ANHANGUERA EDUCACIONAL FACULDADE ANHANGUERA DE MATÃO ADMINISTRAÇÃO COM ÊNFASE EM FINANÇAS GESTÃO DE CUSTOS COMO DIFERENCIAL ESTRATÉGICO PARA TOMADA DE DECISÃO NAS EMPRESAS MARCOS HENRIQUE BICUDO MATÃO – SP 2008 MARCOS HENRIQUE BICUDO GESTÃO DE CUSTOS COMO DIFERENCIAL ESTRATÉGICO PARA TOMADA DE DECISÃO NAS EMPRESAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera de Matão como exigência para obtenção do título de Bacharel em Administração com ênfase em Finanças. ORIENTADOR: Prof. Ms. Moacir José Bertaci MATÃO-SP 2008 BICUDO, Marcos Henrique B481g Gestão de custos como diferencial estratégico para tomada de decisão nas empresas / Marcos Henrique Bicudo – Matão: Faculdade Anhanguera de Matão, 2008. 85p. ; il. color Orientador: Prof. Ms. Moacir José Bertaci Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade Anhanguera de Matão 1 Custos 2 Globalização 3 Gestão estratégica de custos CDD 658.1552 MARCOS HENRIQUE BICUDO GESTÃO DE CUSTOS COMO DIFERENCIAL ESTRATÉGICO PARA TOMADA DE DECISÃO NAS EMPRESAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera de Matão como exigência para obtenção do título de Bacharel em Administração com Ênfase em Finanças. BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________________________________ Professor Ms. Moacir José Bertaci Prof. Orientador: ______________________________________________________________________________ Professora Ms. Edna de Almeida Rodrigues (Banca Examinadora) MATÃO-SP 2008 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha querida esposa Maria Eliana, companheira em tudo, que com seu carinho e dedicação me motivou no ingresso ao curso e no apoio em direção ao êxito. AGRADECIMENTOS O momento de agradecimento é valioso à medida que pode ser realizado com fatos e palavras. Em atos gostaria de poder incentivar os alunos que sigam sempre o caminho do saber, tendo assim, como dívida para com a sociedade o repasse dos conhecimentos adquiridos. É muito bom ter a agradecer quando passamos por um período em que vivenciamos sentimentos tão diversificados, como incerteza, euforia, desânimo, cansaço, alegrias... O meu agradecimento a aqueles que conseguiram manterem-se presentes e participativos. Meu especial agradecimento a Deus pelo dom da vida que através de meus pais Wilson e Marlene me trouxeram à existência. Devo também a Deus outros dons imerecidos: a capacidade de pensar e realizar com total liberdade dentro de seus amorosos limites éticos. As pessoas que passaram pela minha vida para mostrar o significado de colaboração, amizade e credibilidade. Aos colegas de curso, pelos quatro preciosos anos de convivência, em estudos, trabalhos, monografias e seminários. Foi desgastante. Mas, se não fosse tanto, a vitória seria igualmente menor. Ao professor e orientador Moacir José Bertaci pelo apoio e dedicação desempenhada no decorrer da execução da monografia, e o sempre amigo que foi no período total do curso. À instituição Anhanguera que pelo diferencial ético na educação de seus alunos tem colocado no mercado de trabalho, profissionais de caráteres raros em nossos dias. Por fim, a tantos que colaborou com a elaboração deste trabalho de conclusão de curso, em diversos momentos, o meu agradecimento. “Embora a ciência se construa com dados experimentais, da mesma forma que uma casa se constrói com tijolos, uma coleção de dados experimentais ainda não é ciência, da mesma forma que uma coleção de tijolos não é uma casa”. Hery Poincare (1854 – 1912) Bicudo, Marcos Henrique. Gestão de custos como diferencial estratégico para tomada de decisão nas empresas. 2008. 85f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel em Administração com Ênfase em Finanças) - Curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Matão, Matão – SP. RESUMO O mercado cada vez mais exigente e competitivo no mundo dos negócios obriga os tomadores de decisão a revisar e aprimorar seus sistemas de custos, de forma que os novos sistemas forneçam mais dados que lhes permitam identificar melhor as competências e fraquezas, como também as oportunidades e ameaças do negócio. Onde os negócios são efetuados, num período dominado pelo conhecimento. Portanto os gestores ou administradores precisam ter informações precisas, significativas e oportunas se quiserem tomar decisões acertadas. Atualmente já não se admite que uma empresa trabalhe sem que tenha traçado suas metas e elaborado um planejamento estratégico adequado, capaz de mostra o caminho a ser seguido, o recurso existente e disponível para a empresa atingir seu objetivo em determinado período de tempo, quer seja em curto prazo, quer seja médio ou longo prazo. A globalização foi de suma importância na revolução que ocorreu na contabilidade e nos seus sistemas de custos, pois exigiu dos empresários uma atuação mais dinâmica, abrangente e competitiva perante o mercado globalizado. A informação é on line, os relatórios desenvolvidos na empresa podem ser disponibilizados ou enviados via Internet para que os tomadores de decisão não precisem locomover-se de seus escritórios. As empresas e os profissionais encarregados da gestão precisam acompanhar essa evolução que se modifica a cada dia numa velocidade maior. Nesse ambiente a contabilidade e análise de custos deixam de ser um mero instrumento de auxílio à definição de preços, mas, auxílio à gestão empresarial capaz, correta, necessária à manutenção e a sobrevivência das empresas. Diante das constantes mudanças que estão ocorrendo no cenário mercadológico os administradores não podem demorar em comemorações de conquistas alcançadas. Novos planos estratégicos devem estar constantemente sendo traçados. A única certeza que o administrador deve ter é a de que nada é constante tudo tende a modificar-se constantemente. Acompanhar as mudanças é a chave da evolução das empresas e das pessoas. Palavras-chaves: Custos, Globalização, Gestão estratégica de custos. Bicudo, Marcos Henrique. Management of costs as differential strategic for taking decision in the companies. 2008. 85 pages. TCC, Administration Course With Emphasis in Finance, Social Sciences Área, FPM, Matão, São Paulo, 2008. ABSTRACT The actual market more demanding and competitive in the world of the businesses compels the leader to revise and to improve his systems of costs, so that the new systems given more data that allow to identify better the abilities and weaknesses, as well as the chances and threats of the business. Where the businesses are effected, in a period dominated for the knowledge. Therefore the managers or administrators need to have correct information, significant and opportune if they want to make a right decisions. Currently one does not admit that a company works without has traced his goals and elaborated a strategical planning, capable to show the way to be followed, the existing and available resource to attain his objective in a previous determined period of time, that can be wanted in short time, average or long term. The globalization was of utmost importance in the revolution that occurred in the accounting and in his systems of costs, because demanded of the entrepreneurs a more dynamic, including and competitive performance before the competitive market. The information is on-line, the reports developed in the company can be available or sent way Internet to the leaders, this way, they do not need to move themselves out of his offices. The companies and in charge professionals of the management need to follow this evolution that modifies each day in a bigger speed. In this environment the accounting and analysis of costs leave of being a mere instrument to help the definition of prices, but, to help to have a one conduct capable, correct and necessary to the maintenance and the survival for the companies. In front of the constant changes that are occurring in the commercial scene the administrators cannot delay in commemorations of reached conquests. New strategical plans must be constantly being tracings. The only certainty that the administrator must have is of that nothing is constant and everything tends to modify constantly. To follow the changes is the key of the evolution of the companies and the people. Key-words: Costs, Globalization, Strategical Management of Costs LISTA DE SIGLAS SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa JUCESP - Junta Comercial do Estado de São Paulo GEC - Gestão Estratégica de Custos CIP - Custos Indiretos de Produção IR - Imposto de Renda CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico LISTA DE FIGURAS 01 Os três grandes objetivos das organizações .............................................................. 26 02 Alguns critérios para avaliação do desempenho de uma organização.......................... 28 03 As bases do planejamento estratégico ........................................................................ 30 04 Os parceiros da organização ...................................................................................... 31 05 A rede-de-valor da empresa ....................................................................................... 33 06 Há dois modelos principais de organização................................................................ 34 07 Finalidade do custo de produção ................................................................................ 41 08 Finalidade da despesa ................................................................................................ 42 09 Classificação dos gastos............................................................................................. 43 10 Conexão fornecedor/produção/cliente ........................................................................ 49 11 Casa da qualidade ...................................................................................................... 50 12 Triângulo de satisfação dos clientes ........................................................................... 51 13 Custo-alvo ................................................................................................................. 55 14 Modelo de GEC......................................................................................................... 56 15 Esquema de estratégias competitivas ......................................................................... 58 16 Direcionadores de custos ........................................................................................... 60 17 Direcionadores estruturais ......................................................................................... 61 18 Esquema de estratégias competitivas ......................................................................... 62 19 Custeio por absorção nas empresas de manufaturas ................................................... 64 20 Custeio por absorção nas empresas de serviços .......................................................... 65 LISTA DE QUADROS 01 Custo das mercadorias vendidas................................................................................. 37 02 Demonstração do resultado........................................................................................ 38 LISTA DE TABELAS 01 Volume de produção.................................................................................................. 68 02 Tempo despendido na produção................................................................................. 69 03 Custos diretos por unidade......................................................................................... 69 04 Custos indiretos e despesas ........................................................................................ 70 05 Custos de mão-de-obra direta..................................................................................... 70 06 Taxa de aplicação dos CIP ......................................................................................... 71 07 Aplicação dos CIP ..................................................................................................... 71 08 Resumo sem departamentalização.............................................................................. 72 09 Demonstração de resultados....................................................................................... 73 10 Mapa de rateio dos CIF aos departamentos de produção ............................................ 74 11 Custos indiretos unitários........................................................................................... 74 12 Resumo com departamentalização ............................................................................ 75 13 Demonstração de resultado ........................................................................................ 76 14 Levantamento das atividades relevantes dos departamentos ....................................... 77 15 Levantamento dos custos das atividades .................................................................... 78 16 Levantamento dos direcionadores de atividades......................................................... 79 17 Direcionadores de custos das atividades..................................................................... 79 18 Custos unitários ......................................................................................................... 80 19 Resumo com departamentalização ABC .................................................................... 80 20 Demonstração de resultados....................................................................................... 81 LISTA DE GRÁFICOS 01 Margem dos produtos sem departamentalização ........................................................ 72 02 Margem dos produtos com departamentalização ........................................................ 75 03 Comparativo entre as departamentalizações ............................................................... 82 SUMÁRIO CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 17 1.1. Introdução ..................................................................................................................... 17 1.2. Caracterização do tema da pesquisa ....................................................................... 18 1.3. Limitação da Pesquisa............................................................................................ 19 1.4. Problema de Pesquisa............................................................................................. 19 1.5. Objetivo da Pesquisa.............................................................................................. 19 1.6. Relevância da Pesquisa .......................................................................................... 20 1.7. Métodos de Pesquisa.............................................................................................. 20 1.8. Revisão Bibliográfica............................................................................................. 20 1.9. Organização do estudo ........................................................................................... 21 CAPÍTULO 2. SURGIMENTO E A EVOLUÇÃO DAS EMPRESAS .................................... 22 2.1. Breve histórico do surgimento das empresas .................................................................. 22 2.2. O que é uma empresa ............................................................................................. 23 2.3. A finalidade da empresa......................................................................................... 23 2.4. A empresa como órgão de inovação e crescimento................................................. 24 2.5. A produtividade nas empresa ................................................................................. 25 2.6. O lucro e os objetivos da empresa .......................................................................... 25 2.7. A finalidade e a missão da empresa........................................................................ 26 2.8. A empresa e o governo........................................................................................... 27 2.9. Desempenho das empresas..................................................................................... 27 2.10. A satisfação dos clientes perante a empresa............................................................ 28 2.11. Plano estratégico nas empresas............................................................................... 29 2.12. Parceiros da empresa.............................................................................................. 30 2.13. A empresa em um ambiente de mudança................................................................ 31 2.14. O que é administração na empresa ......................................................................... 32 2.15. A rede de valor da empresa .................................................................................... 32 2.16. Modelo de empresa ................................................................................................ 34 CAPÍTULO 3. EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTO ......................................... 35 3.1. Conceito sobre a contabilidade de custos ....................................................................... 35 3.2. Surgimento ............................................................................................................ 36 3.3. A necessidade da contabilidade de custos............................................................... 39 3.4. Definição de custos e despesas............................................................................... 40 3.5. Custo ..................................................................................................................... 40 3.6. Despesas ................................................................................................................ 42 CAPÍTULO 4. GESTÃO DE CUSTO COMO BENEFICIO PARA EMPRESA. ................... 44 4.1. Gestão de custos ............................................................................................................ 44 4.2. Custos para melhoria dos processos e eliminação de desperdícios .......................... 44 4.3. Custos para formação do preço de venda................................................................ 45 4.4. Custos para controle............................................................................................... 46 4.5. Custos para otimização de resultado....................................................................... 46 4.6. Informações que um sistema de custos deve fornecer ............................................. 47 4.7. Just in Time como ferramenta de redução de custos ............................................... 48 4.8. Total Quality Control como melhoria no processo e redução dos custos................. 50 CAPÍTULO 5. GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS......................................................... 53 5.1. Definição de gestão estratégica de custos....................................................................... 53 5.2. Target cost (custo meta)......................................................................................... 54 5.3. Gerenciamento de custos........................................................................................ 55 5.4. Cadeia de valor na empresa.................................................................................... 57 5.5. Posicionamento estratégico .................................................................................... 58 5.6. Direcionadores de custos........................................................................................ 59 5.7. Exemplos de Tomada de Decisão usando a GEC.................................................... 62 5.8. Iniciativas de gestão de custos................................................................................ 62 5.9. Exemplos práticos.................................................................................................. 62 5.10. Análise das iniciativas............................................................................................ 63 5.11. Custeio baseado em Função ................................................................................... 63 5.12. Activity Based Costign (ABC)................................................................................ 65 5.13. Fases do desenvolvimento do custeio por atividades (custo ABC).......................... 66 CAPÍTULO 6. ESTUDO DE CASO CUSTEIO POR ABSORÇÃO E ABC............................ 68 6.1. Característica da empresa .............................................................................................. 68 6.2. Custeio por Absorção............................................................................................. 68 6.3. Atribuição dos CIP diretamente aos produtos sem departamentalização ................. 70 6.4. Solução com departamentalização.......................................................................... 73 6.5. Aplicação do custeio ABC na solução do problema................................................ 77 Considerações finais.................................................................................................................... 83 Referências bibliográficas........................................................................................................... 84 Referências eletrônicas ............................................................................................................... 85 17 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO 1.1. Introdução O presente trabalho objetiva tratar do surgimento das empresas e da necessidade da contabilidade de custos como ferramenta estratégica e fundamental na tomada de decisões nas organizações. Com a globalização as empresas precisam ter uma gestão financeira eficiente e eficaz para a tomada de decisão. Os fatores externos (concorrência, escassez de recursos, políticas econômicas etc.) pressionam fortemente as empresas, portanto os empresários precisam e necessitam dominar na integra todos os elementos internos da sua empresa sejam eles (custos, despesas, produtividade, análise das margens de lucro por produto etc.), para realizar as ações necessárias para obter resultados satisfatórios. Segundo Chiavenato, (1999, p. 71), “a globalização e a revolução tecnológica no final do século XX começaram a dilapidar as fronteiras entre os países, soterrando demarcações políticas, queimando bandeiras e derrubando barreiras”. O mundo empresarial está passando nos últimos tempos por transformações relevantes, sendo que o profissional da área de contabilidade de custos necessita constantemente de reciclagem para acompanhar as informações que chegam de forma on line para tomada de decisões. As praticas de gerenciamento surgiram com a necessidade de auxiliar os tomadores de decisões a sobreviverem num mercado cada vez mais competitivo (PAIVA, 2004). Com a realidade de mercado extremamente competitivo, algumas empresas têm adotado métodos e alternativas de se produzir com mais eficiência, reduzindo as perdas no processo produtivo com redução dos seus custos, tornando-se as empresas mais competitivas perante o mercado globalizado. Diante deste quadro, torna-se evidente a necessidade da mensuração constante do quanto é gasto pela empresa no seu esforço para obter o lucro, pois, em última análise é o mercado que determinará o preço que estará disposto a pagar. Assim, para não perder demanda, o melhor método passa pela minimização e controle dos gastos, o que somente é possível conhecendo-os todos. Não se pode, perder o controle deste monitoramento se a empresa quiser sobreviver neste ambiente tão competitivo e globalizado (OLIVEIRA, 2004). 18 Diante desta análise é que surge a contabilidade de custos como estratégia na tomada de decisão, pois os métodos conhecidos são facilmente aplicáveis no calculo de custo em empresas que produzem bens ou serviços em série, padronizados e com demanda previsível. Mas em empresas que produzem bens ou serviços por encomenda sua aplicação é mais complexa, exigindo cuidados especiais, pois dependendo dos critérios de rateio adotado na apropriação dos custos fixos o resultado final pode ser bastante diverso. Portanto os gestores ou o próprio empresário precisam ter informações precisas, significativas e oportunas se quiserem tomar decisões acertadas. Conforme o SEBRAE-Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, foi detectada uma alarmante informação: Projetando os índices de mortalidade obtidos a série histórica do número de empresas abertas na JUCESP-Junta Comercial do Estado de São Paulo, chegou-se a uma estimativa de 1 milhão de empresas fechadas, entre 1990 e 2000, contra um total de 1,5 milhão de registros de novas empresas no mesmo período. Os principais fatores que afetam a mortalidade são: o tempo e a qualidade do planejamento feito antes da abertura, à dedicação à empresa no primeiro ano do negócio, a gestão do negócio (em especial a administração do fluxo de caixa), o aperfeiçoamento do produto/serviço às necessidades do mercado consumidor e a conjuntura econômica. Segundo Marconi e Lakatos, (2006, p. 158), “decisão é a primeira etapa de uma pesquisa, o momento em que o pesquisador toma a decisão de realizá-la, no interesse próprio, de alguém ou de alguma entidade como, por exemplo, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)”. 1.2. Caracterização do tema da pesquisa Pesquisar e obter conhecimento de todas as formas de custear produtos e serviços, a fim de mensurar de melhor forma a produção da empresa garantindo a rentabilidade, a eficiência e a eficácia dos recursos por ela aplicada. Hansen e Mowen (2003, p. 28), relatam que, Tradicionalmente, a contabilidade de custos focou em determinar o custo do estoque e dos bens produzidos. Os custos eram classificados em categorias funcionais, e a determinação dos custos de manufatura consumia muito esforço. Enquanto ainda era importante saber o custo de bens produzido, o contador de hoje precisa fornecer ainda mais informações. As empresas precisam de informações acuradas de custos para integrar o desenvolvimento do produto, produção, marketing e serviços pós-venda. Para muitas empresas, os métodos de 19 produção e os tipos de produtos mudam rapidamente. A ênfase na qualidade, produtividade e meio ambiente exigem novas medidas de controle. O achatamento da pirâmide hierárquica e a delegação de autoridade aos níveis mais baixos da gestão requerem informações operacionalmente relevantes para apoiar tomadas de decisão amplas de todos os empregados. O contador de custos está assumindo um novo papel, um papel com implicações mais amplas e uma definição menos estreita, é dessa forma que a contabilidade de custos está evoluindo para a gestão de custos. 1.3. Limitação da Pesquisa Segundo Marconi e Lakatos, (2006, p. 164), “delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a investigação”. 1.4. Problema de Pesquisa Marconi e Lakatos, (2006, p. 161), argumentam que “problema é uma dificuldade, teórica ou prática, no conhecimento de alguma coisa de real importância, para a qual se deve encontrar uma solução”. Os instrumentos de tomada de decisão e planejamento estratégico demonstrados no presente trabalho são utilizados em várias empresas do mundo. Existem vários tipos de custeio no mundo atualmente, mas somente com a mudança de comportamento das pessoas inseridas nas empresas fará com que estes métodos sejam eficazes e eficientes, alcançando seus objetivos. O simples fato de implantar um método ou formas de custeio não trará resultados esperados para empresa se a mudança de comportamento individual não ocorrer em cada funcionário da empresa. 1.5. Objetivo da Pesquisa Para Marconi e Lakatos, (2006 p. 158) “toda pesquisa deve ter um objetivo determinado para saber o que vai procurar e o que se pretende alcançar”. Assim sendo, o objetivo geral deste trabalho constitui em mostrar as ferramentas disponíveis que existem e possa ser usado como estratégias na tomada de decisão que não são tão conhecidas como deveriam ser. 20 1.6. Relevância da Pesquisa É através da pesquisa que se consegue identificar e criar métodos para serem utilizados da melhor maneira possível em qualquer tomada de decisão. Hansen e Mowen (2003, p. 28), definem que, A gestão de custos requer uma compreensão profunda da estrutura de custos da empresa. Os gestores precisam ser capazes de determinar os custos a longo e a curto prazo de atividades e processos, assim com os custos de produtos, serviços e outros objetos de interesse (por exemplo, os clientes). Os custos de atividades e processos não aparecem nas demonstrações financeiras. Porém, conhecer esses custos é fundamental para as empresas que estão se engajando em tarefas como a melhoria contínua, a administração da qualidade total, a gestão ambiental, o realce da produtividade e a gestão estratégica. Oliveira, e Perez Jr. (2005, p. 20), relatam que “os usuários mais importantes de um eficiente sistema de custos são, em primeiro lugar, os próprios donos das empresas. Em seguida, os diretores e demais executivos responsáveis pelas tomadas de decisões, os quais necessitam de informações confiáveis, rápidas e de fácil entendimento”. 1.7. Métodos de Pesquisa O presente estudo foi desenvolvido por meio de pesquisas bibliográficas e em sites oficiais de pesquisa. Marconi e Lakatos, (2006 p. 83), define que, “assim, o método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros -, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista”. 1.8. Revisão Bibliográfica Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 20), relatam que “a contabilidade de custos integra a Contabilidade Gerencial,” ou seja, um sistema cujo objetivo é gerar informações úteis para a administração das empresas, em todos os níveis”. 21 Hansen e Mowen (2003, p. 28), relatam que, A contabilidade de custos tenta satisfazer objetivos de custeio para a contabilidade financeira e gerencial. Quando a contabilidade de custos é usada para cumprir com um objetivo da contabilidade financeira, ela mensura e avalia custos de acordo com os PCGA. Quando usada para propósitos internos, a contabilidade de custos fornece informações de custos sobre produtos, clientes, serviços, projetos, atividades, processos e outros detalhes que podem ser de interesse para a gerência. No mesmo raciocínio Berti (2006, p. 23), afirma que “os princípios da contabilidade de custos são basicamente os mesmos da contabilidade financeira”. 1.9. Organização do estudo O presente trabalho apresenta algumas noções básicas no que se refere à Gestão de Custos e qual a sua importância para as empresas. O primeiro capítulo refere-se aos instrumentos e metodologias que foram utilizadas para a elaboração do presente trabalho. O segundo capítulo será feito um breve estudo do surgimento das empresas e qual a finalidade da sua existência. No terceiro capítulo, aborda-se o surgimento e a evolução da contabilidade de custos, juntamente com seus princípios básicos e as definições de custos e despesas. No quarto capítulo, há a necessidade do estudo da Gestão de Custos com suas respectivas ferramentas Just in Time e Total Quality Control. No quinto capítulo, tem-se à Gestão Estratégica de Custos, que é a espinha dorsal do trabalho, e alguns exemplos utilizando esta poderosa ferramenta na gestão de custo. No sexto capítulo, foi desenvolvido um estudo de caso, usando o método de Custeio por Absorção e o método de Custeio ABC, servindo de base para a tomada de decisão. No sétimo capítulo, apresenta-se a conclusão baseada no trabalho. 22 CAPÍTULO 2. SURGIMENTO E A EVOLUÇÃO DAS EMPRESAS Visando um melhor entendimento, este capítulo abordará o início e o surgimento das empresas, e qual a sua importância perante a sociedade e o governo. 2.1. Breve histórico do surgimento das empresas Sempre existiam formas de trabalhos organizado e dirigido. As empresas começaram seu desenvolvimento lentamente até a revolução industrial. Antes de 1970 as empresas desenvolviam e competiam no mercado principalmente com base nos custos, ou seja, utilizava-se do sistema ford, com a abertura dos mercados as empresas atualmente precisam competir com base na qualidade, com mais flexibilidade, ou seja, se utilizam os sistemas toyota para que consiga sobreviver neste cenário globalizado (PEREZ JR.; OLIVEIRA; COSTA, 2006). As empresas hoje, vivem em um ambiente de constante mudança, onde elas precisam sobreviver com a escassez de recursos que a cada ano que se passa esta mais difícil de se obter neste mercado globalizado. Portanto com as contínuas mudanças no mundo dos negócios às empresas se vêm obrigas a aprimorar e a melhorar cada vez mais os seus sistemas de gerenciamento para alcançar os resultados esperado pela alta direção. Maximiliano (2004, p. 90), afirma que “por volta da década de 80, ficou evidente que as empresas deveriam renovar-se ou morreriam. Inovação, risco e criatividade deveriam substituir as estruturas e os comportamentos burocráticos”. Segundo Nakagawa (1991, p. 36), conceitua que, Para as primeiras firmas manufaturadoras, dos anos 1880 até os primeiros anos do século XX, que buscavam o sucesso de seus empreendimentos reduzindo o custo do produto através de economias de escala, os sistemas de custeio então desenvolvidos eram bastante relevantes para todas as decisões gerenciais que afetassem a eficiência e a lucratividade, porque as empresas operavam apenas uma planta e produziam um único produto. Mais tarde, entretanto, as firmas começaram a integra-se verticalmente, muito especialmente no setor metalúrgico, passando a manufaturar diversas linhas de produto, que consumiam recursos a taxas extremamente variáveis. Os gestores dessas empresas buscavam, então, o sucesso através de economias de escopo, ou seja, ganhos marginais que decorriam de uma combinação ideal de produtos em uma única planta. 23 2.2. O que é uma empresa Berti (2007, p. 73), conceitua que, “uma empresa é uma unidade econômica, ou seja, consome, num primeiro momento, recursos que são escassos e valiosos buscando, num segundo momento, não só recuperar os recursos aplicados, mas também, obter um acréscimo, denominado esse como lucros”. Chiavenato, (1999, p. 66), afirma que “a organização é a função administrativa que define os recursos e os aloca em órgãos e pessoas, estrutura os órgãos e atribui responsabilidades e autoridade”. Conforme Druker, (2002, p. 57), “para saber o que é empresa, precisamos partir de sua finalidade. Essa finalidade precisa ser externa à própria empresa. Na verdade, ela deve encontrar-se na sociedade, já que a empresa é órgão da sociedade. Só uma finalidade será válida para a empresa: criar seu cliente”. Segundo Maximiliano, (2004, p. 26), Objetivos e recursos são as palavras-chaves na definição de administração e também de organização. Uma organização é um sistema de recursos que procura realizar algum tipo de objetivo (ou conjunto de objetivos). Além de objetivos e recursos, as organizações têm dois outros componentes: processo de transformação e divisão de trabalho. Empresa é uma organização econômica que compreende a produção ou venda de produtos ou serviços com objetivo de gerar lucro, é composta por um conjunto de recursos, humanos que são as pessoas que trabalham para o desempenho e o crescimento da empresa, recursos monetários é a quantia de dinheiro que movimenta a empresa ou empreendimento, recursos de matéria prima são os insumos utilizados diretamente na fabricação dos produtos e recursos de bens de capital são a máquinas ou equipamentos utilizadas durante o processo de fabricação dos produtos (MAXIMILIANO, 2004). 2.3. A finalidade da empresa Uma empresa tem por finalidade criar e desenvolver produtos ou serviços para atender as necessidades e os desejos de seus clientes, com o propósito de gerar lucros para seus acionistas que 24 a gerenciam, a empresa não é criada simplesmente com a finalidade de gerar empregos, por isso se contrata e demite em função de seu interesse de lucratividade. Nakagawa (1991, p. 83) afirma que, Para empresa assegurar a sua continuidade no mercado é preciso, afinal de contas conseguir que o preço seja maior do que seu custo total. Freqüentemente, entretanto, isso não acontece porque nem sempre ela consegue aprimorar, adequadamente, todos os custos ao seu produto, o que acaba resultando em um apreçamento incorreto com todas as suas conseqüências. De acordo com Druker, (2002, p. 57), É o cliente que determina o que será a empresa. Só o cliente, munido da disposição de pagar por determinado bem ou serviço, transforma os recursos econômicos em riqueza, coisas em bens. O que a empresa acha que produz não tem maior importância – especialmente em relação ao seu próprio futuro e êxito. Maximiliano, (2004, p. 27), afirma que “as organizações são grupos sociais deliberadamente orientados para realização de objetivos, que, de forma geral, se traduzem no fornecimento de produtos e serviços. Toda organização existe com a finalidade de fornecer alguma combinação de produtos e serviços”. 2.4. A empresa como órgão de inovação e crescimento De acordo com Druker, (2002, p. 60), “a empresa privada só pode existir nas economias que consideram as mudanças como naturais e aceitáveis. E a empresa é o órgão específico do crescimento, da ampliação e das mudanças”. Na visão de Nakagawa (1991, p. 91), “à medida que as empresas caminham na direção de sistemas de manufaturas otimizados, o controle interno como hoje é praticado mudará devido à necessidade de eliminar custos que não adicionam valor”. Segundo Chiavenato, (1999, p. 74), As organizações não existem no vácuo. E nem estão sozinhas ou isoladas no mundo. Elas vivem e operam em um meio ambiente que lhes serve de nicho. E nesse ambiente estão muitas outras organizações e empresas, algumas em cooperação, outras competição e confronto aberto com elas. 25 Uma empresa para crescer precisa inovar e aperfeiçoar seus produtos ou serviços, inovar pode significar descobrir novos usos para velhos produtos. A inovação pode gerar mais lucratividade para empresa e benefícios para os clientes, a inovação mais produtiva é a que gera um produto ou serviços diferente, que dê origem a um novo potencial de satisfação ao cliente e a economia, essa inovação pode até custar mais para o cliente, como também se tornar à economia mais produtiva (MAXIMILIANO, 2004). Maximiliano (2004, p. 106), define que “a capacidade de inovação é um dos benefícios da aquisição de conhecimentos e um fator de competitividade. Inovação significa a capacidade de apresentar e desenvolver novos produtos e serviços que efetivamente chegam ao mercado”. 2.5. A produtividade nas empresa A produtividade é basicamente definida como equilíbrio que se estabelecem entre todos os fatores produtivos para gerar a maior produção com o menor esforço. É diferente da produtividade por trabalhador ou por hora trabalhada. Nas economias modernas o aumento do resultado da produtividade nunca é conseguido através do esforço moderno. Ele sempre traduz o resultado da eliminação da força bruta, da substituição do trabalhador por alguma outra coisa. Uma dessas coisas é sem dúvida, o equipamento do capital, isto é, a energia mecânica. As maiores oportunidades do crescimento da produtividade serão certamente encontradas no próprio trabalho, e especialmente na direção (MAXIMILIANO, 2004). Conforme Druker, (2002, p. 63), Para cumprir sua finalidade de criar o cliente, a empresa precisa servir-se dos recursos geradores e riquezas. Ela está, pois, encarregada de aproveitar produtivamente esse recurso. Essa é a função gerencial da empresa. Em seu aspecto econômico, ela recebe o nome de produtividade. 2.6. O lucro e os objetivos da empresa Segundo Druker, (2002, p. 67), O lucro não é uma causa, mas uma conseqüência – a conseqüência do bom desempenho da empresa no marketing, na inovação e na produtividade. É uma conseqüência necessária, a serviço das funções econômicas essenciais. O lucro constitui, antes de tudo, o teste do bom 26 desempenho – o único teste eficaz como descobriram os economistas russos ao tentar aboli-lo, no início da década de 1920. O lucro é justamente o retorno positivo de um investimento, feito por um indivíduo ou grupos de pessoas em um negócio ou empreendimento. Ele constitui a recompensa a quem corre o risco da incerteza do retorno. É assumindo risco que qualquer empresa ganha seu pão. Por ser econômica, permanentemente a atividade da empresa procura introduzir mudanças. O lucro e os objetivos da empresa podem ser representados como segue na figura 01. 1 Atender a uma necessidade específica da sociedade, do mercado ou do cliente. 2 Gerar riqueza, agregar valor através dos parceiros e da sinergia de esforços. 3 Distribuir adequadamente a riqueza gerada entre os parceiros que ajudaram a criá-la. Figura 01. Os três grandes objetivos das organizações FONTE: Chiavenato, (1999, p. 268.) Para se manter neste cenário globalizado e competitivo as empresas precisam atender os desejos e as necessidades de seus clientes¸ gerando riqueza que vai agregar valor através dos seus parceiros e da sinergia de esforços para sobrevivência da companhia e deve ter uma distribuição adequadamente de suas riquezas gerada entre os parceiros que ajudaram a atingir os objetivos pretendidos pela organização. 2.7. A finalidade e a missão da empresa Em uma empresa ou empreendimento é preciso determinar claramente qual é a missão e a finalidade da empresa, uma empresa não se define somente pelo seu nome, estatuto ou produto que se faz; ela se define pela sua missão, é uma definição apresentada para o mercado, aos funcionários, acionistas e parceiros de negócio, somente uma definição clara da missão é razão de existir da organização e torna possíveis, claros e realistas os objetivos da empresa. 27 Conforme Druker, (2002, p. 72), Só uma clara determinação da missão e finalidade da empresa se poderá ter objetivos empresariais límpidos e realístico. Essa determinação constitui o fundamento das prioridades, estratégias, planos, e atribuições de serviços. Ela constitui o ponto de partida para a concepção dos cargos de direção e, acima de tudo, para a concepção das estruturas da direção. A estrutura acompanha a estratégia. A estratégia determina as operações básicas de uma dada empresa. E para formular a estratégia é preciso saber “qual é o nosso ramo e qual deve ser ele”. Maximiliano, (2004, p. 165), afirma que “a missão estabelece o propósito ou a razão de ser da organização. Identificar a missão é entender a qual necessidade do mercado (ou ambiente) a organização atende, ou sua utilidade para os clientes”. Nakagawa (1991, p. 71), define que “a missão da empresa é a definição do tipo de negócio em que a empresa está inserida e os vetores que indicam o seu sucesso continuado, tendo em vista as expectativas sócio-econômicas do mercado”. 2.8. A empresa e o governo Segundo Druker, (2002, p. 353), “as relações empresa-governo constituem também um problema social, pois em todos os grandes países elas se encontram ao abandono. É preciso repensá-las, reavaliá-las e reestruturá-las com urgência”. Empresa e governo, precisam trabalhar em sintonia para que aja o crescimento e desenvolvimento da economia do país, de um lado governo fazendo os investimentos necessários na economia e criando novas formas e alternativas para que as empresas consigam sobreviver nesta economia globalizada, de outro a lado as empresas cumprindo suas obrigações perante o governo e a sociedade para que juntos consigam vencer os desafios constantes da globalização. 2.9. Desempenho das empresas Maximiliano, (2004, p. 98), define que “eficiência, a medida de utilização dos recursos, e eficácia, a medida de realização dos objetivos, são os dois critérios para avaliar o desempenho das organizações”. Na visão de Nakagawa (1991, p. 54), “a empresa necessita não só de informações financeiras, como também de informações não financeiras para mensurar seu desempenho”. 28 O desempenho de uma empresa depende exclusivamente de como os seus recursos são utilizados, a empresa é eficiente quando ela tem o menor esforço para produzir um resultado, com isso ela consegue obter um processo mais eficiente. Os critérios mais importantes para a avaliação do desempenho de uma organização e de seus administradores podem ser apresentados como segue na figura 02. Satisfação dos acionistas Desempenho eficaz como negócio Satisfação dos clientes Qualidade dos produtos e serviços Eficiência no uso dos recursos Satisfação dos funcionários Figura 02. Alguns critérios para avaliação do desempenho de uma organização FONTE: Maximiliano, (2004, p. 99.) O desempenho de uma empresa e de seus administradores depende exclusivamente de como os seus recursos são utilizados, ou seja, a empresa só é eficiente quando ela tem o menor esforço para se atingir os objetivos almejados pela direção da companhia. 2.10. A satisfação dos clientes perante a empresa Para a sobrevivência de uma empresa é fundamental que ela atinja a satisfação dos seus clientes e funcionários. Os clientes é quem mantêm o processo produtivo e o desempenho de qualquer empresa, ele é o fomentador da existência da empresa na sociedade. 29 Nakagawa (1991, p. 63) conceitua que, A capacidade competitiva de uma empresa está assentada em grande parte em sua eficiência em projetar, manufaturar e entregar o produto ao cliente no menor prazo possível sem sacrificar as metas de baixo custo, alta qualidade, fácil manutenção e confiabilidade. Maximiliano, (2004, p. 104), afirma que “a satisfação dos clientes é um objetivo prioritário para todas as organizações. Sem clientes satisfeitos, as demais medidas de desempenho da organização ficam comprometidas”. Chiavenato, (1999, p. 82), afirma que “clientes são os elementos que compram ou adquirem os produtos ou serviços, ou seja, absorvem as saídas e resultados da organização. Os clientes poder ser chamados de usuários, consumidores, contribuintes ou, ainda patrocinadores”. 2.11. Plano estratégico nas empresas É fundamental que as empresas tenham ou elaborem seus planos estratégicos, para que consigam tomar decisões no futuro, sejam elas com relação aos seus concorrentes ou até mesmo com elaboração de novos produtos ou serviços que possam melhorar o desempenho da empresa. Segundo Maximiliano, (2004, p. 163), Toda organização tem uma estratégia, ou plano estratégico, formal ou informal, do passado para o presente. Em algum momento do passado, os administradores de qualquer organização tomaram decisões estratégicas e aplicaram recursos para aproveitar oportunidades ou enfrentar desafios. Conforme Maximiliano (2004) todas as organizações têm estratégias, implícitas ou explicitas, do passado para o presente. Do presente para o futuro, algumas organizações têm planos estratégicos explícitos. Para Nakagawa (1991, p.71), “o plano estratégico de uma empresa define os objetivos e restrições de suas atividades operacionais”. Chiavenato, (1999, p. 282), define que “o planejamento estratégico refere-se à maneira pela qual a empresa pretende aplicar determinada estratégia para alcançar os objetivos propostos. É um planejamento global e a longo prazo”. As bases do planejamento estratégico podem ser, resumidos no seguinte esquema na figura 03. 30 Formulação dos Objetivos Organizacionais O que temos na empresa? Análise Interna da Empresa Análise Externa do Ambiente O que há no Ambiente? Condições externas, Oportunidades, ameaças, Desafios e restrições Pontos fortes e pontos fracos, recursos disponíveis, capacidade e habilidade Formulação de Alternativas Estratégicas O que fazer? Figura 03. As bases do planejamento estratégico FONTE: Chiavenato, (2000, p. 283.) Para que a empresa tenha um bom planejamento estratégico é preciso formular os objetivos organizacionais da companhia. Fazer análise dos ambientes internos e externos, no ambiente interno a empresa precisa verificar quais são os seus pontos fortes e fracos e quais são os seus recursos disponíveis para o cenário atual, já no ambiente externo a empresa precisa analisar quais são as oportunidades, ameaças e desafios que terá que enfrentar para se atingir os objetivos. 2.12. Parceiros da empresa De acordo com Cooper e Slagmulder (2003), as interações entre empresa e seus clientes e fornecedores só se tornam verdadeiramente eficientes quando clientes e fornecedores solicitam que modifique seu comportamento com o objetivo de reduzir custos. Chiavenato, (1999, p. 125), define que “as pessoas que trabalham na empresa contribuem com seu trabalho e seus conhecimentos, experiências, capacidade e habilidades. Os clientes contribuem para a organização adquirindo seus bens ou serviços”. 31 As empresas necessitam cada vez mais dos conhecimentos e das habilidades que as pessoas ou colaboradores possuem para um bom desempenho da sua lucratividade e crescimento no mundo globalizado. Os parceiros da organização podem ser representados como segue na figura 04. Contribuem Com: Parceiros Esperam Retorno em: Matérias-primas, serviços e tecnologias Fornecedores Lucros e novos negócios Capital e investimentos Investidores e Acionistas Lucros e dividendos Conhecimentos, esforço e habilidades Empregados Salários, benefícios e retribuições Aquisição de bens e serviços Clientes Qualidade, Preço e satisfação Figura 04. Os parceiros da organização FONTE: Chiavenato, (1999, p. 125.) Para que aja um bom desempenho da empresa é preciso que ela possua um bom relacionamento com seus fornecedores, investidores, acionistas, empregados e clientes, pois somente com estes parceiros é que a empresa conseguirá se manter no mercado competitivo. 2.13. A empresa em um ambiente de mudança Costa, (2007, p. 67), define que “mudanças nas organizações abrem, geralmente, novas perspectivas para alguns, mas também criam constrangimentos para outros, ameaçando posições consagradas, criando aborrecimentos e provocando medos, tensões e conflitos”. 32 Segundo Chiavenato, (1999, p. 158), Para mudar, a organização precisa se transformar em um verdadeiro ambiente de mudança, em que as pessoas se sintam seguras e encorajadas para a inovação e criatividade. E um ambiente de mudança, por incrível que pareça, exige um minucioso planejamento. Esse planejamento precisa ser feito em equipe, através de todas as gerências e, se possível, envolvendo todas as pessoas. Para tanto, a organização precisa ter antecipadamente uma visão focalizada para alguns objetivos e uma profunda reflexão sobre seu futuro e seu destino. Tudo isso precisa ser transmitido e comunicado às pessoas para que elas operem como agentes ativos – e não meramente passivos – da mudança que se pretende impulsionar. A mudança nas empresas é muito importante e fundamental, mas para que isso ocorra é preciso ter uma sinergia em todos os níveis da empresa, não adianta fazer mudança em alguns departamentos ou setores, isso não vai chegar ao resultado esperado pela organização. A mudança na empresa deve ser planejada, organizada, dirigida e controlada para se atingir o objetivo em que a empresa pretende chegar. 2.14. O que é administração na empresa Administrar significa controlar todos os recursos necessários sejam eles: financeiros, humanos e materiais de maneira eficientes e eficazes, atendendo as expectativas de todos os envolvidos dentro e fora da organização, a fim de atingir os objetivos almejados pela empresa. Chiavenato, (2000, p. 85), Define que o conceito amplo e compreensivo de administração – como um conjunto de pessoas entrosadas e unificados-abrange aspectos que a organização por si só não envolve, tais como os da previsão, comando e controle. A organização abrange somente o estabelecimento da estrutura e da forma, sendo, portanto, estática e limitada. 2.15. A rede de valor da empresa Costa, (2007, p. 303), define que, A rede-de-valor é um diagrama no qual estão representados os principais “jogadores” contra os quais a empresa precisa se relacionar, de alguma forma, no seu dia-a-dia: seus clientes, seus fornecedores, seus complementadores - cujas atividades tendem a aumentar 33 o valor dos negócios da empresa-e seus concorrentes (ou “substituidores”)-cujas atividades tendem a reduzir o valor das operações da empresa. Um bom relacionamento entre empresa e cliente é possível e pode se tornar mais vantajoso se conseguirem estruturar seus conflitos de interesse como um jogo cooperativo. O mesmo pode ser aplicado com relação entre empresa e seus fornecedores, bem como entre a empresa e seus complementadores. Com relação aos concorrentes pode-se criar uma aliança para que quando for fazerem suas compras de matérias consigam comprar um lote maior por um preço menor do que se estivessem comprando individual. A rede de valor da empresa pode ser resumida no seguinte esquema na figura 05. Os clientes Os concorrentes A empresa Os complementadores Os fornecedores Figura 05. A Rede-de-Valor da Empresa FONTE: Costa, (2007, p. 303.) A rede de valor de uma empresa é composta pelos seus clientes, seus fornecedores, seus concorrentes e seus complementadores que de alguma forma a empresa precisa se relacionar no seu dia-a-dia para que ela tenha um bom desempenho perante o mercado e consiga tomar decisões acertadas. 34 2.16. Modelo de empresa Costa (2007, p. 87), afirma que “nenhuma organização deve agir como se fosse a única no seu negócio, ou como se tivesse um público exclusivo”. Maximiliano, (2004, p. 251), define que “as organizações são diferentes umas das outras. Ao mesmo tempo, compartilham semelhanças. As semelhanças permitem identificar modelos em que as organizações se encaixam”. A figura 06 demonstra que há dois modelos principais de organização. Mecanicista Organizações flexíveis, com redefinição contínua de tarefas e organogramas de pouca utilidade. Adequadas a condições ambientais dinâmicas Ênfase nas regras Modelos de organização Organizações hierarquizadas, burocráticas, especializadas e adequadas a condições ambientais estáveis Ênfase nas pessoas Orgânica Figura 06. Há dois modelos principais de organização FONTE: Maximiliano, (2004, p. 251.) As empresas são diferentes umas das outras, mas apresentam semelhança entre si no processo de organizar. O modelo de estrutura organizacional é ao mesmo tempo estável e dinâmico e que deve atender a situações que podem variar de um momento para outro. No próximo capitulo será, abordado a evolução da contabilidade de custos e demonstrar as ferramentas utilizadas na tomada de decisão. 35 CAPÍTULO 3. EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTO Neste capítulo, serão estudado o surgimento da Contabilidade de Custo, apresentar os tipos de custos e suas respectivas terminologias, e demonstrar a grande importância da contabilidade de custos num momento em que se trabalha com escassez de recursos e precisa-se chegar a resultados ou alternativas favoráveis para o desempenho das empresas. 3.1. Conceito sobre a contabilidade de custos Segundo Ribeiro (1996, p. 17), “a Contabilidade de Custos ou Contabilidade Industrial é um ramo da Contabilidade aplicado às empresas industriais”. Berti, (2007, p. 19), conceitua que, A contabilidade de custos, segundo o Professor Correia (2001), é uma parte da contabilidade financeira voltada para a apuração dos gastos ocorridos, no sentido de apurar resultados em qualquer atividade física ou mental do homem, quer com seus recursos pessoais, quer mediante a utilização de outros meios. A contabilidade de custos é geralmente utilizada nas empresas industriais, pois é um procedimento contábil e extraordinário necessário para se apurar o quanto custo para empresa um determino produto ou processo de fabricação. Tem for finalidade produzir informações para os diversos níveis gerencias da empresa, como auxilio as funções de determinação de desempenho, e de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões. Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 20), afirma que “a contabilidade de custos integra a Contabilidade Gerencial, ou seja, um sistema cujo objetivo é gerar informações úteis à administração das empresas, em todos os níveis”. Na mesma linha de raciocínio Schier (2005, p. 27), afirma que, A contabilidade de custos, derivada da contabilidade financeira e da contabilidade geral, foi concebida como um instrumento para resolução dos problemas da mensuração monetária dos estoques e do resultado das organizações, não sendo, num primeiro momento, utilizada como ferramenta gerencial da administração. 36 Martins (2001, p. 21), acrescenta “que devido ao crescimento das empresas, com o conseqüente aumento da distância entre administrador e ativos e pessoas administradas, passou a Contabilidade de Custos a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio no desempenho dessa nova missão, a gerencial”. 3.2. Surgimento A Contabilidade de Custos começou a ter um maior destaque com a revolução industrial com a sua aplicação passou a ser conhecida como Contabilidade Industrial. A partir desta fase a contabilidade, passou de seu foco principal que era a avaliação dos estoques, para diferentes técnicas de custeio. Alguns autores de livros sobre contabilidade de custos, buscando dados históricos, dizem que ela surgiu com a revolução industrial e por isso foi implantada inicialmente nas empresas industriais como forma de apuração de custos para efeito da fixação de preços ao consumidor. Depois foi desenvolvida e aprimorada em razão da competitividade entre as empresas. Mas, por dedução podemos dizer também que a aplicação da contabilidade de custos talvez tenha iniciado de forma primária ou elementar logo depois que Luca Paccioli publicou a sua teoria sobre o método das partidas dobradas, que deu à contabilidade uma forma mais conseqüente para apuração de resultados dos empreendimentos agrícolas de sua época, as Aziendas ou fazendas. Isto significa dizer que a contabilidade de custos é tão antiga quanto a contabilidade mais rudimentar, se consideramos que esta surgiu em razão da necessidade de artesões e fazendeiros terem controles financeiros, administrativos e patrimoniais que possibilitassem a apuração de resultados (lucros ou prejuízos) em suas atividades produtivas e comerciais (PARADA FILHO, 2008). A contabilidade de custo surgiu pela necessidade de apurar o quanto custou para a empresa industrial à fabricação dos seus produtos, por volta do século XVIII, quando acontecera a Revolução Industrial usava-se como base a Contabilidade Financeira ou Contabilidade Geral, que foi sendo desenvolvida na Era Mercantilista para servir as empresas comerciais (MARTINS, 2001). Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 15), afirma que “historicamente, as chamadas atividades industriais tiveram grande desenvolvimento baseada na criação de novas máquinas e equipamentos, para atender às necessidades de um crescente segmento da sociedade, já a partir do início do século XVIII”. 37 Segundo Martins (2001, p. 19), “para a apuração do resultado de cada período, bem como para o levantamento do balanço em seu final, bastava o levantamento dos estoques em termos físicos, já que sua medida em valores monetários era extremamente simples”. O contador verificava o montante pago por item estocado, e dessa forma mensurava e dava valor às mercadorias, utilizando o cálculo basicamente por diferença, calculando o quanto tinha de estoques iniciais, adicionando as compras do período e comparando com o que ainda restava, apurava o valor de aquisição das mercadorias, na clássica disposição: Resumidamente os custos das mercadorias vendidas podem, ser representada como segue no quadro 01. Estoques Iniciais (+) Compras (-) Estoques Finais (=) Custos das Mercarias Vendidas Quadro 01. Custo das mercadorias vendidas FONTE: Martins, (2001, p. 19.) O lucro bruto era simplesmente obtido através do confronto entre as Receitas Líquidas e a Subtração das despesas, que eram necessárias à manutenção da entidade durante o período, juntamente com as venda dos bens e ao financiamento de suas atividades (MARTINS, 2001). Com esses métodos de apuração pode-se dizer que a partir daí nascia a Demonstração de Resultado de uma empresa. Resumidamente, a demonstração de resultado pode ser representada como segue no quadro 02. 38 Demonstração de Resultados Vendas Líquidas (-) Custo das Mercadorias Vendidas Estoques Iniciais (+) Compras (-) Estoques Finais (=) Lucro Bruto (-) Despesas Comerciais (Vendas) Administrativas Financeiras Resultado Líquido Quadro 02. Demonstração do resultado FONTE: Martins, (2001, p. 20.) A produção dos produtos eram feitas geralmente por pessoas ou grupos de pessoas físicas comuns, que na maioria das vezes não constituíam empresas jurídicas. A maioria delas sobreviviam economicamente do comércio, e não da produção ou fabricação de produtos, desta maneira ficava mais fácil de identificar e verificar o valor da compra dos produtos existente, podendo simplesmente verificar ou consultar os documentos de sua aquisição (MARTINS, 2001). A função do contador, neste período passa a ser de suma importância em uma empresa, pois o surgimento das indústrias exigiu que este profissional tivesse que desenvolver o Balanço Patrimonial e as Demonstrações de Resultados do Exercício com outra visão, sendo que o valor de 39 compra nas empresas comerciais estava agora passando por uma fase de substituição por uma série de valores pagos pelos fatores de produção utilizados. Martins (2001, p. 20), afirma que, Nada mais razoável, para solução desse problema, do que vermos o Contador tentando adaptar à empresa industrial os mesmos critérios utilizados na comercial. Nesta, no balanço final, permaneciam como estoques no Ativo apenas os valores sacrificados pela compra dos bens. Nenhum outro valor relativo a juros e outros encargos financeiros, a honorários dos proprietários e administradores, a salários e comissões de vendedores etc. era ativado. Todos esses gastos eram automaticamente apropriados como despesas do período, independentemente da venda ou não de mercadorias. Começou-se então a adaptação, dentro do mesmo raciocínio, com a formação dos critérios de avaliação de estoques no caso industrial. 3.3. A necessidade da contabilidade de custos A contabilidade de custos, é um dos departamentos fundamentais dentro de uma empresa, tem por finalidade produzir informações para diversos níveis dentro da organização: auxilia as funções de determinação de desempenho, e de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões, tem a função de coletar, classificar e registrar os dados operacionais das diversas atividades da empresa, denominados dados internos, tais como: quantidade de produtos produzidos, horas trabalhadas, análise de matéria prima do produto, controle da ociosidade por departamento, custeio da mão-de-obra e análise da rentabilidade dos produtos comercializados etc. As empresas industriais têm grande necessidade de uma perfeita contabilidade de custos, principalmente aquelas que têm grande número de departamentos ou linhas de montagem em uma única fábrica e também em várias fábricas (PARADA FILHO, 2008). Berti (2007, p. 116) define que “a necessidade de ferramentas à disposição dos gestores empresariais para auxiliar no gerenciamento das atividades comerciais e industriais, coloca a gestão de custos numa posição de grande importância na contribuição rumo ao sucesso da empresa no sentido de atingir os objetivos planejados”. 40 3.4. Definição de custos e despesas O termo utilizado custos e despesas muitas vezes são confundidos por pessoas que são leigas no assunto, pois na concepção geral realmente advém de processos semelhantes dentro de uma organização. Há a necessidade de certa prudência para defini-los ou identificá-los. Segundo Berti, (2007, p. 21), Custo é o gasto com a fabricação do produto (processo produtivo). O custo só afetará o resultado com a parcela do gasto que corresponde aos produtos vendidos. Despesas são fatores identificáveis à administração, financeira e relativa às vendas, que reduzem a receita. A despesa afetará diretamente o resultado do exercício. 3.5. Custo Custo é a soma dos dispêndios em que se incorre direta ou indiretamente no processo de produção ou prestação de serviços (PARADA FILHO, 2008). Hansen e Mowen (2003, p. 61), definem que, “custo é o valor em dinheiro, ou o equivalente em dinheiro, sacrificado para produtos e serviços que se espera que tragam um beneficio atual ou futuro para a organização”. Ribeiro, (1996, p. 21), conceitua que, A palavra custo possui significado muito abrangente: pode ser utilizada para apresentar o Custo das Mercadorias Vendidas em uma empresa comercial, o Custo dos Serviços Prestados em uma empresa de prestação de serviços, o Custo de Fabricação de um produto, o Custo Direto de Fabricação etc. Martins (2001, p. 25), define que “custo é o gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços”. Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 31), afirma que “custo compreendem a todos os gastos relativos aos bens e serviços (recursos), consumidos na produção e outros bens”. Na mesma linha de raciocínio, Berti (2007, p. 20) afirma que “custo é o consumo de bens e serviços, empregados na produção de outros serviços”. 41 Custo de Produção Geração de Produto ou Serviço. Figura 07. Finalidade do custo de produção FONTE: Perez Jr., (2006, p. 01.) São variadas as definições de custo, alguns termos são específicos da linguagem do profissional da área de contabilidade de custos. Pode-se observar que existem vários tipos de custos e despesas no mundo da Contabilidade, faz-se necessário à definição de alguns mais usados, para que se possa adquirir o entendimento necessário para a interpretação de fatos rotineiros (PARADA FILHO, 2008). Custos Fixos Diretos – São aqueles apropriados diretamente a determinado centro de custeamento se refere à depreciação de bens do ativo permanente diretamente indispensáveis à produção ou prestação de determinado serviço, o que inclui móveis, utensílios, equipamentos e instalações. Custos Fixos Indiretos – São todos aqueles da mesma espécie dos referidos no item anterior, mas de uso comum por dois ou mais centros de custeamento e que, por isto, devem ser rateados. Entre os principais custos indiretos está depreciação do imóvel único em que estejam distribuídas as diversas dependências da entidade produtora ou prestadora do serviço. Neste caso, o rateio das depreciações aos demais centros de custeamento será efetuado com base na quantidade de metros quadrados utilizados. Custos Variáveis Diretos – São todos os demais gastos necessários, aplicados direta e unicamente a determinado centro de custeamento, sem os quais não seria possível o seu funcionamento. Custos Variáveis Indiretos – São todos aqueles gastos da mesma espécie dos referidos no item anterior, mas que, por serem de difícil apropriação direta, devem devem ser rateados por dois ou mais centros de custeamento. Custo de Reposição – Valor pago por um bem que irá substituir um outro que saiu, por venda, consumo ou obsolescência. 42 3.6. Despesas Despesa é a soma dos dispêndios auxiliares e administrativos direta ou indiretamente utilizados em quaisquer tipos de entidades com o sem fins lucrativos (PARADA FILHO, 2008). Martins (2001, p. 26), conclui que “despesa é o bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”. Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 32) define que “despesa são gastos relativos aos bens e serviços consumidos no processo de geração de receitas e manutenção dos negócios da empresa”. Na mesma linha de raciocínio Berti (2007, p. 20) afirma que “despesa gasto que provoca redução do patrimônio constitui a despesa. Bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para obtenção de receitas”. Gasto necessário à operação da empresa. Despesa Figura 08. Finalidade da despesa FONTE: Perez Jr., (2006, p. 01.) Existem vários tipos de despesas, mas faz-se necessário à citação da mais utilizadas, para que o entendimento possa ser com maior profundidade (PARADA FILHO, 2008). Despesas Diretas – São todos os gastos auxiliares, administrativos e relativos às vendas, que não estejam na qualidade de custos essencialmente ao pleno funcionamento do centro de custeamento e que possam ser apropriados diretamente em cada centro de custeamento. Despesas Indiretas – São todas aquelas despesas da mesma espécie das referidas no item anterior, mas que, por serem de difícil apropriação direta, devem ser rateadas por dois ou mais centros de custeamento. Despesas Fixas – São aquelas despesas que não se alteram permanecem constantes dentro de determinada faixa de atividades geradoras de receitas, independentemente do volume de vendas ou prestação de serviços. 43 Despesas Variáveis – São aquelas que variam proporcionalmente às variações no volume de receita a exemplo: os impostos incidentes sobre faturamento, as comissões dos vendedores sobre as vendas e os serviços etc. Resumidamente, a classificação dos gastos pode ser representada como segue na figura 09. Gastos Consumo de bens e serviços Despesas Custos Gastos incorridos na produção de novos bens ou serviços Fixos Total constante em relação ao volume produzido Gastos incorridos no Processo de geração de receitas Variáveis Total variável em relação ao volume produzido Fixas Variáveis Total constante em relação ao volume de receitas Total variável em relação ao volume de receitas Aluguel depreciação Material direto Despesas administrativas Comissões sobre vendas Indiretos Diretos Indiretas Diretas Apropriação de forma subjetiva por critérios de rateio Apropriação de forma objetiva por meio de controles Apropriadas de forma subjetiva por critérios de rateio Apropriadas de forma objetiva por meio de controles Figura 09. Classificação dos gastos FONTE: Oliveira. (2005, p. 77.) Em uma empresa são encontrados vários tipos de gastos que são determinantes para a produção e o funcionamento da organização. Os gastos podem ser classificados como custos e despesas os custos estão relacionados diretamente com os gastos ocorridos na produção e as despesas estão relacionadas com os gastos ocorridos na parte administrativa da empresa. Será abordada, no próximo capítulo a gestão de custos como benefício para a empresa e como se tornou uma ferramenta crucial para a sobrevivência das empresas. 44 CAPÍTULO 4. GESTÃO DE CUSTO COMO BENEFICIO PARA EMPRESA. Neste capítulo serão abordados assuntos e técnicas que os gestores possam tomar decisões, visto que as empresas estão adquirindo cada vez mais tais procedimentos, dando condições para diminuir custos desnecessários que não agregam valores, aumentando assim o desempenho e lucratividade das empresas. 4.1. Gestão de custos Berti (2007, p. 17), afirma que “a contabilidade e a análise de custos deixam de ser um mero instrumento de auxílio à definição de preços, mas auxílio à gestão empresarial capaz, correta, necessária à manutenção da continuidade e sobrevivência das empresas”. Cooper e Slagmulder (2003), afirmam que a gestão de custos se tornou uma ferramenta crucial para sobrevivência de muitas empresas. Mas não basta reduzir custos. É preciso administrálos de modo a reforçar o posicionamento estratégico e fazer isso junto com clientes e fornecedores. São métodos e técnicas que visam à tomada de decisão nas empresas, procedimentos cada vez mais utilizados para diminuir custos desnecessários que não agregam valores, aumentando assim seus lucros. Hansen e Mowen (2003, p. 54), definem que “o estudo de contabilidade de custos e gestão de custos requer um entendimento dos conceitos fundamentais e termologia de custos e os sistemas de informações associados que os produzem”. 4.2. Custos para melhoria dos processos e eliminação de desperdícios Os gestores além dos seus conhecimentos e controle de custos de produção têm que encontrar formas e alternativas de melhoria através das ferramentas de custos para serem utilizadas no processo produtivo eliminando assim os desperdícios que aumentam o custo da produção e por sua vez reduzem o resultado e a competitividade da organização Schier (2005, p. 135), afirma que “desperdício é algo que não adiciona valor ao produto, sob a ótica do consumidor. São gastos que podem ser eliminados sem prejuízo da qualidade e quantidade da produção de bens e serviços”. 45 Robles Jr. (2003, p. 38) “de acordo com a terminologia adotada, desperdício seria todo o material que se perde, ou evapora, ou se encolhe, ou é resíduo que não tem valor de recuperação mensurável”. Berti (2007, p. 22) acrescenta e exemplifica que “desperdício são gastos ocorridos nos processos produtivos ou de geração de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou quantidade de bens, serviços ou receitas geradas constituem os desperdícios.” • Trabalho decorrente de defeitos de fabricação; • Estocagem e manutenção de estoques desnecessários etc. Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 26) define que, Além do pleno conhecimento e controle dos custos de produção, é necessário identificar as possibilidades de melhorias de processos que resultem em identificação e eliminação de desperdícios que oneram o custo da produção e reduzem a lucratividade ou a competitividade das empresas. 4.3. Custos para formação do preço de venda Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 240), conceituam que “entretanto, o preço obtido do custo é uma referência valiosa para comparar com o preço de mercado e determinar a conveniência ou não de vender o produto pelo preço que o mercado estiver disposto a pagar”. Berti (2007, p. 122), afirma que “para estabelecer uma correta política de vendas, minimizando-se os riscos, as informações de custos são imprescindíveis”. Para Schier (2005, p. 158), “para que se efetue a análise de formação de preço de venda de um produto, é necessário que se conheça o tipo de mercado em que se atua ou deseja atuar”. Martins (2003, p. 19) conceitua que, Nesta forma de calcular preços - preços de dentro para – fora, o ponto de partida é o custo do bem ou serviço apurado segundo um dos critérios estudados: Custeio por Absorção, Custeio Variável etc. Sobre esse custo agrega-se uma margem, denominada markup, que deve ser estimada para cobrir os gastos não incluídos no custo, os tributos e comissões incidentes sobre o preço e o lucro desejado pelos administradores. Para que a empresa consiga ser competitiva e tenha um bom desempenho, é de suma importância que ela possua um sistema de custos que produza informações, úteis, e consistente com 46 a filosofia da empresa, particularmente com a sua política de preços. Com base nestes aspectos citados, os preços podem ser fixados: com base nos custos, com base no mercado ou com base numa combinação de ambos. 4.4. Custos para controle Martins (2001, p. 321) conceitua que “pode-se dizer que a empresa tem controle dos seus custos e despesas quando conhece os que estão sendo incorridos, verifica se estão dentro do que era esperado analisa as divergências e toma medidas para correção de tais desvios”. De acordo com Perez Jr., Oliveira e Costa (2006. p. 162), Uma das principais utilidades de um bom sistema de custos é servir como ferramenta de controle sobre as atividades produtivas, em todas as suas fases e seus departamentos. O bom analista de custos obterá excelentes informações para seu trabalho, quando dispuser de um moderno e eficiente sistema para apuração, análise e controle de custos. Hansen e Mowen (2003, p. 39), conceituam que “os processos de monitorar a implementação de um plano e de tomar as ações corretivas como necessário são chamados de controle. Normalmente, o controle é conseguido mediante feedback”. Para que empresa tenha um bom desempenho competitivo os gestores da linha de frete da empresa precisam e devem saber quais são os seus custos e despesas que ocorrem em um determinado período. Deve se verificar se estão condizentes com o esperado e fazer uma análise minuciosa com relação às divergências e tomar as devidas medidas para correção de tais desvios se houver. 4.5. Custos para otimização de resultado Berti (2007, p. 73), conceitua que “os custos constituem a informação econômica fundamental da empresa, pois a empresa somente pode realizar (e otimizar) os seus lucros, seu objetivo fundamental como organização econômica, se administrar adequadamente o seu consumo de recursos”. 47 Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 27), afirmam que, Com o atual dinamismo da economia, os administradores necessitam de informações confiáveis e rápidas que lhes possibilitem a tomada de decisão para o alcance e a superação de metas de resultados. Nesse sentido, as informações sobre a lucratividade de cada produto, a linha de produto ou departamento são de fundamental importância. Se não houver um eficiente sistema de custos, a empresa pode, por exemplo, estar produzindo e comercializando um produto deficitário, sem saber. Na mesma linha de raciocínio Martins (2001, p. 316), define que, Para sobreviver nesses mercados cada vez mais competitivos, a empresa precisa perseguir e alcançar altos níveis de qualidade, eficiência e produtividade, eliminando desperdícios e reduzindo custos. Assim, é necessário que os gestores recebam informações precisas, tempestivas e atualizadas para um apoio eficaz ao processo decisório. Os efeitos da globalização vêm exigindo um grande esforço das empresas na busca da vantagem competitiva. Portanto é preciso ter em mãos as informações necessárias de qual é a lucratividade de cada produto ou departamento para que a gestão de custos possa traça estratégias e assegurar a lucratividade das unidades de negócios. 4.6. Informações que um sistema de custos deve fornecer Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 27), relatam que, “em resumo, um eficiente, e eficaz sistema de custos fornecem, entre outras, informações detalhadas, precisas e confiáveis sobre”: • Custos diretos, indiretos, fixos e variáveis; • Geradores de custos; • Atividades e processos que agregam ou não valor a seus produtos e serviços; • Margem de contribuição de cada produto ou serviço; • Departamentos deficitários, que precisam sofrer processos de melhoria; • Mix de produtos para maximizar o lucro e obter a melhor rentabilidade; • Preços competitivos baseados na determinação e análise do ponto de equilíbrio. Na mesma linha de raciocínio Hansen e Mowen (2003, p. 57), “o sistema de informações de custos não está limitado por qualquer critério formal que define entradas e processamentos. Em vez disso, os critérios que governam as entradas e os processos são internamente”. O sistema de informações de gestão de custos tem três objetivos amplos: 48 • Fornecer informações para computar o custo de serviço, produtos e outros objetivos de interesse da gestão. • Fornecer informações para o planejamento e controle. • Fornecer informações para tomada de decisão. Os gestores para terem um bom desempenho na administração da organização precisam ter pessoas competentes e engajadas para fornecerem dados precisos, e detalhados sobre, as condições que a empresa está passando no ambiente interno e externo, para que assim possam tomar decisões estratégicas com relação aos negócios da empresa. 4.7. Just in Time como ferramenta de redução de custos O Just-in-time (JIT) é método gerencial de administração introduzida na indústria de manufatura que surgiu no Japão por volta da década 1950 por sua excelência possibilitou e garantiu aos japoneses a supremacia na manufatura sobre as empresa ocidentais. Tendo a sua idéia básica e seu desenvolvimento creditados, a Toyota Motor Company, por isso também conhecido como “Sistema Toyota de Produção”. O idealizador desse sistema foi o vice-presidente da empresa Taiichi Ono que desenvolveu um sistema de produção que respondia com rapidez e flexibilidade às demandas de mercado, com a menor geração possível de estoques (NAKAGAWA, 1991). O JIT é um sistema aplicado na fabricação de produtos por meio da completa eliminação de processos desnecessários na produção, com o propósito de reduzir custos. A idéia básica, neste sistema, é produzir os tipos de unidades necessárias, no tempo necessário e na quantidade necessária. Uma importante observação neste sistema, é que as pessoas trabalham no mesmo ritmo, no momento em que uma tarefa é terminada, também é completada as tarefas imediatamente anteriores e posteriores (SLACK, 2002). Uma importante ferramenta da filosofia JIT é o Kanban, uma palavra japonesa que significa, simplesmente, “cartão”. Para reduzir os estoques, os japoneses usam um sistema no qual os estoques são “puxados” pelos centros de trabalho. Esse sistema, às vezes, utiliza um cartão, o Kanban, para mostra a necessidade de material na linha de produção. O JIT possui duas ferramentas a se observar à simplicidade e a redução de desperdícios. Como simplicidade está na utilização de técnicas de controle capazes de acionar a produção somente por meio de requisições imediata. Quanto à redução de desperdícios, esta ocorre 49 essencialmente pela redução do fluxo de materiais na linha de produção e nos estoques intermediários de matérias-primas, semi-acabados e produtos finais. Conforme Schier (2005, p. 135), “Just in Time (JIT) é considerado o componente central da filosofia da excelência empresarial e tem o objetivo de eliminar ou reduzir os estoques da empresa, de seus clientes e de seus fornecedores”. Para Costa (2007, p. 351), “o JIT é um método racional de fabricação por meio da completa eliminação de elementos desnecessários na produção, com o propósito de reduzir custos”. Conforme Viana (2002, p. 48), “Just in time é a produção na quantidade necessária, no momento necessário, para atender à variação de vendas com mínimo de estoque em produtos acabados, em processos e em matéria-prima”. Segundo Slack (2002, p. 482), “O JIT significa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários – não antes para que não formem estoques, e não depois para que seus clientes não tenham que esperar”. Na mesma linha de raciocínio Hansen e Mowen (2003, p. 166), definem que “a idéia geral da manufatura JIT é fornecer um produto necessário, quando ele é necessário e na quantidade necessária. A manufatura JIT enfatiza as melhorias continuas e a eliminação do desperdício”. O sistema tem por finalidade administrar a manufatura de forma simples e eficiente, otimizando o uso dos recursos de capital, equipamento e mão-de-obra. O resultado é um sistema de manufatura capaz de atender às exigências de qualidade e entrega do produto para o cliente com o menor custo. Nakagawa (1991, p. 27) conceitua que “o JIT tem como objetivo a redução de estoques não só da empresa em consideração, como também de seus fornecedores e clientes”. O JIT tem como finalidade assegurar o fluxo contínuo de materiais e produtos em toda a seqüência das relações de interdependência e comprometimento, abrangendo, empresa e cliente. A figura 10 mostra a aplicação deste conceito. FORNECEDOR PRODUÇÃO CLIENTE Figura 10. Conexão fornecedor/produção/cliente FONTE: Nakagawa, (1991, p. 28.) Para que a empresa consiga ter um bom sistema JIT é preciso ter uma conexão contínua entre seus fornecedores, a sua produção e com a sua carteira de clientes. 50 4.8. Total Quality Control como melhoria no processo e redução dos custos O sistema que assegura a Qualidade para os produtos e serviços denomina-se Total Quality Control (TQC). A palavra Control assume, neste caso, a conotação de controle voltado para a monitorização/gestão e não para a de inspeção ou inspetoria/fiscalização (ROBLES, 2003). Esse pressuposto é básico para o entendimento do sistema, pois sua base apóia-se no envolvimento das pessoas, condição essencial para a sobrevivência da empresa. Campos (1989, p. 33) desenvolveu a chamada “Casa da Qualidade”, conforme demonstrado na figura 11. Qualidade Total Objetivo Sobrevivência Satisfação dos Colaboradores Figura 11. Casa da qualidade FONTE: Robles, (2003, p. 20.) Segurança Atendimento Custo Qualidade do Produto Satisfação dos Clientes 51 Segundo Robles Jr. (2003, p. 21), O conceito de Total Quality Control foi introduzido por Armand V. Feigenbaum, através de um artigo publicado em 1957 na revista Industrial Quality Control; engeneering and management. De acordo com Feigenbaum , TQC pode ser definido como “um sistema efetivo para a integração da qualidade de desenvolvimento, qualidade da manutenção, e qualidade da melhoria de esforços das várias funções em uma organização, a fim de tornar possível a produção e a prestação de serviços aos níveis mais econômicos, visando a mais completa satisfação dos clientes”. A completa satisfação dos clientes passa a ser o objetivo da companhia, pois dela dependeria a sobrevivência da empresa em um ambiente de competição. A base na qual se apóia a “Casa da Qualidade” é a satisfação dos colaboradores. Essa satisfação é obtida através do “Envolvimento das Pessoas”, que vem a ser um dos pilares da Filosofia de Excelência Empresarial “(Nakagawa, 1991:24)”. As colunas de sustentação da “Casa“ são as da Qualidade do Produto, Custo, Atendimento e Segurança. Segundo Robles Jr. (2003, p. 21), “São citados como fatores de satisfação do cliente somente os três primeiros, que constituíram o triângulo da satisfação do cliente, ou seja, são os motivos principais que levam um consumidor a voltar a adquirir um produto ou serviço”. A figura 12 demonstra o triângulo da satisfação do cliente. Qualidade Custo Atendimento (Prazo) Figura 12. Triângulo de satisfação dos clientes. FONTE: Robles, (2003, p. 21.) 52 A última coluna de sustentação é a Segurança, que não é muito percebida pelo cliente, porém de grande importância para o pessoal operacional, através da possibilidade de monitorização das operações, introduzida, por exemplo, pela informática, que permite o acompanhamento do processo através de informações precisas, confiáveis e em tempo real. Segundo Robles Jr. (2003, p. 22), Os conceitos da qualidade podem ser separados em fases. Essas fases nortearam os esforços da manutenção da qualidade ao longo do tempo. A preocupação com a qualidade não é recente. As empresas têm-se preocupado com a qualidade do produto desde os primórdios da era industrial. O que se pode considerar mais ou menos recente é a preocupação com o processo. Não só o processo fabril, mas também com todos os processos de que a empresa lança mão para atender e satisfazer os consumidores. A qualidade, o atendimento e o custo são de suma importância para se manter os clientes já existentes e para se conquistar novos clientes. Para sobrevivência das empresas neste cenário globalizado é necessário que se adotem os critérios mencionados, pois, são os motivos principais que levam os clientes a voltar a adquirir produtos ou serviços de uma empresa. No próximo capítulo, será abordado, a Gestão Estratégica de Custos, como auxilio para a alta direção da empresa e alguns exemplos utilizando esta poderosa ferramenta na gestão de custos para a tomada de decisões. 53 CAPÍTULO 5. GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS Neste capítulo serão levantadas e estudas informações com relação às contínuas mudanças no mundo globalizado dos negócios que estão obrigando as empresas a melhorar continuamente seus sistemas de informações gerenciais, de forma que os novos sistemas permitam ou facilitem a tomada de decisão nas empresas.. 5.1. Definição de gestão estratégica de custos Cooper e Slagmulder (2003), conceituam que a gestão estratégica de custos consiste na aplicação das técnicas de gestão de custos com dois objetivos simultâneos: reforçar o posicionamento estratégico de uma empresa e reduzir seus custos. Nakagawa (1991, p. 42) conceitua que “o desenho conceitual da gestão estratégica de custos, entretanto assume uma posição mais proativa, voltada para o planejamento, gestão e redução de custos, além de ser mais compreensivo”. Com as continuas mudanças no mundo dos negócios às empresas estão sendo obrigas a aprimorar seus sistemas de informações gerenciais, de forma que os novos sistemas permitam ou facilitem a tomada de decisão. Portanto tomar a decisão certa no momento certo passa a ser a peça fundamental para sobrevivência das empresas. Em outras palavras, as situações decisórias no âmbito gerencial ou pelos tomadores de decisão da empresa, podem afetar toda a empresa positivamente ou negativamente. Neste sentido tomar a decisão correta passa a ser à base de sucesso de toda a empresa. Segundo Martins, (2001, p. 315) A expressão gestão estratégica de custos vem sendo utilizada nos últimos tempos para designar a integração que deve haver entre o processo de gestão de custos e o processo de gestão da empresa como um todo. Entende-se que essa integração é necessária para que as empresas possam sobreviver num ambiente de negócio crescentemente globalizados e competitivos. Hansen e Mowen (2003, p. 423), relatam que “a gestão estratégica de custos é o uso de dados de custos para desenvolver e identificar estratégias superiores que produzirão uma vantagem competitiva sustentável”. 54 No ambiente da globalização, a gestão estratégica de custos surge como uma ferramenta fundamental para auxiliar e atender às demandas, do sistema econômico com relação às novas perspectivas e alternativas proporcionadas, pela remodelação dos mercados, em contexto de busca por melhoria continua da competitividade. Uma das principais ferramentas de gestão de custos utilizadas pelos gestores para apoiar a competitividade é o (target cost) custo meta, que incorpora conceitos como desenvolvimento multifuncional e inovações presentes na essência da globalização e da gestão estratégica de custos. 5.2. Target cost (custo meta) Segundo Martins, (2001, p. 240) afirma que, Com a crescente competitividade entre as empresas em um mercado em constante modificação, com clientes cada vez mais exigentes e ávidos por produtos que se ajustem mais às suas necessidades, o preço passa a ser formado praticamente em função da oferta e da procura. Perez Jr., Oliveira e Costa (2006, p. 275) conceituam que ”conceitualmente, é o custo obtido pela subtração de um preço estimado (ou preço e mercado) da margem de lucratividade desejada, com o objetivo de atingir um custo de produção (incluindo custos de engenharia e/ou de marketing) igualmente desejado”. Na mesma linha de raciocínio Schier, (2005, p. 160), afirma que, O custo meta é o custo obtido pela subtração de um preço estimado (ou de mercado) da margem de lucratividade desejada, com o objetivo de atingir um custo de produção igualmente desejado. Para sua determinação, utiliza-se basicamente a análise das condições mercadológicas por meio de estimativas. Para Berti (2007, p. 87), Enquanto as metas de custo têm algumas vantagens óbvias, alguns estudos de custo-meta indicam que existem problemas potenciais na implantação do sistema, especialmente se centrarmos em alcançar o custo-meta, desviando a atenção de outros elementos das metas globais da empresa. Neste ambiente, no qual as empresas estão vivendo simplesmente não podem alterar sua estratégia de preços por modificação na sua estrutura de custos, o caminho inverso mencionado 55 passou a ser uma fortíssima ferramenta para um melhor posicionamento estratégico e desempenho: as limitações de preço do mercado e, conseqüentemente, de quantidade vendável, qual o custo máximo suportável de forma a atingir o retorno desejável. Nasce daí esse método simples o Custo Meta, conhecido mundialmente como Target Cost, que é utilizado por varias empresas. O custo meta, apesar ser um método simples, é também uma eficiente e eficaz ferramenta na questão de gerenciamento, pois parte de estimativas realizadas pelo departamento de engenharia de produto e considera as restrições do mercado, sendo estabelecido com base no preço de mercado e na rentabilidade desejada pela empresa. A engenharia de valor calcula um custo denominado “custo flutuante” com base nas estimativas de valorização do produto projetado e este objetivo de redução com base nas diversas alternativas possíveis de fabricação ou de utilização de outros materiais, entre outros, que busquem a melhor forma de reduzir o “custo flutuante” até o custo meta (MARTINS, 2001). Custo Meta = Preço de Venda (para se atingir a meta de participação de mercado) – Lucro Desejado. Figura 13. Custo-alvo. FONTE: Robles, (2003, p. 48.) 5.3. Gerenciamento de custos A superioridade do grau de competitividade de uma empresa está em sua maior ou menor habilidade em estruturar sua cadeia de valores, estabelecerem um posicionamento estratégico condizente com a realidade de seus negócios e gerenciar de forma eficaz os fatores que direcionam os custos. Isso porque a globalização, caracterizada pelo mercado dinâmico e turbulento e pelo avanço tecnológico, proporcionou um ambiente de constantes mudanças, forçando as empresas a um grau maior de flexibilidade para garantir a sobrevivência nesse cenário de alta competitividade. Berti (2007, p. 116), afirma que “a necessidade de ferramentas à disposição dos gestores empresariais para auxiliar no gerenciamento das atividades comerciais e industriais, coloca a gestão de custos numa posição de grande importância na contribuição rumo ao sucesso da empresa no sentido de atingir os objetivos planejados”. 56 Segundo Porter, (2004, p. 37), A liderança no custo exige a construção agressiva de instalações em escala eficiente, uma perseguição vigorosa de reduções de custo pela experiência, um controle rígido do custo e das despesas gerais, a não permissão da formação de contas marginais dos clientes, e a minimização do custo em áreas com P & D, assistência, força de vendas, publicidade etc. Intensa atenção administrativa ao controle dos custos, é necessária para atingir essas metas. Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 212), afirmam que, Os métodos utilizados pela Contabilidade Gerencial sofrem contínuas evoluções, na tentativa de acompanhar as mudanças no ambiente empresarial, cada vez mais complexo, globalizado e competitivo. O grau de sofisticação depende, em última instância, das exigências de informações das empresas. Alguns autores definem o modelo gestão estratégica de custos como segue na figura 14. Gestão Estratégica de Custos Cadeia de valores Posicionamento Estratégico Direcionadores De Custos Figura 14. Modelo de GEC FONTE: Berti, (2007, p. 116.) Para ter uma ótima gestão estratégica de custos a empresa deve possuir para sua análise cadeia de valores, posicionamento estratégico e direcionadores de custos para que ela seja eficiente nas tomadas de decisões. 57 5.4. Cadeia de valor na empresa Cooper e Slagmulder (2003) relatam que, a cadeia de valor também pode tornar-se mais eficiente se a empresa e seus clientes e fornecedores buscarem formas de atuar em conjunto para reduzir os custos de fabricação. A cadeia de valores é um conjunto, e reunião de tarefas que são executadas para projetar, produzir, comercializar, entregar e sustentar o produto final que serão entregue nas mãos dos consumidores. Uma empresa consegue ganha vantagem competitiva, executando estas tarefas estrategicamente importantes de uma forma mais barata, ou melhor, do que a concorrência. A análise de cadeia de valor, é uma das ferramentas que auxiliam a gestão estratégica de custos é utilizada para suprir as necessidades informativas dos administradores quanto ao nível de identificação e sustentação das vantagens competitivas em relação aos concorrentes. Alguns autores dizem que utilizam o conceito de cadeia de valor em seu modelo de forma mais ampla, conceituando que as empresas, ao utilizarem tal abordagem, têm melhores possibilidades de entender que segmentos e que configurações irão proporcionar-lhes vantagens competitivas. Esses autores, concebem, a cadeia de valores como conjunto de tarefas geradoras de valor desde o fornecimento de matérias-primas básicas, passando por fornecedores de componentes, até o produto final e a entrega efetiva do produto ao cliente (COOPER E SLAGMULDER, 2003). Hansen e Mowen (2003, p. 429), relatam que “análise da cadeia de valores é a identificação e a exploração de ligações internas com o objetivo de fortalecer a posição de uma empresa”. Perez Jr., Oliveira e Costa (2006, p. 230), afirmam que ”entende-se por cadeia de valor, de qualquer empresa, em qualquer setor, o conjunto de atividades criadoras de valor, desde a fonte de suprimentos de matérias-primas básicas, passando por fornecedores de componentes, até o produto final, entregue aos clientes”. Berti (2007, p. 116), conceitua que “resume-se como cadeia de valor de uma empresa o ciclo das atividades envolvendo o produto, iniciando com a origem e produção da matéria-prima e concluindo com o produto final no consumo”. 58 5.5. Posicionamento estratégico Berti (2007, p. 119), conceitua que “na gestão estratégica de custos, o papel da análise de custos difere de inúmeras formas dependendo de como a empresa escolhe competir”. Na visão de Cooper e Slagmulder (2003), a aplicação da gestão estratégica de custos além das fronteiras da empresa ajuda toda a cadeira de fornecimento a se tornar mais eficiente, um passo crítico para que a empresa mantenha sua competitividade. Segundo Porter (2004, p. 153), ”a empresa com custos mais baixos estará sempre em posição de invadir o território de outras áreas da estratégia, como diferenciação, tecnologia ou atendimento, nas quais outros grupos estratégicos estejam baseados”. A sobrevivência das empresas no mercado globalizado, exige que, em condições de competitividade, a mesma deva ter um posicionamento estratégico, visando alcançar uma vantagem competitiva perante aos seus concorrentes, ou seja, uma posição de mercado que represente situação favorável antes aos concorrentes, por isso deve ser feita uma avaliação das oportunidades ambientais externas existentes, da definição de metas e de um conjunto de medidas para realizá-los. O conceito de posicionamento estratégico depende de dois aspectos inter-relacionados: a missão ou meta e a forma que a unidade de negócio (ou empresa) escolhe para competir e manter uma vantagem competitiva no mundo globalizado (HANSEN, 2003). Há autores que definem estratégia competitiva com a busca de uma posição competitiva favorável em um ramo de atividade, a onde acontece à concorrência. A estratégia visa estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam à concorrência no mercado (COOPER E SLAGMULDER, 2003). Existem três estratégias genéricas consistentes para se elaborar uma posição defensável em longo prazo e superar os concorrentes em um mercado competitivo, conforme figura 15. Estratégias genéricas de competição Liderança em custos Diferenciação Figura 15. Esquema de estratégias competitivas FONTE: Hansen, (2003, p. 424.) Focalização 59 O que define a diferença entre uma estratégia da outra é justamente o perfil de cada empresa, juntamente com seus objetivos e metas pré-definidos. Uma estratégia efetivamente bem elaborada coloca a empresa em uma situação favorável e sustentável com a capacidade de enfrentar seus concorrentes com maior eficácia. Para que a empresa possa elaborar suas estratégias adequadamente, ela deve obter informações de seus ambientes internos e externos para que a partir daí possa adotar qual o esquema estratégico competitivo que melhor se irá adequar a situação mercadológica vivida no momento. Hansen e Mowen (2003, p. 424), relatam que, Na verdade, muitas empresas não escolherão apenas uma estratégia geral, mas uma combinação das três estratégias. O posicionamento estratégico e o processo de seleção da combinação ótima das três abordagem estratégicas gerais. A combinação é selecionada com o objetivo de criar uma vantagem competitiva sustentável. Liderança em custo: O objetivo de uma estratégia de liderança em custos é oferecer um valor melhor ou igual aos clientes a um custo menor do que aquele oferecido pelos competidores. Diferenciação: Uma vantagem competitiva é criada ao oferecer algo para o cliente que não é oferecido pelos competidores. Focalização: Envolve selecionar, ou enfatizar, um conjunto de clientes, ou segmentos de mercado, no qual competir. 5.6. Direcionadores de custos Berti (2007, p. 121), conceitua que, No gerenciamento estratégico de custos sabe-se que o custo causado, ou diferenciado, por muitos fatores que se inter-relacionam de forma complexa. Compreender o comportamento dos custos significa compreender a complexa interação do conjunto de direcionadores de custo em ação em uma determinada situação. Nakagawa (1991, p. 81), relata que ”direcionadores de custos (cost drivers) que, ao mesmo tempo, que servem de mecanismos de desagregação de custos, são utilizados, também, para a descoberta da relação de causa e efeito na incoerência de custos por parte das diversas atividades”. 60 Segundo Perez Jr., Oliveira e Costa (2006, p. 238), “direcionador de custos: forma como as atividades consomem recursos. Demonstra a relação entre os recursos consumidos e as atividades”. Na mesma linha de raciocínio Robles Jr. (2003, p. 49) “a análise dos direcionadores de custos leva à compreensão de como as atividades consomem recursos e como os produtos, clientes ou serviços consomem atividades”. No processo de gestão estratégica de custos, após fazer a análise da cadeia de valor, os gestores devem identificar e analisar quais são as causas determinantes de custos (ou direcionadores de custos), ou seja, fazer um minucioso levantamento de quais são as causas que efetivamente levaram a provocar os custos, denominados direcionadores de custos, por meio de uma relação de causa efeito que reflita de forma mais precisa a realidade. O custo de uma empresa é causado por vários fatores que se interagem de formas complexas e que, para compreender o comportamento dos custos, deve-se entender a complexa interação do conjunto de atividades dos direcionadores de custos em determinada situação. Os direcionadores de custos dividem-se em estrutural e de execução, conforme figura 16. Direcionadores Estruturais Direcionadores de Custos Direcionadores de execução Figura 16. Direcionadores de custos FONTE: Hansen, (2003, p. 427.) Os direcionadores estruturais de uma empresa são atividades que determinam à estrutura econômica da organização. E os direcionadores de execução são atividades que definem os 61 processos e as capacidades de uma organização, e a forma a qual será feita a sua execução para o melhor desempenho da empresa. Entre os direcionadores estruturais estão os direcionadores familiares de escala, escopo, experiência, tecnologia e complexidade, conforme figura 17. O tamanho de um investimento a ser feito em produção, Escala pesquisa e desenvolvimento e em recursos de marketing; Grau de integração vertical da empresa. A integração Escopo horizontal é mais relacionada à escala; Quantas vezes no passado à empresa já fizeram o que está fazendo Experiência agora; Que tecnologias de processos são usadas em cada fase da Tecnologia cadeia de valor da empresa; A amplitude da linha de produtos ou serviços a ser oferecida Complexidade aos clientes. Figura 17. Direcionadores estruturais FONTE: Paiva, ( 2004 apud SHANK ; GOVINDARAJAN 1997) Segundo Hansen e Mowen (2003, p. 427), “direcionador estrutural são atividades que determinam à estrutura econômica subjacente da organização”. Direcionadores de execução: são atividades que definem os processos e as capacidades de uma organização, e portanto, estão diretamente relacionadas à habilidade de uma organização em executar de forma bem sucedida. 62 5.7. Exemplos de Tomada de Decisão usando a GEC Este capítulo terá como finalidade a demonstração de exemplos práticos da Gestão Estratégica de Custos, aplicada em empresas que querem ter um diferencial competitivo perante aos seus concorrentes neste mundo globalizado. 5.8. Iniciativas de gestão de custos Segundo Cooper e Slagmulder (2003), há três tipos de iniciativas de gestão de custos; as que reforçam o posicionamento estratégico da empresa, as que não têm impacto sobre ela e as que a enfraquecem, conforme figura 18. Iniciativas de Gestão de Custos Reforçam Não têm Impactos Enfraquecem Figura 18. Esquema de estratégias competitivas FONTE: Cooper e Slagmulder (2003) 5.9. Exemplos práticos Primeiro pretende-se mostrar o caso de uma empresa que reformulou todo o seu processo de logística e atendimento ao cliente, tornando-se eficiente, mais rápido e menos estressante para os clientes. Se as pessoas tiverem a possibilidade de montar os seus próprios produtos e tivessem a possibilidade de escolherem a data de sua entrega, o novo processo poderá tornar essa empresa mais atraente do que as concorrentes. Portanto, seu posicionamento estratégico saiu reforçado. Uma empresa que terceiriza parte de sua produção para torná-la mais eficiente na sua entrega ilustra o segundo tipo de iniciativa. Esse projeto não tem outro impacto estratégico além de 63 aumentar a lucratividade da empresa. Seu posicionamento estratégico permanece basicamente inalterado, porque os clientes não tomam conhecimento da mudança. O terceiro tipo de iniciativa de gestão de custos pode ser exemplificado pela decisão da administradora de uma grande rede de lojas de reduzir seu pessoal, eliminando os funcionários responsáveis de orientar os clientes sobre que fila deve pegar para pagar suas compras. Nessa loja há vários tipos de balcão com três tipos de recebimento e, portanto são várias filas. Uma se destina a pagamento com cheques, pagamento com cartão e pagamento em dinheiro. Um dos clientes não sabe qual fila deve entrar, porque as três filas são muito parecidas, e não vai ficar feliz se for informado apenas depois de longa espera que esteja no lugar errado. A iniciativa de redução de custos da administradora da loja leva uma enorme insatisfação dos clientes e, dessa maneira, enfraquece seu posicionamento estratégico, que se baseia largamente em atendimento de serviço ao cliente. 5.10. Análise das iniciativas As empresas podem obter ótimos resultados ao fazer uma rápida análise de todas as iniciativas de gestão de custos que tenham planejado, estejam ou pretendem implementar para verificar quantas delas efetivamente reforçam seu posicionamento estratégico. Como regra prática, métodos que levam o enfraquecimento do posicionamento estratégico jamais devem ser implementados, pois são “programas de redução de receitas”. 5.11. Custeio baseado em Função O custeio por absorção é o método de apuração de custos de produção mais utilizados no País, e são aceito pela legislação fiscal, consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, ou seja, todos os gastos relativos aos esforços de produção que são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos. Segundo Martins (2001, p. 41), “custeio significa método de apropriação de custos”. Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 141), conceitua que, Em suma, de acordo com a metodologia do custeio por absorção, os lucros não acompanham, necessariamente, as vendas sendo muito influenciados pelo volume de 64 produção e, conseqüentemente, pelos rateios do total dos custos fixos. O lucro bruto depende das receitas e do volume de produção do período e, ainda, da produção do período anterior. Custeio por Absorção segundo Hasen e Mowen, (2003, p. 71) significa, Um sistema de contabilidade baseado em função supõe que todos os custos podem ser classificados como fixo e variáveis com respeito às mudanças nas unidades ou volume dos produtos produzidos. Assim, unidade de produção, ou outros direcionadores altamente correlacionados com as unidades produzidas, como horas de mão de obra direta e horas máquinas, são os únicos direcionadores que supostamente tem importância. Esses direcionadores, baseados em unidades ou volumes, são usados para atribuir custos de produção aos produtos. Na visão de Berti (2007, p. 60), O método de custeio por absorção consiste em apurar o custo de bens atribuindo-se integralmente a cada unidade produzida os custos diretos e indiretos, fixos ou variáveis ocorridos no processo de produção. Nele os custos diretos são atribuídos aos produtos por meio das quantidades efetivamente consumidas de recursos. . Custeio por Absorção Empresa de Manufatura Despesas Custos Estoque de produtos Demonstração de Resultados Vendas Receita Custo dos produtos vendidos Lucro Bruto Despesas Lucro Operacional Figura 19. Custeio por absorção nas empresas de manufatura FONTE: Martins, (2003, p. 37). 65 O custeio por absorção, como o próprio nome diz, absorve todos os custos envolvidos no processo de fabricação dos produtos nas empresas de manufaturas, onde conseqüentemente faz-se o produto final torna-se mais caro. Custeio por Absorção Empresa Prestadora de Serviços Custos Despesas Demonstração de Resultados Prestação de Serviços Receita Custo dos produtos vendidos Lucro Bruto Despesas Lucro Operacional Figura 20. Custeio por absorção nas empresas de prestação de serviços FONTE: Martins, (2003, p. 38) Nas empresas prestadoras de serviços, o Custeio por Absorção absorve todos os custos que ocorreram nas atividades desenvolvidas, com isso resulta-se em um maior valor para o cliente final. 5.12. Activity Based Costign (ABC) Martins (2003, p. 87) conceitua que “o custeio baseado em atividades, conhecido com ABC (Atcivity-Based Costing), é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos”. Robles Jr. (2003, p. 42) afirma que “a sistemática de acumular custos por atividades foi denominada de Activity Based Costing (ABC). Através do ABC os custos são rastreados por atividades em vez de serem apropriados por departamentos ou funções”. 66 Na mesma linha de raciocínio Berti (2007, p. 73) conceitua que “o ABC (Activity basead costing), é um método de custeio que visa dar um tratamento nos custos indiretos tendo base às atividades da empresa, independentemente de sua relação com volume”. Oliveira, Perez Jr. (2005, p. 182) acrescentam que “o custeio baseado em atividades (ABC – Activity Based Costing) é uma metodologia que surgiu como instrumento da análise estratégica de custos relacionados com as atividades que mais impactam o consumo de recursos de uma empresa”. O custeio ABC é uma evolução do custeio por Absorção, sendo uma excelente ferramenta que permite o profissional da área de custos, terem uma melhor visualização dos comportamentos dos custos, através da análise das atividades executadas dentro da empresa e suas respectivas relações com os produtos. Seu interesse baseia-se nos gastos indiretos ao bem ou serviço produzidos pela empresa, uma vez que o custo primário, matéria prima, custos diretos e mão-de-obra direta não oferecem problemas, sendo assim oferecem aplicação e apuração mais clara, como a mensuração e adaptação às necessidades do produto sem maiores problemas. Em se tratando de custos indiretos, estes apresentam sérios problemas, pois a diferença fundamental está no tratamento dado aos custos indiretos ocorre devido à razão da complexidade quanto aos critérios adotados. Os critérios variam de empresa para empresa em razão da subjetividade que reina na alocação desses custos, podendo ser utilizados por horas de MOD, por horas máquinas, por quilowaltts hora e outros (MARTINS, 2003). 5.13. Fases do desenvolvimento do custeio por atividades (custo ABC) Perez Jr., Oliveira e Costa (2006, p. 243), relatam que, A metodologia do custeio por atividades pode ser aplicada em qualquer tipo de organização, quer seja indústria, prestadora de serviços ou empresa comercial. Também pode ser aplicada em departamentos ou divisões específica, estendendo-se, com a experiência, por toda a organização. Perez Jr., Oliveira e Costa (2006), as regras básicas para sua utilização encontram-se a seguir: • Efetuar o mapeamento dos principais processos existentes na organização (produção, suprimentos, administração de recursos humanos, desenvolvimento de novos produtos, logística etc.); 67 • Identificar as principais atividades existentes em cada processo; • Levantar os custos e os recursos associados a cada atividade (custo/atividade); • Identificar as atividades que não agregam valor ao produto. Podem ser atividades de suporte (área de finanças, treinamento etc.) e atividades secundárias (passíveis de ser eliminadas ou reduzidas sem afetar o produto final); • Avaliar a influência das atividades secundárias no produto final, ou seja, determinar se podem ser eliminadas ou pelo menos reduzidas; • Identificar os direcionadores de custos, que são os parâmetros para a adequada apropriação. No próximo capítulo será apresentado um estudo de caso envolvendo o Custeio por Absorção e ABC. 68 CAPÍTULO 6. ESTUDO DE CASO CUSTEIO POR ABSORÇÃO E ABC 6.1. Característica da empresa A empresa em estudo é especializada no ramo de confecções e considerada líder de mercado no seu seguimento, produz basicamente três tipos de produtos: camisetas, vestidos e calças. Com a concorrência atuante no mercado exercendo forças externas fez-se necessário à abordagem de estudo para concluir qual o custeio mais viável para se adequar à situação financeira da empresa. 6.2. Custeio por Absorção Berti (2007, p.73) define que, “são os custos de uma empresa que medem o consumo de recursos para realizar suas atividades. Assim sendo, o processo de custeio é fundamental, pois é ele que demonstra como e onde uma empresa consome os recursos”. Para se apurar pelo método de Custeio por Absorção, é necessária a obtenção do levantamento dos dados para estudos da empresa como segue: Produtos Volume de produção Mensal (un.) Camiseta Vestidos Calças 18.000,00 4.200,00 13.000,00 Preço de venda unitário (R$) Camiseta Vestidos Calças 10,00 22,00 16,00 Tabela 01. Volume de produção mensal FONTE: Martins, (2003, p. 88) A empresa possui somente dois departamentos de produção: “Corte e Costura” e “Acabamento”; o tempo utilizado por produto nestes departamentos, bem, como os custos diretos 69 por unidades, se encontram a seguir: O tempo total consiste no tempo gasto por unidade vezes a quantidade produzida apresentada no quadro anterior: Tempo despendido na produção Corte e costura Unitário 0,30 h 0,70 h 0,80 h Camiseta Vestidos Calças Total Total 5.400 h 2.940 h 10.400 h 18.740 h Acabamento Unitário 0,15 h 0,60 h 0,30 h Total 2.700 h 2.520 h 3.900 h 9.120 h Tabela 02. Tempo despendido na produção FONTE: Martins, (2003, p. 88) O tempo despendido na produção obtém-se com o tempo unitário vezes o volume de produção de cada produto. Custos diretos por unidade R$ Tecido Aviamento Mão-de-obra Total Camisetas 3,00 0,25 0,50 3,75 Vestidos 4,00 0,75 1,00 5,75 Calças 3,00 0,50 0,75 4,25 Tabela 03. Custos diretos por unidade FONTE: Martins, (2003, p. 88) Cada produto possui custos diretos alocados como mostra a tabela 03. 70 Custos indiretos R$ Aluguel Energia Elétrica Salários Pessoal Supervisão Mão-de-obra Indireta Depreciação Material de Consumo Seguros Total 24.000,00 42.000,00 25.000,00 35.000,00 32.000,00 12.000,00 20.000,00 190.000,00 Despesas R$ Administrativas Com vendas Comissões (5% das vendas) Total 50.000,00 43.000,00 24.020,00 (*) 117.020,00 (*) estão supondo que toda a quantidade produzida foi vendida. Tabela 04. Custos indiretos e despesas FONTE: Martins, (2003, p. 89) Com a mensuração das informações demonstradas nas tabelas anteriores pode-se apurar o custo de cada produto, inicialmente, de acordo com a técnica de Custeio sem Departamentalização. 6.3. Atribuição dos CIP diretamente aos produtos sem departamentalização Custo de Mão-de-obra Direta R$ Camisetas Vestidos Calças Total Unitário 0,50 1,00 0,75 Total 9.000,00 4.200,00 9.750,00 22.750,00 Tabela 05. Custos de mão-de-obra direta FONTE: Martins, (2003, p. 89) Para atribuir os Custos Indiretos de Produção (CIP) aos produtos, faz-se necessário à utilização de alguma base para rateio, no caso selecionou-se a base mão-de-obra total por produto. 71 Taxa de aplicação dos CIP R$ Custos Indiretos Mão-de-obra Taxa aplic. CIP 190.000,00 22.750,00 8,2789 / mod Tabela 06. Taxa de aplicação dos CIP FONTE: Martins, (2003, p. 89) A taxa de aplicação dos Custos Indiretos de Produção é simplesmente obtida através da divisão dos Custos indiretos pela base de rateio mão-de-obra direta total. Aplicação dos CIP R$ Unitário Camisetas Vestidos Calças Total 4,14 8,28 6,21 Total 74.510,00 34.771,00 80.719,00 190.00,00 Tabela 07. Aplicação dos CIP FONTE: Martins, (2003, p. 90) A obtenção dos custos unitários de cada produção foi desenvolvida através da Taxa de aplicação dos CIP vezes o custo de mão-de-obra. 72 Resumo sem departamentalização R$ Camisetas Vestidos Calças Custos Diretos 3,75 5,75 4,25 Custos Indiretos 4,14 8,28 6,21 Custo Total 7,89 14,03 10,46 Preço de Venda 10,00 22,00 16,00 Lucro Bruto Unitário 2,11 7,97 5,54 21,1% 36,2% 34,6% 3º 1º 2º Margem % Ordem de Lucratividade Tabela 08. Resumo sem departamentalização FONTE: Martins, (2003, p. 90) Conforme pode se observar o produto que apresentou maior margem bruta unitária é o vestido, tanto em valor absoluto (R$ 7,97), quanto em termos relativos (36,2%). O produto calça ficou em segundo lugar com (R$ 5,54) em valor absoluto e em termos relativos com (34,6%). Neste caso, o produto camiseta ficou em último lugar na tabela tanto em valores absoluto como também em termos relativos. Os valores absolutos de cada produto podem ser visualizados conforme gráfico 01. Sem Departamentalização 34,6% 36,2% 40% 35% 30% 21,1% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Camisetas Vestidos Calças Margem % Gráfico 01. Margem dos produtos sem departamentalização FONTE: Martins, (2003, p. 90) 73 Demonstração de resultados R$ Camisetas Vestidos Calças Total Vendas 180.000,00 92.400,00 208.000,00 480.400,00 Custos dos produtos vendidos 142.010,00 58.921,00 135.969,00 336.900,00 54.000,00 16.800,00 39.000,00 109.800,00 Aviamento 4.500,00 3.150,00 6.500,00 14.150,00 Mão de obra direta 9.000,00 4.200,00 9.750,00 22.950,00 Subtotal Custos Diretos 67.500,00 24.150,00 55.250,00 146.900,00 Custos Indiretos 74.510,00 34.771,00 80.719,00 190.000,00 Lucro Bruto 37.990,00 33.479,00 72.031,00 143.500,00 Tecido Despesas Administrativas - - - 50.000,00 Despesas com Vendas - - - 67.020,00 - - - 26.480,00 Lucro antes do IR Tabela 09. Demonstração de Resultados FONTE: Martins, (2003, p. 90) Com os dados extraídos das tabelas anteriores, finalmente pode-se apurar a estrutura da Demonstração de Resultados. Os cálculos mensurados até aqui, não possuem Departamentalização. 6.4. Solução com departamentalização No estudo anterior, custearam-se os produtos utilizando o Método de Custeio por Absorção, porém, sem a utilização da Departamentalização, baseando-se somente no custo mão-deobra direta. Agora será custeado os mesmos produtos utilizando a Departamentalização. Departamentos Envolvidos De Produção De Apoio Corte e Costura Compras Acabamento Almoxarifado Adm. Produção 74 Apoio Compras Aluguel 4.200,00 Energia Elétrica 6.500,00 Salários pess.Supervisão 3.900,00 Mão-de-obra Indireta 5.000,00 Depreciação 4.000,00 Material de Consumo 2.000,00 Seguros 2.400,00 Subtotal 1 28.000,00 Rateio Compras (28.000,00) Subtotal 2 0,00 Rateio Almoxarifado 0,00 Subtotal 3 0,00 Rateio Adm. Produção 0,00 Total deptos. Prod. 0,00 Nº de Horas Produtivas Custo por Hora De Produção 4.600,00 5.500,00 Adm. Produção 4.200,00 5.000,00 Corte e Acabamento Costura 6.000,00 5.000,00 14.000,00 11.000,00 3.350,00 3.400,00 4.500,00 1.000,00 6.000,00 28.350,00 6.000,00 34.350,00 (34.350,00) 0,00 0,00 0,00 5.250,00 6.700,00 4.900,00 1.800,00 2.000,00 29.850,00 5.000,00 34.850,00 8.000,00 42.850,00 (42.850,00) 0,00 7.000,00 12.000,00 9.500,00 4.200,00 4.900,00 57.600,00 9.500,00 67.100,00 11.950,00 79.050,00 23.950,00 103.000,00 5.500,00 7.900,00 9.100,00 3.000,00 4.700,00 46.200,00 7.500,00 53.700,00 14.400,00 68.100,00 18.900,00 87.000,00 18.740,00 5,4963 9.120,00 9,5395 Almoxarifado Totais 24.000,00 42.000,00 25.000,00 35.000,00 32.000,00 12.000,00 20.000,00 190.000,00 0,00 190.000,00 0,00 190.000,00 0,00 190.000,00 Tabela 10. Mapa de rateio dos CIF aos departamentos de Produção FONTE: Martins, (2003, p. 91) O mapa de rateio dos Custos Indiretos distribui os custos, e conseqüentemente faz o rateio aos departamentos de apoio da produção. Com o custo apurado por hora de cada departamento de produção, pode-se apurar o CIP a ser aplicado em cada unidade de produto com base no Tempo despendido na Produção, Tabela 3. Custos Indiretos Unitários R$ Corte e Costura Acabamento Total Camisetas 1,65 1,43 3,08 Vestidos 3,85 5,72 9,57 4,40 2,86 7,26 Calças Tabela 11. Custos Indiretos Unitários FONTE: Martins, (2003, p. 92) Com as informações da tabela 11 é possível elaborar o seguinte resumo dos produtos, com departamentalização na tabela 12. 75 Resumo com departamentalização R$ Camisetas Vestidos Calças Custos Diretos 3,75 5,75 4,25 Custos Indiretos 3,08 9,57 7,26 Custo Total 6,83 15,32 11,51 Preço de Venda 10,00 22,00 16,00 Lucro Bruto Unitário 3,17 6,68 4,49 31,7% 30,4% 28,1% 1º 2º 3º Margem % Ordem de Lucratividade Tabela 12. Resumo com departamentalização FONTE: Martins, (2003, p. 92) Os vestidos mesmo pelo método com departamentalização continuam com o maior lucro bruto por unidade, porém sua margem bruta, em termos percentuais, não é mais alta, passando agora para o segundo lugar. Com Departamentalização 31,7% 32% 30,4% 31% 30% 28,1% 29% 28% 27% 26% Camisetas Vestidos Margem % Gráfico 02. Margem dos produtos com departamentalização FONTE: Martins, (2003, p. 92) Calças 76 Demonstração de resultados R$ Camisetas Vestidos Calças Total Vendas 180.000,00 92.400,00 208.000,00 480.400,00 Custos dos produtos vendidos 122.937,00 64.348,00 149.615,00 336.900,00 54.000,00 16.800,00 39.000,00 109.800,00 Aviamento 4.500,00 3.150,00 6.500,00 14.150,00 Mão de obra direta 9.000,00 4.200,00 9.750,00 22.950,00 Subtotal Diretos 67.500,00 24.150,00 55.250,00 146.900,00 Corte e costura 29.680,00 16.159,00 57.161,00 103.000,00 Acabamento 25.757,00 24.039,00 37.204,00 87.000,00 Subtotal CIP 55.437,00 40.198,00 94.365,00 190.000,00 Lucro Bruto 57.063,00 28.052,00 58.385,00 143.500,00 Tecido Despesas Administrativas - - - 50.000,00 Despesas com vendas - - - 67.020,00 - - - 26.480,00 Lucro antes do IR Tabela 13. Demonstração de Resultados FONTE: Martins, (2003, p. 92) Na demonstração de resultados são apresentados os custos e despesas que influenciaram na elaboração de cada produto vendido. A próxima etapa do trabalho será a aplicação do custeio ABC na solução do problema apresentado. 77 6.5. Aplicação do custeio ABC na solução do problema A aplicação do método do custeio ABC no problema faz-se necessário o enfoque nas atividades relevantes exercidas pela empresa. Berti (2007, p. 76), afirma que “o método de custeio por atividades tem como principal função distribuir de forma mais correta os custos indiretos”. Martins (2003, p. 93), conceitua que, Uma atividade é uma ação que utiliza recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros para se produzirem bens ou serviços. É composta por um conjunto de tarefas necessárias ao seu desempenho. As atividades são necessárias para a concretização de um processo, que é uma cadeia de atividades correlatas, inter-relacionadas. Levantamentos das atividades relevantes dos departamentos Departamentos Atividades Compras Comprar Desenvolver Fornecedores Almoxarifado Receber Materiais Movimentar Materiais Administração Produção Programar Produção Controlar Produção Corte e Costura Cortar Costurar Acabamento Acabar Despachar Produtos Tabela 14. Levantamento das atividades relevantes dos departamentos FONTE: Martins, (2003, p. 93) 78 Berti (2007, p. 91), afirma que “para cada tipo de custo, deve-se ter um direcionador de custos os mais comuns são os custos variáveis ou diretos ou marginais, ou seja, aqueles que se alteram em função direta de uma referência (produção, serviço etc.)”. Segundo Martins (2003, p. 98), Com base nos direcionadores de recursos definidos, pode-se atribuir os custos (recursos) alocados para cada departamento às suas respectivas atividades. Assim, o custo de cada atividade será composto pelos mesmos componentes do custo do departamento. Levantamento dos custos das atividades Departamentos Compras Atividades Comprar Materiais Desenvolver Fornecedores Total R$ 16.000,00 12.000,00 28.000,00 Almoxarifado Receber Materiais 12.350,00 Movimentar Materiais 16.000,00 Total 28.350,00 Administração Produção Programar Produção 16.000,00 Controlar Produção 13.850,00 Total 29.850,00 Corte e Costura Cortar 29.000,00 Costurar 28.600,00 Total 57.600,00 Acabamento Acabar 14.000,00 Despacho Produtos 32.200,00 Total 46.200,00 Tabela 15. Levantamento dos custos das atividades FONTE: Martins, (2003, p. 98) Com o levantamento dos custos das atividades o próximo trabalho será fazer o custeamento das atividades juntamente com os levantamentos dos direcionadores de atividades. 79 Levantamento dos direcionadores de atividades Departamentos Atividades Compras Almoxarifado Administração Produção Corte e Costura Direcionadores Comprar Materiais nº de pedidos Desenvolver Fornecedores nº de fornecedores Receber Materiais nº de recebimentos Movimentar Materiais nº de requisições Programar Produção nº de produtos Controlar Produção nº de lotes Cortar tempo de corte Costurar tempo de costura Tabela 16. Levantamento dos direcionadores de atividades FONTE: Martins, (2003, p. 99) Segundo Martins (2003, p. 98), ”uma vez identificadas às atividades relevantes, seus direcionadores de recursos e respectivos custos, a próxima etapa é custear os produtos”. Para tanto, faz-se necessário o levantamento da qualidade e quantidade de ocorrência dos direcionadores de atividades por período e por produto. Direcionadores de Custos das Atividades Camisetas nº de pedidos Vestidos Calças Total 150 400 200 750 nº de fornecedores 2 6 3 11 nº de recebimentos 150 400 200 750 nº de requisições 400 1.500 800 2.700 1 1 1 3 10 40 20 70 horas utilizadas para cortar 2.160 882 2.600 5.642 horas utilizadas para costurar 3.240 2.058 7.800 13.098 horas utilizadas para acabar 2.700 2.520 3.900 9.120 25 50 25 100 nº de produtos nº de lotes horas utilizadas para despachar Tabela 17. Direcionadores de custos das atividades FONTE: Martins, (2003, p. 100) Nos direcionadores de custos das atividades são apurados dados de quantidade e horas que serão utilizadas para a produção de cada produto. 80 Com o levantamento dos direcionadores de custos das atividades a próxima etapa é calcular os custos unitários de cada produto. Custos Unitários R$ Camisetas Vestidos Calças Comprar Materiais 0,1778 2,0317 0,3282 Desenvolver Fornecedores 0,1212 1,5584 0,2517 Receber Materiais 0,1372 1,5683 0,2533 Movimentar Materiais 0,1317 2,1164 0,3647 Programar Produção 0,2963 1,2698 0,4103 Controlar Produção 0,1099 1,8844 0,3044 Cortar 0,6168 1,0794 1,0280 Costurar 0,3930 1,0699 1,3101 Acabar Despachar 0,2303 0,9211 0,4605 Produtos 0,4472 3,8334 0,6193 2,6614 17,3328 5,3305 Total Tabela 18. Custos unitários FONTE: Martins, (2003, p. 100) Na tabela 19 são apurados os custos unitários de cada produto incluindo os processos de mão de obra e material utilizado para a fabricação. A próxima etapa será calcular a mão de obra e o preço de venda de cada produto. Camisetas Vestidos Calças Custos Diretos 3,75 5,75 4,25 Custos Indiretos 2,66 17,33 5,33 Custo Total 6,41 23,08 9,58 Preço de Venda 10,00 22,00 16,00 Lucro Bruto Unitário 3,59 (1,08) 6,42 35,9% -4,9% 40,1% 2º 3º 1º Margem % Ordem de lucratividade Tabela 19. Resumo com departamentalização ABC FONTE: Martins, (2003, p. 101) Os vestidos que no método pelo rateio direto (sem departamentalização) apresentam a maior margem bruta (36,2%), passaram, com a departamentalização, para o segundo lugar, com margem bruta de (30,4%). Agora, com o ABC passaram a apresentar margem negativa de (4,9%). 81 Na visão de Martins (2003, p. 101), Esse fenômeno (produtos que se pensava serem lucrativos com o custeio tradicional revelam-se deficitários com o uso do ABC) é comum sempre que ocorrerem os seguintes fatores: alta proporção de custos indiretos nas atividades de apoio; e diversidade de produtos, notadamente no que se refere à complexidade e a diferentes volumes de produção. Berti (2007, p. 77), conceitua que, As diferenças essenciais entre os métodos de custeio ABC e os métodos tradicionais dizem respeito à forma de entender e tratar os custos indiretos. Os métodos tradicionais usam um procedimento em dois estágios para alocar os custos e despesas indiretas e de suporte aos produtos Demonstração de Resultados Camisetas Vestidos Calças Total Vendas 180.000,00 92.400,00 208.000,00 480.400,00 Custos dos produtos vendidos 142.010,00 58.921,00 135.969,00 336.900,00 54.000,00 16.800,00 39.000,00 109.800,00 Aviamentos 4.500,00 3.150,00 6.500,00 14.150,00 Mão-de-obra direta 9.000,00 4.200,00 9.750,00 22.950,00 Subtotal Diretos 67.500,00 24.150,00 55.250,00 146.900,00 Comprar materiais 3.200,00 8.533,00 4.267,00 16.000,00 Desenvolver fornecedores 2.182,00 6.545,00 3.273,00 12.000,00 Receber materiais 2.470,00 6.587,00 3.293,00 12.350,00 Programar Produção 2.370,00 8.889,00 4.741,00 16.000,00 Movimentar Materiais 5.333,00 5.333,00 5.333,00 15.999,00 Tecidos Controlar Produção 1.979,00 7.914,00 3.957,00 13.850,00 11.102,00 4.533,00 13.364,00 28.999,00 Costurar 7.075,00 4.494,00 17.032,00 28.601,00 Acabar 4.145,00 3.868,00 5.987,00 14.000,00 Despachar Produtos 8.050,00 16.100,00 8.050,00 32.200,00 Subtotal Atividades (CIP) 47.906,00 72.796,00 69.297,00 189.999,00 Lucro Bruto 64.594,00 -4.546,00 83.453,00 143.501,00 Cortar Despesas Administrativas - - - 50.000,00 Despesas com vendas - - - 67.020,00 Lucro antes do IR 26.480,00 Tabela 20. Demonstração de resultados FONTE: Martins, (2003, p. 102) 82 Na demonstração de resultados são apresentados os custos e despesas que influenciaram na elaboração de cada produto vendido. Margem Bruta dos Produtos 35,9% 40% 35% 40,0% 36,2% 31,7% 34,6% 30,4% 28,1% 30% 25% 21,1% 20% 15% 10% 5% 0% -5% Camisetas Sem Departamentalização Vestidos -4,9% Com Departamentalização Calças Departamentalização ABC Gráfico 03. Comparativo entre as departamentalizações FONTE: Martins, (2003, p. 102) O gráfico mostra uma visão geral dos custos dos produtos de acordo com os diferentes cálculos de custos. No próximo item, o trabalho apresenta as considerações finais. 83 Considerações finais Este trabalho teve como objetivo mostrar a importância da Contabilidade de Custos e a Gestão estratégica de custos nas empresas, como uma ferramenta eficiente e eficaz estrategicamente na tomada de decisão neste mercado globalizado e competitivo. A gestão estratégica de custo é fundamental para que empresa consiga operacionalizar com um desempenho favorável perante aos seus concorrentes, tem como objetivo fornecer um produto ou valor superior que os dos seus concorrentes ao cliente por um custo menor que os seus competidores, desta forma a empresa obtêm vantagem competitiva aumentando seus lucros. A implantação de critérios de custeio em uma empresa se torna eficiente quando embasada em situações concretas, pois cada empresa melhor se adaptará a um critério de custeio de acordo com as suas características, não podendo ser padronizadas em um só tipo. O desempenho das atividades para serem bem sucedidos em qualquer empresa seja ela, grande, média ou pequena requer planejamento administrativo, para o presente e para o futuro, assegurando assim, desenvolvimento constante com lucros contínuos para a organização. Uma empresa bem sucedida além de traçar suas metas e seus planos estratégicos deve ter humildade e versatilidade suficiente para alterá-los quando constatado inadequações no seu processo administrativo. O papel do profissional da área de contabilidade de custos em uma empresa a cada dia que se passa se torna de suma importância nas tomadas de decisões estratégicas da empresa. A competência, ética, eficiência e a eficácia em qualquer profissional são fundamentais para que a empresa tenha sucesso no ramo em que atua. As empresas do Brasil aos poucos estão adquirindo consciência quanto ao uso de critérios estratégicos para a tomada de decisão. Elaboram-se indicadores quanto o nível de produção, gastos ocorridos na produção, prejuízos decorrentes de vendas mal feitas e outros fatores. Analisando esses indicadores, os gestores podem elaborar uma gestão consciente e eficaz para tomar qualquer decisão quanto ao mercado. Cabe então aos profissionais da área de contabilidade de custos a responsabilidade de se integrarem efetivamente na equipe que toma as principais decisões da empresa, para disseminar e implementar os conceitos e sistemas de Gestão Estratégica de Custos (GEC). Finalmente, é possível se concluir que hoje a Contabilidade de Custos já te a sua resposta para as necessidades informativas das empresas que estão adotando as tecnologias avançadas de produção. 84 Referências bibliográficas BERTI, A. Contabilidade e análise de custos. 1. ed. Curitiba: Juruá, 2006. CHIAVENATO, I. Administração nos novos tempos. São Paulo: Makron Boooks, 1999. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. COSTA, E. A. da. Gestão estratégica: da empresa que temos para empresa que queremos. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. DRUKER, P. F. Introdução à Administração. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. HANSEN, D. R. MOWEN, M. M. 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