0 UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação Departamento de Estudos Agrários Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO MÁRCIA REGINA CONCEIÇÃO DE ALMEIDA EXPERIÊNCIAS DE COMPRA NO PONTO DE VENDA EM LOJAS DE VAREJO UM ESTUDO EM PANIFICADORAS Ijuí (RS) 2012 1 MÁRCIA REGINA CONCEIÇÃO DE ALMEIDA EXPERIÊNCIAS DE COMPRA NO PONTO DE VENDA EM LOJAS DE VAREJO UM ESTUDO EM PANIFICADORAS Dissertação apresentada ao Curso de PósGraduação Stricto Sensu em Desenvolvimento, Linha de Pesquisa Gestão de Organizações para o Desenvolvimento, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento. Orientadora: Profª. Drª. Lurdes Marlene Seide Froemming Ijuí (RS) 2012 2 Catalogação na Publicação A447e Almeida, Márcia Regina Conceição de. Experiências de compra no ponto de venda em lojas de varejo : um estudo em panificadoras / Márcia Regina Conceição de Almeida. – Ijuí, 2012. – 155 f. : il. ; 29 cm. Dissertação (mestrado) – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Campus Ijuí). Desenvolvimento. “Orientadora: Lurdes Marlene Seide Froemming”. 1. Comportamento do consumidor. 2. Experiência de compra. 3. Ponto de venda. 4. Panificadoras. I. Froemming, Lurdes Marlene Seide. II. Título. III. Título: Um estudo em panificadoras. CDU: 658.8 Aline Morales dos Santos Theobald CRB10/1879 3 UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento – Mestrado A Banca Examinadora, abaixo assinada, aprova a Dissertação EXPERIÊNCIAS DE COMPRA NO PONTO DE VENDA EM LOJAS DE VAREJO - UM ESTUDO EM PANIFICADORAS elaborada por Márcia Regina Conceição de Almeida como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Desenvolvimento Banca Examinadora: Profa. Dra. Lurdes Marlene Seide Froemming (UNIJUÍ): _______________________ Profa. Dra. Christine da Silva Schröeder (UNISC): ___________________________ Prof. Dr. Jorge Oneide Sausen (UNIJUÍ): __________________________________ Ijuí (RS), 21 de agosto de 2012. 4 Aos meus pais, Valmor e Elenir de Almeida. Meu amor e companheiro Ivanei e meus filhos João Henrique e Felipe Marcks. Esta família que Deus me deu, a qual amo verdadeiramente. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço, em primeiro lugar, a Deus, pela possibilidade de respirar este mundo repleto de possibilidades. À minha família e amigos pelo carinho verdadeiro e pela disposição de entender a minha ausência. Aos colegas da Coordenadoria de Marketing que admiro pela criatividade e profissionalismo. Ao Professor Telmo Frantz e ao Gerente da Coordenadoria de Educação Continuada da Unijuí, Giancarlo Dary Bottega grandes incentivadores de minha entrada no Mestrado. Um agradecimento especial aos proprietários das Panificadoras que aceitaram prontamente a realização da pesquisa e me deram “carta branca” para a execução do trabalho. Aos colegas do Mestrado pelos momentos felizes, em especial Cláudia Huber e a Cristiele Deckert, amigas para todos os momentos. Aos clientes das panificadoras que dispenderam seu tempo para as entrevistas desta pesquisa. Aos professores do Mestrado em Desenvolvimento que marcaram esta trajetória de conhecimento. Aos bolsistas do DACEC – Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação da Unijuí, que me auxiliaram na “maratona” de aplicação dos questionários nas quatro panificadoras. À minha orientadora, conselheira e incentivadora, Professora Doutora Lurdes Marlene Seide Froemming, que, com seu conhecimento me proporcionou transformar ideias em um sonho realizado. Ao meu pai, pelo exemplo de ética e bom humor. 6 À minha mãe, a dona do maior coração do mundo, sempre pronta para ajudar. Ao meu esposo “Ivas”, pelo amor e disposição de segurar “todas” comigo. Aos meus filhos, João Henrique e Felipe, que são a minha maior motivação, pelos sorrisos mais lindos do mundo e os momentos que só eles me fazem vivenciar. 7 RESUMO Este trabalho teve como objetivo analisar a experiência de compra, observando o comportamento dos consumidores no varejo de alimentos no ponto de venda, tendo como foco analisar a circulação dos consumidores nas lojas, comparando o comportamento dos diferentes clientes. O varejo de alimentos, neste caso as panificadoras estão expandindo sua atuação, diversificando a oferta de produtos e buscando constante qualificação dos serviços prestados. A metodologia utilizada neste estudo está baseada em Underhill (2009), tendo em vista ainda a identificação dos efeitos dos recursos de apresentação interna e externa da loja como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores. Traçou-se ainda o perfil dos consumidores das quatro panificadoras e os principais atributos de escolha pela loja, sendo os principais o atendimento e a localização. A partir da observação in loco, constatou-se que a circulação dos clientes é influenciada pelo layout projetado para a loja, mas que movimentar-se pela direita é uma lógica que se aplica à maioria das pessoas. Verificou-se uma expressiva utilização dos recursos de apresentação interna e externa da loja B em relação às outras três lojas, como forma de atrair clientes. Mesmo com os diferentes formatos e tamanhos das quatro lojas, os consumidores se comportam de forma semelhante de acordo com o gênero e faixa etária. Constatou-se que as lojas estudadas pouco utilizam os elementos sensoriais como estratégia de diferenciação diante da concorrência. Palavras-chave: Comportamento do consumidor. Experiência de compra. Ponto de venda. Panificadoras. 8 ABSTRACT This work aims to analyze the buying experience, observing the behavior of customers in the food retail outlet, we focused on analyzing the movement of customers in stores and comparing the behavior of different clients. The food retailing, in this case, the bakeries are expanding its performance, diversifying the product offering and seeking the constant qualification of services provided. The methodology used in this study is based on Underhill (2009) it has also been noticed the identification of the effects of internal and external presentation resources of the store as ways to motivate and influence the purchase decisions of customers. It was yet traced the profile of consumers of the four bakeries and the main attributes of choosing a store, being the most important the customer service and location. From the on-site observation, it has been analyzed that the movement of customers is influenced by the layout designed for the store, but moving through to the right is a logic that applies for most of the people. It has been verified a significant usage of internal and external presentation resources of store B, in comparison to the other three stores, in order to attract customers. Even with different shapes and sizes of the four stores, customers behave similarly according to gender and age. It was found that the stores studied little utilize the sensory elements as a strategy of differentiation in face to competition. Keywords: Customer behavior. Shopping experience. Outlet. Bakeries. 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Elementos do composto de varejo ............................................................. 28 Figura 2: Como mulheres e homens tomam decisão de compra, adaptado do caminho em espiral ................................................................................................... 57 Figura 3: Modelo de planta baixa de loja ................................................................... 70 Figura 4: Imagem de clientes lanchando na porta da panificadora A ...................... 109 Figura 5: Layout da Panificadora A – mapa de acompanhamento .......................... 112 Figura 6: Layout da Panificadora B – mapa de acompanhamento .......................... 113 Figura 7: Layout da Panificadora C – mapa de acompanhamento.......................... 114 Figura 8: Layout da Panificadora D – mapa de acompanhamento.......................... 115 Figura 9: Imagem do pai comprando doce que o filho solicitou............................... 117 Figura 10: Imagem de uma criança “puxando” a mãe para mostrar um produto de seu interesse ........................................................................................................... 117 Figura 11: Imagem da mãe solicitando informação para a atendente sobre o produto indicado pela criança ............................................................................................... 118 Figura 12: Imagem da mãe comprando o produto que a criança solicitou .............. 118 Figura 13: Imagem de uma mulher na fila da panificadora degustando um produto .................................................................................................................... 119 Figura 14: Imagem de uma mulher na fila consumindo o produto antes de chegar ao caixa da loja ............................................................................................................ 119 Figura 15: Sequência de movimentação de uma mulher escolhendo no ponto de venda ...................................................................................................................... 120 Figura 16: Imagem de homem entra na loja e vai rapidamente ao balcão de atendimento............................................................................................................. 121 Figura 17: Imagem de homem olha para freezer e escolhe iogurte ........................ 121 10 Figura 18: Imagem de homem que rapidamente paga e sai da loja. Tempo total de compra 2 minutos .................................................................................................... 122 Figura 19: Visão geral do processo percebido ........................................................ 123 Figura 20: Porta panificadora D............................................................................... 125 Figura 21: Porta panificadora C............................................................................... 125 Figura 22: Vitrine da Panificadora B ........................................................................ 126 Figura 23: Imagem de prateleira de uma das lojas ................................................. 127 Figura 24: Imagem de produtos em freezer ............................................................ 127 Figura 25: Imagem da mesa de produtos sem lactose e sem glúten ...................... 128 Figura 26: Imagem de prateleira de uma das lojas ................................................. 128 Figura 27: Imagem de prateleira de uma das lojas ................................................. 129 Figura 28: Imagem do espaço para lanchar panificadora B .................................... 129 Figura 29: Imagem de gôndola preparada para promoção de vendas .................... 130 Figura 30: Imagem produtos separados por tipo ..................................................... 131 Figura 31: Imagem de local preparados para exposição de frutas e verduras ........ 131 Figura 32: Imagem de prateleira para exposição de pães ...................................... 131 Figura 33: Imagem de promoção de vendas de sorvete ......................................... 132 11 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Vendas de pão no Brasil .......................................................................... 38 Quadro 2: Ranking de motivos para se consumir em padarias ................................. 39 Quadro 3: Comportamento do consumidor ............................................................... 41 Quadro 4: Estágios da tomada de decisão ............................................................... 42 Quadro 5: Influências ambientais do comportamento no processo decisório ........... 45 Gráfico 6: Comparativo da evolução do setor da Panificação em 2011 .................... 64 Quadro 7: Estágios da tomada de decisão ............................................................... 69 Quadro 8: Gênero dos entrevistados – Panificadora A ............................................ 76 Quadro 9: Faixa etária dos entrevistados Panificadora A ......................................... 77 Quadro 10: Gênero dos entrevistados Panificadora B .............................................. 84 Quadro 11: Faixa etária dos entrevistados Panificadora B ....................................... 85 Quadro 12: Gênero dos entrevistados Panificadora C .............................................. 91 Quadro 13: Faixa etária dos entrevistados Panificadora C ....................................... 91 Quadro 14: Gênero dos entrevistados Panificadora D .............................................. 98 Quadro 15: Faixa etária dos entrevistados - Panificadora D ..................................... 98 Quadro 16: Total amostragem por sexo – Geral ..................................................... 103 Quadro 17: Faixa etária - Geral ............................................................................... 104 Quadro 18: Produtos que ainda não são ofertados nas panificadoras – Geral ....... 108 Quadro 19: Produtos não ofertados nas panificadoras – Geral .............................. 108 Quadro 20: Quadro comparativo das quatro panificadoras estudadas ................... 134 12 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Distância que reside da Panificadora A .................................................... 77 Gráfico 2: Tempo que é cliente - Panificadora A ....................................................... 78 Gráfico 3: Motivos para comprar nesta loja - Panificadora A..................................... 78 Gráfico 4: Produtos adquiridos com maior frequência - Panificadora A .................... 79 Gráfico 5: Fatores que mais agradam - Panificadora A............................................. 80 Gráfico 6: Fatores de desagrado - Panificadora A .................................................... 81 Gráfico 7: Distância que reside da loja – Panificadora B ........................................... 85 Gráfico 8: Tempo que é cliente – Panificadora B ...................................................... 86 Gráfico 9: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora B .................................... 87 Gráfico 10: Produtos adquiridos com maior frequência – Panificadora B ................. 88 Gráfico 11: Fatores que mais agradam – Panificadora B .......................................... 89 Gráfico 12: Distância que reside – Panificadora C .................................................... 92 Gráfico 13: Tempo que é cliente – Panificadora C .................................................... 93 Gráfico 14: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora C ................................. 94 Gráfico 15: Produtos adquiridos com maior frequência– Panificadora C .................. 94 Gráfico 16: Produtos de seu interesse que ainda não são ofertados nesta loja – Panificadora C ........................................................................................................... 95 Gráfico 17: Fatores que mais agradam – Panificadora C .......................................... 96 Gráfico 18: Distância que reside da panificadora – Panificadora D........................... 99 Gráfico 19: Tempo que é cliente – Panificadora D .................................................... 99 Gráfico 20: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora D ............................... 100 Gráfico 21: Produtos adquiridos com maior frequência – Panificadora D ............... 101 Gráfico 22: Fatores que mais agradam - Panificadora D ........................................ 102 Gráfico 23: Distância que reside da loja – Geral ..................................................... 104 Gráfico 24: Tempo que é cliente – Geral ................................................................. 105 13 Gráfico 25: Motivos que levam a comprar nesta loja – Geral .................................. 106 Gráfico 26: O que mais lhe agrada- Geral ............................................................... 107 Gráfico 27: Fatores de desagrado – Geral .............................................................. 107 14 LISTA DE ABREVIATURAS ABIP - Associação Brasileira da Indústria da Panificação DACEC - Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação FDA - Food and Drug Administration IPSOS - Agência Mundial de Pesquisa de Mercado ITPC - Instituto Tecnológico Propan - Programa de Apoio à Panificação NEM - Núcleo de Estudos de Marketing PDV - Ponto de Venda 15 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 18 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO .................................................................... 20 1.1 Apresentação do tema ........................................................................................ 20 1.2 Formulação do problema..................................................................................... 21 1.3 Objetivos ............................................................................................................. 22 1.3.1 Objetivo geral ................................................................................................... 22 1.3.2 Objetivos específicos........................................................................................ 22 1,4 Justificativa .......................................................................................................... 22 2 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................................... 25 2.1 Varejo e marketing .............................................................................................. 25 2.1.1 Composto de varejo ......................................................................................... 27 2.2 Varejo e suas peculiaridades .............................................................................. 32 2.2.1 Tipos de varejistas ........................................................................................... 33 2.2.2 Varejo de alimentos .......................................................................................... 34 2.3 O pão e as padarias ............................................................................................ 35 2.3.1 Histórico ........................................................................................................... 35 2.3.2 Pão no Brasil .................................................................................................... 37 2.3.3 O negócio das panificadoras ............................................................................ 38 2.4 Comportamento do consumidor na atualidade .................................................... 40 2.4.1 O novo consumidor .......................................................................................... 43 2.4.2 Entender o cliente ............................................................................................ 45 2.4.3 Os aspectos sensoriais .................................................................................... 46 2.4.4 Satisfação dos clientes ..................................................................................... 51 16 2.4.5 Como as pessoas se movimentam .................................................................. 54 2.4.6 Diferenças no ato da compra ........................................................................... 55 2.4.6.1 Homens e mulheres: quanta diferença! ......................................................... 56 2.4.6.2 As crianças também querem comprar ........................................................... 58 2.4.6.3 O jovem não quer só comida, ele quer comida, diversão e arte .................... 59 2.5 Em cena, a majestosa experiência de compra .................................................... 60 3 METODOLOGIA..................................................................................................... 66 3.1 Importância da pesquisa em marketing ............................................................... 66 3.2 Classificação do estudo....................................................................................... 67 3.3 Pesquisa por observação .................................................................................... 68 3.4 Universo pesquisado ........................................................................................... 71 3.5 Instrumentos da pesquisa ................................................................................... 72 3.6 Procedimentos da pesquisa ................................................................................ 72 3.7 Trajetória da construção dos dados .................................................................... 74 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................ 75 4.1 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora A ............. 75 4.2 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora A .................... 82 4.2.1 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora B .......... 84 4.2.2 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora B ................ 89 4.3 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora C ............. 91 4.3.1 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora C ................ 96 4.3.2 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora D .......... 97 4.3.3 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora D .............. 102 4.3.4 Sei quem você é e onde quer comprar........................................................... 103 4.3.4.1 Comparativo das quatro panificadoras ........................................................ 103 5 ANDANDO, DEGUSTANDO E COMPRANDO .................................................... 109 5.1 Siga-me se for capaz ........................................................................................ 109 5.2 Pai, mãe, filho ou filha, eu também sou da família, também quero comprar ..... 116 5.3 Vi, ouvi, senti, provei e comprei......................................................................... 122 5.4 A loja que fala.................................................................................................... 124 5.4.1 Vitrines ........................................................................................................... 124 17 5.4.2 Merchandising ................................................................................................ 126 5.4.3 Promoção de venda ....................................................................................... 132 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.............................................................. 135 6.1 Conclusões........................................................................................................ 135 6.2 Implicações Gerenciais para as panificadoras .................................................. 137 6.3 Implicações Acadêmicas do estudo .................................................................. 137 6.4 Limitações do estudo ........................................................................................ 138 6.5 Considerações finais ......................................................................................... 139 6.6 Recomendações ............................................................................................... 141 6.6.1 Importância da observação para a pesquisa de marketing ............................ 141 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 143 APÊNDICES............................................................................................................ 147 18 INTRODUÇÃO A experiência de compra no ponto de venda tende a influenciar o processo decisório de um cliente. Dessa forma, o ponto de venda pode promover mais negócios se houver conhecimento profícuo de clientes e suas expectativas. O varejo de alimentos, em específico as panificadoras, tem expressiva participação na economia brasileira, a partir da expansão dos serviços, da modernização do setor e das variedades de produtos ofertados. Segundo dados do Programa de Apoio à Panificação (Propan), disponíveis no site da Associação Brasileira da Indústria da Panificação (ABIP, 2012), em 2010 foram mais de 50 mil vagas de trabalho abertas (crescimento de 3,4% sobre 2009). Pesquisas apontam ainda que das 63,2 mil padarias existentes no país, em 2011 tiveram um crescimento estimado de 11,88%, o que representa um faturamento de R$ 62,99 bilhões. Dessas, somente 5% lideram o processo de modernização no setor. O crescimento deste setor representa também o aumento de consumidores circulando e comprando em panificadoras. Este cenário evidencia a importância de estudos nesse tipo de loja varejista, e este trabalho teve por objetivo principal analisar o comportamento dos consumidores em quatro panificadoras, a partir da observação de seu comportamento de compra no ponto de venda. O estudo orientou-se pela metodologia de Underhill (2009), que se consubstancia em observar o comportamento na origem do processo da efetivação da compra: a loja. Os instrumentos utilizados neste estudo foram: filmagens, mapas de acompanhamento e questionários que proporcionaram uma visão mais sistêmica dos consumidores que transitaram nas quatro lojas. O considerável volume de informações e dados obtidos nesta pesquisa permite afirmar que o perfil dos clientes 19 estudados se assemelha ao já descritos pela ABIP, que escolhem a loja, principalmente a de conveniência, por estar mais próxima da residência ou do local do trabalho. A partir dos dados coletados nas entrevistas, análise das filmagens nas quatro lojas, mapas de circulação e fichas de acompanhamento dos clientes, analisou-se a experiência de compra, observando o comportamento dos consumidores no ponto de venda das panificadoras. A organização desta dissertação está assim constituída: O primeiro capítulo é composto pela contextualização do estudo, a apresentação e delimitação do tema da pesquisa, seguido pelo problema, pelos objetivos geral e específicos e pela justificativa do presente estudo. No segundo capítulo, faz-se um levantamento bibliográfico sobre varejo, composto do varejo, varejo de alimentos, em específico as panificadoras e a história do pão. Outro item abordado neste capítulo é o comportamento do consumidor, as especificidades de gênero e idade e a experiência de compra. Em seqüência, no terceiro capítulo, discorre-se sobre a metodologia adotada, com a classificação, universo, os sujeitos e objetos para a pesquisa, o instrumento de pesquisa, além das técnicas de coleta e análise e interpretação dos dados utilizados. O quarto capítulo, de análise e interpretação dos resultados da pesquisa, mostra os resultados sobre o instrumento de coleta de dados para definição do perfil dos clientes das quatro panificadoras, bem como um fluxo dos consumidores em cada uma das lojas. O quinto capítulo contém a identificação do efeito dos recursos de apresentação interna e externa da loja como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores, como fachadas, vitrines, gôndolas, dentre outros. A sexta parte contém as conclusões e recomendações do presente estudo. 20 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO 1.1 Apresentação do tema No momento do encontro do consumidor com o ambiente onde vai suprir suas demandas, estão envolvidos elementos intrínsecos desta relação pouco previsível. Atualmente, cresce o interesse das lojas em oferecer ao consumidor uma experiência singular no momento da compra. Os cinco sentidos do consumidor são estudados e enaltecidos com aromas, imagens e sons agradáveis, dentre outras estratégias para aguçar os desejos e instigar a compra. A definição de comprar enunciada por Solomon (2011) refere-se ao jeito como as pessoas adquirem produtos e serviços, destaca-se a importância dos motivos sociais. Portanto, podese comprar por razões utilitárias (funcionais ou tangíveis) ou hedônicas (prazerosas ou intangíveis). O Modelo de Tomada de Decisão de Compra baseado em Engel, Blackwell e Miniard (2000) considera que o consumidor é influenciado por três grandes elementos: ambiente, processos psicológicos e diferenças individuais. O ambiente é composto por: cultura, classe social, influência pessoal, família e situação que, se trabalhados estrategicamente, podem representar diferencial para a loja. A experiência da compra, quando pensada como algo personalizado para um determinado público, pode elevar as possibilidades da compra repetida, de satisfação do cliente e lealdade à marca. “Os fregueses são volúveis atualmente, e sua fidelidade à marca – seja de um produto ou uma loja – dura apenas tanto quanto o brilho da experiência de compras mais recente” (UNDERHILL, 2009, p. 218). Além de qualificar o ambiente, a estratégia de encantar o consumidor deve permear tudo e todos que fazem parte da loja. Desde o atendimento até os produtos ofertados, devem estar em consonância com o planejado pela loja e a expectativa do cliente. Estudar este tema também objetiva uma reflexão sobre os segmentos distintos de consumidores e os elementos tangíveis e intangíveis da experiência da compra. Analisar a experiência da compra suscita a percepção de todo o estágio da tomada de decisão por parte do consumidor. Esta visão sistêmica do negócio pode auxiliar o empresário a perceber oportunidades de qualificar seu produto ou serviço. Para Underhill (2009, p. 216), “não conseguimos percorrer uma rua comercial ou ler 21 um menu de restaurante sem analisar a experiência e tentar descobrir como poderia ser melhorada”. Diante da complexidade do processo decisório no momento da decisão de compra, constitui-se como tema desse estudo: a experiência de compra em pontos de venda no varejo, especificamente em panificadoras. A delimitação do estudo compreende pesquisa com clientes de panificadoras localizadas em pontos diversificados na cidade de Ijuí, região Noroeste do Rio Grande do Sul. 1.2 Formulação do problema No livro “A era do acesso”, propugnado por Rifkin (2004), muitas são as opções ofertadas no mercado. Aliado a isso, o acesso ilimitado às informações via internet, tornou o cliente mais exigente. A grande arena da concorrência forçou o reposicionamento de empresas e produtos, na tentativa de continuar como uma das opções para os clientes. Lojas temáticas, ações de merchandising, promoção de venda vislumbram diferenciar-se diante da multidão de concorrentes e assim atrair clientes para a loja. O ponto de venda tornou-se um palco de espetáculos, movido pelas sensações que encantam os clientes. No varejo de alimentos, neste caso as panificadoras, apresentam-se atrativos pertinentes ao negócio, o aroma de produtos, como o pão, por exemplo. Mesmo assim, ainda é preciso qualificar as estratégias de negócio para o cliente, incluindo repensar o layout de loja, atrair consumidores a partir da experiência de compra. Estudar o comportamento dos consumidores no ponto de venda, no varejo de alimentos, permite conhecer os estímulos efetivos, como se movimentam, quais as dificuldades recorrentes no processo de decisão de compra. Assim, este estudo rege-se pelas inquietações formuladas na seguinte questão: Como os consumidores se comportam no ponto de venda de uma panificadora, como percorrem o local e a que estímulos são mais suscetíveis? 22 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Analisar a experiência de compra, observando o comportamento dos consumidores no varejo de alimentos no ponto de venda. 1.3.2 Objetivos específicos - Acompanhar e analisar a circulação dos consumidores nas lojas; - Comparar as nuances de comportamento de consumidores nas padarias pesquisadas; - Identificar o efeito dos recursos de apresentação interna e externa das lojas como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores. 1.4 Justificativa Este tema de estudo é relevante, pois o varejo de alimentos, em específico das panificadoras, tem expressiva participação na economia brasileira, a partir da expansão dos serviços, da modernização do setor e das variedades de produtos ofertados. Segundo dados da Propan, disponíveis no site da ABIP (2012), em 2010 foram mais de 50 mil vagas de trabalho abertas (crescimento de 3,4% sobre 2009). Ainda de acordo as pesquisas da ABIP, os dados apontam que das 63,2 mil padarias existentes no país, somente 5% lideram o processo de modernização no setor; 22% são emergentes; 27% vivem na estagnação; e 25% são conservadores e tendem a se extinguir. Este setor, embora tenha crescido na economia do país, precisa ainda de qualificação, seja de mão-de-obra, ponto de venda, serviços e produtos. O crescimento deste setor representa também o aumento de consumidores circulando e comprando em panificadoras. A pesquisa da experiência de compra no ponto de venda é um tema atual, que objetiva conhecer profundamente os consumidores, sua forma de transitar e comprar nesses estabelecimentos. A escolha da experiência de compra no ponto de venda como estudo se justifica, pois a partir das especificidades de cada ambiente 23 de negócio, existe a possibilidade de desvendarem-se tendências que podem ser replicadas em segmentos semelhantes. Esta pesquisa é relevante para as empresas estudadas, pois pretende fornecer subsídios para que conheçam, de forma mais aprofundada, os seus consumidores, qualificando seus produtos e serviços, consequentemente, a experiência de compra dos clientes. “Antes de mais nada, as compras seguem a mudança social, e coitado do comerciante que não o compreende” (UNDERHILL, 2009, p. 218). O estudo do comportamento dos consumidores pode contribuir para que as empresas desenvolvam estratégias de marketing para estimular a compra, entendendo, de forma mais aprofundada, os desejos do consumidor e o ato da compra como uma experiência singular. Lofman (1991) propõe que os principais elementos relacionados ao consumo experiencial incluam o contexto ou situação na qual a experiência acontece, vários fatores pertinentes ao consumo em si (pensamentos, sentimentos, atividades, avaliação) e a estimulação dos consumidores por meio de modalidades sensoriais, tais como aroma, iluminação, sonorização, entre outros. Este estudo possibilita ao pesquisador aprofundar seus conhecimentos sobre comportamento do consumidor e sua relação com o varejo em suas compras cotidianas. A escolha das panificadoras como local de estudo deve-se à sua presença tanto em regiões centrais como em periferias das cidades. Outro fator instigante é o fato de a compra em panificadoras representar um processo rotineiro e muitas vezes por impulso. Entender o cliente e os seus desejos é um caminho para qualificar a experiência da compra, proporcionando sensações positivas e de satisfação. “Muito simples: entender o comportamento do consumidor é um bom negócio. Um conceito básico de marketing sustenta que as empresas existem para satisfazer as necessidades dos consumidores” (SOLOMON, 2011, p. 35). O estudo proposto utiliza a pesquisa de observação, que contribui para a identificação de falhas nos processos da relação cliente e empresa, mais perceptíveis na metodologia qualitativa e fenomenológica, como neste estudo. “Os dados sobre os consumidores auxiliam as organizações a definir o mercado e a identificar ameaças e oportunidades para uma marca. E, no mundo selvagem e extravagante do marketing, nada é para sempre: esse conhecimento também ajuda 24 a assegurar que o produto continue a ter apelo em seu principal mercado” (SOLOMON, 2011, p. 35). Por essas razões a pesquisa se enquadra na Linha de Pesquisa em Gestão das Organizações para o Desenvolvimento, do Mestrado em Desenvolvimento da Unijuí e também ligado ao Núcleo de Estudos de Marketing - NEM, inscrito no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ e área de Marketing e Desenvolvimento. 25 2 REFERENCIAL TEÓRICO Para o estudo proposto, há a necessidade de se buscar um referencial teórico em autores que auxiliem a compreensão das especificidades desta pesquisa. O embasamento teórico está ancorado na literatura sobre comportamento do consumidor e no Modelo de Tomada de Decisão de Compra baseado em Engel, Blackwell e Miniard (2000). Além de pesquisar o consumidor, analisam-se as padarias como negócio e como o composto de marketing no varejo se apresenta neste segmento. 2.1 Varejo e marketing Nas mais remotas transações comerciais já se identificava a importância do marketing para a diferenciação dos produtos diante dos concorrentes. Uma das premissas básicas das disciplinas do marketing é conhecer os consumidores, suas necessidades para assim atender, de forma singular, a clientela. Identificavam-se ações de marketing há muito tempo, desde que a atividade do comércio começou ser praticada pelo homem. “O comerciante que trazia especiarias do Oriente para as feiras européias da época das Grandes Navegações estava fazendo marketing ao apregoar seus produtos, enaltecer as qualidades deles, negociar preço e cuidar da distribuição” (MORGADO; GONÇALVES, 2001, p. 60). Definições são importantes para se entender marketing, Kotler (2006) aponta que este objetiva o equilíbrio entre a oferta e a demanda. Além disso, o autor indica que marketing identifica necessidades e desejos que ainda não foram potencializados; define os mercados que serão atendidos, além apontar produtos e serviços, “convoca a todos na organização para pensar no cliente e atender ao cliente” (KOTLER, 2006, p. 22). Com um mercado bastante concorrido, se antes as ofertas eram restritas, atualmente são inúmeras as possibilidades disponíveis aos consumidores com facilidade e acesso. A internet também possibilitou a interação do consumidor com que se denominou “varejo sem loja”, modificando o conceito de ambiente físico para atendimento na rede. 26 Ao abordar o varejo e o marketing, legitima-se a conjunção vital do atual panorama de mercado. A partir do conceito de marketing entender para atender o cliente, é imprescindível conhecer os consumidores e, consequentemente, as oportunidades deste ramo de negócio. Há também o aumento considerável da preocupação com o meio ambiente, devido aos excessos do consumo global, cujo descarte está se transformando em um problema crônico da sociedade atual. A partir do tradicional composto de marketing (produto, preço, praça e promoção), é possível às empresas identificar as potencialidades e fragilidades, mesmo antes de se instalar como tal. As informações levantadas com base no composto de marketing podem ser estratégicas para potencializar produtos e serviços aos clientes do varejo. O marketing mix (ou composto de marketing) foi popularizado por E. Jerome McCarthy e adotado pelos teóricos e pelo mercado como sendo os “quatro Ps” (produto, praça, preço e promoção). Consiste no “conjunto de variáveis controláveis que a empresa pode utilizar para influenciar as respostas aos consumidores” (MORGADO; GONÇALVES, 2001, p. 61). A pesquisa realizada pela Agência Mundial de Pesquisa de Mercado (IPSOS), sobre o “Varejo no Brasil” apontou que as “mudanças climáticas e comportamentais estão refletindo em ações de marketing no varejo. Desde os anos 1950, a variação de foco da indústria varejista mirou nas vendas, no produto, na propaganda, no Marketing Promocional junto ao ponto-de-venda até que, no ano 2000, o varejo resolveu, enfim, apostar no consumidor e, mais recentemente, no shopper, ou comprador”. Essa pesquisa está disponível no site Mundo do Marketing e noticia também o engajamento dos consumidores com a sustentabilidade do planeta, consequentemente, com as empresas que apresentam ações desta natureza (TERRA, 2012). Atualmente existem inúmeras técnicas para a diferenciação diante do cliente, promovendo um volume gigantesco de vendas e desenvolvimento de cidades e regiões a partir do comércio varejista. “Desde os primórdios da humanidade os varejistas desempenham um papel importante na distribuição de mercadorias” (COBRA, 1992, p. 503). Desde então, houve uma grande evolução neste ramo de negócio. As lojas de departamento com padrão americano espalharam-se também pelo Brasil. Promoções instigantes e diversidade de produtos atraiam um grande número 27 de pessoas com a estratégia do preço. Cobra (1992, p. 503) refere-se que o “da organização empresarial do comércio varejista é, todavia, relativamente recente, e a adoção de técnicas administrativas modernas data de algumas décadas, nos Estados Unidos e na Europa”. No Brasil, a partir do século XIX, constatou-se evidente influência europeia no que tange ao formato das transações comerciais e os costumes. Nesse pequeno comércio encontram-se bazar, armarinhos, tecidos, papelaria, tapeçaria, vestuário, farmácia, armazém, venda, artigos diversos etc., e, como prestação de serviços, consertos em geral, chaveiro, sapateiro, encanador (bombeiro), eletricista, borracheiro, auto-elétrico, vidraceiros etc. (COBRA, 1992, p. 516). Mesmo com a presença de muitas lojas de departamento, o Brasil apresenta a grande maioria do comércio de varejo como pequenas lojas de administração familiar. Os pequenos varejistas fortalecidos pelo volume de demandas pontuais, como de consertos em geral, podem diferenciar seu serviço por meio de um nome, logotipia, formato de loja ou de divulgação. 2.1.1 Composto de varejo A estratégia de cada negócio precisa estar ancorada na identidade que a loja quer ter com o seu cliente. A resposta dos consumidores envolverá toda a gama de informações cognoscíveis, os estímulos percebidos e as sensações provocadas. “O composto de varejo é a combinação de fatores que os varejistas usam para satisfazer as necessidades dos clientes e influenciar suas decisões de compra” (LEVY; WEITZ, 2000, p. 39). Mesmo parecendo óbvio que um negócio, para satisfazer um cliente, necessite atingir a excelência de todos os elementos do composto de varejo, nem sempre é o que ocorre. São inúmeros os casos de clientes insatisfeitos com os serviços oferecidos, podendo-se elencar o mau atendimento e produtos com defeito, constatado pelas redes sociais. Esses problemas podem ocasionar, inclusive, o rompimento do relacionamento com o consumidor. 28 Os elementos do composto do varejo incluem os tipos de mercadorias e serviços oferecidos, preços de mercadorias, publicidade e programas promocionais, design de lojas, exposição de mercadorias, assistência aos consumidores fornecida pelos vendedores, e a conveniência de localização das lojas (LEVY; WEITZ, 2000, p. 39), Portanto, é mais abrangente que os quatro Ps básicos. A figura 1 apresenta a amplitude do conceito. ESTRATÉGIA DE VAREJO Figura 1: Elementos do composto de varejo Fonte: Adaptada de LEVY, WEITZ, 2000, p. 40. A estratégia do varejo, modelo da figura 1, reúne elementos que precisam ser articulados e qualificados com eficácia em um negócio. Dois elementos são de vital importância para o varejo: o layout da loja e o atendimento, ou seja, as pessoas que compõem essas empresas. A disposição de uma loja pode, por um lado, instigar o consumidor a entrar no estabelecimento e comprar; por outro, pode provocar irritabilidade no cliente quando não consegue encontrar o que procura ou, ainda, pode estar sujeito a imprevistos devido à (des)organização interna da loja. O atendimento tem papel fundamental para as vendas e para a satisfação, já que pode gerar relacionamentos que levam à fidelização. 29 A popularização do conceito de marketing mix voltou-se, primeiramente, ao setor industrial. “No varejo, esse conceito também tem sido amplamente utilizado, algumas vezes chamado de mix varejista, porém é costume agregar a ele outros dois Ps, um para apresentação de loja (presentation) e outro para pessoal (people)” (MORGADO; GONÇALVES, 2001, p. 62). Os Ps fundamentais para o varejo assim se enunciam: Produtos O varejo, sendo um serviço que disponibiliza bens da indústria para o consumidor, mune-se de composto de produtos que atendam seus clientes. Os varejistas, em especial de alimentos, incrementam suas gôndolas com produtos com boa procura pelos fregueses. É preciso ter cautela para retirar os produtos que têm baixa procura, pois estes podem ocasionar o afastamento de clientes que poderiam ser mais intensos em suas aquisições. Conforme Morgado e Gonçalves (2001, p. 63), “Ao definir sua linha de mercadorias, o varejista deve ter clara noção do público-alvo que pretende atingir, adequando-a as necessidades desse consumidor em termos de características e benefícios procurados”. Preços O preço é o valor de troca entre varejista e consumidores finais, e depende também da política de preços dos fabricantes. Para Levy e Weitz (2000, p. 385), “Os varejistas têm respondido às necessidades dos seus clientes com formatos de varejo que enfatizam os preços baixos como uma forma de criar vantagem diferencial”. A estratégia do preço baixo como vantagem diferencial vai depender do público a que se destina. Exemplo disso são os supermercados que desenvolvem formatos diferenciados de promoção. Alguns praticam preço baixo todo dia em determinados produtos; outros têm ações promocionais em determinados dias da semana. 30 O preço pode ser um elemento de segmentação de públicos. Promoções podem atrair consumidores, inclusive de classes mais baixas. Clientes de poder aquisitivo mais elevado podem ser seduzidos também por “algo mais” do que preços baixos. Pessoal Existem situações em que se compra algo a partir da influência de um “bom” atendimento, por meio do qual o vendedor demonstra ao cliente que o produto ou serviço justifica o investimento naquele momento. Pode ser que, posteriormente, a racionalidade indique o contrário, mas o fato é que um vendedor com informações sobre a empresa e os produtos pode ser um diferencial para o aumento das vendas. De acordo com Morgado e Gonçalves (2001, p. 64), Mesmo nos varejistas mais automatizados ou nos que trabalham com sistemas de venda por auto-serviço, há sempre a necessidade de adequar o perfil da equipe de funcionários e o nível de atendimento oferecido às expectativas do público alvo. O pessoal de atendimento pode contribuir para a fidelização de clientes, também com a “atmosfera” do ambiente organizacional, gerando um lugar de sensações positivas e aproximação com os consumidores. Mas, para que isto aconteça, é necessário qualificação do profissional pela empresa. O atendimento ao cliente é o conjunto de atividades e programas assumidos pelos varejistas para tornar a experiência de compra mais recompensadora para seus clientes. Essas atividades aumentam o valor que os clientes recebem a partir das mercadorias e serviços que compram (LEVY; WEITZ, 2000, p. 495). A qualificação do atendimento personalizado ao perfil do cliente pode estreitar relacionamento e promover a compra repetida. Cordialidade aliada a um profundo conhecimento do negócio e os produtos ofertados resultam na customização com foco na excelência em atendimento. 31 Praça/Ponto A definição do local para a instalação de uma loja está diretamente ligada ao público-alvo do negócio. A localização central geralmente requer mais investimento, mas também pode expandir o universo de consumidores, enquanto a região periférica de uma cidade pode ter um investimento mais baixo, mas pode limitar a atuação da empresa. A definição de praça de atuação dependerá dos objetivos de negócio estabelecidos no planejamento organizacional. A escolha do ponto representa uma difícil tarefa no varejo, pois “cada loja tem sua área de influência, ou seja, uma área geográfica capaz de atrair clientes, o varejista deve considerar o ponto em função da população residente em seu entorno” (MORGADO; GONÇALVES, 2001, p. 63) para a definição de horários, promoções e outras estratégias de marketing. Layout O layout, em grande parte, é responsável pela identidade de uma loja, pode ser um dos influenciadores do segmento que transitará pelo ambiente. Como ressaltam Morgado e Gonçalves (2001), deve haver coerência entre os produtos ofertados e a imagem percebida da loja. De nada adianta ter ótimas ofertas se não há visibilidade aos consumidores. É preciso ser estratégico quando se fala em layout, que não pode ser somente bonito; é necessário que ele tenha identificação com o público que se quer atingir e valorizar todos os espaços internos da loja. Três dimensões precisam ser consideradas ao se projetar uma loja: a primeira dimensão é a atmosfera da loja, que deve ser coerente com a sua imagem e estratégia macro; a segunda é um projeto de loja que seja capaz de influenciar decisões de compra dos clientes; e a terceira requer que todos os espaços da loja sejam orientados estrategicamente para a venda (LEVY; WEITZ, 2000). Promoção A divulgação da loja de varejo aos públicos-alvo pode ser feita por vários meios: mídia impressa, televisão, rádio, as chamadas mídias tradicionais. Além destas, as mídias alternativas são oportunidades de focar as ações publicitárias a 32 determinados públicos. “[...] atrair reportagens e matérias jornalísticas sobre sua loja, promoções com brindes, sorteios e descontos ou ainda realizar ações de marketing direto com malas-diretas, telemarketing e propagandas de resposta direta” (MORGADO; GONÇALVES, 2001, p. 63). Quando se aborda a propaganda, é necessário entender que a melhor mídia é aquela com a qual o cliente se relaciona com mais frequência; nem sempre o investimento deve ser em mídia de massa. As mídias alternativas desempenham um importante papel quando a estratégia é atingir segmentos e diferenciar-se diante das mídias tradicionais, como rádio, jornal, TV. Atualmente as redes sociais têm se apresentado como uma mídia de baixo investimento, utilizada pelo varejo para divulgar suas ofertas, produtos e serviços. Em uma pesquisa rápida em comunidades virtuais, podem obter-se dados e informações sobre marcas e seu desempenho para aqueles consumidores. Estes subsídios têm sido cada vez mais estratégicos para avaliação de produtos ou serviços. 2.2 Varejo e suas peculiaridades O varejo é identificado por vender ao consumidor final. “O varejo é a atividade comercial responsável por providenciar mercadorias e serviços desejados pelos consumidores” (LA CASAS, 2000, p. 17), e, devido à venda direta ao consumidor, a concorrência cada vez mais acirrada, deve qualificar relacionamentos com o cliente, transformando a satisfação em fidelidade. Cobra (1992, p. 505) apresenta quatro características importantes que identificam o varejo: - No varejo, quem inicia a compra geralmente é o consumidor, ao contrário da venda de fabricantes ou atacadistas para varejistas em que a iniciativa é do vendedor; - O varejo tem um sentido de urgência. As pessoas desejam comprar e usar as mercadorias imediatamente; - A venda é efetuada geralmente em pequenas quantidades; - O varejo tem normalmente uma localização fixa e, por isso, precisa atrair compradores, uma vez que não pode ir até os compradores, como o fazem os vendedores de fabricantes, de atacadistas e de distribuidores. 33 Atualmente, as lojas de varejo, independente do segmento, necessitam diferenciar-se a partir dos elementos do composto de marketing. Estudar o varejo representa a possibilidade de entrar em contato com um tipo de negócio em constantes mudanças, que envolve uma diversidade de segmentos de lojas e públicos. O comportamento do consumidor, no ato da compra em lojas de varejo, pode ser influenciado pela diferenciação dos elementos do composto de marketing, como a localização do ponto, o layout da loja, o atendimento, as promoções. O ambiente físico pode ser considerado como um dos primeiros elementos para a decisão do consumidor e o layout da loja pode auxiliar na abordagem dos clientes. O varejo é uma instituição importante na nossa sociedade e vem tomando novas configurações, pois o ambiente é de alta competitividade e rápidas mudanças, com grandes oportunidades e necessidade de decisões estratégicas bastante sofisticadas, adequadas a um ambiente extremamente dinâmico (ZAMBERLAN et al., 2002, p. 36). A partir do dinamismo do varejo, é de suma importância que os empresários deste ramo conheçam o comportamento do consumidor em suas lojas e transformem estas informações, juntamente às da concorrência, em subsídios para as decisões estratégicas. 2.2.1 Tipos de varejistas Quando um grupo de varejistas apresenta um composto similar, trata-se de uma instituição de varejo que objetiva satisfazer as necessidades de um nicho de mercado (LEVY; WEITZ, 2000). Quatro elementos do composto de varejo são particularmente úteis para classificar os varejistas: o tipo de mercadoria vendida, a variedade e sortimento de mercadorias vendidas, o nível de atendimento ao cliente, e preço da mercadoria (LEVY; WEITZ, 2000). Os principais tipos de varejistas, na identificação de Kotler (2006), são: - Lojas de especialidade, definidas assim por terem uma linha restrita de produtos; - Lojas de departamentos, possuem várias linhas de produtos; 34 - Supermercados, apresentam operações de autosserviço relativamente grandes, de baixo custo, baixa margem e alto volume; - Lojas de conveniência, lojas consideravelmente pequenas, localizadas nas proximidades de áreas residenciais; - Lojas de descontos, possuem mercadorias padrão vendidas a preços mais baixos; - Varejistas off-price que possuem pontas de estoque e produtos com defeito vendidos a preços inferiores aos de varejo; - Superloja, geralmente são grandes áreas de vendas específicas, como lavanderias; - Showroom de vendas por catálogo, os clientes compram por catálogos e retiram as mercadorias nas lojas. 2.2.2 Varejo de alimentos A classificação das lojas de varejo de alimentos envolve diversos formatos no varejo alimentar, como bares, mercearias, padarias, minimercados, lojas de conveniência, supermercados compactos, supermercados convencionais, superlojas, hipermercados e clubes atacadistas (LEVY; WEITZ, 2000; PARENTE, 2000). Um supermercado convencional é uma loja de alimentos de autoatendimento que oferece comestíveis, carne e produtos agrícolas, apresentado vendas anuais acima de 2 milhões em área menor que aproximadamente 1.800 metros quadrados (LEVY; WEITZ, 2000, p. 40). As panificadoras caracterizam-se como lojas do varejo de alimento, que primeiramente surgiram para ofertar aos clientes pão e massas, mas atualmente muitas padarias apresentam-se como locais de conveniência, comercializando produtos alimentícios e outros gêneros. 35 2.3 O pão e as padarias 2.3.1 Histórico Segundo informações dos sites (HISTÓRIA DO PÃO, 2012a, 2012b, 2012c), o pão surgiu há 12 mil anos, na Mesopotâmia, juntamente com o cultivo do trigo. Os primeiros pães eram achatados, duros, secos e muitos amargos. Para serem ingeridos, eram lavados várias vezes em água fervente e depois assados sobre pedras ou embaixo de cinzas. Os povos pré-históricos provavelmente iniciaram a produção do pão há cerca de 10.000 anos. Inicialmente, as pessoas utilizavam pedras para moer os grãos, misturando com água e então cozinhavam a mistura sobre o fogo. Os arqueologistas encontraram pão nas ruínas de um vilarejo à beira de um lago na Suíça, onde habitavam pessoas acerca de 4.000 anos atrás. Uma cesta de pão, assada há 3.500 anos, foi encontrada no local onde havia sido enterrada, em uma tumba em Tebas, no Egito. O primeiro pão assado em forno de barro foi há 7000 a.C. no Egito. O pão chegou à Europa em 250 a.C., preparado em padarias. No entanto, a queda do Império Romano resultou no fechamento das padarias, e o pão teve que ser feito em casa novamente. A partir do século XII, a França passou a destacar-se como centro mundial de fabricação de pães. Antes de aprender a produzir fermento, o homem guardava um pouco da massa crua para misturar com as outras produzidas. Quando misturada com massa fresca, proporcionava o crescimento de toda a massa. Atribui-se aos antigos egípcios o descobrimento do processo de fermentação e o trabalho de panificação como uma forma de arte. Os povos egípcios eram ávidos consumidores de cerveja e utilizaram seus conhecimentos sobre o processo de fermentação para a produção do pão. Os gregos chamavam os egípcios de "arthophagoi", ou "comedores de pão". O primeiro testemunho escrito vem de Heródoto, que, em 450 a.C., escreveu "todos estão temerosos de alimentos fermentados, mas os egípcios fazem uma massa de pão fermentada" (HISTÓRIA DO PÃO, 2012a). Os gregos, que atribuíam a origem do pão aos deuses, deram a ele um caráter sagrado. Instituíram as padarias como estabelecimentos comerciais públicos e ensinaram este negócio aos romanos. A grande expansão do pão, em Roma, 36 causou o nascimento da primeira associação oficial de panificadores. Seus membros gozavam de um status privilegiado: eram livres de alguns deveres sociais e isentos de muitos impostos. A panificação tornou-se tão prestigiosa durante o Império Romano que era considerada no mesmo nível de outras artes, como escultura, arquitetura ou literatura. Até politicamente as classes dominantes usavam pão para satisfazer o povo e fazê-lo esquecer os problemas econômicos oriundos da expansão do Império. As legiões romanas levaram o pão para a Península Ibérica, apesar de várias referências afirmarem que o processo de panificação já era conhecido por lá, especialmente a fermentação, pois usavam a espuma da cerveja como fermento, o que produzia um pão mais leve e esponjoso do que o dos romanos, que ainda usavam o resto de massas velhas para a fermentação. Os romanos melhoraram o processo de moagem e, por isso, foram os primeiros a produzir pão branco. Antes disto, somente faziam-se pães escuros, de grãos integrais. Por volta de 100 a.C., Roma possuía mais de 200 padarias comerciais. Uma escola para padeiros foi criada pelos romanos no século I. À medida que o pão foi ganhando importância na vida das pessoas, ele começou a fazer parte de suas tradições religiosas. Por exemplo, a Bíblia relata que os antigos hebreus faziam matzota (pão sem fermento) antes da fuga do Egito. Os judeus comiam este tipo de pão durante o festival de Passover (Páscoa). A Igreja Católica prega que, durante a celebração da Missa, o padre transforma o pão no corpo de Jesus Cristo (JACOB, 2003). Poucos indivíduos sabem algo sobre o pão que eles compram, por isso, os governos criam leis para proteger os consumidores. Nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA), um organismo federal, limita as quantidades de umidade e amido que um pão pode conter. O FDA também proíbe a utilização de amaciantes químicos no pão. Tanto as leis federais quanto as estaduais proíbem nomes comerciais que possam induzir o consumidor a um engano. Outras leis de proteção ao consumidor exigem que os rótulos indiquem a data de panificação e listem as quantidades dos ingredientes usados no pão. 37 2.3.2 Pão no Brasil O trigo chegou à América na época do descobrimento, quando Colombo trouxe algumas sementes da Europa. Hernando Cortês introduziu o cereal no México em 1519. Desde então, alguns missionários o levaram para os atuais estados norte-americanos do Arizona e Califórnia. O trigo foi plantado em Garanhuns (Pernambuco), Teixeira (Paraíba), Meruoca (Ceará) chegando até a Ilha de Marajó (Pará). Mais tarde, desenvolveu-se também em Minas Gerais e Goiás. Em 1737, colonos açorianos deram grande impulso ao cultivo desse cereal, e o Brasil exportava grandes quantidades de trigo para Portugal (HISTÓRIA DO PÃO, 2012b). Em meados do século XIX, os trigais foram atacados pela ferrugem, praticamente desaparecendo até a Primeira Guerra Mundial. A partir de então, o governo brasileiro passou a se interessar mais pela questão, concedendo prêmios aos produtores e estimulando a pesquisa experimental. Com esse estímulo, a cultura do trigo foi retomada, desenvolvendo novas espécies, mais resistentes à ferrugem. O trigo foi uma das primeiras culturas trazidas pelos portugueses ao Brasil. A história do trigo no Brasil iniciou em 1534, quando as embarcações de Martim Afonso de Souza trouxeram as primeiras sementes de trigo para a Capitania de São Vicente (HISTÓRIA DO PÃO, 2012b). Antes do pão, o biju de tapioca estava presente no almoço e no jantar, como a farofa, o pirão escaldado ou a massa de farinha de mandioca, feita no caldo de peixe ou de carne. Inicialmente, a fabricação de pão obedecia a uma espécie de ritual próprio, com cerimônias, cruzes nas massas, rezas para crescer, afofar e dourar, principalmente quando eram assados em casa. A atividade da panificação se expandiu com os imigrantes italianos, e os pioneiros da indústria de panificação surgiram em Minas Gerais. O pão se popularizou somente no século XIX, mesmo sendo conhecido pelos colonizadores. Os pães feitos no Brasil eram escuros, enquanto na França tinham miolo branco e casca dourada. O pão francês, tão usado no Brasil, não tem muito a ver com os verdadeiros pães franceses, pois a receita do pão francês chegou ao Brasil no início do século XX, e difere do pão europeu por conter um pouco de açúcar e gordura na massa (HISTÓRIA DO PÃO, 2012c). 38 A evolução do negócio do pão no Brasil tem crescido continuamente nos últimos anos como identificado no quadro 1. Vendas de pão no Brasil Faturamento (milhões R$) Volume (mil tons) Per Capita (kg/hab/ano) População Brasileira milhões hab 2007 2.066.28 5 783.577 4,2 2008 2.275.626 2009 2.549.713 2010 2.927.721 803.219 4,2 871.662 4,6 967.565 5,1 2011 3.230.90 2 992.973 5,2 188 190 191 191 192 Quadro 1: Vendas de pão no Brasil Fonte: Abima/Nielsen (2012). 2.3.3 O negócio das panificadoras Segundo informações do site da ABIP (2012), o perfil do Setor de Panificação no Brasil tem as seguintes características: o segmento é composto por mais de 63 mil panificadoras, e a panificação está entre os maiores segmentos industriais do país. São mais de sessenta mil micros e pequenas empresas (96,3% das panificadoras brasileiras), e atendem, em média, 40 milhões de clientes por dia (21,5% da população nacional). O setor gera 780 mil empregos diretos e 1,8 milhões indiretos. Sua participação na indústria de produtos alimentares é de 36,2%, e na indústria de transformação representa 7% do total (ABIP, 2012). A distribuição das panificadoras no Brasil está definida da seguinte forma: São Paulo é o estado que concentra o maior número de panificadoras, 12.764, seguido pelo Rio de Janeiro com 7.400. No Rio Grande do Sul, são 6.058 e em Minas Gerais 5.455 estabelecimentos. O estado com o menor número de empresas de panificação é Roraima, com somente 91 padarias (ABIP, 2012). De acordo com seu tipo, as padarias foram classificadas em quatro formatos por Saab (2003): - Padarias tipo Boutique: são aquelas localizadas em regiões de alto poder aquisitivo, onde são comercializados, em sua maioria, produtos próprios e importados, sendo que o número de padarias desse tipo, no Brasil, não é, ainda, expressivo. 39 - Padarias de Serviço: são aquelas localizadas em regiões centrais e em ruas de grande circulação e concentração de lojas comerciais ou escritórios. Além dos produtos típicos de padaria e confeitaria, oferecem, também, dentre outros, serviços de bar, lanchonete e fast food. - Padarias de Conveniência: localizam-se em bairros residenciais. Além de oferecer os produtos e serviços das Padarias de Serviço, possuem um grande volume de produtos considerados de conveniência, com algumas chegando a comercializar cerca de 3.000 itens. - Pontos Quentes: trata-se de uma tendência de origem européia, onde a padaria abre uma filial, envia alguns tipos de pães já embalados, bem como outros de pães congelados, para que sejam assados no ponto quente. A vantagem é que não há necessidade de grandes espaços, haja vista a inexistência de um setor de produção, e, além disso, a reposição do estoque é realizada, diariamente, pela matriz, reduzindo, assim, os custos a serem incorridos com mão-de-obra e estocagem. (grifo do autor). Dentre os formatos apresentados, as panificadoras de conveniência estão muito presentes, sempre localizadas em espaços de grande fluxo de pessoas. Neste tipo de padaria, além do pão, a loja vai sendo incrementada com produtos que os seus clientes mais procuram, assemelhando-se aos minimercados. As quatro lojas pesquisadas são do tipo de conveniência, pois, além dos produtos e serviços de panificadora, comercializam itens de supermercado, de acordo com os pedidos dos clientes. Identificam-se diversos motivos para se consumir em panificadoras, conforme o ranking feito pela ABIP e descrito no quadro 2 Ranking de motivos para se consumir em padarias: Classificação 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º Motivos É próximo da residência É próximo do local de trabalho Condições de higiene e limpeza Cortesia no atendimento Qualidade dos produtos Variedade de pães e doces Rapidez no atendimento Pão quente a toda hora Instalações e ambiente agradáveis Preço mais acessível Horário de funcionamento Algum morador da casa definiu Praticidade no sistema de caixa Por ter estacionamento Quadro 2: Ranking de motivos para se consumir em padarias Fonte: ABIP (2012). % 100,0 52,7 30,7 28,8 25,7 18,6 14,3 11,3 6,5 5,6 4,7 2,9 2,0 1,8 40 Dentre os motivos citados no quadro 2, a proximidade da residência é o principal fator de definição do consumo em panificadoras. Este argumento pode ser uma das justificativas para o crescimento deste ramo de negócio nas regiões mais periféricas da cidade, proporcionando ao consumidor comodidade neste processo de compra rotineira. 2.4 Comportamento do consumidor na atualidade Solomon (2011, p. 33) define o campo do comportamento do consumidor como o “estudo dos processos envolvidos quando indivíduos ou grupos selecionam, compram, usam ou dispõem de produtos, serviços, ideias ou experiências para satisfazer necessidades e desejos”. Com tantas ofertas disponíveis aos consumidores, as empresas têm investido em diversas técnicas de marketing para diferenciarem-se na multidão de produtos e marcas. Mas isto realmente funciona? Não é tão simples responder a esta questão. Na verdade, trata-se de um conjunto de aspectos percebidos pelo consumidor em sua relação de compra. Diariamente os consumidores recebem uma grande quantidade de apelos publicitários de produtos e marcas mundiais, disponíveis juntamente aos nacionais, regionais e assim por diante. A tomada de decisão dos consumidores é influenciada pelo ambiente onde eles estão inseridos, além de processos psicológicos e aspirações individuais, apresentados nos modelos de Engel, Blackwell e Miniard (2000), em modelo apresentado no quadro 3. 41 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR MODELO GERAL PARA TOMADA DE DECISÃO DO CONSUMIDOR E DAS INFLUÊNCIAS SOBRE A DECISÃO Influências do Ambiente Processo de Decisão Necessidade Busca Diferenças Individuais Avaliação Process os Psi cológi cos Compra Consumo Avaliação “Divestment” Fonte: Engel, Blackwell & Miniard (1993). 2 Quadro 3: Comportamento do consumidor Fonte: Adaptado de Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 101). Nos estágios da experiência de consumo, em todos esses momentos, o consumidor está imbuído de sensações intrínsecas ao tipo de compra que efetuará. O processo decisório da compra pode ter maior índice de complexidade, necessitando de maior tempo e investimento para a efetivação ou, ao contrário, pode ser mais simples e rotineiro. Mesmo com as variáveis impostas pela complexidade da aquisição de um produto, os estágios do processo decisório de compra tendem a seguir o fluxo descrito no quadro 4. 42 QUADRO ESTÁGIOS DA TOMADA DE DECISÃO ESTÁGIOS DO PROCESSO DECISÓRIO E DESCRIÇÃO Reconhecimento da necessidade Uma percepção da diferença entre a situação desejada e a situação real suficiente para despertar e ativar o processo decisório Busca da informação Busca de informação armazenada na memória (busca interna) ou aquisição de informação relevante para a decisão no ambiente (busca externa). Avaliação de alternativa pré-compra Avaliação de opções em termos de benefícios esperados estreitamento da escolha para a alternativa preferida. Compra Aquisição da alternativa preferida ou de uma substituta aceitável. Consumo Uso da alternativa comprada Avaliação de alternativa pós-compra Avaliação do grau em que a experiência de consumo produziu satisfação. Despojamento Descarte do produto não-consumido ou do que dele restou. Quadro 4: Estágios da tomada de decisão Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 92). Ao direcionar a pesquisa para experiências de compra no ponto de venda, os estágios da tomada de decisão adequados para análise neste estudo, de acordo com o quadro 4, serão: reconhecimento da necessidade, busca da informação, avaliação de alternativa pré-compra e compra. Como regra, considera-se que o comportamento do consumidor está focado em objetivos. Os produtos ou serviços podem ser rejeitados ou aceitos de acordo com a importância percebida para o estilo de vida e as necessidades tidas como imprescindíveis (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). 43 2.4.1 O novo consumidor Seguindo a tendência de tornar a experiência da compra um momento especial, as empresas estão se aproximando cada vez mais do seu público, conhecendo-o profundamente e investindo para realizar seus desejos e surpreendêlo sempre. A Idade Pós-Moderna, então é pontuada pela diversão, enquanto a Idade Moderna foi caracterizada pela produtividade. Em um regime construído em torno do trabalho, a produção é o paradigma operacional e a propriedade representa os frutos do trabalho humano. Em um mundo orquestrado em torno da diversão, a performance reina e o acesso comercial a experiências culturais se torna a meta da atividade humana (RIFKIN, 2004, p.160). Há uma sensação que ronda as pessoas de que o tempo está passando muito rápido. O tempo tornou-se um dos nossos mais valiosos bens. Ter tempo para viver diferentes “papéis” tornou-se prioridade. Ter tempo para viver experiências emocionantes, ir a lugares que nos fazem ficar felizes, tornou-se tão ou mais importante do que conquistar e acumular riquezas. A letra da música do grupo de rock brasileiro Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, traduz muito bem o perfil deste novo consumidor. As mudanças estão acontecendo rapidamente; a sociedade contemporânea está frente a novos paradigmas; as transformações demográficas e econômicas estão alterando o panorama do consumo, com projeção de expansão em diversos segmentos. No Brasil, as tendências visualizadas anteriormente já são realidade com o avanço das mulheres no mercado de trabalho, o aumento de casais que optam por não ter filho, pessoas morando sozinhas, o número de idosos que continuará crescendo nos próximos anos e a maior expectativa de vida (A CONQUISTA DOS NOVOS CONSUMIDORES, 2011). Os consumidores são pessoas que têm suas percepções quanto ao mundo que as circunda, e muitas dessas especificidades estão expressas nas marcas e produtos adquiridos como símbolo de pertencimento a um grupo. Assim ocorre com o ambiente personalizado de pontos de venda, formatados com elementos simbólicos que representam um perfil de consumidor, provocando afastamento dos segmentos de clientes que não se reconhecem a partir dessa cognição. 44 A maioria de nós não tem a menor ideia do que deseja realmente. Sabemos que desejamos alguma coisa – e a desejamos com ansiedade e paixão, até ferocidade. [...] Nossa cultura nos induz a pensar em nossos desejos a cada minuto do dia: quero isso, isso e isso. Mesmo assim, no fundo de nossas mentes, há sempre uma pontada de angústia, alguma ansiedade enigmática, uma sensação de que aquilo que realmente nos traria satisfação ainda não foi identificado nem inventado (DAVIS, 2003, p. 15). A autora, reconhecida por sua pesquisa com consumidores, enfatiza que, atualmente, vive-se a cultura do consumo. Compra-se cada vez mais para acalmar a ansiedade com aquilo que ainda não se está consumindo. Nesse sentido, o ambiente e todos os seus aspectos são de grande importância no processo decisório de compra. O ambiente do ponto de venda, de acordo com a estratégia de abordagem, precisa estar preparado para convidar, comunicar com eficácia e vender competitivamente. Ambientes bem sinalizados, com variedade de produtos, atendimento qualificado, são diferenciais que podem aumentar a compra não planejada. Cada pessoa possui uma experiência de vida singular, e é a partir dessa premissa que algumas empresas desenvolvem produtos e ações de marketing personalizados, para que cada pessoa sinta-se única. Para todos os clientes, a escolha é influenciada por percepções de valor, que são formadas principalmente por percepções de qualidade, preço e conveniência. Essas percepções tendem a serem relativamente cognitivas, objetivas e racionais (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p.19). Mesmo com as singularidades de cada pessoa, as redes sociais de relacionamento têm exercido grande influência sobre as escolhas dos consumidores. As experiências compartilhadas na rede têm servido de subsídios para escolha das marcas. Se a experiência foi positiva para o consumidor, fica a mensagem de incentivo ao seu consumo. Mas, se a vivência foi negativa, sem pudor, os consumidores dão seu testemunho na rede, formando até movimentos virtuais de repúdio ao consumo da respectiva marca ou produto. Ao pesquisar as experiências de compra no ponto de venda, este estudo analisa as influências ambientais de comportamento no processo decisório. Estas, por sua vez, podem ser desdobradas em outros fatores, conceituados no quadro 5. 45 Influências ambientais do comportamento no processo decisório Cultura Como usada no comportamento do consumidor, refere-se aos valores, ideias, artefatos e outros símbolos significativos que ajudam os indivíduos a se comunicar, interpretar e avaliar como membros da sociedade. Classe social São divisões dentro da sociedade, compostas por indivíduos que partilham valores, interesses e comportamentos semelhantes. Influência pessoal Como consumidores, nosso comportamento frequentemente é afetado por aqueles com quem nos associamos estreitamente. Família A família é a unidade primária de tomada de decisão, com um padrão complexo e variado de papéis e funções. Situação É um dos responsáveis pela mudança nos comportamentos. Algumas vezes são imprevisíveis; em outras, podem ser previstas e capitalizadas na estratégia. Quadro 5: Influências ambientais do comportamento no processo decisório Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 94). O processo de decisão de compra inicia com o reconhecimento da necessidade. Sem esse estopim que desencadeie o processo de busca pelo produto, pode não haver compra. Mas outros aspectos desse processo podem influenciar a compra, como promoções imperdíveis, vendas “casadas”, indicações com bonificação, dentre outras. É vital conhecer o público-alvo e oferecer produtos, serviços e benefícios customizados a partir do seu perfil. “O comportamento do consumidor, como regra, é intencional e orientado a objetivos. Os produtos e serviços são aceitos ou rejeitados com base na extensão em que eles sejam percebidos como relevantes às necessidades e ao estilo de vida” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 8). 2.4.2 Entender o cliente Para atender com excelência, é preciso entender o cliente. Isto é uma decisão vital que as empresas precisam tomar. Estabelecer um relacionamento com o cliente ultrapassa o simples atender a uma necessidade imediata; é preciso entender as suas preferências e se comprometer com isso. Como a concorrência está cada vez mais acirrada, o relacionamento duradouro com os clientes é uma forma de 46 potencializar a venda repetida, podendo chegar à fidelização da marca. Nessa relação, entender o cliente está em primeiro lugar; em segundo, consta a melhor forma de atender o cliente visando à sua satisfação. “Tudo se resume a um único ponto: entender a adaptar-se à motivação e comportamento do consumidor não é uma opção – é uma necessidade absoluta de sobrevivência competitiva” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 8). Muito mais do que venda, as empresas devem investir em relacionamento com o cliente. Preparar diferenciadas ações para os “atores/clientes” parece ser um norteador para o sucesso de uma marca. “A pior coisa para se dizer a um cliente é “a lucratividade dos produtos é mais importante que suas necessidades de cliente” (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p. 37). Alguns programas, como os da Nestlé, procuram proporcionar outras inserções da marca na vida dos consumidores, não somente a relação de venda. Desses, - o Programa Nutrir tem foco na área de alimentação e Nutrição, com projetos educativos para um público-alvo de crianças de 5 a 14 anos, e; - o Programa Viagem Nestlé pela Literatura, este programa envolve milhares de jovens do ensino médio de escolas públicas e particulares, e visa a estimular a leitura e o espírito crítico, dentre outros. Em uma época em que a esfera comercial está se transformando da venda de bens e serviços para oferecer acesso a relacionamentos transformados em commodities, produções culturais e experiências vividas, a perspectiva dramatúrgica fornece exatamente a metodologia certa fazer sentido dessa nova forma de conduzir os negócios. Coloca as comunicações no coração da atividade humana, redefine os self em termos relacionais, torna a experiência em si um acontecimento teatral e transforma a propriedade em símbolos que ajudam as pessoas a representar seus vários papéis dramáticos, à medida que eles entram e saem rapidamente de redes de experiências vividas, cada um representando um aspecto diferente de sua história de vida (RIFKIN, 2004, p.177). 2.4.3 Os aspectos sensoriais A experiência do cliente pode ser dividida em duas categorias: uma referente ao funcionamento de um produto ou serviço, que está no nível interpretativo de resultados a partir da interação. A segunda está ligada ao emocional, incluindo 47 cheiros, sons, visões, sabores e texturas de produtos e serviços, e o ambiente onde a experiência acontece (HSM MANAGEMENT, 2003). O programa Why we buy da Managemen TV, exibido no dia 19 de janeiro de 2011, no Canal de televisão paga, relatou casos de empresas que investiram no estímulo dos cinco sentidos humanos como forma de determinar personalidade de marca. O Swissotel da Suíça contratou uma Projetista de aromas para desenvolver uma fragrância singular, exalada para todos os espaços do hotel, com o objetivo de criar uma percepção única por meio do olfato. Durante mais de três meses, foi estudada a personalidade do aroma e, por fim, definido como uma mistura de neve nos Alpes, árvores nativas dessa região e dinheiro. Outra pesquisa relatada no programa Why we buy refere-se ao comportamento do consumidor em cantinas na Holanda. Por meio de filmagens, tenta-se entender os porquês das escolhas de produtos. Estas são algumas das tentativas para tentar entender por que o cliente escolhe algo e como ele escolhe. Segundo Vüv Waginen, um dos responsáveis pela pesquisa, são 27 câmeras filmando toda a movimentação dos clientes das cantinas. Para preservar a idoneidade do estudo, solicita-se autorização para todos que entram nas cantinas. O estudo iniciou-se em 2009 e tem a perspectiva de duração de dez anos (WHY WE BUY, 2011). Ainda no que tange aos cinco sentidos, a empresa alemã Miele tem desenvolvido pesquisas psicoacústicas pelas quais são analisadas as reações dos consumidores para determinados sons emitidos por produtos, por exemplo, eletrodomésticos, como o aspirador de pó. Frederich Blutner, responsável pela empresa e pelos estudos, destaca que a cognição tem papel fundamental para a escolha no que tange aos sons. A irritabilidade que um som de um eletrodoméstico pode contribuir para a queda nas vendas e fragilidade da percepção de uma marca (WHY WE BUY, 2011). As cores e o conceito de “plurisensualidade” enfatizado pelo pesquisador de cores Pier Nimer, da empresa alemã Azko Nober permitem acreditar que os acontecimentos globais influenciam as pessoas e seu elo com as cores. Para ele, é preciso antecipar as tendências de cores que serão compradas pelos consumidores. Anualmente, o Color Market Group reúne pesquisadores de cores de todo o mundo para projetar tendências de cores para as empresas. Esses profissionais fazem pesquisas in loco, recolhendo materiais como referência de cores, além da 48 discussão sobre o que está acontecendo no mundo. Assim projetam tendência de cores a partir de conceitos. Nimer relata que a moda dos carros brancos foi projetada há algum tempo por este grupo, a partir do conceito de paz que estava exalando nos indícios culturais de diferentes povos e legitimada pelo aumento das vendas de carros dessa cor (WHY WE BUY, 2011). O programa “Why we buy” discorre também sobre o caso de Supermarket Real da cidade de Düsseldorf, na Alemanha que encanta pela experiência singular que proporciona aos seus clientes em suas compras diárias. Os clientes pesquisados relataram que vinham a este supermercado, pois sentiam como se estivessem em férias. Os donos do supermercado investiram muito em layout e aromas na loja. O espaço da peixaria exala um aroma muito agradável, em nada se parece com o cheiro característico deste setor nos outros supermercados. Além disso, é possível ver peixes em projeção no piso do supermercado. Enfim, “os clientes se sentem bem, ficam mais tempo e também gastam mais”, destacou o gerente do supermercado (WHY WE BUY, 2011). A partir do estudo da experiência sensorial, pode-se ter melhores subsídios para explicar como o ônus não-financeiro (loja desorganizada, longas filas no caixa) pode superar a avaliação do cliente sobre o preço. Desmistifica-se assim a premissa de que, se o valor estivesse diretamente relacionamento ao preço, poucas pessoas iriam adquirir produtos de custo elevado, como comprar em lojas de grife (HSM MANAGEMENT, 2003). A maioria das pessoas já deparou com uma situação em que não entendeu o seu ato não planejado de comprar um produto de que não estava necessitando. Nesses momentos, as pessoas são tentadas a identificar as razões para sua atitude. Algumas vezes trata-se de uma promoção imperdível ou de um vendedor incisivo, dentre tantas outras razões, e chega-se à conclusão de que se agiu sem pensar, mais por emoção do que por razão. As pesquisas mostram que 85% das compras em lojas de auto-serviço (supermercados) são realizadas por impulso, isto é, são feitas num súbito desejo, sem prévio planejamento. O consumidor resolve comprar a mercadoria apenas porque a viu exposta (BLESSA, 2005). O fato é que algumas vezes o relacionamento com a marca, o preço julgado baixo, ou o layout do ambiente são aliados dos momentos emotivos, que predispõem a vontade de “eternizar” a experiência de compra. Nesses casos, o produto ou serviço pode, por algum tempo, garantir um estado de satisfação. 49 [...] nossas opiniões e desejos são cada vez mais moldados pelas informações que assimilamos do mundo, que está se tornando um lugar muito menor devido aos rápidos avanços nos sistemas de comunicação e transportes. Na atual cultura global, os consumidores costumam apreciar produtos e serviços que os “transportam” para lugares diferentes e lhes permitem experimentar a diversidade de outras culturas – mesmo se for só para ver os outros escovando os dentes (SOLOMON, 2011, p. 33). A globalização de marcas permitiu que os consumidores tivessem acesso a locais-réplicas de estabelecimentos famosos nas mais distantes localidades. O formato consagrado de negócio espalhado globalmente, como a Pizza Hut, permite que um produto seja comercializado em várias cidades distantes das capitais, mas, mesmo assim, instiga viver a experiência da compra para se sentir dentro da cultura mundial de consumo. Carú e Cova (2003) definem a experiência como um episódio subjetivo na construção e transformação do indivíduo, porém, com ênfase nas emoções e sentidos vividos durante a imersão. Durante o ato da compra, a experiência está inundada de sensações intrínsecas ao processo e podem levar ao maior ou menor grau de envolvimento do cliente com a loja, dependendo da satisfação das expectativas geradas pelo consumidor. Da mesma forma, a loja pode desenvolver ações para estabelecer ou aprofundar relacionamentos com seus stakeholders ou públicos prioritários. Geargeoura e Parente (apud ZAMBERLAN et al, 2002, p. 36) propugnam que o comportamento de compra resultante dessas avaliações dos clientes pode ser divididos em dois grandes grupos: aqueles favoráveis em relação à loja (denominados comportamentos de aproximação) e aqueles desfavoráveis (chamados de comportamentos de afastamento). O comportamento de compra é muito importante para a possibilidade de venda repetida, pois satisfação do cliente se dá a partir do cumprimento da expectativa que gerou em relação ao produto ou serviço ofertado. Cabe à empresa entender o que o consumidor espera do que lhe foi vendido; se o valor condiz com a qualidade percebida por ele. Entre os comportamentos de aproximação (e em relação a cada um dos quais também existem seus opostos nos comportamentos de afastamento) citam-se os seguintes: entrar na loja, ficar na loja, retornar à loja, explorar a loja, manusear as mercadorias, gastar dinheiro na loja, realizar compras planejadas, realizar compras não planejadas (comprar por impulso), 50 interagir com os funcionários da loja e interagir com os outros clientes. (ZAMBERLAN et al, 2002, p. 36). Ao entrar na loja, o cliente está sinalizando que teve sua atenção despertada. Sendo assim, o estabelecimento deve atender a sua necessidade e possibilitar o conhecimento de produtos ou serviços oferecidos pelo local. O primeiro comportamento de aproximação foi desencadeado e, mesmo não sendo uma relação totalmente previsível, a loja tem uma parcela considerável de possibilidade de iniciar ou consolidar um relacionamento com o cliente. As sensações são uma quarta atividade econômica, diferindo dos serviços, como estes dos bens, mas que até pouco tempo passava quase despercebida. Elas sempre estiveram presentes, mas os consumidores, os negócios e os economistas as incluíam no setor de serviços junto com atividades rotineiras como lavagem a seco, conserto de automóveis, distribuição atacadista e acesso telefônico (PINE; GILMORE, 1999, p.12). “São tantas emoções”, canta o Roberto Carlos, músico brasileiro, em uma das mais famosas músicas de sua autoria. As emoções, por muito tempo, foram ignoradas nas vendas, como se o importante fosse apenas qualidade e bom preço para se vender bem. Com o advento da internet, as pessoas passaram a viver uma realidade multifacetada e global, com a possibilidade de conhecer lugares sem sair do seu espaço físico, relacionar-se com pessoas dos mais diferentes lugares e ainda assumir outras identidades na rede. As experiências tomaram uma proporção infinita com a internet. Na vida real, as boas sensações parecem ser propulsoras do comportamento de aproximação dos consumidores atuais que buscam nas experiências a possibilidade de ser diferente dentro do seu grupo. Aparentemente, as emoções estão em alta. Ao buscar diferentes sensações, o cliente abre caminho para novas experiências, e isto pode ser uma boa oportunidade de negócio. Como exemplo, constata-se o comportamento crescente de consumidores que não querem sair de casa para comprar, adquirem os mais diferentes produtos na internet, trata-se da vertente do varejo sem loja. Este formato de varejo permite que o consumidor escolha por catálogos e retire nas lojas. Atualmente, a compra é efetuada diretamente na internet, e a entrega é na casa do comprador. 51 2.4.4 Satisfação dos clientes Contabilizar o que representa um cliente para uma empresa é legitimar a importância de como realmente satisfazer as suas necessidades. “O Valor do Cliente de uma empresa é o total dos valores de consumo do cliente ao longo de sua vida de consumo naquela empresa“ (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p. 16). Dentro dessa teoria, pode-se afirmar que manter comportamentos de aproximação é mais rentável que investir em novos clientes. Um cliente que conhece uma marca demonstra maior disponibilidade de compra repetida, se houver satisfação de suas expectativas. Isto também pode se aplicar a produtos e serviços, em que, quanto maior a satisfação dos clientes atendidos, maior é a possibilidade de relacionamentos profícuos com os consumidores. “A implicação é clara: para entender realmente como obter lucratividade em longo prazo, é essencial entender lucratividade do ponto de vista do cliente. É o Valor do Cliente por toda vida, é este que tem o maior impacto sobre o valor da empresa” (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p. 39). Ao ser abordado o conceito de valor do cliente para toda vida, pode-se reportar para marcas como Leite Moça, que acompanha gerações evoluindo junto com elas. A logotipia desse produto foi reformulada em períodos de transformações no contexto da vida do seu consumidor; o redesenho da marca foi sendo qualificado a partir da tecnologia, mas manteve a essência do produto consumido desde 1900, em muitos lares. Em geral, a ênfase crescente nos clientes e no gerenciamento de relações coincide com uma ênfase decrescente nos produtos. [...]. A tarefa da empresa moderna é manter a relação com o cliente, mesmo que sua lealdade à marca se torne irrelevante (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p.18). A proliferação das marcas já invadiu supermercados, shoppings, restaurantes, dentre outros estabelecimentos. As opções são tantas que o consumidor está experimentando mais, sendo um consumidor mais “infiel” a marcas do que antes. Como reflexo muitas lojas de foco restrito e especializadas transformaram-se em multimarcas, ampliando o seu negócio e a relação com outros públicos. 52 Se existem segmentos de clientes que têm preferências por grupos previsíveis de itens, então a loja deve ser sensível a essas preferências para ter sucesso. A unidade para decisões importantes passa a ser a opção preferida por um segmento, em detrimento de um item isolado. No final, pode fazer sentido projetar a loja fisicamente como uma coleção de departamentos, cada um dos quais corresponde a um segmento importante de clientes (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p.37). Muitas empresas, mesmo expandindo o foco de seus negócios, visam, por meio de banco de dados e promoções especiais, à possibilidade de segmentar sua clientela pelo histórico de compra no estabelecimento, entendendo que a diversificação de produtos não pode ser significado da perda de foco de negócio, mas uma oportunidade de novos negócios. Se os clientes têm preferências, e estas representam um bom percentual de venda, trata-se de uma possibilidade de expansão para novos produtos que acompanhem essa necessidade. Como por exemplo, a venda de materiais escolares pode vir acompanhada de uma oportunidade de agregar a comercialização de outros artigos, como capas de chuva, guarda-chuva. É notório que, em algumas ocasiões, há uma pré-disposição de compra maior dos consumidores. Nestes momentos, a empresa pode oferecer algo mais, surpreendendo e conquistando o cliente e mais vendas. O layout de muitas lojas deve estar orientado para aquilo que o seu cliente mais procura, facilitando a escolha dos produtos, em fluxos e seções bem definidas e sinalizadas. “A distribuição física também sugere medir a lucratividade. Cada seção orientada para o cliente deve ser o próprio centro de lucro” (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001, p. 38). No entanto, uma boa parcela de estabelecimentos parece não conhecer o que seus clientes mais procuram; percebese dificuldade em encontrar produtos, o que pode causar irritabilidade e o afastamento do cliente. Ressalta-se a importância de um layout de loja focado nas necessidades do cliente, possibilitando a mensuração da lucratividade a partir dos produtos procurados e adquiridos. Para ser mais preciso 83% da percepção que uma pessoa possui de algo vem dos inputs visuais que ela recebe (BELLO, 2010). A maioria das pessoas elege algumas empresas como suas preferidas, devido a alguns aspectos, como bom atendimento, preço, relacionamento, localização, promoção, dentre tantos outros. Os consumidores passam a desenvolver um relacionamento com as empresas escolhidas, cuja continuação ou o rompimento dependerá da satisfação a cada momento dessa história. Quando a 53 empresa decide focar no valor do cliente, está orientada para a satisfação das necessidades destes, adaptando o seu negócio ao seu consumidor. Acompanhar a vida do seu cliente não é uma simples opção; é vital para as empresas, caso contrário, sem percepção de mudanças e adaptações estratégicas, estará propensa a perder espaço para a concorrência. “Tudo se resume a um único ponto: Entender e adaptar-se à motivação e comportamento do consumidor não é uma opção – é uma necessidade absoluta para a sobrevivência competitiva” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 8). A troca entre cliente e fornecedor objetiva satisfazer as necessidades de ambos, de uma forma benéfica para as duas partes. O planejamento tem sido um instrumento de qualificação para as estratégias de marketing nas empresas, pois ele permite o aprofundamento das informações do macro e microambiente e a conversão em estratégias para o cliente. O planejamento com foco no consumidor não pode ser algo estático; serão subsídios para que a empresa acompanhe o dinamismo do mundo atual, tornando-se cada vez mais estratégica. “Cada negócio que compete pelo futuro está centrado no cliente, orientado para o cliente, focado no cliente, e tra-lá-lá no cliente. E daí?” (PINE; GILMORE, 1999, p.7). Em um cenário cada vez mais competitivo, as empresas necessitam conhecer intensamente o seu consumidor, seus anseios e desejos. Com mercados mais complexos, com concorrência acirrada, um dos grandes desafios para os profissionais de marketing é qualificar produtos e serviços para os seus públicos prioritários. Por meio de técnicas e instrumentos de pesquisa, busca-se conhecer os detalhes da vida dos consumidores. As pesquisas qualitativas estão em alta, complementando as quantitativas. Percebe-se uma tendência voltada às abordagens de muito contato com o consumidor, que objetivam respostas ou indícios que os dados matemáticos sozinhos não têm como explicar. O maior contato com os consumidores tem descortinado falácias mercadológicas que não eram levantadas nas metodologias quantitativas, mas que, no balancete das empresas, eram mais do que visíveis. As pesquisas de neuromarketing avançam a passos largos, tudo para saber o que se passa na cabeça dos consumidores. Conhecer o consumidor virou palavra de ordem para as grandes marcas, mas há uma lacuna considerável no processo de transformação da informação em inovação nas organizações. É preciso agilidade para inovar antes do que a concorrência, caso contrário, todo o esforço de ter informação pode não ser o suficiente para ser 54 competitivo. É preciso ter atitude diante das ameaças e oportunidades (TROIANO, 2009). O comportamento de compra pode ser influenciado por uma atmosfera atraente do layout de um ambiente (BLESSA, 2005). Isto requer um investimento em sinalização, iluminação temática, cores diferenciadas, música, aromas, elementos que podem estimular a percepção dos clientes e seu retorno emocional. O layout do ponto de venda precisa encantar o consumidor e também comunicar com eficácia o que a loja tem a oferecer. O cliente deve ser conduzido a partir de um fluxo que flui com naturalidade e a lógica de um processo de compra. O consumidor necessita ser conduzido ao que a loja está oferecendo; não deve, em hipótese alguma, sentir-se perdido numa exposição desorganizada de produtos. 2.4.5 Como as pessoas se movimentam As pessoas têm uma lógica de movimentação comum, e a publicidade tem suas técnicas de mídia para atrair atenção. A disposição de mensagens em um anúncio é veiculada com base em pesquisas científicas, que identificaram o direcionamento dos olhos durante a leitura de uma página. Assim também ocorre em processos de definição de estratégias de layout no ponto de venda e na forma como os consumidores transitam nas lojas onde compram. “Anatomicamente falando, o aspecto mais crucial das compras é aquele que parece mais simples: as questões de como, exatamente, os seres humanos se movimentam. Principalmente, como andamos” (UNDERHILL, 2009, p. 70). A estratégia definida para cada loja deve ser muito bem elaborada a partir de projetos de layout, disponibilidade de produtos e “atmosfera” envolvente que façam os clientes sentirem-se bem naquele local. “A loja inteligente, portanto, é projetada de acordo como nossa maneira de andar e os lugares que procuramos. Ela compreende nossos hábitos de movimento e os aproveita, em vez de ignorá-los ou, ainda pior, tentar modificá-los” (UNDERHILL, 2009, p. 70). O ritmo acelerado das pessoas em seu dia-a-dia tornou a compra diária uma ação rápida e de pouca reflexão. O consumidor rapidamente percorre a loja em busca do que necessita, e precisa ter um ótimo motivo para percorrer todo o corredor de uma loja ou padaria. A estratégia precisa ser muito bem estruturada, caso contrário dificultará a ação do cliente, provocando insatisfação. 55 Sabiamente, a maioria dos varejistas não vende suas mercadorias comuns na parede dos fundos. Mesmo assim, cada metro quadrado de espaço de venda é igualmente caro de alugar, aquecer e iluminar. Uma loja que flui de modo interessante e uniforme de uma seção para a outra automaticamente atrairá os fregueses até os pontos mais distantes (UNDERHILL, 2009, p. 77). A fachada de uma loja, bem como a sua vitrine, pode se constituir em apelos de venda, desde datas comemorativas podem ser oportunas divulgações de promoções especiais. “A frente de uma loja é de vital importância em determinar quem entra” (UNDERHILL, 2009, p. 78). Reitera-se a importância em definir os públicos prioritários para o negócio e investir em informações estratégicas para estes consumidores. A frequência de compra dos clientes deve ser pensada como uma oportunidade de revitalizar ambientes e as ações promocionais ofertadas. Estas inovações são oportunas já que podem influenciar o desejo por mais produtos oferecidos e a aproximação com o cliente. 2.4.6 Diferenças no ato da compra As decisões de consumo familiares envolvem papéis definidos, que podem ser desempenhados pelo marido, esposa, filhos ou por outros indivíduos deste domicílio. Os cinco papéis podem ser múltiplos, e os atores também podem seguir esta mesma tendência. O iniciador é o ponto de partida para a compra e a busca de informações. O influenciador participa do processo de avaliação a partir de critérios que devem ser utilizados em compras. O decisor é a pessoa com autoridade para a decisão da compra. O comprador é responsável pelo processo de aquisição produtos ou serviços. Por fim, o usuário são as pessoas que utilizam o produto (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). 56 2.4.6.1 Homens e mulheres: quanta diferença! A diferenciação no comportamento de compra e tomada de decisão tem origem nos aspectos culturais e sociais de cada gênero, muito mais do que isso, tem início na questão de sobrevivência. Nos primórdios das civilizações, os homens precisavam de competitividade e uma certa agressividade para ser líder na escala tribal. Por outro lado, as mulheres ficavam responsáveis pela criação dos filhos até que tivessem idade para procriar. Assim, a mulher precisou desenvolver capacidade de colaborar com os membros do grupo e partilhar recursos para garantir a sobrevivência dos filhos. Resumindo, os homens viviam sob o lema a sobrevivência do mais forte, e as mulheres aquela que morre com mais filhos vence (BARLETTA, 2006). Atualmente, as mulheres têm se proposto a viver diversos papéis, como mãe, profissional e esposa. Mesmo com uma vida de intensas atividades, as mulheres buscam conciliar compromissos pessoais e profissionais com a realização de suas aspirações de vida. “As mulheres contemporâneas estão cada vez mais orientadas em direção à realização pessoal” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 496). O gênero identifica muito de como mulheres e os homens se comportam no momento de compra. “As mulheres são diferentes dos homens [...] as mulheres percebem o mundo por meio do próprio gênero. É uma questão genética” (POPCORN; MARIGOLD, 2000, p. 31). O caminho em espiral, ilustrado na figura 2, expõe o processo de decisão de homens e mulheres. Enquanto os homens seguem uma linearidade, as mulheres buscam a “resposta perfeita”, decidindo em ciclos, retornando muitas vezes aos estágios anteriores, integrando novas informações ao processo (BARLETTA, 2006). Evidencia-se que as características de decisão de compra de homens e mulheres se mantêm como marca ainda atual de cada gênero. 57 Figura 2: Como mulheres e homens tomam decisão de compra, adaptado do caminho em espiral. Fonte: Barletta (2006, p. 149). Mulheres e homens tendem a diferenciar-se desde o momento inicial do processo até a decisão. Segundo Barletta (2006), pode-se identificar quatro etapas fundamentais na forma como os dois sexos se comportam no processo de compra. As etapas típicas de uma mulher são: - As mulheres começam o processo de forma diferente: perguntam às pessoas à sua volta; - As mulheres procuram um resultado diferente: a resposta perfeita; - As mulheres procuram mais informações e investigam um maior número de opções: o caminho em espiral; - A influência das mulheres no sucesso das vendas não termina com a compra: o estágio da repetição. Enquanto as mulheres podem voltar várias vezes aos estágios anteriores do processo de compra, os homens tendem a definir por fluxo mais direto com duas opções bem definidas: comprar ou não comprar. “[...] sabemos que as mulheres têm maior atividade econômica do que nunca. E sabemos que as mulheres não podem 58 ser abordadas com as mesmas estratégias tradicionais que funcionam com os homens” (POPCORN; MARIGOLD, 2000, p. 32). 2.4.6.2 As crianças também querem comprar As crianças influenciam a tomada de decisão dos pais e, em muitos aspectos, o consumidor infantil torna-se muito semelhante aos consumidores adultos. A maioria das crianças acompanham os adultos em suas compras, tornando-se observadores. À medida que crescem, desenvolvem autonomia neste processo. O objetivo principal das crianças é comprar as coisas para satisfazer as suas necessidades (GUNTER; FURNHAM, 1998). Os produtos ligados à diversão, como os brinquedos e os lanches, são os principais alvos das compras das crianças. Não é difícil de presenciar crianças solicitando aos pais a compra de produtos de seu interesse em estabelecimentos comerciais, muitas vezes influenciando a decisão compra de seus acompanhantes adultos. A influência das crianças na decisão de compra pode ser dividida em três áreas, que estão diretamente relacionadas à idade deste consumidor (MCNEAL, 1992): 1) Os artigos para crianças, como lanches, brinquedos, aparelhos eletrônicos, roupas e artigos para entretenimento (de 0 a 6 anos); 2) Os artigos para casa, como móveis, alimentos e bebidas para as refeições (de 7 a 11 anos); 3) Os artigos para toda a família, como viagens, carros, roupas, artigos eletrônicos e atividades de lazer (de 12 a 14 anos). É importante destacar que as crianças se tornam consumidoras, e este processo é conduzido pelo comportamento de compra dos pais e tutores (GUNTER, FURNHAM, 1998). Desde muito cedo, as crianças observam as escolhas dos pais nos estabelecimentos comerciais. A partir desse momento, os pais desempenham o papel de agente de socialização, podendo valer-se de métodos para ensinar sobre o consumo. “[...] as crianças são submissas à autoridade dos pais; (ou) tomam o poder e a família se organiza, conscientemente ou não, em função delas” (KARSAKLIAN, 2000, p. 196). 59 Os agentes de socialização podem ensinar o consumo responsável, proporcionando aprendizado sobre os agentes influenciadores de compra ou incentivar o consumismo. Os pais podem desconhecer a importância do papel que desempenham como agentes de socialização, dessa forma as crianças assimilam o processo de comportamento de consumo a partir da aprendizagem observacional. Estudos afirmam que mães limitadoras e afetivas tendem a monitorar e controlar o consumo de seus filhos, enquanto mães que respeitam e solicitam as opiniões dos filhos promovem a capacidade de tomada de decisão de compra e consumo (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000), 2.4.6.3 O jovem não quer só comida, ele quer comida, diversão e arte Não é hoje que os jovens representam um importante segmento na economia de consumo. Após a Segunda Guerra Mundial, começou o interesse nos jovens consumidores, devido ao aumento no salário das famílias e dos jovens trabalhadores, que significava uma melhor qualidade de vida (MCNEAL, 1992). A pesquisa realizada pela Datafolha, em 2011, com 1784 entrevistas, 173 cidades, em 23 estados, com jovens de 18 a 23 anos, revelou como a geração jovem se enxerga. Esta geração assim se define: 35%, como sonhadora; 34%, como consumista; 28%, como responsável; 28%, como batalhadora e 28% como comunicativa. Nesta autoanálise, um percentual muito expressivo dos jovens se reconhece também como um ator do consumismo. Ressalta-se que, mesmo consumistas, esses jovens se definem também como uma geração responsável (SONHO BRASILEIRO, 2012). Os jovens impulsionaram as grandes mudanças mundiais de comportamento. Os movimentos em prol da justiça, da liberdade de expressão, dentre outros, ganharam as ruas e redes sociais. Os jovens têm convicção de que uma marca tem poder de expressar conhecimento, carisma e status. “Eles constroem suas identidades pelas opções de compras que fazem – eles são muito parecidos com os adultos da década de 1950, antes que nos tornássemos tão críticos em relação a vendedores de imagens” (UNDERHILL, 2009, p.173). Atualmente, ainda é possível ver a lacuna de mídias que podem ser focadas para este público. Mídias que realmente tenham significação, comunicando-se de forma efetiva com os jovens. “Eles adoram explorar o mundo em busca de ícones ou 60 quaisquer outras pistas de que algo – algum produto ou loja – esteja voltado para eles. Eles fogem do som ambiente como se fosse uma peste, enquanto nós conseguimos tolerar quase tudo” (UNDERHILL, 2009, p. 174). Underhill (2009) discorre sobre um caso de uma loja focada no público jovem que em nada se parece com um banco convencional. O design, horários, música, tudo foi pensado para a linguagem deste público. Com isso, o ramo de negócio voltado a esses clientes não pode ser uma mera adaptação; precisa ter significação com o target (público alvo). 2.5 Em cena, a majestosa experiência de compra Muitas lojas estão investindo em diferenciadas experiências no ponto de venda, com o objetivo de atrair mais clientes. “Na verdade, as empresas encenam uma sensação sempre que envolvem os clientes, conectando-se a eles de forma pessoal, memorável” (PINE; GILMORE, 1999, p. 140). Nesta perspectiva, as lojas estão se transformando em grandes eventos temáticos. Solomon (2011) aborda a estratégia temática popular de converter uma loja em um espaço de estar. Ao investir em um ambiente que proporcione sensações positivas aos clientes, as lojas podem ter mais possibilidades de compras repetidas e fidelização. Com a facilidade de acesso à informação, por meio da internet, os consumidores estão muito mais exigentes quanto aos produtos e serviços que irão adquirir. Trading-up e trading-dow são termos que traduzem a mudança nos fatores que motivam a compra, por exemplo, o consumidor faz trading-up quando deseja vivenciar uma experiência e um privilégio, aceitando até investir mais para isso. O trading-down acontece na medida em que o consumidor quer pagar muito pouco por algo que significa pouco. No caso das panificadoras, identifica-se como uma compra com mais características de trading-down, mas que, mesmo assim, precisa proporcionar uma experiência singular frente à concorrência (A CONQUISTA dos novos consumidores, 2011). Visando a uma experiência emocionante dos consumidores, busca-se o conceito de retailtainment, que significa colocar interação no varejo como forma de entretenimento. Se o momento da compra é sinônimo de felicidade e prazer, cria-se uma atmosfera favorável para a compra repetida. Atualmente, é possível transformar 61 o ponto de venda numa experiência envolvente e inesquecível, com baixo custo (BLESSA, 2005). É indiscutível que os vendedores são fundamentais para o sucesso das vendas, mas o ambiente com foco no público desejado constitui-se como o primeiro facilitador do processo de decisão. “Ofereça aos shoppers uma estratégia de auxílio para as compras já na porta de entrada. Carrinho ou Cesta?” (UNDERHILL, 2009, p. 58). Uma vitrine que convida, promoções imperdíveis, merchandising, produtos bem sinalizados, organização e espaço bem planejados, enfim tudo o que compõe uma loja de varejo ou outro segmento vai impactar na experiência que o cliente vai vivenciar, porque o consumidor não está adquirindo um produto, mas comprando parte daquilo que viveu, daquela experiência (BELLO, 2010). A função do merchandising, apesar de confundida com a promoção de vendas, difere-se muito no que tange ao objetivo. O merchandising é qualquer técnica, ação ou material promocional usado no ponto-de-venda que proporcione informação e melhor visibilidade a produtos, marcas ou serviços, como propósito de motivar influenciar as decisões de compra dos consumidores (BLESSA, 2005, p.1). A promoção de vendas “consiste em levar o consumidor a solicitar, no ato da compra a marca anunciada” (SANT´ANNA, 2009, p. 31). O merchandising é uma ação mais permanente em uma loja, enquanto que a promoção de vendas constituise em uma ação pontual potencializando as vendas em um momento determinado. A percepção visual é uma das mais importantes durante compra. Aliada às inúmeras possibilidades apresentadas pela concorrência pode desencadear uma ação comparativa entre lojas e produtos. “Durante a compra, a visão é o primeiro sentido humano responsável pelo processo de escolha, pois é o primeiro estímulo que faz o cérebro reagir na direção do produto” (BLESSA, 2005, p. 13). Se a loja está desorganizada, sem espaço, com produtos de má aparência, pode vir a perder clientes, mesmo que tenha um atendimento qualificado. “A retenção é crítica para a lucratividade da organização, mas muitas empresas perdem em média 20% de seus clientes por ano” (MARTIN, 2009, p. 6). Não se pode menosprezar o poder dos outros sentidos. Além da visão, no caso estudado de panificadoras, o olfato também é apontado como um estímulo para a compra. A maioria das pessoas reconhece o cheiro de um pão saído do 62 forno, e isto aguça o paladar para o consumo deste produto. Para quem trabalha com varejo, é importante entender qual é o componente emocional (BELLO, 2010). Ainda nas panificadoras que instituíram dias para a produção de produtos específicos, como cuca, o frango assado, pé-de-moleque, dentre outros, constatamse vendas não planejadas, motivadas pelo agradável odor desses produtos. Blessa (2005) afirma que grande parte das decisões de compra estão ancoradas na necessidade ou na emoção. Depois da visão, o olfato é, seguramente, o sentido que provoca o emocional. Um cheiro pode dar personalidade ao ambiente, como pode provocar desejos e sentimentos como fome, felicidade, dentre outros. Algumas lojas do varejo de alimentos, como supermercados, estão investindo muito no design de ambiente, além de cores diferenciadas, iluminação personalizada, som, cheiros para se diferenciar dos concorrentes e estimular respostas emocionais que podem resultar em mais compras. “Então hoje, a primeira coisa que um varejista tem que fazer é formatar a loja de modo condizente com o seu posicionamento de marca e a solução de consumo que ele vai dar” (BELLO, 2010, p. 12). O ambiente precisa mais do que estar organizado, limpo e de identificação clara. Os empresários das lojas devem se conectar ao que os consumidores desejam e como avaliam produtos e serviços. “Perceber isso significa entender as características dos estímulos e do contexto situacional que levam o consumidor a atribuir, por exemplo, qualidade ao produto” (BLESSA, 2005, p. 11). Percebe-se que, para alguns produtos específicos, investe-se em promoção de venda, com apelos diferenciados, evidenciando marca, preço ou outro atributo. Muitas vezes, as lojas deixam para estas marcas terceirizadas a definição de propaganda no ponto de venda, não entendendo que cada seção, por menor que seja, pode ter apelos de venda atrativos para os clientes. Em outros casos, pode ocorrer confusão visual no ambiente, devido ao grande número de expositores diferenciados conflitando apelos publicitários entre si. “Estamos chegando ao ponto de reduzir o lucro criando um ambiente que é, na verdade, um parque temático de publicidade? Quanto mais vemos, menos observamos” (POPCORN, 2002, p. 214). Destacar-se frente à concorrência é uma estratégia de sobrevivência, e, por isso, a economia de atenção no ponto-de-venda, por meio de iluminação cenográfica, decoração temática, criatividade na disposição dos produtos, 63 degustação, fachadas interessantes, aroma e som constituem técnicas que precisam ser exploradas pelo varejo (BLESSA, 2005). A música é indispensável no ambiente da loja, pois pode promover um envolvimento maior dos clientes. Assim como a cor e a iluminação, a música pode acrescentar ou depreciar atmosfera geral da loja (BLESSA, 2005). Dependendo do momento, a música pode ser ajustada, por exemplo, em período de vendas de Natal, o repertório das lojas pode seguir este tom, fortalecendo o clima do momento e até influenciando as compras. As cores podem até mesmo influenciar as emoções do consumidor de maneira mais direta. As evidências sugerem que algumas cores (particularmente, o vermelho) criam um sentimento de excitação e estimulam o apetite; já outras cores (como o azul), criam sentimentos mais relaxantes (SOLOMON, 2011). O ambiente de uma loja, por meio das cores, pode estimular sensações que resultem na empatia com produtos, marcas e a possibilidade de venda. Os objetivos primordiais das combinações de cores visam atrair consumidores e ainda o destaque de algumas mercadorias. As crianças são atraídas por cores primárias (vermelho, azul, amarelo e verde); os adolescentes, por cores fortes e quentes; os esportistas, por cores radicais e vivas; as compradoras de lingerie, por tons pastéis (suaves); os homens executivos, por cores apagadas (cinza, azul-marinho), e assim por diante (BLESSA, 2005, p. 33). Na projeção de um ambiente de loja, é muito importante que se tenha clareza do posicionamento deste negócio para o cliente. Todo o ambiente comunica, e o cliente decodifica os códigos. As cores, o mobiliário, o cheiro, a organização e limpeza, todos esses elementos e outros tantos vão estabelecendo marcas e características do negócio para os consumidores. Mesmo sem o parecer científico, é possível reiterar que a iluminação muda o humor e o comportamento dos consumidores. Um plano de iluminação pode sugerir classe, privacidade, atendimento personalizado ou, ao contrário, pode sugerir auto-serviço, praticidade ou descontração (BLESSA, 2005, p. 35). As panificadoras brasileiras tiveram um crescimento estimado de 11,88%, o que representa um faturamento de R$ 62,99 bilhões, em 2011, segundo dados da ABIP. 64 Este setor tem contribuído para a evolução do food service no Brasil, com um faturamento de 89,1 bilhões, segundo dados divulgados pela ABIP/ITPC – Instituto Tecnológico em fevereiro 2012. Com o objetivo de atender os consumidores em muitos momentos de compra, em formatos de lanchonetes, cafés e outros, as panificadoras transformaram-se em lojas de varejo de alimento disponíveis em horários convenientes à procura dos clientes. Essas lojas são locais de encontro para amigos, famílias, enfim, tornaram-se palco de relacionamentos, acompanhados de bons produtos, atendimento personalizado e fácil localização e acesso. As panificadoras tornaram-se lojas de conveniência, com variedade cada vez mais expressiva de produtos e serviços ofertados a partir das necessidades do cliente. Estes espaços precisam ser qualificados para que o cliente tenha comodidade para comprar e consumir. A profissionalização do setor das panificadoras tem qualificado as lojas para o comportamento mais proativo de seu consumidor potencial e aumento da clientela. Em decorrência disso, as padarias apontam um crescimento maior que concorrentes diretos, como os supermercados, conforme quadro 6. Quadro 6: Comparativo da evolução do setor da Panificação em 2011 Fonte: ABIP (2012). 65 Este capítulo articulou o embasamento teórico com análise sobre o comportamento do consumidor em lojas de varejo e dados do que representa o setor das panificadoras na economia brasileira. Primeiramente, buscaram-se referenciais teóricos sobre o varejo e seus compostos, discorrendo sobre o varejo de alimentos, principalmente a história do pão e as padarias. Foi abordado o comportamento do consumidor, tendo em vista as influências de gênero e idade no comportamento durante o processo decisório de compra. Por fim, a importância dos aspectos sensoriais na experiência de compra em lojas de varejo. 66 3 METODOLOGIA 3.1 Importância da pesquisa em marketing Para embasar a metodologia utilizada neste estudo, é importante salientar o significado da pesquisa na área do marketing. A partir da pesquisa de marketing, as empresas recebem subsídios para questões estratégicas do negócio. Cada empresa precisa ter atitude para programar mudanças que se apresentam a partir do diagnóstico de pesquisas e que muitas vezes são ignoradas como se o que foi detectado não existisse. Pesquisa de marketing é a identificação, coleta, análise e disseminação de informações de forma sistemática e objetiva e seu uso visando a melhorar a tomada de decisões relacionadas à identificação e solução de problemas (e oportunidades) em marketing (MALHOTRA, 2001, p. 45). Todos os métodos de pesquisas têm critérios estabelecidos para que sejam idôneos. Toda a pesquisa que tem o propósito de fornecer informações relevantes deve seguir os aspectos normativos. A avaliação dos resultados de uma pesquisa de marketing vai apontar um caminho, mas cabe à empresa a capacidade de inovar. No varejo, este estudo pode fornecer elementos estratégicos para as padarias quanto às reações do cliente no ato da compra. “A tarefa da pesquisa de marketing é avaliar as necessidades de novas informações e fornecer à gerência informações relevantes, precisas, confiáveis, válidas e atuais” (MALHOTRA, 2001, p. 45). A pesquisa de marketing pode ser compreendida por meio de seis etapas de execução, segundo Malhotra (2001): primeiramente a definição do problema, seguido da elaboração de uma abordagem, formulação do projeto de pesquisa, trabalho de campo, preparação e análise dos dados e elaboração e, por último, a apresentação do relatório. Para a realização de uma pesquisa de marketing, é preciso ter claro que se trata de aprofundamento para obtenção de informações, e que isto exige um tempo ideal para seguir as etapas definidas. 67 3.2 Classificação do estudo Este estudo de comportamento do consumidor e processo decisório na experiência de compra envolve muitos aspectos subjetivos e cognitivos que a pesquisa qualitativa e seus métodos podem fornecer. “A pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e compreensão do conteúdo do problema” (MALHOTRA, 2001, p. 45). Sendo assim, o problema exposto sobre comportamento do consumidor é melhor “desvendado” por uma metodologia flexível e mais fluida e complementada pela quantitativa. A pesquisa quantitativa, neste caso específico, visa complementar o estudo, pois foram realizadas entrevistas como mais um instrumento de informação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória, com abordagem fenomenológica. A pesquisa, aqui classificada fenomenológica, está voltada para a descrição direta da experiência tal como ela é. Tem como finalidade descrever as experiências a partir do comportamento de compra do consumidor nas empresas pesquisadas. “A fenomenologia quer atingir a essência dos fenômenos, ultrapassando suas aparências imediatas” (GOLDENBERG, 2003, p. 31). “O método fenomenológico opõe-se à corrente positivista, para afirmar que algo só pode ser entendido a partir do ponto de vista das pessoas que o estão vivendo e experimentando; tem, portanto, caráter transcendental, subjetivo ou, como diria Pirandello no título de sua famosa peça teatral, Assim é, se vos parece” (VERGARA, 1998, p. 3). Este método de pesquisa proporciona identificar comportamentos de compra específicos do segmento estudado, as padarias. “Os dados qualitativos constituem-se em descrições detalhadas de situações com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos” (GOLDENBERG, 2003, p. 53). A observação do fenômeno eleva o entendimento sobre o comportamento de pessoas que vão atuar de forma “verdadeira”, sem precisar se preparar para este momento. Procurou-se analisar o fenômeno e suas nuances situacionais que o varejo e suas características dinâmicas de negócio apontam. Segundo sua natureza, este estudo pode ser caracterizado como: - Quanto aos fins, trata-se de uma pesquisa aplicada, que “é fundamentalmente motivada pela necessidade de resolver problemas concretos, mas imediatos, ou não. Tem, portanto, finalidade prática, ao contrário da pesquisa 68 pura, motivada basicamente pela curiosidade intelectual do pesquisador e situada sobretudo no nível da especulação” (VERGARA, 1998, p. 45). - Quanto aos meios, foram realizadas entrevistas com roteiro pré-estruturado perguntando diretamente aos consumidores, observação por meio de filmagens nas quatro lojas, mapas de circulação para acompanhar as nuances de comportamento dos clientes. A pesquisa do tipo exploratória é uma “investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo” (VERGARA, 1998, p. 45). O estudo foi realizado a partir do comportamento de compra em panificadoras. 3.3 Pesquisa por observação Esta pesquisa contemplou a coleta de dados por intermédio da observação do comportamento dos clientes no ponto-de-venda. “A pesquisa por observação pode ser definida como um processo sistemático de registro dos padrões de comportamento de pessoas, objetos e acontecimentos sem fazer perguntas ou se comunicar com eles” (MCDANIEL; GATES, 2003, p. 162). A pesquisa por observação tem permitido aos profissionais de marketing conhecer melhor as reações reais dos consumidores, qualificando as estratégias para satisfazer as necessidades dos clientes. McDaniel e Gates (2003) definem três condições para que a observação seja realizada e tenha êxito como um instrumento de coleta de dados para pesquisa de marketing. Em primeiro lugar, ressaltam que as informações necessárias precisam ser observáveis ou dedutíveis de um comportamento observável. No estudo realizado, um dos componentes estudados foi o mapeamento das diferenças entre os gêneros sexuais e faixas etárias, como homens, mulheres, adolescentes e crianças compram. O sexo se apresenta como uma variável importante para a segmentação de ofertas nas organizações (SCHIFFMAN; KANUK, 2000). Como segunda condição, “o comportamento de interesse precisa ser de alguma maneira repetitivo, frequente ou previsível” (MCDANIEL; GATS, 2003, p. 162). Seguindo esta orientação, a pesquisa de observação nas panificadoras considerou momentos pontuais de comprovada movimentação intensa de compra nesses locais. No caso das panificadoras, foram realizadas filmagens durante uma 69 semana, em cada uma das lojas, pois a movimentação de compra não segue datas comemorativas, mas trata-se de uma “tomada de decisão habitual que envolve pouco ou nenhum esforço consciente” (LEVY; WEITZ, 2000, p. 123). As panificadoras estudadas dispõem de produtos dos mais variados preços, constituem-se em lojas de rua, localizadas em pontos de grande fluxo de pessoas. Estas poderão realizar compras não planejadas, instigadas pela compra por impulso. Finalmente, “o comportamento de interesse precisa ser relativamente de curta duração” (MCDANIEL; GATS, 2003, p. 162). Foi utilizada, nesta pesquisa, a observação direta, em que acontece o processo da observação do comportamento que está acontecendo. A partir de filmagens, analisaram-se os registros de comportamentos que aconteceram. Este processo é definido como observação direta. De acordo com os objetivos traçados para a pesquisa, foi necessário o registro para posterior análise do comportamento de compra das pessoas, bem como as datas desses eventos. QUADRO ESTÁGIOS DA TOMADA DE DECISÃO ESTÁGIOS DO PROCESSO DECISÓRIO E DESCRIÇÃO Reconhecimento da necessidade Uma percepção da diferença entre a situação desejada e a situação real suficiente para despertar e ativar o processo decisório Busca da informação Busca de informação armazenada na memória (busca interna) ou aquisição de informação relevante para a decisão no ambiente (busca externa). Avaliação de alternativa pré-compra Avaliação de opções em termos de benefícios esperados estreitamento da escolha para a alternativa preferida. Compra Aquisição da alternativa preferida ou de uma substituta aceitável. Consumo Uso da alternativa comprada Avaliação de alternativa pós-compra Avaliação do grau em que a experiência de consumo produziu satisfação. Despojamento Descarte do produto não-consumido ou do que dele restou. Quadro 7: Estágios da tomada de decisão Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 92). 70 Ao direcionar a pesquisa para experiências de compra no ponto de venda, os estágios da tomada de decisão adequados para análise neste estudo, de acordo com o quadro 7, serão: reconhecimento da necessidade, busca da informação, avaliação de alternativa pré-compra e compra. Neste estudo, a técnica da observação não interferiu no comportamento do consumidor, mas registrou o que de fato faziam nas padarias pesquisadas. O método de observação pode possibilitar o conhecimento da trajetória dos clientes dentro da loja, além disso, propor melhorias para locais de pouco acesso ou maior visibilidade para produtos. “Estudos de padrões dos compradores são usados por varejistas para rastrear o fluxo de compradores em suas lojas. Normalmente o pesquisador usa um diagrama dos corredores da loja para traçar os passos de um comprador com uma caneta” (MCDANIEL; GATES, 2003, p. 169). Para realizar o estudo de circulação dos consumidores nas quatro panificadoras, utilizou-se o modelo de Blessa (2005) no desenho das plantas baixas das lojas pesquisadas, conforme figura 3. Figura 3: Modelo de Planta baixa de loja Fonte: Blessa (2005, p. 42). Foram realizadas filmagens e complementadas com a análise das observações realizadas no local. “[...] é que a imagem, com ou sem acompanhamento de som, oferece um registro restrito mas poderoso das ações 71 temporais e dos acontecimentos reais - concretos, materiais” (BAUER; GASKELL, 2002). Além disso, foi preparado um instrumento de pesquisa para abordagem direta a alguns clientes, objeto de observação nas panificadoras. “A pesquisa de comportamento dos compradores implica em observar – ou talvez filmar e depois acompanhar a gravação – os compradores ou consumidores em uma variedade de ambientes de compra” (MCDANIEL; GATES, 2003, p. 169). As filmagens constituíram-se em subsídios compostos de elementos verbais e não-verbais dos comportamentos no ponto de venda, que reforçam a observação in loco e mais efêmera. Na pesquisa qualitativa, o uso de mídias – tais como filme e as fotografias – como dados ultrapassa os limites entre os vários métodos científicos sociais [...] comparados às entrevistas, eles fornecem o componente não-verbal dos eventos e das práticas, que, de outra maneira, apenas poderiam ser documentados em protocolos de contexto (FLICK, 2009, p.225). Esta pesquisa orientou-se pelo modelo da metodologia utilizada por Underhill (2009), que prioriza acompanhamento e observação de clientes no momento de compra no Ponto de Venda (PDV). 3.4 Universo pesquisado As organizações pesquisadas são panificadoras, classificadas como varejo de alimentos. Para este estudo foram elencadas quatro panificadoras da cidade de Ijuí RS: três panificadoras do mesmo grupo empresarial, localizadas em diferentes pontos da cidade, e uma quarta empresa que se apresenta como panificadora concorrente para que houvesse a possibilidade do estudo de diferenciação. Os sujeitos da pesquisa constituíram-se nos clientes das quatro panificadoras estudadas na cidade de Ijuí-RS. Relacionada a esta pesquisa, classifica-se o tipo de amostra de conveniência que parece ser mais adequada neste caso. Neste estudo foi pesquisado o comportamento de compra a partir do gênero e faixa etária em lojas de varejo, especificamente as padarias localizadas em diferentes pontos da cidade. Vergara (1998, p. 50) define “os sujeitos da pesquisa como pessoas que fornecerão os dados de que você necessita”. 72 3.5 Instrumentos da pesquisa Instrumentos utilizados na pesquisa: - Para estudar os dados da circulação dos consumidores foi elaborado um mapa detalhado das instalações que exibiu corredores, prateleiras, entrada e saída e disposição de materiais promocionais das quatro panificadoras (Apêndices A, B, C e D, respectivamente); - Para registro das variáveis de comportamento dos consumidores, elaborouse uma ficha/folha de acompanhamento, listando algumas das ações que os consumidores poderiam realizar no momento da compra. Essas ações foram listadas a partir de um teste-piloto, em que se observaram consumidores no PDV. Este instrumento foi formatado juntamente ao mapa das instalações (Apêndices A, B, C, D); - Para registrar a movimentação dos clientes nas lojas, comportamentos e atitudes de compra, foi utilizada coleta de imagens, por meio de filmagens, no período de uma semana, em cada uma das quatro panificadoras. A partir das filmagens, foi possível obter diferentes aspectos de interação cliente-loja; - Para obter dados sobre o perfil dos consumidores de cada panificadora, foi elaborado um questionário aplicado a uma amostra de 128 clientes, sendo 32 clientes em cada loja (Apêndice E); - Para informações complementares sobre a percepção dos elementos do ambiente que influenciam os clientes, foi aplicado um questionário aos monitores da pesquisa (Apêndice F). 3.6 Procedimentos da pesquisa Primeiramente, para formalizar a efetivação de pesquisa, foi elaborada uma carta de solicitação e feita uma visita aos proprietários das panificadoras. Após o aceite dos proprietários, iniciaram-se os registros fotográficos das quatro panificadoras e que serviram de subsídios para a elaboração dos mapas de acompanhamento dos consumidores para o momento de observação in loco em cada loja. “O mapa mostra cada porta, corredor, display, prateleira, gôndola e balcão” (UNDERHILL, 2009, p. 9). O mapa de acompanhamento identificou as 73 principais ações desempenhadas pelos consumidores no ato da compra e as nuances entre o comportamento em cada uma das quatro panificadoras. Elaborou-se um questionário que foi aplicado aos clientes de cada uma das quatro lojas. Dentre os objetivos desse roteiro, procurou-se definir o perfil dos clientes de cada loja e os produtos mais consumidos. O questionário aplicado proporcionou conhecer informações, como a localização da residência comparada com as lojas, quanto tempo é cliente, os motivos por que compra em uma determinada loja, quais produtos compra com mais frequência, o que mais agrada e o que desagrada em cada uma das quatro panificadoras. Também foi elaborado um roteiro de observação focado somente nos pesquisadores/observadores, baseado nos elementos de ambiente que influenciam os consumidores (GONZÁLEZ, 2007). Uma equipe de três pesquisadores foi qualificada para atuar nas panificadoras anotando o máximo das ações que os consumidores realizavam durante a sua compra. “Essencialmente, os monitores circulam invisíveis pelas lojas seguindo os shoppers e observando tudo o que fazem” (UNDERHILL, 2009, p. 6). Utilizaram-se as imagens das câmeras de vigilância para identificar os diferentes aspectos de interação cliente e loja. “O vídeo produz uma quantidade ainda maior de dados brutos” (UNDERHILL, 2009, p. 10). Somente duas panificadoras tinham câmeras instaladas, sendo assim, recorreu-se à instalação de câmeras nas duas lojas que ainda não tinham sistema de vigilância. As panificadoras apresentam comportamento de compra não planejada e rotineira. Por esta razão, definiu-se a coleta de imagens durante sete dias corridos, durante o horário total de funcionamento do estabelecimento. Como forma de organizar os dados coletados pelos vídeos, elaborou-se um roteiro de análise dos vídeos a partir de: - Identificação dos sujeitos e ações; - Fluxo de circulação na loja; - Tempo de permanência na loja; - Singularidades e comportamentos semelhantes. 74 3.7 Trajetória da construção dos dados Este estudo foi desenvolvido a partir da metodologia que Underhill (2009) define como ciência das compras. Foi uma pesquisa no mínimo desafiadora, pois tentar entender um mercado vivo e vibrante significa, conclusivamente, nunca saber com precisão o que se vai encontrar até encontrar. A primeira etapa da pesquisa aconteceu ainda no primeiro semestre de 2011, com a definição dos instrumentos de pesquisa. O mapa de acompanhamento de clientes, com detalhamento do ambiente foi desenvolvido a partir de um amplo rol de fotografias realizadas nas quatro panificadoras, no dia 25 de junho. Juntamente ao mapa foi desenvolvida uma lista de ações que os clientes poderiam realizar durante o ato de compra na loja. Para elencar as ações dentro dessa realidade, realizou-se um pré-teste no dia 1º de julho, sexta-feira, no horário das18h30min. Permaneceu-se cerca de 30 minutos no estabelecimento, anotando as diferentes interações do cliente com a loja. A partir dessas anotações, desenvolveu-se um primeiro roteiro, que foi pré-testado no dia 08 de julho, no horário das 18h15min às 19h. Assim definiu-se o instrumento de observação da interação, fluxo de circulação, tempo de permanência dos consumidores nas quatro panificadoras. Foram aplicados 12 acompanhamentos em cada loja, no período de 11 a 17 de agosto, das 14h às 18h. O acompanhamento do cliente foi realizado de forma que este não percebesse tal observação, sem interferências em suas ações durante o processo de compra. No mês de julho também foi aplicado o questionário aos clientes. Foram 32 questionários em cada loja, totalizando 128 nas quatro panificadoras. As filmagens não seguiram a normalidade de período, dado que eram imagens cedidas, dependiam da coleta e encaminhamento do material pela empresa de vigilância. Somente duas panificadoras dispunham de câmeras de vigilância, estas cederam as imagens do período estabelecido. Nas outras duas lojas, contratou-se a instalação de câmeras, diferenciando o período de captura das imagens. Realizaram-se filmagens durante uma semana em cada panificadora, do horário que as lojas abriam suas portas até o final do expediente. No total, foram 308 horas de filmagens nas quatro lojas. 75 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS A partir dos dados coletados nas entrevistas, análise das filmagens nas quatro lojas, mapas de circulação e fichas de acompanhamento dos clientes analisou-se a experiência de compra, observando o comportamento dos consumidores no ponto de venda das panificadoras. Optou-se por descrever cada panificadora em separado, municiando os empresários com informações de acordo com a especificidade de cada loja, contribuindo com conhecimento e subsídios para estratégia de ação. O capítulo está dividido em cinco partes. Na primeira parte, intitulada “Digame quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora A, B, C , D” cada item está organizado para atender à definição do perfil dos clientes de cada uma das quatro panificadoras. Ainda neste capítulo, intitulado “Sei quem tu é e onde quer comprar”, estruturou-se um perfil geral das quatro panificadoras pesquisadas A segunda parte visa analisar o mapa de circulação e o acompanhamento dos consumidores de cada uma das padarias, pontos mais acessados e pontos menos lucrativos em cada panificadora. A terceira parte contempla a comparação das nuances de comportamento de consumidores nas padarias pesquisadas, analisando as diferenças de comportamento, por gênero e faixa etária. A quarta parte expõe a identificação dos estímulos sensoriais utilizados nas lojas, procurou-se pontuar e analisar os principais aspectos sensoriais percebidos. Por fim, a quinta parte estuda a identificação do efeito dos recursos de apresentação interna e externa das lojas como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores. 4.1 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora A Para avaliar a experiência de compra, coletaram-se dados referentes ao perfil dos consumidores de cada uma das quatro panificadoras. Entende-se que foi de suma importância conhecer o consumidor para elucidar as razões que fazem dele cliente de uma determinada loja ou produto. 76 Diante desses comportamentos, se considerarmos o bom andamento da loja, os resultados do gerente de vendas ou o sucesso das marcas presentes nas prateleiras, devemos tentar entender se se trata de um ato isolado ou se diante dessa mesma situação a maioria dos clientes reage do mesmo modo (CHETOCHINE, 2006, p.10). O trabalho iniciou-se com dados quantitativos sobre os consumidores, com a aplicação do questionário aos clientes da panificadora, no período de 11 e 17 de agosto, entre 14 e 20 horas. Dos 32 questionários aplicados, 18 foram para homens e 14 para mulheres. Manteve-se à distância do caixa ou dos atendentes para não inibir as respostas dos clientes. A abordagem foi feita na saída da loja, e constatouse certa dificuldade em conseguir pessoas dispostas a responder a pesquisa, a maioria mencionava estar com pouco tempo ou se deslocando para outros compromissos. O número de homens que responderam ao questionário é superior ao percentual de mulheres, conforme quadro 8. Total de entrevistados – panificadora A Total 32 100% Homens 18 56% Mulheres 14 44% Quadro 8: Gênero dos entrevistados – Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). Quanto à faixa etária, como representado no quadro 9, a maioria dos homens situa-se entre 26 e 45 anos, e as mulheres de 46 a 64 anos. Os homens que frequentam esta panificadora são, em média, mais jovens que as clientes do sexo feminino. 77 Idade dos entrevistados Homens Até 14 anos Mulheres 0% 15 a 25 anos 11% 7% 26 a 45 anos 56% 7% 46 a 64 anos 22% 71% Acima de 65 anos 11% 14% 100% 100% Quadro 9: Faixa etária dos entrevistados Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). Contatou-se que 1/3 dos entrevistados mora na vizinhança, somando os clientes que residem de 5 a 10 quadras são 56%, mais da metade, caracterizandose como varejo de bairro ou vizinhança. Gráfico 1: Distância que reside da Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). A clientela é composta, na maioria, por clientes já conhecidos que compram lá há mais de um ano. “A percepção dos clientes sobre suas experiências como o serviço tende a ser cumulativa” (LOVELOCK; WRIGHT, 2001, p. 332). Sendo assim, quanto mais tempo é cliente é indicativo de compra repetida. No gráfico 2, identifica- 78 se que os clientes que compram há mais de um ano na loja constituem 78% dos entrevistados. Os clientes que compram na loja há até um ano representam 22%. Gráfico 2: Tempo que é cliente - Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). O atendimento e a localização foram os principais motivos que levaram os clientes a comprar nesta panificadora. Destaca-se o atendimento com 37%, citado com o principal motivo para ser cliente da panificadora, conforme gráfico 3. Ressalta-se que, apesar da grande maioria residir na vizinhança da panificadora, o atendimento é um fator importante na decisão de compra. Gráfico 3: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). 79 O pão foi citado por 43% dos entrevistados como o produto que compra com mais frequência, comprovando que as panificadoras têm o pão como carro-chefe de vendas, seguido pelo leite, com 12% e os lanches prontos com 10%. “Quando temos um produto implusor (top de linha), este deve ficar posicionado de forma a puxar as vendas dos outros menos importantes” (BLESSA, 2005, p. 49). Percebe-se que os produtos comprados com mais freqüência na panificadora são acompanhantes do pão nas refeições, como o leite, café, frios, dentre outros. Constata-se que os lanches prontos são consumidos frequentemente na loja. Gráfico 4: Produtos adquiridos com maior freqüência – Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). O atendimento é um dos principais fatores de escolha da loja entre os entrevistados. No gráfico 5, o percentual de 58% dos clientes respondeu que o atendimento é o que mais lhe agrada na panificadora A. “Mais de 80% do tempo no negócio de varejo é conviver, se relacionar” (SAIANI, 2006, p. 32). Além do atendimento, os produtos de qualidade são o segundo fator que mais agrada. Além do bom atendimento, é essencial produtos de qualidade, conforme a estratégia de 80 varejo. Os elementos: atendimento ao cliente, venda pessoal e sortimento de mercadorias estão presentes nas respostas dos entrevistados. Consolida-se, assim, a importância de qualificar todos os elementos do composto de varejo, pois influenciam diretamente a decisão de compra e, possivelmente, a fidelização dos clientes. “Já falamos que a fidelidade de clientes está 30% atrelada a produtos e 70% a serviços e relacionamento” (SAIANI, 2006, p. 33). Embora não citado no questionário, a loja apresenta fácil acesso. Mesmo não possuindo estacionamento próprio, o local facilita a parada de carros em terreno plano. Comparando as Panificadoras A e D, lojas concorrentes, localizadas em lados diferentes de uma mesma rua, o estacionamento de carros é mais acessível na Panificadora A. Esta constatação é baseada no fato de que o local para estacionar em frente da Panificadora A é plano, diferentemente da Panificadora D que apresenta um declive bem acentuado. “Muitas vezes, o acesso complicado intimida a entrada [...] Hoje, um local para estacionar o carro é de extrema importância" (SAIANI, 2006, p.112). Gráfico 5: Fatores que mais agradam – Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). 81 A cada experiência de compra, o consumidor avalia, mesmo que sem muito esforço, o que mais lhe agradou e também o que pode ser qualificado, sob o seu ponto de vista. “A cada etapa da peça do serviço, uma empresa tem muitas oportunidades para atuar impropriamente e perder clientes” (LOVELOCK; WRIGHT, 2001, p. 327). Para que uma empresa mantenha seus clientes e até atraia novos, precisa promover o diálogo e projetar potencialidades e fragilidades do seu negócio. No caso da panificadora A, houve a indicação de melhorar os preços por 33% dos entrevistados; 17% dos entrevistados responderam que lhes desagradava a falta de área para lanchar; 17% observaram que não gostavam dos alimentos dispostos juntamente aos produtos de limpeza. A falta de alguns produtos foi mencionada por 17% dos entrevistados. Quanto ao horário de atendimento no início da tarde, foi apontado que a loja deveria abrir antes das 14h ao público por 16% dos entrevistados, conforme gráfico 6. Gráfico 6: Fatores de desagrado – Panificadora A Fonte: Dados da pesquisa (2011). A grande maioria das pessoas respondeu que não desejava encontrar mais produtos do que a loja já oferta. Destaca-se o comentário de alguns entrevistados que complementavam a resposta dizendo que já sabiam o que poderiam comprar 82 em uma panificadora. Caso precisassem de outros produtos, estes seriam adquiridos nos supermercados. Especificamente nesta panificadora, dois clientes responderam que gostariam de encontrar frutas e queijo colonial para compra. Em relação à disposição de produtos na loja, os entrevistados afirmaram não ter dificuldade para obter o que procuram. Em primeiro lugar, trata-se de um espaço não muito amplo, e os produtos industrializados não apresentam muita variedade. O segundo aspecto é que os produtos de maior variedade, da panificadora, são solicitados em balcão de atendimento. 4.2 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora A O primeiro cliente da tarde entrou na loja às 14h02min. Um homem que aparentava mais de 60 anos, posicionou-se no corredor da direita, percorreu até o final e no balcão de atendimento solicitou um pastel para levar para casa. Ficou aproximadamente 25 minutos na loja, conversando com os atendentes, enquanto conferia os produtos do expositor de bolachas, bolos e cucas. Após 25 minutos de conversa, ele se retirou da panificadora com o pastel e um pacote de bolacha. “Os índices de decisão no PDV são totalmente diversos pelo simples ‘motivo’ da compra” (BLESSA, 2005, p. 69). Este senhor, de passos lentos, é uma visita frequente na loja, representa mais do que um cliente, na verdade, um visitante que dispõe de tempo para conversar, comparar e comprar. Este foi o primeiro acompanhamento realizado, foi o mais extenso e precisou de muita atenção e discrição, pois este estudo propõe a observação indireta, sob o critério de que o cliente não deve saber que está sendo observado. Foram realizados 13 acompanhamentos no dia 11 de agosto: 1 casal, 1 criança, 4 mulheres, 4 homens e 3 idosos. O tempo de permanência na loja variou de 1 a 25 minutos. O menor tempo de permanência na loja foi dos homens, entre 1 e 3 minutos. O maior tempo de permanência na loja foi de clientes idosos, de 25 minutos. As mulheres ficaram na loja de 3 a 5 minutos, o casal ficou 6 minutos; e a criança 5 minutos. Esta constatação confirma o que já foi observado em outras pesquisas, segundo as quais a média de tempo gasto na visita ao ponto de venda de uma panificadora foi de 7 minutos (BLESSA, 2005). Somente a permanência de clientes idosos não seguiu esta orientação. Neste caso, outras variáveis foram 83 observadas, como a disponibilidade de tempo para permanecer na loja, entre um bate-papo e as compras. O fluxo de circulação foi bastante variado. Constatou-se que 9 pessoas fizeram o trajeto do corredor até o final, realizando compras no balcão de atendimento ao fundo da loja. Enquanto 4 pessoas não buscavam os produtos dispostos ao fundo da loja, a compra foi rápida, e a movimentação foi restrita ao início do corredor. A Panificadora apresenta duas portas de acesso, facilitando a entrada e saída dos clientes. As ações mais frequentes entre os 13 consumidores observados foram consulta de preços, o manuseio dos produtos e a escolha de um produto. Em boa parte do trajeto, o cliente parava diante de um produto que chamava sua atenção. “Os significados são comunicados ao canal visual por meio da cor, do tamanho e do estilo do produto” (SOLOMON, 2011, p. 84). Constatou-se que o acompanhante influencia a compra, pois há troca de informações sobre produtos que devem ser ou não adquiridos, esta situação foi constata no trajeto de um casal que comprava na loja. Outra constatação é que quanto mais tempo o cliente permanece na loja, mais ele transita e manuseia produtos. Especificamente nesta loja, as pessoas que mais permaneceram na loja foram dois idosos, num período de 25 minutos. Estes, além das compras, conversaram boa parte do tempo com os atendentes e o caixa. A compra impulsiva é um processo decisório não planejado e extremamente rápido. [...] Pode, na verdade, ser um padrão de compra que deixa a decisão final para ser tomada dentro da loja, como acontece com a donade-casa que organiza o cardápio enquanto seleciona os itens no supermercado (BLESSA, 2005, p. 25). Mesmo com a maioria das panificadoras constituindo-se como lojas de conveniência, as compras não têm um grande volume como em um supermercado, não envolvendo muito tempo em filas de atendimento e pagamento. Neste local, a maioria dos consumidores objetiva a compra de pequenos volumes, o pão lidera os itens mais adquiridos. Somente um dos 13 clientes solicitou ajuda sobre produtos. A baixa expressividade dessa ação pode estar relacionada ao fato de a panificadora apresentar um espaço não muito amplo, concentrando as gôndolas de exposição. Outro fator pode ser o relacionamento que existe há mais tempo. 84 4.2.1 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar - Panificadora B A panificadora B havia mudado de espaço fazia pouco tempo. As novas instalações deixaram uma história construída no prédio do outro lado da mesma rua, onde funcionou por mais de 15 anos. A nova loja foi arquitetada com requinte e amplo espaço para os clientes. As muitas prateleiras repletas de variados produtos, espaço para fruteira, amplo balcão de atendimento e distinto espaço de lanchar, com cafeteria e lanches rápidos, oferecem comodidade ao consumidor, desde a compra do pão até consumo na própria loja. Na panificadora B, aplicaram-se 32 questionários, nos dias 11 e 17 de agosto de 2011, entre 14 e 18 horas. O horário foi indicado pelos proprietários como sendo o de maior movimento do estabelecimento. Dos 32 questionários, 16 foram aplicados para homens e 16 para mulheres (quadro 10). Total de entrevistados – panificadora B Total 32 100% Homens 16 50% Mulheres 16 50% Quadro 10: Gênero dos entrevistados Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). Quanto à faixa etária, a maioria dos homens entrevistados situaram-se de 15 a 25 anos, e as mulheres de 46 a 64 anos, conforme quadro 11. Nesta loja, como na Panificadora A, constatou-se que os clientes homens são, na maioria, mais jovens do que as mulheres que transitam na panificadora. O fato de ser uma loja de conveniência, para compras com rapidez, pode justificar a maior presença dos clientes do sexo masculino. 85 Faixa etária Homens Até 14 anos Mulheres 0% 15 a 25 anos 56% 19% 26 a 45 anos 25% 25% 46 a 64 anos 19% 38% Acima de 65 anos 19% 100% 100% Quadro 11: Faixa etária dos entrevistados Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). A maioria dos clientes que responderam o questionário moram na vizinhança, até 5 quadras de distância. Constata-se que a facilidade de acesso pela proximidade é um dos fatores de decisão de compra. Gráfico 7: Distância que reside da loja – Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). 86 A maioria dos clientes desta panificadora compra há mais de 10 anos neste mesmo estabelecimento. O fator tempo traduz a fidelização do cliente, por meio da compra repetida. Além disso, trata-se da panificadora que existe há mais tempo se comparada com as demais. Gráfico 8: Tempo que é cliente – Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). Quanto aos motivos pelos quais os clientes compram nesta panificadora, a grande maioria apontou a localização como o principal. A partir desta informação, legitima-se a busca do cliente pela comodidade, além da maioria apontar a localização como um ponto alto para a escolha da panificadora. Os entrevistados também afirmaram morar na vizinhança desta loja. A variedade de produtos e o atendimento foram citados como fatores de compra. Além disso, embora em menor intensidade, foram lembrados pelos clientes a vitrine, a qualidade dos produtos e um espaço para sentar e degustar um lanche, conforme registra o gráfico 9. 87 Gráfico 9: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). O pão é o produto comprado com mais frequência, citado por 34% dos entrevistados, conforme gráfico 9. As panificadoras que tiveram sua origem na produção do pão, mesmo com a ampla variedade de outros produtos, este ainda é o carro-chefe de vendas. Os lanches prontos foram citados em 24% das entrevistas como produtos comprados com frequência. A panificadora B apresenta um amplo e novo espaço para lanchar, e este pode ser um motivador do consumo de lanches prontos. 88 Gráfico 10: Produtos adquiridos com maior freqüência – Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). Dos 32 entrevistados, somente duas pessoas manifestaram que gostariam de encontrar outros produtos ainda não ofertados na panificadora: maior variedade de produtos para tolerância alimentar e carne. A grande maioria das pessoas disse que não desejava encontrar mais produtos do que a loja já oferta. Destacam-se os comentários de alguns entrevistados que complementaram a resposta dizendo que já sabiam o que poderiam comprar em uma panificadora. Caso precisassem de outros produtos seriam adquiridos nos supermercados. Em relação à disposição de produtos, dos 32 entrevistados, 31 responderam que não têm dificuldades de encontrar o que procuram, apenas 1 cliente respondeu que teve dificuldade, mas não lembra a situação. Um percentual de 41% dos entrevistados respondeu que o atendimento é o que mais agrada na loja. Conforme gráfico 10, 28% dos entrevistados citam o ambiente como fator de empatia, ainda 10% chamam atenção para a variedade de produtos. 89 Gráfico 11: Fatores que mais agradam – Panificadora B Fonte: Dados da pesquisa (2011). Salientam-se algumas frases utilizadas pelos clientes durante as entrevistas, como: “É próximo do meu trabalho”, “Aqui tudo é bom”, “O cheiro é bom”. Estas expressões denotam algumas impressões sobre a loja e a experiência de compra para estes consumidores. Dentre os 32 clientes entrevistados, não foi levantada nenhuma situação ou produto que desagrade. 4.2.2 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora B A panificadora B apresentou um contínuo fluxo de clientes durante toda a tarde. Apesar desta continuidade, constatou-se que a maior concentração de pessoas se deu entre 17h30min e 18h30min, com o final dos expedientes de trabalho. Foram realizados 12 acompanhamentos no dia 11 de agosto: 5 mulheres, (sendo que 1 estava acompanhada de uma criança), 1 homem, 2 idosos e 4 adolescentes. O tempo de permanência na loja variou de 2 a 11 minutos. O maior tempo de permanência na loja foi dos idosos, entre 4 e 9 minutos. As mulheres 90 ficaram de 2 a 6 minutos, o homem ficou 5 minutos, e os adolescentes permaneceram de 2 a 5 minutos. “Enquanto num supermercado encontramos baixíssimo índice de planejamento e 85% de decisão de compra, nas padarias [...] os índices de planejamento são altos (68%) com uma decisão de compra dentro dos PDVs em torno de 32%” (BLESSA, 2005, p. 69). Isso justifica o pouco tempo que os clientes permaneceram nas panificadoras. O fluxo de circulação foi bastante variado. Constatou-se que 8 pessoas fizeram o trajeto até o balcão de atendimento ao fundo da loja, e quatro clientes compraram produtos dispostos nas gôndolas ou geladeiras nos corredores do início da loja. A panificadora apresenta um amplo espaço com lancheria e uma diversidade de produtos que vai desde o tradicional pão até frutas e verduras. Possui uma ampla porta de acesso, nas proximidades encontram-se dois caixas e a entrada para a área da lancheria. Constataram-se muitos momentos em que o cliente para, pois a sua atenção é despertada pelos produtos, devido à grande diversidade apresentada na loja. A prática em comprar e escolher são aceleradores do processo, mas é a visão, ou melhor, a percepção visual da consumidora que vai determinar o artigo a ser levado. O cérebro, impulsionado pela visão, envia a mão ao produto certo, em poucos segundos (BLESSA, 2005, p. 14). As ações mais frequentes dos doze consumidores observados foram consulta de preços, a solicitação de ajuda dos clientes aos funcionários, o manuseio dos produtos e a escolha de um produto. Em menor intensidade observam-se as ações de comparação de produtos semelhantes, no caso da gôndola de pães, troca de produtos e a abordagem do funcionário ao cliente. Nesta loja, também se evidenciou que o acompanhante influencia a compra, pois há troca de informações sobre produtos que devem ou não ser adquiridos. Constatou-se esta situação nos trajetos da mãe e da criança e também do adolescente e o idoso. Nesta loja, metade dos clientes observados solicitou ajuda aos funcionários. Levanta-se a hipótese de que isso ocorreu porque o ambiente é amplo, trata-se de um novo estabelecimento que apresenta uma grande variedade de produtos. Também notou-se a circulação bem expressiva de novos clientes, ou clientes de ocasião, que ainda não compravam na loja. 91 4.3 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora C A panificadora C faz parte de um mesmo grupo empresarial, juntamente com as panificadoras B e D. As três lojas estão distantes geograficamente, cada padaria atende um ponto distinto da cidade. A loja C localiza-se próxima de uma escola particular e de uma escola pública e situa-se em rua de acesso para vários estabelecimentos comerciais da cidade. Nesta loja, o questionário foi aplicado nos dias 11 e 17 de agosto, entre 14 e 18 horas. Dos 32 questionários aplicados, 20 foram para homens e 12 para mulheres. Total de entrevistados – Panificadora C Total 32 100% Homens 20 63% Mulheres 12 38% Quadro 12: Gênero dos entrevistados Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). De acordo com o quadro 13, 35% dos homens e 42% das mulheres situam-se de 46 a 64 anos. Mulheres e homens de 15 a 25 anos representam 25% deste universo de entrevistados. Idade Homens Mulheres Até 14 anos 10% 8% 15 a 25 anos 25% 25% 26 a 45 anos 30% 17% 46 a 64 anos 35% 42% Acima de 65 anos 0% 8% Quadro 13: Faixa etária dos entrevistados - Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). 92 Dos entrevistados, 44% reside a 10 quadras de distância da loja, e 31% está morando na vizinhança da Panificadora. Devido à localização, em uma via de acesso com muito fluxo de trânsito, esta padaria tende a receber clientes de “passagem” que não residem na vizinhança, mas que trabalham ou estudam nas proximidades. A maioria dos homens reside a mais de 10 quadras e a das mulheres mora na vizinhança da Panificadora. Gráfico 12: Distância que reside – Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). Dos entrevistados, 35% compram na loja de 4 a 7 anos; de 1 a 3 anos, representam 31%, e até 1 ano corresponde a 25%, conforme gráfico 12. A loja apresenta um percentual expressivo de clientes que compram de 4 a 7 anos, caracterizando que mesmo os consumidores da panificadora C que não moram nas proximidades têm repetido as compras na loja. 93 Gráfico 13: Tempo que é cliente – Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). A localização da loja foi citada por 55% dos entrevistados como o principal motivo para comprar nessa panificadora. Nesta perspectiva, pode-se constatar que a facilidade de acesso pode ser um fator de decisão de compra. “O que conta não é a quantidade de pessoas passando por sua loja todos os dias, mas sim, uma quantidade enorme de seus clientes em potencial passando por ela todos os dias” (SAIANI, 2006, p. 10). A maioria dos clientes entrevistados compra de 4 a 7 anos nesta loja, indicando que a localização é o fator mais expressivo para escolher a panificadora. Neste caso, o atendimento, mesmo ocupando o segundo motivo de escolha dos clientes, não representou o principal fator de decisão para a compra. O atendimento foi o segundo motivo mais citado, com 20%, conforme gráfico 14. 94 Gráfico 14: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). Os lanches prontos foram citados por 26% dos entrevistados como produtos mais comprados, seguido pelo pão com 24% e refrigerantes e sucos com 16%, evidenciados no gráfico 15. O público que frequenta esta loja se divide em moradores da vizinhança e aqueles que trabalham ou estudam nas proximidades. Sendo assim, a compra do lanche pronto representa um percentual expressivo em vendas, num determinado período do dia. Gráfico 15: Produtos adquiridos com maior frequência – Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). 95 Dos clientes entrevistados, 81% afirmaram que não há outro produto que gostaria que fosse ofertado na panificadora, 16% responderam que havia produtos que deveriam ser ofertados na loja, como cuia para chimarrão, carne, frutas e cheeseburger. Somente 1 entrevistado não soube responder. Gráfico 16: Produtos de seu interesse que ainda não são ofertados nesta loja – Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). Em relação à disposição de produtos, os entrevistados responderam não ter enfrentado dificuldade para obter o que procuram. Somente um cliente respondeu que teve dificuldade, mas não lembra a situação. O atendimento é o que mais agrada nesta loja, é o que afirmam 44% dos entrevistados. Por um lado, o atendimento foi o segundo fator de escolha desta loja, é o fator que mais agrada os consumidores entrevistados. Sendo assim, o atendimento está adequado aos clientes que compram nesta panificadora. Os lanches prontos são citados por 16% desses clientes, visualizados no gráfico 17. 96 Gráfico 17: Fatores que mais agradam – Panificadora C Fonte: Dados da pesquisa (2011). Dentre os clientes entrevistados, somente uma pessoa ressaltou que o atendimento lhe desagrada nesta panificadora. 4.3.1 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora C A loja não apresenta amplo espaço, tendo muita visibilidade para a realização dos acompanhamentos. A tarde ensolarada e quente apontava para uma venda potencial de água, refrigerantes, sorvetes e picolés. Foi exatamente o que se presenciou na panificadora C. Os pedestres passavam na loja, olhavam na porta e voltavam para comprar. Uma cena inusitada ocorreu naquela tarde de calor intenso: um casal entrou na loja, os dois disseram estar com sede, então pediram água, pois não tinham dinheiro para comprar. O atendente prontamente ofereceu-lhes água. Saciaram então a sede, agradecerem e se retiraram. Foram realizados 12 acompanhamentos no dia 16 de agosto: 5 mulheres (1 delas estava acompanhada de um bebê em carrinho), 5 homens e 1 acompanhado de uma adolescente, 1 rapaz adolescente e um menino aparentando 10 anos com um skate na mão. O tempo de permanência na loja variou de 1 a 8 minutos. O maior 97 tempo de permanência na loja foi dos idosos de 8 minutos. As mulheres ficaram na loja de 1 a 4 minutos, os homens de 1 a 8 minutos, o adolescente permaneceu 4 minutos e o garoto skatista 1 minuto. O homem que estava acompanhado de uma adolescente permaneceu 8 minutos na panificadora, pois estava conversando com uma pessoa conhecida que encontrou naquele momento. O fluxo de circulação foi bastante variado. Constatou-se que 3 pessoas fizeram o trajeto até o balcão de atendimento ao fundo da loja, enquanto 9 clientes compraram produtos dispostos nas gôndolas ou geladeiras nos corredores do início da loja, não indo até o balcão de atendimento da panificadora. A panificadora apresenta um espaço para lanchar e uma diversidade de produtos, desde o tradicional pão até frutas e verduras. Mas, como não possui espaço muito amplo, as prateleiras estão bastante próximas e alguns produtos estão misturados, como alimentos bem próximos aos materiais de limpeza. As ações mais frequentes dos doze consumidores observados foram consulta de preços, solicitação de ajuda dos clientes aos funcionários, manuseio dos produtos e escolha de um produto. Em menor intensidade, observaram-se as ações de comparação de produtos semelhantes. Observou-se que no dia da pesquisa estava fazendo muito calor, e 7 clientes observados entraram na loja somente para comprar bebidas das geladeiras. Nesta loja, 6 dos clientes observados, solicitaram ajuda aos funcionários sobre consulta de preços e sobre produtos. 4.3.2 Diga-me quem você é, que eu digo onde irá comprar – Panificadora D A panificadora D, devido à proximidade de localização, pode ser classificada como concorrente da panificadora A. Apesar de não se perceber qualquer manifestação de rivalidade entre os proprietários destas lojas, os clientes em comum têm a possibilidade de optar por uma delas para realizar suas compras. Os tamanhos das lojas apresentam similaridade, não são muito amplos. A diferença mais expressiva é que a panificadora D apresenta um espaço para lanchar, enquanto que a A não disponibiliza este serviço. O questionário foi aplicado na panificadora D nos dias 11 de agosto a 7 de setembro, entre 14 e 20 horas. Dos 32 questionários aplicados, 16 foram para homens e 16 para mulheres. 98 Total de entrevistados – Panificadora D Total 32 100% Homens 16 50% Mulheres 16 50% Quadro 14: Gênero dos entrevistados Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). Dos entrevistados, a maioria dos homens situa-se na faixa dos 26 a 45 anos, enquanto que 50% das mulheres têm de 46 a 64 anos. Constatou-se nesta panificadora assim como nas lojas A e B, que os clientes homens são mais jovens do que as mulheres. Idade Homens Mulheres Até 14 anos 6% 0% 15 a 25 anos 13% 25% 26 a 45 anos 38% 25% 46 a 64 anos 25% 50% Acima de 65 anos 19% 0% Quadro 15: Faixa etária dos entrevistados - Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). O percentual de 44% dos entrevistados reside na vizinhança; 37% a mais de 10 quadras dessa panificadora. Segmentando por gênero, a maioria dos homens reside a mais de 10 quadras e a das mulheres reside na vizinhança, conforme gráfico 18. Comparando a idade dos clientes, as mulheres de mais idade que os homens residem na vizinhança da loja em que compram. Os homens mais jovens residem mais distante da loja, mas trabalham ou estudam nas proximidades da padaria. Legitima-se a premissa de que o cliente quer comodidade para realizar suas compras. 99 Gráfico 18: Distância que reside da panificadora – Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). A maioria dos clientes entrevistados compra de 1 a 3 anos nessa loja, enquanto que 25% há 10 anos ou mais. O gráfico 19 demonstra ainda que 22% compram num tempo de 4 a 7 anos neste estabelecimento. Os novos clientes, de 1 a 3 anos, podem estar relacionados com aqueles que passaram a fazer parte das proximidades da loja por trabalho, estudo ou ainda aqueles que se deslocam por este trajeto. Considera-se, ainda, o percentual de 25% que compram há mais de 10 anos na loja, estes representam clientes que continuam sendo leais à panificadora. Gráfico 19: Tempo que é cliente – Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). 100 Os motivos que levam a comprar nessa loja são: atendimento, por 42% dos entrevistados, e localização, por 25%. Nesta loja, a relação se inverte. Comparado com a loja C, o atendimento é considerado o principal motivo de escolha e a localização está em segundo lugar. Na loja C, do mesmo grupo empresarial, os clientes entrevistados escolheram a loja primeiro pela localização e em segundo pelo atendimento. A variedade de produtos, o preço e outros (hábito, amizade com a proprietária, produtos de qualidade e pão) somam 33% dos entrevistados, conforme gráfico 20. Gráfico 20: Motivos para comprar nesta loja – Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). O pão é o produto mais comprado nesta panificadora, citado por 48% dos clientes entrevistados. Os lanches prontos, refrigerantes e sucos correspondem a 23% dos itens adquiridos. Em terceiro, os frios, que representam 14%, segundo o gráfico 21. 101 Gráfico 21: Produtos adquiridos com maior freqüência – Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). Quanto aos produtos que ainda não são ofertados na panificadora, somente duas pessoas responderam que gostariam de encontrar marcas de produtos melhores e lanchonete mais qualificada. Nenhum dos entrevistados disse ter dificuldade para obter o que procurou nesta loja. O atendimento é o que mais agrada a 44% dos clientes; 26% citaram os produtos de qualidade da loja. Constata-se que o atendimento representa um diferencial nesta loja. O total de 35% citaram pão, localização, limpeza e amizade como itens de que mais gostam na panificadora, identificado no gráfico 22. 102 Gráfico 22: Fatores que mais agradam - Panificadora D Fonte: Dados da pesquisa (2011). Todos os entrevistados responderam que não há nada que os desagrade na panificadora. 4.3.3 Pare, compre, sorria, você está sendo observado - Panificadora D A loja apresentou um fluxo de pessoas mais intenso das 17h15min às 18h30min. Antes desse horário, poucos clientes entraram na loja. A panificadora D está localizada em uma rua com declive, dificultando um pouco o estacionamento de alguns carros. O espaço da loja não é muito amplo, o que dificultou a aplicação da observação, já que o cliente não poderia perceber que estava sendo analisado. Foram realizados 13 acompanhamentos no dia 11 de agosto: 5 mulheres, 2 homens e 1 idoso, 6 adolescentes e 1 casal de adultos. Os adolescentes entraram na loja em grupo de quatro pessoas e duas individuais. O tempo de permanência na loja variou de 1 a 6 minutos. O maior tempo de permanência na loja foi das mulheres, de 6 minutos. Os homens ficaram 1 minuto, os adolescentes de 1 a 3 minutos e o idoso permaneceu na loja 4 minutos. 103 O fluxo de circulação foi bastante variado. Constatou-se que 9 pessoas fizeram o trajeto até o balcão de atendimento ao fundo da loja; quatro clientes compraram produtos dispostos nas gôndolas ou geladeiras nos corredores do início da loja. A Panificadora apresenta um espaço menor, mas, mesmo assim, dispõe de um espaço para que os clientes façam lanches, com mesa e cadeiras. As ações mais frequentes dos doze consumidores observados foram consulta de preços, manuseio dos produtos e escolha/compra de um produto. Os clientes solicitaram somente auxílio dos funcionários para os pedidos e pagamentos. Nesta loja, foi identificada uma ação isolada de degustação, o cliente idoso prova um produto oferecido pelo atendente. 4.3.4 Sei quem você é e onde quer comprar 4.3.4.1 Comparativo das quatro panificadoras Com a realização deste estudo em quatro panificadoras, foi possível relacionar os dados para identificar informações do segmento. A partir de uma amostragem, foi possível desenvolver um perfil dos clientes do segmento de panificação. Os dados de circulação nas quatro lojas mostraram que os homens estiveram em maior número nesses estabelecimentos, indicando que, atualmente, participam mais das atividades da casa, indo às compras ou cuidando os filhos. “‘[...] casando-se com mulheres que trabalham tanto e arduamente quanto eles, serão forçados a compartilhar mais o encargo das compras” (UNDERHILL, 2009, p. 112). No caso das panificadoras, eles adquiriram lanches com mais frequência. Total de entrevistados - geral Total Homens Mulheres 128 70 58 Quadro 16: Total amostragem por sexo – Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). 100% 55% 45% 104 Quanto à faixa etária, homens e mulheres que mais circularam nas panificadoras tinham de 26 a 45 anos, representando 56% e 71%, respectivamente, conforme quadro 17. Faixa etária Até 14 anos 15 a 25 anos 26 a 45 anos 46 a 64 anos Acima de 65 anos Homens 11% 56% 22% 11% 100% Mulheres 6% 9% 71% 14% 0% 100% Quadro 17: Faixa etária - Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). No gráfico 23, constata-se que o percentual de pessoas que circulam nas quatro padarias é de 38% para aqueles que residem mais de 10 quadras da loja, e o mesmo percentual para quem reside na vizinhança. Confirma-se, assim, que as pessoas procuram a panificadora em boa parte pela acessibilidade, por localizar-se na vizinhança, próximo ao trabalho ou onde estuda ou ainda por fazer parte do trajeto diário. “E o que genuinamente fideliza clientes é relacionamento e intimidade” (SAIANI, 2006, p. 21). Gráfico 23: Distância que reside da loja – Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). 105 O maior percentual de clientes relaciona-se com as panificadoras de 1 a 3 anos. Estes relacionamentos ainda são recentes, possivelmente motivados pelo comportamento do consumidor na atualidade, impulsionado pela nova experiência. Clientes até 1 ano representam 20% da clientela das lojas. Se somados aos de 1 a 3 anos, são 49% de relacionamentos recentes, conforme gráfico 24. As lojas precisam conhecer e diferenciar as ações para cada segmento de clientes. Atender de forma qualificada os novos clientes, sem deixar de inovar para os relacionamentos mais duradouros. Gráfico 24: Tempo que é cliente – Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). A localização e o atendimento somam 67% como motivos de escolha da loja entre os clientes entrevistados. No caso das panificadoras B, C e D, do mesmo grupo empresarial, e que estão localizadas em pontos distintos da cidade, não competem por proximidade, mas as panificadoras A e D concorrem pelos clientes que transitam ou residem na mesma localidade. O termo commodity pode ser definido como um produto in natura, de extração. Para Kotler (1998), os produtos podem se diferenciar por meio do seu formato ou tamanho. A aspirina, por exemplo, mesmo sendo uma commodity, pode apresentar diferente formato, posologia, tempo de ação, dentre outras características específicas. As panificadoras apresentam produtos muito assemelhados, representando assim, uma commodity, com pouca diferenciação diante à concorrência. 106 Mesmo com localização próxima, cada loja precisa ter uma estratégia para o ponto de venda, personalizando de acordo com o que atrai o cliente. É possível diferenciar um negócio mesmo que seja visto como conveniência. O atendimento, quando focado em relacionamento com o consumidor, constitui-se em diferencial, uma estratégia para fidelização dos clientes. Gráfico 25: Motivos que levam a comprar nesta loja - Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). O que mais agrada aos consumidores das panificadoras é o atendimento, com 42% dos entrevistados. Outras indicações, como amizade e pé-de-moleque foram citadas por 20% dos clientes, e produtos de qualidade ficou com 15% das indicações do que mais agrada aos consumidores das quatro panificadoras. 107 Gráfico 26: O que mais lhe agrada- Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). As quatro panificadoras apresentam um índice satisfatório de aceitação dos clientes, prova disto é que 86% dos entrevistados afirmaram que não há nada que os desagrade nas lojas. Mas 14% elencaram pontos importantes para qualificar negócio, como horário de atendimento, preços, falta de produtos, falta área para lanchar, espaço interno e alimentos junto com os de limpeza. Gráfico 27: Fatores de desagrado - Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). 108 Conforme o quadro 18, 89% dos clientes entrevistados responderam que não sentem falta de outros produtos nas panificadoras, enquanto 9% disseram que existem alguns produtos que ainda não são ofertados nas panificadoras e que gostariam de encontrar nas lojas. Sim Não Não respondeu Produtos que ainda não são ofertados? 9% 89% 2% 100% Quadro 18: Produtos que ainda não são ofertados nas panificadoras - Geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). Um percentual de 98% dos clientes entrevistados das quatro panificadoras respondeu que não tem dificuldade de encontrar o que procura nas lojas. Algumas razões para este bom desempenho junto ao consumidor é o fato de as panificadoras ocuparem espaços não muito amplos e também o tipo de negócio agregar muitos produtos no balcão de atendimento. São poucos os momentos em que o consumidor realiza self-service ou escolhendo sem auxílio de atendente. Sim Não Dificuldade de encontrar o que procura 2% 98% Quadro 19: Produtos não ofertados nas panificadoras - geral Fonte: Dados da pesquisa (2011). Apresentaram-se, neste capítulo, os resultados da pesquisa do perfil dos clientes nas quatro panificadoras. A partir dos dados da pesquisa, foi possível conhecer a distância que reside, tempo que é cliente, motivos de escolha da loja, os produtos que mais adquire, os fatores que mais agradam e os fatores de desagrado em cada uma das quatro lojas. Foi desenvolvido também um perfil geral dos clientes nas quatro panificadoras. Além disso, apresentaram-se o tempo de permanência e as principais ações que os clientes desempenharam nas lojas, a partir do método de observação indireta, em que o cliente não percebe que está sendo observado. 109 5 ANDANDO, DEGUSTANDO E COMPRANDO As propriedades físicas do ambiente de varejo ou atmosfera da loja são de interesse particular para as empresas, por duas razões: primeira, pois está ao alcance dos profissionais de marketing criar o ambiente de varejo, e esta influência é motivadora para o relacionamento com o consumidor dentro da loja (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). O cenário da loja também pode motivar o prazer e estimular os clientes. Esses sentimentos tendem a influenciar o tempo e o valor investido pelos consumidores enquanto fazem compras (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). 5.1 Siga-me se for capaz A panificadora A abriu suas portas às 7h25min da manhã de segunda-feira. Um senhor, aparentando 60 anos, aguardava para entrar. Ele entrou, comprou pão e retirou-se. Durante toda a semana a panificadora A abriu suas portas antes das 7h30min, e o mesmo homem já aguardava na entrada. A cena que se destacou foi de dois homens. O uniforme que usavam identificou que atuavam em uma distribuidora de gás. Eles permaneceram das 9 horas 22minutos e 43 segundos às 9 horas 33minutos e 26 segundos em pé, lanchando na porta da panificadora. Observou-se que o refrigerante foi acomodado no chão da loja. Esta cena se deve ao fato de a panificadora A não dispor de um local com cadeira e mesa para que os clientes façam seu lanche. Figura 4: Imagem de clientes lanchando na porta da panificadora A 110 Essa cena se repetiu por três vezes na semana, e merece destaque como uma oportunidade para a loja. O tempo de permanência desses clientes foi de aproximadamente 8 minutos. O fluxo de clientes nas quatro panificadoras não foi intenso no período da manhã. Constatou-se que nesse período acontecem as compras de conveniência, como pão, lanches prontos e artigos próximos ao caixa. O tempo de permanência na loja foi de até seis minutos para homens e mulheres. A partir da observação, constatou-se que a familiaridade com o estabelecimento gera uma circulação comum aos clientes que transitam com frequência na loja. Os clientes que já têm um relacionamento de longa data com os proprietários e atendentes trocam informações do cotidiano, em conversas informais, enquanto realizam suas compras. Trata-se de uma compra não planejada. Mesmo o pão sendo o principal produto adquirido na loja, em boa parte das situações observadas, os clientes adquirem outros produtos por impulso. Estudos revelam que as pessoas geralmente se posicionam na direita, fazendo este trajeto em lojas e corredores comerciais. “Eis outro fato sobre como as pessoas se movimentam (em ambientes de varejo, mas também em outros lugares): elas, invariavelmente, andam para a direita” (UNDERHILL, 2009, p. 83). Isto é perceptível nas panificadoras pesquisadas. A panificadora A dispõe de duas portas de acesso, uma, próxima do caixa e a outra localizada entre uma mesa expositora com bolos, bolachas e gôndola de produtos alimentícios e de limpeza. Em momentos de grande fluxo, os clientes se dividem nos dois acessos. O critério, neste caso, é o da facilidade. Na panificadora A, a única das quatro lojas que tem duas portas de acesso, observou-se que o cliente busca o seu caminho de acordo com o produto que pretende adquirir, por exemplo, se é somente um cartão telefônico, dirigi-se diretamente à porta próxima ao caixa. No caso da panificadora B, que está organizada em quatro corredores, o cliente circula mais, de certa forma descobrindo outros produtos ofertados. O espaço é mais amplo e permite que, em momentos de fluxo mais intenso, as pessoas não se aglomerem em filas, inclusive no momento de pagar, pois a loja tem dois caixas. Nas quatro lojas, o balcão de atendimento localiza-se no final do corredor. O cliente, ao entrar na panificadora, é levado a percorrer todo o corredor para solicitar os produtos, e, estrategicamente, nesse trajeto estão dispostos produtos sugestivos para uma compra mais incrementada. 111 A padaria B é a mais ampla e completa em relação à variedade de produtos, oferece desde frutas e verduras até gêneros de limpeza. A disposição nesta panificadora, devido ao espaço amplo, cumpre uma organização por gêneros, separando bem produtos alimentícios dos de limpeza. As outras panificadoras não apresentam uma grande variedade de produtos, mas compõem seu mix a partir do que o cliente busca na panificadora. As panificadoras A, C e D expõem seus produtos, independente do gênero, em gôndolas comuns, aproximando gêneros alimentícios dos de limpeza. Nas quatro panificadoras, o tempo de permanência do cliente é baixo, pois esse tipo de compra não exige muita complexidade e é de baixo envolvimento. “Compras de baixo envolvimento são compras que não são muito importantes para o consumidor, apresentam pequena aplicabilidade e pequeno risco percebido e, portanto provocam processamento limitado da informação” (SCHIFFMAN; KANUK, 2000, p.154). Além de serem lojas de produtos de conveniência, as panificadoras se constituem como um local de lanches rápidos. Somente uma das quatro lojas não apresenta local para o cliente “lanchar”. Não oferecer este serviço pode representar o afastamento de consumidores que têm este comportamento. Também perde-se uma oportunidade de manter este cliente mais tempo dentro da loja, podendo adquirir mais produtos. Nas outras três panificadoras dos mesmos proprietários, há um local específico para os clientes passarem mais tempo na loja. Durante a pesquisa, o espaço de lanche foi procurado em inúmeras ocasiões, por famílias e amigos, como lazer. Foi possível observar um viajante que, enquanto lanchava, acessava a internet; um grupo de profissionais que faziam uma reunião informal, dentre outras situações. As quatro panificadoras apresentam o pico do movimento de clientes no turno da tarde, das 17h30min até aproximadamente 18h30min. Na panificadora A, numa segunda-feira, constatou-se o fluxo de 46 homens e 19 mulheres no turno da manhã, enquanto que na tarde foram 91 homens e 66 mulheres circulando pela loja. Na padaria C, também numa segunda-feira, entraram 22 homens e 21 mulheres no período da manhã, e 52 homens e 61 mulheres no período da tarde. Nessas situações, os itens mais vendidos foram pão, lanches prontos, sucos e refrigerante. A maioria dos homens que estiveram na loja no período da manhã 112 adquiriram lanches prontos. Já as mulheres adquiriram produtos variados, como o pão, lanches prontos, pizzas, bolos, bolachas, dentre outros. Layout Panificadora A Figura 5: Layout da Panificadora A – mapa de acompanhamento Fonte: Elaborado pelo autor (2012) A figura 5 identifica a área de circulação da Panificadora A. Mesmo com duas portas de acesso, a entrada tende a ser pela direita, uma lógica inerente a quase todos os seres humanos (UNDERHILL, 2011). Mesmo seguindo essa lógica, os consumidores alteram seu caminho quando há aglomeração de muitas pessoas ou filas. Eles percorrem outros trajetos em prol da agilidade e facilidade de acesso aos produtos que desejam. O fluxo de clientes flui pelo corredor da direita até o balcão de atendimento, com pequenas pausas nas geladeiras de frios, sucos e refrigerantes. Não é significativa a procura dos clientes pelos produtos dispostos nos freezers na região central da panificadora, pois apresenta pouca visibilidade onde estão localizados. 113 Layout Panificadora B Figura 6: Layout da Panificadora B – mapa de acompanhamento Fonte: Elaborado pelo autor (2012) Na panificadora B, figura 6, constata-se que a área de circulação segue o fluxo para a esquerda, ocorre fora do usual, pois o layout da loja induz a entrada nesta posição, dificultando o fluxo à direita. O cliente entra e se desloca entre as gôndolas até chegar ao balcão de atendimento, localizado no fundo da loja. O fluxo é desordenado entre as fileiras de gôndolas, os clientes organizam o seu trajeto de acordo com a maior facilidade de deslocamento. Como se trata de um ponto comercial e layout de loja novos, a panificadora necessita de sinalização interna para que o cliente não tenha dificuldades de encontrar os produtos que procura. Se a predisposição das pessoas é de se movimentar pela direita, a organização do layout poderia dispor de produtos estratégicos neste trajeto natural dos clientes. Neste caso, a loja apresenta layout que sugere a movimentação ao contrário da lógica do circular, inclusive o espaço para lanchar, que está à esquerda da porta de entrada. A figura 7 revela que, na loja C, produtos de grande procura dos clientes localizam-se à esquerda da porta de entrada. A exemplo das outras três 114 panificadoras, o balcão de atendimento também está localizado no fundo da loja. Trata-se de um espaço menor, de onde o cliente tem uma visão ampla da loja desde a entrada. Os clientes observados compraram poucos itens e parecem ter o hábito de comprar nesta loja. Constatou-se que os clientes percorreram os corredores até o final, sem muita distração, diretamente ao balcão de atendimento, observavam com atenção o que estava exposto e solicitavam produtos, muitas vezes, indicando com as mãos. Esta cena se repetiu nessas lojas, indicando que há relacionamento de boa parte dos clientes que circularam nas panificadoras. Os clientes pareciam conhecer o trajeto, por hábito de comprar em uma determinada loja ou porque as panificadoras tendem a apresentar layouts semelhantes. “Em suma, a maior parte do comportamento de nossos clientes não é conscientemente pensada mas, sim, o resultado de hábitos estabelecidos” (MARTIN, 2009, p.100). Layout Panificadora C Figura 7: Layout da Panificadora C – mapa de acompanhamento Fonte: Elaborado pelo autor (2012) 115 Na panificadora D, os clientes transitavam exatamente nos dois corredores dispostos na loja. Entravam por um lado, percorriam até o balcão de atendimento ao fundo da loja e retornavam ao caixa pelo outro corredor. Os clientes utilizavam-se do corredor da direita e saíam pelo da esquerda, legitimando a lógica de como os seres humanos se deslocam. Layout Panificadora D Figura 8: Layout da Panificadora D – mapa de acompanhamento Fonte: Elaborado pelo autor (2012) A partir dos mapas de circulação, observou-se que o trajeto dos clientes é influenciado pela organização da loja. O fluxo dos clientes que, usualmente, posiciona-se pela direita foi modificado devido à localização da entrada da loja, ou pelo layout de gôndolas em outra posição. Além disso, o consumidor tende a alterar seu trajeto, caso tenha filas. 116 5.2 Pai, mãe, filho ou filha, eu também sou da família, também quero comprar O comportamento de homens, mulheres, adolescentes e crianças têm mais influência pelo perfil de gênero e idade do que especificamente das lojas. As mulheres geralmente despendem mais tempo na escolha, e os homens tendem a ser mais objetivos. “As diferenças de gênero em termos de percepção, atitude e estilo de comunicação geram respostas que diferem de gênero para gênero, em termos de prioridades, processos decisórios e resultado de compras” (BARLETTA, 2003, p.25). Na panificadora B, constatou-se a presença mais constante de adolescentes e jovens pela proximidade com instituições de ensino. Os jovens frequentavam a área para lanchar e geralmente se apresentam em grupos. As crianças merecem destaque, já que, em quase a totalidade de situações observadas, elas levavam os pais ou acompanhantes ao consumo do que pequenos clientes escolhem. As crianças acompanham seus pais ou responsáveis às compras, e, além de observar como os adultos realizam as compras, tendem a solicitar a compra de produtos que lhe agradam. “O significado comportamental dos bens possuídos reside na sua função instrumental como extensões quase físicas do eu, que auxiliam a criança no domínio do seu meio” (GUNTER; FURNHAM, 1998, p. 77). Na figura 9, observa-se um pai que compra um doce para o filho no colo, tira a embalagem e coloca na boca da criança. As crianças são iniciadas no processo de consumo muito cedo, acompanhando adultos nas compras diárias. Observa-se nas imagens que, ao mesmo tempo que crescem, adquirem autonomia para comprarem alguns produtos de seu interesse, como brinquedos e lanches. Assim, “[...] podemos contar com as crianças como consumidores ávidos, contanto que suas necessidades tenham sido consideradas” (UNDERHILL, 2009, p. 163). 117 Figura 9: Imagem do pai comprando doce que o filho solicitou Notou-se a influência que as crianças exercem nos processos de compra, na tentativa de fazer valer os seus desejos. Na cena da figura 10, a criança pega no braço da sua acompanhante para mostrar os doces que estão próximos do caixa. A mulher mostra para a atendente da loja e depois compra para a menina. Na figura 12, dessa sequência, a criança organiza a sua sacola com os produtos que foram escolhidos e adquiridos. “Como um mercado potencial, as crianças colocam um desafio aos comerciantes porque representam um mercado que está longe de ser estático” (GUNTER; FURNHAM, 1998, p. 233). Figura 10: Imagem de uma criança “puxando” a mãe para mostrar um produto de seu interesse 118 Figura 11: Imagem da mãe solicitando informação para a atendente sobre o produto indicado pela criança Figura 12: Imagem da mãe comprando o produto que a criança solicitou As mulheres observadas realizaram muitas ações no processo de compra: adquiriram produtos, provaram, consumiram em filas, compraram, fizeram trocas e devoluções. Essas ações denotam envolvimento em todos os processos de compra, mesmo em momentos que não exigem muita complexidade. “Ao percorrer esse caminho aproveitarão as oportunidades que surgirem para comprar outras coisas e realizar pequenas tarefas” (BARLETTA, 2003, p.111). 119 Figura 13: Imagem de uma mulher na fila da panificadora degustando um produto Figura 14: Imagem de uma mulher na fila consumindo o produto antes de chegar ao caixa da loja Uma intensa movimentação da consumidora em um ato de compra foi identificado na sequência de imagens número 16. Seus movimentos são circulares, volta várias vezes a um mesmo ponto, pede orientação para a atendente. No final desse processo parece ainda estar à procura de algum produto que não encontrou. “As mulheres, em geral, são mais pacientes e indagadoras, sentindo-se completamente à vontade em um espaço que, aos poucos, se revela” (UNDERHILL, 2009, p. 134). 120 Sentido do fluxo de circulação Sentido do fluxo de circulação Figura 15: Sequência de movimentação de uma mulher escolhendo no ponto de venda Outro episódio que caracteriza o comportamento masculino é o de um homem que chega ao balcão de atendimento, e sem visualizar os produtos que a loja oferecia, fez o pedido, virou-se, pegou um produto do freezer e foi diretamente ao caixa. Este cliente se manteve na loja 3 minutos. Para Barletta (2006, p.75), os homens “logo que encontram algo que atende a todos os critérios-chave estão prontos para ir em frente e tomar a decisão”. Os homens observados apresentaram objetividade e rapidez nas escolhas, um processo decisório direto, sem muita disposição para comparações ou trocas. 121 “Os homens querem lugares nos quais consigam encontrar o que precisam com o mínimo de procura para sair rapidamente” (UNDERHILL, 2009, p.134). Figura 16: Imagem de homem entra na loja e vai rapidamente ao balcão de atendimento Figura 17: Imagem de homem olha para freezer e escolhe iogurte 122 Figura 18: Imagem de homem que rapidamente paga e sai da loja. Tempo total de compra 2 minutos 5.3 Vi, ouvi, senti, provei e comprei Quanto aos estímulos sensoriais, constatou-se que as quatro panificadoras utilizam técnicas parecidas para estimular o cliente, estratégias voltadas prioritariamente aos sentidos da visão e de olfato. Balcões de exposição com produtos de aparência muito provocante e que abusam das cores. Além dos estímulos visuais dos produtos, o aroma dos produtos aguça e promove a vontade de consumir. Por exemplo, o cheiro do pãozinho saído do forno e do café “passado”, também neste horário, pode provocar a combinação da compra do final da tarde e uma pausa para degustar produtos sugeridos pela loja. “Somos todos shoppers pósmovimento de defesa do consumidor. Só acreditamos depois de ver, cheirar, tocar, ouvir, provar, experimentar” (UNDERHILL, 2011, p.189). Ao entrar em uma loja, o consumidor está predisposto a comprar. A intensidade dessa experiência vai depender do quanto o estabelecimento se preparou para encantar este cliente. “Com tantas semelhanças entre as experiências de compra oferecidas no varejo, só vai nos restar a ambientação e a tematização para diferenciar as sensações do consumidor” (BLESSA, 2005, p.36). A observação in loco, a partir do roteiro aplicado aos monitores da pesquisa, descreve que as quatro lojas apresentam iluminação adequada ao ambiente, as cores são frias e neutras, os odores são adequados e atuam como reforço para a venda de produtos. O roteiro (Apêndice F) elaborado para os monitores da pesquisa baseou-se nos Elementos de ambiente que influenciam os consumidores (GONZÁLEZ, 2007). 123 As panificadoras pesquisadas não se diferenciam quanto à percepção de estímulos sensoriais (figura 19), definido como o “processo pelo qual as pessoas selecionam, organizam e interpretam as sensações” (SOLOMON, 2011, p.83). Não há música ambiente, recurso utilizado para estabelecer uma marca ao ambiente. Somente a panificadora B possui cor mais quente e alegre, enquanto que as outras apresentam cores frias e neutras, que dificilmente serão percebidas pelos clientes. Figura 19: Visão geral do processo percebido Fonte: Solomon (2011, p. 83). A visão, um dos principais sentidos, tende a selecionar os diferenciais que têm significação para uma pessoa. As panificadoras com espaços menores A, C e D apresentam muitos produtos distribuídos sem muita estratégia de diferenciação ou sinalização. “[...] inconscientemente, sua visão periférica estará alerta para que você não esbarre em uma caixa ou numa criancinha ou caia de cara no chão” (UNDERHILL, 2009, p. 86). A padaria B, com espaço mais amplo e estrutura nova, pode ser percebida como uma loja mais atrativa para a movimentação das compras, se comparada com as demais pesquisadas. Além disso, os espaços menores predispõem a aglomerações em momentos de um fluxo maior de pessoas. “A memória de um bom passeio de compras pode ser apagada por uma experiência ruim na fila do caixa” (UNDERHILL, 2009, p. 181). A aglomeração excessiva, com pessoas muito próximas ou esbarrões, pode irritar os clientes. Por isso, é necessário que a loja seja projetada para atender os clientes de acordo com o seu espaço. Stokols (1972) afirma que a partir da irritabilidade do cliente com grandes aglomerados de pessoas ou coisas em um único espaço, passou-se a estudar o fenômeno do crowding. Mesmo que a reação a este fenômeno dependa de cada 124 pessoa, os espaços precisam ter organização condizente com os clientes alvo. Muitos produtos em espaços limitados tendem a passar uma imagem de desorganização da loja. O mesmo acontece para a poluição visual - muitas imagens juntas geram conflito e não há uma percepção adequada por parte dos clientes. A aglomeração sujeita a esbarrões e falta de espaço para transitar podem resultar na perda de clientes, em função da falta de conforto e agilidade na realização de compras. “[...] quando os shoppers têm de esperar muito tempo na fila (ou em outro lugar), a impressão do serviço em geral torna-se negativa” (UNDERHILL, 2009, p. 37). As panificadoras pesquisadas estimulam o cliente de forma parecida com os mesmos elementos e produtos, seja o cheiro do café e do pão ou o visual do ambiente organizado e limpo. Deduz-se que este ainda é um assunto pouco conhecido e explorado como estratégia de captação e fidelização de clientes. “A qualidade sensorial única de um produto pode desempenhar um papel importante ao destacá-lo em relação aos concorrentes, especialmente quando a marca cria uma associação única com a sensação” (SOLOMON, 2011, p. 83). 5.4 A loja que fala Este quesito visa à identificação e à análise do efeito dos recursos de apresentação interna e externa da loja como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores. 5.4.1 Vitrines As panificadoras A, C e D não têm vitrine ou fachada como uma forma de divulgar produtos ou promoções. Vitrines são fachadas de vidro que deixam a loja à mostra, mas que não instigam, como recursos, os clientes a entrarem nas lojas. “Toda vitrine precisa ser dinâmica, e atrair os olhares mais distraídos. Toda a vitrine, ou seus produtos deve ser trocada a cada 15 dias, no mínimo” (BLESSA, 2005, p. 54). 125 Figura 20: Porta panificadora D Figura 21: Porta panificadora C Os adesivos presentes na porta de entrada das panificadoras A, C e D, figuras 20 e 21, são informativos, mas geram conflito, pois constituem-se de muitos elementos e cores, não tendo destaque para nenhum dos apelos. Os consumidores entendem o ambiente da loja como um conjunto de informações que antecedem o consumo (RESE, 2003). Como não há projeção das informações estratégicas para o cliente, ocorre o conflito de vários elementos que não favorecem a percepção correta pelos consumidores da loja. “Assim, esqueça a intenção do que está naquelas vitrines. Diante de um estacionamento, se a mensagem não for grande, proeminente, curta e simples, será inútil” (UNDERHILL, 2009, p.46). Mesmo sendo adesivos de informações relevantes para os clientes, como carões de crédito aceitos na referida loja, recomenda-se a diminuição dos apelos nas portas de entrada, conferindo mais visibilidade às panificadoras. A panificadora B apresenta uma vitrine com poucos apelos promocionais, mas permite às pessoas que estão transitando na rua visualizarem o espaço qualificado de suas instalações. Dessa forma, esta vitrine pode estimular as pessoas a entrarem na loja devido à exposição dos produtos que estão sendo degustados pelos clientes naquele espaço. “Mais do que qualquer área da loja, as vitrines refletem a imagem e o estilo de comercialização desta loja ou daquela loja” (BLESSA, 2005, p.54). 126 Figura 22: Vitrine da Panificadora B 5.4.2 Merchandising As panificadoras A, C e D não apresentam uma ação estratégica de merchandising, os layouts das lojas, bem como a sua organização são muito semelhantes, com o balcão de atendimento ao fundo da loja, prateleiras ao centro e nas extremidades e freezers. Não há diferenciação por ação de merchandising, mas constata-se a presença de promoção de vendas em momentos pontuais. Há algo indiscutível sobre o merchandising no ponto-de-venda: ele é considerado a “mídia” mais rápida e eficaz, pois é a única em que a mensagem conta com os “três elementos-chaves” para concretização de uma venda: o consumidor; o produto e o dinheiro (BLESSA, 2005, p. 8). Três das lojas pesquisadas, estão organizadas em gôndolas e freezers, as prateleiras abrigam uma variedade de produtos que se assemelha a um minimercado. Os produtos expostos, na maioria, são aqueles solicitados pelos clientes. Mas, a ânsia de satisfazer este cliente acarreta prateleiras com muitos produtos dispostos, bem como alimentos com os de limpeza. As figuras 23, 24, 26, 27 127 apresentam, nas panificadoras estudadas, como estão dispostas algumas prateleiras. Figura 23: Imagem de prateleira de uma das lojas Figura 24: Imagem de produtos em freezer Os produtos sem glúten e lactose estão dispostos em uma mesa central na panificadora D, indicados com um pequeno cartaz que informa a especificidade destas bolachas e farinhas. A figura 25 denota um esforço de venda segmentada. 128 Figura 25: Imagem da mesa de produtos sem lactose e sem glúten Figura 26: Imagem de prateleira de uma das lojas 129 Figura 27: Imagem de prateleira de uma das lojas A panificadora B, além de apresentar um espaço mais amplo do que as outras três, é um ambiente novo com layout de estilo uníssono e mais elaborado. Os produtos são separados em gôndolas, figuras 30, 31 e 32, de acordo com o gênero e nota-se a presença da promoção de vendas de algumas marcas, como a Kibon. Figura 28: Imagem do espaço para lanchar panificadora B 130 O ambiente da panificadora B segue os quatro objetivos que Blessa (2005) propõe quanto à disposição de produtos: separação, visibilidade, acessibilidade e disponibilidade. Mesmo seguindo esta orientação, algumas formatações do PDV precisam ser qualificadas. Na figura 29, a preparação de uma promoção de vendas, pode conferir aos clientes uma sensação de desabastecimento com as prateleiras vazias. Deve-se considerar ainda que, “a falta de produtos expostos ou disponibilidade de só alguns tamanhos frusta o consumidor profundamente (BLESSA, 2005, p.56). Ainda alguns produtos estão dispostos também na parte mais baixa das prateleiras, dificultando a visibilidade do cliente. “Produto em local baixo demais ou alto demais desestimula o cliente a comprar para não ter que procurar ajuda”, aponta BLESSA (2005, p.45), vide figura 30. Figura 29: Imagem de gôndola preparada para promoção de vendas 131 Figura 30: Imagem produtos separados por tipo Figura 31: Imagem de local preparados para exposição de frutas e verduras Figura 32: Imagem de prateleira para exposição de pães 132 5.4.3 Promoção de venda A estratégia de promoção de vendas é um ponto em comum entre as quatro panificadoras. “Promoção de vendas é o esforço específico de promoção com objetivos de promover vendas” (BLESSA, p.2, 2005). Seja com cartazes sobre a promoção de um determinado tipo de torta, ou a ação de uma marca específica, as panificadoras pretendem estimular a venda em momentos pontuais, aproveitando os momentos estratégicos, como as datas festivas e as estações do ano. O verão pode ser propício para o estímulo de venda de sorvetes e picolés, torta de sorvete, refrigerantes, dente outros produtos. “Em geral, são promoções que oferecem ofertas ou condições especiais de venda, visando a uma maior rotatividade do produto ou a um aumento da demanda de serviço” (BLESSA, p.2, 2005). Figura 33: Imagem de promoção de vendas de sorvete Este capítulo primeiramente apresentou a circulação dos clientes nas quatro panificadoras. A partir de um mapa de acompanhamento, elaborado com base na planta baixa de cada loja, foram pontuadas as ações dos consumidores em seu processo de compra e também identificada a área de circulação da maioria dos clientes pesquisados. Também analisou-se as nuances de comportamento de consumidores a partir do gênero e faixa etária. Apresentou-se, ainda, a análise dos estímulos sensoriais nas quatro lojas e sua influência diante do consumidor. Identificou-se que não há estratégia de diferenciação das lojas por meio de estímulo dos sentidos. Por fim, identificaram-se e analisaram-se os recursos de apresentação 133 interna e externa como forma de motivar a compra. Somente a panificadora B dispõe de elementos, como vitrine e espaço amplo, para lanchar. A panificadora A não dispõe de espaço para lanchar e, assim como as panificadoras C e D dispõe de espaço em comum nas prateleiras para produtos alimentícios e de limpeza. No quadro 20, apresentou-se um comparativo das quatro lojas pesquisadas, perpassando o perfil dos clientes, a organização das lojas e algumas informações pertinentes ao negócio das panificadoras. A partir das informações pesquisadas levantou-se similaridades e diferenças entre as quatro lojas, descritas no quadro 20. As similaridades constatadas nas quatro panificadoras foram os motivos de compra definidos pelo atendimento e localização, sendo o atendimento definido como o principal motivo de agrado com as lojas. O pão é o produto comprado com mais frequência nas panificadoras. Os homens tiveram o menor tempo de permanência nas padarias, enquanto que as mulheres e os idosos ficaram mais tempo nas lojas. O maior fluxo de clientes nas panificadoras foi no horário das 17h30 às 18h30. A disposição dos balcões de atendimento no fundo da loja e o uso de uniforme constatou-se nas quatro padarias. As panificadoras diferenciaram-se no que tange os motivos de desagrado, os precos, área para lanchar e o atendimento foram citados em duas lojas. O ambiente, os lanches prontos e os produtos de qualidade foram citados em diferentes padarias. A partir dessas informações destaca-se que as similaridades são mais perceptíveis para os consumidores do que os diferenciais de cada panificadora. O processo de decisão de compra inicia com o reconhecimento da necessidade. Sem esse estopim que desencadeie o processo de busca pelo produto, pode não haver compra. Mas outros aspectos desse processo podem influenciar a compra, como promoções imperdíveis, vendas “casadas”, indicações com bonificação, dentre outras. É vital conhecer o público-alvo e oferecer produtos, serviços e benefícios customizados a partir do seu perfil. “O comportamento do consumidor, como regra, é intencional e orientado a objetivos. Os produtos e serviços são aceitos ou rejeitados com base na extensão em que eles sejam percebidos como relevantes às necessidades e ao estilo de vida” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 8). 134 QUADRO COMPARATIVO DAS PANIFICADORAS Panificadora A Panificadora B Panificadora C Panificadora D Idade dos clientes - Homens 26 a 45 - Homens 26 a 45 - Homens 46 a 64 - Homens 26 a entrevistados anos anos anos 45 anos - Mulheres 46 a - Mulheres 46 a - Mulheres 46 a - Mulheres 46 a 64 anos 64 anos 64 anos 64 anos Distância que Mais de 10 Até 5 quadras Mais de 10 Na vizinhança reside da loja quadras Cliente há quanto 4 a 7 anos quadras Mais de 10 anos 4 a 7 anos tempo Motivos de compra Mais de 10 anos - Atendimento - Localização - Localização - Atendimento - Localização - Variedade de - Atendimento - Localização - Pão - Lanches prontos - Pão - Lanches prontos - Pão -Lanches produtos Produtos que Pão compram com mais freqüência Motivos de agrado prontos Atendimento dos clientes - Atendimento - Atendimento - Atendimento - Ambiente - Lanches prontos - Produtos de qualidade Motivos de - Preços desagrado - Área para Não apresentou Atendimento Não apresentou lanchar Tempo de 25 min – idoso 11 min – idoso 8 min – idoso 6 min – mulher permanência 1 min - homem 5 min - homem 1 min - menino 1 min - homem 17h30 às 18h30 17h30 às 18h30 17h30 às 18h30 17h30 às 18h30 No fundo da loja No fundo da loja No fundo da loja No Na loja Maior fluxo de pessoas na loja Disposição do balcão de fundo da loja atendimento Uniforme Sim Sim Sim Sim Vitrine Não possui Possui Não possui Não possui Espaço para lanchar Não possui Possui Possui Possui Infraestrutura da Espaço menor Amplo e novo Espaço menor Espaço menor 8 anos 19 anos loja Tempo de espaço 11 anos 21 anos existência Quadro 20: Quadro comparativo das quatro panificadoras estudadas Fonte: elaborado pelo autor 135 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 6.1 Conclusões O estudo do comportamento do consumidor nas quatro panificadoras está embasado no modelo de Underhill (2009) e utilizou instrumentos como filmagem e mapas de acompanhamento que possibilitaram conhecer as ações no processo de compra no ponto de venda. A partir dos subsídios e dados da pesquisa, compreendeu-se que a análise do comportamento dos consumidores no ponto de venda permite a identificação de elementos que influenciam na decisão de compra. Os dados sobre a circulação nas quatro lojas evidenciou que as mulheres envolvem mais tempo para as compras no ponto de venda, permanecendo em média 5 minutos nesse processo de decisão. Os homens apresentam objetividade em suas compras, permanecendo em média 2 minutos no ponto de venda. Ainda constatou-se o comportamento característico a pessoas idosas que permaneceram mais tempo nas lojas, tendo este local também como um ponto de encontro. As crianças apresentam-se como potenciais influenciadores da decisão de compra de seus acompanhantes, na maioria dos casos adquirindo produtos de seu desejo. O maior percentual de clientes relaciona-se com as panificadoras de 1 a 3 anos. Estes relacionamentos ainda são recentes, possivelmente motivados pelo comportamento do consumidor na atualidade, impulsionado pela nova experiência. A localização e o atendimento somam 67% como motivos de escolha da loja entre os clientes entrevistados. Com as informações coletadas dos consumidores das quatro lojas, propugna-se que as panificadoras apresentam produtos muito assemelhados, apresentando pouca diferenciação diante à concorrência. A partir da observação, constatou-se que a familiaridade com o estabelecimento gera uma circulação comum aos clientes que transitam com frequência na loja. Os clientes que já têm um relacionamento de longa data com os proprietários e atendentes trocam informações do cotidiano, em conversas informais, enquanto realizam suas compras. Trata-se de uma compra não planejada. Mesmo o pão sendo o principal produto adquirido na loja, em boa parte das situações observadas, os clientes adquirem outros produtos por impulso. O fluxo de clientes nas quatro panificadoras, em geral flui pelo corredor da direita até o balcão de atendimento, localizado no fundo da loja, com pequenas 136 pausas nas gôndolas, geladeiras de frios, sucos e refrigerantes. A partir dos mapas de circulação, observou-se que o trajeto dos clientes é influenciado pela organização da loja e que o consumidor tende a alterar seu trajeto, caso encontre filas ou aglomerações. Não há diferenciação por ação de merchandising, mas constata-se a presença de promoção de vendas em momentos pontuais nas lojas pesquisadas. Seja com cartazes sobre a promoção de um determinado tipo de torta, ou a ação de uma marca específica, estimula-se a venda, aproveitando datas festivas e as estações do ano. Somente uma das lojas possui vitrine que permite às pessoas visualizarem o espaço qualificado de suas instalações. A vitrine tende a estimular as pessoas a entrarem na loja devido à exposição dos produtos que estão sendo degustados pelos clientes naquele espaço. Constatou-se que as quatro panificadoras utilizam técnicas parecidas para estimular o cliente, estratégias voltadas prioritariamente aos sentidos da visão e de olfato. Além dos estímulos visuais dos produtos em exposição, o aroma desses, aguça e promove a vontade de consumir. Considerando o exposto, os objetivos deste estudo consistiram em acompanhar e analisar a circulação dos consumidores nas lojas; comparar as nuances de comportamento de consumidores nas padarias pesquisadas e identificar o efeito dos recursos de apresentação interna e externa das lojas como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores em quatro panificadoras. Desta forma, a importância desta pesquisa, que utiliza a observação como uma das metodologias, consiste em propor ações personalizadas para os clientes e avançar no que tange layout e organização de cada loja, a partir das informações de como se movimentam estes consumidores. 6.2 Implicações gerenciais para as panificadoras Na panificadora A, seguindo uma solicitação de clientes entrevistados, entende-se que uma oportunidade para o negócio é disponibilizar um espaço para lanchar. Outra percepção quanto a esta loja, mas que também cabe para outras panificadoras, é organizar, em locais separados, os produtos de limpeza e os alimentos. 137 Outra constatação que pode ser uma oportunidade é não dispor de produtos numa altura muito baixa ou alta nas prateleiras. Dificulta o acesso ao produto e também causa desconforto aos clientes que podem ter que se agachar ou solicitar auxílio para obter o que precisa. Faz-se necessária uma diversificação mais intensa nas promoções de venda e a qualificação dos materiais de divulgação do PDV (ponto de venda), como os cartazes e displays. Analisar o comportamento do cliente implica também renovar o negócio a partir da experiência que as lojas querem proporcionar. Muitas são as possibilidades de estímulos sensoriais como potencializadores das interações emocionais dos consumidores com os produtos e as empresas. Sugere-se que as lojas que possuem câmeras instaladas, utilizem também para avaliar layout e circulação de clientes, como fonte de pesquisa e não somente como segurança. 6.3 Implicações acadêmicas do estudo O estudo exposto sobre comportamento de compra em varejo de alimentos utilizou a observação como uma das metodologias, realizadas in loco e a partir de filmagens. Optou-se pela observação direta, sem interferência do pesquisador na cena, que possibilitou identificar a movimentação real dos consumidores nas quatro lojas, seu trajeto, tempo de permanência e o manuseio de produtos nas panificadoras. Os clientes observados proporcionaram o conhecimento mais profícuo da experiência de compra, orientando, inclusive, alguns rearranjos de layout, com o propósito de harmonizar o fluxo percorrido na loja. É importante destacar que alguns comportamentos que se repetem representam oportunidades de qualificação do PDV. Por exemplo, na panificadora A, quase todos os dias, dois homens compram lanches e consomem em pé na porta, pois não há um espaço destinado para esta finalidade. Os mapas de acompanhamento e ações de consumidores, gerados, de acordo com a especificidade de cada loja, pode ser testado e aplicado em outros estabelecimentos pesquisados, desde que redesenhado a partir de layout do espaço e experiência de compra. Este estudo de experiência de compra no varejo de alimentos pode contribuir para o conhecimento desse segmento industrial que é um dos maiores do Brasil 138 (ABIP, 2012). Além disso, o agregar de metodologias qualitativas que podem ser utilizadas para pesquisar o comportamento dos consumidores e seu processo de decisão em panificadoras, que no país atendem, em média, 40 milhões de clientes por dia (21,5% da população nacional). 6.4 Limitações do estudo A pesquisa foi aplicada em momentos distintos, em que os questionários e observação in loco aconteceram separadamente do período das filmagens. Para estudos futuros seria indicado que os mesmos sujeitos clientes fossem observados e entrevistados num mesmo período. Assim, a análise do comportamento de um cliente seria mais completa, no que tange ao que ele afirma que compra e o que efetivamente adquire nas lojas. As filmagens foram feitas a partir de câmeras de segurança, em alguns momentos limitando o ângulo de visão para observar os clientes e seu comportamento de compra. O tipo de tecnologia utilizada não possuía um contador para saber com exatidão a quantidade de pessoas que entraram nas lojas. Realizouse contagem manual nas panificadoras menores, mas os momentos de fluxo intenso na maior das quatro lojas pesquisadas dificultou a mensuração. Trata-se de uma pesquisa exploratória, limitada à observação em apenas 4 unidades, não permitindo inferências maiores. Porém, ao confrontar com o aporte teórico, percebe-se que há consonância de atitudes observadas. 6.5 Considerações finais O crescimento e a profissionalização do setor da panificação têm contribuído para o desenvolvimento do varejo de alimentos no Brasil. A concorrência acirrada e a disputa pelos consumidores transformaram as panificadoras em locais de compras de conveniência. O varejo de alimentos, em específico as panificadoras, tem expressiva participação na economia brasileira, a partir da expansão dos serviços, a modernização do setor e a variedades de produtos ofertados. Segundo dados da Propan – Programa de Apoio à Panificação, disponíveis no site da ABIP – Associação Brasileira da Indústria da Panificação, em 2011 o setor contou com um 139 crescimento de 11,88%, o que representa um faturamento de R$ 62,99 bilhões, num universo de 63,2 mil padarias existentes no país. Constatou-se que, mesmo com um processo de evolução, somente 5% lideram o processo de modernização no setor. Este crescimento representou um aumento relevante de pessoas circulando e comprando nesses estabelecimentos. A partir dos subsídios e dados da pesquisa, compreendeu-se que a análise do comportamento dos consumidores no ponto de venda permite a identificação de elementos que influenciam na decisão de compra. O estudo do comportamento do consumidor nas quatro panificadoras está embasado no modelo de Underhill (2009) e utilizou instrumentos como filmagem e mapas de acompanhamento que possibilitaram conhecer as ações no processo de compra no ponto de venda. Os consumidores de diferentes gêneros e faixas etárias apresentaram movimentação muito similar nas quatro panificadoras. Quanto ao gênero, a maioria dos homens movimenta-se rapidamente em suas compras, enquanto que as mulheres envolvem-se com mais profundidade e dedicam mais tempo para as escolhas (BLESSA, 2005). As crianças, quanto mais crescem, mais adquirem autonomia no processo de escolha. Constatou-se, nas quatro lojas, que muitas vezes a criança impunha a sua vontade de compra para os adultos acompanhantes ou responsáveis. Os adolescentes dificilmente foram às panificadoras sem seus amigos, o que denota a busca por afirmação em fazer parte de um grupo social. As quatro panificadoras pesquisadas apresentam semelhança quanto ao formato de loja, com o balcão de atendimento no fundo do corredor, numa tentativa de instigar o cliente a percorrer todo o espaço das lojas. As B, C, D do mesmo grupo empresarial apresentam espaço para lanchar, enquanto que a panificadora A concorrente da loja D, não disponibiliza este serviço. As panificadoras apresentaram pontos que precisam ser reelaborados para que realmente vinculem significado para os clientes. A inadequação dos aspectos sensoriais pode contribuir para a falta de diferenciação diante da concorrência. As cores frias e neutras das quatro lojas denotam falta de personalidade e marca do negócio. Da mesma forma, como a ausência de música no ambiente e presença ínfima da vitrine tende a condicionar as sensações dos consumidores a poucos aspectos sensoriais percebidos. Outros estudos revelaram que se a música combinar com as características demográficas do comprador, os consumidores 140 permanecem até 18% mais do tempo na loja. Isto pode significar mais vendas para a empresa (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Esta pesquisa proporcionou conhecimento sobre o negócio das panificadoras e o perfil do cliente que compra diariamente na loja. Este cliente que entra na loja com o objetivo de levar pão, em boa parte das situações observadas comprou mais itens. Uma das clientes entrevistas disse que não resistia ao pé-de-moleque que era feito naquela loja, descrevendo ainda o cheiro e a textura do doce. O tempo médio de permanência em uma panificadora é de 7 minutos (BLESSA, 2005), se a loja não contar o reforço dos apelos temáticos e sensoriais no ponto de venda, corre o risco não vincular identidade com os seus consumidores. Quanto ao layout da loja, é necessário um estudo criterioso de como os clientes se movimentam na área de circulação. Constatou-se neste estudo que a panificadora B, de espaço mais amplo, necessita de sinalização informando os produtos e as gôndolas correspondentes. Já as três panificadoras de espaços mais compactos apresentaram produtos de diferentes gêneros misturados, como os de limpeza e os alimentícios. Esta pesquisa assemelha-se aos processos de avaliação 360 graus, interagindo informações de diferentes aspectos que convergem ao objetivo de significação para o cliente. Para além dos aspectos físicos de uma panificadora, como o layout da loja, aspectos dos produtos, o ambiente, sua organização e limpeza, os aspectos focados nas sensações e experiências de compra dos consumidores precisam fazer parte do planejamento estratégico das panificadoras. 6.6 Recomendações A partir dos objetivos propostos neste estudo, foi realizado o acompanhamento dos clientes nas quatro panificadoras e a análise da circulação dos consumidores, bem como as nuances de comportamento. Constatou-se que os consumidores têm uma lógica de se movimentar semelhante no que tange a gênero, homens tendem a ser mais objetivos, enquanto que as mulheres se propõem a pesquisar mais, comparando e provando os produtos. As crianças ganham autonomia de escolha de compra com o avançar da idade, mas a decisão e a orientação sobre o consumo ainda está sob a tutela dos pais e responsáveis. Notase que estes consumidores tendem a ser influenciados por promoções de venda e 141 outros apelos do ponto de venda, refletindo na atitude de solicitar aos pais ou acompanhantes para que comprem determinados objetos. Na maioria das vezes, foi observado que o responsável adquire o produto escolhido pela criança. Outra orientação desta pesquisa foi identificar o efeito dos recursos de apresentação interna e externa das lojas como formas de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores. Neste quesito, constatou-se que os espaços estão organizados com o objetivo de ofertar o maior número de produtos possível ao cliente. Notou-se que alguns produtos de limpeza estão dispostos na mesma prateleira dos alimentos. Alguns produtos dispostos em locais que são muito alto ou muito baixo na prateleira, dificultado o acesso pelo cliente. As promoções de venda estão muito presentes nas quatro lojas, quase na totalidade das situações como estratégia dos fornecedores e pouco das panificadoras. A identificação dos funcionários com uniforme está presente nas quatro panificadoras, sendo que em uma delas não identifica o nome da empresa. Enfim, a panificadora B é a que mais utiliza os recursos de apresentação para atrair clientes; possui vitrine, amplo espaço para lanchar, promoções de venda e gôndolas atrativas para alguns produtos. Nas demais lojas, os espaços são mais restritos, e a organização segue a disponibilidade de produtos em maior variedade. 6.6.1 Importância da observação para a pesquisa de marketing Em um cenário cada vez mais competitivo, as empresas objetivam conhecer intensamente o seu consumidor, seus anseios e desejos. As pesquisas fenomenológicas, por meio da observação, proporcionam maior contato com o consumidor e o seu modo de viver e comprar. Atualmente, projetam-se as ferramentas high-touch. O estreitamento dos contatos com os consumidores e o ambiente onde estão inseridos, de certa forma, complementa os dados quantificados. A pesquisa de comportamento de consumidor tem evocado nas pesquisas qualitativas o significado que a compra adquiriu na vida das pessoas e o processo de escolha por produtos e empresas. “Comportamento não se declara, observa-se” (CHETOCHINE, 2006, p. 07). Ao optar pela pesquisa fenomenológica, tendo a observação como meio de coleta de dados, embasou-se se nas pesquisas em etnografia que objetivam combinar uma análise detalhada de comportamentos, seus significados no dia-a-dia 142 de interação social. A pesquisa etnográfica vai além das transcrições; pode proporcionar percepções diferenciadas que metodologias quantitativas e algumas qualitativas não trariam. Atualmente, a pesquisa de mercado tem se valido de metodologias que complementem os dados quantitativos e que permitem conhecer profundamente o consumidor e suas ações. “Etnografia em pesquisa de mercado seria, portanto, a aplicação de uma metodologia que inclui observação no momento em que as coisas acontecem" (BROWN; RECHERCHE, 2007). Conforme Malhotra (2001), a pesquisa de marketing se propõe a oferecer aos gerentes ou dirigentes de empresas informações “relevantes, precisas, confiáveis, válidas e atuais”, legitimando a importância da observação como forma de se obterem dados atuais do comportamento de consumidores em ponto de venda (PDV). Optou-se pela observação direta, sem interferência do pesquisador na cena, que possibilitou identificar a movimentação real dos consumidores nas quatro lojas, seu trajeto, tempo de permanência e o manuseio de produtos nas panificadoras. Os clientes observados proporcionaram o conhecimento mais profícuo da experiência de compra, orientando, inclusive, alguns rearranjos de layout, com o propósito de harmonizar o fluxo percorrido na loja. É importante destacar que alguns comportamentos que se repetem representam oportunidades de qualificação do PDV. Por exemplo, na panificadora A, quase todos os dias, dois homens compram lanches e consomem em pé na porta, pois não há um espaço destinado para esta finalidade. 143 REFERÊNCIAS A CONQUISTA dos novos consumidores. HSM Management. São Paulo, ed. especial, mar. 2011. Disponível em: <http://www.movimentobrasilhsm.com.br/wpcontent/uploads/2011/04/22_27_Base_P iramide.pdf>. Acesso em: 20mar. 2012. ABIMA/NIELSEN. Disponível em: <http://www.abima.com.br/estMercNacPaes.asp>. Acesso em: 23 mar. 2012. ABIP - Associação Brasileira da Indústria da Panificação. Disponível em: <http://www.abip.org.br>. Acesso em: 27 maio 2012. ASHLEY, P.A. A mudança histórica do conceito de responsabilidade social empresarial. In: Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2006. Cap. 3, p. 44-65. BARLETTA, Martha. Como as mulheres compram: marketing para impactar e seduzir o maior segmento do mercado. Rio de Janeiro: Campus, 2006. BAUER, Martin W.; GASKELL, George. 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DATA:______/_______/2011 Horário: ________________ Identificação do cliente: ( ) Mulher ( ) Homem Idade: ( ) até 14 anos ( ) 46 a 64 anos ( ( ) 15 a 25 anos ( ) acima de 65 anos ) 26 a 45 anos Qual a distância da sua residência até a panificadora? ( ) na vizinhança ( ) entre 5 e 10 quadras ( ) mais de 10 quadras Compra há quanto tempo neste estabelecimento? ( ) até 1 ano ( ) de 1 a 3 anos ( ) de 4 a 7 anos ( ) de 7 a 10 anos ( ) mais de 10 anos Quais os motivos que o (a) levam a comprar nesta loja? ( ) localização ( ) atendimento ( ) variedade de produtos ( ) preço Outros________________ Quais os produtos que compra com mais freqüência? ( ) pão ( ) leite ( ) cuca ( ) bolo ( ) bolacha ( ) torta ( ) lanches prontos ( ) iogurte ( ) frios ( ) margarina, requeijão, nata ( ) café, erva-mate e achocolatado ( ) cigarros ( ) refrigerantes e sucos 153 ( ) artigos de higiene e limpeza Outros______________________________________________________________ Há outro tipo de produto, ainda não ofertado, que gostaria de encontrar na panificadora? ( ) sim ( ) não ___________________________________________________________________ Em relação à disposição de produtos, tem enfrentado alguma dificuldade para obter o que procura? ( ) sim ( ) não Lembra de algum produto em especial? ___________________________________________________________________ O que mais lhe agrada nesta loja ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ O que mais lhe desagrada ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 154 APÊNDICE F UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Desenvolvimento Gestão de Organizações para o Desenvolvimento Roteiro de observação para os pesquisadores de campo Este roteiro será aplicado somente aos pesquisadores/observadores e está baseado “Elementos de Ambiente que influenciam os consumidores”, (GONZÁLEZ, 2007). Pesquisador:_________________________________ Data:____/____/2011 Nome da Panificadora:___________________________________________________ 1. LAYOUT - Dimensão dos corredores, quanto ao fluxo de clientes ( ) Adequados ( ) estreitos ( ) muito amplo - Circulação das pessoas ( ) fluxo intenso ( ) fluxo moderado ( ) muito baixo - Exposição das mercadorias ( ) organizadas de acordo com as necessidades dos clientes ( ) desorganizadas - Espaçamento e altura das prateleiras ( ) Adequados ao alcance de produtos pelos clientes ( ) inadequados - Agrupamento e posicionamento favorável de produtos ( ) sim ( ) não - As cores utilizadas na loja ( ) quentes e vibrantes ( ) neutras e frias - Sinalização de produtos e preços ( ) Adequada, cliente não demonstra dificuldade em encontrar o que procura e o preço ( ) inadequados ( ) inexistente 2. FACHADA E VITRINE - Confere destaque para a loja diante as outras da proximidade ( ) sim ( ) não - Apresenta vitrine promocional como estímulo para os clientes ( ) sim ( ) não 3. ATMOSFERA Variedade de produtos na loja ( ) Adequados ( ) inadequados ( ) inexistente Aglomeração de clientes, dificultando o momento da compra na loja ( ) sim ( ) não Os produtos aparentam boa qualidade ( ) sim ( ) não 155 4. EQUIPE Funcionários prestaram auxílio para clientes encontrar produtos ( ) sim ( ) não Atendimento rápido e conveniente ( ) sim ( ) não Funcionários uniformizados ( ) sim ( ) não Funcionários amigáveis e prestativos ( ) sim ( ) não 5. ILUMINAÇÃO Iluminação adequada ao ambiente ( ) sim ( ) não 6. ORGANIZAÇÃO Ambiente bem organizado ( ) sim ( ) não Limpeza do ambiente ( ) sim ( ) não 7. ODORES Presença ou ausência de odores no ambiente ( ) sim ( ) não Odor/cheiro é: ( ) agradável ( ) desagradável Intensidade do odor ( ) Adequado, atua como reforço para venda de produtos ( ) inadequado, não estimula reação de compra ou bem-estar do cliente na loja 8. PERCEPÇÃO MUSICAL Música apropriada e agradável ( ) sim ( ) não 9. FACILIDADES Proximidade de outros estabelecimentos comerciais ( ) sim ( ) não Entradas e saídas convenientes ao cliente ( ) sim ( ) não Oferece marcas conhecidas ( ) sim ( ) não Lugar para sentar ( ) sim ( ) não Espaço para anotações de outras peculiaridades percebidas: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________