COMISSÃO ORGANIZADORA Maria Cristina de Almeida Mello (Universidade Andressa Beatriz Gotzinger de Coimbra) Aline Facchini Maria Elizabeth da Costa Gama Cleiton Marcos De Oliveira (Universidade do Vale de Itajaí - UNIVALI) Cynthia Christine Ebert Regina Helena Pires (Universidade Presbiteriana Eliana Santiago Goncalves Edmundo Mackenzie) Isaura Maria Longo Rosa Maria Sequeira Piedade (Universidade José Marcelo Freitas De Luna Aberta de Lisboa) Maria Elizabeth Da Costa Gama Samuel Perkins (Barry University) Margarete Belli Vera Lucia Harabagi Hanna (Universidade Patricia Duarte Peixoto Morella Presbiteriana Mackenzie) Paulo Roberto Sehnem Veridiane Pinto Ribeiro (IFSC - Instituto Federal Veronica Gesser de Santa Catarina) Veronica Gesser (Universidade do Vale de Itajaí COMITÊ CIENTÍFICO - UNIVALI) Francisco Cardoso Gomes de Matos Luciane Stallivieri (Universidade Federal de Santa (Universidade Federal de Pernambuco) Catarina - UFSC) Javier Gonzalez (Barry University) Gloria Gil (Universidade Federal de Santa José Marcelo Freitas de Luna Catarina - UFSC) (Universidade do Vale de Itajaí - UNIVALI) Luciani Salcedo de Oliveira (Universidade Federal do Rio Grande) FICHA CATALOGRÁFICA Rua Uruguai, 458 - Caixa Postal 360 - CEP 88302-202 Itajaí/SC - Editora Univali (47) 3341-7645 Reitor: Mário Cesar Dos Santos VIice-Reitora de Graduação: Cássia Ferri Vice-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura: Valdir Cechinel Filho Vice-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional: Carlos Alberto Tomelin Procurador Geral da Fundação UNIVALI: VILSON SANDRINI FILHO Diretor Administrativo da Fundação UNIVALI: Renato Osvaldo Bretzke APRESENTAÇÃO PROGRAMAÇÃO 12/11/15 (quinta-feira) 13/11/15 (sexta-feira) 08h30 - CREDENCIAMENTO 08h30 às 12h – MESA REDONDA 09h30 - CERIMÔNIA DE ABERTURA • Interculturalidade e Empregabilidade Com a programação que se segue, recebemos, entusiasmada e agradecidamente, todos 10h às 12h – CONFERÊNCIA Profa. Dra. ROSA MARIA SEQUEIRA PIEDADE os participantes do SeIoC 2015. Estamos certos de que, entre estes dias 12 e 13 de no- • Currículo internacionalizado como (Universidade Aberta de Lisboa - Portugal) vembro de 2015, estudantes, professores e pesquisadores da Educação, do Currículo, da fundamento para a cidadania global Profa. Dra. VANESSA ANDREOTTI (University of Internacionalização, da Educação Intercultural, bem como de outras áreas poderão inter- Profa. Dra. VALERIE CLIFFORD (Oxford Brookes British Columbia - Canadá) cambiar conhecimentos, tornando-se multiplicadores fundamentados de práticas de um University - Reino Unido) (em inglês) Profa. Dra. VERÔNICA GESSER (Universidade do redimensionamento curricular, que venha a se marcar pela incorporação de uma perspec- 14h30 às 18h - OFICINAS Vale do Itajaí - Brasil) Moderadora tiva intercultural aos objetivos de aprendizagem, ao conteúdo programático, aos recursos • Elaboração e desenvolvimento de currículos 10h30 às 10h50 - INTERVALO COM CAFÉ instrucionais, às estratégias de ensino e às avaliações de disciplinas e de cursos. internacionalizados 11h às 12h30 - DEBATES Profa. Dra. VALERIE CLIFFORD (Oxford Brookes 14h30 às 18h – COMUNICAÇÕES Prof. Dr. José Marcelo Freitas de Luna p/ Comissão Organizadora University - Reino Unido) (em inglês) Bloco: 07 / Sala: 201 Temas e Salas • Ensino de línguas para a cidadania global Profa. Dra. ROSA MARIA SEQUEIRA PIEDADE Cursos Ministrados em Língua Estrangeira (Universidade Aberta de Lisboa - Portugal) (em Bloco: 07 / Sala: 207 português) Cursos de Português como Língua Estrangeira Bloco: 07 / Sala: 212 Bloco: 07 / Sala: 208 • Facilitadores e dificultadores no processo de Turmas Multiculturais internacionalização de uma IES brasileira Bloco: 07 / Sala: 208 Profa. Dra. MARIA ELIZABETH DA COSTA Perfil de Professores e Alunos GAMA (Universidade do Vale do Itajaí - Brasil) Bloco: 07 / Sala: 211 (em português) Perfil de Professores e Alunos Bloco: 07 / Sala: 213 Bloco: 07 / Sala: 106 16h às 16h30 - INTERVALO COM CAFÉ Competência Intercultural 20h30 - JANTAR POR ADESÃO Bloco: 07 / Sala: 213 Mood Restolounge Bar - Hotel Mercure Internacionalização de IES Bloco: 07 / Sala: 202 Internacionalização de IES Bloco: 07 / Sala: 209 SUMÁRIO DE AUTORES Aline Facchini Alexandre.................................................................................................................08 Luciane Stallivieri.............................................................................................................................38 Aline Venturini................................................................................................................................08 Mara Lúcia Figueiredo.....................................................................................................................10 Andressa Beatriz Götzinger.............................................................................................................09 Marcia Regina Selpa Heinzle ..........................................................................................................24 Antonio Fernando S. Guerra ..........................................................................................................10 Márcia Silveira ................................................................................................................................23 Arlete Mello, UNESPAR...................................................................................................................08 Marcos Rogério dos Santos.............................................................................................................25 Brigitte Grossmann Cairus...............................................................................................................11 Margarete Belli.........................................................................................................................13; 26 Bruna Ribeiro Longo.......................................................................................................................12 Mari Margarete dos Santos Forster .................................................................................................27 Cauê Rodrigues .............................................................................................................................29 Maria Aparecida Marques da Rocha................................................................................................30 Christiane Heemann ......................................................................................................................13 Maria Claúdia Fogaça Bido........................................................................................................28; 29 Cinara Kleinhempel.........................................................................................................................19 Maria Inês Gariglio .........................................................................................................................32 Cláudia Beatriz Batschauer da Cruz.................................................................................................14 Maria Isabel da Cunha ..................................................................................................................29 Claudia Kuinta Dias Hohmann........................................................................................................15 Marialva Moog Pinto.................................................................................................................30; 31 Cláudia S. Ribeiro Alves ..................................................................................................................37 Miguel Angel Verdinelli.............................................................................................................14; 37 Cleiton Marcos de Oliveira..............................................................................................................09 Natália Moreira Tosatti ..................................................................................................................32 Djeison Siedschlag..........................................................................................................................37 Patrícia Duarte Peixoto Morella.................................................................................................33; 34 Eli Terezinha Henn Fabris ................................................................................................................27 Paulo Roberto Sehnem....................................................................................................................35 Eliana Santiago Gonçalves Edmundo...............................................................................................16 Pedro Burger...................................................................................................................................23 Fernando dos Santos Pedretti .............................................................................................17; 18; 19 Rafael Oliveira Dias.........................................................................................................................19 Gabriela Lemes...............................................................................................................................19 Rodrigo Avella Ramirez...................................................................................................................36 Gilberto Ferreira da Silva.................................................................................................................20 Rodrigo Schaefer........................................................................................................................8; 35 Helena Distelfed .............................................................................................................................23 Ruan Carlos Sansone......................................................................................................................27 Ina Emmel.................................................................................................................................17; 18 Sarah Rayssa Silva...........................................................................................................................24 Isaura Maria Longo ........................................................................................................................09 Suzete Antonieta Lizote .................................................................................................................37 Ivaneide Sena de Almeida...............................................................................................................21 Thiago Luiz de Oliveira Cabral ........................................................................................................38 Jeronimo Coura-Sobrinho ..............................................................................................................32 Valéria de Fátima Carvalho Vaz Boni................................................................................................39 José Marcelo Freitas de Luna ..................................................................................................8; 9; 35 Valkiria de Novai Santiago...............................................................................................................39 Julieta Abba..............................................................................................................................21; 22 Vera Lucia Reis da Silva ..................................................................................................................29 Leonardo Camargo Lodi............................................................................................................21; 22 Veridiane Pinto Ribeiro....................................................................................................................40 Liliane Menezes..............................................................................................................................23 Vilton Soares de Souza....................................................................................................................41 UMA AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA INTERCULTURAL DE PROFESSORES LUSÓFONOS José Marcelo Freitas de Luna, UNIVALI | Rodrigo Schaefer, UFSC | Aline Facchini Alexandre, UNIVALI é oportunizar aos professores, alunos de Iniciação Científica e funcionários da UNESPAR campus União da Vitória (nosso público alvo) o contato e a possível fluência em Espanhol, como Língua Estrangeira. Objetivamos, também, focar interação comunicativa, na língua meta por meio do conhecimento da literatura e da cultura dessa língua. Destacamos que o Programas de mobilidade internacional e redimensionamentos curriculares destacam-se domínio de uma língua não decorre somente do conhecimento linguístico e comunicacio- como as mais frequentes práticas de desenvolver a competência comunicativa intercultural nal, mas também, pelo desenvolvimento da capacidade de interagir com a cultura do ou- dos estudantes, visando ao respeito da diversidade em sua alteridade. Para o professor em tro, de expressar-se nessa ‘outra’ língua e de constitui-se leitor. Desse modo, pretendemos formação inicial e continuada, trata-se de se formar para lidar com crianças, adolescentes construir um conhecimento da língua menos mecanicista e instrumental, atendendo aos e jovens adultos, que dão forma aos crescentes fluxos migratórios ao redor do mundo. pressupostos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2009), que sinaliza para o desenvolvi- Para as Instituições de Ensino Superior (IES), trata-se de um desafio iniciado já há muito mento das cinco competências essenciais no ensino de línguas, quais sejam: a linguística, tempo com o processo de globalização e que demandam da IES ações e movimentos que a leitora, a comunicacional, a estratégica e a cultural. Nessa proposta, o trabalho com promovam a internacionalização de seus currículos, objetivando, principalmente, preparar literatura não refere ao estudo de sua história cronológica, mas à capacidade de ler e de cidadãos capazes de atuar e pensar globalmente, abertos e ocupados com o local e o entender, sob diversas perspectivas, dentre elas, a cultural e sócio-histórica, que resulta no global, conscientes do diferente, e não da diferença. Os processos de internacionalização foco no tripé Literatura, Língua e Cultura, que concorrem para o funcionamento da língua do currículo exigem do currículo e dos sujeitos que nele atuam diretamente, tais como como prática, a partir da cultura e da literatura dos países hispano-americanos, pouco professores e gestores, uma mudança de paradigma, que pense além dos conceitos e au- abordados no ensino da Língua Espanhola. Nossa metodologia contempla esses aspectos tores eurocêntricos para, de forma crítica, atuar no mundo intercultural e multicultural que pela abordagem de gêneros textuais diversos, destacando algumas variedades linguísticas, vivemos. Interessados no perfil docente de professores de língua portuguesa para uma já que não é possível contemplar todas, o uso de textos reais, bem como os textos que educação intercultural, abordamos os profissionais de nacionalidade angolana presentes destacam o universo das novas tecnologias, chamados de hipertextos. Propomos, ainda, no Fórum Juventude Europa – Lusofonia, em sua edição de Coimbra 2014. Com uma me- organizar material próprio, em uma apostila específica para o curso. O enfoque metodo- todologia alinhada à proposta de Schaefer (2014), avaliamos as habilidades de Descoberta lógico é o comunicativo, tal como propõe Almeida Filho (2013). O curso terá a duração de Conhecimento, Empatia, Respeito ao Outro, Tolerância à Ambiguidade, Flexibilidade de três horas semanais, durante um semestre, podendo ser prorrogado por mais um ano, Comportamental e Consciência Comunicativa. Nesta comunicação, apresentamos e dis- utilizando a internet como um instrumento a mais, pois o discente poderá contar com mais cutimos os achados do grupo de professores de Angola, à luz da literatura dos estudos uma ferramenta, a qual ele vai utilizar, de acordo com suas necessidades e disponibilidades. culturais, dando relevo à competência comunicativa intercultural. As considerações que nos Os recursos disponíveis para o curso são a apostila e a internet e os resultados obtidos até permite a análise são em torno dos limites reais dos participantes – neste caso professores agora foram a realização e elaboração deste mesmo projeto e a elaboração da apostila que em formação e em atuação – de significarem a natureza simbiótica da relação entre eles contempla as aulas teóricas. mesmos, os outros e o mundo. CURSO DE EXTENSÃO COM ÊNFASE EM LITERATURA, LÍNGUA E CULTURA HISPANO-AMERICANA: UMA PROPOSTA DE INTERNACIONALIZAÇÃO Aline Venturini, UNESPAR | Arlete Mello, UNESPAR Nossa proposta é discutir um projeto de extensão com vistas a proposição de um curso de internacionalização com ênfase na Literatura, na Língua e na Cultura a ser desenvolvidos FLUXOS MIGRATÓRIOS E SALAS MULTICULTURAIS: CONCEPÇÕES, DIFICULDADES E PERCEPÇÃO DE PROFESSORES QUANTO À FORMAÇÃO INTERCULTURAL Andressa Beatriz Götzinger, UNIVALI | Isaura Maria Longo, UNIVALI | José Marcelo Freitas de Luna, UNIVALI | Cleiton Marcos de Oliveira, UNIVALI O crescente fluxo migratório de famílias com filhos em idade escolar tem desafiado o Brasil, especialmente na esfera escolar, onde se encontram crianças social e culturalmente distin- pelas docentes Aline Venturini e Arlete Benghi, em 2016. O objetivo do presente projeto tas. Numa sociedade de crescente diversidade étnica e cultural, a escola não pode deixar 8 9 de refletir essa diversidade, pois o princípio educativo é ser democrático. E no meio deste público, o IBAMA. A gestão da Rede é realizada por uma Comissão de Gestão Participativa cenário está o/a professor (a) que precisa lidar com vastos conjuntos de população escolar (CGP), com representantes das instituições-elo dos estados do Paraná, Santa Catarina e multicultural em uma escola pouco flexível às novas realidades culturais e demográficas do Rio Grande do Sul. A REASul integra a malha de mais de 50 redes vinculadas à Rede Brasi- país, ou, pelo menos, dos grandes centros urbanos. Nesse contexto é que se insere este leira de Educação Ambiental – REBEA, criada no Fórum das ONGs, paralelo à Conferência estudo cujo objetivo é conhecer as concepções docentes, as dificuldades e as estratégias Rio-92. A rede se desenvolveu, e em 2015 apresenta como elos 33 instituições, das quais de ensino, e a percepção dos professores em formação inicial sob uma perspectiva intercul- 18 são Instituições de Educação Superior (IES). A participação da REASul em redes univer- tural. Para esse estudo foram consultados Branco (2011), Fleuri e Souza (2003), Coppete sitárias internacionais iniciou em 2010 quando pesquisadores de duas universidades-elo (2014), e Pozzer (2014). Este artigo analisa os dados obtidos a partir do questionário apli- da REASul (UNIVALI e UNIFEBE) foram convidados a participar da I Jornada da Alianza de cado sobre a formação de professores em sala de aula multicultural, sendo os sujeitos da Redes Iberoamericanas por la Sustentabilidad y el Ambiente – ARIUSA, uma rede de redes pesquisa estudantes de graduação dos cursos de História, Letras e Matemática de uma criada em Bogotá, na Colômbia, em 2007. Em 2012, na II Jornada da ARIUSA, realizada na universidade brasileira. Esta pesquisa é de carácter descritivo e ao que se refere aos proce- Univali, em Itajaí-SC, mais nove universidades-elo da rede se vincularam à ela, e foi criada dimentos técnicos, caracteriza-se como uma pesquisa de campo, quantitativa, com uso da no evento a Red de Indicadores de Sostenibilidad en las Universidades, a Red RISU. Em escala Likert. Os resultados relativos à concepção docente apontam para um “conjunto de 2012, em reunião na Colômbia, essas universidades passaram também a integrar a Alianza práticas que visam um maior conhecimento sobre outras culturas, línguas, etnias, religiões, Mundial de Universidades sobre Ambiente y Sostenibilidad - GUPES Latinoamerica, uma nacionalidades que promovem a tolerância, o respeito e aceitação da diferença” como iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Rede de adequada às salas multiculturais. Na perspectiva dos professores entrevistados, entre as Formación Ambiental para America Latina y el Caribe. Em 2013, um projeto da Red RISU dificuldades encontradas está a “aplicação de uma abordagem de ensino de língua ade- discutiu e adaptou os indicadores da Comisión Sectorial de Calidad Ambiental, Desarrollo quada” e quanto as possíveis estratégias de aprendizagem destacadas pelos professores Sostenible y Prevención de Riesgos (CADEP) ao contexto das universidades latino-ameri- estão “atividades relacionadas com os conteúdos da escola, procurando integrar elementos canas e do Caribe, que envolveu 65 universidades de 10 países: Chile, Brasil, Venezuela, de outras culturas” no processo de ensino-aprendizagem. Os dados demonstram que a Costa Rica, República Dominicana, Argentina, Peru, Colômbia, Guatemala e México. No maioria dos docentes entrevistados (83,7%) considera importante ou muito importante Brasil, dez IES vinculadas à REASul e três convidadas participam do projeto, coordenado por uma formação sobre os princípios da educação intercultural. E a exemplo do que vem pesquisadores da UNIVALI e UNIFEBE. Destaca-se como resultados da internacionalização fazendo Portugal, consideramos que o Brasil necessita desenvolver ações de formação de em redes: a integração entre as redes de universidades dos países ibero-latinoamericanos; professores pautadas na educação intercultural em geral e na competência comunicativa mobilizar pesquisadores, administradores e gestores para a coleta de dados nas instituições; intercultural em particular. estabelecer parcerias e compromissos com IES de redes nacionais e internacionais para discussão de indicadores e incorporação de critérios ambientais e de sustentabilidade no A INTERNACIONALIZAÇÃO NAS REDES UNIVERSITÁRIAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: O CASO DA REASUL Antonio Fernando S. Guerra, UNIVALI | Mara Lúcia Figueiredo, UNIFEBE Este trabalho socializa uma experiência de internacionalização em redes da Universidade do Vale do Itajaí, uma das instituições formadoras da Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental – REASul. A referida rede, criada em abril de 2002, foi idealizada por pesquisadores dos Programas de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, currículo e docência, na pesquisa, nos sistemas de gestão e nas políticas institucionais, e para a construção de sociedades mais sustentáveis e justas. O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA DE ENSINO INTERCULTURAL EM SOLO BRASILEIRO: POSSÍVEIS CAMINHOS Brigitte Grossmann Cairus, UDESC Estado de Santa Catarina, e do Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental da O crescimento da mobilidade discente, rumo às instituições de ensino no exterior, surge Universidade Federal do Rio Grande (FURG), estado do Rio Grande do Sul-RS; pela OSCIP como necessidade vital de nossos tempos e repercute, como fruto da globalização de sa- Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, e dois núcleos de Educação de um órgão beres e de modelos acadêmicos, nas políticas educacionais locais. Uma das conquistas mais 10 11 valiosas para o futuro profissional do aluno, que participe desta experiência internacional, cessidade de uma política consistente de ensino de língua portuguesa em bases teóricas seria desenvolver competência intercultural. Esta se define como uma competência de in- contemporâneas, alinhada a procedimentos de ensino e materiais didáticos atuais. Com teragir e de se comunicar com outros através das diferenças culturais. Contudo, os estudos a finalidade de contribuir para o crescimento desta área, este trabalho visa apresentar os recentes de Behrnd e Porzelt (2012), de Salisbury e Pascarella (2013) e de Liu (2014), reve- objetivos e práticas de professores, coordenação e equipe administrativa do Núcleo de En- lam, dentre outros, que a competência intercultural não se desenvolve como consequência sino e Pesquisa de Português Língua Estrangeira (NUPLE-UFSC) através de dados coletados natural ou imediata da experiência internacional. Assim, refletindo sobre minha experiência a partir do curso extracurricular de PLE oferecido pelo Departamento de Literatura e Língua na University of Illinois, Urbana-Champaign como coordenadora do Lemann Institute cujas estrangeira (DLLE). O propósito deste trabalho, é expor as iniciativas, experiências de ensino atribuições, na ocasião, incluíam o apoio aos alunos do Programa Ciências Sem Fronteiras, relacionados ao curso e compartilhar a realidade pedagógica vivenciada pelo grupo de analiso as razões para explicar a resistência inicial dos brasileiros em se socializarem com os trabalho, desde a criação do Núcleo de Ensino e Pesquisa de Português Língua Estrangeira estudantes norte-americanos e internacionais. A maioria dos alunos brasileiros, justificava (NUPLE) em 1999. É importante ressaltar que, o NUPLE também é responsável pela aplica- este comportamento em virtude do programa de intercâmbio, na prática, reservar mais da ção do CELPE – BRAS (Certificação de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros) metade da estadia para o processo de adaptação do bolsista ao ambiente do campus norte- que acontece todos os semestres na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Este -americano. A adaptação, além do idioma e uma nova realidade, cultural, social e acadêmi- exame “é o único certificado de proficiência em português como língua estrangeira reco- ca, incluía acostumar-se ao clima, hábitos alimentares, mentalidade, comportamento, entre nhecido oficialmente pelo governo do Brasil. Internacionalmente, é aceito em empresas outros. Dialogando com o trabalho dos autores, Root e Ngampornchai (2012) e Dimitrov, e instituições de ensino como comprovação de competência na língua portuguesa e no Dawson, Olsen e Meadows (2014), proponho neste artigo discutir estratégias pedagógicas Brasil é exigido pelas universidades para ingresso em cursos de graduação e em programas com o objetivo de promover nas universidades brasileiras a internacionalização do currícu- de pós-graduação, bem como para validação de diplomas de profissionais estrangeiros lo, a competência de ensino e de aprendizado intercultural como preparação para que nos- que pretendem trabalhar no país” (INEP, 2015). Contribuindo como embasamento teórico sos alunos se familiarizem com práticas interdisciplinares e competências interculturais. O desta pesquisa, Almeida (2011) enfatiza que ″existem diferentes necessidades de aprender ponto de partida para o aprendizado aberto às diferentes realidades culturais e sociais seria português e cursos de diversas naturezas podem ser ofertados nas universidades.” Na ta- a reflexão crítica da própria cultura, identidade, língua e paradigmas sociais por intermédio refa de consolidar caminhos para o ensino e para a extensão da área de PLE, pretende- se de um processo que Savicki e Selby (2008) chamam de “reflexão focada”. Desta forma, manifestar a necessidade de reforçar o cenário acadêmico- profissional e de ensino de PLE o aluno desenvolveria ferramentas de autoconhecimento que o ajudariam a refletir sobre em Santa Catarina. diferentes dinâmicas de poder e evitar atitudes futuras baseadas em etnocentrismo, discriminação e estereotipação. Ao mesmo tempo, o idioma e a(s) cultura(s) de destino também deverão ser estudadas de modo interdisciplinar antes mesmo da partida, para que, levando em conta a W- curve de Zeller e Mosier (1993), menos energia se desperdice na fase de choque cultural e mais energia se aloque na fase de integração. O PAPEL DO MATERIAL DIDÁTICO NO CONTEXTO DA INTERNACIONALIZAÇÃO: UM ESTUDO NA DISCIPLINA DE INGLÊS TÉCNICO Christiane Heemann, UNIVALI | Margarete Belli, UNIVALI NUPLE: NÚCLEO DE ENSINO E PESQUISA DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA Bruna Ribeiro Longo, UFSC O processo de internacionalização interfere na experiência do estudante na universidade e leva a mudanças de conhecimento, habilidades, atitudes e comportamento de todos aqueles que estão envolvidos, direta ou indiretamente, no processo de ensino e aprendizagem. Parece haver um consenso nas instituições de educação superior de que há necessidade de O movimento de ensino de Português vem crescendo gradativamente pelo mundo e prin- que os futuros profissionais egressos dessas instituições sejam pessoas interculturalmente cipalmente no Brasil, devido a sua grande expansão econômica. Nesse contexto, segundo competentes, com posturas que lhes permitam ser considerados cidadãos globais, que Pacheco (2006), “a língua portuguesa passa a ser considerada a sexta língua mais falada pensem localmente e ajam globalmente (Leask, 2015) nos seus lugares de trabalho, sejam no mundo. Essa demanda crescente de alunos e interessados pela língua expressa a ne- estes locais, nacionais ou internacionais. O material didático, escolhido pelo professor para 12 13 materializar sua prática docente, constitui-se numa ferramenta relevante que subsidia as preliminares apontam para uma desconexão entre as ações de prefeituras e IES no Estado ações educacionais formais, apresentando, assim, papel fundamental para atingir aquela de Santa Catarina. Nesse contexto, em Itajaí, uma estratégia inovadora de promoção inter- meta e promover os conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitem ao estudante nacional vem sendo desenvolvida entre a Prefeitura e a Universidade do Vale do Itajaí (UNI- se desenvolver como um ser interconectado e multicultural, apto para viver a globalidade. VALI), a qual qualifica estudantes participantes do Programa de Intercâmbio de Alunos - PIA Este artigo objetivou avaliar se o material didático - livro texto, guia do professor e materiais para desenvolverem atividades de promoção turística e econômica nos diversos países de extras- utilizado em uma disciplina de Inglês Técnico, em uma universidade catarinense, destino. A inovação se dá pela formação dos discentes com foco na interculturalidade, para está alinhado com as propostas existentes de internacionalização do currículo. Para atingir que possam atuar globalmente, com base na internacionalização do currículo por infusão. o objetivo proposto, foram pesquisadas evidências no material em estudo, o livro Business Dá-se também pelo uso de uma rede pré-estabelecida de contatos no exterior, potenciali- Result de nível intermediário da Oxford University Press (2008), seguindo um checklist, zada pelo prestígio da universidade e a ação de alunos para promover a internacionalização adaptado pelas autoras, do Guia de Boas Práticas para Internacionalização do Currículo da municipal. O objetivo deste trabalho é apresentar a formação e as redes de cooperação Griffith University (Barker, 2011). Desse modo, buscaram-se analisar o conteúdo e design, universitárias como instrumentos para a internacionalização de cidades, especialmente o as atividades de ensino e de aprendizagem propostas, os recursos empregados, as práticas caso de Itajaí como experiência inovadora de internacionalização universitária e de cidades, de sala de aula recomendadas e as diferentes avaliações a serem feitas. Após conceituar constituindo uma referência a outros municípios e IES. A pesquisa é de caráter descritivo internacionalização por meio de princípios importantes da área, os dados processados até e exploratório, tendo-se utilizado o método qualitativo, com consultas a fontes primárias o presente momento para responder aos questionamentos da pesquisa sugerem que o e secundárias, apoiando-se em fontes documentais e bibliográficas. Como resultado, es- material didático analisado atende às recomendações do guia e, assim, coaduna com as pera-se que este estudo preliminar ofereça subsídios à elaboração de uma estratégia mais indicações apontadas para a internacionalização do currículo. ampla de parcerias internacionais que proporcione novas formas de inserção das cidades, envolvendo a sua conexão com as redes de cooperação internacional e a internacionaliza- FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA E MOBILIDADE DISCENTE COMO ESTRATÉGIA DE INTERNACIONALIZAÇÃO DE CIDADES Cláudia Beatriz Batschauer da Cruz , UNIVALI Miguel Angel Verdinelli, UNIVALI Apesar de que a política exterior é exclusividade dos Estados, os governos locais têm se ção do currículo das universidades. FORMACIÓN MEDIANTE CREATIVIDAD: UNIVALI NA REDE DOS INSTITUTOS DE FORMAÇÃO DOCENTE DO ESTADO DO MÉXICO Claudia Kuinta Dias Hohmann, UNIVALI envolvido em negociações e ações de promoção e relações internacionais. As cidades sur- Este trabalho tem como objetivo apresentar uma experiência inovadora de participação gem como novos atores internacionais e desenvolvem uma política exterior própria, co- da UNIVALI no Projeto intitulado Formación mediante creatividad destinado a formação nhecida como paradiplomacia. As cidades internacionalizam-se para alcançar altos índices docente continuada e orientação aos Institutos de Formação Docente (IFD) do Estado do de produtividade, posicionar-se de maneira sólida nas cadeias globais de valor econômico México. O evento foi promovido pela Faculdad de Estudios Superiores (FES) Aragón de la e proporcionar uma boa qualidade de vida. O governo local deve ser capaz, portanto, de Universidad Nacional Autónoma de México financiado pelo Programa de Cooperación Inte- responder de maneira mais coerente às oportunidades que a esfera internacional oferece runiversitaria e Investigación Científica entre España e Iberoamérica, Mediterráneo y África no contexto dos fluxos globais de comércio e investimento. Nos seus processos de inter- Subsahariana (PCI) 2012 - Subprograma de Cooperación entre España e Iberoamérica. Mi- nacionalização e promoção internacional, as cidades utilizam instrumentos diversos, como nisterio de Asuntos Exteriores - AECID. O Subprograma foi desenvolvido em três etapas: 1ª) a assinatura de convênios com governos estrangeiros centrais e não centrais, eventos in- questionário respondido em uma escala Lickert; 2ª) oficinas provenientes das universidades ternacionais, participação em feiras internacionais e o envio de material publicitário. No de cooperação internacional; 3ª) a criação de uma página“ning em rede social”. Cerca entanto, o envolvimento dos governos locais com as Instituições de Ensino Superior (IES) de dois mil professores da IFD participaram de uma rede de TICs. Este trabalho teve como para fins de promoção internacional não tem sido uma estratégia muito utilizada. Estudos indicadores de estudo: o desenvolvimento organizacional da escola; o rompimento com a 14 15 fragmentação do ensino; a qualificação e a interação entre os professores; a proposição seguintes bases de dados: Google Acadêmico, Academia.edu. e Educational Resources In- e a socialização de projetos inovadores na rede social. A partir da oficina apresentada: formational Center (ERIC) e com a pesquisa inicial pelas palavras “English Medium Instruc- “Las cinco dimensiones del conocimiento como estratégia de enseñanza y aprendizaje”, tion”, “Inglês como meio de instrução” e “Content and Language Integrated Learning” no na cidade do México e no município de Texcoco, foram selecionados projetos inovadores campo tópico. O estudo demonstrou o reduzido número de produções acadêmicas sobre o de cada município/região e apresentados em Seminário sobre Imnovación y cambio em tema e concluiu que a maior parte dos artigos são produzidos internacionalmente e escritos la Universidad em outubro/2012/FES/UNAM, nas modalidades de comunicação oral e/ou em inglês. A análise dos artigos, orientada pelas teorias de letramentos, sugere a necessi- virtual para as universidades de cooperação internacionais. Os trabalhos foram apresenta- dade de pesquisa na área, tendo em vista os desafios da globalização, que têm mobilizado dos pelo CIDU-FOCOUNAR em um material com licença Creative Commons (2014) e na estudos pós-coloniais e pós-estruturalistas para tratar do ensino de língua inglesa como Revista Matices (2013). Com esta experiência acreditamos que foi possível contribuir com o disciplina escolar na atualidade. desenvolvimento de áreas referidas como internacionalização do currículo, educação intercultural e cidadania global, na educação superior e em redes multiplicadoras de formação, promovendo a socialização de saberes e fazeres docentes e a minimização das paralisias paradigmáticas, causadoras dos dilemas da educação da contemporaneidade. ENSINO DE CULTURA EM AULAS DE PORTUGUÊS PARA FALANTES DE OUTRAS LÍNGUAS: DISCURSO E PRÁTICA Fernando dos Santos Pedretti, UFSC | Ina Emmel, UFSC PERSPECTIVAS DE ENSINO DE INGLÊS EM TEMPOS DE INTERNACIONALIZAÇÃO CURRICULAR Eliana Santiago Gonçalves Edmundo, UNIVALI/SEED-PR/FACEL O atual cenário mundial, um mundo globalizado, faz com que o aprendizado de línguas estrangeiras seja cada vez mais procurado. Ao mesmo tempo em que a demanda por esse aprendizado aumenta, pensamos na formação de profissionais dessa área, profissionais que acreditam em uma língua em comum com o aprendiz. Assim sendo, é necessário que Os tensionamentos e as disputas entre diferentes interesses para com o ensino de língua haja um sistema compartilhado de crenças e inferências. Mostrando que cada vez mais é inglesa no contexto educacional brasileiro, evidenciados na história recente, parecem estar necessária a reflexão e discussão sobre os aspectos culturais em sala de aula. Muitos dos relacionados com o desenvolvimento de políticas linguísticas, a carência de políticas públi- profissionais que trabalham na área de línguas sabem que a cultura é trabalhada de uma cas e com os novos modos de ensinar e aprender, marcados especialmente pela valorização forma implícita, cabendo a esses profissionais ter a consciência do quanto é importante o da vivência internacional. Os trabalhos de Spolsky (2004) e Shoamy (2006) contribuem trabalho dos aspectos culturais em sala de aula. Os estudos nessa área, como o de Kramsch para a compreensão da aproximação entre políticas e práticas locais. No âmbito das po- (1993, 1998), enfatizam a importância da relação entre língua e cultura e, a partir dessa in- líticas públicas, o compromisso com o plurilinguísmo expresso na legislação vigente no formação, que podemos pensar: os professores estão preparados para atuar sob a luz dessa Brasil concede autonomia à comunidade escolar para a decisão da língua a ser ofertada na abordagem? Com este questionamento, propomos uma análise de quais aspectos culturais educação básica. Os estudos de Altbach (2002, 2004) e Knight (2004) apresentam a inter- são abordados em aulas de Português para falantes de outras línguas, verificar como o pro- nacionalização do ensino como um fenômeno que se expande sobre e com as instituições fessor se posiciona em relação a esses aspectos, além de observar o discurso e a prática do de ensino superior, como resposta à atual ordem global. Em face desse processo de inter- mesmo. Para tal análise, o trabalho foi desenvolvido com a abordagem qualitativa, sendo nacionalização, algumas instituições de ensino brasileiras e estrangeiras tem apresentado que a observação das aulas, bem como entrevistas individuais feitas com professores de novas políticas educacionais com propostas de uma educação bilingue. English Medium Português para estrangeiros (PLE), em um curso extensivo na Universidade Federal de Santa Instruction (EMI) e Content and Language Integrated Learning (CLIL) são algumas destas Catarina (UFSC). Como resultado, observamos que os materiais didáticos de PLE, na sua políticas presentes em contextos de educação básica e de ensino superior, as quais pro- maioria, não oferecem oportunidades para que os alunos desenvolvam sua competência põem o ensino das disciplinas do currículo formal ministrado em língua inglesa. O objetivo comunicativa intercultural, já que, no caso observado, o de nível inicial, se concentrou no desta comunicação é apresentar esses pressupostos teóricos que embasam a trabalho de repasse de informações, sem dar conta do uso da língua/cultura na condução da interação pesquisa de doutorado em andamento, que estou desenvolvendo, a partir de um estudo social. Dessa forma, cabe ao professor a condução dessa abordagem cultural em sala de que envolveu o levantamento de artigos publicados sobre EMI e CLIL. Foram utilizadas as aula, buscando materiais alternativos, como forma de complementação desses encontros. 16 17 Ainda assim, após entrevistarmos alguns professores, percebemos pontos a ser analisados, principalmente quando trabalhada em suas aulas. Por fim, investigar se os materiais didá- como investigar a formação de professores, para entender se os mesmos trabalham com ticos utilizados proporcionam a abordagem cultural nas aulas tornou-se um dos aspectos a aspectos culturais em sala de aula e observar a visão que esses professores têm de cultura, ser futuramente analisado. principalmente quando trabalhada em suas aulas. Por fim, investigar se os materiais didáticos utilizados proporcionam a abordagem cultural nas aulas tornou-se um dos aspectos a ser futuramente analisado. ENSINO DE CULTURA EM AULAS DE PORTUGUÊS PARA FALANTES DE OUTRAS LÍNGUAS: DISCURSO E PRÁTICA ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ÁREA DE NEGÓCIOS: REPENSANDO ABORDAGENS DE ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS Cinara Kleinhempel, FLORIPAWAVE | Fernando dos Santos Pedretti, UFSC | Gabriela Lemes, FLORIPAWAVE | Rafael Oliveira Dias, UFSC Fernando dos Santos Pedretti, UFSC | Ina Emmel, UFSC Muitos dos profissionais que atuam na área de línguas, nesse caso no ensino de portuO atual cenário mundial, um mundo globalizado, faz com que o aprendizado de línguas guês para falantes de outras línguas, sabem e trabalham com a abordagem de aspectos estrangeiras seja cada vez mais procurado. Ao mesmo tempo em que a demanda por esse culturais em aula. Por outro lado, muitos desses profissionais têm dificuldade de sair dessa aprendizado aumenta, pensamos na formação de profissionais dessa área, profissionais abordagem. Mesmo considerando tais pressupostos, numa instituição privada de ensino de que acreditam em uma língua em comum com o aprendiz. Assim sendo, é necessário que línguas, localizada na cidade de Florianópolis, observa-se uma possibilidade de outra abor- haja um sistema compartilhado de crenças e inferências. Mostrando que cada vez mais é dagem: português para falantes de outras línguas para a área de negócios. A experiência necessária a reflexão e discussão sobre os aspectos culturais em sala de aula. Muitos dos inicia com a procura de uma empresa estrangeira, solicitando um curso. Posteriormente, profissionais que trabalham na área de línguas sabem que a cultura é trabalhada de uma ao observas as demandas do aprendiz, chegou-se à conclusão de que a abordagem para forma implícita, cabendo a esses profissionais ter a consciência do quanto é importante o a área de negócios era de extrema importância para o futuro do aluno, já que o mesmo, trabalho dos aspectos culturais em sala de aula. Os estudos nessa área, como o de Kramsch após um período de estudo, trabalharia no escritório de uma empresa estrangeira no Brasil. (1993, 1998), enfatizam a importância da relação entre língua e cultura e, a partir dessa in- Sendo assim, a motivação principal desse trabalho é analisar esse período de trabalho na formação, que podemos pensar: os professores estão preparados para atuar sob a luz dessa área de negócios, passando por uma análise de três materiais utilizados nas instituições de abordagem? Com este questionamento, propomos uma análise de quais aspectos culturais ensino de PLE na Grande Florianópolis, bem como o material utilizado por nossa instituição, são abordados em aulas de Português para falantes de outras línguas, verificar como o pro- relatar a experiência de ensino de PLE na área de negócios em nossa escola e exemplificar fessor se posiciona em relação a esses aspectos, além de observar o discurso e a prática do como podemos adaptar tarefas para o perfil de aluno da área de negócios. Como resulta- mesmo. Para tal análise, o trabalho foi desenvolvido com a abordagem qualitativa, sendo do, observamos que os materiais didáticos de PLE, na sua maioria, não contemplam a área que a observação das aulas, bem como entrevistas individuais feitas com professores de de negócios, sendo que o professor precisa buscar ou criar materiais alternativos, como Português para estrangeiros (PLE), em um curso extensivo na Universidade Federal de Santa forma de complementação de suas aulas. A distribuição desse conteúdo, ao longo de um Catarina (UFSC). Como resultado, observamos que os materiais didáticos de PLE, na sua programa, deve ser feita com base no perfil de cada empresa/aluno, uma vez que recebe- maioria, não oferecem oportunidades para que os alunos desenvolvam sua competência mos aprendizes de áreas diferentes. Dessa forma, as aulas ministradas na área de negócios comunicativa intercultural, já que, no caso observado, o de nível inicial, se concentrou no são necessárias em nossa instituição, tendo algumas dificuldades, tais como: a necessidade repasse de informações, sem dar conta do uso da língua/cultura na condução da interação de “formar” os professores que trabalham com a área de negócios, o entendimento por social. Dessa forma, cabe ao professor a condução dessa abordagem cultural em sala de parte dos aprendizes de que o importante não é a sequência de estudo, mas o enfoque aula, buscando materiais alternativos, como forma de complementação desses encontros. dado à área e a impossibilidade de utilizar a maioria dos materiais didáticos disponíveis no Ainda assim, após entrevistarmos alguns professores, percebemos pontos a ser analisados, Brasil como material de apoio na área de negócios. como investigar a formação de professores, para entender se os mesmos trabalham com aspectos culturais em sala de aula e observar a visão que esses professores têm de cultura, 18 19 FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INTERCULTURAL: PERSPECTIVAS DESDE BRASIL, CHILE E COLÔMBIA Gilberto Ferreira da Silva, UNILASALLE/CANOAS MATERIAL DIDÁTICO NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA ESTRANGEIROS Ivaneide Sena de Almeida, PUC-SP Esta comunicação situa-se na área de produção de recurso didático cujo tema trata da América Latina, Ibero-América, Hispano-América, América Índia são alguns dos tantos ter- avaliação de material didático e produção de recursos para o ensino laboratorial das vogais mos cunhados para designar o conjunto de características que moldam povos e culturas relativo às bases articulatórias do português brasileiro. Entende-se que, no ensino presen- latino-americanas. Do México à Terra do Fogo, a diversidade é um traço latente nas cidades cial, o professor é privilegiado. Ele conduz o processo com sua performance, sujeito às de todos os países latinos. Na América Latina grande parte dos países vivencia uma realida- intervenções dos alunos que acrescentam ou alteram a forma e o rumo da exposição, na de que também pode ser vista sob a ótica da diversidade linguística, entretanto, não se está interação aluno-professor, indispensável para a compreensão do conteúdo apresentado. falando aqui de imigrantes recentes, mas sim de comunidades indígenas que sobreviveram Assim, o material didático é apoio vinculado ao tipo de suporte que possibilita materializar ao processo de colonização e conseguiram preservar suas tradições culturais. São povos o conteúdo ensinado (textos escritos, audiovisual, ou novas tecnologias). Esta comunicação que inseridos historicamente nos territórios nacionais são obrigados a se apropriar de outra está delimitada à avaliação de material escrito e áudio, utilizado como recurso para o ensi- cultura. Os problemas, mais comuns enfrentados no campo da educação, concentram-se no de bases articulatórias de uma pronúncia do português brasileiro. Justifica-se a pesquisa, na falta de profissionais/educadores preparados para trabalhar com alunos oriundos destas pois esses materiais devem apresentar conteúdo de apoio relativamente constante a ser tradições culturais. Ressalta-se desta forma a necessidade de construção de um processo ensinado por diferentes professores e entregue aos alunos. Foram selecionados manuais formador de educadores capazes de trabalhar com a diversidade cultural, especialmente as didáticos de PLE, com o maior número de edições e os mais recentes. As análises indicam diferenças linguísticas. As aspirações por compreender como é possível realizar processos que: 1. Há uma lacuna no tratamento da pronúncia, geralmente reduzido a sons de letras; formativos que contemplem a multiculturalidade sob a perspectiva da interculturalidade 2. Não há resultados de pesquisa que possam indicar quais as bases articulatórias e a qual impulsionam a busca por referenciais teóricos e práticos que ofereçam subsídios para o pronúncia se refere; 3. Quais bases articulatórias apresentam dificuldades para os alunos, tratamento da diversidade cultural. Nesta pesquisa se contempla o debate instaurado no dependendo das línguas de origem; 4. Não há referências às entonações segmentais nem contexto latino-americano, considerando a rica e complexa reflexão acumulada nos dife- às suprassegmentais. A avaliação indica: (a) embora extremamente relevante para o ensino rentes países da região. Metodologicamente a pesquisa se inscreve na tendência contem- de PLE, especialmente neste momento de grande movimento de migrações internacionais, porânea das pesquisas do tipo estado da arte por um lado, e, de outro, se fará um investi- o conteúdo relativo à pronúncia do português brasileiro carece de pesquisa, fundamenta- mento para conhecer e analisar experiências de formação nos três países de referência da ção teórica e descrições adequadas; (b) a pronúncia é de grande importância para deses- pesquisa. Uma imersão na literatura que viemos realizando nestes últimos anos permitiu trangeirizar o aluno e situá-lo no contexto da língua-alvo. No caso de língua de interface, vislumbrar a complexidade teórica da produção existente e da diversidade de experiências precisa ser ensinada para evitar fossilização. formativas desencadeadas nas diferentes nações latino-americanas. Assim o debate sobre a diversidade cultural na perspectiva da interculturalidade é evidenciado, provocando formas desde o universo da realidade educativa e das práticas até a construção da própria noção A INTERNACIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR: A EXPERIÊNCIA DO CENTRO DE ESTUDOS INTERNACIONAIS EM EDUCAÇÃO – CEIE de interculturalidade pelo viés da educação comprometida em valorizar e trabalhar com tais Julieta Abba, UNISINOS | Leonardo Camargo Lodi, UNISINOS diferenciadas de pensar e fazer a educação em contextos constituídos multiculturalmente. A interculturalidade tem se constituído como um campo profícuo que pode ser explorado expressões culturais, tanto desde a perspectiva histórica até as contemporâneas. Na atualidade, as universidades e as pesquisas que ali se desenvolvem não podem ser compreendidas isoladamente do contexto internacional, dos vínculos com outras instituições e grupos de estudos de outros países. Neste sentido, na última década estamos assistindo a um incremento na participação das universidades no processo de internacionalização da 20 21 educação superior e da cooperação internacional universitária. A presente comunicação happens in English and how this process of internationalization started at Unisinos Uni- tem como objetivo compartilhar a experiência do Centro de Estudos Internacionais em versity (Universidade do Vale do Rio dos Sinos). For three years the Graduate School of Educação (CEIE), no contexto atual de internacionalização da educação superior. O CEIE, Education of the Unisinos University, offers a seminar in English for undergraduate research criado em 2014, é um espaço vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da fellows, masters’ and doctoral students. The proposed activity is different in every semes- Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Um elemento importante para a criação ter, namely the discussions and themes change every six months. The meetings take place do centro foram diálogos sobre internacionalização e educação comparada, realizados em every Tuesday in the evening and in these encounters are discussed texts about educa- um seminário ministrado em inglês que é oferecido todos os semestres para a comunidade tion, internationalization, classics of education, methodological issues, different types of universitária do PPG de educação. Os principais objetivos do CEIE são melhorar as condi- contexts where the research is developed, participation, among others. The dynamics of ções para a inserção da produção acadêmica do PPG em Educação da UNISINOS no cenário the discussions vary from text to text. Some dialogues are conducted in small groups and da pesquisa internacional em educação, promover o conhecimento de políticas e práticas other discussions occur in large group. There are also presentations by students on previous educacionais internacionais por professores das redes de escolas e universidades da região, readings. Outside guests who come to study at the university are invited to participate in fomentar o desenvolvimento de estudos internacionais em educação e sistematizar expe- some meetings. Besides being a space to get familiarized with a different bibliography, it riências de intercâmbio internacional de professores e alunos. Em função destes objetivos, is also an encounter to practice English, and a room for discussion. The seminar is a start- a partir do primeiro semestre de 2015 foram realizadas atividades como a organização de ing point to prepare for future presentations in international events, and to participate in relatos de experiência com professores e estudantes que retornam de seus estágios fora do international exchange programs. In this sense, the purpose of this paper is to present an Brasil, reuniões com estudantes da pós-graduação que se preparam para realizar estágios experience of internationalization at Unisinos University. The focus of the seminar is on the no exterior, a divulgação de editais de colaboração internacional e outras possibilidades que learning of specific topics, and not on English as an additional language. However, it does potencializem as experiências internacionais do centro e do PPG e a criação e atualização not mean that English language learning does not happen, on the contrary, from reports de um acervo de publicações internacionais do corpo docente e publicações sobre estudos by students one can see that at the same time as it is a discussion about a topic, students internacionais, educação comparada e internacionalização. Outras atividades que se rea- learn to improve their expression in English, and increase their vocabulary. It can be said lizam no CEIE são encontros semanais de conversações em inglês “English on Mondays” that in every discussion, conversation and presentation it is possible to identify the learning e espanhol “Conversaciones y lecturas en español” para estudantes e professores interes- process of the participants of the seminar. The collaboration and help within the group can sados. Além de encontros de “Diálogos Internacionais” com especialistas de outros países also be highlighted since it promotes self-confidence. que visitam a UNISINOS e o PPG. É necessário destacar que para levar adiante os objetivos do centro, conformou-se um grupo de trabalho, composto por professores e estudantes da CEIE é um espaço que está se constituindo para o diálogo dos aspectos concernentes à A INTERNACIONALIZAÇÃO DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ: UM ESTUDO DE CASO SOBRE CONVÊNIOS INTERNACIONAIS educação internacional. Liliane Menezes, FIOCRUZ | Helena Distelfed, FIOCRUZ | Márcia Silveira, FIOCRUZ | Pedro Burger, graduação e do PPG, para a planificação destas atividades e a discussão de leituras sobre a internacionalização. Pode-se constatar que apesar de conformar-se há pouco tempo, o FIOCRUZ INTERNATIONALIZATION AND LEARNING PROCESS: HOW THE INTERNATIONALIZATION PROCESS TAKES PLACE IN CONJUNCTION WITH THE CONFIDENCE AND LEARNING PROCESS IN ENGLISH Julieta Abba, UNISINOS | Leonardo Camargo Lodi, UNISINOS A motivação para este trabalho surgiu da necessidade de um melhor entendimento da gestão da cooperação internacional na área do ensino, para que pudéssemos acompanhar o processo de internacionalização da pós-graduação da FIOCRUZ. A internacionalização do ensino se apresenta como uma estratégia para um melhor posicionamento da instituição e é entendida como geradora de conhecimento, ciência, tecnologia e inovação e também como um intercâmbio de valores culturais, étnicos e sociais. Compreender esse conceito, This paper has as premise to present a systematization of an experience in a seminar that em um momento onde a mobilidade internacional de estudantes passou, em muitos paí- 22 23 ses, a ser gerida como um ativo econômico, pode fundamentar-nos para a construção de tecnologias, ferramentas computacionais e outros recursos didáticos, bem como o método modelos de internacionalização que realmente sejam do interesse do país, na busca de dialógico e metodologias ativas dependendo do perfil dos professores. Quanto ao currículo, um diálogo proveitoso entre culturas e sistemas de produção de saber acadêmico que se a pesquisa revelou três perspectivas de formações nas Instituições Estrangeiras formação complementem, numa interação que produza o avanço da ciência para a humanidade, profissional, básica e geral. 48.1% dos acadêmicos apontam terem vivenciado um currículo mas também para os legítimos interesses de desenvolvimento global sustentável. O ob- para uma formação profissional, ou seja, cursaram disciplinas com ênfase para o exercício jetivo deste trabalho é analisar o crescente interesse das universidades estrangeiras em específico da profissão. 30.2% responderam que escolheram disciplinas voltadas para a estabelecer parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. Como metodologia para construção formação básica. E 17% dos acadêmicos disseram terem cursado uma formação geral, com deste trabalho, fizemos uma análise documental do banco de dados do Sistema de Apoio disciplinas de outras áreas com ênfase social, cultural e etc. Na questão dos instrumentos à Gestão Estratégica – SAGE FIOCRUZ, entre os anos de 2013 e 2015. Observamos um utilizados para avaliação, a maioria dos acadêmicos pontuaram as provas como o mais aumento significativo de universidades estrangeiras interessadas em realizar parcerias com utilizado pelos docentes. O segundo mais utilizado foi os trabalhos em grupo, em seguida, a FIOCRUZ, tendo em vista a disponibilidade de apoio financeiro, tais como: o oferecimento os seminários e por fim os trabalhos individuais. A partir dessas características de IES es- de bolsas do programa do nosso governo, o Ciência sem Fronteiras, bolsas Newton e outros trangerias reconhecemos que há aspectos que se assemelham ao modelo de Universidade financiamentos internacionais. A análise dos resultados também revelou que a FIOCRUZ brasileira, entretanto, percebem-se outros indicadores que se distanciam significativamen- apresenta fragilidades em seu processo de internacionalização, ao firmar acordos com ou- te. Há necessidade ainda de aprofundar os aspectos pedagógicos que definem os processos tras instituições, devido à falta de um plano estratégico que articule as razões, a abordagem de ensinar e aprender nas diferentes propostas curriculares das Universidades vivenciadas e as estratégias organizacionais e programáticas da instituição. por estes estudantes. CARACTERÍSTICAS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR ESTRANGEIRAS: UM OLHAR DOS ACADÊMICOS INTERCAMBISTAS QUEM SÃO OS ESTUDANTES QUE PERMANECEM NA ESCOLA NUM CONTEXTO DE UNIVERSALIZAÇÃO DO ACESSO? Marcia Regina Selpa Heinzle, FURB | Sarah Rayssa Silva, FURB Marcos Rogério dos Santos, SC O atual cenário indica que há um número expressivo de acadêmicos brasileiros de gra- No final dos anos 1990 e seguintes despontaram como um marco na construção do pro- duação que tiveram a oportunidade de estudar em uma Instituição de Ensino Superior cesso de democratização do acesso à educação básica no contexto brasileiro. Trata-se, de Estrangeira. O objetivo da referida pesquisa é identificar as principais características das uma conquista que amplia o princípio de igualdade de direitos perante a lei e assegura a Instituições de Ensino Superior Estrangeiras a partir das experiências de acadêmicos inter- efetivação de direitos positivos, classicamente denominados sociais, que visam à promoção cambistas. Na primeira fase da pesquisa foi mapeado o número de estudantes de uma Ins- de formas diversas de igualdades. Um direito reconhecido e outorgado na Constituição Fe- tituição Pública de Santa Catarina que fizeram intercâmbio entre os anos de 2011 à 2014. deral de 1988 que, além de garantir o direito subjetivo a escola e a todo cidadão brasileiro, Em seguida, foi encaminhado um questionário, através do formulário eletrônico Google estabelece a obrigatoriedade de acesso e permanência para crianças e adolescentes com Docs, aos 282 alunos, sendo que desses 103 responderam. O instrumento de recolha de idade entre 7 e 14 anos, mantidos ao longo dos tempos à margem da escola. Um conjunto dados obtinha 43 questões abertas e fechadas. Em relação aos resultados obtidos, pode-se de ações implantadas há mais de duas décadas e que se estende até os dias atuais. Diante destacar, nesse estudo, características de caráter cultural, estrutural e pedagógico. No que desse novo quadro, o texto se defronta com algumas indagações: quem são estudantes que tange aos aspectos pedagógicos foram observados: os processos metodológicos, curricu- permanecem na escola num contexto de universalização do acesso ao ensino? Qual o perfil lares e avaliativos das Instituições de Ensino Superior em diferentes países. Em relação às dos estudantes que mesmo num contexto onde todos são considerados iguais encontra-se metodologias de ensino, nota-se que o método tradicional foi à questão mais apontada em situação de fracasso escolar? Tendo em vista buscar respostas para esses e outros ques- pelos acadêmicos, ou seja, um método com aulas centradas exclusivamente no professor. tionamentos, o presente artigo visa apresentar o resultado de um estudo comparativo reali- Entretanto, observa-se que, métodos inovadores também é mencionado, como o uso de zado com base nos resultados dos dados extraídos das edições 2007 e 2013 da Prova Brasil. 24 25 A pesquisa teve como alvo central identificar o perfil dos estudantes do 9º ano em situação responder esse questionamento, o estudo foca especificamente a relação direta e indireta de fracasso escolar nas escolas de Ensino Fundamental de Santa Catarina. Um Estado que, entre substantivos e adjetivos e se há relação entre essa ordem e a equivalência da tradução quando comparado aos demais, apresenta excelentes indicadores sociais e educacionais, entre a língua portuguesa e o inglês, que é o idioma mais utilizado no meio acadêmico. resultantes da implantação de políticas socioeducacionais voltadas à correção de desigual- O referencial teórico aborda temas referentes à internacionalização da IES, a expansão da dades sociais e escolares. Partiu-se do pressuposto que a incidência nos quadros de fracasso produção científica brasileira e da língua portuguesa e os tradutores eletrônicos. Os dados escolar seria aproximado entre os estudantes de diferente raça/cor e sexo, uma vez que, no obtidos, decorrentes da análise da tradução, foram submetidos a uma pesquisa explorató- contexto considerado existem fatores voltados à promoção de formas diversas de igualda- ria e foram avaliadas as relações com o teste de qui-quadrado. Os resultados demonstraram de. Para tanto, a pesquisa considerou dados de 291 municípios, 1.116 escolas e 149.630 que houve associação entre o tipo de expressão, se é direta ou indireta, e a acuracidade questionários respondidos por alunos do 9º ano, participantes das edições 2007 e 2013 da da tradução. Cabe destacar que embora a tradução não seja totalmente acurada e a com- Prova Brasil. Com auxílio do software SPSS foram produzidos procedimentos estatísticos preensão plena esteja comprometida é possível entender o texto com algumas ressalvas. para sistematizar e ampliar a análise do banco de dados, visando identificar quem são os estudantes da referida série e quem está em situação de fracasso escolar. No plano teórico, a fundamentação das reflexões apresentadas derivou das concepções de autores do campo da Sociologia da Educação, um campo de expertise que nasceu a partir das contradições produzidas e reproduzidas no interior dos diferentes sistemas de ensino. No seu conjunto, as considerações produzidas sinalizam que, embora a incidência de estudantes em situação de fracasso escolar tenha diminuído os efeitos das políticas compensatórias ainda não foram suficientes para eliminar as desigualdades escolares segundo sexo e raça/cor. A INTERNACIONALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA E O USO DE TRADUTORES ELETRÔNICOS: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA A POLÍTICA PÚBLICA DE MOBILIDADE “DOUTORADO SANDUÍCHE” EM QUESTÃO: QUALIDADE, DEMOCRATIZAÇÃO E AS RELAÇÕES COM A INTERNACIONALIZAÇÃO Mari Margarete dos Santos Forster, UNISINOS | Eli Terezinha Henn Fabris, UNISINOS | Ruan Carlos Sansone, UNISINOS A internacionalização tem sido apresentada, não sem controvérsias, como possibilitadora de qualificação do ensino e da investigação no ensino superior. O presente texto tem como objetivo compreender as possíveis contribuições da experiência de doutorado sanduíche para essa qualificação, indo além das aprendizagens individuais. O estudo insere-se em um Margarete Belli, UNIVALI projeto investigativo maior, intitulado “qualidade da educação superior e a tensão entre de- A expansão da produção científica brasileira em nível global teve um aumento significati- Maria Isabel da Cunha e integrando uma rede de Cooperação Internacional. A pesquisa vo nos últimos anos. Ocupando ranking mundial, no âmbito da pesquisa científica, a 13ª teve um caráter exploratório e baseou-se em entrevistas, realizadas por correio eletrônico, posição de acordo com divulgação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de com doutorandos de uma Universidade Comunitária, de três Cursos (Comunicação, Direito Nível Superior(Capes, 2014). Fato esse diretamente relacionado à internacionalização dos e Educação) e seus respectivos orientadores. As dimensões analisadas foram: Motivações programas de pós-graduação nas Institucionais de Ensino Superior(IES). De acordo com para realização doutorado sanduíche; Apoio institucional (local); Primeiras impressões/aco- Leask (2015/2009) a internacionalização do currículo“envolverá os estudantes com pesqui- lhida exterior; Permanência: aspectos mais valorizados, aprendizagens e desafios; Relação sa internacionalmente informada e diversidade linguística e cultural” (grifo da autora), pro- Ensino/Pesquisa Brasil e exterior; Compartilhamento de aprendizagens; compreensão/con- movendo a formação de cidadãos aptos para viver a globalidade. Considerando a impos- tribuições da Internacionalização. Este recorte analítico baseou-se em obras de autores dos sibilidade de leitura em língua portuguesa, cuja expansão é favorecida pelos movimentos estudos comparados e dos estudos sobre internacionalização, tais como: BEECH(2012); de internacionalização,um recurso é a utilização de tradutores eletrônicos para promover a AZEVEDO, CATANI (2012); COWEN(2012), bem como, SENNETT (2014) que nos auxilia compreensão dessa produção cientifica. Assim, a pergunta norteadora do estudo refere-se a pensar sobre qualidade. Os resultados preliminares apontam que há uma representa- à qualidade da tradução oferecida pelo tradutor eletrônico do Google, no que tange a sua ção extremamente positiva da internacionalização, expressa pela experiência do doutorado equivalência em relação à língua original e a língua alvo do texto em análise. No intuito de sanduíche, muito embora suas repercussões sobre a qualidade dos cursos e da instituição 26 27 mocratização e internacionalização na universidade brasileira”, coordenado pela profa. Dra. como um todo sejam restritas. O tensionamento entre internacionalização/democratização o CsF demandou destas eficácia na reestruturação em termos de organização das equipes dessa política pública fica evidente no discurso crítico de alguns interlocutores. A temática e processos, assim como de alinhamento interno, indicando avanços no alinhamento das da qualidade da universidade brasileira, atravessada por processos de internacionalização/ áreas de Relações Internacionais e as coordenações de cursos. Para a internacionalização democratização, precisa ainda ser mais amplamente estudada, com pesquisa, discussão e da educação significou um marco para que o processo seja praticado de forma mais ampla. debate a nível institucional e nacional, para que se priorize uma concepção de qualidade As instituições parceiras no exterior, além de ganhos financeiros referentes aos recursos e de democratização em relação aos processos de mobilização dos estudantes da pós-gra- disponibilizados pelo governo brasileiro, tiveram a oportunidade de convívio com os alunos, duação, que os desafiem a assumir uma concepção de internacionalização mais solidária representantes da cultura brasileira, o que pode gerar convênios, podendo chegar à dupla do que mercantilista, alimentada por uma qualidade que se distancia do produtivismo, sem diplomação. Para a nação brasileira, trata-se de uma oportunidade inusitada para a classe deixar de ser eficiente e produtiva. média, que dificilmente tem condições financeiras de custear estudos de 12 a 18 meses no exterior, com dedicação exclusiva para os estudos. Os jovens universitários retornaram CIÊNCIA COM FRONTEIRAS: A MOBILIDADE ACADÊMICA E SEUS IMPACTOS Maria Claúdia Fogaça Bido, UNISINOS com uma visão de mundo completamente diferente da que tinham antes da vivência internacional, com exemplos de superação pessoal e competências globais adquiridas. Por tratar-se de uma política pública nova, levanta questionamento sobre sua continuidade e potencialização para a sociedade brasileira, para que não se restrinja a ganhos individuais. O Programa Ciência sem Fronteiras (CsF), criado em dezembro de 2011, pelo governo brasileiro, representa um marco na mobilidade acadêmica no Brasil, pois até então o foco da distribuição de bolsas de estudo era em pós-graduação. A meta de enviar mais de cem mil alunos, essencialmente de graduação, com bolsa de estudos integral, em quatro anos, foi atingida. Os estudantes de 18 áreas estratégicas estudaram em 22 países, onde, além de terem acesso à vida acadêmica, puderam ampliar seus horizontes no âmbito pessoal e INTERNACIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E MOBILIDADE ESTUDANTIL EM QUESTÃO Cauê Rodrigues, UNISINOS | Maria Isabel da Cunha, UNISINOS | Vera Lucia Reis da Silva, UFAM/ UNISINOS | Maria Cláudia Fogaça Bido, UNISINOS cultural. O Ciência sem Fronteiras, entretanto, envolveu muitos atores na primeira etapa A tensão entre internacionalização e democratização como referentes da qualidade da de realização, que necessitaram de alinhamento para que as ações acontecessem. Cente- educação superior no Brasil vem estimulando estudos e pesquisas, incluindo o Projeto que nas de universidades brasileiras e estrangeiras atuaram na operacionalização do Programa, desenvolvemos, de forma interinstitucional, com diferentes IES do sul do país. Distintos assim como as agências de fomento CAPES e CNPq, entre outros. Diante de um projeto enfoques, ações e programas institucionais e estatais são tomados como objeto de es- de tamanha dimensão, os êxitos e percalços se multiplicaram. Este estudo trata-se de uma tudo, incluindo iniciativas que envolvam os dois focos em questão: internacionalização e pesquisa qualitativa, que buscou analisar os principais documentos relativos ao Programa democratização. Um dos recortes do estudo analisa o Programa Ciências Sem Fronteiras e os relatos de 58 ex-bolsistas, que viajaram de 2012 a 2014, e coordenadores das áreas que alavancou o processo de mobilidade estudantil, dando oportunidades especialmente de mobilidade acadêmica de seis instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul. Os para alunos de graduação. Nosso interesse está em compreender se o Programa vem tendo resultados evidenciam ganhos individuais significativos, ou seja, para os sujeitos do pro- impactos na formação dos estudantes e as perspectivas de desdobramento na qualidade cesso, que são os estudantes que tiveram a vivência internacional. Para muitos, participar da educação superior das universidades brasileiras. Para tal ouvimos os estudantes de duas do Programa Ciência sem Fronteiras significa mudanças pessoais e profissionais, que os Instituições que vivenciaram essa experiência em países estrangeiros. Foi aplicado um ques- colocará em níveis de elevada competência global, com perspectivas de continuidade dos tionário aberto on line especialmente construído e testado no contexto do estudo e inter- estudos em nível de pós-graduação e abertura de possibilidades imediatas no mercado de pretados os resultados, à luz de contribuições teóricas especialmente de Morosini (2006), trabalho no Brasil e no exterior. Uma minoria, por diversos motivos, não teve os mesmos Sousa Santos (1997, 2004) e Spears (2014). Para aprofundamento das questões foram resultados, chegando a casos de problemas de saúde como depressão. Outros, não soube- entrevistados alguns estudantes que aprofundaram temáticas sugeridas nos questionários. ram fazer valer a oportunidade de aprendizagem e praticaram o chamado “Turismo sem Os dados foram analisados segundo os princípios da Análise de Conteúdo e organizados Fronteiras”. Para as instituições de ensino superior, os ganhos parecem ser relevantes, pois em categorias que favorecem a compreensão do vivido pelos estudantes e os possíveis 28 29 impactos nas experiências curriculares que marcam a sua formação. Entre elas, as principais as dificuldades enfrentadas pelos estudantes/docentes da ES angolana na sua prática; ana- são: a motivação para a realização do estágio; a condição de estudante no exterior; as lisar as alternativas encontradas pelos professores, para superar suas dificuldades; e ainda metodologias de ensino que vivenciaram; a relação professor-aluno nas IES em que estive- identificar possíveis mudanças nas concepções dos estudantes/professores a partir do Se- ram; o currículo dos cursos onde se integraram; as condições de estudo nas universidades minário. Foram realizados questionários com 68 estudantes e entrevistas para melhor com- estrangeiras; as principais aprendizagens (sócias, emocionais, culturais e cognitivas) bem preender a realidade com 12 estudantes/professores. Foram entrevistados ainda os docen- como os desafios e perspectivas apresentados pelo Programa. Os dados estão em fase de tes da América Latina que foram ministrar as aulas. As análises nos permitiram saber sobre interpretação, mas já é possível inferir que as IES brasileiras ainda estão se estruturando as transformações nas concepções dos estudantes/professores como: o aprofundamento para potencializar o Programa, com raras ações de aproveitamento coletivo das experiên- teórico que permitiu inovar em sala de aula, entendendo alguns conceitos e pré-conceitos; cias em suas práticas e concepções. Por outro lado, individualmente a experiência tem sido aceitar as tecnologias de informação e comunicação como ferramentas importantes na muito valorizada pelos estudantes, que apontam ganhos em relação ao seu desenvolvimen- aprendizagem; rever a atuação, buscando leituras importantes e propor a pesquisa em sala to pessoal e cognitivo. O domínio da língua estrangeira se apresenta como um aspecto de aula. Hoje sentem-se professores-pesquisadores e comentam sobre o impacto positivo definidor do aproveitamento, tanto desafiando os estudantes à proficiência, como dando do Mestrado, melhorando seu desempenho como professores, sua relação professor-aluno, oportunidade de ampliação do domínio inicial. a inovação nas metodologias de sala de aula; a satisfação com a profissão, pois sentem que pertencem a um meio profissional e acadêmico. Reconhecem hoje a importância da INTERNACIONALIZAÇÃO: O DESAFIO DE PROFESSORES FORMADORES DO MESTRADO EM EDUCAÇÃO EM ANGOLA Marialva Moog Pinto, UNISINOS/UNICAMP | Maria Aparecida Marques da Rocha, UNISINOS/ UNICAMP O estudo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa que está sendo desenvolvida a partir da elaboração de um Curso de Mestrado em Angola, por uma professora brasileira e ministrado presencialmente no espaço africano, por docentes convidados da América Didática para as suas práticas e os docentes (bons professores) como referências profissional e pessoal. Estes são alguns dos resultados da pesquisa que tem muito a contribuir no processo de internacionalização. INTERNACIONALIZAÇÃO: POSSIBILIDADES E LIMITES DOS ESTUDANTES ANGOLANOS EM UMA UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE DO SUL Marialva Moog Pinto, UNISINOS/UNICAMP Latina. A atual pesquisa está sendo realizada no Curso de Pós-doutorado na UNICAMP O presente estudo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa que está sendo desen- e denomina-se Pedagogia Universitária e o Curso de Mestrado em Educação no Instituto volvida no Grupo de Pesquisa Formação de Professores, Ensino e Avaliação, coordenado Politécnico Vida – Angola, com o objetivo de compreender o processo de formação para pela Profª Drª Maria Isabel da Cunha, sediado no Programa de Pós-Graduação de Educação a docência na educação superior respeitando a cultura local. A internacionalização a par- da UNISINOS e registrado no CNPq, com larga trajetória de pesquisas conjuntas, através de tir da presença de docentes brasileiros, uruguaios, bolivianos, venezuelanos no Curso de docentes pesquisadores que atuam em Programas de Pós-Graduação e orientam mestran- Mestrado em uma instituição angolana, com 98 estudantes/docentes graduados do ensino dos e doutorandos. A atual pesquisa denomina-se Democratização e internacionalização superior nas universidades de Angola é um desafio. As questões investigadas se referem como desafio: a qualidade da educação superior no Brasil e tem como objetivo compreen- aos impactos ocorridos nas práticas destes professores/estudantes a partir da sua formação der o processo de internacionalização a partir da presença de estudantes angolanos nos no Curso de Mestrado. O estudo tem como problema de pesquisa saber que disposição cursos de graduação em uma universidade do sul do Brasil. Esta parte do estudo, apresen- têm os mestrandos para a aplicação das novas fundamentações sobre pedagogia univer- tam questões investigadas por um dos sub-grupos e se refere aos motivos dos estudan- sitária trabalhadas no Seminário de Didática para a Docência no Ensino Superior? Como tes virem fazer sua formação nesta IES; os desafios enfrentados no âmbito acadêmico e objetivos quer compreender se possível, quais as concepções dos estudantes/docentes so- pessoal; a importância da experiência de internacionalização na formação; expectativas ao bre uma educação superior de qualidade; identificar as aprendizagens ocorridas a partir das voltarem ao país de origem. A pesquisa de abordagem qualitativa teve como instrumento reflexões no Seminário de Didática para a docência da Educação Superior; entender quais de coleta de dados o questionário, respondidos por 40 estudantes e a entrevista realizada 30 31 com três professores destes estudantes. Para complementar o entendimento da realidade, como língua cultura, a oferta de cursos de PLE para estudantes estrangeiros em contexto foi realizado Grupo Focal com 12 estudantes. O estudo nos permite algumas conclusões de imersão e não-imersão, a defesa de dissertações e publicação de artigos na área. Ainda, como: motivação de estudar no Brasil, a qualidade de ensino, a ampliação cultural; a com o aumento da demanda de atividades relacionadas ao PLE, foi criada a Coordenação valorização do diploma estrangeiro no país de origem; a expectativa de aplicação dos co- de Ações e Políticas Linguísticas, ligada à Secretaria de Relações Internacionais. Nesta co- nhecimentos adquiridos com a experiência de formação no Brasil para a reconstrução e municação, temos como objetivo apresentar detalhadamente esses programas e ações, desenvolvimento de Angola. Os estudantes foram muito bem recebidos institucionalmente, compartilhando e discutindo avanços e desafios relacionados ao Português como Língua relatam sobre a competência de alguns professores brasileiros, salientando a boa relação Estrangeira, destacando seu impacto no processo de internacionalização da instituição. professor-aluno, o que não ocorre em Angola, pelo distanciamento dos professores. Os colegas brasileiros sentem curiosidade sobre os angolanos, porém não os integram em fala dos brasileiros. Dizem que é visível e sentido o racismo dos brasileiros em relação a os A EDUCAÇÃO SUPERIOR E A PERSPECTIVA DOS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO NO BRASIL angolanos, tanto no âmbito acadêmico como pessoal, o que os retrai do convívio, fazendo Patrícia Duarte Peixoto Morella, UNIVALI seus grupos. Embora sua língua se já o Português, sentem dificuldades para entender a com que se fechem entre eles. Estes são alguns dos resultados da pesquisa que tem muito a contribuir no processo de internacionalização. A internacionalização da educação superior trouxe muitos benefícios, mas também trouxe alguns desafios para as instituições, uma vez que as colocou em um cenário de maior competitividade. Passou-se a exigir maiores investimentos e se fortaleceram as redes de AÇÕES DE POLÍTICA LINGUÍSTICA NO CEFET-MG: O PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS EM FOCO Natália Moreira Tosatti, CEFET-MG | Maria Inês Gariglio, CEFET-MG | Jeronimo Coura-Sobrinho, CEFET-MG relacionamento, para que a pesquisa e a inovação possam acontecer e resultar em tecnologia e desenvolvimento, tanto para as próprias instituições, como para o país e para o mundo corporativo. Percebeu-se que a educação superior evoluiu para “além muros”, como deve ser o ensino, a pesquisa e a extensão, transmitindo o saber, na maior missão da universidade. É esta uma das facetas da internacionalização; permitir este intercâmbio O processo de internacionalização por que passam as Universidades Brasileiras criou a ne- que pode se dar em três dimensões: na mobilidade docente, mobilidade discente e na cessária discussão a respeito do papel dos idiomas e, claro, do Português como Língua internacionalização do currículo, podendo repercutir na imagem da universidade, no Brasil Estrangeira (PLE), dentro desse processo. Recebendo em nossas instituições número cres- e no mundo. Essa imagem hoje, ou seja, a reputação da universidade tem sido medida ou cente de alunos, professores e pesquisadores de outros países, a língua portuguesa passou avaliada pelos rankings internacionais – e também, no caso do Brasil, pelo Ranking Univer- também a ser meio de instrução e comunicação para essas pessoas que, no ambiente sitário Folha (RUF) – por meio de indicadores que classificam as universidades, com ampla acadêmico, frequentam aulas e convivem com colegas e, fora dele, estão imersos na lín- divulgação deste resultado, seguindo critérios e pontuações definidas. A avaliação por meio gua-cultura brasileira, durante o período em que estão no Brasil. Ciente dessa demanda de rankings é internacionalmente utilizada e vem apresentando, por meio de indicadores, o e defendendo a função do português no processo de internacionalização, a Secretaria de desempenho de universidades frente a um mercado competitivo que passou a ser o cenário Relações Internacionais do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG) abraçou em que estas instituições agora atuam. Estes rankings, em especial o RUF, são tema deste programas e incentivou ações que têm como foco o ensino, a formação e a pesquisa em artigo, que tem por objetivo apresentar os indicadores e os resultados do RUF, nas edições PLE. Para realização dessas ações e implementação dos programas, foi criada, dentro de 2012, 2013, 2014 e 2015, das dez primeiras colocadas. A pesquisa se deu pelo método um grupo de pesquisa já consolidado na instituição e reconhecido pelo CNPq, a linha de qualitativo, por meio de pesquisa bibliográfica e fins exploratórios. Como resultados, perce- pesquisa ”Português Língua Estrangeira: ensino, aprendizagem e avaliação”. Os partici- be-se que, aprovando ou não a existência dos rankings, ou a forma como eles acontecem pantes são alunos de graduação, mestrado, doutorado, doutores, mestres e pesquisadores ou seus indicadores, vale ressaltar que eles podem servir como um aprendizado para as que se reúnem para discussões teóricas e práticas que envolvem ensino e formação de PLE. universidades de pontos a melhorar, pois toda avaliação pode e deve trazer melhorias e Como resultados desses encontros do grupo de pesquisa elencamos a elaboração de curso ganhos. Com esta pesquisa, pretende-se contribuir para o estudo da internacionalização de formação para de professores de PLE, que partilham da visão da língua portuguesa das universidades e dos indicadores de classificação, pois se torna importante medir para 32 33 avaliar e, talvez seja esta, uma contribuição dos rankings, conforme começa a ser discutido na literatura da área. O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO E A RELAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADES E EMPRESAS: O CASO DOS PROGRAMAS DE DOUTORADO UFSC (CAPES 7) Patrícia Duarte Peixoto Morella, UFSC A internacionalização é o tema deste artigo, que tem por objetivo geral evidenciar a relação que se estabelece entre universidades e empresas, no contexto da globalização. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em seus programas de Doutorado (CAPES 7) – Engenharia Mecânica, Química e Farmacologia – vem abordando esta relação, citando algumas parcerias e retratando os benefícios e desafios desta interação, por suas práticas de internacionalização. Para este artigo, que é fruto de tese de doutorado em andamento, coletou-se informações dos sites, das fichas de análise CAPES e da plataforma Sucupira, de cada um dos programas. A partir da coleta destes dados e de análise de conteúdo, identificou-se que a UFSC, por meio de seus programas, vem mantendo relação de cooperação com diversas empresas, podendo-se citar a Empresa Brasileira de Compressores (EMBRACO), a Natura, o Laboratório Catarinense e outras empresas que têm buscado, por meio de pesquisa e desenvolvimento, inovação em suas áreas, o que tem trazido melhores condições de trabalho e competitividade, tanto para o mercado nacional, quanto internacional. A pesquisa e a inovação é uma via de mão dupla, onde ambas as instituições – universidade e empresa – têm muito a ganhar, mas que o acadêmico que faz parte desta experiência, com certeza, é o maior beneficiado, por conta das habilidades e competências desenvolvidas no Curso, fundamentais para atender a um mercado de trabalho competitivo que exige competência linguística, intercultural, globalizada, o que acaba promovendo, na Universidade, a internacionalização do currículo, para aumento da empregabilidade de um aluno que precisa se inserir em um ambiente internacional, de uma empresa transnacional. O artigo tem como objetivo, então, apresentar, especificamente, a relação da UFSC com as empresas parceiras, por meio de uma pesquisa qualitativa, a partir de um estudo bibliográfico e documental, com fins descritivos. Entende-se, por fim, que desta relação há muito do que se absorver e que, para a internacionalização, os investimentos em pesquisa e inovação são fundamentais para o desenvolvimento das universidades, das empresas, do País. CONSIDERAÇÕES SOBRE PRÁTICAS DIDÁTICOPEDAGÓGICAS SOB A PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTERCULTURAL Rodrigo Schaefer, UFSC | José Marcelo Freitas de Luna, UNIVALI | Paulo Roberto Sehnem, UNIVALI Dois intensos e crescentes processos têm justificado a necessidade de pesquisas e estudos voltados à educação intercultural. Trata-se da mobilidade acadêmica internacional e do fluxo migratório de famílias com filhos em idade escolar. Ao abrigo de convênios, vêm sendo desenvolvidos programas de mobilidade estudantil (PME), através dos quais estudantes têm a experiência de se expor a universidades e à cultura em geral de outros países. Desde 2011, soma-se aos PME, no Brasil, o Programa Ciência sem Fronteira – CsF. O presente artigo discute possibilidades de uma boa prática de avaliação da Competência Comunicativa Intercultural (CCI) de estudantes incluindo-se recomendações de práticas didático-pedagógicas para uma sala de aula multicultural, especialmente focada no ensino de língua estrangeira. Destacadamente, o que queremos expressar é que a escola pode visar a uma formação sistemática de forma a desenvolver, quer nos grupos majoritários, quer nos minoritários, atitudes, comportamentos e competências de compreensão de outras culturas e maior interação comunicativa e social. Dado que uma sala de aula multicultural exige uma didática abrangente dos conhecimentos relacionados à educação intercultural, evidencia-se que a transposição didático-pedagógica das dimensões Descoberta de Conhecimento, Empatia, Respeito ao Outro, Tolerância à Ambiguidade, Flexibilidade Comportamental e Consciência Comunicativa é viável como apresentação e prática de um conteúdo programático. Outra contribuição dada é a de que a avaliação de CCI é igualmente exequível. Tendo demonstrado a nossa concepção de sala de aula como uma situação em que colocamos em prática atividades interculturais através de novos contatos linguísticos, propomos no presente estudo atividades que podem ser elaboradas com base em materiais existentes, como livros, materiais autênticos, jornais, dinâmicas, e quaisquer outras possibilidades didáticas. Nossa escolha pretende exemplificar o que de fato ocorre com professores no seu cotidiano em que, a partir de materiais disponíveis, nível do aluno, idade e disponibilidade de recursos didáticos, fazem suas escolhas e as colocam em prática. Como recorte de ementa e para demonstrar como desenvolver uma unidade de ensino, bem como dar conta do objetivo de elaborar uma proposta intercultural no ensino de língua estrangeira, selecionamos atividades do livro didático de língua espanhola Español Sin Fronteras 2. Do mesmo modo, com base no livro didático supracitado, apresentamos uma proposta de prática intercultural por meio de uma unidade didática. Para tal empreitada, selecionamos um conteúdo do referido livro: a música ojalá que llueva café, de Juan Luis Guerra. Após ter estudado o conteúdo da música, propomos uma autoavaliação que pode ser respondida pelos alunos a respeito 34 35 das atividades previamente realizadas. Por último, apresentamos uma situação intercultural que pode ser desenvolvida por meio de uma dramatização. Ratificando, a construção de uma prática pedalinguística caracteriza-se como concluída com a organização e a descrição dos procedimentos didáticos que podem ser efetivamente adotados em uma sala de aula, foco do presente estudo. A PERCEPÇÃO DO AMBIENTE E CAPACIDADE DE INOVAÇÃO NA INTERNACIONALIZAÇÃO DE CURRÍCULOS Miguel Angel Verdinelli, UNIVALI | Suzete Antonieta Lizote, UNIVALI | Cláudia S. Ribeiro Alves, UNIVALI | Djeison Siedschlag, UNIVALI Este estudo teve como objetivo analisar que relações existem entre a percepção do ambien- ENGLISH AS A MEDIUM OF INSTRUCTION- AND THE ENGLISH TEACHER? Rodrigo Avella Ramirez, FATEC/MACKENZIE This Project is based on a study case which aims to communicate the implemen- tation of an EMI ( English as a Medium of Instruction) project in a Brazilian Technology University- the first of its kind within a fifty- thousand students institution,. In October 2014, as an attempt of making the institution more international, an elective discipline on the subject of Marketing-Branding was offered to a group of college students, from Fatec Zona Sul- São Paulo, who had been previously interviewed and fulfilled the linguistic pre-requisites for attending a course entirely delivered in English. The presentation starts with a brief description of the University , the educational scenario and the students profile . Then, I go on to explaining the rationale of the course designing process, the material development and the expected outcome at the end of the course, which included the assessment of all involved in the piloting of this course, that is, professor, students and coordination staff. Afterwards, the talk focus on the teacher profile, the requirements for leading such a course and on his narrative of experience. Due to the public attending the conference, the teacher´s role ought to receive special attention and analysis in light of EMI theoretical framework. In this part of the talk I intend to expand on the following questions: Who´s the professor involved? Not being a language teacher, how does the professor cope with language issues that may come up during the lessons? What level and variety of linguistic production is expected from the students? What kind of support needs to be offered to the professor? What´s the place reserved for the English teacher in EMI? The following part of the presentation consists of an analysis of the outcomes of the project based on the professor´s narrative and collected feedback from the participants along with their final grading in this pilot course. The rounding off of the talk is a reflection on what is there for the EFL teacher in terms of career opportunities as EMI is concerned in the tertiary segment of the educational system. te pelos coordenadores de cursos e membros da administração superior com a capacidade de inovação, em seus componentes de inovação gerencial, de serviços e de processos, visando a internacionalização de currículos. As instituições de ensino superior (IES), como as demais organizações que existem num país, têm sido influenciadas pelas transformações decorrentes da globalização dos mercados, em especial depois do ingresso dos serviços educacionais na esfera da Organização Mundial do Comércio. A partir do momento em que a educação deixou de ser um bem público e começou a estar sujeita às leis do mercado as IES passaram a serem mais afetadas pelo ambiente externo. Nesse contexto, um dos desafios para a gestão das IES no século XXI emerge da sinergia do ambiente em suas dimensões e de sua influência na capacidade de inovação para a internacionalização de currículos. No trabalho foram consideradas três dimensões do ambiente: complexidade, dinamismo, e munificência. A complexidade ambiental faz parte da incerteza ambiental (Duncan, 1972) sendo considerado um dos seus componentes junto com o dinamismo. Um ambiente complexo envolve diversos relacionamentos interativos para a tomada de decisão e exige um elevado grau de abstração para produzir planejamentos gerenciáveis. Perante o dinamismo ambiental a demanda dos clientes, as mudanças tecnológicas e práticas de negócios exigem que as organizações modifiquem continuamente seus produtos e serviços a fim de se manterem competitivas. Pode-se considerar o dinamismo como a dimensão mais relevante do ambiente, devido à variabilidade e imprevisibilidade dos elementos que impactam diretamente nas organizações, exigindo sua flexibilização (Thompson, 1967; Dess & Beard, 1984; Miller, 1992). A escassez ou abundância de recursos constitui, segundo Dess e Beard (1984), a munificência ambiental. E na sua avaliação devem-se considerar o desenvolvimento ou declínio do mercado, bem como as ameaças e oportunidades e a disponibilidade de recursos (Castrogiovanni, 1991). Para esta pesquisa fez-se uma survey com questionário, enviado por e-mail a 62 coordenadores de cursos de graduação e aplicado in loco a 15 membros da administração superior de uma universidade comunitária que no plano de desenvolvimento institucional tem prevista a internacionalização de currículos. Os dados foram processados com técnicas estatísticas uni e multivariadas. Inicialmente verificou-se que não existiam diferenças entre as percepções dos coordenadores ou membros da administração central. A seguir, se identificou que a inovação de processos foi a que teve as correlações mais significativas, associando-se de modo positivo com a complexidade ambiental e alguns aspectos da munificência. A inovação gerencial só se correlaciona a 10% de significância com a 36 37 complexidade e o dinamismo ambiental, e a inovação de serviços se vincula com a mesma significância com aspectos da complexidade. Esses resultados indicam que a instituição deve promover ações no sentido de melhorar a compreensão da importância do ambiente e sua relação com a inovação no intuito de internacionalizar os currículos. A FORMAÇÃO IDENTITÁRIA DOS ACADÊMICOS DO PROJETO PIBID/INGLÊS DA UNESPAR/UV Valéria de Fátima Carvalho Vaz Boni, UNESPAR/UV Propomos conduzir os licenciandos bolsistas do Subprojeto PIBID Letras/Inglês a uma prá- WEB SITES INSTITUCIONAIS COMO FACILITADORES NO PROCESSO DE AJUSTAMENTO INTERCULTURAL DE ESTUDANTES INTERNACIONAIS Thiago Luiz de Oliveira Cabral, UFSC | Luciane Stallivieri, UFSC O processo de globalização, intensificado após a Guerra Fria, apresentou às organizações uma nova realidade no que tange à competição e à cooperação, especialmente no cenário educacional. As Instituições de Ensino Superior - IES precisaram se organizar para responderem aos efeitos da globalização, mediante a sua internacionalização. Dentre as tendências da internacionalização, a mobilidade acadêmica está entre as mais evidentes e, no atual cenário competitivo, para que as IES alcancem seus objetivos de internacionalização, é preciso que estas atraiam, acolham e mantenham estudantes internacionais, auxiliando no seu processo de ajuste intercultural A Internet, por meio dos Web sites, pode ser uma importante ferramenta, fundamental nesse processo. O objetivo deste estudo foi verificar, por meio de um estudo de caso, se oWeb site do setor responsável pela coordenação da mobilidade acadêmica, ou seja, o setor de relações internacionais de uma universidade federal pública brasileira, fornece orientações básicas ao estudante internacional, a fim de auxiliar na realização da mobilidade acadêmica. Para tanto, analisou-se o sítio eletrônico do referido setor, com a intenção de identificar as informações e as orientações fornecidas aos estudantes internacionais e indicar melhorias para facilitar a chegada, a permanência na instituição e o retorno do estudante ao país de origem. Ao final do estudo, concluiu-se que o Web site do setor de relações internacionais da Universidade estudada fornece orientações básicas ao estudante internacional que facilitam o seu acesso e permanência na Instituição. Entretanto, as informações são restritas ao campus sede da Universidade, sem considerar as demais unidades que também recebem estudantes internacionais; não há adequação total do sítio eletrônico a outros idiomas e a gama de informações está fo- tica reflexiva, através do planejamento e da oferta de oficinas de leitura e produção textual vinculada a um dos aspectos teóricos mais discutidos na última década: “Os Gêneros Textuais como Prática de Linguagem”, com o objetivo de fomentar o debate acerca dos aspectos Teóricos & Práticos envolvidos na construção identitária de profissionais de línguas estrangeiras e seus desdobramentos na contemporaneidade. Dentro dessa perspectiva, pautamo-nos nos ensinamentos da análise crítica do discurso, onde as práticas sociais tem como base o discurso. Segundo Fairclough (2001), o discurso é uma forma de prática social por meio da linguagem e não apenas como uma atividade subjetiva ou reflexo de situações variadas. Ademais, buscamos inserir o aprendiz no contexto instrucional, por meio de estudos de textos autênticos, e do desenvolvimento de atividades práticas-pedagógicas problema-solução, possibilitando tanto sua atuação social, quanto o seu aprendizado em língua inglesa, assim, depreendemos nesta linha de pensamento crítico que o aprendizado é socialmente constitutivo. O desafio de tal tarefa está em criar situações que permitam aos alunos apropriar-se dos gêneros propostos, reconhecendo-os como tal, e praticando sua produção. Objetivamos, além disso, estudar e aplicar as contribuições do Interacionismo Sócio-Discursivo (BAKHTIN, 2003) nas transposições didáticas de gêneros textuais em língua inglesa, através de sequências didáticas, como propostas por Schneuwly e Dolz (2004). Busca-se o desenvolvimento dos pressupostos do letramento crítico questionando-se suas implicações pedagógicas, disponibilizando-se insumos para elaboração de materiais didáticos inovadores a fim de otimizar o ensino de língua inglesa dentro do contexto educacional público. Por fim, consideramos o aluno/professor como parte integrante do processo da aprendizagem, a fim de valorizar o seu conhecimento de mundo e, agregar a este uma aproximação entre o conhecimento científico e o ambiente instrucional, sempre visando à transposição da prática pedagógica, de acordo com as demandas globais. Posto assim, os resultados do nosso projeto podem ser visualizados no blog: http://www.pibidinblog.com. cada nos aspectos acadêmicos, logísticos, linguísticos e administrativos, sem considerar o LIBRAS: POLÍTICA E IDENTIDADE SURDA mais importante deles, que está relacionado com a adaptação intercultural. As informações Valkiria de Novai Santiago, UNIVALI/UNESPAR poderiam estar centralizadas em um único documento, mais detalhado, facilitando a busca e o acesso por parte dos interessados. Mesmo sabendo que a educação se configura como um direito de todos e dos progressos no campo das políticas públicas, percebe-se que muitas pessoas, nos dias atuais, ainda vivem à margem da educação formal por não corresponderem aos padrões de normali- 38 39 dade, exigidos pela sociedade, sendo, dessa forma, excluídos e segregados. Neste cenário Os objetivos específicos definem-se pela busca de pontuar contribuições de teorias intera- de exclusão encontram–se os surdos que, historicamente, foram vistos como “coitados” cionistas por Lev Vygotsky e seus pareamentos com a Linguística Cognitiva no desenvolvi- e incapazes de participar do mundo dos ouvintes por não falarem, nem ouvir. Diante des- mento linguístico de crianças surdas; além de identificar pontos de interesse da Linguística sa realidade, o trabalho, ora proposto, intenta apresentar os resultados parciais de uma Cognitiva nos estudos voltados para a contribuição das narrativas infantis no desenvolvi- pesquisa que tem como escopo compreender o conceito de identidade surda no cená- mento destas crianças; finalizando com o objetivo de propor uma perspectiva com base rio educacional, também identificar o conceito de política pública enquanto garantia dos na Linguística Cognitiva para a formação de TILS que atendem crianças surdas. O caminho direitos sociais, a fim de perceber a Língua Brasileira de Sinais- Libras, como política de metodológico é de natureza qualitativa. O arcabouço teórico serve como sustentação dos asseguramento de inclusão e de cidadania dos surdos, bem como verificar se a Libras se argumentos de análise de vídeos de 5 contos infantis, produzidos por 6 aspirantes a tra- efetiva como política de formação e de fortalecimento da identidade surda no universo dos dutores intérpretes de Libras e, posteriormente por um ator/narrador surdo, cuja atuação ouvintes. Para isso, foi realizado um amplo levantamento bibliográfico, baseado em alguns está sendo comparada aos ouvintes para identificar as escolhas semântico-sintáticas destes autores que discutem essa temática, a saber, Skilair ( 2005), Dorziat ( 2009), Lacerda (2012), narradores. Dois professores de Libras surdos também ajudaram na análise dos vídeos dos Mainieiri ( 2011), a Lei Federal 10.436, de 24 de abril de 2002, e o decreto lei 5.626, de aspirantes a TILS com o objetivo de identificar posturas e escolhas semântico-sintáticas que 22 de dezembro de 2005, entre outros. Para compreender o questionamento de pesqui- possam produzir sentidos e atrair a atenção de crianças surdas com cultura visual, provo- sa e alcançar os objetivos apresentados, optou-se por uma pesquisa bibliográfica. Cabe cando seu imaginário infantil. Dos dados, analisados parcialmente, emergem a constatação ressaltar que a Libras, língua natural dos surdos brasileiros, é muito importante para for- da emergência de um trabalho mais focado nas construções imagéticas e corpóreas, nas mação cidadã das pessoas surdas, pois, por sua modalidade viso-espacial revela o mundo redes conceituais que se relacionam pelo sentido e não pela composição gramatical, postu- para os surdos de forma concreta e real porém, essa característica não os torna inferiores lado defendido pela Linguística Cognitiva. ou superiores aos ouvintes, mas diferentes linguística, identitária e culturalmente. Desse modo, faz-se premente uma ressignificação na educação dos surdos, principalmente, no mesma possibilita o diálogo entre iguais e revela a forma de compreender e apreender o CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS E SUA IMPLICAÇÃO NO ENSINO DE LÍNGUAS NO INSTITUTO FEDERAL DO MARANHÃO mundo de maneira concreta e autônoma, como também oportuniza essa minoria, os sur- Vilton Soares de Souza, IFMA/PUC-SP tocante a efetivação da Libras como política educacional, uma vez que está se constitui como ferramenta de fundamental importância para a educação das pessoas surdas, pois a dos, participar do universo ouvinte como um sujeito singular que tem identidade, cultura e língua próprias. Entretanto, vale destacar que os resultados são parciais, pois a pesquisa encontra-se em andamento. Apesar de uma constante oferta de disciplinas de línguas estrangeiras (LE) durante toda a educação básica, incluído os cursos de extensão, percebemos que os estudantes recém-chegados ao ensino superior não têm boa avaliação no teste de proficiência na língua(s) estrangeira(s) exigida para o intercâmbio internacional. Quais seriam as sugestões para A LINGUÍSTICA COGNITIVA E A FORMAÇÃO DE TILS: UMA PROPOSTA COM FOCO EM CONSTRUÇÕES CORPÓREAS NAS NARRATIVAS INFANTIS Veridiane Pinto Ribeiro, IFSC oferecer uma formação mais adequada aos programas de mobilidade acadêmica internacional, em especial o Programa Ciência sem Fronteiras? Sabemos que esta política nacional está inserida num contexto maior, de internacionalização da ciência, exigida pelo processo de globalização e de globalidade. Assim, nossa pesquisa tem como abrangência o Instituto Federal do Maranhão, IFMA, cujo modelo de educação é pautado na verticalidade e na Motivada pela expressiva demanda de vagas para TILS nas séries iniciais da Educação Básica transversalidade, e onde atuamos como professor de português e francês. Nosso objetivo é na cidade de Itajaí-SC, o presente estudo levantou a necessidade de formação comple- analisar as demandas de formação para a mobilidade acadêmica internacional, do ponto de mentar destes profissionais para atuar na especificidade de tradução e interpretação para vista dos estudantes, e levar em consideração estas vozes na oferta de futuras formações. crianças surdas. Para tanto, toma como objetivo geral identificar o impacto da perspectiva Procuramos conhecer os estudantes envolvidos no processo de mobilidade e suas expe- da Linguística Cognitiva na construção de sentidos no espaço visual de narrativas infantis. riências durante suas estadas no exterior. Através da análise dialógica dos seus discursos, 40 41 trouxemos as vozes dos alunos e esperamos colocá-las em diálogo com as demais vozes envolvidas num projeto de formação deste perfil. Aplicamos um questionário de 9 perguntas abertas com o Survey Monkey aos alunos no exterior, cujo link foi enviado através da Assessoria Internacional do IFMA. Obtivemos 108 respondentes, de diversas universidades do Brasil, entre 16 de maio e 11 de junho de 2015. Considerando o nosso interesse nos alunos do Instituto Federal do Maranhão, consideramos a nossa amostragem não probabilística formada por 47 sujeitos e as suas respostas para a geração dos dados. Estes 47 alunos estão em cursos diversos no exterior, em onze países, realizando estudos em inglês, francês, espanhol e italiano. No IFMA, eles cursam engenharias Civil, Mecânica e Elétrica, Sistemas de Informação, Ciência da Computação; Licenciaturas em Química, em Física; Tecnologia de Alimentos, dentre outros. Sendo o IFMA uma instituição multicampi, com mais de 23 campi espalhados por todo o estado do Maranhão, estes estudantes são oriundos de um campus da capital, São Luís - Monte Castelo, e três campi no continente: Imperatriz, Zé Doca e Santa Inês. Os resultados apontam que tanto as suas experiências positivas a exemplo destes recortes: “choque de cultura com pessoas do mundo inteiro”, “trabalhar como voluntária em um festival de música”, “quando um senhor nativo me ensinou como oferecer algo a alguém em coreano e, em outro momento, eu consegui agir socialmente oferecendo água para uma senhora [...]fiquei muito feliz nesse dia”; quanto às negativas, a exemplo de: “depressão com saudade de casa”; “inverno muito rigoroso”; estabelecer-se “por si só” em um país estrangeiro; cultura diferente da nossa; a convivência numa cultura onde as pessoas normalmente se esbarram na rua; assim, em resumo, estes e muitos outros pontos dos nossos dados traz à tona as relações língua-cultura, Eu-Outro, apontando a necessidade de se construir uma competência intercultural no ensino de línguas. 42 Apoio e projeto gráfico: