-se evitar cadeiras com encosto lateral, já que elas permitem ao professor “descansar” os braços sobre ela afastando-se das mãos, o que aumenta a sobrecarga nos ombros e prejudica a coluna. Os ombros devem estar alinhados, a cabeça deve ficar na linha média, centro em simetria com ombros e o corpo (SILVEIRA, 2002). 29 Assim que começar a aula o professor deverá olhar para a câmera. Este olhar tem o mesmo significado do olhar de alguém falando com outra pessoa. Em determinados momentos o professor desvia o olhar, como se justificasse um pensamento, um detalhe ou simplesmente para mostrar que está procurando alguma coisa. Logo em seguida ele se volta para a câmera. Isto inculte no aluno a noção de que é importante estar ali, assistindo e ouvindo o que diz o professor. O sistema de vídeo comprimido da videoconferência não consegue transmitir movimentos ligeiros sem alguma perda de qualidade de imagem. O professor deve mover-se e gesticular normalmente, evitando balanços ou gestos muito rápidos. O professor videoconferencista tem de se comunicar bem com a voz e o corpo. O aluno capta o sentido afetivo e semiótico da comunicação. Quando o professor falar, deve fazê-lo de forma natural e com voz forte, mas que não dê a impressão de estar gritando. O microfone da videoconferência é muito sensível, por isso é preciso cuidado para não deixar cair canetas, livros ou outros objetos. O bloqueio do microfone não deve ser usado durante a aula, sem o professor explicar o motivo aos alunos das salas remotas. Se não for possível antes, depois deverá ser explicado ao aluno o que de fato aconteceu. Na comunicação, há sempre um atraso natural do áudio em relação ao vídeo, denominado delay, que obriga a uma espera mais longa do que a usual para obter uma resposta. O tom de voz deve ser natural e calmo. É preciso avaliar se os alunos estão atendendo o que está sendo falado. Isto leva em conta o ritmo da fala, a dicção, o uso de entonações e uma linguagem de signos acessível aos alunos. A experiência adquirida no ensino em sala de aula convencional habilita o professor a apresentar-se bem através da fala. O processo de interação com o aluno é fundamental para o sucesso da videoconferência. A aula não deve ser desenvolvida sem a participação do 30 aluno a cada sete ou oito minutos. No caso de videoconferência multiponto com classes de alunos, não é necessário que o professor chame todas as turmas nestes intervalos. Ele pode chamar apenas uma de cada vez, deixando para chamar todas quando uma integração geral for exigida (SILVEIRA, 2002). 31 CAPÍTULO III – A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E AS NOVAS TECNOLOGIAS 3.1. UM NOVO PARADIGMA: A SALA DE AULA VIRTUAL O ambiente virtual da videoconferência propicia a interação síncrona ou assíncrona entre alunos, professores e tutores. Síncrona, utiliza ferramentas de comunicação que exigem a participação dos estudantes e professores em eventos marcados com horários específicos “chats”, videoconferência ou áudioconferência através da web. Assíncrona, utiliza ferramentas que possibilitam a manutenção de debates em fóruns na web, listas de discussão por correio eletrônico e “new’s group”, e ferramentas que permitem a troca de trabalhos através da rede. Segundo Varella (2002), o ambiente virtual é um software que oferece estruturas para a criação de uma universidade virtual, baseado na Internet. Dessa forma, pode ser acessado por usuários independentemente da sua localização geográfica, bastando para isso, um computador ligado a rede. Esse software permite a manutenção de cursos à distância e a administração das funções nele envolvidas, como criação de turmas, avaliações on-line, acompanhamento de alunos, consulta ao material didático disponibilizado pelos professores, entre outros. No ambiente virtual o processo de ensino aprendizagem conta com ferramentas de comunicação própria do mundo digital, como correio eletrônico, chat, Frequently Asked Questions (FAQ) , fórum de discussão e quadro de avisos. A tecnologia faz da videoconferência uma mídia que tem característica tanto do ensino presencial, quanto do ensino a distância. Considerando o fator espaço, a videoconferência é um meio semelhante aos demais, na EAD, já que professor e alunos estão separados geograficamente. Considerando o fator 32 tempo, a videoconferência é um meio semelhante a educação presencial, pois o professor e alunos comunicam-se ao mesmo tempo. A separação de ambientes físicos entre as pessoas durante uma videoconferência faz dela uma mídia de trabalho a distância. A recomendação ITU – TF730, de agosto de 1992, da International Telecommunication Union, define-a como um serviço audiovisual de conversação interativa que, promove uma troca bidirecional, e em tempo real, de sinais de áudio e vídeo entre grupos de usuários em dois ou mais locais distintos (OLIVEIRA, 1996 apud SILVEIRA, 2002). Assim a aplicação da videoconferência no ensino está normalmente ligada a modalidade de educação à distância. Porém ela apresenta características específicas que aproximam e/ou afastam tanto do ensino presencial quanto do ensino à distância. Os ambientes virtuais ganham força quando prometem que mesmo separados espacialmente, alunos e professores podem estar juntos temporalmente. São também chamados de redes colaborativas, por serem considerados ambientes cooperativos. A principal vantagem desta mídia é a possibilidade de interação síncrona entre aluno e professor. 3.2. O PROFESSOR MIDIÁTICO E SEUS DESAFIOS O ensino a distância por meio da videoconferência representou uma série de mudanças na rotina dos professores. O acréscimo de novas informações, novos contextos mediados pelo avanço tecnológico e a perda do contato físico com os alunos levaram os professores a tentar suprir as carências sentidas por compensações adaptadas para o ambiente audiovisual. Em alguns trabalhos (CRUZ, 2003; TAVARES, 2006) que trazem relatos de professores que trabalham com esta metodologia, percebe-se que os mesmos tentam adaptar ao máximo seu modo de trabalhar às necessidades do ambiente da videoconferência, buscando alterar minimamente sua rotina 33 profissional e desenvolvendo estratégias conhecidas mais utilizadas de um modo novo. Uma das maiores dificuldades dos professores tem a ver com a ausência de uma alfabetização dos meios audiovisuais e da necessidade de se preparar melhor os materiais didáticos para a tela da televisão. Às vezes a falta de conhecimentos de todas as vertentes trazidas por esta tecnologia pode fazer com que a aula de um professor não seja animada o suficiente para prender a atenção do espectador (aluno) e que seja pobre na utilização de recursos audiovisuais, o que conseqüentemente pode levar a perda da qualidade de ensino por esta metodologia. Em termos de linguagem audiovisual, alguns trabalhos evidenciam as dificuldades de alguns educadores na utilização deste recurso como, por exemplo, na utilização do uso de enquadramento de câmera como recurso didático e afetivo ou por se desculparem por ainda não conseguir usar de maneira adequada o que havia visto em oficinas de preparação para aulas por meio de videoconferência (CRUZ, 2003). Percebe-se com isso, que para ter competência para ensinar com tecnologias, como afirma PERRENOUD (2000), não basta apenas conhecer e aprender a usar os instrumentos, mas é preciso desenvolver uma capacidade de dominar a lógica que eles trazem, que demandam e proporcionam uma mudança de paradigma. Nas palavras de PERRENOUD a verdadeira incógnita, “é saber se os professores irão apossar-se das tecnologias como um auxílio ao ensino, para dar aulas cada vez mais bem ilustradas por apresentações multimídia, ou para mudar de paradigma e concentrar-se na criação, na gestão e na regulação de situações de aprendizagem” (op. cit., p. 139, itálico no original). Diante de toda especificidade e de todos os recursos que um professor videoconferencista deve apreender (como já discutido anteriormente) para conseguir sucesso na relação de ensino-aprendizagem com utilização desta metodologia, precisa-se saber que este educador antes de mais nada é um 34 professor; e que seu sotaque, sua dicção, seu jeito de se comunicar, devem ser autênticos na utilização das técnicas básicas de comunicação. Ao se pretender orientar e treinar o professor como se faz com um apresentador de televisão, um locutor, um ator, corre-se o risco de descaracterizá-lo com alguém que comunica conteúdos didáticos no processo ensino-aprendizagem por videoconferência. O uso da tecnologia facilita a comunicação com os alunos na medida em que se adquire confiança, consegue-se maior naturalidade. Este é o momento principal da comunicação, em que mesmo sem seguir criteriosamente os esquema técnico da comunicação, o professor consegue ser expressivo e comunicativo. Os requisitos básicos são conseguidos através de exercícios práticos e da vivência na aula de videoconferência.(SILVEIRA, 2002) O uso adequado das técnicas de comunicação leva a vivência. Vale ressaltar que não é a experiência do educador enquanto professor de ensino presencial que também irá definir seu sucesso na carreira de professor videoconferencista. Características técnicas, condições de espaço e tempo e o trabalho com material audiovisual são algumas das condições que requerem uma postura diferenciada no desenvolvimento da aula que utiliza uma nova tecnologia. Professor e aluno precisam entrar no novo processo como participantes ativos e não como espectadores contemplativos. A ansiedade de um primeiro momento é apenas mais um desafio que exige não apenas contemplar e admirar, mas experimentar mudar, trocar, adaptar. Para se adaptar a tecnologia, o professor deve usá-la da forma mais completa possível. Ao contrário, se imaginar que só basta usar a câmera e o microfone para dar as suas aulas, por certo terá dificuldades. A formação do professor apresenta grandes desafios, envolvendo mais do que prover conhecimentos sobre novas tecnologias ou meramente empregar as novas tecnologias para um ensino reprodutivo. É necessário que 35 a atuação do professor propicie vivências de experiências que contextualizem o conhecimento que o professor constrói, pois a prática dos mesmos e a presença dos seus alunos é que irão determinar o que deve ser abordado nos cursos de formação. Nos dias atuais um profissional não se prepara apenas para o exercício de uma profissão que lhe acompanhará para o resto da sua vida, mas sim para acompanhar as mudanças que permeiam a sua profissão tanto no aspecto técnico como tecnológico. Segundo Lévy (1996, p.54) “as pessoas não apenas são levadas a mudar várias vezes de profissão em sua vida, como também, no interior da mesma profissão, os conhecimentos têm um ciclo de renovação cada vez mais curto”. Inclusive, como afirma Lévy (1999, p.73), “a própria noção de profissão torna-se cada vez mais problemática”. Os conhecimentos e habilidades empregados em um campo profissional já não são mais estáveis; em intervalos de tempo cada vez mais curtos, transformam-se ou, até mesmo, tornam-se obsoletos. Além de novas formas de trabalho as crescentes demandas resultantes dos avanços que a ciência introduz em todos os campos da área do conhecimento (sistemas de comunicação, transporte, lazer, organização, etc.), requerem o acesso a novas informações, o desenvolvimento de novas habilidades para a adaptação e a assimilação destas mudanças. A formação do professor insere-se como ponto chave para a modernização do ensino. A necessidade de atualização constante do professor cresce, não só em relação a sua disciplina específica, como também no que se refere às metodologias de ensino e às novas tecnologias como o caso das aulas por videoconferência. A capacitação profissional do docente deve atender as mesmas exigências dos demais setores da sociedade: formar um ser autônomo, não receptor de informações pré-construídas, ou mero receptor de modelos estáticos em sua atuação profissional. Valente (1997) afirma que: A formação do professor deve prover condições para que ele construa conhecimentos, entenda porque e como 36 integrar o computador na sua prática pedagógica e seja capaz de superar barreiras de ordem administrativa e pedagógica. Essa prática possibilita a transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem integradora de conteúdo e voltada para a resolução de problemas específicos do interesse de cada aluno. Finalmente devem-se criar condições para que o professor saiba recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante a sua formação para a sua realidade de sala de aula compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que dispõe atingir. A formação do professor e sua atualização constante é uma exigência da sociedade e o ponto chave para a modernização do ensino (como destaca Perrenoud apud Chakur, 1995, p. 80) “é possível que a formação básica do professor não dê mais conta das mudanças rápidas e diversificadas que acompanham a evolução das condições do exercício do magistério”. Verifica-se assim a necessidade de uma formação continuada. Como descreve Demo (1998, p.191), “nenhuma profissão envelhece mais rapidamente do que a do professor, precisamente porque lida mais de perto com a lógica do conhecimento. Mas decisivo do que colher um diploma é manter-se atualizado pela a vida afora”. É pertinente que os professores compreendam a importância da sua profissão no contexto social como um ser político atuante, aberto a mudanças no exercício da sua práxis pedagógica. O aperfeiçoamento contínuo proporciona ao professor segurança, possibilita enfrentar desafios com maior naturalidade. Em um momento social onde não existem regras definidas de atuação, cabe ao professor o exame crítico de si mesmo procurando orientar seus procedimentos de acordo com o seus interesses e anseios de aperfeiçoamento e melhoria do desempenho (KENSKI, 1998). As políticas públicas têm o dever de atender as demandas de formação e atualização dos professores para permitir a democratização do ensino e ao mesmo tempo fornecer aos professores as competências 37 necessárias para que tenham condições de responder aos desafios impostos no seu cotidiano. Cabe a universidade fornecer uma informação inicial em consonância com a prática viabilizando a formação continuada, pois a universidade é o local por excelência de construção do conhecimento e do pensamento teórico. A sociedade moderna impõe novos conhecimentos no campo da educação e conseqüentemente, na formação do professor. O uso de novas de tecnologias na formação do docente requer deste profissional, conhecimento mais amplo das diferentes linguagens da mídia de modo a integrar-se verdadeiramente no processo educativo e assim melhorar a qualidade do ambiente de aprendizagem. Segundo Perrenoud (2000), formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o censo crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos e imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação. É necessário que os professores percebam que a tecnologia é uma ferramenta facilitadora, um suporte valioso para a sua prática pedagógica, portanto o desafio maior é formar o professor, não apenas para usar o computador, mas para buscar conhecimentos técnicos e pedagógicos que permitam o emprego correto e mais adequado desta tecnologia em sala de aula. O educador precisa ser curioso, buscar sentido para a profissão que exerce, pois ele é o arbitro diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. O professor tem a função de transformar a informação em conhecimento, em consciência crítica e principalmente em formar pessoas dando sentido para suas vidas, portanto jamais a tecnologia substituirá o professor mesmo diante dos grandes avanços tecnológicos a presença do docente é imprescindível. Para tanto, percebe-se que para preparar o professor para o uso das TCI (Tecnologias de Comunicação e Informação), faz-se necessário que 38 flexibilize o currículo disponibilizando uma disciplina que comece a preparar o professor durante a sua formação inicial e permaneça durante toda a formação pautada na interdisciplinaridade na relação teórica-prática nos diversos conteúdos pedagógicos o que se leva a crer que sem uma formação condizente com as necessidades da sociedade contemporânea, o professor enfrentará dificuldades para solucionar problemas cuja complexidade excede sua competência. O presente capítulo buscou discutir sobre as transformações que vêm ocorrendo nas diversas esferas da sociedade com o acelerado desenvolvimento das TCI que passam a exigir novas posturas, tanto das instituições educacionais, quantos dos professores, principalmente daqueles que estão se inserindo no curso de Educação à Distância e que estão buscando como metodologia de ensino aulas por videoconferência. Observa-se, contudo, a necessidade de uma incorporação dos docentes frente a estas novas tecnologias, dentro de uma perspectiva crítica, como forma de superar o paradigma da oralidade e da palavra escrita a partir da valorização de sons, imagens, animações, etc. (como já descrito anteriormente no capítulo II), buscando explorar novas formas para que o aluno possa chegar ao conhecimento e atender às novas demandas educacionais. Fica claro também com base nos pesquisadores já citados, que os professores em sua maioria ainda não se encontram devidamente capacitados para a utilização destas tecnologias, entre outros motivos, devido à deficiente formação inicial que é fornecida pelos cursos existentes no mercado educacional. A formação inicial do professor, apesar das limitações que lhe são inerentes, deve fornecer tanto, condições básicas para que possa fazer o uso adequado dos recursos tecnológicos que lhe são disponibilizados, quanto os subsídios necessários para que ele possa, ao longo de sua carreira, dar continuidade a sua formação que, em tempos de globalização, deve ser permanente. 39 Desta forma, o educador poderá melhorar não só sua eficiência na aprendizagem dos seus alunos dentro de um projeto pedagógico que contribua para a formação de cidadãos que não se limitarão a atender às exigências apresentadas pela sociedade e pelo mercado, sendo capazes de analisar criticamente a realidade a qual estão inseridos, como também contribuir para a redução das desigualdades sociais e ampliação das oportunidades de realização pessoal e profissional. 40 CONCLUSÃO A aula por videoconferência é um novo tipo de educação à distância, que exige que se repense a atuação e a preparação do professor. No ambiente da videoconferência, conhecido também como virtual ou midiatizado, os professores colocam em xeque seu modo de ensinar para se adaptar às limitações e condições técnicas possível neste ciberespaço. “É necessário, sobretudo, que os professores se sintam confortáveis para utilizar esses novos auxiliares didáticos. Está confortável significa conhecê-lo, dominar os principais procedimentos técnicos para a sua utilização, avaliá-los criticamente e criar novas possibilidades pedagógicas, partindo da integração desses meios como processo de ensino (KENSKI, 2003)”. Este trabalho visa trazer a importância de se criar um programa para a formação do professor midiático, aquele que não apenas media o processo do conhecimento, mas trabalha dentro da interface, dominando o audiovisual não apenas como uma ferramenta, mas como a essência do seu modo de trabalhar. O conceito de professor midiático mostrou-se adequado para descrever as novas funções docentes no ambiente virtual, imerso na comunicação à distância, potencializado pela tecnologia e ainda em processo de aprendizagem sobre suas tarefas e comportamentos. 41 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA CHAKUR, Cilene R. de Sá Leite. Níveis de construção da profissionalidade docente: um exemplo com professores da 5ª a 8ª séries. Cadernos CEDES, Campinas, n. 36, p.77-93, 1995. CRUZ, D.M. A formação docente para a educação a distância por videoconferência e o domínio da linguagem audiovisual. Trabalho apresentado no Núcleo de Comunicação Educativa, INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Belo Horizonte/MG, 02 a 06 de setembro de 2003. CRUZ, D.M.; BARCIA, R.M. Educação a distância por videoconferência. Rev. Tecnologia Educacional, ano XXVIII, n. 150/151, julho/dezembro, 2000, p. 3-10. CRUZ, D.M.; MORAES, M. 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