INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE / SOEBRÁS HABILIDADES SOCIAIS EM DEPENDENTES QUÍMICOS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM PSICOTERAPIA BREVE MARIA LETÍCIA MARCONDES COELHO DE OLIVEIRA CACOAL 2013 8 MARIA LETÍCIA MARCONDES COELHO DE OLIVEIRA HABILIDADES SOCIAIS EM DEPENDENTES QUÍMICOS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM PSICOTERAPIA BREVE Monografia apresentada ao Programa de Especialização em Psicoterapia Breve do ICS–FUNORTE/SOEBRÁS NÚCLEO CACOAL, como parte dos requisitos para obtenção do titulo de Especialista em Psicologia Breve. Orientadora: Profª Ms Cristiane Araújo Dameto CACOAL 2013 9 INSTITUTO DE CIÊNCIA DA SAÚDE FUNORTE/SOEBRÁS HABILIDADES SOCIAIS EM DEPENDENTES QUÍMICOS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM PSICOTERAPIA BREVE Monografia apresentada ao Programa de Especialização em Psicoterapia Breve do ICS–FUNORTE/SOEBRÁS NÚCLEO CACOAL, como parte dos requisitos para obtenção do titulo de Especialista em Psicologia Breve. Aprovada em _______/________/_________ BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Orientadora: Profa Ms. Cristiane Araújo Dameto ___________________________________________ Profa Dra. Carmem Maria Bueno Neme ___________________________________________ Prof. Ms. Plínio Marinho de Carvalho Júnior CACOAL 2013 10 Dedico a meus pais, Lucilena Marcondes Coelho de Oliveira, por ser a mola propulsora dos meus estudos e Luiz Coelho de Oliveira, por me incentivar a sempre continuar a caminhar, ao Rodolfo, amigo fiel e companheiro em todo o processo de pesquisa e elaboração dessa monografia, à Maria Isabel Pereira Carneiro por ser uma pessoa com quem realmente posso contar e às professoras Dra. Carmen Maria Bueno Neme e Ms. Cristiane Araújo Dameto, pelo apoio e orientações. 11 “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” Jean Paul Sartre RESUMO 12 O número de dependentes químico vem aumentando significativamente no interior do Estado de Rondônia, seguindo o movimento nacional e mundial. A crescente banalização do uso de substâncias psicoativas aponta a necessidade de pesquisas para dar subsídios à implementação de programas eficazes de intervenção. Com base nestas premissas, a presente proposta visa avaliar o repertório de habilidades sociais de 12 dependentes químicos em recuperação em uma clínica de reabilitação, do sexo masculino, com idade entre 18 e 50 anos e diferentes níveis de escolaridade, utilizando-se do Inventário de Habilidades Sociais, com o intuito de intervir respaldada em uma abordagem em psicoterapia breve através do manejo de habilidades sociais a fim de gerar um posicionamento assertivo e sadio. Palavras-chave: Habilidades Sociais; Intervenção Breve; Dependência Química. 13 ABSTRACT The number of chemical dependents has increased significantly within the State of Rondônia, following the movement nationally and globally. The growing trivialization of substance abuse points to the need for research to provide input to the implementation of effective intervention programs. Based on these assumptions, this proposal aims to assess the social skills of 12 recovering addicts at a rehabilitation clinic, male, aged between 18 and 50 years, with different levels of education, using the Inventory social Skills, in order to intervene in a supported approach in brief psychotherapy through management of social skills in order to generate a healthy and assertive positioning. Keywords: Social Skills, Brief Intervention, Addiction. SUMÁRIO 14 INTRODUÇÃO....................................................................................................... ....08 1. HABILIDADES SOCIAIS.......................................................................................09 1.1. Conceito e definição de habilidades sociais..................................................09 2. DEPENDÊNCIA QUÍMICA ....................................................................................14 2.1 Concepção de dependência química...............................................................14 2.2 Aspectos Biopsicológicossociais...................................................,................18 2.3 Fator Drogas.......................................................................................................19 2.4 Drogas e toxicomania........................................................................................21 2.5 Tipos de drogas.................................................................................................22 3. INTERVENÇÃO EM PSICOTERAPIA BREVE.....................................................29 3.1. O tratamento do dependente de drogas.........................................................29 3.2. Psicoterapia breve............................................................................................30 15 3.3. Psicoterapia e tratamento................................................................................33 3.4. Terapia cognitivo comportamental aplicada à dependência química.........34 3.5 Terapia cognitiva aplicada a dependência química.......................................36 4. INVESTIGAÇÃO DAS HABILIDADES SOCIAIS EM DEPENDENTES QUÍMICOS............................................................................................................. ....41 4.1. Descrição da população..................................................................................41 4.2. Descrição do instrumento...............................................................................41 5. PROPOSTA DE INTERVENÇÃO BREVE EM HABILIDADES SOCIAIS COM DEPENDENTES QUÍMICOS....................................................................................43 5.1. Descrição da proposta de intervenção..........................................................43 5.2. Descrição dos encontros e temas a serem trabalhados..............................44 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................52 REFERÊNCIAS..................................................................................................... ....53 16 INTRODUÇÃO 17 O uso de drogas é um fenômeno bastante antigo na história da humanidade e constitui um grave problema de saúde pública com sérias consequências pessoais e sociais. Eventos estressores podem ser compreendidos como causadores de estresse, pois promovem mudanças relativamente rápidas no meio ambiente (geralmente social) e requerem um grau de adaptação social e/ ou psicológica por parte dos indivíduos. A autora, por acreditar no enfrentamento como uma tentativa de atender a exigência deste evento estressor de maneira a restaurar o equilíbrio, interessou-se em pesquisar as habilidades sociais dos dependentes químicos em recuperação com o propósito de investigar se indivíduos com um repertório deficitário nas habilidades para enfrentar qualquer uma das várias situações da vida estão propensos a um maior risco de uso exagerado de entorpecentes como uma resposta de enfrentamento. Diante dessas questões, este projeto visa avaliar o repertório de habilidades sociais de dependentes químicos em recuperação em uma clínica de reabilitação, no interior do Estado de Rondônia, bem como intervir respaldada em uma abordagem em psicoterapia breve com um treinamento de habilidades sociais a fim de gerar um posicionamento assertivo e sadio. 1. HABILIDADES SOCIAIS 18 1.1. Conceito e definições de Habilidades Sociais Conforme as preposições de Del Prette (2001) e Caballo (2010), as habilidades sociais são elementos essenciais para uma vida saudável, promovendo melhorias quantitativas e qualitativas das relações interpessoais em casa, na escola e no trabalho e, consequentemente agem preventivamente diminuindo o risco de problemas psicológicos, agressividade, problemas conjugais, de abuso de drogas, depressão entre outros. Sabe-se da dificuldade em definir o que é um comportamento socialmente hábil devido às inúmeras definições e por também depender do contexto mutável em que o sujeito está inserido. Neste sentido, Caballo (1996) postula que habilidade social deve ser considerada dentro de um contexto cultural determinado, e os padrões de comunicação variam de forma ampla entre culturas e dentro de uma mesma cultura, dependendo de fatores como idade, sexo, classe social e educação. Podendo estas habilidades serem inatas ou adquiridas por meio de treinamento e prática. Desta forma é possível que uma pessoa incompetente possa apresentar e executar de maneira competente uma determinada tarefa. Sobre a aquisição das habilidades sociais, Caballo (2010) afirma não haver dados definitivos sobre quando são adquiridas, entretanto destaca que a infância é um período crítico. As primeiras experiências de aprendizagem e interação com as predisposições biológicas podem ser relativamente consistentes para determinar certos padrões de funcionamento do comportamento social. 19 Dentre as diversas definições de habilidades sociais, Meireles (2009) descreve os comportamentos que são valorizados, reforçados e aceitos socialmente a fim de beneficiar o desenvolvimento social em longo prazo. As habilidades sociais de acordo com Caballo (2010) e Del Prette (2005), são consideradas como resultado da interação do indivíduo com o ambiente social, sendo esta a base da construção das relações sociais. Murta (2005) acrescenta que essas habilidades estão relacionadas aos comportamentos necessários a uma relação interpessoal bem-sucedida, conforme características típicas de cada contexto e cultura. Podendo incluir comportamentos como: iniciar, manter e finalizar conversas; pedir ajuda; fazer e responder a perguntas; fazer e recusar pedidos; defender-se; expressar sentimentos, agrado e desagrado; pedir mudança no comportamento do outro; lidar com críticas e elogios; admitir erro e pedir desculpas e escutar empaticamente. De acordo com o referencial teórico apontado por Caballo (2010), podese definir habilidade social/ comportamento assertivo como: “A capacidade de expressar interpessoalmente sentimentos positivos e negativos sem apresentar como resultado uma perda de reforço social” (Hersen e Bellack, 1977, p.152). “A expressão adequada, dirigida à outra pessoa, de qualquer emoção que não seja a resposta de ansiedade” (Wolpe, 1977,p.96). “o grau em que uma pessoa pode comunicar-se com os demais de modo a satisfazer os próprios direitos, necessidades, prazeres ou obrigações até um nível razoável, sem prejudicar os direitos, necessidades, necessidades, prazeres ou obrigações similares do 20 outro, e compartilhar esses direitos etc. com os demais, em uma intercâmbio livre e aberto” (Phillips, 1978, p.13). Sendo assim, Habilidade Social pode ser entendida segundo Del Prette e Del Prette, (1998, p. 205), como “[...] a capacidade para estabelecer e manter interações sociais simultaneamente produtivas e satisfatórias diante de diferentes interlocutores, situações e demandas”. Ainda em conformidade com os autores supracitados, fundamenta-se em identificar, definir e avaliar as habilidades sociais e os demais fatores associados ao julgamento da competência social do indivíduo. Para lidar com as diversas situações interpessoais, as habilidades sociais são compostas de diferentes classes de comportamentos sociais e repertórios. Para Del Prette e Del Prette (2001a), elas são as seguintes: ● Habilidade social de civilidade: dizer ”por favor,”, agradecer, apresentar-se, cumprimentar e despedir-se; ● Habilidades sociais assertivas, direito e cidadania: manifestar opinião, concordar e discordar, desculpar-se, interagir com autoridade, estabelecer e encerrar relacionamentos, expressar raiva/desagrado, pedir mudança de comportamento, lidar com críticas, fazer, aceitar e recusar pedidos; ● Habilidade social de trabalho: coordenar grupos, falar em público, resolver problemas, tomar decisões e mediar conflitos, habilidades sociais educativas; ● Habilidade social de comunicação: fazer e responder perguntas, pedir e dar feedback, gratificar/elogiar, iniciar, manter e encerrar conversação; ● Habilidade social de expressão de sentimento positivo: fazer amizade, expressar solidariedade e cultivar o amor; 21 ● Habilidades sociais empáticas: parafrasear, refletir sentimentos e expressar apoio. A fim de constituir o conteúdo do comportamento socialmente hábil e avaliando as consequências desses comportamentos, pode-se obter alguma estimativa do grau de habilidade social. Linehan (1984, apud CABALLO, 2010) assinala que podem ser identificados três tipos básicos de consequências quanto à avaliação do comportamento: a eficácia para atingir os objetivos das respostas (eficácia nos objetivos), a eficácia para manter ou melhorar a relação com o outro na interação (eficácia na relação) e a eficácia para manter a auto estima das pessoas socialmente hábeis (eficácia no respeito próprio). O comportamento hábil é um conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo de modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação enquanto minimiza a probabilidade de futuros problemas. (CABALLO, 2010, p.6) O termo habilidades sociais aplica-se às diferentes classes de comportamento sociais do repertório de um indivíduo, que contribuem para a competência a social, favorecendo um relacionamento saudável e produtivo com as demais pessoas (Del Prette e Del Prette, 2009). Cecconello e Koller (2000) descrevem as competências sociais como sendo qualidades individuais e como estratégias utilizadas para o ajustamento ao ambiente. A influência mútua entre esses fatores e os recursos disponíveis 22 no ambiente, como o apoio familiar e social, contribuem para que os indivíduos possam obter um efeito aceitável na luta contra as adversidades. Assim, competência social é percebida como um construto avaliativo do comportamento afetivamente oferecido pelo indivíduo perante as tarefas sociais específicas. Del Prette e Del Prette (2001) definem que a competência social é a capacidade de articular pensamentos, sentimentos e ações em função de objetivos pessoais e de demandas da situação e da cultura, podendo ser aprendida e assim sendo, gerando consequências positivas para o indivíduo e para a relação com as demais pessoas. 23 2. DEPENDÊNCIA QUÍMICA 2.1 Concepção de dependência química Segundo Malbergier (2005), a dependência química é uma síndrome caracterizada pela perda do controle do uso de determinada substância psicoativa. Os agentes psicoativos atuam sobre o sistema nervoso central, provocando sintomas psíquicos e estimulando o consumo repetido dessa substância. De acordo com o autor a dependência química é considerada uma doença, que apresenta os seguintes sintomas: Tolerância: necessidade de aumento da dose para se obter o mesmo efeito, pois, na presença contínua de uma determinada substância, o organismo se acostuma a ela e a incorpora em seu funcionamento, respondendo cada vez mais com menor intensidade aos efeitos da droga consumida, o que leva o indivíduo ao aumento da dosagem. Abstinência: conjunto de sinais e sintomas desagradáveis de ordem psicológica e principalmente fisiológica, resultante da suspensão brusca ou diminuição do consumo de uma substância, causando um grande desconforto para o usuário: ansiedade, irritabilidade, insônia, tremor, fraqueza, náuseas ou vômito, convulsão, ingestão em maiores quantidades ou por maior período do que o desejado pelo indivíduo, desejo persistente ou tentativas fracassadas de diminuir ou controlar o uso da substância, perda de boa parte do tempo com atividades para obtenção e consumo da substância ou recuperação de seus efeitos, negligência com relação à atividades sociais, ocupacionais e recreativas em benefício da droga, persistência na utilização da substância, apesar de problemas físicos e ou psíquicos decorrentes do uso. 24 De acordo com Campos (2004) um usuário de drogas pode chegar a ponto de utilizar várias drogas ao mesmo tempo para sentir seus efeitos e muitas vezes associadas com uso de álcool. Essa adição é denominada tolerância cruzada. A tolerância cruzada é uma condição em que a tolerância a uma droga resulta em uma diminuição na resposta a outra droga. Se as drogas pertencem a mesma classe e produzem tolerância cruzada, isso também significa que sua dosagem e seus efeitos são cumulativos. Outro fenômeno interessante de tolerância denomina-se tolerância invertida. É observada principalmente com o uso de alucinógenos. A tolerância invertida ocorre quando os efeitos desejados da droga são produzidos em doses menores. Nesse caso, é evidente o envolvimento de fatores fisiológicos como o de fatores de aprendizagem. (MILBY 1998 p. 5-7 apud CAMPOS, 2004, p.72). Segundo Campos (2004) “Esse comportamento do indivíduo o leva a experimentar os efeitos mais sutis de uma ou várias drogas, utilizando-as em doses pequenas, mas contínuas, para melhor sentir as reações”. Para Malbergier (2005), a busca pelo uso compulsivo da droga, mesmo diante de consequências sociais negativas e de saúde tem sido a essência da dependência química. É considerado dependente o indivíduo que experimenta algum tipo de mal estar quando abstinente. Assim sendo, o estudo da dependência enfoca a manifestação da síndrome de abstinência produzida pela interrupção abrupta da administração da droga, sendo caracterizada por 25 sinais físicos, como por exemplo, desconforto e dor associados à abstinência dos opiáceos, cocaína e heroína. Em quadros de abstinências os efeitos são reações contrárias ao desejo com uso da droga, o que causa grande desconforto e mal estar no usuário levando-o a retornar ao uso para aliviar esse sofrimento. Isso ocorre devido ao fato das drogas acionarem o sistema de recompensa do cérebro, que é uma área encarregada de receber estímulos de prazer e transmitir a sensação para a o corpo todo. Tal fato vale para todos os tipos de prazer – temperatura agradável, emoção gratificante, alimentação, sexo – desempenhando uma função importante para a preservação da espécie. Segundo Malbergier (2005) evolutivamente o homem criou essa área de recompensa, e é nela que as drogas interferem. Por uma espécie de curtocircuito, elas provocam uma ilusão química de prazer que induz a pessoa a repetir seu uso compulsivamente. Com a repetição do consumo, perdem o significado todas as fontes naturais de prazer e só interessa o prazer imediato propiciado pela droga, mesmo que isso compromete e ameace sua vida. O efeito que o dependente sente com o uso no início do desenvolvimento da dependência química vai desaparecendo, dando lugar às dores emocionais (ocorrendo o aumento da droga usada para obter o mesmo efeito do início), a tolerância se fazendo presente. Um dos sintomas que aparece é a depressão, podendo levar ao suicídio. Podendo considerar dependência química: [...] um padrão disfuncional de uso de uma determinada droga, levando a pessoa a um comprometimento ou desconforto clinicamente significativo, manifestado por três ou mais sintomas [...] que ocorrem durante qualquer tempo num período de doze meses; dificuldade de 26 controlar o uso da droga; doses crescentes são necessárias para alcançar efeitos que antes eram produzidos por doses mais baixas; abandono de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da droga; consequências nocivas do uso da droga à saúde; aumento da quantidade de tempo necessário para obter ou usar a droga ou ainda recuperar-se dos seus efeitos (MARTINS, 1995, p.101 apud CAMPOS, 2004, p. 68). Dependência Física: segundo Tancredi (1982), resulta de um processo de adaptação do organismo à droga e independe da vontade do indivíduo. Se ocorrer uma privação ou uma diminuição do consumo, surgirão sintomas físicos envolvendo desconforto e dor, característico da síndrome de abstinência. Dependência Psicológica: indica a existência de alterações psíquicas que favorecem a aquisição do hábito. De acordo com Tancredi (1982), trata-se de uma situação em que existe um impulso irrefreável que exige a presença da droga para uma sensação de bem estar. A dependência de drogas é um estado mental e, muitas vezes físico que resulta da interação entre um organismo vivo e uma droga. “caracteriza-se por um comportamento que sempre inclui uma compulsão de ingerir a droga para sentir seu efeito psíquico e as vezes, evitar o desconforto provocado por sua ausência”. (MILBY, 1988, p.3 apud CAMPOS, 2004, p. 72). 27 2.2 Aspectos Biopsicológicossociais Segundo Ballone (2005) a drogadição não é apenas uma doença a nível cerebral, sendo vista como uma doença cerebral aonde os contextos sociais em que se desenvolve e se manifesta tem importância crítica. Um dos elementos sociais envolvidos na drogadição é a exposição a estímulos condicionantes. Entende-se a dependência química como uma doença biopsicossocial formada por componentes biológicos, psicológico e de contexto social, sendo assim nas estratégias de abordagem do problema inclui-se igualmente elementos fisiológicos, psicológicos e sociais. De acordo com Ballone (2005) ao avaliar psicologicamente a formação de hábitos, observa-se que como comprovam experimentos da psicologia comportamental, os comportamentos reforçados por uma recompensa positiva tendem a ser repetidos e aprendidos. As futuras e sucessivas repetições tendem a ficar não só nesse comportamento que conduz à recompensa, mas também pode relacionar os estímulos, sensações e situações eventualmente associados a esse comportamento. Os usuários de drogas referem, por exemplo que ao verem certos lugares ou pessoas, ao ouvirem certas músicas, apresentam grande vontade de usar drogas. Um dos elementos psicológicos muito provavelmente implicados na manutenção da dependência seria um grande desconforto das síndromes de abstinência. 28 Para Ballone (2005) embora a ideia da abstinência como favorecedora da manutenção da dependência seja motivo de controvérsias, existem evidências cada vez maiores sobre a presença de estado afetivo comum nas abstinências que pode favorecer o início do desenvolvimento da dependência, bem como contribuir para a vulnerabilidade à recaída. 2.3 Fator Drogas Droga é toda e qualquer substância natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções. Há drogas naturais ou distintas, sendo classificadas como estimulantes, depressores e perturbadores das atividades mentais. De acordo com Oliveira (2004), a palavra droga está associada tanto ao conceito de narcótico quanto ao conceito de medicamento. A fim de evitar a generalização e má aplicação do termo faz a importância em descrever uma classificação quanto à legalidade e característica da mesma. Entre as drogas mais antigas estão as alucinógenas, que eram utilizadas pelas sociedades primitivas em festas, cerimônias religiosas, preparações de guerra e em rituais sagrados. (GODKE e PETERSON, 2005). Ainda para Godke e Peterson (2005), existe em cada cultura um significado especifico único distribuído ao consumo de drogas, sendo assim a compreensão sobre drogas baseia-se nas condições históricas e culturais. “A Oficina Pan Americana de Saúde (OPAS) retrata que droga psicoativa é aquela que age no cérebro modificando seu funcionamento, e como conseqüência ocorrem as alterações do seu comportamento e do psiquismo”. (1999, apud OLIVEIRA, 2004). Por outro lado, a Organização Mundial de 29 Saúde (OMS), define drogas como “qualquer substância, natural ou sintética, que tem capacidade de alterar as funções fisiológicas”. Os quadros de abuso e dependência de drogas psicoativas caracterizam-se por uma forma particular de relação dos seres humanos com as substâncias químicas que possuem uma ação definida sobre o sistema nervoso central (SNC) e, conseqüentemente, sobre o psiquismo. Por droga psicoativa entende-se que seja qualquer substância química que, quando ingerida, modifica uma ou varias funções do SNC. São drogas psicoativas a maconha, cocaína, heroína, etc. Devido ao uso continuo dessas drogas, pode-se ocorrer situações como: o abuso de drogas, a dependência à drogas, a intoxicação e a síndrome de abstinência, os transtornos relacionados ao consumo de uma droga de abuso, efeitos colaterais de um medicamento e a exposição á toxinas. De acordo com Almeida (1996) abuso ou uso nocivo é um consumo de substâncias que está associada a algum tipo de prejuízo (seja em termos biológicos, psicológicos ou sociais) sendo a dependência definida como o consumo sem controle, geralmente associados a sérios problemas para o usuário. Conforme a classificação de Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (2002), a abstinência frequentemente associada com o abuso ou dependência de substância, consiste no desenvolvimento de uma alteração comportamental maladaptativa e específica de determinada substância, com concomitantes fisiológicos e cognitivos, devido à cessão de uso pesado e prolongado da substância. 30 2.4 Drogas e Toxicomania Segundo Betta (1959) entende-se por toxicomania a tendência que impulsiona o indíviduo a ingerir em seu organismo por via oral, intravenosa ou nasal, certas substâncias tóxicas, que se caracterizam por produzir uma estimulação passageira e provocar estados eufóricos e prazerosos. Esses tóxicos originam um hábito, desencadeando uma necessidade forte ao aumento progressivo das doses, pois na repetição das mesmas fantasia-se trazer igual intensidade à estimulação, porém que passa após um tempo a trazer uma diminuição da sensação provocada. Essa necessidade é que conduz a todas as perturbações da toxicomania. Conforme o autor supracitado, pode-se chegar à toxicomania por diferentes causas: por perturbações e desequilíbrios psíquicos, por pouca vontade de lutar, por hábito, pessoas psiquicamente normais, mas que precisaram devido a alguma doença, de um medicamento, e que passaram a se habituar com facilidade, tornando-se imprescindível o uso do tóxico, de predisposição por fragilidade emocional ou pela vida de ócio. Segundo Dalgalarrondo (2002) o uso contínuo do tóxico pode ocasionar psicoses tóxicas que se denominam como sendo aqueles quadros psicóticos causados diretamente pela ação da droga no cérebro. Ainda segundo o autor, esses quadros geralmente incluem rebaixamento do nível de consciência, confusão mental, ilusões e alucinações visuais, medo 31 e perplexidade. As drogas mais frequentes que produzem esse efeito tóxico são os alucinógenos (LSD) e as anfetaminas. A cocaína e a maconha podem eventualmente produzir psicoses tóxicas. As psicoses induzidas por drogas duram dias ou, no máximo algumas semanas. Ocorrem geralmente após períodos de uso intenso da droga. Podem se manifestar como quadros paranóides, quadros maniatimorfos, esquizofrenimorfos ou poliformos. São geralmente causados pela cocaína, crack, por anfetamÍnicos, alucinógenos e mais raramente pela maconha. 2.5 Tipos de Drogas Cocaína Oliveira (2004) apresenta a seguinte definição: “A cocaína é uma substância extraída das folhas da planta Erythroxilon coca, popularmente conhecida como coca, um arbusto nativo da Bolívia e do Peru, em cuja composição química se cientificamente registrado encontra como os alcalóides, anamil e truxilina.”, 3-benzoiloxi-8-metil-8-azabiciclo (3,2,1) octano-4-carboxílico ácido metil éster. A planta possui 0,5% a 1% de cocaína e pode ser produtiva por períodos de 30 ou 40 anos, com cerca de 4 a 5 colheitas por ano. Essa substância possui propriedades estimulantes sendo comercializada sob a forma de um pó branco cristalino e inodor. O pó é origibado mediante um processo de transformação das folhas da coca em pasta de cocaína e esta em cloridrato. 32 A cocaína pode ser consumida de várias formas, sendo o modo mais comum é por via inalatória, ou seja “aspirando” a droga pelo nariz. Essa forma é de início mais insidioso, pode levar a necrose (morte por degeneração das células epiteliais), ou outros tipos de degeneração de tecido da mucosa e septo nasais. Alguns consumidores injetam a droga diretamente na corrente sanguínea, ou seja, via intravenosa, sendo essa forma mais perigosa devido às infecções e ainda eleva consideravelmente o risco de uma parada cardíaca irreversível. Samoza (1990) afirma que a aspiração da droga provoca relaxamento e desibinição, proporciona auto-suficiência, sendo dominada entre a população usuária como “viagem” . De acordo com o autor supracitado, a cocaína foi descoberta em 1859 por Karl Scherzer, em Gottingen, na Alemanha, sendo usada inicialmente como anestésico em laringologia e, a seguir, na cirurgia oftálmica por Karl Koller. Sigmund Freud se interessou pela cocaína, utilizando-a em experiências, com o intuito de substituir a morfina. Campos (2004) afirma que, os possíveis efeitos da cocaína são: sensação de poder, excitação, euforia, estimula atividade física e mental, causa insônia e diminuição de cansaço e de fome, podendo também causar taquicardia, febre, pupilas dilatadas, sudorese, aumento da pressão arterial, irritabilidade e agressividade. 33 Crack De acordo com a autora Arantangy (1977), o crack resulta da mistura de cocaína e água com alguma substância básica. O produto final dessa mistura consiste de pedras de cocaína geralmente fumado em cachimbo. O uso do craque provoca dependência físicas e psicológicas devido ao fato do usuário sentir a necessidade de manter o organismo acelerado podendo levar a morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco. O sensação da droga ocorre em menos de 15 segundos para percorrer ao cérebro começando a produzir seus efeitos imediatos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas, sudorese, aumento da pressão arterial, tremor muscular, excitação acentuada, aumento da capacidade física e mental, indiferença a dor e ao cansaço. (FERRARINI, 1999) Ecstasy O ecstasy é uma droga psicoativa, sintética e totalmente fabricada em laboratório. O modo de consumo é por via oral, sob a forma de pílulas ou de pó, difundidas em raves (festa eletrônica) ou danceterias, para estimular o sistema corporal e induzir alterações de percepção física, fazendo com que o usuário tenha disposição sem sentir cansaço. (OLIVEIRA, 2004). O ecstasy atua mediante o aumento e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro. A serotonina afeta a disposição, o apetite e o sistema que regula a temperatura corporal, agindo após 20 a 70 minutos, 34 alcançando a fase de estabilidade em 2 horas, e os efeitos começam a desaparecer de 4 a 6 horas. Segundo Campos (2004), ecstasy é conhecida como a pílula do amor, seus possíveis efeitos são: sensação de bem-estar, plenitude e leveza. Aguçamento dos sentidos, aumento da disposição e resistência física, podendo levar a exaustão. Pode causar alucinações, percepção distorcida de sons e imagem, aumento de temperatura, desidratação. Heroína A heroína é um opiaceo (substância sintética, depressora do S.N.C), extraído a partir da síntese da morfina. No entanto, seu efeito é mais intenso que o da morfina, daí seu nome heroína, do alemão “heroich”, que significa potente, energético. (FERRARRINI, 1999). Segundo Oliveira (2004) “A heroína causa uma forte dependência psicofisiológica, levando o usuário a necessidade de doses cada vez maiores para atingir o efeito anterior (tolerância). Na sua ausência o usuário, uma vez dependente, apresentará sensibilidade à luz, câimbras, vômitos, dores no corpo, insônia, crise de choro e tremores. De acordo com Campos (2004) a heroína é extraída da papoula ou produtos sintéticos obtidos em laboratório, é também conhecida como morfina ou codeína, e seus possíveis efeitos são: sonolência, estado de torpor, alívio da dor, sedativo da tosse, sensação de leveza e prazer, pupilas contraídas, queda da pressão arterial, diminuição dos batimentos cardíacos. 35 LSD É um alucinógeno encontrado sob a forma de comprimido ou selo, que são molhados e depois seco, utilizado normalmente por via oral, em micro pontos (debaixo da língua), ingeridos ou fumados, sendo esta última forma de consumo pouco comum. (OLIVEIRA, 2004). Sem cheiro, cor ou gosto, no entanto, age de forma bastante ativa no cérebro. Pequenas doses provocam efeitos muito potentes. De acordo com Campos (2004), os possíveis efeitos do LSD são: alucinações, delírios, percepção deformada de sons, imagens e de tato. Maconha A maconha é uma droga classificada como perturbadores do sistema nervoso central. Campos (2004) diz que os efeitos que a maconha pode trazer, são: excitação seguida de relaxamento, euforia, problemas com o tempo e o espaço, falar em demasia, fome intensa, palidez, taquicardia, olhos avermelhados, pupilas dilatadas, boca seca, alucinações e diminuição do reflexo. A maconha também causa abstinência, com sintomas de insônia, irritabilidade, náuseas e vômitos. De acordo com o Manual de Prevenção ao abuso de drogas através da Educação (1995), a maconha é extraída da planta Cannabis Sativa, um vegetal arbustico que atinge até dois metros de altura. Contém um conjunto de substâncias denominadas canabinóides que apresentam entre si características químicas. 36 Segundo Laranjeira (2001) a Cannabis sativa possui uma resina que cobre as flores e as folhas superiores, principalmente na planta fêmea, a qual produz mais de sessenta substâncias chamadas canabinóides. No entanto, dessas substâncias produzidas, o ingrediente ativo que proporciona o efeito desejado é o alcalóide delta 9 – tetrahidrocanabinol, familiarmente conhecido como THC. O autor supracitado afirma que a maconha corresponde à droga ilícita mais consumida no Brasil. A maconha ao ser fumada em pouco tempo começa a manifestar seus efeitos, atingindo assim, seu pico após 20 minutos do início do uso ocorrendo então a redução dos efeitos, os quais duram cerca de 5 a 12 horas . Segundo Aratangy( 1995) o uso contínuo da maconha provoca a longo prazo uma reação do hormônio testosterona responsáveis pelas características sexuais masculinas e consequentemente a diminuição da fertilidade. No entanto esse feito é reversível após duas semanas de suspensão do uso à drogas. Entretanto, quando discute-se os efeitos da maconha deve-se levar em consideração a quantidade da dose usada, o modo de preparo, a via pela qual a droga é consumida, a sensibilidade de quem usa e a circunstância pela qual ela é usada. (ARANTANGY,1995) O aumento do consumo de drogas psicoativas, a nível mundial, acarreta vários problemas de saúde e sérios danos sócio econômicos, constituindo-se um grande problema para o poder público. 37 Paralelamente o aumento do consumo, cresce a variedade de drogas, principalmente as sintéticas. Com este cenário, cresce a importância de uma classificação, de maneira a compreender as características das substâncias e seus efeitos no organismo humano (DIAS e PINTO, 2006). 38 3. INTERVENÇÃO EM PSICOTERAPIA BREVE 3.1. O tratamento do dependente de drogas De acordo Noto e Silva (2002) existem vários tipos de tratamentos para dependentes químicos, contemplando farmacoterapias, psicoterapias em diversas abordagens como, comportamentais psicanalíticas, cognitivas, grupo de auto-ajuda, internação, etc. O tratamento tende a ser mais eficaz se acompanhado por atendimento familiar, sendo recomendado o atendimento em grupo. A internação é indicada em casos específicos, como risco de suicídio, agressividade, psicose e uso descontrolado da substância. Após o tratamento e a abstinência da sustância psicoativa, não se considera o paciente curado. Por muitos anos, talvez indefinitivamente o mesmo apresentará maior risco que a população em geral de desenvolver o uso abusivo ou a dependência da substância. A indicação para a grande maioria dos dependentes é a abstinência total sendo a opção mais segura para evitar a recaída. Laranjeira (2001) descreve alguns tipos de tratamento: ▬ Desintoxicação: na qual se inclui dois procedimentos: melhorar as condições gerais do indivíduo, através de uma regularizaçãos das alterações fisiológicas, como uma alimentação balanceada e o sono reconstruidor e receber medicações que proporcionem alivio dos sintomas da abstinência; 39 I▬ Internação em comunidade terapêutica: não sendo compreendida como única forma de tratamento, mas como um dos adventos importantes no processo de recuperação; ▬ Internação domiciliar e tratamentos ambulatórios: iniciados com medicação para amenizar o desconforto causado pela suspensão da droga. Há regras estabelecidas, as quais deverão ser aceitas pelo paciente, o qual só poderá sair de casa na companhia de parente ou amigo para tratamento; ▬ Grupo de auto-ajuda (N.A. – Narcóticos Anônimos): é um serviço gratuito que se baseia exclusivamente na disponibilidade de seus membros. Dessa forma, os grupos de N.A. são dirigidos por meio de reuniões diárias em que alguns usuários em reabilitação organizam os grupos que trocam suas experiências. (LARANJEIRA, JUNGERMAN e DUNN, 2001, P. 58-64). 3.2. Psicoterapia breve Psicoterapia é uma forma de tratamento dos problemas de natureza emocional, na qual uma pessoa treinada estabelece deliberadamente uma relação profissional com o paciente, com o objetivo de eliminar, modificar ou retardar sintomas existentes, de interceder em padrões perturbados de conduta e de promover um crescimento e desenvolvimento positivo da personalidade. (WOLBERG, 1965 apud KNOBEL, 1986, p.20). De acordo com Knobel (1986) a psicoterapia é uma forma de tratamento, ou seja, que a mesma tem um objetivo claro na busca da saúde, é uma técnica terapêutica, e não podendo esquecer-se que a palavra “terapêutica” significa “assistir” ou “ajudar”. É um colocar-se no campo da clínica, ou melhor, da 40 saúde, que é na realidade interdisciplinar em sua essência e específica em sua forma. Este tratamento se dirige aos problemas de natureza emocional, ou seja, ao psiquismo. Trata dos conflitos existentes no aparelho psíquico e suas alterações que se manifestam em sentimentos, pensamentos ou condutas que se acompanham ou causam angústia e sofrimento. Segundo o autor supracitado, a psicoterapia pode levar a um reexame, ou uma revivência de padrões alterados de conduta, já que pode interferir nos mesmos, permitindo que o paciente abandone essa condição, adotando padrões de conduta mais adequados com suas possibilidades de prazer, rompendo com antigos modelos de comportamento baseados em conflitos não resolvidos. Apesar dos processos breves se revelarem mais eficazes em situações de crise, ocorre freqüentemente, na prática, de o psico-higienista se defrontar com "situações de adaptação estável", que exigem algum tipo de intervenção, ao menos para minimizar os efeitos de uma configuração adaptativa extremamente desvantajosa para o paciente. Neste caso, delimita-se uma situação-problema que Simon define como "toda dificuldade situacional ligada à qualidade da adequação (pouco ou pouquíssimo adequada)". Determinado o setor ou setores envolvidos na situação- problema, estabelece-se como objetivo levar o paciente a encontrar formas mais adequadas de respostas frente àquele tipo de situação (YOSHIDA, 1990). Os objetivos que o paciente deveria alcançar são, no entender de Wolberg (1980, apud GILLIERÓN, 2004, p. 18) a diminuição da angústia e da tensão, ou melhora, isto é, desaparecimento dos sintomas; uma percepção das dificuldades interiores e de suas origens; uma possibilidade de perceber 41 soluções mais adequadas; um aumento da tolerância à frustração; adaptação crescente às dificuldades cotidianas; capacidade de introspecção e sentimento maior de segurança interior. A limitação de tempo na terapia breve provoca efeito estimulante sobre o processo terapêutico e sobre o comprometimento emocional. Por outro lado, a psicoterapia breve mobiliza rapidamente no paciente os problemas relacionados com o fim de uma psicoterapia: a angústia de separação, o luto e a dor. Existem fundamentalmente duas atitudes relativas ao fim de uma terapia breve: ou se estabelece desde o princípio um número definido de sessões, por exemplo vinte horas, ou se deixa em aberto desde o início a duração do tratamento sem determinar um final para o mesmo (GILLIERÓN, 2004). O processo evolutivo do indivíduo se desenvolve em sentido de crescimento positivo, dentro de uma gradual discriminação mente-corpomundo, nos diferentes marcos cronológicos de cada pessoa, dentro das limitações de cada organismo individual e em determinados marcos culturais e sócio políticos econômicos (KNOBEL, 1986). Para Gillierón (2004) no final da terapia é importante fazer com o paciente um balanço do que foi e do que não foi conseguido. É útil que o paciente chamar-lhe a atenção para a possibilidade de recaídas depois da terapia. Em toda evolução existem fases regressivas. O paciente deve, portanto, perguntar-se a respeito do que o teria levado a essa recaída. Ele terá de enfrentar novas dificuldades, também depois da psicoterapia; e, durante a terapia, terá aprendido a compreender melhor essas dificuldades. 42 3.3. Psicoterapia e tratamento Se faz necessário ao psicólogo que trabalha com dependes químicos o conhecimento da relação disfuncional estabelecida entre o sujeito e a droga utilizada, ou seja, o que leva a pessoa utilizar a droga (TOSCANO 2001 b). Os tratamentos não farmacológicos para a dependência química continuam a ser os mais utilizados mundialmente. Todavia, as psicoterapias, quando utilizadas como único tratamento, têm apresentado em alguns casos abandonos e multidisciplinar, taxas de por isso recaída é em comparação imprescindível focar com o tratamento o acompanhamento psicoterápico como tratamento continuado e associado a outros. Um psicoterapeuta acolhedor, compreensivo, determinado de maneira objetiva e que trabalhe com os sentimentos depressivos e de perda do sujeito, poderá conduzir de maneira satisfatória um tratamento. Nas ultimas décadas, houve um grande avanço no uso clinico da Terapia Cognitiva aplicada a diversos transtornos psiquiátricos – transtorno de ansiedade; transtorno de personalidade; transtornos alimentares; diversas situações de crise e transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas. (DATTILIO, 2004, p.114-131 apud SILVA e SERRA, 2004). “Esse interesse sobre terapia cognitiva se deve aos resultados promissores de pesquisas controladas que confirmam sua eficácia para o tratamento da depressão quando comparada a grupos-controle”. (BLACKBURN, 1994, p. 1-30 apud SILVA e SERRA, 2004). A partir de então, a Terapia Cognitiva, e a Terapia Comportamental ou ainda a união das duas terapias Cognitivo-Comportamental, foram pesquisadas 43 para outros transtornos mentais e mostram-se eficazes, em vários estudos clínicos, para o tratamento da dependência química e de outros transtornos psiquiátricos. 3.4. Terapia comportamental aplicada à dependência química Segundo Malbergier (2005), o modelo psicoterápico mais bem fundamentado é o cognitivo-comportamental, que prevê abstinência da substancia, evitação de situações que induzam o consumo e treinamento para resistir ou uso em circunstancias que não possam ser evitadas. Inclui-se sob o nome de terapia comportamental qualquer uma das varias técnicas especificas que utilizam princípios psicológicos (especialmente de aprendizado) para mudar construtivamente o comportamento humano. O campo de atuação da terapia comportamental é basicamente, sobre os hábitos humanos impróprios, pois, uma vez que, o comportamento é adaptativo, quando suas consequências satisfazem as necessidades do individuo, trazem-lhe alívio da dor, desconforto, perigo, ou impedem o gasto indevido de energia (WOLPE, 1958, p. 32 apud SILVA e SERRA, 2004). Quando um hábito é baseado na aprendizagem, o processo de aprendizagem deve fornecer a chave para a mudança. Segundo Rimm e Masters (1983), no que se refere à psicoterapia, a terapia comportamental tende a concentrar-se no comportamento em si. Esta assume que os comportamentos maladaptados são, em certo grau, adquiridos através do aprendizado, do mesmo modo que qualquer comportamento é 44 aprendido e que os princípios psicológicos, especialmente os princípios de aprendizagem, podem ser extremamente eficazes na modificação do comportamento maladaptado. Além disso, a terapia comportamental envolve a determinação de objetivos específicos e claramente definidos. O terapeuta comportamental adapta seu método de tratamento ao problema do cliente. Vale ressaltar que segundo Wolpe (1958) os hábitos impróprios baseados na aprendizagem são alcançada da terapia comportamental, divididos em cinco categorias: neuroses, outros hábitos impróprios aprendidos, comportamentos impróprios aprendidos em esquizofrênicos, personalidade psicótica e vício em drogas. Em relação ao vício em drogas, uma pessoa poderá tomar habitualmente uma droga para aliviar a dor, ansiedade, ou outra tensão. Se o habito de tomar drogas continuar após a cessação da tensão, tem-se o vício em drogas. O vício é caracterizado por “desejos” que compelem a pessoa a procurar a droga. Sob o desejo há um estado biológico cuja natureza não é conhecida, que torna o hábito em drogas diferente de outras categorias de hábitos impróprios. Como Taylor (1959 apud WOLPE, 1976) pontuou a questão: “Se conhecêssemos o mecanismo dos hábitos em drogas, poderíamos ser capazes de recuperar o “drogadicto” ao ponto dele ser capaz de tomar um aperitivo como qualquer outra pessoa”. “A teoria comportamental da dependência química tem seu foco nas teorias do aprendizado social (condicionamento clássico, aprendizagem instrumental e modelagem)”. (CARROL, 2002, p. 147-168 apud SILVA e SERRA, 2004). Estudos controlados, aleatórios, mostram a eficácia da terapia comportamental para redução do uso de drogas e problemas associados. Ela pode ser aplicada em diferentes locais (ambientes hospitalares, ambulatoriais e domiciliares) e 45 em diferentes modalidades (individual grupal e familiar). (CARROL, 2002 apud SILVA e SERRA, 2004). O foco da teoria comportamental esta nas situações de alto risco e no comportamento de uso de droga. “A terapia comportamental dispõe de diversas técnicas, descritas a seguir, e ainda pode ser combinada com outras modalidades de tratamento, como a Entrevista Motivacional. Esta terapia se concentra em estratégia para modificação e melhora do estado motivacional” (MILLER, 2001 apud SILVE e SERRA, 2004) “ e explora comportamentos associados ao uso de drogas, com vistas a mudar o estilo de vida e os comportamentos de risco para uso de droga”. (MARLATT, 1994 apud SILVA e SERRA, 2004). O terapeuta comportamental encoraja o paciente a encontra prazer em outras situações que não ofereçam riscos e ajuda no manejo da síndrome de abstinência, com vistas a encontrar outras recompensas que não sejam pelo uso da droga. 3.5 Terapia cognitiva aplicada a dependência química A psicologia cognitiva preocupa-se especificamente com os processos de pensamento. Portanto, um método cognitivo tem por objetivo modificar sentimentos e ações influenciando os padrões de pensamento da pessoa. Conforme Beck (1997, apud SILVA e SERRA, 2004) a teoria cognitiva tem como uma de suas premissas básicas o fato de que a cognição tem primazia sobre a emoção e sobre o comportamento. Em outras palavras, para a teoria 46 cognitiva, mais importante que a situação real são as cognições associadas a elas. São as avaliações atribuídas à situação especifica que influenciam as emoções e os comportamentos. Além disso, no processo terapêutico, as mudanças cognitivas precedem as mudanças emocionais e comportamentais. Segundo o mesmo autor, pela teoria cognitiva, a dependência química resulta de uma interação complexa entre cognições (pensamentos, crenças, idéias, esquemas, valores, opiniões, expectativas e suposições); comportamentos; emoções; relacionamentos familiares e sociais; influencias culturais; e processos biológicos e fisiológicos. Entretanto como observa Beck (1970,1976 apud SILVA e SERRA, 2004), a terapia da aprendizagem cognitiva, como se originou nos últimos anos, é acentualmente diferente dos métodos mais tradicionais com base dinâmica de tratamento em vários aspectos significativos. A entrevista terapêutica é mais estruturada. O tratamento de concentra em problemas relativamente específicos. “A terapia cognitiva, obviamente, focaliza primordialmente os processos cognitivos. Estes, por sua vez, interagem com os sistemas emocionais, ambientais e fisiológicos, determinando se uma pessoa terá maior ou menor probabilidade de ser dependente”. (BECK, 1977 apud SILVA e SERRA, 2004). Na teoria da terapia cognitiva, a natureza e a função do processamento de informação e de atribuição de significados aos acontecimentos da realidade constituem a chave para entender o comportamento maladaptado. (BLACKBEURN, 1994; BECK, 1997 apud SILVA e SERRA, 2004) 47 Neste sentido, mais importante do que a situação real é a avaliação que o indivíduo faz a respeito dela. Uma mesma situação pode, portanto, desencadear diferentes emoções (tristeza, raiva, ansiedade, etc.). Conforme diz Beck (1977, apud SILVA e SERRA, 2004), o objetivo da terapia cognitiva é reestruturar as cognições disfuncionais e dar flexibilidade cognitiva no momento de avaliar situações específicas. Esta terapia visa a resolução de problemas focais, objetivando, em última análise, dotar o paciente de estratégias cognitivas para perceber e responder ao real de forma funcional. O terapeuta cognitivo formula as idéias e crenças disfuncionais do paciente sobre si, sobre suas experiências e sobre seu futuro em hipóteses e, então, testa a validade dessas hipóteses de uma forma objetiva e sistemática. (BECK, 1997 apud SILVA e SERRA, 2004). Os pilares conceituais da prática desta terapia são descritos pelo autor supracitado como sendo: ▬ Esquemas e crenças básicas: Os esquemas são estruturas psíquicas que contém avaliações firmemente estabelecidas. O esquema, se traduzido em palavras forma criações hipotéticas chamadas de crenças básicas. As crenças básicas, quando disfuncionais, caracterizam-se por serem irracionais, super generalizadas e rígidas. Levam a sofrimento psíquico e comportamentos mal adaptados, além de impedirem a realização de metas. Segundo Beck (1997 apud SILVA e SERRA, 2004), as crenças básicas disfuncionais podem ser classificadas como crenças de desamparo e crenças de “Não ser querido”. Dividindo-se nas categorias: 48 ▬ Pensamentos automáticos: as crenças centrais básicas são avaliações genéricas sobre si mesmo, sobre o outro e sobre a relação com o mundo que o cerca. Na maioria das vezes, tais crenças não são conhecidas e claras para o indivíduo (são inconscientes), mas, sob determinadas circunstâncias, influenciam a percepção sobre as coisas e é espessa como pensamento automático, especifico à uma situação. Os pensamentos automáticos derivam de um “erro” cognitivo e têm íntima relação com as crenças. ▬ Estratégia Compensatória: são comportamentos que visam avaliar ou anular os pensamentos automáticos e emoções negativas. O terapeuta cognitivo cria a hipóteses ao longo do processo terapêutico onde testando e reconstruindo suas hipóteses, ocorre a investigação da estrutura cognitiva do paciente. Essa construção da hipótese cognitiva global é denominada conceituação cognitiva, referindo-se aos pensamentos, suposições, emoções e crenças do paciente e podendo ser reformulada no decorrer da terapia, à medida que novas informações e evidências vão se reunindo. (BECK, 1997 apud SILVA e SERRA, 2004). A avaliação sobre si mesmo, em palavras, compõe a crença básica. Por exemplo, constroem-se algumas crenças, tais como “não sei fazer nada certo”, “meu pai não gosta de mim”, “não sou uma pessoa querida”. (SERRA, 2004). A partir da crença, o paciente faz algumas suposições. Por exemplo: “não sou querido porque não faço nada certo, logo se eu me esforçar muito, eu conseguirei fazer algo bem feito e, se nunca errar, meu pai gostará de mim”. Essas suposições influenciarão, inevitavelmente, o seu comportamento. Diante de situações específicas, essas crenças e suposições serão ativadas e ele 49 desenvolverá padrões comportamentais denominados de estratégias compensatórias. (SERRA, 2004). “As estratégias compensatórias visam aliviar a aflitiva crença básica”. (BECK, 1997 apud SILVA e SERRA, 2004). Diversas situações de vida podem ativar a mesma crença básica. Entretanto, para cada situação, o comportamento pode variar. Ao ter contato com a droga, o paciente desenvolve um grupo de crenças relacionadas à situação “usar droga”. As crenças relacionadas à droga mantêm uma relação coerente com as crenças básicas de caráter mais genérico. Assim, o modelo cognitivo postula que a dependência é resultado da interação entre o contato inicial com a droga e as cognições que se formarão por influencia das crenças básicas. Não são, portanto, todas as pessoas que, ao ter contato com a droga, desenvolverão dependência. “A terapia cognitiva é uma abordagem de forma estruturada, diretiva, focal e de prazo limitado (12 a 24 sessões) baseada numa relação genuína entre paciente e terapeuta, pautada pela empatia e colaboração mutua”. (SERRA, 2004 e BECK, 1997). “O paciente é instruído sobre seu problema e sobre a terapia”. (SERRA, 2004). A teoria cognitiva tem seu foco voltado às cognições que evocam a fissura e aos pensamentos e crenças que facilitam o comportamento de busca e de uso da droga. A própria terapia é uma experiência de aprendizado para o paciente. Durante o processo terapêutico, o paciente aprende as técnicas utilizadas pelo terapeuta para que se torne o seu próprio terapeuta. 50 4. INVESTIGAÇÃO DAS HABILIDADES SOCIAS EM DEPENDENTES QUÍMICOS 4.1. Descrição da população Será avaliado o repertório de habilidades sociais existentes em dependentes químicos em processo de reabilitação e intervenção em treinamento de habilidades sociais. Serão aproximadamente 12 sujeitos do sexo masculino, com idade entre 18 e 50 anos e diferentes níveis de escolaridade. 4.2. Descrição do instrumento O instrumento a ser utilizado é o Inventário de Habilidades Sociais (IHS – Del Prette), pois se trata de um teste validado e reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia. O IHS é um instrumento de auto-relato, para aferir o repertório de habilidades sociais, elaborado por Zilda A. P. Del Prette. O IHS de Del Prette é composto por 38 itens que descrevem sociais em vários contextos (trabalho, lazer, família) com demandas para a diversidade de habilidades como: falar em público, expressar sentimentos, pedir mudança de comportamento, resolver problemas, mediar conflitos, habilidades sociais educativas, interagir com autoridade, concordar, discordar, lidar com críticas. Esses itens são agrupados em cinco fatores, denominados de F1 – Enfrentamento e auto-afirmação com risco, F2 – auto-afirmação na expressão de sentimento positivo, F3 – conversação e desenvoltura social, F4 – autoexposição a desconhecidos e situações novas e F5 – autocontrole da 51 agressividade. Os respondentes devem indicar a frequência com que agem ou sentem de acordo com as classificações: A (nunca ou raramente), B (com pouca frequência), C (com regular frequência), D (muito frequentemente), E (sempre ou quase nunca). (Bandeira et al, 2000; Del Prette; 2001). 52 5. PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PSICOTERÁPICA BREVE EM HABILIDADES SOCIAIS COM DEPENDENTES QUÍMICOS 5.1. Descrição da proposta de intervenção A proposta será realizada em uma clínica de recuperação do uso de substâncias psicoativas, no interior do Estado de Rondônia, no qual será informado aos participantes sobre os objetivos, os procedimentos éticos e riscos e os benefícios de colaborar com a pesquisa. Mediante a aceitação do sujeito, a aplicação do instrumento de coleta de dados (Inventário de Habilidades Sociais) será conduzida coletivamente em um único encontro. O processo de intervenção será realizado por meio de um treinamento das habilidades sociais em grupo, com 12 encontros estruturados, com 2 horas de duração, sendo uma vez por semana e tendo o intuito de aprender um repertório de soluções concretas para as situações problemáticas, favorecendo a compreensão sobre a aquisição de um bom repertório de habilidades e comportamentos sociais diante das adversidades da vida, Contribuindo assim, com o manejo das habilidades sociais frente a um posicionamento assertivo e sadio. Uma reaplicação do inventário se fará necessária para constatação dos novos padrões comportamentais aprendidos. Será feita a devolutiva aos participantes, os quais também avaliarão os encontros respondendo a um questionário de satisfação. 53 5.2. Descrição dos encontros e temas a serem trabalhados ENCONTROS TEMAS 1º Encontro Apresentação/Contrato/Sentimentos negativos 2º Encontro 3º Encontro 4º Encontro Receber críticas 5º Encontro 6º Encontro 7º Encontro Recusar entorpecentes 8º Encontro Socialização 9º Encontro Resolução de problemas de relacionamento 10º Encontro Planejamento para as emergências 11º Encontro Dinâmica de encerramento/ Reaplicação do Inventário de Habilidades Sociais 12º Encontro Devolutiva/ Questionário de Satisfação Assertividade Fazer críticas Comunicação Dizer não Tabela 1: Encontros e seus respectivos temas. As técnicas utilizadas serão verbais e dramatizações (role play – interpretação de papéis). Em cada sessão o grupo elegerá uma das situações listadas e realiza um role play. O grupo planejará a cena na qual apareça as situações escolhidas. Durante a representação não será necessário ser fiel ao roteiro estabelecido, a improvisação é importante pois ela estimula a criatividade. Será feita a troca de personagem , perguntando ao grupo quem daria uma resposta diferente à situação encenada. Desta forma, o participante adquire flexibilidade de respostas e desenvolve novas habilidades. Para cada situação, uma lista de habilidades é compilada e o profissional estimula o treino dessas atividades durante o role play. 54 A seguir será demonstrado alguns itens a serem trabalhados no decorrer dos encontros do treinamento de habilidades sociais: 1º Encontro: Apresentação/Contrato/Sentimentos negativos - Apresentação da proposta terapêutica e dos participantes através da Dinâmica da teia: o facilitador pedirá para que os presentes se coloquem em uma formação de roda, será passado o novelo de lã entre os integrantes para que se apresentem e passem para o próximo participante de forma aleatória, formando uma teia ao centro do grupo, momento qual será aproveitado para se fazer o contrato e estabelecimento das regras, fomentando a importância do grupo e do sigilo. ▬ Sentimentos negativos ● percebeu o negativismo da autoconversa sempre que se sentiu aborrecido por um evento ou com um desejo incontrolável de beber? ● identificou os seus pensamentos negativos? ● esperou o pior das situações? ● deu uma outra interpretação à angústia? ● deu a si mesmo incentivo e esperança? ● culpou o evento e o comportamento e não a pessoa? ● concentrou-se no que precisa ser feito? ● deu crédito a si mesmo fazendo mudanças positivas? 2º Encontro: Asssertividade ● pensou antes de falar? 55 ● foi objetivo e claro no que disse? ● assegurou-se de estar sendo ouvido? ● reafirmou a posição se percebeu que não estava sendo ouvido? 3º Encontro: Fazer críticas ● acalmou-se antes de falar? ● colocou a crítica como sendo uma opinião pessoal, não um fato absoluto? ● criticou o comportamento e não a pessoa? ● o tom de voz esteve firme e não zangado? ● mostrou-se disposto a ouvir o outro? ● foi claro na questão que criticou, sem deixar em dúvidas sobre qual é a crítica? 4º Encontro: Receber críticas ● conseguiu ouvir sem se colocar na defensiva? ● conseguiu avaliar a crítica com clareza e selecionar os pontos pertinentes? ●conseguiu explorar a crítica com questões para se certificar de que ficou clara qual é a crítica do outro? 5º Encontro: Comunicação ▬ Habilidades de comunicação verbal: ● ouviu e observou antes de falar? ● fez questões abertas ou fechadas? ● as colocações foram de forma educada? 56 ▬ Habilidades de comunicação não verbal: ● qual foi a postura? ● houve contato visual? ● qual a expressão facial? ● qual o tom de voz utilizado? ● como movimentou os pés, mãos, cabeça? 6º Encontro: Dizer não ● fez revisão do que é prioritário? ● decidiu-se de fato recusar? ● deixou claro de que entendeu o pedido, mas mesmo assim o recusará? ● foi firme, claro, breve e decidido? ● como esteve a postura (comunicação não verbal)? Ela foi coerente com a comunicação verbal? 7º Encontro: Recusar entorpecentes ● conseguiu dizer “não”? ● ao negar, foi claro, firme, sem hesitação? ● fez contato visual? ● sugeriu alternativas? ● disse à pessoa que não lhe ofereça bebida novamente? ● evitou respostas vagas? 8º Encontro: Socialização ● que tipo de apoio é mais útil? 57 ● quem foi capaz de ser útil a você? ● como você pode conseguir o apoio de que precisou? 9º Encontro: Resolução de problemas de relacionamento ● certificou-se de que a outra pessoa sabe o que você pensou? ● deixou a irritação crescer? ● expressou sentimentos positivos em relação a outra pessoa? ● foi um ouvinte ativo? ● concentrou-se em um assunto de cada vez, aqui e agora? 10º Encontro: Planejamento para as emergências ● pensou e como lidar com suas emoções (por exemplo, raiva. Fissuras, depressão) ● pensou nas habilidades de resolução de problemas? ● pensou em quem você pode chamar para dar apoio? ● pensou em atividades prazerosas que poderiam combater seus sentimentos negativos? 11º Encontro: Dinâmica de encerramento/ Reaplicação do Inventário de Habilidades Sociais Dinâmica de encerramento: o presente O facilitador com uma caixa de presente nas mãos lerá uma mensagem e dará a alguém do grupo, mas o presente não será desta, pois o mesmo terá que passar a outro integrante conforme descrito a seguir: 58 01 – você é uma pessoa especial, e por isso está recebendo este presente, mas, na verdade, não se anime muito pois este presente não é seu! Entregue-o à pessoa que considera a mais bonita do grupo 02- Para muitos a beleza é fundamental, mas para você é apenas uma qualidade. Que pena! Este presente também não é seu. Você vai entregá-lo a uma pessoa dinâmica. 03- Ser dinâmico é estar sempre presente, ajudando sem cessar. Mas... este presente não é seu... entregue-o a uma pessoa realista. 04- Como você é realista, então já sabe o que lhe espera, a realidade é que este presente não é seu. Você vai entregá-lo a pessoa que considera inteligente. 05- Ser inteligente é um privilégio, mas a capacidade de entender o mundo é dos sensíveis e inteligentes e você também o é. Pela sua inteligência, você sabe que o presente não é seu, entregue-o a uma pessoa sensível. 06- Ser sensível é um dom de Deus, qualquer coisa lhe atinge, atinge a sua sensibilidade, e esta sensibilidade lhe diz que este presente não é seu, então, entregue-o a uma pessoa carinhosa. 07- Carinho também é uma forma de amor. Você está de parabéns! (palmas a ele), mas... todo este carinho você irá demostrar, entregando este presente a uma pessoa otimista. 08- Ser otimista é estar sempre disposto a começar tudo de novo. Quanta força de vontade tem dentro de você. Você é tão otimista que acredita que este presente é seu, mas... não é... você vai entregá-lo a uma pessoa trabalhadora. 59 09- Dizem que Deus ama a quem trabalha, e você deve estar radiante por esse amor de Deus! Pense consigo mesmo que quem trabalha um dia será recompensado. Hoje chegou o meu dia e eu serei recompensado com este presente! Mas não é bem assim, a sua recompensa será ainda maior, não hoje, hoje trabalhe mais um pouco e dê o presente a uma pessoa criativa. 10- Ser criativo é levar uma vida inventando, imaginando coisas. Para você, as horas são curtas e os dias pequenos demais! Seja criativo para escolher uma pessoa do grupo, aquela que diz na hora o que pensa, uma pessoa sincera. 11- Ser sincero é ser fiel, é ser uma pessoa em que se possa confiar, tomará que haja mais pessoas como você. Não fique com o presente, seja sincero, entregue à pessoa mais amiga do grupo. 12- Você foi eleita a pessoa mais amiga. Parabéns! Ser amigo é primordial, é reunir um pouco de todas as qualidades, é ter amor no coração. Este presente é para você. E como foi amigo, irá reparti-lo com todos os amigos que estão compartilhando este momento com você. E abre-se uma caixa de bombons que encontra-se dentro da caixa de presente. ▬ Reaplicação do Inventário de Habilidades Sociais 12º Encontro: Devolutiva/ Questionário de Satisfação Será entregue individualmente a devolutiva com o resultado do Inventário de Habilidades Sociais e pedir-se-á para que os participantes do programa preencha um Questionário avaliativo da proposta. 60 INVENTÁRIO DE SATISFAÇÃO Nome:___________________________________________________________________ (Por favor, para cada questão circule a resposta que melhor expresse sua opinião ou sentimento sobre o assunto) Sinto que a Proposta de Intervenção em Habilidades Sociais me possibilitou perceber características e possibilidades pessoais (hábitos antigos que me atrapalhavam, novos hábitos que seria bom adquirir etc) que eu desconhecia: 1. Nenhuma 2. Poucas 3. Algumas 4. Várias 5. Muitas Sinto que o a Proposta de Intervenção em Habilidades Sociais me possibilitou conhecer estratégias para mudar que antes eu desconhecia: 1.Nenhuma 2. Poucas 3. Algumas 4. Várias 5. Muitas A Proposta de Intervenção em Habilidades Sociais me ajudou a superar obstáculos que dificultavam minha decisão: 1.Continuo com as 2. Superei poucos mesmas dificuldades obstáculos 3.Superei alguns obstáculos 4. Superei vários obstáculos 5.Superei muitos obstáculos Em relação a minha escolha de aquisição de novas atitudes frente aos meus problemas, avalio o auxilio recebido no grupo de como: 1. Muito fraco 2. Fraco 3. Adequado 4. Bom 5.Muito bom Com respeito à confiança na minha habilidade de fazer escolhas, agora sinto que estou: 1. Menos confiante 2.Igual antes 3.Melhor 4. Bem melhor 5.Muito melhor Com respeito ao progresso que fiz em relação a escolher me posicionar de forma mais adequada, agora sinto que estou: 1. Pior que antes 2.Igual antes 3.Melhor 4.Bem melhor 5.Muito melhor Sinto que o tipo de atendimento usado no Grupo para me orientar quanto a minha avaliação de hábitos já existentes e decisão de muda foi: 1.Muito fraco 2.Fraco 3.Adequado 4.Bom 5.Muito bom Meu sentimento geral sobre o Programa que participei é: 1.Detestei 2.Não gostei 3.Sinto-me neutro 4.Gostei Meu sentimento geral sobre meu aproveitamento no Programa é: 1.Não aproveitei o 2.Poderia ter 3.Aproveitei o 4. Aproveitei bem quanto poderia aproveitado mais suficiente pude 5.Gostei muito 5.Aproveitei o máximo que 10. Por favor, dê as sugestões para que seja possível aprimorar a proposta: 61 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os déficits e comprometimentos de habilidades sociais estão geralmente associados às dificuldades e conflitos nas relações interpessoais, a uma pior qualidade de vida e a diversos tipos de transtornos psicológicos como a timidez, o isolamento social, a delinquência juvenil, o desajustamento escolar, o suicídio e os problemas conjugais e o uso de drogas. Diante disto, a problemática será de investigar o repertório de habilidades sociais dos dependentes químicos em recuperação em uma clínica de atendimento, a relação desta deficiência em posicionar-se de maneira adequada com a vulnerabilidade à dependência química e o treinamento das habilidades sociais acarretando benefícios e diminuição dos escores negativos. Essa pesquisa muito vem a colaborar para a compreensão do perfil do usuário, para a prevenção da temática em relação à recaída, suporte social, inserção no mercado de trabalho ou seja, na reconstituição do âmbito pessoal com o manejo do enfrentamento. Visa contribuir também para a comunidade como um todo, bem como enriquecer a comunidade científica, uma vez que no Estado de Rondônia não existem muitos estudos com esta proposta. 62 REFERÊNCIAS ALMEIDA, O. P. L. e LARANJEIRA, R. Manual de psiquiatria. Ed. Guanabara: Koogan, 1996. ARATANGY, L. R. Doces venenos: conversas sobre drogas. São Paulo:Olho Dágua, 1997. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002a. BETTA, J.C. Manual de psiquiatria. Buenos Aires: Ed. Universitária, 1956. CABALLO, V. E. Manual de Avaliação e Treinamento das Habilidades Sociais. São Paulo: Santos Editora, ed. 2003, reimpressão 2008a. _____. ______. 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