CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS - UniFMU CURSO DE FONOAUDIOLOGIA A ABORDAGEM BILÍNGUE NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA: OPINIÃO DE PAIS, PROFESSORES E FONOAUDIÓLOGOS. Nara Fernandes Barbosa Tahnee Hirata Hirota São Paulo. 2008. CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS - UniFMU CURSO DE FONOAUDIOLOGIA A ABORDAGEM BILÍNGUE NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA: OPINIÃO DE PAIS, PROFESSORES E FONOAUDIÓLOGOS. Nara Fernandes Barbosa Tahnee Hirata Hirota Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como critério conclusão do Fonoaudiologia de avaliação Curso do de Centro parcial em Universitário das Orientadora: Profa. Dra. Marisa Sacaloski. 2008. a Graduação Faculdades Metropolitanas Unidas. São Paulo. para A ABORDAGEM BILÍNGUE NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA: OPINIÃO DE PAIS, PROFESSORES E FONOAUDIÓLOGOS. Alunas: Nara Fernandes Barbosa Tahnee Hirata Hirota BANCA EXAMINADORA __________________________________________________________________ (Nome e assinatura) __________________________________________________________________ (Nome e assinatura) __________________________________________________________________ (Nome e assinatura) DEDICATÓRIA. Aos nossos pais, verdadeiros responsáveis pela nossa formação pessoal e profissional. A eles, pelo apoio e afeto nos momentos mais difíceis, além dos sólidos exemplos de honestidade e perseverança. AGRADECIMENTOS. A Dra. Marisa Sacaloski, por ter aceitado ser a orientadora, ajudado nas horas em que precisei, pela paciência, compreensão, confiança e ensinamentos depositados em mim. À Dra. Maria Lucy Fraga Tedesco, pela sua compreensão e carinho, por se essa coordenadora e professora tão dedicada em tudo que lhe foi pedido, sempre fez tudo para seus alunos. Aos meus pais e irmã, pela paciência em todos os momentos de dúvidas e estress que passei. E por todos os outros momentos felizes e por sempre estarem ao meu lado me ajudando e apoiando. À minha família e amigos que sempre estiveram ao meu lado me apoiando em tudo e me incentivado em todos esse anos de faculdade. À Nara minha parceira do Trabalho de Conclusão de Curso, por ter me ajudado em todos os momentos cansativos e aos momentos alegres que passamos em todos esses anos. E a todos as pessoas que conheci na faculdade por terem torcido por mim e me apoiado, mas principalmente aos meus amigos que estiveram ao meu lado nesses últimos anos, Flávia Carrijo, Joyce Araújo, Michelle Xavier, Juliane Grecco, Georgea Sandins e Rodolfo Hernandez. Tahnee Hirata Hirota À Dra. Marisa Sacaloski, minha orientadora, pacientemente dedicada, o meu melhor agradecimento pelo ensino a mim ministrado, bem como pela confiança em mim depositada. O carinho e atenção demonstrados pelo seu denodado trabalho, sempre me serão de modelo, sobretudo pelo profissionalismo ilibado de sua conduta. À incansável Dra. Maria Lucy Fraga Tedesco, coordenadora do curso, minha homenagem não menos expressiva, em reconhecimento ao seu carinho e dedicação, sempre presentes, características coadjuvantes ao seu ensino, aspectos esses que evidenciaram ter me dado, de si, o melhor. Ao Juliano, meu incentivador e colaborador, que especialmente em horas difíceis, me socorreu com seu carinho, amparando-me com ternura e alegria, amorosamente presente. À Renata, amiga companheira, que se fez sentir sempre solidária, em especial pelo seu humor acentuadamente generoso. À Pámela, amiga irmã, que, com sensibilidade profunda e afetuosa, ilimitadamente compreensiva, pisou cada passo comigo, toda trilha desses quatro anos, emprestando-me sua solidariedade incondicional de vida. Aos meus familiares, diretos e ou indiretos, sempre entusiástica e incentivadoramente interessados, que nas mais diversificadas formas de atitudes colaboradoras, paralelamente acompanharam minha trajetória. Aos amigos, que por vezes manifestaram seu melhor apoio e interesse, que me ajudaram a sempre manter fixo, com seu apoio, meu olhar no ideal que abracei. Aos meus Pais, figuras expoentes na minha vida, como manancial de exemplos de firmeza, caráter, generosidade, seja pela insubstituível dedicação e acompanhamento de minha Mãe, incansável e destemida lutadora, companheira amiga de todas as horas e lugares, seja pela tenacidade de meu Pai, homem de letras, cuja memória aqui homenageio, como o homem que, sem deixar de exercitar o amor, deixou-me fonte inesgotável de anseio incontido pelo saber, seguindo-lhe os passos na direção da luz da sabedoria. Nara Fernandes LISTA DE TABELAS. Tabela 1 – Distribuição da amostra segundo a idade dos diferentes indivíduos entrevistados...................................................................................................................10 LISTA DE GRÁFICOS. Gráfico 1 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “O que é deficiência auditiva?” .......................................................................................12 Gráfico 2 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Qual a função da escola para a pessoa com deficiência auditiva?” .........................................................................................................................................13 Gráfico 3 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “ Como se dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência auditiva?” ........................................................................................................................14 Gráfico 4 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Qual é a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência auditiva?” ........................................................................................................................15 Gráfico 5 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “O que é uma escola bilíngüe?” .....................................................................................16 Gráfico 6 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Qual a importância da língua brasileira de sinais para a pessoa com deficiência auditiva?” ........................................................................................................................17 Gráfico 7 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Qual a função da língua portuguesa na educação bilíngüe?” .......................................18 Gráfico 8 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Como a língua brasileira de sinais deve ser trabalhada?” ............................................19 Gráfico 9 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Para você, a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala?” .........................................................................................................................................20 Gráfico 10 – Distribuição percentual das respostas dos fonoaudiólogos entrevistados para a pergunta: “Como a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala?” .........................................................................................................................................21 Gráfico 11 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Qual a sua posição sobre prótese auditiva no contexto bilíngüe?” .........................................................................................................................................22 Gráfico 12 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “O que é educação inclusiva?” .......................................................................................23 Gráfico 13 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “A educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?” ..............................................24 Gráfico 14 – Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Como o conceito da educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?” .........................................................................................................................................25 SUMÁRIO. Dedicatória..........................................................................................................IV Agradecimentos..................................................................................................VI Lista de tabelas...................................................................................................IX Lista de gráficos..................................................................................................XI Resumo...............................................................................................................XIV Abstract...............................................................................................................XVI INTRODUÇÃO....................................................................................................1 LITERATURA......................................................................................................4 MÉTODO............................................................................................................9 RESULTADOS...................................................................................................11 DISCUSSÃO...................................................................................................... 26 CONCLUSÃO.................................................................................................... 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................35 ANEXOS..............................................................................................................i ANEXO I...............................................................................................................ii ANEXO II..............................................................................................................iii RESUMO. O objetivo do estudo foi verificar de forma qualitativa e quantitativa as opiniões de pais, professores e fonoaudiólogos sobre a educação bilíngüe. Para tal foi utilizado um questionário sobre bilingüismo. Foram selecionados 8 professores, 8 pais de pessoas com deficiência auditiva e 8 fonoaudiólogos, do sexo masculino e feminino com idades variando de 23 a 56 anos. Para cada indivíduo foi apresentado um termo de consentimento livre e esclarecido e após esse termo foi apresentado um questionário contendo treze perguntas dissertativas. Esse trabalho foi divido em temas, como: deficiência auditiva, bilingüismo e educação inclusiva. Em relação aos aspectos de deficiência auditiva, os três grupos entrevistados tiveram opiniões parecidas conceituando que a deficiência auditiva é apenas a acuidade auditiva; em relação ao bilingüismo professores e fonoaudiólogos tiveram mais conhecimento sobre o assunto dizendo que na escola bilíngüe é trabalhado a Libras e a Língua portuguesa; e sobre a educação inclusiva os professores, fonoaudiólogos e pais, disseram que a escola tem que estar preparada para receber as pessoas com deficiência auditiva. A partir dos resultados deste estudo pode-se concluir que: verifica-se que o Bilingüismo ainda é pouco divulgado e os conceitos a seu respeito são insipientes. Esses dados poderão ser utilizados para outros estudos, recomendamos que sejam feitos mais estudos sobre esse assunto e nessa área. Unitermos: deficiência auditiva; educação bilíngüe; educação inclusiva. ABSTRACT. The objective was to determine how the quantitative and qualitative feedback from parents, teachers and speech pathologists on the bilingual education. To this end we used a questionnaire on bilingualism. We selected eight teachers and eight parents of people with hearing loss and eight speech pathologists, male and female with age ranging from 23 to 56 years. For each individual was presented with a term of free and informed consent and after that term was presented a questionnaire containing thirteen questions discourse. This work was divided into themes such as: deafness, bilingualism and education. In relation to aspects of hearing loss, the three groups interviewed had similar views concidering that hearing loss is just the hearing, in relation to teachers and speech pathologists have Bilingualism more knowledge on the subject saying that the school is bilingual and is working the Pounds and Portuguese language, and on inclusive education teachers, speech therapists and parents, said the school has to be ready to receive people with hearing loss. From the results of this study it was concluded that: it appears that bilingualism is still little known and the concepts relating to them are ignorant. Such data could be used for other studies; we recommend that more studies be made on this matter and in this area. Keywords: hearing loss; bilingual education; inclusive education. INTRODUÇÃO. A língua é um instrumento de vital importância para o desenvolvimento de certos processos cognitivos da criança e que há um tempo cronológico e psicológico ideal para que isto aconteça (FERNANDES, 1995). A Resolução n. º 48/96 das Nações Unidas, de Março de 1994, Normas sobre a Igualdade de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, aponta para a necessidade de se prever a utilização de Língua Gestual na educação dos surdos, bem como de se garantir a presença de intérpretes como mediadores da comunicação, mencionando, explicitamente, que dadas as suas especificidades, as crianças surdas constituem um caso especial no que diz respeito à integração no ensino regular (CAVACA et al, 2007) Libras é o idioma gestual utilizado pelas pessoas surdas, possui estrutura gramatical própria e, no lugar das palavras, usa os SINAIS. Os sinais são construídos a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. A língua de sinais é uma língua como qualquer outra e não apenas gestos combinados e é adquirida naturalmente pela criança surda (LIMA, 2004). Uma postura que envolva o bilingüismo prioriza, evidentemente, o fato de que uma língua precisa ser de domínio do indivíduo para contribuir significativamente para seu desenvolvimento cognitivo e sua necessidade de comunicação com o meio. Assim, no bilingüismo, o indivíduo terá a língua de sinais como sua língua natural e, paralelamente, será exposto a um processo de aprendizagem da língua portuguesa escrita ou oral (FERNANDES, 1995). O princípio fundamental do bilingüismo é oferecer à criança um ambiente lingüístico no qual seus interlocutores se comuniquem com ela de uma forma natural, da mesma forma que se faz com a criança ouvinte por meio da língua oral (MOURA, LODI e HARRINSON, 1997). As pessoas com deficiência auditiva e a comunidade lingüística estão inseridos dentro de um conceito mais geral de bilingüismo. A língua de sinais está voltada para as funções visuais, que ainda se encontram intactas; constituem o modo mais direto de atingir as crianças surdas, o meio mais simples de lhes permitir o desenvolvimento pleno, e o único que respeita sua diferença, sua singularidade. Por isso, educar a criança na sua própria língua favorece seu desenvolvimento emocional (construção de sua identidade, segurança, auto-estima, etc), cognitivo e social (VYGOTSKY, 1991). Educar com bilingüismo é “cuidar” para que, por meio do acesso a duas línguas, se torne possível garantir que os processos naturais de desenvolvimento do indivíduo, nos quais a língua se mostre instrumento indispensável, seja preservado (FERNANDES, 1995). O presente estudo teve por objetivo comparar a opinião de pais, professores e fonoaudiólogos em relação ao bilingüismo. LITERATURA. Neste capítulo apresentamos os textos da literatura compulsada. Optamos por dividi-los didaticamente segundo as temáticas: A. Deficiência auditiva. B. Bilingüismo. C. Educação inclusiva A. Deficiência Auditiva: Silva et. al (2007) referiram que a deficiência auditiva é um problema sensorial, causando dificuldades na recepção, percepção e reconhecimento dos sons da fala podendo variar de leve a profundo. Akiyama (2007) afirmou, quando se confirma que a criança tem uma deficiência auditiva, ela terá dificuldades em ouvir os sons da fala e do meio ambiente, isso faz com que a sua aquisição espontânea de fala fique comprometida, mas a comunicação poderá ser efetiva por meio de LIBRAS. Schlesinger e Meadow apud Sacaloski (2007) “Surdez profunda é muito mais que um diagnóstico médico: é um fenômeno cultural em que os modelos e problemas sociais, emocionais, lingüísticos e intelectuais estão estranhamente vinculados”. Bevilacqua e Formigoni (2000) descrevem que a prótese auditiva é fundamental para o desenvolvimento das habilidades acústicas e para a aquisição de linguagem. Corrêa (2001) acredita que o uso de próteses auditivas possibilita o estabelecimento do contato entre a criança com perda auditiva e o mundo sonoro. B. Bilingüismo: Capovilla (1996) concluiu que a língua de sinais é importante para o desenvolvimento das funções intelectuais e lingüísticas da criança com deficiência auditiva, durante seu desenvolvimento. Kozlowski (2000) descreve que a língua de sinais promove a construção do pensamento da criança surda. Diz que esta é a língua da discussão, comunicação e expressão de pensamentos. Fernandes (2004) descreveu que o aprendizado da língua portuguesa do surdo encontra dificuldades, tais como: a segunda língua será compreendida pelo surdo como uma língua estrangeira, já que a estrutura gramatical desta é diferente de sua língua materna, a de sinais; às diferenças que há entre as duas línguas quanto à organização dos níveis lingüísticos. Lacerda (2000) ressaltou que na escola bilíngüe são ensinadas duas línguas a de sinais e a língua portuguesa (oral e/ou escrita). Essa comunicação é mais adequada pelo fato de trabalhar com o canal viso gestual. Lacerda (2006) referiu que o objetivo da escola bilíngüe é que a criança deficiente auditiva tenha um desenvolvimento cognitivo - lingüístico que equivale ao de uma criança ouvinte, alguns lugares indicam que a criança com deficiência auditiva passe da língua de sinais diretamente para a língua escrita, porque a língua oral é muito difícil para ela. Dizeu e Caporalli (2005) descrevem que na educação bilíngüe, a pessoa com deficiência auditiva deve primeiramente adquirir a língua de sinais de forma natural e depois adquirir a língua portuguesa oral e escrita, o que se deve às bases lingüísticas obtidas através da língua de sinais. Quadros (2006) ressaltou que a aquisição da linguagem pode ser feita por meio de línguas viso-espaciais. Goldfeld (2002) descreveu que a teoria do bilingüismo, a criança surda deve adquirir a língua de sinais, como língua materna e isto deve ocorrer por meio do convívio da criança surda com surdos mais velhos, que dominem a língua de sinais. Kozlowski (2000) argumentou que o contato entre a criança surda e o adulto surdo, por meio da língua de sinais promoverá que esta criança tenha acesso a linguagem. Civitella (2001) referiu que existem três abordagens para que os pais de surdos, escolham a melhor forma do seu filho se comunicar, são elas: o oralismo, a comunicação total e o bilingüismo. As abordagens são apresentadas pelos fonoaudiólogos e fica a critério de escolha dos pais. Goldfeld (2002) fundamentou que o Oralismo possui o objetivo de integração da criança que apresenta deficiência auditiva na comunidade de ouvintes, propiciando condições para que haja o desenvolvimento da língua oral, e nesta filosofia a língua oral é o único meio de comunicação dos surdos. Pires e Rodrigues (2002) descreveram que a Comunicação Total é o conjunto de técnicas que amplifica a pouca audição que a pessoa com deficiência auditiva possui, sendo assim a criança tem como aprender a falar e a linguagem gestual por seus pais. Goldfeld (2002) referiu em relação à Comunicação Total, que se opõe à filosofia oralista, pois crê que somente o aprendizado da língua oral não garante o completo desenvolvimento da criança surda. E uma relevante diferença entre a Comunicação Total e as outras abordagens é que, para facilitar a comunicação esta utiliza qualquer recurso lingüístico, podendo ser a linguagem oral, os códigos manuais ou a língua de sinais. Capovilla e Capovilla (2002) descreveram que o Bilingüismo é a filosofia em que as duas línguas, a de sinais e a falada ou escrita, podem conviver lado a lado, porém não ao mesmo tempo, pois o objetivo do bilingüismo é promover o desenvolvimento das habilidades, inicialmente na língua de sinais natural e, posteriormente na língua escrita do país o qual pertence. C. Educação Inclusiva: Petean e Borges (2002) afirmaram que não acreditam no processo de inclusão nas escolas, pela falta de preparo dos professores e da própria escola para receber crianças com deficiência auditiva, tendo a possibilidade de rejeição e abandono. A inclusão deve ser feita com critérios, e foco em competências e capacidades da criança, contando com a estrutura da escola tendo que haver um preparo e receptividade de professores até aos diretores, material pedagógico e metodologia de ensino devem ser adaptados. Lacerda (2006) ressaltou que a inclusão do aluno com deficiência auditiva na escola é um processo dinâmico e gradual, existindo diversas formas para ser trabalhada, mas isso vai variar segundo as necessidades dos alunos. O professor é responsável pela aquisição de conhecimentos por meio da interação com o aluno surdo e com outros alunos ouvintes. MÉTODO. Para realização deste trabalho foi inicialmente apresentado aos indivíduos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo I) a fim de que os mesmos autorizassem a utilização dos dados da pesquisa. Foram feitas entrevistas com 24 pessoas, 8% do gênero masculino (dois pais de crianças com deficiência auditiva) e 92% do gênero feminino com idades que variaram de 23 a 56 anos (Tabela 1). A amostra foi composta por 8 fonoaudiólogos, 8 pais de crianças com deficiência auditiva e 8 professores. A entrevista foi mediada por um questionário (Anexo II) que foi respondido por escrito pelos sujeitos participantes. Os dados coletados foram tabulados para análise qualitativa e quantitativa. Tabela 1. Distribuição da amostra segundo o grupo e a idade dos entrevistados. Indivíduos Idade Fonoaudiólogos Pais Professores Total (em anos) Nº % Nº % Nº % Nº % 20 ← 25 0 0 0 0 1 4 1 4 25 ← 30 1 4 3 13 0 0 4 17 30 ← 35 5 21 2 8 1 4 8 33 35 ← 40 2 8 2 8 0 0 4 17 40 ← 45 0 0 0 0 4 17 4 17 45 ← 50 0 0 0 0 1 4 1 4 50 ← 55 0 0 0 0 1 4 1 4 55 ← 60 0 0 1 4 0 0 1 4 Total 8 33,33 8 33,33 8 33,33 24 100 RESULTADOS. Neste capítulo apresentamos os achados do presente estudo, ilustrados por meio de gráficos. Optamos por dividi-lo em temáticas como nos capítulos anteriores. A. Deficiência Auditiva: No gráfico 1, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de deficiência auditiva. Gráfico 1: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: " O que é Deficiência Auditiva?" Baixa percepção de sons que gera comprometimento na fala Professores 12,5% Pais Fonoaudiólogos 25% 87,5% Baixa percepção de sons 100% 75% Com relação ao conhecimento do que é deficiência auditiva verificou-se que a maioria dos entrevistados conceituaram a deficiência auditiva segundo a acuidade auditiva, sem especificar suas conseqüências. No gráfico 2, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito da função da escola para a pessoa com deficiência auditiva. Gráfico 2: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: “Qual é a função da escola para a pessoa com deficiência auditiva?” Mesma das crianças ouvintes Professores 12,5% Pais 25% Fonoaudiólogos 50% Comunicação 25% 25% 87,5% Aprendizagem 87,5% 87,5% 50% Socialização 50% 62,5% A maioria dos entrevistados acredita que, para as pessoas com deficiência auditiva, a escola tem a função de desenvolver a aprendizagem. Os fonoaudiólogos destacam também a função de socialização, enquanto os pais enfatizam a de socialização e os professores a comunicação e socialização. No gráfico 3, listamos a distribuição das respostas sobre o conceito de como se dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência auditiva. Gráfico 3: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Como se dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência auditiva?" Não respondeu Interações vocais Organização do pensamento 12,5% Pais 12,5% Fonoaudiólogos 12,5% 12,5% Abordagem usada Influência da família Professores 25% 12,5% Contato com a linguagem Tecnologia 25% 25% 37,5% 12,5% 12,5% 25% 12,5% 25% 12,5% 37,5% 37,5% Estimulação auditiva + fala + compreensão Igual ao ouvinte 50% 12,5% 12,5% Detecção e intercepção precoce 12,5% 12,5% De acordo com a maioria das respostas este processo ocorre por meio de estimulação auditiva, de fala, compreensão e contato com a linguagem. No gráfico 4, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de qual a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência auditiva. Gráfico 4: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Qual é a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência auditiva?" 25% Não respondeu 25% Professores Pais Fonoaudiólogos 25% 25% Possibilidades de cada indivíduo Profissional habilitado e ensino de qualidade 50% 12,5% Ensino normal 25% 12,5% Bilíngüismo 12,5% Comunicação total 12,5% 25% 62,5% Fonoaudiólogos, pais e professores destacam que devemos respeitar as possibilidades de cada indivíduo e o método mais adequado para educação dos surdos, é a comunicação total, segundo fonoaudiólogos e professores. B. Bilingüismo No gráfico 5, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de escola bilíngüe. Gráfico 5: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "O que é uma escola bilíngüe?" Professores Não respondeu 12,5% Pais Fonoaudiólogos Duas línguas em contextos diferentes 37,5% 12,5% 25% 50% Libras + Português no processo ensino aprendizagem 25% 62,5% 12,5% Duas línguas oficiais 50% 12,5% Os fonoaudiólogos e os professores possuem maior conhecimento no que diz respeito à escola bilíngüe. E eles, em sua maioria, acreditam que a escola bilíngüe é aquela que usa Libras e Língua Portuguesa no processo ensino aprendizagem. No gráfico 6, apresentamos a distribuição das respostas sobre a importância da importância da língua brasileira de Sinais para a pessoa com deficiência auditiva. Gráfico 6: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Qual a importância da língua brasileira de sinais para a pessoa com deficiência auditiva?" Professores Pais Não respondeu Contra a LIBRAS Opção para quem não fala Inserção na comunidade 12,5% 12,5% 12,5% 37,5% 12,5% Aprendizagem 12,5% 12,5% Socialização 12,5% Desenvolvimento cognitivo Fonoaudiólogos 25% 50% 25% 12,5% 37,5% 25% Acesso à língua portuguesa 12,5% 25% Comunicação 37,5% 37,5% Desenvolvimento da linguagem Língua mãe 50% 62,5% 25% 12,5% 12,5% A maioria dos entrevistados reconhece que a língua brasileira de Sinais é importante para a comunicação. Os fonoaudiólogos descrevem também a importância para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, e para a socialização da pessoa com deficiência auditiva. Os professores entrevistados enfatizaram que é essencial para socialização e inserção na comunidade. No gráfico 7, demonstramos a distribuição das respostas sobre o conceito da função da Língua Portuguesa na educação bilíngüe. Gráfico 7: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Qual a função da língua portuguesa na educação bilíngüe?" Comunicação 12,5% 25% Professores Pais Não respondeu Língua da população brasileira Fala Fonoaudiólogos 25% 25% 25% 12,5% 12,5% 37,50% 12,5% 25% 12,5% Linguagem Compreensão Segunda língua 12,5% 12,5% 12,5% 25% 50% 25% Os professores descreveram que, na educação bilíngüe, a língua portuguesa tem o papel de segunda língua. Já os fonoaudiólogos acreditam que ela ocupa o papel da língua da população brasileira. Os pais mencionaram que serve para comunicação, compreensão e fala. No gráfico 8, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de como a língua brasileira de sinais deve ser trabalhada. Gráfico 8: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Como a língua portuguesa deve ser trabalhada?" Conjunto com LIBRAS 12,5% Professores Pais Interação com o mundo ouvinte Fonoaudiólogos 12,5% 25% Não respondeu 75% 12,5% Segundo as possibilidades do sujeito 12,5% 25% 37,5% Oral ou escrito 25% 12,5% Contexto diferente da Libras Por professores aptos 37,5% 12,5% A maioria dos pais não soube responder como a língua portuguesa deve ser trabalhada. A maior parte dos fonoaudiólogos descreveram que a língua portuguesa deve ser trabalhada em um contexto diferente da Libras, enquanto a maioria dos professores acredita que deve ser de forma oral e escrita. No gráfico 9, apresentamos a distribuição das respostas sobre o fato da língua brasileira de sinais interferir na aquisição da fala. Gráfico 9: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Para você, a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala?" Não respondeu Professores 12,5% Pais Fonoaudiólogos 12,5% Depende 25% 87,5% Não 37,5% 12,5% Sim 50% 62,5% Na opinião da maioria dos professores a língua brasileira de sinais não interfere na aquisição de fala, os pais e os fonoaudiólogos acreditam que há interferência e os fonoaudiólogos dizem que depende de outros fatores. No gráfico 10, apresentamos a distribuição das respostas sobre como a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala, segundo os fonoaudiólogos. Gráfico 10: Distribuição percentual de respostas dos fonoaudiólogos entrevistados para a pergunta:" Como a língua brasileira de sinais interfere na aquisição de fala"? 37,50% Positivamente Negativamente 12,50% Somente os fonoaudiólogos definiram a interferência como positiva ou negativa, e a maior parte destes descreveram que a Libras interfere positivamente a aquisição de fala. No gráfico 11, apresentamos a distribuição das respostas sobre a posição dos entrevistados quanto à prótese auditiva no contexto bilíngüe. Gráfico 11: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: " Qual a sua posição sobre prótese auditiva no contexto bilíngüe?" 12,50% Professores Não respondeu Pais Fonoaudiólogos Depende Atrapalha 25% 12,50% 87,5% Sim 87,5% 75% A maior parte dos professores, pais e dos fonoaudiólogos foram favoráveis ao uso da prótese auditiva dentro do contexto bilíngüe. C. Educação Inclusiva No gráfico 12, apresentamos a distribuição das respostas sobre o conceito de educação inclusiva. Gráfico 12: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "O que é educação inclusiva?" Professores Pais Fonoaudiólogos Não respondeu 12,5% Melhoria e igualdade para todos 12,5% Integração do indivíduo e aprendizado Inclusão de pessoas com deficiência com pessoas normais 25% 75% 25% 25% 37,5% 62,5% 37,5% Pais e fonoaudiólogos responderam que a educação inclusiva é inclusão de pessoas com deficiência com pessoas normais, já os professores dizem que é a integração do individuo e o aprendizado. No gráfico 13, apresentamos a distribuição das respostas para a pergunta “A educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?”. Gráfico 13: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "A educação inclusiva tem lugar na educação bilíngue?" 62,5% Não respondeu 50% 50% Não 12,5% 12,5% 37,5% Sim Professores Pais Fonoaudiólogos 37,5% 37,5% Grande parte dos entrevistados não respondeu a pergunta, mas 37.5% dos entrevistados respondeu que a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe. No gráfico 14, apresentamos a distribuição das respostas sobre como a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe. Gráfico 14: Distribuição percentual das respostas dos entrevistados para a pergunta: "Como o conceito da educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe?" 50% 62,5% Não respondeu Escola e professores capacitados Professores capacitados Escola preparada 87,50% 37,50% 12,5% 12,5% 12,5% 12,5% 12,5% Fonoaudiólogos Pais Professores A maioria dos entrevistados não descreveu como a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos fonoaudiólogos disseram que por meio de escolas e professores capacitados. DISCUSSÃO. Pretendemos neste capítulo realizar uma análise crítica dos resultados encontrados no neste estudo, bem como confrontá-los quando possível com o que foi compulsado na literatura especializada sobre o tema. Utilizaremos a divisão por temática dos capítulos anteriores. A. DEFICIÊNCIA AUDITIVA Com relação ao conhecimento do que é deficiência auditiva verificou-se que a maioria dos entrevistados conceituou a deficiência auditiva segundo a acuidade auditiva, sem especificar suas conseqüências. A deficiência auditiva é um problema sensorial, que causa dificuldades na recepção, percepção e reconhecimento dos sons da fala, pode variar de leve a profundo (SILVA et. al, 2007). Akiyama (2007) afirma que a deficiência auditiva traz dificuldades em ouvir os sons da fala e do meio ambiente, isso faz com que a sua aquisição espontânea de fala fique comprometida, mas a comunicação poderá ser efetiva por meio de LIBRAS. “Surdez profunda é muito mais que um diagnóstico médico: é um fenômeno cultural em que os modelos e problemas sociais, emocionais, lingüísticos e intelectuais estão estranhamente vinculados” (SCHLESINGER e MEADOW apud SACALOSKI, 2007). A maioria dos entrevistados acredita que, para as pessoas com deficiência auditiva, a escola tem a função de desenvolver a aprendizagem. Os fonoaudiólogos destacam também a função de socialização, enquanto os pais destacam a socialização e os professores a comunicação e socialização. Segundo Lacerda (2006), a função da escola, para a pessoa com deficiência auditiva, é promover o desenvolvimento cognitivo - lingüístico equivalente ao de uma criança ouvinte. Dizeu e Caporalli (2005) descrevem que na educação bilíngüe, a pessoa com deficiência auditiva deve primeiramente adquirir a língua de sinais de forma natural e depois adquirir a língua portuguesa oral e escrita, o que se deve às bases lingüísticas obtidas através da língua de sinais. Com relação ao processo de aquisição de linguagem, a maioria dos entrevistados mencionou que, para as pessoas com deficiência auditiva, esta ocorre por meio de estimulação auditiva, de fala, compreensão e contato com a linguagem. Quadros (2006) ressaltou que a aquisição da linguagem pode ser feita por meio de línguas viso-espaciais. Segundo a teoria do bilingüismo, a criança surda deve adquirir a língua de sinais, como língua materna e isto deve ocorrer por meio do convívio da criança surda com surdos mais velhos, que dominem a língua de sinais (Goldfeld, 2002). Para Kozlowski (2000) o contato entre a criança surda e o adulto surdo, por meio da língua de sinais promoverá que esta criança tenha acesso a linguagem. Quanto ao método educacional para pessoas com deficiência auditiva, fonoaudiólogos, pais e professores destacam que devemos respeitar as possibilidades de cada indivíduo e o método mais adequado para educação destas pessoas é a comunicação total, segundo fonoaudiólogos e professores. Existem três abordagens para que os pais de crianças com deficiência auditiva escolham a melhor forma do seu filho se comunicar, são elas: o oralismo, a comunicação total e o bilingüismo. As abordagens são apresentadas pelos fonoaudiólogos e fica a critério de escolha dos pais qual o método deverá ser usado (CIVITELLA, 2001). Goldfeld (2002) fundamenta que o Oralismo possui o objetivo de integrar a criança que apresenta deficiência auditiva na comunidade de ouvintes, propiciando condições para que haja o desenvolvimento da língua oral, e nesta filosofia a língua oral é o único meio de comunicação dos surdos. Pires e Rodrigues (2002) descreveram que a Comunicação Total é o conjunto de técnicas que amplifica a pouca audição que a pessoa com deficiência auditiva, a criança tem como aprender a falar e a linguagem gestual por seus pais. A Comunicação Total, segundo Goldfeld (2002), se opõe à filosofia oralista, pois crê que somente o aprendizado da língua oral não garante o completo desenvolvimento da criança surda. E uma relevante diferença entre a Comunicação Total e as outras abordagens é que, para facilitar a comunicação esta utiliza qualquer recurso lingüístico, podendo ser a linguagem oral, os códigos manuais ou a língua de sinais. O Bilingüismo é a filosofia em que as duas línguas, a de sinais e a falada, podem conviver lado a lado, porém não ao mesmo tempo, pois o objetivo do bilingüismo é promover o desenvolvimento das habilidades, inicialmente na língua de sinais natural e, posteriormente na língua escrita do país o qual pertence (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2002). B. BILÍNGUISMO Os fonoaudiólogos e os professores possuem maior conhecimento no que diz respeito à escola bilíngüe. E eles, em sua maioria, acreditam que a escola bilíngüe é aquela que usa da Libras e da Língua Portuguesa no processo ensino aprendizagem. A escola bilíngüe é aquela em que são ensinadas duas línguas, a lingua portuguesa, em sua forma oral e escrita, e a língua de sinais, segundo Lacerda (2000). A maioria dos entrevistados reconhece que a língua brasileira de Sinais é importante para a comunicação. Os fonoaudiólogos descrevem também a importância para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, e para a socialização da pessoa com deficiência auditiva. Os professores entrevistados enfatizaram que é importante para socialização e inserção na comunidade. A língua de sinais é importante para o desenvolvimento das funções intelectuais e lingüísticas da criança com deficiência auditiva, durante seu desenvolvimento (CAPOVILLA, 1996). Os professores descreveram que a língua portuguesa, na educação bilíngüe, tem o papel de segunda língua. Já os fonoaudiólogos acreditam que ela ocupa o papel da língua da população brasileira. Os pais mencionaram que serve para comunicação, compreensão e fala. A maioria dos pais não respondeu, como a língua portuguesa deve ser trabalhada enquanto a maior parte dos fonoaudiólogos descreveram que a língua portuguesa deve ser trabalhada em um contexto diferente da Libras. Já a maioria dos professores acredita que deve ser de forma oral e escrita. Fernandes (2004) diz que o aprendizado da língua portuguesa do surdo encontra dificuldades, tais como: a segunda língua será compreendida pelo surdo como uma língua estrangeira, já que a estrutura gramatical desta é diferente de sua língua materna, a de sinais; às diferenças que há entre as duas línguas quanto à organização dos níveis lingüísticos. Na opinião da maioria dos professores, a língua brasileira de sinais não interfere na aquisição de fala, os pais acreditam que há interferência e os fonoaudiólogos dizem que depende de outros fatores. Somente os fonoaudiólogos definiram a interferência como positiva ou negativa, e a maior parte destes descreveram que a Libras interfere positivamente na aquisição de fala. Kozlowski (2000) descreve que a língua de sinais promove a construção do pensamento da criança surda. Diz que esta é a língua da discussão, comunicação e expressão de pensamentos. Quanto ao uso da prótese auditiva, a maior parte dos professores, pais e dos fonoaudiólogos foram favoráveis ao uso da prótese auditiva dentro do contexto bilíngüe. Bevilacqua e Formigoni (2000) descrevem que a prótese auditiva é fundamental para o desenvolvimento das habilidades acústicas e para a aquisição de linguagem. Corrêa (2001) acredita que o uso de próteses auditivas possibilita o estabelecimento do contato entre a criança com perda auditiva e o mundo sonoro. C. EDUCAÇÂO INCLUSIVA Pais e fonoaudiólogos responderam que a educação inclusiva é inclusão de pessoas com deficiência com pessoas normais, já os professores dizem que é a integração do individuo e o aprendizado. Petean e Borges (2002) não acreditam no processo de inclusão nas escolas, pela falta de preparo dos professores e da própria escola para receber crianças com deficiência auditiva, tendo a possibilidade de rejeição e abandono. A inclusão escolar deve ser feita com critérios e foco em competências e capacidades da criança, contando com a estrutura da escola tendo que haver um preparo e receptividade de professores até aos diretores, material pedagógico e metodologia de ensino. Grande parte dos entrevistados não respondeu se a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos entrevistados disseram que a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe. A maioria dos entrevistados não descreveu como o conceito de educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos fonoaudiólogos disseram que por meio de escolas e professores capacitados. A inclusão do aluno com deficiência auditiva na escola é um processo dinâmico e gradual, existindo diversas formas para ser trabalhada, mas isso vai variar segundo as necessidades dos alunos. O professor é responsável pela aquisição de conhecimentos por meio da interação com o aluno surdo e com outros alunos ouvintes (LACERDA, 2006). Com o estudo realizado verificamos que os conceitos da educação bilíngüe são pouco divulgados. Desta forma, sugerimos que sejam realizadas novas pesquisas que abordem esta filosofia, Sugerimos que seja realizado um estudo dentro de uma escola que trabalha com esta filosofia, de como acontece, na prática, a educação bilíngüe. CONCLUSÃO. A partir dos resultados deste estudo pode-se concluir que: A. QUANTO A DEFICIÊNCIA AUDITIVA o No que diz respeito ao conhecimento do que é deficiência auditiva verificou-se que a maioria dos entrevistados conceituaram a deficiência auditiva segundo a acuidade auditiva, sem especificar suas conseqüências. o A maior parte dos indivíduos que participaram da pesquisa acredita que, para as pessoas com deficiência auditiva, a escola tem a função de desenvolver a aprendizagem. Os fonoaudiólogos destacam também a função de socialização, enquanto os pais destacam a de socialização e os professores a de comunicação e socialização. o De acordo com a maioria das respostas o processo de aquisição de linguagem, para a pessoa com deficiência auditiva, ocorre por meio de estimulação auditiva, de fala, compreensão e contato com a linguagem. o Fonoaudiólogos, pais e professores destacam que devemos respeitar as possibilidades de cada indivíduo e o método mais adequado para educação das pessoas com deficiência auditiva é a comunicação total, segundo fonoaudiólogos e professores. B. QUANTO AO BILÍNGÜISMO o Professores e fonoaudiólogos possuem maior conhecimento no que diz respeito ao conceito da escola bilíngüe. E eles, em sua maioria, acreditam que a escola bilíngüe é aquela que usa Libras e Língua Portuguesa no processo ensino aprendizagem. o A maioria dos entrevistados reconhece que a língua brasileira de sinais é importante para a comunicação. Os fonoaudiólogos descrevem também a importância para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, e para a socialização da pessoa com deficiência auditiva. Os professores entrevistados enfatizaram que é importante para socialização e inserção na comunidade. o Os professores descreveram que a língua portuguesa, na educação bilíngüe, tem o papel de segunda língua. Já os fonoaudiólogos acreditam que ela ocupa o papel da língua da população brasileira. Os pais mencionaram que serve para comunicação, compreensão e fala. o A maioria dos pais não respondeu, como a língua portuguesa deve ser trabalhada. A maior parte dos fonoaudiólogos descreveram que a língua portuguesa deve ser trabalhada em um contexto diferente da Libras, enquanto a maioria dos professores acreditam que deve ser de forma oral e escrita. o Na opinião da maioria dos professores a língua brasileira de sinais não interfere na aquisição de fala, os pais acreditam que há interferência e os fonoaudiólogos dizem que depende de outros fatores. o Somente os fonoaudiólogos definiram a interferência da língua brasileira de sinais na aquisição de fala como positiva ou negativa, e a maior parte destes descreveram que interfere positivamente na aquisição de fala. o A maior parte dos professores, pais e dos fonoaudiólogos foram favoráveis ao uso da prótese auditiva dentro do contexto bilíngüe. C. QUANTO À EDUCAÇÃO INCLUSIVA o Pais e fonoaudiólogos responderam que a educação inclusiva é inclusão de pessoas com deficiência com pessoas normais, já os professores dizem que é a integração do individuo e o aprendizado. o 37.5% dos entrevistados respondeu que a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe. o A maioria dos entrevistados não descreveu como o conceito de educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe, mas 37,5% dos fonoaudiólogos disseram que deve haver escolas e professores capacitados. Desta maneira, verifica-se que o Bilingüismo ainda é pouco divulgado e os conceitos a seu respeito são insipientes. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. AKIYAMA, R. Análise comparativa da intervenção fonoaudiológica na surdez: com a família ou com os pais?. Rev. soc. Bras. Fonoaudiol., São Paulo, v.12, n.4, out./dez. 2007. BEVILCQUA, M. C.; FORMIGONI, G. M. P. Audiologia Educacional: uma opção terapêutica para a criança deficiência auditiva, 3. ed. Carapicuíba: PRÓ-FONO, 2000. CAPOVILLA, F.C.; MACEDO, E.C. ; CAPOVILLA, A.G.S.; RAPHAEL, W.D.; GONÇALVES, M.J. O lugar da língua de sinais e dos sistemas de sinais para a criança surda. São Paulo: Mundo saúde, v.20, n.9, out. 1996. CAPOVILLA, F.C.;CAPOVILLA, A.G.S. Educação da criança surda: O bilingüismo e o desafio da descontinuidade entre a língua de sinais e a escrita alfabética. Marília: Revista Bras. Ed. Esp., v.8, n.2, jul./dez. p.127-156. 2002. CAPOVILLA, F.C.; CAPOVILLA, A.G.S. Neuropsicologia e Aprendizagem uma abordagem multidisciplinar: Educação na criança surda: Evolução das abordagens. São Paulo: SCOR TECCI, p.229-256. 2002. CAVACA, F.; CARMO, H.;MARTINS, M.;MORGADO, M.;ESTANQUEIRO, P. Ministério da Educação Direção-geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular : Programa Curricular de Língua gestual Portuguesa Educação pré escolar e ensino básico,2007. CIVITELLA, M.C.F.M. Abordagens terapêuticas na reabilitação do deficiente auditivo. São Paulo: Mundo saúde,v.25,n.4, out./dez.2001. CORRÊA, J.M. Surdez e os fatores que compõem o método áudio+ visual de linguagem oral para crianças com perda auditiva. São Paulo: ATHENEU, 2001. DIZEU, L.C.T.B.; CAPORALI, S.A. A Língua de sinais constituindo o surdo como sujeito. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p. 583-597, Maio/Ago. 2005. FERNANDES, E. Desenvolvimento lingüístico e cognitivo em casos de surdez — uma opção de educação com bilingüismo. In: STROBEL, L.K. Surdez: abordagem geral. Rio de Janeiro: FENEIS, 1995. FERNANDES, S. Educação bilíngüe para surdos: trilhando caminhos para a prática pedagógica. Curitiba: SEED/SUED/DEED: 2004. GOLDFELD, M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio interacionista. In: __________. Breve Relato sobre a educação de surdos, 2.ed.São Paulo: Plexus,2002. KOZLOWSKI, L. A Educação Bilíngüe – Bicultural do Surdo. In: LACERDA, C.B.F.; NAKAMURA, H.; LIMA, M.C. Fonoaudiologia, Surdez e Abordagem Bilíngüe. São Paulo: Plexus, 2000. LACERDA, C.B.F. A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. Campinas: CEDES, v.26, n.69, maio/ago.2006. LIMA, C.S.M. Surdez, bilingüismo e inclusão: entre o dito, o pretendido e o feito. Campinas: (Tese de Doutorado) UNICAMP, 261 p. 2004. MOURA, C.M. ; LODI, B.C.A. ; HARRISON, P.M.K. História e educação: o surdo, a oralidade e o uso de sinais. In: FILHO, L.O. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 1997. PETEAN, E.B.L.; BORGES, C.D. Deficiência auditiva: escolarização e aprendizado de língua de sinais na opinião das mães. Ribeirão Preto: 2002. Disponível em: <http: //sites.ffclrp.usp.br/paideia/artigos/24/07.doc>. Acesso em: 21 set. 2008. PIRES, A.; RODRIGUES, F.A.Surdez infantil e comportamento parental. Lisboa: Aná. Psicológica, v.20, n.3,jul.2002. QUADROS, R.M.;SCHMIEDT, M.L.P. Idéias para ensinar português para alunos surdos: Aquisição das línguas e a criança surda. Brasília: MEC, SEESP, p.120, 2006. SACALOSKI, M. 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As perguntas estão aqui anexadas e o senhor está livre para lê-las antes de aceitar nosso convite para, se for de sua vontade, respondê-las. Eu _____________________________________________, estou ciente sobre minha decisão em participar deste estudo. Não há benefício direto para o participante. Sua participação neste estudo é de livre e espontânea vontade, sem nenhum custo e seu consentimento de participação poderá ser retirado a qualquer momento. Não existirão despesas ou compensações pessoais para nenhum participante em qualquer fase do estudo. Também não há compensação financeira relacionada à sua participação. Se existir qualquer despesa adicional, ela será absorvida pelo orçamento da pesquisa. Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou que foram lidas para mim, descrevendo o estudo “A abordagem Bilíngüe na educação de pessoas com deficiência auditiva: opinião de pais, professores e fonoaudiólogos” que será realizado como trabalho de conclusão de curso pela aluna Tahnee Hirata Hirota e Nara Fernandes Barbosa sob a supervisão da Dra. Marisa Sacaloski do curso de Fonoaudiologia das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem realizados, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia do acesso aos resultados e de esclarecer minhas dúvidas em qualquer tempo. Concordo voluntariamente em participar deste estudo sabendo que poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidade, prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido anteriormente ao estudo. ___________________________________ Assinatura do entrevistado Data _______/______/______ Declaro que obtive as informações do presente estudo de forma livre e esclarecida. __________________________________ Assinatura do(a) pesquisador(a) Data _______/______/______ ANEXO II Questionário para professores, pais e fonoaudiólogos (Sacaloski, 2007): Identificação: Nome (iniciais): ________________ Data de Nascimento: ______/______/______ Idade: __________ Sexo: F ( ) M( ) Profissão: _____________________ 1. O que é deficiência auditiva? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2. O que é uma escola bilíngüe? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 3. Qual é a função da escola para a pessoa com deficiência auditiva? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 4. Qual é a importância da língua brasileira de sinais para a pessoa com deficiência auditiva? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 5. Qual a função da língua portuguesa na educação bilíngüe? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 6. Como a língua portuguesa deve ser trabalhada? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 7. Para você, a língua brasileira de sinais interfere na aquisição da fala? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 8. Como se dá o processo de aquisição de linguagem para a pessoa com deficiência auditiva? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 9. Qual a sua posição sobre prótese auditiva no contexto bilíngüe? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 10. O que é a educação inclusiva? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 11. Esse conceito tem lugar na educação bilíngüe? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 12. Como a educação inclusiva tem lugar na educação bilíngüe? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 13. Qual é a abordagem educacional mais adequada para a pessoa com deficiência auditiva? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________