UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
MARIANA DOMINGUES DOS SANTOS
Revisão do grupo “latericia” do gênero Cyclocephala Dejean, 1821
(Melolonthidae, Dynastinae, Cyclocephalini)
CURITIBA
2014
MARIANA DOMINGUES DOS SANTOS
Revisão do grupo “latericia” do gênero Cyclocephala Dejean, 1821
(Melolonthidae, Dynastinae, Cyclocephalini)
Monografia
apresentada
ao
Departamento de Zoologia, Setor de
Ciências Biológicas da Universidade
Federal do Paraná, referente à
disciplina
BIO028
Estágio
Supervisionado em Biologia, como
requisito parcial para obtenção do grau
de bacharel em Ciências Biológicas.
Orientador: Prof. Dra. Lúcia Massutti de
Almeida
Co-orientador: Prof. Dr. Paschoal
Coelho Grossi
CURITIBA
2014
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, por me guiar e por todas as maravilhas que vivo.
À professora Lúcia por ter me acolhido de braços abertos nesse desafio
e por ter me aberto às portas para eu fazer o que eu mais amo.
Ao Paschoal por ter me adotado durante esses anos e por ter tido a
paciência que ninguém teria. Obrigada por me mostrar que os bichos não são
só aqueles alfinetados e por transmitir essa paixão pelos bichos.
Aos amigos de laboratório, um agradecimento a todos que me
aguentaram reclamar dos bichos, das provas, dos professores, dos bichos, do
curso e dos bichos.
Aos meus pais, Elizabete e Tarzã por acreditarem em mim quando
ninguém mais acreditou e aos meus irmãos Melina e João Vitor, que ajudaram
a construir o meu caráter.
Gostaria de agradecer a todos os professores que fizeram parte de
minha formação, especialmente aos professores Kátia, Emygdio, Free, Pie,
Louzada, Vânia, e tantos outros por me mostrarem como um professor pode
mudar a vida de seus alunos.
Ao pessoal do Projeto Taxon line Rede Paranaense de Coleções
Biológicas, pelas fotos coloridas.
Ao meu noivo, Celso, que sempre esteve ao meu lado nas horas que
chorei e nas horas que sorri. Obrigada por gostar de mim do jeito que sou e por
ter me aceitado com meus defeitos e por saber também elogiar minhas
virtudes.
Aos meus amigos, sem os quais meu caminho teria sido penoso. Um
agradecimento especial à Marcelli, minha irmãzinha, sem a qual esse trabalho
não estaria pronto, à Fran e Aline por nunca desistirem de mim. Obrigada por
me mostrarem que os verdadeiros amigos são aqueles que aparecem nas
horas mais difíceis de nossas vidas. À Mari Cherman por transmitir a energia
positiva de que eu tanto precisei e à Jéssica pelos bolos de cenoura que
animavam minhas tardes. Enfim, a todos os outros que acreditaram em mim e
me apoiaram durante esses anos de estudo e dedicação.
"C'est le temps que tu as
perdu pour ta rose qui
fait ta rose si
importante" - Antoine
de Saint-Exupéry
RESUMO
Dentre as diversas famílias que compõem a superfamília Scarabaeoidea,
Melolonthidae se destaca por corresponder a cerca de 70% das espécies,
sendo que na região neotropical são encontradas mais de 4.000
representantes. A família é composta em sua maioria por grupos fitófagos na
fase adulta e detritívoros quando larvas, responsáveis pela ciclagem da matéria
orgânica, auxiliando na aeração do solo, bem como impedindo o acúmulo de
matéria orgânica, sendo, portanto, de grande importância ecológica. As
principais subfamílias de Melolonthidae no Brasil são Cetoniinae, Dynastinae,
Melolonthinae e Rutelinae. Dynastinae MacLeay, 1819 é representada por
cinco tribos na região Neotropical, dentre elas, Cyclocephalini, cujo status tem
sido discutido por não constituir um grupo monofilético. Cyclocephalini contém
15 gêneros e aproximadamente 500 espécies, sendo a sua grande maioria com
distribuição para o novo mundo. Cyclocephala possui mais de 300 espécies
descritas, todas fitófagas, com algumas consideradas espécies pragas e outras
de grande importância em processos de polinização de Araceae. O objetivo
principal deste trabalho foi estudar as espécies do grupo “latericia” do gênero
Cyclocephala, caracterizar o grupo, descrever possíveis espécies novas,
elaborar uma chave de identificação para as mesmas e um mapa com a
distribuição conhecida. O estudo comparativo mostrou que o grupo latericia é
um complexo de, pelo menos, 11 espécies distintas. Cyclocephala ohausiana
tem status bem definido dentro do grupo, com diferenças morfológicas mais
discrepantes entre as espécies. Cyclocephala cearae destaca-se
principalmente pela pilosidade densa na superfície dorsal, sendo as espécies
novas C. sp. nov. 5, C. sp. nov. 6 e C. sp. nov. 7 também com pilosidade do
disco elitral, mas com morfologia diferente da apresentada por C. cearae.
Cyclocephala sp. nov. 1 possui os parâmeros do edeago fortemente alongados.
Cyclocephala latericia e C. sp. nov. 4 são espécies bem próximas, porém
podem ser facilmente separadas pela presença de projeção mediana ventral
nos parâmeros do edeago de C. latericia. As espécies Cyclocephala sp. nov. 2
e C. sp. nov. 3 distinguem-se das demais pela lamela antenal, muito mais
desenvolvida que nas outras espécies, podendo as mesmas ser identificadas
entre si, pela composição de micropontuações na última lamela. Cyclocephala
sp. nov. 8 aproxima-se de C. latericia e C. sp. nov. 4, mas distingue-se pela
opacidade do élitro quando comparada a estas.
Palavras-chave: Cyclocephala, novas espécies, taxonomia
ABSTRACT
Among the diverse families included in Scarabaeoidea, Melolonthidae is
highlighted, corresponding about 70% of the species, where only in the
neotropical region are found over 4,000 representatives. The family consists of
mostly phytophagous groups in adulthood and detritus detritivorous when
larvae, responsible for cycling of organic matter, aiding soil aeration and
preventing the accumulation of organic matter, therefore it is of great ecological
importance. The main subfamilies of Melolonthidae in Brazil are Cetoniinae,
Dynastinae, Melolonthinae and Rutelinae. Dynastinae MacLeay, 1819 has five
tribes in the neotropical region, among them Cyclocephalini, whose status has
been discussed, not constituting a monophyletic group. Cyclocephalini contains
16 genera and about 500 species distributed to the new world. Cyclocephala
has more than 300 described species, all phytophagous, with some species
considered pests and other with great importance in the pollination processes of
Araceae. The aim of this work was to study the species of the group "latericia"
of the genus Cyclocephala, characterize the group, describing possible new
species, develop an identification key for them and a map with the known
distribution. The comparative study has shown that latericia group is a complex
of at least 11 different species. Cyclocephala ohausiana has a well-defined
status within the group, with more distinct morphological differences between
the species. Cyclocephala cearae stands out mainly by the dense pubescence
on the dorsal surface, and the new species C. sp. nov. 5, C. sp. nov. 6 and C.
sp. nov. 7 also have pubescence in elytral disc, but with a different morphology
from that presented by C. cearae. Cyclocephala sp. nov. 1 has parameres of
aedeagus strongly elongated. Cyclocephala latericia and C. sp. nov. 4 are very
close species, being easily separated by the presence of ventral median
projection in the parameres of the aedeagus of C. latericia. The species
Cyclocephala sp. nov. 2 and C. sp. nov. 3 are distinguished from others by the
antennal lamella, much more developed than in the other species, being
identified with each other by composing of micro pits in the last lamella.
Cyclocephala sp. nov. 8 is close to C. latericia and C. sp. nov. 4, but it is
distinguished by the elytra opacity when compared to these.
Key words: Cyclocephala, new species, taxonomy
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 01 Cyclocephala sp. nov. 2 alimentando-se de
Araceae.
FIGURA 02 Mapa de distribuição para o grupo "latericia". Em
cinza: Bolívia. Em bege: Brasil. Bolinha preta, Cyclocephala
latericia; quadrado verde, C. ohausiana; bolinha rosa, C.
cearae; triângulo azul, C. sp. nov. 1; bolinha roxa, C. sp. nov.
2; quadrado vermelho, C. sp. nov. 3; triangulo branco, C. sp.
nov. 4; quadrado branco, C. sp. nov. 5; quadrado preto, C. sp.
nov. 6; bolinha branca, C. sp. nov. 7; triângulo preto. C. sp.
nov. 8.
FIGURA 03 Cyclocephala latericia. A. Corpo em vista dorsal.
B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal. F. Élitro da fêmea em vista dorsal.
FIGURA 04 Cyclocephala ohausiana. A. Corpo em vista
dorsal. B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal.
D. Perna posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago
em vista caudal. F. Élitro da fêmea em vista dorsal.
FIGURA 05 Cyclocephala cearae. A. Corpo em vista dorsal. B.
Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal. F. Élitro da fêmea em vista dorsal.
FIGURA 06 Cyclocephala sp. nov. 1. A. Corpo em vista dorsal.
B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal.
FIGURA 07 Cyclocephala sp. nov. 3. A. Corpo em vista dorsal.
B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal. F. Élitro da fêmea em vista dorsal. G. Lamela antenal
em vista apical.
FIGURA 08 Cyclocephala sp. nov. 4. A. Corpo em vista dorsal.
B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal.
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FIGURA 09 Cyclocephala sp. nov. 5. A. Corpo em vista dorsal.
B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal.
FIGURA 10 Cyclocephala sp. nov. 6. A. Corpo em vista dorsal.
B. Corpo em vista lateral, detalhe para perna posterior em
vista lateral. C. Parâmeros do edeago em vista caudal.
FIGURA 11 Cyclocephala sp. nov. 8 A. Corpo em vista dorsal.
B. Cabeça em vista dorsal. C. Maxila em vista dorsal. D. Perna
posterior em vista lateral. E. Parâmeros do edeago em vista
caudal.
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67
68
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO....................................................................................
12
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..............................................................
14
3
MATERIAL E MÉTODOS...................................................................
16
3.1
MATERIAL EXAMINADO...................................................................
16
3.2
MORFOLOGIA....................................................................................
17
3.3
TERMINOLOGIA.................................................................................
18
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO..........................................................
18
4.1
GRUPO “LATERICIA”.........................................................................
18
4.2
CHAVE DE IDENTIFICAÇÃO.............................................................
19
4.3
DESCRIÇÕES DAS ESPÉCIES DO GRUPO “LATERICIA”..............
21
4.3.1
Cyclocephala latericia Hönhe, 1923………………………………….....
21
4.3.2
Cyclocephala ohausiana Höhne, 1923…………………......................
23
4.3.3
Cyclocephala cearae Höhne, 1923.....................................................
26
4.3.4
Cyclocephala sp. nov. 1......................................................................
29
4.3.5
Cyclocephala sp. nov. 2………………………………………………….
33
4.3.6
Cyclocephala sp. nov. 3.....................................................................
36
4.3.7
Cyclocephala sp. nov. 4.....................................................................
38
4.3.8
Cyclocephala sp. nov. 5.....................................................................
43
4.3.9
Cyclocephala sp. nov. 6.....................................................................
4.3.10 Cyclocephala sp. nov. 7.....................................................................
4.3.11 Cyclocephala sp. nov. 8.....................................................................
46
50
52
5
CONCLUSÕES……………….............................................................
54
6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................
55
7
ANEXOS.............................................................................................
58
12
1. INTRODUÇÃO
A presença de antenas lameladas é o principal caráter para o
reconhecimento da superfamília Scarabaeoidea, sendo exclusiva para o grupo
(Aalbu et al., 2002).
Segundo Endrödi (1966) e Morón et al. (1997) a superfamília é composta
pelas famílias Scarabaeidae, Melolonthidae, Lucanidae, Trogidae e Passalidae.
Melolonthidae Leach, 1819 sensu Endrödi (1966) representa grande parte da
diversidade de Scarabaeoidea. Possui grande importância agrícola pelo fato de
um grande número de espécies serem fitófagas, alimentando-se geralmente de
flores, frutos e outras partes das plantas, podendo eventualmente causar danos
em plantas de interesse agrícola (Mondino et al. 1997). Muitas espécies são
importantes pragas de diversas culturas, principalmente no estágio larval, onde
as larvas causam grandes danos no sistema radicular das plantas (Cherman,
2011).
Cyclocephalini Laporte 1840 é a segunda maior tribo em Dynastinae,
com mais de 500 espécies descritas (Moore & Jameson 2013), tendo 15
gêneros reconhecidos atualmente (Jameson et al. 2002, Smith 2006, Jameson
& Wada 2009), dos quais 13 possuem ocorrência para o Novo Mundo. A tribo é
diferenciada de outros dinastíneos devido à ausência de processos como
tubérculos, chifres, carenas ou fóveas na cabeça e pronoto; as mandíbulas são
estreitas, não apresentando dentes ou lobos na borda lateral; o propigídio não
apresenta áreas estridulatórias; o processo prosternal geralmente é evidente e
as pernas apresentam tarsos cilíndricos (Ratcliffe 2001).
O dimorfismo sexual na tribo é forte, em geral com diferenças nas
pernas anteriores e margem exterior dos élitros (Moore, 2012).
O status dessa tribo ainda é incerto, apresentando uma classificação
instável, onde as relações entre os gêneros não estão estabelecidas,
certamente não constituindo um grupo monofilético, sendo provavelmente
parafilético, como sugere Ratcliffe (2003).
O gênero Cyclocephala Dejean, 1821, conta com aproximadamente 339
espécies (Ratcliffe & Cave 2009; Ratcliffe & Paulsen 2008). Ocorre do sudeste
do Canadá ao sul da Argentina e nas Índias Ocidentais (Ratcliffe & Cave 2009).
13
As espécies de Cyclocephala são reconhecidas por apresentarem um
clípeo variável, com os lados ligeiramente convergentes até uma borda
arredondada, parabólica, subtruncada ou com o ápice emarginado (Ratcliffe &
Cave 2006). Os machos podem ser distinguidos das fêmeas por apresentarem
a garra tarsal interna do protarso maiores que a garra externa e as fêmeas as
garras simples e do mesmo tamanho.
Os adultos de Cyclocephala em geral são noturnos, podendo ser
atraídos por luz artificial (Ratcliffe 2003, Ratcliffe & Cave 2006). Apesar de
grande parte das espécies serem fitófagas, muitas apresentam grande papel
na polinização, que ocorre devido à alimentação em flores ou cópula (Gibernau
et al. 1999; Krell et al. 2003; Moore 2011) sendo encontradas em plantas das
famílias Annonaceae, Arecaceae e Araceae (Fig. 01). Segundo Gibernau et al.
(1999) um gênero de Araceae é polinizado exclusivamente pelos dinastíneos
dos gêneros Cyclocephala e Erioscelis Burmeister, 1847.
Tendo em vista sua relevância como potencial praga para um grande
número de espécies, são de grande importância estudos taxonômicos em
especial trabalhos de revisão. O último trabalho amplo foi realizado por Endrödi
em 1985.
O grupo “latericia” foi composto inicialmente por três espécies devido à
grande semelhança morfológica, especialmente dos edeagos. Cyclocephala
ohausiana Höhne possui distribuição para o Cerrado brasileiro, ocorrendo nos
estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. Cyclocephala
latericia Höhne possui uma ampla distribuição, ocorrendo desde o estado de
Pernambuco até Santa Catarina, podendo ser encontrada também na
Argentina, Bolívia e Paraguai. Já Cyclocephala cearae Höhne se restringe à
região Nordeste do Brasil, sendo conhecida dos estados de Ceará,
Pernambuco e Bahia.
Os dados de distribuição para estas espécies, entretanto, encontram-se
incertos, uma vez que as espécies identificadas nas coleções como C. latericia
estão sendo descritas como novas espécies, enquanto o material-tipo tem
distribuição somente para a Bolívia (Höhne 1923). As espécies identificadas
nas coleções como C. cearae têm registro para o Piauí, Maranhão e Tocantins,
e seu status encontrava incerto, sendo descrita como uma aberração de C.
latericia por Endrödi (1985).
14
As estruturas que se mostraram mais relevantes na diferenciação
dessas espécies foram os edeagos e os aparelhos bucais dos machos, em
especial as maxilas. Os estudos comparativos desse conjunto de espécies
demonstraram tratar-se de 11 espécies diferentes.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A superfamília Scarabaeiodea passou por diversas propostas de
classificação taxonômica ao longo do tempo. Erichson (1848) dividiu a família
Scarabaeidae (lato sensu) em duas séries diferentes, a série Pleurosticti e a
série Laparosticti, devido à posição dos espiráculos abdominais dos adultos
(Morón 2004).
A série Pleurosticti, que corresponde à família Melolonthidae, possui a
maioria dos espiráculos abdominais na porção superior dos ventritos. Portanto,
segundo Endrödi (1966), Morón (1984), Morón et al. (1997) e Cherman &
Morón (2014), a superfamília Scarabaeioidea ou Lamellicornia (que são
caracterizados pela presença de antenas lameladas) é composta de por cinco
famílias. Scarabaeidae, que seria a antiga série Laparosticti, a família
Melolonthidae, que corresponde a antiga série Pleurosticti, e ainda Lucanidae,
Passalidae e Trogidae.
A subfamília Dynastinae é comumente conhecida por besouros
rinocerontes, devido à presença de chifres ser recorrente em muitas espécies.
O grupo é caracterizado por apresentar o labro escondido embaixo do clípeo,
este podendo ser bidentado, arredondado, acuminado ou truncado; antena
composta por nove ou 10 segmentos, sendo a lamela formada por 3; escutelo
não amplo; procoxa transversa; ápice da mesotíbia com dois esporões não
separados por um segmento metatarsal; e garras tarsais subiguais em
tamanho, exceto em machos da maioria dos cyclocephalíneos e alguns
pentodontíneos, onde as garras protarsais são alargadas (Ratcliffe 2001, Clark
2011).
A tribo Cyclocephalini é vista como um clado do novo mundo com dois
gêneros encontrados no velho mundo.
Ruteloryctes Arrow, que é encontrado no leste da África até a Guiné e
Angola (Krajcik 2005, Ratcliffe 2003 e Ratcliffe & Cave 2006) e Peltonotus
15
Burmeister no sudeste da Ásia (Smith 2006), sendo esse o único gênero em
que o labro se estende além do clípeo em vista dorsal (Jameson & Wada
2004).
Transferências de dois gêneros para dentro de Cyclocephalini nos
últimos anos, assim como a remoção de um dos gêneros demonstram o pouco
entendimento
do
grupo
e
sua
instabilidade
filogenética,
sendo
comprovadamente um grupo não-monofilético (Clark 2011).
Cyclocephala é o gênero que contém mais espécies dentro da tribo
(Ratcliffe 2003, Ratcliffe & Cave 2006, Ratcliffe & Cave 2009, Ratcliffe &
Paulsen 2008). O número de espécies e as variações intraespecíficas em
Cyclocephala levam a dificuldades na circunscrição do gênero, bem como de
interpretação das relações em Cyclocephalini (Ratcliffe & Cave 2006, Clark
2011)
Cyclocephala cearae, C. latericia e C. ohausiana foram descritas por
Höhne (1923). Segundo as descrições originais, os caracteres levados em
consideração para a identificação incluem o padrão de máculas no élitro, que
segundo Höhne seriam três em C. cearae e C. latericia e quatro em C.
ohausiana, com um mesmo padrão de coloração, onde estas seriam de
coloração parda, amarelada e brilhante com máculas pretas nos élitros.
Outras características incluem a medição de tamanho da cabeça com
relação aos olhos, largura e comprimento do pronoto, onde nas três espécies a
largura é quase duas vezes maior que o comprimento. Entretanto nessas
descrições a principal característica de separação encontra-se nos parâmeros
do edeago da genitália masculina, que Höhne descreve em forma de coração
em C. latericia. Com essa descrição, já se tem a incerteza em relação à C.
cearae, que também possui esse padrão, mas que vem sendo diferenciada de
C. latericia somente devido ao padrão de longas e numerosas cerdas no
pronoto e élitros.
Endrödi (1985) revisou Cyclocephala em sua monografia “The
Dynastinae of the World”, onde propôs duas chaves de identificação para
machos e fêmeas, respectivamente, devido ao dimorfismo sexual existente
entre eles. O autor também utilizou os padrões de máculas que se mostraram
de pouca utilidade no presente trabalho, já que foram encontrados espécimes
sem máculas e outras com o élitro totalmente negro. Endrödi, entretanto, não
16
observou diferenças significativas entre C. latericia e C. cearae, e sugeriu que
essa última espécie poderia se tratar apenas de uma aberração de C. latericia,
uma vez que não encontrou diferenças entre os edeagos dessas duas
espécies.
Devido às incertezas quanto ao posicionamento das espécies desse
grupo, tornou-se necessária uma revisão, buscando novas características que
auxiliem na determinação correta das três espécies. Além disso, faz-se
necessário descrever os novos táxons.
Nos últimos anos mais de 100 espécies do gênero foram descritas, mas
nenhum trabalho de revisão foi feito, sendo o propósito do presente aumentar o
conhecimento desse grupo.
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 MATERIAL EXAMINADO
Para a realização desta revisão, foi estudado um total de 361
exemplares, incluindo a série tipo de cada espécie. O material foi tomado por
empréstimo das seguintes coleções:
CEMT Coleção Entomológica, Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá,
Brasil.
CZMA Coleção Zoológica, Universidade Estadual do Maranhão, Brasil.
DZUP Coleção Entomológica Pe. J. S. Moure, Departamento de Zoologia,
Universidade Federal do Paraná, Brasil.
EPGC Coleção E. & P. Grossi, Nova Friburgo, RJ, Brasil.
MZUSP Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, SP, Brasil.
ZMHB Museum Für Naturkunde of the Humboldt-Universität, Berlim, Alemanha
IBUSP Instituto de Biociências da Universidade Estadual de São Paulo, SP.
Brasil.
17
INPA Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Manaus, Brasil.
CEPE Coleção Entomológica, Universidade Federal de Pernambuco, Recife,
Brasil
No texto as etiquetas do material tipo e material adicional estão
organizadas em sequência de cima para baixo, com as informações de cada
etiqueta entre aspas (“ “) e uma barra (/) separa as linhas. Todas as
informações das etiquetas estão listadas como encontradas no material
estudado.
3.2 MORFOLOGIA
O material foi estudado em estereomicroscópio ZEISS Stemi V6, com
aumento de até 50 vezes. Foram extraídos os edeagos, fervendo-se os
espécimes em água com detergente neutro por cerca de 10 minutos de acordo
com a condição de preservação do mesmo. Depois da fervura e relaxamento
da musculatura dos espécimes, a extração da genitália foi feita através de
incisão entre o pigídio de um segmento abdominal e a genitália retirada com o
auxílio de pinça entomológica.
O aparelho bucal foi extraído pelo mesmo procedimento, retirando-se
principalmente as maxilas e o mento. As peças foram acondicionadas em micro
tubos com glicerina ou em papel cartão e alfinetados junto de cada espécime
correspondente.
As fotografias coloridas foram obtidas em estereomicroscópio Leica
MZ16 com câmera Leica DFC 500. A sobreposição vertical das imagens foi
realizada com o auxílio do Software Auto-Montage Pro (Syncroscopy), do
“Projeto Taxon line Rede Paranaense de Coleções Biológicas”, Departamento
de Zoologia, Universidade Federal do Paraná. As fotografias de microscopia
eletrônica de varredura foram realizadas a baixo vácuo e sem metalização no
Centro de Microscopia Eletrônica da Universidade Federal do Paraná. As
comparações visam averiguar as diferenças morfológicas relevantes para a
determinação de cada espécie, sendo, a posteriori, descartadas aquelas que
apresentam um alto grau de variações em uma mesma espécie.
18
Ao final do estudo foram descritas as espécies novas, redescritas as
espécies previamente descritas do grupo, assim como elaborada uma chave de
identificação para o grupo “latericia” e um mapa com a distribuição conhecida
para as mesmas (Fig. 2).
3.3 TERMINOLOGIA
A terminologia usada nas descrições seguem Endrödi (1985), Ratcliffe &
Cave (2002) e Joly (2009).
O comprimento foi medido desde o ápice do clípeo até o vértice do élitro,
a largura no ponto mais largo do corpo e a cor foi determinada sob iluminação
de fibra óptica e ampliação. A pilosidade é composta de cerdas que foram
definidas como grossas, finas, curtas, longas e com a ponta em gancho. O
tamanho dos pontos foi considerado como grande, moderados, ou pequenos.
De acordo com ampliação de 50x, pontos grandes aparecem como cavidades
superior a 0,10 mm de diâmetro, pontos moderados (0,06-0,10 mm) e
pequenos (0,03-0,06 mm), finas perfurações são pequenos (inferiores a 0,03
mm) e falta de estrutura ou pilosidade com uma ampliação de 50x. A densidade
da pontuação foi definida como densa (pontos separados por menos de dois
diâmetros de pontos) moderada (pontos separados por 2-4 diâmetros de
pontos), esparsa (separados por mais do que quatro diâmetros de perfuração),
coalescente (pontos se juntam), rugosa (pontos alongados coalescentes que
formam rugosidades) e sem pontos (liso).
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 GRUPO “LATERICIA”
O grupo “latericia” aqui proposto inclui 11 espécies devido à grande
semelhança morfológica, especialmente dos edeagos. No grupo são incluídas
as seguintes espécies: Cyclocephala ohausiana Höhne, 1923, C. latericia
19
Höhne, 1923, C. cearae Höhne, 1923, C. sp. nov. 1, C. sp. nov. 2, C. sp. nov. 3,
C. sp. nov. 4 e C. sp. nov. 5, C. sp. nov. 6, C. sp. nov. 7 e C. sp. nov. 8.
O grupo se caracteriza pelos seguintes caracteres:
Corpo curto a alongado, oval (13.0 – 25.0 mm). Cabeça com vértice
esparsamente pontuado. Clípeo com as bordas laterais subparalelas, superfície
sem tubérculos. Pronoto transverso e globoso, 1,7 vezes mais largo do que
longo; ângulos anteriores agudos, cobrindo parcialmente os olhos; margem
posterior arredondada. Pronoto marrom-amarelado e élitros variando de
marrom-amarelado a negro. Superfície dos élitros distintamente pontuada,
formada por fileiras mal definidas de pontos pequenos, dando um aspecto
uniforme. Cerdas curtas, grossas e esparsas restritas à região apical do élitro.
Distância entre o dente basal e o mediano das tíbias anteriores dos machos
maior que a distância entre o dente mediano e o dente apical. Fêmeas com três
dentes bem desenvolvidos nas tíbias anteriores. Tíbias médias e posteriores
com o ângulo externo projetado até metade do primeiro tarsômero. Edeagos
simétricos, alongados e curvos, com falobase achatada dorso-ventralmente.
Parâmeros arredondados, com o ápice afilado e projetado, exceto em C.
ohausiana.
4.2 CHAVE DE IDENTIFICAÇÃO
1. Antenas com lamela antenal tão longas quanto o comprimento dos
antenômeros 2-7 juntos.......................................................................................2
1’. Antenas com lamela antenal duas vezes maior que o comprimento dos
antenômeros 2-7 juntos.....................................................................................10
2(1). Parâmeros do edeago cordiformes.............................................................3
2’. Parâmeros do edeago fortemente alongados. Região intra-ocular com
pontuação uniforme de pontos pequenos; mento alargado e densamente
pontuado; último ventrito com o ápice sinuoso, formando uma escavação
ampla, com 1/2 da sua largura......................................Cyclocephala sp. nov. 1
3 (2). Disco elitral com cerdas.............................................................................4
3’ Disco elitral glabro............................................................................................5
20
4 (3). Disco elitral com cerdas longas e finas; último palpômero maxilar longo e
curvo; pigidio fortemente convexo; último ventrito com o ápice
reto..........................................................................Cyclocephala cearae Höhne
4’. Disco elitral com cerdas curtas.......................................................................8
5 (3). Parâmeros do edeago sem o ápice projetado; sutura fronto-clipeal não
encontrando a margem interna do olho; maxila com cinco dentes e cerdas em
forma de gancho..........................................................Cyclocephala ohausiana
Höhne
5’. Parâmeros do edeago com o ápice projetado; sutura fronto-clipeal
encontrando a margem interna do olho; maxila com mais de cinco
dentes..................................................................................................................6
6 (5). Parâmeros do edeago com projeções medianas ventrais; sutura fronto
clipeal bissinuosa.................................................Cyclocephala latericia Höhne
6’. Parâmeros do edeago sem projeções medianas ventrais; sutura frontoclipeal sinuosa.....................................................................................................7
7(6). Coloração opaca, pontuação elitral com aspecto desuniforme; distribuição
para o Acre....................................................................Cyclocephala sp. nov. 8
7’. Coloração brilhante, élitro com estrias formadas por fileira de pontos
pequenos, uniformemente distribuídos.........................Cyclocephala sp. nov. 4
8(4). Disco elitral com cerdas curtas e grossas; corpo alongado, com tamanho
superior a 17 mm; maxilas ligeiramente assimétricas, com sete dentes;
coloração opaca............................................................Cyclocephala sp. nov. 5
8’. Disco elitral com cerdas curtas e finas, corpo curto, com tamanho inferior a
17 mm; maxilas simétricas; distribuição para o Maranhão..................................9
9(8). Maxila com seis dentes, parâmeros com as margens externas
sinuosas........................................................................Cyclocephala sp. nov. 6
9’. Maxilas com oito dentes, parâmeros com as margens externas
retas..............................................................................Cyclocephala sp. nov. 7
10(1). Coloração do élitro opaca; micropontuações da última lamela não se
estendendo por toda a porção inferior; ápice da tíbia anterior não
reto................................................................................Cyclocephala sp. nov. 3
10’. Coloração do élitro brilhante; micropontuações da última lamela se
estendendo por toda a porção inferior; ápice da tíbia anterior
reto................................................................................Cyclocephala sp. nov. 2
21
4.3 DESCRIÇÕES DAS ESPÉCIES DO GRUPO “LATERICIA”
4.3.1 Cyclocephala latericia Hönhe, 1923
(Fig. 03)
Cyclocephala latericia Hönhe 1923: 360 (descrição original); Blackwelder, 1944:
252 (checklist).
Comentários e diagnose. Similar às espécies novas descritas abaixo, mas
distinta pela reunião de alguns caracteres: sutura fronto-clipeal bissinuosa;
região intra-ocular com dois conjuntos de pontos profundos bem definidos;
parâmeros do edeago cordiformes com as laterais alargadas, com projeções
medianas ventrais.
Macho. Comprimento: 20.0 – 23.0 mm. Corpo oval, moderadamente alongado
e opaco, superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com cerdas curtas e
grossas na porção apical do élitro, na sutura elitral e na região antero-lateral do
pronoto. Cor. Superfície dorsal do corpo marrom amarelada; vértice da cabeça
preto; presença de máculas pretas no pronoto, sendo duas centrais anteriores,
duas posteriores e duas laterais, e três em cada élitro. Cabeça. Forma
transversal, com pontuação densa na região intra-ocular, formando dois
conjuntos circulares de pontos profundos, com cerdas curtas e grossas; clípeo
curto, arredondado, quase duas vezes mais largo que longo, ápice com borda
direcionada
abruptamente
para
cima,
formando
um
ângulo
de
aproximadamente 90°, lados subparalelos, direcionados levemente para cima,
pontuação transversa, com cerdas curtas e grossas nas laterais. Sutura frontoclipeal completa, fortemente marcada e bissinuosa, encontrando a margem
interna do olho lateralmente. Maxilas simétricas; lacínia com seis dentes, sendo
dois distais superiores, um abaixo e um acima, este com uma carena interna
que não atinge metade da base do próximo dente, dois medianos agudos e
dois inferiores, sendo o último dente basal obtuso e com a base convexa.
Estipe com margem lateral ligeiramente angulosa. Último palpômero com
estrutura sensorial ovalada, com os ápices afilados, correspondendo à metade
do comprimento do palpômero. Mento alongado, com os lados arredondados e
22
convergindo abruptamente para o ápice, formando uma carena de cada lado e
com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas, não atingindo o
ápice do lábio, divergentes e ficando obsoletas. Margens do lábio paralelas até
o ápice, com porção mediana levemente escavada e ápice moderadamente
côncavo; pontuação fraca e esparsamente distribuída, na região entre as
carenas com um conjunto de pontos pequenos. Antenas com lamelas tão
longas quanto o comprimento dos antenômeros 2-7 juntos. Tórax. Superfície
fracamente pontuada; pontuações restritas às laterais e à base; cerdas curtas e
grossas concentradas nos ângulos anteriores. Cada élitro com três máculas
negras, duas laterais anteriores, duas centrais logo após o escutelo e duas
posteriores antes da região apical. Pernas. Tíbia anterior com três dentes
externos, diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os dois
primeiros mais desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente
quatro vezes menor que a distância entre o segundo e o terceiro. Tíbias médias
e posteriores com duas carenas diagonais completas e uma basal incompleta.
Ventre. Coloração ventral mais clara que a dorsal, distintamente hirsuta; último
ventrito com a borda sinuosa, formando uma escavação ampla de 1/3 da sua
largura; pigídio levemente convexo, com cerdas longas e esparsas. Genitália.
Parâmeros arredondados e ligeiramente alongados, com ápice afilado e
convergente quase se tocando; base projetada, paralela e unida; dorsalmente
côncavos, com duas concavidades fortes, uma porção anterior e outra na
posterior, com as laterais voltadas para cima e para os lados; projeções
medianas ventrais; superfície pontuada; pontuações pequenas e profundas,
mais concentradas nas laterais, e se estendendo até a base dos parâmeros.
Fêmea. Difere do macho nos seguintes aspectos: corpo menos alongado, com
os élitros mais alargados e mais brilhantes com a coloração geral do corpo
normalmente mais escura. Cabeça com pontuações coalescentes na fronte e
pontos enrugados no clípeo; clípeo com angulação mais evidente na base;
élitros mais densamente pontuados, formando estrias de pontos grandes,
concentrados nas laterais; borda elitral levemente angulada no ápice com uma
fraca carena longitudinal lateral; epipleura com a margem externa arredondada;
tíbia anterior nitidamente mais alargada com três espinhos externos bem
desenvolvidos; último ventrito com a borda não sinuosa distalmente,
23
simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas, mais estreito
e menos convexo.
Distribuição. Bolívia (Província de Sara).
Variação. Machos e fêmeas podem apresentar o pronoto e os élitros
desprovidos de máculas, ou estas se encontram obsoletas, e em algumas
fêmeas as máculas elitrais centrais anteriores se unem próximo ao escutelo.
Nos machos, parâmeros do edeago com projeções medianas ventrais que
podem ser menos desenvolvidas ou obsoletas em vista dorsal.
Material examinado. Material-tipo. Lectótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
verde, “O. Bolivien/ Prov.Sara/ J. Steinbach S.V.”; b) etiqueta vermelha
manuscrita, “Cyclocephala/ latericia/ Type”; c) etiqueta branca, com borda
vermelha manuscrita, “Lectotypus/ Cyclocephala/ latericia/ Höhne/ ohuchy”.
Parátipo fêmea, etiquetado: a) etiqueta verde, “O. Bolivien”; b) etiqueta verde,
“Steinbach S.V.”; c) etiqueta vermelha manuscrita, “Cyclocephala/ latericia/
Type”; d) etiqueta branca, com borda vermelha manuscrita, “Paratypus/
Cyclocephala/ latericia/ Höhne”. Síntipos machos (2), etiquetados: a) etiqueta
verde, “O. Bolivien/ IX.Prov.Sara 07/ J. Steinbach S.V.”; b) etiqueta vermelha,
“SYNTYPUS/ Cyclocephala/ latericia Höhne, 1923/ labelled by MNHUB 2012”.
Síntipos fêmeas (9), etiquetados: a) etiqueta verde, “O. Bolivien/ Prov.Sara/ J.
Steinbach S.V.”; b) etiqueta vermelha, “SYNTYPUS/ Cyclocephala/ latericia
Höhne, 1923/ labelled by MNHUB 2012”.
Comentários. Na série-tipo de Cyclocephala latericia, 13 espécimes
correspondem à espécie e os demais exemplares tratam-se de uma nova
espécie descrita a seguir. Até o momento só é conhecido pelo material tipo.
4.3.2 Cyclocephala ohausiana Höhne, 1923
(Fig. 04)
Cyclocephala ohausiana Höhne, 1923: 362 (descrição original); Blackwelder,
1944: 252 (checklist).
24
Cyclocephala pereirai Endrödi 1969: 31 (nec Martínez 1960: 131) Syn.nov.
Cyclocephala ratcliffei Endrödi 1977: 321 Syn.nov.
Comentários e diagnose. Espécie mais distinta das demais. Difere
principalmente pela sutura fronto-clipeal que não encontra a margem interna do
olho, maxila com cinco dentes e parâmeros sem a base afilada e projetada.
Macho. Comprimento (18.0 - 22.0 mm). Corpo curto, oval, moderadamente
brilhante, superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com algumas cerdas
curtas e grossas no ápice do élitro. Cor: Superfície dorsal marrom amarelado;
vértice da cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto, duas centrais
anteriores e duas apicais, duas laterais, e quatro em cada élitro. Cabeça.
Forma transversal, glabra, com pontuação uniforme, pontos moderados; clípeo
curto, retangular, duas vezes mais largo que longo, ápice com a borda
direcionada levemente para cima, lados subparalelos, direcionados levemente
para cima, pontuação uniforme, com pontos largos, principalmente nas porções
laterais. Sutura fronto-clipeal completa, fortemente marcada, sinuosa, não se
unindo à margem interna do clípeo. Maxilas simétricas, coberta por cerdas
grossas e longas em gancho, cobrindo parcialmente os dentes; lacínia com
cinco dentes, sendo dois distais superiores, um abaixo e outro acima, um
mediano agudo, dois inferiores, sendo um dente basal com a base reta e
bifurcado e o último abaixo deste. Estipe larga, margem interna arredondada.
Mento alargado, com lados arredondados, convergindo levemente para o
ápice, formando uma carena de cada lado; carenas distintamente marcadas,
atingindo o ápice do lábio e com porção mediana fortemente escavada e
côncava. Margens do lábio ligeiramente divergentes até o ápice, com porção
mediana fortemente escavada e ápice fortemente côncavo; pontuação fraca e
esparsamente distribuída. Antena com lamelas moderadamente convexas, tão
longas quanto o comprimento dos antenômeros 2-7 juntos. Élitros. Superfície
distintamente pontuada; estrias elitrais formadas por fileiras mal definidas de
pontos pequenos, dando um aspecto uniforme; em cada élitro, logo acima ao
calo umeral com uma leve depressão longitudinal. Pernas. Tíbia anterior com
dois dentes externos, sendo o terceiro obsoleto, correspondendo a uma leve
convexidade. Tíbias médias e posteriores com uma carena diagonal completa e
25
uma carena incompleta na posição basal da tíbia. Ventre. Coloração ventral
mais escura que a dorsal, distintamente hirsuta; último ventrito com ápice
sinuoso, formando uma escavação moderada, com 1/3 da sua largura; pigídio
levemente convexo, com cerdas longas e densas. Genitália. Parâmeros
arredondados e curtos, com ápice afilado e convergente quase se tocando;
base com projeção obsoleta, unida; dorsalmente quase retos, sendo as laterais
ligeiramente voltadas para cima; superfície pontuada; pontuações pequenas e
profundas mais concentradas nas laterais, e se estendendo até a base.
Fêmea. Difere dos machos nos seguintes aspectos: corpo mais curto, com os
élitros mais alargados e brilhantes com a coloração geral normalmente igual.
Cabeça densamente pontuada com pontos grandes e coalescentes na porção
mediana da fronte e pontos enrugados no clípeo, este com angulação mais
evidente na base; élitros com uma mácula a mais na porção final e mais
densamente pontuados, com estrias formadas por fileiras de pontos grandes,
concentrados nas laterais; borda elitral fortemente angulada na porção final e
formando uma fraca carena longitudinal lateral; epipleura com a margem
externa angulosa; tíbia anterior com três espinhos externos bem desenvolvidos;
borda do élitro projetada na porção final do élitro; último ventrito não sinuoso
distalmente, simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas,
mais estretito e menos convexo;
Distribuição. Brasil (Tocantins; Goiás; Mato Grosso; São Paulo).
Variação. Machos e fêmeas podem apresentar o pronoto e os élitros
desprovidos de máculas, ou com máculas obsoletas. Machos podem
apresentar parâmeros com projeções abaixo nas laterais em maior ou menor
grau (Chapada Guimarães, MT e Aliança, TO).
Material examinado. Material tipo. Lectótipo macho, com as seguintes
etiquetas: a) etiqueta branca, “E.d.S.PAULO/ Ypiranga”; b) etiqueta vermelha
manuscrita, “Cyclocephala/ ohausiana/ Type”; c) etiqueta branca, com borda
vermelha manuscrita, “Lectotypus/ Cyclocephala/ ohausiana/ Höhne/ XXX”.
Parátipo fêmea, etiquetado: a) etiqueta branca, “E.d.S.PAULO/ Ypiranga”; b)
26
etiqueta branca, “♀”; c) etiqueta vermelha manuscrita, “Cyclocephala/
ohausiana/ Type”; d) etiqueta branca, com borda vermelha manuscrita,
“Paratypus/ Cyclocephala/ ohausiana/ Höhne”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta
branca, “C GOYAZ/ L. Bulhoes/ R. Spitz S.”; b) etiqueta vermelha manuscrita,
“Cyclocephala/ Spi???/???”; c) etiqueta branca, “C Hne/ ohausiana/ det. Dr.
Endrödi 1964”. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta bege com borda preta,
“Utiariti/ Rio Papagaio, Mt/ 1-12.XI.1966/ Lenko & Pereira”; b) etiqueta branca
com borda vermelha, “Holotypus/ Cyclocephala/ pereirai/ Endr.”; c) etiqueta
branca, “C. ohausiana/ Höhne ♂/ P. Grossi det. 2012”. Alótipo fêmea,
etiquetada: a) etiqueta bege com borda preta, “Utiariti/ Rio Papagaio, Mt/ 112.XI.1966/ Lenko & Pereira”; b) etiqueta branca com borda vermelha,
“Allotypus/ Cyclocephala/ pereirai/ Endr.”; c) etiqueta branca, “C. ohausiana/
Höhne ♀/ P. Grossi det. 2012”.
Material adicional (13 machos e 12 fêmeas). BRASIL. Tocantins: Aliança,
XI/1991 (EPGC). Mato Grosso: Chapada Guimarães, 23/XI/1983 (DZUP);
Chapada Guimarães, 06/X/1984 (CEMT); Cuiabá, 09/XI/2011; Cuiabá,
03/I/2012 (CEMT); Jaciara, 10/XI/2009 (CEMT); Lucas do Rio Verde,
02/XI/2011 (CEMT); Paranatinga, 11/XI/2011 (CEMT); Rio Papagaio, XI/1966
(MZUSP); Rio Verde (DZUP); Rosário Oeste (DZUP); Serra São Vicente,
19/X/1988 (CEMT); Tangará da Serra 22/X/2005 (EPGC).
Comentários. Endrödi em 1969 descreveu Cyclocephala pereirai e em 1977
modificou o nome para C. ratcliffei em função de que o nome C. pereirai já
havia sido utilizado por Martinez em 1960 para outra espécie de Cyclocephala.
Cyclocephala pereirai Endrödi, 1969 e C. ratcliffei Endrödi, 1977 são
sinonimizadas como C. ohausiana, pois apresentam o mesmo padrão de
coloração e genitália do macho.
4.3.3 Cyclocephala cearae Höhne, 1923
(Fig. 05)
Cyclocephala cearae Höhne, 1923: 363 (descrição original).
27
Comentários e diagnose. Espécie muito confundida com C. latericia, mas
distinta pela reunião dos seguintes caracteres: Superfícies dorsal e ventral com
cerdas longas e finas; clípeo alongado; palpo maxilar mais longo comparado às
demais espécies, último palpômero alongado e curvo.
Macho. Comprimento 20.0 - 23.0 mm. Corpo oval, brilhante, superfície dorsal
com pilosidade densa no disco elitral, regiões antero-laterais do pronoto, nas
máculas do pronoto e cabeça. Cor. Superfície dorsal do corpo marrom
amarelada; vértice da cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto,
duas centrais anteriores e duas posteriores e duas laterais, e três em cada
élitro. Cabeça. Forma transversal, com pontuação densa com pontos grandes
na região intra-ocular, formando dois conjuntos circulares de pontos
coalescentes com cerdas longas e finas; clípeo longo, arredondado, porém
mais largo que longo; ápice com a borda direcionada para cima, formando um
ângulo de aproximadamente 90°, lados subparalelos, direcionados levemente
para cima, pontuação alongada, coalescente, formando rugosidades. Sutura
fronto-clipeal completa, fortemente marcada e sinuosa, sendo o ângulo de
encontro com a margem interna do olho quase reto. Maxilas simétricas; lacínia
com seis dentes, formando três planos, sendo o segundo composto por quatro
dentes, um dente basal obtuso e proximal em relação ao terceiro plano e com a
base reta, e o último dente mais distal a frente do primeiro plano; todos os
demais dentes agudos. Estipe com margem interna angulada. Último
palpomêro alongado e curvo, estrutura sensorial com os ápices afilados, menor
que a metade do palpômero. Mento alongado, com os lados arredondados e
convergindo levemente para o ápice, formando uma carena de cada lado e
com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas, atingindo o
ápice do lábio, e com porção mediana fracamente escavada; margens do lábio
paralelas até o ápice, com porção mediana moderadamente escavada e ápice
côncavo; pontuação coalescente nas laterais. Antena com lamelas tão longas
quanto o comprimento dos antenômeros 2-7 juntos. Tórax. Pronoto com
superfície moderadamente pontuada por pontos pequenos; cerdas longas e
finas nas laterais, ápice, base e disco pronotal. Élitros. Superfície
moderadamente
pontuada
por
pontos
pequenos,
dando
um
aspecto
desuniforme. Cerdas por todo o élitro, mais concentradas no disco elitral e
28
sempre longas e finas; três máculas negras em cada élitro, duas laterais,
alongadas, duas centrais subtriangulares que se encontram na sutura elitral e
duas máculas transversais próximas ao escutelo. Pernas. Tíbia anterior com
três dentes externos, diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os
dois primeiros mais desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente
quatro vezes menor que a distância entre segundo e terceiro. Tíbias médias e
posteriores com uma carena diagonal completa e uma carena basal
incompleta. Ventre. Coloração geral mais clara que a face dorsal; último
ventrito com o ápice reto, escavação obsoleta; pigídio fortemente convexo, com
cerdas longas e moderadas. Genitália. Edeago simétrico, parâmeros
arredondados e ligeiramente alongados, com ápice afilado e convergente
quase se unindo; base projetada, paralela e unida; dorsalmente côncavos, com
duas concavidades fortes uma anterior e outra posterior, sendo as laterais
voltadas para cima e convexas; superfície densamente pontuada da base até
as abas; pontos pequenos e profundos.
Fêmea. Difere do lectótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo menos
alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a coloração
geral do corpo normalmente mais clara. Cabeça com pontuações coalescentes
na fronte e pontos enrugados no clípeo; clípeo curto, semi-circular; élitros com
uma quarta mácula na porção final, mais densamente pontuados, com estrias
formadas por fileiras de pontos moderados, concentrados nas laterais; cerdas
concentradas na região posterior do élitro e sutura elitral, normalmente mais
curtas e finas; borda elitral levemente angulada na porção final e formando uma
fraca carena longitudinal lateral; epipleura com a margem externa arredondada;
tíbia anterior com três espinhos externos bem desenvolvidos e delgada; último
ventrito não sinuoso distalmente, simplesmente convexo; pigídio com poucas
cerdas curtas e finas, mais estreito e menos convexo que C. latericia.
Distribuição. Brasil (Piauí; Ceará; Rio Grande do Norte; Pernambuco;
Alagoas).
Variação. Comprimento variando entre 20.0 – 23.0 mm. Machos e fêmeas
podem apresentar o pronoto e os élitros com máculas obsoletas, as máculas
29
elitrais centrais anteriores podem estar unidas próximo ao escutelo e em
algumas fêmeas o élitro é quase inteiramente negro.
Observações. Como o aparelho bucal do macho lectótipo não estava
dissecado e a genitália encontra-se perdida, a descrição dessas estruturas foi
feita com base no material adicional.
Material examinado. Material-tipo. Lectótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
bege, “♂”; b) etiqueta bege manuscrita, “Ceara/ Brasilia”; c) etiqueta vermelha
manuscrita, “Cyclocephala/ cearae/ Type”; d) etiqueta bege manuscrita,
“Cyclocephala/ cearae/ Höhne”; e) etiqueta branca com borda vermelha,
“Cyclocephala/ cearae/ Hönhe/ ohuchý”.
Material adicional (17 machos e 20 fêmeas). BRASIL. Piauí: Piracuruca, 0812-I-2013 (CZMA). Ceará: Quixidá, (IBUSP); Redenção, 03-XI-1999 (EPGC);
Ubajara, 12-15-I-2013 (CZMA). Rio Grande do Norte: Natal, XII-1956 (DZUP).
Pernambuco: Araçoiaba, 25-II-2010 (EPGC); Bonança, 25-III-2005 (EPGC);
Carpina, (DZUP); Goiana, 12-IV-2005 (EPGC); Gravatá, 09-III-2007; Igarassu,
02-V-2005 (EPGC); Igarassu, 03-III-2009 (EPGC); Igarassu, 07-IV-2010
(CEPE) Alagoas: União dos Palmares (DZUP).
4.3.4 Cyclocephala sp. nov. 1
(Fig. 06)
Comentários e diagnose. Espécie distinta das demais pela reunião de alguns
caracteres: cabeça densamente pontuada por pontos pequenos; parâmeros do
edeago fortemente alongados.
Macho. Comprimento: Comprimento 22.0 - 25.0 mm. Corpo oval, brilhante,
superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com algumas cerdas curtas e
grossas no ápice do élitro. Cor. Superfície dorsal do corpo ocre amarelado;
vértice da cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto, duas centrais
anteriores e duas posteriores e duas laterais, e três em cada élitro. Cabeça.
30
Forma transversal, com pontuação densa com pontos pequenos; clípeo curto,
subquadrangular, quase duas vezes mais largo que longo, ápice com borda
direcionada
abruptamente
para
cima,
formando
um
ângulo
de
aproximadamente 90°, lados subparalelos, direcionados levemente para cima,
pontuação pouco alongada. Sutura fronto-clipeal completa, fracamente
marcada e sinuosa, encontrando a margem interna do olho lateralmente, em
um ângulo de quase 90°. Mento amplo, com os lados arredondados e
convergindo moderadamente para o ápice, formando uma carena de cada lado
e com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas, atingindo o
ápice do lábio. Margens do lábio paralelas até o ápice, com porção mediana
fortemente escavada e ápice côncavo; mento densamente pontuado por pontos
moderados; distância entre as carenas muito superior à C. latericia. Antenas
com lamelas tão longas quanto o comprimento dos antenômeros 2-7 juntos.
Tórax. Superfície moderadamente pontuada por pontos pequenos. Élitros.
Superfície distintamente pontuada; estrias elitrais formadas por fileiras mal
definidas de pontos pequenos, dando um aspecto uniforme. Cerdas, quando
presentes, restritas à região apical do élitro e sempre curtas, finas e esparsas;
três máculas negras em cada élitro, duas laterais anteriores alongadas e
obliquas, duas centrais redondas logo após o escutelo e duas posteriores
subtriangulares antes da declividade elitral, quase se unindo às máculas
laterais. Pernas. Tíbia anterior larga com três dentes externos, diminuindo em
tamanho do ápice para a base, sendo os dois primeiros mais desenvolvidos;
distância entre o primeiro e segundo dente quatro vezes menor que a distância
entre segundo e terceiro. Tíbias médias e posteriores com duas carenas
diagonais completas. Ventre. Coloração geral mais clara que a face dorsal,
distintamente hirsuta; último ventrito com o ápice sinuoso, formando uma
escavação ampla, com 1/2 da sua largura; pigídio levemente convexo, com
cerdas longas e distribuídas densamente. Genitália. Parâmeros fortemente
alongados, com ápice afilado não se unindo; base projetada, paralela e unida;
dorsalmente côncavos, com uma concavidade forte da metade até o ápice;
laterais pouco expandidas; superfície pontuada; pontuações pequenas e
profundas, mais concentradas nas laterais, e se estendendo até quase a base
dos parâmeros.
31
Observações. Como o macho holótipo não estava com o aparelho bucal
dissecado, segue abaixo as descrições com base no material adicional.
Maxilas simétricas; lacínia com seis dentes, formando três planos, sendo o
segundo composto por quatro dentes, um dente basal agudo e proximal em
relação ao terceiro plano e com a base reta, e o último dente mais distal a
frente do primeiro plano; todos os demais dentes agudos. Estipe com margem
interna arredondada. Gálea distintamente mais delgada que as demais
espécies. Último palpomêro com estrutura sensorial com os ápices afilados,
menor que a metade do palpômero sendo um dos ápices mais agudo que o
outro.
Descrição fêmea. Difere do holótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo
mais largo, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a coloração
geral do corpo normalmente mais escura. Cabeça com pontuações mais
alongadas na fronte e pontos enrugados no clípeo; clípeo com angulação mais
evidente na base; élitros com estrias mais distintas, formadas por fileiras de
pontos pequenos; borda elitral levemente angulada na porção final e formando
uma fraca carena longitudinal lateral; epipleura com a margem externa
arredondada; tíbia anterior com três espinhos externos bem desenvolvidos e
nitidamente
mais alargadas;
último
ventrito
não
sinuoso
distalmente,
simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas, mais estreito
e menos convexo;
Distribuição. Brasil (Paraná; Santa Catarina).
Variação. Machos podem apresentar o pronoto e os élitros desprovidos de
máculas, ou estas se encontram obsoletas, e em alguns machos e fêmeas as
máculas elitrais centrais anteriores se unem próximo ao escutelo e as máculas
laterais e posteriores podem estar fusionadas.
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “BRASIL, Paraná, Tibagi,/ Parque Est. Guartelá, 03-/ 04-XI-2007 900m
Luz/ Grossi & Parizotto cols.”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”.
Macho (2), etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, Paraná, Tibagi,/ Parque
32
Est. Guartelá, 03-/ 04-XI-2007 900m Luz/ Grossi & Parizotto cols.”; b) etiqueta
branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”. Macho (15), etiquetado: a) etiqueta
branca, “BRASIL, PR, Tibagi,/ Canion Guartelá, 900m/ 01 – 20.XI.2007/ P. C.
Grossi Leg.”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”. Macho (9),
etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, Paraná, Tibagi/ Parque Estadual
Guartelá,/ 09-11-XI-2007. 900m, Luz/ P. C. Grossi & J. A. Rafael”; b) etiqueta
branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”.
Fêmea (3), etiquetada: a) etiqueta
branca, “BRASIL, Paraná, Tibagi/ Parque Estadual Guartelá,/ 09-11-XI-2007.
900m, Luz/ P. C. Grossi & J. A. Rafael”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO E./ & P.
Grossi”. Macho, etiquetado: a) etiqueta bege, “Itapiranga/ II 53”; b) etiqueta
branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”. Fêmea (13), etiquetada: a) etiqueta
branca, “FOZ DO IGUAÇU – PR/ BRASIL, 7.XII.66/ NOITE – Lamp. Merc./
D.Zoo.U.F.P. leg”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “FÊNIX – PARANÁ/
Reserva Est. – ITCF/ BRASIL 02.XI.1986/ Lev. Ent. PROFAUPAR/ LÂMPADA”.
Fêmea (2), etiquetada: a) etiqueta bege com borda preta, “NOVA TEUTONIA/
S. Catarina BRASIL/ 13-XII-1952/ F. Plauman”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “FOZ DO IGUAÇU – PR/ BRASIL, 7.XII.66/ NOITE – Lamp. Merc./
D.Zoo.U.F.P. leg”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “DPT° ZOOL/ UFPARANÁ”; b) etiqueta branca, “MARINGÁ – PR/ BRASIL – 11/1968/ J.
Parramuro leg”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “JUNDIAÍ DO SUL –
PR/ Fazenda Monte Verde/ BRASIL 02.XII.1986/ Lev. Ent. PROFAUPAR/
LÂMPADA”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “FÊNIX – PARANÁ/
Reserva Est. – ITCF/ BRASIL 02.XI.1986/ Lev. Ent. PROFAUPAR/ LÂMPADA”.
Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “P. GROSSA (V. VELHA) PR/ Reserva
IAPAR Br376/ BRASIL 02.XII.1986/ Lev. Ent. PROFAUPAR/ LÂMPADA”.
Fêmea, etiquetada: a) etiqueta bege, “Serro Azul/ 12.42”; b) etiqueta branca,
“COLEÇÃO E./ & P. GROSSI”. Macho, etiquetado: a) etiqueta bege manuscrita,
“P. Grossa/ à luz/ A. Hilgessb/ 11-45”; b) etiqueta bege manuscrita,
“Cyclocephala/ ♂/ 880”; c) etiqueta bege, “Coleção/ F. Justus Jor”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta bege com borda preta, “NOVA TEUTONIA/ S. Catarina
BRASIL/ 13-XII-1952/ F. Plauman”; b) etiqueta bege, “Coleção/ M. Alvarenga”.
Macho, etiquetado: a) etiqueta bege manuscrita, “Guarapuava/ H. Schneider/
12-55”; b) etiqueta bege manuscrita, “Cyclocepha-/La ♂/ 880”; c) etiqueta bege,
“Coleção/ F. Justus Jor”. Macho (3), etiquetado: a) etiqueta bege, “D/ 69 ♂./
33
10.57”, verso, “Brasil/ Paraná/ Rolandia”. Macho, etiquetado: a) etiqueta bege
manuscrita, “P. Grossa/ 11-42”; b) etiqueta bege manuscrita, “Cyclocephala/ ♂/
880”; c) etiqueta bege, “Coleção/ F. Justus Jor”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
bege, “CASTRO PR/ Brasil 19 XII-1968/ S. Laroca”. Fêmea (2), etiquetada: a)
etiqueta bege, “D/ 69 ♀./ 10.57”, verso, “Brasil/ Paraná/ Rolandia”. Fêmea,
etiquetada: a) etiqueta bege manuscrita, “P. Grossa/ à luz/ 11-51”; b) etiqueta
bege manuscrita, “Cyclocephala/ ♀/ 880”; c) etiqueta bege, “Coleção/ F. Justus
Jor”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta bege manuscrita, “P. Grossa/ à luz/ 11-42”;
b) etiqueta bege manuscrita, “Cyclocephala/ ♀/ 880”; c) etiqueta bege,
“Coleção/ F. Justus Jor”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “FÊNIX –
PARANÁ/ Reserva Est. – ITCF/ BRASIL 02.XI.1986/ Lev. Ent. PROFAUPAR/
LÂMPADA”. Fêmea (2), etiquetada: a) etiqueta bege com borda preta, “NOVA
TEUTONIA/ S. Catarina BRASIL/ 13-XII-1952/ F. Plauman”; b) etiqueta bege,
“Coleção/ M. Alvarenga”.
4.3.5 Cyclocephala sp. nov. 2
Comentários e diagnose. Espécie distinta de C. latericia pela reunião dos
seguintes caracteres: antenas com lamelas muito desenvolvidas, última lamela
antenal com micropontuações distribuídas densamente na porção inferior e
fêmeas com antenas pequenas.
Macho. Comprimento (17 – 20 mm). Corpo oval, moderadamente brilhante,
superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com algumas cerdas curtas e
finas na porção apical do élitro e na região antero-lateral do pronoto. Cor.
Superfície dorsal do corpo marrom amarelada clara; vértice da cabeça preto;
presença de máculas pretas no pronoto, duas centrais anteriores e duas
posteriores e duas laterais, e três em cada élitro. Cabeça. Forma transversal,
com pontuação densa na região intra-ocular, formando dois conjuntos
circulares de pontos profundos, com cerdas longas e grossas; clípeo curto,
duas vezes mais largo que longo, ápice com borda direcionada abruptamente
para cima, formando um ângulo de aproximadamente 90°, lados subparalelos,
direcionados levemente para cima, pontuação alongada, formando rugosidade,
34
sendo mais expandidas lateralmente, com cerdas longas e grossas em cada
ponto. Sutura fronto-clipeal completa, levemente marcada e sinuosa,
encontrando a margem interna do olho lateralmente. Maxilas simétricas; lacínia
com seis dentes, formando três planos, sendo o segundo composto por quatro
dentes, um dente basal obtuso e proximal em relação ao terceiro plano e com a
base convexa, e o último dente mais distal a frente do primeiro plano com
margem interna ultrapassando a linha basal do primeiro dente do segundo
plano; todos os demais dentes agudos. Estipe com a margem interna
arredondada, gálea curta. Último palpômero com estrutura sensorial ovalada,
com os ápices afilados, correspondendo à metade do comprimento do
palpômero, bem próximo da base. Mento
alongado, com os
lados
arredondados e convergindo levemente para o ápice, formando uma carena de
cada lado e com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas,
atingindo o ápice do lábio, convergindo na porção mediana. Margens do lábio
paralelas até o ápice, com porção mediana levemente escavada e ápice
moderadamente côncavo; pontuação forte e coalescente nas laterais e
moderadamente distribuída; distância entre as carenas maior que em C.
latericia. Antenas com lamelas duas vezes mais longas que o comprimento
dos antenômeros 2-7 juntos; última lamela antenal densamente pontuada por
toda a extensão da porção inferior. Tórax. Pronoto com superfície fracamente
pontuada; pontuações concentradas nas laterais e base; cerdas curtas e finas
concentradas nos ângulos anteriores. Élitros. Superfície distintamente
pontuada, desuniformemente pontuado, sendo as estrias elitrais pouco distintas
e formadas por fileiras mal definidas de pontos pequenos. Cerdas restritas à
região posterior do élitro e sempre curtas, grossas e esparsas; três máculas
negras em cada élitro, duas laterais anteriores, próximas ao úmero, duas
centrais logo após o escutelo e ligadas à sutura elitral e duas posteriores antes
da declividade elitral. Pernas. Tíbia anterior larga com três dentes externos,
diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os dois primeiros mais
desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente quatro vezes menor
que a distância entre segundo e terceiro; margem do ápice reta. Tíbias médias
e posteriores com duas carenas diagonais completas e um conjunto de cerdas
longas e grossas próximas à base que dão um aspecto de uma terceira carena.
Ventre. Coloração geral mais escura que a face dorsal; último ventrito com o
35
ápice sinuoso, formando uma escavação ampla, com 1/3 da sua largura;
pigídio
moderadamente
convexo,
com
cerdas
longas
e
densamente
distribuídas. Genitália. Parâmeros arredondados, largos, com ápice afilado e
convergente quase se unindo; base projetada, paralela e unida; dorsalmente
côncavos, com duas concavidades fortes uma anterior e outra posterior, sendo
as laterais voltadas para cima e convexas; superfície densamente pontuada da
base até as abas; pontos pequenos e profundos.
Descrição fêmea. Difere do holótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo
menos alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a
coloração geral do corpo mais escura. Cabeça com pontuações coalescentes
na fronte e pontos enrugados no clípeo; clípeo com angulação mais evidente
na base; antenas significativamente menores, com as lamelas tão longas
quanto o comprimento dos antenômeros 2-7; élitros mais densamente
pontuados, com estrias formadas por fileiras de pontos grandes, concentrados
nas laterais; borda elitral levemente angulada na porção final e formando uma
fraca carena longitudinal lateral; epipleura com a margem externa arredondada;
tíbia anterior com três espinhos externos bem desenvolvidos e nitidamente
mais alargadas; último ventrito não sinuoso distalmente, simplesmente
convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas, mais estretito e menos
convexo;
Distribuição. Brasil (Pará; Rondônia)
Variação. Comprimento variando entre 17.0 – 20.0 mm. Fêmeas não
apresentam as máculas centrais do élitro ligadas à sutura elitral.
Observações. Como o holótipo macho não estava dissecado a descrição da
genitália foi realizada com base no material adicional.
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “BRASIL, PA/ Novo progresso/ Serra do Cachimbo/ X - 2010”. Macho
(5), etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, PA/ Novo progresso/ Serra do
Cachimbo/ X - 2010”. Fêmea (2), etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL, PA/
Novo progresso/ Serra do Cachimbo/ X - 2010”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “BRASIL, RO/ Cerejeiras/ 28-30.IX.2007/ R. M. Koike Leg.”. Fêmea (2),
36
etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL, RO/ Cerejeiras/ 28-30.IX.2007/ R. M.
Koike Leg.”. Macho (2), etiquetado: a) etiqueta bege, “Ouro Preto/ d’Oeste, RO/
10-X-1987/ C. Elias, leg”; b) etiqueta bege, “Projeto Po/ lonoroeste”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta bege, “Ouro Preto/ d’Oeste, RO/ 18-X-1987/ C. Elias,
leg”; b) etiqueta bege, “Projeto Po/ lonoroeste”.Fêmea, etiquetada: a) etiqueta
bege, “Ouro Preto/ d’Oeste, RO/ 10-X-1987/ C. Elias, leg”; b) etiqueta bege,
“Projeto Po/ lonoroeste”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta bege, “Ouro Preto/
d’Oeste, RO/ 29-X-1987/ C. Elias, leg”; b) etiqueta bege, “Projeto Po/
lonoroeste”.
4.3.6 Cyclocephala sp. nov. 3
(Fig. 07)
Comentários e diagnose. Espécie semelhante à encontrada no Pará, mas
distinta devido à coloração do élitro opaca; ápice da tíbia anterior não reto,
micropontuações da última lamela não se estendendo por toda a porção inferior
e fêmea com lamela igual a do macho.
Macho. Comprimento (17.0 – 23.3 mm). Corpo oval, opaco, superfície dorsal
glabra em sua maior extensão, com algumas cerdas curtas e grossas na
porção final do élitro, na sutura elitral e na região antero-lateral do pronoto.
Cor. Superfície dorsal do corpo marrom ocre; vértice da cabeça preto;
presença de máculas pretas no pronoto, duas centrais anteriores e duas
posteriores e duas laterais, e três em cada élitro. Cabeça. Forma transversal,
com pontuação densa na região intra-ocular, formando dois conjuntos
circulares de pontos profundos, com cerdas longas e finas; vértice
esparsamente pontuado, pontos pequenos; clípeo alongado, arredondado,
porém mais largo que longo, ápice com borda direcionada abruptamente para
cima, formando um ângulo de aproximadamente 90°, lados subparalelos,
direcionados levemente para cima, pontuação coalescente, principalmente
lateralmente, com cerdas longas e finas em cada ponto. Sutura fronto-clipeal
completa, fortemente marcada,
formando
uma
depressão
e
sinuosa,
37
encontrando a margem interna do olho lateralmente. Maxilas simétricas; lacínia
com seis dentes, formando três planos, sendo o segundo composto por quatro
dentes, um dente basal agudo e proximal em relação ao terceiro plano e com a
base ligeiramente convexa, e o último dente mais distal a frente do primeiro
plano; todos os demais dentes agudos. Estipe com a margem interna
arredondada, gálea curta. Mento alongado, com os lados arredondados e
convergindo abruptamente para o ápice, formando uma carena de cada lado e
com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas, atingindo o
ápice do lábio, convergindo para a porção mediana. Margens do lábio paralelas
até o ápice, com porção mediana levemente escavada e ápice moderadamente
côncavo; mento densamente pontuado por pontos grandes. Antenas com
lamelas duas vezes mais longas que o comprimento dos antenômeros 2-7
juntos; última lamela antenal densamente pontuada na porção inferior, mas não
por toda sua extensão. Tórax. Pronoto com superfície fracamente pontuada;
pontuações restritas às laterais e à base; cerdas curtas e grossas concentradas
nos ângulos anteriores. Élitros. Superfície fracamente pontuada; estrias elitrais
formadas por fileiras mal definidas de pontos pequenos, e desuniformes.
Cerdas restritas à região posterior do élitro e sempre curtas, grossas e
esparsas; três máculas negras em cada élitro, duas laterais anteriores, duas
centrais anteriores e duas posteriores antes da declividade elitral. Pernas.
Tíbia anterior distintamente alargada, com três dentes externos, diminuindo em
tamanho do ápice para a base, sendo os dois primeiros mais desenvolvidos;
distância entre o primeiro e segundo dente quatro vezes menor que a distância
entre segundo e terceiro; ápice não reto. Tíbias médias e posteriores com duas
carenas diagonais completas e uma carena basal incompleta. Ventre.
Coloração geral mais clara nos últimos esternitos e mais escura nos primeiros
que a face dorsal; último ventrito com o ápice sinuoso, formando uma
escavação ampla, com 1/3 da sua largura; pigídio levemente convexo, com
cerdas longas e densas. Genitália. Parâmeros arredondados e alongados, com
ápice afilado e convergente quase se unindo; base projetada, paralela e unida;
dorsalmente côncavos, com duas concavidades fortes, uma anterior e outra
posterior, sendo as laterais voltadas para cima e convexas; superfície
pontuada; pontuações pequenas e profundas, mais concentradas nas laterais,
e se estendendo até a base dos parâmeros.
38
Descrição fêmea. Difere do holótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo
menos alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a
coloração geral do corpo mais escura. Cabeça com pontuações coalescentes
na fronte e pontos enrugados no clípeo; sutura fronto-clipeal bissinuosa; clípeo
com angulação mais evidente na base; élitros mais densamente pontuados,
com estrias formadas por fileiras de pontos grandes, concentrados nas laterais;
borda elitral levemente angulada na porção final e formando uma fraca carena
longitudinal lateral; epipleura com a margem externa arredondada; tíbia anterior
com três espinhos externos bem desenvolvidos e nitidamente mais alargadas;
último ventrito não sinuoso distalmente, simplesmente convexo; pigídio com
poucas cerdas curtas e finas, mais estreito e menos convexo;
Distribuição. Brasil (Bahia; Goiás).
Variação. Machos e fêmeas podem apresentar os élitros com máculas
fusionadas, podendo cobrir inteiramente o élitro. Mento pode apresentar menor
grau de pontuação.
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “Brasil, Goiás/ Niquelândia, xi-1994/ F. Z. Vaz-de-Mello leg.”. Macho
(2), etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil, Goiás/ Niquelândia, xi-1994/ F. Z.
Vaz-de-Mello leg.”. Fêmea (3), etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil, Goiás/
Niquelândia, xi-1994/ F. Z. Vaz-de-Mello leg.”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “Brasil, Bahia/ Barreiras, i-1991, F. Z./ Vaz-de-Mello leg.”.
4.3.7 Cyclocephala sp. nov. 4
(Fig. 08)
Comentários e diagnose. Espécie similar à C. latericia, sendo a mais
erroneamente identificada, com ampla distribuição, porém difere da mesma
devido a reunião dos seguintes caracteres: sutura fronto-clipeal sinuosa e
edeago sem as projeções medianas ventrais.
39
Macho. Comprimento: 20.0 – 23.0 mm. Corpo oval, moderadamente alongado
e brilhante, superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com cerdas curtas
e grossas na porção apical do élitro, na sutura elitral e na região antero-lateral
do pronoto. Cor. Superfície dorsal do corpo marrom amarelada; vértice da
cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto, sendo duas centrais
anteriores, duas posteriores e duas laterais, e três em cada élitro. Cabeça.
Forma transversal, com pontuação densa na região intra-ocular, formando dois
conjuntos circulares de pontos profundos, com cerdas longas e grossas; clípeo
curto, arredondado, quase duas vezes mais largo que longo, ápice com borda
direcionada
abruptamente
para
cima,
formando
um
ângulo
de
aproximadamente 90°, lados subparalelos, direcionados levemente para cima,
pontuação transversa, com cerdas curtas e grossas nas laterais. Sutura frontoclipeal completa, fracamente marcada e sinuosa, encontrando a margem
interna do olho lateralmente. Maxilas simétricas; lacínia com seis dentes, sendo
dois distais superiores, um abaixo e um acima, este com uma carena interna
que não atinge metade da base do próximo dente, dois medianos agudos e
dois inferiores, sendo o último dente basal com margem angulada. Estipe com
margem lateral ligeiramente angulosa. Último palpômero com estrutura
sensorial ovalada, com um ápice afilado e o outro reto, com tamanho menor
que a metade do palpômero. Mento alongado, com os lados arredondados e
convergindo abruptamente para o ápice, formando uma carena de cada lado e
com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas, fundindo-se ao
lábio no ápice, mas não completas. Margens do lábio paralelas até o ápice,
com porção mediana levemente escavada e ápice moderadamente côncavo;
pontuação fraca e esparsamente distribuída, com o centro liso. Antenas com
lamelas tão longas quanto o comprimento dos antenômeros 2-7 juntos. Tórax.
Pronoto com superfície fracamente pontuada; pontuações restritas às laterais e
à base; cerdas curtas e grossas concentradas nos ângulos anteriores. Cada
élitro com três máculas negras, duas laterais anteriores, duas centrais logo
após o escutelo e duas posteriores antes da região apical. Pernas. Tíbia
anterior com três dentes externos, diminuindo em tamanho do ápice para a
base, sendo os dois primeiros mais desenvolvidos; distância entre o primeiro e
segundo dente quatro vezes menor que a distância entre o segundo e o
terceiro. Tíbias médias e posteriores com duas carenas diagonais completas e
40
uma basal incompleta. Ventre. Coloração ventral mais clara que a dorsal,
distintamente hirsuta; último ventrito com a borda sinuosa, formando uma
escavação ampla de 1/3 da sua largura; pigídio levemente convexo, com
cerdas longas e esparsas. Genitália. Parâmeros arredondados e ligeiramente
alongados, com ápice afilado e convergente quase se tocando; base projetada,
paralela e unida; dorsalmente côncavos, com duas concavidades fortes, uma
porção anterior e outra na posterior, com as laterais voltadas para cima e para
os lados; superfície pontuada; pontuações pequenas e profundas, mais
concentradas nas laterais, e se estendendo até a base dos parâmeros.
Descrição fêmea. Difere do macho nos seguintes aspectos: corpo menos
alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a coloração
geral do corpo normalmente mais escura. Cabeça com pontuações
coalescentes na fronte e pontos enrugados no clípeo; clípeo com angulação
mais evidente na base; élitros mais densamente pontuados, formando estrias
de pontos grandes, concentrados nas laterais; borda elitral levemente angulada
no ápice com uma fraca carena longitudinal lateral; epipleura com a margem
externa arredondada; tíbia anterior nitidamente mais alargada com três
espinhos externos bem desenvolvidos; último ventrito com a borda não sinuosa
distalmente, simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas,
mais estreito e menos convexo.
Distribuição. Brasil (Mato Grosso; Minas Gerais; Goiás; Mato Grosso do Sul).
Variação. Machos e fêmeas podem apresentar o pronoto e os élitros
desprovidos de máculas, ou estas se encontram obsoletas, ou as máculas
elitrais encontram-se fundidas, tornando o élitro negro.
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
bege, “Brasil – MGr./ Rio Verde/ 400 m”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca,
“BRASIL: Mato Grosso/ Tangará da Serra Santa Inês/ Manual/ 28-X-2010/ B.
Parpinelli”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho (2), etiquetado: a) etiqueta
branca, “Tangará da Serra, MT/ 22 de out. de 2005/ SILVA, D.”; b) etiqueta
branca, “sp 3/ Ordem: Coleoptera/ Família: Scarabaeidae/ Hosp: Annona sp”; c)
41
“COLEÇÃO E./ & P. Grossi”. Fêmea (4), etiquetada: a) etiqueta branca,
“BRASIL: Mato Grosso./ Alta Floresta. Chac/ Recanto das Orquideas./ 30-IX2011Petini-Benelli”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta
branca, “BRASIL: Mato Grosso/ Cuiabá. Jd. Industriário. Manual/ 13-IX-2011/ Z.
Hubner”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta bege, “MT
– CUIABÁ/ 6-XI-1988/ MA CIESKI”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Fêmea,
etiquetada: a) etiqueta branca, “BR. MT. Cuiabá/ UFMT/ 30.XII.2011/
Coleoptera/ Melolonthinae/ L. Souza.”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Fêmea,
etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso/ Cuiabá. Bairro:/
Primavera/ Manual/ 10-IX-2010/ S. Cajango”; b) etiqueta branca, “CEMT”.
Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso/ Cuiabá.
Manual/ Rod: Palmiro Paes de/ Barros Km05/ 10-VIII-2010/ P. Barbosa”; b)
etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta bege, “MT – CUIABÁ/
RES COXIPÓ/ 02-VI-89/ GIANNI”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta branca, “BR. MT/ Cuiabá - UFMT/ Coleoptera:
Melolonthinae/ Cidade Alta 14.IX.2011/ L. Padilha”; b) etiqueta branca, “CEMT”.
Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso/ Cuiabá
alvorada/ 25-II-2011/ Ludimila Campos”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso/ Cuiabá/ Col manual
10.XI.2010/ Leg PROACorrêa”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado:
a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso/ JD Costa Verde/ 22.VIII.2010/
Arildo G. pereira”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “BRASIL: Mato Grosso./ Cuiabá. 16-11-2008. col/ manual./ AAS Pinto”;
b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL:
Mato Grosso./ Cuiabá. 2008 col manual/ JRA Monteiro”; b) etiqueta branca,
“CEMT”. Macho, etiqueado: a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso./
Cuiabá. Rod: Palmiro/ Paes de Barros Km05/ Manual/ 16-VIII-2010/ D. de
Campos”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca,
“BRASIL: Mato Grosso,/ Campo Verde, Fazenda/ Caverá manual/ 21-X-2011/
A. Biava”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca,
“Itutinga, MG-BR/ 03.XI.2002/ P. D. Rios Col”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO/
E & P Grossi”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, MG/ Lavras,
16.X./ 89 D. Silva lg.”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO/ E & P Grossi”; c)
etiqueta branca, “C. latericia ♂/ Höhne, 1923/ P. Grossi det. 2010”. Fêmea (5),
42
etiquetada: a) etiqueta bege, “RIO BRILHANTE – MT/ BRASIL 21-28.X.70/ V.
O. Becker leg.”; b) etiqueta bege, “DPTO ZOOL/ UF-PARANÁ”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta branca, “BR – MS – Aquidauana/ 19-XI-2007/ Fazenda –
UEMS/ 20°28’S 55°48’W/ armadilha luminosa/ Rodrigues, S.R”; b) etiqueta
branca, “C 44”. Fêmea (3), etiquetada: a) etiqueta bege, “Brasil – MGr./ Rio
Verde/ 400 m”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta bege, “Brasil – MGr./ Rio Verde/
400 m”; b) etiqueta rosa, “D. Aberr./ 7 Pernas”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
bege, “R. Verde – MT/ BR – X 1966/ A. Maller leg”; b) etiqueta bege
manuscrita, “D 103 ♂ (Ma)/ Cyclocephala/ signata Burm./ Rio verde, m. grosso/
10.66”. Macho (5), etiquetado: a) etiqueta bege, “Brasil – MGr./ Rio Verde/ 400
m”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BR – MS/ Cassilândia/ 01.i.2012/ D.
Jesus”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta bege manuscrita, “ROSARIO OESTE/
MT – BRASIL/ X-1968/ A. MALLER”; b) etiqueta bege, “DPTO ZOOL/ UFPARANÁ”; c) etiqueta bege manuscrita, “D 103 ♀ (Ma)/ Cyclocephala/ signata
Drury/ Rosario Oeste, m. grosso/ 10.68”. Fêmea (4), etiquetada: a) etiqueta
bege, “Brasil MGr./ Rosario/ Oeste”. Macho (3), etiquetado: a) etiqueta bege,
“Brasil MGr./ Rosario/ Oeste”. Fêmea (2), etiquetada: a) etiqueta bege,
“PARECIS/ M. Grosso Brasil/ X-1960/ M. Alvarenga leg”. Fêmea, etiquetada: a)
etiqueta bege, “Chap. Guimarães – MT/ 18.XI.1983/ Exc. Dep. Zool – UFPR/
(Polonoroeste)”; b) etiqueta bege, ““DPTO ZOOL/ UF-PARANÁ”. Fêmea,
etiquetada: a) etiqueta branca, “Cáceres, MT./ 13.XI.1984/ Buzzi, Mielke, Elias/
Casagrande leg./ PROJ. POLONOROESTE”; b) etiqueta bege, “DPTO ZOOL/
UF-PARANÁ”. Macho (3), etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, MT/
Diamantino. Alto Rio/ Arinos X-1998/ F. Furtado leg”; b) etiqueta branca,
“COLEÇÃO E./ & P. Grossi”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “Cuiabá,
MT, BRA/ 20-IX-2009/ Dutra, B. A. M Col”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta branca, “Cuiabá, MT, BRA/ 15-X-2009/ Oliveira, M. J. P.
A. col”; b) etiqueta branca, “CEMT”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca,
“BRASIL: Mato Grosso/ Poconé Malhada/ Pitfall/ 10-XI-2010/ A. Pinheiro”; b)
etiqueta branca, “CEMT”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL Mato
Grosso/ São Vicente da Serra Manual/ 29-II-2010/ Arildo G. pereira”; b) etiqueta
branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL Mato
Grosso./ S. Antônio. manual/ 14-XII-2011/ Pinho. R, F”; b) etiqueta branca,
“CEMT”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL: Mato Grosso/
43
Várzea Grande. Capela do/ Piçarão. 2-XI-2008. APE/ Silva”; b) etiqueta branca,
“CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta bege, “VIANÓPOLIS – GO/ Ponte
Funda/ BRASIL 10-X-1966/ N. Tangerini leg”; b) etiqueta bege, “DPTO ZOOL/
UF-PARANÁ”. Macho, etiquetado: a) etiqueta bege, “VIANÓPOLIS – GO/
Ponte Funda/ BRASIL 06-10-1966/ N. Tangerini leg”; b) etiqueta bege, “DPTO
ZOOL/ UF-PARANÁ”. Fêmea (2), etiquetada: a) etiqueta bege, “ARAGARÇAS/
Goiás BRASIL/ X.1959/ Moacir Alvarenga”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
branca manuscrita, “MT. B. GARÇAS/ 14-X-1988/ KÁTIA PEREIRA”; b)
etiqueta branca manuscrita, “SCARABAEI/ DAE”; c) etiqueta branca, “CEMT”.
Macho, etiquetado: a) etiqueta branca manuscrita, “MT. B. GARÇAS/ 16-X1988/
KÁTIA
R.
d.
MENDES”;
b)
etiqueta
branca
manuscrita,
“SCARABAEIDAE”; c) etiqueta branca, “CEMT”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
bege manuscrita, “Brasil – MT./ Alto Garças”. Macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “Brasil, Mato Grosso/ Guiratinga/ 30-X-2009 E. Faria”; b) etiqueta
branca, “Ordem Coleoptera/ Família Scarabaeidae”; c) etiqueta branca,
“CEMT”. Fêmea (3), etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, MT/ Diamantino.
Alto Rio/ Arinos X-1998/ F. Furtado leg”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO E./ &
P. Grossi”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “Lavras – MG/ Brasil 6-8-99/
Boregas, K.”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”.
Comentários. Na série-tipo de Cyclocephala latericia, a maioria dos
exemplares erroneamente identificados, pertencem a esta nova espécie.
4.3.8 Cyclocephala sp. nov. 5
(Fig. 09)
Comentários e diagnose. Espécie muito próxima de C. latericia, difere por
possuir maxila com sete dentes.
Macho. Comprimento (19.0 – 22.0 mm). Corpo oval, moderadamente opaco,
superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com algumas cerdas curtas e
grossas que atingem até o disco elitral, cerdas longas e finas nas laterais do
pronoto, fronte e laterais do clípeo. Cor. Superfície dorsal do corpo ocre
amarelado; vértice da cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto,
44
duas centrais anteriores e duas posteriores e duas laterais, e três em cada
élitro. Cabeça. Forma transversal, com pontuação densa e coalescente na
região intra-ocular, formando dois conjuntos circulares de pontos profundos,
com cerdas longas e finas; clípeo curto, arredondado, quase duas vezes mais
largo que longo, ápice com borda direcionada moderadamente para cima,
formando
um
direcionados
ângulo
levemente
de
aproximadamente
para
cima,
90°,
pontuação
lados
subparalelos,
transversa,
formando
rugosidades, com cerdas longas e finas nas laterais. Sutura fronto-clipeal
completa, fortemente marcada e sinuosa, encontrando a margem interna do
olho lateralmente. Maxilas ligeiramente assimétricas; lacínia com sete dentes,
sendo dois distais superiores, um abaixo e um acima, três medianos agudos,
sendo o quarto dente hialino e dois inferiores, sendo o último dente basal
obtuso e com a base convexa. Estipe com margem lateral ligeiramente
angulosa. Gálea com margem externa angulosa. Mento alongado, com os
lados arredondados e convergindo abruptamente para o ápice, formando uma
carena de cada lado e com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente
marcadas, paralelas até o ápice, sendo o mesmo reto. Margens do lábio
paralelas até o ápice, com porção mediana levemente escavada e ápice
levemente côncavo; pontuação fraca e esparsamente distribuída, sendo mais
concentrada na base. Antenas com lamelas tão longas quanto o comprimento
dos antenômeros 2-7 juntos. Tórax. Pronoto com superfície moderadamente
pontuada, com pontuações concentradas nas laterais e base; cerdas longas e
finas nas laterais e porção mediana do ápice. Élitros. Superfície fracamente
pontuada; estrias elitrais quase obsoletas, formadas por fileiras mal definidas
de pontos pequenos. Cerdas presentes na região posterior do élitro até o disco
elitral e sempre curtas, grossas e esparsas; três máculas negras em cada élitro,
duas laterais oblíquas anteriores, duas centrais logo após o escutelo e duas
contíguas ao escutelo. Pernas. Tíbia anterior delgada, com três dentes
externos, diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os dois
primeiros mais desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente
quatro vezes menor que a distância entre segundo e terceiro. Tíbias médias e
posteriores com duas carenas diagonais completas e uma carena basal
incompleta. Ventre. Coloração geral mais clara que a face dorsal; último
45
ventrito com o ápice reto; pigídio levemente convexo, com cerdas longas e
esparsas. Genitália. Parâmeros arredondados e alargados, laterais com
margem sinuosa, com ápice afilado e convergente quase se unindo; base
projetada, paralela e unida; dorsalmente côncavos, com duas concavidades
fortes uma anterior e outra posterior, sendo as laterais voltadas para cima e
convexas; superfície densamente pontuada da base até as abas; pontos
pequenos e profundos.
Observações. Como o macho holótipo não estava com a genitália dissecada,
a descrição foi feita com base no material adicional.
Descrição. Fêmea. Difere holótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo
menos alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a
coloração geral do corpo normalmente mais escura. Cabeça com pontuações
coalescentes na fronte e enrugados no clípeo; clípeo curto, semi-circular; élitros
mais densamente pontuados, com estrias formadas por fileiras de pontos
moderados, mais concentrados nas laterais; cerdas restritas à região posterior
do élitro e à região da sutura elitral e sempre curtas e grossas; borda elitral
levemente angulada na porção final e formando uma fraca carena longitudinal
lateral; epipleura com a margem externa arredondada; tíbia anterior delgada,
com três espinhos externos bem desenvolvidos; último ventrito não sinuoso
distalmente, simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas,
mais estretito e menos convexo.
Distribuição. Brasil (Minas Gerais)
Variação. Comprimento variando entre 19.0 – 22.0 mm. Fêmeas podem
apresentar os élitros quase inteiramente negros.
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “Brasil, Minas Gerais,/ Montes Claros, xi-/ 1990, F. Z. Vaz-de-/ Mello
leg.”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil, Minas Gerais,/ Montes
Claros, xi-/ 1990, F. Z. Vaz-de-/ Mello leg.”. Fêmea (3), etiquetada: : a) etiqueta
branca, “Brasil, Minas Gerais,/ Montes Claros, xi-/ 1990, F. Z. Vaz-de-/ Mello
leg.”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, MG, Jaiba/ 2 & 4-XI1997/ Altamiro C. Faria Leg”; b) etiqueta branca, “COLEÇÃO E./ & P. Grossi”.
46
Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil, Minas Gerais,/ Montes Claros,
xi-/ 1990, F. Z. Vaz-de-/ Mello leg.”.
Comentários. O holótipo apresenta os dentes da maxila fortemente
desgastados, podendo ter contribuído para a ligeira assimetria das maxilas.
Também apresenta deformação no pronoto e élitros, sendo a lateral anterior
direita com uma escavação próximo ao ângulo anterior do pronoto; élitro
esquerdo amassado sob a mácula central.
4.3.9 Cyclocephala sp. nov. 6
(Fig. 10)
Comentários e diagnose. Espécie muito próxima de C. latericia, difere por
apresentar o corpo mais curto que as demais espécies e pilosidade no disco
elitral.
Macho. Comprimento (13.0 – 17.0 mm). Corpo oval, moderadamente brilhante,
superfície dorsal com cerdas curtas e finas no disco elitral, nas laterais do
pronoto, fronte e laterais do clípeo. Cor. Superfície dorsal do corpo ocre
amarelado; vértice da cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto,
duas centrais anteriores e duas posteriores e duas laterais, e três em cada
élitro. Cabeça. Forma transversal, com pontuação densa e coalescente na
região intra-ocular, formando dois conjuntos circulares de pontos profundos,
com cerdas longas e finas; clípeo curto, arredondado, quase duas vezes mais
largo que longo, ápice com borda direcionada moderadamente para cima,
formando
um
direcionados
ângulo
levemente
de
aproximadamente
para
cima,
90°,
pontuação
lados
subparalelos,
transversa,
formando
rugosidades, com cerdas longas e finas nas laterais. Sutura fronto-clipeal
completa, fracamente marcada e sinuosa, encontrando a margem interna do
olho lateralmente. Maxilas simétricas; lacínia com seis dentes, formando três
planos, sendo um plano composto por quatro dentes, um dente na base atrás
com relação ao plano principal e o último dente a frente do primeiro plano,
dente basal com a margem angulada. Estipe com margem interna angulada.
Gálea com margem externa angulosa. Mento alongado, com os lados
47
convergindo fracamente para o ápice, formando uma carena de cada lado e
com um ângulo de quase 90°; carenas distintamente marcadas, paralelas até o
ápice. Margens do lábio paralelas até o ápice, com porção mediana levemente
escavada e ápice levemente côncavo; pontuação fraca e esparsamente
distribuída. Antenas com lamelas tão longas quanto o comprimento dos
antenômeros 2-7 juntos. Tórax. Pronoto com superfície moderadamente
pontuada, com pontuações concentradas nas laterais e base; cerdas longas e
finas nas laterais e porção mediana do ápice. Élitros. Superfície fracamente
pontuada; estrias elitrais quase obsoletas, formadas por fileiras mal definidas
de pontos pequenos. Cerdas presentes na região posterior e disco elitral e
sempre curtas, finas e esparsas; três máculas negras em cada élitro, duas
laterais oblíquas anteriores, duas centrais logo após o escutelo e duas
contíguas ao escutelo. Pernas. Tíbia anterior larga, com três dentes externos,
diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os dois primeiros mais
desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente quatro vezes menor
que a distância entre segundo e terceiro. Tíbias médias e posteriores com uma
carena diagonal completa e uma carena basal quase completa. Ventre.
Coloração geral mais clara que a face dorsal; último ventrito com o ápice reto;
pigídio levemente convexo, com cerdas longas e esparsas. Genitália.
Parâmeros arredondados e largos, laterais com margem sinuosa, com ápice
afilado e convergente quase se unindo; base projetada, paralela e unida;
dorsalmente côncavos, com duas concavidades fortes uma anterior e outra
posterior, sendo as laterais voltadas para cima e convexas; superfície
densamente pontuada da base até as abas; pontos pequenos e profundos.
Margens externas sinuosas.
Observações. Como o holótipo macho não estava com a genitália dissecada,
as descrições foram feitas com base no material adicional.
Descrição. Fêmea. Difere do holótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo
menos alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a
coloração geral do corpo normalmente mais escura. Cabeça com pontuações
coalescentes na fronte e enrugados no clípeo; clípeo curto, semi-circular; élitros
mais densamente pontuados, com estrias formadas por fileiras de pontos
moderados, mais concentrados nas laterais; cerdas restritas à região posterior
48
do élitro e à região da sutura elitral e sempre curtas e grossas; borda elitral
levemente angulada na porção final e formando uma fraca carena longitudinal
lateral; epipleura com a margem externa arredondada; tíbia anterior delgada,
com três espinhos externos bem desenvolvidos; último ventrito não sinuoso
distalmente, simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas,
mais estretito e menos convexo.
Distribuição. Brasil (Maranhão)
Variação. Comprimento variando entre 13.0 – 17.0 mm. Fêmeas podem
apresentar os élitros quase inteiramente negros.
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “Brasil (MA), Bom Jardim/ REBIO-Res. Biol. Gurupi/ Armad. Luminosa
Base”; b) etiqueta branca, “01 – 05. I. 2011, M. M./ Abreu, E. A. S. Barbosa &/
A. A. Santos, cols.”. Macho (3), etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil (MA),
Bom Jardim/ REBIO-Res. Biol. Gurupi/ Armad. Luminosa Base”; b) etiqueta
branca, “01 – 05. I. 2011, M. M./ Abreu, E. A. S. Barbosa &/ A. A. Santos, cols.”.
Fêmea (4), etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Bom Jardim/ REBIORes. Biol. Gurupi/ Armad. Luminosa Base”; b) etiqueta branca, “01 – 05. I.
2011, M. M./ Abreu, E. A. S. Barbosa &/ A. A. Santos, cols.”. Fêmea,
etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Passo Lumiar/ Porto Macajicuba,
Arm./ Luminosa, 16-18.I.2004, J./ T. Camara & J. W. P. Cama-/ Ra Jr.”. Fêmea
(6), etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Sitio Melancia/ Zona
Rural”; b) etiqueta branca, “Armadilha Luminosa/ 19-20.xii.2006, F. Limei/ rade-Oliveira, cols.”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, MA, S.
Pedro da/ Água Branca, F. Esplanada,/ 045905S-480803W, 06.xii./ 2001, J.
Vidal, rede entomol.”; b) etiqueta branca manuscrita, “INPA”. Fêmea,
etiquetada: a) etiqueta branca, “BRASIL, MA, S. Pedro da/ Água Branca, F.
Esplanada,/ 045905S-480803W, 06.xii./ 2001, J. Vidal, rede entomol.”; b)
etiqueta branca manuscrita, “INPA”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca,
“BRASIL, MA, Urbano/ Santos, Faz. Sol Nascente/ 19-I-2006, Luz C. M. Maia”;
b) etiqueta branca, “COLEÇÃO/ E. & P. Grossi”. Fêmea (3), etiquetada: a)
etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base da
Geraldina”; b) etiqueta branca, “Armadilha Luminosa/ 27.x-1.xi.2008, A. L. Cos/
49
ta & M. B. Aguiar – Neto”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA),
Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base da Geraldina”; b) etiqueta branca,
“Armadilha Luminosa/ 11 – 15. xi. 2007, F./ Limeira-de-Oliveira”. Macho,
etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base
da Geraldina”; b) etiqueta branca, “Armadilha Luminosa/ 23 – 27. x. 2006, F./
Limeira-de-Oliveira”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil (MA),
Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base da Geraldina”; b) etiqueta branca,
“Armadilha Luminosa/ 11 – 15. xi. 2007, F./ Limeira-de-Oliveira”. Macho (7),
etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base
da Geraldina”; b) etiqueta branca, “Armadilha Luminosa/ 27.x-1.xi.2008, A. L.
Cos/ ta & M. B. Aguiar – Neto”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil
(MA), Caxias/ Res. Ecol. Inhamum/ Pov. Coites”; b) etiqueta branca, “Armadilha
Luminosa/ 22 – 23.ii.2011, F. Li/ meira-de-Oliveira, cols.”. Fêmea (9), a)
etiqueta branca, “Brasil (MA), Caxias/ Res. Ecol. Inhamum/ 30.xi-02.xii.2005/ R.
O. Souza et al.”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Caxias/
Res. Ecol. Inhamum/ Povoado Coités”; b) etiqueta branca, “Armadilha
Luminosa/ 03-05.x.2005 F. Li-/ meira-de-Oliveira”. Macho, etiquetado: a)
etiqueta branca, “Brasil (MA), Caxias/ Res. Ecol. Inhamum/ 30.xi-02.xii.2005/ R.
O. Souza et al.”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Caxias/
Res. Ecol. Inhamum/ Armadilha Luminosa”; b) etiqueta branca, “20-22.xii.2006,
F. Li/ meira-de-Oliveira”. Macho (2), etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil
(MA), Caxias/ Res. Ecol. Inhamum/ Povoado Coités”; b) etiqueta branca,
“Armadilha
Luminosa/
01.x.2008
F./
Limeira-de-Oliveira”.
Fêmea
(29),
etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base
dos Cágados/ 06°46’37”S/45°06’34”W”. b) etiqueta branca, “Armadilha
luminosa (UV)/ 27. xi. – 03. Xii. 2011, A. A./ Santos, T. M. A. Lima & F./
Limeira-de-Oliveira, cols”. Macho (13), etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil
(MA),
Mirador/
Parque
Est.
Mirador/
Base
dos
Cágados/
06°46’37”S/45°06’34”W”. b) etiqueta branca, “Armadilha luminosa (UV)/ 27. xi.
– 03. Xii. 2011, A. A./ Santos, T. M. A. Lima & F./ Limeira-de-Oliveira, cols”.
Fêmea (6), etiquetada: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Carolina/ Fazenda
Cincará/ Armadilha Luminosa/ 17 – 22. x. 2009”; b) etiqueta branca, “F.
Limeira-de-Oliveira,/ R. O. Souza & M. B./ Aguiar Neto, cols.”. Macho (7),
etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Carolina/ Fazenda Cincará/
50
Armadilha Luminosa/ 17 – 22. x. 2009”; b) etiqueta branca, “F. Limeira-deOliveira,/ R. O. Souza & M. B./ Aguiar Neto, cols.”. Macho (4), etiquetado: a)
etiqueta branca, “Brasil (MA), Caxias/ Res. Ecol. Inhamumr/ Armadilha
Luminosa/ 30.xi02.xii. 2005/ R. O. Souza et al.”. Fêmea (2), etiquetada: a)
etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Sitio Melancia/ Zona Rural”; b) etiqueta
branca, “Armadilha Luminosa/ 19-20.xii.2006, F. Limei/ ra-de-Oliveira, cols.”.
Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “Brasil (MA), Mirador/ Sitio Melancia/
Zona Rural”; b) etiqueta branca, “Armadilha Luminosa/ 19-20.xii.2006, F. Limei/
ra-de-Oliveira, cols.”.
4.3.10 Cyclocephala sp. nov. 7
Comentários e diagnose. Espécie muito próxima de Cyclocephala sp. nov. 6,
diferenciada devido a presença de maxilas com 8 dentes
Macho. Comprimento (14.5 mm). Corpo curto, oval, moderadamente brilhante,
superfície dorsal com cerdas curtas e finas no disco elitral, nas laterais do
pronoto, fronte e laterais do clípeo. Cor. Superfície dorsal do corpo ocre
amarelado; vértice da cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto,
duas centrais anteriores e duas posteriores e duas laterais, e três em cada
élitro. Cabeça. Forma transversal, com pontuação densa e coalescente na
região intra-ocular, formando dois conjuntos circulares de pontos profundos,
com cerdas longas e finas; clípeo curto, arredondado, quase duas vezes mais
largo que longo, ápice com borda direcionada moderadamente para cima,
formando
um
direcionados
ângulo
levemente
de
aproximadamente
para
cima,
90°,
pontuação
lados
subparalelos,
transversa,
formando
rugosidades, com cerdas longas e finas nas laterais. Sutura fronto-clipeal
completa, fracamente marcada e sinuosa, encontrando a margem interna do
olho lateralmente. Maxilas simétricas; lacínia com oito dentes, formando três
planos, sendo um plano composto por cinco dentes, dois dente na base atrás
com relação ao plano principal e o último dente a frente do primeiro plano,
dente basal com a margem angulada. Estipe com margem interna angulada.
51
Gálea com margem externa angulosa. Mento largo, com os lados convergindo
fracamente para o ápice, formando uma carena de cada lado e com um ângulo
de quase 90°; carenas distintamente marcadas, paralelas até o ápice. Margens
do lábio paralelas até o ápice, com porção mediana levemente escavada e
ápice levemente côncavo; pontuação fraca e esparsamente distribuída.
Antenas com lamelas tão longas quanto o comprimento dos antenômeros 2-7
juntos. Tórax. Pronoto com superfície moderadamente pontuada, com
pontuações concentradas nas laterais e base; cerdas longas e finas nas
laterais e porção mediana do ápice. Élitros. Superfície fracamente pontuada;
estrias elitrais quase obsoletas, formadas por fileiras mal definidas de pontos
pequenos. Cerdas presentes na região posterior e disco elitral e sempre curtas,
finas e esparsas. Pernas. Tíbia anterior larga, com três dentes externos,
diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os dois primeiros mais
desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente quatro vezes menor
que a distância entre segundo e terceiro. Tíbias médias e posteriores com duas
carenas diagonais completas e uma carena basal incompleta. Ventre.
Coloração geral mais clara que a face dorsal; último ventrito com o ápice reto;
pigídio levemente convexo, com cerdas longas e esparsas.
Genitália.
Parâmeros arredondados e largos, laterais com margem sinuosa, com ápice
afilado e convergente quase se unindo; base projetada, paralela e unida;
dorsalmente côncavos, com duas concavidades fortes uma anterior e outra
posterior, sendo as laterais voltadas para cima e convexas; superfície
densamente pontuada da base até as abas; pontos pequenos e profundos.
Descrição. Fêmea. Fêmea não conhecida para essa espécie
Distribuição. Brasil (Maranhão)
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
branca, “Brasil (MA), Mirador/ Parque Est. Mirador/ Base do Mosquito”. b)
etiqueta branca, “Armadilha luminosa/ 26-27. x. 2008, A. L. Cos/ ta & M. B.
Aguiar – Neto”. Macho, etiquetado: a) etiqueta branca, “BRASIL, MA, Urbano/
Santos, Faz. Sol Nascente/ 19-I-2006, Luz C. M. Maia”; b) etiqueta branca,
“COLEÇÃO/ E. & P. Grossi”.
52
4.3.11 Cyclocephala sp. nov. 8
(Fig. 11)
Comentários e diagnose. Espécie muito próxima de Cyclocephala sp. nov. 4,
difere pela coloração opaca.
Macho. Comprimento (22.0 mm). Corpo curto, oval, moderadamente brilhante,
superfície dorsal glabra em sua maior extensão, com algumas cerdas curtas e
grossas no ápice do élitro. Cor: Superfície dorsal marrom amarelado; vértice da
cabeça preto; presença de máculas pretas no pronoto, duas centrais
anteriores, duas apicais e duas laterais. Cabeça. Forma transversal, com
pontuação densa e coalescente na região intra-ocular, formando dois conjuntos
circulares de pontos profundos, com cerdas longas e finas; clípeo longo, porém
mais largo que longo, ápice com borda direcionada moderadamente para cima,
formando
um
direcionados
ângulo
levemente
de
aproximadamente
para
cima,
90°,
pontuação
lados
subparalelos,
transversa,
formando
rugosidades, com cerdas longas e finas nas laterais. Sutura fronto-clipeal
completa, fortemente marcada e sinuosa, quase não encontrando a margem
interna do olho. Maxilas simétricas; lacínia com seis dentes, formando três
planos, sendo um plano composto por quatro dentes, um dente na base atrás
com relação ao plano principal e o último dente a frente do primeiro plano,
dente basal agudo. Estipe com margem interna angulada. Gálea com margem
externa arredondada. Mento alongado, com os lados convergindo fracamente
para o ápice, formando uma carena de cada lado e com um ângulo de quase
90°; carenas distintamente marcadas, paralelas até o ápice. Margens do lábio
paralelas até o ápice, com porção mediana levemente escavada e ápice
levemente côncavo; pontuação fraca e esparsamente distribuída. Antenas com
lamelas tão longas quanto o comprimento dos antenômeros 2-7 juntos,
ligeiramente convexas. Tórax. Pronoto com superfície moderadamente
pontuada, com pontuações concentradas nas laterais e base; cerdas longas e
finas nas laterais e porção mediana do ápice. Élitros. Superfície fracamente
pontuada; estrias elitrais formadas por fileiras mal definidas de pontos
pequenos. Cerdas presentes na região posterior e disco elitral e sempre curtas,
finas e esparsas; élitro sem máculas. Pernas. Tíbia anterior larga, com três
53
dentes externos, diminuindo em tamanho do ápice para a base, sendo os dois
primeiros mais desenvolvidos; distância entre o primeiro e segundo dente
quatro vezes menor que a distância entre segundo e terceiro. Tíbias médias e
posteriores com duas carenas diagonais completas. Ventre. Coloração geral
mais clara que a face dorsal; último ventrito com o ápice reto; pigídio levemente
convexo, com cerdas longas e esparsas. Genitália. Edeago simétrico,
parâmeros arredondados e largos, laterais com margem sinuosa, com ápice
afilado e convergente quase se unindo; base projetada, paralela e unida;
dorsalmente côncavos, com duas concavidades fortes uma anterior e outra
posterior, sendo as laterais voltadas para cima e convexas; superfície
densamente pontuada da base até as abas; pontos pequenos e profundos.
Descrição. Fêmea. Difere holótipo macho nos seguintes aspectos: Corpo
menos alongado, com os élitros mais alargados e mais brilhantes com a
coloração geral do corpo normalmente mais escura. Cabeça com pontuações
coalescentes na fronte e enrugados no clípeo; clípeo curto, semi-circular; élitros
mais densamente pontuados, com estrias formadas por fileiras de pontos
moderados, mais concentrados nas laterais; cerdas restritas à região posterior
do élitro e à região da sutura elitral e sempre curtas e grossas; borda elitral
levemente angulada na porção final e formando uma fraca carena longitudinal
lateral; epipleura com a margem externa arredondada; tíbia anterior delgada,
com três espinhos externos bem desenvolvidos; último ventrito não sinuoso
distalmente, simplesmente convexo; pigídio com poucas cerdas curtas e finas,
mais estretito e menos convexo.
Distribuição. Brasil (Acre)
Material examinado. Material-tipo. Holótipo macho, etiquetado: a) etiqueta
bege manuscrita, “Rio Branco/ 10-IX-1988”. Fêmea, etiquetada: a) etiqueta
bege manuscrita, “Rio Branco/ 10-IX-1988”.
54
5. CONCLUSÕES
Com o estudo morfológico das estruturas e posterior comparação dos
mesmos, o grupo “latericia” ficou definido por 11 espécies, ao invés de três,
como anteriormente descrito. As novas espécies aqui propostas encontravamse erroneamente incluídas com a série de Cyclocephala latericia da coleção
DZUP e ZMHB e somente a partir deste estudo foi possível a sua separação.
Cyclocephala ohausiana tem status bem definido dentro do grupo, com
diferenças morfológicas mais discrepantes entre as espécies como por
exemplo a maxila com cinco dentes e cerdas em forma de gancho.
Cyclocephala cearae destaca-se principalmente pela pilosidade longa e fina no
disco elitral. Cyclocephala sp. nov. 1 possui os parâmeros do edeago
fortemente alongados. Cyclocephala latericia e C. sp. nov. 4 são espécies bem
próximas, porém podem ser facilmente separadas pela presença de projeção
mediana ventral nos parâmeros do edeago de C. latericia. As espécies
Cyclocephala sp. nov. 2 e C. sp. nov. 3 distinguem-se das demais pela lamela
antenal, muito mais desenvolvida que nas outras espécies, podendo as
mesmas ser identificadas entre si, pela composição de micropontuações na
última lamela. Cyclocephala sp. nov. 8 aproxima-se de C. latericia e C. sp. nov.
4, mas distingue-se pela opacidade do élitro quando comparada a estas.
Torna-se claro que as populações do Sul, do Norte e Centro Oeste do
país compõem novas espécies e comprova-se que as espécies C. latericia e C.
cearae são duas espécies distintas. Devido a grande dimensão do gênero, são
necessários novos trabalhos de revisão nos diversos grupos, bem como
descrições de novas espécies.
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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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7. ANEXOS
Fig. 1. Cyclocephala sp. nov. 2 alimentando-se de Araceae.
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Fig. 2. Mapa de distribuição para o grupo "latericia". Em cinza: Bolívia. Em bege: Brasil. Bolinha
preta, Cyclocephala latericia; quadrado verde, C. ohausiana; bolinha rosa, C. cearae; triângulo
azul, C. sp. nov. 1; bolinha roxa, C. sp. nov. 2; quadrado vermelho, C. sp. nov. 3; triangulo
branco, C. sp. nov. 4; quadrado branco, C. sp. nov. 5; quadrado preto, C. sp. nov. 6; bolinha
branca, C. sp. nov. 7; triângulo preto. C. sp. nov. 8.
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