Anais do XIII Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 21 e 22 de outubro de 2008
ISSN 1982-0178
O USO DA LINGUAGEM DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO
PROPAGANDA POLÍTICA: ESPAÇO E OBJETOS COMO
PROPAGANDA POLÍTICA
Luiz Henrique de Carvalho Gonçalves
Faculdade de Publicidade e Propaganda
Centro de Linguagem e Comunicação
[email protected]
Resumo: Ao se pensar no papel que a comunicação
exerce na propaganda política, descobre-se que a
publicidade não só possui uma participação significativa, quando se refere a nichos de mercado, mas
também é uma forte aliada da propaganda política,
em função da legitimação do poder. A construção de
exuberantes monumentos acaba por ser questionada, quando se pergunta se aquele artifício existe
para acolher a massa ou para fortalecer a imagem de
um governo. Como base para esse estudo, analisamse monumentos (Cristo Redentor), espaços urbanos
(Brasília) e a Ponte Rio - Niterói, utilizando-se a Pesquisa Documental, o método dialético e a Teoria
Crítica da Escola de Frankfurt. Conclui-se que o
Estado, ou nação institucionalizada, como órgão abstrato, é responsável pela direção e execução das
regras intrínsecas a nossa sociedade, sem as quais
haveria desordem, pois a massa não vive sem elas.
Espaço e objetos são construídos como forma de
acolher a massa e tornar o poder do Estado cada vez
mais impositivo, pois não oferece a possibilidade de
que os indivíduos pensem. As construções são
ícones responsáveis por agregar significados
análogos ao poder para gerar relação massiva com
vários interpretantes. Sabe-se que verdade e política
sempre estiveram em más relações e confirma-se
essa hipótese quando nos deparamos com estratégias do governo cada vez mais publicitárias ao invés
de humanitárias. A propaganda política sempre será
usada como arma para persuadir a massa.
Palavras-chave: Totalitarismo; Espaço e objetos;
Produção de discurso.
Área do Conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas:
Comunicação
1. INTRODUÇÃO
A propaganda política é freqüentemente utilizada por
governantes para que a massa possa facilmente assimilar o poder e suprir a necessidade que tem de
organização e liderança.
Dulce A. Adorno-Silva
Poder, Propaganda e Sociedade
Centro de Linguagem e Comunicação
[email protected]
O totalitarismo é um exemplo do uso da propaganda
política para essa finalidade, porque o consideramos
um Estado cuja ação política é centralizada e dirigida
pelo Poder, que necessita do apoio da massa para
legitimar-se. Por esse motivo, foi responsável pela
definição de importantes diretrizes para a composição marcante do espaço público.
Porém, não somente o Estado totalitário lança mão
desse artifício para legitimar-se e permanecer no
poder. Em função da conquista do apoio da massa e
da permanência no Poder, o Estado democrático
também constrói monumentos, definidos como índices da identidade nacional, representando sentimentos e realidades da época em que foram inseridos no espaço.
A maioria dos monumentos construídos em épocas
quando os regimes estavam instaurados são carregados de historicidade, isto é, são signos, que revelam com grande significação a linguagem utilizada
pelo poder. Para confirmação da hipótese, são analisados a seguir objetos e espaços construídos para
propagação política.
2. ANÁLISES:
2.1 O Governo Vargas
O governo populista de Getúlio Vargas expressou
seu poder totalitário (1930-1945), por meio da construção de monumentos, utilizando-os como propaganda política, porque se impõem pela grandiosidade, assim como meio de gerar discurso para a massa e entre os indivíduos que a formam.
O Cristo Redentor, inaugurado em 1931, não somente representou o reatamento do laço entre o Poder totalitário e a Igreja, como também revitalizou o
espírito nacionalista do povo, tornando-o mais próximo dos valores nacionais.
2.2 O Governo JK
Já no governo democrático (1956-1961) de Juscelino
Kubitschek, que possuía como principal objetivo alinhar a economia brasileira à americana, houve a
construção de Brasília, nova capital do Brasil.
A capital brasileira construída para descentralizar o
desenvolvimento da região sudeste, expandindo-o
para outras regiões do país, foi construída em apenas 41 meses e é vista como ícone de planejamento,
uma metáfora de organização e desenvolvimento,
idéias que o governo procurava passar a massa naquele período.
Apesar do desenvolvimento vivido pelo país no governo JK, houve também a dívida milionária obtida
junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para
trazer à região sudeste do país um excelente projeto
industrial.
Brasília não pode ser considerada somente ícone,
mas também, na concepção de Barthes, símbolo da
grandiosidade projetada pela capital.
2.3 A Ditadura Militar
A principal característica de um governo ditatorial é a
falta de comunicação ou a precariedade de informações que chegam à massa durante o regime.
Contudo, para conquistar o apoio da massa descontente com o Totalitarismo, que se impôs apesar dela
e não por meio dela, o governo construiu a Ponte Rio
- Niterói, projeto que datava de 1875, mas cuja execução se deu a partir de 1968, sob o Regime Militar
quando Costa e Silva estava na presidência e o país
sob forte instabilidade política. Com o objetivo de
interligar as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, essa
obra realizada durante o regime ditatorial e construída com parte do capital emprestado de bancos britânicos. Ela é conhecida até hoje como uma das maiores do mundo.
O início de seu funcionamento, em 1968, foi marcado
pela visita do príncipe da Inglaterra, o que deu ao
empreendimento renome internacional, revestindo-o
de grandiosidade, em um período conturbado em
que o governo precisava ganhar o apoio da massa.
3. CONCLUSÃO
A história do Brasil foi marcada por contradições.
Diversos monumentos construídos durante os governos de Getúlio Vargas, JK e a Ditadura Militar são
carregados de historicidade, além de serem motores
da propaganda política como forma de persuadir a
massa.
O espaço da propaganda política é signo, pois se
torna representação a partir das convenções do po-
der (terceiridade peirceana), uma vez que ele repete
ações políticas já comuns no mundo antigo, isto é, a
construção de grandes monumentos a fim de causar
impacto (primeiridade, conforme Peirce) nos indivíduos da massa e produzir discurso entre eles. Como
exemplo, têm-se as Pirâmides do Egito, o Arco do
Triunfo da França e a intenção de Hitler de construir
na Alemanha um Arco do Triunfo, cinqüenta metros
mais alto do que o construído por Bonaparte. Se
analisados isoladamente cada um, são vistos como
ícones que carregam em sua forma, espaço e cores,
as características de intenção do poder: grandiosidade, imponência, permanência, imposição. Porque
remetem ao país em que estão situados, são também índices de nacionalidade, Contudo, opta-se pela
concepção de símbolo proposta, por Barthes, para
entendê-los como um signo que oculta o tempo (repleto de problemas) quando foram construídos, para
adquirir um significado maior que se generaliza: a
grandiosidade da nação, o poder de quem ordenou a
construção: os monumentos são metáforas para a
massa, porque possuem analogia com o sonho de
poder do ser humano.
Logo, obras e empreendimentos representam convenções do poder e remetem a períodos da história
de cada país. As construções incitam a massa a dar
continuidade ao que já foi criado, motivo por que
muitos dos que viveram na época da Ditadura Militar
dizem ser o melhor período de suas vidas.
Os projetos arquitetônicos remetem à permanência
do poder, pois ocupam espaço fixo e perduram durante séculos.
REFERÊNCIAS
[1] ADORNO-SILVA, Dulce. A.(2006) Estado e Propaganda Política, in Anais do Congresso Interdisciplinar de Comunicação (INTERCOM), trabalho apresentado ao NP03 – Publicidade, Propaganda e Marketing do IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom.
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Lisboa: Relógio D’Água Editores.
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[5] BURDEAU, Georges. (2005) O Estado. 1ª ed.
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[7] CORRÊA, Roberto. (2007) Uma Sistematização
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[9] LEBRUN, Gérard.(1999) O que é Poder. São
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[10] SANTAELLA, Lúcia. (1983) O que é Semiótica.
1ª ed. São Paulo: Brasiliense.
[11] SKIDMORE, Thomas. (1982) Brasil: de Getúlio a
Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
[12] __________________. (1988) Brasil: de Castelo
a Tancredo. 6ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
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Resumo Expandido Luiz Henrique de Carvalho - PUC