UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM GÊNERO E RAÇA/GPP-GeR Maria de Fátima Teixeira de Godoy Perim PRECONCEITO NA ESCOLA: bullying Coronel Fabriciano 2012 Maria de Fátima Teixeira de Godoy Perim Preconceito na escola: Bullying Monografia apresentada ao Programa de Pósgraduação em Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial à obtenção do grau de Especialista em Gestão de Políticas Públicas na área de Gênero e Raça. Orientadora: Sarug Dagir Ribeiro. Universidade Federal de Ouro Preto – MG Coronel Fabriciano 2012 Maria de Fátima Teixeira de Godoy Perim Preconceito na escola: Bullying Monografia apresentada ao Programa de Pósgraduação em Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial à obtenção do grau de Especialista em Gestão de Políticas Públicas na área de Gênero e Raça. Orientadora: Sarug Dagir Ribeiro. Universidade Federal de Ouro Preto – MG Banca Examinadora ____________________________________________ Prof. Dr. ____________________________________________ Prof.Dr. RESUMO Esta monografia propõe apresentar um estudo sobre a Escola Estadual Zacarias Roque, localizada no Bairro J.K. em Coronel Fabriciano. Questões relativas as atitudes violentas e de desrespeito entre os alunos será nosso foco, fenômeno que entendemos e conceituaremos como bullying.Buscamos com esse estudo apreender esta realidade social extra escolar e nos propomos a estudar também a atitude dos pais,sua permissividade, falta de limites na educação familiar e o seu distanciamento do ambiente escolar.O que acreditamos que este seja o motivo causador do aumento da agressividade por parte dos alunos. O aumento da violência dentro da escola é uma preocupação de toda a sociedade, verificada pelos meios de comunicação, principalmente no que se refere ao bullying. O empreendimento aqui será no esforço de realizar um levantamento em atas e documentos da escola, tais como: livro de ocorrência,ata de convocação de pais , lista de presença de pais nas reuniões e livros de atas do colegiado para verificarmos se existe essa correlação. O caráter transdisciplinar desse estudo alenta contribuições profícuas tanto às teorias de gênero como a sociologia da violência. PALAVRAS CHAVES:escola, violência, família SUMÁRIO 1- Resumo............................................................................................... 03 2- Palavras chaves ...................................................................................03 3- Sumário............................................................................................... 04 4- Introdução...........................................................................................05 5- Justificativa............................................................................................07 6- Cenário Geral........................................................................................10 7- A discriminação dentro da escola.........................................................12 8- Atos de violência ocorridos dentro da escola.......................................15 9- Consequências da violência ................................................................17 10- Contato frequente com a família..........................................................18 11- Realização de processos facilitadores.................................................19 12- Resultados .........................................................................................24 13- Intervenção .........................................................................................28 14- Conclusão.......................................................................................... 30 15- Referências Bibliográficas ..................................................................31 16- Anexos ................................................................................................33 INTRODUÇÃO Este trabalho procura abordar os principais aspectos referentes às condutas hostis, concedendo especial atenção à agressividade em contexto escolar,no que se refere a gênero e raça, tendo como basea Escola Estadual “Zacarias Roque”criada pelo Decreto de Nº 7428-A de 27 de fevereiro de 1964, assinado pelo governador de Estado Dr. José de Magalhães Pinto e publicado no Minas Gerais de 28 de fevereiro de 1964, Fl.01, col.01, situada atualmente na Rua José Fortunado de Assis, 398 no Bairro JK em Coronel Fabriciano. Hoje a escola possui um total de 30 turmas distribuídas em três turnos, matutino, vespertino e noturno, com espaço físico suficiente para atender a demanda escolar do Ensino Fundamental, incluindo duas turmas com o Tempo Integral, Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos.A grande maioria dos alunos pertencem à comunidade escolar e possuem um nível sócio-cultural satisfatório, mas sócio econômico baixo, onde se impõem reflexões sobre o rendimento escolar, o próprio sistema educativo e o papel da escola na sociedade. Um dos problemas sociais que tem se destacado na mídia é a violência escolar, também chamada de bullying. Embora ocorra em diferentes espaços e há muitos anos, somente agora parece ter despertado a atenção da população, que não tem mais a certeza de que seus filhos estarão seguros na escola. O que motivou a realização deste estudo foi o alto índice de crianças acometidas pela violência escolar, que pode trazer consequências para o desenvolvimento delas; esse tipo de ocorrência pode provocar danos não apenas às crianças e aos adolescentes, mas também prejudicar adultos que ainda experimentam aflições adquiridas em situações traumáticas no ambiente estudantil (Silva, 2010). Saber como avaliar as condutas hostis, discernindo o que é agressividade do que não é, impõe-se como um desafio atual. Só através da definição clara dos métodos de avaliação é que se torna possível incrementar a investigação científica, de forma a poderem realizar-se diagnósticos precisos 6 das áreas de intervenção prementes. Intervir é essencial e urgente, sendo vários os autores que apontam estratégias de mudança, no entanto o conhecimento incipiente deste fenômeno impede qualquer tipo de atuação, servindo apenas para a acumulação ineficaz de medidas (Costa & Vale, 1998). A ausência de limites, a permissividade excessiva dos pais, a falta de tolerância perante frustrações, violência física ou emocional, ausência de carinho são fatores que provocam comportamentos agressivos, porém é interessante observar também se o aluno não está passando por um momento de transformação em sua família, como separação dos pais, ganho ou perda de novos membros na família, seja por nascimento de irmão ou morte de alguém querido. (Lopes, 2005) Precisamos conhecer a realidade do aluno para entendê-lo, pois existem fatores que podem ser considerados na contribuição do aparecimento da violência nos alunos. Um desses fatores de extrema importância é a família, pois é através dela que desde criança os alunos recebem o testemunho de valores e referências. O comportamento que elas vivenciam no dia-a-dia familiar,as condições sócioeconômicas, o respeito ou a ausência dele, a ausência prolongada dos pais podendo estes se encontrar trabalhando na nossa sociedade ou em países estrangeiros, o afeto mútuo entre os membros da família podem desencadear um papel importante no comportamento social da criança, sendo o relacionamento familiar decisivo para a formação do indivíduo. Em virtude de tudo o que foi vivenciado e verificado na escola tornou-se necessário a formulação e execução deste trabalho visando restabelecer o ambiente de respeito dentro da EscolaEstadual“Zacarias Roque”. 7 JUSTIFICATIVA Vemos que as mudanças ocorridas na sociedade, com pais muito jovens e despreparados, que se afastam da educação dos filhos para se inserir no mercado de trabalho deixando para a escola o papel de educar é uma das causas do caos social que vivemos atualmente. Observamos que as gerações estão mudando seu comportamento, sendo a agressividade e falta de valores morais dos alunos uma realidade. Então buscando apreender esta realidade social extra escolar nos propomos a estudar neste trabalho se a atitude dos pais,sua permissividade, falta de limites na educação familiar e o seu distanciamento do ambiente escolar tem sido o motivo causador do aumento da agressividade por parte dos alunos. O fenômeno da violência escolar está na ordem do dia e preocupa sociedade civil, a nível global. 30% a 35% das crianças foram vítimas deste fenômeno nas escolas. O "bullying" é o que mais preocupa. Não é certo afirmar que a violência escolar tenha aumentado a nível global, porém, existem cada vez mais casos flagrantes de agressões físicas e psicológicas praticadas nas escolas, entre alunos e também contra professores que chegam ao nosso conhecimento através da mídia. Uma pesquisa divulgada em 7 de outubro de 2008 pela organização nãogovernamental Internacional Plan, , que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância, apontou que 70% dos 12 mil estudantes pesquisados em seis Estados brasileiros afirmaram terem sido vítimas de violência escolar. Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas Sabemos da importância da família na participação da vida escolar dos filhos para que os mesmos consigam efetuar uma trajetória bem sucedida. No entanto, com a expansão da educação pública e a extensão da obrigatoriedade escolar, é grande o número de pais que não frequentam a escola ao mesmo tempo em que os conflitos existentes neste meio só vêm a aumentar. Dados da nova pesquisa realizada pela Secretaria de Educação de São Paulo obtidos entre junho e novembro de 2009 revelam que os casos mais comuns são os de vandalismo. Do total de 5.132 ocorrências registradas em 5.400 8 escolas, 545 eram de depredação do patrimônio. Em seguida vêm os casos de agressão ou lesão corporal (437), de roubo (386) e de falta de disciplina (276). Ultimamente o tema da violência escolar tem sido objeto de preocupação crescente (Martins, 2005.). No entanto, a violência escolar não pode ser entendida como um conceito único. Tendo em conta que quando se fala de violência escolar deve se estenderaos diferentes conceitos que lhe estão associados, muitas vezes sobrepostos entre si como o vandalismo, os distúrbios de comportamento, os comportamentos de oposição, a perturbação de atenção com hiperatividade, o comportamento delinquente, o déficit de competências, os fatores desenvolvimentais e o bullying.Costa (2001) afirma: “Nós identificamos que o bullying é hoje a prática mais presente. Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente, já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova.Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e suicídio".(COSTA, 2001, p.87). Apesar da difusão nos meios de comunicação e atuação das escolas, o bullying é uma constante na atualidade e sabemos que as consequências são danosas tanto para os participantes como para toda a sociedade. É um assunto relativamente recente que precisa ser tratado com mais cautela. Martins(2005)alerta que o comportamento não é tão fácil de ser identificado, mas pode ser configurado como bullying quando as agressões verbais e emocionais se tornam repetitivas. "O professor precisa identificar em sala de aula os alunos que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimentoe se tornam em alguns momentos anti-sociais"( Martins,2005) Ao observar a realidade escolar constatamos que dentre estes tipos de violências a mais comum vem sendo a agressão física e verbal entre os alunos. O fenômeno bullying associado àorientação sexual, preconceito racial e pessoas portadoras de diferenças físicas ( principalmente o obeso) tem sido uma constante. Para alcançarmos os nossos objetivos verificamos a necessidade de realizar processos facilitadores de socialização como construção coletiva de regras de convivência, a elaboração e apresentação 9 diária da rotina da classe, o planejamento de aulas criativas e motivadoras, o reforço positivo, busca por outras formas de resolução de conflitos e de expressão de sentimentos, assim como o contato frequentecom a família. O comportamento do professor é referência dentro da sala de aula, mas o profissional necessita da colaboração da família e da instituição de ensino para desempenhar plenamente o seu papel. Frente a estas questões, este estudo se insere dentro deste cenário e busca correlacionar a desestruturação da família e o ambiente escolar com o aumento da agressividade nos conflitos entre alunos como objetivo de promover um esforço para erradicar a violência escolar. 10 CAPÍTULO I – Cenário geral Arealidade social mudou e as condições de trabalho dos professores também se alterou com a mudança de perfil da clientela atendida. Alunos não têm respeito por seus colegas e brincadeiras de mau gosto ocorre atodomomento. Agressões acontecem não só verbalmente, mas também fisicamente. Acreditamos que a relação entre os educandos deve ser de respeito, carinho, confiança e harmonia e que a escola deve ser vista como lugar agradável de se frequentar. Queremos uma educação de qualidade, onde ocorra a aprendizagem não só a de conteúdos, mas também a de valores morais e sociais. Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais,físicas ou verbais, realizadas de maneira repetitiva, por um ou mais alunoscontra umou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. Definição formulada a partir da leitura no Site guia infantil.com. Obullyingé um problema mundial que não está restrito a um determinado tipo de instituição de ensino. Porém, a pré-disposição a esse tipo de violência é maior em escolas cujo nível intelectual das equipes é baixo, os padrões de comportamento não são estabelecidos, e nas que apresentam métodos inconsistentes de disciplina, sistema de organização deficiente, acompanhamento inadequado dos alunos e falta de consciência dos próprios alunos como indivíduos. As condições familiares também tornam os indivíduos mais propensos a desenvolverem agressividade nos ambientes escolares, a exemplo da falta de afetividade e envolvimento entre pais e filhos, a ausência de limites no que diz respeito à permissividade e afirmação de poder dos pais sobre os filhos, demonstrados através de explosões emocionais e práticas de violência. A Pesquisa Nacional da Saúde Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), comprova esse panorama cada vez mais visível nas instituições de ensino de todo país. Realizado em 2009, o estudo constatou que quase um terço dos alunos entrevistados (30,8%) em 1.453 11 escolas públicas e privadas de todas as capitais brasileiras e do Distrito Federal já foram vítimas de agressões na escola. Os dados colhidos pela pesquisa mostram ainda que a ocorrência foi verificada em maior proporção entre estudantes de escolas privadas (35,9%) e do sexo masculino (32,6%). Para aumentar a gravidade do problema, a pesquisa aponta que muitas dessas vítimas sofrem agressões repetidas vezes, o que pode ser configurado como uma forma de perseguição. Não é certo afirmar que a violência escolar tenha aumentado a nível global, porém, existem cada vez mais casos flagrantes de agressões físicas e psicológicas praticadas nas escolas, entre alunos e também contra professores que chegam ao nosso conhecimento através da mídia. . O bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho.Silva (2010) afirma: O bullying ocorre em todas as escolas, independentemente de sua tradição, localização ou poder aquisitivo dos alunos. Pode-se afirmar que está presente de forma democrática, em 100% das escolas em todo o mundo [...]. O que pode variar são os índices encontrados em cada realidade escolar. Isso decorre do conhecimento da situação e da postura que cada instituição de ensino adota, ao se deparar comcasos de violência entre os alunos.(SILVA, 2010, p.117). O autor do bullying, geralmente tem uma relação familiar agressiva, onde tudo se resolve pela violência física ou verbal e assim ele acaba por reproduzir toda a sua vivência familiar no ambiente escolar. Ele agirá com agressividade em todos os ambientes, porém é na escola que se apresenta os primeiros sinais de um praticante de bullying . Se ele não for tratado continuará a agir com agressividade por toda a vida Um lugar seguro, saudável onde prevaleça a alegria, a solidariedade, o respeito às diferenças e que ofereça condições necessárias para o pleno desenvolvimento físico, intelectual e social de crianças e adolescentes. Esse deveria ser o cenário adequado de uma instituição de ensino. Porém, à margem do aprendizado e da amizade, as agressões veem se tornando práticas cada vez mais frequentes entre os estudantes nos ambientes relacionados à escola. CAPÍTULO II – A discriminação dentro da escola 12 Ao pesquisar sobre o assunto, vemos que o bullying é uma das formas de violência que mais cresce no mundo .O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. O agressor é uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela vítima. Lopes Neto (2008) reforça: [...] algumas crianças que vivem em condições familiares adversas parecem ter maior predisposição para desenvolverem agressividade. Entre os fatores de risco identificados, a falta de afetividade e envolvimento com os pais, o excesso de tolerância ou de permissividade em relação ao comportamento agressivo e a prática de maus-tratos físicos ou de explosões violentas. ( LOPES NETO, 2008, p.166). O agredido normalmente é pouco sociável, inseguro e apresenta autoestima baixa a ponto de acreditar que é merecedor dos maus-tratos sofridos.Na maioria das vezes tem poucos amigos, é quieto e sua passividade não permite que reaja efetivamente às agressões. Outros fatores que podem contribuir para que alguém se torne vítima do bullying estão relacionadas nos padrões de beleza, de desempenho intelectual, condições financeiras, maneira de se vestir e se relacionar e até problemas de saúde.Este estudo se deterá a questões relativas a Gênero e Raça. Segundo Silva (2010), existem três tipos de vítimas: a típica, a provocadora e a agressora. A típica é, em geral, tímida, submissa, pouco sociável, com aspectos físicos frágeis e dificuldades de se impor. Normalmente apresenta uma “marca” que a destaca da maioria, algo que fuja do padrão imposto. De acordo como autor“[...] essas crianças estampam suas inseguranças na forma de sensibilidade, passividade, submissão, falta de coordenação motora, baixa autoestima, ansiedade excessiva e dificuldades de se expressar.” (SILVA, 2010, p.38). A vítima provocadora é aquela que provoca reações agressivas com as quais não pode lidar e tenta reagir a essas agressões; e, na maioria das vezes, são crianças ou adolescentes hiperativos e impulsivos .Por fim, a vítima 13 agressora, reproduz os maus tratos que sofreu em outra pessoa mais frágil. Isso contribui para que o bullying ganhe proporções ainda maiores, pois se torna um círculo de comportamentos agressivos. Silva (2010) , observou que a maioria das vítimas de bullying possui personalidade afetiva, repleta de sensibilidade, empatia e senso moral em relação aos demais. Costuma apresentar elevados níveis de inteligência, concentrando-a em atividades nas quais se sente atraída desde muito cedo. Existe ainda o espectador, que é o terceiro personagem do conflito, é uma testemunha dos fatos. Pode atuar de forma passiva apenas observando ou de forma ativa, reforçando a agressão ao rir, repetindo insultos, retransmitirimagens e fofocas.Geralmente, estão acostumados com a prática, encarando-a como natural dentro do ambiente escolar e acaba por se excluir por medo de serem vítimas no futuro. Nem sempre é fácil perceber quando um aluno é vítima de bullying. Na maioria dos casos, a vítima prefere não revelar que está sendo agredida por medo de denunciar seus agressores ou por receio de não ser ouvida. Por isso é muito importante que tanto a família quanto a escola estejam atentas aos sinais apresentados por esse aluno. A discriminação racial e de gêneroainda é uma constantena Escola. Dentre os acontecimentos de agressividade na Escola Estadual “Zacarias Roque” podemos citar: aluno que apelida o outro, agride e ataca o colega com estilete; agressão verbal seguida de agressão física nas costas, brigas com socos e pontapés. Expressões como asfalto, feijoada, negão, bichinha,pintor de roda –pé, baleia, orca assassina, manquinho, gaguinho, entre outras já está se tornando comum e se não tomarmos uma providência algo mais sério poderá acontecer. Philippe Perrounoud (2000) transcreve a citação de Pierre Bordieau: “... para que sejam favorecidos os mais favorecidos e desfavorecidos ao mais desfavorecidos, é necessário e suficiente que a escola ignore no conteúdo do ensino transmitido, nos métodos e técnicas de transmissão e nos critérios de julgamento as desigualdades culturais entre as crianças. Para ele, a igualdade formal que regula a prática pedagógica serve, na verdade, de máscara e justificativa à indiferença para com as desigualdades reais diante do ensino e diante da cultura ensinada ou, mais exatamente, exigida.”(PERROUNOUD, 2000, p.25). 14 Tais ideias demonstram a importância de se buscarem diferenciadas formas de organização da escola e introdução de conteúdos e métodos de ensino que, além de favorecer o conhecimento de outras realidades culturais presentes em nossa sociedade promovam a construção de valores assentados em princípios éticos de respeito às diferenças étnicos –raciais e de gênero. De acordo com Kabengele Munanga (2003), no caso da diferença étnico- racial, o resgate da memória coletiva e da história da comunidade negra não interessa apenas aos alunos de ascendência negra. Interessa, também, aos alunosde outras ascendência étnicas, principalmente branca, pois ao receber uma educação eivada de preconceitos, eles também tiveram suas estruturas psíquicas afetadas. Além disso, essa memória não pertence somente aos negros. Ela nos pertence a todos, tendo em vista que a cultura da qual nos alimentamos cotidianamente é fruto de todos os segmentos étnicos que , apesar das condições desiguais nas quais se desenvolvem, têm contribuído, cada qual a seu modo, para a riqueza e a identidade nacional. Em relação a gênero, Montserrat Moreno(1999) afirma que a escola, por seu caráter normativo e por seu papel de transmissora de conhecimento, também está contaminada pelo sexismo, que constitui o código secreto e silencioso que molda e discrimina o comportamento de meninas e meninos, mulheres e homens. Para ela, os fundamentos científicos que discriminam a mulher devem ser recusados pela escola, bem como o sexismo, presente na linguagem, nos conteúdos das diferentes disciplinas do currículo escolar e na forma de apresentação dos mesmos conteúdos nos livros didáticos. Diante dos fatos citados, torna-se importante verificar como o aumento da agressividade dos alunos acontece, bem como ela se relaciona com o perfil do aluno atendido e a ausência da educação familiar e o distanciamento da família na vida escolar do filho/estudante. CAPÍTULO III- Atos de violência ocorridos dentro da escola. 15 Atos de violência ocorrem na maioria dos dias na escola. Depois de observação e conversas informais verificou-se que obullying mais frequente é caracterizado pelos apelidos, que atingem a grande parte dos alunos. Há diferenças entre os tipos que ocorrem com alunos do sexo masculino e feminino. Enquanto que no sexo masculino é mais frequente o bullying do tipo físico, como chutar, empurrar e dar socos, entre os alunos do sexo feminino é mais frequente o indireto, como ameaças de exclusão, ou o bullying verbal, apelidos. SECÃO I – Quantificar e qualificar os atos de violência ocorridos No 7° ano A, o aluno Gabriel é vítima de bulliyng por parte de um grupo de colegas da mesma turma que o chamam de gay. Depois da ocorrência de vários incidentes,a solução encontrada pela escola foi mudá-lo de turma e conversar conscientizando todos os alunos No 9° ano B, o aluno novato Nicolasvem sofrendo humilhações e acabou por ser apelidado de “Mussum”, por ser negro. Pediu inúmeras vezesa seus colegas que parassem até chegar ao conhecimento de uma professora que levou o caso para a direção, que conversou repetidas vezes com o grupo agressor. Chamou os pais e verificou-se que o racismo é uma prática também dos pais sendo necessário ler a legislação como crime inafiançável. No 2° ano do EJA , a aluna Alessandra disse em alto e bom tom que a colega que era um carvão atrapalhava a. visão do quadro. A aluna sentiu-se ofendida, sendo orientada pela escola de seus direitos e como era maior de idade decidiu procurar a polícia para fazer um B.O. O pedagógico da escola conversou com as alunas , pedindo que a colega se retratasse e só aconteceu a retratação após levarmos ao conhecimento a legislação. Este acontecimento está sendo levado ao conhecimento do colegiado. 16 Os fatos citados ocorreram no ano corrente, verificando documentos como atas do colegiado, registro de conselho de classe entre outros observamos vários outros casos. O aluno Augusto foi destacado pelo fato de ser muito agressivo e estar sempre envolvido nos casos de agressão física. Os pais acusaram a escola que o filho sofria bullying ,sendo esta a causa da agressividade e que não tinha sido tomada nenhuma atitude para ajudá-lo. Após várias reuniões de colegiado, inclusive com participação dos pais do aluno, da inspeção escolar da S.R.E. Várias foram as sugestões como: a mãe participaria do recreio como amiga da escola, a professora e outra funcionária da escola ficariam mais atentas em relação as atitudes do aluno. O pai exigiu da direção que colocasse um funcionário todo o tempo para acompanhar o aluno o que não foi possível pois sendo uma escola estadual o número de funcionários é estabelecido por lei. Após várias mudanças de atitudes, trabalho pedagógico de orientação junto ao aluno e conversa em separado com a mãe, constatou-se que a agressividade era uma constante nas atitudes do pai, a mãe chegou a confessar que tinha medo do marido por ser agressivo com ela e com o filho. Este pai chegou a agredir verbalmente a vice- diretora da escola. Depois de apurado foi sugerido um tratamento psicológico para pai e filho e oferecido uma vaga em outra escola o que o pai recusou. Em Contra partida a escola só aceitou continuar com o aluno se fosse realizado o acompanhamento psicológico. Este caso ainda é acompanhado pela escola, sendo verificado a melhora de comportamento do aluno. Outro caso observado é do aluno Pedro que também praticava bullying com colegas menores e negros. Após cansativas solicitações à mãe para comparecer a escola, esta só compareceu quando o aluno foi suspenso com a condição de só retornar as aulas com a presença do responsável. Depois de muito trabalho do pedagógico com o aluno e mãe verificou-se que a mãe agredia este filho com frequência pois ele era o único filho negro. Era uma mãe com filhos de pais diferentes. O caso foi relatado ao conselho tutelar e a mãe tirou o aluno da escola. Os nomes são fictícios para preservar a identidade dos alunos. 17 CAPÍTULO IV – Consequências da violência As sequelas deixadas pelo comportamento violento e anti -social entre estudantes podem ser extremamente danosas à vida desses alunos.Eles têm seu desenvolvimento afetado e as relações interpessoais e emocionais são abaladas. Eles desenvolvem o medo, o pânico, distúrbios psicossomáticos e demonstram muita tristeza. Somados a isso, estão os sintomas físicos como alterações do sono, dores de cabeça e no estômago. O aluno que sofre bullying enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento. Observamos que as vítimas nunca procuram ajuda ou falam sobre o problema. Muitas vezes chegam a concordar com a agressão. Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar,apresentam desejo de trocar de escola ou abandonar os estudos como forma de se protegerem das agressões. Alguns se sentem tão oprimidos que passam a manifestar comportamentos agressivos e desejo de vingança. Crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do indivíduo de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o abuso de drogas e ou o suicídio. Além de imediatas, as consequências podem se estender por toda vida, quando as vítimas atingem a idade adulta tendo dificuldades para se relacionar e desempenhar suas funções no ambiente de trabalho. Os prejuízos não se restringem apenas as vítimas ou os agredidos.Os agressores, que na maioria das vezes são aqueles que por algum motivo necessitam ser o centro das atenções dos demais colegas, acabam se envolvendo, ainda na época da escola, em atos criminosos. Mais tarde, passam a sofrer rejeições e repressões, pois ao chegarem a outros níveis escolares, quando o bullying não é tolerado na mesma proporção, acabam ficando deslocados. Outro aspecto que é importante ressaltar é que esses comportamentos anti-sociais podem ser levados para a vida adulta e se 18 manifestarem através de atitudes agressivas no seio familiar ou no ambiente de trabalho. Este é um problema que afeta toda a sociedade. Seja como agressor, como vítima, ou até espectador, tais ações marcam, deixam cicatrizes imperceptíveis em curto prazo. Dependendo do nível e intensidade da experiência, causam frustrações e comportamentos desajustados gerando, até mesmo, atitudes sociopatas. CAPÍTULO V – Contato frequente com a família Considerando-se que o bullying é um fenômeno complexo, é necessário destacar a importância da participação da família, da comunidade escolar e da sociedade em geral para alcançar a solução desse problema, que atingea cada dia proporções maiores. A retomada de uma relação mais afetiva e compreensiva entre pais e filhos continua sendo uma alternativa eficaz nesse sentido. A família é o primeiro grupo natural do homem e a principal responsável pelo seu desenvolvimento. Tudo o que ocorre no meio familiar se propaga pela vida do indivíduo. Isso se aplica a todos os aspectos da constituição humana – físicos, emocionais e cognitivos. No âmbito educacional a importância da família é multiplicada. Interfere em todos os aspectos da vida escolar do educando, seu comportamento, permanência na escola e capacidade de aprender, podendo tanto contribuir para uma evolução acelerada ou inibir completamente o desenvolvimento cognitivo do aluno. Basta lembrar que os desvios comportamentais e os distúrbios de aprendizagem têm origem no ambiente familiar. Por isso é primordial compreender a família e suas repercussões e interação com a comunidade escolar. Compreender para interferir e solucionar as causas dos problemas e não apenas seus sintomas que são os desvios de comportamentos e os distúrbios de aprendizagem. 19 O ingresso no mundo adulto requer a apropriação de conhecimentos socialmente produzidos. Para tanto, sabe-se que a natureza humana não é espontaneamente generosa, respeitosa e solidária. Virtudes como essas devem ser rotineiramente aprendidas e exercitadas. A interiorização de tais conhecimentos e experiências vividas se processa, em primeiro lugar, no interior da família e do grupo em que este indivíduo se insere. Neste sentido, cabe aos pais e responsáveis zelar pela condução de princípios básicos, eis que, neste processo de socialização ou de inserção do indivíduo na sociedade, a educação tem papel estratégico, principalmente na construção da cidadania. É em família que se definem fundamentos de vida. É na família que se aprende valores morais e éticos. Respeito, honestidade e responsabilidade permanecem na responsabilidade dos pais. Com uma base afetiva, moral e ética bem vivida em família fica mais fácil viver na vida pública.É no seio familiar que são construídos os primeiros conceitos de moralidade, civilismo e ética. Neste sentido, compete aos pais a responsabilidade pelos abusos e atitudes violentas praticadas pelos seus filhos. Podemos verificar que os valores da família são fatores de peso no aumento da violência juvenil. A família perdeu suas tradições de união e respeito. Tanto atitudes agressivas por parte dos pais quanto a permissividade tem transformado o perfil dos jovens. Hoje pais permitem que os filhos façam tudo sem nenhuma cobrança e não exercem quase nenhuma autoridade sobre seus filhos. A mudança no perfil da sociedade e na rotina dos pais contribui para este cenário. Observando o comportamento de alunos e pais durante reuniões, verificamos como o foco familiar mudou . Antes os pais eram a autoridade, hoje os filhos assumiram este papel. Os pais procuram ser aceitos por seus filhos. A Escola Estadual “Zacarias Roque” está realizando um trabalho de trazer os pais com mais frequência para a escola através de reunião em horário escolhido por eles, palestras, gincanas, festas comemorativas, assembléias. No ano de 2011 foi realizada a “IIGincana de MobiliZACAo”, com participação de toda a escola, incluindo pais com o tema da diversidade em gênero e raça. 20 CAPÍTULO VI – Realização de processos facilitadores de socialização buscando a resolução de conflitos e de expressão de sentimentos. As estratégias de combate à violência escolar mais eficientes se concentram na própria escola. Atitudes simples como a inserção e discussão de temas transversais de forma continuada podem ajudar na busca da solução dos problemas Outros exemplos são o estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores para mudar as técnicas usadas em classe e a promoção da conscientização dos direitos infantis. Na busca da solução deste fenômeno deve-se focarpara a recuperação de valores essenciais, como o respeito pelo que o agredido sentiu ao sofrer a violência. A construção de valores éticos e morais de respeito a diversidade. A escola não pode legitimar a atuação do agressor nem humilhá-lo ou puni-lo com medidas não relacionadas ao mal causado. Já o agredido precisa ter a autoestima fortalecida e sentir que está em um lugar seguro para falar sobre o ocorrido. A escola deve transmitir segurança e dar a atenção necessária as queixas dos alunos. Sendo necessário ainda, conscientizar o espectador do bullying, que endossa a ação do agressor. A partir do momento em que a escola fala com quem assiste à violência, ele para de aplaudir e o autor perde sua fama Quando a escola e a família tomam consciência das agressões torna-se mais fácil evitar que esses atos tenham continuidade. No caso da escola, a pergunta não deveria ser o que faremos com a diversidade mas, sim, o que temos feito com as diferentes presenças na escola e na sociedade. Qual é o trato pedagógico que a escola tem dado às diferenças? Uma visão e uma prática pedagógica que enxerguem o outro na suas semelhanças e diferenças não condizem com as práticas discriminatórias e nem com a crença em um padrão único de comportamento, de ritmo, de aprendizagem e de experiência. A ideia de padronização dá margem ao entendimentos das diferenças como desvio, patologia, anormalidade, deficiência, defasagem, desigualdade. O trato desigual das diferenças produz 21 práticas intolerantes, arrogantes e autoritárias. E essa postura está longe do tipo de educação que os profissionais de educação vêm defendendo ao longo dos anos. A escola possui a vantagem de ser uma das instituições sociais em que é possível o encontro das diferentes presenças. Ela é também um espaço sociocultural marcado por símbolos, rituais, crenças, culturas e valores diversos. Essas possibilidades do espaço educativo escolar precisam ser vistas na sua riqueza, no seu fascínio. Sendo assim, a questão da diversidade cultural na escola deveria ser vista no que de mais fascinante ela proporciona às relações humanas. O trato pedagógico da diversidade é algo complexo. Ele exige o reconhecimento da diferença e, ao mesmo tempo, o estabelecimento de padrões de respeito, de ética e a garantia dos direitos sociais. Avançar na construção de práticas educativas que contemplem o uno e o múltiplo significa romper com a ideia de homogeneidade e de uniformização que ainda impera no campo educacional. Representa entender a educação para além de seu espaço institucional e compreendê-la dentro do processo de desenvolvimento humano. Isso nos coloca diante dos diversos espaços sociais em que o educativo acontece e nos convida a extrapolar os muros da escola e a ressignificar a prática educativa, a relação com o conhecimento, o currículo e a comunidade escolar. Coloca-se também diante do desafio da mudança de valores, de lógicas e de representações sobre o assunto, principalmente, aqueles que fazem parte dos grupos historicamente excluídos da sociedade(Gomes, 2003) Vivemos uma crise de convivência social, a solução para esta crise será alcançado com um investimento em políticas públicas envolvendo a juventude de forma que as novas gerações tenham acesso à cidadania. Os jovens deverão ter mais acesso à música, esporte, literatura e educação de forma geral como forma de expressão e visibilidade, reconhecimento garantindo uma perspectiva de trabalho no seu futuro. A escola deverá promover orientação, conscientização e discussão a respeito do assunto. Os alunos devem criar regras de convivência e discuti-las, buscando soluções e respeitando as diferenças de cada um. Os pais devem 22 ser ouvidos e orientados a colocar limites claros de convivência e ajudar sempre que souberem de algum problema. Sabemos que os princípios norteadores do caráter e formação do ser humano são aqueles conhecidos e esculpidos em personalidade desde cedo. Para isto família e escola são pilares fundamentais e de sustentação de valores aptos a basear conceitos morais e sócias que seguirão por toda a vida. Para que se preserve a harmonia de uma vida em sociedade é importante uma noção clara de princípios morais e sociais básicos. A educação de uma criança, sobretudo a noção de respeito ao próximo é tarefa dos pais. A escola cabe o papel de fortalecer conceitos de civilidade e convivência social. Não existe uma legislação específica tratando do tema, cabendo ao Judiciário aplicar as regras e sanções previstas na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Penal. Desta forma, acreditamos que deverá ocorrer também, uma transformação no que se refere a legislação. Em entrevista concedida ao Jornal Diário do Aço em 07/12/2011, pag 7 à Silvia Miranda, o ex-delegado da Polícia Civil César Pereira dos Santos, um experiente agente que lidou anos a fio com o mundo do crime em Ipatinga e que hoje atua como advogado coloca seu ponto de vista. Os valores da família e religião também são apontados como fatores de peso no aumento da violência juvenil pelo ex-delegado. “A família perdeu suas tradições de união, e a religião está cada vez mais distante. Os filhos não acompanham os pais”, resume. Segundo Santos (2011), a permissividade tem transformado o perfil dos jovens: “Hoje pais permitem que os filhos façam tudo sem nenhuma cobrança. A mudança no perfil da sociedade e na rotina dos pais contribui para essa libertinagem. Nenhum policial gosta de prender ou lidar com jovem. O estatuto da Criança e do Adolescente diz que nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal” (SANTOS,2011, p.7) Conforme Santos (2011), caso seja comprovada a prática de ato infracional por um menor de 18 anos uma das aplicações permitidas é a internação em estabelecimento educacional. Ocorre que , no Vale do Aço o citado “estabelecimento educacional” não existe e aos menores de 18 anos 23 cabe apenas a impunidade. Para o delegado o Estado criou um estatuto muito avançado para o país e o poder público não consegue aplicar as normas, a começar pela carência encarregadas da aplicação das penas. “O jovem hoje sabe que é impune.” A justiça já se preocupa com a violência nas escolas, sendo comprovado pelo ofício da 1ª P.J.C.F de número 160/2012 do M.P.E.M.G datado de 02.04.2012, assinado pala Promotora de Justiça Deise Poubel Lopes solicitando a relação de alunos infrequentes e indisciplinados, com respectivos endereços e nomes de responsáveis. Para o Promotor de Justiça de Minas Gerais Lélio Braga Calhau, o fenômeno estimula a delinquência, induzindo a outras formas de violência explicita aptas a produzir, em larga escala, “cidadãos estressados, deprimidos e com baixa auto-estima, capacidade de auto-afirmação e de auto-expressão, além de propiciar o desenvolvimento de sintomatologias de estresse, de doenças psicossomáticas, de transtornos mentais e de psicopatologias graves”. O caminho para o enfrentamento dessa realidade supõe aprender a lidar com a dimensão comunitária, dialogar com a realidade cotidiana e com as normas sociomorais vigentes. Isto deve remeter indivíduos no trabalho com a diversidade humana, à abordagem e desenvolvimento de ações que se contraponham às exclusões, preconceitos e discriminações advindos das distintas formas de deficiência, diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero. Conhecer esse trabalho na própria comunidade onde se vive, no bairro e no ambiente natural, social e cultural de seu entorno é um bom caminho para a construção da cidadania efetiva. Assumir a diversidade significa muito mais do que um elogio às diferenças. Representa não somente uma reflexão mais densa sobre as particularidades dos grupos sociais, mas também, implementar políticas públicas, alterar relações de poder, redefinir escolhas, tomar novos rumos e questionar a nossa visão de democracia(Gomes, 2003). 24 RESULTADOS Conforme definido anteriormente, não podemos entender a violência escolar como um conceito único. Pois quando se fala de violência escolar, deve estender-se aos diferentes conceitos que lhe estão associados, muitas vezes sobrepostos entre si como o vandalismo, os distúrbios de comportamento, os comportamentos de oposição, a perturbação de atenção com hiperatividade, o comportamento delinquente, o déficit de competências, os fatores desenvolvimentais e o bullying. A escola é a instituição do saber. Sendo assim, é nela que todas as pessoas desenvolvem suas habilidades e aprendem conhecimentos, que lhes serão úteis em vários pontos de suas vidas. Por isso, todos devem sempre admirar e, acima de tudo, cuidar das escolas, em especial os alunos e funcionários que nela trabalham. Para que uma escola caminhe em direção do futuro, não são somente diretores e professores que podem colaborar. Os pais dos alunos também podem, e devem contribuir com a escola, pois quando a família participa da vida escolar de seus filhos realizando visitas frequentes na escola e buscando conhecer o ambiente escolar dos pequenos, com toda certeza a escola também ganha, pois resultados vão surgindo, especialmente os que dizem respeito à dedicação dos filhos. Escola e família, unidas, com toda certeza só trarão benefícios, especialmente para a vida escolar dos alunos. Essa é uma parceria extremamente necessária, que não pode ser deixada de lado jamais. Pais que não se preocupam com o estudo de seus filhos, assim como escolas que não se importam com seus alunos, não são nada saudáveis. Tanto a escola, quanto a família necessitam de apoio; ou seja, com a escola dando apoio aos alunos e os pais contribuindo com a escola, todos caminham unidos, para que os benefícios possam ser visualizados. A parceria entre escola e família é algo que nunca pode ser esquecido. O bullying não pode continuar a ser negligenciado mais. Em um lugar que deve funcionar como extensão da própria casa alguns estudantes se tornam alvo de xingamentos, ameaças e agressões físicas. Não é uma violência qualquer. O bullying é praticado pelo grupo ao qual o adolescente precisa 25 pertencer e no qual deve se sentir um igual como parte do processo saudável de amadurecimento psicológico e de preparo para a vida adulta. Sentir-se preterido nesse momento da vida é um castigo cujas marcas podem ser suavizadas mas nunca esquecidas. Por essa razão e principalmente por ser um problema que pode ser prevenido pelas escolas o bullying merece uma atenção especial de diretores, professores, familiares e de toda a comunidade escolar. Desde a muito tempo este fenômeno existe. Os seres humanos diferentes são alvo de troças e covardias. Mas, no atual estágio da civilização, tornam-se inaceitáveis as desculpas clássicas para ignorar as torturas psicológicas e físicas de adolescentes que se destacam da média por algum defeito como gagueira, uso de óculos com lentes “fundo de garrafa”, dificuldade de locomoção, obesidade ou magreza excessiva, pela cor, pela opção sexual e até pelo bom desempenho escolar que também pode servir pata provocar a inveja e a vingança dos medíocres. A família exerce um papel importante na formação da criança, mas o professor tem função importante quanto a essa. Por isso, a forma com que o professor lida com os conflitos, apresentando por exemplo, comportamentos agressivos, poderá levar o aluno a repetí-los. A escola por sua vez sendo um lugar que instrui, não deve tolerar a agressividade excessiva. Por ser a mais frequente ocorrida nesta escola focamos o fenômeno bullying. Acreditarmos que o relacionamento entre alunos deve ser um relacionamento de confiança, respeito e carinho e que a aprendizagem só acontece num ambiente saudável vemos que é inadmissível continuar acontecendo esta violência no contexto escolar, principalmente quando ela atinge proporções absurdas como agressão física direta entre alunos, Em geral são crianças e jovens vindos de famílias em que a relação afetiva é muito pobre; não existe um bom relacionamento entre pais e filhos. Deste modo, os alunos entram na escola sem ter habilidade ou capacidade para estabelecer um vínculo afetivo melhor com os colegas, estabelecendo, assim, uma relação de conflito e agressão. Ainda temos crianças e jovens cujos pais utilizam a violência física ou o grito como formas de impor autoridade e, com isso, acabam reproduzindo essa forma de se impor na escola, diante do grupo, usando a violência também. 26 A crescente desestruturação familiar torna cada vez mais frágil o conceito de limite, ética e responsabilidade social. Como uma resposta natural a toda esta fragilidade a criança apresenta dificuldades de relacionamento. Diante da análise dos documentos oferecidos pela escola e da observação in loco observamos que os alunos violentos são os mesmos com todos os professores e que são exatamente os alunos em que os pais quase não vão à escola. Analisando a sociedade moderna, observa-se que uma das mudanças mais significativas é a forma como a família atualmente se encontra estruturada. Aquela família tradicional, constituída de pai, mãe e filhos tornou-se uma raridade. Atualmente, existem famílias dentro de famílias. Com as separações e os novos casamentos, aquele núcleo familiar mais tradicional tem dado lugar a diferentes famílias vivendo sob o mesmo teto. Esses novos contextos familiares geram, muitas vezes, uma sensação de insegurança e até mesmo de abandono, pois a idéia de um pai e de uma mãe cuidadores dá lugar a diferentes pais e mães “gerenciadores” de filhos que nem sempre são seus. A educação tem se tornado algo muito difícil, devido à ausência de modelos e de referenciais educacionais. Os pais de ontem, mostram-se perdidos na educação das crianças de hoje. Estão cada vez mais ocupados com o trabalho e pouco tempo dispõem para dedicarem-se à educação dos filhos. Esta, por sua vez, é delegada a outros, ou em caso de famílias de menor poder aquisitivo, os filhos são entregues à própria sorte. Os pais não conseguem educar seus filhos emocionalmente e, tampouco, sentem-se habilitados a resolverem conflitos por meio do diálogo e da negociação de regras. Optam muitas vezes pela arbitrariedade do não ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial de convivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e no afeto. A escola também tem se mostrado inabilitada a trabalhar com a afetividade. Os alunos mostram-se agressivos, reproduzindo muitas vezes a educação doméstica, seja por meio dos maus-tratos, do conformismo, da exclusão ou da falta de limites revelados em suas relações interpessoais. Os professores não conseguem detectar os problemas, e muitas vezes, também demonstram desgaste emocional com o resultado das várias situações próprias do seu dia sobrecarregado de trabalhos e dos conflitos em seu 27 ambiente profissional. Muitas vezes, devido a isso, alguns professores contribuem com o agravamento do quadro, rotulando com apelidos pejorativos ou reagindo de forma agressiva ao comportamento indisciplinado de alguns alunos. Além disso, essa mesma sociedade tem exigido, por diferentes motivos, que pais e mães assumam posições cada vez mais competitivas no mercado de trabalho. Então, enquanto que, antigamente, as funções exercidas dentro da família eram bem definidas, hoje pai e mãe, além de assumirem diferentes papéis, conforme as circunstâncias saem todos os dias para suas atividades profissionais. Assim, observa-se que, em muitos casos, crianças e adolescentes acabam ficando aos cuidados de parentes (avós, tios), estranhos ou sozinhos. Enfim, é a culpa de não estar presente de forma efetiva e construtiva na vida de seus filhos que faz, muitas vezes, um pai ou uma mãe ignorarem o que se passa com eles. Assim, muitos pais e mães acabam tornando-se reféns de seus próprios filhos. Com receio de contrariá-los, reforçam atitudes inadequadas e, com isso, prejudicam o seu desenvolvimento, não só intelectual, mas também, mental e emocional. As partir da análise dos documentos apresentados pela escola e das conversas com professores e funcionários, verificamos que nas turmas em que o maior índice de ocorrência aparecia era também onde se verificava o maior número de pais ausentes em reuniões. As agressões físicas foram observadas mais comumente nos anos finais do ensino fundamental, onde muitos pais se encontram divorciados, com grande carga horária de trabalho dentro ou fora do país enquanto os filhos (alunos) muitas vezes verificam-se sozinhos e sendo responsáveis pelos irmãos menores.Todos os documentos foram analisados, porém apenas foram liberados para xérox os que não comprometem a integridade do aluno. 28 INTERVENÇÃO Frente a estes resultados, objetivamos realizar uma intervenção de forma a trazer a família para a escola, programando reuniões em horários diferenciados para que não sejam realizadas no horário de trabalho dos pais. Tornar estas reuniões mais agradáveis e não só um momento de reclamações dos filhos. Realizar palestras com o poder judiciário, conselho tutelar, psicólogos e parceria com a família, promovendo gincanas e festas familiares como chá da tarde, almoço comunitário e conversas informais mostrando aospais a responsabilidade que eles tem junto aos filhos. Promoverjunto aos pais orientação, conscientização e discussão a respeito dos princípios norteadores do caráter e formação do ser humano.Mostrando a importância da preservação da harmonia de uma vida em sociedade baseada em princípios morais ,sociais e éticos, principalmente a noção de respeito ao próximo é tarefa dos pais na educação dos filhos e que a escola tem o papel de fortalecer tais conceitos. E que juntos, família e escola podem e devem construir uma sociedade mais justa e igualitária. Não há receita eficaz de como educar filhos, pois cada família é um mundo particular com características peculiares. Mas, apesar dessa constatação, não se pode cruzar os braços e deixar que as coisas aconteçam, sem que os educadoresfaçam algo a respeito. A educação pela e para a afetividade já é um bom começo. O exercício do afeto entre os membros de uma família é prática primeira de toda educação estruturada, que tem no diálogo o sustentáculo da relação interpessoal. Além disso, a verdade e a confiabilidade são os demais elementos necessários nessa relação entre pais e filhos. Os pais precisam evitar atitudes de autoproteção em demasia, ou de descaso referente aos filhos. A atenção em dose certa é elementar no processo evolutivo e formativo do ser humano. Em relação à escola, em primeiro lugar, deve conscientizar-se de que esse conflito relacional já é considerado um problema de saúde pública. Por isso, é preciso desenvolver um olhar mais observador tanto dos professores quanto dos demais profissionais ligados ao espaço escolar. Sendo assim, deve atentar-se para sinais de violência, procurando neutralizar os agressores, bem 29 como assessorar as vítimas e transformar os espectadores em principais aliados.Além disso, tomar algumas iniciativas preventivas do tipo: aumentar a supervisão na hora do recreio e intervalo; evitar em sala de aula menosprezo, apelidos, ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo. Também podese promover debates sobre as várias formas de violência, respeito mútuo e a afetividade tendo como foco as relações humanas. Considerando que o Brasil é um país onde o incentivo à melhoria da educação de seu povo se tornou um instrumento socializador e de desenvolvimento, onde grande parte das políticas sociais é voltada para a inclusão escolar, as escolas passaram a ser espaço próprio e mais adequado para a construção coletiva e permanente das condições favoráveis para o pleno exercício da cidadania.O que se pretende é incentivar e promover o diálogo, as boas práticas sociais e educativas, o recurso aos meios de resolução alternativa de conflitos . CONCLUSÃO 30 Enquanto uma conclusão parcial, esperamos que com o desenvolvimento das atividades propostas neste trabalho alcancemos um ambiente propício para a aprendizagem e o desenvolvimento geral do aluno, onde exista comprometimento dos pais e da escola de forma a buscar uma educação de qualidade onde predomine o respeito mútuo e valores assentados em princípios éticos de respeito às diferenças. A família é o primeiro grupo natural do homem e a principal responsável pelo seu desenvolvimento.No âmbito educacional a importância da família é multiplicada. Interfere em todos os aspectos da vida escolar do educando, seu comportamento, permanência na escola e capacidade de aprender, podendo tanto contribuir para uma evolução acelerada ou inibir completamente o desenvolvimento cognitivo do aluno. Basta lembrar que os desvios comportamentais e os distúrbios de aprendizagem têm origem no ambiente familiar. Enfim, a família é imprescindível não só para a construção de um indivíduo saudável, capaz e emocionalmente equilibrado, quanto para a evolução de sua inteligência e de sua capacidade de aprender e de se relacionar. Portanto, a família desenvolve um importante papel na constituição humana e na determinação de problemas de comportamento e de conduta, ou seja, os pais, podem, de diversas maneiras, favorecer ou prejudicar o desenvolvimento de seus filhos. Ao ingressarem na escola, as crianças, muitas vezes, demonstram dificuldades de adaptação que pode ser consequência de conflitos e crises de um sistema familiar ineficiente. Os "deficits", resultantes de uma precária educação familiar, poderão ser minimizados e mesmo superados através da atuação de outros grupos socializadores. Logo, cabe à escola, sobretudo, a responsabilidade de contribuir para mudanças comportamentais que permitam, às crianças e jovens, o equilíbrio necessário. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 31 ARAUJO, Ulisses F. Assembléia escolar: um caminho para a solução de conflitos. São Paulo: Moderna, 2004.p.16-26. BRASIL.SECRETARIA DE EDUCAÇÃO TECNOLOGIA.KABENGELE, Munanga. Diversidade reflexões e experiências. Brasília. 2003.p.14. MÉDIA E na Educação: BRASIL.MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Programa Ética e Cidadania:construindo valores na escola e na sociedade:relações ético-raciais e de gênero- Fundação de Apoio à Faculdade de educação (USP), Equipe de elaboração Ulisses F.Araújo. Brasília,2007.p.17 COSTA, R.J. Violência na escola:Verdadeira ou falsa questão.2001. Disponível em http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0063.pdf. Acessado em 27.10.2011. COSTA, M.E., & VALE, D, A violência nas Escolas. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.1998.p.35-93 GOMES, Nilma Lino.Diversidade na educação: reflexões eexperiências. Secretaria de Educação Média e tecnologia, Brasília 2003.p.70-76. LOPES NETO, Aramis Antônio. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, n. 5, p. 164-172, 2005. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa06.pdf>. Acesso em: 10 março. 2012. LOPES, Patricia. Agressividade na escola. Equipe Brasil Escola.Disponível em Educador. brasilescola.com/orientação-escola.Acessso em 11.nov.2011. MARTINS. Separata de: Análise Psicológica,Brasília .2005.v.4, n. XXIII,p. 401-425. MORENO, Montserrat. Falemos de sentimentos: a afetividade como um tema transversal. São Paulo: Moderna, 1999. P 17-25. MORENO, Montserrat. Como ensinar a ser menina. São Paulo: Moderna, 1999.p.15 PERRENOUD, Philippe.Pedagogia Diferenciada: das intenções à ação.São Paulo: Artes Médicas, 2000, p.25. 32 PIOVESAN, Flavia. Ações Afirmativas e o combate ao racismo nasAméricas. Ministério da Educação, Secretaria de educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Coleção Educação para Todos. Brasília. 2005.p.35-43. SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Fontanar, 2010,p.30-119 33 ANEXOS A LEI E A INTOLERÂNCIA Diz a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 4º que a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: VIII – repúdio ao racismo; O artigo 5º da Constituição dispõe que a prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão; A lei 7.716/89, em seu artigo 20, menciona que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional está sujeito a uma pena de reclusão de um a três anos, além de pagamento de multa. A lei prevê que o crime de racismo é inafiançável, não sendo possível o pagamento de fiança para livrar-se da pena; é imprescritível, não há prazo para a punição do infrator, Lista de presença de reunião de pais 34 35 OBS: Nas listas constam as assinaturas dos pais que foram convocados após a reunião por não comparecerem, telefonemas ministrados pelo diretor ou pedagoga. 36 Conselho de Classe feito pelos professores 37 Termo de compromisso assinado pelos alunos e responsáveis legais 38 Ata de reuniões discutindo entre outros assuntos aluno problemas – Os nomes dos alunos foram tachados para preservá-los 39