IV Jornada de Iniciação Científica e Tecnológica UNIBAN BRASIL
Ciências da Vida – Reabilitação do Equilíbrio Corporal e Inclusão
Social
DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO CORPORAL E USO
DE MEDICAMENTOS: CUIDADOS COM A SAÚDE
DE IDOSOS
Adriana Mazega Fontes¹
Joseanne Lopes Lima²
Isabela Cristina Dourado³
Henrique Fernandes Zurlo4
Célia Aparecida Paulino5
Palavras-chave
Farmacologia. Idosos. Equilíbrio postural. Saúde do idoso.
INTRODUÇÃO
A população idosa normalmente apresenta várias doenças
crônicas, como as vestibulopatias, que alteram o equilíbrio corporal e trazem
outros tipos de problemas de saúde, que comprometem a sua interação social e
a qualidade de vida.
Dentre as doenças crônicas que ocorrem em idosos, existem as
vestibulopatias que são doenças relacionadas com o equilíbrio corporal, sendo
que um terço dos idosos brasileiros apresenta algum sintoma de vestibulopatia
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). Deste modo, os idosos fazem uso de muitos
medicamentos, ou seja, cerca de 80% deles consomem no mínimo um
medicamento por dia, o que aumenta o risco de reações adversas, que são
responsáveis por 10 a 20% das admissões hospitalares em situações agudas
(LINS; ANDRÉ; 2008).
Além disso, com o avanço da idade ocorrem mais alterações nas
respostas farmacológicas, em razão de perdas funcionais que interferem na
farmacocinética (sobretudo as funções cardiovascular, hepática e renal) e na
farmacodinâmica (funções de receptores) dos medicamentos, predispondo os
idosos a mais complicações durante a terapia medicamentosa (MOR et al.,
2006). De fato, a mais importante das alterações fisiológicas em idosos é a
redução da função renal, o que prejudica a eliminação dos fármacos do
organismo, aumentando a sua meia-vida biológica e maior possibilidade de
acúmulo destas substâncias, com efeitos adversos mais intensos e prolongados,
ou até efeitos tóxicos (BUENO et al., 2009). O uso excessivo de medicamentos
pelos idosos desencadeia muitos efeitos colaterais, que se agravam pelas
precariedades de muitas funções nesses indivíduos, gerando 30% das admissões
hospitalares, pela toxicidade produzida pelas interações medicamentosas
(BANDEIRA et al., 2006).
_______________________
Aluna de Enfermagem; e-mail: [email protected]¹
Aluna de Enfermagem; e-mail: [email protected]¹
Aluna de Enfermagem; e-mail: [email protected]³
Aluno de Biomedicina; e-mail: [email protected] 4
Docente e orientadora – UNIBAN; e-mail: [email protected]
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Por fim, muitas vezes os idosos aderem à farmacoterapia de forma
errada, seja pela automedicação ou pela prescrição medicamentosa inadequada
à sua idade (SECOLI, 2010), o que tende a agravar a questão do uso de
medicamentos nesta população. Todas essas informações contribuem para
justificar a importância da realização desta pesquisa.
OBJETIVOS
Investigar sobre o uso de medicamentos e as possíveis interações
medicamentosas em idosos portadores de distúrbios do equilíbrio corporal e da
audição.
METODOLOGIA
Foi realizado um estudo retrospectivo, descritivo e analítico, com
abordagem quantitativa, a partir do levantamento dos prontuários dos 104
idosos (N=104), de ambos os gêneros e diferentes faixas etárias, atendidos no
Laboratório de Pesquisa do Programa de Mestrado em Reabilitação do
Equilíbrio Corporal e Inclusão Social da UNIBAN, no ano de 2010.
A pesquisa só teve início após aprovação da Comissão de Ética em
Pesquisa com Seres Humanos (Protocolo nº 146/10) e assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido pelos idosos que são atendidos no referido
Laboratório. Foram levantados os dados sociodemográficos, os sintomas
vestibulares e outras informações de saúde. Os medicamentos referidos pelos
idosos foram pesquisados e classificados por grupos farmacológicos, por meio
do DEF (2009/2010) e outras fontes bibliográficas.
Os fármacos ou princípios ativos de cada preparação comercial
foram identificados e as possíveis interações medicamentosas foram analisadas
por meio do Software The Medical Letter Drug Interations Program (The
Medical Letter - USA®). Os dados obtidos foram agrupados e tabulados, sendo
posteriormente submetidos a uma análise descritiva, com a apresentação de
freqüências absolutas e relativas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos idosos do estudo, 86% eram mulheres e 14% homens, com
nível fundamental de escolaridade predominante (50%), sobretudo nas
mulheres (55%). As faixas etárias mais prevalentes foram: de 60-65 anos
(32,69%) e de 66-70 (24,03%). Os sintomas vestibulares mais prevalentes
foram: tontura (88%) e zumbido (67%), sobretudo nas mulheres, e perda
auditiva (60%), sobretudo nos homens; a tontura do tipo rotatória (vertigem)
foi mais comum nas mulheres (64%), concordando com relatos anteriores que
destacam a alta prevalência da tontura entre idosos, que pode estar associada a
várias causas e ter origem no sistema vestibular (FELIPE et al., 2008). Sobre os
medicamentos, a maioria utilizava (81%), apenas 9% não e 11% usavam apenas
1; a maior parte desses utilizava de 1 a 6 medicamentos. A maioria dos idosos
utilizava de 1 a 3 fármacos (36%), seguida por 4 a 6 (25%) e 7 a 9 (18%); o uso de
fármacos nesses grupos foi relativamente semelhante entre homens e mulheres
idosos (Tabela 1).
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Tabela 1 - Quantidade de fármacos ou princípios ativos utilizada pelos idosos
vestibulopatas. São Paulo, 2011.
IDOSO
S
Mulher
es
(N=89)
Homen
s
(N=15)
TOTAL
(N=104
)
QUANTIDADE DE FÁRMACOS UTILIZADA
0
1a3
4a6
7a9
10 a 12 13 a 16
nº
nº (%) nº (%) nº (%) nº (%) nº (%)
(%)
7
32
23
17
7
3
(8%)
(36%)
(26%)
(19%)
(8%)
(3%)
TOT
AL
82
(92%)
2
(13%)
6
(40%)
3
(20%)
2
(13%)
-
2
(13%)
13
(87%)
9
(9%)
38
(36%)
26
(25%)
19
(18%)
7
(7%)
5
(5%)
95
(91%)
As classes medicamentosas mais utilizadas pelas mulheres foram:
anti-hipertensivos (62%), hipolipemiantes (38%), diuréticos (32%),
antivertiginosos (30%), antiulcerosos (27%) e repositores de cálcio (24%); as
classes mais utilizadas pelos homens foram: anti-hipertensivos (54%),
antivertiginosos (38%), diuréticos (31%), antiagregantes plaquetários (23%),
hipoglicemiantes e vitaminas (23%); tais resultados coincidem apenas em parte
com aqueles descritos na literatura (MARIN et al., 2008) e revelam que a
hipertensão, além de ser bastante comum entre idosos, como referido por Secoli
(2010), é uma das comorbidades mais importantes para os idosos
vestibulopatas.
De fato, idosos fazem uso concomitante de vários medicamentos,
já que possuem várias doenças ou comorbidades, que também podem estar
associadas às vestibulopatias. Assim, idosos podem desenvolver variadas
reações adversas, uma vez que são submetidos a possíveis interações ao
utilizarem grande número de medicamentos (BUENO et al., 2009). Ainda, 80%
dos idosos relataram uso de 2 ou mais fármacos e, desses, 70% (incluindo
homens e mulheres) faziam interações farmacológicas. Na análise dos efeitos
dessas interações, foram observados vários tipos de efeitos, sendo mais
freqüentes aqueles relacionados com: hipertensão e hipoglicemia (18%);
insuficiência renal e hiponatremia (16%); arritmias cardíacas (14%); hipotensão
e lesões gastrintestinais (12%), e insuficiência cardíaca e hiperglicemia (8%).
Tais efeitos das interações podem causar ou agravar sintomas
relacionados ao equilíbrio corporal, como as tonturas e outros, segundo
relataram Marchiori e Rego Filho (2007), especialmente aqueles relacionados
ao sistema cardiovascular e outros, descritos por Felipe et al. (2008). Outros
efeitos menos frequentes foram revelados, como: hipocalemia, redução do efeito
diurético, mascaramento de efeitos hipotensores e outros, igualmente relevantes
do ponto de vista da saúde dos idosos.
As interações também mostraram a ocorrência de várias
toxicidades, sobretudo para os salicilatos (8%) e a digoxina (6%),
respectivamente, agravando os efeitos gastrintestinais, em especial as úlceras
gástricas, o que eleva o uso de medicações antiulcerosas (SCHROETER et al.,
2008), como observado neste estudo, sobretudo entre as mulheres, ou até,
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provocando arritmias cardíacas e outras alterações funcionais. Ocorreram
também efeitos aditivos entre vários fármacos, com consequências nem sempre
benéficas, variando com os fármacos em questão, além de reduções dos efeitos
terapêuticos, principalmente para os bisfosfonatos alendronato, ibandronato,
risedronato (11%), com prejuízo no tratamento e prevenção da osteoporose e
maior risco de fraturas nesses idosos, em especial naqueles que sofrem de
tontura; os hormônios da tireóide (8%), trazendo consequências para as funções
relacionadas à tireóide, incluindo o equilíbrio corporal, e o efeito
antiplaquetário do ácido acetilsalicílico (6%), reduzindo a chance de prevenção
de acidentes vasculares e infartos do miocárdio, comuns entre os idosos. Todos
esses efeitos podem comprometer ainda mais a saúde desses idosos e, por isso,
como relataram Nóbrega et al. (2005), é necessário que se diminua ao máximo a
quantidade de medicamentos administrados em idosos com o objetivo de
diminuir os riscos de interações farmacológicas e os efeitos indesejados para os
idosos.
CONCLUSÕES
O estudo revelou o uso intenso de medicamentos entre idosos
vestibulopatas, sobretudo entre as mulheres, com maior atenção para a
polifarmacoterapia, que aumenta a possibilidade de mais complicações
relacionadas aos efeitos adversos ou tóxicos destes produtos, seja pelas
deficiências na farmacocinética, próprias do envelhecimento, seja pelas
interações medicamentosas que podem ocorrer nestes casos.
Por tudo isso, é recomendável muito cuidado na prescrição e
utilização de medicamentos em idosos, principalmente quando existe a
necessidade de múltiplos tratamentos farmacológicos, que vão exigir maior
atenção para o risco dos efeitos indesejáveis das possíveis interações
medicamentosas, como aqui observado. Esses efeitos podem, ainda, estar
relacionados com os sintomas vestibulares apresentados pelos idosos deste
estudo; portanto, a sua continuidade, com a realização de análises de
associação, poderá reforçar esses resultados.
De todo modo, a gravidade dos efeitos das interações aqui
apontadas indica que a racionalização e o controle do uso de medicamentos na
população idosa vestibulopata pode colaborar no sentido de minimizar os
sintomas relacionados ao equilíbrio corporal e até facilitar os exercícios de
reabilitação vestibular indicados para esses pacientes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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atenção à saúde do idoso. Belo Horizonte: Casa de Editoração e Arte Ltda, 2006.
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medicamentosas em idosos atendidos pelo programa de atenção ao idoso da
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Atualização Científica, Minas Gerais, v. 20, n. 2, p. 99-104, jun. 2008.
LINS, M. T.; ANDRÉ, A. P. R. Encaminhamento para reabilitação vestibular:
Uma investigação com diferentes especialistas médicos. Arquivos Internacionais
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MARCHIORI, L. L. M.; REGO FILHO, E. A. Queixa de vertigem e hipertensão
arterial. Revista CEFAC, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 116-121, jan. 2007.
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MARIN, M. J. S. et al. Caracterização do uso de medicamentos entre idosos de
uma unidade do Programa Saúde da Família. Cadernos de Saúde Pública, Rio de
Janeiro, v. 24, n. 7, p. 1545-1555, jul. 2008.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Envelhecimento e
saúde da pessoa idosa. Cadernos de Atenção Básica. 19. ed. Brasília: MS, 2006.
MOR, R.; GARCIA, D. M. J.; FRIEDMANN, P. S. B. Análise comparativa das
respostas vestibulares à prova calórica em pacientes submetidos ao exame
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Internacionais de Otorrinolaringologia, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 22-27, jan.
2006.
NÓBREGA, O. T.; KARNIKOWSKI, M. G. O. A terapia medicamentosa no idoso:
cuidados na medicação. Ciência & Saúde Coletiva, Brasília, v. 10, n. 2, p. 309313, jun. 2005.
SCHROETER, G. et al. Estudo de utilização de anti-ulcerosos na população
idosa de Porto Alegre, RS, Brasil. Revista HCPA, Porto Alegre, v. 28, n. 2, p.
90-95, ago. 2008.
SECOLI, S. R. Polifarmácia: interações e reações adversas no uso de
medicamentos por idosos. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 63, n.
1, p. 136-140, fev. 2010.
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