Luis Pastor e a
Orquesta Metropolitana de Lisboa
Nesta esquina do tempo
Homenagem a José Saramago
Terça-feira, 15 de Novembro, 21h30
Cinema São Jorge, Lisboa
Nesta esquina do tempo
Homenagem a José Saramago
Luis Pastor guitarra e voz
e a Orquestra Metropolitana de Lisboa
Leonardo Martínez direção musical
Luis Fernandez piano
Programa
14 de Junho
Nesta esquina do tempo
Parábola
Aproximação
Elegia à moda antiga
Pesadelo
Nem sempre a mesma rima
Ergo uma rosa
Dispostos em cruz
Inventário
Teu corpo de terra e água
Anjo caído
José Saramago voz off
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
José Saramago / Luis Pastor / Orq. João Lucas
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
José Saramago / Luis Pastor / Orq. Osvi Grecco
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
José Saramago / Luis Pastor / Orq. João Lucas
José Saramago / Luis Pastor / Orq. L. Fernández
Luis Pastor / Pedro Guerra / Orq. Peter Hopez
Co-organização: Câmara Municipal de Lisboa
«Que seja eu o autor das poesias aqui interpretadas,
em português e também em castelhano, é apenas
uma feliz coincidência. O que é importante é a
música. E a voz, essa inconfundível voz de Luis
Pastor, áspera e ao mesmo tempo suave, tal como
as vozes dos grandes trovadores do século passado.
Oiçamos»
José Saramago
Nesta esquina do tempo pode explicar-se de uma
forma simples: Luís Pastor compõe a música e
canta os poemas de José Saramago, Prémio Nobel
de Literatura em 1998. Mas as obras excepcionais
costumam habitar em mundos modestos e Nesta
esquina do tempo é uma obra maior, que também
nasceu de uma maneira natural, espontânea
e sincera. Pilar del Rio, esposa de Saramago e
tradutora da sua obra para espanhol referiu: «Um
dia, não há muito tempo, José Saramago e Luís
Pastor encontraram-se. Mais tarde partilharam
tribuna para dizer com força que não queriam
guerras canalhas, que as únicas ofensivas morais e
necessárias eram as que deveriam combater a fome
e a falta de cultura. Luís Pastor foi ousado e deu o
passo seguinte quando, dirigindo- se a Saramago,
disse-lhe que ia escrever a música para os seus
poemas e, mais ainda, que ia cantar em português.
Saramago achou piada, riu e disse: “oxalá”. De certo,
pensou que a loucura dos músicos é quase tão
grande como a dos sábios. Esqueceu o assunto e
começou a escrever As intermitências da Morte.
Luís Pastor continua a história de Nesta esquina do
tempo «Surgiu de um encontro, por acaso» refere
o cantor. «Em Maio de 2005 viajei até Lanzarote
com Moncho Armendáriz para apresentar o
documentário Unidades Móviles. Tomámos um café
com José Saramago, que me ofereceu um livro das
Obras Completas de Poesia e eu disse-lhe meio a
sério, meio a brincar: – vou musicar os seus poemas.
No avião de regresso para Madrid, comecei a
trabalhar, e em casa ia cantando os poemas só
com a voz, sem instrumentos. Passados três dias
compus todas as músicas mas, por acidente, foram
apagadas do minidisc. Comecei de novo, com a
certeza de que não ia ter problemas. Depois passei
à harmonia e gravei umas maquetes, que José
Saramago e Pilar del Rio ouviram em Outubro
de 2005. Só questionaram a minha pronúncia do
português. Tomei nota, comecei a estudar e fui
aprendendo ao ouvir Saramago a declamar os
seus próprios poemas, numas cassetes que tinha
gravado para mim. Foi fundamental gravar metade
do disco em Portugal, com a produção de João
Lucas e a ajuda de João Afonso».
«Estava predestinado a fazer este disco pela minha
paixão por Portugal, pela música e a língua», diz
Luís Pastor. «Em português, antes só tinha musicado
um poema de Fernando Pessoa, mas sempre
admirei e fui amigo de José “Zeca” Afonso e do seu
sobrinho João, do Fausto, de Sérgio Godinho... Ao
deparar-me com a obra de José Saramago senti
a musicalidade e a importância da temática. No
álbum há poemas de amor, alguns mais surrealistas,
outros sociais... São poemas grandes, belíssimos,
nunca banais». Pilar del Rio escreveu: «apesar dos
conselhos dos bem-pensantes, é como se José
Saramago e Luís Pastor gostassem de brincar.
Transgrediram as normas e a idade, cada um
acarretando os seus muitos e jovens anos de uma
vida entre poemas e canções, com a pele nua,
sentindo e desfrutando. Mais do que um disco é
um milagre».
Ninguém melhor do que Saramago para resumir
este feliz encontro da música e da palavra Nesta
esquina do tempo: «Que seja eu o autor das poesias
aqui interpretadas, em português e em espanhol,
é só uma feliz coincidência. O que mais importa é
a música. E a voz, essa inconfundível voz de Luís
Pastor, áspera e ao mesmo tempo suave, como o
foram as vozes dos grandes trovadores do século
passado. Ouçamo-lo.
O tempo cabe todo na duração de um disco».
Luis Pastor
Nasceu em Vallecas, Cáceres, a 9 de Junho de 1952.
Chegou a Madrid ao principio dos anos 60, com o
desejo de cantar. Tinha descoberto a música muito
cedo: aos 14 deixa o colégio e começa a trabalhar,
aos 16 compra a primeira guitarra, um anos mais
tarde descobre a poesia de Paco Ibáñez. Começou
a cantar na igreja do bairro, em centro juvenis, em
reuniões de amigos. Locais que, apesar de não
terem as condições ideais, enchiam de público,
porque as suas canções faziam parte do protesto
coletivo que unia a Espanha dessa época. No Verão
de 1970, sai para correr os centros de emigrantes
da Alemanha, França e Bélgica, Quase a cumprir
os vinte anos, em 72, abandona definitivamente
o trabalho como empregado de seguros, para se
dedicar definitivamente à música. Até hoje.
Do seu primeiro disco, por causa da censura,
só vieram à luz quatro canções. A companhia
discográfica catalã Als 4 vents tinha decidido
apostar nele, apesar de Pastor só cantar em
castelhano. Em 72, sai um single com La Huelga
del ócio e Com dos años, muito apreciado pelos
círculos de protesto social e político. Logo a
seguir, em 73, sai um novo single que incluía uma
versão de El niño yuntero, de Miguel Hernández.
Em 1975, Luis Pastor assina com a Movieplay, e sai
o primeiro LP, com o nome de Fidelidad. Um título
que reafirma a postura do autor aos seus princípios,
convém lembrar que esta gravação saiu em Abril
de 75, ainda antes do fim do franquismo. Surge
em seguida o disco Vallecas (76), e em 77 o terceiro
disco, Nacimos para ser libres, que é um êxito para o
tipo de artista que Luis Pastor quer ser. O ritmo de
edições (um por ano) não era normal para artistas
que não buscassem sucesso fácil fora da área do
pop. A situação política continuava crispada e prova
disso é a polémica gerada por um programa de
televisão sobre Vallecas, dentro da série Yo canto,
que terminou com a demissão do director da área
musical na TVE.
Ao fim destes três discos, Luis Pastor vira-se para
o teatro e para a companhia Gayo Vallecano, para
a qual compõe música para vários produções.
O mundo dos cantautores como porta-vozes dos
que não tinham voz tinha mudado entretanto, apos
a adopção da Constituição e a abertura de um
Parlamento onde se podiam expressar diferentes
opiniões.
Apenas em 81, quatro anos depois, volta aos
estúdios para gravar Amanecer, registando em
seguida Coplas del Ciego, alusivo ao papel que
desempenha para a TVE e em que canta temas
sempre ligados à realidade quotidiana. Nada es
Real será o próximo disco, que marca uma viragem
nas suas abordagens musicais a partir de então.
Continua a gravar rapidamente, Por la Luna de Tu
Cuerpo (86), Aguas Abril, um dos seus álbuns mais
pessoais, quase todo com temas da sua autoria.
Um trabalho que grava um concerto em directo,
no Teatro Romano de Mérida, com dois convidados
especiais, Pablo Guerrero (voz) e Raimundo Amador
(guitarra). O décimo trabalho discográfico aparece
em 94, no formato CD. La Torre de Babel mostra a
solidez da carreira do artista, que decide criar a sua
própria marca dentro da editora independente
Jammin, lançando o cd triplo Flor de Jara. Depois
em 96 e 98, edita dois discos livros, com a revista El
Europeo (Diario de a bordo e Por el Mar de mi mano).
Começa então em 2000 uma trilogia em que
recupera, sob o título Poetas, anterior canções suas,
com novas versões. Já distinguido com a Medalha
da Extremadura, trabalha em 2004 com Chico César
no Brasil, saindo Pásalo, trabalho que receberá o
Prémio de Música Popular Gabriel García Matos,
em 2005. É um ano de distinções: recebe também
o prémio A la Lealtad Republicana, gravando logo
a seguir, em Março de 2006, um disco com duos
em que surgem nomes como os de Miguel Ríos,
Martirio, Chico César, Pedro Guerra, Lourdes Guerra,
Leo Minax, João Afonso, Dulce Pontes, entre outros.
Não passam muitos meses e sai em Novembro
com desenhos de Javier Fernández de Molina e
prólogo de José Saramago um novo registo que
cruza fronteiras, linguísticas e não só, como dirá
o escritor, com dois cd’s, em castelhano En esta
esquina del tiempo, e em português Nesta esquina
do tempo. São 14 poemas de Saramago, que lê com
a sua voz um outro, musicados por Luís Pastor,
num trabalho com a colaboração de João Afonso
e Pasión Vega. A actividade e as digressões não
páram: em 2010, Pastor celebra o centenário do
poeta Miguel Hernández, nos seus concertos tanto
em Espanha como no exterior. Acumulando com as
suas apresentações, continua a fazer temas como
compositor para cantores como Cesária Évora, Juan
Valderrama, Gala Évora, Jarcha e Carmen Linares,
entre muitos outros.
Luis Fernández
Leonardo Martínez Cayuelas
Cantor, compositor, músico, produtor e arranjador
das mais importantes formações musicais das ilhas
Canárias durante dez anos.
Em 1994 vai viver para Madrid onde apresenta o
primeiro disco a solo Lo que me gusta... Lo que no
me gusta (Manzana). Em 1999 publica Segundo com
o selo da Ingomúsica. Nestes últimos anos tem
participado em discos, digressões, e espectáculos
de artistas como Victor Manuel, Ana Belén, Miguel
Rios, Serrat, Pedro Guerra, Luís Pastor, Niña Pastori,
Nuria Fergó, Olga Román, etc.
É compositor musical de espectáculos e
audiovisuais como: O documentário Semillas (2004);
A curta-metragem Nada (2002); Performances de
Rosa Casado; O documentário Manual de uso para
una nave espacial (2008); Em Setembro de 2008
dirigiu o Encontro Internacional de Percussão Global
Perfussion em Rivas; em 2009, em Santa Cruz de
Tenerife e Bamako (Mali); regressando novamente
ao Mali em 2010.
Dirigiu a produção musical da obra The end of the
rainbow de Peter Quilter, em Madrid.
Desde 2009, dirige o projecto La casa del burro, uma
sala independente na localidade de Peroblasco (La
Rioja).
Discípulo do maestro Manuel Hernández Silva,
começou a dirigir sob as ordens de Gabriel Garcia, e
conseguiu o título oficial de Director de Orquestra
no conservatório Superior de Música «Manuel
Massotti Littel» de Múrcia, com o professor José
Miguel Rodilla. Ganhou o 2.º prémio no III Concurso
Internacional de Direcção de Orquestra «Mestre
José Férriz» em Montroy (Valência-Espanha) e 1.º
prémio «Alter Music» de Direcção de Orquestra,
(Cartagena, 2005).
No ano 2005 foi convidado pelo catedrático Georg
Mark para assistir às aulas de Direcção de Orquestra
no Conservatório Superior de Viena. No mesmo
ano, participou como director assistente na Jovem
Orquestra Nacional de Espanha J.O.N.D.E. Nessa
orquestra colaborou com maestros e solistas
de prestígio internacional como Bruno Aprea
(catedrático do Conservatório Superior «Santa
Cecília» de Roma), Gloria Isabel Ramos, Pilar Jurado,
Damián Martínez, Fábio Biondi, etc.
Durante a última temporada dirigiu a Orquestra
Sinfónica de Albacete, Orquestra Sinfónica da
Región de Múrcia, Orquestra Sinfónica Ciudad
de Elche, Orquestra Sinfónica de Extremadura,
Orquestra de Córdoba, Orquestra Filarmónica de
Morávia (República Checa), etc.
Durante a temporada 2010/2011 dirigiu a Orquestra
Sinfónica de Praga, Orquestra Sinfónica de Carlsbad,
a Orquestra Filarmónica de Teplice (República
Checa), a Orquestra Filarmónica de Kharkov
(Ucrânia), a Sinfónica Estatal de Cucurova (Turquia),
a Filarmónica Szczecin (Polónia), Orquestra
Sinfónica de Córdova, Orquestra Sinfónica da
Región de Múrcia, etc.
Em 2010 estreou no Smetana Hall de Praga.
Atualmente é director titular e artístico da Orquestra
Sinfónica Ciudad de Elche.
ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Cesário Costa direção artística
A Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML) estreou­
‑se no dia 10 de Junho de 1992. Desde então, os seus
músicos asseguram uma extensa atividade que compreende os repertórios barroco, clássico e sinfónico
– integrando, neste último caso, os jovens intérpretes
da Orquestra Académica Metropolitana. Distingue­‑se
igualmente pela versatilidade que lhe permite abordar
géneros tão diversos como a Música de Câmara, o Jazz,
o Fado, a Ópera ou a Música Contemporânea, proporcionando a criação de novos públicos e a afirmação
do caráter inovador do projeto da Metropolitana. Esta
entidade, que tutela a orquestra, tem como singularidade o inter­‑relacionamento das práticas artística e
pedagógica, beneficiando da convivência quotidiana
de músicos profissionais com alunos das suas escolas
– a Academia Superior de Orquestra, o Conservatório
e a Escola Profissional Metropolitana. Este desígnio faz
parte da identidade da OML, à semelhança de uma
participação cívica que se traduz na regular apresentação em concertos de solidariedade e eventos públicos
relevantes. Cabe­‑lhe, ainda, a responsabilidade de assegurar programação anual junto de várias autarquias
da região centro e sul, para além de promover a descentralização cultural por todo o país.
Desde o seu início, a OML é referência incontornável
do panorama orquestral nacional. Além­‑fronteiras, e
somente um ano após a sua criação, apresentou­‑se em
Estrasburgo e Bruxelas. Deslocou­‑se depois a Itália, Índia,
Coreia do Sul, Macau, Tailândia e Áustria. Em 2009 tocou
em Cabo­‑Verde, numa ocasião histórica em que, pela
primeira vez, se fez ouvir uma orquestra clássica naquele arquipélago. No final de 2009 e início de 2010, efetuou
uma digressão pela China. Tem gravados onze CDs –
um dos quais disco de platina – para diferentes editoras,
incluindo a EMI Classics, a Naxos e a RCA Classics.
Ao longo de quase duas décadas de atividade, colaborou com maestros e solistas de grande reputação nos
planos nacional e internacional, de que são exemplos
os maestros Christopher Hogwood, Theodor Guschlbauer, Michael Zilm, Arild Remmereit, Nicholas Kraemer, Lucas Paff, Victor Yampolsky, Joana Carneiro, Brian
Schembri, ou os solistas Monserrat Caballé, Kiri Te Kanawa, José Cura, José Carreras, Felicity Lott, Elisabete
Matos, Leon Fleisher, Maria João Pires, Artur Pizarro,
Sequeira Costa, António Rosado, Natalia Gutman, Gerardo Ribeiro, Anabela Chaves, António Meneses, Sol
Gabetta, Michel Portal, Marlis Petersen, Dietrich Henschel, Thomas Walker, Mark Padmore, entre outros. Em
sucessivos períodos, a direção artística esteve confiada
aos maestros Miguel Graça Moura, Jean-Marc Burfin,
Álvaro Cassuto e Augustin Dumay, sendo desde a temporada de 2009/2010 da responsabilidade de Cesário
Costa.
primeiros violinos
Ana Pereira (concertino)
Adrian Florescu
Alexêi Tolpygo
Liviu Scripcaru
Diana Tzonkova
Carlos Damas
contrabaixos
Ercole de Conca
Vladimir Kouznetsov
tímpanos
Fernando Llopis
flautas
Rui Maia *
Irina Lourenço **
percussão
Luís Cascão (convidado)
segundos violinos
Ágnes Sárosi
Eldar Nagiev
Anzhela Akopyan
Elena Komissarova
José Teixeira
Daniela Radu
oboés
Bethany Akers
Liviu Dias *
violas
Irma Skenderi
Valentin Petrov
Gerardo Gramajo
Andrej Ratnikov
fagotes
Franz Dörsam
Bertrand Raoulx
violoncelos
Marco Pereira
Peter Flanagan
Ana Cláudia Serrão
Jian Hong
harpa
Stéphanie Manzo
clarinetes
Jorge Camacho
Marta Xavier *
trompas
Ricardo Silva (convidado)
Jerôme Arnouf
trompetes
Sérgio Charrinho
Rui Mirra
* Alunos da Academia Superior de
Orquestra da Metropolitana
** E x-alunos da Academia Superior de
Orquestra da Metropolitana
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