CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES
METROPOLITANAS UNIDAS - UniFMU
CURSO DE FONOAUDIOLOGIA
A ABORDAGEM BILÍNGUE NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA AUDITIVA: OPINIÃO DE PAIS, PROFESSORES E
FONOAUDIÓLOGOS.
Nara Fernandes Barbosa
Tahnee Hirata Hirota
São Paulo.
2008.
CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES
METROPOLITANAS UNIDAS - UniFMU
CURSO DE FONOAUDIOLOGIA
A ABORDAGEM BILÍNGUE NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA AUDITIVA: OPINIÃO DE PAIS, PROFESSORES E
FONOAUDIÓLOGOS.
Nara Fernandes Barbosa
Tahnee Hirata Hirota
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como
critério
conclusão
do
Fonoaudiologia
de
avaliação
Curso
do
de
Centro
parcial
em
Universitário
das
Orientadora: Profa. Dra. Marisa Sacaloski.
2008.
a
Graduação
Faculdades Metropolitanas Unidas.
São Paulo.
para
A ABORDAGEM BILÍNGUE NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA AUDITIVA: OPINIÃO DE PAIS, PROFESSORES E
FONOAUDIÓLOGOS.
Alunas: Nara Fernandes Barbosa
Tahnee Hirata Hirota
BANCA EXAMINADORA
__________________________________________________________________
(Nome e assinatura)
__________________________________________________________________
(Nome e assinatura)
__________________________________________________________________
(Nome e assinatura)
DEDICATÓRIA.
Aos nossos pais, verdadeiros responsáveis pela nossa formação pessoal e profissional.
A eles, pelo apoio e afeto nos momentos mais difíceis, além dos sólidos exemplos de
honestidade e perseverança.
AGRADECIMENTOS.
A Dra. Marisa Sacaloski, por ter aceitado ser a orientadora, ajudado nas horas
em que precisei, pela paciência, compreensão, confiança e ensinamentos depositados
em mim.
À Dra. Maria Lucy Fraga Tedesco, pela sua compreensão e carinho, por se essa
coordenadora e professora tão dedicada em tudo que lhe foi pedido, sempre fez tudo
para seus alunos.
Aos meus pais e irmã, pela paciência em todos os momentos de dúvidas e
estress que passei. E por todos os outros momentos felizes e por sempre estarem ao
meu lado me ajudando e apoiando.
À minha família e amigos que sempre estiveram ao meu lado me apoiando em
tudo e me incentivado em todos esse anos de faculdade.
À Nara minha parceira do Trabalho de Conclusão de Curso, por ter me ajudado
em todos os momentos cansativos e aos momentos alegres que passamos em todos
esses anos.
E a todos as pessoas que conheci na faculdade por terem torcido por mim e me
apoiado, mas principalmente aos meus amigos que estiveram ao meu lado nesses
últimos anos, Flávia Carrijo, Joyce Araújo, Michelle Xavier, Juliane Grecco, Georgea
Sandins e Rodolfo Hernandez.
Tahnee Hirata Hirota
À Dra. Marisa Sacaloski, minha orientadora, pacientemente dedicada, o meu
melhor agradecimento pelo ensino a mim ministrado, bem como pela confiança em mim
depositada. O carinho e atenção demonstrados pelo seu denodado trabalho, sempre
me serão de modelo, sobretudo pelo profissionalismo ilibado de sua conduta.
À incansável Dra. Maria Lucy Fraga Tedesco, coordenadora do curso, minha
homenagem não menos expressiva, em reconhecimento ao seu carinho e dedicação,
sempre presentes, características coadjuvantes ao seu ensino, aspectos esses que
evidenciaram ter me dado, de si, o melhor.
Ao Juliano, meu incentivador e colaborador, que especialmente em horas
difíceis, me socorreu com seu carinho, amparando-me com ternura e alegria,
amorosamente presente.
À Renata, amiga companheira, que se fez sentir sempre solidária, em especial
pelo seu humor acentuadamente generoso.
À Pámela, amiga irmã, que, com sensibilidade profunda e afetuosa,
ilimitadamente compreensiva, pisou cada passo comigo, toda trilha desses quatro anos,
emprestando-me sua solidariedade incondicional de vida.
Aos
meus
familiares,
diretos
e
ou
indiretos,
sempre
entusiástica
e
incentivadoramente interessados, que nas mais diversificadas formas de atitudes
colaboradoras, paralelamente acompanharam minha trajetória.
Aos amigos, que por vezes manifestaram seu melhor apoio e interesse, que me
ajudaram a sempre manter fixo, com seu apoio, meu olhar no ideal que abracei.
Aos meus Pais, figuras expoentes na minha vida, como manancial de exemplos
de
firmeza,
caráter,
generosidade,
seja
pela
insubstituível
dedicação
e
acompanhamento de minha Mãe, incansável e destemida lutadora, companheira amiga
de todas as horas e lugares, seja pela tenacidade de meu Pai, homem de letras, cuja
memória aqui homenageio, como o homem que, sem deixar de exercitar o amor,
deixou-me fonte inesgotável de anseio incontido pelo saber, seguindo-lhe os passos na
direção da luz da sabedoria.
Nara Fernandes
LISTA DE TABELAS.
Tabela 1 – Distribuição da amostra segundo a idade dos diferentes indivíduos
entrevistados...................................................................................................................10
LISTA DE GRÁFICOS.
Gráfico 1 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“O que é deficiência auditiva?” .......................................................................................12
Gráfico 2 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Qual
a
função
da
escola
para
a
pessoa
com
deficiência
auditiva?”
.........................................................................................................................................13
Gráfico 3 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “
Como se dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência
auditiva?” ........................................................................................................................14
Gráfico 4 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Qual é a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência
auditiva?” ........................................................................................................................15
Gráfico 5 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“O que é uma escola bilíngüe?” .....................................................................................16
Gráfico 6 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Qual a importância da língua brasileira de sinais para a pessoa com deficiência
auditiva?” ........................................................................................................................17
Gráfico 7 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Qual a função da língua portuguesa na educação bilíngüe?” .......................................18
Gráfico 8 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Como a língua brasileira de sinais deve ser trabalhada?” ............................................19
Gráfico 9 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Para você, a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala?”
.........................................................................................................................................20
Gráfico 10 – Distribuição percentual das respostas dos fonoaudiólogos entrevistados
para a pergunta: “Como a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala?”
.........................................................................................................................................21
Gráfico 11 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Qual
a
sua
posição
sobre
prótese
auditiva
no
contexto
bilíngüe?”
.........................................................................................................................................22
Gráfico 12 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“O que é educação inclusiva?” .......................................................................................23
Gráfico 13 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“A educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?” ..............................................24
Gráfico 14 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta:
“Como o conceito da educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?”
.........................................................................................................................................25
SUMÁRIO.
Dedicatória..........................................................................................................IV
Agradecimentos..................................................................................................VI
Lista de tabelas...................................................................................................IX
Lista de gráficos..................................................................................................XI
Resumo...............................................................................................................XIV
Abstract...............................................................................................................XVI
INTRODUÇÃO....................................................................................................1
LITERATURA......................................................................................................4
MÉTODO............................................................................................................9
RESULTADOS...................................................................................................11
DISCUSSÃO...................................................................................................... 26
CONCLUSÃO.................................................................................................... 32
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................35
ANEXOS..............................................................................................................i
ANEXO I...............................................................................................................ii
ANEXO II..............................................................................................................iii
RESUMO.
O objetivo do estudo foi verificar de forma qualitativa e quantitativa as opiniões
de pais, professores e fonoaudiólogos sobre a educação bilíngüe. Para tal foi utilizado
um questionário sobre bilingüismo.
Foram selecionados 8 professores, 8 pais de pessoas com deficiência auditiva e
8 fonoaudiólogos, do sexo masculino e feminino com idades variando de 23 a 56 anos.
Para cada indivíduo foi apresentado um termo de consentimento livre e
esclarecido e após esse termo foi apresentado um questionário contendo treze
perguntas dissertativas.
Esse trabalho foi divido em temas, como: deficiência auditiva, bilingüismo e
educação inclusiva. Em relação aos aspectos de deficiência auditiva, os três grupos
entrevistados tiveram opiniões parecidas conceituando que a deficiência auditiva é
apenas a acuidade auditiva; em relação ao bilingüismo professores e fonoaudiólogos
tiveram mais conhecimento sobre o assunto dizendo que na escola bilíngüe é
trabalhado a Libras e a Língua portuguesa; e sobre a educação inclusiva os
professores, fonoaudiólogos e pais, disseram que a escola tem que estar preparada
para receber as pessoas com deficiência auditiva.
A partir dos resultados deste estudo pode-se concluir que: verifica-se que o
Bilingüismo ainda é pouco divulgado e os conceitos a seu respeito são insipientes.
Esses dados poderão ser utilizados para outros estudos, recomendamos que
sejam feitos mais estudos sobre esse assunto e nessa área.
Unitermos: deficiência auditiva; educação bilíngüe; educação inclusiva.
ABSTRACT.
The objective was to determine how the quantitative and qualitative feedback
from parents, teachers and speech pathologists on the bilingual education. To this end
we used a questionnaire on bilingualism.
We selected eight teachers and eight parents of people with hearing loss and
eight speech pathologists, male and female with age ranging from 23 to 56 years.
For each individual was presented with a term of free and informed consent and
after that term was presented a questionnaire containing thirteen questions discourse.
This work was divided into themes such as: deafness, bilingualism and education.
In relation to aspects of hearing loss, the three groups interviewed had similar views
concidering that hearing loss is just the hearing, in relation to teachers and speech
pathologists have Bilingualism more knowledge on the subject saying that the school is
bilingual and is working the Pounds and Portuguese language, and on inclusive
education teachers, speech therapists and parents, said the school has to be ready to
receive people with hearing loss.
From the results of this study it was concluded that: it appears that bilingualism is
still little known and the concepts relating to them are ignorant.
Such data could be used for other studies; we recommend that more studies be
made on this matter and in this area.
Keywords: hearing loss; bilingual education; inclusive education.
INTRODUÇÃO.
A língua é um instrumento de vital importância para o desenvolvimento de certos
processos cognitivos da criança e que há um tempo cronológico e psicológico ideal
para que isto aconteça (FERNANDES, 1995).
A Resolução n. º 48/96 das Nações Unidas, de Março de 1994, Normas sobre a
Igualdade de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, aponta para a necessidade
de se prever a utilização de Língua Gestual na educação dos surdos, bem como de se
garantir a presença de intérpretes como mediadores da comunicação, mencionando,
explicitamente, que dadas as suas especificidades, as crianças surdas constituem um
caso especial no que diz respeito à integração no ensino regular (CAVACA et al, 2007)
Libras é o idioma gestual utilizado pelas pessoas surdas, possui estrutura
gramatical própria e, no lugar das palavras, usa os SINAIS. Os sinais são construídos a
partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no
espaço onde esses sinais são feitos. A língua de sinais é uma língua como qualquer
outra e não apenas gestos combinados e é adquirida naturalmente pela criança surda
(LIMA, 2004).
Uma postura que envolva o bilingüismo prioriza, evidentemente, o fato de que
uma língua precisa ser de domínio do indivíduo para contribuir significativamente para
seu desenvolvimento cognitivo e sua necessidade de comunicação com o meio. Assim,
no bilingüismo, o indivíduo terá a língua de sinais como sua língua natural e,
paralelamente, será exposto a um processo de aprendizagem da língua portuguesa
escrita ou oral (FERNANDES, 1995).
O princípio fundamental do bilingüismo é oferecer à criança um ambiente
lingüístico no qual seus interlocutores se comuniquem com ela de uma forma natural,
da mesma forma que se faz com a criança ouvinte por meio da língua oral (MOURA,
LODI e HARRINSON, 1997).
As pessoas com deficiência auditiva e a comunidade lingüística estão inseridos
dentro de um conceito mais geral de bilingüismo.
A língua de sinais está voltada para as funções visuais, que ainda se encontram
intactas; constituem o modo mais direto de atingir as crianças surdas, o meio mais
simples de lhes permitir o desenvolvimento pleno, e o único que respeita sua
diferença, sua singularidade. Por isso, educar a criança na sua própria língua
favorece seu desenvolvimento emocional (construção de sua identidade, segurança,
auto-estima, etc), cognitivo e social (VYGOTSKY, 1991).
Educar com bilingüismo é “cuidar” para que, por meio do acesso a duas
línguas, se torne possível garantir que os processos naturais de desenvolvimento do
indivíduo, nos quais a língua se mostre instrumento indispensável, seja preservado
(FERNANDES, 1995).
O presente estudo teve por objetivo comparar a opinião de pais, professores e
fonoaudiólogos em relação ao bilingüismo.
LITERATURA.
Neste capítulo apresentamos os textos da literatura compulsada. Optamos por dividi-los
didaticamente segundo as temáticas:
A. Deficiência auditiva.
B. Bilingüismo.
C. Educação inclusiva
A. Deficiência Auditiva:
Silva et. al (2007) referiram que a deficiência auditiva é um problema sensorial,
causando dificuldades na recepção, percepção e reconhecimento dos sons da fala
podendo variar de leve a profundo.
Akiyama (2007) afirmou, quando se confirma que a criança tem uma deficiência
auditiva, ela terá dificuldades em ouvir os sons da fala e do meio ambiente, isso faz com
que a sua aquisição espontânea de fala fique comprometida, mas a comunicação
poderá ser efetiva por meio de LIBRAS.
Schlesinger e Meadow apud Sacaloski (2007) “Surdez profunda é muito mais que um
diagnóstico médico: é um fenômeno cultural em que os modelos e problemas sociais,
emocionais, lingüísticos e intelectuais estão estranhamente vinculados”.
Bevilacqua e Formigoni (2000) descrevem que a prótese auditiva é fundamental para o
desenvolvimento das habilidades acústicas e para a aquisição de linguagem.
Corrêa (2001) acredita que o uso de próteses auditivas possibilita o estabelecimento do
contato entre a criança com perda auditiva e o mundo sonoro.
B. Bilingüismo:
Capovilla (1996) concluiu que a língua de sinais é importante para o desenvolvimento
das funções intelectuais e lingüísticas da criança com deficiência auditiva, durante seu
desenvolvimento.
Kozlowski (2000) descreve que a língua de sinais promove a construção do
pensamento da criança surda. Diz que esta é a língua da discussão, comunicação e
expressão de pensamentos.
Fernandes (2004) descreveu que o aprendizado da língua portuguesa do surdo
encontra dificuldades, tais como: a segunda língua será compreendida pelo surdo como
uma língua estrangeira, já que a estrutura gramatical desta é diferente de sua língua
materna, a de sinais; às diferenças que há entre as duas línguas quanto à organização
dos níveis lingüísticos.
Lacerda (2000) ressaltou que na escola bilíngüe são ensinadas duas línguas a de sinais
e a língua portuguesa (oral e/ou escrita). Essa comunicação é mais adequada pelo fato
de trabalhar com o canal viso gestual.
Lacerda (2006) referiu que o objetivo da escola bilíngüe é que a criança deficiente
auditiva tenha um desenvolvimento cognitivo - lingüístico que equivale ao de uma
criança ouvinte, alguns lugares indicam que a criança com deficiência auditiva passe da
língua de sinais diretamente para a língua escrita, porque a língua oral é muito difícil
para ela.
Dizeu e Caporalli (2005) descrevem que na educação bilíngüe, a pessoa com
deficiência auditiva deve primeiramente adquirir a língua de sinais de forma natural e
depois adquirir a língua portuguesa oral e escrita, o que se deve às bases lingüísticas
obtidas através da língua de sinais.
Quadros (2006) ressaltou que a aquisição da linguagem pode ser feita por meio de
línguas viso-espaciais.
Goldfeld (2002) descreveu que a teoria do bilingüismo, a criança surda deve adquirir a
língua de sinais, como língua materna e isto deve ocorrer por meio do convívio da
criança surda com surdos mais velhos, que dominem a língua de sinais.
Kozlowski (2000) argumentou que o contato entre a criança surda e o adulto surdo, por
meio da língua de sinais promoverá que esta criança tenha acesso a linguagem.
Civitella (2001) referiu que existem três abordagens para que os pais de surdos,
escolham a melhor forma do seu filho se comunicar, são elas: o oralismo, a
comunicação total e o bilingüismo. As abordagens são apresentadas pelos
fonoaudiólogos e fica a critério de escolha dos pais.
Goldfeld (2002) fundamentou que o Oralismo possui o objetivo de integração da criança
que apresenta deficiência auditiva na comunidade de ouvintes, propiciando condições
para que haja o desenvolvimento da língua oral, e nesta filosofia a língua oral é o único
meio de comunicação dos surdos.
Pires e Rodrigues (2002) descreveram que a Comunicação Total é o conjunto de
técnicas que amplifica a pouca audição que a pessoa com deficiência auditiva possui,
sendo assim a criança tem como aprender a falar e a linguagem gestual por seus pais.
Goldfeld (2002) referiu em relação à Comunicação Total, que se opõe à filosofia
oralista, pois crê que somente o aprendizado da língua oral não garante o completo
desenvolvimento da criança surda. E uma relevante diferença entre a Comunicação
Total e as outras abordagens é que, para facilitar a comunicação esta utiliza qualquer
recurso lingüístico, podendo ser a linguagem oral, os códigos manuais ou a língua de
sinais.
Capovilla e Capovilla (2002) descreveram que o Bilingüismo é a filosofia em que as
duas línguas, a de sinais e a falada ou escrita, podem conviver lado a lado, porém não
ao mesmo tempo, pois o objetivo do bilingüismo é promover o desenvolvimento das
habilidades, inicialmente na língua de sinais natural e, posteriormente na língua escrita
do país o qual pertence.
C. Educação Inclusiva:
Petean e Borges (2002) afirmaram que não acreditam no processo de inclusão nas
escolas, pela falta de preparo dos professores e da própria escola para receber
crianças com deficiência auditiva, tendo a possibilidade de rejeição e abandono.
A inclusão deve ser feita com critérios, e foco em competências e capacidades da
criança, contando com a estrutura da escola tendo que haver um preparo e
receptividade de professores até aos diretores, material pedagógico e metodologia de
ensino devem ser adaptados.
Lacerda (2006) ressaltou que a inclusão do aluno com deficiência auditiva na escola é
um processo dinâmico e gradual, existindo diversas formas para ser trabalhada, mas
isso vai variar segundo as necessidades dos alunos. O professor é responsável pela
aquisição de conhecimentos por meio da interação com o aluno surdo e com outros
alunos ouvintes.
MÉTODO.
Para realização deste trabalho foi inicialmente apresentado aos indivíduos o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo I) a fim de que os mesmos
autorizassem a utilização dos dados da pesquisa.
Foram feitas entrevistas com 24 pessoas, 8% do gênero masculino (dois pais de
crianças com deficiência auditiva) e 92% do gênero feminino com idades que variaram
de 23 a 56 anos (Tabela 1). A amostra foi composta por 8 fonoaudiólogos, 8 pais de
crianças com deficiência auditiva e 8 professores.
A entrevista foi mediada por um questionário (Anexo II) que foi respondido por
escrito pelos sujeitos participantes.
Os dados coletados foram tabulados para análise qualitativa e quantitativa.
Tabela 1. Distribuição da amostra segundo o grupo e a idade dos entrevistados.
Indivíduos
Idade
Fonoaudiólogos
Pais
Professores
Total
(em anos)
Nº
%
Nº
%
Nº
%
Nº
%
20 ← 25
0
0
0
0
1
4
1
4
25 ← 30
1
4
3
13
0
0
4
17
30 ← 35
5
21
2
8
1
4
8
33
35 ← 40
2
8
2
8
0
0
4
17
40 ← 45
0
0
0
0
4
17
4
17
45 ← 50
0
0
0
0
1
4
1
4
50 ← 55
0
0
0
0
1
4
1
4
55 ← 60
0
0
1
4
0
0
1
4
Total
8
33,33
8
33,33
8
33,33
24
100
RESULTADOS.
Neste capítulo apresentamos os achados do presente estudo, ilustrados por
meio de gráficos. Optamos por dividi-lo em temáticas como nos capítulos anteriores.
A. Deficiência Auditiva:
No gráfico 1, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de
deficiência auditiva.
Gráfico 1: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: " O que é Deficiência
Auditiva?"
Baixa percepção de
sons que gera
comprometimento na
fala
Professores
12,5%
Pais
Fonoaudiólogos
25%
87,5%
Baixa percepção de
sons
100%
75%
Com relação ao conhecimento do que é deficiência auditiva verificou-se que a
maioria dos entrevistados conceituaram a deficiência auditiva segundo a acuidade
auditiva, sem especificar suas conseqüências.
No gráfico 2, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito da
função da escola para a pessoa com deficiência auditiva.
Gráfico 2: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: “Qual é a função da escola
para a pessoa com deficiência auditiva?”
Mesma das crianças
ouvintes
Professores
12,5%
Pais
25%
Fonoaudiólogos
50%
Comunicação
25%
25%
87,5%
Aprendizagem
87,5%
87,5%
50%
Socialização
50%
62,5%
A maioria dos entrevistados acredita que, para as pessoas com deficiência
auditiva, a escola tem a função de desenvolver a aprendizagem. Os fonoaudiólogos
destacam também a função de socialização, enquanto os pais enfatizam a de
socialização e os professores a comunicação e socialização.
No gráfico 3, listamos a distribuição das respostas sobre o conceito de como se
dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência auditiva.
Gráfico 3: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para
a pergunta: "Como se dá o processo de aquisição de linguagem para a
pessoa com deficiência auditiva?"
Não respondeu
Interações vocais
Organização do
pensamento
12,5%
Pais
12,5%
Fonoaudiólogos
12,5%
12,5%
Abordagem usada
Influência da família
Professores
25%
12,5%
Contato com a linguagem
Tecnologia
25%
25%
37,5%
12,5%
12,5%
25%
12,5%
25%
12,5%
37,5%
37,5%
Estimulação auditiva + fala +
compreensão
Igual ao ouvinte
50%
12,5%
12,5%
Detecção e intercepção
precoce
12,5%
12,5%
De acordo com a maioria das respostas este processo ocorre por meio de
estimulação auditiva, de fala, compreensão e contato com a linguagem.
No gráfico 4, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de qual
a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência auditiva.
Gráfico 4: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados
para a pergunta: "Qual é a abordagem educacional mais adequada
para a pessoa com deficiência auditiva?"
25%
Não respondeu
25%
Professores
Pais
Fonoaudiólogos
25%
25%
Possibilidades de cada
indivíduo
Profissional habilitado e
ensino de qualidade
50%
12,5%
Ensino normal
25%
12,5%
Bilíngüismo
12,5%
Comunicação total
12,5%
25%
62,5%
Fonoaudiólogos, pais e professores destacam que devemos respeitar as
possibilidades de cada indivíduo e o método mais adequado para educação dos surdos,
é a comunicação total, segundo fonoaudiólogos e professores.
B. Bilingüismo
No gráfico 5, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de
escola bilíngüe.
Gráfico 5: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "O que é uma escola bilíngüe?"
Professores
Não respondeu
12,5%
Pais
Fonoaudiólogos
Duas línguas em
contextos diferentes
37,5%
12,5%
25%
50%
Libras + Português no
processo ensino
aprendizagem
25%
62,5%
12,5%
Duas línguas oficiais
50%
12,5%
Os fonoaudiólogos e os professores possuem maior conhecimento no que diz
respeito à escola bilíngüe. E eles, em sua maioria, acreditam que a escola bilíngüe é
aquela que usa Libras e Língua Portuguesa no processo ensino aprendizagem.
No gráfico 6, apresentamos a distribuição das respostas sobre a importância da
importância da língua brasileira de Sinais para a pessoa com deficiência auditiva.
Gráfico 6: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "Qual a importância da língua
brasileira de sinais para a pessoa com deficiência auditiva?"
Professores
Pais
Não respondeu
Contra a LIBRAS
Opção para quem não fala
Inserção na comunidade
12,5%
12,5%
12,5%
37,5%
12,5%
Aprendizagem
12,5%
12,5%
Socialização
12,5%
Desenvolvimento cognitivo
Fonoaudiólogos
25%
50%
25%
12,5%
37,5%
25%
Acesso à língua
portuguesa
12,5%
25%
Comunicação
37,5%
37,5%
Desenvolvimento da
linguagem
Língua mãe
50%
62,5%
25%
12,5%
12,5%
A maioria dos entrevistados reconhece que a língua brasileira de Sinais é
importante para a comunicação. Os fonoaudiólogos descrevem também a importância
para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, e para a socialização da pessoa com
deficiência auditiva. Os professores entrevistados enfatizaram que é essencial para
socialização e inserção na comunidade.
No gráfico 7, demonstramos a distribuição das respostas sobre o conceito da
função da Língua Portuguesa na educação bilíngüe.
Gráfico 7: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "Qual a função da língua
portuguesa na educação bilíngüe?"
Comunicação
12,5%
25%
Professores
Pais
Não respondeu
Língua da população
brasileira
Fala
Fonoaudiólogos
25%
25%
25%
12,5%
12,5%
37,50%
12,5%
25%
12,5%
Linguagem
Compreensão
Segunda língua
12,5%
12,5%
12,5%
25%
50%
25%
Os professores descreveram que, na educação bilíngüe, a língua portuguesa tem
o papel de segunda língua. Já os fonoaudiólogos acreditam que ela ocupa o papel da
língua da população brasileira. Os pais mencionaram que serve para comunicação,
compreensão e fala.
No gráfico 8, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de
como a língua brasileira de sinais deve ser trabalhada.
Gráfico 8: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "Como a língua portuguesa
deve ser trabalhada?"
Conjunto com LIBRAS
12,5%
Professores
Pais
Interação com o mundo
ouvinte
Fonoaudiólogos
12,5%
25%
Não respondeu
75%
12,5%
Segundo as
possibilidades do sujeito
12,5%
25%
37,5%
Oral ou escrito
25%
12,5%
Contexto diferente da
Libras
Por professores aptos
37,5%
12,5%
A maioria dos pais não soube responder como a língua portuguesa deve ser
trabalhada. A maior parte dos fonoaudiólogos descreveram que a língua portuguesa
deve ser trabalhada em um contexto diferente da Libras, enquanto a maioria dos
professores acredita que deve ser de forma oral e escrita.
No gráfico 9, apresentamos a distribuição das respostas sobre o fato da língua
brasileira de sinais interferir na aquisição da fala.
Gráfico 9: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "Para você, a língua brasileira
de sinais interfere na aquisição de fala?"
Não respondeu
Professores
12,5%
Pais
Fonoaudiólogos
12,5%
Depende
25%
87,5%
Não
37,5%
12,5%
Sim
50%
62,5%
Na opinião da maioria dos professores a língua brasileira de sinais não interfere
na aquisição de fala, os pais e os fonoaudiólogos acreditam que há interferência e os
fonoaudiólogos dizem que depende de outros fatores.
No gráfico 10, apresentamos a distribuição das respostas sobre como a língua
brasileira de sinais interfere na aquisição de fala, segundo os fonoaudiólogos.
Gráfico 10: Distribuição percentual de respostas dos
fonoaudiólogos entrevistados para a pergunta:" Como a língua
brasileira de sinais interfere na aquisição de fala"?
37,50%
Positivamente
Negativamente
12,50%
Somente os fonoaudiólogos definiram a interferência como positiva ou negativa,
e a maior parte destes descreveram que a Libras interfere positivamente a aquisição de
fala.
No gráfico 11, apresentamos a distribuição das respostas sobre a posição dos
entrevistados quanto à prótese auditiva no contexto bilíngüe.
Gráfico 11: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: " Qual a sua posição
sobre prótese auditiva no contexto bilíngüe?"
12,50%
Professores
Não respondeu
Pais
Fonoaudiólogos
Depende
Atrapalha
25%
12,50%
87,5%
Sim
87,5%
75%
A maior parte dos professores, pais e dos fonoaudiólogos foram favoráveis ao
uso da prótese auditiva dentro do contexto bilíngüe.
C. Educação Inclusiva
No gráfico 12, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de
educação inclusiva.
Gráfico 12: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "O que é educação
inclusiva?"
Professores
Pais
Fonoaudiólogos
Não respondeu
12,5%
Melhoria e igualdade
para todos
12,5%
Integração do indivíduo
e aprendizado
Inclusão de pessoas
com deficiência com
pessoas normais
25%
75%
25%
25%
37,5%
62,5%
37,5%
Pais e fonoaudiólogos responderam que a educação inclusiva é inclusão de
pessoas com deficiência com pessoas normais, já os professores dizem que é a
integração do individuo e o aprendizado.
No gráfico 13, apresentamos a distribuição das respostas para a pergunta “A
educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?”.
Gráfico 13: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "A educação inclusiva tem lugar
na educação bilíngue?"
62,5%
Não respondeu
50%
50%
Não
12,5%
12,5%
37,5%
Sim
Professores
Pais
Fonoaudiólogos
37,5%
37,5%
Grande parte dos entrevistados não respondeu a pergunta, mas 37.5% dos
entrevistados respondeu que a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe.
No gráfico 14, apresentamos a distribuição das respostas sobre como a
educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe.
Gráfico 14: Distribuição percentual das respostas dos
entrevistados para a pergunta: "Como o conceito da
educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?"
50%
62,5%
Não respondeu
Escola e professores
capacitados
Professores capacitados
Escola preparada
87,50%
37,50%
12,5%
12,5%
12,5%
12,5%
12,5%
Fonoaudiólogos
Pais
Professores
A maioria dos entrevistados não descreveu como a educação inclusiva tem lugar
na educação bilíngüe, mas 37,5% dos fonoaudiólogos disseram que por meio de
escolas e professores capacitados.
DISCUSSÃO.
Pretendemos neste capítulo realizar uma análise crítica dos resultados
encontrados no neste estudo, bem como confrontá-los quando possível com o que foi
compulsado na literatura especializada sobre o tema. Utilizaremos a divisão por
temática dos capítulos anteriores.
A. DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Com relação ao conhecimento do que é deficiência auditiva verificou-se que a
maioria dos entrevistados conceituou a deficiência auditiva segundo a acuidade
auditiva, sem especificar suas conseqüências.
A deficiência auditiva é um problema sensorial, que causa dificuldades na
recepção, percepção e reconhecimento dos sons da fala, pode variar de leve a
profundo (SILVA et. al, 2007).
Akiyama (2007) afirma que a deficiência auditiva traz dificuldades em ouvir os
sons da fala e do meio ambiente, isso faz com que a sua aquisição espontânea de fala
fique comprometida, mas a comunicação poderá ser efetiva por meio de LIBRAS.
“Surdez profunda é muito mais que um diagnóstico médico: é um fenômeno
cultural em que os modelos e problemas sociais, emocionais, lingüísticos e intelectuais
estão estranhamente vinculados” (SCHLESINGER e MEADOW apud SACALOSKI,
2007).
A maioria dos entrevistados acredita que, para as pessoas com deficiência
auditiva, a escola tem a função de desenvolver a aprendizagem. Os fonoaudiólogos
destacam também a função de socialização, enquanto os pais destacam a socialização
e os professores a comunicação e socialização.
Segundo Lacerda (2006), a função da escola, para a pessoa com deficiência
auditiva, é promover o desenvolvimento cognitivo - lingüístico equivalente ao de uma
criança ouvinte.
Dizeu e Caporalli (2005) descrevem que na educação bilíngüe, a pessoa com
deficiência auditiva deve primeiramente adquirir a língua de sinais de forma natural e
depois adquirir a língua portuguesa oral e escrita, o que se deve às bases lingüísticas
obtidas através da língua de sinais.
Com relação ao processo de aquisição de linguagem, a maioria dos
entrevistados mencionou que, para as pessoas com deficiência auditiva, esta ocorre por
meio de estimulação auditiva, de fala, compreensão e contato com a linguagem.
Quadros (2006) ressaltou que a aquisição da linguagem pode ser feita por meio
de línguas viso-espaciais.
Segundo a teoria do bilingüismo, a criança surda deve adquirir a língua de sinais,
como língua materna e isto deve ocorrer por meio do convívio da criança surda com
surdos mais velhos, que dominem a língua de sinais (Goldfeld, 2002).
Para Kozlowski (2000) o contato entre a criança surda e o adulto surdo, por meio
da língua de sinais promoverá que esta criança tenha acesso a linguagem.
Quanto ao método educacional para pessoas com deficiência auditiva,
fonoaudiólogos, pais e professores destacam que devemos respeitar as possibilidades
de cada indivíduo e o método mais adequado para educação destas pessoas é a
comunicação total, segundo fonoaudiólogos e professores.
Existem três abordagens para que os pais de crianças com deficiência auditiva
escolham a melhor forma do seu filho se comunicar, são elas: o oralismo, a
comunicação total e o bilingüismo. As abordagens são apresentadas pelos
fonoaudiólogos e fica a critério de escolha dos pais qual o método deverá ser usado
(CIVITELLA, 2001).
Goldfeld (2002) fundamenta que o Oralismo possui o objetivo de integrar a
criança que apresenta deficiência auditiva na comunidade de ouvintes, propiciando
condições para que haja o desenvolvimento da língua oral, e nesta filosofia a língua oral
é o único meio de comunicação dos surdos.
Pires e Rodrigues (2002) descreveram que a Comunicação Total é o conjunto de
técnicas que amplifica a pouca audição que a pessoa com deficiência auditiva, a
criança tem como aprender a falar e a linguagem gestual por seus pais.
A Comunicação Total, segundo Goldfeld (2002), se opõe à filosofia oralista, pois
crê que somente o aprendizado da língua oral não garante o completo desenvolvimento
da criança surda. E uma relevante diferença entre a Comunicação Total e as outras
abordagens é que, para facilitar a comunicação esta utiliza qualquer recurso lingüístico,
podendo ser a linguagem oral, os códigos manuais ou a língua de sinais.
O Bilingüismo é a filosofia em que as duas línguas, a de sinais e a falada, podem
conviver lado a lado, porém não ao mesmo tempo, pois o objetivo do bilingüismo é
promover o desenvolvimento das habilidades, inicialmente na língua de sinais natural e,
posteriormente na língua escrita do país o qual pertence (CAPOVILLA e CAPOVILLA,
2002).
B. BILÍNGUISMO
Os fonoaudiólogos e os professores possuem maior conhecimento no que diz
respeito à escola bilíngüe. E eles, em sua maioria, acreditam que a escola bilíngüe é
aquela que usa da Libras e da Língua Portuguesa no processo ensino aprendizagem.
A escola bilíngüe é aquela em que são ensinadas duas línguas, a lingua
portuguesa, em sua forma oral e escrita, e a língua de sinais, segundo Lacerda (2000).
A maioria dos entrevistados reconhece que a língua brasileira de Sinais é
importante para a comunicação. Os fonoaudiólogos descrevem também a importância
para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, e para a socialização da pessoa com
deficiência auditiva. Os professores entrevistados enfatizaram que é importante para
socialização e inserção na comunidade.
A língua de sinais é importante para o desenvolvimento das funções intelectuais
e lingüísticas da criança com deficiência auditiva, durante seu desenvolvimento
(CAPOVILLA, 1996).
Os professores descreveram que a língua portuguesa, na educação bilíngüe, tem
o papel de segunda língua. Já os fonoaudiólogos acreditam que ela ocupa o papel da
língua da população brasileira. Os pais mencionaram que serve para comunicação,
compreensão e fala.
A maioria dos pais não respondeu, como a língua portuguesa deve ser
trabalhada enquanto a maior parte dos fonoaudiólogos descreveram que a língua
portuguesa deve ser trabalhada em um contexto diferente da Libras. Já a maioria dos
professores acredita que deve ser de forma oral e escrita.
Fernandes (2004) diz que o aprendizado da língua portuguesa do surdo encontra
dificuldades, tais como: a segunda língua será compreendida pelo surdo como uma
língua estrangeira, já que a estrutura gramatical desta é diferente de sua língua
materna, a de sinais; às diferenças que há entre as duas línguas quanto à organização
dos níveis lingüísticos.
Na opinião da maioria dos professores, a língua brasileira de sinais não interfere
na aquisição de fala, os pais acreditam que há interferência e os fonoaudiólogos dizem
que depende de outros fatores.
Somente os fonoaudiólogos definiram a interferência como positiva ou negativa,
e a maior parte destes descreveram que a Libras interfere positivamente na aquisição
de fala.
Kozlowski (2000) descreve que a língua de sinais promove a construção do
pensamento da criança surda. Diz que esta é a língua da discussão, comunicação e
expressão de pensamentos.
Quanto ao uso da prótese auditiva, a maior parte dos professores, pais e dos
fonoaudiólogos foram favoráveis ao uso da prótese auditiva dentro do contexto bilíngüe.
Bevilacqua e Formigoni (2000) descrevem que a prótese auditiva é fundamental
para o desenvolvimento das habilidades acústicas e para a aquisição de linguagem.
Corrêa (2001) acredita que o uso de próteses auditivas possibilita o
estabelecimento do contato entre a criança com perda auditiva e o mundo sonoro.
C. EDUCAÇÂO INCLUSIVA
Pais e fonoaudiólogos responderam que a educação inclusiva é inclusão de
pessoas com deficiência com pessoas normais, já os professores dizem que é a
integração do individuo e o aprendizado.
Petean e Borges (2002) não acreditam no processo de inclusão nas escolas,
pela falta de preparo dos professores e da própria escola para receber crianças com
deficiência auditiva, tendo a possibilidade de rejeição e abandono.
A inclusão escolar deve ser feita com critérios e foco em competências e capacidades
da criança, contando com a estrutura da escola tendo que haver um preparo e
receptividade de professores até aos diretores, material pedagógico e metodologia de
ensino.
Grande parte dos entrevistados não respondeu se a educação inclusiva tem
lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos entrevistados disseram que a educação
inclusiva tem lugar na educação bilíngüe.
A maioria dos entrevistados não descreveu como o conceito de educação
inclusiva tem lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos fonoaudiólogos disseram que
por meio de escolas e professores capacitados.
A inclusão do aluno com deficiência auditiva na escola é um processo dinâmico e
gradual, existindo diversas formas para ser trabalhada, mas isso vai variar segundo as
necessidades dos alunos. O professor é responsável pela aquisição de conhecimentos
por meio da interação com o aluno surdo e com outros alunos ouvintes (LACERDA,
2006).
Com o estudo realizado verificamos que os conceitos da educação bilíngüe são
pouco divulgados. Desta forma, sugerimos que sejam realizadas novas pesquisas que
abordem esta filosofia,
Sugerimos que seja realizado um estudo dentro de uma escola que trabalha com
esta filosofia, de como acontece, na prática, a educação bilíngüe.
CONCLUSÃO.
A partir dos resultados deste estudo pode-se concluir que:
A. QUANTO A DEFICIÊNCIA AUDITIVA
o No que diz respeito ao conhecimento do que é deficiência auditiva verificou-se
que a maioria dos entrevistados conceituaram a deficiência auditiva segundo a
acuidade auditiva, sem especificar suas conseqüências.
o A maior parte dos indivíduos que participaram da pesquisa acredita que, para as
pessoas com deficiência auditiva, a escola tem a função de desenvolver a
aprendizagem. Os fonoaudiólogos destacam também a função de socialização,
enquanto os pais destacam a de socialização e os professores a de
comunicação e socialização.
o De acordo com a maioria das respostas o processo de aquisição de linguagem,
para a pessoa com deficiência auditiva, ocorre por meio de estimulação auditiva,
de fala, compreensão e contato com a linguagem.
o Fonoaudiólogos, pais e professores destacam que devemos respeitar as
possibilidades de cada indivíduo e o método mais adequado para educação das
pessoas com deficiência auditiva é a comunicação total, segundo fonoaudiólogos
e professores.
B. QUANTO AO BILÍNGÜISMO
o Professores e fonoaudiólogos possuem maior conhecimento no que diz respeito
ao conceito da escola bilíngüe. E eles, em sua maioria, acreditam que a escola
bilíngüe é aquela que usa Libras e Língua Portuguesa no processo ensino
aprendizagem.
o A maioria dos entrevistados reconhece que a língua brasileira de sinais é
importante para a comunicação. Os fonoaudiólogos descrevem também a
importância para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, e para a
socialização da pessoa com deficiência auditiva. Os professores entrevistados
enfatizaram que é importante para socialização e inserção na comunidade.
o
Os professores descreveram que a língua portuguesa, na educação bilíngüe,
tem o papel de segunda língua. Já os fonoaudiólogos acreditam que ela ocupa o
papel da língua da população brasileira. Os pais mencionaram que serve para
comunicação, compreensão e fala.
o
A maioria dos pais não respondeu, como a língua portuguesa deve ser
trabalhada. A maior parte dos fonoaudiólogos descreveram que a língua portuguesa
deve ser trabalhada em um contexto diferente da Libras, enquanto a maioria dos
professores acreditam que deve ser de forma oral e escrita.
o
Na opinião da maioria dos professores a língua brasileira de sinais não interfere
na aquisição de fala, os pais acreditam que há interferência e os fonoaudiólogos
dizem que depende de outros fatores.
o
Somente os fonoaudiólogos definiram a interferência da língua brasileira de
sinais na aquisição de fala como positiva ou negativa, e a maior parte destes
descreveram que interfere positivamente na aquisição de fala.
o
A maior parte dos professores, pais e dos fonoaudiólogos foram favoráveis ao
uso da prótese auditiva dentro do contexto bilíngüe.
C. QUANTO À EDUCAÇÃO INCLUSIVA
o Pais e fonoaudiólogos responderam que a educação inclusiva é inclusão de
pessoas com deficiência com pessoas normais, já os professores dizem que é a
integração do individuo e o aprendizado.
o 37.5% dos entrevistados respondeu que a educação inclusiva tem lugar na
educação bilíngüe.
o A maioria dos entrevistados não descreveu como o conceito de educação
inclusiva tem lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos fonoaudiólogos
disseram que deve haver escolas e professores capacitados.
Desta maneira, verifica-se que o Bilingüismo ainda é pouco divulgado e os
conceitos a seu respeito são insipientes.
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SACALOSKI, M. Apostila da aula de Habilitação e Reabilitação Auditiva, 2007,
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SACALOSKI, M. O bilingüismo segundo profissionais de uma escola especial.No
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VYGOTSKY, S.L. Pensamento e Linguagem. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, Série
Psicologia e Pedagogia. 1991.
ANEXOS.
ANEXO I
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Essas informações estão sendo fornecidas para sua participação voluntária
neste estudo que tem como objetivo comparar a opinião de pais, professores e
fonoaudiólogos sobre a educação bilíngüe.
Gostaríamos de convidá-lo a colaborar de forma voluntária com esta pesquisa.
Para este fim foram criadas 13 perguntas específicas sobre o assunto a ser estudado.
As perguntas estão aqui anexadas e o senhor está livre para lê-las antes de aceitar
nosso convite para, se for de sua vontade, respondê-las.
Eu _____________________________________________, estou ciente sobre
minha decisão em participar deste estudo.
Não há benefício direto para o participante. Sua participação neste estudo é de
livre e espontânea vontade, sem nenhum custo e seu consentimento de participação
poderá ser retirado a qualquer momento.
Não existirão despesas ou compensações pessoais para nenhum participante
em qualquer fase do estudo. Também não há compensação financeira relacionada à
sua participação. Se existir qualquer despesa adicional, ela será absorvida pelo
orçamento da pesquisa.
Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou
que foram lidas para mim, descrevendo o estudo “A abordagem Bilíngüe na educação
de pessoas com deficiência auditiva: opinião de pais, professores e fonoaudiólogos”
que será realizado como trabalho de conclusão de curso pela aluna Tahnee Hirata
Hirota e Nara Fernandes Barbosa sob a supervisão da Dra. Marisa Sacaloski do curso
de Fonoaudiologia das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).
Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a
serem realizados, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes.
Ficou claro também que minha participação é isenta de despesas e que tenho
garantia do acesso aos resultados e de esclarecer minhas dúvidas em qualquer tempo.
Concordo voluntariamente em participar deste estudo sabendo que poderei retirar o
meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidade,
prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido anteriormente ao
estudo.
___________________________________
Assinatura do entrevistado
Data _______/______/______
Declaro que obtive as informações do presente estudo de forma livre e esclarecida.
__________________________________
Assinatura do(a) pesquisador(a)
Data _______/______/______
ANEXO II
Questionário para professores, pais e fonoaudiólogos (Sacaloski, 2007):
Identificação:
Nome (iniciais): ________________ Data de Nascimento: ______/______/______
Idade: __________ Sexo: F (
)
M(
)
Profissão: _____________________
1. O que é deficiência auditiva?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
2. O que é uma escola bilíngüe?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
3. Qual é a função da escola para a pessoa com deficiência auditiva?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
4. Qual é a importância da língua brasileira de sinais para a pessoa com deficiência auditiva?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
5.
Qual
a
função
da
língua
portuguesa
na
educação
bilíngüe?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
6. Como a língua portuguesa deve ser trabalhada?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
7. Para você, a língua brasileira de sinais interfere na aquisição da fala?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
8. Como se dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência auditiva?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
9. Qual a sua posição sobre prótese auditiva no contexto bilíngüe?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
10. O que é a educação inclusiva?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
11. Esse conceito tem lugar na educação bilíngüe?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
12. Como a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
13. Qual é a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência auditiva?
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
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A língua é um instrumento de vital importância para o