UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
O PROFESSOR FRENTE À EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA:
A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO
DIDÁTICO DE ENSINO
Maria Angélica Ferreira Dantas Guimarães
Prof. Orientador Antônio Fernando Vieira Ney
Salvador – Bahia
Novembro – 2008
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
O PROFESSOR FRENTE À EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA:
A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO
DIDÁTICO DE ENSINO
Trabalho
monográfico
apresentado
como
requisito parcial para obtenção do grau de
especialista em Docência do Ensino Superior,
pela autora Maria Angélica Ferreira Dantas
Guimarães, sob a Orientação do Professor
Antônio Fernando Vieira Ney.
Salvador – Bahia
Novembro – 2008
3
AGRADECIMENTOS
A Deus por ter me dado força, perseverança e coragem
durante o caminhar deste trabalho.
Ao meu orientador Antônio Fernando Vieira Ney por estar
sempre presente quando solicitado indicando o caminho
mais adequado a seguir, contribuindo de forma significativa
para o desenvolvimento e finalização deste trabalho,
solucionando dúvidas, injetando ânimo, permitindo assim
torná-lo real.
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha família, pelo incentivo e
colaboração nos momentos mais difíceis dando-me forças
para levá-lo a sua finalização.
Também em especial a Talita minha filha, que durante o
processo da elaboração foi a minha consultora permanente
tornando o percurso mais leve e menos solitário.
5
RESUMO
As tecnologias de informação e comunicação com o seu processo de
aceleração de desenvolvimento tem proporcionado novas perspectivas na área
educacional, principalmente na Educação à Distância. Isto ocorre através de
ambientes digitais, facilitando o processo ensino aprendizagem e a qualificação
profissional. Desta forma são criados novos espaços de produção do saber em
salas de aula interativas, tendo como metodologia a videoconferência, Internet,
vídeo, onde o professor assume o papel de mediador e o aluno o produtor do
seu próprio saber. Neste contexto o ciberespaço desfaz a idéia de tempo
determinado para a capacitação profissional e vira sala de aula. O
conhecimento está na rede permitindo o acesso aos novos sistemas
educacionais, encurtando as distâncias geográficas, rompendo paradigmas,
conectando pessoas e interligando culturas. Diante deste cenário, o presente
trabalho tem o objetivo de fazer uma breve reflexão sobre os desafios do
professor no processo de adesão da videoconferência como tecnologia
utilizada nos cursos de Pós-Graduação do Ensino Superior, visando o
levantamento de questões que contribuam para a explanação deste tema,
tendo em vista sua importância para o desenvolvimento satisfatório do
processo educativo no ambiente virtual.
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METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão sistemática, cujo caráter retrospectivo
e secundário, destaca-se no seu modelo desenhado e conduzido após
publicação de muitos estudos sobre um tema. Neste projeto serão utilizadas
bases de dados virtuais e documentos publicados para coleta do maior número
de informações possíveis a cerca do objeto. Um estudo desta natureza serve
para nortear o desenvolvimento de projetos, indicando novos rumos para
futuras investigações e identificando questões de interesse ainda não
esclarecidas.
Este tipo de pesquisa, geralmente descritiva, inicia-se com um estudo de
base exploratória, tentando conseguir o máximo de informações sobre o objeto
analisado, para, ao final conseguir construir hipóteses. Dessa forma, uma
revisão sistemática depende da qualidade da fonte primária.
Para tanto na revisão bibliográfica utilizou-se como critério de inclusão a
definição dos termos: Educação à Distância, Videoconferência, Professor, PósGraduação. Centralizando na temática da videoconferência como método de
ensino, visto que a principal questão a ser respondida neste projeto diz respeito
ao posicionamento do professor frente a este método. A busca se limitou aos
artigos escritos em Língua Portuguesa.
As fontes utilizadas incluem artigos de sites de busca virtual e fontes
documentais extraídas de livros, jornais e revistas que abordaram o tema nos
últimos dez anos. A busca em base de dados eletrônica e em outras fontes é
uma habilidade importante no processo de realização de uma revisão
sistemática, considerando que sondagens eficientes maximizam a possibilidade
de se encontrarem artigos relevantes em um tempo reduzido, conforme afirma
Sampaio & Mancini (2007).
A partir da seleção dos artigos realizou-se uma leitura analítica a fim de
caracterizar cada estudo selecionado, avaliar a qualidade deles, identificar
conceitos importantes, comparar as análises estatísticas apresentadas e
7
concluir sobre o que a literatura informa em relação à determinada intervenção,
apontando ainda problemas e/ou questões que necessitam de novos estudos e
comparando exemplos ou situações semelhantes para compreensão dos fatos
estudados.
Ao final da sistematização serão apresentadas reflexões e hipóteses que
possam contribuir para orientar o desenvolvimento de novas estratégias, neste
campo de atuação do professor, dando suporte para propostas de um
programa direcionado a melhoria das condições de trabalho e de educação no
ambiente virtual.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
09
CAPITULO I
ESTUDO, PESQUISA E REFLEXÃO
13
CAPÍTULO II
A VIDEOCONFERÊNCIA COMO MÉTODO DIDÁTICO DE ENSINO
17
CAPÍTULO III
31
A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E AS NOVAS TECNOLOGIAS
CONCLUSÃO
40
BIBLIOGRAFIA
41
9
INTRODUÇÃO
O mundo contemporâneo é o mundo do desenvolvimento crescente
das tecnologias de comunicação e como tal de grande relevância na
educação, especificamente a Educação à Distância (EAD), levando em
consideração a dimensão continental existente no Brasil, as dificuldades de
locomoção das pessoas de locais longínquos dos centros universitários e
universidades.
As telecomunicações têm revolucionado as formas de se produzir o
conhecimento, com os sistemas de rede conectados aos computadores e
internet. O conhecimento antes dado em sala de aula tradicional num mundo
acadêmico fechado, hoje passa por um novo panorama de sistemas de rede,
determinantes para diminuir as desigualdades regionais existentes no território
brasileiro, possibilitando oportunidade de estudo, pesquisa, capacitação e
aprimoramento profissional.
Nesse
cenário
de
constante
transformação,
é
questão
de
sobrevivência aprender o tempo todo, para não ficar ultrapassado. Se não
acompanharem as mudanças, os indivíduos, mesmo recém saídos das
instituições educacionais, simplesmente não estarão preparados para o
mercado de trabalho.
As organizações modernas são capazes de conectar o local e o global
de forma que seriam impensáveis em sociedades mais tradicionais, e assim
fazendo, afetam rotineiramente a vida de milhões de pessoas (GIDDENS,
1991).
O mundo globalizado exige um novo perfil do trabalhador criando
novas exigências para a Universidade em termos de formação de mão de obra.
Grandes empresas estão criando Universidades Corporativas para formar,
treinar e requalificar seus funcionários. Universidades e centros de formação se
preparam para oferecer cursos de todos os níveis para estudantes de qualquer
lugar do mundo. No Brasil, parcerias, convênios, acordos e redes de
10
cooperação entre instituições educacionais, começaram a se formar no final
dos anos 90, para oferecer cursos à distância (CRUZ & BARCIA, 2000).
A oferta de educação a distância vem sendo possível pelo
barateamento dos equipamentos de informática e da infra-estrutura telefônica e
de transmissão de dados. Através da internet, por exemplo, ferramentas
potentes, bancos de dados e espaços de aprendizagem colaborativa e
individual podem ser acessados em instituições educacionais espalhadas pelo
mundo. Com isso, novos modos de aprender começaram a ser criados a partir
de relacionamentos virtuais dentro dos ambientes informatizados, pois a
Internet possibilita o acesso ao conhecimento individual ou grupal, tornando a
educação mais democrática e menos excludente.
O fim da distinção entre o que é ensino presencial e a distância,
parece estar começando a acontecer, já que o uso das redes de
telecomunicações
e
dos
suportes
multimídia
interativos
vêm
sendo
progressivamente integrados às formas mais clássicas de ensino. Essa é uma
tendência em universidades nos países mais ricos onde, em paralelo à oferta
de cursos à distância, os professores começam a incorporar às disciplinas
presenciais as ferramentas da Internet: correio eletrônico para comunicação
extraclasse, páginas na Web para disponibilizar os conteúdos.
No Brasil, a criação dos cursos à distância nas universidades, começa
a exigir que sejam desenvolvidas novas competências dos professores. Dentre
as habilidades necessárias estão àquelas voltadas a questões de estética dos
materiais didáticos, de formulação e cumprimento de objetivos pedagógicos
que incorporem as condições da distância física, de transformações do
conteúdo aos formatos das novas mídias, de aspectos relacionados a novas
rotinas de trabalho e de comunicação com os alunos. Essas exigências fazem
com que os professores tenham que buscar conhecimentos de outras áreas
para dar conta das mudanças nos processos de produção das aulas à
distância.
A prioridade na área das telecomunicações é formar profissionais para
a produção de educação à distância, pesquisadores e produtores de
11
multimídia, hipermídia, realidade virtual, entre tantas outras aplicações das
novas mídias digitais.
Diante deste contexto, será exigida uma transformação estrutural no
sistema educacional superior criando novos paradigmas, ampliando e
flexibilizando o conhecimento acadêmico dentro da nova ordem social do
mundo globalizado que exige cada vez mais preparo e eficiência dos
profissionais de educação no uso das novas tecnologias como forma de
superação do velho sistema ainda vigente.
O presente trabalho justifica-se pela característica de inovação que
possui o objeto de estudo, dada a expansão dos cursos oferecidos à distância
através de tecnologias interativas, sugerindo a necessidade de pesquisa na
área para fundamentar a inserção desses novos processos, contribuindo com
sua proposta interdisciplinar ao incluir as questões pedagógicas relacionadas
ao uso de novas mídias como pauta de questões a serem estudadas.
Tem-se como objetivo a realização de uma breve reflexão sobre os
desafios do professor no processo de adesão da videoconferência como
tecnologia utilizada nos cursos de Pós-Graduação à Distância do Ensino
Superior, visando o levantamento de questões que contribuam para a
explanação
deste
tema,
tendo
em
vista
sua
importância
para
o
desenvolvimento satisfatório do processo educativo no ambiente virtual.
A importância desta pesquisa torna-se relevante pelo fato de que os
cursos de Pós-Graduação à distância por videoconferência das Universidades
são os únicos oferecidos regularmente no Brasil.
O trabalho está distribuído em três capítulos. No capítulo I, Estudo
pesquisa e reflexão, abordam-se sobre o EAD no Brasil e a sua legislação. No
capítulo II, A videoconferência como método didático de ensino, aponta as
vantagens e desvantagens, significado e classificação, a sala de aula virtual, o
professor midiático e seus desafios. O capítulo III discorre sobre a formação do
professor frente as novas tecnologias, suas dificuldades e desafios. E por fim
as considerações finais em que se expressa a necessidade de criar um
12
programa para a formação do professor midiático e as novas funções do
docente na sala de aula virtual.
13
CAPÍTULO I – ESTUDO PESQUISA E REFLEXÃO
1.1 - EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NO BRASIL E LEGISLAÇÃO
Segundo MORAM, Educação a Distância (EAD) é o processo ensinoaprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão
separados espacial e/ou temporalmente.
A maior parte das instituições que oferecem cursos à distância também
o fazem no ensino presencial. Esse é o modelo atual predominante no Brasil.
MORAM, ainda afirma que a EAD não é um fast food em que o aluno
se serve de algo pronto. É uma prática que permite um equilíbrio entre as
necessidades e habilidades individuais e as do grupo de forma presencial e
virtual.
Nessa
perspectiva,
é
possível
avançar
rapidamente,
trocar
experiências, esclarecer dúvidas e inferir resultados.
No final do Século XX iniciou-se a EAD no Brasil com a utilização de
material impresso distribuído pelo sistema de postagem ou em modelos
acompanhando jornais. Esse tipo de EAD era unidirecional e logo se detectou
problemas de comunicação entre alunos e professores.
Com o passar do
tempo houve avanços nas tecnologias e com isto formou-se uma educação a
distancia em que professores e alunos passaram a ter mais contato e
qualidade nos estudos via comunicação bidirecional.
FREITAS (1999), afirma que no Brasil as experiências em EAD ainda
são escassas e localizadas em algumas Universidades ou em Escolas
particulares. Encontram-se espalhados pelo país cursos via correspondência,
rádio, televisão, vídeo e, mais recentemente Internet e videoconferência,
contudo os projetos enfrentam dificuldades. Os fatores limitantes relacionam-se
principalmente com a escassez de tecnologia própria no campo da transmissão
e da industrialização do produto cultural.
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Segundo Roberto Fragele Filho, a regulamentação da Educação a
Distância encontra-se expressa no Plano Nacional de Educação – PNE, (Lei
10.172, de 09.01.2001), e pela própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB).
Os dispositivos inseridos na LDB no texto legislativo, ainda que sem
lhe dedicar um capítulo ou uma seção específica é portadora de um forte
simbolismo, pois ela retira a EAD do mundo das sombras e expressa um
imediato reconhecimento e importância para o processo educacional.
Aponta as inúmeras possibilidades de contribuição da EAD para a
universalização democratização do ensino, assim como para o surgimento de
mudanças significativas na instituição escolar, em virtude do seu impacto nas
tradicionais concepções educacionais de tempo e espaço, o PNE indica
claramente, que a EAD não pode mais ser tratada como uma modalidade
supletiva ou complementar ao ensino presencial.
Os impactos descritos pelo PNE apontam para um modelo cooperativo
de enriquecimento mútuo entre os sistemas presenciais e não-presenciais a
partir de duas grandes diretrizes: 1) a ampliação do conceito de EAD a fim de
poder incorporar todas as possibilidades que as tecnologias de comunicação
possam propiciar a todos os níveis e modalidades de educação; 2) o incentivo
a multiplicação de iniciativas, embora sujeitas a padrões de qualidades
elaborados por meio de um sistema de auto-regulamentação e, quando se
tratar de cursos regulares, que concedam direito a certificados ou diplomas
pelo Poder Público.
Ainda, segundo FRAGALE, é no Decreto 2.494/98 que se encontra a
definição legal da EAD, especificamente no Art. 1º, que estabelece como uma
forma de ensino que possibilita auto-aprendizagem, apresentados em
diferentes suportes de informação utilizados isoladamente ou combinados, e
veiculados pelos diversos meios de comunicação.
O Art. 80 da LDB indica quem pode oferecer os cursos à distância,
bem como a forma como deve ser os mecanismos de controle. O mesmo artigo
diz que o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de
15
programas de EAD, em todos os níveis e modalidades de ensino, e estipula
que compete a União: a) realizar o ato de credenciamento das instituições que
poderão oferecê-la com abertura e regime especiais em sua organização; b)
regulamentar os requisitos para a realização de exames de registros de
diplomas.
A competência para promulgação de normas relativas a produção,
controle avaliação de programas de EAD e a autorização para sua
implementação é estabelecida de forma concorrencial entre os respectivos
sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os
diferentes sistemas.
Verifica-se, que a LDB preocupou-se com dois momentos distintos: o
credenciamento de instituições que ficou a cargo da União, e a autorização de
programas, produção, controle e avaliação. A Lei explicitou, de forma
inequívoca as Unidades Federativas competentes por cada um desses atos.
Há, ainda dois outros dispositivos na LDB que trata da EAD: O
Parágrafo 4º do Art. 80 e o Inciso III do Parágrafo 3º Art. 87. O primeiro
assegura a EAD “tratamento diferenciado que incluirá: 1) custo de transmissão
reduzidos em canais comercias de radio difusão sonora e de som e imagem; 2)
concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; 3) reserva de
tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de
canais
comerciais”.
O
segundo
determina
que
“cada
Município
e,
supletivamente, o Estado e a União, deverá realizar programas de capacitação
para todos os professores em exercício, utilizando também, para isto, os
recursos da educação à distância”.
Constata-se aqui que a primeira norma visa à universalização e
democratização do ensino quando os serviços de radio difusão são colocados
de maneira mais acessível à educação dando segurança ao acesso sem ônus
do Poder Público aos canais comerciais e a segunda, busca viabilizar o
desenvolvimento de programas de capacitação e atualização realmente
universais a todos.
16
Sobre a regulamentação do EAD no Brasil, há quem afirme que vários
problemas da EAD no Brasil decorrem ou decorriam da ausência de
regulamentação e que essa demora ilustra a dificuldade de chegar a
consensos num processo inovador (BENAKOUSHE, 2000).
O processo de regulamentação envolve discussões e interesses
vários, o que é plenamente natural. O que não pode prevalecer é a existência
de cursos de má qualidade tendo como finalidade o lucro fácil.
A realidade do Brasil hoje não é de total desregulamentação. Os
fundamentos legais que autorizam a implementação e a aplicação da EAD no
Brasil estão na Lei Federal 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de
Diretrizes e Bases da Educação), cujos regulamentos estão disciplinados nos
Decs. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, 2.561, de 27 de abril de 1998 e na
Portaria Ministerial 301, de 07 de abril de 1998. Visando especialmente ao
ensino de graduação nas universidades, entrou em vigor, em outubro de 2001,
a Portaria 2.253.
Desta forma as modalidades de EAD estão regulamentadas da
seguinte forma: educação à distância fundamental, médio e técnico Decreto
2.494/98, de ensino superior de graduação e educação profissional em nível
tecnológico e finalmente Portaria Ministerial 301 de 1998, de pós-graduação
Resolução CNE/CES 1/2001. Para cada curso que se pretenda oferecer deve
haver o devido credenciamento e autorização para o seu funcionamento.
Outros critérios estão ai definidos, inclusive a exigência de provas presenciais e
defesa presencial de trabalho de conclusão de curso.
17
CAPÍTULO II – A VIDEOCONFERÊNCIA COMO
MÉTODO DIDÁTICO DE ENSINO
2.1. VIDEOCONFERÊNCIA – SIGNIFICADO, CLASSIFICAÇÃO,
VANTAGENS E DESVANTAGENS
O ensino a distância refere-se à aplicação de um conjunto de métodos,
técnicas e recursos, postos à disposição de populações estudantis para que,
em regime de auto-aprendizagem, seja possível adquirir conhecimentos ou
qualificações de diferentes níveis; que, sejam fornecidas as totalidades dos
elementos
didáticos
associados
ao
ensino
de
uma
dada
disciplina
(HENRIQUES, 1997).
Segundo CRUZ & BARCIA (2000) Educação à Distância é a
comunicação realizada em duas vias entre professor e aluno separados por
uma distância geográfica durante a maior parte do processo de aprendizagem,
utilizando algum tipo de tecnologia para facilitar e apoiar o processo
educacional, bem como permitir a distribuição do conteúdo do curso.
No ensino presencial ou tradicional, o professor e os alunos estão
presentes em um mesmo local, ao mesmo tempo. Os alunos têm a
oportunidade de interpelar o professor durante a aula. E o professor, tem
inclusive condições de responder e de incentivar saudáveis discussões entre
os alunos.
No ensino à distância, o professor está em um local e os alunos em
outro. A distância geográfica é a característica fundamental deste sistema de
ensino. Por esta razão, faz-se obrigatório o emprego de um meio de
comunicação eficiente.
Atualmente, a comunicação mais usada entre os mesmos é feita
através de vários tipos de tecnologias (rádio, televisão, vídeos, cd rom, Internet,
videoconferência, comunicação mediada por computador).
18
Destas tecnologias utilizadas no ensino à distância acima citadas, a
videoconferência é a que mais se aproxima de uma situação convencional da
sala de aula, já que, possibilita a comunicação em duas vias entre professor e
aluno, permitindo que o processo de ensino/aprendizagem ocorra em tempo
real (on line) e possa ser interativo, entre pessoas que podem se ver e ouvir
simultaneamente (CRUZ & BARCIA, 2000).
Defini-se videoconferência, como uma tecnologia que permite que
grupos distantes, situada em dois ou mais lugares geograficamente diferentes,
comuniquem-se "face a face", através de sinais de áudio e vídeo, recriando, a
distância, as condições de um encontro entre pessoas. A transmissão pode
acontecer tanto por satélite, como pelo envio dos sinais comprimidos de áudio
e vídeo, através de linhas telefônicas. Dos equipamentos em uso atualmente,
pode-se classificar a videoconferência basicamente em dois formatos: desktop
ou sala (CRUZ & BARCIA, 2000).
O desktop refere-se à comunicação através de uma pequena câmera e
um microfone acoplados a um computador. Neste caso, as pessoas se
comunicam pela Internet através de softwares, muitos deles disponíveis
gratuitamente na própria rede, como é o exemplo do caso do Cu-SeeMe.
As salas de videoconferência podem ser utilizadas em três formatos:
tele-reunião, teleducação e sala de geração, onde atua apenas o professor. A
sala de tele-reunião, mais usada pelo meio empresarial, pode utilizar uma
mesa de formato oval ou trapezoidal, ocupando a parte central da sala,
permitindo a interação entre pessoas de uma mesma sala com as de uma sala
remota.
A sala de teleducação pode ter um formato semelhante ao de uma
sala de aula tradicional ou ser construída como um local apenas de
transmissão para o professor a distância. No primeiro caso, as cadeiras são
dispostas em colunas voltadas para a frente da sala. Ali, em geral, fica a mesa
com os periféricos e os monitores. Se a sala tem função de recepção, ou seja,
apenas alunos participam das sessões, pode-se ter apenas uma câmera
19
colocada acima do monitor de TV e voltada para os estudantes. Se a sala tem
a função de transmitir aulas a distância, mas conta com a presença no local de
professores e alunos, é necessária a instalação de duas câmeras. Uma das
câmeras, voltada para os alunos, é colocada sobre os monitores de TV. A outra
câmera, que acompanha o professor, deve ser colocada no lado oposto, de
frente para ele.
Recomenda-se que as salas sejam estruturadas de forma flexível
(possibilitando mudanças, por exemplo, para reuniões de grupo, apresentação
de seminários, etc.). Para garantir qualidade de interação e de aprendizagem é
preferível manter um limite máximo de 30 alunos (CRUZ & BARCIA, 2000).
No caso da sala voltada apenas para a transmissão, o equipamento de
videoconferência e os periféricos são colocados de frente para um monitor de
TV, que tem, acima dele, a câmera da sala. O objetivo é permitir que o
professor ou palestrante tenha todos os recursos audiovisuais a sua disposição
sem que tenha que se mover para isso. Este formato de sala é desenhado para
instituições que gerem cursos exclusivamente para alunos a distância. É
preciso ter um cuidado especial com o cenário que envolve o professor. Para
que seja eficiente, deve ser esteticamente agradável, de desenho limpo e
simples, de modo a não distrair a atenção da audiência.
Nas três categorias de salas, a iluminação deve ser do tipo difusa e
uniforme, de modo a clarear sem ofuscar. As paredes e a mobília devem evitar
cores muito escuras ou muito claras. É importante eliminar ao máximo o ruído
vindo do exterior, através de um isolamento acústico das paredes. O ar
condicionado deve ser o mais silencioso possível.
CRUZ & MORAES (1998) sugerem que o uso da videoconferência na
educação à distância, tendo em vista o atual panorama tecnológico apresenta
os seguintes prós e contras:
Vantagens:
•
Permite uma transição mais gradual dos métodos presenciais
20
•
Permite
espaço
colaborativo
para
socialização
e
aprendizado
colaborativo em grupo
•
Possibilita escolher e planejar cursos mais interativos para classes
pequenas ou menos interativo para grandes audiências
•
Podem-se escolher os meios de transmissão conforme a possibilidade,
disponibilidade e demanda.
Desvantagens
•
Baixa qualidade de som e imagem
•
Dificuldade de se adaptar a sala de videoconferência a situação didática
•
Altos custos de implementação, instalação e manutenção comparados
com um baixo uso na fase inicial
•
Altos custos de transmissão das linhas telefônicas
•
Desconhecimento - não utilizar todo o potencial didático do meio,
reduzindo-o a mera reprodução de palestras, com pouca interação entre
os participantes.
As experiências de ensino a distância mostram que o uso da
videoconferência motiva positivamente alunos e professores. A utilização de
novas tecnologias no processo ensino-aprendizagem traz, ao mesmo tempo,
curiosidade e apreensão pela possibilidade de experimentar uma nova forma
de metodologia educacional. Representa principalmente um desafio para o
professor, que precisa adaptar sua maneira de ensinar à nova dinâmica da
aula.
2.2. REQUISITOS OPERACIONAIS IMPORTANTES PARA O
PROFESSOR VIDEOCONFERENCISTA
O Conhecimento teórico e prático do uso do equipamento geral
compreende câmera principal, câmera de documentos, microfone, computador
e videocassete. A utilização das câmeras requer o conhecimento prévio de
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planos de imagem (aberta, fechada e close). A função do zoom é adequar os
aspectos físicos do professor (altura e peso) ao espaço visual do monitor e dos
documentos. O microfone controla o volume de voz. O treinamento no
computador é desenvolvido para o uso de recursos (Power Point, Internet), e
para as operações de conexão entre as salas. O videocassete é utilizado para
exibir imagens gravadas.
A partir destes recursos básicos têm-se as seguintes especificidades:
► Controle de Imagem e Som – Algumas videoconferências são
feitas com o uso de console de tela (touchscreen), localizadas diretamente em
frente à cadeira do professor. Com ele é possível variar o ângulo e a mudança
de câmera, o zoom e outros.
Também é possível selecionar a fonte de imagem enviada a outros
sites (câmera, computador, câmera de documentos ou monitores). Outra forma
é utilizar um controle remoto que tem as mesmas funções já citadas no console
de sala. O professor pode com poucas teclas fazer o chaveamento entre
imagem próxima e distante, entradas de câmera, áudio mudo e vídeo sem
imagem. Por meio de um dispositivo os sinais infravermelhos são enviados do
topo do controle remoto e capturados por um receptor sem fio que deve estar
localizado alguns metros de distância.
Há ainda as condições de uso do teclado e do receptor sem fio.
Considerado componente na relação de equipamentos, o teclado é um
periférico útil para compartilhar os dados. Ele envia sinais para o receptor e
oferece as mesmas condições de uso no controle remoto.
► Uso da câmera – Para familiarizar-se com a câmera não é
necessário muito tempo. Recomenda-se que o videoconferencista dedique pelo
menos duas horas ao treinamento de todas as funções.
Uma câmera de videoconferência funciona tanto no sistema NTSC
quanto no sistema DAL e inclui um receptor para sinais infravermelhos da
unidade de controle remoto. Em média o zoom pode ser usado para aproximar
a imagem até doze vezes com captação de imagens num raio de até 200
graus.
22
As operações básicas que um videoconferencista deve fazer são
poucas e simples. O uso fundamental é o movimento horizontal para a
esquerda, centro ou direita; movimento vertical, para cima, centro ou para
baixo; e aproximação ou afastamento por meio do recurso zoom.
As imagens da câmera de videoconferência têm características
específicas que levam em consideração o espaço físico da sala geradora e
salas remotas. Os planos e o enquadramento são baseados no sistema usado
pelo cinema e televisão. O plano ou campo destaca a importância da matéria
em relação aos elementos presentes a imagem. A câmera principal reduz os
elementos visuais a figura do professor na sala geradora. Significa que o
espaço físico para trabalhar a câmera é pequeno, o que leva a utilização de
planos menores (detalhe, close, americano). O espaço é maior (18 a 50
metros) o que leva a utilização de planos menores e médios.
Os planos influenciam no tempo de interpretação da imagem e
exercem efeitos psicológicos sobre o observador. Também a câmera de
documentos pode trabalhar livremente com diversos planos possíveis em
lentes do tipo grande angular.
Os planos que podem ser utilizados na videoconferência são: 1)plano
médio – tem uso freqüente e caracteriza o ambiente, o valor é ainda descritivo ,
mas a imagem passa a ser mais expressiva. O tempo de interpretação da
imagem é entre médio e longo (ex: uma sala de aula de videoconferência
remota onde aparecem os alunos); 2) plano americano – é a tomada parcial do
assunto em seu meio (ex: imagem típica da aula de videoconferência que
mostra a imagem do professor um pouco acima da cintura até sua cabeça); 3)
primeiro plano - é a imagem que apresenta uma parte essencial do assunto,
que por si só é suficiente para lembrá-lo por inteiro (ex: um sorriso que ocupa a
maior parte da tela); 4) plano de detalhe – mostra um detalhe do assunto que
freqüentemente não é suficiente para conduzir-nos ao próprio argumento (ex: o
olho, a mão contra a luz, a chama de um palito de fósforo).
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Os planos mais usados em videoconferência são o plano médio para
mostrar salas de aula, o plano americano para mostrar o professor dando aula
e o primeiro plano e o plano de detalhe para a câmera de documentos.
O uso adequado de um plano tem o poder de ajudar em certas
situações. É o caso de um videoconferencista de baixa estatura. Se ele souber
usar de forma apropriada o plano de câmera, escolherá uma condição
extremamente favorável, que dê a impressão visual de uma estatura maior.
► O uso do microfone - para o professor de videoconferência o uso
do microfone é uma tarefa muito simples, sendo praticamente esquecido
durante a transmissão. Geralmente ele é previamente ajustado após a
instalação dos equipamentos. Neste caso o professor só faz as operações de
bloqueio de áudio, aumento ou diminuição de volume.
Para bloquear o áudio basta prestar atenção a imagem icônica de um
microfone no controle da tela, ou no display da tela do computador. Quando o
som do microfone é bloqueado, bloqueia-se o áudio para as salas remotas.
Esta operação é necessária quando o professor passa alguma atividade para
os alunos e quer impedir que o som saia da sala geradora.
A distância recomendada do microfone é de 15 a 30 centímetros,
variando conforme a capacidade de cobertura do equipamento. Os microfones
de videoconferência tem, em média, uma área de cobertura de 6 metros e
alcance de 180 graus.
2.2.1 PROCEDIMENTOS BÁSICOS
Os procedimentos básicos para a execução de uma videoconferência
variam tanto quanto o uso de equipamentos, cujo número de fabricantes
aumentou de forma significativa nos últimos anos. Qualquer videoconferencista
que for dedicar parte de seu trabalho a aulas de videoconferência deve
conhecer primeiro o tipo de equipamento com o qual vai trabalhar. Isto não é
difícil e é indispensável para a correta utilização das ferramentas.
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Geralmente, quando o professor videoconferencista senta-se em sua
cadeira, já foram tomadas uma série de providências relacionadas ao volume
do microfone, posição da câmera, teste de conexões. Neste caso, o trabalho é
apenas uma rotina básica com poucas operações.
2.2.2. PREPARAÇÃO EM NÍVEL COMUNICACIONAL
A comunicação refere-se ao modo como o professor transmite suas
mensagens aos alunos. A videoconferência é uma grande mídia audiovisual
que trabalha com várias outras mídias audiovisuais. Isto quer dizer que deve
haver variação de estímulos audiovisuais para os alunos. Nenhum professor
por mais experiente e talentoso que seja, consegue permanecer na frente de
uma câmera durante duas, três ou quatro horas, sem usar outros recursos de
imagem.
Entre os meios audiovisuais existentes, estão os slides, material
impresso, cartazes, fotografias, desenhos, para ser utilizado na câmera de
documentos, e as imagens de apresentação em softwares de computador,
como o Power Point, além de fitas de vídeo e efeitos sonoros (músicas,
gravações de vozes, entre outros).
Para
usar
estes
recursos
é
preciso
adotar
a
linguagem
videoconferencial para que a mensagem seja facilmente compreendida pelo
aluno.
2.2.3.
ELABORAÇÃO
DE
MATERIAL
PARA
APRESENTAÇÕES
Antes de preparar qualquer material para exibição no software de
apresentação tipo Power Point, ou na câmera de documentos o professor
videoconferencista precisa estar familiarizado com os equipamentos e com os
recursos. Para tanto é necessário: Planejar as matrizes, os títulos em tamanho
e proporção adequadas; desenhar ilustrações, diagramas figuras, etc.; colorir
para destacar os detalhes, dar ênfase e tornar atrativa as ilustrações; escolher
letras para títulos, indicações, textos, e outros que satisfaçam as condições de
25
legibilidade e composição; montar fotografias, lâminas, mapas, entre outros,
para facilitar o seu uso e melhorar a apresentação; reproduzir materiais em
papel para distribuí-los, se for conveniente, buscando o método mais adequado
entre os que são possíveis.
Na videoconferência deve-se considerar que as imagens estejam no
formato convencional de um monitor de TV, diferente da forma encontrada nas
folhas de papel (21 x 29,7 cm). Assim, ao utilizar o Power Point ou câmera de
documentos, ele deve avaliar como estes recursos podem ser trabalhados
(SILVEIRA, 2002).
Na câmera de documentos a possibilidade de zoom facilita obter
efeitos de imagem adequada. Sempre que estiver produzindo um material o
professor precisa pensar em uma base de encaixe proporcional a razão 4 x 3
cm, para não se afastar do formato do monitor de TV (SILVEIRA, 2002).
É necessário usar a diversidade de estímulos visuais de forma
coerente. Um menor número de elementos na tela é mais agradável e atraente,
reduzir uma longa informação facilita a interpretação do aluno.
O texto deve ser com letras de bom tamanho, com fontes simples e
informações com marcadores. Não deve ser utilizada mais que 25 palavras por
tela. A centralização deve ser evitada a não ser para escrever títulos.
Tudo o que for colocado no quadro deve seguir uma base de equilíbrio
que pode ser formal ou informal. O central tem o eixo central imaginário ao
redor do qual se colocam outros elementos. O informal é assimétrico e os
elementos criam o equilíbrio por seu dinamismo. O formal é utilizado para
escrever títulos e para balancear qualquer texto.
O uso de linhas pode ser positivo, pois alinha permite conectar
elementos visuais ou dirigir o aluno para uma seqüência determinada, ao
observar os elementos. Os espaços abertos entre os elementos visuais e os
textos evitam a sensação de amontoamento. Uma boa distribuição dos
espaços torna efetivo os princípios do desenho.
26
As cores a serem utilizadas, devem ser testadas antes para dar uma
idéia de como ficará no vídeo. As ilustrações de revistas, folhetos e outras
fontes semelhantes podem ser úteis, desde que bem escolhidas e distribuídas
no quadro a ser apresentado.
Ao exibir o material o professor deve conceder um tempo determinado
para cada ilustração e permitir tempo suficiente para que os alunos vejam os
gráficos e/ou apresentações. Não é recomendável permanecer com a mesma
imagem por muito tempo.
Antes e depois de cada ilustração ser apresentada na tela do Power
Point ou na câmera de documentos, a imagem que deve aparecer é a imagem
do professor videoconferencista.
Uma forma recomendável é que o professor, pelo menos a cada três
quadros apresentados, mostre a sua imagem enquanto faz comentários. O
professor pode usar o computador ou na câmera de documentos, o recurso
para escrever, ao usar este tipo de atividade na câmera de documentos, como
ilustração da sua sala de aula. Ele precisa escolher bem os lápis ou canetas
coloridas, que não devem ter ponta muito grossa, se a finalidade for reproduzir
a escrita comum (SILVEIRA, 2002).
2.2.4. CRITÉRIOS PARA EXIBIÇÃO DE VÍDEOS
As fitas de vídeo podem ser apresentadas através da fonte auxiliar do
videocassete. Todavia, o seu uso deve considerar aspectos da velocidade de
transmissão da imagem e do tempo de duração da exibição.
Quando um vídeo é exibido durante muito tempo, dispersa a atenção
do aluno e afasta a possibilidade de aprendizagem. Isto só não ocorre em
momentos especiais, como uma avaliação acadêmica ou em casos em que as
imagens são aguardadas com grande expectativa pelos alunos. O tempo
recomendável de uso é de três a oito minutos (SILVEIRA, 2002).
Uma apresentação com fita de vídeo tem movimento, descreve um
processo, ensina habilidades, mostra inter-relações conceituais, e pode
27
modificar atitudes. Seu uso está associado a determinados temas de escolha.
O seu aspecto mais favorável de uma fita é o fato de representar a integração
de todos os meios audiovisuais que compreendem não só o tratamento de
temas que requerem movimentos como também as facilidades para apresentar
seqüências de imagens fixas com ou sem demarcação e a contribuição de
ambos. Seu uso é bem recebido quando se destina a trabalhos de conceito
único, que pode ensinar um procedimento, apresentar informação essencial
sobre aspectos específicos de um tema entre outro.
2.2.5. A COMUNICAÇÃO DO PROFESSOR
Antes de sentar-se à mesa o professor já planejou de forma cuidadosa
o modo como vai agir. Este preparo abrange procedimentos relacionados a
como desenvolver a interação, quais os objetivos a serem atingidos, quais os
métodos e atividades a serem adotadas, materiais audiovisuais que poderão
ser utilizados, qual o tempo destinado a estas atividades e quais os
equipamentos necessários.
A preparação começa com a roupa. O professor deve preferir cores
que permitam o contraste. Cores escuras e neutras facilitam o foco. É
necessário lembrar que há diferenças entre a imagem que se vê em uma
videoconferência e a que se vê na televisão.
As imagens da videoconferência estão sujeitas a velocidade de
transmissão. Isto significa que se a velocidade for baixa os tons das cores
ficarão ainda mais comprometidos. É o caso do vermelho, que pode provocar
vazamento de cor e dar a impressão de indefinição dos limites da roupa.
Roupas de algodão ou muito vistosas encobrem demasiadamente o
formato do corpo, dos ombros e braços, causando uma sensação visual
desconfortável ao aluno que não tem noção gestáltica da figura. Também se
deve ter cuidado com os decotes. Dependendo do posicionamento da câmera,
um decote natural num ambiente comum é realçado na videoconferência
(SILVEIRA, 2002).
28
É oportuno lembrar que cabelos muito longos e desalinhados
influenciam
negativamente
a
reação
do
aluno.
Cortes
e
penteados
extravagantes precisam ser evitados, pois tendem a descriar o foco da
atenção. Franjas muito longas podem desfigurar a imagem do professor. A
maquiagem tem que ser discreta para evitar que a imagem do rosto torne-se
artificial o que também prejudica o professor.
O professor videoconferencista começa a se comunicar quando a sua
imagem aparece na tela do monitor de TV das salas remotas.
Regras básicas para o uso do equipamento (SILVEIRA, 2002):
Sentido horizontal - fornece um ângulo de visão que mostra os braços
dobrados a uma certa distância um do outro sobre a mesa e junto ao corpo de
forma completa.
Sentido vertical - fornece um ângulo de visão que mostra os cotovelos
quando os braços estão tocando a base da mesa, e ao mesmo tempo a
cabeça, que deve estar próxima do topo do monitor, o suficiente para não dar a
sensação de corte nas pontas dos cabelos ou da testa durante o movimento.
Durante a aula a mesa não deve ser mostrada, mas o aluno precisa ter
noção de que há uma base de apoio para as mãos. Quando o professor
acompanha apenas uma atividade dos alunos é aconselhável usar um plano
mais aberto para mostrar melhor o cenário.
Ao sentar-se, é preciso observar se o corpo não está inclinado para
frente nem para trás, já que isto afeta a respiração e o cansaço além de
comprometer a estética. É necessário que o corpo (troco e cabeça) esteja
equilibrado alinhado com a coluna reta; o professor deve sentir o encosto da
cadeira.
Recomenda-se evitar cadeiras com encosto lateral, já que elas
permitem ao professor “descansar” os braços sobre ela afastando-se das
mãos, o que aumenta a sobrecarga nos ombros e prejudica a coluna. Os
ombros devem estar alinhados, a cabeça deve ficar na linha média, centro em
simetria com ombros e o corpo (SILVEIRA, 2002).
29
Assim que começar a aula o professor deverá olhar para a câmera.
Este olhar tem o mesmo significado do olhar de alguém falando com outra
pessoa. Em determinados momentos o professor desvia o olhar, como se
justificasse um pensamento, um detalhe ou simplesmente para mostrar que
está procurando alguma coisa. Logo em seguida ele se volta para a câmera.
Isto inculte no aluno a noção de que é importante estar ali, assistindo e ouvindo
o que diz o professor.
O sistema de vídeo comprimido da videoconferência não consegue
transmitir movimentos ligeiros sem alguma perda de qualidade de imagem. O
professor deve mover-se e gesticular normalmente, evitando balanços ou
gestos muito rápidos.
O professor videoconferencista tem de se comunicar bem com a voz e
o corpo. O aluno capta o sentido afetivo e semiótico da comunicação.
Quando o professor falar, deve fazê-lo de forma natural e com voz
forte, mas que não dê a impressão de estar gritando. O microfone da
videoconferência é muito sensível, por isso é preciso cuidado para não deixar
cair canetas, livros ou outros objetos.
O bloqueio do microfone não deve ser usado durante a aula, sem o
professor explicar o motivo aos alunos das salas remotas. Se não for possível
antes, depois deverá ser explicado ao aluno o que de fato aconteceu.
Na comunicação, há sempre um atraso natural do áudio em relação ao
vídeo, denominado delay, que obriga a uma espera mais longa do que a usual
para obter uma resposta.
O tom de voz deve ser natural e calmo. É preciso avaliar se os alunos
estão atendendo o que está sendo falado. Isto leva em conta o ritmo da fala, a
dicção, o uso de entonações e uma linguagem de signos acessível aos alunos.
A experiência adquirida no ensino em sala de aula convencional habilita o
professor a apresentar-se bem através da fala.
O processo de interação com o aluno é fundamental para o sucesso
da videoconferência. A aula não deve ser desenvolvida sem a participação do
30
aluno a cada sete ou oito minutos. No caso de videoconferência multiponto
com classes de alunos, não é necessário que o professor chame todas as
turmas nestes intervalos. Ele pode chamar apenas uma de cada vez, deixando
para chamar todas quando uma integração geral for exigida (SILVEIRA, 2002).
31
CAPÍTULO III – A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E
AS NOVAS TECNOLOGIAS
3.1. UM NOVO PARADIGMA: A SALA DE AULA VIRTUAL
O ambiente virtual da videoconferência propicia a interação síncrona
ou assíncrona entre alunos, professores e tutores. Síncrona, utiliza ferramentas
de comunicação que exigem a participação dos estudantes e professores em
eventos marcados com horários específicos “chats”, videoconferência ou áudioconferência através da web. Assíncrona, utiliza ferramentas que possibilitam a
manutenção de debates em fóruns na web, listas de discussão por correio
eletrônico e “new’s group”, e ferramentas que permitem a troca de trabalhos
através da rede.
Segundo Varella (2002), o ambiente virtual é um software que oferece
estruturas para a criação de uma universidade virtual, baseado na Internet.
Dessa forma, pode ser acessado por usuários independentemente da sua
localização geográfica, bastando para isso, um computador ligado a rede. Esse
software permite a manutenção de cursos à distância e a administração das
funções nele envolvidas, como criação de turmas, avaliações on-line,
acompanhamento de alunos, consulta ao material didático disponibilizado pelos
professores, entre outros.
No ambiente virtual o processo de ensino aprendizagem conta com
ferramentas de comunicação própria do mundo digital, como correio eletrônico,
chat, Frequently Asked Questions (FAQ) , fórum de discussão e quadro de
avisos.
A tecnologia faz da videoconferência uma mídia que tem característica
tanto do ensino presencial, quanto do ensino a distância. Considerando o fator
espaço, a videoconferência é um meio semelhante aos demais, na EAD, já que
professor e alunos estão separados geograficamente. Considerando o fator
32
tempo, a videoconferência é um meio semelhante a educação presencial, pois
o professor e alunos comunicam-se ao mesmo tempo.
A separação de ambientes físicos entre as pessoas durante uma
videoconferência faz dela uma mídia de trabalho a distância. A recomendação
ITU – TF730, de agosto de 1992, da International Telecommunication Union,
define-a como um serviço audiovisual de conversação interativa que, promove
uma troca bidirecional, e em tempo real, de sinais de áudio e vídeo entre
grupos de usuários em dois ou mais locais distintos (OLIVEIRA, 1996 apud
SILVEIRA, 2002).
Assim a aplicação da videoconferência no ensino está normalmente
ligada a modalidade de educação à distância. Porém ela apresenta
características específicas que aproximam e/ou afastam tanto do ensino
presencial quanto do ensino à distância.
Os ambientes virtuais ganham força quando prometem que mesmo
separados
espacialmente,
alunos
e
professores
podem
estar
juntos
temporalmente. São também chamados de redes colaborativas, por serem
considerados ambientes cooperativos. A principal vantagem desta mídia é a
possibilidade de interação síncrona entre aluno e professor.
3.2. O PROFESSOR MIDIÁTICO E SEUS DESAFIOS
O ensino a distância por meio da videoconferência representou uma
série de mudanças na rotina dos professores. O acréscimo de novas
informações, novos contextos mediados pelo avanço tecnológico e a perda do
contato físico com os alunos levaram os professores a tentar suprir as
carências sentidas por compensações adaptadas para o ambiente audiovisual.
Em alguns trabalhos (CRUZ, 2003; TAVARES, 2006) que trazem
relatos de professores que trabalham com esta metodologia, percebe-se que
os mesmos tentam adaptar ao máximo seu modo de trabalhar às necessidades
do ambiente da videoconferência, buscando alterar minimamente sua rotina
33
profissional e desenvolvendo estratégias conhecidas mais utilizadas de um
modo novo.
Uma das maiores dificuldades dos professores tem a ver com a
ausência de uma alfabetização dos meios audiovisuais e da necessidade de se
preparar melhor os materiais didáticos para a tela da televisão. Às vezes a falta
de conhecimentos de todas as vertentes trazidas por esta tecnologia pode
fazer com que a aula de um professor não seja animada o suficiente para
prender a atenção do espectador (aluno) e que seja pobre na utilização de
recursos audiovisuais, o que conseqüentemente pode levar a perda da
qualidade de ensino por esta metodologia.
Em termos de linguagem audiovisual, alguns trabalhos evidenciam as
dificuldades de alguns educadores na utilização deste recurso como, por
exemplo, na utilização do uso de enquadramento de câmera como recurso
didático e afetivo ou por se desculparem por ainda não conseguir usar de
maneira adequada o que havia visto em oficinas de preparação para aulas por
meio de videoconferência (CRUZ, 2003).
Percebe-se com isso, que para ter competência para ensinar com
tecnologias, como afirma PERRENOUD (2000), não basta apenas conhecer e
aprender a usar os instrumentos, mas é preciso desenvolver uma capacidade
de dominar a lógica que eles trazem, que demandam e proporcionam uma
mudança de paradigma. Nas palavras de PERRENOUD a verdadeira incógnita,
“é saber se os professores irão apossar-se das tecnologias como um auxílio ao
ensino, para dar aulas cada vez mais bem ilustradas por apresentações
multimídia, ou para mudar de paradigma e concentrar-se na criação, na gestão
e na regulação de situações de aprendizagem” (op. cit., p. 139, itálico no
original).
Diante de toda especificidade e de todos os recursos que um professor
videoconferencista deve apreender (como já discutido anteriormente) para
conseguir sucesso na relação de ensino-aprendizagem com utilização desta
metodologia, precisa-se saber que este educador antes de mais nada é um
34
professor; e que seu sotaque, sua dicção, seu jeito de se comunicar, devem ser
autênticos na utilização das técnicas básicas de comunicação.
Ao se pretender orientar e treinar o professor como se faz com um
apresentador de televisão, um locutor, um ator, corre-se o risco de
descaracterizá-lo com alguém que comunica conteúdos didáticos no processo
ensino-aprendizagem por videoconferência.
O uso da tecnologia facilita a comunicação com os alunos na medida
em que se adquire confiança, consegue-se maior naturalidade. Este é o
momento
principal
da
comunicação,
em
que
mesmo
sem
seguir
criteriosamente os esquema técnico da comunicação, o professor consegue ser
expressivo e comunicativo. Os requisitos básicos são conseguidos através de
exercícios práticos e da vivência na aula de videoconferência.(SILVEIRA, 2002)
O uso adequado das técnicas de comunicação leva a vivência. Vale
ressaltar que não é a experiência do educador enquanto professor de ensino
presencial que também irá definir seu sucesso na carreira de professor
videoconferencista.
Características técnicas, condições de espaço e tempo e o trabalho
com material audiovisual são algumas das condições que requerem uma
postura diferenciada no desenvolvimento da aula que utiliza uma nova
tecnologia.
Professor e aluno precisam entrar no novo processo como
participantes ativos e não como espectadores contemplativos. A ansiedade de
um primeiro momento é apenas mais um desafio que exige não apenas
contemplar e admirar, mas experimentar mudar, trocar, adaptar.
Para se adaptar a tecnologia, o professor deve usá-la da forma mais
completa possível. Ao contrário, se imaginar que só basta usar a câmera e o
microfone para dar as suas aulas, por certo terá dificuldades.
A formação do professor apresenta grandes desafios, envolvendo mais
do que prover conhecimentos sobre novas tecnologias ou meramente
empregar as novas tecnologias para um ensino reprodutivo. É necessário que
35
a atuação do professor propicie vivências de experiências que contextualizem o
conhecimento que o professor constrói, pois a prática dos mesmos e a
presença dos seus alunos é que irão determinar o que deve ser abordado nos
cursos de formação.
Nos dias atuais um profissional não se prepara apenas para o
exercício de uma profissão que lhe acompanhará para o resto da sua vida, mas
sim para acompanhar as mudanças que permeiam a sua profissão tanto no
aspecto técnico como tecnológico. Segundo Lévy (1996, p.54) “as pessoas não
apenas são levadas a mudar várias vezes de profissão em sua vida, como
também, no interior da mesma profissão, os conhecimentos têm um ciclo de
renovação cada vez mais curto”. Inclusive, como afirma Lévy (1999, p.73), “a
própria noção de profissão torna-se cada vez mais problemática”.
Os conhecimentos e habilidades empregados em um campo
profissional já não são mais estáveis; em intervalos de tempo cada vez mais
curtos, transformam-se ou, até mesmo, tornam-se obsoletos. Além de novas
formas de trabalho as crescentes demandas resultantes dos avanços que a
ciência introduz em todos os campos da área do conhecimento (sistemas de
comunicação, transporte, lazer, organização, etc.), requerem o acesso a novas
informações, o desenvolvimento de novas habilidades para a adaptação e a
assimilação destas mudanças.
A formação do professor insere-se como ponto chave para a
modernização do ensino. A necessidade de atualização constante do professor
cresce, não só em relação a sua disciplina específica, como também no que se
refere às metodologias de ensino e às novas tecnologias como o caso das
aulas por videoconferência.
A capacitação profissional do docente deve atender as mesmas
exigências dos demais setores da sociedade: formar um ser autônomo, não
receptor de informações pré-construídas, ou mero receptor de modelos
estáticos em sua atuação profissional.
Valente (1997) afirma que: A formação do professor deve prover
condições para que ele construa conhecimentos, entenda porque e como
36
integrar o computador na sua prática pedagógica e seja capaz de superar
barreiras de ordem administrativa e pedagógica. Essa prática possibilita a
transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem
integradora de conteúdo e voltada para a resolução de problemas específicos
do interesse de cada aluno. Finalmente devem-se criar condições para que o
professor saiba recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante a
sua formação para a sua realidade de sala de aula compatibilizando as
necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que dispõe atingir.
A formação do professor e sua atualização constante é uma exigência
da sociedade e o ponto chave para a modernização do ensino (como destaca
Perrenoud apud Chakur, 1995, p. 80) “é possível que a formação básica do
professor não dê mais conta das mudanças rápidas e diversificadas que
acompanham a evolução das condições do exercício do magistério”.
Verifica-se assim a necessidade de uma formação continuada. Como
descreve
Demo
(1998,
p.191),
“nenhuma
profissão
envelhece
mais
rapidamente do que a do professor, precisamente porque lida mais de perto
com a lógica do conhecimento. Mas decisivo do que colher um diploma é
manter-se atualizado pela a vida afora”.
É pertinente que os professores compreendam a importância da sua
profissão no contexto social como um ser político atuante, aberto a mudanças
no exercício da sua práxis pedagógica. O aperfeiçoamento contínuo
proporciona ao professor segurança, possibilita enfrentar desafios com maior
naturalidade.
Em um momento social onde não existem regras definidas de atuação,
cabe ao professor o exame crítico de si mesmo procurando orientar seus
procedimentos de acordo com o seus interesses e anseios de aperfeiçoamento
e melhoria do desempenho (KENSKI, 1998).
As políticas públicas têm o dever de atender as demandas de
formação e atualização dos professores para permitir a democratização do
ensino e ao mesmo tempo fornecer aos professores as competências
37
necessárias para que tenham condições de responder aos desafios impostos
no seu cotidiano.
Cabe a universidade fornecer uma informação inicial em consonância
com a prática viabilizando a formação continuada, pois a universidade é o local
por excelência de construção do conhecimento e do pensamento teórico.
A sociedade moderna impõe novos conhecimentos no campo da
educação e conseqüentemente, na formação do professor. O uso de novas de
tecnologias na formação do docente requer deste profissional, conhecimento
mais amplo das diferentes linguagens da mídia de modo a integrar-se
verdadeiramente no processo educativo e assim melhorar a qualidade do
ambiente de aprendizagem.
Segundo Perrenoud (2000), formar para as novas tecnologias é formar
o julgamento, o censo crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as
faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de
memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos e imagens, a
representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação.
É necessário que os professores percebam que a tecnologia é uma
ferramenta facilitadora, um suporte valioso para a sua prática pedagógica,
portanto o desafio maior é formar o professor, não apenas para usar o
computador, mas para buscar conhecimentos técnicos e pedagógicos que
permitam o emprego correto e mais adequado desta tecnologia em sala de
aula. O educador precisa ser curioso, buscar sentido para a profissão que
exerce, pois ele é o arbitro diante do aluno que é o sujeito da sua própria
formação.
O professor tem a função de transformar a informação em
conhecimento, em consciência crítica e principalmente em formar pessoas
dando sentido para suas vidas, portanto jamais a tecnologia substituirá o
professor mesmo diante dos grandes avanços tecnológicos a presença do
docente é imprescindível.
Para tanto, percebe-se que para preparar o professor para o uso das
TCI (Tecnologias de Comunicação e Informação), faz-se necessário que
38
flexibilize o currículo disponibilizando uma disciplina que comece a preparar o
professor durante a sua formação inicial e permaneça durante toda a formação
pautada na interdisciplinaridade na relação teórica-prática nos diversos
conteúdos pedagógicos o que se leva a crer que sem uma formação
condizente com as necessidades da sociedade contemporânea, o professor
enfrentará dificuldades para solucionar problemas cuja complexidade excede
sua competência.
O presente capítulo buscou discutir sobre as transformações que vêm
ocorrendo
nas
diversas
esferas
da
sociedade
com
o
acelerado
desenvolvimento das TCI que passam a exigir novas posturas, tanto das
instituições educacionais, quantos dos professores, principalmente daqueles
que estão se inserindo no curso de Educação à Distância e que estão
buscando como metodologia de ensino aulas por videoconferência.
Observa-se, contudo, a necessidade de uma incorporação dos
docentes frente a estas novas tecnologias, dentro de uma perspectiva crítica,
como forma de superar o paradigma da oralidade e da palavra escrita a partir
da valorização de sons, imagens, animações, etc. (como já descrito
anteriormente no capítulo II), buscando explorar novas formas para que o aluno
possa chegar ao conhecimento e atender às novas demandas educacionais.
Fica claro também com base nos pesquisadores já citados, que os
professores em sua maioria ainda não se encontram devidamente capacitados
para a utilização destas tecnologias, entre outros motivos, devido à deficiente
formação inicial que é fornecida pelos cursos existentes no mercado
educacional.
A formação inicial do professor, apesar das limitações que lhe são
inerentes, deve fornecer tanto, condições básicas para que possa fazer o uso
adequado dos recursos tecnológicos que lhe são disponibilizados, quanto os
subsídios necessários para que ele possa, ao longo de sua carreira, dar
continuidade a sua formação que, em tempos de globalização, deve ser
permanente.
39
Desta forma, o educador poderá melhorar não só sua eficiência na
aprendizagem dos seus alunos dentro de um projeto pedagógico que contribua
para a formação de cidadãos que não se limitarão a atender às exigências
apresentadas pela sociedade e pelo mercado, sendo capazes de analisar
criticamente a realidade a qual estão inseridos, como também contribuir para a
redução das desigualdades sociais e ampliação das oportunidades de
realização pessoal e profissional.
40
CONCLUSÃO
A aula por videoconferência é um novo tipo de educação à distância,
que exige que se repense a atuação e a preparação do professor. No ambiente
da videoconferência, conhecido também como virtual ou midiatizado, os
professores colocam em xeque seu modo de ensinar para se adaptar às
limitações e condições técnicas possível neste ciberespaço.
“É necessário, sobretudo, que os professores se sintam confortáveis
para utilizar esses novos auxiliares didáticos. Está confortável significa
conhecê-lo, dominar os principais procedimentos técnicos para a sua utilização,
avaliá-los criticamente e criar novas possibilidades pedagógicas, partindo da
integração desses meios como processo de ensino (KENSKI, 2003)”.
Este trabalho visa trazer a importância de se criar um programa para a
formação do professor midiático, aquele que não apenas media o processo do
conhecimento, mas trabalha dentro da interface, dominando o audiovisual não
apenas como uma ferramenta, mas como a essência do seu modo de
trabalhar. O conceito de professor midiático mostrou-se adequado para
descrever as novas funções docentes no ambiente virtual, imerso na
comunicação à distância, potencializado pela tecnologia e ainda em processo
de aprendizagem sobre suas tarefas e comportamentos.
41
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