Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Exatas e da Natureza Departamento de Química Programa de Pós-graduação em Química PROVA DE SELEÇÃO PARA INGRESSO NO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM QUÍMICA (PERÍODO 2015.2) DATA:____/_____/______ INÍCIO / TÉRMINO: 08:00h / 12:00 h CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ João Pessoa – PB Junho/2015 CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 1a QUESTÃO: Uma mistura de reação contem 55,0 g de PCl 3 e 35,0 g de PbF2. Que massa de PbCl2 pode ser obtida a partir da seguinte reação NÃO BALANCEADA? Que quantidade, em massa, de qual reagente, permanecerá como não modificada? Se 30,0 g de PbCl 2 foram obtidos em um experimento, qual foi o rendimento percentual? PbF2(s) + PCl3(aq) → PF3(g) + PbCl2(s). 3 PbF2(s) + 2 PCl3(aq) 2 PF3(g) + 3 PbCl2(s) m(PCl3) = 55,0 g; M(PCl3) = 137,5 g/mol m(PbF2) = 35,0 g; M(PbF2) = 245,2 g/mol M(PbCl2) = 278,2 g/mol n(PCl3) = 55,0/137,5 = 0,400 mols n(PbF2) = 35,0/245,2 = 0,143 mols 3 mols PbF2 – 2 mols PCl3 x – 0,400 mol PCl3 x = 0,600 mol, portanto PbF2 é o reagente limitante Como a proporção PbF2 – PbCl2 é de 3 mols para 3 mols, serão formados 0,143 mols de PbCl 2, cuja massa é igual a: m = n.M = 0,143 mols × 278,2 g/mol = 39,8 g. Rend Percentual = 30,0/39,8 × 100 = 75,4 % Reagente em excesso: 3 mols PbF2 – 2 mols PCl3 0,143 mols PbF2 –x x = 0,0953 mols PCl3 n(PCl3) em excesso = 0,400mols – 0,0953 mols = 0,305 mols m = n × M = 0,305 mols × 137,5 g/mol = 41,9 g Obs: outras formas de cálculo também foram aceitas como resposta. CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 2a QUESTÃO: Estime o valor da primeira energia de ionização para 1 mol de átomos de Na (em kJ/mol), utilizando a equação de Bohr para a energia do elétron em 1 (um) átomo (considere o valor em módulo). O valor experimental é de 495 kJ/mol. Se o valor estimado for diferente do experimental, explique a discrepância. Explique como a teoria de Schrödinger descreve esse átomo. Considere: E = − ( 2 ) 1 h 1 = − 2 ×2,18× 10⁻¹⁸ J . 2 2 n 8 π ma0 n Na (Z = 11): [Ne] 3s1 Como a energia de ionização é a energia necessária para remover um elétron de um átomo no estado gasoso, e esse elétron se encontra no estado de menor energia, n = 3, sendo promovido para n = ∞, que leva à E = 0, podendo ser desconsidero na equação. Portanto: E = E∞ - E3 E = 1/32 × 2,18 × 10-18 J = 2,42 × 10-19 J E = 2,42 × 10-19 J/átomo × 6,02 × 1023 átomo/mol × 1 kJ/1000 J = 146 kJ/mol A teoria de Bohr é aplicada, apenas, a átomos monoeletrônicos, devido à repulsão entre elétrons, que não é calculada em uma teoria determinística. Para átomos multieletrônicos, apenas a teoria de Schrödinger pode ser aplicada, porém com resultados aproximados. Nela, o átomo é descrito com elétrons em níveis de energia quantizados, representados por funções de onda, sendo que a sua posição não pode ser determinada, havendo regiões de probabilidade de encontrar cada elétron, o que dá origem à nuvem eletrônica. CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 3a QUESTÃO: Como implica o nome, os interalogêneos são compostos que contêm dois halogêneos. Escreva as fórmulas de Lewis e a estrutura tridimensional dos compostos a seguir. Denomine a estrutura eletrônica e a geometria de cada um. Determine as hibridizações do iodo em cada composto. Que tipo de força intermolecular você esperaria para esses compostos? Explique. (a) IF3; (b) IBr; (c) IF5. a) IF3 Lewis arranjo eletrônico geometria Hibridização: sp3d; Força intermolecular: dipolo – dipolo. b) IBr Lewis geometria Hibridização sp3; Força intermolecular: dipolo – dipolo. c) IF5 Lewis arranjo eletrônico Hibridização sp3d2; Força intermolecular: dipolo – dipolo. geometria CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 4a QUESTÃO: Por que a energia do orbital molecular ligante é menor que as dos orbitais atômicos que o geraram, enquanto a do orbital anti-ligante é maior? Como essa teoria torna possível a explicação de ambas as ligações, iônica e covalente? O orbital ligante é formado pela soma das dos orbitais atômicos, gerando um aumento na densidade eletrônica entre os núcleos, que por sua vez aumenta a atração, reduzindo a energia do orbital molecular: = cAA + cBB Por sua vez, o orbital antiligante * é formado pela subtração das dos orbitais atômicos, gerando uma região nodal entre os núcleos, que causa um aumento na repulsão, aumentando a energia do orbital molecular: * = cAA - cBB A partir dos coeficientes cA e cB, considera-se a eletronegatividade dos elementos que formam a ligação química. Desse modo, o átomo mais eletronegativo contribui mais para o orbital molecular ligante, enquanto o menos eletronegativo contribui mais para o orbital molecular antiligante. Com isso, é possível estender a teoria do orbital molecular para ligações iônicas. CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 5a QUESTÃO: A reação de desalogenação do meso-2,3-dibromobutano ocorre quando este é tratado com iodeto de potássio em etanol. O produto é o trans-2-buteno. Desalogenação em condições semelhantes de uma das formas enantioméricas do 2,3-dibromobutano produz o cis2-buteno. Dê uma explicação mecanística desses resultados. Reação estereoespecífica, mecanismo E2. CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 6a QUESTÃO: Uma amostra consistindo em 1 mol de um gás ideal monoatômico, para o qual CV,m = 3/2R, efetua o ciclo da figura abaixo. Calcule (a) as temperaturas em 1, 2 e 3, e as quantidades (b) q, w, ΔU e ΔH para as etapas 1→2 e 2→3 do ciclo. Dados: R = 8,314 J·K-1mol-1 = 8,206×10-2 atm·LK-1mol-1; 1 atm = 101,320 kPa; 1 L = 10-3 m3. (a) Da equação dos gases ideais: T = pV nR ⇒ T1 = (1,0atm)(22,44 L) = 273 K = T 3 (1,0 mol)(8,206× 10−2 atm·LK ⁻¹mol ⁻¹) T2 = (1,0atm)(44,88L) = 547K (1,0 mol)(8,206×10−2 atm·LK ⁻¹ mol ⁻¹) . (b) Para cada etapa do ciclo: (b) 1 → 2 (isobárico): [Cp,m = CV,m + R = 5/2R, para um gás ideal] qp = n C p,m ΔT = (1,0mol) ( 5 ×8,314 J·K ⁻¹ mol ⁻¹ (547 K −273 K ) = +5,67 kJ 2 ) w p = − pext Δ V = −(101,325 × 10³Pa)(44,88−22,44) ×10⁻ ³ = −2,27 kJ Δ U = q p + w p = +3,40 kJ Δ U = n C V,m Δ T = (1,0mol) ( 3 ×8,314 J·K ⁻¹ mol ⁻¹ (547 K −273 K ) = +3,40 kJ 2 ) Δ H = qq . (b) 2 → 3 (isocórico): q V = n C V,m Δ T = (1,0 mol) ( 3 ×8,314 J·K ⁻ ¹ mol ⁻¹ (273 K −547 K ) = −3,40 kJ 2 ) wV = 0 Δ U = q V + w V = q V = −3,40 kJ Δ U = n C V,m Δ T = (1,0mol) ( ( Δ H = nC p,m Δ T = (1,0 mol) 3 ×8,314 J·K ⁻¹ mol ⁻¹ (273 K −547 K ) = −3,40 kJ 2 ) ) 5 × 8,314 J·K ⁻¹ mol ⁻ ¹ (273 K −547 K ) = −5,67 kJ 2 Δ H = Δ U + Δ( pV ) = Δ U + V Δ ( p) = −5,67 kJ . CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 7a QUESTÃO: Calcule a variação de entropia molar quando uma amostra gasosa monoatômica, de comportamento ideal, for comprimida de 4,0 L para 900 mL e, simultaneamente, aquecida de 200 K para 500 K. Considere CV,m igual a 3/2R. Como a entropia é uma função de estado, pode-se executar a transformação por uma etapa isobárica (i → a), seguida por uma etapa isocórica (a → f), ambas reversíveis: Δ S (i →f ) = Δ S (i→ a) + Δ S (a →f ) = C p,m ln Ta ( ) Ti + C V,m ln Tf ( ) Ta Para um gás ideal: Vi Ti = Va Ta ⇒ Ta = Va ( ) Vi T i = 45 K e C p,m = C V,m + R = 5 R . 2 () Portanto: ΔS = 5 45 (8,314 J·K ⁻ ¹ mol ⁻¹)ln 2 200 () 3 500 (8,314 J·K ⁻¹ mol ⁻ ¹) ln 2 45 ( ) () + ( ) ∴ Δ S = −0,975 J·K ⁻ ¹mol ⁻ ¹ . Alternativamente, pode-se executar a transformação por uma etapa isocórica (i → b), seguida por uma etapa isobárica (b → f), ambas reversíveis: Δ S (i →f ) = Δ S (i→ b) + Δ S(b → f ) = C V,m ln Tb ( ) Ti + C p,m ln Tf ( ) Tb Para um gás ideal: Vf Tf = Vb Tb ⇒ Tb = Vb ( ) Vf T f = 2.222K e C p,m = C V,m + R = 5 R . 2 () Portanto: ΔS = 3 2.222 (8,314 J·K ⁻ ¹ mol ⁻¹)ln 2 200 () ∴ Δ S = −0,975 J·K ⁻ ¹mol ⁻ ¹ . ( 5 500 (8,314 J·K ⁻ ¹ mol ⁻¹)ln 2 2.222 ) () + ( ) CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 8a QUESTÃO: Estime o pH de uma solução tampão com 0,100 mol·L-1 de NH3 e 0,200 mol·L-1 de NH4Cl. Dado: pKa(NH4+) = 9,25. NH4+(aq) + H2O(ℓ) ⇌ NH3(aq) + H3O+(aq). + Ka = [NH3][H3 O ] [NH+4 ] + ⇒ [H3 O+ ] = K a ( ) [NH4 ] [NH3] + ( ) ( ) log[H3 O+ ] = logK a + log [NH4 ] [NH3 ] + ∴ p H = pK a − log ∴ p H = 9,25 + log [NH4 ] [NH3 ] ( 0,100 0,200 = pK a + log ) ( ) [NH3 ] [NH+4 ] (Eq. de Henderson-Hasselbalch) ⇒ p H ≃ 8,95 < pK a . CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 9a QUESTÃO: Considere a pilha Ag|AgI(aq)||AgI(s)|Ag(s), a 25 °C. Calcule (a) a constante de solubilidade (produto de solubilidade) e (b) a solubilidade do AgI (em mol de Ag + por kg de solvente). Dados: AgI(s) + e– → Ag(s) + I–(aq) E0 = -0,15 V; Ag+(aq) + e– → Ag(s) E0 = +0,80 V; F = 9,649×104 C/mol; R = 8,314 J/Kmol; ΔGr0 = -νFE0 = -RT ln K; ρH2O ≈ 1,0 g/mL. (a) O potencial da célula é (D) AgI(s) + e– → Ag(s) + I–(aq) E0D = -0,15 V (E) Ag+(aq) + e– → Ag(s) E0E = +0,80 V -----------------------------------------------(D-E) AgI(s) + e– → Ag(s) + I–(aq) E0D = -0,15 V Ag(s) → Ag+(aq) + e– E0E = -0,80 V -----------------------------------------------AgI(s) → Ag+(aq) + I–(aq) E0 = -0,95 V (a) A partir do potencial, e da expressão para a reação da pilha, tem-se: lnK ps = ν FE RT 0 = (1)(9,649×10⁴ C /mol )(−0,95 V ) = −3,70 ×10¹ (8,314 J / Kmol )(298 K ) ∴ K ps = 8,55× 10⁻¹⁷ . (b) A partir da constante de solubilidade, da relação estequiométrica (Ag + ~ I-) e da consideração de que a solução é diluída (Vsol ≈ VH2O = mH2O/ρH2O, pois Kps << 1), tem-se: + - + 2 K ps ≃ [Ag ][I ] = [Ag ] = ∴ bAg ≃ + n Ag 2 ( ) ( + V sol ≃ 1 /2 nAg ρH2O + mH2O ) 2 ⇒ b Ag = + n Ag + mH2O (8,55 ×10⁻ ¹⁷ mol ² L ⁻²) ≃ 9,25×10 ⁻⁹ mol·kg ⁻¹ . 1,0×10 ⁻³ kg/ 1,0×10 ⁻³ L K 1/2 ps = ρ H2O CÓDIGO DA INSCRIÇÃO: _________________ RG (No / Órgão Emissor): _________________ 10a QUESTÃO: A reação 2 A → P é de segunda ordem, com constante de velocidade da reação global k = 3,50×10-4 Lmol-1s-1. Calcule o tempo necessário para a concentração de A passar de 0,260 M para 0,011 M. É preciso relacionar a expressão da velocidade da reação com a velocidade de consumo de A para obter o valor da constante kA para A e, então, a partir da lei de velocidade integrada de segunda ordem, isolar o tempo t: 2 2 v = ½ v A = k [ A] , v A = k A [A ] ⇒ k A = 2 k ∴ 1 1 1 1 1 = + kAt ⇒ t = − [A ] [A]0 k A [A ] [A]0 ∴ t = ( ( ) 1 1 1 − −4 −1 −1 −1 −1 2 ×3,50 ×10 L mol s 0,011 mol L 0,260 mol L 5 ∴ t = 1,24 ×10 s = 124 ks . )