Da fala à escrita 33 ______________________________________________________________________ DA FALA À ESCRITA: ANÁLISE DAS MARCAS DA ORALIDADE PRESENTES EM TEXTOS ESCRITOS DE ALUNOS DE 5º ANO Izabela Carvalho 1 Douglas Corrêa da Rosa2 Resumo Sabe-se que a fala é anterior à escrita, por isso, os alunos, ao chegarem à escola, dominam essa modalidade da língua. Não raro, ao produzirem seus textos, apresentam interferências da oralidade, as quais são motivadas por diversos fatores. Ao se depararem com tais interferências, os professores muitas vezes têm dificuldade em caracterizá-las e de propor encaminhamentos para intervir nessas produções. Diante disso, o presente trabalho objetiva apresentar análises de textos de alunos de 5º ano de uma escola de um município do oeste paranaense, a fim de identificar as possíveis marcas da oralidade. Utilizou-se para a realização da pesquisa, como referencial teórico, as contribuições dos seguintes autores: Marcuschi (2003), Travaglia (2001), Monteiro (2010), Koch & Elias (2010), Bortoni-Ricardo (2005), entre outros. Esta pesquisa vincula-se ao projeto de Pesquisa e Extensão Formação continuada para professores da educação básica nos anos iniciais: ações voltadas para a alfabetização em municípios com baixo IDEB da região oeste do Paraná, ligado ao programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Letras – Mestrado e Doutorado -, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Cascavel, sendo subsidiado pela CAPES/INEP. Palavras-chave: Oralidade; Textos; Escrita. Abstract It is known that speech comes first to writing, that`s why when students go to school, they can dominate this type of language. Not always, when producing their texts by orality interferences, which are motivated by several factors. When faced with such interference, teachers frequently have difficulty in characterizing them and proposing motions to intervene in these productions. Therefore, this study presents analyzes of texts students from 5th grade at a school in a municipality in western Paraná, in order to identify, in written texts, the possible marks of orality. It was used for the research, as a theoretical, the contribution of the following themes: Marcuschi (2003), Travaglia (2001), Miller (2010), Elias & Koch (2010), Bortoni-Ricardo (2005), among others. This research project is linked to the Research and Extension Training continued for basic education teachers in the early years: actions for literacy in cities with low IDEB in western Paraná, linked on the post-graduate program studies in Arts, State University of West Paraná (UNIOESTE), Cascavel campus, being funded by CAPES / INEP. Keywords: Orality; Tests; Writing. 1 Graduanda do curso de Letras Português/Italiano da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, campus de Cascavel. 2 Graduado em Letras Português/Italiano pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, campus de Cascavel. Mestrando do Programa de Pós-Graduação Scrictu Sensu em Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, campus de Cascavel. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 34 ______________________________________________________________________ Nota Introdutória Tomando-se por base o caráter extensivo que vincula a universidade à comunidade, mormente, no que se refere à área educacional, o Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Letras – Nível de Mestrado e Doutorado –, com área de concentração em Linguagem e Sociedade, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, campus de Cascavel/PR, formulou uma proposta de Núcleo de Pesquisa, cujo projeto intitula-se: “Formação continuada para professores da educação básica nos anos iniciais: ações voltadas para a alfabetização em municípios com baixo IDEB da região Oeste do Paraná”. Tal proposta foi contemplada pelo edital nº 38/2010/CAPES/INEP, do Programa Observatório da Educação, alcançando a 16ª colocação entre os 85 projetos selecionados. Com o apoio da CAPES/INEP, a finalidade do projeto é atender, por meio da formação continuada dos professores, a sete municípios da região Oeste do Paraná, cujos índices do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) se mostraram abaixo de 5,0. De acordo com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o objetivo é atingir a meta estipulada para o ano de 2022, ou seja, média de 6,0 – a dos países desenvolvidos – o que trará reflexos na qualidade da educação básica brasileira3. O núcleo de pesquisa, acima referido, coordenado pela Professora Doutora Terezinha da Conceição Costa-Hübes4, composto por 15 bolsistas, entre eles alunos da pós-graduação, da graduação, bem como por professores da Educação Básica, e 12 pesquisadores voluntários, propõe, inicialmente, levantar quais são as dificuldades de leitura e de escrita apresentadas pelos alunos dos municípios participantes da pesquisa. Para isso, foram elaborados, pelos próprios participantes do projeto, simulados da Prova Brasil, ou seja, instrumentos que pudessem avaliar o desempenho dos alunos do 3º, 4º e 5º anos (ou 3ª e 4ª séries) dos municípios selecionados. Os simulados, aos moldes da Prova Brasil, continham questões avaliativas referentes à leitura. Um diferencial da avaliação por nós elaborada é que, juntamente com as questões que avaliavam a leitura, foi agregada à prova uma proposta de produção textual. Ressaltamos que a Prova Brasil não contempla a produção textual, mas especificamente a leitura. Todavia, como um dos objetivos do projeto é auxiliar os professores no trabalho com a produção de textos, 3 Informações retiradas do site: http://portalideb.inep.gov.br/calculo-das-metas. Acessado em 09 de ago. 2011. 4 Professora adjunta do curso de Letras Português/Inglês/Espanhol/Italiano da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus de Cascavel, e do Programa de Pós-graduação Scrictu Sensu em Letras – Mestrado e Doutorado – da UNIOESTE, campus de Cascavel. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 35 ______________________________________________________________________ em todos os simulados fora elabora uma proposta de produção a partir de um gênero discursivo. A partir da avaliação, com os dados devidamente tabulados, os bolsistas, sobretudo os da pós-graduação, iniciaram um processo de formação continuada com os professores dos municípios, partindo, sempre, das dificuldades apresentadas pelos alunos no que se refere à leitura e à escrita. Destaca-se que a proposta de formação visa, sobretudo, a ampliar as possibilidades de trabalho e reflexão dos professores, não se limitando a apontar tão somente caminhos para a realização da Prova Brasil, entendendo-se que o êxito dos alunos nessa modalidade avaliativa deva ser uma consequência de todo um trabalho realizado pelo professor, no decorrer do ano letivo. As questões discutidas nos encontros se referem, principalmente, ao processo de alfabetização/letramento, tendo em vista que o foco do projeto são os anos iniciais da Educação Básica, partindo do pressuposto de que o processo de alfabetização permeia, sobretudo, esta base escolar. Nesse sentido, serão tomados como ponto de partida, para as análises deste trabalho, os textos produzidos por alunos de 5º ano de um dos municípios participantes do projeto, a fim de verificar se existem traços da oralidade transpostos no texto escrito. Para tanto, organizaremos o trabalho da seguinte maneira: inicialmente, faremos um breve esboço teórico dos estudos e dos conceitos relacionados à oralidade e à escrita, baseando-nos em Marcuschi (2003), Fávero, Andrade e Aquino (2009), Travaglia (2002) Koch e Elias (2010), entre outros; na sequência, traremos, nos baseando em Bortoni-Ricardo (2005), algumas marcas da oralidade comuns ao texto escrito e, por fim, serão analisados os dados da pesquisa. Estudos sobre a fala e a escrita De modo geral, as línguas apresentam-se sob duas modalidades principais: a oral e a escrita. Tais modalidades são de suma importância para o estabelecimento da interação entre os sujeitos. Os estudos acerca das relações entre fala/escrita não são novos; contudo, nos últimos anos, têm ganhado corpo devido ao grande avanço dos Estudos Linguísticos. Os trabalhos iniciais acerca da língua falada e escrita consideravam-nas de forma dicotômica, isto é, como se entre essas modalidades houvesse apenas diferenças, como se fossem opostas uma a outra. De acordo com Fávero, Andrade e Aquino, “a escrita tem sido vista como estrutura complexa, formal e abstrata, enquanto a fala, de estrutura simples ou desestruturada, informal, concreta e dependente do contexto” ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 36 ______________________________________________________________________ (FÁVERO; ANDRADE; AQUINO, 2009, p. 9). A fala, portanto, era tida como não planejada, presa à situação enunciativa, voltada às necessidades mais imediatas, dispersa, sendo considerada um “caos”, enquanto a escrita era caracterizada como planejada previamente, mais ligada à cultura de um povo e à elaboração intelectual, coesa e bem estruturada. Desse modo, percebemos que a língua escrita foi e é supervalorizada. Segundo Faraco e Tezza, uma das razões históricas da supervalorização da escrita sobre a oralidade é que “ao longo dos séculos, nós nos transformamos numa “civilização grafocêntrica”, que tem no poder da palavra escrita um elemento fundamental para sua sobrevivência e continuidade” (FARACO; TEZZA, 1993, p. 79, destaque dos autores). Os conceitos de fala e de escrita, ao longo dos anos, sofreram alterações devido às diferentes maneiras que a linguagem fora concebida. Até meados da década de 60, a língua falada e a língua escrita eram tidas como a representação do pensamento; logo, deviam representar a boa expressão, o discurso organizado, já que esse era um princípio que representava o pensamento organizado, o pensamento lógico. De acordo com Perfeito (2007), a primeira concepção de linguagem, isto é, a linguagem como expressão do pensamento, sustentada desde os gregos, apregoava que: [...] a expressão é produzida no interior da mente dos indivíduos. E da capacidade de o homem organizar a lógica do pensamento dependeria a exteriorização do mesmo (do pensamento), por meio de linguagem articulada e organizada (PERFEITO, 2007, p. 825). Nesse sentido, em tal concepção, via-se a linguagem como uma tradução do pensamento individual. Bakhtin e Volochinov denominam tal concepção de “subjetivismo idealista” (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2006, p. 63). De acordo com o filósofo russo, no subjetivismo idealista o objeto era a fala. O ato de fala era tido como individual, “por isso que tenta explicá-lo a partir das condições da vida psíquica individual do sujeito falante” (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2006, p. 103). Portanto, a língua é vista como um produto acabado, “enquanto sistema estável - léxico, gramática e fonética” (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2006, p. 64). Nesse contexto, a ação com a língua oral presumia o reconhecimento de regras a serem seguidas, as quais garantiriam a organização lógica do pensamento e da linguagem. Assim, como um ser que pensa por si só, possui a capacidade de organizar a lógica do seu pensamento, expressando-o por meio da língua oral e escrita, numa espécie de “tradução”, ou seja, o sujeito pensa, ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 37 ______________________________________________________________________ organiza seu pensamento, de acordo com as regras determinadas universamente e o transmite por meio da fala ou da escrita. Diante desses princípios, o ensino da língua se sustenta no arcabouço teórico da gramática teórico-normativa, sendo que as definições gramaticais incorporavam os conceitos de “certo” e “errado”. Segundo Travaglia, [...] são elas que constituem as normas gramaticais do falar e escrever “bem”, que aparecem substanciadas nos chamados estudos lingüísticos tradicionais que resultam no que se tem chamado de gramática normativa ou tradicional (TRAVAGLIA, 2002, p. 21). Contrapondo essa compreensão de linguagem, surgem os estudos estruturalistas, cujo foco se volta à escrita e sua estrutura, considerando a linguagem como instrumento de comunicação. A fala não foi tomada como objeto de estudo. Assim, as pesquisas e estudos direcionam-se para a estrutura da língua escrita, na perspectiva de explicar o sistema linguístico e garantir um melhor desempenho na comunicação. Perfeito afirma que “na linguagem como instrumento de comunicação, a língua é vista, historicamente, como um código, capaz de transmitir uma mensagem de um emissor a um receptor, isolada de sua utilização” (PERFEITO, 2007, p. 826). Observamos que, agora, vê-se a linguagem apenas como estrutura. Assim, o mais importante é a estrutura da língua. Essa concepção é baseada, mormente, nos estudos de Ferdinand Saussure. Para Saussure (1995), a língua deveria ser tratada como um código, e era organizada em estruturas fixas – fonemas, morfemas, palavras, frases – as quais deveriam ser estudadas. Portanto, o linguista focou, em seus estudos, a estrutura da língua, sem considerar o contexto e os interlocutores. O que interessava era a língua em uma ordem estática, imutável, ou seja, dentro de um estudo sincrônico, observando, assim, apenas a sua estrutura interna. Bakhtin e Volochínov definem tal concepção como “objetivismo abstrato” (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2006, p. 71). A língua passa a ser vista como estrutura, um conjunto de signos, um sistema: Um tal sistema, o indivíduo tem que tomá-lo e assimilá-lo no seu conjunto, tal como ele é. Não há lugar aqui para quaisquer distinções ideológicas, de caráter apreciativo: é pior, é melhor, belo ou repugnante, etc. Na verdade só existe um critério lingüístico: está certo ou errado; além do mais, por correção lingüística deve-se entender apenas a conformidade a uma dada norma do sistema normativo da língua. Não se poderia, por conseguinte, ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 38 ______________________________________________________________________ falar em “gosto lingüístico” nem em verdade lingüística. Do ponto de vista do indivíduo (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2006, p. 71). Como exposto, nessa segunda concepção, a preocupação repousava em estudar a estrutura, percebendo o funcionamento do sistema da língua. Um dos fatores que diferenciam essa concepção da primeira é o fato de que naquela privilegiava-se somente a variante padrão da língua. Nessa, porém, estudava-se o funcionamento linguístico dentro de uma variedade linguística, mas principalmente a variante padrão. Contrapondo a tais pressupostos teóricos, surge um novo olhar sobre a linguagem. Tal visão recebeu, de acordo com Travaglia (1996), recebeu contribuições de diversas áreas do conhecimento, entre elas: a Linguística Textual, a Sociolinguística, a Semântica Argumentativa e, sobretudo, a Enunciação Dialógica de Bakhtin. Passa-se a conceber a linguagem como um processo de interação, isto é, um processo realizado por meio da interação verbal dos locutores. Para Perfeito, conceber a linguagem como forma de interação significa “entendê-la como um trabalho coletivo, levando em conta sua natureza sócio-histórica” (PERFEITO, 2007, p. 827). Tal olhar para com a linguagem pauta-se, a princípio, em Vygotsky (1991), para quem a linguagem tem a finalidade de comunicar, regrar comportamentos, planejar a ação e generalizar conceitos e experiências. Posteriormente, recorre-se a Bakhtin e Volochínov (2006), segundo quem a verdadeira substância da língua é constituída pelo fenômeno social da interação verbal, ou seja, a linguagem só é produzida na interação entre sujeitos. Para ele, a linguagem é interação social, isto é: A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato fisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua (BAKHTIN, 2006, p. 123). Como percebemos, a linguagem ocorre na interação entre indivíduos, e não isoladamente. Partindo desse ponto, entende-se que a linguagem está a serviço da interação entre os sujeitos, os quais estão socialmente estabelecidos e organizam seus discursos de acordo com as suas intenções e com contexto sócio-histórico no qual se inserem. Segundo Koch e Elias: Na concepção interacional (dialógica) da língua, os sujeitos são vistos como atores/ construtores sociais, sujeitos ativos que - dialogicamente – se constroem e são construídos no texto, considerando o próprio lugar de ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 39 ______________________________________________________________________ interação e da constituição dos interlocutores. Desse modo, há lugar, no texto, para toda uma gama de implícitos, dos mais variados tipos, somente detectáveis quando se tem, como pano de fundo, o contexto sociocognitivo dos participantes da interação (KOCH; ELIAS, 2010, p. 10-11, grifos das autoras). Nessa concepção, a linguagem só se realiza na interação com o outro. Sem interação, obviamente, não há linguagem. Sendo assim, os sujeitos são vistos como construtores sociais, pois é por meio da interação verbal, de diálogos entre os interlocutores que ocorrem as trocas e a construção de conhecimentos. Oralidade e escrita: buscando uma definição Considerando a linguagem como forma de interação social entre os interlocutores, assim como discutimos no tópico anterior, estudiosos da língua tentam estabelecer uma relação entre a língua oral e a língua escrita dentro de um processo complexo de interação que envolve o texto. Segundo Marcuschi (2003), há uma diferenciação entre a fala e a oralidade, embora uma esteja inserida na outra. A fala é a manifestação textual-discursiva que abrange formas e estruturas, sem haver necessidade de aparatos tecnológicos, assim como ocorre na escrita, uma vez que é efetivada pelo ser humano em uma esfera sonora, isto é, pelo som. A oralidade, por sua vez, é a prática de transpor as ideias que o sujeito ordena, e essa é efetivada por meio da fala. Assim sendo, para Marcuschi (2003), a fala encontra-se no plano da oralidade, apresentada em diversos gêneros discursivos, fazendo com que haja um ato de interação. Além de ser sistematizada por som, a oralidade envolve um conjunto de recursos prosódicos, isto é, gestos, entonação, movimentação do corpo, que, quando utilizados, visam a dar significado e sentido ao que está sendo dito. Por sua vez, segundo Marcuschi (2003), a escrita possui o mesmo objetivo da fala, isto é, a interação entre os sujeitos; contudo, a diferença está na característica que a constitui: manifestada por meio da grafia, necessitando, portanto, de algumas especificidades materiais. Marcuschi (2003) estabelece as diferenças entre essas duas modalidades, relacionando-as com os conceitos de oralidade e letramento. Esses dois constituintes da linguagem são vistos como um conjunto de práticas sociais que complementam as atividades interativas e culturais. Com isso, o que determinam essas práticas são os usos que seus falantes fazem da língua, pois, quaisquer variações linguísticas ocorrem devido à capacidade que o sujeito possui para fazer uso da linguagem. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 40 ______________________________________________________________________ Pode-se entender letramento, portanto, não apenas como a aprendizagem do alfabeto, mas sim como o processo de apropriação das praticas sociais de leitura e escrita. Alfabetização e letramento envolvem habilidades de leitura e escrita. Com relação à alfabetização, os estudos mostram que ela se restringe ao ter aprendido a ler e a escrever, não ultrapassando a decodificação. Por outro lado, o letramento permite ao leitor fazer o uso dessas duas ações, e com elas interagir com o meio social em que vive. Segundo Rojo: Ser letrado e ler na vida e na cidadania é muito mais que isso: é escapar da literalidade dos textos e interpretá-los, colocando-os em relação com outros textos e discursos, de maneira situada na realidade social; é discutir com os textos, replicando e avaliando posições e ideologias que constituem seus sentidos; é, enfim, trazer o texto para a vida e colocá-lo em relação com ela. Mais que isso, as práticas de leitura na vida são muito variadas e dependentes do contexto, cada um deles exigindo certas capacidades leitoras e não outras (ROJO, 2004, p. 1). O letramento, portanto, está relacionado ao uso da língua (oral e escrita) em variados contextos sociais. Um conceito que facilita a compreensão da relação entre oralidade e letramento é a afirmação de Kleiman: O fenômeno do letramento, então, extrapola o mundo da escrita tal qual ele é concebido pelas instituições que se encarregam de introduzir formalmente os sujeitos no mundo da escrita. Pode-se afirmar que a escola, a mais importante das agências de letramento, preocupa-se com o letramento, a alfabetização, o processo de aquisição de códigos (alfabético, numérico), processo geralmente concebido em termos de uma competência individual necessária para o sucesso e promoção na escola. Já outras agências de letramento, como a família, a igreja, a rua como lugar de trabalho, mostram orientações de letramento muito diferentes (KLEIMAN, 1995, p. 20). Diante disso, entende-se que o sujeito, em um contexto mais amplo faz uso da língua, independente do meio em que vive, mesmo não sabendo escrever. Nesse caso, a fala é tomada como referência e meio de interação, permitindo-lhe agir no mundo e interagir com o outro. Mesmo sem conhecer o sistema gráfico da escrita, para os linguistas, esse sujeito não é considerado iletrado. É visto como analfabeto, porém não como iletrado. Com isso, podemos afirmar que essas modalidades, embora tenham suas diferenças, também se relacionam entre si, ou seja, uma não exclui a outra. Tanto que, para os linguístas, ambas são chamadas de textos ou discursos e possuem adequação na forma com que são usadas no meio situacional. Para Marcuschi (2003), elas são ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 41 ______________________________________________________________________ fundadas em um continuum, pois a fala e a escrita podem possuir o mesmo objetivo quando se pretende transmitir algo. Porém, cada qual possui suas especificidades, as quais se apresentam tanto na forma em que são organizadas, quanto nas características que as regem, dependendo do contexto no qual se materializam. Quando compreendemos que a língua e a fala são um meio de iteração social, reconhecemos que suas formas de organização são determinadas pelos elementos inseridos em uma situação de uso da linguagem. Assim, consideramos, nessa situação comunicativa, os interlocutores, quem fala e/ou escreve, para quem, quando, atendendo a determinada necessidade. Para analisar esses elementos contextualizadores, é preciso estudar a língua na sua materialidade, ou seja, no lugar em que se concretizam. Esse lugar, para Bakhtin (1992), é o texto, que, por sua vez, é a materialidade de um gênero. Portanto, entende-se por texto “todo evento sociocomunicativo, que ganha existência dentro de um processo interacional. Todo texto é resultado de uma coprodução entre interlocutores: o que distingue o texto escrito do falado é a forma como tal coprodução se realiza” (KOCH; ELIAS, 2010, p. 13). Portanto, o texto materializa a fala e a escrita conforme determinação do evento sociocomunicativo que aponta para como falar ou como escrever e, o que falar e o que escrever, dependendo da situação de interação. Ao refletir sobre a produção de textos (orais e escritos, Geraldi afirma que: [...] para produzir um texto (em qualquer modalidade) é preciso que: a) se tenha o que dizer; b) se tenha uma razão para dizer o que se tem a dizer; c) se tenha para quem dizer o que se tem a dizer; d) o locutor se constitua como tal, enquanto sujeito que diz o que diz para quem diz; e) se escolham as estratégias para realizar (a), (b), (c) e (d) (GERALDI, 1997, p. 137). Como vimos nas palavras do autor, um texto deve ter uma razão para ser escrito ou falado, bem como observar para quem e sobre o quê. O interlocutor é fator determinante da organização discursiva, pois incide diretamente na organização do discurso, na escolha do gênero, na estruturação do texto, na seleção lexical, enfim, na estrutura linguística do texto. Para Marcuschi, “texto é o resultado de uma ação linguística cujas fronteiras são em geral definidas por seus vínculos com o mundo no qual ele surge e funciona” (MARCUSCHI, 2003, p. 72). Pode-se dizer, com isso, que texto é a manifestação da ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 42 ______________________________________________________________________ língua, organizada dentro de um determinado gênero, para veicular sentidos(s), de acordo com as intenções do locutor. Assim, podemos afirmar, então, que tanto a modalidade oral quanto a escrita possui um processo de construção que depende do momento histórico, da situação de uso dos interlocutores e da intencionalidade e da estrutura elaborada para que tais ideias sejam veiculadas é chamada de texto, seja escrito ou oral. Marcas da oralidade na escrita Como discutimos na seção anterior, fala e escrita não se opõem, mas se completam e entre ambas há uma continuidade. Esse fato foi enunciado por Marcuschi (2003) que, em sua obra seminal, examina a fala e a escrita a partir da perspectiva sociovariacionista e assinala que ambas apresentam os mesmos traços (dialogicidade, usos estratégicos, funções interacionais, envolvimento, negociação, situacionalidade, coerência, dinamicidade). Também, conforme o citado autor, as diferenças entre ambas ocorrem dentro de um continuum tipológico e devem ser vistas e analisadas dentro da perspectiva do uso, não como traços intrínsecos. Os textos produzidos por alunos dos anos iniciais aproximam-se, em muitos aspectos, da realização falada informal, como as conversas espontâneas. Assim, verificaremos, na sequência, se nos textos de alunos do 5º ano de um município do oeste paranaense apresentam marcas da oralidade. O corpus é constituído por XX textos. Primeiramente, iremos expor as categorias de análise, tomando como base o trabalho realizado por Bortoni-Ricardo (2005). Na sequência, apresentaremos as possíveis ocorrências nos textos analisados. Bortoni-Ricardo (2005), em seu trabalho, apresenta algumas categorias de “erros” decorrentes da oralidade. A autora aponta quatro categorias: 1) Erros decorrentes da própria natureza arbitrária do sistema de convenções da escrita; 2) Erros decorrentes da interferência de regras fonológicas categóricas no dialeto estudado; 3) Erros decorrentes da interferência de regras fonológicas variáveis graduais; 4) Erros decorrentes da interferência de regras fonológicas variáveis descontínuas. (BORTONIRICARDO, 2005, p. 54). Partindo dessas categorias, elencamos, agora, as ocorrências encontradas nos textos analisados5: 5 Por uma questão de espaços, não apresentaremos os textos digitalizados, apenas transcreveremos em uma tabela as ocorrências encontradas. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 43 ______________________________________________________________________ 1. Erros decorrentes da própria mereserão (mereceram); pensarão (pensaram); desmatão natureza arbitrária do sistema de (desmatam); poderião (poderiam); puchando (puxando); convenções da escrita: faser (fazer); homen (homem) ; arrepenteu (arrependeu); fauta (falta); engentes (enchentes); vouta (volta); proseço (processo); sinquenta (cinquenta); persisamos (precisamos). 2. Erros decorrentes na interferência a qui (aqui); com igo (comigo); a quela (aquela); a de regras fonológicas categóricas no cabam (acabam); a contece (acontece); endiante (em dialeto estudado: diante); dis matamento (desmatamento); poraí (por aí); des cançar (descançar). 3. Erros decorrentes da interferência otru (outro); homi (homem). cantanu (cantando); olhanu de regras fonológicas variáveis (olhando); fazenu (fazendo); fala (falar); faze (fazer); core graduais: (correr); come (comer); preseva (preservar). 4. Erros decorrentes da interferência de regras fonológicas variáveis descontínuas: Não observados Como se pode constatar, a primeira categoria apresentada pela autora não tem relação com a oralidade, pois diz respeito à questão ortográfica, estando, portanto, relacionada ao sistema ortográfico da língua. Segundo Bortoni-Ricardo, são classificados na categoria 1: Os erros que resultam do conhecimento insuficiente das convenções que regem a língua escrita. A maioria decorre das relações plurívocas entre fonema e letra. Há línguas, como o finlandês, por exemplo, em que a correspondência fonema e grafema é quase biunívoca. No português, há fonemas (principalmente os sibilantes) que possuem diversas representações ortográficas. Por outro lado, há letras que representam dois fonemas (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 54). Na primeira categoria que trata dos “Erros decorrentes da própria natureza arbitrária do sistema de convenções da escrita”, a autora categoriza a ocorrência da utilização inadequada do sufixo número-pessoal de terceira pessoa do plural /ãw/, que é grafado como “ão” quando é tônico e “am” quando é átono. Nos textos analisados, percebemos grande ocorrência dessa categoria. Encontramos, nos textos, as seguintes ocorrências: mereserão (mereceram); pensarão (pensaram); desmatão (desmatam); ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 44 ______________________________________________________________________ poderião (poderiam). Tal ocorrência tem se percebido comum não somente nos textos de alunos dos anos iniciais, mas também em textos de acadêmicos, devido ao fato de não conhecerem o suficiente as convenções da língua escrita. Entram nessa primeira categoria de análise os “erros” relacionados ao sistema ortográfico do português. Um exemplo disso é a grafia do fonema /s/ que pode ser representado visualmente por s, ss, ç, sc, x. Nos textos analisados, ocorrências desse tipo também foram encontradas: puchando (puxando); faser (fazer); homen (homem); arrepenteu (arrependeu); fauta (falta); engentes (enchentes); vouta (volta); proseço (processo); sinquenta (cinquenta); persisamos (precisamos). Percebemos que as maiores ocorrências são aquelas relacionadas ao fonema /s/ devido às várias formas existentes de grafar tal som. Mas também houve ocorrências da inadequação do fonema /w/, grafado inadequadamente nas palavras “fauta” e “vouta”. Assim, no processo de aprendizagem da ortografia é comum que os alunos grafem algumas palavras que contenham o fonema /s/ e o fonema /w/ de maneira inadequada, haja vista que não conhecem, ainda, as relações múltiplas entre fonema/grafema. Na categoria segunda categoria “Erros decorrentes na interferência de regras fonológicas categóricas no dialeto estudado”, Bortoni-Ricardo (2005) alista que nessa categoria, que resultam das regras fonológicas da língua, os erros mais frequentes são: a) vocábulos fonológicos constituídos de duas ou mais formas livres dependentes grafados como um único vocábulo formal. Ex. “uque”, “levalo”, “janotei” (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 55). Nos textos, apenas duas ocorrências dessa categoria foram encontradas: poraí (por aí); endiante (em diante); b) crase entre vogal final de uma palavra e vogal idêntica ou foneticamente próxima da palavra seguinte. Ex. “a tenção” (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 55). Nos textos, encontramos as seguintes ocorrências que se encaixam nessa categoria: a qui (aqui); com igo (comigo); a quela (aquela); a cabam (acabam); a contece (acontece); dis matamento (desmatamento); des cançar (descançar); c) neutralização das vogais anteriores /e/ e /i/ e das posteriores /o/ e/u/ e nasalização do ditongo em “muito”por assimilação progressiva (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 56). Tais categorias não foram observadas nos textos. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 45 ______________________________________________________________________ No terceiro item da tabela “Erros decorrentes da interferência de regras fonológicas variáveis graduais” foram encontradas diversas ocorrências de palavras que indicam que não são estigmatizadas, ou seja, são variáveis. Bortoni-Ricardo elenca as ocorrências que podem se encaixar nessa categoria: a) despalatização das sonorantes palatais (lateral e nasal). Ex. olhar >> oliar (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 56). Ocorrências nos textos dos alunos: platar (plantar); ningem (ninguém); b) monotongação do ditongo crescente. Ex. beira >> bera (BORTONIRICARDO, 2005, p. 56). Ocorrência encontrada: otru (outro); c) desnasalização das vogais átonas finais. Ex. homem >> homi (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 56). Ocorrência verificada: homi (homem). d) assimilação e degeminação do /nd/. Ex. mostrando >> mostranu (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 56). Ocorrências constatadas: cantanu (cantando); olhanu (olhando); fazenu (fazendo); e) queda do /r/ final nas formas verbais (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 56). Ocorrências encontradas: fala (falar); faze (fazer); core (correr); come (comer); preseva (preservar). Na ultima categoria “Erros decorrentes da interferência de regras fonológicas variáveis descontínuas”, Bortoni-Ricardo lista as seguintes situações: semivocalização do /lh/; epítese do /i/ após sílaba final travada; troca do /r/ pelo /l/; monotongação do ditongo nasal em “muito” >> muntu; supressão do ditongo crescente em sílaba final; simplificação dos grupos consonantais no aclive de sílaba com a supressão da segunda consoante. Tais categorias não foram encontradas nos textos analisados. À guisa de conclusão Baseando-nos nas categorias elencadas por Bortoni-Ricardo (2005), podemos perceber, nos textos analisados, várias ocorrências de marcas da oralidade presentes no texto escrito. Percebemos que a modalidade escrita se diferencia da modalidade oral por diversos fatores, pode-se até afirmar que são línguas distintas, pois não é possível transpor as normas da fala para escrita nem as da escrita para as da fala. Apesar disso, é comum que haja tal transposição da oralidade no processo da escrita, principalmente quando o aluno não tem familiaridade com esta modalidade, ocorrendo incorreções de várias ordens. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 46 ______________________________________________________________________ Diante das análises, concluímos que é possível em uma de 5º a ocorrência de algumas interferências da oralidade no texto escrito, inclusive, algumas até são previstas, pois, refletem o fato de que, ao final dos anos iniciais, o aluno ainda se encontra em processo de aprendizado para o uso da escrita. No entanto, percebemos várias interferências da oralidade. Consideramos que algumas marcas já deveriam estar dominadas pelos alunos, como, por exemplo, as representações múltiplas do fonema /s/. Na perspectiva de amenizar esse problema, o professor, no momento em que está alfabetizando seu aluno, nas primeiras séries, já pode ir ajustando os aspectos linguísticos que são de acordo com as características de um texto escrito. É bastante comum, por exemplo, a criança escrever o som da maneira que ouve, ou confundir consoantes que tenham o mesmo ponto de articulação, porém, compete ao professor ir ajustando a escrita dele. Uma maneira de proceder, em relação a isso, realizar atividades de reescrita de texto, coletiva ou individual, para que o aluno possa avançar nesse aspecto. Segundo os especialistas da área, como Marcuschi (2003), Cagliari (2004), dentre outros, o professor deve conscientizar seus alunos das especificidades da língua falada e da língua escrita. Para isso, primeiramente, o professor precisa ter consciência da sua função como mediador e, tendo domínio do sistema da língua, mais especialmente, as especificidades da fala e da escrita, temática de nosso trabalho, o professor, então, poderá garantir o desenvolvimento da escrita de seus alunos. Enfim, podemos dizer que esta pesquisa, uma vez inserida no Projeto do Observatório da Educação, poderá contribuir significativamente com os professores dos municípios participantes, já que provoca uma reflexão, mesmo que de forma tão sintética, sobre a incidência da interferência da oralidade na escrita e suas formas de manifestação. Referências BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: ___. Estética da criação verbal. [Tradução de Maria E. Galvão]. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. _______; VOLOCHÍNOV. Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora? São Paulo: Parábola, 2005. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012 Da fala à escrita 47 ______________________________________________________________________ CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o Bá-Bé-Bi-Bó-Bu. São Paulo: Scipione, 2004. FARACO, Carlos E.; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto. Petrópolis: Vozes, 1993. FÁVERO, L.L; ANDRADE Maria Lúcia, C.V.O; AQUINO, Zilda, G.O. Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino de língua materna. São Paulo, Cortez, 2009. GERALDI, João Wanderlei. Portos de Passagem. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. KLEIMAN, Angela B. Os significados do Letramento – Uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. 9. ed. Campinas-SP: Mercado das Letras, 2003. KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3. ed.São Paulo: Contexto, 2010. MARCUSCHI, Luis Antônio.Da fala para a escrita – Atividades de retextualização. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2003. MONTEIRO, Carolina Reis. A aprendizagem da ortografia e o uso de estratégias metacognitivas. Cadernos de educação. Pelotas. p. 271- 302, janeiro/abril-2010. PERFEITO, Alba Maria. Concepções de linguagem, análise lingüística e proposta de intervenção. In: CLAPFL – I Congresso Latino-Americano de Professores de Línguas, 2007, Florianópolis. Anais do I Congresso Latino-Americano de Professores de Línguas. Florianópolis: EDUSC, 2007, p. 824-836. Disponível em : <http://www.cce.ufsc.br/~clafpl/74_Alba_Maria_Perfeito.pdf> Acesso 15 jun 2011. SAUSSURE, Ferdinand.Curso de Linguística Geral. São Paulo, Cultrix. 1995. SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2.ed. Belo Horizonte, MG:Autêntica Editora, 2002 TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 2005. VYGOTSKY, Lev Semenovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. ______________________________________________________________________ Identidade Científica, Presidente Prudente-SP, v. 3, n. 1, p. 33-47, jan./jun. 2012