11 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO ESCOLA DE EQUITAÇÃO DO EXÉRCITO 1º Ten Cav JOSÉ EDUARDO LEAL MACEDO JUNIOR PERSPECTIVAS DE MELHORIA NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE EQÜINOS NO ÂMBITO DO EXÉRCITO BRASILEIRO Rio de Janeiro 2008 12 1º Ten Cav JOSÉ EDUARDO LEAL MACEDO JUNIOR PERSPECTIVAS DE MELHORIA NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE EQÜINOS NO ÂMBITO DO EXÉRCITO BRASILEIRO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Equitação do Exército, como requisito parcial à obtenção do título de Especialista em Equitação . Orientador: Maj Cav QEMA Isaías de Oliveira Filho Rio de Janeiro 2008 13 1º Ten Cav JOSÉ EDUARDO LEAL MACEDO JUNIOR PERSPECTIVAS DE MELHORIA NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE EQÜINOS NO ÂMBITO DO EXÉRCITO BRASILEIRO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Equitação do Exército, como requisito parcial à obtenção do título de Especialista em Equitação. Aprovado em COMISSÃO DE AVALIAÇÃO _________________________________________ _________________________________________ 14 À minha família, uma homenagem pelo amor e confiança em mim depositados. 15 AGRADECIMENTOS Ao meu Orientador, Maj Cav Isaías de Oliveira Filho, meus sinceros agradecimentos pela orientação justa e objetiva na realização deste trabalho. A minha mãe, Marlene de Araujo Macedo, pelo amor com que me educou, pelo incentivo e apoio diário. A minha irmã, Alessandra de Araújo Macedo, pela compreensão, incentivo, carinho, apoio e companheirismo no convívio do dia a dia. A todos aqueles que direta ou indiretamente colaboraram para este projeto fosse concluído. 16 A arte não se aprende nos livros, quem não se cultiva será somente quem já sabe. (Alexis l’Hotte) 17 RESUMO Este estudo versa sobre o transporte rodoviário de eqüinos no âmbito do Exército Brasileiro. Seu objetivo é apresentar formas para a melhoria do transporte de eqüinos no âmbito da Força Terrestre. Para tanto, este Trabalho de Conclusão de Curso foi desenvolvido de fevereiro a outubro de 2008, por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, do tipo exploratória, cujo material foi colhido na biblioteca da Escola de Equitação do Exército. Assim, são apresentados os conceitos que envolvem as diferenças entre os diversos tipos de veículos que são utilizados no transporte rodoviário, bem como suas características. Apresenta, ainda, uma delimitação das questões a serem observadas de sentido veterinário, no material empregado, no planejamento do transporte e nos processos de embarque e desembarque. Na conclusão as idéias levantadas ao longo do trabalho são ratificadas, explorando-se a possibilidade de uma padronização que servirá tanto para a mensuração dos conhecimentos futuros para os envolvidos com a tarefa de transportar por meios rodoviários eqüinos do EB, quanto para readaptar militares habilitados que, por ventura, tenham passado muito tempo sem o contato com a atividade que envolvam o tema abordado. Palavras-chave: Transporte Rodoviário, Eqüinos. 18 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 Caminhão boiadeiro do 20º Regimento de Cavalaria Blindado............................................................................... 16 FIGURA 2 Caminhão box do 3º Regimento de Cavalaria de Guardas.. 16 FIGURA 3 Trailer para dois animais...................................................... 17 FIGURA 4 Compartimento de cargas..................................................... 19 FIGURA 5 Protetores de membros......................................................... 26 FIGURA 6 Protetores de rabo................................................................. 27 FIGURA 7 FIGURA 8 Cloches................................................................................. 27 Buçal e cabrestos................................................................ 28 FIGURA 9 Embarcadouro do 2º Regimento Andrade Neves................. 35 19 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 11 2 CONCEITOS E MÉTODOS............................................................................... 12 2.1 TEMA..................................................................................................................... 12 2.2 PROBLEMA.......................................................................................................... 12 2.2.1 Antecedentes do Problema.................................................................................. 12 2.2.2 Formulação do Problema.................................................................................... 13 2.2.3 Alcances e Limites................................................................................................ 13 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO.................................................................................... 13 2.4 OBJETIVO ............................................................................................................ 14 2.4.1 Objetivo Geral ..................................................................................................... 14 2.4.2 Objetivos Específicos............................................................................................ 14 2.5 JUSTIFICATIVA................................................................................................... 14 2.6 CONTRIBUIÇÃO.................................................................................................. 15 3 VIATURAS ........................................................................................................... 16 3.1 VIATURAS EMPREGADAS NO EXÉRCITO BRASILEIRO............................. 16 3.2 TIPOS DE VIATURAS EMPREGADAS NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO.. 17 3.3 COMPARTIMENTO DOS ANIMAIS................................................................... 17 3.4 COMPARTIMENTO DE CARGAS....................................................................... 19 3.5 CONCLUSÕES PARCIAIS.................................................................................... 20 4 ASPECTOS VETERINÁRIOS............................................................................ 21 4.1 DOENÇAS E TRAUMAS ..................................................................................... 21 4.1.1 O estresse................................................................................................................ 21 4.1.2 Febre de transporte............................................................................................... 22 20 4.1.3 Problemas respiratórios........................................................................................ 22 4.1.4 Desidratação e problemas gastroentéricos.......................................................... 23 4.1.5 Lesões e traumas.................................................................................................... 23 4.2 CUIDADOS VETERINÁRIOS DE EQÜINOS EM TRÂNSITO.......................... 24 4.2.1 Antes do embarque................................................................................................ 24 4.2.2 Durante o transporte............................................................................................. 24 4.2.3 Após o transporte.................................................................................................. 25 4.3 CONCLUSÕES PARCIAIS.................................................................................... 25 5 MATERIAL RELACIONADO............................................................................ 26 5.1 MATERIAL DE PROTEÇÃO................................................................................ 26 5.2 MATERIAL VETERINÁRIO................................................................................ 29 5.3 DOCUMENTAÇÃO E DIVERSOS....................................................................... 30 5.4 CONCLUSÕES PARCIAIS.................................................................................... 31 6 PLANEJAMENTO DO TRANSPORTE............................................................ 32 6.1 PLANEJAMENTO E EMPREGO DE PESSOAL................................................. 32 6.2 PLANEJAMENTO DE ITINERÁRIO................................................................... 33 6.3 CONCLUSÕES PARCIAIS.................................................................................... 34 7 PROCESSO DE EMBARQUE E DESEMBARQUE........................................ 35 7.1 PROCESSO DE EMBARQUE............................................................................... 35 7.2 PROCESSO DE DESEMBARQUE....................................................................... 36 7.3 DISTRIBUIÇÃO DOS ANIMAIS NO INTERIOR DA VIATURA..................... 37 7.4 CONCLUSÕES PARCIAIS.................................................................................... 37 8 CONCLUSÃO......................................................................................................... 38 REFERÊNCIAS...................................................................................................... 40 21 1 INTRODUÇÃO A partir do acordo militar Brasil-Estados Unidos, na década de 60, a Cavalaria Brasileira passou por um grande processo de reformas, dotando seus Regimentos dos mais modernos materiais blindados da América do Sul na época. Sendo assim, as operações hipomóveis foram passando para um segundo plano, ficando restritas apenas aos três Regimentos de Cavalaria de Guardas que permaneceram até os dias atuais. Com a constante mecanização de nosso Exército, foi preciso também buscar meios de transportar os eqüinos ainda utilizados pela Força Terrestre. Tal transporte refere-se a viagens de transferência de animais, competições etc. Pouca bibliografia existe no sentido de formatar procedimentos relativos ao transporte rodoviário de eqüinos. Muitos procedimentos são utilizados baseados apenas na experiência das pessoas envolvidas na atividade, quando nem sempre são as atitudes mais corretas no que se refere à segurança e bem estar dos animais. Este trabalho pretende apresentar subsídios para que todas as pessoas envolvidas com a atividade de transporte rodoviário de eqüinos no âmbito do Exército Brasileiro possam planejar e organizar suas viagens, assegurando-se de proporcionar as melhores condições de alojamento, segurança e conforto aos animais, de maneira a manter a integridade física dos mesmos. 22 2 CONCEITOS E MÉTODOS A presente seção tem por finalidade contextualizar o tema de estudo, abordando os conceitos envolvidos na problemática em questão, e apresentando as justificativas para a realização do trabalho, bem como as contribuições que a pesquisa pretende apresentar para a evolução da atividade. 2.1 TEMA Perspectivas de melhoria no transporte rodoviário de eqüinos no âmbito do Exército Brasileiro. 2.2 PROBLEMA No transporte rodoviário, um planejamento precário, viaturas em estado deficiente e a falta de instrução das pessoas relacionadas à atividade, influenciam significativamente para que ocorram acidentes com os animais. 2.2.1 Antecedentes do Problema Em um passado não muito distante, não era necessário transportar eqüinos em viaturas, uma vez que a figura deles eram justamente um dos meios de transporte amplamente utilizado. Nas operações militares não era diferente. Empregavam-se os animais como meio de transporte e meio de combate, onde a tropa de Cavalaria levava vantagem de posição sobre seus oponentes. Porém, com o passar dos anos e a modernização dos Regimentos de Cavalaria, as operações hipomóveis tomaram seu lugar na História e deixaram de ocorrer com freqüência. Juntamente a esses fatores, houve a crescente necessidade de transportar os animais de uma maneira rápida e segura. Logo o transporte de eqüinos passou a mostrar-se como uma realidade no Exército Brasileiro. 23 2.2.2 Formulação do Problema No sentido de reduzir indesejáveis problemas ou perigos relativos ao transporte rodoviário de eqüinos devem ser aperfeiçoados procedimentos e técnicas. 2.2.3 Alcances e Limites O presente estudo pretende levantar formas e estratégias para aperfeiçoar o transporte rodoviário existente no âmbito das Unidades que possuem eqüinos, sendo de Cavalaria de Guardas ou não. E buscar também, na literatura, estratégias para melhorar o planejamento e a execução de tais viagens, reduzindo ao mínimo, possíveis traumas e perigos aos animais. O estudo estará limitado particularmente ao transporte rodoviário realizado pelas Organizações Militares no âmbito do Exército Brasileiro, adequando-se assim à realidade apresentada nos dias atuais. 2.3 QUESTÕES DE ESTUDO As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho que leve ao melhor conhecimento acerca do problema, o que é fundamental para se chegar a uma solução para o mesmo. Neste sentido, foram formuladas diversas questões de estudo que envolvem a problemática desta investigação, conforme listadas abaixo: a) Como ocorre o transporte rodoviário? b) Quais são as viaturas empregadas? c) Como ocorre a preparação veterinária relativa à atividade? d) Quais são os materiais necessários para o transporte rodoviário? e) Como deve ser regulada a distribuição de forragem durante as viagens? f) Como deve ser realizado o planejamento de uma viagem? g) Como deve ser realizados o embarque e o desembarque? Espera-se que, em se respondendo, mesmo que parcialmente estas questões, seja possível solucionar o problema em estudo e atingir os objetivos de pesquisa, conforme a seguir formulados. 24 2.4 OBJETIVO Esta seção secundária tem por finalidade apresentar os objetivos (geral e específicos) que identificam e detalham as distintas ações a serem realizadas para dar resposta à pergunta de partida desta investigação, bem como às questões de estudo que envolvem o problema de pesquisa. 2.4.1 Objetivo Geral Verificar se o correto planejamento, adequada preparação dos animais e das viaturas, podem diminuir os traumas do transporte sobre o desempenho dos animais ao final da viagem. 2.4.2 Objetivos Específicos A fim de viabilizar a consecução do objetivo geral de estudo, foram formulados os objetivos específicos, abaixo relacionados, que permitirão o encadeamento lógico do raciocínio descritivo apresentado neste estudo: a) Realizar uma pesquisa bibliográfica a fim de elucidar os principais conceitos relativos ao transporte rodoviário e questões veterinárias ligadas ao tema; b) Realizar entrevistas com pessoal especializado, e com certo grau de experiência a fim de buscar subsídios relativos ao problema; c) Descrever como deve ser o transporte rodoviário de eqüinos no âmbito do Exército Brasileiro, frente as suas peculiaridades; 2.5 JUSTIFICATIVA O Exército Brasileiro ainda não possui uma doutrina que regule o transporte rodoviário de eqüinos, o que faz crescer em importância iniciativas neste sentido, tornando este estudo altamente relevante para a otimização deste processo. Neste sentido, o presente estudo justifica-se por apresentar uma discussão embasada em procedimentos a respeito do tema e de suma importância para a manutenção do estado produtivo dos animais, bem como por buscar identificar mecanismos e formas de reduzir o desgaste sofrido pelos eqüinos. 25 2.6 CONTRIBUIÇÃO O presente estudo pretende ampliar o cabedal de conhecimento acerca dos efeitos produzidos pelo transporte rodoviário sobre os eqüinos de maneira geral, e particularmente no contexto do transporte realizado no âmbito do Exército Brasileiro. Pretende-se ainda a conscientização dos envolvidos nesse tipo de atividade em todos os níveis, sobre os riscos inerentes de um transporte mal planejado, com viaturas em estado de manutenção deficiente e animais sem proteção. 26 3 VIATURAS 3.1 VIATURAS EMPREGADAS NO EXÉRCITO BRASILEIRO Existem diversos tipos e modelos de viaturas empregadas no transporte de eqüinos no Exército Brasileiro (EB). Tal diversidade deve-se ao fato de que tais viaturas foram adquiridas através dos tempos por meio de compras, doações ou por simples troca de função. Porém, os tipos não variam em sua forma, variando apenas no modelo. Podemos citar os dois tipos de viaturas em uso na Força Terrestre com o intuito de transportar eqüinos: a. Caminhão boiadeiro; b. Caminhão box. Onde o caminhão boiadeiro, constitui-se em um caminhão com o seu compartimento de carga sem divisórias, onde os animais são colocados um ao lado do outro, sem nenhuma divisão entre seus corpos, apenas alternando o lado para que são apontadas as suas cabeças. FIGURA 1 – Caminhão boiadeiro do 20º Regimento de Cavalaria Blindado Fonte – Arquivo pessoal do autor E o caminhão box é um veículo que tem seu compartimento de carga com divisórias, de modo a alojar apenas um animal por box, proporcionando maior segurança e comodidade para cada animal. FIGURA 2 – Caminhão box do 3º Regimento de Cavalaria de Guardas Fonte – Arquivo pessoal do autor 27 A capacidade de transporte dos caminhões em uso no Exército Brasileiro é variável, assim como o ano de fabricação e seus estados de conservação. 3.2 TIPOS DE VIATURAS EMPREGADAS NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE EQÜINOS Na área do transporte rodoviário de eqüinos ainda existe outro tipo de veículo empregado, que por hora, ainda não está sendo utilizado no EB. Tal tipo de veículo é o trailer ou o reboque. O trailer tem a peculiaridade de poder ser atrelado ao veículo que irá puxá-lo somente no momento de seu uso, bem como ser desengatado após o uso. O tamanho, modelo e a capacidade de carga são variáveis. FIGURA 3 – Trailer para dois animais Fonte – Arquivo pessoal do autor 3.3 COMPARTIMENTO DE ANIMAIS O compartimento destinado aos animais deve ser revestido de todas as medidas de segurança possíveis, uma vez que é neste local em que os animais irão ser transportados, e baseados nessa afirmativa, devemos prover total conforto e comodidade aos animais, para que estes cheguem ao seu destino sem lesões ou traumas. Uma das primeiras atitudes a serem tomadas é uma inspeção minuciosa à procura de pontas que podem vir a ferir os animais. Como por exemplo, pontas de madeira ou pregos. Outro ponto a ser observado é o piso do compartimento dos animais. A maioria das viaturas empregadas nesse serviço possui uma camada de serragem, casca de arroz ou piso de 28 borracha, porém antes de qualquer viagem, a serragem ou a casca de arroz velha e suja, deve ser retirada e o piso de borracha deve ser limpo e retirado, para que possa ser realizada uma inspeção no chão do caminhão, levando em conta o peso de um cavalo, com o intuito do chão não vir a ceder, e após isso, deverá ser colocada uma quantidade de serragem ou casca de arroz para o conforto dos animais ou recolocado o piso de borracha. A rampa de acesso ao compartimento deve ser cuidadosamente inspecionada, buscando ser observada sua sustentabilidade e fixidez. Madeirame podre ou sem condições de sustentar o peso dos animais deve ser substituído. O sistema de roldanas e cabos de aço devem ser testados e engraxados, bem como o sistema de tranca da rampa deve ser testado com a finalidade de não ceder com a pressão exercida pelo peso dos cavalos quando o caminhão estiver carregado. Outro aspecto refere-se às instalações elétricas. Na frota de caminhões do EB poucos têm iluminação interna, porém é de grande utilidade que todos os caminhões tivessem luzes dentro de seus compartimentos de transporte, uma vez que, para animais inexperientes ou medrosos, é realmente um desafio entrar em um compartimento escuro que ele não consegue enxergar o que tem em seu interior. Dessa maneira, antes de realizar viagens, tais instalações devem ser testadas e inspecionadas, com a finalidade de se evitar lâmpadas queimadas ou fios soltos e desencapados, ocorrendo o risco de choques elétricos. A ventilação também é de suma importância, uma vez que naquele local os animais permanecerão durante horas, ou até mesmo dias. Atualmente existem caminhões de uso civil dotados de equipamento de ar-condicionado para os animais, controlados pelo motorista do caminhão de sua cabine. O Exército Brasileiro ainda não dispõe de caminhões com esse aparato, mas os caminhões box que são fechados deverão ter suas janelas acima da linha das cabeças dos animais, para que o vento produzido não venha a causar um desconforto aos animais, e estas deverão permanecer abertas durante o transporte. Em caminhões sem janelas, tipo boiadeiro, por possuírem um baú de madeira, deverá haver intervalos entre as madeiras que constituem o compartimento de cargas, e por essas frestas será realizada a ventilação. Deverá ainda ser colocado um toldo no teto do compartimento para proteger os animais do sol ou da chuva. Outro dispositivo utilizado em caminhões que ainda não foi adotado pelo EB é o uso de câmeras de vigilância. No compartimento dos animais são instaladas câmeras que produzem imagens vistas na cabine do motorista, permitindo a este ou ao veterinário 29 acompanhar durante todo o trajeto o comportamento dos animais, verificando, alguma anormalidade, tornando uma possível intervenção, mais rápida e dinâmica. Todas as paredes devem ser revestidas e protegidas, com a finalidade de não produzir cortes, arranhões ou assaduras nos animais. Tal proteção deve ser feita com material durável e acolchoado, proporcionando segurança e conforto aos animais. 3.4 COMPARTIMENTO DE CARGAS O compartimento de cargas é destinado ao transporte de todo material necessário à viagem dos animais. Porém alguns aspectos devem ser observados para que o material que acompanhará o eqüino chegue ao seu destino da melhor forma. Em viagens onde serão transportados sacos de ração, feno, alfafa ou qualquer tipo de alimento, este material deverá estar isolado do chão do caminhão. Deverá ser utilizado um estrado de madeira para este fim. A forragem deverá ser posicionada loteada toda junta e amarrada para evitar quedas e possíveis desperdícios durante o deslocamento da viatura. Deverá estar também protegida da umidade e da chuva, preferencialmente coberta por material impermeável e afastada de locais como janelas abertas ou debaixo de possíveis goteiras. Caso seja necessário transportar combustível, óleos lubrificantes ou qualquer outro material que possa contaminar a forragem deverá haver total separação destes produtos dentro do compartimento. Quando for necessário transportar material hípico, este deverá estar acondicionado preferencialmente em caixotes de madeira resistentes, que proporcionem fácil manuseio ou, em sacolas destinadas a este tipo de serviço. FIGURA 4 – Compartimento de cargas Fonte – Arquivo pessoal do autor 30 Existem caminhões civis que possuem compartimentos especialmente destinados ao transporte de material hípico, com cabides para selas, cabeçadas, mantas etc. Porém caminhões com essas características são prioritariamente utilizados para transportar animais de competição. Todo material transportado no compartimento de cargas deverá estar acondicionado da melhor forma possível, organizado e, de preferência amarrado às paredes internas do compartimento, com a finalidade de evitar quedas durante o movimento da viatura. 3.5 CONCLUSÕES PARCIAIS Da análise das características das viaturas do Exército Brasileiro apresentadas acima e sua conseqüente comparação com as viaturas encontradas no mercado de primeira linha, pode-se observar que as viaturas do EB estão aquém no tocante à modernização. Tal fato leva a uma nova exigência na reforma das viaturas, buscando-se o mais alto grau de segurança. 31 4 ASPECTOS VETERINÁRIOS O transporte rodoviário de eqüinos oferece riscos à saúde e integridade física dos animais, já que o cavalo é um ser de hábitos rotineiros, por isso devemos adotar todas as medidas preventivas que assegurem o bem estar dos animais envolvidos. Neste capítulo serão apresentadas afecções comuns ao transporte rodoviário, medidas preventivas e os cuidados veterinários durante o trânsito. 4.1 DOENÇAS E TRAUMAS 4.1.1 O estresse Uma das causas desencadeadoras do estresse ocorre quando um animal faz uma mudança anormal ou extrema em seu comportamento ou fisiologia para se ajustar a efeitos adversos do ambiente ou do manejo. No transporte rodoviário, vários fatores podem levar ao estresse, como o confinamento por um prolongado período de tempo, movimento do caminhão, ruídos e barulhos, mudanças de temperatura e umidade relativa do ar. De acordo com Leadon apud Costa et al (1994), em cavalos o estresse pode ser quantificado em termos de freqüência cardíaca, respostas de cortisol, e/ou betaendorfinas. É mais comum nos cavalos jovens, com pouca experiência de transporte, e pode levar a queda de imunidade, elevação da temperatura, cólica e outros problemas. Para Stull & Rodick apud Costa et al (1994, p. 140), “no caso de transporte em situações de clima quente comumente ocorrem respostas indicativas de estresse, desidratação, perda de peso, alteração do metabolismo muscular e comprometimento da imunidade”. Para Waran apud Costa et al (1994, p. 158), é sugerido para reduzir o estresse do transporte, “que os cavalos sejam posicionados de costas um para o outro, para terem comportamento mais relaxado (embora não esteja provado), aonde não vão se ver nem se morder”. Esse posicionamento também traz vantagens de produzir menos impactos dos animais contra o caminhão e reduz a probabilidade da ocorrência de lesões nas coroas dos cascos dos animais, conseqüentemente gerando menos traumas e menos estresse. 32 4.1.2 Febre de transporte É comum, segundo Leadon apud Costa et al (1994), o desenvolvimento de febre nos animais transportados, conhecida como “febre de transporte”, que ocorre devido a um somatório de fatores predisponentes, tais como: doenças respiratórias pré-existentes, mudanças de temperatura e umidade relativa do ar, grande quantidade de microorganismos no ar inspirado, desidratação e queda de imunidade. É sugerido que a suplementação de vitamina C possa reduzir a incidência de febre ou doenças respiratórias, mas ainda são necessários estudos mais aprofundados sobre este tema. 4.1.3 Problemas respiratórios Independente da raça ou da forma como os cavalos são utilizados, as enfermidades respiratórias representam um dos principais problemas encontrados na espécie. E o confinamento de cavalos contribui para aumentar as chances dos animais contraírem doenças relacionadas ao sistema respiratório. Para Raydal apud Costa et al (1994), a prática de amarrar os cavalos por colares resulta num posicionamento irregular de cabeça e uma postura diferente da casual por um longo período de tempo (impedindo que os animais abaixem a cabeça); o que pode favorecer a invasão de microbiota nasofaríngea no trato respiratório inferior e facilitar o desenvolvimento da doença respiratória. Segundo Leadon apud Costa et al (1994 p.156), “se a quantidade de microorganismos no ar inspirado for grande, aliada a uma alta umidade relativa do ar, o desafio para o sistema respiratório vai ser ainda maior; o que geralmente ocorre em aviões parados para abastecimento ou escala”. O desenvolvimento de doenças respiratórias, segundo Hobo (1997), é comumente associado ao transporte de longa distância, devido a fatores predisponentes tais como o estresse, imunossupressão, aumento da quantidade de agentes irritantes no ambiente ou mesmo doença respiratória pré-existente e deficiência dos mecanismos de defesa pulmonares. A literatura também relata casos de pleuropneumonia resultantes da contaminação do trato respiratório inferior com bactérias da microbiota orofaríngea, associado com o posicionamento dos animais no veículo. A doença pode ocorrer em qualquer transporte, mas é mais comum em transporte por mais de 10 horas, que é considerado fator predisponente para 33 essa doença. É importante evitar a pleuropneumonia com estratégias de prevenção porque pode tornar-se grave e retirar um animal de competições ou do serviço. 4.1.4 Desidratação e problemas gastroentéricos Em viagens mais longas, é comum que os animais apresentem sinais de desidratação leve ao final da viagem, como: mucosas ressecadas, fadiga e turgor cutâneo deficiente, onde turgor é o grau de resistência da pele a deformações. Crisman apud Costa et al (1994, p.92), informa que tal situação é agravada em locais com altas temperaturas e baixa umidade relativa. “Já ocorre alguma alteração no balanço hidro-eletrolítico após 6 horas de transporte rodoviário”. A literatura ainda cita em estudos, que o transporte de eqüinos por mais de 24 horas sem acesso a água e em clima quente pode gerar desidratação grave, podendo levar o animal ao choque e até mesmo a morte, e o transporte por mais de 28 horas, mesmo com acesso periódico a água também é prejudicial devido à fadiga que causa. Portanto, é de extrema importância que os animais recebam hidratação adequada, e ainda, durante as paradas, os animais devem ter suas nucas e cabeças molhadas com o auxílio de uma esponja molhada. 4.1.5 Lesões e traumas Segundo Stull apud Costa et al (1994), é comum a ocorrência de lesões durante o transporte de eqüinos devido a traumatismos contra o próprio veículo, coices entre os animais ou mordeduras. “As lesões ocorrem mais em transporte de longa distância e quando o veículo não foi bem adequado às necessidades do transporte, como por exemplo, veículo com teto baixo”. A literatura prescreve que são comuns lesões nos joelhos, jarretes, cauda e nucas. Por isso, o material de proteção deve ser utilizado, diminuindo os riscos de lesões nessas áreas. O uso de divisórias acolchoadas entre os animais também reduz as lesões por mordeduras, pisões e choque entre os animais. 34 4.2 CUIDADOS VETERINÁRIOS DOS EQÜINOS EM TRÂNSITO 4.2.1 Antes do embarque Antes de qualquer viagem, os animais devem passar por uma rigorosa inspeção veterinária, dias antes do embarque. Tal procedimento deve-se ao fato de que cada animal possui necessidades individuais e, somente o médico veterinário poderá avaliar as carências vitamínicas e nutricionais de cada cavalo. É consenso entre os veterinários especializados que a saúde dos animais deve ser checada antes e no dia do transporte, com referência especial à identificação de doença respiratória subclínica. Isso pode ajudar a identificar animais mais propensos a febre do transporte. A terapia apropriada deve ser instituída, a resposta à mesma deve ser avaliada antes do embarque e o julgamento sobre a manutenção da terapia durante o transporte deve ser feito. Leadon apud Costa et al (1994, p. 67), adverte que “não há necessidade de dieta especial para transporte – porém com cuidado de não ministrar muita ração antes do embarque e nada durante a viagem – e deve-se tomar cuidado com a perda excessiva de fluidos, pois a desidratação pode ocorrer facilmente em trânsito”. O autor acrescenta que, deve-se ainda preservar o melhor ambiente possível para os animais no trânsito em termos de higiene e qualidade do ar. Deve-se tomar o cuidado de não fornecer alimentação com base em concentrados (ração, aveia etc), por pelo menos duas horas antes do embarque, podendo ser administrado uma refeição leve, feno ou capim, até o momento do embarque. Quando possível, os animais devem ser pesados antes da viagem, uma vez que o registro do ganho de peso após a perda inicial é uma ferramenta útil para o veterinário analisar o progresso de recuperação dos animais. 4.2.2 Durante o transporte Como dito anteriormente, o feno deve ser fornecido à vontade e a hidratação deve ser realizada de maneira condizente com o clima no momento da viagem. Porém, o intervalo de oferecimento de água não deve ultrapassar 8 horas, uma vez que um cavalo tem a necessidade de cerca de 40 litros de água diários. Leadon apud Costa et al (1994), diz que, devem-se evitar atrasos e oferecer descanso à noite, longe do veículo para que os cavalos possam baixar suas 35 cabeças e facilitar o mecanismo de limpeza mucociliar. Segundo Andrade Lima (2005), “deve-se prever a alimentação com feno e água, esta a cada duas horas e pontos de parada para caminhada e descanso a cada 6 ou 8 horas. Ter atenção para caminhar os animais nas paradas para evitar dores e lesões”. O veterinário que estiver acompanhando o transporte deve estar preparado para eventualidades, tanto em material como em planejamento, como será abordado mais adiante. 4.2.3 Após o transporte Depois de qualquer viagem, os animais estarão com suas funções desequilibradas, uma vez que toda viagem, por menor que seja, os estressa e desgasta, como já foi abordado. Portanto, logo após o desembarque, os animais deverão sofrer outra inspeção veterinária, tão minuciosa quanto a primeira. Esta inspeção deverá analisar aspectos físicos gerais, como cortes, escoriações e inchaços, e a partir daí os animais entrarão em um período de observação de 72 horas, onde o veterinário deverá observar aspectos comportamentais dos animais, como por exemplo, se estão se alimentando, bebendo água ou apresentando sinais de febre. A avaliação clínica deve ser feita em todos os animais após viagens médias (3 a 10 horas) e longas (mais de 10 horas de duração). Depressão e inapetência com a presença de tosse suave, respiração curta e febre são sintomas de febre de transporte. 4.3 CONCLUSÕES PARCIAIS De acordo com o exposto neste capítulo, pode-se concluir que é primordial que o correto acompanhamento veterinário é fundamental para se evitar futuras complicações em função do transporte rodoviário. Foi visto também que existem diversas doenças relacionadas com a atividade, sendo assim, a equipe responsável deverá estar atenta a qualquer alteração no comportamento dos animais envolvidos, e que, existem alguns procedimentos a serem executados antes, durante e depois da viagem. 36 5 MATERIAL RELACIONADO Toda viagem requer uma preparação específica no tocante ao material que será utilizado. Neste capítulo abordaremos o material de proteção, o material veterinário que irá compor o kit de primeiros socorros, a documentação necessária e materiais diversos. 5.1 MATERIAL DE PROTEÇÃO Para a execução do transporte rodoviário faz-se necessário o uso de protetores específicos nos animais, com a finalidade de reduzir os riscos de acidentes ou lesões. Existe uma grande variedade de material à venda no mercado especializado. Dentre os materiais mais utilizados, podemos citar: a. Os protetores de membros: são objetos confeccionados em nylon ou lona, com forro interno aflanelado ou acolchoado, que envolvem os membros dos animais e que protegem da coroa ao joelho, nos membros anteriores e, da coroa ao jarrete, nos membros posteriores. A regulagem é feita por meio de velcros. A principal finalidade dos protetores é evitar que os animais sofram batidas ou cortes. FIGURA 5 – Protetores de membros Fonte – Arquivo pessoal do autor b. O protetor de rabo: é confeccionado com o mesmo material dos protetores de membros, distinguindo-se deste apenas no tamanho e forma com que é preso ao corpo do cavalo. Ele é enrolado na cola do animal e a tensão dada é regulada por meio de velcros. Com a finalidade do protetor não escorregar e cair há uma fita 37 que é costurada a uma extremidade do protetor que é passada ao redor do pescoço do animal. FIGURA 6 – Protetores de rabo Fonte – Arquivo pessoal do autor c. Os cloches: são protetores específicos para a coroa dos cascos dos animais, que tem a finalidade de prevenir lesões advindas de pisadas, principalmente em caminhões boiadeiro, onde lesões dessa natureza são freqüentes. Existem no mercado especializado diversos modelos de cloches, onde todos são adequados, desde que sejam do tamanho adequado para cada tipo de animal. FIGURA 7 – Cloches Fonte – Arquivo pessoal do autor 38 d. O protetor de face ou máscara de face: destina-se a proteger a face dos animais transportados. Tal protetor deve ser bem ajustado, para que não venha a sair do lugar e, conseqüentemente, atingir os olhos dos animais ou obstruir as narinas dos cavalos. O material utilizado para a confecção da máscara deve ser resistente para não rasgar facilmente. e. O buçal ou cabresto: é o material utilizado para amarrar o cavalo ao caminhão. O buçal deve ser de nylon resistente e bem ajustado à cabeça dos animais. Para o uso em transporte, é obrigatório que seja usada uma corda para fixar o buçal ao caminhão, sendo proibido o uso de correntes para esse fim, uma vez que, caso haja um acidente, e tenha que ser feito um desembarque de emergência dos animais, a corrente impossibilitaria tal manobra, e a corda seria mais fácil de ser cortada se fosse o caso. As pontas de corda devem ser retiradas do alcance da boca dos animais, para evitar que os animais venham a comê-las, favorecendo assim para o surgimento de casos de cólicas ou outras complicações. FIGURA 8 – Buçal e cabrestos Fonte – Arquivo pessoal do autor As unidades militares devem possuir uma quantidade adequada de material de proteção de acordo com o número de animais previstos em carga, uma vez que tal material deve ser comprado ou confeccionado nas próprias unidades. 39 5.2 MATERIAL VETERINÁRIO A equipe responsável deve estar prevenida para atuar em quaisquer situações médicas de emergências com os animais. A disponibilidade de certos medicamentos pode salvar a vida ou possibilitar a completa e rápida recuperação dos animais. Sempre que possível o médico veterinário encarregado de acompanhar os animais durante o transporte deverá levar consigo: a) Equipalazone; b) Sedacol; c) Desfla ou Banamine; d) Vetaglós; e) Furacim; f) Alantol; g) Fenil Artrite; h) Ruminol; i) Dimesol; j) Atadura; k) Gase; l) Esparadrapo; m) Agulhas (tamanhos diversos); n) Equipo; o) Sonda nasogástrica; p) Termômetro; 40 q) Polvidine; r) Álcool; s) Soro e, t) Estetoscópio. Sendo esta lista apenas uma recomendação dos principais medicamentos a serem levados para uma viagem, podendo haver uma substituição por outros remédios com o mesmo princípio ativo. Porém a necessidade e a quantidade de cada medicamento deverá ser estudada pelo médico veterinário, sendo este o único elemento capacitado a realizar os diagnósticos e medicar os animais. 5.3 DOCUMENTAÇÃO E DIVERSOS Já foi descrito anteriormente o material de uso veterinário e o material necessário para a proteção dos animais. Porém, existem ainda outros itens a serem utilizados durante as viagens. O material individual da equipe responsável pelo transporte deverá ser acondicionado no compartimento de carga da viatura, ou se o veículo possuir algum outro compartimento isolado, este deverá ser utilizado, buscando uma melhor organização do material. O motorista deverá inspecionar antes da partida, todo material exigido pela legislação de trânsito vigente, como estepe, macaco, triângulo de sinalização, extintor incêndio, etc. Deverá ainda inspecionar toda a documentação da viatura, bem como a sua documentação pessoal. Deverá ainda possuir um kit com lanterna e pilhas novas, um facão para cortar cordas caso seja necessário e cordas de tamanho variado. A documentação necessária para o transporte dos animais deverá ser de responsabilidade do militar mais antigo, de acordo com a normas sanitárias vigentes relativas ao transporte de animais. Sendo necessário uma preparação prévia da documentação, uma vez que certos documentos dependem de terceiros para sua confecção. Todo animal deverá possuir o seu teste de anemia infecciosa eqüina e em alguns casos, exame de mormo dentro do prazo de validade, bem como sua resenha correta. A relação de vacinas deverá estar completa e dentro da validade também, sendo substituída caso os animais possuam passaporte, fornecido pela Confederação Brasileira de Hipismo, desde que suas vacinas estejam 41 constando no documento, e este esteja assinado por veterinário competente. Por fim, o guia de trânsito animal (GTA), também deverá constar no rol de documentos necessários para a viagem. 5.4 CONCLUSÕES PARCIAIS De acordo com o descrito neste capítulo, pode-se concluir que o apropriado e correto emprego do material de proteção é condição primordial para a segurança dos animais, e uma adequada farmácia veterinária é de grande utilidade perante a situações de emergência. A documentação deverá receber atenção especial, sendo revisada com antecedência, buscandose evitar surpresas quanto à data de validade dos documentos. 42 6 PLANEJAMENTO DO TRANSPORTE Toda atividade relacionada com o transporte rodoviário requer um planejamento minucioso dos detalhes. Tal planejamento envolve diversas áreas, como o itinerário a ser percorrido, o material empregado, seja ele de segurança bem como o veterinário, o pessoal empregado entre outros. Como já foi discutido sobre o material de segurança e o veterinário anteriormente, iremos nesse capítulo abordar o planejamento de pessoal e de itinerário. 6.1 PLANEJAMENTO E EMPREGO DE PESSOAL Em viagens que envolvem carga viva, a equipe envolvida deverá ser qualificada e experiente para tratar de situações inusitadas e inesperadas. Para missões dessa natureza deveremos contar com uma equipe constituída de motorista, veterinário e tratadores. No transporte rodoviário de eqüinos tal afirmação deve ser respeitada visando o correto trato com os animais. O motorista deve ser alguém habilitado no transporte de carga viva e habituado a dirigir o veículo destinado para a operação. Primeiramente, deverá realizar viagens curtas com a finalidade de ir se familiarizando com as particularidades de se transportar animais vivos. Após tal período de aprendizagem, o motorista poderá ser escalado para realizar viagens com maior quilometragem. O motorista também deverá possuir uma vasta experiência em mecânica, uma vez que, em função do espaço reduzido, nem sempre será possível dispor de auxiliares especializados em mecânica. Outra figura indispensável é a do médico veterinário. Para viagens de qualquer natureza, sejam elas de curta, média ou longa duração, o veterinário deverá acompanhar o processo desde o início, antes mesmo da execução da viagem propriamente dita, como por exemplo, na avaliação preliminar dos animais a serem transportados. O veterinário deverá viajar junto com a equipe responsável, analisando constantemente as reações dos animais durante a viagem e, fiscalizando e fazendo ser adotado o correto cumprimento das normas a serem seguidas durante o transporte, como os horários de parada, a correta distribuição de forragem e água e a correta utilização dos equipamentos de proteção. Os tratadores assumem igual importância e devem ter seu efetivo calculado em função do número de animais a serem transportados. O número de tratadores irá variar de acordo com a capacidade de transporte do veículo ,porém, durante o planejamento da viagem, cada 43 tratador deverá ser previsto para cuidar de um determinado número de cavalos, devendo ser distribuídos eqüitativamente entre os animais. Dentre os tratadores, sempre que possível, um deverá possuir noções de enfermagem veterinária, com o intuito de auxiliar o médico veterinário. Outro tratador deverá também possuir noções de ferrageamento, levando consigo o material necessário para retirar ou repregar alguma ferradura que tenha caído durante a viagem. Se algum tratador possuir noções de mecânica será muito útil no auxílio ao motorista, caso seja necessário realizar alguma intervenção na viatura. Em missões dessa natureza, quando o chefe de viatura não for o médico veterinário, será um oficial ou um sargento, onde este deverá possuir total conhecimento das normas de segurança. Sendo de preferência escalado para esse tipo de missão, elementos especializados possuidores do curso de instrutor ou monitor de equitação. 6.2 PLANEJAMENTO DO ITINERÁRIO Antes da partida, o responsável pelo transporte deverá realizar um cuidadoso estudo do itinerário a ser percorrido. Nesse estudo deverá levar em consideração as diversas rotas para chegar ao destino, as condições de trafegabilidade das estradas, os pontos de apoio durante o trajeto, à proximidade de hospitais veterinários entre outros, lembrando que o conjunto dessas informações é que determinarão o melhor itinerário a ser percorrido. Em viagens de grandes distâncias onde existem diversas maneiras de se chegar ao mesmo destino, o responsável deverá levar em consideração as melhores condições das estradas, buscando transitar por grandes vias, bem sinalizadas e com condições de dar suporte caso seja necessário. Outro aspecto a ser observado são os pontos de apoio durante o itinerário. É conveniente que durante o planejamento do itinerário a ser percorrido, sejam levantados às organizações militares disponíveis durante o trajeto, preferencialmente as possuidoras de instalações específicas destinadas aos cavalos, como baias, potreiros e duchas. O contato prévio com tais unidades deve ser realizado, solicitando o auxílio, informando o número de cavalos, de pessoas envolvidas e os horários de chegada e saída. Tal auxílio não necessita de ser solicitado apenas para organizações militares do Exército, podendo ser solicitado apoio das outras forças e ainda das forças auxiliares como os regimentos das Polícias Militares. Devem ser previstas rotas alternativas caso surja algum imprevisto, como alguma 44 emergência veterinária. Deverá haver um levantamento de hospitais ao longo do trajeto, tanto para atender aos integrantes da equipe como os hospitais veterinários para atender aos animais transportados. O horário para as partidas deverá ser o mais cedo possível, buscando o clima mais ameno para os animais e as estradas mais vazias. 6.3 CONCLUSÕES PARCIAIS De acordo com o exposto, podemos concluir que uma das chaves para o êxito de missões de transporte baseia-se no planejamento. Somente com um criterioso planejamento detalhado acerca da quantidade e especialização do pessoal envolvido e do itinerário a ser percorrido teremos uma viagem sem improvisações. E mesmo assim, tratando-se de animais, provavelmente, teremos imprevistos, que com um bom planejamento prévio, serão sanados rapidamente. 45 7 PROCESSO DE EMBARQUE E DESEMBARQUE Uma das fases mais delicadas do transporte é o embarque dos animais. A rampa deve ser bem aberta e estável. Deve ser utilizado o embarcadouro, que são construções destinadas para o embarque e desembarque de animais, onde a viatura se posta de ré para abrir a tampa traseira do compartimento de animais, onde a rampa deverá, de preferência, estar paralela ao solo. Esses locais deverão possuir cercas, pelo motivo de estarem acima do nível do solo. Porém, em certas ocasiões não se tem a disponibilidade de embarcadouros, logo o caminhão deverá ser posicionado em rampas naturais com a finalidade de diminuir ao máximo o ângulo de sua porta traseira com o chão. FIGURA 9 – Embarcadouro do 2º Regimento Andrade Neves Fonte – Arquivo pessoal do autor 7.1 PROCESSO DE EMBARQUE É necessário agir com calma e técnica. Os tratadores deverão conduzir os animais, sem hesitação, mas suavemente, pelo buçal ao interior da viatura, olhando para frente e não para o animal, enquanto outro deverá permanecer atrás para fechar o box (se for o caso). Devemos amarrar o animal somente depois de ele estar perfeitamente acomodado dentro do box. Caso ele seja amarrado antes, ele poderá sentir-se acuado e decidir tentar escapar, machucando-se. Depois do trauma, o animal poderá ficar com medo de subir novamente na viatura. O modo de amarrar os animais é importante. É errado deixar os cavalos com liberdade, pois eles tendem a mexer-se demais. Eles podem tentar virar-se e acabar se ferindo. E em 46 companhia de outros cavalos, sua natureza os leva a cheirar e mordiscar os outros, transformando o compartimento em uma agitação generalizada. Para a segurança e o conforto do cavalo, é melhor prendê-lo sem muita folga. Quando um cavalo se recusa a embarcar, provavelmente tenha lembranças ruins de uma viagem anterior. Para fazê-lo ganhar confiança e aprender a embarcar sem problemas, é preciso tempo e paciência. Uma técnica é ofercer-lhe cenouras e colocar um balde com ração ou aveia dentro do caminhão, para incitá-lo a subir com mais facilidade, enquanto um ou dois tratadores permanecem atrás para evitar que ele recue. Os auxiliares poderão estar munidos de uma corda ou de chicotes. A corda será empunhada por cada um e passada por trás do animal, acima dos jarretes. Outro modo consiste em embarcar, primeiramente, um cavalo experiente e calmo, conhecido do cavalo hesitante, que então irá se encorajar e irá preferir se juntar ao cavalo conhecido a permanecer sozinho fora do caminhão. A iluminação dentro do compartimento deverá ser boa, uma vez que os cavalos apresentam receio de entrar em lugares desconhecidos que eles não conseguem visualizar o seu interior. Caso haja disponibilidade de tempo, após o embarque do animal problemático, e quando este estiver calmo, o motorista poderá ligar a viatura enquanto um tratador permanecerá junto ao animal para tranqüiliza-lo e recompensá-lo com cenouras por boas atitudes ou reprimi-lo se ele se mexer demais. O motorista deve dirigir lenta e cuidadosamente pelas redondezas e voltar. Depois que o cavalo estiver bem calmo, ele deverá ser desembarcado. Este exercício deverá ser repetido quantas vezes forem necessárias para fazer com que o animal passe a embarcar sem problemas. 7.2 PROCESSO DE DESEMBARQUE No momento do desembarque é preciso seguir os mesmos cuidados do embarque: com calma, um tratador desamarra o cavalo enquanto outro abre o box. Depois o cavalo sai pela rampa e a seguir deverá ter os protetores retirados. Após isso, o veterinário irá inspecionar os animais e fará com que os tratadores caminhem com eles. 47 7.3 DISTRIBUIÇÃO DOS ANIMAIS NO INTERIOR DA VIATURA O posicionamento dos cavalos dentro da viatura é outro ponto importante. A equipe deverá conhecer o temperamento de cada animal a ser transportado. Os animais medrosos deverão ser colocados logo após algum cavalo experiente, como já descrito anteriormente. Os garanhões deverão ter cuidados especiais, devendo ser postos em boxes resistentes e longe de éguas. Mesmo que o caminhão seja do tipo boiadeiro, deverão ser colocadas proteções suficientes para conter os garanhões. Não é aconselhável colocar dois animais agitados um ao lado do outro, para se evitar brigas e coices, que inevitavelmente irá provocar tumultos que irão se estender para todos os outros animais presentes, causando traumas e lesões. Os últimos animais a serem embarcados deverão também ser animais calmos e experientes, e de certa maneira fortes para agüentar a pressão exercida pelos demais na direção da porta da viatura. 7.4 CONCLUSÕES PARCIAIS Como mencionado acima, o momento de embarcar e desembarcar os animais da viatura exige bastante atenção por parte da equipe responsável. Concluímos a partir daí que, esses dois momentos distintos não devem ser negligenciados de forma alguma, uma vez que de nada adianta nos cercarmos de precauções quanto à preparação material, veterinária e documental se, no momento do animal entrar ou sair da viatura, por mais simples que seja o procedimento, este venha a sofrer algum acidente. 48 8 CONCLUSÃO O trabalho que se encerra procurou descrever a realidade do transporte rodoviário de eqüinos no âmbito do Exército Brasileiro, buscando apresentar conceitos e métodos para realizá-lo da melhor maneira possível. Foram abordados tópicos de variadas formas: primeiramente, buscou-se tratar de descrever os principais meios de transporte rodoviário existentes, tanto no meio civil, como no Exército Brasileiro, chegando-se à conclusão que a Força Terrestre necessita buscar aumentar o grau de modernização de suas viaturas. Em segundo plano, foram abordados os aspectos veterinários com relação ao transporte, buscando detalhar as principais afecções relacionadas com a atividade, bem como o tratamento e os cuidados com os animais em trânsito, concluindo-se que a presença ativa do médico veterinário é imprescindível para o sucesso de qualquer atividade de transporte rodoviário. Após isso, procurou-se relacionar todo o material empregado, detalhando sua finalidade e importância. Portanto, conclui-se que a correta utilização do material de proteção, um adequado kit de primeiros socorros e a documentação necessária atualizada, são condições básicas para uma viagem sem desagradáveis surpresas. O planejamento foi abordado ressaltando-se a sua finalidade e sendo descrito o planejamento e emprego do pessoal envolvido, bem como o planejamento do itinerário a ser percorrido, dando ênfase na capacitação técnica do pessoal envolvido na atividade. Por fim, foi abordado o processo de embarque, desembarque e a disposição dos animais no interior da viatura. Concluindo-se a partir do exposto que devemos nos cercar de medidas preventivas de segurança nestes momentos distintos, uma vez que muitos acidentes ocorrem na hora do embarque e desembarque. 49 Ressalta-se que a escassa literatura sobre o assunto contribui para que permaneçam as práticas empíricas, baseadas apenas na experiência e pouco fundamentadas nos aspectos técnicos em questão. Destaca-se ainda que deve ser considerado o alto custo financeiro para que tal atividade no âmbito do Exército Brasileiro seja realizada da maneira mais segura e cômoda para os animais e pessoas envolvidas. Logo, levando-se em conta o alto custo de um animal, seja ele de serviço ou de representação, e o seu elevado custo de manutenção, não podemos correr riscos no que se refere ao seu transporte rodoviário. Logo, chega-se a conclusão que os procedimentos e técnicas neste trabalho mencionadas, devem ser do conhecimento de todos os elementos envolvidos com a atividade, com a finalidade de extingüir-se qualquer dano provocado aos animais transportados e que, de acordo com as possibilidades das unidades militares que possuem eqüinos em carga, soluções devam ser buscadas com a finalidade de adequar suas viaturas para a atividade de transporte rodoviário. 50 REFERÊNCIAS BUSATO, A. Todos a bordo! Disponível em: <www.hipismobrasil.com.br/colunistas/> Acessado em 12 de abril de 2008. MARCENAC, L; AUBLET, H; D’AUTHEVILLE, P. Higiene dos cavalos transportados. In: Enciclopédia do cavalo. Volume I. São Paulo: Organização Andrei, 1ª Ed, 1990. CAVALCANTI, P. Desenvolvimento de uma prova de CCE, Viagem. In: Equitação Global: CCE, Adestramento, Fundo, Salto em Obstáculos. São Paulo: Nobel: Prol Editora, 1993. VÁRIOS AUTORES. O transporte. In: Larrouse dos Cavalos. São Paulo: 1ª Ed, 2006. THE PONY CLUB. Manual prático de equitação. Tradução de Lina Arsénio da Silva e Inês Aboim. Lisboa: Editorial Presença, 2005. OTT, Rodrigo Santana Pinto. O transporte de eqüinos militares para competições. Rio de Janeiro: EsEqEx, 2005. 113 p. Monografia (Especialização em Equitação) – Escola de Equitação do Exército, Rio de Janeiro, RJ, 2005. HOBO, S. et al. Effect of transportation on the composition of bronchoalveolar lavage fluid obtained from horses. American Journal of Veterinary Research. V. 58, n. 5, p. 531-534, May 1997.