EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL Nome Função Formação Conselho de Classe Engenheira Civil Adriana Malinowski Coordenação Geral e elaboração de diversos programas Daniel Macedo Neto Coordenação Técnica e elaboração de diversos programas Vivian Ludwig Programas relacionados a vegetação Mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental CREA-PR 75.160/D Engenheiro Ambiental Mestrando em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental CREA-PR 95.095/D Engenheira Florestal CREA-PR 68.419/D Geólogo Luis Tadeu Cava Programas relacionados a geologia Vanessa Cardoso Antunes Programas de fauna Carlos Alberto Simioni Programas relacionados ao meio social José Retano Teixeira da Silva Doutor em Geologia e Especialista em Geologia Exploratória e em Gestão e Engenharia Ambiental Bióloga Sociólogos Doutores em Meio Ambiente e Desenvolvimento CREA-PR 9.343/D CRBio 51.498/01-D DRT-PR-233 DRT-PR-261 Arqueóloga Claudia Parellada Programa de arqueologia Doutora em Arqueologia - ÍNDICE ÍNDICE DE FIGURAS ...................................................................................XVII ÍNDICE DE TABELAS ...................................................................................XVII ÍNDICE DE FOTOS........................................................................................ XIX 1 APRESENTAÇÃO........................................................................................ 1 2 OBJETIVO ................................................................................................. 2 3 REQUISITOS DE LICENCIAMENTO ATRELADOS À LICENÇA PRÉVIA Nº 298127 DE 01/12/2009 E PARECER TÉCNICO Nº 28829/CIE/SUIMIS/SEMA/2009 EXPEDIDOS PELA SEMA-MT .................. 3 3.1 SOLICITAÇÕES DA SEMA-MT ...................................................................... 3 4 INFORMAÇÕES GERAIS............................................................................. 9 4.1 IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR .......................................................... 9 4.2 IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS....................... 9 5 DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO ........................................................ 10 5.1 LOCALIZAÇÃO E ACESSOS ........................................................................10 5.2 ASPECTOS GERAIS DO EMPREENDIMENTO ..................................................11 5.2.1 Componentes do Arranjo Geral .......................................................... 14 5.2.1.1 Barragens de Terra ..............................................................................14 5.2.1.2 Sistema de Drenagem Interna e Transições entre Materiais ......................15 5.2.1.3 Muros de Concreto ...............................................................................15 5.2.1.4 Vertedouro..........................................................................................16 5.2.1.5 Tomada d’Água e Casa de Força ............................................................16 5.2.1.6 Canal de Fuga .....................................................................................16 5.2.1.7 Turbinas .............................................................................................16 5.2.1.8 Geradores...........................................................................................17 5.2.1.9 Sistema de Transmissão .......................................................................17 5.2.1.10 Reservatório .......................................................................................18 5.2.1.11 Mecanismo de Transposição de Peixes ....................................................18 5.2.2 Áreas de Apoio ................................................................................... 19 5.2.2.1 Canteiro de Obras................................................................................19 5.2.2.2 Dimensionamento e Especificações Gerais ..............................................20 5.2.2.3 Remoção de Resíduos...........................................................................20 5.2.2.4 Sistema Viário Interno..........................................................................20 5.2.2.5 Transporte Externo ..............................................................................20 5.2.2.6 Energia Elétrica e Iluminação ................................................................21 5.2.2.7 Abastecimento de Água ........................................................................21 5.2.2.8 Sistema de Esgotos Sanitários...............................................................21 5.2.2.9 Sistema de Drenagem de Águas Pluviais.................................................21 i 5.2.2.10 Sistema de Proteção contra Incêndio......................................................22 5.2.2.11 Viveiro de Mudas .................................................................................22 5.2.3 Áreas de Exploração de Materiais Naturais de Construção e Bota-foras .......................................................................................... 22 5.2.3.1 Áreas de Empréstimos..........................................................................22 5.2.3.2 Jazidas de Areia e Cascalho...................................................................23 5.2.3.3 Pedreiras ............................................................................................23 5.2.3.4 Bota-fora ............................................................................................23 5.2.4 Seqüência e Aspectos Construtivos .................................................... 23 5.2.4.1 Trabalhos Preliminares .........................................................................24 5.2.4.2 Implantação do Barramento e Desvio do Rio ...........................................24 5.2.4.3 Enchimento do Reservatório..................................................................25 5.2.4.4 Desativação de Obras...........................................................................25 6 PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL .......... 26 6.1 DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO ....................27 6.2 DIRETRIZES AMBIENTAIS BÁSICAS ............................................................29 6.2.1 Áreas Protegidas na AAR ................................................................... 30 6.2.1.1 Unidades de Conservação - UC ..............................................................30 6.2.1.2 Áreas Indígenas...................................................................................31 6.2.1.3 Quilombolas ........................................................................................32 6.2.1.4 Assentamentos Rurais ..........................................................................32 6.2.2 Diagnóstico Ambiental da Área de Abrangência Regional – AAR ........ 33 6.2.2.1 Localização .........................................................................................33 6.2.2.2 Aspectos Climatológicos........................................................................35 6.2.2.3 Aspectos Geológicos.............................................................................36 6.2.2.4 Aspectos Geomorfológicos ....................................................................37 6.2.2.5 Aspectos Pedológicos ...........................................................................37 6.2.2.6 Domínios Morfoclimáticos .....................................................................39 6.2.2.7 Cobertura Vegetal da AAR.....................................................................40 6.2.2.7.1 6.2.2.7.2 6.2.2.7.3 6.2.2.7.4 6.2.2.7.5 6.2.2.7.6 6.2.2.7.7 6.2.2.7.8 6.2.2.7.9 6.2.2.7.10 6.2.2.7.11 6.2.2.7.12 6.2.2.7.13 6.2.2.7.14 6.2.2.8 6.2.2.8.1 6.2.2.8.2 Floresta Ombrófila Densa......................................................................... Floresta Ombrófila Aberta (Faciação da Floresta Densa) ......................... Floresta Estacional (Decidual ou Semidecidual)....................................... Savana Florestada ................................................................................... Savana Arborizada ................................................................................... Savana Parque ......................................................................................... Savana Gramíneo-lenhosa ....................................................................... Contato Savana-Floresta Estacional ......................................................... Áreas de Formações Pioneiras ................................................................. Campinaranas .......................................................................................... Refúgio vegetacional montano................................................................. Áreas Antrópicas Dominantes .................................................................. Floresta Ombrófila Densa Aluvial ............................................................. Floresta Ombrófila Aberta Aluvial ............................................................ 40 42 43 44 44 45 45 46 46 47 47 47 47 48 Fauna Silvestre da AAR ........................................................................49 Avifauna .................................................................................................. 49 Mamíferos ................................................................................................ 50 ii 6.2.2.8.3 6.2.2.8.4 6.2.2.9 Anfíbios e répteis ..................................................................................... 51 Ictiofauna e o ecossistema aquático na AAR............................................ 52 Meio Antrópico ....................................................................................54 6.2.2.9.1 6.2.2.9.2 6.2.2.9.3 6.2.2.9.4 Formação histórica regional..................................................................... Dinâmica demográfica ............................................................................. Atividades econômicas............................................................................. Hierarquia da rede urbana regional ......................................................... 54 57 58 59 6.2.2.10 Programas e Projetos Co-Localizados .....................................................60 6.2.3 Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Indireta – AII .............. 60 6.2.3.1 Meio Físico ..........................................................................................61 6.2.3.1.1 6.2.3.1.2 6.2.3.1.3 6.2.3.1.4 6.2.3.1.5 6.2.3.1.6 6.2.3.1.7 6.2.3.1.8 6.2.3.1.9 6.2.3.1.10 6.2.3.2 61 61 62 65 66 66 68 69 69 70 Meio Biótico ........................................................................................70 6.2.3.2.1 6.2.3.2.2 6.2.3.2.3 6.2.3.2.4 6.2.3.3 Caracterização Climática .......................................................................... Substrato Litoestrutural........................................................................... Relevo...................................................................................................... Solos ........................................................................................................ Unidades de terrenos ............................................................................... Aqüíferos ................................................................................................. Sismicidade.............................................................................................. Hidrografia............................................................................................... Qualidade da água ................................................................................... Patrimônio Paleontológico ....................................................................... Caracterização da cobertura vegetal na AII ............................................. Desflorestamento na AII.......................................................................... Fauna Terrestre ....................................................................................... Ictiofauna e o Ecossistema Aquático........................................................ 70 72 73 76 Meio Antrópico ....................................................................................77 6.2.3.3.1 6.2.3.3.2 Formação histórico regional..................................................................... 77 Patrimônio arqueológico, histórico e cultural........................................... 79 6.2.4 Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Direta – AID e Área Diretamento Afetada – ADA ....................................................... 80 6.2.4.1 Meio Físico ..........................................................................................81 6.2.4.1.1 6.2.4.1.2 6.2.4.1.3 6.2.4.2 Tipos de terrenos ..................................................................................... 81 Recursos Minerais e Processos Minerários ............................................... 81 Qualidade da Água ................................................................................... 81 Meio Biótico ........................................................................................83 6.2.4.2.1 6.2.4.2.2 6.2.4.2.3 6.2.4.3 Vegetação ................................................................................................ 83 Fauna Terrestre ....................................................................................... 87 Meio biótico aquático ............................................................................... 91 Meio Antrópico ....................................................................................95 6.2.4.3.1 6.2.4.3.2 6.2.4.3.3 6.2.4.3.4 6.2.4.3.5 6.2.4.3.6 6.2.4.3.7 6.2.4.3.8 6.2.4.3.9 6.2.4.3.10 População atingida .................................................................................. Sistema viário .......................................................................................... Saneamento Básico.................................................................................. Educação.................................................................................................. Saúde....................................................................................................... Energia .................................................................................................... Comunicação............................................................................................ Problemas municipais .............................................................................. Potencial Arqueológico ............................................................................ Síntese e Tendências Gerais de Ocupação Regional ................................. 7 95 95 96 96 97 97 97 98 98 98 RESUMO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS CITADOS NO EIA DO AHE COLÍDER ............................................................................................... 100 7.1 IDENTIFICAÇÃO DE AÇÕES IMPACTANTES ................................................100 iii 7.1.1 Meio Físico ....................................................................................... 102 7.1.1.1 Alterações nas Propriedades Físico-Químicas e da Qualidade da Água Durante as Obras...............................................................................102 7.1.1.2 Assoreamento Durante a Fase Construtiva ............................................102 7.1.1.3 Alterações no Regime Fluviométrico e na Qualidade da Água Durante o Enchimento do Reservatório................................................................102 7.1.1.4 Formação de Ambiente Lêntico e Alterações das Propriedades Físicas, Químicas e Biológicas das Águas Superficiais na Fase de Operação ..........103 7.1.1.5 Assoreamento de Remansos e Confluências ..........................................103 7.1.1.6 Retenção de Sedimentos e Alterações na Geometria Fluvial a Jusante do Barramento ..................................................................................103 7.1.1.7 Rebaixamento do Lençol em Decorrência das Obras ...............................104 7.1.1.8 Elevação do Nível do Lençol Freático Após a Formação do Reservatório ....104 7.1.1.9 Indução de Processos Erosivos Durante as Obras...................................104 7.1.1.10 Alteração do Risco de Contaminação do Solo Durante as Obras ...............105 7.1.1.11 Instabilização de Margens e Indução de Processos Erosivos no Reservatório Durante a Operação ........................................................105 7.1.1.12 Criação de Áreas Úmidas Permanentes .................................................105 7.1.1.13 Ocorrência de Sismos Induzidos ..........................................................106 7.1.1.14 Alteração na Qualidade do Ar Durante as Obras.....................................106 7.1.1.15 Alterações no Clima Local ...................................................................107 7.1.1.16 Patrimônio Paleontológico ...................................................................107 7.1.2 Meio Biótico ..................................................................................... 108 7.1.2.1 Redução da Cobertura Vegetal ............................................................108 7.1.2.2 Ampliação do grau de fragmentação dos remanescentes e dos efeitos de borda e redução da conectividade entre remanescentes florestais .......109 7.1.2.3 Alteração da Estrutura da Vegetação Florestal em Decorrência da Elevação do Lençol Freático ................................................................109 7.1.2.4 Redução da Qualidade do Habitat Durante as Obras ...............................110 7.1.2.5 Aprisionamento de Peixes nas Áreas Ensecadas .....................................110 7.1.2.6 Redução da Qualidade do Habitat à Jusante do Barramento Durante o Enchimento.......................................................................................110 7.1.2.7 Alteração na Dinâmica de Deslocamento da Ictiofauna em Decorrência da Implantação do Barramento ...........................................................111 7.1.2.8 Alterações nas Populações de Peixes no Rio Teles Pires na Fase de Operação ..........................................................................................112 7.1.2.9 Perturbação e Afugentamento da Fauna Silvestre Durante as Obras .........112 7.1.2.10 Óbito e Fuga de Animais Durante as Atividades de Desmatamento e Inundação ........................................................................................113 7.1.2.11 Aumento da Pressão de Caça Durante o Período de Obras.......................114 7.1.2.12 Alteração nas Populações Terrestres em Função das Mudanças e Redução dos Habitats Naturais ............................................................114 7.1.2.13 Ampliação de Barreira Física Decorrente da Formação do Reservatório .....115 7.1.2.14 Alteração na Dinâmica da População de Vetores ....................................115 7.1.3 Meio Antrópico ................................................................................. 116 iv 7.1.3.1 7.1.3.2 7.1.3.3 7.1.3.4 7.1.3.5 7.1.3.6 7.1.3.7 7.1.3.8 7.1.3.9 7.1.3.10 7.1.3.11 7.1.3.12 7.1.3.13 7.1.3.14 7.1.3.15 7.1.3.16 7.1.3.17 7.1.3.18 7.1.3.19 7.1.3.20 7.1.3.21 7.1.3.22 7.1.3.23 7.1.3.24 7.1.3.25 7.1.3.26 7.1.3.27 7.1.3.28 7.1.3.29 7.1.3.30 7.1.3.31 7.1.3.32 8 Geração de Empregos Diretos e Indiretos Durante a Construção..............116 Geração de Empregos Diretos e Indiretos Durante a Operação ................117 Aumento da Massa Salarial Durante a Construção e a Operação ..............118 Atração de Fluxos Migratórios Durante a Construção ..............................118 Saldos Migratórios Negativos ao Final da Fase de Construção ..................118 Perda de Moradias e Fontes de Rendimento e Subsistência .....................119 Risco de Tensões Entre Mão-de-Obra Imigrante e População Local ...........120 Geração de Expectativas da População Local Sobre o Empreendimento ....120 Interferências com Áreas e Atividades de Lazer da População Local..........121 Incômodos à População Devido ao Tráfego Pesado e a Alterações em Estradas Rurais, Acessos e Travessias ..................................................121 Aumento das Receitas Fiscais Durante a Construção e a Operação ...........123 Alterações nos Valores Imobiliários Durante a Construção e a Operação ..........................................................................................125 Dinamização das Economias Locais Durante a Construção.......................125 Retração Econômica ao Final da Fase de Construção ..............................126 Perda de Áreas de Produção Agrossilvopastoril ......................................126 Interferências com Atividades Turísticas ...............................................127 Interferência com a Pesca Artesanal Profissional ....................................128 Riscos à Saúde Pública Durante a Construção........................................128 Risco de Endemias em Decorrência da Formação do Reservatório ............129 Substituição de Usos nas Áreas de Intervenção e Inundação ...................129 Indução de Alterações nos Padrões de Uso e/ou Cobertura do Solo no Entorno do Reservatório .....................................................................130 Indução ao Crescimento e Alterações nos Padrões de Uso do Solo Urbano .............................................................................................131 Apropriação da Capacidade e Deterioração das Vias Locais por Veículos a Serviço das Obras...............................................................132 Aumento da Demanda por Serviços Públicos de Saúde Durante a Construção .......................................................................................132 Apropriação Parcial da Capacidade Local de Disposição de Resíduos Sólidos .............................................................................................133 Obstrução de Estradas Vicinais pelo Reservatório e Interferência com Redes de Utilidades............................................................................133 Pressões Indiretas sobre as Infraestruturas e os Serviços Públicos Urbanos............................................................................................133 Ampliação da Oferta de Energia Elétrica no Sistema Interligado Nacional ...........................................................................................134 Alterações na Paisagem Durante a Construção e a Operação ...................134 Risco de Perda de Sítios e Bens de Interesse Histórico, Cultural e Arqueológico .....................................................................................135 Impactos em Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais..............135 Impactos em Unidades de Conservação ................................................136 PROGRAMAS AMBIENTAIS RECOMENDADOS ........................................ 137 v 8.1 PROGRAMA DE GESTÃO AMBIENTAL DA OBRA ...........................................138 8.1.1 Subprograma de Planejamento ........................................................ 139 8.1.1.1 Justificativa.......................................................................................139 8.1.1.2 Diretrizes Gerais ................................................................................139 8.1.2 Subprograma de Controle Ambiental dos Procedimentos Construtivos..................................................................................... 140 8.1.2.1 Justificativa.......................................................................................140 8.1.2.2 Diretrizes Gerais ................................................................................140 8.1.2.2.1 8.1.2.2.2 8.1.2.2.3 8.1.2.2.4 8.1.2.2.5 8.1.2.2.6 8.1.2.2.7 Controle da poeira em suspensão .......................................................... Gerenciamento adequado de resíduos sólidos ....................................... Supressão da vegetação ........................................................................ Controle de erosão do solo e assoreamento do corpo hídrico................. Tratamento de efluentes sanitários ....................................................... Tratamento de efluentes industriais ...................................................... Armazenamento e manuseio de produtos e resíduos perigosos ............. 141 141 143 144 145 146 147 8.1.3 Subprograma de Monitoramento Ambiental das Obras .................... 147 8.1.3.1 Justificativa.......................................................................................147 8.1.3.2 Diretrizes Gerais ................................................................................147 8.1.4 Subprograma de Controle Ambiental do Canteiro de Obras.............. 149 8.1.4.1 Justificativa.......................................................................................149 8.1.4.2 Diretrizes Gerais ................................................................................149 8.1.5 Subprograma de Controle Ambiental de Jazidas e Outras Áreas de Apoio........................................................................................... 151 8.1.5.1 Justificativa.......................................................................................151 8.1.5.2 Diretrizes Gerais ................................................................................151 8.1.6 Subprograma de Desmobilização e Recuperação das Frentes de Obras .......................................................................................... 152 8.1.6.1 Justificativa.......................................................................................152 8.1.6.2 Diretrizes Gerais ................................................................................153 8.1.7 Equipe Básica................................................................................... 154 8.1.8 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 154 8.1.9 Custo Estimado ................................................................................ 154 8.1.10 Cronograma ..................................................................................... 155 8.2 PROGRAMA DE SELEÇÃO, CAPACITAÇÃO E CONTRATAÇÃO DE MÃO-DEOBRA E FORNECEDORES LOCAIS .............................................................155 8.2.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 155 8.2.2 Objetivos ......................................................................................... 156 8.2.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 156 8.2.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 156 8.2.5 Equipe Básica................................................................................... 160 8.2.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 160 8.2.7 Custo Estimado ................................................................................ 160 8.2.8 Cronograma ..................................................................................... 161 8.3 PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO E GESTÃO DE MEIO AMBIENTE, SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL NAS FRENTES DE OBRA ..................................161 vi 8.3.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 161 8.3.2 Objetivo ........................................................................................... 161 8.3.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 162 8.3.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 162 8.3.5 Equipe Básica................................................................................... 165 8.3.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 165 8.3.7 Custo Estimado ................................................................................ 165 8.3.8 Cronograma ..................................................................................... 166 8.4 PROGRAMA DE ATENDIMENTO A EMERGÊNCIAS AMBIENTAIS......................166 8.4.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 166 8.4.2 Objetivo ........................................................................................... 167 8.4.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 167 8.4.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 167 8.4.4.1 Escorregamentos de Proporções Significativas, com Assoreamento de Trechos do Rio Teles Pires...................................................................168 8.4.4.2 Vazamento de Produtos Perigosos e Combustíveis .................................169 8.4.4.3 Acidentes Envolvendo o Transporte e Uso de Explosivos .........................170 8.4.4.4 Rompimento de Ensecadeiras e Inundação de Áreas não Previstas...........171 8.4.4.5 Incêndios Florestais nas Frentes de Obra ..............................................172 8.4.4.6 Explosões em Pontos de Armazenamento de Combustíveis .....................173 8.4.4.7 Vazamentos nos Sistemas de Esgotamento Sanitário do Canteiro de Obra e Alojamentos ...........................................................................174 8.4.5 Equipe Básica................................................................................... 175 8.4.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 175 8.4.7 Custo Estimado ................................................................................ 175 8.4.8 Cronograma ..................................................................................... 175 8.5 PROGRAMA DE MONITORAMENTO CLIMATOLÓGICO ...................................176 8.5.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 176 8.5.2 Objetivos ......................................................................................... 177 8.5.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 177 8.5.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 177 8.5.5 Equipe Básica................................................................................... 179 8.5.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 179 8.5.7 Custo Estimado ................................................................................ 179 8.5.8 Cronograma ..................................................................................... 179 8.6 PROGRAMA DE MONITORAMENTO HIDROGEOLÓGICO ................................180 8.6.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 180 8.6.2 Objetivo ........................................................................................... 182 8.6.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 183 8.6.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 183 8.6.5 Equipe Básica................................................................................... 186 8.6.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 186 8.6.7 Custo Estimado ................................................................................ 187 vii 8.6.8 Cronograma ..................................................................................... 187 8.7 PROGRAMA DE MONITORAMENTO SISMOLÓGICO.......................................187 8.7.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 187 8.7.2 Objetivo ........................................................................................... 189 8.7.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 189 8.7.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 190 8.7.4.1 Fase 1 – Monitoramento Pré-Enchimento do Reservatório .......................191 8.7.4.2 Fase 2 – Monitoramento Durante e Após o Enchimento do Reservatório .....................................................................................192 8.7.4.3 Fase 3 - Monitoramento Permanente ....................................................192 8.7.5 Equipe Básica................................................................................... 193 8.7.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 193 8.7.7 Custo Estimado ................................................................................ 193 8.7.8 Cronograma ..................................................................................... 194 8.8 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE PROCESSOS EROSIVOS E DE ASSOREAMENTO ....................................................................................194 8.8.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 194 8.8.2 Objetivo ........................................................................................... 196 8.8.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 196 8.8.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 196 8.8.4.1 Fase 1 - Anterior à Formação do Reservatório .......................................196 8.8.4.2 Fase 2 - Durante o Enchimento do Reservatório ....................................198 8.8.4.3 Fase 3 - Após o Enchimento do Reservatório e Durante a Operação do AHE Colíder.......................................................................................199 8.8.5 Equipe Básica................................................................................... 200 8.8.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 200 8.8.7 Custo Estimado ................................................................................ 201 8.8.8 Cronograma ..................................................................................... 201 8.9 PROGRAMA DE SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO E LIMPEZA DA ÁREA DO RESERVATÓRIO .....................................................................................201 8.9.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 201 8.9.2 Objetivo ........................................................................................... 202 8.9.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 203 8.9.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 203 8.9.4.1 Subprograma de Controle das Atividades de Supressão de Vegetação na Área do Reservatório, Áreas de Apoio e Caminhos de Serviço .............203 8.9.4.1.1 8.9.4.1.2 8.9.4.1.3 8.9.4.1.4 8.9.4.1.5 8.9.4.1.6 8.9.4.1.7 8.9.4.1.8 8.9.4.1.9 8.9.4.1.10 Complementação do inventário florestal ................................................ Obtenção das licenças de desmatamentos ............................................. Treinamento da equipe de supressão..................................................... Demarcação em campo de áreas para o desmatamento......................... Procedimentos gerais para desmatamento ............................................ Separação e classificação dos restos vegetais ....................................... Desdobramento e remoção do material lenhoso .................................... Enleiramento e limpeza da vegetação arbustiva .................................... Transporte final ..................................................................................... Equipe Básica......................................................................................... viii 204 205 205 206 207 210 211 212 213 213 8.9.4.1.11 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ 214 8.9.4.1.12 Custo Estimado ...................................................................................... 214 8.9.4.1.13 Cronograma ........................................................................................... 215 8.9.4.2 Subprograma de Demolição de Edificações............................................215 8.9.4.2.1 8.9.4.2.2 8.9.4.2.3 8.9.4.2.4 8.9.4.2.5 8.9.4.2.6 8.9.4.2.7 8.9.4.2.8 8.9.4.2.9 Conceitos ............................................................................................... Ações e Procedimentos .......................................................................... Fase 1 - Canteiro de obras ..................................................................... Fase 2 – Anterior a formação do reservatório ........................................ Fase 3 – Enchimento do reservatório e recolhimento de material flutuante ................................................................................................ Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 216 216 217 217 220 221 221 221 221 8.10 PROGRAMA DE MONITORAMENTO E CONSERVAÇÃO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS...........................................................................................222 8.10.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 222 8.10.2 Objetivo ........................................................................................... 222 8.10.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 222 8.10.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 223 8.10.4.1 Subprograma de Monitoramento Hidrossedimentológico .........................223 8.10.4.1.1 8.10.4.1.2 8.10.4.1.3 8.10.4.1.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 224 225 225 225 8.10.4.2 Subprograma de Monitoramento Limnológico e de Qualidade da Água ......225 8.10.4.2.1 8.10.4.2.2 8.10.4.2.3 8.10.4.2.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 231 232 232 232 8.10.4.3 Subprograma de resgate e monitoramento da ictiofauna ........................232 8.10.4.3.1 8.10.4.3.2 8.10.4.3.3 8.10.4.3.4 8.10.4.3.5 8.10.4.3.6 8.10.4.3.7 Fase 1 – Licenciamento e convênio com instituições de apoio ............... Fase 2 - Monitoramento da ictiofauna .................................................... Fase 3 - Resgate da ictiofauna ............................................................... Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 233 234 238 240 240 240 241 8.10.4.4 Subprograma de Monitoramento de Macrófitas Aquáticas........................241 8.10.4.4.1 8.10.4.4.2 8.10.4.4.3 8.10.4.4.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 245 246 246 246 8.10.4.5 Subprograma de Piscicultura e Repovoamento da Ictiofauna ...................246 8.10.5 Equipe Básica................................................................................... 249 8.10.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 249 8.10.7 Custo Estimado ................................................................................ 249 8.10.8 Cronograma ..................................................................................... 250 8.11 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE FAUNA TERRESTRE ...........................250 8.11.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 250 8.11.2 Objetivo ........................................................................................... 250 ix 8.11.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 251 8.11.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 251 8.11.4.1 Subprograma de Monitoramento da Herpetofauna .................................251 8.11.4.1.1 Equipe Básica......................................................................................... 257 8.11.4.1.2 Custo Estimado ...................................................................................... 257 8.11.4.2 Subprograma de Monitoramento da Avifauna ........................................257 8.11.4.2.1 Equipe Básica......................................................................................... 263 8.11.4.2.2 Custo Estimado ...................................................................................... 263 8.11.4.3 Subprograma de Monitoramento da Mastofauna Terrestre.......................263 8.11.4.3.1 Equipe Básica......................................................................................... 267 8.11.4.3.2 Custo Estimado ...................................................................................... 267 8.11.4.4 Subprograma de Monitoramento de Mamíferos Semi-Aquáticos ...............267 8.11.4.4.1 Equipe Básica......................................................................................... 270 8.11.4.4.2 Custo Estimado ...................................................................................... 270 8.11.4.5 Subprograma de Monitoramento de Quirópteros ....................................270 8.11.4.5.1 Equipe Básica......................................................................................... 272 8.11.4.5.2 Custo Estimado ...................................................................................... 272 8.11.5 Licenciamento e Convênio com Instituições de Apoio ...................... 272 8.11.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 273 8.11.7 Cronograma ..................................................................................... 273 8.12 PROGRAMA DE RESGATE DE FAUNA .........................................................273 8.12.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 273 8.12.2 Objetivo ........................................................................................... 274 8.12.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 274 8.12.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 275 8.12.4.1.1 Fase 1 - Medidas gerais.......................................................................... 275 8.12.4.1.2 Fase 2 – Durante o Desmatamento ........................................................ 281 8.12.4.1.3 Fase 3 – Durante o enchimento do reservatório..................................... 283 8.12.4.2 Equipe Básica ....................................................................................287 8.12.4.3 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .................................287 8.12.4.4 Custo Estimado .................................................................................288 8.12.4.5 Cronograma ......................................................................................288 8.13 PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DA FLORA .................................................289 8.13.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 289 8.13.2 Objetivo ........................................................................................... 289 8.13.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 290 8.13.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 290 8.13.4.1 Subprograma de Monitoramento da Flora .............................................290 8.13.4.1.1 8.13.4.1.2 8.13.4.1.3 8.13.4.1.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 293 293 294 294 8.13.4.2 Subprograma de Resgate da Flora .......................................................294 8.13.4.2.1 8.13.4.2.2 8.13.4.2.3 8.13.4.2.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 311 312 312 313 8.13.4.3 Subrograma de Recuperação e Adensamento da APP .............................313 x 8.13.5 Equipe Básica................................................................................... 321 8.13.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 321 8.13.7 Custo Estimado ................................................................................ 322 8.13.8 Cronograma ..................................................................................... 323 8.14 PROGRAMA DE IMPLANTAÇÃO OU INCREMENTO DE VIVEIRO FLORESTAL .....323 8.14.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 323 8.14.2 Objetivo ........................................................................................... 324 8.14.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 324 8.14.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 324 8.14.4.1 Fase 1 - Implantação de Viveiro Florestal de Mudas Nativas e ou Incremento de Viveiros Florestais da Região .........................................325 8.14.4.2 Fase 2 - A Produção das Mudas ...........................................................327 8.14.5 Equipe Básica................................................................................... 332 8.14.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 332 8.14.7 Custo Estimado ................................................................................ 332 8.14.8 Cronograma ..................................................................................... 333 8.15 PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS.............................333 8.15.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 333 8.15.2 Objetivo ........................................................................................... 334 8.15.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 334 8.15.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 335 8.15.4.1 Fase 1 - Planejamento das Atividades de Recuperação ...........................335 8.15.4.2 Fase 2 - Execução da Recuperação do Solo ...........................................338 8.15.4.3 Fase 3 - Definição das Áreas de Plantio ................................................342 8.15.4.4 Fase 4 - Implantação da Cobertura Vegetal...........................................343 8.15.5 Equipe Básica................................................................................... 345 8.15.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 345 8.15.7 Custo Estimado ................................................................................ 345 8.15.8 Cronograma ..................................................................................... 346 8.16 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE ÁREAS ÚMIDAS ................................346 8.16.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 346 8.16.2 Objetivo ........................................................................................... 347 8.16.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 347 8.16.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 348 8.16.5 Equipe Básica................................................................................... 349 8.16.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 349 8.16.7 Custo Estimado ................................................................................ 349 8.16.8 Cronograma ..................................................................................... 350 8.17 PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO FLORESTAL ............................................350 8.17.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 350 8.17.2 Objetivo ........................................................................................... 351 8.17.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 351 8.17.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 352 xi 8.17.5 Equipe Básica................................................................................... 352 8.17.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 352 8.17.7 Custo Estimado ................................................................................ 353 8.17.8 Cronograma ..................................................................................... 353 8.18 PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL.....................................................353 8.18.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 353 8.18.2 Objetivo ........................................................................................... 353 8.18.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 355 8.18.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 355 8.18.4.1 Fase 1 – Pré-Implantação ...................................................................355 8.18.4.2 Fase 2 – Durante a Implantação ..........................................................356 8.18.4.3 Fase 3 - Início de Operação.................................................................357 8.18.5 Equipe Básica................................................................................... 358 8.18.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 358 8.18.7 Custo Estimado ................................................................................ 358 8.18.8 Cronograma ..................................................................................... 359 8.19 PROGRAMA DE GESTÃO DE TERRAS E REASSENTAMENTO...........................360 8.19.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 360 8.19.2 Objetivo ........................................................................................... 363 8.19.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 363 8.19.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 363 8.19.4.1 Subprograma de Aquisição de Terras ...................................................364 8.19.4.1.1 8.19.4.1.2 8.19.4.1.3 8.19.4.1.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 370 371 371 371 8.19.4.2 Subprograma de Reassentamento e Compensação Social .......................372 8.19.4.2.1 8.19.4.2.2 8.19.4.2.3 8.19.4.2.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 8.20 376 376 376 377 PROGRAMA DE GESTÃO DE INTERFERÊNCIAS COM DIREITOS MINERÁRIOS .........................................................................................377 8.20.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 377 8.20.2 Objetivo ........................................................................................... 379 8.20.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 379 8.20.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 379 8.20.5 Equipe Básica................................................................................... 382 8.20.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 383 8.20.7 Custo Estimado ................................................................................ 383 8.20.8 Cronograma ..................................................................................... 383 8.21 PROGRAMA DE PRESERVAÇÃO, PROSPECÇÃO E RESGATE DO PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO .................................................................383 8.21.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 383 8.21.2 Objetivo ........................................................................................... 384 xii 8.21.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 384 8.21.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 384 8.21.5 Equipe Básica................................................................................... 389 8.21.6 Instituições/ Empresas sugeridas para a Execução ......................... 389 8.21.7 Custo Estimado ................................................................................ 389 8.21.8 Cronograma ..................................................................................... 389 8.22 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.....................................................390 8.22.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 390 8.22.2 Objetivo ........................................................................................... 390 8.22.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 391 8.22.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 391 8.22.5 Equipe Básica................................................................................... 395 8.22.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 395 8.22.7 Custo Estimado ................................................................................ 395 8.22.8 Cronograma ..................................................................................... 396 8.23 PROGRAMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E CONTROLE DE EPIDEMIAS............................................................................................396 8.23.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 396 8.23.2 Objetivo ........................................................................................... 397 8.23.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 397 8.23.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 398 8.23.5 Equipe Básica................................................................................... 401 8.23.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 401 8.23.7 Custo Estimado ................................................................................ 401 8.23.8 Cronograma ..................................................................................... 402 8.24 PROGRAMA DE MONITORAMENTO E FOMENTO À ATIVIDADES ECONÔMICAS ........................................................................................403 8.24.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 403 8.24.2 Objetivo ........................................................................................... 403 8.24.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 404 8.24.3.1 Subprograma de Monitoramento e Fomento da Pesca Artesanal Profissional .......................................................................................404 8.24.3.1.1 8.24.3.1.2 8.24.3.1.3 8.24.3.1.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 408 408 408 409 8.24.3.2 Subprograma de Monitoramento e Fomento ao Turismo .........................409 8.24.3.2.1 8.24.3.2.2 8.24.3.2.3 8.24.3.2.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 411 412 412 412 8.24.3.3 Subprograma de Monitoramento e Apoio à Regularização das Atividades Madeireiras no Entorno do Reservatório ................................413 8.24.3.3.1 Equipe Básica......................................................................................... 414 8.24.3.3.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ 414 8.24.3.3.3 Custo Estimado ...................................................................................... 414 xiii 8.24.3.3.4 Cronograma ........................................................................................... 415 8.24.3.4 Subprograma de Fomento e Monitoramento de Arranjos Produtivos Locais Sustentáveis............................................................................415 8.24.3.4.1 8.24.3.4.2 8.24.3.4.3 8.24.3.4.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 419 419 419 419 8.24.3.5 Subprograma de Monitoramento de Preços de Imóveis Rurais e Urbanos............................................................................................420 8.24.3.5.1 8.24.3.5.2 8.24.3.5.3 8.24.3.5.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 420 420 421 421 8.25 PROGRAMA DE RECONFIGURAÇÃO DA REDE DE VIAS E UTILIDADES RURAIS.................................................................................................421 8.25.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 421 8.25.2 Objetivo ........................................................................................... 422 8.25.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 422 8.25.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 422 8.25.5 Equipe Básica................................................................................... 423 8.25.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 424 8.25.7 Custo Estimado ................................................................................ 424 8.25.8 Cronograma ..................................................................................... 424 8.26 PROGRAMA DE APOIO AOS MUNICÍPIOS ...................................................425 8.26.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 425 8.26.2 Objetivo ........................................................................................... 426 8.26.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 426 8.26.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 427 8.26.4.1 Subprograma de Apoio à Elaboração e Implementação de Planos Diretores Participativos e Planos de Desenvolvimento Sustentável ...........427 8.26.4.1.1 8.26.4.1.2 8.26.4.1.3 8.26.4.1.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 429 429 429 429 8.26.4.2 Subprograma de Procedimentos de Análise e Atendimento de Demandas das Prefeituras Municipais ...................................................430 8.26.4.2.1 8.26.4.2.2 8.26.4.2.3 8.26.4.2.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 430 430 431 431 8.26.4.3 Subprograma de Monitoramento de Indicadores Sociais, Econômicos e Finanças Municipais............................................................................431 8.26.4.3.1 8.26.4.3.2 8.26.4.3.3 8.26.4.3.4 Equipe Básica......................................................................................... Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução................................ Custo Estimado ...................................................................................... Cronograma ........................................................................................... 8.27 434 434 434 434 PROGRAMA DE GESTÃO AMBIENTAL E SÓCIO-PATRIMONIAL DO RESERVATÓRIO .....................................................................................435 8.27.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 435 xiv 8.27.2 Objetivo ........................................................................................... 436 8.27.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 437 8.27.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 437 8.27.4.1 Fase 1 - Elaboração, Discussão e Aprovação do PACUERA e do PGSP........437 8.27.4.2 Fase 2 - Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Recomposição Florestal Dentro e Fora da APP do Reservatório e dos Projetos de Infraestrutura de Apoio aos Usos Múltiplos do Reservatório ....440 8.27.5 Equipe Básica................................................................................... 441 8.27.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 441 8.27.7 Custo Estimado ................................................................................ 442 8.27.8 Cronograma ..................................................................................... 442 8.28 PROGRAMA DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL...............................................443 8.28.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 443 8.28.2 Objetivo ........................................................................................... 443 8.28.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 443 8.28.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 444 8.28.5 Equipe Básica................................................................................... 445 8.28.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 445 8.28.7 Custo Estimado ................................................................................ 446 8.28.8 Cronograma ..................................................................................... 446 8.29 PROGRAMA DE GESTÃO DE RISCOS DE GALGAMENTO E DE SEGURANÇA OPERACIONAL DA BARRAGEM..................................................................446 8.29.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 446 8.29.2 Objetivo ........................................................................................... 448 8.29.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 448 8.29.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 449 8.29.5 Equipe Básica................................................................................... 451 8.29.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 451 8.29.7 Custo Estimado ................................................................................ 452 8.29.8 Cronograma ..................................................................................... 452 8.30 PROGRAMA DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL DA COPEL ...............453 8.30.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 453 8.30.2 Objetivos ......................................................................................... 453 8.30.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 453 8.30.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 454 8.30.5 Equipe Básica................................................................................... 456 8.30.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 456 8.30.7 Custo Estimado ................................................................................ 456 8.30.8 Cronograma ..................................................................................... 456 8.31 PROGRAMA DE SUPERVISÃO AMBIENTAL ..................................................457 8.31.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 457 8.31.2 Objetivo ........................................................................................... 457 8.31.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 457 xv 8.31.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 457 8.31.4.1 Acompanhamento Direto ....................................................................457 8.31.4.2 Acompanhamento Indireto ..................................................................458 8.31.5 Equipe Básica................................................................................... 459 8.31.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução .......................... 459 8.31.7 Custo Estimado ................................................................................ 459 8.31.8 Cronograma ..................................................................................... 460 8.32 PROGRAMA DE SALVAMENTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, CULTURAL E PAISAGÍSTICO .......................................................................................460 8.32.1 Histórico e Justificativa.................................................................... 460 8.32.2 Objetivo ........................................................................................... 462 8.32.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA......................... 462 8.32.4 Diretrizes Gerais .............................................................................. 462 8.32.5 Equipe Básica................................................................................... 465 8.32.6 Instituições/ Empresas sugeridas para a Execução ......................... 465 8.32.7 Custo Estimado ................................................................................ 465 8.32.8 Cronograma ..................................................................................... 466 ANEXO 1 – ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA ........................... 468 xvi ÍNDICE DE FIGURAS FIGURA 1 – LOCALIZAÇÃO E ACESSO PARA A AHE COLÍDER ................................... 11 FIGURA 2- ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA DOS DOMÍNIOS PAISAGÍSTICOS DO CERRADO E DA AMAZÔNIA NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TELES PIRES .............................................................................................. 34 FIGURA 3 - PREDOMINÂNCIA DE VEGETAÇÃO NA REGIÃO DE INTERESSE DO RIO TELES PIRES .................................................................................... 39 FIGURA 4 - DIVISÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO EM MESORREGIÕES ................ 57 FIGURA 5 - COBERTURAS GEOLÓGICAS DA AII...................................................... 62 FIGURA 6- DISTRIBUIÇÃO DAS UNIDADES AQÜÍFERAS NA AII ................................ 68 ÍNDICE DE TABELAS TABELA 1 - DISTÂNCIAS DAS SEDES URBANAS EM RELAÇÃO A CUIABÁ ................... 10 TABELA 2 - FICHA RESUMO DE INFORMAÇÕES TÉCNICAS ....................................... 12 TABELA 3 - EDIFICAÇÕES PREVISTAS NO CANTEIRO DE OBRAS ADMINISTRATIVO E INDUSTRIAL DO AHE COLÍDER ........................................................ 19 TABELA 4 - DISTANCIA DAS ÁREAS DE EMPRÉSTIMO EM RELAÇÃO A OBRA .............. 22 TABELA 5 – OCORRÊNCIA DE PEDREIRAS.............................................................. 23 TABELA 6- ÁREA DE ABRANGÊNCIA REGIONAL DO AHE COLIDER............................. 28 TABELA 7 - UNIDADES DE CONSERVAÇÃO EXISTENTES NA ÁREA DE ABRANGENCIA REGIONAL DO AHE COLIDER ........................................ 31 TABELA 8- ÁREAS INDIGENAS NA ÁREA DE ABRANGENCIA REGIONAL DO AHE COLIDER.......................................................................................... 32 TABELA 9- TIPOS PEDOLÓGICOS QUE OCORREM NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TELES PIRES SEGUNDO O MAPA DE SOLOS DO PROJETO RADAM ..... 38 TABELA 10 - MUNICÍPIOS COM MAIOR VALOR ADICIONADO EM 2004 ...................... 58 xvii TABELA 11- UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS FANEROZÓICAS E PROTEROZÓICAS QUE OCORREM NA AII DO AHE COLÍDER, NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TELES PIRES.................................................. 61 TABELA 12- UNIDADES DE TERRENOS QUE OCORREM NA AII DO AHE COLÍDER E QUE CONSTITUEM O PLANALTO DOS PARECIS E A DEPRESSÃO DA AMAZÔNIA MERIDIONAL .................................................................... 66 TABELA 13- UNIDADES HIDROGEOLÓGICAS ASSOCIADAS AO SISTEMA SEDIMENTAR.................................................................................... 67 TABELA 14 - UNIDADES FITOFISIONÔMICAS DA AII DO AHE COLÍDER ..................... 71 TABELA 15 - ÁREAS ANTRÓPICAS DOMINANTES NA AII DO AHE COLÍDER ................ 72 TABELA 16- DESMATAMENTO NOS MUNICÍPIOS DA AII DO AHE COLÍDER ................. 73 TABELA 17 - PONTOS DE AMOSTRAGEM PARA A ANÁLISE DA QUALIDADE DA ÁGUA .............................................................................................. 82 TABELA 18- COBERTURA DO SOLO NA AID E ADA .................................................. 84 TABELA 19- PERFIL POPULACIONAL DAS PROPRIEDADES INCLUÍDAS NA AID............ 95 TABELA 20- RELAÇÃO DOS MUNICIPIOS AFETADOS PELO AHE COLIDER E SEUS PROBLEMAS MUNICIPAIS E AMBIENTAIS. ............................................ 98 TABELA 21 - ÁREA DE SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NA ÁREA DIRETAMENTE AFETADA PELO AHE COLÍDER ........................................................... 108 TABELA 22 - ÁREAS DE SUPRESSÃO VEGETAL DEMANDADAS POR ESTRUTURA DO CANTEIRO...................................................................................... 144 TABELA 23 - PRINCIPAIS RESÍDUOS A SEREM GERADOS NO CANTEIRO DE OBRAS.. 150 TABELA 24 - TEMAS PROPOSTOS PARA AS CAPACITAÇÕES ................................... 163 TABELA 25 - RECOMENDAÇÕES PARA OS TREINAMENTOS..................................... 164 TABELA 26 - ESTAÇÕES MAIS PRÓXIMAS AO EMPREENDIMENTO AHE COLÍDER ....... 178 TABELA 27 - GRUPOS DE PARÂMETROS A SEREM ANALISADOS NO PROGRAMA ....... 186 TABELA 28- COBERTURA DO SOLO NA ADA DO AHE COLIDER ............................... 208 TABELA 29 – SUGESTÃO DE CLASSIFICAÇÃO DE TORETES POR DIÂMETRO............. 212 TABELA 30 - VARIÁVEIS E METODOLOGIA DE ANÁLISE RECOMENDADA PARA ÁGUAS SUPERFICIAIS ..................................................................... 227 TABELA 31 - VARIÁVEIS E METODOLOGIA DE ANÁLISE RECOMENDADA PARA SEDIMENTOS ................................................................................. 229 xviii TABELA 32 - FREQUÊNCIA AMOSTRAL................................................................. 231 TABELA 33- LISTA DE ESPÉCIES DE FANERÓGAMAS REGISTRADAS NA AID DO AHE COLÍDER ................................................................................. 298 TABELA 34 – PROCESSOS MINERÁRIOS NA AID DO AHE COLÍDER EM 27.10.2010 ... 380 ÍNDICE DE FOTOS FOTO 1- DETALHE DA FORMAÇÃO FLORESTAL ALUVIAL EXISTENTE NA MARGEM ESQUERDA DO RIO TELES PIRES ........................................................ 41 FOTO 2- FORMAÇÕES FLORESTAIS ALUVIAIS EM AMBAS AS MARGENS DO RIO TELES PIRES E FORMAÇÕES FLORESTAIS SUBMONTANAS NAS ÁREAS MAIS ALTAS DO TERRENO.................................................................. 41 FOTO 3- DETALHE DA FORMAÇÃO FLORESTAL SUBMONTANA .................................. 41 FOTO 4- DETALHE DA FORMAÇÃO FLORESTAL SUBMONTANA EXISTENTE NA SERRA FORMOSA, MARGEM DIREITA DO RIO TELES PIRES .................... 41 FOTO 5- DETALHE DE PALMEIRA ENCONTRADA NA FORMAÇÃO FLORESTAL ALUVIAL .......................................................................................... 42 FOTO 6- TAMANDUÁ-BANDEIRA (MYRMECOPHAGA TRIDACTYLA) ............................. 50 FOTO 7- MATRINXÃ (BRYCON FALCATUS) ............................................................. 53 FOTO 8- CACHORRA (HYDROLYCUS TATAUAIA) ..................................................... 53 FOTO 9 - VISTA DA ÁREA QUE SERÁ ATINGIDA PELO FUTURO RESERVATÓRIO.......... 84 FOTO 10 - VISTA DA ÁREA QUE SERÁ ATINGIDA PELO FUTURO RESERVATÓRIO, NA ALTURA DA ILHA ROSE ................................................................. 84 FOTO 11 - OCUPAÇÃO RESIDENCIAL NA MARGEM ESQUERDA DO RIO TELES PIRES (FOFOCA) ............................................................................... 85 FOTO 12 - FORMAÇÕES PIONEIRAS E ÁREAS ANTROPIZADAS ................................. 85 FOTO 13 - VEADO-MATEIRO (M. AMERICANA) VISUALIZADO................................... 88 FOTO 14 - ANTA (TAPIRUS TERRESTRIS) REGISTRADA PELA CÂMERA TRAP .............. 88 FOTO 15 - CHELONOIDIS DENTICULATA ............................................................... 89 FOTO 16 - PALEOSUCHUS TRIGONATUS................................................................ 89 xix FOTO 17 - ARAÇARI-DE-PESCOÇO-VERMELHO, PTEROGLOSSUS BITORQUATUS (VIGORS, 1826)................................................................................ 89 xx 1 APRESENTAÇÃO O Projeto Básico Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico Colíder - AHE Colíder representa a segunda etapa do licenciamento ambiental do empreendimento, cuja Licença Prévia, sob nº 298127 de 01/12/2009, foi emitida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA-MT, atestando a sua viabilidade ambiental, após análise e discussão do respectivo Estudo de Impacto Ambiental - EIA. Este projeto básico trata do detalhamento dos programas ambientais necessários à mitigação e compensação dos impactos ambientais diagnosticados no estudo anteriormente realizado. Da sua aprovação depende a emissão, pela SEMA-MT, da Licença de Instalação do empreendimento que autoriza, efetivamente, o início das obras. A execução correta e responsável dos compromissos assumidos neste projeto é de fundamental importância para o empreendedor, tendo em vista que apenas com o pleno cumprimento desta etapa a SEMA-MT emitirá a Licença de Operação do empreendimento, autorizando o seu funcionamento. 1 2 OBJETIVO O objetivo deste Projeto Básico Ambiental - PBA é dar continuidade ao processo de licenciamento ambiental da AHE Colíder, atendendo às orientações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA-MT expressas na Licença Prévia e no Parecer Técnico nº 28829/CIE/SUIMIS/SEMA/2009, principalmente, consolidar os programas ambientais propostos no Estudo de Impacto Ambiental - EIA, como forma de garantir que a implementação do empreendimento resulte em ganhos socioambientais capazes de compensar e mitigar as alterações que serão causadas ao ambiente social e natural na região afetada pela obra. 2 3 REQUISITOS DE LICENCIAMENTO ATRELADOS À LICENÇA PRÉVIA Nº 298127 DE 01/12/2009 E PARECER TÉCNICO Nº 28829/CIE/SUIMIS/SEMA/2009 EXPEDIDOS PELA SEMA-MT O Parecer Técnico nº 28829/CIE/SUIMIS/SEMA/2009 expedido pela SEMA-MT apresenta um resumo do EIA, solicitações de complemetações ou esclarecimentos do EIA, além de sugestões de inclusões e complementações de alguns programas propostos no Esudo de Impacto Ambiental. Como algumas complementações sugeridas são abordadas diretamente no escopo de algum programa ambiental aqui descrito e outras serão apresentadas em documentos separados deste Projeto Básico Ambiental faz-se, a seguir, uma abordagem específica de cada requisito constante no Parecer Técnico, demonstrando-se a forma e a situação em que serão atendidos. A redação dos requisitos estabelecidos pela SEMAMT é mantida literalmente conforme foi apresentada no Parecer. 3.1 ü SOLICITAÇÕES DA SEMA-MT 1ª: “Efetuar o licenciamento ambiental e mineral das pedreiras, caso pertençam a terceiros apresentar cópias das licenças (SEMA e DNPM)” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 2a: “Apresentar a ART dos responsáveis pela execução e classificação das sondagens geotécnicas” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 3a: “Considerar desde já o Programa de Monitoramento Sismológico como permanente ao longo da operação” Essa solicitação está atendida no presente PBA no Programa de Monitoramento Sismológico. ü 4a: “Apresentar avaliação com referencia a dano quanto à sismicidade; Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 5a: “As ensecadeiras deverão proteger as obras da margem durante um período de 11 meses e a ocorrência de uma cheia de 50 anos é pouco provável. A 3 empresa deverá detalhar um programa de prevenção a este tipo de acidente, devendo ser mais bem justificado a classificação de risco mínimo ao invés de ser adotado risco baixo para este tipo de acidente” Essa solicitação está atendida no presente PBA no Programa de Gestão de Riscos de Galgamento e de Segurança Operacional da Barragem. ü 6a: “Apresentar programa específico sobre risco de galgamento, uma vez que não concordamos que esse risco seja insignificante” Essa solicitação está atendida no presente PBA no Programa de Gestão de Riscos de Galgamento e de Segurança Operacional da Barragem. ü 7a: “Apresentar quadros estatísticos com plano temporal de 30 anos com os acidentes ocorridos, danos causados para empreendimentos semelhantes à AHE Colíder” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 8a: “No que diz respeito aos aspectos ambientais, registra-se que os reservatórios em locais onde o uso da bacia é inadequada poderá ocorrer processo de eutrofização, assim o monitoramento proposto deve começar no início da obra e continuar durante a operação da usina, conforme definido no PBA” Essa solicitação está atendida no presente PBA no Programa de Monitoramento e Conservação de Ecossistemas Aquáticos, especificamente no Subprograma de Monitoramento Limnológico e de Qualidade da Água. ü 9a: “Não foram realizadas análises das condições ambientais atuais e suas tendências evolutivas, explicitando as relações de dependência e/ou de sinergia entre os fatores ambientais no meio físico, de forma a se compreender a estrutura e a dinâmica ambiental da bacia hidrográfica, contemplando projetos implantados ou futuros. Apresentar esta análise que terá como objetivo fornecer dados para avaliar e identificar todos os impactos decorrentes do empreendimento, bem como a qualidade ambiental futura da região” Essa solicitação será atendida pela Copel. 4 ü 10a: “Incluir um Programa para diagnosticar todas as áreas de Reserva Legal presentes nas propriedades rurais que estão inseridas na área de influência direta do empreendimento. Esse programa deverá fazer um levantamento das áreas de Reserva legal em propriedades de terceiros, onde será necessário proceder a reaverbação de área complementar equivalente no remanescente da propriedade afetada, de forma a garantir a manutenção da porcentagem anterior de Reserva Legal da propriedade rural. Esse programa deverá fazer um acompanhamento dos procedimentos de regularização florestal de todas as propriedades rurais afetados pela implantação do empreendimento. As áreas de reserva legal deverão ser averbadas conforme as disposições da Portaria Sema/MT nº 112/2007” Essa solicitação está atendida no presente PBA no Programa de Regularização Florestal. ü 11a: “Incluir no Programa de Conservação da Flora, um subprograma de Recuperação de Áreas Degradadas no sentido de produção e reintrodução de espécies florestais nativas. As ações de recuperação de áreas degradadas serão necessárias para efetuar o enriquecimento florestal de forma a auxiliar e/ou acelerar a regeneração natural ou substituição por outros tipos de vegetação mais adaptadas a nova condição ambiental. Para tanto o subprograma deverá prever a instalação de um viveiro florestal na fase de construção do empreendimento, visando a revegetação de áreas da construção civil, desativadas e posteriormente revegetar o entorno do reservatório e áreas do canteiro de obras” Essa solicitação está atendida no presente PBA através de dois Programas, ou seja, Programa de Recuperação de Áreas Degradadas e Programa de Implantação ou Incremento de Viveiro Florestal. ü 12a: “Incluir no Programa de Conservação da Flora, um subprograma que atuará no acompanhamento das novas áreas de borda do reservatório, ou seja, que monitorará o comportamento da borda e indicará adoção de manejo para estabilização das mesmas. Este subprograma deverá ainda detectar os impactos da ampliação do grau de fragmentação dos remanescentes e dos efeitos de borda e redução da conectividade entre os remanescentes florestais” 5 Essa solicitação está atendida no presente PBA no Programa de Conservação da Flora, especificamente no Subprograma de recuperação e Adensamento da APP. ü 13a: “Em Audiência Pública realizada no dia 14/10/2009, no município de Itaúba, o representante do empreendedor afirmou que o inventário apresentado no EIA foi feito de modo preliminar, portanto, deverá ser apresentado um Inventário Florestal definitivo e detalhado de todas as áreas que sofrerão supressão da vegetação por ocasião da implantação do empreendimento” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 14a: “As áreas de preservação permanente, localizadas no entorno do reservatório, numa faixa de 100m, deverão ser recuperadas e revegetadas com espécies nativas da região, no sentido de manutenção da diversidade florística” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 15a: “Acrescentar no Programa de Monitoramento de Áreas Úmidas as medidas compensatórias para as áreas mais susceptíveis a alagamento provocado pela elevação do lençol freático” Essa solicitação está atendida no presente PBA através do Programa de Monitoramento de Áreas Úmidas. ü 16a: “O empreendedor deverá envolver a UNEMAT de Alta Floresta para a realização dos monitoramentos e/ou acompanhamento dos trabalhos propostos a serem desenvolvidos nos programas da fauna” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 17a: “Devido à eminente complexidade do estudo do STP faz-se necessário a contratação de especialista – Ictiólogo para acompanhamento dos estudos” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 18a: “Programa de Comunicação Social - Apresentar relação de profissionais, locais e os procedimentos específicos principalmente para instituições de saúde. Encaminhar, periodicamente, a SEMA cópia dos arquivos referente ao procedimento de sugestões e reclamações com os devidos encaminhamentos dados pelo empreendedor para cada caso” 6 Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 19a: “Após enchimento do reservatório, encaminhar a SEMA a minuta do plano de zoneamento de uso do reservatório e entorno para análise” Essa solicitação será atendida pela Copel. ü 20a: “Programa de Educação Ambiental - É citado no EIA o seguinte texto: (Volume V, pag. 87) ...as ações de educação ambiental a serem implementadas pelo empreendedor na fase de operação...; ao analisar este texto, conclui-se preliminarmente que as ações citadas acima se restringirão a fase de operação do empreendimento, ficando a fase de construção da usina desprovida da abrangência do Programa de Educação Ambiental, sendo esta uma das fases mais importantes para aplicação e desenvolvimento do citado programa, uma vez que a formação de opinião da população começa a ser gerada desde a fase de planejamento do empreendimento. Apesar de ser citado que outros temas deverão ser abordados, convém citar que se tornarão obrigatórios a abordagem de assuntos inerentes a impactos causados pela ação das queimadas, garimpos e pesca predatória, tendo estes temas grande potencial de ocorrência e estarem diretamente ligados a manutenção da vida aquática e vida útil do reservatório a ser formado” Essa solicitação está atendida no presente PBA através do Programa de Educação Ambiental. ü 21a: “Programa de Gestão de Terras e Reassentamento - Deverá também o empreendedor apresentar proposta para que seja ofertada a população rural diretamente afetada pelo empreendimento, meios de acesso a ferramentas que facilitem a estes manter contato direto com as equipes responsáveis em receber e encaminhar sugestões e reclamações e mesmo contato direto com a ouvidoria informando aos mesmos que estas sugestões e reclamações também poderão ser feitas junto a ouvidoria da SEMA. Ressalta-se que esta proposta deverá ser implementada após liberação da Licença Prévia após serem atendidas as demais solicitações dos demais programas, uma vez que este processo deverá estar em andamento para o inicio das obras com prioridade para a população residente nas áreas que serão primeiramente impactadas pelas obras iniciais da usina. Em analise ao processo e certidões apresentadas, faz-se necessário a apresentação 7 de certidão administrativa emitida pelo INTERMAT - Instituto de Terras do Estado de Mato Grosso quanto a existência de PA – Projetos de Assentamento nas áreas afetadas diretamente pelo empreendimento, uma vez que este é o órgão responsável pelos projetos de assentamentos realizados pelo governo do Estado de Mato Grosso. Nos casos em que a benfeitoria da propriedade não for totalmente afetada pelo empreendimento e se estabelecer área remanescente, especificamente pela implantação do reservatório, deve-se atentar para a criação da faixa de preservação de 100,00 m a ser criada conforme determina a legislação e a realocação desse proprietário ou assentamento para um perímetro que não comprometa essa faixa de preservação. Essa solicitação está atendida no presente PBA através do Programa de Gestão de Terras e Reassentamento. 8 4 4.1 INFORMAÇÕES GERAIS IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR Razão Social: Copel Geração e Transmissão S.A. CNPJ: 04.370.282/0001-70 - Inscrição Estadual: 90233068-21 Endereço: Rua José Izidoro Biazetto, 158 - Bairro Mossunguê - Curitiba-PR CEP 81200-240 – Curitiba - Paraná Fone: (41) 3310-5246 - Fax: (41) 3331-3266 Contato: Luis Gustavo Socher - CREA 67938/D-PR Telefone (41) 3310-5246; e-mail: [email protected] Pioneira no Brasil em estudos e relatórios de impactos ambiental visando a construção de usinas hidrelétricas, a Copel vem ao longo dos anos praticando importantes ações e programas nessa área, os quais atestam o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável. Recentemente foi criada a Diretoria de Meio Ambiente e Cidadania Empresarial que coloca a Copel numa posição de vanguarda dentro de sua área de atuação. 4.2 IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS A empresa responsável por este estudo denomina-se Ambiotech Consultoria Ltda, está inscrita no CNPJ sob nº 04.004.535/0001-91 e situa-se à rua Desembargador Vieira Cavalcanti no 282, em Curitiba/PR. A Ambiotech atua desde 2000 em elaboração e execução de estudos e projetos ambientais, destacando-se a elaboração de EIA - RIMA para barragens hidrelétricas e de abastecimento público, RAS - Relatório Ambiental Simplificado para linhas de transmissão de energia e Planos de Controle Ambiental. Na execução de projetos, destaca-se a atuação da empresa na implantação de programas ambientais de PBA’s relacionados à usinas hidrelétricas e na recomposição de florestas ciliares de reservatórios, mediante o reflorestamento com espécies nativas. Demais atividades desenvolvidas pela empresa podem ser apreciadas em www.ambiotech.com.br. 9 5 DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO Toda a descrição do empreendimento apresentada na sequência foi baseada nas descrições contidas no Estudo de Impacto Ambiental - EIA elaborado pela empresa JGP Consultoria e Participações Ltda de janeiro de 2009. 5.1 LOCALIZAÇÃO E ACESSOS A futura AHE Colíder terá seu barramento no Médio rio Teles Pires, na divisa entre os municípios de Nova Canaã do Norte (margem direita) e Itaúba (margem esquerda), na Sub-bacia do Tapajós, bacia Amazônica. Suas coordenadas geográficas são: 10º 59’ 06.62” Sul e 55º 45’ 52.06” Oeste ou 8785362 S e 635070 L no sistema de coordenadas UTM. O reservatório atingirá os municípios de Cláudia, Colíder, Itaúba e Nova Canaã do Norte, no estado de Mato Grosso. O acesso para o empreendimento pode ocorrer de diversas formas, conforme segue: ü por via rodoviária e tendo como referência a cidade de Cuiabá, o acesso a região ou aos municípios nos quais é proposta a implantação do AHE Colíder é feito através de percurso pela rodovia BR-163, complementado pelas rodovias estaduais MT-320 e MT-423 (Figura 1). As distâncias das sedes dos municípios afetados pelo empreendimento em relação à cidade de Cuiabá são indicadas na Tabela 1. TABELA 1 - DISTÂNCIAS DAS SEDES URBANAS EM RELAÇÃO A CUIABÁ Cidades Distância de Cuiabá (km) Itaúba 590 Nova Canaã do Norte 687 Colíder 639 Cláudia 636 FONTE: EIA AHE COLÍDER, 2009 10 FIGURA 1 – LOCALIZAÇÃO E ACESSO PARA A AHE COLÍDER FONTE: ADAPTADO FIGURA 1.2A LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO (JGP – CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA) ü no caso das cidades de Nova Canaã do Norte e Colíder, além da BR-163, o acesso se dá através de percurso pela rodovia MT-320. Tanto a BR-163 como a MT-320 são rodovias de pistas simples e pavimentadas. O acesso a Cláudia também inclui percurso em rodovia estadual, no caso a MT-423. A partir das sedes urbanas ou mesmo da BR-163, o acesso ao local selecionado para o eixo do AHE Colíder é feito através de estradas rurais não pavimentadas. ü também a partir de Cuiabá a região pode ser acessada por via aérea até as cidades de Sinop e Alta Floresta. 5.2 ASPECTOS GERAIS DO EMPREENDIMENTO Este aproveitamento será localizado em um trecho de remanso do rio Teles Pires, a aproximadamente 1,5 km a jusante de um ponto do rio conhecido localmente como rio Estreito. 11 A morfologia da região mostra um vale amplo, com vertentes de baixa declividade e amplas áreas de terrenos aplainados que, em alguns casos, compõem a planície de inundação do rio. Na área do barramento, destaca-se uma feição topograficamente elevada, em forma de crista transversal ao rio. A potência instalada do AHE Colíder será de 300 MW, com reservatório de 168,2 km² de área total e 143,5 km² de terrenos inundados. O comprimento do reservatório entre o barramento e o remanso será de 94 km. De acordo com os estudos a vida útil do reservatório será de 150 anos e a usina deverá operar em nível d’água normal de 268,50 m. O arranjo proposto para o empreendimento possui eixo retilíneo, contempla a localização do circuito de geração, da estrutura do vertedouro, dos muros de transição e de uma barragem de terra, de fechamento, na margem direita no município de Nova Canaã do Norte, e apenas a barragem principal, também de terra, atravessando a calha do rio até a ombreira esquerda. A AHE Colíder contempla ainda a implantação de Mecanismo de Transposição de Peixes - MTP. Ainda sob o aspecto construtivo, o desvio do rio Teles Pires para a implantação da barragem de terra no leito é previsto por meio do canal de adução/derivação, de adufas e do canal de fuga/restituição. A Tabela 2 traz os dados da Ficha Resumo de Informações Técnicas com as principais características do AHE Colíder. TABELA 2 - FICHA RESUMO DE INFORMAÇÕES TÉCNICAS Produção de Energia Elétrica Dados Potência Instalada 300 MW Energia Média Gerada 170,6 MW médios Energia Assegurada 166,3 MW médios Energia Assegurada Anual 1.995,6 MWh Rendimento do conjunto turbina/gerador 90 % Vazões Vazão Média de Longo Termo 943,0 m3/s Vazão Máxima Registrada 3.306 m3/s Vazão Mínima Registrada 275 m3/s Vazão Firme Q95 391 m3/s Vazão Nominal Unitária 572,7 m3/s Vazão Remanescente Q7,10 376 m3/s Área da bacia contribuinte 41.508 km3 Reservatório 12 Produção de Energia Elétrica Dados NA de Montante Min. Normal 266,50 m NA de Montante Max. Normal 268,50 m NA de Montante Máx. Maximorum (TR = 1.000) 268,50 m NA de Montante Min. Normal 268,50 m NA de Jusante Min. Operacional 242,86 m NA de Jusante Máx. Normal 245,33 m NA de Jusante Máx. Maximorum (TR = 1.000) 253,65 m Volume do Reservatório 1.582 106 m³ Área Total do Reservatório (no Nível Máximo Normal) 114,9 km² Perímetro do Reservatório 234,2 km Profundidade Média do Reservatório 5,94 m Profundidade Máxima do Reservatório 33,5 m Tempo de retenção médio 19,4 dias 2 Área inundada por município – Nova Canaã do Norte 22,90 km (0,40% da área municipal) Área inundada por município – Colíder 16,20 km2 (0,53% da área municipal) Área inundada por município – Itaúba 103,30 km2 (1,82% da área municipal) Área inundada por município – Cláudia 1,10 km2 (0,03% da área municipal) Desvio Tipo de desvio Adufas – 2ª fase Vazão de desvio (TR = 50 anos) 4.088,0 m³/s Cota da Soleira do Canal de Desvio 251 m Comprimento do Canal de Desvio 25,00 m Barragem Altura Máxima da Barragem 37,5 m Tipo/ Material de estrutura Terra Comprimento de Crista 1.480 m Cota da Crista 272,50 m Tomada d’Água Tipo de Tomada d’água e número de vãos Gravidade (3 vãos) Tipo de comportas / acionamento Ensecadeira / pórtico Acionamento de comportas Servo Motor / Pórtico Rolante Dimensões 12,1 m largura x 12,9 m altura Sistema Extravasor Tipo Vertedouro de soleira livre Capacidade de Descarga (TR = 10.000 anos) 6.673 m³/s Cota da Soleira 256,10 m No de vãos 6 Comprimento da Crista 98,6 m Estrutura de Dissipação de Energia Bacia convencional Casa de Força Tipo Abrigada No de Blocos de geração 3 13 Produção de Energia Elétrica Dados Largura dos Blocos das Unidades 28,20 m Altura dos Blocos das Unidades 64 m Comprimento dos Blocos das Unidades 71,7 m Turbinas Tipo Kaplan Quantidade 3 Queda de referência 21,23 m Rendimento médio 94,5 % Potência Nominal 114 MW por unidade Vazão Máxima Turbinada 1.398 m³/s Geradores Tipo Síncrono trifásico de eixo vertical Quantidade 3 Potência Nominal 111,12 MVA Rendimento máximo 97,5 % Fator de potência 0,9 Tensão Nominal 13,8 kV Transformador Elevador Quantidade 3 Potência Nominal 112.000 kVA Tensão Primária 13,8 kV Tensão Nominal do Enrolamento Secundário 500 kV FONTE: ESTUDOS DE VIABILIDADE DO AHE COLÍDER (PCE, 2008) 5.2.1 Componentes do Arranjo Geral 5.2.1.1 Conforme Barragens de Terra planta apresentada no desenho PJ0674-V-R31-AB-DE-034 e seção longitudinal do desenho PJ0674-V-R31-BA-DE-037 do Estudo de Impacto Ambiental do AHE Colíder, o barramento, com coroamento na El. 272,50 m é constituído por Barragem de Terra Principal, localizada na margem esquerda e no leito do rio, com cerca de 640,00 m de extensão e Barragem de Terra da Margem Direita, com extensão de 630,00 m totalizando 1.270,00 m. A altura máxima da barragem será de aproximadamente 34,00 m, no leito do rio. A seção das duas barragens, cujos detalhes podem ser observados no desenho PJ0674-V-R31-BA-DE-037 do EIA do AHE Colíder (2009), é homogênea, inteiramente de solo compactado proveniente das áreas de empréstimo, com crista de 10,00 m de 14 largura, taludes de montante e jusante com inclinação de 1 (V) : 2,6 (H) e bermas com 3,00 m de largura na El. 263,00 m. A Barragem da Margem Direita será implantada sobre o terreno natural, constituído de uma camada de argila pouco arenosa, de resistência média (colúvio), sobrejacente a um estrato de arenito friável. Na margem esquerda, no leito do rio, a Barragem de Terra Principal, ficará assente sobre embasamento rochoso são, prevendo-se uma escavação da ordem de 2,00 m de profundidade para remoção dos aluviões. Na margem direita, junto à área de montagem, será executado um muro de abraço que receberá a face de montante da barragem ligado a um muro de encosto que receberá a face de jusante da barragem, proporcionando o fechamento da ombreira direita. Em ambas as margens serão executados poços de alívio até uma profundidade de 12,00 m, eqüidistantes de 6,00 m. 5.2.1.2 Sistema de Drenagem Interna e Transições entre Materiais Para o sistema de drenagem interna é prevista a execução de dreno vertical de areia no interior do maciço terroso com 1,00 m de espessura, tapete drenante tipo ”sanduíche” no espaldar de jusante junto à fundação com 1,50 m de espessura e filtro de pé para a proteção da saída de água. 5.2.1.3 Muros de Concreto Adjacente à estrutura extravasora e de desvio, o muro de encosto da barragem principal terá uma extensão de 120 m, altura máxima de 40,5 m na região da crista e inclinação do paramento de encosto de 1 (V) : 0,75 (H). O muro de abraço da barragem da margem direita terá cerca de 57 m de extensão e crista na El. 272,50 m. Sua seção transversal, com inclinação dos paramentos de 1 (V) : 0,75 (H) a montante e vertical a jusante. O muro guia de montante que separa o vertedouro do conjunto formado pela tomada d’água e casa de força terá 40 m de extensão e crista na El. 270,00 m no eixo de barramento. A jusante, separa também o canal de fuga da bacia de dissipação, cujo dimensionamento define a cota de sua crista na El. 253,80 m, prolongando-se ainda para receber a ensecadeira provisória que protegerá as obras da casa de força durante a 2ª fase de desvio. 15 5.2.1.4 Vertedouro O vertedouro e as estruturas a ele associadas, edificadas em concreto, localizam-se na margem direita, sendo o escoamento controlado por seis comportas tipo segmento. Para o dimensionamento hidráulico do Vertedouro foi adotada a vazão decamilenar de 6.673 m³/s. A montante da soleira vertente e na extremidade de jusante, a estrutura é provida de ranhuras (guias) para a instalação de uma comporta ensecadeira em qualquer dos vãos. Os painéis da comporta ensecadeira de montante serão movimentados por um pórtico que se deslocará sobre trilhos no deck principal. 5.2.1.5 Tomada d’Água e Casa de Força Sendo um aproveitamento de baixa queda, a tomada d’água e a casa de força formam uma estrutura única. A tomada d’água configura a parte de montante da estrutura, que conduz água à turbina e onde se encontram as grades de proteção e as comportas vagão e ensecadeiras de montante. A seção transversal da casa de força pode ser subdividida em nave central e região das galerias. A nave central apresenta um vão de 84,60 m, estando o piso principal na El. 241,14 m. O grupo gerador do tipo Kaplan está localizado abaixo do piso da nave central, com linha de centro do distribuidor na El. 236,00 m. A casa de força apresenta três galerias que se estendem por todas as unidades e abrigam os diversos equipamentos necessários para a operação das unidades. 5.2.1.6 Canal de Fuga O canal de fuga foi dimensionado para cumprir com os seguintes requisitos: perdas de carga baixa, mesmo para as condições de operação da usina em sua capacidade máxima; baixas velocidades na restituição ao rio, de forma que a entrada do escoamento no leito do mesmo seja suave e gradual, conseguindo-se manter mínimas as perdas de carga. A velocidade média no canal de fuga é inferior a 2,0 m/s. 5.2.1.7 Turbinas O AHE Colíder possuirá três geradores síncronos com potência unitária nominal de 100 MW em cada gerador, acionadas respectivamente por três turbinas Kaplan de eixo vertical. 16 Foram selecionadas turbinas hidráulicas de dupla regulação com rotor do tipo Kaplan, com capacidade de produzir 102,35 MW, quando trabalhando sob queda líquida de 21,80 m e vazão de aproximadamente 520 m³/s, com o distribuidor totalmente aberto. A rotação nominal será de 92,3 rpm, que corresponde à rotação síncrona de um gerador de 78 pólos. A faixa normal de operação será de aproximadamente 30% até 100% da carga máxima, sob a respectiva altura de queda. Cada turbina é prevista com eixo vertical e caixa semi-espiral em concreto. A linha de centro do distribuidor da unidade está prevista na El. 236,00 m, sendo que o nível de água de jusante para uma unidade operando a plena carga estará na cota 243,13 m (~520 m³/s) e para três unidades em potência nominal estará na cota 245,62 m (1.560 m³/s). 5.2.1.8 Geradores O AHE Colíder possuirá três geradores síncronos com potência unitária nominal de 100 MW em cada gerador, acionadas por três turbinas Kaplan de eixo vertical. Foram selecionadas turbinas hidráulicas de dupla regulação com rotor do tipo Kaplan, com capacidade de produzir 102,35 MW, quando trabalhando sob queda líquida de 21,80 m e vazão de aproximadamente 520 m³/s, com o distribuidor totalmente aberto. Os geradores serão resfriados a ar, em circuito fechado, com trocadores de calor ar/água, com a água em circuito aberto. 5.2.1.9 Sistema de Transmissão A subestação deverá ser do tipo convencional, tensão nominal 500 kV, constituída por três vãos de transformador elevador, um vão de acoplamento de barras e um vão de saída de linha. Conforme arranjo geral, a subestação foi locada na margem direita do rio, à jusante da Casa de Força e distante cerca de 500 m. O arranjo da subestação será do tipo barra dupla com disjuntor de acoplamento de barras e chave de by-pass nas saídas de linha. Para interligação ao Sistema Interligado Nacional – SIN será realizada a integração da usina à rede básica através da implantação de linha de 130 km de extensão e 500 kV entre o futuro AHE Colíder e a subestação coletora de Sinop. A partir da subestação coletora de Sinop estão previstas três linhas de transmissão em 500 kV, até a 17 subestação existente de Ribeirãozinho de 500 kV pertencente à rede básica. Entre a coletora Sinop e Ribeirãozinho deverá ser prevista uma subestação seccionadora em 500 kV na região de Paranatinga. As distâncias aproximadas envolvidas são: Sinop – Paranatinga, 325 km e Paranatinga – Ribeirãozinho, 270 km. Finalmente, a rede básica de 500 kV entre as subestações de Ribeirãozinho, Itumbiara e Marimbondo deverá ser reforçada com o acréscimo de mais um circuito de 500 kV. 5.2.1.10 Reservatório O AHE Colíder operará a fio d’água, ou seja, o reservatório formado pelo barramento tem o objetivo apenas de direcionar a água para as turbinas, não tendo a função de acumular volumes de água para regularização intra-anual de vazões. Desta forma, as vazões a jusante serão sempre equivalentes à vazão afluente ao reservatório, não ocorrendo alteração do regime hidrológico. O N.A. Máximo Normal no reservatório será na cota 268,50 m. A área de inundação, entendida como a área do reservatório excluída a área atualmente ocupada pelo rio totalizará 143,5 km², distribuídos entre os municípios de Itaúba, Nova Canaã do Norte, Colíder e Cláudia. 5.2.1.11 Mecanismo de Transposição de Peixes O arranjo formulado nos estudos de viabilidade contempla a implantação de mecanismo de transposição de peixes do tipo escada na margem direita. O dispositivo previsto parte do Canal de Fuga com o nível normal na El. 243,3 m até o reservatório com nível máximo normal na El. 268,50 m, percorrendo aproximadamente 700 m de extensão e vencendo uma queda de 23,2 m. A escada será do tipo ranhura vertical o que permite a passagem de peixes de diferentes portes. A estrutura da escada será formada por um canal retangular ou trapezoidal em concreto armado de aproximadamente 5,0 m de largura por 4,0 m de altura. Dentro do canal serão implantados muros defletores a cada 6,0 m, dotados de ranhuras verticais com aberturas de aproximadamente 0,70 m. Neste canal também serão implantados oito tanques de descanso com 12,0 m de comprimento cada. A declividade média da escada será de 4%. No canal de entrada da escada, no canal de fuga, deverão ser implantadas comportas vagão e basculante e, na saída da escada, no reservatório, será instalada uma comporta plana vagão e comportas ensecadeiras. 18 5.2.2 5.2.2.1 Áreas de Apoio Canteiro de Obras O arranjo geral do AHE Colíder sugere a implantação de um Canteiro Industrial e Administrativo no sítio das obras a jusante do barramento, na margem direita, no município de Nova Canaã do Norte. Para o canteiro industrial e administrativo estão previstas as edificações listadas na Tabela 3, a qual apresenta as áreas aproximadas a serem construídas, que poderão ser acrescidas e/ou complementadas conforme o andamento da obra. TABELA 3 - EDIFICAÇÕES PREVISTAS NO CANTEIRO DE OBRAS ADMINISTRATIVO E INDUSTRIAL DO AHE COLÍDER Edificações Área Construída Prevista ou Unidades Portaria/guarita 15,0 m² Chapeira 50,0 m² Escritório Técnico / administrativo 1.000,0 m² Ambulatório / Segurança do Trabalho 100,0 m² Cozinha / Refeitório 1.000,0 m² Vestiário / Sanitário 60,0 m² Alojamentos / Área de Lazer 10.000,0 m² Casa de Visita 110,0 m² Laboratório 90,0 m² Oficina Mecânica 1.200,0 m² Almoxarifado 600,0 m² Lavagem / Lubrificação / Borracharia 100,0 m² Posto de abastecimento 30,0 m² Centrais de Armação e Carpintaria 800,0 m² Centrais de Concreto e Britagem 2 unidades Depósito de Cimento 100,0 m² Paiol de explosivos 80,0 m² FONTE: ESTUDOS DE VIABILIDADE DO AHE COLÍDER (PCE, 2008) O paiol de explosivos deverá ter área reservada exclusivamente para esta finalidade. Ele deverá estar situado a distância segura dos locais de apoio às obras, demarcado segundo padrões das normas técnicas da ABNT. 19 5.2.2.2 Dimensionamento e Especificações Gerais São previstos alojamentos no canteiro de obras para atender o efetivo da obra estimado em 2.750 homens no período de pico. Prevê-se também a utilização de mão-de-obra local correspondente a 40% do efetivo previsto. Do mesmo modo, para o dimensionamento do almoxarifado, oficina e pátios industriais deverão ser estabelecidos os quantitativos mensais de utilização de materiais, e os recursos de equipamentos alocados mensalmente na obra. O dimensionamento dos escritórios administrativos e escritórios de campo devem tomar por base o organograma da obra e o quadro de pessoal administrativo. 5.2.2.3 Remoção de Resíduos Nos pontos estratégicos das instalações do canteiro e frentes de serviços deverão ser instaladas caçambas metálicas ou plásticas, fechadas, destinadas a coletar todos os resíduos sólidos domésticos, os quais serão recolhidos ao final do expediente e removidos para o destino final, observadas as normas de seleção e embalagem. Todo o entulho originado no canteiro ou nas frentes de serviço deverá ser recolhido em caminhões tipo “brooks” e removidos imediatamente após estarem cheios. Os resíduos perigosos deverão ser encaminhados para empresa especializada em descontaminação/reciclagem, cadastrada e certificada pelos órgãos ambientais. 5.2.2.4 Sistema Viário Interno Será elaborado um sistema viário visando o atendimento ao fluxo de veículos e equipamentos na área do canteiro de obras e frentes de serviço. Deverá ser previsto um sistema de sinalização e orientação em função do volume de tráfego esperado. 5.2.2.5 Transporte Externo Cargas de materiais para fora da obra deverão ser efetuadas por veículos compatíveis com o tipo e peso do material transportado. O tráfego desses veículos se fará entre a portaria da obra e a área do canteiro ou frentes, por trajeto aprovado pela fiscalização, observadas as limitações e as normas de segurança internas. Especial atenção será dada ao transporte do pessoal operário na entrada e saída do seu turno 20 de trabalho e no horário de almoço. Serão utilizados ônibus para o transporte de pessoal entre a obra e as cidades que abrigarão o efetivo de mão-de-obra. 5.2.2.6 Energia Elétrica e Iluminação Prevê-se que a energia elétrica necessária à execução da obra será fornecida pela CEMAT por meio ramal a ser implantado. Assim, a partir da subestação do canteiro de obras, será construída rede elétrica interna na tensão requerida. No entanto, existe a possibilidade de que na fase inicial das obras a demanda por energia elétrica seja atendida por meio de grupos geradores. A geração de energia elétrica de emergência deverá ser realizada também através de grupos geradores diesel. 5.2.2.7 Abastecimento de Água O fornecimento de água poderá ser realizado a partir de captação no rio Teles Pires, através de estação de captação e bombeamento que conduzirá a água bruta, através de uma adutora, até um reservatório junto à estação de tratamento de água. A água destinada ao consumo humano será tratada e tornada potável conforme os padrões de potabilidade exigidos. 5.2.2.8 Sistema de Esgotos Sanitários Nos meses iniciais da fase construtiva, os efluentes domésticos gerados no canteiro de obras poderão ser encaminhados para sistema de fossas sépticas devidamente dimensionadas. Posteriormente, será implantado sistema de tratamento de efluentes. Toda a rede será executada em tubos de PVC, tipo esgoto, com juntas de anel de borracha. Deverão ser utilizadas caixas de passagem em todas as mudanças de direção da tubulação. 5.2.2.9 Sistema de Drenagem de Águas Pluviais O sistema de drenagem de águas pluviais do canteiro e acampamento de obras deverá ser constituído de redes coletoras superficiais e subterrâneas, dimensionadas de acordo com os critérios usuais de projetos para esse fim. 21 5.2.2.10 Sistema de Proteção contra Incêndio O canteiro de obras deverá possuir um sistema de proteção contra incêndio, constituído de redes de hidrantes de coluna dispostas nas proximidades das instalações do canteiro e edificações do acampamento, com pressão suficiente para garantir as vazões mínimas requeridas, e conjunto de extintores portáteis padronizados, localizados e demarcados segundo os padrões das respectivas normas técnicas da ABNT. 5.2.2.11 Viveiro de Mudas Será implantado em área adjacente ao canteiro de obras e contará com abastecimento de água e estrutura que permita regular o sombreamento das áreas de produção. O viveiro deverá produzir mudas para posterior aproveitamento em trabalhos de recuperação de áreas degradadas. 5.2.3 Áreas de Exploração de Materiais Naturais de Construção e Bota-foras 5.2.3.1 Áreas de Empréstimos A localização das potenciais áreas de empréstimo identificadas nos estudos de viabilidade está indicada no desenho PJ0674-V-G03-GR-DE-029 do EIA. Este desenho indica também os acessos. Foram identificadas cinco áreas situadas na margem esquerda e direita. A Tabela 4 exibe as distâncias das áreas de empréstimo em relação a obra. TABELA 4 - DISTANCIA DAS ÁREAS DE EMPRÉSTIMO EM RELAÇÃO A OBRA Margem Direita Esquerda Áreas Distância do AHE Colíder (km) Volume estimado (m3) AE1 1 AE2 4 1.000.000 AE4 25 1.000.000 AE3 2 750.000 DL-02 7 200.000 FONTE: ESTUDOS DE VIABILIDADE DO AHE COLÍDER (PCE, 2008) 22 5.2.3.2 Jazidas de Areia e Cascalho Não ocorrem áreas favoráveis e adequadas para a extração de areia e cascalho, devendo as areias, necessárias para as obras de concreto e de terra, serem obtidas por moagem das rochas graníticas. 5.2.3.3 Pedreiras Foram delimitados dois locais de ocorrência de rocha granítica em pontos mais próximos do empreendimento (MP1 e MP2). O material é um granito grosseiro, relacionado à Suíte Canaã (biotita monzogranito e sienogranito) adequado para uso previsto nas obras de concreto e enrocamento. O desenho PJ0674-V-G03-GR-DE-029 apresentado no EIA apresenta a localização destas duas ocorrências, as quais estão apresentadas na Tabela 5. TABELA 5 – OCORRÊNCIA DE PEDREIRAS Área de ocorrência Distância do AHE Colíder (km) Tipo de afloramento Volume (m³) MP1 9 Lajedo 300.000 MP2 12 Lajedo 300.000 FONTE: ESTUDOS DE VIABILIDADE DO AHE COLÍDER (PCE, 2008) 5.2.3.4 Bota-fora Foram identificadas duas potenciais áreas para utilização como bota-fora. Ambas estão situadas a montante do eixo do barramento, na área do reservatório. Conforme estimativas iniciais são suficientes para a disposição dos materiais de escavação (volume inferior a 1.100.000 m3) não aproveitados, que deverá atingir a cota máxima de 263,00 m. A localização das áreas é indicada no desenho 5.5 (EIA do AHE Colíder, 2009). 5.2.4 Seqüência e Aspectos Construtivos A seguir, são descritos sumariamente os principais procedimentos executivos relativos a cada fase de implantação. 23 5.2.4.1 ü Trabalhos Preliminares Aquisição das áreas necessárias a implantação do barramento e formação do reservatório; ü realização dos Serviços topográficos de apoio para locação da obra; ü desmatamento e limpeza da área de intervenção direta na margem do rio Teles Pires, no município de Nova Canaã do Norte; e, ü limpeza da área do canteiro e implantação das principais instalações administrativas e oficinas de manutenção. 5.2.4.2 ü Implantação do Barramento e Desvio do Rio Fases Construtivas: Primeira Fase: as águas do rio Teles Pires escoarão pelo seu leito natural, ficando as obras da margem direita (estruturas de concreto) protegidas por ensecadeira dimensionada para uma vazão de cheia 4.088 m³/s, com crista na El. 251,0. Nesta fase serão construídas as adufas de desvio e parcialmente escavados os canais de aproximação e restituição, além de iniciadas as obras da barragem de terra da margem direita, do vertedouro, dos muros de concreto, da tomada d’água e da casa de força. O trecho da barragem de terra principal com seção de enrocamento e núcleo argiloso, mais próximo ao muro de encosto, deverá ser construído até a El. 256,5 para receber a ensecadeira de montante de 2ª fase. Esta última será parcialmente realizada ainda na 1ª fase (no trecho ensecado na margem direita do rio). Segunda Fase: o rio será desviado através de 12 adufas, posicionadas sob os seis vãos do vertedouro, com dimensões de 4,0 m de largura por 9,5 m de altura e cota da soleira na El. 239,0 m, projetadas para escoar a mesma vazão da primeira etapa. Esse desvio se dará com a implantação das ensecadeiras transversais, de 2ª etapa, sobre o leito natural do rio, direcionando-se assim o fluxo para as adufas. A crista dessas ensecadeiras foi definida nas El. 251,0 m a de jusante e 256,5 m a de montante. Durante esta fase, serão finalizadas as obras iniciadas na fase anterior e executada a maior parte da barragem de terra principal, situada no leito do rio. 24 5.2.4.3 Enchimento do Reservatório O tempo mínimo necessário para que o nível d’água normal seja atingido é de cerca de sete dias, correspondente ao fechamento do rio no mês de março, na ocorrência de um ano extremamente chuvoso. Já que no ano seco torna-se impraticável o fechamento do rio entre os meses de maio a outubro, o maior tempo de enchimento se dá em um ano médio. Nesse caso, iniciando-se o enchimento no mês de julho, o processo pode demorar mais de quatro meses. 5.2.4.4 Desativação de Obras Em todas as áreas de intervenção serão executados trabalhos de recuperação ambiental, com a remoção de todos os equipamentos e restos de materiais de obras. Isso incluirá a desativação do canteiro de obras, incluindo a remoção das instalações e dos restos de materiais de construção porventura não utilizados. Será realizada, então, a recomposição da cobertura vegetal original ou a forração com gramíneas no caso de taludes e áreas de solo compactado. A recuperação das áreas de trabalho utilizadas (inclusive jazidas e bota-esperas) será parte integrante dos serviços de construção, sendo sempre obrigação contratual dos respectivos responsáveis pela execução dos serviços. Também será prevista como parte dos procedimentos de desativação de obra a inutilização de todos os caminhos de serviço abertos para execução das obras e que não serão necessários para a sua operação e manutenção. 25 6 PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL Na sequência são apresentadas as principais conclusões apresentadas no Estudo de Impacto Ambiental - EIA elaborado pela empresa JGP Consultoria e Participações Ltda de janeiro de 2009. O estudo está dividido conforme segue: ü Volume I o Capítulo 1.0 – Apresentação o Capítulo 2.0 - Antecedentes Gerais do Empreendimento o Capítulo 3.0 – Justificativas do Empreendimento: o Potencial Hidrelétrico do Rio Teles Pires no Contexto do Setor Elétrico Brasileiro o Capítulo 4.0 – Análise de Alternativas de Aproveitamento o Capítulo 5.0 – Caracterização do Empreendimento ü Volume II o Capítulo 6.0 - Definição das Áreas de Influência do Empreendimento o Capítulo 7.0 – Diagnóstico Ambiental da Área de Abrangência Regional (AAR) o Capítulo 8.0 – Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Indireta (AII) ü Volume III o Capítulo 9.0 – Diagnóstico da Área de Influência Direta (AID) ü Volume IV o Capítulo 10.0 – Síntese e Tendências Gerais de Ocupação Regional o Capítulo 11.0 - Marco Institucional e Jurídico o Capítulo 12.0 - Avaliação dos Impactos Ambientais ü Volume IV o Capítulo 13.0 – Proposição de Medidas Preventivas Mitigadoras ou Compensatórias e Estruturação de Programas Ambientais o Capítulo 14.0 - Avaliação Ambiental 26 o Capítulo 15.0 - Conclusões o Capítulo 16.0 – Referências Bibliográficas o Capítulo 17.0 - Glossário o Capítulo 18.0 - Equipe Técnica Duas matrizes (EIA do AHE Colíder, 2009) sintetizam as interações entre ações, impactos e medidas. Os potenciais impactos sobre cada componente ambiental são qualificados em face das medidas mitigadoras cabíveis. 6.1 DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO O diagnóstico ambiental está estruturado pelo sistema de aproximações sucessivas, ou seja, analisam-se, em primeiro lugar, todos os aspectos de interesse na escala regional (Área de Abrangência Regional – AAR e Área de Influência Indireta - AII), de forma a contextualizar e facilitar as análises, em uma segunda instância é apresentada a análise mais detalhada em nível local (Área de Influência Direta – AID e Área Diretamente Afetada - ADA). ü Área de Abrangência Regional - AAR A Área de Abrangência Regional - AAR é a unidade de análise mais ampla sob o aspecto geográfico, sendo objeto de caracterização geral e sintética dos componentes ambientais. No EIA, a caracterização da AAR objetiva fornecer elementos para a visualização geral do contexto sócio-ambiental da bacia hidrográfica do rio Teles Pires, na qual o empreendimento é proposto. Nessa perspectiva, para a caracterização dos componentes ambientais dos meios físico e biótico, os limites da AAR coincidem com os limites físicos da bacia hidrográfica do rio Teles Pires, abrangendo desse modo área de 141.905 km2. Os municípios e os Estados correspondentes estão apresentados na Tabela 6. 27 TABELA 6- ÁREA DE ABRANGÊNCIA REGIONAL DO AHE COLIDER Estado Mato Grosso Municípios Alta Floresta Matupá Paranatinga Apiacás Nobres Peixoto de Azevedo Carlinha Nova Brasilãndia Planalto da Serra Claudia Nova Canaã do Norte Rosário d’Oeste Colíder Nova Guarita Santa Rita do Trivelato Guarantã do norte Nova Monte Verde Sinop Ipiranga do Norte Novo Mutum Sorriso Itaúba Nova Santa Helena Tabaporã Juara Nova Ubiratã Tupurah Lucas do Rio Verde Novo Mundo Terra Nova do Norte Marcelãndia Paranaíta Vera Jacareacanga Novo Progresso - Pará FONTE: EIA AHE COLÍDER, 2009 ü Área de Influência Indireta - AII A Área de Influência Indireta - AII é definida em função da susceptibilidade potencial dos impactos indiretos decorrentes de ações de planejamento, implantação e operação do empreendimento, abrangendo os sistemas naturais e o sistema socioeconômico. Para os meios físico e biótico foi estabelecido como AII o setor intermediário da bacia do rio Teles Pires, limitado a montante pelo eixo do aproveitamento do TPR-775 (AHE Sinop), previsto no Estudo de Inventário aprovado pela ANEEL (ENGEVIX/ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005), e a jusante pela foz do ribeirão Águia no rio Teles Pires. A área total da AII dos meios físico e biótico é de 3.633,03 km2. A AII de meio antrópico compreende o território dos municípios afetados pelo empreendimento, caso de Itaúba, Nova Canaã do Norte, Colíder e Cláudia. Integra também a AII o município de Sinop, que embora não afetado diretamente pelo empreendimento, constitui reconhecido pólo da região norte do estado do Mato Grosso. A área total da AII do meio socioeconômico é de 9.488,18 km2. 28 ü Área de Influência Direta – AID e Área Diretamente Afetada - ADA A AID constitui o espaço sujeito aos impactos diretos decorrentes da implantação e operação do empreendimento. Engloba para a análise dos componentes dos meios físico, biótico e antrópico, a área de inundação do reservatório, referenciada pela cota do nível d’água Máximo Maximorum (cota 268,5 m), acrescida de uma largura de 1.000 m, o que garante o envolvimento da Área Diretamente Afetada - ADA. Esta última constitui o espaço diretamente afetado pelas obras e pelo reservatório, o que inclui, além da área de inundação, o espaço destinado à implantação do canteiro administrativo e industrial e outras áreas de apoio. A área total da AID é de 596,1 km2. Considerando o reservatório, a área do eixo do barramento, bem como as áreas de apoio, a área da ADA totaliza 140,63 km2. 6.2 DIRETRIZES AMBIENTAIS BÁSICAS Algumas diretrizes ambientais básicas foram estabelecidas nos estudos ambientais e de engenharia para o aproveitamento hidrelétrico do alto e médio rio Teles Pires. Os principais condicionantes considerados são listados e discutidos a seguir: ü definição do trecho de aproveitamento em relação a Terras Indígenas e Unidades de Conservação; ü opção preferencial por aproveitamentos hidrelétricos a fio d’água em detrimento dos aproveitamentos com reservatórios de acumulação; e ü opção pelo aproveitamento de trechos de quedas concentradas, minimizando interferência e impactos em trechos em que o rio apresenta declividades baixas, vales abertos e/ou planícies fluviais amplas. No espaço territorial ocupado pela bacia do rio Teles Pires, há a presença de terras indígenas e áreas de interesse ambiental protegidas pela legislação em vigor. É o caso da Terra Indígena Bakairi e da Terra Indígena Santana, situadas no alto curso, da RPPN Cristalino e do Parque Estadual Paranaíta, situados no médio curso, e da Reserva Florestal Mundurucânia, da Terra Indígena Kayabi e da Terra Indígena Munduruku, situadas no baixo curso, a jusante da foz do rio São Benedito. Considerando a localização das áreas citadas, para fins de aproveitamento energético, os estudos consideram o trecho do rio Teles Pires situado a montante do rio São Benedito, o que garante um distanciamento mínimo de 10 km dos limites da área 29 protegida mais próxima, no caso a Terra Indígena Kayabi. Tendo em vista tal diretriz, já considerada anteriormente nos estudos da Eletronorte/IESA, trechos com quedas concentradas, favoráveis ao aproveitamento hidrelétrico, foram excluídos do trecho objeto da continuidade dos estudos de inventário. O mesmo se aplica ao rio Cristalino, em função da criação do Parque Estadual do Cristalino, enquadrado como Unidade de Conservação de Proteção Integral. A segunda diretriz especificada, relativa à opção preferencial por aproveitamentos hidrelétricos a fio d’água em detrimento dos aproveitamentos com reservatórios de acumulação, apresenta-se, no caso do alto e médio rio Teles Pires, como opção de exploração hidroenergética menos impactante que alternativas formuladas a partir de barramentos de grande altura e com extensos reservatórios de acumulação, especialmente se considerados os impactos sobre a infraestrutura viária regional e sobre os ecossistemas aquáticos e terrestres. Nessa perspectiva insere-se ainda a diretriz de aproveitamento hidrelétrico dos trechos de quedas concentradas, promovendo o aproveitamento do desnível do rio em detrimento da formação de reservatórios de acumulação. 6.2.1 6.2.1.1 Áreas Protegidas na AAR Unidades de Conservação - UC De modo geral, a bacia do rio Teles Pires apresenta relativamente poucas Unidades de Conservação - UCs. Até 2006, havia somente 11 UCs na área de interesse desse estudo no Mato Grosso, sendo duas Áreas de Proteção Ambiental - APA estaduais, dois Parques Estaduais - PE, uma Reserva Ecológica - RE estadual, cinco Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN’s federais e um Parque Municipal, conforme pode ser observado na Tabela 7. Cabe destacar que foi criado em junho de 2006 o Parque Nacional Juruena, a primeira Unidade de Conservação de Preservação Integral Federal da região, que abrange toda a RESEC Apiacás (100% de sobreposição a esta). Além destas, há também a ReBio Nascente da Serra do Cachimbo, no estado do Pará. 30 TABELA 7 - UNIDADES DE CONSERVAÇÃO EXISTENTES NA ÁREA DE ABRANGENCIA REGIONAL DO AHE COLIDER Área Nome Ato de Criação e data Município (ha) APA Cabeceiras do Rio Cuiabá 473.411,00 Decreto no. 2.206 de 23/04/98 Lei no. 7.161 de 23/08/99 Rosário oeste, Nobres, Nova Brasilandia, planalto da Serra, Nova Mutum. APA do Salto magessi 7.846,00 Lei no. 7871 de 20/12/02 Santa Rita do Trivelato e Sorriso Reserva Ecológica de Apiacás 100.000,00 Decreto no. 1357 de 27/03/92 Lei no. 6.464 de 22/06/94 Apiacás Parque Estadual do Cristalino I 66.900,00 Decreto no. 1741 de 09/6/00 Alta Floresta e Novo Mundo Parque Estadual do Cristalino II 118.000,00 Decreto no. 2628 de 30/05/1 Novo Mundo RPPN Lote Cristalino 670,00 Portaria no 28 de 11/04/97 Alta Floresta RPPN Reserva Ecológica José Gimenes Soares 200 Portaria no. 108/02 de 08/08/02 Nova Canaã do Norte RPPN Reserva Ecológica Lourdes Felix Soares 800 Portaria no.105/02 de 07/08/02 Nova Canaã do Norte RPPN Reserva Ecológica América 4.942 Portaria no. 107/0 de 7/08/02 Apiacás RPPN Reserva Ecológica Verde Amazônia 10650 Portaria no. 106/0 de 7/08/02 Apiacás Parque do Córrego lucas 353 Lei Municipal no. 684/99 de 10/11/99 Lucas do Rio Verde Decreto de 05/06/06 Apiacás, Nova Bandeirantes e Cotriguaçu no Estado do Mato Grosso, Apuí e maués no Estado dom Amazonas. S/N de 20/05/05 Sul do Pará PARNA Juruena 1.957.000 ReBio Nascentes da 342.619,78 Serra do Cachimbo FONTE: EIA AHE COLÍDER, 2009 6.2.1.2 Áreas Indígenas O empreendimento não afeta diretamente nenhuma área indígena. Na Tabela 8 estão apresentadas as terrras indígenas, suas localizações e distância do empreendimento. 31 TABELA 8- ÁREAS INDIGENAS NA ÁREA DE ABRANGENCIA REGIONAL DO AHE COLIDER Terra Indígena Povo Popu lação (hab) Bakairi Bakairi 571 Localização Dist. do AHE Colider (em linha reta) % na AAR Homologada/ Regularizada Paratininga (MT) 371,3 100 Apiacás (MT) e Jacareacanga (PA) 237,31 100 Área (ha) Situação 62552,28 Kayabi Kayabi -- 476.494,76 Identificada/ Delimitada Munduruku Munduruku 5057 2.340,360 Homologada/ Regularizada Jacareacanga (PA) 306,83 22 Santana Bakairi 198 34963,79 Homologada/ Regularizada Nobres (MT) 341,91 14 Panará 164 (MT) e 300 (PA) 112977,84 (MT) e 495000,00 (PA) Guarantã e matupã (MT) e Altamira (PA) 199,47 0,39 Panará FONTE: EIA AHE COLÍDER, 2009 6.2.1.3 Quilombolas De acordo com DOS ANJOS (2.005a e 2.005b), citado no EIA do AHE Colíder (2009), comenta que no estado do Mato Grosso há comunidades quilombolas nos municípios de Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Acorizal, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Barra do Bugres, Cáceres, Comodoro, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, todas fora da Área de Abrangência Regional - AAR do AHE Colíder. A Fundação Palmares informou, por meio do Ofício no 507/DPA/FCP/MinC/2008, que não foi identificada, até aquele momento, a existência de comunidades quilombolas nos municípios afetados pelo empreendimento. O INCRA também se manifestou, por meio do MEMO/INCRA/DTM/ no 333/2008, informando que o empreendimento não se sobrepõe a terras de Remanscentes de Quilombolas. 6.2.1.4 A Assentamentos Rurais manifestação do INCRA atestou ainda a inexistência de inteferências do empreendimento com projetos de assentamento de reforma agrária. 32 6.2.2 Diagnóstico Ambiental da Área de Abrangência Regional – AAR O Diagnóstico Ambiental da Área de Abrangência Regional – AAR apresentado na sequência é um resumo dos estudos apresentados no EIA do AHE Colíder elaborado pela JGP Consultoria e Participações Ltda de janeiro de 2009. 6.2.2.1 Localização Situada entre 7°10’ e 14°45’ de latitude Sul e 53°45’ e 58°10’ de longitude Oeste, a bacia hidrográfica do rio Teles Pires abrange setores territoriais dos estados do Pará e principalmente do estado do Mato Grosso, totalizando uma área de drenagem de 141.905 km². A bacia está situada ainda entre as bacias dos rios Juruena, a Oeste, e Xingu, a Leste. Em conjunto com o rio Juruena, que também drena importante porção territorial do estado do Mato Grosso, o rio Teles Pires forma o rio Tapajós, um dos principais afluentes da margem direita do rio Amazonas. As cabeceiras do rio Teles Pires estão situadas na porção central do estado do Mato Grosso, na região da localmente denominada Serra Azul, no contexto do conjunto morfoescultural formado pelas unidades de relevo Província Serrana e Depressão de Cuiabá-Paranatinga, conforme individualização geomorfológica do IBGE (Mapa de Unidades de Relevo do Brasil – IBGE, 2006). Trata-se, na prática, de região de planaltos elevados sustentados pelos dobramentos da Faixa Paraguai-Araguaia, com cotas altimétricas de até 800 m que, além das cabeceiras dos rios formadores do Teles Pires, engloba também as nascentes dos formadores do rio Xingu, do rio Arinos e do rio Cuiabá, este último contribuinte do rio Paraguai. Dada a abrangência geográfica da bacia e a variação latitudinal de aproximadamente 7º entre os limites sul (cabeceiras) e norte (baixo curso), o rio Teles Pires e seus afluentes drenam áreas que integram os domínios morfoclimáticos do Cerrado no seu alto curso, e da Amazônia no médio e baixo curso. Entre o alto e médio curso do rio ocorre uma zona de transição entre os dois conjuntos definidos por AB’SABER (1972) para o território brasileiro. A Figura 2 mostra esquematicamente a abrangência geográfica dos domínios paisagísticos do Cerrado (cor rosa) e da Amazônia (cor verde) na bacia hidrográfica do rio Teles Pires. 33 FIGURA 2- ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA DOS DOMÍNIOS PAISAGÍSTICOS DO CERRADO E DA AMAZÔNIA NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TELES PIRES FONTE: ADAPTADO EIA AHE COLIDER, 2009 Em linhas gerais, no âmbito da bacia como um todo, o domínio Morfoclimático dos Chapadões Tropicais recobertos por Cerrados e penetrados por florestas galerias segundo a definição de AB’SABER (1972), compreende as áreas de ocorrência predominante de formações savânicas, que se estendem das nascentes do rio Teles Pires até sua confluência com o rio da Lira, aproximadamente, na altura do paralelo 12° 30’S. A partir desse ponto, o rio atinge a faixa de transição, que se caracteriza pela presença de florestas de transição (transição Savana/Floresta Estacional), se estendendo até a confluência com o rio Renato, nas proximidades de Itaúba. No setor norte da bacia predomina mais efetivamente o domínio Morfoclimático das Terras Baixas Florestadas Equatoriais, caracterizado pela ocorrência de Floresta Ombrófila Aberta e Densa, que ocorre associada aos relevos rebaixados, embora no topo das grandes serras residuais como a dos Caiabis e dos Apiacás ocorram formações savânicas. 34 6.2.2.2 Aspectos Climatológicos A variação latitudinal verificada na bacia e refletida na ocorrência de diferentes domínios paisagísticos, somada a outros fatores geográficos como as variações altimétricas e localização da bacia no interior do continente sul americano, é um dos condicionantes das diferenciações climáticas observadas na mesma. Todavia, naturalmente, o perfil climático da bacia não é estabelecido somente pelos fatores geográficos citados, mas também pela atuação de mecanismos de circulação atmosférica de macro-escala e sua interação com os chamados fatores estáticos do clima. De acordo com o modelo de classificação climática de Köppen, ocorrem na bacia do rio Teles Pires duas grandes zonas climáticas definidas pelos tipos climáticos Aw e Am. O tipo climático Aw abrange o setor sul e intermediário da bacia (alto e médio curso), sendo definido como Clima Tropical de Savana (ANDRADE, 1968). Já o tipo climático Am, denominado Clima Tropical Equatorial, ocorre no extremo norte da bacia. De modo geral, as diferenciações climáticas observadas assemelham-se à observada no caso dos domínios paisagísticos ou morfoclimáticos apontados anteriormente, ou seja, o clima do tipo Aw ocorre predominantemente nas áreas de Cerrado e o clima Am nas áreas de transição e no domínio Amazônico, reconhecido não só no norte da bacia hidrográfica do rio Teles Pires, mas também no norte do estado do Mato Grosso. O tipo climático Aw (Tropical chuvoso de savana) é um clima quente com temperatura média superior a 18ºC no mês mais frio. Caracteriza-se, ainda, pela forte sazonalidade quanto ao regime pluviométrico, com chuvas concentradas nos meses de outubro a março e um período seco entre abril a setembro, ou seja, com inverno seco e verão chuvoso. Os totais pluviométricos anuais chegam até 2.500 mm em média. Já o clima do tipo Am (Tropical chuvoso equatorial ou tropical de monção) é também um clima quente, porém com uma breve estação seca, que pode variar entre 1 e 3 meses. Os totais pluviométricos médios anuais podem alcançar também 2.500 mm. Quanto a precipitação média nos municípios de Paranatinga, no alto Teles Pires, e em Alta Floresta, no setor intermediário da bacia, os dados indicam menor precipitação no setor sul da bacia, porém há ocorrência de períodos secos bem definidos nas duas regiões. As maiores precipitações ocorrem entre os meses de outubro e abril, sendo que Alta Floresta apresenta as maiores precipitações, quando comparada com Paranatinga. 35 No que se refere aos aspectos térmicos, verifica-se, ao longo da AAR, uma variação entre o setor sul e norte da bacia. Assim como observado no regime pluviométrico, observa-se nas temperaturas um progressivo aumento das médias no sentido norte da bacia, ou seja, do alto para o baixo curso do rio Teles Pires. Nos locais aonde as altitudes médias chegam a 600 m, as temperaturas médias variam entre 20ºC e 22ºC. Já no setor inferior da bacia, cujas cotas variam entre 100 e 200 m as médias anuais são superiores a 24ºC. De modo geral, as temperaturas mínimas ocorrem nos meses de junho, julho e agosto, que compõem o trimestre mais frio, variando entre 18ºC a 20ºC no mês mais frio, enquanto nque nas áreas mais rebaixadas, as médias variam entre 22ºC e 24ºC no mês mais frio, entre junho e julho (NIMER, 1973). Nos demais meses do ano, as temperaturas médias se mantêm constantemente elevadas, com médias mais expressivas ao longo da primavera, notadamente nos meses de setembro e outubro, ocasião em que antes do início da estação mais úmida, a radiação solar incide perpendicularmente sobre a superfície regional. As médias nesse mês podem alcançar até 28ºC no extremo norte da bacia e variar entre 24ºC e 26ºC na região do extremo sul da AAR (NIMER, 1973). 6.2.2.3 Aspectos Geológicos A Bacia Hidrográfica do Rio Teles Pires possui um arcabouço geológico complexo, composto por diferentes domínios e províncias estruturais integrantes da Plataforma Sul Americana e do Escudo Brasil Central, conforme estabelecido por ALMEIDA (1977), podendo ser dividido em três grandes províncias ou domínios tectonoestruturais, caso do cráton Amazônico, das faixas de dobramento do Ciclo Brasiliano e das coberturas Fanerozóicas. O extremo sul da bacia e da AAR é marcado pelo conjunto associado à Faixa de Dobramento Paraguai-Araguaia ou Província Tocantins. Trata-se de cinturão orogênico que ocorre espacialmente na forma de um arco com concavidade voltada para SE e orientando-se na direção NE-SW no seu ramo norte e N-S no seu ramo sul. Forma um conjunto estrutural observado ao longo de toda a região central do estado do Mato Grosso e que divide importantes áreas de cobertura Fanerozóicas, como a bacia sedimentar do Paraná, ao Sul, e as rochas do chamado Grupo Parecis, ao Norte. 36 6.2.2.4 Aspectos Geomorfológicos As altitudes mais significativas, superiores a 500 m, ocorrem em serras situadas nas cabeceiras do rio Teles Pires e de seus formadores na região central do estado do Mato Grosso (sul da bacia), mas também na região do médio e baixo curso, junto ao limite nordeste com a bacia hidrográfica do rio Xingu. No extremo sul, os terrenos mais elevados ocorrem associados aos dobramentos do cinturão orogênico ParaguaiAraguaia, no contexto da Unidade geomorfológica Província Serrana, localmente conhecida por Serra Azul, entre outras denominações. Já no limite nordeste da bacia, as altitudes mais elevadas ocorrem no contexto da Serra do Cachimbo. Nos demais setores da bacia as altitudes predominantes variam entre 200 e 400 m. Há, no entanto, importantes variações entre os setores alto, médio e baixo da bacia. 6.2.2.5 Aspectos Pedológicos Os tipos pedológicos que ocorrem na bacia hidrográfica do rio Teles Pires têm relações muito claras com o substrato rochoso e com os relevos, mostrando diferentes graus de desenvolvimento em função da relação entre a pedogênese e a morfogênese. Em conformidade com a caracterização dos aspectos pedológicos efetuada no âmbito dos Estudos de Inventário (ENGEVIXELETRONORTE/ Hidrelétrico da FURNAS/ELETROBRAS, Bacia 2005), do os Rio Teles Pires principais tipos pedológicos identificados na bacia, segundo o mapeamento do Projeto RADAMBRASIL, são indicados na Tabela 9, a qual considera a nomenclatura atualmente utilizada, definida pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS). Verifica-se que no alto e médio curso há dominância de latossolos e argissolos. Em tais setores, sobretudo ao longo do Planalto dos Parecis, ocorre também um relevo plano a suave. A associação entre solos e relevo proporciona boas condições para a agricultura mecanizada praticada nesse setor da bacia, destacando-se as áreas plantadas nos municípios de Sorriso, Sinop e Lucas do rio Verde. 37 TABELA 9- TIPOS PEDOLÓGICOS QUE OCORREM NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TELES PIRES SEGUNDO O MAPA DE SOLOS DO PROJETO RADAM Zona ou setor da bacia Alto curso Médio curso Baixo curso Tipos pedológicos Mapa de Solos do Projeto RADAM (nomenclatura antiga) Tipo pedológico (nomenclatura atual) Latossolo Vermelho Amarelo Latossolo vermelho Latossolo Vermelho Escuro Latossolo vermelho Cambissolo Cambissolo Podzólico Vermelho Amarelo Argissolo vermelho amarelo Areia Quartzosa Neossolo quartzarênico Plintossolo Plintossolo Gleissolo Gleissolo Areia Quartzosa Neossolo quartzarênico Areia Quartzosa Hidromórfica Neossolo quartzarênico Terra Roxa Estruturada Nitossolo Podzólico Vermelho-Amarelo Argissolo vermelho-amarelo Solo Petroplíntico Plintossolo pétrico Gleissolo Gleissolo Solo Aluvial Neossolo flúvico Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo vermelho-amarelo Areia Quartzosa Neossolo quartzarênico Solo Litólico Neossolo litólico Gleissolo Gleissolo Solo Aluvial Neossolo flúvico Podzólico Vermelho-Amarelo Argissolo vermelho-amarelo FONTE: EIA AHE COLIDER, 2009 Cabe destacar que do médio para o baixo curso verifica-se maior diversidade de tipos pedológicos, refletindo principalmente a maior complexidade do arcabouço geológico e, por conseguiente, dos materiais de origem. Nesses setores da bacia, associadas às áreas de relevos mais dissecados, há ocorrências de solos litólicos, o que, associado à topografia acidentada em muitos setores, restringe o aproveitamento agrícola intensivo. Destaca-se ainda, no setor norte da bacia, a ocorrência de extensa área com neossolos quartzarênicos (areias quartzosas), que abrange parte das bacias hidrográficas dos rios Cristalino, São Benedito e Cururu-Açu, onde o aproveitamento agrícola também é limitado pela pobreza em nutrientes desses solos. Quanto ao potencial de erosão, com base na abrangência geográfica dos Latossolos e dos Argissolos e sua relação com áreas de relevo com forma tabulares e suaves, pode-se afirmar que predomina na bacia do rio Teles Pires uma condição de 38 erodibilidade moderada a fraca. Todavia, dadas as condições freqüentes de manejo inadequado, o quadro de moderada a fraca erodibilidade se altera profundamente, mesmo em condições de relevo suave a plano. 6.2.2.6 Domínios Morfoclimáticos Os chamados Domínios constituem o quadro de referência da divisão ecológica da paisagem mais adequado às interpretações da distribuição biogeográfica, sendo atualmente mais utilizados do que outras compartimentações anteriormente propostas. No Estado do Mato Grosso e na bacia do rio Teles Pires podem ser diferenciados dois domínios principais: o Domínio dos Cerrados (savânico) e o Domínio Equatorial Amazônico. A Figura 3 revela que apesar da predominância de vegetação de floresta pluvial, a área da bacia encontra-se próxima do polígono nuclear dos Cerrados, podendo-se esperar algumas características transicionais. Nela é possível observar a predominância de Vegetação Florestal Pluvial Perenifólia (verde azulado) ao longo do curso d’água, e extensões de Cerrado (verde pontilhado) ao sul e ao norte, sendo que algumas ilhas de cerrado são visíveis ao longo da bacia. FIGURA 3 - PREDOMINÂNCIA DE VEGETAÇÃO NA REGIÃO DE INTERESSE DO RIO TELES PIRES FONTE: MODIFICADO DE HUECK & SEIBERT (1981) 39 6.2.2.7 Cobertura Vegetal da AAR A cobertura vegetal da Área de Abrangência Regional – AAR é divida em dois conjuntos, sendo o primeiro correspondente às Áreas de Vegetação Natural Dominante e o segundo de áreas de Atividade Antrópica Dominante. Como caracterizado anteriormente, verifica-se na bacia do rio Teles Pires a ocorrência de contato entre os biomas Cerrado e Amazônia, as chamadas áreas de tensão ecológica, na qual os tipos de vegetação se interpenetram, formando um mosaico biológico complexo, ora marcado por ecótonos, ora por encraves. 6.2.2.7.1 Floresta Ombrófila Densa A Floresta é constituída por grandes árvores sempre verdes, geralmente com gemas foliares desprotegidas, sem resistência à seca. As seguintes espécies arbóreas bem conhecidas são características dessa formação amazônica: seringueira (Hevea brasiliensis), castanheira-do-Brasil (Bertholetia excelsa) e angelim-pedra (Dinizia excelsa). A Floresta Ombrófila Densa apresenta quatro grupos de formações: Aluvial (Foto 1 e Foto 2), das Terras Baixas, Submontana (Foto 3 e Foto 4) e Montana. De acordo com a classificação do IBGE (2004), na região da Bacia Hidrográfica do Rio Teles Pires ocorre o grupo Submontana ligado a solos medianamente profundos sobre o qual se desenvolvem fanerófitos com alturas aproximadamente uniformes, podendo alcançar 50 m. Essa formação é caracterizada por ecotipos que variam influenciados pelo posicionamento dos ambientes, de acordo com a latitude e com o tempo de evolução da vegetação. Muitos desses ecotipos migraram para o sul do País, como Hieronima (Euphorbiaceae), Dydimopanax (Araliaceae), Pouteria e Chrysophyllum (Sapotaceae) (VELOSO & GÓES-FILHO, 1982). 40 FOTO 1- DETALHE DA FORMAÇÃO FLORESTAL FOTO 2- FORMAÇÕES FLORESTAIS ALUVIAIS EM ALUVIAL EXISTENTE NA MARGEM ESQUERDA DO AMBAS AS MARGENS DO RIO TELES PIRES E RIO TELES PIRES FORMAÇÕES FLORESTAIS SUBMONTANAS NAS ÁREAS MAIS ALTAS DO TERRENO FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FOTO 3- DETALHE DA FORMAÇÃO FLORESTAL FOTO 4- DETALHE DA FORMAÇÃO FLORESTAL SUBMONTANA SUBMONTANA EXISTENTE NA SERRA FORMOSA, MARGEM DIREITA DO RIO TELES PIRES FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) Trata-se de uma floresta exuberante, com grande biomassa (BRAGA, 1979), apresentando comunidades puras de indivíduos altos, grossos e bem copados, favorecendo uma submata bem sombreada, e que só permite o desenvolvimento de espécies ombrófilas, como aquelas das famílias Maranthaceae (Marantha sp., Calathea sp.), Piperaceae (Piper sp.), Heliconiaceae (Heliconia psittacorum), Strelitziaceae (Phenakospermum guyanense), Violaceae, entre outras. O estrato dominante é 41 composto pelas espécies maçaranduba (Manilkara huberi), castanheira-do-Brasil (Bertholetia excelsa), seringueira (Hevea brasiliensis), andiroba (Carapa guianensis), ipê-amarelo (Tabebuia sp.), entre outras. Podem ocorrer cipós (Doliocarpus sp., Bauhinia sp.) e palmeiras (Foto 5) compondo a estrutura da mata (BRAGA, 1979; BRASIL 1980; RIZZINI, 1997). A Floresta Ombrófila Densa ocorre em áreas situadas no norte da bacia, especialmente junto a Serra dos Apiacás. FOTO 5- DETALHE DE PALMEIRA ENCONTRADA NA FORMAÇÃO FLORESTAL ALUVIAL FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) 6.2.2.7.2 Floresta Ombrófila Aberta (Faciação da Floresta Densa) Formada por árvores mais espaçadas, com estrato arbustivo pouco denso e caracterizada, ora por fanerófitas rosuladas, ora por lianas lenhosas. Ocorre em clima com mais de dois e menos de quatro meses secos, com temperaturas médias entre 24 e 25ºC. Essa associação fitoecológica acontece com quatro fácies florísticas que alteram a fisionomia ecológica da Floresta Ombrófila Densa: Floresta de Palmeiras ou Cocal, caracterizada pela presença das palmeiras babaçu (Attalea phalerata) e inajá (Maximiliana regia); Bambuzal, constituído por bambus do gênero Bambusa; Florestade-cipó (Cipoal), com grande ocorrência de lianas; e o Sororocal, formado por agrupamentos de sororoca (Phenacospermum guyanense). A Floresta Ombrófila Aberta pode ocorrer com três grupos de formação: Aluvial, das Terras Baixas e Submontana. De acordo com a classificação do IBGE (2004, 2006), na região da bacia hidrográfica do rio Teles Pires ocorre especificamente a formação 42 Submontana, que se caracteriza por se situar entre 4º de latitude Norte e 16º de latitude Sul e entre altitudes que variam de 100 a 600 m (IBGE, 2004). É uma floresta com biomassa inferior à da Floresta Ombrófila Densa. Apresenta maior penetração de luz, o que favorece a colonização e crescimento de cipós, palmeiras, bambus e/ou arbustos no sub-bosque. O estrato inferior é adensado pelos indivíduos regenerantes naturais das espécies do estrato arbóreo associado a arbustos e a subarbustos variados, destacando-se Piper sp. (Piperaceae), Heliconia psittacorum (Heliconiaceae), e as palmeiras rosuladas conhecidas como tucumã (Astrocaryum tucuma) e ubim (Geonoma sp.) (BRAGA, 1979; BRASIL, 1980). 6.2.2.7.3 Floresta Estacional (Decidual ou Semidecidual) Também conhecida como Mata Seca, é uma formação florestal que ocorre nos interflúvios e apresenta diversos níveis de caducifólia durante a estação seca. Essa variação é determinada pela variação climática (definida pela altitude ou longitude) e pela variação pedológica do substrato que comporta a Floresta, definindo dois subgrupos de formação: Semidecidual (Floresta Tropical Semicaducifólia) e Decidual (Floresta Tropical Caducifólia). A altura média da vegetação pode variar de 15 a 25 m, com árvores eretas e indivíduos emergentes mais espaçados entre si, podendo conter espécies que apresentam estruturas adaptativas como cascas grossas, troncos retorcidos e esgalhados. O estrato inferior é geralmente ralo. A cobertura do dossel da Floresta Estacional pode ser reduzida de 30 a 50% na estação seca. O sub-bosque é pouco desenvolvido, apresentando-se, também, caduco na estação seca (RIZZINI, 1979; BRASIL, 1980; IBGE, 1992; RIBEIRO; WALTER, 1998). Na Amazônia, as Florestas Estacionais ocorrem em manchas por meio do gradiente entre a Floresta Ombrófila e a Savana (SALM, 2004). Por ocorrer em regiões mais elevadas, a caducifolia é mais pronunciada, podendo chegar a 60% dos indivíduos arbóreos. Na bacia do rio Teles Pires a Floresta Estacional Decidual ocorre principalmente em áreas da Serra do Cachimbo, no sul do estado do Pará, entre a Floresta Ombrófila e a Savana. Já a Floresta Estacional Semidecidual ocorre na porção central da bacia, abrangendo setores do alto e médio Teles Pires. Ocorre associada às áreas de tensão ecológica. 43 6.2.2.7.4 Savana Florestada A Savana Florestada, também conhecida por Cerradão ou Floresta Xeromorfa, é considerada uma formação florestal por Eiten (1972) e Ribeiro e Walter (1998) e contém espécies que ocorrem no Cerrado Sentido Restrito (RIBEIRO; WALTER, 1998) ou Cerrado Sensu Stricto (EITEN, 1972) e nas Matas Secas (RIBEIRO; WALTER, 1998). Aparece nos interflúvios, sobre solos profundos bem drenados de média a baixa fertilidade, ligeiramente ácidos, do tipo latossolos e cambissolos distróficos. A altura média do estrato arbóreo é de 8 a 15 m e a cobertura do dossel varia de 50 a 90%. Embora seja uma formação florestal, as condições de luminosidade favorecem o desenvolvimento de estratos arbustivos e herbáceos diferenciados. Quando ocorre sobre solos pobres, o Cerradão é classificado como distrófico, e tem como espécies mais comuns: sobre (Emmotum nitens), maria-preta (Blepharocalyx salicifolius) e canelão (Ocotea spixiana). Quando ocorre em solos com maiores teores de nutrientes, é chamado de Cerradão Mesotrófico, e pode apresentar tingui (Magonia pubescens), gonçaloalves (Astronium fraxinifolium) e mutamba (Guazuma ulmifolia) (RIBEIRO; WALTER, 1998). Outras espécies características dos Cerradões são: sucupira-branca (Pterodon emarginatus), mata-barata (Andira paniculata), ucuúba (Virola sebifera), carvoeiro (Sclerolobium paniculatum), pau-bosta (Sclerolobium aureum), cajú (Anacardium sp.), pausterra (Qualea spp.), pau-doce (Vochysia sp.), pimenta-de-macaco (Xylopia sp.), muripita (Sapium sp.), sobre (Emmotum nitens), abio-casca-fina (Pouteria sp.) e feijão-de-arara (Pêra glabrata). Na bacia do rio Teles Pires as áreas de Savana florestada ocorrem áreas no alto curso e em extensas áreas pertencentes ao conjunto geomorfológico da Serra ou Chapada do Cachimbo. 6.2.2.7.5 Savana Arborizada De modo geral, as fisionomias do Cerrado apresentam árvores baixas (até 6 m de altura), tortuosas, de cascas grossas fendidas e sulcadas, raízes profundas e folhas rígidas e coriáceas, com gemas apicais protegidas por densa pilosidade (RIBEIRO; WALTER, 1998). Nessas formações, destacam-se no componente arbóreo o pequi (Caryocar brasiliense), o jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa), o jacarandádo-cerrado (Dalbergia miscolobium), o faveiro (Dimorphandra mollis), o pau-santo 44 (Kielmeyera coriacea), o pausterra (Qualea grandiflora, Q. multiflora, Q. parviflora), o barbatimão (Stryphnodendron adstringens), o carvoeiro (Sclerolobium paniculatum), o tingui-bosta (Sclerolobium aureum), a lixeira (Curatella americana) e a bananeira (Salvertia convallariodora). Esta fisionomia ocorre predominantemente no setor sul da bacia, ou seja, no alto curso do rio Teles Pires, no contexto do domínio dos Cerrados. Todavia, são observadas manchas no setor norte da bacia. 6.2.2.7.6 Savana Parque São formações campestres que ocorrem em áreas de solo raso ou com excesso de água (EITEN, 1972). Caracterizam-se pela presença de um estrato herbáceosubarbustivo bem desenvolvido, com formas de vida cespitosas, entremeadas por arbustos e indivíduos arbóreos raros. As formações campestres podem ser: Campo Sujo e Campo Limpo, úmidos ou secos (EITEN, 1972; RIBEIRO; WALTER, 1998). No Campo Sujo ocorre grande número de indivíduos subarbustivos latifoliados (Mimosa sp., Cuphea sp., Crotalaria sp.), entremeados à camada herbácea que é composta, principalmente, por gramíneas. O Campo Limpo é essencialmente herbáceo, com predominância de espécies de gramíneas (Aristida sp., Paspalum sp., Panicum sp., Echinolaena inflexa) e de ciperáceas (Bulbostilys sp., Rhynchospora sp.). Como elementos arbóreos ocorrem: buriti (Mauritia flexuosa), para-pará (Jacarandá sp.), fava-arara (Parkia sp.), ucuúba (Virola sp.). Na bacia do rio Teles Pires essas formações são observadas principalmente na região das cabeceiras e nas planícies aluviais do alto rio Teles Pires. 6.2.2.7.7 Savana Gramíneo-lenhosa Prevalecem nesta fisionomia, quando natural, os gramados entremeados por plantas lenhosas raquíticas, que ocupam extensas áreas dominadas por hemicriptófitos e que, aos poucos, quando manejados através do fogo ou pastoreio, vão sendo substituídos por geófitos que se distinguem por apresentar colmos subterrâneos, portanto mais resistentes ao pisoteio do gado e ao fogo. A composição florística é bastante diversificada, sendo as plantas lenhosas seus ecotipos mais representativos (EITEN, 1972; RIBEIRO; WALTER, 1998). Na AAR esta formação ocorre no alto Teles Pires, no setor sul da bacia. 45 6.2.2.7.8 Contato Savana-Floresta Estacional Na parte mais ocidental aparecem áreas com solos do tipo Areias Quartzosas Álicas, onde predominam a Savana Arborizada e a Savana Parque. Nesse domínio, constatouse a existência de pequenos agrupamentos com substratos melhor estruturados, com encraves de Floresta Estacional, com dossel emergente, sendo comum gregarismo de jatobá (Hymenaea sp.) e peroba (Aspidosperma sp.). Em outras áreas expressivas, melhores condições edáficas propiciaram o estabelecimento da Floresta Estacional onde a Savana ocorre em pequenos encraves, com fisionomia arbórea, ora densa, ora aberta. 6.2.2.7.9 Áreas de Formações Pioneiras São ambientes em que há ocupação por comunidades pioneiras dos substratos instáveis que sofrem constante sedimentação, como as formações aluviais e margens de corpos d’água constituindo um processo sucessional e que compreende várias fases de sucessão hierárquica, desde a submersa até a arbórea. O efeito desse processo de sucessão é o de baixar a mesa de água, melhorar a circulação do solo e, geralmente, criar condições para o estabelecimento da vegetação arbórea de terrafirme. A flora que compõe essas comunidades é constituída por espécies com formas de vida terófita, geófita e hemicriptófitas, que são posteriormente substituídas por caméfitas e microfanerófitas (BRASIL, 1980), dependendo das condições favoráveis à continuidade do processo sucessional. As fisionomias variam em função da duração do período de cheia e da quantidade de água e estão distribuídas em toda a malha hidrográfica, margeando o rio Teles Pires e afluentes. Há ocorrência de lajedos nas margens do rio Teles Pires, favorecendo o estabelecimento de espécies entre as frestas das rochas. Ocorrem, ainda, espécies de porte arbóreo como a embaúba (Cecropia sp.), o buriti (Mauritia flexuosa), entre outras. Buritizais e veredas ocorrem em vários pontos da bacia em estudo, como, por exemplo, nos municípios de Lucas do Rio Verde e Sorriso. A partir do município de Sorriso, na direção sul aparecem áreas úmidas com touceiras de buritirana (Mauritiella armata). As lagoas também estão distribuídas por toda a bacia, especialmente ao longo do curso dos rios como, por exemplo, no trecho do Teles Pires, nas proximidades de Sinop e no rio São Benedito. As lagoas apresentam flora vascular composta por espécies aquáticas submersas, flutuantes, emersas, como Cyperus spp., Eleocharis spp., Echinodorus spp. 46 Limnocharis spp., Mayaca sp., Nimphoides sp., Pontederia sp., Sagittaria sp., Eichhornia sp., alguns representantes da família Lemnaceae e, ainda, as pteridófitas Salvinia sp., Azolla sp. E Marsilea sp. (HOEHNE, 1948). No Parque Estadual do Cristalino ocorrem inúmeros canais de água com vegetação aquática acompanhando o leito principal do rio Cristalino (BRASIL, 2002). 6.2.2.7.10 Campinaranas Os termos Campinarana e Campina são sinônimos e significam “falso campo”. Na área de abrangência regional do AHE Colíder concentram-se na região nordeste, no Estado do Pará, no limite com Mato Grosso, margeando os rios Cristalino e Formiga. Estas formações estão localizadas sob áreas de tensão ecológica e circundadas por florestas ombrófilas submontanas (densas e abertas) e savanas florestadas. Em geral, encontram-se em grandes depressões fechadas, suficientemente encharcadas no período chuvoso e com influência dos grandes rios que cortam a região amazônica. Esta classe de vegetação é dividida em três subgrupos de formação: arbórea densa, arbórea aberta ou arborizada e gramíneo-lenhosa. 6.2.2.7.11 Refúgio vegetacional montano As áreas de refúgios vegetacionais montanos ocorrem no norte da AAR (no Estado do Pará), nas nascentes do rio Cururu-Açú, margeadas por áreas de floresta estacional semidecidual submontana e savana florestada. 6.2.2.7.12 Áreas Antrópicas Dominantes As áreas de agropecuária, culturas cíclicas e pastagens ocorrem, principalmente, nos eixos centro-oeste (ao longo da MT-208) e centro-sul (ao longo da BR-163) da AAR. Neste eixo as áreas antrópicas dominantes situam-se em regiões de tensão ecológica. 6.2.2.7.13 Floresta Ombrófila Densa Aluvial A formação de Floresta Ombrófila Densa Aluvial ocupa as planícies e terraços inundáveis onde ocorrem solos do tipo areias quartzosas, hidromórficos e podzólicos, nos depósitos aluvionares das Serras dos Apiacás, Caiabis e nos aluviões da rede de drenagem (BRASIL, 1980). 47 Nas áreas alagadas torna-se uma floresta baixa. Apresenta trechos em que ocorre monodominância de embaúba (Cecropia sp.), que caracteriza processo sucessional nas margens, onde também ocorrem outras espécies de rápido crescimento, com troncos em forma de botija, com raízes tabulares e pneumatóforos (BRASIL, 1980). A floresta apresenta ou não dossel com árvores emergentes de sumaúma (Ceiba pentandra), cariperana (Licania membranacea), jacareúba (Calophyllum brasiliense) e, às vezes, grande número de palmeiras, como buriti (Mauritia flexuosa) e açaí (Euterpe oleracea). O sub-bosque pode conter ou não espécies herbáceas de grande porte como sororoca ou pacova (Phenakospermun guyanense) (BRASIL, 1980). Nas áreas ribeirinhas em que ocorrem solo aluvial e blocos de rocha, existem, em abundância, arbustos escandentes de Myrtaceae, como, por exemplo, o camu-camu (Myrciaria dubia), o araçá (Psidium sp.) e uma espécie da família Chrysobalanaceae. Nos trechos em que aparecem lajedos e se acumula água, há Utricularia sp. (Lentibulariaceae) e representantes de Pteridófitas, como Selaginella sp. (Selaginellaceae) e Anetium citrifolium, Antrophium cajenense e Hecistopteris pumila (Vittariaceae). 6.2.2.7.14 Floresta Ombrófila Aberta Aluvial Esse tipo vegetacional apresenta-se como uma vegetação relativamente baixa para os padrões amazônicos, associada às faixas de solos formados por areias quartzosas. Sua formação aberta permite a penetração de muita luz, facilitando a ocupação por microepífitas sobre pequenos arbustos ou entre as ramificações desses, onde podem ocorrer emaranhados de lianas pouco espessas. É reconhecida a ocorrência relevante de epífitas e trepadeiras recobrindo troncos mortos, em pé, semelhantes a colunas cobertas por plantas. Espécies comuns a essa Floresta Ombrófila Aberta são: breu-manga (Tetragastris altissima), cedro (Cedrella odorata), sumaúma (Ceiba pentandra), castanheira-do-Brasil (Bertholetia excelsa), babaçu (Attalea speciosa), seringueira (Hevea brasiliensis), jatobá (Hymenaea sp.), maçaranduba (Manilkara huberi), muiracatiara (Astronium lecointei), marupá (Simarouba amara), pau d’arco (Tabebuia sp.), pau-formiga (Triplaris sp.), amarelão (Apuleia molaris), entre outras. 48 6.2.2.8 Fauna Silvestre da AAR Zoogeograficamente valem para o Domínio do Cerrado as considerações de Vanzolini (1963) de que os Cerrados não possuem uma fauna própria. Uma de suas características pode ser a forte insolação durante o dia e a irradiação durante a noite (com variações térmicas muito altas), produzindo adaptações similares às do deserto. Já a fauna que ocorre no Domínio Amazônico compõe-se, principalmente, por formas ombrófilas e folívoras, sendo que a maior parte das espécies se distribui por amplos setores. Os setores sul e central da AAR, correspondentes ao alto e médio curso da bacia, apresentam um histórico de ocupação nas últimas décadas que resultou no progressivo e intenso desmatamento destinado a abertura de áreas de pastagem e de agricultura comercial de grãos. Esse processo de desflorestamento ocorreu com maior intensidade ao longo das décadas de 70 e 80. Na sequência é apresentado uma descrição sucinta para cada grupo faunístico. 6.2.2.8.1 Avifauna Entre os grupos de vertebrados presentes na bacia do rio Teles Pires - particularmente na sua porção setentrional - a avifauna apresenta uma riqueza específica excepcional, mesmo quando comparada a outras regiões da Bacia Amazônica. A partir da compilação de dados secundários de cinco fontes, Engevix- Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005) obteve-se uma lista com 600 espécies de aves com ocorrência registrada para a bacia do rio Teles Pires e proximidades, distribuídas nas regiões de Alta Floresta, Cristalino, Peixoto de Azevedo, Apiacás e Serra do Cachimbo. Outra área de grande relevância em termos de riqueza da avifauna é a região do município de Novo Progresso, PA, onde foi observado o dançador-de-coroadourada (Pipra vilasboasi)1 após 45 anos sem registros em campo. Esta “redescoberta” reforça a importância do rio Jamunxim como região prioritária para a conservação da biodiversidade amazônica. O Parque Estadual do Cristalino também apresenta importante riqueza, uma vez que ocorrem pelo menos 515 espécies de aves, das quais 50 são endêmicas (além de 43 1 www.neotropicalbirdclub.org/articles/20/Pacheco.pdf 49 espécies de répteis, 29 de anfíbios, 26 de mamíferos médios e grandes e 16 de peixes comerciais e esportivos, segundo o MMA, 2000). Quanto às espécies de aves com algum status de conservação ocorrentes na bacia do Teles Pires, verifica-se a ocorrência de quinze, das quais nove ocorrem exclusivamente na região amazônica, duas são compartilhadas entre o bioma Cerrado e a Amazônia e quatro são amplamente distribuídas em ambientes florestais (IUCN, 2004; MMA, 2004 e ENGEVIX, 2005). 6.2.2.8.2 Mamíferos No trabalho realizado por Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005) consta o registro de 141 espécies de mamíferos terrestres, das quais 52 foram registradas no Bioma Amazônico, 47 no Cerrado e 42 em área ecotonal, tanto através de observações diretas como indiretas, informações de moradores locais e bibliografia (Plano de Manejo do Parque Estadual Cristalino e da Reserva Ecológica de Apiacás). Destas 141 espécies, dez apresentam status de ameaça de extinção: o tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla) (Foto 6), o primata Ateles marginatus, os canídeos Chrysocyon brachyurus, Atelocynus microtis e Speothos venaticus e os felinos Leopardus pardalis, Leopardus tigrinus, Leopardus wiedii e Panthera onça e a ariranha (Pteronura brasiliensis). FOTO 6- TAMANDUÁ-BANDEIRA (MYRMECOPHAGA TRIDACTYLA) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) Ainda segundo a Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005), ocorrem duas espécies de mamíferos aquáticos na bacia do rio Teles Pires: o Inia geoffrensis - botovermelho - e o Sotalia fluviatilis – tucuxi. Entretanto, há indicação de que os mesmos 50 estão restritos ao trecho entre a sua foz e a cachoeira Rasteira (a jusante do aproveitamento), que age como uma barreira geográfica impedindo a passagem e a subida desses animais. Na Reserva Ecológica de Apiacás e área de entorno houve um levantamento de mastofauna que resultou em uma lista com 41 espécies. É possível encontrar nas margens dos rios Teles Pires e Juruena pelo menos 17 espécies de primatas, pertencentes a 10 gêneros diferentes. A composição da comunidade primatológica altera-se de forma impressionante entre as margens de ambos os rios. Conforme a fonte citada, outro ponto interessante a ser ressaltado é a indicação, por moradores locais, de pelo menos cinco formas taxonômicas não reconhecidas cientificamente. Na verdade há grande potencial para registro de novos taxa nesta região, mesmo de mamíferos de médio e grande porte, visto a singularidade ecossistêmica – região ecotonal entre a Amazônia meridional e o Cerrado setentrional – e desconhecimento científico da mesma. Neste contexto, destaca-se desconhecida zona do interflúvio dos rios Teles Pires e Juruena, onde também há fortes indícios da existência de espécies novas. 6.2.2.8.3 Anfíbios e répteis Os dados disponíveis deste grupo podem ser considerados ainda mais restritos e pontuais que os demais grupos de vertebrados. Em expedição de campo foram registradas 29 espécies somente de répteis, das quais seis pertencentes à ordem Sauria, treze à Ophidia, três a Crocodilia e sete a Ordem Chelonia. Apesar do desconhecimento sobre a composição da herpetofauna desta região, este número de espécies certamente não reflete a riqueza específica das comunidades de répteis e anfíbios da bacia do rio Teles Pires, visto que somente a bacia Amazônica abriga – de acordo com os conhecimentos zoológicos e taxonômicos atuais - cerca de 163 espécies de anfíbios – em torno de 27% das 600 espécies que existem no Brasil (CAPOBIANCO, 2001) e 550 de répteis, das quais 62 % são endêmicas da região (DIXON, 1979). 51 6.2.2.8.4 Ictiofauna e o ecossistema aquático na AAR O rio Amazonas contém, em toda sua extensão, uma série de grandes e importantes tributários que contribuem para a riqueza e diversidade da ictiofauna regional, entre os quais o rio Tapajós. Esse rio é um dos afluentes da margem direita do rio Amazonas, cuja bacia de drenagem inclui os rios Teles Pires e o Juruena, considerados seus principais formadores (GIBBS, 1967). Smerman (2007) relata que o rio Teles Pires, assim como o Tapajós, foi um rio impactado devido à ação de garimpeiros entre o final da década de 70 e o início de 90 (SMERMAN, 2007 apud ZAGUI, 2004). Este processo resultou na deposição de mercúrio, cujas interações com o meio são muito complexas e ainda pouco estudadas (BARTHEM & FABRÉ, 2003). O que se sabe até o momento é que o mercúrio resulta num composto chamado metilmercúrio (CH3HG+), que é altamente tóxico para o hábitat aquático. No trecho superior de seu curso (Alto Teles Pires) o leito é encaixado, com predominância de formações rochosas (CARNEIRO DA CUNHA, 1998), e inúmeras corredeiras e tombos d’água. Dentre as corredeiras, a Cachoeira Sete Quedas representa uma barreira biogeográfica intransponível para algumas espécies de peixes, como é o caso de Electrophorus electricus, Leiarius marmoratus, Odontostoechus sp., Peckoltia aff. Snethlegae, que ficam restritas à jusante da barreira. Os trechos médio e baixo possuem uma grande área de drenagem, com inúmeras lagoas marginais (ERTEL et al., 1986), formadas durante o período de cheia dos rios, quando estes invadem as áreas mais baixas. Essas lagoas são essenciais para reprodução dos peixes, considerando que, durante o período de cheia, milhares de ovos e larvas jovens são carreados para dentro dessas lagoas, que se tornam berçários naturais de peixes. Além dessas áreas serem criadouros naturais de várias espécies de peixes, elas se constituem em ambientes de extrema importância para outras espécies animais co-habitantes, como os invertebrados, anfíbios, répteis, aves e mamíferos (FISCHER et al., 1992; SEVERI, 1997). São relatadas para o rio Teles Pires cerca de 100 espécies, distribuídas nas ordens Characiforme, Siluriforme, Perciforme, Gymnotiforme, Synbranchiformes. De acordo com os registros dos trabalhos recentes desenvolvidos neste rio e nos seus afluentes 52 (GODOI, 2004; CAMARGO et al., 2005; IBAMA, 2000; SMERMAN, 2007), a fauna ictiológica de pequeno porte é diversificada, possui espécies potencialmente exploráveis para aqüicultura, porém ainda pouco estudadas. As categorias de pesca (ENGEVIXELETRONORTE/ encontradas no FURNAS/ELETROBRAS, estado 2005) do são: Mato pesca Grosso profissional artesanal, pesca de subsistência, pesca ocasional ou de lufada e pesca amadora. Ainda que a pesca de subsistência e a profissional sejam recorrentes localmente, Catella & Petrere (1996) sugerem que os estoques pesqueiros encontram-se ainda subexplorados. Isso ocorre porque freqüentemente o esforço de pesca recai principalmente sobre as espécies de médio e grande portes, como é o caso dos surubins, cacharas, piraíbas, jundiás, entre outros. De acordo com Silva (1986) e com relatório de pesca amadora do IBAMA (2000), constatouse que na região sul do Estado, o número anual de pescadores esportivos oriundosprincipalmente da Região Sudeste do País saltou de 17.000, no período de 1979 a 1981, para 43.921, em 1995. Essa prática esportiva movimenta grandes divisas e é também estimulada pelos órgãos ambientais e pelas empresas de turismo nacionais e internacionais (IBAMA, 2000). Os peixes mais visados pela pesca amadora são: piraíba (Brachyplathystoma filamentosum), pirarara (Phractocephalus hemioliopterus), caparari (Pseudoplatystoma tigrinum), matrinxã (Brycon sp.) (Foto 7), cachorra (Hydrolycus scomberoides (Foto 8) e Raphiodon vulpinus), piranambu (Pirinampus pirinampu), tambaqui (Colossoma macropomum), caranha (Piaractus mesopotamicus) e jundiá (Rhamdia spp.). FOTO 7- MATRINXÃ (BRYCON FALCATUS) FOTO 8- CACHORRA (HYDROLYCUS TATAUAIA) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) 53 Segundo dados inventariados por Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005), as capturas efetuadas pela pesca amadora de subsistência não são sistematicamente registradas, da mesma forma que os dados sobre o desembarque do pescado resultante da pesca profissional, também são descontínuos e incompletos. Contudo, são essas as informações que possibilitam fazer inferências sobre o aporte pesqueiro da região. Entre as espécies catalogadas pelo IBAMA (2000) junto aos pescadores, pode-se verificar que no rio Teles Pires e em seus afluentes, a maioria das espécies é nativa. Essa característica favorece altos índices de diversidade e integridade biológica para o sistema. Vários fatores influenciam a diversidade das espécies no caso dos grandes rios e dos reservatórios, como a morfologia, o tamanho, a manutenção da cobertura vegetal das margens, a presença de tributários e a introdução de espécies exóticas. 6.2.2.9 Meio Antrópico 6.2.2.9.1 Formação histórica regional As regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil foram originalmente ocupadas por diferentes etnias indígenas, tais como: Baikairi, Aweti, Juruna, Kalapálo, Kamayurá, Kayabi, Kuikuru, Matupú, Nahukwa, Mehinaku, Suyá, Tapayuirá, Trumai, Txikão, Yawalaplti, Panará (Kreuakarore), Menkrangnoti, Xavante, Kayabi, Waurá e Kaiapó (Txukahamãe/Mentuktire). Os remanescentes dessas etnias ainda estão presentes nessas regiões, habitando, principalmente, as diversas Terras Indígenas aí estabelecidas. Embora muitos dos núcleos urbanos tenham sido instalados desde o século XVIII, as dinâmicas territoriais nessa região começaram a se alterar principalmente no século XVII, que pode ser assinalado como o período em que teve início a ocupação de origem européia nas áreas que hoje compõem os estados de Mato Grosso e Pará. Esse período caracterizou-se pela dinâmica de ocupação impulsionada pelas demandas do capital manufatureiro e comercial mundial, na era colonial brasileira. A bacia do Teles Pires teve uma colonização relativamente tardia, iniciada nos anos 1960, com projetos de colonização público/ privados. Sem qualquer planejamento de assistência à saúde, educação, transporte e escoamento da produção, vários desses projetos, tanto públicos, quanto privados, estiveram inicialmente fadados ao fracasso 54 e estagnação. Porém, ao longo do tempo, com o estabelecimento de novos ciclos econômicos, boa parte dos projetos de colonização provocou uma mudança permanente na paisagem e na divisão regional do Estado de Mato Grosso, bem como na organização sociocultural da região, refletidos no processo de criação de novos municípios. Assim, o processo de municipalização foi gerado pela chegada de grandes fluxos migratórios, que se dirigiram para as áreas de fronteira agrícola. Paralelamente, uma onda garimpeira assolou a região após o término da BR-163, no início da década de 1980, e diversos garimpos se instalaram na região. O garimpo de ouro foi a principal atividade econômica regional entre os anos de 1980 e meados da década de 1990, atraindo grandes contingentes populacionais, que consolidaram a urbanização da sede municipal de Alta Floresta, tornando-a a “capital nortista do ouro”. No decorrer da década de 1990, seguiu-se um rápido esfacelamento da estrutura da cadeia produtiva e comercial aurífera, devido ao esgotamento dos afloramentos de ouro aluvionar, combinado com a queda do preço do mineral no mercado internacional e a imposição de maior controle sobre as terras mineradas. Após a estruturação da base econômica em atividades garimpeiras, ocorreu na região um expressivo desenvolvimento da bovinocultura de corte e de leite. A pecuária, aliás, tem sido a principal forma de uso da terra nos municípios do norte do Mato Grosso, onde as feições topográficas impedem a implantação da agricultura mecanizada. Na bacia do rio Teles Pires, os municípios de Nova Canaã do Norte, Colíder, Terra Nova do Norte, Guarantã do Norte, Juara e Alta Floresta formam um pólo regional de pecuária, que detém cerca de 9% do rebanho bovino estadual. Além da pecuária, a região noroeste do Mato Grosso se destaca pela produção agrícola, contribuindo com mais de 20% do valor da produção estadual. Permeando todos os ciclos econômicos iniciados na região com a abertura de estradas, sempre houve a exploração de madeira, praticada usualmente de modo irregular e predatório. As nascentes do Teles Pires e de outros rios importantes, como Xingu e Araguaia, estão localizadas nas áreas de expansão do cultivo da soja e algodão - agora, também da cana-deaçúcar -, e o alto índice de desmatamento na região norte de Mato Grosso e ao longo da BR-163 vem se tornando tema de constante preocupação. Sete municípios da bacia estão na lista dos maiores desmatamentos de 2007. 55 As porções média e baixa da bacia do rio Teles Pires ainda são áreas de fronteira agrícola em transformação, caracterizadas pela implantação tímida de monoculturas extensivas e por grandes pastos para a pecuária de corte. Outra área bastante ameaçada, desde a abertura da estrada BR-163, é a região da Serra do Cachimbo, ao longo da margem esquerda do rio Teles Pires, no sul do Pará e norte de Mato Grosso (municípios de Guarantã do Norte, Jacareacanga e Novo Progresso). Por fim, cabe ressaltar que a história de ocupação do noroeste mato-grossense e do sudoeste paraense caracteriza-se também pela deflagração de conflitos com as populações indígenas. A partir da construção das estradas em meados da década de 70, muitas áreas, antes ocupadas por tribos indígenas, foram disponibilizadas para projetos colonizadores, extrativismo mineral e vegetal. Vários povos sofreram mudanças no seu padrão tradicional de vida, além de serem vítimas de violência e enfermidades ausentes de seu cotidiano. Muitas tribos locais acabaram sendo transferidas para áreas mais remotas, antes que se adotasse qualquer política de delimitação e implementação de Terras Indígenas. A Figura 4 mostra a divisão do Estado de Mato Grosso em Mesorregiões. Os 33 municípios matogrossenses que integram a AAR do empreendimento estão compreendidos na Mesorregião 1, denominada Norte Matogrossense, com a única exceção do município de Rosário Oeste, pertencente à Mesorregião 4, Centro-Sul Matogrossense. 56 FIGURA 4 - DIVISÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO EM MESORREGIÕES FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) 6.2.2.9.2 Dinâmica demográfica Os 33 municípios mato-grossenses pertencentes à AAR do empreendimento tinham em 2007 uma população residente total de aproximadamente 614 mil habitantes, o que representa cerca de 91,3% da população total da AAR e 21,5% da população do Estado de Mato Grosso. Os dois municípios paraenses incluídos na AAR têm uma população residente total de 58.671 habitantes, o que representa 8,7% da população total da AAR e apenas 0,83% da população do Estado do Pará. A população residente total nos municípios da AAR passou de 420.247 habitantes, em 1991, para 568.188, em 2000, registrando-se um incremento absoluto de 147.941 habitantes em nove anos, ou seja, de 35,2%. Em 2007, a população contada pelo IBGE foi de 672.750, registrando-se um incremento bruto de 104.562 habitantes em sete anos, ou seja, de 18,4%. No período 1991/2000, a taxa média de crescimento anual da população da AAR foi de 3,41% ao ano, caindo, no período 2000/2007, para 2,44% ao ano, ou seja, uma redução de quase 1%. Observa-se, porém, que as taxas 57 médias de crescimento na AAR mantiveram-se em patamares bastante superiores às médias dos estados de MT e PA, em ambos os períodos considerados. 6.2.2.9.3 Atividades econômicas A AAR foi responsável pela geração de um Valor Adicionado - VA total de 6,9 bilhões de Reais em 2004, a preço de mercado corrente, sendo 48,36% pelo setor terciário, 37% pelo setor primário e 14,65% pelo setor secundário. Cabe salientar que 97% do VA produzido na AAR em 2004 foi gerado nos municípios mato-grossenses. Os municípios com maior Valor Adicionado em 2004 estão apresentaddos na Tabela 10. TABELA 10 - MUNICÍPIOS COM MAIOR VALOR ADICIONADO EM 2004 Município Valor Adicionado (R$) % do VA total da AAR Sorriso 1 bilhão 15,6 Sinop 987 milhões 14,25 Lucas do Rio Verde 752 milhões 10,86 Nova Mutum 678 milhões 9,79 Alta Floresta 352 milhões 5 FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) Outros quatro municípios - Juara, Colíder, Nova Ubiratã e Tapurah – produziram em 2004 valores adicionados entre 200 e 240 milhões de Reais. Em 22 municípios da AAR, todos mato-grossenses, as atividades rurais ou agropecuárias predominavam na geração do VA (Nova Ubiratã, Itaúba, Novo Mundo, Sta. Rita do Trivelato e Tapurah, onde a participação do setor primário representa mais de 60% do respectivo VA total municipal). O setor de serviços predomina na geração do VA total em 11 municípios, incluindo os dois paraenses. Os municípios mais populosos - Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Jacareacanga, Juara, Guarantã do Norte, Lucas do Rio Verde, Colíder e Peixoto de Azevedo - são os que apresentam as maiores participações do setor terciário na geração do VA total, que variam de 49% a 75%. Nos municípios de Nobres, Sinop, Colíder, Alta Floresta e Guarantã do Norte, a participação do setor industrial na geração do VA total varia de 20% a 30%. Os 58 maiores VAs da indústria, em termos absolutos, foram gerados em Sinop, Sorriso, Alta Floresta e Nova Mutum, que são os principais pólos industriais da AAR. Exceção feita a Jacareacanga/PA, os municípios com as maiores participações de atividades secundárias e terciárias são os mais urbanizados da região, com 70% ou mais de população urbana. 6.2.2.9.4 Hierarquia da rede urbana regional Segundo a Contagem de População 2007, no Estado de Mato Grosso, apenas Cuiabá (526,8 mil habitantes), Várzea Grande (230,3 mil habitantes), Rondonópolis (172,7 mil habitantes) e Sinop (105,7 mil habitantes) tinham populações superiores a 100 mil habitantes. A exceção de Jacareacanga/PA e Novo Progresso/PA, polarizados regionalmente por Itaituba (Centro Subregional), Santarém (Capital Regional Nível C) e Belém/PA (metrópole), os demais centros urbanos da AAR são polarizados regionalmente por Cuiabá/MT (Capital Regional Nível A). Esta, por sua vez, está localizada dentro da esfera de influência econômica da Grande São Paulo e da esfera de influência políticoadministrativa de Brasília. No Estado de Mato Grosso, o grau máximo de hierarquia urbana é ocupado por Cuiabá, classificado como “Capital Regional A”, grupo que reúne capitais estaduais com populações de até 955 mil habitantes e com capacidade de gestão territorial em um nível imediatamente inferior aos das metrópoles. Em seguida, estão as cidades de Cáceres, Rondonópolis, Barra do Garças e Sinop, na categoria de “Centro Subregional A”, que reúne cidades com atividades de gestão menos complexas e populações de até 95 mil habitantes. O terceiro nível de centralidade em Mato Grosso compreende as cidades de Diamantino, Tangará da Serra, Primavera do Leste, Mirassol D’Oeste, São Félix do Araguaia, Sorriso, Juína e Alta Floresta, pertencentes à categoria “Centro de Zona” (Níveis A ou B), que reúne cidades de menor porte, com área de influência mais restrita e com populações de até 45 mil habitantes. O quarto nível de centralidade em Mato Grosso compreende cidades como Colíder, Juara, Nova Mutum e Peixoto de Azevedo, entre outras pertencentes à categoria “Centro de Zona B”, com populações de até 23 mil habitantes. 59 As demais cidades da AAR são classificadas como “Centro Local”, pois têm influência restrita aos limites de seus respectivos municípios. Nota-se que não há um nível de relacionamento significativo entre as cidades matogrossenses e paraenses no âmbito da AAR, o que se deve, em grande parte, ao caráter radial das relações de centralidade em cada estado e à falta de ligações de transportes entre o norte do MT e o sudoeste do Pará. 6.2.2.10 Programas e Projetos Co-Localizados Neste item são indicados os projetos considerados relevantes quanto à potenciais interações com o proposto AHE Colíder, o que inclui outros aproveitamentos hidrelétricos previstos na bacia, projetos de logística e de transportes e planos de organização territorial, conforme segue: Aproveitamentos Hidrelétricos ü Teles Pires ü AHE Magessi (TPR) ü AHE Sinop (TPR) ü AHE Teles Pires (TPR) ü AHE São Manuel (TPR) Logística e Transportes ü Hidrovia Tapajós – Teles Pires; e ü Asfaltamento da BR-163. Planos de Ordenamento Territorial e Proteção Ambiental ü Plano Amazônia Sustentável (PAS); e ü Zoneamento Sócioeconomico e Ecológico do Mato Grosso – ZSEE. 6.2.3 Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Indireta – AII O Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Indireta - AII apresentado na sequência é um resumo dos estudos apresentados no EIA do AHE Colíder elaborado pela JGP Consultoria e Participações Ltda de janeiro de 2009. 60 6.2.3.1 Meio Físico 6.2.3.1.1 Caracterização Climática De acordo com o sistema de classificação climática de Köppen, a Área de Influência Indireta - AII apresenta o tipo climático Awi (clima tropical chuvoso), que corresponde ao clima tropical chuvoso de floresta, com temperaturas médias anuais extremas oscilando entre 20,6ºC e 40ºC, sendo a média de 24ºC. As precipitações anuais são elevadas, podendo atingir 2.500 mm. Verifica-se também uma sazonalidade bem definida, com a ocorrência de um período chuvoso de outubro a abril e estiagem entre maio e setembro. 6.2.3.1.2 Substrato Litoestrutural As unidades litorestratigráficas que ocorrem na AII são apresentadas na Tabela 11 e têm sua distribuição mostrada na Figura 5, produzida a partir do Mapeamento Geológico da CPRM (CPRM, 2004) – Folha Juruena. TABELA 11- UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS FANEROZÓICAS E PROTEROZÓICAS QUE OCORREM NA AII DO AHE COLÍDER, NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TELES PIRES Unidade Litotipos Idade Q2a Depósitos Aluviais Argila, silte, areias, cascalhos e matéria orgânica Pleistoceno / Holoceno N1 r Formação Ronuro Areia, silte argila cascalho e laterita pouco consolidados Neogeno MP2 d Formação Dardanelos Subarcóseos, quartzo-arenitos, arcóseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspático médio a grosso Mesoproterozóico 61 FIGURA 5 - COBERTURAS GEOLÓGICAS DA AII FONTE: ADAPTADO EIA AHE COLÍDER, 2009 No trecho estudado da Bacia Hidrográfica do rio Teles Pires, entre a foz do ribeirão da Águia e a Cachoeira Três Corações (sítio do AHE Sinop), predominam arenitos quartzosos e arcoseanos e conglomerados da formação Dardanelos, ocorrendo sedimentos da Formação Ronuro na bacia do rio Renato, afluente da margem direita do rio Teles Pires. Cabe destacar que o substrato litoestrutural da AII divide-se em: ü Arenitos, Arcóseos e Conglomerados; e ü Cobertura Detrito-Laterítica. 6.2.3.1.3 Relevo Planalto dos Parecis O Planalto dos Parecis apresenta relevo de grande homogeneidade evoluído a partir de uma antiga superfície de aplanamento preservada principalmente nos divisores de 62 água, que corresponde ao relevo de Superfície pediplanada (chapada), o qual vem sendo entalhado pela drenagem atual, dando origem a relevos pouco dissecados em tabuleiros e colinas. No contexto de toda a bacia hidrográfica, essa unidade de relevo é limitada a sul por uma escarpa, que constitui o limite com a unidade de relevo Depressão do Alto Paraguai, ondeas altitudes variam de 500 a 600 m, decaindo para norte onde atingem altitudes de 250 a 340 m, no seu contato com a Depressão da Amazônia Meridional, onde se encontra a AII. Na área de estudo, a unidade é sustentada por subarcóseos, quartzo-arenitos, arcóseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspáticos médios a grossos, do mesoproterozóico, da Formação Dardanelos, e secundariamente por coberturas detrito-lateríticas cenozóicas da Formação Ronuro, preservadas nos principais interflúvios deste trecho da bacia do rio Teles Pires. A Formação Ronuro constitui unidade litológica associada à Depressão Xingu ou Superfície do Alto Xingu, segundo os mapas de unidades de relevo do IBGE – 1993 e 2006. Na unidade de relevo do Planalto dos Parecis predominam Latossolos Vermelho – Amarelo e Latossolo Vermelho, ocorrendo ao longo das planícies fluviais: Gleissolos Háplicos, Neossolo Flúvico, Plintossolo Háplico e Neossolo Quartzarênico Hidromórfico. Depressão Interplanáltica da Amazônia Meridional Abrangendo o setor central da AII e o trecho do rio Teles Pires no qual é previsto o eixo e o reservatório do AHE Colíder, a Depressão Interplanáltica da Amazônia Meridional (segundo denominação do RADAM) ou Depressão da Amazônia Meridional (denominação do IBGE) é uma unidade de relevo de grande extensão, que constitui uma superfície de aplanamento, com altitudes de 280 a 400 m, a sul, e caimento para norte, apresentando altitudes de 200 a 220 m, na confluência dos rios Teles Pires e Juruena. Associado a essa unidade ocorrem relevos residuais que formam o Planalto Residual do Sul da Amazônia. Nessa unidade foram diferenciados pelo RADAMBRASIL (1980) relevos com diferentes índices de dissecação que correspondem a relevos dissecado em colinas de topo aplanado (c 21 e 31), e ainda remanescentes de superfície pediplanada (t 31 e 41). Na área da AII esta unidade de relevo é representada por relevos dissecados, caracterizados como Colinas e Morrotes, no qual se encaixa o vale do rio Teles Pires, 63 que entalha as rochas da formação Dardanelos, que se associa a Plintossolos Pétricos concressionários, Neossolos Litólicos e Argissolos Vermelho-Amarelos. Tipos de relevo ü Colinas Amplas Esse relevo caracteriza um estágio mais avançado da dissecação do Planalto dos Parecis, e constitui terrenos suaves ondulados, sustentados por arenitos da Formação Dardanelos e sedimentos da Formação Ronuro. O relevo de Colinas amplas se desenvolve nos interflúvios, têm encostas de baixa inclinação e com amplitudes médias, caracterizando-se pela presença de topos convexos e talvegues entalhados em vales abertos e erosivos, onde predominam solos de textura argilosa e argiloarenosas. Esses relevos, que ocorrem na AII, constituem trecho da AID, na margem esquerda do rio Teles Pires. ü Colinas Amplas e Médias O relevo de Colinas amplas e médias representa uma fase de maior dissecação da antiga superfície de aplanamento que nivelava o Planalto dos Parecis, em área sustentada por subarcóseos, quartzo-arenitos, arcóseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspáticos médios a grossos da Formação Dardanelos. Esse relevo tem topos convexos amplos e encostas de baixa inclinação, com afloramentos rochosos. As Colinas amplas e médias predominam na margem esquerda do rio Teles Pires, e constituem pequeno trecho da AID do empreendimento. ü Colinas e Morrotes O relevo de Colinas e Morrotes caracteriza o relevo mais dissecado desse trecho da bacia do rio Teles Pires. Ele ocorre ao longo do rio, a jusante da Corredeira Celita, representando uma fase de entalhamento do rio, possivelmente associado a movimentos neotectônicos. Durante essa fase de entalhamento o rio escavou esse trecho, onde o formou cânion, que hoje está em sua maior parte afeiçoada, por processos de aplanamento, que teriam ocorrido após o período de atividade neotectônica. Os processos de aplanamento teriam originado pedimentos, que ocorrem no sopé 64 das escarpas e ao redor de morrotes e morros residuais, e que caracterizam o relevo de colinas que compõe esse relevo. As Colinas e Morrotes caracterizam a maior parte da AID, sendo um relevo constituído por encostas inclinadas e em alguns locais escarpadas, que deverão constituir margens do futuro reservatório com maior probabilidade de ocorrência de problemas de estabilidade. ü Planície Fluvial e Terraços Este tipo de relevo ocorre ao longo dos principais cursos d’água da bacia do rio Teles Pires, sendo a sua distribuição condicionada pela presença de soleiras estruturais. Esse relevo compreende a associação de Planícies fluviais alagadiças, que predominam com Baixo Terraços e Terraços, que são mais restritos e só representáveis nos mapas em escala maiores. Na AII ocorrem trechos com deposição fluvial intensa, no rio Renato, a montante da sua confluência com o Teles Pires, possivelmente condicionada por barramento litoestrutural. Essa planície se desenvolve de modo contínuo por mais de 70 km, com larguras de 1.000 a 2.500 m. Esse relevo que ocorre na AII e na AID deverá ser atingido de modo significativo pelo reservatório, que irá afogar esses terrenos ao longo de todo trecho afetado do rio Teles Pires. 6.2.3.1.4 Solos A distribuição dos solos na AII apresenta relação direta com o relevo e o substrato rochoso, onde se reconhecem as seguintes relações: ü Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Vermelhos e os Plintossolos Concressionários, que se desenvolvem sobre Sedimentos Detrito-Laterítica da Formação Ronuro e rochas da Formação Dardanelos. Estão associados aos relevos colinosos e aplanados dos interflúvios, que caracterizam o Planalto dos Parecis; ü Os Plintossolo Pétrico Concrecionário distrófico, textura indiscriminada, Neossolos Quartzarênicos e Litólicos e os Argissolos Vermelho-Amarelos, ocorrem associados aos relevos mais dissecados da bacia, onde predominam arenitos, 65 arcóseos e conglomerados da Formação Dardanelos e que caracterizam a Depressão da Amazônia Meridional; e ü Gleissolo Háplico, Neossolo Flúvico, Plintossolo Háplico e Neossolo Quartzarênico Hidromórfico, que ocorrem nas planícies fluviais e áreas alagadiças. 6.2.3.1.5 Unidades de terrenos Os principais atributos das unidades de terrenos que ocorrem na AII do AHE Colíder e que constituem o Planalto dos Parecis e a Depressão da Amazônia Meridional estão apresentados na Tabela 12. TABELA 12- UNIDADES DE TERRENOS QUE OCORREM NA AII DO AHE COLÍDER E QUE CONSTITUEM O PLANALTO DOS PARECIS E A DEPRESSÃO DA AMAZÔNIA MERIDIONAL Unidade de terreno relevo Colinosos argiloarenosos (I) Colinosos Dissecados (II) Planícies fluviais (III) 6.2.3.1.6 Altitude (m) Substrato Rochoso e Cobertura Detrítica Solos 300 - 360 Subarcóseos, quartzoarenitos, arcóseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspático médio a grosso (Fm. Dardanelos), areia, silte, argila, cascalho e laterita pouco consolidados (Fm. Ronuro). LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrófico + LATOSSOLO VERMELHO Distrófico, ambos de textura argilosa e média + ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrófico, textura argilosa + PLINTOSSOLO PÉTRICO Concrecionário Distrófico, textura argilosa + NEOSSOLO QUARTZARÊNICO, A moderado, relevo suave ondulado. 240 - 320 Subarcóseos, quartzoarenitos, arcóseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspático médio a grosso (Fm. Dardanelos) PLINTOSSOLO PÉTRICO Concrecionário distrófico, textura indiscriminada + ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrófico, A moderado, textura média + LATOSSOLO VERMELHO, distrófico, textura média, relevo plano e suave ondulado + NEOSSOLO QUARTZARÊNICO Distrófico, ambos textura indiscriminada, relevo ondulado + NEOSSOLO LITÓLICO Distrófico, textura indiscriminada, relevo escarpado e forte ondulado. Variáveis Areia fina a grossa, por vezes argilosas, cascalhos e blocos de calcedônia e silexito; de modo subordinado argila orgânica e argila siltosa. GLEISSOLO HÁPLICO Tb Distrófico, textura indiscriminada + NEOSSOLO FLÚVICO Tb Distrófico, textura indiscriminada, relevo plano. Aqüíferos A bacia do rio Teles Pires faz parte da Região Hidrográfica Amazônica, que apresenta dois grandes domínios hidrogeológicos: os sistemas aqüíferos fissurais e os sistemas 66 aqüíferos sedimentares. Na área de estudo, os sistemas aqüíferos fissurais estão associados às rochas do embasamento cristalino do Cráton Amazônico. Esses sistemas, em geral, têm baixa produtividade quando aflorantes, mas podem apresentar uma maior produtividade quando recobertos por sedimentos inconsolidados, com espessuras que por vezes ultrapassam 40 m. Estas áreas das coberturas, de porosidade primária, constituem-se de reservatórios hídricos de boa potencialidade, que permitem a recarga contínua do sistema fissurado subjacente. Nesta região, a produtividade dos poços em aqüíferos fissurais é extremamente variável, com média em torno de 10 m3/h. Na área da bacia hidrográfica do rio Teles Pires ocorrem dois tipos de aqüíferos, o Sistema Aqüífero sedimentar Parecis que predomina a sul, e o Sistema Aqüífero Fissural, que ocorre na parte central da bacia, e que na porção norte associa-se a áreas menores de sistemas aqüíferos sedimentares formados pelas rochas paleozóicas da Bacia do Alto Tapajós. Nos estudos realizados para o EIA do AHE Colíder (2009) foram caracterizados, na AII a área da bacia hidrográfica do rio Teles Pires, três unidades hidrológicas, associadas ao sistema sedimentar. A Tabela 13 apresenta as Unidades hidrogeológicas associadas ao sistema sedimentar, que ocorrem na AII do AHE Colíder - área da bacia hidrográfica do rio Teles Pires. Já a Figura 6 ilustra esses dados. TABELA 13- UNIDADES HIDROGEOLÓGICAS ASSOCIADAS AO SISTEMA SEDIMENTAR Unidade Aqüífera Depósitos Aluviais Cobertura DetritoLaterítica Características I Argila, silte, areias, cascalhos e matéria orgânica, nível de água subterrânea raso, subaflorante. Porosidade efetiva e permeabilidade elevada, conexão direta com as águas do rio. Aqüífero heterogêneo, anisotrópico, descontínuo, livre e freático, com boa potencialidade de explotação. II Sedimentos argilo-arenosos com blocos e nódulos de concreções lateríticas e níveis de seixos de quartzo, que por vezes recobre horizonte de argila mosqueado. Situam-se em divisores de bacia hidrográfica. Ocorrência de nascentes, afloramentos do freático e provavelmente são divisores de bacia hidrogeológica. Aqüífero de permeabilidade relativa média a média-baixa, contínuo, livre, predominantemente inconsolidado, de extensão local. Áreas de recarga do aqüífero Parecis. Formação Ronuro Arenitos, arcóseos com níveis de conglomeráticos e intercalações de siltito e argilito. Aqüífero de permeabilidade relativa média a alta, com fluxo contínuo, Rochas IIIa localmente descontínuo, comportamento predominantemente livre, Arenosas apresentando-se eventualmente semi-confinado/confinado, com extensão regional e ocasionalmente local. Formação Dardanelos FONTE: CENEC/SEPLAN/MT (2003) 67 Depósitos Aluviais Cobertura Detrito-Laterítica Rochas Arenosas FIGURA 6- DISTRIBUIÇÃO DAS UNIDADES AQÜÍFERAS NA AII FONTE: ADAPTADO DO EIA AHE COLIDER (2009) 6.2.3.1.7 Sismicidade Dos eventos sísmicos registrados 943 ocorreram na área de Porto dos Gaúchos, fora da bacia hidrográfica, e 20 em outras localidades. Do total, 14 sismos não tiveram a magnitude (Mb) calculada e os demais se situaram entre 0,4 Mb (ultramicrotremor) e 6,6 Mb (moderado). Na região de interesse o sismo natural de maior magnitude (6,6 Mb) ocorreu em 1955, na área da Serra do Tombador, cerca de 200 km a sudoeste do AHE Colíder e os sismos naturais mais próximos ocorreram cerca de 90 km a sudoeste do mesmo aproveitamento, com magnitude 3,5 a 4,4 Mb (pequena magnitude). A maior parte dos eventos sísmicos identificadas no levantamento do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (OBSIS-UnB) situam-se além dos limites da bacia hidrográfica do rio Teles Pires, destacando-se a região do município de Porto dos Gaúchos, que concentra tanto uma maior quantidade de eventos como os sismos de maior magnitude. 68 Possivelmente tal concentração esteja associada à Faixa de lineamentos Juruena. Embora seja uma região de intensidade sísmica baixa a área de estudo apresenta freqüentemente sismos que devem refletir uma atividade sísmica residual, associada as estrutura de orientação nordeste e leste-oeste. 6.2.3.1.8 Hidrografia De acordo com a regionalização hidrológica e hidrográfica adotada pelo estado do Mato Grosso, a Área de Influência Indireta está situada na Unidade de Planejamento e Gestão Médio Teles Pires (A-5). Na AII o rio Teles conta já com as vazões contribuintes provenientes dos rios Verde e Celeste, que juntos drenam áreas extensas do alto Teles Pires. Entre os limites de montante e de jusante da AII, verifica-se um desnível da ordem de 30 m no rio Teles Pires. Nesse trecho segmentado da sua bacia hidrográfica, o rio apresenta percurso de 110 km, o que indica uma baixa declividade geral do canal fluvial principal de 0,3 m/km. No limite de montante da AII, junto ao sítio correspondente ao eixo do AHE Sinop (TPR-775) existe a ocorrência de curto segmento com corredeiras. A jusante, já dentro da AII, não ocorrem trechos significativos com quedas concentradas, embora ocorram pequenas corredeiras. O rio Teles Pires apresenta no trecho da AII largura que varia de 240 a 280 m, desenvolvendo percurso geral no sentido sul-norte entre o limite de montante da AII e a foz do rio Renato (afluente da margem direita do Teles Pires) e leste-oeste entre a foz do rio Renato e a foz do ribeirão da Águia (limite de jusante da AII). Além do rio Teles Pires e dos citados rio Renato e ribeirão da Águia, outros corpos d’água que compõem a rede de drenagem da AII são o córrego do Pedro e o ribeirão do Maluco, ambos afluentes do rio Teles Pires. 6.2.3.1.9 Qualidade da água As análises de qualidade da água realizadas na Bacia Hidrográfica do Rio Teles Pires quando dos estudos de inventário (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRÁS, 2005) incluíram dez pontos de amostragem, dos quais nenhum se encontra inserido na delimitação da AII adotada no presente EIA. 69 Avaliando-se todas as variáveis limnológicas analisadas para as coletas realizadas nos pontos próximos ou dentro da AII do AHE Colíder, tanto para ENGEVIXELETRONORTE/ FURNAS/ELETROBRÁS (2005) como para Fonseca (2006), pode-se considerar que não há condições tóxicas evidentes no trecho em estudo, nem características de fontes poluidoras evidentes, seja para a época seca ou para a chuvosa. 6.2.3.1.10 Patrimônio Paleontológico A Formação Dardanelos forma platôs preservados em grábens e consiste de cobertura sedimentar horizontalizada, que ocorre na região norte/noroeste de Mato Grosso, sobreposta em discordância angular/erosiva às rochas dos grupos Roosevelt, Colíder, Beneficente e as demais unidades de rochas que constituem o embasamento regional (SANTOS, 2003). Conforme avaliado não há, na bibliografia consultada, qualquer registro paleontológico associado à Formação Dardanelos, notadamente nos municípios abrangidos pelo empreendimento, o que permite concluir, com base em fontes secundárias, que a AII do AHE Colíder apresenta baixo potencial à ocorrências fossilíferas. 6.2.3.2 Meio Biótico 6.2.3.2.1 Caracterização da cobertura vegetal na AII A AII do AHE Colíder está inserida acima do limite setentrional da distribuição da Região Fitoecológica da Savana no Estado de Mato Grosso (IBGE, 2004; 2006) e na porção centro-ocidental da Zona de Tensão Ecológica (ecótono) entre os Biomas Cerrado e Amazônico (Classe 2). Esta região se caracteriza pela interpenetração entre o bioma de transição Cerrado-Amazônia e o bioma Amazônico propriamente dito, formando mosaicos vegetacionais complexos. Assim, deve-se considerar a ordem de grandeza relativa ao tamanho dessas áreas, que corresponde a milhões de quilômetros quadrados, um dos motivos que torna difícil o estabelecimento de limites precisos para cada bioma, não sendo os biomas de transição (ecótonos) exceção à regra. 70 Áreas de Transição (Tensão Ecológica) Grande parte do Estado de Mato Grosso é revestida por áreas de tensão ecológica, que se encontram principalmente entre os paralelos 10º S e 15º S, abrangendo as porções central e meridional da AII. Segundo análise do mapeamento realizado pelo PROBIO (MMA, 2006) nesta porção da bacia do médio Teles Pires há predominância de formações típicas do Bioma Amazônico, ocorrendo três Regiões Fitoecológicas - Floresta Ombrófila Densa (D), Floresta Ombrófila Aberta (A) e Floresta Estacional Semidecidual (F). A Floresta Ombrófila apresenta quatro subcategorias: Floresta Ombrófila Densa Aluvial (Da), Floresta Ombrófila Densa Submontana (Ds), Floresta Ombrófila Aberta Submontana (As) e Floresta Estacional Semidecidual Submontana (Fs). Ainda são reconhecidas, na AII, duas das quatro fisionomias de Savana, que ocorrem na AAR: a Savana Arbórea (Sa) e a Savana Florestada (Sd). Também ocorrem duas fitofisionomias características de áreas de tensão ecológica, como a tipologia do contato Savana/Floresta Ombrófila (SO) e o contato Floresta Ombrófila/Floresta Estacional (ON). A Tabela 14 exibe as Unidades Fitofisionômicas da AII do AHE Colíder. TABELA 14 - UNIDADES FITOFISIONÔMICAS DA AII DO AHE COLÍDER Unidades Fitofisionômicas Área (Km²) Ac+Vs+As (Agricultura, Vegetação Secundária, Floresta Aberta Ombrófila Submontana) 269,42 ON (Floresta Ombrófila, Floresta Estacional) 1.212,39 SN (Savana, Floresta Estacional) 1.072,47 Sd (Savana Florestada) 16,63 Fs (Floresta Estacional Semidecidual Submontana) 166,58 Ag (Agropecuária) 290,55 Da+Pa (Floresta Ombrófila Densa Aluvial, Formação Pioneira com influência fluvial e/ou lacustre) 37,43 Vs (Vegetação Secundária) 96,26 Ac (Agricultura) 185,00 Ap (Pecuária – pastagem) 196,23 As (Floresta Ombrófila Aberta Submontana) 9,71 Sa (Savana Arborizada) 31,57 Ac+Vs (Agricultura, Vegetação Secundária) 9,05 Da (Floresta Ombrófila Densa Aluvial) 6,17 FONTE: ADAPTADO EIA AHE COLIDER (PROBIO, 2006) 71 A Floresta Ombrófila Densa Aluvial (Da) destaca-se como formação que recobre as planícies aluviais, estando diretamente associada à presença e proximidade dos cursos d’água e aos efeitos de cheias anuais dos rios ou de depressões alagáveis. A Tabela 15 exibe as Áreas Antrópicas Dominantes na AII do AHE Colíder. TABELA 15 - ÁREAS ANTRÓPICAS DOMINANTES NA AII DO AHE COLÍDER Áreas Antrópicas Dominantes na AII Classes Área (Km) Culturas Cíclicas – Acc 770,85 Vegetação Secundária sem palmeiras – Vss 13,34 FONTE: ADAPTADO DO EIA AHE COLIDER (PROBIO, 2006) 6.2.3.2.2 Desflorestamento na AII A Área de Influência Indireta está situada no chamado Arco do Desflorestamento da Amazônia, que engloba os estados do Acre, Rondônia, o sul do Amazonas, o norte do Mato Grosso, sul e leste do Pará, norte de Tocantins e oeste do Maranhão. Trata-se de ampla área no sul da Amazônia e no contato com o Cerrado marcada, nas últimas décadas, pelo intenso processo de exploração de madeira e de substituição da cobertura vegetal por pastagens e culturas agrícolas. Em 1979, a principal via de penetração na AII era a rodovia federal BR-163. Assim, as principais áreas desmatadas, principalmente usos agrícolas situavam-se no eixo dessa rodovia e na cabeceira do rio Renato. Já em 1990 o processo intensificou-se ao longo da década de 1980 no eixo da BR-163 e ao longo do rio Renato, neste último possivelmente associado à atividade garimpeira. Também entre 1979 e 1990 são observadas vias de penetração perpendiculares, dando início ao padrão “espinha de peixe” verificado em diversas áreas da Amazônia. Neste período apareceram novas áreas agrícolas no interflúvio do rio Teles Pires e seu afluente pela margem esquerda, o rio Índio Possesso. Nesse período a rodovia MT-479 começa a servir de via de entrada para a região nordeste da AII. Em 2007 quase todos os interflúvios da AII apresentaram usos agrícolas ou pastoris, com uma maior dinâmica na margem esquerda do rio Teles Pires. Os dados do Programa de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (PRODES), executado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) através de imagens orbitais, ilustram também a dinâmica do desmatamento na AII. Os dados são 72 apresentados na Tabela 16 por município e representam o total acumulado de áreas desmatadas em 2000 e em 2007. TABELA 16- DESMATAMENTO NOS MUNICÍPIOS DA AII DO AHE COLÍDER Município Desmatamento até o ano 2000 (km²) Desmatamento até o ano 2007 (km²) Nova Canaã do Norte 2.384,2 2.931,1 Colíder 2.367,9 2.488,5 Itaúba 1.135,2 1.581,1 Cláudia 1.095,5 1.503,2 Total 6.982,8 8.503,9 FONTE: ADAPTADO DO EIA AHE COLIDER (PRODES, 2008) Os dados demonstram que a continuidade do processo na região vem ocorrendo com relativa intensidade nos últimos anos, com incrementos da ordem 22,9% em Nova Canaã do Norte, 5,1% em Colíder, 39,3% em Itaúba e 37,2% em Cláudia. Considerando a ampliação de áreas desmatadas indicada pelos dados do INPE para o conjunto dos municípios listados na Tabela 16, o incremento de áreas desmatadas foi de 21,8% ou 1.521 km² em sete anos. 6.2.3.2.3 Fauna Terrestre Mastofauna A priori, como a AII está localizada em área de transição entre o bioma Cerrado do Brasil Central e a Floresta Pluvial Amazônica, a mastofauna ocorrente na AII provavelmente apresenta elementos típicos de ambos os biomas, podendo ser considerada como uma fauna de sobreposição. As espécies amazônicas ocorrem predominantemente nos ambientes florestais e as típicas do cerrado nos ambientes mais abertos ou cobertos por vegetação savânica. Como exemplo da fauna típica do bioma Amazônico, potencialmente ocorrente na AII, podem-se citar o xenartro Dasypus kappleri (tatu-quinze-quilos), os marsupiais do gênero Marmosops (cuíca ou catita), os primatas Ateles chamek (coatá, macacoaranha ou acacopreto), Allouata seniculus (bugiu-vermelho), Callithrix emiliae (soimbranco) e C. melanura, entre outros. 73 Entre os mamíferos tropicais da América do Sul, há um sub-grupo formado por espécies sem fidelidade de hábitat, cujos representantes podem ocorrer na área da AII. Este grupo inclui muitos predadores de topo, de médio e grande porte, como a onça-pintada (Panthera onca), a onça-parda (Puma concolor), o furão (Galictis sp.), e muitos dos xenartros, como o tatu-galinha (Dasypus sp) e os tamanduás-bandeira e mirim (Myrmecophaga tridactyla e Tamandua tetradactyla, respectivamente). Conforme citado no Diagnóstico Ambiental do Inventário Hidrelétrico da bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX, 2005), para toda a bacia do Teles Pires, foram registradas 62 espécies de mamíferos, das quais 52 foram registradas em fitofisionomias amazônicas, 47 no Cerrado e 42 em áreas ecotonais. Também existe a indicação de conflitos na região de Alta Floresta entre a comunidade local e as espécies de carnívoros predadores de topo. A espécie citada como a causadora de mais conflitos é a onça-parda ou suçuarana (Puma concolor) – mais resiliente à fragmentação de hábitat que a onça-pintada. Este carnívoro preda rebanhos domésticos devido às baixas densidades (ou mesmo extinções locais) de suas presas naturais. A existência deste tipo de conflito na AII do AHE Colíder poder ter uma explicação na fragmentação da paisagem na região. Avifauna O Estado do Mato Grosso possui cerca de 850 espécies de aves (DSEEN/MT, 2002). Tal riqueza corresponde à enorme diversidade de habitats encontrados no Estado, no qual os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal estão representados. A área de Alta Floresta, próxima a região do estudo, figura como a segunda localidade em riqueza de espécies de aves no Brasil. Esta área foi considerada como prioritária para a conservação de aves, segundo o Workshop de Áreas Prioritárias para Conservação da Amazônia de 2000 (CAPOBIANCO, 2001), considerando especialmente a mistura de taxa dos interflúvios Xingú-Tapajós e Madeira-Tapajós. No Parque Nacional do Tapajós, localizado na mesma bacia hidrográfica, foram encontradas 19 espécies de dendrocalaptídeos considerados indicadores de áreas conservadas. Na região em que está inserido o Parque Estadual Cristalino, no município de Alta Floresta, localizado ao norte da AII do empreendimento, já foram registradas mais de 500 espécies de aves, e a lista de novas espécies ainda não se esgotou. 74 As espécies ameaçadas de provável ocorrência na região O diagnóstico ambiental do Inventário Hidrelétrico da Bacia do Rio Teles Pires realizado pela Engevix (2005) contabilizou 15 espécies com alguma categoria de ameaça de extinção segundo as listas do IBAMA (2003) e IUCN (2004). Entre essas foi destacada a Clytoctantes atrogularis, considerada criticamente ameaçada de extinção em função da perda de hábitat e um potencial acentuado declínio populacional. Cabe salientar que o médio curso do Teles Pires apresenta elevado grau de fragmentação de hábitat, havendo muitas fazendas de pecuária bovina e grandes extensões de monocultura de soja. Neste cenário, a avifauna remanescente é provavelmente composta por espécies menos sensíveis às alterações ambientais, menos exigentes em termos de qualidade de hábitat (mais generalistas). A expectativa de manutenção de espécies ameaçadas de extinção (geralmente especialistas de hábitat) na região, em longo prazo é baixa, o que reforça que se devem envidar esforços para a o desenvolvimento de atividades conservacionistas na região como um todo. Herpetofauna O conhecimento sobre a composição da herpetofauna do Cerrado pode ser considerado incipiente. As regiões melhor estudadas em relação à fauna de répteis e anfíbios em geral estão próximas dos grandes centros urbanos ou provenientes de áreas de construção de hidroelétricas. Em função da representatividade das fitofisionomias dos biomas Amazônia e Cerrado, é de se esperar que a comunidade de anuros e répteis ocorrentes na AII do AHE Colíder apresente afinidades tanto com as comunidades tipicamente amazônicas como as do Cerrado. Além da ocorrência de espécies generalistas que se distribuem através de vários biomas e habitats. O levantamento primário da herpetofauna realizado no contexto do Inventário Hidrelétrico ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, da Bacia 2005) do Rio registrou Teles 29 Pires espécies (ENGEVIXde répteis distribuídas em 16 famílias, dos quais sete espécies de lagartos (três famílias), 13 de serpentes (quatro famílias), três espécies de crocodilianos pertencentes à família Alligatoridae e sete espécies de quelônios pertencentes à quatro famílias. 75 Das espécies registradas, apenas uma espécie, o jacaré-açu (Caiman niger) está listado no apêndice I da CITES, que inclui as espécies mais ameaçadas de extinção. 6.2.3.2.4 Ictiofauna e o Ecossistema Aquático De acordo com os trabalhos citados de Godoi (2004) e Smerman (2007) no EIA de Colíder, a ictiofauna existente no médio Teles Pires, trecho no qual está localizado o empreendimento Colíder, contém algumas espécies da ictiofauna do rio Tapajós (formado pela confluência dos rios Teles Pires e Juruena) e até de outras sub-bacias amazônicas, visto que o Tapajós é afluente do rio Amazonas pela sua margem direita. Desta forma, algumas espécies de peixes podem subir o rio Tapajós e adentrar o baixo curso do rio Teles Pires. Porém, devido à presença de barreiras naturais (particularmente as corredeiras conhecidas por “Sete Quedas”) no curso médio deste rio, provavelmente são poucas as espécies capazes de transpô-las e atingir esse trecho. Conseqüentemente, o médio curso do rio Teles Pires deve conter uma ictiofauna variada e especializada para os diferentes micro-habitats presentes na região. Ressalta-se a importância das corredeiras e cachoeiras, que constituem ambientes que abrigam espécies endêmicas e que sustentam uma grande biomassa de peixes. É consenso que a construção de barragens causa a interrupção do movimento migratório de peixes e a dispersão de espécies, porém sabe-se também que no período que sucede a construção de reservatórios é possível observar um novo processo de colonização do ambiente, onde ocorre depleção de algumas populações e o sucesso reprodutivo de outras, em função da transição de ambiente lótico para lêntico. Esta instabilidade do sistema requer um acompanhamento contínuo e permanente, antes e após a formação do reservatório, objetivando conhecer as alterações ocorridas e as formas mais adequadas de se proceder ao manejo desse novo sistema. No caso particular dos rios da bacia amazônica, cabe ressaltar que a diminuição das áreas de várzea e o desaparecimento de lagoas marginais podem influenciar os padrões reprodutivos de algumas espécies da ictiofauna que utilizam esses habitats como criadouros das fases jovens, bem como sobre populações de espécies de pequeno porte. As pesquisas ictiológicas mais recentes realizadas na região da AII do AHE Colíder consistem em basicamente dois estudos: um de Smerman (2007), que 76 avaliou dez afluentes do rio Teles Pires, localizados nos municípios de Alta Floresta e Carlinda, municípios mais próximos da AII do AHE Colíder; e outro realizado pela empresa JGP Consultoria e Participações, que avaliou a ictiofauna presente em 43 pontos de coleta distribuídos no rio Teles Pires e afluentes. Os peixes coletados por Smerman (2007) totalizaram 1.507 espécimes pertencentes a 82 espécies, distribuídas em cinco ordens, sendo a mais numerosa a Characiformes (45 espécies), seguida por Siluriformes (22 espécies), Perciformes (nove espécies), Gymnotif rmes (cinco espécies) e uma única espécie capturada de Synbranchiformes. Complementarmente, os trabalhos de campo realizados pela JGP contemplaram 209 espécies distribuídas em oito ordens e 34 famílias. Ao comparar as espécies amostradas em ambos os trabalhos é possível observar que apenas 28 delas são comuns entre os dois levantamentos, o que provavelmente se dá em função das diferentes localizações das estações de coleta dos trabalhos. As características hidrométricas do rio Teles Pires, ao longo da AII do AHE Colíder, são de alta velocidade de corrente, vazão e turbulência das águas, características estas que são desfavoráveis ao desenvolvimento da comunidade planctônica – tanto do zooplâncton como do fitoplâncton -, o que conseqüentemente redunda em uma baixa produtividade primária. 6.2.3.3 Meio Antrópico 6.2.3.3.1 Formação histórico regional O processo de povoação e desenvolvimento dos municípios da AII é recente, tendo-se iniciado na década de 1970, com a implantação da rodovia BR-163, ligando Cuiabá (MT) a Santarém (PA), e a instalação de projetos de colonização realizados por empreendedores oriundos do Sul do país, como os que deram origem às cidades de Sinop e Colíder. O centro-norte matogrossense (ou “Nortão”, como é vulgarmente conhecido) é uma região cuja economia está baseada na produção agropecuária e no extrativismo. As principais atividades são a pecuária bovina extensiva e a extração de madeira responsáveis pelos altos índices de desmatamento da Floresta Amazônica dentro do Estado de Mato Grosso -, e o garimpo do ouro, atividade atualmente em declínio, mas 77 que foi muito importante durante as décadas de 80 e 90, gerando fluxos migratórios de outras regiões do país. Tais processos viabilizaram-se, em grande parte, mediante as práticas da grilagem e da ocupação ilegal de terras devolutas da União, aproveitando o vácuo da presença do Estado na Amazônia Legal. Trata-se de uma região marcada historicamente por processos predatórios de exploração econômica, onde, apesar do caráter recente da colonização, ainda predominam relações sociais de produção típicas de um Brasil prémoderno, extrativista, agroexportador, baseado no latifúndio e na precariedade das relações de trabalho. Trata-se de uma região que tem grande potencial de desenvolvimento, pois guarda muitas riquezas naturais. No entanto, está no centro das atenções relacionadas ao desmatamento da Floresta Amazônica. Nesse sentido, conflitos de interesses podem se tornar agudos, uma vez que um processo gradativo de modernização da agropecuária matogrossense está em curso, impulsionado a partir do centro do Estado, e induzido pela produção agroindustrial em grandes propriedades. De fato, entre as características marcantes da organização recente do espaço geográfico regional matogrossense (anos 90 em diante), pode-se destacar: a economia baseada predominantemente na produção de soja e carne bovina, para exportação e o mercado interno (agroindústrias, famílias); a existência de grandes áreas pouco ocupadas ou com baixa densidade populacional, associadas à concentração em alguns poucos centros urbanos de maior porte (IPEA, 2002); e um rápido processo de urbanização, motivado pela migração campo-cidade (CUNHA, 2006). É importante destacar, porém, que a cultura da soja não chegou com força nos municípios do vale do Teles Pires, tal como se sucedeu em Sorriso, Nova Mutum, Sapezal e outras localidades da porção central do Mato Grosso. Na região do Nortão, predominam a pecuária extensiva de baixa produtividade e as culturas de milho e arroz. Especialmente em Sinop e Colíder, a instalação de frigoríficos, curtumes, laticínios e madeireiras e, mais recentemente, de fábricas de biocombustíveis (biodiesel), possibilitou o desenvolvimento da agroindústria. A maior atratividade de mão-de-obra constitui a razão para as altas taxas de crescimento registradas em Sinop, bem superiores às do Estado e dos demais municípios do “Nortão”. No caso de Colíder, o desenvolvimento agroindustrial mais 78 recente possibilitou ao município reverter o esvaziamento demográfico após o declínio do garimpo, no final dos anos 90. De acordo com o Plano de Desenvolvimento Sustentável para a Área de Influência da BR-163 (GRUPO DE TRABALHO INTERMINISTERIAL / CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2004), as condições de vida da população na área de influência matogrossense da rodovia são ruins, ainda que sejam um pouco melhores do que nos estados do Pará e Amazonas. Os municípios da região apresentam, em geral, escassez de infraestrutura de saneamento básico, insuficiência ou inexistência dos serviços públicos, falta de pavimentação e de moradias planejadas, e problemas de saúde pública, entre outros. Entretanto, Colíder, na condição de centro microrregional, e Sinop, quarta cidade do estado e principal pólo econômico e urbano do Nortão, apresentam melhores indicadores sociais do que os municípios menores e menos desenvolvidos da região, constituindo-se, também, em pólos de serviços de saúde e educação superior para estas localidades. 6.2.3.3.2 Patrimônio arqueológico, histórico e cultural Nos municípios da AII há a realização de um conjunto de festividades e práticas que caracterizam o patrimônio imaterial. Destaca-se os seguintes eventos ou festividades: ü Itaúba ü Festa da igreja da Sama; ü Festa da igreja Cruzeiro do Sul; e ü Festa do Rodeio. ü Nova Canaã do Norte ü Cavalgada até União das Fazendas (peregrinação); ü Festa do Costelão; ü Festa do Laço Comprido; ü Festival da Pesca; ü Festa do Padroeiro; ü Folia de Reis; e ü Festa Junina. ü Colíder ü - Festa do Padroeiro; 79 ü Semana Farroupilha; ü Exposição Agropecuária; ü Festa do Carneiro; ü Festa do Arroz; ü Carnaval de Praça; ü Festa de São Sebastião; ü Missa Crioula; ü Missa do Caminhoneiro; e ü Folia de Reis (não muito expressiva na região). Foi levantada também a existência de coleções arqueológicas particulares. Foram registradas quatr coleções no município de Itaúba. A maioria das peças observadas são machados de pedra polida com tamanhos variados, encontradas durante pescarias ou por garimpeiros que atuavam ou ainda atuam na região. Também como parte do patrimônio material identificado destaca-se a prática do artesanato em palha de tucum/tucumã, cipós e sementes, que servem a produção de cestarias, bolsas, chapéus e outros objetos. Os produtos artesanais produzidos são normalmente comercializados nas margens da BR-163, no município de Itaúba. Sob o aspecto do patrimônio paisagístico, as áreas junto ao rio Teles Pires e suas praias são os principais elementos. Destaca-se em Itaúba e Nova Canaã do Norte as áreas conhecidas como Balneário Barro Preto, às margens do rio Renato, em Itaúba, e as praias às margens do rio Teles Pires (durante a época de seca) em Nova Canaã do Norte. 6.2.4 Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Direta – AID e Área Diretamento Afetada – ADA O Diagnóstico Ambiental da Área de Influência Dndireta – AID e Área Diretamente Afetada - ADA apresentado na sequência é um resumo dos estudos apresentados no EIA do AHE Colíder elaborado pela JGP Consultoria e Participações Ltda de janeiro de 2009. A AID do AHE Colíder compreende área de largura variável ao longo do rio Teles Pires. Trata-se do espaço que engloba a Área Diretamente Afetada - ADA e a área sujeita aos impactos diretos decorrentes da implantação e operação do empreendimento 80 proposto. Assim, a AID abrange área de 596,14 km2 e engloba um trecho de aproximadamente 100 km ao longo do rio Teles Pires. 6.2.4.1 Meio Físico 6.2.4.1.1 Tipos de terrenos Na análise realizada foram avaliadas, de modo integrado, as informações sobre o substrato rochoso, o relevo, a cobertura detrítica, a dinâmica superficial, e estabelecida às potencialidades e fragilidades dos três tipos de terrenos, que caracterizam a AID e ADA do AHE Colíder. As condições climáticas frente às características dos terrenos que ocorrem na AID condicionam dinâmicas superficiais distintas. Os terrenos de Colinas areno-argilosas, devido a baixa inclinação de suas encostas e à baixa intensidade de processos erosivos não deve apresentar problemas de estabilidade. No entanto, nas áreas com solos mais arenosos friáveis e susceptíveis à ocorrência de processos erosivos de média à alta intensidade, poderão ocorrer assoreamentos localizados e desmoronamentos causados pelo embate de ondas. Já os terrenos Morrotes Dissecados, com encostas inclinadas e por vezes escarpadas, são renconhecidamente os de maior fragilidade potencial na AID, podendo apresentar problemas de estabilidade em atividades de movimentação de terra e nas margens do futuro reservatório. 6.2.4.1.2 Recursos Minerais e Processos Minerários De acordo com os registros do DNPM, existe apenas um processo ativo parcialmente sobreposto aos limites da AID, sem qualquer sobreposição com o canal do rio Teles Pires e com a Área Diretamente Afetada. Trata-se do processo de requerimento de pesquisa. 6.2.4.1.3 Qualidade da Água Segundo o EIA do AHE Colíder (2009) foram realizados estudos em 10 pontos. A Tabela 17 exibe a relação de pontos amostrados e analisados. 81 TABELA 17 - PONTOS DE AMOSTRAGEM PARA A ANÁLISE DA QUALIDADE DA ÁGUA Pontos de Amostragem Identificação do Laboratório Localização PA 01 Rio Teles Pires PA 02 superfície Rio Teles Pires PA 02 fundo Rio Teles Pires PA 03 Córrego Corgão PA 04 Rio Teles Pires PA 05 Ribeirão dos Catetos PA 06 Rio Teles Pires PA 06 fundo Rio Teles Pires PA 07 Rio Teles Pires PA 08 Rio Teles Pires PA 09 Rio Teles Pires PA 10 Rio Renato FONTE: EIA DO AHE COLÍDER (2009) As informações obtidas em campo, em conjunto com os resultados das análises realizadas nas amostras de água obtidas nos pontos selecionados ao longo do trecho do rio Teles Pires, permitem estabelecer algumas considerações: ü não há condições tóxicas evidentes do trecho em estudo; ü os pontos de amostragem localizados no rio Teles Pires - PA01, PA02, PA04 e PA06 – não apresentaram parâmetros em desconformidade com a Resolução CONAMA nº 357/05, no período de seca. Já no período chuvoso, somente o oxigênio dissolvido (ponto PA02, na superfície) e a cor (todos os pontos) não atenderam aos limites permitidos pela Resolução; ü em relação aos pontos de coleta PA03 e PA05, localizados nos principais afluentes do rio Teles Pires, foram observadas alterações em vários parâmetros, como cor, oxigênio dissolvido, fósforo total e pH; e ü com relação aos parâmetros relacionados ao grau de trofia, os pontos de coleta que merecem atenção, dado o seu alto potencial de eutrofização, são também os pontos PA03 e PA05. No ponto PA05, mesmo no período de chuva, as concentrações de nutrientes não diminuem a ponto de tornarem o sistema oligotrófico. Já no ponto PA03, comparando ao período de seca, observa-se alteração do grau de trofia de eutrófico para oligotrófico. 82 Cumpre ressaltar que os pontos de coleta PA03 e PA05 são caracterizados pela presença de pastagens e alguma atividade agrícola. Esse tipo de uso do solo pode potencializar alterações na qualidade dos corpos d’água, especialmente onde não há mata ciliar preservada, o que favorece um maior aporte de material alóctone para o sistema. Como conseqüências, ocorrem alterações na qualidade da água (como, por exemplo, aumento de turbidez e da concentração de nutrientes, diminuição do oxigênio dissolvido, alteração do pH, etc.), o que pode prejudicar a permanência e a sobrevivência das comunidades bióticas. Ao avaliar os pontos PA07 a PA10 (campanha complementar), pode-se identificar que o rio Teles Pires recebe diferentes contribuições da sua área de entorno, o que se evidencia pela aplicação do índice de estado trófico (IET) que variou de oligotrófico a eutrófico. Esses valores ocorreram em função da presença de clorofila e das cargas de fósforo total presente no sistema. O rio Renato, por sua vez, ainda que tenha concentração de oxigênio dissolvido e cor em desconformidade com os limites estabelecidos pela Resolução CONAMA n°357/05, resultou em baixo potencial de eutrofização, quando avaliado o IET. 6.2.4.2 6.2.4.2.1 Meio Biótico Vegetação As áreas antropizadas no interior da AID se concentram na margem direita do rio Teles Pires, na altura da ilha do Alfredo e, na margem esquerda, no entorno do córrego Esperança. Também há grandes áreas convertidas em pastagens no entorno do córrego Tustão e do ribeirão dos Catetos, ambas na margem esquerda; e nas proximidades do remanso do futuro reservatório, na margem direita. Na maior parte destas áreas antropizadas ocorrem cursos d’água com estreitas faixas ciliares de vegetação e pequenas manchas de vegetação nativa em regeneração. Esta distribuição das áreas antropizadas na AID resulta na manutenção de grandes contínuos de matas e relativamente poucos fragmentos florestais isolados, os quais ainda apresentam boa conectividade com os remanescentes maiores existentes no entorno dos principais cursos d’água. Conforme o Mapeamento da Cobertura Vegetal na AID é possível notar uma tendência na distribuição da vegetação nativa ao longo da AID, constituída, principalmente, 83 pelas Formações Florestais Submontanas e Formações Florestais Aluviais (Foto 9 e Foto 10). Na Tabela 18 é apresentado o tipo de vegetação encontrada na AIDe na ADA. TABELA 18- COBERTURA DO SOLO NA AID E ADA Local AID Tipos de vegetação sigla Área (km²) % Formações Florestais Submontanas ffs 359,20 63,64 Formações Florestais Aluviais FFA 58,59 10,38 Floresta Estacional Semidecidual Submontana FE 10,03 1,78 Formações Savânicas FS 2,09 0,37 Formação Pioneira FP 2,39 0,42 Área em desmatamento AD 1,49 0,26 Vegetação Secundária Vs 13,39 2,37 Área antropizada AA 117,28 20,78 564,45 100 Total ADA Formações Florestais Submontanas FFS 70,66 49,24 Formações Florestais Aluviais FFA 46,11 32,13 Floresta Estacional Semidecidual Submontana FE 0,61 0,43 Formações Savânicas FS 0,16 0,11 Formação Pioneira FP 0,52 0,36 Área em desmatamento AD 0,10 0,07 Vegetação Secundária Vs 3,03 2,11 Área antropizada AA 22,31 15,55 143,50 100 Total FONTE: EIA DO AHE COLÍDER (2009) FOTO 9 - VISTA DA ÁREA QUE SERÁ ATINGIDA FOTO 10 - VISTA DA ÁREA QUE SERÁ ATINGIDA PELO FUTURO RESERVATÓRIO PELO FUTURO RESERVATÓRIO, NA ALTURA DA ILHA ROSE FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) 84 Já na Foto 11é possível observar a ocupação residencial na margem esquerda do rio Teles Pires, conhecida localmente como Fofoca, enquanto que na Foto 12 exibe-se formações pioneiras e áreas antropizadas composta por algumas casas e extensas áreas de pastagens e árvores isoladas. FOTO 11 - OCUPAÇÃO RESIDENCIAL NA MARGEM FOTO 12 - FORMAÇÕES PIONEIRAS E ÁREAS ESQUERDA DO RIO TELES PIRES (FOFOCA) ANTROPIZADAS FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) Inventário Florestal De acordo com o EIA do AHE Colíder (2009) foi amostrado um total de 50 parcelas ou 50.000 m2 (50 ha) de área inventariada, sendo 27.000 m2 (27 ha) na formação florestal Submontana e 23.000 m2 (23 ha) na formação florestal Aluvial. A intensidade amostral na formação florestal submontana foi de 0,038% de sua área total na ADA, e na formação florestal aluvial foi de 0,053%. Foram mensuradas 27 parcelas na formação florestal submontana e 23 parcelas na formação florestal aluvial, nas quais foram registrados 4.112 indivíduos (822,4 por hectare). As formações florestais inventariadas mostraram-se bastante diversas, pois foram encontradas 149 espécies (sendo 122 espécies identificadas e 27 não identificadas) de 40 famílias identificadas. A área basal e o volume médio por hectare foram, respectivamente, 23,28 m2/ha e 224,4 m3/ha. A Formação florestal Submontana apresentou um maior volume de biomassa e porte superior ao da formação florestal Aluvial. Deverá ser gerado entre 1.460.790 e 2.205.800 m3 ou 2.086.842 estéreis a 3.151.143 estéreis de material lenhoso proveniente da supressão da Formação 85 Florestal Submontana; e 846.335 a 1.103.912 m3 ou 1.209.050 a 1.577.018 estéreis de material lenhoso na Formação Florestal Aluvial. Considerando todas as formações florestais a serem suprimidas, estima-se que sejam gerados cerca de 2.559.467 m3 ou 3.656.382 estéreis de material lenhoso com a supressão em toda a área do futuro reservatório. Mesmo com uma boa quantidade de unidades amostrais, poderá haver uma diferença entre estes resultados inferidos e o valor real gerado. Em virtude disso, ao final dos trabalhos de supressão da vegetação e adequada disposição do produto lenhoso, serão elaborados e posteriormente repassados ao IBAMA ou SEMA-MT, os respectivos laudos de cubagem rigorosa assinados por profissionais legalmente habilitados, nos quais serão apresentadas as cubagens das toras por espécie e do material lenhoso com potencial de utilização para lenha. Esta cubagem pós-corte irá oferecer uma precisão muito maior que a de qualquer inventário anterior à supressão de vegetação, pois determina o volume real de madeira cortada, propiciando um maior controle ao órgão fiscalizador. Identificação de espécies ameaçadas de extinção Entre as espécies registradas na AID, apenas uma encontra-se na Lista Oficial das Espécies da Flora ameaçada de extinção no Brasil (Portaria IBAMA Nº 37-N, de 3 de abril de 1992), na categoria vulnerável. Trata-se da espécie Bowdichia nitida, da família Fabaceae- Papilionoideae, cujo nome popular é Sucupira-preta. O levantamento florístico foi realizado em áreas representativas da vegetação existente no interior da AID, visto que os dados apresentados nos mostram uma alta riqueza de espécies em comparação à encontrada na literatura, principalmente de grupos historicamente pouco coletados, como briófitas. Além disso, é sabido que o norte do Brasil é uma região de alta riqueza biológica e endemismos, sendo considerado como centro de diversidade para inúmeras famílias botânicas, como é o caso de Marantaceae, Cyclanthaceae, Arecaceae, Orchidaceae, dentre outras. Partindo disso, supõe-se que um levantamento mais abrangente, tanto em área como em diferentes épocas do ano, possibilite encontrar um número ainda maior de espécies vegetais para a área 86 6.2.4.2.2 Fauna Terrestre Mastofauna A AID está inserida nos limites do bioma amazônico, em área de transição com o bioma Cerrado. Nesse contexto, a fauna de mamíferos revelou-se de caráter predominantemente amazônico, com poucos elementos de formações abertas. Os primatas, por exemplo, foram todos amazônicos, bem como os roedores do gênero Neacomys. Espécies típicas de formações abertas, como Cerdocyon thous, Cavia aperea, Necromys lasiurus e Monodelphis kunsi, foram registradas nas campanhas de amostragem. Não foram registradas famílias, como Mephitidae, Molossidae, Natalidae, Thyropteridae, Furipteridae e Noctilionidae. A ausência desses animais pode ser explicada pelas seguintes hipoteses: são espécies com baixa densidade populacional na região; são animais de difícil captura. Ressalta-se que durante as campanhas de coleta foi possível detectar uma grande pressão de caça, ocorrendo encontros com caçadores em áreas próximas às transecções de fauna. Assim, a diversidade obtida nos trabalhos de campo representa 39% das espécies supostamente esperadas para a região. Esse valor é considerado significativo em avaliações para Estudo de Impacto Ambiental. Foi possível verificar a presença de animais de hábitos diversos como florestais, terrestres, arborícolas e generalistas. Durante os trabalhos de campo houve contato direto com caçadores na região, entretanto, não houve interferências por parte dos caçadores durante as coletas nas transecções e demais áreas amostradas. Detectou-se que as espécies mais caçadas para fins alimentares da região possuem, em geral, peso acima de 5 kg, como a paca (C.paca), a cutia (D. leporina), o tatu-galinha (D. novemcinctus), os tayassuídeos (P. tajacu e T. pecari), os veados (Mazama americana (Foto 13), M. gouazoubira), a anta (Tapirus terrestris) (Foto 14), além da onça-pintada (Panthera onca), que é caçada por ser uma predadora do gado. 87 FOTO 13 - VEADO-MATEIRO (M. AMERICANA) FOTO 14 - ANTA (TAPIRUS VISUALIZADO REGISTRADA PELA CÂMERA TRAP FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) TERRESTRIS) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) Herpetofauna A região na qual a AID está situada vem sofrendo fortes modificações ambientais nas últimas décadas associadas à exploração de madeira e substituição da cobertura vegetal por culturas agrícolas e pastagens. A presença de um número significativo de espécies típicas de áreas abertas do Cerrado brasileiro na região de mata antropizada da AID Colíder pode ser vista como o resultado de movimentos de colonização recentes, beneficiados pelo avanço do desmatamento na região como um todo. Aliado a isso, verifica-se o predomínio de espécies de distribuição ampla, que são favorecidas pela pressão antrópica exercida sobre a fauna local por serem mais resistentes e capazes de ocupar áreas degradadas. De acordo com o EIA do AHE Colíder (2009) foram realizadas duas campanhas de amostragem na AID onde foram registradas 72 espécies pertencentes a 21 famílias e 49 gêneros de anfíbios e répteis, sendo as espécies assim distribuídas: 33 anfíbios, 13 lagartos, 24 serpentes, uma tartaruga e um jacaré. A herpetofauna da região tem predominância de espécies amazônicas (32%), seguindo-se as espécies generalistas (30%), e aquelas de distribuição ampla (20%). Ressalta-se, ainda, a presença de espécies típicas do cerrado. 88 FOTO 15 - CHELONOIDIS DENTICULATA FOTO 16 - PALEOSUCHUS TRIGONATUS FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) Avifauna Foram registradas 220 espécies de aves, um número significativo quanto à abundância. Servem como exemplos a tiriba-de-hellmayr (Pyrrhura amazonum), com índice pontual de abundância de 0,3284, o chora-chuva (Monasa nigrifrons) com 0,3662, o tucano-de-papo-branco (Ramphastos tucanus) com 0,3743, e o beneditode-testa-vermelha (Melanerpes cruentatus) com 0,4264. Apenas duas espécies de aves registradas constam da lista oficial federal de ameaçadas (IBAMA, 2003). São elas: o araçari-de-pescoço-vermelho (Pteroglossus bitorquatus) (Foto 17), o mutumde-penacho (Crax fasciolata pinima). FOTO 17 ARAÇARI-DE-PESCOÇO-VERMELHO, BITORQUATUS (VIGORS, 1826). PTEROGLOSSUS FONTE: EIA AHE COLIDER (2009) 89 Enfim, a comunidade avifaunística na AID do AHE Colíder, apesar das atividades antrópicas em muitos setores, ainda se encontra preservada, com representantes considerados ameaçados, raros, endêmicos, com distribuição restrita e sensíveis às alterações ambientais. As guildas tróficas estão estabelecidas e aves de bandos mistos foram registradas, o que demonstra ainda relativo grau de preservação de ambientes na AID e nas áreas adjacentes. Invertebrados de interesse epidemiológico Conforme o EIA do AHE Colíder (2009), deve-se atentar para a presença marcante do Anopheles darlingi, com dominância em várias coletas, tanto da primeira campanha, como na segunda, o que evidencia a AID como espaço favorável à presença e à elevada densidade desse vetor. A malária é usualmente favorecida pelas migrações humanas, bem como pela alteração ambiental. O outro táxon de importância médica encontrado é o Culex (Melanoconion) spp., que contempla várias espécies. Esses mosquitos são importantes para a manutenção de enzootias de arbovírus, tendo sido ressaltada sua relevância em estudo entomológico associado à hidrelétrica. A espécie Psorophora ferox é usualmente reconhecida como produtora de incômodo e vetora de arbovírus. Esse mosquito ocorre em áreas mais abertas, apresentando comportamento de intensa relação com o homem, o que pressupõe riscos de infecção. Além dos culicídeos, foram também capturados alguns exemplares de flebotomíneos, dípteros hematófagos conhecidos popularmente como mosquitos-palhas, tanto na primeira como na segunda campanha, e de Simuliidae apenas na segunda campanha. Na subfamília dos flebotomíneos são encontradas espécies vetoras das leishmanioses, agravos com notificação no estado do Mato Grosso. Deve-se ressaltar que nesse Estado há estudo da distribuição da fauna, tendo sido identificada a presença de espécies vetoras, além da associação das leishmanioses com as alterações dos habitats naturais. A respeito dos simulídeos, pequenos dípteros hematófagos conhecidos como borrachudos, quando em elevada densidade tendem a provocar incômodo pelas picadas, não tendo sido registrado, na região do empreendimento, ligação dos mesmos com a veiculação de patógenos. 90 6.2.4.2.3 Meio biótico aquático Fitoplancton No trecho amostrado da AID do AHE Colíder, as densidades e a diversidade (riqueza de táxons) do fitoplâncton foram muito mais altas na estação chuvosa em comparação à estação seca, sendo ainda mais elevada na coleta preliminar. Porém, chama a atenção o fato de cianobactérias terem tido um aumento tão grande na estação chuvosa, depois de estarem virtualmente ausentes na estação seca. Verifica-se, ainda, que existe um aumento das cianobactérias no sentido montante-jusante, o que pode ser reflexo das condições mais estáveis no gradiente longitudinal, refletindo nas amostras de água coletadas a jusante. As maiores densidades no período chuvoso e na coleta complementar, especialmente de cianobactérias, pode ser explicado por um maior aporte de matéria orgânica na bacia de drenagem, gerando o enriquecimento da água. Em ecossistemas lóticos, parece que a dominância de cianobactérias está associada a condições de alta turbidez e elevadas concentrações de nutrientes, principalmente de fósforo e, dependendo da espécie, de nitrato. Como a região no entorno do trecho em estudo do rio Teles Pires apresenta a pecuária como atividade principal, é possível que haja influência do gado no aumento de nutrientes na água. Essa contribuição pode ser minimizada pela mata existente nas margens do rio, que capta nitrato e outras substâncias nitrogenadas, e cuja eficiência na retenção depende de características da mata, do lençol freático e do solo. Pelos valores de coliformes fecais, que resultaram baixos, não deve haver despejo direto de esgoto nesse trecho do rio Teles Pires, de modo que a maior parte do rio se mantém na categoria de oligotrófico (pobre em nutrientes). De forma geral, foi registrado durante o estudo um grande número de algas nanoplanctônicas, com um rápido tempo de geração e que apresentam vantagens adaptativas em condições de alta vazão da água. O trecho estudado do rio Teles Pires propicia o crescimento das populações fitoplanctônicas, especialmente nas áreas de remanso. Entretanto, o crescimento poderá variar de acordo com o trecho do rio, que pode ter características de oligotrófico ou mesotrófico. Pode-se concluir que há uma variação sazonal do 91 fitoplâncton no trecho da AID do AHE Colíder. Observou-se que o aumento da temperatura e dos nutrientes carreados da região do entorno, diretamente ou através de afluentes, favoreceu a comunidade de fitoplâncton, especialmente em alguns trechos. A composição fitoplanctônica, de maneira geral, teve dois grupos como principais representantes que foram o de clorofíceas e de cianobactérias, alternandose na dominância. Zooplâncton De modo geral, o ambiente estudado não é propício para o desenvolvimento e sobrevivência do plâncton, o que é evidenciado pelas baixas densidades obtidas, salvo algumas exceções. As características do rio Teles Pires, como tamanho e elevadas velocidade de corrente e vazão, são fatores que colaboram para a escassez de zooplâncton em suas águas. Sobre este aspecto, a velocidade de corrente é um dos fatores mais significativos nos ambientes lóticos (águas correntes), por influenciar, dentre diversos fatores, na estabilidade do substrato, na permanência e distribuição dos organismos na coluna d’água e sedimento, na remoção e arraste de partículas, influenciando, assim, na dinâmica da comunidade planctônica, conforme cita ALLAN, (1995) no EIA do AHE Colíder (2009). Remansos extensos com baixa turbulência, onde foram feitas as coletas, propiciaram o desenvolvimento de algumas populações planctônicas. Esses organismos encontraram também condições adequadas de alimento, o que é representado pelo fitoplâncton, que atingiu densidades de 103 ind./mL nesses remansos, na estação chuvosa. Bentos Conforme o EIA do AHE Colíder (2009), os resultados da análise da comunidade bentônica, apesar da identificação em nível taxonômico de Filo, Classe ou Família, permitem concluir sobre a elevada riqueza de taxa (29 no total, variando de 6 a 13 taxa) presentes nos corpos de água amostrados na Área de Influência do AHE Colíder, com densidade entre 26 e 206 org/m2 e diversidade de 1,10 a 2,15 bits/ind. Os taxa mais constantes e com maior densidade foram Nematoda, Anellida (Oligochaeta), Mollusca (Bivalvia e Gastropoda), Arthropoda (pertencentes aos Insecta, da família Ceratopogonidae, Chironominae e também aos Odonata, da família Gomphidae). 92 Macrófitas aquáticas As espécies que foram coletadas pertencem ao gênero Eicchornia, da família Pontederiaceae, sendo que uma delas (E. crassipes) foi encontrada a deriva no rio Teles Pires, possivelmente a partir de bancos existentes em lagoas marginais ou localizados as margens do sistema. Esta característica é muito comum, sendo as plantas arrastadas pela força do vento, correnteza ou movimentação de barcos. A outra espécie, E. diversifolia, normalmente é encontrada em águas de baixa correnteza, em meandros abandonados de rios, brejos de afluentes menores. No EIA do AHE Colíder (2009) a espécie foi coletada às margens do córrego dos Catetos, local de baixa velocidade da água, fundo arenoso, presença de vegetação ciliar, com galhos em contato com a água. Ictiofauna O rio Amazonas contém, em toda sua extensão, uma série de grandes e importantes tributários que contribuem favoravelmente para riqueza e diversidade da ictiofauna regional, entre os quais está o rio Tapajós. Esse rio é um dos afluentes da margem direita do rio Amazonas, cuja bacia de drenagem inclui os rios Teles Pires e Juruena, considerados seus principais formadores. Conforme o EIA do AHE Colíder (2009) nos trechos amostrados, compreendendo o rio Teles Pires, a área do remanso do futuro reservatório e os afluentes secundários, a diversidade ictiofaunística é rica (152 espécies), estando o Teles Pires entre os rios com grande riqueza e abundância de peixes, dentre aqueles pertencentes ao sistema amazônico. O patrimônio natural e genético presente no trecho estudado é altamente significativo, embora o nível de conhecimento sobre sua ictiofauna permaneça incipiente. As famílias com as maiores representações na coleta da seca foram Characidae (42 espécies), Loricariidae (12 espécies) e Anostomidae (10 espécies) e na chuvosa somente a família Characidae (37 espécies). Todas as demais famílias apresentaram riqueza de espécies menor que 10, tanto para época de seca como para a chuvosa. O esforço empregado nas três coletas revelou diversas ocorrências novas para o rio Teles Pires, como é o caso das espécies de Siluriformes Cetopsis sp e Cetopsorhamdia "mcartney". Ainda a este respeito, os outros Siluriformes apontados pela primeira vez na campanha úmida incluem Rhinodoras sp., atualmente sendo examinada por J. 93 Birindelli e cujo status taxonômico (se é nova ou não) deverá ser elucidado após estudo mais detalhado. O novo registro de Rineloricaria lanceolata é interessante ecologicamente, por se tratar da primeira espécie iliófaga ocupando um nicho típico de Rineloricaria na localidade em foco (outros Loricariidae iliófagos, como Hypostomus spp., e alguns dos Ancistrinae coletados anteriormente, ocupam nichos distintos daquele de Rineloricaria). Destaca-se que não houve nenhum representante capturado de Hypophthalmus (bagre filtrador, Pimelodidae), muito comum no baixo Tapajós e na maior parte da bacia Amazônica. Tampouco foram coligidos ou avistados quaisquer exemplares de Clupeomorpha (sardinhas e manjubas, famílias Pristigasteridae e Engraulidae, respectivamente), igualmente abundantes na Amazônia em geral. As raias de água doce (Potamotrygonidae) também parecem estar inteiramente ausentes do trecho do rio Teles Pires em questão, o que foi confirmado por entevistas com pescadores locais. Estas ausências não são incomuns nas partes elevadas dos rios que drenam terras altas na Amazônia, como é o caso do Teles Pires. Aparentemente, a presença de inúmeras corredeiras em seqüência forma uma barreira efetiva que impede a colonização (ou recolonização) por algumas espécies de grupos específicos. Em relação às possíveis perdas dos sítios de desova e reprodução, o que se tem registrado por Bonetto & Castello (1995) é que o movimento migratório rio acima se mantém até que os peixes alcancem um local apropriado para desova. Isto indica que os peixes migradores neotropicais não são restritos com relação ao local de desova e se mostram com grande plasticidade com relação ao destino de suas migrações reprodutivas. Desta forma, ao encontrarem barreiras ou outros tipos de impedimento à sua ascensão, a maioria das espécies procura alternativas, freqüentemente bem-sucedidas. Dentre as espécies migradoras presentes nesta região e também presentes à jusante da cachoeira das Sete Quedas, na região do AHE Teles Pires encontram-se o curimbatá (Prochilodus nigricans), a corvina (Plagioscion squamosissimus), a bicuda (Boulengerella cuvieri) e o siluriforme Pimelodus ornatus. Já as sardinhas Hemiodus argenteus, H. sterni ocorrem nesta região e à montante da Sete Quedas. Por outro lado, os siluriformes migradores Hemisorubim platyrhynchus, Pimelodus albosaciatus, Pimelodella cristata e Sorubim trigonocephalus foram coletados somente neste trecho do rio Teles Pires. 94 Finalmente, cabe destacar que a representação dos Characiformes na região do AHE Colíder é maior ao dobro, em número de espécies, se comparados à ordem dos Siluriformes. Na ictiofauna brasileira em geral, Siluriformes representam uma proporção maior que Characiformes (1.056 spp. vs. 948; cf. BUCKUP, 2007), no entanto estas proporções variam de região para região e também de acordo com o ambiente amostrado. 6.2.4.3 6.2.4.3.1 Meio Antrópico População atingida Foram amostradas, no total, 86 unidades fundiárias rurais, sendo 54 propriedades do tipo fazendas, 5 do tipo ranchos, 15 do tipo lotes (que compõem a localidade denominada “Fofoca”), 1 propriedade onde existe uma pousada, além de 11 ilhas fluviais. Na Tabela 19 é apresentado o perfil populacional das propriedades afetadas pelo empreendimento. TABELA 19- PERFIL POPULACIONAL DAS PROPRIEDADES INCLUÍDAS NA AID População Total Homens 128 Mulheres 80 Crianças 87 Total Geral 295 FONTE: EIA DO AHE COLÍDER (2009) Importante destacar que a população residente na AID possui características essencialmente rurais, sendo que a maioria atua na atividade econômica de maior expressividade na região, a pecuária. 6.2.4.3.2 Sistema viário A infraestrutura viária na AID é composta pela BR-163, que, através de curto trecho de estrada vicinal não pavimentada, interliga-se a uma balsa para travessia do rio Teles Pires, localizada na altura da Fazenda Santa Maria. Essas estradas e a balsa permitem a ligação das propriedades localizadas na margem esquerda do rio Teles 95 Pires à cidade de Itaúba, a sede mais próxima à região do empreendimento. O acesso às sedes de Colíder e Nova Canaã também é feito pela BR-163, com percurso complementado pela MT-320. Além da BR-163 e da MT-320 a rede viária é complementada por estradas rurais que permitem o acesso às várias propriedades existentes na região. 6.2.4.3.3 Saneamento Básico Captação de água Nas unidades fundiárias amostradas, a captação de água para abastecimento é realizada tanto de forma superficial quanto subterrânea. Do total de 54 propriedades rurais amostradas, 24 (44,4%) captam a água de forma superficial. Dessas 24, 67% captam através de cisterna, e o restante, 33%, captam diretamente nos rios, que envolvem o Teles Pires e seus afluentes. Há 20 propriedades, que representam 37,0% do total de 54, onde a captação é feita por meio de poços artesianos. Por fim, há cinco propriedades (9,3%) que captam de forma mista, utilizando poço artesiano associado a cisterna (duas) ou a curso dágua (três). Em cinco unidades fundiárias não foi possível obter informações sobre o abastecimento de água. Sistema de Esgoto Quanto ao sistema de esgotamento sanitário, a grande maioria das unidades fundiárias amostradas (46 do total de 54, 85,2%) possui fossa simples. Das oito propriedades restantes, uma (1,9%) afirmou não possuir fossa e as demais (12,9%) não forneceram a informação. Resíduos sólidos Não há coleta de resíduos sólidos na AID, sendo os mesmos enterrados ou descartados de outras formas pelos próprios moradores. 6.2.4.3.4 Educação No que se refere à infraestrutura social, conforme o EIA do AHE Colíder, o levantamento realizado na AID constatou que a demanda por educação é atendida principalmente através da infraestrutura de Itaúba, e em menor grau também de 96 Cláudia. São utilizadas duas escolas rurais, sendo uma na Fazenda Monte Verde, onde estudam as crianças das propriedades situadas na margem esquerda do Teles Pires, que vão desde a Fazenda Dona Lídia à Fazenda Maria Pessoa e uma na Vila Castanhal. Os alunos das Fazendas Betânia e Fortaleza são transportados até a sede de Itaúba por um carro da Prefeitura, enquanto que as crianças das propriedades da margem direita do rio Teles Pires dispõem de ônibus escolar para o seu transporte até as escolas da sede municipal, com embarque na BR-163. 6.2.4.3.5 Saúde O atendimento à demanda por serviços de saúde é feito através da infraestrutura existente nos municípios de Itaúba e Colíder. 6.2.4.3.6 Energia Quanto ao fornecimento de energia na AID, há uma Linha de Distribuição Rural - LDR que atende às propriedades mais próximas à BR-163, incluindo as da margem esquerda do rio Teles Pires localizadas entre a Fazenda Monte Verde e a Santa Maria. Há também uma LDR que atende às propriedades de maior porte localizadas na margem direita, como as Fazendas Missões e Tratex. As propriedades da margem direita que vão da Fazenda São Luiz à Fazenda São Marcelo também informaram possuir energia elétrica, sem, no entanto, especificar a fonte (LDR ou gerador). Os geradores são a fonte de energia que abastece algumas propriedades da margem esquerda, englobando as localizadas entre as Fazendas Alegre e Suprema e o local do barramento, e as Fazendas São João I, Santo Augusto e 3G, além das propriedades de menor porte da margem direita, como a Pousada Ana Lima, a Fazenda Irides, a propriedade de Laury Balbinot e os lotes do Fofoca. Já a Fazenda Amizade utiliza energia solar. 6.2.4.3.7 Comunicação De aordo com o EIA do AHE Colíder (2009) existem antenas para recepção de sinais de telefonia móvel nas Fazendas Itaúba, Cruzeiro do Sul (de propriedade de Oliveira Porato), Monte Verde, Nossa Senhora de Salete e São Luiz. Várias propriedades fazem comunicação através de rádio amador. Não há antena de televisão, sendo possível a recepção dos sinais apenas com antenas parabólicas. 97 6.2.4.3.8 Segundo Problemas municipais os levantamentos realizados junto às Prefeituras Municipais e complementados com dados obtidos em pesquisa do IBGE (Perfil dos Municípios Brasileiros – 2008), para os municípios da AII, as informações fornecidas sobre os principais problemas sociais e ambientais existentes configuram um quadro das principais questões, conforme pode ser observado na Tabela 20. TABELA 20- RELAÇÃO DOS MUNICIPIOS AFETADOS PELO AHE COLIDER E SEUS PROBLEMAS MUNICIPAIS E AMBIENTAIS. Municípios Principais problemas do município Principais problemas ambientais Colíder Renda concentrada no setor pecuário Áreas degradadas e passiveis a erosão devido a pratica de garimpo Itauba Desempego Assoreamento do córrego Gasperin Nova Canaã do Norte Falta de rede de coleta de esgoto e de sistema de tratamento Falta de asfaltamento Uso de veículo inadequado para a coleta de lixo Falta de mão de obra qualificada Alto índice de desemprego Desmatamento de áreas adjacentes a mananciais e APP’s; Assoreamento de rios; Erosão devido a prática de garimpo FONTE: EIA DO AHE COLÍDER (2009) 6.2.4.3.9 Potencial Arqueológico Foram localizados seis sítios arqueológicos e cinco Áreas de Ocorrência Arqueológica, estas últimas correspondendo a locais onde foi encontrada baixa quantidade de peças arqueológicas. 6.2.4.3.10 Síntese e Tendências Gerais de Ocupação Regional No período 1990-1999 houve um significativo aumento na substituição da cobertura do solo, principalmente na região entre a BR-163 e o rio Teles Pires, nas proximidades da cidade de Itaúba. Já para o período 2000-2007 quase todos os interflúvios da AII apresentavam usos agrícolas, com uma maior dinâmica na margem esquerda do rio Teles Pires. No eixo do rio Renato e na porção Sul da AII, novas áreas de colonização agrícola foram estabelecidas. A região correspondente à AII teve seu povoamento e desenvolvimento, nas últimas décadas, associados à implantação da rodovia federal BR-163, que liga Cuiabá a 98 Santarém e à ação das empresas colonizadoras, devida tanto às políticas de Estado como às iniciativas de empresas privadas, a partir da década de 1970. Todos os centros urbanos da região foram criados no processo de ocupação por empresas colonizadoras. Já entre os ciclos de desenvolvimento econômico presentes na região destaca-se a expansão da fronteira agropecuária relacionada principalmente à implantação da cultura da soja e da pecuária de exportação. Assim, percebe-se que nos próximos anos, em um cenário que envolva os atuais preços para soja, milho e carne, se intensifique e consolide o processo de ocupação ao longo da BR-163, entre Sinop e Itaúba e entre a BR-163 e o núcleo urbano de Cláudia. Já na margem esquerda do rio Teles Pires, nos Municípios de Itaúba e Nova Canaã do Norte, a dinâmica na substituição da cobertura atual do solo dependerá, em grande parte, das características geográficas e da fertilidade dos solos. Nas regiões ao norte e sul da área de influência antrópica, Nova Canaã do Norte e Sinop, se observa uma situação consolidada, em termos de uso e ocupação do solo. Finalmente, no entorno do núcleo urbano de Cláudia se observa um processo de ocupação praticamente consolidado e nas partes norte e sul da área ainda há espaço que certamente será ocupado, levando em consideração os antecedentes e tendências acima citados. 99 7 RESUMO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS CITADOS NO EIA DO AHE COLÍDER 7.1 IDENTIFICAÇÃO DE AÇÕES IMPACTANTES As ações impactantes identificadas no EIA e que deverão ocorrer durante as fases de planejamento, construção e operação do AHE Colíder são citadas na sequência: ü Fase de Planejamento ü Divulgação prévia; ü mobilização de obra (contratação de pessoal e aquisição de bens e serviços); ü aquisição de terras; e ü cadastro social e remanejamento de população residente. ü Fase de Construção ü Limpeza e desmatamento das áreas de intervenções diretas de obras; ü limpeza e desmatamento das áreas de fornecimento de materiais naturais de construção; ü limpeza e desmatamento das áreas de bota-fora; ü implantação do canteiro de obras; ü exploração de áreas de empréstimo – solos argilosos; ü exploração de rocha, areia e cascalho; ü manejo dos bota-foras; ü manejo de bota-esperas de solos e depósitos de outros materiais de construção; ü construção de novos acessos e melhorias nos acessos e caminhos existentes; ü construção de acessos internos às obras; ü fornecimento de energia elétrica; ü transporte de solo, areia e cascalho até as frentes e canteiros de obras; ü operação do canteiro de obras; ü operação de instalações sanitárias nas frentes de obras; ü operação da central de concreto; ü operação da central de britagem; 100 ü escavações obrigatórias; ü transporte dos materiais escavados; ü injeções de impermeabilização; ü implantação das estruturas de concreto; ü execução do canal de fuga – casa de força e vertedouro; ü drenagem sub-superficial das estruturas de concreto; ü ancoragem do canal de fuga/canal de dissipação; ü implantação das ensecadeiras de montante e de jusante; ü drenagem, bombeamento e ensecamento da área entre as ensecadeiras de montante e jusante; ü construção do corpo e filtros das barragens de terra; ü proteções superficiais das barragens; ü drenagem subsuperficial das barragens de terra (ombreiras) e transições entre materiais; ü montagem eletromecânica; ü execução de obras civis complementares; ü desmobilização da mão-de-obra; ü desmatamento e limpeza da área de inundação; ü readequação dos caminhos e acessos locais; ü enchimento do reservatório; ü testes pré-operacionais; ü desativação e limpeza do canteiro de obras; e ü recuperação de áreas degradadas. ü Fase de Operação ü Operação em condições normais; ü manutenção preventiva e conservação de rotina;e ü manutenção corretiva. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental do AHE Colíder a correlação entre as ações impactantes e os componentes ambientais passíveis de serem impactados, obtida a partir da Matriz de Interação de Ações Impactantes por Componentes Impactáveis, permitiu identificar um total de 59 impactos potenciais claramente diferenciáveis entre 101 si. Todos os impactos são elencados a seguir, de acordo com o componente ambiental principal. 7.1.1 7.1.1.1 Meio Físico Alterações nas Propriedades Físico-Químicas e da Qualidade da Água Durante as Obras Decorre de um amplo conjunto de ações impactantes vinculadas principalmente ao desmatamento e movimentação de terra, mas também da operação do canteiro de obras e de suas instalações. Em razão da movimentação de terra e especificamente da exposição de horizontes de solo mais erodíveis, quando da ocorrência de chuvas, poderá ocorrer a intensificação do carreamento de sedimentos para os tributários e para o próprio rio Teles Pires, o que pode resultar em alterações nas propriedades físicas e químicas da água. Alterações dessa natureza podem ocorrer ainda quando do bombeamento e lançamento das águas provenientes das frentes de escavação e das áreas ensecadas, que normalmente apresentam consideráveis concentrações de sedimentos em suspensão. 7.1.1.2 Assoreamento Durante a Fase Construtiva O assoreamento de cursos d’água poderá materializar-se em decorrência do aumento da contribuição sólida além da capacidade de transporte do rio. Considerando a implantação de um aproveitamento hidrelétrico, um amplo conjunto de ações de potencial impactante pode desencadear a ocorrência de processos de erosão laminar e em sulcos e, por conseguinte, o assoreamento dos corpos d’água durante a fase de construção. 7.1.1.3 Alterações no Regime Fluviométrico e na Qualidade da Água Durante o Enchimento do Reservatório Objetivando a acumulação de água para enchimento do reservatório, as vazões do rio Teles Pires no trecho a jusante do AHE Colíder serão reduzidas, o que configura uma alteração temporária no regime de vazões do rio a jusante do barramento. 102 7.1.1.4 Formação de Ambiente Lêntico e Alterações das Propriedades Físicas, Químicas e Biológicas das Águas Superficiais na Fase de Operação O barramento de cursos d’água para a formação de reservatórios para geração de energia determina transformações de sistemas hídricos, promovendo modificações significativas na fisiografia, na ampliação da massa d’água e redução nas velocidades de corrente, resultando na substituição do ambiente lótico pelo ambiente lêntico. Com o término da fase de enchimento e início da liberação das vazões ocorrerá o início de um processo contínuo de renovação dos volumes acumulados no reservatório, o que reduz a potencial ocorrência de processos de eutrofização. 7.1.1.5 Assoreamento de Remansos e Confluências O impacto associado ao assoreamento de remansos e confluências constitui impacto potencial previsto nos contatos entre os ambientes lóticos e lênticos que serão formados com o reservatório. Nesses locais, em função da redução da velocidade da corrente fluvial, deverão ocorrer pontos de assoreamento, que a médio e longo prazo, dependendo da descarga sólida dos tributários, podem resultar na obstrução das desembocaduras no reservatório. O remanso do reservatório poderá também ser afetado pelo assoreamento no contato dos ambientes lêntico e lótico no próprio rio Teles Pires. Todavia, no cenário de implantação dos aproveitamentos hidrelétricos de montante, caso principalmente do AHE Sinop, o processo de deposição de sedimentos no remanso poderá ser diminuído. 7.1.1.6 Retenção de Sedimentos e Alterações na Geometria Fluvial a Jusante do Barramento As alterações na estabilidade da morfologia de um canal podem resultar na ocorrência de processos de erosão e de assoreamento. Mesmo operando a fio d’água um reservatório apresenta condições de retenção da carga sólida que seria transportada pelo rio, alterando o suprimento de sedimentos para o segmento de jusante A ocorrência de processos de erosão do canal fluvial logo a jusante do barramento do AHE Colíder, em razão da manutenção da capacidade de transporte e redução do suprimento de sedimentos, poderá ocorrer ao longo do rio Teles Pires. Tais processos 103 erosivos poderão alterar a geometria fluvial mediante a instabilização das margens e o entalhamento do leito. 7.1.1.7 Rebaixamento do Lençol em Decorrência das Obras Todas as ações de obra que tenham necessidade de escavação provocarão afloramento de água subterrânea e conseqüente necessidade de bombeamento, o que resultará no rebaixamento do nível d'água. Devido à proximidade com a calha do rio, espera-se surgência de grandes quantidades de água durante as escavações obrigatórias. Como não existem poços de captação ou outras obras próximas à área de implantação do barramento do AHE Colíder, este impacto pode ser considerado não-significativo, uma vez que não interferirá no suprimento de água subterrânea para a população do entorno imediato. 7.1.1.8 Elevação do Nível do Lençol Freático Após a Formação do Reservatório A elevação do nível do lençol freático é um impacto decorrente da formação do reservatório e deve ser imediato devido às características dos terrenos que compõem a Área Diretamente Afetada - ADA e a Área de Influência Direta - AID. Os setores da AID potencialmente afetados são aqueles situados ao longo das planícies fluviais alagadiças, as quais serão em parte submersas e afetadas pela elevação do lençol freático. Essa alteração pode propiciar a formação de áreas de solo mais úmido, numa faixa de largura variável na margem do reservatório. A elevação do lençol freático pode, especialmente em solos arenosos, desencadear processos de instabilização das margens mediante processos de fluxo subsuperficial de água. 7.1.1.9 Indução de Processos Erosivos Durante as Obras A potencial geração de processos erosivos durante as atividades de construção do AHE Colíder está associada ao conjunto de intervenções sobre os terrenos da ADA. Tais intervenções englobam um amplo conjunto de ações de potencial impactante vinculadas a abertura de caminhos de serviço e melhoramento dos existentes, supressão de vegetação, terraplenagem da área de implantação do canteiro de obras, 104 habilitação e utilização de áreas de apoio (áreas de empréstimo, estoques, jazidas e bota-foras) e às escavações obrigatórias. 7.1.1.10 Alteração do Risco de Contaminação do Solo Durante as Obras O risco de contaminação do solo durante a fase construtiva está associado a operação das instalações do canteiro de obras e da movimentação e utilização de máquinas e veículos. Eventuais acidentes e vazamentos podem resultar na contaminação do solo. Os fatores que potencializam os riscos de contaminação dos solos são os mesmos indicados na avaliação do impacto sobre as alterações na qualidade das águas superficiais durante as obras, englobando desse modo o transporte, o armazenamento e a manipulação de produtos perigosos (combustíveis, lubrificantes, tintas, vernizes e solventes) utilizados nas obras. 7.1.1.11 Instabilização de Margens e Indução de Processos Erosivos no Reservatório Durante a Operação A implantação do reservatório pode provocar erosão e movimentos de massa nas encostas situadas nas suas margens, sobretudo nos setores dos terrenos que configurarão margens abruptas ou de declividade acentuada. Esse impacto potencial poderá ocorrer no contanto do reservatório com margens formadas por terrenos de Morrotes dissecados (principalmente ao longo da margem direita). Assim, é possível que ocorra erosão nas margens e movimentos de massa condicionados pelo embate de ondas do espelho do reservatório do AHE Colíder. 7.1.1.12 Criação de Áreas Úmidas Permanentes Após a formação do reservatório espera-se a criação de áreas úmidas, diferentes das antigas planícies aluviais existentes na calha do rio Teles Pires e de afluentes como o rio Renato. Nestas áreas úmidas formadas pelo conjunto das áreas rasas e das áreas saturadas, espera-se, inicialmente a instalação de um hábitat brejoso. Devido a estabilização dos processos de sucessão, é possível que seja estabelecido um habitat que permita a manutenção de áreas de procriação e alimentação para a ictiofauna e herpetofauna, 105 especialmente de anfíbios, além da reimplantação de espécies da flora, características das área úmidas que caracterizam os setores próximos dos corpos d’água. 7.1.1.13 Ocorrência de Sismos Induzidos A sismicidade induzida pela formação de grandes reservatórios de água decorre de eventuais alterações nos esforços crustais decorrentes do peso da massa d’água e de complexos processos de alteração nas pressões de poros e fraturas das rochas subjacentes aos reservatórios. Os dados do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília - UnB indicam a ocorrência de 963 eventos sísmicos entre 1744 e 2005. Desse total, 943 eventos foram registrados na região do município de Porto dos Gaúchos, onde concentra grande parte dos sismos registrados no norte do Mato Grosso. Os demais 20 eventos foram registrados em outras áreas. A área de concentração dos sismos na região de Porto dos Gaúchos está situada fora da bacia do rio Teles, a uma distância de aproximadamente 200 km do AHE Colíder. Embora numerosos nessa região de Porto dos Gaúchos, de modo geral, a magnitude dos eventos registrados é considerada baixa. Tanto a distância em relação ao empreendimento como a baixa magnitude dos eventos são atenuantes que devem ser considerados na avaliação da potencial indução de sismos após a formação do reservatório do AHE Colíder. Deve-se ainda considerar a perspectiva de implantação de outros aproveitamentos na bacia do rio Teles Pires. Em relação ao AHE Colíder o aproveitamento mais próximo previsto é o AHE Sinop, o que de certa forma amplia o potencial de ocorrência do impacto na hipótese de proximidades temporal na formação dos reservatórios. 7.1.1.14 Alteração na Qualidade do Ar Durante as Obras A qualidade do ar na área das obras do AHE Colíder poderá ser alterada em decorrência do aumento de material particulado (poeira) em suspensão e do aumento de emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis (gasolina e óleo diesel). A suspensão de material particulado (poeira) é uma decorrência de todas as atividades que exijam movimentação de terra, circulação de veículos por estradas não pavimentadas, limpeza do terreno, terraplenagem das áreas de apoio e implantação 106 das vias de acesso. Já as emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis (gasolina e óleo diesel) decorrem da utilização de veículos e equipamentos (geradores, tratores, retro-escavadeiras, bate-estacas, etc.) nos canteiros de obras e no transporte de materiais ao longo dos eixos viários que atendem ao empreendimento. A combustão de derivados de hidrocarbonetos gera emissões de óxidos de enxofre e nitrogênio e dióxido e monóxido de carbono que poderão alterar de maneira muito pontual a qualidade do ar na área das obras. 7.1.1.15 Alterações no Clima Local Modificações na cobertura da superfície provocam alterações nas taxas de transferência de umidade, calor e nas condições de circulação do ar. Dependendo da abrangência espacial e da intensidade temporal, tais modificações podem resultar em mudanças nos regimes térmico, pluviométrico e nos padrões de umidade na região afetada. Nessa perspectiva, a formação de um reservatório artificial de água em substituição às áreas antes ocupadas por cobertura vegetal, pode provocar alterações locais nas taxas de transferência de umidade, calor e nos ventos. Não são esperados efeitos sobre o regime de precipitação. O processo de evaporação e ascendência do ar aquecido do reservatório não deve ocorrer em intensidade suficiente para formar nebulosidade e precipitação. 7.1.1.16 Patrimônio Paleontológico As ações que são implicadoras de interferências com as ocorrências fossilíferas envolvem os serviços de escavação e terraplenagem na área de implantação do barramento, do canteiro de obras, das áreas de apoio e a própria formação do reservatório. Conforme caracterizado no diagnóstico ambiental, os terrenos afetados diretamente pelas obras e pela formação do reservatório se restringem a terrenos sustentados principalmente pelos arenitos mesoproterozóicos da Formação Dardanelos, a qual não apresenta possibilidade de preservação de material fóssil. Nesta condição, não são previstos impactos potenciais sobre o componente “Patrimônio Paleontológico”. 107 7.1.2 7.1.2.1 Meio Biótico Redução da Cobertura Vegetal A supressão de vegetação na Área Diretamente Afetada – ADA do AHE Colíder constitui uma das principais ações de potencial impactante da fase construtiva e que resultará na redução da cobertura vegetal nativa remanescente, bem como na perda de germoplasma e de habitats para a fauna. As áreas de supressão de vegetação englobam principalmente os setores da ADA nos quais é prevista a implantação do reservatório. Secundariamente, são previstos impactos decorrentes da abertura ou do melhoramento dos acessos e de eixos de circulação interna. Nesses últimos casos, os impactos são de pequena intensidade, pois se vinculam à eventual necessidade de melhorias geométricas e alargamentos de vias e caminhos existentes. A Tabela 21 apresenta a quantificação da vegetação a ser suprimida para a implantação do empreendimento (barramento, reservatório e áreas de apoio), considerando cada tipo de formação vegetal nativa ou antropizada existente na área de intervenção do AHE Colíder. RESERVATÓRIO TABELA 21 - ÁREA DE SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NA ÁREA DIRETAMENTE AFETADA PELO AHE COLÍDER Porcentagem Porcentagem Área de supressão em relação as em relação as Local Fitofisionomias formações formações 2 existentes na (km ) (ha) afetadas AID Formações Florestais submontanas 70,66 49,24 49,2 13,7 Formações florestais aluviais 46,11 32,13 31,1 54,8 Vegetação Secundária 3,03 2,11 2,1 15,8 Formações pioneiras 0,52 0,36 0,4 15,1 Formações florestais semideciduais 0,61 0,43 0,4 4,3 Formações savanicas 0,16 0,11 0,1 5,3 Área em desmatamento 0,10 0,07 0,1 4,7 Área antropizada 22,31 15,55 15,5 13,3 TOTAL 143,5 100 100,0 - 108 7.1.2.2 Ampliação do grau de fragmentação dos remanescentes e dos efeitos de borda e redução da conectividade entre remanescentes florestais A supressão de vegetação para liberação da área do futuro reservatório e barramento do AHE Colíder irá ocasionar impactos indiretos sobre a cobertura vegetal com o isolamento de áreas florestadas, intensificando o processo de fragmentação florestal que toda região vem sofrendo em virtude da ocupação agrosilvopastoril nas últimas décadas. Serão criados ou ampliados fragmentos florestais de diversos tamanhos e variados graus de isolamento em relação à distância com os maiores remanescentes florestais e grandes contínuos de matas. Com a formação do reservatório, a conexão entre os fragmentos florestais existentes na AID e no seu entorno será reduzida. Em longo prazo, o isolamento ou insularização destes fragmentos, outrora ligados pelas formações ciliares ao longo do rio Teles Pires e tributários, poderá resultar em efeitos secundários de alteração da composição florística e redução da diversidade nas formações remanescentes. Alguns remanescentes florestais serão parcialmente suprimidos para implantação do futuro reservatório, do barramento e da infraestrutura de apoio às obras. Dentre os efeitos indiretos da fragmentação florestal e criação de uma nova borda nas matas atingidas pela supressão de vegetação, destacam-se as alterações microclimáticas. Estas alterações implicam em um novo equilíbrio da estrutura da floresta em sua nova borda criada. Não necessariamente implica na substituição das espécies existentes, tendendo a estabilizar-se no sentido do interior da mata. É possível que haja colonização destas novas bordas das matas por espécies exóticas, invasoras e ruderais, estranhas aos ecossistemas nativos da região e com potencial competitivo diferenciado, como os capins forrageiros das pastagens. 7.1.2.3 Alteração da Estrutura da Vegetação Florestal em Decorrência da Elevação do Lençol Freático O enchimento do reservatório do AHE Colíder provocará a elevação do lençol freático no seu entorno em diferentes intensidades. Nos terrenos mais declivosos, a elevação do lençol freático resultará em alterações mínimas no nível de saturação por água dos solos. No entanto, em pontos geomorfologicamente específicos, nos terrenos mais planos onde serão formados remansos do reservatório, o solo tenderá a ficar saturado de água, com a criação de áreas permanentemente úmidas ou mesmo encharcadas 109 em faixas com largura e extensão variáveis. A saturação permanente dos solos por água poderá ocasionar alterações nos setores com florestas remanescentes que permanecerão no entorno do reservatório. 7.1.2.4 Redução da Qualidade do Habitat Durante as Obras A fase de obras do AHE Colíder engloba um amplo conjunto de serviços que incluem a remoção da cobertura vegetal, escavações, implantação de ensecadeiras para desvio do rio, entre outras, podem resultar no aumento do suprimento de sedimentos transportados pelo rio Teles Pires, com conseqüente alteração da qualidade da água. A alteração da qualidade da água do rio Teles Pires e dos seus afluentes durante o período de construção do empreendimento resulta por sua vez na redução da qualidade do habitat das comunidades ícticas e dos demais organismos aquáticos. Potencialmente, podem ocorrer alterações na distribuição e nas abundâncias das comunidades. 7.1.2.5 Aprisionamento de Peixes nas Áreas Ensecadas A implantação das ensecadeiras de montante e de jusante no rio Teles Pires constitui intervenção que pode resultar no aprisionamento de peixes num curto trecho do rio delimitado entre as duas barreiras que constituem as ensecadeiras. Tal aprisionamento poderá ocorrer com indivíduos das mais diferentes espécies que ocorrem no rio Teles Pires. No entanto, considerando as características e diversidade da ictiofauna, os peixes de grande porte eventualmente confinados na área ensecada são os mais vulneráveis ao presente impacto potencial, em razão da pequena disponibilidade de espaço físico das poças que serão formadas no irregular leito fluvial ensecado. Além disso, os indivíduos confinados na área ensecada podem ser capturados com facilidade, cabendo nesse aspecto o efetivo controle de acessos a fim de evitar a captura por parte de pescadores. 7.1.2.6 Redução da Qualidade do Habitat à Jusante do Barramento Durante o Enchimento A redução das vazões do rio Teles Pires é uma ação necessária ao processo de formação do reservatório. Especialmente na primeira fase de enchimento, as reduções 110 nas vazões resultarão na alteração da velocidade da água, na profundidade do escoamento, no transporte de material sólido, na formação de poças em função da morfologia irregular do leito fluvial e da redução do perímetro molhado da calha do rio Teles Pires. Associada a tais fatores, alterações na qualidade da água poderão também ocorrer, evidenciadas pela potencial redução das concentrações de oxigênio dissolvido. Tanto a menor disponibilidade de água no sistema fluvial à jusante, como as alterações físico-químicas da água decorrentes configuram uma redução da qualidade do habitat das comunidades aquáticas durante o enchimento do reservatório. Sob o aspecto espacial, o impacto potencial de redução da qualidade do habitat durante o enchimento ocorrerá com maior intensidade no trecho entre o barramento e o ribeirão da Águia, cuja foz está situada a 10 km do eixo do AHE Colíder. Também como parte da redução da qualidade do habitat provocada pela redução das vazões, há possibilidade de formação de poções de água acumulada ao longo do leito irregular do rio Teles Pires. Alguns desses poções, dependendo das características do leito fluvial, podem permanecer isolados do fluxo de água remanescente. Em todo caso, o aprisionamento de peixes nesses poços poderá resultar na perda de indivíduos em função de condições adversas como a baixa profundidade, a evaporação da água e a pouca oferta de alimentos. 7.1.2.7 Alteração na Dinâmica de Deslocamento da Ictiofauna em Decorrência da Implantação do Barramento As ações que iniciarão efetivamente o início do processo de alteração na dinâmica de deslocamento da ictiofauna vinculam-se inicialmente a implantação das ensecadeiras de jusante e de montante no leito do rio Teles Pires. Entre as ensecadeiras poderá ocorrer aprisionamento de espécimes. Para os espécimes não aprisionados, posicionados tanto a montante como a jusante das ensecadeiras, o deslocamento será inviabilizado pelo canal natural. Posteriormente, com a construção da barragem de terra no leito e fechamento das adufas, consolidam-se as intervenções que implicarão nas modificações da dinâmica de deslocamento da ictiofauna, em especial das espécies que reconhecidamente migram rio acima para a desova. 111 7.1.2.8 Alterações nas Populações de Peixes no Rio Teles Pires na Fase de Operação A implantação do AHE Colíder poderá implicar em efeitos capazes de alterar a dinâmica populacional das espécies de peixes, especialmente em relação à composição da comunidade e aos ciclos reprodutivos migratórios. É de conhecimento que a composição das espécies de peixes de um reservatório é primariamente dependente da fauna do rio que foi represado. Quando ocorre o enchimento de um reservatório, as espécies pré-adaptadas a ambientes lacustres são recrutadas, passando a fazer parte do ambiente limnológico, e a relação existente entre o tamanho, a ecomorfometria das espécies e o metabolismo dos organismos, faz com que as comunidades redefinam sua estrutura trófica. Essa estrutura é uma propriedade fundamental que tende a se restabelecer quando uma comunidade for agudamente perturbada, conforme EIA citando Odum, 1985. Importante destacar que esse processo poderá ocorrer no reservatório do AHE Colíder. A jusante do barramento, a dinâmica das populações dependerá do número de tributários do rio Teles Pires, da presença de sítios de reprodução e de lagoas marginais localizadas neste trecho. Desta maneira, quanto maiores as possibilidades de áreas reprodutivas, maior a probabilidade da manutenção do equilíbrio populacional das espécies localizadas a jusante do barramento. 7.1.2.9 Perturbação e Afugentamento da Fauna Silvestre Durante as Obras Este impacto está relacionado principalmente a fatores como a supressão da vegetação nativa e o aumento gradativo do nível de ruído resultante da movimentação de veículos, escavações e aumento de pessoas na área de influência do empreendimento, além do aumento na utilização das estradas de acesso aos canteiros de obras. A intensidade da luz artificial nas vias que atravessam áreas de vegetação remanescente também constitui fator de perturbação da fauna terrestre florestal que possui hábitos noturnos, além de atrair diversas espécies de invertebrados, aumentando a atratividade pela fauna de hábitos insetívoros e os riscos de atropelamento da fauna silvestre. O aumento da circulação de pessoas e atividades pode resultar ainda na atração de animais domésticos ou sinantrópicos que atuam como predadores, competidores e vetores de enfermidades. Além disso, espécies 112 hemissinantrópicas como os gambás (Didelphis marsupialis) e diversos gaviões (Caracara plancus, Rupornis magnirostris), também poderão ser atraídos durante as atividades das obras como o desmatamento, devido ao afugentamento de pequenos vertebrados como serpentes, lagartos e roedores. A perturbação na fauna semi-aquática e aquática também pode ocorrer em razão da geração de ruído durante as atividades construtivas junto ao leito fluvial, o que resultará no afugentamento dos indivíduos para outros trechos do rio. Alterações significativas no regime fluviométrico, mesmo que temporárias, podem afetar espécies de mustelídeos, Lontra longicaudis e Pteronura brasiliensis, presentes no rio Teles Pires e espécies de vertebrados aquáticos como o jacaré-coroa (Paleosuchus trigonatus). 7.1.2.10 Óbito e Fuga de Animais Durante as Atividades de Desmatamento e Inundação As atividades de supressão de vegetação para implantação do canteiro de obra, abertura de acessos e formação do reservatório causarão o afugentamento imediato da fauna silvestre presente no interior dos fragmentos florestais, podendo ocorrer acidentes com risco de óbito ou perda de indivíduos. O risco de ocorrência de óbitos de animais é também previsto na fase de enchimento do reservatório. O enchimento é, particularmente, a etapa de risco mais significativo, uma vez que o nível d’água até a cota 286,5 m será elevado rapidamente. Cumpre salientar que a área de inundação, no enchimento, se encontrará desprovida de cobertura vegetal, o que pressupõe um prévio afugentamento da fauna silvestre tipicamente florestal associada ao antigo habitat. Em todo caso, particularmente para a herpetofauna e em especial os animais com pouco poder de deslocamento como os anfíbios podem não se retirar da Área Diretamente Afetada durante o enchimento, o que pode resultar na morte de espécimes por afogamento, além disso, as ilhas presentes na AID serão cobertas com a elevação do nível da água. Já os animais com capacidade de deslocamento como mamíferos de médio e grande porte serão afugentadas durante as atividades de desmatamento. Cabe lembrar, ainda, os impactos causados com a elevação do nível da água sobre os ninhos e ovos 113 de aves na AID. A supressão de vegetação ciliar causará a eliminação de habitas de nidificação para diversas espécies de aves. 7.1.2.11 Aumento da Pressão de Caça Durante o Período de Obras Com o início da fase de implantação do empreendimento, embora pouco provável, poderá ocorrer um aumento da caça praticada por trabalhadores envolvidos nas obras. Trata-se de um risco que será reduzido já na fase de contratação de mão-deobra, com as atividades de educação ambiental e com informações e instruções transmitidas aos trabalhadores quanto à proibição de caça e às implicações legais de tais atos. As informações estarão necessariamente incluídas em módulos de Educação Ambiental que farão parte do treinamento admissional de segurança e saúde do trabalho. Os atos de caça por parte dos trabalhadores serão reprimidos de acordo com a gravidade e/ou efetividade do ato. Complementarmente, não deve ser descartado um aumento da caça associado ao impacto de afugentamento da fauna, causado pelos serviços de desmatamento e pelo enchimento do reservatório. Durante o desmatamento e particularmente no enchimento, com a conseqüente fuga de animais, caçadores locais podem aproveitar a situação para captura de animais, em tese facilitada pelo afugentamento 7.1.2.12 Alteração nas Populações Terrestres em Função das Mudanças e Redução dos Habitats Naturais A supressão de vegetação na área de inundação configura uma redução local dos habitats. Muitos representantes da fauna são dependentes das formações florestais, principalmente das formações aluviais. Com o início das obras para a implantação do empreendimento, espera-se inicialmente que ocorram alterações de hábitos das espécies presentes e próximas aos locais das atividades construtivas. Posteriormente, com a supressão da vegetação para a formação do reservatório e seu enchimento, se consolidará a eliminação dos habitats naturais, com a conseqüente redução de recursos alimentares, abrigos e diminuição das populações de vertebrados terrestres. As mudanças comportamentais correspondem ao afugentamento da fauna com certa hagilidade, que passa a ocupar áreas com fisionomias semelhantes adjacentes às obras. As interações ecológicas serão alteradas e assim, o aumento da competição, 114 predação, parasitismo, etc., levará a médio e longo prazo à diminuição das populações. Outro impacto a ser considerado será o uso de ambientes de transição, entre florestas e campos antrópicos. Provavelmente, esses animais passarão a atacar a criação doméstica com maior freqüência, e assim, poderão ser abatidos por fazendeiros locais. 7.1.2.13 Ampliação de Barreira Física Decorrente da Formação do Reservatório A formação do reservatório do AHE Colíder, com a inundação de áreas marginais ao rio Teles Pires significará a ampliação de uma barreira física existente. Considerando os trechos que o reservatório inundará como os vales do córrego Tustão e do ribeirão dos Catetos, a ampliação dessas barreiras representará a imposição de obstáculos ao deslocamento da fauna em locais antes propícios ao fluxo gênico. 7.1.2.14 Alteração na Dinâmica da População de Vetores Os levantamentos da entomofauna de interesse epidemiológico realizados na AID indicaram uma riqueza elevada de espécies de mosquitos, com dominância de Anopheles darlingi (vetor primário de plasmódios, agente biológico da malária) e Culex (Melanoconion) seção Melanoconion (táxon composto por várias espécies com potencial de veiculação de arbovírus). Os dois grupos considerados poderão apresentar respostas adaptativas diversas diante das modificações ambientais previstas, que incluem basicamente a supressão da cobertura vegetal e a formação do reservatório. A supressão de vegetação gera distúrbios que habitualmente desestabilizam as populações de mosquitos, podendo provocar sua redução devido à destruição de hábitats. Por se tratar de modificação rápida, geralmente não haverá tempo de adaptação durante essa intervenção. Por outro lado, os serviços de supressão de vegetação implicam em contanto direto do contingente de trabalhadores com áreas de floresta e, por conseguinte, com os locais de concentração dos vetores. Por outro lado, a supressão da vegetação resultará no progressivo afugentamento da fauna de vertebrados, o que em certa medida potencializa os trabalhadores como fonte sanguínea para os mosquitos. 115 Já a partir do enchimento do reservatório, as populações de mosquitos podem se beneficiar da formação do ambiente lêntico. Todavia, na fase inicial do enchimento, antes do início da fase de estabilização do reservatório, os criadouros existentes fora do leito fluvial serão tomados e destruídos pela elevação do nível d’água. Posteriormente, depois de completada a inundação até a cota 268,5 m, nas margens do reservatório, especialmente em zonas de pouca profundidade e águas pouco movimentadas, podem ser formados ambientes favoráveis ao surgimento de criadouros. Nessa condição, são esperadas variações que incluem a dominância e proliferação de espécies seguida pelo seu escasseamento, ou ao contrário. Em caso de proliferação de macrófitas no reservatório, pode haver a infestação por outros mosquitos antropofílicos, como os dos gêneros Coquillettidia Mansonia. Esses mosquitos são provocadores de incômodo pelas picadas e guardam associação direta com as macrófitas, pois seus imaturos, larvas e pupas, respiram diretamente a partir do aerênquima dessas plantas. O corpo principal do reservatório apresentará menor potencial e condições para proliferação de mosquitos devido aos ventos e formação de ondas. Os pontos mais propícios a formação de criadouros correspondem às zonas remanso e às margens dos braços do reservatório previsto. Comparados ao corpo central, os braços são mais susceptíveis a processos de eutrofização de proliferação de macrófitas, o que contribui com a formação de ambientes propícios ao desenvolvimento de anofelinos. Ao longo do período de estabilização do reservatório, os organismos presentes se adaptarão a nova condição do ambiente lêntico. Assim, o risco de proliferação de mosquitos deve diminuir progressivamente. Esse processo deve ocorrer ao longo dos primeiros três a cinco anos da fase de operação do AHE Colíder. 7.1.3 7.1.3.1 O Meio Antrópico Geração de Empregos Diretos e Indiretos Durante a Construção potencial de geração de empregos previsto na fase de construção do empreendimento será de 2.700 homens no pico e 1.800 homens na média, durante 40 meses de obras. 116 Os novos postos de trabalho incluirão todos os direitos previstos na legislação trabalhista em vigor. A contratação de mão-de-obra no regime da CLT, além de aumentar a massa salarial e gerar benefícios, promoverá a inclusão do pessoal em programas de treinamento e capacitação profissional, assim como em programas de treinamento em saúde e segurança do trabalho e educação ambiental, conforme exige a lei. O conhecimento e a experiência adquiridos pelos trabalhadores representarão ganhos permanentes, mesmo no caso de trabalhadores temporários, aumentando seu grau de qualificação e ampliando as chances de contratação em oportunidades futuras. A geração de empregos diretos durante a construção do empreendimento guarda um potencial de atração de fluxos migratórios para as localidades anfitriãs do projeto, diminuindo a intensidade do impacto positivo para as populações originalmente residentes na AII, podendo, ainda, gerar impactos negativos associados a um rápido incremento populacional. Quanto aos empregos indiretos, não existem estudos aprofundados que permitam prever com exatidão o potencial de geração de empregos indiretos em obras de hidrelétricas. No entanto, estima-se que serão gerados, na construção do AHE Colíder, até 3.600 empregos indiretos na média e até 5.400 empregos no pico, ou seja, duas vezes a quantidade de empregos diretos. O aquecimento das economias locais da AII também tende a constituir fator de atratividade à imigração, de modo que a mão-deobra imigrante viria a competir com as populações locais pelos empregos indiretos gerados pelo empreendimento. 7.1.3.2 Geração de Empregos Diretos e Indiretos Durante a Operação O AHE Colíder operará de forma automatizada, demandando pequeno contingente para sua operação. O potencial de geração de empregos estimado na fase de operação da usina é de 150 empregos diretos e 300 empregos indiretos. Ou seja, os empregos diretos representam apenas 15% do potencial médio de geração de empregos na construção. Mesmo assim, será um impacto permanente, diferentemente dos empregos de caráter temporário criados durante as obras. Deve-se observar que uma parte dos cargos operacionais, que demandarão maior qualificação da mão-de-obra, será ocupada por imigrantes. No entanto, estes 117 acabarão se tornando residentes permanentes nas localidades anfitriãs, principalmente em Colíder, onde ficará a sede operacional da usina, de modo que o impacto terá abrangência limitada à AII. Nota-se, porém, que os empregos diretos serão concentrados na sede operacional, isto é, dentro da AID. 7.1.3.3 Aumento da Massa Salarial Durante a Construção e a Operação A geração de empregos diretos e indiretos terá como conseqüência o aumento da massa salarial da população, de forma temporária, no caso da fase de construção, e de forma permanente, no caso da operação. Comparativamente ao aumento da massa salarial regional na fase de construção, o aumento na fase de operação será pouco significativo. No entanto, será permanente. 7.1.3.4 Atração de Fluxos Migratórios Durante a Construção O empreendimento do AHE Colíder poderá constituir fator de estímulo à imigração para as localidades anfitriãs, tanto em função do potencial de geração de empregos diretos quanto do potencial de geração de empregos indiretos. Entende-se por “localidades anfitriãs” os centros urbanos da AII mais próximos ao local da obra, e que, por suas condições de infraestrutura e serviços, tendem a ser preferidos como locais de residência da mão-de-obra imigrante. No caso consideramse as cidades de Colíder, principalmente, e Sinop, em segundo lugar. As cidades de Nova Canaã do Norte e Itaúba, embora relativamente próximas do local da obra, são muito pequenas e não oferecem condições de infraestrutura e serviços atrativas para imigrantes. A cidade de Cláudia, por sua localização e porte, dificilmente constituirá pólo de atração. 7.1.3.5 Saldos Migratórios Negativos ao Final da Fase de Construção À medida que se aproximar o término da fase construtiva, no último ano de obras, o contingente de trabalhadores ocupado diretamente pela construtora e por suas subcontratadas diminuirá, até que se efetive a total desmobilização do pessoal residente no alojamento. Como a maior parte do contingente empregado será composta de imigrantes, estes tendem a voltar para seus locais de origem, gerando saldos 118 migratórios negativos nas localidades anfitriãs, concentrados ao longo de todo o último ano de obras. Indiretamente, a queda mais ou menos abrupta na demanda por bens e serviços em função do término das obras e da desmobilização do pessoal, poderá reverter os efeitos de dinamização da economia ocorridos durante a construção, provocando também evasão da população que porventura migrar para estas localidades durante a fase de construção. Ressalta-se que este impacto tende a ser mais significativo em Colíder do que em Sinop, devido à diferença de porte das respectivas economias. No entanto, mesmo que ocorra tal fenômeno, a probabilidade de ocorrência de taxas de crescimento negativas pós-desmobilização será pequena, uma vez que, no período 2000/2007, as taxas de crescimento nas localidades anfitriãs, sem o empreendimento, foram positivas, principalmente em Sinop. O mais provável, portanto, é que o saldo migratório final nas localidades anfitriãs, na fase de operação, seja positivo em comparação à situação atual, sem o empreendimento. De qualquer modo, seja qual for a sua intensidade, trata-se de um impacto importante, em função de seu potencial indutor de outros impactos indiretos. 7.1.3.6 Perda de Moradias e Fontes de Rendimento e Subsistência De acordo com os levantamentos de campo e de cartografia realizados, a área de inundação do reservatório afetará poucas residências permanentes, localizadas nas margens ou nas ilhas fluviais do Teles Pires, criando uma necessidade muito pequena de reassentamento involuntário. Ao todo, será necessário remover edificações utilizadas como moradia em 11 sedes de fazendas e/ou residências rurais, duas pousadas e/ou chácaras de recreio, dois ranchos de pesca e sete ilhas, afetando diretamente 42 pessoas. A operação da Balsa existente para travessia do rio Teles Pires, próximo à cidade de Itaúba e à BR-163, será afetada na fase de enchimento, o que poderá implicar a sua desativação temporária, resultando na perda de dois empregos (operadores), além da perda temporária da fonte de rendimento dos donos da concessão, pelo menos até que as operações possam ser reativadas. Como serão afetadas atividades econômicas agrossilvopastoris, turísticas e pesqueiras, isto poderá resultar, indiretamente, na perda de empregos ou atividades 119 autônomas que são fontes de rendimento familiar, gerando, assim, a necessidade de alguma forma de compensação ou apoio social até que estas pessoas possam se inserir novamente no mercado de trabalho local. Todos os trabalhadores que sofrerem perda ou redução do rendimento mensal em função de impactos diretos e indiretos sobre as atividades agrossilvopastoris, turísticas, pesqueiras e de transporte fluvial (balsa), assim como a perda de fontes de subsistência (roças, pesca), terão direito a compensações sociais, desde que os registros profissionais ou vínculos empregatícios, assim como os prejuízos possivelmente causados pelo empreendimento, possam ser comprovados. 7.1.3.7 Risco de Tensões Entre Mão-de-Obra Imigrante e População Local As notícias sobre a criação de novos empregos e a dinamização da economia na região tendem a se espalhar, gerando um afluxo adicional de mão-de-obra para as localidades de Colíder e Sinop, em busca de oportunidades de trabalho. Esse contingente adicional de imigrantes pode vir a exceder a demanda real do mercado de trabalho nestes municípios, de modo que há o risco de que as pessoas não incluídas venham a engrossar o mercado informal ou a população desocupada, agravando problemas sociais. 7.1.3.8 Geração de Expectativas da População Local Sobre o Empreendimento Empreendimentos do porte do AHE Colíder podem provocar alterações na rotina dos moradores das localidades anfitriãs, gerando expectativas negativas e positivas sobre seus possíveis desdobramentos. Deste modo, é natural que se criem, junto às populações locais, expectativas e posições favoráveis em relação ao empreendimento, associadas aos impactos econômicos positivos (geração de empregos, dinamização do comércio e dos serviços, incremento na arrecadação fiscal, etc.). Por outro lado, surgirão expectativas negativas, associadas à perda de moradias e benfeitorias na área de inundação do reservatório, a interferências com áreas de produção agrícola e atividades turísticas e pesqueiras, à atração de fluxos migratórios para as cidades e suas possíveis conseqüências em termos de aumento do desemprego, da criminalidade e dos riscos à saúde pública. Além disso, poderão surgir posições contrárias devido aos impactos 120 ambientais e paisagísticos do empreendimento, como a supressão de florestas, a degradação da qualidade da água do rio Teles Pires, os impactos sobre a ictiofauna, a inundação de cachoeiras, praias e ilhas, etc. 7.1.3.9 Interferências com Áreas e Atividades de Lazer da População Local Nos municípios da AII, as populações locais têm algumas de suas atividades de lazer associadas ao desfrute de atrativos paisagísticos, como a pesca amadora e os banhos de rio em cachoeiras e praias fluviais do rio Teles Pires e seus afluentes, que atraem inclusive pessoas de localidades vizinhas, propiciando o encontro e a integração das comunidades. Os impactos ambientais associados às obras, principalmente as alterações na qualidade da água do rio Teles Pires e na ictiofauna, próximo ao local da obra e a jusante, assim como os impactos potenciais da formação do reservatório, que eliminará praias, ilhas e corredeiras, alterando a paisagem, podem vir a reduzir os locais e as possibilidades de lazer da população local. Embora muitas praias se formem na época da seca, no trecho do rio Teles Pires diretamente afetado pelo empreendimento, os locais de lazer mais utilizados pelas populações locais se localizam a jusante do AHE Colíder, ou em afluentes do Teles Pires, fora da área de inundação. Deste modo, a implantação do empreendimento não deverá provocar impactos significativos em locais e atividades de lazer dos moradores dos municípios citados. 7.1.3.10 Incômodos à População Devido ao Tráfego Pesado e a Alterações em Estradas Rurais, Acessos e Travessias O rio Teles Pires já se constitui em barreira física natural no trecho afetado pelo empreendimento. Não existem pontes sobre o rio, apenas duas travessias por balsa, uma delas localizada próximo à cidade de Itaúba e à BR-163, e a outra, cerca de 15 km à jusante do local do aproveitamento. Para a implantação do acesso principal ao canteiro de obras e de acessos secundários às frentes de trabalho e áreas de apoio (jazidas, bota-fora) do empreendimento, será preciso executar pequenas melhorias no sistema viário existente, como alargamentos, correção de processos erosivos e cotovelos muito fechados, abertura de desvios e outras intervenções, visto que as estradas vicinais não apresentam condições de 121 conservação nem de geometria adequadas para suportar o trânsito de veículos pesados a ser gerado pelo transporte de materiais. O tráfego pesado dos caminhões a serviço da construtora e de suas sub-contratadas gerará poeira em suspensão, aumento dos níveis de ruído, riscos de acidentes de trânsito (sobretudo na BR-163) e problemas de conservação dos pavimentos das vias (principalmente nos acessos vicinais). Juntamente com as intervenções a realizar em estradas, acessos a fazendas e travessias de cursos d’água, poderão provocar incômodos aos proprietários das áreas atravessadas, bem como aos moradores e trabalhadores que utilizam com freqüência esses caminhos. As operações das balsas citadas também poderão ser afetadas, seja pelo tráfego de caminhões (balsa a jusante do barramento), seja pela interrupção devido ao enchimento do reservatório (balsa de Itaúba). Neste segundo caso, será preciso planejar e construir novas instalações em função da elevação do nível d’água, a fim de minimizar o tempo de interrupção dos serviços e os incômodos associados à população usuária. Felizmente, as duas balsas não são travessias de intensa utilização, ainda que sejam importantes como ligações locais entre as áreas rurais situadas em ambas margens do rio Teles Pires. Com o enchimento do reservatório, também serão inundados trechos de estradas vicinais que dão acesso e interligam as propriedades rurais da AID. Os trechos afetados englobam, principalmente, segmentos em que as estradas vicinais atravessam os vales de ribeirões e córregos que serão também inundados, formando os braços do reservatório. Serão afetadas, além desses trechos de estradas, as pontes de madeira existentes sobre os afluentes inundados. Alguns trechos de vias dão acesso as propriedades às margens do rio Teles Pires, mas há segmentos que são utilizados por moradores para acessar suas propriedades. Com a formação do reservatório, o acesso a algumas propriedades deverá ser alterado, em função da necessidade de contornar o braço do reservatório. Estima-se, preliminarmente, que será necessário realocar 7 km de estradas vicinais. No final, após a recuperação de trechos deteriorados pelo tráfego de veículos pesados e a adoção de medidas de adequação do sistema viário, o novo arranjo de vias deverá exibir dimensões mais adequadas e seguras do que as atuais. Os incômodos causados à população usuária e aos moradores existentes ao longo das vias utilizadas tendem a diminuir à medida que as pessoas forem se acostumando às mudanças introduzidas, e as obras forem chegando ao seu término. 122 7.1.3.11 Aumento das Receitas Fiscais Durante a Construção e a Operação A construção e a operação do empreendimento envolverão atividades que serão fatos geradores de arrecadação de impostos e taxas. O primeiro impacto do empreendimento na arrecadação tributária direta dos municípios que terão áreas inundadas pelo reservatório, Colíder, Nova Canaã do Norte, Itaúba e Cláudia, começará a ser contabilizado após a obtenção da Licença Prévia. As desapropriações por utilidade pública, tanto das áreas inundadas quanto das áreas inseridas na APP do futuro reservatório, constituirão fatos geradores do Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis - ITBI. Outro imposto resultante das desapropriações será o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, que tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município. Especificamente nesse caso serão desapropriadas por inteiro as propriedades cujas áreas remanescentes ficarem com seu aproveitamento econômico inviabilizado. Durante a construção, a cada etapa da obra, será recolhido o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS ou ISSQN aos cofres dos municípios onde ficarão instalados os canteiros. Na fase de construção do empreendimento, não haverá recolhimento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação - ICMS que possa resultar em impacto significativo sobre as receitas dos municípios onde se localizará a obra. No entanto, o ICMS poderá incidir nas operações que envolverem: saídas de materiais destinados a terceiros, inclusive sobras e resíduos decorrentes da obra; a entrada de mercadoria importada do exterior; e a entrada, no estabelecimento da empresa, de mercadoria oriunda de outro estado, destinada a consumo ou a ativo fixo. Especificamente no Mato Grosso, a Lei Estadual Nº 7.293/00, alterada pela Lei nº 8.629/06, regulamentada pelo Decreto nº 215/07, estabelece que as empresas que pretendam implantar projetos de geração de energia elétrica no estado terão, limitadas ao prazo de 21 anos, garantias legais quanto ao deferimento do ICMS incidente, no momento da saída, em operações de importação de mercadorias ou relativo ao diferencial de alíquotas incidente nas operações interestaduais para aquisição de bens e/ou serviços de transporte. As operações inerentes às aquisições 123 internas e destinadas a esses empreendimentos serão tributadas nos termos da legislação vigente, permitindo-se, entretanto, o usufruto do crédito de ICMS pertinente. Na fase de operação, não haverá tributação de ICMS sobre a produção de energia elétrica, pois o tributo incide integralmente na saída ou entrega da mercadoria (energia) ao consumidor final. Como forma de compensar estados produtores de energia elétrica pelo não recolhimento do ICMS, a Constituição Federal prevê a compensação pelo uso de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica (art. 20, § 1º), os chamados “royalties”. O valor da Compensação Financeira corresponde a 6,75% da energia de origem hidráulica efetivamente verificada, medida em MWh, multiplicados pela Tarifa Atualizada de Referência - TAR, fixada pela ANEEL. Na distribuição dos recursos, 0,75% são destinados ao Ministério do Meio Ambiente MMA, e os 6% restantes, destinados da seguinte forma: 45% dos recursos aos municípios atingidos, proporcionalmente às áreas alagadas pelo reservatório ou ocupadas por instalações da usina; 45% aos estados onde se localizam os reservatórios, correspondentes à soma das áreas alagadas dos seus respectivos municípios; e 10% para a União. Disto derivará outra conseqüência importante para as finanças públicas: os “índices de participação dos municípios” dos municípios, utilizados para cálculo do montante de repasse do ICMS estadual, aumentarão, de modo que haverá um adicional indireto das receitas fiscais. Outros impostos incidirão sobre a compra de produtos e serviços por parte da construtora, como IPI, IPVA e CIDE, todos de competência da União. Sobre a mão-deobra contratada, além do ISSQN, que é de competência municipal, incidirão o IRRF e os encargos sociais (PIS, COFINS, CSLL), de competência federal. Além de todas estas implicações tributárias, o empreendimento gerará, diretamente, o pagamento de taxas relativas aos processos de desapropriação e escrituração dos imóveis adquiridos junto aos cartórios de registro, bem como para obtenção dos alvarás do canteiro de obras, entre outras atividades. Indiretamente, a dinamização da economia nos municípios da AII durante a construção, incluindo Colíder e Sinop, prováveis pólos fornecedores de bens e serviços para o empreendimento, implicará no aumento das contribuições fiscais às receitas municipais, estaduais e federais. 124 Conclui-se, portanto, que o impacto do empreendimento será extremamente positivo e de alta intensidade para os municípios onde se localizará a obra, resultando no aumento das receitas fiscais diretas e indiretas. O impacto será de caráter temporário durante as obras, mas permanente durante a operação. O Estado de Mato Grosso também será beneficiado em termos de aumento do valor adicionado e dos repasses tributários da União, ainda que com menor intensidade do que os municípios. 7.1.3.12 Alterações nos Valores Imobiliários Durante a Construção e a Operação As alterações nos valores imobiliários decorrentes da implantação do empreendimento nos municípios da AII poderão trazer efeitos negativos e positivos sobre as economias locais. De um lado, os efeitos poderão ser positivos, se provocarem o aumento da renda da terra auferida por proprietários de imóveis rurais e urbanos, e, conseqüentemente, o aumento do consumo das respectivas famílias ou dos investimentos em atividades produtivas. Por outro lado, poderão ser negativos, se implicarem o aumento do custo de vida (preços dos aluguéis e arrendamentos) ou dificultarem o acesso à propriedade para fins residenciais ou produtivos (preço de venda da gleba de terra nua ou do lote urbano) É importante ressaltar que, na fase final das obras e após a sua conclusão, tende a ocorrer um processo de desaquecimento ou retração da economia nas localidades anfitriãs. A desmobilização das equipes no último ano de obra e o retorno de parte do pessoal para seus locais de origem representará uma queda mais ou menos abrupta da demanda por bens e serviços, a que os mercados locais de terras nos municípios da AII terão que se adaptar. É possível que ocorram, inclusive, processos de desvalorização relativa dos imóveis, dependendo da intensidade da queda nas taxas de crescimento das economias locais. É improvável, porém, que os imóveis sofram desvalorização acentuada, devido ao acréscimo de capital fixo (construções) e aos processos de valorização ocorridos durante a fase de construção. 7.1.3.13 Dinamização das Economias Locais Durante a Construção O período das obras, estimado em 40 meses, provocará aumento significativo da demanda direta da construtora por bens e serviços na região de influência indireta do empreendimento, sobretudo de materiais de construção, bens de consumo não125 duráveis (alimentos, remédios, produtos de higiene pessoal, etc.) e serviços (transporte, hospedagem, telefonia, correios, etc.). Indiretamente, tendem a ocorrer efeitos multiplicadores sobre a economia, na medida em que parte da massa salarial da população empregada na obra ficará na região, revertendo-se em consumo. Além disso, fatalmente haverá algum incremento populacional em Colíder e Sinop, devido à migração das famílias dos empregados e de pessoas em busca de oportunidades de trabalho. Com o aquecimento do consumo, os donos de estabelecimentos precisarão contratar mais colaboradores, o que gerará mais renda e massa salarial para ser gasta na região. O mercado imobiliário também deverá aquecer, e com ele, o setor de construção civil. Outro importante fator de dinamização econômica será o aumento direto e indireto das receitas fiscais nos municípios da AII (exceto Sinop). Assim, pode-se esperar a ampliação dos investimentos públicos em obras nos setores de saneamento, habitação, saúde, educação, lazer, etc., o que deverá gerar mais contratações temporárias e cargos permanentes, mais renda e assim por diante. 7.1.3.14 Retração Econômica ao Final da Fase de Construção A desmobilização gradativa do pessoal no último ano de obras tende a provocar uma queda significativa na demanda por bens e serviços nas localidades anfitriãs, podendo deflagrar um processo de retração econômica. Ou seja, o impacto de dinamização da economia tende a ser revertido com o fim das obras. 7.1.3.15 Perda de Áreas de Produção Agrossilvopastoril A perda de áreas de pastagens em função da criação do reservatório e da sua APP não trarão impactos significativos para a atividade pecuária nos municípios afetados, uma vez representam pouco frente ao total de pastagens existente nos municípios da AII. Deve-se ressaltar, entretanto, que as propriedades que tiverem suas áreas úteis (já desmatadas) inundadas em proporção significativa, a ponto de comprometer a viabilidade do seu aproveitamento econômico, serão desapropriadas integralmente pelo empreendedor. Isto ajudará também a evitar pressões indiretas de desmatamento nas áreas remanescentes para compensar as perdas de área útil. Por outro lado, isso poderá implicar, indiretamente, a desmobilização da mão-de-obra ocupada nestas propriedades, exigindo medidas mitigadoras de compensação social. 126 A perda de áreas de produção agrossilvopastoril devido à implantação do AHE Colíder constituirá impacto significativo no contexto da AID e da produção dos municípios da AII, principalmente no que se refere ao potencial de exploração florestal. A perda de áreas de pastagens, por sua vez, implicará redução muito pouco expressiva da produção pecuária. 7.1.3.16 Interferências com Atividades Turísticas A exploração do turismo na região do rio Teles Pires está fortemente vinculada à pesca esportiva, e secundariamente, ao ecoturismo e aos esportes de aventura. Nesse contexto, há dois tipos de interferências possíveis com as atividades turísticas a serem consideradas na avaliação do impacto do AHE Colíder. A primeira interferência é de caráter direto, e diz respeito à perda de locais onde as atividades turísticas que se concentram no trecho de intervenção ou logo a jusante, tais como pousadas e ranchos de apoio à pesca esportiva situados às margens do rio, e locais utilizados para ecoturismo, esportes de aventura e banhos de rio, como trechos de afluentes do Teles Pires, ilhas, praias e corredeiras, os quais serão eliminados com a formação do lago. Como a pesca esportiva não é praticada apenas no trecho abrangido pelo futuro reservatório, mas também a jusante da barragem há uma segunda interferência do empreendimento sobre as atividades turísticas, de caráter indireto, e que está relacionada aos impactos sobre a ictiofauna do rio Teles Pires. Embora não afete diretamente ao turismo, na fase de enchimento do reservatório, a desativação temporária da operação da balsa de Itaúba, que realiza a travessia do rio Teles Pires no trecho de inundação, poderá dificultar o tráfego de pessoas entre ambas as margens durante algum tempo. A balsa continuará operando após o enchimento do reservatório, mas em novo local, para onde será transferida a infraestrutura do terminal de travessia. Assim, a atratividade turística nos municípios da AII, seja em função da pesca esportiva, seja pelos atrativos paisagísticos e ecológicos de quedas, corredeiras e praias fluviais, não será significativamente afetada pelo empreendimento. Atualmente, o potencial turístico é pouco explorado em comparação a outros municípios do Nortão matogrossense, como Alta Floresta. 127 7.1.3.17 Interferência com a Pesca Artesanal Profissional O empreendimento registrados nos poderá municípios afetar as diretamente atividades afetados, de pescadores pertencentes à profissionais Colônia de Pescadores de Sinop. Em Itaúba, existem aproximadamente 40 pescadores que sobrevivem da pesca no rio Teles Pires e em seus afluentes; em Colíder, existem oito ou nove pescadores profissionais registrados; em Nova Canaã do Norte, estima-se que apenas 12 pescadores vivam atualmente da pesca; não foi possível obter o número de pescadores profissionais existentes em Cláudia. Além dos pescadores profissionais mencionados, a pesca de peixes ornamentais é uma atividade que se encontra em expansão na região do empreendimento. No entanto, é possível que ocorram impactos cumulativos ou sinérgicos com outros empreendimentos hidrelétricos a montante, como o AHE Sinop, afetando, assim, a dinâmica de transporte de sedimentos e matéria orgânica e a vida aquática em um trecho mais longo do rio. O impacto do empreendimento sobre a atividade pesqueira profissional será pouco significativo no contexto geral da pesca profissional na AII, que é pouco desenvolvida em relação a outras regiões. No entanto, poderá afetar alguns pescadores e suas famílias, que dependem da pesca para sua subsistência ou como principal fonte de rendimento. 7.1.3.18 Riscos à Saúde Pública Durante a Construção Quando se analisam os riscos específicos do empreendimento à saúde pública, cinco são as possibilidades que se apresentam: ü o aumento da quantidade de possíveis portadores de doenças infectocontagiosas, como DST, viroses e parasitoses, devido à maior presença de imigrantes durante as obras, residindo e circulando pelos municípios da AII; ü o aumento do número de casos de contração de doenças endêmicas (malária, dengue e leishmaniose) e de acidentes com animais peçonhentos (cobras, aranhas, etc.), devido às alterações ambientais e à exposição direta de um grande contingente de trabalhadores; ü riscos de saúde e segurança do trabalho e de acidentes com terceiros em canteiros, frentes de obra e caminhos de serviço; 128 ü maior risco de incidência de doenças de veiculação hídrica nas áreas urbanas das localidades anfitriãs, devido a impactos indesejados do crescimento populacional e econômico durante as obras, como a expansão urbana sem infra-estrutura sanitária adequada; e ü criação de habitats propícios à reprodução das populações de vetores de doenças endêmicas, devido à formação do reservatório, na fase de operação. Há também riscos indiretos para a saúde pública, relacionados a pressões sobre o sistema de infra-estrutura e serviços públicos de Colíder, devido ao crescimento populacional induzido indiretamente pelo empreendimento. 7.1.3.19 Risco de Endemias em Decorrência da Formação do Reservatório Além das modificações provocadas pelas atividades de supressão de vegetação na fase construtiva, o enchimento do reservatório pode se tornar um fator de elevação dos riscos de endemias. A ampliação da superfície úmida resultará também na formação de um conjunto de áreas nas margens do reservatório que poderão se configurar em locais propícios ao desenvolvimento de alguns insetos vetores. É o caso, por exemplo, da espécie Anopheles darlingi, a qual, segundo pesquisa de Zeilhofer (2007), é beneficiada em reservatórios, principalmente em braços ou zonas com vegetação arbórea e águas protegidas do vento e da ação de ondas. Cumpre registrar que ao longo do período de estabilização do reservatório, nos primeiros anos após a sua formação, o risco de proliferação de mosquitos será progressivamente diminuído. De qualquer forma, faz-se necessário, durante a de estabilização, a identificação dos sítios favoráveis a proliferação de macrófitas e de criadouros de mosquitos bem como o monitoramento dos indicadores entomológicos e controle sanitário de endemias. 7.1.3.20 Substituição de Usos nas Áreas de Intervenção e Inundação A implantação do AHE Colíder acarretará alterações diretas nos padrões de uso e/ou cobertura do solo rural nas áreas de intervenção (canteiros, áreas de empréstimo e bota-fora, caminhos de serviço, etc.) e inundação (reservatório). 129 As alterações de uso do solo ocorrerão, inicialmente, nas áreas do canteiro de obras, das jazidas de agregados para construção e dos bota-foras, em áreas de ambas as margens do rio, hoje ocupadas predominantemente por florestas. Na fase de enchimento do reservatório, concretizar-se-á a substituição de usos e/ou coberturas existentes na área inundada. As áreas que margeiam o rio Teles Pires e seus afluentes, na AID, são cobertas principalmente por florestas Aluviais e Submontanas, que constituem a matriz de cobertura do solo dominante na AID. As áreas destas formações nativas a serem inundadas totalizam 121 km2, representando 82% das formações nativas da AID. Quanto às áreas antropizadas, predominam na ADA as pastagens sem práticas conservacionistas, com diferentes tipos de gramíneas e estágios de crescimento, que totalizam 22 km2, representando 13,3% do total de pastagens existentes atualmente na AID. As ilhas e praias fluviais situadas abaixo da cota 220, localizadas no trecho afetado do rio Teles Pires, e que são utilizadas como locais de lazer pela população local na época mais seca do ano, também serão inundadas. Além dessas alterações, o enchimento do reservatório provocará a interrupção de algumas estradas vicinais existentes na AID, sobretudo nos braços de afluentes, de modo que será preciso abrir novos trechos de vias ou alterar traçados existentes. Nota-se, portanto, que, com exceção de algumas poucas situações onde será feita a recuperação de áreas de trabalho e circulação, a substituição de usos provocada pelo empreendimento na fase de construção será de caráter definitivo. 7.1.3.21 Indução de Alterações nos Padrões de Uso e/ou Cobertura do Solo no Entorno do Reservatório Além da substituição direta de usos e/ou coberturas existentes nas áreas de intervenção e inundação, o empreendimento também poderá induzir, indiretamente, alterações de uso do solo fora da área inundada, na AID, devido a quatro fatores. Em primeiro lugar, a criação da APP do reservatório implicará na implantação de um zoneamento e de medidas de recuperação ambiental e reflorestamento (a área da APP do reservatório é de 220 km2). A recuperação florestal de áreas de pastagens existentes na APP ajudará a evitar usos conflitantes e processos de degradação que possam vir a comprometer a preservação da qualidade ambiental do reservatório. 130 Em segundo lugar, será necessário abrir caminhos de serviço para a circulação de veículos pesados durante as obras, o que poderá constituir fator de estímulo ao desmatamento das áreas lindeiras e, em última instância, induzir alterações nos padrões de uso do solo Em terceiro lugar, a criação do reservatório poderá induzir a instalação de novos usos recreativos e turísticos nas propriedades com frente para o lago (APP) ou no seu entorno, como loteamentos de chácaras, pousadas e pesqueiros. Posteriormente ao enchimento do reservatório, deverão ser definidas zonas de uso e estabelecidos parâmetros de parcelamento e ocupação permitidos no entorno do lago, assim como locais para a instalação de infraestruturas de apoio ao lazer, à pesca e ao turismo. O quarto fator diz respeito a possíveis alterações de uso do solo fora da AID, decorrentes de impactos sobre as atividades turísticas e de pesca esportiva no rio Teles Pires. Dependendo da intensidade desses efeitos, poderá ocorrer desvalorização do uso turístico, afetando as pousadas existentes, principalmente a jusante da barragem, e induzindo a substituição de usos. Assim, a tendência é que ocorra um re-arranjo ou uma re-distribuição dos padrões de usos atualmente existentes na AID após a formação do reservatório, não se esperando mudanças estruturais ou o surgimento de usos indutores de transformações, como núcleos habitacionais. 7.1.3.22 Indução ao Crescimento e Alterações nos Padrões de Uso do Solo Urbano O impacto potencial de indução ao crescimento urbano nos municípios da AII é um impacto indireto de segunda ordem, decorrente de efeitos sinérgicos de outros impactos diretos e indiretos sobre o meio antrópico, tais como: geração de empregos e massa salarial, valorização imobiliária, dinamização das economias locais, interferências com atividades econômicas, alterações na dinâmica demográfica, perda de moradias e fontes de rendimento e geração de expectativas da população em relação ao empreendimento e seus benefícios. 131 7.1.3.23 Apropriação da Capacidade e Deterioração das Vias Locais por Veículos a Serviço das Obras O uso de trechos de vias locais para a realização das obras, considerando especialmente que as estradas da região não são pavimentadas, deverá alterar as condições de manutenção dos trechos envolvidos, exigindo obras de melhoria para utilização dos mesmos e recuperação posterior à fase de construção. As melhorias a serem executadas pontualmente nos acessos já existentes, ou a abertura de pequenos trechos de novas vias nas frentes de obras, podem induzir processos erosivos localizados. Embora de pequeno porte, todas as intervenções de engenharia nos acessos a serem utilizados deverão ser executadas visando à minimização da formação de focos erosivos. As principais vias a serem potencialmente impactadas pelo incremento do tráfego durante as obras são as rodovias BR-163 e MT-320 e as estradas vicinais que levam à região do Triângulo. Além da possibilidade de deterioração, o uso das estradas locais para as obras implicará, ainda, o aumento do tráfego em vias vicinais, o que pode aumentar o risco de acidentes com veículos. 7.1.3.24 Aumento da Demanda por Serviços Públicos de Saúde Durante a Construção A presença de um contingente médio de cerca de 1.800 operários, ocupados nas obras do AHE Colíder, podendo chegar a 2.700 pessoas na fase de pico, tende a aumentar os riscos à saúde pública e a gerar, conseqüentemente, um aumento da demanda por atendimento médico em Colíder e Sinop, principais pólos de serviços de saúde da AII. A demanda adicional por infraestrutura de saúde restringir-se-á à mão-de-obra contratada fora da AII, estimada em 60% do contingente total de empregados, sendo que os 40% restantes, a serem contratados nos municípios da AII, já são usuários dos equipamentos de saúde locais. Este impacto será restrito à fase de implantação da usina e deverá concentrar-se especialmente em Colíder, que possui uma melhor infraestrutura hospitalar do que as localidades de Nova Canaã do Norte e Itaúba, mais próximas ao local do empreendimento. Em casos de acidentes mais graves, que exigem serviços e 132 infraestrutura de maior complexidade, os pacientes serão encaminhados para unidades hospitalares em Sinop. Deve-se lembrar, entretanto, que o canteiro de obras, onde será implantado o alojamento da população empregada, será equipado com ambulatório para atendimentos de primeiros socorros, exigido pela legislação trabalhista, e contará com ambulância no local, para atendimento a emergências. 7.1.3.25 Apropriação Parcial da Capacidade Local de Disposição de Resíduos Sólidos Na fase de construção da barragem, serão gerados diversos tipos de resíduos, como lixo domiciliar (restos de alimentos, papéis, embalagens, pilhas comuns, etc.), restos vegetais das atividades de desmatamento, entulho de construção civil, óleos usados (de cozinha e de veículos), além de tambores de óleo e combustível, panos, filtros e EPI’s contaminados com óleo e graxa, e resíduos sólidos de serviços de saúde, entre outros. 7.1.3.26 Obstrução de Estradas Vicinais pelo Reservatório e Interferência com Redes de Utilidades A formação do reservatório do AHE Colíder inundará trechos de estradas vicinais que dão acesso e interligam as propriedades rurais da AID e entorno. Alguns dos trechos afetados dão acesso somente às margens do rio Teles Pires. Porém, há segmentos afetados que são utilizados por moradores para acessar suas propriedades e residências. Outras situações são previstas também em pequenos afluentes de ambas as margens. 7.1.3.27 Pressões Indiretas sobre as Infraestruturas e os Serviços Públicos Urbanos Além da expansão urbana desordenada, da elevação dos preços dos imóveis e dos aluguéis e do déficit habitacional, problemas de saúde pública podem surgir em função de doenças trazidas para a região por imigrantes. A violência e a prostituição também podem aumentar em decorrência do grande afluxo de população masculina 133 para cidades até então pacatas, criando atritos com a população local, problemas de segurança e problemas de saúde pública, entre outros. O canteiro principal contará com alojamentos com capacidade para hospedar toda a mão-de-obra direta na condição de pico prevista para a fase construtiva. Trata-se de uma população bastante significativa, concentrada num único local, de modo que o acampamento, apesar de provisório, contará com soluções adequadas de saneamento básico e serviços de refeitório, ambulatório / enfermaria com ambulância, assistência social, área de lazer, portaria e segurança próprios, além de transporte regular para os centros urbanos mais próximos. Mesmo uma parte da mão-de-obra residente na região, devido ao isolamento do local da obra, poderá ficar no alojamento, voltando para casa somente no fim-de-semana. 7.1.3.28 Ampliação da Oferta de Energia Elétrica no Sistema Interligado Nacional Trata-se do principal impacto de caráter positivo e permanente vinculado às obras, e a justificativa principal da implantação do empreendimento. O AHE Colíder terá potência instalada de 300 MW, e assegurará a produção de 1,45 GWh anuais médios (energia firme média de 166,30 MWh), a serem disponibilizados no Sistema Interligado Nacional – SIN. A potência instalada do AHE Colíder corresponde a 0,3% da potência total instalada no Brasil (100.346,16 MW), considerando a geração proveniente de CGHs, PCHs, UHEs, além das usinas termelétricas, nucleares, eólicas e solares. Considerando apenas a potência instalada relativa às UHEs, a energia gerada no AHE Colíder corresponde a 0,4% do total (74.936,89 MW). 7.1.3.29 Alterações na Paisagem Durante a Construção e a Operação A percepção das modificações na paisagem é sempre subjetiva, e varia significativamente de indivíduo para indivíduo. De qualquer forma, pode-se afirmar que as alterações promovidas ao longo da fase de implantação serão percebidas negativamente. No entanto, com a formação do reservatório, há potencial para composição de um quadro paisagístico positivo, sobretudo com a garantia da preservação da vegetação existente nas margens do reservatório, a recomposição 134 florestal de áreas antropizadas e a recuperação de áreas degradadas por erosão e extração mineral. 7.1.3.30 Risco de Perda de Sítios e Bens de Interesse Histórico, Cultural e Arqueológico A avaliação preliminar do potencial arqueológico na AID do AHE Colíder resultou na identificação de seis sítios arqueológicos e cinco Áreas de Ocorrência Arqueológica, estas últimas correspondendo a locais onde foi encontrada baixa quantidade de peças arqueológicas. Considerando o processo de ocupação da região e a ocorrência de sítios próximos, o potencial de ocorrência de sítios arqueológicos e históricos na AID e na ADA é alto. Trata-se de impacto que poderá ocorrer a partir dos serviços de limpeza do terreno junto ao eixo, da abertura de caminhos e acessos, do desmatamento da área de inundação e da própria inundação. É um impacto potencialmente negativo, caso as medidas previstas de prospecção e resgate anteriores à entrada das equipes de obra em campo não sejam adotadas. Os trabalhos de arqueologia deverão ser desenvolvidos mediante projeto devidamente autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), nos termos da Lei nº 3984/61 e das Portarias IPHAN nº 07/88 e nº 230/2002. Somente após a prospecção e eventual resgate de sítios encontrados é que as áreas serão liberadas para os trabalhos de construção. 7.1.3.31 Impactos em Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais Conforme descrito no EIA do AHE Colíder (2009) as Terras Indígenas existentes na bacia do rio Teles Pires encontram-se distantes da área de implantação do AHE Colíder, mais precisamente no baixo curso do rio. Outras terras indígenas estão situadas em bacias próximas, como as dos rios Juruena, Arinos e Xingu. Considerando o conjunto de atividades associadas à construção e à operação do AHE Colíder, bem como a localização das terras indígenas, pode-se afirmar que não são previstos impactos decorrentes da implantação e operação do empreendimento. Mesmo quanto ao incremento da circulação de pessoas na região, considerando a localização do empreendimento e o sistema viário regional, verifica-se que as obras não demandarão qualquer aproximação das pessoas envolvidas em sua execução das 135 TIs. Complementarmente, cumpre registrar que não foi verificada a existência de comunidades quilombolas na Área de Influência Indireta. 7.1.3.32 Impactos em Unidades de Conservação Não foram identificados impactos associados à implantação e operação do AHE Colíder sobre as Unidades de Conservação existentes na bacia do rio Teles Pires. Na Área de Influência Direta e nas regiões adjacentes não há nenhuma Unidade de Conservação do Proteção Integral ou de Uso Sustentado implantada ou planejada. Unidade como o Parque Estadual do Cristalino, situada a jusante do AHE proposto, encontra-se significativamente distante, a mais de 200 km pelo canal fluvial. 136 8 PROGRAMAS AMBIENTAIS RECOMENDADOS Neste capítulo, são apresentados os programas necessários para mitigar e compensar os impactos ambientais de natureza adversa e a potencializar os impactos de natureza benéfica decorrentes da construção e operação do AHE Colíder. Os programas aqui propostos foram avaliados quanto à sua viabilidade e eficácia por toda a equipe envolvida no presente estudo, tendo como base experiências diversas em outros empreendimentos que envolveram a implantação de PCH’s e AHE’s. O objetivo final é que a observância dos programas aqui propostos venha permitir que a inserção do empreendimento dê-se de maneira equilibrada e sustentável, promovendo ganhos ambientais significativos que compensem satisfatoriamente os impactos diagnosticados, servindo inclusive de modelo a futuros planos similares em outras áreas a serem afetadas pelo AHE Colíder. A elaboração dos programas ambientais aqui relacionados foi realizada mediante a adoção dos seguintes atributos: ü Histórico e justificativa O histórico e justificativa são contextualizados nas conclusões do Estudo de Impacto Ambiental - EIA, em relação ao diagnóstico e prognóstico ambiental realizados, e apresentam as conclusões dos estudos que justificaram a proposição do programa. ü Objetivo O objetivo do programa apresenta as metas a serem atingidas ao longo da sua execução e o resultado final esperado ao término do programa. ü Relação com outros programas ou medidas do PBA Cada programa ambiental, além do seu objetivo específico, guarda outras interações com o ambiente de inserção do empreendimento, que pode ser expressada pelo seu interrelacionamento com outros programas previstos no PBA. Este atributo apresenta os demais programas ou medidas de controle ambiental relacionados ao programa ambiental em análise, a fim de que seja promovida a interação entre as diversas ações ambientais em realização no decorrer da implantação do empreendimento. 137 ü Diretrizes gerais De acordo com os objetivos a serem alcançados pelo programa, este atributo apresenta as diretrizes gerais a serem adotadas pela instituição executora. Essas diretrizes deverão ser refinadas em projeto específico, quando da contratação pelo empreendedor da instituição que se responsabilizará pela execução do programa. Em sua elaboração é contemplado o escopo mínimo requerido pelo programa, conforme descrito no Estudo de Impacto Ambiental - EIA. ü Equipe básica Dimensiona o número de profissionais necessários para a execução do programa e determina suas respectivas qualificações. ü Instituições/empresas sugeridas para a execução Relaciona as instituições públicas ou empresas privadas, capazes de desenvolver o programa mediante contrato de prestação de serviços ou convênio, e os órgãos públicos que devem apoiar o seu desenvolvimento, quando pertinente. ü Custo estimado Esse item apresenta o custo estimado para a execução do programa, incluindo todas as atividades descritas, quando possível. Em alguns casos, onde há a distinção de um ou mais projetos específicos dentro de um determinado programa, é apresentado o custo diferenciado. ü Cronograma O cronograma apresenta os prazos para execução das atividades previstas nas diretrizes gerais e tem como referencial o cronograma de construção do empreendimento. 8.1 PROGRAMA DE GESTÃO AMBIENTAL DA OBRA Vários impactos ambientais são passíveis de serem evitados, mitigados ou controlados durante as obras da AHE Colíder através da aplicação de rigorosos procedimentos de planejamento e controle ambiental. O detalhamento de tais procedimentos é o escopo do presente Programa, o qual se aplicará a todas as frentes de obra, incluindo estruturas provisórias de canteiros: acessos, canteiros, alojamentos, oficinas, jazidas, 138 almoxarifados, refeitório, bota-fora; e estruturas definitivas: barragem, casa de força, subestação, entre outros. Este Programa de subdivide em seis Subprogramas: ü Subprograma de Planejamento; ü Subprograma de Controle Ambiental dos Procedimentos Construtivos; ü Subprograma de Monitoramento Ambiental das Obras; ü Subprograma de Controle Ambiental do Canteiro de Obras; ü Subprograma de Controle Ambiental de Jazidas e Outras Áreas de Apoio; e ü Subprograma de Desmobilização e Recuperação das Frentes de Obra. 8.1.1 Subprograma de Planejamento 8.1.1.1 Justificativa Este Subprograma, cujas atividades iniciais já foram iniciadas pelas diretorias de engenharia e de meio ambiente e cidadania empresarial da Copel, define a prévia coordenação de ações necessárias ao planejamento ambiental das obras. A partir de reconhecimentos de campo e planejamento cartográfico, interesses de engenharia construtiva e de conservação ambiental devem ser conciliados ao máximo nesta etapa do Programa de Gestão Ambiental da Obra. 8.1.1.2 Diretrizes Gerais A primeira atividade ligada ao planejamento das obras é a definição da exata localização bem como das dimensões do canteiro de obras. Incluem-se no termo canteiro de obras todas as estruturas necessárias para a realização da construção que necessitam estar próximas da obra, a saber: acessos, áreas de apoio e bota-fora, alojamentos, refeitórios, oficinas, áreas de convivência, pedreiras, jazidas, entre outras. Delimitadas essas áreas, faz-se fundamental a conclusão das atividades de prospecção e resgate arqueológico, inventário florestal e monitoramento e resgate da fauna, específicas para o canteiro. Somente após a conclusão dessas atividades é que os órgãos IPHAN, SEMA e IBAMA poderão se manifestar sobre a liberação da área de canteiro. As mesmas atividades e liberações serão necessárias para a área do reservatório. 139 Para a instalação efetiva do canteiro, outras licenças e autorizações deverão ser obtidas: outorga para uso da água no canteiro (consumo humano ou uso na obra), autorização para corte de vegetação, autorização para uso de jazidas minerais. Os órgãos a serem acionados para a obtenção das autorizações acima são: Gerência de Outorga da SEMA/MT, SEMA/MT e DNPM, respectivamente. No caso de fornecedores de bens ou serviços, documentos de regularidade junto aos referidos órgãos serão igualmente exigidos. Sabe-se que diversas empresas serão subcontratadas para as obras do AHE Colíder. Assim, deverão ser incorporadas aos contratos cláusulas exigindo o atendimento pleno às instruções de controle ambiental constantes no presente PBA, prevendo punições severas em caso de não conformidades e geração de passivos ambientais. 8.1.2 Subprograma de Controle Ambiental dos Procedimentos Construtivos 8.1.2.1 Justificativa Passada a etapa de planejamento e obtenção das licenças e autorizações necessárias, passa-se ao efetivo início das obras onde os procedimentos construtivos deverão ser detalhadamente controlados em relação aos aspectos ambientais identificados. O objetivo principal deste Subprograma é o fornecimento de elementos para a execução dos serviços construtivos com o menor impacto ambiental possível. 8.1.2.2 Diretrizes Gerais Para a execução do presente Subprograma todas as empresas ligadas à execução da obra do AHE Colíder deverão, obrigatoriamente, seguir as seguintes medidas de controle ambiental abaixo: ü controle da poeira em suspensão; ü gerenciamento adequado de resíduos sólidos; ü armazenamento adequado de produtos e resíduos perigosos; ü controle da supressão de vegetação com implantação do desmatamento mínimo; ü cuidados com a fauna silvestre; ü monitoramento e controle da erosão do solo, principalmente em relação aos taludes; 140 ü monitoramento e controle do assoreamento do corpo hídrico no trecho de instalação do empreendimento; ü instalação de unidades de esgotamento sanitário (fixas e móveis onde necessário); ü implantação de sistema de tratamento de efluentes sanitários, adequadamente dimensionado para o número máximo de trabalhadores previsto para a obra; ü implantação de sistema de captação e tratamento de efluentes industriais segundo parâmetros da resolução CONAMA 357/2005; e ü cuidados com operações utilizando combustíveis e outras substâncias perigosas. 8.1.2.2.1 Controle da poeira em suspensão Acessos não pavimentados serão intensamente utilizados por caminhões, maquinários e veículos leves durante as obras do AHE Colíder. Em períodos de estiagem, a poeira em suspensão pode prejudicar a segurança de tráfego, a higiene nos escritórios e alojamento, as condições de trabalho na obra, além das condições saudáveis de respiração dos trabalhadores. A primeira das medidas listadas acima visa mitigar os efeitos desse problema por meio do umedecimento periódico das vias de acesso, o que poderá ser feito com caminhão pipa equipado com dispersor de água – estilo chuveiro. Recomenda-se a frequência mínima de umedecimento diário durante a estação seca. 8.1.2.2.2 Gerenciamento adequado de resíduos sólidos Em atendimento à Lei 12.305 de 02 de Agosto de 2010 e à Resolução CONAMA 307/2002, deverá ser elaborado, implantado e executado pelas empreiteiras, sob fiscalização do empreendedor, o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC), sendo necessária a abordagem de todos os itens constantes no artigo 20 da referida Lei. Todos os resíduos sólidos gerados durante a construção deverão constar no inventário de resíduos sólidos da obra, a ser gerenciado pela construtora. Todos os resíduos sólidos inventariados deverão ser classificados tanto pela norma ABNT NBR 10.004:2004 (Classe I – perigoso; Classe IIA – não inerte e Classe IIB – inerte) como pelo artigo 10 da resolução CONAMA 307/2002 (Classes A, B, C e D). As tipologias mais recorrentes de RCC a serem gerados durante a execução da obra são entulhos, madeiras, tubos, ferragens, que deverão ser armazenados temporariamente, de forma segregada, em local plano, sinalizado e afastado de 141 corpos hídricos. Os RCC são caracterizados pelo grande volume que ocupam, sendo o armazenamento temporário recomendado para posterior uso desses resíduos no reafeiçoamento de terrenos degradados ou para uso como agregado em concreto não estrutural. Os demais resíduos sólidos a serem gerados são embalagens, papéis, borras de óleo, estopas e panos contaminados durante a execução de manutenções de maquinários, restos de marmitas, restos alimentares, além de outros resíduos orgânicos. Os resíduos classificados como perigosos – classe I e não inertes – classe IIA deverão ser acondicionados em local impermeabilizado, coberto, sinalizado e provido de bacia de contenção onde aplicável. Recomenda-se a elaboração, implantação e execução de um Plano de Gerenciamento de Resíduos administrativas Sólidos e de exclusivo para os apoio obra à resíduos (escritórios, provenientes refeitório, das atividades alojamento, etc.). Adicionalmente, deverá ser elaborado o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos dos Serviços de Saúde (PGRSS) a serem gerados no ambulatório do canteiro de obra no qual os resíduos deverão ser classificados, acondicionados e destinados conforme preconiza a RDC ANVISA nº 306 de 2004. Devido à menor quantidade de resíduo gerado, recomenda-se que os RSS sejam incorporados ao sistema de gerenciamento que está sendo implantado pela prefeitura municipal de Colíder. Deverão ser disponibilizados, de forma ampla e estratégica, recipientes adequados para coleta seletiva nos padrões definidos pela Resolução CONAMA 275/2001. Ainda, segundo norma corporativa da Copel, deverá ser adotado no gerenciamento dos resíduos da obra, o princípio dos 4 erres: reduzir, evitando o desperdício e gerando o mínimo de resíduos possível; reutilizar, aproveitando sempre que possível, os resíduos em sua função original ou não; reciclar, transformando um material descartado em outro produto e; repensar o processo para identificação possibilidades de evitar a geração de resíduos. A disposição final dos resíduos deverá ser determinada pelas empreiteiras em conjunto com o empreendedor levando-se em consideração: ü apresentação pelo receptor de resíduos de licença de operação e outros documentos pertinentes válidos; e ü menor distância entre as opções, quando aplicável. Com relação aos resíduos orgânicos produzidos durante a obra, em maior escala no refeitório, recomenda-se a compostagem como método de disposição final, cujo 142 projeto deve prever piso de concreto provido de canaleta de coleta de fluido percolado e tratamento do mesmo. A compostagem deverá ser executada em condições aeróbias para evitar o mau cheiro e a proliferação de vetores de doenças. Adicionalmente, os resíduos sólidos recicláveis deverão ser adequadamente segregados, acondicionados e enviados para reciclagem. O município de Colíder possui aterro sanitário em boas condições de operação, contudo, o aporte de resíduos da obra, passíveis deste tipo de destinação, pelo período de três anos poderá sobrecarregar as células já existentes bem como o sistema de tratamento de chorume. Face a essa situação, resta a opção entre construir um aterro controlado nas proximidades da obra ou investir na ampliação de células do aterro de Colíder. Considerando a distância de cerca de 70 km entre o canteiro de obras e o aterro sanitário municipal de Colíder, propõe-se a construção de um aterro controlado nas proximidades da obra, com células a serem dimensionadas para atender o período de construção do AHE. Destaca-se que o aterro controlado deverá ser alvo de projeto técnico, segundo norma ABNT NBR 15.849:2010, e processo de licenciamento ambiental específicos. Como forma de monitoramento, os resíduos deverão ser quantificados e os certificados de destinação final armazenados e encaminhados para o responsável pela fiscalização do empreendimento. 8.1.2.2.3 Supressão da vegetação Para a implantação do canteiro de obras, segundo levantamento já realizado pela Copel, será necessário o desmate de 155,85 hectares de vegetação. Para essa atividade, será adotado o princípio do desmatamento mínimo, que corresponde à retirada de vegetação somente nas áreas vitais para o estabelecimento do empreendimento. As áreas de desmate deverão ser previamente demarcadas para facilitar o monitoramento permanente da supressão vegetal pelo fiscal representante do empreendedor, de forma a evitar o desmatamento em áreas desnecessárias. As áreas a serem suprimidas para a instalação de cada uma das estruturas do canteiro são apresentadas na Tabela 22. 143 TABELA 22 - ÁREAS DE SUPRESSÃO VEGETAL DEMANDADAS POR ESTRUTURA DO CANTEIRO ESTRUTURA ÁREA (ha) Alojamentos 0,00 Escritórios 1,40 Canteiro Industrial 12,15 Pedreiras e Jazidas 39,00 Barragem – margem direita 72,80 Barragem – margem esquerda 7,70 Bota-fora – margem esquerda 11,50 Acessos 11,30 TOTAL 155,85 Toda a atividade de supressão de vegetação, tanto do canteiro como dos 9.650 hectares de florestas em área a ser atingida pelo reservatório, só poderá ser iniciada após a obtenção junto à SEMA-MT da autorização para supressão de vegetação. O possível uso comercial da madeira deverá ser solicitado ao órgão ambiental quando da solicitação de autorização para corte. Galharia, folhagens e outros resíduos deverão ser utilizados no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas. A empreiteira responsável pelo desmate deverá apresentar todas as licenças ambientais de suas motosserras, bem como certificados de treinamento dos funcionários e atestados de capacidade técnica. Atenção especial deverá ser dada à fauna silvestre local, a qual, mesmo com a realização de resgate, deverá ser encontrada nas frentes de obra principalmente nos ambientes próximos de fragmentos florestais conservados. Todos os trabalhadores das obras serão capacitados a lidar com “encontros” com animais silvestres pelo Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra. Os resíduos gerados nesta atividade deverão, assim como sua destinação, deverão constar no PGRCC ou no Plano de Supressão de Vegetação do AHE Colíder. 8.1.2.2.4 Controle de erosão do solo e assoreamento do corpo hídrico Com relação à erosão e assoreamento, a ocorrência de tais processos deverá ser mitigada pela adoção de procedimentos já citados no EIA do AHE Colíder (2009): 144 ü prática do desmatamento mínimo; ü implantação e manutenção de drenagem provisória incluindo canaletas, bacias de retenção de sedimentos, camalhões, diques, entre outras estruturas; ü implantação de estruturas para dissipação do escoamento concentrado; ü monitoramento constante de focos de erosão em taludes de corte, saias de aterros e pilhas de solo solto com adoção de medidas de prevenção – implantação de cobertura vegetal; e ü início das práticas de recuperação de áreas degradadas logo após o uso da área para fins de obra. O assoreamento de pontos críticos do rio Teles Pires deverá ser evitado por meio da execução das práticas acima listadas, e em específico, nas proximidades do leito do rio, sacos de areia deverão ser usados para escora das margens em pontos mais íngremes. Sempre que possível a cobertura vegetal deverá ser adotada como medida preventiva para a ocorrência de erosão. A água retirada da área entre ensecadeiras deverá ser bombeada para bacias de retenção de sedimentos antes de retornar ao curso do rio. Tais bacias de retenção deverão passar periodicamente por manutenções para retirada de material sólido acumulado, sendo recomendada a destinação final nas áreas em recuperação, composteiras ou bota-foras. As condições de turbidez das águas deverão ser constantemente observadas durante e após intervenções de desassoreamento. 8.1.2.2.5 Tratamento de efluentes sanitários A instalação de unidades de esgotamento sanitário e sistema de tratamento de efluentes será obrigatória nas frentes de obra do AHE Colíder. Diversos banheiros químicos, na proporção mínima de 1 para cada 20 colaboradores, deverão ser estrategicamente espalhados pelas áreas que compõem o canteiro de obras, em ambas as margens do rio Teles Pires. Estima-se que os efluentes sanitários deverão ser gerados na contribuição de 150 L/trab.dia, conforme metodologia descrita na ABNT NBR 7229:1993, gerando no pico da obra uma vazão de cerca de 405 m³/dia de efluentes sanitários. Propõe-se a coleta diária dos efluentes dos banheiros químicos e a concepção de uma rede coletora de esgotos que atenda, no mínimo, escritórios, refeitório e alojamentos. 145 Como sistema de tratamento propõe-se a concepção de sistema composto por: fossa séptica, filtro anaeróbio e clorador, ou outro arranjo proposto pela empreiteira que forneça tratamento primário (remoção de sólidos grosseiros), secundário (remoção de matéria orgânica) e terciário (remoção de agentes patógenos). Espera-se que o sistema implantado tenha uma eficiência mínima global de 90% de remoção de DBO. Deverá ser instalada uma caixa de gordura, como forma de pré-tratamento dos efluentes de cozinha. A caixa deve ser limpa sempre que necessário para evitar redução da eficiência de remoção. Todos os resíduos gerados nesse tratamento (lodo e gordura acumulada) deverão constar no PGRS referente aos resíduos do refeitório. Periodicamente, as empreiteiras deverão fornecer comprovação da eficiência do sistema de tratamento de efluentes sanitários. 8.1.2.2.6 Tratamento de efluentes industriais O sistema de tratamento para efluentes de lavagem e manutenção de máquinas e equipamentos deve consistir de um decantador para retenção de sólidos sedimentáveis e seguido de uma caixa separadora de água-óleo. Este sistema de tratamento deverá ser implantado na rampa de lavagem de veículos, máquinas, equipamentos, na oficina e no posto de combustíveis. Especificamente para a lavagem de caminhões betoneira deverá ser planejado e executado um decantador para retenção de sólidos suspensos e sistema de tratamento de efluente com pH básico, antes da destinação para o corpo hídrico. Este efluente não deverá ser disposto diretamente sobre o solo. Deverão ser atendidos os parâmetros de lançamento de efluentes discriminados pela Resolução CONAMA 357/2005. Os resíduos gerados nessa atividade deverão ser tratados da seguinte forma: ü sólidos decantados: armazenamento e encaminhamento para áreas de empréstimo ou para a compostagem; ü sólidos decantados (caminhão betoneira): devem ser armazenados e encaminhados para destinação adequada; e ü óleos: devem ser armazenados e encaminhados para destinação adequada. Periodicamente, as empreiteiras deverão fornecer comprovação da eficiência dos sistemas de tratamento de efluentes industriais. 146 8.1.2.2.7 Armazenamento e manuseio de produtos e resíduos perigosos De acordo com a norma ABNT NBR 12.235:1992, para o armazenamento de produtos e resíduos perigosos deverá ser construída área com, no mínimo, as seguintes estruturas: ü cobertura; ü piso impermeável; ü bacia de contenção com capacidade de 10% do volume total armazenado; e ü sistema de drenagem para tanque aéreo de coleta. Para a construção do posto de combustíveis, deverá ser levada em consideração a norma ABNT NBR 14.605-2:2009, de forma a evitar o vazamento e contaminação do solo. 8.1.3 Subprograma de Monitoramento Ambiental das Obras 8.1.3.1 Justificativa Uma vez definidos alguns dos procedimentos de controle ambiental – não esgotados neste PBA, haverá a necessidade de permanente controle, fiscalização e documentação das medidas de controle ambiental adotadas. Destaca-se a importância do registro de conformidades e não conformidades na forma de relatórios, que funcionarão como prova documental de execução ou não de todos os procedimentos recomendados e praticados durante as obras do AHE Colíder. Esse registro será de fundamental importância para a obtenção futura da licença de operação do empreendimento. 8.1.3.2 Diretrizes Gerais Uma equipe multidisciplinar de profissionais experientes em gerenciamento e controle ambiental de obras deverá permanentemente se fazer presente nas frentes de obra do AHE Colíder. Além de relatar conformidades e não conformidades, estes profissionais terão papel fundamental no ajuste das empreiteiras em relação aos ditames deste PBA, às condicionantes de licenças ambientais e a outros documentos de gestão ambiental da obra. 147 Serão atividades do presente Subprograma: ü divulgar compromissos e medidas de controle ambiental; ü assessorar e orientar as empreiteiras na adequação ambiental de métodos construtivos visando à minimização de impactos ambientais; ü produzir relatórios periódicos de inspeção contendo em detalhes as medidas recomendadas e aquelas já adotadas pelas empreiteiras; ü registrar com textos e fotografias todas as alterações ambientais induzidas pelas obras com o objetivo de comparar impactos previstos com os efetivamente ocorridos; ü contribuir para o processo de melhoria contínua das empreiteiras com relação aos aspectos ambientais; e ü produzir relatórios de obra necessários ao requerimento de licença de operação. A metodologia de execução desse Programa deverá ser baseada nas medidas de controle ambiental do EIA, deste PBA e de condicionantes ambientais impostas pelos órgãos ligados diretamente ou indiretamente ao licenciamento ambiental. Todas essas medidas deverão ser sintetizadas pelo empreendedor em um documento único a ser chamado de Instruções de Controle Ambiental – ICA, o qual deverá ser sintético e itemizado, servindo de documento base para o monitoramento aqui proposto. O ICA poderá constar como anexo contratual nos instrumentos a serem celebrados entre Copel e empreiteiras. Deverá ser implantado pela equipe de monitoramento ambiental um Sistema de Registros Ambientais - SRA que permita a identificação e o manejo de não conformidades. Este sistema será alimentado com informações diárias de campo que serão estruturadas a partir de: ü definição e cadastro geral dos pontos de controle; ü registro fotográfico de situação dos pontos de controle; ü registro fotográfico de não conformidades; e ü registro fotográfico de ações corretivas. O SRA terá como produtos: ü laudos de vistoria, de recomendações corretivas; ü notificações de não conformidade(s); 148 ü laudo de desativação de pontos de controle; e ü atas de reunião e de vistorias a serem assinadas pelo agente fiscalizador e por representante da empresa vistoriada. Propõe-se que um relatório geral de monitoramento ambiental seja disponibilizado no sítio eletrônico do empreendimento a todo o público interessado com freqüência trimestral. Contudo, relatórios técnicos mensais devem ser arquivados pelo empreendedor. 8.1.4 Subprograma de Controle Ambiental do Canteiro de Obras 8.1.4.1 Justificativa Este Subprograma reforça alguns dos procedimentos dos dois Subprogramas anteriores para a área do canteiro de obras, o qual será composto pelas seguintes estruturas: ü oficina mecânica de manutenção; ü alojamentos, sanitários, almoxarifados; ü pátios de armação e de carpintaria; ü ambulatório, refeitório; ü escritórios administrativos; ü central de concreto e de britagem; ü áreas de manobra, estacionamento e áreas para depósito de insumos; e ü áreas para estoque de materiais de construção. 8.1.4.2 Diretrizes Gerais A manutenção e regulagem de maquinário devem ser mantidas em dia em relação à emissão de ruídos, vazamentos de óleos e lubrificantes. Conforme já citado no Subprograma de controle ambiental dos procedimentos construtivos, as áreas com tanques ou outras embalagens de estoque de combustíveis deverão ser cobertas, impermeabilizadas, com diques e canaletas de contenção, além de caixas separadoras de água e óleo. Recomenda-se o uso de tanques aéreos ao invés de tanques enterrados. 149 Materiais contaminados com óleo deverão ser classificados e gerenciados como Classe I – perigosos, segundo a NBR 10.004:2004. Todos os efluentes de oficinas mecânicas deverão passar por caixa separadora de água e óleo. A lavagem de betoneiras deverá ser realizada junto à central de concreto em circuito fechado, com decantação e máximo reaproveitamento de água. Apresenta-se a seguir uma proposta preliminar de caracterização dos resíduos sólidos a serem gerados no canteiro de obras: TABELA 23 - PRINCIPAIS RESÍDUOS A SEREM GERADOS NO CANTEIRO DE OBRAS RESÍDUO PONTOS DE GERAÇÃO Resíduos domésticos orgânicos Refeitório, alojamento, escritórios Resíduos sólidos dos serviços de saúde Ambulatório Lodo do tratamento de efluentes Estação de tratamento de efluentes Sucata metálica Pátio de montagem Borra de caixas separadoras Oficina Pilhas e baterias automotivas Oficina e guarita Lâmpadas de filamento Lâmpadas fluorescentes de mercúrio Refeitório, alojamento, escritórios, escavações ou pontos de trabalho noturno Refeitório, alojamento, escritórios, escavações ou pontos de trabalho noturno Resíduos de concreto Central de concreto Resíduos de madeira Carpintaria Óleo usado Oficina Materiais diversos contaminados com óleo Oficina Sucata de borracha e pneus Oficina Papel, papelão e plásticos Oficina, refeitório, alojamento e escritórios Resíduo de supressão de vegetação Toda área do canteiro que demandará supressão de vegetação Resíduo de desmonte de rochas Jazidas e pedreiras A classificação e quantificação dos resíduos deverão ser realizadas durante a elaboração do inventário de resíduos sólidos da obra, onde, através de planilhas de controle será possível conhecer a quantidade gerada por tipo de resíduo. Os 4 R’s já apresentados se aplicam igualmente para o gerenciamento de resíduos no canteiro de obras. Destaca-se que todas as medidas de controle e monitoramento ambiental da obra preconizadas nos Subprogramas anteriores são aplicáveis à área do canteiro de obras. A organização e limpeza periódica do canteiro cabem às empreiteiras; sob fiscalização permanente da Copel. 150 8.1.5 Subprograma de Controle Ambiental de Jazidas e Outras Áreas de Apoio 8.1.5.1 Justificativa Embora o conceito de canteiro de obras, neste PBA, englobe jazidas e outras áreas de apoio necessárias à construção do empreendimento, este Subprograma se propõe a detalhar algumas medidas de controle diferenciadas, que serão aplicadas especificamente em pedreiras, jazidas, áreas de estoque de materiais naturais de construção, bota-foras e acessos de serviço. 8.1.5.2 Diretrizes Gerais As medidas aqui propostas objetivam estabelecer diretrizes específicas para a mitigação dos impactos ambientais associados à exploração de jazidas e outras áreas de apoio. Destaca-se ainda que o atendimento às medidas ambientais para exploração dessas áreas deverá constar nos instrumentos contratuais que serão celebrados com empreiteiras. Primeiramente, todas as áreas de empréstimo deverão ser demarcadas e sinalizadas em campo, constando em projeto de exploração as áreas e os volumes que serão utilizados em cada gleba. A inclinação dos taludes de corte deverá ser definida de modo a primar pela segurança da exploração e pela minimização de processos de transporte de solo. As áreas de bota-fora deverão igualmente ser demarcadas em campo, sendo previamente definido em projeto o volume máximo a ser disposto em cada gleba. Em caso de carência de áreas para disposição de resíduos de escavação, áreas de botafora alocadas no corpo do futuro reservatório poderão ser utilizadas. A efetiva intervenção nos terrenos que servirão de áreas de empréstimo – pedreiras, jazidas ou bota-foras, só poderá ser realizada após a obtenção junto aos órgãos competentes das licenças e autorizações necessárias. Uma vez iniciada a intervenção, o horizonte A do solo decapeado deverá ser estocado em local não inclinado e não susceptível à erosão para uso posterior no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas e na compostagem de resíduos orgânicos. Essa medida visa aproveitar o banco de sementes e a microbiota desse horizonte no processo de recuperação. 151 Atenção especial à drenagem de águas pluviais deverá ser dada nas áreas de empréstimo. Isso se justifica para evitar problemas com empoçamentos e proliferação de vetores; além de evitar a incidência de processos erosivos. Sinais de incidência de processos de assoreamento e erosão deverão ser corrigidos de pronto pela empreiteira. Com relação à abertura e manutenção de acessos, o princípio de desmatamento mínimo deverá também ser adotado. A definição dos traçados deverá, ainda, levar em consideração aspectos como: ü interferências com áreas de preservação permanente, corpos hídricos e áreas úmidas; ü necessidade de supressão florestal (desmatamento mínimo); ü acessos já existentes; ü declividade das encostas; e ü necessidade de aterros e cortes. Com relação aos acessos que serão utilizados tanto pelos veículos e maquinário da obra quanto pela população local, em especial na estação chuvosa, haverá intensa necessidade de manutenção, cascalhamento de trechos e reforma de pontes. Antes do início das obras o empreendedor deverá promover a sinalização do trecho de estrada rural que liga o núcleo urbano de Colíder à região do aproveitamento, alertando sobre curvas, pontes, entroncamentos, avisos de animais na pista e etc. Recomenda-se, onde possível, a cobertura vegetal dos taludes como forma de contenção de processos erosivos. 8.1.6 Subprograma de Desmobilização e Recuperação das Frentes de Obras 8.1.6.1 Justificativa A mesma importância dada ao planejamento da fase de mobilização das obras deve ser dada ao planejamento da desmobilização, principalmente com relação aos quesitos: recuperação de áreas degradadas - RAD e desmobilização da mão-de-obra contratada. 152 8.1.6.2 Diretrizes Gerais Com relação à desmobilização da mão-de-obra o Programa de Seleção, Capacitação e Contratação de Mão-de-Obra e Fornecedores Locais já destaca a necessidade de orientar o retorno dos trabalhadores extra-regionais para suas cidades de origem após a obra. Para isso sugere-se que as empreiteiras promovam dispensas em etapas, planejadas e divulgadas previamente de acordo com o andamento das atividades. Com relação à recuperação de áreas degradadas, recomenda-se que o processo de recuperação seja iniciado imediatamente após o término do uso de determinada área para fins de obra. Não há necessidade de esperar a conclusão total das obras para iniciar as práticas de RAD; portanto, recomenda-se a recuperação modular de áreas degradadas: cada subárea não mais usada para a obra será um módulo em recuperação. O início da recuperação “pari passu” ao término do uso de determinada área permite que o maquinário ainda mobilizado no canteiro seja utilizado para intervenções mais agressivas nas áreas a serem recuperadas: limpeza de entulhos, retaludamentos, transposição de solo, reafeiçoamento de terrenos, intervenção em grandes ravinas e voçorocas. Após essa intervenção pesada, práticas de nucleação, plantios em linhas, instalação de poleiros artificiais e outras técnicas de RAD já poderão ser aplicadas nas áreas. As estruturas provisórias tais como: alojamentos, depósitos, escritórios, refeitório, rampas de concreto, oficinas, sinalização, entre outras, deverão ser completamente removidas ou demolidas. Os resíduos de demolição, desde que comprovadamente não contaminados com óleos ou outras substâncias perigosas, poderão ser utilizados na recomposição de horizontes mais profundos do solo, evitando-se o uso dessa técnica em locais geotecnicamente impróprios. Os demais resíduos deverão ser destinados conforme práticas licenciadas de destinação final que serão adotadas no decorrer das obras. Acessos que não mais serão utilizados deverão ser igualmente restaurados ao status anterior à obra, com gradeamento, escarificação e posterior introdução de espécies florestais arbóreas. As demais medidas constantes no Programa de RAD deverão ser implementadas de acordo com peculiaridades de cada área a ser restaurada. 153 Contudo, destaca-se que a essência do presente Subprograma é a conciliação temporal e espacial das práticas de RAD com a fase de desmobilização das empreiteiras. 8.1.7 Equipe Básica A equipe executora desse Programa deverá contar com engenheiros e técnicos da área ambiental tanto da Copel como das empresas subcontratadas. 8.1.8 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empreendedor e empreiteiras subcontratadas. 8.1.9 Custo Estimado Para a realização deste Programa estima-se o custo de R$400.000,00 (quatrocentos mil Reais) para um período de três anos. Importante destacar que este custo referese apenas ao acompanhamento e fiscalização, sendo que os custos referentes a implantação fazem parte do valor da obra. 154 8.1.10 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Planejamento, obtenção de licenças e autorizações Definição da equipe responsável pelo monitoramento ambiental das obras Conclusão do documento ICA Reunião técnica com empreiteiras Abertura e preparação do canteiro Controle e monitoramento ambiental das obras, jazidas e áreas de apoio Desmobilização e recuperação das frentes de obra Relatórios para a Copel Relatórios para o órgão ambiental Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Planejamento, obtenção de licenças e autorizações Definição da equipe responsável pelo monitoramento ambiental das obras Reunião técnica inicial com empreiteiras Abertura e preparação do canteiro Controle e monitoramento ambiental das obras, jazidas e áreas de apoio Desmobilização e recuperação das frentes de obra Relatórios para a Copel Relatórios para o órgão ambiental 8.2 PROGRAMA DE SELEÇÃO, CAPACITAÇÃO E CONTRATAÇÃO DE MÃO-DEOBRA E FORNECEDORES LOCAIS 8.2.1 Histórico e Justificativa A proposição do Programa de Seleção, Capacitação e Contratação de Mão-de-Obra e Fornecedores Locais é de fundamental importância para a instalação do AHE Colíder. A grande oferta de vagas de emprego em obras desse porte, ao invés de trazer benefícios para o mercado de trabalho regional, pode implicar em sobrecarga de serviços públicos e prejuízos para a qualidade de vida local se os processos de divulgação, seleção e contratação não forem corretamente conduzidos. 155 Para promover a contratação de colaboradores e fornecedores efetivamente locais, o Programa deverá investir fortemente em capacitação. Devido ao predomínio da pecuária nos municípios do entorno do empreendimento e ao perfil de oferta de postos de trabalho existente, o preenchimento das vagas e o uso de fornecedores locais demandarão um intenso trabalho de ministração de cursos, treinamentos, criação de padrões de qualidade para aquisição de bens e serviços. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental do AHE Colíder, pretende-se trabalhar com um contingente mínimo de 40% de mão-de-obra local. Entende-se por mão-deobra local a população economicamente ativa residente preferencialmente nos municípios de Cláudia, Colíder, Itaúba e Nova Canaã do Norte. Inclui-se nessa lista, ainda, o município de Sinop na condição de pólo regional. 8.2.2 Objetivos Os objetivos do presente Programa são: ü maximizar a contratação de mão-de-obra e fornecedores locais; ü promover capacitação de mão-de-obra local; e ü evitar migração desordenada de população para os municípios próximos ao empreendimento. 8.2.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Comunicação Social; ü Capacitação e Gestão de Meio Ambiente; ü Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra; e ü Monitoramento e Fomento a Atividades Econômicas. 8.2.4 Diretrizes Gerais Para a implantação do Programa de Seleção, Capacitação e Contratação de Mão-deObra e Fornecedores Locais o empreendedor e todas as empreiteiras responsáveis pela construção da usina deverão, primeiramente, organizar a divulgação sistemática e prévia do número de vagas de trabalho e dos requisitos de contratação tanto para as vagas como de fornecedores locais. Essa divulgação detalhada deverá ocorrer no mínimo nos quatro municípios já citados, e ainda, deverá ser veiculada por meio de 156 jornais locais, editais, chamadas em rádios locais, empresas de recrutamento, prefeituras, associações comerciais e demais organizações atuantes. As informações essenciais que deverão ser comunicadas para as contratações são: ü ü para preenchimento de postos de trabalho · funções a serem preenchidas; · salários oferecidos; · jornada de trabalho; · nível de experiência profissional exigida; · benefícios; · preferência por trabalhadores locais; · necessidade de morar em alojamento; · fornecimento de alimentação e produtos de uso pessoal no alojamento; e · freqüência de transporte para as cidades próximas. para contratação de fornecedores · bens ou serviços que serão demandados; · quantidades e lotes que serão adquiridos; · requisitos mínimos a serem atendidos pelo fornecedor; · formas de pagamento; · necessidade de plena regularidade contábil, financeira, trabalhista e ambiental; e · condições de realização de subempreitadas para pequenas obras isoladas. Dentre os requisitos para contratação de candidatos, destaca-se a apresentação de comprovante residência e de matrícula de filhos em escolas da região, comprovação do nível de instrução necessário para a vaga, experiência profissional e estado de saúde. Passada a etapa de divulgação, deverão ser constituídos cadastros de mão-de-obra, separando os candidatos por funções; e cadastros de fornecedores, separando por tipo de serviço ou produto oferecido. 157 De posse desse cadastramento, os empregadores poderão realizar uma avaliação prévia das capacidades dos candidatos, já dimensionando os tipos de capacitações necessárias para a satisfatória execução das obras em suas diversas frentes. Também, o cadastramento permitirá às empreiteiras obter melhor conhecimento de que insumos e serviços poderão ser adquiridos na região, em que quantidade e qualidade de fornecimento. Para a operacionalização desse cadastro, propõe-se que a sede da Copel - ou da empreiteira - em Colíder seja utilizada como ponto central de cadastramento. Meios de comunicação como telefone, fax, e-mail, além do atendimento direto ao público, deverão ser disponibilizados para constituição do cadastro de colaboradores e fornecedores. Na sequência é apresentada a listagem mínima de informações que devem constar no cadastro de candidatos aos postos de trabalho e fornecedores: ü ü Para o cadastro de candidato às vagas de trabalho · documentos de identificação pessoal; · dados pessoais (nome, idade, sexo, estado civil, endereço, telefone); · nível de escolaridade; · número de filhos; · emprego ou ocupação atual; · rendimento familiar médio; e · experiência profissional. Para o cadastro de fornecedores · Contrato social; · Certidões de débito federais, estaduais e municipais; · Alvará de funcionamento; · Tempo de atuação no mercado; · Faturamento médio; · Licenças sanitárias, ambientais, minerarias, etc.; e · Atestados de capacidade técnica. 158 Reforça-se que a pré-seleção deverá priorizar candidatos a colaboradores e fornecedores residentes ou estabelecidos nos municípios da AII (Colíder, Cláudia, Itaúba, Nova Canaã do Norte e Sinop) há pelo menos um ano. Essa postura visa melhor integrar socialmente o empreendedor na região receptora do empreendimento, fazendo com que os benefícios econômicos sejam distribuídos localmente. Em sendo atingida a meta de contratação de 40% de mão-de-obra residente na AII, estima-se a geração de 1.080 postos de trabalho no pico da obra – meados de 2012 - e 720 postos de trabalho fora do pico; ocupados por trabalhadores residentes na AII. No caso de não ser possível o preenchimento das vagas nos municípios da AII, as empreiteiras deverão buscar candidatos residentes na área de abrangência regional – AAR, definida no Estudo de Impacto Ambiental de modo a abranger mais 30 municípios além dos quatro formadores da AII. O próximo procedimento a ser aplicado é a chamada de candidatos pré-selecionados, tanto colaboradores como fornecedores, para a participação em cursos de capacitação profissional e empresarial. Para a promoção de tais cursos faz-se fundamental a participação de entidades do sistema S, com destaque para a estrutura do SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, na cidade de Sinop/MT, a qual fornece cursos na área de segurança do trabalho, construção civil, mecânica, elétrica e produção de refeições. O SENAI ministra ainda os cursos de: Eletricista Instalador Predial na cidade de Nova Canaã do Norte; Segurança na Operação de Máquinas Pesadas na cidade de Alta Floreta; Técnicas de Apoio Administrativo em Matupá e Peixoto de Azevedo. Em Colíder, onde já existe estrutura do SENAI, propõe-se que cursos voltados para formação de funcionários de obras de engenharia sejam ministrados. O aprendizado adquirido nos cursos de capacitação profissional e empresarial deverá ser avaliado por meio de questionários, oficinas e entrevistas, anteriormente ao início efetivo dos trabalhos na frente de obra. Destaca-se o benefício que os participantes dos cursos terão ao adquirir conhecimentos que poderão ser utilizados por toda a vida profissional, não se restringindo somente ao período de construção do AHE Colíder. Estima-se que a contratação de 40% de mão-de-obra local colocará mais de treze milhões de reais na economia dos municípios da área de influência indireta durante os três anos de obra, isso considerando somente salários de empregos diretos. Somando-se a isso empregos indiretos, o faturamento dos fornecedores, o aumento 159 na arrecadação dos municípios, pode-se prospectar um cenário de crescimento econômico para a região, que deve ser cuidadosamente gerido para ser transformado em desenvolvimento sustentável. Com relação ao pessoal extra-regional que será recrutado para a obra, as empreiteiras deverão estimular retornos periódicos para as cidades de origem, em períodos (datas) e condições a serem detalhadamente acordadas com cada colaborador em seus respectivos contratos de trabalho. Por fim, cabe ressaltar a necessidade de se pensar no período pós-obra, onde a maior parte do contingente já estará dispensada de seus postos de trabalho. Para essa fase de desmobilização, sugere-se que as empreiteiras estimulem o retorno dos trabalhadores para suas cidades de origem, onde, graças ao aprendizado e experiência adquiridos na obra, terão maiores possibilidades de reintegração no mercado de trabalho. 8.2.5 Equipe Básica A equipe executora desse Programa deverá contar com profissionais da área de recursos humanos do empreendedor e da empreiteira responsável pela obra. 8.2.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empreendedor, empreiteiras, SENAI do Mato Grosso, Ministério do Trabalho e Emprego, agências de emprego e profissionais de recursos humanos. 8.2.7 Custo Estimado Para a realização deste Programa estima-se o custo de R$50.000,00 (cinquenta mil Reais). 160 8.2.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Divulgação das vagas Cadastramento de candidatos Seleção e capacitação Contratação e trabalho Desmobilização Relatório Parcial Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Divulgação das vagas Cadastramento de candidatos Seleção e capacitação Contratação e trabalho Desmobilização Relatório final 8.3 PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO E GESTÃO DE MEIO AMBIENTE, SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL NAS FRENTES DE OBRA 8.3.1 Histórico e Justificativa Este Programa se destina a possibilitar que os cuidados pertinentes aos temas meio ambiente, saúde e segurança ocupacional sejam internalizados pela mão-de-obra direta e indireta ligada à construção do AHE Colíder. O acesso a treinamentos e capacitações visa também despertar o interesse do público-alvo em aspectos fundamentais para o sucesso da obra e do processo de inserção do empreendimento na região. 8.3.2 Objetivo O objetivo do presente programa é a promoção de treinamentos para os funcionários da obra e a fiscalização permanente das ações sobre as temáticas: ü Meio ambiente; ü Saúde ocupacional; e ü Segurança do trabalho. 161 8.3.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Atendimento a Emergências Ambientais; ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório; ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Preservação, Prospecção e Resgate do Patrimônio Arqueológico; ü Programa de Vigilância Epidemiológica e Controle de Epidemias; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.3.4 Diretrizes Gerais As atividades pertinentes a este Programa deverão ser conduzidas sob três etapas básicas e sequenciais: ü Prevenção e orientação – por meio de palestras e capacitações breves, diversos temas deverão ser abordados em caráter preventivo, ou seja, com ações prévias ao início dos trabalhos visando evitar acidentes ou não conformidades; ü Monitoramento e fiscalização – as orientações passadas na etapa anterior deverão ser permanentemente fiscalizadas durante a execução das obras. Reuniões periódicas de avaliação e automonitoramento deverão ser realizadas e incentivadas; e ü Afastamento e punição – etapa que só deverá ser levada a cabo após reiteradas falhas no atendimento das orientações repassadas e fiscalizadas. Dentro da etapa inicial de prevenção e orientação, as primeiras atividades do programa consistirão no fornecimento de treinamento ambiental para a mão-de-obra. Equipe do empreendedor deverá organizar palestras com duração contínua máxima de 60 minutos para grandes grupos de trabalhadores. Os temas que deverão ser abordados, seguindo listagem proposta no Estudo de Impacto Ambiental, são apresentados na coluna da esquerda da Tabela 24. Para os treinamentos em segurança e saúde ocupacional, como prática constante da Copel, todos os trabalhadores deverão passar pela integração de segurança do trabalho. Equipe de engenheiros e técnicos de segurança do trabalho deverá ministrar palestras com duração de 2 a 3 horas, seguidas de atividades práticas no canteiro de 162 obras. Os temas que deverão ser abordados, seguindo listagem proposta no Estudo de Impacto Ambiental, são apresentados na coluna da direita da Tabela 24 TABELA 24 - TEMAS PROPOSTOS PARA AS CAPACITAÇÕES TEMAS PARA O TREINAMENTO AMBIENTAL DA MÃO-DE-OBRA ü Fundamentos de legislação ambiental ü Cuidados com a fauna, flora e patrimônio ü Procedimentos de trabalho seguro ü Uso de EPIs ü Boas práticas de conduta e risco de acidentes com animais peçonhentos ü arqueológico Transporte e manuseio de materiais e insumos ü Prevenção de incêndios florestais ü Importância da prevenção e controle da erosão, poluição e contaminação do meio ambiente ü Destinação de resíduos sólidos ü Instruções de controle ambiental ü Procedimentos de monitoramento ambiental ü Código de posturas ü Reconhecimento de animais peçonhentos e procedimentos em caso de picadas ü TREINAMENTO EM SAÚDE OCUPACIONAL E SEGURANÇA DO TRABALHO Procedimentos em caso de acidentes ambientais ü Transporte e utilização de explosivos ü Transporte de produtos perigosos ü Transporte de pessoas ü Armazenagem e manuseio de combustíveis e inflamáveis ü Operação de máquinas e equipamentos de terraplanagem ü Execução de escavações ü Trabalho em concreto ü Trabalho em altura ü Corte de árvores ü Trabalho com risco elétrico ü Sintomas de doenças de ocorrência frequente na região A etapa de monitoramento e fiscalização deverá ser realizada permanentemente por agentes da Copel (monitoramento externo) e por agentes das empresas subcontratadas (automonitoramento). Inspeções de rotina, programadas ou não, deverão ser realizadas ao mínimo semanalmente avaliando quesitos como: uso de EPIs, código de posturas, correto atendimento às instruções de controle ambiental, etc. Para a realização dessa etapa, tanto o empreendedor como as empresas subcontratadas deverão possuir quadro de profissionais da área de meio ambiente, saúde e segurança ocupacional permanentemente nas obras. Por fim, o afastamento e punição de empresas subcontratadas e colaboradores deverá ser aplicado nos casos de reincidência em não atendimento de procedimentos ligados 163 aos temas deste Programa. Destaca-se que a Copel deverá detalhar em contrato com subcontratadas as situações nas quais cabem advertências, multas e desligamentos de colaboradores. Recomenda-se que as reuniões de orientação e fiscalização sejam feitas em grupos com no máximo 80 participantes, podendo ser as palestras divididas por temas, com intervalos a cada hora de preleção. Recomenda-se também que cursos rápidos para gerentes e coordenadores das empreiteiras sejam ministrados em separado das palestras em grandes grupos. Devido ao grande número de funcionários que serão alocados para as obras, em diferentes fases, com inevitáveis demissões e novas admissões, constata-se que as atividades das três etapas do presente Programa deverão ser executadas permanentemente durante as obras. A Tabela 25 apresenta algumas recomendações de cargas horárias mínimas e tamanho de grupos para palestras e treinamentos. TABELA 25 - RECOMENDAÇÕES PARA OS TREINAMENTOS PÚBLICO-ALVO CARGA HORÁRIA MÍNIMA DE TREINAMENTO TAMANHO MÁXIMO RECOMENDADO PARA OS GRUPOS Gerentes e coordenadores das empreiteiras 6 horas/trabalhador 10 pessoas Encarregados e funcionários das frentes de obra 16 horas/trabalhador 80 pessoas O atendimento às Normas Regulamentadoras 1 a 28 da Portaria nº 3214/78 do Ministério do Trabalho deverá ser integral, com elaboração e aplicação por parte de todas as empresas envolvidas na obra de seus respectivos: ü Programas de Controle Médico da Saúde Ocupacional – PCMSO; e ü Programas de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. Deverão as empresas contratadas ainda manter atualizadas as planilhas de Registro de Acidentes com Contratadas – RAC, participar com assiduidade mínima de 75% das reuniões da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, garantir o atendimento das diretrizes para Saúde e Segurança Ocupacional do International Finance Corporation. 164 Todas as questões pertinentes à qualidade dos ambientes de trabalho, higiene, saneamento, ergonomia e conforto; devem ser também aplicadas nos alojamentos e refeitórios do canteiro de obras. 8.3.5 Equipe Básica A equipe executora desse Programa deverá contar com engenheiros e técnicos de segurança do trabalho da Copel e das empresas subcontratadas, médicos do trabalho e técnicos em meio ambiente. 8.3.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empreendedor e empreiteiras subcontratadas. 8.3.7 Custo Estimado Para a realização deste Programa estima-se o custo de R$25.000,00 (vinte e cinco mil Reais) para um período de três anos. 165 8.3.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Preparação de material didádico Integração de segurança com as primeiras contratadas Apresentação de PCMSO, PPRA Reuniões da CIPA Palestras de prevenção e orientação Monitoramento e fiscalização Afastamento e punição de contratadas Emissão de relatórios parciais Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 5 6 7 Preparação de material didádico Integração de segurança com as primeiras contratadas Apresentação de PCMSO, PPRA Reuniões da CIPA Palestras de prevenção e orientação Monitoramento e fiscalização Afastamento e punição de contratadas Emissão de relatórios parciais 8.4 PROGRAMA DE ATENDIMENTO A EMERGÊNCIAS AMBIENTAIS 8.4.1 Histórico e Justificativa Toda grande obra com intervenção no ambiente está sujeita a ocorrência de situações de risco ambiental, onde aspectos ambientais podem se transformar em impactos ambientais negativos de magnitudes proporcionais ao nível de intervenção no ambiente. Dado o grande nível de intervenção ambiental que será necessário para a construção do AHE Colíder, diversas situações de risco ambiental são identificadas neste Programa. Assim, propõe-se um plano geral de ações de emergências ambientais, o qual define as responsabilidades, diretrizes e informações, visando à adoção de procedimentos técnicos e administrativos, estruturados de forma a propiciar respostas rápidas e eficientes em situações emergenciais durante as obras. 166 8.4.2 Objetivo O objetivo deste Programa é detalhar procedimentos técnicos e administrativos que deverão ser adotados rapidamente em ocasiões de emergências ambientais. 8.4.3 ü Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA Programa de Gestão Ambiental da Obra, Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra; ü Programa de Monitoramento Climatológico; ü Programa de Monitoramento Hidrogeológico; ü Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e de Assoreamento; ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Gestão da Segurança de Operação da Barragem; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.4.4 Diretrizes Gerais Primeiramente são identificadas diversas hipóteses emergenciais ou perigos que podem se concretizar em acidentes ambientais durante as obras. Segundo a Norma Técnica CETESB/P4.261 de maio de 2003, a identificação de perigos consiste na aplicação de técnicas estruturadas para a identificação das possíveis sequências de acidentes, podendo ser utilizada para essa identificação, por exemplo, uma análise histórica de acidentes em atividades similares ou técnicas mais refinadas como a Análise Preliminar de Riscos, a Análise de Perigos e Operabilidade, o método “E se?”, entre outros. Considerando as características locacionais e técnicas das obras do AHE Colíder, o Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento já apontou as principais hipóteses emergenciais: ü escorregamentos de proporções significativas, com assoreamento de trechos do rio Teles Pires; ü vazamento de produtos perigosos e combustíveis; ü acidentes envolvendo o transporte e uso de explosivos; 167 ü rompimento de ensecadeiras e inundação de áreas não previstas; e ü incêndios florestais nas frentes de obra; Ademais, duas outras hipóteses emergenciais podem ser acrescentadas à lista acima: ü explosões em pontos de armazenamento de combustíveis; e ü vazamentos nos sistemas de esgotamento sanitário do canteiro de obra e alojamentos. Na sequência são apresentadas as hipóteses emergenciais. 8.4.4.1 Escorregamentos de Proporções Significativas, com Assoreamento de Trechos do Rio Teles Pires Devido ao tipo de solo e aos tipos de terrenos encontrados na Área Diretamente Afetada pela instalação do AHE Colíder, existe o risco de ocorrência de processos erosivos e de possíveis deslizamentos de massas de terra em áreas de maior declividade natural ou artificial (taludes construídos). Esse risco é maior nos morrotes dissecados e mais moderado nos colinosos argilo-arenosos. Nesse contexto geotécnico, nas proximidades do rio Teles Pires, graças à declividade de encostas e à força cisalhante que o fluxo d’água pode imprimir nas margens, existe a possibilidade de ocorrerem escorregamentos de proporções significativas, implicando em assoreamento de trechos do rio Teles Pires. Órgãos a serem acionados Equipe de Supervisão Ambiental do empreendedor e SEMA-MT. Ações a serem implantadas Como ação emergencial, a equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá comunicar todos os agentes envolvidos nas obras sobre a localização do escorregamento, bem como promover a sinalização da área e do seu entorno num raio mínimo de 50 m. Posteriormente, a mesma equipe de supervisão deverá proceder a uma análise da gravidade do acidente documentando-o na forma de relatório com fotografias e coordenadas. Esse relatório será enviado em caráter emergencial à SEMA-MT. 168 Como medidas de estabilização, profissional geólogo membro ou consultor da equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá apresentar no prazo máximo de 20 dias o projeto executivo de recuperação/estabilização da área onde ocorreu o escorregamento. A execução das diretrizes do projeto de recuperação deverá ocorrer em no máximo 30 dias após aprovação do mesmo pela SEMA-MT. 8.4.4.2 Vazamento de Produtos Perigosos e Combustíveis O uso de veículos e maquinário pesado no canteiro de obras demandará intenso consumo de combustíveis como gasolina, óleo diesel, etanol, além de outros produtos perigosos como óleos lubrificantes, anti-corrosivos, entre outros. Tais substâncias apresentam periculosidade por serem inflamáveis ou tóxicas e a hipótese acidental de chegada dessas substâncias nos compartimentos água ou solo deve ser considerada na obra do AHE Colíder. Mesmo com o gerenciamento ambiental sobre as atividades das empreiteiras e com o controle rotineiro sobre quesitos como estanqueidade de tanques, construção de canais de contenção, manutenção e regulagem de maquinário, existe a possibilidade da ocorrência de vazamentos. Órgãos a serem acionados Equipe de Supervisão Ambiental do empreendedor, Empreiteira, Corpo de Bombeiros de Colíder. Ações a serem implantadas Como ação emergencial, a equipe de supervisão ambiental do empreendedor em parceria com a empreiteira deverá providenciar a contenção imediata de todos os focos de vazamento por meio da instalação de diques de contenção, utilização de mantas absorventes ou outras técnicas efetivas. A sinalização e comunicação do vazamento a todos os agentes envolvidos no canteiro de obras deverá ser igualmente implementada de pronto. Posteriormente, a mesma equipe de supervisão deverá realizar uma análise da gravidade do acidente documentando-o na forma de relatório com fotografias, coordenadas, informação da substância e volume perdidos, compartimento afetado, 169 técnicas emergenciais adotadas. Esse relatório será enviado em caráter emergencial à SEMA. Amostras de solo e/ou água, dependendo do compartimento afetado, deverão ser coletadas durante a adoção das primeiras medidas de contenção para fins de comparação com amostras que serão coletadas 30 dias após o vazamento. Com base nos resultados dessa segunda amostragem, medidas de remediação deverão ser propostas pelo empreendedor e executadas pela empreiteira responsável pelo vazamento. 8.4.4.3 Acidentes Envolvendo o Transporte e Uso de Explosivos Escavações em rocha sã e abertura de túneis subterrâneos demandam transporte e uso de material explosivo. A detonação acidental de dispositivos explosivos pode implicar em perdas de vidas humanas, aporte de concentrações altíssimas de substâncias estranhas no ambiente, desabamentos de escavações, entre outros prejuízos. Face ao risco inerente à lida com explosivos esse programa deve abordar ações a serem tomadas quando da ocorrência de acidentes. Órgãos a serem acionados 12ª CIBM - Corpo de Bombeiros de Colíder, SEMA, equipe de supervisão ambiental do empreendedor. Ações a serem implantadas Imediatamente após a ocorrência de uma explosão, como ação emergencial, a equipe da empreiteira operadora de explosivos deverá comunicar imediatamente a 12ª CIBM de Colíder, pelo telefone 66 3541 4521; para a realização de resgates de vidas humanas. O isolamento da área onde ocorreu a detonação acidental e de um raio mínimo de 100 metros deverá ser obrigatoriamente realizado pela equipe operadora de explosivos da empreiteira. Posteriormente, após a priorização do resgate de vidas humanas, a equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá documentar os eventuais danos causados ao ambiente, elaborando relatório de situação amparado com fotografias, coordenadas, informação da substância detonada, concentração encontrada na água ou solo, entre outras informações. Esse relatório será enviado em caráter emergencial à SEMA e à gerência de obra do empreendedor. 170 A equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá propor ou contratar profissional especialista para proposição de medidas para estabilização e recuperação da área afetada pela explosão em no máximo 15 dias. Caberá à empreiteira a reparação dos danos causados no tocante a vidas humanas e ao ambiente. 8.4.4.4 Rompimento de Ensecadeiras e Inundação de Áreas não Previstas O planejamento geral das obras do AHE Colíder prevê o uso de ensecadeiras durante o período mínimo de onze meses. Em ambas as fases de desvio do rio serão utilizadas essas estruturas hidráulicas com a finalidade de permitir o trabalho de construção em áreas ocupadas pelo leito do rio. Na primeira fase de desvio do rio será utilizada ensecadeira na margem direita para abrigar o início das obras nessa margem; mantendo-se o escoamento do rio Teles Pires em seu leito natural. Na segunda fase, ensecadeiras transversais ao leito do rio levarão o escoamento para doze adufas posicionadas sob seis vãos do vertedouro já construído na margem direita, possibilitando a construção da barragem de terra. Ainda, uma ensecadeira provisória será necessária para abrigar as obras da casa de força. Mesmo com a adoção de tempos de recorrência seguros no dimensionamento de tais estruturas, intervenções desse porte estão sujeitas a eventos hidrologicamente extremos. Pelo planejamento das obras, pode-se prever um risco maior de rompimento de ensecadeiras durante a segunda fase de desvio do rio. Entretanto, as diretrizes apresentadas abaixo se aplicam para ambas as fases. Órgãos a serem acionados 12ª CIBM - Corpo de Bombeiros de Colíder, SEMA, equipe de supervisão ambiental do empreendedor, Defesa Civil do Mato Grosso. Ações a serem implantadas Em períodos de prolongada pluviosidade e conseqüente aumento da vazão, as empreiteiras deverão intensificar, em caráter preventivo, o monitoramento das condições de estanqueidade das ensecadeiras. Em ocorrendo rompimentos, um sistema de alarme deverá ser acionado para avisar todos os ocupantes do canteiro de 171 obra, para promover a evacuação imediata de áreas críticas (a jusante da ensecadeira rompida). Destaca-se que esse alarme deverá automaticamente acionar o corpo de bombeiros da cidade de Colíder e disparar um sinal de evacuação das margens do rio Teles Pires para os municípios à jusante – via rádios locais e comunicação telefônica. Posteriormente, após a priorização do resgate de vidas humanas, a equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá documentar os eventuais danos causados ao ambiente – margens, vegetação, fauna, solos, benfeitorias; elaborando relatório fotográfico de situação da área à jusante do ponto onde ocorreu o acidente. Esse relatório será enviado em caráter emergencial à SEMA e à gerência de obra do empreendedor. A equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá propor medidas para estabilização e recuperação da área afetada pela onda de cheia em no máximo 20 dias após o evento. Caberá à empreiteira e ao empreendedor a reparação dos danos causados no tocante a vidas humanas e ao ambiente. 8.4.4.5 Incêndios Florestais nas Frentes de Obra O estado do Mato Grosso ganhou espaço nos noticiários nesse segundo semestre de 2010 pelas extensas áreas florestais, pastagens, e até mesmo áreas urbanas que sofreram graves danos pela dispersão incontrolada de queimadas. Em agosto de 2010, o estado chegou a ter 25.500 focos de calor segundo informações do IBAMA. Esse problema foi agravado pela longa estiagem e baixa umidade relativa do ar registrada no inverno do corrente ano, servindo de alerta para as frentes de obra próximas a fragmentos florestais. Órgãos a serem acionados Equipe de supervisão ambiental do empreendedor, 12ª CIBM - Corpo de Bombeiros de Colíder, SEMA, IBAMA. Ações a serem implantadas Primeiramente, em caráter preventivo, nas proximidades de fragmentos florestais localizados em condição limítrofe ao canteiro de obras, deverão ser construídos aceiros ou estradas (que funcionam como aceiros) com largura mínima de 5 metros, segundo recomendação de SOARES (1985). Em períodos de longa estiagem e baixa 172 umidade relativa do ar, as manutenções dos aceiros devem ser intensificadas de modo a impedir o crescimento de vegetação sobre as áreas de solo exposto. Na detecção de focos de incêndio nas proximidades das frentes de obra, o corpo de bombeiros de Colíder deverá ser comunicado via telefone sobre a localização e porte do foco. Funcionários da empreiteira construtora e da equipe de supervisão ambiental da COPEL deverão ser capacitados ao combate de pequenos focos, utilizando abafadores, caminhões pipa e mangueiras. Em caso de descontrole a alastramento de um foco, o corpo de bombeiros de Colíder deverá ser chamado a auxiliar e assumir o controle do combate. O combate inicial por agentes da obra visa evitar deslocamentos desnecessários de viaturas do corpo de bombeiros para intervir em pequenos focos, uma vez que a distância da cidade de Colíder até a futura barragem é de cerca 70 km, num trajeto de cerca de uma hora e meia por estrada de chão. Senso assim, para a realização do combate inicial, no canteiro de obras deverão estar disponíveis no mínimo os seguintes equipamentos: ü um caminhão pipa cheio; ü Abafadores, pás, cavadeiras para no mínimo dez homens; e ü Roupas, chapéus, botas e óculos apropriados para combate a incêndios florestais para no mínimo dez homens. Após o controle do foco de incêndio a equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá documentar os danos causados ao ambiente elaborando relatório técnico com o dimensionamento da área afetada, registro fotográfico da situação, registro de coordenadas e descrição das possíveis causas do incêndio. Esse relatório será enviado em caráter emergencial à SEMA e ao IBAMA. A equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá propor medidas para a recuperação da área afetada pela queimada em no máximo 15 dias após o evento. Caso seja comprovada a relação do incêndio com as obras do AHE Colíder, caberá à empreiteira e ao empreendedor arcar com a execução das medidas de recuperação da área. 8.4.4.6 Explosões em Pontos de Armazenamento de Combustíveis Aplica-se para essa hipótese acidental o mesmo conteúdo explanado para a hipótese “Acidentes envolvendo o transporte e uso de explosivos”. 173 8.4.4.7 Vazamentos nos Sistemas de Esgotamento Sanitário do Canteiro de Obra e Alojamentos A grande quantidade de funcionários presentes na obra e alojados no canteiro pode gerar uma vazão de efluentes sanitários de até 320 m³/dia - segundo a NBR 7229/93. Sistemas de tratamento compactos deverão ser instalados e monitorados pela empreiteira construtora da obra de modo a possibilitar o despejo desse efluente no ambiente após tratamento adequado. Entretanto, devido à movimentação de maquinário, modificações de localização dos alojamentos ou banheiros químicos, ou até mesmo devido a rupturas em tubulações, poderão ocorrer vazamentos com geração de plumas de contaminação no solo e na água. Órgãos a serem acionados Equipe de supervisão ambiental do empreendedor. Ações a serem implantadas Em caráter preventivo, todas as estações de tratamento de esgotos – ETEs – deverão ser inspecionadas no mínimo mensalmente. Sistemas de drenagem de águas pluviais não deverão ser canalizados para as ETEs. Ocorrendo vazamentos, a equipe de supervisão ambiental do empreendedor deverá ser acionada pela empreiteira para orientar a reparação dos dutos e demais estruturas avariadas. Compete à empreiteira promover a retomada imediata do pleno funcionamento das ETEs. A equipe de supervisão ambiental deverá relatar o vazamento com registros fotográficos e coordenadas; já propondo medidas de recuperação para a área contaminada. A execução de tais medidas, após aprovação do órgão ambiental, caberá à empreiteira. Destaca-se, por fim, que cada empreiteira especializada deverá ser informada pelo empreendedor a respeito do presente Programa de atendimento a emergências ambientais no momento da contratação de seus serviços. Num segundo momento, como requisito para o início dos serviços, sugere-se que a partir das diretrizes do presente Programa cada empreiteira apresente o seu Plano de Ação de Emergência adaptado para as peculiaridades da atividade que irá desempenhar. 174 Recomenda-se que o monitoramento das ocorrências de incêndios florestais seja constante e prolongado para toda a fase de operação do empreendimento, englobando as áreas de preservação permanente. 8.4.5 Equipe Básica A equipe executora desse Programa deverá contar com um engenheiro ambiental ou florestal residente na obra, profissionais da 12ª Companhia Independente de Bombeiros - CIBM de Colíder e da 7ª CIBM de Alta Floresta (em caso de necessidade de reforço), defesa civil do Mato Grosso e colaboradores das empreiteiras. 8.4.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empreendedor, empreiteiras, empresa de consultoria ambiental, corpo de bombeiros, Defesa Civil do Mato Grosso. 8.4.7 Custo Estimado Para a realização deste Programa estima-se o custo de R$25.000,00 (vinte e cinco mil Reais). 8.4.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Elaboração dos Planos de Ações de Emergências das Empreiteiras Aprovação pelo empreendedor Monitoramento de hipóteses acidentais Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 5 6 7 Monitoramento de hipóteses acidentais Entrega de relatório final do programa para a fase obra 175 8.5 PROGRAMA DE MONITORAMENTO CLIMATOLÓGICO 8.5.1 Histórico e Justificativa A Bacia Hidrográfica do rio Teles Pires possui uma área de drenagem de 141.905 km² e uma variação latitudinal de 7º, com ocorrência de dois tipos climáticos segundo a classificação de Köppen. O Clima Tropical de Savana – Aw – ocorre no setor sul e intermediário da bacia e caracteriza-se por ser um clima quente, com temperatura média superior a 18º C no mês mais frio, com marcante sazonalidade na distribuição pluviométrica. A altura total de precipitação chega a 2.500 mm/ano sendo entre outubro e março a estação chuvosa, e entre abril e setembro a estação seca. O Clima Tropical Equatorial – Am – ocorre na porção norte da bacia do rio Teles Pires e caracteriza-se igualmente por ser quente, porém com uma estação seca mais breve do que o clima Aw. Tal estação seca dura cerca de dois ou três meses e a altura total de precipitação chega a 2.500 mm/ano. Dividindo-se a bacia em três compartimentos, pode-se afirmar que o alto rio Teles Pires corre em meio à fitofisionomia de cerrado, com área de drenagem de 34.414 km². Os terços médio e baixo da bacia possuem área de drenagem de 86.743 km² e 20.292 km², respectivamente, com transição para o domínio da floresta amazônica. De modo geral, pode-se correlacionar o Clima Tropical de Savana com as regiões do alto e médio rio Teles Pires e o Clima Tropical Equatorial com o baixo curso do rio. O monitoramento climatológico em hidrelétricas se faz necessário para acompanhar variáveis climatológicas ao longo da instalação e operação do empreendimento, podendo-se comparar resultados locais com medições de longo termo já existentes em outros pontos da bacia, considerados para os estudos de inventário hidrelétrico. Não são esperados efeitos sobre o regime de precipitação. O processo de evaporação e ascendência do ar aquecido do reservatório não deve ocorrer em intensidade suficiente para formar nebulosidade e precipitação. Apesar de o Estudo de Impacto Ambiental não prever mudanças climáticas significativas em decorrência da implantação do reservatório do AHE Colíder, somente um monitoramento local de longo prazo pode apontar e dar a magnitude de eventuais alterações. 176 8.5.2 Objetivos O objetivo principal do Programa de Monitoramento Climatológico consiste em registrar valores de variáveis climatológicas relevantes para a verificação de eventuais alterações no micro-clima da região próxima ao reservatório do AHE Colíder. Apresenta-se ainda como objetivo a coleta de informações locais que permitam a proposição de medidas de mitigação dos eventuais impactos no micro-clima. 8.5.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Atendimento a Emergências Ambientais; ü Programa de Monitoramento Hidrogeológico; ü Programa de Monitoramento Hidrossedimentológico; ü Monitoramento e Conservação de Ecossistemas Aquáticos; e ü Monitoramento de Áreas Úmidas. 8.5.4 Diretrizes Gerais O monitoramento climatológico compreende, em linhas gerais, a coleta e a interpretação de dados meteorológicos, tais como: temperatura, evaporação, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, radiação solar, velocidade e direção do vento. Para a proposição da metodologia de execução do presente programa considerou-se primeiramente a resolução conjunta ANEEL ANA nº 003 de 10 de agosto de 2010, a qual estabelece condições para instalação, manutenção e operação de estações hidrométricas associadas a empreendimentos hidrelétricos. As estações pluviométricas, fluviométricas, sedimentométricas e limnimétricas serão contempladas em projeto de instalação a ser submetido à ANA e deverão ser instaladas e operadas em conjunto com a estação climatológica descrita neste programa. A estação climatológica deverá ser telemétrica, possibilitando a aquisição e transmissão de no mínimo os seguintes dados: ü Precipitação; ü Temperatura do ar; ü Evaporação; ü Umidade Relativa do Ar; 177 ü Pressão Atmosférica; ü Radiação solar; e ü Velocidade e Direção do Vento. Essa estação deverá ser instalada o mais próximo possível do empreendimento para aquisição de dados efetivamente locais. Contata-se através da Tabela 26 a falta de monitoramento na área diretamente afetada pela instalação do AHE Colíder. TABELA 26 - ESTAÇÕES MAIS PRÓXIMAS AO EMPREENDIMENTO AHE COLÍDER Estação Tipo Código Distância em relação ao eixo do AHE Colíder Colíder Pluviométrica 01055002 - ANA 35 km Fazenda Sempre Verde Pluviométrica 01156001 - ANA 87 km Cachoeirão Pluviométrica e Fluviométrica 01155002 - ANA 17280000 - ANA 74 km Cidade Vera Climatológica 83264 - INMET 157 km Diamantino Climatológica 83309 - INMET 385 km Cuiabá Climatológica 83361 - INMET 513 km Gleba Celeste Climatológica - 139 km Matupá Climatológica - 221 km Os dados das estações climatológicas Gleba Celeste e Matupá, operadas atualmente pelo INMET poderão ser utilizados de modo auxiliar no monitoramento proposto por este Programa. Com a instalação das estruturas de monitoramento propostas por este Programa pretende-se gerar dados e interpretá-los fornecendo informações periódicas sobre o micro-clima da região do empreendimento, auxiliando no planejamento ambiental do futuro reservatório e entorno. Deverão ser disponibilizados boletins trimestrais com resumos dos dados além de relatórios anuais com análises estatísticas e interpretativas. O monitoramento hidrológico, em atendimento à Resolução Conjunta ANEEL / ANA nº 3 de 10 de Agosto de 2010, será proposto pelo concessionário e submetido à aprovação da Agência Nacional de Águas - ANA, conforme art. 3º da referida resolução. 178 8.5.5 Equipe Básica A equipe executora desse Programa deverá contar com profissionais da área de meio ambiente do empreendedor, além de técnicos consultores especializados em instalação e operação de estações climatológicas. 8.5.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empreendedor, INMET, ANA. 8.5.7 Custo Estimado Para a realização deste Programa estima-se o custo de R$350.000,00 (trezentos e cinquenta mil Reais). 8.5.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Aquisição de estações Instalação da estação climatológica Instalação das demais estações Divulgação de boletins Entrega de relatórios com análise dos dados Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Aquisição de estações Instalação da estação climatológica Instalação das demais estações Divulgação de boletins Entrega de relatórios com análise dos dados 179 8.6 PROGRAMA DE MONITORAMENTO HIDROGEOLÓGICO 8.6.1 Histórico e Justificativa As modificações no regime das águas subterrâneas adjacentes a reservatórios hidrelétricos decorrem pelo fato de que, anteriormente ao seu enchimento, o sistema de drenagem funcionava como coletor da descarga de base regional dos aqüíferos. Com o barramento este ocupa nível mais elevado e, desse modo, a situação original sofre inversão, passando a ocorrer temporariamente à alimentação do aquífero livre adjacente. De qualquer modo, serão as condicionantes hidrogeológicas, hidrológicas, climatológicas, geológicas, geomorfológicas e pedológicas, aliadas às características construtivas e operacionais do reservatório hidrelétrico que irão determinar a magnitude e a distribuição espaço-temporal da elevação induzida no lençol freático. De acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT os seguintes efeitos podem ocorrer nos terrenos que margeiam reservatórios hidrelétricos em decorrência da elevação do lençol freático: ü aumento da umidade do solo, que poderá implicar alteração das suas características de estabilidade estrutural natural e, como conseqüência, afetar fundações ou estruturas nele presentes; ü saturação do subleito de vias, que poderão sofrer recalques diferenciais, devido às cargas aplicadas; ü corrosão de estruturas enterradas tais como fundações, canalizações, reservatórios, dentre outros, podendo causar danos mútuos (estrutural meioaquífero) pela troca de líquido estranho/pernicioso a cada um; ü condições de profundidades finais rasas, o que propicia o aumento da evapotranspiração e, por conseguinte, o aumento do conteúdo salino nos solos superficiais e subsuperficiais o que poderá se tomar pernicioso às culturas desenvolvidas; ü condições de profundidades finais rasas que poderão afogar raízes de plantas; ü aparecimento de surgências perenes em encostas e vales que, a depender da vocação do solo e de outros condicionantes locais (uso e ocupação, proteção 180 vegetal, dentre outros) poderão se consubstanciar em agentes deflagradores de processos erosivos lineares; ü afloramento do lençol freático ao longo de boçorocas eventualmente já existentes, o que poderá induzir reativação (naquelas estabilizadas) ou aceleração do processo (naquelas ativas), por meio do carreamento de material nos pontos de surgências (piping); ü afogamento de fossas, o que poderá se consubstanciar em focos de contaminação do aqüífero livre. A depender de cada caso (quantidade de fossas, principalmente), essa contaminação poderá ser apenas de caráter local ou mais abrangente; ü aumento da vazão de poços, como decorrência do aumento da espessura da lamina d'água; ü desabamento das paredes de poços escavados (cacimbas) não revestidos, provocado pela saturação e estabilização de tais trechos em virtude da elevação do nível d'água em seu interior; ü formação de áreas permanentemente alagadas ou mesmo de lagoas perenes, em zonas topograficamente deprimidas, ou ainda, aumento das dimensões das lagoas ou zonas úmidas já existentes; e ü diminuição da descarga de base do sistema aquífero livre, em caráter regional, como conseqüência da diminuição dos gradientes hidráulicos subterrâneos resultantes da elevação do lençol freático. Soma-se ainda que expressivas áreas de cobertura vegetal serão eliminadas com o desmate para a inundação, condicionando também o deslocamento da fauna anteriormente ali habitante. Por outro lado, podem ocorrer proliferações de plantas aquáticas daninhas, tanto para o novo ecossistema estabelecido quanto para equipamentos da usina implantada. Tendo como referência os estudos do CENEC/SEPLAN/MT (2003) foram caracterizados na área de influência do AHE Colíder quatro unidades hidrológicas, associadas ao sistema sedimentar, a serem avaliadas. ü Depósitos Aluviais: denominada Unidade Aqüífera G2 (CENEC/SEPLAN/MT, 2003), é representada por um aqüífero de permeabilidade relativa baixa a média, contínuo, livre, composto por sedimentos inconsolidados de extensão local. Esta unidade é representada pelos sedimentos aluviais, que na bacia 181 hidrográfica do rio Teles Pires, tem ocorrências expressivas, porém descontinuas. É constituída por areia, silte, argilas, cascalhos e matéria orgânica, com nível de água subterrânea raso ou subaflorante. Apresenta porosidade efetiva e permeabilidade elevada, conexão direta com as águas do rio. É um aqüífero livre e freático, heterogêneo, anisotrópico, descontínuo, com boa potencialidade de explotação e muito vulnerável a contaminação; ü Cobertura Detrito-Laterítica: classificada como G3 (CENEC/SEPLAN/MT, 2003) é constituída por sedimentos argilo-arenosos com blocos e nódulos de concreções lateríticas e níveis de seixos de quartzo, que por vezes recobre horizonte de argila mosqueado, tendo espessuras de até uma dezena de metros. Esses materiais constituem um aqüífero de permeabilidade relativa média a média-baixa, contínuo, livre, predominantemente inconsolidado, de extensão local. Ocorre associada à Formação Ronuro recobrindo os divisores de água nas cabeceiras do rio Renato, comportando-se como área de recarga do Aqüífero Dardanelos; ü Rochas Arenosas - discriminada como G5 (CENEC/SEPLAN/MT, 2003) é formada predominantemente por rochas arenosas, porém com intercalações de siltitos, argilitos e conglomerado. Na área de estudo, é representada pelas rochas pouco litificadas proterozóicas da Formação Dardanelos, que constituem aqüífero de permeabilidade relativa média a alta, com fluxo contínuo, localmente descontínuo, eventualmente comportamento predominante semi-confinado/confinado, com livre, apresentando-se extensão regional e ocasionalmente local; e ü O Aquífero Parecis formado por arenitos finos a médios, feldspáticos, com níveis de arenitos grossos, conglomeráticos e lentes de argilitos e siltitos, constitui um aqüífero contínuo, de porosidade primária e boa permeabilidade, heterogêneo, anisotrópico, com boa potencialidade de explotação. 8.6.2 Objetivo A avaliação dos processos naturais e modificadores do comportamento das águas subterrâneas na área de influência do reservatório do AHE Colíder requer visão e atuação sistêmica, pois caso o estudo não seja deflagrado antes da indução da modificação, dificilmente conseguir-se-á consubstanciar adequado diagnóstico e, muito menos, reverter ou controlar uma situação indesejável. 182 Assim o presente Programa busca obter conhecimentos necessários do processo como um todo, de acordo com especificidades da área estudada e das suas características perante a intervenção modificadora do comportamento das águas subterrâneas, particularmente do lençol freático. Pela implementação do Programa de Monitoramento espera-se: ü dotar os responsáveis pelo planejamento, programação e gerenciamento do uso e ocupação territorial do entorno do reservatório de elementos e informações úteis para o desenvolvimento das atividades a eles pertinentes; ü avançar no conhecimento do comportamento das águas subterrâneas no âmbito da Área de Influência Direta do AHE Colíder; e ü contribuir em avaliações de impactos equivalentes esperados para outras usinas a serem construídas no mesmo contexto. 8.6.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Monitoramento de Áreas Úmidas; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.6.4 O Diretrizes Gerais programa de monitoramento hidrogeológico envolve o acompanhamento concomitante de dois aspectos: ü potenciometria do aqüífero; e ü qualidade química e físico-química da água. As informações necessárias para o acompanhamento dos aspectos acima demandará: ü bancos de dados da SANEMAT e outras fontes, que fornecerão dados existentes sobre nível estático do aqüífero e outras características hidrogeológicas; ü inventário de campo na AID do AHE, que levantará a localização exata de surgências ou nível de poços, banhados e alagados; ü medições em campo e de laboratório realizadas em amostras coletadas em pontos de água selecionados, incluindo fontes localizadas nas margens do rio Teles Pires; e 183 ü poços tubulares e outras estruturas construídas para este monitoramento. A qualidade da água do rio Teles Pires não apresenta, atualmente, riscos maiores de influir negativamente na qualidade das águas subterrâneas dos aqüíferos adjacentes. Deste modo, propõe-se o monitoramento da eventual modificação temporal do comportamento da água subterrânea em no mímino duas secções típicas, estando, se possível, cada uma em unidades hidrológicas distintas. A alocação exata dos poços de monitoramento deve ocorrer após estudo detalhado das áreas alvo, utilizando mapas temáticos, imagens aéreas e o inventário de campo. As diretrizes locacionais para a construção das secções típicas de monitoramento são apresentadas a seguir: ü cada secção conterá dois poços de monitoramento dos aqüíferos profundos, sendo um 50 m distante da futura margem do reservatório e outro a 150 m da margem do reservatório; ü cada um dos poços deverá ser perfurado até profundidade suficiente para captar água do aqüífero a ser monitorado; ü partindo da margem do reservatório até o poço profundo de monitoramento situado a 150 m, em linha reta, deverão ser construídos piezômetros rasos para o monitoramento do freático a cada 10 m; ü os poços de monitoramento do aquífero freático serão construídos nas mesmas seções típicas, sendo um a 10 metros da margem do reservatório e outra a 140 m da margem; ü os poços de monitoramento dos aqüíferos profundos e freático, assim como os piezômetros, serão construídos de acordo com as normas técnicas da ABNT NBR 15.495-1/2007, NBR 15.495-2/2008 e os monitoramentos deverão atender a NBR 15.847/2010. Possíveis alterações do nível do freático e da qualidade da água subterrânea deverão ser monitoradas também através de poços tubulares e cacimbas já existentes. Na região à jusante da barragem, nas margens do rio Teles Pires, deverá ser monitorado o aparecimento de surgências novas em função do acúmulo de água no novo reservatório. O monitoramento deverá ser desenvolvido nas seguintes etapas: 184 Trabalhos preliminares e construção da estrutura de monitoramento ü Levantamento das informações existentes sobre a hidrogeologia, pedologia e hidrogeoquímica do entorno do AHE Colíder; ü identificação em campo de pontos para monitoramento de medidas altimétricas, de pH, temperatura e condutividade da água; ü poços eventualmente encontrados em cota inferior ao nível máximo do futuro reservatório deverão ser lacrados com cimento para evitar infiltração local de água nos aqüíferos; ü planejamento locacional e construtivo da estrutura de monitoramento; ü construção de oito poços de monitoramento, sendo quatro dos aquíferos profundos e quatro do freático ; ü deverão ocorrer campanhas bimestrais de medição do nível potenciométrico do aqüífero profundo e do freático, no período entre um mês antes do início das obras até um mês antes do enchimento do reservatório, após esse período as campanhas passam a ser quinzenais, por mais um ano; ü com freqüência semestral, serão tomadas amostras de água para análise química detalhada, de cada um dos quatro poços monitoramento profundo e dos poços de monitoramento do freático; ü deverá ser realizada análise química detalhada com freqüência semestral dos parâmetros que compõem o Grupo 01 (Tabela 27); ü com freqüência anual, além das variáveis obtidas mensalmente, deverão ser determinados os elementos que compõem o Grupo 02 (Tabela 27); e ü nas campanhas bimestrais e quinzenais, deverão ser tomadas no campo medidas de temperatura, condutividade elétrica e pH de cada um dos poços de monitoramento. Enchimento e seis meses após Do início do enchimento do reservatório, até seis meses após, a frequência das medidas de potenciometria e de análises físico-químicas no campo deverá ser semanal e das análises químicas detalhadas, mensal. A análise química detalhada com freqüência mensal e anual envolve os parâmetros da Tabela 27 abaixo: 185 TABELA 27 - GRUPOS DE PARÂMETROS A SEREM ANALISADOS NO PROGRAMA PARÂMETROS FÍSICOS E QUÍMICOS Grupo 01 Grupo 02 Condutividade iônica Alcalinidade Alumínio pH Bicarbonato Antomônio Sólidos totais dissolvidos Cálcio dissolvido Arsênio Carbonato Bário Cloreto Cádmio Ferro total Chumbo Flúor Cobalto Fósforo Solúvel Cobre Magnésio dissolvido Cromo Nitrato Manganês Nitrito Mercúrio Nitrogênio amoniacal Molibdênio Nitrogênio orgânico Níquel Potássio dissolvido Selênio Sílica dissolvida Zinco Sódio dissolvido Sulfato Após o enchimento do reservatório A partir de seis meses do enchimento do reservatório até o período de um ano, as medidas passarão a ser trimestrais para os parâmetros do Grupo 01 e anuais para os Grupos 01 e 02; e a partir do décimo terceiro mês do enchimento do reservatório, a freqüência das campanhas deverá ser ajustada em conformidade com os resultados obtidos, com tendência à diminuição das frequências amostrais. Os parâmetros de qualidade da água subterrânea deverão ser avaliados em termos de sua compatibilidade com o contexto mineral dos aquíferos e da composição da água do rio Teles Pires e afluentes mais próximos, antes do enchimento do reservatório. Após o enchimento, a composição deste passará a ser a referência para as águas superficiais. 8.6.5 Equipe Básica Profissionais especializados em monitoramento hidrogeológico. 8.6.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Este Programa poderá ter como parceiros institucionais além de empresas de geologia, outras entidades de pesquisa com interesses sobre os resultados do Programa. 186 8.6.7 Custo Estimado Para quatro anos de monitoramento se prevê um custo total estimado na ordem de R$400.000,00 (quatrocentos mil Reais). 8.6.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Elaboração da especificação técnica e contratação Levantamento dos poços existentes Monitoramento do nivel das águas subterrâneas Monitoramento da qualidade das águas subterrâneas - semestral (Grupo 01) Monitoramento da qualidade das águas subterrâneas - anual (Grupo 02) Emissão de relatórios Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Levantamento dos poços existentes Monitoramento do nivel das águas subterrâneas Monitoramento do nivel das águas subterrâneas Monitoramento da qualidade das águas subterrâneas - semestral (Grupo 01) Monitoramento da qualidade das águas subterrâneas - anual (Grupo 02) Emissão de relatórios 8.7 PROGRAMA DE MONITORAMENTO SISMOLÓGICO 8.7.1 Histórico e Justificativa Os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia do rio Teles Pires (ENGEVIX/ ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) levantaram junto ao Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), os registros de eventos sísmicos ocorridos na bacia do rio Teles Pires entre os anos de 1744 e 2005. Como citado no EIA do AHE Colíder, estes sismos estão em sua maior parte distribuídos na Zona Sismogênica de Aripuanã que é condicionada pela presença de 187 grandes estruturas reativadas, que correspondem aos lineamentos: Madeira - 14 de Abril, Juruena e Guaporé. Entre estes eventos, 943 ocorreram na área de Porto dos Gaúchos, fora da bacia hidrográfica, e 20 em outras localidades. Do total, 14 sismos não tiveram a magnitude (Mb) calculada e os demais se situaram entre 0,4 Mb (ultramicrotremor) e 6,6 Mb (moderado). A magnitude Mb refere-se à quantidade de energia liberada por um sismo, sendo determinada pela medição da amplitude máxima das ondas registradas nos sismógrafos, corrigidas pela atenuação da distância. Na região de interesse o sismo natural de maior magnitude (6,6 Mb) ocorreu em 1955, na área da Serra do Tombador, cerca de 200 km a sudoeste do AHE Colíder e os sismos naturais mais próximos ocorreram cerca de 90 km a sudoeste do mesmo aproveitamento, com magnitude 3,5 a 4,4 Mb (pequena magnitude). Por esta razão o monitoramento da atividade sísmica natural é indispensável antes do enchimento do reservatório da AHE Colíder, ao menos a partir do início das obras. Na sequência, durante e após o enchimento, faz-se necessário a execução de monitoramentos quanto à possibilidade de ocorrência de sismos induzidos por modificações impostas pela água acumulada no reservatório. Em adição, como a região onde será implantado o empreendimento apresenta histórico de atividade sísmica proeminente, o monitoramento deverá se estender durante todo o tempo de operação da AHE Colíder. Se existirem condições geológicas propícias à ocorrência de sismos induzidos por um reservatório, o risco de eles ocorrerem é, de certa forma, proporcional à coluna d’água ou à profundidade do reservatório e ao volume de água. O Serviço Geológico Americano (U.S. Geological Survey, Open File Report 96-0011) classifica os reservatórios como profundos, quando a profundidade chega a 80 m e muito profundos quando chega a 150 m. Esta referência cita que reservatórios que se enquadram nestas duas categorias são responsáveis pela maior parte dos exemplos de sismicidade induzida por barragens. Em adição, OBORN (1974), indica como sismogênicas as barragens com altura superior a 100 m, contendo reservatórios com volumes maiores que 1 bilhão de metros cúbicos. 188 O reservatório do futuro AHE Colíder contará com um volume de 1,58 bilhões de metros cúbicos e profundidade média de 5,94 m, o que sugere um risco baixo para ocorrência de sismos induzidos relevantes. 8.7.2 Objetivo Os objetivos do monitoramento da atividade sísmica no empreendimento AHE Colíder são: ü caracterizar o nível de atividade sísmica natural existente na região, provocada por acomodações de camadas (alívio de tensões em zonas de fraturas) ou por reflexos de terremotos com epicentro em outra região; ü determinar o padrão de atividade sísmica antes do enchimento do reservatório, com registro ao longo de um tempo considerável para garantir robustez estatística e permitir base consistente de comparação com o registro a ser obtido durante e após o enchimento; ü monitorar a sismicidade durante e após o enchimento, para detectar quaisquer atividades sísmicas que possam ser induzidas pelo reservatório, além de possíveis sismos naturais, que precisarão ser diferenciados de sismos induzidos; ü caracterizar a sismicidade induzida provocada pelo desmonte de rochas, reservatório, pedreiras e outros; ü contribuir para os estudos sismológicos no Estado e na região centro oeste do país, aumentando o número de estações sismológicas disponíveis e fornecendo registros que serão incorporados ao banco de dados das instituições de pesquisa; e ü dotar o projeto de importante informação que deve ser transmitida à população, quanto à atividade sísmica registrada, seja ela muito baixa ou ausente, o que irá tranquilizar a população, ou, seja para alertá-la no caso de eventos preocupantes. 8.7.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Gestão Ambiental da Obra; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 189 8.7.4 Diretrizes Gerais A depender da geologia estrutural regional e do comportamento do arcabouço rochoso, o enchimento do reservatório de empreendimentos hidrelétricos pode gerar acomodação de blocos rochosos, gerando eventos denominados de atividade sísmica induzida. Portanto, caso o arcabouço estrutural da região for instável, fatores externos ao mesmo, tais como, sismos naturais, obras de engenharia, desmontes de rocha e o próprio enchimento do reservatório, poderão causar abalos sísmicos sentidos na forma de tremores ou mesmo problemas ambientais gerados por deslizamento de taludes e etc. Especificamente ao longo da área do reservatório da AHE Colider observa-se que os macros lineamentos estruturais, normalmente notáveis em fotografia aérea, encontram-se parcialmente obliterados pela cobertura terciária de platôs lateríticos. Entretanto, na área do eixo projetado eles estão bem evidenciados pelas escarpas retilíneas dos arenitos. Neste local, uma falha, provavelmente transcorrente, intercepta o pacote arenítico na direção NW-SE e define o limite oeste da Serra Formosa. Na escala de afloramentos, o acamamento nem sempre evidente tem direção NW a WNW e mergulhos geralmente suaves, em torno de 25°, para SW. O fraturamento é intenso e bem evidenciado pelas faixas de fissuras claras e com películas de óxido de ferro ou pelo intemperismo ao longo dos planos. As direções preferenciais das fraturas nos afloramentos, pela ordem decrescente são: NE-SW; EW; N-S; NW-SE. Os planos de mergulho destas fraturas têm uma nítida preferência subvertical para NW. Neste contexto, com a finalidade de avaliar e identificar possíveis problemas desta natureza torna-se indispensável efetuar monitoramentos sismográficos para efeito de registro do nível de atividade sísmica na área, seja esta induzida ou natural. O monitoramento sismológico incluso neste programa será dividido em três fases distintas, a saber: ü a primeira iniciando um ano antes do enchimento do reservatório; ü a segunda durante o enchimento do reservatório até 1 ano após o início da operação da usina; e 190 ü a terceira ao longo de toda a vida útil do empreendimento. 8.7.4.1 Fase 1 – Monitoramento Pré-Enchimento do Reservatório Trata-se da escolha dos locais mais adequados para a instalação da estação sismológica que necessariamente deve contemplar três requisitos básicos: ü estar na área de abrangência de possíveis atividades sísmicas em função das características geoestruturais do meio físico; ü possuir disponibilidade de energia elétrica; e ü condições de segurança. Na sequência será realizada a instalação da estação e a calibração do sismógrafo, para as quais, é estimado um período de três meses para início do armazenamento dos dados. A partir daí, a estação sismográfica funcionará em tempo integral. O equipamento para execução do monitoramento será um sismógrafo digital de três canais, que permite registrar três componentes de período curto de forma contínua, possuindo alta sensibilidade, capaz de registrar pequenos micro-tremores a distâncias de até 50 km. A alta resolução dos sismógrafos triaxiais permite que os sismos registrados possam ter os seus epicentros determinados com a leitura do primeiro impulso da onda P nos três componentes, o que permite determinar o azimute de onde chegam às ondas sísmicas, e com a diferença do tempo de chegada das ondas P e S, o que permite ter uma estimativa da distância epicentral. Todas as detonações efetuadas durante o período monitorado deverão ser informadas semanalmente aos responsáveis pelo Monitoramento Sismográfico, com precisão de minutos, localização em que serão realizadas e outros dados de interesse. As informações a respeito das detonações serão confrontadas com os registros realizados nas estações sismográficas e, caso seja identificada alguma discrepância sísmica, os dados coligidos serão avaliados para identificação do ocorrido. Esta fase ocorrerá até o início do enchimento do reservatório. Caso seja detectado sismo local neste período, será avaliada a necessidade de instalação da rede de estações antes mesmo do enchimento do reservatório. Os dados obtidos nesta fase irão subsidiar a definição da rede que será implantada para a segunda fase de monitoramento. 191 Serão emitidos boletins trimestrais e um relatório técnico detalhado ao final de cada ano. Caso ocorra algum evento que mereça atenção especial, este será avaliado e descrito em relatório específico. 8.7.4.2 Fase 2 – Monitoramento Durante e Após o Enchimento do Reservatório Uma rede com quatro estações será instalada no entorno do lago, pelo menos 15 dias antes do início do enchimento do reservatório. Registros de sismos e determinação de seus epicentros condicionarão a realocação de uma ou mais estações e o redimensionamento da rede. Serão realizados registros de atividades sísmicas e análises durante os meses previstos para o enchimento do reservatório e por mais um ano após enchimento, devendo ser emitidos relatórios técnicos mensais sobre as atividades operacionais desenvolvidas e relatórios técnicos detalhados semestralmente, relacionando a atividade sísmica natural e induzida registrada na área do AHE Colíder, a partir das informações registradas na estação sismográfica. Caso ocorra algum evento que mereça atenção especial, o mesmo será avaliado e descrito em relatório específico. O relatório final deverá apresentar uma avaliação da metodologia e rede utilizadas, das características recomendações da caso sismicidade seja observada, necessário ajustar bem o como dar monitoramento sugestões e com e quais especificações. O resultado do monitoramento permitirá identificar a sismicidade induzida causada pelo próprio enchimento do reservatório em comparação com a atividade sísmica natural. 8.7.4.3 Fase 3 - Monitoramento Permanente Considerando-se o histórico da sismicidade natural regional e os possíveis registros de sismos induzidos pelo AHE Colíder, poderão ser instaladas estações sismográficas adicionais em locais estratégicos, definidos a partir dos monitoramentos executados anteriormente, cujos sinais serão registrados durante toda a operação do empreendimento. 192 Este monitoramento detalhado permitirá determinar com mais precisão os focos dos eventos e os reflexos da atividade sísmica natural. Destaca-se, por fim, que a necessidade e tipo de monitoramento permanente deverá ser justificada pela equipe técnica executora deste Programa. 8.7.5 A Equipe Básica responsabilidade sobre a implantação e funcionamento do Programa de Monitoramento da Atividade Sísmica do AHE Colíder é da Copel, que poderá contratar os serviços (mão de obra) no mercado nacional. O Programa será coordenado por um responsável técnico habilitado na área de geologia e geofísica, com experiência em monitoramento sismográfico. Deverá haver uma equipe de campo, responsável pela instalação dos equipamentos (um geólogo/geofísico e dois auxiliares de campo), e a coleta de dados no sismógrafo e manutenção de equipamentos poderá ser realizada por um auxiliar técnico treinado para a função. A interpretação dos dados coletados será realizada por um geólogo/geofísico. Dada a dificuldade e o alto custo de se alugar equipamentos que sejam de tecnologia atual e contratar serviços especializados na área de sismologia, sugere-se que a Copel estabeleça parcerias com laboratórios de pesquisa nacionais, para se estruturar para os monitoramentos previstos. 8.7.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução As universidades IAG-USP, UNESP-Rio Claro e UNB e ainda o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S.A. - IPT possuem pesquisadores que podem fornecer a consultoria necessária. O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) deverá co-participar do Programa considerando a experiência acumulada quanto à sismicidade regional. 8.7.7 Custo Estimado O custo estimado para a implantação deste Programa é da ordem de R$450.000.00 (quatrocentos e cinqüenta mil Reais). 193 8.7.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 Desvio do Rio Ano 2 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Fase 1 Seleção do local para instalação da estação com base em dados geológicos, geotécnicos e análises de ruídos Registro de atividades sísmicas e análises durante um ano antes do enchimento do reservatório Emissão de boletins trimestrais Relatório técnico Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Fase 1 Seleção do local para instalação da estação com base em dados geológicos, geotécnicos e análises de ruídos Registro de atividades sísmicas e análises durante um ano antes do enchimento do reservatório Emissão de boletins trimestrais Relatório técnico Fase 2 Instalação de rede com quatro estações Emissão de relatório técnico de atividades Emissão de relatório técnico detalhado Fase 3 Relatório técnico final 8.8 Monitoramento durante operação do empreendimento, caso necessário Relatórios técnicos PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE PROCESSOS EROSIVOS E DE ASSOREAMENTO 8.8.1 Histórico e Justificativa A implantação de um empreendimento hidrelétrico, qualquer que seja sua dimensão, gera modificações no meio ambiente, principalmente nas áreas atingidas pelo canteiro de obras, reservatório e entorno. Entre as modificações causadas pelo empreendimento está o surgimento de processos erosivos e de assoreamento do reservatório. O enchimento e a operação do reservatório modificam as condições de estabilidade das encostas adjacentes em razão das novas condições de saturação do solo, podendo ocasionar a perda da parcela coesiva deste através dos efeitos de sucção, de excessos 194 de poro pressão e de forças de percolação ocasionados pela operação do reservatório, o que acentua os processos erosivos e, consequentemente, carrega uma quantidade maior de material para o reservatório, aumentando a velocidade de seu assoreamento. Os processos erosivos e de assoreamento apresentam forte relação com os processos de dinâmica superficial e com os padrões de uso e ocupação do solo na sua bacia de contribuição, especialmente no seu entorno, cujos terrenos apresentam diferentes níveis de fragilidade face às interferências ou intervenções antrópicas. Da mesma forma, a oscilação do nível do reservatório, tanto por influência climática como pelas regras de operação do AHE, também gera impactos desde o período imediatamente após o estabelecimento do reservatório, instante em que os sistemas naturais estão ainda distantes do equilíbrio dinâmico das forças por ele geradas. Os terrenos dominados pelos morrotes dissecados, dada a condição morfométrica e a constituição dos materiais, são considerados os terrenos mais frágeis sob o aspecto da indução aos processos de dinâmica superficial, sobretudo mediante processos de erosão acelerada, ou em sulcos, e de movimentos de massa e erosão laminar, que podem ocorrer de forma intensiva caso não sejam devidamente prevenidos e controlados. Das áreas colinosas, predominantes na margem esquerda do rio Teles Pires, que constituem boa parte da ADA do AHE Colíder, decorrem os principais processos erosivos superficiais, que são a erosão laminar e em sulcos, além da grande probabilidade de ocorrência de assoreamento de canais fluviais e nascentes. Nesses terrenos, a remoção da cobertura vegetal e exposição dos horizontes mais erodíveis dos solos podem provocar aumento na intensidade e na frequência de ocorrência de processos de dinâmica superficial, intensificando os processos de erosão e assoreamento O monitoramento das margens do rio Teles Pires a jusante do barramento se justifica pelo grande probabilidade de ocorrência do aumento da capacidade erosiva do rio a jusante. No trecho entre o barramento e a foz do ribeirão da Águia, o rio Teles Pires apresenta margens com relativa erodibilidade. Esses setores são susceptíveis a processos de ajuste do perfil transversal do rio através de erosão lateral e mobilização dos sedimentos. 195 8.8.2 Objetivo O Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e de Assoreamento objetiva a identificar e acompanhar o desenvolvimento dos processos de erosão e assoreamento, nas fases de implantação e operação do AHE Colíder, bem como identificar e acompanhar a recuperação das áreas afetadas pelo empreendimento. Na fase de implantação especificamente, os processos de dinâmica superficial decorrentes das obras serão objeto de prevenção e acompanhamento por meio das medidas que compõem principalmente os Subprogramas de Controle Ambiental dos Procedimentos Construtivos e de Monitoramento Ambiental de Obras. 8.8.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Gestão Ambiental da Obra; ü Programa de Monitoramento Hidrogeológico; ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Monitoramento e Fomento à Atividades Econômicas; ü Programa de Gestão Ambiental e Sócio-Parimonial do Reservatório; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.8.4 Diretrizes Gerais As atividades de monitoramento de ocorrência de processos erosivos e assoreamento do reservatório do AHE Colíder serão desenvolvidas em três fases, conforme segue: ü Fase 1 – Anterior à formação do reservatório; ü Fase 2 – Durante o enchimento do reservatório; e ü Fase 3 – Após o enchimento do reservatório e durante a operação do AHE Colíder. 8.8.4.1 Fase 1 - Anterior à Formação do Reservatório Previamente ao enchimento do reservatório, a despeito das dificuldades em se determinar com precisão a distribuição de todas as áreas e locais potencialmente 196 sujeitos a ocorrência de processos erosivos e de assoreamento decorrentes, locais propícios a sua manifestação, deverão ser previamente identificados, tais como: ü locais com solos ou formações superficiais mais espessos potencialmente erodíveis; ü locais com elevada declividade; ü locais potencialmente críticos próximos à infraestrutura, construções, instalações ou benfeitorias; ü locais onde a ação antrópica promove a exposição dos horizontes superficiais dos solos, naturalmente mais susceptíveis aos processos de dinâmica superficial; e ü outros locais potencialmente críticos. A identificação dos locais potencialmente críticos será efetuada através de campanha de inspeção visual, na qual um técnico devidamente habilitado, com conhecimentos geotécnicos, percorrerá a pé todo o perímetro do lago e áreas de remanso, apoiado por imagens aéreas e orbitais da região. Nos locais identificados como pontos potencialmente críticos, deverão ser geradas imagens digitais e procedido o seu georeferenciamento para posterior locação em documentos cartográficos. Este trabalho consolidará um cadastro de situação das margens antes das intervenções da obra. Com as informações primárias (reconhecimento de campo) e secundárias (mapeamentos já realizados) disponíveis na escala adequada deverão ser produzidas cartas temáticas na escala 1:10.000 abrangendo uma franja mínima de 100 m do nível máximo previsto para o reservatório e da porção a jusante do barramento e, na escala 1:25.000 em áreas afetadas por ações adjacentes ou em conexão com os afluentes do rio Teles Pires. As cartas temáticas previstas são: ü carta de declividades; ü carta de pendentes topográficas (taludes); ü carta de tipos de solo (até que profundidade ou superficial); ü carta geológica lito-estrutural; ü carta de uso do solo; e ü carta de feições erosivas observadas. As informações cartográficas serão avaliadas e consolidadas em uma carta de suscetibilidade geotécnica, onde estarão identificadas as zonas mais propícias à 197 ocorrência de processos erosivos e de transporte de material pelas intempéries, classificadas em: ü Estável – onde a possibilidade de ocorrência de processos erosivos é muito remota; ü Medianamente estável – onde os processos erosivos são raros ou de pequenas magnitude, sem que acarrete alteração da característica natural do terreno e não cause assoreamento significativo; ü Instável – onde se espera a ocorrência de processos erosivos significativos ou que estes causem aumento significativo no assoreamento do reservatório Para estes pontos deverão ser dadas sugestões de medidas corretivas para impedir a sua ocorrência e reduzir as suas consequências; e ü Altamente instável – onde os processos erosivos ocorrem com frequência e suas consequências possam ser importantes. Para estes pontos deverão ser dadas sugestões de medidas corretivas para impedir a sua ocorrência e reduzir as suas consequências. O monitoramento proposto por este Programa deverá ser compilado em relatórios trimestrais nesta fase, uma vez que o Programa de Gestão Ambiental das Obras abordará em relatórios mensais questões ligadas à erosão e assoreamento nas frentes de obra. 8.8.4.2 Fase 2 - Durante o Enchimento do Reservatório Durante o enchimento do reservatório, previsto para ocorrer em até 60 dias, serão realizadas inspeções mensais de monitoramento da evolução das condições das margens, em todo o perímetro do lago em formação e nas áreas de remanso, com atenção especial aos pontos anteriormente identificados como instáveis e altamente instáveis. Os locais críticos deverão ser observados em detalhes devendo ser executadas as seguintes atividades: ü registro digital da imagem dos locais selecionados previamente e daqueles onde forem detectados indícios de alteração no perfil superficial da margem; ü observação de ocorrência de processos erosivos pela dinâmica superficial; ü registro de danos potenciais à infraestrutura, às construções, à vegetação e aos outros tipos de ocupação superficial do terreno marginal ao reservatório; 198 ü registro de eventuais ações naturais ou antrópicas que possam contribuir para a desestabilização das margens e outras áreas com conexão direta a rede de drenagem que flui para o reservatório; e ü registro de impactos provenientes da supressão de vegetação e limpeza do terreno na área de implantação do canteiro de obras, na área de implantação dos barramentos e na abertura de melhoramento de acessos, em razão da exposição dos horizontes superficiais dos solos. Estas ações iniciais podem desencadear processos erosivos e assoreamento. No caso de identificação de processos erosivos e de assoreamento nas bordas do reservatório comunicados por terceiros, o local será vistoriado por técnico habilitado que coletará informações e elaborará relatório extraordinário, se necessário, e indicará as medidas pertinentes a serem tomadas. Após o enchimento do reservatório, as informações coligidas serão reinterpretadas e locadas na carta geotécnica de suscetibilidade, demonstrando os locais de ocorrência de processos erosivos e de fonte de sedimentos para o assoreamento do reservatório. Um sumário executivo das feições anotadas será parte integrante do relatório das atividades afetas a esta fase do projeto. No relatório serão demarcadas e caracterizadas as áreas julgadas críticas quanto à instalação de processos erosivos e de assoreamento e serão propostas medidas para corrigir ou eliminar o problema. Um relatório final da fase enchimento deverá ser entregue em até 15 dias após a conclusão da fase. 8.8.4.3 Fase 3 - Após o Enchimento do Reservatório e Durante a Operação do AHE Colíder O monitoramento do remanso e desembocaduras a ser efetuado visualmente com documentação fotográfica adequada deverá ser mensal e verificará também a ocorrência de acúmulo de sedimentos. Caso necessário, nos locais com deposição acentuada, a serem identificados na primeira estação chuvosa, poderá ser adotado o monitoramento instrumentado por meio de réguas. Outras técnicas podem ser previstas e propostas. As inspeções de campo deverão contemplar ainda observações de eventuais processos de instabilização induzidos por fluxo subsuperficial de água. Para tanto, deve-se considerar os resultados do Programa de Monitoramento Hidrogeológico. Após chuvas 199 intensas ou outro processo que venha a causar o aumento dos processos erosivos poderão ser efetuadas vistorias adicionais. Após a formação do lago e o consequente início da operação do empreendimento, deverá ser implementado um monitoramento sistemático do reservatório com inspeções bimestrais pelo período de um ano, quando o Programa será reavaliado, visando a sua adequação. A emissão de relatórios obedecerá à mesma frequência das campanhas de monitoramento das áreas críticas no entorno do reservatório, devendo ser bimestrais no primeiro ano de operação do reservatório. Caso seja observada a estabilização de setores marginais ao reservatório, as campanhas e os relatórios poderão passar a periodicidade trimestral no segundo ano e semestrais a partir do terceiro ano de operação do AHE. Recomenda-se que o monitoramento, a partir do cadastramento da situação das margens antes do enchimento, seja desenvolvido através de inspeções semestrais pelo período mínimo de cinco anos após o enchimento. O relatório de monitoramento deverá contar com documentação fotográfica. As atividades de monitoramento poderão incluir instrumentação para quantificação da intensidade dos processos de erosão das margens em pontos classificados com instáveis ou altamente instáveis. Sempre que forem identificados processos erosivos e o consequente transporte de material para o reservatório, técnicos habilitados serão acionados para analisar a situação e tomar medidas cabíveis para a solução dos problemas geradores dos eventos. 8.8.5 Equipe Básica O Programa será coordenado por um responsável técnico habilitado na área de geologia, com experiência em monitoramento em processos erosivos e de assoreamento. 8.8.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empresas de consultoria e especialistas em processos erosivos e assoreamento e universidades. 200 8.8.7 Custo Estimado O custo total previsto para implantação deste Programa é da ordem de R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 8.8.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Fase 1 Identificação dos locais com potencial crítico (inspeção de campo) e levantamentos de dados secundários Elaboração de cartas temáticas e de carta geotécnica Monitoramento de áreas críticas não contempladas pelo programa de gestão das obras Emissão de relatórios Enchimento do Reservatório Ações Previstas Fase 2 1 Fase 3 Início da Geração Ano 5 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Monitoramento durante o enchimento do reservatório Emissão de relatório Monitoramento das áreas críticas do entorno do reservatório Monitoramento do remanso e desembocadura Emissão de relatórios 8.9 PROGRAMA DE SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO E LIMPEZA DA ÁREA DO RESERVATÓRIO 8.9.1 Histórico e Justificativa Para a formação do rservatório do AHE Colíder, é necessário que a área a ser alagada seja limpa e a vegetação seja suprimida. Tais exigências, em conformidade com a legislação pertinente, são decorrentes da necessidade de proteger a qualidade da água do rio Teles Pires. Caso não seja realizado um esforço para a retirada da maior parte da biomassa existente na bacia de acumulação do AHE Colíder, pode-se esperar um acúmulo de matéria orgânica vegetal e o aporte excessivo de nutrientes, possibilitando a ocorrência da eutrofização, com desequilíbrio da fauna e flora aquáticas, e prejuízos à qualidade das águas do reservatório. A retirada da vegetação de porte arbóreo, 201 previamente ao enchimento do reservatório, contribui também sob a ótica ambiental, com a redução dos níveis de mortalidade da fauna por afogamento, visto que este desmatamento prévio promove a fuga dos animais das áreas a serem alagadas. É importante salientar que a exploração da vegetação da área a ser alagada deverá ser realizada de forma disciplinada, tanto para evitar conflitos com os demais programas a serem implantados, quanto para evitar desmatamentos abusivos acima da cota de inundação ou de sítios em que convém manter a vegetação. Portanto, este Programa vem estabelecer diretrizes para a execução de atividades de desmatamento que venham a ocorrer visando a implantação da PCH Colíder. Entre os desmatamentos previstos fora da área de alagamento estão o desmatamento do canteiro de obras e de seus acessos. 8.9.2 Objetivo Proteger a qualidade da água do reservatório mediante o controle e a retirada de fontes de matéria orgânica e organismos patogênicos, a fim de evitar a proliferação de algas e plantas aquáticas e a formação de gases resultantes da decomposição anaeróbica da biomassa submersa, assegurando o uso múltiplo das águas e reduzindo os efeitos corrosivos nos componentes metálicos dos equipamentos do AHE Colíder. Dentre os principais objetivos desta medida de controle das atividades de supressão, destacam-se: ü promover a “limpeza” da área de inundação, no sentido de reduzir a disponibilidade de matéria orgânica vegetal passível de decomposição e promoção da DBO; ü reduzir o potencial de eutrofização das águas do reservatório através da retirada da vegetação; ü reduzir a necessidade de resgate de fauna, estimulando a saída espontânea ou afugentamento mediante o desmatamento orientado e acompanhado por equipes de monitoramento e salvamento da fauna, reduzindo o stress causado pelo resgate, os custos da operação e ampliando o sucesso dos programas voltados à conservação da fauna; ü realizar o aproveitamento dos recursos naturais disponíveis, notadamente o material lenhoso; 202 ü controlar a formação de “paliteiros” ou áreas com características estéticas indesejáveis nas margens do futuro reservatório; ü proporcionar a oportunidade de coleta de material botânico que poderá ser utilizado em programas de recuperação ambiental; ü salvaguardar remanescentes vegetais contíguos à faixa marginal do reservatório, cuja finalidade será múltipla; ü possibilitar a utilização do reservatório em atividades de recreação e lazer, propostas em programa específico; e ü atender a dispositivos legais vigentes. A observação dos itens supramencionados sugere a ordenação da atividade de desmatamento da bacia de acumulação, para que se agrupem tais premissas na busca da otimização do processo como um todo, promovendo ganhos em nível de manutenção ambiental e de aproveitamento do material lenhoso disponível. 8.9.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre; ü Programa de Resgate de Fauna; ü Programa de Recuperação de Áreas Degradadas; ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.9.4 Diretrizes Gerais Este Programa está dividido em dois Subprogramas, conforme apresentado na sequência. 8.9.4.1 Subprograma de Controle das Atividades de Supressão de Vegetação na Área do Reservatório, Áreas de Apoio e Caminhos de Serviço O processo de supressão de vegetação ocorrerá em duas etapas. A primeira refere-se à área do canteiro de obras, que deverá ser liberada para dar início às obras, e será realizada logo após a emissão da Licença de Instalação prevista para fevereiro de 203 2011. Enquanto que a segunda etapa é referente à área do reservatório, cuja liberação deverá ocorrer cerca de três anos após o início das obras. Para tanto, será elaborado, e oportunamente submetido ao IBAMA, o Projeto de Supressão de Vegetação da Área do Reservatório. Durante o desenvolvimento desse Subprograma, também serão realizados levantamentos detalhados para definir os desmatamentos parciais e totais, conforme as características das áreas e suas prioridades. O aproveitamento do material vegetal (arbóreo lenhoso) pelos proprietários das terras será estimulado nas áreas de inundação, devendo ser estabelecido um controle, para que a retirada seja feita de acordo com a Autorização de Supressão de Vegetação, a ser expedida pelo IBAMA. O corte da vegetação deverá ocorrer preferencialmente após o resgate brando da flora e da fauna, minimizando a perda de carga genética das espécies atingidas pelo desmatamento ou inundação. Esse resgate faz parte das atividades do Programa de resgate, conservação e monitoramento de fauna terrestre. Este Subprograma deverá ser executado através de um conjunto organizado de ações, detalhadas na sequência: 8.9.4.1.1 Complementação do inventário florestal Para atender as exigências do IBAMA/SEMA-MT no que se refere às licenças de desmatamento, é necessária a complementação dos levantamentos de flora realizados por ocasião do EIA, através da execução de um Inventário Florestal nas áreas de formações arbóreas e arbustivas presentes no futuro reservatório e no canteiro de obras. Este inventário deverá responder no mínimo aos quesitos do Plano de Exploração Florestal – PEF exigido pela SEMA-MT, onde além do aspecto volumétrico, também é necessário informações relativas à quantidade (peso) de fitomassa presente em cada uma das formações vegetais. Desta forma poder-se-á conhecer melhor os potenciais volumétricos das espécies comerciais presentes na área, orientando, posteriormente, os usos mais indicados para cada uma delas. 204 8.9.4.1.2 Obtenção das licenças de desmatamentos Os pedidos de desmatamento das áreas de canteiros e da área do reservatório do AHE Colíder deverão ser encaminhados pelo empreendedor a SEMA-MT de acordo aos seguintes procedimentos: ü providenciar o documento de requerimento de desmatamento; ü preencher todos os campos dos requerimentos, separando os pedidos de desmatamento por propriedade e/ou matrícula de imóvel; ü encaminhar a documentação do pedido acompanhado de documentação das áreas solicitadas, mapas georreferenciados das áreas a serem desmatadas, relatório do inventário florestal e destino da produção florestal; e ü pagamento das taxas de solicitação de desmatamento. A SEMA-MT deverá analisar a solicitação e emitir as competentes licenças de autorização para supressão de vegetação e transporte da madeira a ser retirada da área do futuro reservatório, além do licenciamento das motosserras a serem utilizadas no desmate. Como já dito anteriormente, o processo de supressão de vegetação ocorrerá em dois momentos distintos. A área do canteiro de obras terá que ser liberada para início das obras, imediatamente após a emissão da Licença de Instalação. Para tanto deverá ser montado um processo específico, com dados de processamento do inventário apenas nas áreas do canteiro de obras, de modo a obter as licenças para a supressão da vegetação, emitida pela SEMA-MT. 8.9.4.1.3 Treinamento da equipe de supressão A equipe responsável pela atividade de desmatamento deverá receber instruções sobre a execução do mesmo, por meio de curso de capacitação dos trabalhadores, com informações sobre segurança do trabalho, aspectos relacionados à fauna local, com destaque para a presença de espécies peçonhentas, plano de corte da vegetação e procedimentos visando à preservação da fauna e das espécies vegetais protegidas. Deverá ser verificada junto ao Programa de Conservação da Flora a identificação das espécies vegetais imunes ao corte, ameaçadas de extinção e endêmicas, bem como o resgate de epífitas, resguardando-as para posterior transplante e relocação, quando possível. Assim como a identificação e isolamento de tocas e ninhos e afugentamento brando da fauna será um trabalho que deverá ser realizado anteriormente ao corte, 205 por meio do Programa de Resgate, Conservação e Monitoramento da Fauna Terrestre. Após a vistoria da área deverá ocorrer a sua liberação para o início das atividades de roçada e corte da vegetação. Importante salientar que nesse momento também deverá ser verificada a conclusão dos estudos arqueológicos para liberação das áreas para corte. 8.9.4.1.4 Demarcação em campo de áreas para o desmatamento Canteiro de obras e estradas de acesso às obras Logo após a obtenção da LI serão demarcadas as áreas necessárias à melhoria e implantação das estradas de acesso e ao canteiro de obras. Os procedimentos para os desmatamentos na área dos canteiros deverão ser elaborados objetivando manter a vegetação nas áreas não ocupadas pelas estruturas, visando à recomposição após o término das obras. As aberturas de novos acessos fora da área de supressão vegetal devem ser evitadas, haja vista que implicam em impactos ambientais, tais como: fragmentação de hábitat, supressão de hábitat, instabilização de encostas, entre outros. Também deve ser avaliada a ocorrência de supressão vegetal ou outro impacto ambiental que implique em licenciamento. Demarcação da cota de desmatamento A partir do detalhamento dos dados de demarcação em campo de áreas para o desmatamento serão elaborados mapas temáticos de: declividade, uso do solo e detalhamento de acessos ao reservatório. O cruzamento das três informações deve identificar as áreas com possibilidade de desmatamento. A definição dessas áreas deve ter como critério principal a avaliação de impactos ambientais para o seu desmatamento. Após a definição, essas áreas devem ser quantificadas, separando os quantitativos de vegetação nativa, que de acordo com o EIA e o Mapa de Cobertura Vegetal e Uso da ADA (Figura 9.2.1.1.d do EIA do AHE Colíder, 2009) indica a espacialização das seguintes unidades mapeadas: ü Vegetação nativa: Formações Florestais Submontanas; Formações Florestais Aluviais; Floresta Estacional Semidecidual Submontana; Encraves de Formações Savânicas e Formações Pioneiras; e 206 ü Áreas alteradas antropicamente: Vegetação secundária; Áreas em desmatamento e Áreas antropizadas (pastagens). Para que se obtenha uma exata localização das áreas a serem desmatadas no reservatório, deverá ser demarcado topograficamente todo o perímetro do futuro lago, representado pela locação em campo da cota referente ao nível normal para produção energética (NA 268,5 m). A delimitação da cota correspondente ao máximo normal poderá ser realizada através da abertura de picadas para a colocação de piquetes e estacas pintadas de branco, com um mínimo de 1m de altura acima do solo, distantes 50 m umas das outras nas áreas abertas; e 20 m em áreas com cobertura florestal arbórea. Após a determinação do perímetro total da área a ser limpa e desmatada, poderão ser demarcados os lotes de supressão, que irão compor os serviços a serem licitados. Essa prática tem a vantagem de delimitar espaços que poderão ser licitados a terceiros para realizar a retirada do material. Dessa forma, pode-se atrelar a contratação dos serviços ao cumprimento de normas específicas, de modo a se promover a limpeza da vegetação em prazos compatíveis com o cronograma da obra e previstos neste projeto. Por outro lado, alguns ambientes florestais situados nos limites do reservatório deverão ser conservados, tendo em vista a manutenção de ambientes propícios à fauna semi-aquática e aquática, que poderá encontrar abrigo nestes locais. Também áreas onde serão desenvolvidos os monitoramentos de flora e fauna deverão ser conservadas até o final dos estudos. Essas áreas deverão ser mapeadas e demarcadas previamente ao início do desmatamento. 8.9.4.1.5 Procedimentos gerais para desmatamento O corte da vegetação deverá ter seu início após a emissão da Licença de Instalação, que apresentará os quantitativos de vegetação a ser suprimida no canteiro de obras e acessos. Conforme o EIA do AHE Colíder (2009), considerando a Área Diretamente Afetada ADA pelo empreendimento (reservatório, área do canteiro e áreas de apoio), a cobertura vegetal nativa é bastante significativa, com aproximadamente 80% da área afetada. Os demais usos do solo estão quantificados na Tabela 28. 207 TABELA 28- COBERTURA DO SOLO NA ADA DO AHE COLIDER Tipo de Vegetação Sigla Área (km2) % Formações Florestais Submontanas FFS 70,66 49,24 Formações Florestais Aluviais FFA 46,11 32,13 Floresta Estacional Semidecidual Submontana FE 0,61 0,43 Formações Savânicas FS 0,16 0,11 Formação Pioneira FP 0,52 0,36 Área em Desmatamento AD 0,1 0,07 Vegetação Secundária VS 3,03 2,11 Área Antropizada AA 22,31 15,55 143,5 100,00 Total A área total de vegetação nativa na área do reservatório e APP totaliza 121 km². Este valor será confirmado e adequado após novo inventário florestal para obtenção das licenças de supressão. De acordo com o cronograma de instalação do empreendimento, as atividades de desmatamento terão início no canteiro de obras, no mês de fevereiro de 2011, seguindo até dezembro de 2011, quando está previsto o desmatamento do reservatório. O desmatamento do reservatório deverá ser planejado de modo a ser iniciado e finalizado o mais próximo possível da época prevista para o enchimento, devendo ser consideradas todas as restrições legais e aquelas constantes na Licença de Instalação, tanto em relação ao desmatamento em si como em relação à abertura de acessos. As empreiteiras que realizarem a supressão de vegetação deverão dar apoio as atividades de outros programas ambientais, notadamente o de resgate de fauna, resgate de flora e resgate arqueológico, para que estes programas, que terão atuação simultânea, sejam realizados da maneira prevista no PBA. Também deverão disponibilizar um funcionário habilitado e equipado com motosserra para dar apoio ao resgate de abelhas nativas através do corte de troncos, identificação das colméias e proteção destas até que sejam resgatadas. A seguir são apresentadas resumidamente as fases para o desmatamento. a) Limpeza e abertura da área 208 Trata-se da limpeza do subbosque para facilitar e tornar mais segura a operação de derrubada das árvores. Além disto, esta medida facilita a visualização de madeiras de uso mais nobres, quando existirem. b) Derrubada O corte será realizado, preferencialmente, de maneira que se possa limpar as cotas mais baixas em primeiro lugar evitando-se, assim, o afogamento de biomassa. Assim, as operações deverão se desenvolver preferencialmente em linhas paralelas ao eixo do rio, de maneira uniforme e contínua, derrubando-se todos os conjuntos de árvores à medida que se avança com o desmatamento. Estes procedimentos permitem o deslocamento da fauna para áreas fora da cota de alagamento, reduzindo as operações de resgate e, consequentemente, a morte de animais por afogamento. Independentemente do destino do material remanescente, as operações se desenvolverão, então, em duas etapas distintas, a saber: ü inicialmente, se procederá a derrubada das árvores maiores. Será retirada para fora da bacia de inundação toda a madeira ou lenha produzida, enleirando-se o restante do material vegetal, composto por folhas e galhos de pequenas dimensões; ü posteriormente, deverá ser realizado um repasse em todas as áreas desmatadas, em ocasião mais próxima possível do início do enchimento do reservatório. Nesta etapa procede-se a destinação final, que poderá ser: o lançamento do material enleirado, como cobertura morta, nas áreas da faixa de proteção ciliar do reservatório; o enterrio deste material em aterros; ou mesmo, através da queima controlada, como medida de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, gerando a emissão de gás carbônico, em detrimento da emissão de metano; e ü simultaneamente a destinação final, realiza-se roçada ou queima controlada para manutenção das áreas que foram suprimidas há mais de seis meses antes do início do enchimento do reservatório, com a finalidade de reduzir a quantidade de matéria orgânica proveniente da regeneração natural da floresta após a supressão. 209 c) Operações de corte de árvores Dentre os métodos de corte conhecidos, dar-se-á preferência ao corte semimecanizado e, em ocasiões onde for tecnicamente viável, poderão ser utilizados métodos mecanizados. O método semimecanizado de corte de florestas resulta da associação de operações manuais, com motosserra para a derrubada propriamente dita e a complementação, quando possível, do carregamento, enleiramento e transporte da madeira, principalmente através de tratores de pneus, equipados com guincho ou carretas. ü Para o tipo de vegetação ocorrente na área, recomenda-se o corte com motosserra por equipes treinadas no uso deste implemento e devidamente equipadas com equipamentos de proteção individual – EPI atendendo as normas de saúde e segurança do trabalho. O corte sempre deverá ser feito o mais rente possível ao solo, respeitando-se as normas tradicionais florestais que preconizam: ü árvores com DAP (diâmetro a altura do peito) entre 20 e 29 cm terão os tocos com altura máxima de 15 cm em relação ao nível do solo; e ü árvores com DAP iguais ou superiores a 30 cm terão os tocos com altura máxima de 30 cm em relação ao nível do solo. 8.9.4.1.6 Separação e classificação dos restos vegetais No desmatamento do canteiro de obras e acessos, as toras, lenhas e galharia deverão ser depositadas junto ao canteiro de obras, para posterior destino, conforme Portaria nº 253 de 18 de agosto de 2006, do Ministério do Meio Ambiente - MMA e Instrução Normativa IBAMA n° 112 de 21 de agosto de 2006. No desmatamento do reservatório, a remoção do material deve seguir a seguinte sequência: ü remoção de toras e lenhas: todo material lenhoso deverá ser removido para fora da cota de alagamento, preferencialmente fora da APP; ü retirada de galharia: deverá ser removida para fora da área do reservatório, preferencialmente fora da APP, quando possível, devendo ser estocada, prevendo seu uso na recuperação de áreas degradadas; e 210 ü disposição de toras, lenhas e galharias: deverão ser identificados previamente, no período anterior ao início do corte, locais para a destinação do material resultante fora da área de alague, tanto para destino final como depósito temporário. A atividade de recolhimento de toras, lenha e galharia deverá acompanhar as atividades de corte de vegetação, com as equipes de corte e desdobramento das árvores trabalhando um pouco à frente das equipes de recolhimento, durante o desenvolvimento dos trabalhos de desmatamento. Estas atividades deverão ser executadas mediante planejamento, no qual as equipes de recolhimento executem seu trabalho a uma distância segura das equipes de corte e desdobramento, porém acompanhando o ritmo do desmate, com a finalidade de executar toda a limpeza da área de forma homogênea, evitando a necessidade de voltar aos locais para término dos serviços. A retirada e destinação das toras, lenhas e galharia serão realizadas conforme instruções da SEMA-MT e Instrução Normativa IBAMA n° 112 de 21/08/2006, e é de responsabilidade da Copel. Não deverá ser permitido o aterramento de lenhas, toras, galharia, ou qualquer outro material proveniente do desmatamento na área do reservatório, sob pena de oxidação e degradação da qualidade da água. Quanto à serrapilheira, deverá ser realizada a raspagem e armazenamento de uma fração daquela que estiver presente em locais livres de afloramentos rochosos e próximos às futuras áreas de APP. A serrapilheira recolhida será utilizada em viveiros de mudas, tanto para produção de plântulas quanto para compostagem, e principalmente na recuperação de áreas degradadas, para a qual a serapilheira deverá ser enleirada na futura APP para posteriormente, após o término da supressão no local, ser espalhada e favorecer o processo de regeneração natural da floresta. 8.9.4.1.7 Desdobramento e remoção do material lenhoso O material lenhoso com valor comercial será dividido em três categorias: lenha, mourões e toras, conforme apresentado na Tabela 29. 211 TABELA 29 – SUGESTÃO DE CLASSIFICAÇÃO DE TORETES POR DIÂMETRO Classe Características I Torete com diâmetro < 12,0 cm, medido na ponta mais grossa com casca, será denominado lenha, devendo ter no mínimo 1 m de comprimento. II Torete com diâmetro de 12,0 cm a 19,0 cm medido na ponta mais fina com casca, chama-se mourão, devendo ter no mínimo 2,50 m de comprimento. III Torete com diâmetro ≥ 20,0 cm, medido na ponta mais fina, com casca, denomina-se de tora. O comprimento deve ser no mínimo de 2,50 m. Quanto maior for o comprimento maior será o valor comercial. A lenha cortada com um metro de comprimento deverá ser medida para emissão do DOF (Documento de Origem Florestal) para fins de destinação final em empresas licenciadas que utilizem este produto florestal para seu consumo. As toras e mourões deverão ser quantificadas e medidas para emissão do DOF (Documento de Origem Florestal), devendo ser ressaltado que só deverão ser mantidas toras e mourões que atinjam o porte e sejam de interesse comercial, sendo transformadas em lenha aquelas espécies que não se enquadram nessas exigências. As toras resultantes do desmatamento deverão ser destinadas a serrarias licenciadas para desdobramento e beneficiamento da madeira. Toda a madeira cortada em toretes será retirada das áreas de desmatamento para que se possa ter controle visual das áreas que vão sendo progressivamente limpas. Isto também deve ser feito para que a madeira possa ser acumulada em pátios de estocagem, para posterior seleção por classes, formando-se, então, estoques homogêneos em locais próximos às estradas, de maneira de forma que se possa removê-los com facilidade do local. Após o corte, as árvores serão desgalhadas, cortando-se os galhos rentes aos fustes (troncos). Os galhos com dimensões superiores a 12,0 cm de diâmetro também deverão ser desgalhados para transformação em toras, mourões ou lenha. Estes deverão ser removidos para as estradas de serviço para posterior retirada da bacia de inundação. 8.9.4.1.8 Enleiramento e limpeza da vegetação arbustiva Após a retirada do material lenhoso que apresente utilização comercial será efetuado o enleiramento e a retirada do material foliar e lenhoso de pequenas dimensões. 212 O material lenhoso de pequenas dimensões, composto por galhos finos, assim como as folhas provenientes do desmatamento, deverão ser enleirados com o auxílio de lâminas frontais adaptadas aos tratores de pneus ou de esteiras e deixados ao sol para secar. Após um período de secagem, este material poderá ser lançado sobre carretas ou pequenos caminhões para ser levado às áreas onde serão efetuadas operações de reflorestamento, de acordo com o projeto correspondente, ou poderão ser queimados de acordo com as exigências legais. 8.9.4.1.9 Transporte final A retirada do material da área poderá ser executada paralelamente com as atividades anteriores ou após o enchimento do reservatório. No entanto, para maior segurança e maior aproveitamento da capacidade de transporte do veículo utilizado, o material deverá passar por um processo de secagem natural, durante 30 dias, no mínimo, para redução de seu peso, na ordem de 30%. A destinação do material vegetal com valor comercial poderá ser através de: licitações para a venda da madeira, mourões e lenha; doação para comunidades ou entidades locais; inserção como componente na negociação com os proprietários a serem indenizados; inserção como parte da remuneração das empreiteiras responsáveis pela supressão vegetal; e, caso haja inviabilidade econômica ou técnica para a comercialização da lenha, a realização de queima controlada, com a finalidade de reduzir o material combustível susceptível a incêndios e reduzir o impacto relacionado a emissão de gases causadores do efeito estufa, com a emissão de gás carbônico em detrimento da emissão de metano. 8.9.4.1.10 Equipe Básica Para o desmatamento serão necessárias equipes compostas por profissionais habilitados para o corte de vegetação, com devido treinamento e licenças ambientais. Também são necessários profissionais habilitados para a supervisão ambiental das atividades de corte e estoques de lenha e madeira. A destinação do material vegetal com valor comercial poderá ser através de: licitações para a venda da madeira, mourões e lenha; doação para comunidades ou entidades locais; inserção como componente na negociação com os proprietários a serem 213 indenizados; inserção como parte da remuneração das empreiteiras responsáveis pela supressão vegetal; e, caso haja inviabilidade econômica ou técnica para a comercialização da lenha, a realização de queima controlada, com a finalidade de reduzir o material combustível susceptível a incêndios e reduzir o impacto relacionado a emissão de gases causadores do efeito estufa, com a emissão de gás carbônico em detrimento da emissão de metano. 8.9.4.1.11 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Este Programa será de responsabilidade da Copel. Contudo, sugere-se que os serviços (ou parte deles) sejam executados através de contratos com terceiros. Nesses contratos deverão estar explicitadas as especificações técnicas dos trabalhos envolvidos e as tarefas que os responsáveis deverão realizar para a Copel, para que se maximize o aproveitamento dos trabalhos de remoção. O inventário florestal e os estudos de fitomassa devem ser contratados junto à instituições especializadas nestes trabalhos. Também deverá haver uma instância de articulação entre o empreendedor e os órgãos estaduais competentes para que se obtenha com facilidade e sem entraves burocráticos, a autorização para que se efetue o desmatamento das áreas do canteiro de obras e da bacia de inundação, cumprindo as formalidades exigidas pelas entidades envolvidas. 8.9.4.1.12 Custo Estimado Os custos de execução do inventário florestal, assim como a montagem do processo de obtenção da autorização de supressão da vegetação baseiam-se em custos de homens/hora e despesas de logística e são da ordem de R$200.000,00 (duzentos mil Reais). Para todo o processo de retirada da vegetação, incluindo corte, traçamento, retirada da madeira, empilhamento e limpeza do material vegetal não aproveitável, estima-se um valor aproximado de R$39.300.000,00 (trinta e nove milhões e trezentos mil Reais). 214 8.9.4.1.13 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Treinamento da equipe de supressão Demarcação de áreas para o desmantamento Desmatamento Desdobramento e remoção do material lenhoso Enleiramento e limpeza da vegetação arbustiva Transporte final Relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Desmatamento Desdobramento e remoção do material lenhoso Enleiramento e limpeza da vegetação arbustiva Transporte final Relatório de acompanhamento Canteiro 8.9.4.2 Reservatório Subprograma de Demolição de Edificações Este Subprograma trata especificamente da demolição, remoção das edificações, tratamento dos resíduos das atividades de criação de aves e animais, das fossas e dos depósitos de resíduos, além do tratamento final das áreas desocupadas antes do enchimento do reservatório. Em termos de amplitude de atuação, o Subprograma abrange as áreas a serem cobertas pelas águas e aquelas adquiridas pela empresa para a formação da faixa de APP de 100 m. O desenvolvimento desta medida está intimamente associado ao remanejamento dos atuais ocupantes das áreas, uma vez que, na grande maioria dos casos as edificações são removidas com a mudança das famílias facilitando o reaproveitamento de materiais e equipamentos. A implementação deste Subprograma justifica-se na medida que promove ações de remoção de materiais e dejetos que podem comprometer a qualidade da água do 215 futuro reservatório, bem como evita a propagação de doenças de veiculação hídrica e a navegabilidade do reservatório. 8.9.4.2.1 Conceitos Para entendimento da descrição dos processos metodológicos faz-se necessário estabelecer alguns conceitos básicos, conforme segue: ü Demolição – consiste no ato de desmonte e remoção dos entulhos de edificações, redes de infraestrutura e outras benfeitorias públicas e privadas (aquelas não removidas pelos proprietários), na área atingida pelo reservatório e na faixa de APP; ü Desinfecção – é a neutralização dos elementos que possam vir a contaminar o reservatório após o seu enchimento; e ü Desinfestação: eliminação de materiais e dejetos de locais próximos ao reservatório, que apresentam potencial em agentes patogêncios (bactérias, vírus e outros microorganismos), portanto de contaminação das águas, bem como, remoção de animais capazes de transmitir doenças (ratos, aranhas, etc.). 8.9.4.2.2 Ações e Procedimentos As ações e procedimentos propostos neste Subprograma são diferenciados para cada caso específico. No caso da demolição e reaproveitamento de materiais resultantes de demolições, pode se dar através de convênio com as Prefeituras Municipais, para desenvolvimento de projetos de interesse social. Neste caso, caberá ao município: ü o fornecimento da mão-de-obra para os serviços; ü a destinação dos materiais reaproveitáveis; e ü a disposição final dos materiais inaproveitáveis. Em assim sendo, caberá a Copel: ü cadastro das áreas, propriedades e instalações/edificações atingidas a serem demolidas; ü a assistência técnica aos trabalhos; ü o reembolso das despesas; e 216 ü a contratação dos serviços de demolição e tratamento sanitário das fossas, sumidouros, instalações de criação confinada, de remoção e destino do entulho. O desenvolvimento das atividades relativas a este Subprograma se dará em três fases, descritas a seguir: 8.9.4.2.3 Fase 1 - Canteiro de obras Deverão ser identificadas todas as estruturas a ser relocadas, removidas ou desmontadas, para dar lugar a infraestrutura do canteiro de obras. Antes da instalação das empreiteiras, toda a área do canteiro de obras deverá estar liberada de qualquer infraestrutura que não seja necessária às atividades de implantação do empreendimento. Deve-se primeiro remover os materiais contaminados, solo ou lodo com carga orgânica ou patogênica, desinfectar a área e depois preencher se necessário com material inerte. Este preenchimento é necessário somente nos casos de instalações perfuradas (fossas, poços, sumidouros). 8.9.4.2.4 Fase 2 – Anterior a formação do reservatório Esta ação deverá acompanhar o cadastro de propriedades a serem adquiridas pelo empreendedor, onde serão mapeados, identificados e caracterizados todos os equipamentos e instalações que são objeto deste Subprograma. Edificações, remanescentes de edificações e instalações sanitárias associadas Para o adequado desenvolvimento deste Programa deve-se atentar para a legislação quanto a classificação e destinação adequada dos resíduos, atendendo a Resolução CONAMA 307/2002, a NBR 10.004, a Lei Federal 12.305/2010, a Lei Estadual 7.862/02, além das orientação da Coordenadoria de Gestão de Resíduos Sólido do Estado do Mato Grosso. O desenvolvimento deste Programa deve estar em conformidade com o Programa de Gestão Ambiental e deve seguir, pelo menos, os seguintes procedimentos: ü remoção dos materiais contaminados, solo ou lodo com carga orgânica ou patogênica, desinfectar a área e depois preencher se necessário com material 217 inerte. Este preenchimento é necessário somente nos casos de instalações perfuradas - fossas, poços, sumidouros; ü remoção dos materiais inertes inservíveis e flutuantes para área de destino final de resíduos sólidos; ü remoção daqueles materiais não perigosos e não inertes que possam causar algum risco ou inconveniente para o reservatório; ü disposição de materiais não perigosos e inertes, na área que ficará submersa, fora das futuras margens do reservatório ou das áreas de preservação permanente; ü disposição dos materiais perigoso; ü disposição dos resíduos de construção; ü criação de centro de triagem ou de separação de resíduos e materiais perigosos, devidamente acondicionados; e ü venda ou doação dos materiais que possam ter valor comercial, como ferragens, esquadrias, entre outros. Apesar de não apresentarem problema para o futuro lago, mas por serem potenciais causadores de acidentes ou meios de contaminação no período que antecede o enchimento, os poços para captação de água serão aterrados, podendo receber material inerte proveniente das demolições. No caso de fossas, pocilgas, currais ou outras instalações com depósitos de resíduos orgânicos, as edificações deverão ser demolidas, a área deverá ser desinfetada com utilização de cal e remoção do material (solo ou lodo) contaminado, posteriormente aterrada, preferencialmente com material argiloso, para formar uma capa protetora, evitando que os dejetos possam a vir a comprometer a futura qualidade de água do reservatório. Depósitos e instalações de manejo de combustíveis, de materiais tóxicos, agroquímicos e contaminantes Deve-se adotar os seguintes procedimentos: ü demolição e reaproveitamento dos materiais; 218 ü limpeza apropriada com remoção total de produtos, embalagens e outros resíduos e seu encaminhamento, de acordo com suas características, para áreas de destino final de resíduos sólidos; e ü disposição do entulho resultante da mesma forma que para as edificações. Os equipamentos não retirados pelo antigo proprietário serão removidos quando apresentarem riscos de contaminação ou restrição para os usos do reservatório. Remanescentes das redes de distribuição de energia elétrica, de iluminação pública, de telefonia e abastecimento de água Deve-se promover a remoção dos remanescentes das instalações para reaproveitamento ou para descarte em áreas de destino final, de acordo com suas características, ou quando apresentarem possibilidade de flutuação, riscos de contaminação ou para o uso do reservatório. A Copel deverá entrar em contato com as concessionárias responsáveis pelas estruturas e verificar a responsabilidade pela retirada e destinação final. Remanescentes de sistema viário, urbano ou rural e rede de drenagem superficial Deve-se promover o abandono no estado em que se encontram, por não apresentarem inconveniente, desde que se situem fora das futuras margens do reservatório ou de áreas de preservação permanente. ü Pontes: aquelas estruturas que possam apresentar perigo ou restrição ao uso do reservatório, por se situarem próximas ao nível d’água, das margens ou na faixa de proteção ciliar, serão removidas e o material resultante, considerado inerte (concreto, pedras, tijolos, etc.) poderá ser disposto na área a ser inundada, longe das margens, em locais que não impeçam futuros usos múltiplos do reservatório; e ü Balsas: a balsa que hoje está em operação será removida para outras localidades, sem deixar estruturas prejudiciais ao futuro reservatório. As eventuais áreas de depósito e manuseio de combustíveis e lubrificantes, de acordo com suas características, sofrerão limpeza apropriada para remoção total de resíduos e embalagens, com o encaminhamento do material resultante para 219 locais apropriados, previamente determinados, fora da área de inundação e das futuras margens. Remanescentes de instalações de criação confinada de aves e animais Deve-se adotar os seguintes procedimentos: ü demolição dos remanescentes de edificações; ü desinfecção dos resíduos e dejetos ou remoção para locais apropriados, fora da área de inundação, em função de suas características, volume e estágio de decomposição; e ü o tratamento dos resíduos destas instalações deverá ser igua ao recomendado para resíduos perigosos, solo e lodo contaminado. Os equipamentos eventualmente não retirados pelo antigo proprietário serão removidos quando apresentarem riscos de contaminação ou restrição para os usos do reservatório. O entulho resultante, composto por materiais considerados não perigosos e inertes (pedras, tijolos, concreto, etc.), será disposto na área que ficará submersa, distante das margens, em locais que não impeçam futuros usos múltiplos do reservatório. Os serviços incluirão a remoção e o encaminhamento de materiais flutuantes à área de depósito temporário ou lixão dos municípios mais próximos dos locais de retirada. Deverá ser verificado junto a Coordenadoria de Gestão de Resíduos Sólidos do Estado do Mato Grosso o local adequado para a disposição dos resíduos de construção/demolição. 8.9.4.2.5 Fase 3 – Enchimento do reservatório e recolhimento de material flutuante Esta fase contempla o conjunto de medidas a serem desenvolvidas durante o processo de enchimento do reservatório. Deverão ser montadas equipes para o acompanhamento desse processo, recolhimento do material flutuante remanescente e seu encaminhamento aos locais previamente selecionados. Deverão ser realizadas vistorias nos trabalhos realizados na etapa anterior, bem como identificadas as necessidades de tratamento complementar ou novo tratamento, no caso de usos indevidos ou tardios, como as invasões. Serão identificadas e selecionadas áreas preparadas para o recebimento de materiais inservíveis e flutuantes a serem recolhidos durante o enchimento, em condições legais 220 e tecnicamente aceitáveis, de forma a evitar a formação de novos focos de contaminação. Na seqüência, deverá ser revista a programação das ações complementares, revisados os convênios e as contratações. 8.9.4.2.6 Equipe Básica Para a limpeza, a equipe deverá ser composta por profissionais habilitados para o desmonte de construções e limpeza de áreas contaminadas. Já a desinfecção deve ser orientada por técnico com experiência em desinfecção e desinfestação de fontes poluidoras. 8.9.4.2.7 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução A Copel deverá contratar uma empresa especializada em remoções, desinfecção e desinfestação. 8.9.4.2.8 Custo Estimado O custo para a realização deste Subprograma é da ordem de R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 8.9.4.2.9 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas Fase 1 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Identificar todas as estruturas a ser relocadas, removidas ou desmontadas Demolição e reaproveitamento dos materiais das edificações Relatório das atividades Fase 2 Identificar todas as estruturas a ser relocadas, removidas ou desmontadas Demolição e reaproveitamento dos materiais Desinfecção dos resíduos e dejetos ou remoção para locais apropriados Fase 3 Relatório das atividades Vistorias nos trabalhos já realizados Revisão a programação das ações complementares Relatório final Canteiro Reservatório 221 8.10 PROGRAMA DE MONITORAMENTO E CONSERVAÇÃO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS 8.10.1 Histórico e Justificativa O barramento de um rio modifica suas condições originais, podendo influir sobre os organismos. No caso de uma usina a fio d’água, como é o caso do AHE Colíder, sua influência é menor do que quando são formados grandes reservatórios de acumulação. Assim torna-se fundamental o aprofundamento em questões como o monitoramento hidrossedimentológico; monitoramento da limnológico ictiofauna; de e de qualidade macrófitas da aquáticas; água; e de de resgate e piscicultura e repovoamento da ictiofauna. 8.10.2 Objetivo O objetivo do Programa de Monitoramento e Conservação de Ecossistemas Aquáticos é acompanhar as possíveis alterações no meio aquático com a implantação do AHE Colíder. Cada Subprograma apresentará objetivos especícos, de acordo com a temática. 8.10.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Monitoramento Climatológico; ü Programa de Monitoramento Hidrogeológico; ü Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e de Assoreamento; ü Programa de Monitoramento e Fomento das Atividades Econômicas; ü Programa de Vigilância Epidemiológica e Controle de Epidemias; ü Programa de Monitoramento de Áreas Úmidas; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Gestão Ambiental e Sócio-Patrimonial do Reservatório; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 222 8.10.4 Diretrizes Gerais Este Programa está dividido em cinco Subprogramas, conforme apresentado na sequência. 8.10.4.1 Subprograma de Monitoramento Hidrossedimentológico A alteração no regime de transporte de material particulado é um dos impactos relevantes decorrentes da construção de barragens. Fatores como a vida útil e o volume útil do reservatório podem ser gravemente afetados caso um programa de monitoramento hidrossedimentológico não seja conduzido permanentemente durante a construção e operação do empreendimento. O reservatório do AHE Colíder possuirá uma área 143,5 km² e, segundo o Estudo de Impacto Ambiental, possui 30 canais sujeitos a assoreamento na margem esquerda e 13 na margem direita, totalizando 43 pontos críticos de contribuição para os estudos hidrossedimentológicos. Justifica-se a realização do presente Programa para aprofundamento do estudo das características de transporte de sedimentos na região do AHE, contribuindo para o planejamento geral dos usos e da operação futura do reservatório. Os objetivos deste Subprograma são: ü gerar informações sobre as condições hidrossedimentológicas no rio Teles Pires, na região do AHE Colíder; ü monitorar o transporte de sedimentos por meio de estações de medição sedimentológicas propondo procedimentos para a remoção periódica de sólidos, caso necessário; e ü monitorar seções topo-batimétricas na área do reservatório; Este Subprograma deverá ser realizado com base na instalação de duas estações de medição sedimentológicas no rio Teles Pires, atendendo à resolução conjunta ANEEL ANA 003/2010. Os parâmetros que obrigatoriamente serão medidos ou avaliados nas estações de monitoramento sedimentométrico serão: ü vazão líquida; ü vazão sólida; 223 ü turbidez; ü análises de concentração de sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos totais; ü distribuição granulométrica do material em suspensão; ü distribuição granulométrica do material de fundo; e ü peso seco do material de arraste. Destaca-se a necessidade de monitorar ao mínimo 15 seções topo-batimétricas na área do futuro reservatório. O início desse monitoramento antes da formação do lago permitirá o acompanhamento da deposição de sedimentos em cada seção, servindo de base para as estimativas de taxas de sedimentação e possíveis reduções de seção de escoamento. O estudo da localização exata de cada seção topo-batimétrica bem como das estações de medição sedimentológicas deverá ser realizado pela equipe de técnicos executores do monitoramento. O monitoramento hidrológico, em atendimento à Resolução Conjunta ANEEL / ANA nº 3 de 10 de Agosto de 2010, será proposto pelo concessionário e submetido à aprovação da Agência Nacional de Águas - ANA, conforme art. 3º da referida resolução. Recomenda-se, em princípio, a realização de campanhas trimestrais para o monitoramento hidrossedimentológico, iniciando em até 180 dias após o início das obras e continuando permanentemente durante a operação reservatório. Dependendo dos resultados obtidos, as freqüências das campanhas de monitoramento poderão ser reduzidas para semestrais após três anos de operação. Propõe-se, caso possível, a conciliação das campanhas de monitoramento de descarga sólida com as coletas do Subprograma de monitoramento limnológico e de qualidade da água. Anualmente, um relatório completo contendo resultados e análises interpretativas de quatro campanhas deverá ser entregue ao órgão ambiental licenciador. 8.10.4.1.1 Equipe Básica A equipe executora desse Subprograma deverá contar com hidrometrista, hidrólogos, além de laboratório para processamento das análises. 224 8.10.4.1.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empresas especializadas no tema. 8.10.4.1.3 Custo Estimado Para a realização deste Programa estima-se o custo de R$700.000,00 (setecentos mil Reais) para um período de cinco anos. 8.10.4.1.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Definição da localização das estações sedimentológicas e das seções topo-batimétricas Instalação das estações sedimentológicas Medição de descargas sólidas Medição das demais variáveis em campo ou laboratório Levantamento de seções topobatimétricas Entrega de relatórios resumidos Entrega de relatórios anuais Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Definição da localização das estações sedimentológicas e das seções topo-batimétricas Instalação das estações sedimentológicas Medição de descargas sólidas Medição das demais variáveis em campo ou laboratório Levantamento de seções topobatimétricas Entrega de relatórios resumidos Entrega de relatórios anuais 8.10.4.2 Subprograma de Monitoramento Limnológico e de Qualidade da Água O compartimento água, juntamente com sua biota, é o mais afetado pela construção de reservatórios para a geração de energia. A transformação de um ambiente lótico em um ambiente lêntico sob determinadas condições de uso do solo na bacia hidrográfica pode representar um grave problema ambiental. 225 Cada novo reservatório a ser formado demanda estudos de diagnóstico de condições limnológicas e de qualidade da água que necessitam de continuidade ao longo do tempo. Somente com amostragens periódicas é que as reais condições do reservatório podem ser traduzidas favorecendo processos de tomada de decisão quanto à operação do reservatório. O reservatório do AHE Colíder possuirá uma área 143,5 km² e possivelmente será um dos primeiros aproveitamentos hidrelétricos a operar na bacia do rio Teles Pires. Assim, justifica-se a realização do presente Programa para aprofundamento do estudo das características físicas, químicas e biológicas da fase rio e também para o monitoramento das mesmas características no espaço e no tempo durante a fase reservatório. Assim, os objetivos deste Subprograma são: ü gerar e sistematizar informações sobre as condições limnológicas e de qualidade da água do rio Teles Pires e afluentes na região do AHE Colíder; e ü monitorar por meio de variáveis físicas, químicas e biológicas o comportamento de índices de qualidade da água na fase reservatório. Detalhamento do Subprograma O Subprograma de Monitoramento Limnológico e de Qualidade da Água deverá ser desenvolvido em três etapas: ü Etapa 01: compreende todo o período de obras até o enchimento do reservatório; ü Etapa 02: compreende o primeiro ano de operação do reservatório; e ü Etapa 03: compreende o período de operação do reservatório com início no segundo ano. Deverá ser elaborado pelo empreendedor o Plano de Monitoramento das Condições Limnológicas e de Qualidade da Água, antes do efetivo início das campanhas, o qual detalhará a localização dos pontos amostrais conciliando critérios técnicos e critérios logísticos. Propõe-se a criação de uma rede de monitoramento com dez pontos amostrais, sendo 1 a montante do reservatório, 1 a jusante do barramento, e os outros distribuidos ao 226 longo do corpo do futuro reservatório e nos principais tributários. Para todos os pontos deverão ser coletadas amostras de água superficial e de sedimento. Com relação à freqüência dos monitoramentos nas etapas, recomenda-se amostragens trimestrais durante as etapas 01 e 02, e semestrais durante a etapa 03. Algumas variáveis que compõem índices específicos (como o IVA – índice de proteção da vida aquática) poderão ser amostradas semestralmente durante as etapas 01 e 02. Variáveis a serem amostradas As variáveis físicas, químicas e biológicas que deverão ser analisadas para águas superficiais, bem como o método de análise laboratorial recomendado são apresentados na Tabela 30. TABELA 30 - VARIÁVEIS E METODOLOGIA DE ANÁLISE RECOMENDADA PARA ÁGUAS SUPERFICIAIS VARIÁVEL METODOLOGIA Alcalinidade total Método 2320 A Cádmio Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Cálcio Método 3111 D Carbono Orgânico Total Método de Combustão em Alta Temperatura. Método 5310B Chumbo Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Cloretos Método 4110 C Cobre Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Condutividade Método 2510 B Coliformes Termotolerantes e Totais Tubos Múltiplos (MULTIPLE-TUBE fermentation technique for members of the coliform group: method 9221: part 9000) Substrato enzimático (ENZYME substrate coliform test: method 9223:part 9000) Cromo Total Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método3111 B) DBO Incubação 5 dias a 20ºC. Método 5210B e NBR 12614. DQO Titulométrico (OPEN Reflux method). Método 5220 B Fenóis Método 5530 C Fósforo Total Método 4500-P D Fósforo Reativo Método 4500-P D Magnésio Método 3111 D Mercúrio Espectrometria de absorção atômica com geração de vapor frio (Método 3112 B) Níquel Método 3111 B 227 VARIÁVEL METODOLOGIA Nitrato Método 4110 C Nitrito Método 4110 C Nitrogênio Amoniacal Método do Salicilato Nitrogênio Total Digestão, destilação e titulação. Método 4500-Norg A e B Óleos e Graxas Método 5520 B pH Método 4500H+ B Potássio Método 3500-K B Sódio Método 3500-Na B Sólidos Totais Combustão a 550 °C para fixos e voláteis (Método 2540 E) Sulfatos Método 4110 C Surfactantes Espectrometria. Método 5540C Toxicidade com Ceriodaphnia dubia ABNT NBR 13373 Turbidez Método 2130 B. Zinco Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B). Além dos parâmetros da tabela acima, para um completo conhecimento da dinâmica do corpo hídrico, realizadas. Os amostragens resultados das quali-qualitativas contagens de deverão fitoplâncton expressar deverão a ser densidade fitoplanctônica a nível celular (células/ml) e de indivíduo (indivíduos/ml). Para investigações do estado trófico do corpo hídrico, a variável clorofila-a deverá ser monitorada, principalmente na fase reservatório. Nas três etapas de monitoramento do presente Subprograma, deverão ser realizadas amostragens quali-quantitativas da comunidade zooplanctônica, com destaque para os principais grupos: rotíferos, copépodos e cladóceros. As variáveis físicas, químicas e biológicas que deverão ser analisadas para sedimentos, bem como o método de análise laboratorial recomendado são apresentados na Tabela 31. 228 TABELA 31 - VARIÁVEIS E METODOLOGIA DE ANÁLISE RECOMENDADA PARA SEDIMENTOS VARIÁVEL METODOLOGIA Alumínio Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 D) Cádmio Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Chumbo Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Carbono Inorgânico Gravimetria. Queima do Sedimento (previamente calcinado a 650 0C em mufla) a temperatura de 880 0C. A amostra é acidificada com Ácido Acético Carbono Orgânico Dissolvido Método 5310 A, modificado para dicromatometria, agente oxidante (baseado no TOC/COD – Refluxo Fechado com Leitura em Colorimetria) Carbono Orgânico Total Gravimetria. Queima do Sedimento Dessecado em mufla à temperatura de 650 0C Cobalto Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Cobre Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Cromo Total Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Ferro Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Fósforo Total Método 4500 P- C Granulometria de Sedimento Análise granulométrica com sedimentação. Mercúrio Espectrometria de absorção atômica com geração de vapor frio (Método 3112 B). Multi-resíduos (Pesticidas Organoclorados e Fosforados) - Extração com metanol e concentração do extrato em rotavapor - Análise em cromatógrafo a gás ou HLPC Nitrogênio Total Método 4500 NOrgC Zinco Espectrometria de absorção atômica com atomização em chama (Método 3111 B) Junto às amostragens de sedimento deverão ser realizadas coletas de macroinvertebrados bentônicos, utilizando técnicas como “Petit Ponnar”, “surber”, arraste com rede puçá, além de coletas manuais. Os organismos deverão ser contados e identificados até a menor categoria taxonômica possível. Propõe-se a amostragem de macroinvertebrados bentônicos com freqüência anual, sendo a primeira coleta realizada já no início do monitoramento. 229 Especial atenção deve ser dada para a detecção de larvas e adultos de mexilhão dourado (Limnoperna fortunei). Trata-se de uma espécie exótica invasora, podendo causar grandes impactos negativos, tanto na geração de energia quanto na comunidade aquática. Embora já tenha sido identificado na região do Pantanal, não há ainda registros em bacias de afluentes do rio Amazonas, cujas características físicoquímicas as tornam particularmente vulneráveis. Daí a importância da detecção precoce de larvas, presentes no zooplâncton, e de adultos, organismos bentônicos que se fixam em substratos firmes, como rochas, troncos, caules de macrófitas aquáticas e cascos de embarcações. No presente estudo, portanto, tal detecção poderá ser realizada através do monitoramento de zooplâncton e de fauna bentônica. Expressão dos resultados por meio de índices Os resultados brutos obtidos em cada campanha e em cada um dos 10 pontos amostrais deverão ser também apresentados na forma de índices que tradicionalmente vem sendo usados em trabalhos de monitoramento similar. Entre os índices que obrigatoriamente deverão compor as análises interpretativas do presente Programa estão: ü Índice de Qualidade de Água – IQA ü Índice de Proteção da Vida Aquática – IVA ü Índice de Estado Trófico – IET ü Índice de Qualidade da Água de Reservatórios - IQAR O IQA, segundo adaptação da CETESB, é calculado pelo produtório ponderado das qualidades de água correspondentes aos parâmetros: temperatura da amostra, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio (5 dias, 20ºC), coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total, sólidos totais e turbidez. O IVA leva em consideração a presença e concentração de contaminantes químicos tóxicos, seu efeito sobre os organismos aquáticos e dois dos parâmetros considerados essenciais para a biota, pH e oxigênio dissolvido. Desta forma, o IVA fornece informações não só sobre a qualidade da água em termos ecotoxicológicos como também sobre o seu grau de trofia. O Índice do Estado Trófico tem por finalidade classificar corpos d’água em diferentes graus de trofia, avaliando a qualidade da água quanto ao enriquecimento por nutrientes e seu efeito relacionado ao crescimento excessivo das algas ou ao aumento 230 da infestação por macrófitas aquáticas. O IET pode ser calculado a partir do fósforo e a partir da clorofila-a. O Índice de Qualidade da Água de Reservatórios, segundo metodologia do Instituto Ambiental do Paraná, permite a classificação do corpo hídrico quanto ao seu grau de comprometimento (variando de classe I – pouco degradado à classe VI – extremamente poluído). Para a composição desse índice, deverão ser selecionados três pontos amostrais no corpo do reservatório para obtenção de amostras em três profundidades além da superfície. Ainda, nesses três pontos amostrais deverão ser aferidos perfis verticais metro a metro de OD, DBO e temperatura; para investigação dos processos de estratificação e circulação no raso reservatório. Em resumo, a Tabela 32 apresenta a freqüência de amostragem necessária por índice. TABELA 32 - FREQUÊNCIA AMOSTRAL VARIÁVEIS FASE 01 FASE 02 FASE 03 Para o cálculo do IQA trimestral trimestral semestral Para o cálculo do IVA semestral semestral semestral Para o cálculo do IET trimestral trimestral semestral Para o cálculo do IQAR - trimestral semestral Demais variáveis de qualidade da água trimestral trimestral semestral Variáveis no sedimento anual anual anual Comunidade bentônica anual anual anual Relatórios e boletins Recomenda-se a entrega de resumos técnicos trimestrais além de relatórios anuais, todos contendo além dos dados brutos, análises gráficas e o cálculo dos índices detalhados neste Subprograma. 8.10.4.2.1 Equipe Básica A equipe executora desse Subprograma deverá contar com técnicos de coleta, engenheiros ambientais, químicos ou biólogos para compilação de relatórios, além de laboratório para processamento das análises. 231 8.10.4.2.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empresas e Institutos de Consultoria Ambiental. 8.10.4.2.3 Custo Estimado Para a realização deste Subprograma estima-se o custo de R$2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil Reais) por um período total de nove anos. 8.10.4.2.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Elaboração do Plano de Monitoramento Amostragens para o IQA Amostragens para o IVA Amostragens para o IET Amostragens para o IQAR Amostragens para demais variáveis de qualidade da água Amostragens para as variáveis no sedimento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Elaboração do Plano de Monitoramento Amostragens para o IQA Amostragens para o IVA Amostragens para o IET Amostragens para o IQAR Amostragens para demais variáveis de qualidade da água Amostragens para as variáveis no sedimento 8.10.4.3 Subprograma de resgate e monitoramento da ictiofauna O Brasil é considerado um país megadiverso em relação à fauna de peixes de água doce, fato relacionado à grande diversidade e ao tamanho de suas bacias hidrográficas. Abrigando 3.000 espécies de peixes de água doce, o país ocupa a primeira posição em relação ao resto do mundo (McAllister et al., 1997). Além do grande número, uma parcela considerável das espécies é endêmica, ou seja, só ocorre no Brasil. 232 Assim, empreendimentos como usinas geradoras de energia elétrica, que envolvem alterações ambientais, devem considerar a possibilidade de minimizar os impactos sobre a ictiofauna, conduzindo estudos que permitam conhecer as espécies de peixes presentes nestes locais, a estrutura das comunidades, suas principais características e necessidades ecológicas. Assim, é necessário o monitoramento da ictiofauna durante as fases de construção e operação do empreendimento, sendo imprescindível atender também os processos de desvio do rio para formação das ensecadeiras e o enchimento do reservatório. Os objetivos específicos do Subprograma de Resgate e Monitoramento da Ictiofauna são: ü complementar o inventário da ictiofauna e definir padrões para as comunidades de peixes na área de influência do AHE Colíder; ü acompanhar a composição de espécies (riqueza, abundância e diversidade), estrutura etária, e biomassa da ictiofauna no rio Teles Pires, durante as obras de construção do AHE e após o início da sua operação; ü fornecer subsídios para a normatização da pesca desenvolvida em nível local; ü marcação de peixes e levantamento de ovos e larvas visando subsidiar o Sistema de Transposição de Peixes (STP); ü resgatar a ictiofauna durante as ações de desvio do rio Teles Pires e enchimento do reservatório; ü propor e avaliar ações de conservação e manejo para a ictiofauna na área de influência do AHE Colíder; e ü monitorar as espécies migradoras e a eficácia do meio de transposição da barragem. Esse Subprograma apresenta três fases, conforme segue: 8.10.4.3.1 Fase 1 – Licenciamento e convênio com instituições de apoio Para início das atividades de resgate e monitoramento da ictiofauana do AHE Colíder, é necessário a retirada de licença para resgate e monitoramento da ictiofauna junto à SEMA-MT. 233 Convênios com museus e/ou instituições devem ser firmados para o recebimento e tombamento do material coletado ao longo do período de resgate e monitoramento da ictiofauna. 8.10.4.3.2 Fase 2 - Monitoramento da ictiofauna O monitoramento de ictiofauna deverá ser realizado durante as obras, em campanhas trimestrais, e após o início da operação, por mais cinco anos. Durante o monitoramento é importante que os peixes sejam marcados e que ocorra um levantamento de ovos e larvas. Todo esse processo deverá ser executado no rio Teles Pires a jusante da barragem, na área do futuro reservatório e em afluentes próximos, a montante e jusante da barragem. Importante descatar que esse procedimento de marcação deve receber atenção especial durante as campanhas após o enchimento do reservatório e após a instalação e operação do Sistema de Tranposição de Peixes. Monitoramento do sistema de transposição de peixes Durante o monitoramento da ictiofauna deverá ser verificada a eficácia do Sistema de Transposição de Peixes implantado, cujos resultados serão utilizados em eventuais aprimoramentos no mecanismo implantado. A análise da eficácia ocorrerá com base nas avaliações dos resultados obtidos no monitoramento de ictiofauna, nos trechos a jusante da barragem, bem como na escada. A freqüência de indivíduos com gônadas em maturação nestes trechos indicará a existência ou não de motivação reprodutiva para agregação dos peixes a jusante do reservatório e de seus acessos na escada. Também deve haver amostragem a montante da escada, sendo que a análise de maturação gonadal neste ponto indicará se os peixes que cruzaram a escada ainda mantêm atividade reprodutiva. Este monitoramento deve analisar ainda se ocorre o retorno dos peixes pela escada, mantendo o fluxo gênico entre os trechos a montante e a jusante da barragem. Procedimentos em Campo – estações de amostragem As áreas a serem amostradas para o monitoramento deverão ser distribuídas a jusante e montante do barramento abrangendo a região de influência do AHE Colíder. Córregos, ribeirões e lagoas expressivos devem ser inseridos como pontos de coleta durante o monitoramento. 234 O Resgate da ictiofauna deve ser realizado durante o desvio do rio e a jusante do barramento no período de enchimento do reservatório Procedimentos durante as coletas e em laboratório Durante as campanhas os peixes deverão ser coletados com redes de emalhar de difernetes dimensões (por exemplo, malhas 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 14 e 18 cm entre nós opostos). Esta amostragem é aqui definida como quantitativa. Nestas amostragens as redes de emalhar serão armadas ao entardecer e retiradas na manhã do dia seguinte. O esforço (m2 de redes) utilizado em cada estação deverá ser padronizado, de modo a permitir comparações durante o estudo e futuramente. Nestas estações, sempre que possível deverão ser empregados outros artefatos de pesca (tarrafas, redes tipo picaré, peneiras), como forma de complementar o inventário da ictiofauna. Os peixes capturados serão acondicionados em sacos plásticos etiquetados, separados por estação, tipo de ambiente, artefato de pesca e malhas. Após este procedimento todos os exemplares serão sacrificados com dose letal do anestésico Eugenol ou outro similar, acondicionados em recipientes apropriados e fixados em formalina 10%. Em laboratório, todo o material será lavado, tombado, identificado, etiquetado e posteriormente pesados (precisão de 1 grama) e medidos (comprimento padrão – CP - mm). Todos os exemplares capturados serão transferidos para solução de álcool etílico a 70° GL para conservação. Os exemplares capturados deverão ser encaminhados a museus de Universidades da região para serem agregados as suas coleções científicas, através de convênios a serem firmados. As amostras de ovos e larvas de peixes devem ser obtidas utilizando-se redes de plâncton do tipo cônico-cilíndrica (malha 0,5 mm), com comprimento de 1,5 m e área de boca igual a 0,07 m². As redes devem ser do tipo estacionárias com a rede fixada a um cabo estendido perpendicularmente ao rio, nas margens direita, esquerda superficialmente e no meio ao fundo, com exposição de 30 minutos contra a correnteza. Para a determinação do volume de água filtrada deve ser acoplado à boca da rede um fluxômetro. As amostras devem ser acondicionadas em frascos plásticos de 500 ml, com tampa rosqueada e fixadas em formol 4% tamponado com carbonato 235 de cálcio (CaCO3). Em laboratório os ovos e larvas de peixes devem ser analisados sob microscópioestereoscópico. Análise das capturas por unidade de esforço (CPUE’S) A abundância relativa das espécies deverá ser estimada através da captura por unidade de esforço (CPUE), com base nos dados obtidos através das redes de espera. O cálculo das CPUE's será efetuado através da seguinte equação: CPUE(n ou b ) æ å60 N m ou Bm ö ÷ ´ 100 = ç m =15 ç ÷ EPm è ø Sendo: CPUEn = captura em número por unidade de esforço; CPUEb = captura em biomassa (peso corporal) por unidade de esforço; Nm = número total dos peixes capturados na malha m; Bm = biomassa total capturada na malha m; Epm = esforço de pesca, que representa a área em m² das redes de malha m; e m = tamanho da malha tamanho da malha (3, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 14 e 18 cm). Deste modo, foram obtidas as seguintes CPUE's: CPUE(n,b) malha = CPUE, em número e biomassa, por malha de coleta; CPUE(n,b) coleta = CPUE, em número e biomassa, por período de amostragem; CPUE(n,b) estação = CPUE, em número e biomassa, por estação de coleta; e CPUE(n,b) espécie = CPUE, em número e biomassa, por espécie. Estudos sobre dieta Estes estudos deverão ser desenvolvidos para as espécies cujo número de exemplares capturados com estômagos em condição de análise seja suficiente. Deve ser realizada a extração do estômago dos exemplares capturados para análise da dieta. Também devem ser obtidos valores de volume dos estômagos e grau de repleção estomacal. Os conteúdos estomacais serão identificados ao nível taxonômico mais restritivo e então agrupados em categorias alimentares (por exemplo: partes de insetos adultos, algas filamentosas, sedimentos, entre outras) que permitam a identificação de guildas tróficas. A análise dos itens alimentares pode ainda utilizar algum índice de 236 importância alimentar, como o de Kawakami e Vazzoler (1980) para melhor avaliação da dieta de cada espécie. Estudos sobre reprodução Os estudos referentes a ciclos reprodutivos serão desenvolvidos para as espécies com número de exemplares suficientes para esta análise. Deverão ser obtidas proporções sexuais dos exemplares capturados das espécies em estudo. Os estádios de maturação gonadal (imaturo/repouso, em maturação, maduro e desovado/esvaziado) deverão ser determinados macroscopicamente em laboratório quando será obtido também a freqüência dos estádios de maturação gonadal por período e local de coleta. O tamanho de primeira maturação sexual será considerado como aquele do menor exemplar em estado avançado de desenvolvimento gonadal. Os locais de desova das espécies serão avaliados através da análise das distribuições de freqüências dos estádios de maturação sexual no espaço. A determinação dos locais onde ocorrer uma maior freqüência de indivíduos maduros e indivíduos esvaziados possibilitará a indicação dos locais de desova (Vazzoler, 1996). Diversidade de espécies O índice de diversidade de espécies deverá ser calculado para os dados obtidos através das capturas com redes de emalhar, empregando-se o índice de Shannon, descrito pela equação: S H ' = -å ( pi ) * (log n pi ) , onde: i =1 S = número total de espécies na amostra; i = espécie 1, 2, etc. na amostra; pi = proporção de indivíduos da espécie i na amostra, através da CPUEn. Nestes cálculos serão utilizados os valores das CPUE’s em número para cada uma das espécies. Também foi calculada a Equitabilidade da comunidade através da fórmula: 237 æ H' ö ÷÷ , onde: E = çç ln( N ) è ø H’= Índice de diversidade de Shannon; e N = número de espécies. Similaridade Análise de similaridade deverá ser realizada para uma matriz de dados baseada na presença e na ausência das espécies para cada estação, incluindo-se todos os dados (qualitativos e quantitativos). Este procedimento analisa somente a composição de espécies entre as áreas (presença e ausência), pois é dado peso igual para todas as espécies, independente da abundância de cada uma. Como método de análise será empregado o índice de similaridade de Sorensen, calculado entre os pontos de coleta segundo a fórmula: S = 2 j (a + b) onde: S = índice de similaridade; j = número de espécies comuns nos pontos de amostragem a e b; a e b = número de espécies exclusivas nos pontos de amostragem a e b. Apresentação de relatórios Os relatórios de acompanhamento das atividades deverão ser elaborados após cada campanha de campo. Também deverá ser elaborado um relatório final no fim da fase construtiva e outro no final dos cinco anos de operação. 8.10.4.3.3 Fase 3 - Resgate da ictiofauna Procedimentos em campo Imediatamente após o fechamento da comporta para enchimento do reservatório, deverá estar em campo uma equipe responsável pelas ações de resgate dos peixes. As ações serão concentradas no trecho a jusante da barragem até onde se registrarem condições adversas para a ictiofauna, e serão desenvolvidas até que as condições a jusante sejam estabilizadas. 238 Conforme observado em outros empreendimentos, deverão ser formados alguns poções ao longo do leito do rio. Nestes locais, a qualidade da água deverá ser monitorada, principalmente com relação a quantidade de oxigênio dissolvido, temperatura e pH. Somente serão realizadas intervenções nestes locais (retirada dos peixes, aeração, drenagem), no caso de serem registradas condições que possam provocar a morte dos peixes. Segundo os registros disponíveis, durante as ações para enchimento de reservatórios, os principais problemas são observados em áreas mais planas e com fundo de cascalho. Nestes locais os peixes não têm tempo de se deslocar com o rebaixamento da lâmina d'água e morrem por dessecação. Deste modo, estas regiões deverão ser prioritárias para inspeção e resgate dos peixes. Os peixes recolhidos vivos serão liberados no leito do rio, nos locais em que este manter volume e fluxo de água satisfatório. Quando estas condições não estiverem presentes, deverão ser mantidos em recipientes adequados e posteriormente transpostos para a área de montante (reservatório em formação). Conforme as condições locais e o próprio interesse das instituições, deverá ser avaliada a possibilidade de formação de plantéis de reprodutores em estações de piscicultura destinadas ao repovoamento da bacia. Amostras dos exemplares mortos, se presentes em grandes quantidades, ou todos, quando o número for pequeno, serão preservadas para utilização em estudos e também para depósito como material testemunho da fauna local. Cabe salientar que nestas ocasiões são registradas espécies de difícil captura através de métodos convencionais de amostragem. Durante o desvio do rio para formação das ensecadeiras, as ações a serem executadas deverão seguir os mesmos procedimentos descritos anteriormente, devendo o biólogo coordenador determinar o tempo das atividades. Deverá ser produzido um relatório ao final de cada uma das etapas de campo, um relatório contendo a descrição e avaliação das ações executadas durante o desvio do rio para formação das ensecadeiras e um relatório contendo a descrição e avaliação das ações executadas durante o enchimento do reservatório. 239 8.10.4.3.4 Equipe Básica Será necessário ao menos um biólogo coordenador especializado em ictiologia e com experiência em inventário, resgate e monitoramento de peixes e auxiliares de campo para as ações de resgate e monitoramento. Também serão necessários técnicos para preparo e análise do material coletado, elaboração dos estudos e relatórios. 8.10.4.3.5 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Como o projeto prevê a coleta de exemplares faunísticos, incluindo o transporte de alguns para instituições, deverá ser realizada gestão junto à SEMA, visando a obtenção de licenças de transporte e coleta da ictiofauna. Convênios com museus e/ou instituições devem ser firmados para o recebimento e tombamento do material coletado. 8.10.4.3.6 Custo Estimado O valor estimado para esse Subprograma é de R$2.000.000,00 (dois milhões de Reais). 240 8.10.4.3.7 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas Fase 3 Fase 2 Fase 1 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 Fase 2 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Convênios com Universidades Monitoramento da ictiofauna Relatório de atividades Resgate da ictiofauna Relatório de atividades Relatório final Início da Geração Ano 5 Ações Previstas Fase 3 4 Retirada de Licenças e ART's Enchimento do Reservatório 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Monitoramento da ictiofauna Relatório de atividades Resgate da ictiofauna Relatório de atividades Relatório final Ano 8 Ações Previstas Fase 2 3 Ano 4 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Monitoramento da ictiofauna Relatório de atividades 8.10.4.4 Subprograma de Monitoramento de Macrófitas Aquáticas As macrófitas aquáticas são plantas angiospermas adaptadas ao ambiente aquático. De acordo com seu biótipo, podem ser classificadas como macrófitas aquáticas emersas, macrófitas com folhas flutuantes, macrófitas aquáticas submersas enraizadas, macrófitas aquáticas submersas livres e macrófitas aquáticas flutuantes. As macrófitas aquáticas formam uma das comunidades mais produtivas e através de sua atividade metabólica são capazes de produzir grandes interferências no ambiente. Como resultado do seu crescimento descontrolado, podem ocorrer alterações na navegabilidade do curso hídrico e no funcionamento das hidrelétricas, com a obstrução do fluxo de entrada de água em suas turbinas, bem como a criação de condições para proliferação de transmissores de doenças e redução do oxigênio dissolvido na água. Portanto, o monitoramento do crescimento desta comunidade torna-se necessário para o controle da dinâmica das comunidades aquáticas e o perfeito funcionamento do empreendimento. 241 A presença de algumas espécies de macrófitas aquáticas, consideradas potencialmente invasoras de reservatórios, pode ser um indicativo de futuras infestações. O grau de ocupação das macrófitas aquáticas em reservatórios pode ser correlacionado ao número de habitats disponíveis. A avaliação deste parâmetro poderá inferir sobre a área disponível para a ocupação das plantas. O monitoramento das condições do lago no que diz respeito à qualidade das águas, com a identificação de fontes de poluição, será uma ferramenta para indicar as condições de trofia do ambiente. Assim, pode-se destacar como objetivos específicos do Subprograma de Monitoramento de Macrófitas Aquáticas: ü caracterização da comunidade de macrófitas aquáticas no trecho de interesse através da avaliação de sua composição taxonômica e da estimativa da biomassa das espécies da região; e ü monitoramento da distribuição espacial e temporal da ocorrência de macrófitas aquáticas no reservatório e principais afluentes para identificar a necessidade de medidas de controle que assegurem a integridade dos usos múltiplos, a saúde pública e a geração de energia elétrica. Monitoramento Deverá ser elaborado pelo empreendedor o Plano de Monitoramento para as macrófitas aquáticas, antes do efetivo início das campanhas. Através da primeira campanha serão estabelecidos os pontos amostrais, conciliando critérios técnicos e critérios logísticos. O monitoramento deverá ser realizado durante as obras de construção e após o início da operação. Durante as obras serão realizados levantamentos de campo, abordando a ocorrência, composição taxonômica, distribuição e abundância de macrófitas aquáticas no trecho do rio diretamente afetado a montante e jusante do empreendimento e sues principais afluentes, para uma futura comparação com a fase posterior à construção. A fase de monitoramento de macrófitas aquáticas após a formação do reservatório (operação) dará ênfase nas espécies que interferem na geração de energia elétrica. Este monitoramento terá duração de cinco anos após o início de operação. Não 242 havendo aumento evidente de macrófitas após cinco anos, poderá ser suspenso, devendo ser retomado caso haja alteração das concentrações de nutrientes, decorrentes, por exemplo, de aporte de efluentes domésticos. Medidas de controle preventivas durante a construção Os processos de colonização e expansão das populações de plantas aquáticas são extremamente complexos, sendo necessários estudos de ecologia e manejo das espécies. O conhecimento adquirido neste Subprograma de monitoramento permitirá avaliar se o reservatório poderá sofrer infestações por plantas aquáticas. Primeiramente, serão levantadas informações correspondentes a: ü Presença de espécies potencialmente invasoras: a presença de algumas espécies de macrófitas aquáticas, consideradas potencialmente invasoras de reservatórios, pode ser um indicativo de futuras infestações. Podem ser citados alguns exemplos de plantas conhecidamente invasoras de Reservatórios: Eichhornia crassipes, Eichhornia azurea, Pistia stratiodes, Salvinia spp., Lemna spp. Polygonum spp., Alternanthera spp., Chara, Nitella, Egeria spp., dentre outras. ü Habitats disponíveis: o grau de ocupação das macrófitas aquáticas em reservatórios pode ser correlacionado ao número de habitats disponíveis. A avaliação deste parâmetro poderá inferir sobre a área disponível para a ocupação das plantas. Os ambientes mais prováveis serão as regiões mais rasas e com maior penetração de luz. ü Identificação de fatores que promovem a proliferação: através dos dados obtidos do Subprograma de Monitoramento Limnológico e da Qualidade da Água, o monitoramento das condições do lago, no que diz respeito à qualidade das águas, com a identificação de fontes de poluição, será uma ferramenta para indicar as condições de trofia do ambiente. Esse estudo deverá ser realizado ainda durante a implantação do empreendimento, com o intuito de antever as espécies que poderão colonizar o reservatório. As campanhas de identificação das espécies deverão acontecer concomitantemente com as campanhas do Subprograma de Monitoramento Limnológico e da Qualidade da Água. Ao final de cada monitoramento deverá ser elaborado um relatório apresentando os resultados. 243 Pontos de amostragem durante a operação Os pontos de amostragem de macrófitas não são determinados como pontos geográficos específicos a serem georreferenciados, como ocorre no monitoramento de qualidade das águas. Assim, os pontos de amostragem devem caracterizar e abranger uma determinada área, ambiente ou trecho conforme suas características peculiares, devendo este ser percorrido em toda sua extensão, realizando-se uma inspeção ao longo de locais pontuais onde possa ser possível o aparecimento de exemplares de plantas aquáticas. Para o AHE Colíder recomenda-se que todo o reservatório seja inspecionado com o auxílio de um barco, principalmente os braços e remanso. Deverão ser priorizados os pontos onde o monitoramento indicar a presença de macrófitas potencialmente invasoras. Coletas durante a operação As coletas deverão ser trimestrais durante a fase de construção, mantendo-se, com a mesma periodicidade no primeiro ano da operação. A partir do segundo ano recomenda-se monitoramento semestral. Medidas de controle corretivas durante a operação Caso ocorra a proliferação de macrófitas, estas deverão ser removidas mecanicamente do reservatório, desidratadas e destinadas adequadamente. O primeiro passo será realizar um estudo de biomassa das macrófitas aquáticas, caso seja detectada a ocorrência de alguma população potencialmente invasora, quando da existência do reservatório. Sugere-se seguir metodologias de Pompeu & MoschiniCarlos (2003). Grande parte das espécies potencialmente invasoras apresentam crescimento clonal e o procedimento de avaliação da biomassa constitui uma ferramenta útil para avaliar o crescimento das macrófitas e inferir sobre o volume de plantas a ser retirado. O monitoramento por meio do peso seco das macrófitas é indicado para o acompanhamento do seu crescimento ao longo do tempo e em determinadas condições de clima ou interferências antrópicas, sendo importante para prever crescimentos explosivos. 244 O método de retirada das macrófitas dependerá do volume e área ocupados, podendo ser manual ou mecânico, e poderá ser realizado de duas maneiras, dependendo do local onde as macrófitas proliferaram, nas margens ou meio do lago. Para o primeiro caso, onde o alvo de remoção são os grupos de macrófitas enraizadas, recomenda-se a retirada manual com ferramentas agrícolas (ancinhos, pás, ou similar). Para a remoção das plantas no meio do lago, sugere-se a instalação de um “log boom” na área do reservatório onde se inicia a proliferação das macrófitas. Após o acúmulo das macrófitas, poderá ser feita a retirada de parte desta biomassa através de barcos que possuem uma espécie de pá com dentes que empurram as macrófitas para as margens. Estas seriam então colocadas em caminhões através de páscarregadeiras. Ressalta-se que a melhor prática de controle só poderá ser definida após conhecimento do problema: espécie infestante, área a ser desobstruída, dentre outras. As plantas aquáticas, depois de removidas, devem ser levadas para uma área onde possam ser dispostas para secagem ao ar livre. O material seco é rico em matéria orgânica e pode ser utilizado como excelente adubo na agricultura, podendo ser disposto na forma seca ou triturado. Porém, ressalta-se que antes da retirada do material será necessária a realização de análises físico-químicas de algumas amostras do resíduo a ser gerado, pois as macrófitas têm a capacidade de absorver metais pesados presentes na água. Elaboração de relatórios Os relatórios de acompanhamento das atividades deverão ser elaborados após cada campanha de campo e um relatório final no fim da fase construtiva e ao final dos cinco anos de operação. 8.10.4.4.1 Equipe Básica Os trabalhos poderão ser realizados por um biólogo botânico com experiência no estudo de macrófitas aquáticas e auxiliares técnicos de campo e de laboratório. Caso se verifique situação de retirada emergencial de macrófitas aquáticas do reservatório, será necessária a contratação de equipe maior, composta por pessoal operador de máquinas e embarcações. 245 8.10.4.4.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Convênios com museus e instituições de ensino devem ser firmados a fim de se tombar e identificar todo o material coletado. 8.10.4.4.3 Custo Estimado O custo para a realização deste Subprograma está incluído no Subprograma de Monitoramento Limnológico e da Qualidade da Água. 8.10.4.4.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas Fase 2 Fase 1 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 Fase 2 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Convênios com Universidades Atividades de Campo Relatório de atividades Início da Geração Ano 5 Ações Previstas Fase 3 4 Retirada de Licenças e ART's Enchimento do Reservatório 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Atividades de Campo Relatório de atividades Relatório parcial Atividades de Campo Relatório de atividades Relatório final Ações Previstas Fase 3 3 Ano 4 Ano 8 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Atividades de Campo Relatório de atividades Relatório final 8.10.4.5 Subprograma de Piscicultura e Repovoamento da Ictiofauna Diversos fatores provocam impacto sobre a ictiofauna migradora nativa no Brasil, tais como a poluição crescente, desmatamento da mata ciliar, assoreamento de lagoas marginais e os processos erosivos decorrentes da exploração agrícola. Ainda podem ser somados a pressão das populações humanas do entorno de uma bacia hidrográfica, pesca amadora e profissional e a construção de hidrelétricas. hidrográfica, pesca amadora e profissional e a construção de hidrelétricas. 246 Os impactos mais expressivos sobre as populações de espécies migradoras estritamente fluvial, de acordo com Lowe-McConnel (1994) estão relacionados com a construção de barragens. Soluções mitigadoras para estes problemas são utilizados, como por exemplo, a piscicultura e o repovoamento. Com relação ao repovoamento, Sirol e Britto (2005) reforçaram a necessidade desta ação, contemplar dentre outros estudos, da manutenção da variabilidade genética. Fato este reforçado por Gorman (2000) que sugere a manutenção de reprodutores selvagens em cativeiro a fim de conservar a diversidade genética da população trabalhada. O repovoamento é uma das estratégias mais usadas para a reabilitação pesqueira e de acordo com Welcomme (1989) está prática torna-se cada vez mais importante como ferramenta para o manejo de rios, para a manutenção de estoques altamente explorados ou para manutenção de espécies que se extinguiriam. No entanto, é importante considerar que a reprodução para fins de repovoamento envolve riscos relativos à eficiência do Programa quanto aos seus resultados, à preservação do pool genético e à possibilidade de introdução de doenças, além de outros aspectos ecológicos e econômicos. Desta maneira, torna-se necessário o domínio na manipulação da atividade reprodutiva, contribuindo para a conservação das espécies. Assim, a metodologia implementada para a reprodução de peixes nativos migradores utilizada em um programa de repovoamento é preponderante para o sucesso do Subprograma. Cabe ressaltar que a prática de cultivo de espécies exóticas para repovoamento e completamente prejudicial ao ecossistema natural e não deverá ser adotada no Subprograma proposto para o AHE Colíder. Sabe-se que não são todas as espécies que alcançam sucesso em reprodução de cativeiro, o que justifica uma seleção criteriosa das espécies objeto do Subprograma. Os resultados obtidos no monitoramento da ictiofauna e das atividades pesqueiras, em especial do monitoramento da eficiência do mecanismo de transposição de peixes, somados aos resultados já obtidos nos levantamentos que subsidiaram a elaboração do EIA do AHE Colíder, devem nortear o desenvolvimento desse Subprograma na fase de operação da usina. Assim os objetivos específicos do Subprograma de piscicultura e repovoamento da ictiofauna são: 247 ü minimizar o impacto sobre a ictiofauna buscando soluções e tecnologias de manejo que integrem a geração de energia elétrica com a conservação das espécies de peixes nativos, promovendo o envolvimento da comunidade; ü manter populações refúgios de espécies ameaçadas; ü propagação e soltura de peixes, como forma de mitigação de impactos ambientais, até a criação de medidas definitivas no ambiente; e ü desenvolver pesquisas em ecologia, reprodução, genética e sanidade de peixes. Diretrizes Gerais O Subprograma consistirá na instalação da estação de piscicultura e repovoamento da ictiofauna no AHE Colíder. As atividades de piscicultura e repovoamento devem iniciar após a realização dos estudos técnicos, apto a fornecer o direcionamento a ser adotado pelo Subprograma, determinando as espécies de matrizes e alevinos a serem utilizadas no repovoamento e a sua quantidade, a ser distribuída em consonância com a dimensão do futuro reservatório. Deverá ser elaborado um projeto baseado nos dados gerados durante o monitoramento da ictiofauna e da eficácia do Sistema de Transposição de Peixes implantado. O projeto contemplará a melhor localização e dimensões da estação, assim como toda a infraestrutura necessária, incluindo laboratório, tanques escavados, berçários, ambulatório e tanques/aquários de quarentena, armazém de ração e demais materiais utilizados. Também devem ser copntemplados os veículos e estruturas de transporte de peixes para as áreas de repovoamento. As dimensões e detalhes estruturais e de material do centro estão condicionadas às espécies alvo do repovoamento. As espécies alvos serão selecionadas entre aquelas que, segundo os resultados do Subprograma de Monitoramento da Ictiofauna, encontrem-se ameaçadas de extinção, sejam fortemente impactadas com o empreendimento, sejam migradoras que não obtenham benefício ou tenham benefício instisfatório com o Sistema de Transposição de Peixes, e aquelas de especial interesse econômico. É importante salientar que não existem técnicas estabelecidas de reproução artificial das espécies nativas do rio Teles Pires, logo este será um trabalho pioneiro, e, como tal, deve se focar em poucas espécies alvos. 248 O empreendedor poderá trabalhar em parceria com instituições de ensino e pesquisa através de convênios ou parcerias. Deverão ser adotados critérios científicos para tomada de decisões e as práticas adotadas devem ser modificadas de acordo com informações geradas. Os dados e informações gerados devem ser divulgados para a sociedade. O projeto a ser desenvolvido deve ter aprovação junto ao órgão ambiental competente, visando a regulamentação da estação de piscicultura e a autorização para a produção de alevinos de espécies nativas e o posterior repovoamento com as mesmas. 8.10.5 Equipe Básica Será necessário um biólogo coordenador especializado em piscicultura e repovoamento, para elaboração do projeto de piscicultura e repovoamento baseado nos dados do monitoramento e sistema de transposição da AHE Colíder, além de técnicos em piscicultura. A construção do Centro de Piscicultura demandará por um curto período um engenheiro civil e pessoal para trabalhar na obra. 8.10.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Como o Subprograma prevê a coleta de exemplares faunísticos, incluindo o transporte de alguns para instituições, deverá ser realizada gestão junto ao órgão ambiental competente, visando a obtenção de licenças de transporte e coleta da ictiofauna. Convênios com associações de pescadores, centros de pesquisas, universidades, pesquisadores e empresas de piscicultura são recomendados. 8.10.7 Custo Estimado O custo desse Subprograma considerando a construção e operação do centro de piscicultura, além de todos os custos derivados dessa estrutura, é de R$ 1.500.000,00 (hum milhão e quinhentos mil Reais). 249 8.10.8 Cronograma O cronograma deverá ser estabelecido após a definição da metodologia a ser aplicada no AHE Colíder, esta baseada nos estudos de monitoramento da ictiofauna previstos a serem realizados durante a fase construtiva e de piracema do AHE. 8.11 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE FAUNA TERRESTRE 8.11.1 Histórico e Justificativa A implantação do AHE Colíder alterará a riqueza, a abundância e a diversidade de espécies faunísticas na sua área de implantação, devido às conseqüências produzidas pelo desmatamento prévio da bacia de acumulação e de seu alagamento, mas também nas margens do reservatório a ser formado. O Programa de monitoramento é ferramenta fundamental para o estabelecimento de estratégias de conservação de espécies e ambientes ameaçados – caso dos remanescentes de Floresta da região do empreendimento – uma vez que permitem conhecer tendências ao longo do tempo. Os resultados obtidos por meio deste tipo de pesquisa podem indicar o papel dos remanescentes de floresta na região, incluindo suas funções como corredores ecológicos no entorno imediato da área direta ou indiretamente afetada pelo empreendimento. Tais informações irão compor a base de dados para futuras atividades de manejo e conservação, incluindo o estabelecimento de parâmetros para minimizar os impactos adversos das atividades de implantação do empreendimento, sobre diferentes grupos animais. Assim torna-se fundamental o monitoramento da avifauna, herpetofauna, mastofauna e quiropterofauna na Área de Influência do AHE Colíder. 8.11.2 Objetivo O objetivo do Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre é gerar resultados capazes de indicar a qualidade ambiental, o uso do habitat e as tendências de aumento ou declínio de populações, frente às pressões geradas com a implantação do AHE Colíder. Cada Subprograma apresentará objetivos especícos, de acordo com a temática. 250 8.11.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Resevatório; ü Programa de Resgate de Fauna; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.11.4 Diretrizes Gerais O Programa de Monitoramento de Fauna Terrestre está dividido em seis Subprogramas, conforme apresentado na sequência. Considerando que os itens “Licenciamento e convênio com instituições de apoio”, “Instituições/empresas sugeridas para a execução” e “Cronograma” é comum aos seis Subprogramas opto-se por apresentá-los no último Subprograma. 8.11.4.1 Subprograma de Monitoramento da Herpetofauna O estado do Mato Grosso conta com 250 espécies de anfíbios e répteis (Prodeagro, 1998) distribuídas em parcelas significativas de três dos principais biomas brasileiros: Floresta Amazônica, Cerrado e Pantanal. Entretanto, esses números estão abaixo do esperado, sugerindo que o Estado possui uma riqueza menor quando comparado ao dos biomas que ele abrange. Os levantamentos faunísticos na Bacia Amazônica brasileira e regiões adjacentes ainda são escassos e pouco representativos da área ocupada por este bioma. A falta de conhecimento da biodiversidade existente no bioma da floresta amazônica é bem ilustrada pelas constantes descobertas e descrições de espécies novas de anfíbios e répteis que ocorrem na região amazônica como um todo. O Cerrado, em relação a herpetofauna, abriga muitas espécies endêmicas, sendo metade das 16 espécies de cobras-de-duas-cabeças (Amphisbaenia), 12 das 47 espécies de lagartos (Sáuria) e 32 das 113 espécies de anfíbios (Anura) listada para o bioma (Colli, et al. 2003). Provavelmente, o número de anfíbios endêmicos do Cerrado aumentará devido à elevada taxa de descrição de novas espécies na Região Neotropical (Glaw & Köhler, 1998). 251 O Baixo conhecimento da herpetofauna Amazônica e do Cerrado está claramente relacionado, não só, à grande extensão territorial e à escassez de coletas em vastas regiões do Brasil Central, aliada à alta taxa de substituição local de espécies apontas por estudos iniciais, para as localidades (Araújo, 1994). É importante que o monitoramento da herpetofauna na área de influência e de entorno do reservatório do AHE Colíder seja iniciado na fase de implantação do empreendimento e se estenda após o enchimento do reservatório para que ocorra a verificação das condições de adaptação desta comunidade frente à nova composição ambiental. Assim, o monitoramento da herpetofauna será realizado através de campanhas trimestrais desde o início da fase de construção e se estender até o segundo ano na fase de operação. Este estudo será essencial para a conservação destas espécies, servindo ainda como subsídio para futuros projetos de manejo. Esse Subprograma tem com objetivos específicos: ü avaliação quantitativa das espécies herpetofaunísticas, com conseqüente reinventariamento; ü acompanhamento da sucessão de espécies na Área Diretamente Afetada ADA, na Área de Influência Direta - AID e na Área de Influência Indireta - AII da região de estudo em diferentes fases (construção e operação), procurando caracterizar as espécies beneficiadas, as que eventualmente desaparecerão ou mesmo algumas novas que vierem a se estabelecer devido aos novos ambientes formados; e ü caracterização sistemática dos locais de amostragem. Assim, a avaliação da herpetofauna na Área de Influência do AHE Colíder envolverá a obtenção de dados primários e a comparação destes com informações disponíveis na literatura e em coleções herpetológicas dos principais museus do país. Obtenção de dados primários Com o objetivo de se monitorar a herpetofauna, avaliando diversidade de répteis e anfíbios da área sob influência do empreendimento, deverão ser realizados levantamentos herpetológicos na ADA, AID e na AII da região do AHE Colíder. O trabalho em campo para a caracterização da herpetofauna terá como principais finalidades: inventariar as espécies de répteis e anfíbios presentes na região; estimar 252 a abundância dos taxa registrados na área; e complementar as informações disponíveis na literatura. O reconhecimento prévio da área de estudo será necessário para que sejam selecionadas as áreas amostrais do monitoramento. Para tanto, serão analisadas imagens de satélite do local a fim de reconhecer os limites do empreendimento e os potenciais locais que possam abrigar as espécies de maior interesse herpetofaunístico. Para esta seleção deverão ser considerados alguns fatores, tais como: estado de conservação da vegetação, priorizando ambientes íntegros; diversidade de habitats (tipologia vegetacional dominante e variações em seu entorno); possibilidade de acesso (por terra ou água); e inserção nas ADA, AID ou AII. Nessas áreas serão definidos pontos amostrais de acordo com as condições mais específicas da paisagem. É interessante que se utilize em campo seis métodos distintos para a obtenção de informações acerca da herpetofauna local: ü Armadilhas de Queda (Pitfall Traps) Devem ser selecionadas seis trilhas para instalação das armadilhas de queda, sendo duas na área prevista para o canteiro de obras, duas na área do reservatório e outras duas na área-controle. Cada trilha deve receber uma linha de 12 baldes eqüidistantes uns dos outros. Estas linhas poderão ser divididas em duas seções distintas, de seis baldes cada uma, dependendo da necessidade local e composição do solo. Devem ser priorizados ambientes próximos às margens do rio Teles Pires, sendo amostradas tanto matas secas como florestas alagáveis. ü Procura Limitada por Tempo (PLT) ou Procura Sistematizada por Tempo Devem ocorrer deslocamentos a pé, muito lentamente, ao longo de transecções amostradas, durante o período noturno, em diversos microambientes visualmente acessíveis à procura de anfíbios e répteis em atividade ou em abrigos (Martins & Oliveira, 1998). O esforço amostral é medido em horas/pesquisador de busca intencional limitada por tempo (Martins & Oliveira, 1998). Este método permite comparações no tempo e no espaço e fornece informações sobre densidade, abundância relativa e riqueza das espécies de anfíbios e répteis da área de estudo. 253 ü Procura Ativa (PA) ou Procura Não-Sistematizada A procura visual deve ser o método mais utilizado, pois fornece resultados bastante satisfatórios na maioria dos estudos herpetológicos. Esse método consiste em executar caminhadas ao longo de todas as áreas passíveis de se encontrar répteis e anfíbios, por exemplo, interior da floresta, estradas de acesso às parcelas, áreas antropizadas, margens do rio, poças temporárias, açudes, entre outros. Durante este método os locais devem ser vistoriados detalhadamente, havendo inspeção de tocas, serapilheira, poças temporárias, locais abrigados sob pedras, troncos caídos, entulhos, interior de bromélias, galhos de árvores e outros possíveis sítios utilizados como abrigos por répteis e anfíbios, conforme recomendado por Vanzolini et al. (1980). Esse método tem como objetivo ampliar o inventário das espécies, assim como obter informações sobre riqueza, distribuição no ambiente e padrões de atividade. A procura ativa com coleta manual é um método bastante versátil e generalista de detecção e coleta de vertebrados em campo (Heyer et al., 1994). ü Procura com Carro A procura com carro corresponde ao encontro de anfíbios e répteis avistados ou atropelados em estradas da região (Franco & Salomão, 2002; Sawaya, 2004). O deslocamento da equipe em toda a AII do empreendimento deve contemplar este método, diariamente. ü Colaboração de Terceiros Como a observação de répteis é de caráter fortuito e demanda muito tempo em campo, necessita-se tanto da interação com os demais membros da equipe do monitoramento como de moradores ou trabalhadores locais para que se tenha obtenção de evidências da presença de répteis e anfíbios. ü Amostragem em sítio de reprodução ("survey at breeding site"; s. Scott Jr. & Woodward, 1994) Devem ser realizadas visitas em diferentes locais utilizados pelos anfíbios anuros como sítios de vocalização. Com auxílio de lanternas os animais poderão ser localizados e fotografados, sendo anotadas todas as espécies encontradas em atividade vocal. Esse método permite a obtenção de dados sobre riqueza, distribuição no ambiente e padrões de atividade. 254 Por meio dos métodos citados acima, serão consideradas informações acerca da herpetofauna local através de: ü Evidências Indiretas: mudas de pele, fragmentos ósseos, rastros, tocas, cascas de ovos, carcaças em decomposição, etc.; ü Encontros Ocasionais: encontro de répteis e anfíbios vivos ou mortos durante outras atividades que não a amostragem dos demais métodos (Sawaya, 2004); e ü Registros Visuais: avistamento de répteis e anfíbios, como por exemplo, serpentes arborícolas nas copas das árvores, anfíbios anuros no meio de açudes, lagartos atravessando estradas, etc. Em algumas ocasiões os registros visuais são suficientes para inventários herpetofaunísticos, quando se abordam exemplares de grande porte, espécies em época reprodutiva e ameaçadas de extinção. Registros feitos através de observações devem ser aceitos somente se tratando de caracterização e identificação indiscutíveis. Considerando o período diário para a amostragem da herpetofauna, a busca por répteis será realizada nas horas mais quentes do dia e durante o período noturno. Já para os anfíbios, priorizar-se-á o período noturno, quando a maioria de espécies está em atividade de forrageamento ou reprodução. No período reprodutivo as espécies são encontradas por busca aural (Heyer et al., 1994). Os dados de campo a serem obtidos em cada coleta serão: data, localidade exata (coordenadas geográficas), horário solar, ambiente (interior de floresta, borda de mata, beira de rios, estrada, etc.), comportamento do animal no ato de captura, substrato utilizado pelo animal, registro de atividade (ou inatividade) e nome do(s) coletor(es). A nomenclatura científica a ser utilizada deve seguir aquela proposta pela Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH). Este Subprograma deve dar ênfase também nas espécies da herpetofauna semiaquática, onde o jacaré de coroa (Paleosuchus trigonatus) foi identificado no Diagnóstico de Fauna do EIA AHE Colíder (2009). Entretanto, demais representantes da fauna semi-aquática como Phrynops geoffroanus, Podocnemis unifilis, Caiman crocodilus, etc. poderão ser incluídos conforme os resultados das campanhas de monitoramento. 255 Este Subprograma deverá priorizar a identificação dos habitats utilizados durante o período reprodutivo, pois com o alagamento e a eliminação de habitats, esses animais perderão pontos estratégicos para a desova como praias, bancos de areia, ambientes florestais ciliares e lagoas marginais. Dessa forma, deve ser realizada a identificação das áreas de uso para desova e nidificação no início do período reprodutivo. Os pontos deverão ser monitorados com auxílio de barco com motor de popa, marcados com uso de GPS e todas as áreas de uso deverão ser locadas em mapa. Registros de caça predatória deverão ser anotados e coibidos, quando possível, durante as campanhas de fauna. Contagens noturnas serão realizadas para determinar a abundância dos crocodilianos no trecho de estudo. Com auxílio de um feixe de luz podem ser realizadas a identificações dos indivíduos através do brilho dos olhos dos espécimes. Análise dos dados ü Curva do Coletor e Estimativa de Riqueza As curvas de acumulação de espécies ou curvas do coletor são um excelente procedimento para avaliar o quanto um inventário se aproxima de identificar todas as espécies da área de estudo. A curva formada exibe o seguinte padrão: uma curva inicial ascendente de crescimento acelerado, que prossegue cada vez mais devagar de acordo com o aumento do esforço amostral até formar um platô ou assíntota (Martins & Santos, 1999). Quando a curva se estabiliza (ponto assintótico), aproximadamente a riqueza total da área foi amostrada (Santos, 2004). A outra curva é a de estimativa da riqueza, que deverá ser calculada a partir do número de espécies identificadas em função dos dias de amostragem. O índice de estimativa da riqueza das espécies será calculado pelo índice de Jacknife. Para a análise dos dados será utilizado o Programa EstimatesS 8.0 (Colwell, 1997, 2005). ü Índice de Diversidade de Shannon-Weiner A partir dos dados quantitativos deverá ser feita uma média do número observado nos ambientes amostrados e assim calculado o índice de diversidade pelo método de Shannon-Wiener e de equitabilidade pela relação H/Hmax, 256 ambos descritos em Krebs (1989). Para estes cálculos deverá ser utilizado o Programa Biodiversity Pro, disponível pela Internet. ü Análise de Similaridade Deverá ser realizada uma análise sobre a similaridade da composição faunística entre as três áreas amostrais estabelecidas para a área de estudo (canteiro de obras, reservatório e área-controle). Para tanto, deverá ser calculada para a herpetofauna, a similaridade das fitofisionomias amostradas pela composição de espécies, utilizando a presença e a ausência de cada uma. A fim de avaliar essa semelhança faunística entre as regiões amostradas, deverá será utilizado o índice de similaridade de Sörensen (IS; Magurran, 1988), o qual varia de 0 (sem similaridade) a 1 (similaridade total ou 100%), e é dado pela fórmula: {IS= 2C/(N1 + N2)}, onde C é o número de espécies comuns nas duas áreas comparadas, N1, o número de espécies em uma primeira área e N2, o número de espécies em uma segunda área (s. Duellman, 1990). 8.11.4.1.1 Equipe Básica Será necessário um biólogo coordenador especializado em herpetologia e uma equipe de campo para instalação das armadilhas, auxílio nas revisões, no inventário e na elaboração de relatórios. 8.11.4.1.2 Custo Estimado O custo estimado para o monitoramento da herpetofauna é de aproximadamente R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 8.11.4.2 Subprograma de Monitoramento da Avifauna Por ser um dos grupos mais conhecidos e diversos entre os vertebrados, as aves são, relativamente, um grupo de fácil detecção em campo (Develey, 2003) e o Brasil possui, em seu território, 1677 das 9000 espécies existentes no mundo, abarcando 86 famílias e 23 ordens. Isto significa 55,3% das aves residentes da América do Sul, e 54,1% do total de aves deste continente (Sick, 1997). Dario et al. (2002) afirma que a diversidade da vegetação e o número de estratos definidos estão diretamente ligados à diversidade e densidade das aves, assim como o 257 tamanho do fragmento e o grau de isolamento, sendo que a fragmentação dos ambientes estudados parece afetar principalmente as espécies raras e de baixa densidade populacional. Assim, conhecer os aspectos ecológicos das aves relacionados com seus respectivos habitats pode ajudar a predizer os efeitos causados pelo manejo com vistas à conservação (Bibby et al. 1997). Estudos sobre a estrutura de comunidade de aves são de grande importância e segundo Vielliard & Silva (1990), os levantamentos quantitativos e qualitativos da avifauna ocupam um lugar privilegiado por duas razões: as técnicas de observação de aves são tradicionalmente as mais eficientes na natureza e as espécies de aves são altamente diversificadas na sua ecologia. O fato da ecologia do Centro-Oeste brasileiro ser pouco conhecida traz um problema quando se trata de decisões a tomar sobre as modificações ambientais na região. A região tem sido amplamente destruída pela agricultura (Willis, 2004) e o aumento crescente na população humana com os conseqüentes desmatamentos poderá prejudicar ainda mais as populações de aves (Oniki & Oliveira, 2002). A destruição contínua dos recursos naturais do país tem levado muitas espécies à beira da extinção. Os estudos das comunidades de aves passa a ter uma aplicação prática que é a de embasar propostas de conservação de sua diversidade em paisagens fragmentadas e a maioria das espécies de aves poderá ser preservada se o seu hábitat original for mantido (Anjos, 2001; Goerck, 2001). Assim, este Subprograma tem os seguintes objetivos específicos: ü analisar as comunidades de aves presentes nas formações florestais situadas na bacia de acumulação, antes das ações de desmatamento da mesma; ü analisar as comunidades de aves presentes nos fragmentos florestais a serem manejados (recomposição e conectividade) com plantios vegetais, antes da execução de tais ações; ü analisar as comunidades de aves presentes nas áreas remanesentes àquelas desmatadas, após a limpeza da bacia de acumulação; ü analisar as comunidades de aves presentes nas áreas remanesentes àquelas desmatadas, após o enchimento do reservatório; ü analisar as comunidades de aves presentes nos fragmentos florestais manejados (recomposição e conectividade), após os plantios vegetais; e 258 ü analisar e comparar os dados avifaunísticos quali-quantitativos obtidos nas diferentes fases de estudo, de modo a investigar e acompanhar os eventos de fuga, dispersão, retração e/ou expansão de áreas de uso florestal, ao longo do tempo. Monitoramento O monitoramento da avifauna deverá ser executado obtendo-se informações colhidas em campo, especificamente em sítios a serem selecionados em três áreas amostrais (local delimitado para o canteiro de obras, área prevista para o reservatório e áreacontrole). Para efeito de comparação, devem ser analisados também dados secundários, especialmente aqueles do estudo prévio realizado no local do empreendimento e algumas pesquisas conduzidas em áreas próximas. O reconhecimento prévio da área de estudo deverá ser necessário para que sejam selecionadas as áreas amostrais do monitoramento. Para tanto, devem ser analisadas imagens de satélite do local a fim de reconhecer os limites do empreendimento e os potenciais locais que possam abrigar as espécies de maior interesse avifaunístico. Para esta seleção devem ser considerados alguns fatores, tais como: estado de conservação da vegetação, priorizando ambientes íntegros; diversidade de habitats (tipologia vegetacional dominante e variações em seu entorno); possibilidade de acesso (por terra ou água); e inserção nas ADA, AID ou AII. Nessas áreas deverão ser definidos pontos amostrais de acordo com as condições mais específicas da paisagem. O monitoramento da avifauna será realizado através de campanhas trimestrais desde o início da fase de construção e se estender até o segundo ano na fase de operação. Identificação das espécies A identificação das espécies de aves deve ocorrer de cinco formas distintas, citadas a seguir: ü Registro visual (observação direta) Durante todo o período de permanência na área de estudo devem ocorrer contatos visuais com elementos da avifauna. Com o auxílio de equipamentos ópticos específicos (binóculos 8x42 mm e lunetas 30x60 mm), caracteres importantes de diagnose das espécies poderão ser observados, o que irá permitir uma correta identificação dos táxons. 259 ü Registro auditivo (bioacústico) O registro auditivo consiste no reconhecimento das emissões vocais das espécies em questão. Cada espécie de ave possui vocalizações exclusivas e a experiência dos pesquisadores permite sua correta identificação. Para se registrar espécies importantes localmente ou mesmo para solucionar alguma eventual dúvida auditiva, devem ser utilizados equipamentos profissionais de gravação, como: gravadores Sony TCM-5000, Olympus digital recorder LS-10 e microfones Sennheiser ME-66. As gravações devem ser armazenadas em acervo particular dos pesquisadores, e em caso de dúvidas a respeito de emissões vocais não conhecidas, os arquivos devem ser analisados em laboratório e comparados com gravações semelhantes. As gravações devem ser editadas em softwares específicos e sonogramas serão obtidos utilizando-se o Programa Cool Edit 2000. A técnica de playback também deve ser utilizada para a obtenção de uma melhor visualização de espécies crípticas, ou mesmo registrá-las fotograficamente. Para tanto devem ser utilizadas prioritariamente vocalizações gravadas na área de estudo. Além disso, a mesma técnica deve ser utilizada para a verificação da presença de algumas espécies esperadas para a região, conforme análise dos habitats disponíveis. Para tanto, gravações de outras localidades devem ser tocadas em habitats propícios à detecção de cada espécie-alvo. Para aplicar a técnica de playback devem ser utilizados aparelhos para a reprodução de arquivos sonoros contendo bancos de dados e amplificador de alta qualidade. ü Registro indireto Vestígios de aves encontradas em toda a região avaliada devem ser considerados caso a identificação da espécie seja possível. Carcaças encontradas nas estradas, provenientes de aves atropeladas, são um excelente material comprobatório, especialmente no caso de corujas e outros predadores. No entanto, outros tipos de vestígios poderão ser considerados, como penas, regurgitos de corujas, restos de aves predadas e ninhos. ü Registro por captura Durante o trabalho de anilhamento de aves silvestres todas as espécies capturadas devem ser fotografadas e identificadas até o nível de espécie. 260 ü Registro por coleta Um número mínimo de aves que apresentarem problemas de diagnose será coletada, caso haja necessidade. Existem dois métodos de coleta a serem empregados neste caso: sacrifício de aves que venham a ser capturas nas redes ou abate com o uso de espingarda de pressão. As aves coletadas devem ser taxidermizadas e depositadas em museu. Para cada ave registrada em campo serão anotados dados referentes ao tipo de registro, local e habitat onde a espécies foi encontrada, além de outras informações adicionais julgadas relevantes. Avaliações quantitativas As avaliações quantitativas devem ser realizadas utilizando dois métodos distintos: o anilhamento e os pontos de escuta. ü Anilhamento (captura/marcação) Devem ser instaladas 12 redes de neblina (12 x 2,5 m; malha 32 e 36 mm) em cada área amostral (canteiro de obras, reservatório e área-controle). Devem ser despendidos dois dias de rede em cada área. As redes devem ser abertas antes do amanhecer, permanecendo em funcionamento até o horário mais quentes do dia, sendo reabertas no meio da tarde e mantidas em funcionamento até anoitecer. As revisões devem ser realizadas a cada 20 minutos. Todos os indivíduos capturados serão acondicionados em sacos de pano para posterior marcação com anilhas fornecidas pelo Centro Nacional de Pesquisa para Conservação as Aves Silvestres (CEMAVE/ICMBio). Devem ser anotadas em ficha de campo as seguintes informações: local de captura, parcela amostral, espécie, sexo, faixa etária, massa corpórea, medidas morfométricas (cúlmen exposto, comprimento do tarso, asa, cauda e total), presença de muda de penas (rêmiges primárias, rêmiges secundárias, retrizes e tetrizes), presença de placa de incubação, ectoparasitas e anomalias. O enquadramento taxonômico deve atender a proposta do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO, 2009). 261 ü Pontos de escuta Os censos por pontos fixos devem ser conduzidos na área do reservatório e comparados com a área controle. Para cada área devem ser pré-determinados seis pontos fixos em uma transecção de 2 km de comprimento total. As contagens serão conduzidas em dois dias consecutivos, apenas pela manhã. Os pontos terão uma distância de a 300 m entre si e o tempo de duração em cada ponto de escuta será de 15 minutos. O raio de detecção estipulado será de 150 m de cada lado da linha central. Os dados obtidos com este método deverão ser apresentados pelo Índice Pontual de Abundância (IPA). O IPA de cada espécie será obtido dividindo-se o número de contatos de cada espécie pelo número de amostras, sendo, portanto, um valor médio de contatos de determinada espécie por ponto de amostragem. Este valor indica a abundância de cada espécie em função de seu coeficiente de detecção naquele período do ano. As contagens devem ter início antes do nascer do sol, prosseguindo até as 11:00 h. Qualquer espécie da avifauna identificada visual e/ou auditivamente será considerada. É importante ter um cuidado adicional com as aves contadas para evitar sobrecontagens. Espécies coloniais ou que se reúnem para rituais de corte (comportamento de lek) devem ser registradas como um único contato. Devem ser despendidos dois dias apenas para coleta de dados não- sistematizados. Este método é muito eficiente, pois propicia a amostragem de locais de interesse, com dedicação total à busca de espécies importantes para o estudo, sem a preocupação de retornar para os métodos descritos acima. Análise dos dados Além das análises pertinentes aos métodos a serem empregados, descritos acima, também devem ser apresentadas análises referentes aos seguintes tópicos: ü Curva do Coletor e Estimativa de Riqueza As curvas de acumulação de espécies ou curvas do coletor são um excelente procedimento para avaliar o quanto um inventário se aproxima de identificar todas as espécies da área de estudo. A curva formada exibe o seguinte padrão: uma curva inicial ascendente de crescimento acelerado, que prossegue cada vez mais devagar de acordo com o aumento do esforço amostral até formar um platô 262 ou assíntota (Martins & Santos, 1999). Quando a curva se estabiliza (ponto assintótico), aproximadamente a riqueza total da área foi amostrada (Santos, 2004). ü Similaridade entre as áreas amostrais As diferentes áreas amostrais devem ser avaliadas quanto a sua similaridade, mediante a utilização do Índice de Similaridade de Jaccard. O índice de similaridade entre as áreas pode variar entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo a 1 for o índice, maior a similaridade apresentada entre elas. 8.11.4.2.1 Equipe Básica Será necessário um biólogo coordenador especializado em avifauna que seja anilhador pelo IBAMA e uma equipe de campo para instalação das armadilhas, auxilio nas revisões e no inventário. 8.11.4.2.2 Custo Estimado O custo estimado para o monitoramento da avifauna é de aproximadamente R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 8.11.4.3 Subprograma de Monitoramento da Mastofauna Terrestre Dentre os grupos de animais, os mamíferos são considerados os seres mais evoluídos (Storer, 2002; Eisenberg & Redford, 1999). Com cerca de 5.023 espécies viventes, é uma das mais variadas classes de animais, em termos morfológicos e de ocupação de habitats (Lewinsohn, 2005). As variações anatômicas desse grupo permitem que seus representantes possam viver em diversos habitats, podendo ocupar tanto o meio aquático quanto o meio terrestre (Orr, 1986; Voss & Emmons, 1996). Os mamíferos silvestres brasileiros dificilmente são vistos na natureza devido ao fato de terem hábitos discretos, largamente crepusculares ou noturnos. No entanto, durante suas atividades são deixados sinais, tais como pegadas, indicando a presença e podendo fornecer informações sobre sua ecologia (Becker & Dalponte, 1991). O Brasil é hoje considerado o país detentor de maior biodiversidade em todo o planeta (Mittermeier et al., 1997; Sano & Almeida et al., 1998). Essa posição se deve em 263 grande parte ao elevado número de mamíferos, anfíbios e peixes de água doce nativos e principalmente, ao número insuperável de espécies de plantas, que é um fator fundamental para que os biomas brasileiros possuam alta riqueza faunística (Fonseca et al., 1994; Alho et al., 2000). Segundo Rambaldi & Oliveira, 2003, o processo de fragmentação do ambiente existe naturalmente, mas tem sido intensificado pela ação humana. Desta ação tem resultado um grande número de problemas ambientais. O grau de ameaça e a importância ecológica do grupo tornam evidente a necessidade de incluir informações sobre os mamíferos terrestres de pequeno, médio e grande porte em inventários e diagnósticos ambientais (Pardini et al. 2003). Sendo assim o conhecimento da comunidade de mamíferos terrestres da área de influência do AHE Colíder é fundamental para que se possa avaliar os impactos sobre este grupo faunístico e, acima de tudo, para que possam ser levantadas medidas mitigadoras a fim de preservar as espécies envolvidas. Na sequência são apresentados os objetivos específicos do monitoramento dos mamíferos. ü Avaliação quantitativa das espécies mastofaunísticas, com conseqüente reinventáriamento; ü conferência da mastofauna local, verificando a existência de espécies raras, endêmicas e/ou ameaçadas de extinção; ü observância de possíveis interferências do futuro empreendimento sobre a composição e estruturação da mastofauna local; ü avaliação do impacto da fragmentação de habitats sobre as populações de mamíferos, em especial de pequenos mamíferos não voadores; ü apresentação de sugestões de mitigação visando o manejo e a conservação da fauna de mamíferos da região; e ü fornecimento de indicadores úteis para as políticas de conservação da biodiversidade. Monitoramento O monitoramento da mastofauna será realizado através de campanhas trimestrais desde o início da fase de construção e se estender até o segundo ano na fase de operação, atendendo aos mamíferos de pequeno, médio e grande porte. 264 Durante os estudos de monitoramento de mamíferos deverão ser utilizados seis métodos de pesquisa diferenciados, descritos a seguir: ü Busca Ativa O método de busca ativa por evidências diretas (registros visuais e auditivos) e indiretas (rastros, amostras fecais, pelos, tocas, entre outros), em locais com maior probabilidade de êxito no registro das espécies, preferencialmente estradas, beiras de rio e bancos de sedimento é um dos métodos mais eficientes para o registro de mamíferos de médio e grande porte. Este método deverá ser empregado diariamente, e em todas as áreas amostrais, sendo que todos os vestígios encontrados devem ser fotografados e considerados para posterior análise. ü Identificação de fragmentos ósseos ou outros vestígios em fezes de carnívoros Amostras fecais de carnívoros silvestres devem ser coletadas e acondicionadas em sacos plásticos para posterior secagem em estufa e triagem. Na triagem das amostras deverá ser feita a busca por restos de penas, escamas, fragmentos ósseos e pelos, para posterior identificação indireta de aves, répteis e outras espécies de mamíferos. A identificação dos pelos deverá ser realizada mediante a análise de suas microestruturas, onde os padrões cuticulares e medulares puderam ser observados por microscópio óptico, e as espécies diferenciadas entre si. A identificação das espécies de mamíferos, considerando-se tanto os fragmentos ósseos encontrados durante a triagem das fezes, como as lâminas de pelos a serem confeccionadas, deve ser realizada por meio de comparação destes materiais com aqueles constantes nos acervos da coleção mastozoológica de museu e outras coleções de referência. ü Armadilhas de contenção viva (Live Traps) Para a amostragem de pequenos mamíferos devem ser utilizadas armadilhas de contenção viva modelos Tomahawk e Sherman, com diferentes dimensões. Devem ser utilizadas cerca de 50 armadilhas em cada uma das áreas amostrais (canteiro de obras, reservatório e área-controle). As armadilhas permanecerão em funcionamento durante seis dias seguidos, sendo iscadas com uma mistura 265 de banana, farinha de milho, bacon e sardinha. Elas devem ser revisadas todos os dias pela manhã, sendo re-iscadas também diariamente. ü Observação de vestígios indiretos/busca direta Este método deve ser empregado para amostrar a riqueza e abundância de espécies de mamíferos de médio e grande porte, ou seja, aqueles com peso maior que 1 kg. Os vestígios indiretos considerados serão rastros, fezes, tocas, marcas no solo e árvores, vocalizações e carcaças. Animais terrestres visualizados durante a procura de vestígios também devem ser considerados. ü Câmera Traps A câmera trap é uma máquina fotográfica controlada por sensor de infravermelho, que registra as fotos automaticamente quando detecta os movimentos de animais dentro de seu raio de ação. É utilizada principalmente para fotografar animais em seu hábitat natural, amostrando, dessa forma, a riqueza local dos vertebrados de médio e grande porte. O aparelho possui um campo de detecção de 90º na horizontal e 30º na vertical, com alcance de 6 a 8 m. Assim, trata-se de um importante equipamento, o qual deve ser instalado durante dois dias e duas noites seguidas em cada uma das áreas amostrais. ü Entrevistas Como forma complementar de estudo devem ser, ainda, realizadas entrevistas com moradores do entorno da área de influência, cujo objetivo será obter mais informações sobre a ocorrência de elementos da mastofauna na área em questão. Análise dos dados ü Frequências de ocorrência de vestígios As frequências de ocorrência de evidências das espécies devem ser obtidas mediante a seguinte fórmula matemática: FO=Nri/Ntr x 100, sendo, FO a frequência de ocorrência e Nri o número de registros da espécie i. ü Similaridade entre as áreas amostrais As diferentes áreas amostrais devem ser avaliadas quanto a sua similaridade, mediante a utilização do Índice de Similaridade de Jaccard. O índice de 266 similaridade entre as áreas pode variar entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo a 1 for o índice, maior a similaridade apresentada entre elas. 8.11.4.3.1 Equipe Básica Será necessário um biólogo coordenador que seja especializado em mastofauna e uma equipe de campo para instalação das armadilhas, auxilio nas revisões e no inventário. 8.11.4.3.2 Custo Estimado O custo estimado para o monitoramento da mastofauna é de aproximadamente R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 8.11.4.4 Subprograma de Monitoramento de Mamíferos Semi-Aquáticos Um dos maiores impactos da implantação do AHE Colíder ocorre sobre a mastofauna, provavelmente, será sobre as populações de mamíferos semi-aquáticos. A mastofauna semi-aquática na área de influênica do empreendimento é representada pelos mustelídeos conhecidos como lontra (Lontra longicaudis) e ariranha (Pteronura brasiliensis). Carnívoros em geral, têm por hábito defecar em locais conspícuos e proeminentes da sua área de vida (Weimmer et al., 1996). A utilização de marcas odoríferas por Lontras e Ariranhas é um aspecto marcante de seu comportamento, (Spínola & Vaughan, 1995; Soldateli & Blacher, 1996; Quadros & Montero-Filho, 2002). A dieta destas espécies consiste basicamente de peixes, crustáceos e moluscos, podendo ser complementada por aves, pequenos mamíferos, anfíbios e insetos (Pardini, 1998; Quadros, 1998; Chebez, 1999). Possui grandes vibrissas que auxiliam na localização de presas embaixo d’água (Cimardi, 1996). Suas patas apresentam nove membranas interdigitais e sua cauda é longa e levemente achatada na extremidade, sendo ambas as estruturas adaptadas para a locomoção na água (Emmons, 1990; Silva, 1994). Estudos com mustelídeos (L. longicaudis, P. brasiliensis) em empreendimentos hidrelétricos são conhecidos (Quadros et al., 2003). Os resultados desses trabalhos indicam a variação de dietas e comportamento social durante o enchimento e 267 esvaziamento dos reservatórios. Porém, tais estudos são de curto prazo e assim, não há como identificar os impactos causados pelos empreendimentos após a operação. Sugere-se, então, um Subprograma de acompanhamento das populações destes mamíferos, por se tratar de uma espécie ameaçada e restrita ao hábitat aquático. Assim, este estudo poderá permitir avaliar a capacidade de adaptação destes organismos às novas condições impostas pela formação do lago e as possibilidades de manutenção da população destes animais, através do estudo realizado antes e depois do enchimento do reservatório. Na sequência são listados os objetivos específicos desse Subprograma. ü Inventariar a ocorrência de tocas e latrinas; ü verificar a utilização de marcas odoríferas; ü verificar a dieta alimentar da Lontra longicaudis e Pteronura brasiliensis; ü avaliar o impacto da formação do reservatório sobre as populações de mamíferos semi-aquáticos; ü analisar as prováveis alterações na composição destas comunidades, em decorrência da implantação do empreendimento; e ü propor e avaliar ações de conservação e manejo na área de influência do AHE Colíder. Importante destacar que o monitoramento da mastofauna semi-aquática deverá ser realizado através de campanhas trimestrais desde o início da fase de construção e se estender até o segundo ano na fase de operação. Para determinar a área de vida desses animais no trecho do AHE Colíder, deverão ser realizadas inspeções cuidadosas das margens do rio Teles Pires na área que será inundada e no tramo entre o barramento e a ilha Esperança. Durante o monitoramento deverão ser considerados os registros de visualização direta e vestígios dos mustelídeos representados pelas tocas em uso (apresentando fezes e ou pegadas da espécie). Também deverão ser considerados, a vegetação encontrada nas margens do rio e os indícios da presença dos mustelídeos. Procedimentos durante as coletas e em laboratório Durante a vistoria das áreas, deverão ser diagnosticados indícios das lontras (fezes, muco anal, arranhões em barranco, pegadas e tocas). As coletas de fezes devem ser 268 realizadas a partir da vistoria das margens, percorridas com barcos e a pé à procura de latrinas e tocas utilizados. Latrinas são entendidas neste estudo, como todos os sítios de defecação identificados com fezes de lontra ou ariranha, localizados fora de áreas cobertas que poderiam estar servindo de abrigo para a espécie. Por tocas são entendidos todos os locais cobertos ou que ofereçam alguma proteção às lontras e/ou ariranhas, e que apresentaram algum indício de utilização pela espécie tal como pegadas e/ou fezes. As marcas odoríferas deverão ser identificadas por seu odor e forma característicos, sendo classificadas quanto a sua constituição (fezes ou muco-anal sem resíduos alimentares) e conforme o local de deposição (latrina ou toca). Todos as fezes devem ser coletadas para análise dos itens alimentares. Cada toca identificada deve ser descrita quanto a sua estrutura, dimensões e monitorado quanto a sua reutilização, tendo como principal indício de utilização, a presença de fezes em seu interior. O método estatístico aplicado para a estimativa da abundância relativa será o Método de Contagem de Sinais ou Vestígios (neste caso fezes frescas ou locas em uso), o qual sugere a contagem de indícios numa área com superfície previamente conhecida (neste caso o total de área de rio percorrida). Análise de Laboratório A dieta será estudada a partir da análise de conteúdo fecal. Em laboratório, as fezes devem ser lavadas em água corrente, sobre peneira de malha fina, obtendo o material residual de peças duras. O material deve ser conservado em recipientes individuais por amostra fecal, em solução de álcool a 70% para posterior triagem. A triagem deve ser realizada manualmente com o auxílio de lupa, selecionando as estruturas que puderem servir para a identificação dos constituintes de cada amostra, tais como escamas, raios duros, ossos, dentes e carapaças. Todas as estruturas selecionadas devem ser comparadas a coleção de referência para determinação do táxon consumido. A freqüência de ocorrência de cada táxon na dieta deve ser calculada pela divisão do total de vezes em que o item esteve presente pelo número total de amostras, e expressa em porcentagem. Amostragem da disponibilidade de peixes O estudo da ecologia de L. longicaudis e P. brasiliensis na área onde será inserido o reservatório deverá ocorrer em parceria com o monitoramento da ictiofauna. Desta 269 forma, os resultados destes estudos podem ser comparados nesta área, fornecendo informações mais precisas sobre o padrão de alimentação. 8.11.4.4.1 Equipe Básica Será necessário um biólogo coordenador especializado em mastofauna semi-aquática e um auxiliar de campo. 8.11.4.4.2 Custo Estimado O custo estimado para o monitoramento da mastofauna semi-aquática é de aproximadamente R$300.000,00 (trezentos mil Reais). 8.11.4.5 Subprograma de Monitoramento de Quirópteros A Ordem Quiroptera é a segunda em número de espécies da Classe Mammalia, com um total de 987 espécies (Ceballos & Brown, 1995). Os quirópteros representam cerca de 25% dos mamíferos do mundo, sendo que, no Brasil, há nove famílias representada por 168 espécies (Reis et al., 2010). Embora os quirópteros possuam ampla distribuição, mesmo espécies de hábitos generalistas ou de grande plasticidade comportamental, apresentando certa facilidade para conviver com alterações do ambiente e com a presença do homem, eles podem manter estreitas relações com grupos específicos de plantas (Marinho-Filho, 1992). Estudos sobre a história de vida das espécies de animais e plantas, bem como sobre a ecologia de suas interações, além de serem importantes do ponto de vista teórico, representam a base para ações visando à conservação da sua fauna (Morellato & Leitão-Filho, 1992). Quinhentas espécies de plantas dependem dos morcegos para serem polinizadas, sendo estes animais são os principais formadores de florestas nas Américas. Para se ter uma idéia, um morcego de 15 gramas espalha seis mil sementes em uma única noite, atuando tanto na polinização como na dispersão de sementes. A perda de interações envolvendo a ordem pode implicar efeitos irreversíveis para os ecossistemas dos neotrópicos (Bierregaard et al., 1992; Muller & Reis, 1992). A Ordem Chiroptera possui uma quantidade razoável de dados sobre a estrutura de seus conjuntos taxômicos, provavelmente pela grande abundância, diversidade e 270 considerável facilidade de captura, aliada ao crescente número de pesquisadores interessados nesse grupo. Além disso, os inventários faunísticos têm contribuído para o esclarecimento de vários aspectos sobre os morcegos neotropicais. Assim, este Subprograma apresenta na sequência os seus objetivos específicos: ü realizar o inventário dos quirópteros que ocorrem na região do AHE Colíder; ü contribuir para o conhecimento das espécies de morcegos que ocorrem na região; ü oferecer um quadro de caracterização da diversidade da quirópterofauna; ü propor considerações sobre ecologia e importância do grupo em estudos de conservação e manejo; e ü apresentar diretrizes e grupos-chave para estudos prioritários. Monitoramento O monitoramento dos quirópteros deverá ser realizado através de campanhas trimestrais desde o início da fase de construção e se estender até o segundo ano na fase de operação. ü Capturas com redes de neblina O monitoramento de morcegos deverá ser conduzido por meio de capturas com redes de neblinas (mist net) de seis ou 12 m de comprimento, 2,5 ou 3 m de altura, e malha de 30 e 36 mm. Deverão ser utilizadas 12 redes durante dois dias, por área amostral (canteiro de obras, reservatório e área-controle), permanecendo abertas durante seis horas por noite. O período de revisão das redes deverá ser de 40 minutos. Os morcegos que apresentarem problemas de diagnose, sendo necessárias medidas cranianas para a segura identificação, serão coletados, fixados em formol 10% e depositados em museu. As informações referentes aos indivíduos capturados (medida de antebraço, peso, sexo, estado reprodutivo, hora da captura e ambiente) devem ser anotadas em cadernetas de campo. A biometria deverá seguir os padrões de Emmons & Feer (1997). Ao menos um indivíduo de cada espécie deve ser coletado como material comprobatório. Os demais indivíduos devem ser anilhados com anilhas metálicas numeradas e soltos no mesmo local após o fechamento das redes. 271 A identificação do material coletado deve ser feita com o auxílio de bibliografias especializadas (Vizotto & Taddei, 1973; Silva, 1985; Nowak, 1991; Alvarez et al., 1994; Eisenberg & Redford, 1999; Gregorin & Taddei, 2002) e através de envio para especialista. Análise dos dados ü Frequências de ocorrência de vestígios As frequências de ocorrência de evidências das espécies devem ser obtidas mediante a seguinte fórmula matemática: FO=Nri/Ntr x 100, sendo, FO a frequência de ocorrência e Nri o número de registros da espécie i. ü Similaridade entre as áreas amostrais As diferentes áreas amostrais foram avaliadas quanto a sua similaridade, mediante a utilização do Índice de Similaridade de Jaccard. O índice de similaridade entre as áreas pode variar entre 0 e 1, sendo que quanto mais próximo a 1 for o índice, maior a similaridade apresentada entre elas. 8.11.4.5.1 Equipe Básica Será necessário um biólogo coordenador especializado em quirópteros e um auxiliar de campo. 8.11.4.5.2 Custo Estimado O custo estimado para o monitoramento de quirópteros é de aproximadamente R$200.000,00 (duzentos mil Reais). 8.11.5 Licenciamento e Convênio com Instituições de Apoio Para início das atividades de monitoramento da fauna do AHE Colíder, é necessário a retirada de licença para captura, coleta e transporte de animais silvestres junto ao IBAMA. Convênios com museus e/ou instituições devem ser firmados para o recebimento e tombamento do material coletado ao longo do período de execução deste Programa 272 8.11.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução A execução se dará por empresa de consultoria especializada em estudos ambientais. Convênios com museus e/ou instituições poderão ser firmados para o recebimento e tombamento do material coletado. 8.11.7 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Retirada de Licenças e ART's Convênios com Universidades Atividades de Campo Relatório de atividades Relatório final Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Retirada de Licenças e ART's Convênios com Universidades Atividades de Campo Relatório de atividades Relatório final 8.12 PROGRAMA DE RESGATE DE FAUNA 8.12.1 Histórico e Justificativa O desenvolvimento sócio-econômico é desejável pela sociedade e a produção de energia elétrica é um requisito crucial para esse desenvolvimento (Alho et al., 2000). Uma das formas de modificação do ambiente, através da construção de usinas hidrelétricas, implica na destruição, parcial ou total, do habitat atingido, originando um novo ambiente, causando alterações nas condições da água, solo e paisagem, como conseqüências imprevisíveis para flora e fauna (Müller, 1995). O resgate de fauna terrestre consiste no salvamento de exemplares de animais silvestres, por ventura encontrados na área da bacia de inundação, principalmente (além de outras áreas das obras do empreendimento, quando necessário) e sua posterior soltura, em locais previamente selecionados ou, então, envio para instituições receptoras indicadas pelo órgão ambiental. Constitui uma ação que, além de muito importante na minimização dos impactos a ocorrerem sobre os ecossistemas 273 terrestres, a serem gerados pela implantação do AHE Colíder, possui uma boa aceitação social. 8.12.2 Objetivo O presente Programa tem como objetivos: ü prioridade total para captura de espécies endêmicas, raras e/ou ameaçadas de extinção, conforme listagens oficiais, além de ovos de aves, presentes na bacia de acumulação; ü direcionar o salvamento para exemplares em situação de alto risco de perda, como por exemplo encharcados, machucados, etc.; ü providenciar a alocação adequada e identificação dos indivíduos, bem como o seu encaminhamento a um Centro de Triagem (CT), para realização de análise, cadastro e assistência veterinária, se necessário; ü encaminhar de forma adequada os exemplares resgatados, seja em termos de translocação para áreas de soltura ou para instituições de pesquisa; ü providenciar a destinação diferenciada e em tempo hábil dos animais capturados para áreas de soltura (remanescentes locais de vegetação a serem previamente definidos) ou instituições de pesquisa (que demonstrarem interesse prévio em tal recebimento); e ü minimizar os impactos a serem provocados sobre a conservação da fauna terrestre, além de reduzir a possibilidade de ocorrência de acidentes ofídicos. 8.12.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Monitoramento de Fauna Terrestre; ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 274 8.12.4 Diretrizes Gerais Devido às diferentes ações a procederem na bacia de acumulação, em períodos distintos, o resgate requer sua execução em três fases, a saber: ü Fase 1 – Medidas gerais ü Fase 2 – Durante o desmatamento; e ü Fase 3 - Durante o enchimento do reservatório. Cabe ressaltar que a operação de resgate constitui uma prática complexa, que exige uma série de providências, visto que o fluxo de animais é contínuo, e as medidas devem ser tomadas em tempo hábil. 8.12.4.1.1 Fase 1 - Medidas gerais Para o bom funcionamento das Fases 2 e 3 deste Programa de Resgate de Fauna, algumas medidas deverão ser tomadas antes da execução de cada fase, quais sejam: ü solicitação de licenças de captura e transporte de fauna silvestre; ü efetuação de contatos com instituições de interesse em recebimento de exemplares, para fins científicos e outros; ü setorização da bacia de acumulação do reservatório; ü definição de áreas de soltura; ü implantação prévia de um Centro Provisório de Triagem e Reabilitação (CPTR), para o encaminhamento dos exemplares a serem capturados; ü aquisição de materiais; ü treinamento dos funcionários que participarão da equipe de desmatamento, bem como da equipe de resgate. Constituem, portanto, medidas básicas ao desenvolvimento das duas fases previstas, uma vez que irão facilitar o desenvolvimento das atividades a serem desenvolvidas em cada Fase. Tais medidas são descritas, a seguir: Solicitação de Licenças e Efetuação de Contatos com Instituições Deverá ser providenciada a solicitação de licenças de captura e transporte de fauna silvestre junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). 275 Em seguida, deverão ser efetuados contatos com instituições de pesquisa, ensino ou zoológicos, de modo a averiguar a possibilidade de interesse em recebimento de exemplares para fins científicos, entre outros objetivos. Setorização da Bacia de Acumulação e Definição de Áreas de Soltura Utilizando-se um Mapa de Uso e Ocupação dos Solos e Cobertura Vegetal (em escala de 1:10.000 e/ou em 1:25.000), deverá ser realizada a subdivisão da bacia de acumulação em diferentes setores. Este mapa deverá conter as tipologias de uso e vegetação, a rede hidrográfica, a "linha" do reservatório e curvas de nível. Deste modo, será analisada, em cartografia, a cota prevista para as ações de desmatamento e o posterior alagamento, a localização de topos das ilhas a permanecerem isolados pela água e a indicação de determinados setores que necessitarão de maiores esforços de trabalhos, devido à maior probabilidade de ocorrência de animais nos mesmos. Em seguida, mediante análise desse mesmo mapa, além de checagem a campo, deverá ser feita a definição de áreas com potencial de utilização de soltura de alguns animais capturados, procedendo-se a uma descrição detalhada de critérios adotados para a seleção e priorização de tais áreas. Implantação do Centro Provisório de Triagem e Reabilitação (CPTR) Um CPTR deverá ser disponibilizado para a equipe de resgate, com capacidade para serem desenvolvidas atividades de identificação, cadastro, atendimento clínico e manutenção de exemplares vivos de diferentes grupos. O CPTR poderá corresponder a alguma instalação já existente no Canteiro de Obras e que possuir fácil localização, podendo ser posteriormente desativado, após o término da construção da barragem e enchimento do reservatório. Sugere-se que o CPTR possua as seguintes estruturas: ü Almoxarifado: é o local onde serão guardadas as caixas reservas de captura que irão repor aquelas utilizadas durante o dia nos barcos, as ferramentas necessárias para manutenção dessas caixas, potes e “baleiros” reservas, motor de popa reserva, etc. Deverá ser, então, provido de estantes; 276 ü Cozinha: local onde será feito o preparo e o armazenamento do alimento para os animais resgatados. Deverá ter uma pia com torneira, mesa, estante, fogareiro, freezer para acondicionamento de exemplares mortos; ü Escritório: espaço onde se fará o cadastro de todos os animais capturados, durante os trabalhos de resgate. Deverá ter cadeiras, mesas, estantes; etc.; ü Sala de veterinária: nela os exemplares serão mantidos em caixas próprias e receberão intervenção veterinária, se necessário. Neste local também serão guardados os equipamentos médico-veterinários e remédios, assim deverá ter armário, bancada, cadeira e pia com torneira; ü Sala para acondicionamento de aves: esta sala deverá ser equipada com um ovoscópio (para verificar se o ovo está ou não fértil), uma incubadora para ovos de aves e aquecedores para filhotes. Esta sala deverá ter cadeiras, mesas e prateleiras; ü Área de viveiro para mamíferos: esta área terá meia parede fechada, com tela de 30 mm na parte restante até o teto. Os viveiros maiores serão fechados com tela e portas tipo guilhotina na frente, e entre os viveiros esta divisão será feita com madeirite ou outro material que impeça a visualização entre os animais. Deverá ser provida de caixas para mamíferos menores e viveiros para mamíferos maiores; ü Serpentário: possuirá meia parede fechada, sendo o restante telado até o teto, evitando-se a fuga de indivíduos bem como riscos para funcionários. Terá uma bancada e viveiros de répteis; ü Tanque externo com torneira e água encanada: este tanque é necessário para os trabalhos de limpeza das caixas utilizadas no resgate, bem como dos demais materiais utilizados; ü Sala de triagem: para realização da biometria e cadastro dos animais coletados. Esta área poderá ser utilizada para a realização de taxidermia, quando necessário; ü Biotério: destinada à criação e manutenção de alimento vivo para os animais internados; ü Área para quarentena: destinada à manutenção temporária de animais recémchegados ao CPTR de forma a evitar a contaminação daqueles internados; 277 ü Sala de anti-sepsia: destinada à higienização de materiais e dos recintos, sendo exclusivamente utilizada para tal fim; ü Sala de internamento aves adultas: este recinto deverá conter, em local visível e identificado, conjunto de equipamentos para contenção de aves, ou seja, puçá, luvas de raspa, sacos de pano dentre outros; ü Sala de internamento de mamíferos de pequeno e médio porte: permite abrigar os módulos de contenção. Deverá conter nesse recinto material que permita a contenção de mamíferos de médio a pequeno porte, ou seja: um puçá, um laço de Lutz e um par de luvas de raspa; ü Sala de internamento de répteis: corresponde à sala de internamento que deverá conter terrários para manutenção lagartos e quelônios e caixas de contenção para as serpentes. Deverão estar alocados em área visível e de fácil acesso, equipamentos para a contenção de répteis, ou seja, luva de raspa, luvas de procedimento, pinção (ou jacaré), ganchos herpetológicos e puçá; ü Sala de proteção a fugas: intermedia acesso às áreas de internamento; ü Meliponário de quarentena: local para triagem, manejo e manutenção de ninhos de abelhas nativas resgatados até sua plena recuperação. Deverá contar com uma bancada para o manejo dos ninhos e os materiais e equipamentos para específicos para esta atividade; ü Área de viveiro para répteis: área com meia parede fechada; ü Meliponário intermediário: área de vegetação nativa próxima ao CPTR, para manutenção temporária dos ninhos recuperados ou que chegarem em bom estado, antes de serem relocados para áreas definitivas; ü Epifitário: área externa com estrutura para abrigar as epífitas resgatadas, com cobertura de sobrite para evitar perdas por dessecação; ü Estufa: local para comportar plântulas resgatadas da área de desmate; e ü Sala de material botânico: destinada ao armazenamento de exsicatas, sementes e outros materiais botâncios. Deverá ser equipada com caixas para armazenamento de exsicatas, estufa para secagem e geladeira para armazenamento de sementes. O CPTR deverá contar com um funcionário para serviços de manutenção, de modo a prover boas condições de limpeza e higiene local. 278 Deverá ser realizado um controle do fluxo de pessoas na área interna do CPTR, de modo a serem evitados tumultos, transtornos e acidentes, lembrando-se que estarão sendo manuseados animais peçonhentos. Será obrigatório o uso de equipamentos de segurança no CPTR e nos barcos, como coletes, perneiras, calças compridas, botas etc. Protocolo de fuga São descritas as estratégias a serem utilizadas no CPTR para impedir a evasão de animais feridos ou considerados inaptos de serem soltos e para a manutenção de um ambiente seguro para os profissionais atuantes. Os animais que permanecerem no centro de triagem serão abrigados em gaiolas ou caixas de contenção. Em caso de saída acidental dos internados de seus recintos, por quaisquer motivos, devem ser utilizados métodos de contenção através de instrumentos específicos por classe animal. As janelas devem contar com uso de telas e as frestas das portas, com borrachas vedantes (frisos). As salas de internamento e avaliação clínica devem ser mantidas fechadas durante todo o tempo, reduzindo o risco de fugas. Entre as salas de internamento e atendimento clínico deve haver um corredor de contenção de fugas para reduzir o risco de saída dos animais internados para o ambiente externo. Para cada ambiente em que esteja abrigado um animal, devem estar disponíveis materiais que permitam a contenção do mesmo. A seguir estão listados os principais instrumentos utilizados para a captura, nas diferentes classes animais. Anfíbios Os anfíbios podem ser contidos apenas com as mãos do manipulador, desde que manuseando de forma a impedir a ocorrência de ferimentos iatrogênicos no animal. Em função da alta sensibilidade da pele desta classe animal em específico, recomenda-se o uso de luvas de procedimento. Aves Para uma ou mais ordens de aves existe um tipo de contenção física adequada, sendo a mesma diferenciada quanto ao tipo de método de defesa usado pelo 279 animal. Puçás de pano podem ser utilizados para qualquer espécie de ave de pequeno e médio porte. Toalhas de pano podem ser usadas principalmente em casos de aves como psitaciformes, que utilizem o bico como principal defesa. E luvas de raspa de couro são utilizadas principalmente nos casos de aves que utilizem as unhas como fator de agressão, como por exemplo, os falconiformes e corujas. Répteis Os principais instrumentos utilizados para serpentes são os ganchos, que permitem a retirada ou a colocação do animal em caixas ou outros ambientes, de forma segura, tanto à distância quanto imobilizados pela cabeça, conforme a necessidade. É recomendado que em cada sala estejam disponíveis, pelo menos, dois ganchos, em caso de fuga de mais de um animal. Nos casos de lagartos, teiús ou jacarés, devem-se dispor também de toalhas para cobertura dos olhos, laços para fechamento de boca, luvas de raspa de couro para prevenção de mordeduras e puçás de corda. Caixas de madeira para contenção e transporte também devem permanecer à disposição. Quelônios devem ser alojados em aqua-terrários altos, que impeçam a fuga por escalada. Mamíferos Os instrumentos utilizados para mamíferos são basicamente os mesmos já citados: puçás e luvas de raspa de couro, cordas, sendo apresentado também o cambão (laço de Lutz), para animais maiores e mais agressivos, além de dardo e zarabatana. Os últimos itens citados são usados com menor freqüência, porém devem estar à disposição, principalmente em casos em que haja necessidade de captura a maiores distâncias. Aquisição de materiais necessários Diversos materiais de contenção, biometria, triagem, conservação, medicamentos, entre outros devem ser adquiridos. Vários destes itens permanecerão dentro do CPTR. Alguns deverão, posteriormente, compor os materiais a serem utilizados no barco, durante as atividades pertinentes ao 280 enchimento do reservatório (Fase 3 deste Programa). Entre estes, serão utilizados modelos variados de caixas, as quais possuirão reservas a serem mantidas no CPTR para que, na medida em que forem ocupadas, possam ser substituídas, sem o comprometimento das atividades de resgate. Treinamento da equipe No mês que anteceder o início das atividades, tanto Fase 2, quanto na Fase 3, a equipe de resgate será reunida, para que todos os planejamentos, definições e estratégias sejam bem definidos, além de serem esclarecidas eventuais dúvidas. Durante estas reuniões, deverá ser feito treinamento específico para as atividades, explicando-se técnicas de captura, técnicas de manuseio de equipamentos e cuidados durante a coleta (principalmente de serpentes, que requerem procedimentos especiais). Também deverão ser explícitos procedimentos corretos de acondicionamento e de eventual relocação de exemplares faunísticos. Os funcionários encarregados das ações de desmatamento igualmente terão que receber este treinamento prévio, no qual serão fornecidas informações sobre procedimentos corretos, técnicas e cuidados com coleta de exemplares faunísticos. Durante as Fases 2 e 3 desse Programa, o encontro das pessoas (seja equipe de resgate, seja de desmatamento) com os animais poderá tornar-se mais comum. Assim, os moradores locais serão alertados sobre cuidados para prevenção de acidentes, sobretudo os ofídicos, mediante divulgação de panfletos e reuniões com a comunidade. 8.12.4.1.2 Fase 2 – Durante o Desmatamento Na semana anterior ao desmatamento de cada local, seja na bacia de acumulação ou em áreas das demais obras do empreendimento, a equipe de resgate de fauna deverá ser comunicada pela equipe de desmatamento. Nesta mesma semana, a equipe de resgate deverá fazer uma investigação do hábitat, efetuando um mapeamento da ocorrência de ninhos ativos de aves, principalmente, por serem mais fáceis de visualização, comparando-se com os demais grupos de vertebrados. Cada ninho deverá ser coletado (na medida do possível) e translocado para a área remanescente do hábitat ou a ele adjacente, além de poder ser levado para o CPTR, 281 onde será cadastrado, identificado e analisado. Deverão ser tomadas e anotadas medidas morfométricas dos ninhos e ovos. Um dia antes do início do desmatamento, assim como em algumas horas anteriores ao mesmo, outras medidas deverão ser tomadas para otimizar a dispersão da fauna, como o uso de apitos em curtos intervalos de tempo, visando provocar barulho e "espantar" os exemplares. Durante o desmatamento, acredita-se que os fortes ruídos a serem provocados pelo próprio maquinário (principalmente moto-serras), assim como a conversação e movimentação dos funcionários, irão igualmente auxiliar no afugentamento da fauna. Neste período, os moradores rurais poderão "ter encontros" mais comuns com os animais silvestres afugentados. Assim, deverão ser alertados sobre cuidados para prevenção de acidentes, sobretudo os ofídicos. Deverão então receber as mesmas instruções que foram aplicadas às equipes de resgate e de desmatamento, além de alguns materiais considerados pertinentes (como ganchos e puçás para serpentes, luvas de raspa, baldes, formol etc.). Pelos mesmos motivos, deverão ser também estabelecidos postos de captura, devidamente equipados com gancho e caixa para serpente, álcool, formol e baldes de 20 litros, devendo-se instruir os moradores e trabalhadores sobre procedimentos de captura, fixação e armazenamento dos animais, neste caso os que estiverem mortos. De modo a induzir o deslocamento gradual da fauna florestal da área atingida, o desmatamento deverá ser lento (de modo a melhor permitir a fuga da fauna silvestre). Deverá também ser orientado, em direção aos setores florestais remanescentes no entorno imediato do futuro lago, principalmente em situações onde exista conectividade florestal. Ao longo do desmatamento, deverá ser definida a tomada de ações para proteger, resgatar ou evitar a morte de indivíduos da fauna silvestre, de modo a otimizar a dispersão dos mesmos para ambientes naturais, situados no entorno daqueles atingidos. Assim, durante o desmatamento, as atividades serão acompanhadas pela equipe de resgate, que irá capturar ninhos e ovos de aves, assim como exemplares de vertebrados porventura incapazes de se deslocar sozinhos ou que ficarem machucados, transferindo-os para fora da área de limpeza, translocando-os para outro remanescente do hábitat atingido ou para o CPTR. 282 Como rotina de trabalho, a equipe de resgate deverá iniciar as atividades no mesmo horário que a equipe de desmatamento, permanecendo no local de limpeza, no mesmo período que as atividades de desmatamento estiverem sendo exercidas. Esta periodicidade poderá ser alterada, se necessário. Todos os animais coletados deverão ser identificados, anotando-se seus dados em fichas previamente preparadas. Cada caixa de captura também receberá uma etiqueta, na qual serão anotados a data e o local de captura. Para a coleta, deverão ser adotados determinados procedimentos descritos, com detalhes, no próximo tópico, sendo norma básica o extremo cuidado para não ferí-los, assim como evitar, ao máximo, ferimentos no próprio coletor. Após a captura, alguns exemplares poderão ser identificados e cadastrados no próprio local e serem, em seguida, soltos em ambientes próximos à área de desmate, de acordo com sua preferência de hábitat típico. Animais machucados ou com risco de vida serão levados para o CPTR, onde serão identificados e cadastrados, além de receberem cuidados veterinários (quando necessário) e nutricionais. O destino a ser-lhes dado será rapidamente definido, atendendo algumas situações preliminares, detalhadas na Fase 3, a seguir, pois nela existe a previsão de uma maior intensidade de ocorrência de resgate, evitando-se, assim, repetições de texto. 8.12.4.1.3 Fase 3 – Durante o enchimento do reservatório Durante o enchimento do reservatório, indivíduos da fauna silvestre poderão permanecer em áreas inundadas, principalmente em topos de ilhas e ilhotas, em cotas acima da inundação. Além disto, algumas áreas poderão não sofrer o desmatamento prévio por motivos técnicos/operacionais. Assim, vários animais silvestres necessitarão de intervenção humana para não sucumbirem, com destaque para espécies com hábitos fossoriais e/ou dotadas de uma baixa capacidade de locomoção. Sobressaem-se, ainda mais, espécies consideradas ameaçadas de extinção, de acordo com listagens oficiais. Outras, principalmente serpentes, poderão se deslocar para as benfeitorias presentes nas propriedades rurais lindeiras ao reservatório, aumentando o risco de acidentes ofídicos e morte dos animais, reforçando a necessidade de ações de resgate. 283 Ações previstas No CPTR, em todos os dias de resgate, antes do nascer do sol, os materiais e os equipamentos de segurança a serem empregados nas atividades deverão ser conferidos, limpos e entregues às equipes de barco. Também deverão ser entregues fichas técnicas para a tomada de registros, nas quais deverão constar os seguintes campos: ü número do setor; ü margem do rio Teles Pires (se esquerda ou direita); ü nome da espécie (quando possível); e ü número de exemplares. Durante as manhãs, também deverá ser realizada uma verificação e limpeza dos viveiros, demais potes, caixas e outros instrumentos de uso que permanecerem no CPTR. Deverá ser investigada a ocorrência de eventos procedentes com os animais, durante a noite anterior, além do preparo de sua alimentação. O turno das equipes de barcos se iniciará ao amanhecer, em torno de 06:00 hs da manhã e encerrará por volta das 17:00 hs, ainda de dia, consistindo uma norma de segurança para prevenção de acidentes. A área alagada deverá ser diariamente percorrida pelos barcos, incluindo feriados e finais de semana. Deverão ser coletados os animais que estiverem machucados ou incapazes de se deslocarem sozinhos para fora da área de inundação, ou seja, com riscos de afogamento. As capturas dos animais poderão ser realizadas em topos de árvores isoladas, em ilhas e no próprio lago. Para as serpentes, deverá ser dada especial atenção para aquelas peçonhentas, assim como outros animais também peçonhentos, que oferecem risco à população rural. Principalmente em meio à folhagem das árvores, a equipe deverá ficar atenta à presença de espinhos, abelhas, vespas, marimbondos, formigas etc., de modo a evitar acidentes. Para a coleta dos animais, deverão ser adotados os seguintes procedimentos, sendo norma básica o extremo cuidado para não ferí-los, assim como evitar, ao máximo, ferimentos no próprio coletor: ü os anfíbios poderão ser capturadas manualmente, dispondo-os diretamente em potes plásticos e "baleiros"; 284 ü as serpentes deverão ser capturadas com o auxílio de ganchos e laços, tomandose extremo cuidado no manuseio, devido aos riscos de picadas; ü as aves poderão ser capturadas manualmente, com muito cuidado, devido à grande fragilidade corpórea (seus ossos se quebram facilmente). Devido à mesma fragilidade, os seus ovos e ninhos deverão também receber extremo cuidado no manuseio; ü os mamíferos poderão ser capturadas manualmente, com o auxílio de luvas de raspa, tomando-se extremo cuidado no manuseio, devido aos riscos de mordidas; ü após a captura, alguns exemplares poderão ser identificados e cadastrados no próprio barco (após o preenchimento da ficha técnica, anotando-se o nome da espécie, número de indivíduos, data, número do setor de captura e margem do rio). Em seguida, os exemplares poderão ser soltos no entorno do reservatório, de acordo com o ambiente que lhes for propício para uso; ü outros, terão sua caixa de captura ou pote de contenção etiquetado, onde serão anotados a data, número do setor de captura e margem do rio (se esquerda ou direita), ao serem levados para o CPTR; ü animais machucados ou com risco de vida serão imediatamente levados para o CPTR, mediante comunicação através de rádios telecomunicadores. Para a otimização destes procedimentos, deverá ser estabelecido um "porto", que consistirá em um ponto de apoio padrão, com acesso facilitado por vias fluvial e terrestre. O porto deverá ser adequado, de acordo com os níveis de elevação da água, procurando-se manter a mesma localização; ü os demais animais resgatados (acondicionados nas caixas ou potes) serão encaminhados ao CPTR, em duas escalas: · a primeira na hora do almoço, que terá duração de uma hora, aproximadamente entre 12:00 e 13:00 hs; e · a segunda no fim da tarde, quando as atividades dos barqueiros será encerrada. No CPTR, todas as fichas técnicas serão entregues aos biólogos. Os animais trazidos pelos barcos passarão por um processo de triagem. Cada exemplar será identificado e cadastrado (anotando-se seus dados nas fichas técnicas), além de receber cuidados 285 veterinários (quando necessário) e nutricionais (consistido de suplementos vitamínicos e outros itens, além de água), ficando à espera da definição de seu destino. O destino a ser dado aos exemplares será diverso. Para os animais vivos a decisão terá que ser breve, pois a transferência deverá ser feita o mais rápido possível. A princípio, ter-se-ão algumas situações preliminares, quais sejam: ü filhotes de aves de indivíduos identificados a nível de espécie, poderão ser translocados para outros ninhos da mesma espécie, situados fora dos níveis de alagamento. Para tal, deverá ser previamente realizado um mapeamento da ocorrência de ninhegos lindeiros ao reservatório, de modo a checar a presença de ovos ou ninhos, quantidade e idade. Estas medidas visam o aumento das chances de adoção dos exemplares translocados, pelo casal que se encontrar em atividade reprodutiva; ü ovos férteis, outros filhotes e imaturos de aves poderão ser doados à instituições de pesquisa que se interessarem em seu recebimento; ü ovos não férteis e ninhos de aves poderão ser adequadamente preparados, para posterior doação à instituições de pesquisa neles interessadas; ü os animais adultos, englobando-se todos os grupos (invertebrados, anfíbios, serpentes não peçonhentas, aves e mamíferos) poderão ser relocados para áreas previamente selecionadas, localizadas no entorno do reservatório ou em setores mais distantes (baseando-se no estudo cartográfico, anteriormente descrito); ü outros animais adultos (invertebrados, anfíbios, serpentes peçonhentas, aves e mamíferos) poderão ser destinados a centros de pesquisa, ensino ou a zoológicos; ü quelônios e crocodilianos que porventura forem encontrados, deverão passar por procedimentos específicos inerentes a cada grupo, sendo depois realizada a soltura em poças e lagos marginais pré-escolhidos; ü ovos de aves não férteis e animais mortos poderão ser aproveitados na alimentação de exemplares vivos no CPTR; e ü outros animais encontrados mortos ou que virem a sucumbir no CPTR, poderão ser adequadamente acondicionadas em freezer ou então preparados, conforme normas usuais de conservação de cada grupo. Posteriormente, poderão ser doados para instituições interessadas no incremento de acervos (coleções de referência) e/ou desenvolvimento de projetos científicos. Esta medida irá 286 colaborar para a memória biogeográfica local, devido ao registro museológico dos exemplares faunísticos. Resgate da Ictiofauna a jusante do empreendimento O acompanhamento técnico das atividades de enchimento do reservatório na área a jusante do barramento deve ser realizado até que a vazão se normalize. Durante este período as equipes devem estar a postos, realizando vistorias no rio. Uma equipe composta por um biólogo coordenador, auxiliares de campo, se possível pescadores profissionais da região, deve realizar vistorias a fim de capturar dos peixes afetados pela suposta diminuição da vazão do rio quando do fechamento das comportas das adufas. Os peixes vivos porventura capturados deverão ser devolvidos ao lago e quando possível no rio a jusante da barragem. Antes do início dos trabalhos de resgate, a equipe deverá ser treinada para a realização dos procedimentos de captura com o menor desgaste para os indivíduos capturados. Para manejo e captura da ictiofauna deverão ser utilizados sacos plásticos, puçás, rede de arrasto com malha de 2 mm, tarrafas e baldes. Os exemplares deverão ser medidos e fotografados e imediatamente transportados em baldes plásticos com água limpa para os pontos de soltura. 8.12.4.2 Equipe Básica A equipe deverá ser formada por quatro biólogos, um veterinário, três barqueiros e sete auxiliares (três para a captura dos animais e os demais para apoio e manutenção do CPTR). Cada barco contará com três pessoas, sendo um barqueiro e dois auxiliares (sendo um biólogo). A equipe técnica descrita trata-se da equipe permanente, durante a execução do projeto de resgate de fauna, sendo possível complementá-la conforme houver necessidade. 8.12.4.3 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Como o projeto prevê o resgate de exemplares faunísticos, incluindo o transporte de alguns para instituições, deverá ser realizada gestão junto ao IBAMA, visando a obtenção de licenças de transporte e coleta da fauna. Convênios com museus e/ou 287 instituições devem ser firmados para o recebimento e tombamento do material coletado. 8.12.4.4 Custo Estimado O custo para este programa engloba diversos profissionais especializados, como biólogos e veterinários, além de auxiliares de campo e pescadores. Estão previstos ainda a construção de um Centro Provisório de Triagem e Reabilitação e diversos materiais específicos e de proteção utilizados no CPTR e em campo. Assim o custo total será de aproximadamente R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil Reais). 8.12.4.5 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 Ano 4 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Retirada de Licenças e ART's Fase 1 Convênios com Universidades Setorização da bacia de acumulação do reservatório Definição de áreas de soltura Implantação do CPTR Aquisição de materiais Fase 2 Treinamento da Equipe Execução do Resgate Relatório parcial Relatório final Enchimento do Reservatório Ações Previstas Fase 2 Fase 1 1 Fase 3 Início da Geração Ano 5 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Treinamento da Equipe Execução do Resgate Relatório parcial Relatório final Execução do Resgate Relatório parcial Relatório final Canteiro Reservatório Comum ao Canteiro e ao Reservatório 288 8.13 PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DA FLORA 8.13.1 Histórico e Justificativa A implantação do AHE Colíder ira gerar intervenções na flora presente na Área de Influência Direta devido a fatores, como: a supressão da vegetação para a abertura dos acessos; a construção dos canteiros de obras, das estruturas do barramento e da casa de força; e a formação do reservatório. Devido a essas intervenções em áreas naturais preservadas é fundamental traçar estratégias para a conservação dos diversos grupos da flora local. As fases de desmatamento e enchimento do reservatório são os momentos mais críticos, pois há supressão de hábitats gerado pelo corte da vegetação e pela formação do lago. Assim, é necessário o adequado planejamento do desmatamento para que seja executado o resgate de plântulas de exemplares de espécies imunes ao corte ou ameaçadas de extinção, bem como das espécies de interesse científico e comercial. Além disso, após a formação do reservatório irá ocorrer alterações nas condições de vida de áreas de florestas dispostas em suas margens. 8.13.2 Objetivo A conservação da flora tem como objetivo avaliar os efeitos que o enchimento do reservatório deve promover na vegetação do entorno imediato. Trata-se de uma atividade de pesquisa que, em linhas gerais, pouco difere metodologicamente de um diagnóstico ambiental, mas cujos resultados são direcionados e devem servir diretamente à aplicação de atividades corretivas e/ou compensatórias dos fenômenos adversos a incidirem sobre os elementos naturais (GOLDSMITH, 1991). Os principais objetivos são a diminuição do impacto relativo à perda de germoplasma vegetal, aproveitando os propágulos para a reprodução de espécies e reintrodução em áreas a revegetar (Programa de Recuperação de Áreas Degradadas), e a viabilização de parcerias com órgãos de pesquisa para aproveitamento e armazenamento de germoplasma. 289 8.13.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e de Assoreamento; ü Programa de Áreas Úmidas; ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório; ü Programa de Recuperação de Áreas Degradadas; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental 8.13.4 Diretrizes Gerais O Programa de Conservação da Flora está dividido em três Subprogramas, ou seja, Subprograma de Monitoramento da Flora, Subprograma de Resgate do Germoplasma e Subprograma de Recuperação e Adensamento da APP. 8.13.4.1 Subprograma de Monitoramento da Flora A formação do reservatório provocará alteração nas condições de vida de áreas de florestas dispostas em suas margens. As florestas de terra firme passarão a dispor de uma oferta maior de água, que poderá não ser adequada a algumas de suas espécies. Enquanto que para outras espécies essa mudança propiciará oportunidades de colonização de novas áreas. Assim, este subprograma possibilitará uma avaliação desse processo de mudança e ao mesmo tempo, permitirá o monitoramento dos fragmentos florestais criados ou intensificados com a implantação do reservatório. O monitoramento da vegetação ao longo das margens do reservatório do AHE Colíder servirá para detectar locais passíveis de alterações nas formações vegetais adjacentes ao reservatório através do estabelecimento de parcelas permanentes representativas de cada fitofisionomia, localizadas nas margens do reservatório e dos principais tributários. Assim, para cada tipo de vegetação serão instaladas parcelas permanentes, as quais são áreas demarcadas na floresta e periodicamente revisitadas para a medição de indivíduos arbóreos e registro de eventos como mortalidade e ingresso de novos indivíduos. 290 A logística para a realização deste subprograma deve ser adaptada às possibilidades de formação de equipe, tempo, custo, condições locais, entre outros. É sempre importante padronizar as ações de cada membro, por meio da elaboração de um manual de campo explicitando em detalhes os procedimentos a serem adotados, e esclarecendo antecipadamente dúvidas que podem surgir quanto à mensuração em função das variações encontradas em campo em nível de indivíduo e comunidades. Deve-se procurar adequar os métodos aos tipos de vegetação já na definição da metodologia a ser empregada. A seguir estão descritas sucintamente a sequência das atividades para a realização deste monitoramento, tanto em escritório como em campo. No escritório ü Definição da equipe O trabalho pode ser dividido em duas equipes, sendo uma de coleta e outra de amostragem, essa divisão é recomendável para inventários onde a riqueza é prioridade no levantamento. Assim a equipe, exclusiva, de coleta poderá fazer coletas em todos os estratos da vegetação e no entorno das parcelas com mais agilidade do que a equipe de mensuração. O profissional que anota os dados deve ser, de preferência, o responsável pelas pesquisas e liderar o ritmo das atividades. É aconselhável que a equipe possua um profissional responsável pela identificação das espécies. Nas formações herbáceas, a equipe pode se restringir a três membros, para identificação, coleta e avaliação da cobertura e outras características. ü Seleção das áreas de amostragem A partir de um mapeamento detalhado sobre imagens de satélite, deverá ser planejada a localização das parcelas amostrais a serem alocadas no campo. O coordenador do programa deverá avaliar a metodologia mais adequada ao tipo de vegetação em questão, assim como definir o número de parcelas que serão implantadas. 291 Em campo ü Número, tamanho, forma e instalação das parcelas permanentes As parcelas permanentes poderão ser estabelecidas em campo de forma imediata ou gradual, na proporção de 1 ha de parcelas para cada 250 ha de área até o limite de 50 ha amostrados. A forma das parcelas poderá ser quadrada ou retangular e o tamanho mínimo da parcela será de ¼ ha. As parcelas devem ser demarcadas permanentemente, utilizando-se piquetes de marcação de madeira, PVC ou outros materiais que resistam a longa exposição ao tempo. As extremidades superiores dos piquetes devem ser pintadas com cores bem contrastantes com a vegetação, preferencialmente com tinta resistente à água (tinta óleo), para facilitar sua localização. ü Coleta de dados Para o estudo da comunidade arbórea sugere-se a coleta dos seguintes dados: · nome vulgar ou regionalizado dos componentes da vegetação inventariada. As espécies não identificadas devem ser coletadas e organizadas na forma de exsicatas, que serão encaminhadas para herbários e para especialistas para posterior identificação; · circunferência à altura do peito (CAP), correspondente a um diâmetro mínimo de 5 cm; · altura total, estimada com uma vara de poda alta, com altura conhecida; · localização do indivíduo dentro da parcela permanente; e · coordenadas UTM da unidade amostral para posterior locação na base cartográfica utilizando-se GPS. Para o estudo da regeneração natural sugere-se a instalação, em cada parcela permanente de uma subparcela onde devem ser coletadas as seguintes informações: · nome vulgar ou regionalizado dos componentes da vegetação inventariada; · número de plantas; · material botânico para herborização e posterior identificação botânica; · altura total obtida a partir de uma vara graduada; e 292 · ü localização do indivíduo dentro da parcela permanente. Material e equipamentos mínimos para mensuração Aparelhos para medição do diâmetro (fita métrica, suta, etc.), altura (régua), prancheta e formulários. ü Material e equipamentos mínimos para coleta Jornal, papelão, corrugado, prensa, cordões, sacos de coleta, tesoura de poda, podão e fita crepe. ü Periodicidade das medições e diâmetro mínimo de medição As parcelas devem ser instaladas e medidas antes de qualquer intervenção. A segunda medição deve ser realizada antes do enchimento do reservatório. Depois as medições ocorrem intercaladas para que atinjam diferentes épocas do ano e a partir do ano cinco os intervalos entre as medições deverão ser de dois em dois anos com a emissão de relatórios. ü Recomendações para as atividades de campo Se forem encontradas espécies endêmicas da região, toda a área que se encontra a espécie deve ser demarcada, com GPS, e reservada como Área de Alto Valor de Conservação. A partir das coletas e informações de campo pretende-se avaliar, entre outros paramâtros, o ingresso e mortalidade, a evolução do diâmetro, o índice de diversidade, etc. 8.13.4.1.1 Equipe Básica ü Um técnico de nível superior (biólogo, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal) responsável pelas campanhas de levantamento, monitoramento, pesquisa e relatórios; ü um ajudante para identificação das espécies (mateiro); e ü dois ajudantes (limpeza e coleta). 8.13.4.1.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução É interessante que se encontre parcerias com as universidades/faculdades da região ou instituições de pesquisa para realizar um monitoramento completo da flora. Para a 293 execução deste Subprograma é importante que seja avaliada a possibilidade de realização com universidades da região, como a UNEMAT. 8.13.4.1.3 Custo Estimado O custo de execução desse Subprograma é de aproximadamente R$100.000,00 (cem mil Reais). 8.13.4.1.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Definição da Equipe Seleção da área de amostragem Implantação das parcelas permentens Medição e levantamento de dados Relatório parcial Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Definição da Equipe Seleção da área de amostragem Implantação das parcelas permentens Medição e levantamento de dados Relatório parcial 8.13.4.2 Subprograma de Resgate da Flora A implantação do Subprograma de Resgate de Flora decorre da necessidade de serem minimizados os impactos sobre a vegetação relacionados à implantação do AHE Colíder e seu reservatório. A coleta e a preservação de algumas espécies da flora contribuirão para a identificação e preservação de espécies raras e endêmicas, especialmente considerando as áreas mais preservadas existentes nas proximidades do reservatório. No que se refere a recuperação de áreas degradadas, o uso de sucessão ecológica secundária na implantação de florestas mistas é a tentativa de dar, à regeneração artificial, um modelo que procura seguir aquilo que ocorre em processos de sucessão natural. No entanto, a genética das plantas utilizadas para a revegetação é um 294 aspecto pouco considerado quando da execução destes processos. Portanto, a natureza do material introduzido pode influenciar o comportamento dos indivíduos e a dinâmica da população como um todo. Para a aquisição de material para os projetos de revegetação, devem ser considerados os seguintes aspectos: ü a variabilidade genética em uma espécie; e ü as adaptações das plantas ao seu ambiente de desenvolvimento. Como a intenção dos processos de revegetação é de recriar comunidades vegetais, cuja estrutura genética também deve ser replicada, aumentando a probabilidade de sucesso destes processos, por um período de tempo indefinido, a coleta de germoplasma local ou em áreas de vegetação remanescente próximas é o ideal para manter um estoque de variabilidade genética e adaptabilidade o mais próximo do naturalmente encontrado. A metodologia de resgate da flora contempla duas fases do empreendimento: antes do início da construção do canteiro de obras (resgate da flora nos remanescentes florestais ocorrentes no canteiro de obras) e durante o desmatamento da área do reservatório. Para facilitar o desenvolvimento desse Subprograma, optou-se por dividí-lo em dez medidas, conforme segue: ü Medida 1: seleção das áreas de salvamento; ü Medida 2: espécies alvo; ü Medida 3: formas de coleta; ü Medida 4: época de coleta; ü Medida 5: resgate do germoplasma; ü Medida 6: salvamento da flora; ü Medida 7: equipamentos usados para a coleta; ü Medida 8: beneficiamento de sementes; ü Medida 9: armazenamento; e ü Medida 10: ações específicas de coleta para o grupo das epífitas e outros materiais propagativos, que não sementes. 295 Medida 1 - Seleção das áreas de salvamento Esta etapa serve para definir aquelas áreas que melhor representam a cobertura vegetal original. Devem ser definidas áreas com potencial para coleta de mudas e sementes, com ênfase no máximo aproveitamento de espécies raras, endêmicas, ameaçadas e/ou em extinção. No local onde será construído o canteiro de obras e na área de formação do reservatório, o qual implicará em remoção da cobertura vegetal, deverá ocorrer o salvamento das espécies atingidas, entretanto este salvamento somente será colocado em prática caso o levantamento florístico indicar remanescentes florestais com espécies de interesse para conservação. Com a definição das áreas para o salvamento da flora, serão definidos também o(s) local(is) para o recebimento do material coletado. O viveiro de mudas já deverá estar estruturado e as instituições científicas comunicadas sobre o recebimento do material botânico. Medida 2 - Espécies Alvo Extraída do EIA do AHE Colíder, a Tabela 33 fornece uma lista de espécies arbóreas com uso potencial e de conhecimento popular ou indicado na bibliografia consultada nas formações florestais inventariadas na AID. Essas espécies podem ser objeto de resgate, para fins ecológicos, comerciais e de projetos específicos para conservação e preservação. Devido à grande diversidade de espécies verificadas na AID do AHE Colíder, as principais espécies da flora arbórea indicadas ao resgate para fins de projetos específicos para conservação e preservação são justamente aquelas registradas nas formações mais afetadas pelas obras de implantação, além das já citadas na Lista Oficial de espécies ameaçadas de extinção. Na impossibilidade da criação de um banco genético de abrangência de todas as espécies da flora e da variabilidade genética natural que existe no nível intrapopulacional, também devem ser priorizadas espécies de importância econômica e de valor científico e medicinal. Desta forma, entre as espécies da flora que poderão ser objeto de resgate para fins de projetos específicos para conservação e preservação, também devem constar aquelas de potencial ecológico e econômico, que 296 inclui, no primeiro caso, espécies que oferecem recursos para a fauna e, no segundo caso, espécies com possibilidades de produção e comercialização de alimentos e madeira (madeiras de lei, madeiras nobres); espécies ornamentais, o que inclui as espécies com potencial ornamental e paisagístico, pertencentes, principalmente, às famílias que são alvo de comercialização, tais como: Orchidaceae, Bromeliaceae e Cactaceae, entre outras, frequentemente alvos de extrativismo irracional; e espécies com propriedades medicinais e de interesse científico. 297 Anacardiaceae Tapirira guianensis Aubl. Annonaceae Annonaceae Annonaceae Annonaceae Annonaceae Apocynaceae Apocynaceae Rollinia exsucca A.DC. Rollinia sp. Xylopia sp1 Xylopia sp2 Xylopia sp3 Aspidosperma carapanauba Aspidosperma macrocarpon Mart. Aspidosperma sp1 Aspidosperma sp2 Apocynaceae Parahancornia Amapá Apocynaceae Apocynaceae Araliaceae Arecaceae (Palmae) Arecaceae Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire, Steyerm & Frodin Astrocaryum aculeatum G.F.W.Meyer Bactris riparia Mart Carapanaúba Peroba, Peroba-mica, Peroba-rosa Guarantã Guatambú Amapá, Amargoso, Curupixá Mandiocão, Morototó x x x x x x x x x x x x x x x x X x x x x x x x x x x x x x Apícola /Melífera Spondias dulcis Alimentação de Fauna em geral Anacardiaceae Maracatiara, Guaritá, Gonçaleiro Cajá Pau-pombo, Fruta-depombo, Embiratã, Tapirira Ata, Embira, Ata-brava Pinha-da-mata Embira Pindaíba Pindaíba Avifauna Astronium lecointei Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico Anacardiaceae x Madeira: Carvoaria Cajueiro, Cajuaçu Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros Anacardium giganteum Hanck ex Engl. Madeira: Movelaria Anacardiácea Artesanal Nome Popular Econômico / Comercial Espécie Comestível (fruto, folha, etc.) Família Medicinal TABELA 33- LISTA DE ESPÉCIES DE FANERÓGAMAS REGISTRADAS NA AID DO AHE COLÍDER x x x x x x x x x x x X X X x x x x x x x x x x Tucum x x Tucumã, Marajá x x x 298 (Palmae) Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Arecaceae (Palmae) Bignoniaceae Inajá, Inajaí x x Oenocorpus bacaba (Mart.) Bacaba, Bacaba-açú x x Socratea exorrhiza (Mart.) H. Wendl. Jacaranda caroba DC. Sete-pernas, Paxiúba, Castiçal Caroba Ipê-tabaco, Ipê amarelo da mata Ipê-amarelo, Ipêtabaco, Ipê-roxo Louro Almecegueira, Amescla, Breu Amescla-breu Cordia cujabensis Protium heptaphyllum March. Protium paniculatum Engl. Protium pilosum (Cuatrec.) Daly Trattinickia burseraefolia Mart. Caryocar brasiliense St.Hil. Licania sp1 Licania sp2 Calophyllum brasiliense Cambess. x x x x x x x x x x x x X x x x x x x x x x x X X x x x X x x x x x x x x X X x x x x x x x x x Amescla-aroeira Amescla, Amesclão, Morcegueira, Mangue Pequi Macucu, Caripé Licania Jacareúba, Guanandi, Landim Apícola /Melífera Maximiliana maripa (Correa) Drude x Alimentação de Fauna em geral Buriti, Miriti x Avifauna Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico Madeira: Carvoaria Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros Mauritia flexuosa L. f. Boraginacease Caryocaraceae Chrysobalanaceae Chrysobalanaceae Clusiaceae (Guttiferae) Madeira: Movelaria Açaí-do-pará, Açaí Tabebuia vellosoi Toledo Burseraceae Artesanal Euterpe oleracea (Mart.) Bignoniaceae Burseraceae Econômico / Comercial Nome Popular Tabebuia serratifolia Burseraceae Comestível (fruto, folha, etc.) Espécie Bignoniaceae Burseraceae Medicinal Família x x x x x x 299 Euphorbiaceae Euphorbiaceae Euphorbiaceae FabaceaeMimosoideae FabaceaeCaesalpinioideae FabaceaeCaesalpinioideae FabaceaePapilionoideae Fabaceae FabaceaeMimosoideae FabaceaePapilionoideae FabaceaeMimosoideae FabaceaeCaesalpinioideae Hevea brasiliensis (M. Arg.) Mabea fistulifera Mart. Pausandra macropetala Ducke x Mamoneira-do-mato Espinheira-santa, Folha-de-serra Apuleia leiocarpa J.F.Macbr. Garapeira, Amarelão, Pau-mulato x Bauhinia macrostachya Mororó x Copaifera guianensis Dinizia excelsa Ducke Angelim-pedra Dipteryx odorata Willd Champanha, Cumaru, Cumbarú x x x x x x x x x Apícola /Melífera Alimentação de Fauna em geral Avifauna X X x x x x x x x x x x x X x x x x X x X x x x x x x X x x x x x Tamboril Jatobá-da-mata, Jataí x x x Saboeiro Enterolobium maximum Ducke Hymenaea courbaril L. var. stilbocarpa (Hayne) Lee & Lang. x Seringueira, Seringa Sucupira, Sucupira -amarela Copaíba Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico X Abarema jupunba Bowdichia nitida Spruce Madeira: Carvoaria Croton urucurana Baill. Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros Euphorbiaceae Bacupari Mirindiba Pateiro Alchornia Sangra-d'água, Urucurana Madeira: Movelaria Garcinia madruno Buchenavia grandis Ducke Sloanea sp1 Alchornea sp. Artesanal Clusiaceae Combretaceae Elaeocarpaceae Euphorbiaceae Econômico / Comercial Nome Popular Comestível (fruto, folha, etc.) Espécie Medicinal Família x x x x x x x 300 Fabaceae Caesalpinioideae FabaceaePapilionoideae FabaceaePapilionoideae Fabaceae – Mimosoideae Fabaceae – Mimosoideae Fabaceae – Mimosoideae Fabaceae Mimosoideae Fabacea FabaceaePapilionoideae FabaceaePapilionoideae Fabacea FabaceaeCaesalpinioideae FabaceaePapilionoideae Hypericaceae Lamiaceae Angelim-manteiga x Hymenolobium sp1 Angelim x X Hymenolobium sp2 Angelim-do-cerrado, Angelim-do-brejo, Alecrim x X Inga SP Ingá x x Parkia nitida Miq. Faveira, Visgueiro x x Parkia pendula Angelim-saia x x x x x x x x Pithecellobium foliolosum Benth. Pithecellobium incuriale Angelim-rajado Pterocarpus rohrii Vahl Pau-sangue Pterodon emarginatus Vogel Schizolobium parahyba var. amazonicum Tachigali myrmecophila Ducke Sucupira-branca, Faveiro, Fel-de-paca Tachigali rugosa Carvoeiro Vismia cayennensis (Jacq.) Pers. Vitex cymosa Bert. ex x x x Jurema x x x x x Pinho-cuiabano Apícola /Melífera Hymenolobium modestum Alimentação de Fauna em geral Nome Popular Avifauna Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico Madeira: Carvoaria Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros Madeira: Movelaria Artesanal Econômico / Comercial Comestível (fruto, folha, etc.) Espécie Medicinal Família x x x x x Taxí, Tachi Lacre-da-mata x Tarumã, Tarumã-do- x x x x x x x x x x x 301 Lauraceae Lauraceae Nectandra robusta Loefl. Lauraceae Lauraceae Ocotea odorífera Ocotea SP Lecythidaceae Cariniana legalis Kuntze Lecythidaceae Cariniana micrantha Ducke Lecythidaceae Eschweilera carinata Loganiaceae Antonia ovata Pohl Lythraceae Physocalymma scaberrimum Pohl Malpighiaceae Byrsonima spicata Rich. ex Juss. Malvaceae Malvaceae Malvaceae Melastomataceae Melastomataceae Meliaceae Menispermaceae Menispermaceae Moraceae Apeiba tibourbou Aubl. Ceiba pentandra Gaertn Sterculia striata St.Hil. & Naud. Miconia SP Mouriri sp. Guarea silvatica C.DC. Abuta sp1. Abuta sp2 Brosimum galactodendron x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x X x x x x x x x x x x x x x x x x x x Apícola /Melífera Alimentação de Fauna em geral x x x Avifauna Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico Madeira: Carvoaria Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros igapó, Cinco-folhas Itaúba, Itaúbaamarela Canelão, Canelabatalha Canela-sassafráz Canela Jequitibá, Jequitibárosa, Estopa Cachimbeiro, Tauari Matamatá, Flor-depaca Quina, Vela-branca Aricá, Cegamachado, Pau-derosas Murici, Murici-dacapoeira, Pau-decurtume Escova-de-macaco Sumaúma Chichá, Arachichá, Amendoim-da-mata Miconia Mouriri Cedro-marinheiro Abuta Grão-de-galo Sorveira Madeira: Movelaria Spreng Mezilaurus itauba (Meissn.) Taub Artesanal (Labiatae Econômico / Comercial Nome Popular Comestível (fruto, folha, etc.) Espécie Medicinal Família x x x x x X x x x x X 302 Eugenia jambos L. Myrtaceae Eugenia protenta McVaugh Myrtaceae Ochnaceae Proteaceae Psidium SP Ouratea sp. Euplassa sp. Alibertia sessilis (Vell.) K.Schum. Rubiaceae Rubiaceae Capirona huberiana Rutaceae Metrodorea sp. Salicaceae Casearia sylvestris Sw. x x x x x x x x x x x Apícola /Melífera Myrtaceae Alimentação de Fauna em geral Calyptranthes sp. Avifauna Myrtaceae Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico Virola SP Rapanea sp. x Madeira: Carvoaria Myristicaceae Myrsinaceae Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros Iryanthera paraensis x Madeira: Movelaria Myristicaceae Leiteiro Guariúba, Oiticica Figueira-preta Figueira Mata-pau , Figueira Cega-corrente Pseudolmedia Ucuúba, Batom-deíndio Virola Pororoca, Capororoca Calyptranthes, Laranjarana, Limorana Jambo Canela-de-cutia, Capote Goiabinha, Araçá Ouratea Euplassa Marmelada, Marmelada-olho-de-boi Escorrega-macaco, Perna-de-moça Três-folhas Espeteiro, Língua-detamanduá, Guaçatonga, Cafébravo Artesanal D.Don Brosimum sp1 Clarisia racemosa Ficus mexiae Ficus SP Ficus subtriplinervia Mart. Maquira guianensis Aubl. Pseudolmedia guaranitica Econômico / Comercial Moraceae Moraceae Moraceae Moraceae Moraceae Moraceae Moraceae Nome Popular Comestível (fruto, folha, etc.) Espécie Medicinal Família x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x 303 Vochysiaceae Ruizterania albiflora Vochysiaceae Vochysia divergens Mart. Vochysiaceae Vochysia SP Sapotaceae Sapotaceae Sapotaceae x Apícola /Melífera Cecropia sp. Erisma uncinatum (Warm.) Sapotaceae Pitomba Chrysophylum Maçaranduba, Maçaranduba-balata Balata Alimentação de Fauna em geral Urticaceae Vochysiaceae Sapotaceae x Avifauna Simarouba amara Aubl Sapindaceae Sapotaceae Breu-de-tucano Reflorestamentos Heterogêneos Recuperação de Áreas Degradadas Ornamental / Potencial Paisagístico Simaroubaceae Sapindaceae Madeira: Carvoaria x Madeira alto Valor Comercial Madeira: Baixo Valor Comercial Madeira: Marcenaria / Carpintaria Madeira: Construção civil, outros Mata-calado Sapotaceae Sapotaceae Ryania speciosa Matayba arborescens Radlk. Talisia sp. Chrysophyllum brasiliense Manilkara huberi (Ducke) Cheval Manilkara sp. Micropholis melinoniana Pierre Pouteria hispida Eyma Pouteria macrophylla (Lam.) Eyma Pouteria pariry Pouteria SP Madeira: Movelaria Medicinal Salicaceae Artesanal Nome Popular Econômico / Comercial Espécie Comestível (fruto, folha, etc.) Família x x x x Pau-sapo x X Abiurana x x Cutite, Tuturubá x Pariri Pouteria, Abiu Marupá, Matá-matá, Caixeta Imbaúba Quarubarana, Cedrinho Cambará-preto, Mandioqueira, Mandioqueira-lis Cambará Cambará-rosa, Rosinha x x x x x x x x x X x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x FONTE: EIA DO AHE COLÍDER (2009) 304 Medida 3 - Formas de Coleta Os frutos serão colhidos nas árvores ou coletados no chão. Normalmente, o tipo de fruto e o tamanho das sementes é que vão determinar o método de colheita. Assim temos: ü árvores com frutos carnosos Frutos carnosos são aqueles com polpa úmida, geralmente adocicada e consumida pelos animais ou pelo homem. No caso de frutos grandes, os frutos serão colhidos nas árvores ou coletados os que já cairam, em seguida devem ser colocados separadamente em sacos de papel. Para os frutos pequenos, a colheita deve ser feita nas árvores, pois os frutos ao caírem se misturam com a vegetação, tornando difícil sua localização e coleta. ü árvores com frutos secos deiscentes No caso de frutos com sementes grandes, as sementes devem ser colhidas na árvore ou então coletadas as que já caíram ao chão. Quando o fruto apresentar sementes pequenas e/ou dispersas pelo vento, a obtenção das sementes só é possível através da colheita dos frutos nas árvores, ainda fechados. ü árvores com frutos secos indeiscentes Frutos secos indeiscentes são aqueles que ao ficarem maduros, caem das árvores sem se abrir. Nestes casos, os frutos serão colhidos nas árvores ou coletados no chão. Quando a espécie apresenta frutos alados, do tipo sâmara, a colheita será realizada na árvore, com o auxílio de uma lona estendida no chão, sob a copa, em dias sem vento, já que o vento leva esses frutos para longe da árvore. ü Grupo das Epífitas e outros Materiais Propagativos, que não Sementes Para as espécies de plantas pertencentes ao grupo das Pteridófitas e às famílias Bromeliacea, Orquidaceae e Cactaceas, a coleta se dará independente do estágio fenológico e de desenvolvimento da planta. 305 A coleta se resulta na retirada mecânica da vegetação referida anteriormente tomando-se todos os cuidados necessários para minimização dos danos gerados à parte aérea e sistema radicular dos indivíduos. Medida 4 - Época de Coleta Existe um número muito grande de espécies florestais, que evidentemente não produzem sementes na mesma época do ano. A distribuição da época de frutificação ao longo do ano ocorre com uma maior concentração entre os meses de julho e outubro. Para saber o momento correto de colher a semente, ou seja, o ponto em que o fruto está maduro deve-se observar alguns fatores indicativos de sua maturação. No caso da implantação do AHE Colíder a verificação e a coleta de sementes serão realizadas durante todo o ano, ao longo do período das obras, anteriormente ao desmate da bacia de acumulação do reservatório, prolongando por um ano após o seu enchimento, com intuito de recolher o maior número propágulos e subsidiar projetos de recuperação de áreas degradadas em fragmentos florestais adjacentes à bacia de acumulação do futuro reservatório. Medida 5 - Resgate do Germoplasma O resgate do germoplasma deverá dar maior atenção às espécies endêmicas ocorrentes na área do empreendimento. Este resgate caracteriza-se pela coleta intensiva, por toda a extensão da área atingida pelo empreendimento, de todo o material vegetal com possibilidade real de aproveitamento, com ênfase no que estiver definido como prioritário para a conservação. A coleta do material se dá na forma de sementes, mudas, estacas, tubérculos, frutos, entre outros, do maior número de indivíduos possíveis pertinentes a maioria das espécies representativas e de maior valor ecológico do ecossistema afetado. Prioriza-se aqui aquelas espécies que possuam algum interesse e possam ser conservadas ex situ adequadamente: espécies representativas do ecossistema a ser afetado, nesse grupo dá-se ênfase nas matas ciliares; espécies adequadas para utilização de áreas degradadas; espécies que possuam interesse econômico e/ou para desenvolvimento de pesquisas (medicinais, frutíferas e ornamentais); espécies cujas 306 populações se concentrem na área do futuro reservatório, com base nos dados do levantamento florístico. A equipe da flora demarcará previamente as áreas e espécies que serão resgatadas. As áreas alvo de supressão serão cuidadosamente inspecionadas para coleta de sementes, mudas, plântulas e propágulos. Uma vez iniciadas as atividades de supressão, os trabalhadores treinados deverão coletar material botânico das copas das árvores tombadas, uma vez que este material estaria inacessível de outra forma. Assim, as bromélias, orquídeas, aráceas e demais epífitas que forem coletadas serão transplantadas para indivíduos arbóreos, preferencialmente da mesma espécie em que as plantas originalmente se encontravam, e localizados nas proximidades do local da supressão. O material botânico coletado será encaminhado ao laboratório e ao viveiro de produção de mudas, o qual apoiará as atividades de recuperação das áreas de preservação permanente do reservatório. O eventual excedente de material coletado, sobretudo de sementes, será colocado em câmaras de estocagem para conservação. Parte do material poderá ser doado às prefeituras municipais e escolas para utilização em formação de viveiros experimentais, arborização urbana, e utilização em programas de educação ambiental e projetos de revegetação. Medida 6 - Salvamento da Flora O inventário florestal e o levantamento florístico já contemplados no Programa de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório serão utilizados para a obtenção das informações pertinentes do banco de dados da área do reservatório. O salvamento da flora prevê o aproveitamento do material botânico, entre eles mudas, sementes, flores, folhas, entre outros. Considerando-se os estudos sobre a vegetação existentes nas áreas que serão alagadas, o Subprograma de Resgate da Flora contemplará o planejamento das ações referentes à retirada do material científico da flora. O material botânico coletado será transferido para locais como viveiros de mudas e/ou herbários. A atividade de salvamento da flora deverá dar atenção especial às espécies de valor ecológico relevante, como é o caso da espécie Sucupira-preta (Bowdichia nítida), que segundo o EIA do AHE Colíder (2009), está na lista das espécies ameaçadas de 307 extinção. Além disso, serão selecionados indivíduos de espécies arbustivas, herbáceas e epífitas que serão transplantadas ou relocadas para locais adequados. Nesta etapa é importante a análise dos dados qualitativos e quantitativos da vegetação a ser alagada. Assim, esta ação deve colaborar também para estimar a área mínima para a implementação das áreas de preservação, de modo que estas superem as que serão alagadas. Medida 7 - Equipamentos Usados Para a Coleta Na sequência são apresentados os equipamentos utilizados para a coleta dos germoplasma. ü Podão: consiste em uma lâmina articulada presa na ponta de um bambu, movimentada através de um cordão. Usado para alcançar e cortar os ramos com frutos; ü Gancho: bambu com um gancho de vergalhão preso em uma ponta. Usado para agitar galhos de árvores e provocar a queda de frutos; ü Lona: usada estendida no chão, sob a copa da árvore, para amparar os frutos e sementes, evitando que os mesmos se misturem com a vegetação ou com a terra; ü Escadas: usadas para facilitar a escalada em árvores. Podem ser de alumínio ou de madeira; ü Cinturão: existem cinturões de segurança apropriados, confeccionados em couro ou lona, grossos e resistentes, que prendem a pessoa à árvore, evitando acidentes. O cinturão será usado sempre que a pessoa necessitar ficar sobre a árvore colhendo os frutos com o podão ou gancho; ü Facão/ formão: usados para a retirada das plantas epífitas; ü Serrote de poda: serrote curvo, utilizado para o corte de galhos quando da retirada das epífitas; e ü EPI: o uso de equipamentos de proteção individual para proteger contra a queda de frutos, galhos, animais peçonhentos ou mesmo ferramentas. 308 Medida 8 - Beneficiamento de Sementes O beneficiamento consiste em retirar as sementes dos frutos e limpá-las, através de diferentes processos, que variam principalmente de acordo com o tipo de fruto e a "dureza" das sementes. Assim, temos: ü Para Frutos Carnosos · Despolpamento, lavagem das sementes sobre uma peneira e em água corrente e secagem à sombra; · maceração dos frutos, lavagem em água corrente sobre uma peneira e secagem das sementes à sombra; e · imersão dos frutos em água por um ou dois dias, maceração em peneira sob água corrente e secagem ao sol. ü Para Frutos Secos Deiscentes · Secagem dos frutos à meia sombra até abertura natural; em seguida as sementes são separadas dos frutos e/ou removidas manualmente aquelas que não se soltaram. ü Para os Frutos Secos e Indeiscentes · Secagem dos frutos à meia-sombra (2 a 7 dias) e abertura mecânica forçada, para remover as sementes; · o material básico necessário para o beneficiamento de sementes se compõe de: peneiras grossas e finas; martelo de borracha, martelo de ferro, sacos de aniagem e papel e faca; e · as sementes ainda passarão por um processo de higienização e limpeza com imersão em solução de peróxido de hidrogênio a 30% por 5 segundos, para eliminação de fungos e bactérias presentes na superfície. Medida 9 - Armazenamento Deverá ser realizado convênio de cooperação entre o empreendedor e órgãos de pesquisa. 309 Medida 10 - Ações Específicas de Coleta para o Grupo das Epífitas e outros Materiais Propagativos, que não Sementes Para as espécies de plantas pertencentes ao grupo das Pteridófitas e às famílias Bromeliacea, Orquidaceae e Cactáceas, a coleta se dará independente do estágio fenológico e de desenvolvimento da planta. A coleta consiste da retirada mecânica da vegetação referida anteriormente tomandose todos os cuidados necessários para minimização dos danos gerados à parte aérea e ao sistema radicular dos indivíduos. Se necessário, o suporte das plantas, constituído principalmente por galhos, será seccionado para redução dos danos a serem causados no sistema radicular quando da retirada das plantas. Detalhamento das Tarefas ü Escolha das mudas em campo Devem ser escolhidas as mudas que apresentarem bom estado fitossanitário, independentes do grupo sucessional ao qual pertençam e que estejam localizadas nas áreas que sofrerão desmate. Será dada especial atenção para aquelas espécies que pertencerem aos grupos das espécies ameaçadas, presumivelmente ameaçadas e de importância ecológica e econômica. As mudas escolhidas devem ser identificadas em campo segundo o grupo sucessional ao qual pertençam. Sendo colocada uma estaca próximo para melhor visualização. ü Retirada da Muda Em função do porte da muda ela poderá ser retirada imediatamente após sua escolha, identificação e armazenada - muda de pequeno porte, até 40 cm de altura - ou poderá ser retirada após a definição de seu uso, - mudas com porte superior a 40 cm de altura -, seja para utilização em plantios para reconstituição da flora ciliar, ou para utilização em recuperação de áreas degradadas. Para os dois últimos casos, será realizado um corte no terreno, no entorno de toda a muda, distante 25 cm do fuste da mesma, com profundidade de 40 cm. A muda não deverá ser retirada até que seu destino esteja devidamente preparado para seu recebimento. Esta defasagem operacional se dá em função dos diferentes 310 períodos de execução entre os Programas de Resgate de Flora, Recuperação de Áreas Degradadas e Revegetação e Adensamento da APP. Não obstante a isto, para as ações de recuperação de áreas degradadas onde for necessário o plantio de mudas arbóreas, elas devem ser previamente escolhidas e identificadas para então serem retiradas, independente do porte, e replantadas nas áreas previamente definidas. ü Transporte e plantio Para o transporte das mudas, o torrão formado deverá ser devidamente protegido por sacos de linhagem ou lona plástica, ou ainda recipientes tipo jacá, quando disponíveis no local, de tal forma que não ocorra desagregação do solo adjacente ao sistema radicular da muda. As mudas deverão ficar em área de espera específica até seu plantio definitivo; para aquelas de porte superior a 40 cm, a espera se dará no próprio local onde encontradas até o plantio definitivo. No caso das plantas epífitas, estas serão imediatamente dispostas nas áreas adjacentes à área que sofreu a intervenção, sendo afixadas, quando necessário, ao novo suporte (galhos, troncos, pedras etc.) por meio de uma ou mais tiras de borracha. Caso esta disposição imediata não seja possível, o material coletado ficará armazenado temporariamente em área específica para tal, como por exemplo, sob um grupamento de árvores, cercada, isolada e sinalizada para futura relocação. A tira de borracha para fixação terá espessura mínima de 2,50 cm e comprimento variável. As plantas serão distribuídas aleatoriamente, porém levarse-ão em conta as exigências ecológicas de cada espécie. 8.13.4.2.1 Equipe Básica O Subprograma de Resgate da Flora deverá se composto por no mínimo os seguintes profissionais: ü um técnico de nível superior (biólogo, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal) responsável por todas as atividades realizadas pelo programa e pelas campanhas de levantamento e monitoramento, pesquisa e levantamento de 311 espécies endêmicas e/ou ameaçadas de extinção e de monitoramento das atividades realizadas pelo programa; ü um supervisor de campo de nível superior (biólogo, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal) para a execução das atividades de resgate e salvamento da flora durante todo o período de implantação da obra; ü no mínimo três auxiliares de campo (estagiário de nível superior, técnico agrícola, florestal ou ambiental) que darão apoio ao supervisor de campo nas atividades de resgate e salvamento da flora; e ü um auxiliar de escritório (estagiário de nível superior ou técnico agrícola, florestal ou ambiental) que dará apoio ao técnico responsável pelo monitoramento das atividades. 8.13.4.2.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Todas as frentes de operações florestais deverão ter parcerias com as universidades/faculdades da região ou instituições de pesquisa para realizar um resgate mais completo da flora. Para a execução deste Subprograma é importante que seja avaliada a possiblidade de realização com universidades da região, como a UNEMAT. 8.13.4.2.3 Custo Estimado O custo estimado para a execução desse Subprograma é de aproximadamente R$2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil Reais). 312 8.13.4.2.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Mapeamento das áreas Seleção das áreas de salvamento Definição das espécies alvo Resgate do germoplasma Salvamento da flora Beneficiamento de sementes Armazenamento Coleta do grupo das epífitas e outros materiais propagativos Relatório parcial Relatório final Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Mapeamento das áreas Seleção das áreas de salvamento Definição das espécies alvo Resgate do germoplasma Salvamento da flora Beneficiamento de sementes Armazenamento Coleta do grupo das epífitas e outros materiais propagativos Relatório parcial Relatório final Canteiro 8.13.4.3 Reservatório Subrograma de Recuperação e Adensamento da APP O intenso processo de ocupação e desenvolvimento econômico que o norte matogrossense sofreu nas últimas décadas promoveu o desmatamento de 76% a 82% das matas nativas. Na área de influência do AHE Colíder ainda ocorrem grandes extensões de florestas nativas ao longo dos cursos d’água. Estas florestas desempenham papel importante na manutenção dos limites dos leitos dos rios, filtragem de partículas em suspensão, constituição de refúgios e fonte de alimento para a fauna silvestre e regularização do regime hídrico. A manutenção e/ou implantação de uma faixa de proteção no entorno do reservatório proporcionará, dentre outras, as seguintes vantagens: 313 ü ampliação de benefícios sociais pela presença destas florestas marginais, vinculados à saúde e ao lazer das populações adjacentes e à recomposição estética da paisagem alterada pela inclusão do reservatório; ü redução do carreamento de sedimentos para o reservatório, levados pelas enxurradas; ü aumento da resistência das margens do reservatório à erosão provocada por ondas; ü sustentação da fauna terrestre e aquática que depende da vegetação marginal. Este Subprograma ainda visa atender à legislação ambiental referente à manutenção da vegetação, principalmente o Código Florestal Brasileiro e as Resoluções CONAMA nº 302 e nº 303, de 2002. Assim, o Subprograma de Recuperação e Adensamento da APP tem como objetivos: ü manter e/ou estabelecer uma Área de Preservação Permanente florestada ao longo de todo o perímetro do reservatório, sendo esta determinada por fatores técnicos e condicionantes físicos e sócio-ambientais; ü avaliar áreas contíguas preservadas e suas populações florísticas, visando incorporar remanescentes vegetais importantes à faixa de proteção ciliar que possam acolher espécimes da fauna, sobretudo espécies raras, vulneráveis e/ou ameaçadas de extinção; ü reduzir os impactos causados pelo desmatamento das áreas que serão alagadas; ü manter e ampliar as áreas de refúgio para a fauna durante os desmatamentos e o enchimento do reservatório; ü formar corredores visando o deslocamento da fauna para áreas adjacentes ao reservatório; ü conservar áreas verdes importantes para a manutenção da fauna local; ü compensar parcialmente os desmatamentos realizados no canteiro e na bacia de acumulação, atenuando simultaneamente a redução da diversidade de espécies e da produtividade das formações naturais; ü evitar o carreamento de sedimentos e resíduos de agrotóxicos para os corpos d’água; ü permitir a conservação de espécies vegetais raras ou ameaçadas de extinção; 314 ü gerar efeitos biológicos positivos, favorecendo a formação de ambientes adequados à proteção e manutenção da fauna terrestre e aquática; ü reintroduzir espécies nativas consideradas raras na região; e ü incentivar a manutenção e a ampliação de áreas verdes com vegetação nativa, plantadas pelos proprietários lindeiros aos cursos d’água. Medidas e procedimentos A recomposição da vegetação ciliar deverá ser realizada em áreas do entorno do reservatório e na faixa de preservação permanente, conforme resolução CONAMA 302 de 20 de março de 2002. De acordo com a legislação vigente é adotado a cota partir da elevação correspondente ao NA max. Normal. Para um melhor planejamento, a superfície objeto da intervenção, deverá ser estratificada quanto sua declividade, conforme as seguintes classes clinométricas: ü Classe "a" - áreas com declividade inferior a 25%; e ü Classe "b" - áreas com declividade superior a 25%. Escolha das espécies O critério preferencial que tem sido adotado para o reflorestamento ciliar, está embasado nos modelos de sucessão secundária, utilizando-se dos mecanismos pelos quais ela se manifesta naturalmente. As espécies são, de forma geral, divididas em três grupos principais de acordo com a estratégia de desenvolvimento no processo de sucessão natural, em: Pioneiras (P), Secundárias (S) e Clímax (C). De acordo com a capacidade de desenvolvimento, em relação à condição de umidade do solo, as espécies deverão ser divididas em três grupos, como se segue: ü Grupo A: Condição de umidade do solo elevada. Planícies Fluviais. ü Grupo B: Condição de umidade do solo moderada. Sítios úmidos (Colinas areno argilosas). ü Grupo C: Condição de umidade do solo baixa. Sítios mésicos (Morrotes dissecados). Deve ser, ainda, definido um grupo de vegetação, com ocorrência não ciliar. ü Grupo D: Espécies com ocorrência não ciliar 315 Para melhor esquematização e controle dos dados, as espécies segundo o processo de sucessão, devem ser classificadas da seguinte forma: Pioneiras: 1; Secundárias: 2; Clímax: 3 Então, desta forma poderão ser definidos seis cenários distintos, alvo da intervenção florestal: ü Cenário 1: Terreno compreendido na classe "a", sujeito a encharcamento freqüente; ü Cenário 2: Terreno compreendido na classe "b", sujeito a encharcamento freqüente; ü Cenário 3: Terreno compreendido na classe "a", sujeito a encharcamento eventual; ü Cenário 4: Terreno compreendido na classe "b", sujeito a encharcamento eventual; ü Cenário 5: Terreno compreendido na classe "a", não sujeito a encharcamento; e ü Cenário 6: Terreno compreendido na classe "b", não sujeito a encharcamento. As espécies arbóreas que poderão ser utilizadas devem ser definidas segundo a listagem de espécies observadas nas áreas diretamente afetadas e de influência do empreendimento hidrelétrico e devem ser acrescidas de algumas espécies ameaçadas de extinção (IBAMA Portaria nº 37-N, de 3 de abril de 1.992), como também de algumas espécies de ocorrência regional utilizadas como referência para reflorestamento ciliar Metodologia empregada para os diferentes cenários ü Cenário 1 Terreno compreendido na classe "a", com declividade inferior a 25%, sujeito a encharcamento freqüente. Deverão ser utilizadas espécies do Grupo A - Condição de umidade do solo elevada. ü Cenário 2 Terreno compreendido na classe "b", com declividade superior a 25%, sujeito a encharcamento frequente. Deverão ser utilizadas espécies do Grupo A - Condição de umidade do solo elevada. 316 ü Cenário 3 Terreno compreendido na classe "a", com declividade inferior a 25%, sujeito a encharcamento eventual. Deverá ser utilizada espécies do Grupo B - Condição de umidade do solo moderada. ü Cenário 4 Terreno compreendido na classe "b", com declividade superior a 25%, sujeito a encharcamento eventual. Deverá ser utilizada espécies do Grupo B - Condição de umidade do solo moderada. ü Cenário 5 Terreno compreendido na classe "a", com declividade superior a 25%, não sujeito a encharcamento. Deverá ser utilizada espécies do Grupo C - Condição de umidade do solo baixa. Sítios mésicos. ü Cenário 6 Terreno compreendido na classe "b", com declividade superior a 25%, não sujeito a encharcamento. Deverá ser utilizada espécies do Grupo C - Condição de umidade do solo baixa. Sítios mésicos Para todos os cenários deve-se adotar: Implantação Consiste no cumprimento das seguintes tarefas: · definição das áreas; · limpeza da área; · determinação da posição das covas; · coveamento; · adubação e fechamento das covas; · combate a formigas cortadeiras; 317 · distribuição das mudas e plantio; e · isolamento da área. Manutenção Envolve o cumprimento das seguintes tarefas: · combate a formigas cortadeiras; · tutoramento das mudas; · irrigação; · adubação de cobertura; · coroamento; · limpeza da área; e · eliminação de ramos doentes ou atacados por pragas. Monitoramento Envolve o cumprimento das seguintes tarefas: · vistoria da presença de formigas cortadeiras; · vistoria da presença de outras pragas e doenças; · vistoria do "status" de desenvolvimento das mudas; · verificação de falhas no povoamento; e · replantio. Etapas do Subprograma Os Programas relativos à flora e a fauna serão implementados de forma integrada, em várias etapas, conforme segue: ü Etapa 1 – Conhecimento do Inventário Florestal Deve-se conhecer os dados do inventário florístico e florestal da área de alagamento, com o objetivo de rever a lista das espécies a serem priorizadas no planejamento executivo do reflorestamento. Num segundo momento, deve ser efetuada a observação das condições ecológicas dos remanescentes florestais ainda existentes ao redor do reservatório, a serem incorporados à APP, e a quantificação das áreas a serem recuperadas/restauradas ao redor do reservatório e de seus principais afluentes. 318 ü Etapa 2 – Obtenção das mudas para recomposição da APP · Aproveitamento do germoplasma (mudas, sementes e/ou estacas) retirado das áreas que serão alagadas, as quais poderão ser transferidas diretamente para a faixa ciliar, dependendo da espécie, da época do ano e do tipo de material coletado; · viveiros florestais implantados pelo empreendedor, em parceria com prefeituras municipais, Secretarias de Agricultura, EMPAER, SEMA-MT e outros interessados, conforme instruções estabelecidas no Programa de Implantação ou incremento de Viveiro Florestal; · aquisição de terceiros, que estejam produzindo mudas de espécies nativas na região. Parte das atividades de obtenção de material vegetal para produção de mudas provém de ações do Programa de Conservação da Flora e devem ser plenamente integradas com as atividades deste programa. ü Etapa 3 - Implantação da APP Esta etapa ocorre a partir da aquisição das áreas pelo empreendedor e indicação dos usos mais apropriados para cada remanescente de propriedade adquirido, bem como da demarcação e identificação dos limites das áreas de propriedade do empreendedor. Obtenção das mudas Trata-se de obter as mudas de essências nativas, autóctones, escolhidas entre as mais importantes, mais raras e de crescimento rápido para utilização no processo de revegetação. Deve-se levar em consideração o Subprograma de Resgate da Flora e o Programa de Implantação ou Incremento de Viveiro Florestal. Recomposição da APP Nas áreas abertas, o processo iniciará com o plantio de espécies pioneiras, procedendo-se, após, o plantio de espécies secundárias e climáxicas, procurando-se acelerar o processo. A reconstituição da vegetação na APP, hoje utilizadas para lavouras e/ou pastagens, consistirá no plantio de espécies pioneiras ocorrentes na região e 319 outras com características semelhantes que ocorrem ainda na fase inicial da sucessão. O uso de espécies nativas de ocorrência na região, com o objetivo de reconstituir as áreas alteradas total ou parcialmente, buscará o restabelecimento da floresta em sua estrutura e funcionamento, favorecendo sua auto-sustentação como forma de garantir seu equilíbrio. A faixa ciliar do AHE Colíder deverá receber, em função das características que apresenta, três tipos de tratamento: ü Regeneração natural A sucessão secundária é o mecanismo pelo qual as florestas se autorenovam, o qual ocorre por meio da cicatrização de pontos em distúrbio e em cada momento em diferentes locais de uma floresta, resultando em um "mosaico" formado pelo conjunto de áreas em diferentes estágios de sucessão. Isto demonstra que a complexidade da floresta não existe apenas em termos de espécies diferentes, mas também em função de sua contínua renovação. (auto-renovação) tratamento dispensado as áreas de estágios médios e avançados de sucessão vegetal e de floresta primária explorada. Ao se adotar a sucessão secundária como modelo para implantação de uma floresta (a mais equilibrada possível), considera-se que, além da diversidade de espécies, devem estar presentes as combinações dos diferentes grupos. A diversidade de uma floresta tropical é dada muito mais pela variação entre as partes do mosaico, do que dentro de cada uma de suas partes. Assim, para acelerar a regeneração de uma floresta, o plantio deverá ser feito combinando-se espécies de grupos diferentes quanto à sucessão, compatíveis entre si, e direcionados para a fase clímax. ü Adensamento O método de plantio mais utilizado no caso de adensamento é o Sistema de Andersen Simplificado, que dispensa a limpeza da área antes do plantio, fazendose apenas o preparo da cova e o coroamento. No primeiro ano após o plantio, a limpeza será feita dentro de cada grupo, apenas quando necessário, para evitar o sombreamento. Inicia-se o 320 adensamento pelo plantio de mudas de espécies tolerantes à sombra (umbrófilas), as quais devem ser tutoradas. Estas mudas exigem maior tempo de permanência nos viveiros, obtendo assim o sistema radicular mais desenvolvido e com maior porte na porção aérea, melhores condições de sombreamento. Será feito, também, o plantio direto na época em que as sementes de determinadas espécies existam em abundância, como é o caso do pinheiro brasileiro. ü Reflorestamento Mesmo no caso de reflorestamento, preparar-se-á somente a cova e fazer-se-á o coroamento. A limpeza deverá ser feita somente quando necessário até o terceiro ano, para evitar o sombreamento excessivo. Após o terceiro ano espera-se que as mudas estejam adaptadas e em condições de competir com as espécies que se instalarão naturalmente. Deverá ser adotado apenas para áreas ocupadas por lavouras, assim como para recuperação de áreas degradadas. Quando a propagação da espécie é por sementes, o plantio será realizado diretamente. Em alguns casos será semeado a lanço ou com máquina manual, sendo que o plantio será efetuado, preferencialmente, por proprietários lindeiros ou agricultores da região. ü 4ª Etapa: Monitoramento Refere-se ao acompanhamento do desenvolvimento da vegetação implantada. Este será efetuado mediante análise da sucessão secundária da vegetação, associada à adaptação dos animais deslocados pelos desmatamentos e/ou ao surgimento de espécies animais nas áreas a serem preservadas na APP. 8.13.5 Equipe Básica O Subprograma deverá ser executado por um engenheiro florestal e um auxiliar técnico e mão de obra especializada. 8.13.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Este Subprograma será de responsabilidade do empreendedor e por ele coordenado. Contudo, sugere-se que se realizem convênios com instituições envolvidas na 321 recuperação de margens de rios (públicas e privadas), além de produtores de mudas e proprietários lindeiros. Como potenciais parceiros pode-se destacar: Secretaria da Agricultura do estado do Mato Grosso; IBAMA; SEMA - MT; Prefeituras Municipais; Organizações Não Governamentais; Instituições de Pesquisa; Instituições de Ensino Superior; EMPAER; e Cooperativas, Sindicatos Rurais e Proprietários Rurais da Região. 8.13.7 Custo Estimado O custo aproximado para implantação desse Subprograma é de R$5.000.000,00 (cinco milhões de Reais). 322 8.13.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Avaliação dos dados do inventário Obtenção das mudas para recomposição da APP Caracterização das áreas de APP e remanescentes incorporados Seleção das espécies e quantificação das mudas Execução dos plantios Manutenção e Monitoramento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Avaliação dos dados do inventário Obtenção das mudas para recomposição da APP Caracterização das áreas de APP e remanescentes incorporados Seleção das espécies e quantificação das mudas Execução dos plantios Manutenção e Monitoramento Ano 8 Ações Previstas 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Avaliação dos dados do inventário Obtenção das mudas para recomposição da APP Caracterização das áreas de APP e remanescentes incorporados Seleção das espécies e quantificação das mudas Execução dos plantios Manutenção e Monitoramento 8.14 PROGRAMA DE IMPLANTAÇÃO OU INCREMENTO DE VIVEIRO FLORESTAL 8.14.1 Histórico e Justificativa A implantação de viveiro florestal tem a finalidade de contribuir para a manutenção da diversidade e da variabilidade genética das populações vegetais locais, atuando como fornecedor de mudas para a recuperação das áreas degradadas e a revegetação/adensamento florestal das margens do reservatório. 323 8.14.2 Objetivo ü Disponibilizar o espaço físico necessário para guardar as sementes, mudas, estacas e outros materiais oriundos do Subprograma de Resgate da Flora; ü aproveitamento científico do material botânico coletado para produção de exsicatas; ü criar, equipar e/ou ampliar viveiros florestais existente nos municípios afetados pelo empreendimento; ü garantir a conservação das espécies vegetais raras, endêmicas e/ou ameaçadas de extinção resgatadas; ü fomentar o reflorestamento através da distribuição de mudas de essências nativas para proprietários e agricultores da região; ü dispor de pessoal habilitado para a produção de mudas, bem como, orientação técnica aos empregados do viveiro. 8.14.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Recuperação de Áreas Degradadas; ü Programa de Comunicação Social; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.14.4 Diretrizes Gerais A execução do projeto deverá ser desenvolvida a partir de duas possibilidades: a primeira através de convênio com as Prefeituras dos municípios atingidos e a segunda diretamente com o empreendedor. O município de Colíder já possui um viveiro florestal instalado, além dele os demais municípios afetados poderão manter convênio com o empreendedor para produção de mudas, com possibilidade de ampliação dos viveiros já existentes. A seguir, é apresentado a estrutura técnica da implantação do viveiro florestal proposto pelo Programa. O tamanho dos viveiros está condicionado a demanda de mudas, onde se estabelece estimativas quanto ao tamanho em relação a quantidade 324 de mudas/ano a serem produzidas. É proposto que cada município atingido fique responsável pelo seu viveiro, ou que seja construnido um viveiro florestal na área do canterio de obras. A produção dos viveiros deverá ser compatível para a recuperação de toda a APP futura do reservatório que esteja degradada, o que totaliza cerca de 1.000 hectares. Após realizada a montagem da infraestrutura dos viveiros dos respectivos municípios, deve-se atentar para alguns detalhes, quais sejam: a produção do viveiro florestal será de mudas nativas, frutíferas (piscicultura associada a produção de mudas/alimento para a fauna) e mudas exóticas para reflorestamento como uma alternativa econômica para os agricultores. O viveiro receberá também, as espécies provenientes da operação de resgate da flora para trabalhos de escarificação de sementes, produção de mudas e preparação do material botânico para formação de excicatas. As espécies selecionadas, para produção em viveiro deve atender a aspectos ecológicos, como estágios de sucessão, diferenciação de hábito (arbustos, arvoretas e árvores), resistência a insolação, adaptação a solos pobres, baixa umidade e altas temperaturas, assim como os principais critérios para a revegetação em áreas degradadas, neste sentido será apresentado em anexo uma tabela contendo as principais espécies nativas da região recomendadas para adensamento. A manutenção das mudas reintroduzidas em campo deverá ser realizada pelo pessoal técnico contratado pela Copel, juntamente com os técnicos do viveiro florestal. 8.14.4.1 Fase 1 - Implantação de Viveiro Florestal de Mudas Nativas e ou Incremento de Viveiros Florestais da Região No caso de se optar pela implantação do viveiro, essa deverá ocorrer juntamente com o início das obras do AHE Colíder. Especificação técnica Devem ser estabelecidas as especificações para as definições de implantação do viveiro e desenvolvimento das mudas. 325 Escolha do local e área do viveiro A área onde será instalado o viveiro deverá estar localizada preferencialmente próxima ao canteiro de obras do AHE facilitando os trabalhos de transporte de mudas às áreas que serão reflorestadas. Nesse local deverão ser executadas todas as atividades referentes à produção de mudas com a finalidade de se obter vegetais bem formados, com boa fitossanidade e vigor. Na escolha do local deverão ser considerados os seguintes fatores: ü disponibilidade de água em qualidade e quantidades satisfatórias; ü solo com boa drenagem e uma declividade máxima de 3%; ü facilidade de acesso; e ü local ensolarado e abrigado de ventos fortes. O viveiro deverá ter aproximadamente 2.000 m² para todas as estruturas e acessos, considerando a geografia da área escolhida e a quantidade de mudas a serem produzidas conforme a demanda do empreendimento. Instalações necessárias Para implantação do viveiro florestal, são necessárias ao menos as seguintes instalações: ü Galpão: em madeira de 8 x 5 m. A metade (4 x 5 m) deve ser fechada para servir como depósito de insumos, materiais e ferramentas. A outra metade deve ser aberta, com pia e uma bancada de 1 x 2 m, para abrigar substrato (terra vegetal) e servir como área para enchimento de sacos plásticos nos dias de chuva. Todo o galpão deverá ser coberto e ter o piso revestido com cimento. ü Cobertura: esta área deverá ser coberta com sombrite fixadas por postes de 2,5 m de altura, fixado sobre arame ovalado n°14 revestido. A área coberta de 40 x 20 m ou 800 m². ü Canteiros: cada canteiro deverá ter 1 x 9,15 m e poderá comportar aproximadamente 1.700 mudas. Devem ser 44 canteiros dentro da área coberta com sombrite e 10 canteiros na área para rustificação, totalizando uma produção de aproximadamente 90.000 mudas anuais, sujeita a alterações. Os passeios entre os canteiros deverão ter no mínimo 70 cm de largura e ser devidamente 326 cobertos com brita. A disposição dos canteiros deve ser perpendicular à linha do declive a fim de cortar as águas. ü Sementeiras: deverão ser construídas na forma de um retângulo de 1 x 8 m, em alvenaria, com 50 cm de altura. Dentro da sementeira deverão ser postas as seguintes camadas: 20 cm de calhau, sobre este 10 cm de brita n° 1, após 5 cm de terra, e por fim 15 cm de areia grossa. Serão necessárias seis sementeiras cobertas por plástico sobre estrutura de PVC e ferro fixado por arame ovalado n° 14 revestido com PVC. ü Cercamento: o local deve ser cercado, de forma a impedir o acesso de animais domésticos. Estas definições estão sujeitas a adequações, conforme o local onde será implantado e a necessidade de mudas a serem produzidas. Ferramentas, máquina, equipamentos e outros matérias necessários Para as atividades executadas no viveiro (viveirismo) será necessária a aquisição de diversos materiais, dentre os principais são: pás, enxadas, peneiras de solo, carrinhos de mão, sacos plásticos entre outros. As demais máquinas e equipamentos irão variar de acordo com as tecnologias utilizadas. Incremento de viveiros florestais da região No caso de se optar pelo incremento de viveiros, é necessário o levantamento dos mesmos nos municípios próximos ao empreendimento. No levantamento realizado verificou-se a existência de um bom viveiro municipal em Colíder. Caso não exisam nos outros municípios, eles devem ser implantados. 8.14.4.2 Fase 2 - A Produção das Mudas A produção das mudas deverá ser realizada através de propágulos e sementes adquiridos pelo Subprograma de Resgate de Flora nas coletas realizadas na área de influência do empreendimento e seu entorno. Esta produção deverá ter início logo após a implantação do viveiro ou negociação com um viveiro local. Havendo necessidade de complementação de sementes, essas deverão serão adquiridas em bancos de sementes, hortos florestais ou em novas coletas na região. 327 Métodos de produção de mudas ü Através de sementes A obtenção de sementes de boa qualidade fisiológica, genética e física, é fundamental para se obter sucesso no sistema de produção de mudas em um viveiro, portanto a fonte de aquisição das mudas dever ser confiável. Outro fator a ser considerado são as mudas obtidas durante o resgate da flora. A seguir são descritos dois métodos de semeadura: ü Semeadura em canteiros com posterior repicagem para recipientes individuais Este método é adotado para espécies cujas sementes são muito pequenas, de difícil manuseio, tolerantes ao traumatismo das raízes e com baixa porcentagem de germinação. Os aspectos a serem observados são: canteiros de semeadura (dimensões: 10,0 x 10,0 x 0,40 m; proteção lateral; preparo do substrato: terra de superfície + esterco de curral curtido; desinfecção de pragas e/ou doenças com brometo de metila); semeadura: nivelamento do canteiro, regas, semeadura a lanço; cobertura de sementes com fina camada de terra, proteção com tela plástica; manter regas freqüentes e periódicas, eventuais pulverizações com produtos fungicidas; repicagem: é feita quando as mudas atingiram uma altura de 5-8 cm ou com dois pares de folhas; promover a aclimatação ou rustificação das mudas antes de leva-las para o plantio em campo. Deverá ser feita a seleção das mudas melhor desenvolvidas e mais vigorosas, à sombra e logo após a sua retirada do canteiro deve-se mantê-las em recipientes contendo água. Se necessário poderá ser feita a poda das raízes. ü Semeadura direta nos recipientes É utilizado para espécies que não toleram o sistema de produção de mudas com repicagem para recipientes individuais; semeadura: 2-3 sementes férteis/ recipiente; cobertura com camada de terra peneirada e fina; manter irrigação regularmente; fertilização mineral – feita parceladamente; pulverizações periódicas preventivas com produtos fungicidas ou inseticidas; seleção por classe de tamanhos e vigor das mudas; rustificação por classe de tamanhos das mudas no viveiro; e transporte. 328 ü Através de estaquia É um método que deverá ser utilizado também para a produção de mudas através da propagação vegetativa das plantas (método assexuado). É aplicado para espécies que possuem boa capacidade de enraizamento. Material utilizado: canteiro sob cobertura; substrato do canteiro (areia lavada + brita, dispostos em camadas); irrigação; hormônio para acelerar o enraizamento; material vegetativo. Os tratos culturais correspondem a uma etapa importante da implementação do viveiro florestal, uma vez que, o sucesso do viveiro depende de cada uma das ações descritas a seguir. Espécies a serem produzidas A partir do levantamento fitossociológico a ser realizado para as atividades de desmate e limpeza do reservatório poderão ser determinadas as espécies que deverão ser produzidas no viveiro. Todas devem ser espécies nativas da região de implantação do empreendimento. Deve dar-se atenção especial na produção de mudas das espécies ameaçadas de extinção e raras. Combate as formigas Considera-se esta sendo uma das ações mais importante, pois se às formigas não forem eliminadas, as mudas ficam suscetíveis. As formigas cortadeiras devem ser identificadas quanto ao gênero, para saber qual a melhor forma de eliminá-las. Construção de caminhos Devem ser planejados, de forma a permitir o trânsito em qualquer época do ano, durante toda a fase de consolidação da recuperação. Os caminhos que interligam as áreas aos aterros ou ao viveiro de produção de mudas, e que não mais serão utilizados, deverão se recuperados, à semelhança da área de empréstimo. Alinhamento e marcação das covas Determinação do ponto exato, onde deverá ser aberta a cova, respeitando-se os espaçamentos de cada local. As covas para o plantio de arbóreas deverão ser marcadas com uma distância mínima entre as mesmas de 2 m. 329 Coroamento Consiste em uma capina convencional, individualmente ou ao longo de todas as linhas de plantio. O objetivo desta operação é evitar a competição aérea e radicular entre a muda plantada e as ervas daninhas, é realizado o coroamento para plantio ao redor das covas, com um raio mínimo de 0,60 m a partir das bordas. Coveamento manual A dimensão das covas deverá variar em função do tamanho da embalagem da muda a ser plantada e do solo do local de implantação. São separadas as terras de superfície e de fundo de cada cova para a adoção da “inversão” no plantio. Calagem na cova Cerca de dois meses antes do plantio, é incorporado 300 g/cova de calcáreo dolomítico. Adubação na cova Esta operação é realizada concomitantemente com o plantio. A análise química do solo local, realizada previamente, indica a quantidade e a formulação do fertilizante a ser utilizado, recomenda-se que o produto sofra íntima incorporação com todo o volume de terra retirado da cova. Distribuição manual de mudas Consiste no transporte de mudas, previamente preparadas e selecionadas, do viveiro de produção até a distribuição, propriamente dita nas covas. Recomendam-se cuidados especiais, impedindo quebras, queima ou destorramento das mudas. Plantio de mudas No ato do plantio, a embalagem da muda deverá ser retirada totalmente, com cuidado para não destorroar o substrato original. A muda preparada será colocada na cova sobre uma pequena porção da mistura de terra e fertilizante, complementando-se com o restante da mistura e compactando adequadamente o seu redor. O colo da muda deverá ficar em concordância com a superfície do terreno e o substrato original, recoberto por uma leve camada de terra. 330 Irrigação Ocorrendo condições climáticas desfavoráveis, logo após o plantio das mudas, as mesmas deverão ser irrigadas, com aproximadamente 10 litros de água muda/dia, repetindo-se toda a operação sempre que necessário e evitando-se o ponto de murchamento permanente. Replantio Decorridos cerca de quarenta dias do plantio, todas as mudas deverão ser inspecionadas. Constatando-se a morte da planta, esta deverá ser substituída, aplicando-se todas as operações técnicas anteriormente descritas, excetuando-se a adubação que não deverá ser repetida. Roçada Esta operação será realizada nas entrelinhas de plantio, consistindo no corte da vegetação herbácea existente, resultando em um manto de vegetação cortada com altura não superior a 0,20 m. Tratamento fitossanitário Operação imprevisível no tocante ao tipo de praga ou doença, época de ocorrência e intensidade do ataque. Realizada evidentemente quando necessária, através de pulverização manuais ou motorizados. Monitoramento Esta etapa consistirá no acompanhamento do desenvolvimento das mudas, dos processos erosivos nos taludes e controle de drenagem, visando intervenções e revisões da metodologia proposta. Destinação Após as mudas terem passado pelo processo de rustificação e estarem prontas para o plantio, essas serão transportadas para as áreas a serem reflorestadas, selecionadas pelo Programa de Reflorestamento e Adensamento da APP. No transporte, as mudas devem ser protegidas por lonas ou outro tipo de cobertura, de forma a evitar danos pelo vento, chuva e calor. Por ocasião do plantio, havendo a necessidade de 331 estocagem das mudas no campo, por alguns dias, deve-se ter o cuidado de mantê-las sempre irrigadas, fazer o controle das formigas e outros agentes nocivos. 8.14.5 Equipe Básica A equipe técnica para a execução do programa deverá ser formada pelos seguintes profissionais: ü Um coordenador de nível superior (biólogo, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal) que dará acompanhamento técnico de supervisão com periodicidade a cada 15 dias, e integrará a atividade de produção de mudas deste programa com as atividades relacionadas ao resgate de flora e recuperação e adensamento da APP; ü um funcionário permanente, de preferência técnico agrícola, encarregado de todas atividades relacionadas a produção de mudas; e ü quatro auxiliares permanentes para dar apoio às atividades de viveirismo. 8.14.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Secretaria de Agricultura dos municípios afetados, UFMT – Universidade Federal do Mato Grosso e Organizações não-governamentais. 8.14.7 Custo Estimado Estima-se um custo de R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 332 8.14.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Especificações técnicas Escolha do local e área do viveiro Implantação dos viveiros e instalaçãoes necessárias Recebimento do material resgatado Produção das mudas Monitoramento do desenvolvimento das mudas Destinação das mudas Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Recebimento do material resgatado Produção das mudas Monitoramento do desenvolvimento das mudas Destinação das mudas Ano 8 Ações Previstas 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Recebimento do material resgatado Produção das mudas Monitoramento do desenvolvimento das mudas Destinação das mudas 8.15 PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS 8.15.1 Histórico e Justificativa O Programa de Recuperação de Áreas Degradadas deve indicar os procedimentos voltados à recuperação ambiental das áreas alteradas. Assim, para cada local a ser recuperado, deve ser elaborado um projeto ou plano específico, sendo que, o conjunto de projetos e planos compõe o Programa de Recuperação das Áreas Degradadas. Durante a construção de aproveitamentos hidrelétricos ocorre a retirada de material de empréstimo, a criação de áreas de “bota-fora”, a abertura de estradas de acesso e outras atividades que envolvem grandes movimentos de terra, acarretando a eliminação da cobertura vegetal, bem como a descaracterização das camadas dos solos que dão sustentação à vegetação, restando, ao término das obras, modificações 333 cênicas e desequilíbrios na dinâmica hídrica dos ambientes atingidos (ENGEVIX, 1996). De acordo com o Parágrafo 2º do artigo 225 do Capítulo VI da Constituição Federal, que trata do meio ambiente: “aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei”. Além dos aspectos legais, há interesse direto do empreendedor em recuperar as áreas degradadas, principalmente no sentido de diminuir o aporte de sedimentos ao reservatório, evitando o comprometimento de sua vida útil e da qualidade das águas. As áreas objeto deste programa, exploradas para retirada de materiais a serem utilizados na construção do AHE Colíder podem ser classificadas como jazidas, pedreiras, areais ou caixas de empréstimo. Além dessas áreas o Programa também considerada as áreas do canteiro de obras. 8.15.2 Objetivo ü Definir e delimitar as áreas degradadas e a serem recuperadas; ü restabelecer as relações solo-água-planta nas áreas afetadas; ü revegetar as áreas degradadas; ü realizar a reintegração paisagística das áreas degradadas, buscando a recuperação do aspecto cênico; e ü executar sistemas de drenagem superficial, minimizando erosões de taludes e aterros. 8.15.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Seleção, Capacitação e Contratação de Mão-De-Obra e Fornecedores Locais; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Gestão Ambiental da Obra; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 334 8.15.4 Diretrizes Gerais O Programa de Recuperação de Áreas Degradadas agrega uma série de medidas de prevenção e de recuperação ambiental para o período de execução das obras e da desmobilização do canteiro de obras. As ações específicas de recuperação, a serem aplicadas a partir da implantação das instalações do canteiro de obras, nas áreas com esta demanda, serão detalhadas no Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD, a ser entregue à empreiteira responsável pela execução das obras. Algumas ações deverão ser realizadas de maneira a minimizar os impactos ambientais potenciais e facilitar a execução da recuperação das áreas degradadas, são elas: ü Ações preventivas: implantadas desde o início das obras até a desmobilização das estruturas provisórias do canteiro, buscando minimizar as ações posteriores para a recomposição das áreas; ü Ações corretivas: serão de aplicação imediata, visando retornar a situação ambiental original e compensar o dano ambiental causado; e ü Ações de recomposição ambiental: serão realizadas imediatamente após o término dos serviços de cada frente de trabalho, com vistas à recuperação física e biótica das áreas e posterior reintegração à paisagem local. O Programa de Recuperação de Áreas Degradadas está dividido em quatro fases, conforme apresentado na sequência. 8.15.4.1 Fase 1 - Planejamento das Atividades de Recuperação A execução da recuperação das áreas degradadas do canteiro de obras do AHE Colíder requer o planejamento de uma série de atividades, bem como da definição dos responsáveis da sua execução, conforme apresentado a seguir: Definição de responsabilidades É de suma importância para o bom andamento das atividades que, previamente ao início das obras, se definam e se explicitem as responsabilidades de cada envolvido com a implantação do AHE Colíder. Deverão ser definidos os responsáveis pela execução, acompanhamento e fiscalização das atividades de recuperação das áreas degradadas, a fim de otimizar as ações desenvolvidas e reduzir os retrabalhos. 335 Capacitação e treinamento Os funcionários da empresa responsável pela execução da obra deverão receber treinamento periódico, visando à capacitação dos mesmos para o desenvolvimento das suas atividades, a fim de que se reduzam danos ambientais desnecessários durante a sua permanência no empreendimento. Importante destacar que esse assunto será abordado de forma específica no Programa de Seleção, Capacitação e Contratação de Mão-de-Obra e Fornecedores Locais, Programa de Educação Ambiental e no Programa de Gestão Ambiental da Obra. Definição das áreas a serem recuperadas Para a definição das áreas a serem ocupadas pelo canteiro de obras deve ser levado em consideração a redução de impactos, como a supressão de vegetação e as necessidades de corte e aterro. Desta forma, reduz-se a quantidade e a complexidade das áreas a serem recuperadas nas diferentes instalações que compõem o canteiro de obras. Após esta definição, é necessária a locação destas áreas em mapa planialtimétrico, com a definição dos locais de locação provisória e permanente das estruturas, além de acessos, por parte da empreiteira responsável pela obra. Este mapeamento é importante para a definição das quantidades de materiais (adubos, sementes, mudas) utilizados, nas áreas a serem recuperadas durante a execução da obra. Medidas preventivas a serem adotadas A abertura de áreas e os serviços de escavação e terraplenagem são etapas que requerem algumas medidas preventivas visando à minimização de áreas a serem recuperadas ao longo da obra. Assim, pode-se listar: ü proceder à retirada da vegetação existente (árvores, arbustos, galhos) dentro dos limites da área licenciada e estipulada no projeto, restringindo-se ao espaço efetivamente necessário para abrigar as instalações projetadas ou as demandas de acesso; ü conservar e proteger a vegetação remanescente nas áreas adjacentes ao canteiro, evitando impactos nas mesmas, como o descarte de resíduos, o uso de 336 árvores como “ponto de apoio e ancoragem” de serviços e a utilização destas áreas como estacionamento de máquinas e outros veículos; ü executar as escavações adotando técnicas apropriadas para evitar o espalhamento e deslizamento de materiais para fora dos locais delimitados de trabalho; ü raspagem e separação da camada superficial do solo (aproximadamente 40 cm), sendo que, em locais onde a camada total de solo for inferior a 40 cm esta deverá ser removida integralmente. Estes materiais devem ser estocados em locais planos, de fácil acesso, de preferência sem cobertura vegetal de porte arbóreo, sinalizados e protegidos contra erosão. Este estoque deverá estar localizado o mais próximo possível da área afetada, ou nas áreas pré-definidas para bota-espera, visando facilitar os serviços de recuperação posteriores. Este material deverá ser para uso exclusivo da recuperação de áreas degradadas, excluindo a sua utilização para formação de aterros ou para a construção das ensecadeiras; ü a separação, estocagem e aproveitamento da serrapilheira na recuperação deve ser feita pela empreiteira nas seguintes situações: quando ocorrer falta de solo orgânico; caso seja de fácil execução e viabilidade de mão-de-obra. A retirada e separação deve ocorrer antes da escavação dos solos. O local de armazenamento pode ser junto com o solo orgânico; ü proceder a utilização imediata do solo orgânico e serrapilheira na configuração de bermas, taludes de corte e saias de aterros, ou a estocagem do material, em local de fácil acesso e protegido da chuva (podendo ser utilizada uma cobertura de PEAD ou lona) previamente definido para área de bota-espera. No caso de volumes muito grandes de solo, que inviabilizam a sua imediata utilização e proteção, e não havendo previsão de utilização do material em curto prazo, o estoque deverá ser vegetado com a utilização de espécies herbáceas. Este procedimento contribuirá para reduzir ou evitar processos erosivos e a perda da fertilidade natural dos solos, bem como para incrementar o banco de sementes do mesmo com espécies indicadas para a recuperação de áreas degradadas; e ü realizar a recuperação concomitante e/ou imediata dos taludes e saias de aterro dos acessos, com a implantação de bermas, canaletas de drenagem, bueiros e estruturas de dissipação de energia e redução de velocidade de escoamento, nas áreas em que estas se fizerem necessárias, visando manter a estabilidade dos 337 taludes e saias de aterro e encostas adjacentes, evitando impactos ambientais em áreas contíguas e contribuindo para a segurança nas áreas do canteiro de obras. A escolha das áreas para locação de bota-foras deverá contemplar simultaneamente as exigências da obra e as necessidades de conservação ambiental, sendo preferencialmente locadas em áreas que serão posteriormente alagadas. É necessário que as áreas a serem destinadas para formação de bota-foras sejam claramente delimitadas e devidamente planejadas, para que sejam evitadas a deformação da paisagem e problemas de drenagem nas áreas contíguas, evitando impactos desnecessários e processos de erosão e assoreamento. As escavações deverão ser realizadas preferencialmente com dimensões longitudinais, evitando-se escavações em profundidade com a formação de crateras, que encarecem e dificultam as atividades de recuperação das áreas degradadas e a reabilitação paisagística da área. A inclinação e extensão dos taludes e saias de aterro e a largura das bermas, além de atenderem a estabilidade e sustentação dos materiais utilizados, deverão aproximarse o máximo possível da configuração original do relevo, de forma a preservar a continuidade paisagística. As Áreas de Preservação Permanente como nascentes e olhos de água, assim como as matas ciliares de pequenos cursos de água, deverão ser preservadas na execução e após as obras de implantação do empreendimento. Caso isso seja inevitável, deverão ser tomados cuidados para evitar a obstrução de tais surgências de corpos d’água, bem como interceptar o sistema de drenagem, o qual poderá causar a desestabilização de aterros e problemas de drenagem de áreas a montante. 8.15.4.2 Fase 2 - Execução da Recuperação do Solo Para a execução da recuperação das áreas degradadas pelas obras do AHE Colíder, visando a otimização da mão-de-obra e dos recursos disponíveis, deverão ser seguidos os seguintes procedimentos: 338 Abertura de áreas Na abertura de áreas deverão ser seguidos os procedimentos relativos a supressão de vegetação (quando necessária) e raspagem, separação e estocagem da camada superficial do solo (aproximadamente 40 cm), além da serrapilheira. Logo após a abertura das áreas estas deverão ter os seus taludes de corte e saias de aterro configuradas e vegetadas imediatamente para evitar a formação de processos erosivos e a possível degradação em áreas contíguas. Em áreas onde a recuperação será realizada após a desmobilização das estruturas, como nos locais de locação das edificações dos canteiros administrativo e industrial, e nos acessos internos provisórios, as ações específicas de recuperação deverão ser elaboradas com base na situação encontrada em cada local específico, após a sua utilização. Para tal deverão ser previstos a estocagem de solo suficiente para a reconfiguração topográfica destes locais e para a implantação de vegetação, e a sua incorporação (quando for o caso) às áreas de APP do reservatório. Recondicionamento topográfico O recondicionamento topográfico é essencial para o sucesso do trabalho de recuperação, pressupondo o preparo do relevo para receber a vegetação, dando-lhe uma forma estável e adequada para o uso futuro da área. O relevo final do terreno deve atender aos seguintes requisitos: ü propiciar estabilidade ao solo, aos taludes e saias de aterro, inclusive em áreas adjacentes; ü auxiliar no controle dos processos erosivos; ü buscar similaridade com o relevo anteriormente existente no local, visando a reabilitação paisagística; e ü comportar o uso futuro pretendido para a área. Os trabalhos de reconstituição topográfica incidirão sobre todas as áreas que apresentarem necessidade de execução desses trabalhos, principalmente nas áreas com corte e aterro. A configuração de taludes deverá ser executada buscando baixas inclinações (preferencialmente até 30º) e comprimentos de rampa (menores que 10 m), reduzindo assim o risco de instalação de processos erosivos e facilitando as atividades de revegetação posteriores. 339 Instalação de sistemas de drenagem A instalação de sistemas de drenagem levará em conta o grau de alteração da drenagem local modificada pelo processo construtivo, devendo ser implantada para contenção de processos erosivos e condução das águas pluviais, considerando às características de cada área a reabilitar. As áreas alteradas, principalmente aquelas que se encontram com o solo descoberto e compactado, apresentam baixa taxa de infiltração, o que lhes confere o aumento da velocidade do escoamento superficial das águas pluviais e, portanto, maior suscetibilidade à erosão, sendo necessária a construção de estruturas de drenagem para minimizar os possíveis impactos. As obras de drenagem (valetas, calhas, bueiros, caixas de dissipação, canais revestidos, terraços, entre outros, conforme a necessidade de cada área) deverão ser implantadas desde o início da construção das obras, sobretudo nas áreas junto aos taludes e saias de aterro dos acessos, no entorno das edificações provisórias e permanentes, atentando para as áreas de descarga, que não devem contribuir para a desestabilização dos taludes e encostas localizados em cotas inferiores do terreno. No caso das áreas de bota-foras, que deverão ser configurados em forma de bancadas, estas deverão ser delimitadas por uma saia de matacos de rocha, e implantadas estruturas de contenção e drenagem, como canaletas e/ou bermas, com finalidade de direcionar o escoamento superficial das águas pluviais. Esta prática de ordenamento das águas pluviais consiste em uma medida preventiva complementar a estruturação de bancadas, para a estabilização de taludes e redução de processos erosivos. Para a execução destas estruturas, faz-se necessário um planejamento prévio, levando-se em consideração a topografia local, para captação e condução das águas superficiais para locais convenientemente adequados em recebê-las, como, por exemplo, áreas de pastagens, matas, canais naturais ou o rio. Deve-se atentar para a necessidade de instalação de estruturas de dissipação de energia e/ou de sedimentação, juntamente com os canais de drenagem, sobretudo em áreas com grandes inclinações. 340 Preparo do solo Após a etapa de recondicionamento topográfico e instalação de estruturas de drenagem, onde estas forem necessárias, deve-se proceder ao preparo do solo para as atividades de revegetação posteriores. Esta etapa deve ser realizada tão logo ocorra a liberação das áreas para tal, evitando áreas com solo exposto, o que aumenta os riscos de erosão e demais impactos associados, sobretudo no período compreendido entre os meses de outubro a março, onde as chuvas têm maior poder erosivo na região do empreendimento. O preparo do solo consiste em um conjunto de medidas para promover a sua estruturação e proteção, sendo que essas medidas variam conforme o nível de degradação dos sítios. Para a realização deste preparo, faz-se necessário a aplicação de uma sequência de ações apresentadas a seguir. ü A descompactação do solo Para realização do procedimento de descompactação do solo deverão ser utilizadas práticas de natureza mecânica e cultural, que poderão ser empregadas conjuntamente ou isoladamente, dependendo da situação que se encontra cada área. As medidas de descompactação de natureza mecânica utilizam equipamentos como o arado e o subsolador, acoplados a tratores. Este procedimento rompe as camadas compactadas do solo, melhorando a infiltração da água no perfil e a sua aeração, fundamentais para o desenvolvimento da vegetação. Para realização desta prática com êxito é necessário um diagnóstico prévio da profundidade da camada compactada. Esta prática deverá ser adotada para a recuperação das áreas dos acessos e estruturas temporárias e locais de manobras das máquinas, onde a descompactação biológica não for recomendada dadas as condições de alta compactação. A descompactação deve ser utilizada em casos específicos, pois ela poderá expor materiais rochosos que interferirão no estabelecimento da vegetação. As práticas culturais são aquelas que utilizam para a descompactação do solo espécies vegetais com capacidade de romper as suas camadas adensadas. Além de realizar a descompactação do solo, esta prática proporciona o aporte de matéria orgânica no solo, principal responsável pela reestruturação do mesmo. 341 Após a descompactação mecânica do solo deve-se proceder a distribuição de “solo orgânico” e serrapilheira, excluindo-se apenas locais onde a camada superficial original do solo estiver preservada, tendo ocorrido apenas à compactação do mesmo. A camada de solo orgânico deverá ser uniforme e ter espessura mínima de 30 cm, permitindo assim o pleno desenvolvimento de vegetação nestes locais. ü Correção da fertilidade Após a descompactação, a distribuição da camada de solo orgânico e a configuração topográfica do terreno, deverá ser realizada a correção da fertilidade do solo. Este procedimento consiste na correção dos níveis de nutrientes e das condições de acidez do solo, de forma a permitir o pleno desenvolvimento da vegetação a ser implantada. Os solos predominantes na AID do AHE Colíder, possuem em média, uma boa fertilidade, teores médios de matéria orgânica (1 a 2%) e baixa acidez. Porém, a partir da sua retirada do ambiente natural e das alterações na sua estrutura, advindos dos trabalhos de abertura de áreas, e, da sua compactação pelo trânsito contínuo de veículos e o seu armazenamento temporário, estas características serão alteradas, necessitando a aplicação de adubos e corretivos previamente a implantação da vegetação. Para a determinação da quantidade de insumos necessários para a correção da fertilidade dos solos, recomenda-se normalmente a análise química destes. Dada a variabilidade das condições que será encontrada nas diferentes áreas em recuperação, este procedimento torna-se desnecessário, sendo indicadas quantidades médias destes insumos para a aplicação nas áreas a serem vegetadas. Sendo assim, devem ser aplicados nos solos 500 kg de calcário (PRNT 70%) e 350 kg de adubo mineral NPK formulação 10-20-20 por hectare (10.000 m²). A aplicação do calcário deverá ser realizada em superfície preferencialmente 30 dias antes da implantação da cobertura vegetal, e o adubo mineral 15 dias antes da implantação da vegetação, em superfície. 8.15.4.3 Fase 3 - Definição das Áreas de Plantio Os locais de plantio deverão ser definidos pela equipe responsável pelos Programas de Recuperação de Áreas Degradadas e de Recuperação e Adensamento da APP. 342 Conforme abordado anteriormente, as áreas de plantio deverão estar com sua configuração topográfica, preparo do solo e revegetação com espécies herbáceas realizados a pelo menos um ano, visando à recuperação das condições de solo necessárias para o pleno desenvolvimento das mudas a campo, salvo as áreas de plantio localizadas em áreas de APP e outros locais, com o objetivo de adensamento da vegetação arbórea já existente. 8.15.4.4 Fase 4 - Implantação da Cobertura Vegetal Após o preparo do solo deverá ser realizada a implantação da cobertura vegetal, cujo objetivo prioritário é propiciar a eficiente cobertura de solo, protegendo-o da erosão e favorecendo a sua estruturação. A revegetação será sempre iniciada com a utilização de espécies herbáceas para posterior implantação de vegetação de porte arbóreo. Uma vez o solo preparado, deverá ser iniciada a implantação da vegetação. Os métodos de semeadura e plantio a serem empregados nas áreas em recuperação serão variáveis de acordo com a situação topográfica encontrada, conforme segue: Espécies herbáceas As áreas localizadas nos declives dos taludes de corte de acessos permanentes, no entorno de instalações elétricas e das estruturas da casa de força e subestação, a recuperação será realizada apenas com a utilização de espécies herbáceas por questões de segurança. Em taludes de corte dos acessos, e demais áreas com taludes e saias de aterro com grande comprimento de rampa (≥ 10 m) e/ou inclinação (≥ 30º) a semeadura das espécies herbáceas deverá ser realizada pelo método da hidrossemeadura. Esta recomendação está baseada em experiências anteriores e no fato de que grandes comprimentos de rampa, associados a altas inclinações não propiciam o preparo do solo manualmente, nem a fixação das sementes em toda a superfície dos taludes e saias de aterro, implicando em retrabalhos, e em muitos casos, no desencadeamento de processos erosivos e deslizamentos. Em áreas planas, ou onde for viável o preparo do solo e a semeadura manual, como taludes com baixa inclinação e comprimentos de rampa, a revegetação com espécies herbáceas pode ser realizada com o plantio em linhas, distantes 20 cm entre si, ou com a semeadura a lanço, cuidando para que ocorra uma distribuição uniforme das sementes em toda a superfície da área a ser recuperada. 343 As espécies herbáceas indicadas para a recuperação de áreas degradadas deverão possuir as seguintes características: ü grande aptidão de proteção e rápido recobrimento do solo, promovendo a prevenção e o controle dos processos erosivos; ü capacidade de auxiliar na reestruturação do solo através do sistema radicular e deposição constante de matéria orgânica; ü hábitos, ciclos e portes variados, visando à recuperação com incremento na biodiversidade e atração de fauna à área; e ü sementes de fácil aquisição e elevado valor cultural. A implantação da vegetação de porte herbáceo deverá ser realizada através de semeadura consorciada utilizando espécies com diferentes sistemas radiculares e outras características desejáveis para a recuperação de áreas. Espécies arbóreas Nas áreas em que a recuperação incluir o plantio de espécies arbóreas, deve-se trabalhar em conjunto com o Programa de Recuperação e Adensamento da APP e com o Programa de Implantação ou Incremento de Viveiro Florestal, pois deverá ser utilizado o maior número possível de espécies nativas, considerando-se as espécies componentes da flora local. A escolha dos estágios sucessionais das espécies que irão compor os mosaicos de plantio serão definidos de acordo com a situação das áreas a serem implantadas as mudas. No caso de áreas onde a cobertura vegetal original tiver sido suprimida no decorrer da obra, serão utilizadas preferencialmente espécies pioneiras (70%) e oportunistas (30%), adaptadas as condições de insolação direta, um ano após a implantação da cobertura vegetal herbácea. No caso de áreas com presença de vegetação de porte arbóreo, como por exemplo, nos plantios que forem realizados para adensamento de áreas de APP, indicam-se espécies de estágio secundário e climácicas, em uma proporção de 70% e 30 %, respectivamente. Os procedimentos do plantio arbóreo deverão seguir as diretrizes, critérios e recomendações estabelecidas no Programa de Recuperação e Adensamento da APP. Esse processo é lento e varia com as condições físicas do local a ser recuperado, podendo durar até cinco anos após o enchimento do reservatório. 344 8.15.5 Equipe Básica A equipe deve conter no mínimo um engenheiro agrônomo ou um florestal, além de técnicos auxiliares especialistas no tema e equipe para o plantio das mudas e manutenção. 8.15.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Copel e empresas especializadas em recuperação de áreas degradadas. 8.15.7 Custo Estimado Estima-se o custo de R$500.000,00 (quinhentos mil Reais) para a execução deste Programa. 345 8.15.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Fase 1 Definição de responsabilidades Capacitação e treinamento Definição das áreas a serem recuperadas Medidas preventivas a serem adotadas Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Fase 1 Definição de responsabilidades Capacitação e treinamento Definição das áreas a serem recuperadas Medidas preventivas a serem adotadas Fase 2 Abertura de áreas Recondicionamento topográfico Instalação de sistemas de drenagem Fase 4 Fase 3 Preparo do solo Definição das Áreas de Plantio Implantação da Cobertura Vegetal Manutenção do plantio Relatórios parciais Ano 8 Fase 4 Fase 3 Ações Previstas 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Definição das Áreas de Plantio Implantação da Cobertura Vegetal Manutenção do plantio Relatórios parciais 8.16 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE ÁREAS ÚMIDAS 8.16.1 Histórico e Justificativa Este Programa visa acompanhar o comportamento das áreas úmidas nas margens do reservatório. Ele deverá utilizar dados de outros programas de monitoramento e dados próprios, procurando estabelecer um panorama do comportamento das novas áreas úmidas, de forma a assegurar sua recuperação. Considerando a ocorrência dos impactos “Elevação do nível do lençol freático após a formação do reservatório” e “Criação de áreas úmidas permanentes” diagnosticados 346 no EIA do AHE Colíder, faz-se necessário o desenvolvimento de ações relativas ao monitoramento e conservação desses setores das margens do futuro reservatório. A nova situação gerada nas planícies fluviais que serão alagadas e em terraços que ocorrem de modo restrito ao longo do trecho afetado do rio Teles Pires, poderá apresentar problemas localizados de estabilidade de encosta, causado pelo embate de ondas, devido à sua inclinação e à susceptibilidade do material constituinte. A planície de inundação difere das áreas úmidas que caracterizam as planícies inundáveis atuais do rio Teles Pires e dos seus afluentes que serão afetados pela formação do reservatório. Nestas áreas se formará um novo hábitat em que se desenvolverão processos sucessionais e de colonização. Estas áreas úmidas serão formadas por dois componentes: ü áreas alagadas rasas, com lâmina d’água de pouca profundidade; e ü áreas externas ao reservatório, com solo saturado de água pela proximidade a lâmina d’água. 8.16.2 Objetivo O Programa de Monitoramento de Áreas Úmidas tem por objetivo os resultados da evolução dos grupos que fazem parte dos meios físico e biótico em áreas adjacentes ao reservatório. Assim os objetivos específicos são: ü compor um banco de dados com informações geográficas, com finalidade de realizar análises espaciais para avaliação do processo de recuperação; ü demonstrar o desenvolvimento das comunidades vegetais nas áreas recuperadas e principais fatores que dificultam esse desenvolvimento; e ü demonstrar a recolonização dos grupos da fauna em áreas recuperadas apresentando resultados em ambientes terrestres e aquáticos. 8.16.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Áreas Degradadas; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 347 8.16.4 Diretrizes Gerais Para se atingir os objetivos propostos, o programa será desenvolvido em duas etapas: ü Etapa 1 - Levantamento e atualização de dados existentes; e ü Etapa 2 - Monitoramento dos parâmetros desejados. Etapa 1 - Levantamento e atualização de dados existentes Consiste na coleta e atualização de dados existentes e na caracterização da área de estudo, e deverá ocorrer na fase anterior ao enchimento do reservatório. Posteriormente, deverão ser realizadas campanhas de campo visando o reconhecimento e o registro regional da ocupação dos meios físico e biótico quando deverão ser identificadas as ações registradas nos programas de monitoramento e dados próprios, procurando estabelecer um panorama do comportamento das novas áreas úmidas, de forma a assegurar sua recuperação. Todas as informações deve ser colocadas em mapa para que se obtenha a delimitação das áreas a serem monitoradas. Etapa 2 - Monitoramento O monitoramento deverá ser realizado por meio de vistorias de campo trimestrais e avaliação da flutuação do nível d’água subterrânea, da recuperação da cobertura vegetal, do inventário de macrófitas aquáticas, do monitoramento de ictiofauna e do monitoramento de herpetofauna. Os dados de nível d’água subterrânea deverão ser obtidos através do Programa de Monitoramento Hidrogeológico; os dados de ictiofauna e macrófitas deverão ser obtidos através do Programa de Monitoramento e Conservação de Ecossistemas Aquáticos; e através do Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre serão obtidos os dados sobre o comportamento da fauna que vive em áreas úmidas. A recuperação da vegetação também deverá ser avaliada através do Subprograma de Monitoramento de Flora. Todos os dados deverão ser analisados em conjunto, de forma a permitir a identificação do estágio de evolução do processo sucessional aí instalado. Caso seja verificada a estagnação das áreas e a formação de charcos, serão estudadas alternativas para a recuperação das mesmas. 348 Emissão de Relatórios Deverão ser apresentados relatórios parciais referentes ao levantamento de dados antes e após o enchimento do reservatório. Depois do enchimento do reservatório deverão ser apresentados relatórios parciais trimestrais para o acompanhamento efetivo de todos os programas de monitoramento durante cinco anos após o início da geração de energia. Um relatório final deverá ser emitido com a compilação de todos os dados. 8.16.5 Equipe Básica Para a execução desse Programa será necessário um engenheiro ambiental, um engenheiro florestal ou biólogo e pelo menos dois auxiliares. 8.16.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução As instituições envolvidas que deverão participar da fiscalização e/ou obtenção dos relatórios produzidos serão a SEMA–MT, as Prefeituras Municipais, o IBAMA e o Ministério Público. Para a execução deste programa é importante que seja avaliada a possibilidade de realização de convênios com universidades da região, como a UNEMAT. 8.16.7 Custo Estimado Estima-se um custo de R$100.000,00 para a execução do Programa durante cinco anos. 349 8.16.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas Fase 1 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Levantamento de dados de outros Programas Levantamento de dados em campo Relatórios parciais Fase 2 Monitoramento Comparação de dados Relatórios parciais Relatório final Enchimento do Reservatório Ações Previstas Fase 1 Início da Geração Ano 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Levantamento de dados de outros Programas Levantamento de dados em campo Relatórios parciais Fase 2 Monitoramento Comparação de dados Relatórios parciais Relatório final Ano 8 Fase 1 Ações Previstas 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Levantamento de dados de outros Programas Levantamento de dados em campo Relatórios parciais Fase 2 Monitoramento Comparação de dados Relatórios parciais Relatório final 8.17 PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO FLORESTAL 8.17.1 Histórico e Justificativa A Reserva Legal é a “Área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas” (Código Florestal art. 1º, Parágrafo 2º, inciso III pela MP nº 2.166/67). A Reserva Legal é uma limitação administrativa de restrição geral e gratuita imposta ao uso da propriedade. Assim, a “a área de Reserva Legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do 350 imóvel, no registro de imóveis competente...” Cód. Florestal. art. 16, com área equivalente a: ü 80% na Amazônica Legal, (situação em questão); ü 35% nas áreas de Cerrado; ü 20% nas áreas de Campo Natural; e ü 20% no resto do País. Portanto, este Programa vem estabelecer diretrizes para a averbação das Reservas Legais das áreas adjacentes ao reservatório do AHE Colíder. 8.17.2 Objetivo O presente Programa visa identificar e diagnosticar todas as áreas de Reserva Legal presentes nas propriedades rurais que estão inseridas na Área de Influencia Direta do empreendimento. Esse levantamento também deve verificar áreas de Reserva legal em propriedades de terceiros, onde será necessário proceder a reaverbação de área complementar equivalente no remanescente da propriedade afetada, de forma a garantir a manutenção da porcentagem anterior de Reserva Legal da propriedade rural. Esse Programa também deverá promover o acompanhamento dos procedimentos de regularização florestal de todas as propriedades rurais afetadas pela implantação do empreendimento. As áreas de reserva legal deverão ser averbadas conforme as disposições da Portaria SEMA-MT nº 112/2007. 8.17.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório; ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Recuperação e Adensamento da APP; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 351 8.17.4 Diretrizes Gerais Na Área Diretamente Afetada pelo reservatório, segundo dados do EIA do AHE Colíder (2009), com um total de 94% das unidades fundiárias amostradas, ou seja, 51 das 54 propriedades, afirmaram ter Reserva Legal devidamente averbada, sem, no entanto fornecer os valores das áreas. Três entrevistados não informaram a situação de suas respectivas propriedades. Ao considerar as disposições referentes ao inciso III, Art. 3º, da Resolução Conama nº 369/2006, que trata da averbação da Área de Reserva Legal para intervenção ou supressão de vegetação em APP, como rito e de acordo com a legislação e regulamentos vigentes, o empreendedor, para obtenção da Autorização de Supressão de Vegetação do reservatório, deverá tornar as seguintes medidas: ü identificar e espacializar as Áreas de Reservas Legais averbadas das propriedades atingidas; ü elaborar estudo de quais propriedades atingidas pelo reservatório e pela APP do reservatório que tem probabilidade de ficarem inviáveis e quais de continuarem viáveis considerando; e ü elaborar estudo de quais áreas que podem abrigar as Reservas Legais a serem alocadas. As Áreas de Reservas Legais relocadas e as das propriedades adquiridas para reassentamento da população afetada pelo empreendimento deverão ser averbadas, preferencialmente, em regime de condomínio, uma vez que evita a fragmentação da vegetação, propícia a manutenção da fauna local e reduz o efeito de borda. Após a conclusão dos processos de averbação deve ser elaboração um relatório das atividades executadas ao longo do Programa. 8.17.5 Equipe Básica Engenheiro florestal e ou agrônomo. 8.17.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Este Programa poderá ser executado por empresa de consultoria especializada em averbação de Reservas Legais no estado do Mato Grosso. 352 8.17.7 Custo Estimado Estima-se um valor aproximado de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil Reais) para regularização de todas as áreas sem considerar processo de recuperação quando necessários. 8.17.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 Desvio do Rio Ano 2 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Identificação e espacialização as Áreas de Reservas Legais averbadas das propriedades atingidas Elaboração estudo de viabilidade Averbação de Reserva Legal Relatório final 8.18 PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 8.18.1 Histórico e Justificativa Esse Programa prevê a determinação dos públicos-alvos a serem atingidos na linguagem apropriada, de modo a possibilitar um diálogo entre diferentes pólos ligados ao AHE Colíder, ou seja, empreendedor, órgãos ambientais, escolas, prefeituras, sociedade civil organizada. A implementação desse programa deve ocorrer desde a fase de planejamento, passando pela execução das obras estendendo-se por um período após a operação da usina. 8.18.2 Objetivo Sua função é interagir com as comunidades da área do empreendimento coletando informações e divulgando todas as etapas da obra visando criar um relacionamento harmonioso com todos os públicos. Assim esse Programa tem como objetivos específicos: ü anunciar cada nova etapa do empreendimento; ü ser um canal de diálogo com a população da AII; ü auxiliar a execução dos projetos que prevêem a participação da comunidade; e 353 ü ser um canal de informações relativas à saúde pública. Os públicos do Projeto de Comunicação e os aspectos pelos quais eles se relacionam com o empreendimento são apresentados na sequência. Administrações Municipais ü acesso viário; ü mobilização e cadastro de mão-de-obra; ü serviços de saúde e segurança; e ü arrecadação de impostos. Proprietários rurais da área do reservatório ü Repasse de informações, acolhimento de queixas e sugestões; ü enchimento do reservatório; ü usos e restrições do entorno do reservatório; e ü apoio técnico ao produtor rural e educação ambiental. Órgãos ambientais ü Encaminhamento, periodicamente, a SEMA de cópia dos arquivos referente ao procedimento de sugestões e reclamações, assim como, para o empreendedor. Pescadores e turistas ü Manutenção ou restrições da atividade local da pesca e do turismo; e ü divulgação da futura criação de uma área de lazer. População dos municípios da AII ü Aproveitamento da mão-de-obra local; e ü anúncio de cada etapa do empreendimento e suas características. Nos diferentes momentos da obra (implantação, enchimento do reservatório e operação) é importante que o Programa de Comunicação Social seja um instrumento para facilitar os procedimentos de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas, assim como, fornecer informações básicas à população quanto a 354 possíveis vetores de doenças e formas de evitar sua proliferação. Informações poderão ser repassadas através de material impresso a ser distribuído em escolas e comércio em geral. Importante destacar que este Programa deve encaminhar mensalmente relatório a SEMA-MT contendo informações referente aos procedimentos de sugestões e reclamações e seus respectivos encaminhamentos. 8.18.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA Esse Programa se relaciona com os demais que compõem esse PBA. 8.18.4 Diretrizes Gerais O Programa de Comunicação Social prevê a realização de campanhas em três momentos distintos da implantação do AHE Colíder, ou seja, no período de préimplantação, ainda durante a mobilização, no período que antecede o enchimento do reservatório e no início da operação do AHE. Todas as fases apresentarão relatórios de acompanhamento trimestrais para avaliação da eficiência e evolução do Programa. 8.18.4.1 Fase 1 – Pré-Implantação Comunicação externa Deverão ser realizadas visitas as prefeituras e aos proprietários rurais, de chácaras e de pousadas, onde serão expostas as inferências do empreendimento em suas terras, atividades e em seus negócios. Também serão explicitadas as características das estruturas do novo empreendimento e a forma de geração de energia hidrelétrica. É importante a produção e distribuição de material informativo a respeito da operação do AHE. O empreendedor deverá organizar reuniões entre a gerência do canteiro de obras e a comunidade da ADA logo após a obtenção da Licença de Instalação, além de fazer o agendamento de apresentação das empresas envolvidas na construção do AHE e das futuras etapas da implantação. Essa ação deve ser periódica e terá como objetivo a apresentação das atividades que estarão sendo desenvolvidas e aquelas em planejamento, possibilitando o nivelamento de informações. 355 Logo após a concessão da Licença de Instalação, o empreendedor deverá organizar um evento de divulgação da implantação do AHE Colíder para as prefeituras e câmaras municipais e veículos de comunicação locais para os municípios de Colíder, Cláudia, Itaúba e Nova Canaã do Norte. Deve-se construir um contato direto da população com a ouvidoria do AHE Colíder para sugestões e reclamações sobre o novo empreendimento. Assim todos os materiais impressos contendo informações sobre o AHE Colíder deverão conter os números de telefone e endereço eletrônico da ouvidoria do AHE Colíder e da ouvidoria da SEMA. Deverá ser criado um Posto de Comunicação do AHE Colíder visando o recebimento e esclarecimento de dúvidas e reclamações que surjam ao decorrer da fase de préimplantação do empreendimento. Comunicação interna É importante que a todos os colaboradores envolvidos na implantação do AHE Colíder detenham as mesmas informações, visando reduzir tempo e retrabalho, assim serão necessárias publicações internas periódicas quinzenalmente apresentando informações relevantes sobre o andamento da obra e as próximas etapas a serem executadas. 8.18.4.2 Fase 2 – Durante a Implantação Comunicação externa As campanhas deverão utilizar informativos para fins de divulgação, além de chamadas em rádios, matérias em jornais locais, entre outras. Todas as informações devem repercutir nos quatro municípios existentes na Área de Influência Direta. Toda a divulgação deve ocorrer com o apoio dos veículos de comunicação dos municípios, atendendo as características listadas na sequência: ü produção de spot de 30" para rádio, a fim de veicular durante um mês após a concessão da LI, divulgando a implantação do empreendimento; ü produção e veiculação em jornais municipais de informes a respeito das características do empreendimento e de sua implantação; ü produção de cartazes e folders divulgando o AHE Colíder e sua implantação; 356 ü palestras sobre o empreendimento apresentando as características da obra, além de visitas aos principais pontos da construção do novo empreendimento; ü produção de informes e palestras explicitando a etapa de desvio do rio, suas características a alterações; e ü divulgação das atividades de operação de limpeza e enchimento do reservatório para as prefeituras explicitando os cuidados a serem tomados. Após cinco meses do início das atividades no canteiro de obras deverá ser instalado um Centro de Visitantes no canteiro de obras, espaço voltado para a população local equipado com sistema multimídia, maquete e imagens da obra em andamento. Visitas controladas e seguras poderão ser conduzidas a partir desse centro. Comunicação interna É importante que a todos os colaboradores envolvidos na implantação do AHE Colíder detenham as mesmas informações, visando reduzir tempo e retrabalho, assim serão necessárias publicações internas periódicas quinzenalmente apresentando informações relevantes sobre o andamento da obra e as próximas etapas a serem executadas. Deverá ser mantido o Posto de Comunicação do AHE Colíder visando o recebimento e esclarecimento de dúvidas e reclamações que surjam ao decorrer da fase de implantação do empreendimento. 8.18.4.3 Fase 3 - Início de Operação Comunicação externa A divulgação deverá ocorrer através dos veículos de comunicação dos municípios, seguindo as características que seguem: ü produção e veiculação em jornais municipais de informes a respeito da conclusão da implantação do empreendimento; e ü produção de spot de 30" para rádio, a fim de veicular durante um mês após o início da operação comercial do AHE Colíder. O empreendedor deverá organizar reuniões na comunidade da ADA após o início da operação do AHE visando a descrição do novo cenário formado pela implantação do empreendimento, a sua forma de funcionamento e o regime de operação. 357 A divulgação deverá ser mensal no primeiro ano, passando a ser bimestral nos próximos anos. Deverá ser mantido o Posto de Comunicação do AHE Colíder visando o recebimento e esclarecimento de dúvidas e reclamações que surjam durante os seis meses seguintes do início da operação. Comunicação interna Nesse momento todos os colaboradores envolvidos durante o processo de implantação do AHE Colíder devem ter acesso às informações de operação, as quais devem ser publicadas em periódicos mensais apresentando informações sobre a operação do empreendimento. Essas informações devem ser repassadas por um período mínimo de um ano. 8.18.5 Equipe Básica O Programa de Comunicação Social deverá ser executado por profissionais da área de comunicação, sendo que o conteúdo das informações geradas deve ser elaborado por profissionais específicos as áreas a serem abordadas. 8.18.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Este programa deverá ser executado por profissionais da área de comunicação, sendo o conteúdo das informações transmitidas de responsabilidade da Copel. 8.18.7 Custo Estimado O custo estimado para a execução do Programa de Comunicação Social é de aproximadamente R$1.115.000,00 (hum milhão, cento e quize mil Reais). 358 8.18.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Fase 1 Reunião com proprietários, representantes das administrações municipais e demais interessados Distribuição de material impresso indicando procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e possíveis vetores de doenças Publicações internas Emissão de relatório de acompanhamento Divulgação através de spot de 30" para rádio Divulgação através da produção e veiculação de informes em jornais municipais Divulgação através da produção de cartazes e folders Fase 2 Divulgação da operação de desvio do rio Implantação do Centro de Triagem Divulgação da operação de enchimento do reservatório distribuição de material impresso indicando procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e possíveis vetores de doenças Publicações internas Emissão de relatório de acompanhamento Continua na próxima página 359 Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Divulgação através de spot de 30" para rádio Divulgação através da produção e veiculação de informes em jornais municipais Divulgação através da produção de cartazes e folders Divulgação da operação de desvio do rio Fase 2 Implantação do Centro de Triagem Divulgação da operação de enchimento do reservatório distribuição de material impresso indicando procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e possíveis vetores de doenças Publicações internas distribuição de material impresso indicando procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e possíveis vetores de doenças Fase 3 Emissão de relatório de acompanhamento Divulgação através da produção e veiculação de informes em jornais municipais Divulgação através de spot de 30" para rádio Distribuição de material impresso indicando procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e possíveis vetores de doenças Emissão de relatório de acompanhamento 8.19 PROGRAMA DE GESTÃO DE TERRAS E REASSENTAMENTO 8.19.1 Histórico e Justificativa Este Programa é fundamental para qualquer obra de implantação de um aproveitamento hidrelétrico, pois contribui para evitar possíveis injustiças ou dificuldades para as famílias diretamente impactadas a partir da desapropriação da terra ou fragmentação de comunidades. Ou então para evitar pendências e conflitos com a população atingida, o que poderia resultar em atrasos no processo de licenciamento; e, por fim, também contribui para liberar as áreas afetadas para a realização das obras, enchimento do reservatório e formação da APP. O empreendedor é responsável pela aquisição das terras e a desocupação prévia das áreas de intervenção das obras e do reservatório, além de adotar medidas para mitigar ou compensar impactos decorrentes de reassentamento, perda de fontes de rendimento e outros impactos indiretos. O presente programa visa instrumentalizar o 360 empreendedor no processo de aquisição e/ou locação de terras, inseridas na área de interesse do empreendimento. A legislação faculta ao empreendedor adquirir os bens de interesse por meio de processo expropriatório, contudo, será implementado todo o esforço para desenvolver o processo de negociação de forma amigável, evitando a esfera judicial. A implantação do AHE Colíder compreende a ocupação e inundação de áreas rurais, majoritariamente utilizadas por produtores rurais para atividades agropecuárias, mas também há propriedades com usos de recreação e turismo, assim como, algumas habitações. A área diretamente atingida por este empreendimento consiste nos seguintes tipos: ü área de cota de inundação; ü área de preservação permanente (APP); ü áreas destinadas à reconformação das vias locais; ü áreas das estruturas da hidrelétrica instaladas no canteiro de obras, como da barragem e áreas de bota-fora; e ü área da casa de força e a área de servidão para os dutos. O empreendimento irá atingir um total de 86 propriedades, que no EIA foram subdivididas por tipos, sendo 54 propriedades caracterizadas como fazendas, cinco como “ranchos” de pesca, 15 como lotes (que compõem a localidade denominada “Fofoca”), uma propriedade onde existe uma pousada, além de 11 ilhas fluviais. Ainda que sejam em número reduzido, uma atenção especial será dada às propriedades caracterizadas como minifúndios e as propriedades de produção familiar, por serem as mais vulneráveis a processos de mudanças sociais. Cabe salientar que o EIA adotou o módulo fiscal de 100 ha, e foi constatado - em 2008 - que do “total de unidades fundiárias do tipo fazendas amostrado (46), apenas cinco (10,9%) são consideradas enquadradas como minifúndios segundo o critério do módulo fiscal da região. As propriedades de pequeno porte, com área entre 100 e 400 hectares (1 a 4 módulos fiscais), representam 21,7% (10 propriedades) do total de propriedades particulares amostradas. As médias, com áreas de 400 a 1.500 hectares (4 a 15 módulos fiscais), representam também 21,7% do 361 total amostrado (10 propriedades). A maioria das fazendas da AID é de grande porte, com área superior a 1.500 hectares, perfazendo 43,5% do total amostrado (20 propriedades). Uma das fazendas amostradas não informou a área”. (EIA do AHE Colíder, 2009) É importante considerar, para efeito deste PBA, que os minifúndios com características de produção familiar não se confundem com as pequenas propriedades ou lotes utilizados para lazer e recreação, como chácaras e ranchos de pesca. O perfil socioeconômico de seus proprietários é diferente, pois, para os primeiros a sobrevivência depende da propriedade e para o segundo grupo a propriedade é um local de passeio e descanso. O perfil fundiário da ADA é de grandes e médias propriedades, de maneira que, mesmo que estas venham a perder grandes extensões de terras, ainda assim, poderão manter suas atuais atividades. Algumas propriedades menores, no entanto, serão integralmente atingidas ou terão grande parte de sua área, em geral as mais nobres, pois estão localizadas próximas dos rios, de forma que será difícil manterem suas atuais atividades. A construção da barragem e demais instalações e formação do reservatório e da APP do AHE Colíder poderá descaracterizar total ou majoritariamente a matriz sócio-econômica de oito médias ou pequenas propriedades, pois terão mais de 40 % de sua área atingida. Além disso, proprietário ou moradores de 11 ilhas e 15 lotes serão integralmente atingidos. Estes fatos indicam a necessidade de um cuidado maior em relação aos médios e pequenos proprietários, em especial aqueles que possuem atividades de subsistência. A reconformação de áreas através de terras remanescentes pode atenuar os efeitos deste processo, mas certamente tais áreas não terão as mesmas características das propriedades situadas na beira do rio, já que a APP deverá ser criada no entorno do reservatório. O Programa de Gestão de Terras e Reassentamento apresenta procedimentos a serem tomados para aquisição, por parte do empreendedor, das áreas atingidas pelo empreendimento, considerando características de cada uma das propriedades envolvidas quanto ao tamanho da área, uso atual e tipo de vegetação presente, para fins de determinação de valores de indenização e manejo das áreas remanescentes. 362 8.19.2 Objetivo O objetivo deste Programa é promover a aquisição das áreas atingidas pelo empreendimento AHE Colíder, identificando de forma consistente as dimensões e valores para indenização dos proprietários atingidos. Assim este Programa tem como objetivos: ü identificar os proprietários atingidos pelo empreendimento, as áreas de suas propriedades que serão requeridas e sua importância no contexto de exploração socioeconômica para fins de determinação dos valores de indenização; ü estabelecer critérios para avaliação das áreas requeridas para determinação do valor de pagamento indenizatório das áreas atingidas pela implantação do empreendimento; ü definir a forma de compensação financeira (indenização) pela perda de áreas e benfeitorias que causarão diminuição do patrimônio acumulado pelos proprietários, em função da formação do reservatório, instalação do canteiro de obras e APP; e ü reorganizar o território afetado e refazer a infraestrutura e os serviços atingidos, recompondo a logística de vida da população e resguardando as relações existentes entre as comunidades antes da implantação dos empreendimentos, procurando manter, no mínimo, as condições de vida anteriormente estabelecidas. 8.19.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Comunicação Social; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.19.4 Diretrizes Gerais O Programa de Gestão de Terras e Reassentamento visa o estabelecimento de procedimentos sobre o processo de aquisição de terras. Esse Programa deverá contar com uma equipe responsável por receber e encaminhar sugestões e reclamações referentes a gestão de terras, as quais também poderão ser feitas diretamenta na ouvidoria da SEMA-MT. 363 Sua execução priorizará a indenização das áreas do canteiro de obras, reservatório e APPs, sendo dividido em dois Subprogramas, conforme segue: 8.19.4.1 Subprograma de Aquisição de Terras Este subprograma estabelecerá os procedimentos para a aquisição de terras e indenização pela perda de imóveis e benfeitorias em caso de desapropriação por utilidade pública. Esse procedimento é regulamentado pela legislação brasileira e estabelece os direitos e deveres de adquirentes e alienantes, e pela normatização técnica (ABNT), que estabelece regras e procedimentos técnicos para avaliação de imóveis, com vistas à justa indenização dos proprietários. Especificamente no que se refere a obras do setor de energia elétrica, devem ser observados os procedimentos descritos na Resolução Normativa ANEEL nº 279/2007. Além do regime de desapropriação, existe o instrumento da instituição de servidão administrativa, que não terá aplicação no caso da implantação da barragem e do reservatório, somente no caso de futuras linhas de transmissão e dutos até a casa de força do AHE Colíder. A gestão dos processos de avaliação e transferência dos imóveis adquiridos, com a respectiva emissão de posse, que permita o início das intervenções previstas no local, deverá ocorrer de maneira compatibilizada com o cronograma de obras, e poderá ser terceirizada para empresas do ramo de avaliação patrimonial e advocacia, com supervisão pelo empreendedor. Também faz parte desse subprograma a divulgação, consulta e participação pública no processo de aquisição de terras, o levantamento topográfico e cadastral dos imóveis afetados e a avaliação de imóveis, benfeitorias e valoração das indenizações. Na sequência são apresentados os procedimentos do Subprograma de Aquisição de Terras: ü alertar os proprietários, através do Programa de Comunicação Social, dos riscos de especulação imobiliária que tais processos suscitam, de forma a evitar que terceiros possam vir a tirar proveito, adquirindo terras na ADA antes do processo de desapropriação; ü elaboração de mapas e memoriais descritivos para as áreas de interesse, visando a caracterização e posterior valoração e registro; ü demarcação do canteiro de obras, da cota de inundação e da APP, além das áreas destinas à reconformação de vias locais, devendo essas marcações serem 364 materializadas (marcos físicos) em campo para correta identificação da área e das benfeitorias atingidas; ü demarcação das propriedades atingidas em planta e em campo, permitindo a elaboração das plantas cadastrais e de uso do solo; ü avaliação e elaboração de laudo técnico de avaliação das propriedades atingidas; ü processo de indenização; e ü pagamento da indenização. É importante que desde o início exista um processo transparente de divulgação de informações. O processo de liberação das áreas afetadas deverá envolver uma estratégia de divulgação e comunicação que crie um canal de diálogo transparente com as comunidades afetadas, propiciando uma atmosfera de credibilidade e entendimento, especialmente com proprietários, posseiros, arrendatários e ocupantes. Por isso, o presente programa terá importante interface com o Programa de Comunicação Social. O empreendedor deverá realizar uma reunião pública sobre o processo de desapropriação e aquisição de terras, logo após a obtenção da Licença de Instalação, quando informará a população sobre os aspectos mais importantes de seu interesse, tais como: a utilidade do empreendimento e sua exata localização; os aspectos legais relacionados a desapropriações e à imposição de APP do reservatório; os critérios e normas de avaliação de imóveis e benfeitorias; as vantagens da negociação amigável e a forma e os prazos de pagamento das indenizações; as restrições futuras ao uso do solo e às atividades no entorno do reservatório; o ressarcimento de danos causados pelas obras a propriedades e a terceiros; a remoção de construções e benfeitorias; os procedimentos de reassentamento de famílias; e os direitos de ocupantes não proprietários a medidas de compensação e apoio social, entre outras informações que sejam esclarecedoras. Sugestões e opiniões de pessoas comuns ou lideranças sociais das comunidades afetadas, que possam contribuir para tornar os processos de desapropriação mais transparentes e rápidos, serão anotadas na reunião pública e incorporadas aos procedimentos postos em prática pelo empreendedor. Outras reuniões poderão ser solicitadas por grupos de pessoas afetadas, cabendo ao empreendedor atender a tais solicitações. 365 Detalhamento do Procedimento de Avaliação das Áreas Atingidas Para a avaliação dos valores das terras a serem indenizadas deverão ser seguidas as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), principalmente, da NBR 14653-1/01- Avaliação de Bens - Procedimentos Gerais e da NBR 14653-3/04 Avaliação de Bens - Imóveis Rurais. Estas normas norteiam os procedimentos de avaliação em todo o território brasileiro, com a padronização de critérios de acordo com as circunstâncias e objetivos. A padronização visa garantir a imparcialidade, resguardando o empreendedor e o proprietário da necessidade de litígios judiciais e garantindo aos proprietários afetados a justa indenização por seu patrimônio. O critério de avaliação a ser adotado é o da Reposição Patrimonial, no qual o valor da indenização será composto pelo somatório dos valores da terra nua, culturas perenes, construções, instalações e melhoramentos de solo. Os cálculos de valores seguem uma metodologia de acordo com o tipo de ocupação de cada área, e podem ser calculados da seguinte forma: terras - método comparativo; culturas - valor econômico; construções - valor de remoção; instalações - custo de instalação; melhoramentos de solo - custo de formação e recursos naturais comparativo ou valor econômico. As áreas de posse e/ou de marinha deverão ser avaliadas dentro dos mesmos critérios adotados para a avaliação de áreas legalizadas, desde que fique constatado tratar-se de possuidor de boa fé. Detalhamento do Procedimento de Elaboração de Laudo Técnico Para elaboração dos laudos que comporão os valores finais das indenizações individuais para cada propriedade, contemplando a avaliação dos bens patrimoniais discriminados, deverá ser realizado levantamento de dados para determinação de valores unitários a serem considerados. Para o levantamento destes dados é necessária a realização de pesquisas para a determinação dos custos de reposição das construções e culturas permanentes diretamente no mercado e comércio locais, onde serão levantados preços de materiais de construção, mão-de-obra, frutos, insumos agrícolas, mudas e etc. De posse de plantas e imagens de satélite com a locação das áreas de intervenção conforme o projeto básico, os técnicos de campo localizarão as propriedades afetadas 366 e farão os primeiros contatos individuais com as partes interessadas. O primeiro procedimento a ser tomado é a obtenção de autorização de passagem e a eventual abertura de acessos para que as equipes de topografia possam efetuar os levantamentos físicos e a demarcação das áreas afetadas. Tais autorizações são obtidas mediante entendimento com os proprietários ou encarregados dos imóveis, e registradas em documento específico, onde constam os objetivos da obra e o compromisso da construtora em ressarcir todos os danos e prejuízos causados no imóvel. Todos os proprietários e/ou responsáveis deverão ser contatados e assinar os termos de autorização de passagem. Aqueles que se recusarem numa primeira ocasião, deverão ser contatados outras vezes, para que se obtenha uma saída amigável. Persistindo a resistência, deverão ser tomadas as medidas judiciais cabíveis para garantir o acesso aos locais de levantamento. Nos contatos com proprietários e ocupantes dos imóveis afetados, estes deverão ser informados sobre os critérios de levantamento e também sobre as etapas da obra, seus serviços e as conseqüências sobre o imóvel, como o uso de acessos locais das fazendas, o corte de árvores, a remoção de edificações e benfeitorias, o perigo de acidentes com animais, etc. Serão fixadas na propriedade estacas de marcação, para orientar os trabalhos na fase de construção. O cadastro físico deverá ser elaborado por profissional habilitado pelo CREA, conforme as instruções contidas nas NBR aplicáveis, em um formulário-padrão, que deverá incluir espaços para informações como: localização da propriedade afetada; área total do imóvel e área afetada pelas intervenções; dados básicos do proprietário, posseiro, arrendatário ou ocupante; tipo de uso ou cobertura atual do solo; aptidão agrícola das terras, conforme metodologia desenvolvida pela Embrapa; descrição das características das construções e benfeitorias existentes (casas, ranchos, currais, pocilgas, galinheiros, poços, cercas, etc.); dimensões internas e externas em planta/croqui; elementos construtivos e materiais utilizados; registros fotográficos e outras informações julgadas relevantes para a avaliação econômica patrimonial. O levantamento deverá ser realizado na presença do proprietário ou de seu representante, que será convidado a colocar sua assinatura de concordância no respectivo formulário de cadastramento. A data do cadastro físico servirá como data de corte para a avaliação dos imóveis e benfeitorias e para o pagamento de 367 indenizações e compensações. Isto é, toda benfeitoria acrescida ao terreno após essa data não será considerada para fins de avaliação. As pesquisas de mercado para a determinação do preço da terra nua de propriedades rurais deverão ser realizadas em cartórios, imobiliárias, corretores de imóveis, sindicatos, prefeituras, bancos e etc., de forma a obter um universo de elementos confiável. Estes elementos, depois de vistoriados e deduzidos dos valores estranhos ao da terra nua, considerando condições de acesso, manejo e aptidão agrícola, deverão permitir a determinação do valor unitário desta, por homogeneização e análise estatística adequada ao caso. Tais pesquisas são fatores fundamentais na apuração do valor final da avaliação, devendo ser efetuadas por equipe técnica, facultado o acompanhamento pelos atingidos e/ou seus representantes, para fins de credibilidade dos laudos. A área de abrangência da pesquisa de preços deverá compreender os municípios atingidos e poderá abranger, caso necessário, para dar consistência aos dados levantados, todos os demais situados num raio de 50 km no entorno do reservatório. Os valores das tabelas de preços obtidos mediante pesquisa de preços deverão ser aferidos pela equipe do empreendedor sempre que se constatar alteração significativa nos valores de mercado. Quando forem verificadas alterações significativas no preço da terra ou de benfeitorias, deverá ser realizada nova pesquisa de preços, onde é também facultada a participação dos atingidos. As matas existentes situadas na APP e que, portanto, não podem ser suprimidas, terão este fato considerado na avaliação. Detalhamento do Processo de Indenização O procedimento a ser adotado para aquisição dos bens deverá ser de entendimento direto entre técnicos do empreendedor e proprietários, por meio do diálogo objetivo, afastando intermediação de terceiros que possam, eventualmente, pretender tirar proveito econômico ou político da ocasião. A avaliação deve considerar os valores da terra nua, com base em pesquisa dos preços de mercado na região, e a perda do potencial de aproveitamento econômico da terra. A avaliação da aptidão agrícola das terras de imóveis rurais, de acordo com metodologia desenvolvida pela Embrapa, permitirá valorar essa perda de potencial. Os dados do cadastro físico permitirão a valoração de indenizações para construções e benfeitorias de qualquer tipo (sedes, ranchos, currais, galinheiros, pocilgas, cochos, 368 cercas, fossas, poços, roças, pomares, etc.), com base nos custos de reposição de materiais e mão-de-obra de construção. Se as construções ou benfeitorias forem reprodutivas economicamente, a perda de lucros cessantes por parte de proprietários ou ocupantes deverá ser considerada na avaliação. As negociações entre os representantes do empreendedor e os proprietários, posseiros e/ou ocupantes das áreas afetadas serão realizadas individualmente, por meio de entrevistas. Serão apresentados ao proprietário ou beneficiário do imóvel os laudos de avaliação, com os respectivos levantamentos para verificação da procedência das avaliações, e também as informações e esclarecimentos que se façam necessários. Havendo concordância sobre os valores apresentados no laudo, o proprietário ou beneficiário assinará um Termo de Acordo e Compromisso, aceitando o valor da indenização ou compensação. O representante do empreendedor informará ao interessado a forma e o prazo para pagamento, conforme exposto mais adiante. Caso não haja acordo na primeira entrevista, será definido um prazo para a apresentação de contraproposta. O proprietário ou beneficiário, se achar necessário, poderá solicitar um laudo técnico de avaliação a outra empresa ou profissional, às suas expensas. O objetivo é sempre esgotar a negociação amigável. Em alguns casos, atrasos nos cronogramas de negociação poderão ocorrer, devido a dificuldades de contato ou acordo com proprietários. Quando não houver acordo com o proprietário, o processo será encaminhado à assessoria jurídica do empreendedor para formalizar ação judicial de desapropriação, salvaguardada por interesse público. Prejuízos causados aos acessos locais das fazendas, pontes, cercas, à vegetação nativa e às culturas e criações de animais, durante a fase de levantamento topográfico, serão contabilizados de forma separada. A indenização será efetuada mediante recibo ou contrato emitido pelo proprietário ou beneficiário, quando da assinatura do Termo de Acordo e Compromisso. Os atingidos poderão, a seu critério, se valer da assessoria jurídica e/ou técnica. A indenização será definida pelo valor do laudo técnico dos bens patrimoniais. O empreendedor acrescerá ao valor do laudo um percentual de 4% para pagamento de despesas legais. O atendimento às indenizações pode ser viabilizado de duas maneiras, via administrativa e via Decreto de Utilidade Pública, sendo a primeira preferencial por 369 apresentar a aquisição das terras e imóveis baseada na negociação, o que acelera o processo de aquisições. As formas mais comuns de aquisição por via administrativa são a escritura particular de compra e venda, a escritura pública de compra e venda, a escritura pública de desapropriação por convenção amigável, a escritura pública de cessão de direitos, a escritura pública de instituição de servidão de passagem, o instrumento particular de constituição amigável de servidão de passagem e o instrumento particular de indenização de benfeitorias. Não havendo acordo na via administrativa, deverá ser elaborado documento para solicitação de Declaração de Utilidade Pública - DUP e, caso necessário, documentação para fins de indenização por via judicial. Detalhamento do Pagamento de Indenização O pagamento deverá ser efetuado em 30 dias, a partir do acordo individual entre as partes, desde que a documentação do imóvel esteja habilitada para escrituração, o que deverá coincidir com a data da assinatura da escritura. Além da indenização em dinheiro, existe a opção da permuta de áreas atingidas por remanescentes adquiridos pela empreendedora, sempre mantidos os limites dos valores avaliados. 8.19.4.1.1 Equipe Básica A equipe técnica necessária para execução do programa deverá ser composta por: um advogado, para a parte de contratos e escrituras; um engenheiro agrônomo, para avaliação das terras e benfeitorias rurais e emitição de laudo de avaliações; um técnico agrícola para contato com os proprietários e avaliação da área a ser adquirida, um assistente administrativo ou auxiliar de escritório para apoio na elaboração dos laudos, e um sociólogo do quadro do empreendedor para acompanhar a execução do programa e mediar possíveis conflitos sociais. A equipe de comunicação deverá prestar o apoio necessário, disponibilizando às pessoas afetadas o serviço de atendimento a dúvidas e reclamações citado no Programa de Comunicação Social, ou dados para contato direto com os responsáveis pela gestão do Programa. 370 Importante salientar que o laudo técnico de avaliação deverá ser assinado por profissionais devidamente habilitados, na forma das Leis 5.194/66 e 5.524/68 e do Decreto-Lei 90.922/85, contendo os valores a serem apresentados para negociação com os proprietários. 8.19.4.1.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução A execução desse Subprograma é de responsabilidade do empreendedor. 8.19.4.1.3 Custo Estimado O custo do Subprograma é estimado em R$22.375.000,00 (vinte e dois milhões trezentos e setenta e cinco mil Reais). 8.19.4.1.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Alertar os proprietários, através do Programa de Comunicação Social, dos riscos de especulação imobiliária Reunião pública sobre o processo de desapropriação e aquisição de terras Elaboração de mapas e memoriais descritivos para as áreas de interesse, para caracterização e posterior valoração e registro Demarcação do canteiro de obras, da cota de inundação e da APP, e das áreas destinas à reconformação de vias locais Demarcação das propriedades atingidas em planta e em campo, permitindo a elaboração das plantas cadastrais e de uso do solo Avaliação e elaboração de laudo técnico de avaliação das propriedades atingidas Processo de indenização Pagamento de indenização Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Processo de indenização Pagamento de indenização Emissão de relatório de acompanhamento 371 8.19.4.2 Subprograma de Reassentamento e Compensação Social Este Subprograma contemplará a indicação de medidas como: ü cadastro socioeconômico e classificação tipológica da população afetada; ü procedimentos para avaliação dos valores de compensação e das necessidades de assistência social; e ü a oferta de alternativas de áreas para realocação de famílias e atividades. No final da execução desse subprograma deverá ser apresentado um relatório geral das atividades. Em casos de desapropriação por utilidade pública, todas as pessoas residentes em imóvel afetado e que tenham posse ou propriedade direta do mesmo podem fazer sua opção por reassentamento ou indenização. Se o imóvel não for totalmente atingido e continuar economicamente viável, apenas a área de intervenção é adquirida, e o proprietário e/ou posseiro pode optar pela permanência na área remanescente. Beneficiários do domínio útil ou posse direta do imóvel, como arrendatários e empregados, também podem ser afetados por desapropriações, se ocorrer perda de local de moradia ou perda significativa de área agrícola (pequenas propriedades) e de lucros cessantes na venda da produção. Tais pessoas não têm direito a indenização, no sentido estrito do termo, mas têm direito a compensações financeiras pela perda de construções e benfeitorias que tenham realizado no imóvel às suas custas, e a medidas de apoio financeiro ou operacional para reinserção social e econômica. As necessidades de reassentamento no projeto do AHE Colíder são muito pequenas em comparação às de tantos outros empreendimentos hidrelétricos já realizados ou em fase de projeto no Brasil. Conforme descrito na avaliação dos impactos são estimadas em apenas 42 propriedades o contingente a ser contemplado pelo programa de reassentamento e compensação social do empreendimento. Assim, os custos de remoção serão baixos e o plano de reassentamento poderá ser em formato resumido. As medidas descritas para o Subprograma de Aquisição de Terras serão aplicadas, em grande parte, no Subprograma de Reassentamento e Compensação Social, principalmente no que toca aos procedimentos de divulgação e consulta pública, obtenção de autorização de passagem para realização de levantamentos cadastrais e aos critérios de avaliação patrimonial. Entretanto, de forma adicional, serão 372 necessários procedimentos específicos para este Subprograma, aqui separados em três medidas, conforme segue: Cadastro socioeconômico e classificação tipológica da população afetada Para todos os casos em que houver a necessidade de reassentamento involuntário de famílias ou paralisação de atividades econômicas em função da implantação do empreendimento, um profissional da área social deverá realizar o cadastro socioeconômico das pessoas afetadas (moradores e trabalhadores). Este cadastro deverá ser realizado paralelamente ao cadastro físico dos imóveis e benfeitorias, já previsto no Subprograma de Aquisição de Terras, e que permitirá saber se as construções e benfeitorias atingidas pertencem ao proprietário do terreno ou aos seus beneficiários de posse direta. As diretrizes operacionais do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID e do Banco Mundial para reassentamento involuntário fornecem farto material para subsidiar procedimentos deste tipo, tais como as publicações “Involuntary Resettlement in IDB Projects - Principles and Guidelines” (BIDB, 1999) e “Política Operacional OP 4.12 – Reassentamento Involuntário” (Banco Mundial, 2001). Os questionários a serem aplicados junto às pessoas afetadas deverão possibilitar a coleta de informações tais como: números de filhos e parentes, sexo, idade, instrução, ocupação atual, rendimento médio mensal, acesso a bens e serviços, etc., e deverão possibilitar a caracterização da população afetada, suficiente para a sua classificação tipológica. Com base na avaliação do impacto referente a “perda de moradias e fontes de rendimento e subsistência”, diferentes categorias de pessoas afetadas pelo projeto poderão ser estabelecidas, como de pessoas afetadas somente por realocação de moradia, de pessoas afetadas por perda de fonte de rendimento, ou de pessoas que se enquadram em ambas as situações. Vale lembrar, nesse sentido, que é comum que as pessoas morem e trabalhem no mesmo local, devido ao relativo isolamento da região e à precariedade dos transportes. Além disso, existem categorias profissionais, como de pescadores, operadores de balsa e trabalhadores rurais. Casos de maior vulnerabilidade social, como de pessoas abaixo da linha de pobreza, idosos, mães solteiras e outros casos não protegidos pela legislação doméstica relacionada a indenizações por expropriação, deverão ser identificados, se houver. 373 Deve ser elaborado mensalmente um relatório de acompanhamento do cadastro socioeconômico. Procedimentos para avaliação dos valores de compensação e das necessidades de assistência social A avaliação do valor de reposição das construções e benfeitorias de famílias nãoproprietárias deverá ser realizada com base em agumas orientações do subprograma de aquisição de terras. No entanto, poderão ocorrer perdas não mensuráveis para as famílias afetadas, provocadas pelas mudanças em seus modos de vida e de produção, e pelas dificuldades de adaptação a outros locais de moradia e trabalho. Esta medida destina-se a proporcionar a devida assistência às pessoas afetadas pelo reassentamento, para que estas possam melhorar de vida nos novos locais de moradia, ou pelo menos, restaurar seus níveis anteriores. Assim, devem ser previstos mecanismos para garantir a participação das pessoas afetadas no processo de reassentamento e procedimentos para impedir o empobrecimento das famílias, a desagregação de relações comunitárias e outros efeitos indesejáveis durante o processo de transição. Cabe destacar que o valor final da compensação pela perda de moradia deverá ser suficiente para que a família possa construir uma casa em outro local, do mesmo padrão que na anterior. Quando a situação for de extrema carência, ou no caso de pessoas vulneráveis, o empreendedor adotará um valor mínimo independente do laudo de avaliação, de forma que a família consiga obter, no mercado local, uma moradia ou uma terra adequada para viver e produzir. Além disso, deverá ser oferecida ajuda de mão-de-obra e transporte para a realização das mudanças. Os beneficiários, se preferirem, e se estiverem aptos dentro dos critérios de seleção, poderão receber suas compensações na forma de terrenos ou habitações e benfeitorias prontas, em assentamentos oferecidos pelo empreendedor no entorno do reservatório, no entanto, fora da APP. Para aqueles que perderem suas fontes de rendimento devido à interrupção de atividades econômicas, deverá ser oferecida uma ajuda de custo durante um período de transição a ser definido, calculada com base em uma estimativa razoável do tempo provável ou necessário para que a pessoa restaure os seus meios de sobrevivência e condições de vida. Outra forma de apoio pode ser o encaminhamento dessas pessoas 374 ao Programa de Seleção, Capacitação e Contratação de Mão-de-Obra e Fornecedores Locais. Deve ser elaborado mensalmente um relatório de acompanhamento da avaliação dos valores de compensação e das necessidades de assistência social. Oferta de alternativas de áreas para realocação de famílias e atividades Como premissa, os novos locais de moradia e/ou produção devem combinar potencial de produção e vantagens de localização pelo menos equivalentes ao do local anterior. No entanto, deve-se estimular a fixação das pessoas no campo, almejando-se uma melhor condição de vida para elas em função das mudanças trazidas pelo empreendimento. Assim, o empreendedor, além de oferecer compensações pela perda de benfeitorias, deverá apoiar as famílias afetadas pelo reassentamento, oferecendo alternativas de terrenos para realocação de casas em um ou dois pequenos assentamentos rurais na área do entorno do reservatório, fora da APP, dotados de infraestrutura mínima sanitária adequada (fossas sépticas, poço artesiano) e com acesso a outros serviços públicos. O planejamento das ações de transferência de atividades produtivas para áreas remanescentes das propriedades afetadas será objeto de acompanhamento, com o objetivo de evitar situações de risco para a operação e a conservação das áreas do entorno do reservatório, cujas diretrizes de ocupação constarão no Programa de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório (ver item 8.26.1). No caso da operação da balsa, tendo em vista diminuir o tempo de interrupção dos serviços e prejuízos para a operadora, poderá ser estudada a indenização prévia das instalações a demolir e a indicação do novo local apropriado para travessia, de modo que a empresa possa construir com antecedência a infraestrutura necessária para continuar operando. No caso da infraestrutura existente de apoio à pesca, e que será afetada pelo reservatório, limita-se a alguns ranchos muito rústicos, existentes nas propriedades ou nas ilhas do Teles Pires, de modo que o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial - PACUERA poderá prever a instalação de uma infraestrutura mais adequada de apoio à pesca esportiva e profissional, junto às balsas ou em outro local a ser definido oportunamente. 375 Deve ser elaborado trimestralmente um relatório de acompanhamento das ofertas de alternativas de áreas para realocação de famílias e atividades. 8.19.4.2.1 Equipe Básica A equipe técnica necessária para execução do rograma deverá ser composta por: um engenheiro agrônomo e um sociólogo para o cadastro socioeconômico; um técnico agrícola para contato com os proprietários e um assistente administrativo ou auxiliar de escritório para apoio na elaboração dos relatórios. A equipe de comunicação deverá prestar o apoio necessário, disponibilizando às pessoas afetadas o serviço de atendimento a dúvidas e reclamações citado no Programa de Comunicação Social, ou dados para contato direto com os responsáveis pela gestão do programa. 8.19.4.2.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Face à natureza do projeto e atividades correlatas à experiência técnica da Copel, o programa poderá ser realizado pelo próprio empreendedor. 8.19.4.2.3 Custo Estimado O custo do programa é estimado em R$22.375.000,00 (vinte e dois milhões trezentos e setenta e cinco mil Reais). 376 8.19.4.2.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 Ano 4 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Cadastro socioeconômico e classificação tipológica da população afetada Emissão de relatório de acompanhamento do cadastro socioeconômico Procedimentos para avaliação dos valores de compensação e das necessidades de assistência social Emissão de relatório de acompanhamento da avaliação dos valores de compensação e das necessidades de assistência social Oferta de alternativas de áreas para realocação de famílias e atividades Emissão de relatório de acompanhamento das ofertas de alternativas de áreas para realocação de famílias e atividades Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Emissão de relatório geral 8.20 PROGRAMA DE GESTÃO DE INTERFERÊNCIAS COM DIREITOS MINERÁRIOS 8.20.1 Histórico e Justificativa Como a implantação do AHE Colíder e a consequente formação de reservatório e áreas de preservação permanente poderia afetar diretamente áreas de titularidade mineral e de ocorrências minerais, no EIA elaborado foi efetuado levantamento de informações junto ao Sistema de Controle de Áreas do Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM – para se verificar as interferências com processos de direitos minerários. Tal levantamento teve como principal objetivo a avaliação econômica das indenizações cabíveis, bem como a solicitação, de acordo com a legislação vigente, junto ao DNPM da não emissão de novos requerimentos nas áreas a serem inundadas. 377 Caso jazidas minerais viessem a ser delimitadas e cubadas no leito ativo atual do rio Teles Pires e afluentes e houvesse algum impedimento para sua exploração com a formação do reservatório, caberia ao empreendedor indenizar o minerador que obteve o direito de industrializar e de aproveitar o produto resultante dos trabalhos de lavra mineral. Vale destacar que o objeto de indenização há de ser o título de concessão da lavra, enquanto bem jurídico suscetível de apreciação econômica, e não a jazida em si, pois esta, enquanto tal, se acha incorporada ao domínio patrimonial da União Federal. A concessão da lavra, que viabiliza a exploração econômica de uma jazida mineral, coloca o concessionário em posição favorável, pois, além de conferir-lhe direitos legais, acha-se essencialmente impregnada de valor patrimonial e de conteúdo econômico quanto ao título que a legitima. Essa situação subjetiva de vantagem atribui ao concessionário de lavra direito e pretensão à indenização, toda vez que vier a ser impedido de usufruir dos benefícios resultantes do processo de extração. Caso esteja legalmente habilitado a receber indenizações estas deverão seguir os instrumentos legais vigentes, em especial os contidos no atual Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002). Por outro lado, os detentores de alvará de pesquisa ou autorização de pesquisa, em tese, não devem ser indenizados, em razão de que durante a pesquisa, somente existe uma “ocorrência mineral”. Nesta fase, há apenas indícios de minerais que podem ser explorados economicamente, e o resultado dos trabalhos de pesquisa é que irão definir a viabilidade ou não da exploração. Por outro lado entende-se por “jazida mineral” um volume de um dado bem mineral para a qual foi comprovada e homologada pelo DNPM a viabilidade econômica de sua exploração. Desta forma, o Programa de Gestão de Interferências com Direitos Minerários tem como principal finalidade orientar o empreendedor com relação ao pagamento de futuras indenizações, analisando-se cada caso em concreto, de modo a se estabelecer, não só a necessidade de indenização, assim como, os valores devidos. 378 8.20.2 Objetivo O principal objetivo desse Programa é proporcionar justas indenizações aos proprietários de diretos minerários afetados pela implantação do AHE Colíder, condicionando estas indenizações ao arcabouço jurídico vigente. 8.20.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental 8.20.4 Diretrizes Gerais As atividades minerárias na região do rio Teles Pires, no norte do estado do Mato Grosso, foram historicamente baseadas principalmente no garimpo de ouro, sobretudo em afluentes onde jazimentos auríferos ocorrem associados aos sedimentos inconsolidados formados nas planícies fluviais. Na consulta realizada junto ao DNPM durante a fase de elaboração do EIA do AHE Colíder (2009) foi constatado que havia apenas um processo ativo, em fase de requerimento de pesquisa, parcialmente sobreposta aos limites da AID, ou seja, sem qualquer sobreposição com o canal do rio Teles Pires e com a Área Diretamente Afetada. Entretanto, os registros atuais mostram que houve um incremento no requerimento de áreas para pesquisa de ouro e extração de areia, possivelmente indicando motivos especulativos decorrentes da implantação do AHE Colíder. Como mostra a Tabela 34, na Área de Influência Direta - AID - do AHE Colíder, existem nove processos minerários protocolizados junto ao DNPM sendo: sete requerimentos de autorização de pesquisa, um registro de extração e uma área em fase de disponibilidade. 379 TABELA 34 – PROCESSOS MINERÁRIOS NA AID DO AHE COLÍDER EM 27.10.2010 Nº Processo Titular Município Publicação DOU Substância Situação Em 27/10/2010 866389/2003 Ouro Mineração Ltda. Epp Itaúba 25/11/2003 Ouro Disponibilidade 866869/2009 Itaúba Prefeitura Municipal Itaúba 18/05/2010 Areia Registro de Extração 866028/2010 Jose Pedro Hoffmann Sinop 01/06/2010 Ouro Autorização de Pesquisa 867028/2010* J. Malucelli Construtora de Obras S.A. Itaúba/Nova Canaã do Norte 18/08/2010 Granito e Areia Requerimento de Pesquisa 866401/2009* Daniel de Freitas Itaúba/Nova Canaã do Norte 08/09/2009 Minério de Ouro Autorização de Pesquisa 866271/2010* Gilvan Schvan Itaúba/ Nova Canaã do Norte 26/03/2010 Areia Autorização de Pesquisa 866274/2010* Adir Márcio da Conceição Colíder/Itaúba 25/07/2010 Areia Autorização de Pesquisa 866272/2010* Gilvan Schvan Colíder/Itaúba 26/07/2010 Areia Autorização de pesquisa Mineração Santa Elina Indústria e Comercio S A Mineração Santa Elina Indústria e Comercio S A Colíder/Itaúba /Nova Canãa do Norte Colíder/Nova Canaã do Norte 29/07/2010 Minério de Ouro Autorização de Pesquisa 23/06/2010 Minério de Ouro Autorização de Pesquisa 866728/2008 866230/2010 Pela tabela acima se observa que todos os títulos minerários levantados foram requeridos recentemente e se encontram, em sua maioria, ainda na fase de requerimento de pesquisa, portanto, não habilitando, no momento, que o requerente tenha direito de ser indenizado por um possível volume de algum bem mineral que ali possa existir. Os processos assinalados com * referem-se a polígonos localizados nas margens do rio Teles Pires, localizados na ADA do AHE. Vale destacar que somente após a emissão do Alvará de Pesquisa é que o minerador poderá iniciar os trabalhos de pesquisa mineral, situação que não ocorreu até meados de setembro de 2010. Assim, diante da situação que se apresenta cabe ao empreendedor, para se resguardar do requerimento de novas áreas de pesquisa, solicitar ao DNPM que não emita mais títulos minerários na poligonal da AID do reservatório e que informe sobre 380 a obtenção da Licença de Instalação. Ainda, a Declaração de Utilidade Pública das terras necessárias ao AHE Colíder poderá ser utilizada pelo empreendedor como ferramenta para a gestão de interferências com direitos minerários. Desta forma somente aqueles processos já protocolados no DNPM deverão ser objeto de análises futuras e, mesmo assim, o empreendedor deverá entrar em contato com cada um dos titulares de processos no DNPM para verificar, através de documentação e verificação em campo, como a área do polígono de pesquisa solicitado será afetada pela implantação do empreendimento. A regularidade dos titulares de processos no DNPM quanto às licenças ambientais deverá ser igualmente verificada. Nesta etapa do programa, também deverá ser verificado se o titular do processo já executou os trabalhos de pesquisa mineral com a entrega do correspondente Relatório Final de Pesquisa, instrumento a partir do qual, se aprovado pelo DNPM, permite que o minerador solicite o Decreto de Lavra e protocolize o Plano de Aproveitamento Econômico – PAE que define a viabilidade técnica e econômica da exploração, o que ensejaria o direito a indenizações. Caso o minerador já disponha da Concessão de Lavra, o estabelecimento do valor da jazida mineral para efeito de indenizações deverá se pautar numa série de critérios, na sequência listados: ü volume da produção e características qualitativas dos produtos; ü condições técnicas e econômicas da execução dos serviços ou da exploração das atividades desenvolvidas; ü mercados e preços de venda; ü quantidade e condições técnicas e econômicas do consumo de produtos minerais; e ü dimensionamento das instalações e equipamentos previstos no plano de aproveitamento econômico da jazida. Também deverão ser analisados os itens contidos no Relatório Anual das atividades realizadas no ano anterior, o qual deve ser obrigatoriamente apresentado ao DNPM (art. 47, inc. XVI, art. 47, do Decreto-Lei 227, de 28 de fevereiro de 1967). O conteúdo deste relatório encontra-se disposto nos incisos do art. 50 do Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967, senão vejamos: 381 I - Método de lavra, transporte e distribuição no mercado consumidor, das substâncias minerais extraídas; II - Modificações verificadas nas reservas, características das substâncias minerais produzidas, inclusive o teor mínimo economicamente compensador e a relação observada entre a substância útil e o estéril; III - Quadro mensal, em que figurem, pelo menos, os elementos de produção, estoque, preço médio de venda, destino do produto bruto e do beneficiado, além do recolhimento do Imposto Único e o pagamento do Dízimo do proprietário; IV - Número de trabalhadores da mina e do beneficiamento; V - Investimentos feitos na mina e nos trabalhos de pesquisa; VI - Balanço anual da Empresa. Além disso, deverá fazer parte das possíveis indenizações o contido no atual Código Civil, no que concerne a perdas e danos. Para se determinar o valor, para fins de possíveis indenizações, (apenas o ressarcimento de numerário gasto com as pesquisas) deverão ser observados os seguintes itens: ü comprovantes de despesas com contratação de profissionais; ü comprovantes de despesas com alimentação, transporte e estadia durante as pesquisas de campo dos profissionais previamente contratados; ü comprovantes de aquisição/locação de maquinários para o desenvolvimento da pesquisa “in situ”; e ü comprovantes de despesas com análises laboratoriais. Durante a execução desse Programa deverão ser emitidos relatórios bimestrais de acompanhamento e um relatório de fechamento do programa após a sua conclusão. 8.20.5 Equipe Básica Profissionais geólogos ou engenheiros de minas e advogado com conhecimento em Direitos Minerários. 382 8.20.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução A responsabilidade do programa é do empreendedor, sendo interveniente o Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM. 8.20.7 Custo Estimado O custo do Programa é estimado em R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil Reais). 8.20.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Levantamento dos processos Análise dos processos Solicitação de renúncia Definição da necessidade de indenização Estabelecimento de parâmetros de indenização Negociação com os titulares de direitos minerários Emissão de relatórios de acompanhamento do Programa Emissão de relatório de fechamento do Programa 8.21 PROGRAMA DE PRESERVAÇÃO, PROSPECÇÃO E RESGATE DO PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO 8.21.1 Histórico e Justificativa Exigência da legislação brasileira, a investigação arqueológica, e a educação patrimonial relacionada a ela, devem ser coordenadas por arqueólogo e executadas por equipe técnica multidisciplinar e qualificada. O Programa de Resgate Arqueológico, no qual se incluem as prospecções, o monitoramento conjunto à execução da obra, as escavações em sítios relevantes, análise e pesquisa dos artefatos, as atividades de educação patrimonial, e se planejam futuras ações de fiscalização na área do canteiro e reservatório, também devem seguir os mesmos preceitos. É importante que sejam elaborados materiais didáticos e científicos, e ações integradas, de modo a comunicar e incorporar o conhecimento adquirido à Memória 383 Nacional. Assim, com o foco na valorização do patrimônio cultural, deve-se divulgar os resultados desse Programa para todos os públicos por meio de palestras, oficinas, simpósios, exposições, folderes e cartilhas. 8.21.2 Objetivo O Programa de Preservação, Prospecção, Resgate do Patrimônio Arqueológico, e Educação Patrimonial relacionada, tem como objetivos: ü caracterizar o patrimônio arqueológico da região de estudo; ü ampliar o conhecimento sobre os sistemas regionais de povoamento e as expressões materiais da cultura de povos pré-históricos e históricos; ü maximizar a preservação do patrimônio histórico e cultural existente na área a ser afetada pela implantação do empreendimento, por meio de procedimentos intensivos e sistemáticos de levantamentos de campo e resgate; ü realizar o planejamento e dar subsídios ao gerenciamento do acervo arqueológico recuperado na área de influência do empreendimento, que deverá ser repassado a instituições culturais e científicas, como museus; e ü divulgar os resultados dos achados à comunidade científica e às comunidades locais, conforme definido pela Portaria IPHAN nº 230/02. 8.21.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Salvamento do Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico; ü Programas de Comunicação Social; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.21.4 Diretrizes Gerais A implementação do Programa deverá ser iniciada na fase de planejamento e ocorrerá antes da mobilização do canteiro de obras e antes do desmatamento. 384 Solicitação de licenças e efetuação de contatos com instituições Deverá ser providenciada a solicitação de licença junto ao IPHAN para as atividades de prospecção e resgate do patrimônio arqueológico. Também deverão ser efetuados contatos com instituições de pesquisa, ensino e museus, de modo a averiguar a possibilidade de interesse em recebimento de exemplares para fins científicos, entre outros objetivos. Execução do programa O Programa atingirá a Área de Influência Direta - AID e algumas porções da Área de Influência Indireta, caso sejam consideradas relevantes para a compreensão dos sítios arqueológicos recuperados junto aos locais impactados pela construção do AHE Colíder. O fluxo das etapas será: ü análise dos dados referentes aos sítios arqueológicos e dos vestígios já documentados na área, em pesquisas anteriores e durante o EIA-RIMA; ü ampliação da prospecção arqueológica, com ênfase inicial na área dos canteiros e da melhoria da infraestrutura viária, e posteriormente em toda a área do futuro reservatório; ü monitoramento do patrimônio arqueológico durante atividades de impacto em solo, subsolo e afloramentos rochosos relacionados à construção da obra; ü escavação de sítios arqueológicos mais relevantes; ü documentação de sítios importantes na área de influência; ü implantação de Programa de Educação Patrimonial; e ü planejamento de ações de fiscalização e controle de sítios na faixa de depleção do futuro reservatório do AHE Colíder. Assim, sinteticamente, o presente Programa contemplará as seguintes ações: ü prospecção arqueológica; ü salvamento arqueológico; ü monitoramento arqueológico; ü atividades de educação patrimonial; e 385 ü planejamento da fiscalização arqueológica para a área do reservatório com uma proposta de monitoramento da faixa de depleção para os anos subsequentes. As diretrizes apresentadas no projeto deverão ser aprovadas pelo IPHAN, obedecerão à legislação vigente e pertinente, tanto federal como estadual. Todos os materiais resgatados, depois de analisados, devem ser enviados para instituições da região afetada pelo empreendimento, com infraestrutura e condições adequadas para o gerenciamento do acervo, com embalagens e reservas técnicas, que sigam os critérios do International Council of Museums (ICOM). Os trabalhos devem ser divulgados em periódicos científicos e/ ou eventos acadêmicos, bem como levados ao conhecimento das comunidades regionais. Prospecção arqueológica das áreas dos canteiros de obras e do reservatório Devem ser enfocadas as áreas do canteiro de obras do AHE Colíder. Após a liberação desses espaços, o restante da área deverá ser estudado. Com a realização de levantamento de campo sistemático e intensivo, a equipe perscrutará a existência de vestígios de ocupações humanas pretéritas, com especial atenção aos sítios arqueológicos já identificados em estudos anteriores e suas adjacências. Junto a este trabalho devem ser coletados vestígios. Os materiais devem ser contextualizados, em relação à arqueologia e etno-história da Área de Influência, com análise de dados secundários e levantamento arqueológico de campo. Deve haver trabalhos de laboratório e gabinete (limpeza, triagem, registro, análise, interpretação, acondicionamento adequado do material coletado). Todas as informações obtidas devem ser consolidadas em relatórios técnicos, adequados às exigências do IPHAN. Os sítios arqueológicos localizados devem ser topografados (levantamento topográfico) e as operações de campo registradas em fichas padronizadas e ordenadas por números de catálogo. As atividades de prospecção devem obedecer às seguintes etapas: ü Ampliação do Levantamento e Cadastro de Patrimônio Arqueológico da AID: revisão dos dados já conhecidos da área, em estudos anteriores e no Estudo de Impacto Ambiental - EIA do AHE Colíder, e planejamento de novos levantamentos e delimitação de estudo de sítios arqueológicos e vestígios através da divisão da AID em compartimentos espaciais, onde devem ser aplicadas as técnicas correntes de prospecção arqueológica, inclusive as de 386 sensoriamento remoto. Em campo, as prospecções devem abranger todas as unidades de relevo, inclusive áreas com declividade acentuada. Também devem ser vistoriadas as áreas impactadas por atividades agrícolas, estradas e acessos, entre outros. ü Identificação de Impactos sobre o Patrimônio Arqueológico na AID: caracterização de processos utilizados no empreendimento e na definição dos impactos negativos sobre os sítios arqueológicos e os vestígios identificados. ü Avaliação do Patrimônio Arqueológico da AID: nesta etapa devem ser utilizados os conceitos de significâncias e relevâncias históricas, arqueológicas e científicas, aplicadas ao patrimônio arqueológico caracterizado na área de estudo. ü Proposição de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias do Patrimônio Arqueológico: definição do patrimônio arqueológico que deverá ser preservado integralmente e quais sítios serão escavados. Devem ser apontadas medidas mitigadoras e/ ou compensatórias, como a delimitação com estruturas de proteção e a instalação de placas informativas visando à preservação de alguns sítios arqueológicos, e/ ou a escavação dos sítios. Após cada etapa de prospecção, canteiro de obras e reservatório, será emitido relatório técnico descrevendo as atividades, a metodologia utilizada e os resultados obtidos com os trabalhos executados. Esses documentos devm ser submetidos ao IPHAN e ao órgão de fiscalização estadual do Mato Grosso (SEMA-MT), conforme legislação, para aprovação e posterior liberação das áreas. Resgate arqueológico Nesta etapa devem ser executadas as escavações em sítios relevantes, além da ampliação das prospecções. O salvamento deve ocorrer em conjunto com as obras e prever a realização de escavações exaustivas. Para tanto, devem existir critérios de relevância selecionando-se os sítios previamente identificados, aqueles que devem ser resgatados. Também devem ser realizados trabalhos de laboratório e gabinete (limpeza, triagem, registro, análise, interpretação, acondicionamento adequado do material coletado). Cabe destacar a importância na guarda dos vestígios, por meio de seu acondicionamento adequado. Devem ser desenvolvidas pesquisas científicas relativas ao acervo constituído durante a execução dos presentes serviços, as quais compreenderão a curadoria e análise das 387 amostras pertinentes em laboratórios. Estes trabalhos devem ser divulgados em periódicos científicos e/ou eventos acadêmicos, bem como levados ao conhecimento das comunidades regionais. Monitoramento arqueológico Deve ocorrer o monitoramento periódico das obras, visando identificar sítios arqueológicos e/ ou vestígios. Com sua localização se dará a interrupção da intervenção civil até a liberação do sítio e o resgate das evidências. Durante este período devem ser emitidos relatórios, descrevendo as atividades e as medidas propostas, caso sejam revelados novos sítios. Educação patrimonial Direcionado principalmente a população dos municípios impactados pela presença do AHE Colíder. Devem ser elaborados materiais impressos e audiovisuais, com informações relativas ao patrimônio arqueológico, na forma de publicação acessível ao público escolar, seja em oficinas, palestras, seminários e exposições. Durante a implantação do AHE Colíder devem ser desenvolvidas atividades de educação patrimonial, conforme estabelecido pelo IPHAN, junto às comunidades locais (AID e AII) e aos funcionários da obra. As ações de educação patrimonial abrangerão a montagem de exposições de curta e longa duração, além de oficinas, palestras e seminários didáticos, nos municípios afetados pelo empreendimento: Nova Canaã do Norte, Claudia, Colíder e Itaúba. Também devem ser elaborados placas e painéis informativos. No final dos trabalhos deve ser realizada uma publicação científica, em meio impresso e digital, sobre o Programa a ser distribuída em centros de pesquisa arqueológica do Brasil, e alguns do exterior. As ações de Educação Patrimonial devem ser sistematizadas com a ações de Educação Patrimonial do Programa de Salvamento Histórico, Cultural e Paisagístico, de modo que a História difundida para a população seja integradora, participativa e inclusiva. Monitoramento arqueológico da faixa de depleção O monitoramento deve permitir planejamento das futuras ações de fiscalização na área do reservatório. 388 Acervo Deve permanecer próximo do local no qual foi resgatado e é responsabilidade da Copel a guarda e a conservação desses materiais. 8.21.5 Equipe Básica Este Programa deverá contratar profissional de Arqueologia habilitado e credenciado, juntamente com equipe multidisciplinar e qualificada. 8.21.6 Instituições/ Empresas sugeridas para a Execução Face à natureza do projeto deverá ser contratado um arqueólogo coordenador, com experiência comprovada em resgate e educação patrimonial, junto com equipe técnica qualificada. É importante a parceria entre a equipe executora, as instituições do Estado do Mato Grosso e a Copel. 8.21.7 Custo Estimado O custo do programa deve se aproximar de R$2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil Reais) 8.21.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Obtenção das licenças junto ao IPHAN e contato com Universidades e Museus Análise bibliográfica Atividades arqueológicas de resgate Análises de laboratório Monitoramento arqueológico Ações de educação patrimonial Projeto de monitoramento da faixa de depleção Acervo Canteiro Reservatório Comum ao Canteiro e ao Reservatório 389 8.22 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL 8.22.1 Histórico e Justificativa A Lei nº 9.795, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, conceitua educação ambiental como "os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente". A Educação Ambiental pode ser formal e não-formal. A primeira é entendida como a educação ambiental desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas. E a segunda trata de ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente. Tomando como ponto de vista que a implantação do AHE Colíder é uma oportunidade para sensibilizar e estimular a consciência ambiental, este projeto prevê atividades para os funcionários da obra e para a comunidade dos municípios diretamente atingidos. Destaca-se que os funcionários da obra também são público-alvo do Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra, em questões ambientais. Assim, o Programa de Educação Ambiental procurará conscientizar os trabalhadores envolvidos com a construção sobre procedimentos mínimos que evitam degradações e auxiliem a preservação ambiente local. Ao mesmo tempo, como estímulo aos municípios, prevê-se a realização de um curso para capacitação de professores do ensino público a respeito de projetos de educação ambiental. Assim os professores e seus alunos poderão agir como multiplicadores, difundindo os preceitos da educação ambiental em meio à população. 8.22.2 Objetivo ü Auxiliar na execução ambientalmente correta das obras civis do AHE Colíder; ü atuar em parceria sistemática com os meios de comunicação, no sentido de propiciar o envolvimento de toda a população e demais interessados com as questões pertinentes; 390 ü promover a identificação do modo de agir com a preservação do meio ambiente e a segurança pessoal pelos funcionários contratados para a construção do AHE Colíder; e ü sensibilizar a comunidade da ADA e da AII para a preservação do meio ambiente local, já na fase pré implantação, inclusive em relação a impactos causados pela ação das queimadas, garimpos e pesca predatória, pois estes temas ocorrem com freqüência e estão diretamente ligados a manutenção da vida aquática e vida útil do reservatório a ser formado. 8.22.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra; ü Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e Assoreamento; ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório; ü Programa de Monitoramento e Conservação de Ecossistemas Aquáticos; ü Programa de Monitoramento de Fauna Terrestre; ü Programa de Resgate de Fauna; ü Programa de Conservação da Flora; ü Programa de Vigilância Epidemiológica e Controle de Endemias; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.22.4 Diretrizes Gerais No AHE Colíder, as atividades da educação ambiental não formal envolverão a produção e divulgação de material educativo para ser distribuído entre os funcionários e comunidade da ADA. O empreendedor poderá realizar parcerias com as administrações municipais e outras instituições locais para o planejamento e execução de atividades. Devem ser formados grupos de Mediadores Ambientais, com os atores sociais (lideres comunitários, religiosos, professores, pedagogos, diretores, etc.) de cada um dos municípios, com os quais serão realizados encontros periódicos com o objetivo de 391 promover a inserção da Educação Ambiental no cotidiano, além de oportunizar a integração entre comunidade e empreendimento. Para a elaboração dos temas de principal importância a serem apresentados e discutidos com os grupos de Mediadores (bem como com as outras frentes de trabalho deste Programa), a análise das informações contidas no Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento, bem como levantamentos de dados com os órgãos locais, permitiu que fossem apontados alguns assuntos de elevada importância para serem desenvolvidos, os quais devem ser apresentados em linguagem adequada para os participantes, sem o excesso de vocabulário técnico: ü O Empreendimento - Funcionamento e Impactos: o que é um AHE e como funciona; critérios de escolha dos locais para implantação da mesma; características do AHE Colíder; impactos ambientais decorrentes da sua implantação e Programas Ambientais; divulgação de informações obtidas, principalmente, junto ao Gerenciamento das Ações Ambientais; ü Meio Físico e Biótico: conhecimento dos componentes bióticos e abióticos do ambiente; bacia hidrográfica e sua relação com o desenvolvimento local/regional; o uso racional da água nas atividades agrícolas e domésticas e a prevenção e o controle da contaminação da água; divulgação de informações sobre a fauna e flora local, bem como sobre características do solo e qualidade da água da região, obtidas com as equipes do Subprograma de Monitoramento Limnológico e de Qualidade da Água, Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre, Programa de Conservação da Flora, entre outros; ü Patrimônio Histórico e Cultural: origem dos municípios; colonização; a tradição e o folclore; importância da preservação da história e da cultura (patrimônios histórico, cultural e arqueológico) e a valorização da região; interface com o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno das Águas do Reservatório, no que se refere aos dados do meio antrópico obtidos por tal Programa; ü Resíduos Sólidos: danos causados ao ambiente; a quantidade produzida atualmente; destinação correta; coleta seletiva; reduzir, reciclar e reutilizar; a ação dos agrotóxicos no ambiente e seus potenciais danos; divulgação de dados e números obtidos com o Programa de Gestão Ambiental da Obra; ü A Educação Ambiental: relação homem/natureza, abordando assuntos como queimadas, garimpos, pesca predatória, entre outros relacionados com a 392 manutenção da vida aquática e vida útil do reservatório a ser formado; papel do agente mediador na sociedade; histórico da educação ambiental; educação ambiental formal e não-formal; e ü Escola Sustentável: instrumentos ecológicos de ensino-aprendizagem; o que se pode fazer dentro e fora do espaço escolar; interação escola-comunidade-família. Cada tema deverá ser trabalhado dentro de uma metodologia que facilite o aprendizado e a sensibilização do público em geral, tornando este Programa mais eficaz, podendo ser utilizadas as seguintes técnicas na abordagem dos temas: oficinas; criação e interpretação de trilhas; atividades lúdicas; palestras; exposições; entre outras propostas dos agentes mediadores. Atividades para os funcionários e a comunidade em geral ü Diálogo Diário de Meio Ambiente (DDMA) A gerência de obras deverá organizar palestras e dinâmicas sobre temas citados anteriormente, além de temas como segurança do trabalho e saúde para os funcionários do AHE Colíder. Durante o desenvolvimento da obra podem ser desenvolvidos outros temas que se julgar importantes. Os encontros acontecerão antes do início do expediente de trabalho, durante o café da manhã, através de apresentações com no máximo 20 minutos de duração, sempre com um tema e um palestrante diferente. A freqüência da atividade será mensal, tendo início após a instalação do canteiro de obras. O empreendedor deve buscar a participação de profissionais dos municípios da Área de Influência para ministrarem as palestras. ü Sinalização do Canteiro de Obras Algumas unidades do canteiro de obras deverão ter um mural para fixação de cartazes com as indicações dos procedimentos corretos a serem seguidos no canteiro de obras. Os cartazes terão formato A3 e o conteúdo estará relacionado com o tipo de atividade praticada no espaço e para qual funcionário se destina. Esses cartazes devem ser modificados mensalmente. 393 ü Informativos Informativos devem ser confeccionados a fim de manter os funcionários e a comunidade do entorno informados sobre os acontecimentos das obras e questões para a melhoria da qualidade ambiental. A freqüência deve ser trimestral. ü Visitas Monitoradas Deverão ser programadas visitas monitoradas ao canteiro de obras, esta atividade é voltada para escolas e grupos dos municípios do entorno. Durante as visitas os participantes devem receber informações sobre a obra no Centro de Visitantes e visitar alguns locais liberados pela gerência do canteiro. A equipe de segurança da obra deve acompanhar a visita e os participantes devem estar trajados com os equipamentos de segurança exigidos. As datas destas para essas visitas devem ser agendadas com a gerência do canteiro a fim de garantir a segurança dos visitantes e não atrapalhar a produção. ü Curso de capacitação de professores do ensino público da Área de Influência O curso pretende capacitar, treinar e reciclar um grupo de professores do ensino público dos municípios diretamente atingido. O resultado pretendido é tornar os participantes desse grupo multiplicadores de projetos de educação ambiental. O curso tem como público-alvo um grupo de 40 funcionários do ensino público, em cada município, formados por professores, supervisores e diretores de escolas públicas. O curso deve também abrir espaço para a participação de lideranças comunitárias. Os principais objetivos do curso são: · capacitar o público-alvo para que ele passe a atuar de forma organizada e efetiva no planejamento e na execução de projetos de educação ambiental voltados para a realidade imediata da comunidade vizinha às escolas; · demonstrar técnicas e dinâmicas para realização de atividades com alunos, dentro e fora das salas, e com a comunidade vizinha às escolas; e · permitir a discussão e troca de experiências do que tem sido realizado, do planejado e do executado em educação ambiental. 394 As principais metas do curso são: · capacitar quatro grupos de 10 pessoas, entre funcionários do ensino público fundamental e de 2º grau, um para cada município, através de cursos de três dias de duração. Os resultados pretendidos pelo curso devem se reverter na comunidade da ADA e AI dos municípios, através da atividade dos professores. 8.22.5 Equipe Básica O Programa deverá ser executado por profissionais da área de meio ambiente, educação, sociólogos e engenheiros de meio ambiente, além da participação e organização da gerência do canteiro de obras. 8.22.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Para implementar este Programa o empreendedor poderá estabelecer parcerias com instituições de ensino e pesquisa, ONGs, os poderes públicos constituídos (municipal e estadual). Mesmo que não haja ações em conjunto o empreendedor pode utilizar como referência material produzido e experiências em educação ambiental destas instituições. 8.22.7 Custo Estimado Estima-se um custo total de aproximadamente R$500.000,00 (quinhentos mil Reais). 395 8.22.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Diálogo Diário de Meio Ambiente Sinalização Canteiro de Obras Informativos Visitas Monitoradas Curso de Capacitação Relatório atividades Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Diálogo Diário de Meio Ambiente Sinalização Canteiro de Obras Informativos Visitas Monitoradas Curso de Capacitação Relatório atividades 8.23 PROGRAMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E CONTROLE DE EPIDEMIAS 8.23.1 Histórico e Justificativa O Programa Vigilância Epidemiológica e Controle de Epidemias refere-se a um conjunto de atividades que permitem colher as informações indispensáveis para conhecer a distribuição, detectar ou prever mudanças na ocorrência de uma determinada doença ou agravo e avaliar fatores condicionantes do processo saúdedoença, com o objetivo de recomendar medidas de prevenção e de controle dos mesmos. Compõe essa atividade: coleta de dados; notificação; diagnóstico e tratamento; consolidação e análise dos dados. Esse Programa deverá ser realizado em conjunto com a equipe responsável pelo Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra e com os responsáveis pelo setor de saúde em nível municipal, definindo previamente as responsabilidades de cada um. As doenças de notificação compulsória em âmbito nacional e as assim definidas para Mato Grosso, bem como a sistemática para correta notificação deverão ser conhecidas pelo serviço médico que vier a ser implantado na obra. 396 Dentre as doenças endêmicas que exigirão maior acompanhamento destacam-se: a esquistossomose, a leishmaniose tegumentar americana, a febre amarela e dengue; a doença de Chagas, malária, tuberculose e a hanseníase por se tratarem de endemias que requerem um pronto diagnóstico e avaliação dos contatos e que podem ser tratadas dentro dos programas públicos existentes. As medidas necessárias para a prevenção e controle dessas doenças devem ser consideradas dentro de um contexto epidemiológico, que inclua as variáveis afetas ao agente etiológico, ao hospedeiro e ao meio ambiente e devem incluir dois objetivos básicos: proteger a população migrante contra as endemias regionais e proteger a região e moradores locais contra a introdução de endemias não existentes na área trazidas com a população de fora. As intervenções devem objetivar o controle da doença e não do indivíduo, que estará sendo diretamente beneficiado pelo controle e redução de doenças e indiretamente pela melhoria na qualidade de vida. 8.23.2 Objetivo ü Prevenção de doenças infecto-contagiosas durante o período das obras; ü implantação de procedimentos de controle de focos de reprodução de espécies vetores no canteiro de obras, alojamentos e frentes de trabalho; ü monitoramento da evolução dos índices de morbidade e internações por doenças de notificação compulsória nos municípios afetados, durante as obras; ü monitoramento de potenciais criadouros de vetores e suas populações, durante as obras; e ü implantação de um programa de prevenção de acidentes do trabalhador e realizar o monitoramento dos índices de acidente de trabalho ocorridos durante a execução das obras. 8.23.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Gestão Ambiental da Obra; ü Programa de Capacitação e Gestão de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional nas Frentes de Obra; ü Programa de Supressão de Vegetação e Limpeza da Área do Reservatório; 397 ü Programa de Monitoramento de Fauna Terrestre; ü Programa de Resgate de Fauna; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.23.4 Diretrizes Gerais O desenvolvimento das atividades previstas para a operacionalização desse Programa, descritas adiante incluem as seguintes ações básicas: ü manter um serviço de vigilância epidemiológica com acompanhamento da ocorrência das principais endemias existentes ou possíveis de serem introduzidas na região, das outras doenças transmissíveis notificáveis e de agravos à saúde; ü notificar os casos detectados pela vigilância epidemiológica aos órgãos competentes através das Secretarias Municipais de Saúde; ü certificar-se de que as notificações cheguem à Diretoria Regional de Saúde; ü dar apoio ao Programa de Comunicação Social para promoção de campanhas específicas de prevenção e controle de doenças e ações educativas de saúde; ü implantar um programa de prevenção de acidentes do trabalhador com relação às epidemias; ü manter a vigilância das condições sanitárias de todas as instalações do canteiro de obras, refeitório e ambulatório; e ü monitorar as condições de saúde ambiental, incluindo os aspectos ligados ao saneamento básico, provimento de água, tratamento do lixo doméstico e industrial, no canteiro de obras. Em atendimento às Portarias da Secretaria de Vigilância em Saúde número 47/2006 e número 45/2007, deverão ser elaborados pelo empreendedor estudos de Avaliação do Potencial Malarígeno - APM e Plano de Ação para Controle da Malária - PACM. Todos esses documentos visam obter o Laudo de Avaliação do Potencial Malarígeno LAPM e Atestado de Condição Sanitária - ATCS para o AHE Colíder, orientados pela Secretaria de Estado de Saúde do Mato Grosso ou por instituição por ela delegada. A metodologia dos estudos entomológicos necessários para a APM de empreendimentos como o AHE Colíder é apresentada nos artigos quinto e sexto da 398 Portaria SVS número 45/2007, sendo válida e obrigatória para empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental relacionados na Resolução CONAMA 01/1986 localizados na Amazônia Legal. Procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas Os procedimentos de prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas deverão ser adotados desde o início da fase de mobilização do pessoal. Os principais procedimentos são: ü realizar campanhas de prevenção de doenças endêmicas, como malária, dengue, leishmaniose e esquistossomose, direcionadas aos públicos interno (colaboradores) e externo (comunidades), através de folders e informativos de forma articulada ao Programa de Educação Ambiental e Comunicação Social; ü realizar palestras sobre higiene, educação sexual e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) para colaboradores da obra; ü orientar o empreendedor sobre a importância de prover telas protetoras nos alojamentos e outros aparatos para espantar mosquitos (repelentes para o corpo e o ambiente, complexo B); ü fornecer preservativos gratuitamente aos colaboradores antes da desmobilização nos fins-de-semana e períodos de folga; e ü encaminhar os casos sintomáticos o mais rápido possível para cuidado médico e atendimento ambulatorial ou hospitalar. Monitoramento de indicadores de saúde pública nos municípios afetados Conforme o art. 2° da Lei Federal n° 6.259/75, “vigilância epidemiológica” é o conjunto de informações, investigações e levantamentos necessários à programação e avaliação de medidas de prevenção e controle de doenças e situações de agravos à saúde. O empreendedor deverá manter uma ação específica de monitoramento de indicadores de saúde dos municípios da AII, a partir de bases de dados do SUS, a fim de verificar a ocorrência de impactos diretos e indiretos do empreendimento sobre a saúde publica da região. Dentre os indicadores municipais selecionados para vigilância, sugerem-se os seguintes: ü dados de mortalidade geral, infantil e por causas externas; 399 ü dados sobre casos de doenças de notificação compulsória, principalmente malária, dengue, leishmaniose e esquistossomose; ü informações sobre infraestrutura e recursos humanos na rede de saúde pública dos municípios afetados (número de unidades de atendimento à saúde, leitos hospitalares, médicos e enfermeiros, coeficientes por habitante); e ü notícias sobre saúde pública, como a divulgação de casos e epidemias, problemas de atendimento, investimentos públicos no setor, cursos, etc. Todos esses dados deverão ser reunidos e analisados, e os resultados apresentados em informes semestrais, a serem divulgados através do Programa de Comunicação Social. Notícias relacionadas a possíveis epidemias deverão ser divulgadas o mais rapidamente possível, para que se possa articular, juntamente com os órgãos regionais do SUS e do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, a tomada de medidas para conter o seu avanço. Monitoramento das populações de vetores de doenças endêmicas Para que ocorra o monitoramento das populações de vetores e doenças endêmicas deverão ser realizados estudos de capacidade e competência vetorial, visando a identificação e monitoramento dos impactos do empreendimento sobre as populações de vetores e hospedeiros intermediários de doenças endêmicas. Deverá ser monitorada a abundância dos insetos das espécies Anopheles darlingi e Anopheles evansae, vetores da malária; da subfamília Phlebotominae, vetores da leishmaniose; e Aedes aegypti, transmissor da dengue. Também deverá ser monitorada a abundância de caramujos do gênero Biomphalaria (sobretudo da espécie B. glabrata), potenciais transmissores de esquistossomose. Setores da Área de Influência Direta - AID cobertos por vegetação nativa nas margens e nos próprios cursos d’água, além de áreas antropizadas, deverão ser analisados visando à identificação e distribuição espacial vertical e horizontal desses insetos. A finalidade é avaliar a proximidade dos habitats de algumas espécies ao ambiente humano, e reconhecer o maior número de indivíduos das espécies de importância epidemiológica, por meio de atividades de coleta e classificação. As áreas de intervenção direta dos canteiros de obras, alojamentos e frentes de obras, também deverão ser monitoradas, objetivando a coleta de insetos que possam 400 se criar em recipientes artificiais e criadouros no solo, formados pelas escavações. Durante essa fase, é comum o desenvolvimento de espécies como, por exemplo, Aedes aegypti, expondo a população de técnicos e operários ao risco de dengue. As atividades de monitoramento deverão ser realizadas durante a fase de construção, até o enchimento do reservatório do AHE Colíder, e continuadas durante os três primeiros anos da fase de operação. 8.23.5 Equipe Básica Será necessário um entomólogo e um especialista em saúde pública, além de uma equipe para a criação das campanhas informativas. 8.23.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O empreendedor deverá realizar convênios e parcerias com as prefeituras, Secretarias Municipais de Saúde e Diretoria Regional de Saúde a fim de se manterem atualizados. 8.23.7 Custo Estimado O custo do Programa é estimado em R$1.000.000,00 (hum milhão de Reais). 401 8.23.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Seleção e Contratação do Coordenador de Saúde Procedimentos de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas Gestões Institucionais Monitoramento de indicadores de saúde pública nos municípios afetados Monitoramento das populações de vetores de doenças endêmicas Controle de endemias Relatório atividades Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Seleção e Contratação do Coordenador de Saúde Procedimentos de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas Gestões Institucionais Monitoramento de indicadores de saúde pública nos municípios afetados Monitoramento das populações de vetores de doenças endêmicas Controle de endemias Relatório atividades Ações Previstas Ano 8 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Seleção e Contratação do Coordenador de Saúde Procedimentos de prevenção e controle de doenças infectocontagiosas Gestões Institucionais Monitoramento de indicadores de saúde pública nos municípios afetados Monitoramento das populações de vetores de doenças endêmicas Controle de endemias Relatório atividades 402 8.24 PROGRAMA DE MONITORAMENTO E FOMENTO À ATIVIDADES ECONÔMICAS 8.24.1 Histórico e Justificativa A implantação do AHE Colíder poderá afetar diretamente algumas atividades econômicas locais que dependem da exploração dos recursos naturais do vale do rio Teles Pires, como a pesca e o turismo. As atividades agrossilvopastoris praticadas nas propriedades que margeiam o rio Teles Pires serão afetadas apenas marginalmente, devido à perda de áreas de pastagens. Mas enquanto a pesca e o turismo devem ser estimulados, pois são atividades já relativamente estruturadas economicamente no vale do Teles Pires, e de baixo impacto ambiental, a madeireira, pelos danos que causam e pelas irregularidades que normalmente envolvem, devem ser objetos de maior controle e fiscalização pelas autoridades responsáveis. Indiretamente, durante o período de obras, o empreendimento dinamizará significativamente a economia das localidades anfitriãs, sobretudo do setor terciário. No entanto, à medida que se aproximar o fim das obras, a demanda por mercadorias e serviços começará a cair com o esvaziamento populacional. 8.24.2 Objetivo Os objetivos deste programa são: ü gerenciar ações de monitoramento e fomento das atividades econômicas locais, desde o início da construção até alguns anos após o seu término, a fim de detectar e mitigar os efeitos diretos e indiretos provocados pelo empreendimento na estrutura produtiva dos municípios afetados; ü monitorar as atividades pesqueiras e turísticas nos municípios afetados, por meio de indicadores e informações coletados junto a entidades públicas, associações e empresas locais; ü fomentar a pesca esportiva e outras atividades voltadas ao turismo e ao lazer (praias, festivais, etc.); ü monitorar as atividades minerárias e madeireiras no entorno do reservatório, a fim de evitar danos à qualidade ambiental do reservatório e do seu entorno, e 403 apoiar a fiscalização e regularização de atividades existentes junto aos órgãos competentes; ü fomentar arranjos produtivos locais sustentáveis, que envolvam práticas de manejo florestal, silvicultura e aqüicultura, e de capacitação e emprego de mãode-obra local, a fim de criar dinamismo próprio da economia e diminuir os efeitos negativos do término das obras; e ü monitorar os preços dos imóveis rurais e urbanos, a fim de medir os impactos e as variações decorrentes da implantação e conclusão das obras. O Programa de Monitoramento e Fomento à Atividades Econômicas está dividido em cinco Subprogramas, conforme segue: ü Subprograma de Monitoramento e Fomento da Pesca Artesanal Profissional; ü Subprograma de Monitoramento e Fomento do Turismo; ü Subprograma de Monitoramento e Apoio à Regularização das Atividades Madeireiras no Entorno do Reservatório; ü Subprograma de Fomento e Monitoramento de Arranjos Produtivos Locais Sustentáveis; e ü Subprograma de Monitoramento de Preços de Imóveis Rurais e Urbanos. 8.24.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Apoio aos Municípios; ü Programa de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório; ü Programa de Responsabilidade Socioambiental da Copel; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.24.3.1 Subprograma de Monitoramento e Fomento da Pesca Artesanal Profissional Os impactos potenciais sobre a ictiofauna, decorrentes da construção e operação do AHE Colíder, serão de abrangência direta e indireta, afetando um trecho do rio mais extenso do que o abrangido pelo conjunto reservatório-barragem, incluindo trechos a jusante e a montante e trechos de afluentes. O empreendimento causará alterações na dinâmica de deslocamento e reprodução das comunidades de peixes e na 404 abundância das espécies, podendo produzir efeitos indiretos na pesca profissional, assim como na pesca esportiva. Conforme descrito no EIA do AHE Colíder o impacto do empreendimento sobre a pesca artesanal profissional no rio Teles Pires será pouco significativo, uma vez que esta atividade ocupa poucas pessoas em comparação a outros locais, por exemplo, nas aglomerações existentes ao longo do rio Tapajós. No entanto, o empreendimento poderá afetar as atividades de pescadores artesanais profissionais registrados junto à Secretaria Estadual de Aquicultura e Pesca - SEAP e cadastrados na SEMA-MT, e outras pessoas que têm na pesca sua principal fonte de subsistência. A intensidade e abrangência dos efeitos sobre a ictiofauna e a pesca serão maiores se forem considerados os impactos cumulativos da implantação de outras barragens no rio Teles Pires, a jusante e a montante do AHE Colíder. Por isso, é importante que o presente Subprograma articule-se a outros programas de gestão ambiental do empreendimento, como o Programa de Monitoramento e Conservação de Ecossistemas Aquáticos, que inclui um Subprograma específico de monitoramento de ictiofauna. As ações a serem implementadas no âmbito do Subprograma de Monitoramento e Fomento da Pesca Artesanal Profissional estão agrupadas em três medidas, ou seja, o monitoramento e apoio à formalização da atividade da pesca artesanal profissional no rio Teles Pires; a previsão de infraestrutura de apoio à pesca profissional junto às margens do reservatório; e o apoio ao desenvolvimento da aqüicultura. Monitoramento e apoio à formalização da atividade da pesca artesanal profissional no rio Teles Pires Para o monitoramento da atividade da pesca artesanal profissional no rio Teles Pires, o primeiro procedimento necessário será identificar os pescadores atuantes nos municípios da AII, a montante e a jusante do AHE Colíder, até distâncias a serem definidas oportunamente. Estabelecer diálogo com as associações e colônias de pescadores existentes na região será importante para promover a troca de informações e o fortalecimento das relações entre as comunidades de pescadores. O monitoramento deverá ser planejado e desenvolvido em médio-longo prazo, a partir da coleta e análise de informações sobre o esforço pesqueiro (quantidade e freqüência 405 sazonal), os principais locais e métodos de pesca empregados, a composição específica das espécies capturadas, seu preço no mercado, os locais de venda do pescado e se este também serve como fonte de alimento para a família do pescador. Dados sobre a pesca de peixes ornamentais também deverão ser coletados, para permitir traçar um perfil desta sub-atividade pesqueira na região. Os dados coletados poderão ser disponibilizados de forma integrada ao Sistema de Controle e Monitoramento da Pesca de Mato Grosso, atualmente desenvolvido pela SEMA-MT (Siscomp-MT). Previsão de infraestrutura de apoio à pesca profissional junto às margens do reservatório O PACUERA, abordado no Programa de Gestão Ambiental e Sócio-Patrimonial do Reservatório deverá prever locais para a realização de projetos de infraestruturas náuticas e pesqueiras de baixo impacto ambiental junto às margens do reservatório. Poderão ser implantadas uma ou duas estações de transbordo de pescado, instalações simples, porém iluminadas, com trapiches de madeira e rampas de acesso. Fora da APP, poderão ser instalados pequenos centros de recepção e conservação do pescado até o seu transporte, com depósitos de gelo e isopores. Tanques e locais de limpeza serão proibidos nas proximidades da APP do reservatório e de seus afluentes, a fim de evitar contaminação e sujeira dos resíduos da pesca. Estas estações deverão ter acesso à energia elétrica e ligação fácil com a BR-163, para distribuição do pescado. Apoio ao desenvolvimento da aquicultura A criação de reservatórios artificiais pode resultar em modificações quanto à variedade de peixes, inclusive, com o surgimento de espécies exóticas, mais adaptadas à dinâmica de um lago. De outro lado, espécies nativas podem não se adaptar a esta nova dinâmica, assim, para muitos pescadores será importante a adaptação a uma nova situação, inclusive, na possibilidade de modificação da forma como atualmente exercem suas atividades que, ainda que profissionais, são caracterizadas pelo extrativismo. Para o presente estudo, deve se analisar a possibilidade de criação de pequenas unidades de beneficiamento do pescado (pequenas indústrias locais e um frigorífico para beneficiamento de peixes), desde que em área que não comprometa a qualidade das águas e da APP do reservatório. Existem variedades de peixes, inclusive nativos 406 da Amazônia, que já são criados em tanques. Não apenas o pescado são geradores de renda, mas os resíduos podem ser utilizados para confecção de produtos diversos, à base de couro, como os variados produtos de artesanato. Outros resíduos não utilizados podem ser transformados em ração ou em adubo orgânico, a partir da compostagem. Desta forma, a produção controlada e planejada certamente agregará mais valor ao pescado. Tal Projeto, no entanto, pode esbarrar em dificuldades quanto ao conhecimento necessário e quanto a dificuldades típicas de processos de mudanças sociais, pois a pesca extrativista é muito diferente da piscicultura, que têm características, inclusive, da moderna lógica empresarial. Isto demandará um processo educação para uma nova realidade e de resolução de possíveis conflitos relativos aos processos de inovação. Estudos específicos devem ser realizados no sentido de verificar possíveis restrições, de forma que é importante que sejam selecionadas algumas áreas que ofereçam menores riscos e que possam atenuar as dificuldades de famílias em situação de fragilidade social. Sabe-se que Projetos de Tanque e Rede podem comprometer ainda mais a qualidade da água, a partir de um hipotético excesso de peixes ou do uso de certos tipos de rações. Desta forma, é necessário que sejam desenvolvidos estudos sobre: ü os projetos mais adequados, se tanque e rede e/ou tanque escavado; ü a qualidade das águas e as reais possibilidades de piscicultura sem e frigoríficos para comprometimento ou riscos à saúde humana; ü os tipos de peixes a serem criados; ü as áreas mais propícias a tal atividade; e ü a possibilidade de criação de pequenas indústrias beneficiamento dos peixes e sua melhor localização, em termos econômicos e ambientais. Projeto Piloto É importante que, como forma de desenvolver um conhecimento específico e de treinar os possíveis interessados, seja criado pelo menos um Projeto Piloto, com apoio do poder público local, em tanque escavado ou tanque e rede em áreas à montante ou à jusante do empreendimento. Importante que esse Projeto seja iniciado antes do enchimento do reservatório, para que quando estiver efetivado, os piscicultores já 407 possam exercer sua atividade. Além disso, o empreendedor deve manter uma estação de piscicultura junto ao reservatório, conforme determina a Lei Estadual nº 7.855/02 (projetos de usinas hidrelétricas com capacidade instalada acima de 250 MW, a serem implantados no estado de Mato Grosso, deverão prever a construção, o desenvolvimento e a manutenção de estação de piscicultura), podendo fornecer apoio técnico a projetos de aquicultura na região e oferecer cursos de capacitação. Posteriormente, caso comprovada sua viabilidade, o Projeto pode ser repassado às prefeituras locais. O Projeto Piloto deve ser iniciado antes do início das obras, de forma a que quando o reservatório estiver formado, os possíveis piscicultores possam já estar auferindo renda desta nova atividade. Caso ainda não seja possível, é importante que o empreendedor estabeleça compensações para os pescadores que tenham sua renda comprometida pela formação da barragem ou pela modificação ambiental decorrente deste processo. 8.24.3.1.1 Equipe Básica Contratação de um profissional do ramo (especialista em piscicultura) para estudar as reais possibilidades de se implementar projetos de tanque e rede e/ou de tanque escavado e para desenvolver os projetos, pelo menos em sua fase inicial. 8.24.3.1.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O empreendedor, em convênio com outras instituições. É fundamental que o Projeto estabeleça convênios com instituições de ensino e de pesquisa locais, assim como, com a SEAP e o Ministério da Pesca e Aquicultura e com as Prefeituras da AII. 8.24.3.1.3 Custo Estimado O custo estimado para esse programa é de R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil Reais). 408 8.24.3.1.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Identificar os pescadores atuantes nos municípios da AII Planejamento de infraestrutura de apoio à pesca profissional junto às margens do reservatório Formação de Associação ou Cooperativa de pescadores Monitoramento e apoio à formalização da atividade da pesca artesanal profissional Reuniões com as associações e colônias de pescadores existentes na região Desenvolvimento do Projeto Piloto Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Construção de infraestrutura de apoio à pesca profissional Reuniões com as associações e colônias de pescadores existentes na região Desenvolvimento do Projeto Piloto Emissão de relatório de acompanhamento 8.24.3.2 Subprograma de Monitoramento e Fomento ao Turismo A transformação de um rio em lago pode alterar o perfil turístico da região, implicando em impactos negativos, como a desapropriação de ilhas e ranchos de pesca, ou mesmo, recantos e pousadas na ADA. Além disso, em conjunto com outros empreendimentos semelhantes, ao barramento do AHE Colíder pode resultar em modificações na dinâmica de reprodução de algumas espécies, de maneira que a pesca esportiva – um grande atrativo turístico local – pode ser impactado não apenas na área do reservatório, como à jusante e à montante. A pesca esportiva constitui o principal atrativo turístico dos municípios da AII, atraindo pescadores amadores que costumam ficar hospedados em pousadas existentes às margens do rio Teles Pires. Além dos rios propriamente ditos, após as cheias, formam-se lagoas nas depressões marginais das áreas mais planas, propícias à pesca. O ecoturismo e os esportes de aventura também constituem atrações turísticas da região, devido à existência de quedas, cachoeiras, corredeiras, ilha e praias fluviais. 409 Na época mais seca, as praias de rios servem como locais de lazer e encontro para a população local. Em Sinop existe uma infraestrutura turística desenvolvida, com agências de viagens e passeios, hotéis e pousadas, restaurantes, etc., mas em Colíder existem apenas algumas pousadas procuradas por pescadores amadores. Tais atividades serão direta ou indiretamente afetadas pelo empreendimento, tanto em sua fase de construção como durante sua operação. As alterações paisagísticas promovidas pelas obras, juntamente com os possíveis efeitos sobre a qualidade da água e a ictiofauna, deverão provocar a redução significativa da atratividade de turistas durante um período de tempo considerável. Para minimizar tais efeitos, estão previstas, no âmbito deste Subprograma, duas medidas, ou seja, o monitoramento e fomento da atratividade turística nos municípios afetados e a previsão de infraestrutura de turismo e lazer junto às margens do reservatório. Monitoramento e fomento da atratividade turística nos municípios afetados O monitoramento do impacto do empreendimento sobre as atividades turísticas nos municípios da AII deverá ser iniciado juntamente com as obras, e continuado durante três anos após o enchimento do reservatório. Inicialmente, devem ser estabelecidos contatos com as secretarias municipais de turismo, para troca de informações e esclarecimentos sobre os possíveis impactos do empreendimento sobre o turismo. Em seguida, é importante a elaboração de um cadastro de todas as empresas do setor dos municípios da AII. Nesse cadastro devem constar hotéis, agências de viagens, agências de ecoturismo e passeios guiados, pousadas e pesqueiros do tipo “pesque-pague”, além de indivíduos que, isoladamente, prestam serviços de apoio ao turismo, como os barqueiros. Posteriormente, deverão ser elaborados questionários para coleta de informações junto às empresas de turismo, a fim de verificar os volumes de faturamento, a quantidade de pessoas ocupadas, sua variação sazonal e outras informações pertinentes ao acompanhamento das atividades. Tais informações permitirão dimensionar e avaliar o impacto efetivo do empreendimento sobre a atratividade turística na região. Paralelamente, o empreendedor poderá apoiar campanhas de divulgação mostrando os atrativos e belezas naturais que não serão atingidos pelo empreendimento e os festivais anuais de pesca esportiva, entre outras atrações. 410 As novas possibilidades que o próprio reservatório guardam para o turismo de esportes náuticos e o lazer, e o potencial de localização de chácaras de recreio e pesqueiros em seu entorno, também deverão ser divulgados, de forma articulada às diretrizes específicas de comunicação do PACUERA. O ecoturismo e o artesanato com madeira e fibras naturais são segmentos da atividade turística que exploram de forma sustentável o patrimônio natural, cultural e paisagístico, incentivando sua conservação e buscando a formação de uma consciência ambiental através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações envolvidas. Assim, propõe-se a execução de cursos visando capacitar grupos para o desenvolvimento do turismo regional. Os principais objetivos do curso são: · a ordenação e estruturação da oferta turística de maneira regionalizada; · a estruturação e a qualificação dos equipamentos e serviços turísticos, e da infraestrutura de apoio ao turismo; · a elaboração e a estruturação dos produtos turísticos; e · a promoção e a comercialização dos produtos. Previsão de infraestrutura de turismo e lazer junto às margens do reservatório Deverão ser previstos no PACUERA locais para a implantação de infraestrutura de turismo e lazer no entorno do reservatório. Tais locais são denominados como “áreas de lazer”, providas com estruturas náuticas de pequeno porte para embarcações e pescadores amadores e praias artificiais. Fora da APP, poderão ser instalados centros de lazer e esportes, dotados de estacionamentos, instalações sanitárias, bar/restaurante, quiosques, quadras de esporte e paisagismo. 8.24.3.2.1 Equipe Básica Este Subprograma poderá ser realizado pela própria equipe de técnicos da Copel, e/ou profissionais contratados, caso haja demandas extras. 411 8.24.3.2.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O empreendedor, em convênio com outras instituições. 8.24.3.2.3 Custo Estimado O custo estimado para esse Subprograma é de R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil Reais). 8.24.3.2.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Estabelecer contatos com as secretarias municipais de turismo e cultura Estabelecer contatos com as secretarias municipais de turismo e cultura Cadastrar as empresas do setor Cadastrar os indivíduos que, isoladamente, prestam serviços de apoio ao turismo emissão de relatório de acompanhamento Desenvolver ou apoiar programa de incentivo ao artesanato Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Monitoramento dos impactos da construção do empreendimento sobre as atividades turísticas Definição dos locais para áreas de lazer Campanha de divulgação das novas possibilidades de turismo Emissão de relatório de acompanhamento 412 8.24.3.3 Subprograma de Monitoramento e Apoio à Regularização das Atividades Madeireiras no Entorno do Reservatório A exploração madeireira já foi a principal atividade econômica na região norte do Mato Grosso. No entanto, devido à escassez dos recursos florestais e a transformação dos ambientes de floresta em pastagens, a atividade madeireira encontra-se em declínio. Face à supressão de vegetação necessária para a instalação do AHE Colíder e às pressões pela redução do desmatamento na floresta amazônica, o presente subprograma se propõe a ditar medidas que servirão para a regularização das atividades madeireiras existentes ou que por ventura venham a ser constituídas no entorno do reservatório. Este Subprograma deverá ser realizado pelo empreendedor desde o início das obras, pois as primeiras intervenções necessárias para o estabelecimento das estruturas de canteiro já demandarão o desmate de cerca de 155,00 hectares. Toda a madeira retirada quando da limpeza dessa área bem como da área do reservatório deverá ser catalogada e ter seu transporte e comercialização rigorosamente monitorados. O roubo de madeira e a realização de desmatamentos em áreas não necessárias ao empreendimento deverão ser fiscalizados pela Copel e pelos órgãos ambientais; sendo que a ocorrência de tais atividades constitui crime ambiental. Todas as práticas de desmatamento, mesmo aquelas não ligadas ao empreendimento AHE Colíder, deverão ser monitoradas especialmente pela constituição de área de preservação permanente no entorno do futuro reservatório. O intuito desse monitoramento é evitar e denunciar eventuais desmates ilegais que estejam sendo realizados na região. Recomenda-se que esse monitoramento seja feito por terra, ar ou por sensoriamento remoto de alta resolução, de acordo com a necessidade e análise prévia de especialista. Deverá ser elaborado um cadastro de atividades madeireiras ativas no entorno do futuro reservatório, com vista à regularização de tais atividades junto à SEMA/MT e IBAMA. Eventuais sobreposições de áreas de extração com as futuras APPs deverão ser detectadas durante esse cadastramento. Caberá à Copel apoiar o processo de regularização das extrações madeireiras incentivando os trabalhadores a firmar e cumprir planos de manejo. Ademais, a escassez de recursos florestais na região poderá obrigar um repensar sobre a maneira 413 de sobreviver da floresta. Sistemas Agroflorestais – SAFs deverão ser incentivados e tecnicamente apoiados para os casos de famílias que demonstrem apego às atividades florestais. Por fim, deve-se aproveitar o momento de consolidação de áreas para a preservação permanente e formação de reserva legal do reservatório para fomentar a recuperação florestal na região. A concessionária deverá produzir mudas que serão destinadas à recuperação de APPs e áreas degradadas pela obra; e por meio de convênios com a SEMA/MT e prefeituras da região, a produção e o plantio dessas mudas poderão continuar permanentemente em toda a região, favorecendo a recuperação de áreas florestais no período pós obra. A gestão das atividades desse Subprograma deve ocorrer em consonância com a SEMA-MT, IBAMA e outros órgãos interessados. 8.24.3.3.1 Equipe Básica Este Subprograma poderá ser realizado pela própria equipe de técnicos da Copel, e/ou profissionais contratados, caso haja demandas extras. 8.24.3.3.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O empreendedor, em convênio com outras instituições. 8.24.3.3.3 Custo Estimado O custo estimado para esse programa é de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil Reais). 414 8.24.3.3.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Fiscalização do destino da madeira extraída na área do canteiro Fiscalização do destino da madeira extraída na área do reservatório e entorno Monitoramento de desmates por terra, ar e sensoriamento remoto Cadastramento de atividades madeireiras ativas e regularização das mesmas Incentivo a SAFs e firmação de parcerias para manutenção de produção de mudas Emissão de relatórios Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Fiscalização do destino da madeira extraída na área do canteiro Fiscalização do destino da madeira extraída na área do reservatório e entorno Monitoramento de desmates por terra, ar e sensoriamento remoto Cadastramento de atividades madeireiras ativas e regularização das mesmas Incentivo a SAFs e firmação de parcerias para manutenção de produção de mudas Emissão de relatórios 8.24.3.4 Subprograma de Fomento e Monitoramento de Arranjos Produtivos Locais Sustentáveis Este Subprograma destina-se a fomentar atividades economicamente sustentáveis, de baixo impacto ambiental, baseadas na exploração consciente dos recursos naturais, na capacitação e emprego da mão-de-obra local e na valorização do conhecimento tradicional da região. O objetivo final é estimular a criação de arranjos produtivos locais que possibilitem um dinamismo próprio da economia, ajudando a minimizar os efeitos potenciais negativos do término das obras nas estruturas produtivas dos municípios da AII. Também é importante ajudar a romper a sina histórica da região, marcada por “surtos” de atração populacional decorrentes de ciclos de exploração dos 415 recursos naturais, em que as riquezas acabam não permanecendo na região, apenas os impactos ambientais e sociais. Haverá, nesse sentido, uma importante interface com o Programa de Responsabilidade Socioambiental da Copel, que gerenciará parcerias e investimentos da empresa em projetos e programas de cunho socioambiental nos municípios da AII restrita. Também haverá articulação com o Programa de Apoio aos Municípios no sentido de apoiar a elaboração de planos municipais de desenvolvimento sustentável e sugerir incentivos especiais para atividades econômicas de baixo impacto ambiental. Assim as ações de fomento a serem adotadas no âmbito deste Subprograma estão agrupadas em duas medidas, ou seja, o apoio a projetos de exploração sustentável da floresta e o apoio a projetos de apicultura. Apoio a projetos de exploração sustentável da floresta O objetivo deste Subprograma é estimular a participação das comunidades locais para o equilíbrio da exploração da madeira (e o atendimento das necessidades econômicas da população) com a preservação da floresta (e da biodiversidade das espécies de árvores ameaçadas de extinção). São metas: ü realizar um mapeamento participativo, isto é, dentre as áreas dos moradores, fazer com que a comunidade escolha, com apoio técnico, sua área de uso florestal para demarcar a área de exploração; ü apoiar a população envolvida através de reunião para a discutição e criação dos estatutos e associações comunitárias, que serão legalizadas e se tornarão as responsáveis pela exploração econômica dos recursos madeireiros; ü fornecer a população afetada capacitação para realizar levantamentos das espécies de madeiras existentes em suas áreas de exploração. A partir destes levantamentos a exploração madeireira é planejada, abrangendo um período de vários anos. Através da seleção de árvores o corte é regulado, bem como a distribuição das árvores remanescentes; ü será estabelecido um limite de extração de cinco árvores por hectare, e serão estabelecidos critérios para definir as árvores a serem retiradas e as que devem 416 permanecer, sempre com a preocupação de minimizar danos à mata e seguir a legislação. A exploração, assim, é organizada de modo a reduzir os danos à floresta, garantir que só as árvores selecionadas sejam derrubadas, diminuir os riscos de acidentes e aumentar a eficiência da extração. A pesquisa inclui a identificação de parcerias com madeireiras e usuários que reconheçam o valor da madeira manejada (de preço mais elevado que a ilegal). Sua importância é grande para a meta de preservação de espécies ameaçadas e para a garantia da biodiversidade e da própria existência das florestas tropicais inundáveis. Além disso, o modelo é pioneiro pela ampla participação de comunidades locais e pela união que realiza entre saberes tradicionais e informações tecno-científicas visando otimizar os resultados dos planos de manejo. Na sequência são apresentados exemplos de produtos explorados na Amazônia: ü Castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa H&B): os castanhais formam uma base produtiva que gera novas oportunidades econômicas sustentáveis. Em função dos incentivos que vem recebendo do governo, o extrativismo tem ampliado suas fronteiras. A produção de castanha e seus derivados como óleo de castanha, bombons, biscoitos, produtos de higiene e beleza, vem aumentando significativamente nos últimos anos. ü Açaí (Euterpe oleracea Mart.): a extração de frutos da palmeira do açaí para produção de polpa é uma atividade de grande importância econômica. Está intimamente ligada à cultura e à dieta das populações da Amazônia. Seus produtos e subprodutos são utilizados há várias gerações como fonte de alimento e de renda. Da palmeira do açaí pode-se aproveitar praticamente todas as partes: o palmito é alimento nobre, o "tronco" pode ser usado na fabricação de papel e como isolante elétrico, do fruto pode-se obter a polpa e o adubo, além de ser fonte de álcool e servir como antidiarréico. ü Pesca: é uma atividade econômica importante para a região. O setor gera uma grande renda proveniente da venda nacional e internacional de camarões e peixes. ü Madeiras: a utilização direta da floresta também gera renda a muitas famílias da região. Há investimentos em projetos de utilização sustentável dos recursos madeireiros da região, mediante a criação de Florestas Estaduais de Produção. 417 ü Agricultura e Pecuária Sustentáveis: a introdução de espécies perenes nos cultivos anuais, os chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs), associam extrativismo, domesticação de espécies nativas e agricultura propriamente dita num mesmo espaço físico. Possibilita a plantação, os cuidados e a colheita durante o ano todo. Para o desenvolvimento desta medida deve levar-se em consideração a lista de espécies de Fanerógamas registradas na AID do AHE Colíder apresentadas no Programa de Conservação da Flora. Apoio a projetos de apicultura Uma outra atividade que poderá ser analisada a viabilidade por técnicos para então ser apoiada nesse programa é a apicultura. Com a formação da APP do reservatório alguns trechos de matas poderão ser utilizados para as atividades típicas da apicultura, principalmente para as famílias que venham perder parte de sua renda, como pescadores e as que exercem atividades ligadas ao lazer e ao turismo. Este Subprograma se coaduna, inclusive, com a proposta de ecoturismo, com o oferecimento de produtos regionais, como o mel e derivados. Outra vantagem é que os apicultores poderiam ser uma espécie de guardas florestais, contribuindo para a vigilância da APP. Alguns cuidados, no entanto, devem ser tomados, principalmente no sentido de evitar riscos a moradores e a visitantes, ou mesmo, a criações de animais. Desta forma, é recomendável que as áreas com esta destinação (matas para a apicultura) se localizem em trechos de difícil acesso ou distantes de atrativos turísticos e de áreas habitadas. Além disso, é importante um estudo preliminar sobre as melhores espécies de abelha a serem utilizadas, com o intuito de evitar possíveis desequilíbrios ambientais. Desta forma, propõe-se: ü criar alternativas de renda para as famílias que terão diminuição de sua renda decorrente da implantação do AHE Colíder; ü estabelecer uma relação de parceria entre o empreendedor, os órgãos ambientais e a comunidade local; ü através de acordo com os órgãos ambientais, destinar ou permitir que alguns trechos de mata da APP possam ser utilizados para a criação de abelhas – ou para que elas aí se desloquem em épocas de floradas (pasto apícola) ou mesmo, que sejam aí instaladas caixas de abelhas; 418 ü verificar a possibilidade de plantio de espécies nativas adequadas à apicultura, juntamente com o reflorestamento da APP; e ü cadastro e treinamento dos interessados, através da realização de cursos de treinamento visando qualificá-los e orientá-los quanto ao manejo das abelhas e às possibilidades de criação e comercialização de subprodutos do mel. 8.24.3.4.1 Equipe Básica Este Subprograma poderá ser realizado pela própria equipe de técnicos da Copel, e/ou profissionais contratados, caso haja demandas extras. 8.24.3.4.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O empreendedor, em convênio com outras instituições. 8.24.3.4.3 Custo Estimado O custo estimado para esse programa é de R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil Reais). 8.24.3.4.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Apoio a projetos de exploração sustentável da floresta Apoio a projetos de apicultura Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Apoio a projetos de exploração sustentável da floresta Apoio a projetos de apicultura Emissão de relatório de acompanhamento 419 8.24.3.5 Subprograma de Monitoramento de Preços de Imóveis Rurais e Urbanos O objetivo deste Subprograma é medir os impactos da implantação e da conclusão das obras no comportamento dos preços dos imóveis rurais e urbanos da região. Assim, deverá ser abordado o monitoramento de preços de imóveis rurais e urbanos. O Programa de Gestão de Terras e Reassentamento fornecerá as bases para o levantamento dos valores de mercado, quando do estabelecimento da data de corte para as indenizações. Os resultados deverão ser apresentados às prefeituras, no âmbito do Programa de Apoio aos Municípios, para que sejam discutidas formas de conter ou estimular processos de valorização imobiliária. Monitoramento de preços de imóveis rurais e urbanos A influência do empreendimento nos processos de valorização imobiliária, no campo e nas cidades da AII, pode ser medida ao longo do tempo. O monitoramento dos preços dos imóveis rurais e urbanos até dois anos após o término das obras, tendo como linha-base os acordos de desapropriação efetivados no âmbito do licenciamento, é uma forma de verificar o impacto efetivo do empreendimento na valorização imobiliária dentro da AID e na AII. Para tanto, deverão ser coletadas informações junto às imobiliárias dos municípios da AID, para diferentes categorias de imóveis rurais e urbanos: fazendas, sítios, chácaras, glebas urbanas, lotes urbanos e casas. Deverão ser coletados também os preços dos materiais de construção na região. 8.24.3.5.1 Equipe Básica Este Subprograma poderá ser realizado por um profissional com conhecimento na valoração de imóveis. 8.24.3.5.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empresas de consultoria ou imobiliárias. 420 8.24.3.5.3 Custo Estimado O custo estimado para a execução desse Subprograma é de R$30.000,00 (trinta mil Reais). 8.24.3.5.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Levantamento do preço médio de imóveis nos municípios da AID Levantamento do preço médio de materiais de construção nos municípios da AID Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Levantamento do preço médio de imóveis nos municípios da AID Levantamento do preço médio de materiais de construção nos municípios da AID Emissão de relatório de acompanhamento 8.25 PROGRAMA DE RECONFIGURAÇÃO DA REDE DE VIAS E UTILIDADES RURAIS 8.25.1 Histórico e Justificativa O presente Programa justifica-se pela necessidade de atender a uma nova realidade decorrente da implantação do empreendimento. Para tanto, será necessário reorganizar o território afetado e refazer a infraestrutura e os serviços atingidos, recompondo a logística de vida da população e resguardando as relações existentes entre as comunidades antes da implantação dos empreendimentos, procurando manter ou melhorar as condições de vida anteriormente estabelecidas. Além disso, o programa se justifica pela necessidade de execução de melhorias nas estradas locais para atendimento às demandas das obras, não somente no sistema viário atual, mas também na implantação de novos trechos, caso seja necessário. 421 8.25.2 Objetivo Reorganizar, recompor ou ampliar a infraestrutra do território afetado, que venham a sofrer interferências, direta ou indireta, pela implantação do AHE Colíder. Bem como, recompor as áreas remanescentes visando a uma nova reorganização fundiária, evitando-se ao máximo a descaracterização das comunidades da área de entorno do reservatório. 8.25.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Gestão Ambiental da Obra; ü Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e de Assoreamento; ü Programa de Gestão de Terras e Reassentamento; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Compensação Ambiental; ü Programa de Responsabilidade Socioambiental Corporativa da Copel; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.25.4 Diretrizes Gerais Para a execução deste programa foi previsto o reconhecimento da situação atual através de levantamento em campo, de pesquisa junto à população local e da localização em planta das estruturas existentes na área de influência do empreendimento. Tais informações deverão ser cruzadas com o levantamento de campo e com o projeto executivo do empreendimento para detalhar as interferências causadas pelo empreendimento e definir as estratégias de readequação, realocação e melhoria da infraestrutura afetada, em parceria com os municípios envolvidos e promovendo a participação da comunidade. No levantamento de identificação da infraestrutura existente nas áreas de canteiro, reservatório, faixa de APP e entorno imediato, deverão ser identificadas as estradas, as redes de distribuição de água, de esgoto e de energia, as linhas de transmissão, as edificações, os cemitérios, os clubes, as escolas, os postos de saúde, os mercados e demais instalações, construções e benfeitorias comunitárias, coletivas ou de uso público. 422 O resultado deverá ser plotado em mapa georreferenciado com as poligonais definidas pelo empreendedor para o canteiro de obras, para a cota de inundação e para a área de preservação permanente. A análise deste mapa georreferenciado deve permitir a identificação dos locais que sofrerão intervenção pelo empreendimento e a avaliação do dimensionamento dos sistemas de saúde pública, de atendimento médico, de locais de obtenção de suprimentos básicos e de acesso à educação. A demarcação em campo da cota de inundação e da faixa de APP proporcionará condições para o levantamento das estruturas existentes na AID do empreendimento. A análise do levantamento de campo associado às imagens aéreas e à base cartográfica oferecerão condições para identificação das estruturas localizadas no entorno da usina. Deve ser apresentado o planejamento de novos traçados viários, travessias e outras infraestruturas a serem alteradas junto aos órgãos municipais para aprovação e posterior execução. Toda a realocação de vias deve ser acompanhada pelo Programa de Apoio aos Municípios e pelo Programa de Monitoramento de Processos Erosivos e de Assoreamento. O planejamento de novas estruturas deve envolver também o reforço ou substituição de pontes de madeira, sinalização e melhorias nas vias de acesso rurais, principalmente aquelas utilizadas durante a obra. Devem ser identificadas, em vistoria detalhada, as possibilidades de haver comprometimento da infraestrutura relativa à distribuição de energia e telefonia a partir da passagem de veículos de grande porte comumente utilizados na implantação desse tipo de empreendimento, pois, geralmente, a altura dos postes e cabos pode não ser suficiente para a passagem desses equipamentos. Também é importante a implantação de um novo trecho da rede alimentadora de energia elétrica visando o canteiro de obras do AHE Colíder. Bem como, as larguras e alturas livres das vias rurais principais deverão ser dimensionadas para atender ao tráfego induzido pela obra. 8.25.5 Equipe Básica A equipe de profissionais para a execução deste programa deverá contar com engenheiros com experiência nas atividades de construção civil. 423 8.25.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O Programa será implementado pelo Empreendedor, com a participação das comunidades e administrações locais, em especial as Prefeituras Municipais com suas Secretarias; as Concessionárias de Energia Elétrica e de Telefonia. 8.25.7 Custo Estimado O orçamento para execução será definido após o detalhamento das necessidades deste Programa. 8.25.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Reconhecimento da situação atual por meio de levantamento em campo Localização em planta das estruturas existentes na área de influência do AHE Levantamento detalhado das interferências causadas pelo empreendimento Definição das estratégias para readequação, relocação e/ou melhoria da infraestrutura afetada Plotagem em mapa georreferenciado junto com as poligonais definidas para as áreas afetadas pelo AHE Planejamento de novos traçados viários, travessias e outras infraestruturas a serem alteradas Execução de nova infraestrutura Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Planejamento de novos traçados viários, travessias e outras infraestruturas a serem alteradas Execução de nova infraestrutura Emissão de relatório de acompanhamento 424 8.26 PROGRAMA DE APOIO AOS MUNICÍPIOS 8.26.1 Histórico e Justificativa A implantação e operação de um AHE produz efeitos variados, não apenas no entorno imediato do empreendimento, como nos municípios atingidos, mesmo que suas sedes urbanas estejam distantes. Os potenciais efeitos de transformação podem conduzir a modificações estruturais no espaço em que se inserem, podendo resultar em impactos negativos ou positivos na qualidade de vida local, durante ou após sua execução. Pela própria dinâmica do processo a ser instalado, torna-se necessária a implementação de ações de monitoramento dos principais aspectos socioeconômicos, de maneira a avaliar as transformações passíveis de ocorrerem no espaço. O monitoramento, portanto, deverá ser capaz de subsidiar o empreendedor e os poderes públicos envolvidos no planejamento de ações diversas, cujo objetivo é promover possíveis ajustes e implementar medidas necessárias. Desta forma, o Programa de Apoio aos Municípios justifica-se pelo fato de ser um instrumento fundamental de análise e ação em função dos impactos indiretos que poderão ser gerados pelo empreendimento. São exemplos destas interferências: ü a pressão por infraestrutura urbana e por serviços públicos nas localidades anfitriãs, resultantes do incremento demográfico e urbano durante a construção; ü modificações nos níveis de emprego, renda e acesso a bens e serviços por parte das populações locais; ü modificações nas receitas fiscais dos municípios, durante a construção e a operação do empreendimento; e ü os riscos de retração econômica e esvaziamento populacional após o seu término. Considere-se, ainda, que o crescimento urbano induzido pelo crescimento demográfico durante a fase de implantação pode acabar gerando alterações permanentes na paisagem e efeitos colaterais de caráter ambiental. Por exemplo, estimulando o desmatamento e levando à degradação do solo e à poluição das águas, com efeitos indiretos sobre a flora, a fauna e ao próprio reservatório. Nesse sentido, cabem medidas de apoio à elaboração e implementação de Planos Diretores Municipais, para definição de zonas e áreas preferenciais para expansão urbana, atividades agrossilvopastoris e conservação da vida selvagem, e de planos de desenvolvimento 425 sustentável, que resultem em benefícios à população local e que acarrete em uma relação equilibrada com o meio ambiente. 8.26.2 Objetivo O Programa de Apoio aos municípios tem como objetivos: ü apoiar tecnicamente as prefeituras municipais na elaboração e/ou implementação de seus Planos Diretores Participativos e Planos de Desenvolvimento Sustentável; ü participar, juntamente com instituições públicas e da sociedade civil, da elaboração e implementação de planos de desenvolvimento sustentável para os municípios, com o objetivo de desenvolver arranjos produtivos locais; ü estabelecer procedimentos para que os empreendedores (construtora e operadora) recebam e analisem demandas das municipalidades quanto ao apoio ou ajuda financeira para investimentos nas áreas de saneamento básico, habitação, saúde, educação, ação social, transporte, segurança pública, turismo, cultura e lazer; ü monitorar os indicadores socioeconômicos dos municípios da AII restrita, desde o ano de início da construção até três anos após a sua conclusão, a fim de dimensionar os efeitos do empreendimento em termos de geração de renda e desenvolvimento humano; ü monitorar os impactos efetivos do empreendimento na arrecadação dos municípios e a destinação dos recursos, durante a construção e a operação; ü apoiar os órgãos ambientais e a Polícia Ambiental na fiscalização de ações de desmatamento e garimpo ilegal; ü monitorar indicadores econômicos e finanças municipais; e ü apoiar na fiscalização de ações de desmatamento e garimpo ilegal. 8.26.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Monitoramento e Fomento a Atividades Econômicas; ü Programa de Responsabilidade Socioambiental da Copel; ü Programa de Comunicação Social; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 426 8.26.4 Diretrizes Gerais As atividades a serem implementadas no âmbito deste programa, atendendo os objetivos listados, estão agrupadas em três subprogramas, conforme segue: ü Subprograma de apoio à elaboração e implementação de Planos Diretores Participativos e Planos de Desenvolvimento Sustentável; ü Subprograma de procedimentos de análise e atendimento de demandas das prefeituras municipais; e ü Subprograma de monitoramento de indicadores econômicos e finanças municipais. 8.26.4.1 Subprograma de Apoio à Elaboração e Implementação de Planos Diretores Participativos e Planos de Desenvolvimento Sustentável O artigo 41 do Estatuto da Cidade e a Resolução Recomendada nº 22/06, do Conselho das Cidades, estabelecem que, no caso de obras de significativo impacto ambiental, os empreendedores devem apoiar tecnicamente as prefeituras dos municípios afetados na elaboração ou revisão de seus planos diretores, provendo materiais e recursos para a execução de levantamentos e projetos. Diante da perspectiva de incremento demográfico e das pressões sobre a infraestrutura e os serviços públicos municipais, em função das obras do AHE Colíder, é imprescindível que as municipalidades planejem o crescimento das cidades de modo a prover espaços para assentamentos humanos adequados, para atividades agrossilvopastoris e para preservação ambiental. Assim que as receitas provenientes do recolhimento de Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN e outros tributos começarem a alimentar os cofres públicos municipais, as prefeituras disporão de mais recursos para expandir redes de infraestrutura e serviços essenciais, tanto em bairros carentes quanto em novas áreas de expansão urbana. No entanto, este planejamento deve ser realizado na perspectiva de médio e longo prazos, considerando o impacto do empreendimento durante as obras e o processo de esvaziamento e estabilização posterior. Cabe salientar que isto não é tratado nos Planos Diretores já aprovados, sendo necessária, portanto, sua revisão e adequação para essa nova realidade, sendo este o principal objetivo deste programa. 427 Diante da característica temporária do empreendimento, o impacto sobre as economias locais após o fim das obras poderá ser significativo, levando à subutilização do capital imobilizado pelos donos de estabelecimentos durante a fase de construção e ao “inchaço” da oferta de bens e serviços, bem como ao desaparecimento de microempresas e à substituição de usos. O estímulo ao maior aproveitamento do potencial construtivo dos lotes e à ocupação de lotes vagos, associado ao controle da expansão urbana horizontal, são as diretrizes de uso e ocupação do solo mais indicadas para o caso das cidades anfitriãs. Assim, é importante que o empreendedor mantenha contato direto com prefeitos e secretários municipais de várias pastas, no sentido de promover a elaboração de Planos Locais de Desenvolvimento Sustentável, articulados às políticas de desenvolvimento social e econômico dos Planos Diretores, porém, especificamente direcionados ao desenvolvimento de arranjos produtivos locais, alinhados aos Programas de Monitoramento e Fomento às Atividades Econômicas, previstos neste documento. O objetivo principal dos Planos Diretores Participativos e Planos de Desenvolvimento Sustentável é criar dinamismo próprio para a economia e estimular o desenvolvimento endógeno das localidades anfitriãs. Nesse sentido, deverão ser aproveitadas as discussões ocorridas no âmbito dos Planos Diretores para estabelecer comissões ou conselhos municipais de desenvolvimento sustentável, com representantes do Poder Público, de entidades patronais, empresas, associações, sindicatos de trabalhadores, faculdades, ONGs e lideranças comunitárias, para discutir políticas e traçar diretrizes e estratégias. Os empreendedores (construtora e Copel) poderão oferecer vários tipos de apoio técnico às prefeituras dos municípios afetados na elaboração ou implementação de seus Planos Diretores, tais como: ü disponibilizar profissionais da equipe de gestão socioambiental do empreendimento para participarem de reuniões com secretários e prefeitos, para discussão de demandas, prioridades e potencialidades dos municípios; ü oferecer apoio técnico e jurídico à elaboração de leis complementares e regulamentos de caráter socioambiental; ü organizar seminários e cursos sobre estratégias de gestão pública e de captação de recursos públicos e privados para políticos e técnicos municipais; 428 ü fornecer bases de imagens de satélite e material cartográfico em formato digital; Durante todo o período de execução desse subprograma deverão ser emitidos relatórios trimestrais com o objetivo de acompanhar o seu desenvolvimento. 8.26.4.1.1 Equipe Básica Este Subprograma poderá ser realizado pela própria equipe de técnicos da Copel, aliados a técnicos dos municípios e/ou profissionais contratados, caso haja demandas extras. O apoio técnico para este subprograma deve contemplar profissionais de arquitetura, de urbanismo e de gestão pública de forma articulada aos demais programas. 8.26.4.1.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Prefeituras Municipais e órgãos interessados. 8.26.4.1.3 Custo Estimado O custo estimado para esse subprograma é de R$790.000,00 (setecentos e noventa mil Reais). 8.26.4.1.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Reuniões técnicas com órgãos municipais visando o planejamento dos Planos Locais de Desenvolvimento Sustentável Reuniões com instituições de ensino visando a possibilidade de implantação de unidades e cursos em Colíder e Sinop Apoio técnico às prefeituras dos municípios afetados na elaboração ou implementação de seus Planos Diretores Emissão de relatório de acompanhamento 429 8.26.4.2 Subprograma de Procedimentos de Análise e Atendimento de Demandas das Prefeituras Municipais Durante a construção, a empreiteira estabelecerá contato direto com as prefeituras dos municípios da AII, que poderão encaminhar demandas diversas à empresa, desde pedidos de empréstimo de veículos, maquinário e pessoal para a realização de serviços de interesse público até pedidos de apoio e/ou ajuda financeira para projetos de infraestrutura e promoção social e programas de capacitação de recursos humanos, entre outros. É importante que a empresa defina procedimentos de recepção, análise, resposta e acompanhamento das demandas apresentadas pelas municipalidades. Todo o tipo de apoio ou doação deverá ser acertado em reuniões e formalizado em documentos assinados por representantes das prefeituras e suas respectivas secretarias, o que permitirá tornar mais transparente a condução dos processos e avaliação dos resultados de convênios e parcerias. Preferencialmente, a política da Copel deve ser a de adotar formas de apoio técnico-operacional e em recursos humanos. No entanto, investimentos complementares que possam contribuir para ampliar as capacidades de atendimento das redes de saneamento e unidades de saúde dos municípios e tornar os serviços mais eficientes serão analisados e incentivados. Na fase de operação, as demandas das municipalidades serão encaminhadas para análise no âmbito do Programa de Responsabilidade Socioambiental da Copel, e as formas de apoio e/ou ajuda financeira serão decididas por uma comissão ou conselho, que contará com a participação dos responsáveis pelo presente Programa de Apoio aos Municípios. Para avaliar estas demandas serão considerados indicadores econômicos e dados populacionais de cada município. 8.26.4.2.1 Equipe Básica Este Programa poderá ser realizado pela própria equipe de técnicos da Copel e/ou profissionais contratados, caso haja demandas extras. 8.26.4.2.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Face à natureza do projeto e atividades correlatas à experiência técnica da Copel, o Subprograma poderá ser realizado pelo próprio empreendedor. 430 8.26.4.2.3 Custo Estimado O custo estimado para esse Subprograma é de R$420.000,00 (quatrocentos e vinte mil Reais). 8.26.4.2.4 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 Ano 4 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Definição de procedimentos de recepção, análise, resposta e acompanhamento das demandas apresentadas pelas municipalidades Acompanhamento das demandas das municipalidades Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Acompanhamento das demandas das municipalidades Emissão de relatório de acompanhamento 8.26.4.3 Subprograma de Monitoramento de Indicadores Sociais, Econômicos e Finanças Municipais Desde o início das obras até pelo menos três anos após o seu término, deverão ser monitorados anualmente alguns indicadores sociais e econômicos, divulgados por órgãos e institutos diversos, como o IBGE, a Secretaria Estadual de Planejamento de Mato Grosso, entre outros; também devem ser analisados os balanços de receitas e despesas dos municípios da AII, divulgados pelas secretarias municipais de planejamento, orçamento e gestão, pelos tribunais de contas estaduais e outras fontes de informações confiáveis. De acordo com a disponibilização de dados por parte do poder público local. Entre os indicadores socioeconômicos municipais para monitoramento e análise, sugere-se: ü dados sobre saúde, educação, segurança social e habitação; ü valor adicionado e PIB por setor; ü estabelecimentos, empregos e rendimento médio por setor; ü produção agropecuária e da pesca; e 431 ü produção extrativa vegetal e mineral. Na sequência são detalhados alguns indicadores listados acima. Saúde Para este indicador foram selecionados os seguintes parâmetros: número de atendimentos, ambulatoriais e hospitalares, comportamento, evolução e introdução de novas endemias, notadamente as DST’s e aquelas vinculadas às ações da obra. O domínio destas informações permitirá avaliar a capacidade da infraestrutura instalada e determinar a necessidade de ações específicas orientadas para este setor. Além disso, possibilitará também, através das estatísticas a serem realizadas, aferir possíveis acréscimos de demanda e o seu perfil, ou seja, se decorrentes de afluxo populacional proporcionado pela obra. Devem ser utilizadas como fontes de informações as unidades ambulatoriais e hospitalares instaladas na AII e na ADA, bem como a unidade de saúde prevista para o canteiro de obras. Todas as ações de monitoramento dos aspectos de saúde, bem como os instrumentos utilizados para este fim, devem estar contemplados no Projeto de Minimização e Riscos à Saúde, devendo seus resultados serem incorporados aos relatórios periódicos. Educação Através dos parâmetros como “matrícula inicial e final” será determinada a ocorrência de acréscimo da demanda escolar e, consequentemente, de população na área, bem como possíveis estrangulamentos neste setor referentes a recursos humanos e físicos. Devem ser utilizadas como fontes de informações as Secretarias Municipais responsáveis pela política educacional dos municípios da AII; estabelecimentos de ensino das redes estadual e municipal instalados nas sedes da AII e ADA, através de seus representantes legais. Segurança Social As questões relacionadas a este setor terão como parâmetros para seu monitoramento a apuração estatística os casos registrados e encaminhamentos realizados. Através destas variáveis torna-se possível avaliar o comportamento dos 432 índices de criminalidade e a capacidade de atendimento dos recursos físicos e humanos atualmente disponíveis nas sedes municipais e nas localidades do entorno. Assim, serão utilizadas como fontes de informações as delegacias instaladas nas sedes da AII; postos policiais existentes nos núcleos do entorno; destacamento da polícia militar responsável pelas ações de segurança na região de influência do empreendimento. Habitação O comportamento do setor imobiliário é um importante indicador para se perceber o movimento de pessoas na área, elegendo-se para a sua aferição os seguintes parâmetros: demanda por moradias e terrenos; evolução dos preços de aluguel; e expansão desordenada de áreas periféricas. Devem ser utilizadas como fontes de informações as Prefeituras Municipais da AII, através das Secretarias de Obras e Conselhos Municipais de Assistência Social; informantes-chave que atuam como corretores informais de imóveis urbanos das sedes da AII e dos núcleos de entorno. Emprego Este indicador será avaliado através das seguintes variáveis: ü acompanhamento do número de empregos relacionados à expansão e/ou abertura de novos negócios; e ü acompanhamento do número de postos de trabalho gerados pela obra. Seu objetivo é detectar os efeitos diretos do empreendimento sobre o mercado de trabalho regional, buscando aferir a ocorrência de dinamismo na estrutura produtiva, sobretudo do setor terciário, bem como os efeitos diretos do empreendimento na geração de postos de trabalho na região. A pesquisa direta junto às Secretarias Municipais da Fazenda, Associações Comerciais e informantes-chave dos distritos de entorno, além de relatórios técnicos da empreiteira, em consonância com o cronograma geral de mão-de-obra devem ser as fontes de informações. 433 Finanças Públicas Quanto aos balanços de receitas e despesas, deverão ser discriminadas a arrecadação por receita própria ou transferência e os gastos municipais por função. O acompanhamento desses dados permitirá identificar os efeitos do empreendimento sobre os diferentes setores da economia, e acompanhar o retorno social dos tributos pagos em termos de investimentos públicos. Para isso deverá ser utilizada como fonte de informação a pesquisa direta junto às Secretarias Municipais da Fazenda. 8.26.4.3.1 Equipe Básica Este Programa poderá ser realizado pela própria equipe de técnicos da Copel e/ou profissionais contratados, caso haja demandas extras. 8.26.4.3.2 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Secretarias Municipais de Saúde dos municípios localizados na AII do empreendimento. 8.26.4.3.3 Custo Estimado O custo estimado para esse Subprograma é de R$90.000,00 (noventa mil Reais). 8.26.4.3.4 Cronograma Início das Obras Ações Previstas Ano 1 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Definição dos indicadores a serem monitorados Monitoramento de indicadores sociais e econômicos Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Monitoramento de indicadores sociais e econômicos Emissão de relatório de acompanhamento Ano 8 Ações Previstas 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Monitoramento de indicadores sociais e econômicos Emissão de relatório de acompanhamento 434 8.27 PROGRAMA DE GESTÃO AMBIENTAL E SÓCIO-PATRIMONIAL DO RESERVATÓRIO 8.27.1 Histórico e Justificativa A formação do reservatório do AHE Colíder, além da sua função principal de suprir água para geração de energia elétrica, propiciará outras oportunidades de desenvolvimento socioeconômico e melhoria da qualidade de vida da população, através do uso múltiplo e integrado de suas águas, bem como de parte das margens do reservatório. Este Programa objetiva a viabilização dos usos múltiplos do reservatório e de seu entorno, ligados à agricultura, turismo, lazer, pesca e irrigação, que se apresentam como os mais promissores, além dos aspectos ligados a restauração e proteção doa região atingida pelo reservatório. O Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatórios deve estabelecer um zoneamento que, ao mesmo tempo que obedeça aos dispositivos legais vigentes, respeite a capacidade de suporte ambiental dessa área e os valores paisagísticos a ela atribuídos pela comunidade local. No que se refere à capacidade de suporte, é preciso que se diagnostiquem as potencialidades e restrições impostas pelas características ambientais do espaço específico, as quais fundamentarão todo e qualquer zoneamento adotado. A discussão com a comunidade é um fator legal, ético e tecnicamente essencial para a elaboração e implantação deste Programa. Contudo, em qualquer etapa que participe, a população deve dispor de tempo e informação suficientes para ser capaz de exteriorizar suas opiniões e influência nas decisões. O Ofício SFG/ANEEL nº 206/2001 determina que as empresas concessionárias de geração de energia elétrica devem executar um Plano de Gestão Sócio-Patrimonial PGSP dos reservatórios de suas usinas hidrelétricas, com a preocupação central de garantir um efetivo domínio sobre o patrimônio imobiliário constituído, prevenindo invasões e ocupações nas áreas lindeiras e processos de degradação ambiental do solo e dos recursos hídricos. Já a Resolução CONAMA nº 302/02, por sua vez, estabelece que o responsável pela operação de uma usina hidrelétrica deve elaborar um Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial – PACUERA -, entendido como o “conjunto 435 de diretrizes e proposições com o objetivo de disciplinar a conservação, recuperação, o uso e ocupação do entorno do reservatório artificial, respeitados os parâmetros estabelecidos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis”. Outra determinação da Resolução CONAMA nº 302/02 é que, no entorno dos reservatórios artificiais localizados em áreas rurais, como é o caso do AHE Colíder, deve-se criar uma Área de Preservação Permanente com largura mínima de 100 m, em projeção horizontal, medida a partir da cota ou nível máximo normal de operação do reservatório (art. 3º, I). Nesta faixa, só poderão ser permitidas obras e atividades de baixo impacto ambiental, conforme definido na Resolução CONAMA nº 369/06, além de projetos de recuperação ambiental e recomposição florestal. Entende-se que o PGSP e o PACUERA são planos com focos diferentes, embora ambos se destinem a evitar conflitos com a conservação da qualidade ambiental do reservatório. O que se tem observado é a tendência de incorporar o primeiro no segundo, pois o PACUERA é um estudo mais abrangente, que relaciona aspectos sociais e ambientais e tem um caráter ordenador e disciplinador, constituindo, assim, pré-requisito para o estabelecimento de procedimentos de vigilância e gestão sóciopatrimonial, que têm um caráter mais operacional e de fiscalização. No presente caso, apresentam-se diretrizes para ambos separadamente, mas nada impede a integração posterior dos planos em um só. 8.27.2 Objetivo ü Estabelecer, com base em aspectos técnicos e consenso entre as partes interessadas, diretrizes para o aproveitamento integrado das potencialidades econômicas, ambientais e sociais (usos múltiplos das águas) do reservatório e de seu entorno; ü potencializar benefícios do empreendimento para a região, otimizando sua inserção de forma a garantir o ordenamento territorial da área do entorno e sua adequação às propostas de zoneamento, uso e ocupação do solo dos Planos Diretores dos municípios da AII; e ü elaborar o PACUERA e o PGSP e aprova-los junto ao órgão ambiental competente, a fim de disciplinar os usos múltiplos da água, o uso e ocupação do solo no entorno do reservatório artificial do AHE Colíder. 436 8.27.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Todos os programas de monitoramento do meio físico e biótico, que terão início na fase de construção e continuarão na fase de operação; ü Programa de Comunicação Social; ü Programa de Gestão de Terras e Reassentamento; ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Vigilância Epidemiológica e Controle de Endemias; ü Programa de Monitoramento e Fomento de Atividades Econômicas; ü Programa de Reconfiguração da Rede de Vias e Utilidades Rurais; ü Programa de Apoio aos Municípios; ü Programa de Compensação Ambiental; ü Programa de Gestão da Segurança Operacional da Barragem; e ü Programa de Responsabilidade Sócio-Ambiental da Copel. 8.27.4 Diretrizes Gerais As atividades a serem operacionalizadas no âmbito deste Programa estão agrupadas em duas fases, conforme segue: ü Fase 1 – elaboração, discussão e aprovação do Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial – PACUERA e do Plano de Gestão Sócio-Patrimonial do Reservatório – PGSP; e ü Fase 2 – acompanhamento de projetos de recuperação ambiental e recomposição florestal dentro e fora da APP do reservatório e dos projetos de infraestrutura de apoio aos usos múltiplos do reservatório. 8.27.4.1 Fase 1 - Elaboração, Discussão e Aprovação do PACUERA e do PGSP Os dois planos passarão pelo processo de Reuniões Técnicas para a discussão de seus conteúdos visando suas aprovações junto aos órgãos ambientais. 437 Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial – PACUERA Conforme a Resolução CONAMA nº 302/02, o PACUERA deverá ser elaborado segundo Termo de Referência expedido pela SEMA-MT, que analisará e o aprovará, considerando o Plano de Recursos Hídricos e o parecer do Comitê de Bacia, sem prejuízo ao procedimento do licenciamento ambiental. A aprovação do Plano deverá ser precedida da realização de consulta pública, sob pena de nulidade do ato administrativo, na forma da Resolução CONAMA nº 09/87, informando-se ao Ministério Público com antecedência de trinta dias da respectiva data (art. 4o, §§ 1o e 2o). Para tanto, será necessário o apoio do Programa de Comunicação Social, para que se obtenha o envolvimento significativo de todas as partes diretamente interessadas: ANEEL, ANA, SEMA, Ministério Público, Secretarias Estaduais de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Prefeituras e Secretarias Municipais, Comitês de Bacias, associações, proprietários de terras e comunidades rurais e de pescadores do entorno. O Plano poderá indicar as áreas para implantação de pólos turísticos e lazer no entorno do reservatório artificial, que não poderão exceder a 10% da área total do seu entorno. Estas áreas somente poderão ser ocupadas conforme determinam a legislações municipal, estadual e federal, e desde que a ocupação seja devidamente licenciada. O PACUERA deverá basear-se nas definições preliminares do EIA e do PBA, incluindo, como conteúdo mínimo: ü política e procedimentos de gestão participativa; ü critérios e justificativas para delimitação do entorno do reservatório; ü diagnóstico sócio-ambiental, incluindo características físicas, bióticas e ecológicas da bacia hidrográfica, os usos atuais das águas e os padrões de uso e ocupação do solo no entorno do reservatório; ü plano de Zoneamento, e definição de diretrizes para cada zona (preservação ambiental permanente, recreação e lazer, atividades econômicas); ü normas para os atuais usos múltiplos da água (pesca, aqüicultura, turismo e lazer) e proposição de novos usos (esportes náuticos); ü diretrizes para o controle do uso e ocupação no entorno; 438 ü diretrizes para os proprietários rurais do entorno do reservatório quanto à adoção de práticas conservacionistas nas atividades agropecuárias; ü programas socioambientais associados; ü indicação dos trechos de APP a serem objeto de recuperação ambiental ou recomposição florestal, assim como outros setores fora de APP, no entorno do reservatório. Plano de Gestão Sócio-Patrimonial do Reservatório – PGSP Para a elaboração do PGSP a ANEEL apresenta como diretrizes: ü otimização as condições normais de geração de energia elétrica e preservação da qualidade da água; ü maximização da vida útil dos reservatórios; ü coibição dos usos inadequados e ocupações clandestinas em reservatórios, margens e ilhas; ü fomentação aos usos múltiplos; e ü alienação de bens e instalações inservíveis. Assim, os principais procedimentos para elaboração do PGSP são: ü diagnóstico detalhado da situação do reservatório, incluindo suas margens e ilhas; ü análise da situação constatada no mapeamento; ü demarcação da cota de desapropriação (limite externo da APP de 100 m); e ü ações preventivas e corretivas. Dentre as ações para prevenir a ocorrência de invasões e usos inadequados do reservatório, deverão ser implementados procedimentos diversos, tais como: ü inspeção patrimonial preventiva e periódica por ar, água e terra; ü mapeamento e análise de novas áreas críticas; ü identificação e cadastramento dos confrontantes; ü verificação da conservação e permanência dos marcos; ü programas de comunicação social, visando à conscientização e orientação da população local sobre os riscos de invasões e acidentes; 439 ü convênios ou contratos de cessão de uso com órgãos públicos, entidades privadas e outros parceiros. 8.27.4.2 Fase 2 - Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Recomposição Florestal Dentro e Fora da APP do Reservatório e dos Projetos de Infraestrutura de Apoio aos Usos Múltiplos do Reservatório Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Recomposição Florestal Dentro e Fora da APP do Reservatório Prioritariamente, a gestão da APP deverá abranger a área sob responsabilidade da Copel. Nas áreas de terceiros, por não haver amparo legal, as ações deverão se restringir a recomendações, comunicação aos órgãos competentes e ações de conscientização ambiental das comunidades. Ações concretas em áreas de terceiros poderão acontecer eventualmente, quando houver interesse mútuo como, por exemplo, na recuperação de áreas degradadas por atividades minerárias e madeireiras e ações de prevenção, mitigação e recuperação de processos erosivos. Assim, o presente Subprograma deverá ter como premissa o acompanhamento da conservação das áreas de floresta já existentes e a recomposição dos trechos desmatados dentro da APP do reservatório, permitindo também que, nesses locais, se reservem espaços para a implantação de infraestrutura de apoio à pesca, ao turismo e ao lazer. As principais diretrizes para gestão de projetos de conservação e recuperação da APP do reservatório são: ü demarcação do nível máximo normal; ü mapeamento de áreas degradadas ou críticas; ü implantação de projetos de recuperação ambiental e recomposição florestal; ü implantação de planos de comunicação e educação ambiental específicos; e ü atualização do cadastro de confrontantes. A formação da faixa de APP com vegetação nativa em torno do reservatório ajudará a preservá-lo contra a erosão e favorecerá a recomposição da paisagem. Os plantios 440 serão executados a partir da produção de mudas prevista no âmbito do Programa de Conservação da Flora, assim como a demarcação das áreas a serem reflorestadas. Para assegurar o acesso seguro da população às áreas de acesso público nas margens do reservatório e assegurar a delimitação dos demais trechos da APP, deverá ser implantada sinalização adequada dos acessos, áreas para banho, áreas para pesca, sinalização para navegação e delimitação das áreas de acesso restrito. Acompanhamento de projetos de infraestrutura de apoio aos usos múltiplos do reservatório Em articulação com o Subprograma de Monitoramento e Fomento da Pesca Artesanal e Profissional e com o Subprograma de Monitoramento e Fomento Turístico serão definidos locais preferenciais e diretrizes para implantação de centros de apoio à pesca, ao turismo e ao lazer. As instalações poderão ser construídas fora ou dentro da APP. Neste caso, respeitando os limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 369/06 (licenciamento de intervenções de baixo impacto ambiental em APP). Poderão ser implantadas uma ou duas estações de transbordo de pescado, conforme consta no Subprograma de Monitoramento e Fomento da Pesca Artesanal Profissional. Também poderão ser previstos até dois locais às margens do reservatório, providos com estruturas náuticas de pequeno porte, para embarcações, pescadores amadores e praias artificiais. Fora da APP, poderão ser instalados centros de lazer e esportes, dotados de estacionamentos, instalações sanitárias, bares e restaurantes, quiosques, quadras de esporte e paisagismo. 8.27.5 Equipe Básica Trata-se de uma equipe multidisciplinar composta por planejadores, sociólogos, engenheiro florestal, biólogo, entre outros. 8.27.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Universidades, empresas de consultoria ambiental, profissionais com experiência no tema. 441 8.27.7 Custo Estimado O custo estimado para a elaboração dos Planos é de aproximadamente R$700.000,00 (setecentos mil Reais). O acompanhamento dos projetos de recuperação ambiental e recomposição florestal dentro e fora da APP do reservatório poderá ser realizado pela própria Copel com apoio de profissionais especializados, não gerando custos externos. 8.27.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Fase 1 Reuniões com a comunidade e órgãos mabientais Contratação e elaboração dos Planos Reuniões técnicas sobre o conteúdo dos Planos com órgãos ambientais Fase 2 Aprovação do Planos Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Recomposição Florestal Dentro e Fora da APP do Reservatório Acompanhamento de projetos de infraestrutura de apoio aos usos múltiplos do reservatório Emissão de relatório de acompanhamento Enchimento do Reservatório Fase 2 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Recomposição Florestal Dentro e Fora da APP do Reservatório Acompanhamento de projetos de infraestrutura de apoio aos usos múltiplos do reservatório Emissão de relatório de acompanhamento Ano 8 Ações Previstas Fase 2 Início da Geração Ano 5 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Recomposição Florestal Dentro e Fora da APP do Reservatório Acompanhamento de projetos de infraestrutura de apoio aos usos múltiplos do reservatório Emissão de relatório de acompanhamento 442 8.28 PROGRAMA DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL 8.28.1 Histórico e Justificativa Existem varias formas de compensar os danos ambientais causados pela construção de um empreendimento hidrelétrico. Este Programa realizará uma análise das compensações que poderão ser implementadas na região do AHE Colíder, sempre levando em consideração o conteúdo da Resolução CONAMA nº 02/1996. Esse dispositivo legal preconiza a criação de uma Unidade de Conservação - UC como forma de compensação ambiental pela construção de uma hidrelétrica. Os objetivos da criação de uma UC são, entre outros, compensar a perda de habitats, criar refúgios para a vida silvestre, fomentar pesquisas e atividades de educação ambiental. Conforme determina o Artigo 36, da Lei Federal nº 9.985/00, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, os impactos negativos do empreendimento deverão ser compensados por meio da aplicação de recursos financeiros. A Lei Federal nº 9.985/00 é regulamentada pelo Decreto nº 4.340/02. De acordo com este último diploma legal, cabe ao órgão ambiental licenciador estabelecer o grau de impacto a partir dos estudos ambientais realizados quando do processo de licenciamento ambiental, considerando para tanto os impactos negativos e não mitigáveis (Artigo 31). Ainda segundo o Decreto nº 4.340/02, os percentuais serão fixados gradualmente, a partir de 0,5% dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, considerando-se a amplitude dos impactos gerados. 8.28.2 Objetivo Considerando os condicionantes previstos na legislação em vigor, o presente Programa de Compensação Ambiental objetiva a compensação dos impactos negativos decorrentes da implantação do AHE Colíder. 8.28.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Apoio aos Municípios ü Programa de Gestão Ambiental e Sócio-Patrimonial do Reservatório; ü Programa de Comunicação Social; e 443 ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.28.4 Diretrizes Gerais A partir das determinações da Câmara Técnica de Compensação Ambiental da SEMAMT, quanto ao montante e destinação dos recursos, o desenvolvimento do presente programa será de responsabilidade do empreendedor. A compensação pelos impactos negativos da implantação e da operação do AHE Colíder será objeto de definição da Câmara Técnica de Compensação da SEMA-MT. Embora haja tal direcionamento estabelecido pela legislação em vigor, caberá ao empreendedor a formulação de propostas de aplicação dos recursos financeiros previstos. Para tanto, quando do requerimento de licença de instalação, serão apresentados estudos relativos ao levantamento das necessidades das unidades de conservação de proteção integral existentes na bacia do rio Teles Pires, bem como a identificação e mapeamento de áreas estratégicas para conservação da biodiversidade, nas quais a compensação ambiental poderia ser aplicada mediante a criação de novas unidades de conservação de proteção integral. Com base nos resultados dos estudos que serão desenvolvidos pelo empreendedor será submetida à análise da Câmara de Compensação Ambiental proposta de compensação ambiental pela implantação do AHE Colíder. Delineamento das propostas para novas Unidades de Conservação É importante que se proponha alguns locais para novas Unidades de Conservação, assim, algumas ações básicas devem ser adotadas, conforme segue: ü definição da categoria de manejo da futura Unidade de Conservação; ü analisar a existência de corredores ecológicos, os quais devem reunir condições suficientes de manutenção de comunidades faunísticas, inclusos no contexto macrorregional; ü selecionar as possíveis áreas para revitalização e consolidação de efetivos corredores ecológicos; ü caracterizar a cobertura vegetal das áreas de intersse em nível mais detalhado no que se refere à fitofisionomia dominante, estado de conservação, grau de isolamento, fragmentação e efeito de borda; 444 ü caracterizar, em linhas gerais, a fauna de cada fitofisionomia, considerando a presença de endemismos, espécies-chave, espécies raras ou ameaçadas e relictos; ü estabelecer, em campo, os limites propostos para a futura Unidade de Conservação; e ü elaborar o Plano de Manejo da Unidade de Conservação. Etapas para implementação da Unidade de Conservação ü detalhamento da regularização fundiária e demarcação das terras; ü na elaboração, revisão ou implantação de plano de manejo; ü na aquisição de bens e serviços necessários à implantação, gestão, monitoramento e proteção da Unidade de Conservação, compreendendo sua área de amortecimento; ü desenvolvimento de estudos necessários à criação de nova Unidade de Conservação; e ü desenvolvimento de pesquisas necessárias para o manejo da unidade de conservação e área de amortecimento. 8.28.5 Equipe Básica Este programa poderá ser conduzido por equipe composta, no mínimo, por biólogo e engenheiro florestal, além de técnicos auxiliares. 8.28.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Após a definição da forma e do percentual de aplicação da compensação ambiental, a implantação desse programa passa a ser conjunta entre o empreendedor e o órgão responsável pela administração da futura Unidade de Conservação, ou daquela que deve receber os recursos da compensação ambiental. Também devem participar da implantação deste Programa os órgãos ambientais envolvidos com o AHE Colíder, além das prefeituras da área de entorno. 445 8.28.7 Custo Estimado O orçamento será definido após cálculo da Câmara Técnica de Compensação Ambiental, com limite máximo de 0,5% do investimento total, conforme Decreto Federal nº 4.340/02. 8.28.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Definição da categoria de manejo da futura UC Avaliação das áreas para a implantação da futura UC Caracterização da cobertura vegetal e da fauna das áreas de intersse Elaboração do Plano de Manejo da Unidade de Conservação Detalhamento da regularização fundiária e demarcação das terras Aquisição de bens e serviços necessários à implantação, gestão, monitoramento e proteção da UC 8.29 PROGRAMA DE GESTÃO DE RISCOS DE GALGAMENTO E DE SEGURANÇA OPERACIONAL DA BARRAGEM 8.29.1 Histórico e Justificativa As barragens têm um papel positivo no âmbito da gestão dos recursos hídricos, mas são igualmente fatores de risco acrescido nos locais onde são construídas. Novas barragens estão sob as críticas de grupos de proteção do ambiente e sujeitas ao receio do público. A gestão da segurança da operação da barragem deve, assim, ser formulada para se tornar eficaz e diminuir a vulnerabilidade das populações à jusante. Reconhece-se a impossibilidade de eliminação total do risco de ocorrência de acidentes ou incidentes em barragens. Deste modo, torna-se indispensável o controle da segurança estrutural, hidráulica, operacional e ambiental das mesmas. Anomalias em barragens podem ser atribuídas a falhas de projeto, falhas de construção, procedimentos errados de operação e falta de conservação das suas estruturas. Na maioria das vezes, os acidentes ocorrem em decorrência de um evento da natureza, como chuvas torrenciais, instabilidades geológicas, terremotos, ou por 446 razões construtivas, como recalques na fundação e no aterro ou percolações excessivas. A Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010 estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens, em seu Art. 3 diz que são objetivos da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB): I - garantir a observância de padrões de segurança de barragens de maneira a reduzir a possibilidade de acidentes e suas conseqüências; II - regulamentar as ações de segurança a serem adotadas nas fases de planejamento, projeto, construção, primeiro enchimento e primeiro vertimento, operação, desativação e de usos futuros de barragens em todo o território nacional; III - promover o monitoramento e o acompanhamento das ações de segurança empregadas pelos responsáveis por barragens; IV - criar condições para que se amplie o universo de controle de barragens pelo poder público, com base na fiscalização, orientação e correção das ações de segurança; V - coligir informações que subsidiem o gerenciamento da segurança de barragens pelos governos; VI - estabelecer conformidades de natureza técnica que permitam a avaliação da adequação aos parâmetros estabelecidos pelo poder público; e VII - fomentar a cultura de segurança de barragens e gestão de riscos. Segundo a referida lei, para estar em conformidade com a Política Nacional de Segurança de Barragens, existe a necessidade do monitoramento de todas as atividades desde a concepção do projeto até a operação. Assim, o programa pretende, com as respectivas atividades, contribuir para uma maior segurança, a qual pode ser conseguida através do controle de segurança atualmente praticado nas barragens e com a gestão do risco para a diminuição da vulnerabilidade, implementando um controle de ocupação, uma capacidade de previsão, planejamento, treino e uma coordenação eficaz nas situações de emergência. 447 8.29.2 Objetivo ü prevenir acidentes decorrentes de galgamento ou outras causas que possam levar à ruptura da barragem e das ensecadeiras, necessárias à obra; ü atuar em caso de emergências, com agilidade e em sincronia com outras entidades governamentais; e ü disponibilizar dados ao Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens e órgão de competência do Poder Público. São metas do programa: ü ü padrões mínimos de segurança das barragens para: · reduzir a possibilidade de acidentes; e · proteger a população e o meio ambiente. criar condições para ampliação e aperfeiçoamento do controle de barragens, por meio de fiscalização, orientação e correção das ações de segurança; ü aprimorar as normas direcionadas à segurança, voltadas às fases de planejamento, projeto, construção, 1º enchimento, 1º vertimento, operação, desativação e uso futuro das barragens; ü promover monitoramento e acompanhamento das ações de segurança empregadas pelos responsáveis por barragens; ü reunir informações que subsidiem práticas de gerenciamento governamentais quanto aos aspectos de segurança; e ü estabelecer concordâncias de natureza técnica que permitam a avaliação da adequação aos parâmetros estabelecidos pelo poder público. 8.29.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Emergências Ambientais; ü Programa de Monitoramento Climatológico; ü Programa de Monitoramento Hidrogeológico; ü Programa de Monitoramento Sismológico; e ü Programa de Comunicação Social. 448 8.29.4 Diretrizes Gerais Entre os principais riscos para operação de barragens de terra pode-se citar o galgamento e o piping, fenômenos que podem causar sérios danos estruturais e até mesmo a ruptura da barragem. O galgamento consiste basicamente no transbordamento devido à insuficiência hidráulica do vertedouro ou cheia não prevista no período de construção. A erosão interna causada pela percolação de água, geralmente em forma de tubo e que evolui de jusante para montante, do maciço construído ou da fundação, é denominada piping. As diretrizes gerais para o desenvolvimento deste Programa incluem: ü avaliação das condições de segurança das estruturas, diagnóstico e identificação dos fatores de risco; ü caracterização das ações requeridas para adequação da segurança; ü elaboração de plano de ação; ü elaboração de planos de monitoramento, manuais de inspeção de segurança e manuais de operação com as rotinas operacionais requeridas; ü operação dos sistemas de instrumentação, execução de leituras, relatório de leituras e avaliação de desempenho; ü auditoria técnica de segurança de ensecadeiras e barragens; e ü formulação e implantação de sistemas de gestão de risco. É de responsabilidade do empreendedor atentar para todos os aspectos de segurança estrutural e operacional das ensecadeiras e da barragem, devendo assegurar que sua construção, operação, inspeção e manutenção sejam executadas por profissionais qualificados para tal, que estejam aptos a identificar anomalias sempre a tempo de realizar reparos. Caso necessário, deverão ser estabelecidas as devidas restrições ao uso ou operação, propondo soluções adequadas aos problemas que surgirem. No caso de ocorrência de cheias superiores às previstas, procedimentos especiais devem ser realizados, para assegurar vidas e propriedades à jusante. Os responsáveis pela estabilidade das ensecadeiras e da barragem deverão ser automaticamente acionados se o nível da água no reservatório se elevar além da borda livre máxima prevista, com relatos da taxa de elevação do nível do reservatório e das condições climáticas. 449 Em artigo intitulado “A segurança das barragens brasileiras” publicado pelo Instituto de Engenharia, o Prof. Alberto Sayão, afirmou que “As obras de engenharia devem sempre considerar os efeitos de chuvas intensas. E as barragens não são exceções. Pelo contrário, são projetadas para resistir à pior inundação prevista para acontecer em milhares de anos”. Segundo a Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010, o Plano de Segurança da Barragem deverá conter, no mínimo, as seguintes informações: I – identificação do empreendedor; II – dados técnicos referentes à implantação do empreendimento, inclusive, no caso de empreendimentos construídos após a promulgação da Lei, do projeto como construído, bem como aqueles necessários para a operação e manutenção da barragem; III – estrutura organizacional e qualificação técnica dos profissionais da equipe de segurança da barragem; IV – manuais de procedimentos dos roteiros de inspeções de segurança e de monitoramento e relatórios de segurança da barragem; V – resultados das inspeções de segurança; VI – revisões periódicas de segurança; VII – regra operacional dos dispositivos de descarga da barragem; VIII – indicação da área do entorno das instalações e seus respectivos acessos, a serem resguardados de quaisquer usos ou ocupações permanentes, exceto aqueles indispensáveis à manutenção e à operação da barragem; e IX – Plano de Ação Emergencial – PAE. Pode-se, assim, concluir que: ü a aplicação de um Regulamento de Segurança de Barragens é uma oportunidade para melhorar o nível de segurança e proteção das populações a jusante; ü o envolvimento das autoridades locais e regionais deverá ser estudado de forma a garantir uma resposta adequada em caso de eventual acidente e a diminuir os potenciais danos; 450 ü a informação deve ter um suporte computacional (base de dados) que permita a consulta, visualização e tratamento. A responsabilidade da análise ultrapassa o dono da obra e projeta-se na esfera da segurança nacional e regional e das estruturas de proteção civil; ü a utilidade do esforço técnico só será refletida num ganho real da segurança e de proteção no caso de a informação ser integrada num esquema nacional que tenha em conta a participação, a diversos níveis, da gestão local e regional e a participação das populações interessadas; ü o controle do risco de cheias provocadas por acidentes de barragens deve ser coordenado e integrado com a gestão global do risco nos vales, incluindo as cheias resultantes da exploração das barragens ou naturais; ü há de se evitar que os planos de emergência e os sistemas de segurança fiquem rapidamente obsoletos. Dá de se implementar metodologias de atualização da informação incluindo a prática de treinos ou exercícios periódicos; e ü a participação e a informação das populações exige um conhecimento adequado de percepção do risco que as mesmas tenham, por forma a garantir um elevado nível de eficácia nas medidas de mitigação e na resposta a eventuais situações de crise. 8.29.5 Equipe Básica Para a execução desse Programa o empreendedor deverá constituir equipe de segurança da ensecadeira e da barragem, a ser composta minimamente por engenheiros civis, geólogos e hidrólogos. 8.29.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução As instituições envolvidas que deverão participar da fiscalização e/ou obtenção dos relatórios produzidos serão a SEMA–MT, as Prefeituras Municipais, o IBAMA, o Ministério Público, ANA/MMA, Ministério da Integração Nacional, Defesa Civil, sistema CONFEA/CREA, entre outros. 451 8.29.7 Custo Estimado Estima-se um custo de R$300.000,00 para a execução do Programa durante cinco anos. 8.29.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Avaliação das condições de segurança das estruturas, diagnóstico e identificação dos fatores de risco Caracterização das ações requeridas para adequação da segurança Elaboração de plano de ação Elaboração de planos de monitoramento, manuais de inspeção de segurança e manuais de operação com as rotinas operacionais Operação dos sistemas de instrumentação, execução de leituras, relatório de leituras e avaliação de desempenho Auditoria técnica de segurança de barragens Formulação e implantação de sistemas de gestão de risco Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Avaliação das condições de segurança das estruturas, diagnóstico e identificação dos fatores de risco Caracterização das ações requeridas para adequação da segurança Elaboração de plano de ação Elaboração de planos de monitoramento, manuais de inspeção de segurança e manuais de operação com as rotinas operacionais Operação dos sistemas de instrumentação, execução de leituras, relatório de leituras e avaliação de desempenho Auditoria técnica de segurança de barragens Formulação e implantação de sistemas de gestão de risco 452 8.30 PROGRAMA DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL DA COPEL 8.30.1 Histórico e Justificativa A responsabilidade social e ambiental aparece como um dos cinco valores que balizam a gestão estratégica, organizacional e das pessoas que compõem a Copel. No sítio eletrônico do empreendedor, a responsabilidade socioambiental é definida como a “condução da vida da empresa de maneira sustentável, respeitando os direitos de todas as partes interessadas, inclusive das futuras gerações e o compromisso com a sustentação de todas as formas de vida”. A política de sustentabilidade e cidadania do empreendedor ainda possui como parte das suas diretrizes: ü Contribuir para o desenvolvimento sustentável das regiões que acolhem os empreendimentos e operações da Companhia; e ü Promover ações socioambientais externas, tanto em apoio como em parceria, com recursos próprios como investimento social privado e/ou por meio de incentivos fiscais. Dentro do contexto de valoração e respeito às questões socioambientais, este Programa se propõe a viabilizar apoio da Copel para projetos socioambientais a serem gerenciados por terceiros durante a fase de operação do AHE Colíder. 8.30.2 Objetivos Os objetivos do presente programa são: ü Diagnosticar demandas socioambientais na região do empreendimento; ü Divulgar editais para recepção e análise de projetos; ü Selecionar projetos para serem financiados integral ou parcialmente; e ü Acompanhar a implantação dos projetos selecionados e seus resultados. 8.30.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Comunicação Social Monitoramento e Fomento a Atividades Econômicas; ü Programa de Implantação ou Incremento de Viveiro Florestal; 453 ü Programa de Educação Ambiental; ü Programa de Vigilância Epidemiológica e Controle de Epidemias; ü Programa de Gestão Ambiental; e ü Programa Sócio-Patrimonial do Reservatório. 8.30.4 Diretrizes Gerais Seguindo a seqüência dos objetivos listados acima, a primeira atividade a ser realizada como parte integrante do programa de responsabilidade socioambiental da Copel é um diagnóstico de demandas socioambientais, onde carências regionais serão identificadas e localizadas, ou seja, delimitadas quanto ao público alvo, ao quantitativo/qualitativo populacional e ao espaço geográfico. O público alvo prioritário para seleção de projetos são os Povos e Comunidades Tradicionais, entendidos, de acordo com as definições do governo federal, como os “grupos que ocupam e usam, de forma permanente ou temporária, territórios tradicionais e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Para isso, são utilizados conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. Entre os PCTs do Brasil, estão os povos indígenas, os quilombolas, as comunidades de terreiro, os extrativistas, os ribeirinhos, os caboclos, os pescadores artesanais, os pomeranos, os faxinalenses, dentre outros.” (Disponível em: <www.mds.gov.br> Acesso em 05/11/2010) Em seguida estão agricultores familiares, conforme Pronaf A/B, C ou D e então demais comunidades. Durante esse trabalho de diagnóstico, que deve ocorrer em paralelo ao processo da construção do empreendimento, um grupo de trabalho do empreendedor deverá receber a incumbência de elaborar editais para recepção e análise de projetos. Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) relacionados a questões socioambientais da região do AHE Colíder deverão ser igualmente fomentados. Os editais que serão elaborados para a seleção de projetos deverão exigir que os projetos concorrentes contemplem além do alinhamento com a Política de Sustentabilidade e Cidadania da Copel, os seguintes princípios: ü necessidade e complementaridade; ü vantagens comparativas; ü maximização do efeito multiplicador; 454 ü replicabilidade; e ü compatibilidade orçamentária. Entende-se por necessidade a efetiva contribuição do projeto para a mitigação ou extinção de algum passivo socioambiental existente. Um projeto será selecionado se tiver por meta atender necessidades que não estão sendo parcial ou totalmente atendidas por entidades públicas, ou mesmo por outros projetos do terceiro setor já implantados na região. O projeto concorrente poderá ser complementar a outro já existente. Um dos critérios para a avaliação de projetos deverá ser a avaliação de vantagens comparativas. Vislumbra-se com a implantação de um projeto a obtenção de inúmeras vantagens mensuráveis para todos os agentes envolvidos: população receptora, ambiente, empreendedor, administração pública, terceiro setor, etc. A comparação de realidades futuras decorrente da implantação do projeto deve ser um componente da avaliação. O efeito multiplicador é entendido como a capacidade que um projeto tem de amplificar seus resultados no tempo e no espaço, de modo a possibilitar a dispersão de benefícios socioeconômicos. Projetos de capacitação que difundem conhecimento deverão ser priorizados. O princípio da replicabilidade reflete a capacidade do projeto ser “copiado” ou adaptado para outras realidades socioambientais. Esse critério também deverá ser levado em conta na seleção de projetos. Ainda como princípio para a avaliação, deverá ser rigorosamente analisada a proposição orçamentária de cada projeto, evitando desperdícios e mau uso na aplicação dos recursos. Cada proposta de projeto deverá obrigatoriamente apresentar custos de execução abertos por atividade e por mês de execução, sendo o repasse de verbas preferencialmente feito a Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIPs, devidamente constituídas nos termos da lei 9.790 de 23 de março de 1999. A mesma equipe técnica da Copel que elaborou os editais deverá proceder à seleção dos projetos vencedores atribuindo pontuações para os critérios acima discriminados. Propõe-se que os primeiros editais sejam disponibilizados no máximo após um ano do início das obras, permitindo que os primeiros projetos comecem suas atividades em paralelo com a fase final das obras, em meados de 2014. 455 Por fim, a última etapa do presente programa será o acompanhamento dos resultados da implantação dos projetos selecionados, o que deve ocorrer por meio de visitas periódicas à região do projeto, análise de relatórios técnicos e financeiros emitidos pela entidade executora, além da divulgação dos resultados pela Coordenação de Marketing da Copel. 8.30.5 Equipe Básica A equipe executora desse programa deverá contar com colaboradores da Copel na seleção e monitoramento dos projetos, além de equipes multiprofissionais atuantes na execução dos projetos, contratados de acordo com as demandas extras. 8.30.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução Empreendedor e OSCIPs. 8.30.7 Custo Estimado O custo estimado para esse Programa é de R$400.000,00 (quatrocentos mil Reais). 8.30.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Elaboração de diagnóstico socioambiental com o objetivo de elaborar editais de projetos Lançamento dos primeiros editais Lançamento de mais editais Seleção do(s) projeto(s) Implantação e monitoramento dos projetos Relatórios do programa Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Elaboração de diagnóstico socioambiental com o objetivo de elaborar editais de projetos Lançamento dos primeiros editais Lançamento de mais editais Seleção do(s) projeto(s) Implantação e monitoramento dos projetos Relatórios do programa 456 8.31 PROGRAMA DE SUPERVISÃO AMBIENTAL 8.31.1 Histórico e Justificativa A supervisão ambiental atuará como apoio ostensivo a SEMA-MT, no sentido de informá-la quanto ao andamento dos trabalhos e efetividade das ações previstas neste Projeto Básico Ambiental. Além disso, será responsável pela aferição da qualidade dos trabalhos efetuados e pela troca de informações entre os diversos agentes envolvidos na implementação dos programas, fazendo com que os trabalhos sejam realizados com maior eficiência. Assim, o programa proposto assume, também, uma posição participativa no contexto das ações planejadas, passando não só a acompanhar e relatar, mas a agir de forma integrada aos grupos de execução dos trabalhos. 8.31.2 Objetivo O objetivo deste programa é instituir mecanismos para execução harmônica dos demais programas propostos e buscar a interação com o órgão ambiental a fim de viabilizar o repasse contínuo de dados e de informações sobre o cumprimento dos cronogramas e das condicionantes ambientais estabelecidas. 8.31.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA Pela sua importância e amplitude, o Programa de Supervisão Ambiental possui relação direta com todos os demais programas integrantes desse PBA. 8.31.4 Diretrizes Gerais O acompanhamento da execução dos programas ambientais consiste na ação fundamental do Programa de Supervisão Ambiental, sendo efetuado como segue: 8.31.4.1 Acompanhamento Direto O acompanhamento direto é efetuado através de visitas sistemáticas de campo, desde o início dos trabalhos e em momentos estratégicos definidos nas metodologias dos Programas Ambientais, iniciados ainda na fase de planejamento. 457 As visitas de campo distinguem-se segundo o momento de sua realização, conforme segue: ü reunião para discussão visando o início da implantação das ações dos programas; ü acompanhamento, em campo, das ações planejadas; ü reuniões durante a execução das ações para avaliação de resultados preliminares; e ü reunião após o encerramento das ações para avaliação final. 8.31.4.2 Acompanhamento Indireto O acompanhamento indireto é efetuado através de análise dos relatórios dos Programas Ambientais. Nesse sentido, essa ação de supervisão é efetuada em conjunto com os trabalhos de gerenciamento dos programas ambientais. Bimestralmente ou trimestralmente será elaborado o relatório cumulativo contendo as informações principais sobre o andamento dos programas ambientais, preparados em linguagem clara e precisa, apoiados em fatos e dados observados em campo e informados pelos responsáveis pela execução de cada programa ambiental. Para o cumprimento do escopo acima definido a supervisão ambiental deverá realizar as seguintes atividades: ü leitura, análise e sugestão de complementações aos subprojetos de exploração florestal, destinação da madeira desmatada e reposição florestal, a serem elaborados pelos respectivos executores das atividades; ü acompanhamento das atividades de desmatamento e de reposição florestal, em campo; ü apoio técnico nas gestões de licenciamento de corte e transporte da matériaprima florestal, junto a SEMA-MT; ü acompanhamento da execução dos demais programas ambientais e verificação eventual da satisfação do respectivo público alvo; ü análise de documentação técnica para identificar conflitos do projeto de engenharia com o PBA e detectar a necessidade de incorporações e adequações às soluções de engenharia; e 458 ü elaboração e envio a SEMA-MT de relatório de supervisão cumulativo (em freqüência bimestral ou trimestral), contendo a análise factual e crítica do andamento de todos os programas ambientais aqui previstos. 8.31.5 Equipe Básica O Programa de Supervisão Ambiental deverá ser desenvolvido com base na atuação multidisciplinar de uma equipe formada por profissionais de meio ambiente, preferencialmente com experiência em atividades de licenciamento ambiental em empreendimentos de grande porte, como é o caso do AHE Colíder. 8.31.6 Instituições/Empresas Sugeridas para a Execução O programa poderá ser desenvolvido por profissionais efetivos da Copel, com apoio de prepostos da empreiteira responsável pela construção. 8.31.7 Custo Estimado O custo do Programa faz parte integrante das ações de caráter ordinário desenvolvidas pela Copel Geração na implementação do AHE Colíder, não havendo necessidade de uma estimativa de gastos. 459 8.31.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 8 9 10 11 12 Planejamento Análise de projetos Acompanhamento direto Acompanhamento indireto Relatórios bimensais Relatório final Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 6 7 Planejamento Análise de projetos Acompanhamento direto Acompanhamento indireto Relatórios bimensais Relatório final Ano 8 Ações Previstas 6 7 Ano 9 6 7 Ano 10 6 7 Planejamento Análise de projetos Acompanhamento direto Acompanhamento indireto Relatórios bimensais Relatório final 8.32 PROGRAMA DE SALVAMENTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, CULTURAL E PAISAGÍSTICO 8.32.1 Histórico e Justificativa O Estado de Mato Grosso representa uma junção de aspectos histórico-culturais modernos e antigos, que deram origem à sua formação. Seu passado histórico é marcado por intensa ocupação e exploração, fazendo com que sua localização geográfica estratégica levasse os portugueses que lá chegaram a estabelecerem pontos contra a invasão espanhola nas divisas. Com a descoberta de minas de ouro há o início do processo de miscigenação entre povos índios, brancos e negros, que ali chegaram. Na história recente, a partir do início do Século XX, a busca de novas fronteiras agrícolas para essa região atraiu pessoas de todo o Brasil, provocando novas trocas culturais. 460 Sabe-se, por meio de estudos preliminares, que a área é de transição ecológica entre a Floresta Amazônica e o Planalto Central, com culturas pré-coloniais e planaltinas típicas. Há uma rica rede de fazeres populares como o artesanato de tucum, a pesca, técnicas construtivas e as festividades típicas de cada região. Além do patrimônio paisagístico, como as praias ao longo do rio Teles Pires, rio Renato, etc. A região central do Brasil foi toda ocupada por diferentes grupos indígenas, sendo que muitos ainda estão presentes e outros já não ocupam a região, deixando enorme legado histórico e cultural a ser registrado. Diante desse desenrolar de fatos e de mistura de povos, o presente programa deve ter por premissa a salvaguarda dos bens históricos e culturais móveis e imóveis, de natureza material e imaterial das populações dos municípios atingidos: Itaúba (pop. 4.585), Colíder (pop. 32.096), Nova Canaã do Norte (pop.13.237) e Claúdia (pop. 11.148). Além do trabalho de levantamento, registro e coleta de material, deverá proceder ações de educação patrimonial para as populações estudadas. Importante no processo é garantir a participação da população, descobrindo seus saberes e fazeres a fim de que se desenvolva responsabilidade, respeito e preservação quanto ao seu patrimônio histórico e cultural. A preservação da história local traz como valor agregado a integração à memória regional, estadual e mesmo nacional, compondo o entendimento da formação da identidade brasileira. A difusão do salvamento para a comunidade local deve se fazer por meio de ações didáticas, voltadas para as populações, como palestras, exposições, debates, oficinas de fazeres, cartilhas, livros, etc. As legislações míninas de referência aplicada são: Decreto-Lei Federal nº 25, de 30/11/1937, Resolução CONAMA 01/86, Lei Estadual nº 3.774, de 20/09/76, dentre outros. Partindo do conceito geral de que, conforme art 216 da CF/88 - constituem Patrimônio Cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente e em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem: I- as formas de expressão; II- os modos de criar, viver e fazer; III- as criações cientificas, artísticas e tecnológicas; 461 IV- as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados as manifestações artístico-culturais; V- os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológicos, ecológicos e científicos. O Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) é um dos principais instrumentos para a identificação e documentação de bens culturais sob a perspectiva da atual política de valorização do patrimônio imaterial originada pelo decreto nº 3.551 de 4 de agosto de 2000 (IPHAN). 8.32.2 Objetivo O Programa de Salvamento do Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico, tem como objetivo a identificação, preservação e difusão do Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico local. 8.32.3 Relação com Outros Programas ou Medidas do PBA ü Programa de Preservação, Prospecção e Resgate do Patrimônio Arqueológico; ü Programa de Comunicação Social; ü Programa de Educação Ambiental; e ü Programa de Supervisão Ambiental. 8.32.4 Diretrizes Gerais A implementação do Programa deverá ser iniciada na fase de planejamento e ocorrerá antes da mobilização do canteiro de obras e antes do desmatamento. Vale ressaltar que o salvamento paisagístico, deve ser realizado antes de qualquer alteração no meio biótico e físico, bem como, caso hajam, bens históricos móveis, imóveis, assim como cemitérios. Solicitação de Licenças e Efetuação de Contatos com Instituições Deverá ser seguida a metodologia do IPHAN para o Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC. Também, contatos com instituições de pesquisa, ensino e museus, deverão ser realizados de modo a averiguar a possibilidade de interesse em recebimento de exemplares para fins científicos e didádicos, dentre outros objetivos. 462 Reforçando que as ações de Educação Patrimonial devem ser sistematizadas com as ações de Educação Patrimonial do Programa de Salvamento Arqueológico, de modo que a história difundida para a população seja integradora, participativa e inclusiva. Execução do Programa O Programa atingirá a Área de Influência Direta - AID e Área de Influência Indireta AII, a fim de compor o mosaico cultural identitário local por meio das seguintes ações: ü realizar levantamento de campo com resgate dos hábitos, costumes, técnicas agrícolas, paisagens, festas populares e religiosas, por meio de fotos e vídeos; ü identificar, pesquisar e registrar os imóveis que contem a história coletiva dos povos, como igrejas, casas, seminários, órgãos públicos, cemitérios e outras construções históricas; ü assegurar fomento para pesquisa por meio do rigor científico na produção do material de salvamento; ü identificar e caracterizar espacial e cronologicamente a chegada, permanência e as contribuições culturais das populações tradicionais, formada por grupos indígenas, negros, colonos, etc; ü obter documentos e fotos de época, a fim de se compor um arquivo documental histórico destinado a museus ou universidades; ü criar acervo de objetos que representem o simbolismo do mundo cultural dessas populações; ü registrar o belo e a paisagem sob a ótica e o olhar das populações; ü identificar e discutir com a população local a percepção das transformações do meio social, natural, territorial, econômico, histórico e paisagístico advindas com a construção do AHE Colíder; ü elaborar um mapeamento dos bens e referências culturais e possíveis formas de preservação; ü avaliar os impactos do empreendimento na vida social e cultural das populações e sua reorganização em torno de seus saberes e fazeres e relações com os atores locais; ü investigar a rede de relações sociais e seus vínculos com o modo vida, a economia e cultura local; 463 ü compreender o modo de vida local, a partir da representação de sua história e sua relação com a economia, a sociedade e a cultura; ü entender a relação da comunidade atingida com a terra e seus vínculos e obstáculos em relação à adaptação em outra (s) região (ões); ü realizar a ritualização em caso de transferência de cemitérios da comunidade; e ü montar exposição temporária itinerante com os resultados dos registros históricos, culturais e paisagísticos. A diretrzes expostas em projeto deverão ser apresentadas ao IPHAN e à Secretaria de Estado da Cultura de Mato Grosso, para aprovação ou validação necessária e ainda, deverão obedecer à legislação vigente e pertinente, tanto federal como estadual. Todos os materiais resgatados, depois de estudados, identificados e registrados, devem ser enviados para instituições da região afetada pelo empreendimento, com infraestrutura e condições adequadas para o gerenciamento do acervo, com embalagens e reservas técnicas, que sigam os critérios do International Council of Museums (ICOM). Os trabalhos devem ser divulgados em periódicos científicos e/ ou eventos acadêmicos, bem como levados ao conhecimento das comunidades regionais. Assim, sinteticamente, o presente Programa contemplará sequencialmente as seguintes etapas: ü seleção e contratação da equipe ü elaboração de diagnóstico – fatores positivos e negativos com a implantação da usina para as populações; ü registro fotográfico dos acidentes geográficos e paisagens de beleza cênica; ü reunião preliminar com as autoridades e lideranças locais para esclarecimentos e estabelecimento de parcerias para os trabalhos; ü reunião com comunidade para reunir subsídios; ü pesquisa de campo com registro fotográfico, audiovisual e entrevistas; ü avaliação e participação da comunidade no processo de construção da história local, uso da História Oral com atores e atrizes que representem a memória-viva; ü levantamento, mapeamento e registro dos bens culturais; ü mapeamento das festividades e eventos de natureza imaterial da cultura; e ü propostas de preservação da história, cultura e paisagem local. 464 Acervo O acervo coletado deve permanecer próximo do local no qual foram resgatados e é de responsabilidade da Copel a guarda e conservação desses materiais. 8.32.5 Equipe Básica Este programa deverá ter à frente dois profissionais da área de ciências humanas sendo, no mínino, um mestre em História e um mestre em Antropologia, habilitado e credenciado, juntamente com equipe multidisciplinar e qualificada. 8.32.6 Instituições/ Empresas sugeridas para a Execução Face à natureza do projeto deverá ser contratado um Historiador coordenador, com experiência comprovada em pesquisa e estudos de meio ambiente, contato com populações atingidas, resgate e educação, junto com equipe técnica qualificada. É importante a parceria entre a equipe executora, as instituições do Estado do Mato Grosso e a Copel. 8.32.7 Custo Estimado O custo do programa deve se aproximar de R$550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil Reais). 465 8.32.8 Cronograma Início das Obras Ano 1 Ações Previstas 9 10 11 12 Desvio do Rio Ano 2 1 2 3 4 5 6 7 Ano 3 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 4 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Seleção e contratação da equipe executora Análise bibliográfica, elaboração de diagnóstico histórico-cultural Pesquisa de campo para mapeamento dos bens culturais, de natureza material e imaterial e paisagísticos a serem preservados e identificados Reunião preliminar com autoridades, lideranças, Instituições de Ensino e Pesquisa e comunidade local Ações de Educação Patrimonial junto aos grupos formais e nãoformais Salvamento do patrimônio histórico e cultural com comunidades dos municípios atingidos com utilização de técnicas avançadas de construção da História Registro dos saberes e fazeres locais das comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, etc. Proposta de preservação e difusão da história, paisagem e cultura local Organização de exposição dos bens culturais à comunidade Relatórios do programa Cronograma continua na próxima página 466 Enchimento do Reservatório Início da Geração Ano 5 Ações Previstas 1 2 3 4 5 6 7 Ano 6 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 Ano 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Seleção e contratação da equipe executora Análise bibliográfica, elaboração de diagnóstico histórico-cultural Pesquisa de campo para mapeamento dos bens culturais, de natureza material e imaterial e paisagísticos a serem preservados e identificados Reunião preliminar com autoridades, lideranças, Instituições de Ensino e Pesquisa e comunidade local Ações de Educação Patrimonial junto aos grupos formais e nãoformais Salvamento do patrimônio histórico e cultural com comunidades dos municípios atingidos com utilização de técnicas avançadas de construção da História Registro dos saberes e fazeres locais das comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, etc. Proposta de preservação e difusão da história, paisagem e cultura local Organização de exposição dos bens culturais à comunidade Relatórios do programa 467 ANEXO 1 – ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA 468 469 470 471 472 473